| ciclo | 2º Ciclo |
| id | Glória-8 |
| pof | entrevista_Glória |
Mas, entretanto, aquilo na minha escola [suspiro] começou na sala dos professores um txu txu txu, toda a gente a dizer mal do conselho diretivo. Executivo, na altura já, executivo. E com razão, e com razão! Curiosamente, a minha ex vice presidente, a minha ex vice presidente. E porquê? Porque resolveram fazer um grupo dentro da escola. Não pode haver grupos dentro das escolas! E se os houver têm que ser muito discretos. Pronto, aquilo, como dizia com muita piada um colega meu de História, dizia “olha menina” – ele é muito mais velho do que eu – “aquilo é o ódio do 4º grupo”. E era, de facto, o ódio do 4º grupo. O ódio do 4º grupo, era realmente. As senhoras do 4º grupo que se apropriaram da escola completamente. E eu sei que isso acontece atualmente nas escolas e é dramático, sei porque tenho filhas nas escolas, a minha mais nova não é professora, mas é terapeuta da fala num agrupamento de escolas, e sei que infelizmente é assim nas escolas, haver grupos. Não pode! Não pode. E aquela era a minha escola, eu não podia permitir que dessem cabo da MINHA escola [risos], eu estive lá 36 anos, não foi assim pouco. De maneira que como nunca, nunca não, eu era uma pessoa calada, mas depois fui abrindo e de que maneira, e depois ouvia-se falar na sala dos professores, eu era a primeira, era aquela que fazia mais barulho. Como sempre. Cheia de razão porque eu conhecia aquela escola – ainda conheço – por dentro e por fora. Que é isso agora? Grupinhos? Quer dizer para os amigos eram os bons horários, os outros que… não pode! Não pode! Pronto, entretanto, já tinham chegado os agrupamentos verticais, os verticais. Portanto tínhamos uma série de escolas do 1º ciclo e pré-escolar. E o coordenador desse ciclo, pré e pri, era o antigo delegado escolar com quem eu me dava muito bem – e dou - e pronto, e ele passou a integrar o conselho executivo da escola. Só que, lá está, o grupinho, o grupinho que dominava o conselho executivo pôs o nosso coordenador do 1º ciclo fora do conselho executivo, fisicamente. Portanto ele era, fazia parte, mas fisicamente ele estava numa sala onde estava o funcionário do SASE. Está a ver? Aquilo aqui dentro da minha cabeça estruturada fazia-me cá uma confusão, mas pronto, mas eu já tinha dito, aí é que eu já tinha dito “não volto aos conselhos diretivos, já estou muito velha, já fiz muitas coisas, acabou! Ponto final, parágrafo. Quem quiser que se arrume”. Mentira! Meu Deus que vergonha, que vergonha. Mentira, pronto. Chega-me ele aqui a casa, o J. P., e diz “olha, tens que fazer uma lista”, “não faço lista nenhuma J. P., não me aborreças, estou farta de listas…”. “Temos que fazer uma lista, temos que fazer uma lista porque aquela escola está toda partida e ninguém se entende, elas acham que os professores do 1º ciclo não servem para nada, não são tidos nem achados” não sei quê, não sei que mais, pronto e lá fizemos a lista. Em três dias nós fizemos a lista e na altura já era com um projeto e tudo, a mania dos projetos dos anos 90 e tal, a mania dos projetos. Eu sou anti projeto. Tenho tudo projetado dentro da minha cabeça, mas aqueles projetos escritos, enfim. Mas ponto, lá fizemos o projeto e toda a gente, lista B. Foi um escândalo quando apareceu a lista B! Claro que nós estávamos para não ganhar, não é? Até porque eles tinham o grupo, tinham manietado tudo, por isso nós estávamos mesmo para não ganhar, e eles estavam absolutamente convencidos que não ganhávamos. Nessa altura já havia, não era o conselho geral era a assembleia de escola – outro disparate, mas enfim – e a presidente da assembleia – bem, essa já morreu, mas eu não me importo de falar o que tenho a falar das pessoas que já morreram - destratou-me! Destratava-me na sala dos professores! Aquilo era uma vergonha. Uma VERGONHA aquela mulher, enfim. O certo é que nós ganhamos por 35 votos. E foi uma bronca. No fim da eleição foi uma bronca! Porque os meus colegas da minha lista, cheios de medo, não apareceram. Então eu estava nervosíssima como deve imaginar, mas estive ali com cara de estanhada – como dizia a minha mãe – eu ali na sala dos professores à espera dos resultados. Fecharam as urnas e os resultados nada de saírem, nada de saírem. Toda a gente “mas o que é que se passa?”, porque as pessoas da mesa eram pessoas do grupinho do ódio, não é? De vez em quando saía uma “ainda não acabamos”. Tempos infinitos e depois lá apareceu uma do grupo, que era a presidente da mesa, “olha pronto ganhou a lista B por 35 votos”. Bem aquela presidente da assembleia começou a disparatar, a dizer “não acredito!!!!” e eu saí porta fora caladinha, muda e tal… Depois recandidatamo-nos e ganhamos outra vez, bem não queira saber o que eles nos fizeram. Eles mandaram queixas para a direção regional, eles impugnaram a votação, eles fizeram trinta por uma linha. Mas a direção regional deu-nos razão