<p n=0>
Há casos jurídicos que são como as cerejas. O de Otelo, por exemplo. O
parecer do Tribunal Constitucional que o conduziu à liberdade serviu
agora a um holandês pouco político. Lubbers foi libertado. E fica na
história.

<p n=1>
Há quatro anos, quando foi preso em Faro, no seu primeiro dia de
Portugal, Lubbers não imaginava sequer que ia aprender a falar português
numa «very typical» prisão lusitana.

<p n=2>
O VICE-primeiro-ministro iraquiano, Saadoun Hammadi, deslocou-se ontem a
Teerão, levando uma mensagem de Saddam Hussein para o seu homólogo
iraniano, Ali Akbar Rafsanjani. Ao mesmo tempo, no que poderá não ser uma
coincidência, encontram-se na capital iraniana enviados de Paris e Argel.

<p n=3>
Significativo é também o facto de as autoridades iranianas terem
declarado que 1 de Fevereiro seria «um dia de solidariedade com o povo
muçulmano e inocente do Iraque».

<p n=4>
A Universidade do Porto vai receber estudantes checoslovacos para
estágios em Engenharia, no âmbito do programa «Tempus», criado pela CEE
para promover a mobilidade transeuropeia de estudantes universitários. A
Comissão Europeia seleccionou 153 entre as 1338 propostas de candidatura
a este programa, que se destina exclusivamenteaos estudantes da Europa de
leste.

<p n=5>
O II Congresso Nacional de Educação Física está marcado para os dias 28,
29 e 30 de Novembro, em Setúbal, e já tem comissão executiva, por decisão
tomada em Coimbra em reunião do Conselho Nacional das Associações
Profissionais de Educação Física. A «linha de força» do Congresso será «a
Educação Física no horizonte do ano 2000», e os temas a debater serão o
código deontológico, o estatuto socio-profissional, a reforma do sistema
educativo e a Educação Física no espectro socio-geográfico.

<p n=6>
O Instituto de Gouveia, iontegrado na Assopciação de Desenvolvimento
daquela cidade, iniciou o funcionamento com cursos de francês, inglês e
alemão, no âmbito da Escola de Línguas e de Artes que vai abrir
igualmente aulas de viola e dança. O Instituto pretende desenvolver um
programa de formação na área do artesanato da Serra da Estrela.

<p n=7>
Estarem calmos e lerem o Guia de Acesso distribuído em todas as escolas é
o conselho que a Comissão de Especialistas que prepararam a Prova Geral
de Acesso dá a todos os candidatos ao ensino superior, a uma semana do
teste. «Leiam as instruções do Guia porque é na base desses critérios que
vão ser avaliados», reforça Inês Sim-Sim, daquela Comissão. «Não
respondam à sorte nas perguntas fechadas».

<p n=8>
Está em vias de ser lançado o concurso de adjudicação da nova Escola
Preparatória de Joane (Famalicão), uma velha aspiração da população da
zona. A nova escola vai ser construída faseadamente nos terrrenos
camarários onde está instalada a antiga, um conjunto de pré-fabricados em
avançado estado de degradação e ruína. A decisão foi recentemente tomada
por via da elaboração de um protocolo entre a Direcção Regional de
Educação do Norte e a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, que se
compromete a doar o terreno e a comparticipar com 20% dos custos globais
da obra (cerca de 60 mil contos). A obra deve iniciar-se nos meses de
Março/Abril, e terminar no mesmo período no próximo ano, altura em que
Famalicão possuirá uma rede escolar completa, embora careça de pavilhões
gimnodesportivos nos estabelecimentos escolares.

<p n=9>
Os processos e resultados de investigação aplicados na análise,
tratamento, protecção, diagnóstico e rastreio para sistemas vivos e
ambiente serão representados durante o curso abrangendo aspectos inter e
intra-disciplinares, por professores e especialistas de prestigiadas
instituições europeias e mundiais.

<p n=10>
«Ainda maior agravamento das condições de funcionamento» é como a
Direcção da Organização de Professores do Porto (DOP) do PCP classifica
«os propósitos do Governo de manter para 1991 os orçamentos atribuídos às
escolas em 1990 apenas com pequenos ajustamentos». A DOP anunciou que
estar empenhada na preparação do encontro nacional de professores
militantes do partido previsto para os próximos dias 23 e 24, em Lisboa.

<p n=11>
Um dos momentos porventura mais animados do terceiro e último dia de
trabalhos do congresso foi a intervenção de Torres Couto,
secretário-Geral da UGT que se deslocou até ao Cinema Estúdio, no Porto,
para proferir um manifesto de apoio a Manuela Teixeira e à política de um
sindicato que, segundo a sua presidente, «não está de acordo com a
organização da UGT». Manuela Teixeira, que reafirmou em discurso a
ausência de «qualquer simpatia em relação a este ministro da Educação»,
congratulou-se com a previsível serenidade do congresso, reafirmando
sobretudo as alterações no estatuto do SPZN que «o dotarão de uma
estrutura operacional muito mais forte e descentralizada e colocarão
todos os sócios em rigorosa igualdade de circunstâncias para disputar
eleições uma vez que se aboliram todas as inerências em congresso».

<p n=12>
O Relatório de Actividades respeitante ao triénio 1988/90 foi aprovado
por maioria -- com três abstenções -- no primeiro dia do IV Congresso do
Sindicato dos Professores da Zona Norte (SPZN), tendo ontem os cerca de
quinhentos delegados prosseguido com a definição das Linhas de Política
Reivindicativa para os próximos anos.  Foram aprovadas «por unanimidade e
aclamação» orientações que apontam para uma formação inicial dos
educadores de infância e do ensino básico ao nível da licenciatura e a
facilitação do acesso a cursos de espcialização e à obtenção dos graus de
mestre e doutor. O Congresso do Sindicato dos Professores da Zona Norte
defende também a equiparação das carreiras dos ensinos universitário e
politécnico, e a «eliminação de processos que retiram a transparência aos
concursos no ensino superior».

<p n=13>
Adelaide Pires substituia com um poema uma prevista intervenção do
secretário de Estado adjunto do ministro da Educação, que acabou por não
comparecer. A Associação Nacional de Professores do Ensino Básico
(ANPEB), que organiza o encontro, tinha anteriormente dada como certa a
presença de Roberto Carneiro na sessão inaugural. Dificuldades de agenda
justificaram, de acordo com os organizadores, a ausência dos dois
governantes.

<p n=14>
As aulas do Conservatório de Música do Porto vão recomeçar no próximo dia
18 de Fevereiro, disse ao PÚBLICO a presidente do Conselho Directivo,
Fernanda Wandscheneider. A mesma responsável adiantou que, «dentro do
possível, vamos prolongar um pouco mais as aulas de forma a recuperar o
tempo agora perdido».
A situação criou enormes dificuldades administrativas de toda a ordem,
visto que os funcionários se mostravam incapazes de responder a todas as
solicitações, como, por exemplo, a emissão de certificados de
habilitações. O Conselho Directivo decidiu então adiar o recomeço das
aulas do segundo período, no sentido de proceder a uma «arrumação da
casa».

<p n=15>
Na Guiné a taxa de analfabetos atinge os 85 por cento, mas o objectivo
dos responsáveis pela educação é, em vez de aumentar o número de escolas
e de professores, proporcionar melhores condições à classe docente que
existe. Esquecer o que falta, aperfeiçoar o que há, como explica o
vice-presidente do Sindicato da Educação guineense.

<p n=16>
Graças ao PAM, os professores da Guiné-Bissau terão todos os meses acesso
a fornecimentos de arroz (a base da alimentação no país), óleo e
conservas. Juntamente com a melhoria salarial -- o salário médio actual
dos professores não ultrapassa os 60 mil pesos -- prevista no orçamento
aprovado em Dezembro, este fornecimento criará condições para atrair e
fixar profissionais da educação, resolvendo um dos problemas do sistema
educativo do país. «Os nossos professores não são estáveis, estão sempre
a entrar e a sair da profissão em busca de melhores condições.»

<p n=17>
Adriano D. Rodrigues et. al., Comunicação Social e Jornalismo, 3 vol. («O
fabrico da actualidade», «Os media escritos» e «Os media audiovisuais), A
Regra do Jogo, Lisboa

<p n=18>
Comissão de Reforma do Sistema Educativo, Educar para a Comunicação,
GEP-Ministério da Educação, Lisboa 1988

<p n=19>
Numa reunião de conselhos de Imprensa, por motivo do Colóquio
Internacional sobre o Direito de Resposta e outros direitos dos cidadãos
perante a Imprensa, que teve lugar em Lisboa em 10 e 11 de Maio de 1985,
a convite do Conselho de Imprensa de Portugal, foram aprovadas as
seguintes conclusões e recomendações:

<p n=20>
3. O dever de responsabilidade da imprensa implica a correcção de
inexactidões significativas e a obrigação de a imprensa conceder o
direito de resposta com razoável extensão, sempre que o sentido de
justiça assim o imponha.

<p n=21>
O ano Mozart proporciona aos melómanos a audição de obras, que raramente
são programadas. Por exemplo, a proposta da English Chamber Orchestra
permite seguir a evolução da obra mozartiana desde a adolescência até à
morte do compositor.

<p n=22>
O encenador italiano Pier Luigi Pizzi, artista que tem abordado o
repertório barroco de forma original, foi ontem ao Teatro Nacional de São
Carlos apresentar a sua produção da ópera «Rinaldo», de Haendel, criada
para o Teatro Municipal di Reggio Emilia, em 1985, apresentada com grande
sucesso no Teatro do Châtelet, em Paris, em 1986, e que estreará em
Lisboa a 11 de Fevereiro.

<p n=23>
Pier Luigi Pizzi falou aos jornalistas dos problemas de dramaturgia
levantados por «Rinaldo»: entre as dificuldades com que se defrontou
esteve «a necessidade de inventar uma linguagem, um código de imagens e
de gestos» que desse «clareza» a esta obra para qual Haendel escreveu
dois librettos, «ambos fracos». «Hoje, exige-se uma continuidade e uma
unidade que não era pedida na época, em que havia uma outra abordagem do
teatro», explicou.

<p n=24>
Está já em marcha a organização do 10º «Fazer a Festa» - Festival de
Teatro para a Infância e Juventude, que vai ter lugar, no Porto, de 19 a
28 de Abril próximo. Com um orçamento previsto na ordem dos 6500 contos
(dos quais a organização só tem assegurado, até ao momento, cerca de um
terço), o próximo «Fazer a Festa» vai, à imagem do que aconteceu na
edição anterior, continuar a apostar nos espectáculos para as escolas e
nas representações na rua, porque «é na rua que está o centro do festival
e porque a procura individual, ao longo da semana, é escassa», explica
José Leitão, director do certame.

<p n=25>
Para além dos espectáculos de teatro, o festival vai apresentar uma
exposição de cartazes dedicada aos seus 10 anos de história, um recital
de música pelo grupo Os Gambozinos e vários colóquios sobre a situação
actual do teatro para a infância e juventude. Será também montado um
carrocel e um autocarro-biblioteca infantil na Praça da Liberdade e
organizado um dia de «Aventuras teatrais», no Palácio de Cristal,
especialmente dedicado às crianças das escolas.

<p n=26>
O ministro Adjunto e da Juventude, Couto dos Santos, despachou esta
semana favoravelmente uma proposta do Comissariado para a Exposição
Universal de Sevilha (EXPO 92) no sentido de adjudicar à empresa Soares
da Costa a empreitada do Pavilhão Português, confirmou o PÚBLICO. A obra
deverá estar concluída até final do ano corrente, segundo um projecto dos
arquitectos Manuel Graça Dias e Egas Vieira. Entretanto, hoje, quatro
membros do Governo -- Coutos dos Santos, ministro das Obras Públicas
(Ferreira do Amaral), do Planeamento (Valente de Oliveira) e secretário
de Estado da Cultura (Santana Lopes) -- reúnem-se, ao meio-dia, com
jornalistas, na Casa dos Bicos, para divulgar acções relaccionadas com as
comemorações dos Descobrimentos.

<p n=27>
Foi inaugurada ontem, no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian,
em Lisboa, uma exposição antológica dos últimos oito anos de desenho de
Rui Sanches. A obra deste artista tornou-se publicamente notória no campo
da escultura. Ele, porém, nunca privilegiou (em termos de projecto de
trabalho) qualquer dos tipos de produção se bem que, entre ambos, tenha
mantido uma clara autonomia -- mesmo quando zonas das suas esculturas
surgiam cobertas de tinta ou os desenhos desenvolvem temas idênticos aos
das séries escultóricas. «Trata-se de um trabalho paralelo, não de um
trabalho complementar. Os desenhos não são estudos para esculturas nem
estas tridimensionalizam as soluções dos desenhos», afirma o autor.

<p n=28>
É um programa forte o que o Ballet Gulbenklian tem em cena no Grande
Auditório (até amanhã, inclusive). Será discutível a ordem de
apresentação dos números, mas a sua qualidade não o é. Olga Roriz e Gagik
Ismailian colheram aplausos.

<p n=29>
Nos compêndios, e no modo de ser de algumas sociedades, um conceito e sua
expressão delimitam um território. Cada indivíduo interiorizou, na
infância, o papel que lhe cabe dizer e o ser conduz-se em conformidade.
Resumindo, sentir é um acto físico, perceber um acto intelectual,
sensibilidade uma activação epidérmica e sentimento um afecto que se
exprime em momentos solenes. A afectividade enquanto continente
tumultuoso, território onde se chocam impulsividades que não têm origem
sensorial ou intelectual, que são pulsões indescritíveis e só
intelegíveis no plano da afectividade, é um absurdo inexplicável, logo,
inexistente. No entanto, este continente move-se e tem um nome: natureza
humana. Natureza que neste caso -- e só neste -- é condição do ser. É no
território imemorial da  afectividade, onde as dimensões da razão -- o ser
e o ter -- se confundem que decorre este terceiro programa do Ballet
Gulbenkian. «Isolda» e «Cavaleiros da Noite» -- primeiro e terceiro
bailados do programa -- são da autoria de Olga Roriz. A definição dos
espaços coreográficos é, respectivamente, de Vera Castro e Nuno Carinhas.
«Viagens em Negro e Mármore» tem cenário e figurinos de Jasmim.

<p n=30>
Portugal recebe a partir de hoje a Irlanda na primeira eliminatória da
Taça Davis em ténis. Frente a um adversário de segundo plano, Nuno
Marques e Cunha e Silva sonham já com o próximo, a Holanda.

<p n=31 assunto=desporto>
Curiosamente, a equipa irlandesa venceu quatro dos seis jogos disputados
com Portugal -- em 1978, na Taça Davis, e em 1979, 1980 e 1982, na Taça da
Europa. As duas vitórias nacionais ocorreram em 1974 (4-1, na Taça Davis)
e em 1989 (Taça da Europa, por 3-0). Este será o 48º contacto
internacional da selecção portuguesa, que obteve apenas 13 triunfos, oito
dos quais nos últimos dez anos. Cunha e Silva é o jogador com maior
número de vitórias (7) e prepara-se para igualar o recorde de 15 
participações, na posse de Alfredo Vaz Pinto.

<p n=32>
Ivkovic (8)- O guarda-redes «internacional» jugoslavo continua a ser
pedra-basilar da equipa de Alvalade. Poupado da jornada de Taça voltará
hoje com a habitual segurança.

<p n=33>
Leal(6)- Depois da experiência pouco feliz com Miguel, Marinho Peres tem
optado por Leal para o centro da defesa, afastando-o da asa esquerda. Sem
rotina do lugar, Leal tem-se limitado a cumprir.

<p n=34>
Os lançadores Fernando Alves (Benfica) e Teresa Machado (Sporting) foram
do troféu Isostar/Atleta do Ano, promovido pela «Revista Atletismo» e
Wander (Portugal), com o objectivo de premiar os atletas que, ao longo de
1990, mais se tenham distinguido pela regularidade.

<p n=35>
Para este troféu, disputado ao longo da época de 1990, foram considerados
todas as marcas obtidas pelos atletas e pontuados especialmente os
recordes nacionais estabelecidos e as classificações por eles obtidos nas
principais competições internacionais e nos Campeonatos de Portugal.

<p n=36>
Alfredo 7  Outra vez em grande forma. Excelente exibição, decisiva mesmo,
no encontro com o FC Porto. Será que, de acordo com as suas enormes
qualidades, vamos ver um guarda-redes estável?

<p n=37>
Garrido 6 Teve muitas dificuldades frente ao FC Porto, dada a mobilidade
de Domingos e Kostadinov. Frente ao Sporting não terá esse tipo de
adversários, terá um jogo mais à sua feição.

<p n=38>
O Boavista tem amanhã um jogo decisivo em Alvalade, porque dele dependerá
a sua carreira na prova. No quarto lugar cinco pontos do Sporting
(terceiro) e com seis de vantagem do quinto (Beira Mar) os axadrezados
teoricamente podem resolver a sua vida em Alvalade: ou ganham e atacam
decisivamente o terceiro lugar, ou perdem (ou mesmo em caso de empate) e
então têm apenas que administrar a vantagem sobre os seus perseguidores.

<p n=39>
Mas, para o técnico do Bessa as coisas não têm sido fáceis. «O futebol
hoje não se pode jogar sem treinar bem. Ora aqui no Boavista não fazemos
um treino em campo inteiro há um mês, porque o relvado principal não está
bom e o campo de treinos está muito estragado. Foi pena não se terem
preservado as boas condições que o clube tinha. É que, a treinar atrás da
baliza é muito difícil conseguir automatismos, treinar a saida para o
contra-ataque, construir e desenvolver a equipa e o jogo». De qualquer
forma, o técnico do Bessa, com contrato apenas até final da época (ainda
não há conversações para renovar) considera que tem um bom plantel e tem
visto com agrado a evolução de alguns jovens com muitas qualidades, como
o defesa-direito Paulo Sousa (23 anos) e o médio Jaime Cerqueira (24,
ex-Estrela da Amadora).

<p n=40>
Um novo vice-presidente e três novos directores do Sporting de Braga vão
ser empossados na próxima terça-feira, respondendo assim a algumas
notícias veiculadas pela Comunicação Social sobre uma nova crise
directiva no clube.

<p n=41>
BEN JOHNSON e Carl Lewis podem encontrar-se novamente no «meeting» de
Zurique, a 7 de Agosto, anunciou Res Bruegger, patrocinador do grande
encontro de pista. Segundo Bruegger, o «manager» da Carl Lewis, Joe
Douglas já aceitou o convite para Zurique enquanto prosseguem os
contactos com a «entourage» de Ben Johnson. A última vez que Johnson e
Lewis se encontraram foi na final dos 100 metros dos Jogos de Seul, tendo
a vitória e a medalha de ouro do atleta canadiano sido retiradas na
sequência da análise de anti-doping que acusou um resultado positivo.

<p n=42 assunto=desporto>
O Conselho de Disciplina (CD) da FPF aplicou ontem oito jogos de
suspensão a Stefan, do Farense, e quatro a Diamantino, do V. Setúbal, em
consequência dos incidentes de domingo, no Bonfim. O CD atribuiu ainda
derrotas por 3-0 ao Juventude de Belém, clube satélite do Belenenses, nos
jogos do «Nacional» da terceira divisão com o Beja, Almansilense, Almada,
Piense, Alvorense e Aljustrelense e no jogo da 3ª eliminatória da Taça de
Portugal, em que o Juventude eliminara o União de Montemor.

<p n=43>
Segundo o CD, estas sanções resultam da «utilização irregular do jogador
Rui Gregório», cuja inscrição, segundo a Lusa, está está feita em
representação do clube-mãe. Para de ceder o comando da série F a favor do
Beja, fazendo cair o Juventude, que era líder isolado, para o 12º lugar,
esta decisão vem complicar ainda mais as eliminatórias da Taça de
Portugal, já que o clube de Belém eliminara, entretanto, o Tabuense. O CD
ratificou ainda o acórdão da irradiação do árbitro Francisco Silva.

<p n=44>
O delegado do Ministério Público de Roma decidiu reabrir o processo dos
futebolistas Angelo Peruzzi e Andrea Carnevale, ambos do AS Roma, que
poderão ver agravada a pena de suspensão por um ano devido a análise
anti-doping positiva. O processo foi reaberto devido a uma
exposição-denúncia, iniciada no princípio do mês de Janeiro pelo
delegado-substituto da cidade de Bari que baseia a sua denúncia na nova
legislação italiana sobre tráfico e consumo de estupefacientes, segundo a
qual Peruzzi e Carnevale poderiam incorrer num delito extra-desportivo,
pois o consumo da «fentermina» -- substância detectada nas análises a que
se submeteram -- é penalizada pela legislação ordinária. O AS Roma já
reagiu a esta decisão, afirmando em comunicado que «esta atitude é
maravilhosa, pois vai permitir conhecer o segredo que levou à suspensão e
conhecer os seus responsáveis.»

<p n=45>
Outro indicador de que situação actual deixa muito a desejar é o facto
de, apesar de um público sempre apaixonado e de um número colossal de
sócios, que felizmente representam um fundo de maneio inestimável, as
melhoras equipas do país já não conseguirem atrair as verdadeiras
estrelas. No Verão passado, o Real contratou o médio romeno Hagi e o
defesa jugoslavo Spasic; o Barcelona assinou contrato com o avançado
búlgaro Stoichkov; o Atlético Madrid contentou-se com o goleador
austríaco Rodax. Quanto aos outros... Não há pois termo de comparação com
o que era a prática anterior: a fase actual é de contenção e poucas
exigências.

<p n=46>
TOTOBOLA - Dois totalistas anónimos do Totobola de quarta-feira vão
receber cada um cerca de dois mil contos, anunciou ontem o Departamento
de Apostas Desportivas da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa. O
escrutínio forneceu ainda os seguintes premiados: com 12 resultados
certos, 94 boletins, cabendo a cada umm 47.954 escudos; com 11 resultados
certos, 1.606 boletins cabendo a cada um 2.210 escudos.

<p n=47>
TAÇA DE INGLATERRA - Resultados dos jogos de desempate da quarta
eliminatória da Taça de Inglaterra: Brighton, 2-Liverpool, 3 (após
prolongamento); Leeds, 1-Arsenal, 1 (após prolongamento); Sheffield
Wednesday, 2-Milwall, 0; West Ham, 5-Luton,0.

<p n=48>
Está ainda muito confuso o caso Geraldão e a sua provável saida rápida do
F.C.Porto. O jogador esteve anteontem à noite nas Antas, no jogo que a
equipa disputou com o Elvas e ontem à tarde reuniu-se no Sheraton do
Porto com o presidente Pinto da Costa e com Reinaldo Teles.

<p n=49>
De qualquer modo, parece excluído que haja qualquer hipótese de um
volte-face no caso, dado que ambas as partes foram longe demais.

<p n=50>
A história da arte de combate é tão antiga como do próprio ser humano.
Nos primórdios era a forma institiva de defesa contra os animais. Numa
fase mais avançada passou a ser o meio utilizado para fazer valer os
direitos, defender o território dos ataques inimigos.

<p n=51>
A admiração e o respeito que os praticantes de karate têm pelo mestre
Suziki ficaram bem patentes no estágio de dois dias  promovido pelo
Centro Português Karate-Do-Wado. Muitos foram os que quiseram treinar
sobre as «ordens» e o olhar atento de Suziki Sensei, o responsável pela
divulgação do wado-ryu  em todo o mundo e o mais antigo praticante desta
disciplina ainda vivo.

<p n=52>
Os lançadores Fernando Alves (Benfica) e Teresa Machado (Sporting) foram
do troféu Isostar/Atleta do Ano, promovido pela «Revista Atletismo» e
Wander (Portugal), com o objectivo de premiar os atletas que, ao longo de
1990, mais se tenham distinguido pela regularidade.

<p n=53>
Para este troféu, disputado ao longo da época de 1990, foram considerados
todas as marcas obtidas pelos atletas e pontuados especialmente os
recordes nacionais estabelecidos e as classificações por eles obtidos nas
principais competições internacionais e nos Campeonatos de Portugal.

<p n=54>
«O desporto de alta competição» é o tema da conferência que será
proferida pelo treinador da equipa de atletismo do Sporting, Moniz
Pereira, hoje à noite, no salão nobre dos Paços do Conselho de Évora. A
sessão dirigida por Mário Moniz Pereira é promovida pelo município
eborense e está aberta à participação de toda a população. Segundo a
Câmara local, esta iniciativa insere-se num conjunto de actividades que
serão promovidas pelo pelouro do desporto durante este ano, nas áreas de
formação e informação, dirigidas aos agentes e entidades ligadas à
prática desportiva na região. De acordo com esse plano, esta conferência
será seguida por outras iniciativas, subordinadas a diversas temáticas
desportivas, que deverão culminar com a realização do I Encontro de
agentes desportivos do Conselho de Évora, ainda sem data conhecida.

<p n=55>
Depois de longas horas de discussão, o encontro de todas as associações,
que se previa vir a resultar numa antecipação à Assembleia Geral (AG) de
amanhã da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), acabou por saldar-se em
nova frustração já que, em concreto, nada ficou decidido. O consenso, tão
ansiosamente desejado pela maioria das associações, não só não surgiu
como nunca pareceu próximo de surgir.

<p n=56>
A coroa de glória de Jorge Valdano foi a conquista do Campeonato do Mundo
de 86, no México, com a selecção argentina. Se Maradona era o deus da
equipa de Carlos Bilardo, Valdano era seguramente o primeiro dos
apóstolos, dentro e fora do campo, já que era um homem tremendamente
respeitado.

<p n=57>
Para além disso, Valdano está a tirar o curso de treinadores mas ainda
não sabe o que vai fazer no futuro. Para já vai estudando e pediu-nos
para lhe mandarmos tudo o que pudessemos sobre Artur Jorge. «O que me
interessa são treinadores como Sacchi, Maturana (seleccionador
colombiano, agora no Valladolid) e Artur Jorge. São aqueles que quando
perdem treinam duas vezes por dia e quando ganham treinam na mesma duas
vezes por dia. São coerentes, trabalham com métodos modernos e rigorosos
e segundo filosofias que se percebem e que têm a ver com o futebol». A
sua admiração pelo técnico do F.C.Porto, pela forma como não cede às
pressões dos indivíduos porque o que conta é a equipa, é enorme

<p n=58>
A CEE decidiu atribuir uma ajuda de urgência no valor de 640 mil ecus a
favor das populaçãoes vitímas do conflito e da seca que tem afectado
Moçambique. A ajuda será distribuida pelo Comité Internacional da Cruz
Vermelha que listou cerca de 120 mil pessoas vitímas da guerra civil e da
falta de alimentos derivada da seca na província de Sofala A Cruz
Vermelha vai também enviar ajuda médica e bens de primeira necessidade.

<p n=59>
No passado dia 30 de Janeiro foram excluídas da cotação do mercado
oficial 300 mil acções, com o valor nominal de mil escudos,
representativas do capital social da Sociedade Portuguesa Novembal. Foram
também excluídas, na mesma data, 200 mil obrigações convertíveis da mesma
empresa, com o valor nominal de mil escudos. Estes títulos foram
entretanto admitidos no mercado de transacções especiais, que estará a
cargo da UIF-Dealer.

<p n=60>
O Bundesbank, banco central da Alemanha, surpreendeu ontem os mercados
financeiros ao anunciar que tinha aumentado de 0,5 por cento a taxa
bancária de redesconto -- que passa agora para 6,5 por cento --, assim como
a taxa lombarda para empréstimos urgentes, de 8,5 para nove por cento.
Apesar de os mercados preverem uma restrição ao crédito na Alemanha, não
o esperavam agora que existe forte oposição mundial a uma subida do juro
do marco. Segundo o Bundesbank, as medidas anunciadas destinam-se a
controlar o impacte inflacionista da unificação das duas alemanhas.

<p n=61>
Delegações dos países que integram o GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e
Comércio) iniciaram ontem em Genebra consultas sobre o «dossier»
agrícola. Depois do malogro das negociações de Dezembro, que deveriam ter
concluído o processo de liberalização do comércio mundial, estão agora a
ser tentadas aproximações entre as delegações dos EUA e da CEE,
responsáveis pelo fracasso actual do GATT. A redução dos subsídios à
agricultura está no centro da disputa que impediu progressos nos outros
14 sectores da negociação.

<p n=62>
O secretário de Estado da Alimentação, Luís Capoulas, afirmou ontem na
Régua que «já está instituído um grupo de reflexão» que tem como
objectivo principal a definição de regras que permitam institucionalizar
um conselho interprofissional para dirigir «concertadamente» os dois
segmentos do sector do vinho do Porto, a produção e o comércio. O grupo
foi constituído no interior do gabinete do secretário de Estado e tem
como principal tarefa a redacção de um «pré-projecto» que
institucionalize um órgão único capaz de controlar o vinho do Porto
«desde a cêpa até ao cálice».

<p n=63>
Segundo dados fornecidos pela Casa do Douro, os agricultores apenas
comercializam um por cento do total do vinho do Porto, enquanto que as
firmas exportadoras possuem propriedades na região que lhes garantem 14
por cento do total produzido. «O interprofissional só deveria ser criado
quando a produção conseguir assegurar uma quota de mercado mais
substancial», afirmou a propósito José Ribeiro, vice-presidente da Casa
do Douro. Luís Capoulas, por seu lado, afrimou ao PÚBLICO que «ainda não
há qualquer `timing' para a criação do conselho interprofissional»,
embora «o Governo não deva ficar parado perante as realidades dinâmicas
do sector».

<p n=64>
Uma subida de grandes dimensões ocorrida ontem na Bolsa de Nova Iorque,
provocada pelos avanços que as tropas aliadas conseguiram na primeira
batalha terrestre e pelo optimismo demonstrado pelo Presidente
norte-americano, George Bush, mobilizou os investidores nacionais, que
ontem estiveram predominantemente do lado da compra. «Não queremos perder
o comboio da subida», referia um investidor particular que ontem assistia
à sessão

<p n=65>
Voltando aos mercados nacionais, a Bolsa do Porto foi ontem, mais uma
vez, palco de uma grande transacção. Desta feita, foram perto de 67 mil
títulos dos Modelo Supermercados (grupo Sonae) que mudaram de mãos por
141 mil contos. 

<p n=66>
A Oliva, empresa de S. João da Madeira actualmente a explorar a secção de
tubos metálicos da Facar, já definiu a sua posição. Em mensagem
transmitida à administração da Facar, a Oliva lançou uma espécie de
«ultimatum» em que, «ou é assinado o contrato definitivo até meados de
Fevereiro» ou não existe qualquer hipótese de negociação.

<p n=67>
Mediante uma situação de «nem ata nem desata», a Oliva cansou-se de
esperar pelas resoluções das outras partes envolvidas, até como forma de
pressão para que seja tomada uma decisão o mais rápido possível, e lançou
uma proposta definitiva: pela última vez, espera até meados de Fevereiro.
Se aí o contrato definitivo não for assinado, a Oliva abandonará as
instalações da empresa e não haverá negócio para ninguém.

<p n=68>
A maior empresa de transportes portuguesa, a Lassen, iniciou um processo
de mudança de imagem e está a preparar a sua entrada no sector da
distribuição interna. «Queremos aproveitar ao máximo as sinergias do
grupo multinacional a que pertencemos, Lep International, na criação de
um sistema de armazenagem e distribuição alargado às áreas de embalagem,
controle de stocks e acompanhamento a nível documental e alfandegário»,
afirnou ao PÚBLICO Maria Irene Soares, directora-geral da empresa em
Portugal.

<p n=69>
Em termos de reestruturação interna, a Lassen aposta na recionalização de
«todas a estruturas e meios disponíveis», no aperfeiçoamento dos métodos
de gestão e na aproximação do «segmento mais significativo da clientela,
situada a norte do país».

<p n=70>
Entre os 24 armadores portugueses registados na Direcção-Geral da Marinha
de Comércio em 1990, quatro representam a grande maioria da tonelagem da
frota nacional: Soponata, Portline, Sacor Marítima e Transinsular.

<p n=71>
O «segredo» passa sobretudo pela constituição de empresas associadas,
vocacionadas exclusivamente para a exploração de um navio sob um outro
registo, excluindo-se assim, à face da lei, a sua inclusão na frota
nacional.

<p n=72>
Os armadores nacionais não têm capacidade para responder a uma situação
de crise prolongada. O conflito do Golfo veio confirmar: não há navios
que cheguem. Não há também uma «política lúcida para o sector», afirmam
os armadores. O Governo nada diz. Resta a esperança da criação do registo
comunitário Euros. Mas há o risco de este chegar «tarde demais».

<p n=73>
Para Mário Salvado, a principal questão coloca-se pelas próprias
condicionantes da actividade. «No transporte marítimo, e face a uma
situação de crise, há uma rarefacção quer da oferta de navios (logo de
tonelagem) quer de tripulações, provocada pela mobilização destes pelos
respectivos países de origem.»

<p n=74>
Depois de uma manhã em alta, o dólar e o valor das acções viram a sua
cotação cair ontem à tarde nas praças europeias, surpreendidas pela
decisão do Bundesbank , banco central alemão, de aumentar as taxas de
juro em 0,5 por cento. A taxa de redesconto passa de 6 para 6,5 por cento
e a taxa lombarda subiu de 8,5 para 9 por cento.

<p n=75>
As expectivas, ontem goradas, tinham sido alimentadas pelas declarações
de intenção do Grupo dos Sete países mais industrializados do mundo que,
depois da sua última reunião, tinha sublinhado a necessidade de controlo
dos défices orçamentais, em lugar do aumento das taxas de juro. Os
mercados financeiros previam que, a médio prazo, houvesse uma restrição
ao crédito mas nunca agora, num momento em que internacionalmente, uma
subida do juro contraria as tendências gerais.

<p n=76>
Ainda no primeiro semestre deste ano serão privatizadas duas das 13
empresas em que se dividiu ontem a Rodoviária Nacional, afirmou Ferreira
do Amaral, ministro das Obras Públicas, Tranportes e Comunicações.

<p n=77>
Quanto aos resultados do exercício de 1990, Brito da Silva afirmou que as
«projecções apontam para a continuação da consolidação económica da
empresa», mas não adianta qualquer número ou projecção.

<p n=78>
O Governo retirou a concessão da zona de jogo de Vidago Pedras Salgadas à
Sovipe, de Sousa Cintra, mas ainda não decidiu se e quando vai abrir novo
concurso. E enquanto a Sonae «está atenta», Sousa Cintra promete
continuar, pelo menos, com o projecto hoteleiro.

<p n=79>
Durante os três anos em que esteve à frente da zona de jogo de Vidago e
Pedras Salgadas, a Sovipe esgotou vários prazos alargados a seu pedido e
foi multada por 17 vezes, em valores que totalizaram alguns milhares de
contos. Os sucessivos incumprimentos da empresa, que tentou renegociar as
condições do contrato, criaram descontentamento entre as populações da
região, na sequência do que as próprias câmaras que participam no seu
capital se demarcaram de Sousa Cintra.

<p n=80>
O Kuwait vai conceder à União Soviética um crédito de mil milhões de
dólares (132 milhões de contos). O acordo foi assinado na semana passsada
pelo presidente da corporação financeira kuwaitiana Foreign Trading
Contracting and Investment Co, Abdullah Al-Gaban, e pelo vice-presidente
do Banco para o Comércio Externo da URSS, Tomás Alibegov. O crédito é
concedido por um período de sete anos, segundo fontes da Embaixada do
Kuwait em Moscovo, e um representante do banco soviético considerou-o
«muito vantajoso para a URSS».

<p n=81>
Pela primeira vez, na prática bancária internacional, um país ocupado e
afectado pela guerra concede créditos a uma superpotência. Este facto é
interpretado como a intenção do Kremlin de procurar créditos no Oriente
face à suspensão da ajuda financeira do Ocidente, como reacção à agressão
soviética nas repúblicas do Báltico. Existe também a tendência para
qualificar o crédito do Kuwait como renumeração da posição soviética na
coligação anti-iraquiana. O crédito sul-coreano é também considerado como
um «bónus» concedido à URSS, devido ao levantamento do impedimento da
adesão da Coreia às Nações Unidas.

<p n=82>
Quem tem medo de andar de elevador não procura ajuda psíquica. Embora
esse medo seja algo irracional, ele não colide de forma violenta com o
bem-estar ou com a autonomia da pessoa. Mas há fobias que nos impedem de
ter um quotidiano normal.

<p n=83>
É óbvio que o filme, realizado pelo ex-produtor de Spielberg, Frank
Marshall, trata de gente com medo de bichos -- mais especificamente de
aranhas. É óbvio também que o professor Altherton encontra uma espécie
desconhecida de aranhas, agressivas e mortíferas. E é ainda óbvio que a
primeira vítima só pode ser o fotógrafo, que morre fulminado por uma
picada das terríveis aranhas.

<p n=84>
Enquanto diversos conflitos sangrentos entre militantes do ANC e do
movimento Inkatha provocavam a morte de mais seis pessoas, na África do
Sul, quatro dos co-réus do processo movido a Winnie Mandela desapareciam,
colocando as autoridades na iminência de ter que adiar o julgamento da
mulher do líder do ANC, previsto para segunda-feira.

<p n=85>
De pouco valeu o apelo lançado na terça-feira pelos líderes dos dois
movimentos, Nelson Mandela e Mangosuthu Buthelezi, convidando os
militantes das duas organizações a cessar «imediatamente» os confrontos e
a não recorrer à intimidação. O apelo, recorde-se, foi lançado ao fim de
dez horas de conversações no que constituiu o primeiro encontro entre as
duas organizações desde 1979. O «sucesso completo» das conversações não
evitou o aumento da lista das mais de quatro mil pessoas que, desde 1985,
encontraram a morte nos confrontos que têm oposto ANC e Inkatha. Reg
Crewe, porta-voz da polícia, indicou entretanto que as autoridades
controlam já a situação, depois de reforçado o efectivo de segurança com
forças do exército e da polícia.

<p n=86>
O helicóptero onde seguia o novo Presidente da Guatemala, Jorge Serrano,
foi ontem atacado pela guerrilha guatemalteca, mas o atentado não fez
vítimas, segundo anunciaram fontes oficiais. As mesmas fontes indicaram
que os rebeldes dispararam rajadas de metralhadora sobre o helicóptero,
que foi atingido por vários balas. O piloto conseguiu controlar o
aparelho e levá-lo para uma base militar. Jorge Serrano, que tomou posse
no dia 15 de Janeiro, tinha-se deslocado ao Norte do país, acompanhado
pelos ministros da Defesa, das Comunicações e da Agricultura. No seu
discurso de posse, Serrano manifestara o desejo de dialogar com a
guerrilha, com vista a pôr fim a 30 anos de guerra.

<p n=87>
Reunida em Moscovo, a direcção comunista soviética veio confirmar o poder
crescente do Exército na vida política do país. Na reunião estavam
presentes os chefes das regiões militares da URSS, e os membros do Comité
Central não regatearam apoios às forças armadas.

<p n=88>
O GOVERNO da república da Croácia rejeitou, na madrugada de ontem, o
mandado de captura apresentado pelo Exército jugoslavo contra o ministro
da Defesa croata, Martin Spegelj, acusado de estar a preparar um golpe de
Estado e de fazer contrabando de armas. As consequências desta recusa são
para já imprevisíveis, além do óbvio crescendo de tensão entre a
república e os Exército federal.

<p n=89>
Além disso, o ministro é também acusado de ter sido um dos principais
responsáveis pelos «actos de terrorismo» aplicados contra vários oficiais
croatas e suas famílias, que teriam como objectivo eliminar potenciais
obstáculos ao golpe projectado.

<p n=90>
OS RESULTADOS definitos divulgados ontem em São Tomé e Príncipe confirmam
a vitória do Partido da Convergência Democrática-Grupo de Reflexão
(PCD-GR), da oposição, nas eleições de 20 de Janeiro último, contra o
partido único Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, agora
rebaptizado como MLSTP/PSD.

<p n=91>
Para já, sabe-se que não será Albertino Neto, cabeça de lista da CODO, a
sentar-se no novo parlamento, pois foi derrotado no círculo eleitoral a
que concorreu, Água Grande, onde se registou um número elevado de
abstenção.

<p n=92>
Os «históricos» venceram o II Congresso extraodinário do PAIGC, o partido
no poder na Guiné-Bissau, ao conservarem a maioria dos 71 lugares do novo
Comité Central, eleito por voto secreto na quarta-feira. A votação
decorreu durante oito horas e os resultados só foram divulgados ontem,
depois de uma reunião inesperada do Bureau Político.

<p n=93>
Outros nomes ligados à mudança na Guiné-Bissau ficaram também pelo
caminho, o que está a suscitar fortes apreensões nos meios políticos da
capital guineeense. São eles Manuel Rambot Barcelos, ministro da
Educação, e Delfim da Silva, filósofo e antigo director do liceu de
Bissau.

<p n=94>
Agricultores algarvios e proprietários expropriados pela Via do Infante
vieram ontem a Lisboa, para explicar ao Governo porque protestam contra o
traçado aprovado. Debaixo de chuva, esperaram duas horas, mas só
jornalistas os ouviram.

<p n=95>
Debaixo de chuva, os proprietários expropriados de zonas como Santa
Bárbara de Nexe, Estói, (Faro) Areeiro (Loulé) e agricultores do Vale da
Asseca (Tavira), aguardaram durante duas horas, que um assessor do
Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros recebesse
uma delegação dos manifestantes, o que, segundo foram informados,
aconteceria às 12h30. Mas cerca das 13h00, a maioria já ensopada em água,
regressou ao autocarro que os transportou desde o Algarve a Lisboa, sem
que nenhum representante do governo os tivesse ouvido. E as suas
preocupações e queixas acabaram por ser transmitidas apenas aos
jornalistas ali presentes e depois em conferência de imprensa.

<p n=96>
A população de Pombal esteve sem fornecimento de água, desde as 22h00 de
terça-feira, até às 18 h00 do dia seguinte.

<p n=97>
Agricultores algarvios e proprietários expropriados pela Via do Infante
estiveram ontem em Lisboa, para explicar porque discordam do traçado
aprovado e quais as suas consequências. Tentaram, uma vez mais, ser
ouvidos pelo Governo, por isso se concentraram junto à Gomes Teixeira,
onde estava reunido o Conselho de Ministros. Mas, ali, ninguém estava
disponível para os receber. E eles avisam que vão continuar a sua luta,
nem que tenham de se meter á frente das máquinas.

<p n=98>
Não é bem uma prova de velocidade, mas tal como o Grande Prémio do
Mónaco, realizado em circuito de cidade, os automobilistas alfacinhas vão
enfrentar a partir de segunda-feira uma prova de resistência de nervos e
perspicácia, quase como um «rally-paper»: trata-se do novo esquema de
circulação nas Avenidas Novas, que a Câmara está a preparar já mais de
seis meses e no qual gastou mais de 250 mil contos e quase duas mil horas
de trabalho -- só em semáforos.

<p n=99>
O encontro denominado Segunda Festa dos Autarcas, organizado pela RDP
Antena 1, é possível graças ao empenhamento das diversas entidades
envolvidas na continuidade deste tipo de reunião.

<p n=100>
Amália, GNR, Olga Pratts, Pedro Burmester, Trovante, Herman José, Mário
Laginha, Maria João. Eles e muitos outros estão hoje juntos numa «gala»
pela luta contra a Sida. No Coliseu dos Recreios, às 21h30. Organizado
pela Liga Portuguesa Contra a Sida, o espectáculo pretende contribuir
para «mobilizar toda a gente, destruir tabus e falsos moralismos para,
num diálogo franco e numa atitude aberta e objectiva, lutarmos pela vida
e pela beleza da vida».

<p n=101>
Termina amanhã, na Junta de Turismo da Costa do Estoril, a exposição
evocativa de Baden Powell, fundador do escutismo, falecido há 50 anos, e
que assinala 22 anos de actividade do Corpo Nacional de Escutas no
Estoril.

<p n=102>
Na área periférica da Serra da Malcata vai nascer uma reserva associativa
de caça, já criada oficialmente, e que está concessionada ao Clube de
Caça e Pesca de Sabugal. Abrangendo uma área de 1800 hectares, o projecto
pretende dar cumprimento ao Plano de Ordenamento e Exploração Cinegético
da Direcção-Geral das Florestas, respeitando os limites anuais de cada
uma das espécies, períodos, processos e meios de caça respectivos.

<p n=103>
Agentes da PSP dos Olivais detiveram ontem, às 2h00, na Linha do Norte da
CP, próximo da Rua da Sentieira, em Lisboa, dois homens que procediam ao
corte dos fios de cobre que se encontravam instalados sobre a via.

<p n=104>
A circulação ferroviária na linha de Sintra vai ser alterada, entre as
22h00 de hoje e as 5h00 de segunda-feira, por motivo de obras em
Campolide. Durante o fim de semana apenas se efectuarão comboios com
destino e partida de Sintra, com paragem em todas as estações e
apeadeiros, não se realizando os denominados «curtos» do Cacém, Queluz e
Amadora.

<p n=105>
De regresso a Espanha, às 13h30 de ontem, os reis do país vizinho, Juan
Carlos e Sofia, entram no aeroporto militar de Figo Maduro. O casal
deslocou-se a Portugal numa curta visita privada para prestar uma última
homenagem a Isabel Espírito Santo, uma velha amiga dos tempos em que o
monarca viveu no nosso país. Após a sua chegada à Base Aérea número 1,
num Falcon 900 às 10h30, onde foram recebidos por Maria Barroso, os reis
seguiram para a Quinta do Perú, em Azeitão, propriedade da família
Espírito Santo. Ali assistiram a missa de corpo presente, seguindo depois
para o cemitério dos Prazeres, onde o corpo foi enterrado. Depois de um
almoço nos arredores de Lisboa, Juan Carlos e Sofia regressaram a Madrid
a bordo de outro jacto da força aérea espanhola, um Falcon 50, já que o o
avião onde chegaram teve uma pequena avaria numa válvula de condensação
depois de se ter imobilizado na pista.

<p n=106>
Um incêndio declarado ontem, pelas 2h33, no número 2 da Avenida Óscar
Monteiro Torres, em Lisboa, destruiu parcialmente o imóvel devoluto e
onde já não residia ninguém, segundo informou um porta-voz do Regimento
de Sapadores Bombeiros .

<p n=107>
Eram 14h30 quando a polícia chegou ao número 31 daquele bairro. No
interior da casa encontravam-se11 pessoas, entre as quais dois irmãos, um
de 15 e outro de três anos.

<p n=108>
Os mercados de Alcântara, Alvalade Norte, Arco do Cego, Arroios, Bairro
Alto, Santos, Campo de Ourique, Encarnação Sul e São Domingos de Benfica
vão passar a ser geridos por entidades privadas, mantendo a Câmara a
posse e fiscalização.

<p n=109>
Já esta semana, o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa
insurgiu-se contra «a entrega de vários serviços» a empresas privadas e
anunciou que tudo fará «para que não se venha a concretizar».

<p n=110>
Dois jovens assaltantes, com mandatos de captura emitidos pelo tribunal,
foram detidos, quinta-feira, próximo de Pombal, após uma perseguição na
estrada nacional por agentes da Brigada de Tânsito  de Leiria.

<p n=111>
A GNR iniciou entretanto nova perseguição, que culminou com a captura dos
fugitivos. Na viatura sinistrada, que fora furtada, a Guarda encontrou
uma caçadeira de canos serrados e electromésticos que haviam sido
roubados recentemente.

<p n=112>
O mau cheiro que durante a manhã de ontem se sentiu em grandes áreas da
cidade de Lisboa poderá ter tido origem nas celuloses de Setúbal,
declarou ao PÚBLICO Rui Gonçalves do Serviço de Ar e Ruído, da
Direcção-Geral da Qualidade do Ambiente (DGQA). Um memorando desta
entidade diz que tudo indica «tratar-se do cheiro caracterísitco
proveniente da indústria de pasta de papel» e que «este odor está
geralmente associado à emissão de compostos de enxofre reduzidos, tais
como sulfureto de hidrogénio e mercaptanos». Aquele técnico declarou no
entanto que as medições feitas em Lisboa pela carrinha do Ministério do
Ambiente e dos Recursos Naturais, durante o dia de ontem, não registaram
qualquer poluição anormal.  Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia
e Geofísica um vento pouco usual de Sul terá arrastado o cheiro até
Lisboa e o facto de as nuvens se encontrarem muito baixas dificultou a
sua dispersão na atmosfera.

<p n=113>
Xavier de Brito, delegado do Serviço Nacional de Protecção Civil junto do
Governo Civil de Lisboa, disse ser necessário efectuar um levantamento
das condutas de água e de riscos nas escolas e estabelecer planos de
evacuação e cuidados de segurança.

<p n=114>
Para celebrar os seus 32 anos, a Junta de Freguesia de S. João de Deus
oferece aos moradores, sábado, no Teatro Maria Matos, um espectáculo de
variedades.

<p n=115>
Recentemente criou dois serviços gratuitos destinados a crianças para
rastreio oftalmológico e despistagem  precoce de colestorol bem como um
centro de convívio para a terceira idade.

<p n=116>
Realizou-se na passada quarta-feira a segunda volta das eleições para a
Associação de Estudantes da Escola Superior de Tecnologia de Tomar, a que
concorreram  duas listas. Dos 454 inscritos, 276 alunos não votaram . A
lista A, encabeçada por João Reis, do curso de artes gráficas, obteve 113
votos e a lista K, liderada por Luís Silva, de gestão de empresas obteve
61 votos. A lista B, encabeçada pelo aluno Joaquim José, do curso de
gestão de empresas, obtivera 20 votos na primeira volta, realizada no dia
23 de Janeiro.

<p n=117>
Desencadeado pouco depois da tomada de posse do novo executivo municipal,
o restabelecimento dos chamados sentidos naturais da circulação em toda a
zona acabou por se arrastar por vários meses além do previsto, por via
das complicações surgidas com a reconstrução das Avenidas Miguel Bombarda
e João Crisóstomo. No fim de contas, e correspondendo a um consenso
existente entre todas as forças políticas representadas na Câmara,
trata-se, fundamentalmente, de voltar à situação anterior às mudanças
introduzidas por Kruz Abecasis e Magalhães Pacheco, na Primavera de 1989.

<p n=118>
Quem quiser preparar-se para o grande embate de segunda-feira, pode
começar já amanhã. O novo esquema de circulação nas Avenidas Novas
arranca esta noite e os próximos dias vão ser um quebra-cabeças. A Câmara
iniciou os preparativos para o grande dia há mais de seis meses e gastou
mais de 250 mil  contos e quase duas mil horas de trabalho só em
semáforos. A bola está agora no campo dos automobilistas e dos peões.

<p n=119>
O objectivo número um, conforme sublinham os responsáveis camarários,
reside no reforço da segurança, através da retoma dos hábitos de
circulação de automobilistas e peões, e na facilitação do acesso à zona.
Quanto à fluidez do tráfego e às condições de estacionamento, o gabinete
do vereador Machado Rodrigues, titular do pelouro do trânsito, não cria
falsas ilusões aos munícipes: «Aí não há que esperar grandes melhorias
destas medidas, tanto mais que, nesse domínio, é essencial a modificação
dos comportamentos dos automobilistas».

<p n=120>
«Múltiplos são os factores e problemas que na hora que vivemos contundem
com a existência diária e o futuro imediato e a mais dilatado prazo dos
portugueses»

<p n=121>
Sou amigo, há muitos anos e continuo a sê-lo, do Dr. Oliveira e Costa.
Apoiei a sua candidatura à Presidência da CPD de Aveiro;

<p n=122>
A euforia da guerra, corajosamente denunciada por João Paulo II num mundo
que substituiu a religião tradicional pela adoração do Bezerro
Electrónico, forçosamente obriga à reflexão todos aqueles que se dizem ou
se julgam ecologistas, ambientalistas e, até, humanistas.

<p n=123>
Há alguns que se recusam ao maniqueísmo simplista do Bem e do Mal. Onde
uns vêem Satã, pode ver-se apenas a força colossal da tecnologia e da
economia ao serviço de uma confrangedora pobreza de coração. Onde outros
vêem o novo Hitler, pode ver-se apenas a ilusão do poder que foi
estimulada pelos verdadeiros poderosos enquanto lhes serviu, e que tenta
legitimar o seu carácter ilusório escudando-se no longo sofrimento de
muitos humilhados e ofendidos.

<p n=124>
Razões diversas levaram-me a observar com alguma atenção a realidade
internacional das últimas décadas. Dessa observação, fui retirando
algumas conclusões e poderá ser útil referir agora uma delas, relativa à
conflitualidade a nível mundial. Com o carácter provisório e cauteloso,
próprio de quem enuncia uma hipótese de trabalho em matéria de grande
complexidade, formulá-la-ia assim: durante o período de dez anos que se
inicia em 1979, numerosos indícios apontam para a tendência da diminuição
de eficácia do recurso às armas para a resolução dos conflitos.

<p n=125>
Ao longo dos anos 80, pelo contrário, a tendência parece inverter-se e as
soluções militares raramente são conclusivas.

<p n=126>
A crise no Golfo, se nos abstrairmos dos seus efeitos mais mediáticos
como agora se diz, mostra-nos a Europa a uma luz que não é das mais
lisonjeiras.

<p n=127>
Não vale a pena entrar no debate da dependência energética, das
responsabilidades mais globais dos americanos, das preocupações mais
regionais dos europeus...

<p n=128>
A revolta do 31 de Janeiro foi ontem comemorada solenemente na Assembleia
da República, com flores na tribuna e com as declarações de todos os
partidos e do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares,
recontando a história do movimento do Porto. Raul Rego deu o tom mais
ferozmente republicanista da tarde: «O que foi o 31de Janeiro de 1891
senão uma revolta do povo português ofendido na sua dignidade contra a
dinastia de Bragança, ou seja contra a família que fazia parte das
famílias privilegiadas da Europa e da América, distribuindo entre elas os
tronos como se fossem donas das terras e das gentes?». E, assim, «os
revolucionários do 31 de Janeiro buscavam apenas devolver ao povo os
poderes que a monarquia tinha ido usurpando em benefício de uma classe,
de uma família, de uma pessoa». E «o ideal dos homens que há cem anos se
revoltaram no Porto, não era apenas vingar a afronta do `ultimato' senão
também dar uma volta à vida portuguesa, de forma que os portugueses
pudessem sentir-se verdadeiros cidadãos da Pátria comum». E fechou o
discurso com um «viva a República!».

<p n=129>
Carlos Brito, do PCP, recordou o significado das comemorações do 31 de
Janeiro antes do 25 de Abril, que «faziam parte do programa anual de
combate à ditadura salazarista»: «Quando se partia para a romagem, a
sessão, o mero jantar de confraternização republicana nunca se sabia
quando se voltava e como se voltava. Às vezes metia-se pelo meio uma
passagem mais ou menos prolongada pelos calabouços da PIDE...». Barbosa
da Costa, do PRD, lembrou também que «quer esta data, quer a do 5 de
Outubro, de que foi precursora, constituiram cenário privilegiado de
encontro de cidadãos empenhados que foram contributos decisivos para a
mudança finalmente operada».

<p n=130>
De inquilino a proprietário, o caminho costuma ser longo. O IGHAPE,
organismo estatal que gere o parque habitacional do Estado, «as casas de
todos nós», acredita que não é assim necessariamente. E, para este ano,
tem programada a venda aos seus inquilinos das casas que habitam. Ninguém
é obrigado a comprar, mas, segundo os responsáveis, as vendas estão a ser
um sucesso.

<p n=131>
Que tipo de sucesso pode ser este, se os inquilinos do IGHAPE são, na sua
maioria, pessoas de poucos recursos? «Muitos recorrem ao crédito, e
outros conseguem juntar poupanças que em alguns casos são até utilizadas
para a compra da casa, não para eles, mas para os filhos», diz o
presidente do instituto, sublinhando que «os preços praticados não têm
nada a ver com os do mercado».

<p n=132>
De inquilino a proprietário, o caminho costuma ser longo. O IGHAPE,
organismo estatal que gere o parque habitacional do Estado, «as casas de
todos nós», acredita que não é assim necessariamente. E para este ano,
tem programada a venda aos seus inquilinos das casas que habitam. Ninguém
é obrigado a comprar, mas, segundo os responsáveis, as vendas estão a ser
um sucesso.

<p n=133>
Que tipo de sucesso pode ser este, se os inquilinos do IGHAPE são, na,
sua maioria, pessoas de poucos recursos? «Muitos recorrem ao crédito, e
outros conseguem juntar poupanças que em alguns casos são até utilizadas
para a compra da casa, não para eles, mas para os filhos», diz o
presidente do instituto, sublinhando que «os preços praticados não têm
nada a ver com os do mercado».

<p n=134>
Saíu ontem o último número da revista feminista «Mulheres Magazine»,
publicada há 11 anos consecutivos e que a editorial «Caminho» decidiu
encerrar, juntamente com «O Diário». A revista tinha uma tiragem actual
de dez mil exemplares, dos quais vendia apenas metade. Nesta última fase,
a «Mulheres Magazine» estava a dar um prejuízo anual de dez mil contos.
No seu último número, a revista publica os perfis de Carlos Carvalhas,
secretário-geral adjunto do PCP, e de Regina Tavares da Silva, presidente
da Comissão da Condição Feminina. Num artigo de despedida, a directora,
Helena Neves, justifica o fim de «Mulheres Magazine» com a crise que tem
afectado a comunicação social.

<p n=135>
A guerra do Golfo produz candidatos a objectores ao serviço militar. Com
seis meses de atraso, uma comissão parlamentar promete rapidez na
discussão dos projectos de lei de objecção. Na cadeia, continua uma dúzia
de testemunhas de Jeová.

<p n=136>
A Universidade do Porto vai receber estudantes checoslovacos para
estágios em Engenharia, no âmbito do programa «Tempus», criado pela CEE
para promover a mobilidade transeuropeia de estudantes universitários. A
Comissão Europeia seleccionou 153 entre as 1338 propostas de candidatura
a este programa, que se destina exclusivamenteaos estudantes da Europa de
leste.

<p n=137>
«Ainda maior agravamento das condições de funcionamento» é como a
Direcção da Organização de Professores do Porto (DOP) do PCP classifica
«os propósitos do Governo de manter para 1991 os orçamentos atribuídos às
escolas em 1990 apenas com pequenos ajustamentos». A DOP anunciou que
estar empenhada na preparação do encontro nacional de professores
militantes do partido previsto para os próximos dias 23 e 24, em Lisboa.

<p n=138>
Realizou-se na passada quarta-feira a segunda volta das eleições para a
Associação de Estudantes da Escola Superior de Tecnologia de Tomar, a que
concorreram  duas listas. Dos 454 inscritos, 276 alunos não votaram . A
lista A, encabeçada por João Reis, do curso de artes gráficas, obteve 113
votos e a lista K, liderada por Luís Silva, de gestão de empresas obteve
61 votos. A lista B, encabeçada pelo aluno Joaquim José, do curso de
gestão de empresas, obtivera 20 votos na primeira volta, realizada no dia
23 de Janeiro.

<p n=139>
O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP)
reiterou, anteontem, ao Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INDC)
um pedido de intervenção face à publicação de numerosos anúncios de
instituições de ensino superior privadas não reconhecidas.

<p n=140>
O Ministério da Educação publicou uma circular em que determina que os
professores do quadro de nomeação provisória não sejam ultrapassados
pelos novos candidatos com estágio integrado nos concursos deste ano que
estão a decorrer até ao dia 11. Esta medida, reivindicada pelas duas
federações de sindicatos de professores, a FNE e a Fenprof, vem corrigir
o âmbito do teor do decreto-lei 18/88 que determinava que os professores
com estágios podiam concorrer, excepcionalmente no biénio 89/90, na
segunda prioridade do concurso, desde que no ano anterior tivessem
concorrido na 2ª parte. O Sindicato de Professores do Norte, afecto à
Fenprof, entende que esta medida surgiu com «um ano de atraso» e
corresponde apenas «ao repôr da legalidade» tendo sido necessário
«recorrer ao Supremo Tribunal Administrativo». O Sindicato de Professores
da Zona Norte, afecto à FNE, afirma que a circular do Ministério
corresponde a uma exigência que a Federação tinha vindo a fazer em
reuniões sucessivas com a Directora Regional da Administração Escolar.

<p n=141>
Representantes da área protestante e evangélica queixam-se de que o
Ministério da Educação tem secundarizado a questão das aulas de Educação
Moral e Religiosa Evangélica, em alternativa à disciplina de Religião e
Moral Católica. As escolas não foram informadas a tempo da existência da
disciplina e nenhum professor foi ainda colocado.

<p n=142>
Sensibilizar os professores  para uma aplicação dos conhecimentos da área
de psicologia clínica no campo pedagógico é um dos principais objectivos
do I Congresso de Psicologia para Professores que ontem começou em
Coimbra. Organizado pelo Centro de Apoio  Médico Psico-Pedagógico
(CAMPP), este congresso pretende, na opinião do psiquiatra Carlos Amaral
Dias, alertar para "a existência de dificuldades psicológicas que não são
resolúveis por puros métodos educativos".

<p n=143>
Da parte dos cerca de 200 professores presentes surgiram algumas
dúvidas,nomeadamente apontando a falta de capacidade e de competência
psicológica da escola, onde os professores apenas cumprem o horário e
nada mais podem fazer. No entender de António Jorge Andrade, só o
recurso a uma "construção colectiva que envolva os pais, a comunidade e
os professores  poderá resolver o problema". Ana Isabel Cabo

<p n=144>
Dez produções audiovisuais sobre a temática dos Descobrimentos vão ser
concretizadas até 1994 no âmbito de um protocolo a assinar nos próximos
dias.

<p n=145>
Na género documentário, estão previstos quatro trabalhos: «As Viagens
Modernas», de Artur Castro Neves; «Os Descobridores», adaptação do livro
de Daniel Boorstin por Jorge Marecos; «O Barroco Latino-Americano»,
grande co-produção internacional proposta por Francisco Manso e Miguel
Faria; e os «Itinerários do Oriente», na sequência da repetição do
trajecto de jesuítas portugueses pela Índia, Nepal, Tibete e China a
fazer proximamente por uma equipa de antropólogos.

<p n=146>
O último filme do cineasta francês Claude Berri, «Uranus», com
interpretação de Gérard Depardieu, abrirá o 41º Festival Internacional de
Berlim, que se realiza entre 15 e 26 de Fevereiro próximo. No festival
serão exibidos mais de 100 filmes, 30 dos quais em competição. «O
Padrinho III», de Francis F. Coppola, «A Casa da Rússia», de Fred
Schepisi, e «Dance With Wolves», de Kevin Costner, são três dos cinco
filmes americanos a concurso. Os italianos apresentam quatro obras, entre
elas «La Casa del Sorriso», de Marco Ferreri e «La Condanna», de Marco
Bellochio. Entre os três filmes franceses a concurso conta-se «Le Petit
Criminel», de Jaques Doillon. «Uranus» será apresentado fora do concurso.

<p n=147>
Surpreendendo pela rapidez da decisão, o Governo já optou: quer a Expo 98
na zona oriental de Lisboa. Caso venha a ser aprovada em Dezembro, em
Paris, a mostra sobre «O Mar e os Oceanos» pretende assumir-se como pólo
dinamizador de uma acção mais vasta de reabilitação de todo o estuário do
Tejo.

<p n=148>
O Museu Nacional de Arte Antiga vai ter uma nova directora, Ana Maria
Rebocho Brandão, que tomará posse de um cargo que o conservador mais
antigo daquele museu, José Luís Porfírio, tem vindo a assegurar desde a
saída, em Setembro, da antiga directora, Maria Alice Beaumont. José Luís
Porfírio disse ao PÚBLICO que nunca se candidatara ao lugar de director
do Museu Nacional de Arte Antiga, onde há 16 anos exerce funções
administrativas, entre as quais a de director de pessoal.

<p n=149>
Em declaração feita ao PÚBLICO, o presidente do Município, Jorge Sampaio,
presente em Viena de Áustria numa reunião da Internacional Socialista,
manifestou uma «satisfação tanto maior quanto -- sublinhou -- as principais
razões aduzidas pelo Governo para essa escolha são as que levaram a CML a
sugerir essa mesma localização».

<p n=150>
Dizia Chaplin que Hitler  era um plagiador que lhe copiara o bigode. Se
Groucho Marx fosse vivo que diria hoje do bigode de Saddam Hussein?

<p n=151>
Não é possível encontrar algo que se assemelhe ao humor dos Marx antes
dos Marx, nem Swift nem Jarry e outros mestres do humor absurdo. Harpo
Marx nas suas memórias («Harpo Speaks!») dá disso um testemunho
involuntário: «A única tradição da nossa família era a ausência de
qualquer tradição». Herdeiros que reivindiquem a sua herança são também
inexistentes (apesar de alguns esforçados émulos). Em resumo, os Irmãos
Marx são únicos, quebraram-se os moldes que os fizeram. E na história do
burlesco americano os anos 30 pertencem-lhes, como os 20 são de Buster
Keaton. E, assim como este é impensável no cinema falado, os Marx não
seriam possíveis no mudo. Os Irmãos Marx são uma conquista da nova
tecnologia a par do musical. Porque a palavra (e os jogos de palavras)
são uma das traves-mestras do seu humor. Daí que eles sejam,
frequentemente, mal entendidos por quem os tenha de acompanhar através de
legendas, porque muitos dos seus trocadilhos são intraduzíveis. Logo no
seu primeiro filme («The Cocoanuts», a exibir na segunda-feira às 18h30)
se encontra um jogo à volta do príncipe de Wales e «whale» (baleia). E
nos restantes, o absurdo invade e faz rebentar o sentido e a própria
função das palavras (a inenarrável discussão pelo contrato do tenor entre
Groucho e Chico em «Uma Noite na Ópera») fazendo, «avant la lettre», uma
análise estruturalista dos signos da linguagem (a incrível busca do nome
do cavalo ao longo de uma série de volumes que se rementem uns para os
outros em «Um Dia nas Corridas»).

<p n=152>
«Nos Bastidores da Televisão» é o título do livro que o realizador de
televisão Adriano Nazareth se  para editar sobre os bastidores
desconhecidos da TV portuguesa. «Casos Insólitos» e «Quem Saneou Quem»
são alguns dos capítulos que compõem esta obra que inclui documentos,
depoimentos e informação inédita sobre a história da TV em Portugal.
Adriano Nazareth é o autor de um outro livro já publicado sobre o tema,
intitulado «30 Anos de Televisão».

<p n=153>
Coube ao historiador francês Frédéric Mauro intervir na sessão inaugural.
Mauro, professor da Universidade de Paris I, comparou os comportamentos
português e francês no século XV, para extrair as razões da supremacia
nacional. Expressando-se em português fluente, o investigador enunciou
características comuns às duas coroas -- monarquias agrárias,
mediterrânicas e atlânticas --, para apontar as razões do avanço
português. Para Mauro, diferenças nas estruturas sociais e na política
régia ditaram o atraso francês.

<p n=154>
1991 vai ser um ano marcado pela estreia de primeiras obras de actores
americanos que decidiram passar à realização. Depois do premiadíssimo
«Dances With Wolves», de Kevin Costner, espera-se agora a estreia dos
filmes de Jodie Foster e de Sean Penn. «Little Man Tate», a estreia na
realização de Jodie Foster, é a história de uma criança prodígio de sete
anos que é afastada da mãe e usada por uma psicóloga como um estratagema
para chegar à fama. Jodie Foster também é intérprete, ao lado de Diane
Wiest («Ana e as Suas Irmãs») e do estreante Adam Hann-Byrd. «Indian
Runner» é o título do filme que Sean Penn esteve a rodar entre Agosto e
Outubro do ano passado em Omaha, Nebraska. O argumento é do
actor/realizador: a história de um jovem que regressa a casa para se
reconciliar com o irmão e com o pai. O «cast» é impressionante: Charles
Bronson, Dennis Hopper, Valeria Golino («Encontro de Irmãos») e Cathy
Moriarty («O Touro Enraivecido»).

<p n=155>
Depois de «Uma Mulher de Sucesso», Harrison Ford volta a filmar com o
realizador Mike Nichols. Em «Regarding Henry», o título do filme que está
em rodagem em Nova Iorque, Harrison Ford é um bem sucedido advogado de
Manhattan que tem de reaprender a falar e redescobrir a sua identidade
depois de um acidente quase fatal que o deixa amnésico e temporariamente
paralítico. Ao lado de Harrison Ford está Annette Bening, a marquesa de
Merteuil em «Valmont» de Milos Forman e uma das intérpretes do muito
aguardado filme de Stephen Frears, «The Grifters». Entretanto, «Postcards
From The Edge», o útimo filme de Mike Nichols, está prestes a estrear.
Meryl Streep interpreta o papel da actriz Suzanne Vale, filha de uma
velha glória dos musicais de Hollywood, Doris Mann (Shirley MacLaine),
que pretente reconstruir a sua carreira depois de ter estado numa clínica
de desintoxicação. Dennis Quaid, Richard Dreyfuss e Gene Hackman são
outros dos intérpretes. «Postcards From the Edge» é baseado no livro de
Carrie Fisher (a princesa Leila de «A Guerra das Estrelas») em que a
actriz conta a sua própria experiência pessoal e a relação com a mãe,
Debbie Reynolds («Serenata à Chuva»).

<p n=156>
Cinco atletas, alguns deles de elevado nível, mormente os quenianos, não
participam hoje no Crosse Internacional das Amendoeiras em Flor, na pista
das Açoteias, em consequência da Guerra do Golfo. São eles Kibiwott
Bitok, Joseph Kiptum e Patrick Sang, do Quénia, Bontayeb Hammon e
Issanghar Mohamed, de Marrocos, e Jean-Louis Prianon, de França. Estão a
cumprir serviço militar e, como tal, impedidos de deixarem os seus países
por se encontrarem de prevenção.

<p n=157>
Pipoz bateu, em 1990, Albertina Dias pela diferença de 5 segundos, mas a
então atleta do Boavista «vingar-se-ia» no «Mundial» da especialidade,
sagrando-se vice-campeã. E hoje aqui está de novo, «como sempre, para
ganhar», mas a pensar também, e uma vez mais, na prova mais importante da
época. «É a segunda prova do `Challenge'; já pontuei numa, em Espanha,
mas é sobretudo na preparação para o `Mundial' que eu penso», disse ao
PÚBLICO a atleta do Maratona.

<p n=158 assunto=desporto>
A EQUIPA do Benfica treinou-se ontem de manhã e de tarde. No final do
segundo treino do dia foi divulgada a lista dos dezoito jogadores
convocados por Eriksson para o jogo de esta tarde com o Salgueiros. A
maior novidade prende-se com o regresso de Vitor Paneira que esteve
ausente em Penafiel, por lesão contraída no Gécia-Portugal. «O Vítor já
está bom e deverá alinhar de início», disse Shéu ao PÚBLICO. Magnusson
está também nos dezoito depois de uma lesão que o afastou dos campos por
seis meses. Recorde-se que Magnusson jogou pela última vez no
Suécia-Brasil (1-2) no «Mundial» de Itália. São estes os dezoito
jogadores que seguiram ontem para estágio no Hotel Tivoli Sintra: Neno,
Silvino, Samuel, Zé Carlos, William, Ricardo, Paulo Madeira, Veloso,
Fernando Mendes, Vitor Paneira, Sousa, Thern, Sanchez, Pacheco, Isaías,
Rui Águas, César Brito e Magnusson. Sobre a hipótese, ontem adiantado
pelo jornal «Record», do benfiquista Hernâni se transferir para o FC
Porto no final da época, em retaliação da anunciada contratação de
Geraldão pelo Benfica, o juiz Adriano Afonso não pareceu muito
impressionado. «É verdade que o Hernâni está em final de contrato mas
também posso dizer que as negociações com este nosso jogador já tiveram
início». E acrescentou o dirigente do Benfica: «Segundo a Lei das
Transferências a aprovar em 15 de Março pela Liga, acabaram  as
contratações selvagens. Ou seja, se o FC Porto quiser levar o Hernâni tem
de negociar directamente com o Benfica. E o Benfica teria direito a
receber uma verba compensatória do FC Porto». Quanto à notícia ontem
veiculada pelo «Independente» que dava o empresário do FC Porto, Luciano
D'Onnófrio como uma das próximas contratações do Benfica, Adriano Afonso
limitou-se a comentar: «Isso é inconcebível».

<p n=159>
O treinador português Fernando Cabrita adiou o seu regresso a Marrocos,
onde orienta a equipa do Raja de Casablanca, por se encontrar doente, mas
o clube anunciou já que o cargo do português será temporariamente ocupado
pelo marroquino Abdellah Settati, que orienta as escolas de jovens do
Raja. A ausência de Cabrita, que deverá prolongar a sua presença em
Portugal por mais um mês e meio, surge numa altura em que o campeonato de
Marrocos está interrompido, por receio das autoridades de que os
ajuntamentos populares acabem em manifestações políticas sobre a presença
marroquina na Guerra do Golfo.

<p n=160>
A selecção portuguesa de ténis ficou ontem mais perto do apuramento para
a eliminatória seguinte da Taça Davis (em que o adversário será a
Holanda), com Cunha e Silva e Nuno Marques a vencerem, no Porto, os dois
primeiros irlandeses que lhes couberam em sorte.

<p n=161>
Owen Casey, por seu turno, mostrou-se, no final da partida, bastante
satisfeito com a sua prestação em terra-batida. O irlandês, que pela
primeira vez disputou um jogo da Taça Davis fora do seu país, afirmou
ter-se ressentido da mudança de ambiente e do facto de jogar em
terra-batida, um piso pouco do agrado dos ténistas irlandeses. Apesar da
diferença de ranking que o separa de Cunha e Silva, Owen considerou que
nos jogos desta competição esse não é o factor mais importante,
atribuindo a supermacia à componente experiência, «e essa os portugueses
têm mais do que nós».

<p n=162>
O Torneio das Cinco Nações tem hoje a segunda jornada. A surpreendente
França joga com uma Irlanda «secreta», em Dublin, enquanto a Escócia
tentará refazer-se do desaire de há quinze dias, frente ao País de Gales.

<p n=163>
O «quinze» francês, depois de derrotar os vencedores da edição de 1990,
parte para Dublin com favoritismo. Contando também com uma formação
profundamente renovada para este torneio de 1991, a França está apostada
em reeditar a vitória, que alcançou já por 18 vezes, a primeira das quais
em 1954 e a última há dois anos. Para além dos aspectos práticos do jogo,
em que os continentais poderão contar uma podrosa segunda linha, há a
registar que nos 64 confrontos entre ambas as formações a vantagem pende
para os visitantes, que ganharam 34, perderam 25 e empataram cinco.

<p n=164 assunto=desporto>
A equipa portuguesa de ténis está a vencer, como se previa, a Irlanda,
por 2-0, ao fim do primeiro dia da partida a contar para a ronda
inaugural da Taça Davis, que hoje prossegue nas instalações do Clube de
Ténis do Porto.

<p n=165>
Hoje é o dia aprazado para a queda da FPF. Mas, se outra saída não
descobrir até lá, o grupo liderado pela Associação do Porto impugnará,
com efeito suspensivo, as decisões da Assembleia Geral. E quem manda
continuará a mandar.

<p n=166>
A quarta geração da gama 100 da Audi, já disponível nalguns mercados
europeus desde o final do ano passado, surge como a maior aposta de
sempre do construtor germânico. Isto ao ponto de o presidente da Audi,
Ferdinand Piech, não hesitar em fazer depender o futuro da marca do êxito
da comercialização deste modelo. E compreende-se porquê. Devido a uma
estratégia conjunta do grupo Audi- Volkswagen-Seat, caberá à Audi
competir apenas nos segmentos mais altos do mercado -- deixando os
segmentos intermédios à Volkswagen e pontualmente à Seat.

<p n=167>
Outro dos grandes investimentos feitos no novo Audi 100 incidiu no
aspecto da segurança. As rodas de 15 polegadas permitem a utilização de
travões maiores e mais eficientes, o sistema ABS está equipado de série
e, a nível de segurança passiva, para além da elevada rigidez do
habitáculo, merece especial referência o sistema «procon-ten». A função
«procon» actua de forma a que, em caso de colisão frontal grave, o
volante seja puxado por um cabo de aço, desviando-se assim da zona de
embate com o condutor. A função «ten», entretanto, consiste em ambos os
cintos de segurança dianteiros serem esticados através de outros cabos de
aço, protegendo assim o condutor e o passageiro.

<p n=168>
Aguardando um deslize do comandante na sua difícil deslocação a Ovar, o
FC Porto espreita a hipótese de voltar ao comando do campeonato. Sporting
e Beira Mar, em Alvalade, querem assegurar um lugar nos "play-off".

<p n=169>
Por sua vez, o Benfica, que lidera o campeonato, beneficiando da derrota
do FC Porto na última jornada, frente ao Illiabum, parte para este jogo
mais confiante e descansado. Duas equipas que se equivalem em termos de
potencial de jogadores exteriores, com os encarnados a evidenciarem,
nesta altura, ligeira vantagem no jogo próximo das tabelas onde, para
além de se apresentarem com toda a sua "artilharia pesada" (Wright, Mike
Plowden, Jean Jacques), ainda contam com um banco mais forte nessas
posições, o que lhes permite conseguir rápidas transições defesa-ataque,
que podem ser decisivas.

<p n=170>
O movimento contestário à actual Direcção da FPF não parece ter nascido
sem o pecado original. Para lá de, em nome da moralização, se trocar Gil
Mesquita por Mesquita Machado, há vários outros gatos escondidos com o
rabo de fora. Por exemplo, a indicação de Fernando Peixoto para a
presidência do Conselho de Arbitragem parece inocente, já que ele
pertence à AF Viseu, mas a verdade é que é natural de Guimarães. Tudo
indica assim que, caso saisse vencedor, Guimarães passaria a ter o
presidente e o vice-presidente do CA, uma vez que é ponto assente que
Dinis Monteiro continuaria no seu cargo.

<p n=171>
Foi bonita a homenagem a Marcelo de Almeida. Certos benfiquistas
aproveitaram até para fazer as pazes. Apenas um pequenino incidente
azedou a sopa a alguns. A famosa Dona Blé, mulher de João Rodrigues, não
resistiu a algumas palavras de consolo que Gaspar Ramos lhe pretendia
dirigir sobre a eventual destituição do presidente da FPF e acusou o
dirigente do Benfica de estar conluiado e de ser o estratega das manobras
em curso. As palavras subiram de tom, Gaspar Ramos ficou incomodado mas a
mulher de João Rodrigues despejou o saco todo perante o indisfarçável
incómodo das centenas de convivas.

<p n=172>
- Será que o «mister», como o campeonato vai ser interrompido, nos vai
dar mais cinco dias de férias ?

<p n=173>
Portugal ainda não confirmou a sua candidatura à organização do «Mundial»
de futebol de 1998 quando falta uma semana para o fim do prazo concedido
pela FIFA. Até ontem, três países tinham já reiterado a sua candidatura:
Inglaterra, França e Marrocos, mas a FIFA esperava ainda ver essa lista
alargada. A Inglaterra e a França já foram sede de uma edição do
«Mundial» -- em 1966, a Inglaterra, e em 1938, a França -- enquanto
Marrocos tenta desta vez reforçar a candidatura derrotada para o
Campeonato do Mundo de 1994, atribuido aos EUA.

<p n=174>
O CDUL, terceiro classificado do «Nacional» de râguebi e ainda com
hipóteses matemáticas de chegar ao título, desloca-se esta tarde ao campo
do Cascais, segundo classificado, que também não pode perder, sob pena do
líder Benfica se afastar ainda mais, ficando então em óptima posição para
conquistar um título que persegue há muito.

<p n=175>
No que respeita à série B, não se prevêem surpresas, já que as equipas
que jogam em casa são francamente favoritas.

<p n=176>
Pedro Chaves será o único piloto da Coloni na próxima temporada de
Fórmula 1. Esse facto ficou ontem confirmado, já que terminou o prazo
para inscrição dos pilotos no campeonato do mundo e a Coloni não
inscreveu mais ninguém.

<p n=177>
A equipa Toyota/Salvador Caetano confirmou a sua participação no próximo
Rali das Camélias, segunda prova do campeonato nacional, que se disputa
nas estradas da serra de Sintra no próximo fim-de-semana. Depois do
acidente sofrido por Joaquim Santos/José Luis Nascimento na segunda
passagem pela classificativa de Ponte de Lima, no último Rali
Sopete/Póvoa de Varzim (onde Joaquim Santos se estreou ao volante do seu
novo carro), chegou a temer-se no seio da equipa que os danos sofridos
pelo Toyota Celica GT-Four pudessem impedir a sua reparação a tempo de
participar no Rali das Camélias.

<p n=178>
Alto, baixo, forte, rápido são conceitos cada vez menos suficientes para
definir parâmetros de talento e competência no desporto. Começar cedo
continua a ser um imperativo. Os estudiosos debruçam-se agora sobre o
como e o quanto, cientes de que a actividade desportiva orientada para o
rendimento iniciada precoce e intensamente leva, inevitavelmente, ao
insucesso e ao abandono de crianças e jovens que, na aparência, tinham
tudo para serem considerados talentos desportivos.

<p n=179>
António Marques citou conclusões de estudos recentes para defender a tese
de que as hipóteses de risco diminuem se a selecção se fizer de forma
integrada --juntando às componentes biológicas aspectos comportamentais e
sociais-- e diferida no tempo, isto é, considerando as várias etapas da
formação com vista à optimização do rendimento das capacidades
desportivas.

<p n=180>
«Só num clube como o Benfica é que uma coisa destas era possível: um
Jorge rico e um Jorge pobre sentados à mesma mesa»

<p n=181 assunto=desporto>
Stefan (jogador do Farense, comentando a sua expulsão por agressão a
Diamantino), «Correio da Manhã», 30-1-91

<p n=182>
Os gémeos Castro, bem como a elite sportinguista do meio-fundo, estiveram
em estágio a semana passada em São Pedro de Muel. Todos consideraram as
condições do estágio únicas e ideais em Portugal e o apoio da
generalidade das pessoas e entidades inexcedível. Mas no melhor pano cai
a nódoa. A Região de Turismo de Leiria, contactada para prestar apoio ao
referido estágio, acabou por adiantar que se se tratasse de uma equipa
estrangeira, o problema poderia ser equacionado. Mas, já que era um lote
de atletas portugueses, a questão não se punha.

<p n=183>
a) Que o União de Leiria seria um dos três primeiros classificados da II
divisão de Honra subindo para o ano à I divisão.

<p n=184>
Geraldão partiu ontem à noite para o Brasil e ainda não sabe quando volta
a Portugal. Ontem, esteve no Sheraton a almoçar com os companheiros,
treinadores e directores, incluindo o presidente Pinto da Costa, de quem
se despediu a rir.

<p n=185>
Geraldão leva no bolso um dilema e uma proposta: ou renova o contrato com
o FC Porto, com números muito bons e volta rapidamente a integrar-se na
equipa; ou mantém a sua decisão de não jogar no clube após o final desta
época e então não vestirá mais a camisola azul-branca. A dúvida está
aqui: neste último caso, Geraldão teria, em princípio, pouco a perder,
porque mesmo não jogando o FC Porto teria que lhe pagar os seus
honorários normalmente. O que é, então, que o faz vacilar? A proposta do
F.C.Porto ou qualquer outra coisa que não se conhece ainda? Como se vê,
não se conhece o naipe de trunfo neste jogo.

<p n=186>
Domingos e Dionísio Castro são os gémeos mais famosos do país. Com eles o
nosso atletismo tem mantido sólidas expectativas de recompensas
internacionais na era pós Lopes e Mamede. Inseparáveis também nas pistas,
eles aí estão de novo a iniciar uma época internacional.

<p n=187>
Os gémeos estão, ao que se depreende, prontos para a luta por uma nova
"Taça dos Campeões". E são unânimes quanto à importância desta prova,
admitindo, no entanto, que a vitória poderá ficar em mãos portuguesas que
não as do Sporting, devido "à força do conjunto benfiquista".

<p n=188>
Actualmente fala-se muito em qualidade de vida e da sua relação com o
aumento da esperança de vida. O prodigioso desenvolvimento da ciência
tem contribuido para a extinção ou para a cura de certas doenças,
consideradas incuráveis até há bem pouco tempo, mas ao mesmo têm-se
desenvolvido e tornado cada vez mais preocupantes as chamadas «doenças
das civilização», encabeçadas por esse terrivel flagelo do séc. XX -- o
stress.

<p n=189>
Pressupõe-se assim que com a corrida os cidadãos desenvolvam e mantenham
a sua condição física atravez da prática de uma actividade corporal de
forma sistemática e contínua, que evidentemente estará adaptada à sua
idade, sexo e vivências anteriores.

<p n=190 assunto=desporto>
O Juventude de Belém vai recorrer da decisão do Conselho de Justiça (CJ)
da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) de lhe atribuir derrotas por 3-0
em seis jogos do campeonato nacional da III divisão, série F, e no jogo
com o União de Montemor, da terceira eliminatória da Taça de Portugal. A
junta directiva do Belenenses deverá recorrer, em nome do seu clube
satélite, da decisão tomada quinta-feira pelo CJ mas «ainda não foi
comunicada ao clube oficialmente» -- segundo Eloy Andrade, dirigente do
Juventude de Belém.

<p n=191>
Mas se o Juventude tivesse ultrapassado mais este adversário na Taça de
Portugal, as consequências desta decisão do CJ ainda seriam mais
complicadas, já que depois de eliminar o União de Montemor -- jogo em que
agora é atribuída a vitória aos alentejanos --, o Juventude eliminou o
Tabuense. A confirmar-se a decisão federativa, o União de Montemor
voltará a entrar na competição, jogando com o Tabuense, apurando-se neste
jogo um novo adversário para o Gil Vicente. Isto, claro, para além das
consequências imediatas na classificação da série F, onde o Juventude é
líder (com 29 pontos) e pode passar para o 12º lugar com 18, deixando a
liderança ao Desportivo de Beja.

<p n=192>
Nesta última semana, cada «stand» da BMW tinha, em lugar de destaque, um
automóvel escondido por uma capa. Às zero horas de hoje o pano subiu,
aparecendo a estrela da marca de Munique para os próximos anos, a nova
série 3. O modelo mais baixo da gama BMW é, simultaneamente, o mais
vendido e chegou a hora de mudar um modelo que tão boa carreira fez ao
longo dos últimos oito anos.

<p n=193>
É em termos de comportamento dinâmico que o novo série 3 -- testámos o
318i nas sinuosas estradas do interior algarvio -- está perto da
perfeição. A rigidez da estrutura proporciona um comportamento em curva
muito preciso e só com uma forte provocação se consegue que a traseira do
carro se atravesse, um comportamento típico de qualquer tracção traseira
que nestes série 3 está extremamente controlado. A nova caixa de cinco
velocidades -- em que a quinta deixou de ter uma função «over-drive»,
permitindo encurtar as outras -- permite boas acelerações (fenomenais no
caso do 325i). Por outro lado, o sistema ABS adoptado (desenvolvido pela
BMW) é de uma enorme eficácia quase não apresentando as enormes
desvantagens normais daquele sistema em piso irregular

<p n=194>
«As notícias de que a BMW está a projectar um carro mais pequeno que os
série 3 não correspondem à verdade», referiu-nos Hans Helten, director
comercial da marca para o sul da Europa. De facto, apareceram
recentemente rumores segundos os quais a BMW teria encomendado à Porsche
o desenvolvimento de motores entre 1300 e 1600cc para um pequeno carro
que poderia chamar-se «214» e que seria mais pequeno que os série 3. No
aspecto dos motores, Hans Helten foi peremptório: «BMW significa
Bayerische Motoren Werke [fábrica bávara de motores]. Se quiséssemos um
novo motor não precisávamos de recorrer à Porsche...»

<p n=195 assunto=desporto>
Magnusson está também nos dezoito depois de uma lesão que o afastou dos
campos por seis meses. Recorde-se que Magnusson jogou pela última vez no
Suécia-Brasil (1-2) no «Mundial» de Itália. São estes os dezoito
jogadores que seguiram ontem para estágio no Hotel Tivoli Sintra: Neno,
Silvino, Samuel, Zé Carlos, William, Ricardo, Paulo Madeira, Veloso,
Fernando Mendes, Vítor Paneira, Sousa, Thern, Sanchez, Pacheco, Isaías,
Rui Águas, César Brito e Magnusson.

<p n=196>
1) O que foi prometido ao presidente da Associação de Futebol de Leiria
para votar contra a queda da FPF e todos os seus orgãos ?

<p n=197>
b) Um piquenique no Pinhal de Leiria com entrada pagas a reverter para os
cofres dos clubes da zona.

<p n=198>
Num sábado cheio de desporto, as primeiras atenções vão para o Crosse das
Amendoeiras, que contará com a presença de muitos atletas de renome
internacional e cuja transmissão será assegurada pela RTP/2, através do
programa Estádio. Destaque também para a Assembleia Geral da Federação
Portuguesa de Futebol, à tarde, e para o jogo FC Porto-Belenenses, a
contar para o "Nacional" de futebol da I divisão e que será transmitido
em directo pela RTP/2 a partir das 21h30.

<p n=199>
Troféu -- Transmissão de mais um jogo do Campeonato de basquetebol da NBA.
A seguir teremos um resumo alargado do Torneio das Cinco Nações em
râguebi, com os jogos Escócia-País de Gales (em Murrayfield) e
Irlanda-França (em Dublin). Tem início hoje uma série de programas sobre
a "História do Futebol". Continua a série de divulgação da modalidade
Curling. Esta emissão acaba com o Mundial de Ciclocrosse.

<p n=200>
O Ministério da Agricultura, Pescas e Alimentação (MAPA) considerou ontem
que a negociação da segunda etapa da integração europeia da agricultura
portuguesa foi «considerada muito positiva por várias organizações de
agricultores».

<p n=201>
Para o MAPA a nova «política do mercado dos cereais tem por base
fundamental harmonizar o preço dos cereais em Portugal» ao seu preço na
CEE, «fazendo assim funcionar saudavelmente o mercado e criando condições
de competetividade às indústrias utilizadoras e à pecuária consumidora».

<p n=202>
O reponsáveis do Centro da Biomassa e da Direcção-Geral das Florestas
assinaram ontem, em Coimbra, um protocolo com o objectivo de estudar o
aproveitamento da biomassa florestal para fins energéticos, como
alternativa aos combustíveis convencionais.

<p n=203>
A Fábrica Nacional de Margarinas, procedeu nos dias 22 a 25 do mês de
Janeiro, à emissão de um empréstimo obrigacionista no valor de 250 mil
contos através da emissão de 250 mil obrigações com o valor nominal de
mil escudos cada. A taxa de juro nominal para o primeiro cupão será de
21,75 por cento, e o empréstimo terá uma duração de aproximadamente cinco
anos. Os juros serão pagos semestralmente, sendo o Banco Português do
Atlântico o agente pagador. O reembolso antecipado poderá ser requerido,
tanto pela entidade emitente ("call option") como pelo subscritor ("put
option"), no dia dois de Janeiro de 1993. A organização e a liderança do
empréstimo estiveram a cargo da Hispano Americano Sociedade de
Investimentos, e a tomada firme e colocação foi assegurada por um
sindicato financeiro integrado pela Corretora Atlântico, BCP, UBP, BNU,
BFE, UIF Dealer e Hispano Americano Sociedade de investimentos.

<p n=204>
O Brasil decidiu pôr fim ao sistema de indexação, congelando
temporariamente os preços e os salários, anunciou ontem Zélia Cardoso de
Melo, ministra da Economia. Os bancos estiveram ontem fechados para
permitir tanto ao sistema bancário como aos cidadãos a adaptação ao novo
sistema. Os depósitos a prazo de 24 horas (overnight), que permitiam
antecipar a inflação, foram igualmente interditos. Todas estas medidas se
destinam a tentar pôr cobro à escalada da inflação, que de 20 de Dezembro
a 22 de Janeiro foi de 20,1 por cento. Em seis meses, os preços
aumentaram 137,56 por cento.

<p n=205>
Os corretores londrinos Gill and Duffus estimaram em140 mil toneladas o
excedente de cacau actualmente existente em relação às perspectivas de
consumo mundial. Este valor é superior ao apresentado pela Organização
Internacional do Cacau, cuja avaliação do excedente é de apenas 90 mil
toneladas. Trata-se do sétimo ano sucessivo de excedentes nesse sector. A
cotação do cacau caiu esta semana para o seu valor mais baixo desde há
onze meses. A Costa do Marfim e o Brasil são os maiores produtores
mundiais.

<p n=206>
A entrada formal de Oliveira Marques na presidência do Conselho de
Administração da Cisf está para breve, depois do pedido de demissão de
idêntico cargo ocupado na Aliança Seguradora.

<p n=207>
No ano passado, a actividade da Cisf caracterizou-se fundamentalmente
pela participação nos processos de avaliação, no âmbito do programa de
privatizações, pela montagem, liderança e integração de sindicatos
financeiros de numerosas operações no mercado de capitais e pela
assessoria estratégica e consultoria nas áreas de novos projectos, fusões
e reestruturações de empresas. L.B.

<p n=208>
Com o volume de negócios em baixa, as duas Bolsas de Valores portuguesas
registaram ontem subidas de cotações. No Porto, a evolução segue-se a um
dia em baixa, depois de a semana se ter caracterizado pela subida
sucessiva dos valores. A transacção de perto de 245 mil títulos Capital
BPI 87 e de 200 mil FIP 89, levou o volume de negócios no norte a
ultrapassar os 2,5 milhões de contos.

<p n=209>
Os títulos habitualmente mais transaccionados mantiveram ontem um
comportamento discreto e variações de cotação pouco significativas. Com
subidas situadas entre 0,57 por cento e 3,33, estiveram as acções da
Mague, Efacec, Marconi (nominativas) BCP (portador), Corticeira Amorim e
Mabor.

<p n=210>
A reunião de dia 26 de Janeiro entre os responsáveis da indústria de
defesa nacional não trouxe novidades. Cinco dias depois, a 31 de Janeiro,
deveria ter ficado concluído o saneamento financeiro da Indep. Também
falhou. A tutela não disponibilizou os 3,5 milhões de contos necessários
ao pagamento da dívida à Banca, mas, ao que tudo indica, já foi
encontrada uma nova solução.

<p n=211>
O secretário de Estado da Defesa, Eugénio Ramos, deverá pronunciar-se
sobre o assunto, na próxima segunda-feira, durante uma visita que
efectuará, em companhia do ministro Fernando Nogueira, à EID (Empresa de
Investigação e Desenvolvimento) e ao Depósito de Munições. De acordo com
fontes ligadas ao processo, não é mesmo de excluir que o próprio ministro
tenha tomada à sua responsabilidade a resolução do problema.

<p n=212>
O Koweit Investements Office (KIO) passou a ser o principal accionista
directo da Cerâmica de Souselas em Dezembro passado e decidiu injectar
1,6 milhões de contos no grupo de empresas. Parte desta entada de
dinheiro será efectuada num aumento do capital social do grupo, de 2, 557
milhões para três milhões de contos -- cuja escritura terá lugar na
próxima quarta-feira --, e o restante por provisões.

<p n=213>
A facturação do grupo da Cerãmica de Souselas, que agrupa ainda as
fábricas Amarona, Marona-Grés e Cerinda, foi em 1990 de mais de cinco
milhões de contos, contra quatro milhões em 1989. Para este ano, a
actividade das empresas deve proporocionar uma aumento de cerca de dez
por cento no volume de vendas. No entanto, a diminuição da actividade da
construção civil de habitação nos últimos meses poderá vir a afectar
estas previsões, estando os responsáveis das cerâmicas na expectativa do
que o futuro próximo pode vir a reservar. R.G.

<p n=214>
As decisões contraditórias do banco central alemão Bundesbank e da
Reserva Federal (FED) dos EUA, anunciadas neste final de semana, deixaram
perplexos os centros financeiros mundiais e empurraram para segundo plano
as reações dos operadores ligadas à evolução da crise do Golfo. Da Asia á
Europa, todas as bolsas fecharam em baixa apesar das percas terem sido
bastante ligeiras. A grande vítima das alterações aos juros foi a divisa
norte-americana que recuou face ás restantes moedas. O ouro continuou
também a baixar, tendo fechado em Londres a 396,25 dólares por onça. As
alterações aos juros deixaram as praças desamparadas, afirmou um
corrector londrino.

<p n=215>
Na Alemanha, o caso é diferente. O presidente do Bundesbank Karl Otto
Poehl deixou bem claro que a decisão de subir o juro é de ordem política.
Foi um sinal ao governo de Bona de que a unificação das duas alemanhas
não pode ser financiada exclusivamente com novos créditos. Os iminentes
aumentos de impostos (até agora negados pelo governo que tinha prometido
na altura das eleições não os subir), terão consequências negativas nos
preços.

<p n=216>
A Companhia de Navegação Infante de Sagres, deverá ser o nome de uma nova
empresa de transporte maritimo. O estudo prévio para o lançamento da
empresa foi já apresentado aos potenciais financiadores.

<p n=217>
A oportunidade desta aposta no transporte maritimo, foi aliás há pouco
tempo relembrada pelo presidento do Conselho Geral das Associações da
Marinha mercante britânica, Lord Sterling, conforme recorda um dos
promotores da empresa, ao afirmar que em tempo de guerra este responsável
inglês considerou a indústria de transporte marítimo, como a quarta arma
de defesa, considerando as possíveis dificuldades de fretamento de navios
que assegurem as importações.

<p n=218>
O Parlamento iraniano aprovou um orçamento superior em 63 por cento ao
inicialmente previsto, baseado em cerca de 20 mil milhões de dólares (2,7
mil milhões de contos) de receitas petrolíferas e 4,8 mil milhões de
dólares em divisas estrangeiras, para o ano fiscal que se inicia a 21 de
Março. O orçamento geral é de 307 mil milhões de dólares (cerca de 41,5
mil milhões de contos), 60 por cento dos quais se destinam às empresas do
Estado que o Governo afirma que serão privatizadas gradualmente, enquanto
o resto é dedicado às despesas do Executivo.

<p n=219>
Quanto às divisas estrangeiras, o Governo pretende vendê-las aos
comerciantes a uma cotação superior em 20 por cento à oficial, para
aumentar as disponibilidades para o orçamento. E, também a respeito desta
medida, vários deputados se opuseram, argumentando que ela apenas
agravará a inflação.

<p n=220>
O parlamento iraniano aprovou um orçamento 63 por cento superior ao
inicialmente previsto, baseado em cerca de de 20 mil milhões de dólares
de receitas petrolíferas e 4,8 mil milhões de doláres em divisas
estrangeiras, para o ano fiscal que se inicia a 21 de Março.

<p n=221>
O governo vai vender divisas estrangeiras aos comerciantes a uma cotação
20 por cento superior á oficial para aumentar o capital para o orçamento.
Mas, vários deputados afirmam que esta medida apenas agravará a inflação.

<p n=222>
A guerra do Golfo levou a Fundação Gulbenkian a repensar os seus
investimentos em Portugal. O gás natural deverá ficar de fora. Para a
Petrogal, parece haver duas hipóteses em estudo: entrada no capital ou
compra de obrigações.

<p n=223>
Em causa estão os interesses petrolíferos da instituição no Qatar, Omã e
Emirados Árabes Unidos -- que representam anualmente cinco milhões de
contos de negócios -- e os crescentes receios sobre o curso e tempo de
duração da guerra na zona do Golfo.

<p n=224>
O Governo determinou a criação de um grupo de trabalho para o turismo
nacional que terá por funções encontrar as soluções mais adequadas para
que o turismo não seja afectado pela guerra no Golfo.

<p n=225>
Por estes motivos e, face a uma situação que evolui muito rapidamente e
cujas consequências são imprevisíveis, o Governo decidiu criar o referido
grupo de trabalho.

<p n=226>
Arantes e Oliveira tomará posse como Director do Laboratório Nacional de
Engenharia Civil (LNEC), no próximo dia 4 de Fevereiro, pelas 11h00. O
anúncio, feito ontem pelo LNEC, confirma a notícia veiculada há um mês
pelo semanário «O Independente», que citava fonte do Ministério das Obras
Públicas, Transportes e Comunicações. Na altura, o PÚBLICO foi informado
pelo Ministério de que a notícia de «O Independente» não tinha
fundamento.

<p n=227>
A experiência, conduzida por Steven Rosenberg, do Instituto Nacional de
Cancro dos EUA, utiliza como técnica a injecção num melanoma (cancro de
pele) de aproximadamente cem milhões de linfócitos modificados por
engenharia genética, previamente extraídos do paciente e multiplicados em
tubos de ensaio. Os cientistas esperam que estas células, nas quais foi
introduzido um gene que ataca os tumores, possam destruir o cancro sem
afectar o resto do corpo.

<p n=228>
A Comunidade Europeia decidiu promover testes de produtos cosméticos que
não utilizem animais, através da criação de um novo centro de
investigação. Segundo o comissário do Ambiente, Carlos Ripa di Meana, o
centro investigará novas métodos para a realização de testes e publicará
os resultados através de um banco de dados. Esta medida vem ao encontro
dos desejos manifestados por um número crescente de associações de defesa
dos direitos dos animais, que se opõem violentamente ao seu uso em
experiências. A norma aceite internacionalmente, porém, exige o recurso a
animais em muitos dos testes de toxicidade, havendo uma intensa
investigação em torno de métodos alternativos.

<p n=229>
O laboratório da Lockheed, em Sunnyvale, nos Estados Unidos da América,
investiga neste momento um problema que preocupa diversos cientistas
espaciais: porque razão os tomates matam as alfaces, quando cultivados em
conjunto numa solução de água enriquecida com nutrientes?

<p n=230>
Trinta e três obras candidataram-se em 1990 ao prémio Bial de Medicina
Clínica, uma iniciativa que se destina a incentivar a produção de obras
de investigação médica da autoria de médicos de nacionalidade portuguesa.
A revelação dos resultados realizar-se-á em Abril próximo, nas
instalações da Universidade do Porto. Os primeiro e segundo classificados
receberão 2000 e 800 contos, respectivamente, sendo ainda editados em
livro os dois trabalhos.

<p n=231>
A tensão na República jugoslava da Croácia voltou a subir após a ordem de
prisão, emitida na quarta-feira, contra o ministro croata da Defesa,
Martin Spegelj, acusado de ter planeado ataques contra membros do
Exército. Apesar de Spegelj ainda não ter sido detido, a imprensa croata
refere que em algumas cidades da república rebelde as patrulhas militares
estão a fazer rusgas e a inspecionar carros de civis. Por outro lado, o
encontro entre o primeiro-ministro jugoslavo, Ante Markovic, e os
presidentes das seis repúblicas que compõe o Estado Federal foi
interrompido quinta-feira, sem que a ordem política do país, o principal
ponto da agenda, tivesse sido discutido. O prosseguimento da reunião está
previsto para o próximo dia 8 de Fevereiro.

<p n=232>
Acentuadas divergências marcaram mais uma ronda negocial entre o Governo
moçambicano e a Renamo, cujas delegações deixaram ontem a capital
italiana (aonde, no entanto, se espera que possam regressar dentro de
duas semanas, depois de uma «pausa de reflexão», proposta pelos
mediadores). A ronda dividiu-se em três sessões, que decorreram entre 26
e 30 de Janeiro, e os mal entendidos podem fazer perigar a sobrevivência
do acordo parcial de Roma, sobre as tropas zimbabweanas destacadas em
Moçambique.

<p n=233>
A Renamo, para além de não aceitar as acusações, entregou à Comissão de
Verificação um documento onde afirma que as tropas do Zimbabwe não
completaram a sua retirada para os corredores do Limpopo e da Beira,
conforme o estipulado no acordo de Roma, e acusou a Comissão de
Verificação de agir de forma parcial, ao lado do Governo de Maputo. De
acordo com a AIM, a Renamo afirmou que pelotões de companhias
zimbabweanas permaneceram fora dos corredores e com a intenção de se
manterem eternamente no país, camufladas de tropas moçambicanas.

<p n=234>
Os delegados ao II Congresso Extraordinário do PAIGC, que ontem terminou
12 dias de trabalhos, corrigiram à última hora a tendência mais
conservadora que haviam manifestado na escolha do novo Comité Central.

<p n=235>
Dos 12 membros efectivos do novo Bureau Político apenas três já tinham
essa qualidade no anterior («Nino», Carlos Correia e Francisca Pereira),
enquanto Vasco Cabral -- que era secretário permanente do Comité Central e
terceira figura na hierarquia do partido e do Estado -- foi relegado a um
dos quatro lugares de suplente.

<p n=236>
Unidades do Exército e da milícia patrulham desde ontem as principais
cidades soviéticas. Sessenta e três  brigadas, constituídas por três
elementos da milícia, armados de pistola e cassetete, um oficial do
Exército  com uma arma de fogo, e dois soldados armados de punhais
patrulhavam ontem a capital soviética. A Arménia, a Geórgia e as
repúblicas do Báltico denunciaram já a medida como «ingerência nos seus
assuntos internos». A Geórgia e Arménia recusam-se igualmente a acatar a
decisão, e a Federação Russa assegura a sua inconstitucionalidade. O
Conselho da Federação está reunido em Moscovo para apreciar a situação.
E, na semana passada, um «ukaz» de Gorbatchov autorizava o Ministério do
Interior e o KGB, a qualquer momento, a irromperem em empresas,
cooperativas, explorações privadas, etc. e a controlar as respectivas
contabilidades, «stocks», contas bancárias, etc. Nem as «joint-ventures»
escapam ao longo braço do KGB, que pode mesmo suspender a actividade de
qualquer empresa. «Peça a peça, está a ser montado o aparato legal para o
regresso a  uma verdadeira ditadura neste país.» O alerta, lançado há
dias por um deputado do Parlamento russo, vê-se confirmado dia após dia.

<p n=237>
O representante dos comunistas duros, Sergio Garavini, no seu discurso,
disse que não entrará no PDS. Mas o grupo parece isolado mesmo na
oposição interna, como lembrou o relator oficial do «não», Aldo
Tortorella, ao apresentar a moção «Refundação comunista», contraposta à
de Occhetto.

<p n=238>
Os  edifícios governamentais de Vilnius e Riga continuam protegidos por
barricadas e os desmandos dos Omon mantêm o ambiente tenso. Mas os
pára-quedistas e os «boinas pretas» da milícia regressaram aos quartéis,
e os militantes da Interfront deixaram de sitiar o Parlamento de Tallin.
E, em Washington, George Bush anunciava a «boa nova» de que os militares
soviéticos estavam a retirar das terras do Báltico.

<p n=239>
E, ao mesmo tempo que Gorbatchov protestava à imprensa estrangeira a sua
inocência nos incidentes do Báltico, o coronel Aksnis -- o já célebre
líder da plataforma ortodoxa Soiuz -- dizia a quem o queria ouvir nos
corredores do Soviete Supremo que era o Presidente, e mais ninguém, o
grande responsável pela acção das tropas nas repúblicas bálticas e o
grande inspirador dos comités de salvação que aí tentaram derrubar os
Governos legítimos.

<p n=240>
ndependent», existiria já um comité de salvação nacional a nível de todo
o país, ligado ao «bloco dos partidos e movimentos centristas» -- uma
organização surgida no ano passado e que se propõe tomar o poder «pela
via constitucional», isto é, impondo o estado de sítio e a substituição
das autoridades a todos os níveis, incluindo a Presidência da URSS, por
comités de salvação nacional. A ditadura assumiria então a forma de um
verdadeiro neo-estalinismo.

<p n=241>
Sevícias, acidentes, ajustes de contas entre grupos étnicos, além  da
«dedovtchina» (práticas iniciáticas mortalmente violentas para os
«maçaricos») fazem anualmente muitos mortos nas Forças Armadas (15 mil
soldados nos últimos anos, mais do que durante a guerra do Afeganistão).

<p n=242>
O Presidente Frederik De Klerk deu ontem um novo ímpeto à sua
determinação de construir uma nova África do Sul e foi saudado «com
grande satisfação» pelo seu homólogo português, Mário Soares.

<p n=243>
No seu entender, a África do Sul deve entrar no século XXI como «uma das
nações mais dinâmicas do mundo» e para isso propôs ao Parlamento o fim
das leis sobre a residência separada, sobre a posse de terra e sobre o
registo separado dos diferentes grupos étnicos (brancos, pretos, mestiços
e de origem indostânica).

<p n=244>
Depois de esgotar quatro casas no Teatro Municipal Rivoli, da Cidade
Invicta, o Círculo Portuense de Ópera chega a Lisboa para apresentar a
cantata «Carmina Burana», de Carl Orff. Com direcção musical de Manuel
Ivo Cruz, o Círculo está pelas 21h30, no Teatro da Trindade, em concerto
promovido pelo INATEL. Com um único senão: as condições da sala lisboeta
não permitem a apresentação da versão cénica, ao contrário do que
aconteceu no Porto.

<p n=245>
Na Casa do Alentejo, as casas regionais de Lisboa prestam homenagem ao
realizador Paulo de Medeiros, do programa «Linha Directa» da Antena 1.
Tudo começa pelas 16h00 com folclore português, prolonga-se com a
actuação de diversos artistas e termina com uma sessão solene e um jantar
de homenagem.

<p n=246>
A edição de 91 do Carnaval de Loulé foi ontem formalmente apresentada num
restaurante de Lisboa, com a presença do presidente da Câmara, Joaquim
Vairinhos, e do presidente da Comissão de Festas, Júlio Guerreiro.

<p n=247>
Este trio, uma das principais formações francesas do género, é
precisamente um caso exemplar de abertura de espírito: a sua dedicação à
música contemporânea vem de longa data, e contrariamente a muitos grupos
fanaticamente especializados na nova música, dedica-se também -- e de
forma exímia -- aos grandes clássicos e românticos.

<p n=248>
Dois homens foram presos e outros dois lograram fugir quando às 00h45 de
quinta-feira foram surprendidos num armazém da EDP em Portimão a tentar
furtar uma bobine com 300 quilogramas de cobre.

<p n=249>
Enquanto a GNR capturava dois dos suspeitos -- pai e filho, ambos
tendeiros em Portimão -- os restantes elementos fugiram num táxi em
direcção a Albufeira.

<p n=250>
A Associação de Empresas de Agricultura, Comércio e Indústria da Beira
Serra (ACIBEIRA) vai promover, em meados de Março, uma «greve de
patrões», como forma de protesto contra a acção da Câmara de Arganil,
classificada como "um obstáculo ao desenvolvimento económico do
concelho".

<p n=251>
«Trata-se de um autarca completamente desactualizado que, entre a
aprovação de uma iniciativa que traz investimentos para Arganil e a
resolução do problema de um muro de um dos explorados e oprimidos que diz
defender, opta pela última», afirma Rui Cruz que sustenta ser aquela «a
única câmara do Pinhal Interior que não dialoga com os parceiros
sociais».

<p n=252>
Os comunistas Francisco Pereira e Paulo Piteira passam, a partir da
próxima quarta-feira, a integrar a vereação da Câmara Municipal de
Loures, no seguimento das substituições que têm ocorrido no executivo da
autarquia no presente mandato.

<p n=253>
Relativamente a Eduardo Baptista, o PÚBLICO apurou que o seu afastamento
não será imediato, podendo ocorrer apenas dentro de algumas semanas, mas
que o seu regresso à FNAC, grupo empresarial onde se distinguiu como
engenheiro, é já um dado adquirido entre os seus pares da vereação.

<p n=254>
Os pescadores de Quarteira decidem hoje o que fazer em face da intenção
da Marina de Vilamoura de vir a limitar a utilização do anteporto por
embarcações de pesca.

<p n=255>
Para este representante dos pescadores, o recente diploma «não deverá ser
tomado à letra», até que seja construído o novo porto de abrigo em
Quarteira.

<p n=256>
Seis famílias de funcionários da Câmara Municipal de Almada que morreram
nos últimos meses vão receber um seguro de dois mil contos -- em vez dos
100 contos habitualmente atribuídos em casos de morte natural -- ao abrigo
de um projecto em curso na autarquia que têm em vista promover a saúde.

<p n=257>
O novo programa em curso na Câmara de Almada -- «Pacote de Seguros para a
Saúde e Qualidade de Vida do Pessoal» -- prevê que em caso de morte
natural os familiares beneficiados recebam dois mil contos, tal para
casos de invalidez absoluta por doença. O prémio dos seguros por
invalidez absoluta por acidente de trabalho eleva-se a 12 mil contos,
enquanto o de invalidez por acidente extra-profissional está também
coberto com um prémio de sete mil contos.

<p n=258>
Uma empresa de capitais públicos, a Planeamento de Gestão  de Serviços de
Sines (PGS), irá gerir a partir da segunda quinzena deste Mês as várias
intenções de investimentos previstos para a Plataforma Industrial de
Sines.

<p n=259>
O comendador João Justino vai continuar a liderar o executivo camarário
de Sintra, mas os autarcas do CDS, em conflito com os vereadores do PSD
desde Outubro, querem voltar a ter voz activa na gestão do município e
dizem não ter medo de fazer cair o presidente, a quem acusam de gerir
«como um merceeiro».

<p n=260>
O corpo de salvação pública de Tomar, que comemora este fim-de-semana o
seu 69º aniversário, está desde hoje de manhã em festa, com um programa
que abre às 10h00 com a inauguração de uma exposição de objectos e
publicações sobre bombeiros, que se encontram na posse de coleccionadores
do distrito.

<p n=261>
A encerrar as actividades, cerca das 17h00, na parada do quartel irão
actuar diversos ranchos folclóricos.

<p n=262>
A Câmara de Lisboa e a Junta de Freguesia de Alvalade chegaram a um
«acordo de princípio» que se poderá traduzir, a curto prazo, na resolução
do caso do buraco de algumas dezenas de metros aberto há mais de um ano
nas traseiras do edifício onde funciona a Assembleia Municipal.

<p n=263>
Na sequência dessa tomada de posição, os serviços da Câmara fizeram uma
nova vedação, mas não taparam o buraco, como reclamavam os moradores e
defendeu o PSD, num proposta agendada nas últimas reuniões mas que não
foi ainda votada, «por estar para breve uma solução».

<p n=264>
No projecto da recentemente formada Companhia Teatral do Chiado, há tempo
e espaço para as crianças. Nesta fase primeira, a animação para os mais
novos está a cargo de Maria Vieira, conhecida e aplaudida figura do nosso
teatro e que a televisão tem ajudado a consagrar. A jovem actriz,
dispondo de um natural poder de comunicação, consegue cativar a miudagem
com um plano de múltiplas facetas. O seu "Cantinho" abre com histórias
bem contadas, expressão do livre curso da fantasia e um dos melhores
instrumentos formativos nestas idades, Seguem-se depois o teatro e o
cinema por dentro e por fora. Através de metáforas poéticas, como a da
Avó Balbina que tinha uma máquina de costura na boca, ou a das palavras
que circulavam até o vento se cansar, Maria Vieira cria uma atmosfera de
grande receptividade para as muitas traquinices e aventuras que podem
acontecer no "Cantinho".

<p n=265>
O lugar do faz-de-conta transforma-se em objecto de partilha. Actores e
catraiada recriam histórias simples no meio de uma excitação
irreprimível.

<p n=266>
O vereador da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Mário Antão,
acusou a Secretaria de Estado do Ambiente de se deixar influenciar pelos
proprietários da Herdade do Valão, cuja vacaria, em seu entender, esteve
na origem da poluição da Barragem de Magos.

<p n=267>
Contactado pelo PÚBLICO, ontem em Coimbra, Macário Correia afirmou ser
«falso que tenha sido pedida alguma entrevista pela Câmara de Salvaterra
de Magos, recentemente, que não tenha sido atendida».

<p n=268>
Cerca de 1500 jovens vão participar no projecto «Vila Franca 2000», um
programa de dinamização desportiva lançado pela Câmara local e que
decorre até Julho. O protocolo de colaboração foi ontem assinado entre o
município e os 100 núcleos participantes.

<p n=269>
O projecto prevê torneios sazonais e campeonatos concelhios, enquanto
paralelamente decorrem acções de formação e actividades culturais. Será
ainda lançado um concurso em que cada núcleo apresentará um trabalho
sobre a sua modalidade. J.T.

<p n=270>
A RTP tem uma filosofia para cada dia da sua programação. O sábado é o
dia para dedicar à casa e preparar a família para o merecido descanso
domingueiro. São as limpezas do lar, para garantir o asseio, e as
compras, para garantir o frigorífico cheio. E a RTP está atenta. De manhã
e à hora de almoço dá a programação infantil. No Canal 1, a partir das
9h25, há «Os Flinstones» e «Ben Hur». As crianças ficam presas ao ecrã,
enquanto os pais vão à praça ou arranjam as persianas encravadas. Às
14h15, mais ou menos à hora em que ninguém vê a RTP, há «In Your House»,
o concerto que os New Kids on The Block deram em Março do ano passado no
Coliseu de Nova Iorque. Depois, o primeiro dos merecidos descansos do
dia. Na sala, entre aspiradores e «sprays» para móveis, reunião familiar
para assistir, no Canal 1, às 15h50, a «O Palco e a Vida», um filme
realizado por Arthur Hiller, em 1982, com Al Pacino e Dyan Cannon. Ou, em
alternativa, no Canal 2, às 14h05, ver «A Vida Começa Amanhã», um filme
de 1938, realizado por John Crowell, com Carole Lombard e James Stewart.
No Canal 1, às 18h05, pode-se ouvir Palavras Vivas por Mário Viegas: hoje
viaja até Ourique e lê Fernando Pessoa. Como um família não existe sem
uma boa discussão, o Canal 2 apresenta um jogo de futebol ao mesmo tempo
que no outro canal há Casa Cheia (ou o sonho de ter um automóvel novo à
custa de algumas figuras tristes, isto é, à borla). Finalmente, em Última
Sessão, no Canal 1, poderemos ver «Encontro» -- o filme de André Téchiné,
com Juliette Binoche e Lambert Wilson: Romeu e Julieta em versão
obsessiva, isto é, para assustar as famílias. Por isso só irá para o ar
às 23h40, depois de A Irmandade da Rosa, que passa no mesmo canal, às
22h40: uma série tão chata quantas as vezes que os actores repetem a
palavra Mossad -- 30 por episódio. A.G.F.

<p n=271>
É no fascínio do «vocaliso» que os NYV se envolvem -- uma técnica vocal
que, além de exigir um forte sentido de tempo, obriga o intérprete a um
conhecimento profundo dos solos instrumentais abordados (que se
transformam em temas originais), aos quais são apostas líricas arranjadas
com swing, como convém. Trata-se de um entre os muitos jogos de criação
que o jazz tem, e os NYV sabem jogá-lo com agrado. Por isso, ao
escolherem as vias do «vocaliso» e do «scat», os New York Voices
conquistaram um lugar ao sol numa especialidade vocal já com tão ricas
tradições.

<p n=272>
«Li, inclusive, que o dr. Mário Soares punha um veto ao meu nome. Enfim,
isso seria um estímulo para eu aceitar.»

<p n=273>
«Assim como o inferno está cheio de boas intenções, parece que a
literatura e o teatro estão cheios de gajos porreiros»

<p n=274>
No artigo de 22 do corrente mês, nas páginas 12 e 13, «A quem pertence a
Terra Santa?», quando é citado o capítulo 16 do Génesis, não é o 16 mas
sim o cap. 15, versículos 18 a 21.

<p n=275>
A Aliança ou concerto refere-se a Canaã como se lê no capítulo 15,
versículo 18: «Naquele mesmo dia, fez o senhor um concerto com Abraão,
dizendo: à tua semente (descendência), tenho dado esta terra (Canaã)
desde o rio Egipto até ao grande rio Eufrates».

<p n=276>
Na Agenda do suplemento Fim de Semana de 1 de Fevereiro, onde se diz que
a Companhia de Dança de Lisboa se apresenta no S. Luiz, hoje (sábado) às
18h30 e amanhã (domingo) às 21h30, deve ler-se: hoje às 21h30 e amanhã às
16h30.

<p n=277>
Para se ser pacifista, com dignidade mental, perante o conflito do Golfo,
é necessário ter um plano fundamentado para a paz, uma solução para o
Médio--Oriente e nova equação justa dos interesses e princípios morais que
motivaram a guerra. Nada disso se encontra no pacifismo ocidental, que
apenas funciona como lamentável tentativa de minar a retaguarda das
tropas, criar uma opinião pública que recua perante o horror duma guerra
prolongada e instalar a dúvida no ânimo dos dirigentes políticos.

<p n=278>
A defesa da saúde dos portugueses, tanto física como  mental e, mesmo,
económica é uma preocupação dos  colaboradores do «Diário da República».

<p n=279>
É simples: o prémio destina-se a «galardoar anualmente a autarquia que
desenvolva a acção considerada mais significativa de valorização,
salvaguarda, promoção, investigação e divulgação do seu património
cultural imóvel» e consiste na atribuição «de uma medalha e de uma placa
alusiva que assinalem, com a devida dignidade, o mérito obtido».

<p n=280>
Egipto: O embaixador do Egipto afirmou ontem que o seu país não
apresentou qualquer protesto em relação ao encontro entre o emissário de
Mário Soares e Yasser Arafat. A presença do embaixador egípcio no Palácio
das Necessidades, onde se encontrou, na quinta-feira, com o
director-geral dos Negócios Políticos, criou rumores sobre um eventual
protesto do Egipto. Contactado pelo PÚBLICO, Salim Seif El- Yazal
esclareceu que a reunião serviu para tratar de assuntos bilaterais e
disse não ter apresentado qualquer protesto, «nem ontem, nem antes». «Não
sei como é que surgiu essa informação», acrescentou o embaixador egípcio
em Lisboa.

<p n=281>
Solidariedade: Está em constituição um grupo de amizade entre deputados
portugueses e israelistas, anunciou em Lisboa Manuela Aguiar,
vice-presidente da AR e membro da bancada do PSD. Esta deputada e outros
membros da sua bancada bem como do PS estiveram reunidos quinta-feira à
noite num cinema da capital numa manifestação de apoio a Israel. João
Soares afirmou « ser necessário fazer desaparecer todos os ditadores e
todos os fanáticos da face da terra». Colette Vidal, embaixadora de
Israel em Portugal, disse ter recebido numerosas provas de solidariedade,
nomeadamente da parte de taxistas que se recusam a cobrar-lhe o preço das
corridas e de uma empregada doméstica reformada que lhe quis oferecer
todas as economias.

<p n=282>
Parece não haver dúvidas na direcção do PCP de que Carlos Carvalhas será
o futuro secretário-geral. Restam só duas incógnitas: quando assumirá o
cargo e se vai encabeçar a lista de Lisboa nas legislativas. Quem o deu a
entender foi Álvaro Cunhal ao falar ontem na conferência de Imprensa,
realizada no intervalo do Comité Central.

<p n=283>
No entanto, o PCP, que mantém como meta a «alternativa democrática»,
impõe cinco objectivos para a sua concretização: minoria parlamentar do
PSD e do CDS; maioria absoluta do PS e do PCP; assumpção política da
maioria númerica; política alternativa à «de direita»; «grande votação no
PCP e eleição de um forte grupo parlamentar».

<p n=284>
O Presidente da República, Mário Soares, almoçou ontem com o líder
centrista Freitas do Amaral para discutir a questão da amnistia. Freitas
reafirmou a oposição do CDS a uma amnistia dos réus do caso FP-25, mas
Soares pediu ao líder centrista que repensasse.  Freitas disse que dará
conhecimento à Comissão Política do partido que definirá a posição, daqui
a uma semana. Registe-se, entretanto, que a Comissão Directiva, por
unanimidade, é contra, e que já foi realizada uma sondagem entre alguns
elementos da Comissão Política que confirmaram a posição, havendo
inclusivé membros que não concordam com a convocação de uma reunião em
que o assunto de agenda seja a amnistia.

<p n=285>
Em Novembro passado, oito maçons de obediência do Grande Oriente Lusitano
demitiram-se. Entre eles contam-se o médico Santinho da Cunha, candidato
a Grão-Mestre da Maçonaria nas últimas eleições. A sua lista foi
impugnada e a eleição de Ramon La Fèria ratificada pela Grande Dieta. Com
Santinho da Cunha sairam personalidades como o autarca socialista Vasco
Franco que, instado pelo  PÚBLICO a pronunciar-se sobre o assunto, disse:
«Não confirmo nem desminto. Sou discreto e não exibicionista».

<p n=286>
Treze membros do Parlamento iraniano chegaram ontem a Lisboa. A visita,
que se prolonga até terça-feira, não tem carácter oficial e destina-se a
proporcionar contactos com parlamentares portugueses. Na segunda feira, a
delegação iraniana, integralmente composta por elementos da Comissão
Parlamentar de Emprego e Trabalho, desloca-se à Assembleia da República.
A delegação é chefiada pelo Presidente da Comissão de Emprego e Trabalho,
Ali Mohamed Garibane.

<p n=287>
O Secretariado Nacional do PS reúne na próxima segunda-feira para, entre
outras coisas, constituir o grupo de trabalho encarregue de preparar as
listas do partido para as legislativas. O grupo não deverá ter mais do
que três pessoas, todas elas da máxima confiança de Jorge Sampaio, e a
sua criação nesta altura parece consagrar a intenção de resolver o mais
cedo possível uma questão sempre polémica no seio dos socialistas.

<p n=288>
A estratégia do PSD para as próximas eleições legislativas é o tema de um
encontro entre a direcção social-democrata e os presidentes das comissões
políticas distritais do partido, marcado para a próxima quinta-feira.

<p n=289>
Agora, o PS quer conhecer as listas recolhidas pelo Gabinete do
primeiro-ministro e a justificação das escolhas. Um requerimento nesse
sentido foi apresentado na Assembleia da República pelo deputado  Jorge
Lacão. O parlamentar socialista invoca a disposição constitucional que
garante aos deputados «condições adequadas ao eficaz exercício das suas
funções» para justificar o acesso às listas: «Deste modo ser-me-á
possível, enquanto deputado, beneficiar da «estratégia» do
primeiro-ministro de «estímulo ao fortalecimento da sociedade civil
portuguesa», não correndo assim o risco de desconhecer as «estruturas
intermediárias» e os «notáveis» locais «selectivamente» distinguidos pelo
senhor primeiro-ministro».

<p n=290>
As questões partidárias preencheram a maior parte da cimeira que reuniu
no Funchal delegações dos Governos Regionais dos Açores e da Madeira. A
estratégia para as próximas eleições legislativas nacionais e regionais
foi definida por Alberto João Jardim e Mota Amaral, que aprovaram uma
proposta de revisão do programa do PSD e a parte referente às Regiões
Autónomas a inserir no programa eleitoral do partido para as eleições de
Outubro.

<p n=291>
Os dois Executivos lamentaram, no entanto, que, «apesar dos esforços que
o actual Governo da República diligenciou em matéria financeira, ainda
não se pode considerar encontrada a plataforma de justiça que traduza a
igualdade e a solidariedade nacional».

<p n=292>
Barón Crespo trocou correspondência com o embaixador Paulouro das Neves.
O presidente do Parlamento Europeu defende que a renúncia de Fernando
Gomes é um acto pessoal e exige  ao Governo o reconhecimento oficial da
incompatibilidade do cargo de eurodeputado com a de presidente da Câmara
do Porto. O Estado português corre o risco de ser condenado  em
Estrasburgo.

<p n=293>
O último ofício, enviado pelo embaixador Paulouro das Neves, em meados de
Dezembro passado, a Barón Crespo, incluía uma carta em que a Comissão
Nacional de Eleições afirmava «aguardar que o presidente do Parlamento
Europeu lhe comunicasse oficialmente a renúncia que terá sido apresentada
por Fernando Gomes naquela instituição comunitária para (...) ser
indicado o nome do do primeiro candidato não eleito da lista do PS às
eleições para o PE de 1989», que, como se sabe, é José Apolinário.

<p n=294>
Os atletas de alta competição podem esperar melhores dias lá para 1992.
Os inquilinos e os senhorios ficam com a certeza de que as actuais
»regras do jogo» não são para mudar. E na Madeira e nos Açores, os
limites impostos ao endividamento não vão ser revistos por Lisboa. Aos
esforços da oposição para alterar três recentes decretos do Governo, a
maioria respondeu que não. Do debate ninguém se livrou mas, mal chegue a
votação dos três pedidos de ratificação, o PSD será soberano: confirma as
decisões do Executivo.

<p n=295>
Madeira e Açores voltaram a afastar-se, em uníssono, da maioria
social-democrata para, ao lado da oposição, protestar contra o decreto
que impõe limites ao endividamento das Regiões. «É o resultado da cimeira
insular», ironizava Nogueira de Brito, em nome do CDS. Reconhecendo que
«o endividamento das Regiões tem que ser suportado pelo todo nacional», o
deputado defendeu a revisão de alguns pontos do diploma, com uma
justificação distante da dos homens das ilhas: «É que, sendo um puxão de
orelhas para a Madeira, o decreto acaba por quase não a atingir».

<p n=296>
O que lá vai, lá vai? Diogo Freitas do Amaral não parece convencido, mas
diz que está. A poucos meses da mais difícil das corridas eleitorais, só
uma coisa interessa: tornar o CDS credível para esse teste quase
«impossível»... Por isso, o dirigente do CDS reuniu forças, chamou os
pares e deitou mãos ao trabalho. Digeridos os sapos e engolidos os
elefantes que lhe foram postos no prato por Basílio Horta, Freitas do
Amaral quer-se hoje o líder sereno que confia nas suas tropas. Mas quanta
cautela em cada palavra, quanta prudência em cada frase... Uma conversa
de renda, onde se privou de desabafos ou estados de alma, uma entrevista
em que, como nunca, pesou e mediu tudo o que disse.

<p n=297>
A valorização dos resíduos sólidos como alternativa energética à
«ditadura do petróleo», foi ontem defendida pelo secretário de Estado da
Energia, Nuno Ribeiro da Silva, por ocasião da cerimónia de celebração,
em Coimbra, de um convénio de cooperação entre o Centro de Biomassa para
a Energia e a Direcção Geral de Florestas.

<p n=298>
Na mesma cerimónia foram ainda homologados, pelos secretários de Estado
da Agricultura e do Ensino Superior, respectivamente Álvaro Amaro e
Alberto Ralha, mais dois protocolos de cooperação: um, entre a Escola
Superior Agrária de Coimbra e a Estação Florestal Nacional e o outro
entre o mesmo estabelecimento de ensino e a Direcção Geral de Florestas.
Ambos visam implemantar acções conjuntas (e bilaterais) de formação a
nível superior, investigação científica e investigação e desenvolvimento,
nos domínios da actividade florestal de natureza regional.

<p n=299>
Uma queixa apresentada pelo MASP contra a RTP dividiu a Alta Autoridade
para a Comunicação Social em dois blocos, um a favor de Mário Soares, o
outro da televisão. Na votação final, favorável à RTP, ficaram do lado do
MASP os dois elementos designados pela oposição parlamentar (António
Reis, PS; e José Garibaldi (PCP), a escritora Lídia Jorge e o
juíz-conselheiro Pedro Figueiredo Marçal; a favor da televisão votaram os
restantes membros, a maioria dos quais ligados ao PSD. A candidatura de
Mário Soares tinha-se queixado da forma como o «Telejornal», o «24 horas»
e o «Jornal de Sábado», todos do primeiro canal, tinham tratado uma
notícia do «Independente» que envolvia o Presidente da República no caso
do «fax» de Macau. O relatório final da deliberação da Alta Autoridade
refere que «após amplo debate» se concluíu, «por maioria», que não houve
qualquer violação por parte da RTP, dos deveres de isenção e rigor da
informação. A Alta Autoridade integra 13 membros: cinco designados pela
Assembleia da República, três pelo Governo, quatro cooptados e o
juíz-presidente, nomeado pelo Conselho Superior da Magistratura.

<p n=300>
Um sismo de 6,6 na escala de Richter abalou o Afganistão e o Paquistão e
fez pelo menos 26 vítimas neste país. Centenas de casas foram destruídas
em diversas localidades e o receio de que os estragos sejam muito grandes
levou as autoridades a enviarem equipas de socorro para a área atingida.
O sismo, que durou um minuto, foi sentido mesmo nas capitais Islamabad
(Paquistão) e Cabul (Afganistão), e ainda no Norte da Índia.

<p n=301>
UM RELATÓRIO do Instituto de Medicina Legal concluíu que  terá sido uma
faca de ponta e mola o «instrumento utilizado no ferimento que vitimou
José Carvalho», o dirigente do PSR assassinado em Outubro de 1989 durante
uma rixa com um grupo de oito indivíduos, então identificados como
`skinheads'.

<p n=302>
«Qualquer dos instrumentos pode provocar lesões traumáticas corto
perfurantes», admite o relatório assinado pelo director do serviço de
Tanatologia Forense do Instituto de Medicina Legal, Pereira Sombreireiro,
que só deverá depôr dentro de cinco sessões.

<p n=303>
Após mais de um ano de primeiras páginas nos jornais, o "caso Juan
Guerra" conheceu nos últimos dias rápidos desenvovimentos, após ter sido
finalmente entregue à Justiça a investigação dos inspectores das
finanças.

<p n=304>
De acordo com os resultados deste trabalho, em 1988 e 89, o total não
declarado às finanças pelo irmão do ex-governante ascende a perto de 49
milhões de pesetas - 68,6 mil contos -, verba a que se devem somar outros
valores resultantes de irregularidades detectadas na empresa Corral de la
Parra SA, dedicada à actividade imobiliária, no montante de mais de 60
mil contos. Aos sócios de Guerra nesta empresa, Francisco López Martinez
e Juan José Arenas, o procurador solicitara, também, pesadas fianças: 280
mil contos para o primeiro e 420 milhões de escudos para o segundo, para
o qual se pedia, também, uma fiança de 385 mil contos como administrador
daquela firma.

<p n=305>
Os três mil operários da têxtil Textafrica, em Chimoio, capital da
província de Manica, no centro de Moçambique, iniciaram na quarta-feira
uma greve pelo pagamento do décimo terceiro mês, tendo tomado como refém
um dos administradores da fábrica, Francisco Rafael.

<p n=306>
Por volta das quatro da tarde, os operários dirigiram-se para a Estrada
Nacional número 6, onde bloquearam a circulação rodoviária. Balanço: sete
viaturas danificadas e uma criança de 12 anos mortalmente atropelada ao
pretender passar para o outro lado da barricada.

<p n=307>
Elaborado em oito meses, a primeira versão do Plano Nacional de Política
do Ambiente está pronta e nas mãos de todos os ministros para apreciação.
O PÚBLICO divulga as principais linhas do texto, que contém muitas
medidas genéricas e poucas acções concretas.

<p n=308>
O documento de trabalho entregue para apreciação do Governo, redigido por
duas técnicas do quadro do Ministério do Ambiente, com contribuições
pontuais de representantes dos demais ministérios, assume textualmente o
seu carácter genérico. «(...) o PNPA é, como o seu nome indica, um plano
de política, e portanto um plano estrutural, orientador, necessariamente
concretizado através de planos e programas sectoriais(...) Dessa
concretização serão, portanto, responsáveis cada um dos diferentes
departamentos», diz o documento.

<p n=309>
. Alteração dos regimes hídricos e sedimentológicos dos cursos de água e
destruição de equilíbrios de sistemas naturais

<p n=310>
Legenda: Na proposta do PNPA, os problemas acima são seguidos da
identificação genérica das suas causas e «pistas» para o seu controlo.

<p n=311>
Fundamentar teologicamente a resistência e procurar as semelhanças entre
as questões de Timor e do Kuwait são dois dos temas que os cristãos
«Solidários com Timor-Leste» debatem hoje e amanhã no Porto. Um novo
encontro para lembrar uma tragédia de 16 anos.

<p n=312>
Timor-Leste no contexto do direito internacional, tema abordado por Pinto
Leite, da faculdade holandesa de Leiden, e a fundamentação
teológico-doutrinária da resistência em Timor-Leste, a cargo do cónego
Arnaldo de Pinho, professor da Faculdade de Teologia da Universidade
Católica Portuguesa, prometem constituir as duas principais novidades. O
primeiro abordará os diversos aspectos da figura jurídica
«autodeterminação» e traçará um paralelismo entre o problema do Kuwait e
o de Timor, e o segundo procurará enquadrar a resistência timorense no
quadro da doutrina cristã.

<p n=313>
O IPPC enviou há dois dias, aos museus na sua dependência, o projecto de
orçamento de 1991, que deixou o sector em estado de alarme: pela primeira
vez, na área destinada a investimentos, ao abrigo da qual se faziam
despesas tais como aquisição de imóveis, financiamento de obras, compras
de equipamento e mobiliário, a verba inscrita é zero, soube o PÚBLICO
junto de alguns directores de museus.

<p n=314>
Outra fonte de preocupação reside nas dívidas de muitos milhares de
contos que os museus têm para com a EPAL e EDP. O PÚBLICO tentou
informar-se, junto da EDP, sobre o montante exacto dessa dívida, mas a
empresa negou-se a prestá-la, afirmando que, fazê-lo, era «contrariar» a
sua «política de respeito para com os clientes».

<p n=315>
Electricidade mais cara -- As tarifas de electricidade vão aumentar em
média 11,8 por cento, com efeito retroactivo a 1 de Janeiro último,
segundo refere a agência Lusa. A nova tabela incluirá também um
alargamento das chamadas horas de vazio, durante as quais os consumidores
pagam mais barato a energia eléctrica consumida. As horas de vazio passam
igualmente a vigorar nos dias de feriado nacional e ao domingo e, ao
sábado, passam a ser das zero às 09h00, das 14 às 20h00 e das 22 às
24h00. De segunda a sexta-feira, este período vai das zero às 07h00. As
tarifas sazonais utilizadas pelos consumidores agrícolas não sofrerão
qualquer alteração.

<p n=316>
Facar: trabalhadores exigem dinheiro -- Os trabalhadores da Facar não
aceitaram a proposta de rescisão dos contratos que lhes foi apresentada
pela administração. Como o PÚBLICO ontem adiantou, a Companhia Portuguesa
do Cobre propôs que os trabalhadores que terminaram o «lay-off» e ficaram
de novo a cargo da empresa assinassem a rescisão dos seus contratos de
trabalho, prometendo o pagamento das respectivas indemnizações apenas
depois de ser aprovado o alvará definitivo do projecto imobiliário,
condição que foi imposta pelo BPA para disponibilizar financiamentos. Mas
os trabalhadores não cedem -- «sem dinheiro, não há rescisão» -- e querem
receber o ordenado no fim do mês, enquanto a administração, por seu lado,
é peremptória em dizer que não tem meios para o fazer, apesar de se
mostrar confiante na resolução desta questão, pela falta de alternativas
melhores.

<p n=317>
«Os patrões falam aos patrões -- As chaves do sucesso empresarial», é o
tema de um ciclo de dez conferências promovido pela Consulfarm, uma
empresa de recursos humanos pertencente ao grupo farmacêutico francês
Lipha, que é, por sua vez, maioritariamente detido pela Air Liquide.

<p n=318>
Actualmente com 14 colaboradores, a Consulfarm registou no ano passado um
volume de negócios de 90 mil contos, prevendo para 1991 um crescimento de
40 por cento. L.B.

<p n=319>
O líder da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat,
acusou ontem Israel de estar a lançar mísseis sobre o Iraque a partir do
deserto do Neguev, sob a cobertura de que são enviados por navios
americanos no Mar Vermelho. A declaração poderá contribuir para alterar o
curso da guerra no Golfo Pérsico caso, por exemplo, o Irão lhe atribua
significado. O número dois do Parlamento iraniano afirmou ontem que a
posição de neutralidade do seu país poderia mudar «caso Israel retaliasse
aos ataques de mísseis iraquianos».

<p n=320>
O dirigente da OLP destrinçou esta guerra da do Vietname, quando afirmou
que «será estendida a todas as regiões» e voltou a insistir: «Haverá uma
catástrofe se esta guerra continuar». Acusou Israel ser uma «loja
estratégica» para o armamento americano, responsabilizou o Estado judaico
pelo assassínio de cientistas iraquianos na Europa e EUA e acusou a
Mossad -- serviços secretos israelitas -- da responsabilidade pelo recente
assassínio, em Tunes,  de três dos seus principais colaboradores.

<p n=321>
O MLSTP, durante 15 anos e meio detentor do monopólio do poder em São
Tomé e Príncipe, esclareceu ontem que não vai apoiar nenhum dos três
candidatos à Presidência da República: Miguel Trovoada, Guadalupe de
Ceita e Afonso dos Santos. E confirmou duas baixas na sua Comissão
Política: Agapito Mendes Dias, ministro da Economia no Governo cessante,
e Romão Pereira de Couto, durante mais de uma década adjunto no
Presidente Pinto da Costa na liderança do partido.

<p n=322>
Uma carrinha blindada de transporte de valores, ETV, que presumivelmente
recolhia o dinheiro dos passes sociais, foi assaltada no Lavradio às
18h30 de ontem. Um dos elementos da segurança foi obrigado a deitar-se no
chão, sob a ameaça de uma pistola. Os assaltantes fugiram com a carrinha
levando os dois guardas no interior. Chegando junto do cemitério de Vila
Chã, no Barreiro, abandonaram a carrinha, tendo fugido em dois Renault 5,
um branco e outro azul escuro, ambos com matrículas falsas. Ainda não se
conhece o montante do roubo.

<p n=323>
Algumas escolas secundárias do país receberam, recentemente, uma circular
do Ministério da Educação solicitando um «levantamento discreto» das
crianças judias que estudam nesses estabelecimentos de ensino e uma
«particular atenção» a essas mesmas crianças.

<p n=324>
Manuel Janes, apesar de não referir especificamente as crianças judias,
adiantou que se está a proceder a um levantamento das escolas
estrangeiras e dos estudantes em Portugal vindos de alguns países onde a
«situação é mais complicada».

<p n=325>
Uma perseguição de automóvel e posteriormente apeada movida por elementos
da GNR de Castro Marim a dois homens de 27 e 28 anos, ocorrida ontem de
manhã, nas imediações da localidade, culminou com a detenção dos
suspeitos, que momentos antes haviam furtado numa residência em Rio Seco
objectos de ouro avaliados em 300 contos.

<p n=326>
O carro viria a ser encontrado abandonado mais tarde. Contudo, o rasto
deixado pelos suspeitos permitiu a sua localização e perseguição por
terrenos agrícolas, vindo a ser detidos numa altura em que tentavam
esconder numa estufa. Os dois homens, residentes na área de Olhão e que
guiavam sem terem carta de condução, são hoje presentes ao juíz de
Instrução Criminal do Tribunal de Vila Real de Santo António.

<p n=327>
«O Governo vai manter uma intensa actividade diplomática para explicar
que nada desta iniciativa do Presidente da República quis alterar as
posições assumidas por Portugal» face ao cumprimento das decisões ONU,
afirmou ao PÚBLICO uma fonte governamental. Segundo esta fonte, a
preocupação do Governo pela iniciativa de Soares reside, sobretudo, no
«coro de reacções negativas» chegadas ao Governo pelos canais
diplomáticos vindas da NATO, dos países da CEE e dos Estados Unidos, «que
já fizeram sentir as suas dúvidas» sobre o significado da atitude do PR e
que constituem igualmente para Soares «um motivo de preocupação». Para o
Governo, «a nossa vida faz-se no quadro da NATO e da CEE» e é com estas
organizações que se devem articular todas as posições, rejeitando
qualquer iniciativa individual.

<p n=328>
Entretanto, os embaixadores de Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia
apresentaram ontem ao ministro dos Negócios Estrangeiros português as
suas posições face ao conflito no Golfo. Os representantes dos países da
União do Magrebe Árabe (UMA) -- a Mauritânia não se fez representar, por
não ter embaixada em Lisboa -- transmitiram a Deus Pinheiro a sua posição
comum sobre a promoção de um debate sobre o Golfo no Conselho de
Segurança da ONU. A audiência de ontem inscreve-se numa «ofensiva
diplomática» aprovada pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da UMA,
reunidos no dia 23 de Janeiro, em Tripoli. Deus Pinheiro, por seu lado,
reafirmou a posição oficial portuguesa e prometeu um papel mais activo no
período em que Portugal assumir responsabilidades na «troika»
comunitária.

<p n=329>
A CNN decidiu quadruplicar as suas tarifas de publicidade dado o aumento
de audiência captado pela estação televisiva desde o início da guerra do
Golfo. Assim, um «spot» de 30 segundos no horário nobre passará a custar
20 mil dólares (2.660 contos) enquanto anteriormente esse preço rondava
os 5 mil dólares (665 contos). Segundo alguns anunciantes, a CNN estará
mesmo a tentar renegociar contratos já assinados antes do aumento. Desde
que a guerra começou esta televisão multiplicou a sua audiência por sete
mas teve de reduzir em 25 por cento o espaço reservado à publicidade,
para dar em directo todos os discursos e «briefings» militares. Apesar da
audiência, muitos anunciantes hesitam sobre a oportunidade de colocar
publicidade no meio do relato de acontecimentos dramáticos, receando que
alguns efeitos negativos  se reflectam na imagem dos seus produtos.

<p n=330>
Minutos antes fora o porta-voz britânico, pressionado pelos jornalistas,
a interrogar-se alto sobre as razões que levariam Saddam a concentrar
tanques e homens num comboio imenso, e por isso vulnerável á aviação
aliada. Parece um analista político, o coronel Niall, nas cândidas
perguntas que lança para o ar: será por não terem comunicações?, por
falta de serviços de informação militar?  sobreavaliação das capacidades?

<p n=331>
O GOVERNO de Bagdad nunca forneceu até hoje o mais insignificante
pormenor sobre a carreira militar dos oficiais do seu Exército. Por isso,
o perfil do general al-Hussein Rachid al-Takriti, chefe de Estado-Maior
das Forças Armadas do Iraque desde há dois meses, é praticamente um
«não-perfil».

<p n=332>
O aspecto mais substancial e revelador do «cartão de visita» do general
será afinal o seu apelido. «Al-Takriti» indica a sua origem, Takrit, a
localidade onde nasceu o Presidente. Durante muito tempo, aliás, antes
mesmo de se tornar chefe de Estado, Saddam Hussein foi identificado como
al-Takriti.

<p n=333>
O PRESIDENTE George Bush saiu ontem da área de Washington, pela primeira
vez desde o iníco da guerra, para enaltecer «a coragem», «a bravura» e «o
profissionalismo» dos mais de 500 mil «kids» americanos integrados na
operação «Tempestade no Deserto».

<p n=334>
«Não foi uma surpresa que a primeira grande batalha terrestre da guerra
tenha envolvido marines. E não foi surpresa que os marines tenham lutado
com enorme distinção e bravura», afirmou Bush, referindo-se ao combate na
cidade saudita de Khafji. Depois, o Presidente afirmou que só o
profissionalismo dos soldados permitirá «acabar com o pesadelo da
ocupação brutal do Iraque». Até porque, «dia após dia, noite após noite»
a força iraquiana é menor.

<p n=335>
Com as informações, não confirmadas, de que uma coluna iraquiana de mais
de mil blindados estaria a dirigir-se para o Sul da Arábia Saudita, a
confusão instalou-se entre os analistas militares. Estará o Iraque a
preparar uma ofensiva em larga escala ou apenas a lançar pequenas acções
suicidas destinadas a desgastar os aliados numa guerra terrestre para que
ainda não estão inteiramente preparados?

<p n=336>
Ao certo, sabe-se que os B-52 utilizados pela força multinacional
partiram da base espanhola de Morón de la Frontera, na província de
Sevilha (ver página 4), e que a França concedeu autorização para que os
gigantescos bombardeiros pudessem sobrevoar o seu território,
provenientes de bases na Grã-Bretanha, em direcção à Arábia Saudita e ao
Kuwait.

<p n=337>
O COMITÉ Internacional da Cruz Vermelha declarou ontem recear
«destruições imensas» e «sofrimentos horríveis» no Médio Oriente e pediu
solenemente aos beligerantes que não utilizem armas proibidas. Neste
momento, um segundo comboio da Cruz Vermelha encontra-se na Jordânia,
pronto a entrar no Iraque; a organização investiga também a sorte dos
pilotos iraquianos que rumaram ao Irão. «Quando o véu da censura for
levantado, todo o horror dos sofrimentos infligidos aos povos da região,
aos combatentes e às famílias ficará exposto aos olhos do Mundo», afirmou
em Genebra o presidente do Comité, Cornelio Sommaruga.

<p n=338>
O NÚMERO dois da Frente Islâmica de Salvação (FIS) da Argélia afirmou
ontem que o seu partido, o maior da oposição, rejeitou milhões de dólares
oferecidos pela Arábia Saudita para assumir uma posição contra o Iraque.
O inflamado Ali Belhadj pediu a cinco mil apoiantes reunidos em Argel
para intensificarem as manifestações de apoio à Bagdad e à «guerra santa»
contra a coligação multinacional. Ao mesmo tempo, voltou a acusar o
governo de «traição» por não apoiar claramente o Iraque.

<p n=339>
A VITÓRIA não foi gloriosa. O movimento do solo, o verdadeiro abanar da
terra debaixo dos pés, essas constantes mudanças na pressão do ar contam
parte da história. Tal como o cobertor de nevoeiro denso e gorduroso que
pairava ao longo da fronteira kuwaitiana.

<p n=340>
Era possível ouvir as bombas de morteiro a explodir à volta da cidade
fronteiriça, com uma ténue coluna de fumo a emergir, muito à distância,
por entre as casas. Uma torre de água partida, pintada de branco,
destruída por projécteis depois de o comandante da artilharia saudita ter
decidido que os iraquianos tinham colocado um observador no topo,
contrastava com uma grande cortina de fumo cinzenta na retaguarda. Para
ser libertada, a cidade teve de ser parcialmente destruída.

<p n=341>
A CHECOSLOVÁQUIA espera vender à Arábia Saudita pelo menos meio milhão de
máscaras anti-gás, para protecção contra eventuais ataques iraquianos com
armas químicas, mas o negócio está a deparar com dificuldades pelo facto
de os dois países não terem ainda estabelecido relações diplomáticas.

<p n=342>
A Arábia Saudita e Israel têm sido atingidas por mísseis Scud iraquianos
munidos de explosivos convencionais desde que a guerra começou há duas
semanas. Mas, ao contrário do Estado judaico, o reino saudita tem uma
longa fronteira terrestre com o Iraque, que o torna vulnerável a ataques
com gases químicos, seja em projécteis disparados por artilharia ou em
bombas lançadas por aviões, os dois métodos já usados pelo Iraque na
guerra contra o Irão.

<p n=343>
APÓS VÁRIOS anos de obstinadas pressões, o Fundo Monetário Internacional
(FMI) conseguiu finalmente convencer o Governo egípcio a reorganizar de
forma radical o seu sistema económico desde há muito estagnado, graças à
decisão da comunidade internacional de perdoar as dívidas do Egipto como
recompensa pelo seu sólido apoio aos aliados na guerra do Golfo.

<p n=344>
Para o vulgar cidadão egípcio, serão poucos os benefícios a curto prazo
resultantes da reestruturação económica ou do perdão das dívidas do
Estado. Mas quase ninguém contesta que a actual situação de quase colapso
do sector público não pode continuar.

<p n=345>
O MOVIMENTO aéreo da Base das Lajes intensificou-se nos últimos dias,
mas, segundo o Comando Aéreo dos Açores, as pistas não estão a ser
utilizadas por aviões bombardeiros. A partir de terça-feira tem aumentado
o número de manobras dos 27 aviões abastecedores (KC10 e KC15) que operam
regularmente nas Lajes desde o Verão do ano passado, registando-se também
várias escalas dos aviões Galaxy, as maiores aeronaves do mundo, que, de
acordo com as informações disponíveis, transportam contingentes militares
e mantimentos para o Golfo. Nos últimos dias, chegaram a estar
estacionados cinco Galaxy nas placas do aeroporto.

<p n=346>
Do Ministério das Relações Exteriores, o tom é o mesmo: «Não temos
qualquer comentário, nem está previsto que o venhamos a fazer», disse ao
PÚBLICO José Mostres, um dos porta-vozes do ministro Fernandez Ordoñez.

<p n=347>
Uma mulher-soldado norte-americana desapareceu na Arábia Saudita. Estará
em poder dos iraquianos. Se assim for, será a primeira vez que uma
americana está nas mãos do inimigo, desde que 60 enfermeiras foram
capturadas pelos japoneses, nas Filipinas, durante a Segunda Guerra
Mundial.

<p n=348>
O Iraque, por sua vez, afirmou que mulheres norte-americanas estavam
entre os prisioneiros capturados em Khafji e prometeu que seriam tratadas
conforme a lei islâmica e a convenção de Genebra.

<p n=349>
Dezasseis dias depois do início da guerra e quinze dias após a primeira
salva de mísseis iraquianos ter atingido Israel, Saddam Hussein parece
ter perdido irremediavelmente o seu principal trunfo político-militar:
envolver o Estado judeu no conflito, de modo a alterar-lhe o carácter e
dividir a coligação multinacional liderada pelos Estados Unidos.

<p n=350>
Nessa altura, a situação era encarada à luz da estratégia de dissuasão
seguida por Israel desde a guerra de 1967, assente no princípio de que o
Estado judeu tem de defender a integridade territorial fora das suas
fronteiras e deve sustentar a sua defesa no cumprimento restrito das
regras da retaliação.

<p n=351>
OS PILOTOS aliados capturados pelo Iraque devem ser tratados como
criminosos de guerra e não como simples prisioneiros, afirmou ontem
Bagdad. Num comunicado transmitido pela Rádio Mãe de Todas as Batalhas,
os responsáveis iraquianos declararam que «os crimes cometidos pelos
pilotos americanos, britânicos, franceses e italianos devem ser
considerados crimes de guerra».

<p n=352>
A par das ameaças contra os países membros da coligação anti-iraquiana,
Bagdad continua a apelar aos «irmãos árabes» para lutarem ao seu lado. «O
vosso irmão Iraque está a enfrentar inúmeros exércitos de forma serena e
intrépida. Tudo o que tens de fazer é dar o primeiro passo. Ninguém,
ninguém o poderá fazer excepto tu, irmão árabe», apelava a rádio
iraquiana ontem, dia de descanso para os muçulmanos.

<p n=353>
00h30 - Mais de 500 mil soldados americanos encontram-se envolvidos na
Operação Tempestade no Deserto, anunciam os responsáveis militares dos
EUA. O Conselho de Segurança da ONU reune-se para discutir a proposta,
feita pelos países da União do Magrebe Árabe, da realização de uma sessão
extraordinária sobre a guerra no Golfo.

<p n=354>
03h50 - O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Ali Akbar
Velayati, critica a «fuga» de aviões iraquianos para o Irão, durante a
visita a Teerão do vice-primeiro-ministro iraniano, Saadoun Hammadi.

<p n=355>
A guerra, na península arábica, dura há três semanas, e, embora limitada
regionalmente na violência, globaliza-se na opinião pública. De tal
forma, que o espectador que assiste às poucas imagens transmitidas é
tentado, tal como quando vê um desafio de futebol no ecrã, a «dar
palpites ao treinador», chamando a atenção para o que se devia fazer
quando a equipa apoiada não está a dar o melhor.

<p n=356>
Em segundo lugar, que à estratégia «contraforças» desenvolvida pela
coligação, o Iraque opôs uma estratégia «contracidades», recorrendo aos
mísseis Scud modificados. Estas duas estratégias não têm produzido os
resultados pretendidos. Por parte do Iraque, o objectivo de alargar o
conflito envolvendo Israel não funcionou e admite-se que o Irão mantenha
uma «neutralidade colaborante». Por parte da coligação ainda não se
conseguiu afectar o potencial terrestre, quer o empenhado na defesa do
Kuwait quer o que se admite como reserva (Guarda Republicana), de forma a
conceber uma acção terrestre dentro dos parâmetros de risco
(especialmente em baixas em combate) admitidos no planeamento e na
percepção da opinião pública. Estratégias que também foram desiguais,
quer em custos directos do dispêndio, quer nos custos indirectos
avaliados pelos seus efeitos psicológicos.

<p n=357>
«Neste momento, estamos todos à espera». Elidérico Viegas, da Associação
Hotéis de Portugal-Algarve, traduz assim a expectativa que se vive
actualmente no Algarve quanto à época alta que se adivinha. «Pode ser o
melhor ano de sempre caso a guerra termine depressa, ou o pior de sempre
caso a guerra se prolongue pela época alta dentro. É uma situação de oito
a oitenta».

<p n=358>
Até agora, a maioria dos operadores turísticos ainda não pagaram as
marcações já feitas para a época alta e não estão a fazer os
adiantamentos por conta que normalmente já teriam sido efectuados em
Janeiro. «Os operadores não estão a dizer que não vão efectuar os
pagamentos mas querem ver primeiro o que vai acontecer».

<p n=359>
«HÁ SEMPRE uma porta aberta, quiçá oculta e estreita, que pode abrir
caminhos à paz. Recusar esta possibilidade é dar lugar ao instinto bruto
que há dentro de nós, é recusar a inteligência». A afirmação é do bispo
de Setúbal, D. Manuel Martins, que comentou ontem o início da guerra no
Golfo, no pequeno texto que costuma publicar no quinzenário «A Seara», da
sua diocese. O bispo aponta três razões para defender a ideia de que a
guerra deveria ter sido evitada: a inteligência humana deve procurar
«sempre» o diálogo, não há razões que justifiquem os atentados à vida, e
a nossa civilização é baseada em valores como a fraternidade, a
solidariedade e a paz. «A guerra é uma vergonha. Esta guerra é a nossa
vergonha», acrescenta D. Manuel, para concluir: «A TV disse-nos que cada
hora de guerra custava qualquer coisa como qiatro milhões de contos. Esta
sociedade assenta numa infamante e provocadora injustiça. Acabe já esta
guerra. Nunca mais a guerra».

<p n=360>
O saneamento financeiro das Indústrias de Defesa Nacional-Indep foi mais
uma vez adiado. Na passada quinta-feira, dia 31 de Janeiro expirou o
prazo acordado entre a tutela e a banca para a conclusão do processo,
mantendo-se a dívida de 3,5 milhões de contos. Ontem, ao fim do dia, a
Defesa disse ter encontrado a solução. P. 33

<p n=361>
A Fundação Calouste Gulbenkian deverá afastar-se do projecto de gás
natural em Portugal, devido ao conflito no Golfo, mas mantém o seu
interesse na privatização da Petrogal. A participação poderá ser
concretizada  através da compra de 15 por cento do capital da Petrogal,
de acordo com declarações do ministro Mira Amaral, mas é também admitida
a hipótese alternativa de a Gulbenkian optar pela compra de obrigações (e
não de acções) até cinco milhões de contos.

<p n=362>
Uma comissão nomeada pela Assembleia da República, em Julho do ano
passado, para apreciar (com celeridade) os quatro projectos de lei dos
objectores de consciência reuniu finalmente, pela primeira vez, esta
semana. Um processo que se arrasta com uma dúzia de objectores presos e
16 mil à espera de seguimento para os seus processos.

<p n=363>
Ainda há umas tascas em Lisboa que se chamam casas de pasto,
anacronicamente, como se a cidade não tivesse mudado quase nada. Mantêm
as pipas e os barris, o copo de tinto a 30 escudos e os petiscos, o
«kitsh» do enfeite e a luz sombria. São poucas, cada vez menos, talvez
cinco ou seis -- contam-se pelos dedos de qualquer maneira. Resistem nas
portas de Santo Antão, na Mouraria, em Alfama, no Castelo. As muitas que
antes havia disfarçaram-se «tipo snack», tipo mais moderno, tipo «almoço
para funcionários públicos comerem a correr». Antigas e novas, convivem
às vezes lado a lado. No Verão, os turistas salvam o silêncio das
verdadeiras, atraídos pelo ar «very typical» das toalhas de plástico e do
serviço rústico. Mas as tábuas dos barris estão a ficar velhas. O vinho,
espumoso, um dia destes já não é o que era.

<p n=364>
Mas, para quem mora nos bairros antigos, as tascas não são acasos de
almoço. São um hábito. Raul Rosado Dias, 70 e muitos anos, costuma passar
as tardes entre amigos. Conhece a maioria das casas de pasto de Lisboa,
as que eram e já não são, e as que teimam em continuar: «Eles tomam as
tascas e modificam-nas. Muitas das cervejarias que agora para aí se vêem,
conheci-as eu quando ainda tinham vinho a copo, tirado da pipa.» E entra
pela Travessa do Forno adentro. O gerente chama-se Mário, tem 30 anos e
cumprimenta-o cordialmente. «Vim ver os fedelhos!», diz Raul Dias,
sentando-se e começando a atirar piadas a toda a gente. A casa tem mais
de sessenta anos e pertencia ao pai de Mário: «Isto não dá muito lucro,
porque a gente pratica preços baixos. A maior parte das casa já não são
assim. Nós é que mantemos os barris.» Lá estão. Encostadas à parede, por
trás do balcão de mármore amaralecido. As mesas postas para o almoço
estão cheias de velhotes a conversar. A luz é escassa, nesta tasca
escondida numa travessa da Rua das Portas de Santo Antão, a travessa das
tabernas.

<p n=365>
Divididos entre as saudades da família e o desejo de verem renovados os
seus contratos, 12 brasileiros -- que, desde Setembro último, trabalham
nos Estaleiros Navais do Mondego, na Figueira da Foz -- riscam num
calendário os dias que os separam do regresso ao Brasil. Em Dezembro, uma
paralisação de um dia por solidariedade com um colega que sofria de
distúrbios psíquicos e carecia de tratamento havia de custar o
despedimento a 12 compatriotas seus, entretanto repatriados. «Niguém deve
cuspir no prato em que comeu», afirma, resignado, um dos que ficou.

<p n=366>
A alternativa ao regime de 220 horas mensais de trabalho, 12 horas
diárias sem direito a descanso remunerado e trabalho suplementar feito
aos fins-de-semana pago a 150 por cento (metade do previsto no contrato
colectivo da empresa) era, no Brasil, o desemprego. Quando os colegas
partiram, não conseguiam «tirar da cabeça a incerteza da situação que
eles iam encontrar do lado de lá». Vieram por causa das suas famílias,
quase sempre grandes, e que, no fim do mês, recebem a maior parte dos 65
contos que eles aqui ganham.

<p n=367>
Os partidos da oposição criticaram ontem o envolvimento do Governo de
Madrid no conflito do Golfo, nomeadamente pela utilização da base
hispano-americana de Morón de la Frontera, em Sevilha, como ponto de
partida para dos B-52 em bombardeamento as Iraque. O Partido Popular
critica a falta de informação, enquanto para a Esquerda Unida, não há
substancial diferença entre o papel da Turquia e o envolvimento espanhol.
Entretanto, um jornal regional de Valência indicava na sua edição de
ontem que, do porto daquela cidade, zarpou na madrugada de sexta-feira um
cargueiro saudita, transportando 13 contentores com granadas, morteiros e
espoletas de morteiro, carga avaliada em cerca de 1,2 milhões de contos.
O jornal afirma que, ao largar do porto de Valência, a embarcação içou o
pavilhão vermelho, o que em liguagem marítima, significa transporte de
explosivos.

<p n=368>
Cerca de 30 soldados alemães de uma esquadrilha de defesa aérea com base
em Bremervoerde, na Alemanha Oriental, recusaram partir para a Turquia,
onde deviam integrar as tropas da força de intervenção rápida da NATO. O
advogado alemão Guenther Werner afirmou que os militares fundamentam a
sua atitude na Constituição alemã, quando esta refere que ninguém pode
ser enviado para combate contra a sua consciência. O ministro dos
Negócios Estrangeiros alemão, Hans-Dietrich Genscher, afirmou entretanto
que Bona deveria mudar a Constituição, para permitir que soldados alemães
participem em operações de paz das Nações Unidas.

<p n=369>
A primeira pedra do pavilhão de Portugal na Exposição Universal de
Sevilha de 1992, cuja construção foi adjudicada à empresa Soares da
Costa, será lançada nos primeiros dias de Março. Seis empresas ou
agrupamentos de empresas apresentaram-se ao concurso público
internacional no âmbito da CEE para a construção do pavilhão orçado em
900 mil contos. O pavilhão deve estar concluído no final deste ano.

<p n=370>
Meia hora depois do programado (única falha sensível de uma organização
impecável), actuou a Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal, com um
reportório «mainstream» adequado às circunstâncias. Actuação calorosa que
recolheu os primeiros aplausos da noite. Quando Herman José subiu ao
palco, como apresentador do espectáculo, foi o delírio. Esperava-se a
habitual torrente de piadas, o humor delirante, a irreverência. Herman
compreendeu que a ocasião não se prestava a excessos, optando por um
registo mais discreto. Brincou quando devia brincar. Foi sério quando a
gravidade do tema o justificava. Só não resistiu quando, a propósito de
alguns estampidos na amplificação sonora, afirmou tratar-se de uma
pequena homenagem aos mísseis «Patriot». De resto, ao longo das quase
três horas que durou a Gala, conseguiu evitar momentos mortos.

<p n=371>
Pela primeira vez uma revista científica africana passou a usar a língua
portuguesa ao lado da inglesa. Trata-se do "Magazine de Economia Política
da África Austral", editado em Harare, Zimbabwe, que assim se tornou uma
publicação bilingue. O português é, em importância, a segunda língua
oficial da África Austral. A referida revista, órgão de um centro de
investigação, decidiu tomar aquela medida já em finais do ano passado.
Por outro lado, vários cientistas sociais dos "Palop" estão a colaborar
num estudo sobre o estado da pesquisa científica nos seus respectivos
países, que é que é conduzido pelo Conselho para o Desenvolvimento da
Pesquisa Económica e Social (CODEFRIA), com sede em Dacar (Senegal). O
CODEFRIA também tem projectos de edições em língua portuguesa, incluindo
a sua revista trimestral "Afrique et Développement", que neste caso
passaria a ser trilingue.

<p n=372>
«Relatório Confidencial/ Mr. Arkadine». A duplicidade de títulos é um
dos mistérios por esclarecer. «Mr. Arkadine» é, de facto, o título
original, mas o filme foi estreado como «Relatório Confidencial». Mas nem
só o título mudou.

<p n=373>
Yuri Liubimov, director do famoso teatro de Moscovo «Na Taganke», ameaçou
não regressar à União Soviética se a repressão militar dos nacionalistas
prosseguir nas Repúblicas do Báltico. Liubimov, que se encontra a
efectuar uma visita de duas semanas à Checoslováquia, entrevistado pela
televisão de Praga, condenou os recentes acontecimentos em Riga e
Vilnius. O conhecido encenador teatral disse, segundo a Lusa, que não
está disposto a assistir em silêncio a nova intervenção de tanques
soviéticos contra as populações do Báltico e anunciou que a sua forma de
protesto público será o abandono das funções que desempenha no teatro «Na
Taganke» e a saída da União Soviética.

<p n=374>
Em comunicação centrada no reencontro, após a reconquista cristã, de
portugueses e mouros em praças marroquinas, Augusta Cruz contestou «a
imagem de isolamento num clima de constante guerra» entre as duas
religiões, sintetizada por Oliveira Martins, para defender a existência
de relações de certa cordialidade e respeito mútuo entre portugueses e
mouros.

<p n=375>
O prémio Hémisphères acaba de ser criado em França para «apoiar a
irradiação da língua francesa no mundo», informou a France-Press.
Presidido pelo escritor Aimé Césaire (da Martinica), será atribuído pela
primeira vez em Guadalupe (Antilhas), no próximo dia 8 de Abril. Dotado
com 150 mil francos (cerca de três mil e novecentos contos), o prémio tem
como presidente de honra o escritor brasileiro Jorge Amado e, entre os
membros do júri, o escritor Jacques Laurent, da Academia Francesa,
Emmanuel Roblès, da Academia Goncourt, Jean-Noël Pancrazi (prémio Médicis
90), o congolês Sony Labou-Tansi e o argelino Rachid Momouni. O prémio
será decidido anualmente em Saint-François (Guadalupe), sob a égide de
Ernest Moutoussamy, deputado-presidente de Saint-François. Durante a sua
reunião de segunda-feira, o júri seleccionou sete títulos: «Les Yeux
Baissés» (Seuil), de Tahar ben Jelloun; «Eros dans un Train Chinois»
(Gallimard), de René Depestre; «Les Chemins de Loco-Miroirs» (Stock), de
Lilas Desquiron; «Dévadé» (Gallimard), de Réjean Ducharme; «L'Aimé»
(Seuil), de Axel Gauvin; «Poétique de la Relation» (Gallimard), de
Edouard Glissant; e «En Famille» (Minuit), de Marie NDiaye.

<p n=376>
A defesa de um espaço europeu pluricultural foi a tónica comum das
intervenções dos oradores no seminário «A Educação e a Cultura --
Imperativos do Mercado Interno», que decorreu sexta-feira, em Évora,
organizado pelo secretariado Europa 92. Mas alguns participantes chamaram
a atenção para os perigos da União Económica e Monetária: só o reforço da
dimensão cultural servirá de contrapeso à perda de soberania que ocorrerá
noutros áreas.

<p n=377>
Os dois filmes de Paulo Rocha inéditos no circuito comercial vão
estrear-se no Forum Picoas, no próximo 1 de Março. O lançamento de «A
Ilha dos Amores» e «O Desejado» será acompanhado de uma retrospectiva da
obra cinematográfica de Paulo Rocha. É de destacar a inclusão da versão
integral de «Verdes Anos», que a censura amputou de quase 10 minutos,
quando da estreia, no princípio dos anos 60. Deste período será também
projectado «Mudar de Vida». Ao lado da obra de ficção, Paulo Rocha
realizou diversos documentários, dos quais serão apresentados «Pousada
das Chagas» e «Máscara de Aço contra Abismo Azul», este sobre sobre
Amadeo Souza Cardoso.

<p n=378>
O Farense entrou no jogo exercendo pressão sobre o adversário, no intuito
de adquirir vantagem logo de início. E essa intenção deu os seus frutos
logo numa fase inicial, aos 16', com a obtenção de um vistoso golo. A
bola foi recolhida pelo meio-campo do Farense na zona intermediária,
desenvolvendo-se a partir daí um rápido contra-ataque no lado direito por
Pitico que, levando a melhor os opositores que se lhe depararam, entrou
na área e cruzou rasteiro para Mané aparecer no outro poste a fazer o
golo à vontade.

<p n=379>
Um golo solitário de Abdel Ghani, obtido logo aos 9', na transformação de
uma grande penalidade, a castigar falta clara sobre Dino, proporcionou ao
Beira- Mar um triunfo justo sobre o Guimarães.

<p n=380>
Porém, aos 9' minutos, um pouco contra a corrente do jogo, surgiu o único
golo da partida: Dino recolheu uma bola aliviada pela sua defesa,
ultrapassou um adversário, entrou na área e foi derrubado pelas costas
por Jorge. Apesar de se encontrar um pouco longe da jogada, Soares Dias
não hesitou e assinalou de imediato grande penalidade, que Abdel Ghani
transformou com um remate rasteiro para o lado direito de Jesus. O lance
foi muito contestado pelos vimarenenses.

<p n=381>
A sueca Pernilla Wiberg conquistou ontem o título de campeã do mundo de
slalom gigante feminino nos «Mundiais» de esqui alpino, que se disputam
na estância austríaca de Saalbach-Hinterglemm. Wiberg, 20 anos, obteve o
sétimo melhor tempo na primeira descida de 46 «portas», com 1' 3,41'', e
foi a mais rápida na segunda «manga», registando o tempo total de 2'
7,45''. A austríaca Ulrike Maier classificou-se na segunda posição, com
2' 7,61'', seguida da alemã Traudl Haecher, com o tempo de 2' 8,03''.
Esta é a primeira vez na história dos Campeonatos do Mundo ou dos Jogos
Olímpicos que uma sueca ganha uma medalha de ouro. Recorde-se que os
suecos Nilsson, em 1939, na Polónia, e Thomasson, em 1954, na Suécia,
conquistaram no slalom uma medalha de bronze.

<p n=382 assunto=desporto>
O soviético Serguei Dolmatov está a meio ponto de alcançar os
quartos-de-final do torneio de candidatos ao título mundial de xadrez,
após o empate registado sexta-feira na sétima partida com o seu
compatriota Arthur Youssoupov, em Wijk Aan Zee, Holanda. Tal como na
partida Dolmatov-Youssoupov, que o primeiro ganha por 4-3, o oitavo e
último «match» será decisivo no encontro entre o soviético naturalizado
suiço Viktor Korchnoi e o hngaro Gyula Sax, que empataram sexta-feira. Em
Sarjevo, na Jugoslávia, outro soviético, Boris Guelfand colocou-se em
vantagem (3,5-2,5) frente ao jugoslavo Pedrag Nikolic, ao ganhar a sexta
e antepenúltima partida do encontro. O indiano Viswanathan Anand e os
soviéticos Vassili Ivantchouk e Anatoly Karpov estão já qualificados para
os quartos-de-final do torneio de candidatos. O vencedor deste ciclo de
apuramento discutará, em 1993, o título mundial com Garry Kasparov,
actual campeão do mundo .

<p n=383>
Jogar bem nos últimos dez minutos não foi suficiente para o FC Porto
garantir ontem a vitória. E isto porque defrontou um adversário que jogou
muito bem nos restantes 85' e esteve longe de parecer o último
classificado do campeonato.

<p n=384>
A razão para esta ineficácia portista era uma flagrante falta de
velocidade dos seus jogadores. E as coisas só melhoraram um pouco  com a
troca a que Artur Jorge procedeu, aos 26', saindo Morgado e entrando
Jorge Couto. Esta mexida deveu-se em parte à necessidade de contrariar o
bom comportamento dos homens do Restelo, mas, fundamentalmente, ao já
referido adormecimento dos jogadores da casa.

<p n=385>
É um campeonato de aflitos, de muito coração e pouca clarividência. Este
encontro revelou que a luta pelos pontos vai, efectivamente, ser
dramática e que o futebol espectáculo será secundarizado. Com o Marítimo
bastante agressivo logo de início, a formação penafidalense procurou
conter o futebol dos madeirenses jogando com quatro defesas em linha e um
trinco, Rui Manuel, contando com Secretario e Roldão para emparedar os
médios-ala do Marítimo.

<p n=386>
Depois do intervalo, o rítmo do jogo poucas alterações sofreu, e mesmo
com  o Penafiel a tentar desfazer o resultado, agora em lançamentos
longos para as costas dos defensores locais, foi o Marítimo que voltou a
desperdiçar, aos 57', por Chico Oliveira com um defesa tirando a bola
sobre o risco da baliza, e aos 65', quando Carlos Jorge desperdiçou uma
grande-penalidade atirando ao lado direito da baliza de Cerqueira.
Pressionando em todo o campo, o Penafiel lutava pela posse de bola e
despejava-a sem contemplação sobre o meio-campo contrário, solicitando os
seus pontas-de-lança.

<p n=387>
Uma telefonista irlandesa de 21 anos, Cathrina McKiernan, e um jovem
queniano, de 24, Richard Chelino, o menos conhecido dos africanos
presentes nas Açoteias impediram ontem triunfos portugueses no Cross
Internacional das Amendoeiras.

<p n=388>
E viu-se, realmente, que Pinheiro está num bom momento de forma e
consciente de que a força e a resistência são características de que não
se pode abusar, designadamente quando se tem em vista uma maratona para
breve (Londres). «Ao contrário do que é habitual, comecei a puxar cedo, a
tentar reagir aos esticões dos africanos, mas abdiquei, sobretudo quando
vi que o mais importante era defender o meu segundo lugar», explicou
Joaquim Pinheiro.

<p n=389>
Para ser primeiro no que quer que seja, não basta ser o melhor; é também
preciso ter sorte. Ontem, ela voltou a sorrir ao Paços de Ferreira, a
três minutos do final da partida, depois de a equipa de Vitor Oliveira
ter controlado territorialmente todo o jogo, sem ter, no entanto,
demonstrado clarividência suficiente para ultrapassar a bem organizada
defensiva do União de Leiria.

<p n=390>
Na segunda parte a tónica do jogo manteve-se, embora, com o passar do
tempo, os pacenses fossem ficando cada vez mais nervosos e precipitados,
perdendo clarividência. Aos 74', três pacenses tiveram a bola ao seu
dispôr dentro da área, mas acabaram por se atrapalhar.

<p n=391>
Foi um empate técnico: o elenco da FPF caiu, mas vai manter-se em funções
até ser julgado um recurso interposto ao Conselho de Justiça. Como o
processo se pode arrastar até final dos «Nacionais», já há quem ameace
com a paralisação do futebol português. Uma embrulhada de A, B e Cƒ

<p n=392>
A destituição dos órgãos federativos depende agora do julgamento do
Conselho de Justiça -- que vai decidir, em última instância, da sua
própria queda. «Falta saber se a demissão é legítima ou ilegítima. Se o
Conselho de Justiça considerar que a destituição está eivada de vícios
fundamentais, a decisão ficará revogada, não havendo necessidade de
marcar nada», disse Vieira de Carvalho à agência Lusa. O presidente da
mesa da Assembleia Geral da FPF explicou ainda que, no caso do Conselho
de Justiça decidir que a impugnação não tem efeito, será marcada uma data
para a realização de eleições para todos os órgãos. No caso de algum
órgão ficar sem quorum, devido à demissão dos representantes das
associações contestatárias, será convocada uma AG para substituir os
membros demissionários.

<p n=393>
Estavam decorridos apenas dois minutos de jogo e Ricardo quase marcava
para o Benfica. Ficou a ideia de que o Benfica cedo conquistaria vantagem
no marcador. Mas não foi assim, porque o Salgueiros soube contrariar o
fulgor inicial dos «encarnados» e porque o meio-campo do Benfica, durante
uma hora, não fabricou qualquer lance ofensivo. Entretanto, o Salgueiros
ia lançando alguns contra-ataques muito perigosos.

<p n=394>
Magnusson voltou e fez meia-hora ao seu melhor nível, o que é sublinhado
por Toni, treinador-adjunto do Benfica: «O Mats teve grande classe nos
lances em que interveio e a sua entrada ajudou muito nesta vitória.»
Também Filipovic atribuiu grande importância à acção de Magnusson:
«Trouxe outras soluções ao ataque do Benfica e fez um golo que muito
poucos jogadores fariam.» De facto, o sueco alto e louro ajudou muito a
arrumar a casa, na zona intermediária do Salgueiros. Desmarcou várias
vezes Pacheco na esquerda, com passes rigorosos, chamou a si os centrais
Djoincevic e Milovac, que estavam a marcar implacavelmente Isaías e Rui
Águas, abrindo espaços na área, e fez, como se disse, o «passe de morte»
para o golo de Paneira.

<p n=395>
A história deste jogo é a dos golos e a de mais algumas oportunidades
falhadas pelo Braga e até pelo Nacional. Tudo começou cedo, com um golo
de Robertinho logo aos 3´, mas precedido de uma falta de Edmilsson sobre
Moroni.

<p n=396>
Mas ainda antes do intervalo, novo empate, desta vez com Muchacho a fazer
uma boa simulação de corpo que o isolou na direita, cruzando depois para
António Miguel marcar.

<p n=397 assunto=desporto>
OS «NACIONAIS» de futebol da II Divisão B e da III Divisão tiveram ontem
alguns jogos antecipados. Assim, para a 21ª jornada da II Divisão B, que
hoje se completa, a Ovarense, líder da Zona Centro, foi empatar a um golo
à Anadia, enquanto na Zona Sul o Oliveais Moscavide e o Alverca também
empataram 1-1. Na III Divisão, Série A, o Santa Maria recebeu e bateu o
Vianense por 2-0, enquanto na Série C o Lourosa venceu o Mealhada por
3-1. Na Série F, o Vasco da Gama bateu o Alvorense por 3-0 e a Quimigal
cedeu um empate a um golo, em casa, frente ao Alamada.

<p n=398 assunto=desporto>
O BAYERN de Munique, próximo adversário do FC Porto nos quartos-de-final
da Taça dos Campeões Europeus de futebol, empatou ontem a zero com a
selecção da Colômbia em encontro da primeira jornada do Taça Miami,
competição disputada nesta cidade norte-americana e que integra ainda as
selecções da Suiça e dos EUA, cujo confronto terminou com a vitória da
Suiça por 1-0. O Bayern, que aproveitou o interregno do campeonato alemão
para participar neste torneio, defronta hoje a selecção dos EUA.

<p n=399>
O futebol tem aliciantes inesperados e este jogo de ontem no Municipal de
Chaves teve de tudo: golos (todos nos últimos dez minutos), expulsões
(duas e ambas para o União da Madeira) e, como se percebe, muita emoção.

<p n=400>
Os madeirenses jogaram com dez homens os últimos 21 minutos por expulsão
de Marco Aurélio, um «negrão» que tem tanto de bom defesa como, por
vezes, de excessivamente duro nas suas entradas sobre os adversários.

<p n=401>
1º Richard Chelimo/ Quénia, com o tempo de 30'05 minutos; 2º Joaquim
Pinheiro/ Portugal, 30'17m; 3º João Campos/ Portugal, 30'19m; 4º Luis
Jesus/ Portugal, 30'23; 5º Henk Gommer/ Holanda, 30'28; 6º William
Mutwol/ Quénia, 30'29; 7º José Carlos Pereira/ Portugal, 30'35; 8º Raf
Wijins/ Bélgica, 30'37; 9º Steve Brooks/ Inglaterra, 30'43; 10º Paulo
Guerra/ Portugal, 30'48.

