| ciclo | 3º Ciclo e Secundário |
| id | Maia-4 |
| pof | entrevista_Maia |
Houve um menino, que não era, de facto, muito bom aluno, mas que se esforçava imenso, e num teste eu fiz uma coisa estúpida, que era incapaz de fazer num exame, mas num teste, um miúdo… Consegui, na [escola] D., que houvesse percentagem nos testes, Não havia, era os Sufs, e os Bons, e os Muito Bons, e eu disse: “Que é isso? E o resto, guardas para ti? Na caderneta? Nem penses, e obrigatório!”. Obrigatório, sim, houve algumas coisas em que eu era um bocadinho ditadora. Essa era uma delas. Os meninos têm direito a saber a percentagem que tiveram, não tinham… No seu tempo isso já é óbvio, mas não era assim. Bem, mas esse miúdo tinha 49%. Eu não estava muito atenta, mas às tantas ele estava ao pé da janela e chora, chora, chora, chora. Eu vou ter com ele: “Que se passa, pá?”. “Oh Professora, 49%?”. Eu disse: “Tens razão, é uma nota foleira que se farta, 49 não se dá a ninguém. Mas não é importante, para mim 49, 50, 51, 52, é a mesma coisa, qual é a diferença de 1 ponto em 100? Pensa lá, qual é?”. “Ah, para a professora não é, mas para a minha mãe é”. Eu virei-me para a turma e perguntei: “Meus amores, posso virar isto 50?”. E eles: “Claro, professora”. Risca, 50, rubrica por cima. Pronto, este tipo de coisas a que os miúdos não estão habituados, e deviam estar faz com que a relação seja muito próxima.