29.9 Glória-9

ciclo 2º Ciclo
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A avaliação externa foi uma coisa que eu fiz mal. Pronto, fiz mal porque fui mesmo tótó. Fui mesmo ingénua. A avaliação externa, nós eramos uma escola muito boa, com muitos bons resultados, os nossos alunos iam para o liceu e depois iam para a faculdade, era MUITO boa a nossa escola, e o liceu também, muito boa e eu pensei, dentro da minha HONESTIDADE mental – que é coisa que eles não tiveram – que a avaliação externa havia de ser uma coisa boa para nós. E mandei uma carta ao senhor professor Joaquim Azevedo a dizer que sim senhora, que tinha dado conta deste projeto e que gostaria de saber em que termos é que funcionava para eventualmente – para eventualmente – a nossa escola aderir ao projeto. Mas eu queria saber o que é que era! Eu não sabia! Como com a avaliação do pessoal, mas isso é outra história. E pronto, mandei uma carta ao senhor professor Joaquim Azevedo e ele automaticamente diz “agendamos uma avaliação externa para a sua escola para dois ou três meses”. Eu fiquei em pânico! Mas o que é isto? Eu não pedi!!!! Eu só perguntei, eu só perguntei!!!! Pronto, mandou-me lá os documentos, documentos que eram os parâmetros, mas eu nunca pensei, foi um logro, foi a coisa pior que eu fiz na minha vida. Porque foi um logro, caímos num logro. Apareceram-nos uns professores não sei de que faculdade para a avaliação externa e toca de nos pedir papéis e de nos fazer aquelas mesas, a coisa estava muito bem estruturada, atenção! Não estou a dizer mal. Eles ouviram tudo… três dias, em três dias eles analisaram uma escola daquelas com 1500 alunos, e 200 e não sei quantos professores, vão para o raio que os parta! Pronto, o que é que eles pediram? Para ouvir determinados grupos, grupo disto e daquilo, o grupo de pessoal não docente, só que, infelizmente para mim, nós estávamos a atravessar uma época terrível que era a época do reinado da Maria de Lurdes Rodrigues, e as pessoas detestavam a pessoa e detestavam… as pessoas estavam a ficar muito desconfiadas na escola, e aproveitaram, na sua boa fé, para dizer as suas perplexidades, as suas tristezas, aquilo que ia mal. Portanto aos olhos dos nossos avaliadores, as pessoas só disseram mal, portanto a escola estava mal. Fomos muito mal classificados. Depois da nossa experiência, porque é como eu digo, eu não PEDI avaliação, eu PERGUNTEI! Depois da minha estúpida precipitação outras escolas foram sabendo como era, a avaliação interna que era o último dos parâmetros, nunca mais me vou esquecer – às vezes ainda sonho com isso – eu sabia lá o que era a avaliação interna! Nunca ninguém nos tinha dito o que era a avaliação interna, nunca ninguém nos preparou para coisa nenhuma. Nós não sabíamos que existia!! O que é que era a avaliação interna? Acho que agora isso já acabou, felizmente. A avaliação interna era dossiers e dossiers de papéis, dossiers e dossiers de papéis e de gráficos e de comparações e de… olhe uma porcaria para não dizer pior. Papéis! A dizer que a escola era muito boa, muito boa, relatórios, relatórios, relatórios. Vão para o diabo que os carregue com os relatórios, eu tinha os bons alunos! Isso é que conta! Quais relatórios qual carapuça!