<p n=402 assunto=desporto>
O Paços de Ferreira bateu ontem o União de Leiria (1-0), em casa, e
mantém a confortável distância de cinco pontos sobre o Benfica de Castelo
Branco, que ontem também ganhou em casa (2-0), perante o Barreirense. O
União de Leiria, que só se deu por vencido através de um golo a três
minutos do fim, deixou-se ultrapassar na classificação pelo Sporting de
Espinho (que ganhou por 1-0 no terreno do Vila Real de Santo António) e
pelo Feirense (que se impôs ao Freamunde por 3-2), caindo para o nono
lugar. A surpresa da jornada foi protagonizada pelo Varzim, que ganhou
por 2-1 no campo do Portimonense. Mas o jogo grande da jornada disputa-se
hoje: um certamente emotivo Estoril-Académica, em que estará em causa o
acesso ao terceiro lugar -- o último que dá acesso à I divisão.

<p n=403>
Eram duas horas e vinte minutos quando a noite de Luanda se
encheu de tiros. Vicente Pinto de Andrade tinha em 1961 apenas onze anos
de idade, mas nunca mais esqueceu aquela noite. A sua casa, no Bairro
Marçal, ficava muito perto da prisão de São Paulo e, por isso, era
possível ouvir distintamente os tiros, sobrepostos ao compacto ruído da
revolta. Pinto de Andrade, hoje um conhecido economista angolano,
lembra-se de ter visto na manhã seguinte várias dezenas de homens
amarrados defronte da prisão.

<p n=404>
Logo a 5 de Fevereiro, nos funerais dos polícias mortos, uma multidão
de colonos deixa-se «empolgar por um excessivo nervosismo» --  relata  «A
Província de Angola» -- e massacra dezenas de angolanos negros. Seis dias
depois, um novo grupo de angolanos, armados de catanas, mocas e velhas
espingardas de carregar pela boca, ironicamente apelidadas de
«canhangulos» ou «deixa-que-eu-te-chegue», volta a atacar a prisão de São
Paulo, seguindo-se outra vaga de linchamentos contra as populações
negras dos musseques.

<p n=405>
O destino de Lena Vidal cruzou-se durante anos com o de Henrique Galvão.
Ela foi a única mulher que participou numa acção directa inspirada por
aquele capitão do Exército. A trajectória que depois seguiu dá testemunho
da influência que as ideias e métodos de acção daquele oposicionista
exerceram sobre ela. Foi por se sentir ainda ligada a essa experiência,
apesar de toda a sua posterior trajectória política divergente, que
aceitou integrar a Comissão de Homenagem a Henrique Galvão. Lena Vidal
foi depois membro da LUAR e, a partir de 1975, participou no movimento de
apoio a Otelo. Actualmente é companheira de Aldino Pinto, preso do caso
FUP/FP-25.

<p n=406>
A odisseia de Lena Vidal, então com 21 anos, começou quando saiu de barco
de Portugal, em Junho de 1961, com mais uma rapariga e cinco rapazes --
estes dados como refractários, por se recusarem a cumprir o serviço
militar, quatro meses depois do início da guerra em Angola.

<p n=407>
* deputado do PCP, participou, em 1961, na «Operação Dulcineia» conduzida
por Henrique Galvão

<p n=408>
Dois jovens fogosos -- um alferes e um tenente -- atacam à granada as
forças democráticas revoltosas, no Largo do Rato, em Lisboa. Um dia
agitado, este 3 de Fevereiro de 1927.

<p n=409>
Cinco horas depois, num avião da TAP, algures sobre território português,
um rapaz alto, 22 anos, limpa uma lágrima caprichosa de uma hospedeira de
bordo. O lenço numa mão, a pistola na outra. O dia foi agitado. Em
Lisboa, muitos repararam nisso. A bordo, quase ninguém.

<p n=410>
A aproximação dos homens às feras, referência indispensável no universo
de Richard Corben, encontra uma nova e fulgurante dimensão na adaptação
de «Vic & Blood», uma história de sucesso do escritor Harlan Ellison, à
banda desenhada, recém-publicada em Espanha pela Norma Editorial.

<p n=411>
É aqui que verdadeiramente começa a história de Vic e Blood,
protagonistas de uma ficção do escritor Harlan Ellison -- «A Boy and His
Dog» --, publicada pela primeira vez em Abril de 1969 na revista inglesa
«New Worlds». Uma versão ampliada foi editada, em Julho do mesmo ano, nos
Estados Unidos, com o título «The Beast that Shouted Love at the Heart of
the World».

<p n=412>
4 -- Angola: aviação portuguesa bombardeia com napalm aldeias de
camponeses na Baixa do Cassange, na sequência de uma greve dos
trabalhadores da apanha do algodão; relatos publicados na imprensa
estrangeira falam em centenas de mortos.

<p n=413>
31 -- Divulgado o «Programa para a Democratização da República»,
subscrito, entre outros, por Mário de Azevedo Gomes, António Sérgio,
Jaime Cortesão, Eduardo Figueiredo e Acácio Gouveia. Vários deles serão
presos pela PIDE

<p n=414>
Luanda: assalto às prisões de Luanda: várias vítimas de ambos os lados,
entre os quais seis polícias.

<p n=415>
23 -- A Libéria solicita uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para
tratar dos acontecimentos em Angola.

<p n=416>
Suponha o leitor que pega numa folha de papel bastante fino, digamos com
um décimo de milímetro de espessura, e o dobra ao meio uma vez. Depois
repete esta operação, fazendo outra dobragem e ficando portanto com uma
espessura quatro vezes maior do que a espessura de uma folha simples.
Suponha ainda que a folha era suficientemente grande para poder repetir
esta operação as vezes que lhe apetecesse.

<p n=417>
Supondo que a tal folha de papel tem 0,1 mm de espessura, ao fim de seis
dobragens qual seria a espessura total? Façamos uma pequena tabela:

<p n=418>
Não gosto de animais. Não gosto da sua presença, do seu cheiro, dos sons
que emitem. Quando muito, tolero vê-los na televisão, naqueles programas
tristes sobre espécies em vias de extinção, em que, instalada num fofo
sofá, vou sonolentamente observando os tontos voos da
catatua-crista-de-salmão, o passo arrastado do caracol de Oahu, o
rastejar mortífero do caimão da Amazónia, as passeatas avulsas do
rinoceronte da Árica sub-sahariana, ou aquelas séries ternas, como a de
James Herriot, que até há pouco  a RTP exibia aos domingos à tarde, na
qual um veterinário cinquentão tratava com carinho de vitelos, em aldeias
perdidas nos prados de Yorkshire.

<p n=419>
Já na actual casa, fui forçada a aturar, ao longo de vários meses, os
latidos neuróticos de um rafeiro, pertencente a uns vizinhos retornados.
A avaliar pelos sons que produzia a todas as horas do dia e da noite, o
pobre cão guardava memórias angustiantes da sua infância na Africa do
Sul. A situação chegou a um ponto tal que, após eu ter alertado, sem
sucesso, a Polícia, considerei a hipótese de mudar de casa. Eis senão
quando, por obra do Espírito Santo, provavelmente acolitado por algum
vizinho mais determinado, o bicho apareceu morto.

<p n=420>
A 4 de Fevereiro, a então colónia portuguesa de Angola assiste à primeira
revolta armada no seu território. Foi o último golpe dos nacionalistas
românticos e também o começo de duas guerras: a colonial, que terminou
com a descolonização de 1975, e a civil, que ainda hoje continua.

<p n=421>
«A questão crucial que `Ler' pretende atacar é a da informação sobre o
livro (...) uma revista que informe, discuta, critique e revele tudo o
que define a pulsação do movimento editorial português.»

<p n=422>
Quando ainda não estávamos suspensos do que se está a passar no Golfo e
não ficávamos agarrados às últimas da televisão e da rádio, como é que
era o mundo? Já passaram alguns dias sobre o primeiro raide aéreo sobre
Bagdad e o ano que findou, o de 1990 -- lembram-se? -- parece um sonho. Um
sonho das mil e uma democracias, das mil e uma festas, a começar pela da
reunificação da Alemanha, passando pela libertação de Nelson Mandela,
terminando na eleição emblemática de Vaclav Havel para presidente da
Checoslováquia. Curiosamente (ou não?...) o número especial «The Year in
Pictures», da «Life», abre com a invasão do Kuwait pela tropas
iraquianas, ocorrida a 2 de Agosto. No entanto, os editores ainda não
sabiam o que nos reserva(ria) o futuro. Mais do que as palavras que
escreveram, falam as imagens que escolheram. Entre todas, os editores da
revista chamam a atenção para a foto da página 12 -- símbolo, ao mesmo
tempo, dos perigos e das esperanças do nosso tempo -- de um empresário 
soviético a vender rosas. Mas como ser insensível à da página 30, em que
Hollie Valance, de 22 anos, mãe pela primeira vez, se despede da sua
filha, de cinco meses, para integrar a força multinacional estacionada na
Arábia Saudita? Depois, há ainda Garbo e Ava Gardner, e Leonard
Bernstein, e Kyle MacLachlan, o inspector do FBI da série «Twin Peaks»,
entre muitas outras imagens que fizeram 1990. Um número para guardar.

<p n=423>
Sem dispor dos meios financeiros, editoriais e criativos que esta última
revista francesa demonstra mensalmente, «Makoki» consegue, apesar de
tudo, ser um espelho bastante polifacetado das pesquisas formais em torno
de uma realidade que se pretende radicalmente outra e inequivocamente
diferente. Como todas as publicações que apostam nesta linha, «Makoki» é
uma revista de conteúdos desiguais. Mas nada autoriza a considerá-la
editorialmente desiquilibrada, a menos que se queira apontar a ausência
quase total de textos que atenuem o desgaste provocado por bandas
desenhadas excessivamente «indigestas».

<p n=424>
É um estudado estojo de unhas, com um «design» cuidado e limpo. À venda
no mercado espanhol por 3840 pesetas (cerca de cinco mil escudos).

<p n=425>
Para não perder o contacto com os antepassados ou simplesmente
divertir-se em casa, este tabuleiro para sessões de espiritismo será uma
grande ajuda. Vem com um copo especial e as suas correspondentes
soluções. Vende-se em Espanha por 6870 pesetas.

<p n=426>
Altamira é uma nova loja de mobiliário de escritório onde pode escolher,
para a sua empresa, propostas de mobiliário entre o «design» de Corbusier
e a ergonomia da marca Dauphin. Esta loja situa-se na Avenida António
Augusto Aguiar, 38-A.

<p n=427>
Numa época de guerra voltamos aos anos 60 e ao «flower power». É dessa
época o cinto de pele sintética com um encadeado de flores preto por
3200$00 na Versus, Avenida de Roma, 44 E.

<p n=428>
Junte-lhes agora as courgetes picadas no «1, 2, 3». Deixe cozinhar tudo
durante 20 minutos em lume brando. Aumente depois a chama até conseguir
enxugar o estufado. Tempere com sal e pimenta.

<p n=429>
«Assim, foi naturalmente com prazer que verifiquei que há quem veja nas
nossas bombas mais alguma coisa do que uma caixa explosiva. Que não
acredite nelas como meio de força (nós não estamos convencidos que a
força esteja nas bombas), que acredite, em compensação, nos filtros da
política mundial e que seja por aí que se abra o alçapão por onde o
Salazar vai sumir-se -- compreende-se que seja ideia simpática ao cronista
de política internacional, mas já não me aquece nem arrefece. Mesmo que
assim fosse -- e eu naturalmente não estou convencido de que o seja --
quereria fazer alguma coisa mais do que esperar pela simpatia do Romulo
Betencourt e de Washington.

<p n=430>
Regressemos hoje à Bairrada, que é uma região de bons pretextos: água
pura na Curia, Buçaco e Luso; uma paisagem variada; os melhores leitões
assados do mundo; bons amigos para quem os saiba merecer; e excelentes
vinhos, brancos e tintos.

<p n=431>
Vive-se actualmente, na relação entre os vinhos bairradinos e os
consumidores, num «estado de graça». Compete aos produtores -- pelo menos
aos mais ousados e rigorosos de entre eles -- manter a situação neste pé.
Não se lhes pede o céu, mas apenas que elaborem bons vinhos e os coloquem
à disposição dos consumidores a preços justos.

<p n=432>
Seria preciso inventar uma palavra que o definisse. Uma palavra onde
coubesse, ao mesmo tempo, a sensibilidade, o rigor, a inteligência, a
subtileza, o humor, o carácter. Não chega dizer que ele é discreto e
silencioso, irrepreensível e exigente. Não chega e, pior, ele não ajuda:
dirá, ao longo de uma conversa em dois actos, apenas o que para ele é
indispensável para me responder, isto é, algumas palavras, às vezes uma
frase um pouco mais longa. E, de quando em vez, um desabafo mais
intimista, a sombra de uma confidência.

<p n=433>
Rui Vilar nasceu há 52 anos no Porto, no seio de «uma familia da pequena
burguesia, que vivia com algumas dificuldades». Do pai, reteve «uma
capacidade de trabalho que fez progredir a familia»; com a mãe,
habituou-se a «admirar um grande rigor na condução dos assuntos
domésticos».

<p n=434>
a rotina totalmente interiorizada pelas pessoas. Naquela altura parecia
impossível e disseram-me sempre que eu não seria capaz.»

<p n=435>
E, um dia, Cavaco Silva -- que conhece «desde o tempo em que ele era
director do Gabinete de Estudos do Banco de Portugal e com quem sempre
teve um bom relacionamento profissional» -- convida-o para tarefas
comunitárias. O cargo de director-geral da Comissão das Comunidades
Europeias é mais outra alínea num currículo de excepção. Teve, nesse
tempo, Bruxelas como poiso e... muito que fazer. Apesar disso, saciou a
curiosidade, convivendo a fundo com a história , a cultura e os amigos da
capital belga. Tanto que um dia não hesita e escreve um pequeno e
maravilhoso roteiro sobre esta cidade e os encantos que lhe descobriu!

<p n=436>
Sentimentos contraditórios tornam para mim quase dolorosa a evocação dos
dias que passei a bordo do Santa Maria, em Janeiro de 1961.

<p n=437>
Eu não me via como comandante. A operação era utópica desde o berço e o
seu desenvolvimento findara na prática quando um tripulante ferido no
assalto fora desembarcado na ilha de Santa Lúcia, no Caribe. A atmosfera
de anarquismo que a bordo impregnava o discurso político chocou-me desde
o primeiro contacto. Um anarquismo com aroma da revolução espanhola de 36
e enxertos do idealismo da fase inicial da revolução cubana.

<p n=438>
Hoje, pelas 22 horas, completam-se trinta anos sobre o desfecho de um
episódio que abalou a segurança salazarista: a ocupação e desvio para o
Brasil do paquete Santa Maria. Ao entregar-se às autoridades brasileiras
no Recife, a 3 de Fevereiro de 1961, o capitão Henrique Galvão punha
termo a uma aventura política que, sem atingir o seu objectivo último -- o
destino era Angola, o alvo era Salazar --  funcionou como detonador para
revoltas futuras. E em Angola elas não se fizeram esperar. No dia
seguinte, 4 de Fevereiro, um grupo de nacionalistas ainda crentes num
revolucionarismo romântico que depressa se viu não ter seguidores, 
procurou -- aproveitando a onda de agitação em torno do caso Santa Maria --
tomar de assalto três unidades prisionais militares. Foi o rastilho
ingénuo -- mais tarde mitificado pelo MPLA -- de uma guerra que não
tardaria a revelar torturas, linchamentos, massacres. De Lisboa partiram
tropas. A guerra colonial começava, alastrando de seguida às outras
colónias. Mas começava também, na atrapalhação dos assaltos do 4 de
Fevereiro, uma outra guerra: a civil, a que logo dividiu angolanos em
grupos rivais; uma guerra a que ainda hoje se procura pôr fim, trinta
anos passados, na mesma Lisboa de onde outrora partiram os exércitos
coloniais (como o confirma a nova ronda de negociações MPLA-UNITA,
marcada para os próximos dias 6 e 7 de Fevereiro na capital portuguesa).
Já muito se falou, noutros lugares e noutras páginas, do curso dos
acontecimentos nesse conturbado ano de 1961. Preferimos, por isso,
encará-los de outro ângulo: o do olhar de alguns dos seus protagonistas.
E, em Portugal ou Angola, procurámos contactar ou reunir alguns dos
homens e mulheres que, no 4 de Fevereiro ou nas acções revolucionárias
contra Salazar (assalto ao Santa Maria, desvio de um avião da TAP),
estiveram envolvidos nas operações. Os seus depoimentos aqui ficam,
testemunhando um romantismo revolucionário que o tempo tornou
irrecuperável. Um romantismo que encontrou na figura do capitão Henrique
Galvão -- hoje recordado por Victor Cunha Rêgo na secção «Retratos» -- um
dos seus expoentes míticos.

<p n=439>
PLANO MATERIAL -- Esta semana pode contar com preciosas colaborações
embora algumas não passem de boas intenções. Enfrente os problemas e não
se refugie, por comodidade, na indulgência. Favorecidas as viagens. Não
se envolva em situações que de antemão sabe que o enervam.

<p n=440>
«Tenho uma vida porreirinha. Uma boa esposa. Deus fez-me piloto da Força
Aérea. Deus abençoe a América».

<p n=441>
Com o crescente aperfeiçoamento das máquinas, o aventureiro dá lugar ao
profissional especializado, e apenas alguns saudosos prosseguem as
proezas dos pioneiros («Chamas do Alvorecer», «O Meu maior Pecado»). É a
guerra, de novo, que vai por à prova essa especialização, e na segunda
guerra mundial ver-se-ão aviões cada vez mais sofisticados em filmes como
«Spitfire, Primeiro entre Poucos», o alemão «Stukas», «Corsários das
Nuvens» e, mais uma vez, Hawks com «Águias Americanas». O piloto de
ensaio e de vigilância é o personagem do género nos anos 50: «Nem Sempre
o Coração Manda», de Anthony Mann, sobre o Strategic Air Command, «O
Bombardeiro B-52», «Estradas do Inferno», «O Cobarde», sobre um piloto
regressado do cativeiro na Coreia, numa série que culmina em «Os
Eleitos». O piloto de guerra é ainda o herói de filmes como «Heróis
Esquecidos» (Men of the Fighting Lady) e «As Pontes de Toko-Ri».

<p n=442>
[JB, olá! Bem sei que este texto é pequenote, mas, por favor, não me
peças para arranjar um destaque... A foto, tem-la tu guardada, de há duas
semanas. Beijo.  Ana]

<p n=443>
Seguindo o mapa que acompanha o jogo, vai-se andando pela estrada sem
destino definido e sem saber o que fazer, tendo como única paisagem umas
montanhas ao longe, cactos, rochas e placas de sinalização. De vez em
quando, lá aparece um carro a que devemos bloquear a passagem. Aqui é
conveniente andarmos devagar ou seremos atirados para a areia, de onde se
torna um martírio sair devido aos movimentos lentos.

<p n=444>
Na luta contra os turcos, Skanderbeg organizou as forças dos príncipes
albaneses, católicos e, com o auxílio dos napolitanos e do próprio Papa
Pio II, derrotou-os. Depois da sua morte, 500 anos de ocupação turca
deram a supremacia à religião muçulmana no território. Com o fim do
domínio turco, a comunidade católica voltou a organizar-se, embora
permanecesse bastante minoritária. A madre Teresa de Calcutá, famosa
missionária católica que recebeu o Prémio Nobel da Paz em l979, é de
ascendência albanesa.

<p n=445>
Invadidos pelos romanos, lutaram com energia para defender as suas
terras. Não sendo possível resistir, foram incorporados no Império
Romano, o que as tribos das montanhas nunca aceitaram bem.

<p n=446>
A Albânia tem uma grande variedade de minérios de boa qualidade no seu
subsolo, incluindo petróleo e gás natural. Também tem condições
favoráveis para o desenvolvimento da agricultura, da criação de gado e do
turismo.

<p n=447>
A odisseia da nave «Enterprise» da série «Star Trek», descobrindo novos
planetas e civilizações galácticas, é  uma variação do gosto pela
aventura e pela descoberta de coisas e gentes novas. É esse prazer que
inspira a audácia de enfrentar o desconhecido e que levou o homem, a
pouco e pouco, ao longo da história, a chegar aos pontos mais remotos do
planeta, muitos deles rodeados de lendas de assombrar, como a do Mar
Tenebroso.

<p n=448>
[JB, cuidado! Tens uma nota de rodapé assinalada no sétimo parágrafo. A
propriamente dita deverá vir no fim do texto, depois do trinco, em corpo
diferente do texto -- o que ela adora dizer obviíces...

<p n=449>
Quando a Albânia foi invadida pelos turcos, os Kastriote eram uma das
famílias mais ricas e poderosos. Tinham terras sem fim!

<p n=450>
Desde que apareceu, o Júnior já publicou uma banda desenhada de Spirou,
«Spirou e os Herdeiros», e estamos ainda a apresentar o Gaston Lagaffe,
em «Um Bronco que só Dá Bronca». O que têm eles em comum? Pois bem, são
produto de um mesmo autor: o belga Franquin.

<p n=451>
No Gaston, o riso está em cada pormenor: do umbigo sempre à mostra, ao
carro a cair aos bocados, das invenções geniais aos desastres sucessivos.
Aliás, Lagaffe é isso mesmo: o inoportuno, o que nunca faz o que deve ou
o que se espera, o que entra na pior altura, o desastrado... O difícil é
criar tantas situações completamente loucas. É que os «gags» (as tais
histórias curtinhas e divertidas) do Gaston Lagaffe já enchem três álbuns
traduzidos em português! Mas Franquin gosta muito do Lagaffe e não quer
que ele apareça aos olhos dos leitores como um tonto. E não há disparate
deste herói que não nos mostre como ele está cheio de qualidades: é
generoso, amigo de ajudar os aflitos, amante de plantas e animais,
engenhoso... E aqueles que mais embirram com ele são sempre uns 
personagens que não sabem sonhar, que, se não fosse o Gaston, nem tinham
lugar numa banda desenhada, tal a falta de interesse que teriam as suas
vidas!

<p n=452>
O Grupo Folclórico do Baixo Mondego da Vila de Pedreira comemora 25 anos
de actividade. Em associação com a Alliance Française de Coimbra lançou
um concurso de Banda Desenhada para pessoas até 35 anos. Os trabalhos
deverão obedecer ao tema «A Minha Terra», apresentando as actividades
sócio-económicos e culturais e também um pouco da história local.

<p n=453>
Os interessados têm toda a vantagem em contactar directamente o Grupo
Folclórico para mais informações.

<p n=454>
Abastecimentos que se repetem ao longo de cada dia do ano, porque,
independentemente do preço e da época, há produtos que não podem faltar
na grande comunidade que é o Jardim Zoológico.

<p n=455>
Os bichos estão em cativeiro, o que significa que se encontram fora do
seu ambiente natural, tendo, por isso, menos espaço para se mexerem e não
podendo procurar pelos seus meios os alimentos de que necessitam.

<p n=456>
A Universidade do Porto vai receber estudantes checoslovacos para
estágios em Engenharia, no âmbito do programa «Tempus», criado pela CEE
para promover a mobilidade transeuropeia de estudantes universitários. A
Comissão Europeia seleccionou 153 entre as 1338 propostas de candidatura
a este programa, que se destina exclusivamente aos estudantes da Europa
de leste.

<p n=457>
Representantes da área protestante e evangélica queixam-se de que o
Ministério da Educação tem secundarizado a questão das aulas de Educação
Moral e Religiosa Evangélica, alternativas à disciplina de Religião e
Moral Católica. As escolas não foram informadas a tempo da existência da
disciplina e nenhum professor foi ainda colocado.

<p n=458>
«A Formação do Jovem - Um Modelo Interactivo» é o título do livro de João
Rebello de Carvalho, Luís Marques Barbosa e Fernanda Costa Geraldes que
acabou de ser publicado na Colecção Clube do Professor das Edições Asa. O
livro, com prefácio de José Augusto Seabra, baseia-se na descrição de um
modelo educativo em que «a prevenção social constitui a forma mais
adequada de integração na sociedade, desde que a Educação se centre numa
estreita relação entre os planos  ético, cívico e técnico». Possuindo 112
páginas, o livro vai estar à venda ao público por 1280$00.

<p n=459>
Esta foi a principal conclusão do colóquio realizado no sábado na Escola
Preparatória Marquesa de Alorna, de que foram convidados especiais Jean
Marc Muller e Jacques Henrard, secretário-geral e director executivo da
Federação dos Conselhos de Pais dos Alunos das Escolas Públicas de
França. Depois de uma reunião de trabalho que ocupou toda a manhã, os
activistas da Associação Portuguesa debateram, no colóquio da tarde, o
papel das organizações de pais, comparando experiências dos vários países
europeus.

<p n=460>
«Ainda maior agravamento das condições de funcionamento» é como a
Direcção da Organização de Professores do Porto (DOP) do PCP classifica
«os propósitos do Governo de manter para 1991 os orçamentos atribuídos às
escolas em 1990 apenas com pequenos ajustamentos». A DOP anunciou que
está empenhada na preparação do encontro nacional de professores
militantes do partido previsto para os próximos dias 23 e 24, em Lisboa.

<p n=461>
A primeira pedra do pavilhão de Portugal na Exposição Universal de
Sevilha de 1992, cuja construção foi adjudicada à empresa Soares da
Costa, será lançada nos primeiros dias de Março. Seis empresas ou
agrupamentos de empresas apresentaram-se ao concurso público
internacional no âmbito da CEE para a construção do pavilhão orçado em
900 mil contos. O pavilhão deve estar concluído no final deste ano.

<p n=462>
Peritos mexicanos em monumentos históricos criticaram na sexta-feira a
UNESCO por não ter classificado «a tempo como património intocável»
algumas zonas arqueológicas do Médio Oriente que poderão ser destruidas
com a Guerra no Golfo. «Apesar da guerra poder ser uma das maiores da
história, a UNESCO não solicitou às nações envolvidas no conflito que
delimitassem as áreas históricas que deveriam ser intocáveis», acusou
Flores Marini, do comité mexicano do Conselho Internacional de Monumentos
e Sítios. Segundo Marini, o Iraque é, desde os anos 60, um dos países que
mais verbas investe no restauro de monumentos, muitos dos quais
classificados como Património da Humanidade pela UNESCO.

<p n=463>
O júri, constituído pelos arquitectos Francisco Silva Dias, Pedro Brandão
(AAP), Manuel Lacerda (IPPC), João Paulo Bessa (CML), Joaquim Braizinha
(FAUTL), Manuel Taínha, Alcino Soutinho e João Vieira Caldas (arquitectos
convidados) e Gonçalo Byrne (escolhido pelos concorrentes), atribuiu
ainda o segundo lugar ao projecto de João Carreira (1º Prémio do Concurso
de Sagres) e o terceiro a Maria Manuela Lopes da Cunha. As quatro menções
honrosas couberam aos arquitectos Nuno Villamariz Oliveira, João Manuel
Nunes dos Santos, Carlos Lúcio Pereira e Vítor Mestre.

<p n=464>
«Nos Bastidores da Televisão» é o título do livro que o realizador de
televisão Adriano Nazareth se prepara para editar sobre os bastidores
desconhecidos da TV portuguesa. «Casos Insólitos» e «Quem Saneou Quem»
são alguns dos capítulos que compõem esta obra que inclui documentos,
depoimentos e informação inédita sobre a história da TV em Portugal.
Adriano Nazareth é o autor de um outro livro já publicado sobre o tema,
intitulado «30 Anos de Televisão».

<p n=465>
«Miller's Crossing», de Joel Coen, e «Reversal of Fortune», de Barbet
Schroeder foram apresentados no Festival de Roterdão, que ontem terminou.
Quer a revisitação dos filmes de «gangsters» feita por Coen, quer a
reconstituição, por Schroeder, do caso judicial Claus von Bulow, são
filmes que problematizam os modos de enunciação da lei.

<p n=466 assunto=desporto>
CAMPEONATO ITALIANO -- O Bolonha, próximo adversário do Sporting na Taça
UEFA, empatou em casa a zero golos com o Inter de Milão, que comandava
isolado a classificação do campeonato italiano e se viu alcançado pelo
Milan e a Sampdória. A 19ª jornada da prova foi marcada pelos empates do
Inter e da Juventus (0-0 no terreno do Atalanta), enquanto o Milan batia
em casa o Cesena por 2-0 e a Sampdória recebia e batia a Fiorentina por
1-0. O trio da frente soma agora 26 pontos, mais um do que a Juventus,
quarta classificada. Parma (23 pontos), Torino (21), Génova e Lazio
(ambos com 20) ocupam as posições seguintes. O Bolonha é 16º com 14
pontos. Nos restantes encontros os resultados foram os seguintes:
Cagliari, 1 -- Nápoles, 1; Lecce, 1 -- Pisa, 1; Parma, 0 -- Lazio, 0; Roma,
3 -- Génova, 1 e Torino, 4 -- Bari, 0. Na lista dos melhores marcadores, o
alemão Matthaeus (Inter) e o italiano Baggio (Juventus) lideram com 11
golos.

<p n=467>
O Benfica manteve a sua posição de comandante do «Nacional» de
basquetebol da I divisão ao vencer no terreno da Ovarense pela
confortável diferença de 24 pontos, números pouco habituais nos
confrontos entre as duas equipas.

<p n=468>
O austríaco Rudolf Nierlich, 24 anos, conservou o seu título mundial de
slalom gigante, na prova disputada ontem em Saalbach, Áustria, dos
Campeonatos do Mundo de esqui alpino. Nierlich gastou o  tempo de
2'29,94'' e foi seguido pelo suíço Urs Kaelin, com 2'30,29'' e pelo sueco
Johan Wallner, 2'30,73''. O italiano Alberto Tomba, campeão olímpico da
especialidade, sofreu uma queda na segunda manga. «Eu não tenho nada a
provar, já conquistei duas medalhas de ouro», declarou Rudolf Nierlich.
Uma vitória no slalom gigante em 1989 em Frano (Japão) e uma outra no
slalom em Kitzbuehel (Áustria) no ano passado foram as únicas conquistas
deste grande esquiador depois do duplo triunfo alcançado nos campeonatos
de Rocheuses. Mas o austríaco de 24 anos, originário de St Wolfgang, não
se mostrou nada preocupado. «Depois de uma má temporada a forma voltou»,
referiu o atleta. Recorde-se que Rudolf Nierlich venceu a sua primeira
corrida na Taça do mundo em Schladming (1988) ao bater no slalom gigante,
para surpresa geral, todas as vedetas austriacas daquela época. «Eu não
modifiquei a minha maneira de esquiar», afirmou Nierlich, que figura
entre os esquiadores mais elegantes.

<p n=469 assunto=desporto>
OUTROS RESULTADOS -A Dinamarca averbou a sua quinta vitória sobre
Marrocos, ao ganhar os dois encontros singulares na primeira eliminatória
do grupo um Euro-Africano da Taça Davis em ténis, disputados em Rungsted,
Dinamarca. No grupo dois da zona africana o Quénia derrotou o Congo, por
5-0 e qualificou-se para a segunda ronda.

<p n=470 assunto=desporto>
Com as vitórias de Nuno Marques e Bernardo Mota sobre Owen Casey e Stuart
Doyle, respectivamente, Portugal confirmou ontem a vitória por 5-0, sobre
a Irlanda, na primeira eliminatória do grupo euro-africano da Taça Davis.
A selecção nacional de ténis conseguiu assim a sua décima quarta vitória
em eliminatórias desta competição, oito das quais foram alcançadas nos
últimos seis anos. Foi também a sétima vez que Portugal conseguiu vencer
por 5-0, em 48 eliminatórias disputadas desde 1925, ano em que se estreou
na Taça Davis.

<p n=471>
Esta vitória rendeu 800 contos a Nuno Marques e Cunha e Silva, enquanto
os suplentes e o capitão da equipa vão receber 400 contos, o que no caso
de Santos Costa é bastante polémico entre os treinadores portugueses, uma
vez que o capitão é já pago como funcionário da Federação.

<p n=472>
Alex Vieira, bicampeão mundial de resistência em motociclismo e o
«cascadeur» Richard Almet -- português, apesar do nome -- foram as grandes
estrelas que abrilhantaram a 1.ª Festa dos Campeões de Motociclismo,
realizada em Viana do Castelo. Organizada pelos responsáveis do programa
«Motor de Arranque» da Rágio Geice e contando com diversos apoios entre
os quais da Federação Portuguesa de Motociclismo, foi uma grande jornada
de convívio entre a família do motociclismo português.

<p n=473>
O novo edifício da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física
(FCDEF) da Universidade do Porto (UP) deverá começar a ser construído em
Março, depois de feitas as adaptações finais ao projecto, da autoria do
arquitecto portuense Cristiano Moreira. Pensada para servir a cidade, e
não apenas a Academia, é ponto assente que a faculdade não terá uma
piscina de 50 metros.

<p n=474>
O segmento dos pequenos desportivos é um dos mais populares no nosso
país. Um segmento em que o Opel Corsa e o VW Polo têm representantes 
típicos, os GT. Qualquer destas marcas renovou, recentemente, os seus
produtos o que provocou uma natural tendência para a comparação.

<p n=475>
Motor: O motor do Opel Corsa Joy é o mesmo 1.4 de injecção que equipava o
GT. Já na VW há novidades, com a adopção de uma injecção electrónica no
já conhecido motor de 1272cc que permite um ganho de 3cv (a potência é
agora de 78cv) e uma diminuição do consumo. Em relação ao VW, a maior
cilindrada do Opel permite uma utilização mais fácil e menores consumos,
já que tanto a potência como o binário são atingidos a menores regimes.
De facto, o Polo é um carro em que, para se conduzir depressa, é
necessário recorrer a regimes mais altos, o que se reflecte de imediato
nos consumos.

<p n=476>
REAL MADRID GOLEOU O SEVILHA - Resultados da 21ª jornada do campeonato
espanhol: Valência, 2-Barcelona, 2; Burgos, 2-Atlético de Bilbau, 1;
Valladolid, 0-Gijon, 0; Bétis, 0-Atlético de Madrid, 0; Espanhol,
1-Castellon, 0; Real Madrid, 7-Sevilha, 0; Logrones, 1-Saragoça, 1; Real
Sociedad, 0-Cádis, 0.

<p n=477>
Na primeira parte, o Estoril entregou -- deliberadamente?! -- a iniciativa
de jogo ao adversário, optando por explorar a rapidez de João Pires e
Vitinha, que tentavam cruzar a bola para a área. A primeira jogada de
perigo só aconteceu aos 26', mas Tó Luis defendeu um remate de Mário
Jorge após excelente jogada do médio da casa, que fugiu à oposição de
vários adversários e atirou de pé esquerdo, à entrada da área.

<p n=478>
NENO TITULAR EM MALTA ? - A chamada de Neno e a exclusão se Silvino,
ambos guarda-redes do Benfica, é a nota de maior sensação na convocatória
parea o jogo com Malta,  no próximo domingo, a contar para o Grupo «6» de
qualificação para o Europeu de 1992. Artur Jorge chamou os seguintes
jogadores: Neno, Paulo Madeira, Paulo Sousa, Veloso, Vitor Paneira, Rui
Águas (Benfica); Vitor Baía, Domingos, João Pinto, Semedo (FC Porto);
Cadete, Carlos Xavier, Leal, Oceano e Venâncio (Sporting); Nunes
(Setúbal); Nelo (Boavista); Tó-Zé (Beira-Mar), Rui Barros (Mónaco) e
Futre (Atlético de Madrid). A selecção concentrou-se ontem no Hotel
Continental e treinará durante a semana no Jamor.

<p n=479>
Geraldo Dutra Pereira completará 27 anos no dia 24 de Abril. Se os
festejará na sua fazenda de Governador Valadares, rodeado da família que
ele tanto preza e ama ou se soprará as velas no seu partamento da Foz
dependará mais da atitude que Jorge Pinto da Costa, presidente do FC
Porto, vier a tomar nos próximos dias que da conversa que o central
brasileiro certamente vai ter com a sua esposa Márcia.

<p n=480>
Série A -- Salgueiros, 3 - Vianense, 0; Braga, 7 - Areosense, 0; Chaves, 5
- Fafe, 2; Bragança, 2 - FC Porto, 1; Vila Real, 2 - Freamunde, 2;
Leixões, 1 - Vit. Guimarães, 0. Guia: FC Porto, 39 pontos.

<p n=481>
Série D -- Lisboa e Évora, 8 - Despertar, 0; Vit. Setúbal, 0 - Benfica, 0;
Pescadores, 1 - Elvas, 0; Moscavide, 1 - Farense, 1; Barreirense, 4 -
Louletano, 1; Almada, 0 - Olhanense, 2. Guia: Benfica, 39 pontos.

<p n=482>
Escolhida, após ter montado uma campanha impressionante, para acolher a
edição centenária das Olimpíadas, em 1996, Atlanta, no Estado da Geórgia,
EUA, é agora palco de disputas internas pelo controlo dos Jogos.

<p n=483>
Em Setembro, numa reunião efectuada em Tóquio, o COI decidiu seleccionar
Atlanta, em grande parte com base na força da unidade demonstrada pela
cidade e pelo Estado da Geórgia. Antes do voto do COI, porém, já todos os
representantes autárquicos e estaduais da Geórgia haviam aprovado, sem um
único voto contra, legislação favorável à candidatura.

<p n=484>
Próxima jornada (24 de Fevereiro): Valpaços-U. Lamas; Delães-Mirandela;
Lousada-Paredes; Trofense-Felgueiras; Rio Ave-Infesta; Amarante-Leça;
Bragança-Fafe; Vila real-Moreirense; Marco-Esposende; Vizela-Joane.

<p n=485>
O nome de John Bicourt não é estranho à família do atletismo mundial.
Como atleta, foi admirado -- detém ainda a décima melhor marca de todos os
tempos da Grã-Bretanha nos 3000 metros obstáculos (8.22,82), estabelecida
no dia 8 de Junho de 1976, em Estocolmo -- mas certamente nunca foi tão
falado como agora. Não se desligou da modalidade e, hoje, é um dos
«manageres» mais solicitados. Ele é o homem dos quenianos...

<p n=486 assunto=desporto>
A sexta jornada da fase final do «Nacional» de râguebi da I divisão
completou-se ontem com algumas algumas surpresas na série B, com o Loulé
a impôr uma derrota à equipa do Lousã. No jogo mais importante realizado
ontem, o Benfica recebeu e venceu, como aliás se esperava, a Agronomia
por um expressivo 29-12. Sem ter sido um grande jogo de râguebi, os
«encarnados» marcaram os primeiros  10 pontos e adormeceram um pouco,
altura em que os «agrónomos» reagiram. Na segunda parte, o Benfica chegou
facilmente aos 29-12, continuando assim a liderar isolado a
classificação. Na série B, o Belenenses é, de novo, o comandante isolado,
depois de ter vencido  o CRAV por 24-12, e beneficiando do empate do
técnico frente à U. Livre, por 7-7. Surpresa foi a derrota da Lousã, em
casa, frente ao Loulé, por 10-0.

<p n=487 assunto=desporto>
zelo-Candal, 0-0; Vilanovense-Perafita, 3-2; Bougadense-S. Félix, 1-1;
Leverense-Canelas, 2-1; Coimbrões-Serzedo, 1-1; Avintes-Sra. Hora, 1-0;
Grijó-Pedras Rubras, 1-1; Guia: Avintes

<p n=488>
VOLEIBOL Em Itália é um negócio de milhões GERALDÃO A sua família já
recebeu ameaças FUTEBOL Académiva vence no Estoril TÉNIS Portugal à
espera da Holanda

<p n=489>
A estes enormes investimentos correspondem sociedades desportivas
extremamente organizadas. Quase todas têm o seu director desportivo
profissionalizado e, ao lado deste, o adido de imprensa, o secretário e
toda uma equipa de trabalho. A estrutura técnica dos principais clubes,
é, no mínimo, pesada: um treinador principal, dois ou três treinadores
adjuntos, um preparador físico, um estatístico computorizado, dois ou
três observadores de videos e, por último, um médico e um ou dois
fisioterapeutas.

<p n=490>
Doug Beal passa por ser o melhor treinador mundial de voleibol. Americano
de origem, não espanta que esteja neste momento a trabalhar em Itália,
país onde a modalidade está em grande desenvolvimento e sustenta uma
enorme indústria do espectáculo, com muitos investidores e milhões em
jogo.

<p n=491>
Doug Beal -- A primeira razão foi o facto de eu querer ser treinador. Há
cerca de 6 anos que não trabalhava como treinador, mas como coordenador e
director técnico. Por outro lado, penso que a posição de treinador da
Mediolanum é a melhor escolha que poderia ter feito. Aqui tenho todas as
condições que quero, além de que o voleibol em Itália é o de mais alto
nível no mundo e eu queria treinar a este nível. Penso que em Itália o
voleibol é encarado dum modo muito profissional. Por outro lado, a
situação do voleibol no Estados Unidos não é muito boa neste momento.

<p n=492>
Um «cocktail» explosivo de inesperada corrida ao dólar e de uma total
crise de confiança provocou, na semana passada, a demissão do gabinete
económico do Presidente Carlos Saul Menem. O chanceler e «Harvard boy»
Domingo Cavallo veio substituir o ministro da Economia, Erman Gonzalez,
amigo intímo de Menem, que se demitira. O ministro Erman Gonzalez e a sua
equipa apresentaram a demissão após se ter tornado evidente que não
haviam conseguido deter a escalada do dólar -- sinal «emocional» da
instabilidade económica do país.

<p n=493>
A explosão económica é consequência da crise política com que se debate o
Governo desde que o embaixador Terence Todman denunciou casos de
corrupção na administração do Presidente Menem. O «establishment»
económico deu o alarme, convencido de que Menem estava metido na
«centrifugadora que engole com uma velocidade alucinante os políticos na
Argentina», e voltou a converter em dólares os activos que havia passado
a austrais porque as taxas de juro chegaram a atingir os 100 por cento ao
mês.

<p n=494>
O ministro alemão das Finanças, Theo Waigel, afirmou ontem que os
impostos serão aumentados até 1 de Julho de 1991. A necessidade de um
aumento prende-se com os custos vertiginosos da reestruturação da ex-RDA
e com o esforço financeiro decorrente da guerra no Golfo Pérsico. Numa
entrevista à rádio, Waigel considerou «o aumento dos impostos necessário,
devido aos acontecimentos no mundo», numa alusão à mobilização
internacional contra o Iraque, para a qual Bona já disponibilizou cerca
de 10,3 mil milhões de dólares (cerca de 1340 milhões de contos).

<p n=495>
Este ciclo pretende funcionar como um «observatório de `management'
avançado», pondo em contacto os responsáveis empresariais portugueses com
congéneres estrangeiros que podem dar conta das suas experiências de
gestores. A primeira conferência está marcada para 28 de Fevereiro em
Lisboa, com Pierre Le Gorrec, responsável da EDF (Electricité de France).
Estão previstas mais cinco sessões em Lisboa e quatro no Porto e algumas
presenças confirmadas: administradores da Hoechst de França e da
companhia SAS e presidentes da Saint Gobain, da Solac e da Rank Xerox
francesa.

<p n=496>
O volume de prémios de seguros directos ultrapassou no final de 1990 os
290 milhões de contos, o que significa a maior taxa de crescimento dos
últimos anos (31,7 por cento). O ramo vida continuou animado do lado da
procura e da oferta, tendo crescido 51,77 por cento, ou seja, mais oito
por cento que em 89, mas ficando bastante aquém do valor registado em 88
(79,7 por cento). A Império liderou mais uma vez o «ranking» nacional,
com uma produção (não vida, vida e capitalização) de 35,78 milhões de
contos. A Fidelidade, com uma facturação (não vida e vida) de 32,76
milhões de contos, ultrapassou a Mundial, que desceu um lugar no
«ranking» ao apresentar uma facturação (não vida e vida) de 28,748
milhões de contos.

<p n=497>
A exploração deste seguro é considerada o principal factor de degradação
dos resultados técnicos das seguradoras -- em 90 estas perderam sete
milhões de contos. A política de liberalização das taxas em vigor
reflectiu-se ao nível do ramo acidentes e doença, que apresentou um
crescimento de 17,2 por cento.

<p n=498>
O IPE-Investimentos e Participações do Estado deverá concretizar, até ao
final do primeiro trimestre, a diminuição da sua posição na companhia de
seguros Garantia, por troca com a UAP -- afirmou o administrador-delegado
da Garantia-UAP, Celso do Amaral, no primeiro encontro de quadros das
duas companhias, realizado neste fim-de-semana no Porto.

<p n=499>
O grupo Garantia-UAP realizou em 1990 12,8 milhões de contos em prémios e
apresentou 400 mil contos de resultados (mais 20 por cento que no ano
anterior). Para 1991, as previsões apontam um crescimento de 26 por
cento, isto é, um volume de negócios de 16,5 milhões e resultados
superiores a 450 mil contos.

<p n=500>
Os astronautas Mark Lee e Jan Davis serão, no próximo ano, o primeiro
casal a voar em conjunto se a NASA não modificar, entretanto, as suas
equipas. Lee e Davis foram escolhidos há cerca de um ano para uma missão
científica Spacelab, prevista para Setembro de 1992, a bordo da nova nave
Endeavour. No fim deste mês, eles casaram-se, tendo a NASA afirmado que
ia analisar este caso original. A agência espacial norte-americana tem
uma lei não-escrita que evita incluir casais na mesma missão, por razões
de operacionalidade, no entanto, por outro lado, há quem defenda que as
futuras viagens interplanetárias, que poderão durar meses ou anos,
deverão ser efectuadas por casais.

<p n=501>
A descoberta recente de folhas fósseis de faia no glaciar de Beardmore, a
cerca de 400 quilómetros do Pólo Sul, leva os cientistas a crer que a
Antártida era um continente mais quente há cerca de três milhões de anos
e que estava parcialmente coberto de florestas temperadas.

<p n=502>
A indústria farmacêutica ocidental testou os seus produtos durante anos
nos alemães de leste internados nas clínicas da ex-RDA, revela um
inquérito publicado na edição de hoje da revista alemã «Der Spiegel». Em
troca, o governo da RDA recebeu somas substanciais pagas em divisas.
Apenas no ano de 1989, por exemplo, a RDA obteve 11,3 milhões de dólares
através deste comércio. Os medicamentos, alguns dos quais perigosos,
foram testados numa primeira fase em laboratório e em animais, antes de
serem ministrados em doentes alemães-orientais. Estes últimos recebiam
explicações orais muito sumárias sobre as experiências a que iam ser
submetidos. Os contactos com as empresas farmacêuticas -- a maior parte
sediadas na Alemanha Ocidental -- eram estabelecidos pela firma «Berlin
Import-Export», especializada na captação de divisas estrangeiras, que
terá começado o seu negócio em 1984.

<p n=503>
Sete anos depois de o governo japonês ter iniciado o financiamento de
projectos de investigação cooperativos entre 20 empresas industriais, a
Associação de Investigação de Tecnologia Avançada de Robôs (ARTRA)
apresentou em Tóquio o resultado deste trabalho: três robôs que incluem
os mais sofisticados sistemas até agora construídos no mundo, destinados
a efectuar trabalhos de manutenção nas zonas radioactivas das centrais
nucleares, a mergulhar nos mares e a combater incêndios.

<p n=504>
Quando na passada terça-feira, durante a mensagem sobre o estado da
União, o Presidente Bush falou na necessidade de «reorientar» a
Iniciativa de Defesa Estratégica, poucos pensaram que seriam dados já
hoje os pormenores da reconversão do programa. Depois de, nos últimos
anos, o Congresso e o Senado terem cortado sistematicamente as verbas
pedidas pela Administração, fala-se agora de um sucessor para os
Patriot...

<p n=505>
Os principais gastos do novo orçamento da IDE centrar-se-ão no
desenvolvimento de um sucessor para o míssil Patriot, que, durante as
últimas semanas, se tem mostrado extremamente eficiente na intercepção
dos mísseis Scud do Iraque, enviados contra Israel e contra a Arábia
Saudita. Estes resultados atenuaram mesmo as reticências de diversos
senadores que sempre se têm mostrado críticos em relação à Guerra das
Estrelas. Edward Kennedy, um dos democratas que, nos últimos anos, se tem
salientado pela sua oposição aos gastos com a IDE, deixou entender a
semana passada que não se iria opor à atribuição de verbas para a
construção de um sucessor para os Patriot.

<p n=506>
O primeiro gravador de vídeo com programação activada pela voz humana
será comercializado a partir de 1 de Abril, anunciou a empresa japonesa
Matsushita. O novo gravador possui circuitos de reconhecimento da voz que
permitem a programação do aparelho com comandos orais. Por enquanto, o
aparelho apenas é capaz de reconhecer instruções orais em japonês,
custando o sistema completo cerca de 140 mil ienes (140 contos).

<p n=507>
O continente africano é um exemplo bem dramático desta situação. Não
muito longe de Portugal, no Sara Ocidental, a sul de Marrocos,
desenrola-se há mais de uma década um conflito que opõe a Frente
Polisário, apoiada pela Argélia, e o país do rei Hassan II, que ocupou,
em 1975, a antiga colónia espanhola, na célebre «marcha verde». A
proclamação da República Árabe Sarauí Democrática, com o apoio argelino,
é hoje reconhecida por 71 Estados e já foi admitida na Organização de
Unidade Africana (OUA).

<p n=508>
Winnie Mandela deve comparecer hoje num tribunal de Joanesburgo para
responder a quatro acusações de rapto e a outras quatro de assalto e
ferimentos premeditados, que provocaram a morte do activista negro de 14
anos «Stompie» Seipei.

<p n=509>
Os três adolescentes que sobreviveram ao «sequestro»  contaram em
tribunal que  Winnie e os outros sete co-responsáveis lhes infligiram
golpes com armas brancas. Na ocasião, disseram, Winnie terá acusado
«Stompie» de denunciar à polícia militantes do ANC. No entanto, ontem
ainda pairavam dúvidas sobre a viabilidade do julgamento, devido ao
desaparecimento, vai para um mês, de quatro dos sete co-acusados, que
estavam em liberdade sob caução.

<p n=510>
Caso raro entre as comunidades europeias da Arábia Saudita, nem a guerra
convenceu os portugueses a abandonarem o país. No fim das férias, a
maioria tem vindo a regressar. E entre os que ficam, há quem se sinta a
viver uma experiência «brutal e fantástica», mas única.

<p n=511>
Os registos da embaixada de Portugal na Arábia Saudita indicam também a
permanência de António Coelho em Dharan, sede do comando operacional das
frentes sauditas, mas o PÚBLICO apurou junto da empresa francesa onde
trabalha que «de momento se encontra de férias na Europa».

<p n=512>
Metade da vida passou-a este engenheiro químico de 44 anos a trabalhar no
mundo do petróleo. Pioneiro no uso de modelos de planeamento de produção
na indústria petrolífera, as vicissitudes da profissão levaram-no da
velha Sacor a Durban («a cidade da África do Sul onde Fernando Pessoa
estudou») com uma breve passagem por Portugal, antes da aventura saudita.

<p n=513>
«Faço questão que o escreva: a embaixada de Portugal tem sido impecável
no apoio que nos tem dado. Até os seis quilos de equipamento que nos
distribuiu, me servem para `humilhar' os meus colegas ingleses, reduzidos
a uma mísera máscara...» Conta que nunca mais se separou do saco desde a
noite em que as sirenes de alerta o surpreenderam na rua, longe de casa.
«Quem disser que não tem medo, está de certeza a mentir.»

<p n=514>
A Hungria e a Checoslováquia são hoje importantes países-trânsito. Desde
o Verão que se assiste a um curioso fenómeno -- não são apenas pessoas
oriundas dos ex-países comunistas que por aí passam; vêm também, e
muitas, da Turquia, Líbano, Bangladesh, Afeganistão, Somália, etc.
Através da Hungria passam «duas vias», provenientes uma de Ankara e outra
de Istambul, com destino a Viena ou a alguma cidade alemã. Disfarçados de
agências de viagens, turcos com búlgaros, húngaros e polacos descobriram
um filão, inesgotável. As passagens variam de preços, segundo o destino,
vão de 800 a 5 mil dólares (cerca de 670 contos).

<p n=515>
Tornada possível pela nova lei da emigração, nem por isso a operação de
saída da URSS é mais fácil.

<p n=516>
E se, de repente, o pesadelo se tornasse realidade? Se essas hordas de
multidões esfomeadas, vindas lá das estepes russas ou das montanhas dos
Balcãs, invadissem as fronteiras escancaradas pela queda da «cortina de
ferro»?

<p n=517>
A cena passa-se em Berlim, naquela faixa de terreno que outrora separava
o Muro de uma segunda parede de cimento, do lado oriental. Hoje, esta
terra de ninguém foi eleita como «domicílio» por refugiados dos países de
Leste e por alguns «squatters» de Berlim Ocidental.

<p n=518>
Uma parte da linha dura do Partido Comunista Italiano não aceitou a
transformação deste em Partido Democrático da Esquerda (PDS), pelo que
abandonou a sala onde decorria o congresso da mudança. Nem todos
conseguem aguentar os ventos da mudança.

<p n=519>
Quatro minutos de aplausos, o último cantando a Internacional, saudaram o
discurso de Occhetto. Desta vez -- ao contrário do congresso de Bolonha,
no ano passado -- o sucessor de Enrico Berlinguer não chorou. No rosto do
secretário, porém, notavam-se os sinais destes quinze meses de debate.

<p n=520>
Terminou ontem o VI Congresso da Federação Socialista de Madrid (FSM),
com a indicação das candidaturas de Joaquim Leguina e Juan Barranco, aos
cargos de presidente da Comunidade Autónoma e de alcaide da capital
espanhola. A menos de quatro meses das eleições de 26 de Maio, estes
serão os homens nos quais repousa a esperança dos socialistas em travar a
progressiva queda de voto urbano nas suas listas.

<p n=521>
Para contrabalançar a sua saída, Joaquim Leguina fez eleger para a
Comissão Executiva 16 elementos da sua linha, entre os quais os ministros
dos Transportes, José Barrionovo, da Educação, Javier Solana, e da
Administração Territorial, Joaquim Almunia. Leguina conseguiu, também,
que a corrente minoritária Esquerda Socialista elegesse cinco
representantes, mais próximos da sua linha do que da dos «guerristas».
Estes, conseguiram 23 lugares.

<p n=522>
DOIS JORNALISTAS de Belgrado, Slobodan Ducik e Nebojsa Vukovic, de um
jornal sérvio, afirmaram ontem terem sido espancados na Croácia por civis
armados, perante polícias locais que não intervieram. O episódio ocorreu
numa altura em que os croatas acusam as autoridades federais jugoslavas
de tudo fazerem para acabarem com todas as pretensões daquela república à
independência. Anteriormente, o Presidente jugoslavo, Borisav Jovic,
alegara que a Croácia não está a cumprir a sua parte de um acordo que se
estabeleceu no dia 25 de Janeiro, para evitar a guerra civil. E
entretanto o ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Gianni de
Michelis, afirmou que todos os seus colegas da Comunidade Europeia se
devem manifestar contra o uso da força para resolução do caso croata.

<p n=523>
CERCA de 400 antigos espiões dos serviços secretos da Alemanha Oriental
(STASI) encontram-se ainda escondidos no país -- anunciou o
procurador-geral federal, Alexander von Stahl, num artigo ontem publicado
no jornal «Dresde Morgenpost am Sonntag». Segundo ele, os antigos agentes
constituem um perigo, porque «a qualquer momento podem retomar a sua
actividade para outros serviços de espionagem». E pediu a todos os
elementos da STASI já descobertos que denunciem os que falta encontrar.

<p n=524>
A FRENTE Democrática para Recuperação e Desenvolvimento da Guiné-Bissau
(FDRDG) admite propor como candidato à Presidência da República um antigo
dirigente do PAIGC, Rafael Barbosa, de 63 anos, que passou muitos anos na
cadeia por ter sido acusado de colaborar com forças coloniais e
neo-colonialistas.

<p n=525>
Entre os objectivos de tal grupo, que tem células em Lisboa, Porto e
Coimbra, contam-se a abolição da pena de morte, o direito de associação e
a igualdade de tratamento para as diversas formações políticas.

<p n=526>
A Rádio 98 é a nova emissora local do Montijo. Única no País com sistema
completo de HDR (sistema laser digital), começará a emitir no próximo dia
5, ao meio-dia, em 102.8.

<p n=527>
Da programação consta um programa revivalista, dedicado à música dos anos
60, a emitir diariamente, pelas 24h00, e, de segunda a sexta-feira,
haverá um programa musical dedicado à juventude, com os comentários de Zé
Pedro, membro dos Xutos & Pontapés. As noites de sábado, entre as 23h00 e
as 3h00, serão animadas com «directos» de discotecas e bares locais. Por
outro lado, será emitida música latino-americana entre as 20h00 e as
23h00, todos os domingos.

<p n=528>
A Junta de Freguesia de Granja Nova, no distrito de Viseu, esteve
paralisada entre 1986 e 1989 porque o seu presidente, Oscar Lima,
«detinha as chaves do edifício da sede e ausentava-se frequentemente para
parte incerta». A afirmação consta das conclusões de um inquérito
realizado pela Inspecção Geral da Administração do Território (IGAT), o
qual mereceu no passado dia 20 a aprovação do secretário de Estado Nunes
Liberato.
CERCA de 400 antigos espiõe
O relatório refere que foi a falta de meios humanos que levou a que o
inquérito fosse concluído já na vigência do actual mandato autárquico e
sublinha que se a situação tivesse sido oportunamente averiguada
«conduziria, sem qualquer dúvida, à dissolução» da Junta e da Assembleia
de Freguesia.

<p n=529>
Esteve encaixotada anos a fio, andou de um lado para o outro, chegou a
temer-se pela sua sobrevivência. A colecção etnográfica de 1200 peças
recolhida em dezenas de aldeias durante o ano de 1975 por uma centena de
jovens integrados no Serviço Cívico Estudantil vai constituir o núcleo
original do Museu do Trabalho de Setúbal. Nascida do Plano Trabalho e
Cultura, estruturado e dirigido, no âmbito das acções de dinamização
cultural do Verão quente, por Michel Giacometti, a colecção encontra-se
hoje em reserva técnica do novo museu a instalar proximamente, com fundos
comunitários numa antiga fábrica de conservas das Fontainhas, na cidade
sadina.

<p n=530>
Depois de andarem em bolandas, sujeitas a múltiplas depredações,
incompatíveis com o seu extremo valor documental, as peças passaram a
constituir o espólio inicial do Museu do Trabalho de Setúbal, criado em
1987. Com o seu património em enriquecimento, o Museu irá agora
instalar-se, segundo projecto a financiar pela Comunidade Europeia, na
antiga Fábrica Perienes, unidade conserveira que cessou a sua actividade
em 1971 na zona das Fontainhas, em Setúbal.

<p n=531>
Oito skinheads espancaram com tacos de basebol um cidadão de raça negra
que anteontem à noite se encontrava no Café Túnel, na Rua da Conceição,
causando-lhe ferimentos no couro cabeludo, lábios, mãos e num olho. A
vítima entrou pouco depois no Hospital Santo António para receber
tratamento, saiu às 3h15 e voltou a entrar às 3h40, encontrando-se em
estado de choque e com medo de sair.

<p n=532>
Era uma vez Trás-os-Montes. De Bragança a Miranda, passando pelo Douro do
tamanho do corpo e da alma.

<p n=533>
«Tá lá? Estão a ouvir? Posso entrar? Está bem, eu entro.» É assim na
«reunião diária dos TLP». São números alterados que dão para conversar
animadamente com gente de todo o lado. Pegue no telefone e disque o
número. Completamente de borla, o país inteiro por um fio. «Tá lá?»

<p n=534>
Não desligue mesmo e tente abstrair-se da voz gravada. Ouve mais alguma
coisa? Muitas vozes e conversas cruzadas, longínquas. Alguém já disse que
parecem «almas penadas». Mas não se intimide com esta primeira
aproximação. Tente perceber a conversa e entrar nela: «Está lá? Posso
entrar?» A resposta, se a conversa não estiver demasiado animada, será um
coro de vozes a gritar: «Entra!» Entre, mas não pense que pode manter o
anonimato, porque vão perguntar-lhe de rompante: «Quem és tu?» Invente um
pseudónimo, fácil de dizer, porque vai ter de gritar também para que os
ocupantes da linha o percebam.

<p n=535>
O processo de concessão e a localização de uma sala de bingo no concelho
de Vila Franca de Xira agitaram a última assembleia geral,  da União
Desportiva Vilafranquense, efectuada na passada sexta-feira. A
expectativa, nesta assembleia, quanto à possibilidade de aparecer uma
lista candidata à direcção gorou-se,  continuando a colectividade
administrada por uma comissão de gestão, em funções há dois meses..

<p n=536>
«É um processo pouco claro, que procuraremos perceber na próxima semana,
através de contactos que vamos entabular com a Secretaria de Estado do
Turismo e a Inspecção-Geral de Jogos. Esperamos estar ainda a tempo de
que seja feita justiça à cidade de Vila Franca e que não se introduza,
nesta pequena guerrilha entre cidades do mesmo concelho, um novo grão de
areia que é dificilmente aceitável e que pode provocar estados de
espírito menos agradáveis», afirma José Neves.

<p n=537>
Aníbal Lima, violino, Paulo Gait Lima, violoncelo, e António Rosado,
piano, interpretam o op.97, si bemol («Arquiduque»), de Beethoven, no
âmbito do programa «Música em Diálogo no S. Luiz -- Ciclo Beethoven», às
18h30 no Teatro S. Luiz.

<p n=538>
Exposição colectiva de pintura em homenagem a João Barata, na Galeria da
Livraria Barata, Avenida de Roma, 11-A. A mostra inclui obras de
Cristina Ataíde, Gracinda Candeias, José Catrola, Sa Mate, Manuela de
Sena, Shikani, Maria Jenzani, entre muitos outros.

<p n=539>
A Câmara da capital analisa hoje em sessão extraordinária o orçamento e
plano da Epul (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa) que em 1990
obteve, finalmente, lucros: 200 mil contos, contra prejuízos de 400 mil e
800 mil nos dois anos anteriores.

<p n=540>
Projectos de reabilitação urbana, nomeadamente em Alfama e Bairro Alto,
estão na mira da empresa, bem como a cooperação com países africanos de
expressão oficial portuguesa, como é o caso da Guiná-Bissau.

<p n=541>
Três reclusos do Estabalecimento Prisional de Leiria evadiram-se sábado,
e assaltaram durante a noite uma habitação da freguesia de Maceira de
onde furtaram ouro, vestuário e dinheiro.

<p n=542>
Dois anos depois de a Associação dos Arquitectos ter começado a agitar a
questão da necessária reabilitação da zona ribeirinha de Lisboa, com a
realização de um concurso e de um programa para a RTP que tiveram larga
repercussão, começamos hoje a ter sinais de esperança em resultados
concretos.

<p n=543>
Na pintura de Manuela Alegre existe, de modo implícito, uma dimensão que
poucas vezes se convoca: a dimensão temporal.

<p n=544>
Um ano depois de o executivo municipal ter anunciado que ia convidar
Álvaro Siza a retomar o projecto da Avenida da Ponte, o arquitecto ainda
não foi contactado, o CRUARB continua a estudar o assunto e a Câmara não
tem soluções à vista. É uma longa história, que começou ainda a avenida
não tinha sido construída.

<p n=545>
Em 1938 Alfred Hitchcock era já o mais famoso realizador da Inglaterra,
em particular graças aos êxitos de «Os 39 Degraus» e «O Homem que Sabia
Demasiado». Como aconteceu a muitos outros realizadores europeus, neste
período em que as sombras da guerra pairavam sobre a Europa e a América
disputava a peso de ouro os talentos estrangeiros, Hitchcock foi
contratado por Selznick para Hollywood. Antes da partida, deixaria como
presente de despedida ao cinema inglês duas obras-primas: «Desaparecida!»
e «A Pousada da Jamaica». O primeiro irá juntar-se aos dois já referidos
como as suas obras maiores do período britânico, todas tendo por tema a
espionagem e a tensão que se vivia na Europa de então. «Desaparecida!»
reflecte a luta subterrânea entre os serviços secretos britânicos e a
Gestapo, utilizando todos os ingredientes do género de forma insuperável,
e explorando um tema e um lugar que no campo do mistério e do «suspense»
são verdadeiros arquétipos: a mulher misteriosa que desaparece, apenas
conhecida por uma pessoa, e que deixa dúvidas nas restantes quanto à sua
existência real. Ao tema da «conspiração de silêncio» (organizada pelos
agentes nazis) junta-se o lugar por excelência do «suspense»: o comboio,
com o espaço fechado e em movimento que não deixa hipóteses de fuga a
qualquer dos participantes. Assim tem início um jogo de escondidas e de
cabra-cega, a que Hitchcock empresta o seu humor característico e a
capacidade inigualável que tinha para surpreender. Com um elenco fabuloso
onde se destaca Paul Lukas no papel de agente nazi e Dame May Whitty no
de mulher desaparecida.

<p n=546>
«Isto é um país de bastardos. Está completamente abastardado o sentimento
patriótico. Os homens não sabem o significado de uma bandeira, não sabem
o significado de coisa nenhuma.. Qualquer dia esquecem o significado da
Cruz»

<p n=547>
O chefe de Gabinete do ministro do Ambiente enviou-nos um esclarecimento
a propósito da notícia «Motoristas em Paris», publicada na nossa edição
de 30 de Janeiro. Pela dimensão de tal esclarecimento ultrapassar em
muito a dimensão da notícia, aqui apresentamos um resumo dos seus
principais pontos.

<p n=548>
«Em resumo, a opção de fazer deslocar uma viatura oficial a Paris
permitiu poupar uns milhares de contos ao dinheiro dos contribuintes,
entre transporte da delegação nacional, nas condições de segurança
prescritas pelo Secretariado da OCDE (acreditação prévia de motorista e
viatura) e frete de mercadorias para distribuição aos participantes».

<p n=549>
«A defesa do ambiente começa nas autarquias», afirmou, recentemente, o
engenheiro Macário Correia. Gente de muita responsabilidade engrena
entusiasticamente nesta apologia, que tem fundamento no tão badalado
poder local. Contudo, na prática, a realidade é bem diferente. O poder
local mal exercido surge-nos nefasto, sobretudo, em relação ao meio
ambiente.

<p n=550>
Como se vê, esta prática, que é um atentado contra o meio ambiente, vem
pôr em questão o tão apregoado poder local. Poderá acontecer que noutras
regiões do país ele venha a ser exercido com equidade; porém, na minha
região, onde se opera um intenso e desordenado desenvolvimento
urbano-industrial, a realidade é outra.

<p n=551>
Foram anunciados aumentos das pensões dos reformados da Função Pública
até 40 por cento, com a finalidade da sua recuperação face aos
vencimentos do activo. A Portaria 54/91 desmente, sem margem para
dúvidas, as promessas feitas, sendo um balde de água fria sobre as
esperanças alimentadas...

<p n=552>
A Administração Pública mentiu-lhes e, ainda por cima, penaliza-os com a
injusta alteração do código do IRS, que a partir de agora lhes vai
aplicar...

<p n=553>
Quero felicitá-los, pela qualidade dos artigos de opinião e/ou
comentários sobre a Guerra do Golfo, que tenho tido o prazer (!!) de ler
no PÚBLICO. Salvo dois artigos acerca do mesmo assunto que num dado
sábado pude ler no «Expresso», e isto antes dos ditos Aliados terem
avançado, apenas no vosso jornal encontrei (finalmente) uma leitura
lúcida dos acontecimentos. Congratulo-me. Não tanto por mim própria, mas
pelo público em geral, que, creio, necessita de ser alertado para o que
de facto se está a passar, ou melhor, se tem vindo a passar, naquela
região do mundo.

<p n=554 assunto=desporto>
Pouco importa que essas «acções policiais» sejam conduzidas por um
polícia -- os EUA -- que também viola o direito internacional, aliás com
uma inquietante regularidade, que o proclamado fim do «mundo bipolar»
poderá não tornar menos frequente no futuro; ou que o «polícia» actue em
todas estas questões apenas quando quer e mais em benefício próprio do
que da legalidade que diz defender. Pouco importa também que esteja por
provar que outras formas não militares de intervenção pudessem vir a dar
frutos; ou que tantos outros povos, vítimas da «legalidade internacional»
violada, não tenham esperança de ver algum dia os actuais polícias
mexerem uma palha diplomática -- quanto mais militar -- a seu favor. Mas
deixemos de lado a questão do Golfo, embora apeteça lembrar que mesmo
vozes como a de Frank C. Carlucci afirmam que a guerra, provavelmente,
criará mais problemas do que resolverá («International Herald Tribune»,
4-12-1990, citado por «Le Monde Diplomatique», Janeiro de 1991), o que
talvez devesse servir para apelar para um pouco menos de ligeireza e
superficialidade.

<p n=555>
A área continental do nosso país possui uma longa e bela faixa litoral
cuja largura, como é normal, é apenas de poucas centenas de metros, o que
a torna particularmente vulnerável à acção humana. Esta faixa corresponde
a ecossistemas complexos e dinâmicos, mas frágeis e cuja fauna, flora e
paisagem só aí existem. A sua importância científica é, portanto, enorme,
o que é bem traduzido pelas várias dezenas de sítios classificados aí
demarcados (biótopos Corine), normalmente contendo espécies únicas ou
raras ou associações biológicas particularmente bem desenvolvidas, cuja
salvaguarda foi considerada importante a nível europeu.

<p n=556>
Em quase todos esses locais verificaram-se impactes muito negativos, com
a aceleração da erosão costeira, como o comprovam estudos científicos
recentemente publicados e os efeitos dos últimos temporais (veja-se o
artigo de J. Dias em «Geonovas», nº. 11, 1990, que faz uma excelente
síntese da situação).

<p n=557>
1. A propósito de uma das minhas últimas crónicas, escreveu um leitor em
carta divulgada nas colunas do PÚBLICO (27/1/91): «[Prado Coelho] tem
dificuldade em perceber o raciocínio simples de quem, sendo contra a
guerra, é a favor da paz, sem pensar se há boas ou más mortes num campo
de batalha, melhores ou piores causas para anunciar a perda de vidas e o
fim do diálogo.»

<p n=558>
Mas a verdade é que também, em determinadas circunstâncias, a única forma
de obter a paz é fazer a guerra. E não o fazer é deixar que a guerra
continue, ou permitir que ela venha a ocorrer em circunstâncias ainda
mais destruidoras. Pensar que a única forma de garantir a paz é não fazer
a guerra só teria sentido se à partida eu tivesse a certeza de que todos
iriam agir segundo este princípio. Mas, se há um que o não respeita, se
há um que pensa que a guerra, a expansão, a anexação, a destruição dos
outros, são um valor, e ainda por cima um valor sagrado, que poderei eu
fazer para assegurar a paz?

<p n=559>
O general Ramalho Eanes festejou no sábado, num jantar com amigos e
antigos e actuais colaboradores, que decorreu na confortável messe dos
oficiais da Força Aérea, em Monsanto, o seu 56º aniversário, cumprido no
passado dia 25 de Janeiro. Outrora ocasião para juntar todos os fiéis do
chamado «eanismo», desta vez foi notória a ausência entre a meia centena
de convidados de qualquer dos actuais dirigentes do PRD, como que a
confirmar o afastamento entre o inicial inspirador e o aparelho
partidário depois de Eanes ter abandonado a liderança do partido. Mas o
jantar de anos provou que não desapareceram todos os fiéis, com destaque
para Lencastre Bernardo, desde há muito um dos «braços direitos» de
Ramalho Eanes, primeiro em Belém, depois como secretário-geral do PRD,
que abandonou com o general, e que é hoje militante do PSD. Outros
colaboradores do ex-Presidente da República, como Vítor Alves, Joaquim
Letria e António Ramos não quiseram também deixar de marcar presença. Com
o «visual» alterado -- um problema de pele impede-o de se barbear --,
Ramalho Eanes, em torno de muitas conversas, de um peixe com gambas e de
um Cabrito à Padeira, conviveu por algumas horas com os seus amigos, em
tom marcadamente apolítico. Momentos antes do início do jantar, durante
os aperitivos, o organista de serviço entretinha os convidados ao som de
«Yesterday», de Lennon e Mcartney.

<p n=560>
A JSD-Açores reconheceu ontem ser «inegável que as relações entre os
Governos Regional e da República têm conhecido ultimamente uma melhoria
significativa». Em conferência de imprensa para anunciar a realização do
seu VI Congresso, a JSD- Açores considerou ainda que o PSD nacional tem
de assumir «o papel liderante que sempre desempenhou» quanto às
autonomias. Os jovens sociais-democratas aproveitaram para manifestar o
apoio à posição do Governo «quanto ao não envio de tropas» para a guerra
no Golfo.

<p n=561>
«PS sozinho» é a solução preconizada para um futuro Governo, mesmo que os
socialistas não alcancem a maioria absoluta nas próximas legislativas.
Essa e o lançamento da ideia da maioridade aos 16 anos são as novidades
com origem na JS.

<p n=562>
A questão da participação da JS nas listas eleitorais do PS nas próximas
legislativas não foi abordada nos quatro dias de encontros dos jovens
socialistas. Como o PÚBLICO adiantava na passada sexta-feira, a JS, sem
fixar quotas da sua participação, aguarda que a iniciativa corresponda ao
partido e aos dirigentes que ficarem encarregues da preparação das
listas, que deverão ser hoje indigitados, na habitual reunião das
segundas-feiras do Secretariado Nacional do PS. Uma primeira avaliação
desta situação virá a ser feita apenas durante uma reunião da Comissão
Nacional da JS, em Março.

<p n=563 assunto=desporto>
Série 1: Vilanovense-Bougadense, 3-1; Arcozelo-Leverense, 2-2;
Aguçadoura-Coimbrões, 2-2; Foz-Avintes, 0-0; D. Portugal-Pedras Rubras,
3-3; Perosinho-Srª Hora, 1-2; Candal-Serzedo, 4-1; Perafita-Canelas,
0-1(int. 55 min.); S. Félix-Grijó, 2-0; Guia: Coimbrões

<p n=564 assunto=desporto>
Série 2: Algés-União Torre, 1-1; Vitória-Operário, 0-1;
Linda-A-Velha-Tires, 1-0; Boavista-Unidos, 1-1; Damaiense-Massamá, 3-0;
Cacém-Olivais, 3-1; Palmense-Cruz Vermelha, 4-1; Casa Pia-Fontainhas,
1-1; Guia: Cacém

<p n=565>
A habitação e as carências do sector foram uma vez mais escalpelizadas
num debate, desta vez promovido pelo  gabinete de estudos do PS, que
sábado em Lisboa tentou ir além da convergência quanto à necessidade de
declará-la uma prioridade nacional. Os aspectos negativos todos sabem
quais são, mas que soluções adoptar? E até onde deve ir a intervenção do
Estado?

<p n=566>
«Não podemos estar satisfeitos quando um quinto da população não tem uma
casa decente e, para resolver isto, não basta apenas um Plano Nacional de
Habitação. Porque não é só de mais casas que precisamos, mas de casas
melhores, em que se possam preservar os valores que com elas têm a ver,
como o acolhimento, a hospitalidade, ou a privacidade».

<p n=567>
As rádios de inspiração cristã vão criar uma associação que terá como
objectivo apoiá-las e representá-las, foi decidido no final do seu
primeiro encontro de reflexão. Aí também foi constituido  um secretariado
permanente que deverá elaborar os estatutos da associação, a aprovar em
assembleia já convocada para 1 de Maio.

<p n=568>
Uma pequena maré negra formou-se na costa norte de Espanha, perto de
Gijon, após um acidente ocorrido na sexta-feira de manhã num forno do
complexo siderúrgico da Ensidesa. 70 toneladas de petróleo foram
derramadas num rio costeiro, tendo-se formado uma mancha de três
quilómetros de extensão por 500 metros de largo. Esta mancha dirigiu-se
para o alto mar, estando a ser combatida por equipas de especialistas.

<p n=569>
O acidente de sexta- feira entre dois aviões norte-americanos no
aeorporto internacional de Los Angeles, com 13 mortos já registados e 20
desaparecidos, resultou de um erro do controlo aéreo. Segundo o
Departamento Nacional de Segurança dos Transportes, o pequeno avião-táxi
foi autorizado a entrar numa pista na qual o Boeing 737 da USAir se
preparava para aterrar. O Boeing colidiu no solo com a traseira do avião
da companhia SkyWest, que se preparava para levantar voo, às 18h07 locais
(2h07 de sábado, em Lisboa). Às 18h00, 4 minutos e 45 segundos, um
controlador aéreo fez dirigir o avião-táxi para a pista 24 esquerda do
aeroporto e, três segundos depois, o piloto do avião informou que já aí
se encontrava, explicou o porta-voz do Departamento. Quando já pedira por
duas vezes a autorização para aterrar, o Boeing recebeu luz verde para a
pista 24 às 18h00, 5 minutos e 56 segundos. Ao mesmo tempo que se ocupava
destes dois aviões, o mesmo controlador tentava solucionar os problemas
de um terceiro aparelho, da companhia Aeromexico.

<p n=570>
Duas pessoas morreram de frio e o estado de emergência foi declarado
ontem em várias povoações da Grécia bloqueadas pela neve. No Norte, a
temperatura atingiu 21 graus negativos. A estrada entre Atenas a
Salónica, na Macedónia, ficou bloqueada, imobilizando centenas de
viaturas. As autoridades portuárias do Pireu e de Rafina, situadas perto
de Atenas, e de Rio, no Oeste da Grécia, proibiram a saída dos barcos em
virtude da tempestade que assolava o Mar Egeu e o Mar Jónico. Os serviços
meteorológicos gregos informaram que a vaga de frio poderia acalmar a
partir de hoje.

<p n=571>
Por meia dúzia de buracos escavados nas ruínas de Torre de Palma, em
Monforte, um cidadão setubalense corre o risco de passar os próximos três
anos na prisão e pagar uma multa de até 200 dias. Este poderá ser o
desfecho do primeiro julgamento em Portugal de um caso envolvendo a
espoliação do património arqueológico por indivíduos utilizando
detectores de metais.

<p n=572>
O arqueólogo António Carlos Silva, chefe do Serviço Regional de
Arqueologia da Zona Sul, declarou à juíza ter constatado a existência dos
buracos, «de vários tamanhos e por toda a parte», três dias depois de
João Garção tê-lo comunicado do sucedido. «O que mais me chocou foi a
destruição do piso das termas», disse. Extrapolando o seu testemunho para
uma explicação detalhada sobre o sítio da Torre de Palma, António Silva
assegurou que a sinalização era suficiente para identificar o local. «Não
há qualquer hipótese de confusão».

<p n=573>
O terramoto que abalou o Paquistão e o Afeganistão na sexta-feira passada
destruiu aldeias inteiras, deixando um saldo de vítimas que pode
ultrapassar os 400 mortos. Desconsolados, os pobres habitantes das
montanha perguntam-se: «O que podemos fazer?»

<p n=574>
Dois dias após o sismo, de 6,8 graus na escala de Richter e que afectou
também grande parte do Afeganistão, as equipas de socorro continuavam a
enfrentar dificuldades para chegar às zonas atingidas, isoladas devido a
quedas de neve intensas. Medicamentos e outros produtos essenciais têm
sido transportados em helicópteros das forças armadas para as regiões
mais remotas, nos distritos de Swat, Dir e Chitral.

<p n=575>
727,7 mil contos foi o montante aplicado pela Seda, empresa italiana que,
na semana passada, concretizou uma Oferta Pública de Aquisição de 77,5
por cento das acções da Novembal e cerca de 94,7 por cento das obrigações
convertíveis emitidas pela empresa portuguesa fabricante de embalagens. O
preço por acção foi ou obrigação convertível foi de 1700 escudos mas os
investidores italianos não conseguiram atingir totalmente os seus
objectivos. A oferta italiana incluía a aquisição da totalidade do
capital, consituido por 300 mil acções com o valor nominal de mil
escudos, e 200 mil títulos convertíveis, o que não veio a verificar-se.
Dada a concentração do capital na posse de um único accionista, a empresa
não deverá regressar à cotação em Bolsa.

<p n=576>
As semanas sucedem-se, mas a instabilidade que marca o comportamento dos
mercados permanece. As bolsas sobem e descem ao sabor dos acontecimentos
no Golfo, mas a habituação à guerra, faz com que as preocupações se
desviem lentamente para outros factores. Sucedeu na semana passada,
quando diversas bolsas europeias reagiram em baixa, interrompendo um
período de subida das cotações, ao facto de as taxas de referência na
Alemanha terem subido meio ponto.

<p n=577>
Londres terminou as cinco sessões com saldo positivo. Mas também nesta
bolsa, o final da semana não correu da melhor forma, depois de um período
de recuperação das cotações e de crescimento acentuado das transacções.
Durante as sessões de quarta e quinta -feira, os bancos foram dos títulos
mais beneficiados com a subida. Mas na quinta-feira, há a destacar o
facto de terem sido colocadas no mercado cerca de cem milhões de acções
do grupo Ranks Hovis McDougall, o que «inflacionou» o volume de negócios
na bolsa. Nesta sessão, foi igualmente decisivo para o arrefecimento da
subida, o conhecimento da decisão alemão em aumentar as taxas de juro em
meio ponto percentual. Na sexta-feira, o mercado londrino recuou, embora
ligeiramente, não chegando assim a estragar a «performance» conseguida na
semana.

<p n=578>
Apesar de um saldo positivo ao longo da semana, poder deixar alguma
esperança junto dos investidores parisienses, a verdade é que Paris não
escapou à tendência geral dos mercados financeiros de inciarem a semana
de forma positiva, para perderem o fôlego na recta final. A bolsa
parisiense esteve no entanto numa actividade quase febril durante
diversas sessões. O volume de transacções cresceu sobretudo nas duas
últimas sessões da semana, precisamente numa altura em que o mercado se
encontrava em baixa. Na quinta-feira, os operadores atribuíram a queda
das cotações ao facto de o banco central alemão (Bundesbank) ter decidido
nesse dia o aumento das principais taxas de referência alemãs em 0,5 por
cento. Receando o contágio às taxas de juro em França, os operadores
lançaram-se na venda, primeiro dos títulos de segundo plano, e depois
deixando que esse movimento atingísse as «blue.chips».

<p n=579>
As primeiras três sessões da semana em Tóquio, foram positivas. A baixa
das cotações foi o motivo porque diversos investidores decidiram entrar
no mercado, fazendo o índice recuperar. Mas a instabilidade geral que tem
condicionado também a evolução da Bolsa nipónica, não permite a
concretização de estratégias de médio prazo. A aposta dos investidores
mais especulativos, em comprarem para realizar mais-valias saindo
novamente do mercado no mais curto espaço de tempo, acabou por levar o
índice Nikkei a baixar na ponta final da semana. No meio de tanta
agitação, torna-se complexo atribuir a um só factor, aquele
comportamento. Mas alguns analistas da Bolsa de Tóquio referiam que a
escalada de violência na União Soviética, e o enfraquecimento da
liderança de Gorbatchov em favro do poder militar, era mais uma razão
para que os investidores não andem tranquilos.

<p n=580>
Para quem quiser iniciar uma actividade económica em Angola, o
fundamental será procurar estabelecer logo um plano para aquilo que em
Luanda se chama «montar um esquema». Numa economia em que nada funciona
dentro das leis de mercado, em que para o consumidor nada existe, mas em
que tudo aparece desde que se esteja disposto a pagar, o esquema é o
instrumento indispensável para qualquer empresário, estrangeiro ou
nacional. Mais não é, afinal, que uma rede de influências, que, mesmo que
seja extremamente complexa, permite ultrapassar dificuldades, ter
conhecimento dos concursos públicos, apressar burocracias ou tão
simplesmente arranjar transportes numa cidade em que eles praticamente
são indisponíveis.

<p n=581>
Antes da adesão à Comunidade Económica Europeia, «quando falava nas
potencialidades do mercado espanhol para os empresários portugueses só a
minha mãe me ouvia», refere António Liz Dias, responsável pelo escritório
de representação do Banco de Fomento e Exterior em Madrid e ex-delegado
do ICEP na capital espanhola, sublinnhando desta forma aquilo que na sua
opinião tem constituído o alheamento dos investidores portugueses em
relação ao mercado vizinho.

<p n=582>
Os diversos agentes contactados pelo PÚBLICO são unânimes na explicação:
é que «para a dimensão da economia espanhola, Portugal representa apenas
mais uma região, sendo apenas necessário às empresas espanholas
procederem a um acréscimo de produção na ordem dos dez por cento para
cobrir o mercado lusitano». Para uma empresa portuguesa, «a implantação
em todo o mercado espanhol representa um esforço digno de Hércules»,
frisam representantes de empresas portuguesas em Espanha.

<p n=583>
Entrar no mercado espanhol não é fácil. Os empresários queixam-se de
proteccionismo. Contudo, os projectos de empresas portuguesas em Espanha
vão avançando. O ritmo é ainda lento, mas até Julho do ano passado já se
tinham investido no país vizinho cerca de 4,2 milhões de contos, contra
três milhões em todo o ano anterior. E já lá estão mais de cem empresas.

<p n=584>
O BFE foi o primeiro a abrir uma sucursal em Madrid: foi em Março de
1990. Antes disso, já aí tinha um escritório de representação desde 1987.
A par da sucursal, esta instituição mantém o escritório de representação
(dirigido por António Liz Dias, ex-delegado do ICEP na capital espanhola)
-- opção que se justifica pela necessidade de complementar a actividade da
sucursal.

<p n=585>
«El-Rei, sorridente, tinha na mão um auscultador branco com as armas
reais pintadas a cores. Um fio ligado à ponta mais delgada saía por uma
janela. El-Rei falava pelo mesmo bocal que, em seguida, punha na orelha
para ouvir as respostas de Frederico Oom, que estava na Tapada com outro
auscultador ligado à extremidade do fio.» Descrita por Tomás de Mello
Breyner, a cena histórica, decorrida em 1877, teve como intervenientes
ilustres o rei D. Luís I e o director do Observatório da Ajuda. O
protagonista foi, contudo, aquele «auscultador branco com as armas
reais».

<p n=586>
Hoje, ninguém se lembraria de comemorar a recepção do seu novo telefone
(com fios, sem fios, com disco ou com teclas) com uma ligação directa a
uma sala de ópera, mas foi assim que os lisboetas decidiram assinalar a
efeméride. O concerto foi transmitido a partir da sala de experiências da
Rua do Alecrim para os escritórios da Edison Gower Bell, na Rua da
Trindade.

<p n=587>
Chegaram, viram e compraram. Do total investido por capitais espanhóis em
Portugal no ano passado, segundo os dados disponíveis, cerca de 44 por
cento foi utilizado na aquisição de empresas portuguesas. Na àrea
financeira, as operações têm dado mais nas vistas, mas o ataque espanhol
não se fica por aqui.

<p n=588>
Os dois casos mais conhecidos de investimentos espanhóis na indústria no
Norte de Portugal são o da Ebro na Vasco da Gama e o de Ruiz Thiery na
Camac. No caso da conserveira, a entrada no capital social data de
Dezembro de 1988 e, lembre-se, trata-se de uma sociedade ligada à
«holding» espanhola dominada pelo grupo KIO (Kuwait Investment Office), a
Torras Hostench. Quanto à fabricante de pneus, ex-Fapobol, foi um
investimento directo e pessoal do empresário espanhol.

<p n=589>
As despesas realizadas no estrangeiro são dedutíveis em termos de IRS,
desde que devidamente documentadas, segundo circular acabada de publicar
pelo Seviço de Administração dos Impostos sobre o Sendimento (SAIR). As
despesas serão consideradas como plenamente documentadas desde que os
documentos sejam passados de acordo com a lei local e, nos termos do art.
540 do Código do Processo Civil, autenticadas por um agente consular ou
diplomático português.

<p n=590>
O novo Código do Processo Tributário foi aprovado pelo Conselho de
Ministros. Fica assim completada a publicação dos códigos da reforma
fiscal. O novo diploma reformula o velho Código do Processo das
Contribuições e Impostos, com um grande número de mudanças e a manutenção
de tudo o que podia ser mantido.

<p n=591>
Definitivamente, esta guerra parece nada ter a ver com as anteriores.
Quando se esperava que o prolongamento do conflito viesse agravar o clima
dos negócios, a bolsa tem-se aguentado e os preços do ouro e do petróleo
mantêm-se estáveis. No outro dia, ao tropeçar com uns números numa
notícia sobre a guerra, julguei mesmo tratar-se de uma reafirmação das
previsões optimistas quanto à economia portuguesa. Mas não. Os dez por
cento da notícia eram apenas uma previsão dos aliados quanto ao seu
número de mortos no conflito.

<p n=592>
Também não foi a defesa dos interesses das suas companhias petrolíferas
que provocou a radicalização e intransigência dos Estados Unidos. De
petróleo estão eles cheios. Logo que o conflito se iniciou, inundaram
mesmo o mercado com as suas reservas. Nem sequer se pode dizer que a
atracção dos turcos para o conflito tenha a ver com pretensões de
anexação da zona petrolífera do Norte do Iraque.

<p n=593>
O investimento está a abrandar. Um inquérito realizado pelo Instituto
Nacional de Estatística refere que o indicador terá crescido 21 por cento
no ano passado, prevendo um aumento de 18 por cento este ano. Taxas de
juro elevadas e retracção nas vendas das empresas são os principais
motivos para esta evolução.

<p n=594>
O que faz retrair as empresas? Os cerca de 44 por cento de firmas 
inquiridas que afirmam haver obstáculos à realização do seu investimento
apontam, em primeiro lugar, o seu dedo acusador para o nível actual das
taxas de juro. Na indústria, a percentagem das empresas com limitações ao
investimento sobe para 50, e mais de 60 por cento assinalam o nível das
taxas de juro como uma das principais limitações. Se tivermos em conta
que perto de um terço do investimento é financiado através do recurso ao
crédito bancário, compreenderemos melhor o sentimento dos empresários
acerca do actual preço do dinheiro. A deterioração das perspectivas de
vendas surge, logo de seguida, como a restrição mais importante ao
investimento empresarial.

<p n=595>
MENOS INFLAÇÃO PARA O BANCO DE PORTUGAL -- Melhoria das perspectivas de
controlo da inflação, devido ao abrandamento da procura interna --
sobreaquecida nos últimos meses, segundo o Banco de Portugal (BP) -- e a
uma expansão da oferta, é uma das conclusões da síntese de conjuntura do
banco central relativa a Janeiro e que foi divulgada na semana passada.
Os analistas do Banco de Portugal referem que, no entanto, o consumo se
mantém ainda elevado, apesar de o seu índice ter baixado para 4,8 por
cento no final do ano passado, o que representa um decréscimo de 0,2 por
cento relativamente ao comportamento evidenciado durante os primeiros dez
meses de 1990. Quanto à balança de transacções correntes, o BP refere que
no período de Janeiro a Outubro do ano passado registava um défice de 171
milhões de dólares (cerca de 22,5 milhões de contos), contra um excedente
de 139 milhões de dólares em igual período do ano anterior.

<p n=596>
SADO INTERNACIONAL COBIÇADA POR SUÍÇOS -- Fiducior é a desginação da
empresa suíça que está a negociar a compra da Sado Internacional. O
processo poderá tomar dois caminhos: ou a empresa de Setúbal é adquirida
directamente ao Tribunal das Contribuições e Impostos, onde decorre o
litígio acerca das dívidas de 2,2 milhões de contos da Sado à Segurança
Social, ou, em alternativa, os investidores suíços poderão esperar pela
realização de um novo leilão dos bens imóveis da firma, beneficiando
nessa altura de um redução do preço-base de licitação. As finanças de
Setúbal tinham marcado para a semana passada a venda judicial dos bens da
empresa, com um valor base de 2,23 milhões de contos, mas não chegou a
ser apresentada qualquer oferta. Aquele valor é considerado atraente
pelos suíços da Fiducior, já que se situa a um nível mais baixo do que
seria exigido para a montagem de uma fábrica nova -- projecto que estava
inicialmente nas intenções dos investidores estrangeiros. A Sado
Internacional, que se dedica à fabricação de faianças e porcelanas,
fechou as portas no ano passado, depois de, alguns meses antes, ter sido
adquirida por um empresário francês, Jean Paul Gerber. Este chegou a
acrodo com a os bancos Pinto & Sotto Mayor e Fonsecas & Burnay com vista
ao saneamento financeiro da empresa, mas acabou por acusar as
instituições de terem afirmado que o passivo era de 3,3 milhões de
contos, quando, segundo o empresário, a Sado Internacional tinha dívidas
em redor dos sete milhões de contos.

<p n=597>
649 milhões de contos é o valor actual dos depósitos a prazo constituídos
pelos bancos junto do Banco de Portugal (BP), noticiava na semana passada
o «Diário Económico». Segundo a publicação, aquele montante corresponde a
uma nova descida do total de fundos confiados ao BP pelo sistema
bancário, que é considerada normal devido ao facto de, no início de
Janeiro, o banco central ter decidido a suspensão da possibilidade de as
instituições efectuaram depósitos junto do BP. O matutino lisboeta
acrescentou que 646 milhões de contos se referem a depósitos a prazo com
opção, enquanto cerca de três milhões de contos estão imobilizados em
depósitos a 365 dias. A libertação de fundos, que tem vindo a provocar o
crescimento da liquidez no sistema, é acentuada ainda pelo facto de ter
vencido a totalidade das aplicações realizadas em Títulos de
Regularização Monetária. A liquidez, refere ainda o «Diário Económico»,
está a ser canalizada para Títulos de Regularização Monetária.

<p n=598>
750 milhões de contos é o valor dos investimentos que serão efectuados no
sector têxtil português nos próximos 15 anos, no âmbito do plano de apoio
à modernização da indústria têxtil, revelou na semana passada Luís Mira
Amaral, ministro da Indústria e Energia. O montante total exigido será
suportado pelos próprios industriais do sector, pela Comunidade Europeia
e através de verbas provenientes do Orçamento de Estado português,
sublinhou o ministro. Apoios directos ao investimento, à comercialização
e à presença de Portugal nos mercados externos, bem como à reconversão e
diversificação das estruturas produtivas alternativas à própria indústria
têxtil, são três das vertentes do programa -- a que se junta também a
«criação de um ambiente favorável à modernização industrial». Em breve
terá início a discussão do programa com os parceiros sociais, após o que
o documento será entregue formalmente à CEE.

<p n=599>
BELEZA CONFIANTE - O ministro das Finanças, Miguel Beleza, mostrou-se
confiante na capacidade de resposta da economia portuguesa perante a
crise do Golfo. O titular da pasta das Finanças demonstrou o seu
optimismo no final da reunião dos Doze, em Bruxelas, dedicada a analisar
o processo de convergência das economias da CEE no quadro do exercício de
«vigilância multilateral» imposto pela primeira fase da União Económica e
Monetária. A confiança do responsável português decorre dos «dados
disponíveis», que o levam a afirmar que, embora «consciente de que as
consequências podem ser sérias, estamos em boas condições para
enfrentá-las». O ministro acrescentou que as orientações básicas de
política económica estabelecidas pelas autoridades portuguesas foram
consideradas adequadas pela Comunidade Europeia. Apesar deste optimismo,
a Comissão Europeia reconhece alguns problemas a Portugal, como o facto
de a inflação portuguesa teimar em manter-se muito acima da média
europeia.

<p n=600>
MELLO E OS AMERICANOS - Rompidas as negociações com os norte-americanos
do Manufacturers Hanover (ManHan), o empresário português José Manuel de
Mello não desiste de tentar obter dos responsáveis daquele grupo
financeiro uma indemnização pelos gastos já efectuados, com vista à
compra dos interesses em Portugal do ManHan, que atingem cerca de 250 mil
contos. José Manuel de Melo, confiante nas garantias prestadas pelos
americanos, negociou a constituição de um sindicato financeiro que lhe
permitisse reunir os fundos necessários para a compra do ManHan Portugal.
Mas os actuais accionistas do banco decidiram voltar atrás, quando se
desenhava já a concretização da compra, através do lançamento de uma
Oferta Pública de Aquisição sobre 60 por cento do capital da instituição,
por parte do empresário nacional. Este admite a hipóteses de processar
judicialmente os norte-americanos pelo rompimento das negociações e, na
semana passada, representantes do grupo norte-americano estiveram em
Portugal, tentando evitar que o caso seja solucionado em tribunal.
Aguardam-se os próximos episódios.

<p n=601>
Falta pouco mais de um mês para o Plano Collor completar um ano de vida.
Orientado para combater sem tréguas a hiperinflação, o programa económico
do Presidente brasileiro dificilmente aguenta um balanço de ganhos e
perdas. Os meios financeiros agitam-se e pedem uma mudança de política,
enquanto os economistas traçam quadros pouco favoráveis para os próximos
meses.

<p n=602>
Quando assumiu o governo, Collor de Mello sacudiu o país de alto a baixo
com o mais radical programa de reformas económicas da história
brasileira. O plano previa uma brutal redução do dinheiro em circulação,
através do congelamento de contas de poupança e dos investimentos em
títulos públicos (60 por cento do dinheiro, quase 60 mil milhões de
dólares, ficaram retidos por 18 meses), do controlo dos preços e salários
para neutralizar a hiperinflação e de uma reforma administrativa
destinada a diminuir os gastos do Estado, que correria paralelamente a um
projecto de modernização industrial graças à internacionalização da
economia. No início, alguns economistas chegaram a dizer que o programa
de austeridade de Collor fora inspirado na reforma da economia alemã em
1948, e até hoje considerada a mais drástica já realizada num país
capitalista.

<p n=603>
A pouco mais de um mês de o Plano Collor completar um ano de vida, o
presidente brasileiro decidiu avançar com um novo pacote de medidas. O
crescimento da inflação justifica a decisão. Mas os meios políticos,
financeiros e sindicais, desconfiam dos resultados.

<p n=604>
O Governo brasileiro decidiu agir no momento em que a inflação oficial de
Janeiro ultrapassou a barreira psicológica dos 20 por cento ao mês, tida
como limite máximo para manter o custo de vida sob controlo. Dias antes
da divulgação do novo pacote económico, apelidado de Plano Collor 2, o
mecado financeiro viveu dias de grande agitação, com as cotações das
moedas a dispararem, reajustes generalizados dos preços, retenção e
produtos pelas indústrias e supermercados, e oscilações brutais na Bolsa
de Valores.

<p n=605>
Miguel Cadilhe «inventou» os Planos de Poupança-Reforma. No ano passado,
companhias de seguros e sociedades gestoras venderam cinco milhões de
contos deste produto financeiro, a maioria das quais em Dezembro. As
deduções fiscais funcionam como isco da poupança, mas há críticas em
relação ao regime de reembolso.

<p n=606>
Para os responsáveis da Praemium, o sucesso verificado com a venda dos
seus produtos (PPR Praemium-S e PPR Praemium-V) fica a dever-se no
essencial a dois factores: boa actuação dos trabalhadores que operam aos
balcões do banco e utilização da rede de estações dos Correios Telégrafos
e Telefones (CTT). No final de 1989, a sociedade gestora do BPA tinha
facturado apenas 285 mil contos.

<p n=607>
Na Checoslováquia, os consumidores vivem tempos difíceis. Os preços,
desde o início deste ano, duplicaram. As cadeias estatais de comércio
alimentar são acusadas de aproveitarem a transição económica para
realizar lucros. E o Governo promete reforçar a fiscalização.

<p n=608>
O ministro das Finanças, Vaclav Klaus -- o arquitecto do projecto
checoslovaco de rápido retorno ao capitalismo -- afirma ter esperança de
que se possa evitar a criação de uma grande classe de indigentes,
especialmente graças à maior força da economia checa e a uma dívida
externa muito inferior à dos seus vizinhos. Na inflação do mês de Janeiro
aparecem à cabeça os preços -- e os salários --, que estão, em regra,
consideravelmente abaixo dos níveis mundiais

<p n=609>
Para quem acreditava ainda que o país se debatia com uma divisão
Norte-Sul, desiluda-se. Portugal está, de facto, dividido ao meio, mas
por pólos. Lisboa e Porto, de um lado; o resto do território nacional
(regiões autónomas incluídas), de outro.

<p n=610>
Nos dois grandes centros urbanos, quem gasta em média 500 impulsos por
mês e paga, por isso, uma conta telefónica que ronda os seis a sete
contos, ajusta-se ao perfil do consumidor-tipo de telefone. O retrato não
fica por aqui, porque há ainda a caracterização da origem da chamada
telefónica. Quem gasta mensalmente estes impulsos em casa pertence à
classe alta/média alta. Num local comercial, a média indica que o
consumidor é uma pequena empresa ou um escritório de profissões liberais.

<p n=611>
No caminho para a Europa, tropeçamos inevitavelmente com a Espanha. Esta
verdade geográfica teve sempre o seu prolongamento nos indicadores
económicos dos últimos trinta anos -- e, por este andar, a nossa posição
económica face à Espanha permanecerá inalterável até ao final do milénio.
O nível relativo do rendimento por habitante dos dois países sintetiza
bem esta realidade: Portugal parte atrasado.

<p n=612>
A forma como ambos os países enfrentaram os problemas criados pela crise
de meados da década de 70 explica o essencial dos fenómenos: Portugal não
alterou a sua dependência energética e manteve uma forte rigidez na
legislação laboral. Durante os anos 80 enfrentou, por isso, fortes
impactes negativos no investimento, na inflação e nas contas com o
exterior. Ainda por cima teve que suportar um nível mais elevado de
défice orçamental, originado pelas consequências económicas e sociais da
crise de 1974 e da descolonização.
checoslovaco de rápido retorno
A expectativa relativamente à privatização dos maiores bancos portugueses
cresce. Mas, apesar do inegável interesse de diversos grupos em operações
que envolverão as acções do BPA ou do BESCL, as instituições de menor
dimensão, e que em princípio poderiam suscitar alguma desconfiança quanto
ao sucesso da sua colocação no mercado, acabam por despertar as lutas
mais renhidas para o seu controlo.

<p n=613>
Verificou-se isso na operação do BTA, repetiu-se a experiência quando se
tratou da privatização da Tranquilidade, assim como no caso da Aliança e
da Unicer. O BPA, pelo facto de estar no topo da banca comercial
portuguesa, teve aliciantes suplementares. Mas o forte apetite de
diversos investidores estratégicos -- apesar de não se saber se as regras
do jogo na desnacionalização do banco serão mudadas para as próximas
fases da privatização -- arrastou os investidores de menor dimensão.

<p n=614>
O noticiário económico da semana que passou continuou a ser fortemente
influenciado pela guerra no Golfo. O caso não é para estranhar, dadas as
suas possíveis implicações económicas: convém não esquecer que, na área
onde se desenrola o conflito, se encontram quase metade das reservas
mundiais de petróleo.

<p n=615>
A justificação vinha logo a seguir: «Os resultados de 1990 reflectem que
as margens de divergência na inflação e no défice público se acentuaram
em vez de se estreitarem.» Daí que se conclua que as perspectivas para
1991 sejam pessimistas. Passada a cimeira, soube-se que os ministros
analisaram os custos da guerra e, como refere o «El País» em título, vão
«repartir o peso quando chegar o momento».

<p n=616>
Como qualquer produto da sociedade de consumo, a música está a ser
afectada pela guerra no Golfo. Mas a música não é um produto tão neutral
quanto outros, e a atitude dos seus profissionais perante o conflito é
determinante, mesmo num pequeno mercado como o nosso. Há assim todo um
conjunto de variáveis que, com a presente situação beligerante, se vêm
equacionando na indústria fonográfica -- a começar pela própria música que
se produz. 

<p n=617>
Este é o lado negro da questão, mas o pessimismo não é inevitável. Os
discos que se lançam agora podem não ter nada a ver com a guerra, mas uma
boa parte de vedetas internacionais tem reputação de militância em causas
justas, nomeadamente nas fileiras antibelicistas. Um disco que não faz
qualquer alusão a este conflito, como o novo de Sting, lançado em cima do
início das hostilidades, pode assim ser entendido como rejeição «avant la
lettre» do recurso às armas e, sobretudo, da destruição do meio ambiente
que envolve o conflito. Por outro lado, é uma ilação um bocado cínica,
mas é preciso reconhecer que, se a música tem menos espaço nos usuais
canais de difusão, também é verdade que o aumento de receptividade de que
estes vêm auferindo pela sede de informação lhes deve aumentar os
potenciais consumidores.

<p n=618>
A 22 de Março do ano passado, um tractor chocou com o autocarro da
digressão de Gloria Estefan, que se dirigia para um concerto em Siracusa,
Nova Iorque. Seriamente ferida, a cantora foi sujeita a uma operação de
quatro horas, no fim das quais tinha para sempre implantadas na espinha
oito polegadas de placas de metal e era notícia de destaque em tudo
quanto é página de sociedade na imprensa latino-americana e californiana.
Era mais um acidente a juntar a toda uma saga entre o trágico e
melodramátrico que se confunde com o percurso de ascensão de Estefan ao
estrelato. Como numa telenovela de produção sul-americana, no episódio
seguinte a heroína apareceu numa cadeira de rodas para agradecer o calor
humano e jurar que iria fazer das tripas coração para prosseguir
carreira. Menos de um ano depois, a promessa cumpre-se numa ofensiva
discográfica que, sem surpresas, adere à clássica dualidade de queda nas
trevas e ressurreição luminosa, baptizando o novo single «Saída da
escuridão» e o álbum «No Sentido da Luz».

<p n=619>
Agora, finalmente, a alma que Gloria sempre colocou no afã profissional
transparece musicalmente, ou o que pode ser considerado mais ou menos
equivalente em termos norte-americanos. «Into the Light» é a sua primeira
incursão séria no campo da «soul music». A articulação entre a esfera
vivencial e a artística torna-se assim perfeita: a mulher que defronta
todos os azares da vida com genuíno ânimo é a que não canta mais não
importa o quê, mas passa a deitar cá para fora tudo o que lhe vai lá
dentro. E dá jeito: Estefan não poderá regressar tão cedo ao seu perfil
de artista-ginasta em «shows» de proezas erótico-musculares, depois, o
seu público está a envelhecer com ela e faz todo o sentido que dos «hits»
de batida instantânea transite para música mais suave e melodiosa, onde a
soul constitui o paradigma dominante. Esta é então a nova Gloria, não
mais a jovem elegante de sensualidade ostensiva e imediata, mas a mulher
adulta cheia de paixões íntimas e encantos secretos, ou qualquer de
semelhante em termos musicais, a trocar os anúncios a refrigerantes por
«spots» a agências seguradoras.

<p n=620>
«Até ao dia / do sonho de paz duradoira / cidadania do mundo e moralidade
internacional... Até esse dia o continente africano não conhecerá paz /
Nós, africanos, combateremos.»

<p n=621>
Entretanto, a viúva de Marley, Rita, aproveitou as reedições para exigir
mais dinheiro da companhia Island que explora o catálogo do músico
falecido. A empresa, pertencente a Chris Blackwell, que nasceu na Jamaica
e foi o primeiro a acreditar em Marley, produziu-o e vendeu-o como se
fosse um músico ocidental. Após a morte de Marley, que não deixou
testamento, comprou toda os direitos sobre a herança do artista por 8,2
milhões de dólares (cerca de 1,1 milhões de contos) à associação
administrativa Mutual Bank & Trust Company, a quem foi confiada a gestão
do seu património. Mas agora, dez anos depois do falecimento, a família
contesta a validade do negócio.

<p n=622>
Ao contrário de estações radiofónicas de países directamente envolvidos
no conflito do Golfo, as rádios portuguesas não parecem ter feito grandes
alterações na programação, após o rebentar dos confrontos.

<p n=623>
Também existe unanimidade no que respeita ao tratamento da música
divulgada. Tanto Fernando Quinas, da Comercial, Jorge Pego da Antena 1 e
Mário Fernando da CMR afirmam que nenhum tipo de directivas foi tomado no
que respeita a restrições de algum género, ou, pelo contrário, ao ênfase
de outras. Apenas a CMR tomou uma posição ligeiramente diferente, embora
passageira, ao alinhar «apenas música dos Beatles durante as primeiras 24
horas a seguir às primeiras notícias». Assim, nenhuma das rádios assume
oficialmente terem sido dadas indicações para a proibição, ou
prevalência, de canções cujo conteúdo seja pró, ou antiguerra, tendo essa
responsabilidade sido deixada a cargo único «dos responsáveis pelos
programas». A Rádio Renascença, por exemplo, apenas mantém «as directivas
próprias de uma estação com as suas características», não criando uma
situação de excepção. As poucas indicações que existem têm sido apenas no
que respeita à duração dos temas, evitando os de longa extensão, e aos
registos magnéticos, de modo a uma possível e rápida intervenção dos
noticiários.

<p n=624>
Artur Jorge coloca lugar à disposição -- Artur Jorge vai colocar o seu
lugar de seleccionador nacional «à disposição» da Federação Portuguesa de
Futebol, durante uma reunião em que estará presente o actual presidente
da FPF, João Rodrigues. Durante a concentração da selecção portuguesa com
vista ao jogo do próximo sábado, em Malta (fase de qualificação para o
«Europeu»), Artur Jorge afirmou que, com a queda da FPF, a Comissão
Técnica da selecção tem «por razões óbvias, de deontologia mínima, de
colocar o seu lugar à disposição». A data da reunião com João Rodrigues
não foi ainda confirmada.

<p n=625>
O príncipe herdeiro da Jordânia, Hassan, confirmou ontem que o seu país
rompeu o embargo imposto pelas Nações Unidas ao Iraque, tendo importado
petróleo iraquiano. Em entrevista à cadeia de televisão CBS, o irmão do
rei Hussein sublinhou que, apesar de a ONU ter decidido que fossem
examinados todos os meios que permitissem encontrar uma alternativa à
dependência jordana do petróleo do Iraque, nada fora feito, e a Arábia
Saudita tinha mantido fechadas as suas fronteiras com o reino hachemita.
Recordando os custos elevados que a compra de petróleo a preços de
mercado acarretaria à Jordânia, Hassan considerou que «não havia outra
alternativa plausível». «Não foi uma violação das sanções», referiu
Hassan, «não vendemos o petróleo ao estrangeiro, ele cobre apenas dois
terços das nossas necessidades», concluiu.

<p n=626>
As relações da CEE com o mundo árabe, em especial com os países do
Magrebe, e as propostas para o pós-guerra encabeçam a lista de assuntos
que os ministros dos Negócios Estrangeiros dos Doze discutem, hoje, em
Bruxelas. Não menos importante será a análise da ajuda prometida à União
Soviética, cuja execução prática tem sido mais lenta, em função dos
acontecimentos nas repúblicas do Báltico.

<p n=627>
Um indivíduo hospedado num hotel do Sul de França, em Conques, acordou
desvairado, a meio da noite de sábado, gritando que um míssil Scud com
ogiva química tinha acabado de explodir na cidade. Tomado por uma crise
de loucura, teve tempo de provocar importantes estragos nas instalações
hoteleiras antes de ter sido imobilizado, disse ontem a Polícia.

<p n=628>
Um ex-toxicodependente de 33 anos foi encontrado morto, na madrugada de
sexta-feira para sábado, em Queluz, havendo indícios de que foi
assassinado nos circuitos de droga que frequentara anteriormente --
revelaram familiares da vítima. Responsáveis da PSP garantiram contudo
que o corpo não revelava quaisquer sinais de violência física.

<p n=629>
Na sexta-feira «ele manifestava-se muito assustado» e foi necessária
alguma insistência familiar para que se decidisse a ir ver a mulher e a
filha. Por volta da meia noite saíu à rua e só às 9 da manhã é que a
mulher foi avisada de que o seu corpo havia sido encontrado sem vida,
junto à porta de um prédio, no Bairro da Caixa, a cerca um quilómetro da
sua residência.

<p n=630>
Estónios presos por suspeita de morte de sindicalistas -- Seis suspeitos
foram presos depois da morte de dois sindicalistas suecos na noite de 24
para 25 de Janeiro, informou ontem o enviado especial da agência
noticiosa sueca TT em Tallin, na Estónia. Bertil Whinberg, presidente da
federação de operários de construção civil e Ove Fredriksson, presidente
da federação de operários de serração, foram encontrados mortos numa
praia, em parte despidos. Os seis suspeitos presos pelas autoridades da
Estónia, com a colaboração do ministério do Interior soviético e da
polícia sueca, são três homens e três mulheres estónios de expressão
russa.

<p n=631>
A «Intifada» timorense ganha um novo arrojo nas manifestações de Novembro
do ano passado. Jovens refugiados que participaram no encontro de
solidariedade que ontem terminou no Porto, deram-nos o seu testemunho
pessoal do protagonismo da juventude e dos estudantes no movimento de
resistência urbana à ocupação indonésia.

<p n=632>
«Tango and Cash» mata nos Estados Unidos -- Dez pessoas morreram desde a
última sexta-feira nos Estados de Nova Iorque, Nova Jersey e do
Connecticut, depois de ter começado a ser vendido um novo derivado
particularmente poderoso da heroína, conhecido pelo nome de «Tango and
Cash», informaram ontem as autoridades. Mais de uma centena foram também
hospitalizadas, vítimas desta mistura de heroína e de metilfentanil,  que
multiplica por 27 as propriedades da heroína e pode provocar o coma e
paragem respiratória.

<p n=633>
Apesar de oficiosa, trata-se da primeira declaração sobre a data concreta
do ataque aliado no solo e sobre a destruição que os EUA entendem
infligir nas fileiras iraquianas antes de avançarem com os exércitos.

<p n=634>
BAGDAD anunciou novos disparos de mísseis contra Israel. «As nossas
unidades dispararam sobre Telavive, domingo, ao alvorecer, e as rampas de
lançamento retiraram», afirmou um comunicado militar difundido pela Rádio
iraquiana, captada em Nicósia. Um porta-voz militar dissera antes que
mísseis Al-Hussein tinham sido disparados, sábado à noite, contra aquela
cidade israelita.

<p n=635>
A estação iraquiana afirmou também que «um grande número» de soldados do
Qatar morreram «durante os confrontos dos últimos dias». Segundo a
agência INA, muitos dos «corpos» dos militares do emirado, supostamente
mortos no contra-ataque a Khafji, cidade saudita situada a 12 quilómetros
da fronteira e objecto da incursão iraquiana da madrugada de
quarta-feira, estão a ser «repatriados» para Doha.

<p n=636>
«A verdade é a primeira vítima da guerra», lembrava há dias o director do
«Libération», citando o senador republicano da Califórnia Hiram Johnson,
que, no Verão de 1918, sintetizou emblematicamente a dicotomia
intransponível propaganda e informação. Serge Julie assinalava o
desconforto instalado na generalidade dos meios jornalísticos ocidentais
depois da ressaca das ilusões perdidas na cobertura em directo e sem
fronteiras.

<p n=637>
No caso dos americanos, prevaleceram acima de tudo as lições do Vietname:
em vez das imagens sujas da guerra, a imagem da guerra limpa; em vez das
imagens brutais dos mortos e dos estropiados, dos bombardeamentos e do
sacrifício das populações civis, a imagem da guerra electrónica e das
intervenções «cirúrgicas» da aviação ocidental.

<p n=638>
Foi na noite de sábado para domingo. Ainda a TV anunciava mais um ataque
a Riade e pedia à população para não entrar em pânico, e já dois mísseis
Patriot, disparados de uma base aérea próxima da cidade, atingiam os Scud
lançados poucos minutos antes da uma hora da manhã (hora local) por
Saddam Hussein, fazendo-os estilhaçar e cair longe do centro da capital
saudita. O míssil, o vigésimo oitavo desde o princípio da guerra,
provocou, ao cair, dois feridos ligeiros e causou estragos em duas casas.

<p n=639>
Depois da invasão do Kuwait, Saddam Hussein ficou isolado entre os
líderes árabes. A quase totalidade dos estados árabes não só condenou a
invasão como muitos enviaram tropas para a Arábia Saudita.

<p n=640>
00h00 -- As forças britânicas são avisadas de que Saddam Hussein já
autorizou as suas tropas a utilizar armas químicas -- diz o «Sunday
Times», citando uma fonte do Pentágono que afirma: «Já não é uma questão
de `se', mas de `quando'».

<p n=641>
01h30 -- O general Walt Boomer, que reconhece a surpreendente
combatividade dos iraquianos na batalha de Khafji, diz que a prioridade
deve ser dada, mais do que nunca, aos bombardeamentos aéreos em larga
escala.

<p n=642>
Centenas de milhares de marroquinos, 300 000 segundo jornalistas, meio
milhão segundo os organizadores, desfilaram ontem durante cinco horas nas
principais avenidas de Rabat, em apoio da causa iraquiana. Na véspera,
Hassan II advertira os manifestantes de que não consentiria nenhuma
contestação da presença dos militares marroquinos na Arábia Saudita.
Cantando versículos do Corão, os manifestantes prometeram combater por
Saddam e defender Bagdad.

<p n=643>
«Somos todos iraquianos», lia-se, em árabe e francês, um pouco por todo o
lado, de milhares de autocolantes ao peito de cada um a enormes dísticos
conduzidos pelos manifestantes, que rasgavam bandeiras dos EUA, França,
Grã-Bretanha e Israel ao mesmo tempo que erguiam a do Iraque ao lado da
de Marrocos e da Palestina. Palavras de ordem como «George Bush é um
assassino e Mitterrand o seu cão» (em francês faz rima: «George Bush est
un assassin e Mitterrand son chien») foram ao longo de todo o trajecto
entoadas em coro. Pequenos grupos disputavam entre si bandeiras dos
«países satânicos» para as queimarem frente às câmaras de televisão.

<p n=644>
Nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, países envolvidos no conflito,
a guerra e a região do Golfo abrem o mercado para o livro. Surgem novas
edições que ocupam as listas de vendas. Em Itália, o panorama é
diferente.

<p n=645>
Em Londres, nas duas últimas semanas, as livrarias acusam um aumento de
30 a 40 por cento na venda de livros sobre o Médio Oriente. Em Charing
Cross Road, onde se concentram as principais livrarias, os títulos mais
vendidos são «Republic of Fear», tal como nos EUA, e «Saddam's War» («A
Guerra de Saddam»), de John Bullock e Harvey Morris. Na livraria Al Hoda,
especializada em literatura árabe, os mais procurados são o «Corão»,
edições sobre o Iraque e acções militares de Israel no Médio Oriente.

<p n=646>
A procura de atlas, mapas e livros sobre guerra é maior nas livrarias de
Lisboa do que era habitual. Vendem-se edições sobre cultura árabe,
Israel. E «As Profecias de Nostradamus». No entanto, entre os mais
vendidos, são outros os títulos que se encontram.

<p n=647>
As lojas da Bertrand apresentam livros sobre armamento, exércitos. Entre
eles, «Attaque -- F-15» e «Tornado», edições de luxo para «os guerreiros
do céu».

<p n=648>
O mundo árabe, muito esquecido até Agosto do ano passado, está a
despertar o interesse dos cidadãos portugueses. O conflito do Golfo
descobriu a necessidade de cada um reorganizar a sua ideia do mundo e de
completar os conhecimentos sobre os diferentes povos e raças que o
habitam. Uma necessidade que está a levar clientes novos às livrarias do
Porto.

<p n=649>
Logo após os primeiros «tiros» no Golfo -- não no próprio dia, que esse
foi dos mais fracos na memória de livreiro --, sentiu-se a crescente
procura de mapas e atlas. «A primeira preocupação das pessoas foi a de se
situarem geograficamente», explicam-nos na Latina. «Agora há também
curiosidade em definir certos conceitos, saber porque é que os árabes são
tão afectos à religião, por exemplo».

<p n=650>
O Irão propôs ontem que se realizasse uma reunião urgente dos ministros
do Ambiente dos países do Golfo, ainda durante este mês, para decidir as
medidas a tomar quanto à imensa maré negra que invade as costas da
região. A proposta foi anunciada no final de uma reunião de especialistas
de ambiente que teve ontem lugar em Manama, a capital do Bahrain. Segundo
o porta-voz da reunião, Khalid Fakhroo -- da Comissão de Protecção do
Ambiente do Bahrain, o organismo que convocou o encontro -- a cimeira
ministerial poderia incluir o Iraque, país que é acusado pela Arábia
Saudita e pelos Estados Unidos de ser o responsável pela maré negra.

<p n=651>
Segundo as últimas estimativas, a mancha de petróleo tem 140 quilómetros
de comprimento por 40 de largura e estende-se ao longo das costas
sauditas, devendo atingir nos próximos dias as praias do Bahrain e do
Qatar. Com uma massa aproximada de 1,5 milhões de toneladas, esta deverá
ser a maior maré negra da história, um primeiro lugar que vem destronar a
catástrofe ocorrida no México em Junho de 1979, quando a explosão do poço

<p n=652>
Yitzahk Shamir nomeou um novo ministro e abriu uma crise. É que o novo
membro do Governo, Rehavam Ze'evi, é líder de um pequeno partido de
extrema-direita que defende a expulsão dos palestinianos. A oposição
contesta. O Likud, partido de Shamir, está dividido.

<p n=653>
A generalidade dos jornais de Israel publicava ontem editoriais
criticando frontalmente a decisão de Shamir e considerando-a dificilmente
explicável, numa altura em que interessa ao país manter uma imagem
externa de moderação que lhe está a trazer frutos políticos
incontestáveis.

<p n=654>
Afastados desta guerra contra «o principal inimigo de Israel» por força
das circunstâncias (e por enquanto), os militares israelitas olham para o
teatro das operações no Golfo com a enorme experiência de quem já travou
muitas outras guerras e com o realismo de quem é conhecedor profundo do
Iraque e de todo o mundo árabe. Não se iludiram com os primeiros (e
aparentes) êxitos da aviação aliada, sempre disseram que esta guerra
seria uma guerra «prolongada» e que apenas quando os combates passassem
para terra ela seria decisiva. Sem conhecerem o «plano das operações
militares» -- como dizia recentemente o general Shlomo Gavit,
ex-comandante dos serviços de informações das IDF (forças de defesa
israelitas) --, tentam «adivinhá-lo» e avaliá-lo com as informações que
possuem.

<p n=655>
Ontem, durante uma conferência organizada para os jornalistas
estrangeiros, o general Gavit, «advinhando» os planos militares
americanos, considerou que a próxima fase da guerra ainda não será -- ao
contrário do que se diz normalmente -- a fase de terra. Em seu entender, a
primeira fase poderá durar ainda mais uma ou mesmo duas semanas e, antes
dos combates terrestres, haverá uma segunda fase, onde a aviação
continuará a ter o papel decisivo, tendo como objectivo não apenas os
principais meios estratégicos e as comunicações mas o próprio exército de
terra iraquiano.

<p n=656>
Em Washington tudo serve como matéria de debate. Até o plano de batalha
americano no Golfo. Se o Vietname é sempre citado como o exemplo do
atolamento militar a evitar a todo o custo, é curiosamente a Guerra da
Secessão que serve de referência às polémicas entre os altos responsáveis
civis e militares, membros do Congresso e grandes editorialistas.

<p n=657>
O objectivo, segundo eles, não é a negociação, mas a vitória total, pela
destruição de todo o potencial militar iraquiano. Preconizam assim
utilizar de uma só vez o conjunto das tropas americanas colocadas no
Golfo. Tratar-se-ia -- para abreviar os combates e sejam quais forem as
perdas americanas -- de esmagar literalmente as Forças Armadas e as
infra-estruturas do Iraque. Bagdad não teria outra escolha além da
capitulação.

<p n=658>
2- Raides maciços sobre a rectaguarda do adversário, com o objectivo de
destruir os recursos económicos e a logística militar do inimigo.

<p n=659>
5- Ofensiva frontal e maciça contra as principais forças do adversário.
Objectivo: romper a sua frente por meio do poder de fogo.

<p n=660>
No Porto e em Lisboa, não se detectando embora uma corrida a obras sobre
a guerra e a civilização árabe, os editores e livreiros falam de um
acréscimo da procura destes temas. «As pessoas querem saber onde é a
guerra», diz Adelaide Marques, da Bertrand de Lisboa; Na Latina, no
Porto, sente-se que as pessoas se preocupam em «situar-se
geograficamente». O leitor pede sobretudo atlas e livros de divulgação.
Mas se a procura aumentou um pouco, a oferta parece não se ter mostrado à
altura: as edições em português escasseiam e ainda há muita gente que não
conhece línguas estrangeiras. Caso curioso: em Lisboa, o livro mais
vendido continua a ser «O Quê? A Eternidade», de Marguerite Yourcenar...
Nos EUA, Inglaterra e França o mercado reagiu: Saddam e o Iraque têm as
honras dos escaparates. E «Armageddon», obra que pretende provar que a
«Bíblia» predisse o futuro, vendeu no último mês mais de meio milhão de
exemplares: estivera mais de dez anos sem esgotar... Os italianos é que
destoam neste panorama: continuam a comprar literatura. Porém, «Se Isto é
um Homem», de Primo Levi, encabeça a lista dos mais vendidos. O autor
conta aí a sua experiência nos campos de concentração nazis. Forma
elegante de os italianos mostrarem que o Golfo também os aflige.

<p n=661>
As autoridades de Ankara vão pedir ao Iraque para reduzir o número dos
seus diplomatas na Turquia já na próxima semana. A notícia é avançada
pela Reuter que cita fonte próxima do Governo turco, apesar de não
fornecer mais informações. Por outro lado, o jornal «Hurriyet» afirma que
Bagdad já foi avisado desta decisão. De acordo com o periódico, a Turquia
já terá pedido a redução do pessoal da embaixada do Iraque em Ankara e do
consulado em Istambul. Segundo o jornal, apenas o embaixador iraquiano,
Daham Al Takriti, e um número limitado de funcionários permanecerão na
capital turca. A Turquia já «suspendeu temporariamente» os trabalhos da
sua embaixada em Bagdad, mas não fechou o edifício.

<p n=662>
As habituais marchas contra a existência de bases hispano-americanas
foram este ano marcadas pelo conflito do Golfo e pela participação
espanhola no apoio logístico às operações militares desencadeadas contra
o Iraque. Em Madrid, houve um atentado contra um concessionário da Ford.

<p n=663>
Pela base de Torrejón passou cerca de 80 por cento do material humano e
técnico que os Estados Unidos instalaram após a invasão iraquiana do
Kuwait, a 2 de Agosto, e as suas pistas são utilizadas como ponto de
partida dos B-52 para bombardeamento no Iraque. Calcula-se que, no
conjunto de três bases de utilização comum hispano-americana -- Torrejón
(Madrid), Móron de la Frontera e Saragoça (Sevilha) --, mais de seis mil
aviões dos EUA tenham recolhido tropas e armas, sendo estimadas em 500
toneladas as bombas transportadas pelos 12 Hércules da Força Aéra
espanhola, em missão de fornecimento aos B-52.

<p n=664>
A neutralidade proclamada por Teerão torna-se cada vez mais difícil de
gerir face ao assédio de países vizinhos e à solidariedade crescente dos
iranianos para com o povo do Iraque. É a própria hierarquia religiosa do
Irão que lança agora o aviso: as forças dos Estados Unidos estão a
«massacrar» os muçulmanos.

<p n=665>
O Presidente iraniano, que se mantivera aparentemente inactivo desde o
início da crise, surgiu nestes últimos dias como o pólo aglutinador das
iniciativas visando pôr fim à guerra. Por Teerão passaram entre
sexta-feira e sábado emissários do Iraque, da Argélia, do Iémen e da
França. E ontem chegou à capital iraniana o ministro kuwaitiano para os
Assuntos Estrangeiros, xeque Nasser al-Sabah, que deverá entregar a
Rafsandjani uma mensagem escrita do emir do Kuwait no exílio.

<p n=666>
O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Douglas Hurd, apresentou
ontem uma série de propostas para o restabelecimento da paz e da
segurança na região do Golfo depois da guerra. Hurd defendeu a ideia
norte-americana de que os países de maiores recursos petrolíferos -- como
a Arábia Saudita, o Kuwait, Qatar e os Emirados Árabes Unidos -- deverão
promovar uma distribuição mais equitativa da riqueza na região.

<p n=667>
Ontem, numa entrevista à «Rádio 4» da BBC, o ministro britânico insistiu
que o Iraque poderá recorrer à guerra química, à medida que as suas
outras opções militares se esgotarem gradualmente. Hurd voltou a dizer
que a Grã-Bretanha não considera a retirada iraquiana do Kuwait uma razão
suficiente para o fim da guerra. O ministro deixou em aberto, para
«quando chegar a hora», a questão da necessidade de uma autorização da
ONU para as forças aliadas entrarem em território iraquiano.

<p n=668>
Gritando "Com Deus e com armas defenderemos Bagdad" e cantando versículos
do Corão, 300 mil marroquinos desfilaram ontem pelo centro de Rabat em
apoio de Saddam. Os manifestantes, convocados pelos maiores partidos da
oposição, desafiaram Hassan II, que, na véspera, afirmara não consentir
qualquer contestação à presença de tropas do seu reino ao lado dos
norte-americanos. Tratou-se de um dos sinais de que os povos do Magrebe
se opõem à política oficial face à guerra no Golfo.

<p n=669>
Pinto da Costa disse a Geraldão que se deslocaria ao Brasil para
«resolver o problema» que mantém o defesa-central e melhor marcador do FC
Porto afastado da equipa principal. O jogador brasileiro já está em
Governador Valadares (MG), e só aceita o presidente como interlocutor.
Com a família ameaçada de morte, Geraldão «balança» entre Portugal e o
Brasil. O PÚBLICO  acompanhou a primeira etapa de uma viagem que se prevê
curta.

<p n=670>
A actividade seguradora facturou 290 milhões de contos em 1990 em prémios
e adicionais de seguros directos -- mais 31,7 por cento que no ano
anterior. Trata-se da maior taxa de crescimento registada nos últimos
anos no sector segurador português. Os dados do Instituto de Seguros de
Portugal (ISP) indicam ainda que o ramo Vida continua animado na procura
e na oferta, tendo crescido 51,77 por cento relativamente a 1989. A
seguradora pública Império liderou novamente o «ranking» nacional,
enquanto a Fidelidade ultrapassou a Mundial Confiança pela primeira vez.

<p n=671>
Portugal vive de costas voltadas para a zona do Magreb, que fica a menos
de uma hora de avião. Depois dos investimentos militares, há séculos,
nada mais perdura do que um comércio incipiente e vagas declarações
políticas de amizade e cooperação. O petróleo continua a ser o cordão
umbilical das relações mútuas. Os números falam claro, embora apontem
Marrocos como a excepção à regra.

<p n=672>
A acção de fiscalização, que resultou na aplicação de uma multa, de
31.860.914 escudos à Alfa -- mas que deverá ascender, no total, a cerca de
60 mil contos, contabilizando todos os respectivos juros de mora -- lançou
a supresa entre os organismos oficiais ligados a esta actividade, mas até
agora apenas a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros se
pronunciou sobre ela.

<p n=673>
Há dois anos, era «primeiro esquerda e depois direita», tal como se
aprende na escola. Subitamente, tudo mudou e as pessoas tiveram de
reaprender a circular nas ruas das Avenidas Novas. Agora, tudo volta a
alterar-se. E, agora, o mais difícil foi esquecer os hábitos adquiridos.

<p n=674>
Entre a meia-noite e as três da madrugada, João Mário Ramos Vieira
descobriu a morte, aos 33 anos, algures numa grande área de Queluz, no
último sábado. Recém saído de uma cura de desintoxicação no Centro das
Taipas, ele confirmou, porventura, as estatísticas: «Há vários casos em
investigação de ex-toxicodependentes que morreram de overdose nos últimos
tempos, logo após uma cura», revelou ao PÚBLICO um alto responsável da
Polícia Judiciária.

<p n=675>
A campanha contra a fome em Moçambique vai ganhar um novo fôlego.
Chissano, numa carta enviada a Maria Barroso, diz que foi com «alegria» e
«emoção» que tomou conhecimento da iniciativa e recorda que o seu país
apresenta «a maior taxa de mortalidade infantil em África».

<p n=676>
Mais recentemente, o Presidente da República de Moçambique, Joaquim
Chissano, dirigiu uma carta a Maria Barroso, patrona da campanha e
presidente de honra do Comité Português para a UNICEF, que constituiu um
importante estímulo ao prosseguimento da iniciativa.

<p n=677>
Decorreu na manhã de ontem a cerimónia de abertura do ano lectivo 90/91
do Instituto Superior de Ciências Dentárias do Porto, em paralelo com a
inauguração das novas instalações na Rua de S. Roque da Lameira. Oliveira
Torres, director do instituto, afirmou durante a cerimónia a necessidade
dos docentes poderem «acumular funções no ensino público e privado».
Segundo Oliveira Torres, este instituto é o «primeiro empreendimento de
foro médico no ensino privado», acrescentando tratar-se de um projecto
«arrojado mas necessário». «Em onze anos de medicina dentária nos
estabelecimentos de ensino superior oficial, não houve um único
doutoramento», justifica, defendendo a ideia de que o ensino privado
médico pode ser o «maior pólo do desenvolvimento da investigação
cientifíca». Ainda durante o dia de ontem, foi lançada a primeira pedra
da Unidade Clínica Hospitalar, que se irá situar em Gandra, concelho de
Paredes.

<p n=678>
A escola onde foi recriada a narrativa de D. Sebastião, é uma «secção» da
secundária de Linda-a-Velha provisória há sete anos e que alberga neste
momento cerca de 900 alunos entre o 10º e o 12º ano, além de algumas
turmas do 9º. «Não temos material nenhum. Só mesas e cadeiras»,
queixam-se as professoras. Fotocópias, laboratório, ginásio -- isso só na
sede da escola, a uns mil metros, e o pavilhão desportivo mal chega para
os estudantes dali.

<p n=679>
O ministro da Educação, Roberto Carneiro, disse na sexta-feira em Évora
que está em discussão no Conselho da Europa uma directiva sobre o sistema
de reconhecimento dos diplomas atribuídos após um período de estudos no
ensino superior de duração inferior a três anos, bem como sobre as
qualificações profissionais obtidas no ensino secundário. Discursando no
seminário «A Educação e a Cultura -- Imperativos da Europa do Mercado
Interno», em Évora, o ministro referiu-se ao mercado único de trabalho, a
estabelecer no ano que vem, onde serão abolidos todos os obstáculos que
impedem os cidadãos europeus de exercer as suas profissões em qualquer
outro estado-membro que não o próprio.

<p n=680>
Os 600 alunos da Escola Preparatória e Secundária de Colares -- em rigor,
«C+S» -- estiveram ontem em greve porque já não querem mais que a escola
funcione com tantas deficiências, provocadas principalmente pela falta de
pessoal auxiliar. Ao fim de poucas horas, o Ministério confirmou a
autorização para o pagamento à hora de duas novas auxiliares.

<p n=681>
Lendas e mitos de 16 países serão apresentados por cerca de 2 mil
estudantes no próximo mês de Maio, em Paris. Uma turma de Jornalismo da
escola secundária de Linda-a-Velha contribuirá com a história do rei
desejado que morreu aos 24 anos.

<p n=682>
Foi nas muitas horas roubadas aos tempos livres que a turma 10 do 11º ano
de Jornalismo, na escola de Linda-a-Velha, recriou com a colaboração da
escritora Alice Vieira o mito do rei desaparecido. A narração da lenda
foi precedida de uma pesquisa histórica também realizada pelos alunos.

<p n=683>
Começa no próximo mês de Março, no Instituto Politécnico de Coimbra, o
primeiro curso português de estudos superiores de Engenharia Municipal.
Com vagas para 30 alunos e duração de dois anos, o curso admite bacharéis
em Engenharia Civil, licenciados na mesma área ou em Engenharia do
Ambiente e ainda aqueles que tenham completado o curso de Construções
Civis e Minas dos extintos institutos industriais.

<p n=684>
As condições de trabalho dos professores do ensino especial são «piores
que há dez anos atrás», afirma a Federação Nacional de Professores
(Fenprof), que esteve na passada semana na Secretaria de Estado da
Reforma Educativa para discutir o problema. Inexistência de instalações
para apoiar os alunos deficientes integrados em escolas do ensino
regular, assim como de material didáctico, encabeçam a lista apresentada
pela Fenprof, que fala também no não pagamento desde Abril do ano passado
dos transportes dos professores que fazem o atendimento dos alunos.

<p n=685>
Um dossier com o levantamento das carências que se fazem sentir em
Grândola a nível do ensino preparatório e secundário vai ser agora
enviado pela Câmara Municipal às entidades competentes. A justificá-lo
estará, como aí se refere, a «gravidade e premência dos problemas». A
falta de instalações provocando o sobrepovoamento de turmas, a
dificuldade de colocação de professores e a carência de equipamentos são
alguns dos factores que, segundo a autarquia, «têm contribuído
decisivamente para a degradação da qualidade de ensino». Para além duma
exposição por parte das escolas, do dossier consta ainda uma carta aberta
da associação de pais da escola secundária que revela: «nesta altura do
ano faltam professores e há filhos nossos sem aulas».

<p n=686>
«Nos outros serviços do Ministério não se nota, mas aqui não foi possível
pagar as ajudas de custo de Novembro e Dezembro, que foram transferidas
para Janeiro», diz. O responsável pelos inspectores escolares conta que
ainda pensou que seria feito um reforço de verbas para compensar os
cortes. Como tal não aconteceu, continua, só durante este mês serão pagas
aos inspectores as despesas que eles entretanto tiveram de adiantar.

<p n=687>
A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)  vai realizar de 12
a 15 do próximo mês de Março um forum sobre Literatura e Teoria
Literária, que contará com a presença de investigadores e docentes de
diversas universidades portuguesas. Organizada pelo Departamento de
Letras da UTAD e apoiada por diversas entidades públicas e privadas de
Vila Real, a iniciativa visa proporcionar aos estudantes de letras o
acesso a matérias extra-curriculares e estimular a abertura a
conhecimentos que lhes permitam completar a sua formação académica e
conhecer o estado actual da investigação feita no nosso país nos dominios
da literatura e da teoria literária.

<p n=688>
A escola secundária São João de Deus, em Faro, vai dedicar uma semana à
informação no ano 2000 durante a segunda quinzena de Abril, no âmbito das
comemorações do 140º aniversário. A teoria da comunicação, a imprensa
escrita, a rádio, a televisão e os multi-média no futuro são alguns dos
temas abordados pelos convidados, entre os se contam quer profissionais
ligados às várias áreas do jornalismo, quer investigadores da teoria da
informação.

<p n=689>
Os alunos do ensino primário, preparatório e secundário podem assistir a
uma aula didáctica sobre teatro e à representação de uma peça no teatro
Maria Matos, em Lisboa, todas as terças e sextas-feiras até ao mês de
Maio. A iniciativa, que se chama «Encontros com o Teatro» e pertence ao
pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, dedica as terças-feiras
aos alunos do secundário e à peça «Auto da Barca do Inferno», de Gil
Vicente. Às sextas-feiras é a vez dos estudantes do primário e
preparatório e da peça «Era uma vez um dragão», de Couto Viana.

<p n=690>
A Câmara Municipal está a desenvolver todos os esforços junto da
administração do BPA para que a abertura do IUE seja posssível já este
ano e, de acordo com o presidente do município, José Pereira da Cunha, as
próximas duas semanas serão decisivas para remover o «último óbice» -- o
que é tido como bastante provável, já que, como salienta o autarca, a
administração da entidade bancária tem «revelado interesse e espírito de
colaboração para a resolução do problema». Entretanto, a Câmara dispõe já
de uma verba para os equipamentos que vierem  a ser considerados
prioritários.

<p n=691>
Coincidindo com a realização em Madrid de mais uma edição da feira de
arte contemporânea ARCO, a galeria espanhola El Coleccionista apresenta,
em colaboração com a galeria portuguesa Nasoni, uma colecção de 15
pinturas de pequena e média dimensões de Andy Warhol.

<p n=692>
As obras agora apresentadas em Espanha, embora menores em termos de
dimensão, não são meras curiosidades nem criam a ideia de uma exposição
sem nexo. Com elas se cobrem algumas das mais importantes séries do
famoso artista americano (do anos de 1962 ao de 1986): as flores, as
notas de dólar, os retratos e os exemplos da recuperação de imagens do
início da sua carreira («Campbell's onion soup box», 1986) ou de relações
com a nova vaga de figuração dos `graffiti boys' da cena nova-iorquina,
como Basquiat («Untitled - Moon explorer», 83). É possível fazer
entender, através do conjunto, o modo como Warhol ironizava acerca das
imagens esteriotipadas dos `media' ou acerca dos valores-tipo da
sociedade de consumo. A mecanização do processo serigráfico utilizado
como base, a arbitrariedade das cores, a sobreposição das imagens são
alguns dos instrumentos desse comentário sobre o universo das imagens e
dos discursos da arte.

<p n=693>
A nacionalidade de Cristóvão Colombo tem sido, desde o século XVII, tema
para opiniões e teses apaixonadas. O navegador que, ao serviço de
Castela, descobriu a América em 1492, teria nascido em Inglaterra, na
Dinamarca, na França, na Grécia, na Córsega, na Galiza, Catalunha, até na
Bulgária. Também em Génova, onde aliás a generalidade da comunidade
científica reconhece ter ocorrido o feliz e disputado evento.

<p n=694>
Parece entretanto chegado o momento da resposta. A um ano da Expo de
Sevilha, figuras ligadas à História ou às Comemorações dos Descobrimentos
Portugueses entenderam dar o seu a seu dono. «A campanha atingiu níveis
intoleráveis em termos de linguagem e com ela o país não tem nada a
ganhar. Pelo contrário, Portugal só pode beneficiar se não embarcar em
fantasias delirantes que nada têm de científico», declara ao PÚBLICO
Vasco Graça Moura, da Comissão Nacional para as Comemorações dos
Descobrimentos Portugueses.

<p n=695>
Uma conduta de água subterrânea datada do século I D.C., com 400 metros
de comprimento, foi descoberta por arqueólogos israelitas em Cesareia, no
litoral mediterrânico. A conduta, que tem 1,8 m de altura por um metro de
largura, reforçada por arcos, foi escavada em calcário e servia para
abastecer a Cesareia de água potável. Durante mais de seis séculos, os
habitantes da cidade usaram-na. O túnel, que em breve ficará desimpedido,
passa por baixo da cidade israelo-árabe de Jisr al-Zarka, cinquenta
quilómetros a norte de Tel-Aviv.

<p n=696>
Gravados no selo Edigal, sediado em Santiago de Compostela, estes discos
de música popular galega, importados pela Mundo da Canção, valem como
amostras exemplares de possíveis abordagens à música tradicional da
região. Contrariamente à nossa proverbial indiferença, do outro lado da
fronteira há muito se concluiu que só firmemente ancorada a uma herança
histórico-cultural, é possível a uma nação projectar-se coerentemente em
termos de Futuro.

<p n=697>
Génova vai evocar no próximo ano o seu «maior» com uma exposição
internacional simultânea à universal de Sevilha. «Cristóvão Colombo -- o
navio e o mar» é o tema desta mostra italiana onde a representação
portuguesa poderá porventura conseguir resultados iguais ou melhores do
que na exibição gigante de Espanha. Tudo a pensar em Lisboa, 1998.

<p n=698>
A Itália que também apostara numa «universal» para o ano 2000 em Veneza --
projecto chumbado à partida pelo Bureau International des Expositions
(BIE) devido à fragilidade do ecosistema local -- viu a sorte sorrir a
Hannover, com um voto a mais sobre Toronto. A partir de então, começou a
concentrar todas as suas atenções em Génova, onde promove de 15 de Maio a
15 de Agosto do próximo ano, uma exposição internacional especializada
que, albergando 30 países numa área de cinco hectares, será
fundamentalmente um pretexto para a reconversão urbana da zona do Porto
Antigo da cidade que viu nascer Colombo. Naquela que será a sua única
exibição internacional prevista para toda a década, a Itália espera
receber entre três e quatro milhões de visitantes.

<p n=699>
«Chitlango -- Filho de Chefe», uma obra autobiográfica que  Eduardo
Mondlane, o fundador e primeiro presidente da Frelimo, escreveu há mais
de 45 anos, foi pela primeira vez lançado em língua portuguesa no passado
domingo, em Maputo, a capital de Moçambique. No lançamento, que assinalou
a passagem do 22º aniversário da morte de Mondlane, assassinado com uma
carta armadilhada em Dar Es Salam, estiveram presentes o Presidente da
República moçambicana, Joaquim Chissano, e a viúva do fundador da
Frelimo. «Chitlango -- Filho de Chefe», assinado com o pseudónimo de
Chitlango Kambane, foi escrito originalmente em português, e fora já
editado em changana (a língua nacional do sul de Moçambique) e traduzida
para o inglês, francês, alemão e filandês. A obra, um relato de histórias
de infância e juventude de Mondlane, foi adoptado como livro escolar na
África do Sul, Lesotho e Namíbia.

<p n=700>
A cantora irlandesa Sinead O'Connor anunciou que não estará presente no
dia 20 de Fevereiro na entrega dos Grammy, considerados os óscares da
música, por «não dar valor» a prémios da indústria da música. Sinead, de
24 anos, foi nomeada para quatro Grammy pelo seu álbum «I Do Not Whant
What I Haven't Got», e deveria, durante o espectáculo, cantar «Nothing
Compares 2 You».

<p n=701>
«Nos Bastidores da Televisão» é o título do livro que o realizador de
televisão Adriano Nazareth se prepara para editar sobre os bastidores
desconhecidos da TV portuguesa. «Casos Insólitos» e «Quem Saneou Quem»
são alguns dos capítulos que compõem esta obra que inclui documentos,
depoimentos e informação inédita sobre a história da TV em Portugal.
Adriano Nazareth é o autor de um outro livro já publicado sobre o tema,
intitulado «30 Anos de Televisão».

<p n=702>
«O Segundo Círculo» e «Elegias», filmes de Alexandre Sokurov, e «All The
Vermeers of New York», de Jon Jost -- dedicado a Eugénia Melo e Castro --
foram os acontecimentos maiores do Festival de Roterdão que terminou no
domingo. Destaque ainda para «La Desenchantée», de Benoît Jacquot, com a
esplendorosa presença de Judith Godrèche.

<p n=703>
O ano de 91, tudo indica, será decisivo para a RTP: ou apresenta uma
«produção diferente», capaz de fixar um público por isso mesmo, ou fica à
mercê da concorrência da futura TV privada, capaz como ela de comprar
programas nos mercados internacionais.

<p n=704>
A concorrência profanou a `eminência' nacional e a alternância possível
introduziu no público português, ainda timidamente, o fenómeno que
angustia qualquer programador além-fronteiras: o «zapping», isto é, a
possibilidade de fazer de qualquer espectador um pequeno César de Coliseu
romano. O espectáculo prossegue ou é decapitado a um simples gesto do seu
dedo: basta premir um botão e no ecrã aparece outro programa.

<p n=705>
A  29ª edição da Volta à Andaluzia (Rota do Sol), primeira grande prova
internacional da época de ciclismo, começa hoje em Chicalana de la
Frontera, nos arredores de Cádis, e termina no dominho, em Granada, nela
participando um significativo número de ciclistas portugueses.

<p n=706>
Os restantes ciclistas da equipa -- António Araújo, Carlos Pinho, Carlos
Araújo, Fernando Mota, Joaquim Andrade, José Poeira e Serafim Ferreira --
estarão na prova de abertura do clendário português, no domingo, no
Algarve.

<p n=707 assunto=desporto>
O campeonato brasileiro de futebol começou sob o signo da desorganização
e da violência. Na primeira jornada, que se cumpriu no fim-de-semana,
oito jogadores foram expulsos durante os nove jogos disputados. O jogo
entre o Bragantino de São Paulo e o Bahia (1-1) foi o que registou
maiores problemas, tendo três jogadores sido expulsos na sequência de
lances violentos -- Ivar e Biro Biro do Bragantino e Marcelo do Bahia.
Ranieli e Galeano, da equipa Palmeiras, que perdeu por 4-2 com o
Fluminense, também foram expulsos. Outros jogadores que receberam ordem
para se retirarem do relvado foram Lau (defesa do Náutico), Luciano
(médio do Botafogo) e Guinei (defesa do Corinthians).

<p n=708 assunto=desporto>
Os clubes angolanos de futebol envolvidos nas competições africanas de
clubes venceram os jogos correspondentes à primeira mão das suas
eliminatórias preliminares. Na Taça dos Campeões, o Petro Atlético foi
ganhar ao terreno do Tempête Mocaf, da República Centro-Africana, por
3-2, com um «hat-trick» de André (49', 52' e 70'), enquanto na Taça das
Taças o Primeiro de Agosto goleou em casa o Nashua Black, da Namíbia, por
7-0, no jogo que marcou a estreia deste país nas competições africanas de
clubes. Os golos da equipa angolana foram apontados por Vieira Dias
(13'), Russo (22'), Ivo (34'), Lucau (40'), Fidimau (77'), Barbosa (86')
e Bolefe (92'). Os jogos da segunda mão jogam-se nos próximos dias 15, 16
ou 17.

<p n=709>
As vinte equipas que disputam o campeonato brasileiro de futebol,
iniciado no passado fim-de-semana, enfrentam um poderoso  adversário
comum e muito difícil de ser driblado: a crise financeira.

<p n=710>
A maioria das equipas conformou-se com o investimento em jogadores
desconhecidos, na esperança de que possa surgir, um pouco por obra do
acaso, alguma revelação. Mas não é só o problema financeiro a afectar o
futebol brasileiro. Também a nível organizativo aquele que é (foi?)
considerado o mais técnico e vistoso futebol do mundo ainda não conseguiu
superar a desorganização e a influência negativa dos «cartolas».

<p n=711>
Falta de «justa causa» é o argumento das associações nortenhas para
impugnar a queda da FPF. E as mesmas associações já têm a estratégia
traçada para o mês de Março, garantida que está a manutenção do poder até
ao final da época. Afinal, o grande objectivo.

<p n=712>
E a mesma fonte garante que, em caso de eleições, haveria uma segunda
lista (e Miranda Calha, convidado para a presidência da Direcção pelos
«contestários», só aceitava concorrer em lista única).

<p n=713>
O Olympique Nimois, da II Divisão francesa, através da UEFA, exigiu ao FC
Famalicão uma indemnização de quase 3 milhões de francos franceses (cerca
de 75 mil contos) pela transferência do argelino Menad para o clube
português.

<p n=714>
O clube francês tinha, por sua vez, um acordo com a Federação Argelina
segundo o qual podia negociar Menad durante o tempo da vigência do
contrato. O contrato já tinha expirado e o Famalicão defende que negociou
com a Federação Argelina.

<p n=715>
«É uma perfeita vergonha Alex Vieira ter sido condecorado e ainda não ter
recebido a medalha, quando ainda recentemente um piloto que terá
dispensado uma soma para entrar numa equipa de Fórmula 1 foi condecorado
sem ainda ter provado nada», disse Jorge Viegas, presidente da Federação
Nacional de Motociclismo (FNM), no decorrer de uma conferência de
Imprensa convocada para apresentação oficial do calendário de provas para
1991, nas modalidades de enduro, motocrosse, supercrosse, velocidade e
ainda de concentrações mototurísticas.

<p n=716>
Jorge Viegas disse ainda estarem a decorrer dois processos em tribunal,
um de impugnação das eleições de 17 de Março de 1990, e outro de
impugnação da Assembleia Geral promovida pela Federação Portuguesa de
Motociclismo (FPM) que marcou essas eleições, processos que estarão na
sua fase final, devendo até Março ser conhecida uma decisão. Segundo
aquele dirigente, caso seja favorável a decisão de impugnação das
eleições «as pessoas que neste momento estão à frente da FPM terão que
sair todas». Relativamente ao segundo processo, caso tenha uma decisão
favorável «a Federação volta a ter os estatutos antigos,
inconstitucionais e ilegais e volta a estar perante a ameaça de ser
extinta pelo Ministério Público». Resta pois aguardar a acalmia das águas
de forma a que a tempestade traga a bonança ao motociclismo português.

<p n=717>
Mais concentrada, de momento, nos problemas gerados pela  última
Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol do que propriamente
com a operação-Malta para o «Europeu», a selecção nacional realizou ontem
duas sessões ligeiras de treino. Sessões onde foi perceptível «sombra» da
anunciada decisão dos membros da  comissão técnica comandada por Artur
Jorge porem os seus lugares à disposição.

<p n=718>
De acordo com os dirigentes federativos, Jesualdo Ferreira continuará a
dar o seu contributo à selecção e não está ainda excluída a hipótese de o
técnico poder vir a seguir viagem com as selecções «A» e de «Esperanças»
para Malta. O técnico, por seu turno, garante que irá continuar a prestar
apoio à selecção, «embora com alguns condicionalismos».

<p n=719>
A Ferrari conseguiu os melhores tempos no primeiro dia de testes no
Estoril, voltando a cotar-se como a melhor equipa do actual momento da
F.1, onde a grande surpresa tem sido a nova equipa Jordan.

<p n=720>
A McLaren tem também dois chassis no Estoril. Gerhard Berger terá durante
esta semana muito trabalho de desenvolvimento do motor Honda V12 -- ontem
partiu mais um -- montado ainda no chassis do ano passado. Berger
continuará a concentrar todo o trabalho, enquanto Ayrton Senna se mantem
de férias no Brasil. O campeão do Mundo terá pensado vir a Portugal
assistir aos testes, mas ainda não é certo que visite a sua equipa no
Estoril, até porque o aparecimento do novo McLaren vem sendo
sucessivamente adiado, por atraso no fornecimento de materiais, devido à
Crise do Golfo. Diz-se mesmo que a equipa poderia iniciar o «Mundial» com
o carro do ano passado.

<p n=721>
O tempo é o principal inimigo do europeu quando se trata de negociar com
o árabe. Este age como se as horas não corressem, estendendo
vagarosamente o tapete e preparando o chá de hortelã. O europeu chega a
correr, de pasta na mão, passeia nervosamente sobre os tapetes sem se
descalçar e esquece-se de beber o chá enquanto fuma cigarro atrás de
cigarro.

<p n=722>
Um dia, na Idade Média, um senhor feudal e um emissário de um rei árabe
decidiram avaliar mutuamente a sua destreza nas armas. O senhor feudal
empunhou então a sua enorme espada e disse para o árabe:

<p n=723>
A venda judicial dos bens penhorados à Sociedade Antas da Cunha,
Petróleos, SA, ocorrerá no próximo dia 26.

<p n=724>
As propostas deverão dar entrada no 6º Juízo do Tribunal Tribiutário de
1ª instância de Lisboa até à véspera da venda judicial.

<p n=725>
O investimento dos países do Magrebe em Portugal, no ano passado, atingiu
a módica quantia de 540 contos, sendo 200 provenientes de Marrocos,
outros 200 da Argélia e 140 da Líbia. Não há notícia de qualquer
investimento da Tunísia e da Mauritânia.

<p n=726>
Este quadro manteve-se durante séculos, ultimamente com uma agravante: o
saldo das trocas tornou-se deficitário para Portugal. O culpado foi o
«ouro negro». Desde o final do ano passado, esta dependência tende a
acentuar-se, com o fim dos fornecimentos do Iraque e do Kuwait.

<p n=727>
A relação de Portugal com o Magrebe na área da emigração é exactamente
contrária ao figurino clássico que se estabelece entre os países
desenvolvidos e em desenvolvimento. Neste caso, os «desenvolvidos» são os
árabes, que exportam «massa cinzenta» e recebem mão-de-obra. Quanto aos
portugueses na zona, o Instituto de Apoio à Emigração contabiliza-os com
anos de atraso.

<p n=728>
Na embaixada portuguesa no Cairo estavam inscritos 1413 emigrantes em
Fevereiro do ano passado. Segundo uma fonte do Instituto, grande parte
poderá já não residir no Egipto, não tendo provavelmente cancelado a
inscrição no momento da partida. Como residentes estavam inscritos cerca
de 50 portugueses, trabalhadores da construção civil e operários não
qualificados, empregados administrativos e alguns engenheiros.

<p n=729>
José Tribolet, director do Instituto de Engenharia de Sistemas e
Computadores (INESC) afirmou ontem que o envolvimento desta instituição
com a indústria portuguesa será, nos próximos quatro anos, de 15 milhões
de contos. Este montante corresponde a 12 projectos candidatos ao Pedip.
José Tribolet declarou também que «compete agora ao Governo dizer o que
quer que o Inesc faça com a indústria portuguesa», sublinhando que «mais
do que 15 milhões de contos em quatro anos o Instituto não pode dar».

<p n=730>
A Digital Equipment Portugal obteve no ano fiscal de 1990 uma facturação
de 4,93 milhões de contos, correspondendo a um crescimento de 33 por
cento face ao ano anterior, anunciou ontem a empresa. Este resultado, de
acordo com uma fonte da empresa, citada pela Lusa, «veio reforçar o seu
posicionamento entre os principais da indústria informática portuguesa».
Durante o último exercício, o quadro de efectivos ao serviço da empresa
passou para 197, o que se traduziu num aumento de sete por cento.

<p n=731>
Portugal continua a depender dos fornecimentos de petróleo dos países
árabes, apesar de a crise do Golfo ter acelerado a procura de fontes
alternativas ao Iraque e ao Kuwait. A Argélia, em particular, assume cada
vez mais importância para o nosso país: além do petróleo, vai
fornecer-nos gás natural a partir de 1995. Esta dependência não é, porém,
uma ameaça, apesar da aproximação crescente dos argelinos ao integrismo
islâmico.

<p n=732>
No entender do secretário de Estado da Energia, «há sempre o risco da
instabilidade e das suas consequências, mas a verdade é que países deste
tipo não podem prescindir da venda de produtos petrolíferos». Em casos
semelhantes, quando quase toda a estrutura de exportação estava baseada
na venda de hidrocarbonetos, «nunca os movimentos nacionalistas ou
fundamentalistas puderam prescindir das vendas ao exterior, pelo
contrário, aceleraram-nas quando tomaram o poder».

<p n=733>
O Banco de Crédito Espanhol ( Banesto), obteve em 1990, resultados
liquidos antes de impostos, no valor de 53.000 milhões de pesetas (74,2
milhões de contos), o que corresponde a um aumento de 10,4 por cento
comparativamente 1989.

<p n=734>
As menos-valias da «corporação industrial», elevaram-se a mais de 50.000
milhões de pesetas (70 milhões de contos) devido à queda das bolsas
depois da crise do Golfo Pérsico e consequentamente da impossibilidade de
colocação no mercado de valores internacional, de mais de 20 por cento da
sociedade.

<p n=735>
O Banco Comercial de Macau (BCM) registou cerca de 1,6 milhões de contos
de resultados líquidos durante o exercício de 1990, dos quais cerca de
900 mil contos (56,25 por cento) correspondem à actividade do banco em
Portugal, iniciada há cerca de um ano. Por outro lado, o banco gerou
cerca de 2,97 milhões de contos de «cash-flow», dos quais perto de dois
milhões correspondem à actividade em Portugal. O BCM não se afastou,
assim, das previsões adiantadas nas contas do primeiro semestre de 90
quanto aos resultados líquidos, cuja previsão apontava para os 1,65
milhões de contos. Por outro lado, as previsões quanto ao «cash-flow»
foram largamente ultrapassadas: a instituição previra perto 2.071
milhares de contos para este indicador.

<p n=736>
A indústria automóvel alemã vai socorrer um dos seus fornecedores, os
pneus Continental, ameaçado por uma tentativa de controlo do italiano
Pirelli. Um porta-voz da Daimler Benz, número um da indústria alemã
indicou que o seu grupo tinha comprado acções Continental sem especificar
a quantidade. A Volkswagen também revelou que vai comprar títulos da
Continental. A BMW procura igualmente defender a Continental de uma
tentativa de fusão por parte da Pirelli, uma operação calculada em dois
mil milhões de marcos (174,4 milhões de contos). A Continental é o quarto
fabricante  mundial de pneus e tem vindo a lutar desde Setembro contra
uma proposta de compra do italiano Pirelli (quinto mundial). O capital da
Continental encontra-se repartido entre 47 mil accionistas residentes em
87 países. Os maiores accionistas conhecidos são o Deutsche Bank e a
seguradora Allianz, com uma participação de cinco por cento cada um. A
Pirelli afirma possuir cinco por cento do capital e beneficiar do apoio
da maioria dos accionistas.

<p n=737>
O presidente dos EUA, George Bush, apresentou ontem ao Congresso um
projecto de orçamento de 1,45 biliões de dólares para o ano fiscal que se
inicia a 1 de Outubro próximo. O défice orçamental para o próximo ano
está avaliado em 280,8 mil milhões de dólares.

<p n=738>
O projecto de orçamento atribui 30 mil milhões de dólares às despesas com
a Guerra do Golfo este ano, mas não prevê gastos para 1992, ano que já
faz parte de um plano quinquenal de redução de despesas militares.

<p n=739>
O consórcio constituido pela Cimpor, Secil e Banco de Fomento está na
corrida para a constituição de uma empresa mista com o Estado angolano no
sector cimenteiro. O investimento ronda os 25 milhões de dólares (cerca
de 3,5 milhões de contos) e tem como objectivo reactivar uma cimenteira.

<p n=740>
Lucas da Cruz, um dos responsáveis da Cimpor, afirmou ao PÚBLICO que
apesar de a decisão final caber «muito naturalmente ao Governo de Luanda,
estamos convencidos de apresentámos uma boa proposta». Em causa está um
investimento do consórcio que vier a ser seleccionado, que ronda entre os
«22 a 30 milhões de dólares» , referiu Lucas da Cruz, e que corresponderá
a 49 por cento de participação estrangeira da cimenteira, ficando o
estado angolano na posse dos restantes 51 por cento do capital desta
unidade fabril denominda Nova Cimangola, situada perto de Luanda.

<p n=741>
Os mercados de capitais portugueses, à semelhança das principais bolsas
internacionais, estão a reagir de forma positiva aos últimos
desenvolvimentos da guerra do Golfo, levados fundamentalmente pela
relativa supremacia das tropas aliadas, de que dão conta as notícias
divulgadas pela imprensa ocidental. Mas a noção de que não está a ser
divulgada a maior parte dos dados referentes à guerra impede os mercados
de iniciar a tão esperada recuperação. «Poderão existir informações
importantes para as bolsas, como seja, por exemplo, saber se existem
poços de petróleo sauditas a arder», sustentou um investidor.

<p n=742>
Vinte dias depois do início da guerra do Golfo, os principais dirigentes
políticos e económicos mundiais são de opinião que o conflito terá um
impacte reduzido sobre a economia global.

<p n=743>
O ICEP e o Instituto de Estudos Superiores Financeiros e Fiscais
assinaram ontem um protocolo que visa a criação do bacharelato em Gestão
Internacional e Exportação, a iniciar no norte do país.

<p n=744>
No âmbito desta colaboração, o IESF deverá reservar, em cada ano lectivo,
até 10 por cento do «numerus clausus» definido, a ser preenchido pelo
Ministério do Comércio e Turismo, embora seja dada preferência ao ICEP,
no curso de Gestão Internacional e de Exportação.

<p n=745>
O ICEP e o Instituto de Estudos Superiores Financeiros e Fiscais
assinaram ontem um protocolo que visa a criação do bacharelato em Gestão
Internacional e Exportação, a iniciar no norte do país.

<p n=746>
No âmbito desta colaboração, o IESF deverá reservar, em cada ano lectivo,
até 10 por cento do «numerus clausus» definido, a ser preenchido pelo
Ministério do Comércio e Turismo, embora seja dada preferência ao ICEP,
no curso de Gestão Internacional e de Exportação.

<p n=747>
A Ocidental Holding vai reunir em assembleia-geral no próximo dia 26 de
Fevereiro para aprovar as contas do último exercício e deliberar sobre
uma proposta de aplicação de resultados. Nessa assembleia, para além da
apresntação das contas, deverá ser equacionado o interesse manifestado
pela administração da empresa de entregar, durante este ano, o pedido de
admissão à cotação da holding seguradora nas bolsas de valores de Lisboa
e Porto.

<p n=748>
O peso da carteira automóvel no conjunto dos prémios rondou os quatro por
cento e a sinistralidade registada nos ramos reais foi de 45 por cento.
Em termos consolidados esta sociedade obteve um activo total de 15,8
milhões de contos enquanto no ano anterior este foi de apenas 6,5 milhões
de contos.

<p n=749>
Os esforços da Comunidade Europeia para termimnar uma disputa comercial
de quatro anos com os Estados Unidos falharão a o não ser que a
Comunidade diminuia os subsídios ao construtor aeronáutico Airbus
Industrie, afirmaram, ontem fontes oficiais norte-americanas, citadas
pela Reuter.

<p n=750>
Um mandato de negociação aprovado pelos ministros dos Estrangeiros
autorizou a Comissão Europeia a eliminar o apoio à produção e a diminuir
a ajuda ao desenvolvimento até 45 por cento.

<p n=751>
A procura de acções do Banco Totta & Açores ultrapassou todas as
previsões mais optimistas. Para uma oferta de cinco milhões de acções, a
procura ultrapassou os 1,8 mil milhões. Um número «impossível» que o
PÚBLICO pediu a Alipio Dias para reconfirmar e que causa algumas
perturbações no sistema informático do banco.

<p n=752>
Este aumento de capital, significou um encaixe de 13,25 milhões de contos
para o BTA, numa subscrição em que o Estado decidiu reservar 60 por cento
dos direitos preferênciais aos trabalhadores, pequenos subscritores e
emigrantes. Quanto ao resto do capital social do Totta, encontra-se
disseminado por 40.628 mil pequenos accionistas que correspondem em
conjunto, ao grupo que «detém a maior fatia» desta instituição bancária.
Este facto é para Alipio Dias, extremamente importante pois é prova «o
grande interesse demonstrado por todos os accionistas».

<p n=753>
O receio de gatos pretos é geralmente considerado como uma crendice sem
qualquer fundamento, mas muita gente pensa que a telepatia é um fenómeno
estudado e aceite pela ciência. Seja como for, um enorme número de
pessoas, em todo o mudo, permite que a sua vida seja influenciada por
crenças tão infundadas como estas. Nos EUA, acaba de ser publicada uma
sondagem sobre a questão.

<p n=754>
Uma das conclusões mais curiosas que se pode extrair deste estudo,
comparando os resultados com os de sondagens idênticas realizadas anos
atrás, é que houve um ligeiro aumento na crença no paranormal. Assim, por
exemplo, enquanto em 1978 apenas 39 por cento das pessoas afirmava
acreditar em «diabos», 11 por cento em fantasmas e 10 por cento em
bruxas, essas percentagens são hoje, respectivamente, 55, 25 e 14 por
cento.

<p n=755>
Dez novos reactores nucleares foram activados nas redes eléctricas de
seis países, em 1990, refere um comunicado da Agência Internacional de
Energia Atómica (AIEA), fazendo assim subir para 424 o número total de
instalações nucleares mundiais que produzem electricidade.  Dentro destes
países encontra-se o Canadá (1 reactor), a França (3), a Índia (1), o
Japão (2), os Estados Unidos (2) e a URSS (1). No entanto, paralelamente,
foram fechados 12 reactores nucleares, dos quais 2 em França, 5 na
Alemanhã, 2 em Itália, 2 no Reino Unido e um em Espanha. A capacidade
mundial de electricidade nuclear aumentou em 6000 megawatts no ano
passado, passando para 324 mil megawatts.

<p n=756>
Instituição prestigiada, exemplo clássico da investigação de qualidade
portuguesa, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil atravessa hoje um
período difícil onde, a par dos investimentos, tem faltado a
possibilidade de renovar os seus quadros. A sua renovação poderá passar
por uma nova instituição, criada à sua sombra.

<p n=757>
Entre os laboratórios que testaram medicamentos em cobaias humanas da
Alemanha Oriental sem o conhecimento destas, conta-se a empresa japonesa
Asahi Chemical Industry; a Bayer, da RFA, e o laboratório austríaco Linz.
A notícia de que a indústria farmacêutica ocidental tinha testado os seus
produtos durante anos nos alemães de leste internados nas clínicas da
ex-RDA, foi dada ontem pelo semanário «Der Spiegel» (ver PÚBLICO de
ontem). Em troca, o antigo regime da Alemanha Oriental terá ganho com o
negócio alguns milhões de dólares (11,3 milhões em 1989). Entre os
medicamentos testados encontram-se beta-bloqueadores, anti-depressivos e
medicamentos obtidos por manipulação genética, segundo relata a France
Presse. Os ensaios clínicos saiam 10 a 30 por cento mas baratos do que se
fossem feitos no Ocidente e ofereciam aos laboratórios a vantagem
suplementar de uma total discrição e de impunidade em caso de acidente.
Os hospitais envolvidos recebiam em troca equipamento médico sofisticado.
«A miséria material das nossas clínicas garantia a boa vontade dos nossos
médicos», afirmou ao «Der Spiegel» Karl Seidel, um antigo responsável
pela área da saúde no partido comunista alemão oriental (SED).

<p n=758>
«O orgasmo múltiplo masculino existe?» e «Viva a diferença e as
semelhanças» são os títulos de duas das comunicações a apresentar durante
a Primeira Conferência Mundial sobre o Orgasmo que ontem se iniciou em
Nova Deli, na Índia, e que terminará amanhã. A conferência, dedicada ao
tema «Prazer sem procriação», conta com a participação de 500
sexologistas de países de todo o mundo e foi iniciada com um apelo dos
organizadores para que se ponha fim aos tabus que entravam a investigação
e a educação sexual. John Money, do hospital Johns Hopkins, de Baltimore,
EUA, falando na sessão de ontem, propôs o nome de «orgasmologia» para
este ramo da sexologia -- que inclui o erotismo e as relações sexuais --
como forma de lhe conferir uma maior respeitabilidade. Entre os temas a
abordar conta-se a definição do orgasmo e as suas definições erradas, o
uso e abuso de fortificantes, o uso de hormonas e afrodisíacos, a excisão
das mulheres, os modelos socio-culturais, a sida e a sua prevenção, as
disfunções do orgasmo, a educação sexual e a contracepção.

<p n=759>
As imensas esperanças depositadas nas décadas de 70 e 80 nas capacidades
dos robôs deram origem a algumas desilusões traumatizantes, mas o
desenvolvimento destas máquinas inteligentes não parou. O Japão continua
a liderar o sector de forma destacada e no ano 2000 vai ter uma população
de 900 mil robôs.

<p n=760>
O «centauro» é accionado a partir de um quadro situado no exterior da
zona irradiada, permitindo assim evitar os longos encerramentos
obrigatórios destinados à realização dos controlos de segurança
obrigatórios nas cerca de 40 centrais activas no Japão.

<p n=761>
Os sectores conservadores do PCUS passaram à ofensiva no Comité Central.
Por seu turno, enquanto alertam para os perigos da «ditadura do capital
privado», os sectores reformistas tentam organizar-se e apostam na
criação de uma corrente social-democrata no interior do partido.

<p n=762>
Os principais excertos das intervenções feitas no «plenum» começaram a
ser ontem publicados no «Pravda» e demonstram a disparidade de opiniões
sobre o actual momento político na URSS. O primeiro secretário do Partido
Comunista de Moscovo, Youri Prokofiev, não poupou críticas à coligação
liberal da «Rússia Democrática» e defendeu a rápida elaboração de um
programa para o Partido Comunista. « Para o PCUS», considerou, «só resta
a alternativa de aceitar os desafios e entrar na luta política».

<p n=763>
OS MINISTROS dos Negócios Estrangeiros da Comunidade Europeia decidiram
ontem levantar as sanções à África do Sul logo que o Presidente De Klerk
cumpra a promessa de acabar com as últimas leis do apartheid.

<p n=764>
A decisão do Supremo Tribunal de interromper o julgamento para
«complemento de informação» foi motivada por um pedido do procurador Jan
Swanepoel, que informou o juíz da necessidade de corrigir o libelo
acusatório de que são alvo os oito co-acusados e tentar recolher mais
informações. O procurador vai agora tentar refutar os argumentos da
defesa, após o que o juíz se pronunciará sobre o pedido dos advogados de
defesa, dirigidos por George Bizos.

<p n=765>
Os adversários do regime guineense residentes em Portugal dizem que o
PAIGC deve compreender que a democracia é a única forma de ultrapassar os
graves problemas que o país enfrenta, 17 anos após a proclamação da
independência.

<p n=766>
De acordo com Domingos Fernandes, a Guiné-Bissau é o único país da África
de expressão oficial portuguesa onde não existe diálogo entre as
autoridades e as forças da oposição, pois até os Governos de Angola e de
Moçambique, apesar de estarem em guerra, mantêm conversações com os seus
adversários.

<p n=767>
DOIS CIVIS ficaram feridos e dezenas de casas e estabelecimentos
devastados por causa do ataque lançado ontem a uma base militar na
Irlanda do Norte. Um protestante foi obrigado, presumivelmente pelo IRA,
a conduzir uma carrinha com uma bomba até à base de Magherafelt, na
região de Londonderry. Mas conseguiu fugir e dar o alarme minutos antes
da explosão do engenho, que pesava 225 quilos. Foi no ano passado que o
Exército Republicano Irlandês adoptou a táctica de obrigar civis a
conduzir veículos transportadores de bombas.

<p n=768>
MINORIAS étnicas e povos que lutam pela independência vão criar na
próxima semana, na Haia, uma organização de alternativa às Nações Unidas,
que começará por ter 20 membros, incluindo Timor-Leste, Estónia, Letónia
e Lituânia. Vai chamar-se Organização das Nações e Povos
Não-Representados e terá também entre os seus membros o Tibete, a
Mongólia Interior, a Arménia, a Crimeia e os Curdos.

<p n=769>
UM AUTÊNTICO golpe de teatro foi o que se verificou ontem no congresso do
antigo Partido Comunista Italiano: Achille Occhetto, que era secretário
do PCI, não conseguiu ser eleito à primeira volta secretário do novo
Partido Democrático da Esquerda (PDS), dele resultante.

<p n=770>
«O que têm a fazer é procurar outro secretário» -- desabafou, visivelmente
irritado, Achille Occhetto, ao saber o resultado da votação.

<p n=771>
POP DELL ARTE REGRESSAM AOS PALCOS -- Depois de uma temporada de
afastamento dos palcos, os Pop Dell' Arte preparam o seu regresso com um
concerto agendado para dia 23  no cinema Alvalade. O espectáculo,
incialmente pensado para a Estufa Fria, será para coincidir com a estreia
da banda de João Peste e da sua editora Ama Romanta no capítulo do CD,
através da reedição do álbum «Free Pop» e da compilação «Arriba! Avanti!
Pop Dell'Arte». A primeira parte do cartaz no cinema Alvalade será
preenchida pelos More Republica Masónica», e os bilhetes custarão mil
escudos, se comprados antecipadamente,  e mais duzentos no próprio dia.

<p n=772>
Ao longo de todo o mandato, a Junta e a Assembleia de Freguesia não se
reuniram, o vogal tesoureiro não foi eleito, os planos de actividade e
orçamentos não foram elaborados e o presidente impediu a sua substituição
pelo secretário, nos termos da lei. A IGAT verificou também que a
contabilidade referente àquele período é «inexistente».

<p n=773>
A lista encabeçada por Jorge Alegria venceu as eleições de domingo para
os órgãos do Conselho Distrital da JSD. Pedro Silva manteve o cargo de
presidente do Conselho de Jurisdição.

<p n=774>
Mas a grande celeuma reside na nova tarifa de utilização de esgotos.
Segundo nota enviada juntamente com os últimos recibos, o munícipe
passará a pagar vinte e cinco escudos por cada metro cúbico de água
consumida. A edilidade salienta que esta cobrança é extensiva aos
consumidores que não possuem esgotos, mas sistemas de fossas assépticas e
que, em contrapartida, lhes irá assegurar a limpeza anual das mesmas.

<p n=775>
Os meios culturais sintrenses andam agitados. A organização mais activa
do concelho foi privada de todo o apoio municipal e a guerra com a Câmara
arrasta-se quase há um ano.

<p n=776>
Os   dirigentes do grupo sublinharam que em 1990 não receberam «um só
tostão» do pelouro da Cultura. «Embora o único documento existente acerca
da tal nova política afirme que ela assentaria na compra de serviços aos
agentes culturais, o pelouro nunca nos requisitou nada».

<p n=777>
POP DELL ARTE REGRESSAM AOS PALCOS -- Depois de uma temporada de
afastamento dos palcos, os Pop Dell' Arte preparam o seu regresso com um
concerto agendado para dia 23  no cinema Alvalade. O espectáculo será
para coincidir com a estreia da banda de João Peste e da sua editora Ama
Romanta no capítulo do CD, através da reedição do álbum «Free Pop» e da
compilação «Arriba! Avanti! Pop Dell'Arte». A primeira parte do cartaz no
cinema Alvalade será preenchida pelos More Republica Masónica», e os
bilhetes custarão mil escudos, se comprados antecipadamente,  e mais
duzentos no próprio dia.

<p n=778>
No ano de 1989, a extensão de Oeiras registou um total de 869 consultas,
contra 532 no ano anterior.

<p n=779>
O projecto de instalação de uma área de serviço de apoio ao IP5
(Itinerário  Principal 5) ao quilómetro 7,25 do troço Albergaria-Viseu
parece definitivamente comprometido, devido à proximidade dos poços de
captação de água do sistema regional do Carvoeiro, que vão ser incluídos
numa zona especial de reserva e protecção.

<p n=780>
A ACM  celebrara um contrato-programa  com o Ministério do Planeamento e
da Administração Interna no valor de 2,2 milhões de contos, tendo dado
início às obras, que incluíram a perfuração de dois poços para captação
de águas no aluvião do rio Vouga, junto à povoação do Carvoeiro, e a
construção de uma estação de tratamento de águas. O sistema irá permitir
no ano de 2005 o abastecimento de água a uma área com 200 mil habitantes
e um consumo médio diário de quase 40 metros cúbicos.

<p n=781>
Os números divergem: a Federação dos Sindicatos de Hotelaria (FESHOT) e
Turismo contabilizou que 50 a 60 por cento dos trabalhadores da cadeia de
hotéis Tivoli fizeram ontem greve, e esperam adesão semelhante para hoje
-- enquanto a administração afirmou que apenas 40 dos 663 trabalhadores
não trabalharam.

<p n=782>
No entanto, Jorge Saraiva, um dos administradores dos quatro hotéis
Tivoli, em Lisboa e Sintra, afirmou que o aumento salarial já foi
acordado com a comissão de trabalhadores, pelo que «esta greve não tem
razão de ser». C.B.

<p n=783>
Os serviços municipalizados de água e saneamento de Tomar reconheceram
ter incorrectamente processado «alguns recibos de água» postos à cobrança
e prometeram a «sua devida regularização». O aviso que rectifica a
medida, tomada a 14 e Dezembro do ano passado foi publicado nos jornais
locais do último fim-de-semana com data de 28 de Janeiro.

<p n=784>
Para a CDU,  «se tivesse havido logo bom senso e humildade, o conselho de
administração dos Serviços Municipalizados não teria deixado chegar as
coisas onde chegaram».    J.M.S.

<p n=785>
Numa altura em que a questão árabe está tão acesa e recrudesce o
interesse pela civilização islâmica, a exposição de fotografia que hoje é
inaugurada na Associação Portuguesa de Arte Fotográfica surge como
oportuna. «Tunísia - à sombra do Sol» é a designação desta mostra de
trabalhos de Bruno Pelletier Sequeira que pode ver de terça a
sexta-feira, entre as 18h30 e as 22h30. É na Rua das Chagas, 17, 2º Dto,
perto do Largo do Calhariz. Até 26 de Março.

<p n=786>
Na galeria Moira (Rua Nova da Piedade, 33) abre hoje uma exposição de
pintura de José Luís Tinoco que reúne trabalhos de 1988 a 90. Na
abertura, ao fim da tarde, estará presente António Alçada Baptista, autor
de um livro sobre o pintor.

<p n=787>
Os funcionários da Escola  Secundária de André de Gouveia, em Évora,
encontraram na manhã de ontem uma caveira num posto exterior à vedação do
estabelecimento. O comissário Mata da PSP de Évora afirmou tratar-se de
um crânio de mulher onde ainda se conhecia uma trança de cabelo.
«Supõe-se que seja um óbito ocorrido há perto de quatro anos», disse. A
polícia participou o achado ao Ministério Público, cujo delegado anunciou
que vai ser aberto um inquérito para averiguar a origem da caveira. «Se
for caso disso» , admitiu vir a pedir o apoio do Instituto de Medicina
Legal e da Policia Judiciária.

<p n=788>
As licenças que a proposta apresentada por Jorge Sampaio abrange são,
entre outras, as necessárias à execução de obras e à ocupação de via
pública enquanto decorrerem os trabalhos.

<p n=789>
Uma restroescavadora que procedia a obras na Quinta das Rosas, a Chelas,
Lisboa, danificou pelas 8h50 de ontem um poste de linhas de baixa tensão,
provocando dois curto-circuitos, a queda de cinco cabos e o corte de
fornecimento de energia à Azinhaga do Broma, naquele bairro.

<p n=790>
A favor do Orçamento e Plano, que prevê lucros de 1,5 milhões de contos
para 1991, votaram os cinco eleitos do PS e os quatro do PCP. Contra
pronunciaram-se os três vereadores do PSD e três dos quatro do CDS.
Abstiveram-se o centrista José Luís Seixas e o monárquico Luís Coimbra. O
Relatório e Contas de 1989, o outro documento votado, recolheu o sim de
socialistas e comunistas  e a abstenção dos restantes oito vereadores.

<p n=791>
São 16 «Exercícios de Pintura», de Francisco Lanes Bellizzi, a exposição
que hoje é inaugurada na Biblioteca Nacional.

<p n=792>
Com várias exposições individuais realizadas ao longo da década de 70 em
Portugal -- quer em Lisboa, na Quadrante, quer em Évora e nos Açores --
Francisco Bellizzi participou também em mostras colectivas na Sociedade
Nacional de Belas Artes em Lisboa (em 1972 e em 1979) e na Escola de
Arquitectura em Barcelona (em 1974). A sua última exposição individual,
esteve patente na Embaixada do Brasil em Paris, em 1990, cidade onde já
antes -- em 1985 e em 1986 -- apresentara os seus trabalhos.

