| ciclo | 2º Ciclo |
| id | Cecília-2 |
| pof | entrevista_Cecília |
Muito diferente, porque aprendi muito, também. Trabalhei com outra faixa etária, com ensino recorrente, mas com pessoas já acima dos 50 anos de idade. Eu, a certa altura – as aulas eram aulas muito práticas - aprendia mais com eles do que eles aprendiam comigo, porque eram, no fundo… tudo o que eu lhes transmitia eram práticas do dia-a-dia, aquilo que lhes podia servir, no fundo, para o dia deles, para lhes tornar o dia mais fácil. Eles passavam-me muitas coisas do conhecimento deles, também, da terra… era muito engraçado, porque eles faziam questão de me tratar muito bem. Foi um ano muito difícil, porque eu saia às 23h… era muito protegida, porque era a única professora mulher - era muito protegida por eles. Como fazia a viagem todos os dias, vinha todos os dias para o Porto, eles vinham sempre com aqueles miminhos, com os cogumelos, com a carqueja, com o coelhinho ao fim-de-semana. Eu dizia: “Não quero…!”. Eles faziam sempre questão e trataram-me sempre muito bem. Foi uma experiência muito enriquecedora, porque aprendi muitas coisas com eles, desde o apanhar os cogumelos a saber que cogumelos é que não se podiam apanhar e que eram venenosos… aprendi muito, gostei muito, também, de lá estar. Fiz lá muitos amigos, e faço questão, se não todos os anos, de ir muitas vezes a Vila Pouca e ao Bragado – de dois em dois anos, quando não consigo ir todos os anos – e estar com eles, porque são pessoas que nos marcam, ao longo da nossa vida, são pessoas que nos marcam e que vão ficando. Nós deixamos um bocadinho de nós e eles deixam também as marcas connosco.