29.10 Glória-10

ciclo 2º Ciclo
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Depois de 2008 veio aquele estúpido daquele decreto lei 75, que ainda está em vigor e que partiu a escola toda. 75/2008 nunca mais me esqueci – mas eu tenho muito boa memória para algumas coisas claro [risos] – que instituiu o diretor. A figura do diretor com quase plenos poderes, coitadinhos! Têm o poder do cocó, mas alguns pensam que sim, que têm muito poder, coitados! A figura de diretor, a figura de coordenador de departamento, e tudo nomeado pelo diretor, e o diretor, e o diretor, e o diretor… pronto, eu e a minha vice presidente dissemos “vamos concorrer à direção!”, e concorremos! E concorremos e depois não ganhamos… aquilo que eu vou dizer é a minha palavra única - mas não é só porque há muita documentação escrita por aquela escola - a outra lista do grupo arranjou um pseudo-diretor, coitadinho, ele tinha metade do meu currículo. Tinha METADE do meu currículo, mas pronto, já havia o bom do conselho geral – uma falácia! – o conselho geral nas escolas é uma falácia. Manipulou, manipulou, conseguiu manipular o pessoal não docente com promessas que depois não cumpriu, não é verdade? O conselho geral fez um conjunto de ilegalidades, muitas ilegalidades e nós recorremos. Não queira saber aquela entrevista, o conselho geral a fazer uma entrevista aos candidatos, que estupidez. Uma estupidez! Não queira saber a entrevista, nunca fui tão humilhada na minha vida. Eu já estava à beira de me reformar, estava nas tintas para ser diretora ou não, agora as coisas têm que ser muito pensadas e sérias, senão não vale a pena, pronto. A entrevista que me fizeram, a mim e ao outro palerma, não foi feita pela presidente do conselho geral, não foi feita, porque ela não tinha estaleca para isso. Ela era uma pessoa muito medrosa, era e é, e foi feita por um pai, tinha 30 e poucos anos, um gestor de recursos humanos dos CTT. Nunca fui tão humilhada! Por um badameco. Um badameco. E se o vir na rua é uma pessoa com quem não falo. Ele bem me cumprimenta, mas eu passo à frente, faço de conta que não o conheço. Mas nunca fui tão humilhada, foi MUITO feio aquilo que me fizeram. Pronto, recorremos para tribunal e ganhamos. E estivemos lá mais dois anos. Recorremos contra a direção regional. Depois passado os dois anos recebemos um dia uma carta da direção regional de um advogadeco que lá está, acho que ainda está, não me lembro do nome dele, mas também não interessa para nada, um advogado que NUNCA foi capaz de dar uma orientação, dava pareceres… um dia mandou um email para a escola, em 2010, a dizer “têm três dias para abandonar o cargo e para o diretor indigitado tomar posse”. O tribunal nunca nos deu resposta, nós metemos providências cautelares, e foram aceites, duas e foram aceites durante o tempo que lá estivemos, mas depois o tribunal nunca nos deu resposta. Não faz mal! Porque eu já tinha tempo de reforma, saí da escola [emociona-se] de queixo erguido. A então presidente do conselho geral novo era a minha ex-vice, foi muito desagradável no dia em que eu saí, entrou na sala e disse “olha Glória Maria, a partir de amanhã começa uma nova vida!”. Nunca mais me vou esquecer destas palavras. E vim para casa. E estou muito bem, e estou muito bem. Fiz muitas coisas já entretanto, outras que ela não era capaz de fazer.