<p n=793>
A PSP deteve no domingo quatro indivíduos com idades entre os 20 e os 30
anos, suspeitos de fazer parte de uma rede de roubo e receptação que
actuou nos últimos tempos nas áreas do Barreiro e Baixa da Banheira. Para
além de furtos em casas comerciais, o grupo dedicava-se ainda a tráfico e
consumo de drogas «duras».

<p n=794>
Foi ainda recuperada uma caçadeira automática de repetição (oito tiros),
uma pistola de 8 milímetros, um revólver de calibre 22 e uma pistola de
pressão de ar, para além de punhais, munições diversas e uma matraca que
constituíam o arsenal do bando agora desmantelado.

<p n=795>
Sábado, Quinta Grande, à Charneca do Lumiar, em Lisboa. Passavam 15
minutos das 23 horas e, num sítio recatado do bairro, quatro homens
jogavam «à moedinha». O jogo prometia, uma vez que quem perdesse pagava
um jantar aos restantes. A aposta, por atingir montantes diferentes dos
habituais, fez juntar mirones em torno dos jogadores. Quando, por fim,
foi encontrado o pagador, um dos assistentes fez-se convidado, gerou-se
confusão, troca azeda de palavras, uma chapada e, finalmente, um tiro na
cabeça de um dos intervenientes.

<p n=796>
Seguiu-se então uma breve troca de palavras: Andrade dizia que não tinha
nada que pagar a quem estava fora do jogo; Jorge Monteiro insistia que
também entrara na combinação. Ao fim de alguns minutos, conforme consta
dos autos policiais, o carpinteiro terá dado uma bofetada no funcionário
da Carris, que optou por ir para casa.

<p n=797>
Comer pão à maneira antiga é um conselho em que os responsáveis da saúde
apostam no Algarve. Para isso promoveram o «pão da saúde» e lançaram um
concurso nas escolas. Faz bem aos intestinos e melhora o funcionamento do
aparelho circulatório. Mais fibras e menos sal é o segredo.

<p n=798>
Antigamente, chamavam-lhe o «pão dos pobres», por ser feito com farinhas
de segunda categoria e ser vendido mais barato. Nas aldeias também lhe
davam o nome de «pão rolão» e as mães, para convenceram os filhos a
comê-lo, diziam que «fazia os moços bonitos».

<p n=799>
O atropelo à proibição de estacionar e o hábito já adquirido foram os
maiores «acidentes de percurso» com que automobilistas e peões esbarraram
ontem nas Avenidas Novas. A maior parte considera que tudo vai ficar
melhor mas, enquanto isso, pessoas e carros estão de novo «em rodagem».

<p n=800>
De qualquer modo, também no ar houve um certo congestionamento, não
rodoviário mas sim sonoro: «Havia mais buzinadelas e irritação, as
pessoas ainda não se adaptaram à novidade», considerou José Carlos
Rodrigues, vendedor numa banca de jornais e revistas.

<p n=801>
Wim Wenders rodou «A Angústia do Guarda-Redes no Momento do Penalty» a
partir do romance de Peter Handke -- editado em Portugal pela Relógio
d'Água em 1987 --, iniciando uma colaboração que culminaria com o
espantoso «As Asas do Desejo» (1987), que a RTP ainda recentemente
exibiu.

<p n=802>
Não sendo um dos maiores Kazan, «Viva Zapata», que hoje é exibido no
Canal 1 às 14h20, é um dos grandes exemplos da arte de Marlon Brando e do
famoso Método de Stanislavski. Realizado em 1952, o filme, baseado num
argumento de John Steinbeck, centra-se na figura de Emiliano Zapata
(Brando, irreconhecível de bigode), o camponês iliterato que foi um dos
símbolos da revolução mexicana. Zurzido pela crítica na altura -- foi,
aliás, o primeiro de uma série de fracassos comerciais para Brando --
«Viva Zapata» não deixa de encenar uma das temáticas recorrentes no
cinema de Elia Kazan: os compromissos, inevitáveis, do indivíduo perante
o colectivo. Ao lado de Marlon Brando, Anthony Quinn, cuja interpretação
foi premiada com um Óscar. Às 21h15, às 23h00 e ainda no Canal 1, os
últimos episódios, anuncia a RTP, de O Polvo (até que enfim!) e Alô! Alô!
(é penaƒ). Mas antes, em Sem Legendas, a reposição de O Tal Canal. Uma
excepção às geralmente pouco recomendáveis séries de produção nacional
que a rubrica costuma repescar. Este é para rever, às 13h30.

<p n=803>
«A incapacidade de relacionar, em conjunto com a abstracção
tecno-militar, conduziu à concepção eufórica da guerra cirúrgica votada à
mera questão iraquiano-kuwaitiana; conduz-nos presentemente ao
alargamento e ao alargamento da guerra e, se o mundo for oncapaz de
reagir, ao desencadear da barbárie no mundo.»

<p n=804>
A guerra do Golfo. Não é apenas uma, mas várias guerras. Ou, se é uma,
ela ultrapassa os areais arábicos e o mar que eles cercam, mais ampla e
mais numerosa. Mas a olho nu o que vemos é o Ocidente de um lado e o
mundo árabe do outro. Que mundo é todo o povo e não apenas os poderes. Do
lado do Ocidente são os Estados Unidos os mais empenhados e envolvidos,
enquanto do lado árabe é o Iraque quem está directamente no conflito.

<p n=805>
Foram anunciados aumentos das pensões dos reformados da Função Pública
até 40 por cento, com a finalidade da sua recuperação face aos
vencimentos do activo.  A Portaria 54/91 desmente, sem margem para
dúvidas, as promessas feitas, sendo um balde de água fria sobre as
esperanças alimentadas...

<p n=806>
A Administração Pública mentiu-lhes, e ainda por cima os penaliza com a
injusta alteração do código do IRS, que a partir de agora lhes vai
aplicar...

<p n=807>
Quero felicitá-los, pela qualidade dos artigos de opinião e/ou
comentários sobre a Guerra do Golfo, que tenho tido o prazer (!!) de ler
no PÚBLICO. Salvo dois artigos, acerca do mesmo assunto, que num dado
sábado pude ler no «Expresso», e isto antes dos ditos Aliados terem
avançado, apenas no vosso jornal encontrei (finalmente) uma leitura
lúcida dos acontecimentos. Congratulo-me. Não tanto por mim própria, mas
pelo público em geral que, creio, necessite de ser alertado para o que de
facto se está a passar, ou melhor, se tem vindo a passar naquela região
do mundo.

<p n=808>
No mesmo suplemento, na entrevista com António José Saraiva, onde se lê
I.R.S. deve ler-se I. S. Révah, investigador que manteve um debate aceso
com o historiador, a propósito da publicação de «Inquisição e
Cristãos-Novos».

<p n=809>
É evidente que a atitude da comunidade internacional em relação à crise
do Golfo não deixará de se repercutir muito para além dos limites
temporais e espaciais do conflito, e que deixará marcas muito difíceis de
apagar. Até que ponto essas marcas obrigarão a uma reavaliação de
alianças ou a uma ressintonização das «relações privilegiadas», é cedo
ainda para especular.

<p n=810>
Noutro plano muito se tem dito e escrito sobre a forma como a
generalidade dos países europeus e outros países «ocidentais», como o
Japão, tem agido relativamente aos problemas do Golfo e do Médio Oriente.

<p n=811>
1. Os ventos de guerra afastaram os turistas de Londres. O número de
passageiros da British Airways nos dois aeroportos da cidade é agora 22
por cento mais baixo do que na mesma época do ano passado. Algumas
companhias falam de quebras da ordem dos 85 por cento. A televisão mostra
regularmente imagens de Heathrow invulgarmente despovoado.

<p n=812>
2. O movimento contra a guerra continua a sua campanha em Inglaterra e no
passado sábado várias manifestações voltaram a desfilar pelo país. As
sondagens, no entanto, parecem indicar que a opinião pública não é
grandemente afectada: uma expressiva maioria de 80 e tal por cento
continua a concordar com a participação britânica no bloco aliado.

<p n=813>
A Associação Sindical dos Diplomatas está de mãos atadas. Protesta contra
transferências «arbitrárias», mas admite que são «legais». Por isso
concentra-se na luta pelo Estatuto, que o Governo também tem pressa em
aprovar. Mas acrescenta-lhe uma grelha salarial que pode atrasar o
processo.

<p n=814>
O secretário-geral, por seu turno, terá explicado aos representantes
sindicais os princípios que nortearam as transferências. Explicações que
não «convenceram» os diplomatas. Resultaram inúteis as tentativas feitas
pelo PÚBLICO para ouvir, do embaixador Silva Marques, tais explicações: o
secretário-geral entendeu que o MNE não tem que tornar pública a sua
posição.

<p n=815>
A sexta ronda MPLA-UNITA começa amanhã no Palácio das Necessidades. O
chefe da delegação da UNITA diz que aí serão fixados os princípios já
aprovados e considera que o cessar-fogo poderá ser assinado em Junho.

<p n=816>
Esse salto será concretizado na «assinatura de acordos, de princípios
fundamentais, sobre os quais se poderão realizar os acordos definitivos
de cessar-fogo, que esperamos se concretizem para breve. É neste
contexto, de assinatura dos acordos de princípios, que nós estamos aqui».

<p n=817>
Telefonema - Em conversa telefónica mantida ontem de manhã com o Chefe de
Estado da África do Sul, Cavaco Silva abordou as recentes medidas tomadas
naquele país contra o «apartheid». O primeiro-ministro manifestou a De
Klerk a sua satisfação pela decisão do governo sul-africano de abolir
parte da legislação sobre aquele regime, sublinhando que, assim, a
posição que Portugal tem defendido junto da CEE - favorável ao
levantamento das sanções à África do Sul - «se encontra favorecida».

<p n=818>
Casa Comum - O ex-deputado comunista José Magalhães participa, na
próxima quinta-feira, no debate «PS, Casa Comum da Esquerda?», promovido
pela Federação da Área Urbana de Lisboa do PS - FAUL. Magalhães, que saíu
do PCP pouco antes das presidenciais, na sequência do seu apoio público a
Mário Soares, vai lançar questões a Jaime Gama e Fernando Pereira
Marques.

<p n=819>
Violentos combates desenrolam-se desde há alguns dias na província do
Bié, centro de Angola, em vésperas de mais uma ronda de conversações com
vista a uma solução pacífica para o conflito neste país africano. De
acordo com as autoridades de Luanda, a UNITA tenta ocupar Kuito, capital
do Bié, para depois do cessar-fogo poder estender o seu domínio a outras
regiões do centro, nomeadamente o Huambo, onde etnicamente goza de certo
apoio.

<p n=820>
Na semana passada, na Cidade do Cabo, delegações oficiais de Angola e da
África do Sul debateram a questão, à margem dos trabalhos da comissão
conjunta de verificação dos acordos de Nova Iorque. Na altura, o general
França Ndalu, que encabeçou a parte de Luanda, apresentou várias provas
de violações do espaço aéreo angolano por parte aviões provenientes da
África do Sul, bem como da entrada de várias colunas de camiões com
material diverso. Neil Van Heerden, o representante do governo de
Pretória, afirmou por seu turno, tratar-se de ajuda humanitária, tendo
proposto a criação de uma comissão conjunta para o patrulhamento da
fronteira angolana-namibiana.

<p n=821>
A cidade de Setúbal - autarquia presidida pelo socialista Mata Cáceres -
é o local escolhido pelo PSD para as Jornadas Parlamentares de 1991,
marcadas para a segunda semana de Março. Uma escolha emblemática, ao
sabor dos tempos de campanha que viram as atenções partidárias para os
grandes centros urbanos. Na capital do terceiro maior distrito do país -
onde a tendência de voto tem revelado grande abertura à mudança -, o PSD
vai sair à rua, visitar fábricas e colectividades populares, defender a
qualidade de vida e apresentar-se como o partido que associa o
crescimento económico às políticas sociais mais justas. Acções que, tanto
o PCP como o PS, poderiam acolher.

<p n=822>
O facto de Setúbal ser a capital de um dos mais populosos distritos do
país insere-se, por outro lado, no objectivo prioritário para o PSD que é
«a conquista das cidades». Reina a consciência de que «a província já
teve a sua parte, os votos aí já estão ganhos, enquanto nos grandes
centros urbanos há muita coisa a potenciar». Curiosamente, esta
prioridade permitirá, em simultâneo, fazer frente aos socialistas,
igualmente empenhados nos temas sociais e ligados à qualidade de vida dos
cidadãos.

<p n=823>
Argumentando com a necessidade de garantir aos eleitores, antes das
legislativas, o conhecimento das alternativas que lhes são apresentadas
pelos diversos partidos, o PS tornou ontem pública uma proposta dirigida
à Rádio Televisão Portuguesa e aos principais partidos políticos, para
que aceitem promover um conjunto de debates, em directo no 1º canal da
RTP.

<p n=824>
Para o primeiro conjunto de debates, o PS propõe mesmo uma lista de oito
temas - desde os desafios da construção Europeia, à situação económica e
nível de vida dos portugueses, passando pela reforma do sistema
educativo, os problemas da vida urbana e rural, a regionalização ou a
Justiça -, a discutir com as outras partes envolvidas.

<p n=825>
O DIÁLOGO Igreja-Mundo é um dos temas em análise nas Jornadas de Estudo
da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que desde ontem decorrem em
Fátima, com uma nota inédita: a reunião foi alargada, pela primeira vez
na história da CEP, ao que se pode considerar a elite de responsáveis da
Igreja portuguesa: além dos 36 bispos, há 26 padres (20 provenientes das
dioceses e 6 da Conferência Nacional  dos Religiosos), 10 responsáveis da
Federação dos Institutos Religiosos Femininos e 36 leigos. Aos bispos,
tinha sido pedido que, dos dois acompanhantes, um deles fosse jovem.

<p n=826>
A reunião alargada decorre até amanhã à noite, ficando a manhã de
quinta-feira destinada a resolver algumas questões práticas pendentes no
seio do episcopado.

<p n=827>
O novo sistema retributivo para a função pública ainda não vigora nos
serviços dos registos e do notariado, e existe mesmo a hipótese de os
trabalhadores daquele sector virem a recorrer à greve logo que o
sindicato julgue oportuno, conforme decisão de um plenário realizado na
passada semana. Na base desta posição está o facto de o Governo ter
ignorado as reivindicações defendidas pelos trabalhadores, quando em
Outubro tomaram conhecimento do projecto do decreto-lei do sistema
retributivo. Entre outras falhas, o sindicato do sector entendia que não
era considerada a integração nos números do novo sistema em função da
antiguidade e diuturnidades, nem garantida a retroactividade a 1 de
Outubro de 1989, data de entrada em vigor do novo sistema. Segundo o
Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado, «o Governo ouviu
mas não escutou as suas reinvindicações, tendo remetido o diploma no dia
3 de Janeiro para conhecimento (sic), sem que nele tenham sido acolhidos
quaisquer dos nossos pontos de vista».

<p n=828>
O atraso nas obras do aeroporto de Macau, que atingiu os 180 dias, está a
causar um prejuízo diário de 17 mil contos diários à companhia
concessionária CAM, afirmou à agência Lusa o secretário-adjunto do
território, Luís Vasconcelos. De acordo com secretário-geral, que tutela
as obras públicas e os transportes em Macau, as dificuldades criadas pela
República Popular da China para a construção do aeroporto podem tornar
inviável todo o projecto, caso não sejam contornadas rapidamente. O
sindicato bancário constituído para financiar o projecto começa já a
fazer novas exigências no domínio das garantias, segundo Luís
Vasconcelos, e o próprio custo do financiamento tem subido
proporcionalmente ao risco do empreendimento. A China levanta dúvidas
quanto à construção do aeroporto sobre um aterro e quanto aos níveis de
poluição que o aeroporto causará sobre a cidade de Zhuhai, na província
de Guangdong, onde são sentidas as maiores resistências ao projecto.

<p n=829>
Uma executivo do Conselho Mundial das Igrejas afirmou ontem que o
tratamento racista aos aborígenes na Austrália, se aproxima do genocídio.
Os delegados à sétima assembleia mundial do Conselho, que se está
desenrolar em Camberra, na Austrália, de 7 a 20 de Fevereiro, visitaram
duas reservas de aborígenes. «O impacto do racismo dos australianos em
relação aos aborígenes não é apenas horrível, mas aproxima-se do
genocídio», disse Janice Love, da Igreja Unida Metodista dos Estados
Unidos e membro do comité executivo do Conselho. Janice Love afirmou que
as condições de vida dos aborígenes não melhoraram desde a sua última
visita a comunidades aborígenes em 1981. «São deploráveis», afirmou. Os
aborígenes, que representam cerca de 1,5 por cento dos 17 milhões de
australianos, apresentam sintomas de desmoralização patentes na perda de
língua e cultura, alcoolismo, elevadas taxas de detenção e abuso físico
de mulheres e crianças da sua comunidade.

<p n=830>
O forte tremor de terra que abalou regiões montanhosas do Afeganistão e
Paquistão na sexta-feira da semana passada, matou provavelmente mais de
1200 pessoas. As autoridades de Cabul, capital do Afeganistão, disseram
ontem que mais de mil pessoas morreram em zonas remotas do Norte e Leste
do país, que estão em grande parte sob o controlo da guerrilha. O tremor
de terra registou 6,8 na escala de Richter e foi um dos mais fortes de
sempre na região. O epicentro foi localizado 200 quilómetros a noroeste
de Peshawar, nas montanhas de Hindu Kush. Do outro lado da fronteira, no
Paquistão, o balanço oficial atinge os cerca de 200 mortos mas as equipas
de socorro continuavam a tentar chegar a aldeias remotas de montanha. No
vizinho Irão, entretanto, helicópteros conseguiram salvar mais de 2 mil
pessoas depois das águas terem invadido 120 aldeias e deixado 30 mil
pessoas sem casa.

<p n=831>
Los Angeles é agora a segunda cidade dos Estados Unidos da América em
número de habitantes, segundo o censo de 1990 publicado recentemente pelo
U.S Census Bureau, a entidade norte-americana responsável pelos estudos
demográficos.

<p n=832>
Segundo certos Governadores, as minorias não foram contadas com  a
precisão que seria de esperar, pelo que alguns Estados sairão
prejudicados quando da próxima distribuição de verbas da Administração.

<p n=833>
Numa cama de uma habitação do bairro de Caselas, em Lisboa, a quatro de
Novembro de 1989, estão os corpos despidos de dois jovens. Ela, Joana, de
16 Anos, está morta. Ele, Ricardo, de 20, vivia ainda. Tinha espetada no
corpo a faca com que matara a namorada. Agora, sentado no banco dos réus,
Ricardo alega que tinham os dois decididido matar-se devido às
contrariedades que os pais de Joana, que vivem no Restelo, colocavam.
Mas, no tribunal, julga-se, se, como defende a famíla de Joana, Ricardo
não terá assassinado a jovem por esta lhe ter anunciado que estava tudo
terminado.

<p n=834>
Porém, para a acusação, os factos são outros: Joana teria decidido pôr
termo ao relacionamento. Na noite anterior, deslocou-se a uma discoteca
com amigos sem levar Ricardo. Acto que, na óptica da acusação, nunca pode
ser atribuido a uma pessoa que tenha decidido morrer.

<p n=835>
Para celebrar o 25º aniversário do Concílio Vaticano II, cerca de 220
padres, agentes da pastoral, professores de Religião e Moral e alguns
universitários, reuniram-se nas instalações da Universidade Católica do
Porto para uma semana de actualização teológico-pastoral. No fim da
primeira jornada, persiste a ideia de que o «maior concílio de todos»
ainda é a resposta para os problemas da actualidade.

<p n=836>
Durante o dia de ontem, estiveram em causa os grandes eixos da nova
sistematização teológico-pastoral, numa tentativa de «compreender como é
que o concílio foi sendo interpretado e como está a ser vivido hoje em
dia», afirmaram membros da organização da semana teológica.

<p n=837>
O «caso Chico Mendes» repete-se com o assassínio de mais um sindicalista
ligado à defesa dos trabalhadores rurais brasileiros. E a batalha legal
que há um mês e meio terminou com a condenação dos culpados recomeça.

<p n=838>
Nenhuma providência foi tomada pelas autoridades federais e as execuções
continuaram em Rio Maria, que passou a dividir com a Xapuri, de Chico
Mendes, o título de capital da violência rural no Brasil. Na semana
anterior à morte de Expedito, três pessoas foram mortas à luz do dia em
Rio Maria, que há três anos tem um tribunal de Justiça mas até hoje nunca
se reuniu, nem condenou nenhum assassino. Os conflitos de disputas sobre
propriedade de terras são antigos nesta região. E além desse tipo de
conflitos existem dezenas de denúncias envolvendo o uso de trabalho
escravo em fazendas de gado.

<p n=839>
Dez anos depois, a «Actuel» recomeça. A revista em língua francesa, uma
das referências para os anos 80, regressa ao primeiro número. «Não há
escolha -- diz o director Jean-François Bizot --, o cinismo dos anos 80 fez
os seus estragos. Os dias de hoje procuram as suas verdades, os seus
valores.»

<p n=840>
«Estou sinceramente convencido de que a guerra terminará antes de Abril».
A previsão é do ministro Deus Pinheiro e foi feita ontem em Bruxelas, no
final do encontro de ministros dos Negócios Estrangeiros da CEE. Na
reunião, decidiu-se suspender todas as conversações com a OLP, mas,
segundo Deus Pinheiro,  nenhum dos responsáveis diplomáticos dos «doze»
se pronunciou sobre a recente troca de cartas entre Mário Soares e Yasser
Arafat.

<p n=841>
A Assembleia da República reúne no dia 14 de Fevereiro para proceder à
aprovação final global do Estatuto Político-Administrativo da madeira,
expurgado das inconstitucionalidades declaradas pelo Tribunal
Constitucional. Ontem, a Assembleia Legislativa Regional aprovou um
parecer sobre a nova versão do Estatuto, reafirmando a posição
desfavorável anteriormente assumida.

<p n=842>
É na postura e nos rostos, porém, que a mudança se exibe. Já não come
laranjas sentada no braço do sofá diante do televisor com programação
americana a sargento negra que em Outubro recebia com um sorriso os
pedidos de entrevistas dos repórteres. O papel que os seus sucessores,
quase todos homens agora, estendem a quem chega de novo vem acrescentado,
aliás, de uma página onde, sem nunca escreverem a palavra «censura», os
militares anunciam o «exame prévio» de todos os textos e imagens das
áreas de combate. Objectivo: «determinar se [o texto, as imagens] contém
a informação sensível sobre planos militares, capacidades, operações, ou
vulnerabilidades que ponham em risco os resultados de uma operação ou a
segurança das forças dos EUA ou da aliança».

<p n=843>
O abastecimento de água aos Museus Nacionais de Arte Antiga e do Azulejo
foi cortado pela EPAL ao fim da tarde de domingo, após o seu encerramento
ao público, informou uma fonte da empresa. O Instituto Português do
Património Cultural (IPPC) recebeu, em princípios de Janeiro, um ultimato
da EPAL: ou pagava até 31 de Janeiro as dívidas que os dois museus na sua
dependência acumulam desde Abril, ou a água seria cortada, à semelhança
do que já sucedeu com o Museu Nacional dos Coches a 21 de Janeiro. Outra
instituição dependente do IPPC que também ficou sem água no domingo foi o
Instituto José de Figueiredo, que é abastecido pela mesma conduta que
serve o Museu Nacional de Arte Antiga. I.B.

<p n=844>
COI E FIFA RECUSAM INTEGRAÇÃO DA ÁFRICA DO SUL -- O Comité Olímpico
Internacional (COI) e a Federação Internacional de Futebol (FIFA)
saudaram a intenção do presidente da África do Sul, Frederik de Klerk, de
abolir as últimas três leis sobre o apartheid, anunciada ontem, mas
consideram tal medida insuficiente para a reintegração do país no
movimento desportivo internacional. Segundo a porta-voz do COI, Michele
Verdier, o princípio fundamental para a reintegração da África do Sul no
movimento desportivo internacional é que exista no país uma só
organização a tutelar o desporto e que as federações sejam abertas a
todas as raças. De qualquer modo, acrescentou Verdier, «a última decisão
só será tomada após uma consulta aos nossos filiados africanos». A FIFA
ponto de vista idêntico. Actualmente, existem três federações de futebol
na África do Sul: uma para negros, outra para brancos e uma terceira para
mestiços. Em princípio, de acordo com um porta-voz da FIFA, a integração
da África do Sul nunca deverá ocorrer antes de 1995. Primeiro terá de ser
readmitida na CAF e, depois, aguardar a decisão que a FIFA tomar em
congresso. Mais optimista, o dirigente da Liga sul-africana de futebol,
Abdul Bhamje, anunciou ontem que o Benfica e o Sporting poderiam ser as
primeiras equipas do mundo a restabelecer contactos desportivo com o seu
país, se a FIFA aceitar em Março o pedido de readmissão de Pretória.

<p n=845>
PORTUGAL voltou ontem a denunciar em Genebra, perante a Comissão dos
Direitos do Homem das Nações Unidas (CDH), a situação em Timor-Leste,
estabelecendo um paralelo entre as invasões e ocupações da antiga colónia
portuguesa, pela Indonésia, e do Kuwait, pelo Iraque. «A reacção firme e
imediata das Nações Unidas, designadamente do Conselho de Segurança, à
invasão e anexação do Kuwait, mereceu, em consequência e sem equívoco,
todo o nosso apoio», declarou o embaixador Luís Roma de Albuquerque.

<p n=846>
O representante português, que nos próximos dias deverá voltar a
pronunciar-se sobre a questão de Timor-Leste, noutros pontos da agenda da
Comissão dos Direitos do Homem, aproveitou a ocasião para exprimir ao
secretário-geral da ONU, Javier Perez de Cuellar, o reconhecimento do
Governo português pela acção que tem desenvolvido, no quadro do mandato
que lhe foi conferido pela Assembleia Geral da organização para tentar
uma solução negociada para o conflito.

<p n=847>
A Alemanha disse ontem que 110 soldados soviéticos desertaram das suas
bases na parte oriental do país agora unificado e pediram asilo político,
durante o último ano. Ao todo, 2337 cidadãos soviéticos solicitaram asilo
à Alemanha, em 1990, informou o Ministério do Interior. Moscovo tem até
1994 para retirar os 380 mil soldados que ainda tem estacionados no
território da antiga RDA.

<p n=848>
A Comissão de Trabalhadores da RTP está preocupada com as consequências
para a empresa pública do processo de privatização da televisão. Em
comunicado, a comissão considera que a RTP «será completamente
desmantelada, alienada do seu património e totalmente governamentalizada
dada a dependência económico-financeira a que ficará sujeita». O texto
acusa o Governo de não ter definido ainda contrapartidas para o fim das
receitas das taxas (seis milhões de contos)  e critica «a gestão da RTP
que, em Outubro de 1990, apresentava já um défice de um milhão e 900 mil
contos». A comissão conclui que as consequências desta situação para os
trabalhadores da RTP são ainda imprevisíveis, «mas não serão com toda a
certeza nada risonhas», sendo o «despedimento em massa» uma das
principais ameaças.

<p n=849>
PROTOCOLO IBÉRICO SOBRE TOXICODEPENDÊNCIA -- Uma plataforma de colaboração
ibérica no âmbito da toxicodependência é hoje assinada no Palácio de
Belém, na presença de Maria Barroso. O protocolo é assinado entre a Union
Española de Asociaciones de Asistencia al Toxicomano (UNAT) e a Fundação
Portuguesa para o Estudo, Prevenção e Tratamento da Toxicodependência
(FPEPTT), organizações não-governamentais que desenvolvem actividade de
prevenção e tratamento, nesta área. Intervirão na sessão de assinatura do
protocolo os presidentes das duas instituições, Mário Ramos da Cruz e
Eugénio Lopez y Lopez, e ainda Maria Barroso Soares, na qualidade de
presidente do Conselho de Solidariedade Social da Fundação.

<p n=850>
O PRINCIPAL ALVO dos aliados parece ser, cada vez mais, a Guarda
Republicana de Saddam Hussein estacionada ao longo da fronteira entre o
Kuwait e o Iraque. Esta força de élite, dada erradamente como dizimada ao
fim do primeiro dia de raides, constitui, afinal, a maior ameaça para as
tropas multinacionais, sobretudo depois de iniciada a «inevitável»
ofensiva terrestre, como afirmam as autoridades militares britânicas.

<p n=851>
A divisa norte-americana registou ontem de manhã a sua cotação mais baixa
de sempre face ao marco, reagindo assim às alterações nas taxas de juro
dos EUA e da Alemanha, verificadas no final da semana passada. Para
evitar uma queda ainda maior, a meio da tarde, os bancos centrais
europeus compraram dólares e a cotação recuperou ligeiramente.

<p n=852>
Os mercados financeiros foram apanhados de surpresa tanto pela decisão da
Reserva Federal como pela do Bundesbank, que aumentou de meio ponto o
juro alemão. Karl Otto Poehl, presidente do Bundesbank, defendeu que a
decisão do banco central alemão tinha por objectivo alcançar a
estabilidade monetária dadas as dificuldades internas resultantes do
custo da unificação das duas Alemanhas. O défice orçamental alemão atinge
agora proporções muito elevadas e as exigências de aumentos salariais de
10 por cento dificultam a conjuntura económica e política do pais.
Segundo Norbert Walker, do Deutsche Bank, tanto o recuo do dólar como a
valorização do marco são do agrado das autoridades monetárias de ambos os
países.

<p n=853>
00h40 -- Décimo-nono dia de guerra. Em comunicado, o Departamento de
Estado aconselha todos os norte-americanos a deixarem imediatamente a
Jordânia, anunciando que a embaixada dos Estados Unidos em Amã não poderá
ajudá-los em caso de emergência.

<p n=854>
08h20 -- Dois americanos e um guarda de segurança saudita são feridos
durante um ataque que poderá ter sido um acto terrorista contra um
autocarro, em Djeddah, Arábia Saudita, informam fontes militares.

<p n=855>
A CEE pensa que já é a altura de olhar para o pós-guerra. Decidiu-se pelo
diálogo com Israel e os países árabes e, à guisa de castigo pela sua
inclinação pró-iraquiana, coloca a Organização de Libertação da Palestina
no «congelador».

<p n=856>
Os Doze pretendem enquadrar a sua cooperação com os países do
Mediterrâneo e do Médio Oriente no quadro de uma Conferência para a
Segurança e Cooperação no Mediterrâneo, à semelhança do que a CSCE
representa para a Europa. De acordo com Deus Pinheiro, a Comissão
Europeia, o órgão executivo da CEE, deverá apresentar brevemente uma
abordagem global dos problemas destas duas regiões "para identificar
áreas Médio Oriente e Mediterrâneo onde a CEE possa ter uma acção
relevante».

<p n=857>
FOI MAIS uma noite de bombardeamentos sobre Bagdad. Os jornalistas
estrangeiros na capital iraquiana falam de três ataques na noite de
domingo para segunda-feira, das explosões surdas aparentemente provocadas
pela acção dos super-bombardeiros B-52 nos arredores de Bagdad, do medo e
do desespero entre os cidadãos iraquianos.

<p n=858>
Notícias de outros ataques chegaram também ontem a Bagdad pela voz de
jordanos que fizeram a travessia entre Amã e a capital iraquiana. Segundo
estas testemunhas, citadas pela France-Presse, a aviação aliada
bombardeou a auto-estrada que liga as duas cidadas na noite de domingo
para segunda-feira, tendo destruído veículos jordanos, entre eles carros
da Cruz Vermelha. As mesmas fontes falaram num morto e em cinco feridos.

<p n=859>
O primeiro-ministro israelita, Yitzhak Shamir, reafirmou ontem, perante o
Knesset (parlamento), todas as posições de Israel relativamente às
negociações de paz no Médio Oriente e à questão palestiniana. Num
discurso de cerca de meia hora que a maioria dos observadores entendeu
como uma mensagem dirigida aos Estados Unidos e aos países ocidentais
para a fase do pós--guerra, o primeiro--ministro disse que Israel sempre
teve razão quando denunciou a ameaça iraquiana e a natureza da OLP,
perante a indiferença do mundo. Israel não tem, pois, qualquer motivo
para alterar as suas propostas para a paz no Médio Oriente e no Golfo
quando, depois do conflito, recomeçarem as negociações.

<p n=860>
O ministro da Defesa, Moshe Arens, que se absteve na votação realizada
entre os vinte membros do Governo, não deixou também de dizer que não
apoiará «as ideias loucas de Ze' Evi».

<p n=861>
O DEPARTAMENTO de Estado norte-americano aconselhou ontem todos os
cidadãos dos EUA a deixarem a Jordânia. O sentimento popular
anti-americano no reino hachemita continua a subir e ainda ontem centenas
de estudantes se manifestaram contra Washington e a favor do Iraque nas
universidades do país. A embaixada norte-americana vai efectuar nova
redução de pessoal nos próximos dias: 12 funcionários regressam a casa e
ficam a trabalhar no complexo do centro de Amã 20 pessoas, contra 130 no
início da crise, em Agosto. Encontram-se actualmente na Jordânia entre
quatro mil e cinco mil norte-americanos. Numa entrevista publicada ontem
pelo diário alemão «Frankfurter Allgemeine», o príncipe herdeiro Hassan
garantiu que o seu país entrará em guerra a partir do momento em que o
seu território ou o seu espaço aéreo sejam violados por Israel.

<p n=862>
UM DOS mais célebres cabarés parisienses, o «Folies Bergère», encerrou no
domingo as suas portas por duas semanas, alegando uma acentuada quebra de
clientes, em especial estrangeiros, por causa da guerra no Golfo. A
descida nas reservas tornou-se particularmente notada uma semana após o
início das hostilidades, levando a direcção da casa de espectáculos a
decidir-se por uma quinzena de férias para a equipa de 250 bailarinas,
músicos, técnicos e empregados que, em tempos de paz, atraía normalmente
à sala de Pigalle,  1.700 pessoas por dia (a lotação da sala).

<p n=863>
As ruas de Rabat voltaram na segunda-feira à normalidade de todos os
dias, após a gigantesca manifestação de domingo convocada pela oposição
em apoio ao Iraque, e excepcionalmente autorizada pelo rei Hassan II. Os
partidos que a promoveram não escondem, em contactos informais, o seu
contentamento e reivindicam uma mobilização de centenas de milhares de
pessoas, adiantando nalguns casos o número, apesar de tudo delirante, de
700 mil participantes. O Ministério da Informação indica 180 mil. Seja
como for, e de acordo com uma fonte diplomática europeia na capital
marroquina, a expectativa agora está em saber se a manifestação de
domingo se repetirá noutras cidades do país, reafirmando a capacidade de
mobilização conjunta da oposição -- até hoje muito dividida --, ou pelo
contrário, se esta sua prova de força volta a tropeçar aqui.

<p n=864>
«Se a guerra se prolongar, Hassan II vai ter dificuldade em manter a sua
atitude dúplice, de não hostilizar o sentimento popular, por um lado, e
de justificar a sua colaboração com os aliados, por outro, embora ele
subtilmente coloque essa colaboração no quadro das relações de Marrocos
com a Arábia Saudita. É por isso que o Rei se está a bater por uma
solução rápida do conflito.» O Ramadão, que começa a 17 de Março, é uma
data-chave. «Se o Ramadão chega e a guerra continua, será tudo muito mais
complicado não apenas para Marrocos como para todos os países muçulmanos
que directa ou indirectamente apoiam os aliados. É de prever que o
radicalismo religioso suba de tom, e é disso que Saddam Hussein está à
espera.»

<p n=865>
O PRESIDENTE do Irão, Ali Hachemi Rafsandjani, afirmou ontem estar pronto
a encontrar-se com um velho inimigo, Saddam Hussein, e até admitiu
conversações com enviados do «Grande Satã» norte-americano -- tudo em nome
da paz e para «salvar o povo muçulmano do Iraque e da região».

<p n=866>
«Não sei se [a ideia] será aceite pelos norte-americanos, que perseguem
objectivos que não estão ligados às Nações Unidas. [Mas] se Saddam
Hussein aceitar as nossas recomendações, há uma grande esperança de que a
guerra termine. Os Estados Unidos serão então submetidos a tais pressões
internacionais que terão igualmente de aceitar.»

<p n=867>
Apenas uma Europa ocidental unida teria podido convencer os Estados
Unidos a inflectir a lógica de afrontamento no Golfo. Mas a própria
marcha para a guerra acentuou a divergência de pontos de vista entre as
principais potências europeias. A «união politica» e a «Europa da defesa»
podem ter sido as primeiras vítimas da abertura das hostilidades.

<p n=868>
A partir de fins de Novembro, o novo Governo de John Major dá sinais de
se alinhar pelo projecto da «nova ordem internacional» lançado por George
Bush. Os britânicos apresentam-se como os mais fiáveis aliados de
Washington no conflito do Golfo. Esperam assim recuperar, no fim da
guerra, o papel de «ponte» entre o líder americano e os europeus. Mas,
agora, já não apenas no âmbito da Alaiança Atlântica mas no quadro
«mundial» das Nações Unidas - uma ONU revitalizada e ordenada em torno da
potência americana. A guerra do Golfo contribuíu assim por favorecer o
tradicional «parti pris» da Grã Bretanha em relação à Europa política.

<p n=869>
Portugal vive de costas voltadas para a zona do Magreb, que fica a menos
de uma hora de avião. Depois dos investimentos militares, há séculos,
nada mais perdura do que um comércio incipiente e vagas declarações
políticas de amizade e cooperação. O petróleo continua a ser o cordão
umbilical das relações mútuas. Os números falam claro, embora apontem
Marrocos como a excepção à regra.

<p n=870>
O navio deve chegar a Marselha no sábado, depois de ter embarcado no
porto inglês de Southampton diverso material, entre viaturas, grupos de
lagartas para blindados e viaturas de deserto e outro material de
reserva.

<p n=871>
A CARTA de Mário Soares a Yasser Arafat é «mais eficaz do que enviar
tropas portuguesas para o Golfo Pérsico», considera a direcção da revista
«Al Furqán», dedicada à divulgação do islamismo em Portugal, em
comunicado ontem enviado à nossa redacção. O texto começa por afirmar que
a iniciativa do Presidente português «não só é bem-vinda, como também é
motivo de orgulho para Portugal e sobretudo para a  projecção (ainda
maior) do Presidente Soares» que, deste modo, «não se esquivou ao
desempenho de um louvável papel na solução desta guerra evitável». Metade
das 30 linhas do comunicado condenam entretanto a embaixadora de Israel
em Lisboa, Colette Avital, cuja reacção é condenada «veementemente» e
caracterizada como «incrível protesto reaccionário e teatral»,
«desabrida, provocadora e, sobretudo, manifestamente reveladora da
pretensão da guerra a todo o custo».

<p n=872>
O Irão tem «uma ideia» para devolver a paz ao Golfo pela qual o seu
Presidente, Hachemi Rafsandjani, afirma estar pronto a encontrar-se com o
arquirival Saddam Hussein. A ainda obscura oferta de mediação foi bem
recebida pelo secretário-geral da ONU, mas acolhida friamente por George
Bush, que «não prevê mudanças» na opção militar. Em Teerão, contudo,
prossegue o desfile de diplomatas -- hoje um soviético, amanhã o ministro
turco dos Negócios Estrangeiros.

<p n=873>
Instituição prestigiada e exemplo clássico da investigação de qualidade
portuguesa, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil atravessa hoje um
período difícil onde lhe tem faltado, a par dos necessários
investimentos, a possibilidade de renovar os seus quadros. Arantes e
Oliveira, o seu novo director, anunciou ontem que a sua renovação poderá
passar por uma nova instituição, criada à sombra do LNEC.

<p n=874>
Os Serviços do IVA decidiram que as capas de livros vendidos em
fascículos e as videocassetes para ensino de línguas pagam imposto de 17
por cento. A descoberta surgiu de uma recente acção de fiscalização à
editora Alfa. Esta passou a saber que fugiu ao fisco entre 1986 e 1990 e
que tem a pagar perto de 60 mil contos. P. 35

<p n=875>
Os accionistas do Banco Totta & Açores disponibilizaram 4,87 mil milhões
de contos para concorrerem ao aumento de capital do banco em cinco
milhões de contos. É a maior oferta de sempre no mercado português e que
resolveria de uma assentada todas as operações de privatização
programadas pelo Governo, eliminaria o défice do Orçamento de Estado e
ainda sobrava.

<p n=876>
Pintaram a letras negras "Free Kuwait", de ambos os lados da fuselagem
dos aviões. Ontem de manhã receberam ordens para atacar a base de onde
fugiram em 2 de Agosto. Fizeram-no com gosto. "A reconstrução far-se-á
depois, com  a ajuda de Deus e dos aliados", diz um dos pilotos,
esquecido do petróleo. Um mecânico marcou encontro em Kuwait City com o
PÙBLICO. A 25 de Fevereiro, o dia nacional.

<p n=877>
"Como pode considerar-se feliz, se acaba de bombardear a sua própria
terra?", perguntará, escandalizada daí a minutos uma jovem repórter da
BBC. "Não estamos a bombardear o nosso país. Mas o inimigo que o ocupa",
responde, fazendo suas as palavras do tenente-coronel Sultan, do major
Sayegh, do piloto Salam, do cabo Zeedan que duas horas antes
providenciaram para que o A4 Skyhawk cumprisse em pleno o seu papel.

<p n=878>
O principal matadouro cooperativo do Norte do país faz graves acusações
ao IROMA e garante que existe um «complot» destinado a favorecer os seus
concorrentes. Em causa está o licenciamento de uma actividade que exerce
legalmente há vários anos.

<p n=879>
Para explicar estes qualificativos, afirma-se que ali se abatem reses
praticamente para todos os talhantes da região, ao mesmo tempo que se
efectuam os abates sanitários (de gado doente ou suspeito de o estar) com
a participação de um inspector da Direcção-Geral de Pecuária, a tempo
inteiro, um veterinário ajuramentado e um classificador do IROMA.

<p n=880>
Os Estados Unidos rejeitaram a proposta iraniana de mediação para acabar
com a guerra no Golfo. George Bush notou aliás que não existe, na
verdade, proposta alguma, algo com que Teerão concorda, afirmando que só
existirá um plano de paz quando Bagdad mostrar flexibilidade para sair do
Kuwait. Mas Saddam Hussein continua sem dar o menor sinal de estar pronto
para isso. Toneladas de bombas caem 24 horas por dia sobre o Iraque e em
Washington já se perderam as poucas ilusões que havia: uma ofensiva
terrestre será necessária. Está cada vez mais perto a grande batalha no
deserto -- aquela que Saddam elegeu afinal como «a mãe de todas as
batalhas».

<p n=881>
O mercado internacional e espanhol de arte tem na ARCO 91, que decorrerá
na Casa del Campo, em Madrid, de hoje até ao dia 12, oportunidade para
confirmar a sua solidez ou sucumbir à dupla conjuntura negativa em que o
mundo ocidental se encontra mergulhado. A crise, que desde o início do
ano passado se tinha vindo a apontar relativamente a determinados
sectores do comércio artístico, naturalmente reflectida nos volumes de
negócios das Feiras e dos Leilões, e na travagem das cotações
especulativas que a euforia da década que terminava tinha disparado, só
se perfigurou mais ameaçadora a partir do desencadear da crise política,
militar e económica do Golfo.

<p n=882>
O recital de Marilyn Horne no São Carlos é há muito esperado. Mas não é a
primeira vez que a meio-soprano norte-americana canta em Portugal. É ela
própria que recorda: «Cantei em Lisboa, Coimbra e Porto, em Dezembro de
1963, com a Orquestra de Câmara de Los Angeles. Cantei árias de `Acis e
Galatea' ,de Haendel, uma cantata de Bach e talvez um ciclo composto para
mim por William Craft». 1963! - eram os alvores do ressurgimento
belcantista que Horne iria operar, nos seus duos com Joan Sutherland e na
recuperação dos papéis masculinos em «travesti» de Rossini. Numa carreira
de longevidade absolutamente excepcional, a voz de Horne começou a ser
registada já lá vão quase quatro décadas. Ainda há uma semana, se puderam
ouvir as suas excepcionais capacidades, num dos papéis rossinianos a que
está mais associada, o «Tancredi» . Foi em Bilbao, onde foi feita esta
entrevista.

<p n=883>
R.-- Não, não foi a primeira. Comecei a fazer o que chamamos «background
music» no cinema quando tinha 11 anos.

<p n=884>
A Guerra do Golfo obrigou as Folies Bergères, em Paris, a encerrar
durante quinze dias. A direcção do cabaret parisiense decidiu fechar a
casa e interromper o espectáculo que tem em cena há três anos, envolvendo
250 bailarinas, devido à falta de clientes: os turistas, assustados com a
guerra e pensando nos possíveis atentados bombistas nos aviões,
escasseiam e deram, assim, uma oportunidade ao pessoal do Folies Bergères
para fazerem férias. O cabaret, com capacidade para 1700 espectadores,
onde, antes da guerra, era preciso marcar com muita antecedência um
lugar, reabre dia 19 de Fevereiro.

<p n=885>
Excepcional, a todos os títulos, é a identificação de Horne com Viardot.
Ela não foi apenas uma «diva», foi uma musa. Será ainda necessário
relembrar que a versão mais corrente do «Orfeo et Euridice» de Gluck é a
que Berlioz escreveu para ela? Mas a inspiradora da «Consuelo» de George
Sand, a longa companheira de Torgueniev, a intérprete que Chopin e Liszt
tanto admiraram, também foi compositora, mormente nos anos que passou no
exílio - já que ela, como um Victor Hugo, não aceitou viver o quotidiano
do regime de Napoleão III. Esta noite, no São Carlos, Horne irá dar-nos a
ouvir Viardot não apenas pelos seus papéis, mas também pelas suas
composições -- embora haja que notar que a complementaridade das vozes de
Pauline Viardot e Marilyn Horne (ainda que, a julgar por algumas partes
escritas para a primeira, como «Sapho» de Gounod, a tessitura de Viardot
fosse um pouco mais aguda que a de Horne), não se concretiza no rigor do
reportório e na consequente longevidade, este último um aspecto em que a
carreira de Horne é verdadeiramente excepcional.

<p n=886>
Se, como diz o grande bardo, «a vida é um palco», qual o critério para
determinar um «actor total»? Considerar o que dá, no palco ou na tela,
uma grande criação? Ou o que faz da sua vida uma representação? Se for
este último, Ronald Reagan, que hoje completa 80 anos, bem poderia
candidatar-se ao título.

<p n=887>
Em 1946, um relatório do FBI (de 13 de Março) dá-o como «simpatizante
comunista» (!), por ter assinado uma lista a favor da Indochina livre
(!!!), segundo consta em «Reagan's America», a biografia escrita pelo
historiador Garry Wills. E, nesse mesmo ano, recebe uma «visita» de
agentes do FBI, que foi definitiva para a sua mudança de rumo. (Não houve
tabefes, como aconselhava Salazar para casos semelhantes, mas uma troca
de impressões tão convincente que mais tarde o número T-10, segundo a
mesma fonte, é o que foi atribuído ao actor, como informador). Parece uma
fita da série B, que Reagan interpretaria com o mesmo à-vontade. Há um
filme de 1950 que é particularmente sugestivo das contradições da
«persona» Reagan: «Tragédia na Cidade», de Stuart Heisler, um filme de
«suspense», ambíguo, mas notável, que é uma denúncia das actividades do
Klu Klux Klan e, simultaneamente, um apelo à delação, em pleno
macarthismo (não muito diferente será «Há Lodo no Cais», de Elia Kazan).

<p n=888 assunto=desporto>
Termina hoje, no Ateneu Comercial do Porto, o congresso internacional «O
Porto de fim do século (1880-1910)», promovido a pretexto das
comemorações da revolta republicana do 31 de Janeiro de 1891. Procurando
oferecer uma visão global e pluridisciplinar da realidade portuense na
passagem do século, a organização do congresso, presidida pelo
historiador Fernando de Sousa, agrupou as largas dezenas de comunicações
proferidas ao longo desta semana -- por investigadores nacioanais e
estrangeiros -- em seis grandes subtemas:   «Republicanismo e pensamento
político», «População e sociedade», «Movimentos e realizações culturais»,
«As grandes transformações urbanas», «Ultimatum e relações
luso-britânicas» e «Economia: permanências e rupturas».

<p n=889>
A par das muitas tentativas de análise global da situação política,
económica e social da época, foram tratados alguns fenómenos específicos
da história da cidade, muito pouco estudados, desde os «vareiros do
Carvalhido» -- tema introduzido por Pilar Figueiredo -- aos «vadios do
Porto», de que falou Paula Fernandes.

<p n=890>
O compositor Buck Ram, autor de «Only You», morreu nos Estados Unidos com
83 anos, foi ontem anunciado. Além de ter descoberto Ella Fitzgerald e
ser fundador dos Platters, Buck Ram foi ainda autor de outros êxitos como
«The great pretender», «I'll be home for Christmas», «You've got the
magic touch» e «Twilight time». Buck Ram foi o «patrão» dos Platters
quando, em 1953, assinou contrato com Tony Williams, David Lynch, Alex
Hodge e Herb Reed. Depois de alguns fracassos, Ram substituiu Hodge por
Paul Robi e contratou também Zola Taylor. Os «anos de ouro» dos Platters
passaram-se entre 1955 e 1960.

<p n=891>
A CHUVA, que começou a cair a partir das 11h30, inviabilizou ontem os
planos das várias equipas de Fórmula 1 que se encontram a fazer testes no
Autódromo do Estoril. Depois de uma manhã movimentada, apenas a Ferrari
aproveitou a parte da tarde para fazer rodar os seus carros, mantendo-se
quase uma hora na pista. Tempos à volta de 1m34s, com algumas «incursões»
de Alesi no segundo 33, constituiram o balanço desta actividade, apenas
secundada por Alex Caffi, no Footwork A11C/Porsche V12, que se limitou a
duas ou três voltas ao circuito. Os melhores tempos do dia foram,
naturalmente, conseguidos de manhã: Jean Alesi (Ferrari) fez 1m14,93s com
pneus tipo C, os mais moles de corrida, Gerhard Berger (McLaren) 1m16,10s
e Alain Prost (Ferrari) 1m16,55s (na foto). Depois aparecem Gachot
(1m17,24s), em Jordan; Martini (1m19,54s), em Minardi; Gugelmin
(1m19,60s), em Leyton House; e Van de Poele (1m21,75s), em Lambo. A
esperada estreia de Michael Andretti como piloto de testes da McLaren
frustrou as expectativas: após duas voltas em ritmo lento, o
norte-americano partiu a caixa de velocidades e já não regressou à pista.

<p n=892>
Camberra, jogador que esteve na origem do «caso Norton de Matos», e que o
técnico nacional António Oliveira convocou para este estágio das
«Esperanças», poderá não integrar o plantel da selecção no jogo
Malta-Portugal. O médio-centro da Ovarense, que tem sido suplente nos
encontros efectuados pela equipa nacional, vê agora a sua convocatória
ameaçada pelas pressões do presidente do clube, Leonardo Azevedo, junto
de António Oliveira. Segundo apurou o PÚBLICO, Leonardo Azevedo -- cuja
amizade com Pinto da Costa é conhecida -- terá já pedido ao técnico
nacional que não integre Camberra no grupo que viajará para Malta, porque
a Ovarense precisa do seu contributo no jogo de sábado, dia em que a
selecção regressa, mas à noite. Durante o dia de hoje, Camberra, único
suplente de momento para o lugar, saberá se vai ou não a Malta, isto, se
entretanto não ficar lesionado...

<p n=893>
A atiradora Carmen Bartissol, do Estrela da Amadora, classificou-se em
segundo lugar no torneio de espada de Madrid, que se realizou no passado
sábado e foi ganho pela espanhola Isabel Tranque. Sandra Correia e Isabel
Ribeiro, do Ateneu Comercial de Lisboa, ambas no seu primeiro ano de
juniores, alcançaram o 9º e 11º lugares, respectivamente, numa prova que
reuniu meia centena de espadistas. Outro atleta português em evidência em
competições internacionais foi Luis Moreira da Silva que conquistou a
sexta posição, entre setenta concorrentes, no torneio de Roubaix, França.
O francês Cedric Seguin venceu esta prova, onde uma vez mais se destacou
o bom nível dos atletas da França e Alemanha.

<p n=894>
Fortunato Azevedo não gostou que o presidente do Conselho de Arbitragem o
envolvesse na questão do alegado suborno a Francisco Silva. Nas suas
primeiras declarações sobre o assunto desde que estalou o «Penafielgate»,
o árbitro bracarense desmente Lourenço Pinto e nega ter sido parte activa
na célebre cena do balneário. Francisco Silva confirma esta versão.

<p n=895>
«Lamento as afirmações de Lourenço Pinto e desejo que ele reponha a
verdade do que se passou em Penafiel», observou Fortunato Azevedo, na sua
primeira abordagem pública sobre o «Penafielgate». «Se há alguém que não
tem nada a ver com a alegada corrupção do Chico sou eu e o meu
fiscal-de-linha», precisou.

<p n=896>
JESUS GIL, presidente do Atlético de Madrid, ameaçou não autorizar Paulo
Futre a representar a selecção nacional no seu jogo contra Malta, no
próximo sábado. «É melhor que Futre tome o café com leite aqui», disse
Jesus Gil em entrevista a uma rádio espanhola, afirmando também pretender
multar Paulo Futre em dez milhões de pesetas (cerca de 14 mil contos)
pela sua expulsão no domingo frente ao Bétis de Sevilha.

<p n=897>
Futre, por seu lado, disse ao jornal espanhol que não espera nenhuma
sanção: «Ainda não falei com o presidente mas não acredito que me vá
multar». Uma previsão que poderá ter o seu fundo de verdade, a julgar
pelas observações de alguns especialistas  próximos do presidente
«colchonero», que consideram a atitude de Jesus Gil como uma tentativa de
levar a Federação espanhola a diminuir o castigo a Futre.

<p n=898>
A CHEGADA de Fernando Gomes, jogador do Sporting e melhor marcador do
campeonato português, provocou uma onda de entusiasmo entre os
caboverdianos, na sua generalidade adeptos do futebol português que
acompanham com o maior interesse. Mal Gomes tinha posto pé no Aeroporto
já praticamente a notícia da sua presença ecoava no país.

<p n=899>
«Acato a decisão de Artur Jorge com respeito mas também com alguma
mágoa», disse Gomes aos microfones da Rádio Nacional de Cabo Verde.
«Gostava de joga na selecção, sempre defendi a sua camisola com a maior
dedicação. Sinto que estou a jogar bem, tenho feito uma ápoca muito
regular e positiva, tenho marcado golos e até sou o melhor marcador do
campeonato português».

<p n=900>
O duelo entre o canadiano Ben Johnson e o norte-americano Carl Lewis
previsto para Maio próximo, em Sevilha, está seriamente comprometido. Os
organizadores do «meeting» internacional de Sevilha, agendado para o dia
30 de Maio, anunciaram entretanto que a transportadora aérea espanhola
«Ibéria» retirou o patrocínio, pelo que é de prever que a falta dessa
averba possa impedir tão ansiado duelo.

<p n=901>
"Está quase tudo a postos para a vinda do Rali de Portugal", disse ao
PÚBLICO Jaime Moura, presidente do Clube Automóvel de Lousada, "há ainda
algumas obras em fase de acabamento mas as coisas mais difíceis já estão
acabadas".

<p n=902>
O Olympique de Marselha anunciou ontem em comunicado a decisão do seu
presidente, Bernard Tapie, de se manter «nas funções de presidente e
continuar a assumir integralmente as suas funções» no clube.

<p n=903>
A eventualidade da demissão de Bernard Tapie provocou uma polémica enorme
em Marselha, como se se tratasse de um assunto de Estado. Os
colaboradores próximos do primeiro-ministro Michel Rocard envolveram-se
na questão, defendendo Tapie, que é deputado da maioria presidencial.

<p n=904>
Os adeptos ingleses não esquecem aquele jogo de Náploes em que a sua
selecção teve de dar tudo por tudo para vencer os africanos. O jogo de
hoje é assim uma homenagem à equipa sensação do último «Mundial». E Roger
Milla aproveita a ocasião para se despedir dos relvados.

<p n=905>
Phillipe Redon, o seu novo treinador, não hesitou mesmo em programar um
estágio de uma semana de preparação para este jogo, o qual decorreu, em
parte, no Centro Técnico Nacional do futebol francês, em Clairefontaine.

<p n=906>
JOSÉ PRATAS, de Évora, foi eleito o «árbitro do ano» pelo jornal eborense
«Diário do Sul». Na lista de galardões do ano 1990 figura também o
jornalista desportivo Fernando Emílio, da Rádio Comercial. A final da
Taça da Liga em basquetebol, que decorreu em Évora» foi o «acontecimento
do ano» e Luis Laureano, director técnico regional da modalidade, foi a
«figura» de 1990.

<p n=907>
O BOAVISTA adquiriu para a sua secção de ginástica desportiva um conjunto
completo de aparelhos, cujo montante está avaliado em cerca de 21 mil
contos. A aparelhagem foi em parte custeada pela Direcção Geral de
Desportos, pela Federação Portuguesa de Ginástica e pela Associação do
Norte da modalidade e destina-se a equipar um dos ginásios do Pavilhão
Acácio Lello. Paulo Garcês, responsável pela secção de ginástica do
Boavista, disse que «esta aquisição vai permitir não só ao Boavista mas
também ao Norte passar a encarar a modalidade com outros olhos».

<p n=908>
Artur Jorge recuou na decisão anunciada de colocar o seu lugar de
seleccionador nacional à disposição. Apoiado por toda a Equipa Técnica, o
treinador principal alerta os dirigentes para os perigos da actual
situação no futebol português e exige um papel mais interventivo em todas
as decisões.

<p n=909>
Artur Jorge anunciou assim um importante recuo sobre a sua muito
comentada hipótese de vir a colocar o seu lugar à disposição como reflexo
da situação de «queda anunciada» em que se encontra a actual direcção
federativa, liderada por João Rodrigues. Um recuo, que tanto pode ser
momentâneo como duradoiro, de acordo com o tempo de permanência futura de
João Rodrigues no principal lugar do organismo da Praça da Alegria.

<p n=910>
A Força Aérea Portuguesa (FAP) e o Centro para a Conservação da Energia
(CCE) celebraram ontem um acordo de cooperação com vista «à aplicação de
planos de racionalização dos consumos de energia». No texto do acordo
sublinha-se que a situação no Golfo e «a excessiva dependência energética
do país impõem a adopção de medidas» destinadas a reduzir os pesos dos
custos da energia. O acordo é válido por dois anos e será concretizado em
programas e contratos de prestação de serviços, estruturados em
projectos. Registe-se que o consumo energético da FAP está avaliado em
cerca de um milhão de contos anuais, excluindo os consumos de combustível
das aeronaves.

<p n=911>
O investimento das agências de publicidade na televisão, rádio e
imprensa, ascendeu, em 1990, a quase 60 milhões de contos, disse à Lusa
uma fonte do sector.  Segundo um responsável da Associação Portuguesa das
Agências de Publicidade,  o investimento feito é quase idêntico ao do ano
anterior e encontra-se agora em fase de estagnação devido à situação de
guerra no Golfo. A referida associação integra 55 associadas, cujo
investimento publicitário representa cerca de 85 por cento do total.

<p n=912>
A recusa das propostas de reforma da Politica Agricola Comum pelos países
mais competitivos da CEE ameaça pôr em causa a coesão dos Doze. O
antagonismo das posições assumidas pelos diferentes blocos poderá levar
ao confronto entre os países do Norte e  Sul da Europa.

<p n=913>
A primeira reunião dos ministros da Agricultura dedicada a analisar os
principios da reforma foi unânime apenas em torno de um ponto: a Politica
Agrícola Comum nos seus moldes actuais, não pode continuar.

<p n=914>
O Banco Santander (BS) pretende transformar o Banco de Comércio e
Indústria (BCI) em «líder» do sector bancário português, o que «não
significa que venha a ser o maior», disse à agência Lusa Emilio Botin,
presidente da instituição espanhola.

<p n=915>
O Banco de Santander, que possui 25,9 por cento do capital do BCI e o
Royal Bank, que controla 17,21 por cento, formaram uma aliança para
actuação conjunta na Europa.

<p n=916>
A Sociedade de Empreitadas Somague convoca os seus accionistas para a
reunião anual da assembleia geral, a realizar na sede da empresa no dia
28 de Março. Na ordem do dia estará a apreciação do relatório, balanço e
contas do conselho de administração referentes ao exercício de 1990. A
aprovação da proposta de aplicação de resultados e de uma outra, de
alteração parcial dos estatutos da sociedade, constarão igualmente da
ordem de trabalhos.

<p n=917>
O Japão tenciona conceder empréstimos suplementares de 1,03 mil milhões
de dólares (132,2 milhões de contos) a três países da linha da frente no
Golfo, a Turquia, Jordânia e Egipto. As verbas serão atribuídas através
de empréstimos comerciais com taxas de juro bonificadas de dois a três
por cento. A Jordânia receberá 500 milhões de dólares (64,17 milhões de
contos), a Turquia 400 milhões (51,34 milhões de contos) e o Egipto 130
milhões (16,7 milhões de contos). Os empréstimos têm por objectivo
auxiliar os países mais afectados pela guerra no Golfo.

<p n=918>
A suspensação de cotação das acções do Banco Totta e Açores na sessão de
bolsa de ontem, foi sem dúvida o facto mais relevante da semana, numa
altura em que os mercados estão a atravessar uma fase de relativa apatia.
Porém a tendência, tanto em Portugal como nas principais bolsas mundiais,
mantém-se moderadamente positiva.

<p n=919>
Ainda com especial destaque, estiveram ontem as acções da Soares da
Costa, BCP nominativas e Corticeira Amorim, todas com mais de 15 mil
unidades negociadas. A procura destes títulos tem vindo a acentuar-se, ao
mesmo tempo que a oferta se retrai. No entanto, a procura destes títulos
é natural. São líquidos, estão em baixa, e a possibilidade de alienação
rápida é maior devido à dispersão que apresentam.

<p n=920>
Suspender um título da cotação é uma decisão grave. Privam-se os
investidores da liquidez das suas aplicações, com as naturais
consequências que isso pode acarretar ao nível da confiança no mercado.
Mas há situações em que isso se justifica. O funcionamento normal do
mercado exige que os responsáveis estejam atentos, de modo a proteger os
investidores de movimentos especulativos que subvertem os objectivos que
justificam a existência das Bolsas de Valores.

<p n=921>
É legítimo perguntar se, quando as acções do Manufacturers Hanover
começaram a subir nas Bolsas, impulsionadas pelos rumores de que estaria
para breve o lançamento de uma OPA sobre o banco, não teria sido normal
que os responsáveis das Bolsas pedissem esclarecimentos aos
intervenientes no negócio, acerca das suas intenções. Ainda para mais,
porque a partir de certa altura os pormenores da operação passaram a ser
referidos publicamente, transformando o sigilo legalmente exigido para
operações daquela natureza num exemplo acabado de «segredo de
Polichinelo».

<p n=922>
O BPI, a Bonança e a Sacor Marítima aderiram ao consórcio liderado pela
Enagás de Espanha e Snam de Itália concorrente à  concessão e exploração
do gasoduto e terminal de transporte de gás natural em Portugal, apurou
ontem o PÚBLICO.

<p n=923>
Segundo fontes do consórcio, as negociações para a entrada das três novas
empresas ficaram concluídas esta semana.

<p n=924>
A General Motors, o primeiro construtor automóvel mundial, anunciou, na
segunda-feira, 15 mil supressões de emprego, ou seja, 15 por cento dos
seus efectivos nos próximos dois anos, bem como uma redução dos
dividendos.

<p n=925>
O dividendo trimestral da General Motors foi reduzido de 75 cêntimos para
40 cêntimos por acção ordinária, especificou o grupo. Trata-se da
terceira vez na história da General Motors que tal medida é tomada,
afirmou o porta-voz da empresa, Terrence Sullivan.

<p n=926>
Muitos brasileiros acordaram, no primeiro dia útil depois do anúncio do
«Plano Collor II» de medidas económicas, e depois do feriado bancário de
sexta-feira, ainda mais cépticos quanto à possibilidade de uma melhoria
das suas condições de vida.

<p n=927>
A situação económica do país não é boa e, muito analistas, crêem que já
chegou a hora de os governos acabarem com a ideia de por a economia do
país em ordem.

<p n=928>
Procura espectacular de acções poderá atribuir-se a «confronto»
Roquete/Banesto pelo dominio do Banco

<p n=929>
Segundo os dados fornecidos pelo presidente da comissão executiva do
Totta, Alípio Dias, e noticiados na edição de ontem do PÚBLICO, as ordens
de compra ultrapassaram 1.838 milhões de acções, quando a oferta era de
apenas cinco milhões de títulos, já que o banco procedeu ao aumento do
capital de 25 para 30 milhões de contos. Partindo do preço de subscrição
de 2650 escudos por acção, e se a procura pudesse ser totalmente
satisfeita, isso significaria um encaixe de cerca de 4,87 mil milhões de
contos.

<p n=930>
A Aliança Evangélica Portuguesa enviou uma carta ao presidente da
República e ao presidente da Assembleia da República, entre outras
entidades, onde protesta contra a «discriminação» evidenciada quanto à
composição do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. O
facto de as «seis personalidades de reconhecida  qualidade técnica e
idoneidade moral» serem  todas católicas, representam, no entender da
Aliança Evangélica, um caso evidente de «desrespeito da lei». A carta
termina exprimindo o desejo de que «o mais breve possível, seja cumprida
a lei, integrando-se o conselho com um membro da comunidade evangélica,
com vista à credibilidade cultural, ética e social do próprio Conselho».

<p n=931>
A empresa japonesa Matsushita anunciou ontem em Tóquio ter desenvolvido
um novo sistema sonoro em estereofonia que recorre ao envio de sinais
ópticos digitalizados para um amplificador. Utilizando raios
infra-vermelhos, o som codificado digitalmente é transmitido por via
óptica para um receptor colocado a uma distância máxima de sete metros. A
partir do receptor, a informação é convertida em sinais analógicos e
enviada para o amplificador. O equipamento, que dá pelo nome de Panasonic
Digital/Optical Link Component Stereo, será comercializado a partir de
Março por um preço de 200.000 iénes (cerca de 200 contos) e inclui um
leitor de discos compactos, um «deck» duplo de cassetes, um sintonizador
digital, um equalizador gráfico electrónico e uma unidade de controlo
remoto.

<p n=932>
Delegados de 130 países começaram negociações no princípio da semana para
efectivarem um acordo internacional com o objectivo de limitar o «efeito
de estufa» resultante da emissão de gases para a atmosfera. Os
representantes esperam chegar a acordo sobre a investigação que será
ainda necessária para avaliar o aquecimento global do clima terrestre e a
possibilidade de negociar um plano internacional com os dados científicos
disponíveis. A intenção é completar o plano a tempo de ser assinado na
Conferência sobre Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, a
realizar no Brasil em 1992.

<p n=933>
De acordo com analistas industriais, outros fabricantes de circuitos
integrados, tais como a Toshiba e a Hitachi, estão a projectar manter a
produção aos níveis actuais a não ser que a guerra se prolongue por muito
tempo. Uma memória de quatro MB pode armazenar o equivalente a 16 páginas
de jornal ou 520 mil caracteres alfa-numéricos.

<p n=934>
O serviço de Educação da Fundação Calouste Gulbenkian, acaba de publicar
o terceiro volume da obra «Opúsculos Geográficos», de Orlando Ribeiro.

<p n=935>
«Ainda que estes dados sugiram alguma melhoria na saúde do nosso ambiente
marinho, o prognóstico está longe de ser bom», afirma Charles Ehler, que
dirige o departamento de Avaliação Oceanográfica e Marinha da NOAA. «As
medidas dos contaminantes químicos, só por si, não são suficientes para
avaliar o nível sanitário das nossas zonas costeiras.»

<p n=936>
O governo holandês mandou regressar à Alemanhã 1700 toneladas de detritos
tóxicos químicos destinados à Polónia que fizeram escala no porto de
Roterdão. Os detritos, propriedade da sociedade Handels-Transport und
Abfallverwertung GmbH HTA, foram descritos como concentrado de zinco, mas
os testes demonstraram que continham uma concentração perigosa de metais
pesados venenosos. Foram identificados cádmio, níquel, arsénico, crómio,
chumbo e mercúrio. Depois de conversações com as autoridades alemãs e
polacas, o governo holandês decidiu fazê-las regressar ao exportador
ilegal.

<p n=937>
Esta era pelo menos a estimativa feita ontem pelo Comando da Defesa Aérea
Norte-Americana (NORAD), um organismo militar dos EUA que tem, entre
outras funções, a de vigiar os engenhos espaciais que circulam em torno
do planeta.

<p n=938>
No próximo dia 11 vai ser criada oficialmente, na Haia, uma espécie de
Organização das Nações Unidas «alternativa». Representantes de povos e
nações sem assento na ONU decidiram avançar com o projecto. E vão
solicitar a obtenção do estatuto de «organização não-governamental».

<p n=939>
O convite foi apenas dirigido à Fretilin e é provável que o assunto seja
discutido pela Convergência Nacionalista Timorense, que além daquele
movimento também agrupa a União Democrática Timorense (UDT), outra
organização que luta contra a ocupação indonésia.

<p n=940>
O representante da Eslovénia na Presidência da Jugoslávia, Janez
Drnovsek, reafirmou na segunda-feira à noite as ameaças de secessão, em
protesto pela atitude adoptada pelo poder central face a uma outra
república jugoslava, a Croácia.

<p n=941>
Jovic enviou, no sábado, uma carta ao líder croata, Franjo Tudjman,
acusando-o de ter quebrado o acordo estabelecido, no dia 25 de Janeiro,
com a Presidência e o Exército jugoslavos sobre o desarmamento das
formações paramilitares na república. Na carta, Jovic afirmava que as
autoridades militares «irão até ao fim» para fazer aplicar a ordem de
desarmamento.

<p n=942>
Os estrategos eleitorais do Partido Democrático estão preocupados com o
impacte da guerra nas eleições presidenciais de 1992. As sondagens
continuam a situar a popularidade do Presidente George Bush muito perto
dos 80 por cento. E a maioria dos analistas crê que, a menos que a guerra
se venha a saldar por monumentais baixas americanas, Bush será reeleito.

<p n=943>
Um dos temas da campanha democrata será, certamente, o défice do
orçamento federal. O orçamento para 1992, que foi ontem apresentado ao
Congresso, prevê um défice de 328.000 milhões de dólares (cerca de 42.500
milhões de contos) -- sem paralelo na história americana. Mas um estratego
do DNC (Comissão Nacional do Partido Democrático) disse ao PÚBLICO que
«não é possível desviar as atenções das pessoas da guerra». Face a esta
realidade, os democratas decidiram ligar a sua agenda política interna à
guerra no Golfo Pérsico.

<p n=944>
O Presidente soviético, Mikhail Gorbatchov, declarou ontem ilegal o
referendo sobre a independência da Lituânia, marcado para o dia 9 pelas
autoridades de Vilnius. «Com esta votação, os líderes lituanos estão a
tentar conquistar mais apoios para os seus objectivos separatistas»,
afirma-se no decreto presidencial divulgado pela agência oficial TASS e
no qual se declara que o referendo «não tem fundamento legal».

<p n=945>
A política recente de Gorbatchov tem vindo a acentuar as divergências que
o opõem ao Presidente da Federação russa, o radical Boris Ieltsin, que
ontem deveria ter discursado ao país através da televisão soviética. A
comunicação de Ieltsin acabou por ser adiada para o final da semana, mas
a Federação russa ameaçou o Kremlin com «medidas excepcionais» no caso de
se manter a proibição de emissão da sua rádio nas frequências antes
utilizadas.

<p n=946>
O ANTIGO secretário do PCI, Achille Occhetto, comentou jocosamente que só
aceita agora ser secretário do PDS se lhe derem «um transatlântico e uma
mansão na praia».

<p n=947>
Segundo os estatutos do Partido Democrático da Esquerda (PDS), Occhetto
precisa da maioria absoluta de todos os 547 membros do Conselho Nacional.
Mas na altura da votação faltaram 132, alguns dos quais nem sequer sabiam
o que é que se ia passar.

<p n=948>
Dirigentes de 13 países africanos reúnem-se amanhã em Harare, capital do
Zimbabwe, a fim de debater os planos do Presidente De Klerk para acabar
com a segregação racial. Entretanto, o «apartheid» político mantém-se.

<p n=949>
Assim, a partir de agora, as crianças já não serão registadas consoante a
cor da pele, mas os adultos continuam a ser classificados em grupos
distintos de brancos, negros, mestiços e indianos, até que exista uma
nova Constituição e uma nova Lei Eleitoral -- conforme explicou Viljoen,
para que ficasse claro que não vai já acabar, nos próximos três ou quatro
meses, toda e qualquer espécie de segregação.

<p n=950>
O PRIMEIRO-MINISTRO de São Tomé e Príncipe, Daniel Daio, secretário-geral
do Partido da Convergência Democrática (PCD), que hoje toma posse perante
o Presidente Pinto da Costa, anunciou já a composição do seu Governo de
transição: ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Alda Bandeira,
Defesa e Administração Territorial Albertino Bragança, Área Económica e
Financeira Norberto Costa Alegre, Assuntos Sociais João Bonfim, Justiça,
Trabalho e Segurança Social Olegário Tiny, Equipamento Social e Ambiente
Óscar Sousa. Este último era ministro da Agricultura no Governo cessante
(do MLSTP) e já antes fora ministro da Defesa.

<p n=951>
O PRESIDENTE checoslovaco, Vaclav Havel, é -- no dia 21 de Março -- o
primeiro chefe de Estado de um país do Pacto de Varsóvia a efectuar
conversações na sede da NATO, em Bruxelas. Nessa altura, discursa mesmo
perante o Conselho do Atlântico Norte, normalmente formado por
embaixadores dos 16 países membros da Aliança. E dada a importância da
visita espera-se que diversos ministros dos Negócios Estrangeiros estejam
presentes.

<p n=952>
A Junta de Freguesia de Granja Nova, no distrito de Viseu, esteve
paralisada entre 1986 e 1989 porque o seu presidente, Oscar Lima,
«detinha as chaves do edifício da sede e ausentava-se frequentemente para
parte incerta». A afirmação consta das conclusões de um inquérito
realizado pela Inspecção Geral da Administração do Território (IGAT), o
qual mereceu no passado dia 20 a aprovação do secretário de Estado Nunes
Liberato.

<p n=953>
O relatório refere que foi a falta de meios humanos que levou a que o
inquérito fosse concluído já na vigência do actual mandato autárquico e
sublinha que se a situação tivesse sido oportunamente averiguada
«conduziria, sem qualquer dúvida, à dissolução» da Junta e da Assembleia
de Freguesia.

<p n=954>
A lista encabeçada por Jorge Alegria venceu as eleições de domingo para
os orgãos do conselho distrital da JSD. Pedro Silva manteve o cargo de
presidente do conselho de jurisdição.

<p n=955>
A descoberta desta rua, que desembocava no Largo do Hospital de Todos os
Santos -- onde hoje é a Praça da Figueira -- foi feita pelos técnicos do
Gabinete do Teatro Romano de Lisboa, que acompanharam os trabalhos de
instalação de tubos de água da EPAL que decorrem na Rua dos Correeiros
desde 24 de Janeiro.

<p n=956>
A secção de Justiça da PSP deteve  segunda-feira, na Rua Maria Pia e na
Estrada de Benfica, em Lisboa, um casal suspeito de  narcotráfico e de um
furto de dinheiro num posto abastecedor de combustiveis.

<p n=957>
Pelas 20h00 a polícia deslocou-se à residência do suspeito, que
interrogado terá confessado ter furtado no seu local de trabalho perto de
123 contos destinados comprar droga. A polícia encontrou na posse do
detido 59 contos. A restante quantia havia servido para dar à companheira
e a um desconhecido que terá ficado com a incumbência de arranjar droga,
mas que desaparecera sem fazer a entrega . JBA

<p n=958>
O PSD apresenta na reunião de Câmara de hoje uma série de propostas, as
primeiras por si agendadas desde que, a 22 de Janeiro --quando se
completou um ano de actividade da actual gestão de Lisboa -- anunciou ir
«dar uma mão» à equipa de Jorge Sampaio.

<p n=959>
Esta proposta tem a ver directamente com um pelouro da responsabilidade
de Jorge Sampaio: o planeamento e a gestão urbanística.

<p n=960>
A Câmara de Alcochete vai pedir ao Governo explicações  sobre a intenção,
divulgada pelo PÚBLICO na semana passada, de concentrar as actividades de
três empresas de defesa no concelho. A preocupação da câmara refere-se
aos projectos futuros do Ministério da Defesa, já que o impacto da
instalação deste tipo de indústrias tem de ser previsto na elaboração do
Plano Director Municipal em curso.

<p n=961>
A construção na zona Campo de Ourique-Amoreiras vai ser regida por um
plano de pormenor que está a ser feito num esquema de colaboração da
Câmara com os promotores privados da área. As novas regras deverão estar
prontas até 31 de Março, mas a decisão de avançar com o plano não foi
ainda apreciada em reunião de vereadores.

<p n=962>
A meio soprano norte-americana Marilyn Horne, que ressuscitou o esplendor
do bel-canto de Haendel e Rossini, canta no S. Carlos, pelas 21h30,
canções de Purcell e Arne, «lieder» de Pauline Viardot, canções de
Rossini e as «Siete Canciones Populares Españolas» de Falla.

<p n=963>
O ciclo de conferências «Memorialistas vivos falam da sua experiência»
continua, pelas 21h45, no Palácio de Fronteira. O conferencista convidado
é Otelo Saraiva de Carvalho.

<p n=964>
A maioria dos 500 cidadãos que em Janeiro recorreu à «Linha azul do
lisboeta», um recente serviço telefónico de atendimento camarário,
reclamou contra os buracos das ruas da capital.

<p n=965>
O estudo sobre «Preservação de Zonas Históricas», de Helena Roseta e
António Lobato Faria, foi realizado a partir da análise de cinco
casos-piloto.

<p n=966>
Portugal tem mais de um milhar de centros históricos que é necessário
recuperar. Esta realidade tem suscitado uma tomada de consciência
crescente por parte de políticos e técnicos, apesar de faltarem as
verbas, a informação, a regulamentação e a articulação entre
Administração Local e Central.

<p n=967>
Considerando que a salvaguarda e a preservação das zonas históricas
portuguesas deve ser «um objectivo de prioridade nacional», o estudo
segue a doutrina da «conservação integrada», que não envolve apenas a
conservação do espaço físico, mas «exige também a melhoria das condições
de conforto e qualidade de vida da população que habita, trabalha ou
circula na zona histórica».

<p n=968>
O montante global dos cheques sem provisão cujos processos deram entrada
em 1990 na Directoria de Lisboa da Polícia Judiciária ascende a mais de 3
milhões e 513 mil contos.

<p n=969>
Isaltino de Morais anunciou no encerramento dos trabalhos que houve
acordo entre os municípios, em áreas tão importantes como a estrutura
verde, viária e ferroviária principais da Área Metropolitana de Lisboa. O
presidente da Câmara de Oeiras referiu que é necessário «avançar
rapidamente com a criação de uma associação de municípios, sem entrar
para já nos contornos jurídicos da questão».

<p n=970>
Três presumiveis autores de vários crimes de furto qualificado no valor
de muitas «centenas de contos», membros da mesma família, foram detidos
pela Polícia Judiciária de Aveiro, anunciou ontem a  polícia.

<p n=971>
As detenções foram confirmadas judicialmente, tendo a PJ identificado
outros dois individuos da mesma família que colaboravam nos furtos e que
não foram detidos por serem menores.

<p n=972>
Uma alegada funcionária da Embaixada de Angola em Lisboa, onde dizia
exercer o posto de capitoa por estar ligada aos serviços técnicos de
comunicações do Exército, foi detida pela PSP na tarde de segunda-feira
durante uma vistoria à casa onde residia em Arcena, próximo de Alverca do
Ribatejo, depois de ter sido encontrado em sua posse 1,74 quilogramas de
liamba, segundo informou a polícia.

<p n=973>
Contactada a embaixada angolana, foi dito não haver aí conhecimento de
qualquer irregularidade cometida por cidadãos angolanos e que o nome da
pessoa em causa não consta nos quadros de pessoal que ali exercem
funções. A detida, que para além do passaporte diplomático não tinha
qualquer outro documento de identificação, foi ontem presente ao juiz de
Instrução Criminal. J.B.A.

<p n=974>
Do autêntico «teatro de guerra» que são os centros históricos de Lisboa e
Porto à pequena aldeia do interior quase desabitada, existe em comum um
património construído e uma vivência que o passar dos tempos foi
degradando.

<p n=975>
A PSP de Olhão desmantelou, na noite de sexta-feira, uma rede clandestina
de jogo, a funcionar no Clube Recreativo Olhanense, um local há muito
referenciado pelas autoridades como um casino clandestino, sob a capa de
sociedade recreativa.

<p n=976>
A Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares reivindicou à Junta Autónoma
das Estradas a construção de uma variante até Penacova com ligação ao
Itinerário Principal 3.

<p n=977>
Em reunião com director regional da Junta  e com o director de estradas
do Distrito de Coimbra, o autarca classificou a ligação ao Itinerário
Principal, que vai ligar a Figueira da Foz a Viseu, como um «forte
incentivo» ao desenvolvimento local.

<p n=978>
Oito cooperativas viabilizaram a concretização de um empreendimento
habitacional de 595 fogos, orçado em cinco milhões de contos, a construir
até 1993 num terreno com cerca de 13 hectares, situado entre a Via de
Cintura Interna, o Parque de Campismo da Prelada e a Rua de Requesende.
As obras começam dentro de duas semanas, estão entregues a um consórcio
liderado pela Soares da Costa, associada à Edifer e à Engil, e assinalam
o relançamento de um ambicioso projecto conhecido por Nova Prelada, que
nos últimos anos marcou passo, devido aos problemas financeiros da
empresa construtora que puseram em causa o empreendimento. A situação
preocupou os responsáveis governamentais pela habitação, e estes, através
do INH e do IGAPHE, trataram de encontrar uma alternativa. Bateram então
à porta do movimento cooperativo, que, curiosamente, se queixa de falta
de apoio governamental.

<p n=979>
Sete Bicas, CETA, Gente do Amanhã, Hazal, Portcoop, Santo Ildefonso,
Santo António das Antas e Solidariedade e Amizade são as «oito
magníficas» que se agruparam e formaram a Sociedade Cooperativa da
Prelada, a entidade que se responsabiliza pelos 595 fogos a construir nos
12,8 hectares ainda livres.

<p n=980>
A Polícia Judiciária (PJ) encontra-se na posse de elementos que podem
levar à detenção dos agressores do taxista António Pinto Lopes, de 52
anos, ferido mortalmente a tiro anteontem à noite, nas imediações do
hipermercado Continente de Vila Nova de Gaia.

<p n=981>
O tribunal de Ferreira do Zêzere, presidido pelo juiz Adelino Vasques
Diniz, deliberou ontem adiar o julgamento do presidente da câmara da vila
e  de três sócios da firma Frias e Frias, de Vila Nova de Ourém, para dia
27 de Maio.

<p n=982>
Detentor de um currículo invejável, o violinista Carlos Zíngaro actua em
Lisboa, hoje à noite, em concerto a solo  integrado no «ciclo de
Instrumento de cordas» organizado pelo INATEL. Oportunidade para escutar
ao vivo um dos mais conceituados intérpretes da «nova música» da
actualidade.

<p n=983>
Em Portugal fez a música para o «Rei Lear», de Shakespeare,
levado à cena pelo Teatro Experimental de Cascais, com encenação de
Carlos Avilez. Este ano está a trabalhar em novos arranjos para a
adaptação (de Alice Vieira) da mesma peça (reintitulada «Rei Leandro»,
novamente pelo TEC), destinada ao público infantil. Prepara ainda uma
colaboração com Vasco Wellenkamp para o ballet Gulbenkian e outra com
Duarte Barrilaro Ruas para os Encontros Acarte. Hoje à noite vamos
ouvi-lo sozinho, com o seu violino «traficado», ligado a sintetizadores,
«samplers» e uma mão cheia de pedais («delay», eco, «tape loops», etc.)
que lhe permitem tocar consigo próprio, justificando a sua «necessidade
de auto-diálogo».

<p n=984>
É exibido hoje, no Canal 2, o segundo episódio de uma série documental
que nos mostra a evolução da moda no século XX.

<p n=985>
Uma evolução cronológica dos penteados transporta-nos aos anos 20, ao
corte de Josephine Baker e ao «carré» de Louise Brooks; aos anos 30 e à
inspiração de Antoine de Paris, o cabeleireiro mais famoso da época; à
sedução de Jean Harlow com o louro platinado e ao cabelo cor de champanhe
de Lana Turner nos anos 40. Depois, na década das flores, vieram os
cabelos levantados de Brigitte Bardot. Ainda o choque de Mary Quant com
os seus cabelos curtos e geométricos, o cabelo frisado dos anos 70 e as
cores vivas e berrantes dos «punks» da década passada.

<p n=986>
Tudo parte do romance de Siegfried Lenz, «O Navio Farol». Tudo se passa
no mar da Virgínia, num barco ancorado ao largo da costa; num navio que
está ali para avisar todos os outros do perigo e cuja tripulação se
debate na mais dura das batalhas: a dos sentimentos, com a fúria do mar
em volta. São muitas variações sobre as personagens. Mas o tema é só um:
a luta entre o desespero e o ódio. Ou a sobrevivência, apesar da dor.

<p n=987>
Tudo parte do romance de Siegfried Lenz, «O Navio Farol». Tudo se passa
no mar da Virgínia, num barco ancorado ao largo da costa; num navio que
está ali para avisar todos os outros do perigo, e cuja tripulação se
debate na mais dura das batalhas: a dos sentimentos, com a fúria do mar
em volta. São muitas variações sobre as personagens. Mas o tema é só um:
a luta entre o desespero e o ódio. Ou a sobrevivência, apesar da dor.

<p n=988>
O Ministério Público decidiu deduzir acusações contra a maioria dos
arguidos no «caso TDM», ilibando, contudo, o então Governador Carlos
Melancia. A instrução contraditória de um processo que se arrastava desde
1988, terminara em Novembro passado. O processo já com as acusações
feitas pelo Ministério Público foi entregue na segunda-feira passada ao
magistrado Joaquim Figueiredo do2º Juízo do Tribunal da Comarca, segundo
notícia ontem inserta no semanário «Macau Hoje». O juiz tem agora oito
dias para elaborar o despacho de pronúncia ou arquivar a acusação do
Ministério Público, aguardando melhor prova.

<p n=989>
Foi com o desencadear deste caso, por parte do juiz Celeiro, recentemente
sujeito a inquérito disciplinar em relação a comportamentos seus em
Macau, que o nome de Melancia e da Emaudio apareceram pela primeira vez
envolvidos em alegados escândalos ou negócios escuros no território
chinês sob administração portuguesa.

<p n=990>
«(ƒ) à luz das insondáveis ameaças que nos surgem à porta com o ódio
religioso que começa a incendiar as multidões do Magrebe, o consistório
de S. Julião da Barra remeteu-se a reflexões sobre o próprio umbigo (ƒ)»

<p n=991>
Li no PÚBLICO de dia 27 de Janeiro uma coluna de opinião assinada por
António Serzedelo, presidente do Comité da Palestina em Portugal.

<p n=992>
Na chamada de primeira página da edição de 3 de Fevereiro,  relativa à
Gala dos Artistas contra a SIDA, a frase citada como pertencente a Paulo
de Carvalho é na realidade da autoria de Sérgio Godinho.

<p n=993>
Este alerta das populações não corresponde porém por inteiro, mesmo nos
países ocidentais, e sobretudo neles, ao conceito que entende que o
discurso, e as divergências, não embaraçam a acção.

<p n=994>
As presidenciais e a guerra do Golfo monopolizaram de tal modo as
atenções nas últimas semanas que deixei ficar no tinteiro -- que é como
quem diz na memória do computador -- algumas considerações sobre o
centenário do nascimento de um cidadão e homem político francês chamado
Antoine Pinay.

<p n=995>
Antoine Pinay foi um desses políticos que não gostam (ou dizem não
gostar) do seu ofício: «A política não é o meu forte. Nisso pareço-me com
muitos franceses». O seu programa de Governo, nos anos 50, inseria-se
numa lógica da política entendida como administração: travar a alta dos
preços e a desvalorização da moeda, reequilibrar o orçamento. Numa
palavra, «arrumar a casa». Nem projectos ambiciosos, nem grandes
desígnios nacionais: uma proposta de trabalho formulada com modéstia, mas
coroada de êxito. No período pantanoso da IV República Francesa, o
Governo Pinay ficou assinalado como um oásis de estabilidade. E a imagem
de Antoine Pinay firmou-se, na opinião pública da época, como um
salvador, um «herói da normalidade», dirá o historiador Raoul Girardet --
um cidadão comum, cândido e prudente, promovido a governante. Nada de
semelhante a De Gaulle ou a Churchill, «heróis de excepção», mas também
uma enorme distância, mensurável em boa-fé e ingenuidade (reais ou
eficazmente simuladas), dos políticos trapaceiros da IV República...

<p n=996>
O Governo vai passar a ter três meses para apresentar ao Parlamento o
relatório anual de Segurança Interna (até 31 de Março), alargando assim o
prazo de um mês actualmente em vigor (expirava a 31 de Janeiro). A
proposta de lei passou na Assembleia sem oposição, não sem dar azo a que
CDS, PCP, PRD e PS desfiassem algumas críticas à elaboração dos
relatórios e às relações, nesta matéria, entre Governo e Parlamento. O
ministro da Administração Interna, Manuel Pereira, justificou esta
alteração à Lei de Segurança Interna, defendendo que para haver um
relatório «completo, com dados actualizados e que responda às exigências
que os deputados têm», justificava-se o alargamento do prazo.

<p n=997>
A cooperação vai passar a ter um Fundo próprio. O anúncio foi feito por
Durão Barroso, que fez um balanço «extremamente positivo» das acções de
cooperação nos PALOP e afirmou que Portugal «não tem medo da
concorrência» nessa área.

<p n=998>
O Secretariado do PS adiou a escolha dos nomes para o grupo que há-de
começar a elaborar as listas do partido para as legislativas. Decidiu,
tão só, que entre eles não figurarão os de quaisquer dirigentes de vulto
do partido. A Comisão Técnica Eleitoral é que já procedeu à divisão das
responsabilidades pelos seus 11membros.

<p n=999>
Na reunião do Secretariado, que demorou pouco mais de duas horas, ninguém
terá manifestado oposição a esta perspectiva, defendida por Jorge
Sampaio. O que não quer dizer que, no final, alguns dirigentes  não se
tenham mostrado surpreendidos com o facto de o líder do partido não ter
avançado qualquer proposta de nomes para o futuro grupo -- que poderá ter
mais membros do que os três inicialmente previsto --, admitindo que tal
tenha ficado a dever-se, apenas, à sua deslocação a Viena de Áustria,
onde participou numa reunião da Internacional Socialista sobre a guerra
no Golfo.

<p n=1000>
O encarregado de Governo de Macau, Murteira Nabo, chamou ontem a atenção
para a situação "preocupante" gerada em torno do aeroporto internacional
do território, cuja construção tem vindo a ser bloqueada pela República
Popular da China.

<p n=1001>
Para a resolução deste problema, que também figurará na agenda das
conversações a manter brevemente em Lisboa pelo ministro chinês dos
Negócios Estrangeiros, Murteira Nabo advogou uma estratégia flexivel,
lembrando que uma "política musculada" não serve os interesses de Macau.

<p n=1002>
Na próxima sexta-feira, representantes do Governo de Luanda e da UNITA
vão rubricar um documento contendo questões de princípios formais que, de
seguida, vão possibilitar o debate do cessar-fogo. É este, pelo menos, o
desfecho previsivel da sexta ronda de conversações para a paz em Angola
que hoje se inicia em Lisboa.

<p n=1003>
«Esta ronda pode dar um passo positivo no tunel, mas o fim do tunel ainda
está distante», acrescentou, dizendo ter conhecimento de que há
tendências da parte da UNITA para que haja um protelamento da assinatura
do cessar-fogo.

<p n=1004>
O Grupo Parlamentar do PCP apresentou ontem quatro projectos de lei sobre
política agrícola, considerados «estratégicos» para que Portugal não
fique «totalmente marginalizado» no seio da CEE. Considerando que, no
final da 1ª etapa do período de transição para a Política Agrícola Comum,
«a agricultura portuguesa não sofreu as modificações estruturais
indispensáveis ao seu desenvolvimento tendo-se desbaratado os
financiamentos comunitários sem uma orientação global estratégica», os
deputados comunistas defendem a necessidade de Portugal «reduzir o grave
défice da balança agrícola», «aumentar a produtividade interna», «ganhar
competitividade no mercado externo», e «apoiar os agricultores».

<p n=1005>
No sexto encontro formal que hoje se inicia em Lisboa entre o Governo de
Luanda e a UNITA, esta estrutura aparece superiormente representada por
um civil. É Geremias Chitunda, vice-presidente da UNITA.

<p n=1006>
A atribuição de medicamentos gratuitos a pensionistas que sejam doentes
crónicos, em risco de necessidades acrescidas de cuidados de saúde, é uma
das propostas ontem formalizadas pelo Grupo Parlamentar Socialista, e
cuja discussão está agendada para o próximo dia 21. Um projecto de lei
que defina uma política para a população idosa e um outro visando a
criação de um Programa Integrado de Apoio à mesma população (PIAPI),
foram também entregues na AR pelos socialistas, que denunciam a
«ineficácia das medidas convencionais».

<p n=1007>
Guterres reconheceu ainda que «os medicamentos gratuitos para todos não é
possível», dando assim razão aos que, durante a última revisão
constitucional, acusaram o PS de ter prescindido daquela garantia ao
permitir que se alterasse na Constituição o direito à «saúde gratuita»
para a «saúde tendencialmente gratuita». A.S.

<p n=1008>
«Deve o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, tal como se encontra
redigido, ser aprovado e ratificado pelos orgãos de soberania de
Portugal?».  A pergunta - relativa ao Acordo Ortográfico assinado em
Lisboa a 16 de Dezembro -, será colocada aos cidadãos portugueses, caso a
Assembleia da República aprove a proposta de realização de um referendo
nacional, ontem apresentada pelos deputados independentes José Magalhães
e Jorge Lemos.

<p n=1009>
No encontro com os jornalistas, os dois ex-deputados comunistas
apresentaram ainda um projecto de deliberação visando a realização de uma
audição parlamentar sobre a situação e perspectivas da comunicação social
escrita, e a realização de um colóquio parlamentar subordinado ao tema:
«Liberdade de informação e segredo de Justiça». A.S.

<p n=1010>
Os agentes da PSP de Coimbra estão divididos quanto à actuação do
coordenador da zona centro. A maioria da direcção distrital demitiu-se
mas o «pomo da discórdia» suscitou o apoio da direcção nacional.

<p n=1011>
Pelo contrário, em Lisboa, José Carreira, o dirigente nacional da ASPP,
afirma que a direcção nacional da associação está «inteiramente solidária
com António Regala». Carreira defendeu a realização de um novo processo
eleitoral para aquela zona e justificou a situação devido a «um processo
de ruptura que nada tem a ver com o associativismo só justificável por
questões de natureza pessoal».

<p n=1012>
A direcção distrital de Coimbra da Associação Sócio-Profissional da PSP
(ASPP) pediu ontem a demissão devido à «falta de diálogo, autoritarismo e
alheamento» do coordenador da zona centro, António Regala. Estas foram as
razões apresentadas ao PÚBLICO pelo presidente demissionário, o primeiro
subchefe Jorge Ventura,  ao justificar que o seu executivo não tem
condições para continuar a trabalhar e acusando o coordenador de
«procurar promoção pessoal».

<p n=1013>
José Raúl, que foi o primeiro a pedir a demissão há cerca de um mês pelas
mesmas razões, complementa esta dúvida, contando que António Regala, como
membro da direcção nacional da ASPP participava em reuniões com o
comandante geral da PSP e com o Ministro da Administração Interna, sem
transmitir aos sócios e agentes o conteúdo desses encontros. «Mas deu-o a
conhecer ao comando distrital».

<p n=1014>
A Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB) da Polícia Judiciária
(PJ) deteve na passada sexta-feira, em várias localidades algarvias, três
jovens suspeitos de, em Junho e Novembro do ano passado, terem cometido
três assaltos à mão armada a bancos de Monte Gordo e Vila Nova de Cacela,
no Algarve. O montante total do roubo ascendeu a 9700 contos.

<p n=1015>
Quando das detenções, os agentes da DCCB, que para o efeito contaram com
a colaboração da PSP de Faro e de Vila Real de Santo António, recuperaram
três mil contos em dinheiro e confiscaram duas pistolas de calibre 7,65
mm e uma de 6,35 mm, que se supõe terem sido utilizadas nos assaltos. Ao
grupo foram ainda apreendidos um automóvel Alfa Romeo e duas motas
(Yamaha e Suzuki), que terão servido para as fugas.

<p n=1016>
Cerca de noventa empresas portuguesas poderão participar na formação da
Fundação para a Defesa do Ambiente e do Património Cultural, uma ideia
que foi ontem apresentada ao primeiro-ministro Cavaco Silva. A comissão
promotora da fundação -- integrada por Vasco Pessanha (presidente da
empresa INAPA), Tomás Espírito Santo (presidente do Instituto Nacional de
Meteorologia), Carlos Monjardino (presidente da Fundação Oriente) e Maria
da Graça Sampaio Cabral (assessora do secretário de Estado Macário
Correia) --, foi «escutar a sensibilidade do Governo» para a proposta e
obteve de Cavaco Silva uma boa aceitação da ideia. Com um projecto de
estatutos já definido, a fundação deverá constituir-se com um capital de
cerca de dois milhões de contos e actuará em todos os domínios
relacionados com a defesa do ambiente e do património cultural. Várias
empresas de sectores considerados muito poluidores -- como Portucel e
Soporcel (pasta de papel), Sapec (adubos) e Cimpor (cimentos) -- já se
manifestaram dispostas a apoiar a ideia.

<p n=1017>
«Esta coordenação de esforços para combater o flagelo que é a droga pode
servir de exemplo a toda a Europa», afirmou ontem Maria Barroso no acto
de assinatura do protocolo luso-espanhol de apoio ao toxicómano, firmado
entre duas organizações não governamentais (Union Española de Asistencia
al Toxicomano e a Fundação Portuguesa para o Estudo da Prevenção e
Tratamento da Toxicodependência). O documento preconiza a
institucionalização de uma assembleia peninsular a que poderão assistir
membros de uma e outra organização e que se reunirá alternadamente em
Portugal e Espanha.

<p n=1018>
UM APELO à unidade dos polacos e uma homenagem aos que combateram pela
liberdade foram os tópicos do discurso do Papa Wojtyla, o primeiro polaco
da história a ocupar aquele lugar, ao receber ontem Lech Walesa, no
Vaticano. Esta visita -- que o Papa qualificou como «histórica» -- foi a
primeira de um Presidente ao Vaticano, desde que a Polónia reconquistou a
independência, em 1918 e, simultaneamente, a primeira do antigo líder do
Solidariedade como Presidente. Durante 50 minutos, Walesa conversou com
João Paulo II a sós, após o que o Papa recebeu o Presidente polaco e a
sua comitiva na biblioteca privada. Evocando a história do seu país,
Wojtyla disse que a Polónia «nunca traiu a Europa», e que soube «morrer
pela comunidade europeia». As decisões da conferência de Yalta foram «uma
tragédia terrível» para a Polónia, mas o povo nunca se submeteu «à
ideologia e ao totalitarismo que lhe foram impostos», acrescentou.

<p n=1019>
Uma epidemia de cólera na zona do porto de Chimbote (412 quilómetros a
norte de Lima) provocou já a morte de 14 pessoas, estando detectados 340
casos de doença, revelou o ministro da saúde do Perú. Como a cólera era
praticamente desconhecida no país, os primeiros doentes  foram tratados
como se sofressem de uma simples desidratação, o que provocou a expansão
da doença. A epidemia declarou-se no dia 28 de Janeiro sem que esteja
ainda detectada a sua origem. O ministro peruano da Saúde afirmou que as
autoridades já tomaram as medidas necessárias para que a doença não se
propague pelo país.

<p n=1020>
Na noite do dia 31 de Janeiro, as cenas mais violentas apresentadas no
noticiário da televisão não vieram do Golfo Pérsico, mas do interior do
Brasil. Nessa noite, o confronto entre as forças aliadas e as tropas
iraquianas não provocou qualquer emoção. Quem assistiu ao telejornal do
Canal 11 do Rio de Janeiro ficou estarrecido com as imagens brutais da
chachina a três sequestradores de uma família promovida por uma multidão
enfurecida na longínqua cidade de Matupá, no Estado de Mato Grosso.

<p n=1021>
Numa noite em que todas atenções se voltavam para o anúncio de mais um
pacote de medidas anti-inflacionárias, o macabro filme deixou
estarrecidos os 150 milhões de telespectadores brasileiros. E a violência
mostrada pela TV foi de tal ordem que o próprio Presidente Collor de
Mello pediu para ver a gravação do noticiário.

<p n=1022>
A luta contra «terroristas», guerrilheiros ou traficantes de droga levou
o governo colombiamno a formar uma brigada especial. Mal pagos, afirmam
bater-se pela pátria. Mas a su vulnerabilidade está à vista

<p n=1023>
Os 94 homens da brigada anti-terrorista de Bogotá, criada há cerca de 15
dias, repetem este simulacro de salvamento todos os dias na escola da
polícia, na periferia da capital colombiana. Trata-se de um exercício
elementar na Colômbia: no ano passado, cerca de 1300 pessoas foram
raptadas por «narcos», guerrilheiros ou simples delinquentes.

<p n=1024>
O Tribunal de Trabalho de Lisboa declarou «nulas e de nenhum efeito» duas
deliberações tomadas em Junho do ano passado pela gerência da CP que
atribuiam bonificações no tempo de serviço a uma parte dos técnicos,
licenciados e bacharéis da empresa.

<p n=1025>
A atribuição de bonificações foi então justificada pelo Conselho de
Gerência como necessária para «acompanhar a evolução do mercado de
emprego no segmento relativo a técnicos diplomados e corrigir algumas
distorções».

<p n=1026>
O PÚBLICO reserva-se o direito de adiar ou suspender a publicação de
qualquer anúncio sempre que, por razões de paginação, a isso seja
obrigado.

<p n=1027>
As reclamações só serão  aceites quando  apresentadas, por escrito, à
direcção do PÚBLICO, nos 10 dias após a data de publicação.

<p n=1028>
Será possível juntar num só disco, o «Still loving you» dos Scorpions, a
«Nikita» de Elton John, o «I just called to say i love you» de Stevie
Wonder, o «We are the World» e toda a restante parada de monstruosidades
que assaltaram os tops nos últimos anos? Claro que sim! A Discossete
acaba de editar «Lovely Eighties», a reunião dos pesadelos mais
profundos, sob o formato musical, que nasceram na década passada. Mesmo
memórias que acreditávamos enterradas para sempre, como «Touch me (I want
your body)» daquela que vocês bem conhecem, «Lover Why» dos Century e «I
should have known better» do temível Jim Diamond estão lá. Mas é uma
produção de rigor, claro, que pretende facilitar a vida a todos aqueles
que na altura não adquiriram este ou aquele êxito, mas que agora já podem
dormir em sossego: a equipa da Discossete fez o trabalho por vós. As suas
recriações unidas num único e longo «medley» que ocupa as duas faces do
disco, são fiabilíssimas, quase não sendo possível distinguir entre os
originais e as vozes dos misterioso quarteto Ricky Stewart/Steve
Young/Helen/Leo. Todos os tiques e entoações dos artistas originais são
duplicadas na máxima das perfeições, o que evitou a desagradável tarefa
de ter que reunir num único estúdio todos os nomes citados. Até porque
com as peculiares manias que costumam ostentar, o caso ia acabar mal, por
certo. Assim tudo é mais simples, visto que para imitações estes senhores
batem o conhecido Fernando Pereira aos pontos. Apenas é de lamentar o
facto de o disco não incluir também «Words» do F. R. David, mas afinal
não seria possível repescá-los todos.

<p n=1029>
Música delicada e melancólica que faz jus ao título que ostenta. B. J.
Cole toca «pedal steel guitar» («guitarra de aço, de pedal» não soa
bem...), instrumento vulgarmente utilizado na música «country» e aqui
adaptado a um formato orquestral. Da «country», B. J. Cole deslizou para
oceanos mais serenos, tendo participado no duplo «The Serpent (In the
Quicksilver)/Abandoned Cities», de Harold Budd. «Transparent Music»
mantém-se fiel ao estilo daquele pianista: serenas divagações ambientais,
de títulos tão belos e evocativos como «Window on the Deep», «Sun Tear
Serenade» e «Ely Cathedral». Variações sobre temas de Debussy («Clair de
Lune»), Ravel («Pavane pour une enfante defunte» e Satie («Gnossiennes,
nº 3 e 5) tornam ainda mais transparente um disco de beleza espectral.
Participam, entre outros, o contrabaixista Danny Thompson e o guitarrista
de jazz, Ray Russell. (***)

<p n=1030>
Mísseis Scud e Patriot lutam nos céus em versão «hardcore» da Guerra das
Estrelas, com sangue e tudo, embora a televisão não mostre. Parece mais
um jogo de xadrez. Ora acusa Bush, ora ameaça Saddam. Avança lá tu com um
tanque que eu mando um avião. A princípio parecia apaixonante: uma guerra
a sério, logo a seguir à telenovela. Bom pretexto para reunir a família,
confraternizar, beber uns copos e mandar umas bocas «àquele bandido do
Saddam». Quando o Iraque resolveu lançar uns Scud sobre Israel foi o fim.
Adivinhavam-se sangrentas retaliações, bombas atómicas em barda, o
Apocalipse em directo, via CNN e Nuno Rogeiro. Tranquilizados pelo papá
governante, com a garantia de que não «entraríamos», mesmo que a Turquia
fosse atacada, estavam reunidas todas as condições para um bom
espectáculo.

<p n=1031>
Assim, também na Valentim de Carvalho das Amoreiras, coincidindo com o
início do conflito, se notou uma quebra no nível de vendas. Segundo nos
explicou Ana Luísa, gerente comercial, «as pessoas ficavam em casa
agarradas à televisão, a querer saber o que se passava. O Centro andava
deserto. Todas as lojas se ressentiram». Nada de grave, porém, pois
«recentemente a situação tem vindo a modificar-se. As pessoas vão ficando
um bocado fartas de estar em frente da televisão, sobretudo as mais
novas, talvez porque tenham uma tendência para se desligarem mais das
coisas e sejam capazes de levar qualquer coisa. No início da crise
compraram menos discos mas agora já reentraram no ritmo normal».

<p n=1032>
Em sintonia com os tempos que correm, existem pressupostos ideológicos
ambíguos, subjacentes à produção artística deste quarteto belga, em
actividade desde 1981. Para D. Bressanutti, P. Codneys, J. L. de Meyer e
Richard J. K. o rótulo «electronic body music» serve de pretexto para
desenvolver todo um discurso aparentemente militarista e totalitário. Ao
longo dos cinco álbuns que contam no activo, a estratégia tem-se mantido
praticamente inalterável: utilização sistemática de ritmos electrónicos
maquinais (parece que meia Europa aprendeu, melhor ou pior, a lição dos
Kraftwerk...), atravessados por vozes e ruídos samplados, sobre os quais
o vocalista humano vai enumerando todas as misérias do mundo
contemporâneo. Dá para dançar.

<p n=1033>
Da parte dos editores fonográficos e, em particular, das divisões locais
das grandes multinacionais, não se pode dizer que a situação no Golfo
tenha já causado efeitos alarmantes e até há optimistas. O director da
Polygram, Marin !! ????????, manifesta-se assim surpreso com os índices
de vendas obtidos pela sua companhia no primeiro mês do ano: «Neste
momento, posso dizer que cumprimos e até ultrapassámos a nossa estimativa
para o final de Janeiro (que tinha sido feita antes da guerra do Golfo).
Portanto, directamente não lhe sentimos os reflexos. É evidente que nos
dois ou três dias imediatos ao início das hostilidades e do fluxo enorme
de informação vinda da televisão, houve uma quebra imediata de vendas.
Essa situação foi-se achatando e, neste momento, é perfeitamente normal --
o que eu, pessoalmente, considero anormal.»

<p n=1034>
A artista videomusical por excelência. Nem a cantora, nem a actriz, mas o
cruzamento das duas coisas na criação de uma forma alternativa de
comunicar. Madonna: a que criou sentido, representando palavras cantadas
como algo diferente de só cantar ou apenas representar. A forma perfeita
para os anos 80, também pela excelência como soube manipular os seus
valores, fixações e recalcamentos no desenvolvimento de uma obra. Michael
Jackson estabeleceu uma forma videomusical de dançar, como os U2
impuseram um estilo de documentário vídeo de concerto rock, mas Madonna,
e só ela, criou um personagem audiovisual que plasticamente tem moldado à
sua visão.

<p n=1035>
O posicionamento de Madonna, ou a conclusão que se tira desta sequência
de encenações do binómio, não é, porém, linear. Ela ora aparece na
posição da vítima, como em «Oh Father», ora no lugar de dominadora, como
em «Vogue». Porém, na maior parte dos casos, os seus papéis são dúbios e,
em «Material Girl», tanto é a ambiciosa quanto a romântica; em «Express
Yourself» aparece numa posição de feminilidade passiva e na de «travesti»
masculino.

<p n=1036>
Fazia falta na carreira de Jimmy Somerville a reinterpretação de um
original dos Bee Gees, após as suas anteriores recriações para Sylvester,
Donna Summer, ou Serge Gainsbourg. De facto, a quem melhor do que
Somerville poderia recair a missão de recuperar o célebre «falsetto» dos
irmãos Gibb? E o resultado ainda por cima é sempre surpreendente, ou não
fossem as recriações do ex-Bronski Beat e ex-Communnards pertencentes à
melhor estirpe. Somerville parece ter o dom de transformar em ouro todo o
lixo que toca, o que não é virtude abundante no panorama musical dos
nossos dias. Com «To Love Somebody», em ritmo «reggae» (uma novidade em
Sommerville, geralmente mais virado para o electrodisco), os créditos
reforçam-se, constituindo um novo motivo para continuar a procurar a sua
produção. ****

<p n=1037>
A colectânea traça em traços gerais, e por ordem cronológica, as
principais linhas de força que ao longo dos anos determinaram o percurso
estético da banda liderada por Johnny «Ex-Rotten» Lydon. Desde os tempos
em que não quis ser «punk», ou teve medo ou fartou-se ou vá lá saber-se
porquê, até à imposição progressiva da imagem de qualidade e prestígio de
que actualmente desfruta.

<p n=1038>
Como qualquer produto da sociedade de consumo, a música está a ser
afectada pela guerra no Golfo. Mas a música não é um produto tão neutral
quanto outros, e a atitude dos seus profissionais perante o conflito é
determinante, mesmo num pequeno mercado como o nosso. Há assim todo um
conjunto de variáveis que, com a presente situação beligerante, se vêm
equacionando na indústria fonográfica -- a começar pela própria música que
se produz.

<p n=1039>
Este é o lado negro da questão, mas o pessimismo não é inevitável. Os
discos que se lançam agora podem não ter nada a ver com a guerra, mas uma
boa parte de vedetas internacionais tem reputação de militância em causas
justas, nomeadamente nas fileiras antibelicistas. Um disco que não faz
qualquer alusão a este conflito, como o novo de Sting, lançado em cima do
início das hostilidades, pode assim ser entendido como rejeição «avant la
lettre» do recurso às armas e, sobretudo, da destruição do meio ambiente
que envolve o conflito. Por outro lado, é uma ilação um bocado cínica,
mas é preciso reconhecer que, se a música tem menos espaço nos usuais
canais de difusão, também é verdade que o aumento de receptividade de que
estes vêm auferindo pela sede de informação lhes deve aumentar os
potenciais consumidores.

<p n=1040>
A 22 de Março do ano passado, um tractor chocou com o autocarro da
digressão de Gloria Estefan, que se dirigia para um concerto em Siracusa,
Nova Iorque. Seriamente ferida, a cantora foi sujeita a uma operação de
quatro horas, no fim das quais tinha para sempre implantadas na espinha
oito polegadas de placas de metal e era notícia de destaque em tudo
quanto é página de sociedade na imprensa latino-americana e californiana.
Era mais um acidente a juntar a toda uma saga entre o trágico e
melodramátrico que se confunde com o percurso de ascensão de Estefan ao
estrelato. Como numa telenovela de produção sul-americana, no episódio
seguinte a heroína apareceu numa cadeira de rodas para agradecer o calor
humano e jurar que iria fazer das tripas coração para prosseguir
carreira. Menos de um ano depois, a promessa cumpre-se numa ofensiva
discográfica que, sem surpresas, adere à clássica dualidade de queda nas
trevas e ressurreição luminosa, baptizando o novo single «Saída da
escuridão» e o álbum «No Sentido da Luz».

<p n=1041>
Agora, finalmente, a alma que Gloria sempre colocou no afã profissional
transparece musicalmente, ou o que pode ser considerado mais ou menos
equivalente em termos norte-americanos. «Into the Light» é a sua primeira
incursão séria no campo da «soul music». A articulação entre a esfera
vivencial e a artística torna-se assim perfeita: a mulher que defronta
todos os azares da vida com genuíno ânimo é a que não canta mais não
importa o quê, mas passa a deitar cá para fora tudo o que lhe vai lá
dentro. E dá jeito: Estefan não poderá regressar tão cedo ao seu perfil
de artista-ginasta em «shows» de proezas erótico-musculares, depois, o
seu público está a envelhecer com ela e faz todo o sentido que dos «hits»
de batida instantânea transite para música mais suave e melodiosa, onde a
soul constitui o paradigma dominante. Esta é então a nova Gloria, não
mais a jovem elegante de sensualidade ostensiva e imediata, mas a mulher
adulta cheia de paixões íntimas e encantos secretos, ou qualquer de
semelhante em termos musicais, a trocar os anúncios a refrigerantes por
«spots» a agências seguradoras.

<p n=1042>
Não deve ser graças a discos como este que Malcolm McLaren ganhou
reputação, mas deve ser por causa dessa fama que o deixam editar coisas
assim. De modo que há uma explicação: a sua antiga editora Virgin
solicitou-lhe que organizasse material para uma compilação, mas quando
foram aos arquivos da companhia descobriram que os originais se haviam
perdido. Vai daí deram mais um montão de dinheiro a McLaren para regravar
os seus sucessos e é assim que resulta «Round The Outside! Round The
Outside!». A velha raposa aproveitou para lançar mais situações dúbias e
deixar perplexos os executivos da indústria. Assim, por um lado, Malcolm
edita na Virgin, mas o seu actual contrato é com a Epic. Contudo,
legalmente, não quebrou os termos da sua ligação a esta editora, uma vez
que o novo disco traz a chancela do World Famous Supreme Team, embora na
prática isto signifique que ele tem dois contratos de exclusividade. Se
esse será mais o problema da Epic, o da Virgin é o de que encomendou
versões de êxitos de e por Malcolm e recebeu um álbum onde só há dois
títulos antigos, que para mais ainda não resolveram se é dele. Isto, por
um lado, visto que até Shakespeare aparece em seu nome, e, por outro, o
disco vem assinado como MM apresenta o WFSTS (o estatuto de apresentador,
por exemplo, nunca fez de Andy Warhol líder ou sequer membro dos Velvet
Underground).

<p n=1043>
«Até ao dia / do sonho de paz duradoira / cidadania do mundo e moralidade
internacional... Até esse dia o continente africano não conhecerá paz /
Nós, africanos, combateremos.»

<p n=1044>
Um novo álbum dos Motörhead é sempre um acontecimento, e este já é o nono
da sua produção de originais. «1916» é o resultado de um novo contrato
com uma multinacional, após alguns anos no circuito das independentes, e,
nessa medida, um conjunto de temas virado para uma audiência que ainda
não os conhece, ou que já os esqueceu. Daí que ao longo do disco sejam
feitas subtis referências às suas anteriores produções, como «Iron Fist»
e «Ace of Spades», e mesmo ao rock psicoespacial dos Hawkwind, na
sonoridade de «Nightmare/The Dreamtime». Por outro lado, o som final é
bem mais macio e variado do que em qualquer dos dois discos anteriores,
«Orgasmatron» e «Rock'n'Roll». Imaginem que Lemmy até tenta cantar
baladas: «The One to Sing the Blues» e «1916», a primeira relativa ao
«amor puro», a segunda relatando os sofrimentos dos soldados numa guerra
a que não pertencem (apesar da referência directa ser à Primeira Guerra
Mundial, o tema continua bastante actual). Depois, há de tudo um pouco,
do «hard boogie» em «Angel City» e «Going to Brazil», ao «standard speed»
dos Motörhead em «I´m so bad (Baby I Don't Care)» ou «Make My Day».
«Ramones» é um hino aos ditos, um dos poucos grupos dignos de figurar, ao
lado dos Motörhead, no panteão dos clássicos do rock.

<p n=1045>
Depois de uma semana de natural explosão de noticiários e blocos
informativos, começando na quarta-feira em que o conflito estalou e
prolongando-se pelos dias seguintes, as nossas maiores estações estão em
actividade seminormal. A programação estabelecida decorre dentro dos
parâmetros habituais, mantendo, no entanto, linhas sempre abertas para
noticiários de última hora e planos de reserva para possíveis alterações
drásticas no cenário da guerra. A aparente passividade das direcções de
programas deve-se sobretudo a três razões básicas: Portugal não tem
tropas a combater, portanto não passamos, por enquanto, de meros
espectadores, o caudal de informação diminuiu após a adopção de medidas
de censura por parte das cadeias internacionais e o próprio público já se
habituou aos acontecimentos, podendo quase dizer-se que a guerra entrou
na rotina do dia-a-dia.

<p n=1046>
Os investidores ocidentais não estão a apostar em acções conjuntas na
União Soviética, devido à precariedade da situação política e económica
do país. Esta foi a mensagem transmitida em Davos, na Suíça, pelos
responsáveis de empresas ocidentais aos delegados soviéticos que
participam no Forum Económico Mundial. Os empresários sublinharam também
que o processo de tomada de decisão em relação ao investimento na URSS se
encontrava paralisado, devido aos receios crescentes de que o colosso se
desmembrasse em pequenas repúblicas ou mergulhasse em guerra civil. Os
presentes em Davos apelaram para alterações radicais que encorajem o
investimento na URSS. O país não possui, segundo os conferencistas, uma
base legal clara de interpretação das possibilidades de investimento
estrangeiro. Leonid Gregiriev, autor do Plano Cjhatalin de reformas
radicais, tranquilizou os presentes, afirmando que talvez fossem dados na
URSS três passos em frente e dois atrás, mas que isso não significava que
o país tivesse abandonado o caminho para uma economia de mercado.

<p n=1047>
VOLTA À ANDALUZIA -- O ciclista Manuel Abreu foi o português mais bem
classificado na 1ª etapa da Volta à Andaluzia em bicicleta, ontem
disputada, ao terminar na 19ª posição, a 11 segundos do vencedor, o
espanhol José Luis Villanueva (4h59'23''). Paulo Pinto ficou em 27º
lugar, com mesmo tempo do seu compatriota.

<p n=1048>
Foi ontem aprovada por unanimidade, no plenário da Assembleia da
República, o projecto de Lei da Criminalidade Informática. O projecto foi
apresentado pelo PSD e, depois desta aprovação na generalidade, deverá
descer à Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias para discussão na
especialidade. Durante esta discussão, a oposição admite vir a introduzir
alguns aperfeiçoamentos técnicos no diploma.

<p n=1049>
O IRAQUE comprou, sob mediação italiana, três bombas atómicas com uma
força de 20 megatoneladas a empresas francesas, afirma o ex-delegado do
Ministério Público italiano, Carlo Palermo, com base em documentos
relacionados com o tráfico de armas e droga. As bombas, que pesam 90
quilogramas e contêm outros 40 de urânio enriquecido, terão sido
adquiridas por Bagdad no início da década, pois Palermo teve acesso aos
documentos da venda em 1983. O mesmo funcionário refere, numa entrevista
a publicar no próximo número do semanário «Avvenimenti» e ontem citada
pela Lusa, que os documentos provam o comprometimento da França e da
Itália, mas que alguns bancos suíços, governos e serviços secretos
poderão também vir a ser implicados.

<p n=1050>
Um acidente entre um veículo pesado e uma carrinha ocorrido na Estrada
Nacional nº1, no lugar de Tinto, a oito quilómetros de Pombal, deu origem
a um outro envolvendo dois ligeiros e um semi-reboque, cerca das 19h00 de
ontem, de que resultou um morto.

<p n=1051>
A GNR de Pêro Pinheiro deteve na noite de segunda para terça-feira,
naquela localidade, em Montelavar, Morelena e Fação, quatro individuos
suspeitos de terem cometido diversos assaltos à mão armada em residências
e postos abastecedores de combustiveis da zona de Sintra.

<p n=1052>
O Ministério Público decidiu deduzir acusações contra a maioria dos
arguidos no «caso TDM», ilibando, contudo, o então Governador Carlos
Melancia. A instrução contraditória de um processo que se arrastava desde
1988, terminara em Novembro passado. O processo já com as acusações
feitas pelo Ministério Público foi entregue na segunda-feira passada ao
magistrado Joaquim Figueiredo do2º Juízo do Tribunal da Comarca, segundo
notícia ontem inserta no semanário «Macau Hoje». O juiz tem agora oito
dias para elaborar o despacho de pronúncia ou arquivar a acusação do
Ministério Público, aguardando melhor prova.

<p n=1053>
Foi com o desencadear deste caso, por parte do juiz Celeiro, recentemente
sujeito a inquérito disciplinar em relação a comportamentos seus em
Macau, que o nome de Melancia e da Emaudio apareceram pela primeira vez
envolvidos em alegados escândalos ou negócios escuros no território
chinês sob administração portuguesa.

<p n=1054>
Dias Loureiro acusa PS -- O vice-presidente do Partido Social-Democrata e
ministro dos Assuntos Parlamentares, Dias Loureiro, sustentou ontem em
Vila Real que «o PS já deixou de lutar pela vitória em eleições
legislativas, pretendendo apenas evitar que o PSD conquiste a maioria
absoluta». O dirigente social-democrata, que falava na sede distrital do
seu partido, durante uma reunião entre dirigentes e militantes locais,
acrescentou que, «a partir de agora, depois da campanha publicitária dos
cartazes, o PS entrou em campanha eleitoral e todas as suas acções devem
ser vistas sob essa óptica».

<p n=1055>
Para os comunistas, «as declarações de Ângelo Correia trazem de novo para
a ribalta a figura do secretário de Estado», que desempenha também as
funções de presidente da Comissão Política Distrital de Aveiro do PSD, e
são «exemplarmente comprovadoras da imagem do PSD no distrito,
particularmente da ligação de várias das suas personalidades destacadas a
algumas situações graves ocorridas no distrito -- ou ao seu encobrimento».

<p n=1056>
Uma delagação parlamentar do PS desloca-se, no sábado, à África do Sul, a
convite do governo de Pretória. A delegação, que integra os deputados Rui
Cunha, Caio Roque, Mota Torres e Carlos Ruiz, deverá permanecer duas
semanas na República sul-africana, partindo depois para Maputo e Luanda.

<p n=1057>
Entre os nomes que farão parte do núcleo na capital nortenha figuram,
além de Melo Rocha e de Artur Santos Silva, presidente do conselho de
administração do BPI, os de Miguel Veiga, António Lobo Xavier, membro da
Comissão Directiva do CDS, José Valente, professor da Faculdade de
Economia, independente, José Pedro Aguiar Branco, advogado, do PSD, Rui
Rio, economista, também do Partido Social-Democrata, e Freire Santos,
especialista em Economia Internacional. Elisa Taveira, da Comissão de
Coordenação da Região Norte, e Pinto Machado são outras das
personalidades que os promotores da Sedes no Porto pretendem chamar a
participar, mas a sua adesão não está ainda confirmada.

<p n=1058>
O ministro da Justiça, Laborinho Lúcio, desloca-se no próximo dia 14, às
16h00, à Assembleia da República, para uma conferência de líderes
«restrita» em que será abordada a questão da amnistia. Em carta ontem
enviada aos presidentes dos grupos parlamentares, o presidente da AR,
Víctor Crespo, informou da reunião, já confirmada com Laborinho, que
contará apenas com a presença dos líderes, do ministro e de Dias
Loureiro, responsável do Governo para os Assuntos Parlamentares.
Secretários da Mesa da Assembleia ou vice-presidentes das bancadas -
habitualmente presentes nas conferências de líderes -, não estarão desta
vez.

<p n=1059>
MILLER CONDENADO POR ESPIONAGEM -- Richard Miller, o agente da FBI
condenado por haver entregue, em 1984, documentos secretos à sua amante
soviética, foi sentenciado a 20 anos de prisão, na segunda-feira. Uma vez
que Miller já cumpriu cinco anos da sua pena, enquanto aguardava
julgamento, e considerando que tem direito a liberdade condicional após
servir um terço de sua sentença, poderá estar livre em menos de dois
anos. Nenhum outro agente do FBI até hoje foi condenado por espionagem.
Argumentando que o seu crime foi um dos piores já cometidos por um espião
americano, a procuradoria tinha pedido ao juíz que condenasse Miller com
uma sentença dupla de prisão perpétua, acrescida de 50 anos. O ex-agente
aparentemente nunca recebeu os 65 mil em ouro e dinheiro que lhe fora,
prometidos pela amante Svetlana Ogorodnikova.

<p n=1060>
MORREU ANTIGO GERAL DOS JESUÍTAS -- O antigo superior-geral dos jesuítas,
padre Pedro Arrupe morreu ontem em Roma, após doença prolongada e depois
de ter estado vários dias em coma. Nascido em 1907, em Bilbau, Arrupe
entrou para a Companhia de Jesus em 1927 e, em 1938, estava no Japão,
onde viria a presenciar o lançamento da bomba atómica sobre Hsiroshima.
Em 1965 foi eleito para 28º superior-geral dos jesuítas, cargo que
exerceu até 1983, antes de ser substituído pelo actual, padre Kolvenbach.
Na expressão de Manuel Morujão, provincial dos jesuítas portugueses, «foi
um homem de grande coragem, que soube enfrentar os novos desafios da
Igreja e da modernidade».

<p n=1061>
Entre ventos fortes e marés de desinformação, as manchas de petróleo no
Golfo dão trabalho e dores de cabeça aos peritos mundiais do ambiente
que, neste momento, apenas têm a certeza que estamos perante um dos
maiores desastres ecológicos da história.

<p n=1062>
Nos seus lares, milhares de pacatos cidadãos de Berlim preparavam-se para
assistir a mais um noticiário da estação televisiva SFB. Mas desta vez o
estilo foi diferente. O som não correspondia às imagens emitidas.

<p n=1063>
Oito minutos depois tudo voltou à normalidade. Quando começou o
noticiário da noite, com as imagens do Golfo, voltou a ouvir-se a voz
feminina. Quando, intrigados, os telespectadores começaram a telefonar
para os estúdios da SFB, foram informados de que se tratava de uma
«desconhecida emissora pirata» que tinha interferido na emissão durante
dois períodos de oito minutos cada. Desconhece-se a identidade dos
autores do boicote, já conhecido por SFB-2, a outra informação do Golfo.

<p n=1064>
George Bush vai enviar Dick Cheney e Colin Powell à Arábia Saudita para
avaliarem a situação no terreno, ajudando-o a decidir a data da grande
ofensiva terrestre. Convencido de que vai vencer a guerra rapidamente, o
Presidente norte-americano recusou a proposta iraniana de mediação para
um cessar-fogo. Não é segredo que ele preferia não ter de negociar com
Saddam, nem agora, nem depois da guerra.

<p n=1065>
Mesmo antes de anunciar o envio de Cheney e Powell, Bush não evidenciou
qualquer dúvida a respeito da evolução das operações -- «tudo está a
correr muito bem» e «como estava planeado» -- e reiterou as suas promessas
de que esta guerra «não vai ser outro Vietname», confirmando ainda as
estimativas da Casa Branca de que o conflito durará, provavelmente,
alguns meses.

<p n=1066>
Apesar do envolvimento na Guerra do Golfo, os Estados Unidos vão reduzir
em 3,7 mil milhões de dólares as despesas militares previstas no projecto
de orçamento para 1992. Quinhentos milhões por dia é quanto custa a
Washington impor o cumprimento da resolução das Nações Unidas para a
retirada de Saddam Hussein do Kuwait. Prevendo as dificuldades, o
Departamento de Defesa vai, já este mês, pedir ao Senado mais fundos para
compensar o esforço no Médio Oriente.

<p n=1067>
Esta análise é também concordante com as declarações do vice-presidente --
durante o fim-de-semana passado, à CNN, em que Dan Quayle criticou as
estimativas «astronómicas» para os custos de guerra -- que sublinhou que a
maior parte dos custos será suportada pelos países aliados e afirmou que
o custo adicional (em termos de despesa do Estado norte-americano) não
deverá superar os dois por cento, bastante abaixo do previsto para a
inflação e incapaz de comprometer o objectivo de contracção do défice,
actualmente em 318 mil milhões de dólares (43 mil milhões de contos).

<p n=1068>
Pelo segundo dia consecutivo, a divisa norte-americana registou ontem
nova queda histórica em relação ao marco. O dólar fechou em Londres a
1,4614 marcos, contra os 1,4660 da véspera, e caiu também em relação ao
iene e à libra esterlina. Na segunda-feira, os mercados tinham já reagido
à subida do juro alemão e simultânea redução das taxas dos EUA. A venda
de dólares foi de tal forma maciça que os bancos centrais europeus foram
obrigados a intervir para aguentar a cotação da divisa norte-americana.
Ontem, a tendência para a queda foi agravada pela divulgação de dados
estatísticos indicadores da recessão sem tréguas que os Estados Unidos
atravessam. Em Dezembro, o índice das encomendas de produção industrial
baixou 4,7 por cento, não se incluindo, no entanto, nesta percentagem as
ordens de fabrico de material militar, como mísseis, vasos de guerra ou
aviões de combate.

<p n=1069>
Ao chegar ao Congresso na segunda feira, o presidente George Bush pôs na
mesa um dossier de capa azul, vermelha e branca de três quilos e
duzentos. Dentro da pasta estava, detalhado, o projecto de orçamento dos
Estados Unidos para o ano fiscal que começa a 1 de Outubro deste ano: um
orçamento com o peso de 1.450 mil milhões de dólares (186 mil milhões de
contos) que prevê, ainda este ano, um défice recorde de  318,1 mil
milhões de dólares (40,8 mil milhões de contos), o que corresponde a um
endividamento da administração de mil milhões por dia.

<p n=1070>
00h30 -- O Iraque instalou baterias de mísseis e de aviões combate em
vários locais do Sudão, afirma a cadeia de Teelevisão americana ABC.
Responsáveis sudaneses desmentiram.

<p n=1071>
09h00 -- O Iraque afirma ter abatido, desde segunda-feira, quatro aviões
aliados e conta 373 raides sobre o seu território, nomeadamente «bairros
residenciais».

<p n=1072>
UM HERCULES C-130 da Força Aérea grega,  com 54 pessoas a bordo,
desapareceu ontem em pleno voo, receando-se que se tenha despenhado nos
montes de Tessália, na região central da Grécia, informou o ministério da
Defesa em Atenas.

<p n=1073>
O último contacto do avião foi às 12h51 locais (10H51 de Lisboa), quinze
minutos após o início do voo, quando o aparelho se encontrava a 14 mil
pés de altitude. O seu desaparecimento obrigou o Ministério da Defesa a
convocar uma reunião de emergência no Estado-Maior da Força Aérea Grega.

<p n=1074>
O PRESIDENTE iraniano, Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, propôs ao seu
homólogo iraquiano, Saddam Hussein, um pacto de não agressão, do qual
seriam também signatários os Estados membros do Conselho de Cooperação do
Golfo, a Turquia e o Paquistão.

<p n=1075>
Manifesta-se disponível para ir a Bagdad, juntamente com líderes de
outros países islâmicos, para persuadir a outra parte beligerante a
aceitar a paz. Neste sentido, Rafsanjani promete que fará o seu melhor
para convencer os EUA e os países ocidentais a retirarem as suas forças
do Golfo, em simultâneo com uma retirada iraquiana do Kuwait, seguindo-se
imediatamente a colocação de tropas muçulmanas na região.

<p n=1076>
CAÇAS bombardeiros israelitas lançaram ontem mísseis ar-terra, durante 25
minutos, contra cinco bases da Fatah, a maior facção da OLP, no Sul do
Líbano, em retaliação por ataques com rockets lançados por guerrilheiros
palestinianos contra o Estado judaico.

<p n=1077>
Foi o primeiro ataque da Força Aérea israelita desde que, há uma semana,
começaram os ataques de rockets palestinianos contra o Norte de Israel.
Até então, só a artilharia tinha ripostado, bombardeando bases
palestinianas.

<p n=1078>
SADDAM HUSSEIN ofereceu a grupos curdos e xiitas na oposição um terço dos
cargos num futuro Governo de unidade nacional, e ainda um terço dos
lugares no Parlamento, numa tentativa para manter o poder depois da
guerra no Golfo, noticiou ontem o jornal alemão Die Welt, num artigo
datado de Teerão.

<p n=1079>
Segundo o Die Welt, o Irão estaria disposto a ajudar Saddam a impedir que
os americanos e sauditas instalem um governo fantoche em Bagdad. O jornal
indicou que a Arábia Saudita, com o apoio da Síria, planeia reunir uma
«conferência nacional dos povos iraquianos», em Meca, em Março próximo,
com o objectivo de formar um governo rival.

<p n=1080>
O velho navio de guerra norte-americano Missouri, veterano da guerra da
Coreia, voltou ontem a entrar em acção ao destruir duas peças de
artilharia iraquianas no Kuwait. Os alvos foram atingidos por seis tiros
dos canhões de 16 polegadas do Missouri e ficaram «neutralizados»,
relatou um oficial americano.

<p n=1081>
O problema central para o líder egípcio é o de que a estreita ligação que
estabeleceu com o Ocidente no conflito do Golfo contradiz o seu papel
tradicional de conciliador, que levou à reintegração  do Egipto no mundo
árabe, depois de ter sido expulso durante a era de Anwar Sadat.

<p n=1082>
George Bush admitiu a inevitabilidade de uma guerra terrestre, ao
declarar que a ofensiva aérea, a entrar na quarta semana, não bastará
para convencer o Iraque a sair do Kuwait. Ao mesmo tempo, o Presidente
dos EUA afirmou, em relação ao plano de mediação iraniano, que Bagdad não
mostra «qualquer flexibilidade». «Estamos na casa de partida, não há nada
a negociar», disse Bush -- e por isso avizinha-se o momento da decisão
sobre o início das operações em terra. A visita a efectuar no fim de
semana à Arábia Saudita pelo secretário da Defesa, Dick Cheney, e pelo
comandante das Forças Armadas, general Colin Powell, permitirá recolher
os últimos elementos para a tomada de uma decisão.

<p n=1083>
Os aliados continuam a preparar a ofensiva terrestre flagelando as
posições e os alvos iraquianos. Os raides sucedem-se sobre as principais
cidades do país -- e Takrit, onde nasceu Saddam Hussein, foi incluída no
rol dos objectivos. Superbombardeiros B-52 chegaram ontem à base
britânica de Fairford para se juntarem, talvez já a partir de hoje, à
vaga de bombardeamentos. Um dos alvos é também a auto-estrada Bagdad-Amã,
por onde transitam camiões-cisterna que abastecem a Jordânia de
combustível iraquiano.

<p n=1084>
As forças sírias estacionadas na Arábia Saudita dispararam ontem os
primeiros tiros de artilharia contra as tropas iraquianas desde o início
do conflito, revelou o orta-vox saudita, coronel Ahmed Al Robayan. Cerca
de trinta soldados iraquianos dispararam lança-granadas sobre as posições
sírias, tentando abrir uma brecha na fronteira com a Arábia Saudita. A
artilharia síria replicou, obrigando os iraquianos a retirar. A «estreia»
da Síria na guerra foi também a primeira participação de um país árabe
(além dos países do Golfo) nas hostilidades.

<p n=1085>
Fontes militares sudaneses, como o ex-comandante das Forças Armadas,
general Fathi Ahmed Ali, diplomatas europeus e responsáveis de
organizações humanitárias internacionais em Cartum afirmaram ontem à
cadeia de TV americana ABC que mais de 20 caças iraquianos foram
escondidos em duas bases no Sudão e que um número indeterminado de
mísseis terra-terra, transportados por cargueiros, estão agora instalados
em cidades costeiras do Mar Vermelho, como Arous e Erkowit, visando,
preferencialmente, instalações petrolíferas sauditas ou a barragem
egípcia do Assuão. As transferências teriam sido realizadas no final do
ano passado.

<p n=1086>
O primeiro-ministro israelita, Yitzhak Shamir, garantiu ontem ao
parlamento que «não se deve ver na participação de Rehavam Ze'Evi uma
qualquer mudança na política do Governo». E assinalou que se continua a
opôr à chamada «política de transferência» defendida pelo novo ministro
para a resolução do problema palestiniano e que consiste na pura e
simples expulsão dos palestinianos para a Jordânia.

<p n=1087>
Ze'Evi, um partidário da retaliação imediata contra o Iraque, participará
também no Comité Militar do Governo, responsável pela gestão dos estados
de alerta em que o país se encontra desde o início da guerra.

<p n=1088>
A Arábia Saudita anunciou ontem a prisão dos alegados responsáveis pelo
ataque contra um autocarro do aeroporto, na cidade de Jidá, no qual
ficaram feridos dois militares norte-americanos e um saudita.

<p n=1089>
O Ministério do Interior emitiu um comunicado anunciando que agirá de
acordo com a «sharia» (lei islâmica) ao aplicar os castigos. O comunicado
citava em seguida um versículo do Corão onde se lê que a morte e a
amputação de membros aguardam aqueles que se oponham a Deus e ao Profeta
Maomé. A espada é, geralmente, a arma mais utilizada na aplicação dos
castigos.

<p n=1090>
Identificar os corpos dos soldados mortos durante os combates é a função
de unidades especializadas do Exército americano. «Se fizermos o nosso
trabalho como deve ser, não haverá campa do soldado desconhecido», afirma
o tenente-coronel John Cassidy, responsável da unidade dos Marines.

<p n=1091>
Ao partirem para a batalha, os soldados norte-americanos levam consigo os
mais extraordinários objectos: desde cartas representando o Ás de
Espadas, para colocar sobre os corpos dos inimigos abatidos, até à
fotografia da namorada, passando por ursos de peluche, pedaços do cabelo
dos filhos, Bíblias ou fotografias recortadas de revistas pornográficas.

<p n=1092>
No intervalo do Superbowl -- final do campeonato americano de futebol, que
decorreu no domingo, 27 de Janeiro -- entraram no relvado 50 crianças
provenientes dos 50 estados norte-americanos. Todas tinham pais ou
parentes muito próximos a combater no Golfo. Alinharam-nas no relvado e
uma delas cantou uma canção. O estádio de Tampa, na Flórida, levantou-se
em peso e, erguendo as almofadas, «construiu», ao longo de toda a
bancada, uma gigantesca bandeira nacional.

<p n=1093>
Cumprindo este ano o 25º aniversário, o Superbowl era o acontecimento
ideal para exaltar o fervor patriótico, até porque, pela primeira vez, ia
ser transmitido além-fronteiras: exactamente para as tropas estacionadas
no Golfo. Na semana anterior, manifestações contra a guerra em Washington
e em São Francisco tinham provocado reacções na América profunda.
Silenciosa, porque confiante na força que as sondagens lhe atribuíam,
resolveu sair à rua para mostrar que cerca de 80 por cento dos americanos
estavam com o Presidente e com a decisão de ir para a guerra.

<p n=1094>
Os americanos vão finalmente poder descarregar todo o ódio que sentem
pelo Presidente iraquiano, Saddam Hussein. Uma empresa dos EUA criou o
«boneco vudu» Saddam para que todos os que o odeiam possam espetar-lhe
agulhas nos olhos ou fazer «tudo o que o vosso coração deseja», como se
diz na publicidade do novo boneco.

<p n=1095>
«Chamada, chamada, de Hamad a Kouteiba: ponham em execução tudo o que se
encontra sobre a mesa e no exterior». Esta foi uma das mensagens em
código que a Rádio Bagdad começou a transmitir na noite de segunda-feira.
Os destinatários são identificados unicamente pelos seus nomes próprios
ou por números e as mensagens começam sempre pela palavra «chamada»
repetida duas vezes. Emitidas a partir de um «Quartel General» não
identificado, algumas destas mensagens foram captadas pela BBC:

<p n=1096>
«Inadmissíveis» foi como o secretário-geral das Nações Unidas, Javier
Perez de Cuellar, classificou ontem os bombardeamentos aliados contra
camiões jordanos que percorriam a estrada entre Bagdad e Amã. Ignorando o
embargo económico decretado contra o Iraque, a Jordânia continua a
abastecer-se de petróleo iraquiano, transportado por camiões que
frequentemente percorrem a estrada que liga as duas capitais.

<p n=1097>
A sua alegação de ter invadido o Kuwait em nome da causa palestiniana não
faz qualquer sentido. O dirigente iraquiano nunca mencionou os
palestinianos antes de decorridos dez dias após a sua invasão. Tratou-se
apenas de uma ideia que lhe surgiu depois da invasão.

<p n=1098>
O Iraque interrompeu ontem, «até nova ordem», os abastecimentos de
gasolina e de outros combustíveis derivados do petróleo à população,
anunciou a Rádio Bagdad. Citando um comunicado do Ministério do Petróleo,
a rádio indicou que a decisão foi tomada por «razões particulares», não
especificadas.

<p n=1099>
Também a cidade natal de Saddam Hussein, Tikrit, tem sido alvo de
«bombardeamentos intensos», de acordo com testemunhas oculares.

<p n=1100>
Cinco estudantes árabes da faculdade de Letras de Lisboa foram visitados
em casa na passada quinta-feira, dia 31 de Janeiro, por agentes da
polícia de segurança pública (PSP). Os agentes sujeitaram-nos a um
exaustivo inquérito que envolveu questões de ordem pessoal mas que
abordou também preferências políticas dos estudantes, nomeadamente no que
respeita à actual guerra do Golfo.

<p n=1101>
«Estão perfeitamente assustados», descreveu a mesma pessoa, «quase têm
pavor em falar do assunto». No grupo, três são marroquinos, um é argelino
e uma estudante é iraquiana. Estudam História, Língua e Literaturas
Modernas e Língua Portuguesa. «A estudante iraquiana não sabe bem o que
fazer», comentou a mesma pessoa.

<p n=1102>
Em 1954, foi ela que dobrou a voz de Dorothy Dandrige em «Carmen Jones»,
de Otto Preminger. Hoje, continua a cantar, mantendo capacidades vocais
extraordinárias. Há 27 anos que Marilyn Horne não vem a Portugal, daí a
enorme expectativa pelo recital que dará esta noite no São Carlos.
PÚBLICO ouviu o ímpar príncipe guerreiro de Babilónia (Arsace de
«Semiramide», de Rossini, o seu mais célebre papel), a cantora que, mais
do que qualquer outrem, permitiu voltar a ouvir a magnificência do
bel-canto.

<p n=1103>
O Secretariado do PS adiou a escolha dos nomes para o grupo de trabalho
encarregue de iniciar a elaboração das listas do partido para as
legislativas. Mas estabeleceu uma baliza: entre eles não estarão
secretários nacionais nem membros da Comissão Técnica Eleitoral, ao que
dizem para não prejudicar o relacionamento desta com as federações
distritais e não «empolar» as funções do grupo. Na Comissão Eleitoral
foram, entretanto, criadas quatro grandes áreas de actuação e nomeados os
respectivos responsáveis.

<p n=1104>
O Secretariado do PS adiou a escolha dos nomes para o grupo de trabalho
encarregue de iniciar a elaboração das listas do partido para as
legislativas. Mas estabeleceu uma baliza: entre eles não estarão
secretários nacionais, nem membros da Comissão Técnica Eleitoral, ao que
dizem para não prejudicar o relacionamento desta com as federações
distritais e para não «empolar» as funções do grupo. Na Comissão
Eleitoral foram, entretanto, criadas quatro grandes áreas de actuação e
nomeados os respectivos responsáveis.

<p n=1105>
A Uniagri (União das Cooperativas do Noroeste Português) denunciou a
situação em que se encontra: por um lado procede a abate sanitário de
gado por conta da Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral; por
outro, o Iroma -- igualmente um departamento do Ministério da Agricultura
-- recusou-lhe a renovação do licenciamento para essa actividade. O
presidente da Uniagri --secretário de Estado da Agricultura num dos
governos AD -- acusa que se trata de uma «guerra que nos é movida por
alguns políticos e pessoas altamente colocadas».

<p n=1106>
Os trabalhadores portugueses sofrem, no entender da CGTP. Tinham já a
pressão dos velhos conflitos e agora vêem no horizonte um novo pacote
laboral. Para agravar tudo isso, eis que a guerra no Golfo veio criar
dificuldades em diversos sectores -- e as empresas querem que os
trabalhadores paguem as consequências.

<p n=1107>
O balanço da situação ontem feito pelo Conselho Nacional da central levou
à marcação de um plenário de sindicatos que aprofundará os dados
disponíveis e poderá adoptar «propostas de fundo, mais para a frente» do
que a semana de esclarecimento e protesto já marcada para encerrar
Fevereiro. Essa acção de massas da Intersindical incidirá particularmente
sobre a flexibilização e precarização das relações laborais (verificáveis
e possivelmente agravadas se entrar em vigor a nova legislação), a
necessidade de melhores salários, a redução dos horários semanais de
trabalho para 40 horas e a situação de guerra no Golfo.

<p n=1108>
O realizador Roman Polanski será o presidente do júri do 44º Festival de
Cannes, que se realiza de 9 a 20 de Maio. A designação de Polanski, de 57
anos, o autor de «Repulsa» e «Chinatown», põe fim aos rumores de que a
edição deste ano estaria em perigo devido à guerra no Golfo. Recorde-se
que o festival foi interrompido duas vezes: a primeira, de 1940 a 1945,
devido à II Guerra Mundial e depois durante os acontecimentos de Maio de
68. «Tal como em 1986», o ano do ataque americano à Líbia, «este ano
haverá provavelmente menos artistas americanos, mas os profissionais do
cinema não deixarão de comparecer», disse à France Presse o secretário
geral do festival, Michel Bonnet. Foi também em 86 que Polanski
apresentou no festival o seu filme «Piratas». O galeão especialmente
construído para o filme ainda hoje é uma atracção turística do porto de
Cannes.

<p n=1109>
O PÚBLICO foi visitar os museus onde a água foi cortada mas pouco
conseguiu saber através dos funcionários. A não ser que eles aproveitaram
a falta de água para limpar o bar e o pó aos coches.

<p n=1110>
«Saddam Hussein Desafiando o Mundo», um documentário de produção
britânica sobre o Presidente iraquiano, é vedeta de um mercado
videográfico condicionado pela informação global imposta pelas principais
cadeias de televisão norte-americanas e inglesas desde a eclosão da
Guerra no Golfo. O filme, que inclui imagens da invasão do Kuwait, é
distribuido pela Ecofilmes, uma empresa do grupo Ecovídeo que se dedica à
venda directa e que prepara já a edição de outro documentário sobre a
guerra do Golfo a partir de imagens da CNN.

<p n=1111>
Assim, a Ecovídeo vai levar em conta a actual situação do mercado e
reforçar a qualidade das edições. A situação justifica-se, segundo o
director da Ecovídeo, Manuel Vieira, porque «com a guerra em directo as
pessoas não iam alugar filmes». Neste momento, acrescenta, o mercado
tende a entrar na normalidade.

<p n=1112>
A indústria fonográfica facturou mais quarenta por cento em 1990, que no
ano precedente, um benefício que se deve e reverteu sobretudo a favor dos
artistas portugueses. A associação do sector está contente com a sua
contabilidade, mas quer nova legislação que corresponda aos objectivos do
mercado europeu.

<p n=1113>
A referida explosão meteórica do CD fez-se em geral noutros mercados de
par com uma proporcional descida do vinil, que actualmente já não é
fabricado de forma maciça e tende para a completa extinção. Em
contrapartida, em Portugal esse eclipse não tem sido tão rápido e, se há
uma descida acentuada na facturação de singles (menos quarenta e cinco
por cento de 89 para 90), já no capítulo dos LPs ela não é significativa
(menos de três por cento). Ou seja, se nos mais importantes mercados, o
vinil já desapareceu, e a corrida aos discos compactos caminha para o
fim, entre nós não apenas o CD está em pleno crescimento, como ainda o LP
está longe de desaparecer.

<p n=1114>
O teatro para a infância e juventude foi discutido em Budapeste. Portugal
participou e o nosso representante, em declarações ao PÚBLICO, lamenta o
esquecimento a que as entidades responsáveis votam o teatro para os mais
jovens, no nosso País.

<p n=1115>
Sobre as consequências na cena teatral motivadas pelas recentes
transformações na Europa Central, João Luis referiu o facto de terem
desaparecido «as chamadas culturas oficiais», o que tem vindo a produzir
efeitos diferenciados nos países do Leste europeu. Assim, enquanto na
Roménia e na ex-Alemanha de Leste a situação do teatro é catastrófica --
«o maior teatro de Berlim Leste não tem director há já ano e meio, e o
Teatro Nacional de Bucareste está também fechado» --, a situação na
Hungria é diferente. Aí, os teatros «ao mesmo tempo que vão ganhando
autonomia administrativa continuam a ser subsidiados pelo Estado. E em
Budapeste há agora, diariamente, 14 peças em cena, com lotações
normalmente esgotadas», acrescenta o encenador. Um exemplo da importância
que neste país é atribuida ao teatro para a infância e juventude foi a
inauguração, no passado dia 24 e no decorrer do encontro, do Teatro Arany
János, um teatro construído em 1912 e agora recuperado, com duas salas
exclusivamente destinadas à montagem de peças para os mais novos.

<p n=1116>
Há mais alterações nos quadros das editoras fonográficas portuguesas, na
sequência da migração, na semana passada, de Tozé Brito e Pedro Oliveira
da secção de Artistas e Reportório (A&R) da Polygram para postos de
directoria na BMG. Assim, na BMG, confirmou-se a saída da promotora Maria
João que, tal como aqueles executivos, também saiu da Polygram. A sua
substituição está já assegurada por alguém que os novos responsáveis da
companhia dizem ser uma cara conhecida no meio, mas cujo nome ainda não
querem revelar. Por outro lado, na Polygram, a novidade é que o promotor
João Miguel, que na semana passada fora promovido a coordenador da
promoção, irá agora ser repromovido, desta feita para o lugar de Pedro
Oliveira, ou seja, para A&R do catálogo internacional. A estratégia da
divisão portuguesa da Polygram nesta «crise de quadros» parece assim
apontar para a ultrapassagem recorrendo à subida de escalão dos seus
funcionários, não custando nada a acreditar que o lugar de Tozé Brito no
A&R nacional seja também ocupado por alguém da casa. Entretanto, tal como
sucedera no início do ano com a CBS, que mudou o nome para Sony Music,
também a WEA passou, a partir de ontem, a responder pelo nome de Warner
Music, não tendo essa mudança de etiquetas por enquanto outros efeitos
que a mudança dos logotipos nos sacos de plásticos das empresas. L.M.

<p n=1117>
O filme chinês «Le Grand Moulin», de Wu Ziniu, foi impedido pelas
autoridades chinesas de participar no próximo Festival de Cinema de
Berlim, que se realiza de 15 a 26 de Fevereiro. Estava seleccionado para
a competição oficial. A razão invocada pelo ministério chinês da Rádio,
Televisão e Cinema e pelo Departamento de Propaganda foi «divergências»
com a direccção dos estúdios de cinema para onde Wu Ziniu trabalha,
situados na província de Hunan, onde nasceu Mao Tsé-Tung. «Le Grand
Moulin», rodado em Julho de 1989, um mês depois da repressão do movimento
pró-democrático conhecido por «Primavera de Pequim», e financiado por uma
empresa de Hong-Kong, ainda hoje está censurado na China. Conta a
história da vingança de um soldado do Exército Vermelho, nos anos 30,
depois do assassinato de companheiros seus por aldeões. Um assunto
incómodo para as autoridades chinesas que tentam dourar a imagem «do
exército popular de libertação» desde este abriu fogo sobre os
manifestantes de Tiananmen.

<p n=1118>
O realizador italiano Luigi Comencini está a concluir o guião de uma nova
versão de «Marcelino, Pão e Vinho», o filme espanhol da década de 50
baseado na novela de Jose Maria Sanchez Silva e que foi dirigido por
Ladislao Vadja. A história de um orfãozinho (Pablito Calvo) que quer
morrer para se juntar à mãe no céu -- «uma história muito lamechas»,
segundo Comencini e que fez chorar na altura milhares de crianças -- vai
ser transformada pelo realizador numa espécie de fábula para adultos. O
Marcelino desta nova versão será encontrado nos bairros pobres de Roma.
«Não existem pequenos bons actores», disse, a propósito, o realizador. O
protagonista do filme, que começará a ser rodado em Abril, «não terá de
representar, mas apenas saber adequar-se à personagem».

<p n=1119>
As «cassetes dos aviões», quatro vídeos lançados em Outubro do ano
passado --«Aviões de Caça e Bombardeiros Ocidentais», «Helicópteros de
Combate do Ocidente», «Phantom II Modelo F-4» e «Aviação Naval de Combate
no Ocidente» -- estão a ser um êxito no mercado nacional de venda directa,
a julgar pelas informações obtidas pelo PÚBLICO em alguns videoclubes de
Lisboa.

<p n=1120>
O filme de Teresa Villaverde Cabral, «Idade Maior», vai ter a sua estreia
mundial no Festival de Berlim. «Idade Maior» não integra a selecção
oficial a concurso -- que começa dia 15, com o filme de Claude Berri,
«Uranus» -- tendo sindo incluído na secção Forum, onde terá três
projecções. Dois dias depois de terminado o Festival (26 de Fevereiro) o
filme de Teresa Villaverde será emitido a nível nacional pelo  segundo
canal alemão, ZDF. «Idade Maior» passará no programa supervisionado por
Eckart Stein muito antes de estar anunciado nas salas portuguesas ou
programado para a RTP. A Cinefilme, que em princípio será a distribuidora
portuguesa aguarda os ecos do Festival de Berlim antes de tomar uma
decisão. A cinematografia portuguesa intervem ainda no Mercado Filme, uma
actividade paralela do Festival, onde o IPC leva para venda três filmes
desta temporada, dois deles aguardando estreia: «Os Cornos de Cronos», de
Fonseca e Costa, «Solo de Violino», de Monique Rutler, e «Filha da Mãe»,
de João Canijo.

<p n=1121 assunto=desporto>
Quatro encontros estão já decididos. No primeiro a ser concluído, o
soviético Ivantchuk venceu o seu compatriota Yudasin por um esmagador
4,5-0,5, demonstrando uma superioridade que surpreendeu mesmo os
especialistas. Da Índia viria a primeira grande surpresa com a vitória de
Anand sobre o ex-campeão europeu de juniores, o soviético Dreev, por 4,5-
1,5. Em contrapartida, nada surpreendente foi a fácil vitória do holandês
Timman sobre o alemão Hubner por 4,5-2,5. O escândalo destas escaramuças
inicias pela conquista do título mundial coube ao veteraníssimo Korchnoi
(dissidente soviético naturalizado suiço), que eliminou o húngaro Sax,
num emotivo confronto que obrigou mesmo à efectivação de duas partidas
suplementares, dado o empate a 4 que se registava no final. Ao vencer a
primeira e conseguir o nulo na segunda, Korchnoi  alcançava, tranposta a
casa dos sessenta anos, os quartos-de-final!

<p n=1122>
Cinco selecções femininas de andebol participam, a partir de amanhã, no
2º Torneio Internacional Portugal Feminino/Esposende 91. Portugal estará
representado pelas equipas A e de Promessas (juvenis), sendo de realçar o
regresso da benfiquista Judite Paris à selecção sénior. As andebolistas
nacionais estão desde o passado domingo concentradas em estágio, em
Esposende, e a participação neste torneio internacional revela-se
importante dada a proximidade do Campeonato do Mundo do Grupo C, a que
Portugal pertence, que se disputa em Março próximo.

<p n=1123>
A prova, organizada pela Federação Portuguesa de Andebol, conta com a
colaboração da Câmara local e do Esposende Andebol Clube da Escola
Secundária, responsável pela forte dinamização do andebol feminino
naquela zona do país.

<p n=1124>
A direcção do Vitória de Setúbal criticou ontem a actuação da Associação
de Futebol de Setúbal, «já que as Associações existem para defenderem os
clubes e não para actuar à sua revelia e até contra os clubes», refere um
comunicado emitido pela direcção presidida por Fernando Oliveira, na
sequência de uma reunião que terminou na madrugada de ontem. «O Vitória
de Setúbal repudia totalmente a campanha levada a cabo por certos
dirigentes associativos, segundo os quais o clube teria sido alvo de
pressões, visando modificar a posição da AF Setúbal a troco de eventuais
favores da arbitragem», refere a nota, que adianta: «Tais afirmações são
destituídas e lesivas da dignidade da arbitragem nacional e da própria
imagem do clube. A posição do Vitória é ditada pelos seus órgãos sociais,
sem intromissões do exterior e de acordo com a defesa dos interesses do
clube.» De acordo com a direcção do Vitória, a associação presidida por
Fernando Pedrosa «deveria protagonizar uma estratégia de apaziguamento,
mantendo uma postura de neutralidade, conforme a orientação traçada pelos
clubes».

<p n=1125>
O jogador de futebol inglês Tony Adams, que representa o Arsenal, foi
ontem multado em mil libras esterlinas (mais de 250 contos), na sequência
de gestos obscenos feitos para os adeptos do Queen's Park Rangers no
último mês de Novembro, durante um jogo entre os dois clubes. A Federação
de futebol inglesa decidiu no entanto não banir Adams, que está a cumprir
uma pena de quatro meses de prisão por conduzir embriagado. O médio do
Arsenal já cumpriu na prisão os três jogos de suspensão que lhe foram
atribuídos na sequência da sua expulsão no jogo contra o Luton, em
Dezembro passado.

<p n=1126>
Francisco Silva, o árbitro internacional envolvido no caso
«Penafielgate», recebeu ontem o acordão do Conselho de Disciplina que o
irradia da arbitragem considerando-o «culpado» na tentativa de corrupção
exercida pelo presidente do Penafiel, Manuel Rocha. 

<p n=1127>
A equipa feminina de atletismo do Sp. Braga parte hoje para San Marino,
onde vai participar, no sábado, na 10ª edição da Taça dos Clubes Campeões
Europeus de Crosse, prova que conta também este ano, pela primeira vez,
com a presença da formação do Benfica, na qualidade de campeã nacional da
especialidade .

<p n=1128>
Uma carta com um pedido formal de desculpas assinada por Paulo Futre, mas
que se presume escrita ou ditada pela presidente do Atlético de Madrid,
levou o controverso Gil e Gil a dar o dito por não dito e a libertar o
jogador português para a selecção nacional que hoje parte para Malta.

<p n=1129>
Entretanto, o compromisso sobre a não divulgação pública do teor carta,
assumido entre o jogador e Gil e Gil, acabou por não ser respeitado por
uma das partes. E Futre nega que tenha sido ele o responsável pela
divulgação da carta em quase todas as estações de rádio madrilenas,
momentos após a sua assinatura .

<p n=1130>
Geraldão vai voltar a Portugal e a família do jogador garante que para as
Antas. Os jornais brasileiros introduzem em cena interesses do Flamengo e
a vontade do brasileiro em arranjar uma ponte que o leve para Itália.

<p n=1131>
Outras fontes contactadas pelo PÚBLICO, designadamente empresários do
mercado europeu de futebolistas, não só admitem como «natural» o
interesse de Geraldão pelo futebol italiano, como adiantam que o nome do
ex-»capitão» da selecção do Brasil «continua muito bem cotado noutras
bolsas de valores». Uma destas fontes foi mesmo mais longe recordando que
«o Bayern de Munique já quis comprar o Madger» e «a hipótese de
contratação Geraldão, para além de em teoria ser consistente do ponto de
vista do arcaboiço financeiro dos alemães, resultaria, no mínimo, numa
primeira vantagem psicológica para o confronto da Taça dos Campeões».

<p n=1132>
Quanto mais as associações regionais se desentendem, mais a Liga de
Clubes pretende reforçar as suas aspirações a integrar a FPF como agente
responsável pelo futebol profissional.

<p n=1133>
Para este dirigente, as associações têm sido vítimas do seu próprio
poder, porque «se hoje contestam e se indignam que uma decisão tomada em
assembleia geral possa ter recurso para outro orgão federativo,
esquecem-se que essas leis foram por si elaboradas». Sousa Magalhães, um
dos representantes da Liga na comissão que estudará as alterações ao
estatuto e regulamentos, vai mais longe e considera que o poder executivo
da Federação tem sido «quase nulo, uma vez que mesmo alguns dos actos
correntes de gestão estão ao sabor dos interesses, quase sempre pontuais,
da assembleia».

<p n=1134>
Centena e meia de atletas do Óquei Clube de Barcelos estão praticamente
inactivos. E a culpa parece ser do futebol... do Gil Vicente, que atrai a
maioria do público.

<p n=1135>
Jorge Coutinho, presidente do clube, garante que «estão cento e cinquenta
atletas de cinco modalidades sem treinar e competir por falta de
transportes». Segundo este dirigente, a direcção não dispõe de dinheiro
para «mandar arranjar os veículos acidentados ou comprar outros».
Recorde-se que os acidentes com as duas carrinhas ocorreram em Espanha,
em Dezembro passado, aquando da deslocação de uma equipa de atletismo a
uma competição internacional realizada em Orense, e em Barcelos, no mês
passado, causando, segundo o presidente do clube, «um prejuízo superior a
cinco mil contos».

<p n=1136>
A selecção nacional parte hoje, manhã cedo, para Malta. Vai sem
lesionados e... com Paulo Futre. Na defesa, guarda-redes incluido,
parecem estar as únicas preocupações e dúvidas de Artur Jorge que,
inclusive, já sabe porque se falhou na Grécia.

<p n=1137>
«A presença de Futre está confirmada. O próprio presidente João Rodrigues
falou com o presidente do Atlético Madrid, Jesus Gil, que lhe assegurou
estar tudo resolvido com o jogador, dando-lhe autorização para viajar
para Lisboa», confirmou Pais do Amaral, dirigente responsável pelas
selecções nacionais.

<p n=1138>
Tapie disse que abandonava a presidência do Marselha quando tomou
conhecimento do castigo que lhe fora aplicado. Agora terá reconsiderado e
decidiu ficar. Para combater aqueles que pretendem «desestabilizar o
clube».

<p n=1139>
Todavia, o presidente do OM não esclareceu se tenciona ou não interpôr
recurso contra o castigo administrado pela CND. O prazo legal de dez dias
expira hoje, mas Tapie pode ainda recorrer a duas outras instituições: o
Conselho Federal e o Conselho de Estado.

<p n=1140>
O concurso para o gás natural encerra hoje. Três consórcios europeus, 17
empresas no total, concorrem a uma concessão que vigorará por 35 anos. Na
corrida a um negócio inédito em Portugal, cada grupo escolheu a sua
estratégia: silêncio, antecipação e surpresas.

<p n=1141>
Os italianos e os espanhóis reservaram para a última semana do concurso a
apresentação de quatro novos membros do grupo, os alemães e os franceses
optaram pela antecipação, enquanto os britânicos preferem o silêncio até
que se cumpra a primeira fase de um processo que decorrerá até 1995, ano
a partir do qual -- diz o calendário traçado -- que Portugal terá
abastecimento de gás natural.

<p n=1142>
A falência do operador turístico - Air Club Tours, empresa onde a Air
Atlantis detém 40 por cento do capital, é neste momento considerada como
iminente, o que, a concretizar-se levará à não liquidação de facturas,
cujo montante ascende a cerca de 50 mil contos, a agentes de viagens e
hoteleiros do Algarve.

<p n=1143>
O administrador Air Atlantis, Francisco Matos rejeita qualquer
responsabilidade nas dívidas para com a Air Club Tours, afirmando que a
empresa «nunca contactou ninguém em Portugal para dar crédito ao Air Club
Tours». Em confronto com a Air Atlantis, também o sócio gerente da
Turitrato, Francisco Patrício, alega ter dado crédito por «acreditar no
bom nome da companhia que vinha associada ao operador» e dá como exemplo
o facto de «até o material de propaganda dos programas de férias terem
impresso o nome da Air Atlantis». A posição do representante desta
companhia no Algarve, Sebastião Balixa, não é exactamente a mesma, já que
afirma tratar-se de «um risco que temos que correr». Ainda segundo
Sebastião Balixa, verificam-se situações idênticas com outros operadores:
«faz parte do negócio».

<p n=1144>
Rosado Fernandes e José Manuel Casqueiro foram dizer ao Primeiro-Ministro
que não concordam com o documento aprovado pela Comissão das Comunidades
sobre a reforma da PAC. Querem factores de produção mais baratos e também
uma nova direcção para o IFADAP. O resultado foi apenas uma promessa: o
gasóleo deverá descer. Quanto e como, ainda não se sabe.

<p n=1145>
Para além das dificuldades de aprovação dos projectos, «por
descoordenação entre os vários departamentos regionais e centrais», está
em causa o atraso no pagamento de subsídios comunitários aos
agricultores, «por razões de natureza orçamental». No final do ano
passado, o montante em dívida somava 2,5 milhões de contos.

<p n=1146>
O México aceitou com alguma apreensão o Canadá como parceiro de pleno
direito nas negociações que em breve vai encetar com os Estados Unidos
para a realização de uma zona de comércio livre na América do Norte.
Prevê-se para breve a conclusão de um acordo comercial entre os três
países, que se vai traduzir na liberalização das trocas de uma zona do
globo com 360 milhões de consumidores e um produto global superior a seis
biliões de dólares (cerca de 810 mil milhões de contos).

<p n=1147>
Mas, o México está apreensivo e teme ser prejudicado caso Otawa não
compreenda as necessidades mexicanas, como país menos desenvolvido que é,
e não lhe conceda tratamento preferencial. O comércio entre o Canadá e o
México, em 1989, totalizou dois mil milhões de dólares, o que constitui
apenas uma pequena parcela dos 52 mil milhões de dólares de trocas entre
o México e os EUA, no mesmo ano. Reuter/Lusa

<p n=1148>
A Agência Internacional de Energia (AEI) apelou ontem para a realização
de um encontro entre países produtores e consumidores de petróleo, a
indústria e os bancos, logo que a guerra no Golfo termine. A directora
executiva da AEI, Helga Steeg, declarou em Davos, na Suíça, onde decorre
o Forum Económico Mundial, que «esta deverá ser a tarefa de todos»,
frisando que «as discussões deveriam também incidir sobre o impacte
ecológico do petróleo».

<p n=1149>
Por seu turno, o presidente da companhia petrolífera venezuelana
Petróleos, Andrés Sousa Pietri, admitiu, no encontro de Davos, que
existem «riscos concretos de se verificar uma descida excessiva dos
preços do `crude', logo que a guerra termine».

<p n=1150>
Vai realizar-se, no próximo dia 27 de Fevereiro no Palácio da Bolsa no
Porto, a assembleia geral anual do Banco Comercial Português (BCP). Da
agenda de trabalhos, e como ponto principal, consta a deliberação sobre o
relatório de gestão do conselho de administração e o balanço e contas do
BCP relativos ao exercício de 1990. Será ainda analisada uma proposta que
visa a aquisição e alienação de acções próprias, assim como a eleição dos
titulares dos orgãos sociais para o triénio 1991-1993. Poderão participar
na assembleia os accionistas que possuam pelo menos cem acções. A cada
cem mil escudos do capital corresponde um voto.

<p n=1151>
O desemprego na Grã-Bretanha pode atingir mais de três milhões de pessoas
até 1992, se o Governo não reduzir as taxas de juro, afirmam alguns
economistas britânicos. Depois de dois anos de crescimento reduzido com
poucos reflexos no mercado de emprego, agravado pela falência de
empresas, o desemprego voltou a um ritmo sem precedentes desde há dez
anos. Ao mesmo tempo, o abrandamento da economia mundial enfraqueceu o
dinamismo das exportações britânicas. Desde Abril, aumentou em 200 mil o
número dos que procuram emprego e essa tendência acelera-se de dia para
dia.

<p n=1152>
Volume de transacções em bom ritmo e as cotações a prosseguirem de uma
forma geral o movimento de recuperação, foram o tom dominante da sessão
na Bolsa de Lisboa. Para as acções do Banco Totta e Açores, tratou-se do
regresso à cotação, depois de um dia de suspensão decidido pelas
comissões directivas das Bolsas.

<p n=1153>
O escritório da Ascor Dealer foi referido por uma fonte do mercado, como
responsável pela maioria das ordens realizadas sobre as acções do BTA, e
os compradores terão sido investidores estratégicos, apostados em
melhorar as suas posições no capital do banco. A mesma fonte definiu os
compradores como «um pequeno grupo de grandes investidores».

<p n=1154>
O concurso para o gás natural encerra hoje. Três consórcios europeus, 17
empresas no total, concorrem a uma concessão que vigorará por 35 anos. Na
corrida a um negócio inédito em Portugal, cada grupo escolheu a sua
estratégia: silêncio, antecipação e surpresas.

<p n=1155>
Os italianos e os espanhóis reservaram para a última semana do concurso a
apresentação de quatro novos membros do grupo, os alemães e os franceses
optaram pela antecipação, enquanto os britânicos preferem o silêncio até
que se cumpra a primeira fase de um processo que decorrerá até 1995, ano
a partir do qual -- diz o calendário traçado -- que Portugal terá
abastecimento de gás natural.

<p n=1156>
O BPI, a Bonança e a Sacor Marítima aderiram ao consórcio liderado pela
Enagás de Espanha e Snam de Itália concorrente à  concessão e exploração
do gasoduto e terminal de transporte de gás natural em Portugal, apurou
ontem o PÚBLICO.

<p n=1157>
Segundo fontes do consórcio, as negociações para a entrada das três novas
empresas ficaram concluídas esta semana.

<p n=1158>
A Interfinança, sociedade gestora de fundos do grupo Banco Comercial
Português, administrou, em 1990, activos no montante de 139 milhões de
contos, o que representou um crescimento de 149 por cento face ao ano
anterior. Os resultados líquidos da Interfinança foram de 32 mil contos e
a situação líquida atingiu os 65 mil contos.

<p n=1159>
Quanto à Imofundos, que foi criada em Julho de 1990, administra o fundo
imocapital aberto que atingiu sete milhões de contos no final do ano
passado.

<p n=1160>
O projecto da Metalurgia do Cobre conheceu um novo avanço. Enquanto os
finlandeses reforçam posições, tornando-se maioritários, os portugueses
ficaram reduzidos a uma minoria. Mas arranjaram uma forma de garantir a
coesão dos interesses nacionais.

<p n=1161>
Ao mesmo tempo, assistiu-se à entrada de um novo sócio. A Empresa de
Desenvolvimento Mineiro (EDM) -- cem por cento do Estado e que detem a
maioria no capital da Somincor, empresa que explora as minas de Neves
Corvo --, que passou a ser o segundo maior accionista, com uma quota de 25
por cento.

<p n=1162>
A União dos Jovens Empresários Portugueses (UJEP) foi ontem oficialmente
constituída. Tratou-se do virar de mais uma página do associativismo
empresarial, segundo as palavras de Moreira da Silva, presidente da
Associação dos Jovens Agricultores Portugueses. A UJEP engloba, além
desta associação, a Associação Nacional dos Jovens Empresários. Moreira
da Silva sublinhou que «o novo organismo não abdicará do espaço que lhe é
reservado por direito próprio no tecido empresarial português». O
principal objectivo da UJEP consiste na promoção de concensos entre os
vários sectores de actividade que representa, nomeadamente, no tocante
aos apoios e capacidades interventiva dos jovens empresários na vida
nacional.

<p n=1163>
O preço da gasolina super nos postos de abastecimento continuou a descer
na semana passada em França, fixando-se em 5,24 francos por litro (134,40
escudos), anunciou a direcção dos combustíveis do Ministério da Indústria
daquele país. A super desceu seis centavos, contra oito na semana
anterior, e voltou praticamente ao  nível anterior à crise do Golfo,
quando era vendida a 5,20 francos (133,38 escudos).

<p n=1164>
A Administração Bush propôs, na terça-feira, a maior reforma bancária
desde a Grande Recessão dos anos 30, numa tentativa de pôr fim à crise do
sistema bancário, que tem vindo a multiplicar as falências das
instituições de crédito dos EUA. «Os bancos estão mutilados por leis
ultrapassadas e o sistema bancário está sob tensão», afirmou o secretário
do Tesouro, Nicholas Brady, justificando o projecto de reformas que
provavelmente irá ser contestado pelo Congresso, relutante em aceitar
alterações radicais.

<p n=1165>
Brady propõe igualmente um abrandamento, durante um período de transição
de três anos, das restrições às actividades bancárias interestados que
permitiria aos grandes bancos dos EUA tais como o Citicorp e o Bank of
America estabelecer sucursais e agências para fazer concorrência às
instituições financeiras locais.

<p n=1166>
O secretário brasileiro do Ambiente, José Lutzenberger, acusou ontem em
Davos, na Suíça, a Comunidade Europeia de ter contribuído para a
desvastação da floresta amazónica através da sua política agrícola.
Durante a reunião anual do Fundo Económico Mundial, aquele secretário
brasileiro afirmou que o facto dos criadores de gado europeus utilizarem
forragens industriais levou os governos brasileiros anteriores a
incentivarem a cultura da soja. O resultado é que milhares de pequenos
agricultores abandonaram as culturas tradicionais e foram para a Amazónia
cultivar soja.

<p n=1167>
Folhas de faias fossilizadas com três milhões de anos foram descobertas
em Dezembro passado a 400 quilómetros do pólo sul. Uma descoberta que
mostra que a Antártica foi nessa época um continente temperado e coberto
de florestas. A semelhança dessas folhas de «Nothofagus» com as de uma
faia actual da América do Sul constitui uma indicação sobre a evolução do
clima na Antártica, afirmou o paleontólogo americano David Harwood da
Universidade do Nebraska. Segundo o especialista, essa flora corresponde
a um clima antárquico marcado por temperaturas de 10 a 15 graus
superiores às actuais.

<p n=1168>
O serviço de Educação da Fundação Calouste Gulbenkian, acaba de publicar
o terceiro volume da obra «Opúsculos Geográficos», de Orlando Ribeiro.

<p n=1169>
«Ainda que estes dados sugiram alguma melhoria na saúde do nosso ambiente
marinho, o prognóstico está longe de ser bom», afirma Charles Ehler, que
dirige o departamento de Avaliação Oceanográfica e Marinha da NOAA. «As
medidas dos contaminantes químicos, só por si, não são suficientes para
avaliar o nível sanitário das nossas zonas costeiras.»

<p n=1170>
O destino a dar aos resíduos industriais continua a ser uma das
principais preocupações ambientais deste final de século. Durante dois
dias, industriais e técnicos do sector reuniram-se num hotel de Lisboa
para debater o problema e trocarem experiências.

<p n=1171>
Quanto à localização exacta da estação de incineração dos resíduos, o
director da France Déchets afirmou que ainda não está tomada qualquer
decisão definitiva, encontrando-se o consórcio a estudar várias
alternativas a Sul do Tejo.

<p n=1172>
À hora de fecho deste jornal, o Comando da Defesa Aérea Norte-Americana
(NORAD) estimou que a queda da estação espacial soviética Saliut 7 e a
nave Cosmos 1686 se daria hoje às 04h15 da manhã, com uma margem de erro
de mais ou menos duas horas.

<p n=1173>
A estação Saliut foi desactivada em 1986, altura em que a actual estação
orbital soviética Mir entrou em funcionamento, e começou a cair para a
Terra no fim do ano passado. A estação e a nave que lhe está acoplada
desintegraram-se quando entraram na atmosfera terrestre, devido à fricção
e ao aquecimento, mas a grande dúvida ontem -- que levou grande parte dos
centros espaciais a seguirem o seu rasto -- era a possibilidade dos
pedaços sobreviventes atingirem zonas habitadas.

<p n=1174>
O «stress» pode ser uma fonte de energia e ajudar a sobreviver, sendo
apenas prejudicial quando se torna excessivo, afirma um estudo da
Organização Internacional do Trabalho. Pode, por exemplo, ser uma forma
que leva um executivo a ultrapassar-se a si próprio. No entanto, pode
também actuar como um sinal de alarme para evitar ou reduzir a tensão,
porque o corpo humano tem limites que não devem ser excedidos. De um
ponto de vista psicológico, o «stress» é um mecanismo que mobiliza
energia extra em resposta a uma exigência súbita.

<p n=1175>
A lei moçambicana dos partidos políticos entrou ontem em vigor, após a
sua aprovação pela Assembleia da República no ano passado. A lei
estabelece os mecanismos legais do registo e exercício das actividades
dos partidos políticos e termina com 15 anos de monopólio de poder pela
Frelimo. De acordo com a lei, os partidos terão que ter, como regra
básica, «âmbito nacional e defender os interesses do país». O ministro
moçambicano da Justiça, Osman Ali Dauto, já anunciou a realização no
Maputo, entre 11 e 15 deste mês, de um seminário preparatório de eleições
multipartidárias. Ali Dauto referiu que, até ao momento, nenhum partido
ou organização se inscreveu.

<p n=1176>
A ANÁLISE dos últimos desenvolvimentos retativos às negociações de paz em
Angola e Moçambique constituiu um dos pontos da cimeira de chefes de
Estado dos países da Linha da Frente, que ontem se renuiu em Harare,
capital do Zimbabué. No entanto, a análise e o «veredicto» sobre as
principais modificações ocorridas na África do Sul constituiu o ponto
principal da ordem de trabalhos.

<p n=1177>
Kaunda não deixou de felicitar o líder do ANC, Nelson Mandela, e o
dirigente do Congresso Pan-Africano (PAC), Clarence Makwetu,  que
participaram na cimeira, por terem alcançado, em recentes conversações, a
«linguagem da unidade».

<p n=1178>
O PROCESSO de um dos principais mentores das manifestações estudantis da
Praça Tiananmen, na Primavera de 1989, foi ontem aberto na capital
chinesa, anunciou o Tribunal do Povo.

<p n=1179>
Cinco activistas democratas compareceram, o mês passado, perante os
juízes, acusados de «sabotagem contra-revolucionária». Sete pessoas,
entre as quais estudantes cujos nomes constavam de uma lista dos 21 mais
procurados pelo envolvimento nos protestos de Junho de 1989, foram
condenados em Dezembro do ano passado a dois e quatro anos de prisão.

<p n=1180>
Lituânia e Estónia medem forças com o Kremlin. Em resposta ao referendo
de Gorbatchov para a manutenção da URSS, os nacionalistas avançam com
consultas paralelas para legitimar o seu direito à secessão. O primeiro
realiza-se sábado, o segundo no início do próximo mês.

<p n=1181>
Pedindo à ONU e «países democráticos» o envio de observadores aos
escrutínios nas repúblicas bálticas, considerou o referendo na Estónia
como «preventivo» face a um outro, marcado por Gorbatchov para o dia 17
do próximo mês e sobre o futuro da União Soviética.

<p n=1182>
A Teologia da Libertação toma hoje posse no Haiti. É o culminar dos
esforços de Jean-Bertrand Aristide contra um passado de absolutismo e
terror. Mas se a democracia chegou, o futuro é incerto.

<p n=1183>
Expulso da Ordem e perseguido pela ex-polícia política da família
Duvalier, Jean-Bertrand Aristide não teve uma candidatura e uma eleição
facilitadas. Pugnava pela liberdade de acção política, incluindo a do
Partido Comunista, ou a liberdade sindical e todo o seu discurso cortava
definitivamente com 33 anos de absolutismo e terror que causaram cerca de
30 mil mortos.

<p n=1184>
A PRESIDÊNCIA jugoslava, que integra representantes de todas as
repúblicas e províncias, pronunciou-se ontem pela manutenção do papel
político do Exército, contrariando as expectativas da Eslovénia e
Croácia, que acusam os militares de se imiscuirem e ameaçarem as suas
soberanias.

<p n=1185>
Os representantes nacionalistas da Croácia -- recorde-se -- abandonaram a
semana passada a mesa das conversações, depois de ter sido apresentado
pelo Ministério da Defesa um documento em que o Exército, apoiando a
aparecimento de um novo Partido Comunista, se dizia a favor de uma
federação socialista.

<p n=1186>
Os atrasos que têm ocorrido quase diariamente nos comboios na Linha do
Norte, estão a criar descontentamento entre os utentes que ontem ameçaram
voltar a tomar posições de força contra a CP.

<p n=1187>
Cansados de «verem os comboios (rápidos) passar», os passageiros ameaçam
organizar-se e, segundo um utente, «caso a CP não resolva rapidamente o
problema, estabelecendo critérios de circulação adequados, poderão voltar
a ocorrer cortes na linha».

