| ciclo | 2º Ciclo |
| id | Glória-3 |
| pof | entrevista_Glória |
mas, entretanto, outra coisa muito estúpida, mas enfim, a primeira vez que a metodóloga de Português, a M. A., que até fez uma Gramática e tudo, era uma senhora já na altura muito bem cotada em termos de educação de Português. A mim nunca me ensinou nada mas ela não estava lá para ensinar. E entrou-me pela aula dentro, dia 19 de outubro, nunca mais me vou esquecer, eu ia morrendo de susto! [risos] ainda por cima a senhora tinha enviuvado há muito pouco tempo e ia toda de preto [risos] enfim, bom! Mas isso era eu que era uma cachopa, não é? Pronto, e depois eu estava a dar não sei o quê de Gramática, no quadro, como sabia, não é? Nunca ninguém me tinha ensinado. E ela levanta-se e diz ’isto não é nada assim!” e então fez ela o resto da aula. É claro que eu, depois, no fim, ela no fim depois fazia a crítica, não é? A crítica oralmente. E eu larguei-me a chorar, pois naturalmente o que é que se há-de fazer? Eu sou uma mimalha, ainda hoje com esta idade toda, e ela disse-me “não é preciso estar a chorar, não é preciso, valeu a pena vir à sua aula quanto mais não fosse para ver a linda camisola que traz”. De maneira que eu fiquei muito animada [tom irónico]. E depois no fim do ano, pronto, disse-me “olhe, você quando crescer vai ser uma boa professora”, e eu fiquei… e fui! [risos] o estágio, o meu estágio foi, o nosso estágio naquele tempo era uma série de episódios para esquecer, para esquecer, para esquecer.