<p n=1188>
A candidatura de Lisboa à Expo-1998 poderá ser o motor para a
reabilitação do estuário do Tejo. Disso estão convencidas as câmaras
envolvidas, cujos presidentes se reuniram ontem com o ministro adjunto
Couto dos Santos, que salientou a «vontade inequívoca» do Governo de
assumir o projecto em conjunto com as autarquias.

<p n=1189>
Da comissão da candidatura faz parte um representante da Administração do
Porto de Lisboa, entidade que manifestou já intenção de retirar os
contentores da área a disponibilizar para a Expo-98, que tem cerca de 100
hectares -- disse aquele membro do Governo.

<p n=1190>
O presidente da câmara Municipal de Machico, Martins Junior, disse  que
não se demitirá das suas funções mesmo em caso de derrota da UDP nas
eleições intercalares de 21 de Abril, na assembleia de freguesia do
Caniçal.

<p n=1191>
As eleições intercalares na assembleia de freguesia do Caniçal -- facto
que pela primeira vez ocorre na Madeira -- deevido à renúncia colectiva da
maioria dos eleitos, realizam-se a 21 de Abril, decorrendo, nos termos
legais, apresentação de candidaturas até 25 de Fevereiro, seguida do
sorteio das listas no tribunal judicial de Santa Cruz a 2 de Março. A
campanha eleitoral realiza-se de 9 a 19 de Abril. Lusa

<p n=1192>
Os vereadores do PSD na Câmara de Lisboa pediram esta semana, a todos os
serviços do município, esclarecimentos detalhados sobre os gastos feitos
em informação e propaganda durante o ano de 1990.

<p n=1193>
Os representantes destes dois sindicatos querem negociar com o Governo a
aplicação do Decreto-Lei sobre vínculos na função pública à administração
local. A segurança no emprego, o direito ao subsídio de risco a
profissões insalubres, o estatuto de aposentação são outros aspectos que
os dirigentes sindicais vão reivindicar ao executivo.

<p n=1194>
A cidade de Torres Vedras vai dispor de um parque privado de exames de
condução, a instalar pela Associação de Escolas do Oeste, após um
processo nada pacífico que envolveu desmentidos e conferências de
imprensa.

<p n=1195>
Em preparação está um decreto que admite a liberalização dos exames de
condução através da criação de associações de escolas. Nesse sentido, e à
espera do futuro decreto, 14 escolas de condução da Região Oeste
decidiram associar-se. Reunidas no passado dia 28, aprovaram, com 12
votos favoráveis, a instalação do futuro parque de exames em Torres
Vedras.

<p n=1196>
A Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo vai poder finalmente chamar «seu»
ao edifício onde tem sede há 50 anos, na R. Silva Carvalho, em Campo de
Ourique. É que a Câmara de Lisboa decidiu comprar aquele prédio e cedê-lo
à colectividade.

<p n=1197>
Uma «Noite latino-americana», o mesmo é dizer um desfilar de salsas,
merengues e cumbias alinhados pelo DJ paulo Bastos e  acompanhados de
cocktails tipo tropical, é o que lhe propõe hoje o Meia Cave Bar, na
Praça da Ribeira, 6.

<p n=1198>
É uma celebridade do cancro. Chama-se Maurice Tubiana e é o actual
presidente do Comité dos Peritos Europeus do Cancro junto da Comunidade
Europeia. Vem a Portugal, ao Institut Franco-Portugais, falar sobre o
cancro e a vida, hoje, às 18h30.

<p n=1199>
Os oncogenes entraram no vocabulário médico. E foram responsabilizados
pelo aparecimento de cancros. Mas posteriormente à sua descoberta, porém,
verificou-se que todos as células continham oncogenes -- mesmo as células
sãs -- e outros genes reguladores, que controlavam o curso dos primeiros.
Os oncogenes desempenham mesmo um papel importante no desenvolvimento da
célula.

<p n=1200>
O Tribunal Criminal de Fronteira, no Distrito de Portalegre, ilibou ontem
um comerciante de móveis daquela vila, acusado de violação e atentado ao
pudor de uma menor.

<p n=1201>
A autoria de duas das propostas agendadas agitou a reunião de ontem da
Câmara de Lisboa: a maioria acusou o PSD de ter transcrito e apresentado
projectos de despacho feitos, a pedido de Jorge Sampaio, pelo arquitecto
Meira de Carvalho. Os social-democratas não o contestaram, mas consideram
o procedimento natural.

<p n=1202>
A partir de hoje, e até ao próximo domingo, a FIL vai «vestir-se» segundo
o último grito, já que são as leis da moda que ditam o tema da actual
feira, desde a criação à confecção, passando pela cosmética.  É um mundo
de ideias e gostos, divididos pelos quatro certames, cada qual com a sua
especificidade: a Intermoda -- 1º Salão Intersaison, Moda Pronta
(Primavera/Verão 91), a Expowear -- Salão Boutique (Outono/Inverno 91/92),
a Expofashion -- Salão de Estilistas e Criadores e a Cosmética -- 4º Salão
Internacional de Cosmética e Perfumaria.

<p n=1203>
Segundo Gil Barreiros, entre os mais de 458 mil contos de dívidas da
autarquia, cerca de 288 mil são o resultado de empréstimos, três dos
quais contraídos no ano passado: um no valor de 60 mil contos para obras
do FEDER, outro de 25 mil contos e ainda um outro de cem mil contos. Por
esta razão, os sociais-democratas criticam a maioria socialista por ter
recentemente deliberado contrair mais um empréstimo de curto prazo, no
valor de 30 mil contos.

<p n=1204>
Os deputados do PS da Comissão de Equipamento Social da Assembleia da
República querem «fiscalizar» o acidentado decorrer da contrução da ponte
sobre o rio Guadiana e pretendiam lá ir este mês. Mas os deputados do PSD
estão convencidos de que «ainda não é oportuno visitar as obras» e que
«algumas comissões fazem demasiadas viagens»-- como afirmou o
social-democrata Fernandes Marques --, e decidiram adiar a ida ao Algarve.

<p n=1205>
No entanto, esta visita foi adiada várias vezes e, na semana passada,
foi-o de novo, para 19 de Março. «Para isso, o PSD convocou uma reunião
extraordinária da comisssão para 4 de Fevereiro, em que, com quórum
obtido por deputados não efectivos naquele organismo, impuseram o
adiamento da viagem», acusa o PS.

<p n=1206>
O porto de Leixões está a precisar de uma intervenção de grande cirurgia.
Equipamentos velhos, que avariam regularmente e estão longos períodos
imobilizados são um dos sintomas mais graves. A reestruturação começa
dentro de uma semana.

<p n=1207>
A estes a APDL vai exigir outro tipo de responsabilidades. Castilho Dias
admite tratar-se de uma «intervenção delicada», visto que muitos técnicos
poderão não estar receptivos para um processo que vai pôr em causa o
«imobilismo gerado por rotinas sucessivas». Mas esta orientação obedece a
uma constatação simples: «O desenvolvimento do Norte do país está, de
certa forma, dependente do porto de Leixões e assim a componente técnica
do porto assume uma importância vital».

<p n=1208>
A nova Central de Tratamento de Resíduos Sólidos de Trajouce vai permitir
aos concelhos de Cascais, Oeiras e Sintra o encerramento das lixeiras em
funcionamento. Com o fecho de três focos de poluição surge a promessa de
um ambiente mais limpo e de solos mais saudáveis com o composto
produzido.

<p n=1209>
Com uma capacidade diária de processamento de 500 toneladas de resíduos
domésticos, a central vai suprir integralmente as necessidades actuais
dos três concelhos, estimadas em 140 mil toneladas anuais. No entanto, o
tratamento total destes resíduos apenas será alcançado a partir de Julho,
altura em que a central passará a funcionar em pleno, com o consequente
abandono das lixeiras existentes.

<p n=1210>
Daqui a uma semana, os concelhos de Cascais, Oeiras e Sintra vão ficar
mais limpos e com terrenos mais saudáveis, quando entrar em funcionamento
a nova estação de tratamento de resíduos sólidos (ETAR) de Trajouce -- que
vai acabar com as três lixeiras destes municípios.

<p n=1211>
Vocacionada para o fabrico de calçado de qualidade dirigido aos mercados
franceses, holandeses e norte-americanos, a fábrica tem sessenta
empregados e contou, para a sua instalação, com o apoio financeiro de 30
mil contos, via FEDER.

<p n=1212>
A Praça de Touros de Cascais vai transformar-se-se na maior sala de
espectáculos coberta do país, com uma lotação entre 12 a 15 mil pessoas,
afirmou Nuno Machado, administrador da Santa Casa da Misericórdia de
Cascais, em entrevista à Rádio Marginal.

<p n=1213>
A PSP deteve na madrugada de quarta-feira, em Sacavém, dois vigilantes de
uma empresa de segurança com cem latas de tinta, avaliadas em cerca de
800 contos, haviam furtado na fábrica da «Dyrup».

<p n=1214>
Uma criança de nove anos morreu e uma outra de sete sofreu fractura de um
braço ao serem colhidas, na tarde de terça-feira, por um comboio que
circulava na Linha do Norte, próximo da estação dos Olivais, em Lisboa,
informou a PSP.

<p n=1215>
Uma campanha de vacinação contra a hepatite B, destinada aos
trabalhadores da limpeza e dos cemitérios, aos apanhadores de animais e
aos que trabalham na prevenção da raiva, está a ser preparada pela Câmara
de Lisboa.

<p n=1216>
A Câmara de Vila Franca de Xira afirmou ontem possuir «documentação
científica» que desmentirá as declarações do secretário de Estado Macário
Correia sobre a morte de peixes no Tejo, segundo a qual «seriam
necessários milhões de toneladas de iscos com bromodialona» para que tal
acontecesse.

<p n=1217>
Estas afirmações são sustentadas pela tese, que afirma que se forem
utilizadas quantidades inferiores a 0,45 miligramas de produto por litro
de água, este não terá efeito sobre as trutas arco-íris, mais sensíveis
que as fataças do Tejo. Para além disso, «a acção conjugada da água e da
luz provocam uma degradação muito rápida da bromodialona, pois 70 por
cento do produto é transformado desde os primeiros minutos da
irradiação».

<p n=1218>
A administração do Jardim Zoológico de Lisboa foi terça-feira recebida
pelo primeiro-ministro Cavaco Silva, a quem pediu um maior apoio das
entidades oficiais. Com um plano de obras de recuperação em vista e
precárias fontes de receitas, o zoo de Lisboa quer que o Governo
participe com uma quota fixa nas despesas de manutenção do jardim. Para
1991, esta quota seria de 45 mil contos, equivalente a 15 por cento do
orçamento do zoo. «Este dinheiro refere-se apenas às contas de água e de
electricidade», disse o presidente da administração, Félix Pires.

<p n=1219>
É já lugar-comum dizer que «A Imperatriz Yang-Kwei-Fei» é um dos mais
deslumbrantes filmes da história do cinema. Mas, sendo verdade, deve-se
repeti-lo até à exaustão, pois incrédulos existem sempre. Para estes, o
conselho de S. Tomé, «ver para crer». No campo pictórico e no uso da cor
com uma função dramática e psicológica, o filme de Mizoguchi é único (só
alguns delírios visuais de Minnelli, de Michael Powell ou o «Dodes'kaden»
de Kurosawa se aproximam). Como exposição de uma intriga política para a
tomada do poder e encenação dos grandes conflitos sociais, só o próprio
Mizoguchi fez igual («O Herói Sacrílego», «O Intendente Sansho») e, no
Ocidente, apenas Visconti se lhe pode comparar («Sentimento», «O
Leopardo»). Mas o filme de Mizoguchi é ainda algo mais: dá-nos um dos
mais belos retratos de mulher de todo o cinema que na galeria deste
pintor da alma feminina só tem paralelo em «A Vida de O'Haru». «A
Imperatriz Yang-Kwei-Fei» começa com um lamento de amor e termina na sua
apoteose. O velho e moribundo imperador Huan-Tsung recorda a sua amada
imperatriz, vítima das intrigas políticas da corte numa luta pelo poder
disputado pela família de Yang e pelo ministro de Guerra. Os abusos e
repressões provocam uma sublevação popular que culmina num banho de
sangue e no sacrifício da imperatriz para salvar o seu amado. O imperador
ficará reduzido a mero fantoche, vivendo da memória do amor perdido. Amor
que triunfa, no final, com as almas dos amantes caminhando para a
eternidade, como Mrs. Muir e o seu fantasma. M.C.F.

<p n=1220>
Como a televisão ainda só tem dois canais, as possibilidades de escolha
são entre o mantermos o aparelho desligado, sintonizado no Canal 1 ou no
Canal 2. A reposição de «O Tal Canal» (13h30, no Canal 1) é um sério
motivo para repensarmos, com Herman José, a urgência da proliferação de
frequências televisivas. E, em termos de humor, acerta com os fragmentos
de «gags» de Jerry Lewis (13h05, Canal 2).

<p n=1221>
«Os membros da coligação reunida contra este último (Saddam Hussein) não
deixarão de fazer bom uso da imunidade assim conquistada para resolverem
questões pendentes que tenham por outros lados»

<p n=1222>
Possivelmente, quando esta crónica for publicada já perdeu actualidade. O
ritmo acelerado das notícias da guerra já terá, entretanto, feito
assentar a poeira levantada pela recente iniciativa do Presidente da
República junto do líder da OLP. Se insisto no assunto, é por dois
motivos principais. Primeiro, porque sempre me pareceu mau que certos
actos falhados dos príncipes que nos governam sejam pudicamente remetidos
ao silêncio, como se a autoridade que se reconhece aos cargos ilibasse os
seus titulares de qualquer crítica melindrosa. Segundo, porque a
publicitada iniciativa diplomática da Presidência se arrisca a inaugurar
uma indesejável fase na nossa vida política.

<p n=1223>
Entretanto, o que carece de explicação é a solicitude do Presidente da
República Portuguesa em responder à mensagem de Arafat, cujo conteúdo,
aliás, a opinião pública continua a ignorar. Devo acrescentarque, estando
as democracias ocidentais naturalmente empenhadas em pôr termo à guerra e
havendo o dr. Mário Soares, quando foi vice-presidente da Internacional
Socialista, mantido contactos na região, nada haveria a dizer se ele
houvesse obtido o acordo dos nossos aliados da NATO e da CEE para
assegurar uma discreta ponte com a OLP. A paz, decerto, o justificaria.
Estou convencido de que, neste momento, estão em curso múltiplos
contactos deste género. Isto só prova que, contrariamente às lágrimas de
crocodilo dos pacifistas profissionais, os Estados Unidos estão
comprometidos em cessar fogo, logo que o Iraque dê sinais indiscutíveis
de sair do Kuwait.

<p n=1224>
O PÚBLICO, na sua edição de 28de Janeiro, insere um artigo da autoria de
margarida Santos Lopes, sob o título «Lugares Sagrados do Islão
ameaçados», com a anotação de que o mesmo teve a colaboração dos
islamólogos Mahomed Yiossuf Mahomed e Adalberto Alves.

<p n=1225>
No séc. VII d.C., os habitantes da Arábia veneravam diferentes divindades
locais ou tribais, em número de cerca de 360, ou seja um ídolo para cada
dia do ano lunar. Mas, naquela época, os mais importantes e venerados em
quase toda a Arábia eram Al--Lat, Al--Uzza e Manat, sendo o maior e o mais
famoso Hobal, o ídolo com a forma humana. Até surgir Maomé. A revelação
recebida de Deus pelo profeta Maomé chamou-se Alcorão e a Mensagem tomou
o nome do Islão.

<p n=1226>
Na abertura do texto «Acidentes em casa», publicado na secção de Consumo
do passado dia 3 de Fevereiro de 1991, deve ler-se: «Depois dos sinistros
rodoviários, os acidentes domésticos e de lazer são a principal causa de
mortalidade nos casos de morte violenta registados no Instituto de
Medicina Legal de Lisboa», a que se refere o conteúdo do artigo.

<p n=1227>
Com efeito, tudo parece indicar que a guerra será longa, os combates em
terra não serão um rápido passeio pelas areias do deserto e,
consequentemente, multiplicar-se-ão as baixas militares e também civis,
de ambos os lados.

<p n=1228>
O PSD já tem um «grupo de ideias» e uma comissão executiva para preparar
a campanha das legislativas. Está pronto um documento-base que Cavaco tem
em seu poder. Quanto às listas de deputados, só lá mais para o Verão. E
Lisboa promete dar que falar.

<p n=1229>
Hoje, os presidentes das comissões políticas distritais e regionais irão
reunir-se em Lisboa com a direcção social-democrata. Cavaco Silva não
deverá comparecer, pelo «complicado dia» que o espera. Conselho de
Ministros e o habitual encontro com o Presidente da República impedem-no,
esta vez, de descer às bases, o que fará certamente quando, em Abril,
presidir ao Encontro Nacional de Autarcas do PSD, mais tarde, ao Encontro
das Concelhias e, ainda depois, à Festa dos Emigrantes. Passos que o
fazem o primeiro seguidor do conselho por ele próprio endereçado aos seus
ministros, na reunião geral do Governo, na sexta-feira, em S. Julião da
Barra: «Não vão só às recepções nos Paços do Concelho. Desçam às
freguesias.»

<p n=1230>
A Assembleia da República reúne no dia 14 de Fevereiro para proceder à
aprovação final global do Estatuto Político-Administrativo da Madeira,
expurgado das inconstitucionalidades declaradas pelo Tribunal
Constitucional.

<p n=1231>
O projecto de Estatuto, aprovado na assembleia madeirense com os votos
sociais-democratas, sofreu numerosas alterações introduzidas, em S.
Bento, pela Comissão dos Assuntos Constitucionais, que considerou
contrárias à Lei Fundamental da República Portuguesa algumas das suas
normas.

<p n=1232>
A tendência liderada por Álvaro Beleza vai candidatar-se às comissões
políticas concelhias de Lisboa e do Porto do PS, cujas eleições se
realizam no próximo dia 22. No Porto, a sua lista será encabeçada por
José Luís Catarino; na capital, tudo aponta para que o «número um» venha
a ser Luís Filipe Figueiredo.

<p n=1233>
O discurso das listas impulsionadas pelo grupo de Beleza, de acordo com o
mesmo Daniel Adrião, pautar-se-á, aliás, pelo assumir da existência de um
«conflito de gerações» no interior do PS. Nesta perspectiva, a maioria
partidária será criticada por, alegadamente, não estar «aberta a ideias
novas, nem a caras novas».

<p n=1234>
O Parlamento vai adoptar novas regras de funcionamento. Já há acordo com
a maioria relativamente a várias das inovações. O PSD não «deixou» que o
primeiro-ministro se deslocasse à Assembleia em «regime liberal», nem
concedeu que se mexesse no esquema das comissões de inquérito, nem levou
muito avante as propostas de liberalização das sessões de perguntas ao
Governo. Ainda assim, ao contrário das anteriores mudanças no regimento,
em que se procurou diminuir a ressonância do Parlamento, desta vez é de
registar uma «abertura» por parte da maioria governamental.

<p n=1235>
O regime das «perguntas ao Governo», com um figurino altamente contestado
pela oposição, mantém-se, mas com uma «nuance». A par do esquema actual,
cria-se uma alternativa: passa a ser possível agendar uma sessão de
perguntas ao Governo com tempos globais, distribuídos pelos vários grupos
parlamentares - ou seja, na presença dos ministros, é possível
acontecerem intervenções múltiplas e gerar um debate mais «vivo». Outra
inovação: os vice-presidentes e restantes membros da mesa da Assembleia,
e das várias comissões adstritas, que até aqui eram eleitos por sessão
legislativa (anualmente) passam a ser eleitos por legislatura - os cinco
anos constitucionais.

<p n=1236>
A NATO «descongelou» a fase final do projecto SICCAP, sem o qual os F-16
que vão equipar a FAP de pouco serviriam. Fernando Nogueira encontrou em
Manfred Woerner precioso aliado para a tarefa de convencer os restantes
ministros da Defesa da NATO.

<p n=1237>
O general Conceição e Silva e o seu Estado-Maior, em Outubro passado,
tinham alertado o ministro da Defesa para a intenção da divisão de
infraestruturas da NATO suspender o projecto português, posição que seria
confirmada pelos representantes diplomáticos e militares junto da
Aliança. Fernando Nogueira estabeleceu contactos insistentes com os seus
pares dos restantes países da NATO visando obter apoios inequívocos na
reunião ministerial de Bruxelas.

<p n=1238>
A Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP (DORAV) exigiu a
demissão do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Oliveira e Costa.
Esta tomada de posição foi justificada por recentes declarações do
deputado do PSD, Ângelo Correia (edição do passado dia 28 do PÚBLICO),
designadamente a afirmação de que «existem conexões políticas e 
empresariais em Aveiro» que prefere desconhecer.

<p n=1239>
A DORAV do PCP acrescenta que «perante as acusações já formuladas e os
casos já conhecidos de favores e perdões fiscais, selectivamente
atribuídos, o mínimo que se pode fazer é exigir a demissão do secretário
de Estado». Os comunistas concluem fazendo um apelo «à moralização da
vida pública», que em seu entender «não pode ocorrer com mudanças
cosméticas no PSD», mas antes «com a criação de uma alternativa
democrática à política de direita».--R.B.

<p n=1240>
Os autarcas do PS do distrito do Porto vão tentar desmontar hoje a
estratégia do PSD para as Câmaras de maioria socialista. Apesar das
alegadas tentativas dos sociais-democratas de porem em contraponto os
ritmos diferentes das duas maiores câmaras do país, há coesão e
solidariedade no PS.

<p n=1241>
Os socialistas, que após a reunião irão dar uma conferência de imprensa,
pretendem desmontar a estratégia do PSD, mostrando que estão coesos e
solidários, e lançar, em simultâneo, uma contra-ofensiva. O Governo será
o alvo a atingir.

<p n=1242>
O Presidente da República decidiu responder a um apelo do líder da OLP
que lhe foi endereçado através do embaixador de Portugal em Tunes. Enviou
à capital da Tunísia o seu chefe de Gabinete, Nunes Barata, portador de
uma carta para Yasser Arafat. A mensagem não se afastava uma vírgula das
posições que o Estado português e os seus aliados têm colocado tendo em
vista a criação de condições para uma solução de paz naquela área:
condenação da invasão do Kuwait pelo Iraque e retirada total e
incondicional das tropas de Saddam Hussein daquele país. Para tudo o
mais, o enviado de Soares limitava-se a ouvir.

<p n=1243>
Insurgiram-se os que durante anos e anos olharam as Forças Armadas como
um peso morto, desconfiados da sua utilidade, duvidosos de cada escudo
que o Orçamento lhes atribuía, contrários à sua reestruturação e
reequipamento, fomentando na sociedade civil o sentimento crescente da
sua dispensabilidade. Hoje, são os primeiros a lamentar a nossa ausência
do teatro de guerra, fazendo o peito às balas, perdão, aos mísseis Scud.
As FA portuguesas devem   hoje a Saddam Hussein uma espécie de redenção.
Sem a sua agressão ao Kuwait poucos se aperceberiam de que, afinal, o
país quer ter a sua defesa assegurada e que a sua voz é tanto mais
respeitada quanto tem alguma autonomia nesta matéria.

<p n=1244>
A actuação do Governo, designadamente no que respeita à região de
Trás-os-Montes, foi ontem severamente criticada, em Vila Real, por alguns
dos participantes do almoço que o ministro dos Assuntos Parlamentares e
vice-presidente do PSD, Dias Loureiro, ofereceu «às forças vivas do
distrito».

<p n=1245>
O momento mais humorado do almoço surgiu quando o professor Fernando
Martins, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, lançou um repto
ao ministro, a propósito do flagelo da droga «que campeia pela cidade de
Vila Real», um pouco devido à inexistência de uma delegação da Polícia
Judiciária, apesar das necessárias instalações estarem prontas há já
alguns anos: «Senhor ministro, se ficar cá à noite podemos ir fazer o
negócio», disse. «Não para comprar, mas para conhecer os locais de
mercado», apressou-se a esclarecer o professor.

<p n=1246>
As deslocações ao estrangeiro de deputados que integram delegações a
organismos internacionais voltam a suscitar polémica. Numa reunião da
União da Europa Ocidental ontem realizada em Paris, para a qual o PSD
tinha destacado Vieira Mesquita e Fernando Amaral, apenas o primeiro
esteve presente, na sequência de um atraso na necessária autorização
prévia por parte do presidente da AR, Víctor Crespo, que levou o segundo
parlamentar a optar por não comparecer. Fernando Amaral, ex-presidente da
Assembleia da República, chegou mesmo a admitir a possibilidade de fazer
uma declaração no plenário, em que anunciaria renunciar ao lugar que
actualmente ocupa na respectiva delegação, como suplente.

<p n=1247>
Depois desta conversa, Fernando Amaral terá reconsiderado a sua intenção
de denunciar publicamente a situação. Dirigentes da maioria não poupam,
no entanto, Víctor Crespo a acusações de «ineficácia e má vontade». A.S.

<p n=1248>
Numa reunião com a Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros,
destinada a analisar a guerra no Golfo, João de Deus Pinheiro tomou ontem
a iniciativa de desdramatizar a recente diligência diplomática de Mário
Soares junto de Yasser Arafat, frizando que a atitude do Presidente da
República não provocou «nenhum remoque» nos parceiros comunitários. Sem
que alguém lhe tenha suscitado o assunto, o ministro informou que, no
último Conselho de Negócios Estrangeiros da CEE, «ninguém levantou
problemas» relativamente à inicitiva do PR.

<p n=1249>
Ontem de manhã, Crespo chamou-o ao seu gabinete e explicou-lhe só ter
tido conhecimento na terça-feira à tarde dos dois pedidos de deslocação,
o que Amaral estranhou, já que tê-lo-á formalizado há um mês. Ao gabinete
do presidente, tais pedidos só terão, no entanto, chegado na
segunda-feira à noite, o que fundamentou a justificação para o atrazo.
Dirigentes da maioria não poupam, no entanto, Víctor Crespo, a acusações
de «ineficácia ou má vontade». Ângela Silva

<p n=1250>
A delegação de Luanda trouxe um calendário para  a concretização de
alguns passos da democratização e pretende sair desta ronda negocial com
uma data para o cessar-fogo. A UNITA, porém, considera que não está
mandatada para tal debate neste encontro.

<p n=1251>
Tratou-se de um encontro informal que antecede uma cerimónia formal e
pública durante a qual serão subscritos pelas três partes três textos -- o
documento de Washington, elaborado em Dezembro, o documento aprovado em
Janeiro em Lisboa pelos observadores norte-americanos e soviéticos e o
texto com as questões de princípio para a pacificação angolana.

<p n=1252>
Há quinze anos ficou célebre com a frase: «Vou partir os dentes à
burguesia». Há um ano, os ortodoxos do MPLA chamavam-lhe
depreciativamente «o Gorbachov de África». Hoje, Lopo de Nascimento
assume importantes funções no Estado angolano e constitui uma das imagens
de marca da renovação do regime angolano. E, na assumpção dessa condição,
está agora em Lisboa a presidir à delegação do Governo de Luanda que, com
a UNITA, discute o processo de paz.

<p n=1253>
No Governo de transição, foi o primeiro ministro indicado pelo MPLA,
fazendo par com Johny Pinocky Eduardo, da FNLA, e José Ndele, da UNITA.
Quinze anos depois, Pinocky Eduardo é membro do Governo de Luanda,
ocupando o cargo de vice-ministro dos Negócios Estrangeiros. Ndele deixou
a direcção da UNITA e vive na Suiça, onde é consultor de uma empresa
multinacional. Lopo de Nascimento, depois de alguns altos e baixos, é
apontado como um dos protagonistas das mudanças que o Governo do MPLA tem
em curso.

<p n=1254>
Fernando Nogueira conseguiu marcar pontos na última reunião ministerial
do Comité de Planos de Defesa da NATO ao assegurar o prosseguimento do
projecto SICCAP, o sistema de comando e controlo aéreo, considerado um
dos programas mais ambiciosos para Portugal e particularmente para a
Força Aérea.

<p n=1255>
Na referida reunião, o ministro mostrou que a decisão de suspender o
projecto, na adiantada fase de execução em que este se encontra,
resultaria em prejuízo gravosos tanto para Portugal como para a própria
organização no seu conjunto, «perdendo-se até as vantagens de se tratar
de projecto pioneiro», importante para os restantes países que vão
adoptar este modelo avançado no domínio do controlo e defesa aérea.

<p n=1256>
A RTP será dividida hoje em duas empresas. Todo o sector relacionado com
o transporte do sinal de televisão será separado, com vista à criação da
Teledifusão de Portugal, a sociedade anónima que vai gerir a rede de
telecomunicações. Os trabalhadores da televisão estão descontentes e
falam em desmantelamento da empresa pública.

<p n=1257>
Os bens transferidos, por cisão, da RTP para a Teledifusão de Portugal
(cujo valor deverá atingir os 18 milhões de contos) constituirão a
participação da entidade pública de televisão na nova sociedade anónima
(40 por cento), que deverá integrar também participações do sector
privado -- nomeadamente dos futuros operadores -- e de outras empresa
públicas ligadas às telecomunicações, como os CTT e a Marconi.

<p n=1258>
A RTP vai facultar a utilização dos seus arquivos aos operadores privados
de televisão e aos produtores de cinema e audiovisuais. Tal possibilidade
consta de uma portaria assinada pelos secretários de Estado da
Comunicação Social, da Cultura e das Finanças, já enviada para
publicação.

<p n=1259>
Nem todas as obras merecerão ser incluídas nos registos de interesse
público, com vista à sua inclusão em arquivo. Para definir critérios de
selecção será criada uma comissão cuja presidência caberá ao coordenador
do Secretariado Nacional para o Audiovisual. Integram-na ainda dois
elementos designados pelas tutelas da Comunicação Social e da Cultura, os
responsáveis pela programação dos canais 1 e 2 da RTP e pelos respectivos
arquivos  e um elemento a designar pelos operadores privados de
televisão.

<p n=1260>
Morreu, na passada terça-feira, dia cinco, em Roma, após uma longa
agonia, o 28º superior geral dos Jesuítas, com 84 anos de idade, o padre
basco Pedro Arrupe S.J. Durante 18 anos dirigiu os destinos  da Ordem
religiosa mais numerosa de toda a Igreja Católica (36.038 elementos
quando foi eleito responsável por toda a Ordem disseminada pelo Mundo em
85 províncias).

<p n=1261>
Arrupe, o «papa negro», como o geral dos jesuítas foi conhecido durante
séculos, após ser ordenado padre, nos Estados Unidos, em 1936, seguiu
para o Japão onde se manteve durante 30 anos e criou uma província. Aqui
viveu uma trágica experiência, posteriormente relatada em livro: em seis
de Agosto de 1945 era «mestre de noviços» numa pequena aldeia próxima de
Hiroshima quando deflagrou a bomba atómica. Foi uma das primeiras pessoas
a entrar na cidade devastada. A sua missão foi transformada num hospital
de urgência.

<p n=1262>
A Associação Sócio-Profissional da PSP (ASP), denunciou ontem a falta de
pagamento do vencimento de Janeiro e a não atribuição do passe social aos
agentes destacados para os tribunais. Segundo a ASD, a presente situação
foi detectada pelo facto de muitos agentes terem telefonado para os
serviços de pessoal da PSP do Porto dando conta da falta de pagamentos.
Segundo fontes da instituição, o motivo dos atrasos deve-se ao facto de
os agentes destacados para os tribunais terem passado a depender do
Ministério da Justiça desde o início deste ano.

<p n=1263>
O Ministério do Trabalho francês calcula em 703 mil o número de
empregados estrangeiros nas empresas industriais do país com mais de 10
funcionários, 29 por cento dos quais são portugueses, revela um estudo
publicado esta semana. A distribuição por nacionalidade, com referencia a
1988, não registou grandes alterações. Os portugueses aparecem em
primeiro lugar, seguindo-se os argelinos ( 19 por cento), marroquinos (12
por cento), italianos, espanhóis, emigrantes da África negra e tunisinos.
Os menos representados são os turcos ( 3 por cento) khmers, vietnamitas e
jugoslavos ( 2 por cento), além de cidadãos dos restantes países da CEE (
3,8 por cento). O número de funcionários estrangeiros desceu 11 por cento
face a 1985 ( 788 mil). Representam actualmente 7,3 por cento da
mão-de-obra total, contra 8,4 por cento anteriormente. Um empregado
estrangeiro em cada cinco é mulher, proporção relativamente estável. No
entanto, o número de mulheres estrangeiras à procura de emprego aumentou:
35 por cento em 1988, contra 27,7 por cento em 1985.

<p n=1264>
O responsável pela Polícia Judiciária do Funchal, inspector Sousa
Martins, considerou ontem que, nos próximos anos, os traficantes de droga
vão transformar a Europa do Leste no seu mercado preferencial. Defendeu,
por isso, a necessidade de adoptar uma política de concertação, para
combate à «invasão» dos traficantes. Sousa Martins considera inaceitável
que «os criminosos possam deslocar-se livremente [por toda a Europa],  ao
invés da polícia, que apenas os poderá perseguir dentro das suas
fronteiras». O responsável da PJ da Madeira falava durante um encontro
promovido pelo clube «Rotário» local.  A partir de 1 de Janeiro de 1993,
a Europa será «fustigada pelo aumento considerável de drogas no seu seio,
e temos sérias reservas de que, até lá, sejam criados os mecanismos
necessários à contenção do fenómeno».

<p n=1265>
Um grupo auto-intitulado «Cocaine Connection La Red Ball» ameaçou
desencadear uma guerra pela droga, na sequência de várias cartas enviadas
a 16 empresas de Tóquio, anunciou ontem a polícia. As cartas, recebidas
na segunda-feira à noite e terça-feira de manhã por organizações
noticiosas e grupos empresariais, continham pequenas quantidades de
cocaína, ou de um produto semelhante (cerca de 4 gramas cada uma).  Caso
o produto seja verdadeiro, o grupo deixou de ganhar uns bons milhões de
ienes. As cartas estavam todas assinadas por «Shine Katsu», uma
utilização aparente do nome do actor japonês Shintaro Katsu, detido no
ano passado no Hawai por posse de cocaína.

<p n=1266>
«REFORÇAR o testemunho de paz» e demonstrar «a solidariedade dos cristãos
com os povos do Médio Oriente» foram as razões invocadas pelo
secretário-geral do Conselho Ecuménico das Igrejas (CEI), Emilio Castro,
para manter a convocatória da assembleia mundial do Conselho, que hoje se
inicia em Camberra, na Austrália, e se prolonga até dia 20.

<p n=1267>
O CEI condenara, logo no primeiro dia de guerra, o início das
hostilidades. Mas a tomada de posição sobre temas de actualidade política
e social internacional não é uma novidade nesta estrutura de coordenação
de 311 Igrejas protestantes, anglicanas e ortodoxas. Na assembleia
anterior -- realizada em Vancouver, Canadá, entre 24 de Julho e 10 de
Agosto de 1983 -- o «apartheid», a invasão do Afeganistão e o nuclear
estiveram no centro dos debates.

<p n=1268>
«Estão completamente diferentes». João Casanova, testemunha no caso da
morte do dirigente do PSR, José Carvalho, respondia desta forma ao pedido
do juiz no sentido de identificar algum dos oito  arguidos, alegadamente
«skinheads», presentes em tribunal. Uma outra testemunha, do «lado» do
PSR, também nada acrescentou quanto ao momento do crime: levou uma
pedrada na cabeça e encontrava-se no fundo do beco «de olhos fechados ou
inconsciente». Os dois garantiram, todavia, que  os «skins» quando
desceram a avenida para o embate vinham a correr e que teriam estado a
apanhar algo do chão, «possivelmente pedras».

<p n=1269>
Nenhuma das outras quatro testemunhas ontem presentes em tribunal estavam
no beco da Rua das Palmeiras no momento do crime. Vanda Gonçalves, João
Fontinha e Pedro Martinho encontravam-se então no Hospital de S. José.
Sandra, a irmã de Vanda, andava pelo Cais do Sodré à sua procura.

<p n=1270>
A cocaína está a invadir a Europa, através da Holanda. Todos os meses se
batem recordes de apreensões. Agora, caiu outro. O último relatório da
polícia judiciária holandesa é eloquente: 4,3 toneladas de cocaína
apreendidas em 1990, contra 1,4 toneladas no ano anterior. Apenas no
aeroporto de Schiphol, em Amsterdão, o tráfico de cocaína multiplicou-se
por três, no ano passado: 635 quilos apreendidos no primeiro semestre,
contra 289 no mesmo período de 1989.

<p n=1271>
Juntando todas as drogas, a progressão do tráfico na Holanda é ainda mais
impressionante, sobretudo em relação ao haxixe. A polícia local apreendeu
cerca de 90 toneladas no ano passado, em todo o país, contra apenas 14
toneladas em 1989.

<p n=1272>
As apreensões de droga em Portugal baixaram, no ano passado. O mesmo
sucedeu com o número de detidos por tráfico. Um dado que as polícias
atribuem a uma maior cooperação entre o Ocidente e o Leste e à luta
contra as actividades dos barões colombianos.

<p n=1273>
Para a alfândega, os dados respeitantes ao ano passado não são, contudo,
os mais relevantes, dado ter-se verificado um decréscimo -- quer do número
de detidos, quer das quantidades apreendidas -- relativamente ao ano
anterior. Quanto ao número de detidos por tráfico, registaram-se 79
capturas em 1989, contra 57 no ano findo.

<p n=1274>
A dependência generalizada das televisões europeias das emissões das
cadeias norte-americanas -- principalmente da CNN -- desde o começo da
guerra do Golfo está a provocar a revitalização do projecto «Euronews»
que visa a criação de uma rede europeia de difusão por satélite.

<p n=1275>
A intenção é a de emitir programas, com realce para a informação, em pelo
menos cinco línguas diferentes: inglês, francês, alemão, italiano e
provavelmente o espanhol. O telespectador que disponha de aparelhos
modernos de recepção, poderá optar entre a versão original ou a dobragem.

<p n=1276>
Uma experiência positiva, mas com uma concretização que, nalguns
aspectos, deixou a desejar -- as jornadas de estudo do episcopado
português e a sua abertura a um leque variado de padres, religiosos e
leigos, foram vistas por alguns dos participantes como uma iniciativa
importante da Igreja portuguesa. Durante três dias, em Fátima, um
conjunto de mais de cem pessoas avaliou a aplicação do Concílio Vaticano
II em Portugal. Liturgia, corresponsabilidade na Igreja e diálogo
Igreja-Mundo, foram os três temas centrais do debate. Na liturgia, a
renovação foi mais rápida, nos outros aspectos, nem por isso, mas também
não há entraves. Um meio-termo. Sem conclusões formais ou escritas, a
generalidade dos participantes gostou da experiência de contactar aqueles
que se podem considerar os mais responsáveis da Igreja Católica do país.
Mas apontaram a falta de material preparatório, a metodologia, a
indefinição de objectivos e a vastidão dos temas como limitativos do
debate. O pouco à-vontade que alguns leigos mostraram no início acabou
por ser vencido e, ontem, já se registou uma maior participação. No
final, fizeram-se algumas sugestões sobre as mais importantes actividades
da Igreja portuguesa para os próximos meses: Semana Social, em Abril,
visita do Papa, em Maio. Hoje, os bispos ficam sozinhos, durante a manhã,
para decidir algumas aspectos práticas e internas da Conferência
Episcopal. Até à próxima reunião, quando, em 13 de Maio, se encontrarem
com João Paulo II, em Fátima.

<p n=1277>
Esta medida insere-se na política do ministério da Justiça que tem em
vista a prevenção dos comportamentos desviantes nos menores, sobretudo de
idade inferior a 12 anos. É uma forma de responsabilizar as comunidades
pelas suas crianças e jovens em colaboração com a família a que
pertencem. Até agora, a acção do Estado tem sido apenas desenvolvida pela
via judiciária.

<p n=1278>
Richard W. Miller, o único agente do FBI até hoje condenado por
espionagem, voltou a protestar sua inocência em tribunal. Mas o juiz
Robert Takasugi não acreditou, como Miller tem insistentemente alegado,
que a sua infiltração na KGB soviética tinha como objectivo melhorar a
sua própria reputação no seio do FBI.

<p n=1279>
Antes da leitura da sentença, Miller, de fato cinza, óculos e uma gravata
com uma flor vermelha berrante, proferiu um longo discurso em que pedia
desculpa «por toda a dor, sofrimento e agonia» que as suas acções
causaram. «Peço desculpa aos meus colegas de trabalho pelos tormentos que
este caso lhes causou. E, sobretudo, peço desculpa ao meu Pai celestial.
Pode-se ofender muita gente, mas não se pode ofender a Deus.»

<p n=1280>
Evolução de um governo de unidade nacional com o MPLA a sistema
bipartidário; finalmente, pró-multipartidarismo.

<p n=1281>
A organização dos sindicalistas social-democratas manifestou, pela voz do
seu dirigente Luís Salvada, que a sua posição sobre o pacote laboral
decorre do que ficou estabelecido no acordo económico e social assinado
no ano passado e que «foi subscrito pela UGT, em que nós participamos».
Por isso, disse o mesmo responsável, «não seremos reivindicativos para
além daquilo que foi acordado no âmbito do Coneselho Permanente de
Concertação Social (CPCS). «Estamos de acordo com a legislação elaborada
nos termos do acordo económico e social», acrescentou.

<p n=1282>
Torres Couto propõe aos dirigentes e sindicatos da UGT uma reestruturação
da central, para permitir uma defesa mais eficaz dos trabalhadores. Mas
visa também restabelecer a confiança, companheirismo e solidariedade
entre os ugetistas.

<p n=1283>
A UGT está empenhada em encontrar novas respostas sindicais para os novos
desafios do fim de século e considera que para tal é preciso haver maior
coordenação entre os sindicatos da UGT e a própria central e uma
estratégia assumida para todos eles.

<p n=1284>
Um motim eclodiu ontem na cadeia central de Luanda, provocando o incêndio
de parte do estabelecimento e deixando quatro presos feridos. O motim
teve início cerca das 6h30 e uma hora depois o chefe dos Serviços
Penitenciários, António dos Santos Aguiar, dirigiu-se ao local para
dialogar com um grupo de reclusos, que apresentava uma lista de
reivindicações. Santos Aguiar levou os presos para um local, não
especificado, na tentativa de mostrar que muitos dos problemas
denunciados -- condições de habitabilidade, superlotação e excesso do
tempo de prisão preventiva -- estavam «em vias de poder ser equacionados»,
conforme relatou mais tarde à Rádio Nacional de Angola. No regresso à
prisão, disse Santos Aguiar, «o grupo pura e simplesmente não foi ouvido
pelos demais colegas e [os reclusos] fizeram uma tentativa de
sublevação», ateando fogo em casernas à entrada do estabelecimento. De
acordo com o chefe dos Serviços Penitenciários, as autoridades
«empregaram os meios que tinham ao seu alcance para impor a disciplina».

<p n=1285>
Os destroços do navio «Lucona», peça fundamental no misterioso caso que
abalou a sociedade austríaca, envolvendo o vienense Udo Porksch, foram
encontrados no oceano Índico e reconhecidos, ontem, pelo juiz
Hans-Christian Leiningen-Westerburg como autênticos. O «Lucona», que
naufragou em 1977 na sequência de uma explosão ao largo da costa da
Índia, levaria, segundo Porksch, uma valiosa carga nuclear, cujo seguro
foi avaliado em 50 milhões de dólares. A acusação sustenta que, na
realidade, o carregamento do navio não tinha valor e que a explosão, na
qual morreram seis marinheiros, foi criminosa. O caso «Lucona», que
poderá ser esclarecido com a descoberta dos destroços do navio, levou à
demissão dois ministros austríacos, acusados de participação no
escâncalo.

<p n=1286>
Os anticorpos são moléculas fabricadas pelo sistema imunitário dos
animais, durante uma infecção, para lutar contra ela. O organismo humano
pode criar milhões de tipos de anticorpos diferentes: cada um deles é
«programado» para reconhecer e atacar um agressor específico -- bactéria,
vírus, toxina, etc. Por isso, ser possível fabricar anticorpos humanos no
laboratório, em grandes quantidades, tem aplicações terapêuticas
potenciais enormes. Estes anticorpos, ligados a um medicamento
anticanceroso, por exemplo, poderiam ser utilizados para detectar e
destruir tumores malignos.

<p n=1287>
No caso dos linfócitos B humanos, a imortalização consiste actualmente em
infectar estas células com um vírus que as torne cancerosas. Mas este
método não é muito eficiente -- afecta apenas um linfócito em cada 500 -- e
só dá resultados com células que fabricam anticorpos poucos interessantes
do ponto de vista terapêutico.

<p n=1288>
Os especialistas que procuram novos materiais que sejam ao mesmo tempo
mais leves, mais resistentes, mais duros e mais flexíveis tentam
inspirar-se, cada vez mais, na estrutura dos materiais biológicos. Tanto
os ossos, como os dentes ou as conchas, por exemplo, são de facto
materiais «compósitos» extremamente sofisticados, feitos de uma matriz de
moléculas biológicas que contém cristais minerais. Como faz o organismo
para controlar com tanto rigor a complexa construção destes diversos
tecidos? Ninguém sabe. Mas estudos recentes efectuados por uma equipa de
cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, que
publicaram os seus resultados na revista «Nature», mostram para já que é
possível imitar, embora de forma ainda limitada, este tipo de proezas
naturais.

<p n=1289>
Parecia quase inacreditável: apesar de ser o sistema operativo com maior
sucesso em todos os tempos, com mais de 50 milhões de exemplares
vendidos, o MS-DOS não sofreu, durante os seus dez anos de existência,
mais do que adaptações pontuais de cada vez que era necessário dar
suporte a alguma nova espécie de unidade de disco ou disquete aparecida
desde a versão anterior. O mundo dos computadores podia atravessar uma
revolução -- novos processadores de 32 bits substituíam os antigos de 8 e
16 bits, as «interfaces» gráficas davam aos velhos ecrãs pretos um ar
bafiento, os discos rígidos passavam de 10 Mbytes para 100 ou mesmo 300
Mbytes --, mas o MS-DOS pouco evoluíra desde a versão 3.1, saída em 1984.
Certo que, daí para cá, se tentaram algumas melhorias. O DOS 4, de 1988,
que se viria a confirmar como um fiasco, tentou apresentar uma nova
«interface» e eliminar algumas limitações nas capacidades do disco e da
memória. Mas, devido a algum descuido dos seus projectistas, foram mais
os problemas que criou do que aqueles que resolveu -- principalmente
incompatibilidades com programas escritos a pensar nas versões anteriores
-- e a má fama acabou por precedê-lo, arruinando-lhe a carreira. Após a
consequente morte proclamada do DOS, foi com algum cepticismo que se
ouviu dizer que, em Redmond, havia afinal uma equipa da Microsoft a
trabalhar na ressurreição da velha galinha dos ovos de ouro.

<p n=1290>
Considera-se habitualmente que as térmitas são verdadeiras pragas. Mas
talvez isso não seja assim no Sul de África, onde o trabalho incessante
destes insectos pode trazer benefícios inesperados para a agricultura.
Foram dois entomólogos britânicos que fizeram esta espantosa descoberta.

<p n=1291>
Este tipo de estrutura vê-se por todo o Sul de África. A sua presença
altera a capacidade do solo para reter a água da chuva e, portanto, a
rapidez de crescimento das culturas varia segundo o sítio onde forem
plantadas. O sorgo, por exemplo, parece ter uma preferência pelas
condições de humidade que se verificam a meio caminho entre o fundo e o
alto dos montículos. Tais características poderiam ser aproveitadas para
aumentar a produtividade agrícola do solo.

<p n=1292>
Será arriscado conservar vinho do Porto em garrafas de cristal de alta
qualidade depois de o decantar? Esta parece ser a conclusão a que
chegaram dois cientistas americanos, que publicam os seus resultados na
revista «The Lancet».

<p n=1293>
A guerra do Golfo custará a cada família americana média (quatro pessoas)
entre 2624 e 4288 dólares (341 a 557 contos), de acordo com as
estimativas da associação de consumidores Public Citizen ontem
publicadas.

<p n=1294>
O Governo romeno decidiu ontem o licenciamento temporário de 247 mil
empregados e o encerramento de 92 empresas durante dois meses.

<p n=1295>
A venda de combustível na Roménia é racionada desde Janeiro. O
aquecimento e a distribuição de água quente em Bucareste passaram a ser
limitados a cinco horas diárias, desde a semana passada.

<p n=1296>
VOLTA À ANDALUZIA -- O ciclista belga Johan Museeuw, da equipa Lotto,
venceu ontem, ao sprint, a segunda etapa da Volta à Andaluzia, disputada
entre Cádiz e Sevilha. O espanhol José Luis Villanueva perdeu a camisola
amarela para o norte-americano Andy Bishop, devido a uma queda que partiu
o pelotão em dois. O melhor português foi Paulo Pinto, da Sicasal, que
terminou na 9ª posição. Paulo Pinto é agora 11º na classificação geral, a
5 segundos de Bishop, e comanda a classificação dos «sprints especiais»,
com 6 pontos. O segundo e terceiro melhores portugueses são,
respectivamente, Manuel Abreu (19º) e Jorge Silva (48º).

<p n=1297>
SEIS PISCINAS EM LISBOA -- A construção de seis novas piscinas em Lisboa,
todas de 25 metros, é uma das acções previstas no protocolo ontem
assinado entre o Município lisboeta e a Federação Portuguesa de Natação.
O protocolo, também assinado pela Associação de Natação de Lisboa, tem
como principal objectivo promover a coordenação de acções entre as três
entidades de forma a desenvolver a prática da natação na cidade.

<p n=1298>
O Dr. Alípio Dias, presidente da comissão executiva do Banco Totta &
Açores, afirmou na passada semana ao PÚBLICO que a procura de titulos por
parte dos accionistas do banco «foi de 1.838.534.291 acções», isto para
uma oferta de cinco milhões. «É uma brutalidade» afirmou na altura. Se a
expressão já por si era elucidativa, o PÚBLICO mesmo assim por mais duas
vezes, em dias sucessivos, pediu explicações. «É verdade». «Confirma-se».
As explicações, o Dr. Alípio Dias deu-as como quis. Mesmo assim, e apesar
de toda a estima que nos merece o presidente da comissão executiva do
Banco Totta & Açores, o PÚBLICO continuou em dúvida. Falou de novo,
perguntou as razões de um tão «grande sucesso». Amavelmente, o Dr. Alípio
Dias não perdeu a paciência e repetiu tudo. O PÚBLICO deu a noticia na
passada terça-feira. Nessa mesma manhã a Bolsa suspende as acções do
Banco Totta & Açores. O Dr. Alípio Dias diz ainda nesse dia que a noticia
do PÚBLICO «é especulativa». Como a noticia do PÚBLICO o citava, a
afirmação só poderia significar uma auto-crítica. Os jornais de
terça-feira à tarde citaram Alípio Dias: «a noticia é especulativa». Na
manhã seguinte alguns jornais diziam «a noticia especulativa» (de um
matutino, ou do PÚBLICO, conforme os gostos). Ontem a Lusa dava-lhe uma
nova forma: «as noticias EXPECULATIVAS». Ou seja, para um número
significativo de orgãos de comunicação já não interessava o que o Dr.
Alípio Dias tinha afirmado ao PÚBLICO. Relevante foi o juízo de valor que
o Dr. Alípio Dias fez sobre o destaque que o PÚBLICO deu às suas
declarações. Mais ainda, tomaram como seu o juízo do Dr. Alípio Dias. Ou
seja, uma noticia passou a ser especulativa porque quem fez as
declarações assim as (des)considerou posteriormente. Especulações Dr.
Alipio Dias.

<p n=1299>
O rei Hussein acusou ontem os aliados de quererem destruir o Iraque,
estabelecer uma nova ordem internacional e estarem prestes a cometer um
imenso crime contra o Islão e os árabes.

<p n=1300>
Direcção do CDS confirmou recusa da amnistia -- A Comissão Directiva
do CDS recusou, por unanimidade, o apoio do partido a «uma amnistia que
envolva crimes de terrorismo». Freitas do Amaral explicará esta posição
em conferência de imprensa a realizar amanhã, e durante a qual serão,
igualmente, explanados os objectivos dos centristas para as legislativas
de Outubro.

<p n=1301>
Esta missiva surge como mais um elemento de tensão para o líder da
maioria, poucos dias antes de uma reunião entre os líderes parlamentares
e o ministro da Justiça - cuja abertura a uma amnistia está, há muito,
delineada -, e que, ao retomar um assunto que Montalvão Machado mal
acabou de «arrumar» na sua bancada, não deixará igualmente de lhe merecer
as máximas cautelas.

<p n=1302>
Técnicos de metereologia protestam -- O Sindicato dos Técnicos de
Observação e Rede Metereológica protestou ontem, em carta aberta enviada
ao director-geral do Instituto Nacional de Metereologia e Geofísica
(INMG), contra o atraso no processo de revalorização de categorias, que
deveria abranger mais de 150 técnicos. Estes profissionais asseguram o
funcionamento do INMG  a nível da Rede Metereológica e Aeroportos com um
importante papel na segurança do tráfego aéreo e marítimo. Os técnicos
ameaçam desencadear uma greve, caso não se resolva a situação em que se
encontram.

<p n=1303>
A nova lei das carreiras médicas, a actual tendência para a abertura do
sistema da saúde à iniciativa privada (ao nível dos cuidados primários) e
o facto de o exercício qualificado da clínica geral/medicina de família,
se encontrar demasiado espartilhado por horários, constituem três
críticas às iniciativas do actual ministério, contidas no projecto da
APMCG. Além disso, afirmam : «O Ministério da Saúde gastou milhões a
propagandear o médico de família, mas parece não querer que ele exista».

<p n=1304>
AO LONGE nada o distingue da paisagem em volta. Não fora o local onde se
encontra, pensar-se-ia tratar-se de um buraco mais, junto de uma
pequeníssima elevação. A toupeira usa, porém, uma espingarda M-16 e --
mais importante neste caso -- traz binóculos ao peito e um «walkie-talkie»
sempre ligado.

<p n=1305>
Queria estudar na Academia de Polícia, e por isso escolheu essa
especialidade na tropa. «Nem pela cabeça me passou que havia de entrar
numa guerra», confidencia o jovem, sentado num saco cinzento-escuro de
areia, à boca do abrigo.

<p n=1306>
O Banco de Portugal comprou ontem activamente dólares nos mercados de
câmbios internacionais. Os responsáveis do banco central português não
revelaram o montante global da compra da divisa norte-americana, nem qual
a cotação a que praticaram a troca de escudos por dólares. O Banco de
Portugal afirmou apenas que tinha ontem comprado, nas praças mundiais,
uma quantidade de dólares sensivelmente igual à adquirida na
segunda-feira, em resposta a um apelo por parte dos principais bancos
centrais do mundo, que tentam aguentar a paridade da divisa
norte-americana, em queda acentuada face ao marco e ao iene.

<p n=1307>
Desde Agosto do ano passado, data em que o Iraque invadiu o Kuwait, o
dólar caiu já dez por cento face ao marco, apesar de temporiamente, no
início das hostilidades no Golfo, ter invertido a tendência, voltando a
encontrar compradores interessados num «valor refúgio». A justificar a
descida estava a situação de recessão económica nos EUA, face às
perspectivas da Alemanha derivadas da abertura a Leste.

<p n=1308>
«THE AMERICAN WAY OF JIHAD» -- «Oh não, ele voltou. Vamos rezar para que
seja pela última vez». A «Gannet Outdoor Company» colocou placards
idênticos a este em onze cidades dos EUA para, afirmou, manifestar o seu
apoio às tropas americanas na Arábia Saudita. Face à intrincada e difícil
teia de razões que, segundo o Presidente, justificam a guerra contra o
Iraque, os americanos parecem mais receptivos à ideia de que Saddam é
nada menos que a reincarnação do demónio, depois de Hitler e Stalin. É a
«guerra santa», american way.

<p n=1309>
O ministro francês dos Estrangeiros, Roland Dumas, explicou que o Irão
«vai desempenhar um papel importante na resolução final da crise do
Golfo. A sua posição geográfica, a sua importância e os seus interesses
fazem do Irão uma peça essencial do dispositivo que vai assegurar a
segurança e os equilíbrios no Médio Oriente». O porta-voz dos Negócios
Estrangeiros soviético reconheceu que, pelo menos, «Teerão tornou-se um
local muito frequentado nos tempos que correm».

<p n=1310>
O rei Hassan II e o seu Governo parecem poucos dispostos a permitir que a
causa pró--iraquiana entre os marroquinos se transforme no mais pequeno
rastilho capaz de pegar fogo. Já se tinha percebido isso com o desenrolar
assaz hordeiro da fantástica manifestação de domingo, em que o
dispositivo policial montado pelas autoridades não precisou de se
substituir à eficácia dos serviços de ordem dos partidos.

<p n=1311>
A palavra de ordem instala-se por reflexo condicionado: «Não parar». Onde
estiverem mais de duas pessoas, nem que seja simplesmente a olhar, o
comando arremete em formação de ataque com os varapaus a preceito. Tanto
basta para que os curiosos retomem a marcha. Pode-se passar bem junto ao
tropa -- aliás não há outro remédio, tão estreitas são as ruas --, pode
mesmo roçar-se-lhe o cotovelo pela farda. O que não se pode é parar.
Porque se se pára, a par do risco menor da porrada, virá o risco maior do
tribunal militar por instigação à desordem pública.

<p n=1312>
O presidente da comissão dos Negócios Estrangeiros da Assembleia Nacional
francesa, Michel Vauzelle, afirmou ontem em Argel que a França
interromperá as hostilidades se o Iraque decidir retirar do Kuwait.
Vauzelle, que se encontra na capital argelina no âmbito de uma «tournée»
pelos países do Magrebe, declarou que «a França não está em guerra» com o
Iraque. O contingente francês no Golfo «apenas ataca objectivos militares
relacionados com a fase terrestre da batalha», que obrigará o Iraque a
retirar do Kuwait, explicou Vauzelle.

<p n=1313>
O ministro dos Estrangeiros da Tunísia, Habib Boulares, acusou por seu
lado a coligação internacional anti-iraquiana de perverter o mandato da
ONU e de impor os seus pontos de vista «através do cano de uma
espingarda».

<p n=1314>
Um pouco por todo o país, os candidatos ao ensino superior deste ano
muniram-se de gramáticas e dicionários para melhor responder à Prova
Geral de Acesso. O novo modelo tipo teste americano é bem acolhido por
alguns, mas provoca inquietação e há quem fale em restrição à
criatividade. Muitos se dedicaram à leitura de jornais, esperando que a
guerra do Golfo lhes surja amanhã à frente.

<p n=1315>
«Este ano, a professora trouxe um livro de gramática antigo e estive a
treinar os antónimos». Estes são, de resto, dois pontos comuns a muitos
dos jovens que amanhã se vão sentar nas carteiras às 9h30 da manhã: o
recurso a dicionários e gramáticas, por um lado, e por outro, embora com
menos frequência, a professores de Português.

<p n=1316>
A 28 de Junho de 1990, as escolas secundárias afixaram os resultados
finais da segunda Prova Geral de Acesso (PGA) feita em Portugal: um terço
dos alunos não atingiu metade da pontuação máxima e a média nacional
ficou-se pelos 54,6 por cento. Três meses antes, no final de Março, a
primeira chamada da prova fora considerada «inesperada» mas «acessível»
pela maior parte dos 95 mil candidatos ao Ensino Superior.

<p n=1317>
A principal contestação dos candidatos vinha, mais uma vez, daqueles que
protestavam contra a obrigatoriedade de submissão a uma «prova
subjectiva» com um peso enorme na decisão de um futuro académico: entre
os 20 e os 50 por cento, conforme as faculdades optassem ou não por
efectuar provas específicas, e podendo mesmo atingir os 75 por cento por
decisão do Conselho de Reitores e do Conselho Coordenador dos Institutos
Politécnicos. Ressurgiu também o argumento dos alunos dos chamados
«cursos de Ciências»: uma PGA de escrita e literatura portuguesa
prejudicava alunos pouco habituados a escrever e, inversamente, dava mais
hipóteses a alunos de «Letras».

<p n=1318>
Amanhã de manhã, enquanto na generalidade das escolas se brinca ao
Carnaval, 107 mil estudantes em todo o país cumprem o primeiro passo do
longo caminho que levará pouco mais de metade até ao ensino superior. O
percurso do jogo inclui: duas vezes a Prova Geral de Acesso, a conclusão
do 12º ano, candidaturas, provas específicas e uma enervante espera. Um
dia, a resposta estará, preto no branco, afixada num «placard». Duas
centésimas de valor podem ser fatais e impedir um bom aluno de entrar
para o curso que escolheu.

<p n=1319>
Em primeiro lugar, sabe-se desde já que perto de metade dos 107.243
inscritos para fazer a PGA não vão entrar no ensino superior, porque os
dados disponíveis apontam para a existência de cerca de 60 mil vagas. Mas
não há uma relação directa entre o resultado obtido neste exame e a
colocação na escola, porque a ponderação da nota final é feita com a
média do 10º e 11º anos, a média do 12º ano, as provas específicas de
disciplinas essenciais a alguns cursos (não todos). A nota da PGA tem um
peso, nesta ponderação, que pode variar, legalmente, entre os 20 e os 80
por cento, dependendo dos cursos e do facto de existirem ou não provas
específicas.

<p n=1320>
O COMANDANTE das forças americanas no Golfo, general Norman Schwarzkopf,
afirmou ontem estar preocupado com a imprevisibilidade dos iraquianos,
cujo comportamento comparou ao dos «cães raivosos». «Demostraram que não
dão qualquer valor à vida humana. Batem-se sem consciência e são capazes
dos piores actos de ódio. É o síndroma do cão raivoso. Não há
previsibilidade possível num cão raivoso», declarou Schwarzkopf numa
entrevista ao canal de televisão americano CBS.

<p n=1321>
Segundo a estratégia dos aliados, a ofensiva por terra, a libertação do
Kuwait propriamente dita, deveria ser lançada depois dos intensos
bombardeamentos aéreos terem enfraquecido consideravelmente a capacidade
defensiva do Iraque. A operação aérea aliada parece hoje ter-se
intensificado, especialmente sobre as estruturas de comunicação
iraquianas, afirmam os aliados, sobre alvos civis, acusam os iraquianos.

<p n=1322>
Em Jerusalém, o professor Leibovitz tem uma mensagem muito simples para
transmitir: «Esta não é a nossa guerra, mas não viveremos em paz enquanto
não resolvermos o problema palestiniano.»

<p n=1323>
A 40 quilómetros de Jerusalém, na cidade bíblica de Hebron, vive o rabi
Abraham Levinger. A sua grande casa de pedra, guardada por soldados
armados, é um colonato judeu propositadamente instalado no meio de uma
cidade onde vivem 60 mil palestinianos.

<p n=1324>
@2-INFORMACAO/PROG = Depois da Índia, e com atraso em relação a Fogg,
Michael Palin continua a viagem de circum-navegação. Singapura, o próximo
passo. De Londres, a Londres outra vez, são os caminhos de Phileas Fogg,
descritos por Júlio Verne, agora recriados por Michael Palin. Uma viagem
tão boa que mereceria não ter fim. 5º episódio.

<p n=1325>
@2-INFORMACAO/PROG = O carnaval dos carnavais, entre as rainhas dos
maiores carnavais do mundo: Brasil, Argentina, Bélgica, Canárias, Costa
do Marfim, Grã-Bretanha, Itália, Uruguai e EUA. Gilberto Gil, Sali Keita
e Texas fazem a música. Um programa de Jean-Louis Cap.

<p n=1326>
OS HABITANTES de Bagdad têm à sua disposição uma rede subterrânea de
abrigos capaz de os proteger contra ataques convencionais, químicos e
nucleares durante pelo menos dois anos, garantiu ontem Takaaki Hashida,
um arquitecto japonês que, entre 1981 e 1984, ali construiu quatro
refúgios anti-nucleares.

<p n=1327>
Nem todos os abrigos seguirão este modelo, mas muitos possuem portas à
prova de bomba, as paredes estão reforçadas com 1,2 metros de cimento e
15 centímetros de aço. «À superfície, as ruas podem ser destruídas por
raides aéreos (ƒ) mas não há hipótese de atingirem o sub-solo», disse
também o arquitecto nipónico, em declarações à conceituada revista
«Themis», acrescentando que neste tipo de abrigos estão garantidas quatro
semanas contínuas de sobrevivência.

<p n=1328>
O JULGAMENTO de sete soldados norte-americanos que se recusaram a
participar nos treinos de preparação para a guerra no Golfo deverá ter
início esta semana, afirmou ontem a Amnistia Internacional (AI), que
classifica o grupo como «prisioneiros de consciência». Os sete militares
encontram-se presos sob a acusação de «desobediência das ordens».

<p n=1329>
O sargento americano, a servir em Fort Riley, no estado do Kansas,
afirmara que as suas convicções contra a guerra se haviam solidificado
depois de ser realistado há quatro anos, mas que estava pronto a cumprir
o seu período militar até ao fim, conta a Amnistia.

<p n=1330>
OS ESTADOS Unidos estão dispostos a fornecer ao Egipto mísseis
anti-míssil Patriot, «se os centros vitais egípcios e, em primeiro lugar,
a barragem do Assuão, estiverem ameaçados pelos mísseis Scud iraquianos»,
afirmou o embaixador dos EUA no Cairo. Interrogado sobre informações
segundo as quais o Iraque teria instalado mísseis terra-terra e aviões de
caça no Sudão, o embaixador Frank Wisner declarou que «não existe
qualquer ameaça contra o Egipto proveniente do Sudão». No entanto,
acrescentou, em caso de ameaça, o Egipto «retaliará vigorosamente» e os
EUA entregarão ao Cairo armas semelhantes às que forneceram a Telavive.

<p n=1331>
O LÍDER LÍBIO, coronel Kadhafi, mandou contruir um importante depósito de
armas químicas e nucleares a cerca de 40 quilómetros de Tripoli, revelou
ontem a cadeia de televisão alemã ZDF. Trata-se do «maior arsenal jamais
contruído no Médio Oriente», adiantou a ZDF, que revelou ainda que
especialistas alemães e de outros países ocidentais participaram no
projecto líbio. Um porta-voz do Ministério líbio dos Negócios
Estrangeiros considerou as notícias sobre o depósito de armas como
«totalmente falsas» e fazendo parte de uma «nova campanha psicológica e
mediática hostil à Líbia, aos árabes e a todos os muçulmanos».

<p n=1332>
O GOVERNO de Israel restituiu ontem a credencial de Imprensa ao chefe do
escritório da Newsweek em Jerusalém, retirada na semana passada depois de
a revista americana ter publicado uma fotografia que «violava a censura
militar» imposta. Theodore Stanger, já pode trabalhar porque, explicaram
as autoridades israelitas, a situação foi esclarecida: a fotografia em
causa era da Sigma e não da Newsweek e a agência de serviços de
informação escreveu uma carta a pedir desculpas a Israel.

<p n=1333>
No entanto, Bagdad fez uma distinção entre os membros ocidentais e os
membros árabes da coligação: em relação aos últimos referiu que cortava
relações «com os regimes no poder no Egipto e na Arábia Saudita»,
indicando assim que estes não representam os povos dos respectivos
países. Com a Síria, que também é membro da aliança, o Iraque tinha
rompido relações em 1980, pouco tempo depois do início da guerra contra o
Irão.

<p n=1334>
Sob bombardeamentos pesados desde há quase três semanas, a Guarda
Republicana iraquiana continua, contudo, sem dar mostras de
enfraquecimento das suas forças, 90 por cento das quais estarão ainda
operacionais, afirmaram ontem responsáveis militares americanos citados
pelo «New York Times».

<p n=1335>
Mais concretos foram os responsáveis militares citados pelo «New York
Times». Segundo estas fontes, que pediram o anonimato, cerca de 10
divisões da Guarda Republicana e unidades de tanque do Exército iraquiano
continuam práticamente intactas, encontrando-se  em abrigos bem
protegidos e dispersos pelo terreno.

<p n=1336>
No final de três semanas de guerra continua a ser praticamente impossível
fazer uma avaliação dos estragos causados pelas 47 mil missões cumpridas
pela aviação aliada. Entre a prudência americana, o cepticismo britânico
e o optimismo francês os dados apenas coincidem na reivindicação da
supremacia aérea e naval para a coligação. Os aliados afirmam ter
destruído 66 embarcações e 137 aviões iraquianos (os últimos quatro
ontem, quando se encontravam em fuga para o Irão). Mas a Força Aérea
iraquiana terá ainda mais de 500 aparelhos operacionais. Operacionais
estarão também, segundo militares americanos, grande parte dos tanques e
o grosso  da Guarda Republicana, a força de élite de Saddam cuja
destruição foi apresentada como um objectivo fundamental dos aliados. Os
raides vão continuar, mas a batalha terrestre é agora dada como
inevitável. Fala-se em meados de Fevereiro. Será Bush a decidir depois de
ouvir os responsáveis máximos do Pentágono, que ainda esta semana deverão
chegar à Arábia Saudita.

<p n=1337>
03h50 -- Pilotos americanos de caça-bombardeiros F-16 começam a utilizar
mísseis Maverick guiados por infra-vermelhos contra veículos iraquianos
no Kuwait, segundo a «pool» de jornalistas americanos.

<p n=1338>
Quase à mesma hora em que, na Arábia Saudita, o general Norman
Schwarzkopf afirmava que os soldados do Iraque eram «imprevisíveis cães
raivosos», James Baker prometia em Washington à nação iraquiana que os
dólares correrão generosos para Bagdad. Depois de Saddam cair.

<p n=1339>
Foi a primeira vez que os EUA especificaram as suas ideias para o
pós-guerra, apesar de Baker ter afirmado que «é prematuro apresentar um
plano detalhado, porque as paixões mais profundas foram exacerbadas pela
crise do Golfo».

<p n=1340>
OS KUWAITIANOS que ainda permanecem no emirado ocupado pelas tropas de
Saddam Hussein só têm acesso a bens alimentares se em troca mudarem a sua
cidadania, garantiu ontem um grupo de kuwaitianos exilados em Londres. «O
que acontece é que eles [os iraquianos] começaram a distribuir cartões de
racionamento alimentar, mas para os obter tem de se mudar a nacionalidade
e adoptar a cidadania iraquiana», disse um dos exilados, depois de falar
ao telefone via satélite com um compatriota seu que não fugiu.

<p n=1341>
FAROUK AL-SHARA, o ministro sírio dos Negócios Estrangeiros, chegou ontem
a Londres para conversações com o seu homólogo britânico, Douglas Hurd,
menos de 24 horas depois de ter assinado um importante acordo com a
Arábia Saudita.

<p n=1342>
A participação portuguesa no esforço de guerra do Golfo Pérsico foi
assumida pelo Governo, entre duas balizas claramente definidas, sempre na
perspectiva de apoio logístico e humanitário. De um lado, a concessão de
facilidades em uso de espaço aéreo, disponibilidade para trânsito e (ou)
estacionamento em bases aéreas estratégicas (Lajes e aeroporto de Santa
Maria, nos Açores, e Base Aérea do Montijo, no território continental). A
segunda vertente de participação foi assumida pela Força Aérea, com a
esquadra de transporte dos C-130, e pela Marinha, com a disponibilização
do navio de apoio São Miguel e a inclusão da fragata Sacadura Cabral na
força naval da NATO aplicada no patrulhamento do Mar Mediterrâneo. Em
termos contabilísticos, a comparticipação portuguesa já ultrapassou os
200 mil contos, uma gota de água na enormidade que será o «preço certo»
desta guerra.

<p n=1343>
A primeira missão a seguir ao ataque militar da coligação contra o Iraque
verificou-se entre os dias 18 e 22 de Janeiro, com uma operação de
transporte de material (cerca de 17 toneladas), e a segunda realizou-se
nos dois dias imediatos, em missão de apoio à esquadrilha de Awacs
destacada na Turquia e que tem um efectivo de 12 elementos da FAP, entre
pilotos, navegadores e operadores de radar. Esta segunda missão registou
21 horas de voo e o transporte de cerca de 14 toneladas de equipamento.

<p n=1344>
Amanhã de manhã, 107 mil estudantes em todo o país irão cumprir o
primeiro passo do longo caminho que, segundo esperam, os levará ao ensino
superior. Desta vez, a tensão deverá ser menor do que no ano passado,
pois haverá uma segunda oportunidade no dia 18, logo depois das férias do
Carnaval. Esta segunda chamada da Prova Geral de Acesso será aberta a
todos os alunos e a nota que irá contar será apenas a mais alta das duas
provas. Mas, de qualquer forma, o peso da responsabilidade vai fazer-se
sentir, pois duas centésimas de valor podem ser fatais e impedir um bom
aluno de entrar para o curso que escolheu. Entretanto, as críticas à PGA
continuam: apesar da profunda reformulação que a prova sofreu neste ano,
ela continua a ser, para muitos, uma «prova absurda», sujeita a uma
avaliação subjectiva e onde a sorte continua a contar.

<p n=1345>
O Museu Nacional de Arte Antiga, o Museu Nacional do Azulejo e o Museu
dos Coches, em Lisboa, estiveram fechados, por a EPAL lhes ter cortado a
água, mas os respectivos funcionários mal deram por «isso». É que eles,
não tendo público para vigiar, aproveitaram o tempo para limpezas: num
caso, o pó das vetustas viaturas; noutro, o bar! O secretário de Estado
da Cultura, inconformado com a atitude da EPAL, disse que o corte de água
se deveu a «razões políticas». Mas a companhia das águas responde que se
trata, tão-só, de uma dívida acumulada e por pagar...

<p n=1346>
Ainda não se sabe a data ao certo, mas Geraldão regressará a Portugal
dentro de alguns dias e -- tudo o indica -- para continuar ao serviço do FC
Porto. Pelo menos é essa a convicção de alguns familiares do jogador
contactados pelo PÚBLICO no Brasil, onde o futebolista descansa. Mas há
também quem garanta que o destino do jogador, no próximo ano, será o
campeonato italiano, podendo mesmo acontecer que Geraldão venha a
representar o Flamengo até final da época.

<p n=1347>
Fernando Nogueira será o dinamizador do «grupo de ideias» a criar no PSD,
tendo em vista as próximas legislativas. Consigo, além  de Falcão e
Cunha, colaborarão dirigentes como Dias Loureiro, Durão Barroso, Pacheco
Pereira, Marques Mendes e Carlos Pimenta. Paralelamente a este grupo
funcionará uma comissão executiva, presidida por Falcão e Cunha. Quanto
às listas, há já uma certeza: a discussão só será lançada em Junho e
durante um período muito curto.

<p n=1348>
A operacionalidade do porto de Leixões deixa muito a desejar e é a
própria administração portuária que o admite. Como exemplo, refira-se que
os empilhadores e porta-contentores apresentam índices de imobilização
que rondam os 50 por cento.

<p n=1349>
A UNITA quer assinar os documentos de princípio para a paz. O Governo de
Luanda, porém, quer ir mais longe e fixar a data do silêncio das armas.
No Governo português substistem ainda esperanças em salvar a sexta ronda.

<p n=1350>
Mas, ontem, ao fim da tarde, o gabinete do secretário português dos
Negócios Estrangeiros tornava claro que subsistiam divergências que não
tinham ainda sido superadas. «A sexta ronda não começou formalmente ainda
porque, tal como tinha sido acordado, começará quando ambas as partes
estiverem preparadas para receberem os documentos. Acontece que uma das
partes, concretamente a delegação do Governo da República Popular de
Angola, aguarda ainda instruções relativamente à rubrica dos documentos.
Esperamos que a sexta ronda possa começar formalmente sexta feira»,
afirmou José Alberto de Sousa, assessor de imprensa de Durão Barroso.

<p n=1351>
Uma questão de comportamento? Um problema de maturação? Os especialistas
dividem-se sobre o que é a toxicodependência. Na Gulbenkian, discutem-se
as psicoterapias contra a droga.

<p n=1352>
Actualmente, segundo o responsável principal pelo Centro das Taipas, Nuno
Miguel, perfilam-se duas formas distintas de abordar o problema das
toxicodependências. A primeira considera que a toxicodependência é uma
questão de comportamento, que será corrigida pela reeducação. A segunda
defende que se trata de um problema de crescimento e maturação,
ultrapassável pelo tratamento psicoterapêutico. Nuno Miguel é partidário
desta segunda forma de abordar a toxicodependência.

<p n=1353>
Algumas críticas bem humoradas ao funcionamento interno marcaram, anteont
Pereira, Marques Mendes e Carlos Pimenta. Paem, a cerimónia de tomada de
posse da nova direcção da Associação de Estudantes da Universidade de
Aveiro, que, pela primera vez na história deste estabelecimento de ensino
superior, decorreu na sala da reitoria e contou com a presença do
presidente do Conselho de Reitores portugueses, Renato Araújo.

<p n=1354>
O plano de actividades para 1991 previsto pela Direcção Geral da Extensão
Educativa (DGEE) para o concelho de Sines cobre apenas 30 por cento das
acções programadas pela coordenação concelhia (9 acções em 25). Segundo o
professor José Manuel Viana da Silva, coordenador concelhio, as acções
pagas em 1990 pela DGEE e pelo Ministério da Educação foram 15 e como em
1991 estão previstas apenas 9, representam um decréscimo de 40 por cento,
acrescentando ainda que «os organismos centrais prevêem para 1991
encargos de 1260 contos em 63 meses de bolsas (remunerações aos
professores), enquanto as autarquias de Sines (Câmara e Junta de
Freguesia) no mesmo período vão gastar 1620 contos em 81 meses de
bolsas», o que implica uma maior sobrecarga das autarquias nos seus
orçamentos da educação e cultura. «Sendo da responsabilidade do poder
central a alfabetização e do poder local o apoio logístico, difícil se
torna entender a diminuição dos encargos estatais agora decididos, quando
os responsáveis governamentais se comprometem publicamente na TV a
erradicar o anlafabetismo no país até ao ano 2000», concluiria o mesmo
responsável concelhio.

<p n=1355>
O Instituto Superior de Ciências Dentárias do Porto inaugurou as suas
novas instalações na Rua de S. Roque da Lameira. Oliveira Torres,
director do instituto, afirmou durante a cerimónia a necessidade dos
docentes poderem «acumular funções no ensino público e privado». Segundo
Oliveira Torres, este instituto é o «primeiro empreendimento de foro
médico no ensino privado», acrescentando tratar-se de um projecto
«arrojado mas necessário». «Em onze anos de medicina dentária nos
estabelecimentos de ensino superior oficial, não houve um único
doutoramento», justifica, defendendo a ideia de que o ensino privado
médico pode ser o «maior pólo do desenvolvimento da investigação
cientifíca». ANa mesma ocasião, foi lançada a primeira pedra da Unidade
Clínica Hospitalar, que se irá situar em Gandra, concelho de Paredes.

<p n=1356>
Começa no próximo mês de Março, no Instituto Politécnico de Coimbra, o
primeiro curso português de estudos superiores de Engenharia Municipal.
Com vagas para 30 alunos e duração de dois anos, o curso admite bacharéis
em Engenharia Civil, licenciados na mesma área ou em Engenharia do
Ambiente e ainda aqueles que tenham completado o curso de Construções
Civis e Minas dos extintos institutos industriais.

<p n=1357>
A proposta de novo esquema de financiamento do ensino superior elaborada
pela Comissão presidida por Diogo de Lucena vai ser tema de um debate no
próximo dia 26, na Reitoria da Universidade Clássica de Lisboa, por
iniciativa da Federação Nacional dos Professores -- Fenprof. Diogo Lucena,
José Manuel Tribolet e Afonso de Barros, três dos sete membros da
Comissão do Livro Branco sobre o Financiamento Público do Sistema de
Ensino Superior, já confirmaram a participarção no debate. Durante a
manhã, os três professores darão explicações sobre o relatório preliminar
divulgado em Novembro passado. À tarde, haverá  intervenções de
professores convidados, entre os quais Medina Carreira, Simões Lopes,
José Manuel Rolo e Jorge Dias de Deus, de deputados dos vários grupos
parlamentares e também do presidente da Associação Académica de Lisboa,
Carlos Jorge Segadães.

<p n=1358>
Recorde-se que um dos grandes argumentos dos professores de Educação
Visual residia na alegada infuncionalidade do regime de bi-docência o que
«a existir, não é novo. Sempre existiu dupla docência em Trabalhos
Manuais e Oficinais ou em Arte e Design não tendo nada a ver com a
heterogeneidade da formação académica dos professores que constituiam
par».

<p n=1359>
A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)  vai realizar de 12
a 15 do próximo mês de Março um forum sobre Literatura e Teoria
Literária, que contará com a presença de investigadores e docentes de
diversas universidades portuguesas. Organizada pelo Departamento de
Letras da UTAD e apoiada por diversas entidades públicas e privadas de
Vila Real, a iniciativa visa proporcionar aos estudantes de letras o
acesso a matérias extra-curriculares e estimular a abertura a
conhecimentos que lhes permitam completar a sua formação académica e
conhecer o estado actual da investigação feita no nosso país nos dominios
da literatura e da teoria literária.

<p n=1360>
Segundo a coordenadora da iniciativa, Isabel Martins, «o encontro
destinou-se a professores de futuros professores de todos os níveis do
ensino e teve como objectivos básicos discutir o papel e os limites da
actuação dos professores de didáctica e promover o diálogo sobre a
investigação de uma dada disciplina».

<p n=1361>
As Associações de Pais das escolas do Concelho de Oeiras reuniram-se
ontem na Escola Preparatória Conde de Oeiras para elaborar e debater um
documento a enviar ao Ministério da Educação onde dão conta das carências
que afectam os 49 estabelecimentos de ensino da área.

<p n=1362>
Quanto à falta de pessoal auxiliar e de professores, o presidente da
Associação de Pais da Conde de Oeiras referiu que nalguns
estabelecimentos «chega-se a Outubro sem que estejam colocados todos os
efectivos necessários, situação que não permite o cumprimento dos
programas estabelecidos».

<p n=1363>
O despacho do Reitor da Universidade de Coimbra a determinar o novo
regime de prescrições para os alunos das Faculdades, que foi afixado na
segunda feira nas cantinas, não passou de um lapso administrativo.
Tratava-se apenas de uma proposta apresentada por Romero de Magalhães,
docente da Faculdade de Economia, para ser analisado pelo Senado
universitário e que, por erro da Reitoria, foi divulgado. Contactado pelo
PÚBLICO o reitor confirmou que o «documento tinha sido distribuido por
lapso» e adiantou que «a proposta sobre o novo regime das prescrições
será agendada para uma próxima reunião do Senado». Entretanto, o Senado
já elegeu a comissão que irá discutir o projecto de regulamentação do
regime das prescrições. A Direcção Geral da Associação Académica de
Coimbra, afirma que «como legítima representante dos estudantes não foi
consultada numa área importante e sensível para os estudantes» e
manifesta-se «radicalmente contra qualquer proposta de regulamentar o
regime de prescrições bem como o de precedências».

<p n=1364>
A Câmara Municipal está a desenvolver todos os esforços junto da
administração do BPA para que a abertura do IUE seja posssível já este
ano e, de acordo com o presidente do município, José Pereira da Cunha, as
próximas duas semanas serão decisivas para remover o «último óbice» -- o
que é tido como bastante provável, já que, como salienta o autarca, a
administração da entidade bancária tem «revelado interesse e espírito de
colaboração para a resolução do problema». Entretanto, a Câmara dispõe já
de uma verba para os equipamentos que vierem  a ser considerados
prioritários.

<p n=1365>
A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) promove este ano um
curso de fotointerpretação de fotografia aérea policromada, com uma
duração diária de seis horas, durante duas semanas. Para o efeito, a UTAD
recebe uma verba de 840 contos, no âmbito dum protocolo que assinou com a
Direcção-Geral do Ordenamento do Território, no domínio da
fotoinperpretação aplicada ao ordenamento territorial. A vertente prática
-- preparação das fotografias para fotointerpretação e a fotointerpretação
e os ajustes dos erros cometidos -- é a componente privilegiada na
estruturação deste curso, realizado ao abrigo do acordo que dura até 1993
e que permite à UTAD dispor de uma verba anual de três mil contos para
financiar outras acções a acordar entre as duas instituições.

<p n=1366>
Escola Secundária de Gil Vicente, em Lisboa - aceitam-se candidaturas de
professores para um horário de dez horas de Educação Física e um horário
de 3 horas de Cálculo Financeiro.

<p n=1367>
A ARCO 91, feira de arte que decorre em Madrid até dia 12, enfrenta, na
sua décima edição, o perigo da crise geral do mercado, mas parece capaz
de lhe fazer frente. Mais de duzentas galerias, «stands» de revistas e
manifestações complentares fazem de Madrid, por uma semana, a capital do
mercado da arte contemporânea.

<p n=1368>
O ambiente global era de confiança e curiosidade: ver até que ponto a
crise mundial afecta a feira; ver em que medida se confirma ou não o
ligeiro pânico das feiras de Colónia e de Los Angeles realizadas já
depois de 2 de Agosto de 1990; esperar que a conjuntura  acabe, afinal,
por se revelar positiva na medida em que acabará com o «clima de
artificial euforia inflaccionária» do mercado, como o definiu o galerista
Miguel Marcos.

<p n=1369>
Na tarde de amanhã (sábado) realizar-se-á, nas instalações do recinto da
Feira de Arte Contemporânea de Madrid, uma reunião informal  de artistas
-- não haverá mesa, nem direcção para a sessão -- que se propõem reflectir
sobre o actual conflito no Golfo. Embora uma das organizadoras, Isabel
Guerra (mulher do pintor Doukopil), dirija uma campanha contra o sentido
da intervenção aliada e a participação espanhola na guerra, o objectivo
da reunião não é programático, mas aberto a todas as opiniões. Dois
artistas portugueses foram já contactados pela comissão: Leonel Moura e
Cabrita Reis.

<p n=1370>
Uma novidade na comemoração foi a representação do Iraque -- é a primeira
vez, desde que os dois países restabeleceram relações. Outra foi não
haver caviar. Nem bebidas alcoólicas, nem uma percentagem razoável de
mulheres nem carne de porco, mas isso não são novidades, são costumes
religiosos. Presente, e reparava-se, entre uma assistência onde os
ocidentais tinham todos ar de homens de negócios, o nosso pretendente ao
trono, que estava de partida para outra cerimónia que tinha no mesmo dia
(segundo o ouviram dizer era uma cerimónia fúnebre, e resto ele estava de
gravata preta). À saída, quem quisesse informações adicionais sobre o
Irão podia levar um pequeno álbum com tudo o que é preciso saber sobre o
país e o sistema da Republica islâmica que foi aprovado na aurora da
gloriosa revolução sob a decisiva liderança do Iman Khomeini, em fundo
azul a olhar para a História na página 3.

<p n=1371>
A Associação dos Amigos de Eça de Queirós, de Baião, vai lançar este ano
uma revista centrada na vida e obra do autor de «Os Maias», anunciou uma
fonte da autarquia. A publicação insere-se no plano de actividades da
associação para o ano de 1991, que inclui uma recolha, inventário e
classificação de documentos queirosianos. No ano passado, a associação
criou a Fundação Eça de Queirós e deu início a um plano de visitas
guiadas à casa de Tormes, a residência do escritor em Baião.

<p n=1372>
Um qualquer concerto, um qualquer recital de canto em particular, pode
ser uma homenagem à música, às músicas antes escritas. Pode também ser
uma celebração do intérprete que arrisca o confronto entre a sua leitura
e a literalidade de uma partitura, acrescentada das intenções musicais
(plásticas, expressivas, ...) que o leitor pressupõe subjacentes ao texto
codificado na notação musical. Pode ainda ser um somatório de propostas
de apropriação do espírito e da letra de composições musicais,
projectando-as no quadro de referências, de paradigmas, inscritas nas
memórias, gravadas nos materiais de registo e reprodução sonora.

<p n=1373>
Uma retrospectiva completa da obra do cineasta Manoel de Oliveira vai ser
apresentada, a partir de 15 de Março, em Bobigny, nos arredores de Paris.
A mostra, que se prolonga até ao dia 30 de Março, é uma iniciativa da
Casa da Cultura de Bobigny apoiada pela Embaixada de Portugal em França e
pelo Centro Cultural Português em Paris, um organismo dependente da
Fundação Gulbenkian, A retrospectiva integra-se no Festival «Teatro e
Cinema», um certame que se realiza anualmente em Bobigny.

<p n=1374>
A Câmara Municipal de Évora recebe, até ao dia 28 de Fevereiro,
candidaturas para a edição deste ano do Prémio de Recuperação de
Edifícios de Habitação situados no centro histórico da cidade. O prémio,
no valor de 500, 300 e 200 contos, criado por protocolo entre a Câmara
Municipal de Évora e a Caixa Geral de Depósitos em 1985, premeia os
proprietários dos três melhores projectos de recuperação e remodelação de
edifícios de habitação.

<p n=1375>
«Um Herói Como Nós» não é mais um filme sobre os problemas psicológicos
dos «vietvets» (os veteranos do Vietname), embora estes rerpesentem um
papel determinante no filme. Norman Jewison que dentro da sua forma
prática e académica é capaz de nos dar, por vezes, algumas surpresas
quando pode contar, à partida com um bom argumento («O Feitiço da Lua»),
realiza um filme que se não representa o início de um «novo» género,
expõe o que pode ser o fim de um ciclo. Aliás o primeiro sintoma veio de
um filme de 1988, «To Heal a Nation» (Editado em vídeo entre nós com o
título «Depois do Vietname»-Ecovídeo), espécie de «docu-drama» sobre Jan
Scruggs, o veterano que impulsionou a construção do Memorial aos mortos
naquela guerra. «Um Herói Como Nós» apresenta mesmo alguns pontos de
contacto com este filme: na exposição dos indivíduos desajustados e
incapazes de reassumirem inteiramente o seu papel na sociedade e,
principalmente nas dramáticas imagens do reencontro de Samantha e de
Emmett com os nomes do pai e dos amigos esculpidos no monumento. Outro
ponto de contacto entre o filme de Michael Leviston e o de Jewison é a
contenção (ia chamar-lhe pudor) com que a câmara se aproxima desses
dramas.

<p n=1376>
Abel Barros Baptista, Alexandre Cabral, Eduardo Lourenço, Maria Alzira
Seixo, Maria Lúcia Lepecki, Óscar Lopes e Victor Manuel Aguiar e Silva
são alguns dos escritores e investigadores literários, entre os quais
alguns reputados camilianistas, que anunciaram já a sua participação no
Congresso Internacional de Estudos Camilianos, que a Comissão Nacional
das Comemorações do centenário da morte do escritor leva a efeito, em
Coimbra e em Famalicão, entre os dias 24 e 29 do próximo mês de Junho. Ao
organizar este Congresso, a referida comissão pretende proporcionar, ao
mesmo tempo, o «balanço crítico dos estudos camilianos até agora
realizados e a abertura de caminhos a percorrer no futuro, em termos de
investigação e ensino, sob o signo das modernas metodologias de análise
da obra literária».

<p n=1377>
O realizador italiano Luigi Comencini está a concluir o guião de uma nova
versão de «Marcelino, Pão e Vinho», o filme espanhol da década de 50
baseado na novela de Jose Maria Sanchez Silva e que foi dirigido por
Ladislao Vadja. A história de um orfãozinho (Pablito Calvo) que quer
morrer para se juntar à mãe no céu -- «uma história muito lamechas»,
segundo Comencini e que fez chorar na altura milhares de crianças -- vai
ser transformada pelo realizador numa espécie de fábula para adultos. O
Marcelino desta nova versão será encontrado nos bairros pobres de Roma.
«Não existem pequenos bons actores», disse, a propósito, o realizador. O
protagonista do filme, que começará a ser rodado em Abril, «não terá de
representar, mas apenas saber adequar-se à personagem».

<p n=1378>
«Cavaleiros da Noite», coreografia de Olga Roriz, impõe-se como o bailado
do espectáculo. O efeito que produziu na estreia, há uma semana, voltou a
acontecer. O bailado, que dura rigorosamente 13 minutos, tem a força do
arrebatamento. 13 devem ser também os intérpretes em cena, todos
masculinos e significando «como que o positivo de Isolda», citando a
autora. A carga emocional, em Olga Roriz, está sempre polarizada e produz
necessariamente tempestades. Com ela presente, é o seu sentimento que
transporta. Já assim acontecera o ano passado com «Isolda», que deixou na
penumbra o resto do programa -- quem se recorda que nesse Janeiro de 90 se
estreou igualmente «Ad Vitam», de Paulo Ribeiro? As memórias dos outros
trabalhos só acordam recomposta a tensão emocional. É para esse tempo que
nos envia a coreografia de Paulo Ribeiro, «Percursos Oscilantes».

<p n=1379>
À beira-mar os Ban lançaram o seu «Mundo de Aventuras». Um disco plano e
homogéneo, continuação do que se associa à banda portuense: elegância,
futilidade e economia.

<p n=1380>
Herdeiro de uma linha tendencialmente depurativa e elegante vincada no
anterior registo, «Música Concreta» de 1989, a mais nova «aventura» dos
Ban é também a consagração de Ana Deus como a mais sólida imagem-de-marca
da banda. Afirmando que «não há processo de escolha ou votação sobre quem
canta o quê» João Loureiro não deixa de admitir uma evidência: «A Ana
está a ganhar um espaço por mérito próprio». Clamando pela sua
«experiência» -- Ana Deus apenas entrou para os Ban em 1988 -- o compositor
acrescenta que «uma atitude irracional e emotiva anterior poderia, porém,
ter levado a um apagamento de um talento evidente para todos».

<p n=1381>
«Sugar» Ray Leonard vai defrontar amanhã Terry Norris, onze anos mais
novo. O Madison Square Garden será o palco para um espectáculo em doze
assaltos. A despedida nunca anunciada de «Sugar» Ray, ou apenas mais um
capítulo na sua carreira?

<p n=1382>
«Este combate tem para mim mais significado do que o que disputei com
Hagler. Não estou em declínio. Continuo a jogar boxe como um jovem, com
velocidade e alto nível de energia. Este rapaz será para mim como um
barómetro, vai permitir-me a comparação com os mais jovens», afirmou
Leonard.

<p n=1383>
Um novo golpe de teatro surgiu na sinuosa vida do Bordéus: quando nada
nem ninguém parecia capaz de travar a marcha do clube para a falência
total, um comunicado ontem divulgado anunciava a nomeação de um novo
presidente, Jean-Pierre Derose, que, com os seus aliados financeiros,
deverá salvar o clube.

<p n=1384>
Segundo o jornal «Sud-Ouest» de quarta-feira, Derose teria
disponibilizado 100 milhões de francos franceses com o apoio de dois
industriais parisienses e conseguira, ainda, um aval de 200 milhões de um
banco americano, o Chemical Bank of New York.

<p n=1385>
Geraldão disse ontem ao jornal «Estado de Minas» que não aceita o
contrato de três anos que lhe foi proposto pelo FC Porto. Segundo o
jornalista brasileiro Arnaldo Viana, Geraldão estará na disposição de
«cumprir apenas o actual contrato até ao final da época e, no caso de o
clube português não aceitar, pedir para ser liberado». Geraldão terá já
decidido, segundo Arnaldo Viana, regressar ao futebol brasileiro, apesar
de o atleta garantir «não ter recebido ainda nenhuma proposta». A
hipótese de Geraldão se transferir para o Flamengo foi ontem desmentida
ao PÚBLICO pelo próprio presidente brasileiro, Márcio Braga. Segundo
Arnaldo Viana, Geraldão afirmou na entrevista que «a sua mulher ficou
muito abalada com as ameaças da torçida portista, principalmente quando
lhe foi dito que raptariam o filho se Geraldão fosse para o Benfica».
Confirmando a notícia dada pelo PÚBLICO de que Geraldão terá já decidido
deslocar-se ao Porto na próxima semana, Arnaldo Viana está convicto de
que o encontro com Pinto da Costa resultará infrutífero, pois o jogador
«não admite que os problemas no trabalho afectem o seu ambiente
familiar». Refira-se, no entanto, que as declarações prestadas por
Geraldão ao «Estado de Minas» foram consideradas pela cunhada do jogador,
Marisa, como «muito suspeitas». Marisa afirmou ao PÚBLICO «não ter
cabimento dizer que Geraldão não quer renovar pelo FC Porto» e
desvalorizou a importância que as ameaças ao jogador terão na sua decisão
final. Tal como os restantes membros da família, Marisa considerou mesmo
como «muito provável» que Geraldão renove pelo FC Porto.

<p n=1386 assunto=desporto>
O Botafogo comanda isolado o campeoanto brasileiro de futebol, depois da
vitória por 2-0 sobre a Portuguesa de Desportos, em jogo da segunda
jornada que se cumpriu na quarta-feira. Os outros resultados: Flamengo, 1
- São Paulo, 0; Bragantino, 2 - Corinthians, 0; Sport, 1 - Palmeiras, 2;
Náutico, 2 - Santos, 0; Bahia, 2 - Atlético Mineiro, 2; Internacional, 2
- Vitória, 1; Cruzeiro, 3 - Vasco da Gama, 0. Na classificação geral, o
Botafogo soma quatro pontos e é seguido pelo trio composto pelo
Bragantino, Internacional e Cruzeiro, todos com três pontos.

<p n=1387>
A opção foi feita um pouco sob pressão mas hoje ninguém duvida de que foi
acertada. O Esmoriz Ginásio Clube passou a investir com mais cuidado no
vólei de alta competição e decidiu melhorar as suas intalações.

<p n=1388>
Os bons resultados da equipa de voleibol, que durante anos utilizara o
«quintal do padrinho Manel», um campo de terra batida entre pomares,
sempre foram motivo de orgulho do clube e não foi fácil, por isso, o
desinvestimento, só que a nova direcção tinha também atrás de si um
passado desportivo impoluto, todos tinham jogado com a camisola do
Esmoriz, e o dinamismo com que deitaram mãos à obra aplanou as
resistências iniciais.

<p n=1389>
Começa hoje, no Pavilhão da Académica da Amadora, a III Taça Latina de
futebol de salão, com a participação das selecções de Portugal, Espanha,
Itália e França. Esta prova, que se prolonga até domingo, foi ganha pela
selecção portuguesa nas duas anteriores edições e integra-se na
preparação do campeonato do mundo da modalidade, marcado para Itália, de
6 a 29 de Junho deste ano. Portugal foi quarto classificado no último
«Mundial» e regista no seu palmarés o título de campeão da Europa.

<p n=1390>
Uma Malta simpática e cheia de sol, mas sem um estádio de futebol com
relvado em condições, recebeu ontem, ao principio da tarde, as selecções
portuguesas de futebol «A» e de «Esperanças».

<p n=1391>
Afastada da possibilidade de chegar ao título nacional e eleiminada, na
passada quarta-feira, da Taça de Itália pelo Bolonha, a equipa do Nápoles
vive um período de grande agitação, culminado ontem com o pedido
formulado à Federação italiana para que suspenda o argentino Diego
Maradona, na sequência das sucessivas ausências sem autorização da
estrela da equipa.

<p n=1392>
O vice-presidente do Nápoles, Francesco Serão, afirmou que anunciou a
Maradona a intenção do clube no final do treino de terça-feira: «Maradona
ouviu tudo com muita atenção, impassível, e nem sequer comentou».

<p n=1393>
Portugal apresentou no passado dia 31 de Janeiro a candidatura à
organização do último campeonato do mundo de futebol do século, a
disputar em 1998 -- revelou ontem o secretário-geral em exercício da
Federação Portuguesa de Futebol, António Malva. Segundo este dirigente
federativo, Portugal candidatou-se também à organização da fase final do
campeonato da Europa de 1993, na categoria de sub-16.

<p n=1394>
A Comissão de Apelo da UEFA recusou-se a aceitar as alegações do clube
segundo as quais nunca estaria ao seu alcance evitar os incidentes
registados. E o clube fica ainda obrigado a pagar os custos decorrente do
recurso que apresentou, que ascendem a 7,2 mil dólares (cerca de 970
contos).

<p n=1395 assunto=desporto>
O checoslovaco Iva Lendl, cabeça-de-série número um, foi ontem eliminado
pelo italiano Cristiano Caratti na segunda ronda do torneio de ténis de
Milão, prova pontuável para a classificação ATP e  que distribui prémios
no valor de 600 mil dólares (cerca de 80 mil contos). Caratti (número 79
na tabela ATP) bateu Lendl (número três do mundo) pelos parciais de 6-4,
1-6 e 7-6. O tenista checoslovaco falhou, assim, o acesso aos
quartos-de-final da prova, depois de na ronda anterior já ter evidenciado
algumas dificuldades perante o sueco Magnus Larsson.

<p n=1396>
Para o presidente da Federação Portuguesa de Voleibol este troféu
insere-se na estratégia global de aumentar a adesão à modalidade uma vez
que «50 por cento dos atletas federados estão inscritos pela Associação
do Porto e importa alargar as áreas de influência da modalidade para que
ela possa continuar a crescer».

<p n=1397>
O valor das empresas do grupo FNAC que foram objecto de avaliação para a
integração das respectivas participações financeiras na «holding» do
grupo, a Fnacinvest, foi superior a oito milhões de contos, segundo um
estudo de avaliação às vinte empresas do grupo agora concluido pela BDO
Binder.

<p n=1398>
Como resultado da criação da «holding» na Fnacinvest, esta sofrerá um
aumento de capital social, «lá para o fim deste semestre», de acordo com
uma fonte, de 4,68 milhões de contos para 12 milhões.

<p n=1399>
Um acordão do Supremo Tribunal Administrativo (STA), que alega vício de
forma na nomeação do conselho de administração da INDEP,  «obrigou» o
Governo a repôr a legalidade de todos os actos realizados por esta
administração.

<p n=1400>
Para além desta ratificação, o Conselho de Ministros decidiu reconfirmar
a nomeação de Sousa Coutinho e de Oliveira Marques direcção da INDEP.

<p n=1401>
A Sociedade de Construções ERG, vai realizar uma assembleia geral anual
no dia oito de Março. Na ordem do dia estará a deliberação sobre o
relatório de gestão, balanço e contas apresentados pelo conselho de
administração, relativos ao exercício de 1990. Na mesma data, serão
eleitos os membros necessários a completar os orgãos sociais e a comissão
de vencimentos até ao final de 1992. Será ainda analisada uma proposta
que visa a emissão de um empréstimo obrigacionista. Poderão participar na
assembleia os accionistas possuidores de pelo menos cem acções,
correspondendo um voto a cada grupo de referido número de acções.

<p n=1402>
Na próxima Segunda Feira, dia 11 de Fevereiro, não se efectuará sessão de
bolsa nas duas praças financeiras nacionais, retomando estas as suas
actividades na Quarta Feira dia 13.

<p n=1403>
A taxa de desemprego em Portugal baixou de 4,8 por cento em 1989 para 4,6
por cento no ano passado e é , a seguir à do Luxemburgo com 1,6 por
cento, a segunda mais baixa da CEE. O desemprego na Comunidade Europeia
baixou no ano passado para atingir 8,3 por cento contra 8,9 por cento em
1989 e deverá manter-se estável no ano corrente devido ao abrandamento do
crescimento. O número de desempregados atingiu 11,9 milhões em 1990
contra 12,7  milhões em 1989. Todos os países da Comunidade viram a sua
taxa de desemrego baixar excepto a Dinamarca one aumentou 0,2 por cento
passando para 7,9 por cento da população . O país onde o desemprego
atinge proporções mais elevadas é a Espanha com 16,1 por cento, seguida
da Irlanda com 15,6 por cento e da Itália com 9,8 por cento.

<p n=1404>
O Fundo Monetário Internacional está a concluir um acordo financeiro com
a Polónia no valor de 2,6 mil milhões de dólares que poderá alivar o
pagamento da dívida externa do país e permitir lançar programas de
crescimento económioco, afirma o governo de Varsóvia.  O acordo, de três
anos, deverá estar em aplicação em Março. A dívida polaca atinge 46,5 mil
milhões de dólares.

<p n=1405>
O dólar voltou ontem a cotar-se a um novo minímo face ao marco alemão.
Quem está mais preocupada é a CEE que teme a concorrência norte-americana
nas trocas internacionais. Para George Bush, a recessão está a acabar e
há que ter confiança, principalmente se os aliados partilharem a factura
do Golfo.

<p n=1406>
A descida do dólar preocupa mais os europeus do que os norte-americanos.
A decisão do FED de reduzir os juros tem por objectivo promover o
crescimento económico doméstico, alargando o crédito e tornando mais
competitivas as exportações dos EUA para mercados externos, em particular
os europeus e mesmo os de países terceiros que compram no  mercado
mundial, em dólares.

<p n=1407>
Quando se esperava um dia tranquilo, um quadro do Banesto lançou a
agitação no primeiro encontro do mercado de capitais, promovido pela
Totta Dealer. É que, em Espanha, as mais-valias resultantes do
investimento em acções vão deixar de ser tributadas. O alerta soou:
capitais portugueses, após a liberalização de movimentos na CEE, poderão
fugir para o mercado vizinho.

<p n=1408>
Nesta matéria, Alfredo de Sousa insistiu num ponto já anteriormente
defendido. Dever-se-ia  adoptar em Portugal uma medida simples, que
consiste em «não tributar aplicações financeiras provenientes de
rendimentos do trabalho». Esta medida iria permitir a canalização de
grande parte da poupança das famílias para o mercado de capitais, factor
de reconhecida importância para a sua dinamização.

<p n=1409>
Embora positiva, a tendência demonstrada ontem pelas bolsas de valores
foi um pouco mais moderada do que nos dias anteriores. "Poderemos estar a
assistir a uma recuperação relativamente0 sustentada das cotações",
defende um analista contactado pelo PÚBLICO, "mas o factor que originou a
depressão dos mercados não está ainda resolvido, e por isso deve-se
assistir nas próximas sessões a descidas moderadas provocadas pela
realização de mais-valias, situação que aliás já se verificou ontem em
alguns títulos mais importantes", sustentou. "Além disso", refere o mesmo
analista "estamos perante um fim-de-semana comprido, em que as novidades
do Golfo não vão poder ser incorporadas no preço das acções, pelo que
hoje a evolução das cotações não deverá ser tão positiva como nos últimos
dias."

<p n=1410>
As medidas aprovadas prevêm benefícios em matéria de IRC, Contribuição
Autárquica, Sisa e imposto de selo para as associações de direito
privado, sem fins lucrativos, a actuar na área do mercado de capitais.

<p n=1411>
A Direcção-Geral de Energia recebeu ontem perto de uma tonelada e meia de
papel especial. É quanto pesam as duas propostas apresentadas a concurso
para a construção e concessão do gás natural, a analisar em 120 dias.
Fora da corrida ficou a Shell. Enviou uma carta a Mira Amaral a
explicar-se. O ministro garante que não a recebeu.

<p n=1412>
Da lista dos possíveis interessados, faltava, no entanto, um: o consórcio
liderado pela Shell/British Gas. «Para não chegarem sozinhos», o segundo
grupo decidiu aguardar. Foram três quartos de hora gastos, na pastelaria
ao lado, entre uma «bica» e um bolo, à espera do último concorrente. Em
vão. Esgotado o tempo, às 17h00, foram-se embora. A Shell não aparecera,
mas cumprira parte do prometido. Entregara uma carta, mas não a proposta,
e o destinatário não foi a Direcção-Geral de Energia, mas sim o
Ministério da Indústria.

<p n=1413>
O Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC) viu
recentemente aprovados, num âmbito do programa 1 do Pedip, uma unidade de
demonstração na área da microelectrónica e um centro de transferência de
tecnologia de automação e controle para as pequenas e médias empresas
(PME), que ficarão situados, respectivamente, em Lisboa e Porto, num
investimento total de 900 mil contos.

<p n=1414>
A conferência teve como objectivo principal demonstrar o potencial deste
país para o capital estrangeiro e superar os receios da finança mundial
em relação à antiga imagem da Swapo como movimento radical.

<p n=1415>
O Governo vai rever alguns dos pontos mais controversos do Registo
Internacional de Navios da Madeira (MAR), assumindo-se como questão
central a obrigatoriedade vigente de registo de tripulação nacional,
apontada como a principal limitação ao desenvolvimento desta bandeira.

<p n=1416>
Considerado como o mais importante passo dado desde a criação do segundo
registo nacional, os responsáveis da SDM frisam a «clara vontade» de
Lisboa em dar um novo fôlego ao MAR. O enquadramento legislativo em que
tem funcionado tem sido apontado como o principal responsável pelo
reduzido impacto deste registo.

<p n=1417>
Os resultados líquidos da CISF registaram em 1990, uma quebra de 48 por
cento em relação ao ano de 1989. Quanto ao activo desta sociedade
financeira em 1990, ascendeu a 40 milhões de contos, ultrapassando o
valor de 28 milhões de contos registado em 1989. O cash-flow de 90
registou um crescimento de 60,2 por cento, em relação ao ano anterior,
situando-se em 2.072 mil contos, enquanto que as provisões da CISF, para
riscos de crédito vencido e para a cobertura de menos-valias da carteira
de titulos, atingiram os 1,4 milhões de contos.

<p n=1418>
No relatório, ontem divulgado em Paris, a organização para a cooperação e
desenvolvimento afirma que, até ao final de 1992, a evolução da economia
portuguesa será «influenciada por medidas monetárias e orçamentais
restritivas que deverão ser tomadas para reestabelecer os equilibrios
macro-económicos e criar condições próprias  para facilitar a entrada de
Portugal no SME».

<p n=1419>
A Novopan vai lançar uma OPA sobre a Agloma e a Siaf. Depois, será
transformada em «holding» para a área indústria do grupo Sonae. O
rearranjo de participações dos aglomerados de madeira da Sonae está em
marcha.

<p n=1420>
De acordo com um comunicado da Sonae Investimentos, o critério de
proporcionalidade foi estabelecido a partir de avaliações realizadas pelo
BPI e tendo em conta «o valor económico dos negócios e não a sua cotação
bolsista actual, para evitar que os accionistas pudessem vir a ser
prejudicados por situações de conjuntura dos mercados de capitais e,
sobretudo, para incorporar o valor de empresas não cotadas». Refira-se
que, na Bolsa do Porto, a Agloma foi ontem transaccionada a 900 escudos
(desceu 100 em relação à cotação anterior), enquanto a Novopan e a Siaf,
que não realizaram negócio, estavam cotadas a 1100 e 1500 escudos,
respectivamente.

<p n=1421>
O receio de gatos pretos é geralmente considerado como uma crendice sem
qualquer fundamento, mas muita gente pensa que a telepatia é um fenómeno
estudado e aceite pela ciência. Seja como for, um enorme número de
pessoas, em todo o mudo, permite que a sua vida seja influenciada por
crenças tão infundadas como estas. Nos EUA, acaba de ser publicada uma
sondagem sobre a questão.

<p n=1422>
Uma das conclusões mais curiosas que se pode extrair deste estudo,
comparando os resultados com os de sondagens idênticas realizadas anos
atrás, é que houve um ligeiro aumento na crença no paranormal. Assim, por
exemplo, enquanto em 1978 apenas 39 por cento das pessoas afirmava
acreditar em «diabos», 11 por cento em fantasmas e 10 por cento em
bruxas, essas percentagens são hoje, respectivamente, 55, 25 e 14 por
cento.

<p n=1423>
A meta é estabilizar as emissões de dióxido de carbono no ano 2000 de
forma a tentar reduzir a contribuição da CEE para o efeito de estufa. O
PÚBLICO teve acesso ao mais recente documento da Comissão Europeia sobre
o assunto...

<p n=1424>
No documento, a Comissão analisa ainda outras medidas fiscais que poderão
vir a ser aplicadas no futuro, como forma de desencorajar a contribuição
individual para os gases do efeito de estufa. Entre as medidas estão um
imposto sobre a gasolina que inclua um «suplemento para o conteúdo de
dióxido de carbono», de forma a aumentar a consciência do consumidor
sobre a poluição provocada pelos automóveis.

<p n=1425>
A sonda Magalhães está sobreaquecida num dos lados, mas o facto não a
deverá impedir de realizar a cartografia da superfície do planeta Vénus,
revelou ontem Steve Wall, do Jet Propulsion Laboratory da NASA, em
Pasadena, EUA. «Temos uma nave espacial que frita de um dos lados e
congela do outro», disse Steve Wall, que revelou também que a temperatura
da Magalhães é de 25 graus negativos do lado da sombra e de 145 graus
centígrados do lado exposto ao Sol. Este último valor ultrapassa o
«limite de alerta» de alguns instrumentos da nave e, por esse motivo, os
engenheiros vão fazê-la efectuar duas manobras que reduzirão a sua
capacidade de cartografar o planeta sem, no entanto, anular completamente
a sua missão.

<p n=1426>
Para se saber se um determinado instrumento está em regra -- o taxímetro
usado nos táxis ou o contador dos consumos de água nas residências --, é
necessário ter um termo de comparação, os chamados padrões nacionais
(metro-padrão, quilo-padrão, etc). Fisicamente instalados no laboratório
central do instituto, em Lisboa, são geridos pelo IPQ (metrologia
científica). A partir desta medida de referência, é desenvolvida uma
cadeia hierarquizada de padrões (padrões de transferência) secundários e
terciários, que termina nos instrumentos utilizados nas operações
correntes. Para se ter a certeza de que esses instrumentos estão
conformes à medida-padrão, são objecto de operações de verificação
realizadas periodicamente pelo IPQ, de modo a assegurar o controlo
metrológico dos instrumentos.

<p n=1427>
O mini-planetário do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto
realizou já, desde o início do seu funcionamento em 2 de Junho de 1990,
cerca de 100 sessões de astronomia para jovens em idade escolar.
Estrutura insuflável, com cinco metros de diâmetro e 3,2 metros de
altura, o mini-planetário tem vindo a viajar por diversas escolas do
Norte do país, como forma de despertar os jovens da Escola Primária e do
Ciclo Preparatório para a importância e o fascínio da Astronomia. A
preparação das sessões, que têm uma duração de 40 minutos cada, é feita
por elementos do Centro de Astrofísica, que foram também responsáveis
pelo treino dos monitores, alunos dos anos terminais da Licenciatura
Interdisciplinar Física/Matemática Aplicada - ramo de Astronomia, da
Faculdade de Ciências do Porto. O mini-planetário foi comprado graças ao
apoio do Governo Civil do Porto.

<p n=1428>
A estação espacial soviética Saliut 7 e a nave Cosmos 1686, que lhe está
acoplada, entraram às 3h44 horas da manhã na atmosfera terrestre sobre a
América do Sul -- 34,9 graus de latitude sul e 63,8 de longitude oeste --
contrariando as últimas previsões que indicavam o Mediterrâneo Ocidental
como local mais provável da queda. Minutos antes da queda, fontes
oficiais da Coreia do Sul referiram a possibilidade de algumas peças da
estação cairem no estreito de Taehan, mas as notícias   posteriores não
confirmaram esse facto.

<p n=1429>
Dez dias depois da batalha de Khafji ouvem-se ainda tiros esporádicos e
patrulhas procuram soldados iraquianos casa a casa. Ontem, a presença de
jornalistas e o nervosismo da Guarda Nacional saudita animaram por
momentos esta cidade fronteiriça, fazendo passar por ruas e quintais o
fantasma de soldados iraquianos em fuga. Na linha do horizonte, por
detrás da carcaça de blindados destruídos pela artilharia americana, uma
nuvem de fumo com quilómetros de comprimento lembra que o Kuwait fica ali
mesmo ao lado.

<p n=1430>
Tiros esporádicos ouvem-se ainda, vindos dos quintais de vivendas atrás
da clínica Al Maffer. O tenente coronel Turquy Al Firm, comandante da
brigada mecanizada "Rei Abdel Aziz" diz ao PÚBLICO serem de 99 por cento
as probabilidades de não haver já nenhum iraquiano escondido, dez dias
depois do fim da grande batalha, mas considera necessário "prosseguir as
buscas casa a casa".

<p n=1431>
Eventuais desacordos quanto à atitude a adoptar face aos recentes
desenvolvimentos na África do Sul adiaram para ontem o comunicado final
dos sete países da Linha da Frente, que estiveram reunidos dois dias na
capital do Zimbabwe. No comunicado final, subsiste o apelo à manutenção
das sanções.

<p n=1432>
A atitude cautelosa do comunicado justifica-se, segundo Kaunda, pelo
facto do Presidente sul-africano De Klerk «não estar sózinho». «Ele tem
forças de extrema-direita que lutam contra as suas decisões. Se cedermos
nesta matéria estamos a torná-lo mais vulnerável e, por isso, pensamos
que as sanções devem ser mantidas», afirmou Kaunda. De facto, a
extrema-direita já organizou várias manifestações de rua exigindo a
demissão de De Klerk.

<p n=1433>
Todos os países do Pacto de Varsóvia, à excepção da URSS, defendem agora
abertamente a dissolução da estrutura militar da aliança e propõem que a
decisão seja adoptada ainda este mês. Os receios de um «golpe de Estado»
na URSS terão contribuído para o tom de urgência agora adoptado pelos
ex-satélites de Moscovo.

<p n=1434>
Vários países do Pacto já declararam a sua intenção de abandonar a
aliança ainda este ano. A Checoslováquia fala no mês de Junho como data
para a sua saída, a Polónia declarou esta semana que a sua aliança com a
URSS tinha acabado e que era agora um país neutral, a Hungria e a
Bulgária afirmam que sairão em breve. Já a Roménia indicou ontem que
defendia a reconversão do Pacto de uma alinaça militar para uma estrutura
política.

<p n=1435>
O ANTIGO ministro dos Negócios Estrangeiros da União Sovética, Eduard
Chevardnadze, terá concluído, em Junho do ano passado, um «acordo
secreto» com os Estados Unidos, pouco vantajoso para a URSS, sobre a
delimitação das zonas marítimas dos dois países no Mar de Bering, segundo
noticiou ontem o jornal conservador «Sovietskaia Rossia».

<p n=1436>
O articulista precisa que Washington desejava fixar desde há 13 anos a
fronteira marítima, cujo traçado não fora precisado pela convenção de
1867 pela compra, pelos Estados Unidos, do Alasca e das ilhas Aleutas, à
Rússia. Ora, o acordo de 1990, que atribuirá, segundo o Katassonov, aos
Estados Unidos largos territórios ricos em petróleo, está em vigor desde
15 de Junho, «o que mostra bem -- escreve o autor da carta -- o desprezo de
Eduard Chevardnadze, pelo Soviete Supremo, e a sua certeza de que tudo o
que apresentava enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros seria
aprovado pelos legisladores».

<p n=1437>
O padre Jean Bertrand Aristide, figura carismática da Igreja populara
haitiana, tomou ontem posse como 44º Presidente do Haiti, precisamente
cinco anos depois da queda do ditador Jean-Claude Duvalier. Aristide, de
37 anos e primeiro Presidente democraticamente eleito do Haiti, fez o seu
discurso de posse em crioulo e em francês, jurando «respeitar fielmente a
Constituição e as leis da República, respeitar e proteger os direitos do
povo, trabalhar para a grandeza do país e preservar a independência e
integridade territorial». Milhares de pessoas aclamaram Aristide junto ao
parlamento, onde decorreu a cerimónia de posse.

<p n=1438>
A Espanha utilizou gás, pela primeira vez contra civis, no conflito que a
opôs a Abd el-Krim, que decretou, em 1923, uma república islâmica
independente de Marrocos. Esta informação, publicada no diário «El
Independiente» cita o livro «Gás venenoso contra Abd el-Krim»,
recentemente editado na Alemanha, e comentado na última edição do
semanário «Die Zelt». Segundo o livro, o bombardeamento dos seguidores de
el-Krim, com mais de dez mil bombas de gás venenoso, entre inícios de
1924 e Maio de 1926, foi uma acção conjunta hispano-alemã, e teve a
cumplicidde de outras potências coloniais europeias, nomeadamente a
França e a Grã-Bretanha, que fizeram «vista grossa» à utilização de armas
pelo Tratado de Versalhes. N.R.

<p n=1439>
O PRESIDENTE colombiano Cesar Gavíria prometeu ontem que vai recorrer à
força para combater a actual ofensiva guerrilheira, que até agora causou
50 vítimas mortais. «A guerrilha cometeu um erro histórico iniciando esta
ofensiva», disse.

<p n=1440>
Quartéis militares e da polícia encontravam-se ontem em estado de alerta
máximo depois de guerrilheiros da FARC e do ELN, numa acção combinada,
terem lançado 50 ataques para protestarem contra a sua exclusão do
processo de reconversão da tensão socio-política que o país atravessa.
Fontes militares, citadas pela Reuter, especificaram que os rebeldes
protestam pelo facto das autoridades os terem afastado da Assembleia
Constituinte, onde alguns lugares foram guardados para representantes dos
grupos que aceitassem o cessar-fogo como condição do seu ingresso na vida
política.

<p n=1441>
«Estrela Polar da Humanidade» e «Génio da Criação», Kim Il-Sung, na
verdade Presidente da Coreia do Norte, foi recentemente objecto de uma
conspiração contra a «descendência consanguínea». O filho, Kim Jonh-Il,
abortou-a.

<p n=1442>
Se estas informações, entretanto veiculadas pela agência France Presse,
vierem a ser confirmadas, seria a primeira vez que o regime norte-coreano
manifesta publicamente sinais de instabilidade. A emissora oficial não
forneceu, no entanto, pormenores sobre os factos ou a identidade dos
autores desta tentativa de derrube da direcção do Partido dos
Trabalhadores (comunista), o partido único norte-coreano.

<p n=1443>
O ÚLTIMO símbolo da presença soviética em Praga vai ser vendido em hasta
pública por decisão do Conselho Nacional (parlamento) checo. Trata-se do
tanque número 23 do Exército Vermelho, um T-34 que foi o primeiro
blindado soviético a entrar em Praga, na madrugada de 9 de Maio de 1945.
Em meados dos anos 50, as autoridades comunistas puseram o blindado sobre
um pedestal no quarteirão de Smichov, num monumento que pretendia
simbolizar a libertação de Praga pelas tropas soviéticas. Agora, os
deputados checos decidiram apear o tanque e vendê-lo em hasta pública. Em
sua substituição será erguido um memorial sobre a insurreição de Praga
nos últimos dias da II Guerra Mundial.

<p n=1444>
O Presidente soviético, Mikhail Gorbatchov, já declarou, através de um
decreto presidencial, que esta sondagem não é válida «juridicamente» e,
em Vílnius, crescem os receios de uma intervenção do Exército soviético.

<p n=1445>
O presidente da Tradingpor, Pereira Dias, está a renegociar, em nome da
Câmara Municipal de Lisboa, os termos de um acordo para instalação de
mobiliário urbano que fora assinado entre a autarquia e a empresa JC
Decaux e indeferido em Dezembro passado pelo Tribunal de Contas --
confirmou o PÚBLICO junto de fonte municipal.

<p n=1446>
O envio dos contratos pela actual Câmara ao Tribunal de Contas levou a
que este órgão tivesse vindo a indeferi-los no passado mês de Dezembro
por ultrapassarem o limite máximo autorizado para a dispensa de concurso
público.

<p n=1447>
O presidente da câmara da Figueira da Foz lamentou que à ampliação do
aquartelamento do local da PSP não tenha correspondido o «prometido
aumento» ao número de efectivos policiais.

<p n=1448>
Caso não seja atendido o pedido, a Câmara da Figueira encara a hipótese
de recorrer a «outro tipo de meios», embora considere que isso seria,
«desprestigiante para as forças políciais». Lusa

<p n=1449>
Decorrem os últimos dias da exposição "A iluminura em Portugal", que
assinalou a abertura do moderno edifício da Torre do Tombo. Trata-se de
uma boa oportunidade para apreciar uma série de obras raras, e ainda mais
raramente vistas, e para compreender o significado social e estético
deste tipo de expressão artística.

<p n=1450>
Por esta altura, e sensivelmente até aos séculos XV/XVI, a pintura é a
iluminura religiosa. Bíblias, saltérios, cantochões ou livros de
cânticos, livros decorações e de ofícios, todos atestam a vitalidade dos
poderosos centros monásticos em território português. Ao mesmo tempo, a
iluminura afirma-se como um elemento indissociável do texto propriamente
dito, de modo a assegurar perfeitamente as suas funções: função
pedagógica, de maneira a proporcionar visualmente um paralelo entre a
frase antiga e a situação actual, função literária e, finalmente, o fim
que hoje  em dia parece mais evidente: o de gerar um sentimento de
beleza.

<p n=1451>
Marginalizados e ofendidos, como eles próprios se classificam, os
autarcas do Oeste exigem justiça. Dizem que estão cansados de dar votos,
gerar riqueza e receber promessas.

<p n=1452>
Em comum, e para lá da carência de infraestruturas e de empenhamento da
Administração Central no seu desenvolvimento, de que se queixam, as seis
câmaras têm a característica de serem todas de maioria socialista, à
excepção da do Sobral, que pertence à CDU.

<p n=1453>
A operação de reboque sistemático dos carros abandonados nas ruas de
Lisboa foi «um sucesso» nos primeiros 15 dias, com 504 carros recolhidos,
mas teve de parar logo a seguir, porque se esgotou a capacidade dos
parques municipais de depósito das viaturas. Entre as velharias rebocadas
foi também uma preciosidade, um antigo Citroen ID, do conselheiro de
Estado Gomes Mota.

<p n=1454>
A reclamação não se fez esperar e Gomes Mota vai reaver o carro que tanto
estima. Mas para isso, segundo as normas estabelecidas, terá de pagar o
reboque (três contos, mais IVA) e a quantia fixada pela Câmara (300
escudos/dia) pela permanência em Beirolas. Além disso, deverá garantir
que o carro vai  aguardar recuperação numa garagem e não na via pública.

<p n=1455>
Cansados de pedir audiências a Nunes Liberato, de quem ainda não
receberam resposta, dirigentes do STAL (Sindicato dos Trabalhadores da
Administração Local) e o Sindicato dos Trabalhadores do Município de
Lisboa decidiram deslocar-se hoje de manhã à Rua da Lapa, ao edifício
onde funciona a Secretaria de Estado da Administração Local e Ordenamento
do Território.

<p n=1456>
O Ar Cénico - Espaço dança Grupo, de Sintra,  apresneta hoje  e amanhã,
pelas 21h30, «Foi como é», um espectáculo de João de Melo Alvim.

<p n=1457>
Os moradores de Cascais queixaram-se à autarquia de as árvores da vila, e
em particular os plátanos, roubarem o sol das suas casas, principalmente
quando se enchem de folhas no Verão, pelo que solicitaram ao município a
sua poda drástica. A Câmara vê-se assim num dilema, já que a sombra das
árvores tem tanto de desagradável como de agradável: assim como tapa a
luz, também protege as residências do calor dos raios solares.

<p n=1458>
A caveira encontrada na segunda-feira junto à Escola Secundária André de
Gouveia, em Évora, foi já depositada no cemitério dos Remédios, de onde
fora retirada por desconhecidos. A caveira, descoberta em cima de um
poste de madeira perto da vedação do estabelecimento de ensino, «não foi
obtida por violação de qualquer jazigo», disse a PSP à Agência Lusa.

<p n=1459>
Mais compridos, rápidos e -- garante a empresa -- seguros, eles são a nova
«menina-dos-olhos» da CP. São os 42 novos comboios que a Sorefame está a
construir para, a partir do próximo ano, darem algum conforto aos utentes
da Linha de Sintra.

<p n=1460>
A eliminação de grande parte das passagens de nível é outro projecto,
estando a vedação da linha também nos planos da empresa. A anunciada
construção de sete passagens aéreas para peões está com um atraso de dois
meses, já que a CP dera o final de 1990 como data para a conclusão dos
trabalhos.

<p n=1461>
A Câmara Municipal de Évora é, desde ontem, a proprietária do parque
industrial concelhio. Comprou à Empresa Pública de Parques Industriais
(em liquidação) 50 hectares por 170 mil contos. Agora, está a acelerar o
estudo urbanístico e de gestão para «responder a uma procura crescente»
por parte de investidores.

<p n=1462>
Na cerimónia da assinatura do protocolo, o presidente do executivo
eborense, Abílio Fernandes, fez questão de salientar o papel desempenhado
no decurso das negociações, enquanto mediador, por Carmelo Aires,
presidente da Comissão de Coordenação da Região Alentejo (CCRA).

<p n=1463>
A PSP de Lisboa, deteve na quarta-feira -- na sequência de um mandato de
busca passado pelo Tribunal de Vila Franca de Xira -- em Alverca do
Ribatejo, cinco pessoas que tinham em sua posse dois quilos de liamba.

<p n=1464>
Segundo o mesmo, no momento em que os suspeitos foram interpelados, um
embrulho contendo a liamba foi lançado pela janela da cozinha, vindo a
cair próximo de agentes que cercavam o edifício.

<p n=1465>
O líder dos vereadores do PSD na Câmara de Lisboa, Marcelo Rebelo de
Sousa, vai mover um processo crime «por difamação» contra Perez Metelo,
porta-voz de Jorge Sampaio.

<p n=1466>
A decisão foi tomada na sequência de um almoço entre os dois dirigentes,
que se  segue a encontros havidos em Dezembro entre Marcelo e o líder da
vereação social-democrata no Porto, Carlos Brito, e a contactos
estabelecidos com com eleitos do PSD de Coimbra.

<p n=1467>
A onda de protestos que tem agitado a Moita face à nova forma de
contabilizar as taxas de água, com base no escalão maioritário, e a
recente tarifa de utilização de esgotos levou a que a câmara tivesse
reconhecido «erros em todo o processo».

<p n=1468>
Perante este facto, a edilidade isentou, agora, do pagamento da tarifa de
esgotos os  munícipes que utilizem a água para fins agrícolas e os que
possuido fossas, assumam a sua limpeza. Por outro lado, a Câmara da Moita
reconheceu também que «grande parte dos recibos de Janeiro estão errados
em prejuízo do consumidor», acrescentando que a situação será rectificada
até ao próximo trimestre. M.A.

<p n=1469>
Devido ao vento que assolou ontem a Serra da Estrela, as estradas
estiveram interrompidas a partir do início da tarde, informou o Centro de
Limpeza de Neve das Penhas da Saúde. Apesar do nevão não ter sido muito
intenso, os trabalhos dos três limpa-neves foram dificultados pelo vento
forte que soprava na zona, tendo a temperatura descido aos dois graus
negativos.

<p n=1470>
A Câmara de Palmela vai assinar um protocolo com o IPPC com vista ao
ordenamento e utilização do Castelo da vila. O projecto está orçado em 80
mil contos, 45 mil dos quais serão atribuídos através do FEDER até 1993.
A recuperação do centro histórico de Palmela está incluída num projecto
apresentado pelo IPPC ao gabinete da OID (Operação Integrada de
Desenvolvimento de Setúbal), aprovado em Setembro do ano passado.

<p n=1471>
A Quinta das Águias, na Junqueira poderá ser classificada como imóvel de
interesse público pelo Gabinete de Salvaguarda e Valorização da
Ajuda-Belém, informou o Instituto Português do Património Cultural
(IPPC).

<p n=1472>
A desertificação no distrito de Évora é um dos problemas cuja resolução
os autarcas alentejanos pretendem ver resolvidos com a criação da Região
de Turismo e cujo presidente, João Carlos Garcia Andrade Santos, foi
ontem empossado numa cerimónia que decorreu na Direcção-Geral de Turismo,
em Lisboa.

<p n=1473>
A desertificação no Distrito de Évora é um dos problemas cuja resolução
os autarcas alentejanos pretendem ver resolvidos com a criação da Região
de Turismo e cujo presidente, João Carlos Garcia Andrade Santos, foi
ontem empossado numa cerimónia que decorreu na Direcção Geral de Turismo,
em Lisboa.

<p n=1474>
Falando ao PÚBLICO, o presidente da Câmara Municipal de Viana do
Alentejo, Daniel Aleixo -- também presente na cerimónia -- apresentou como
exemplo a freguesia de Alcáçovas, onde há poucos anos a população rondou
os 4 mil habitantes, cifrando-se actualmente em 2.100, mas, as 
estimativas da edilidade apontam para que dentro de pouco tempo o número
de pessoas a habitar naquele povoado se possa cifrar num milhar.

<p n=1475>
O PSD de Vila Franca de Xira alertou ontem para as «consequências
gravíssimas» da eventual construção de um grande edifício em pleno centro
da cidade. Trata-se de um projecto de Tomás Taveira à espera de aprovação
camarária e prevê um edifício com 4 mil metros quadrados e 10 pisos.

<p n=1476>
Prevê-se que o funcionamento normal do edifício provoque um aumento na
circulação na ordem dos 3 a 4 mil veículos/dia. «O edifício vai ter
apenas  222 lugares de parqueamento», observou Machado Lourenço. Jaime
Antunes, verador social-democrata, acrescentou: «Pensamos que o projecto
vai contra o Regulamento Geral de Edifícios Urbanos, mas a segurança é
ainda outra questão. Como é que os bombeiros acorrem a um edifício com
esta altura e com  90 metros de comprimento.? Sabemos que falta a Vila
Franca um pólo de atração, um edifício `estilo Amoreiras', mas que o
façam nos arredores», aconselhou.

<p n=1477>
Uma campanha de vacinação contra a hepatite B, destinada aos
trabalhadores da limpeza e dos cemitérios, aos apanhadores de animais e
aos que trabalham na prevenção da raiva, está a ser preparada pela Câmara
de Lisboa.

<p n=1478>
Carlos Zíngaro, no regresso ao convívio do público amante de música viva,
tocou na sala do Teatro da Trindade. Surgiu a solo, com o violino a soar
por entre os «estranhos» sons extraídos de uma panóplia electrónica. Ao
contrário do que já tantas vezes observámos noutros domínios , a proposta
musical deste irreverente e hábil criador teve uma evidente aceitação --
sinal de que tudo muda desde que a persistência se não esgote.

<p n=1479>
Sexta-feira, 13 não é uma série como as séries costumam ser. São os
pormenores da produção que marcam a diferença. Pelo tema, assemelha-se a
séries como Twilight Zone, Hitchcock Apresenta, ou mesmo Contos do
Imprevisto, que o escritor Roald Dahl trouxe para os ecrãs, em meados da
década de 70. Uma mesma escola de produções, que fizeram história nas
décadas de história que a televisão comporta. Clássicos da TV
posteriormente recriados, obedeciam a enredos enigmáticos, misteriosos,
com finais desconcertantes eƒ um pouco de humor. Comum a estes três
títulos, o mesmo tipo de estrutura: uma apresentação (fosse por Rod
Serling, Hitchcock ou Dahl), episódios independentes, diferentes cenários
e interpretações. Em Sexta-feira, 13, o princípio a seguir é outro: as
mesmas personagens, que partem de um mesmo núcleo -- a loja de
antiguidades --, para histórias independentes entre si, onde o mistério
nunca se resolve completamente. Curiosidade maior, o facto de a
realização ser entregue a diferentes autores. Entre aqueles que dirigiram
a acção, já se contou o nome de David Cronenberg, o realizador de «A
Mosca» e «Irmãos Inseparáveis». Quanto aos outros, não fazem história.

<p n=1480>
No Canal 1, a noite prolonga-se pela série «Sexta-Feira 13», um encadeado
de folhetins desiguais, com argumentos e realização de diversas mãos,
umas ágeis, outras pesadonas. O jovem casal protagonista não ajuda grande
coisa, mas às vezes há surpresas (ver destaque). Antes, dentro da
mediania que é o maior susto desta noite, há um filme de entretenimento.
«A Jóia do Nilo» (21h15) explora o filão que foi «Em Busca da Esmeralda
Perdida». Os intérpretes são os mesmos -- Michael Douglas e Kathleen
Turner, os amorosos desavindos, e Danny Devito, o «gangster» falhado --,
mas o realizador não é Zemeckis e a história não tem o perfume do
primeiro encontro. Tem acção quanto baste e isso chega para satisfazer o
realizador (Lewis Teague) e actores.

<p n=1481>
«Um bom conselho seria o PRD pedir ao dr. Ferro Rodrigues e aos outro
ex-dirigentes do MES que estão no PS  a receita que eles usaram para
acabar com o MES num amável jantar»

<p n=1482 assunto=desporto>
Jeff, piloto norte-americano, destacado na Arábia Saudita, interrogado
sobre de que é que mais falta sentia, para além da sia família, PÚBLICO,
7-2-91

<p n=1483>
O discurso dos actuais responsáveis do Ministério da Educação, mormente
sobre o desporto escolar, sugere ao cidadão comum mais uma evidência da
concepção holística que esses políticos têm do Homem, nomeadamente o Dr.
Roberto Carneiro, que cultiva um discurso onde a complexidade, a
integração e o equilíbrio são conceitos chave.

<p n=1484>
É ainda inimaginável e inadmissível usar como critério para apoiar uma
modalidade desportiva um princípio abstracto, sem ter em consideração os
aspectos do terreno, como: adequabilidade da modalidade às condições da
escola (ex: a inexistência de um pavilhão para a prática desportiva), o
interesses dos alunos, o equipamento já adquirido, etc.

<p n=1485>
Lemos há dias no vosso jornal que voltara ao plinto, no Largo D. João da
Câmara, ali à estação do Rossio, o busto do dramaturgo que fôra retirado
em Maio do ano passado -- como precaução, disseram, pois alguém se
preparava para o levar, um vez que o bronze, dizem, vale dinheiro e há
sempre gente que podia comprar aquilo aos bocados. Negócios escuros de
muita gente clara. Mas não se trata -- quanto a mim -- o voltar o busto
para o mesmo sítio, agora certamente mais seguro. É que, desde a primeira
hora -- isto é, quando lá foi colocado --  foi mal colocado! (...)

<p n=1486>
O autor do artigo de opinião «As lógicas da guerra», publicado na pág. 7
da edição de ontem, chama-se Rogério Moreira e não, como por lapso foi
escrito, Rogério Ribeiro. Ao autor e aos leitores, as nossas desculpas.

<p n=1487>
Tontaria, patetice, hipocrisia, irresponsabilidade, cobardia: quantas
acusações têm sido dirigidas aos críticos e opositores da guerra!
Ingenuidade beata ou então antiamericanismo primário, à maneira de
instinto apriorístico ou reflexo condicionado, são as explicações
encontradas para interpretar as posições dos que manifestam reservas ou
simplesmente condenam a guerra em curso.

<p n=1488>
Entre os que se opõem à guerra há, evidentemente, grande diversidade de
motivações. Alguns fazem-no por razões de índole filosófica ou religiosa,
em nome da vida humana enquanto valor supremo. Assente numa óptica de
moralismo humanista, este pacifismo é talvez o único digno desse nome e
pode manifestar-se na recusa radical da violência. É um ponto de vista 
sério e respeitável, ao ponto de as nossas legislações o reconhecerem
como legítimo, no âmbito do quadro legal da objecção de consciência.

<p n=1489>
O director do Gabinete para os Assuntos de Macau e Hong Kong junto do
Conselho de Estado chinês, Lu Ping, declinou ontem a existência de
responsabilidades da República Popular da China no atraso das obras  do
aeroporto internacional de Macau. Lu Ping insistiu que a China deu luz
verde para a construção do aeroporto em 1979, lembrando que as obras só
se iniciaram em Setembro do ano passado.

<p n=1490>
Recorde-se que quer Murteira Nabo, que deixará Macau no próximo mês de
Março, quer o secretário-adjunto para as Obras Públicas e os Transportes,
Luis Vasconcelos, que deixará o território também nessa altura,
responsabilizaram, em declarações proferidas esta semana, a China pelo
atraso de seis meses na construção do aeroporto.

<p n=1491>
Os dois projectos-lei ontem discutidos no Parlamento relativos ao
financiamento dos partidos foram aprovados na generalidade, com a
abstenção da maioria governamental e do PCP. O texto socialista contou
com o voto favorável do CDS. Quanto ao projecto do PRD, apenas os
renovadores lhe deram o sim, tendo passado com uma abstenção
generalizada. Os dois textos baixam agora à comissão especializada, para
a criação da lei sobre o financiamento dos partidos. Aprovadas também
ontem foram as alterações à legislação laboral, que passaram com os votos
a favor do PSD e do CDS, e contra dos restantes grupos parlamentares.

<p n=1492>
PSD e PCP abstiveram-se na questão dos financiamentos. O PSD, aliás,
acabou por não ter uma participação substancial no debate, deixando a
dada altura o PS como protagonista, face ao fogo cerrado de PCP e PRD.
Cardoso Ferreira, na tribuna dos oradores, criticou os dois textos em
causa, acusando o PRD de criar «um enquadramento legal feito à medida das
perspectivas eleitorais do proponente, que de uma forma ou outra pretende
assegurar a sobrevivência financeira». Quanto ao texto do PS,
considerou-o «mais hábil», mas acabou por ironizar que os socialistas, ao
preverem «mais dinheiro para todos», estão a pretender «mais dinheiro
para eles». E metaforizou, considerando a iniciativa uma espécie de
«agora nós! É a nossa vez de assaltar a casa-forte!». Depois, cauteloso,
afirmou que não seria o PSD a duvidar de intenções diversas às
apresentadas pelos socialistas, mas que, atendendo à situação financeira
do PS, não faltaria quem o fizesse. Manifestou, no entanto, a
disponibilidade para criar um «enquadramento legal»: «transparência e
rigor, sim. Mais dinheiros públicos para os partidos, não!».

<p n=1493>
A comissão Pró-Amnistia do «caso FUP/FP-25» emitiu ontem um comunicado
contestando uma notícia veiculada pela Comunicação Social, nomeadamente
pelo PÚBLICO, em que era dada conta de eventuais temores existentes em
sectores parlamentares do PSD, devido aos termos de uma carta daquele
Comissão que teriam sido interpretados como implícitas ameaças de
retaliações aos deputados que discordassem de uma amnistia. O comunicado
contesta as afirmações da fonte social-democrata e, para tanto, divulga a
carta enviada ao Grupo Parlamentar do PSD, em que, após um relato dos
pedidos infrutíferos de audência (quatro ao todo) se recorda a dramática
situação dos presos. Cita-se por inteiro o parágrafo criador de engulhos
e equívocos no presidente do Grupo Parlamentar do PSD, Montalvão Machado:
«Só com o diálogo poderemos encontrar soluções. E V. Ex.ªs terão
consciência, certamente, dos resultados gravíssimos que poderão advir de
um adiamento cruel e desumano de uma resolução para os presos e ex-presos
deste processo».

<p n=1494>
O comunicado da Comissão Pró-Amnistia reflecte, em conclusão, que,
«atribuir às comissões qualquer tipo de intenções destinadas a
«perturbar» seja quem for é pura especulação(...) Além disto é
desacreditar da palavra de todos aqueles que acreditam e sempre apoiaram
uma solução política para este caso».

<p n=1495>
Recuperar o eleitorado tradicional, apresentar um programa de Governo e
ganhar um peso eleitoral suficiente para influenciar as decisões
políticas são os três objectivos que o CDS se propôe alcançar nas
próximas eleições legislativas. Estes pontos, que hoje são apresentados
pelo líder centrista em conferência de imprensa, foram aprovados por
unanimidade na última reunião da Comissão Política.

<p n=1496>
Entretanto, os centristas vão inciar, logo a seguir ao Carnaval, o
contacto com todas as estruturas do partido espalhadas pelo país. Neste
contactos, como o PÚBLICO tinha já noticiado, serão expostas as opções e
as propostas do CDS face aos diversos problemas nacionais. Freitas do
Amaral, no âmbito destes encontros, tem já marcada uma ronda pelas
principais capitais de distrito onde, aliás, o CDS irá investir durante
toda a campanha.

<p n=1497>
Duarte Ivo Cruz é o novo elemento que o ministro João de Deus Pinheiro
escolheu para a sua equipa. Será o próximo subsecretário de Estado do
ministro e a sua escolha, aliás recente, foi justificada pela necessidade
de reforçar a equipa ministerial tendo em conta a Presidência portuguesa
da CEE. A proposta de nomeação foi entregue ontem por Cavaco Silva ao
Presidente da República e a tomada de posse ocorrerá, em princípio, na
próxima quinta-feira.

<p n=1498>
Ivo Cruz acrescentou « não estar ainda definido» se irá ter a seu cargo a
coordenação dos três grupos de trabalho já formados para preparar a
Presidência portuguesa da Comunidade em Janeiro do próximo ano. Por
agora, não terá um pelouro específico e, segundo o MNE, as suas funções
serão de assessoria directa do ministro e dos três secretários de Estado.

<p n=1499>
O CDS e o PCP vão apoiar a proposta apresentada pelo PS na segunda-feira,
no sentido da realização de uma série de catorze debates -- oito dos quais
de carácter temático -- na RTP, com os líderes e outros representantes dos
partidos com assento parlamentar, excepção feita ao PRD. Ao invés, o PSD
deverá responder negativamente ao desafio dos socialistas.

<p n=1500>
Esta lógica é recusada pelo socialista Arons de Carvalho, para quem a
responsabilidade da não aprovação do Estatuto é, aliás, do Governo do
PSD, que há já um mês deixou esgotar o prazo previsto na Lei da
Televisão. Independentemente disso, o dirigente socialista considera que
a iniciativa do seu partido não visa mais do que obrigar  a RTP a
respeitar «os princípios do pluralismo, concedendo possibilidade de
expressão às diversas correntes de pensamento».

<p n=1501>
A Câmara Municipal de Machico marcou para o dia 21 de Abril as eleições
intercalares para a Assembleia de Freguesia do Caniçal, depois de ter
aceite o pedido de demissão apresentado pela maioria dos seus membros,
eleitos pela UDP.

<p n=1502>
Para o presidente da Câmara de Machico, o que está na base do
procedimento dos autarcas renunciantes é o facto de estes alegarem não
haver «condições democráticas nem transparência para o exercício do seu
cargo. Contudo segundo esses autarcas, esta falta de condições não advém
da UDP, mas de uma conjuntura que se criou naquela Junta de Freguesia».

<p n=1503>
Ontem, o Hotel Penta, que pertence a um grupo iraquiano, acolheu a
recepção oferecida pela embaixada do Irão, que comemorava o dia nacional
do país (é o dia da revolução islâmica). À entrada, a bandeira do Irão,
com três cores separadas por «Deus é Grande», ou seja «Allah-o Akbar»
repetido vinte e três vezes, ao lado da bandeira portuguesa; e um pequeno
comité de recepção, constituído pelo embaixador do Irão e mais dois
representantes do país. Quando não se teve a ideia de nascer homem
deve-se pensar seriamente nisso antes de entrar, porque saudar anfitriões
assim não é nada fácil. Não se pode apertar-lhes a mão que é proibido,
porque eles não tocam em mulheres, já se está numa grande atrapalhação
por causa do funcionário da porta que vem logo dizer que apertar a mão é
que não pode ser, só resta a hipótese da vénia.

<p n=1504>
Fernando Nogueira, Dias Loureiro e Falcão e Cunha dedicaram toda a tarde
de ontem, na sede nacional do PSD, a uma reunião com os presidentes das
distritais do partido, destinada a afinar estratégias para as
legislativas. A mobilização foi grande, como que numa primeira resposta
ao que cedo lhes foi pedido. Os intervenientes coincidiram com os
presentes, os alertas não chegaram a ser críticas e o tom saíu «cordato».
Das sugestões lançadas à mesa, ficaram já planeadas algumas acções, todas
viradas para o contacto com as populações: seminários, colóquios,
encontros de autarcas ou de emigrantes. A palavra de ordem parece ser
«abrir o partido, independentemente das cores».

<p n=1505>
Como tinham prometido, os presidentes das Câmaras de maioria socialista
do distrito do Porto e a Federação do PS deram ontem uma conferência de
imprensa para responder aos ataques do PSD e passar à contra-ofensiva,
ou, como preferiram dizer, «retomar a iniciativa», até porque «os
sociais-democratas têm de perceber que quem lidera o Norte são os
socialistas».

<p n=1506>
Lage deu depois a deixa a Fernando Gomes. O presidente da Câmara do Porto
responsabilizou o Governo pela desclassificação do IP-4 (Porto-Bragança)
e IP-5 (Aveiro-Vilar Formoso) da rede europeia de estradas de tráfego
internacional. «Pressões políticas inconfessáveis», segundo Gomes,
estariam na origem desta decisão. O Porto fica assim sem uma ligação
directa à Europa. Coimbra, «terra de muitos ministros deste Governo»,
como alguém lembrou, passa a ser a beneficiada, ao entrar na rede de
estradas europeias.

<p n=1507>
O PSD aquece os motores para as legislativas. Ontem foi a vez de
estimular os presidentes das distritais, com um optimismo moderado para
que todos entendessem ser necessários. Abrir o partido às populações,
fazer um discurso pela positiva e inundar o país de propostas de futuro
são matrizes para a campanha.

<p n=1508>
Parece, aliás, reinar a consciência de que, se o Governo conta
essencialmente consigo para ganhar as eleições, nem por isso ignora que
para recuperar a maioria de 87 «todos podem ser poucos». E Fernando
Nogueira - o primeiro a falar, no lugar cimeiro da mesa, que Cavaco Silva
teria ocupado caso a sua agenda o tivesse permitido -, foi claro ao
introduzir um clima de optimismo que todos entenderam «pedagogicamente
moderado». Referiu os bons indicadores neste momento ao dispôr da 
direcção partidária mas chamou a atenção para a necessidade de uma acção
sintonizada entre a Comissão Política Nacional e as estruturas
distritais.

<p n=1509>
Jacarta lançou uma vasta ofensiva militar em Timor. Na antiga colónia
portuguesa aumentam os casos de morte, desaparecimento e tortura. A
Amnistia Internacional confirma que a situação piorou deste Agosto.

<p n=1510>
Em 10 de Outubro, a meio da manhã, forças indonésias encontraram um
acampamento das Falintil, de onde levaram diverso material nomeadamente
uma câmara de vídeo, uma máquina de escrever, duas bandeiras da Fretilin,
vestuário e alimentos. Quatro dias depois, à mesma hora, encontraram
bastantes documentos, entre os quais algumas fotografias de populares das
localidades de Suru e Suru Kraik que meses antes tinham sido contactados
pela resistência.

<p n=1511>
O representante de Portugal no Comité Militar da NATO, almirante António
Fuzeta da Ponte, deve ser o oficial escolhido pelo Governo para o cargo
de chefe de Estado-Maior da Armada. A decisão governamental será
oficializada no dia 14, data em que também reune o Conselho Superior de
Defesa, presidido por Mário Soares.

<p n=1512>
Mas, no dia 14, está convocado o Conselho Superior de Defesa para reunião
destinada a confirmar um lote de promoções, entre elas a promoção a
general de Gabriel Espírito Santo, o actual chefe de Gabinete do general
Firmino Miguel. O general Espírito Santo é apontado como destinado ao
cargo ainda ocupado por Fuzeta da Ponte no Comité Militar da NATO e em
relação ao qual o Governo pretende evitar a situação de «vacatura».
Pretende-se que quando Fuzeta da Ponte saia de Bruxelas já haja decisão
em relação à personalidade que vai ocupar essa vaga e cujo preenchimento,
desta vez, cabe ao Exército. Como se sabe, o almirante Fuzeta da Ponte
foi ocupar a vaga originada pelo falecimento do anterior titular (general
da Força Aérea) e o regime de rotatividade abre a porta a um general do
Exército, sendo certo que o actual chefe de Gabinete de Firmino Miguel
não é o único oficial do Exército apontado com perfil para representar
Portugal no Comité Militar da NATO. O general Adelino Coelho, também a
aguardar confirmação da promoção, é outra das figuras citadas no Exército
como reunindo perfil e experiência adequadas ao exercício do cargo na
NATO.

<p n=1513>
A ALTA AUTORIDADE para a Comunicação Social recomendou à RTP que
«dispense redobrada atenção ao equilíbrio da sua programação e
noticiários» como forma de garantir o «rigor, objectividade, pluralismo e
livre expressão das diversas correntes de opinião». A indicação da Alta
Autoridade faz parte da deliberação sobre uma queixa apresentada pelo PCP
contra a televisão. Os comunistas queixavam-se do facto de a RTP ter
«discriminado» várias iniciativas do seu partido nos dias 13, 14, 20 e 21
de Outubro de 1990. A Alta Autoridade ouviu o director do canal 1,  José
Eduardo Moniz e decidiu, por unanimidade, que não havia razões para
considerar que «o silenciamento pela RTP das referidas iniciativas
constitua violação das obrigações de pluralismo a que a RTP está
vinculada».

<p n=1514>
O TRIBUNAL do Funchal condenou ontem dois indivíduos acusados de tráfico
de droga a um total de 11 anos de prisão e multas superiores a 300
contos. Os indivíduos, um de apelido Faria e natural de Benguela
(condenado a dois anos e meio de prisão) e outro de apelido Escórcio,
natural do Funchal (com uma pena de oito anos), foram também condenados
em 318 mil escudos de multa, além das despesas do processo.

<p n=1515>
UM EM CADA 25 norte-americanos hospitalizados é vítima de acidentes
resultantes de práticas médicas deficientes, segundo um estudo de um
grupo de médicos da universidade de Harvard (Massachussetts) ontem
publicado. De acordo com o documento, «uma qualidade de cuidados médicos
inferior ao normal» está na origem de diversos acidentes em 3,7 por cento
dos casos examinados. Do total de acidentes provocados por cuidados
médicos deficientes nos Estados Unidos da América, 14 por cento são
fatais e três por cento provocam doenças permanentes. Além de 
diagnósticos errados, são relativamente frequentes as complicações
farmacêuticas e as infecções cirúrgicas. «Existe uma grande negligência
nos cuidados médicos dispensados pelos hospitais dos Estados Unidos»,
declarou o especialista Troyen, um dos médicos redactores do estudo.
«Mais de metade dos acidentes provocados por negligência podiam ser
evitados», adiantou.

<p n=1516>
O impasse quanto à satisfação de reivindicações da Função Pública, já
consagradas na plataforma reivindicativa estabelecida com o governo, é
apenas um dos elementos de análise para o congresso da Federação a
realizar nos dias 21 e 22, na Figueira da Foz.

<p n=1517>
A criação de um único serviço de cirurgia geral no Centro Hospitalar de
Vila Nova de Gaia tem sido contestada pelos médicos do antigo serviço de
cirurgia 1(extinto há cerca de sete meses) que se consideraram
«injustamente despromovidos».

<p n=1518>
Para o Sindicato dos Médicos do Norte (SNM), o confronto de opiniões
deve-se ao facto de terem sido instaladas e modernizadas algumas unidades
«menos prioritárias», enquanto o serviço de radiologia, entre outros,
dispõe ainda de meios rudimentares que forçam à «saída diária dos doentes
para serem analisados em outros hospitais». Para o SNM, trata-se de uma
filosofia de «quem quer andar de pressa», sem que se saiba «qual é o
objectivo das transformações encetadas» que conduzem a atitudes de
«perseguição ou de compensação». Não é possível, na opinião daquela
estrutura sindical, «desenvolver uma especialidade sem existir um bom
serviço de radiologia».

<p n=1519>
Um grupo de falsários estrangeiros de «traveller cheques» anda pelo
Algarve. A GNR apanhou alguns. «Os ingleses não levaram a melhor.»

<p n=1520>
A primeira fase da operação ocorreu por volta das dez horas da manhã,
quando um indivíduo de cerca de 1,75 m de altura, cabelo preto preso em
rabo de cavalo e bem vestido, se dirigiu ao posto de câmbios do Banco
Espírito Santo em Areias de S. João, Albufeira, para trocar dois mil
dólares (cerca de 200 contos) em «traveller cheques» do American Express.

<p n=1521>
A CRIAÇÃO de comissões de protecção de menores foi ontem aprovada em
conselho de ministros. São instituições que pretendem  prevenir ou acabar
com as situações que ameaçam o crescimento e a inserção social das
crianças e dos jovens e que funcionarão em todos os municípios do país.

<p n=1522>
Miranda Pereira referiu, por seu turno, que o menor e o jovem surgem, no
processo de reinserção social, como «intérpretes particularmente
fragilizados», carecendo, por isso, «de uma especial atenção por parte da
sociedade e do Estado.»

<p n=1523>
Cerca de um milhão de portugueses não tem hipóteses de ter o seu médico
de família por insuficiências de quadro e por uma deficiente distribuição
geográfica daqueles que existem, além de pagarem mais do seu bolso
(medicamento, consultas ou tratamentos) do que os franceses, que não
possuem um sistema de saúde gratuito. Estes são alguns dos principais
problemas da saúde em Portugal, de acordo com a Associação Portuguesa dos
Médicos de Clínica Geral (APMCG) que em conferência de imprensa, no
Porto, apresentou uma série de propostas para o futuro da medicina de
família.

<p n=1524>
O mesmo documento propõe ainda a introdução de várias componentes de
remuneração do médico de família no actual sistema retributivo em vigor:
capitação, remunerações circunstanciais e pagamentos por acto e subsídios
de inospitalidade. Na maior parte dos casos, o vencimento é atribuído de
acordo com uma remuneração base. Mesmo assim, sublinham não se tratar de
uma plataforma reivindicativa, mas apenas de uma série de propostas para
o «correcto exercício» daquele ramo da medicina.

<p n=1525>
Afável e formal, Fernando Nobre é o presidente da Associação Médica
Internacional (AMI) -- os «médicos sem fronteiras portugueses». Ontem, de
partida para Bruxelas em busca de fundos comunitários para as crianças da
Roménia, falou da missão que a AMI vai desenvolver junto de 150 dessas
crianças. As que estão em «pior estado», as «irrecuperáveis de
Ceausescu». Pelo meio, os entraves da lusa burocracia e os insondáveis
desígnios da solidariedade e sensibilização dos portugueses. Até agora,
ainda não conseguiram encher um único camião com coisas mínimas,
essenciais a quem nunca teve nada. Já há, entretanto, planos para dar
apoio aos refugiados da guerra no Golfo. Na Síria, poderá vir a estar, em
tempo de guerra, uma bandeira portuguesa em missão de paz.

<p n=1526>
P. -- A AMI tem, essencialmente, missões na África lusófona -- Guiné, Cabo
Verde, São Tomé e Príncipe, projectando outras para Angola e Moçambique.
A Roménia, aparentemente, extravasa esse «pendor africano»...

<p n=1527>
«Neste purgatório não sei como poderei pensar no meu futuro». Susana
Poças, 27 anos, natural do Porto, está detida, há quase três anos em
Espanha, acusada de envolvimento em atentados da autoria do Exército do
Povo Galego Livre. Ontem, durante uma visita de duas horas (à prisão, nos
arredores de Cadiz) deu mostras, mais uma vez, aos seus pais,  Maria e
Mário Poças, de não aceitar a decisão dos tribunais espanhóis, apesar de
parecer conformada com a situação em que se encontra. Por intermédio dos
pais, o PÚBLICO conseguiu contactar Susana Poças que é peremptória:
«Estou inocente».

<p n=1528>
Segundo o pai de Susana continuam a verificar-se algumas lacunas no seu
tratamento: «Ela não pode tomar café por causa da sua doença (epilepsia),
então não lhe dão mais nada-- nem uma pinga de leite». A Amnistia
Internacional está a investigar outras eventuais irregularidades bem mais
graves, que podem ir desde a tortura, que Susana voltou a confirmar, até
ao modo como o processo foi conduzido. Refira-se que Susana Poças foi
condenada a cumprir quatro anos de prisão por alegadamente ter
participado no atentado à bomba de que foi alvo, em 1987, o Banco de
Orense. Sem data marcada continua ainda o julgamento no qual é arguida
dos crimes de associação a grupo de terrorista e posse de armas
exclusivas, adiado em Dezembro por doença de Susana Poças. António Soares

<p n=1529>
Uma vaga de frio que os metereologistas afirmam vir directamente das
estepes da Sibéria, está a enregelar a Europa Ocidental, obrigando a
paralisar aeroportos, bloqueando estradas e provocando acidentes
rodoviários que só em França provocaram sete mortos.

<p n=1530>
No sul da França, os voos foram desviados de Nice para Toulon e Marselha
e o tráfego rodoviário processa-se com dificuldade. Durante a noite de
quarta para quinta-feira, 700 camiões bloquearam a estrada que liga a
Riviera francesa à Itália. Nas cidades de Charleville e Troyes, no Leste
da França, as temperaturas chegaram aos 15 graus centígrados negativos.

<p n=1531>
OS ÓRGÃOS de comunicação social de Cabo Verde estão a sofrer mudanças
internas decorrentes da nova situação política do país após a vitória
eleitoral do Movimento para a Democracia (MPD), em Janeiro. O director do
trissemanário «Voz di Povo», Alfredo Carvalho Santos, foi  interinamente
substituído pelos redactores José Vicente Lopes (correspondente do
PÚBLICO) e por Daniel Santos. O ex-director e a ex-chefe de redacção,
Filomena Santos, são agora redactores. A televisão de Cabo Verde passou a
ter como responsáveis interinos Ressurreição Graça (actualmente em Lisboa
num estágio da RTP) e José Augusto Brito. Quanto à direcção da rádio, e
já a título definitivo, foi nomeado Fonseca Soares, antigo responsável
pelos estúdios da ilha de São Vicente, no Mindelo.

<p n=1532>
O trabalho de Dennis Oppenheim tornou-se notório desde a segunda metade
da década de 60, integrando-se nas correntes da Land e Body Art da época,
trabalhando nomeadamente com Richard Smithson ou Walter de Maria e sendo
acompanhado por críticos europeus como Germano Celant, teórico da Arte
Povera italiana. As suas intervenções no El Mirage Dry Lake, na
Califórnia, ou em outras zonas de paisagem americana (de que restam fotos
documentais ou colagens com mapas, fotos aéreas e outras, usando a cor ou
o preto e branco). Os círculos abertos a machado no gelo (1968) são
exemplo inicial dessa atitude e as explosões subterrâneas de 1977 podem
considerar-se dos últimas intervenções do género. Paralelamente, o
desenho aparece como disciplina fundamental, apresentado como projecto
das suas acções ou autonomizando-se delas e relacionando-se com um novo
tipo de peças escultóricas que ao longo dos anos 70 foram desenvolvidas.

<p n=1533>
Em 1988, no Festival de Veneza, o escândalo não foi só «A Última Tentação
de Cristo», de Scorsese, mas também «Une Affaire de Femmes». Havia uma
frase: «Avé Maria, cheia de merda, podre é o fruto do teu ventre.» A
Igreja Católica condenou, sem perceber, mais uma vez, que os caminhos de
Deus são insondáveis.

<p n=1534>
Em 1988, no Festival de Veneza, o escândalo não foi só «A Última Tentação
de Cristo», de Scorsese, mas também «Une Affaire de Femmes». Havia uma
frase: «Avé Maria, cheia de merda, podre é o fruto do teu ventre.» Tanto
bastou para condenações eclesiásticas, em que foi particularmente
virulento o episcopado francês. Os factos não ficariam apenas por
protestos verbais, tendo mesmo chegado a actos violentos, condenando na
prática o filme a uma quase invisibilidade, a que de resto não será
estranho o atraso da estreia em Portugal. Um caso de blasfémia? Se a
blasfémia é uma provocação gratuita, certamente que não. A famosa frase é
pronunciada num contexto bem definido, o da revolta de uma mulher para
quem o dom da procriação, tão fulcral na religiosidade, é o fruto
indesejado de um acaso.

<p n=1535>
Enzo Cormann (n. 1953) escreveu em 1981 «Le Rôdeur» (cujo título
português, «Aos crocodilos mete-se-lhes um pau na boca», é muito pouco
representativo do espírito do texto). Encenada em 1984, a peça começou a
correr mundo e a ser representada em tudo o que é capital. Trata-se de
uma narrativa, para um actor só dizer. Uma narrativa estranha, numa
linguagem muito elaborada e pitoresca.

<p n=1536>
À tradução portuguesa falta «cor», é certo, o que não deixou de
prejudicar a recente encenação dos «Crocodilos» no Nacional. A cor tem
neste texto a sua importância. Quem já viu «Pierrot, le Fou» na RTP a
preto e branco, com o título traduzido por «Pedro, o Louco» e com «serrer
dans les bras» traduzido por «serrar os braços», viu de facto o filme e é
preferível isso a nunca o ter visto.  Mas... ler «Aos crocodilos
mete-se-lhes um pau na boca», edição portuguesa, é como ver, a preto e
branco, um filme a cores (berrantes) originalmente intitulado «Le
Rôdeur».

<p n=1537>
«O Lugar Ausente» terá tudo a ganhar se for lido como «novela», no
sentido germânico de «Novelle». Todos os ingredientes desta forma híbrida
lá estão. É uma constelação narrativa de «afinidades electivas», em que o
«acontecimento insólito» se torna evento nuclear, em que a acção se
secundariza.

<p n=1538>
A revisão da discografia de Marilyn Horne confronta-se com dois
problemas, metodologicamente não negligenciáveis, a saber: no reportório
belcantista em que imprimiu uma marca pioneira de redescoberta
interpretativa, ela esteve quase sempre em avanço sobre os programas
discográficos, o que teve nomeadamente a consequência de alguns dos seus
grandes papéis terem sido preservados em registos «privados», ou
francamente «piratas», antes das gravações oficiais; entre os seus
numerosos recitais, muito desapareceram do catálogo, mas alguns trechos
surgiram noutros acoplamentos, situação agravada na passagem ao compacto.
Enunciadas as precauções, pode-se tentar, numa perspectiva selectiva, a
referência aos principais registos da grande meio-soprano americana.

<p n=1539>
Mais uma grotesca aventura do «gendarme de Saint Tropez», com as
cansativas caretas de Louis de Funès. Geralmente, os casamentos marcam o
fim do filme ou da série. Infelizmente, tal caso não se verificou com
esta. Para esquecer. M.C.F.

<p n=1540>
«O Leão e o Vento» inspira-se num incidente verídico ocorrido em 1904: o
rapto de uma americana por um xeique de Marrocos, onde a literatura
popular foi buscar o tema para muitas e desvairadas histórias a que o
cinema chamou suas. Mas este filme de John Milius (o melhor da sua
carreira de realizador) interessa-nos hoje por outros motivos. O «leão» e
o «vento» do título são símbolos dos dois personagens que se enfrentam: o
Presidente dos EUA (Teddy Roosevelt, interpretado por Brian Keith) e um
chefe árabe (Sean Connery) que aspira à independência do seu povo e usa
os reféns (a mulher, Candice Bergen, e os filhos) como moeda de troca. Do
diálogo à violência é todo um percurso que os espectadores acompanharam
recentemente (e ainda acompanham). Milius faz passar pelo seu trabalho um
sopro épico que o aproxima dos grandes filmes de aventuras do cinema
clássico americano. M.C.F.

<p n=1541>
A história heróica de uma tragédia -- o «documento de um tempo, o tempo da
SIDA, em que muitos foram obrigados a renegociar os seus contratos com a
morte», como se disse no Village Voice.

<p n=1542>
«An 87th Precinct Novel». A cidade e as personagens são imaginárias, mas
a rotina dos polícias é baseada na observação. Para perceber os crimes.

<p n=1543>
Monique Plaza - A Escrita e a Loucura, Ed. Estampa, col. Margens, 1990,
179 pp., Trad. M. F. Gonçalves de Azevedo, Preço -- 1300$

<p n=1544>
Aos múltiplos exemplos apresentados poderíamos acrescentar o do poeta
português Ângelo de Lima, recolocando o problema das fronteiras entre a
criação e o desequilíbrio mental, entre as produções de um indivíduo e os
critérios de inteligibilidade de um grupo: a aceitação de Ângelo de Lima
pelos modernistas e o relatório médico-legal de Miguel Bombarda sobre o
poeta internado em Rilhafoles; a suspeição de loucura que impende sobre
os poetas do Orpheu e que leva Mário de Sá-Carneiro a escrever, numa
carta a Fernando Pessoa- «Eu estou doido.[...] Doidice que pode passear
nas ruas -- claro. Mas doidice. Assim o Ângelo de Lima.»

<p n=1545>
«O Polícia que Ri» é um livro policial que não tem heróis. Até aqui nada
de novo, pois poderia ter anti-heróis, do tipo Marlowe's e CIA. Mas não
tem e ainda bem, porque é impossível existirem pessoas assim, que
destestam trabalhar e só o fazem se for uma loira belíssima e infeliz a
pedir-lhe que o façam. E que descobrem logo no princípio que a criminosa
é a própria loira mas já não podem desistir, nem do caso nem da loira.
Este livro não, é um honesto livro policial, em que um crime acontece
logo no princípio e que se ocupa da procura do(s) culpado (s). E o crime
é aliciante, com as devidas desculpas às pessoas demasiado sensíveis para
considerarem aliciante a descoberta dum autocarro repleto de cadáveres
numa noite de chuva em pleno centro de Estocolmo. Na brigada policial
encarregada de descobrir o assassino também não há ninguém especialmente
iluminado ou especialmente exótico, nem, felizmente, um daqueles polícias
que são melhores que os outros mas que irritam muito o chefe porque não
gostam de cumprir as regras da corporação. «O Polícia que Ri» não tem
nenhum destes ingredientes clássicos. Mais difícil ainda, não tem
discursos moralistas, nem descrições de estados de alma (os anti-heróis
dos livros policiais estão sempre a perguntar a si próprios porque
continuam a travar uma inútil batalha contra o crime e o que estão a
fazer ali à chuva, à neve, às 4 horas da manhã, o que acaba por se tornar
maçador). Os autores do livro, o  casal sueco Maj Sjowoll  e Per Wahloo
(que escreveram dois outros volumes publicados nesta mesma colecção, «O
Homem à Varanda» e «O Homem que se desfez em fumo») demonstram duas
coisas: a primeira, bastante animadora para o cidadão comum, é que
polícias vulgares, nem sempre inteligentes e nem sempre corajosos, são
capazes de descobrir crimes. A segunda é que se pode escrever uma
história policial com ritmo e sentido dramático sem perder o bom humor.
Depois de ler «O Polícia que Ri», fica-se a embirrar menos com polícias.

<p n=1546>
«L'Homme de Sable» foi  prémio Renaudot em 75, e editado numa série de
países. Como escreve Eduardo Lourenço no prefácio, «O livro de Jean
Joubert não é uma alegoria, nem uma profética rêverie por conta de sonhos
ecologistas, hoje banalizados. É uma história iniciática, a da lenta
aprendizagem de um mundo secreto e límpido, de um Sul de águas
silenciosas sobre que voam, como em sonho, flamingos cor-de-rosa e correm
ainda cavalos indomados». A lezíria da Camargue.

<p n=1547>
Em Março de 1988, a revista «Newsweek» publicou um artigo com o título
«Out of the closet, onto the shelves», onde se especulava sobre a chamada
«gay literature», em plena época da sida e como se estava a vender bem,
etc., etc. Para além de Edmund White, o mais citado e conhecido autor
desse «grupo» literário (uma etiqueta como outra qualquer, tipo
«literatura feminina» ou «literatura negra»), falava-se, com antecipado
regozijo, de um jovem de 25 anos, oriundo de Washington, D. C., saído de
fresco da universidade, com caracóis à Tadzio e lânguidos olhos (azuis?
verdes?). O seu romance de estreia, «Os Mistérios de Pittsburgh», pronto
para entrar na liça onde já campeavam as feras McInerney, Ellis, Janowitz
e Leavitt, vinha embrulhado num pacote de publicidade notável. As somas
envolvidas (155.000 dólares -- 20.500 contos -- adiantados, pelos direitos)
eram as maiores, dentro do género, até à data. Os críticos levantaram as
vozes em coro, louvando a excelência, a exuberância e facilidade da sua
escrita e comparando-o a Fitzgerald e a Salinger.

<p n=1548>
Passados três anos, o facto de aparecer uma edição portuguesa tem a
vantagem de nos fazer reflectir sobre dois pontos interessantes. Um, é
que se tornou despropositado catalogar livros em prateleiras escondidas
(ou não) com a etiqueta «gay literature». Mesmo os americanos, que são
muito ordenados e gostam de classificar tudo, porque senão percebem mal,
já fizeram «diluir» os livros que tratam a homossexualidade na restante
literatura. Autores como o já citado White, Robert Ferro, Rita Brown,
Stephen McCauley, George Whitmore e até mesmo o insuportável Leavitt,
(que esteve em Espanha a preparar o seu próximo livro de contos, «A Place
I Have Never Been», para a Viking fazer sair no princípio de Fevereiro),
estão agora afastados do preconceito de tal classificação. Longe vão os
dias em que Jerald Moldenhauer vendia livros de autores homossexuais em
casa. (Depois abriu uma livraria, a Glad Day, que se transformou em
cadeia de livrarias e, é claro, ficou rico.)

<p n=1549>
A mais de um título as pedras são chamadas a este filme de Joaquim Pinto.
A pedra do título, ou como se perde a inocência e as dúvidas e
inquietações nascem num adolescente, Miguel, que parte de castigo para a
pensão da tia incrustada numa monótona paisagem balnear.

<p n=1550>
A arqueologia portuguesa não conta no seu espólio nem com muito famosos
nem com muito numerosos exemplos da presença arquitectónica árabe. A
excepcionalidade desse património construído e conservado faz uma das
glórias de Espanha -- desde o erudito turismo romântico do século passado
ao massificado turismo capitalista deste século. A pobreza relativa da
nossa fatia atlântica da península e a precoce reconquista cristã
limitaram ou destruíram as construções de prestígio, mas deixaram, no
corpo da cultura popular, marcas profundas -- a adaptação da arquitectura
à paisagem e ao clima é um exemplo disso. A manutenção das malhas
urbanísticas medievais e as massas brancas e baixas das povoações
alentejanas e algarvias garantiram, até ao século XX, a linha contínua
dessa herança directa de que Olhão se tornou a vítima turística e
anedótica.

<p n=1551 assunto=desporto>
Manuela Bacelar tem vindo a trabalhar em dois projectos de criação de
"albuns" portugueses. Este tipo de livro para crianças, umas vezes
constituído só por imagens, outras com texto, destina-se particularmente
aos primeiros contactos da criança com o livro. Este objectivo
vocaciona-o para uma faixa etária extremamente lata (entre poucos meses e
os 6-7 anos), uma vez que, dadas as diferenças sócio-económicas, muitas
crianças só bastante tarde podem manusear livros. Nas últimas décadas, o
"album" tem vindo a ser objecto de uma pesquisa formal de que Portugal só
tem conhecido um pálido eco.

<p n=1552>
Inspirando ternura sem ser piegas, os Tobias candidatam-se, ao lado do
ursinho de peluche, ao lugar do "objecto transacional" de que falava
Winnicott, ao "objecto afectivo" mencionado pelo criador dos Albuns du
Père Castor. Com esse objectivo foram construídos sólidos: cosidos, de
capas robustas, as folhas resistem ao manusear ainda rude das mãozitas.

<p n=1553>
FOI UMA das imagens mais fortes, intensas, concretas que as câmaras da
CNN registaram de uma guerra que se arrasta como uma ficção abstracta.
Algures em Bagdad, uma mulher, vestida de fato de treino, dava largas a
uma cólera que não poderia ter sido encenada, vociferando contra os
bombardeamentos americanos e a avidez da televisão: «Vocês tratam-nos
como se fôssemos peles-vermelhas!»

<p n=1554>
Essa separação foi idealizada pelo Ocidente como um campo aberto às
deambulações exóticas ou às viagens iniciáticas dos espíritos rebeldes e
inconformados com a «normalidade» da civilização. Do exotismo ficou um
legado «kitsch», um perfume de ingenuidade encantatória e colonial, entre
os folhetins de cordel e o mais singelo cinema de aventuras. Mas das
viagens iniciáticas, como as de Rimbaud e de Nizan ou, noutro plano, a de
T. E. Lawrence, restou sobretudo a frustração, o vazio ou a tragédia. O
Oriente próximo, ali mesmo, do outro lado do Mediterrâneo, era uma
projecção acessível do Oriente longínquo, uma paisagem mítica que tornava
credíveis as fantasias mais infantis ou emprestava um espaço de
sublimação às crises de identidade e aos desesperos da alma. O Ocidente
fugia de si mesmo e reconciliava-se com a nostalgia de uma inocência
perdida -- num cenário que lhe era exterior, mas interiorizando-o à escala
dos seus mitos. Na exuberância das ficções populares ou na solidão dos
desertos do ser.

<p n=1555>
Desde sempre o Oriente foi uma reserva infinita de seduções e imaginário
para os escritores ocidentais. De Rimbaud, que partia sem ponto de
chegada, à comunidade de Tânger, passando pelos fascínios do deserto,
onde cada um encontra aquilo que quiser encontrar.

<p n=1556>
Nisso e no resto, Rimbaud é uma excepção. O orientalismo foi uma eterna
reserva imensa de curiosidades e seduções diversas -- além de, em termos
mais práticos, o Oriente ser uma carreira, como escreveu Disraeli. Mas,
suspendendo o lado prático e igualmente eterno dos jovens ocidentais, o
Oriente tem sido uma maneira convencional, inventada na Europa, de pensar
as diferenças. Parece que há-de ser assim de uma daquelas formas
provisórias que são para sempre. Enquanto não se sai da Europa, não se
sabe, porque nunca podemos saber o que não sabemos, e por isso é uma
abstracção, não saber torna tudo possível. Depois, a maior parte das
vezes é decepcionante -- ver acontecer aquilo que realmente acontece no
baixo mundo é um método poderoso e praticamente infalível de estragar
imaginários, por mais coloridos que sejam. A partir daí, ou se escolhe a
complacência vagamente humorística ou uma resignação plangente.

<p n=1557>
«O cinema para os organizadores do Fantasporto é o bom cinema e não só o
fantástico.» Mário Dorminsky, o director do «Fantas», resume nestas
palavras a edição deste ano do Festival Internacional de Cinema do Porto.
Uma edição que aposta numa nova secção competitiva -- dedicada a «Novos
Realizadores». Tudo para se ultrapassar o quase anonimato internacional.

<p n=1558>
R. -- A imagem de «representativo» da produção de cinema fantástico não
nos preocupa em nada. O que sabemos é que, salvo alguns poucos filmes de
produção de Hong Kong e de um inglês («Highlander 2''), o que há de bom
nessa vertente do cinema está representado no «Fantas» 91. Mais, o
festival conseguiu reunir filmes de países tão diversos como a Nova
Zelândia, Grécia, Brasil, Dinamarca, Alemanha, União Soviética ou os
Estados Unidos, numa mostra verdadeiramente representativa do cinema
actual não realista.

<p n=1559>
Um filme intimista e inteligente que é, ao mesmo tempo, um grande
espectáculo. Saúde-se o acontecimento! M.J.T.

<p n=1560>
«O Inquilino Misterioso» é uma agradável surpresa. Quem tinha saudades de
um bom «thriller» não deve perder a oportunidade. M.J.T.

<p n=1561>
Começa hoje mais uma edição do Fantasporto. Cerca de 130 filmes, vindos
de 20 países, perfazem o programa da 11ª edição deste festival que, numa
década, soube conciliar o êxito popular com a tentação cinéfila. Apesar
dos excessos do fantástico... um género cuja actual crise de produção
leva os organizadores a imaginar novos figurinos para o futuro.

<p n=1562>
Esta tentativa de conciliação entre uma imagem de marca e de indiscutível
sucesso, conquistada ao longo de muitas fitas de sangue, violência,
fantasmas e morte, e a piscadela ao cinema de autor foi uma constante das
dez anteriores edições do Fantasporto. O balanço favorece, natural e
largamente, as imagens mais explícitas do terror e do fantástico sem,
porém, se esgotar aí. O festival também tem permitido ver, no Porto,
alguns autores e momentos importantes da história do cinema: lembre-se, a
título de exemplo, as mostras dedicadas ao cinema expressionista alemão,
à produtora RKO e ao produtor Roger Corman, ao lado de outras que
mostraram obras de Georges Méliès, Louis Feuillade, Jean Cocteau, Jacques
Tourneur, Orson Welles, Walt Disney, Andrzej Zulawski, André Delvaux e
Paradjanov.

<p n=1563>
A série «I Love Jazz» volta a atacar. Com Henri Renaud (pianista de jazz)
responsável pela produção, não surpreende que os títulos de interesse se
acumulem. Desta vez, o cartaz anuncia Duke Ellington, Miles, Monk, Dexter
e Getz. Com nomes destes, difícil seria não amar as notas

<p n=1564>
Um dos segredos de Duke Ellington é que, para ele, o jazz não tinha
segredos. (Releio a escrita e apercebo-me do erro que foi dizer «jazz» em
vez de «música»). Basta ouvir-lhe a discografia, sem ordem ou
preconceito, para descobrir essa evidência. «Unknown Session» -- que
pertence à série de testemunhos «experimentais», gravados para testar
ideias, interrogar dúvidas ou confirmar intuições, e por isso não
destinados ao mercado -- coloca no centro das atenções essa capacidade,
rara no jazz, de encantar permanecendo no interior das fronteiras de um
mesmo «mood». Poucos serão os nomes capazes de atravessarem, incólumes,
tal prova: Billie, Chet, Bird, Miles, Pres e poucos mais.

<p n=1565>
A narrativa é uma engrenagem viva, construção animada e loquaz,
alimentada pelas tensões entre os lugares- comuns dos factos (das vidas
paralelas e cruzadas de personagens com perfis nítidos em contextos
brumosos de memória e distância) e a lucidez ilusória de quem está, na
verdade, fora deles. Íntimas e estranhas são as personagens deste
«romance», construídas a pretexto vago de suicídios e prováveis crimes, e
inexoravelmente manipuladas a partir de um centro que é o lugar ausente
da ideação, totalmente ocupado pela omnipresença da figura da narradora.
É ela, como tinha de ser, o foco por onde passa o feixe disperso dos
destinos, a instância que nunca solta os fios da trama humana das
histórias (a não ser talvez, e é pena, no lugar com o nome de Weimar): a
narradora procura-se, perde-se e reflecte(-se) incessantemente, numa
serena voragem dos outros.

<p n=1566>
O jogo parece ser o de uma intriga ténue e dispersa, mas nunca
descontrolada, envolvendo memórias de adolescência e estranhos
acontecimentos com um escultor vindo de Weimar para se afogar numa praia
ao sul de Lisboa. Na verdade, porém, trata-se de um outro jogo: um jogo
de descoberta em que a narradora se lança com os pares de personagens
portuguesas (quase todas com nomes judeus! E será judeu também o W. B. da
dedicatória?) que se vão progressivamente desocultando nesses jogos de
escondidas ou de súbitos rasgões em que o outro, sempre sob a forma do
outro sexo, as vai fazendo entrar em si, e em nós, em «sintonias de
acaso» perfeitamente orquestradas, «soltando os demónios ou firmando
pactos» (p. 89).

<p n=1567>
Saddam Hussein tem sido muitas vezes comparado a Hitler. Há quem veja na
sua fisionomia traços semelhantes aos de Estaline. Mas o líder iraquiano
tem para si, como pontos de referência, outros ídolos: Nabucodonosor, o
rei caldeu que fez da Babilónia uma das cidades mais grandiosas do mundo,
mas também destruiu Jerusalém e levou os judeus para o cativeiro; ou
Saladino, o grande general muçulmano que combateu os cruzados cristãos. A
glória do passado, desde os tempos da Mesopotâmia ao Império Islâmico,
ainda hoje condiciona o comportamento e a política de muitos dirigentes
do Médio Oriente. E os heróis foram muitos.

<p n=1568>
O poderio sumério foi destruído por uma invasão semita cerca de dois mil
anos antes de Cristo, quando os elamitas da Pérsia e os amorites do
Noroeste se estabeleceram na Mesopotâmia, fundando cidades-estados que se
degladiaram pela supremacia durante dois séculos de guerra civil. Em 1792
a. C., subiu ao trono o rei amorite Hamurabi que pôs fim ao longo período
de guerras e transformou a Babilónia na potência dominante da Mesopotâmia
e terras circundantes. Em 42 anos de reinado, Hamurabi alargou o seu
império, avançando para norte, até à Assíria; para oeste, na direcção do
Mediterrâneo; e para sul, até ao golfo Pérsico, derrotando os sumérios.
Hamurabi foi também um dos legisladores da História. As suas disposições
legais evidenciavam um elevado nível de procedimento jurídico, já
existente 15 séculos antes da legislação romana. Pelos padrões da época,
as leis eram justas e razoavelmente humanas. Por exemplo, se um paciente
perdesse um olho por negligência do seu médico, este poderia ser
castigado com o corte de uma das mãos. É o primeiro registo existente do
princípio de retaliação «olho por olho...», que os hebreus, por
intermédio de Moisés, introduziram na sua lei. Foi ainda durante o
reinado de Hamurabi que se erigiu um imenso zigurate, a primeira Torre de
Babel, que, segundo o «Livro do Génesis», foi concebida a fim de se
chegar ao céu. Após a morte de Hamurabi, o seu reino, entretanto
decadente, foi conquistado pelos assírios, outro povo semita que
construiu um vasto império.

<p n=1569>
emido e a sua tribo, conhecida por «osmanlitas» rapidamente se expandiu
graças à adesão de outras forças. Na segunda metade do século XIV, os
sucessores de Osman eram donos de Bizâncio e dominavam toda a Ásia Menor,
a Grécia e os Balcãs. No século seguinte, dedicaram-se a conquistar o
mundo árabe. Devido a uma deturpação do nome de Osman (os ingleses
chamavam-lhe Othman), o gigantesco império tornou-se conhecido no
Ocidente como Império Otomano, mas os turcos preferiam chamar-lhe
«domínios bem guardados».

<p n=1570>
PORTO Charlot: 14h, 16h30, 19h e 21h30; S. João: 14h, 16h30, 19h e 21h45;
Stop 2: 14h15, 16h30, 19h e 21h30.

<p n=1571>
Para o cinema ocidental, o árabe foi sempre uma misteriosa personagem,
tendo o seu arquétipo no «sheik» que rapta a jovem donzela europeia para
o seu harém. Mesmo as excepções acentuam esse mistério e fascínio.

<p n=1572>
Ao exotismo junta-se uma espécie de temor. Ciosas da sua independência,
as tribos do Norte de África e do Golfo não davam tréguas ao ocupante,
que procurava limitar os movimentos nómadas para os controlar. E o
interesse do cinema pelos árabes é contemporâneo da actividade na
península arábica de T. E. Lawrence e da luta de Abd el-Krihm e da
efémera República do Rif (1921-26) contra os ocupantes franceses e
espanhóis.

<p n=1573>
«A Rainha das Bruxas» («The Witches», no original), de Nicholas Roeg, que
valeu a Angelica Huston o Globo de Ouro para a melhor interpretação
feminina, atribuído pela crítica de Nova Iorque, e a coloca na corrida
para os Óscares deste ano, é o filme que vai marcar a abertura oficial da
11ª edição do Fantasporto (hoje, às 22h, no Auditório Carlos Alberto). É
uma das sessões de antestreias que vão pontuar a programação do festival,
com um filme que tem o toque de fantástico (conta a história de
arrepiantes encantamentos provocados por terríveis bruxas) e a marca de
prestígio patrocinada por alguns nomes consagrados: para além de Angélica
Huston, o realizador é o conhecido autor de «O Homem Que Veio do Espaço»
e «Aquele Inverno em Veneza» e os efeitos de animação e a maquilhagem são
da responsabilidade do recentemente desaparecido pai dos «Marretas», Jim
Henson.

<p n=1574>
A Sala A do Lumière está praticamente reservada à secção Novos
Realizadores, e da meia dúzia de obras a exibir destaque-se «Rosencrantz
and Guildenstein», de Tom Stoppard, uma adaptação feita a partir de dois
personagens secundários da tragédia de Shakespeare, «Hamlet», e vencedor
do Leão de Ouro no último Festival de Veneza (dia 12); e «Jou Dou», do
chinês Zhang Yimou, o autor de «Milho Vermelho» (filme previsto para o
encerramento, no dia 14, desta secção, se a organização arranjar,
entretanto, forma de traduzir a versão original da obra que lhe chegou às
mãos).

<p n=1575>
O tempo escoa-se. E, de repente, acreditamos que «o melhor das nossas
vidas» (para parafrasear o título de um conhecido filme de William Wyler)
já passou. Quando? Em que momento a vida das pessoas começa a descer a
absurda encosta? «Nada se sabe, ou, com um pouco de sorte, julga-se
descobrir depois», responde-nos Philip Larkin. «E o momento é tão
subliminar que nem se pode falar de tragédias. A principal substância das
existências está no `inominável' dos quotidianos.» «Como? E a paixão?»,
retorquir-lhe-á o leitor. «Pois, essa é a `irrealidade' com que
preenchemos a nossa realidade», concluirá o poeta.

<p n=1576>
Neste contexto social e estético, de forma bem silenciosa, começa a
erguer-se a obra poética de Philip Larkin e, paralelamente, este romance
com sinal explícito de manifesto. Contra o discurso tonitroante dos
«apocalipsistas». Contra os experiencialismos desgastantes dos
«modernismos» e «vanguardas» e a sua obsessiva necessidade de «inventar
caminhos para parte nenhuma». E em defesa de um realismo diferente, longe
das longas discursividades exaltadas, ajustado às rotinas e hábitos dos
dias comuns, contido ao fluir cinzento dos tempos.

<p n=1577>
Desde sempre o Oriente foi uma reserva infinita de seduções e imaginário
para os escritores ocidentais. De Rimbaud, que partia sem ponto de
chegada, à comunidade de Tânger, passando pelos fascínios do deserto,
onde cada um encontra aquilo que quiser encontrar.

<p n=1578>
Nisso e no resto, Rimbaud é uma excepção. O orientalismo foi uma eterna
reserva imensa de curiosidades e seduções diversas -- além de, em termos
mais práticos, o Oriente ser uma carreira, como escreveu Disraeli. Mas,
suspendendo o lado prático e igualmente eterno dos jovens ocidentais, o
Oriente tem sido uma maneira convencional, inventada na Europa, de pensar
as diferenças. Parece  que há-de ser assim de uma daquelas formas
provisórias que são para sempre. Enquanto não se sai da Europa, não se
sabe, porque nunca podemos saber o que não sabemos, e por isso é uma
abstracção, não saber torna tudo possível. Depois, a maior parte das
vezes é decepcionante -- ver acontecer aquilo que realmente acontece no
baixo mundo é um método poderoso e praticamente infalível de estragar
imaginários, por mais coloridos que sejam. A partir daí, ou se escolhe a
complacência vagamente humorística ou uma resignação plangente.

<p n=1579>
A célebre frase de Goethe -- de que é o «eterno feminino» que nos arrasta
inexoravelmente para a frente -- poderia igualmente ter sido dita pelo
realizador americano George Cukor, o mais genial «cineasta da mulher» da
história do cinema.

<p n=1580>
No entanto, o aspecto mais saliente de «Célebres e Ricas» é o modo
magistral como o velho cineasta tratou as personagens femininas, num
filme que é indubitavelmente o melhor de Jaqueline Bisset e Candice
Bergen. Colegas de faculdade, Liz e Merry conseguem chegar ao topo do
meio literário americano, mas a intensidade com que trabalharam para se
impor como romancistas reflecte-se negativamente nas suas vidas
sentimentais. No final, resta-lhes a glória de serem célebres e ricas -- e
a amizade que, apesar de altos e baixos, acaba por constituir a relação
mais importante das suas vidas.

<p n=1581>
Em vez dos cabelos de ouro de Carole Lombard, apareceu uma foca dourada
na semana passada. Se desta vez não for substituída por qualquer outra
espécie em vias de extinção, poderemos finalmente reencontrar essa que
foi uma das míticas vedetas da idade de ouro do «star-system» e a
intérprete por excelência da «screwball comedy». Desta vez, porém,
trata-se de uma comédia sentimental, onde não faltam momentos de
melodrama, em volta das dificuldades de um jovem casal nos primeiros anos
da sua existência: crise de adaptação, problemas económicos e o filho que
quase perdem. John Cromwell, um realizador eficiente (a quem se devem,
entre outros, «O Prisioneiro do Castelo de Zenda»), é o seu autor. M.C.F.

<p n=1582>
«Uma Mulher Só» trata o tema, hoje em dia mais do que corriqueiro, do
cônjuge que se vê confrontado com a iminência do divórcio, devido à
infidelidade conjugal do ser em que cegamente depositara todas as suas
esperanças. Surgem em seguida os problemas concomitantes da solidão, que
a protagonista do filme consegue, no final (mais ou menos), resolver.
Logo, nada de especial. No entanto, a mediania do argumento e do
tratamento cinematográfico são redimidos pela excelente interpretação de
Jill Clayburgh e pelo retrato verosimilhante do meio artístico
nova-iorquino. O filme envelheceu mal no sentido em que as suas opções
estéticas enquanto cinema perderam a validade; mas continua, por outro
lado, a suscitar interesse, em virtude de as situações e personagens
serem tão reconhecivelmente «reais». Cópia de boa qualidade. F.L.

<p n=1583>
Um tema para dois espectáculos. Casualmente ou não, a guerra que desde há
semanas, para não dizer meses, se instalou no nosso quotidiano invade de
propósito, quem sabe, ou a propósito, há quem pense, os nossos teatros!
Ideia sinistra, catártica, a bem da pedagogia colectiva, sejam quais
forem os motivos.

<p n=1584>
O conto «As Formigas» (1940), de um dos mais prolíferos inventores de
arte do panorama cultural francês de entre--guerras, perspectiva, através
do olhar de um soldado sem nome, o dia-a-dia do grande genocídio. As
descrições são frias, precisas e macabras. A luta pela sobrevivência
veste-se de sarcasmo, apresenta-se absurdamente humorística. Em
contrapartida, «Storia di una tigre e altre storie» (1979), de onde é
tirado o conto «História de Um Tigre», permite a Dario Fo, com base na
tradição oriental do conto popular e nas respectivas artes da
representação teatral, construir uma série de episódios que envolvem um
soldado desconhecido que, ao contrário do seu comparsa de «As Formigas»,
acaba por trocar as voltas à morte.

<p n=1585>
A melhor cura para uma boa otite, em particular a crónica, obtém-se numa
casa de teatro. Não se trata de uma brincadeira de Carnaval. É antes
convicção. O riso como terapia continua a ser um dos melhores métodos
contra o mau humor. Todo o elenco da Comuna tem para si um espectáculo
hilariante e imaginativo -- «Festival da Otite II» -- que ajuda a afastar
muitos males do corpo e do espírito. Aconselha-se marcação. ANABELA
MENDES

<p n=1586>
Aviso aos lisboetas (e não só) que se prezam de ser cultos e estar
actualizados: pode ser visto em Lisboa um espectáculo beckettiano que se
antecipou ao resto da Europa: é que, só algumas semanas depois de Lisboa,
sobem à cena espectáculos semelhantes aos «Três Actos de Beckett»: em
Paris, no Teatro Gérard Philippe, e em Madrid, no Teatro Maria Guerrero.
O espectáculo de Madrid chama-se «Beckettiana» e o de Paris chama-se «Pas
là». Entre os dramatículos de Beckett seleccionados pelas três produções,
há um que é comum: a «Berceuse», que no São Luiz é interpretada por
Carmen Dolores. (Em Madrid os intérpretes chamam-se  Marisa Paredes e
Joaquín Hinojosa; Daniel Emilfork e Muni são o par parisiense.) Quem
quiser ir ao estrangeiro ver (bom) teatro, que vá. Mas Lisboa, pelo que
se vê, não está em desvantagem na hora das comparações. Pelo contrário. E
tudo nos leva a crer que o espírito de Beckett paira sobre a Sala Estúdio
do São Luiz. Ele teria gostado de ver os espectáculos da Companhia
Teatral do Chiado. M. J. G.

<p n=1587>
Balsinha na presidência -- Fernando Balsinha, correspondente da RTP em
Bruxelas, aceitou o convite para assumir o cargo de porta-voz da
presidência portuguesa da Comunidade Económica Europeia, durante o
primeiro semestre de 1992. O convite havia-lhe sido dirigido pelo
ministro dos Negócios Estrangeiros, João de Deus Pinheiro.

<p n=1588>
Cheney alerta para a URSS -- A economia soviética vai declinar rapidamente
este ano, preconizou ontem o secretário de Estado norte-americano da
Defesa, Dick Cheney. Este responsável governamental alertou para o perigo
social da crise económica na URSS, considerando que ela poderia
comprometer melhores relações entre as superpotências. Falando perante o
Comité dos Serviços Armados da Câmara dos Representantes, Cheney afirmou
que o Presidente soviético, Mikhail Gorbatchov, tinha sido incapaz de pôr
em prática uma reforma económica efectiva. «A situação económica da URSS
é hoje tão negra como era talvez há 50 anos, e não há dúvida de que a
economia entrou em colapso», disse o secretário de Estado.

<p n=1589>
Têxteis na Concertação -- O ministro da Indústria e Energia, Mira Amaral,
apresentou ontem, no Conselho Permanente de Concertação Social, o
programa de modernização da indústria têxtil, que classificou de
«imperativo e urgente». Agrupando em quatro eixos de intervenção os
apoios a este sector, Mira Amaral referiu-se, em primeiro lugar, ao
«apoio directo às empresas», tendo em vista a execução de projectos
integrados de modernização que contemplem, além da aquisição de
equipamento produtivo, todas as outras acções, designadamente
organização, qualidade, energia e ambiente.

<p n=1590>
O acordo entre as duas instituições, que deverá entrar em vigor durante o
primeiro semestre deste ano, resulta da estratégia de aproximação que tem
vindo a desenvolver-se nos últimos meses entre a seguradora e o BFB. Esta
instituição bancária, que possui uma rede de distribuição com cerca de
100 balcões, tomou no início do ano passado a participação, de 27 por
cento, que o Estado detinha no capital da Portugal Previdente. A maioria
da seguradora é, no entanto, controlada pelo grupo alemão Allianz, líder
do sector de seguros na Europa.

<p n=1591>
O Iraque pediu ontem às Nações Unidas que divulgue a transcrição de notas
tiradas durante o encontro de 13 de Janeiro entre o Presidente Saddam
Hussein e o secretário-geral Perez de Cuellar. A divulgação de notas de
tais encontros confidenciais não tem precedentes. Uma fonte das Nações
Unidas afirmou que Perez de Cuellar está a estudar o pedido. Fontes
iraquianas têm sugerido que a revelação da conversa pode tornar-se
embaraçante para o secretário-geral.

<p n=1592>
Lista de Catarino recusa conotação com Beleza -- A lista liderada por José
Luís Catarino, candidata às eleições para a comissão concelhia do Porto
do PS, que amanhã se realizam, recusa qualquer conotação com a tendência
de Álvaro Beleza. Raúl de Brito -- que afirma ter estado, juntamente com o
próprio Catarino, com Artur Penedos e com José Moura, na génese da
candidatura -- declarou ao PÚBLICO que «um dos princípios que presidiu à
constiuição da lista foi, precisamente, a sua total autonomia face às
sensbilidades existentes» no PS, pelo que «ninguém a pode reivindicar em
termos de grupo». Brito acusou mesmo a tendência de Beleza de «estar a
tentar aproveitar-se do trabalho e da coragem de outros», para concluir
que a lista «dispensa» os seus votos.

<p n=1593>
TSF e RTP 2 SEM ENERGIA-Uma falha de energia no transmissor de Monsanto
provocou ontem à hora do fecho desta edição a interrupção da transmissão
do Canal 2 da RTP e da TSF. A falha não afectou o Canal 1 da RTP. «A
alimentação do Canal 1 é completamente independente, não é afectada»,
explicou ao PÚBLICO uma fonte das relações públicas da RTP.

<p n=1594>
2. O Presidente da República interferiu na esfera de acção do Governo?
Corre-se o risco de uma diplomacia paralela? Acha que esta iniciativa
constitui um primeiro sinal de um maior protagonismo político de Mário
Soares no seu segundo mandato?

<p n=1595>
O SECRETÁRIO de Estado norte-americano, James Baker, propôs ontem a
criação de um banco para a reconstrução do Médio Oriente, para ajudar a
reparar os danos causados pela guerra do Golfo e o estabelecimento de uma
força de segurança para o pós-guerra submetida ao Conselho de Cooperação
do Golfo.

<p n=1596>
Depois da guerra, «os vencedores não deverão relacionar-se com os
vencidos com um espírito de vingança», afirmou Baker, acrescentando que
será necessário assegurar a segurança e a estabilidade no Golfo, parar a
proliferação de armamento, assegurar a reconstrução do Kuwait e do Iraque
e retomar a procura dos meios de «reconciliar» Israel e os seus vizinhos
árabes.

<p n=1597>
Todo o Iraque se transformou num imenso campo de tiro -- 435 mil
quilómetros e 17 milhões de habitantes -- à mercê da coligação
multinacional. À excepção dos americanos, já nem os próprios aliados
escondem que a destruição do poderio militar de Saddam tem provocado, por
acréscimo, um número indeterminado de vítimas civis.

<p n=1598>
Na verdade, a tecnologia de ponta ocidental a que se refere Bush não
impediu, por exemplo, que, a 30 de Janeiro, um míssil rebentasse sobre
uma posição de fuzileiros americanos em plena Arábia Saudita. Além disso,
nem todas as bombas aliadas estão equipadas com sistemas direccionais, o
que significa que podem cair onde não se deseja. Só os iraquianos -- que,
apesar de reconhecerem a destruição de alvos civis, têm sido comedidos na
avaliação das suas baixas -- poderão saber com exactidão os prejuízos
causados pela «chuva» de milhares de toneladas de explosivos lançada
contra o seu país.

<p n=1599>
A venda do «Diário de Notícias» será um sucesso. A certeza é do Governo,
que age, aliás, em conformidade com a sua convicção: foi a única
privatização não adiada «sine die». As cooperativas de trabalhadores
estão também confiantes e não traem o lema inicial -- «o segredo é a alma
do negócio». Lusomundo e Pinto Balsemão são da mesma opinião. O «DN» não
deixa, no entanto, de ser sala de visita para alguns investidores
estrangeiros. O inglês Hans Backer foi um deles.

<p n=1600>
Entre os investidores estrangeiros que já confirmaram o seu interesse no
«Diário de Notícias», está o inglês Hans Backer, através de uma sociedade
financeira com experiência no sector da comunicação social. Hans Backer
terá mesmo visitado aquele matutino lisboeta, tendo manifestado a
intenção de financiar a compra de acções, mesmo que não chegue a acordo
com outros investidores, embora afaste a hipótese de só por si conquistar
uma posição maioritária.

<p n=1601>
Na Jordânia as fotografias do rei Hussein costumam ser exibidas a par com
as do Presidente iraquiano, mas numa loja de recordações de Amã é Saddam,
e os seus mísseis Scud, quem tem a primazia. Os emblemas, exibidos na
foto por um rapaz jordano, não parecem estranhos na Jordânia, onde a
maioria da população está decididamente ao lado do Iraque. Mas o dono da
loja afirma que tem já várias encomendas da América, do Japão e da
Europa, o que poderá explicar o facto de as inscrições serem em inglês.
Saddam Hussein recebeu quarta-feira o apoio explicíto do rei Hussein, que
acusou os Estados Unidos e a força multinacional de «quererem destruir o
Iraque», num discurso que ontem foi saudado por toda a imprensa jordana.
O Presidente George Bush respondeu a Hussein, afirmando que os «jordanos
cometeram um erro ao porem-se ao lado do Iraque contra o resto do mundo»
e o secretário de Estado americano não excluiu a hipótese de os EUA virem
a rever a sua ajuda ao reino hachemita, que ronda os 50 milhões de
dólares por ano.

<p n=1602>
O estudo refere que, dos 218 projectos de investigação no domínio da
defesa contra armas biológicas que estão a ser desenvolvidos pelo
Exército dos Estados Unidos, 49 diziam respeito a micróbios que não são
considerados perigosos desse ponto de vista, e 57 projectos adicionais
tinham um interesse duvidoso. Os 106 projectos cuja utilidade foi posta
em causa pelo GAO representavam 95,3 milhões de dólares de investimento --
cerca de 40 por cento do gasto total nessa área.

<p n=1603>
Khalid, Mousa, Abu Wahed e Mohammed, quatro soldados da 367ª Divisão do
Exército iraquiano, renderam-se a mim e a colegas meus perto da fronteira
kuwaitiana quando visitávamos a zona, anteontem. «Iraque acabou -- Saddam
acabou», disseram.

<p n=1604>
Dois deles ergueram pequenas folhas de papel e soubemos imediatamente que
eram iraquianos que procuravam render-se.

<p n=1605>
1. Não concordo. É evidente que, agora que a guerra é um facto e os
nossos aliados (nós não) estão presentes no campo de batalha, uma
iniciativa deste tipo só deveria ter sido iniciada após consultas com os
nossos aliados.

<p n=1606>
5. Julgo que Arafat é um interlocutor representativo da causa palestina,
embora as suas tomadas de posição pró-iraquianas não vão ajudar a OLP em
relação a muitos países árabes.

<p n=1607>
«Ninguém se pode enganar. O Iraque vai perder a guerra. Mas é das cinzas
dessa derrota que nascerá um mundo árabe novo. Nada será como antes.»
Quem o diz é Louata Mohamed, membro do Comité Executivo do Istqlal, o
partido que lidera a oposição em Marrocos, fundado em 1944, 41 lugares no
Parlamento e com várias passagens pelo Governo.

<p n=1608>
O Istqlal, partido nacionalista, bate-se pela marroquinização a todos os
níveis da vida do país -- advoga, por exemplo, a substituição dos quadros
franceses por técnicos locais --, e foi um dos grandes impulsionadores da
manifestação de domingo.

<p n=1609>
Estavam a jantar, uma noite destas, e decidiram fazer as contas:
sozinho, o português tinha mais tempo de guerra que os 300 homens da
unidade juntos. Invasão do Líbano (prémio Overseas Pen Club, o mais
importante a seguir ao EMY), El Salvador, guerra Irão-Iraque,
Afeganistão, Nicarágua: Mário de Carvalho, 40 anos, natural dos Açores,
criado em Cascais, correu ao lado dos soldados de quase todas as guerras
do nosso tempo. Com uma câmara de televisão ao ombro.

<p n=1610>
R. -- Muito sobressaltada. Dorme-se com um olho fechado e o outro aberto.
Constantemente a medir a distância entre nós e o abrigo. O mais pequeno
ruído desperta-nos e faz-nos deitar a mão à máscara [de gás]. Só durante
o dia se acaba por dormir aqueles 45 minutos que realmente descansam.

<p n=1611>
O Presidente  francês, François Mitterrand, afirmou ontem que a ofensiva
terrestre contra o Iraque é inevitável e deverá ocorrer nos próximos
dias.

<p n=1612>
Quanto às eventuais tentativas de impor o cessar-fogo, com mediação do
Irão, ou os rumores de que a coligação poderia estar comprometida face às
acusações de que os EUA estariam a ultrapassar o mandato da ONU,
Mitterrand foi claro. A posição francesa é de total solidariedade com os
EUA. A França levará a guerra até ao fim, ou seja, até serem cumpridos os
objectivos fixados pela ONU: a libertação do Kuwait e a garantia de que
nova agressão não possa verificar-se.

<p n=1613>
«Atenção jornalistas: quem não preencheu ainda o formulário para entrar
no Kuwait dirija-se ao quarto 200 A».

<p n=1614>
Os repórteres preenchem um formulário semelhante ao usado por todos os
países que exigem vistos de entrada. A única diferença: uma frase do
Ministério da Informação pedindo desculpa aos senhores jornalistas por
qualquer atraso na resposta...

<p n=1615>
AO FIM DE 22 DIAS de guerra e apesar dos estragos causados pelos
bombardeamentos intensivos às suas estruturas militares e económicas, o
Iraque continua determinado a não ceder face à coligação de 28 países que
lhe faz frente. A Rádio de Bagdad limitou-se ontem a reafirmar que as
Forças Armadas de Saddam «esperam impacientemente» o estalar da batalha
terrestre que lhes dará a vitória.

<p n=1616>
A um plano em cinco pontos para uma paz durável no Golfo do pós-guerra,
James Baker, secretário de Estado de George Bush, juntou ontem outra
ideia, a de criar um banco de reconstrução do Médio Oriente. Britânicos e
franceses preocupam-se também com a paz que há-de vir: os respectivos
ministros dos Estrangeiros discutiram questões de segurança no Golfo do
futuro.

<p n=1617>
Ninguém, em Israel, dúvida de quem ganhará militarmente esta guerra. E,
no entanto, a questão que aqui se começa a colocar com insistência é  a
de saber -- como dizia recentemente um diplomata -- "quem vai desmoronar-se
primeiro, o Iraque ou a coligação".

<p n=1618>
O seu plano consistia em «prolongar a guerra o mais possível» para
permitir que um conjunto de efeitos sobre o mundo ocidental e, sobretudo,
sobre o mundo árabe se produzisse.

<p n=1619>
BOBBIE Eugène Mozelle, um sargento americano na reforma, foi assassinado
ontem de manhã num bairro residencial de Adana, a Sul da Turquia, por um
grupo clandestino da extrema-esquerda turca auto-denominado «Dev Sol»
(Esquerda Revolucionária).

<p n=1620>
O Goveno de Ankara afirmou ter recebido a notícia «com muita tristeza» e
ter ordenado a abertura de um inquérito para identificar os autores do
atentado.

<p n=1621>
BOBBIE Eugène Mozelle, um sargento americano na reforma, foi assassinado
ontem de manhã num bairro residencial de Adana, a Sul da Turquia, por um
grupo clandestino da extrema-esquerda turca, o «Dev Sol» (Esquerda
Revolucionária).

<p n=1622>
O Goveno de Ancara afirmou ter recebido a notícia «com muita tristeza» e
ter ordenado a abertura de um inquérito para identificar os autores do
atentado.

<p n=1623>
O atentado contra o coração do poder britânico parece ter a marca do IRA
-- e foi reivindicado pela organização republicana irlandesa. Mas, pelo
momento em que aconteceu, é difícil dissociá-lo da guerra no Golfo. E
alguns especialistas em segurança não põem de lado a possibilidade de uma
acção conjunta do IRA e de grupos árabes, ou até de um atentado «por
encomenda».

<p n=1624>
Dois voaram em direcção ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e, mesmo
sem explodir,  causaram estragos consideráveis. O terceiro caiu
precisamente no «jardim de John Major», reduzindo a estilhaços
praticamente todos os vidros das janelas das imediações, em especial do
«número 11», onde vive Norman Lamont, secretário das Finanças. (Vários
peritos notaram a «precisão cirúrgica» do atentado, fazendo lembrar a
fraseologia dos comandantes aliados na guerra no Golfo). Poucos segundos
depois, ouviram-se mais duas ou três explosões -- os relatos são
contraditórios.

<p n=1625>
O `patrão' da Lusomundo é tratado por «senhor coronel». Não é um
norte-americano que comanda a maior distribuidora e exibidora audiovisual
portuguesa -- com acesso aos catálogos da Paramount, Universal e MGM-UA. É
um português e o seu título militar não é alcunha. Foi realmente
tenente-coronel da Força Aérea Portuguesa. Os seus voos, porém, são agora
na alta finança.

<p n=1626>
No contacto pessoal, porém, a afabilidade ilude e a sinceridade das suas
expressões convence o interlocutor. Para além da conversa de negócios,
este persuade-se de ter ficado a conhecer a pessoa. Dá-se conta da
distanciação quando, ingenuamente, procura uma relação mais assídua. Os
encontros, constata então, têm sempre uma `agenda', não explícita, que
ele introduz habilmente, com uma delicadeza irrecusável. Este homem
discreto, que sem ser imponente deixa uma impressão nos interlocutores,
está em vias de se tornar no primeiro barão português da comunicação. Não
que ele o proclame ou se vanglorie, mas porque o quer e faz.

<p n=1627>
OS EUA poderão usar armas químicas no Golfo, se o Iraque o fizer em
primeiro lugar, afirmou ontem em Genebra o embaixador norte-americano,
Stephen Ledogar, numa conferência sobre desarmamento.

<p n=1628>
Peritos do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) manifestaram já a
sua preocupação em relação à possibilidade de substâncias químicas ou
biológicas serem lançadas na atmosfera.

<p n=1629>
A POLÍCIA egípcia interveio ontem para dispersar a primeira manifestação
contra a guerra realizada no Egipto. Alguns dos manifestantes ficaram
feridos e pelo menos um foi preso.

<p n=1630>
Horas depois, líderes de partidos da oposição conseguiram entregar no
palácio uma carta exigindo um cessar-fogo imediato, a retirada das tropas
egípcias da Arábia Saudita, e uma solução política para a crise. Os
dirigentes oposicionistas afirmaram que, ao convocarem a manifestação,
não pretendiam infringir a lei, em vigor desde o assassinato do
Presidente Anwar Sadat em 1981, que proibe a realização de manifestações.

<p n=1631>
Os jornais procuram peritos militares, desenham tácticas de guerra e
esperam que, a partir dos Estados Unidos, se saiba algo mais  sobre o
apoio espanhol. De Madrid, a respota é invarialmente a mesma: razões de
segurança desaconselham qualquer informação.

<p n=1632>
O presidente do Governo respondia a alusões vindas da IU sobre a
existência de armas nucleares nas bases de Morón de la Frontera, perto de
Sevilha, e de Rota, próximo de Cádiz, na Andaluzia, no que foi mais um
dos muitos rumores publicados na imprensa, numa catadupa de informações
que, na sua grande maioria, o Governo não comenta.

<p n=1633>
00h50 - O Presidente norte-americano, George Bush, rejeita as acusações
feitas na véspera pelo rei Hussein da Jordânia. O monarca acusou os EUA
de terem desencadeado uma guerra injusta e de estarem a tentar destruír o
Iraque. Bush afirma que os jordanos «cometeram um erro ao alinhar com
Saddam».

<p n=1634>
02h20 - O Presidente Bush declara que os ataques contra o Iraque têm sido
«extraordinariamente precisos» e considera que a alta tecnologia
utilizada tem permitido salvar vidas humanas.

<p n=1635>
DICK CHENEY e Collin Powell, o secretário da Defesa e o chefe de
Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, chegaram ontem à
noite à Arábia Saudita, em busca dos esclarecimentos de que o Presidente
George Bush necessita antes de decidir lançar a ofensiva terrestre contra
o Iraque no Kuwait. Segundo a France Presse, as questões que Cheney e
Powell colocarão ao comandante americano da Operação Tempestade no
Deserto, general Norman Schwarzkopf, visam saber se a guerra pode ser
ganha apenas pela aviação e, em caso negativo, se a coligação está
suficientemente preparada para forçar uma rápida retirada de cerca de
meio milhão de soldados iraquianos no Kuwait. Bush mostrou-se céptico
sobre as possibilidades de uma vitória unicamente aérea e, se manifestou
essa opinião, é porque os seus conselheiros militares partilham desse
cepticismo. A resposta à segunda questão depende dos danos materiais e
morais infligidos pelos aliados às tropas iraquianas e este é um segredo
muito bem guardado.

<p n=1636>
O GENERAL Jean-Claude Mouscardès, 56 anos, comandante das forças
terrestres francesas na Arábia Saudita, adoeceu e vai ser substituído
pelo general Bernard Janvier, de 52 anos --anunciou ontem, em Paris, o
ministro da Defesa Piere Joxe. O ministro recusou revelar a doença de
Mouscardès, que hoje regressa a França, mas oficiais em Riad disseram que
o seu estado de saúde é grave. Segundo a France Presse, Mouscardès nunca
recuperou dos ferimentos sofridos, em 1957, na Argélia. O seu substituto
chefiava a Organização-Logística do Estado-Maior dos Exércitos.

<p n=1637>
O «Diário de Notícias» («DN») ocupa o quarto lugar entre os jornais
diários que se publicam em Portugal, com um índice de leitura diária de
11,7 % na semana de 21 a 27 de Janeiro, de acordo com a última sondagem
revelada pela Marktest.

<p n=1638>
No que se refere ao perfil da audiência, o «DN» consegue maior penetração
junto dos leitores com idades entre os 45 e os 54 anos (14,7%), ao
contrário do PÚBLICO, preferido pela faixa dos 19 aos 24 anos (28,2), e
do «Correio da Manhã» (faixa dos 35 aos 44).

<p n=1639>
O «Diário de Notícias», com 126 anos de idade, é o último título da
imprensa portuguesa a sair das mãos do Estado. Ficará assim concluído um
processo iniciado há quase três anos com a venda de «A Capital».

<p n=1640>
Ainda antes do final de 1988, era também privatizado o jornal desportivo
«Record», cuja venda foi marcada por várias impugnações -- um processo que
o próprio secretário de Estado Albino Soares considerou «quase um
romance». O «Record» seria adquirido, finalmente, pela PEI (Projectos e
Estudo de Imprensa), então controlada por Pedro Santana Lopes, por 37 mil
contos.

<p n=1641>
A privatização do "Diário de Notícias" vai mesmo avante. É a excepção à
regra no processo de privatizações interrompido por causa da guerra no
Golfo. Vários pretendentes preparam-se para disputar um concurso que
promete ser renhido, mas sobre o qual todos procuram manter o maior
segredo. O patrão da Lusomundo, coronel Luís Silva, associado ao grupo
que domina o "Jornal de Notícias", é um dos candidatos mais fortes.

<p n=1642>
Os professores de Educação Visual e os docentes de Trabalhos Manuais não
se entendem quanto à nova disciplina de Educação Visual e Tecnológica. A
história das divergências é mais antiga do que a própria experiência mas
a grande questão actual é o regime de bidocência a que a nova cadeira
está submetida.

<p n=1643>
Tudo indica que o ministro Fernando Nogueira já se decidiu por Fuzeta da
Ponte no comando da Armada. A lei de Defesa impõe que o nome não seja
divulgado antes da escolha ser levada ao Presidente da República. A
Marinha não gosta desta demora por ela dar lugar a «desnecessária
especulação». Mas, o Governo precisa de acertar outra escolha, nas
fileiras do Exército. Trata-se de escolher o general que vai substituir
Fuzeta da Ponte na NATO, em Bruxelas. O dia 14 é tido como «dia de fumo
branco» para os dois lugares.

<p n=1644>
Pacheco Pereira é de opinião que o PSD deve recusar a proposta do PS, no
sentido da realização de uma série de debates televisivos entre os
líderes e outros dirigentes dos partidos com assento parlamentar, à
excepção do PRD. Mas o CDS apoia a iniciativa. E o PCP deve vir a fazer o
mesmo. Os socialistas, que dizem não ficarem surpreendidos com a provável
negativa dos sociais-democratas, vão manter a proposta.

<p n=1645>
Especialistas e profissionais da recuperação de toxicómanos estão
reunidos na Gulbenkian, no IV Encontro das Taipas. Uns defendem que a
toxicodependência é uma questão de comportamento. Outros dizem que é um
problema de crescimento e maturação. De qualquer maneira, o problema
põe-se, cada vez mais, em Portugal.

<p n=1646>
Outra das áreas em que a EPUL vai intervir é a denominada Alto da
Eira-Vale Escuro-Vale de Santo António, que fica a sul da Avenida General
Roçadas e onde ainda vivem, em barracas ou casas degradadas, cerca de 700
famílias. Aqui surgirá, no espaço de seis anos, de acordo com o projecto
enviado em Janeiro à Câmara de Lisboa, uma espécie de Restelo.

<p n=1647>
«Hoje, a existência das hortas e das barracas não permite a quem não
tenha imaginação visualizar a magnífica zona que aquela é, mas pensamos
que com base no plano existente, que poderá ainda sofrer alterações, será
uma zona magnífica e compatibilizará diferentes tipos e níveis de
habitação. Não queremos fazer nenhum gueto só com as pessoas que lá
estão, mas também não queremos expulsá-las para pôr lá outras. Queremos
uma combinação de pessoas com equipamentos comerciais e culturais
capazes», disse ao PÚBLICO o presidente da EPUL. A.N.

<p n=1648>
A operação Martim Moniz surgiu fundamentalmente, dizem os autores do
projecto, como uma oportunidade de dar início ao processo de
reordenamento do centro de Lisboa. Mas se se tratasse de uma questão
médica, o doente já teria morrido. Porém, a EPUL promete arrancar este
ano com a renovação deste Largo, o que está há décadas por concretizar.

<p n=1649>
O processo, na opinião de Hasse Ferreira, tem sido executado a um ritmo
extremamente lento devido à ausência de um plano claro de execução e
calendarização das obras. «Nunca houve um calendário preciso porque havia
o primeiro problema dos comerciantes, depois o segundo problema dos
comerciantes... E ainda com Abecasis na Câmara de Lisboa conseguimos, com
os lojistas que exibiram direitos, negociar a sua instalação provisória
nos pavilhões lá colocados e a definitiva no Palácio dos Aboim.»

<p n=1650>
«Uma coisa de doidos» é como na JAE se fala da articulação entre o
trânsito de Queluz e os futuros acessos à via rápida Lisboa/Sintra. Na
origem do imbróglio parece estar um esquecimento da própria Junta
Autónoma das Estradas. Toda a gente sabe que a CP ia fazer uma nova
estação à entrada desses acessos. A Junta esqueceu-se.

<p n=1651>
Por um lado, a JAE avança a todo o vapor com a construção do nó
Queluz/Queluz de Baixo, por cima da via rápida, junto ao Centro de
Instrução da Guarda Fiscal, e do entroncamento da Ribeira das Forcadas --
entre o ramal de acesso ao nó e a rede viária municipal. Por outro, os
responsáveis ferroviários procedem aos acertos finais do projecto que
deverá levar à edificação da principal estação da linha de Sintra.

<p n=1652>
No Sul do país, os principais corsos carnavalescos mantêm os orçamentos
apesar da actual crise, e as respectivas organizações esperam a habitual
afluência de milhares de forasteiros. Mas brincar com a guerra é que não
brincam. «Não brincamos com coisas sérias», avisam.

<p n=1653>
Como comentava Carlos Cunha, da comissão de festas de Torres Vedras, «o
Carnaval existe para acabar com o `stress'». E acrescentava: «Também
ninguém deixou de ir ao futebol por causa da guerra.»

<p n=1654>
A Comissão Organizadora do Carnaval de Ovar tem tentado evitar qualquer
alusão á guerra do Golfo, questão que durante algum tempo motivou
rumores, na cidade, sobre a não realização este ano dos festejos. «
Procuramos não incluir nada relacionado com essa questão sensivel» diz
Joaquim Barbosa, vereador e membro da Comissão Organizadora que escolheu
para rei do Carnaval D. Melão Xia- «O Patacas», em detrimento de D.
Reicardo, eleito de um lote dos seis candidatos que se apresentaram, em
meados do passado mês de Janeiro, no velho Teatro Ovarense, e em que D.
Golfus ( e D. Marya Arábyca) foi liminarmente rejeitado « por não possuir
sequer um bom texto».

<p n=1655>
«Depois de todo o assédio informativo sobre a guerra, com que temos sido
massacrados, a saída do Carnaval para a rua, constitui um óptimo escape»,
explicava o facto, Mário Correia, funcionário Câmara de Ovar, autarquia
em que os sociais democratas, nas últimas eleições, ampliaram a sua
votação, obtendo maioria absoluta.

<p n=1656>
A época carnavalesca aproxima-se. Este ano, também na Alemanha nada será
como antes. É a guerra. O semanário «Stern» referia: «Os alemães não só
proporcionaram algumas das condições para a situação no Golfo como agora
também fazem vítimas: não haverá Carnaval.» Ambas as coisas são verdade,
mas a sua relação é cínica.

<p n=1657>
Os tempos não estão para festas. E nem só as estrelas do Rock e Pop
americano continuam a cancelar os seus concertos na Alemanha. Em Hannover
não haverá a Gala dos Juristas. O mesmo acontece em Frankfurt com o Baile
dos Médicos e em Hamburgo com o da imprensa. As próprias companhias
seguradoras se mostram pouco dispostas a fazer negócio com acontecimentos
de massas.

<p n=1658>
«O Carnaval carioca somente seria suspenso se nós tivéssemos a certeza de
que o fim do mundo ocorreria no dia do desfile das escolas de samba.
Mesmo assim esperaríamos até à véspera para ver se Deus não mudava a sua
opinião na última hora.» Esta foi a resposta dada no domingo pelo
presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio, Ailton Guimarães, à
pergunta sobre um eventual cancelamento do Carnaval do Rio por causa da
guerra, a exemplo do que já aconteceu com os Carnavais de Munique, Veneza
e Nice, na Europa.

<p n=1659>
No debate organizado pela TV Manchete, na semana passada, entre os
presidentes de escolas de samba (quase todos ligados ao jogo ilegal),
ninguém falou em dificuldades financeiras. A única coisa que provocou
polémica foi a proibição taxativa da exibição da «genitália desnuda»
durante os dois dias de desfile das escolas, no domingo e na
segunda-feira de Carnaval. O surpreendente moralismo dos «capos» do samba
procura impedir que o nu total se torne endémico nos desfiles, seguindo a
tendência esboçada no ano passado, quando alguns figurantes de ambos os
sexos exibiram integralmente a sua anatomia para espectadores delirantes.

<p n=1660>
Os carros já estavam enfeitados e os «monos» aprontados para o célebre
corso carnavalesco de Nice quando rebentou a guerra no Golfo. A Câmara
ainda hesitou durante uns dias sobre se deveria seguir o exemplo de
Veneza, que anulara logo os festejos do Entrudo, pois há cerca de 300
pessoas que dependem financeiramente do grande desfile, preparado com um
ano de antecedência. Mas a eventualidade de baixas francesas na guerra, e
sobretudo o medo de atentados, depressa puseram fim às vacilações.

<p n=1661>
A frequência de cinemas, teatros e restaurantes regista já uma quebra de
cerca de 50 por cento. Nos transportes públicos, é agora possível
encontrar lugar sentado, mesmo nas horas de ponta, e os táxis chegam a
esperar quase uma hora antes de arranjarem passageiros.

<p n=1662>
A guerra no Golfo ameaça transformar o tradicional Carnaval italiano numa
festa da austeridade, sem luxo nem luzes e, principalmente, sem máscaras.
Por medo de actos de terrorismo, a polícia proibiu Arlequins, Pierrots e
Colombinas de cara coberta.

<p n=1663>
Também o Carnaval de Viareggio, de tradições bem conhecidas, modificou o
programa habitual dos seus festejos, embora não tenha renunciado ao
desfile de carros alegóricos pelas ruas da cidade. Durante três semanas a
contar do passado domingo, manter-se-ão em vigor medidas excepcionais de
segurança, tendo já sido destacados 221 polícias para vigiar e controlar
o desfile.

<p n=1664>
Clint Eastwood e Sylvester Stallone deixaram o machismo de lado e
cancelaram as suas viagens à Europa. Mas os poucos turistas que ainda vêm
a Londres estão a encontrar o melhor dos mundos nesta época de guerra:
espaço nos aviões, desconto em hotéis de luxo, mesas à vontade nos
restaurantes, táxis com fartura e bilhetes para espectáculos que, antes,
só conseguiriam no mercado negro.

<p n=1665>
Janeiro e Fevereiro sempre foram meses ruins para o comércio britânico,
mas o efeito do fogo antiaéreo de Saddam Hussein é, talvez, mais visível
no West End londrino do que no Golfo. Nesta sofisticada área comercial,
onde se concentram as lojas da moda, hotéis, restaurantes, clubes,
cinemas e teatros, praticamente tudo está reduzido a quase a metade -- do
número de turistas aos preços.

<p n=1666>
Após dias de polémica na imprensa e entre os representantes das forças
políticas da capital espanhola, os desfiles e outras iniciativas
relacionadas com o Carnaval sempre se realizarão. Mas tudo indica que com
medidas de segurança reforçadas. Mais de 700 polícias foram designados
para garantirem a segurança, especialmente nas tradicionais festividades
de hoje.

<p n=1667>
A proposta de não haver festejos carnavalescos em Madrid partiu da
maioria conservadora (Partido Popular) e centrista (CDS) que preside à
Câmara, invocando o ambiente que se vive com o conflito no Golfo e
medidas de segurança. Ao propor a suspensão das festividades, Angel
Matanzo, do Partido Popular, foi peremptório quanto ao último aspecto:
«Não é o momento adequado, quando nos pedem austeridade e existe a
possibilidade de atentados ao abrigo do anonimato das máscaras.»

<p n=1668>
Ralph Grunenwald, publicitário, havia reservado seis passagens aéreas na
Pan Am. Duas delas destinavam-se aos pais, idosos, que vivem na Alemanha
e que pretendia que o viessem visitar a Nova Iorque. Com as outras quatro
sonhava levar toda a família a conhecer o México nos feriados da Páscoa.
Na semana passada, os pais telefonaram-lhe de Colónia: tinham decidido
não fazer a viagem, pois temiam um ataque terrorista em pleno voo. Agora,
Ralph pensa cancelar a ida ao México, na tentativa de reduzir as despesas
do orçamento familiar.

<p n=1669>
Os noticiários televisivos mostram os principais aeroportos americanos
cercados por barreiras policiais, com pastores-alemães por todo o lado.
Às autoridades portuárias coloca-se já a possibilidade de terem de
alterar as regras do embarque de carga. Em locais de grande afluxo
turístico, como a Disneylândia, Epcot e Miami, as medidas de segurança
foram reforçadas.

<p n=1670>
A pergunta fora feita por uma minhota cuja máscara indicava estar atacada
de brotoeja. O jovem deficiente mental deu a resposta óbvia. Afinal, por
detrás das máscaras, das fantasias e das pinturas, as diferenças
atenuavam-se e o quem é quem deixava de ter importância. Estavam todos
juntos, a brincar aos Jogos sem Fronteiras, uns participando, outros
fazendo a festa da bancada.

<p n=1671>
Ao longo da manhã, animada pelo ambiente festivo da piscina decorada com
motivos náuticos e a música moderna que a todos agitava, os jogos
foram-se sucedendo, vitórias, derrotas, gritos de alegria, suspiros de
cansaço. Nas bancadas, o movimento de palhaços, campinos, abelhinhas,
fadas e cowbois marcava o ritmo do entusiasmo. Alguns saíam do edifíco da
piscina a chorar por mais, mas as monitoras, identificáveis por uns bibes
de xadrez colorido, sabiam que os limites de resistência a ambientes
agitados era muito rapidamente atingido.

<p n=1672>
Cento e três mil alunos, atingindo 95 por cento do total de inscritos na
Prova Geral de Acesso ao Ensino Superior, começaram ontem a manhã -- ou
terminaram a tarde, como aconteceu em Macau -- com um texto de Miguel
Torga escrito num «domingo triste» de 1974. O júri nacional ficou
surpreendido com a tranquilidade em que a primeira chamada decorreu, e os
maiores precalços foram a falta de alguns bilhetes de identidade e um
braço partido em cima da hora. Vão ser agora corrigidas algumas provas,
para testar a própria grelha de correcção, e só depois entrarão em
funções mais de 350 professores das áreas de Português, Filosofia e
História do ensino secundário, para a correcção de 300 provas cada um,
numa operação coordenada em Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal. Todo o
processo será reproduzido no dia 18, quando os alunos forem à segunda
chamada. Em Maio, as notas serão afixadas nas escolas onde as provas
decorreram. Depois das dores de cabeça e do nervosismo de ontem, fica
agora o desejo expresso ao PÚBLICO por Miguel Torga: «Oxalá os rapazes
sejam felizes na interpretação do texto». Oxalá.

<p n=1673>
«É um bom teste, tecnicamente bem feito, mas não me parece adequado para
os alunos que estão a acabar o ensino secundário», comenta Carlos Jorge
Segadães Marques, 27 anos, presidente da Associação Académica de Lisboa e
estudante da Faculdade de Motricidade Humana (ex-ISEF), com o acordo de
Paula Serras, do Instituto Superior de Economia e Gestão, e de Vítor
Costa, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova,
ambos 22 anos, que acharam a prova fácil mas inadequada. Carlos Jorge diz
ainda: «Temos ao longo do secundário um ensino enciclopédico que não
prepara as pessoas para este tipo de prova. É um texto demasiado denso e
a própria estrutura da prova é muito densa. Não sei se duas horas e meia
são tempo suficiente.»

<p n=1674>
Doíam-me as costas ontem de manhã quando entrei na sala 27 da Escola
Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, para fazer a Prova Geral de
Acesso. Veterano nestas coisas (sempre era a terceira vez), não estava
sequer nervoso. Tratava-se antes da responsabilidade própria de quem mais
uma vez tenta ser universitário, embora todos soubéssemos que dentro de
dez dias haveria nova oportunidade. Em volta, gente de quase todas as
idades, aspirantes como eu ao ensino superior. Após duas horas de
concentração, a dor nas costas tinha passado.

<p n=1675>
A PGA de ontem pareceu-me mais trabalhosa mas também mais eficaz que as
anteriores. Se, por um lado, a limitação do espaço das respostas abertas
inibiu a criatividade individual, por outro, o Ministério conseguiu
evitar a dispersão intelectual e eventuais desvarios subjectivos de quem
corrigir a prova. Como já referi, achei a prova deste ano mais
trabalhosa, tendo demorado mais tempo a concluí-la. Se nas edições
anteriores terminei muito antes do tempo concedido, ontem necessitei das
duas horas regulamentares para responder a todas as questões, ainda que
não tenha chegado ao ponto de utilizar os 30 minutos suplementares.

<p n=1676>
Os dirigentes estudantis do Porto ouvidos ontem pelo PÚBLICO estiveram de
acordo na apreciação da PGA deste ano, considerada em termos gerais
satisfatória. Quando comparadas com as do ano anterior, as impressões
colhidas foram muito mais «brandas».

<p n=1677>
Para Jorge Cerveira Pinto, Presidente da Associação de Estudantes da
Faculdade de Economia do Porto, é inequívoco que «aprendemos com alguns
dos erros», embora o «texto escolhido não tenha sido fácil», porque
«exigia uma elevada capacidade de interpretação». A tendência
consensualmente registada para a objectividade, revelou-se para um
elemento da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras do Porto,
João Lopes, como «uma quase neurótica busca de precisão, num estilo a que
os alunos não estão habituados». «É incorrecto, acrescenta este
dirigente, exigir-se numa prova tudo o que não se exigiu ao longo dos
anos anteriores de escolaridade». Se para uns, não foi claro se a
extensão da prova correspondia ao tempo concedido, para outros a
interrogação de fundo era sobretudo saber se «esta reviravolta de estilo
se teria alguma vez processado sem a contestação gerada à volta da PGA».

<p n=1678>
São nove e quarenta e cinco da manhã na Escola Secundária Rainha Dona
Leonor, em Lisboa. Dentro da biblioteca, quatro professoras em grupo
debruçam-se, pela primeira vez, sobre um exemplar da Prova Geral de
Acesso de 1991. De olhar atento, percorrem as 18 páginas que constituem o
teste, sem comentar o conteúdo.

<p n=1679>
«Enganei-me. Dá-me outra folha?», pergunta um aluno. Durante as duas
horas e meia, será esta a frase mais ouvida na sala.

<p n=1680>
No essencial, foi uma prova de gramática de português misturada com
filosofia. Candidatos ao ensino superior comentaram, à saída de duas
escolas de Lisboa, como foi e o que esperam da sua PGA. Têm as férias
para pensar na segunda chamada.

<p n=1681>
Nada para que não estivessem preparados com as provas modelo que todos
fizeram dias atrás. Mas, sublinha Diogo, «essas eram mais fáceis, e as
perguntas de escolha múltipla, mais objectivas». Uma estudante de 20 anos
utiliza o velho argumento do desequilíbrio de oportunidades que dará ao
alunos de «Letras» uma média mais elevada na PGA: «Um bom aluno de
química, que seja razoável a português, não vai ter boa nota». Para que
não se pense que a sua opinião é parcial, acrescenta: «E eu sou aluna de
letras». Filipa, que tentará entrar em Medicina em Lisboa quando acabar o
secundário na escola Pedro Nunes, não encontrou grandes surpresas para
além da facilidade «das questões dos opostos», a escolha dos antónimos
que enchia parte das folhas do teste. Leu o texto de Miguel Torga mais
que uma vez: «À primeira não o percebi muito bem. É certo que devíamos
ter uma certa fluência no português, mas também é certo que é aquilo em
que eu sou pior».

<p n=1682>
Leia atentamente o texto que se segue e responda às questões que sobre
ele são formuladas. As questões 1 a 6 apresentam, cada uma, cinco
alternativas de resposta: deve assinalar na folha de resposta A aquela
que melhor corresponde ao sentido do texto. As questões 7 e 8 envolvem
produção escrita e devem ser respondidas na folha de resposta B.

<p n=1683>
1. Nas linhas iniciais do texto lê-se: «Por cada expressão feliz, quanta
ingenuidade, quanta burrice, quanta gaguez!» (linhas 3--4). O autor
considera aqui que a criação poética é:

<p n=1684>
A menos de dois meses do início do Festival Internacional de Teatro, FIT
91, marcado para 26 de Março, apenas cinco companhias portuguesas estão
confirmadas na programação mas, ao contrário da maioria dos nove grupos
estrangeiros, ainda sem data marcada.

<p n=1685>
Segundo o gabinete de imprensa do festival, a programação  agora
divulgada (os grupos e as datas) está confirmada mas, explicam, «o FIT 91
reserva o direito de a alterar».

<p n=1686>
A aprovação e entrada em vigor de dois diplomas já acordados e datados do
ano passado, um passando os guardas de museus a técnicos auxiliares de
museu e outro fixando-lhes o horário para 35 horas semanais, que
motivaram o anúncio de greve destes funcionários nos dias feriados, foi
ontem à tarde discutida numa reunião entre os representantes dos
trabalhadores  e o sub-director do instituto, Domingos Jerónimo. «O IPPC
tem sido um bom dialogante, mas não adiantou nada sobre o assunto»,
afirmou um participante na reunião confirmando a realização da greve. «Só
desconvocaríamos a greve se nos fossem dadas garantias sobre a resolução
destas questões». Os guardas de museu reivindicam ainda o pagamento das
horas extraordinárias em atraso desde o início do ano. Uma questão à qual
Domingos Jerónimo respondeu tratar-se apenas de um atraso provocado pelas
greves na contabilidade pública.

<p n=1687>
«Grupo de Vanguarda», da autoria do dramaturgo português vivo Vicente
Sanches, será, se o TEUC obtiver os financiamentos necessários ao efeito,
a peça teatral escolhida. O início dos trabalhos, de acordo com
responsáveis do TEUC, está previsto para meados de Março e a estreia para
fins de Maio.

<p n=1688>
As duas vozes mais populares do começo do cinema falado nunca dialogaram
no cinema: Greta Garbo e Ronald Colman. E o êxito deve-se em grande parte
ao sotaque característico de cada uma: o sueco para a primeira, o inglês
para o segundo.

<p n=1689>
O Fundo Eurimages -- organismo de apoio à actividade cinematográfica
ligado ao Conselho da Europa -- aprovou na sua última reunião, em Paris,
um subsídio de 1,2 milhões de francos (cerca de 32 mil contos) a conceder
ao filme «Adeus, Princesa», primeira longa metragem do realizador Jorge
Paixão da Costa, informou o Instituto Português de Cinema. «Adeus,
Princesa» terá argumento do realizador, Clara Pinto Correia (autora da
obra homónima que dá o nome ao filme) e Joaquim Leitão e será produzido
pela Cinequanon (Portugal), 3 B Production (França) e Origen PC
(Espanha), estando previsto o início da rodagem para o próximo mês de
Maio. No mesmo encontro de Paris, o Fundo Eurimages garantiu apoios à
distribuição na Holanda de «Non ou a Vã Glória de Mandar», de Manoel de
Oliveira. A contribuição portuguesa para o Fundo Eurimages aumentou de
850 mil francos franceses em 1990, para 1,2 milhões este ano. Além de
«Adeus, Princesa» e «Non ou a Vã Glória de Mandar», aquele fundo
subsidiou também «Amor e Dedinhos de Pés», de Luís Filipe Rocha, «Terra
Fria», de António Campos, «Até ao Fim», de Joaquim Leitão, e «Retrato de
Família», de Luís Galvão Teles.

<p n=1690>
O CENDREV-Centro Dramático de Évora estreará, no próximo dia 14, a peça
«Helm», de Hans Günther Michelsen, um autor alemão que influenciou
profundamente a dramaturgia dos anos sessenta e setenta. Nesta peça, que
estará em cena de 14 a 17 de Fevereiro, no Teatro Garcia de Resende, em
Évora, o autor retoma um tema ainda vivo no inconsciente colectivo
alemão: a experiência traumática da guerra, a presença das sequelas de
uma experiência tão marcante como foi o nazismo. Em «Helm» são
detectáveis influências de Becket e do teatro do absurdo. A encenação é
de Mário Barradas, também intérprete ao lado de Gil Nave, João Azevedo,
José Russo e Victor Santos.

<p n=1691>
O Museu Nacional dos Coches é aquele que os estrangeiros mais visitam em
Lisboa, um hábito instituído há quase vinte anos. Os operadores
turísticos lamentam a falta de uma estratégia promocional que lhes
permita mostrar outros museus aos turistas.

<p n=1692>
Oitenta e um poetas turcos apresentaram ontem à imprensa, em Istambul, um
longo poema, «Os Versos para a Paz», composto por versos escritos
separadamente sobre o tema «da guerra, da paz e do amor». O porta-voz dos
81 poetas turcos mais conhecidos, Refik Durbas, afirmou, durante uma
conferência de imprensa, que «os poetas deveriam igualmente agir contra a
guerra». Cada um dos poetas escreveu um verso «pela paz» e dois deles
fizeram uma montagem do «poema colectivo de 81 versos», informou. «Os
Versos para a Paz» começam por «Saio e entro pelas portas sem casas» e
terminam com «E tu, guerra, quando é que eles te beijaram...».

<p n=1693>
Enquanto os candidatos ao título procuram conseguir a melhor posição com
vista à fase que se segue, Esgueira, Belenenses, Sanjoanense e
Barreirense ainda sonham com um lugar no grupo dos "oito".

<p n=1694>
A experiência que nos é fornecida pelos países mais evoluídos social,
económica e tecnologicamente, do ponto de vista do desenvolvimento da
capacidade física, traduz-se essencialmente na sua prática corrente, que
é confirmada pelos numerosos estudos realizados nas situações mais
díspares.

<p n=1695>
Essas reflexões assentam em duas perspectivas distintas, mas que acabam
por se completar mutuamente: desenvolvimento das capacidades físicas e
desenvolvimento dos hábitos motores necessários à prática desportiva
contínua ao longo da sua vida.

<p n=1696>
Os adeptos do Benfica e do FC Porto, há muito habituados a uma cerrada
rivalidade, não terão certamente deixado de notar durante a semana dois
pormenores nas classificações dos principais campeonatos: o verdadeiro
braço-de-ferro que portistas e benfiquistas protagonizam em várias
modalidades e a inexistência de um rival à altura dos dois clubes.

<p n=1697>
Apesar do domínio dos «grandes», é notória a presença de várias equipas
de clubes que apostaram forte numa determinada modalidade: o Estrelas da
Avenida (3º no basquetebol), o ABC (3º no andebol), o Óquei de Barcelos
(3º no hóquei em patins) e o Cascais (2º no râguebi). No voleibol, atrás
do Benfica (2º), aparece o «clássico» Leixões, na terceira posição.
Também há modalidades menos importantes em que cada um dos «gigantes»
mantém uma presença forte: o Benfica no râguebi, onde nenhum dos rivais
está presente, e no hóquei em campo, onde o Ramaldense não dá hipóteses;
o Sporting, crónico dominador do ténis de mesa; o bilhar, onde FC Porto e
Benfica reeditam a sua rivalidade, perante um progressivo apagamento de
Alvalade.

<p n=1698>
A equipa do Sporting de Braga, depois de uma viagem demorada e cansativa,
chegou ao Grand Hotel San Marino em plena madrugada de sexta-feira (3
horas da manhã).

<p n=1699>
Mas o pior veio depois: uma viagem de autocarro até Bolonha, sob forte
nevão. Pouco mais de 150 quilómetros cumpridos em mais de 3 horas.

<p n=1700>
Larry Bird e Isiah Thomas serão os dois grandes ausentes do tradicional
jogo anual dos All Stars da NBA (Liga profissional norte-americana de
basquetebol), que amanhã coloca frente-a-frente as selecções das
conferências Este e Oeste, em Charlotte (Carolina do Norte). Larry Bird
não estará presente na sua décima «selecção» -- um recorde absoluto na NBA
--, enquanto a equipa contrária será comandada por Magic Johnson, que
celebra a sua nona participação nestes jogos. Entretanto, foi disputada
mais uma jornada do campeonato da NBA, com os seguintes resultados:
Boston Celtics, 117 - New York Knicks, 101; Washington Bullets, 124 - New
Jersey Nets, 117; Atlanta Hawks, 127 - Charlotte Hornets, 114; Houston
Rockets, 96 - Cleveland Cavaliers, 92; Orlando Magic, 108 - Minnesota
Timberwolves, 103; Chicago Bulls, 95 - Detroit Pistons, 93; Dallas
Mavericks, 102 - Golden State Warriors, 101; San Antonio Spurs, 118 -
Indiana Pacers, 108.

<p n=1701>
A suíça Chantal Bournissen ganhou ontem a descida de
Garmisch-Partenkirchen (Alemanha), válida para a Taça do Mundo de esqui
alpino, com o tempo de 1'37,1'', conseguindo uma vantagem de sete
centésimos de segundo sobre a francesa Carole Merle e 44 centésimos sobre
a austríaca Veronika Wallinger. Medalha de ouro no combinado no
«Mundial», Bournissen, 24 anos, tinha como melhor classificação em
descida nesta temporada um segundo lugar, obtido em Morzine (França). A
austríaca Petra Kronberger, que comanda a Taça do Mundo (classificação
geral e de descida), esteve ausente devido a uma lesão (joelho direito)
contraída no «Mundial». Na classificação geral, Kronberger é primeira com
276 pontos, seguida por Carole Merle (112) e por Chantal Bournissen (97).
Na classificação de descida, a austríaca comanda com 73 pontos, seguida
por Katrin Gutensohn-Knopf (72), Carole Merle (70) e Chantal Bournissen
(60).

<p n=1702>
Vai esta manhã para a estrada o Rali das Camélias, segunda prova do
«Nacional». Organizado pelo Clube Arte e Sport, este rali permitirá aos
adeptos reviverem as outrora famosas noites de Sintra.

<p n=1703>
Consultando a lista de concorrentes, avistam-se três grandes candidatos à
vitória: Carlos Bica, José Miguel e Joaquim Santos, recaindo no piloto da
Rodamsport, José Miguel, a maior dose de favoritismo, principalmente
depois da sua vitória concludente no Rali Sopete ao volante do Ford
Sierra. Carlos Bica, caso já possa dispor de material da Abarth, irá
tentar impôr o seu Lancia Integrale 16V, o mesmo se passando com Joaquim
Santos que, depois do abandono por despiste no Sopete, está a precisar de
um bom resultado com o Toyota Celica GT4.

<p n=1704 assunto=desporto>
Foi uma vitória fácil a conseguida ontem pela selecção portuguesa sub-21
frente aos malteses, por 3-1, em jogo de apuramento para os Jogos
Olímpicos de Barcelona.

<p n=1705>
«Não. Não gostei nada do golo maltês nem da exibição da nossa equipa mos
últimos 30 minutos. Perdemos a articulação de forma inexplicável»,
desabafou Oliveira no final do encontro.

<p n=1706>
Sporting, em masculinos, e Sp. Braga, em femininos, vão tentar este fim
de semana revalidar os seus títulos europeus de clubes em crosse, mas
desta vez com concorrência portuguesa, representada pelo Benfica, à
espreita de uma  oportunidade nas duas provas.

<p n=1707>
E se, em San Marino, a participação de duas equipas portuguesas constitui
estreia na prova, já em Marignane Sporting e Benfica vão repetir o duelo
de 1982, ano em que, pela primeira vez, competiram duas equipas
masculinas portuguesas. Embora desfalcado, em homens, e com uma equipa
jovem e menos experiente, em mulheres, o Benfica tudo fará, por certo,
para tornar realidade um «secreto sonho» que há muito acalenta.

<p n=1708>
Da Grécia para Malta, Artur Jorge apenas fez uma alteração: a troca de
Sousa por Semedo. Portugal quer entrar hoje no Estádio Ta Qali com a
certeza de que os erros de Atenas são coisas do passado. Malta pode dar
uma ajuda.

<p n=1709>
"Sobre essas alterações na defesa" -- afirmou Artur Jorge -- "foram vocês
(jornalistas) que delas falaram e não eu. O que vamos tentar fazer em
Malta é corrigir esses erros".

<p n=1710>
Roberto Carneiro foi muito claro. E sentado à mesma mesa com Pinto da
Costa e com Valentim Loureiro afirmou que a sua vocação não é passar
cheques aos clubes. A pobreza do debate a aridez das argumentações foram
confrangedoras. Para o ministro os clubes devem resolver os seus
problemas sem recorrer à tutela do Estado

<p n=1711>
A iniciativa do partido do Governo talvez pretendesse confrontar o poder
central com as expectativas dos agentes desportivos do Norte (na
circunstância eram da região do Porto) face a um novo poder regional. No
entanto, as intervenções da mesa, onde se sentavam os anfitriões e os
presidentes dos três mais representativos clubes da cidade, só
contribuiram para limitar o âmbito da discussão.

<p n=1712>
O destaque vai para o jogo Malta-Portugal, a contar para o Campeonato da
Europa de futebol, que se realiza no Estádio Tá Qali, em La Valetta, a
partir das 14h15 de Portugal e cuja transmissão será feita no programa
Estádio, no sábado. Transmissões directas do Oliveirense-FC Porto, de
hóquei em patins, do Benfica-Illiabum, em basquetebol (no sábado),
Portugal-Espanha, em futebol de salão, para a Taça Latina (no domingo) e
ainda do Portugal-Angola, a contar para o Troféu RTP de Voleibol (na
sexta-feira).

<p n=1713>
"Bobsleigh" -- Transmissão directa do primeiro dia do Campeonato do Mundo
de "Bobsleigh" masculino, 2 lugares, que se realiza em Altenberg, na
Alemanha.

<p n=1714>
As empresas do grupo de Sousa Cintra continuam a apoiar o Desportivo de
Chaves, mesmo depois de lhe ter sido retirada a concessão do jogo da
região, conforme decisão recente do Conselho de Ministros. Ontem mesmo,
no decorrer de um almoço realizado no Hotel Palace de Vidago, foi
assinado um contrato de patrocínio das Águas de Vidago às equipas de
futebol das camadas jovens do Chaves. A equipa principal de futebol do
Chaves esteve também três dias a estagiar no Palace, aproveitando as boas
condições do complexo turístico, regressando hoje a Chaves, onde no
próximo dia 16 defronta o Guimarães em jogo particular, aproveitando a
paragem do Campeonato.

<p n=1715>
Os membros da Direcção do Farense anunciaram ontem ter colocado os seus
lugares à disposição do presidente da Assembleia Geral do Clube, João
Botelheiro. Na base da atitude está a recusa da Câmara Municipal de Faro,
liderada por Botelheiro, em celebrar com o clube um contrato-programa no
valor de 80 mil contos. Segundo os responsáveis autárquicos, a Câmara não
tem disponibilidade financeira para libertar aquele montante, tanto mais
que vai gastar 45 mil contos nas obras do estádio de S. Luis, onde joga o
Farense, e concedeu ao clube 35 mil contos em subsídios durante o ano de
1990.

<p n=1716>
A pesca artesanal contava apenas, desde 1986,  com apoios do Estado
português para novas construções e modernizações. Ajudas da CEE, só para
barcos com mais de nove metros. Mas a Europa do Sul bateu o pé e Bruxelas
decidiu abranger a generalidade das pequenas embarcações. Ganham os vinte
mil pescadores que as exploram, e o consumidor: o peixe que vendem é do
próprio dia.

<p n=1717>
No caso dos projectos de modernização, os apoios serão dados desde que
«os investimentos elegíveis atinjam pelo menos três mil ECU (624 contos)
para embarcações inferiores a cinco metros, e cinco mil ECU (1040 contos)
para embarcações entre cinco e nove metros, sendo este limite aumentado
para 12 metros no caso dos navios com condições para praticar a pesca de
arrasto». (A taxa de conversão utilizada é de 208 escudos por ECU).

<p n=1718>
A seguradora espanhola do Banesto, Union y El Fenix, investiu em
Portugal nos últimos meses cerca de 15 milhões de contos na compra de
imóveis e de meios informáticos destinados a relançar a actividade da
empresa em Portugal disse ao PÚBLICO, Luis Rodriguez Gonzalez,
director-geral do grupo que considerou o mercado nacional «muito
interessante e com um forte potencial de crescimento.»

<p n=1719>
Para além da Union y El Fenix, detida em 53,5 por cento pelo Banesto, o
grupo de Mario Conde detém em Portugal outras sociedades, nomeadamente, a
Tudor, a Agroman ( empresa de construção civil) e a Hiberinox
(metalomecanica). Controla ainda uma parte significativa do capital
social do Banco Totta & Açores (BTA).

<p n=1720>
Pela terceira vez na semana, o Banco de Portugal juntou-se ontem aos
restantes bancos centrais europeus numa acção concertada de intervenção
junto dos mercados cambiais, comprando dólares para desacelerar a queda
da divisa norte-americana.

<p n=1721>
Desde 1989 que não se assistia a uma concertação dos bancos centrais com
esta amplitude. As instituições da Grã Bretanha, França, Áustria,
Bélgica, Holanda, Espanha, Portugal, Dinamarca, Noruega e Finlândia
responderam ao apelo do Bundesbank.  Todos seguiram o exemplo da Reserva
Federal (FED) dos EUA, comprando activamente dólares num mercado cambial
pouco energético, dada a falta de liquidez à sexta-feira e à queda de
actividade nas principais praças,  em parte explicada pelo mau tempo que
assola o norte da Europa. Em Londres, vários bancos pararam as transações
às onze da manhã.

<p n=1722>
O Banco Internacional do Funchal, BANIF, vai eleger os seus novos corpos
sociais e reforçar a sua implantação na área financeira, com a
constituição de duas novas sociedades, a Mundicre (uma sociedade
financeira de gestões a crédito e a Banifus, sociedade gestora de fundos
de investimento mobiliário que irá gerir três fundos. Um fundo de
tesouraria, um fundo de obrigações e um fundo misto.

<p n=1723>
A empresa japonesa Sony -- que, em 1989, comprou a Columbia Pictures --
pretende agora adquirir a Orion Pictures, uma empresa cinematográfica de
média dimensão com sede em Nova Iorque. O investimento poderá atinguir
500 milhões de dólares (cerca de 68 milhões de contos), montante
equivalente ao passivo da Orion. Esta companhia produziu várias obras de
sucesso, como «Platoon», e filmes de Woody Allen, encontrando-se à beira
da falência devido ao seu elevado passivo.

<p n=1724>
Foram ontem admitidas à cotação nas Bolsas de Valores de Lisboa e Porto
seis milhões de acções da Soporcel -- Sociedade Portuguesa de Celulose
referentes ao aumento de capital realizado pela sociedade em Julho de
1990, rubrica que foi elevada de 17,5 milhões de contos para 23,5 milhões
de contos. Recorde-se que este aumento de capital teve duas modalidades:
uma incorporação de reservas de cinco milhões de contos e subscrição
reservada a accionistas no montante de um milhão de acções.

<p n=1725>
Na sequência da OPA (Operação Pública de Aquisição) lançada pela Novopan
sobre a Siaf e Agloma foram as acções da Novopan e da Siaf suspensas da
cotação do mercado oficial das duas praças financeiras nacionais, entre
os dias 8 e 14 de Fevereiro.

<p n=1726>
Operações de realização de mais-valias, dominaram ontem o comportamento
de ambas Bolsas de Valores. Tanto em Lisboa como no Porto, os índices de
cotações cederam alguns pontos, depois de várias sessões consecutivas de
subidas moderadas.

<p n=1727>
Por outro lado, se a descida dominou a tendência de ontem nas bolsas
portuguesas, o mesmo não aconteceu nas mais importantes praças
internacionais, que mantiveram um comportamento de alta, embora menos
acentuada. Não é que nestas praças não exista "profit-taking", mas a sua
dimensão, numa altura de optimismo como a actual, permite que um
movimento de venda seja acompanhado por um de compra, porventura mais
forte.

<p n=1728>
O Governo vai rever alguns dos pontos mais controversos do Registo
Internacional de Navios da Madeira (MAR), assumindo-se como questão
central a obrigatoriedade vigente de registo de tripulação nacional,
apontada como a principal limitação ao desenvolvimento desta bandeira,
apurou ontem o PÚBLICO.

<p n=1729>
Considerado como o mais importante passo dado desde a criação do segundo
registo nacional, os responsáveis da SDM frisam a «clara vontade» de
Lisboa em dar um novo fôlego ao MAR. O enquadramento legislativo em que
tem funcionado tem sido apontado como o principal responsável pelo
reduzido impacto deste registo.

<p n=1730>
Na segunda-feira, Fernando Nogueira reconfirmou a passagem, em breve, da
Indep a sociedade anónima. Na terça-feira, o Conselho de Ministros para
os Assuntos Económicos aprovou o novo esquema de saneamento financeiro da
Indep. Aos 3,5 milhões de contos previstos, a Defesa acrescentou 250 mil
contos. Mas ainda falta dinheiro.

<p n=1731>
Este último montante, 250 mil contos, deverá ainda ser acrescido, até 12
de Março, em 150 mil contos, totalizando, assim, os 400 mil contos que a
Indep deverá disponibilizar para o aumento de capital da Spel. Este
aumento, de 1,160  para 1,950 milhões de contos, foi decidido na
assembleia extraordinária da Spel, realizada na passada quinta-feira, e
concretizar-se-á através da emissão de 790 mil acções de mil escudos
cada. O objectivo, como já foi referido, é a compra da Extra.

<p n=1732>
A Soserfin fechou o seu primeiro exercício completo de actividade,
relativo a 1990, com um resultado líquido de mais de 200 mil contos (314
mil contos antes de impostos). O volume de proveitos totais da sociedade
de investimentos foi, no mesmo período superior a 554 mil contos.

<p n=1733>
Com um capital social de 1,8 milhões de contos, a Soserfin apresenta uma
estrutura accionista liderada pelo grupo Amorim (35 %), logo seguido dos
franceses Banque Worms (17,61por cento), UAP (7,5 por cento) e pela
Companhia de Seguros Império (7,5 por cento). Esta seguradora aparece
entre os accionistas depois de 31 de Dezembro, altura em que comprou a
participação a Aristide Sain --315 mil acções que passaram em Bolsa a 2270
escudos cada título. R.G.

<p n=1734>
O Exército soviétivo inicia a partir de amanhã manobras militares no
Báltico. O exercício coincide com a contagem dos votos na Lituânia, numa
«sondagem» marcada para hoje e considerada ilegal por Moscovo. Os
dirigentes nacionalistas falam em «manobra de intimidação», e acusam os
militares de participarem no boicote da votação.

<p n=1735>
Encarada como um aumento da pressão das autoridades de Moscovo sobre os
governos independentistas, as operações militares coincidem com outra
denúncia de Landsbergis e do primeiro ministro Gediminas Vagnorius, que
acusaram helicópteros do Exército de lançarem panfletos que incentivam ao
boicote da votação. Ainda ontem, o líder lituano acusou o «Comité Anónimo
de Salvação Nacional», apoiado pelo Partido Comunista local, pró-Moscovo,
da responsabilidade pelo lançamento de panfletos em Kaunas -- capital
histórica da República -- que apelavam à população para não ir votar.

<p n=1736>
ACHILLE Occhetto, líder do antigo Partido Comunista Italiano (PCI), foi
ontem eleito secretário-geral do Partido Democrático de Esquerda (PDS), à
segunda volta, por 376 votos a favor e 127 contra. A votação decorreu em
Roma, durante uma reunião do Conselho Nacional do PDS, cujo símbolo é uma
árvore. À primeira volta Occhetto não obtivera o número de votos
suficientes, dado que muitos membros do Conselho não tinham comparecido à
votação.

<p n=1737>
A NATO poderá suspender o processo de controlo de armamento entre o
Ocidente e o Leste se Moscovo não acabar com os problemas que tem
levantado a um tratado sobre forças convencionais na Europa -- disseram
ontem funcionários da organização e alguns diplomatas. Os soviéticos
ainda não resolveram um diferendo com o Ocidente àcerca da forma de
classificar as diversas unidades militares, ao abrigo do tratado sobre
Forças Convencionais na Europa (CFE), assinado em Novembro últimopelos
membros da NATO e do Pacto de Varsóvia.

<p n=1738>
A Presidência jugoslava decidiu, depois de uma reunião controversa, adiar
para quarta-feira a discussão sobre o futuro do país, pois a liderança
croata se recusou a ir a Belgrado e os líderes da Eslovénia não desejaram
participar no encontro agendado para ontem.

<p n=1739>
Na quarta-feira de manhã, o primeiro-ministro da Eslovénia, Alois
Peterle, declarou que se deveria acabar com a federação, e dias antes o
Presidente da Eslovénia afirmara que a discussão dali em diante iria
incidir sobre como conseguir um divórcio pacífico.

<p n=1740>
As clivagens entre os diversos sectores do partido que acaba de formar
Governo em São Tomé e Príncipe ameaçam dificultar, mas não muito, a
candidatura presidencial que à partida se apresenta como favorita.

<p n=1741>
Os elementos críticos, em parte provenientes de uma antiga Associação
Cívica, poderão muito bem virar-se agora para o independente Guadalupe de
Ceita, o mesmo fazendo alguns militantes da Coligação Democrática de
Oposição (CODO) e uma parte do MLSTP, que até há pouco era poder.

<p n=1742>
Um mês depois de terem colocado no poder o Movimento para a Democracia
(MPD), os cabo-verdianos vão no dia 17 escolher o Presidente da
República, prevendo-se que reconfirmem o seu desejo de mudança, elegendo
António Mascarenhas Monteiro.

<p n=1743>
Visivelmente agastado, o Presidente que os cabo-verdianos conhecem desde
1975 recusou, esta semana, debates públicos na rádio e na televisão,
alegando o baixo nível que a campanha eleitoral atingiu nos últimos dias.

<p n=1744>
Os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) vão
inaugurar estes mês uma das maiores redes de tróleis do país, com uma
extensão superior a 22 quilómetros, e que está orçada em cerca de 30.000
contos, segundo disse à agência Lusa uma fonte da empresa.

<p n=1745>
Segundo Albertino de Sousa, a electrificação do percurso teve em vista a
utilização de uma «energia mais limpa e a custos mais baixos»

<p n=1746>
Ciosa dos seus interesses, Vila Franca de Xira despertou agora  com a
questão da instalação e localização de uma sala de bingo no concelho:
numa sessão extraordinária da assembleia de freguesia de Vila Franca, que
encheu ontem o salão dos bombeiros local, foi aprovado um documento, a
entregar em mão ao Secretário de Estado do Turismo, exigindo «a reposição
da situação inicial» -- um bingo na cidade.

<p n=1747>
José Mário Cerejo, ex-presidente do vilafranquense condena a atitude do
Alverca e sublinha: «Vila Franca está aqui em causa. Terá que ser
explicado à cidade porque foi substituída».

<p n=1748>
Uma ameaça de bomba paralisou ontem de manhã a circulação ferroviária
entre o Cacém e Sintra. Num telefonema anónimo efectuado para a estação
do Algueirão pelas 5h20, um indivíduo comunicou a existência de uma bomba
na linha sem, contudo, ter evocado qualquer razão para o facto, segundo
informou ao PÚBLICO Américo Ramalho, das relações públicas da CP.

<p n=1749>
Na Cinemateca, mais Marx Brothers às 15h30, «Casa de Doidos», às 18h30,
«Uma noite em Casablanca» e, às 21h30, os Marx voltam ao Far-West... No
auditório do Padrão dos Descobrimentos, prossegue o ciclo Na Margem --
Imagens em Movimento, com três filmes: «Malvadez», de Luís Alvaraes, às
16h00, «Um Passo, Outro Passo e Depois», às 17h00, e «Foto Roman», de Ken
Kobland, às 18h00.

<p n=1750>
Quatro mortos e dois feridos, um dos quais em estado grave, é o resultado
de uma colisão entre dois ligeiros de passageiros ocorrida ontem de manhã
ao quilómetro 160 da estrada nacional número 1, no lugar de Marco do Sul,
freguesia de Rendinha, Pombal.

<p n=1751>
Na mesma unidade hospitalar deu entrada em estado grave o condutor do
táxi, Lucídio Carlos Sintra, de 62 anos, e Lina da Silva Domingues, de
54, que entretanto veio a falecer. A outra ocupante do táxi, Saudade da
Silva, de 83 anos, teve morte imediata, tendo sido transportada pelo
Bombeiros Voluntários de Pombal para a morgue do hospital da cidade.

<p n=1752>
As siglas são uma linguagem muito traiçoeira... Quem leu quinta-feira o
título de abertura do caderno Local Lisboa (e saiba de siglas)
apercebeu-se disso. Escrever «A ETAR já está» foi um erro, devia ser,
quando muito, «A CITRS já está» -- que tem menos graça, mas é muito mais
exacto. Uma ETAR é uma Estação de Tratamento de Águas Residuais, enquanto
aquilo de que se falava era uma CITRS, Central Industrial de Tratamento
de Resíduos Sólidos. As nossas desculpas pela distracção.

<p n=1753>
No belíssimo cenário do salão da Sociedade de Geografia, a autarquia
promoveu a primeira reflexão pública sobre a candidatura portuguesa.
Apesar das várias dezenas de presenças, o impacte do Fórum não terá sido
o justificado pela importância da aposta internacional, porventura devido
ao anúncio, feito escassos dias antes, pelo Governo, da localização para
a desejada mostra subordinada ao tema «O Mar e os Oceanos».

<p n=1754>
Centenas de cabeças de gado desapareceram durante os últimos três anos no
concelho de Odemira. Os agricultores desconfiavam que por ali andava
«lobo» vestido com pele de «cordeiro», mas por receio de represálias não
se atreviam a denunciar os nomes que estariam na origem do «mistério» do
desaparecimento dos seus animais.

<p n=1755>
Os seis elementos do grupo foram ontem presentes ao tribunal de Odemira e
julgados em processo sumário, tendo os «patrões» saído em liberdade
provisória com cauções de 250 contos e 500 contos. Três dos quatro
rapazes, com idades entre os 16 e 29 anos, foram mandados para a cadeia
de Beja e aguardam julgamento.

<p n=1756>
Mais de mil trabalhadores da industria hoteleira do Algarve estão com
salários em atraso, disse ao PÚBLICO o presidente do Sindicato da
Industria de Hotelaria e Turismo do Algarve, Fernando Amaro, adiantando
que o facto prende-se com métodos de gestão «pouco perceptíveis»
praticados por algumas empresas.

<p n=1757>
O dirigente sindical, Fernando Amaro, rejeitou qualquer ligação deste
caso com a guerra do Golfo e acrescentou que são sempre as mesmas
empresas que, salvo raras excepções, todos os anos se verifica o atraso
do pagamento dos salários.

<p n=1758>
Marina de Cascais, junto à Cidadela, sim ou não? É uma autêntica batalha
naval de argumentos entre defensores e detractores do projecto. «O PS
embirra com a marina», dizem os sociais-democratas, que por sua vez são
acusados de «teimosia e bairrismo» ao não reconhecerem o impacto
ambiental negativo do projecto.

<p n=1759>
O senhor Ribeiro, banheiro na Praia da Azarujinha, é um homem idoso
tostado pelo sol e inconformado com a projectada localização da marina.
Na terça-feira à noite aguardou estoicamente pelo período reservado ao
público na reunião da Assembleia Municipal de Cascais, dedicada à
discussão do projecto da marina. E foi já na madrugada de quarta-feira
que disse de sua justiça, apesar da pouca atenção e dos sorrisos dos
políticos, pouco habituados a tão livre utilização do verbo. Vive da
praia que lhe está concessionada e sente que pode ficar sem ela. Quer
saber quem assume a responsabilidade pelo projecto. Escreveu cartas ao
Presidente da República e ao primeiro-ministro e está disposto a «ir até
à CEE». No Verão passado teve que trazer camiões de areia do Guincho para
aumentar o areal da sua praia.

<p n=1760>
O estudo entregue pelo grupo francês Bouygues às Câmaras do Grande Porto
interessadas na instalação de um eléctrico rápido prevê que Gaia seja a
central da futura empresa.

<p n=1761>
Desde que foi iniciado pela Câmara este processo de consultas, que trouxe
já ao Porto empresas de diferentes países, foi com a «Bouygues» que o
projecto assumiu contornos tão consistentes.

<p n=1762>
Reunidos em Viana nas Jornadas para o Desenvolvimento, os autarcas do
Alto Minho haviam prometido não falar da futura auto-estrada
Porto-Corunha. As divergências sobre o seu traçado espelham afinal
ambição idêntica por parte do interior e do litoral da região.

<p n=1763>
Em regra geral, todos querem a auto-estrada a passar próximo dos
respectivos concelhos. Formaram-se então dois blocos: os que defendem uma
passagem pelo interior e os que reivindicam um traçado litoral, mais
próximo de Viana e dos principais pólos de desenvolvimento da região.
Porém, para afastar cenários de discórdia sobre uma questão que apenas
existe em abstracto, os autarcas afirmavam em coro tratar-se de um
problema do Governo.

<p n=1764>
A Câmara da Moita apresentou, na quinta-feira passada, aos órgãos de
comunicação social o Plano de Desenvolvimento Cultural e Desportivo para
o ano em curso.

<p n=1765>
No campo cultural, foi realçado pelo vereador que está a decorrer o
concurso para a Biblioteca Municipal, localizada no centro da vila da
Moita. Uma obra avaliada em 212 mil contos, estando 50 por cento do
financiamento a cargo do Instituto Português do Livro.

<p n=1766>
O único membro do PS e os três eleitos da CDU na Assembleia de Freguesia
de Santo Isidro de Pegões, concelho do Montijo, enviaram ao ministro do
Planeamento e Ordenamento do Território, Valente de Oliveira, um pedido
de inspecção à contabilidade efectuada entre 1987 e 1990 pela Junta de
Freguesia de Santo Isidro.

<p n=1767>
Contactado pelo PÚBLICO, António Aresta disse que as afirmações
proferidas pelos membros da oposição da Assembleia de Freguesia de Santo
Isidro de Pegões «não traduzem a verdade». «São de má-fé e sem o mínimo
de fundamento». No entanto, acrescentou que em tempo oportuno comentará o
assunto.

<p n=1768>
O concelho de Palmela poderá vir a ser contemplado com uma escola
profissional no próximo ano lectivo, se o projecto que a Santa Casa da
Misericórdia local apresentou ao Ministério da Educação for aprovado até
Março.

<p n=1769>
O projecto da Escola Profissional palmelense já teve, segundo Inácio
Baião, «o apoio do Governador Civil de Setúbal e do presidente da câmara
de Palmela».

<p n=1770>
César Torres confirmou em Tomar que parte do Convento de Cristo será
transformado em pousada. A guerra do Golfo está a originar a chegada de
turistas franceses, alemães e escandinavos.

<p n=1771>
«Além do motivo da minha deslocação particular a Tomar, ligada à
resolução do problema referido, esta visita serviu para analisar aspectos
relacionados com o turismo da região dos Templários e visitar pela
primeira vez as excelentes instalações que a região dispõe», disse o
secretário de Estado.

<p n=1772>
Sesimbra acordou ontem com dezenas de carros imobilizados, o que impediu
muita gente de chegar ao trabalho a horas. Alguém, ou «um grupinho», como
pensa a GNR, se lembrou de, durante a noite, furar pelo menos dois dos
pneus dos carros que estivessem estacionados nas ruas. Entre eles, um
particular, de um guarda da GNR e todos os que se encontravam no parque
de estacionamento do Hotel do Mar.

<p n=1773>
«Só pela minha mão passaram mais de 100 pneus, e em muitos houve que
mudar as câmaras de ar, mas ainda cá tenho mais 300 câmaras para o que
for preciso» -- disse ao PÚBLICO o funcionário da AutoSimbra, uma oficina
de reparação local. Numa outra, a garagem Esso, o movimento foi idêntico,
com cerca de 120 pneus reparados, tarefa que, segundo um funcionário,
ocupou «o dia inteiro».

<p n=1774>
O vereador Francisco Matos passou a exercer as funções de presidente da
Câmara Municipal de Silves, em substituição de José Francisco Viseu
recentemente falecido, noticiou ontem a agência Lusa citando a autarquia.

<p n=1775>
Um sismo de grau seis na escala de Mercalli foi sentido ontem à tarde na
Ilha de S. Miguel, nos Açores, sem que no entanto tenha causado vítimas
ou danos materiais.

<p n=1776>
Dirigentes do Sindicato da Administração Local (STAL) e dos Trabalhadores
do Município de Lisboa entregaram ontem ao chefe de gabinete do
Secretário de Estado Nunes Liberato, uma resolução de protesto contra os
atrasos nos compromissos assumidos pelo executivo e exigindo que sejam
abertos espaços diálogo e negociação.

<p n=1777>
Helena Quinta, da direcção do STAL, disse ao PÚBLICO que já desde
Setembro do ano passado que lhes fora dito pelo Governo que o diploma
relativo ao subsídio de insalubridade iria ser enviado, para discussão
aos sindicatos, mas até hoje não o receberam. Por outro lado, receberam a
semana passada um pedido de parecer sobre o estatuto de pessoal
dirigente, com um prazo de resposta de dez dias. «Isto não é querer
negociar, porque depois de aguardarmos mais de dois anos não é em 10 dias
que se elabora um parecer jurídico e se contacta a classe» -- salientou
Helena Quinta.

<p n=1778>
Séries, filmes, documentários, desporto para todos os gostos e para todas
as idades -- eis a receita de qualquer televisão que se preze para o dia
de sábado. A RTP não escapa à regra, com a vantagem (uma enorme
vantagem!) de ser o único (!) dia da semana em que não exibe produtos
«made in Brasil».

<p n=1779>
«O engenheiro Hermínio Martinho tem seguramente características de um
líder partidário, como de resto indicam as sondagens»

<p n=1780>
A guerra do Golfo, que subitamente absorveu todo o pensamento e toda a
crítica do meio político português, vem, com as eleições presidenciais,
somar-se à negação portuguesa à discussão teórica dos problemas, e à
eterna veia do chocarro e da maledicência que celebrizou José Agostinho
de Macedo, os Vencidos da Vida, Rafael Bordalo, a propaganda da 1ª
República (misto de abjecção e de impunidade trauliteira) e, já nos
nossos dias, valores indiscutíveis como Vasco Pulido Valente, que, na
esteira de Alfredo Pimenta, destrói com génio sem nunca oferecer o seu
próprio pensamento para uma construção do Estado ou da relação política
entre os homens. A construção ideológica, a humildade da ideia que se
oferece para debate ou semente, são sempre sepultadas pela paixão do
acontecimento, ou pelo entusiasmo, digno das barracas de tiro ao alvo do
Parque Mayer, com que o público assiste ao derrubar de figuras e ao
fabrico sistemático de cadáveres políticos. Nem mesmo as primeiras
figuras do palco político conseguem despertar sobre as ideias que
defendem ou combatem um diálogo construtivo e fecundo. Assim, as
tentativas com que Mário Soares procurou que o duelo das presidenciais se
deslocasse do pântano das acusações tenebrosas para o deserto do combate
de ideias, foram pouco a pouco esquecendo até serem simplesmente
equiparadas à retórica vã dos comícios de propaganda.

<p n=1781>
Não me é possível, na estreita limitação de espaço e da índole
jornalística em que me devo manter, analisar à exaustão as ideias--chaves
da linguagem presidencial. Mas cabe-me tentar a agitação das ideias, a
evidenciação dos paradoxos, das limitações ou desconhecimento dos
caminhos que pretende abrir para o futuro da Nação, tanto mais que me
sinto co--responsável na vinda à luz de certos temas e na porfiada luta,
sustentada há quinze anos, para que eles sejam objecto de exame e debate
e de proposta de soluções concretas.

<p n=1782>
Não tenho saber nem nome que me propicie espaço bastante para fazer um
comentário alargado à crónica do Dr. Espada (PÚBLICO, 29 Janeiro), pelo
que me resta aproveitar o espaço e gerir as ideias.

<p n=1783>
Da Presidência do Instituto Português do Património Cultural recebemos o
seguinte pedido de esclarecimento:

<p n=1784>
No artigo anteontem publicado com o título «A prova dos 107 mil
candidatos», está errada a referência ao Movimento Católico dos
Estudantes como tendo resultado da fusão da JEC e da JOC. De facto, foi a
Juventude Universitária Católica que se juntou com a Juventude Escolar
Católica, e a Juventude Operária Católica mantém-se autónoma.

<p n=1785>
O «Diário da República» É uma publicação de avant-garde a  todos os
níveis e não meramente artístico. Esta semana, por exemplo, publica o
importantíssimo Estatuto do Medicamento, ao mesmo tempo que se debruça
sobre questões tão candentes como os perdões fiscais do Secretário de
Estado dos Assuntos Fiscais, o acesso aos arquivos da RTP ou, ainda, a
nova Exposição do Mundo Português. E, tudo isto, num ambiente de folia ao
considerar dia feriado a próxima terça-feira de Carnaval!

<p n=1786>
Os socialistas já têm agendado para o próximo fim de semana o início de
nova operação de propaganda. Saiem os painéis do «Agora nós» , mas
distribuem-se cartazes, autocolantes e outros materiais com o mesmo rosto
e o mesmo slogan. É a onda cor-de-rosa a ameaçar a maré laranja.

<p n=1787>
Há motivos de estratégia de marketing, para além das evidências, que
explicam que assim seja. Os socialistas, com efeito, estão de tal modo
convencidos que um dos segredos dos painéis foi eles terem aparecido
quando se generalizava a ideia de que «o partido estava em baixo», que
não escondem o seu júbilo quando anotam o facto de o PSD, «ainda hoje»,
não ter conseguido responder à iniciativa.

<p n=1788>
Mário Soares irá enviar uma mensagem à Assembleia da República tendo por
pano de fundo a situação na comunicação social. A iniciativa só se
concretizará após o início do segundo mandato do Presidente e pretende
pôr em evidência as preocupações de Soares pela situação que se vive no
sector. O tema foi, de resto, objecto de várias intervenções do candidato
durante a campanha, ocasiões em que, em tom acutilante, se referiu à
«falta de pluralismo» e de «independência» de alguns orgão de comunicação
social. Sabe-se que a RTP será um dos alvos do Presidente o que, dados os
precedentes - a troca de cartas de protesto entre o Chefe da Casa Civil
de Belém e o director de informação da Televisão e as queixas do MASP à
CNE e à Alta Autoridade para a Comunicação Social durante a campanha
eleitoral - não causa espanto.

<p n=1789>
Durante a reunião com os membros da Alta Autoridade, as críticas do PR
não se circunscreveram à RTP, apesar de continuar a ser «preocupação
dominante». Soares estendeu o labéu às rádios públicas e à imprensa
escrita, defendendo «maior isenção e pluralismo» na comunicação social em
geral e fazendo transparecer a determinação presidencial de pôr em
prática o que foi anunciado durante a campanha eleitoral - assumir maior
protagonismo nas críticas à comunicação social.

<p n=1790>
A conclusão de que o PS está ainda longe de ser a «casa comum da
esquerda» portuguesa --uma expressão utilizada por Felipe Gonzalez para
designar o PSOE e que Jorge Sampaio adoptou--, e a «sombra» do PCP
(traduzida no recente resultado eleitoral obtido por Carlos Carvalhas)
dominaram o primeiro dos debates organizados pela distrital lisboeta dos
socialistas, subordinados ao tema genérico «O PS responde». Foi José
Magalhães, o deputado independente ex- PCP e «candidato» a um lugar nas
listas do PS para as próximas legislativas, quem tirou a conclusão: mais
do que uma «casa comum», que os socialistas ainda não souberam erigir, a
esquerda portuguesa partilha « a dor comum de ser oposição».

<p n=1791>
Guilherme Oliveira Martins, questionando-se das razões que o poderão,
como «cidadão comum», a votar PS em detrimento do valor seguro PSD,
levantava a «lebre» da  necessidade de se afirmar uma alternativa PS para
governar.

<p n=1792>
Com Soares «preocupado» e em vias de convocar os partidos para Belém,
Freitas não altera a sua posição contrária à amnistia. Entretanto, no CDS
preparam-se as legislativas. Objectivo primeiro: evitar a repetição de
maiorias absolutas.

<p n=1793>
Evitar a maioria absoluta, quer do PSD, quer do PS, constitui o grande
objectivo do CDS para a legislativas deste ano. Sem o explicitar como tal
é o que resulta das declarações ontem proferidas por Freitas do Amaral,
em conferência de imprensa, onde os centristas apelaram ao Presidente da
República para «exercer a sua magistratura de influência» junto da RTP
para a realização da série de debates já propostos pelo PS, que mereceu o
acordo do CDS.

<p n=1794>
O «calvário anual dos ferroviários reformados» foi levado ao hemiciclo
pelo Partido Socialista. O deputado Rui Vieira relatou o caso dos cerca
de 20 mil que «pedem audiências e correm Ceca e Meca» mas, «ou porque o
Conselho de Gestão da CP demora ou porque os serviços da Caixa Nacional
de Pensões não funcionam, recebem os seus aumentos com 5, 6, 7 e mais
meses de atraso». Nas galerias, dezenas de reformados assistiam à sessão
e quebravam a compostura regimental com aplausos incontidos. Não ficaram
sem resposta. Vieira de Castro, o secretário de Estado da segurança
Social, levava a notícia pronta e garantiu que no mês de Março as
reformas atrasadas serão postas em dia.

<p n=1795>
E porque dos caminhos de ferro nem só os pensionistas se queixam, o PCP
deu uma achega com uma pergunta sobre a «gestão ruinosa» da empresa, as
preocupações dos cerca de 22 mil trabalhadores e dos milhões de utentes,
a braços com «deficientes condições de segurança», e dos agentes
económicos e mesmo das autarquias locais preocupadas com o
desenvolvimento regional, nos casos em que a CP decide fechar ramais. «Só
falta vender bilhetes para os passageiros a pé fazerem o percurso
pretendido», ironizava o comunista Luís Roque. Jorge Antas, secretário de
Estado dos Transportes, contraargumentou com a convicção de que «nunca se
investiu tanto» e desmentiu que seja o Governo a encerrar ramais: «são as
escolhas dos utentes». Quanto à alegada falta de respeito pelos direitos
dos trabalhadores, o governante optou pelo argumento esmagador: «a CP
está em paz».

<p n=1796>
A sexta ronda de conversações entre o Governo de Luanda e a UNITA, que
fora convocada pela mediação portuguesa para os dias 6 e 7 últimos, não
chegou a ser iniciada. Durante esses dois dias realizaram-se encontros
bilaterais de Portugal e dos observadores norte-americanos e soviéticos
com ambos os beligerantes angolanos.

<p n=1797>
Portugal e os observadores dos EUA e da URSS projectam agora encontrar-se
em princípios de Março, provavelmente no dia 4, para tratar da agenda e
convocar com maior segurança a nova reunião entre o Governo de Luanda e a
UNITA.

<p n=1798>
O PSD não faz a vontade a Soares na autonomia administrativa e financeira
da Presidência. Alfredo Barroso não é equiparado a secretário de Estado,
o aumento de pessoal fica aquém do desejado e as verbas para viagens saem
do Orçamento do MNE para ficarem, «às claras», no «bolo» da PR. Belém
aguarda para ver.

<p n=1799>
Os consensos há meses adivinhados - depois de uma primeira cedência do
PSD, que começou por ser contra o princípio da autonomia (durante a
revisão constitucional) e acabou por ceder à sua aceitação -, assentavam
no projecto de lei originariamente apresentado na AR por Almeida Santos,
em nome do PS. De acordo com esse texto, a Presidência passaria a
elaborar, propôr e executar o seu próprio orçamento, sendo, na sua função
administrativa, coadjuvada por um conselho de administração constituído
pelos Chefes das Casas Civil e Militar e pelo secretário-geral da
Presidência, equiparando-se os limites de competência para a autorização
de despesas aos que vigoram para o primeiro-ministro.

<p n=1800>
Leia atentamente o texto que se segue e responda às questões que sobre
ele são formuladas. As questões 1 a 6 apresentam, cada uma, cinco
alternativas de resposta: deve assinalar na folha de resposta A aquela
que melhor corresponde ao sentido do texto. As questões 7 e 8 envolvem
produção escrita e devem ser respondidas na folha de resposta B.

<p n=1801>
1. Nas linhas iniciais do texto lê-se: «Por cada expressão feliz, quanta
ingenuidade, quanta burrice, quanta gaguez!» (linhas 3--4). O autor
considera aqui que a criação poética é:

<p n=1802>
A «falta de sensibilidade dos autarcas portugueses para as questões
ambientais» foi considerada «lamentável» pelo presidente da Comissão para
o Ambiente da Associação Nacional de Municípios (ANMP), José Carvalho.
Dos 53 representantes dos municípios portugueses cujas áreas urbanas têm
mais de 50 mil habitantes, apenas 25 se inscreveram e 17 estiveram
presentes no seminário nacional sobre «O Livro Verde do Ambiente Urbano»,
que ontem decorreu em Coimbra.

<p n=1803>
A deputada Helena Roseta -- que a título pessoal, fez questão de estar
presente na defesa daquilo a que chama «direitos urbanos», -- salientou o
facto do Decreto-lei 69/90 do Ministério do Ordenamento do Território,
que exige dos municípios a apresentação de um plano de zonamento,
contrariar a filosofia defendida no «livro verde», o que classificou como
«uma tragédia nacional». Num documento que entregou à mesa, Helena Roseta
propôs a criação de uma «convenção dos direitos urbanos», que «impeça  os
políticos e os técnicos de tomar as decisões que muito bem entendem». «É
necessário impor limites às asneiras que eles fazem sem pagar nada por
isso», afirmou.

<p n=1804>
Os arguidos que se encontram detidos no âmbito do processo judicial
Aveiro Conecction, relativo ao desmantelamento de uma rede de contrabando
que envolveu nas malhas da corrupção altas patentes militares , deverão
ser libertados no próximo dia 21 de Março. Nesta data expiram os três
anos previstos na lei penal portuguesa como limite máximo da prisão
preventiva.

<p n=1805>
O Manecas é acusado dos crimes de associação criminosa, contrabando e
corrupção mas o processo de extradição apenas se concretizou em função
deste último crime. Esta contradição entre a acusação e os pressupostos
da extradição levanta vários problemas que não se sabe ainda como serão
resolvidos. Fontes judiciais  contactadas pelo PÚBLICO , admitem como
provável, por exemplo, que este arguido venha a ser julgado à revelia
pelos crimes de associação criminosa e contrabando, estando, embora,
presente no julgamento, a responder pela prática de crimes de corrupção.

<p n=1806>
Mil e oitocentos casos de cólera foram já registados no Peru, 600 dos
quais em Lima, desde a declaração de uma epidemia da doença, há dez dias.
Vinte e quatro doentes terão morrido, de acordo com dados oficiais, mas a
imprensa peruana fala já em 40 mortos. A epidemia de cólera foi detectada
na cidade portuária de Chimbote, a 412 quilómetros ao norte de Lima, onde
800 casos foram registados até ontem, depois alastrou à capital peruana e
atingiu uma dezena de outras localidades num raio de mil quilómetros. A
maior parte dos doentes hospitalizados vêm de bairros pobres, onde não
existem condições mínimas de salubridade. As autoridades alertaram a
população para adoptar absolutas medidas de higiene e não consumir frutos
do mar crus.

<p n=1807>
Um grupo de ecologistas da Cidade do México resolveu aproveitar a
insuportável poluição atmosférica da capital mexicana para avançar com um
novo negócio: vender oxigénio. O Movimento de Ecologistas Mexicanos
pretende instalar dez pontos de venda na cidade, onde trinta segundos de
purificação pulmonar com oxigénio custarão cerca de 230 escudos -- metade
da remuneração mínima diária. «Pode ser um óptimo negócio», afirma Afonso
Cipres Villareal, líder do movimento. Os ecologistas dizem que a camada
de poluentes que cobre a Cidade do México neste Inverno, que muitos
habitantes enfrentam com máscaras de gás, é a pior de sempre.

<p n=1808>
O ambiente está a ser destruído pela teologia cristã tradicional e pelo
pensamento ocidental porque ambos colocam o homem no centro do mundo,
disse ontem um delegado (citado pela Reuter) ao Conselho Ecuménico  das
Igrejas (CEI), que decorre em Camberra, Austrália.

<p n=1809>
«A teologia tradicional cristã e o pensamento ocidental colocam o ser
humano no centro do mundo e o homem tem o poder de controlar e dominar a
criação», acrescentou.

<p n=1810>
O Governo brasileiro começou a enfrentar pressões internacionais por
causa do assassínio do líder camponês Expedito Ribeiro de Souza, muito
antes do que esperavam as autoridades de Brasília. Expedito, que já é
apontado como um novo "Chico Mendes" foi morto a tiro no sul do Estado do
Pará, no dia 2 de Janeiro. A notícia saiu nos jornais do Rio e São Paulo,
no dia 4, e quinta-feira a embaixada brasileira em Washington recebeu uma
carta das principais organizações ecológicas dos Estados Unidos com
severas críticas à violência rural e às violações dos direitos humanos.

<p n=1811>
Agora os objectivos da campanha deflagrada com o assassínio de Expedito
Ribeiro de Souza vão ainda mais longe. Steve Schwartzman, um dos
dirigentes do  Environmental Defense Fund, quer que o presidente
brasileiro, Collor de Mello, assegure os direitos humanos dos
trabalhadores rurais na conflagrada região norte do Brasil.

<p n=1812>
A INTERVENÇÃO comunitária na assistência psiquiátrica foi ontem
amplamente debatida no Centro de Estudos Judiciários, em Lisboa. O tema
esteve na base de todas as intervenções do quinto Encontro sobre Cuidados
Primários de Saúde Mental e Assistência Psiquiátrica que termina hoje.
Dezenas de médicos, pofessores, juristas e representantes de autarquias
juntaram-se para debater as medidas que podem diminuir os geradores de
«stress» da sociedade moderna -- uma das principais causas da doença
mental, na opinião do psiquiatra João Azevedo e Silva, organizador da
iniciativa.

<p n=1813>
«Para o retomar de uma Assistência Psiquiátrica Moderna e Democrática na
Lisboa Concreta dos anos 90, foi o tema de uma das comunicações da sessão
de ontem, marcada também pelo debate dos temas «Comunidade Escolar ƒum
olhar leituras várias» e «Intervenção Comunitária Inter-Hospitalar». «A
Participação da Comunidade na Promoção da Saúde Mental Infantil,
Lembrando a Infância esquecida» será um dos temas mais fortes de hoje.
PTC

<p n=1814>
O médico de clínica geral Fernando Manuel Gonçalves Rebolo, de 56 anos,
que exercia funções no Centro de Saúde Gourjão Henriques, em Leiria, foi
abatido cerca das zero horas de ontem, na garagem do prédio onde residia,
com três tiros de pistola.

<p n=1815>
Depois de ter accionado o comando automático do portão exterior da
garagem e de ter entrado com a carrinha até próximo do respectivo
alvéolo, soaram os tiros. Os familiares pensaram, contudo, que se tratava
de uma brincadeira de Carnaval, pelo que não desceram à cave para se
certificarem do que acontecera.

<p n=1816>
O Sindicato dos Músicos entregou um pré-aviso de greve da Orquestra do
Teatro Nacional de São Carlos à estreia da ópera «Rinaldo», de Haendel,
marcada para segunda-feira, invocando como motivos «a falta de
cumprimento dos compromissos assumidos relativamente à reformulação das
condições gerais de trabalho, processo que se arrasta há cerca de meio
ano» e «o protelamento injustificado por parte do Teatro de decisões
sobre assuntos da maior importância para o normal funcionamento da
Orquestra».

<p n=1817>
«A reunião de 31 de Janeiro foi adiada pelo representante da SEC nas
conversações, o dr. Rui Leitão, do Gabinete de Planeamento, que alegou
que lhe faltavam elementos importantes da Régie. Marcámos nova reunião,
que também foi adiada. Ao fim da tarde de quinta-feira, o presidente do
Conselho de Administração do São Carlos, dr. Salgado de Matos, chamou-nos
para dizer que havia fortes possibilidades de o dr. Rui Leitão nos
entregar o documento ontem ao meio-dia e meia hora. Mas o dr. Rui Leitão
não apareceu, telefonou a dizer que não tinha documento nenhum, e mais,
que a SEC reconsiderara e que a reestruturação da Orquestra afinal devia
fazer-se no âmbito do Teatro de São Carlos», disse Pedro Wallenstein.

<p n=1818>
O mistério sobre o destino da carta enviada pela Shell, na quinta-feira,
a Mira Amaral, na qual se explicava os motivos da desistência do
consórcio ao concurso do gás natural, está desfeito. Segundo uma fonte do
Ministério da Indústria, tudo se explica pela identificação do remetente.

<p n=1819>
O envelope, encontrado já na quinta-feira à noite, continha uma única
folha A4. Em três parágrafos, o grupo anunciava a sua desistência,
reflectia as suas dúvidas sobre a viabilidade económica do projecto, ao
mesmo tempo que manifestava a sua disponibilidade para projectos futuros
ligados ao gás natural.

<p n=1820>
Carvalho Araújo vende para Angola -- A Carvalho Araújo, de Braga, que
produz mobiliário com a assinatura de Siza Vieira, conseguiu um contrato
de móveis escolares para Angola, no valor de 210 mil contos. Entretanto,
a empresa concedeu recentemente a representação da sua marca a uma firma
francesa, a Sigma, que passará a ter o exclusivo da comercialização no
seu país e levará a marca portuguesa ao «Bureau Concept», que decorre de
18 a 22 deste mês, em Paris. A Carvalho Araújo encerrou as contas de 1990
com um volume de facturação de 800 mil contos, prevendo para este ano que
esse número ascenda a um milhão e 400 mil contos.

<p n=1821>
Foi a primeira vez desde há vários anos que a guerrilha se atreveu a
atacar na própria capital, tendo o ministro do Interior dito que esta
acção afecta o turismo e o investimento estrangeiro.

<p n=1822>
A GNR de Albufeira e a Judiciária de Faro detiveram na noite de
quinta-feira mais três cidadãos ingleses, suspeitos de pertencerem a uma
rede de tráfico de divisas.

<p n=1823>
Portugal poderá apresentar um protesto junto do governo australiano, caso
se confirme a formalização do acordo entre a Austrália e a Indonésia para
a exploração de recursos no Timor GAP, admitiram ontem fontes oficiosas,
citadas pela agência Lusa. De acordo com estas fontes, o embaixador de
Portugal em Camberra, José Luís Gomes, poderá já ter sido instruído no
sentido de apresentar o protesto de Lisboa no mais curto espaço de tempo
possível, tanto mais que a formalização do acordo entre os governos da
Austrália e da Indonésia poderia estar iminente.

<p n=1824>
Um novo partido ecologista, provavelmente designado de «Lista Verde»,
poderá vir a nascer em Maio, por iniciativa de ex-militantes de «Os
Verdes» e outros activistas da área ambiental. A falta de dinheiro deverá
fazer com que a organização assuma a forma de um simples gabinete
eleitoral, com o objectivo imediato de promover a constituição de listas
próprias para as próximas eleições legislativas, ou de negociar a
integração de alguns dos seus membros em listas de outros partidos.

<p n=1825>
Na óptica de Porfírio Alves Pires, ao contrário, este conjunto de
organizações -- como outras, também em fase de constituição, no Porto, em
Almada, no Montijo e no Algarve -- «entrecruza-se e é complementar».
Reconhecendo embora que a multipilicação de associações pode conduzir a
uma «duplicação de esforços», o ex-dirigente de «Os Verdes» sustenta,
todavia, que isso permite que «se uma área falhar, a outra possa
avançar».

<p n=1826>
Os vice-almirantes Fuzeta da Ponte, Machado da Silva e Ribeiro Pacheco,
os três oficiais com perfil para desempenharem o cargo de chefe de
Estado-Maior da Armada, foram convocados para um encontro, na passada
segunda-feira, dia 4, com o ministro da Defesa, segundo revela a agência
Lusa.

<p n=1827>
Parte do material que seria enviado pela Associação Médica Internacional
(AMI) à Roménia, para dar apoio a um grupo de crianças de um orfanato
consideradas «irrecuperáveis», foi ontem roubado do armazém da
organização, em Lisboa. As portas do armazém, localizado na rua
Cooperativa Portugal Novo, na zona das Olaias, foram arrombadas e pelo
menos uma caixa de papelão contendo brinquedos e roupas foi levada pelos
assaltantes, de acordo com uma dirigente da AMI, Conceição Costa. O
assalto, segundo Conceição Costa, foi notado cerca das 16h00 por um dos
colaboradores que vêm fazendo a recolha, em Lisboa, dos donativos para as
crianças romenas. O armazém da AMI, cedido à organização pela Câmara
Municipal de Lisboa há cerca de oito meses, não dispõe de luz nem água e
já foi alvo de vário roubos anteriormente. Conceição Costa garante,
porém, que o assalto de ontem não vai prejudicar envio do material à
Roménia, previsto para o próximo dia 15 de Março. «Faremos a missão na
mesma, nem que seja preciso trabalhar noite e dia». A Polícia de
Segurança Pública não tinha, até ao fecho desta edição, quaisquer
informações disponíveis sobre o ocorrido.

<p n=1828>
Quarenta e sete trabalhadores do «O Comércio do Porto» começaram ontem a
receber uma carta que comunica a decisão do Conselho de Administração da
empresa de proceder ao seu despedimento colectivo a partir do próximo dia
11 de Abril, informou o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de
Celulose.

<p n=1829>
ESTER OBIÑA PRESA POR BRANQUEAMENTO -- Ester Obiña, mulher do conhecido
«capo» do narcotráfico galego  Laureano Obiña, foi ontem presa em
Espanha, após ter sido ouvida pelo juiz Baltazar Garzon, sob acusação de
branqueamento de dinheiro da droga. O seu marido, após sete meses de fuga
das autoridades espanholas, foi detido no passado dia 19 de Janeiro pela
polícia. O casal Obiña é considerado pelo juiz Baltazar Garzon como peça
fundamental para o apuramento do complexo processo de branqueamento do
dinheiro do narcotráfico.

<p n=1830>
TORRES COUTO RECANDIDATA-SE À UGT -- O eurodeputado Torres Couto (PS)
anunciou ontem, em conferência de imprensa, a sua intenção de se
recandidatar ao cargo de secretário-geral da UGT, no  congresso sindical
que decorrerá no final deste ano. Torres Couto proporá ainda a criação do
cargo de secretário-geral adjunto, a ser ocupado pelo socialista João
Proença, devendo manter-se Pereira Lopes (PSD) como presidente da
organização.

<p n=1831>
Se para a Amorim a quebra do contrato decorre da modificação do quadro
legal em que se desenvolveram as negociações (quando da assinatura era
previsível que o «Jornal de Notícias» fosse vendido por concurso público,
cabendo às cooperativas de jornalistas condições preferenciais que não se
materializaram na venda em Bolsa), os homens da Alfapress realçam o
atraso com que a decisão lhes foi comunicada, inviabilizando a procura de
alternativas de financiamento.

<p n=1832>
O COMANDANTE das forças conjuntas árabes, general Prince  Khaled Ben
Sultan, anunciou ontem que 1354 soldados iraquianos já se renderam aos
aliados desde a invasão do Kuwait pelo Iraque, a 2 de Agosto.

<p n=1833>
Para tornar a vida difícil aos desertores, as forças iraquianas possuem
«batalhões de execução» instalados na retaguarda das linhas defensivas,
com a missão de os abaterem. Além disso, o eventual desertor tem de
atravessar vários campos de minas na zona da fronteira saudi-kuwaitiana.

<p n=1834>
EM BAGDAD, no dia de repouso semanal, os habitantes da capital iraquiana,
banhada por um frio sol de Inverno, e depois de uma noite mais calma que
as anteriores, saíram de suas casas para os habituais passeios.
Diferentes do normal.

<p n=1835>
«Não se esqueça, só pomos lenços de papel nos quartos dos VIP», dizia
ontem de manhã um dos encarregados da limpeza do hotel al-Rashid a uma
empregada. A recomendação ilustra bem o que é hoje em dia o al-Rashid.

<p n=1836>
Dick Cheney e Colin Powell, quais olhos e os ouvidos de Bush, chegaram à
Arabia Saudita para analisarem «in loco» o que designam por «equação
militar». A decisão presidencial sobre a data da ofensiva terrestre está
dependente do apuramento das perdas já infligidas ao Iraque durante a
fase dos bombardeamentos aéreos, a «fase 1».

<p n=1837>
Por seu lado, Dick Cheney levantou também a hipótese da fase dos
bombardeamentos aéreos se prolongar por mais algum tempo, embora
conjugada com intervenções estratégicas das forças terrestres. «Pode
acontecer que, para tornar a campanha aérea mais efectiva, seja oportuno
adicionar-lhe  outros elementos: as forças terrestres ou anfíbias, de
forma a que ele [Saddam] seja obrigado a deslocar as suas tropas das
posições que tem preparadas. Isso torná-lo-ia vulnerável à nossa força
aérea».

<p n=1838>
PARA QUE a «comunidade internacional e a opinião pública mundial saibam a
verdade», o Governo do Iraque pediu ontem às Nações Unidas o envio de uma
missão de investigação para averiguar se a fábrica iraquiana destruída
pela aviação aliada produzia leite para bebé, como diz Bagdad, ou armas
bacteriológicas, como sustenta a força multinacional. Javier Perez de
Cuellar, secretário-geral da ONU, recebeu este primeiro pedido de
investigação a estragos de guerra através de uma carta entregue por Abdul
Al-Anbari, representante iraquiano na ONU.

<p n=1839>
O GOVERNO de Israel vai receber em breve mais oito rampas de lançamento
equipadas com mísseis Patriot, desta vez oferecidas pela Holanda,
anunciou ontem o Governo de Haia. A entrega, ainda sem data fixada,
responderá a um pedido «de há alguns dias» do Governo israelita, porque o
Estado judaico vive sob constante ameaça dos mísseis Scud iraquianos,
afirmaram os ministros holandeses dos Negócios Estrageiros e da Defesa.

<p n=1840>
O GOVERNO terá ficado desagradado com a diligência diplomática do
Presidente da República junto da OLP, na sequência do apelo dirigido a
Mário Soares por Yasser Arafat. Houve discordâncias políticas, choque de
competências, divergências sobre a oportunidade da iniciativa? Nada
disso. Aconteceu apenas que o Governo não gostou que Belém tivesse
divulgado publicamente a realização do encontro em Tunes entre o chefe de
gabinete do Presidente, embaixador Nunes Barata, e o líder da OLP.

<p n=1841>
Suspeita-se, além disso, que o mal-estar entre o Presidente e o Governo
se baseia mais em rivalidades pessoais de protagonismo do que em questões
políticas relevantes para o país. Se não é assim -- e será bom que o não
seja --, Mário Soares e Cavaco Silva terão de explicar directamente aos
portugueses, e não através de canais ínvios e sinuosos, o que pensam, por
exemplo, sobre o actual papel de Portugal na cena internacional, a
amnistia das FP-25 ou o pluralismo da comunicação social. Soares já
anunciou que vai tomar posição pública sobre este último tema. Será um
oportuno ponto de partida para o Presidente e o Governo enriquecerem o
debate democrático em todos os domínios onde prevalece a intriga e está
ausente a discussão tranparente de pontos de vista.

<p n=1842>
No seu pequeno gabinete do Departamento de Ciências Políticas da
Universidade Hebraica de Jerusalém, Zeev Sternhell já iniciou o trabalho
de investigação para o seu próximo livro. Porque é que o Partido
Trabalhista de Israel -- o movimento de Ben-Gurion, de Golda Meir, de
Moshe Dayan ou de Yitzhak Rabin -- que governou o país desde a sua
fundação, em 1948, até à guerra do Yom Kipour, está política e moralmente
morto? Para Zeev Sternhell, é a direita nacionalista -- «a direita
nacionalista integral» que viveu sempre na margem do movimento sionista --
que ocupa o poder em Israel. E esse facto leva-o a pensar que pode ser
perdida a oportunidade histórica, criada pela guerra do Golfo, para
Israel encontrar finalmente a paz. A ideologia de Shamir é, pura e
simplesmente, a «Terra de Israel». Sternhell pensa que, se não for
obrigado por Washington, ele não dará um passo para negociar a paz com o
mundo árabe e, em primeiro lugar, com o povo palestiniano.

<p n=1843>
Quando digo Israel não falo na opinião pública israelita nem, certamente,
de mim próprio, mas falo do Governo. A direita nacionalista está no poder
em Israel. E esta direita nacionalista tentará, em minha opinião,
congelar a situação existente. Dirá aos americanos: vocês fizeram-nos um
favor, nós fizemo-vos um favor, agora deixem-nos em paz.

<p n=1844>
Uma percentagem substancial dos gastos efectuados pelo exército americano
em programas de investigação de defesa contra ataques biológicos foram
dirigidos contra microorganismos que não são considerados armas
potenciais. Uma grande parte da investigação militar, além do mais,
duplica desnecessariamnete investigação civil que está a ser feita nos
mesmos domínios. Estas são duas das conclusões de um estudo recente do
General Accounting Office (GAO) americano, elaborado a pedido do Senado.
O GAO não critica a investigação efectuada pela sua falta de eficácia,
mas sim pela sua deficiente escolha de objectivos.

<p n=1845>
O principal objectivo destes programas de pesquisa consistia no
desenvolvimento de vacinas e medicamentos contra germes que pudessem ser
utilizados contra as tropas, mas o GAO considerou que 3 dos dez produtos
já desenvolvidos e 2 dos seis produtos em vias de desenvolvimento,
representavam igualmente uma defesa contra agentes patogénicos... que não
são considerados uma ameaça. Neste caso, o investimento que o GAO
considera desperdiçado atinge 43 por cento.

<p n=1846>
«Ninguém se pode enganar. O Iraque vai perder a guerra. Mas é das cinzas
dessa derrota que nascerá um mundo árabe novo. Nada será como antes».
Quem o diz é Louata Mohamed, membro do Comité Executivo do Istqlal, o
partido que lidera a oposição em Marrocos, fundado em 1944, 41 lugares no
Parlamento e com várias passagens pelo Governo.

<p n=1847>
O Istqlal, partido nacionalista, bate-se pela marroquinização a todos os
níveis da vida do país -- advoga por exemplo a substituição dos quadros
franceses por técnicos locais --, e foi um dos grandes impulsionadores da
manifestação de domingo.

<p n=1848>
Estavam a jantar, uma noite destas, e decidiram fazer as contas:
sozinho, o português tinha mais tempo de guerra que os 300 homens da
unidade juntos. Invasão do Líbano (prémio Overseas Pen Club, o mais
importante a seguir ao EMY), El Salvador, guerra Irão-Iraque,
Afeganistão, Nicarágua: Mário de Carvalho, 40 anos, natural dos Açores,
criado em Cascais, correu ao lado dos soldados de quase todas as guerras
do nosso tempo. Com uma câmara de televisão ao ombro.

<p n=1849>
R. -- Muito sobressaltada. Dorme-se com um olho fechado e o outro aberto.
Constantemente a medir a distância entre nós e o abrigo. O mais pequeno
ruído desperta-nos e faz-nos deitar a mão à máscara [de gás]. Só durante
o dia se acaba por dormir aqueles 45 minutos que realmente descansam.

<p n=1850>
Como não podia deixar de ser, a terminologia bélica e a fácil simbologia
da guerra, dominam as preferências e as tendências carnavalescas deste
ano, sem grandes dilemas morais. Não supreende, portanto, que o rosto de
Saddam Hussein  surja invariavelmente no meio das máscaras mais horrendas
que a imaginação do homem pode conceber e o plástico consegue fabricar.
Concerteza que não faltarão os inevitáveis «mísseis» e «mísseis
anti-míssel», com a vantagem de se tratar de um disfarce fácil de
improvisar. E como em todas as guerras (como em todos os diálogos) têm de
existir duas entidades, também Bush e os símbolos norte-americanos estão
na ordem do dia. Este vai ser o ano das roupagens árabes e dos lenços que
Yasser Arafat ajudou a popularizar. Vai ser um carnaval rico em mantos
brancos a lembrar desérticas areias de Lawrence da Arábia, e fardas
camufladas a sugerir tropas da «coligação» e poços de petróleo.
Comercialmente, vai haver concerteza vantagens nas vastas alegorias de
carnaval que a temática da guerra proporciona. E a julgar pelo que as
montras revelam, já toda a gente pensou nisso.

<p n=1851>
O atento embaixador de um país da CEE cedo encontrou explicação para o
mistério de uma abertura informativa não anunciada: nenhum dos 29 feridos
dos Scuds tinha nacionalidade saudita; e a maioria das vítimas que os
repórteres entrevistavam eram jordanas -- o país cuja opinião pública mais
claramente apoia Saddam...

<p n=1852>
Judeu nascido na Polónia, em 1935, Zeev Sternhell teve uma infância cheia
de perigosas peripécias: escapou sucessivamente aos soviéticos, aos nazis
e depois aos próprios polacos. Saiu em 1956 da Escola de Oficiais de
Israel com o posto de tenente de artilharia. «De guerra em guerra, fui
soldado durante trinta anos», afirmou.

<p n=1853>
06h45 - O general Norman Schwarzkopf, comandante das forças aliadas no
Golfo, declara à cadeia de televisão ABC que pilotos iraquianos tentaram
bombardear o Presidente Saddam Hussein antes de fugirem para o Irão.

<p n=1854>
Rumores sobre uma possível ruptura das relações diplomáticas entre os EUA
e a Jordânia foram desmentidos ontem ao fim do dia por Amã. No entanto,
segundo Washington, o rei Hussein já escolheu o lado de Saddam. E, para
provar ao monarca que escolheu o «lado errado», os americanos começam por
«rever» a ajuda económica à Jordânia.

<p n=1855>
No entanto, nas ruas da capital jordana, milhares de pessoas empunhavam
cartazes pró-iraquianos e modelos reduzidos dos mísseis Scud utilizados
pelo Iraque. « Saddam, ataca os americanos e os judeus», «Atinge Televive
com armas químicas», gritavam os cerca de sete mil jordanos, um dia
depois de os EUA terem admitido a hipótese de reduzir a ajuda económica à
Jordânia.

<p n=1856>
O Chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos EUA e o secretário da
Defesa, Dick Cheney, chegaram ontem à Arábia Saudita, numa viagem
«assombrada» pela incerteza em relação à data da ofensiva terrestre. As
respostas, se as houver, ficam adiadas até segunda-feira, dia em que os
dois «enviados» de Bush vão entregar ao Presidente um relatório
pormenorizado da sua visita.

<p n=1857>
Um outro número foi ontem divulgado: 1354 soldados iraquianos
entregaram-se às forças aliadas desde o início da crise, a 2 de Agosto,
sendo considerados «refugiados militares». Entretanto, um general saudita
revelou que o Presidente iraquiano tinha constituído um batalhão de
execuções para matar os desertores. Quanto aos prisioneiros de guerra
aliados, Saddam já afirmou que não autoriza o Comité Internacional da
Cruz Vermelha a visitá-los. Washington mostrou-se «escandalizado».

<p n=1858>
Algumas embaixadas da CEE acreditadas em Portugal fizeram seguir para os
respectivos Governos a informação de que o Presidente da República já
recebeu a resposta do líder da OLP, Yasser Arafat. Esta resposta
refere-se à mensagem que Mário Soares dirigiu na semana passada ao líder
palestiniano e que lhe foi entregue directamente em Tunes pelo chefe de
gabinete do Presidente.

<p n=1859>
Os dirigentes palestinianos contactaram o representante diplomático
português, a pedido de Arafat, depois de o jornal tunisino «Assabah» ter
publicado, na primeira página, um artigo em que relata as declarações de
Deus Pinheiro à saída da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros
dos Doze, segundo as quais no encontro se teria chegado a um acordo sobre
o «congelamento» de todos os contactos com Arafat e a OLP, que teria
deixado de ser um interlocutor válido. Após o telefonema, Carlos
Milheirão enviou de imediato um telegrama para Lisboa solicitando «uma
resposta muito urgente» do Governo português.

<p n=1860>
A NATO reforçou a vigilância das rotas de acesso ao Mar Mediterrâneo com
a Força Naval Permanente do Atlântico (STANAVERORLANT), composta por
navios de seis países. Esta força naval, que depende do Comando Superior
Aliado com sede na base naval de Norfolk, Estado norte-americano de
Virgínia, está estacionada desde ontem no arquipélago da Madeira e deve
fazer-se ao mar na terça-feira.

<p n=1861>
Um mês depois da reeleição de Mário Soares para novo mandato, com o apoio
mais ou menos explícito do PSD, o Presidente e a maioria governamental já
abriram três frentes de batalha. Após o episódio do envio de uma carta do
PR ao líder da OLP, Yasser Arafat, através do chefe de Gabinete de Belém
-- gesto visto com desconfiança em S. Bento --, o ministro dos Negócios
Estrangeiros anuncia um «congelamento» de relações da CEE com a
organização palestiniana. Só que as coisas não são bem assim, e o PÚBLICO
revela que dirigentes palestinianos em Tunes solicitaram esclarecimentos
sobre a real posição do Governo de Lisboa face à OLP. Outro assunto que
promete aquecer os ânimos entre S. Bento e Belém é a autonomia
administrativa e financeira da Presidência. O PSD quer «pôr a nu» os
gastos de Soares e, por isso, vai recusar propostas de Almeida Santos.
Por seu turno, o PR promete contra-atacar pelo lado da comunicação social
e fazer desta matéria um dos grandes desígnios do seu mandato. A «falta
de pluralismo» no sector preocupa Soares, que vai mandar uma mensagem ao
Parlamento sobre o assunto.

<p n=1862>
George Bush terá segunda-feira para análise um relatório elaborado pelo
secretário da Defesa, Dick Cheney, e pelo comandante das Forças Armadas,
general Colin Powell, sobre a visita de três dias à Arábia Saudita que
ontem iniciaram. Os «olhos e ouvidos» de Bush recolhem no terreno os
elementos que permitirão ao Presidente decidir quando começará a ofensiva
terrestre. Neste compasso de espera, as bombas continuam a cair sobre o
Iraque e endurece a guerra de palavras entre os EUA e a Jordânia, por
entre rumores (desmentidos) de iminente corte de relações.

<p n=1863>
A pesca artesanal passará a receber investimentos de dois a 2,5 milhões
de contos por ano, contra os 600 mil contos que vinham sendo aplicados
desde 1986. Esta estimativa, adiantada ao PÚBLICO pelo secretário de
Estado das Pescas, João Marçal Alves, decorre da aprovação pela Comissão
Europeia de um regime inédito de ajuda à pesca artesanal, que abrange a
construção de novos barcos e a modernização dos já existentes. p. 44

<p n=1864>
O banco central português, respondendo a um apelo lançado pelo seu
congénere alemão, o Bundesbank, trocou marcos e escudos por dólares,
respectivamente a 1,4578 marcos e 128,917 escudos. O Banco de Portugal
recusou-se a revelar o valor total da intervenção, que foi efectuada
através de algumas instituições financeiras, entre as quais o Banco de
Fomento Exterior e o Citibank.  p. 33

<p n=1865>
Os 3,5 milhões de contos necessários ao saneamento financeiro das
Indústrias Nacionais de Defesa-INDEP foi acordado, esta semana, pelo
Ministério da Defesa com os seus pares do Governo. Em segredo está a
forma de financiamento. O Ministério da Defesa não esclarece onde foi
encontrar o dinheiro. P. 33

<p n=1866>
O trânsito de entrada e saída de Queluz arrisca-se a ficar ainda mais
insuportável do que já é. A CP está a preparar-se para construir a
principal estação da linha de Sintra junto à nova entrada da via rápida
Lisboa/Sintra. A JAE esqueceu-se desse `pormenor' ao  projectar os
acessos que já começou a construir.

<p n=1867>
Outra das áreas em que a EPUL vai intervir é a denominada Alto da
Eira-Vale Escuro-Vale de Santo António, que fica a sul da Avenida General
Roçadas e onde ainda vivem, em barracas ou casas degradadas, cerca de 700
famílias. Aqui surgirá, no espaço de seis anos, de acordo com o projecto
enviado em Janeiro à Câmara de Lisboa, uma espécie de Restelo.

<p n=1868>
«Hoje, a existência das hortas e das barracas não permite a quem não
tenha imaginação visualizar a magnífica zona que aquela é, mas pensamos
que com base no plano existente, que poderá ainda sofrer alterações, será
uma zona magnífica e compatibilizará diferentes tipos e níveis de
habitação. Não queremos fazer nenhum gueto só com as pessoas que lá
estão, mas também não queremos expulsá-las para pôr lá outras. Queremos
uma combinação de pessoas com equipamentos comerciais e culturais
capazes», disse ao PÚBLICO o presidente da EPUL. A.N.

<p n=1869>
A operação Martim Moniz surgiu fundamentalmente, dizem os autores do
projecto, como uma oportunidade de dar início ao processo de
reordenamento do centro de Lisboa. Mas se se tratasse de uma questão
médica, o doente já teria morrido. Porém, a EPUL promete arrancar este
ano com a renovação deste Largo, o que está há décadas por concretizar.

<p n=1870>
O processo, na opinião de Hasse Ferreira, tem sido executado a um ritmo
extremamente lento devido à ausência de um plano claro de execução e
calendarização das obras. «Nunca houve um calendário preciso porque havia
o primeiro problema dos comerciantes, depois o segundo problema dos
comerciantes... E ainda com Abecasis na Câmara de Lisboa conseguimos, com
os lojistas que exibiram direitos, negociar a sua instalação provisória
nos pavilhões lá colocados e a definitiva no Palácio dos Aboim.»

<p n=1871>
«O `Combate Branco' não pretende servir de passatempo a pseudo-`skins' da
moda (...), burguesolas à procura de emoções fortes (as únicas que terão
é o contacto brutal e directo com as nossa biqueiras metálicas) e todo o
tipo de jovenzinhos alienados pelo charro e apatia que envergonham a
nossa raça e a nossa cultura.»

<p n=1872>
Após a morte de José Carvalho, foram detectados pelo menos 13 casos de
agressões atribuídas a «skinheads», onze dos quais na cidade do Porto. O
mais grave ocorreu ali, em 19 de Novembro de 1989, quando Francisco
Faustino, de raça negra, foi espancado e colocado, inconsciente, sobre a
linha do caminho-de-ferro. L.P.N.

<p n=1873>
Autoridades policiais admitiram ao PÚBLICO que a nova onda de violência
no Porto possa ser atribuída a uma opção táctica, relacionada com o
silêncio dos «skinheads», em Lisboa. Enquanto dura o julgamento do grupo
acusado no caso do assassínio de José Carvalho? A polícia ainda não tem
resposta. Apenas sabe que, no Porto, há uma nova componente ideológica e
novos líderes, vindos de Lisboa, nos bandos.

<p n=1874>
Agora, as autoridades admitem que estas novas agressões, no Porto, se
devam à acção agitadora de alguns elementos oriundos do Sul do país.
Relacionam esta deslocação do teatro da violência com a aparente opção
táctica pelo silêncio temporário em Lisboa, onde decorre o julgamento de
um grupo de «skinheads», acusados no caso do assassínio José Carvalho,
dirigente do Partido Socialista Revolucionário,

<p n=1875>
A morte de José Carvalho fez nascer uma pergunta: Quem são os «skins»,
rapados e racistas? No Tribunal de Monsanto, onde decorre o julgamento de
um assassínio, os réus «skins» não se lembram, recordam-se vagamente ou
arrogantemente esqueceram-se.

<p n=1876>
Ele é Pedro Grilo, hoje com 19 anos, que tem uma cruz céltica tatuada no
braço e que poucas horas depois do crime já prestava declarações na
Judiciária. Após evidentes «nuances» que marcaram os diversos depoimentos
que foi prestando antes do julgamento, a posição de Grilo destaca-se pela
assumpção da posse de um «canivete» que empunhou no local da luta. Era a
primeira audiência e houve quem se entreolhasse como que a dizer «Temos
homem». Mais uma vez, caíram em erro. Por análise simplista.

<p n=1877>
O Teatro Municipal de S. Luiz festeja hoje, às 11h00, e amanhã, às 18h30,
o Carnaval. As obras «O Carnaval dos Animais» de Saint-Saëns e «O
Carnaval» de Shumann formam um  programa com momentos  «cheios de
espírito» e música da mais «sublime» que o maestro José Atalaya, o
director artístico da iniciativa, quer tornar uma tradição.

<p n=1878>
Entraram os músicos e entrou o cão de Adriano Jordão. O pianista explicou
ao animal que um artista deve olhar sempre para o público e, enquanto
conduziam o canino a um lugar na plateia, comentou-se que também o cão
estava sem jantar.

<p n=1879>
Os regulares programas da Orquestra Gulbenkian raras vezes se perfilam
nas temporadas da Fundação como núcleos de privilegiada atenção. Não
tanto porque se lhes possa atribuir uma média qualitativa -- em termos de
reportório ou de intérpretes -- inferior à exigível pelo devoto público
das noites de quinta-feiras e tardes de sextas. Mas sim porque a
excepcional programação nos domínios do recital solístico, da música de
câmara (incluindo o «lied»), a que nos tem habituado o Serviço de Música,
se constitui normalmente como núcleo de opções preferenciais dos
limitados orçamentos dos melómanos melhor informados sobre o «ranking»
mundial da interpretação musical.

<p n=1880>
Era previsível - e a actuação de Ughi é já mais de meia confirmação - que
a comparação venha a resultar numa estimulante constatação da abertura da
música do passado a múltiplas concepções de recuperação do espírito
oitocentista. À excêntrica imaginação que Kennedy acrescenta ao seu
invulgar apetrechamento técnico, opõe Ughi um irrepreensível classicismo,
recusando liminarmente a visão do concerto de Tchaikovsky como um mero
pretexto para a pirotecnia virtuosistica.

<p n=1881>
Alguma desilusão resultou da visão do filme «The Witches», de Nicolas
Roeg, que marcou a abertura oficial da 11ª edição do Festival
Internacional de Cinema do Porto, no Auditório Carlos Alberto, na noite
de sexta-feira. Não tanto porque se esperasse algo de particularmente
especial do trabalho do realizador de «O Homem Que Veio do Espaço», mas
mais pela expectativa criada pelas referências elogiosas à interpretação
de Angelica Huston, recentemente premiada com um Globo de Ouro pela
crítica novaiorquina e citada como estando na corrida para os «Oscars» de
Hollywood.

<p n=1882>
Nas outras sessões de antestreias que o festival apresentou, no seu
primeiro dia -- marcado pela ausência de «Nouvelle Vague», de Jean-Luc
Godard, cuja cópia ainda não chegou ao Porto --, o tema dominante foi o
futuro pós-apocalíptico e pós-nuclear, presente em dois filmes
americanos.

<p n=1883>
As dúvidas sobre a realização do 41º Festival de cinema de Berlim, devido
à guerra no Golfo, levantadas por alguns jornais americanos, foram
ultrapassadas. No próximo dia 15, como estava planeado, começará a 41ª
edição do Festival de Cinema de Berlim. Os americanos serão em menor
número o que parece, inclusive, alegrar os organizadores.

<p n=1884>
Uma decisão que os organizadores justificam: mesmo nos anos da guerra
fria, a Berlinale conseguiu unir dois mundos, Ocidente e Leste, numa sala
de cinema. Agora, perante a Guerra do Golfo, e mais do que nunca, o
Festival, que sempre teve uma função pacífica, deve realizar-se, não
apesar da guerra, mas por causa dela. Afinal «a Berlinale não é um
concurso de Carnaval, mas sim um encontro de trabalho», lembra Morritz de
Hadeln.

<p n=1885>
Enquanto a grande Feira de Arte que é a ARCO continua aberta até ao
próximo dia 12 nos pavilhões da IFEMA, Madrid proporciona muitas outras
ofertas artísticas no campo da contemporaneidade. Circuitos também
comerciais ou museológidos que confirmam a dimensão europeia da capital
espanhola.

<p n=1886>
As ofertas actuais podem já ilustrar os projectos de Maria Corral que,
vinda da direcção da colecção da Fundação «Caja de Pensiones» tem uma
concepção não historicista de museu. A retrospectiva de Markus Lüpertz,
marca a relação com a actualidade internacional, as de Francesc Torres e
Joan Brossa, a da actualidade espanhola e, finalmente, a da colecção
Guggenheim, a da revisão da modernidade histórica.

<p n=1887>
O jogo de abertura deste 14º Torneio Internacional de juniores do Algarve
revestia-se de alguma importância, para ver até que ponto os jovens
jogadores desta equipa seriam capazes de revelar capacidades e condições
de continuar os êxitos das equipas suas antecessoras que, para além de
boas classificações em campeonatos da Europa e do Mundo, somam seis
vitórias nas anteriores treze edições deste mesmo Torneio do Algarve.

<p n=1888>
Dir-se-ia que alguns destes jovens já aprenderam alguns dos aspectos mais
negativos que caracterizam os mais velhos, ao dramatizarem e simularem
quedas no intuito de influenciar as decisões do árbitro. Foi o que
aconteceu aos 15', quando Luizinho se infiltrou pela direita, foi
carregado à entrada da área e fez o espectáculo de se atirar para a
frente, tentando o penalti. José Pratas, o árbitro, não foi na «fita» e
gorou-se assim a oportunidade em que Portugal esteve mais perto da baliza
adversária no primeiro tempo.

<p n=1889 assunto=desporto>
A vitória por 1-0 conseguida ontem pela selecção portuguesa em Malta, em
jogo a contar para a fase de apuramento do «Europeu» de futebol, é um
resultado injusto. O empate, que chegou a estar iminente em várias
ocasiões, premiaria o labor dos jogadores malteses -- que foram goleados
(8-0) pela Holanda no seu último jogo em casa -- e castigaria de forma
dura mas justa a selecção portuguesa, que não apresentou futebol em La
Valletta.

<p n=1890>
O resultado foi uma equipa com muitas cautelas defensivas, um meio-campo
que não soube marcar nem construir lances, ressentindo-se da ausência de
um «cérebro», e um ataque limitado à presença de Futre, ainda por cima
superiormente marcado por um jovem de 24 anos de que o futebol mundial
provavelmente nunca ouviu falar: Joseph Galea. O defesa maltês acabou
expulso aos 89' por agressão a Rui Águas, mas nem essa atitude lhe retira
o título de melhor jogador em campo.

<p n=1891>
O Torreense foi ontem, em Matosinhos, uma equipa feliz. Durante cerca de
80 minutos apenas defendeu, fez dois remates à baliza, marcou um golo no
final da primeira parte (já em período de compensação) e regressou a
Torres Vedras com um ponto. Assim, mais uma vez ficou provado que nem
sempre ganha quem mais ataca e que a justiça, no futebol, não é um valor
preponderante.

<p n=1892>
Voltando ao jogo, a supremacia leixonense obrigou Eurico a fazer recuar
António Costa, deixando Rosário (um jogador bastante rápido) sozinho na
frente. Enquanto isso, a defesa torreense dava mostras de alguma
intranquilidade, factor não aproveitado pelos matosinhenses, que atacavam
constantemente mas sem grande eficácia. Ainda assim, aos 27', Edward
protagonizou a melhor jogada do encontro: fugiu pela direita, rompeu para
o interior da área e, de ângulo apertado, rematou forte para uma boa
defesa de Jorge. Aos 43', Saura lançou bem Sotirov que, com Edward em boa
posição na área, demorou o passe e acabou por ser desarmado.

<p n=1893>
O VICE-presidente do Mónaco, Jean Biancheri, chegou na véspera do jogo da
selecção «A» a La Valletta no seu jacto privado para levar, findo o
desafio, Rui Barros de volta. Biancheri esteve de manhã no hotel com a
selecção portuguesa e assistiu interessado ao Malta-Portugal de ontem.

<p n=1894>
Na sexta-feira à noite, decorreu o jantar oficial oferecido pela
federação maltesa à comitiva de Portugal. João Rodrigues, Pais do Amaral
e Murta Duarte estiveram presentes na cerimónia, que contou também com o
suíço Roland-Keller, delegado da UEFA ao jogo.

<p n=1895 assunto=desporto>
Artur Jorge não estava satisfeito com o rendimento da selecção
portuguesa, mas também não quis procurar no árbitro ou no estado do
terreno desculpas para a má exibição da equipa. «Foi uma boa vitória,
arrancada a ferros perante um adversário que já sabíamos difícil, mas que
acabou por ser pior do que esperávamos», disse o seleccionador nacional,
que viu a equipa de Malta «agigantar-se», fazendo deste encontro um jogo
muito importante. A derrota contra a Holanda (8-0), que chegou mesmo a
colocar em causa o profissionalismo em Malta, terá funcionado como um
«incentivo» para os malteses. «Podíamos ter feito mais e melhor, mas o
importante foi vencer», reconheceu Artur Jorge.

<p n=1896>
Um dos espectadores mais atentos no estádio Ta Qali foi Rinus Michaels, o
seleccionador holandês, que certamente conseguiu encontrar no jogo feio
de ontem alguns motivos de interesse. Aos jornalistas disse ter visto «um
jogo engraçado, bonito», em que a equipa de Malta jogou bem. Michaels
elogiou a defesa portuguesa, que teve um «bom comportamento,
especialmente na primeira parte, para depois piorar um pouco», recordando
a boa exibição daquele sector no jogo das Antas, frente à sua equipa.
Quanto às possibilidades de classificação para a fase final do
«Europeu-92», na Suécia, o seleccionador holandês afirma que nada está
ainda decidido: «Não convém facilitar, porque ainda há muitos pontos em
jogo.» A Holanda recebe a equipa de Malta no dia 13 de Março, no seu
próximo compromisso do grupo 6.

<p n=1897>
Pedro mostrou a sua vocação de guarda-redes aos 14 anos, no Corvense, um
clube de bairro em Alfama, onde permaneceu por uma época. Depois esteve
dois anos sem jogar, até que o Belenenses veio a recrutá-lo, por
iniciativa de Dominguez, para mais tarde o ceder, durante uma época, ao
Cova da Piedade, da II Divisão.

<p n=1898>
O Torriense seria o passo seguinte, em 1985-86, mas deixou esse clube ao
fim de uma época, a favor da Académica.

<p n=1899>
Nos arredores de Marselha o Sporting pretende revalidar o seu título
europeu de corta-mato. Entre os benfiquistas aposta-se num lugar honroso.
Tapie arranjou uma claque para perturbar hoje os atletas da equipa de
Vata.

<p n=1900>
Porém, nem portugueses nem estrangeiros, incluindo os mais supersticiosos
e descrentes, admitem que o lugar do Benfica na classificação geral possa
ser escrito com dois algarismos. Desfalcada, é verdade, de José Regalo --
sempre muito falado em Marignane -- e de Carlos Monteiro, a formação de
Alfredo Barbosa apresenta-se, mesmo assim, com valor mais do que
suficiente para regatear, até (quem sabe?) um lugar no pódio. O sexteto
da Luz, liderado por Joaquim Silva e António Pinto, é completado por
Juvenal Ribeiro, Paulo Catarino, Henrique Crisóstomo e Luís Jesus tem
direito às mesmas honras de favoritismo atribuídas às equipas como o CMSA
Marignane (França), Sporto Reebock (Espanha), Athletic Cub Annaoale
(Irlanda do Norte), Dundrum South Dublin AC (República da Irlanda) ou
English Cross Country Union (Inglaterra) ou Athletic Clube Bergamo
(Itália).

<p n=1901>
JOHNSON EM OSAKA - Ben Johnson treinando partidas na véspera do Torneio
Internacional de Pista Coberta, em Osaka, no Japão, que terá início
amanhã, segunda-feira. Johnson, depois de ter sido batido em Hamilton,
Canadá na semana passada, volta às pistas procurando a forma que a sua
suspensão necessariamente lhe roubou. Recorde-se que em 1988, em Seoul,
foi-lhe retirada a medalha de ouro dos 100 metros devido a uma análise
positiva no controlo anti-doping.

<p n=1902>
REALIZARAM-SE ontem os seguintes jogos da 22ª jornada da II divisão «B»:
Zona Norte, Bragança, 1-Fafe, 2; Zona Centro, Ovarense, 4-União de
Santarém, 2; Estarreja, 1-Anadia, 1; Zona Sul, Loures, 1-Montijo, 2. Da
21ª jornada da III divisão, realizaram-se os seguintes encontros: Série
C, Nelas, 1-Tabuense, 0; Mealhada, 2-Luso, 0; Brasfemes, 1-Avanca, 2;
Série F, Almancilense, 3-Moura, 3.

<p n=1903>
Resultados da 17ª jornada do nacional de juniores: Série «A», Famalicão,
1-Vianense, 1; Fafe, 3-Freamunde, 2; Limianos, 0-Ponte da Barca, 2;
Vizela, 2-Rio Ave, 1; Braga, 0-Guimarães, 1; Chaves, 5-Moncorvo, 0; Série
«B»: A.Viseu, 2-FC Porto, 8; Boavista, 7-Maia, 2; Régua, 0-Beira Mar, 0;
Salgueiros, 8-Mangualde, 0; Oliveira do Hospital, 1-União de Coimbra, 2;
Almeida, 3-Lourosa, 2. No jogo Sátão-Leixões, venceu o Leixões por falta
de comparência do adversário; Série «C»: Naval, 3-União Leiria, 6;
Pombal, 0-Académica, 0; Benfica, 4-Tramagal, 0; Campomaiorense, 1-União
de Tomar, 2; Benfica Castelo Branco, 0-Sporting, 5; Estrela da Amadora,
2-Olivais e Moscavide, 0; Série «D»: Estoril, 0-Farense, 1; Quimigal,
0-Barreirense, 2; Lusitano VR, 2-Olhanense, 1; Casa Pia, 2-Desp. Beja, 1;
Portimonense, 3-Amora, 1; Juventude, 1-Belenenses, 2; Setúbal, 2-Almada,
0.

<p n=1904>
Benfica, Kelme e as francesas do Bron eram os principais adversários para
a reconquista do ceptro europeu por parte do Sporting de Braga. E o
desenrolar da corrida viria a dar razão aos prognósticos da técnica
Sameiro Araújo quando, depois de conhecer o local da prova, indicava o
Benfica e o Bron como os seus principais adversários. Soado o tiro de
partida, logo apareceram na frente bracarenses e benfiquistas, com
Rosário Murcia de permeio e Carmen Fuentes a surpreender.

<p n=1905>
Vítor Baía -- O guarda-redes do FC Porto recebe a pontuação mais alta da
selecção -- foi o melhor jogador português em campo, evitando a derrota
com duas grandes defesas (64' e 67'). Esteve bem nos cruzamentos por
alto, não complicou quando saiu dos postes. Justificou a confiança de
Artur Jorge, ontem mais do que na Grécia.

<p n=1906>
Venâncio -- Sem ter provocados grandes «casos», o central do Sporting
revelou a sua já habitual falta de mobilidade, quando confrontado com
adversários rápidos, nunca conseguindo combinar com Veloso os melhores
«timings» de marcação. E só a falta de tranquilidade justifica aqueles
«chutões» à toa para a frente.

<p n=1907>
Tudo estava perfeito naquela noite de sábado. Nem mesmo a escolha da cor
prateada da camisola, pouco comum no futebol português, passou
despercebida aos espectadores que seguiram, nas Antas ou pela TV, a
grande exibição de um guarda-redes desconhecido que contrariou a vitória
do FC Porto sobre o Belenenses.

<p n=1908>
Depois das Antas, tudo agora parece ser diferente para Pedro: «O jogo com
o FC Porto criou-me mais responsabilidades, mas eu não me importo de as
ter.» Como também parece não se importar de regressar à baliza do
Juventude, equipa onde diz sentir-se «bem», mesmo sendo «o mais velho de
todos os jogadores»: «No domingo há jogo do Juventude, o Belenenses
folga, mas eu tenho muito gosto em defender a baliza do nosso
`satélite'».

<p n=1909>
O ministro das Finanças sul-africano, Rarend du Plessis, disse
sexta-feira na cidade do Cabo, que a África do Sul «será ingovernável»
antes do fim da década, se não iniciar de imediato o crescimento
económico.

<p n=1910>
Por seu lado, o governador do banco central da África do Sul, Chris Stals
divulgou o relatório e estatísticas económicas referentes a 1990, onde
são apontados «índices pobres» de actividade real, apesar de a balança de
pagamentos e a situação financeira doméstica ter registado resultados
positivos.

<p n=1911>
O Governador Civil de Faro, Cabrita Neto, acaba de anunciar que o
projecto do porto da Quarteira, orçado em cerca de um milhão de contos,
já está concluido, devendo ser posto a concurso no ano que vem.

<p n=1912>
No entender dos pescadores, com a aplicação do referido decreto, «das 700
embarcações que exercem a sua faina em Quarteira, apenas 250 poderiam
continuar a utilizar o ante-porto da marina de  Vilamoura, e pelo menos
70 por cento do pescado normalmente capturado, teria de ser descarregado
noutro porto». Neste caso o mais próximo é o de Olhão.

<p n=1913>
A Federação Distrital de Viseu do Partido Socialista criticou fortemente
o Governo pela manutenção dos actuais preços dos combustíveis, que
considera serem «chocantes».

<p n=1914>
Para José Eduardo Reis, «o PSD anda a passo de caracol, só pega nesta
matéria quando as bases o solicitam, mas depois volta atrás». Os
socialistas de Viseu vão agora lançar um conjunto de jornadas e encontros
no distrito, durante este ano, cujas conclusões deverão ser apresentadas
depois das eleições legislativas de Outubro numa Convenção Nacional do
PS.

<p n=1915>
As contradições sucedem-se no turismo algarvio: enquanto no Aeroporto de
Faro desembarcam cada vez mais turistas, os empresários hoteleiros dizem
que o sector está em dificuldades e reclamam créditos bonificados. Por
outro lado, admitem que a guerra do Golfo os pode beneficiar.

<p n=1916>
As provenienâncias da maioria dos países do Norte da Europa foram
superiores, com excepção da Finlândia, Dinamarca, Suécia e Noruega. A
Associação dos Industriais Hoteleiros sublinha, porém, a diminuição das
chegadas do Canadá e Estados Unidos, que atingiram 55 e 52 por cento,
respectivamente.

<p n=1917>
No próximo dia 16 de Fevereiro, os japoneses vão ver baixar em cerca de
três ienes por litro os preços de produtos petrolíferos, nos quais se
incluem a gasolina e o petróleo de iluminação. A decisão foi tomada tendo
em conta a quebra dos preços do barril de petróleo nos mercados 
internacionais, sendo já a terceira vez que as autoridades nipónicas
reduzem os preços do combustível no último trimestre. Os preços dos
produtos petrolíferos no país passam a estar ao nível de Setembro do ano
passado. Recorde-se que o Japão é um dos países com maior dependência do
petróleo da zona do Golfo Pérsico.

<p n=1918>
O Crédit Lyonnais foi recentemente autorizado pelo Ministério das
Finanças a abrir uma sucursal financeira exterior na zona franca da
Madeira. Esta é a 15ª instituição financeira a ser autorizada a operar
naquela região autónoma com um dependência «off-shore». Já licenciadas
estão 12 sucursais, dez das quais em pleno funcionamento. A zona franca
da Madeira engloba quatro grandes áreas de actividade: zona franca
industrial, sistema financeiro «off-shore», serviços internacionais e
registo internacional de navios da Madeira.

<p n=1919>
A proposta de substituição dos cartões de crédito Unibanco pela nova
fórmula «Gold», presumindo-se que é aceite pela falta de resposta do
cliente, constitui uma «venda forçada», expressamente proibida pela lei,
acusa a Deco (Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor). Esta
situação já mereceu a atenção do Instituto Nacional de Defesa do
Consumidor, alertado para a situação por reclamações apresentadas nos
seus serviços. A Unicre rejeita estas acusações, considerando que a
aceitação deste novo serviço é um acto voluntário, traduzido na
utilização efectiva do cartão. Só nestas situações é que a Unicre debita
aos seus clientes o custo da anuidade, na importância de dez mil escudos.

<p n=1920>
Estas são algumas das conclusões de uma sondagem realizada pela conhecida
empresa americana Gallup, que acaba de ser publicada pela revista
«Skeptical Inquirer». A sondagem foi realizada em Junho do ano passado e
abrangeu um universo de 1236 indivíduos com mais de 18 anos, interrogados
telefonicamente.

<p n=1921>
Para ultrapassar os problemas colocados pelo pagamento dos impostos, o
Instituto Nacional de Consumo (França) publicou pelo terceiro ano 
consecutivo um «Guia Fiscal Prático». Aplicável a todos os estatutos
profissionais, ensina o modo correcto de preencher a respectiva
declaração e permite determinar rapidamente o montante a pagar através da
consulta a uma tabela publicada expressamente com essa finalidade.

<p n=1922>
Entre Fevereiro e Julho do ano passado, foram recolhidas em diversos
estabelecimentos da Grande Lisboa 46 amostras de leite pasteurizado
corrente das marcas Mimosa, Oeste, Prado Verde, Ribacal, Ucal, Varonil e
Vouga Sul e 15 amostras de leite pasteurizado de alta qualidade das
marcas Ribacal, Ucal e Vigor.

<p n=1923>
A França restringiu a comercialização de pulseiras «mágicas» com base nos
perigos que a sua utilização comporta para a integridade física das
crianças. Constituídas por uma lâmina metálica flexível, envolvida numa
bainha de tecido entrançado, podem desdobrar-se e provocar cortes ou
feridas nos seus utilizadores. Até ao momento já foram registados vários
casos de crianças, com idades entre os cinco e os onze anos, atingidas
nos olhos, rosto e dedos. A empresa belga que importa estes produtos de
Taiwan suspendeu, por agora, a sua distribuição e contestou a decisão,
argumentando que as pulseiras têm um certificado de conformidade com as
normas de segurança, estando a ser distribuídas dentro de um envelope que
uma criança não consegue abrir.

<p n=1924>
MAURICE TUBIANA -- Se nós considerarmos as coisas durante um período
bastante longo, é certo que a esperança de vida dos doentes aumentou
muito. Em 1950 era 25 por cento e em 40 anos duplicámos essa percentagem.

<p n=1925>
Afinal, tudo parece ter corrido calmamente. O referendo sobre a
independência da Lituânia não fez sair para a rua as tropas do KGB, a
abstenção deverá ser mínima e os «sins» esmagadores. No Báltico paira
porém um grande receio, pois o Exército deverá ter iniciado, ontem à
noite, dez dias de «manobras militares» na região.

<p n=1926>
Assim será mesmo que os resultados -- que só deverão ser conhecidos amanhã
de manhã -- confirmem as previsões que estimam mais de 80 por cento de
votos favoráveis.

<p n=1927>
A África do Sul assistiu este fim-de-semana a uma espectacular actuação
da sua polícia, que tudo apanhou, do oiro à droga, passando pelas
espingardas e pelos imigrantes ilegais.

<p n=1928>
Foram apreendidos 90 armas de fogo não legalizadas, 248 imigrantes
ilegais, 110 carros roubados, 17,2 quilos de oiro, 571 quilos da droga
«cannabis» e 60.816 litros de bebidas alcoólicas proibidas. Para tanto, a
polícia montou 960 barreiras, entrou em 7.307 casas e revistou 35.461
veículos, números que dizem bem do seu empenho em evitar que um tão
grande país (34 milhões de habitantes) resvale para a desagregação e o
crime.

<p n=1929>
HOUVE ontem motins em Durres (40 quilómetros a Ocidente de Tirana), onde
cerca de dez mil pessoas de toda a Albânia se concentraram depois de
rumores de que dois barcos estavam prestes a transportar para a Itália
quem desejasse emigrar, mesmo sem passaporte -- disse à agência France
Presse um jornalista albanês. Vendo malogradas as esperanças, os
candidatos à emigração começaram a partir os vidros das lojas e das
livrarias, antes de terem atacado a sede local do Partido do Trabalho
(comunista), que incendiaram. Foram erguidas barricadas nas ruas da
cidade, que é o principal porto do país.

<p n=1930>
JÁ TENTARAM por diversas vezes assassinar o dirigente da Frente
Patriótica Nacional da Libéria (NPFL), Charles Taylor, e um seu oficial
superior, Kutu Major, foi executado o mês passado por ter dirigido uma
dessas tentativas e fornecido equipamentos militares a outro chefe da
guerrilha, Prince Johnson -- disse ontem a rádio de Monróvia. Outras
fontes afirmaram que alguns combatentes da NPFL desejaria abandonar as
armas e acabar com a guerra civil que dura há mais de 13 meses.

<p n=1931>
A GUERRILHA colombiana, que desencadeou nos últimos dias uma grande
ofensiva, tendo inclusive entrado na capital, aceitou de forma
condicional a proposta governamental de conversações directas.

<p n=1932>
Na sexta-feira, o Governo propusera contactos directos com os
guerrilheiros, a efectuar na Espanha, no México ou na Venezuela.

<p n=1933>
O crescente protagonismo político da Igreja Católica na Polónia, desde o
triunfo do movimento Solidariedade, tende a acabar com a separação que
entre ela e o Estado existia desde a Segunda Guerra Mundial.

<p n=1934>
As autoridades eclesiásticas preferiram, primeiro, obter do supremo órgão
legislativo o reconhecimento jurídico da Igreja -- negado pelos comunistas
--, que possibilitaria a recuperação do património material confiscado.

<p n=1935>
Programa especial no Teatro S. Luiz, com a participação, entre outros, de
Adriano Jordão, Jorge Moyano, António Miranda e Irene Lima, que
interpretarão «Carnaval», de Shumann, e «Carnaval dos Animais» de
Saint-Saens. Hoje às 11h00, amanhã às 18h30.

<p n=1936>
«Médico à Força», de Moliére, no Forum Municipal Luisa Todi, em Setúbal.
Um espectáculo representado pelo TAS - Teatro de Animação de Setúbal,
hoje e amanhã.

<p n=1937>
Doze crianças e 13 adultos, vítimas de dores no estômago, vómitos e
diarreia, tiveram de receber tratamento hospitalar, na passada
segunda-feira, após um almoço de bacalhau à Brás, no jardim infantil «A
Joaninha», em Santa Bárbara de Nexe, no concelho de Faro.

<p n=1938>
Nesta altura apenas está internado um miúdo, que depois de tratado da
intoxicação voltou a casa, mas, por ser asmático, viu agravado o seu
estado de saúde, e acabou por ter de ficar internado no Hospital de Faro.

<p n=1939>
A Câmara Municipal do Montijo está descontente com a sua não inclusão na
primeira fase de trabalhos do GATTEL (Gabinete de Travessia do Tejo em
Lisboa). Segundo Jacinta Ricardo, presidente do município, aquela
determinação é inaceitável «porque a ponte que ligará as duas margens não
terá apenas efeitos no concelho de Lisboa».

<p n=1940>
Assim, o único factor que parece ligar toda a pintura é ela própria:
fundos muito trabalhados, em que se notará a influência das modas
expressionistas dos últimos anos. Para além deste factor, os demais
motivos surgem isolados. E, através deles, são géneros específicos que se
convocam: a pintura de paisagem, a pintura de marinhas, e o género,
modalidade «menor» da pintura de história.

<p n=1941>
De há uma semana para cá que experimento a sensação nova de dizer «o meu
arquitecto», como se dissesse «o meu dentista».

<p n=1942>
Em Portugal pouca gente experimenta, infelizmente, esta sensação de ter
um arquitecto. Como se sabe, a maioria das pessoas que resolve construir
uma casa, ou dos industriais que resolvem investir num empreendimento
imobiliário, não sabem como é diferente e melhor ter um arquitecto. Eu
sei, e agora por experiência própria.

<p n=1943>
A comissão política da secção de Sintra do PSD tem, desde a noite de
sexta-feira, um novo presidente. Hermínio dos Santos obteve 63 votos
contra 29 da lista A, liderada por Manuela Collaço e Amadeu Duarte, tidos
como apoiantes do presidente da autarquia, João Justino.

<p n=1944>
Quanto à forma de superar o actual impasse entre os dois partidos, o novo
dirigente do PSD de Sintra aposta num «diálogo constante entre os membros
da coligação».

<p n=1945>
O «Silo América» acaba de sofrer um revés. Mesmo que o Tribunal levante o
embargo à obra, o Governo voltará a travar o processo e mandará demolir
as construções. Para os próximos dois meses esperam-se novos episódios.

<p n=1946>
O secretário de Estado considera haver assim fundamento para determinar o
embargo e demolição das obras concretizadas pela empresa Vila Norte. No
entanto, por ter sido já deferido -- a nível judicial -- o referido
embargo, não existe base material para uma tal decisão. Nunes Liberato
optou assim por mandar embargar e demolir as obras de construção do
silo-auto caso se registe o seu recomeço. E convida mesmo os 310
moradores dos prédios envolventes da polémica obra a informarem o seu
gabinete de «quaisquer actos que indiciem o recomeço das obras de
construção do silo-auto».

<p n=1947>
Enquanto se aguarda a decisão do Governo sobre a abertura ou não de um
novo concurso para a concessão da zona de jogo de Vidago/Pedras Salgadas,
os autarcas do Alto Tâmega insistem nos ataques a Sousa Cintra, a quem
acusam de «mentir descaradamente» e de explorar, sem quaisquer
contrapartidas, uma das maiores riquezas da região. A Sovipe tomou já uma
posição sobre a perda da concessão e garante o seu relançamento como
empresa turística e termal de implantação regional.

<p n=1948>
«Célebres e Ricas» é a segunda versão cinematográfica de uma peça de John
Van Druten, «Old Acquaitance». A primeira data de 1943, «Velha Amizade»,
dirigido por Vincent Sherman e onde Bette Davis e Miriam Hopkins tinham
duas soberbas interpretações. Esta penetrante análise da relação de
amizade e rivalidade entre duas mulheres era um material que, mais do que
qualquer outro, justificava a «mão» de George Cukor, a quem se costumava
chamar o «cineasta de mulheres», por causa da fabulosa galeria de
retratos femininos que nos deu. O que é esquecer, com certa injustiça, a
série de figuras masculinas em filmes como «Abraço Mortal», o Norman
Maine (James Mason) de «Assim Nasce Uma Estrela», o professor Higgins de
«My Fair Lady» e o de «Viagens com a Minha Tia».

<p n=1949>
Michael Palin, às portas de Singapura. Mas, da viagem a cumprir, falta
meio mundo para atravessar. Em relação a Phileas Fogg, a circum-navegação
leva duas semanas de atraso. Mais de cem anos depois da história escrita
por Júlio Verne, não está mal. Na verdade, se, entre os comboios e
cargueiros de hoje, tudo se passa mais devagar do que em tempos foi
possível, eis outra razão para as muito britânicas e desconcertantes
apreciações de Michael Palin. Fala-se de A Volta ao Mundo em 80 Dias,
série documental co-produzida pela BBC e pelo grupo The Arts, que o Canal
1 apresenta às 13h40. Uma honra que a televisão portuguesa deve
reconhecer. Outra encontra-se em Outras Músicas, programa de José Duarte,
no Canal 2, às 09h02. Também aqui, a volta ao mundo das músicas, hoje com
Nancy Griffith, Koko Taylor, a cantora Marcia Ball, Chermaine Neville e a
música folclórica da República Popular da China, ao som de muitos
violoncelos. Maria José Mauperrin, Irene Lima, Maria Loy e Maria Viana
são as convidadas. Mais à noite, no mesmo canal, Artes e Letras traz o
Carnaval dos Carnavais, ao som da música de Gilberto Gil, Sali Keita e
Texas. São os Carnavais do Brasil, da Argentina, Bélgica, Canárias, Costa
do Marfim, Grã-Bretanha, Itália, Uruguai e EUA. Logo depois, «Célebres e
Ricas», o último filme de George Cukor, com Candice Bergen e Jacqueline
Bisset. Muito antes, na Primeira Matinée do Canal 1, será «O Sonho
Americano», de Rick Rosenthal. Há que admitir: de sonhos, Cukor sabia
muito mais. M.A.G.

<p n=1950>
Guerra no Golfo: 31-- Colin Powell e Dick Cheney chegam à Arábia Saudita
para discutirem o «timing» da ofensiva terrestre; 32 -- Míssil Scud
iraquiano disparado contra Riad é interceptado por um Patriot; 33 --
Holanda oferece a Israel oito rampas de lançamento de mísseis Patriot; 34
-- Helicóptero britânico afunda navio iraquiano junto ao porto kuwaitiano
de al-Fantas; 35 -- Aviação aliada destrói edifício de telecomunicações em
Bagdad

<p n=1951>
Desejo pedir aos senhores Eduardo Prado Coelho, Francisco de Sousa
Tavares e João Carlos Espada, entre outros que no PÚBLICO têm atacado o
pacifismo e defendido a guerra no Golfo, que dediquem algumas colunas e
algum do seu precioso tempo, a responder à seguinte questão: o que pensam
da invasão do Panamá pelos EUA, em Dezembro de 1989.

<p n=1952>
-- Se George Bush, ao invadir o Panamá, agiu como democrata, e Saddam
Hussein, ao invadir o Kuwait, agiu como ditador;

<p n=1953>
Abílio Alves era o cobrador em serviço num autocarro de transporte de
passageiros. Trazia a barba crescida de um dia, usava bigode, sendo-lhe
extremamente doloroso cortar a barba todos os dias, por ser muito
sensível de pele e ficar a sangrar.

<p n=1954>
A inconstitucionalidade resultava de violar o «direito à imagem»,
consagrado no nº 1 do artº 26º da nossa Constituição, que reza assim:

<p n=1955>
‚ Guerra no Golfo: 1 -- Tropas dos EUA e França entram no Iraque; 2 -- B-52
com 6 tripulantes cai no Índico após bombardeio do Iraque; 3 -- 300 mil
marroquinos marcham em Rabat por Saddam e contra Ocidente; e em Madrid
dez mil espanhóis reclamam encerramento da base de Torrejón; 4 -- Yitzahk
Shamir promove a ministro líder da extrema-direita de Israel, Reavam
Ze'evi; 5 -- Síria prende escritor Hanna Mina e mais 80 intelectuais
pró-Iraque; 6 -- Aliados repatriam oficial italiano [Francesco Punzo, 39]
por falar de «guerra absurda«; 7 -- 10º dia do desaparecimento no deserto
saudita de 4 jornalistas da CBS ; 8 -- Folies Bergères sem clientes fecha
por duas semanas em Paris

<p n=1956>
‚ Guerra no Golfo: 9 -- 20º dia, 41 ataques aéreos aliados: B-52
bombardeiam Guarda Republicana iraquiana; 10 -- Rádio Bagdad começa a
emitir mensagens em código pró-terrorismo; 11 -- Yitzhak Shamir recusa
Conferência Internacional sobre o Médio Oriente; 12 -- Ultimato de Amã a
Telavive contra violação do seu espaço aéreo; Washington convida
norte-americanos a saírem da Jordânia ; Perez de Cuellar condena
bombardeamentos aliados contra civis na Jordânia;13 -- Tarek Aziz escreve
a Perez de Cuellar :«É vergonhoso o seu silêncio perante os
bombardeamentos civis»; 14 -- Irão propõe mediação de paz a Saddam Hussein

<p n=1957>
‚ 20 minorias étnicas, incluindo de Timor-Leste, criam a Organização das
Nações e Povos Não-Representados na ONU

<p n=1958>
‚ Trilateral Checoslováquia-Hungria-Polónia com Jozsef Antall, Vaclav
Havel e Lech Walesa, a 50 km de Budapeste

<p n=1959>
Oitenta pessoas morreram, durante o ano passado, em acidentes
ferroviários na linha de Sintra. Os números, publicados pelos jornais,
não foram desmentidos pela CP, pelo Governo ou pelas autarquias
interessadas. As condições de funcionamento desta linha suburbana
agravaram-se de tal forma que os familiares decidiram apresentar uma
exposição aos órgãos de soberania.

<p n=1960>
Pela primeira vez discutiu-se na televisão a descolonização portuguesa.
Presentes o general Duarte Silva e o brigadeiro Pezarat Correia, assim
como Manuel Alegre e Adriano Moreira. Sem polémica e quase sem
contradição, disse-se que os militares não têm consciência política, que
as Forças Armadas portuguesas nunca tinham sido derrotadas, que a guerra
em África estava ganha pelos portugueses e que os Brancos e os Pretos se
entendiam às mil maravilhas. Tão amigos que nós éramos... e somos! Sobre
temas difíceis ou dolorosos, o «establishment» considera que a melhor
estratégia é a dos pezinhos de lã.

<p n=1961>
Quando Jean Monnet, os horizontes alargados pela imersão na mentalidade
norte-americana e a postura crítica em relação aos paroquialismos
europeus reforçada pelas ruínas de 1945, deitou mãos à obra de unificar a
Europa desavinda e exangue, depressa percebeu que não encontraria
dificuldades do lado dos industriais e dos sindicatos.

<p n=1962>
E os sindicalistas, como Monnet lucidamente nota nas suas memórias,
também se não enganaram em ter apoiado desde o início o movimento
europeu. Bem sabiam eles como, mesmo entre os países fundadores, era
muito variável a qualidade do tratamento aos trabalhadores, em questão de
salário, de formação, de carreira, de prestações suplementares, de
diálogo com a direcção sobre o andamento da empresa, de seguros e
reformas. O seu objectivo era claro: arredondar por cima, tentando
sistematicamente fazer impor para toda a Comunidade o que, em cada
aspecto, era a mais vantajosa solução. Assim fariam reverter para todos
os trabalhadores europeus as melhorias de condições de que só alguns
usufruíam.

<p n=1963>
O Governo português e os observadores dos EUA e da URSS acusam: ao
desembarcar em Lisboa com uma data para o cessar-fogo, condicionando as
conversações à sua aprovação, o MPLA bloqueou a sexta ronda. Por assinar
ficam três documentos sobre os quais já havia acordo formal.

<p n=1964>
À posição do MPLA, a UNITA opôs a insistência em só discutir a data do
cessar-fogo no âmbito de uma calendarização mais ampla, que incluísse,
como contrapartidas, o reconhecimento constitucional do
multipartidarismo, a publicação de uma lei sobre os partidos políticos e
a promulgação da data das eleições. Estava criado o impasse. Perante este
inesperado obstáculo, continuam por rubricar os três documentos --
«Conceitos para resolver as questões ainda pendentes entre o Governo da
República Popular de Angola», «Princípios para a paz em Angola» e «Acordo
de cessar-fogo» -- a respeito dos quais as duas partes já tinham
manifestado verbalmente o seu acordo.

<p n=1965>
O primeiro-ministro desmentiu, ontem, que o Governo português tenha
recentemente expulso ou esteja em vias de expulsar diplomatas soviéticos.
Cavaco Silva comentava a informação que fez a manchete de «O
Independente» de sexta-feira passada sobre a descoberta de casos de
espionagem atribuídos a dois diplomatas da embaixada da URSS em Lisboa,
cuja  proposta de expulsão  teria já sido entregue pelos serviços de
informação portugueses ao primeiro-ministro. «As relações de um país com
os outros países nunca devem ser objecto de especulações», afirmou Cavaco
Silva, que acrescentou a necessidade de tratar esse tipo de informações
«com muita prudência, muita ponderação e não fazer afirmações ou
especulações que possam ser prejudiciais para os interesses do país».

<p n=1966>
António José Seguro, secretário-geral da JS, foi ontem reeleito
Presidente do Fórum da Juventude das Comunidades Europeias, durante a
Assembleia Geral, a decorrer no Luxemburgo. António Seguro obteve 74 por
centos dos votos expressos, repetindo a vitória de há dois anos. Em
declarações ontem prestadas ao PÚBLICO, apresentou como prioridades da
organização de juventude da CEE a elaboração de um documento próprio do
Fórum, alternativo ao da Comissão Europeia e a um outro da comissão de
juventude do Parlamento Europeu, a apresentar no Conselho de Ministros da
Juventude, o primeiro que reúne os ministros da CEE responsáveis por esta
pasta, que deve ralizar-se em Junho deste ano, no Luxemburgo. Um
documento que deverá conter propostas sobre a política social, a
mobilidade dos jovens e cooperação com países não comunitários, além da
defesa de alterações ao Tratado de Roma, atribuindo competências em
matéria de política de Juventude ao Conselho de Ministros da CEE. Seguro
afirmou ainda, a propósito da sua reeleição, esperar «desenvolver um
trabalho articulado com a Presidência comunitária portuguesa», no
primeiro semestre de 1992.

<p n=1967>
A Câmara Municipal de Machico marcou para o dia 21 de Abril as eleições
intercalares para a Assembleia de Freguesia do Caniçal, depois de aceitar
o pedido de demissão apresentado pela maioria dos seus membros, eleitos
pela UDP.

<p n=1968>
O processo contra José Alves da Silva segue os trâmites legais, acabando
por «cair» num orgão a que presidia, devido à demissão da maioria dos
seus membros. Paralelamente , a junta estava a ser alvo de um inquérito
administrativo, solicitado pelo PSD à secretaria Regional da
Administração Pública, de que é titular Bazenga Marques, incumbido pela
comissão política regional dos sociais-democratas de "reconquistar
Machico".

<p n=1969>
O PS quer tomar a iniciativa política e manter-se na ofensiva até às
legislativas. Por isso, desafia o PSD a discutir as suas propostas de
reforma do Estado e a debater as suas propostas na RTP.

<p n=1970>
"O país cresceu mas não se desenvolveu", referiu Sampaio, considerando
que esse crescimento foi possivel pela conjugação de quatro factores .
Factores que são, nomeadamente, o que o líder socialista classificou como
"a herança deixada pelo governo do Bloco Central, os fluxos financeiros
provenientes dos fundos comunitários, a baixa significativa do dólar e do
petróleo, bem como, uma estrutura empresarial "muito mais forte e
preparada para a concorrência internacional".

<p n=1971>
A Direcção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP vai promover um
ciclo de debates, intitulado «Diálogos com o PCP», aberto a personalides
de diferentes matizes políticos. O primeiro deles realizar-se-á no
próximo dia 20 e abordará o tema «Guerra no Golfo, Guerra na TV - a
informação que temos». Para esta iniciativa, os comunistas garantiram já
a presença dos jornalistas Mário Castrim, Rui Lima Jorge e Artur Queirós,
estando ainda a convidar outras personalidades.

<p n=1972>
As próximas eleições legislativas estão já a ser preparadas pelos
comunistas. E embora a iniciativa anunciada ontem seja integrada nas
comemorações do 70º aniversário do partido, poder-se-á dizer que a
realização no Coliseu do Porto, em 23 de Março, de um comício com a
presença de Álvaro Cunhal será já um ensaio da pré-campanha do PCP.

<p n=1973>
A fome e a doença serão responsáveis, este ano, pela morte de   cerca de
20 milhões de pessoas, em África,  calculou sexta-feira o director-geral
do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). James Grant, em
conferência de imprensa, em Nova Iorque, sublinhou que a guerra no Golfo
e a crise na União Soviética não podem deixar cair no esquecimento «esta
crise maior», que atravessa vastas regiões do continente africano.
«Milhões de pessoas podem morrer, nos próximos meses, em África», disse.
Comparando a situação actual com a de 1984-85 no chamado Corno de África,
o director da UNICEF afirmou que a seca e a guerra civil são as causas
principais dos dramas que, este ano, ameaçam a Etiópia, Somália, Sudão,
Angola, Moçambique, Malawi e Libéria. São necessários mil milhões de
dólares, para financiar o envio de 4 milhões de toneladas de alimentos
para estes países.

<p n=1974>
A epidemia de cólera que alastra pelo Peru desde há doze dias poderá
afectar cerca de 280 mil pessoas, provocando de quatro a oito mil mortos,
caso se mantenha a actual taxa de mortalidade de três por cento,
reconheceu o ministro peruano da Saúde, Carlos Vidal. Com 3662 casos já
registados e 30 mortos, de acordo com estatísticas oficiais, as
autoridades peruanas solicitaram, na sexta-feira, um auxílio urgente da
comunidade internacional.

<p n=1975>
Tempestades de neve e ventos gelados fizeram pelo menos quatro mortos,
até ontem, na Grã-Bretanha. O corpo gelado de um homem foi encontrado na
neve, em Doncaster, noroeste do país, e um outro moreu numa auto-estrada
perto de Bristol, na sequência de um despiste que levou o carro a chocar
com a divisória central. Um jovem casal seria, por sua vez, vítima dos
gases do aquecimento do seu quarto numa quinta em Teddesley. Responsáveis
governamentais apelaram à população para verificar a ventilação das suas
casas, depois de uma família de oito pessoas ter sido encontrada
inconsciente devido a uma fuga de gás. As previsões meteorológicas
indicam que o frio vai continuar, podendo considerar-se siberiano em
algumas regiões. Há duas noites, os termómetros desceram aos 14 graus
negativos em alguns pontos. Os transportes terrestres entraram em
colapso, dado que as estradas não oferecem condições de segurança e os
comboios também têm sido seriamente afectados. Dezenas de voos foram
cancelados ou transferidos.

<p n=1976>
Este progresso da biologia forense, ramo da medicina legal, poderá
contribuir decisivamente para a modificação da imagem desta ciência
médica aos olhos da opinião pública, mais inclinada para a olhar como a
«ciência dos mortos», e aos seus profissionais como «os doutores das
autópsias».

<p n=1977>
A toxicodependência foi ontem classificada pelo secretário de Estado da
Reforma Educativa como «um fenómeno que anuncia a queda de uma
sociedade». Pedro D'Orey, que em Coimbra se dirigia aos cerca de 700 pais
e professores que participaram no Seminário Nacional sobre Droga e
Delinquência Juvenil, apelou a um esforço no sentido de «inverter um
caminho que nos pode ser fatal».

<p n=1978>
Uma selecção de histórias de monstros publicadas pela editora catalã
Makoki dão a medida exacta do sadismo e da crueldade segundo Abulí e
Bernet, que os leitores portugueses conhecem através da série «Torpedo
1936».

<p n=1979>
PÚBLICO -- Passaram agora dez anos sobre a sua tomada de posse como
primeiro-ministro. Hoje, que impressão é que isso lhe provoca? O que
ficou dessa experiência?

<p n=1980>
P. -- Considera que as pessoas, a população, a opinião publica, não o
compreenderam? Isto é, foi um primeiro-ministro incompreendido?

<p n=1981>
é algo de brilhante. Estudei bem a lei eleitoral e lembro-me de ter dito
que ela dificultava as maiorias... Daí até a minha defesa do
presidencialismo como sistema de governo, já que considerava que esta lei
só patrocinava governos minoritários ou de coligação -- logo, fracos.
Cavaco Silva desmentiu tudo isso e há que lhe tirar o chapéu. Teve sorte
com a conjuntura e com o Presidente da República. Mas a verdade é que a
sorte é merecida e a governação, aceitável. Penso unicamente que falta um
pouco de desígnio nacional, dentro da Europa, por exemplo. Que queremos
da Europa?

<p n=1982>
P. -- Está optimista quanto ao seu projecto de televisão? É um concorrente
forte, há quem o veja já como ganhador...

<p n=1984>
A forma como os pontos estão colocados leva-nos instintivamente a começar
por tentar resolver o problema traçando linhas horizontais e verticais,
mas logo concluimos que por aí não vamos lá. A segunda fase é passarmos
às linhas inclinadas (traçando uma das diagonais, por exemplo), mas
também aqui os nossos esforços se mostram infrutíferos.

<p n=1985>
Sempre me preocupei com o problema da felicidade; ou antes, com os meios
de a obter. Não tenho a certeza de ter resolvido a questão, mas pelo
menos identifiquei  já alguns aspectos essenciais. Um deles é o das
pessoas. Sei, com efeito, que as condições materiais da felicidade, uma
casa, silêncio, livros, discos, uma boa televisão, constituem o lado
fácil.   A dificuldade... são as pessoas. Há as que me fazem feliz e as
que estão apostadas em fazer de mim um ser miserável. Entre as primeiras
está, por exemplo, a Isabel, a casa de quem vou buscar as minhas
refeições; o Senhor Gonçalves, que se ocupa dos meus impostos; a Ana, que
me trata de milhares de coisas. E até um ou outro familiar que, ao fim de
anos de certezas, se transformaram numa espécie de árvores que reconheço.

<p n=1986>
Caso particularmente estranho é o encontro da família, à noite, para
jantar. Depois de um dia de canseiras, a reunião não deveria servir outro
fim que não fosse o de recapitular as vicissitudes quotidianas. Temas não
faltam. Paixões à parte, coisa própria de masoquistas, há os amores entre
homens e mulheres, ou suas variedades contemporâneas. Depois, a partilha
na doença, na miséria, no infortúnio, na pouca sorte. Pois bem! Tenho a
oposição em minha própria casa, onde algum, que insiste em ser alérgico
minha miserável vida, me pergunta regularmente: e não houve nada de bom
que lhe tenha acontecido?

<p n=1987>
Fred Austerlitz e Virginia Katherine McMath são nomes nada significam
para a maioria das pessoas. Mas se lhes pusermos umas claquetes nos
sapatos dá-se uma operação de mágica e surgem Fred Astaire e Ginger
Rogers, o estilo e a elegância por excelência no reino da dança. É a esse
reino que a Cinemateca nos transporta, ao recordar, de 13 a 16 de
Fevereiro, nove dos dez filmes que fizeram juntos.

<p n=1988>
Hoje Presidente da República, Mário Soares foi um dos adversários
políticos de Pinto Balsemão. Era, nessa altura, secretário-geral do
Partido Socialista e, como tal, líder da oposição parlamentar ao Governo
da Aliança Democrática -- que Balsemão chefiou de 4 de Janeiro de 1981 a 9
de Junho de 1983  (renunciou ao cargo a 20 de Dezembro de 1982, mas
manteve-se em funções mais cinco meses, até à posse do novo Governo),
após a morte súbita de Sá Carneiro, a 4 de Dezembro de 1980. Dez anos
passados, Mário Soares escreve sobre o seu antigo adversário -- mas também
aliado e amigo, em momentos que ele próprio faz questão de assinalar.

<p n=1989>
Dos dez filmes que Fred Astaire e Ginger Rogers interpretaram/dançaram
juntos, 9 vão passar na Cinemateca Portuguesa entre os dias 13 e 16 deste
mês. A única ausência é o terceiro da série, «Roberta». Durante uma
semana o «nimble» Astaire e a «vivacious» Rogers, dançam em terra, nas
nuvens, ao sol e à chuva, a solo e lado a lado, apaixonam-se, zangam-se,
trocam de pares e vivem felizes para sempre, embalados nas músicas de
Cole Porter, George Gershwin, Jerome Kern, Irving Berlin, e outros de
menor gabarito mas não de menor popularidade. A do par, essa, foi
instantânea, mas só quando se juntaram. Como dois pólos eléctricos,
provocaram uma faísca cujo choque atingiu o mundo inteiro. Casos destes,
de amor à primeira vista entre intérpretes e público, acontecem, mas são
raros. No cinema apenas outro par se lhe pode comparar, e, mesmo assim, a
um diferente nível: o de Spencer Tracy e Katherine Hepburn.

<p n=1990>
A RKO não atravessava então um período famoso. A crise económica que
rebentara em 1929 afectava também os estúdios de cinema, apesar da
crescente procura de entretenimento. Outros estúdios já tinham encontrado
bóias de salvação que tinham voltado a encher as bilheteiras: Greta Garbo
na MGM, Marlène na Paramount, os musicais de Berkeley na Warner. «Voando
Para o Rio de Janeiro» representa uma tentativa da RKO na busca de um
estilo próprio, ainda que hesitante entre a comédia e o musical. Para o
filme, que tinha como vedeta Dolores Del Rio sendo o galã Gene Raymond
(cuja única «proeza» de vulto no cinema foi casar com Jeanette MacDonald
em 1937). O produtor era Merian C. Cooper (a quem se deve o lendário
«King Kong») que quem mais insistiria para que Astaire viesse para o
cinema. Astaire e depois Ginger (esta um pouco a contra-gosto, pois
ambicionava fazer outro tipo de filmes) são incluídos no elenco para um
número de bailado, «The Carioca», com coreografia assinada por Dave
Gould, mas a maior parte da responsabilidade de Astaire e de Hermes Pan
(na primeira colaboração de uma frutuosa carreira). Sem muitas esperanças
Astaire parte para Londres para apresentar no palco «The Gay Divorcee» ao
lado de Claire Luce. É na capital inglesa que recebe um telegrama
anunciando que «Voando Para o Rio de Janeiro» era um sucesso. Não graças
à bela mexicana e o seu galã, mas a um par desconhecido que dançava e
encantava ao som da música de Vincent Youmans. O público exigia mais e
mais. A carreira dramática de Ginger teria de esperar e o palco daria
lugar ao ecrã na carreira de Fred.

<p n=1991>
A sala de estar ilude, num aprumo polido, a desordem habitual do local de
trabalho de um homem rendido à causa da música. É a casa de Álvaro
Salazar, compositor, chefe de orquestra, professor, crítico musical e
animador de projectos e iniciativas raras entre nós: a Oficina Musical
(de que foi o fundador, em 1978, e é hoje o director artístico) e as
Jornadas da Música Contemporânea (que recentemente tiveram a sua quinta
edição) são as mais conhecidas. Mas, no anonimato dos seus bastidores,
está uma moradia com jardim, igual a si própria e a tão poucas: «Vivo
aqui desde os cinco meses, quando na rua [a agora Avenida Antunes
Guimarães] não havia mais que duas ou três casas... E o eléctrico (que
agora também já não há) só apareceu quando eu andava na 4ª classe».

<p n=1992>
Mas pelas paredes sucedem-se também as obras de pintura («um gosto que
veio da adolescência») e uma ou outra escultura, de alguns dos autores
mais ilustres da arte portuguesa actual, com destaque para os artistas
amigos: José Rodrigues, Armando Alves, Fernando Lanhas, Henrique Silva,
Sebastião Resende, e ainda Cargaleiro, Nadir Afonso, Rui Anahory, Rogério
Ribeiro e dois quadros da «Ribeira Negra», de Júlio Resende, «obra que
foi expressamente criada para as primeiras Jornadas de Música
Contemporânea».

<p n=1993>
Dez anos depois, a «Actuel» recomeça. A revista em língua francesa, uma
das referências para os anos 80, regressa ao primeiro número. «Não há
escolha -- diz o director Jean-François Bizot --, o cinismo dos anos 80 fez
os seus estragos. Os dias de hoje procuram as suas verdades, os seus
valores.»

<p n=1994>
«Arte 7» é uma aposta diferente no campo da edição de revistas sobre a
arte das imagens entre nós. Em certa medida pode dizer-se que, embora de
forma ainda incipiente, vem preencher um vazio: o de uma revista dedicada
à divulgação dos aspectos técnicos do cinema e dos problemas da sua
preservação. Tem a medida das suas limitações quando afirma no editorial
que a sua intenção é dar «uma informação diversificada, interessante e
útil sobre a sétima arte», o que à partida já é uma «diferença» num meio
mais virado para as manifestações do espectáculo, o culto das vedetas e o
«gossip».

<p n=1995>
A relação fonética impõe-se automaticamente: a única diferença entre as
formas (sonora/surda) dá-se ainda no interior de uma semelhança
(oclusiva). E a relação semântica?

<p n=1996>
Se os aliados nunca identificaram claramente Saddam com Satã -- escrúpulo
que Saddam não tem em relação a eles -- é só porque se querem mostrar
laicos, o que Saddam já deixou de ser ou parecer, para gáudio dos seus
meio-irmãos iranianos, que foram seus inimigos e hoje são meio-inimigos
ou meio-amigos, não se percebe bem.

<p n=1997>
1) Salteie as carnes (excepto o bacon) no azeite e tempere com sal e
pimenta e as ervas aromáticas. Acrescente a cebola e os alhos préviamente
estufados juntamente com a folha de louro. Regue com metade do vinho
branco, deixe reduzir. Retire do lume.

<p n=1998>
4) Corte o bacon em dados pequenos, desfie o pato fumado. Encha o pato
com o recheio e distribua o bacon a carne do pato e as gemas cozidas.
Coza as extremidades do pato, barre-o com margarina por fora e tempere de
sal e pimenta, leve-o então a assar em forno médio num tabuleiro. Ao fim
de trinta minutos regue-o com o resto do vinho e deixe cozinhar outro
tanto.

<p n=1999>
«When the legend becomes fact, print the legend», lembrava John Ford em
«O Homem que Matou Liberty Valance». Habituado a seguir à risca os seus
conselhos, sirvo-me de mais este para recordar Aurélio da Paz dos Reis,
pai de família e o homem de bem, revolucionário do 31 de Janeiro,
floricultor e fotógrafo, criador do cinema português. Um dos últimos
românticos, precursor do nosso século XX.

<p n=2000>
Mas outra arte viria a despertar o seu carinho: a fotografia. Paz dos
Reis dedicou-se a ela de alma e coração, produzindo toda a casta de
imagens, nomeadamente fotografias estereoscópicas, grande parte delas
tirada para a Escola Médica do Porto.

<p n=2001>
«Quando rebentou a guerra no Golfo, estava eu sozinho, num hotel, a ver a
CNN. E o que senti naquela longa madrugada, em que não saí diante do
ecrã, foi pura e simplesmente inveja (...) Apesar de todos os riscos, eu
não estava preocupado com o que aqueles jornalistas pudessem vir a
sofrer, mas com inveja, da pura! Eu gostaria de estar ali.» Quem assim
fala é um homem que já foi primeiro-ministro mas que hoje recorda o
jornalismo como o ponto da partida da sua carreira. Um homem que invoca o
«instinto jornalístico», mais do que o «instinto político», quando lhe
falamos em acontecimentos como a guerra do Golfo. É Francisco Pinto
Balsemão, que, no décimo aniversário da sua tomada de posse como
primeiro-ministro, conversa com Maria João Avillez àcerca dos caminhos
que trilhou nos dez anos que se seguiram à política. Dele, e do que dele
ficará para a história, fala-nos também Mário Soares -- seu antigo
adversário político -- num depoimento a propósito desses tempos em que
ambos disputaram, em posições distintas, a ribalta política. Doutra
ribalta, a do cinema, recordamos ainda o português Paz dos Reis e os
americanos Fred Astaire e Ginger Rogers. Num e noutro caso, é de lendas
que se trata: Admite-se que Aurélio da Paz dos Reis não tenha sido, na
verdadeira acepção da palavra, o criador do cinema português (outro terá
rodado, antes dele, «o nosso primeiro filme»). Mas, como diz Luís de Pina
-- que aqui o recorda na secção «Retratos» -- «a lenda já se tornou facto»
E, como se verá, há razões acumuladas para deixar viver a lenda. No caso
de Ginger e Fred, há igualmente um equívoco: separados, eles conseguiram
superar em qualidade o que, no cinema, fizeram juntos. Mas foi o par que
a lenda mitificou. E também neste caso, sem grandes hesitações, se poderá
dizer, parafraseando Luís de Pina (e a frase por ele citada de um filme
de John Ford): «Quando a lenda se torna facto, publique-se a lenda!»

<p n=2002>
PLANO MATERIAL -- Deve confiar nas suas avaliações dos acontecimentos e
das situações. Mantenha-se muito atento e prudente em caso de tarefas
novas. Não rejeite apoios. Possibilidade de operação inesperada pessoal
ou de familiar próximo.

<p n=2003>
Este arcano determina uma evolução harmoniosa das situações mesmo que
tenha receios devidamente fundamentados. Deve fazer um esforço para não
entrar em lutas desnecessárias nem responder a provocações. Tudo tende ao
equilibrio e a ir de encontro aos seus desejos.

<p n=2004>
Esta semana hesitar ou ponderar excessivamente os comportamentos a
adoptar é negativo. Deve agir imediatamente sem esperar que o que está
errado caia por si só. Não aceite abusos porque eles têm tendência a
aumentar. Ambiguidade.

<p n=2005>
O primeiro dia do Carnaval varia conforme os países e tradições. Na
Alemanha, a Bavária começa os festejos na Epifania (6 de Janeiro),
enquanto a Renânia o faz no 11º dia do 11º mês, na 11ª hora e 11º minuto
(11h11, de 11 de Novembro). Em França, reduz-se à Terça-feira Gorda,
véspera de Quarta-feira de Cinzas. No Brasil, a festa começa no Sábado de
Carnaval e dura 4 dias e 4 noites, «pra tudo se acabar na Quarta-feira»
(de Cinzas).

<p n=2006>
Na sua longa história, o Carnaval teve um papel importante no
desenvolvimento do teatro popular, das canções de despique e das danças
folclóricas.

<p n=2007>
Não tive a oportunidade de jogar o «Snoopy» num Spectrum, mas veio-me
parar às mãos a versão actualmente comercializada em Portugal para os
Compatíveis IBM, e posso dizer que é simplesmente maravilhosa. Com um
colorido tal que mais parece um filme de animação e movimentos
extraordinariamente reais, o jogo apresenta uma inovação neste tipo de
videojogos. O personagem carrega os objectos que encontra pelo caminho,
um de cada vez, coisa que antes era apenas indicada em qualquer ponto do
ecrã.

<p n=2008>
Seguidamente leva a bola para o lago, onde a joga para mais tarde servir
de trampolim para passar o rio. Depois volta para trás e vai apanhar a
fisga junto a uma árvore, voltanto ao rio para, saltando sobre os barris,
tronco e bola o atravessar e depositar a fisga junto ao poço. Atirando-se
à água, regressa à margem esquerda do rio, onde apanha a moeda para a
lançar no poço. Subirão uns balões do poço, tendo um deles amarrado uma
bomba de encher pneus. Ao acertar no balão, ela cai e deve ser levada ao
quintal da Marcia, onde ficou a rã. Usando a bomba na piscina ela fica
inflada e deve ser cheia de água com a mangueira do ecrã anterior. A
Marcia só entrará na água depois de Snoopy se afastar um pouco. Quando
ele regressa, solta a rã, o que fará com que a Marcia se assuste e saia
da piscina, deixando cair uma bóia com feitio de pato.

<p n=2009>
A Suíça é uma confederação de pequenos Estados (cantões). Perdida a
independência no tempo da Revolução Francesa, recuperou-a em 1815, sendo
garantida a sua permanente neutralidade pelo Congresso de Viena. Decisão
política difícil de manter, dada a situação geográfica do país, os
sucessivos governos têm, apesar de tudo, conseguido cumpri-la.

<p n=2010>
Porém, o filme é demasiado «doce». Que aconteceria se o musculado
Schwarzie tivesse pela frente o Calvin, por exemplo? O resultado bem
poderia ser uma espécie de um novo combate entre David e Golias. Mas a
história não segue por esse caminho, preferindo  o de uma história
policial sem muitas complicações.

<p n=2011>
Bravo, corajoso, destemido, tornou-se famoso pela sua pontaria. Naquele
tempo não havia armas de fogo. Os homens combatiam e caçavam com espadas,
lanças, arcos e flechas. Guilherme esticava o arco e lançava flechas como
mais ninguém. Firme, seguro, escolhia o alvo e... zinc! Acertava-lhe em
cheio! Nunca falhava, nem quando a distância era grande ou os alvos
estavam em movimento.

<p n=2012>
-- Todos os suíços que passarem na praça pública são obrigados a saudar o
chapéu em sinal de respeito pelo poder austríaco. Quem não o fizer será
severamente castigado!

<p n=2013>
1. Macau é um território chinês sob administração portuguesa. Portugal
governa o território desde o século XVI. No entanto, o que sabemos nós da
sua história, mesmo na parte que temos em comum? Muito pouco, não é? E
não nos deve contentar sabermos que os chineses de lá também não sabem
muito a nosso respeitoƒ

<p n=2014>
A ver vamos, pois, se iniciativas interessantes como esta de que hoje
falamos, da Direcção de Educação de Macau, vão ter alguma utilidade lá.
Porque de sete mil portugueses e macaenses que ali se encontram, a
maioria regressará a Portugal com o fim da administração. E, verdade se
diga, as políticas de educação de todos estes séculos não puseram muitos
chineses a falar português...

<p n=2015>
Foram mais de 1200 os jovens leitores que responderam prontamente ao
nosso passatempo sobre as Fichas da CEE.

<p n=2016>
Na próxima edição, falaremos dos leitores que nos escreveram a propósito
deste passatempo, mas assinalamos, desde já, com grande satisfação, que
recebemos postais de todo o país, incluindo Açores e Madeira.

<p n=2017>
O editor brasileiro Alfredo Machado morreu na sexta-feira, vítima de um
tumor cerebral. «Era o maior editor brasileiro do pós-guerra, uma pessoa
extraordinária e um amigo insubstituível», afirmou ao PÚBLICO o escritor
Jorge Amado. Alfredo Machado era proprietário da empresa Record, a
editora brasileira do autor de «Capitães da Areia» desde 1974. «É uma
empresa, de que ele era a alma e coração, de grande importância na vida
cultural brasileira», referiu o escritor. O editor era um defensor do
intercâmbio cultural entre Portugal e o Brasil. «Sinto-me muito triste,
ele vai fazer muita falta à vida cultural e editorial brasileira», disse
Jorge Amado.

<p n=2018>
O 31º Festival Internacional de Televisão de Montecarlo, tradicional
encontro, no Inverno, dos profissionais do audiovisual, foi inaugurado no
sábado sob o signo da austeridade devido à guerra no Golfo. Por questões
de  segurança, a organização do Festival, que termina no dia 15, anulou
avárias projecções e festas de gala. Algumas vedetas americanas, como
John Forsythe da série «Dinastia», preferiaram ficar em casa. Mas
mantiveram-se as principais manifestações do Festival, que é presidido
pelo príncipe Alberto do Mónaco: os concursos para programas de ficção e
de actualidade, o mercado de programas e a conferência de imprensa, na
segunda-feira à tarde, sobre o papel da CNN na cobertura da guerra no
Golfo. Ted Turner, o vice-presidente da CNN, não se deslocou à Europa,
mas participará na conferência em directo de Atlanta, via satélite.

<p n=2019>
A dupla José Miguel/Luis Lisboa (Ford Sierra Cosworth) venceu nove das
dez provas especiais de classificação ontem disputadas até à hora do
fecho desta edição, e dominava o Rali das Camélias, com uma vantagem de
1'54'' sobre Joaquim Santos/José Luis Nascimento (Toyota Celica GT4), no
final da 1ª secção. Disputada sob difíceis condições climatéricas, com
chuva e nevoeiro aliados ao estado escorregadio do asfalto da Serra de
Sintra, esta prova provocaria vários abandonos. Destes, o mais
significativo foi o de Carlos Bica/Fernando Prata (Lância Delta Integrale
16V), após a disputa de Monte Godel II, por problemas na direcção
assistida do seu carro.

<p n=2020 assunto=desporto>
NUNO MARQUES PERDE -- O tenista português Nuno Marques, número 101 no
«ranking» ATP, perdeu ontem com o italiano Diego Nargiso, pelos parciais
de 6-3 e 7-6 (7-5), falhando o apuramento ao quadro principal do torneio
de Bruxelas em recinto fechado, cujo cabeça-de-série número um é o alemão
Boris Becker, número um mundial.

<p n=2021 assunto=desporto>
TÉNIS -- A sueca Catarina Lindqvist e a italiana Raffaella Reggi disputam
hoje a final do torneio de ténis feminino de Oslo, em recinto coberto,
dotado de 75 mil dólares em prémios (cerca de dez mil contos). Lindqvist
derrotou ontem a belga Sabine Appelmans (6-2, 6-2), enquanto Reggi venceu
a francesa Pascale Paradis (7-5, 6-1).

<p n=2022>
«NACIONAL» DE ANDEBOL -- Disputou-se ontem a 17ª jornada do campeonato
nacional da I divisão de andebol, sendo conhecidos à hora do fecho desta
edição os seguintes resultados: Boavista, 22- Sporting, 23; FC Porto, 25
- Académica, 23; Illiabum, 25 - Beira Mar, 17. O FC Porto adiantou-se no
comando, com 48 pontos, já que o jogo Benfica-Setúbal se disputa hoje.

<p n=2023>
O VICE-primeiro-ministro iraquiano, Saadoun Hammadi, discutiu ontem à
noite com o rei Hussein da Jordânia «as consequências da agressão
americana e atlântica contra o Iraque», pouco depois de ter chegado a
Amã, segundo afirmou a agência de notícias jordana Petra. A Jordânia,
país onde existe um enorme apoio ao Presidente Saddam, adoptou
oficialmente uma posição neutral na guerra, mas Washington interpretou um
recente discurso do rei como uma nítida declaração de apoio ao Iraque.
Durante a tarde Hammadi esteve em Teerão, onde entregou ao Presidente Ali
Akbar Rafsanjani a carta-resposta de Saddam Hussein à iniciativa de paz
do Presidente iraniano -- mas ainda se desconhece o conteúdo da missiva. O
Iraque formalizou entretanto o já anunciado corte de relações
diplomáticas com os Estados Unidos.

<p n=2024>
O primeiro-ministro acrescentou ainda que o Governo poderá ajudar a
preparar tecnicamente o projecto de construção das novas infra-estrutuas
desportivas do Oriental e está aberto a assinar um protocolo com o clube,
para que estes equipamentos possam servir não só para os associados, mas
também para todos os jovens daquela zona ribeirinha de Lisboa.

<p n=2025>
O Golfo do lado de baixo do Equador - Confrontados com uma inflacção de
20 por cento ao mês, os brasileiros voltam a passar o Carnaval à sua
maneira. Desta vez, é o Golfo que está a dar! Travestidos de árabes só os
homens, porque as mulheres não aderiram aos velhos hábitos do Oriente (
como se constata na foto acima, tirada ontem, no primeiro dia de Carnaval
a sério). Na avenida Rio Branco ( foto em baixo), é ainda o Golfo que
domina a cena carnavalesca. Este ano, as máscaras são outras, numa orgia
de samba, sexo e Golfo... pélvico.

<p n=2026>
Atentado com explosivos na Áustria -  O tráfego ferroviário esteve ontem
interrompido, durante várias horas, após um atentado com explosivos
perpretado ao princípio da manhã contra uma linha de caminho de ferro, no
Tirol, revelaram fontes oficiais. A explosão, que não provocou vítimas,
ocorreu entre as estações de Kundl e Brixlegg ( 400 quilómetros a
ocidente de Viena), na linha internacional Viena-Innsbruck para a Suiça.
O atentado provocou um buraco com mais de um metro de diâmetro na linha.
Um segundo engenho explosivo, feito a partir de uma botija de gás, foi
desactivado a tempo. As autoridades não excluem que o atentado esteja
ligado à recente autorização de trânsito a 103 carros de reparação
norte-americanos, que deverão passar pela Áustria, antes de seguirem para
a região do Golfo, segundo um entendimento entre Washington e Viena.

<p n=2027>
Seguro reeleito na Comunidade - O português António José Seguro foi ontem
reeleito no Luxemburgo para um segundo mandato como presidente do Fórum
de Juventude das Comunidades Europeias, durante a assembleia geral
daquela organização. José Luis Rocha, da direcção do Conselho Nacional da
Juventude (CNJ), assinalou que Seguro foi reeleito com 74 por cento de
votos. A proposta de reeleição de António José Seguro, que é
secretário-geral da Juventude Socialista, foi apresentada pela assembleia
geral do CNJ.

<p n=2028>
Assim, para além de Orlando Gaspar, podem-se considerar vencedores o
Secretário-Coordenador da Federação, Carlos Lage, o Presidente da Câmara,
Fernando Gomes, e Manuel dos Santos, do Secretariado Nacional. José Luís
Catarino divide também a sua derrota com Asuíl Dinis, adversário de Lage
no Congresso Distrital, e com as «tendências» de Raul de Brito e de Jorge
Catarino, irmão do candidato.

<p n=2029>
Há 21 dias na frente e não me consigo habituar ao constante som de
rebentamentos longínquos, ao estremecer do deserto, ao som de turbinas
puxadas ao máximo sobrevoando a nossa tenda.

<p n=2030>
Há momentos em que penso que isto aqui no deserto é, pura e simplesmente,
um campo de teste para a tecnologia super-avançada dos aliados, todos os
brinquedos estão cá à espera de serem testados; se efectivamente matam o
que é suposto matar ou se destroem o número de tanques que é suposto
destruir; se são super precisos ou se provocam o «dano colateral»
(leia-se civis mortos) maior do que foi determinado na prancheta de
desenho há dois ou três anos atrás.

<p n=2031>
Entre uma e seis semanas, o prazo que se discute para início da grande
batalha terrestre. Ameaçados com reduções orçamentais drásticas, Exército
e Marines jogam na Arábia Saudita o seu futuro, e querem avançar sobre o
Kuwait. Mas os bombardeamentos parecem longe de ter destruído a máquina
de guerra iraquina, e as baixas podem ser elevadíssimas.

<p n=2032>
Uma barragem de informações contraditórias foi lançada nos últimos dias
por militares e políticos aliados acerca do «dia G» que marcará o início
da grande batalha terrestre pela reconquista do Kuwait. «Vai começar
dentro de uma semana», segredaram oficiais em Dahran e em unidades
estacionadas na zona da fronteira, a pelo menos dois jornalistas aqui
acreditados.

<p n=2033>
O GOVERNO kuwaitiano no exílio prometeu à Grã-Bretanha 1,3 mil milhões de
dólares como ajuda pelo esforço de guerra destinado a expulsar o Iraque
do Kuwait, anunciou ontem o Governo britânico. O acordo foi estabelecido
durante o encontro, realizado na cidade saudita de Taif, entre o ministro
dos Negócios Estrangeiros britânico, Douglas Hurd, e o emir do Kuwait,
Jaber al-Sabah. «Nós tinhamos a obrigação de reagir à invasão do Kuwait
como fizemos, mas os custos são muito elevados e esta contribuição vai
ajudar de forma significativa a realização dos nossos objectivos comuns»,
lia-se no comunicado do Executivo britânico. O «esforço de guerra» da
Grã-Bretanha no Golfo foi calculado em 2,5 mil milhões de dólares até ao
mês de Abril.

<p n=2034>
02h00 -- Na Áustria, um atentado à bomba contra uma linha de
caminho-de-ferro não provoca vítimas. O Governo não excluiu que a acção
seja uma resposta à decisão de autorizar o trânsito, pelo Tirol, de 103
blindados americanos.

<p n=2035>
Evocando o risco de que a lógica de guerra faça letra morta das
resoluções da ONU, Gorbatchov apelou ao «realismo» de Saddam e enviou-lhe
um representante pessoal com eventuais propostas de paz. A iniciativa
pode vir a conjugar-se com a que o Irão lançou a semana passada e a que
Bagdad deu hoje resposta.

<p n=2036>
Após ter recordado «mais uma vez» a «fidelidade fundamental» do Governo
soviético às resoluções do Conselho de Segurança da ONU, Gorbatchov
advertiu que «países inteiros, começando pelo Kuwait, agora o Iraque e, a
seguir, talvez outros, estão ameaçados de uma destruição catastrófica».

<p n=2037>
1 -- Concorda ou não com a natureza e oportunidade da recente iniciativa
diplomática do Presidente da República junto da OLP?

<p n=2038>
4 -- Acha que a iniciativa do Presidente da República pode colidir com a
solidariedade portuguesa em relação às forças aliadas e à frente
anti-iraquiana?

<p n=2039>
1 -- Concorda ou não com a natureza e oportunidade da recente iniciativa
diplomática do Presidente da República junto da OLP?

<p n=2040>
4 -- Acha que a iniciativa do Presidente da República pode colidir com a
solidariedade portuguesa em relação às forças aliadas e à frente
anti-iraquiana?

<p n=2041>
A guerra no Golfo fez a polícia londrina redobrar a vigilância no
«Speakers' Corner», a esquina a que os guias turísticos gostam de chamar
«o mais famoso forum mundial da liberdade de expressão».

<p n=2042>
A poucos metros de distância, o iraquiano Abdul ergue-se, sorrateiro,
numa grade de cerveja e, entre vivas a Saddam Hussein, dispara uma
saraivada de impropérios que mobilizam imediatamente as atenções da
plateia mais próxima: «Vocês, ocidentais, são incivilizados, devassos,
crápulas do demónio». Ao lado, um pregador inglês que atacava com o
tradicional «Deus mandou Jesus para nos salvar dos pecadores» perdeu, de
repente, todo o seu auditório.

<p n=2043>
Apesar das infiltrações de comandos palestinianos através da fronteira e
dos discursos cada vez mais pró-iraquianos do rei Hussein, parece ser
infinita a «paciência» do Governo de Israel para com a Jordânia.

<p n=2044>
De acordo com algumas fontes governamentais, uma das razões -- não
certamente a mais importante -- que pesou a favor da política de contenção
adoptada por Shamir terá sido a conveniência de não destabilizar ainda
mais a situação interna na Jordânia. Os jornais citam um velho diplomata
israelita que aconselhou Shamir durante a crise como tendo dito ao
primeiro-ministro: «Se Israel violar o espaço aéreo jordano para retaliar
e o rei reagir, então estaremos imediatamente em guerra. Se o rei não
reagir, o povo jordano pode muito bem destitui-lo e a situação de Israel
não será melhor».

<p n=2045>
CASAS DESTRUÍDAS, automóveis queimados, a enorme cratera aberta na rua,
bulldozers removendo os destroços, pessoas recuperando alguns dos seus
haveres. O pesadelo que os israelitas tentavam enterrar no fundo da
memória voltou ontem, de madrugada, a Telavive.

<p n=2046>
Ontem, todavia, às duas e quarenta da madrugada, o sinal de alerta voltou
a seu ouvido em todo o país e um dos bairros da periferia de Telavive -- o
bairro de Ramat Gan -- era tocado pela terceira vez desde que, há quase um
mês, Saddam Hussein atingiu a cidade com a primeira salva de mísseis.

<p n=2047>
NO GOLFO e à sua margem multiplicam-se os combates mas também os
«recados» e as iniciativas políticas. Ontem, 24 dias depois de a guerra
ter começado, Mikhail Gorbatchov lançou novo apelo pedindo a Saddam
Hussein que dê ao mundo «uma prova de realismo» e anunciando ter enviado
um «representante pessoal» a Bagdad. Mas alertou também para «o risco» de
os aliados virem a «ultrapassar o mandato da ONU» para libertar o Kuwait.

<p n=2048>
Em Riad, o chefe de Estado Maior das Forças Armadas dos EUA, Colin
Powell, e o secretário da Defesa Dick Cheney terminaram, como previsto,
os contactos com Norman Schwarzkoft, comandante em chefe das forças
amercanas no Golfo, como vista à definição da data em que a ofensiva
terrestre contra os iraquianos deverá começar. Os resultados deste
encontro -- tenham ou não gerado respostas -- serão revelados amanhã a
George Bush.

<p n=2049>
A cadeia regional de televisão que cobre a área de Madrid, Telemadrid,
bateu a concorrência nas duas primeiras semanas de conflito no Golfo, ao
protagonizar um facto sem precedentes na história da televisão de
Espanha: emitir consecutivamente durante 40 horas.

<p n=2050>
Em duas das três cadeias privadas de Madrid, Antena 3 e Tele 5, a
situação é díspar. A primeira destas cadeias, que ganhou a corrida ao
noticiar antes das outras o início dos bombardeamentos aliados ao Iraque,
manteve durante oito horas consecutivas, em 17 de Janeiro, informação
específica relacionada com o conflito. «Tele 5» dedicou nos primeiros 15
dias cerca de 16 horas de informação, não tendo, no entanto, modificado a
sua programação.

<p n=2051>
UM JORNAL jordano publicou ontem o que diz ser uma «transcrição integral»
do encontro, do dia 13 de Janeiro, em Bagdad, entre o secretário-geral da
ONU, Javier Perez de Cuellar, e o Presidente Saddam Hussein, e em que
este afirma que «a América obrigou o Iraque a anexar o Kuwait».

<p n=2052>
Saddam: «[...] São decisões americanas... É uma época americana. É o que
a América quer que se faz e não o que o Conselho de Segurança quer».

<p n=2053>
UMA NOVA tentativa das tropas iraquianas para entrarem em território
saudita foi repelida pela artilharia saudita, durante a noite de
sexta-feira para ontem, anunciou um porta-voz saudita em Riad.

<p n=2054>
Na sexta-feira, teriam ocorrido confrontos de artilharia entre marines
norte-americanos e soldados iraquianos, junto da fronteira entre a Arábia
Saudita e o Kuwait, segundo informações divulgadas por uma equipa de
televisão francesa que se encontrava no local. Os jornalistas receberam
imediatamente ordens para deixar a área e responsáveis militares
americanos manifestaram a intenção de pedir às autoridades sauditas que
os expulsassem do país por terem infringido as regras impostas à
comunicação social.

<p n=2055>
NA GUERRA contra o Irão, os Estados Unidos forneceram ao Iraque as
coordenadas que permitiam localizar as tropas iranianas e outros dados
provenientes dos satélites americanos, e esta ajuda a Bagdad começou dois
anos antes de os dois países terem restabelecido relações diplomáticas em
Julho de 1984, escreveu o jornal britânico «The Guardian».

<p n=2056>
A SÍRIA tenciona enviar tropas para o Kuwait, modificando a sua posição
inicial, que previa apenas a presença de soldados na Arábia Saudita para
defender este reino de ataques iraquianos, revelaram diplomatas árabes,
citados ontem pelo diário americano «International Herald Tribune».

<p n=2057>
A preocupação iraquiana com a revelação da conversa entre Saddam Hussein
e Perez de Cuellar não pode fazer esquecer que, para o Presidente
iraquiano, o valor das palavras parece muitas vezes medir-se pelas
vantagens políticas imediatas que lhe podem proporcionar. Ou seja, o que
hoje é dito, talvez amanhã seja para esquecer.

<p n=2058>
«O nosso irmão Jaber al-Ahmad al-Jaber al-Sabah esteve na linha da frente
dos que reconheceram com suficiente consciência e clara visão os perigos
da ameaça que vinha do leste [Irão], não só contra o Iraque, mas também
contra a nação [árabe] e a sua segurança e contra o Kuwait. A sua posição
e a do povo do Kuwait merecem um lugar especial nos nossos corações e
tiveram uma influência definitiva no curso da luta [a guerra contra o
Irão, de 1980 a 1988], para benefício da nação [árabe] e sua grande
vitória. [....] A nossa irmã Kuwait permaneceu firme, reafirmando e
seguindo princípios e políticas sem as quais os árabes como um todo se
encontrariam numa situação lamentável».

<p n=2059>
Madrid é uma capital de dimensão europeia. Confirmam-no as inúmeras
exposições que, paralelamente à ARCO, animam os museus e as galerias
madrilenas. Da preocupação com a actualidade internacional, demonstrada
pelo Museu Nacional Centro Rainha Sofia, às «instalações» patentes na
Caja de Pensiones e no Círculo de Belas Artes, passando pela exposição de
Picasso na Fundação Juan March, «Retratos de Jacqueline», o amador de
arte encontra um panorama quase completo das tendências da criação
contemporânea. Madrid, como se vê, não dorme. Maria Corral, directora do
Museu Rainha Sofia, quer transformá-lo no «melhor museu de arte da
segunda metade do século XX e início do século XXI». Nem mais, nem
menos...

<p n=2060>
Os oito «skins» que estão a ser julgados em Monsanto alegam lembrar-se
mal da morte da morte de um militante do PSR que ali os levou. Mas no
Porto a memória é fresca: as autoridades policiais admitem que a nova
onda de violência verificada na cidade pode constituir uma estratégia
claramente definida. Para já regista-se uma nova componente ideológica e
o aparecimento de líderes provenientes da capital.

<p n=2061>
A matança do porco, momento de convívio à volta do bicho, da comida e da
bebida, mantém o seu lugar único na vivência popular portuguesa. Mesmo se
o mato com que o pelo do suíno é queimado perde em favor do maçarico, os
processos não se têm alterado grandemente, apesar de variarem um pouco de
região para região.

<p n=2062>
A crise no Golfo e o novo contexto mundial será um dos temas sobre o qual
a VII Assembleia do Conselho Ecuménico das Igrejas (CEI) se irá
pronunciar, no final dos trabalhos que decorrem em Camberra, Austrália,
até ao próximo dia 20, reafirmando as posições já tomadas antes e durante
o conflito.

<p n=2063>
Ao afirmar que «cada hora, cada dia que passa» constitui uma vitória para
o Iraque, Saddam Hussein frisou bem os seus objectivos
político-militares: forçar os norte-americanos a uma guerra longa e
sangrenta, mobilizar a «nação árabe», desgastar a opinião pública
ocidental, romper a coesão da frente aliada. Durante o dia houvera alguma
especulação sobre eventuais contradições entre alguns dos responsáveis
iraquianos, após o vice-primeiro ministro, Saadoun Hammadi, haver
reafirmado, na Jordânia, que o seu país continuava a desejar «uma solução
árabe» e que não punha condições para um cessar fogo: exigia apenas que
os Estados Unidos abandonassem a região. Não houve qualquer referência à
retirada do Kuwait. Não surpreende por isso o fracasso da tentativa de
mediação iraniana. Anuncia-se, entretanto, uma outra tentativa com a
visita a Bagdad dum emissário soviético. Mediações que, mais do que
pretenderem pôr termo à guerra, preparam o pós-guerra.

<p n=2064>
Enquanto se aguarda «a mãe de todas as batalhas», o Kuwait e o Iraque
continuam a ser alvo dos bombardeamentos. Pela primeira vez, desde o
início da guerra, jornalistas estrangeiros puderam entrar em Bassorá, a
grande cidade do sul do Iraque, junto ao Chat Al-Arab. « O céu era rubro
a norte e noroeste, misturando os incêndios e o clarão das explosões de
bombas, enquanto o fogo cerrado da artilharia anti-aérea procurava
atingir os aviões «, escreveu um repórter da France Presse. Segundo o
director local da Defesa Civil, há mais de 200 mortos e 500 feridos
civis, após «dez dias de bombardeamentos que, cada noite, se tornam mais
intensos». Ignora-se o número de baixas militares. Bassorá parece uma
cidade morta.

<p n=2065>
O plano de actividades para 1991 previsto pela Direcção Geral da Extensão
Educativa (DGEE) para o concelho de Sines cobre apenas 30 por cento das
acções programadas pela coordenação concelhia (9 acções em 25). Segundo o
professor José Manuel Viana da Silva, coordenador concelhio, as acções
pagas em 1990 pela DGEE e pelo Ministério da Educação foram 15 e como em
1991 estão previstas apenas 9, representam um decréscimo de 40 por cento,
acrescentando ainda que «os organismos centrais prevêem para 1991
encargos de 1260 contos em 63 meses de bolsas (remunerações aos
professores), enquanto as autarquias de Sines (Câmara e Junta de
Freguesia) no mesmo período vão gastar 1620 contos em 81 meses de
bolsas», o que implica uma maior sobrecarga das autarquias nos seus
orçamentos da educação e cultura. «Sendo da responsabilidade do poder
central a alfabetização e do poder local o apoio logístico, difícil se
torna entender a diminuição dos encargos estatais agora decididos, quando
os responsáveis governamentais se comprometem publicamente na TV a
erradicar o analfabetismo no país até ao ano 2000», concluiria o mesmo
responsável concelhio.

<p n=2066>
Explica José Batalha: «Dos 1200 alunos desta escola, apenas duas centenas
almoçam habitualmente na cantina. Percebemos que alguns andam a
alimentar-se de sanduíches e cerveja pelos cafés, e outros aproveitam
para pedir mais dinheiro aos pais a pretexto de que a comida do
refeitório é má. E a verdade é que a comida do refeitório tem boa
qualidade e obedece a regras na escolha das ementas e na confecção dos
pratos. Portanto, queremos trazer mais alunos ao refeitório, e nada
melhor para isso do que uns almoços especiais».

<p n=2067>
A situação dos professores efectivos de nomeação provisória colocados na
segunda parte do concurso deverá ser resolvida pelo secretário de Estado
da Reforma Educativa ainda esta semana, anunciou a Federação Nacional dos
Sindicatos da Educação (Fne) após um encontro com aquele responsável.
Conforme estava previsto, a solução do problema destes professores,
impedidos de ocupar uma vaga de quadro por não possuírem formação
específica para dar aulas, deverá passar pela frequência da Universidade
Aberta. A Fne defendeu ainda a criação de um sistema de aferição de notas
a nível nacional na Universidade Aberta, «de modo a que não se registem
as disparidades de classificações que têm vindo a ocorrer».

<p n=2068>
O documento, assinado pelo reitor e pelos três vice-reitores da 
Universidade Técnica de Lisboa, respectivamente Simões Lopes, Monteiro
Lopes, Jorge Silva e Lopes da Silva, vai ser entregue ao Primeiro
Ministro e à Comissão Parlamentar de Educação depois das férias de
Carnaval.

<p n=2069>
Os alunos do ensino primário, preparatório e secundário podem assistir a
uma aula didáctica sobre teatro e à representação de uma peça no teatro
Maria Matos, em Lisboa, todas as terças e sextas-feiras até ao mês de
Maio. A iniciativa, que se chama «Encontros com o Teatro», pertence ao
pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, e é dedicada às
terças-feiras aos alunos do secundário e à peça «Auto da Barca do
Inferno», de Gil Vicente. Às sextas-feiras é a vez dos estudantes do
primário e preparatório e da peça «Era uma vez um dragão», de Couto
Viana.

<p n=2070>
Os alunos do 1º ano do curso de Informática, do Instituto Superior
Técnico, começaram a época de exames do primeiro semestre. O de Análise
Matemática, a abrir uma série de provas que durante um mês e meio lhes
vai ocupar a cabeça, mais do que um mero exame, foi o teste de uma
experiência feita com 176 alunos, por iniciativa do Fundetec.

<p n=2071>
Uma conduta de água subterrânea datada do século I D.C. , com 400 metros
de comprimento, foi descoberta por arqueólogos israelitas em Cesareia, no
litoral mediterrânico. A conduta, que tem 1,8 metros de altura por um
metro de largura, reforçada por arcos, foi escavada em calcário e servia
para abastecer a Cesareia de água potável. Durante mais de seis séculos,
os habitantes da cidade usaram-na. O túnel, que em breve ficará
desimpedido, passa por baixo da cidade israelo-árabe de Jisr al-Zarka,
cinquenta quilómetros a norte de Tel-Aviv.

<p n=2072>
Ontem à tarde, perante uma assistência de pouco mais de trinta pessoas,
(16 H, Domingo de Carnaval, não seria propriamente o horário ideal...)
Fernando Meireles apresentou-se integrado no agrupamento «Realejo»
formado em Coimbra o ano passado. O grupo dedica-se à interpretação de
música exclusivamente tradicional, «com arranjos instrumentais
substituindo as partes cantadas e variações sobre as melodias originais».

<p n=2073>
A Câmara Municipal de Évora recebe, até ao dia 28 de Fevereiro,
candidaturas para a edição deste ano do Prémio de Recuperação de
Edifícios de Habitação situados no centro histórico da cidade. O prémio,
no valor de 500, 300 e 200 contos, criado por protocolo entre a Câmara
Municipal de Évora e a Caixa Geral de Depósitos em 1985, premeia os
proprietários dos três melhores projectos de recuperação e remodelação de
edifícios de habitação.

<p n=2074>
Para além disso, os Defenders -- o único grupo que cantou em cantonês --
ganharam um cupão para aquisição de material musical, no valor de 10 mil
patacas (cerca de 160 contos).

<p n=2075>
Carlos Maria Trindade, antigo teclista dos Heróis do Mar, é o novo A & R
nacional da Polygram, substituíndo assim, o cargo antes ocupado por Tozé
Brito. O lugar estava vago há duas semanas, quando este foi convidado
para director geral da divisão nacional da BMG. Quem vai também para a
BMG, para o cargo de A&R, é Luís Costa que ocupava funções idênticas na
Edisom.

<p n=2076>
O grupo pop espanhol Presuntos Implicados pretende entrar no mercado
discográfico português. Os seus elementos acham até que, descontando o
problema do idioma, poderiam vir a ter mais sucesso entre nós do que em
Espanha. Fazem uma música devedora do soul, do funk e dos blues, mas não
esquecem que são europeus: «Crescemos a ouvir os Beatles e não podemos
fugir facilmente a essa herança», dizem. «Alma Blues», o seu último
disco, foi agora posto à venda em Portugal.

<p n=2077>
O Fantasporto viajou da União Soviética à Catalunha. Se «A Casa da
Rússia», de Fred Schepsi, parece sofrer de tentação turística e Bigas
Luna não domina, em «Lola», o desenvolvimento previsível  de uma história
de amor e morte, os noctívagos carnavalescos adoraram a programação
nocturna que a organização lhes preparou no Carlos Alberto: o terror e o
humor de filmes como»Lunatics», Monster Squaid» e «They Call Me Macho».

<p n=2078>
A realidade e a história da URSS estiveram também em evidência no
primeiro dos dois filmes com que este país está representado na secção
competitiva do festival. «A Mulher do Vendedor de Querosene», de
Alexander Kaidanovski (um antigo actor de Tarkovski), é a obra em causa,
com uma história exemplar -- como na parábola de Caim e Abel -- sobre o
modo como a corrupção do Poder se instalou e condicionou o imaginário e o
quotidiano do povo soviético, em 1953, o ano da morte de Estaline. «A
Mulher do Vendedor de Querosene» deixa transparecer manifestas
influências do cinema metafísico de Tarkovski, mas falta-lhe a fluidez e
o rigor de encenação patente na obra do autor de «O Sacrifício». Fica a
intenção do testemunho e de documento de denúncia de um sistema que
transformou a sociedade soviética num gigantesco campo de concentração.

<p n=2079>
A actriz Tyne Daly, que os telespectadores portugueses conhecem da série
«Cagney e Lacey» foi presa em Los Angeles por conduzir embriagada e vai
comparecer hoje em tribunal para julgamento. Daly, de 44 anos, a
detective Lacey, poderá ser multada em 390 dólares (mais de 50 contos),
condenada a três anos de prisão com pena suspensa e obrigada a frequentar
um programa de ajuda a alcoólicos. Tyne Daly regressará a Nova Iorque em
Abril para retomar o papel de Mama Rose no musical «Gipsy», em cena na
Broadway.

<p n=2080>
A exposição incide sobre as cerâmicas. Desde o início, uma surpresa: a
cerâmica é escultura. De facto, Hein Semke recusava o qualificativo de
«arte menor» para a cerâmica; e reconhecia-lhe tantas ou mais
possibilidades de fornecer um suporte válido para todas as experiências
desejáveis ao nível da forma e dos materiais. Com Jorge Barradas,
instituiu em Portugal a cerâmica artística, frisando que ela se destinava
a um novo sector do mercado, ávido de obras de arte mas com menores
possibilidades económicas.

<p n=2081>
A exposição de pintura «As Crianças do Mundo Pintam Jerusalém», que
integrou em 1988 as comemorações do 40º aniversário da independência de
Israel, foi inaugurada no sábado na Póvoa do Varzim. A mostra estará
patente ao público na Galeria do Turismo da cidade até 3 de Março. A
colaboração entre a Embaixada de Israel em Portugal e a Câmara Municipal
da Póvoa do Varzim vai prosseguir no dia 20 de Fevereiro com a actuação
do trio israelita «Shavit» -- violino, violoncelo e piano.

<p n=2082>
«Não ando bem da cintura para baixo», confessou o cantor Julio Iglésias
ao programa da televisão espanhola «Dez Minutos», que trata questões
amorosas.«Em 1982 revelei que já tinha tido relações com três mil
mulheres. Mas actualmente o meu ritmo abrandou muito. Procuro ainda
defender-me mas a coisa não vai bem. Preciso de me concentrar muito e
demoro mais tempo do que dantes», explicou o cantor perante as câmaras.
Apesar de a ideia de envelhecer o preocupar muito e de a sua vida amorosa
já não ser o que era, Julio Iglésias admitiu que está mais assustado com
a perspectiva de perder a popularidade e cair no esquecimento como
artista.

<p n=2083>
A actriz norte-americana Zsa Zsa Gabor, que em 1990 foi condenada a três
dias de prisão e ao cumprimento de trabalho cívico por ter esbofeteado um
polícia, chegou a um acordo de conciliação com a sua vítima, informaram
fontes da acusação. Richard Thomas, advogado do agente da autoridade
agredido, não especificou se o acordo extra-judicial compreendia alguma
parte ou a totalidade da indemnização inicialmente pedida pela vítima: 10
milhões de dólares, cerca de 1,3 milhões de contos. Zsa Zsa Gabor, de
origem húngara e naturalizada americana, foi considerada culpada por ter
esbofeteado o polícia de trânsito Paul Kramer que a deteve, em Junho de
1989, em Beverly Hills, conduzindo, sem documentos, um Rolls Royce. Zsa
Zsa Gabor declarou sempre estar inocente da agressão.

<p n=2084>
A Ovarense conseguiu um precioso triunfo na sua difícil deslocação a casa
do Beira Mar, graças às boas actuações de Seiça, Roberts e Mário Leite, à
boa condução do jogo por Tó Ferreira e aos poder ressaltador de Roberts e
Silvestre. Nem sequer o bom jogo de Tarre (30 pontos) e Ken Scott foi
suficiente para evitar a derrota dos donos da casa, perante uma Ovarense
que no próximo fim-de-semana, na sua deslocação a Ílhavo, disputará um
importantíssimo jogo que definirá o seu posicionamento na tabela
classificativa com vista à segunda fase da prova.

<p n=2085>
A prova de abertura da época velocipédica de 1991, disputada no Algarve
numa distância de 120 Kms entre Faro e Loulé, teve na equipa da «casa», o
Bom Petisco-Tavira a sua grande animadora, mas a vitória acabou por
pertencer a Pedro Silva, do Recer-Boavista.

<p n=2086>
Nos últimos 20 quilómetros de prova a equipa do Recer-Boavista decidiu
vir para a frente, controlando a corrida, no intuito de preparar a
vitória de um ciclista seu, o que veio a acontecer através de Pedro
Silva, que foi o mais rápido no sprint, terminando no tempo de 3h01m04s,
à média de 39,633 Km/h. Nas posições seguintes classificaram-se, por esta
ordem: Jorge Mendes (Ruquita/Phillips-Feirense), Carlos Carneiro
(Ruquita/Phillips-Feirense), Paulo Silva (Orima-Cantanhede) e Carlos
Pinho (Sicasal-Acral).

<p n=2087>
O tri-campeão do Mundo de Fórmula 1 Nelson Piquet disse ontem em Cabo
Verde, onde fez escala no seu avião particular a caminho de Portugal,
vindo do Recife, onde passou as férias, que pensa «ganhar mais um
campeonato do Mundo». Piquet disse à Rádio Nacional que vem a Portugal
recomeçar os treinos no Autódromo do Estoril, onde irá preparar-se para
Phoenix, o primeiro Grande Prémio da temporada, marcado para 11 de Março.
«Sinto-me satisfeito com a Benetton, que está melhorando com um carro
cada vez mais competitivo. Penso cumprir o meu compromisso até 1991;
sinto-me em grande forma. Enquanto eu puder fazer uma boa carreira
continuarei na F1», explicou. Sobre os pilotos mais promissores da
actualidade, Nelson Piquet destacou Jean Alesi, Stefano Modena e Roberto
Moreno. Quanto aos mais consagrados Ayrton Senna e Alain Prost, afirmou
que terminaram o «Mundial» de uma forma pouco desportiva. Nelson Piquet
viajava com a esposa, a filha e um amigo.

<p n=2088>
Carlos Bica, depois de ter terminado na 2ª posição no Rali Sopete, viu-se
agora com muitos problemas na direcção assistida do seu Lancia Delta
Integrale 16V, problemas que o levaram ao abandono. Quanto a Joaquim
Santos e à equipa Toyota/Salvador Caetano, decididamente o piloto de
Penafiel não se dá com o Toyota Celica GT4. Dispondo de um carro «com
pouco motor», Joaquim Santos, depois do abandono no Sopete, andou muito
longe do esperado, rodando mais próximo dos melhores Citröen AX do que de
José Miguel que, à partida, tinha a desvantagem de a prova se realizar
com chuva e os pisos estarem escorregadios, o que favorecia a tracção
integral do Toyota.

<p n=2089>
Eles são dois dos meninos do professor -- Domingos e Dionísio Castro, os
gémeos que qualquer adepto do desporto conhece, mas que dificilmente os
distingue em prova ou fora das competições. Dois campeões, como o foram
Lopes e Mamede, para quem Moniz Pereira é mais do que um mestre.

<p n=2090>
A admiração e o respeito que este atleta nutre pelo mestre é tanta que
ainda agora sofre quando recorda «a coisa mais triste» que lhe podia
acontecer desde que é treinado por Moniz Pereira. «Fui apanhado,
recentemente, com a boca na botija, como se costuma dizer, com uma
grarrafa de whisky na boca, e senti-me tão mal quando o vi, embora ele
não me tenha dito nada, que fiz uma jura e ainda não voltei a tocar em
álcool» -- confessa Domingos, recordando um dos «momentos mais negros» da
sua carreira.

<p n=2091 assunto=desporto>
Ficou ontem confirmado, na 2ª jornada do Torneio Internacional de
juniores B do Algarve, que a equipa portuguesa não tem nem o talento nem
a ambição para que de momento se possa pensar em altos vôos para este
conjunto de jogadores. Portugal perdeu com 2-1 frente a Israel e já não
poderá chegar à vitória na competição.

<p n=2092>
A equipa entrou desta vez a jogar com quase todos os seus elementos-base
e havia jogadores apostados em dar uma dinâmica diferente do da exibição
feita no dia anterior contra a Bélgica. Destacavam-se nesta fase inicial
do jogo, o madeirense Zeca e o portista Madureira que, trabalhando o
meio-campo, davam à equipa nacional o ascendente sobre a sua congénere
israelita, que nesta fase do jogo se revelou nitidamente inferior.

<p n=2093>
«Foi um acontecimento! A recepção começou em Pombal. A partir de
Condeixa, viemos de camioneta de caixa aberta. Pela estrada fora,
centenas de carros e o povo dessas aldeias todas». Álvaro Abreu, dez anos
ao serviço da Secção de Futebol da Académica, onde jogou em todos os
lugares, descreveu assim, quinta feira passada, na exposição inaugural do
Museu Académico, a conquista da 1ª Taça Nacional de Futebol. Foi em 1939
e a final disputada com o Benfica, nas Salésias. «Conquistou-se a taça em
Lisboa e a festa em Coimbra durou quinze dias».

<p n=2094>
Nesse dia, quinta feira, foi assinado um protocolo com a DG da AAC, nos
termos do qual o museu passa a ser fiel depositário das taças e troféus
que as secções desportivas conquistaram. E das vindouras - que a DG se
comprometeu a entregar todos os anos.

<p n=2095>
Por muito que se critique a criação da Divisão de Honra e que se lhe
apontem defeitos, este campeonato continua a dar mostras de grande
vitalidade competitiva. Há emoção, golos bonitos e resultados discutidos
até final. Foi o caso do jogo que ontem opôs o Freamunde e o Desportivo
das Aves (antecipado da 30ª jornada), no qual um bonito golo de Pedro
marcou a diferença.

<p n=2096>
O primeiro tempo terminou com um erro clamoroso de Rosa Santos, quando
assinalou livre directo a punir uma carga de Milhozes sobre Cunha,
cometida já bem dentro do Freamunde. Na marcação da falta o árbitro de
Beja considerou ter havido mão de um dos elementos da barreira mas, na
conversão da grande penalidade, Almir atirou à trave.

<p n=2097>
A Associação Académica de Coimbra homenageou os seus atletas de todos os
tempos, expôs troféus e inaugurou o museu académico. E, como é da praxe,
a confraternização acabou num jantar que reuniu cerca de 400
participantes. Apesar dos seus 103 anos, a AAC parece disposta a
regressar aos debates da sua juventuse. E «a grande discussão» vai
principiar pelas tensões entre desporto amador e profissional.

<p n=2098>
O jantar decorreu sob o signo do 'copo' e da cantiga. No que se refere às
vozes, a secção de râguebi dominou o desafio e atraiu as atenções. Quanto
ao copo, esforços individuais em todas as equipas equilibraram a partida.
Finalizando, o Secretário de Estado da Juventude afirmou que «A AAC é um
espaço de emoção e cruzamento de gerações», «de convivência,
solidariedade e amizade».

<p n=2099>
Foi um fim-de-semana de completo domínio português nas competições
europeias de crosse. Ontem, o Sporting conquistou em Marignane (França) o
seu 11º título europeu, derrotando o Alicante de Espanha (segundo) e o
Benfica (terceiro). No sábado, tinha sido a vez da equipa feminina do
Sporting de Braga levar de vencida a do Benfica (segunda), em San Marino.
Na prova masculina, o pódio foi todo português, pertencendo a vitória
individual a Domingos Castro (à direita, na foto), seguido pelo seu irmão
Dionísio (à esquerda) e pelo benfiquista Joaquim Pinheiro. A surpresa da
competição foi o sexto lugar de Tony Martins, um português naturalizado
francês, que obteve a melhor classificação da equipa da casa. Agora,
preparam-se já os «Nacionais» da especialidade, com novos confrontos
Sporting de Braga/Benfica (femininos) e Sporting/Benfica (masculinos). A
vitória dos sportinguistas na prova francesa foi a prenda dos atletas
para o seu técnico, Moniz Pereira, que hoje completa 70 anos. Parabéns.

<p n=2100 assunto=desporto>
Uma bonita tarde de sol de Inverno, um pouco de frio, o relvado do
estádio da Luz em boas condições, um adversário modesto e disposto a
contribuir para um bom espectáculo de futebol. O Benfica, com os
jogadores disponíveis, goleou por 8-0 o FC Berna, um clube da primeira
Liga de amadores da Suiça, num jogo que marcou o regresso de Hernâni à
equipa, depois de ter estado afastado cinco meses devido a uma lesão no
joelho esquerdo, contraída num treino da selecção nacional. Cerca de três
mil adeptos aproveitaram assim a tarde de domingo, aplaudindo algumas
bonitas jogadas individuais e, claro, os golos de Sanchez, Kennedy,
Hernâni, Pulver (na própria baliza), José Carlos, Sanhá e Isaías.

<p n=2101>
Pedro mostrou a sua vocação de guarda-redes aos 14 anos, no Corvense, um
clube de bairro em Alfama, onde permaneceu por uma época. Depois esteve
dois anos sem jogar, até que o Belenenses veio a recrutá-lo, por
iniciativa de Dominguez, para mais tarde o ceder, durante uma época, ao
Cova da Piedade, da II Divisão.

<p n=2102>
O Torriense seria o passo seguinte, em 1985-86, mas deixou esse clube ao
fim de uma época, a favor da Académica.

<p n=2103>
«O nosso objectivo principal neste momento são os Jogos Olímpicos de
Barcelona», disse José Ferreira, presidente da Federação Portuguesa de
Canoagem, quando num hotel do Porto, fazia a apresentação do calendário
de provas para 1991 e a revista «Águas Lusas» aproveitava a ocasião para
distinguir «aqueles que ao longo do ano mais se dedicaram à modalidade».

<p n=2104>
Conseguindo já resultados de grande significado -- José Garcia, além de
finalista do Campeonato do Mundo disputado o ano passado em Poznan, na
Polónia, em K1 nos 1000 e 10 mil metros, já conquistou a medalha de
bronze nos «Mundiais» de Plovdiv, em 1989, e em Juniores, nos «Mundiais»
disputados no mesmo ano no Canadá, em K4, obtivemos a medalha de prata --
a canoagem nacional está agora com os olhos postos em Barcelona. Depois
de um semi-fracasso em Seul, onde em vão se esperou por uma medalha, os
próximos jogos olímpicos serão, como disse o técnico nacional, o polaco
Zdizlaw Szubski «muito importantes para a canoagem portuguesa».

<p n=2105 assunto=desporto>
O Amora continua sem ganhar desde que sofreu a sua primeira derrota, há
três jornadas atrás. O bastante para ter perdido a liderança da zona sul
-- que ocupou desde o início da prova -- a favor do Atlético, ocupando
agora a terceira posição, a dois pontos do Atlético e um do
Campomaiorense. Na jornada deste fim-de-semana, em Alverca não foi além
de um empate a zero, o que permitiu ao Atlético (vencedor em casa frente
ao Almeirim por 3-0) destacar-se no comando.

<p n=2106 assunto=desporto>
Portugal venceu a terceira edição da Taça Latina de futebol de salão,
derrotando ontem a Espanha por 3-1 na última jornada da prova, em que
participaram também as selecções de França e Itália e que decorreu no
Pavilhão da Académica da Amadora. Com esta vitória, a selecção portuguesa
-- que vencera as duas edições anteriores do torneio (Matosinhos, em 1989,
e Saragoça, em 1990) -- conquistou o direito ao troféu. Em terceiro lugar
ficou a selecção transalpina, que ontem de manhã venceu a sua congénere
francesa por 7-5.

<p n=2107>
JOGADORES DO SPORTING DEIXARAM CABO VERDE - Os futebolistas do Sporting
Gomes, Amaral e Marinho tiveram uma bela manifestação de carinho por
parte dos sportinguistas cabo-verdianos na véspera do seu regresso a
Portugal, que aconteceu ontem. Os adeptos realizaram um são convívio com
os craques portugueses onde, claro está, não faltaram vários e saborosos
mariscos. Os três futebolistas mostraram-se muito satisfeitos e
emocionados com tão bela manifestação de carinho, ainda mais quando
souberam que um adepto sportinguista viajou propositadamente da Ilha de
Santiago para a Ilha do Sal só para os conhecer. Gomes ofereceu-lhe uma
camisola verde-branca com o número 9. O mesmo adepto afirmou que mesmo
quando o Papa João Paulo II visitou Cabo Verde não se sentiu tão feliz
como quando abraçou e conversou com Fernando Gomes. «Voltaremos
brevemente a Cabo Verde», prometeram os três futebolistas, que estão
optimistas numa boa ponta final do seu Sporting no campeonato.

<p n=2108>
MÓNACO CONTINUA SEGUNDO - Resultados da 26ª jornada do campeonato
francês: Toulon, 1-Montpellier, 1; Mónaco, 2-Metz, 0; Paris Saint
Germain, 0-Marselha, 1; Saint Étienne, 0-Lille, 0; Rennes, 2-Auxerre, 2;
Cannes, 2-Nantes, 1; Toulouse, 0-Bordéus, 0. Os jogos Nancy-Caen,
Sochaux-Nice e Brest-Lyon foram adiados devido ao mau tempo.
Classificação: 1º Marselha, 38 pontos; 2º Mónaco, 33; 3º Auxerre, 31; 4º
Montpellier, 29; 5º Cannes, 29.

<p n=2109>
Dos atletas já retirados, a opinião de Fenando Mamede sobre o antigo
mestre é cem por cento positiva.»Ele é o máximo como treinador», diz o
antigo recordista mundial da dupla légua, «para ele o atletismo e os seus
atletas estão acima de tudo. No meu caso soube extrair os melhores
resultados possíveis com um planeamento que muitos criticaram mas que
mostrou ser ideal. Relembro que comecei em distâncias curtas e acabei
como recordista da mais longa das provas de pista».

<p n=2110>
José Augusto é um dos emigrantes portugueses do futebol em terras
marroquinas, ao lado de Fernando Cabrita e Mário Nunes. Depois de treinar
o Benfica, o Penafiel e a selecção nacional de juniores, experimenta
agora, ao serviço do Marrakeche, o seu primeiro trabalho fora de
Portugal. Não receia que a guerra no Golfo prejudique a sua carreira e de
fora assiste ao «descalabro» do futebol no seu país.

<p n=2111>
Ontem o Sporting venceu uma vez mais a Taça dos Clubes Campeões Europeus
de crosse. Mais uma vitória «assinada» por Moniz Pereira. No dia em que o
mais vitorioso treinador português faz setenta anos, o PÚBLICO tenta
desvendar o segredo de uma fabulosa carreira

<p n=2112>
Talvez por isso uma das suas mágoas se misture com as muitas alegrias que
o desporto lhe deu. «Hoje, fico muito chocado com alguns atletas, que só
pensam no dinheiro». «Há até, os que são de uma grande ingratidão para
com os seus técnicos e clube, mas não só», lamenta-se. O dinheiro,
reconhece, «é necessário», mas mais importante, no seu entender, «é o
trabalho e o ambiente que o rodeia».

<p n=2113>
Tudo estava perfeito naquela noite de sábado. Nem mesmo a escolha da cor
prateada da camisola, pouco comum no futebol português, passou
despercebida aos espectadores que seguiram, nas Antas ou pela TV, a
grande exibição de um guarda-redes desconhecido que contrariou a vitória
do FC Porto sobre o Belenenses.

<p n=2114>
Depois das Antas, tudo agora parece ser diferente para Pedro: «O jogo com
o FC Porto criou-me mais responsabilidades, mas eu não me importo de as
ter.» Como também parece não se importar de regressar à baliza do
Juventude, equipa onde diz sentir-se «bem», mesmo sendo «o mais velho de
todos os jogadores»: «No domingo há jogo do Juventude, o Belenenses
folga, mas eu tenho muito gosto em defender a baliza do nosso
`satélite'».

<p n=2115>
Mário Alberto Freire Moniz Pereira é, indubitavelmente, uma das poucas
figuras desportivas do nosso país que, concomitantemente, também é figura
nacional «tout court». Ao longo de anos e anos tem aparecido nas
manchetes dos meios de comunicação social e nas tertúlias clubísticas --
do Sporting, claro, e não só.

<p n=2116>
Este episódio mostra também muita da capacidade criativa de Moniz Pereira
que soube aproveitar o que de melhor os estrangeiros ensinaram, em
matéria de meio-fundo e fundo, para o adaptar à realidade portuguesa. E
demonstra bem o seu espírito prático, para quem o resultado sempre foi o
aferidor da bondade das teorias.

<p n=2117 assunto=desporto>
A selecção portuguesa está satisfeita: venceu em Malta, mesmo que por
1-0, e somou os dois pontos na luta pela qualificação para o «europeu».
Só seria bom que agora meditasse no papel que pretende ter na Europa,
depois do triste «papel» assumido em La Valletta.

<p n=2118>
No cômputo geral dos noventa minutos foi, afinal, apenas isto que ficou
da principal selecção portuguesa, auto-proclamada, uma das mais fortes
candidatas a um lugar entre as melhores selecções europeias. No mais, nem
sequer se escusou a assinar aquela que terá sido uma das piores exibições
dos últimos anos. Estamos pois, e uma vez mais, perante um paradoxo já
estatutário no registo da história do futebol nacional: «Somos bons,
então técnicamente, ninguém se nos assemelha, mas por vezes temos azar e
as coisas não nos correm bem».

<p n=2119>
Próxima jornada (17/2): Joane-Valpaços; U. Lamas-Delães;
Mirandela-Lousada; Paredes-Trofense; Felgueiras-Rio Ave;
Infesta-Amarante; Leça-Bragança; Fafe-Vila Real; Moreirense-Marco;
Esposende-Vizela.

<p n=2120>
Num difícil percurso de ida e volta entre Mafra e a Achada, na estrada
para a Ericeira, decorreu ontem a 9ª edição da tradicional Corrida dos
Sinos.

<p n=2121>
O Sporting conquistou ontem, em França, o seu 11º título europeu de
crosse, tendo a vitória individual pertencido a Domingos Castro, com
Dionísio em segundo. O Benfica, que participou pela segunda vez na prova,
classificou-se em terceiro lugar. Joaquim Silva, o seu melhor atleta, foi
também terceiro.

<p n=2122>
O próprio professor Moniz Pereira, que ontem recebeu um belo presente
antecipado de aniversário, o reconhecia no final, ainda que não
declaradamente, ao afirmar que esta foi a prova «mais equilibrada dos
últimos anos», não se mostrando, contudo, surpreendido com as
classificações de Domingos e Dionísio. «Sempre pensei que eles seriam os
primeiros. E assim aconteceu. Controlaram a corrida e, quando foi
preciso, foram-se embora», declarou ao PÚBLICO o técnico de Alvalade. A
prova foi disputada sobre um percurso de 10 185 metros, acidentado e
muito exigente, com piso de terra batida muito regular e sob uma
temperatura rondando os seis graus, com vento muito frio.

<p n=2123>
Algumas das críticas que Moniz Pereira suscitou ao longo da sua carreira
foram oriundas do seu sector profissional, digamos, dos técnicos de
atletismo. O «PÚBLICO» ouviu três deles, Mário Machado, o grande pioneiro
da «corrida para todos», em Portugal, hoje director das revistas
«Spiridon» e «Em Forma», Fonseca e Costa e António Campos. Em
determinados momentos das suas carreiras eles criticaram o «velho leão».
Agora, com outro distanciamento, como apreciam eles a obra e o homem?

<p n=2124>
Fonseca e Costa reconhece que teve com Moniz Perera «divergências
pontuais» que não afectam o reconhecimento que a sua obra lhe merece.
«Ele é o grande responsável da projecção que o atletismo português veio a
conseguir internacionalmente e tenho grande admiração por ele e por tudo
o que fez, uma vida sempre dedicada ao atletismo como professor do ISEF e
como treinador».

<p n=2125>
FUTEBOL Rescaldo de Malta   ATLETISMO Moniz Pereira faz hoje 70 anos
ASSOCIATIVISMO Académica pensa o futuro  FUTEBOL DE SALÃO Portugal vence
Taça Latina PERSONAGEM Pedro, que gelou as Antas

<p n=2126>
«Nasci em Portugal  e, claro, sinto-me emocionado», disse enquanto
decorria a cerimónia protocolar de entrega dos troféus, confessando-nos
que gostaria mais de ter visto outra equipa no primeiro lugar. «Sou
benfiquista desde miúdo, compreende?», comenta.

<p n=2127>
A administração do BNU reuniu-se no fim-de-semana, no Fórum Picoas, com
os 160 gerentes e directores do banco, para analisar os resultados de
1990 e debater o programa de actuação e o orçamento deste ano. Novo
aumento de capital e venda de crédito malparado são as novidades.

<p n=2128>
Quanto à «performance» alcançada em 1990, o BNU conseguiu elevar o seu
«cash-flow» para mais do dobro relativamente ao ano anterior, isto é, de
7 para 15 milhões de contos, «confirmando a evolução positiva que já
vinha a registar-se».

<p n=2129>
A subida dos impostos alemães anunciada da pelo Governo de Bona, para
fazer face aos inesperados custos da guerra, não deverá durar mais do que
cinco anos, disse o ministro da Economia alemão, Juergen Moellemann, numa
entrevista concedida ao «Der Spiegel». A par com uma subida dos impostos,
Moellemann anunciou cortes substanciais nos subsídios governamentais, no
valor de 6,5 mil milhões de marcos. Segundo o ministro da Economia, um
aumento dos impostos e um corte nos subsídios são uma medidas
fundamentais para fazer face não só aos custos da guerra no Golfo que a
Alemanha terá de suportar, mas também ao estado deplorável que a economia
da antiga Alemanha de Leste apresentava.

<p n=2130>
A Volkswagen e a principal fábrica de automóveis da cidade chinesa de
Chagchun formalizaram um acordo que para a constituição da maior empresa
mista do sector automóvel a operar na China. O investimento total do
projecto é de 800 milhões de dólares (cerca de 104 milhões de contos) e o
período de cooperação será de 25 anos. A produção anual prevista será 150
mil veículos, 270 mil motores e 180 mil caixas de velocidades por ano.

<p n=2131>
A Madeira e os Açores, ao beneficiarem de isenções fiscais até 2011, são,
para os investidores espanhóis, refúgios tentadores para a instalação de
sucursais bancárias e seguradoras. Quem o afirma é a edição de ontem do
madrileno «Diário 16», que abre a sua secção de economia dedicando quase
duas páginas a Portugal.

<p n=2132>
Após analisar os vários sectores de actividade que, até agora, têm sido
palco de investimentos espanhóis, apresenta-se quase que um pequeno guia,
referindo as formas de instalação de sociedades -- delegações de
representação, criação de filiais ou sucursais (as mais utilizadas pelas
empresas espanholas que cobrem todo o sector de distribuição) ou
instalação de sociedade anónimas. O sistema fiscal português e as leis
laborais são descritas detalhadamente, não esquecendo também o sistema e
percentagens de contribuição para a segurança social das empresas e dos
trabalhadores.

<p n=2133>
Recorde-se que em Abril do ano passado, o BNU  o IAPMEI, assinaram um
protocolo que permite priviligiar a concessão de garantias bancárias, por
parte do BNU, a pequenas e médias empresas credenciadas pelo instituto, o
que por seu turno permite uma libertação dos insentivos consedidos pelo
IAPMEI a uma taxa inferior a um por cento. Por outro lado, permite
igualmente a implementação de fundos consignados emitidos pelo BNU e
subscritos pelo IAPMEI.

<p n=2134>
Apesar das esperanças que alguns cientistas do NRC põem na fertilização
do mar com ferro, há quem esteja preocupado com o impacte ambiental desta
nova técnica. William Sunda, da Administração Nacional da Atmosfera e dos
Oceanos (NOAA), pensa que as algas que estão habituadas a viver em
ambientes pobres em ferro -- que são a maioria -- poderão ser suplantadas
por outras algas, o que trará consequências imprevisiveis na cadeia
alimentar. Por outro lado, o aumento de matéria orgânica proveniente do
crecimento das algas poderá diminuir o oxigénio dissolvido, prejudicando
por sua vez as populações de «krill».

<p n=2135>
No próximo dia 21 de Fevereiro, o foguetão europeu Ariane deverá partir
para a sua quadragésima-segunda missão, que consiste na colocação em
órbita do satélite de televisão Astra 1-B e do satélite meteorológico
europeu Mop-2. O Astra 1-B (2,6 toneladas) é o segundo satélite da
Sociedade Europeia de Satélites (SES) e juntar-se-á ao seu homólogo Astra
1-A, colocado em órbita em 10 de Dezembro de 1988. Quanto ao Mop-2 (680
quilos) é o segundo satélite meteorológico experimental da Agência
Espacial Europeia (ESA) e virá completar a rede de satélites  geridos
pela organização meteorológica europeia Eumetsat.

<p n=2136>
A economia mundial tem que ser avaliada através de um sistema de imposto
ambiental para ultrapassar a rápida destruição das árvores do planeta, da
camada superior do solo e da qualidade do ar, afirmou este fim-de-semana
o Instituto Worldwatch, no seu «Relatório sobre o Estado do Mundo». No
seu oitavo relatório deste ano, o instituto afirma que o desafio consiste
em redesenhar a economia global através de uma forma que satisfaça as
necessidades humanas sem destruir os recursos naturais e os sistemas
ambientais de que depende. Nos últimos dez anos, a superfície terrestre
coberta por árvores diminuiu 17 milhões de hectares por ano, a camada
superior da terra perdeu 24 milhões de toneladas e a poluição do ar
atingiu níveis ameaçadores em centenas de cidades.

<p n=2137>
Cientistas norte-americanos querem examinar fragmentos de ossos, de
cabelos e manchas de sangue de Abraham Lincoln para determinar se o
décimo-sexto presidente dos Estados Unidos sofria ou não de uma doença
congénita chamada síndrome Marfan. O director do Museu Nacional da Saúde
e da Medicina dos Estados Unidos, Marc Micozzi, declarou este
fim-de-semana que técnicas novas poderão permitir reconstruir a carta
genética de Lincoln a partir de amostras com mais de 126 anos conservadas
no museu. A síndrome de Marfan pode ter efeitos dolorosos e tornar
inválido o seu portador. Os sintomas mais conhecidos são uma altura e
magreza excepcionais e membros e dedos muito compridos. O presidente
Lincoln, célebre por ter acabado com a escravatura e ter sido assassinado
aos 56 anos, apresentava vários sinais exteriores dessa doença, mas os
peritos nunca o conseguiram provar.

<p n=2138>
O navio oceânico Capricórnio, que o Instituto Nacional de Investigação
das Pescas (INIP) comprou recentemente ao seu congénere francês
(Ifremer), estará operacional no próximo mês de Julho, depois de algumas
operações de adaptação, disse ao PÚBLICO, Carlos Sousa Reis, presidente
do INIP, que o trouxe para Portugal no passado dia 1 de Dezembro.

<p n=2139>
O Japão encerrou um reactor nuclear depois de um gerador de vapor
defeituoso ter largado grandes quatidades de água altamente radioactiva
no segundo dos seus compartimentos de arrefecimento, revelaram ontem o
governo japonês e a companhia que explora a central nuclear. O acidente
activou o Sistema de Emergência de Arrefecimento do Núcleo (SEAN), que
despejou uma enorme quantidade de água no núcleo do reactor, com o
objectivo de impedir o derretimento das varetas de combustível. O reactor
de água pressurizada (Pressurized Water Reactor -- PWR), com uma potência
de 500.000 quilowatts, situa-se em Fukui, a 350 quilómetros a oeste de
Tóquio. Foi a primeira vez que um dispositivo de emergência fechou um
reactor nuclear no Japão, que tem 38 centrais nucleares.

<p n=2140>
«Fashal-eh tupehman ma degat mano goftam cheesm jesbehkeshvareman» -- Se
fizer a fineza de não me apertar os órgãos genitais, pagar-lhe-ei na
mesma moeda, dizendo mal do meu país em público;

<p n=2141>
Enquanto se aguarda a reunião da Assembleia do Povo (parlamento),
agendada para Março e que deverá proceder a uma  revisão da Constituição
angolana, multiplicam-se em Luanda as movimentações visando a formação de
novos partidos políticos.

<p n=2142>
O PSDA, resultante do Movimento de União Socialista de Angola (MUSA),
editou também um manifesto em que explica a mudança de designação do
grupo e se pronuncia sobre as negociações para  a paz, entre o Governo e
a UNITA. Na passada quarta-feira, em Lisboa, o PSDA realizou uma
conferência de imprensa, tendo distribuído um comunicado onde propõe «a
consulta de todas as sensibilidades políticas angolanas em busca de
ideias construtivas e concretas» e a formação dum «exército nacional
único». O presidente de honra deste partido, tenente Moisés André Lina,
encontra-se detido em Luanda, mas fontes próximas do Governo angolano
disseram ao PÚBLICO que a sua libertação deverá ocorrer nas próximas
semanas.

<p n=2143>
O PROCESSO de mais um intelectual implicado nas manifestações de 1989,
Chen Ziming, principia hoje em Pequim. Foi acusado de subversão e é
susceptível de ser condenado, pelo menos, a 10 anos de cadeia. Chen
iniciou uma greve da fome no dia 7 deste mês, a fim de conseguir o
adiamento do processo, para que preparasse melhor a defesa. Mas não se
crê que o regime ceda às pressões deste antigo editor de uma revista
económica e director do Instituto de Pesquisa Socio-Económica de Pequim,
considerado um dos dirigentes do movimento a favor da democracia.

<p n=2144>
DEZANOVE pessoas foram mortas e nove gravemente feridas numa emboscada do
movimento rebelde Renamo a uma coluna de veículos que transportava
mercadorias na província de Tete, Noroeste de Moçambique -- anunciou a
rádio de Maputo. A maior parte das vítimas eram soldados que faziam
escolta ao combóio de camiões. E foi o mais grave incidente desde que as
tropas zimbabweanas se retiraram de Tete, em conformidade com o acordo
parcial de cessar-fogo assinado em Roma, a 1 de Dezembro último.

<p n=2145>
NELSON MANDELA foi libertado há um ano, depois de 27 passados na cadeia,
por ter querido fazer da África do Sul uma sociedade de homens iguais,
sem discriminação racial. Depois de livre, assistiu à tragédia dos
confrontos na comunidade negra que já provocaram milhares de mortes.
Agora, vai finalmente começar a negociar com a elite branca uma nova
Constituição que coloque em pé de igualdade todas as comunidades do país.
Mas a sua tendência actual para a moderação pode ser travada tanto pelos
conservadores brancos como pela impaciência das camadas mais radicais do
ANC, que pretendem chegar o mais depressa possível ao Poder.

<p n=2146>
Até ontem à tarde ainda não se verificara qualquer movimento especial de
tropas soviéticas na região, apesar das manobras que tinham sido
anunciadas para as imediações do Báltico no período de 10 a 20 de
Fevereiro.

<p n=2147>
Os dois milhões e meio de lituanos, descendentes de um povo que se tornou
autónomo no século XIII, estão hoje mais determinados do que nunca a
seguir a sua própria História, passado que foi o período da integração
forçada na União Soviética. Mais de 90 por cento pronunciam-se a favor da
independência.

<p n=2148>
A participação no referendo organizado pelos dirigentes nacionalistas e
condenado por Moscovo foi de 84,4 por cento, num eleitorado que em 80 por
cento é lituano, sendo o restante constituído por cidadãos russos e de
outras nacionalidades.

<p n=2149>
O TERRORISMO do IRA e as ameaças diárias da Rádio Bagdad não parecem
intimidar o primeiro-ministro britânico, John Major. Dois dias depois de
ter sobrevivido a um atentado que quase mandou pelos ares a sede do
Governo, em Londres, Major foi visto num restaurante à beira da estrada a
tomar tranquilamente o pequeno almoço, antes de discursar numa reunião do
Partido Conservador, no interior da Inglaterra.

<p n=2150>
As novas medidas de segurança, que certamente serão adoptadas depois do
atentado, tornarão mais difícil a vida simples que John Major gostava de
levar e que prometeu manter depois que passou a ocupar a sede do Governo.
Quando ainda era secretário do Tesouro, e, depois, ministro dos Negócios
Estrangeiros e das Finanças, costumava ir a pé do seu escritório em
Whitehall para a Câmara dos Comuns. Consta que quando ainda era
ministro-adjunto, um dos seus maiores prazeres era tomar o pequeno almoço
(salsichas, bacon e ovos) num pequeno café perto do bairro de Elephant
and Castle, onde trabalhava.

<p n=2151>
A LUTA que nesta última semana se travou entre o Congresso da Somália
Unificada (USC) e o Movimento Patriótico Somali (SPM) causou 110 mortos,
prosseguindo assim uma terrível guerra civil que em pouco foi atenuada
com o derrube do Presidente Mohamed Siad Barre.

<p n=2152>
Desde o início do ano que não existem ligações normais de telefone e
telex entre Mogadíscio e o exterior, pelo que toda a informação
actualmente existente sobre a Somália é parcelar e muitas vezes só chega
ao estrangeiro com alguns dias de atraso.

<p n=2153>
Atrás do luxo arrebicado e moderno do Centro Comercial das Amoreiras,
esconde-se, já em Campo de Ourique, uma colectividade que celebra, no 
próximo dia 26 de Maio, 119 anos de vida. Pela primeira vez, os Alunos de
Apolo vão comemorar o aniversário numa casa a que podem chamar sua.

<p n=2154>
«Em 1986 a empresa proprietária moveu-nos uma acção de despejo, dois anos
depois do incêndio que deflagrou, em 1984, no terceiro andar do edifício.
Ardeu toda a arrecadação, onde guardávamos as roupas dos músicos da
filarmónica, estandartes e partituras», contou Rui Valoroso, primeiro
secretário da actual direcção e filho do sócio número um da
colectividade, que acrescentou: «Primeiro tentámos que o senhorio
reparasse o telhado, mas nunca o fizeram. Quando finalmente a Nacional
nos moveu uma acção de despejo, em 1986, alegando que fazíamos festas no
terraço -- o que é mentira, pois a cobertura nem está em condições para
tal --, multiplicámos os contactos com várias instituições, como o
Presidente da República, partidos e Câmara. Em 1989, a autarquia decidiu
negociar com o senhorio a compra do edifício, com uma permuta de
terrenos.»

<p n=2155>
A noite de sábado para Domingo Gordo foi mais curta em Lisboa: a PSP
fechou todos os bares e discotecas da zona Santos-Alcântara pelas 4h00.
Quiçá querendo pregar «uma partida de Carnaval de mau gosto», segundo
afirmou Luís Amaral, da Associação Nacional de Bares e Discotecas.

<p n=2156>
De qualquer forma, nem os donos nem os clientes do Kremlin,
Alcântara-Mar, Metalúrgica, Plateau, Última Ceia e Décibel, entre outros,
ficaram satisfeitos com este corte nas festas de Carnaval e a Associação
de Bares e Discotecas vai marcar uma reunião para amanhã ou quarta-feira,
para discutir o acontecido.

<p n=2157>
No Teatro Nacional de S. Carlos, em Lisboa, o pano sobe pelas 20h30, para
a ópera «Rinaldo», de Haendel. As produções desta obra, representada pela
primeira vez em 1711, têm sido marcadas pela sumptuosidade.  O S. Carlos
vai assistir à produção do encenador italiano Pier Luigi Pizzi, criada
para o Teatro Municipal di Reggio Emilia. «Rinaldo» tem Tereza Berganza
no principal papel, acompanhada por Michael Chance, Maria Bayo e José Far esconde-se, já em Campo de Ourique, uma colectividade que celebra, no
pdinha, entre outros.

<p n=2158>
Paisagens amazónicas é tema para cerca de quatro dezenas de telas do
pintor brasileiro Moacir, expostas em Lisboa. O convite é da Associação
Internacional dos Amigos de Ferreira de Castro e do Hotel Meridien, onde
decorre a exposição, até 17 do corrente, integrada num ciclo de
iniciativas que tem por objectivo a divulgação das belezas e das lendas
amazónicas.

<p n=2159>
A calcetaria artística, um ofício tradicional da região de Estremoz, de
onde são extraidos afamados mármores, é o motivo de um curso que vai
decorrer proximamente na cidade, no âmbito do Programa de Conservação do
Património Cultural, noticiou a Agência Lusa.

<p n=2160>
Ao longo de uma semana, que terminou na passada quarta-feira, uma centena
e meia de investigadores, incluindo 22 estrangeiros, abordou, no Ateneu
Comercial do Porto, a revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891 e o
contexto político, social e económico do Porto na viragem do século. A
diversidade dos temas analisados pelas 115 comunicações lidas neste
congresso impedem conclusões fáceis, mas se alguma ideia consensual
emergiu deste encontro é a de que a revolta do 31 de Janeiro encerrou um
ciclo de insubmissão política do Porto -- cujas origens se poderiam fazer
remontar às lutas liberais dos anos 20 -- e marcou o início de um período
em que a cidade assistiu a uma  perda progressiva da sua identidade
económica e social.

<p n=2161>
A Câmara Municipal de Lisboa vai adquirir no Casal Ventoso de Baixo os
terrenos onde actualmente se encontram dois imóveis, nº5-A e 22, um em
ruínas e outro abandonado, pelo valor de 800 contos.

<p n=2162>
O Forte de Santa Catarina, na Figueira da Foz, vai passar das mãos da
Marinha para as da Câmara Municipal, que se responsabiliza pela sua
manutenção e admite utilizá-lo em actividades culturais, dada a «relação
afectiva da cidade» com o monumento.

<p n=2163>
Não se pense que os livros manuscritos terminaram com a imprensa de
Gutenberg. A escrita à mão continuou o seu percurso pelos tempos fora. É
esta parte da história da escrita e da leitura que começa hoje a ser
retratada na terceira exposição do Museu do Livro da Biblioteca Nacional
-- dedicada à evolução do livro manuscrito desde a Idade Média até ao
século XX.

<p n=2164>
Depois havia os livros genealógicos, regimentos de ofícios, regras de
conventos, livros litúrgicos para ocasiões especiais -- que apenas
interessavam a famílias, instituições seculares ou eclesiásticas bem
determinadas.

<p n=2165>
Se logo à noite sair para receber o Carnaval em Lisboa e der de caras com
o pessoal de limpeza da Câmara a trabalhar, não pense tratar-se de mais
uma brincadeira. Ao contrário do que é habitual à segunda-feira, hoje
haverá recolha de lixo.

<p n=2166>
«O que nasce torto tarde ou nunca se endireita», diz o ditado e é, em
parte, a filosofia de reordenamento da Câmara de Lisboa. Rui Godinho, o
vereador do Saneamento e Higiene Urbana, não preconiza nenhuma
intervenção de fundo nas condições presentes. «Riscar» o Casal Ventoso do
mapa -- tornando-o diferente, para melhor, do que é hoje, deitando abaixo
os velhos edifícios degradados para realojar a população no mesmo local,
ou nas proximidades -- para não quebrar os laços de vizinhança e amizade
entre as pessoas que ali nasceram -- é o resumo da política de
reordenamento da autarquia. Sem esquecer que ali «não há só mau, há
também gente trabalhadora, dos mais diversos ofícios e profissões», como
alerta Luís Coelho, presidente do Centro Social.

<p n=2167>
Depois de 20 anos de abandono e decadência deverá recomeçar este mês,
última fase das obras de recuperação da Praça de Touros de Vila Nova da
Barquinha -- inaugurada em 1853 e citada pelo «Livro das Antiguidades das
Praças» como a mais antiga do país, embora a tradição atribuia esse
estatuto à de Abiul, no Concelho de Pombal.

<p n=2168>
Concretizada esta prioridade social, Manuel Simões Coelho e os restantes
membros da mesa administrativa da Santa Casa da Mesericórdia de Vila Nova
da Barquinha iniciaram uma campanha para o financiamento da recuperação
da típica praça taurina.

<p n=2169>
A Câmara Municipal do Montijo está descontente com a sua não inclusão na
primeira fase de trabalhos do Gattel, Gabinete de Travessia do Tejo em
Lisboa. Segundo Jacinta Ricardo, presidente do município, aquela
determinação é inaceitável «porque a ponte que ligará as duas margens não
terá apenas efeitos no concelho de Lisboa».

<p n=2170>
Juca Chaves, famoso humorista brasileiro, afirmou uma vez que o humor
acaba por ser a forma mais séria de dizer as coisas, e por analogia, como
adiante provarei, o toureio cómico é uma coisa muito séria.

<p n=2171>
Um oásis no meio do deserto será a melhor definição do Centro Social do
Casal Ventoso, dirigido nos últimos 16 anos por José Luís Coelho. Durante
esse período o centro tem crescido «a olhos vistos», com o apoio da
população local, da Câmara de Lisboa, da Junta de Freguesia de Santo
Condestável e do Centro de Saúde da área.

<p n=2172>
Para prevenir a delinquência o Centro Social aposta na captação dos
jovens para actividades desportivas e culturais, a desenvolver no âmbito
de um projecto, a lançar este ano, dirigido para a faixa etária até aos
25 anos. Para a concretização do programa, que prevê também a formação na
área da informática, José Luís Coelho conta com o apoio da CML.

<p n=2173>
A exploração das pedreiras de Cadavão, em Vilar do Paraíso, Gaia, é
incompatível com o meio urbano envolvente. Assim, deverá ser negociada
uma solução para se estabelecer o prazo de vida útil das pedreiras. Estas
são as conclusões de um relatório de técnicos da Comissão de Coordenação
da Região Norte (CCRN), da Direcção-Geral de Geologia e Minas (DGGM) e da
Câmara de Gaia, elaborado a pedido da autarquia, dadas as sucessivas
queixas de moradores por causa da poluição resultante desta actividade.

<p n=2174>
Dotado com 350 contos, o prémio pretende incentivar aspectos como a
qualidade, a inovação e a integração dos edifícios no espaço envolvente,
e divide-se em duas seccções: «Obra de autor» e «Obra Nova»

<p n=2175>
«O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita», esta seria, porventura,
a máxima aplicável ao Casal Ventoso. Porém, mesmo para o que nasce menos
bem existem medidas correctivas. Algumas foram aplicadas e falharam,
outras balançam entre a necessidade de melhorar as infraestruturas e a
decisão, delicada e melindrosa, de «riscar» o bairro do mapa de Lisboa.

<p n=2176>
A esta versão contrapõe-se a de vários historiadores, que são unânimes em
referir a existência na área de várias unidades industriais, no início do
século passado, como factor de fixação das pessoas que vieram a
constituir o aglomerado populacional do Casal Ventoso.

<p n=2177>
O «número dois» do executivo socialista e figura histórica do PS em
Amarante, Amadeu Clemente, renunciou aos pelouros das Obras e Cemitérios
que lhe estavam atribuídos, queixando-se de interferências de outros
vereadores socialistas, sobretudo do presidente, Francisco Assis. Esta
situação não é nova, uma vez que Amadeu Clemente já por outras vezes terá
estado na disposição de os largar, tendo a situação sido resolvida no
interior do partido, não sem que, todavia, passassem para o exterior
rumores da iminência dessa decisão.

<p n=2178>
Comentando a situação, Amadeu Clemente afirmou que as suas relações
pessoais com Francisco Assis «mantêm-se boas», apesar de ser verdade que
têm «divergências relativamente à condução dos serviços». Pressionado a
explicitar a dimensão das suas discordâncias, disse que «as
interferências são documentos da Câmara de Amarante que não vão ser
sonegados a ninguém» e, acerca de se sentir desautorizado pelas alegadas
interferências de Francisco Assis, acrescentou: «Pode não ser
desautorização, mas não joga com o meu feitio.»

<p n=2179>
As paredes de Vila d'Este, a urbanização mais ambiciosa de Vila Nova de
Gaia, foram pintadas com todas as cores e cobertas por todas as queixas.
Pensado há vinte anos, o complexo foi construído com um método surgido há
quarenta. Um financiamento colossal que não foi financiado, preços
«controlados» equivalentes aos preços correntes, enfim, casas «boas» em
demasia para quem não tem dinheiro e más em excesso para quem as poderia
comprar.

<p n=2180>
António Rodrigues Miguel é director da obra de Vila D'Este -- a maior
urbanização das quatro do loteamento da Quinta do Monte Grande, com uma
área de 190 mil metros quadrados para 1792 fogos -- desde meados da década
de 80 e afirma que «faltam apenas os asfaltos -- e que o fim do do
empreendimento será em meados de 1991»

<p n=2181>
Nascido em 1920 na Suíça, escritor parisiense desde 1946, Robert Pinget
conheceu e fez-se amigo de Samuel Beckett em 1957. Se o estilo de Pinget
parecer por vezes fruto da árvore beckettiana, ninguém tem que se
admirar.

<p n=2182>
Ora, é esta «Hipótese» que hoje pode ser vista na RTP-2, mas em francês:
o intérprete é David Warrilow, num espectáculo da Casa da Cultura de La
Seine-Saint Denis. A personagem do escritor, angustiado com o seu
manuscrito, com a sua identidade, com a sua memória e com a imagem que
deixará de si, tem tanto de trágica como de cómica: se este escritor
angustiado tiver alguma coisa de «clown», está certíssimo. A vida, a
obra, a imagem são para Pinget (como para Beckett) coisas simultaneamente
sérias e ridículas.

<p n=2183>
Quem não se lembra do caso «Pato com Laranja», que a RTP não se coibiu de
apresentar para, logo de seguida, pedir desculpa à nação pelo «erro»
cometido. Isto após centenas de chamadas de espectadores aflitos e em
tudo iguais à sua televisão. Tudo começou porque uma das actrizes, de
maminhas ao léu, passeava e dançava no ecrã, em frente às famílias. E os
jornalistas, apanhados de surpresa, elogiaram os dotes físicos da
bailarina. A história do moralismo televisivo é tão velha quanto a
própria instituição. Porque a história é uma grande lição e, como se
dizia noutros tempos, a moral, neste país, ainda existe, felizmente. É
então preciso tapar tudo, do pescoço às pernas, de preferência até ao
calcanhar. A confirmar, a bola branca ao canto do ecrã -- um símbolo
avisador da violência das imagens, mas, antes de tudo, um sinal: há sexo
na televisão.

<p n=2184>
«E creio que, mesmo perdida a política, ao enfrentar o espectro da morte,
é capaz de o escorraçar, argumentando que, em seu infalível juízo, tal
«não corresponde de momento ao interesse nacional»

<p n=2185>
Depois, tivemos a condenação à morte do escritor Salmon Ruschdie,
espantosa invenção com a qual o «ayatollah» Khomeyni alegrou os seus
derradeiros moribundos dias.

<p n=2186>
Assistimos nos últimos doze anos ao aparecimento de movimentos, quer no
interior do campo cristão, quer no judaico ou no muçulmano, que pretendem
afirmar a relação religiosa como fundamento da organização social. Foi
contra isto que a modernidade se construiu -- pela formação de um espaço
secularizado onde o laicismo pudesse ser um valor fundamental na vida
pública dos indivíduos. Foi contra isto que combateram os homens do
fluminismo -- em nome do progresso e da liberdade dos homens, em nome da
convivência plural, da tolerância e do diálogo.

<p n=2187>
(...) Espanto redobrado o meu: já não basta a cegueira belicista dos seus
editorialistas de serviço, mais o novo/velho fundamentalismo dos
arrependidos do grupinho da esquerda(?) liberal virados do avesso, como
já se advoga a eliminação física do fundamentalista iraquiano.
Fundamentalismo por fundamentalismo: então e os Suharto, os Mobutu, os
Hassan, os generais turcos, os déspotas sauditas, as Mossad e os
restantes fundamentalismos deste mundo -- também vão todos eles conhecer
sucessivas cruzadas Indiana Jones? Ou para essa mirífica Nova Ordem
Internacional só interessa «neutralizar» (eliminar, para quem não
percebeu a subtileza) os Saddam, os Hafez, os Kadhafi, os Fidel e os
terroristas do desespero palestiniano que afrontam directamente os
negócios da Texaco e das Exon? E a carnificina Irão-Iraque, o genocídio
dos curdos, a mortandade na Somália, a fome e o banditismo político em
Moçambique? E o poderio militarista de Israel é um bem ou um mal para a
paz na região? E os esquadrões da morte na América Latina, a
desflorestação da Amazónia, os Noriega, a mafia da droga na Colômbia, a
vergonha de Granada e a infâmia do Haiti?

<p n=2188>
Pavlov por Pavlov prefiro estar com Hayette Boudjema, Chomsky, Gilles
Deleuze, Vasquez Montaban e a Organização dos Direitos Humanos do Iraque.

<p n=2189>
Li há dias que um dos principais conselheiros do Presidente Bush para a
Guerra do Golfo é um mórmon, cuja igreja é representada em Portugal por
uns jovens americanos que por aí andam a tentar levar-nos para o Céu, via
Salt Lake City.

<p n=2190>
Não tenhamos dúvidas, o actual massacre dos inocentes, que bem poderia
ter sido evitado, é uma cópia, «new-look», das matanças dos infiéis pelos
cruzados que, depois de pendurarem as cabeças dos mouros nas ameias dos
castelos iam, seraficamente, ouvir missa.

<p n=2191>
No PS parece consolidada a ideia de que só é possível bater Cavaco nas
legislativas contrapondo-lhe uma equipa. Alguns defendem-na para já,
Sampaio parece inclinado para a guardar até mais perto das eleições. Para
fugir ao «bombardeamento» do PSD.

<p n=2192>
Sobre esta divergência quanto ao tempo de apresentação da solução PS, que
só surge porque nunca os socialistas avançaram para a formação de um
«governo-sombra», curiosa é a posição de Jaime Gama, um dos candidatos a
um futuro Governo PS, exposta no decorrer de um colóquio organizado pela
FAUL, na passada sexta-feira. Aí, Gama defendeu, contra o que parece uma
ideia já formada no interior do próprio partido, a tese contrária: «Não
me lembro de nenhum partido ganhar as eleições, apresentando ao país,
antes das eleições, todo o seu elenco governativo», afirmou.

<p n=2193>
«Estou convencido de que me assiste o direito de o Estado me pagar as
despesas». José de Almeida, o dirigente independentista da Frente de
Libertação dos Açores (FLA) que vai responder num tribunal do continente
por «crime de traição à Pátria» afirma que estará em Lisboa «com
passagens ou sem elas», mas considera que cabe ao Estado suportar as
despesas resultantes do seu julgamento, marcado para o próximo dia 5 de
Março.

<p n=2194>
O Partido da Solidariedade nacional, conhecido como «Partido dos
reformados», acusou o Governo e as forças políticas «tradicionais» de
estarem a usar os idosos e reformados para fins eleitoralitas. Num
documento divulgado ontem, o Partido da Solidariedade Nacional afirma que
«o retórico apelo à solidariedade» cada vez mais patente no discurso
político em Portugal seria positivo «não fora o seu carácter arrivista,
postiço e os seus desígnios exclusivamente eleitoralistas».

<p n=2195>
O presidente da RENAMO, Resistência Nacional Moçambicana, Afonso
Dlakhama, acusou o Governo português de «ser um dos principais culpados»
da guerra civil em Moçambique, porque «não aceitou a existência de
partidos políticos antes da independência». Dlakhama fez estas
declarações à Rádio Press, do Porto, durante uma entrevista ontem
emitida.

<p n=2196>
O «establishment» do Partido Socialista do Porto consolidou mais uma
posição com a vitória da lista encabeçada por Orlando Gaspar nas eleições
para a Comissão Política Concelhia (CPC) , no sábado passado. Primeiro
presidente  do orgão para que foi reeleito -- as concelhias são orgãos
estatutários criados há pouco mais de dois anos --, Orlando Gaspar
representa a linha interna dominante no partido local, determinada pela
aliança entre Carlos Lage, Secretário-Coordenador da Federação Distrital,
Manuel dos Santos, membro do Secretariado Nacional e chefe de um dos mais
poderosos grupos do PS do Porto, e Fernando Gomes, presidente da Câmara
do Porto.

<p n=2197 assunto=desporto>
Série 1: Grijó-Vilanovense, 0-1; Bougadense-Arcozelo, 0-0;
Leverense-Aguçadoura, 1-1; Coimbrões-Foz, 4-2; Avintes-D. Portugal, 2-1;
Pedras Rubras-Perosinho, 4-2; Srª Hora-Candal, 2-1; Serzedo-Perafita,
1-2; Canelas-S. Félix, 5-1; Guia: Coimbrões

<p n=2198 assunto=desporto>
Série 2: Vasco da Gama-Cabeceirense, 0-1; Lomarense-Oliveirense, 2-2;
Vilaverdense-Serzedo, 1-0; S. Romão-Adaúfe, 1-1; Selho-Esporões, 1-1;
Torcatense-Alegriense, 2-1; Terras do Bouro-Antime, 3-3; Arcos de
Baúlhe-Maikes, 2-0; Guia: Vilaverdense

<p n=2199>
Pelo menos 15 pessoas morreram nos últimos dias em França devido à vaga
de frio que afecta o país, anunciou ontem a polícia. Duas crianças, de
seis e sete anos, morreram sábado em Diefenfort, Alsácia, Leste de
França, quando brincavam num rio coberto de gelo, que cedeu debaixo dos
seus pés. A neve e o gelo, que afectaram a circulação rodoviária em todo
o país, estiveram na origem de três acidentes, envolvendo várias dezenas
de veículos, que provocaram pelo menos seis feridos. Na Bretanha, mais de
120 mil pessoas ficaram sem luz no sábado de manhã, devido a uma avaria
numa central eléctrica. A deputada socialista Segolene Royal pediu a
intervenção urgente das autoridades para assistir a «dezenas de milhares
de pessoas sem abrigo», em Paris e noutras grandes cidades francesas.

<p n=2200>
Uma pequena quantidade de radioactividade escapou-se, sábado, de um
reactor nuclear da central de Mihama, no Norte do Japão, mas isso não
representa qualquer perigo para os seres humanos, afirmaram ontem os
responsáveis daquela unidade energética. O reactor número dois da
central, gerida pela companhia Kansai Electric Power, foi automaticamente
desligado quando a água, carregada de radioactividade, se escapou para
outras partes dele. A fuga ocorreu através de um buraco de dois
centímetros na parede da canalização, explicaram os responsáveis.

<p n=2201>
«Não estás com frio?» A rapariga de reduzidíssimo biquini verde parou na
avenida e lançou um olhar vago para a assistência. O corpo arquejante
exalava um vapor intenso na fria mas luminosa tarde de ontem. Há mais de
uma hora que bamboleava ancas e quadris pelas ruas pejadas de gente, no
centro de Ovar.

<p n=2202>
Um carro alegórico com o nome de todas as freguesias de Ovar era
especialmente apreciado pela assistência: «Até que enfim que fazem disto
a festa do concelho.»

<p n=2203>
Também se chora no Carnaval do Rio de Janeiro. Este ano, a grande
novidade foi o desfile das crianças -- os sambistas mirins. Caíram
lágrimas quando estes filhos da rua bambolearam o corpo, ao som de
músicas que lembram o seu abandono e miséria. Por cá, no frio de
Fevereiro, é também o Brasil a ditar o ritmo. Na Mealhada, apareceu o
Ascânio da «Tieta do Agreste». Em Ovar, recusa-se orgulhosamente os
heróis da telenovela e aposta-se nas... escolas de samba. Em Torres
Vedras, as histórias para crianças subiram ao trono. E, por todo o lado,
o grande escape do travesti. Longe vão os tempos em que o Código Penal,
por influência de Salazar, determinava seis meses de prisão para «aquele
que andar em trajes próprios para o sexo diferente».

<p n=2204>
Enquanto, nas ruas, os visitantes se apinhavam nos passeios e, no pátio
da escola, os grupos de samba ensaiavam os passos de dança, o actor
brasileiro preparava-se para o que chamou a sua «grande estreia».
Habituado a responder pelo nome do personagem que representa na
telenovela -- «no ano passado era Marco Aurélioƒ» --, Reginaldo Faria
aguardava, numa vivenda particular, o momento da subida ao trono.
Estranhamente tímido -- «eu sou mesmo assim, não mostro o meu entusiasmo»
--, confessou que «nunca antes tinha subido num carro alegórico». «Nunca
passei, sequer, o carnaval no Rioƒ»

<p n=2205>
Às quatro da madrugada de sábado, a enorme Praça da Apoteose, ponto final
dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, mais parecia um
gigantesco dormitório ao ar livre. Havia centenas de crianças e
adolescentes a dormir no chão, nas bancadas e nas escadas do monumento em
forma de arco criado por Oscar Niemeyer (o idealizador de Brasília) para
homenagear o samba. Eram alguns dos exaustos 8700 participantes do
primeiro desfile oficial de escolas de samba mirins no Carnaval carioca.

<p n=2206>
Os «pivetes» (designação popular para menores delinquentes) tomaram conta
do Sambódromo, divididos em seis escolas, e chegaram a provocar lágrimas
nas autoridades, pais e turistas pelo empolgamento que imprimiram ao
protesto contido na maioria dos sambas-enredo, contra as condições de
abandono e miséria em que se encontram os quase 25 milhões de brasileiros
com menos de 17 anos.

<p n=2207>
Centenas de personagens das histórias infantis, recriadas por uma
organização de 800 pessoas, num investimento de 20 mil contos, encheram
13 carros alegóricos, que ontem desfilaram no centro de Torres Vedras, no
corso do Carnaval «mais português de Portugal», levando à cidade milhares
de foliões.

<p n=2208>
As cores garridas das fantasias começaram a desfilar no meio de um certo
marasmo popular, e só algumas voltas depois o corso conseguiu conquistar
a participação dos foliões. Então, os travestis, que constituíam o grosso
dos mascarados, começaram a abordar os mirones, as crianças tornaram-se
mais atrevidas, lançando água e espuma sobre a multidão e, gradualmente,
as pessoas saíram das bermas para se misturarem no mundo das histórias
infantis.

<p n=2209>
A Lisnave registou em 1990 cerca de meio milhão de contos de resultados
líquidos, sendo este o segundo exercício consecutivo, nos anos mais
recentes, em que os estaleiros de raparação naval registam resultados
positivos. Os resultados da empresa são significativamente superiores aos
apurados nos últimos três anos, nos quais a Lisnave passou de cerca de
seis milhões de contos de resultados negativos em 1987, para 36.400
contos positivos no ano passado. Por outro lado, a forte queda do dólar e
os elevados níveis da inflação portuguesa, a par com as consequências da
guerra do Golfo, limitram significativamente a performance da empresa,
reduzindo o "cash-flow" de 2,7 para 2,5 milhões de contos. Ainda assim, a
Lisnave ficou acima dos níveis previstos pela administração, no que
respeita aos resultados líquidos e ao volume de negócios, que este ano
rondou os 26 milhões de contos.

<p n=2210>
Espanha prepara-se para se tornar num «paraíso fiscal», mesmo aqui ao
lado. O país não perde tempo. É preciso ganhar dimensão, atraindo os
capitais dos mercados vizinhos, e um dos alvos é Portugal.

<p n=2211>
As perspectivas de uma descida nas taxas de juro britânicas e a boa
evolução das Bolsas internacionais, com especial destaque para a Bolsa de
Nova Iorque, estimularam um movimento ascendente, que prevaleceu em quase
todas as sessões da Bolsa de Londres na semana que passou. Quinta-feira
foi o grande dia deste mercado, depois de, no dia anterior, ter havido
lugar a uma descida provocada pela realização de mais-valias. Por outro
lado, pouco antes do fecho de Londres, a Bolsa de Nova Iorque registava
ganhos sólidos (que acabaram por se evaporar na parte da tarde),
provocando um crescente optimismo na Citi. O índice FTSE 100 ganhou na
semana cerca de 3,67 por cento.

<p n=2212>
Um movimento irregular de subidas e descidas, mas com as primeiras a
predominarem sobre as segundas, caracterizou a evolução da Bolsa de
Paris. Os investidores parisiences seguiram atentamente a evolução das
restantes praças internacionais, com especial relevo para Nova Iorque e
Londres, mercados com comportamentos algo irregulares. Simultâneamente, o
factor Golfo continua a ter bastante peso na atitudes dos investidores,
principalmente pela caracteristica das informações veiculadas nos
jornais. Se na sexta-feira o índice CAC geral perdeu alguns pontos, o
mesmo não aconteceu com o CAC 40, que no último dia da semana ganhou
cerca de 1,5 por cento.

<p n=2213>
A falta de informação relativa à guerra do Golfo e o facto de o Iraque
não ter ainda respondido com outro tipo de armas, que não as
convencionais, permitiu à Bolsa de Tóquio uma evolução positiva em todas
as sessões da semana passada. O índice Nikkei ultrapassou a barreira
psicológica dos 24 mil pontos na quinta-feira, e nem os movimentos de
realização de mais-valias por parte de alguns investidores levou o
mercado a alterar a tendência dominante. Ainda como factor estimulante,
esteve a evolução positiva de Londres e Nova Iorque e perspectivas de uma
descida nas taxas de juro. O Nikkei subiu cerca de 4,92 por cento na
semana passada, fixando-se nos 24.296,08 pontos.

<p n=2214>
Alberto Costa, presidente da Anitaf (Associação Nacional das Indústrias
Têxteis Algodoeiras e Fibras) disse mesmo ao PÚBLICO que neste momento
«ainda não foi possível aumentar os preços, que se mantêm estáveis ao
nível do ano passado», devido a uma «recessão no consumo mundial».

<p n=2215>
No mercado da electrónica quem manda são as empresas japonesas. Depois da
luta travada em redor dos sistemas de vídeo, novas guerras se avizinham:
a televisão de alta definição e o «digital audio tape». Em Portugal, os
ventos da mudança ainda sopram com pouco vigor.

<p n=2216>
O reforço das companhias japonesas nos mercados electrónicos passa por
uma implantação noutros países, através, nomeadamente, de uma estratégia
de aquisições. A Matsushita comprou recentemente a companhia
cinematográfica MCA, à semelhança da sua rival Sony, que comprou, em
1989, a Columbia Pictures Entertainment e, em 1988, a CBS Records.

<p n=2217>
Enquanto os quatro mosqueteiros, Giovanni Agnelli, Raul Gardini, Carlo de
Benedetti e Silvio Berlusconi, começaram o ano em queda, dezenas de
empresários italianos de menor dimensão prosseguem as suas histórias de
sucesso. «Piccollo è bello».

<p n=2218>
O grupo dos «provincianos» é formado principalmente por jovens com
diploma universitário. Mas há vários casos de ex-operários que
descobriram, na prática, a fórmula do sucesso. Para cada uma das cem
capitais desta província opulenta e tranquila, há uma pequena história de
empresas bem sucedidas, que, em alguns casos, se transformaram em
atracções turísticas da zona.

<p n=2219>
É uma casa antiga, centenária, onde se respira o passado do vinho do
Porto. Os novos sócios da Ramos Pinto não querem cortar com a história da
empresa, mas «reposicioná-la como um dos melhores vinhos do Porto». É
trabalho para durar anos, o de aplicar a filosofia de «topo de gama» da
casa de champanhe Louis Roederer à Adriano Ramos Pinto.

<p n=2220>
Quem entra na Ramos Pinto tem a sensação de que o tempo terá parado
algumas décadas atrás. São as paredes de granito frio, o travejamento
maciço, os aquecedores centenários. A luz coada das salas e as
escrivaninhas de madeira (onde mal cabe um pequeno PC) dão ao ambiente um
ar venerável. Por trás desta superfície imutável, a vida da Ramos Pinto
está em movimento acelerado. Os novos patrões querem deixar-lhe apenas o
que tem de melhor -- a qualidade.

<p n=2221>
Jean-Claude Rouzaud é enólogo e não esconde que prefere «mil vezes» os
aspectos produtivos às tarefas de gestão. «Tive de aprender», resigna-se
-- uma vez que é administrador da Louis Roederer, a terceira mais antiga
casa de champanhe --, a ocupar as funções de presidente. E,
simultaneamente, as de presidente da Ramos Pinto.

<p n=2222>
Desencantado com a situação na região champanhesa, onde a legislação
francesa impede a aquisição de novas terras (e por isso limita as
hipóteses de crescimento da produção, a não ser adquirindo uvas a
produtores, solução considerada inaceitável para a Roederer), a empresa
virou-se para o exterior. Investiu 19 milhões de dólares (cerca de 2,5
milhões de contos) em vinho espumante, na Califórnia, e tem um pequeno
empreendimento na Austrália. Depois foi a vez do vinho do Porto. Novos
projectos aguardam a consolidação da Ramos Pinto. «Quando faço
investimentos gosto de os digerir financeiramente antes de começar outra
coisa.»

<p n=2223>
Enquanto a retracção da procura externa mantém o tom pessimista entre os
empresários, uma relativa animação a nível interno justifica que as
perspectivas quanto à evolução da produção e dos preços sejam agora mais
favoráveis do que no final de 1990.

<p n=2224>
Será por isso que, no conjunto do comércio e em particular no comércio
por grosso, se verifica agora um maior optimismo em relação à evolução da
actividade e do emprego no sector durante os próximos três meses.
Apostando na manutenção desta tendência, os empresários do comércio por
grosso esperam vir a aumentar o volume das suas encomendas aos
fornecedores até ao final de Março.

<p n=2225>
Protegida das notícias «irresponsáveis» e perturbadoras dos espíritos, a
economia nacional parece querer aos poucos reentrar na rotina anterior à
crise. A Bolsa reanima-se, as expectativas quanto aos preços recompõem-se
das perturbações sofridas com a subida dos preços do petróleo e os
empresários atrevem-se mesmo a antever uma procura interna mais intensa
durante os próximos meses. Se os outros lá fora não se ralam, também não
há razão para andarmos preocupados.

<p n=2226>
Devido ao nosso tradicional atraso em relação aos países mais avançados,
houve quem permitisse a difusão de uma notícia perturbadora que falava de
operadores turísticos preocupados com a fraca procura existente.
Especulando irresponsavelmente, dizia-se que, se até ao final de Abril a
guerra não acabasse, o ano turístico estaria perdido.

<p n=2227>
Contas públicas em derrapagem, inflação a subir e instabilidade cambial
levaram à substituição do ministro da Economia na Argentina. É a quarta
vez que tal sucede, desde que, há 19 meses, Carlos Menem assumiu a
presidência. Domingo Cavallo, o novo responsável das Economia, anunciou
medidas de choque, incluídas num pacote que já é conhecido por
«cavallazo».

<p n=2228>
«A situação fiscal é angustiante e está muito pior do que pensávamos.
Apesar de ter sempre pertencido ao gabinete, não tive oportunidade de me
aperceber da verdadeira situação», disse Cavallo, conselheiro do
Presidente Meném até à segunda crise do Governo em quatro semanas.

<p n=2229>
Estão reunidas algumas condições para a baixa das taxas de juro em
Portugal, o que permitirá, finda a guerra e desanuviado o horizonte,
relançar a actividade económica e retomar o elevado nível de
desenvolvimento da economia portuguesa no segundo semestre de 1991.

<p n=2230>
Porque, se um adiamento de decisão de um ou dois meses é recuperável, em
termos empresariais, um período maior de expectativa e de não-decisão por
parte dos clientes pode ser mortal para algumas actividades económicas,
sobretudo tendo em conta o nível proibitivo das taxas de juro que se
aplicarão a montantes crescentes, em caso de paragem ou abrandamento de
actividade.

<p n=2231>
Por enquanto, a maioria dos empresários ainda não cancelou investimentos,
mas acredita que uma das consequências da guerra no Golfo, que não durará
mais de seis meses, será a retracção de projectos nacionais e
estrangeiros previstos para Portugal. O tom dominante é, apesar de tudo,
optimista: no pós-guerra a economia mundial entrará em fase de
relançamento, liderada pelos Estados Unidos. Entretanto, chegaremos ao
final do ano com o petróleo a oscilar entre os 18 e os 25 dólares por
barril.

<p n=2232>
Como medidas imediatas nas empresas que administram, 45 por cento referem
estar apostados na redução de custos e 30 por cento declaram estar a
observar maior rigor e contenção nos investimentos.

<p n=2233>
IVA ALTERA CRITÉRIOS -- Uma acção de fiscalização dos serviços do Iva às
Publicações Alfa resultou na aplicação de uma multa superior a 31 mil
contos, e que pode ascender a 60 mil contos contabilizando os juros de
mora. Esta acção de fiscalização concluiu que a editora estava em falta
no pagamento deste imposto de 1986 a 1990. Esta medida lançou a surpresa
entre os organismos oficiais ligados a esta actividade, mas até agora
apenas a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros se pronunciou
sobre a questão. Trata-se de uma decisão sem precedentes e com uma
fundamentação legal polémica. A editora defende que as taxas do IVA
invocadas «não fazem qualquer sentido». No que se refere aos livros, a
discórdia baseia-se na aplicação de uma taxa de 17 por cento às capas de
livros em fascículos, quando a comercialização das mesmas obras já
encadernadas está isenta de qualquer imposto. Especializada em
enciclopédias, a Alfa foi também notificada pelo fisco de uma multa sobre
a venda de videocassetes para ensino da língua inglesa e, neste ponto há
uma contradição entre os diversos serviços fiscais. A alfândega considera
as referidas cassetes como suporte de som para o ensino da língua e
taxa-as a oito por cento, por seu lado os serviços do IVA dizem que a
taxa a aplicar é de 17 por cento, dada a cassete ter implícita a imagem
visual.

<p n=2234>
BFE COM CIMENTEIRAS EM ANGOLA -- O consórcio que integra a Cimpor, a Secil
e o Banco de Fomento e Exterior (BFE) está na corrida para a constituição
de uma empresa mista com o Estado angolano no sector cimenteiro. O
investimento da ordem dos 25 milhões de dólares (perto de 3,5 milhões de
contos) tem por objectivo reactivar uma cimenteira (a Cimangola) que está
a produzir a 50 por cento da sua capacidade. Na corrida a esta cimenteira
estão mais dois consórcios, um de cimenteiras nórdicas e outro de
cimenteiras sul-coreanas. O investimento de 25 milhões de dólares
representa uma participação de 49 por cento na cimenteira, enquanto que
os restantes 51 por cento permanecerão nas mãos do Estado angolano. O
consórcio português está esperançado em ser o parceiro escolhido pelas
autoridades de Luanda.

<p n=2235>
194,5 milhões de contos foi quanto atingiu a produção das empresas de
«leasing» mobiliário em 1990, revelou a Associação Portuguesa de Empresas
de Leasing. Este valor representa um crescimento de 32 por cento em
relação ao valor registado no ano anterior. A Sofinloc manteve a sua
posição de liderança com 17,8 por cento do mercado (34,54 milhões de
contos). Na segunda posição situou-se a Locapor, ao alcançar um volume de
negócios de 26,53 milhões de contos. A terceira «leaser» em Portugal é a
Euroleasing, com um volume de negócios registado de 19,63 milhões de
contos. A Lusoleasing é a quarta maior locadora portuguesa.

<p n=2236>
109 milhões de contos é quanto vai atingir o pagamento de juros e
amortizações de títulos do mercado obrigacionista a efectuar no mês de
Fevereiro, segundo a estimativa apontada pela Bolsa de Valores de Lisboa
e pela Junta de Crédito Público. Este valor representa um crescimento em
relação ao valor de juros pagos em Janeiro -- 86,76 milhões de contos.
Neste valor previsional incluem-se as obrigações de dívida pública cotada
e não cotada, fundos públicos e equiparados e ainda títulos das empresas
cotados nas Bolsas de Valores do Porto e de Lisboa.

<p n=2237>
CASQUEIRO EXIGE DEMISSÕES NO IFADAP -- José Manuel Casqueiro,
secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) não
está satisfeito com a direcção do IFADAP. Num encontro com o
primeiro-ministro, na semana passada, o líder dos agricultores
portugueses exigiu a demissão da direcção do IFADAP, incluindo do actual
presidente, por «desrespeito na aplicação do regulamento comunitário
797». José Manuel Casqueiro acrescentou que nunca o IFADAP funcionou tão
mal, até à tomada de posse do actual presidente. Para além das
dificuldades de aprovação dos projectos, os agricultores queixam-se do
atraso do pagamento dos subsídios comunitários. No encontro com Cavaco
Silva, o secretário-geral da CAP manifestou a sua discordância a respeito
do documento aprovado pela Comissão das Comunidades sobre a reforma da
PAC (Política Agrícola Comum). Os «aspectos limitativos da
competitividade dos agricultores portugueses em relação aos seus
parceiros comunitários, nomeadamente no que se refere ao preço dos
factores de produção» é o que mais preocupa José Manuel Casqueiro.

<p n=2238>
PEDRO REBELO DE SOUSA ENCAIXA MAIS -- Pedro Rebelo de Sousa, presidente do
Banco Fonsecas e Burnay (BFB), tem razões para estar satisfeito, porque o
Governo pretende alienar a totalidade das acções daquele banco por 45
milhões de contos. Este valor é muito superior ao apresentado pelos
avaliadores (BPI e CISF) que apontavam para 15 a 30 milhões de contos. A
valorização do banco seria conseguida através de duas operações: aumento
de capital e transferência de um pacote de 10 milhões de acções do Estado
para a sociedade gestora do fundo de pensões do banco. O aumento de
capital, no valor de oito milhões de contos, será simultâneo com a
operação de privatização e servirá para resolver alguns problemas de
crédito mal parado que o BFB ainda enfrenta.

<p n=2239>
Os ingleses queixam-se de falta de novos artistas de sucesso, os
franceses lamentam a concorrência entre as grandes cadeias de
retalhistas, os espanhóis estão preocupados por a extinção do vinil não
ser acompanhada por suficiente crescimento do CD. Em contrapartida, os
empresários portugueses estão satisfeitos, uma vez que o nosso mercado,
de 1989 para 1990, registou um aumento de facturação na ordem dos
quarenta por cento (de 3.768.112 para 5.275.202 contos), segundo a
contabilidade da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), que integra a
maioria -- mas não todas -- as empresas do sector.

<p n=2240>
Tivemos o que, por exemplo, faltou aos ingleses -- o que justamente prova
que não somos tão colonizados quanto isso, ou que o consumidor português
continua a preferir comprar a música dos artistas portugueses. Mas tudo
foi aqui facilitado no capítulo da facturação, uma vez que a venda de
fono e videogramas em cadeias de hipermercados, quase ou mesmo sem margem
de lucro, ainda não se enraízou nos hábitos dos nossos compradores. O
problema que daí deriva -- que afundou um mercado como o francês em 1990 --
pode, todavia, estar aqui para breve, com a abertura da Megastore
Valentim em plena Baixa lisboeta e a anunciada instalação da cadeia
francesa FNAC no Porto.

<p n=2241>
Tudo começou em Dezembro de 1990. Os pedidos de subscrição no aumento de
capital do Totta chegaram quase aos dois mil milhões de títulos. Soube-se
na semana passada. As Bolsas suspenderam as acções do banco e pediram
explicações. Alípio Dias, presidente da comissão executiva do BTA,
reafirmou aos responsáveis do mercado, o que havia revelado anteriormente
ao PÚBLICO. As acções voltaram às Bolsas e com forte procura.

<p n=2242>
Na terça-feira, o PÚBLICO chegava às bancas divulgando os valores da
corrida ao Totta: «cinco mil milhões de contos pelo Totta» era o título
da manchete. Para se chegar a esse valor, efectuara-se uma conta bem
simples e fartamente utilizada noutras ocasiões, nomeadamente nas
operações de privatização, para realçar o volume de fundos que teria sido
possível encaixar se toda a procura fosse satisfeita: multiplicava-se o
número de ordens de subscrição transmitidas pelo preço de emissão
(2650$00), o que dava 4,87 mil milhões de contos.

<p n=2243>
«Todos os militares devem cuidar da sua boa apresentação, mantendo-se
rigorosamente equipados e uniformizados nos actos de serviço e fora
destes.» Esta máxima, seguida pelos 23.050 soldados, 3000 mil oficiais,
4430 sargentos e 508 praças, é uma das mais insistentemente repetidas aos
recrutas, durante a instrução, quando, acabados de chegar da
«indisciplina» civil, começam a tomar contacto com os princípios da
conduta militar.

<p n=2244>
Desiludam-se por isso os que pensam ainda que os nossos militares não
estão fardados com equipamento sofisticado. É que, segundo os
responsáveis militares, o material de protecção a uma guerra química é em
tudo semelhante ao usado pelos «marines» americanos. A sua origem é os
Estados Unidos da América. Mas para os mais cépticos, e que se lembram
das tão faladas máquinas de calcular (exportadas com defeito para certos
países, entre os quais o nosso), a questão é saber se este funciona...

<p n=2245>
Uma intervenção concertada nos mercados cambiais internacionais foi
levada a cabo na semana passada pelos bancos centrais dos países do Grupo
dos Sete (G7), os sete países mais industrializados do mundo, com o
objectivo de travar a descida do dólar. Apenas o Japão não participou
nesta acção, mas, em contrapartida, a Bélgica, Espanha e a Áustria
alinharam com os restantes seis países do G7. Segundo o «Financial
Times», mal se tornou conhecida a acção dos bancos centrais, a moeda
norte-americana apresentou uma ligeira recuperação em relação ao marco
alemão.

<p n=2246>
O «Libération» sublinha, num outro texto, que a fusão da Pirelli e da
Continental seria vantajosa para as duas, que assim poderiam formar um
grupo que pudesse concorrer com os gigantes do sector: a Michelin e a
Goodyear. Mas os alemães evocam os riscos da concentração, o que para o
«Libé» não é mais do que «um certo nacionalismo». J.S.

<p n=2247>
O que sucederá na economia portuguesa em consequência da guerra no Golfo
é uma questão que de momento mobiliza economistas e empresários. De um
lado há os que asseguram que os efeitos serão mínimos e assumem uma
postura optimista. Apontam, para justificar a posição, o forte
crescimento da economia nos últimos anos (há quem o reconheça mas afirme
que o crescimento é feito sem qualidade, como é o caso de Vítor
Constâncio) e acreditam que o afluxo de fundos comunitários ao país e o
investimento estrangeiro continuarão a impulsionar a economia.

<p n=2248>
É verdade que, relativamente ao que era esperado, a guerra não trouxe
ainda o temido choque petrolífero e o dólar mantém-se a níveis
aceitáveis, ajudado pelos bancos centrais dos países mais
industrializados. Mas o facto de as decisões fundamentais estarem adiadas
-- porque a expectativa acerca da duração do conflito e sobre aquilo que
se passará no Médio Oriente depois da guerra se mantém -- torna prematuro
afirmar que nada deverá preocupar Portugal.

<p n=2249>
Boris Ieltsin, o presidente da Federação russa, em diálogo com oficiais
da esquadra do Báltico no decorrer de uma visita a estaleiros navais  em
Kaliningrado.Os  apelos de Ieltsin à desobediência entre os soldados
enviados para as capitais do Báltico e os seus projectos de criação  de
um Exército russo transformaram-no num dos alvos preferidos das chefias
militares,que o acusam de pretender dividir as forças armadas soviéticas.

<p n=2250 assunto=desporto>
MANCHESTER VENCE LEEDS -- O Manchester United venceu ontem no seu terreno
o Leeds, por 2-1, em jogo da «primeira mão» das meias-finais da Taça da
Liga inglesa de futebol. Dennis Irwin abriu o marcador para o Manchester
United, mas Gary Pallister empatou. Com um forte remate, a onze minutos
do final do jogo, Gary McAllister estabeleceu o resultado final.

<p n=2251>
CERCA de 500.000 liberianos deixaram o seu país durante um ano de guerra
civil, desencadeada no fim de 1989 -- declarou ontem à televisão da
Nigéria um elemento do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os
refugiados. Segundo este, há actualmente em África nove milhões de
pessoas deslocadas, cerca de metade das quais devido a guerras. Por seu
turno, o Governo etíope lançou um apelo a favor dos 400.000 refugiados
somalis que procuraram abrigo no seu território (Ver p. 19). A Libéria e
a Somália vivem actualmente as situações mais caóticas do continente
africano.

<p n=2252>
AMERICANOS MORTOS-VIVOS DO VIETNAME -- Os nomes de 14 cidadãos americanos
vivos figuram erradamente no monumento aos mortos na guerra do Vietname,
em Washington, e os atingidos terão que se habituar ao facto, uma vez que
o nome não pode ser apagado, segundo informou ontem à noite a agência
France Presse. O monumento às vítimas americanas do Vietname comporta
58.175 nomes gravados num V de granito negro. O exame de documentos do
Departamento da Defesa confiados aos Arquivos nacionais revelou que 14
daqueles nomes não tinham razão para ali ter sido inscritos. O erro foi
causado por confusões administrativas ou patronímicas, mas as autoridades
ainda só admitiram três dos 14 erros detectados. As reacções dos visados
foram diversas, mas o Governo já fez saber que as reformas e pensões
devidas a cada uma das pessoas não deixaram de ser pagas por causa da
lista de mortos inscrita no monumento.

<p n=2253>
"Ó Deus, Alá...", implora a voz de frei Vincent, na nova sala de jantar
da gigantesca base aérea algures no nordeste saudita. Capelão católico,
ele decidiu rezar em nome de todos os soldados da base: ingleses e
americanos, protestantes e católicos, sauditas e kuwaitianos muçulmanos.
"Que o Deus de todos nós nos abençoe a todos", termina, benzendo a sala.
Seis meses depois da chegada do primeiro contingente, como recorda o
repórter da "pool" americana que acompanhou a cerimónia, as restrições à
prática religiosa dos não muçulmanos parecem ter sido aliviadas.

<p n=2254>
Ofereceram-se para a tropa. Um grupo de 600 gradua-se hoje, depois de
quatro meses de recruta. Ingénuos, acreditam que farão parte do grupo dos
primeiros a entrarem no Kuwait. «Com a ajuda de Deus, podemos fazer tudo
o que seja necessário», proclamam. Têm vinte anos, e ninguém lhes diga
que aquela não é a mais bela idade da sua vida.

<p n=2255>
O ministro israelita da Defesa, Moshe Arens, deverá reunir-se hoje, em
Washington, com o seu homólogo americano, Dick Cheney, acabado de
regressar de uma deslocação à Arábia Saudita, segundo anunciou a
porta-voz da embaixada de Israel nos Estados Unidos, Ruth Yaron.

<p n=2256>
Pelo seu lado, o diário israelita «Jerusalem Post» afirmava, na sua
edição de ontem, que Arens e o chefe da diplomacia de Israel, David Levy
-- que é esperado sexta-feira em Nova York, para uma visita privada
durante a qual deverá encontrar o secretário de Estado, James Baker -- têm
como tema principal da sua agenda nos Estados Unidos a questão de uma
ajuda suplementar americana de 3,2 mil milhões de dólares destinada a
compensar os prejuízos provocados pela guerra no Golfo.

<p n=2257>
O secretário-geral da central sindical UGT, Nicolás Redondo, acusou no
sábado, em Madrid, o Governo de Felipe Gonzalez de intervenção directa no
conflito do Golfo, qualificando a postura do Executivo como «belicista»:
«Temos sido discretos quanto a este assunto e, mais do que estarmos
contra a posição do Governo, insistimos na paz, mas o Governo tem tido
uma posição pouco transparente.»

<p n=2258>
Como consequência da posição governamental, Nicolás Redondo estima que as
tradicionais boas relações de Espanha com o mundo árabe, nomeadamente com
os países da zona do Magrebe, se vão deteriorar.

<p n=2259>
Não é a primeira vez nem será certamente a última: a marginal
Lisboa-Cascais tem visto, dia a dia, ano após ano, aumentar o rol das
suas vítimas. Na maioria dos casos são cidadãos anónimos, mais ou menos
prudentes, mais ou menos sóbrios, mais ou menos respeitadores das regras.
Envolvem-se em acidentes, ferem-se, morrem -- e passam à história. Ontem,
porém, no lugar que já é conhecido pelo «principal ponto negro das
estradas portuguesas», um acidente vitimou o Chefe do Estado Maior do
Exército. E a opinião pública, desperta pela notícia, voltou a olhar a
estrada com a consciência de que, ali, a morte anda por perto. Trata-se,
infelizmente, de uma consciência passageira. Logo, pelo cair da noite, já
com a imagem do desastre dissipada na memória, alguém se atreverá a
acelerar ou a tentar uma ultrapassagem perigosa; e a morte pairará de
novo, como um fantasma insolúvel, sobre a marginal e os que nela são
obrigados a aventurar-se -- dada a ausência de alternativas. Haverá, algum
dia, remédio para isto? Dizem que sim. Falam, inclusivé, de um separador
em betão a instalar não se sabe quando, de sinais luminosos dissuasores
de velocidade, de mais repressão e policiamento. Mas a marginal -- ajudada
pela inconsciência de muitos dos que nela rodam -- continua a fazer
vítimas. E se é verdade que muitas se devem à óbvia inadaptação da
estrada ao volume (e género) de trânsito que nela circula, não é menos
verdade que, com ela, os condutores portugueses partilham a
responsabilidade por muitas mortes. Como se, depois de cada acidente, se
reconhecessem condenados a circular em alto risco...

<p n=2260>
04h20 -- Retoma dos raides aéreos contra cidades do sueste iraquiano. Os
bombardeamentos terminam às 07h30.

<p n=2261>
A União Soviética opôs-se à utilização dos seus aviões para transporte de
material para a região do Golfo, o que provocou já um atraso na entrega
de oito sistemas de defesa anti-aérea que deveriam ser enviados pela
Alemanha para a Turquia a bordo de um Antonov-124.

<p n=2262>
O MINISTRO de Estado iraquiano para os Negócios Estrangeiros, Mohamed
Said Al Sahaf, disse ontem em Amã, Jordânia que a Cruz Vermelha
Internacional só será autorizada a visitar os prisioneiros de guerra
quando os aliados deixarem de bombardear alvos civis. «Quando os
agressores respeitarem as convenções de Genebra, nós respeitá-las-emos
igualmente. [...] Eles violaram as convenções matando civis. E quem viola
aqueles acordos não tem o direito de falar acerca deles ou sobre o
tratamento aos prisioneiros de guerra».

<p n=2263>
«AL-THAWRA», um jornal oficial sírio, apelara sábado aos iraquianos para
que assassinassem o Presidente Saddam Hussein, mas o ministro da
Informação, Mohamed Salman, disse de imediato que semelhante declaração
não espelha uma posição do seu Governo.

<p n=2264>
UMA AUSTRÍACA reformada suicidou-se ontem, com um tiro de revólver,
diante da Embaixada dos Estados Unidos em Viena, como forma de protesto
contra a guerra no Golfo Pérsico, disse a Polícia.

<p n=2265>
O diário espanhol «El Mundo» revelou ontem que as autoridades iraquianas
estariam a utilizar os aparelhos de telefone por satélite de algumas
televisões estrangeiras para comunicar com o exterior, nomeadamente com
as suas embaixadas no estrangeiro.

<p n=2266>
O jornal cita também informações da televisão austríaca, segundo as quais
a CNN teria permitido que funcionários do Ministério iraquiano da
Informação usassem o seu material para comunicarem com Amã. Segundo «El
Mundo», o vice-presidente excutivo da CNN, Ed Turner, confrontado com a
notícia da televisão austríaca, teria admitido que a estação havia
autorizado as autoridades iraquianas a utilizarem o seu telefone por
satélite, mas só em casos muito limitados, como por exemplo os que se
prendiam com a passagem de vistos de entrada no Iraque a jornalistas
estrangeiros.

<p n=2267>
1 -- Concorda ou não com a natureza e oportunidade da recente iniciativa
diplomática do Presidente da República junto da OLP?

<p n=2268>
4 -- Acha que a iniciativa do Presidente da República pode colidir com a
solidariedade portuguesa em relação às forças aliadas e à frente
anti-iraquiana?

<p n=2269>
1 -- Concorda ou não com a natureza e oportunidade da recente iniciativa
diplomática do Presidente da República junto da OLP?

<p n=2270>
4 -- Acha que a iniciativa do Presidente da República pode colidir com a
solidariedade portuguesa em relação às forças aliadas e à frente
anti-iraquiana?

<p n=2271>
Quanto à natureza da iniciativa afigura-se-me estritamente pessoal e como
tal deveria ter sido tratado. Ao deixar que se tornasse pública e notória
a sua intervenção, o PR desenvolveu uma iniciativa diplomática paralela,
além do mais, algo conflituante com a política que, sobre o assunto, tem
sido perfilhada e aplicada não só pelo Governo, como pela CEE.

<p n=2272>
Espero que o desejável reforço de protagonismo político de Mário Soares
no seu segundo mandato se manifeste em atitudes e comportamentos que não
ponham em causa a unidade e coesão da nossa política externa.

<p n=2273>
À chegada ao aeroporto de Barajas, em Madrid, na noite da passada
quinta-feira, vindo do Leste, onde chefiou uma missão da Comunidade
Económica Europeia, Fernandez Ordoñez venceu o cansaço e falou do futuro:
«Para a semana [quarta-feira, 13] inicio uma digressão por países do
Norte de África, e vou à Líbia, onde nunca estive.» Loquaz, como é seu
hábito, o ministro espanhol, que gosta que o tratem pelo seu diminutivo
familiar -- «Paco» --, deu a novidade que já se antevia. A Espanha prepara
o pós-guerra e faz desse projecto almofada contra a onda islâmica que o
prolongamento do conflito do Golfo pode suscitar.

<p n=2274>
Em terreno movediço, não estará ainda totalmente definido o programa da
visita do chefe da diplomacia espanhola: «A 13, o ministro estará na
Mauritânia, nos dois dias seguintes, em Marrocos, regressando a Madrid,
de onde parte, a 17, para Tripoli, terminando a digressão, a 18, na
capital tunisina», adianta, ao PÚBLICO, Júlia Olmo, porta-voz do
Ministério das Relações Exteriores.

<p n=2275>
A infelicidade da nossa sociedade é que ela só sabe confrontar-se com o
Outro, seja ele muçulmano ou vietnamita, numa única perspectiva, a da
supremacia técnica, o que, com razão ou sem ela, não retirará aos
adversários nenhuma das motivações para lhe resistir.

<p n=2276>
Em 1980, Saddam não atacou o Irão para libertar os palestinianos, mas
para alargar o seu território e os seus recursos e se fazer armar até aos
dentes pelos ocidentais e soviéticos. Ele não representa os pobres contra
os ricos nem o Sul contra o Norte. Saddam domina um país naturalmente
rico que ele arruinou para se armar e manter um regime de terror, em que
se corta os opositores aos bocados e se gaseia a minoria curda. Só os
«progressistas» estão prontos a esquecer tudo isto, porque ele completa
perfeitamente a colecção de carrascos -- Estaline, Mao, Castro, Pol Pot --
que eles sempre tão vigorosamente defenderam.

<p n=2277>
O SECRETÁRIO norte-americano da Defesa, Dick Cheney, defendeu ontem, em
Riad, a continuação dos ataques aéreos ao Iraque e Kuwait, dada a ainda
«considerável capacidade» da aviação dos EUA em destruir as forças de
Saddam.

<p n=2278>
De acordo com jornais ocidentais, os chefes militares da coligação terão
defendido que as hostilidades terrestres só deveriam iniciar-se, no
mínimo, dentro de duas semanas. O londrino «Sunday Times», citando fontes
do Pentágono, disse ontem que o comandante Norman Schwarzkopf e outros
dirigentes fizeram saber a Cheney e Powell que uma ofensiva imediata no
solo conduziria a «pesadas perdas americanas», recomendando uma espera de
pelo menos duas semanas. Outros teriam pedido que os raides aéreos
continuassem ainda por mais um mês.

<p n=2279>
Saddam Hussein declarou ontem que o Iraque está a vencer a guerra. Bagdad
aposta nos efeitos do tempo e na divisão dos aliados, no momento em que
se perfila a ofensiva terrestre. E tenta seduzir os países árabes, 
divididos entre a animosidade a Washington e a exigência da retirada
iraquiana do Kuwait.

<p n=2280>
Falando durante uma conferência de Imprensa, no fim de uma visita oficial
à Jordânia, Hammadi apelou aos Estados árabes que boicotem os países da
coligação anti-iraquiana e rejeitem as resoluções da ONU «impostas» pelos
Estados Unidos «de modo a cobrir a sua agressão». Sublinhou também que «a
questão não é, de momento, o Kuwait, mas a agressão americana e sionista
que visa destruir o Iraque e dominar a região».

<p n=2281>
«Colin Powell inspira confiança. Olha-se para ele, ouve-se o que ele diz
e acredita-se nele», diz ao PÚBLICO uma funcionária do Departamento de
Estado, a propósito do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas
americanas. Esta opinião é difícil de contrariar em Washington, onde mais
de uma dezena de funcionários da Administração e do Congresso, mesmo
entre os que se opõem à guerra no Golfo, manteve uma surpreendente
unanimidade a respeito de Powell.

<p n=2282>
Em 1972, Powell trabalhou para Caspar Weinberger e Frank Carlucci,
durante a Administração Nixon. E, quando Weinberger foi nomeado
secretário da Defesa por Ronald Reagan, Powell foi seu adjunto. Em 1987 --
no rescaldo do escândalo Irão-Contras --, Frank Carlucci regressou à Casa
Branca como conselheiro de Defesa Nacional, substituindo John Poindexter,
entretanto caído em desgraça, e escolheu Powell para seu «vice». E,
quando meses mais tarde Carlucci substituiu Caspar Weinberger na
Secretaria da Defesa (Pentágono), Colin Powell substituiu-o como
conselheiro presidencial, mantendo uma discrição eficaz, ao mesmo tempo
que reorganizava o Conselho de Segurança Nacional, deixado em maus
lençóis por Poindexter e pelo hoje notório Oliver North.

<p n=2283>
Nas primeiras semanas da guerra, o leitor de jornais sauditas não soube
que Saddam enviou mísseis sobre Israel, que Saddam se passeou no centro
de Bagdad, que centenas de milhares de pessoas se manifestaram na Europa,
nos EUA, em países árabes, pela paz, nem conseguiu conhecer com rigor os
efeitos dos mísseis caídos na capital. Israel, Saddam, manifestações
pacifistas constituem palavras, também no reino da Arábia Saudita, que os
censores cortavam das transmissões da televisão e das páginas da imprensa
estrangeira (neste momento, com uma semana de atraso nos escaparates dos
hotéis onde os jornalistas se alojam). Quanto aos Scud, a regra de ouro
era noticiar a sua queda e silenciar as consequências.

<p n=2284>
A 30 quilómetros do Iraque, algures na linha de fronteira saudita, uma
tenda no meio de um deserto de pedras. Como se de uma igreja ou um clube
se tratasse, os carros afluem ao local, as pessoas entram e, algum tempo
depois, arrancam de novo, perdendo-se na imensidão do horizonte. Reunião
de comandos? Local de convívio da unidade?

<p n=2285>
A fatídica curva dos Pinheiros poderá vir a a ter brevemente um sistema
especial de sinais luminosos que ficarão vermelhos ao aproximar de
veículos a grande velocidade. Esta e outras medidas, como o separador
central, em estudo ou aplicação, são porém, apenas, paliativos para a
insegurança de uma «estrada de loucos».

<p n=2286>
Na sua análise, também não é indiferente à enorme sinistralidade que ali
se regista o elevado nível de vida de muitos dos automobilistas da
região. «Para eles, as multas não têm qualquer efeito dissuasor.» Os
acidentes mais graves -- confirmam-no as estatísticas -- verificam-se de
noite, a altas velocidades, e em situações que muitas vezes têm a ver com
o regresso de locais de divertimento e com excessos de consumo de álcool.
A estrada é ampla, as curvas são largas, o piso é convidativo. Ao menor
obstáculo, a transposição da faixa contínua e a entrada em contramão são,
para muitos, irresistíveis.

<p n=2287>
Com a morte do general Firmino Miguel, o general Tomé Pinto assume as
funções de chefe do Estado-Maior do Exército em exercício. Tomé Pinto,
que foi durante cinco anos comandante da Guarda Nacional Republicana,
esteve à frente da Brigada Mista Independente e chefiou a Região Militar
de Lisboa, era o «número dois» de Firmino Miguel desde 1988, ano em que
se tornou vice-chefe do Estado Maior do Exército.

<p n=2288>
Firmino Miguel estava em Paris, a frequentar o Curso Superior de Guerra,
quando se deu o 25 de Abril. Imediatamente chamado a Lisboa pela Junta de
Salvação Nacional, que quer contar com a sua competência para reorganizar
as Forças Armadas, logo, porém, lhe dirigem convites para cargos
políticos. Chega a ser indigitado para o cargo de primeiro-ministro pelo
general Spínola. Recusa a chefia do Executivo, mas desempenha as funções
de ministro da Defesa no primeiro e segundo governos provisórios e, por
três vezes, em governos constitucionais chefiados por Mário Soares.

<p n=2289>
Nenhuma autoridade competente estava ontem disposta (ou disponível) para
revelar os pormenores e as causas do acidente que vitimou, no último
sábado, o general Firmino Miguel, após um embate entre automóveis na
Marginal, em Paço de Arcos, perto de Lisboa.

<p n=2290>
Firmino Miguel seguia acompanhado pelo filho, Mário José, 18 anos, e pelo
sogro, José Pereira, 82 anos, médico. O general ia ao volante de um
pequeno Lancia Y-10, no sentido Cascais-Lisboa. Mais à frente, em outro
carro, viajavam a mulher, a sogra e a filha, de 24 anos. «Vinham de uma
reunião familiar», contou um amigo da família.

<p n=2291>
Enquanto no campo aliado se sucedem as conversações para fixar o momento
da ofensiva terrestre, Saddam Hussein falou ontem aos iraquianos e à
nação árabe, num discurso cheio de referências religiosas, anunciando a
vitória próxima. «É só uma questão de tempo e Meca, Medina e Jerusalém
serão libertadas», disse. «Com este milagre [a resistência aos
bombardeamentos], provámos que Deus existe e que os fracos são capazes de
derrotar os tiranos, a exemplo de Moisés que venceu os soldados do Faraó
e os afogou no mar.» Pag. 6 a 14

<p n=2292>
QUATRO REDES, 48 horas de emissão por dia em 34 línguas diferentes para
(quase) todos os países do mundo -- estes, alguns dos números que
identificam a Rádio Vaticano, uma das emissoras mais escutadas do mundo,
que hoje completa 60 anos de vida. Criada em 12 de Fevereiro de 1931, por
decisão do Papa Pio XI, foi montada tecnicamente sob a direcção de
Guillermo Marconi. Destinada inicialmente a difundir a voz do Papa, a
Rádio Vaticano teve um grande impulso qualitativo, em 1966, com o Papa
Paulo VI, o qual decidiu que, pelo menos metade do orçamento, deveria ser
destinado à produção de programas, aumentando assim a qualidade dos
colaboradores da casa. Com João Paulo II a Rádio do Papa conheceu uma
nova fase de expansão, aumentando o número de ouvintes e a quantidade de
transmissões em directo, destinadas a cobrir as viagens de João Paulo II.
Uma missa solene na basílica de São Pedro, em Roma, assinalará hoje o
aniversário da Rádio papal.

<p n=2293>
APESAR DE SINAIS de aviso prévios, o técnicos não encerraram a central
nuclear de Mihama, no Norte do Japão, que, no último sábado, se desligou
automaticamente em consequência de uma fraca fuga de radiotividade do
reactor. O técnicos tinham detectado o aumento de radioactividade cerca
de uma hora antes mas só abrandaram a descarga dez minutos antes de o
gerador de vapor paralisar. Segundo informou ontem um porta-voz do centro
de informação nuclear, mais de 30 grupos anti-nuclear vão pressionar a
Kansai Electric Power Corp -- empresa que gere a central de Mihama -- e o
Ministério do Comércio Internacional e da Indústria para exigir a
suspensão de todos os reactores a água pressurizada do Japão. Foi a
primeira vez  que se confirmou, no país (onde operam 40 centrais), o
encerramento de emergência deste tipo de sistema em acidente real.

<p n=2294>
Israel corre o risco de ser ignorado nas conversações sobre o Médio
Oriente do pós-guerra se não apresentar agora o seu próprio plano de paz,
advertiu ontem o ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, David
Levy.

<p n=2295>
O chefe da diplomacia de Israel salientou, a propósito, que a queda em
desgraça da Organização de Libertação da Palestina (OLP) junto da
Administração americana deu a Israel uma oportunidade para apresentar os
seus pontos de vista.

<p n=2296>
A escola secundária João de Deus, em Faro, vai dedicar uma semana à
informação no ano 2000 durante a segunda quinzena de Abril, no âmbito das
comemorações do seu 140º aniversário. A teoria da comunicação, a imprensa
escrita, a rádio, a televisão e os multi-média no futuro são alguns dos
temas abordados pelos convidados, entre os quais se contam quer
profissionais ligados às várias áreas do jornalismo, quer investigadores
da teoria da informação.

<p n=2297>
«O professor de didáctica movimenta saberes de três áreas: a de
especialista, que conhecendo os programas selecciona os conteúdos e os
organiza didacticamente; a de psicólogo, que realiza a análise da matéria
a ensinar segundo os individuos a que se destina; e a do pedagogo, cuja
tarefa será de adequar o discurso cientifico ao nivel etário e cognitivo
dos alunos». Este enquadramento, procurando traduzir o moderno papel da
didáctica no ensino, é de Correia Monteiro, professor da Faculdade de
Letras da Universidade de Lisboa, e foi apresentado no final dos
trabalhos do II Encontro de Didácticas e Metodologias de Ensino,
promovido pela secção autónoma de Didácticas e Tecnologia Educativa da
Universidade de Aveiro.

<p n=2298>
Promover e aprofundar a discussão em torno do ensino artístico, à luz  da
respectiva Lei de Bases, é a finalidade do Seminário Nacional Sobre o
Ensino Artístico que o Sindicato de Professores da Região Centro vai
realizar em Leiria entre 22 e 24 de Abril. A iniciativa, que pretende ser
uma reflexão sobre o futuro da educação artística em Portugal, é também
da responsabilidade do Instituto Irene Lisboa e da Associação de
Professores de Expressão e Comunicação Visual.

<p n=2299>
O Ministério da Educação promove até ao próximo dia 28 um concurso de
medalhas comemorativas das datas mais importantes da sua história, entre
os quais se salientam o 230º aniversário da Directoria Geral dos Estudos,
o 120º aniversário da criação do Ministério dos Negócios da Instrução
Pública e o 100º aniversário do surgimento do Ministério da Instrução
Pública e Belas Artes. Podem participar na competição não só alunos dos
anos terminais do ensino secundário e do ensino superior como também
professores dos vários graus de ensino. Destinado apenas aos estudantes
do ensino básico ao superior é o concurso «A Educação em Portugal --
Escola e Comunidade», aberto a todos os trabalhos de literatura ou artes
visuais até 28 de Março. Para ambos os certames, o Ministério promete
«prémios diversos e valiosos, ajustados às diversas categorias e níveis
dos concorrentes».

<p n=2300>
A problemática suscitada pelos funcionários da Escola Secundária de
Resende pode ser perspectivada de duas formas: em termos retrospectivos e
em termos actuais. Em primeiro lugar, a questão não é nova: existe
praticamente desde que a Função Pública foi instaurada.

<p n=2301>
Na verdade, alguns ministérios, nomeadamente os das Finanças e da
Justiça, praticavam um sistema pouco homogéneo de atribuição de
remunerações acessórias, com base numa filosofia com 50 anos de idade. «A
denúncia destas situações deveria ter sido feita há 20 anos», reconhece
Maria Eugénia.

<p n=2302>
«Nunca, como nos dias de hoje, tanta gente encheu a boca com a 'Justiça
social'. Desde o Presidente da República aos sindicatos, passando pelos
membros do Governo, todos apregoam a 'justiça social'. (...) Só se fala
de justiça social quando não há.

<p n=2303>
O Salão Europeu do Estudante, que se realiza entre 19 e 23 de Março no
Parque de Exposições de Bruxelas, espera receber 150 mil visitantes e 700
universidades e escolas superiores da Europa, Estados Unidos, Canadá e
Austrália. Destinado a informar os jovens das possibilidades de efectuar
estudos superiores na Europa e a contribuir para a circulação de
estudantes com vista à construção de uma «Europa da Educação», o Salão
promove um encontro sobre a mobilidade estudantil para  divulgar os
programas existentes nesta área. O Salão deste ano reúne pela primeira
vez representantes dos países do Leste, da Escandinávia e da EFTA. A
partir do ano que vem, prevê-se que um em cada dez estudantes faça os
seus estudos noutro país da CEE. É também a partir dessa data que o salão
se passará a efectuar em Bruxelas e noutra cidade europeia ao mesmo
tempo, tendo sido Barcelona a primeira cidade escolhida.

<p n=2304>
Docentes e investigadores prestigiados do ensino superior subscreveram já
o documento que a Federação Nacional dos Professores pôs a circular nas
escolas e que constitui um apelo ao Primeiro Ministro para que decida
rapidamente o descongelamento dos escalões salariais do sector.

<p n=2305>
O apelo a Cavaco Silva começa por um comentário à situação actual: «As
carreiras docentes e de investigação no ensino superior têm perdido
capacidade de atracção dos melhores valores, em resultado de uma
desvalorização do seu estatuto salarial e remuneratório, com graves
incidências no desempenho do seu importante papel no desenvolvimento
económico e social do nosso País, nomeadamente através da formação de
quadros».

<p n=2306>
Decorrem, até ao próximo dia 15, os concursos ao quadro único dos
educadores de infância e ao quadro geral do 1º ciclo do ensino básico. Na
sequência deste facto, o Sindicato dos Professores do Norte (SPN) decidiu
formar um gabinete de apoio a todos interessados, que funciona na Casa de
Cultura do Professor (na Rua do Heroísmo, 3) e em todas as suas
delegações distritais.

<p n=2307>
Os alunos do 1º ano do curso de Informática, do Instituto Superior
Técnico, começaram a época de exames do primeiro semestre. O de Análise
Matemática, a abrir uma série de provas que durante um mês e meio lhes
vai ocupar a cabeça, mais do que um mero exame, foi o teste de uma
experiência feita com 176 alunos, por iniciativa do Fundetec.

<p n=2308>
Este trabalho conciste num breve estudo sobre a vida familiar no Antigo
Regime, período  compreendido entre o movimento expancionista (Séc. XV) e
a Revolução Francesa (Séc.XVIII).

<p n=2309>
A família era um exemplo clássico dos papéis sociais, desde muito cedo
baseada na doutrina cristã. Ela é, efectivamente, um microcosmo social,
onde a diferenciação dos papéis em função da diferenciação das posições e
das funções surge com muita nitidez. Cada um dos membros da família
obedece a modelos que lhe definem a acção de acordo com a posição que
ocupa.

<p n=2310>
pulosamente pelos seus filhos, em ficarem mais perto deles, em não os
abandonar, ainda que temporariamente, aos cuidados de outra família. A
substituição do aprendizado pela escola exprime igualmente uma
aproximação entre a família e as crianças, entre o sentido da família e o
sentido da infância, outrora separados. A família passa a dar mais
atenção à criança. Esta ainda não permanece sempre com os pais, separa-se
deles para frequentar uma escola distante- embora no Séc. XVII já se
discuta o modo em que deve ser mandada para o colégio ou a eficácia da
educação em casa, com um perceptor. Mas o afastamento do estudante não
tem o mesmo carácter nem a mesma duração que a separação do aprendiz.
Geralmente a criança não fica no colégio em regime de internato.
Hospeda-se em casa de um particular, de um regente. A família leva-lhe
dinheiro e provisões nos dias de mercado. Estreitam-se os laços entre o
estudante e a família: é até necessária a intervenção dos mestres para
evitar visitas demasiado frequentes às suas famílias, visitas que se
planeiam graças às cumplicidades das mães.

<p n=2311>
Esta proliferação correspondia ao mesmo tempo à necessidade de uma
educação teórica que substituisse as antigas formas práticas de
aprendizagens, e também à necessidade de não deixar ir para muito longe
as crianças, de as conservar na família pelo maior período de tempo
possível. Fenómeno que atesta uma transformação considerada da família:
esta passa a centrar-se na criança; a sua vida passa a confundir-se com
as relações mais sentimentais entre os pais e os filhos.

<p n=2312>
Estar-se sentado, depois de uma guerra por um bilhete, numa das mais
conceituadas salas de concertos do mundo e ser-se invariavelmente
incomodado por «pedacinhos» de tecto a cair, não é de todo agradável --
nem para o público nem para os músicos... muito menos, quando os
pedacinhos começaram a ser maiores. Era o que sucedia aos frequentadores
da Philarmonia de Berlim.

<p n=2313>
E faziam-se o apelos, recíprocos, ao bom senso. Afinal, em causa, desta
vez, nem sequer estavam os custos, já que um novo tecto custaria 3, 9
milhões e o arranjo do original 3,8 milhões de marcos.

<p n=2314>
Nos próximos dias 14, 15 e 16 de Fevereiro decorrerá, no Auditório da
Reitoria da Universidade de Coimbra, o colóquio «O Cânone nos Estudos
Anglo-Americanos», integrado nas iniciativas que têm vindo, nos últimos
meses, a assinalar o VII centenário da universidade. Do programa constam
várias conferências e comunicações sobre a transformação do cânone nos
últimos anos naquela área de investigação e ensino, por exemplo, com o
desenvolvimento dos «Estudos sobre a Mulher», dos «Estudos sobre a
Cultura Negra» ou dos «Estudos de Cultura». Haverá também três
mesas-redondas sobre «As mulheres e o cânone» (dia 14), «Uma língua
canónica? O Inglês no Ensino Secundário» (dia 15) e «Os Estudos
Anglo-Americanos nas universidades portuguesas» (dia 16). No colóquio
intervirão, entre outros, Frank Kermode, Herbert Hill, C.B. Cox, Michael
Denning, Robert Kroetsch, W. J. McCormack e Stephen Wilson.

<p n=2315>
Jannice Shell e Grazioso Sironi publicam este mês, na revista britânica
«Burlingthon Magazine», o resultado do seu trabalho onde concluem que o
óleo do Louvre é o retrato de Lisa, mulher de Francesco del Giocondo, um
mercador florentino. A obra do Louvre é, então, Lisa Giocondo, conhecida
por «Gioconda» ou «Mona Lisa».

<p n=2316>
Estão abertas, até ao próximo dia 22 de Fevereiro, as inscrições para o
Concurso de Apuramento de Jovens dos 15 aos 30 anos, para a Orquestra
Portuguesa da Juventude (OPJ). A participação no concurso, que se
realizará nos primeiros dias de Março, faz-se mediante boletim de
inscrição que é fornecido pela Direcção Geral da Acção Cultural da
Secretaria de Estado da Cultura. A Orquestra Portuguesa da Juventude é
constituída por músicos de nacionalidade portuguesa. A selecção é feita
por concurso anual à escala nacional com um júri composto por músicos
profissionais de reconhecido mérito e presidido pelo director da OPJ,
maestro Miguel Graça Moura.

<p n=2317>
O filme baseia-se na história verdadeira de uma mulher norte-americana
que abandonou o Irão com a sua filha de seis anos devido aos maus tratos
que lhe dava o marido.

<p n=2318>
Uma centena de artistas dos EUA, agrupados sob a designação «Voices That
Care», gravou, no domingo, nos estúdios da Warner Brothers, em Burbank,
na Califórnia, uma canção de apoio às tropas norte-americanas que
combatem no Golfo. «Creio que ninguém que aqui está é a favor da guerra»,
disse a actriz Woopi Goldberg, acrescentando que o objectivo da canção é
«mostrar o apoio aos soldados e o desejo do seu breve regresso». Na foto,
da esquerda para a direita, Fred Savage, Kurt Russel, Debbie Gibson e
Woopi Goldberg. Nas gravações participaram também, entre outros, Richard
Gere, James Woods, Paul Williams, Michelle Pfeiffer, Jane Seymour, Kevin
Costner, Stephen Stills, Peter Cetera, Meryl Streep, Dudley Moore, Julie
Brown, Gary Busey, Linda Thompson Jenner, Orel Hersheiser, Henry Winkler,
Nell Carter, Chevy Chase, Brooke Shields, Tifany e David Cassidy, Sally
Field, Sylvester Stallone, Paula Abdul, Frank Sinatra e Belinda Carlile.
As receitas da venda do disco e do vídeo que também foi gravado serão
repartidas entre a Cruz Vermelha, Fundo de Crise do Golfo e Organização
dos Serviços Unidos, que foi criada em 1941 para distrair as tropas
norte-americanas no estrangeiro.

<p n=2319>
Nas galerias comerciais e museus de Madrid (ou pontualmente em stands da
ARCO) esses nomes e obras surgem em exposições, que ultrapassam
numericamente as dedicadas a nomes e obras de áreas institucionalizadas.
Mas as fronteiras não são sempre claras. As exposições de Richard Long e
Hamish Fulton, na galeria Weber, Alexander e Cobo ou a de Gilbert &
George, no stand Anthony d' Offay, de Londres, na ARCO, podem
considerar-se já históricas, pelo nível de consagração e confirmação de
linguagens, mas demonstram uma permanente capacidade de inovação crítica.
E, as presenças de Jan Brossa e Francesç Torres, no Centro Rainha Sofia,
a de Bustamente, na Galeria Marga Paz ou a de Alfred Jaar, na Olivia
Arauna, nem sempre alcançam a capacidade de estabelecer um diálogo
interessante com a actualidade. Mas, fundamentalmente, devem referir-se
duas colectivas, que dão o tom a este período da temporada madrilena: «O
Jardim Selvagem», na Fundacion Caja de Pensiones e «O Sonho Imperativo»,
no Círculo de Belas Artes.

<p n=2320>
O pianista austríaco Walter Klien morreu no último fim-de-semana, aos 62
anos, numa clínica de Viena, na sequência de doença prolongada, anunciou
ontem a Associação dos Amigos da Música (Musikverein) da capital
austríaca. Klien, considerado um dos melhores intérpretes de Mozart,
tinha sido obrigado a interromper, por doença, uma série de concertos
integrados no programa do Festival Mozart do Musikverein, Walter Klien
nasceu em 27 de Novembro de 1928, em Graz, estudou em Frankfurt, Viena e
foi aluno de Arturo Benedetti Michelangeli e de Paul Hindemith.

<p n=2321>
Se em Braga -- tal como em Faro -- o processo foi extremamente facilitado
pelo facto de o estádio pertencer a uma entidade pública, em Guimarães
tudo se tornou mais complicado quando a Câmara optou por vender -- a um
preço simbólico -- o estádio ao Vitória e fez saber que não subscreveria
qualquer contrato-programa com a Direcção-Geral de Desportos (DGD),
acabando, no entanto, por assegurar apoio técnico e disponibilizar
pessoal e máquinas, nomeadamente para os arranjos exteriores e parque de
estacionamento, ajuda que, segundo o PÚBLICO apurou, poderá atingir o
montante pelo qual o Vitória de Guimarães se responsabilizou no contrato
(75.720 contos). Aliás, o clube liderado por Pimenta Machado poderá ainda
ter obtido outro tipo de vantagens quando conseguiu que, através da
introdução de alguns melhoramentos no ante-projecto, os custos passassem
de 203.600 contos para 302.875. O novo orçamento aumentou
significativamente o subsídio de 75 por cento dos custos totais
suportados pelo INFM, que aponta agora para 227.155 contos. José Arantes,
que liderou as negociações com a DGD, negou que tal tivesse sido feito
para retirar qualquer tipo de vantagens financeiras e garantiu «a
execução de todas as obras de apoio» previstas no segundo projecto.

<p n=2322>
Disputam-se hoje e amanhã os quartos-de-final da Taça de Portugal de
basquetebol, equipas masculinas, que integram os seguintes jogos:

<p n=2323>
Benfica e Ovarense apresentam-se como favoritos nos jogos em que
participam, enquanto o equilíbrio deverá ser a nota no Sporting-Esgueira
e Beira Mar-FC Porto, embora se preveja ligeira vantagem para "leões" e
"dragões".

<p n=2324>
Oito países formalizaram a sua candidatura à organização do Campeonato do
Mundo de Futebol de 1998, segundo informou ontem o porta-voz da FIFA
(Federação Internacional de Futebol), Miguel Galan. Além de Portugal,
também Brasil, Chile, Inglaterra, França, Índia, Marrocos e Suiça
pretendem organizar o último «Mundial» deste século, devendo agora
confirmar a sua candidatura até o próximo dia 31 de Março. Recorde-se que
Marrocos foi preterido na organização do «Mundial-1994», em favor dos
EUA, por apenas três votos.

<p n=2325>
Pelo lado francês, Michel Platini anunciou ontem os 17 jogadores
convocados para o encontro. Destaque para as ausências de Vercruysse e
Ferreri e para o regresso de Fernandez, numa equipa com seis jogadores do
Marselha: Bruno Martini (Auxerre) e Gilles Rousset (Lyon), guarda-redes;
Manuel Amoros, Basile Boli e Bernard Casoni (todos do Marselha), Jocelyn
Angloma (Paris SG), Laurent Blanc (Montpellier), Jean-Philipe Durand
(Bordéus), defesas; Didier Deschamps (Bordéus), Luis Fernandez (Cannes),
Bernard Pardo (Marselha), Christian Perez (Paris SG), Franck Sauzée
(Mónaco), médios; Eric Cantona e Jean-Pierre Papin (Marselha), Pascal
Vahirua e Christophe Cocard (Auxerre), atacantes.

<p n=2326>
Os norte-americano Greg Lemond, o espanhol Pedro Delgado e o francês
Laurent Fignon vão defrontar-se hoje pela primeira vez nesta temporada,
por ocasião da décima-oitava Volta ao Mediterrâneo em bicicleta. Com
vinte e duas equipas de oito concorrentes à partida, o pelotão integra
ainda outros ciclistas com créditos firmados mundialmente, como o
italiano Marco Giovanetti, vencedor da «Vuelta» de 1990, o seu
compatriota Moreno Argentin, antigo campeão do mundo, o suíço Tony
Rominger e também o francês Gilles Delion, vencedor da Volta à Lombardia
do ano passado. A vitória na prova deverá ser decidida na etapa de
sábado, que inclui a subida do Monte Faron, depois de uma primeira
selecção no contra-relógio individual de quinta-feira, na distância de
12,5 quilómetros. A etapa de hoje, com um total de 130 quilómetros, faz a
ligação entre Carcassonne e Béziers.

<p n=2327>
Começou ontem e decorre até ao próximo dia 17, em Lake Placid, nos
Estados Unidos, a terceira edição dos campeonatos do mundo de esqui
artístico, com as provas femininas de «ballet». A selecção americana
reúne, à partida, os melhores patinadores nas três disciplinas --
acrobacia, dança e saltos -- e apenas deverá enfrentar a rivalidade do
Canadá e da França. Nelson Carmichael (acrobacia), vencedor da Taça do
Mundo em 1988-89, e Lane Spina (dança) são os americanos mais
credenciados. De França virão Edgar Grospiron, detentor do título mundial
de acrobacia, e Eric Berthon, enquanto pelo Canadá desfilará o
especialista de saltos Lloyd Langlois, campeão do mundo de 1986 e 1989, e
Yves Laroche. Mais de 200 atletas de 20 países estão inscritos para esta
edição dos «Mundiais».

<p n=2328>
Um novo recorde do mundo do salto à vara em pista coberta calou em
definitivo quantos garantiam que o soviético Sergei Bubka estava acabado.
Enquanto isso, o sprinter canadiano Ben Johnsson voltou a vencer uma
corrida de 60 metros.

<p n=2329>
Um treinador soviético disse ontem que Bubka está confiante em chegar
ainda mais longe. «Está em grande forma e, se se reunirem todas as
condições, vai saltar ainda mais alto e assumir- se como grande favorito
em todas as grandes competições deste ano» -- assegurou Vadim
Zelenchyonok, treinador principal da selecção soviética. No horizonte de
Bubka -- e da modalidade -- volta a estar assim a mítica marca dos 6,10mƒ

<p n=2330>
O brasileiro Nelson Piquet, ao volante de um Benetton-Ford,  conseguiu
ontem o melhor tempo por volta na primeira sessão da segunda série de
treinos privados realizada por várias equipas de  Fórmula 1 no Autódromo
do Estoril. Piquet rodou em 1m15,72s, um tempo conseguido com pneus de
corrida e considerado «bom» pelos responsáveis da Benetton. Na semana
passada só o francês Jean Alesi, em Ferrari, conseguiu melhor, fazendo
1m14,93s.

<p n=2331>
«Sugar» Ray Leonard anunciou finalmente a sua retirada dos ringues,
poucas semanas antes de completar 35 anos. Considerado um dos «gigantes»
do boxe, Leonard não aguentou, sábado passado, a derrota frente a Terry
Norris, onze anos mais novo, quando tentava o seu sexto título mundial.

<p n=2332>
A interrupção de duas semanas dos principais campeonatos de futebol,
devida aos compromissos das selecções nacionais, está a ser aproveitada
nalgumas equipas para falcultar mini-férias aos futebolistas, optando
outras pela realização de jogos «particulares» para rodar jogadores menos
utilizados e recuperar os lesionados.

<p n=2333>
José Urbano, treinador do Beira Mar, considera não ser benéfica a paragem
do campeonato: «Não interessa a ninguém duas semanas sem competição.
Quando muito, só para recuperação de lesionados. No entanto, a paragem é
igual para todos e já era conhecida há bastante tempo, pelo que não serve
de justificação para futuros maus resultados. De qualquer forma é
importante dar tempo à selecção». A equipa de Aveiro, acrescente-se, não
alterou a sua preparação até porque, hoje, irá defrontar o Fafe para a
Taça de Portugal e, domingo próximo, o Nacional da Madeira, em jogo
antecipado da 30ª jornada do «Nacional» da 1ª divisão.

<p n=2334 assunto=desporto>
30-11-79 -- Meios-médios ligeiros (versão Conselho Mundial de Boxe, WBC):
bateu Wilfred Benitez aos pontos em 15 assaltos

<p n=2335 assunto=desporto>
15-2-82 -- Meios-médios ligeiros (unificado): bateu Bruce Finch por
interrupção do árbitro ao 3º assalto

<p n=2336>
As Oficinas Gerais de Material Aeronáutico de Alverca (OGMA) foram
acusadas de concorrência desleal por uma empresa europeia concorrente,
devido ao facto de não pagarem Imposto sobre o Rendimento das Pessoas
Colectivas (IRC).

<p n=2337>
A maior parte da facturação registada no ano passado (73 por cento) é
respeitante a trabalhos realizados para clientes externos, essencialmente
estrangeiros, ficando apenas 27 por cento atribuídos à assistência e
manutenção das aeronaves da FAP.

<p n=2338>
Uma missão da Associação Industrial do Minho, integrando 32 empresários,
esteve na semana passada em Angola. Admitem que começam a haver condições
para a iniciativa privada realizar investimentos no país, e afirmam que
os portugueses não podem ficar de fora.

<p n=2339>
O momento político -- «a paz é uma questão de meses» -- e a boa relação
entre portugueses e angolanos são os factores que podem permitir que,
«chegado o momento da reconciliação nacional», Portugal tenha um papel
fundamental na reconstrução do país. «Para isso, temos que estar lá e
colaborar com o Governo que for então eleito». Rui Lages aponta ainda,
como exemplo de como as coisas poderiam funcionar melhor, o protocolo de
cooperação que a Imprensa Nacional portuguesa tem com a sua congénere
angolana, o qual «ainda não foi implementado porque Lisboa não
desbloqueou a verba prevista, que é ridícula».

<p n=2340>
As companhias de aviação lançaram-se  numa guerra dos preços das tarifas
aéreas, reflexo do efeito desastroso que o conflito no Golfo está a ter
sobre o número de passageiros dispostos a voar.

<p n=2341>
A redução de volume de negócios levou a British Airways  a anunciar um
programa de modernização no valor de mil milhões de libras, acompanhado
de um projecto de eliminação de cinco mil postos de trabalho (num total
de 52 mil), baseado em reformas voluntárias antecipadas.  O programa de
modernização visa a substituição de vinte e cinco aviões, entre os quais
17 Tristars e oito DC10.

<p n=2342>
A produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP)
desceu 760 mil barris por dia, em Janeiro, no Iraque, Irão e Kuwait,
devido a perturbações relacionadas com a guerra, segundo o Middle East
Economic Survey. A produção dos 13 membros da OPEP foi de 23,1 milhões de
barris por dia em Janeiro contra 23,86 milhões em Dezembro. O Irão
registou uma queda de 500 mil barris por dia, fixando a sua produção em
2,96 milhões, devido a perturbações na exportação de petróleo,
imediatamente após o início da guerra, a 17 de Janeiro. No primeiro mês
do ano, a produção do Iraque e do Kuwait desceu de 550 mil barris por dia
para 350.  A produção da Arábia Saudita, o maior produtor da região,
manteve-se inalterada, a 8,3 milhões de barris por dia, bem como a dos
Emirados Árabes Unidos (2,35 milhões de barris por dia). O membro da OPEP
que produziu mais petróleo foi a Indonésia, com 1,45 milhões de barris
diários em Janeiro, contra 1,4 milhões no último mês do ano passado.

<p n=2343>
A empresa alemã Volkswagen vai produzir anualmente na China 150 mil
veículos, associada com uma congénere chinesa, num investimento total de
800 milhões de dólares. A nova fábrica ficará situada na fronteira da
China com a Coreia do Norte. Trata-se da maior empresa mista do ramo
automóvel, constituída na China desde a abertura aos investimentos
estrangeiros no final da década de setenta.

<p n=2344>
A Air Atlantis ainda não cancelou nenhum voo desde o início da guerra no
Golfo. As previsões da empresa para o Inverno de 1990/91, elaboradas em
Novembro de 90, estão a confirmar-se, segundo os responsáveis da
transportadora aérea: aumento de 40 por cento nos voos em comparação com
89/90, aumento de 31 por cento no número de passageiros transportados
(mais 148 mil passageiros) e boas perspectivas em relação aos contratos
já firmados com operadores para o Verão, prevendo-se um aumento do
tráfego na ordem dos 28 por cento.

<p n=2345>
O valor dos prémios de seguros do ramo Vida cresceram 2200%, em termos
nominais, durante os últimos dez anos, revelam dados compilados pela
seguradora Império e ontem divulgados pela agência Lusa. No ano passado,
os seguros deste ramo representaram um total de prémio captados de 69
milhões de contos, enquanto em 1980 o valor daquela rubrica foi de três
milhões de contos. O estudo refere que o crescimento do ramo Vida se
acentua a partir de 1985, ano em que o total de prémios era ainda de nove
milhões de contos. Quanto à actuação no mercado de títulos, as
seguradoras absorveram no ano passado 21,4 por cento das emissões de
obrigações de entidades portuguesas, contra 17,2 por cento em 1989, e
subscreveram 9,7 por cento das emissões de dívida pública, enquanto no
ano anterior haviam assegurado 7,2 por cento destas emissões. Refira-se
ainda que as seguradoras nacionais investiram em 1990 16 por cento dos
activos do ramo Vida em acções, percentagem três vezes inferior à média
das companhias britânicas e três vezes superior à das seguradoras alemãs.

<p n=2346>
O relançamento da actividade de construção «continua por se fazer,
tornando cada vez mais díficil o escoamento dos fogos construídos»
considerou ontem a Associação Portuguesa de Comerciantes de Materiais de
Construção (APCMC). Esta afirmação consta da análise da APCMC ao
inquérito à conjuntura do sector relativo ao quarto trimestre de 1990. A
mesma análise refere também serem «pouco animadoras» as perspectivas de
crescimento do mercado, em 1991.

<p n=2347>
A falta de encomendas foi, nos últimos três meses do ano transacto, o
factor que mais afectou a actividade dos comerciantes de materiais de
construção, problema destacado por 87 por cento dos inquiridos.
Dificuldades de tesouraria (52,4 por cento), preços de venda altos (34,8
por cento) e taxas de juro elevadas (30,4 por cento) foram os outros
factores negativos  apontados pelas empresas que responderam ao inquérito
da APCMC.

<p n=2348>
Depois de Washington e dos aliados árabes recompensarem o Egipto pela sua
atitude anti-iraquiana foi ontem a vez de Bona anunciar que vai cancelar
metade da dívida de cinco mil milhões de dólares que o Cairo tem para com
a Alemanha. Os credores ocidentais chegaram a um acordo de princípio que
visa cancelar parte da dívida externa do Egipto que totaliza 36 mil
milhões de dólares. Trata-se de uma forma de compensar o papel
fundamental que o Cairo tem jogado na coligação que tenta forçar a
retirada iraquiana do Kuwait.

<p n=2349>
As Publicações Luso Françesas, (PLF), a empresa editora da revista «Elle»
vai lançar um novo titulo de revista em Portugal «no segundo semestre
deste ano», afirmou Pedro Teles Baltazar director daquela empresa.

<p n=2350>
Um estudo elaborado para o IPE revela que a IVIMA é economicamente
recuperável desde que se sigam alguns procedimentos técnicos e que se
aposte na conjuntura favorável. O estudo, entregue em Julho passado,
ainda não mereceu qualquer resposta do IPE. No entanto, sabe-se que este
continua a ser pressionado para que inclua a empresa nas suas
participações.

<p n=2351>
O relator considera também que a empresa deve saber tirar partido da
conjuntura favorável, ou seja, «do nível de rendimentos dos consumidores
europeus, americanos e japoneses», o qual os leva a procurar produtos com
«toque de artista», isto é, produtos não massificados.

<p n=2352>
Ontem, nas praças cambiais, o dólar registou novo recorde de baixa face
ao marco alemão. A divisa dos EUA chegou a cair a 1,4433 marcos no fim da
manhã, no mercado de Londres, e depois recuperou ligeiramente para o
nível dos 1,4460 marcos, uma cotação mesmo assim inferior aos 1,4465 do
fecho da semana passada.

<p n=2353>
Se no mercado de câmbios, ontem foi mais um dia cinzento para o dólar, o
mesmo não se pode dizer das reacções nos mercados de títulos. O princípio
da semana foi calmo mas optimista. A Bolsa de Tóquio esteve fechada por
ser feriado nacional e as praças europeias, apesar do movimento reduzido
devido ao mau tempo que assola o Norte do continente fecharam todas em
alta, sem no entanto registarem grandes ganhos percentuais. Tanto a Bolsa
de Paris como a de Frankfurt tiveram o fecho mais elevado do ano, com
ganhos de 7,68 e 15,53 pontos. Londres subiu 33,9 pontos, indiferente à
divulgação de notícias de uma inflação crescente, e Nova Iorque abriu em
alta, tendo já subido perto de 40 pontos, a meio da sessão.

<p n=2354>
Ontem, nas praças cambiais, o dólar registou novo recorde de baixa face
ao marco alemão. A divisa dos EUA chegou a cair a 1,4433 marcos no fim da
manhã, no mercado de Londres e depois recuperou ligeiramente para o nível
dos 1,4460 marcos, uma cotação mesmo assim inferior aos 1,4465 do fecho
da semana passada.

<p n=2355>
Se no mercado de câmbios, o dia de ontem foi mais um dia cinzento para o
dólar, o mesmo não se pode dizer das reações nos mercados de títulos. O
princípío da semana foi calmo mas optimista. A Bolsa de Tóquio esteve
fechada por ser feriado nacional e as praças europeias apesar do
movimento reduzido devido ao mau tempo que assola o norte do continente
fecharam todas em alta sem no entanto registarem grandes ganhos
percentuais. Tanto a bolsa de Paris como a de Frankfurt tiveram o fecho
mais elevado do ano com ganhos repectivos de 7,68 e 15,53 pontos. Londres
subiu 33,9 pontos indiferente à divulgação de notícias de uma inflação
crescente e Nova iorque abriu em alta tendo já subido perto de 40 pontos,
a meio da sessão.

<p n=2356>
A empresa Carvalho Araújo, de Braga, que produz mobiliário com a
assinatura de Siza Vieira, conseguiu um contrato de móveis escolares para
Angola, no valor de 210 mil contos. Entretanto, a empresa concedeu
recentemente a representação da sua marca a uma empresa francesa, a
Sigma, que passará a ter o exclusivo da comercialização no seu país e
levará a marca portuguesa ao «Bureau Concept», que decorre de 18 a 22
deste mês, em Paris. A Carvalho Araújo encerrou as contas de 1990 com um
volume de facturação de 800 mil contos, prevendo para este ano que esse
número ascenda a um milhão e 400 mil contos.

<p n=2357>
Apesar das esperanças que alguns cientistas do NRC põem na fertilização
do mar com ferro, há quem esteja preocupado com o impacte ambiental desta
nova técnica. William Sunda, da Administração Nacional da Atmosfera e dos
Oceanos (NOAA), pensa que as algas que estão habituadas a viver em
ambientes pobres em ferro -- que são a maioria -- poderão ser suplantadas
por outras algas, o que trará consequências imprevisiveis na cadeia
alimentar. Por outro lado, o aumento de matéria orgânica proveniente do
crecimento das algas poderá diminuir o oxigénio dissolvido, prejudicando
por sua vez as populações de «krill».

<p n=2358>
O empresa pública francesa Thomson anunciou ontem a comercialização em
França, em Março próximo, os primeiros televisores D2-Mac de ecrã largo
já compatíveis com a futura «alta-defenição». O sistema -- Space Sistem --
será posto à venda por 35 mil francos (910 contos) e ofercerá aos
utilizadores, em função das emissões recebidas, uma imagem aumentada com
todas as qualidades de grão de uma imagem cinematográfica química. O
processo de melhoramento introduzido consiste em aumentar, ao nível do
ecrã, o número de linhas que compõem a imagem e aumentar o número de
pontos luminosos que a costituém.

<p n=2359>
Um tribunal de Toulouse, em Fança, deve examinar amanhã o pedido de uma
viúva, Claire Gallon, 36 anos, que processou o Centro de Estudos e de
Conservação do Esperma de Midi-Pirinéus com o objectivo de recuperar o
esperma congelado do seu marido, que morreu vitimado pela sida. O centro
recusa entregar o esperma a Claire Gallon, que pretende ser submetida a
uma inseminção artificial, com base no argumento que, no estado actual
das investigações, não é possível saber se o esperma está contagiado pelo
vírus da sida. O centro opõem-se a uma inseminação pós-morte, pois não
considera o esperma como «um bem material susceptível de qualquer
apropriação».

<p n=2360>
Dois biólogos britânicos receberam ontem o Prémio da Invenção Toshiba
pelo desenvolvimento de um filtro para saniamento da água que, segundo
eles, permitirá evitar a morte de milhões de crianças no Terceiro Mundo,
salvando vítimas de diarreias mortais depois da absorção de águas
inquinadas. Michael Wilson e Philip Moro inventaram um engenho portável,
que se apresenta sob a forma de um saco de plástico dotado de um filtro.
Imerso sob água não portável, o filtro rejeita todas as bactérias ou
vírus, saneando a água. Os dois inventores negoceiam como uma empresa
britânica a fabricação do produto em série.

<p n=2361>
«Aterrou um ovni atrás do monte» gritava um engenheiro que estava de
serviço na madrugada da passada quinta feira num poço petrolífero em
pleno coração da Patagónia.

<p n=2362>
Os primeiros pedaços da estação espacial Saliut 7 começaram agora a ser
encontrados um pouco por todo o lado na Argentina, onde cairam sem causar
quaisquer vítimas. Uma equipa de peritos soviéticos que irá examinar os
destroços é esperada em Buenos Aires nos próximos dias.

<p n=2363>
A terceira razão da pressa é a ambição dos «fardas» verdes do Pentágono,
que defendem um plano de combate terrestre vulgarmente conhecido como a
teoria de «haul ass and bypass» da guerra moderna; com a ajuda dos meios
aéreos, o Exército avança em frente, evitando os contactos frontais, mas
movendo-se rapidamente para destruir a logística e tornar impotentes o
comando e o controlo dos opositores. Uma vez isto feito, o inimigo fica
manietado. Trata-se de um conceito popularizado por Patton durante a II
Guerra Mundial.

<p n=2364>
Um senador milanês pretende «libertar» a Itália do Norte da corrupção
romana e do «parasitismo» do Sul, dirigindo uma Liga que tenciona
colocar-se entre os principais partidos do país. O federalismo é a sua
doutrina.

<p n=2365>
A base popular do novo partido é a pequena e média burguesia rica que
votou até agora na Democracia Cristã e nos demais partidos do Governo, e
que decidiu protestar contra a ineficiência e as injustiças do Estado
italiano. a Liga não propõe uma revolução, mas uma rebelião. Não quer
destruir o Estado, mas livrar-se dele.

<p n=2366>
O primeiro-ministro John Major negou os rumores de que o Governo
britânico estaria propenso a antecipar as eleições legislativas do ano
que vem para tirar proveito do êxito dos aliados na guerra do Golfo. No
domingo, o presidente do Partido Conservador, Chris Patten, admitiu que
uma eleição «no fim da Primavera ou no começo do Verão» seria uma forma
de evitar o adiamento de «decisões difíceis» -- uma referência velada à
situação da economia.

<p n=2367>
Cauteloso, como tem sido desde o início do conflito, Major negou que o
seu partido esteja preocupado com a data das eleições legislativas,
quando «resta ainda muito a fazer» no Golfo. Desde os primeiros dias da
invasão do Kuwait, a antecipação das eleições vinha sendo discutida pelos
conservadores como uma espécie de tábua de salvação para o combalido
Governo de Margaret Thatcher. Agora que a recessão económica parece
aprofundar-se muito além do que Major previra, quando ainda era ministro
das Finanças de Thatcher, o «factor Golfo» viria a calhar como a melhor
solução para dar tempo ao primeiro-ministro de «consolidar o seu próprio
desempenho», como disse Patten a um grupo de conservadores.

<p n=2368>
Andrei V. Kozyrev, de 39 anos, abandonou em Outubro passado a sua
carreira ao serviço da diplomacia soviética para se tornar ministro dos
Negócios Estrangeiros da República da Rússia, onde desempenha funções sob
a chefia do presidente Boris Ieltsine, de tendências reformistas. Durante
uma viagem aos EUA, na semana passada, Kozyrev manteve conversações com o
secretário de Estado James Baker, Kozyrev teve também um encontro com os
editores da «Newsweek» de que se transcrevem-se alguns excertos.

<p n=2369>
P. -- O que pode a República da Rússia fazer para ajudar à solução do
conflito que opõe o Governo central e os Estados Bálticos?

<p n=2370>
A África do Sul encontra-se a meio do caminho entre o apartheid e a
democracia não racial. A força de vontade de Frederick De Klerk e Nelson
Mandela pressagia uma nova Constituição para daqui a dois anos.

<p n=2371>
Na semana passada, vários ministros explicaram, numa série de
conferências de imprensa, os seus planos para adaptarem os respectivos
ministérios a uma «nova» África do Sul não racial. Tais planos baseiam-se
na simplificação de regulamentos burocráticos, empregados até agora para
se manter a segregação racial. Por exemplo, em vez de haver quatro
departamentos de Educação (para negros, mestiços, asiáticos e brancos)
existirá um só ministério.

<p n=2372>
AMBRIZ, 100 quilómetros a Norte de Luanda, está cercada desde sábado pela
UNITA -- dizem fontes militares e industriais citadas ontem pela agência
Lusa. Mais de 100 franceses da companhia Elf, 16 portugueses e três
norte-americanos ao serviço da companhia petrolífera Conoco encontram-se
bloqueados nas instalações que esta última empresa tem a um quilómetro do
centro da cidade. A guerrilha destruiu, nas imediações, as pontes sobre
os rios Onzo e Ewezo.

<p n=2373>
O PRESIDENTE checoslovaco, Vaclav Havel, declarou ontem estar disposto,
«se tal for a vontade comum», a reocupar a presidência do Forum Cívico
(OF), movimento que está no poder e que é actualmente liderado pelo
ministro das Finanças, Vaclav Klaus, contestado por uma das alas. Havel
afirmou em conferência de imprensa que aceitará o encargo se isso
contribuir para melhorar o clima de trabalho actualmente existente no
Obcanske Forum.

<p n=2374>
UM DOS CANDIDATOS à Presidência de São Tomé e Príncipe, o independente
Guadalupe de Ceita, levantou a suspeita de outro dos candidatos, Miguel
Trovoada, ter desviado 10 milhões de dólares (1.300 milhões de escudos)
em 1976, quando era ministro da Cordenação Económica.

<p n=2375>
Esta polémica surge alguns dias antes da abertura, dia 16, da campanha
para as eleições presidenciais de 3 de Março, que têm ainda um terceiro
candidato, Afonso dos Santos, da Frente Democrata Cristã.  Manuel Dende,
em São Tomé

<p n=2376>
A Guarda Nacional Republicana deteve já o presumível autor dos disparos
contra o agente, de apelido Esteves, que sexta-feira à noite foi atingido
a tiro, quando interveio em defesa de um civil, num café de Ferreira do
Alentejo.

<p n=2377>
O presumível agressor foi capturado, mais tarde, cerca das 22h00, quando
seguia de motorizada em Beringel, uma localidade próxima de Ferreira do
Alentejo, tendo sido presente ao tribunal sábado, onde aguarda ser ouvido
pelo juiz de instrução criminal. A arma, que ainda se encontrava na sua
posse à altura da detenção, foi-lhe confiscada pela GNR por ser ilegal --
acrescentou fonte daquela força militarizada.

<p n=2378>
Para a JAE, a Marginal é e deverá continuar a ser uma «Avenida
Panorâmica». Ao contrário do que se diz, ela é mesmo uma via segura. «É
perigosa apenas porque não é usada para aquilo que foi concebida. Por
isso impõem-se alternativas para quem quer andar depressa. Mesmo assim,
as obras vão continuar para reforçar a sua segurança.

<p n=2379>
Os resultados das preocupações da opinião pública e da JAE, relativamente
à elevada taxa de acidentes registada na Marginal, traduziram-se contudo
num primeiro conjunto de obras realizadas, sobretudo, nos cinco anos
iniciais da década passada. Não se tratava ainda de uma intervenção
sistemática e programada a prazo, mas foi nesse período que foram
construídas 18 das actuais 21 passagens inferiores para peões.  De igual
modo, foi nessa época que se concretizou a tão desejada rectificação da
curva do Mónaco e que se estabeleceu o eixo duplo, pintado no pavimento e
com «olhos de gato» no meio, que separa os dois sentidos de circulação.

<p n=2380>
Uma das faixas de rodagem da Estrada que liga Queluz a Algés, junto ao
acesso a Valejas, desprendeu-se pela ribanceira abaixo no princípio de
Dezembro, e ainda hoje continua exactamente no estado em que então ficou.
O incidente surgiu na sequência de obras realizadas meses antes pela
Câmara de Oeiras, após um primeiro aluimento de terras verificado no
Inverno passado.

<p n=2381 assunto=desporto>
De acordo com os serviços de imprensa da Câmara de Oeiras, a autarquia
não tem, porém, nada a ver com o assunto. «O problema localiza-se na
Estrada Nacional 117-1e a responsabilidade por essa voa cabe por inteiro
à Junta Autónoma das Estradas», disse o porta-voz da Câmara, Casanova
Ferreira.

<p n=2382>
O município de Lisboa encomendou ao escultor Lagoa Henriques um estudo
para a execução de uma «escultura-memorial» dedicada ao poeta e filósofo
Antero de Quental, que deverá ser instalada num jardim da cidade, neste
ano em que passam cem anos sobre a sua morte.

<p n=2383>
O texto agora enviado será sujeito à apreciação dos clubes da região e só
depois destes se pronunciarem é que será redigido o documento definitivo.

<p n=2384>
É Carnaval, com muitas folias para escolher, ao gosto do freguês. Torres
Vedras, Mealhada, Ovar, Sesimbra, Loulé, Cascais, são algumas das
sugestões para uma terça-feira gorda animada por corsos, bailaricos mais
ou menos improvisados, animados, normalmente por música brasileira. O Rei
Momo nacional também já foi destronado em muitos locais: as estrelas das
telenovelas brasileiras é que são as rainhas e senhoras -- mas é Carnaval,
ninguém leva a mal. Enfim, mascare-se a rigor e vá gozar na festa que
melhor lhe aprouver.

<p n=2385>
Albuquerque Mendes expõe «Almas» na galeria Nasoni, em Lisboa, na Av.
Columbano Bordalo Pinheiro. Picabia e Duchamp, surrealismo e futurismo,
são algumas das referências.

<p n=2386>
Em simultâneo com o lançamento do livro «Figurações/Campo de Tílias», de
Carlos Ferreiro e Paulo da Costa Domingos, a Galeria Novo Século
apresenta, até ao próximo dia 15, a exposição de guaches do pintor, que
compõem a primeira parte do volume.

<p n=2387>
Deste modo, o pintor trabalha sobre a fronteira que divide a pintura a
óleo e o guache, a maneira tida por própria a esta técnica e a sugestão
de outras práticas. A temática que se expõe prossegue este tipo de
discurso: figuras mineralizadas, fossilizadas, percursos e cenários
obscuros e labirínticos, personagens que se prolongam por um contorno que
ultrapassa a diferenciação de superfícies.

<p n=2388>
Para a JAE, a Marginal é e deverá continuar a ser uma «Avenida
Panorâmica». Ao contrário do que se diz, ela é mesmo uma via segura. «É
perigosa apenas porque não é usada para aquilo que foi concebida». Por
isso impõem-se alternativas para quem quer andar depressa. Mesmo assim,
as obras vão continuar para reforçar a sua segurança.

<p n=2389>
Os resultados das primeiras preocupações da opinião pública e da JAE,
relativamente à elevada taxa de acidentes ali registada, traduziram-se
contudo num conjunto de obras efectuadas no início da década passada. Não
se tratava ainda de uma intervenção sistemática e programada, mas foi
nesse período que foram construídas 18 das actuais 21 passagens
inferiores para peões. De igual modo, foi nessa época que se concretizou
a tão desejada rectificação da curva do Mónaco e que se estabeleceu o
eixo duplo, pintado no pavimento e com «olhos de gato» no meio, que
separa os dois sentidos de circulação.

<p n=2390>
O Ministério do Planeamento e Administração do Território, em colaboração
com a Associação Nacional de Municípios Portugueses, editou um livro que
pretende «orientar as iniciativas protocolares autárquicas».

<p n=2391>
A partir de agora os autarcas que convidem um membro do Governo para
visitar o seu concelho ou organizem uma recepção já sabem como devem
orientar-se em termos de protocolo: o Ministério do Planeamento e
Administração do Território, em colaboração com a Associação Nacional de
Municípios Portugueses, editou um livro que os apoiará nas difíceis
tarefas que podem ser por exemplo organizar um jantar.

<p n=2392>
O Casino do Estoril, que tentou convidar Donna Summer para animar este
Carnaval e não conseguiu por causa da situação do Golfo, acabou por optar
pelas Supremes. Mas estas que cá estiveram já não são as Supremes que
ficaram famosas e foram o grupo feminino mais célebre da década de 60.
Não porque tenham envelhecido demasiado, mas porque na verdade as que
hoje respondem pelo nome do grupo são outras. A quem lá esteve ocorreu
mesmo perguntar, tal como elas, ao abrir o espectáculo: «Where did our
love go? (Onde é que foi parar o nosso amor?).

<p n=2393>
Um abaixo-assinado com 201 subscritores, protestando contra a construção
de um posto de venda de gasolina com lavagem de alta-velocidade, a cerca
de um metro das casas e a formação de uma comissão de moradores da zona C
e de autarcas com o objectivo confesso de «paralisar as obras em curso»
foram as medidas tomadas esta semana pelos habitantes daquela área da
freguesia do Vale da Amoreira.

<p n=2394>
A Secretaria de Estado do Ambiente pôs ontem em causa a «suposta
fundamentação técnica» dos recentes argumentos da Câmara Municipal de
Vila Franca de Xira que afirmava, citando estudos científicos da empresa
francesa que fabrica a bromodialona, que este raticida não poderia ser o
causador na morte dos peixes no Tejo.

<p n=2395>
Finalmente, o gabinete de Macário Correia, argumenta que «até ao momento
nenhuma outra entidade além do INIP procedeu a análises tão desenvolvidas
relacionadas com esta ocorrência».

<p n=2396>
Um jovem de 17 anos, aluno do 10º ano da Escola Secundária de Pombal,
suicidou-se cerca das 22h00 de domingo por não poder ir a um baile de
Carnaval, disse ao PÚBLICO a GNR local.

<p n=2397>
Um jovem  foi encontrado, no passado domingo, cerca das 23h30, no
interior do túnel do Rossio, presumilvelmente caído de um comboio
procedente de Vila Franca de Xira, segundo informação do Gabinete de
Relações Públicas da CP.

<p n=2398>
O parque hoteleiro da Região de Turismo da Serra da Estrela  encontra-se
esgotado na época do carnaval, sobretudo por portugueses e espanhóis
atraidos pela neve, disse Alfredo Pinto da Silva, presidente daquele
organismo.

<p n=2399>
As Supremes já não são as Supremes, ou nada além de uma caricatura do que
esse nome significou. Por seu turno, não foi nelas que o Casino do
Estoril primeiro pensou para atracção do seu «show» de Carnaval, o que é
outra ironia. Foi, portanto, no sentido mais sarcástico da expressão, um
verdadeiro baile de máscaras....

<p n=2400>
Entre dois filmes -- ver destaque -- uma reposição (às 13h35, no Canal 1,
«Crime na Pensão Estrelinha», que, depois de programado para o dia
seguinte ao início da operação Tempestade no Deserto, acabou por não ser
transmitido na íntegra), uma habitual transmissão (às 23h30, no Canal 1,
o resumo da TV Globo do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro,
um espectáculo de luz, cor, etc. e tal...) e uma estreia, «As Causas da
Justiça». A programação enviada pela RTP, há uma semana, informava
tratar-se do primeiro episódio. A TV Guia -- uma revista que não é o órgão
nem oficial nem oficioso da RTP, que se saiba -- do dia seguinte,
quarta-feira, 6, relativa à semana de 9 a 15 de Fevereiro, contava em
pormenor o primeiro episódio. Mais: na sua página 11, informava com algum
detalhe de que série se tratava («uma nova abordagem do mundo da justiça
e dos tribunais»), quem a produzia (a «Orion Television Entertainment
para a cadeia norte-americana de televisão ABC»), os seus principais
intérpretes. E ainda não é tudo. Quando na quinta-feira, 8, o PÚBLICO
quis visioná-la, já o primeiro episódio estava em tratamento, e só então
(!) o gabinete de imprensa da RTP recebia as primeiras informações sobre
«As Causas da Justiça». E esta, hem!? Quem disse que era ao Canal 1 que a
notícia chegava primeiro? C.C.L.

<p n=2401>
Contando os tostões de que dispunha, e com uma equipa reduzida ao mínimo
dos mínimos (comparem-se as respectivas fichas técnicas), Joaquim Pinto
supre a escassez de meios pela utilização do material humano e a opção
por uma história simples, mas também ela com tradições no cinema: as
primeiras descobertas do mundo dos adultos por uma criança, também ela à
beira-mar. Percursos inversos, também, para ambos os filmes: a unidade
culmina no caos e na desordem em «1941», a dispersão do jovem segue,
durante a aprendizagem e descoberta, um processo de aglutinação de
elementos que irão formar o uno, a personalidade do adolescente, em «Uma
Pedra no Bolso».

<p n=2402>
«Já me fizeram uma partida e não gostei nada. Atiraram-me com ovos à
porta da escola. É horrível, fiquei com a cabeça toda suja».

<p n=2403>
Eu creio que o missivista pretenderia escrever na sua «tem a ver», só que
a pena, estouvada, lhe deve ter fugido para o «haver» que semanticamente
é um erro crasso. A menos que a falta tenha sido do «PÚBLICO» e, para
mim, mesmo que transcrevendo fielmente a prosa do conhecido homem
público, é isso que se verifica, uma vez que o jornal não soube -- ou não
quis?... -- corrigir o despautério.

<p n=2404>
Há anos que venho assistindo, nas legendas dos filmes estrangeiros
passados na RTP, às violações mais atrozes da língua portuguesa.

<p n=2405>
Os dois últimos aconteceram no filme «Splash -- A Sereia», passado na
noite de 1 de Fevereiro corrente, em horário nobre, na rubrica Sessão da
Noite do Canal 1.

<p n=2406>
1. Enquanto se desenrola a guerra no Golfo e se aprofundam as tensões
independentistas na chamada União Soviética, outro ponto do globo chamou
recentemente as atenções dos noticiários: a África do Sul. Depois do
encontro entre os líderes das duas maiores organizações de sul-africanos
negros, seguiu-se o discurso reformador do Presidente de Klerk, no
passado dia 1 de Fevereiro.

<p n=2407>
2. Num artigo publicado pelo «Herald Tribune» na passada sexta-feira, o
reverendo Desmond Tutu, Nobel da Paz em 1984, produziu uma vigorosa
análise dos acontecimentos recentes e apresentou o que pode ser
considerado como uma nova plataforma de transição para a democracia
plena. Ela deveria ser criticamente considerada por todos os
protagonistas do processo político sul-africano.

<p n=2408>
Durão Barroso, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, será o
principal orador do primeiro de seis seminários sobre Angola, organizados
pelo Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, que decorrerá a
partir de dia 20, anunciou a Lusa.

<p n=2409>
Estão já agendadas, para além de encontros com a comunidade portuguesa,
reuniões com membros do Governo de Pretória, líderes de diversos
movimentos políticos e também com o Congresso Nacional Africano (ANC).
Torres Couto, secretário-geral da UGT, Nelson Godinho, dirigente nacional
socialista, e os deputados Caio Roque, José Torres e Carlos Luiz, são
cinco dos nomes que compõem a delegação.

<p n=2410>
Camberra e Jacarta dividem os proventos petrolíferos do mar de Timor.
Lisboa protesta e promete recorrer, um dia destes, ao Tribunal
Internacional de Justiça. Uma delegação parlamentar australiana é
manipulada durante uma visita ao território sob administração portuguesa.

<p n=2411>
O objectivo da reunião consistiu em mandatar altos funcionários, um por
Jacarta e outro por Camberra, para dirigir um organismo encarregado de
gerir os recursos do mar de Timor. Mandatados foram então M. D. Zahar, um
responsável pela companhia petrolífera indonésia «Pantamina», e Alan
Smart, do Ministério dos Recursos Naturais australiano.

<p n=2412>
Alípio Tomé Pinto é o general que tem a incumbência de dirigir o processo
de sucessão do general Firmino Miguel. Na qualidade de chefe de
Estado-Maior interino cabe-lhe convocar o Conselho Superior do Exército,
constituído por 14 generais. Tacitamente aceite é o facto do seu nome
figurar na lista de três que ele próprio, por imperativo da Lei de
Defesa, irá apresentar ao Conselho de Chefes de Estado-Maior.

<p n=2413>
No exercício do cargo de vice-CEME, com Firmino Miguel, é cotado como
tecnicamente competente. A esta cotação, os avaliadores do seu perfil
acrescentam outra característica -- a de ser «extremamente exigente». O
seu nome tem constado sempre da lista de prováveis «número um» do
Exército desde que chegou a general. Foi citado como potencial candidato
à chefia quando Firmino Miguel foi o escolhido e quando o Governo, em
1990, decidiu prolongar o seu mandato por mais dois anos, limite que
expirava em Janeiro de 1992.

<p n=2414>
Ontem, todos se quiseram despedir do general Firmino Miguel. Presentes,
todo o poder político e toda a instituição militar. A sepultar ia um
homem que foi capaz de gerir os frágeis equilíbrios do ramo que mais
tocado será pela reestruturação e modernização das Forças Armadas.

<p n=2415>
O apreço da Força Aérea por este general de Infantaria foi demonstrado
com a passagem de uma formação de caça, «Corsair A-7», que estava
exactamente à vertical do jazigo na altura em que a urna era retirada do
armão. O Regimento de Artilharia de Lisboa prestou homenagem com a salva
de 21 tiros em simultâneo com as salvas da unidade de Infantaria que
prestava honras militares no cemitério.

<p n=2416>
O carro abordou a curva a alta velocidade. «Mais depressa, Venâncio». O
desastre parecia, e foi, inevitável. O dia caía. Os socorros tardaram a
aparecer, para libertar as pernas do homem de entre os ferros.  Não
resistiu à demora e morreu.

<p n=2417>
O grande carro preto , BD - 10 - 42,  de Duarte Pacheco, palmilhou muitos
milhares de quilómetros. Várias vezes em excesso de velocidade. Como
daquela vez em que a polícia o mandou parar. Identificado o ministro,
feita a continência, Duarte Pacheco voltou às altas velocidades. Até que
um dia... VB

<p n=2418>
Os irreverentes cariocas preferiram amargas queixas contra a situação
social e económica no país, enquanto os sizudos paulistas resolveram
investir no erotismo, como fórmula para atrair as atenções populares
durante o carnaval deste ano. Um erotismo que incluiu a ameaça de uma
sessão de sexo ao vivo.

<p n=2419>
No Rio de Janeiro, o desfile foi quase moralista. Poucas mulheres com os
seios de fora, nunhuma despida e escassos travestis, que em anos
anteriores protagonizarvam shows à parte com os seus requebros. Em
compensação os quase 60 mil sambistas que percorreram os 1.200 metros da
passarela do Sambódromo deixaram claro que o desfile se transformou numa
super produção "hollywoodiana", com requintes de organização e
sofisticação tecnologica de fazer inveja a Cecil B. de Mille. Quase todas
as escolas dispõem de verdadeiros exércitos de organizadores e
coordenadores, responsáveis pela ciclópica tarefa de fazer os cerca de
quatro mil sambistas dançarem, num mesmo ritmo, apesar da maioria
esmagadora deles se encontrar pela primeira vez na hora do desfile.

<p n=2420>
Os pássaros estão de volta. Não os de Hitchcock, mas aqueles, menos
cruéis, que voaram alto nos céus, na década de 60. Compreende-se o
fenómeno à luz da recente política editorial de reedições revivalistas,
em parte explicada pela actual escassez de grandes novidades no mercado
discográfico.

<p n=2421>
A Síria deu ontem o seu acordo definitivo ao fornecimento de petróleo à
Jordânia, que depende inteiramente do Iraque para o abastecimento
energético. O petróleo bruto será fornecido a um preço que ronda os 22
dólares por barril e o transporte será efectuado por camiões-cisterna. O
acordo de princípio foi finalizado por uma delegação de peritos, depois
de uma semana de negociações na Síria. A Jordânia compra  petróleo
iraquiano a um preço preferencial de 16,4 dólares por barril, como
compensação das dívidas de Bagdad.

<p n=2422>
Artur Bual que, nos anos 60, se ligou ao gestualismo de raíz
expressionista, foi internado de urgência num hospital de Lisboa. O
pintor inaugura hoje uma exposição individual na Galeria Magellan, em
Paris, coforme o PÚBLICO já noticiou. A galeria é propriedade de 
empresários portugueses com interesses em França e tem tido como programa
a divulgação da arte portuesa naquele país. A presente exposição estará
patente até 18 de Março próximo.

<p n=2423>
Apesar da greve da orquestra, o Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa,
estreou ontem, à noite, a ópera «Rinaldo», de Haendel, levada à cena com
três músicos contratados, não pertencentes aos quadros da orquestra, que
tocaram cravo, alaúde e piano. Antecedendo a récita, quando foi lido o
comunicado em que a Administração do São Carlos justificou a decisão de
fazer representar a ópera, a assistência, que enchia a sala, respondeu
com vaias e pateada. Simultaneamente, alguns espectadores abandonaram o
teatro.

<p n=2424>
Projectos privados no domínio das telecomunicações, envolvendo um
investimento de 2,1 milhões de contos, foram homologados pela Secretaria
de Estado do Planeamento e do Desenvolvimento Regional. No âmbito do
Sistema de Serviços Avançados de Telecomunicações (Sisat), que
regulamenta o acesso das pequenas e médias empresas (PME) ao programa
comunitário STAR, o qual é financiado pelo FEDER, a secretária de Estado
Isabel Mota homologou 239 projectos. Os promotores irão receber
incentivos a fundo perdido que ultrapassam um milhão de contos,
correspondendo as ajudas concedidas a uma taxa média de comparticipação
de cerca de 60 por cento do investimento elegível do projecto.

<p n=2425>
Os guerrilheiros da UNITA entraram em Ambriz pelas 10h00 de sábado (Ver
página 12) e foram de lá escorraçados ontem pelas Forças Armadas
angolanas (FAPLA), depois de uma forte resistência, que nunca deixou de
se manifestar, durante a sua presença -- declararam trabalhadores
estrangeiros entretanto saídos daquele centro petrolífero, onde actuam as
companhias norte-americanas Chevron e Conoco e a firma francesa Bouyegues
Offshore.

<p n=2426>
A cidade de Ambriz, na província de Bengo, 100 quilómetros a norte de
Luanda, esteve durante perto de 48 horas em poder da UNITA, disseram ao
PÚBLICO, em Luanda, pessoas que ontem de lá vieram. Mas as autoridades
ainda nada comunicaram sobre o assunto.

<p n=2427>
Gorbatchov pronunciou-se também a favor de uma rápida reunião da comissão
política consultiva do Pacto de Varsóvia, «ainda antes do fim de
Fevereiro», ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa,
a fim de se preparar a liquidação.

<p n=2428>
JORDANOS EXECUTADOS -- Uma fonte oficial jordana anunciou ontem a execução
de um oficial, o tenente da Força Aérea Ali Abdel Hafiz Abdel Hafez, e de
um civil, Ahmad Mohammad Ahmad, por espionagem a favor de Israel. A
execução ocorreu no dia 3, após um tribunal marcial ter concluído a
culpabilidade dos acusados, noticiou a agência jordana PETRA. Uma fonte
autorizada disse à AFP que uma terceira pessoa, um palestiniano de
Beersheva (territórios ocupados), foi igualmente  condenado por
contumácia pelo mesmo crime.

<p n=2429>
Nos últimos anos verificaram-se vários acidentes do género na Linha da
Lousã, de que foram protagonistas indivíduos internados no Hospital
Sobral CID, situado a cerca de um quilómetro da via-férrea.

<p n=2430>
O Centro Integrador dos Espaços Culturais do Centro Cultural de Belém
(CIEC), que vai ser presidido pela professora universitária Maria José
Stock, foi ontem criado por despacho do secretário de Estado Pedro
Santana Lopes.

<p n=2431>
Será ainda o CIEC que apoiará os responsáveis governamentais no sentido
de se «estabelecer a programação e actividade dos respectivos espaços a
partir da entrada em funcionamento» do Centro Cultural de Belém.

<p n=2432>
A Polícia de Segurança Pública deteve ontem dois menores que terão
confessado a autoria do assassínio do professor primário Jorge Moniz, de
32 anos, ocorrido no dia 24 de Janeiro, na Brandoa, Concelho da Amadora.

<p n=2433>
Já em casa, Jorge Moniz ter-lhes-á oferecido um whisky e convidado a
ficar «um bocado na conversa». Minutos depois, na versão dos jovens, Nuno
Filipe saiu para comprar tabaco e, quando regressou, deparou com Marco
Paulo e o professor agredindo-se mutuamente. Para defender o amigo,
acabou por se envolver na roxa.

<p n=2434>
Cavaco Silva manifestou ontem a sua intenção de não intervir no âmbito da
Comunicação Social, justificando-se com a «independência» que deve
existir entre a imprensa e o poder político. Foi durante uma audiência
concedida pelo primeiro-ministro aos membros da Alta Autoridade para a
Comunicação Social que, há poucos dias, num encontro com Mário Soares,
ouviram as queixas do Presidente sobre a alegada falta de independência
no sector. Ao empenho de Soares em fazer frente à situação - anunciando
ir enviar ao Parlamento uma mensagem de alerta -, contrapôs-se o
«abstencionismo» de Cavaco, na voz de um dos presentes. Durante a
audiência de ontem, em S. Bento, que durou cerca de vinte minutos,  os
membros da AACS entregaram ao PM o relatório de actividades do ano findo,
à semelhança do que tinham feito, na sexta-feira passada, ao Chefe de
Estado.

<p n=2435>
O TENOR espanhol José Carreras participou domingo, em Londres, numa gala
de beneficiência para angariação de fundos para uma fundação de combate à
leucemia com o seu nome. Carreras, que recuperou há anos depois de lhe
ter sido diagnosticada a doença, numa entrevista publicada pelo jornal
«Daily Mail» recordou o seu estado de ânimo dizendo que a sua única
preocupação não fora a música ou a voz, mas a vida. No entanto, logo que
soube que podia receber tratamento e recuperar a saúde -- acrescentou --
começou a pensar no regresso aos palcos, o que fez em Barcelona, em 1988,
perante mais de 150 mil pessoas.

<p n=2436>
Cólera no Perú pode alastrar a países vizinhos -- A Organização Mundial de
Saúde (OMS) informou ontem ser «provável» o alastramento gradual da
epidemia de cólera que grassa no Perú aos países vizinhos.  «É a primeira
vez que ocorre com esta gravidade nas Américas a pandemia de cólera que
apareceu pela primeira vez em 1961, e é provável que se estenda etapa a
etapa, país a país», disse Nathaniel Pierce, médico da divisão da luta
contra as doenças diarreicas. Ontem, em Bruxelas, a organização Médicos
Sem Fronteiras anunciou que enviava hoje uma equipa para combater a
epidemia. Cerca de cinco mil casos foram já registados desde o início do
mês e é provável que o número alcance rapidamente os 100 mil, disseram os
responsáveis da organização.

<p n=2437>
Os trabalhadores das Minas da Panasqueira iniciaram ontem um período de
greve (que se irá prolongar até à próxima sexta-feira) com uma adesão de
cerca de 75 por cento durante o turno da manhã, considerado o mais
numeroso, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores das Minas do
Norte. Em causa estão os resultados infrutíferos do processo de
negociações entre o sindicato e a administração da empresa, nas quatros
reuniões até aqui efectuadas, a última das quais, na semana anterior, no
Ministério do Trabalho. Os trabalhadores das Minas da Panasqueira
pretendem um aumento salarial de 18 por cento, o aumento das
diuturnidades para 1300 escudos, um subsídio de alimentação de 430
escudos e a redução do horário de trabalho no interior das minas, de 40
para 37,5 horas semanais.

<p n=2438>
Parabólicas em hipermercados portugueses -- Uma empresa portuguesa
anunciou ontem a introdução no mercado, a partir de Março, de um novo
modelo de antenas parabólicas de pequenas dimensões que poderão ser
adquiridas em super ou hipermercados. O novo modelo, de nome Kitsat, de
marca filandesa, tem 80 centímetros de diãmetro, custa cerca de uma
centena de contos e, segundo a empresa importadora, podrá captar um dos
seguintes satélites: Olympus, Eutelsat II-F1, Eutelsat II F-2 e Astra
I--B.

<p n=2439>
A guerra no Golfo trouxe a Família Real britânica para o centro de uma
controvérsia a que os tablóides populares londrinos já chamam "a maior
crise da realeza desde a abdicação de Eduardo VIII", há 54 anos.

<p n=2440>
Enviados especiais de 24 países decidiram escrever ao chefe da guerra,
general Schwarzkopf, e ao Rei da Arábia Saudita: ou lhes dão as mesmas
condições que aos americanos, ou põem-se a caminho da frente de combate.
Sozinhos. Dizem não estar mais dispostos a relatar a «Tempestade no
Deserto» em segunda mão.

<p n=2441>
Os enviados especiais reivindicam a formação de «pools» de combate com
lugares distribuídos por todos os países aqui representados, e
possibilidade de acesso a diferentes unidades deslocadas na frente.

<p n=2442>
Com o calendário da batalha terrestre aparentemente a ser já delineado,
todos os caminhos parecem agora ir dar a Washington. À capital americana
chegam hoje os ministros da Defesa da França e da Grã-Bretanha,
respectivamente Pierre Joxe e Tom King, para encontros com o seu homólogo
Dick Cheney e com o Presidente George Bush que se espera serem dominados
pela questão do «timing» da segunda fase da operação «Tempestade do
Deserto».

<p n=2443>
Joxe, que no dia 29 de Janeiro substituiu Jean-Pierre Chevènement, disse
ainda que «o conjunto das forças coligadas intervirá» na batalha
terrestre, seja qual for o cenário escolhido. Com estas palavras, o novo
responsável da Defesa de Paris terá querido assegurar aos aliados e à
oposição interna de que não se repetirá o cenário dos primeiros dias de
guerra, quando as forças francesas limitaram a sua acção ao território do
Kuwait.

<p n=2444>
Os não alinhados, a União Soviética e a República Popular da China estão
a multiplicar os seus esforços para um cessar-fogo no Golfo, mas as
iniciativas não parecem demover os supostamente mais interessados: o
Iraque repete que não retirará do Kuwait e os Estados Unidos recusam
negociar enquanto se mantiver a ocupação.

<p n=2445>
Mas, neste campo, as iniciativas aparentemente mais substanciadas são as
de Teerão e de Nova Deli. O Presidente Rafsanjani aproveitou o 12º
aniversário da Revolução Islâmica para apelar ao «restabelecimento do
`statu quo' anterior» à anexação de 2 de Agosto e reafirmar que «o Irão
não aceita nem a ocupação do Kuwait nem a presença de tropas estrangeiras
na região». De acordo com o ministro Ali Akbar Velayati, Rafsanjani
continua a tentar a normalização apesar da resposta decepcionante de
Saddam Hussein à sua proposta mediação, por enquanto mantida secreta.

<p n=2446>
02h45 - O conflito no Golfo «não é uma guerra clássica das Nações Unidas,
no sentido em que a ONU não controla as operações, não há bandeira da ONU
nem capacetes azuis», diz Javier Perez de Cuellar a «The Independent».

<p n=2447>
12h00 - Apelo de Rafsanjani para o «restabelecimento do `statu quo'»
anterior à anexação do Kuwait. Acusa o regime iraquiano de déspota.

<p n=2448>
Uma percentagem substancial dos gastos efectuados pelo exército americano
em programas de investigação de defesa contra ataques biológicos foram
dirigidos contra microorganismos que não são considerados armas
potenciais. Uma grande parte da investigação militar, além do mais,
duplica desnecessariamnete investigação civil que está a ser feita nos
mesmos domínios. Estas são duas das conclusões de um estudo recente do
General Accounting Office (GAO) americano, elaborado a pedido do Senado.
O GAO não critica a investigação efectuada pela sua falta de eficácia,
mas sim pela sua deficiente escolha de objectivos.

<p n=2449>
O principal objectivo destes programas de pesquisa consistia no
desenvolvimento de vacinas e medicamentos contra germes que pudessem ser
utilizados contra as tropas, mas o GAO considerou que 3 dos dez produtos
já desenvolvidos e 2 dos seis produtos em vias de desenvolvimento,
representavam igualmente uma defesa contra agentes patogénicos... que não
são considerados uma ameaça. Neste caso, o investimento que o GAO
considera desperdiçado atinge 43 por cento.

<p n=2450>
UM MÍSSIL Scud iraquiano, armado com ogiva convencional, caíu ontem à
noite no centro de Israel sem causar vítimas, disse um porta-voz do
Exército israelita, general Nahman Shai. O alerta foi desencadeado às
19h00 horas locais (17h00) TMG e levantado 20 minutos depois em todo o
território.

<p n=2451>
OS CÉUS do Kuwait encontram-se com um «tráfego» aéreo tão intenso que
aumentam os riscos de colisão, confidenciou ontem à Reuter o coronel Gary
Voellger, um dos comandantes da Força Aérea dos Estados Unidos. «As
centenas de missões realizadas pelos aviões aliados contra posições
iraquianas no emirado tornaram o controlo do tráfego extremamente
complicado», disse .

<p n=2452>
Nas últimas semanas, porque as tensões internacionais se avolumaram em
todas as frentes, recomeçou a ouvir-se o discurso passadista do
pessimismo «à outrance». E, aparentemente, tudo o justifica.

<p n=2453>
Enfim, tudo parece conjugar-se para dar razão àqueles que se entretêm a
anunciar apocalipses e tragédias.

<p n=2454>
1 -- Que eu saiba foi o chefe da OLP que tomou a iniciativa de solicitar
ao Presidente da República os seus bons ofícios como mediador. O
esclarecimento posterior pedido por Máro Soares através da carta levada
pessoalmente pelo embaixador Nunes Barata ainda não teve resposta. Só
depois desta se poderá avaliar da oportunidade dessas diligências.

<p n=2455>
3 -- Há que distinguir aqui dois planos. O primeiro é o contributo que uma
personalidade política portuguesa pode dar para a resolução desse
conflito.

<p n=2456>
Cenário: uma base algures na Arábia Saudita. Tão secreta que o pessoal,
durante dois meses, pensou encontrar-se na Turquia.

<p n=2457>
Acto II: os jornalistas da «pool» perguntam a um soldado se acredita que
cem por cento dos americanos apoiam a guerra.

<p n=2458>
O Iraque anunciou ontem, pouco após o discurso de guerra de Saddam
Hussein, a decisão de boicotar a peregrinação anual a Meca - com início a
21 de Junho -  e coordenar os seus esforços com os de outros países
árabes no mesmo sentido, visando isolar a Arábia Saudita. O ministro
iraquiano dos Assuntos Religiosos, Abdallah Fadel, declarou à France
Presse que aquela resolução constituía um protesto «contra a presença
militar americano-atlântica na terra sagrada», lançando de seguida um
desafio a Riad. Se as autoridades religiosas sauditas autorizarem
«iraquianos, árabes, muçulmanos» a visitar «imediatamente» os lugares
santos de Meca e Medina, «nós [iraquianos] estamos dispostos a ir aos
lugares sagrados, mas para aí denunciar os crimes perpretados e as
violações dos textos do Islão».

<p n=2459>
Ao frisar que «cada minuto, cada hora, cada dia que passa» é uma vitória
iraquiana e uma derrota dos aliados, acentua a sua esperança no factor
tempo, apostando na desagregação da frente inimiga e, designadamente, na
desestabilização dos Estados árabes que dela fazem parte. E, por outro
lado, na desmoralização do inimigo, da opinião pública ocidental, a quem
desde já promete o morticínio dos seus soldados.

<p n=2460>
VINTE E SEIS dias após o início das hostilidades, o Presidente
norte-americano George Bush manifestou-se «bastante satisfeito» com os
resultados alcançados pela operação «Tempestade do Deserto», mas
furtou-se a anunciar a data da ofensiva terrestre. Foi ontem, em
Washington, após um encontro com o secretário de Estado da Defesa, Dick
Cheney, e chefe do Estado-Maior, general Colin Powell, ambos regressados
da Arábia Saudita onde foram fazer o ponto da situação.

<p n=2461>
Teerão endureceu (aparentemente) a sua posição face a Bagdad de onde
chegou a devolução -- chumbada -- da proposta de paz do Presidente
Rafsanjani. Este apelou agora ao «restabelecimento» do «statu quo»
anterior à guerra e acusou Saddam Hussein de déspota. Damasco preferiu
ontem sublinhar que os acordos sobre segurança do pós-guerra deverão ser
estabelecidos [exclusivamente] pelos países da região.

<p n=2462>
1 -- No sentido mais profundo do termo, não se pode falar de uma
iniciativa do senhor Presidente da República. Houve sim, uma resposta a
um apelo do líder da OLP.

<p n=2463>
Dito isto, e tendo presente que o PR contactou previamente o
primeiro-ministro, é para mim óbvio que não houve qualquer interferência
do Presidente na esfera de acção do Governo.

<p n=2464>
Bush disse ontem estar «bastante satisfeito» com o desenrolar da guerra
no Golfo, mas escusou-se a falar sobre a passagem à segunda fase da
operação Tempestade do Deserto. Das palavras do Presidente apenas
sobressai uma certeza: a batalha aérea vai prosseguir.

<p n=2465>
No final do encontro de cerca de 90 minutos com Cheney e Powell, o
Presidente afirmou que não foram discutidas datas, nem tomada nenhuma
decisão sobre o início da segunda fase da operação «Tempestade do
Deserto». «Se me disserem que é necessário entrar noutra fase da guerra,
tomarei a decisão apropriada. E essa é uma decisão que compete ao
Presidente dos Estados Unidos», declarou Bush.

<p n=2466>
AJunta Autónoma tem em carteira um programa de mais de1,5 milhões de
contos para reforço da segurança da Marginal. Renovação do pavimento e da
iluminação, instalação de sinais luminosos de advertência e de
separadores de betão são algumas das medidas previstas para depois da
inauguração da auto-estrada. Mas a JAE quer que a Marginal continue a ser
uma avenida panorâmica. E considera os factores humanos os principais
responsáveis pela insegurança.

<p n=2467>
No Porto, a realização das Festas de Paranhos, no Jardim da Arca d'Água,
está a ser objecto de um «referendo» pelo correio. A Junta de Freguesia,
confrontada com as queixas de alguns moradores acerca do local onde as
festas costumam fazer-se, enviou vinte mil postais aos cidadãos,
pedindo-lhes que digam sim ou não às festas no Jardim.

<p n=2468>
Terminou este fim-de-semana, no Teatro da Trindade, em Lisboa, o ciclo
dedicado aos instrumentos de corda. O didactismo de Carlos Paredes, que
explicou um pouco a história e alma da guitarra portuguesa, e a
aproximação intuitiva de Fernando Meireles à sanfona e música tradicional
do Norte da Península Ibérica, deram uma ideia das potencialidades e
linguagens específicas de dois instrumentos de corda diferentes no
destino e na linhagem. As Marionetas de Santo Aleixo recriaram o
princípio do mundo. De um mundo, como elas, suspenso por fios.

<p n=2469>
Tentou convidar a Donna Summer para animar a festa carnavalesca da noite
de sábado, mas a guerra no Golfo gorou-lhe os planos. Então, o Casino
Estoril resolveu contratar as Supremes, que foram o grupo feminino mais
célebre da década de 60., só que não vieram as ingénuas e sensuais, as
joviais cheias de sentimento e coqueteria, que eram as três artistas. E o
que os presentes no Casino viram foi três velhotas embonecadas, de vozes
esganiçadas, num mediano «show», que, nem no reportório, fez justiça às
verdadeiras Supremes.

<p n=2470>
O público ainda conserva da hospedeira a imagem de uma profissional
privilegiada, bem remunerada e com acesso a estadas em locais de sonho.
Mas, actualmente, muitas assistentes de bordo são contratadas a prazo,
ganham 75 contos e receiam tornar-se vítimas das consequências económicas
da guerra no Golfo.

<p n=2471>
«Mas estava de facto à espera de outra coisa, completamente.» Nos
primeiros dias, era a excitação de sair do avião e visitar as
«free-shops» dos aeroportos de capitais famosas, como Atenas ou Milão.
«Só depois nos apercebemos que sem cartão de embarque não podemos fazer
compras e que o tempo de escala é tão pouco que dessas cidades quase só
ficamos a conhecer a pista de aterragem», lembra com um sorriso de
desengano nos lábios.

<p n=2472>
Telefonemas para o Boletim Metereológico, em Loures. Discussões
acaloradas em Sesimbra. Jardim mascarado de zulu, no Funchal. Artistas de
telenovela, em Tomar. A Bairrada a adiar terça para domingo. Salvou-se
Ovar. E houve, apesar de tudo, alguns desfiles a Norte. Enfim, um
Carnaval estragado pela chuva.

<p n=2473>
Sob o signo de S. Pedro («que deve ser surdo»), Loures não teve outro
remédio senão puxar do cachecol e da gabardina e ir escutar debaixo de
tecto a grande atracção do Carnaval local -- a brasileira Simara, rainha
da festa. No entanto, olheiras de uma noite mal passada, os organizadores
ainda telefonaram, de manhã, para o Instituto de Metereologia. «Havia a
esperança de que o tempo melhorasse, lá para o fim da tarde», lamenta
Abílio de Sousa, da organização.

<p n=2474>
A escola secundária João de Deus, em Faro, vai dedicar uma semana à
informação no ano 2000 durante a segunda quinzena de Abril, no âmbito das
comemorações do seu 140º aniversário. A teoria da comunicação, a imprensa
escrita, a rádio, a televisão e os multi-média no futuro são alguns dos
temas abordados pelos convidados, entre os quais se contam quer
profissionais ligados às várias áreas do jornalismo, quer investigadores
da teoria da informação.

<p n=2475>
Durante três dias da semana passada, 400 professores, em representação de
112 instituições de ensino, reflectiram sobre o papel da didáctica
enquanto disciplina essencial para a formação dos professores na
sociedade do futuro. Uma discussão «apaixonada e polémica» --segundo as
palavras da coordenadora Isabel Martins -- que se estendeu em diversas
mesas redondas e comunicações de professores de diversas universidades
nacionais e estrangeiras.

<p n=2476>
Oito em cada mil estudantes entre o 7º e o 9º anos de escolaridade
consome heroína, dado que uma especialista considera preocupante mas não
alarmante. As preferências dos jovens destas idades vão para a cerveja e,
no capítulo das drogas, para o haxixe.

<p n=2477>
Em segundo lugar na ordem de preferências vem o tabaco, seguido do vinho,
da aguardente, dos tranquilizantes, do haxixe, dos estimulantes, da
heroína e da cocaína -- esta última com índices de consumo da ordem dos 8
casos em cada mil.

<p n=2478>
O Sindicato de Professores da Região Centro (SPRC) afecto à Fenprof vai
promover na segunda quinzena deste mês, reuniões com todas as escolas
preparatórias e secundárias e todos os concelhos dos distritos para
discutir o projecto de diploma sobre Gestão e Administração dos
Estabelecimentos de Ensino dos 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico e
Secundário e Educação Pré-Escolar. Entretanto, estão a circular nas
escolas preparatórias, secundárias, do primeiro ciclo, jardins de
infância e nas entidades autárquicas um abaixo-assinado sobre o mesmo
tema exigindo «a abertura de um debate público sobre o modelo».

<p n=2479>
O documento, assinado pelo reitor e pelos três vice-reitores da
Universidade Técnica de Lisboa, respectivamente Simões Lopes, Monteiro
Lopes, Jorge Silva e Lopes da Silva, vai ser entregue ao Primeiro
Ministro e à Comissão Parlamentar de Educação depois das férias de
Carnaval.

<p n=2480>
Terminou ontem, em Madrid, a décima edição da Feira Internacional de Arte
Contemporânea, ARCO 91, inaugurada no dia 6 de Fevereiro. Tendo em fundo
a guerra do Golfo, as mais pessimistas previsões de recessão não se
confirmaram e as dificuldades experimentadas podem servir para colocar as
questões do mercado da arte e do seu público em bases de maior realismo.

<p n=2481>
Mas há outros sinais de cruzamento de interesses e níveis de mercado
nesta feira, que tem sido considerada um exemplo de vanguardismo e risco
face às feiras europeias mais antigas de Basileia ou Colónia, célebres
pela presença de todos os nomes históricos do modernismo artístico. Em
Madrid, cresce, por um lado, a presença das galerias que, surgidas no
período dos anos 50/60, sempre arriscaram o seu trabalho com obras e
artistas de ruptura, entretanto consagrados (é o caso da Galeria de
Klüser, de Bischofberger, ou Castelli -- este último um dos poucos
ausentes à feira); por outro lado, notam-se sistemas de consagração
ensaiados relativamente aos nomes da última década -- estes e outros
grandes galeristas reúnem nas suas montagens nomes históricos, com
consagrados recentes e de outros com carreiras ainda em consolidação.

<p n=2482>
Inácio Vicens, autor do consulado espanhol em Zurique e especializado em
arquitectura efémera (projectou o palco que recebeu, no Estádio Santiago
Barnabéu, em Madrid, João Paulo II), venceu, com José António Ramos, o
concurso  de ideias para o arranjo interior da próxima edição da Feira de
Arte Contemporânea de Madrid, ARCO. O projecto do novo parque, que se
localizará num novo recinto junto ao aeroporto internacional de Barajas,
é de Francisco Sáenz de Oiza, um dos mais prestigiados e controversos
arquitectos espanhóis, de Estanislau Pérez Pita e Jerónimo Junquera.

<p n=2483>
Pedro Cabrita Reis, uma dos mais fortes propostas de internacionalização
dos artistas portugueses, foi convidado para participar numa reunião
preparatória da próxima «Documenta» de Kassel, nesta edição comissariada
por Jan Hoet. A «Documenta» é uma das mais decisivas manifestações de
arte no contexto europeu, substituindo, no seu ritmo quadrienal e na sua
organização comissariada por críticos e directores de museus, o
espectáculo mais confuso das Bienais internacionais. Depois de Julião
Sarmento, Cabrita Reis é o primeiro português a ser convidado para
participar na referida manifestação. Mas, o que é mais importante é que,
dentro do esquema este ano adoptado de organização pelo comissário
designado,  Cabrita Reis fará parte de um comité restrito de nove
artistas que discutirá o próprio conceito da nona edição da exposição a
realizar em 1992. A partir de 21 de Fevereiro, o artista português
encontrar-se-á com nomes tão famosos como os de Robert Gober, Ilya
Kabakov, Kirkeby, Mario Merz ou Gerhard Richter e com Jan Hoet, para
estabelecer um diálogo com cada um dos interessados e para criar uma
plataforma aberta para o debate. O programa genérico da mostra deveria
ter sido apresentado à imprensa durante a feira ARCO, que ontem terminou
em Madrid, mas, por doença do comissário designado, tal não foi possível.

<p n=2484>
O Centro Dramático de Évora-CENDREV anunciou a estreia, no Teatro Garcia
de Resende, no próximo dia 22, do espectáculo da companhia de Cândido
Ferreira, com cenografia de João Brites, construído a partir do texto «Os
passos em volta, de Herberto Helder. O espectáculo será repetido no dia
seguinte. O CENDREV informa também que, no cumprimentio de um programa de
intercâmbio com outras companhias portuguesas no âmbito da designação de
Évora como Capital Nacional do Teatro, se apresentarão no Garcia de
Resende, nos próximos meses: «O Bando», com a peça «Vi-Viriato»; o Grupo
de Teatro «Hoje-Teatro da Graça», com «A Gaivota», de Tchekov; o Teatro
de Portalegre, com «A Mandrágora», de Maquiavel; a Comuna, com «O
Estrangeiro em Casa», de Richard Demarcy, e provavelmente «A Terra», de
Abel Neves; e o Teatro Animação de Setúbal com «A encenação», de Lauro
António. O CENDREV, por seu lado, apresentará, em diversos locais:
«Pequeno Peso Pluma», para a infância; «Woyseck», de Büchner;
«Lorca-Lorca», a partir de textos de Garcia Lorca; e «Antes da Reforma»,
de Thomas Bernhardt.

<p n=2485>
Ao examinar a lista dos filmes mais populares de 1990, os estúdios
perceberam que os quatro primeiros foram uma surpresa, ou «sleeper», como
são chamados no calão daqui. O campeão de bilheteira do ano foi o
«mega-hit» «Ghost», seguido por «Um sonho de mulher», «Sozinho em casa» e
«Tartarugas Ninja». Por outro lado, alguns filmes, que os estúdios
acreditavam que seriam um sucesso garantido, naufragaram, deixando uma
mancha vermelha de prejuízos. Ver-se-á o peso destes factos nas nomeações
para os Oscares que hoje serão conhecidas.

<p n=2486>
A Secretaria de Estado da Cultura, através da Direcção-Geral da Acção
Cultural, nomeou o júri dos Prémios de Produção Garrett 1991: Anabela
Mendes, António Mega Ferreira, Maria Elisa Domingues, Maria Eugénia
Vasques e Miguel Lobo Antunes. Com esta escolha pretendeu-se constituir
um júri diversificado, conjugando a crítica especializada e
personalidades que representam diferentes sectores da vida cultural do
país. A actriz e professora da Escola Superior de Teatro e Cinema, Glória
de Matos, cordenará os trabalhos do júri com o apoio da Divisão de Teatro
da Direcção Geral da Acção Cultural.

<p n=2487>
Depois de na passada semana ter circulado uma versão segundo a qual dois
jogadores norte-americanos, um do FC Porto e outro do Sporting, tinham
sido apanhados nas malhas do controlo anti-doping  (alguns rumores
apontavam os nomes de Lee Springfelow e de Carl Davis), os últimos
indícios vão no sentido de que apenas um dos basquetebolistas se encontre
nesta situação, tendo, em princípio, sido já notificado.

<p n=2488>
A norueguesa Trude Dybendal conquistou ontem o título de campeã mundial
na prova dos cinco quilómetros, estilo clássico, dos «Mundiais» de esqui
nórdico, que decorrem na estância italiana de Val di Fiemme. Dybendal, 26
anos, que não participara na prova dos 10 km estilo livre para se
reservar para a corrida de ontem, acabou esta competição com o tempo de
14' e 4''. A finlândesa Marja-Lisa Kirvesniemi ficou em segundo lugar,
com o tempo de 14'09, seguida da italiana Manuela Di Centa, com 14'24. A
grande favorita, a soviética Elena Vialbe, classificou-se em 19º lugar.
Após esta prova, Elena Vialbe comanda a Taça do Mundo de esqui de fundo
feminino, com 145 pontos, à frente da italiana Stefania Belmondo, com 92
pontos e da suíça Marie-Hlene Westin, com 79. Disputada a sexta jornada
dos «Mundiais» de esqui nórdico, a Noruega lidera a a lista de medalhas,
com quatro de ouro, duas de prata e uma de bronze, seguindo-se a União
Soviética, com duas de ouro, uma de prata e uma de bronze.

<p n=2489 assunto=desporto>
O francês Lundi Guillaume Raoux qualificou-se ontem para a segunda ronda
do torneio de ténis de Filadélfia (Estados Unidos) ao vencer o
sul-americano Dan Goldie, por 6-4, 7-6 (9-7). Roux irá defrontar na
próxima partida o primeiro cabeça de série, o checoslovaco Ivan Lendl. No
outro encontro o francês Jean Fleurian foi derrotado, por 7-5 e 6-4, pelo
jovem sul-africano, Wayne Ferreira, 20 anos. Resultados dos restantes
jogos: Thomas Carbonell (Espanha) derrotou Gilard Bloom (Israel), por
6-1, 6-1; Jim Grabb (EUA) venceu Patrik Kuhnen (Alemanha), por 6-4, 6-4;
Milan Srejber (Checoslovaquia) bateu Scott Davis (EUA), por 6-4, 6-7,
6-3; Kevin Curren (EUA) venceu Mark Kratzmann (Austrália), por 6-3, 6-7
(4-7), 6-4; Thomas Hostedt (Suécia) venceu Ramesh Krihnan (Índia), 6-3,
6-1; Aki Rahunen venceu Grant Connell (Canadá), por 7-6 (13-11), 7-5.

<p n=2490>
O LAMAÇAL em que cedo transformou o pseudo-relvado do estádio Mário
Duarte, foi palco, apesar de tudo, de uma razoável partida de futebol,
que teve como maior atractivo o empenho demonstrado pelas duas equipas.

<p n=2491>
A pressão dos minhotos prosseguiu durante mais alguns minutos, com
Fernando e Tenev a darem nas vistas, mas o Beira Mar rapidamente
recuperou o comando do jogo. Mais poderoso e tecnicamente superior, o
meio campo aveirense, bem comandado por China, passou a ganhar a disputa
de praticamente todas as bolas e o perigo começou a rondar a baliza do
Fafe. Aos 36', a culminar um período de grande domínio dos aveirenses,
surgiu o segundo golo: Tozé centrou do lado direito, a defesa fafense
falhou o corte e Jorge Silvério ficou à vontade para aumentar a vantagem.

<p n=2492 assunto=desporto>
O U. Tomar será o primeiro adversário do Benfica na presente edição da
Taça de Portugal em futebol, depois de ganhar ontem no terreno do
Alcanenense por 1-0, em jogo da 4ª eliminatória da competição. O golo do
União foi marcado pelo chileno Vitor Romero, aos 67'. Também o Famalicão
alcançou o passaporte para a 5ª eliminatória, que se joga no dia 27 deste
mês, ao vencer em Campo Maior por 2-1.

<p n=2493>
O internacional brasileiro Branco, antigo jogador do FC Porto, é
considerado actualmente o segundo melhor defesa esquerdo no futebol
italiano, segundo a pontuação do diário desportivo milanês «Gazzetta
Dello Sport». Branco, do Génova, tem 6,3 pontos, enquanto Gambaro, do
Parma, tem 6,4.

<p n=2494>
O último jogo do14º Torneio Internacional de Futebol de Júniores B do
Algarve, ontem disputado entre Portugal e a França, mostrou uma equipa
portuguesa alterada para melhor, acabando por produzir a mais positiva
exibição de quantas realizou no torneio, apesar de não ter ido além do
empate a um golo. No entanto, convirá recordar que a partida foi jogada
num terreno pesadíssimo e frente ao adversário mais poderoso -- que aliás
acabou por vencer a competição.

<p n=2495>
Na 2ª parte, os franceses entraram a jogar melhor, mas foi no último
quarto da partida que se registou um significativo abaixamento na
produção da equipa nacional.

<p n=2496>
O «Mundial» de juniores, que se disputará em Portugal no próximo mês de
Junho, constituirá a segunda ocasião em que as duas Coreias prevêem
apresentar-se com uma única selecção em competições desportivas
internacionais. Ao fim de quatro anos de negociações, o acordo rubricado
ontem pelos representantes da Coreia do Norte e do Sul prevê pela
primeira vez a apresentação de equipas unificadas. A primeira será a de
ténis de mesa, em Abril, no Japão, para o Campeonato do Mundo, e a
segunda será a de futebol junior, em Portugal.

<p n=2497>
Segundo a agência de informação sul-coreana Yonhap, o acordo agora
alcançado resultou de um «importante compromisso» da parte da
representação da Coreia do Sul, que aceitou algumas sugestões dos
norte-coreanos quanto ao processo de escolha dos responsáveis pelas
selecções e ao programa de treinos dos atletas. O treinador da equipa de
ténis de mesa será um norte-coreano e o comando da equipa de futebol
junior caberá a um elemento da Coreia do Sul. A selecção de ténis de mesa
será escolhida por uma comissão conjunta dos dois países e os treinos
serão feitos no Japão, enquanto a equipa de futebol sairá de dois jogos
de selecção, um no Norte e outro no Sul, e os treinos de conjunto
decorrerão em Portugal.

<p n=2498>
O Governo de Bona anunciou ontem, a concessão, à ex-RDA,  de uma série de
facilidades financeiras destinadas a acelarar o processo de recuperação
económica, que se «apresenta mais dificil do que o que estava previsto»,
referiu o ministro liberal da economia, Juergen Moellemann.

<p n=2499>
Prevê-se que a ex-RDA vá absorver mais de um quarto do orçamento de
Estado da Alemanha reunificada, o que representa um total de 105 mil
milhões de marcos.

<p n=2500>
O vinho produzido em Portugal em 1990, atingiu os 10.431 mil hectolitros,
o que corresponde a um acréscimo de 40 por cento em relação ao ano de
1989, indicam dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). No que se
refere às colheitas de cereais registadas no ano passado, a produção de
milho em 1990 foi estimada em cerca de 643 mil toneladas, das quais 614
mil toneladas pertencem à cultura em regime de regadio, o que representa
uma ligeira quebra face ao ano anterior. Quanto à colheita das culturas
leguminosas para grão, em particular do feijão, as estimativas de
produção apontam para cerca de 39 mil toneladas, sendo a quase totalidade
em regime de regadio (38 mil toneladas).

<p n=2501>
O secretário de Estado do Comércio Externo, Neto da Silva, vai participar
no próximo dia 26 em Paris, no seminário subordinado ao tema «Portugal:
uma boa oportunidade para as empresas francesas». Organizado pela Câmara
de Comércio e Indústria em Paris e em colaboração com o gabinete de
advogados António Vilar, este seminário conta ainda com o apoio da Câmara
de Comércio e Industria Luso-Francesa. «Porquê investir em Portugal?»,
«As novas oportunidades comerciais, juridicas e fiscais», «Como
constituir uma empresa», «As ajudas financeiras», «A expansão do mercado
imobiliário» e as «Privatizações», vão ser alguns dos temas deste
encontro.

<p n=2502>
A companhia de aviação belga Sabena vai despedir um quinto do pessoal, ou
seja, suprimir cerca de 2200 postos de trabalho, e abrir 40 por cento do
seu capital a novos parceiros comerciais. A companhia, da qual o Estado
belga detém 54 por cento do capital, registou em 1990 um défice de 133
milhões de dólares (cerca de 17,3 milhões de contos) e pretende uma
injecção de dinheiro fresco que pode vir a atingir 530 milhões de
dólares. A Sabena está já a negociar acordos de cooperação com a British
Airways e a American Airlines para a partilha de algumas rotas aéreas.

<p n=2503>
O primeiro-ministro francês, Michel Rocard, fixou esta semana em 2,4 mil
milhões de dólares (cerca de 310 milhões de contos) o montante dos cortes
orçamentais necessários em 1991 para fazer face às despesas da guerra no
Golfo e à diminuição do crescimento económico no país. Rocard escreveu a
todos os membros do Governo, excepto ao ministro da Defesa, pedindo
disciplina orçamental e bloqueio de novas despesas no ano fiscal 91/92. O
custo das operações militares francesas no Golfo está avaliado em 1,2 mil
milhões de dólares e o crescimento económico em 1991 será «ligeiramente
superior a dois por cento», enquanto o orçamento se baseava num
crescimento de 2,7 por cento.

<p n=2504>
A Comissão Europeia vai hoje aprovar um projecto de "Carta Europeia de
Energia" destinada a alargar a cooperação e a garantir a segurança de
aprovisionamento energético de todos os países europeus desde o Atlântico
até aos Urais.

<p n=2505>
De acordo com a Comissão, os acordos de execução da Carta poderão
envolver, entre outros dominios, a energia nuclear e melhoria da sua
segurança, a utilização eficaz da energia, o desenvolvimento das energias
renováveis, a exploração de gás natural e o seu transporte, a
modernização das centrais eléctricas e a exploração do petróleo.

<p n=2506>
A Jomar «acordou» para o problema da qualidade há alguns meses, em parte
pelo relacionamento com clientes estrangeiros, cada vez mais exigentes em
termos de garantia e certificação dos produtos, segundo normas europeias.
Curiosamente, porém, o processo não começou pela produção mas pelos
serviços administrativos, onde foi elaborada uma análise de funções e se
seguem agora as proposições para a mudança.

<p n=2507>
O projecto, que será candidato a financiamentos do Pedip, orça em cerca
de 100 mil contos e está em plena marcha. O manual de procedimentos,
aplicado ao caso concreto da empresa, estará pronto dentro de quatro
meses. O início da actividade certificadora não será tão breve: as
previsões apontam para um prazo de 18 meses.

<p n=2508>
As regras no negócio da indústria eléctrica na Europa estão a mudar. No
caso português, a EDP, não foge à regra. Um estudo, divulgado em Londres,
traça o quadro, mas alerta para os obstáculos a ultrapassar.

<p n=2509>
Segundo os autores do estudo «Rumos da energia eléctrica europeia», esta
indústria está já a passar por «mudanças dramáticas que levarão a um
aumento da concorrência, à reestruturação da indústria e ao aparecimento
de novos participantes nos mercados domésticos anteriormente protegidos».

<p n=2510>
Apesar de nova intervenção dos bancos centrais, o dólar continua a cair e
o marco a subir. O receio que esta tendência se agrave aumenta a tensão
já existente no Sistema Monetário Europeu. A credibilidade do franco
francês está em causa e Paris foi abalada por um acordo entre Bona e
Londres para retardar a criação de uma moeda única para a CEE.

<p n=2511>
A tensão entre a divisa norte-americana e o marco alemão foi exarcerbada
há cerca de dez dias pela decisão dos bancos centrais dos dois países de
respectivamente diminuirem e aumentarem as suas taxas de juro. E tudo
indica que essa tensão não só se vai manter como tem todas as
probabilidades de se agravar.

<p n=2512>
A HIPÓTESE de utilizar algum do dióxido de carbono emitido por
actividades humanas no crescimento de diversas espécies de algas e,
assim, reduzir a contribuição deste gás no efeito de estufa tem vindo a
ser estudado por diversos cientistas americanos, com o apoio do Conselho
Nacional de Investigação (NRC) dos EUA.

<p n=2513>
Outra das questões que os diversos cientistas do NRC estão a estudar é a
possibilidade de criar em zonas perfeitamente controladas, como as
actuais explorações de aquiacultura, grandes quantidades de algas que
depois serviriam como fertilizantes do solo.

<p n=2514>
O PRIMEIRO TESTE real de disparo com mísseis Ar-Ar foi efectuado com
sucesso por um dos protótipos do futuro caça táctico avançado (ATF) da
Força Aérea dos Estados Unidos da América (USAF).

<p n=2515>
O YF-22, da Lockheed, compete com o YF-23, da Northorp, para vir a
fornecer o futuro caça táctico avançado dos EUA. Em causa está um negócio
de muitos biliões de dólares e a produção de 750 ATF para a USAF e 546
ATF transformados em versão naval, para a Marinha dos EUA. A escolha
final será efectuada nos próximos meses.

<p n=2516>
A ciência do caos começou por revolucionar a física, mas a sua influência
espalhou-se depois pelos outros ramos do conhecimento científico. Hoje,
ela já começou a alterar a perspectiva sobre os fenómenos biológicos e
até o olhar da medicina sobre certas doenças. Sabia que a evolução de
certas epidemias apenas pode ser compreendida através da ciência do caos?

<p n=2517>
À primeira vista, o «efeito borboleta» tem fortes semelhanças com o
acaso, já que é impossível, de facto, estabelecer uma relação causal
entre a borboleta chinesa e as tempestades nova-iorquinas. Com efeito, a
previsão meteorológica é, ainda hoje, uma ciência de probabilidades, e
não de certezas: não sabemos qual a quantidade de chuva que cairá em
Lisboa amanhã e, se olharmos para o quadro de precipitações do mês
passado, estas oscilam de maneira irregular e imprevisível.

<p n=2518>
O maior fabricante de automóveis polaco (FSO) fechou segunda-feira as
suas portas para poder preparar as suas instalações para uma nova linha
de montagem que produza carros desenhados pela Fiat ou pela General
Motors. O encerramento da fábrica, que durará sete semanas, deverá
permitir o desmantelamento da linha de produção do modelo FSO 1500,
enquanto se ultimam os contactos entre a administração da empresa e a
Fiat e a General Motors. Um destes dois fabricantes deverá vir a produzir
um dos seus modelos nas instalações da fábrica agora em remodelação.

<p n=2519>
Neste momento, já se encontra em actividade, (com instalações provisórias
na sede da Uninova, estando prevista a sua instalação definitiva na
Escola Secundária da Amora), em horário pós-laboral, uma turma do curso
de Gestão do Ambiente e Recursos Naturais, composta por técnicos das
câmaras promotoras e das câmaras do Montijo e do Seixal. «São cursos
médios (três anos), que dão equivalência ao 12º ano de escolaridade. As
condições de admissão são o 9º ano de escolaridade e idade compreendida
entre os 16 e os 25 anos, e é preferencial o inglês de nível 5».

<p n=2520>
Saber quem são os investigadores portugueses, conhecer os seus
comportamentos e as suas expectativas, as suas limitações e os seus
trunfos é o objectivo de um estudo que a Fundação Calouste Gulbenkian se
propõe financiar através do seu Serviço de Ciência. O estudo, cuja
execução terá uma duração máxima de dois anos e que poderá ter um
financiamento de 10.000 contos, pareceu suficientemente importante à
Gulbenkian para ser ela própria a solicitar o envio de propostas a
concurso, em vez de responder apenas às solicitações de financiamento que
lhe são apresentadas, como é usual fazer.

<p n=2521>
As experiências clínicas de um dispositivo francês para o tratamento da
hipertrofia da próstata em homens de meia-idade foram recentemente
autorizadas nos EUA, revelou o seu fabricante Technomed International SA.
O aparelho, chamado Prostaton, é já usado em mais de 30 clínicas
europeias desde meados de 1990 e resolve, pela emissão de micro-ondas
dirigidas à próstata, o problema principal causado pela hipertrofia: o
impedimento de urinar.

<p n=2522>
O ministério francês da Investigação e Tecnologia assinou recentemente um
protocolo com o ministério da Educação soviético, de forma a permitir à
URSS o acesso aos métodos franceses de definição, gestão e avaliação da
política científica. Este acordo foi assinado durante uma visita de uma
semana que Nikolaï Laverov, um dos quatro vice-primeiros-ministros
soviéticos, efectuou a França. Dentro do programa do protocolo, está
previsto em Abril um simpósio sobre as técnicas soviéticas susceptíveis
de serem comercializadas.

<p n=2523>
«O Partido Comunista dispõe de todos os meios, incluindo as forças de
segurança e a polícia», afirma, por seu lado, Neshat Tozaj, membro do
Forúm dos Direitos do Homem. O Partido Democrático está bem implantado
nas cidades, mas não no campo, onde vive 65 por cento da população,
explica Tozaj. Segundo os seus dirigentes, o número de membros atingiu já
os 60 mil e mais de 500 mil pessoas participaram nas manifestações
convocadas pelo partido e realizadas em Tirana.

<p n=2524>
A guerra reacende-se em Angola, após o fracasso da última ronda negocial
em Lisboa. Forças da UNITA chegaram a ocupar  a vila do Ambriz. Na Frente
Centro, os combates são violentos, temendo as autoridades de Luanda que o
movimento de Savimbi esteja a tentar cortar ao meio o território
angolano.

<p n=2525>
A acção de maior vulto localiza-se actualmente na região do Ambriz,
província do Bengo, onde um grupo de cerca de duzentos homens da UNITA
atacou e conseguiu ocupar por algumas horas a vila, um importante
conglomerado onde estão situadas algumas companhias petrolíferas
estrangeiras que operam no "off-shore" angolano.

<p n=2526>
O PRESIDENTE Frederik De Klerk e o líder do Congresso Nacional Africano
(ANC), Nelson Mandela, tiveram ontem a sua primeira reunião deste ano, a
fim de tentarem salvar o acordo que suspende a luta por meios violentos
contra o apartheid.

<p n=2527>
O ANC crê que a interrupção das actividades relacionadas com a luta
armada, como se estipula na minuta, não impede a realização das chamadas
«acções de massas», nem o recrutamento e treino de pessoas para o seu
braço militar, interpretação a que o Governo se opõe.

<p n=2528>
OS FILIPINOS pediram ontem aos EUA uma compensação financeira elevada em
troca do prolongamento da utilização das bases militares, para além de
Setembro -- disseram fontes oficiais, segundo as quais o montante se
baseia nas «necessidades prementes do país». Mas nenhum número foi
fornecido por qualquer das partes, que estão a conferenciar em Manila. O
país está com uma dívida externa de 28.000 milhões de dólares.

<p n=2529>
O PRESIDENTE Idriss Deby terminou ontem a sua primeira visita a Paris e
reafirmou que o Chade deseja continuar a ter relações privilegiadas de
amizade e cooperação com a França. Deby, que tomou o poder em Dezembro,
acusa o seu antecessor, Hissene Habré, de ter deixado os cofres do Estado
completamente vazios e as estruturas do país totalmente desorganizadas. E
deseja a manutenção de tropas francesas no seu território, a fim de
impedir agressões externas.

<p n=2530>
As autoridades chinesas condenaram ontem dois intelectuais detidos
durante os incidentes da praça Tiananmen, em Junho de 1989, a treze anos
de prisão, as penas mais pesadas contra dissidentes, desde a abertura dos
processos, em Novembro último.

<p n=2531>
A maior pena que tinha sido aplicada até agora fora de sete anos de
prisão, a 26 de Janeiro. O condenado, Ren Wanding, 45 anos, foi acusado
de «crimes graves» durante o período de Maio a Junho de 1989. Wang Dan,
número um da lista dos 21 estudantes mais procurados, fora condenado a
quatro anos de prisão e o crítico literário Liu Xiaobo foi ilibado.

<p n=2532>
Gorbatchov aceitou realizar uma reunião do Pacto de Varsóvia que vinha
sendo adiada desde Novembro de 1990. Os países do antigo bloco de Leste
encaram a notícia como a marcação do «morte» daquela aliança. Moscovo diz
que a agenda da reunião ainda não foi definida.

<p n=2533>
O desmentido referia-se às declarações de um outro porta-voz
presidencial, Vitaly Ignatenko, nas quais se revelava que «os países que
compõem o Pacto de Varsóvia concluíram que chegou a altura de pôr termo à
estrutura militar da organização». Segundo Ignatenko, o processo deveria
ser finalizado no dia 1 de Abril.

<p n=2534>
O conflito entre a Sérvia e a Croácia acaba de conhecer novos  e
inesperados desenvolvimentos.  Segundo a revista «Polítika», de Belgrado,
um empréstimo de 4 mil milhões de dólares teria sido prometido à Croácia
pela Vaticano. Segundo a mesma fonte, aquela soma deveria passar por
Malta, através de um banco francês e um luxemburguês, devendo o
«mediador» receber um pagamento de 400 mil dólares. O empréstimo seria
alegadamente transferido em duas grandes remessas, a primeira das quais
no fim de Fevereiro. Seria um empréstimo por um período de dez anos, ao
juro modesto de 0,7 por cento.

<p n=2535>
Observadores em Belgrado recordaram que foi a segunda vez que um meio de
comunicação social sérvio acusou um «poder estrangeiro» de interferir nos
negócios internos do país.

<p n=2536>
O CANDIDATO à Presidência da República de São Tomé e Príncipe apoiado
pelo novo Governo, Miguel Trovoada, disse ontem ao PÚBLICO que os 10
milhões de dólares recebidos em 1976 do Banco Árabe para o
Desenvolvimento Económico Africano (BADEA) entraram no banco nacional
são-tomense e foram pelo mesmo devidamente geridos.

<p n=2537>
«O Governo são-tomense não procuraria saber o destino do dinheiro (se
acaso ele houvesse sido desviado)?» -- perguntou Trovoada, segundo o qual
o assunto teria decerto sido levantado quando -- de 1979 a 1981 -- o
mantiveram detido durante 21 meses e o acusaram de sabotagem económica,
depois de haver sido primeiro-ministro.

<p n=2538>
Uma pousada da Juventude com capacidade para 200 pessoas vai surgir em
Almada, estando o início das obras previsto para este ano.  Hoje, o
Ministério da Juventude vai escolher qual o projecto que vingará entre os
quatro candidatos ao que será  a primeira instalação hoteleira do
concelho.

<p n=2539>
Um telefone com atendedor automático de chamadas está à disposição dos
munícipes da Amadora, onde a Câmara tem vindo a desenvolver melhoramentos
no atendimento dos moradores no concelho.

<p n=2540>
As famílias que ocuparam prédios da Urbanização da Barrada, no Carregado
-- inacabada por falência dos construtores --, «irão em breve ser instadas
pelas autoridades a abandonar o local», disse o presidente da Câmara de
Alenquer, Álvaro Pedro.

<p n=2541>
Para quem planeia a cidade deve ser um desgosto e uma dor de alma ver no
que às vezes resultam as soluções idealizadas pelos urbanistas. Por
incompetência ou por venalidade, permite-se que um simples edifício
consiga fazer alterar obras de vulto como a CRIL ou o Eixo Norte-Sul. E
isso não acontece só em Lisboa.

<p n=2542>
Na região de Palmela, que ocupa mais de metade da Zona Agrária de
Setúbal, nem tudo vai bem para a agricultura. Prova disso é o
desfasamento entre o número de jovens agricultores que até 1989 receberam
cursos e a quantidade de projectos de explorações surgidos.

<p n=2543>
Há, no entanto, razões que justificam as diferenças numéricas, e elas
relacionam-se com estrangulamentos a nível regional e nacional. A falta
de uma rede de comercialização para o escoamento de produtos e a carência
de meios que apoiem a mudança necessária, uma vez que quase não existem
postos de experimentação são algumas das dificuldades regionais.

<p n=2544>
O despiste de um pesado de mercadorias ocorrido na tarde de
segunda-feira, na estrada nacional número 16, próximo da Guarda, provocou
a morte de uma pessoa, segundo informou a Brigada de Trânsito (BT) da
GNR.

<p n=2545>
O acidente da EN 125 foi um dos 177 registados pelas patrulhas da BT
desde as 12h00 de domingo até à mesma hora de ontem. Os sinistros
verificados causaram cinco mortos e 119 feridos, dos quais 17 se
encontram em estado grave.

<p n=2546>
Um doente mental internado no Hospital de Sobral Cid, nos arredores de
Coimbra, foi segunda-feira trucidado por uma automotora da linha da
Lousã, cuja circulação ferroviária esteve interrompida entre as 14h10 e
as 17h30.

<p n=2547>
Ninguém pensou que viesse a ser tão simples. Em menos de duas horas, o
navio Kai estava de novo a flutuar depois ter estado encalhado durante
seis dias em S. Jacinto, Aveiro, dentro do perímetro da Reserva Natural.
Ontem, foi já possível lançar alguma luz sobre as causas do encalhe,
presumivelmente uma avaria no leme. Depois de salvo, o barco foi rebocado
até ao porto de Leixões, onde o comandante, de nacionalidade alemã vai
ser ouvido pelas autoridades marítimas.

<p n=2548>
O mais famoso par de dançarinos de Hollywood, Ginger Rogers e Fred
Astaire, estão na Cinemateca, no início de um ciclo que lhes é dedicado.
Às 18h30, uma fita apropriada para a ressaca do Carnaval: «Flying Down To
Rio» (Voando para o Rio), de Thornton Freeland. Pelas 21h30, é a vez de
«The Gay Divorcee» (A alegre Divorciada), de Mark Sandrich. Ambos os
filmes são legendados em português.

<p n=2549>
Se a chuva não for demasiado intensa, como se prevê, pode dar hoje um
salto ao Autódromo do Estoril para ver os treinos de Fórmula 1. São os
preparativos para a próxima época, com testes aos novos pilotos, carros e
equipamentos.

<p n=2550>
A chuva que desde as primeiras horas de ontem vinha caindo com
intensidade em Lisboa, dobrou de intensidade entre as 6h00 e as 12h00
alagando algumas vias e inundando as habitações mais degradadas das zonas
baixas. Os 65 litros de água caida por metro quadrado verificados na
capital constituem o valor mais elevado registado este ano. Para hoje já
se vão notar melhorias no estado do tempo.

<p n=2551>
Sob o Viaduto Duarte Pacheco, um manto de água com mais de 100 metros de
extensão fez duas «vítimas» em poucos minutos: Primeiro um carro da RTP e
pouco depois uma carrinha taparam a zona que parecia mais acessível e
«convenceram» outros automobilistas a inverter a marcha, procurando
diferentes caminhos.

<p n=2552>
Os utentes da linha de Sintra continuam à espera de uma melhoria nas
condições de transporte de e para o emprego. Projectos é coisa que não
falta na CP. Resta esperar cerca de cinco anos para ver se morar à sombra
da Serra de Sintra será mesmo um privilégio.

<p n=2553>
Quanto ao espaço habitualmente utilizado para estacionamento, a CP prevê
instalar parcómetros. A decisão -- ainda «em estudo» segundo um
responsável da Direcção Comercial --, viria ao encontro da nova política
de rentabilização de espaços da companhia, de que é exemplo a actual
instalação daqueles aparelhos no parque da estação do Rossio.

<p n=2554>
Os foliões que todos os anos por altura do Carnaval descem às ruas de
Lisboa ficaram este ano recolhidos em casa. As brincadeiras do «Rei Momo»
ficaram adiadas devido à tromba de água que se abateu sobre a cidade.

<p n=2555>
Segundo a secção de Busca e Salvamento do Comando Naval do Continente, a
corveta «João Robi» foi destacada para socorrer o navio espanhol
imobilizado por alagamento da casa das máquinas. A embarcação, que
viajava de Vigo para Las Palmas, foi rebocada, ainda durante a noite,
para Lisboa e os seus seis tripulantes nada sofreram. A «Fernanda
Gilberta» foi rebocada por uma embarcação espanhola para a Praia da
Baleeira, depois de ter comunicado com a capitania de Portimão dando
conta de problemas mecânicos. A operação foi vigiada pela lancha
Albatroz.

<p n=2556>
Os foliões que todos os anos, por altura do Carnaval, descem às ruas de
Lisboa ficaram este ano recolhidos em casa. As brincadeiras do Rei Momo
ficaram adiadas, devido à tromba de água que se abateu sobre a cidade.

<p n=2557>
Com o objectivo de «desenvolver a criação de ovinos e caprinos, nos
aspectos científicos, técnicos e económicos», vai decorrer entre 16 e 22
de Março, no pavilhão do IROMA, em Beja, a Ovibeja. As presenças de
delegações de França e Espanha estão já asseguradas.

<p n=2558>
O forte nevão que se registou na Serra da Estrela e por toda a Beira
Interior obrigou a que muitas estradas fossem cortadas ao trânsito
durante a manhã de ontem, como no troço Viseu/ Vouzela da IP5, ou durante
todo o dia, como em toda a região da Covilhã.

<p n=2559>
Pelas 14h00, em Gouveia, perto do Curral do Negro, os Bombeiros tiveram
de socorrer uma viatura que ficou encurralada na neve -- mas, embora esta
caia com grande intensidade, não se registaram danos pessoais.

<p n=2560>
Os vereadores do PSD na Câmara reafirmaram a necessidade de ser aprovado
o projecto de ampliação das instalações do Clube Oriental de Lisboa, que
está a ser apreciado pelos serviços do município. A posição dos eleitos
social-democratas surge na sequência da visita que o primeiro-ministro,
Cavaco Silva, fez sábado ao clube.

<p n=2561>
Na posição agora divulgada, os social-democratas lembram as «assimetrias
gritantes» entre as zonas ocidental e oriental da cidade e falam na
«extraordinária alteração na fisionomia e qualidade de vida» que a
eventual realização da Exposição Internacional de 1998 em Lisboa
naturalmente provocará na zona.

<p n=2562>
Em terça-feira de Carnaval e numa surpresa agradável para os habitantes,
pouco habituados à sua presença, a neve caiu ontem durante grande parte
da manhã e início da tarde na região de Portalegre.

<p n=2563>
A Câmara do Porto vai consultar brevemente uma série de gabinetes de
arquitectura para seleccionar a equipa que trabalhará no projecto de
reformulação do Teatro Municipal Rivoli.

<p n=2564>
Era o último oleiro de Melides, pequena aldeia do litoral alentejano. Há
pouco mais de três semanas fez a última fornada. Há duas, fechou a
oficina e foi trabalhar de servente de pedreiro. Há porta, deixou mais de
1000 alcatruzes por vender.

<p n=2565>
Este ano, nem os alcatruzes lhe valeram. O polvo foi pouco e raras foram
as encomendas destes recipientes de barro, próprios para a pesca do
octópode. «Fiz mil. Agora, sei lá quando os vendo. Se não houver falta,
tenho de aguentar com eles aí.»

<p n=2566>
A Câmara de Vila real de Santo António anunciou o lançamento de um
programa de acção social  destinado a atenuar as assimetrias sociais no
concelho algarvio.

<p n=2567>
A câmara vai também montar um esquema de apoio à recuperação de
toxico-dependentes e de defientes cujas famílias tenham um rendimento
«per capita» inferior ao salário mínimo nacional.

<p n=2568>
Para além de «Hud, O mais Selvagem entre mil» (ver destaque), o outro
filme do dia -- «Fim de Outono», o antepenúltimo de mestre Yasujiro Ozu,
às 22h30, no Canal 2 -- merece, igualmente, a atenção do telespectador, em
particular o mais cinéfilo. «É uma das obras-prismas do cinema moderno a
não perder de modo nenhum», na opinião de Manuel Cintra Ferreira.

<p n=2569>
Logo no dia seguinte à exibição de «1941, Ano Louco em Hollywood», a RTP
brinda-nos com outra farsa, que recupera para o cinema contemporâneo as
tradições do burlesco clássico, em particular a comédia de «destruição»
em que Laurel e Hardy foram exímios. Mas o que nestes era controlado e
rigoroso, seguindo um percurso impossível de quebrar pela lógica das
provocações, naquele filme e em «O Dueto da Corda» tal processo tem uma
organização caótica, que por vezes atinge momentos brilhantes, mas no
balanço final surge como uma mera gestão de efeitos cada vez mais
espectaculares sem grande função narrativa, como é o caso da perseguição
final, fabulosa em termos visuais e de ritmo.

<p n=2570>
«As Aventuras de Till» perante as tropas castelhanas, numa Flandres do
século XVI, eram capazes de fazer as delícias de Dom Nuno Álvares
Pereira, não fosse tão «vã essa glória de mandar». Em cinema, a única
passagem pela realização do actor Gérard Phillippe, o sucesso não foi
grande. Na verdade, sucesso algum se verificou. «Fan Fan la Tulipe», o
actor, viu a sua experiência gorada. A presença de Jean Vilar não
adiantou nem atrasou, e a ajuda de Joris Ivens na realização (é ele o
responsável por essa fabulosa «História do Vento» que a RTP fez o favor
de exibir recentemente) não salvou o filme de ser ignorado pelo público.
Na maioria das vezes as grandes audiências até andam enganadas, de
maneira que é preferível confirmar e seguir a luta desse lendário herói
flamengo, Till Eulenspiegel, na Primeira Matinée do Canal 1, às 14h45. À
noite, são «os homens»: Dan Ackroyd e John Belushi, entre o figurino de
«gangsters» e o de angariador de fundos para a «boa acção». O destaque de
Manuel Cintra Ferreira tudo esclarece. No Canal 2, às 21h30, «Ele há
Coisas», com Alexei Sayle, que, através das insignificâncias do
dia-a-dia, põe a nu os absurdos que, com a maior das convicções, usamos
como suporte de todo um estilo de vida. É o humor britânico, premiado e
mais do que premiado, que a qualidade dos filmes apresentados em Lotação
Esgotada nem sempre deixa seguir. Quanto ao resto, o que se sabe:
Papa-Notas, os amigos infalíveis, no Recreio do 2, às 16h50. Dizem que é
para meninos, mas recomenda-se para adultos. As histórias que a música
permite não ficam mal a ninguém. Bem pelo contrário. M.A.G.

<p n=2571>
Imediatamente a seguir, refere a existência de outros grupos de jovens
que se podem formar «ainda em torno da astronomia, como sucede na Escola
Secundária Emídio Navarro, ou em torno do interesse musical, ou do
teatro, como no Pragal!».

<p n=2572>
Li a tua indignação contra a maré negra que Hussein desencadeou no Golfo:
a primeira catástrofe ecológica que não foi determinada pela ganância do
lucro e pela irresponsabilidade social das empresas ou Estados, mas sim
por um acto de guerra. Tens razão: os fins nunca justificam os meios,
este é mesmo um crime universal.

<p n=2573>
Mas onde está a tua guerra limpa? Nos bombardeamentos igualmente
indiscriminados sobre as populações civis de Bagdad e Baçorá? Nos
sessenta mil palestinianos em campos de concentração? A aliança ocidental
não pode invocar a defesa do direito internacional, que raras vezes
respeitou -- a Turquia em Chipre, Israel na faixa de Gaza, os americanos
na Guatemala, em Cuba, no Vietname, na Nicarágua, em Granada, o silêncio
de todos sobre Timor. Serão estes os «libertadores do Kuwait» -- onde
quatro por cento da população continuará a exercer o direito de voto para
a sobrevivência do mais plutocrático dos regimes. E quantos mortos achas
que vale esta causa, para que a guerra seja aceitavelmente limpa? Menos
de cem mil, um pouco mais? Qual é o limite ecológico para a morte
tolerável?

<p n=2574>
Da vida quotidiana em Londres ao tempo da guerra das Falklands recordo,
com prazer, os ensaios de descodificação -- antes, durante e depois do
pequeno-almoço -- das cartas dos leitores do «Times». A velha e
prestigiada secção transformara-se, provisoriamente, num veículo de
contra-informação. Oficiais na reserva, estrategistas do «Institute for
Defense Studies» e outros insuspeitos cidadãos envolviam-se num animado e
inverosímil debate acerca das melhores tácticas para ocupar as ilhas ou
das vantagens de um (pouco provável) bombardeamento da costa argentina.
Tudo «falsas pistas» destinadas a confundir o inimigo...

<p n=2575>
Para justificar esta linguagem, a BBC, invocando os precedentes da II
Guerra Mundial e da crise do Suez, argumentava com a necessidade de
salvaguardar a sua credibilidade, no plano interno e externo. Na sua
autobiografia profissional, publicada em 1988, o antigo director-geral da
BBC, Alasdair Milne, transcreve a «nota interna» que fixou a orientação a
seguir nesta matéria:

<p n=2576>
É verdade, caro amigo, ainda julgo que a guerra é sempre a pior das
soluções. Acontece, contudo, que também sei reconhecer quando ela é a
única solução.E, neste caso, estamos precisamente perante uma situação em
que, tendo sido desencadeada uma guerra a 2 de Agosto, com a invasão do
Kuwait, à comunidade internacional restavam duas soluções: ou «oferecer a
outra face» e não ripostar ao ditador iraquiano, ou desencadear uma
contra-ofensiva. Não sei se fazes parte do número dos que desejavam
oferecer a outra face, mas julgo que continuas a ser mais marxista do que
cristão.

<p n=2577>
Por outro lado, repugna-vos dar razão aos Estados Unidos. Repugna-vos,
sobretudo, encontrarem-se por uma vez do mesmo lado da barricada desse
«demónio imperialista». Comportai-vos, por isso, como o lobo da fábula:
é-vos indiferente se, desta vez, os Estados Unidos estão a actuar
correctamente, uma vez que no passado actuaram erradamente. Esta
Administração deve, assim, ser culpada dos erros das anteriores e, por
isso, só poderia enviar os seus «boys» para as areias do deserto se antes
os tivesse enviado para as matas de Timor ou para Jerusalém.

<p n=2578>
Os  MINISTROS da Justiça dos sete países de língua oficial portuguesa
reunem-se no mês de Junho em Lisboa, anunciou  ontem em Bissau o ministro
Laborinho Lúcio, após uma visita oficial de 48 horas à Guiné-Bissau. A
cimeira dos «Sete» será de «reflexão e análise» -- disse. «Os Direitos do
Homem no Direito e o Direito nas sociedades de hoje» será o tema central.
Laborinho Lúcio acrescentou que pretende realizar simultaneamente «acções
concretas de cooperação».

<p n=2579>
Concretizando, Laborinho Lúcio destacou «uma relação de afecto, uma
relação de amizade» que permite que as coisas avancem mais rapidamente,
permitindo, nesse aspecto, um «saldo francamente positivo».

<p n=2580>
« Não se compreende  que, em relação a certos países (Nicarágua, Angola,
etc.) se exija a realização de «eleições democráticas» para que cessem as
sanções contra eles e que, quanto ao apartheid, que é uma gritante ofensa
aos princípios básicos da humanidade, baste um anúncio de intenções, por
mais credível que seja, para pôr de lado toda a pressão antes de o
processo se ultimar.»

<p n=2581>
Sampaio já tem a equipa que vai cumprir a difícil missão de elaborar as
listas do partido para as legislativas deste ano. Os nomes serão amanhã
apresentados na reunião do Secretariado, mas a votação dos mesmos só
deverá realizar-se mais tarde.

<p n=2582>
O marechal Spínola desloca-se a Macau em Março para participar nas
comemorações dos 300 anos da PSP do território, marcadas para dia 14.

<p n=2583>
Vicente Ó, um português natural de Macau que estudou no colégio Moderno e
foi um dos mais destacados apoiantes locais de Mário Soares, apresentou
ontem a sua candidatura às eleições intercalares para a Assembleia
Legislativa do território, que se realizam a10 de Março.

<p n=2584>
Hoje é o dia da ressaca carnavalesca para os brasileiros -- uma festa que
este ano até foi menor em termos de incidentes. Ao acordarem desta
(apesar de tudo) festa, verificarão que durante os folguedos perderam
quatro por cento do poder de copmpra.

<p n=2585>
No Rio de Janeiro, o único incidente violento que tumultuou o desfile das
grandes escolas de samba foi protagonizado por uma mulher de 39 anos
atingida no olho esquerdo por uma bala perdida que aparentemente foi
disparada de uma favela a cerca de um quilómetro do sambódromo. Na
Baixada Fluminense, considerada a região mais violenta do mundo, onde
normalmente morrem em média 15 pessoas por fim de semana em tiroteios,
sequestros e assaltos, o número de ocorrências policiais foi considerado
abaixo do normal.

<p n=2586>
A limpeza da costa de Porto Santo, afectada por uma maré negra em Janeiro
de 1990, custou até agora cerca de 600 mil contos ao governo português,
segundo o director-geral da Marinha. Martins Cartaxo, que esteve a
inspeccionar as zonas mais atingidas, admitiu que contabilizando a
intervenção da CEE e dos países membros isoladamente, a seguradora do
petroleiro espanhol «Aragon» casusador do derrame, pagou até agora 1,4
milhões de contos com operações de limpeza da costa da ilha madeirense. O
mesmo responsável admitiu a existência de dificuldades em negociações
entre a seguradora e entidades privadas que reclamam indemnizações
indirectas em consequência da maré negra e que continuam a faltar
perspectivas de entendimento na matéria. Por outro lado, anunciou para
este ano o início do programa de recuperação biológica da costa de Porto
Santo, com o objectivo de recuperar a fauna e a flora marítimas das zonas
mais afectadas.

<p n=2587>
A epidemia de cólera que desde há 15 dias flagela o Peru já causou a
morte de 66 pessoas enquanto o número de afectados pela doença, de acordo
com os números oficiais, se cifra em 8566. Pela primeira vez desde o seu
aparecimento, o mal atingiu a região central dos Andes. A Organização
Mundial de Saúde (OMS) admitiu já como muito provável o alastramento da
epidemia de cólera do Peru aos países vizinhos, «etapa por etapa». Uma
especialista da organização assinalou que esta «é a primeira pandemia
muito grave de cólera nas Américas», desde que a doença surgiu na zona,
em 1961. A origem da epidemia peruana ainda não está determinada mas o
alto grau de contaminação da água potável nas principais cidades e do mar
que banha as costas do país constituem a principal causa da sua expansão.

<p n=2588>
Durante a manhã de ontem, a Associação do Carnaval da Bairrada foi a sede
das angústias dos organizadores do corso que o mau tempo, e pela primeira
vez em 20 anos, obrigou a adiar.  «Mesmo que o tempo melhore, já não há
nada que possa salvar a situação», afirmava um dos dirigentes, algumas
horas antes do momento previsto para o início do desfile que, à última
hora, foi adiado para o próximo domingo.

<p n=2589>
Ontem, no tradicionalmente dia mais forte do Carnaval, os donos dos
restaurantes e cafés da vila esperaram, em vão, os poucos visitantes que,
dentro dos carros, avaliavam se valia ou não a pena pagar o bilhete de
400$00.  «Nos outros anos, a esta hora já não tínhamos mãos a medir»,
comparava, a meio da manhã, Orlando Baptista, proprietário de um café
que, segundo afirmou, não registava «mais movimento do que num dia
normal».

<p n=2590>
Cerca de 52 mil pessoas morreram vitimadas por terramotos em 1990, o ano
mais mortífero desde 1976, anunciou ontem o Observatório Geológico
Americano. A cifra elevada deve-se ao sismo de 7,7 graus na escala de
Richter que abalou o Irão em 21 de Junho, provocando 50 mil mortos. No
tremor mais violento (7,8 graus), em 16 de Julho nas Filipinas, morreram
1600 pessoas. O observatório registou, no ano passado, 68 sismos
significativos em todo o mundo, oito a mais que em 1989 e seis a mais do
que a média anual da década de 1980, durante a qual os terramotos mataram
57 500 pessoas.

<p n=2591>
Um acidente nuclear esteve por um fio numa central nuclear japonesa. A
fuga de radioactividade não foi considerada preocupante mas o mesmo não
acontece com as circunstâncias da avaria -- o sistema de refrigeração da
central funcionou e isso constitui uma novidade em matéria de centrais
japonesas.

<p n=2592>
Os advogados que defendem a Mafia siciliana ganharam mais uma batalha
legal e conseguiram que quatro dezenas sejam libertados ao abrigo do novo
código penal. Os juizes face às dificuldades acrescidas na luta contra a
«Cosa Nostra» insistem na investigação mas preferem o silêncio.

<p n=2593>
As portas da sombria penitenciária de Ucciardone, na capital siciliana,
deverão abrir-se também para o chamado «papa» da Mafia, dom Michele
Greco, da «família» Ciaculli, na periferia oriental de Palermo. Dom
Michele, condenado à prisão perpétua, será um dos beneficiados pela
decisão da Cassação.

<p n=2594>
A declaração do deputado europeu da democracia cristã itialiana Roberto
Fromigoni de que o Papa corre perigo de vida por seus apelos à paz no
Golfo Pérsico não foi oficialmente desmentida pela Santa Sé. O
«Osservatore Romano» de terça-feira limita-se a lembrar que João Paulo II
tem direito, não somente como líder religioso e moral, mas também como
chefe de um Estado soberano a convidar os responsáveis das outras nações
a modificarem a sua conduta na guerra do Médio Oriente.

<p n=2595>
O único perigo das revelações de Formigoni, segundo a polícia italiana, é
o efeito de sugestão que pode ter para algum louco, repetindo o mecanismo
que levou João Paulo II a correr sérios riscos em Fátima e em Brisbane.

<p n=2596>
A central nuclear de Zarnowiec (situada próximo de Gdansk, na costa
báltica), cuja construção foi abandonada depois de dez anos de trabalhos,
será transformada numa central leiteira ou numa fábrica de batatas
fritas.

<p n=2597>
A crítica situação económica do país e a quebra na produtividade não
foram argumentos suficientes para persuadir a sociedade polaca a adoptar
outra forma de energia. A oposição é praticamente unânime. A própria
televisão mostrou imagens das instalações, bastante danificadas, com
sinais evidentes de corrosão. A isto terá de acrescentar-se o facto de o
reactor, de construção checa, ser uma peça reciclada, não totalmente
nova, o que provocou o alarme imediato em todas as populações vizinhas da
zona.

<p n=2598>
Nada parece perturbar a magnífica quietude das águas do Mediterrâneo a
não ser perfil longínquo do barco patrulha israelita. O sol intenso dilui
os contornos do arames farpado, dos tanques e das figuras de jovens
soldados das IDF que se movem no posto fronteiriço de Rosh Anikra, no
cimo de uma enorme arriba debruçada sobre o mar.

<p n=2599>
O quartel general dos capacetes azuis das Nações Unidas não dista mais do
que meia dúzia de quilómetros. Já ali estava desde 1978, -- à volta da
pequena povoação de Nakoura -- quando a sua missão era pacificar as várias
facções armadas envolvidas na guerra civil do Líbano. Permaneceu
encravado na Zona de Segurança estabelecida por Israel no Sul do Líbano
depois da guerra de 1982.

<p n=2600>
Em 1971, Melanie Safka atingia os tops com um single chamado «Mãe, o que
é que eles fizeram à minha canção?». Exactamente vinte anos depois, somos
nós quem perguntamos: o que é que eles fizeram às nossas canções? A
diferença é que não dirigimos a pergunta à mãe, mas à música de dança.

<p n=2601>
O «revivalismo» de «Unchained Melody», pelos Righteous Brothers, ficou a
dever-se ao êxito de «Ghost», a superprodução da Paramout rodada por
Jerry Zucker, fita na qual a canção reapareceu como tema da banda-sonora.
Diferente são os casos de «The Joker» da Steve Miller Band e de «Blue
Velvet» na versão de Bobby Vinton, ambas recuperadas graças à
popularidade de anúncios, a primeira num reclame da Levi's, a segunda num
da Nivea. Pelo seu lado, «Take My Breath Away» regressou mercê de dupla
reexposição, num anúncio da Peugeot e da passagem na televisão de «Top
Gun».

<p n=2602>
Como o título indica, trata-se de um «best of» de canções gravadas
originalmente no período compreendido entre essas datas, dispersas pela
discografia de álbuns da cantora. A escolha recaiu nos temas mais
imediatamente apelativos, sem que tal facto constitua um demérito grave.
Sabe-se quais são as intenções e motivações de discos desta natureza.

<p n=2603>
Sombras e luz. Cegueira e visão. As imagens iniciais mostram James Dean
em frente a uma televisão. Imagens extraídas de «Fúria de Viver» de
Nicholas Ray. «Todos os quadros têm sombras e alguma fonte de luz.» Joni
Mitchell, recorde-se, desenha e pinta, para além de cantar. Sugere-se um
universo pictórico que afinal nunca se chega, neste vídeo, a concretizar.

<p n=2604>
Outra forma de desvio -- ou talvez seja mais exacto dizer de liquefação --
das canções. Aqui a ideia é produzir condições para a livre circulação de
narrativas, de longos e voluptuosos devaneios que do quotidiano evoluem
para o surreal, consigo arrastando a diluição das estruturas de
composição. Karen tem a escola toda da improvisação nas margens do jazz,
não degenerando a herança dos progenitores famosos Michael Mantler e
Carla Bley, mas o seu estilo referencia-se mais directamente no idioma
próprio a Annette Peacock. Recorre como ela ao entrecruzamento do jazz
com a música electrónica, segue-a na sintonia como uma permanente
vertigem  discursiva, ora cantada, ora recitada. Mas o fraseado de Karen
é menos áspero, a sua errância musical bastante mais híbrida, e pelo
menos este segundo longa-duração contrasta com os solilóquios de Peacock,
na medida em que segue um esquema teatral, assentando em constantes
diálogos entre Karen e o filho Eric de Charles Mingus. Um tom de
desafectação, de exercício de estilo, de que resulta uma peça de apurado
e delicioso «non-sense».****

<p n=2605>
O álbum de Julee Cruise esteve um ano à espera para cá chegar, enquanto a
banda sonora de «Wild At Heart» sai atrasada em relação ao lançamento
internacional (Novembro) e adiantada no que se refere à estreia em
Portugal da fita (fim de Março). Aparecem agora, certamente, porque Twin
Peaks está no ar, tendo a banda sonora da série registado entre nós uma
procura que surpreendeu a oferta. Ora, de facto, estes discos são-lhe
aparentados e capitalizam na chancela do realizador, podendo ser
encarados como etapas de uma estratégia geral, que consiste em extrapolar
o seu traço cinematográfico numa sonoridade específica, em suma, um som
David Lynch.

<p n=2606>
Toda a gente dança nas novas fileiras do som britânico, menos os
Beautiful South, que continuam a fazer canções, e, para se «vingaram»,
foram a única formação recente a atingir o top 10 de LP seu país como
«Choke». Respondendo à procura, o segundo álbum representa a acentuação
do carácter autobiográfico que se resume neste «My Book», não a melhor
canção do disco, mas sim uma das mais transparentes. O maxi inclui mais
três temas comungando do carácter menos sonante, que, se for um defeito,
tem por qualidade correspondente a sinceridade.***

<p n=2607>
A guerra no Golfo está, por um lado, a desencadear o revivalismo dos
hinos pacifistas dos anos 60, mas, por outro, a provocar reacções de
«prudência» por parte de várias formações pop/rock. Esta tendência é
assim para, no lugar de tirar partido da situação beligerante e
explorá-la em termos musicais, tratar de omitir todas as referências
para-militares, mesmo sem aparente relação com a presente guerra. É assim
que formações como os Bomb The Bass e os Massive Attack já mudaram de
nome para não ferir susceptibilidades, enquanto os KLF decidiram
autocensurar o seu próprio single «3am Eternal», reeditando-os sem o
simulacro de disparos de metralhadora, que surgia em preâmbulo à canção.
Ao nível da música visual, o primeiro caso de censura voluntária é dos
Queen e diz respeito ao teledisco de «Innuendo», o single actualmente em
primeiro lugar do top inglês. A primeira versão do clip, prévia ao
eclodir do conflito, procurava capitalizar no «suspense», incluindo
imagens de bombardeamentos durante a Segunda Guerra Mundial e mensagens
pacifistas escritas em caracteres arábicos. Depois, naturalmente, quando
a guerra foi declarada, estas imagens foram consideradas despropositadas,
tanto mais que como em princípio a maior parte dos telespectadores
ocidentais não percebe o conteúdo dos ditos caracteres, e estes estão
ligados a imagens belicistas, por aí se poderia criar o equívoco de
confudir os Queen com posições pró-Hussein. Daí que a primeira versão de
«Innuendo» tenha sido retirada (embora não a tempo de ela aparecer, por
exemplo, num Jornal de Sábado) e substituída por outra em que as imagens
de arquivo da guerra são substituídas por ranchos folclóricos. Será,
provavelmente, também uma boa ocasião para os Queen, com esse primeiro
«Innuendo», seguirem Madonna na edição comercial do video-single de
«Justify My Love».

<p n=2608>
Porque será que a luz de Suzanne Vega ofusca tanto? Ouvem-se as outras
senhoras, habitantes do mesmo território, as suas vozes, as canções, as
histórias que contam e logo a imagem da nova-iorquina se impõe,
omnipresente, implacável, incontornável. Porque será? E, no entanto, o
estilo e personalidade da autora de «Days of Open Hand» são de tal
maneira próprios dela que, à partida, chegariam para fazer esmorecer a
mais pequena tentativa de concorrência. Mas, de facto e paradoxalmente,
parecem ter feito escola entre as novas gerações de cantoras femininas.

<p n=2609>
Regressando à nossa Tanita, verifica-se que entre ambas há certas
semelhanças, menos ao nível dos processos musicais propriamente ditos e
mais ao nível da atitude: tal como na obra de Suzanne Vega, cada canção
da nossa jovem conta uma história que (ao contrário daquela) se acompanha
enquanto é cantada, mas que de imediato se esquece, mal termina. Não
colam. Não impressionam. Apenas fazem cócegas. Existe uma artificialidade
latente na maneira como cada tema se desenrola. Cheira a laboratório,
desde a produção (como sempre a cargo do Rod Argent, um veterano com a
escola toda, auxiliado por Peter Van Hooke) até aos próprios maneirismos
vocais soando a «trabalho de casa», passando inclusive pela própria pose
corporal. Acerca da voz de Tanita Tikaram disse a «Q-Magazine» que «era
incapaz de soar mal». É precisamente disso que se trata, do predomínio da
forma exterior, do bonito e do agradável, sobre a beleza verdadeira, nua
e por vezes bruta, que às vezes até pode não «soar bem». Tanita é dona de
uma voz atraente. Serve-se dela para cantar canções doces, nunca
agressivas, que às vezes tocam ao de leve no firmamento estético da tal
Suzanne, como é nitidamente o caso de «Hot Pork Sandwiches».

<p n=2610>
Tudo começou com a recusa da MTV em passar o teledisco «softporno» de
«Justify My Love», o mais recente single de Madonna. Daí decorreu a
decisão de editar o clip directamente no mercado, do que resultaram
vendas de 400 mil exemplares, só nos Estados Unidos. O êxito da
iniciativa motivou a Capitol, editora da nova vedeta rap M. C. Hammer, a
lançar agora também no mercado o vídeo do seu mais novo single, «Here
Comes The Hammer».

<p n=2611>
É, portanto, mais uma hipótese para superar a crise de sucessão provocada
pela extinção dos 45 rotações em vinil, atractiva sem dúvida, mas para já
bastante problemática como solução genérica. Nem toda a gente produz
clips «sumarentos» como Madonna, ou tem ao seu dispor os orçamentos
astronómicos da promoção de M. C. Hammer -- e a edição destes clips tem
por agora custos que não permitem lançá-los no mercado por muito menos
que os programas visuais de longa duração. Esse é outro problema: se o
lançamento de «Justify My Love» até ajudou a promover a colecção de
telediscos «Immaculate Colection», contudo, o que se agoira é que os
vídeos singles virão fazer concorrência aos longos, que agora se
encontram em fase de plena expansão.

<p n=2612>
Este é o segundo de dois volumes de um novo «projecto Elvis» póstumo,
desta feita destinado a ajustar o património da lenda à comercialização
dos programas videomusicais de longa duração. O trabalho é da
responsabilidade de dois gestores do «Elvis Presley Estate», Andrew Solt,
que escreveu os argumentos e realizou os programas, e Jerry Schilling,
que os produziu, estando a narração a cargo de George Klein, «deejay»
amigo do defunto rei do rock'n'roll. O primeiro volume concentra-se anos
1955-56, destinando-se aos puristas, aqueles que celebram o «primeiro»
Elvis , considerando a sua carreira sequente a contínua abastardação do
originário espírito de rebeldia comunicado aos primeiros singles. Em
contrapartida, o segundo traça uma retrospectiva cronológica dos
principais passos da sua vida e obra, na articulação entre as facetas
pública e privada do artista ao longo dos tempos, proporcionando assim
uma visão mais articulada e global do seu percurso.

<p n=2613>
Os Sigue Sigue Sputnik devem ter sido o maior fracasso de antecipação da
história da pop. Foi pena não saberem tocar, porque tem de se reconhecer
que deles partiram algumas das ideias mais revolucionárias da música dos
anos 80. Uma delas, que, de facto, só agora ganha o devido reconhecimento
é a do teledisco para o seu primeiro single «Love Missile». Na altura
deve ter parecido despropositado todo aquele deslumbramento com
tecnologia de ponta, e em particular com arsenal bélico que não tinha
ainda sido usado em combate. Ora, a grande surpresa é que este clip de
ficção científica acabou por se revelar como uma espécie de premunição da
guerra do Golfo, em particular daquela que os telespectadores do mundo
inteiro conheceram. De facto, a guerra, tal como nós a temos recebido no
pequeno ecrã, é igual ao clip dos Sigue Sigue, ou a fantasia consumista
que eles orquestrada há cinco anos atrás é, fatidicamente, o que hoje as
forças aliadas nos apresentam agora como a realidade.

<p n=2614>
Ciclicamente o fenómeno repete-se: repescam-se álbuns inteiros dos
Beatles, respeitando o alinhamento original das canções, para as submeter
a toda a espécie de manuseios, que podem ir desde o decalque ao
tratamento de choque. Neste último caso estão os jugoslavos Laibach, com
a sua leitura épico-totalitarista de «Let it Be», levando ao paroxismo o
potencial manipulatório inerente ao fenómeno pop.

<p n=2615>
«Off Abey Road» é a transposição bem sucedida e humorada do universo pop
para as liberdades formais concedidas pelo jazz, que a cada momento
avança em explorações rítmicas e improvisatórias, alicerçadas nalgumas
das canções mais comerciais do famoso quarteto, como «Something» ou
«Octopus's Garden». Demonstração de como é possível moldar novas e
sedutoras formas a partir, como é o caso, de uma boa plasticina, sem
perder de vista o modelo original.

<p n=2616>
Esta é a colectânea possível dos êxitos dos Associates -- primeiro a dupla
Alan Rankine e Billy McKenzie, depois apenas o último --, produzidos no
período em que o grupo assinou para a WEA. Começa pelos seus dois temas
de maior sucesso, «Party Fears Two» e «Club Country», mas alarga-se por
uma série de outras produções retiradas de «Sulk» e de «Perhaps» e também
por alguns singles não incluídos em qualquer outro álbum. São de facto as
canções de maior apelo imediato, a abrir o apetite para as inevitáveis
reaudições dos seus antigos discos e a saciar o desejo de ouvir uma das
vozes mais formidáveis que a pop dos últimos anos revelou. Para os
admiradores incondicionais regista-se a inclusão de três curiosidades
pouco fáceis de encontrar noutras edições: «Take me to my girl», «Country
Boy» e a versão do antigo tema dos Blondie «Heart of Glass». Para todos
os outros, nunca será de mais recomendar uma audição do grupo. Podem
começar por aqui. ****

<p n=2617>
Francisco Manuel de Oliveira Landum, mais conhecido no meio musical por
Ricardo, é produtor, arranjador, compositor e intérprete da editora
Discossete. Integra actualmente os Da Vinci, como guitarrista e
compositor, mas já pertenceu a milhentas formações e, para além disso,
edita regularmente canções suas que são interpretadas por outros artistas
bem conhecidos do meio.

<p n=2618>
«Rattle and Hum» é o filme realizado por Phil Joanou para os irlandeses
U2, e regista o assalto do grupo à América, durante a «tournée» de
divulgação do álbum «Joshua's Tree». É um registo que reúne as passagens
da banda de Bono e The Edge por diversos palcos de uma América mítica,
por vezes cruel, quase sempre romântica. É ainda a visão do estrangeiro
sobre um país muitas vezes desejado e quase sempre mal compreendido.
Desde a colaboração com B. B. King, um dos mitos dessa América, até à
passagem pelo Harlem, a versão gospel para «I still haven't found what
I'm looking for» e mesmo a visita aos lendários Sun Studios de Memphis,
toda a tónica do filme recai sobre o fascínio que o grande país exerce
sobre o grupo e a rendição deste aos seus modelos mais romanescos.

<p n=2619>
A polícia austríaca foi ontem obrigada a intervir em Insbruck para
dispersar uma pequena manifestação pacifista que procurava impedir a
passagem de dez comboios transportando material de guerra americano com
destino ao Golfo. Os comboios atravessavam a Áustria vindos da RFA e
carregavam tanques até agora afectos às forças americanas estacionadas na
Alemanha.

<p n=2620 assunto=desporto>
Andebol: Portugal vence torneio -- A selecção A de Portugal venceu o II
Torneio Internacional de andebol feminino Esposende-91, batendo no jogo
decisivo da última jornada a Finlândia por 16-15. A Itália, que derrotou
a selecção portuguesa de Esperanças por 19-15, classificou-se em segundo
lugar.

<p n=2621>
A dívida externa iraquiana ascende actualmente a mais de 200 mil milhões
de dólares (cerca de 26 mil milhões de contos), quando no início do
conflito rondava os 80 mil milhões de dólares (mais de dez mil milhões de
contos).

<p n=2622>
Um jovem de 22 anos, morador em Corroios, foi encontrado morto, ontem ao
meio dia, numa das casas de banho do gimno-desportivo de Sesimbra. O
corpo de Luís C. foi descoberto por uma funcionária que estava a limpar
as instalações do ginásio, após o baile da madrugada anterior. Perto do
cadáver estava uma seringa, pelo que a GNR suspeita que o jovem tenha
morrido de «overdose».

<p n=2623>
Al Haroun falava a propósito de uma mensagem do Instituto Luso-Árabe de
Cooperação (ILAC) que lamenta a guerra e a ocupação do Kuwait e lembra o
apoio à criação da Associação de Amizade e de Cooperação Portugal-Kuwait,
em Setembro passado.

<p n=2624>
INTELECTUAIS APOIAM SOARES -- Centena e meia de intelectuais subscrevem um
documento que visa «desagravar o Presidente da República pelas
ingerências e deturpações de que foi alvo o seu gesto a favor da paz» no
Médio Oriente e que será hoje divulgado na Associação Portuguesa de
Escritores. Personalidades de vários quadrantes da vida cultural
portuguesa apoiam assim a resposta dada por Mário Soares ao apelo que o
presidente da Organização de Libertação da Palestina, Yasser Arafat, lhe
dirigiu.

<p n=2625>
O concurso para inspector-coordenador da Polícia Judiciária, realizado no
mês passado, foi impugnado por um dos inspectores reprovados.

<p n=2626>
O volumoso processo sobre eventuais irregularidades detectadas no
Ministério da Saúde, vai dar entrada nos Tribunais, esta semana.

<p n=2627>
O prazo limite para a conclusão do processo do Ministério da Saúde, por
parte do DIAP, apontava inicialmente para finais de Janeiro. Mas a
libertação, mediante caução de Costa Freire e o incidente de Silveira
Botelho, absolvido em Tribunal de Polícia, atrasaram as conclusões do
processo, levando, ainda, a novas diligências, só agora terminadas.

<p n=2628>
MAU TEMPO NA SERRA DA ESTRELA -- Os principais acessos à Serra da Estrela
estavam ontem à noite bloqueados devido ao forte nevão que ali caiu. As
estradas ficaram intransitáveis e o principal hotel da região, nas Penhas
da Saúde, isolado, cheio de turistas que ali passavam o Carnaval. Muitos
deles ficaram retidos noutros pontos da serra, onde, nas estradas, a neve
chegou a atingir mais de meio metro de altura. Os grupos de turistas
estavam sediados principalmente na Guarda, Tortosendo, Seia, Celorico da
Beira e Gouveia.

<p n=2629>
A Polícia de Segurança Pública da Guarda disse ter recebido vários
pedidos de socorro para o desbloqueamento de viaturas na via-rápida e
dentro da cidade, tendo montado serviços especiais de transporte de
pessoas.

<p n=2630>
CERCA DE 50 poços de petróleo estão a arder no Kuwait desde há uma
semana, admitiu ontem um porta-voz do Pentágono, o vice-almirante Mike
McConnel. «Estamos a seguir a situação, é um problema difícil», disse,
para depois responsabilizar pelo desastre os iraquianos que «têm vantagem
em provocar incêndios», a fim de utilizar o fumo como cortina de defesa
contra a aviação aliada.

<p n=2631>
O calendário da guerra é neste momento a preocupação central dos
dirigentes aliados. Em Washington, George Bush conversou com os ministros
da Defesa da França e Grã-Bretanha. Este, Tom King, declarou que estava
de acordo com a decisão americana de protelar a batalha de terra:
«Queremos ver a balança das vantagens militares pender [para os aliados]
para que quando as nossas forças se lançarem nesta campanha terrestre
podermos minimizar as baixas do nosso lado e, esperemos, também as perdas
do povo kuwaitiano».

<p n=2632>
No teatro da guerra ultimam-se os preparativos para a grande batalha
terrestre. Há tempo para testar o material, encetar acções coordenadas e
ir abrindo corredores entre os campos de minas no Kuwait. Enquanto se
espera a ordem para atacar, os bombardeamentos entram, definitivamente,
numa nova fase.

<p n=2633>
«É como se tratasse de um treino, mas detesto dizê-lo, porque existe uma
grande probabilidade de termos causado baixas [do lado inimigo]», disse a
fonte citada por um dos correspondentes da Reuter.

<p n=2634>
OS COMANDANTES dos EUA no Golfo decidiram calar Saddam Hussein, ordenando
a destruição de todos os sistemas de radiodifusão que o Presidente
iraquiano usa habitualmente para comunicar com a população, disseram
ontem fontes militares em Riad.

<p n=2635>
Ontem, a agência INA começou a emitir apenas às 13h00 TMG, contra o
habitual horário que arranca às 07h00. A retomada tardia foi precedida
por ensaios técnicos, pelo que se supõe que a estação possa ter sido
atingida por raides efectuados durante a noite.

<p n=2636>
O primeiro-ministro, Cavaco Silva, visita hoje, pelas 11h00, o Centro
Cultural de Belém para se «inteirar do andamento das obras», como
explicam do seu gabinete de apoio, e para garantir que estarão prontas a
tempo de ali se instalar a presidência portuguesa da CEE, em 1992.

<p n=2637>
Durante a visita, Cavaco Silva vai ouvir explicações de construtores e
empreiteiros e desloca-se à futura Sala do Conselho -- o «coração» do
complexo destinado a receber a presidência das Comunidades e onde se
sentarão os líderes dos países comunitários --, assiste a uma projecção de
diaporamas e faz, depois, uma curta intervenção. O primeiro-ministro tem
ainda um encontro com os jornalistas nas instalações do Centro Cultural
de Belém que ficarão destinadas a receber a imprensa.

<p n=2638>
AO FIM DE 22 dias, espera-se ainda obter um sinal de vida dos quatro
elementos da cadeia americana CBS deslocados para a Arábia Saudita a fim
de fazerem a cobertura da guerra. O «Washington Post» garantia ontem que
a equipa está detida no Kuwait, mas o Departamento de Estado diz apenas
que tem recebido informações contraditórias, quer sobre os jornalistas
como sobre os dois soldados desaparecidos, entre os quais uma mulher. O
diário americano afirmava, citando um desertor iraquiano interrogado
pelos sauditas, que Bob Simon, correspondente de guerra; Peter Bluff,
produtor; Roberto Alvarez, operador de imagem e Juan Manuel Caldera,
operador de som, estão nas mãos dos iraquianos, depois de terem sido
capturados a 21 de Janeiro junto à fronteira do emirado anexado por uma
unidade de reconhecimento de tropas do Iraque.

<p n=2639>
SADDAM HUSSEIN vai «entrar em Jerusalém montado no seu cavalo branco»,
afirmou ontem o chefe de uma organização integrista palestiniana, Assaad
Bayoud al-Tamini, através das ondas da Rádio Mãe de Todas as Batalhas.
Inspirado na tradição islâmica que diz que o profeta Maomé viajou, de
noite, de Meca para Jerusalém num cavalo branco, acrescentou: «E os
judeus sabem-no». O Presidente iraquiano «foi o escolhido por Deus para
dirigir os crentes na batalha contra os infiéis: a América, a
Grã-Bretanha, a França e os outros, assim como os árabes hipócritas»,
explicou al-Tamini à emissora iraquiana. O fundador da Jihad Islâmica
Bait al-Makdess, organização que reivindicou inúmeros atentados
anti-israelitas, afirmou ainda: «Durante quatro anos, os palestinianos
lutaram com pedras, troncos de árvore e garrafas de vidro e Deus
ajudou-os. Mas agora, finalmente, a ajuda veio de Bagdad, veio de um
homem que Deus escolheu para nos guiar».

<p n=2640>
A aviação das forças multinacionais atacou objectivos militares no Iraque
e as posições iraquianas no Kuwait. O alvo principal continua a ser a
Guarda Republicana. Um Scud caiu perto de Telavive. Outro foi
interceptado pelos Patriot perto de Riad. A enorme mancha de «crude»
deslizou mais umas quantas milhas pelo Golfo Pérsico abaixo. Os
americanos ultimam os preparativos para desencadearem o ataque terrestre.
A diplomacia soviética, iraniana ou outra esboçam novas iniciativas de
paz. Forças israelitas voltaram a bombardear campos palestinianos no Sul
do Líbano. E houve mais uma manifestação pró-Saddam em Amã.

<p n=2641>
Há exactamente quatro semanas, cumpridas hoje à noite, os primeiros
mísseis caíam em Bagdad. Com eles extremava-se a discussão sobre a
justeza ou a inevitabilidade da guerra comandada pelos americanos. Ao
ritmo dos milhões de toneladas de bombas despejadas sobre o Iraque e o
Kuwait cresceu a interrogação sobre o controlo da guerra. Agora são os
cenários do pós-guerra e o necessário processo de paz para a região que
ocupam os analistas. Sem que as anteriores questões se considerem
«arrumadas de vez» ou suscitem menores paixões. Porque só lidas do fim
para o princípio podem ter respostas definitivas. É a qualidade e a
duração da paz a que dão origem que pode justificar as guerras. Tudo o
mais são argumentos de falcões à procura de emprego, ou, pior ainda, de
corajosos belicistas recém-convertidos nos terríveis confrontos das suas
conversas de café.

<p n=2642>
01h25 -- O enviado soviético, Yevgeny Primakov, chega a Bagdad para
conversações com o Presidente Saddam Hussein.

<p n=2643>
04h50 -- Saddam Hussein reune-se com os seus auxiliares e conselheiros
mais próximos, desconhecendo-se a hora ou o local do encontro.

<p n=2644>
1 -- Que eu saiba foi o chefe da OLP que tomou a iniciativa de solicitar
ao Presidente da República os seus bons ofícios como mediador. O
esclarecimento posterior pedido por Máro Soares através da carta levada
pessoalmente pelo embaixador Nunes Barata ainda não teve resposta. Só
depois desta se poderá avaliar da oportunidade dessas diligências.

<p n=2645>
3 -- Há que distinguir aqui dois planos. O primeiro é o contributo que uma
personalidade política portuguesa pode dar para a resolução desse
conflito.

<p n=2646>
Os Estados Unidos estão a utilizar dois satélites geoestacionários,
colocados sobre o Oceano Índico, para detectar o lançamento de mísseis
Scud pelo Iraque. Os dois satélites -- cujo papel no conflito foi revelado
pela revista «Aviation Week & Space Technology» -- pertencem ao Defense
Support Program (DSP) do Comando Espacial da Força Aérea americana e são
aparelhos especializados na detecção de mísseis intercontinentais ou
lançados por submarinos. Estes mísseis, que são mais visíveis e que têm
um tempo de voo substancialmente superior aos Scud -- que são mísseis de
alcance intermédio -- podem ser detectados vários minutos anes de
atingirem o alvo, mas no caso dos projécteis iraquianos o tempo de
pré-aviso, antes do impacto, apenas atinge os 90 a 120 segundos. Apesar
de pequeno, este espaço de tempo pode ser determinante para a defesa
tanto das tropas como das populações civis, pois permite pelo menos a
colocação da máscara de gás.

<p n=2647>
A principal limitação dos satélites é que eles só podem detectar o míssil
depois deste ter sido lançado, pois apenas são capazes de ver a chama da
sua cauda. Os aviões de reconhecimento, por seu lado, tentam localizar as
rampas móveis de lançamento antes dos mísseis serem disparados. A
localização destas rampas -- que Colin Powell considerou «um alvo de alta
prioridade» -- é uma tarefa que está a ser levada a cabo, com um nível de
eficácia que não é conhecido, por aviões como os TR-1A, os U-2R, os E8A
JSTARS e os A-10 Thunderbolts.

<p n=2648>
Nada parece perturbar a magnífica quietude das águas do Mediterrâneo a
não ser o perfil longínquo do barco-patrulha israelita. O sol intenso
dilui os contornos do arame farpado, dos tanques e das figuras de jovens
soldados das IDF que se movem no posto fronteiriço de Rosh Anikra, no
cimo de uma enorme arriba debruçada sobre o mar.

<p n=2649>
O quartel-general dos capacetes azuis das Nações Unidas não dista mais do
que meia dúzia de quilómetros. Já ali estava desde 1978 -- à volta da
pequena povoação de Nakoura -- quando a sua missão era pacificar as várias
facções armadas envolvidas na guerra civil do Líbano. Permaneceu
encravado na Zona de Segurança, estabelecida por Israel no Sul do Líbano
depois da guerra de 1982.

<p n=2650>
Nada parece perturbar a magnífica quietude das águas do Mediterrâneo a
não ser perfil longínquo do barco patrulha israelita. O sol intenso dilui
os contornos do arames farpado, dos tanques e das figuras de jovens
soldados das IDF que se movem no posto fronteiriço de Rosh Anikra, no
cimo de uma enorme arriba debruçada sobre o mar.

<p n=2651>
O quartel general dos capacetes azuis das Nações Unidas não dista mais do
que meia dúzia de quilómetros. Já ali estava desde 1978, -- à volta da
pequena povoação de Nakoura -- quando a sua missão era pacificar as várias
facções armadas envolvidas na guerra civil do Líbano. Permaneceu
encravado na Zona de Segurança estabelecida por Israel no Sul do Líbano
depois da guerra de 1982.

<p n=2652>
Mais dois mísseis atingiram Israel nas últimas 24 horas. E o
primeiro-ministro, Yitzhak Shamir, voltou a dizer que a sua política não
é de contenção nem de retaliação, mas apenas «a de defender o país e a
sua população».

<p n=2653>
Dois alarmes, um às 19 horas de segunda-feira e outro à uma e meia da
madrugada de ontem, correspondendo a mais dois Scud, com um falso alerta
pelo meio, foram suficientes para quebrar a relativa rotina que se
instalava progressivamente entre a população.

<p n=2654>
1 -- No sentido mais profundo do termo, não se pode falar de uma
iniciativa do senhor Presidente da República. Houve sim, uma resposta a
um apelo do líder da OLP.

<p n=2655>
Dito isto, e tendo presente que o PR contactou previamente o
primeiro-ministro, é para mim óbvio que não houve qualquer interferência
do Presidente na esfera de acção do Governo.

<p n=2656>
Num país em que o Governo nos está sempre a dizer que os recursos para as
estruturas básicas escasseiam; num país em que o Governo nos está sempre
a dizer que não se investe na Cultura porque falta o dinheiro; num país
assim, espanta que o custo do Centro Cultural de Belém tenha começado por
ser 6,5 milhões de contos, tenha depois passado para 9,5 milhões, tenha
subido ainda para 13,5 milhões, haja disparado para 27 milhões e se fale
agora em 40 milhões. Dos 27 milhões de contos, cabem ao ano de 1991... 12
milhões; isto é, quatro por cento dos 258 milhões do Plano de
Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central
(PIDDAC). É muito para uma obra só. É muito, num país em que a água é
cortada aos museus, em que os funcionários dessas pobres instituições têm
os salários em atraso, em que nas bibliotecas falta aquecimento.

<p n=2657>
Uma coisa é certa: o empenho para terminar o Centro de Belém o mais
depressa possível tem sido grande. Porque as eleições se avizinham?

<p n=2658>
Em 1987, foi a euforia da resolução, depois veio a escolha do projecto e,
com ela, as polémicas quanto à envergadura da obra e aos fins a que se
destinava. O ano de 91 parece ser o do tempo de desencanto para o Centro
Cultural de Belém.

<p n=2659>
O pretexto é a inauguração de uma exposição permanente sobre o Centro,
mas o PÚBLICO está em condições de emitir as mais sérias reservas sobre o
alcance desta exposição. Na segunda-feira, por várias vezes e diminuindo
a cada contacto o teor do pedido, tentou obter uma explicação sobre os
núcleos em que se articularia a exposição, seus objectivos temáticos, um
contacto com o comissário responsável pela montagem e elementos
iconográficos que ilustrassem uma notícia sobre o acontecimento. Não foi
possível ir além do Secretariado de Relações Públicas, que nada sabia nem
sabia para onde encaminhar as solicitações da imprensa. Não havia
«dossier», quem podia esclarecer estava em reunião, tudo o que se
arranjava eram umas fotografias da maqueta do projecto Gregotti/Salgado.
Era segunda-feira de Carnaval, véspera de feriado, às 18h00 iam-se todos
embora: em resumo, «venham quarta-feira»...

<p n=2660>
O Centro Cultural de Belém (CCB) é uma cidadela da cultura e uma obra de
regime. Era difícil que o poder decidisse escondê-lo numa periferia
qualquer, por mais estimulante que isso fosse em termos do reordenamento
de uma determinada zona da cidade de Lisboa, ou do apetrechamento
cultural de populações carenciadas desse tipo de equipamento. Ninguém
imagina os eurofuncionários e as chefias da presidência portuguesa da CEE
a reunirem-se num dos dormitórios de Lisboa.

<p n=2661>
Assim, a decisão de não tornar subterrâneas a Avenida da Índia e a linha
de caminho-de-ferro -- invalidando deste modo a ligação física entre os
Jerónimos, o CCB e a margem do Tejo -- vem acentuar o perfil de fortaleza
do projecto pensado por Gregotti e Manuel Salgado.

<p n=2662>
O Centro Cultural de Belém é uma cidadela da cultura e uma obra de
regime. Era difícil que o poder decidisse escondê-lo numa periferia
qualquer, por mais estimulante que isso fosse em termos do reordenamento
de uma determinada zona da cidade de Lisboa ou do apetrechamento cultural
de populações carenciadas desse tipo de equipamento.

<p n=2663>
Ora, no reordenamento da zona Ajuda-Belém entende-se, obviamente, que a
cidade desce da encosta e encontra a zona ribeirinha, ligando-se,
finalmente, ao estuário do Tejo.

<p n=2664>
O Centro Cultural de Belém custará, a preços actuais, mais de 40 milhões
de contos, pois parte substancial da obra só será concretizada no próximo
ano. O Governo gastará, até ao fim de 1991, pelo menos 27 milhões de
contos -- soma acumulada desde o início da construção do empreendimento,
razão que levou os responsáveis pelo projecto a pedir à Bonança a
alteração do capital seguro de 13,5 para 27 milhões de contos.

<p n=2665>
Segundo fontes ligadas ao gabinete de Cavaco Silva, não se verificou
ainda uma discussão formal no Governo sobre o custo final da obra -- os 40
milhões de contos agora previstos --, que tem sido, no entanto, referido
com crescente insistência nos meios parlamentares. Recentemente, o
ministro das Obras Públicas e dos Transportes, Ferreira do Amaral, e o
secretário de Estado da Cultura, Pedro Santana Lopes, foram interpelados
sobre o processo, não respondendo às questões colocadas. Infrutífera foi
também a iniciativa da comissão parlamentar de Educação e Cultura, que
tentou deslocar-se ao Centro, mas a visita foi repetidamente adiada.

<p n=2666>
Tutelada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, a preparação da
presidência do Conselho das Comunidades Europeias tem na formação de
cerca de dois mil elementos da administração pública um dos seus pontos
centrais.

<p n=2667>
Dos restantes funcionários espera-se que estejam plenamente a par de
todos os assuntos comunitários. O curso de formação a ministrar a este
grupo mais largo está a cargo do Instituto Nacional de Administração
(INA).

<p n=2668>
QUANDO HÁ um mês ordenou o lançamento da operação Tempestade no Deserto,
o Presidente George Bush invocou a necessidade de defender com armas uma
"nova ordem mundial"; mas analistas militares nos Estados Unidos duvidam
que a operação seja um bom indicador da eficácia das forças armadas
americanas na resposta a futuras crises.

<p n=2669>
Mas a maior parte dos problemas identificados no decurso da operação está
mais relacionada aos aspectos convencionais, como a capacidade de
mobilização, do que com a alta tecnologia.

<p n=2670>
O aparente adiamento da ofensiva terrestre veio dar novo espaço aos que
tentam ainda encontrar meios para pôr fim à guerra do Golfo, embora as
iniciativas nesse sentido sejam encaradas com cepticismo pelos seus
próprios promotores. A diplomacia procura um lugar neste tempo de
hostilidades, ao mesmo tempo que ensaia cenários para o pós-guerra.

<p n=2671>
Ontem, o porta-voz de Gorbatchov, Vitali Ignatenko, anunciara que o
objectivo de Primakov «era o de tentar convencer o Iraque a aplicar as
resoluções das Nações Unidas» e que as conversações do enviado soviético
em Bagdad teriam como base o discurso pronunciado pelo líder soviético no
sábado. Nesta declaração, Gorbatchov apelou a Saddam a dar «provas de
realismo» e manifestou a sua preocupação face à possibilidade de os
aliados estarem a ultrapassar o mandato que lhes fora conferido pela ONU.
Fontes oficiais soviéticas, citadas pela Reuter, confirmaram que Primakov
não era portador de uma iniciativa específica, mas que Moscovo estaria
disposta a dar garantias ao Iraque de que não sofreria represálias no
caso de se retirar do Kuwait.

<p n=2672>
O aparente adiamento da ofensiva terrestre veio dar novo espaço aos que
tentam ainda encontrar meios para pôr fim à guerra do Golfo, embora as
iniciativas nesse sentido sejam encaradas com cepticismo pelos seus
próprios promotores. A diplomacia procura um lugar neste tempo de
hostilidades, ao mesmo tempo que ensaia cenários para o pós-guerra.

<p n=2673>
Ontem, o porta-voz de Gorbatchov, Vitali Ignatenko, anunciara que o
objectivo de Primakov «era o de tentar convencer o Iraque a aplicar as
resoluções das Nações Unidas» e que as conversações do enviado soviético
em Bagdad teriam como base o discurso pronunciado pelo líder soviético no
sábado. Nesta declaração, Gorbatchov apelou a Saddam a dar «provas de
realismo» e manifestou a sua preocupação face à possibilidade de os
aliados estarem a ultrapassar o mandato que lhes fora conferido pela ONU.
Fontes oficiais soviéticas, citadas pela Reuter, confirmaram que Primakov
não era portador de uma iniciativa específica, mas que Moscovo estaria
disposta a dar garantias ao Iraque de que não sofreria represálias no
caso de se retirar do Kuwait.

<p n=2674>
Vozes castrenses comentaram, por diversas vezes, o desenrolar dos
acontecimentos no Golfo e o envolvimento do seu país. Um almirante
começou a «meter água» e acabou a apresentar desculpas.

<p n=2675>
Os partidos da oposição reagiram imediatamente e o Ministério da Defesa,
em nota divulgada na tarde da própria sexta-feira, marcou um encontro do
almirante com o seu superior hierárquico. Durante o fim-de-semana, os
centristas do CDS pediram sanções sobre Arenosa e os comunistas a sua
demissão. Júlio Anguita, secretário-geral do PCE, diria mesmo que não se
devia privar o militar das honras da guerra e, em consequência, mandá-lo
para a frente, trocando os rigores do Inverno cantábrico pelo calor da
guerra e do deserto.

<p n=2676>
País em que mais de sessenta por cento dos seus 24 milhões de
habitantes ainda vivem abaixo do limiar de pobreza, Marrocos terá em 1991
um ano bem pior do que é costume -- os efeitos da guerra do Golfo são por
enquanto apenas graves, resta saber até onde chegarão.

<p n=2677>
Mas é um mercado muito indigente, esse a que se dirige o gabinete de
crise. Mais de sessenta por cento dos marroquinos vivem abaixo do limiar
de pobreza. Há um milhão de desempregados. De acordo com um relatório de
Outubro último da delegação em Rabat da Organização Mundial dos Direitos
do Homem, a maior parte das famílias marroquinas vive «em condições
deploráveis», em casas insalubres e com problemas de subalimentação.
Centenas de milhares de crianças com idades inferiores a 12 anos são
obrigadas a trabalhar no campo, em actividades manuais e na serventia
doméstica das cidades. «A ineficácia da regulamentação sobre o trabalho
permite uma exploração vergonhosa da mão-de-obra infantil», lê-se no
relatório, que assinala o aumento da criminalidade juvenil «por delitos
estritamente ligadas à pobreza das famílias», tais como o roubo, a 
prostituição, o tráfico e consumo de drogas e a violência sobre parentes
idosos.

<p n=2678>
A JORDÂNIA vai começar a receber, este mês, petróleo da Síria, para fazer
face à grave situação energética que enfrenta desde que perdeu os seus
dois maiores fornecedores de crude, o Iraque e a Arábia Saudita.

<p n=2679>
Apesar do embargo internacional contra o Iraque, este país continuou a
enviar, principalmente por via terrestre, cerca de 60 mil barris de
petróleo por dia para a Jordânia. Depois que a estrada Amã-Bagdad se
tornou num alvos preferenciais dos bombardeamentos aliados, os
fornecimentos de crude iraquianos baixaram para apenas 5000 a 10 mil
barris por dia, segundo fontes oficiais jordanas citadas pela agência
Reuter.

<p n=2680>
O Fantasporto parece definitivamente transformado num festival de grande
público, com espectadores acorrendo às centenas e esgotando lotações à
tarde, à noite ou de madrugada. E em tempo festivo como o que corre, o
gosto pelo cinema vai de mãos dadas com a vontade de festejar o Carnaval.
As produções americanas do género fantástico continuam a marcar uma
presença dominante, embora bem contrabalançadas pela diferença do cinema
europeu -- onde se destacam, por exemplo, imagens fortes de desencanto
vindas da União Soviética.

<p n=2681>
A Câmara do Porto vai mudar a estrutura de gestão do Teatro Municipal
Rivoli. Manuela de Melo, vereadora do pelouro da Animação Cultural,
convidou já um conjunto de personalidades das diferentes áreas artísticas
para integrarem um conselho consultivo que será responsável pela
programação deste espaço. Ricardo Pais, Olga Roriz, Pinho Vargas, Mário
Dorminsky e o cónego Ferreira dos Santos são algumas das individualidades
que já aceitaram o convite da autarquia. As obras de recuperação do
Rivoli vão, entretanto, prosseguir com a reconversão das áreas que
actualmente não são aproveitadas, como o «foyer» do primeiro andar.

<p n=2682>
Os produtores de filmes de Hollywood estão preocupados: o público vai
menos ao cinema e há filmes caros, protagonizados por vedetas, que têm
sido fracassos de bilheteira. Ao examinar a lista dos filmes mais
populares de 1990, os estúdios tiveram uma surpresa ao encontrar nos
primeiros lugares «Ghost», «Um Sonho de Mulher», «Sozinho em Casa» e
«Tartarugas Ninja». Eram filmes em que poucos acreditavam. Veremos como
reagem a estes factos os elementos da Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas de Hollywood, que hoje vão divulgar a lista das
nomeações para os Óscares.

<p n=2683>
José Manuel Galvão Telles, João Proença e José Sócrates são nomes dados
como certos na equipa escolhida por Sampaio para elaborar as listas de
deputados às legislativas deste ano. O Secretariado dos socialistas, que
amanhã se reunirá, conhecerá todo o elenco daquela comissão, mas a
votação dos nomes só deverá realizar-se na próxima reunião da Comissão
Política, a efectuar antes do final do mês.

<p n=2684>
Esta não é a primeira vez que uma brincadeira de Carnaval termina com
consequências graves. Em 1985, uma criança de 10 anos da Escola
Preparatória do Cacém, ficou gravemente ferida na mão direita devido à
explosão de uma bomba carnavalesca, e em Caminha, outra bomba incendiou a
roupa de uma criança.

<p n=2685>
Foram casos como estes que levaram em 1988 o Ministério do Planeamento e
da Administração do Território a publicar um decreto de lei que
determinou que «a venda e o lançamento das bombas de arremesso e
designadamente das chamadas bombas de Carnaval ficavam sujeitas a
licenciamento prévio, susceptível de concessão, apenas a maiores de 18
anos».

<p n=2686>
O planeamento do estudo de mercado «Reader's Digest Eurodata» foi
iniciado em Julho de 1989. Depois, em Março de 1990, realizaram-se
entrevistas piloto em todos os 17 países abrangidos pelo questionário. A
maior parte do trabalho de campo foi efectuado entre o fim de Abril e
finais de Junho do ano passado.

<p n=2687>
Em Portugal, para 7 milhões 203 mil indivíduos foram realizadas 999
entrevistas, feitas por entrevistadores instruídos a nível central ou
regional pela Norma, especializada em estudos deste tipo. As entrevistas,
realizadas no próprio lar dos entrevistados (seleccionados
aleatoriamente), tiveram a duração média de uma hora.

<p n=2688>
Milhares de cidadãos europeus foram chamados a pronunciar-se sobre a vida
que levam, neste princípio da década de 90, através de uma sondagem
encomendada pelo «Reader's Digest». Os resultados revelam uma população
tolerante, interessada na união europeia e confiante no futuro.

<p n=2689>
O estudo promovido pelo «Reader's Digest» baseia-se em cerca de 22.500
entrevistas, realizadas no princípio do Verão de 1990. Muitas das
perguntas agora efectuadas são iguais às de outra sondagem efectuada em
1969, abrangendo os então seis países da CEE e dez outros países da
Europa Ocidental.

<p n=2690>
Jaime Rodrigues Pinto gostava de armas desde os tempos em que cumpriu o
serviço militar na Guiné, integrado numa unidade de minas e armadilhas.
Percebia de explosivos, coleccionava armas, mas sempre fez jus a um
carácter pacífico, embora folião e divertido. Num longínquo ano da década
de 60 foi vítima de um acidente com material de guerra em que perdeu um
dedo e uma parte do couro cabeludo, tendo mais tarde de fazer um enxerto
de cabelo. Aparentemente, isso não lhe provocou qualquer trauma de
guerra, segundo confirmam familiares e amigos, que não lhe descortinavam
especiais afeições ao corporativismo militar, apesar de, nos últimos
anos, se mascarar quase sempre de soldado por altura do Carnaval e de se
passear pelos bailes na posse de armas verdadeiras. Algumas delas eram
quase peças de museu, mas mantinham-se funcionais.

<p n=2691>
Na verdade, amigos e conhecidos de Jaime Pinto, ainda na madrugada de
ontem, tinham a perplexidade estampada no rosto ao tomarem conhecimento
de que era ele o cadáver que jazia sobre o soalho ensaguentado do
Zodíaco. E mais ainda por ser ele o protagonista central da tragédia que
ensombrou as vidas de alguns dos que por perto dançavam.

<p n=2692>
Esta foi das «brincadeiras» de Carnaval que ninguém mais vai esquecer na
localidade de Febres. Um homem «respeitado e querido na região»
transportava uma granada, que provocou duas mortes e criou alguns
deficientes para toda a vida. Duas horas antes, à entrada de outro baile,
tinha sido revistado pela GNR que apenas encontrara uma metralhadora de
plástico.

<p n=2693>
Às  primeiras horas da madrugada de quarta-feira as urgências dos
hospitais de Cantanhede e de Coimbra eram um verdadeiro pandemónio. As
ambulâncias começaram a chegar aos Hospitais da Universidade de Coimbra
(HUC) por volta da meia noite e meia , obrigando a PSP de Coimbra a
destacar um pequeno grupo de agentes para a entrada da cidade com a
missão de as mandar também para o Hospital dos Covões. Entre essa hora e
as 3 da manhã a estrada que liga Cantanhede a Coimbra foi palco de um
vai-vem frenético de 25 ambulâncias que fizeram, ao todo, mais de 50
viagens. Foi uma noite de insónias e desespero para dezenas de famílias
daquela região bairradina, bem patente na angústia de um jovem que tentou
entrar no Salão Zodíaco, chorando e gritando, por julgar que o seu irmão
era um dos mortos.

<p n=2694>
No hospital dos Covões entraram 33 acidentados, tendo sido registado um
óbito - Moisés Catarino Santos que faleceu às 2.55 - e ficando internados
14 feridos: António Fernandes Dias, António Miguel Monteiro, Pais Alves,
Dina Paula Santos Gomes, Eduardo silvério Ramos Oliveira, José Pedro
Américo Malú Lourenço (militar, depois transferido para o Hospital
Militar), Maria Helena Morais Teixeira, Maria Odete Marques Costa, Alípio
Mota, João Filipe Marques Anjos, Maria Leonor Costa Coelho, Rui Saldanha
Carvalho, Paulo Jorge Seabra Sampaio, Isabel Maria Gomes Costa, Carlos
ALberto Fernandes Marques, Mário Catarino Silva

<p n=2695>
Certeiro, o porta-voz saudita levantou uma questão cujo esclarecimento
pode ajudar a saber se a tragédia da madrugada de ontem em Bagdad se deve
a um inadmissível falhanço da informação militar aliada, se a uma
intencional barbaridade de Saddam Hussein, com sinistros fins de
propaganda. «Como se explica", notou o militar sauidta, "que centenas de
civis se tenham dirigido ao abrigo, sem que as sirenes da Defesa Civil
tivessem sido accionadas?"

<p n=2696>
O polémico projecto de estágios da secretaria de Estado da Reforma
Educativa vai ser objecto de discussão entre o Ministério, alunos e
representantes das universidades. Em causa está a forma como serão feitos
os estágios dos que querem ser professores.

<p n=2697>
Conforme o PÚBLICO noticiou em Janeiro, os estudantes queixavam-se de não
ter sido consultados sobre um projecto que consideravam lesivo dos seus
interesses, nomeadamente no aspecto da redução do tempo de estágio nas
escolas e no facto de aos estagiários não serem atribuídas turmas
próprias a quem dar aulas. Segundo o documento, os alunos-professores
apenas teriam direito à regência nas turmas dos seus orientadores de
estágio.

<p n=2698>
A Escola Secundária Alexandre Herculano vai abrir no próximo mês de Abril
um espaço cultural composto por um auditório e uma galeria de arte,
estando os antigos alunos e professores do estabelecimento de ensino
convidados a participar na exposição inaugural de artes plásticas com
obras suas. Os trabalhos, que por motivos de espaço não podem ser mais de
dois, devem ser entregues ao conselho directivo da escola até finais de
Fevereiro.

<p n=2699>
Vai decorrer entre 19 de Fevereiro e 8 de Março um festival de
gastronomia na Escola Secundária da Amadora, com o objectivo de divulgar
a etnografia e o património das diversas regiões portuguesas. As
actividades, que incluem exposições e divulgação de música regional, são
promovidas pelo Grupo de Ocupação dos Tempos Livres e abrangem a
gastronomia da Beira Interior, do Alentejo e dos Açores. Estão convidados
os encarregados de educação dos alunos e as outras escolas do concelho.

<p n=2700>
São mais de 30 mil os jovens portugueses a frequentar cursos do ensino
técnico, afirmou na passada semana, no Porto, o director do Gabinete de
Educação Tecnológica, Artística e Profissional, Joaquim Azevedo, que
lançou naquela cidade o livro «A Educação Tecnológica nos Anos 90». Para
Joaquim Azevedo, trata-se de uma forma de preparar o debate que se
aproxima nesta área com a conferência nacional «Novos rumos para o ensino
tecnológico e profissional», a decorrer na Exponor, em Matosinhos, entre
20 e 23 de Fevereiro.

<p n=2701>
A Universidade de Harvard mostrou-se interessada em resgatar parte da
dívida externa privada polaca (cerca de 9,5 mil milhões de dólares) para
criar um fundo destinado a financiar as bolsas de estudo dos jovens
polacos, anunciou ontem a agência PAP. Uma operação semelhante foi já
efectuada pela universidade americana em relação à dívida externa do
Equador. No caso da Polónia, refere a agência, a soma ascenderá a «alguns
milhões de dólares», tendo já sido realizada uma primeira negociação
entre o professor Thomas Sander, de Harvard, e o ministro polaco da
Educação.

<p n=2702>
A actual taxa de analfabetismo de Moçambique ronda os 65 por cento,
afirmou na terça-feira passada em Maputo o presidente Joaquim Chissano,
na abertura da II Conferência da Organização Nacional dos Professores,
que apontou como causas do facto as condições materiais dos professores,
«notoriamente insuficientes», e «a falta dramática de material didáctico
e de salas de aula». Como consequência, disse, são baixas as taxas de
aproveitamento e aumenta o número de crianças sem acesso a escolas.
Segundo Joaquim Chissano, cerca de 500 professores foram assassinados e
outros mutilados em 15 anos de guerra civil, enquanto mais de 3 mil se
encontram em situação incerta, deslocados dentro e fora do país.

<p n=2703>
«enorme apatia», denunciam a «completa ausência de medidas adequadas»
para resolver a situação e apelam ao Primeiro Ministro.

<p n=2704>
Vai ser realizado em Évora um vídeo sobre a comunidade holandesa radicada
na região, com a finalidade de motivar os jovens estrangeiros e os
descendentes de portugueses à aprendizagem da língua e cultura
portuguesas, pela divulgação de uma nova imagem do país. O vídeo visa
«dar a conhecer que esta região é já destino de imigração de comunidades
que decidem fixar-se, dedicando-se a actividades socio-económicas
diversas, com especial referência à agro-pecuária, no caso dos
holandeses», informa a Direcção Regional da Educação do Sul. Na Escola
Secundária Severim Faria, em Évora, é mesmo assegurado aos jovens o
ensino da língua e cultura holandesas por um professor de origem.

<p n=2705>
O Primeiro-Ministro, Cavaco Silva, visitou ontem o Centro Cultural de
Belém (CCB), em construção na Praça do Império, em Lisboa, e afirmou que
o «primeiro objectivo» que quis atingir com a obra foi «marcar
condignamente os cinco séculos dos Descobrimentos portugueses», uma ideia
a que só depois» se associou» a de «criar as infra-estruturas necessárias
à presidência portuguesa das Comunidades Europeias».

<p n=2706>
Como se previa, «Dances with Wolves «, realizado e interpretado por Kevin
Costner, coloca-se como favorito para os Óscares, atingindo o raro número
de 12 nomeações, à frente das sete de «O Padrinho - Parte III» e «Dick
Tracy», e das seis de «Tudo Bons Rapazes». Esperavam-se também as
citações de «Cyrano de Bergerac», mas a surpresa foi a nomeação de
«Ghost-Espírito do Amor » entre os melhores filmes.

<p n=2707>
Sucede que os Óscares são, e este é caso praticamente único (dado o peso
da produção americana), um exemplo de como uma indústria, que não esconde
sê-lo, tenta todavia rever-se em valores "academicamente" respeitáveis;
valores que se identificam com os objectivos da indústria mas, e
necessário é relembrá-lo, com as regras da respeitabilidade académica.

<p n=2708>
A banda desenhada feita por autores portugueses continua a ser a opção
fundamental das Edições ASA, que publicaram recentemente «O Tambor», um
álbum de José Garcês (desenho) e Jorge Magalhães (argumento) inspirado
em duas histórias de Júlio Dantas. A fidelidade do desenhador aos seus
temas de eleição - a História de Portugal -- volta a cumprir-se nesta
obra, em que conta com a experiência do mais produtivo argumentista
português da actualidade. O tratamento da dimensão ficcional por parte de
Jorge Magalhães contribui, assim, para conferir a esta banda desenhada
uma desenvolvura narrativa que é justo salientar.

<p n=2709>
O cinema de animação esteve representado por quatro obras: o genial «The
Bedroom», um filme de um minuto em que o holandês Maarten Koopman
reconstrói o quarto de Van Gogh, com várias referências a obras do pintor
(Prémio Especial do Júri em Cannes 90). Outra obra-prima é «Tin Toy», do
americano John Lasseter -- o primeiro filme de animação por computador a
receber um «Oscar», em 1989 --, sobre a relação de um bebé com um boneco
de música. Do imaginário dos Estúdios de Walt Disney tivemos «Back To
Neverland», de Jerry Rees, uma obra didáctica com o actor Robin Williams
(o professor de «O Clube dos Poetas Mortos») a personificar as
potencialidades e o fascínio do cinema de animação. Idêntica visita ao
reino da fantasia é proporcionada por «Classic Disney», de Bob Ferran,
uma compilação de alguns momentos dos clássicos do estúdio americano.

<p n=2710>
A obra de Vergílio Ferreira e os Descobrimentos portugueses estiveram em
destaque no stand do ICALP (Instituto de Cultura e Língua Portuguesa) no
9º Salão de Línguas Vivas, das Culturas e do Livro -- Expolangues -- que
decorreu em Paris de 7 a 11 de Fevereiro.

<p n=2711>
O inglês mantém o lugar de língua estrangeira predilecta nas escolhas dos
jovens franceses, mas agora com uma nítida preferência pelo inglês-
americano. A tradicional travessia do Canal da Mancha, no verão, para
melhorar no seio de uma família inglesa os conhecimentos da língua de
Shakespeare, já não tem o sabor a aventura dos anos 1960-70.

<p n=2712>
O espectáculo de estreia da ópera «Rinaldo» de Haendel no São Carlos
começou com um coro de vaias do público, ao ser anunciada a greve da
orquestra, mas terminou com aplausos prolongados e «bravos»
entusiásticos. Durante os intervalos e à saída, era voz corrente que
afinal a orquestra não tinha feito grande falta. Não é essa a opinião do
crítico.

<p n=2713 assunto=desporto>
Pode-se tentar compreender, se não justificar, este alheamento
generalizado, alegando alguns argumentos, o mais evidente dos quais é o
da inércia do gosto musical, apegado ao reportório clássico-romântico. De
facto, só a meio deste século (mais precisamente, a seguir à guerra de
39-45) os horizontes históricos da música de concerto e da música gravada
se alargaram progressivamente ao Barroco, aos primórdios da ópera, ao
Renascimento e à Idade Média. Mas, para mim, o factor determinante do
regresso, em força, das óperas de Haendel aos palcos modernos foi a
profunda transformação que, contemporaneamente com aquele alargamento,
sofreu a própria noção de teatro de ópera -- com a acentuação da palavra
«teatro».

<p n=2714>
Dois edifícios vizinhos da zona histórica de Vigo, considerados os
últimos sobreviventes da arquitectura civil dos séculos XV e XVI, poderão
vir a acolher, em breve, um centro de cultura portuguesa, por iniciativa
da «Asociacion Amigos de los Pazos», uma institiuição de defesa do
património viguense.

<p n=2715>
Curiosamente, os dois velhos edifícios ficam localizados na «Plaza del
Teniente Almeida», um militar português que auxiliou os viguenses a
libertar a cidade das tropas francesas. L.M.Q.

<p n=2716>
«Metropolis», a gigantesca exposição de artes plásticas contemporâneas
que reunirá em Berlim obras de 70 artistas de 20 países, está em fase
final de preparação, devendo realizar-se no mês de Abril. O certame
apresentará uma síntese das correntes estéticas mais inovadoras do início
da década de 90, nomes como os de Bruce Nauman, Jannis Kounellis ou
George Baselitz e artistas do Leste europeu, durante anos condenados ao
isolamento. Aderiram à «Metropolis» expositores como Christos
Joachimedes, de Berlim, e Norman Rosenthal, de Londres, que há cerca de
um ano começaram os contactos com os vários países no sentido de obterem
obras para a exposição. «Metropolis» é também uma homenagem a Berlim,
depois da unificação, devolvendo à cidade a condição de grande metrópole
no coração da Europa.

<p n=2717>
Melhor filme -- «Awakenings», de Penny Marshall, «Dances With Wolves», de
Kevin Costner, «Ghost- Espírito do Amor», de Jerry Zucker «O Padrinho-
Parte III», de Francis Ford Coppola e «Tudo Bons Rapazes», de Martin
Scorsese

<p n=2718>
Cerca de 300 filmes serão projectados de 15 a 26 de Fevereiro no 41º
Festival de Cinema de Berlim que se realiza, pela primeira vez, na cidade
reunificada. Na edição do ano passado, o certame, lugar privilegiado para
a apresentação das cinematografias do Leste e do Ocidente, desenrolou-se
nos dois lados da cidade, quando começava a queda do muro.

<p n=2719>
Três filmes franceses estão em competição: «Uranus», de Claude Berri, com
Gerard Depardieu, filme de abertura do festival, «Le Petit Criminel», de
Jacques Doillon e «Fortune Express», primeira obra de Olivier Schatzky.

<p n=2720>
Milena Jesenska e a Arte nos tempos de Franz Kafka é o tema da exposição
inaugurada em Praga, na Checoslováquia, e que recolhe momentos da vida e
pensamento da escritora e jornalista checa com quem Kafka manteve
correspondência. Compõem a mostra nove programas cénicos baseados em
textos, música e jogos de luzes através dos quais é evocado o mundo de
Milena Jesenska, a quem o autor de «A Metamorfose» escreveu cartas de
amor. Milena Jesenska, nascida em 1896, denunciou nos principais jornais
da época a ameaça do fascismo e, por isso, foi internada no campo de
concentração de Ravensbruck, onde morreria em 1944. O Ministério da
Cultura e Ensino da Áustria e o Ministério checoslovaco da Cultura são as
entidades organizadoras da mostra.

<p n=2721>
A maior estatura física e experiência dos sulistas não chegou para
impedir que os arsenalistas comandassem as operações durante quase todo o
jogo. No entanto, o futebol dos axadrezados, rápido e eficaz a
meio-campo, empastelava junto à área com toques a mais e      remates a
menos, daí que só na segunda parte tenha surgido o golo da vitória. Os
visitantes, por seu lado, apostavam na força de N'Kama, colocado entre os
centrais, mas o zairense esteve completamente inactivo e incapaz de dar
dois toques seguidos na bola. As ocasiões de golo foram poucas na
primeira parte e, mesmo assim, resultaram quase sempre de remates
desferidos de fora da área.

<p n=2722>
De sorrisos abertos nos rostos ainda afogueados, devido aos jogos
realizados momentos antes, centenas de raparigas abandonavam ontem, ao
fim da manhã, o Pavilhão Gimnodesportivo de Paço de Arcos, concluído que
estava o III Encontro Nacional de Andebol Feminino.

<p n=2723>
Com um ar de indesmentível satisfação estava, também, a jovem Ana Paula,
13 anos, que erguia uma taça conquistada por uma sua companheira: «Gostei
muito destes quatro dias e, apesar da minha equipa ter perdido cinco dos
seis jogos realizados, aprendi muito», declarou a atleta, assegurando
que, «para o ano, caso não surjam contratempos, gostaria de estar
presente de novo».

<p n=2724>
O sol voltou ao Estoril e, com ele, regressou a animação ao Autódromo,
onde cinco equipas continuaram a semana de testes privados de Fórmula 1.
Ontem, o mais rápido foi Pirro, em Dallara, enquanto Gugelmin (Leyton
House) acumulava quilómetros, totalizando 64 voltas ao circuito.

<p n=2725>
Depois do italiano, a «classificação» da sessão de treinos inclui os
nomes de Brundle (Brabham), com 1m18,01s; Blundel (Brabham), com
1m18,29s; Moreno (Benetton), com 1m18,46s; Gugelmin (Leyton House), com
1m19,02s, e Piquet (Benetton), com 1m19,28s. Mais do que a rapidez, as
marcas parecem ter estado mais preocupadas com a resistência das suas
máquinas. Pelo menos é o que faz pensar o elevado número de voltas
cumpridas por quase todos os pilotos. Roberto Moreno fez 59, Pirro e
Brundle 41, Nakajima 34, Piquet 23 e Blundell 17.

<p n=2726>
O procurador da república de Nápoles abriu um inquérito contra Diego
Maradona por alegada implicação em tráfico de droga, em consequência de
escutas telefónicas que colocaram em evidência um pedido do jogador
argentino de «mercadoria» e mulheres, segundo referiu a AFP, sustentada
em fontes políciais. Num comunicado publicado ontem, o procurador de
Nápoles, Vittorio Sbordone, indicou que «os apelos telefónicos
interceptados nos autos do inquérito, que visavam identificar os
responsáveis de um tráfico de  estupefacientes, levam a crer que Maradona
fez um pedido de «Mercadoria, sem, contudo, indicar o seu tipo, e de
mulheres». Vittorio Sbordone acrescentou ainda que o inquérito judicial
foi confiado a um departamento anti-droga que ficará sobre a
responsabilidade de vários instrutores magistrados em assuntos deste
nível. Maradona recusou-se a responder às questões dos jornalistas que o
interrogaram sobre o assunto, contentando-se em indicar que os seus
advogados se «ocupariam disso». Segundo o semanário «Epoca», que deve
publicar um inquérito na edição da passada quinta-feira,  Maradona teria
estado implicado neste caso de tráfico de droga, em sequência de um outro
inquérito efectudo pela polícia de Nápoles cujo os resultados foram
entregues à magistratura. Tratar-se-ia de uma centena de páginas com
transcrições de conversas telefónicas, fotografias e outras «provas»
pondo, designadamente, em causa um grupo de «passadores» de um dos clã da
Camorra, considerado um dos principais organizadores do tráfico de droga
de Nápoles.

<p n=2727 assunto=desporto>
O futebolista internacional camaronês Roger Milla, «bola de ouro»
africano em 1990, justificou a sua recusa em participar no «amigável»
Inglaterra-Camarões (2-0) do passado dia 6 de Fevereiro, em Wembley, com
o que chamou «a arrogância da Federação Inglesa de Futebol em relação à
sua congénere dos Camarões». Durante uma entrevista à televisão do seu
país, Milla afirmou que o seu país foi espoliado: «Os Camarões tinham
direito a 1,2 milhões de dólares (cerca de 155 mil contos) pela
realização do jogo e eu cheguei a pedir ao presidente da federação
camaronesa para cancelar a nossa participação, mas ele considerou que
essa atitude iria prejudicar a imagem de marca do país» -- esclareceu. «A
imprensa inglesa pôs na minha boca exigências que não fiz», acusou Milla,
acrescentando que a maioria dos espectadores de Wembley pagaram o bilhete
para o verem actuar. Vários jornais ingleses afirmaram que Milla exigira
um prémio pessoal de cinco mil libras (cerca de mil e trezentos contos)
para jogar.

<p n=2728 assunto=desporto>
O norte-americano Michael Chang, que está apostado em mudar o seu estilo
de jogo, ultrapassou facilmente o francês Arnaud Boetsch (6-3 e 6-2), em
jogo da terceira ronda do Torneio de Ténis de Bruxelas, em recinto
coberto. Os outros jogos desta prova, que distribui um milhão de dólares
em prémios (cera de 132 mil contos), tiveram os seguintes resultados:
Marc Rosset (Suíça) venceu Ronald Agenor (Haiti), por 6-4 e 6-3; Guy
Forget (EUA) venceu Eduardo Masso (Bélgica), por 6-1 e 6-2; Mats Wilander
(Suécia) bateu Omar Camporese (Itália), por 6-4, 7-6 (7/4). No torneio de
Filadélfia (EUA), que também distribui prémios pecuniários de um milhão
de contos, o norte-americano Pete Sampras fez a sua «rentrée» depois de
dois meses fora dos «courts», batendo por 6-2 e 7-5 o gigante (2,03
metros) checoslovaco, Milan Srejber, na segunda ronda. As únicas
surpresas desta ronda foram a eliminação, por compatriotas seus, dos
norte-americanos Jim Courier (perante Jim Grabb por 6-2 e 6-4) e Jay
Berger (diante de Kevin Curren por 6-1 e 6-2). No circuito feminino, a
norte-americana Zina Garrison qualificou-se para a segunda ronda do Open
de Chicago, prova dotada de prémios no valor de 350 mil dólares (cerca de
46 mil contos) ao derrotar a sua compatriota Linda Harvey-Wild, por 6-3 e
6-3. Helena Sukova, da Checoslovaca, foi a única não americana a passar à
segunda ronda, ao bater Katrina Adams (EUA) por 6-4 e 6-2.

<p n=2729>
O recordista mudial de salto à vara, Sergei Bubka, não fará parte da
selecção soviética de atletismo para o Torneio das Seis Nações, que
reunirá no próximo dia 23 de Fevereiro, em Paris, as selecções de França,
Alemanha, Espanha, Grã-Bertanha, Itália e URSS. Bubka estabeleceu no
passado sábado, durante os campeonatos do seu país, um novo recorde
mundial, com a marca de 6,08 metros. Em compensação, Irina Sergueeva,
autora no mesmo dia da quarta melhor marca de sempre nos 60 metros
femininos (7,03 segundos), a 3 centésimas de segundo do recorde do mundo
da holandesa Nelly Cooman, estará presente.

<p n=2730>
«Os atropelos sofridos pela essência do desporto, em muitas das suas
manifestações e realizações, não se devem tanto à ausência de conceitos,
de conhecimentos e perspectivas, mas muito mais à inobservância e à não
implementação dos conhecimentos colocados à disposição dos interessados
pela comunidade científica». Esta é uma das mais importantes conclusões
do II Congresso de Educação Física dos Países de Língua Portuguesa, que
decorreu na Faculdade de Economia do Porto, entre 30 de Janeiro e 2 de
Fevereiro últimos e reuniu mais de 600 participantes de países como o
Brasil, Guiné, São Tomé e Príncipe, além de representantes das regiões
autónomas dos Açores e da Madeira e do território de Macau.

<p n=2731>
Este congresso, explicou Jorge Bento, da FCDEF, surge como corolário de
um protocolo de cooperação existente há cerca de cinco anos com a
Universidade do Rio de Janeiro e que revelou a grande necessidade de
troca de experiências e conhecimentos entre as duas academias. Para
Armando Pimentel, vereador da Câmara Municipal do Porto, o congresso
serviu «para confirmar que o desporto, também na sua vertente do
conhecimento ciêntifico, se transferiu definitivamente para o Porto. Já
não temos só os campeões, os atletas de excepção e os grandes clubes,
temos também uma comunidade científica empenhada e produtiva», realçou.

<p n=2732>
A campanha de fundos que a direcção do Óquei Clube de Barcelos lançou
junto dos sócios e amigos da terra «está a ter grande sucesso» -- afirmou
ao PÚBLICO o presidente da colectividade, Jorge Coutinho. Como resultado
deste esforço para ultrapassar a situação difícil por que passa o clube,
a direcção pensa poder recuperar ou comprar, dentro em breve, as
carrinhas que perdeu num acidente e que considera imprescindíveis para o
funcionamento das chamadas actividades amadoras.

<p n=2733>
O Óquei de Barcelos entende, também, que uma recente reportagem do
PÚBLICO «exagerou» ao adiantar que uma possível razão da menor afluência
do público aos jogos de hóquei em patins estaria relacionada com a subida
do Gil Vicente à I divisão do Nacional de Futebol. Jorge Coutinho
continua a concordar que «o Gil Vicente na I divisão é novidade» e por
isso «é natural que tenha alguma influência». No entanto, diz que «o
futebol, e o Gil Vicente em particular, não justificam minimamente o que
quer que seja. Isto porque o hóquei em patins é jogado aos sábados e o
Gil Vicente joga aos domingos». A falta de público no pavilhão para
assistir aos jogos  justifica-se, fundamentalmente, com a falta de boas
exibições da equipa sénior e com as «dificuldades económicas que os
barcelenses sentem para assistir a espectáculos de alta competição» que
são caros.

<p n=2734>
Os Mitsubishi Galant VR 4 estarão ausentes do próximo Rali de Portugal, a
disputar entre 5 e 9 de Março, segundo anunciou ontem em Rugby,
Inglaterra, o director desportivo da marca japonesa, o antigo piloto
Andrew Cowan.

<p n=2735>
Desde a sua chegada ao «Mundial», nos finais de 1988, a marca japonesa
conseguiu duas vitórias em 1989 -- nos 1000 Lagos (Finlândia)  através do
sueco Mikael Ericsson e no RAC (Inglaterra) com o finlandês Pentti
Airikkala.

<p n=2736>
O Director geral companhia aérea Alitália afirmou ontem aos jornalistas
que a empresa corre o risco de «um colapso» dadas as implicações
negativas da crise do Golfo, que provocou já uma redução de passageiros
em mais de 50 por cento e obrigará a companhia a despedir, até ao fim do
ano, cerca de 2500 funcionários.

<p n=2737>
A segunda-feira foi um dia negro para os transportes aéreos, com mais de
10 mil trabalhadores despedidos pela British Airways, a TWA e a Ibéria
para além da Sabena.

<p n=2738>
O Banco da Inglaterra reduziu 0,5 por cento nas taxas de juro, depois de
seis dos mais destacados economistas do país advertiram publicamente o
Governo de que a Grã-Bretanha enfrenta problemas monetários semelhantes
aos que desencandearam a grande depressão, da década de 30.

<p n=2739>
O ex-assessor económico de Margaret Thatcher, Alan Walters, criticou o
Governo por adoptar uma redução «muito pequena e muito tardia» nas taxas
de juro. Walters defendeu uma redução de, «no mínimo, dois por cento, de
preferência três por cento». Numa carta publicada ontem no jornal «The
Times», Walters afirmava que as taxas de juro já deveriam ter sido
reduzidas há mais tempo e aconselhou o Governo a agir rapidamente, «antes
que a economia britânica seja vítima de um verdadeiro desastre».

<p n=2740>
O grupo espanhol Uralita, líder no fabrico de materiais de construção,
está a construir em Setúbal uma fábrica de contentores de resíduos
urbanos que permitirá a entrada da sua participada do ramo, a Contenur,
no mercado português.

<p n=2741>
Segundo declarações proferidas ontem em Madrid pelo seu presidente Juan
Garcia Diez, as vendas da Uralita em Portugal, em1991, já ultrapassaram
os cinco mil milhões de pesetas (cerca de sete milhões de contos).

<p n=2742>
O total de financiamentos do Banco Europeu de Investimentos (BEI) durante
o ano de 1990 ascendeu a mais de 13 mil milhões de ecus (cerca de 2,3 mil
milhões de contos), dos quais 12.680 milhões se destinaram a projectos
dentro da Comunidade Económica Europeia. Portugal, onde Ernst-Gunther
Broder, presidente do BEI, inicia hoje uma visita de trabalho, aparece em
sexto lugar nos financiamentos do banco, com 794,7 milhões de ecus (143
milhões de contos) em 1990.

<p n=2743>
Mais de metade da verba concedida a Portugal durante o ano de 1990 foi
absorvida pelo sector das comunicações. Para a ligação da auto-estrada do
Norte com a auto-estrada do Sul, para novos sublanços da auto-estrada
Lisboa-Porto, para a melhoria de toda a rede rodoviária portuguesa e para
diversas infra-estruturas de transportes nos Açores, foram concedidos
212,8 milhões de ecus (38,3 milhões de contos). O aumento e modernização
da rede de telecomunicações e do equipamento do terminal polivalente do
porto de Sines receberam, respectivamente, 138,1 milhões e 23,5 milhões
de ecus.

<p n=2744>
A Bolsa de Valores do Porto (BVP) começa hoje a funcionar com um novo
regulamento referente à segunda cotação, dando possibilidades a que todos
os títulos cotados tenham duas hipóteses diárias de negociação.

<p n=2745>
A decisão de levar este ou aquele título a uma segunda formação de preço
é feita diariamente e será uma competência da Direcção de Operações da
bolsa do Porto, que irá ainda definir os seus horários de abertura e
encerramento.

<p n=2746>
A Comissão Europeia disponibilizou 180 milhões de contos para a segunda
fase do programa especial de assistência à África sub-sahariana. Este
programa, coordenado pelo Banco Mundial, tem duração de três anos e os
recursos necessários à sua execução estão avaliados em 2,97 mil milhões
de contos, dos quais 1,08 mil milhões serão pedidos aos países doadores.
A Comunidade contribuirá com 180 milhões de contos, canalizados
directamente do Fundo Europeu para o Desenvolvimento, no âmbito da
Convenção de Lomé IV. O programa destina-se a apoiar financeiramente os
Estados da região, fortemente endividados e a promover o seu ajustamento
estrutural.

<p n=2747>
Realiza-se no próximo dia 12 de Março, na sede social da empresa, a
assembleia geral da IP Financeira-Sociedade de Investimentos, Estudos e
Participações Financeiras. A assembleia tem como objectivo a apreciação e
aprovação do relatório e contas referentes ao exercício de 1990 e a
deliberação sobre a proposta da administração para aplicação de
resultados. Também na ordem do dia, a eleição dos novos membros do
conselho de administração, a deliberação sobre a emissão de obrigações e
sobre a aquisição e alienação de acções próprias.

<p n=2748>
A Comissão Europeia aprovou ontem uma proposta que, a ser aceite pelos
ministros das Finanças da CEE, retirará a Portugal a possibilidade de
aumentar os seus impostos específicos sobre os carburantes a partir de 1
de Janeiro de 1993.

<p n=2749>
No caso da gasolina, em contrapartida, os Estados-membros deverão
aproximar os seus impostos de um nível-«objectivo», que será de 495 ecus
(89 contos) por mil litros para a gasolina com chumbo e de 445 ecus (80
contos) por mil litros para a gasolina sem chumbo. Há pouco mais de um
ano, a Comissão propôs aos Doze a fixação de uma «taxa mínima» para os
óleos minerais que se tornará obrigatória para todos os Estados-membros a
partir de 1 de Janeiro de 1993. Esta taxa foi fixada em 337 ecus por mil
litros de gasolina com chumbo e em 287 ecus por mil litros de gasolina
sem chumbo. A nova «taxa-objectivo» ontem decidida fixa um nível de
tributação considerado ideal e para o qual todos os países terão que
convergir a partir dessa data.

<p n=2750>
Operações de realização de mais-valias continuaram ontem a dominar os
movimentos das Bolsas de Valores de Lisboa e Porto, embora tal não
afectasse os títulos habitualmente mais negociados. Com efeito, foram os
papéis menos conhecidos do mercado a dominar a tendência de baixa, no
seguimento do que sucedeu com a maioria das "blue-chips" na sessão de
sexta-feira. Ontem, estas acções inverteram a tendência de ajustamento
voltando a registar variações positivas nas cotações.

<p n=2751>
As companhias aéreas europeias decidiram reduzir de uma forma coordenada
o número de voos efectuados, tendo em vista dar resposta à crise
provocada pela guerra no Golfo, mas sem «lesar o consumidor», revelou
ontem a companhia francesa, Air France. A redução do número de voos
deverá ser feita «em harmonização, de modo a não perturbar os clientes»
com a supressão total dos destinos, precisou aquela empresa.

<p n=2752>
A Associação dos Operadores de Correios e Telecomunicações dos Países de
Língua Oficial Portuguesa vai realizar até ao final do primeiro semestre
deste ano, em Lisboa, um encontro plenário para aprovar o plano de
actividades, revelou ao PÚBLICO Jorge Pinheiro, presidente da comissão
executiva daquela associação.

<p n=2753>
A elaboração desse programa, a desenvolver até 1992, data do próximo
encontro plenário em Moçambique, é a tarefa da comissão executiva saída
da reunião de Bissau, integrada por Jorge Pinheiro, em representação de
todos os operadores portugueses (CTT, TLP e Marconi) e dois
representantes dos operadores angolanos e guineenses, respectivamente.

<p n=2754>
Mário Raposo, Provedor de Justiça, pediu ao Tribunal Constitucional a
declaração de inconstitucionalidade sobre a legislação portuária. O
regime instituido para a Região Autónoma da Madeira não escapa.

<p n=2755>
Três tipos de inconstitucionalidade -- materiais, formais e orgânicas -
são avançadas no pedido. Quanto às primeiras, são apontadas «várias
violações», segundo uma fonte próxima do processo, em relação ao
princípio da igualdade e do livre execercício da actividade por parte das
entidades particulares.

<p n=2756>
Os responsáveis da International Paper e da Torraspapel deverão
deslocar-se a Lisboa, em breve, na sequência da reabertura das
negociações para a compra de 42,8 por cento do capital da Soporcel,
detido pelos ingleses da Wiggins Teape.

<p n=2757>
Os novos contactos com Lisboa surgem após o reinício das negociações com
a Wiggins Teape, que mantém a liderança do processo, cabendo à Soporcel a
colaboração na prestação de elementos sobre a empresa e informação que
permita actualizar os dados que as duas empresas já detinham.

<p n=2758>
O Banco da Inglaterra reduziu 0,5 por cento nas taxas de juro, depois de
seis dos mais destacados economistas do país advertiram publicamente o
Governo de que a Grã-Bretanha enfrenta problemas monetários semelhantes
aos que desencandearam a grande depressão, da década de 30.

<p n=2759>
O ex-assessor económico de Margaret Thatcher, Alan Walters, criticou o
Governo por adoptar uma redução «muito pequena e muito tardia» nas taxas
de juro. Walters defendeu uma redução de, «no mínimo, dois por cento, de
preferência três por cento». Numa carta publicada ontem no jornal «The
Times», Walters afirmava que as taxas de juro já deveriam ter sido
reduzidas há mais tempo e aconselhou o Governo a agir rapidamente, «antes
que a economia britânica seja vítima de um verdadeiro desastre».

<p n=2760>
José Manuel de Mello e Bernardino Gomes, ex-chefe de gabinete de Mário
Soares no governo do bloco central, acabam de constituir a Vestingal,
Sociedade de Estudos e Investimentos, empresa vocacionada para a
assistência ao investimento estrangeiro em Portugal. A Vestingal actuará
fundamentalmente nas áreas de fusões e aquisições, privatizações,
conversão de dividas externas, operações de «buy out» e análise de
mercado de capitais.

<p n=2761>
A comissão de trabalhadores das Indústrias Nacionais de Defesa-Indep
decidiu, após uma reunião em plenário geral realizada a 5 de Fevereiro,
marcar uma paralização para o dia de hoje ás 14 horas, seguida de uma
concentração em frente do Ministério da Defesa, uma hora depois. A
paralização, que terminará às 24 horas, tem por objectivo protestar
contra o aumento salarial de 12 por cento decidido pela tutela.

<p n=2762>
O grupo espanhol Uralita, líder no fabrico de materiais de construção,
está a construir em Setúbal uma fábrica de contentores de resíduos
urbanos que permitirá a entrada da sua participada do ramo, a Contenur,
no mercado português.

<p n=2763>
Segundo declarações proferidas ontem em Madrid pelo seu presidente Juan
Garcia Diez, as vendas da Uralita em Portugal, em1991, já ultrapassaram
os cinco mil milhões de pesetas (cerca de sete milhões de contos).

<p n=2764>
A HIPÓTESE de utilizar algum do dióxido de carbono emitido por
actividades humanas no crescimento de diversas espécies de algas e,
assim, reduzir a contribuição deste gás no efeito de estufa tem vindo a
ser estudado por diversos cientistas americanos, com o apoio do Conselho
Nacional de Investigação (NRC) dos EUA.

<p n=2765>
Outra das questões que os diversos cientistas do NRC estão a estudar é a
possibilidade de criar em zonas perfeitamente controladas, como as
actuais explorações de aquiacultura, grandes quantidades de algas que
depois serviriam como fertilizantes do solo.

<p n=2766>
A maior actividade do hemisfério esquerdo do cérebro pode estar ligada
com um temperamento alegre e extrovertido, enquanto o lado direito parece
estar mais relacionado com a melancolia, concluíram cientistas
americanos, num estudo citado pelo «New York Times». A confirmarem-se
estes resultados -- que os cientistas dizem não ser ainda inequívocos -- a
análise da actividade cerebral numa idade precoce permitirá identificar
as pessoas que, mais tarde, poderão apresentar crises de depressão.

<p n=2767>
Apesar dos resultados deste estudo terem sido tornados públicos no final
do ano passado, só agora eles estão a levantar alguma polémica nos EUA,
depois de, num programa de televisão da cadeia CBS, os órgãos de
informação terem sido novamente atacados por não darem suficiente
destaque às revelações do painel de cientistas.

<p n=2768>
Os amigos dos animais na Grã-Bretanha descobriram uma nova maneira de
reduzir o número de animais utilizados em experiências científicas: doar
o seu próprio corpo à ciência, no caso de morrerem num acidente. Com a
criação de um cartão de doador para a investigação humana, os membros das
organizações de defesa dos direitos dos animais -- que têm criticado
violentamente a utilização de animais em testes -- pensam assim contribuir
para a protecção de todas as espécies utilizadas nas experiências
científicas.

<p n=2769>
Os resultados de uma pesquisa das fontes de raios X em todo o universo
são publicados na edição de ontem da revista «Nature», em artigo assinado
por investigadores do Instituto Max-Planck para a Física Extraterrestre,
em Garching, na Alemanha. Conseguidas através do satélite Rosat, a
«Nature» publica as primeiras imagens de raios X da superfície da Lua,
para além de confirmações de 30 outras fontes de raios X, documentadas
pelo observatório Einstein e outras missões espaciais. A pesquisa do
Rosat, que descobriu 15 novas fontes de emissão de raios X, foi
bruscamente interrompida no passado dia 26 de Janeiro, a uma semana do
seu termo, por problemas nos computadores e nos instrumentos de bordo. Os
cientistas do Rosat ainda não decidiram quando retomarão as suas
investigações usando os duplicados dos instrumentos avariados que se
encontram a bordo do satélite.

<p n=2770>
As experiências clínicas de um dispositivo francês para o tratamento da
hipertrofia da próstata em homens de meia-idade foram recentemente
autorizadas nos EUA, revelou o seu fabricante Technomed International SA.
O aparelho, chamado Prostaton, é já usado em mais de 30 clínicas
europeias desde meados de 1990 e resolve, pela emissão de micro-ondas
dirigidas à próstata, o problema principal causado pela hipertrofia: o
impedimento de urinar.

<p n=2771>
ACTUALMENTE, a Administração argentina é conhecida por uma palavra:
«Scud» -- não se sabe quando cai nem o que contém. Depois do indulto aos
militares, do envio de navios de guerra argentinos para o Golfo e das
denúncias de corrupção governamental lançados pelo embaixador americano
em Buenos Aires, o Governo peronista encontra-se mergulhado numa crise
cujas consequências são imprevisíveis.

<p n=2772>
O VICE-PRIMEIRO-MINISTRO da Federação Russa, Gennady Filshin, demitiu-se
ontem, alegando estar a ser vítima de uma campanha destinada a
desacreditar a liderança liberal da república. Filshin é um reformista e
esteve ligado ao programa de 500 dias para a recuperação económica da
URSS, entretanto abandonado. Na sua carta de demissão, o
vice-primeiro-ministro declarou-se convencido de que os «serviços
especiais» -- uma clara referência à KGB - e responsáveis soviéticos da
«velha guarda» estavam a tentar desacreditar o líder da Rússia, Boris
Yeltsin. «Actualmente já não posso desempenhar as minhas funções e sou
obrigado a perder imenso tempo a explicar verdades óbvias e a desmentir
ataques infundados», explicou. Filshin foi acusado de envolvimento num
negócio com uma empresa britânica declarada ilegal pelo banco estatal
soviético. O primeiro-ministro russo, Ivan Silayev, declarara na semana
passada, perante o Parlamento russo, que o Partido Comunista e o KGB
tinham começado uma «caça às bruxas» contra o seu Governo.

<p n=2773>
O PRESIDENTE albanês Ramiz Ali avisou ontem os estudantes em greve que
não cederá às suas reivindicações, admitindo porém que o país está em
crise e a viver «um momento de profunda mudança». No seu primeiro grande
discurso desde a onda de prisões de Novembro, o líder comunista elogiou o
ex-Presidente albanês Enver Hohxa mas reconheceu ter comeido erros
políticos e económicos. A solução para a actual crise não pode no entanto
ser resolvida com manifestações ou greves de estudantes, disse Alia. Na
terça-feira, mais de 10 mil estudantes -- muitos dos quais em greve desde
há uma semana -- e membros da jovem oposição concentraram-se em Vlore, uma
cidade no Sul albanês, pedindo a demissão do Governo e a retirada do nome
de Hohxa da fachada da Universidade de Tirana. Muitos albaneses continuam
entretanto a fugir do país e ontem mais 266 entraram clandestinamente na
Grécia.

<p n=2774>
O sucessor do «velho» jipe chama-se «Humvee» e é agora o veículo «para
todo o serviço» das tropas americanas estacionadas no Golfo. O nome de
baptismo não é mais do que a simplificação das iniciais HMMWV para as
palavras inglesas «High Mobility Multipurpose Wheeled Vehicle», que
significam «Veículo polivalente sobre rodas de grande mobilidade».
Construído pela General Motors, com um peso total de 3870 quilos e um
motor diesel de 130 cavalos, o novo Humvee atinge a velocidade máxima de
105 quilómetros por hora.

<p n=2775>
O que, na Suécia, quase significa ascender a um trono, dado que o Partido
da Nova Democracia tem à sua frente «apenas» os sociais-democratas -- no
poder há 60 anos com um hiato entre 1976 e 1982 -- e o Partido Moderado, o
mais forte da coligação parlamentar de direita.

<p n=2776>
Mono e Kgase são duas das principais testemunhas de acusação no processo
de Winnie Mandela. A terceira desapareceu durante o passado
fim-de-semana. Ontem Mono e Kgase afirmaram recear pelas suas vidas e
recusaram-se a falar perante o tribunal. Dizem não acreditar que a
Justiça os possa proteger para sempre.

<p n=2777>
Barend Mono e Kenneth Kgase decidiram não depor em tribunal depois de uma
terceira testemunha, que se encontrava sob protecção da igreja, ter
desaparecido durante o fim-de-semana.

<p n=2778>
José Alberto Pereira Pitacas é a partir de agora o presidente da direcção
da Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense. Os novos corpos gerentes
desta colectividade, para o biénio 91/92, tomaram posse no passado dia 8,
na presença de representantes da autarquia e de membros das
colectividades e associações locais, depois de terem sido eleitos em
assembleia geral realizada a 31 de Janeiro de 1991.

<p n=2779>
Além do telefone -- o 4911742 -- a utilizar nos períodos da noite, aos
fins-de-semana e feriados, está também a funcionar no átrio do edifício
da Câmara um serviço de recepção, em regime de permanência, das 8h30 às
20h30,  que se mantém aberto à hora do almoço.

<p n=2780>
Dois furtos por arrombamento, um numa loja sita no túnel do metropolitano
à estação dos Restauradores e outro numa residência na Avenida dos
Estados Unidos da América, e cujas participações foram feitas à
Judiciária de Lisboa, renderam 5.900 contos, segundo as estimativas dos
proprietários.

<p n=2781>
Para além destas ocorrências a PJ recebeu ainda mais três participações,
todas por arrombamento, uma relativa a uma residência na Rua Bico do
Sapato, outro numa garagem de Modorna, Parede e a última num café situado
na Estrada das Romeiras, a Algés.

<p n=2782>
Primeiro, foi a Câmara, em particular João Soares, quem pensou  mostrar a
cultura de Israel em Lisboa, numa quinzena que hoje começa. A ideia
parece ter florescido, em tempo de guerra, e para Março vem aí os árabes,
pela mão do SOS Racismo.

<p n=2783>
«Artesãos de Israel» (no Palácio Galveias, de 15 a 28) e «Artistas do
Kibbutz» (no Padrão das Descobertas, de 18 a 28) são duas mostras que vão
estar patentes na capital, que poderá também assistir a documentários
como «Isto é Israel», «Os Israelitas», «O Kibbutz» «Jerusalém-Perfil
Cultural» ou ainda «Skyline», entre outros dos que diariamente vão ser
exibidos nas Galveias.

<p n=2784>
Os autarcas socialistas e sociais-democratas do Vale da Amoreira, Moita,
exigiram durante a última assembleia de freguesia, realizada na noite de
segunda-feira, que fossem suspensos os trabalhos para implantação de um
posto de abastecimento de combustíveis com lavagem de alta-pressão junto
a uma área residencial denominada Zona C.

<p n=2785>
Segundo o autarca social-democrata, José Filipe Pinto, que na
segunda-feira estabeleceu contactos com a direcção-geral de Energia,
«ainda não foi dado qualquer parecer relativo à implantação ou não do
posto abastecedor. O autarca referiu que, para se realizarem obras como a
que é questionada, é necessária a sua publicação nos editais e nos orgãos
de comunicação social, o que não aconteceu.

<p n=2786>
Prossegue a Festa do Cinema no Teatro de São Luiz com o filme «Bom Dia
Babilónia» de Paolo e Vittorio Tavian, com Vincent Spano e Joaquim de
Almeida, às 18h00.

<p n=2787>
Na Biblioteca do Grémio Literário, na Rua ivens, 37, realiza-se, às
22h00, um concerto de piano por Pedro Burmes inserido no ciclo de
homenagem a Wolfgang Amadeus Mozart.

<p n=2788>
Os lixos hospitalares são os que saem das unidades de saúde,
laboratórios, clínicas veterinárias e estabelecimentos similares, e que
não podem misturar-se de qualquer maneira. O perigo é a contaminação por
produtos biológicos, físicos ou químicos que ameaçam a saúde ou o meio
ambiente.

<p n=2789>
Farmacêuticos - medicamentos fora de prazo; medicamentos não utilizados;
medicamentos usados para atrasar o desenvolvimento de tumores.

<p n=2790>
Um morto e um ferido grave é o balanço de um acidente de viação ocorrido
ao fim da tarde de terça-feira em Coimbra, segundo informou a Divisão de
Trânsito da PSP.

<p n=2791>
A violência do embate obrigou os bombeiros conimbricenses a serrar a
viatura para conseguirem retirar os corpos.

<p n=2792>
Uma avaria num cabo de abastecimento eléctrico de 60.000 volts de
potência deixou ontem sem energia, entre as 9h30 e as 11h00, uma zona de
Lisboa compreendida entre as Amoreiras, Rua Castilho, Rua Brancamp, Campo
de Ourique e Campolide.

<p n=2793>
Um engenho explosivo de média potência destruiu, na passada madrugada, a
viatura do cabo José Pires Martins, comandante do posto da GNR de Izeda,
Bragança, provocando estragos na parede frontal do Quartel da corporação
e em mais três moradias contíguas. «Nem acreditei que fosse na minha
carrinha. Pensei que se tratasse de uma bomba de carnaval!», comentou ao
PÚBLICO, ainda em estado de choque, o cabo José Martins, garantindo que
«nunca tinha sido ameaçado».

<p n=2794>
Eram cerca das 14h30 quando um violento incêndio deflagrou no primeiro
andar de um edifício comercial situado na rua de Santa Catarina. A rápida
intervenção dos bombeiros evitou a sua propagação aos edifícios
circundantes, embora o piso onde se iniciou o sinistro tenha ficado
completamente destruído.

<p n=2795>
A natureza dos materiais armazenados, porém, favoreceu a expansão das
chamas até ao vão das escadas que ligam os três andares do imóvel,
acabando por isolar Jorge Vilela no segundo andar. Este ainda tentou dar
as chaves da porta de entrada a um agente da PSP que se encontrava no
local, mas, dada a situação do incêndio, acabou por recorrer a uma janela
de um edifício colateral, saindo incólume do acidente.

<p n=2796>
Desta vez não foi qualquer mortal que pregou a partida. Na época do ano
em que o truque é apanhar os outros desprevenidos, o clima antecipou-se
e, a coberto da noite, prendeu os foliões carnavalescos na Serra da
Estrela.

<p n=2797>
Mas enquanto as constantes quedas não faziam grande mossa, os deslizes
dos carros eram pretexto para um exercício matinal a que todos aderiam.
Conhecedores, os prestáveis auxiliares não deixavam nunca de aconselhar
«Trave com o motor. Não use os travões. Meta logo a segunda».

<p n=2798>
Um curto-circuito num poste de alta tensão provocou na terça-feira, cerca
das 22h00, um incêndio junto ao Bairro do Alto dos Moinhos, em Benfica.

<p n=2799>
Do simples penso rápido a reagentes de laboratório,
quantidades cada vez maiores de detritos hospitalares entram  nas rotas
do lixo. Porque com certos produtos não se brinca, a palavra de ordem é
separar desperdícios. Mas tarda uma solução duradoura para o problema.
Lisboa pôs agora a bola do lado do Governo.

<p n=2800>
Assessores da vereação e outros funcionários da Câmara de Lisboa não
receberam salário em Janeiro, devido ao tardio envio dos seus contratos
para o Tribunal de Contas.

<p n=2801>
«Este ano não se quis invocar a urgente necessidade de serviço, como
aconteceu no ano passado, por acharmos que tudo se vai resolver em pouco
tempo», disse Metelo, que acrescentou: «a situação não é diferente da que
acontece com as outras câmaras».

<p n=2802>
Quem a observa de longe imagina-a parte integrante de um templo cristão,
mas é um engano: há mais de 100 anos que a torre sineira sobrevive sem a
Capela Real, num enorme largo das traseiras do palácio da Ajuda. Ao
longe, transmite a ideia de uma construção equilibrada, mas de perto
sugere algo de anómalo, porque devido à sua grande dimensão, está
completamente deslocada.

<p n=2803>
É um passeio que vale a pena empreender. É ver, perdida num largo
acimentado, uma torre encimada por um globo e um típico galo de
campanário. Nas paredes ainda há marcas da antiga igreja. Vá pela Calçada
do Mirante da Ajuda e supreenda-se. A.N.

<p n=2804>
Dois homens de cara tapada e armados com uma caçadeira de canos serrados
e um revólver, assaltaram, ao fim da manhã de ontem, a agência do banco
Totta & Açores, nas Termas de S. Vicente, em Penafiel, tendo conseguido
apoderar-se de cerca de 800 contos em dinheiro. A agência abriu há apenas
três meses.

<p n=2805>
O «western» morre, de morte natural, em 1962. Morre num glorioso ocaso a
preto e branco em três magníficos filmes: «O Homem que Matou Liberty
Valance», «Fuga sem Rumo» e «Hud, o mais Selvagem entre Mil». Morte
anunciada nas mesmas tonalidades nostálgicas no ano anterior em «Os
Inadaptados». É certo que as suas fórmulas se irão reconverter noutros
géneros (como a ficção científica) e as histórias do Oeste continuarão a
ser fonte segura para o cinema e a televisão. Mas o «western» clássico,
tal como o cinema o concebeu, fina-se nesta data. «Hud, o mais Selvagem
entre Mil», que é também o melhor filme de Martin Ritt, cineasta há pouco
desaparecido, tem como «Fuga sem Rumo» um «background» contemporâneo,
onde os últimos «westerners» confrontam os seus valores com os de um
mundo que perdeu a força do idealismo. O velho Homer (uma notável
interpretação que deu ao veterano Melvyn Douglas um dos três Óscares que
o filme ganhou, indo os restantes para Patricia Neal e para a fabulosa
fotografia de James Wong Howe) é um sobrevivente dessa raça que construiu
uma nação, confrontado com o seu filho amoral, Hud, que ignora esses
valores. Testemunha do conflito, agudizado pelo mal que vitima o gado
(outro símbolo flagrante do fim) e que provocará a morte de Homer, o
jovem Lon acabará por seguir o seu próprio caminho (buscando uma nova e
idealista «fronteira»?), deixando Hud na solidão. Resta-nos perguntar
como um filme admirável como este está remetido para uma matinée de
semana, o que tem vindo a acontecer com outros tão importantes
(«Desaparecida», «Viva Zapata»).

<p n=2806>
«Quem quer raínhas paga-as!», teria dito uma das nossas últimas
soberanas. E bem caras elas saíam, pondo e dispondo das terras, dos
dinheiros e das gentes do País, em que só elas eram estrelas. Por saírem
caras, vão sendo postas de lado»

<p n=2807>
É, sem dúvida, a Comissão mais politizada da ONU, já que nenhum país quer
ver-se rotulado de violador dos direitos humanos, e todos eles fazem
esforços para o evitar. Há alguns anos, a luta entre os dois blocos, o
ocidental e o dos países de Leste, tomava foros de acontecimento. E
porque também surgiam as mães, as irmãs e as noivas dos desaparecidos da
Argentina dos generais, os peles--vermelhas dos EUA que protestavam pela
pretensa discriminação dos primitivos indígenas do continente americano,
os opositores às ditaduras africanas de Idi Amin ou de Macias N'guema e,
até, os que protestavam pela prisão dos terroristas de Bader--Meinhof, os
austeros «Tribune de Genève» ou a «Gazette de Lausanne» não se coibiam de
publicar as suas coloridas crónicas com o título: «Começou o grande circo
em Genève».

<p n=2808>
A Embaixada da República Popular Democrática da Coreia na República
Portuguesa apresenta os seus melhores cumprimentos à direcção do
«PÚBLICO» e tem a honra de, em referência ao vosso artigo inserido no dia
8 de Fevereiro, esclarecer o seguinte:

<p n=2809>
A Embaixada da República Popular Democrática da Coreia considera que o
vosso jornal «PÚBLICO» publicou tal artigo provocatório, associando às
manobras das forças tendentes a derrubar o sistema social da República
Popular Democrática da Coreia e manifesta o seu veemente protesto contra
o artigo do vosso jornal, «Conspiração na Coreia do Norte», cheio de
difamação, calúnia e distorção.

<p n=2810>
Venho propor a divulgação da situação em que me vi envolvido juntamente
com mais cerca de 36 pessoas num autocarro da Carris no dia 4 de
Fevereiro. Talvez seja uma situação normal no dia--a--dia da vida em Lisboa
mas eu não conhecia tal situação e fiquei bastante admirado, pois nunca
tinha pensado que ela fosse ocorrer.(...)

<p n=2811>
Por este exemplo, fiquei a pensar como serão tratados casos idênticos nos
comboios e no metropolitano. Julgo, no entanto, que por impossibilidade
prática -- e para sorte dos passageiros que gostavam de chegar a horas aos
seus destinos -- parece que até hoje ainda nenhum comboio ou metro
abandonou o percurso em direcção à esquadra mais próxima...

<p n=2812>
Desde há tempos que se repete, anualmente, um estranho ritual, durante o
qual dezenas de milhar de jovens portugueses são sacrificados num altar
erguido entre as portas de saída do ensino secundário e as portas de
entrada do ensino superior. Os leitores, encarregados de educação desses
jovens ou eles mesmo jovens com experiência própria, já perceberam que
estou a falar de uma tal «prova geral de acesso» à Universidade,
vulgarmente conhecida por PGA. Seria, porém, um erro pensar que a dita
PGA tem alguma função que não seja desviar a atenção da verdade que se
esconde atrás dela: o «numerus clausus».

<p n=2813>
A vaga vinha de trás, quando um ministro do Governo marcelista acabara
com o ensino secundário de segunda, destinado aos filhos dos pobres, e
lhes franqueara o acesso ao ensino liceal, tradicionalmente destinado aos
meninos com vocação, pelo menos económica, para serem doutores. Com o 25
de Abril e as suas promessas, todas as famílias que não precisavam de pôr
os filhos a trabalhar desde pequenos deitaram-se a sonhar com um «canudo»
para eles. Era incomportável para as vetustas estruturas materiais e
mentais da Universidade. Acima de tudo, era a subversão do princípio
proteccionista das elites tradicionais.

<p n=2814>
Foi na viagem entre Durban e Pretória, num só dia, que Mohandas
Karamchand Gandhi, natural de Porbandar, na Índia, jurista graduado pelo
Inner Temple de Londres, súbdito do Império Britânico cujas vastas
fronteiras o aprisionavam desde o nascimento em 2 de Outubro de 1869,
sofreu as humilhações da discriminação racial que lhe proporcionaram a
primeira das que, mais tarde, chamaria lições de verdade («The Story of
my Experiments with Truth»): não pactuaria com as injustiças das
estruturas, lutaria contra as ofensas aos direitos do homem, defenderia a
dignidade do seu povo da Índia e não admitiria nenhuma excepção que
legitimasse o recurso à violência.

<p n=2815>
Das lições deste homem, o qual admirava profundamente o cristianismo e
muito pouco os cristãos que conhecera, a de maior actualidade, e mais
utópica, é certamente a que consta de um documento famoso, que foi
chamado «Não-Violência na Paz e na Guerra».

<p n=2816>
A última reunião da comissão de política regional e de ordenamento do
território do Parlamento Europeu teve particular importância.
Prolongou-se por três dias -- de 30 de Janeiro a 1 de Fevereiro -- e visou,
na sua primeira parte, a preparação dos temas da segunda conferência
Parlamento Europeu-regiões da Comunidade sobre «as regiões da Comunidade
face aos desafios da realização do Mercado Interno  e a União Económica e
Monetária», que está marcada para 27 a 29 de Novembro deste ano.

<p n=2817>
Não obstante o grande interesse destas exposições, dos debates que
motivaram e do tempo que lhes foi dedicado, a comissão do PE ainda
apreciou alguns dos seus relatórios em curso e nomeou relatores para
pareceres e relatórios de fundo, e ouviu segundas exposições de B. Millan
e Landaburu sobre o programa de trabalho da Comissão das Comunidades
Europeias para 1991 e sobre o quarto relatório periódico acerca da
situação e a evolução das regiões da Comunidade, «As regiões nos anos
90».

<p n=2818>
O PCP prevê encontros com o PRD, a UDP e o PS, no âmbito da preparação
das legislativas, confirmou Agostinho Lopes durante a conferência de
Imprensa realizada ontem para divulgar as conclusões da reunião da
Comissão Política da passada segunda-feira.

<p n=2819>
Quanto à sensível questão do cabeça de lista por Lisboa, Agostinho Lopes
afirmou ontem que ainda não está decidido se será Álvaro Cunhal ou Carlos
Carvalhas. Não deixou, no entanto, de subvalorizar o significado
partidário interno de as listas serem ou não encabeçadas por Carvalhas:
«Será perfeitamente natural que isso venha ou não a acontecer. E se
Álvaro Cunhal não liderar, não quer dizer nada.»

<p n=2820>
A Lei do Referendo está pronta. A Comissão Parlamentar de Assuntos
Constitucionais acordou no texto, a partir do projecto-lei do PSD e
Almeida Santos ocupou-se da redacção final. A Lei irá agora a votação no
plenário. Consagrado na última revisão constitucional, o instrumento do
referendo verá, a breve trecho, a luz do dia - o uso  será o que os
órgãos de soberania, Governo e Parlamento, lhe quiserem dar. Com o ámen
do Presidente da República.

<p n=2821>
O direito do voto aos emigrantes, inscrito no projecto do PSD,
desapareceu do texto final, por óbvia inconstitucionalidade. Também
«caiu», do texto social-democrata, o postulado que determinava que
«quatro quintos dos tempos de antena seriam atribuídos aos partidos
representados na Assembleia da República, proporcionalmente ao número de
deputados eleitos por cada um». Por outro lado, o texto agora criado
antecipa já as normas de consulta aos eleitores, previstas no novo Código
Eleitoral, que deverá chegar em breve ao Parlamento. No entanto, à parte
a proposta de referendo anunciada pelos deputados independentes José
Magalhães e Jorge Lemos, sobre o acordo ortográfico, não se vislumbram,
neste momento, outras no horizonte.

<p n=2822>
Sampaio queixa-se de «levar tareias todos os dias». Mas ontem, sem levar
novidades para o «Grande Plano», ouviu alguns elogios. Como presidente da
Câmara de Lisboa.

<p n=2823>
Quem não colocou questões ao seu líder foram os vários dirigentes que o
PS destacou para o Clube dos Empresários, como Correia de Campos, Marques
da Costa, António Costa e António Seguro. Do PCP marcavam presença, para
além do colega de vereação Rui Godinho, José Luis Judas e João Amaral.

<p n=2824>
A estratégia eleitoral de «Os Verdes» só será decidida no próximo
Conselho Nacional do partido, cuja data ainda não está marcada, mas que
deverá rondar os finais de Março. Isso não impede uma delegação
partidária de se avistar, ao princípio da tarde de hoje, com uma
representação do PCP, a fim de discutir uma «eventual cooperação e
conjugação de esforços» entre ambas as forças nas legislativas de
Outubro.

<p n=2825>
Por outro lado, «Os Verdes» estão, desde já, dispostos prolongarem a
coligação com o PCP, ao nível das autarquias. Nesta perspectiva, irão
mesmo propôr, durante o encontro de hoje, o relançamento de iniciativas
conjuntas, cuja concretização ficou prejudicada pela crise no partido e
pelas presidenciais.

<p n=2826>
AO CONTRÁRIO do que acontece noutros países onde a iniciativa da
realização de referendos pode ser tomada por grupos de cidadãos, em
número considerado representativo da opinião pública, só a Assembleia da
República e o Governo vão dispor, em Portugal, de legitimidade para
fazê-lo. A legislação que se prepara para o efeito, com base num projecto
de lei de Abril do ano passado, exclui qualquer iniciativa exterior aos
órgãos eleitos do poder. Os cidadãos serão consultados mas não poderão
ser agentes activos do processo de convocação de referendos. Só os
políticos terão o privilégio de decidir o quê e quando pode ser
referendado.

<p n=2827>
Temos em Portugal uma democracia de primeira divisão para a classe
política e uma democracia de segunda divisão para os cidadãos? Os
políticos têm direito ao reconhecimento da maioridade pelo facto de serem
eleitos, mas os cidadãos que os elegem têm de contentar-se com um
estatuto de menoridade -- e de carregar com o fardo da suspeita de poderem
subverter a normalidade democrática se não forem instruídos e tutelados
pela classe política. Significativamente, os dois maiores partidos
portugueses -- que fazem por vezes o impossível para encenar
incompatibilidades irredutíveis entre os seus projectos políticos --
parecem neste caso convergir num consenso singular. E não parece também
fortuito que o arquitecto da lei do referendo a que os dois partidos se
preparam para dar a sua bênção seja o deputado Almeida Santos, o
paradigma por excelência da classe política que temos. De qualquer modo,
PSD e PS estarão convictos de que ainda é cedo demais para reconhecer aos
cidadãos a autodeterminação política que lhes permitiria propor a
referendo temas estranhos às estratégias partidárias. Continuamos
perseguidos pela herança do PREC, quer à esquerda, quer à direita, como
se a democracia portuguesa não fosse hoje uma realidade perfeitamente
institucionalizada e estável e os eleitores não pudessem dispensar a
protecção paternal dos políticos, quais mestres-escola ou curas de aldeia
do tempo do dr. Salazar. No fundo, são ainda os resquícios do
paternalismo salazarista que levam os políticos a pensar que os cidadãos
não estão ainda preparadas para viver em democracia -- a não ser quando se
trata de votar neles.

<p n=2828>
A Comissão Europeia abriu um concurso interno para a admissão de um "desk
officer" para Angola que se tornará o responsável pela elaboração e
coordenação da estratégia de cooperação da CEE com este país. Embora os
resultados só devam ser conhecidos no final do mês, o PÚBLICO conseguiu
apurar que tudo indica que o concurso poderá ser ganho por Álvaro Neves
da Silva, um economista de 44 anos, membro da Comissão Nacional do PS e
que desenvolveu a sua carreira profissional na área dos transportes.

<p n=2829>
A pressão terá vindo de todos os lados: do Governo em Lisboa, da
representação permanente em Bruxelas e dos funcionários portugueses da
Comissão Europeia. Contrafeita, a Comissão poderá ter sido forçada a
ceder na nacionalidade, embora reserve para si o direito de escolher a
pessoa. A solução ideal passará por alguém que manifeste alguma
sensibilidade face aos objectivos portugueses de cooperação com Angola.
Mas a mesma pessoa terá que dar à Comissão Europeia as garantias da
necessária independência e inverter o sentimento existente em Bruxelas de
um certo "descuido" dos portugueses que parecem resumir a cooperação da
CEE com os 69 países ACP (África-Caraíbas-Pacífico) apenas a Angola e a
Moçambique.

<p n=2830>
O debate parlamentar da proposta do Governo sobre a redução do Serviço
Militar Obrigatório (SMO) mantém-se agendado para a próxima terça-feira,
apesar das dúvidas, ponderações e cautelas que a escalada bélica no Golfo
chegou a impôr à oportunidade política da discussão. Ontem, numa reunião
no gabinete do ministro da Defesa, Fernando Nogueira, Carlos Encarnação,
o secretário de Estado para os Assuntos Parlamentares, e deputados do PSD
ligados ao sector, coordenaram as grandes linhas do debate que se decidiu
manter agendado para dia 19. Nogueira mantém-se convicto de que a guerra
reforça a necessidade de restruturação das Forças Armadas e de uma
redução do SMO que mais não é do que um primeiro passo para a
profissionalização daquele serviço.

<p n=2831>
O possível adiamento do debate de dia 19 não deixou, no entanto, de ser
admitido, depois de o PS ter levantado a questão na Comissão Parlamentar
de Defesa, argumentando com a eventual inoportunidade de medidas que
poderiam suscitar ambiguidades junto dos nossos Aliados. O próprio
ministro afirmou, na altura, que «o Governo está atento». Posteriormente,
num contacto informal com jornalistas na sede do PSD, Fernando Nogueira,
questionado sobre a data do debate na AR, desabafou, em tom irónico, «a
ver vamos», enquanto deputados do PSD reconheciam que, «caso a ofensiva
terrestre no Golfo avançasse, em pleno, esta semana, poderia colocar-se a
questão do adiamento do debate». Um certo «impasse» na guerra reforça,
todavia, a convicção de Nogueira de que não há razões para recuar, embora
não seja de excluir a hipótese de uma reviravolta em caso contrário.

<p n=2832>
O último relatório do Departamento de Estado norte-americano sobre
Direitos Humanos dedica 17 páginas à Indonésia. Trata-se de uma extensa
lista de violações dos direitos fundamentais praticadas pelo regime de
Jakarta, na qual a situação de Timor-Leste figura  apenas como um dos
casos apontados.

<p n=2833>
Como dado positivo, o relatório aponta o melhor acesso do Comité
Internacional da Cruz Vermelha aos presos políticos timorenses, um
procedimento que resulta de um acordo de 1985, mas que não tinha sido
concretizado em boas condições até ao ano passado.

<p n=2834>
Cavaco Silva acusou a Austrália de hipocrisia e a Assembleia da República
vai analisar nova moção contra o conluio Timor-Gap. Um deputado não
acredita na deslocação de uma delegação a Timor-Leste e defende que
Portugal deve dirigir-se imediatamente ao Tribunal de Haia. A Comissão
Eventual, essa nem trabalha...

<p n=2835>
Austrália e Indonésia voltaram a entender-se, sábado, na repartição das
jazidas petrolíferas do mar de Timor. Os ministros dos Negócios
Estrangeiros Garrett Evans e Ali Alatas assinaram papéis e nomearam
delegados para superintender na exploração dos 60 mil quilómetros
quadrados de Timor-Gap. O embaixador português em Camberra, José Luís
Gomes, entregou uma nota de protesto ao ministro dos Negócios
Estrangeiros australiano vincando a ilegalidade dos acordos e a
disposição portuguesa de «recorrer a todos os meios jurídicos» para
salvaguardar os legítimos interesses de Timor». Um porta-voz de Garrett
reagiu afirmando que o tratado sobreviverá a quaisquer desafios legais
lançados por Portugal a nível internacional.

<p n=2836>
Para os mais distraídos nestas coisas do coração, os letreiros colocados
a espaços regulares no tecto recordavam que se estava na véspera de um
dia especial: o dia dos namorados, protegidos de S. Valentim. A 14 de
Fevereiro assiste-se ao ritual repetido das ofertas simbólicas entre
apaixonados, para gáudio dos gerentes das lojas de «bibelots», das
floristas e das vendedoras de brincos de pechisbeque.

<p n=2837>
Para outros, a maioria, o espectáculo estava em ler e comentar as
mensagens. Havia-as escritas em pelo menos cinco línguas -- português,
espanhol, francês, inglês e alemão -- e para todos os gostos e estilos:
políticas, «Meu caro Mário Soares, meu querido bochechinhas, amo-te
loucamente. A tua amada, D. Maria Cavaco Silva», ou «Bush, vamos fazer as
pazes? Dia 14 nas Amoreiras. Sadam»; poéticas, «Se dizem que a paixão é
provisória, então que seja linda e louca a nossa história. Rui, só para
ti. Lena»; enigmáticas, «Meu amor nunca te esquecerei» e «Pedro, do you
remember?ƒ»; dramáticas, «Patty: perdi-te! Escreve de novo. Gonçalo»;
meteorológicas, «Nuno, és a ventania que bate na minha janela todos os
dias. Cila»; confusas, «Dudu, sou eu! Adoro-teƒ mas não sei quem és!!!»;
simples, «Gonçalo és um grande pão. Natacha»; simbólicas, «Estou
devorador» (acompanhada de um desenho de um tubarão), e, finalmente, mais
Olá-Semanário: «Gigi, você é o máximo».

<p n=2838>
Hoje à meia-noite, Macau despede-se do Ano do Cavalo e saúda a chegada do
Ano da Cabra ao som de milhares de panchões a rebentar pelos quatro
cantos da cidade e das fichas de jogo lançadas na mesa dos casinos para
tentar a sorte. Em ambiente digno de Carnaval, as celebrações vão
prolongar-se por cinco dias. É a maior festa do calendário chinês,
cumprida anualmente no 30º dia da 12ª lua.

<p n=2839>
Os nativos deste signo são, na opinião dos entendidos, altruístas,
afectivos e muito sensíveis. Teimosos a seu modo, dão no entanto
prioridade à conciliação e ao diálogo. Vocacionados para as artes, nem
sempre a imaginação é o seu forte. Em caso de conflito, cedem com
frequência. Para depois tentarem impor os seus pontos de vista pela
persuasão.

<p n=2840>
UMA AVARIA no sistema sonoro do Tribunal de Monsanto provocou ontem o
adiamento da sessão do julgamento dos alegados «skinheads» acusados da
autoria do homicídio do dirigente do PSR, José Carvalho. A testemunha que
iria depor deslocou-se pela sexta vez ao tribunal, não conseguindo,
contudo, cumprir a sua obrigação. Embora a comunicação entre juízes e
advogados fosse possível, dado que se encontram na mesma sala, nada era
audível nas instalações reservadas à audiência e nos monitores da sala de
imprensa. Dado o carácter público do julgamento, o juiz presidente do
colectivo, Ricardo Cardoso, decidiu pelo adiamento, para hoje, da sessão.

<p n=2841>
A Federação Nacional dos Sindicatos da Construção, afecta à CGTP/IN,
estabeleceu um acordo com a sua congénere helvética SICOM-FOBB, para
apoiar e defender os trabalhadores portugueses na Suíça. As duas
federações estão a analisar questões relacionadas com a mudança das leis
sobre controlo sanitário na fronteira, direitos do trabalho e residência,
conjuntura económica e estatuto temporário. Entre 18 e 22 de Fevereiro,
serão realizadas acções de formação em Évora, Seixal, Covilhã, Vila Real
e Guimarães.

<p n=2842>
Terminado o carnaval, o Brasil contabiliza os mortos de uma época
tradicionalmente marcada pela violência e ausência de regras. Segundo os
dados disponíveis, pelo menos 378 pessoas morreram em consequência de
actos violentos e acidentes de trânsito em dez das principais cidades
brasileiras, durante os quatro dias de festejos. O Rio de Janeiro aparece
no topo das estatísticas referentes a homicídios: 82 mortos. São Paulo
registou 50 vítimas mortais em rixas, assaltos, violações e acidentes de
trânsito. Recife contribuiu com 19 homicídios e 31 mortos nas estradas.
Pelo Instituto de Medicina Legal de Fortaleza passaram 40 cadáveres. As
praias de Porto Alegre foram fatais para três mulheres: acabaram
degoladas numa praia habitualmente frequentada por turistas argentinos.
Belo Horizonte, Brasília e Vitória estão na lista com dezenas de mortos,
entre os violentos e os acidentais. O maior acidente de viação
verificou-se no Ceará, quando um autocarro se precipitou num rio:
morreram 42 dos 52 ocupantes.

<p n=2843>
Os carabineiros de Roma apreenderam 6,5 milhões de dólares falsos e
detiveram dois membros suspeitos de pertencerem à Mafia napolitana, na
sequência de um longo inquérito. Os dois detidos foram apanhados perto de
um grande hotel da capital italiana onde os polícias lhe tinham montado
uma armadilha, após infiltração de um clã da Camorra. Depois propuseram a
venda de dez quilos de cocaína pela quantia apreendida. Resta localizar a
tipografia que imprime as notas falsas e deter os restantes elementos do
grupo.

<p n=2844>
A cólera atacou no Peru. Nos próximos 40 dias, 300 mil pessoas poderão
estar contaminadas. É o pânico nos países limítrofes. Para os peruanos,
os mais pobres entre os pobres da região, é o «apocalipse que faltava».

<p n=2845>
O pânico gerado pela cólera atingiu mesmo países que não têm fronteiras
com o Peru, como a Argentina, Colômbia, e Venezuela. Ao não conseguir
controlar a epidemia, as autoridades peruanas, fizeram do surto uma
questão internacional. É que, a OMS afirma ser «muito provável que a
epidemia se estenda, etata a etapa, país a país». E, apesar do alerta
sanitário máximo, não há reservas de vacinas quer nas cidades peruanas,
quer em povoações próximas da fronteira com este país.

<p n=2846>
Um crime passional começa hoje, dia dos namorados, a ser julgado no
Tribunal de Santa Cruz. De presumível assassínio da sua noiva, há um ano
durante a quadra carnavalesca, é acusado um funcionário camarário de
trinta anos. A confissão do presumível homicida, António Jorge Correia
Pestana, será a principal prova do seu próprio acto provocado ao que se
julga por ciúmes.

<p n=2847>
As buscas efectuadas naquela zona, a norte da Madeira, pela Marinha
Portuguesa e mergulhadores não propiciaram resultados concretos. Estas
operações só foram efectuadas uma semana após o desaparecimento de Ivone
Dias que terá sido vista, pela última vez, à saída do trabalho com o seu
noivo que, depois de participar com familiares da jovem em operações de
busca, viria a confessar a sua implicação no caso.

<p n=2848>
O ministro Adjunto e da Juventude, Couto dos Santos, defendeu ontem,
durante uma conferência de imprensa em Lisboa, que os órgãos de
comunicação social não devem divulgar números sobre o valor das
apreensões de droga no país. «Não há nada mais aliciante para o mundo da
delinquência do que ver a possibilidade de ganhar tanto dinheiro com tão
pouco», disse Couto dos Santos aos jornalistas, reunidos no Centro das
Taipas para serem informados das iniciativas do Serviço de Prevenção e
Tratamento da Toxicodependência em 1991. «Acho importante noticiar as
apreensões, o que é mal é divulgar números», disse.

<p n=2849>
O ministro admitiu, «em princípio», um relacionamento entre a procura dos
locais de atendimento e o consumo de droga em Portugal, afirmando, sem
mencionar números concretos: «Tudo indica que há um aumento no comércio
ilícito de estupefacientes». Para Couto dos Santos, esta relação «não é
linear», verificando-se antes «uma evolução das drogas leves para as
pesadas».

<p n=2850>
Alberto João Jardim, de pele negra, chefiou a "tribo sul-africana Zulu"
que desfilou, ao ritmo do samba, integrando o corço carnavalesco
promovido pela Secretaria Regional do Turismo, no Funchal. O traje que
envergava, assim como todos os dos figurantes zulus, fora mandado vir
directamente da África do Sul pelo empresário Joe Berardo. O governante
madeirense, caracterizado por um cabeçudo, foi também uma das figuras
homenageadas por outra trupe que invocou a autonomia. O cortejo oficial,
orçamentado em 30 mil contos e totalmente custeado pelo executivo de
Jardim, esteve alheio à crise actual, de diferentes formas denunciadas
num desfile trapalhão, mais popular e a relembrar as "antigas batalhas"
de Entrudo na rua da Carreira.

<p n=2851>
No entanto, a presença dos cinco acusados pelo tribunal minhoto
apresenta-se problemática, dado que, por já terem cumprido metade da pena
a que tinham sido condenados, saíram em liberdade. Recorda-se que, em
Outubro de 1989, o Tribunal de Monsanto, os absolveu das acusações que
lhes eram imputadas pelo Ministério Público, com o voto de vencido do
juiz Ricardo Cardoso, actualmente a julgar os «skins» em Monsanto.

<p n=2852>
A Rádio Nova começa hoje a emitir uma rubrica diária de informação
económica internacional com base em dados provenientes do jornal
britânico «Financial Times».

<p n=2853>
«A caneta em vez do teclado» parece ser o lema da Go Corporation, uma
jovem empresa de computadores que está a construir o portátil do futuro.

<p n=2854>
«A caneta em vez do teclado», parece ser o lema da Go Corporation, uma
jovem empresa de computadores que está a construir o portátil do futuro.

<p n=2855>
Um projecto com esta ambição não pode nascer do nada. A Go Corporation,
apesar de ser uma companhia estreante, tem na sua base muitos nomes
sonantes no mundo dos computadores pessoais.

<p n=2856>
Um atentado foi ontem cometido contra a embaixada dos EUA em Bona, embora
não tivesse feito vítimas, informou um porta-voz da Polícia. Testemunhas
afirmaram que foram disparados tiros de metralhadora da povoação de
Koenigswinter, situada na outra margem do Reno, contra a embaixada,
situada na margem esquerda do rio. O chanceler alemão, Helmut Kohl,
telefonou ao embaixador americano, Vernon Walters, lamentando o sucedido.
As autoridades alemãs afirmaram que a embaixada se encontrava sob
rigorosa vigilância policial, desde o início da guerra no Golfo. Por seu
lado, o ministro do Interior declarou ter decretado medidas de segurança
especiais sobre os grupos árabes radicais na Alemanha, após estes terem
ameaçado que objectivos ocidentais seriam atacados.

<p n=2857>
António Fernandes Dias, o terceiro companheiro de Jaime, que há quatro
anos o acompanhava nas brincadeiras de Carnaval (internado também nos
Covões e sem saber que lhe amputaram uma perna) diz que não se lembra de
nada. Só sabe que levava uma metralhadora de plástico, uma farda de um
amigo que estivera no Vietname e que Jaime tinha um uniforme da tropa,
também de um amigo, e armas da sua colecção: «Ele gostava muito de
antiguidades e tinha armas que os amigos lhe ofereciam. Levava duas
granadas, uma delas grande, muito antiga, acho que defensiva» 

<p n=2858>
BURREL BATE RECORDE MUNDIAL -- O atleta norte-americano Leroy Burel bateu
ontem o recorde mundial dos 60 metros em pista coberta no tempo de 6
segundos e 48 centésimos, no decorrer de um «meeting» internacional, em
Madrid. Burrel já tinha estabelecido uma nova melhor marca mundial na
corrida anterior (6,40 segundos), mas o juri anulara-o, invocando como
motivo uma má partida. O anterior recorde (6 segundos e 50 centésimos)
pertencia ao seu compatriota Lee McRaee e fora estabelecido no dia 7 de
Março de 1987, em Indianápolis.

<p n=2859>
Governo discute privatizações -- O Conselho de Ministros deverá hoje
apreciar a oportunidade do recomeço do processo de privatizações,
interrompido em Janeiro passado por, segundo o Governo, a crise do Golfo
desaconselhar a manutenção do programa tal como estava inicialmente
traçado. Também hoje, o plenário ministerial deverá aprovar a passagem da
Tabaqueira a sociedade anónima -- o que não significa a sua alienação ao
sector privado, pois, como é já conhecido, esta empresa será das últimas
a ser privatizada, mesmo que parcialmente.

<p n=2860>
A Fracção do Exército Vermelho (RAF), o antigo Grupo Baader-Meinhof,
reinvindicou o atentado ontem cometido contra a embaixada dos EUA em
Bona. Tiros de metralhadora foram disparados da povoação de
Koenigswinter, situada na margem direita do Reno, contra a embaixada
americana, situada na outra margem  do rio. Segundo a polícia não houve
vítimas. O chanceler alemão, Helmut Kohl, telefonou ao embaixador
americano, Vernon Walters, lamentando o sucedido. As autoridades alemãs
afirmaram que a embaixada se encontrava sob rigorosa vigilância policial,
desde o início da guerra no Golfo. Por seu lado, o ministro do Interior
declarou ter decretado medidas de segurança especiais sobre os grupos
árabes radicais na Alemanha, após estes terem ameaçado que objectivos
ocidentais seriam atacados. Segundo as autoridades judiciais alemãs a
reinvindicação do atentado «é autêntica». O último atentado da RAF, hoje
consideravelmente enfraquecida, remonta a Julho de 1990.

<p n=2861>
Uma reunião convocada pelo eurodeputado renovador Pedro Canavarro para o
Porto, no próximo sábado, foi inicialmente marcada para a noite, mas
acabou por ser antecipada para a tarde, em virtude da sede do PRD na Rua
Mouzinho da Silveira se encontrar com a luz cortada. Laura Rodrigues,
presidente da Concelhia do PRD do Porto, declarou ontem ao PÚBLICO pensar
«que o problema já está resolvido», acrescentando que a antecipação da
reunião acabou por se revelar prática, «já que permitiu marcar um jantar
para Coimbra».

<p n=2862>
UNITA repete «avisos» --  A representação da UNITA em Portugal, em
comunicado ontem distribuído, reafirmou o seu entendimento de que o
fracasso da sexta ronda negocial para a paz em Angola se ficou a dever «à
inexplicável intransigência do governo de Luanada» e garantiu a «total
disponibilidade» do movimento para o reatamento das negociações. No mesmo
texto, e depois de confirmar que a força liderada por Jonas Savimbi
procedeu, no sábado, ao levantamento da cidade de Ambriz e de desmentir a
versão segundo a qual os estrangeiros que aí se encontravam foram
libertados pelas tropas afectas ao regime angolano, a UNITA repete o
«aviso aos investidores estrangeiros de que Angola não reúne, de momento,
condições que garantam a segurança dos capitais ali implantados ou a
implantar». Isto porque -- explica-se no comunicado -- continuará a ser
política do movimento «atacar as infraestruturas económicas que suportam
a arrogância do MPLA-PT».

<p n=2863>
O economista Moisés Ayash escreveu na passada semana uma carta ao
presidente do CDS, Freitas do Amaral, desvinculando-se do partido, pelo
facto de os centristas não terem manifestado solidariedade com Israel no
início da guerra no Golfo. Em declarações à Agência LUSA, Moisés Ayash,
que é um membro influente nas relações comerciais luso-judaicas,
considerou «uma frontal desconsideração « o facto de o CDS não se ter
solidarizado com Israel, quando os outros partidos colectivistas, como o
PS e o PSD, o fizeram».

<p n=2864>
O Partido Socialista propôz ontem a realização de uma audição parlamentar
de «carácter público» sobre as alterações ao estatuto dos objectores de
consciência, a concretizar até ao fim do mês e que forneça «elementos,
opiniões e sugestões» à Comissão Parlamentar recentemente criada para
acompanhar as alterações à lei da objecção de consciência. A JS foi, por
seu lado, ontem recebida pela Comissão Parlamentar de Defesaa quem
manifestou a sua preocupação pelo «manifesto protelamento referente à
redução do Serviço Militar Obrigatório».

<p n=2865>
«Não está provado que as certidões tenham interesse por agora», informa o
tenente, adiantando que «fechámos por falta de capacidade humana e
técnica, há documentos para passar daqui até ano e meio». O guichet de
atendimento está encerrado com um aviso: «As inscrições para obtenção de
certificados do tempo de serviço militar prestado no Ultramar encerram em
31 de Janeiro de 1991». Para o esclarecimento da situação -- mesmo para os
mais renitentes que insistem que «um vizinho meu já tem isso tratado por
um sargento aí dentro» -- o militar aconselha o caminho da Caixa de
Previdência.

<p n=2866>
Advogados dos doze Estados membros da Comunidade Europeia reúnem-se a
partir de hoje, em Bruxelas, para debater entre si o impacto do direito
comunitário sobre o cliente e a prática quotidiana. «Todo o advogado é
confrontado actualmente com um grande número de casos em que o direito
comunitário desempenha um papel importante». Estes casos não pararão de
aumentar, cada vez mais rapidamente, com o desenvolvimento dos contactos
transnacionais entre pessoas privadas e empresas», diz um comunicado
ontem distribuído pela Ordem dos Advogados de Portugal.

<p n=2867>
EXPLOSÃO NO CENTRO DE GENEBRA -- Uma violenta explosão ocorreu ontem, ao
fim da tarde, num edifício no centro de Genebra, causando a morte de uma
mulher de 34 anos e deixando vários feridos, cinco dos quais com
queimaduras graves. A explosão deu-se no terceiro andar de um edifício de
cinco pavimentos, perto do hospital universitário. As primeiras
investigações sobre o acidente colocam de parte a hipótese de um
atentado.

<p n=2868>
A TAP-Air Portugal está entre as companhias que correm menos riscos de
ataques terroristas motivados pela guerra no Golfo, segundo um estudo de
uma das maiores multinacionais de auditoria e consultoria do mundo. O
estudo classifica 53 companhias aéreas internacionais em cinco níveis de
risco, no último dos quais -- «baixo risco» -- figuram, além da TAP, a Aer
Lingus, Cathay Pacific Airways, Ladeco, Malasyan Airilines System,
Singapore Airlines e Thai Airways. No grupo de «alto risco» estão, além
de todas as companhias norte-americanas: Air Afrique, Air France, Air
India, British Airways, Egipt Air, El Al Israel Airlines, Iraqi Airways,
Royal Air Maroc, Saudi Arabian Airlines e Syrian Arab Airlines.

<p n=2869>
Correspondentes estrangeiros em Bagdad testemunharam desde a manhã que o
ataque nocturno aliado tinha sido efectuado contra um alvo civil e
puderam observar algumas dezenas de cadáveres de mulheres e crianças a
serem evacuados do local. As autoridades norte-americanas, nomeadamente o
porta-voz da Casa Branca, Marlin Fitzwater, garantiram, algumas horas
depois da divulgação da notícia, que, afinal, tratava-se de um alvo
militar.

<p n=2870>
Em contraste com a Guerra Civil de Espanha, a II Grande Guerra, ou o
Vietname, não há uma canção que os soldados do Golfo entoem em conjunto.
A rádio Escudo do Deserto, das Forças Armadas norte-americanas, não chega
às linhas da frente. A BBC e a Voz da América captam-se com dificuldades,
em muitas zonas. E a geração dos anos 80 cresceu a ouvir música na
solidão dos auscultadores de um «walkman». Quem percorra o perímetro de
um acampamento, no deserto, dificilmente ouvirá o som  de uma canção,
imerso cada um na escuta do seu gravador, com uma selecção musical
trazida dos Estados Unidos. «Não apareceu ainda uma canção que fique a
fazer parte deste tempo, desta guerra», queixa-se o cabo Murray, de uma
divisão blindada do Exército. «Talvez quando voltarmos para os States os
nossos colegas da universidade tenham uma. Aqui, a única coisa que
podemos fazer é pegar no `walkman' e ouvir as nossas velhas cassetes.»

<p n=2871>
A reabertura das aulas nas universidades, institutos e escolas do reino
foi adiada para data a anunciar, informou o ministro saudita da Educação.

<p n=2872>
Uma velha máquina de guerra, reequipada com dispositivos de alta
tecnologia, está a fazer o trabalho pesado da operação «Tempestade no
Deserto».

<p n=2873>
O B-52 é um sobrevivente tanto dos combates como dos confrontos políticos
e doutrinários em Washington. Mesmo antes de o último B-52 ter saído da
linha de montagem em 1962, já os avanços soviéticos no domínio dos
mísseis haviam obrigado os estrategos dos EUA a porem em causa a sua
utilidade. A Força Aérea surgiu então com um novo bombardeiro tripulado --
o B-70 Valkyrie --, que deveria voar a três vezes a velocidade do som a
uma altura de mais de 20.000 metros. O B-52 parecia estar condenado, até
ao dia em que os soviéticos abateram o avião de grande altitude U-2
pilotado pelo agente da CIA Gary Powers, em 1960 -- o que mostrou que a
maneira de escapar aos mísseis antiaéreos soviéticos era voar mais baixo
e não mais alto. Este incidente deu à Administração Kennedy -- que já
preferia os mísseis aos bombardeiros -- um motivo para acabar com os B-70.

<p n=2874>
01h00 -- O secretário-geral da ONU, Perez de Cuellar, diz que qualquer
iniciativa de paz do Iraque, em cooperação com a URSS e outros países,
será benvinda, desde que inclua a completa retirada do Kuwait.

<p n=2875>
02h00 -- A CNN informa que o Palácio dos Congressos, um dos edifícios mais
importantes de Bagdad, foi destruido durante a noite por quatro mísseis
aliados.

<p n=2876>
Porque é que Yitzhak Shamir deu tanta importância à visita de Moshe Arens
a Washington e tão pouca à deslocação «adiada» de David Levy? A resposta
parece óbvia. Para o primeiro-ministro trata-se, primeiro, de coordenar
os esforços militares com os EUA e, depois, iniciar uma ofensiva
diplomática que, de acordo com as suas próprias palavras, ainda é cedo
para delinear.

<p n=2877>
Até agora, a posição oficial do governo sobre o conflito do Golfo era a
de que, apesar dos mísseis de Saddam, Israel permanecia de fora.

<p n=2878>
FOI PRECISO um ataque «bem planeado e bem executado», como dizia ontem um
general americano na Arábia Saudita, para as frias colunas numéricas do
mapa de baixas da guerra somarem, ao vigésimo oitavo dia, dígitos
substanciais.

<p n=2879>
Para desvendar o mistério, é porém legítimo um macabro exercício de
aritmética. Que se saiba, e sabe-se cada vez com mais certeza, os
projécteis da guerra não são bombas de neutrões ao contrário, capazes de
destruir os objectos e poupar os seres vivos. Será assim descabido
admitir que, por cada raide da aviação aliada, com a mortífera carga de
bombas que tem atapetado o Iraque e o Kuwait, morreu uma pessoa (civil ou
militar)? Exagero? Carreguem-se as tintas do macabro: para matar uma
pessoa são necessários dois raides aliados...

<p n=2880>
O dia de ontem foi marcado pelo mais trágico acontecimento desde o início
da guerra: dois mísseis lançados sobre um abrigo anti-aéreo em Bagdad
mataram mais de 400 civis, mulheres e crianças na sua maioria. A tese
americana da «guerra limpa» tornou-se subitamente muito difícil de
sustentar: esta guerra é tão sangrenta como as outras. E com as operações
de destruição metódica do Iraque ganham terreno as acusações de que os
EUA estariam a ultrapassar o mandato da ONU.

<p n=2881>
O ministro dos Estrangeiros iraquiano, Tarek Aziz, pediu ao
secretário-geral da ONU, Perez de Cuellar, que denuncie «pessoalmente» o
ataque «deliberado», o «crime odioso» dos aliados contra os civis
iraquianos.

<p n=2882>
@2-INFORMACAO/PROG = Através da China, a viagem de circum-navegação
prossegue. Depois, o Japão, os Estados Unidos e tudo o mais que Júlio
Verne imaginara, «servido» com o humor de Michael Palin. Uma viagem
excelente, a não perder.

<p n=2883>
@2-INFORMACAO/PROG = A quintessência do cinema de John Huston, na
exposição do absurdo e da inanidade das acções humanas. Com argumento de
Huston e Truman Capote, o filme assume-se também como uma espécie de
paródia ao clássico do realizador, «Relíquia Macabra». Com Humphrey
Bogart, Jenifer Jones, Gina Lollobrigida e Peter Lorre.

<p n=2884>
A INDÚSTRIA americana de armamento depositou grandes esperanças na guerra
do Golfo Pérsico -- esperanças de que, enterrado o machado da guerra fria,
o conflito no Médio Oriente ajudasse a compensar os efeitos de paz nos
seus orçamentos.

<p n=2885>
Porta-vozes de diversas empresas de armamento, contactados pelo PÚBLICO,
recusaram-se a comentar o impacto do orçamento sobre a estabilidade
financeira das companhias. Mas um facto sintomático foi o anúncio da
empresa General Dynamics de que tenciona despedir, em breve, mais de 1200
funcionários.

<p n=2886>
O vice primeiro-ministro iraquiano, Saadoun Hamadi, criticou ontem em
Rabat a atitude portuguesa «de apoio moral e financeiro» à força
multinacional no Golfo. Numa conferência de imprensa, realizada após uma
reunião com os líderes dos partidos da oposição de Marrocos, Hamadi
declarou que o alinhamento de Portugal com os aliados «afectara o evoluir
das relações com o Iraque». O dirigente iraquiano foi recebido por Hassan
II, a quem pediu a retirada do contingente marroquino estacionado na
Arábia Saudita.

<p n=2887>
O GOVERNO de Ancara mostrou-se ontem «surpreendido» com recentes
declarações do líder palestiniano Yasser Arafat à CNN comparando a
invasão iraquiana do Kuwait à intervenção do Exército turco no Norte de
Chipre. Murat Sungar, porta-voz do Ministério turco dos Negócios
Estrangeiros, disse que «o espanto de Ancara» foi comunicado ao
representante da OLP na Turquia, que, por seu turno, teria «lamentado» a
situação criada com as palavras de Arafat.

<p n=2888>
Moscovo vai, afinal, prosseguir as suas tentativas para pôr fim à guerra
do Golfo. Depois de um enviado de Gorbatchov se ter deslocado a Bagdad é
agora a vez do chefe da diplomacia iraquiana se reunir com o Presidente
soviético. O Kremlin manifestou-se «encorajado» pelas declarações de
Saddam Hussein, mas Washington recorda que a retirada do Kuwait não foi
mencionada.

<p n=2889>
Antes de abandonar Moscovo, Roland Dumas anunciou, em conferência de
imprensa, que os responsáveis soviéticos lhe comunicaram que a missão de
Primakov seria a última tentativa do Kremlin para levar Saddam Hussein a
retirar do Kuwait. «Os soviéticos consideram que não devem intervir mais
junto de Saddam Hussein depois da última tentativa de Primakov»,
reafirmou ontem Dumas em Paris. Mas a anunciada visita de Aziz à URSS
veio levantar algumas interrogações sobre o teor exacto do encontro entre
Primakov e Saddam, bem como suscitar novas dúvidas sobre a posição
soviética face ao evoluir da guerra.

<p n=2890>
Cansados de não fazer nada, infantaria, marines e «ratos do deserto»
pedem luz verde para a grande batalha terrestre. Quanto maior for a
espera, menores serão as baixas, respondem-lhes os comandos.
Bombardeamentos por terra, mar e ar -- os maiores desde o início da guerra
-- indicam que a hora pode soar em breve. A resposta de Saddam ao enviado
soviético é vista, em Dahran, como sinal de fraqueza do líder iraquiano.
Nas linhas de fronteira, entretanto, soldados continuam a render-se.

<p n=2891>
Jovem e magro, o soldado Ali andara dois dias a pé, até se entregar.
Devorou a massa que lhe deram e bebeu meio litro de água. Ao telefone com
um intérprete, disse estar cheio de medo de que o matassem.

<p n=2892>
O ministro da Defesa Nacional, em nome do Governo, vai condecorar o
general Mário Firmino Miguel, a título póstumo, com a Medalha de Ouro de
Serviços Distintos. A decisão vem expressa em mensagem especial que
Fernando Nogueira dirigiu ontem ao Exército e será transcrita em todas as
unidades militares.

<p n=2893>
No documento, dirigido pelo ministro ao Exército, assinala-se também o
compromisso de servir assumido por Firmino Miguel para com a instituição
militar, «prestigiando as Forças Armadas e o Estado com a dimensão
demonstrada pelo modo como todos os órgãos de soberania se quiseram
associar à última homenagem».

<p n=2894>
A componente militar da estrutura de defesa é balizada pela Lei de Defesa
Nacional e das Forças Armadas aprovada pela Assembleia da República em
1982. A lei determina que toda a organização militar é sujeita à
arquitectura constitucional que faz a pirâmide dos órgãos de soberania.

<p n=2895>
No caso do Exército, Força Aérea e Marinha, os respectivos Conselhos
Superiores votam três nomes que depois são sujeitos ao parecer do
Conselho de Chefes. Os três nomes são entregues pelo CEMGFA ao ministro
da Defesa, que, por sua vez, propõe um deles ao Conselho de Ministros.
Com o nome aprovado em conselho, cabe ao primeiro-ministro levar a
proposta ao Presidente da República. Se o Presidente da República
discordar do nome indicado, o primeiro-ministro e o ministro da Defesa
poderão propor um dos outros dois nomes, solicitar através do CEMGFA a
indicação de mais um nome ou a votação de nova lista. No entanto, o veto
do Presidente da República é pouco provável.

<p n=2896>
São 13 os generais que, na próxima semana, se vão reunir para votar em
três nomes de entre os quais sairá o novo chefe do Estado-Maior do
Exército. É um processo que tem uma causa extraordinária: a morte
inesperada de Firmino Miguel. O Conselho Superior do Exército é
constituído pelos generais que se encontram em exercício de funções
superiores de comando, enquanto o quadro de elegíveis é constituído por
todos os que se encontram na situação de activo -- cerca de 30.

<p n=2897>
Mas os nomes que representam a hierarquia existem. Assim, o general Tomé
Pinto vai presidir ao Conselho Superior do Ramo. É o nome que
garantidamente aparecerá na lista de três. Loureiro dos Santos, com 55
anos, director do Instituto de Altos Estudos Militares, é outra
personalidade com carisma no Exército, para lá de ser especialista em
matéria de defesa e estratégia militar, tendo já ocupado a pasta da
Defesa.

<p n=2898>
Ministro da Defesa: Fernando Nogueira, licenciado em Direito. Dirige a
política de defesa e superintende as Forças Armadas. Preside ao Conselho
Superior Militar.

<p n=2899>
CEME: (Chefe do Estado-Maior do Exército) Tomé Pinto. Exerce
interinamente o cargo. General de Infantaria. Responde perante o ministro
da Defesa e CEMGFA. Sob o seu comando estão quatro regiões e duas zonas
militares, correspondentes a um efectivo de cerca de 12 mil homens. *

<p n=2900>
Orgãos do CEMGFA: Departamento de Operações. Tem à frente o general
Marçal de Jesus, assistido pelo contra-almirante Caeiro.

<p n=2901>
Região Militar do Centro. Tem quartel-general em Coimbra. É comandada
pelo general para-quedista Fausto Marques.

<p n=2902>
A ilusão americana da «guerra limpa» acabou ontem, simbolicamente, com as
centenas de mortos num abrigo anti-aéreo em Bagdad alvejado por um
míssil. As guerras afinal são sangrentas. Os Estados Unidos assumem o
ataque como visando um «alvo   legítimo» e acusam o Iraque de colocar
civis em instalações militares. Para os iraquianos, que já pediram a
intervenção das Nações Unidas, trata-se de um «ataque criminoso e
premeditado». Na frente diplomática, uma única novidade: Moscovo diz-se
«encorajada» pelas últimas declarações de Saddam Hussein.

<p n=2903>
Como já se esperava, «Dances with Wolves», de Kevin Costner, é o grande
favorito para a cerimónia de entrega dos Óscares da Academia, no dia 25
de Março. Ontem, em Beverly Hills, o anti-«western» com que Costner se
estreia na realização conseguiu 12 citações para a estatueta dourada de
Hollywood. Logo a seguir, na lista dos mais nomeados estão «O
Padrinho-Parte III», de Francis Coppola e «Dick Tracy», de Warren Beatty
-- sete nomeações -- e «Tudo Bons Rapazes», de Martin Scorsese, seis vezes
citado. Surpresa foi a nomeação de «Ghost, Espírito do Amor» para o Óscar
do melhor filme. Angelica Huston, Julia Roberts, Jeremy Irons, Gérard
Depardieu e Robert de Niro são alguns dos candidatos ao Óscar da melhor
actriz e do melhor actor, respectivamente.

<p n=2904>
A Comissão Europeia vai propor um alargamento do leque dos impostos
especificos (ou "accises") sobre o gasóleo e uma aproximação dos niveis
das taxas sobre a gasolina, com ou sem chumbo. Caso os ministros das
Finanças da CEE aprovem, esta medida retirará a Portugal a possibilidade
de aumentar os seus impostos especificos sobre os carburantes a partir de
1 de Janeiro de 1993.   P.44

<p n=3497>
Em tempos que já lá vão. o califa de Bagdad tinha quatro filhos de quem
muito gostava. Para cada um deles mandou construir um palácio. O do filho
mais velho, Abdul, ficou no terreno 1, o de Budal no terreno 2, o de
Cadaf no 3 e o de Dubal no 4, conforme se pode ver no mapa.

<p n=3498>
Para este tipo de problema não há outra estratégia que não seja a de ir
fazendo tentativas a partir de hipóteses possíveis.

<p n=3499>
Quem, como eu, passasse à porta da prisão de Sintra no dia de Natal,
teria podido ver, cá fora, uma rapariga triste, com um filho de dois anos
ao colo. Delfina Ferreira Peralta, aguardava, desde as sete da manhã, o
momento em que as portas da prisão se abrissem, para poder visitar o
marido, António Barros, um toxicodependente de longa data. Desta vez, a
pena, por furto qualificado, fora de 26 meses. Bem comportado,
esperava-se a sua saída para Novembro próximo.

<p n=3500>
Afinal, quando Delfina deixara a casa nessa madrugada, já o António
morrera. É possivel que, do ponto de vista médico, tudo tenha sido feito
para o salvar. É possível que as autoridades prisionais se tenham
esforçado por impedir o tráfico interno da droga. É possivel que o
António fosse irrecuperável. Uma coisa é certa: da Delfina ninguém quis
saber.

<p n=3501>
Como vivem, em Portugal, as comunidades muçulmana e judaica? Dos
muçulmanos, pode dizer-se que são cerca de quinze mil, a maior parte dos
quais portugueses, oriundos das ex-colónias. Onde o Alcorão os divide, a
guerra no Golfo junta-os. Não se pode falar ainda de uma segunda geração,
mas os dogmas do islamismo começam a ceder no confronto com outros
comportamentos. Quanto à comunidade judaica, a sua reduzida dimensão não
impede que «essa figura vaga, com um tipo de inteligência mais sensitiva
do que racionalista» que é o judeu, continue a habitar entre nós. Do
crescente islâmico à estrela de David, segue-se o retrato de duas
comunidades portuguesas.

<p n=3502>
O bicho, preto, luzidio, desliza agora pelo espaço aberto das duas
enormes salas, fixando-nos com um olhar verde de vidro. Lá fora, há outro
gato, branco e preto, enroscado nas grades das janela do pátio que rodeia
o «atelier».

<p n=3503 assunto=desporto>
Revista literária, «El Urogallo» encontra-se entre as muitas publicações
espanholas que mereceriam uma maior atenção entre nós. Por duas razões:
ficávamos a conhecer o que se vai publicando e, mais decisivo, poderíamos
saber como é que se dá a recepção de ideias, literárias ou não, aqui
mesmo ao lado. Referente aos meses de Dezembro 1990-Janeiro 1991, o
número 55-56 abre com uma entrevista com Bernardo Atxaga, um basco que
viu o seu livro «Obabakoak» ganhar, em 1989, o Prémio Nacional de
Literatura, o Prémio da Crítica, o Prémio Euskadi e... a fama. Merecida,
depois de uma carreira literária de vinte anos, que se espraia da
narrativa à poesia, do teatro à composição de letras para canções.
Enquanto se anuncia a publicação no Círculo de Leitores espanhol de
grande parte da obra de Valle-Inclán, Carlos G. Reigosa escreve sobre a
morte do poeta, novelista e crítico de arte, ocorrida em Santiago de
Compostela em 1936. A Guerra Civil espreitava. Na área dedicada aos
livros, fala-se de «La Campaña» de Carlos Fuentes, de «Humanismo
Impertinente», de Fernando Savater, de «La Vorágine», de José Eustasio
Rivera e Ana Garralón escreve sobre Mauric Sendak. Mas o prato forte de
«El Urogallo» é a aparição na página 34 do «dossier» Angeles, porque --
consideram -- «o anjo tem sido um tema recorrente na arte e na literatura
de diversas culturas, sobretudo, a cristã e semítica». E se a actualidade
da guerra cria, desde logo, um interessante ponto de referência para a
leitura, não menos interessante é o facto de se estar a retomar uma
reflexão sobre o anjo, na esteira de Baudelaire, Rilke e Walter Benjamim.
E, como já vem sendo habitual em Espanha, Fernando Pessoa... (Os pedidos
de assinatura ou de números avulso podem ser feitos para Ediciones Prensa
de la Ciudade, S. A., Carretas, 12, 5º, 5. 28012 Madrid.)

<p n=3504>
Porém, aos sinais de desespero, a «Esquire» opõe as manifestações de
esperança. Sinéd O'Connor, a voz «não alinhada», o escritor Don DeLillo e
Scott Hamilton, saxofonista que esteve em Portugal, para o jazz num dia
do último Verão. Dele diz a «Esquire»: «[Quando] agarra o saxofone e
alguns `standards', Nova Iorque parece mais nova.» Da escrita de Don
DeLillo, a «Esquire» apresenta «Shooting Bill Gray». É mistério para
depois de «Libra», obra já editada em Portugal.

<p n=3505>
No deserto das publicações juvenis em língua portuguesa, «Mikado», uma
revista mensal publicada em França pelas Editions Milan (300, rue
Léon-Joulin, 31101 Toulouse Cédex 100, França), faz figura de
esplendoroso oásis. Sem distribuição comercial no nosso país, onde só
pode ser obtida por assinatura anual (324 francos) ou bienal (618
francos), é apresentada como «um mundo inteiro de paixões». Exagero? Nem
por isso, bastando olhar para os sugestivos temas da edição do corrente
mês de Fevereiro: um excelente dossier sobre dinossauros e outros animais
pré-históricos, uma reportagem profusamente ilustrada sobre a caça aos
tesouros submarinos, textos curtos sobre o sobretudo, o bambú e os
construtores de catedrais, um teste sobre o medo, provérbios e muitos,
muitos jogos.

<p n=3506>
São cerca de quinze mil, a maior parte dos quais portugueses ou oriundos
das ex-colónias. Onde o Alcorão os divide, a guerra no Golfo junta-os.
Não se pode falar ainda de uma segunda geração, mas os dogmas do
islamismo começam a ceder no confronto com outros comportamentos.
Identificação rápida da comunidade muçulmana em Portugal.

<p n=3507>
Vimos na televisão, que é onde hoje vemos tudo, ou quase (não vemos, por
da guerra cria, desde logo, um interessante ponto de refexemplo, as
misérias do Governo), o bonito golo de Futre que injustamente derrotou a
ordem futebolística de Malta. A equipa dita «de todos nós», que nenhum de
nós faria como a faz o seleccionador, às vezes joga mal e perde, às vezes
joga bem e perde, às vezes joga mal e ganha: esperemos sebasticamente
que, como as melhores equipas, ainda acabe por jogar bem e ganhar.

<p n=3508>
Falta-nos competência para decidir qual das versões é mais autêntica,
embora a rimada pareça soar melhor. Seja ela qual for, ficará sempre
provado que, em poucos anos, Futre já conseguiu um bom domínio do
castelhano; sabe-se que é sempre mais fácil insultar na língua materna,
sobretudo a mãe do outro.

<p n=3509>
Está disponível na loja de Luís Barbeiro a nova colecção Primavera/Verão
91 em que os linhos, «georgettes» e «lycras» de algodão e sedas baças
combinam com os metais nobres da Roma clássica: «lurex» prata. Para este
estilista português é uma colecção «em que a anatomia feminina não é
esquecida, mas sim enriquecida com sobriedade e conforto». Em Lisboa,
Arco do Carvalhão, nº35-Cv.

<p n=3510>
«Massage fortifiant special racines» pertence à gama Re-Tonique da
Kerastase, um «antifadiga» do cabelo. É um tratamento intensivo que dá ao
cabelo elementos dinamizadores e fortificantes. Aplica-se por massagem no
couro cabeludo e tem uma tripla acção: vitalizante, estimulante e
reforçadora da fibra capilar desde a raiz. À venda nos cabeleireiros,
conselheiros da marca.

<p n=3511>
Está cansado de limpar a piscina. Este robô simpático e programável -- o
Pool Rover -- fá-lo sozinho. Pode escolher entre quatro programas: o chão,
as paredes, os degraus, as esquinas ou ainda misturar os quatro. Uma
bomba chupa a água a um ritmo de 318 litros por minuto, enquanto as
escovas limpam a superfície. Aqua Products, 25 Rutgers Ave., Cedar Grove,
New Jersey 07009 (EUA). Cerca de 215 contos.

<p n=3512>
A cola Latex-based Liquid Nails é a única que não degrada o polistireno
ou outras espumas sintéticas isolantes . Esta cola à base de água tem um
cheiro pouco vivo e limpa-se com sabão e água. Macco Adhesives, 925
Euclid Ave., Cleveland, Ohio 44115 (EUA). Um cartucho de 300 gramas custa
360 escudos.

<p n=3513>
Prepare primeiro a cobertura, juntando as farinhas, o açucar, as amêndoas
picadas, a raspa de limão, a gema e a manteiga a temperatura ambiente e
em pequenos pedaços. Trabalhe esta massa com a ponta dos dedos de modo a
obter uma consistência granulosa.

<p n=3514>
Cubra toda a maçã com a massa preparada anteriormente e leve a forno
médio durante pelo menos uma hora. Sirva morno ou frio, acompanhado de
natas batidas sem açúcar.

<p n=3515>
Fotografia: Colecção Particular (Reprodução de António Lopes,
«Carte-de-visite». Albumina sobre papel)

<p n=3516>
É duvidoso que tivesse menos escrúpulos ou princípios do que os homens
que, naquela época, chegaram a exercer poder. É facto que viera da
extrema-esquerda: a seguir à revolução de Setembro, durante as
constituintes de 1837, sobressaíra como intrépido vintista e ardente
defensor do «princípio popular». Depois, deslizou para o centro, do
centro descambou para a direita, e da direlta saltou para a
extrema-direita: nos princípios de 1842, era o chefe indisputado da
facção cartista que aderiu à restauração da Carta Constitucional, por ele
promovida e dirigida. Tudo isto lhe atiravam à cara, e Cabral respondia
lançando o repto: «Quem há aí que possa dizer-se sempre coerente em
política desde 1820 até hoje? Levante o dedo para o ar, que eu vou-lhe
fazer a devida anatomia!» Garrett ofereceu-se: «Se ainda fosse outro
orador que levantasse a luva, passe, -- mas o nobre deputado! Há-de
permitir que me ria!»

<p n=3517>
A comunidade judaica de Lisboa é pequena: o envelhecimento e os
casamentos mistos fizeram com que, por vezes, não se consigam juntar as
dez pessoas necessárias para as celebrações religiosas do sábado. Mas
isso não impede que «essa figura vaga, com um tipo de inteligência mais
sensitiva do que racionalista» que é o judeu, continue a habitar entre
nós. Em Lisboa, vivem muitos judeus não praticantes que mantêm com as
origens uma relação quase literária. Não assim no Porto, onde a
brutalidade salazarista de uma campanha anti-semita contra o fundador da
sinagoga local, matou à nascença um movimento que entusiasmou, nas
décadas de 20 e 30, os marranos de Trás-os-Montes e Beiras.

<p n=3518>
Nem assim os monarcas portugueses conseguiram estancar a sangria de
judeus do país. Os portugueses foram seguindo então os caminhos que os
seus irmãos espanhóis já haviam trilhado em 1492: França (Baiona,
Bordéus), Itália (Livorno, Veneza), Países Baixos (Amesterdão), Grécia,
norte de África, Império Otomano. O sultão Bajazet II terá comentado que
se os reis da Península Ibérica expulsavam os judeus, ele os aceitava nos
seus territórios; os outros empobreceriam, ele enriqueceria.

<p n=3519>
Já se falou, a propósito da guerra no Golfo, das ligações culturais entre
portugueses, àrabes e judeus, desse diálogo entre irmãos desavindos que
ainda hoje interiorizamos por razões que se prendem com o nosso passado
histórico. Mas há outra face desse mesmo universo: a sua convivência num
mesmo território, por via da emigração ou do cruzamento de raças. Hoje,
em Portugal, agrupados em comunidades distintas, vivem muçulmanos e
judeus fiéis às suas crenças, aos seus ritos, às suas leis. Quem são e
como vivem foi o que procurámos saber. E, entre a mesquita onde se reunem
os seguidores da lei Islâmica e a sinagoga que acolhe os filhos de David,
traçamos o retrato possível de dois mundos que, à escala internacional,
protagonizam um dos conflitos mais prolongados da História. Falando ainda
de História, recordamos nesta edição dois homens que polarizaram, também
eles, ódios e paixões, por motivos distintos: Uriel da Costa, nascido no
Porto em 1581, foi perseguido pela Inquisição portuguesa e depois pela
sinagoga de Amsterdão, e acabou por suicidar-se em 1640 deixando uma
comovente autobiografia em que narra todos os horrores que sofreu -- às
mãos dos cristãos e, sobretudo, dos judeus do seu tempo; e Costa Cabral,
nascido em 1803, provavelmente o governante português até hoje mais
«exposto à execração pública» -- como nota Maria de Fátima Bonifácio, ao
descrevê-lo na secção «Retratos». Por fim, Graça Morais e a sua pintura --
um perfil traçado por Maria João Avillez, com paragem obrigatória nas
diversas etapas da vida da pintora: a infância em Trás-os-Montes, a
adolescência em Bragança, o encanto em Paris, a solidão no Porto. Depois
Lisboa -- e a pintura, tal como a conhecemos.

<p n=3520>
Todos os empreendimentos de conteúdo meramente materialista estão
condenados a desabar. As acções desprovidas de caridade e humanidade
estão sujeitas a castigos e a consequências desgradáveis. Afaste-se de
caminhos perigosos.

<p n=3521>
«Em Uriel da Costa não há filosofia nem mesmo ideologia. Há paixão, isto
é, o acontecer que transforma a pessoa e a lança para os caminhos da sua
compreensão». Agustina Bessa Luís abre com esta tese o romance «Um Bicho
da Terra», a biografia de um homem que foi perseguido pela Inquisição
portuguesa e excomungado pela sinagoga de Amsterdão.

<p n=3522>
Aos 30 anos, desconhecia o essencial do judaísmo, mas a aversão que lhe
provocavam as subtis elocubrações do catolicismo -- a Santíssima Trindade,
a Imaculada Concepção, a personalização do mal em Satanás -- levaram-no a
percorrer os livros de Moisés e dos profetas, cujos escritos, venerados
por judeus e cristãos, lhe pareciam mais simples e credíveis. Pouco tempo
depois emigrava para a Holanda, refúgio, desde o final de Quinhentos, de
inúmeros judeus portugueses perseguidos pela Inquisição.

<p n=3523>
Toda a obra de arte tem uma carga erótica, porque o seu objecto é
suscitar o êxtase, o prazer, um sentimento de totalidade e um desejo de
posse. Daí que, em última instância, todos sejamos «voyeurs». A
resistência que se verifica face ao erotismo deriva da encenação de
interditos morais e sociais. E neste campo o cinema é alvo previlegiado
da censura pela sua maior capacidade de realismo.

<p n=3524>
Como Bertolucci, também Borowczyk aborda essa margem que separa o voyeur
do seu objecto, mas de uma forma picaresca e ligeira mais próxima das
histórias galantes oitocentistas.

<p n=3525>
A construção de moinhos e azenhas representou um passo decisivo na 
técnica da moagem dos cereais. As farinhas obtinham-se por trituração
manual. O aproveitamento da força da água corrente permitiu, para além da
simplificação desta tarefa, produzir farinha mais .fina e homogénea.

<p n=3526>
A força motriz das águas foi sendo usada para facilitar os trabalhos
rurais. A moagem foi apenas a sua tarefa inicial; serviram depois para
impulsionar lagares, adegas e pisões. A maior parte encontra-se hoje
abandonada e em risco de ruir. No entanto, constituem um património
valioso que devemos conservar.

<p n=3527>
Não sendo de produção recente, «Operation Wolf» aparece agora também para
os compatíveis IBM. Com possibilidade de ser jogado no modo gráfico VGA,
este jogo é daqueles que prende o jogador ao ecrã durante muitas e boas
horas de prazer.

<p n=3528>
As balas devem ser gastas racionalmente, tendo a preocupação de acertar
principalmente nos soldados e materiais que brilham. Isso é sinal de que
se preparam para atirar sobre nós. Com as poucas granadas de que
dispomos, a situação ainda é pior. Devemos poupá-las para os inimigos
mais difíceis de abater e que, portanto, requerem maior número de balas.
Refiro-me nomeadamente aos helicópteros, lanchas e tanques. Sempre que se
encontrem mais que um tanque e um helicóptero no campo, a granada deve
ser atirada para cima do tanque, pois a sua deflagração por vezes atinge
os helicópteros que estão por cima.

<p n=3529>
Neste pequeníssimo território, é famosa a zona de Monte Carlo, sobretudo
por causa do Casino e das corridas de Fórmula 1. Os habitantes monegascos
não pagam impostos e não podem jogar nas mesas do Casino.

<p n=3530>
O palácio do Mónaco é muito antigo e fica situado no alto de um rochedo,
donde se avista a cidade, o porto, as águas do Mediterrâneo.

<p n=3531>
Alguém dá um palpite sobre o que é? Certo -- é uma revista infantil.
Errado -- só este número saiu recentemente, a revista é já «antiga».

<p n=3532>
No exemplar deste trimestre, temos uma mini-história de quadradinhos que
fala de um nariz de palhaço que se fartou de ser gozado e fugiu ao dono.
«Cheirava-lhe» que podia ter outras utilidades...

<p n=3533>
O rio nasce num recanto fresco. Quando criança, é estreito e turbulento.
Atravessa altos e baixos com insuperável energia. Habitam-no seres ágeis
e musculados, que gostam de movimento e acção. Vamos conhecer alguns dos
mais característicos.

<p n=3534>
Ao longo de seis semanas, queremos apresentar-lhes este principezinho da
Natureza e muito do que o rodeia. De momento, para que se fale do
assunto, para que se acrescentem e aprofundem conhecimentos; mais tarde,
para vos propormos uma salutar brincadeira...

<p n=3535>
Quando o rio corre encaixado por entre penedos e fragas, descreve um
percurso acidentado, cheio de surpresas: o leito foge de repente,
aparecendo uns metros abaixo, e a água galga o desnível transbordante de
energia, criando um elemento paisagístico de enorme beleza: as cascatas.

<p n=3536>
O engenho humano criou a ponte. Em madeira, em pedra, em metal ou em
betão, elas constituem vias estáveis de ligação entre duas margens.
Encurtam distâncias, são factor de desenvolvimento, aproximam os povos.

<p n=3537>
São palavras cruzadas e jogam-se colocando no sítio certo uma só palavra
que tem o mesmo significado da «explicação» que nos é dada para cada
espaço (em linha ou em coluna). É fundamental que cada resposta respeite
o número de letras (cada quadradinho leva uma letra), sem sair do
tabuleiro nem passar por cima das casas pretas. As palavras cruzam-se em
letras que lhes são comuns e têm que manter o sentido. Cuidado com os
tempos dos verbos, com os géneros (masculino/feminino) e com o número
(singular/plural).

<p n=3538>
O turismo, designação por que é conhecido o gosto pelas viagens, visitas
a monumentos, a sítios pitorescos e a belas paisagens , movimenta milhões
de pessoas. Vão conhecer a História e a cultura dos povos, integrados nas
comunidades locais: conhecem os seus modos de vida, a arquitectura
tradicional, o artesanato, a gastronomia, as festas e romarias. E
contribuem para a nossa riqueza e desenvolvimento.

<p n=3539>
O ambiente que nos rodeia tem sido tão alterado nos últimos anos que
alguns animais e plantas mais sensíveis estão em risco de desaparecer
para sempre. As paisagens naturais em que se mantém o equilíbrio entre o
homem e a Natureza são cada vez mais raras.

<p n=3540>
Percorremo-las através de trilhos marcados, os chamados percursos da
Natureza: estes conduzem-nos aos pontos mais interessantes e dão-nos
informações complementares.

<p n=3541>
Todos os nomes de localidades têm um significado. Com eles se
individualiza um lugar, registando, sem saber, grande quantidade de
informações sobre a sua história.

<p n=3542>
Muitas terras nasceram em localizações geográficas particulares e o nome
ficou: Pé da Serra, Vale da Telha, Montes Claros, Lugar da Estrada. O
mesmo se passa com as ruas: Rua de Além (S. Mamede de Infesta), Rua do
Cimo da Vila (Vila do Conde), Largo de Sete-Rios (Lisboa), Rua do Molhe
(Porto).

<p n=5223>
Angola e a ida para a guerra colonial marcaram a poesia, a prosa e,
porventura, a vida de Fernando Assis Pacheco. Num surpreendente mecanismo
de defesa, pedindo aos deuses que não lhe revelassem as cicatrizes,
fechou o ouriço e correu o biombo da memória. Sobre Angola, pouco, quase
nada, nada. O autor de «Walt», uma obra que o próprio não se acanha em
considerar apenas o prefácio a um verdadeiro romance sobre o guerra
colonial, não falou desse tempo.

<p n=5224>
PÚBLICO -- A sua poesia está cheia de referências a lugares: Coimbra,
Galiza, até Angola, Cabo-Verde e Pardilhó...

<p n=5225>
or emulação com o CITAC, o TEUC quis fazer uns autores modernos com um
certo sentido experimental. E o Paulo Quintela lembrou-se do «Retabillo
de D. Cristóbal» de Lorca. Feito no original. Havia uns que tentavam
arranhar o castelhano, outros que falavam em transmontano-mirandês e pelo
menos um que, de vez em quando, se esquecia das entradas, que era eu.
Tinha que levar as deixas escritas na mão ou coladas num papelinho na
balaustrada da barraca, que o cenário era uma barraca. Eu era o pior
actor daquele grupo, mas era o que falava melhor espanhol. O Manuel
Alegre fazia de D. Cristóbal, «el hombre de la cachiporra».

<p n=5226>
Usei Cabo-Verde como poucas pessoas terão usado, nesses 40 e tal dias, e
jurei: no próximo ano estou cá.  Enganei-me. No ano seguinte estava na
tropa.

<p n=5227>
ou Herculano dos Santos, ou Hipólito dos Santos... Havel dos Santos?...
Veio nos jornais: chegou a aventar a hipótese de, numa nota de censura,
causticar um poema que li na Cornélia, sobre um soldado meu que morrera
na guerra.

<p n=5228>
Em cima: Varrasquinho, Queimado, Caçoila e eu, todos os 4 a capinarmos o
morro de Nabuamgongo (Julho de 63); Ao lado: O jgraçadinho em Zala,
Setembro de 1963, abarracamento do Batalhão de Cavalaria 437. Foto sacada
no rescaldo de uma protecção descontínua a uma coluna de reabastecimentos
em que, vá lá saber-se porquê, não houve tiros. O alferes já andava muito
em baixo e dias depois foi evacuado para a Clínica de Neuropsiquiatria do
Hospital Militar de Luanda. O cão era dele e chamava-se Eusébio

<p n=5229>
O desafio proposto na semana passada foi o seguinte: Tenho dois mapas de
Portugal em escalas diferentes. Coloco o mapa mais pequeno em cima do
mapa maior, de modo que o menor fique completamente dentro do maior.
Posso garantir que existe um local em Portugal tal que as suas imagens
nos dois mapas fiquem exactamente uma sobre a outra?

<p n=5230>
Dado que se trata de estradas, podemos imaginar um carro deslocando-se a
uma velocidade constante no troço de estrada. Se os nossos mapas fossem
animados, poderíamos imaginar duas imagens do carro, uma percorrendo o
segmento AB e outra percorrendo o segmento CD (v. fig. 2).

<p n=5231>
Passei o fim de semana, enroscada num edredon de penas, a ler uma obra
escrita por um expatriado inglês sobre o meu país. Desde que mudei o
quarto para a cave, vai fazer agora cinco anos, todos os dias planeava,
sem êxito, arranjar um candeeiro que me permitisse ler entre os lençóis.
Desleixada, só sexta-feira passada consegui juntar a energia necessária
para me deslocar até uma loja de apetrechos luminosos, de onde saí
exibindo um aparelho desenhado em Itália, com o charme a que esta nação
nos habituou. Além de lindíssimo, o objecto tem a particularidade de
possuir uma lâmpada «halocinogénea». O meu filho riu-se muito, quando lhe
mencionei isto, mas, sádico como é, não me explicou a razão. Caso o termo
não seja o correcto, espero que percebam a que me estou a referir. Seja
como fôr, «aquilo» dá uma luz espectacular.

<p n=5232>
Sobre o autor, além de uma aguarela, em que aparece tocando Bach ao
pequeno almoço, dispomos de escassas informações. Natural de terra
tornada célebre por A. E Housman, passou por Oxford, Lincoln's Inn e
Alemein, antes de se fixar em Colares, onde reside há mais de trinta
anos. Se as minhas contas estão correctas, foi contemporâneo de Sybille
Bedford, que por cá passou, em 1959. Entre os dois, prefiro A. B. Kotter,
o que não é dizer pouco.

<p n=5233>
A explicitação de uma estratégia editorial pode ser dada pela leitura do
sumário de uma publicação periódica? No caso das Ediciones La Cupula, uma
empresa catalã (Plaza de las Beatas,3 - 08003 Barcelona, Espanha) que
edita a revista mensal «El Vibora», a resposta só pode ser afirmativa.

<p n=5234>
Inédito em Portugal, Gotlib é autor de uma brilhante e fascinante obra,
realizada ao longo de quase três décadas e consagrada com o Grande Prémio
do Salão de Angoulême deste ano.

<p n=5235>
«A `mafia'?» -- Qualquer soviético lha apontará. Primeiro, olhará à volta
sem saber bem onde procurar. Depois, aponta o primeiro polícia que vir,
os magotes de táxis parados á porta do hotel para estrangeiros, pronuncia
o nome Ryjski Rynok (um dos mais populares «mercados livres» de Moscovo),
acena com a cabeça e os olhos para o Kremlin. Depois, volta a encolher os
ombros e abre os braços: «A `mafia'?» Algo assim como um imenso polvo,
cujos tentáculos tocam todas as células do tecido social...

<p n=5236>
Nos bêbados cambaleantes, decrépitos, vultos marcados pelo «vodka» e
pelas equimoses, que enxameiam as estações suburbanas de Moscovo... Nos
grupos que ajustam contas em verdadeiras batalhas campais nos recantos
mais escondidos da capital... Na violência que se respira hoje nas ruas,
nos restaurantes, nas bichas intermináveis às portas das lojas...

<p n=5237>
ltrapassaria esse acordo. Os choques de zonas de influências e os ajustes
de contas não são raros, e os encontros entre os líderes dos bandos
decorrem sempre, segundo conta Sacha, num ambiente de grande tensão (os
chefes vão sempre protegidos por numerosos guarda-costas), mas é de crer
que os «gangs» têm continuado a reunir-se e a procurar um mínimo de
entendimento.

<p n=5238>
Um polícia ganha 20 dólares por mês, enquanto que uma prostituta pode
fazer três ou quatro vezes isso e um empregado de um bom restaurante faz
facilmente o dobro ou o triplo. «Por um ordenado de 250 rublos por mês
não vale a pena arriscar muito a pele» -- dizem os agentes da Milicja.

<p n=5239>
Sacha é circunspecto quanto à sua posição no mundo do crime. Garante-nos
que não é um «vor v zakon». Mas a sua «moral» segue os grandes princípios
da criminalidade «nobre».

<p n=5240>
Também nunca esteve ligado àquilo a que chamam «coisa com sangue». Esta
regra admite poucas excepções: responder a uma agressão, ou um ajuste de
contas, quando outro grupo tenta violar o seu território; ou ainda, por
exemplo, quando um proxeneta não paga os seus impostos -- é punido de
forma brutal, por vezes até com a morte. O recurso à «violência
profissional» é então legítimo. Mas, mesmo nestes casos, normalmente se é
preciso executar um trabalho sujo, recorre-se a um subordinado no mundo
do crime. Por exemplo, quem perde às cartas e não tem com que pagar pode
fazê-lo assassinando alguém por conta do outro jogador.

<p n=5241>
... houve em Lisboa (em Portugal, ainda imperial) uma famosa exposição,
que o mundo distraído pela guerra perdeu.  No número de Dezembro de 90,
agora chegado, trata-se de evocar o evento político-cultural. O sentido,
as etapas e os protagonistas de tudo isto foram estabelecidos
originalmente pela historiografia da arte através das análises de
José-Augusto França que neste número se retomam exaustivamente. O próprio
fala da reacção anti-moderna do coronel Ressano Garcia, e publica como
documento a resposta de António Pedro; Margarida Acciauolli analisa as
relações entre o real e o imaginário e o sentido da iconografia na
arquitectura, escultura e pintura, num texto denso de informação
interessante à sua tese de doutoramento. Um texto memorialista, de F.
Eduardo Nunes, descreve-nos as transformações urbanísticas da zona dos
Jerónimos vistas pelos olhos de uma criança desde a mercearia do Sr. Abel
Marinho. No conjunto, a evocação deste dossier é vasta mas repete
esquemas conhecidos, inclusivé da própria revista. Pelo que valerá
recorrer, a propósito, a dossiers mais dinâmicos, como os publicados no
ano transato no Expresso e PÚBLICO, por exemplo.

<p n=5242>
O texto de Fernando Alvarenga, «A instaneidade na arte surrealista: de
[sic] Chirico a António Pedro» introduz um sopro de frescura. Local de
delírio vocabular, exacerbação sintáctica, abismo conceptivo (e até
inovação ortográfico-fonética: veja-se o título onde falta o De a De
Chirico para evitar cacafonias), este texto é, eventualmente, um exemplar
do método «paranóico-crítico» daliniano ou, mais originalmente, um
auto-cadavre-exquis, a evidência de uma «escrita automática» de lugares
comuns, construido em torno da ideia do sexo e do amor no surrealismo.
«Eis porque o erotismo passeia a estetizar a arte surrealista, e isto por
ele ser, em suma, um princípio de emancipação do homem, como a arte o é
também, e mais ainda quando ela, contendo o erotismo, se cumpre a
subjugar mais irracionalmente o homem ao prazer, (re)libertando-o.

<p n=5243>
«Às vezes um homem tem de fazer o que é suposto fazer». Esta a frase que
surge como contexto para o dossier da «Gentlemen's Quaterly» de
Fevereiro. À partida, muitas razões se podem apontar para que um homem se
pergunte sobre si mesmo. Mas a ousadia é só aparente. À segunda linha de
abertura, percebe-se que são os dez anos de governo de Margaret Thatcher
que justificam a tentativa de definir o perfil do homem britânico. Em
termos de masculinidade, um motivo assustador, não fossem as respostas
aquelas que se esperam -- no Reino Unido, em todo o lado. 

<p n=5244>
Ricardo convida Helena para apanhar um pouco de sol em casa de Clotilde.
Leonor leva Alex a uma discoteca onde tenta esquecer os amores frustrados
com Eduarda. Renata quer saber o que sabe Dona Isa do segredo do capitão
Artur.

<p n=5245 assunto=desporto>
Dê alegria e amor ao seu quarto de banho com a toalha de rosto por
1300$00 e com o tapete de banho «amoroso» por 1200$00. Para oferecer a
maridos ou esposas apaixonadas, conjunto de três peças de chá por1860$00.
Tudo na Casa Navarro, Praça da Liberdade, 46-52, no Porto. Aberta das 9h
ao 12h20 e das 14h30 às 19h.

<p n=5246>
New West para homem, da Aramis, é uma linha de produtos de «toilette»
que contêm Skinscent -- um perfume feito de uma mistura de bergamota,
gerânio, rosmaninho, salva, orégão, alfazema, noz moscada, louro,
patchouli e madeira de sândalo -- por 4000$00. E se preferir em «spray»,
por 4500$00.

<p n=5247>
Lave as endivias e escalde-as em água temperada de sal. Escorra-as e
deixe-as arrefecer. Com a ajuda de uma faca retire-lhes a parte interior.
Reserve.

<p n=5248>
Entretanto prepare o molho, estufando a cebola picada na manteiga. Ligue
com a farinha. Acrescente o caldo de aves a que juntou o sumo de limão e
prepare um molho cremoso. Adicione então as natas misturadas com a
paprika. Deixe levantar fervura rapidamente e rectifique os temperos.
Sirva as endivias bem quentes, acompanhadas com este molho.

<p n=5249>
Há actores tentados pela realização e Robert Redford foi um dos que fez a
passagem. Há realizadores que pensaram antes ser actores e um deles é
Sidney Pollack. O que torna singular a obra deste realizador limitado, ou
fazedor de filmes tradicionais como ele próprio diz, é antes do mais a
sua continuada colaboração com Robert Redford. Uma colaboração longa, mas
mais do que uma colaboração, desde logo pelo estatuto que Redford teve
como uma das imagens da América e pelo modo como essa imagem e as suas
mutações são um eixo condutor nos filmes de Pollack.

<p n=5250>
SIDNEY POLLACK -- Depende. Há pessoas que o dizem no melhor sentido,
outras em sentido negativo. Depende. Há pessoas que preferem algo mais
contemporâneo, técnicas mais inovadoras, etc. As raízes da minha técnica
cinematográfica são muito tradicionais, muito pouco imaginativas em
termos de estilo. Não sou um estilista do cinema, porque me preocupo
sobretudo com a história e as personagens. Tenho a certeza de que os meus
filmes foram fortemente influenciados pelos que vi quando era um jovem
estudante; foi no final dos anos 40 e nos anos 50 e eram filmes clássicos
americanos. Por isso depende -- se se gosta dos meus filmes, acha-se que
são tradicionais; se não se gosta, chama-se-lhes antiquados.

<p n=5251>
No Alentejo, nos últimos anos, tem-se trabalhado bem e depressa na
elaboração de vinhos de qualidade. De tal modo que, criadas em 30 de
Setembro de 1988, pelo Decreto-Lei 349/88, as zonas vitivinícolas de
Portalegre, Borba, Redondo, Reguengos e Vidigueira «como indicações de
proveniência regulamentada (IPR) para a produção de vinhos a integrar na
categoria dos chamados vinhos produzidos em regiões determinadas (VQPRD)
da nomenclatura comunitária», já no Verão de 1990 se puderam provar os
primeiros brancos alentejanos certificados e, no Inverno, os primeiros
tintos.

<p n=5252>
Na dinamização do sector vitivinícola alentejano desempenha um papel
fundamental o departamento da Universidade de Évora dirigido pelo
engenheiro Francisco Colaço do Rosário, que encontrou uma boa base de
trabalho nas infra-estruturas criadas pelas adegas cooperativas na
região. Elas são responsáveis pela manutenção da vinha do Alentejo e pela
produção de vinhos de qualidade reconhecida.

<p n=5253>
Fotografia: Anónimo. Arquivo Nacional de Fotografia / IPPC. Porto.
Palácio de Cristal, 1884. Espólio do Arquivo Alvão. Reprodução da
Fotograia União 1908 (Reprodução actual a partir de um negativo em vidro
/ gelatina / sal de prata. Pormenor do grupo dos «Vencidos da Vida»)

<p n=5254 assunto=desporto>
Com as despesas pagas pelas propriedades da família, Antero pôde viver a
tempo inteiro a grande era revolucionária de 1865-75. Experimentou a luta
social trabalhando como tipógrafo em França; visitou a Democracia na
América do Norte; e leu o Fausto enquanto atravessava o Atlântico. Em
Lisboa, insultou os velhos poetas em nome da filosofia alemã e organizou
os operários segundo os ditames da Internacional marxista. Esteve por
detrás de tudo o que, «moderno» e «científico», assustou os burgueses
lisboetas. Com alguns camaradas, conservou o bom humor das confrarias
estudantis, embora o sentido de missão e a austeridade da sua pessoa
emprestassem sempre um profundo ar de dignidade sacerdotal às suas
provocações públicas. Era naturalmente o chefe dos jovens.

<p n=5255>
Esta semana o poder, ou seja a força conferida pelo IMPERADOR deve ser
usada em proveito próprio, tentando dominar impulsos negativos ou
comportamentos imponderados. O tempo é muito importante na resolução de
problemas.

<p n=5256>
O Julgamento é uma carta um tanto neutra, embora positiva, já que faz
depender os resultados das atitudes adequadas que são fruto da sua
análise das situações ou dos julgamentos de terceiros. Não alimente
situações doentias nem mesmo por razões sociais.

<p n=5257>
Há quem lhe chame a segunda mais velha profissão do mundo, e a própria
Bíblia faz referências à acção destes «agentes secretos». Mas a
espionagem transformada em «ciência», mesmo que incerta, é uma
«conquista» contemporânea.

<p n=5258>
A selecção que se segue incide sobre os filmes que têm o mundo dos
espiões por tema. À partida ficam de lado os que levam um estranho para o
meio de uma intriga de espionagem (modelo: «Intriga Internacional»). E
também James Bond, que poderá jogar no mesmo campo mas que a partir da
terceira aventura se transformou num super-herói.

<p n=5259>
Temos vindo a publicar várias histórias de Banda Desenhada. Umas são mais
interessantes para os jovens, outras para as crianças que já lêem com
à-vontade. Mas sabíamos que os mais pequeninos ainda não tinham tido uma
BD para eles.

<p n=5260>
A escola não o atraía: ele sempre esteve convencido de que só a BD lhe
podia interessar; e não há cursos orientados para desenhadores de Banda
Desenhada.

<p n=5261>
O André Filipe Paiva ganhou, por unanimidade, o passatempo dos Papagaios
de Papel. Fez o desenho na Biblioteca Infantil de Paço de Arcos,
localidade onde vive, com a mãe e uma avó.

<p n=5262>
A: -- É um sítio onde há muitos livros. Fica ao pé da igreja de Paço de
Arcos e fui lá com a minha escola. Todos os meninos fizeram papagaios de
papel.

<p n=5263>
Vizinhos dos turcos, os búlgaros sofreram quase 500 anos de dominação
otomana. Reino independente a partir de 1908, a Bulgária tornou-se uma
República Popular, em estreita ligação com a União Soviética, a partir do
final da II Guerra Mundial, durante a qual o rei tomou o partido dos
alemães.

<p n=5264>
O peso das gerações anteriores faz-se sempre sentir sobre os jovens. A
sua passagem para o estado adulto faz-se libertando-se dessas amarras,
mas também aproveitando os ensinamentos do passado. Procurando entendê-lo
como lição e não como refúgio para as dificuldades presentes. Todas as
gerações passam por esse conflito, e a forma como é resolvido influencia
a personalidade que se vai moldando.

<p n=5265>
Foto tirada quando já tinha terminado a sessão do júri; faltam, por isso,
José de Guimarães e Volkmar Schaefer.

<p n=5266>
Cirilo sorriu satisfeito. Estavam na Bulgária para isso mesmo: converter
o povo à religião cristã. Mas antes de convencerem o povo, tinham que
convencer o rei. Se ele se baptizasse, todos lhe seguiriam o exemplo.

<p n=5267>
Quando, a 11 de Julho de 1672, a mulher do czar Alexis deu à luz mais um
rapaz, ninguém sonhava que seria ele o grande imperador da Rússia.
Parecia mesmo impossível que alguma vez se sentasse no trono, porque
tinha três irmãos mais velhos: Fédor, Sofia e Ivã.

<p n=5268>
Julgavam ter tudo resolvido da melhor maneira quando estalou uma revolta
chefiada por Sofia. Pouco disposta a ficar de lado, tinha convencido a
guarda imperial que, se havia três príncipes, deviam partilhar o trono
entre si. E conseguiu fazer valer a sua opinião.

<p n=5269>
O rio nasce num recanto fresco. Quando criança, é estreito e turbulento.
Atravessa altos e baixos com insuperável energia. Habitam-no seres ágeis
e musculados, que gostam de movimento e acção. Vamos conhecer alguns dos
mais característicos.

<p n=5270>
Chama a atenção pelo seu colorido exuberante: tons de azul, branco e
alaranjado. O comprimento do corpo é reduzido, mas a cabeça e o bico são
proporcionalmente grandes.

<p n=5271>
O rio nasce num recanto fresco. Quando criança, é estreito e turbulento.
Atravessa altos e baixos com insuperável energia. Habitam-no seres ágeis
e musculados, que gostam de movimento e acção. Vamos conhecer alguns dos
mais característicos.

<p n=5272>
«À beira do rio nascem/violetas ao comprido», diz o canto popular da
Beira Baixa. As violetas são, de entre um conjunto diversificado de
plantas aquáticas ou semi--aquáticas, o símbolo das flores silvestres que
povoam as margens dos cursos de água.

<p n=5273>
Está finalmente acordada com o Governo Civil de Lisboa a data para o
sorteio do Passatempo das Fichas da CEE: dia 24 de Fevereiro. O que
significa que poderemos finalmente publicar resultados no Júnior de 3 de
Março.

<p n=5274>
Em Portugal desde 1989, acompanha actualmente oito jovens que estão em
casa de famílias portuguesas e apoia os pais dos 4 portugueses que estão
na Bélgica e na Holanda.

<p n=5275>
Enquanto continuamos à espera do apuramento do sorteio do passatempo das
Fichas da CEE, antecipámos a reunião do júri do concurso de Papagaios de
Papel. Este concurso é patrocinado pela Lufthansa e foi realizado a
pretexto da exposição internacional que esteve em exibição na Fundação
Gulbenkian em Lisboa, durante o passado mês de Janeiro.

<p n=5276>
A apoiar as actividades do Centro de Animação Infantil da Gulbenkian, e,
nomeadamente, a fazer papagaios de papel com o público mais jovem da
exposição na Gulbenkian, esteve esse incansável animador que é Delfim
Miranda. Não podíamos prescindir da sua colaboração no júri!

<p n=6806>
As actividades políticas clandestinas de Álvaro Cunhal começam na
Faculdade de Direito de Lisboa, onde entrou em 1930, com 17 anos.
Legalmente, é membro da direcção da Associação Académica (1932) e do
Senado Universitário (1934). Mas Cunhal participa também nas clandestinas
Liga da Amigos da URSS, Socorro Vermelho Internacional, Liga Contra a
Guerra e Contra o Fascismo e Grupos de Defesa Académica.

<p n=6807>
Em 1934, Álvaro Cunhal -- que adopta o seu primeiro nome de guerra -- é
destacado pela direcção de Bento Gonçalves para organizar a Federação das
Juventudes Comunistas, com Florindo de Oliveira e Pavel (Francisco Paula
de Oliveira), que era secretário-geral. Em Abril do ano seguinte, Cunhal,
Domingues dos Santos e Florindo de Oliveira são eleitos para o
Secretariado da Federação. Cunhal abandona a Faculdade e, no início de
1936, os três jovens secretários vão, clandestinamente, a Moscovo ao VI
Congresso da Internacional Juvenil Comunista. Nesse mesmo ano, Pavel sobe
ao Secretariado, tornando-se no seu representante junto da Internacional
Comunista (IC), da qual será expulso em 1939.

<p n=6808>
Nascido numa família burguesa, dedicou-se ao povo. Ultrapassando a origem
social, consegue ofuscar a memória do líder operário, Bento Gonçalves.
Defendendo a «linha justa», impôs-se aos sucessivos «desvios» e
estruturou um partido que agora perfaz 70 anos: o PCP. Com 77 anos, é
dirigente há cinco décadas e secretário-geral há três. Os adversários
tratam-no por «Dr. Cunhal». Os camaradas chamam-lhe apenas «o Álvaro».

<p n=6809>
O final dos anos 30 foi duro para o PCP. O secretário-geral, Bento
Gonçalves, estava no Tarrafal e muitos dos dirigentes tinham sido
sucessivamente presos. É constante a criação de novos Secretariados,
órgãos máximos da direcção que, sobretudo na clandestinidade, centralizam
poderes vitais.

<p n=6810>
Outra tendência é, contudo, cortada nesse Congresso. O maoísmo e a defesa
da «acção directa de pequenos grupos» são considerados como «concepções
esquerdistas, sectárias e aventureiristas», que tinham «subestimado e
prejudicado» a «ligação com as massas». A direcção do PCP mantém-se fiel
às palavras proferidas por Cunhal na sua defesa em tribunal, em 1950:
«Qualquer pessoa, com um mínimo de boa informação, sabe que (conforme os
mestres do comunismo, Marx, Engels, Lenine e Estaline, nos ensinam) nós
somos adversários do terrorismo.»

<p n=6811>
Quanto ao maoísmo, Cunhal condenava-o desde 1961. Contra os seus «vícios»
e outros «esquerdismos», que, a partir de meados dos anos 60, seduziam a
juventude universitária, escreverá «O Radicalismo Pequeno-Burguês de
Fachada Socialista».

<p n=6812>
Paolo Bufalini, 75 anos, senador do ex-PCI, actual PDS. Até ao último
Congresso dirigiu a comissão internacional do Comité Central. Histórico
do PCI, apoiou Ochetto quando o secretário propôs a extinção da
organização comunista.

<p n=6813>
A PVDE apreende no Luso documentos partidários importantes que
comprometem alguns comunistas. Tal parece ser a razão por que, de
seguida, são presos vários militantes e dirigentes e a estrutura
clandestina do PCP é abalada.

<p n=6814>
Álvaro Cunhal -- que a si mesmo se definiu como «filho adoptivo do
proletariado», perante o tribunal, em 1950 -- descende de uma família da
burguesia rural. O avô paterno era sapateiro e um tio avô de nome Luís
Henriques Cunhal foi capelão da Batalha, no fim século passado.

<p n=6815>
Álvaro Barreirinhas Cunhal nasceu a 10 de Novembro de 1913, na freguesia
da Sé Nova, em Coimbra. Em 1917, rumou para Seia, terra de seu pai, o
advogado Avelino Cunhal, que chegou a ser governador civil da Guarda. Em
1924, Avelino e Mercedes Barreirinhas Cunhal abandonam, de vez, Seia e
vêm para Lisboa, instalando-se nas Avenidas Novas. Na capital, Avelino
Cunhal dedica-se à advocacia, destacando-se na defesa de diversos
acusados de «crimes contra a nação» e de práticas subversivas.

<p n=6816>
O PCP que hoje existe pouco tem a ver com o partido que nasceu, há 70
anos, no dia 6 de Março, no final de uma reunião de «notáveis» do
sindicalismo iniciada a 20 de Fevereiro, na Associação dos Empregados de
Escritório, sita no primeiro andar do número 225 da Rua da Madalena. Ali
ao lado, na Rua Marquês do Alegrete nº 3, 2º Dtº., o PCP abre as portas
da sua primeira sede, que só fechará definitivamente em 1927.

<p n=6817>
Os anarco-sindicalistas, numa primeira fase, apoiam a revolução
bolchevique, mas distanciam-se dela após Lenine pôr em prática a NEP
(nova política económica). O PCP acabará por vencer a batalha e, com a
guerra de Espanha, os anarco-sindicalistas aderem em «massa» ao PCP,
adesão que fora iniciada aquando da «reorganização» de Bento Gonçalves,
em 1929.

<p n=6818>
Renato Sandri, ex-deputado europeu, desempenhou, até à eleição de Achille
Ocheto, um papel de primeiro plano no PCI, como coordenador da secretaria
de Alessandro Natta, ex-líder do partido. Antes disso dirigiu a política
externa dos comunistas italianos, cuidando principalmente dos contactos
com a África e a América Latina. Velho «patigiano» e herói da resistência
contra o fascismo.

<p n=6819>
Lembro-me que recentemente comentámos, eu e o Natta, que a liderança de
Cunhal era uma das poucas sobreviventes da Perestroika. E recordámos um
episódio que nos impressionou. Sabíamos que a vida interna do PCP é um
dos exemplos mais rígidos de centralismo democrático. Mas quando se
tratou de decidir o apoio à candidatura de Mário Soares à presidência, no
segundo turno eleitoral, Cunhal não hesitou em convocar um congresso
extraordinário para decidir. Nós, italianos, que sempre tivemos fama de
anticentralistas, limitámo-nos a reunir a direcção do Partido quando
deliberámos, em 1976, o apoio ao chamado governo de solidariedade
nacional chefiado por Giulio Andreotti, cometendo um dos erros mais
clamorosos da nossa história política.»

<p n=6820>
Alexei Sergueev, professor de Economia Política na Escola Superior dos
Sindicatos, que prepara quadros partidários soviéticos e de outros
países. Membro do Comité Central do PCUS. Dirigente do «bureau»
organizativo do Partido dos Comunistas da URSS.

<p n=6821>
Aproveito a oportunidade para desejar felicidades aos comunistas
portugueses. Eu próprio sou comunista e as nossas ideias são inabaláveis.
Estou disposto a morrer pelo comunismo, como estão também os comunistas
portugueses, grandes lutadores antifacistas, de princípios fortes e
inabaláveis. Desejo grandes êxitos aos comunistas portugueses.»

<p n=6822>
Solicita-me o PÚBLICO uma apreciação breve -- em poucas linhas -- sobre a
personalidade política de Álvaro Cunhal. Tendo em conta que sou o
Presidente da República -- e que nessa qualidade tenho relações
institucionais correctas com o Partido Comunista, do qual o Dr. Álvaro
Cunhal é, vai para cinquenta anos, a figura central e emblemática; não
esquecendo os encontros e desencontros políticos que tivemos ao longo,
precisamente, desses cinquenta anos de vida política intensa e,
nomeadamente, após o 25 de Abril, em que de algum modo encarnámos
projectos contraditórios em confronto -- o pedido feito pelo PÚBLICO não é
nada fácil de satisfazer, revestindo-se mesmo de algum melindre político
e pessoal.

<p n=6823>
Álvaro Cunhal é obviamente uma figura excepcional. A sua vida tem uma
linha de coerência notável, ao serviço do Partido que simboliza há
cinquenta anos e que sem ele ninguém será capaz de prever como virá a
ser. Representa uma entrega total a uma Causa, com apagamento completo e
sistemático de aspectos pessoais, autocensurando as inevitáveis notas
humanas do seu comportamento, que de certo existem, mas que não deixa
sejam conhecidas. Nesse sentido, pode dizer-se que Álvaro Cunhal entrou
para o Partido Comunista como antigamente se «entrava em religião»,
despojando-se de tudo, com idealismo total, sem reservas nem retorno
possível.

<p n=6824>
Se não fossem, no conjunto da produção artística nacional, um capítulo
sem continuidade, os desenhos de Álvaro Cunhal constituiriam um dos mais
interessantes casos do neo-realismo português.

<p n=6825>
Em 1940, precisamente nessa grande manifestação do Estado Novo que foi a
Exposição do Mundo Português, uma obra de Portinari, «Café», exposta no
pavilhão brasileiro, pôde mostrar ao vivo a imagem de uma arte empenhada
na denúncia política e social da opressão, do mesmo modo que as
reproduções dos muralistas mexicanos, Orozco ou Siqueiros, iam
entusiasmando os jovens pintores que a partir de 1945 definiam finalmente
uma nova frente plástica: Vespeira pinta, no rescaldo da II Guerra,
«Apertado pela Fome» e Pomar «O Gadanheiro», o mural do Cinema Batalha no
Porto ou, já em 1947, o «Almoço do Trolha».

<p n=6826>
Dois carros partem ao mesmo tempo de uma cidade A, dirigem-se a uma
cidade B e depois regressam à cidade A. O primeiro carro segue sempre a
uma velocidade constante igual a 50 km/h. O segundo vai, de A para B, a
60 km/h, e regressa de B para A a 40 km/h. Qual chega primeiro a A?

<p n=6827>
«Suponhamos que de A a B são 60 km. Então, ao fim de duas horas, ambos os
carros percorreram 100 km, C1 porque anda a 50 km/h e C2 porque demorou
uma hora a chegar a B e depois andou mais quarenta km do regresso. Como
estão lado a lado e o carro C1 vai mais depressa, é este que chega
primeiro.»

<p n=6828>
objecto pareça ridículo. Por outro lado, a fanática devoção das
formiguinhas orientais ao crescimento do PNB  têm o condão de me causar
insónias.

<p n=6829>
Percebe-se a fúria do mais corajoso bispo da Igreja Portuguesa. Como
denunciou M. Muggeridge, um conhecido escritor católico, o orgasmo parece
estar, nas sociedades modernas, a substituir a cruz como foco do desejo.
Nesta perpectiva, o arcebispo estava pura e simplesmente a defender os
seus interesses. Já se percebe menos que, em vez de lançar o anátema
sobre o rebanho tresmalhado que para aí anda a pedir à RTP que volte a
transmitir o escandaloso filme, tivesse preferido vir para os jornais
apelar ao Estado para intervir.

<p n=6830>
Se o uso da palavra «povo» favorece com demasiada frequência juízos,
teorias e discursos confusos, equívocos e demagógicos, não admira que
também os favoreça o uso da expressão «literatura popular», que à
polissemia ou ambiguidade próprias do segundo termo (derivado de «povo»)
soma a do primeiro, de que tantos estudiosos se têm ocupado.

<p n=6831>
Na verdade, pode-se pertencer ao «povo» por uma das acepções apontadas;
mas também se pode ser excluído dele por alguma das outras acepções. Foi
António José Saraiva que notou: «Do ponto de vista da nobreza e da
riqueza, o intelectual geralmente pertence à plebe; mas do ponto de vista
do intelectual podem pertencer à plebe o rico e o nobre, por serem
inferiores quanto ao saber e à capacidade. O fidalgo da Idade Média nem
sempre sabia ler, e pouco mais do que analfabetos são muitos
`pato-bravos' de nossos dias».

<p n=6832>
Separe o peixe da espinha e corte-o em pedaços grandes. Salteie-os
rapidamente no azeite, em lume bem forte. Tempere com sal e regue com o
vinho branco.

<p n=6833>
O PÚBLICO pediu depoimentos sobre Álvaro Cunhal a diversas personalidades
co movimento comunista que, por uma razão ou outra, não responderam.
Ochetto (PSD), Ingrau (PSD), Cossuta (PSD), Santiago Carrillo (PCE),
Anguita (PCE), Falin (PCUS), Marchais (PCF), recusaram. Boris Ponomariov
(PCUS) aceitou, mas uma doença súbita impediu-o de entregar o texto.
Foram pedidos também à Embaixada de Cuba em Lisboa depoimentos de Fidel
ou Raul de Castro, mas a resposta tardou até ao fecho desta edição.

<p n=6834>
A carreira política de Cunhal é uma espécie de abrégé da história do
comunismo português que ele fez, fazendo-se a si próprio. Estudante
brilhante, ganha proeminência no meio universitário lisboeta, então
atravessado pelos conflitos que iriam marcar os anos 30 e que opunham
fascistas e «anti-fascistas», «amigos da URSS» e simpatizantes do Duce e
de Hitler. Como os jovens do seu tempo, Cunhal mergulha num mundo
profundamente maniqueísta, atravessado por ideias claras e opostas. Entre
Gide e Romain Rolland, o «amor-livre» e o compromisso com a história, faz
a sua formação de intelectual marxista-leninista.

<p n=6835>
A situação alterar-se-á com a «reorganização» de 1940-41 Rapidamente,
pela sua capacidade política e intelectual, Cunhal torna-se
indispensável. Com o pseudónimo de «Duarte», produz o corpus essencial
dos textos do partido, participa na organização das greves de 1944, ataca
os desvios ideológicos e corrige os excessos dos «reorganizadores».
Escreve sobre a Igreja, sobre os movimentos de «unidade», sobre os mil e
um pormenores da actividade clandestina. Nesses textos, Cunhal
apercebe-se com clareza de que a solução para o controle da
clandestinidade é a gestão de homens em situações de risco e que aí as
qualidades e os defeitos, principalmente os defeitos, são essenciais.
Data desta época um dos seus textos mais significativos, «Se Fores Preso
Camarada...», que vai educar gerações de quadros comunistas na difícil
arte de não falar na prisão.

<p n=6836>
No ano já algo distante (em termos históricos) de 1985, Álvaro Cunhal
prometeu falar abertamente sobre o Partido Comunista Português:
«Propomo-nos dizer com verdade como somos, como pensamos, como actuamos,
como lutamos, como vivemos, nós, os comunistas portugueses. Tudo será
dito, tornando transparentes as paredes do nosso Partido, de forma a que
quem está de fora possa observar o Partido como que através de paredes de
vidro». O livro chamava-se sintomaticamente «O Partido com paredes de
vidro» e o seu lançamento foi encarado como um sinal de abertura
iminente. Um sinal que, no entanto, deixava bem clara a existência de
dois mundos (comunistas e não-comunistas) separados por uma parede -- que
Cunhal, num desejo de abertura teórica, transformara em vitrina. Hoje, à
distância de seis anos, a parede permanece -- mas em grande parte à prova
de som. O retrato que neste MAGAZINE procuramos fazer de Álvaro Cunhal --
enquanto líder político mas também enquanto cidadão -- sofre desse
silêncio. Muitos dos testemunhos que ajudam aqui a construir-lhe a
biografia são anónimos, por razões estritamente partidárias. A vida
privada continua a ser tabu entre os comunistas (apesar de alguns
dirigentes já permitirem, por razões de simpatia ou propaganda, ser
fotografados com a mulher e os filhos em actividades lúdicas e
extra-partidárias) e, de Cunhal, o pouco que já sabe é o que tem rezado a
história. Mulher e filhos só os nomes -- nem uma fotografia, nem uma
palavra, nem uma breve recordação. Amigos, não se lhe conhecem -- só
«camaradas». Mesmo a ficção que escreveu surge ainda encoberta pelo
pseudónimo (sistema caro à clandestinidade) de «Manuel Tiago». Em nome de
um «humanismo» colectivo, deparamos com uma inexplicável desumanização
(não desumanidade) individual. O líder só tem uma história -- e essa é,
oficialmente, a do partido que conquistou e moldou à sua forma. Por isso
os 70 anos de existência do PCP se fundem quase obrigatoriamente nas
páginas que se seguem com os 50 anos de liderança de Álvaro Cunhal.
Noutras palavras: Cunhal é o PCP. Voluntariamente. E vai ser preciso
esperar alguns anos para que se possa falar dele sem o peso da ideologia
a carregar-lhe a imagem.

<p n=6837>
O que mais surpreende no romance é a tristeza que dele ressuma. Seria de
esperar, de um livro que pretende encenar o herói positivo tão perseguido
pelo neo-realismo -- versão portuguesa do realismo socialista -- que o
enredo corresse por uma estrada larga e ensolarada, em demanda dos
amanhãs que cantam. Mas não. O autor demonstra uma sensibilidade pouco
frequente neste género de literatura «engagée». Não esconde o desespero e
o tédio que se apossam dos funcionários clandestinos do Partido Comunista
Português: «Assim começou Afonso a sua vida de funcionário do Partido.
Receber malas e embrulhos. Separar imprensa. Fazer pacotes. Guardar
malas. Enrolar guitas. Receber novos pacotes. Esperar comboios. Esperar
camionetas. Fazer tempo em sítios descampados. Tomar o comboio. Receber
embrulhos. Entregar embrulhos (...) Sempre a mesma coisa, monótona,
aborrecida, sem qualquer interesse.»

<p n=6838>
PLANO AFECTIVO -- Afaste-se ou não permita mesmo comportamentos doentios
ou imoderados. A serenidade, a honestidade e a confiança são fundamentais
numa relação, sem eles não vale a pena prosseguir. Bons momentos com AR.
Receios e dúvidas ligados a ÁGUA, na maioria dos casos sem fundamento.

<p n=6839>
PLANO AFECTIVO -- Momento em que estará particularmente sensível e como
tal as suas reacções serão bastante variáveis e imprevisíveis. Não
alimente discussões ou lutas que apenas o tempo ou uma posição de
desinteresse aparente poderão resolver. Necessidade de afirmação social.

<p n=6840>
Vizinhos dos turcos, os búlgaros sofreram quase 500 anos de dominação
otomana. Reino independente a partir de 1908, a Bulgária tornou-se uma
República Popular, em estreita ligação com a União Soviética, a partir do
final da II Guerra Mundial, durante a qual o rei tomou o partido dos
alemães.

<p n=6841>
O jovem vive numa região desolada, onde se localiza também um campo de
concentração de prisioneiros de guerra (japoneses) e presos de delito
comum. Ele e a mãe procuram, no meio de grandes dificuldades, assegurar a
existência. Mas para além de retratar esta luta, o filme é uma poética
incursão no mundo da infância, das amizades que se criam, e a relação do
garoto com a menina (outra sobrevivente da guerra) é das coisas mais
bonitas que o cinema nos tem mostrado. A amizade transformada em
dedicação e protecção. Renitente e provocador em relação às manifestações
da jovem, será a ela que acabará por dever a vida.

<p n=6842>
Entretido com os seus pensamentos, não deu pela presença do irmão, que
entrou de mansinho, sem fazer barulho.  Trazia um balde, tintas, pincéis
e foi arrumar tudo num canto. O ruído do balde raspando nas lajes
despertou o padre, que se voltou:

<p n=6843>
Inútil insistir. Cirilo sabia muito bem que o irmão era teimoso. Quando
se lhe metia uma coisa na cabeça, não havia forças que o demovessem. Se
queria guardar segredo, não valia a pena tentar dissuadi-lo.

<p n=6844>
Entretido com os seus pensamentos, não deu pela presença do irmão, que
entrou de mansinho, sem fazer barulho.  Trazia um balde, tintas, pincéis
e foi arrumar tudo num canto. O ruído do balde raspando nas lajes
despertou o padre, que se voltou:

<p n=6845>
Inútil insistir. Cirilo sabia muito bem que o irmão era teimoso. Quando
se lhe metia uma coisa na cabeça, não havia forças que o demovessem. Se
queria guardar segredo, não valia a pena tentar dissuadi-lo.

<p n=6846>
O rio nasce num recanto fresco. Quando criança, é estreito e turbulento.
Atravessa altos e baixos com insuperável energia. Habitam-no seres ágeis
e musculados, que gostam de movimento e acção. Vamos conhecer alguns dos
mais característicos.

<p n=6847>
Chama a atenção pelo seu colorido exuberante: tons de azul, branco e
alaranjado. O comprimento do corpo é reduzido, mas a cabeça e o bico são
proporcionalmente grandes.

<p n=6848>
O rio nasce num recanto fresco. Quando criança, é estreito e turbulento.
Atravessa altos e baixos com insuperável energia. Habitam-no seres ágeis
e musculados, que gostam de movimento e acção. Vamos conhecer alguns dos
mais característicos.

<p n=6849>
Chama a atenção pelo seu colorido exuberante: tons de azul, branco e
alaranjado. O comprimento do corpo é reduzido, mas a cabeça e o bico são
proporcionalmente grandes.

<p n=6850>
Começámos já a receber textos sobre nomes curiosos de ruas e localidades,
de acordo com o desafio feito no Júnior nº 48. Só que temos finalmente
pronta a lista dos premiados do Passatempo de 20 de Janeiro e ficámos sem
espaço para dar início a essa publicação. Mas não tem problema, que o
tema não se desactualiza. Continuem a mandar os resultados das vossas
pesquisas e/ou invenções que, na próxima semana, há outro Júnior!

<p n=6851>
A diferença entre ser premiado num sorteio e numa selecção é que, no
primeiro caso, é a sorte que dita os vencedores, enquanto no segundo eles
são escolhidos por um júri.

<p n=6852 assunto=desporto>
Teresa Isabel Vaz MonteiroAv. 25 de Abril, 11-1ª cave dta
Covilhã79/01/01

<p n=7841>
Cavaco Silva está irritado com as movimentações de um «lobby» pró-Renamo
em Portugal. Não tolera «jogadas paralelas». Negará visto de entrada a
Dlakhama se o pedido partir desse sector. A partir de agora tudo o que
diga respeito à paz em Moçambique passa pelas suas mãos. Já deu ordens
nesse sentido ao Governo e aos Serviços de Informações. Só não controla
Belém.

<p n=7842>
Finalmente, Rebelo de Sousa contacta a Presidência da República. Pretende
que Mário Soares receba o chefe da Renamo. Belém mantém um «low-profile»
sobre a matéria. Mas o que mais parece preocupar o Governo é a última
diligência feita pelo empresário junto do próprio Dlakhama a quem terá
sugerido o envio de uma carta ao Presidente da República  dizendo da sua
intenção de vir brevemente a Portugal.  Os Serviços de Informações deram
conta da deslocação a Nairobi de um membro da delegação da Renamo em
Lisboa para informar Dlakhama de que a sua visita ao nosso país contava
com o acordo de Cavaco e de Soares. Contactada pelo PÚBLICO a Presidência
da República afirmou, através do embaixador Nunes Barata, que não foi
recebida em Belém nenhuma carta do líder da oposição moçambicana.

<p n=7843>
Nas suas páginas, «American Psycho» conta a história de Patrick Bateman,
um operador financeiro de Wall Street de 26 anos que tem uma vida sem
objectivo. Após cegar e assassinar um mendigo, Bateman começa a descrever
como torturou, mutilou, abusou sexualmente e matou várias mulheres.

<p n=7844>
Terrenos coutados aumentam continuamente

<p n=7845>
Curioso é verificar, nas estatísticas fornecidas ao PÚBLICO pela
Direcção-Geral de Florestas, que as reservas de caça nacionais continuam
a ser apenas três (Mafra, Contenda e Lombada), com uma área constante de
24 mil hectares, e que as reservas de caça sociais chegaram mesmo a
descer de cinco para quatro, passando de 42,8 mil para 25 mil hectares
entre Maio de 1990 e Fevereiro deste ano.

<p n=7846>
A Pirites Alentejanas vai aumentar o seu capital social dos actuais
4.982.105 contos para 5,6 milhões de contos. A decisão foi tomada numa
reunião do conselho geral, que detinha já a aprovação da assembleia
geral. O aumento de capital será realizado mediante subscrição, reservada
a accionistas, de 617.895 títulos, que poderão subscrever os novos
títulos na proporção dos detidos (6 por cada 49) a 1.530 escudos. O
período de subscrição decorre entre os dias 15 e 30 deste mês aos balcões
do BTA e da UBP. A operação vei permitir á empresa um encaixe de
aproximadamente 945,37 mil contos. A presente emissão foi já autorizada
pelo Auditor Geral do Mercado de Títulos.

<p n=7847>
Tripoli está a negociar auxílio europeu para colocar em funcionamento uma
fábrica em Rabta que a a administração dos EUA afirma ter sido concebida
para o fabrico de armas quimícas, revelou ontem a agência noticiosa
líbia. Não foram revelados os países com os quais a Líbia estaria a
negociar assistência para reparar a fábrica destruída por um incêndio em
Março de 1990. A controvérsia à volta da fábrica começou em Dezembro de
1988 quando Washington acusou companhias da ex-Alemanha federal de
estarem a ajudar a Líbia a construir um complexo industrial capaz de
produzir gaz tóxico.

<p n=7848>
Para o Executivo a decisão ontem aprovada mais não é do que um acto de
justiça e um imperativo constitucional.

<p n=7849>
Greenspan adiantou contudo que «se se considerarem as forças negativas e
positivas, a balança parece cair ligeiramente a favor de uam recessão que
poderá ser das mais ligeiras dos últimos 40 anos.

<p n=7850>
Nos próximos anos, as taxas de juro dos grandes países industrializados
vão manter-se a um nível próximo do actual devido à penúria global de
financiamento que se avizinha, afirma o instituto japonês de conjuntura
económica Nomura Research Institute (NRI).

<p n=7851>
Posteriormente, e de acordo com as orientações definidas pela tutela, o
instituto irá reduzindo o seu peso na sociedade. Além da gestão dos seus
matadouros, que deverão ser em número de quatro ou cinco, incluindo o de
Lisboa, a empresa ficará com a maioria do capital de três outras
sociedades, a constituir autonomamente, por razões funcionais e de
interesse regional, para gerir os matadouros do Iroma de Beja, Alcains e
Cachão. Finalmente, o futuro gigante do sector das carnes assumirá as
participações minoritárias que o instituto já detém em 15 dos 17
matadouros privados, a maior parte deles ainda em construção, que
completam a RNA.

<p n=7852>
Antigamente, tinham lugar na reserva três montarias por ano e esta média
deverá voltar a verificar-se na próxima época de caça, triplicando a
facturação relativamente a 1990.

<p n=7853>
Entretanto, Ramzi Salmnan, antigo delegado do Iraque junto da OPEP,
assumiu na quarta-feira, em Viena de Áustria, as funções de
secretário-geral-adjunto da OPEP por um período de três anos. O Iraque
defendeu sempre, junto da organização, uma política de preços elevados do
petróleo, baseada na sua necessidade interna de cobrir as despesas de
anos de guerra contra o Irão -- agora certamente reforçada pelos custos da
reconstrução do país.

<p n=7854>
Um ano e pouco antes da Olimpíada de Barcelona e da EXPO-92, a Espanha
está no centro das atenções internacionais. O fim da guerra no Golfo
reanimou os espíritos e, à última hora, o número de cadeias televisivas
presentes quase triplicou e, afinal, far-se-ão representar 80 países,
número muito superior ao da edição anterior, de Budapeste, onde
compareceram 54 países.

<p n=7855>
No fecho da emissão do Canal 1 há mais uma episódio da série Sexta-Feira
13, onde se confunde terror e «suspense» com uma espécie de magia pouco
convincente. Já houve uma colcha com poderes maléficos, uma lâmpada tipo
de Aladim com poderes maléficos, mas hoje é diferente. Há poderes
maléficos numa estrela de xerife. Depois -- ou seja, antes -- há cinema. É
às 21h20, com Meryl Streep e Jack Nicholson. Um filme onde se conclui
que, depois do casamento, tudo começa a correr mal e, antes do fim, já
nem se podem ver um ao outro, nem os telespectadores podem o Jack e a
Meryl.

<p n=7856>
Pôr em dia as leituras, alugar uma boa cassette video, ir a um bom
espectáculo de teatro ou optar por um filme em cartaz -- há pano para
muitas sextas-feiras -- pode bem ser a melhor alternativa. C.C.L.

<p n=7857>
As grandes questões do momento, em Macau, passam à margem da campanha
eleitoral, que hoje termina Antes de mais nada, persistem as
interrogações sobre o nome do novo governador. Após dois meses de
expectativas infundadas, a opinião pública local parece ter-se cansado de
discutir o tema, limitando-se a aguardar com resignação a vinda do
comandante Gomes Mota, mandatado por Soares  para auscultar algumas das
vozes mais influentes no território.

<p n=7858>
Durante quatro semanas, quatro Renault Clio serão sorteados entre os
leitores do PÚBLICO que nos enviarem, no termo de cada semana, as
respostas certas à pergunta que diariamente publicaremos na página 2 -- é
o concurso «PÚBLICO-1º Aniversário», a que a Renault Portuguesa se quis
associar.

<p n=7859>
A taxa de câmbio do escudo continua a conhecer uma apreciação real. Esta
tendência fortaleceu-se ainda mais durante os dois primeiros meses do
ano. A afluência de capitais a Portugal continua muito intensa e até a
balança de transacções correntes está equilibrada. Em relação ao ECU este
reforço é notório.

<p n=7860>
A contínua subida real do câmbio do escudo, a procura menos dinâmica, os
preços das matérias primas em baixa e os do petróleo de regresso ao
«normal», moderam a inflação. A variação do índice de preços no
consumidor desceu de 14,4 por cento em Outubro para 12,9 por cento em
Janeiro. Os empresários esperam que vá ainda mais para baixo.

<p n=7861>
As taxas de juro internas voltaram a subir. Ao longo do mês de Fevereiro
o nível médio da taxa de referência para as operações activas a 90 dias
veio a situar-se nos 23 por cento e a de 180 dias nos 23,48 por cento. A
sua subida real foi mais significativa, dado que a inflação baixou. Este
nível real deverá manter-se elevado.

<p n=7862>
Pastilha elástica

<p n=7863>
Os soldados americanos foram os grandes divulgadores do produto noutras
paragens, durante as duas guerras mundiais, e hoje a pastilha elástica é
dos produtos mais conhecidos e consumidos em todo o mundo.

<p n=7864>
O Midland foi o único grande banco britânico a reduzir o pagamento de
dividendos nos últimos anos. O banco teve lucros modestos em 1990, mas
mesmo assim a decisão foi recebida com apreensão na «City» de Londres,
especialmente porque outras grandes empresas poderão seguir o exemplo e
reter o pagamento de dividendos para compensar a perda de reservas devido
à recessão. O Midland encerrou o ano passado com dívidas pendentes
superiores a 510 milhões de libras (cerca de 130 milhões de contos) no
mercado interno.

<p n=7865>
Ecu: a terceira divisa em empréstimos - O ecu foi em 1990 a terceira
divisa mais utilizada nos empréstimos internacionais (para os títulos de
taxa fixa). Em termos de montantes emitidos apenas o dólar americano e o
iene conseguiu suplantar a moeda europeia. No ano passado, as emissões de
tipo obrigacionista em ecu (excluindo os títulos acurto prazo) ascenderam
a 25 500 milhões de ecu, dos quais 15 mil milhões foram emitidas nos
mercados internacionais e 10, 5 mil milhões emitidas nos mercados
nacionais. Estes valores representam um crescimento de 26 por cento em
relação ao ano anterior e demonstram a confiança crescente que esta moeda
está a despertar. O número de emissões internacionais em ecu no ano
passado foi de 87 com um montante médio por cada de 187 milhões de ecu.
Se não se tomar em consideração as quatro «emissões-jumbo» (três vezes
mil milhões de ecu para a Itália e 1.500 milhões de ecu para tíulos
franceses emitidos via um sindicato internacional) essa média desce para
130 milhões de ecu.

<p n=7866>
Sines Com Nova Gestão-Os cerca de dois mil hectares do Gabinete da Área
de Sines que passaram para o IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e
Médias Empresas) devido à liquidação daquele Gabinete, vão ser a base de
um pólo empresarial promovido por várias entidades públicas. A nova
empresa a ser criada terá como objectivo reabilitar a zona de Sines. A
empresa a ser criada esta semana, terá como designação Promoção e Gestão
de Áreas Industriais e Serviços (PGAIS). O IAPMEI vai ser o sócio
maioritário, enquanto que a estrutura accionista é completada pelo IPE,
Câmara Municipal de Sines e Banco Nacional Ultramarino). O investimento
na zona, que já conta com muitas infraestruturas básicas, terá incentivos
fiscais, financeiros e administrativos.As empresas que optem por se
instalar em Sines, beneficiarão também dos apoios financeiros geridos
pelo IAPMEI. Por outro lado a participação do Banco Nacional Ultramarino
na sociedade relaciona-se com linhas de crédito que serão facultadas às
empresas que decidam instalar-se na região. Nos terrenos disponiveis, a
alugar aos interessados, serão implantadas as infra-estruturas
necessárias à construção de instalações para albergar, quer projectos
industriais, quer empresas de serviços.

<p n=7867>
Os resultados de Artur Santos Silva -- Artur Santos Silva provavelmente
ainda não esqueceu a reprovação das bolsas à alteração dos estatutos do
Banco Português de Investimentos (BPI). Mas não tem só motivos para
tristezas, uma vez que em 1990 o banco que dirige registou 8,567 milhões
de contos de resultados líquidos, mais do dobro do que o registado no
exercício anterior. Devendo esperar que o BPI não seja alvo de uma
Operação Pública de Aquisição, Artur Santos Silva conta adquirir um banco
público -- um dos principais objectivos do BPI para o corrente ano. Na
hipótese de não conseguir nenhuma posição num banco a privatizar, o BPI
poderá tentar alcançar os seus objectivos por outra forma, quer através
de fusões ou aquisições, quer ganhando mais universalidade.

<p n=7868>
Como uma desgraça nunca vem só, as edições de ficção científica em
Portugal parecem estar sujeitas à implacável lógica dos artigos 22. Em
primeiro lugar não se publicam autores novos, porque os editores
queixam-se que as pessoas não os compram, preferindo a familiaridade
confortável e repetitiva dos «clássicos», às complexidades dos saltos
para o desconhecido. Mas como pode conhecer-se um autor novo, se nunca
foi publicado ao menos uma vez? Horrível dilema.

<p n=7869>
Para quem se recorde deste venerando senhor apenas por vias
intermediárias, depois de vistos e revistos, no decorrer desses
inenarráveis anos 60, os delírios psicadélico-metafísicos do filme «2001
-- Odisseia do Espaço», é costume dar-lhe todo o peso da qualidade de um
mestre. De facto, Arthur Clarke tem obras que são hoje «clássicos»: «A
Idade do Ouro», «Encontro Com Rama» e «The City And The Stars». E com
estas três, acabou-se o que era doce. Toda a sua restante produção não
passa de um plágio, eternamente repetido, dos primeiros sucessos.

<p n=7870>
Expondo pela segunda vez untre nós, o pintor apresenta três séries de
trabalhos que se referem à possibilidade do disciurso sobre a obra de
arte. Pela convocação de imagens que encontram a sua origem ora na
fotografia ora na história da pintura, pela sua repeticão em múltiplos
que lhes anulam qualquer hipótese narrativa que não seja imediatamente
referenciável às rupturas artísticas deste século, Hermsworth atinge de
forma eficaz o seu propósito. Mas na sua pintura, sobretudo na acentuação
colocada nesse referente fotográfico ou histórico, sinal de uma imagem
cultural que se pretende eterna, mas também pela irionia kitsch das
cores, é a própria morte que se dá a ver.  L. Soares de OLiveira

<p n=7871>
GALERIA NASONI. Av. Columbano Bordalo pinheiuro, 9-B. De 2º a sáb., das
10 h às 13 h e das 15 h às 19 h.

<p n=7872>
A herança cultural grega permitiu ao Ocidente manter-se sempre aberto ao
seu exterior e desenvolver, mesmo em épocas de mais evidente fechamento
cultural e económico, uma dinâmica de fascínio em relação a essa
exterioridade. Mas, do mesmo modo que a própria Grécia já o fizera,
também essas sucessivas Europas (romana ou renascentista, mercantilista
ou liberal) exercem a sua expansão segundo lógicas rigorosamente
etnocentristas, sendo a sua curiosidade pelo estrangeiro guiada afinal
por um genérico desprezo pelas suas realidades, por uma clara noção de
superioridade global relativamente a esses fenómenos exógenos. A atitude
dessas múltiplas civilizações face à Europa é, se possível, ainda mais
evidentemente etnocêntrica e ferida de uma incompreensão por vezes
ingénua, por vezes implacável perante os europeus na defesa da sua
fragilidade. Inúteis resistências, como a história dos burgueses à
conquista do mundo o foi, até hoje, também implacavelmente, provando.

<p n=7873>
O séc. XVIII recupera uma intensa vocação de viagem (extra-europeia mas
também inter-europeia) e a capacidade de integração dos dados dessas
experiências em obras literárias (filosófico-políticas ou ficcionistas) e
visuais. Essa retoma coincide com o crescimento económico global e a
definitiva afirmação do capitalismo após a crise do séc. XVII, pelo que o
gosto e as influências do exótico nas imagens artísticas europeias seguem
as direcções do colonialismo. O aprofundar das relações com a China
aumentou as importações das procelanas encomendadas pelos clientes
europeus e decoradas com motivos que cruzam imagens orientais e
ocidentais. Celebradas com o nome de Companhia das Índias, essas loiças
aumentam o interesse de qualquer leilão nacional e fazem hoje ainda a
delícia das nossas famílias burguesas. Em França, esta mania teve um
campo de intervenção bastante mais vasto, integrando-se na vibração
decorativa do «rocaille» -- chamou-se «chinoiserie» e foi uma mania
orientalista que se banalizou até ser destronada pelo «japonismo», no
final do século seguinte.

<p n=7874>
PÚBLICO -- Numa entrevista que deu ao "Expresso" insinuava que a crítica
estava ligada a grupo e a interesses e que não possuía uma linguagem
simples.A situação piorou? Melhorou? Hoje, o que pensa da crítica hoje?

<p n=7875>
R. -- É impossível! Por exemplo, um crítico como o Augusto M. Seabra não
escreveu durante seis meses e sentiu-se a falta, porque, apesar de tudo,
é muito talentoso. No entanto, ele não ajuda muito nem o público nem os
realizadores. O que acho graça é que certos críticos não publiquem livros
de investigação. Por exemplo, gostava que o João Lopes fizesse um livro
de 300 páginas sobre um aspecto qualquer do cinema americano.
C.C.L./M.C.F.

<p n=7876>
«Somos os descendentes do século da Decadência. Vamos esculpindo a nossa
arte na nossa indiferença.» Isto escrevia Luís de Montalvor em 1916, no
número único da revista «Centauro», que publicava poemas de Camilo 
Pessanha, distante, em Macau. Descendente de um fim de século de
decadência era ele, como António Nobre o fora. «Que desgraça nascer em
Portugal» escrevera o autor de «Só». «Eu vi a luz em um país perdido»,
assim se inscrevia Pessanha.

<p n=7877>
A importância de alguns autores portugueses pode ser verificada em
solicitações exteriores, e não só por rotações institucionais haverá
proximamente importantes manifestações culturais portuguesas no
estrangeiro ou manifestações internacionais em Lisboa, que deveriam,
aliás, ser objecto de maior crédito que as disputas das nomeações
partidárias. Há, sem dúvida, elementos particulares na produção cultural
portuguesa que justificam o interesse, mesmo a intrigada estranheza, com
que no exterior tem sido, por exemplo, seguido o cinema português. Em que
outro país europeu seria possível invocar prolongados laços com a Ásia,
com o Oriente, ou evocar no mais japonês dos filmes europeus esse caso
espantoso de devir oriental que foi o de Wenceslau de Moraes, ou também o
de Paulo Rocha, autor de «A Ilha dos Amores»? Mas a experiência da
diferença não encontra um directo destinatário no público português. Para
mantermos o exemplo cinematográfico, há fortíssimos elementos de
perturbação, derivados da monopolização da distribuição e exibição, mas
há também um alheamento da dimensão pública em que os autores,
condenando-se ao exílio interno, vão acumulando obras invisíveis ao
público. Tardiamente, surgia há pouco nos ecrãs «O Bobo», perdido no seu
tempo histórico; agora aparecem «A Ilha dos Amores» e «O Desejado». Não é
possível romper o complexo do não reconhecimento e da perseguição, a
relação esquizofrénica da intelectualidade portuguesa com o real, se a
produção cultural for um ornamento de Estado, privado de destinatários
imediatos, uma arte que se vai esculpindo na indiferença dos filhos da
decadência.

<p n=7878>
«Sou um fala barato» -- eis entre muitas outras uma definição que faz de
si mesmo Paulo Rocha. Off the record, dirá que tem «o coração ao pé da
boca». A entrevista que deu ao PÚBLICO confirma-o em absoluto.

<p n=7879>
PÚBLICO -- Por onde é que gostava mais de começar -- pelo princípio, pelos
«Verdes Anos», ou pelo seu próximo projecto, «O Naufrágio de Sepúlveda»?
Ou quer antes falar da Operação Paulo Rocha?

<p n=7880>
Devo confessar que depois de ter estado a trabalhar durante estes anos
todos no Japão, cheguei a pôr a hipótese de ir viver para a China e
encarei mesmo a possibilidade de acabar os meus dias a fazer filmes
chineses.

<p n=7881>
R. -- Porque apesar do sucesso que teve «A Ilha dos Amores», o cinema no
Japão é uma arte no passado. O que é extraordinário é que durante estes
anos todos em que estive no Japão, houve uma dúzia de pessoas
arranjaram-se nas minhas costas intrigas e cabalas de todo o género por
todos os corredores do poder de Lisboa. O António Pedro deve ter gasto
milhares de contos em telefonemas a avisar-me...

<p n=7882>
Depois de encerrado o ciclo do Império e quando a distanciação histórica
começa a ser possível, que tipo de impacte teve a civilização portuguesa
nas terras do Oriente, em particular na Índia e no Japão? Ainda hoje onde
é que esse impacte se faz sentir? De que modo? O que é que os portugueses
assimilaram nesse choque entre culturas e civilizações? O PÚBLICO ouviu
vários especialistas na matéria -- historiadores, professores e ensaístas.
Se ainda há muitos aspectos que se encontram por estudar, parece não
haver muitas dúvidas quanto à real importância do impacte da civilização
portuguesa e europeia nas civilizações asiático-orientais.

<p n=7883>
Luís de Matos, director da Biblioteca da Gulbenkian e autor de «A
Expansão Portuguesa na Literatura Latina do Renascimento» e de «Imagens
do Oriente no Século XVI», é, neste ponto, esclarecedor. Se por incúria
Portugal apenas editou duas obras e dois opúsculos, países como a Itália,
Alemanha, França, Inglaterra, Polónia, Hungria e Checoslováquia tiveram
desde muito cedo conhecimento da dobragem do cabo da Boa Esperança, da
viagem de Vasco da Gama, da actividade do primeiro vice-rei da Índia, das
relações estabelecidas entre os portugueses e a Abissínia. «É um
conhecimento -- realça Luís de Matos -- que altera completamente a visão
que os europeus tinham do Extremo Oriente.»

<p n=7884>
Para Siggi Jepsen, o narrador, contar a história é um castigo: tem que
escrever uma redacção sobre o tema «As Alegrias do Dever Cumprido». É
esse castigo que nos conta Lenz em «A Lição de Alemão» -- um enorme
romance que lemos, do princípio ao fim, presos na trama narrativa e no
universo ficcional.

<p n=7885>
O narrador é o jovem Siggi Jepsen e a narração institui-se como
decorrente de um castigo: escrever, no isolamento, uma redacção
subordinada ao tema «As alegrias do dever cumprido". Tempo e solidão são
concedidos a Siggi e, lentamente, com os vagares e rodeios do recordar,
revela-se o tesouro da memória que começara por se condensar na imagem do
pai, o polícia Jens Ole Jepsen, «com o seu uniforme, a bicicleta de
serviço, a capa impermeável, a sua silhueta que vogava na crista do
dique, ao sabor do vento incessante de Oeste" (p.10) e tão logo se
ensombrecera e dissipara. A imagem, que era nítida e pormenorizada
(visual), foi curto-circuitada, submersa no enovelado da memória.

<p n=7886>
«Zuckerbaby» é a primeira das três histórias que Percy Adlon construiu à
volta da figura de Marianne Sagebrecht, antecipando «Café Bagdad» e
«Rosalie Vai às Compras», que ao contrário de «Zuckerbaby» passaram pelas
malhas da exibição comercial. Marianne tem aqui uma insólita profissão, é
ajudante de um agente funerário. Se o ponto de partida é macabro, serve
também para dar mais sentido ao «despertar» ou «ressurreição» de
Marianne, a partir de uma canção rock da sua juventude e que a leva a
viver uma vida de fantasia atrás da imagem de um homem por quem se
apaixonou. M.C.F.

<p n=7887>
Não há fome que não dê em fartura: logo após a ansiosamente esperada
edição em vídeo deste clássico filme-de-capa-e-espada, é à televisão que
cabe recuperar as espantosas acrobacias de Lancaster e o esplendor
«technicolorido» do rosto fotogénico de Virginia Mayo. Tal como veio a
acontecer em «O Pirata Vermelho» de Robert Siodmak (1952), a outra grande
aventura da dupla Lancaster/Cravat (improvisando, de certo modo, sobre o
seu antigo acto acrobático), é o humor a grande chave para ler este
cruzamento entre as lendas de Robin dos Bosques e de Guilherme Tell. Só
admitindo o registo de paródia a um género previamente codificado se
torna possível entender toda a profundidade do divertimento que nos é
proposto. Assim, estamos perante um exercício puramente cinematográfico e
longe de qualquer tipo de relação com a História, que apenas subsiste
como pretexto e cenário. M.J.T.

<p n=7888>
É fácil atacar o filme, definindo-o como uma sequência de
bilhetes-postais, animados por actores conhecidos. A injustiça reside,
porém, na incapacidade, que tal juízo revela, de entender a lógica de um
espectáculo interessado apenas em contar uma história, de forma
relativamente simples e despretensiosa. Este é, aliás, o grande trunfo de
«A Casa da Rússia»: não há descabidas reflexões políticas, nem
complicados jogos metafóricos, mas tão-só mais uma história de amor e de
enganos. Por outro lado, Sean Connery dá à sua personagem uma densidade e
uma força que contrastam maravilhosamente com a pretensa fragilidade de
Michelle Pfeiffer (com aqueles lindíssimos olhos «húmidos»), estando
ambos no apogeu das suas capacidades interpretativas. Que mais pedir a um
filme tão simpático e tão honestamente pouco ambicioso? MÁRIO JORGE
TORRES

<p n=7889>
LISBOA Alfa 3: 13h30, 16h15, 19h, 21h45 e 00h30; Amoreiras 2: 13h30,
16h15, 19h, 21h45 e 00h30; Berna: 15h15, 18h e 21h30; Mundial 1: 13h30,
16h15, 19h e 21h45; São Jorge 2: 15h, 18h e 21h; Star: 13h30, 16h15, 19h
e 21h45.

<p n=7890>
As relações do teatro com a poesia são antigas, mas irrecuperáveis, por
mais exigente que seja a investigação. No princípio dos anos 60, nasce o
conjunto de textos intitulado «Os Passos em Volta», para o qual remete o
espectáculo. Este recria cenicamente a poesia da palavra que a textura em
prosa parece esconder. Diálogos e monólogos são itinerários de partida e
de chegada, aproximam-se da morte, enfrentam a solidão, falam da
incomunicabilidade, operam com o poder e com a História, jogam com o
corpo e com a alma. A arquitectura cénica de João Brites escolhe
deliberadamente o plano inclinado, incrusta no chão uma rosa-dos-ventos
(invocação da circulação dos lugares, imparáveis como as palavras) e
explicita através de um «constructio» direcções e planos em sobreposição.
A madeira é o material. Ao fundo a «máquina» que dura enquanto a roda
girar e que mostra através dos bancos de parafuso do não diálogo. À cena
se fazem três actores, dispostos a superar as dificuldades da escrita de
Herberto Helder, fazendo ecoar a poeticidade e a teatralidade -- a palavra
em acção -- como labor circulatório. Os seus corpors e vozes veiculam
assim uma distância sensível, um movimento que intui, mas não desvela,
uma ironia sempre presente, que percorre toda a representação. Antonino
Solmer fez opções inteligentes. Não ousou de mais. Herberto Helder é um
autor desvastadoramente aliciante e este espectáculo dá conta disso.
ANABELA MENDES

<p n=7891>
Actores novos, mas nada de inovador. Experiências, mas nada de
experimental. Produção artesanal, mas pouca convicção. O novo teatro
português ainda não são textos assim nem actores a representar desta
maneira. M. J. G.

<p n=7892>
«O Cozinheiro, O Ladrão....» é uma nova parábola de Peter Greenaway sobre
o poder e a sexualidade. Daí que a escolha do cenário (quase) único do
restaurante, e da função de comer, não seja coisa secundária. Porque se
trata sempre de uma «apropriação» dos corpos, no seu extremo, de uma
«canibalização». E o filme de Greenaway leva a situação (e a
inter-relação entre poder-sexo-comida) ao ponto limite, quando a mulher
(Georgina) oferece ao marido ladrão o corpo cozinhado do amante e o
obriga, de pistola em punho, a comer o pénis. Greenaway encena esta
estranha incursão por domínios do tabu de uma forma operática e solene,
que mais reforça a sensação de desconforto e de peso. Usando uma ironia
fácil, poder-se-ia dizer, de indigestão. Destaquemos a excelente
qualidade da cópia desta transcrição em vídeo, que respeita o formato do
«scope» e permite ao espectador interessado, e em particular ao admirador
de Greenaway, acompanhar o trabalho do realizador, nos seus fabulosos
«travellings» ao longo da mesa e pelas várias salas e a iluminação
expressionista dos exteriores. M.C.F.

<p n=7893>
No prefácio à edição francesa de «O Mandarim», Eça de Queirós (Póvoa de
Varzim, 1845 -- Paris, 1900) considera a obra apenas «un conte fantaisiste
et fantastique, où l'on voit encore, comme au bon vieux temps, apparaître
le diable, quoique en redingote, et où il y a encore des fantômes,
quoique avec des très bonnes intentions psychologiques». Para o «pobre
homem da Póvoa de Varzim» é tudo, no que respeita a Oriente. Um
funcionário público lisboeta toca uma campaínha que mata um mandarim na
longínqua China, mas o mandarim só lá está por influência da expressão
francesa «tuer le mandarin», que significa fazer alguma coisa em nosso
proveito ao abrigo de qualquer responsabilização. As personagens de
outros romances seus gostavam de dizer que no mundo tudo passa excepto a
China, mas era para espantar a galeria; e Eça não foi imune aos efeitos
de algumas substâncias euforiozantes, mas trouxe-as do Egipto, que ficava
mais à mão.

<p n=7894>
Um «thriller» com todas as componentes -- mistério, nuclear, um
investigador, morte, etc. -- mais uma componente que não é do género mas é
do século, SIDA.

<p n=7895>
O terceiro crime em Los Angeles de Robert Campbell: como ele escreve,
muitas vezes quando nos contam que encontraram um corpo em qualquer parte
pensamos que é o filme, mas nem é, é só trailer.

<p n=7896>
A designada «Operação Paulo Rocha», que hoje tem início no Forum, é um
acontecimento inédito. Transpondo para a exibição comercial um tipo de
programação característico de cinemateca, a «operação» permite
concretizar as estreias longamente adiadas de «A Ilha dos Amores» (1982)
e «O Desejado» (1987), repondo ainda os primeiros filmes -- «Os Verdes
Anos» (1963) e «Mudar de Vida» (1966) --, bem como as duas
médias-metragens «A Pousada das Chagas» (1971) e «Máscara de Aço Contra
Abismo Azul» (1988). Trata-se, assim, de toda a obra ficcional de Paulo
Rocha.

<p n=7897>
Para quem hoje descubra ou mesmo reveja «Os Verdes Anos», um dos aspectos
mais surpreendentes do filme é o modo como testemunha uma realidade
precisa: Lisboa, 1963. Não se trata, de modo algum, desse microcosmos do
bairro ou da sua sucessão num trajecto urbano, que tinha caracterizado a
comédia lisboeta dos anos 30 e 40 , mas de uma nova realidade
metropolitana. O que se retém da cidade não é o lado emblemático, o
passeio a Santa Justa ou à outra banda, mesmo que seja um elemento de
deriva não negligenciável, mas o contraste entre a expansão urbana,
focalizada na zona das Avenidas dos Estados Unidos e do Aeroporto, e um
campo ainda circundante, mas já tentacularmente envolvido pela urbe, pólo
de atracção a que acorrem os que do campo vêm, como Júlio (Rui Gomes).

<p n=7898>
Chama-se «The Passion» no original -- mas o título não ficou a ser «A
Paixão» por exigência da lei portuguesa, já havia o livro de Almeida
Faria com o mesmo. A história de Henri, que tem uma paixão por Napoleão,
que tem uma paixão por frangos («Napoleão tinha uma tal paixão por
frangos que obrigava os cozinheiros a trabalhar o dia inteiro (...); não
gostava de ninguém, a não ser de Josephine, e gostava dela da mesma
maneira como gostava de frango». Mais tarde, a paixão de Henri por
Napoleão transforma-se em ódio -- e ele transfere a parte passional para
outro objecto. É o primeiro romance traduzido de uma autora que já devia
ser mais conhecida; a Quetzal tenciona ainda publicar um dos seus livros
de maior êxito, «Sexing the Cherry».

<p n=7899>
Como explica Carlos Fiolhais na introdução, o título parece paradoxal:
«não é a física uma ciência maçadora e repulsiva, capaz de fazer meter as
mãos pelos pés o mais inocente dos alunos e os pés pelas mãos o mais
convencido dos professores?» A pergunta é retórica, Carlos Fiolhais
demonstra com este livro que não, a física não é uma ciência maçadora.
Para isso, usa um tipo de linguagem coloquial, exemplos divertidos: como
ele diz, «ninguém se serve de equações para conversar». Alguns excertos
deste livro (depois revistos) foram divulgados no PÚBLICO.

<p n=7900>
O trabalho crítico de Silvina Rodrigues Lopes contribuiu para a renovação
do ensaísmo literário português nos anos oitenta. Actualmente, é um nome
de referência obrigatória -- e por esse nome passa também a força de uma
escrita que subtrai todas as leituras a qualquer âmbito disciplinar, e
todos os textos às fronteiras que os deveriam explicar.

<p n=7901>
2. Para começar, diga-se que «Aprendizagem do Incerto» reúne textos
publicados dispersamente em jornais e revistas, distribuindo--os por três
secções (que o índice, aliás, faz desaparecer): poesia, prosa de ficção e
ensaio, por esta ordem, mas sem indicação de género nas folhas
separadoras que surgem apenas numeradas, o que é já um modo de sugerir a
contaminação mútua dessas modalidades de escrita e de afirmar a absoluta
igualdade de estatuto em que elas são interpretadas. Entretanto, dos
vinte e cinco textos que compõem o livro, merecem destaque imediato dois
inéditos que, por si só, justificam o tempo, o interesse e o investimento
do leitor. Um, é o ensaio de abertura -- «A Imagem Ardente» --, apresentado
como uma leitura de «Última Ciência», mas que na verdade funciona como
uma brilhante «iniciação à poesia e ao pensamento» de Herberto Helder; o
outro intitula-se «Alguns apontamentos sobre o ensaísmo de Eduardo
Lourenço» e se a modéstia do título parece ajustada à extensão do texto,
não o é de todo em relação ao que nele se diz.

<p n=7902>
Continua, hoje e amanhã, «um espectáculo musical e divertido» no Institut
Franco-Portugais. «Nous on les aime» é um teatro-cabaré que conta com a
música de Jorge Palma e com a actuação de Emmanuelle Nocq e Sylle Vie,
duas cantoras de cabaré seduzidas pela glória e a aventura. Sempre às
21h30.

<p n=7903>
Primeira presença cinematográfica de Shakespeare no Centro Cultural
Malaposta, em Olival-Basto. De hoje até domingo, «Hamlet», interpretado
por Lawrence Olivier. Sexta e sábado, às 21h30; domingo, às 15h. Começa
hoje também, no mesmo local, mais um curso para grupos amadores de
teatro, subordinado ao tema «Teatro de Rua».

<p n=7904>
Os índios estão, de novo, na moda, e é muito provável que por meio de
«Danças com Lobos» venham vingar o ostracismo a que o western foi quase
sempre votado pela Academia de Hollywood. Para já, conta com 12 nomeações
para os Óscares. E, a não haver qualquer surpresa, será inevitavelmente o
grande vencedor.

<p n=7905>
Costner procura fazer prova de originalidade e de respeito, pondo os
índios a falarem a sua própria língua (neste caso o dialecto Lakota,
usado pelos Sioux). Sem lhe negar o direito a reivindicá-la, até pelo
tempo que ocupa em «Danças com Lobos» (mais de um terço das três horas de
duração) e pela projecção internacional do filme, não se deverão esquecer
experiências anteriores. Salvo erro, tal opção terá sido já tentada num
filme da década de 30. Mais concretamente, William Wellman tê-la-ia
concretizado em «Assim São os Fortes» (1951), à mistura com os diversos
dialectos dos pioneiros. Raoul Walsh termina o seu último filme, «A Carga
da Brigada Azul», com o encontro dos militares e os índios, em que estes
falam a sua língua. «The last but not least», um desconhecido e belíssimo
«Windwalker», de 1980 (editado em vídeo entre nós com o título «O
Guerreiro do Vento»), era quase todo falado nos dialectos Crow e
Cheyenne.

<p n=7906>
Nenhum o conhecia. Por uma razão ou por outra, Paulo Rocha convidou
Isabel Ruth, Maria Barroso e Luís Miguel Cintra para entrarem nos seus
filmes. O PÚBLICO foi ouvi-los. Falaram das suas experiências e, dois
deles, teceram críticas ao realizador.

<p n=7907>
Isabel Ruth, antes de ser Ilda em «Os Verdes Anos», tinha frequentado o
Royal Ballet School de Londres, entre 1958 e 1960. Depois abraçou o
teatro e terá sido na Casa da Comédia ou no Villaret que Rocha a
descobriu. Quando chegou o convite, a actriz apenas sabia que «tinha uma
enorme confiança em si mesma e que gostava de experimentar o cinema».

<p n=7908>
O cinema americano parece estar a atravessar um período de amnésia
histórica, política e cultural, apesar de, superficialmente, haver
indícios que apontam o contrário. Por um lado, nas últimas duas décadas
assistiu-se ao aparente ressurgimento das séries de ficção científica e
de aventuras, tanto em «A Guerra das Estrelas» e suas sequências como nos
filmes de Indiana Jones. Viu-se reviver Hitchcock nos «thrillers» de
Brian de Palma, e Bergman e Fellini nos filmes de Woody Allen; mais
recentemente, retomou-se tanto o filme negro (em «After Dark, My Sweet»,
«The Hot Spot» e «The Grifters») como o filme de «gansters» (em «Tudo
Bons Rapazes» e «História de Gangsters»).

<p n=7909>
Em suma, poder-se-ia argumentar que «Texasville», que se desenrola em
meados dos anos 80, é um dos poucos filmes americanos recentes que não
tem receio de apresentar historicamente a vida na América contemporânea,
mantendo uma relação exacta com o passado, precisamente porque esse
passado é deduzido, e não incorrectamente representado, reduzido a um
estilo ou a uma atitude. Um exemplo mais característico, infelizmente, é
«Corações Selvagens» de David Lynch. Este filme baseia-se num livro
recente de Barry Gifford, com o mesmo título, uma obra inteligente e
pós-modernista, que alude de modo claro a uma tradição «negra» tanto na
literatura como no cinema, ao mesmo tempo que extrai a maior parte da sua
autenticidade de um conhecimento pessoal da América do Sul e do meio em
que se movem as personagens, com os respectivos estilos de vida e padrões
de fala. Lynch prescindiu da maior parte desse pano de fundo e
conhecimento, que é o que proporciona à novela de Gifford quase todo o
seu significado, substituindo-os por evocações de «O Feiticeiro de Oz»,
de Elvis Presley e do seu próprio «Veludo Azul». (Em certas ocasiões, o
filme increve-se como «pseudolynchiano», quase do mesmo modo que os
«thrillers» de De Palma se inscrevem como «pseudo-hitchcockianos» -- como
se Lynch estivesse a imitar os seus próprios imitadores).

<p n=7910>
«Tudo pelo Billy» é o relato hilariante das deambulações com Billy the
Kid de um escritor de folhetins, Ben Sippy, que larga uma vida
confortável em Filadélfia (com mordomo, uma esposa que não gostava que
ele lhe respirasse para cima e nove filhas saudáveis como repolhos), para
se lançar no Oeste em 1878 e viver a «verdadeira vida» dos romances de
aventuras. Ao encontrar Billy Bone, um desconcertante jovem de 17 anos,
junta-se a ele e torna-se a sua sombra e o seu biógrafo, contribuindo
definitivamente, «malgré lui» para o mito de um dos pistoleiros mais
temidos do Oeste. Com a estrutura do folhetim, (relatos curtos, directos
e sincopados), e através das lembranças do velho Sippy, McMurtry traça um
quadro inesquecível da paisagem e dos personagens no momento em que a
época da «colonização» do Texas está a expirar, com o advento de petróleo
(primeira exploração em 1901, Spindletop Field; grande incremento a
partir dos anos 30). E um retrato que ele desejaria que fosse como um
«poema épico... com Homero, Rolando ou Horácio a fazer a descrição.»
(p.77), Nesta mesma página define também Billy como «... um rapaz errante
somente a um passo da perdição», que se sente atraído pela violência.
Fraco em pontaria, mata, despejando o carregador bem de perto, sem
cumprir quaisquer regras, nem mesmo as mais elementares (não respeita uma
bandeira branca, assassina uma criança índia, etc.). A reputação que tem
ganhou-a nem sabe bem como, tendo que se manter à altura, der por onde
der. Apesar destas características pouco simpáticas, Billy é um rapaz
«encantador», com um sorriso desarmante e uma saúde delicada. Atreito a
dores de cabeça e a humores desiguais, apaixona-se com facilidade, é
supersticioso e, no geral, comporta-se como uma criança mimada. Os outros
personagens não são menos característicos: Joe Lovelady, o amigo e
perfeito «cowboy»; a romântica Katie Garza, chefe de quadrilha e
fora-da-lei que trata o feroz Billy por «chapito»; Cecily Snow, a inglesa
com uma paixão pela botânica em especial e pela ciência em geral, com
exclusão da raça humana; Hill Coe, o perfeito pistoleiro; a freira
Blandina que lê Byron e sofre de «hidrofobia livresca»; os caçadores de
bisontes, que depois de terem acabado com o último desses animais,
«sentavam-se o dia inteiro à sombra de um velho armazém de peles,
aguçando facas e escarrando, olhando cada vez mais tristes, para a
planície deserta...» (p. 63). Esta é a verdadeira imagem do Oeste, como o
descreve McMurtry. Um espaço imenso e esgotado, com mau clima e terreolas
desoladas, cheias de pistoleiros que «não olhavam para mais longe do que
o jogo de cartas seguintes... passavam a... vida em desagradáveis e feios
bares de cidades tristes, alimentavam-se pessimamente e bebiam um tipo de
álcool ácido e de má qualidade; poucos, entre eles, conseguiam matar as
pessoas certas, e ainda menos morrer gloriosamente num duelo...» (p. 70)

<p n=7911>
Trata-se de um conjunto de entrevistas (conduzidas por Artur Portela) que
quer traçar o retrato do escritor. Quem leu a obra ficcional de Cardoso
Pires sabe que o autobiográfico praticamente não se projecta nem nas
personagens nem nos ambientes criados. Ambos inscrevem-se em Portugal --
que é o enigma desta obra -- mas, para além da nacionalidade óbvia, é
impossível adivinhar os contornos da vida do autor. Se alguns traços são
do domínio público, isso deve-se ao facto de Cardoso Pires ser já um
consagrado e, como tal, com direito involuntário a dois ou três
lugares-comuns que o definem, como bem exemplifica a caricatura de Palha
que o figura de frasco de Whisky no bolso de um casaco de xadrez e de
enorme caneta na mão como uma arma. É evidente que a caneta já fez mortos
-- como a caricatura acaba humoristicamente por completar -- porque os
romances de José Cardoso Pires têm por hábito narrar o pior do mundo:
certa vida portuguesa vista por alguém que não é complacente nem consigo
nem com os outros. Trata-se de uma carreira que começou, nos finais dos
anos 50, sob a égide do que ele próprio chamou «o desencanto do
pós-guerra». Aliás, uma das conversas melhor sucedidas deste «Cardoso
Pires por Cardoso Pires» é a reconstituição da Lisboa da década de 40
pela memória do escritor: uma cidade amedrontada entre o desemprego e a
propaganda nazi, mas também com largos povoados de gares e sinos.

<p n=7912>
«Verdade, Suspeita e Argumentação» retoma o modelo da compilação de
«dispersos» que tem caracterizado a produção de Manuel Maria Carrilho. Em
1982, com «O Saber e o Método» (Imprensa Nacional) M. M. C. reunia três
textos (sobre Kant, o eclectismo e António Sérgio) unidos pelo tema do
ensino da filosofia. Em 1989, com «Itinerários da Racionalidade» (D.
Quixote) fazia o mesmo para outros três trabalhos (sobre Foucault, Pierce
e Kuhn) e em «Elogio da Modernidade» (Presença) reeditava as suas
colaborações (até à data) nos semanários «Jornal de Letras» e «Expresso».
Agora, com «Verdade, Suspeita e Argumentação» a ideia de «disperso» vem
afectada de uma deformação grotesca. M. M. C. parece editar tudo aquilo
que entretanto foi escrevendo ou que não tinha incluído nos volumes
anteriores: o relatório para o concurso de professor associado da
Universidade Nova de Lisboa, curtas comunicações a colóquios,
apontamentos de viagem, entrevistas (ao «JL» e ao «Expresso») e algumas
considerações, publicadas também nestes jornais, sobre o estatuto da
disciplina de Filosofia no ensino secundário. É certo que na Introdução --
que vem assinada de Berkeley, Califórnia -- M. M. C. anuncia o que pensa
ser o princípio de unidade destes textos. Trata-se de tomar a
investigação do que é um problema filosófico como princípio de
reelaboração das ideias de racionalidade, verdade e modernidade. E, de
facto, desde o primeiro capítulo, com o título «Problemas, Argumentações,
Filosofias» (comunicação ao colóquio de Cerisy sobre «Argumentação») até
ao último, «Filosofia, expressão de problemas» (texto de uma entrevista
ao «JL»), este programa é insistentemente enunciado. Só que se esgota na
sua própria formulação. M. M. C. nunca vai além do anúncio dos efeitos
teóricos do programa «problematológico». Ficamos a saber que ele não
promete menos do que unificar «dimensões até aqui separadas da
compreensão da linguagem: a sintaxe e a semântica, a hermenêutica e a
retórica» (p. 13) ou «abrir uma nova via entre o niilismo e o positivismo
contemporâneos» (p. 14). Mas quando procuramos uma tematização rigorosa
dos conceitos que organizam esse programa (como os de problema, argumento
ou racionalidade), somos invariavelmente remetidos ou para outros
trabalhos do autor -- para os já publicados e para aqueles cuja publicação
ele anuncia -- ou para «o carácter programático que a lei aconselha neste
tipo de textos» (p. 29), ou seja, em textos destinados a concursos
públicos universitários, como é o caso do capítulo «Verdade e
Argumentação», que ocupa 62 das 108 páginas do livro.

<p n=7913>
Esperamos que o tão anunciado livro «Réthorique et Rationalité», a
publicar em Paris, dê algum conteúdo a esta problematologia branca. Até
lá «Verdade, Suspeita e Argumentação» deve ser tomado apenas por aquilo
que é: o anúncio de outra coisa ainda. Mas será que «essa coisa é que é
linda»?

<p n=7914>
Se a definição do cinema como a arte das emoções foi posta na boca de
Samuel Fuller, por Jean-Luc Godard, em «Pierrot Le Fou», é de facto na
obra do primeiro que ela faz sentido pleno, quando no seu melhor, a
câmara de Fuller capta a acção com nervosa avidez, transformando a
violência, mesmo lactente, numa explosão incontrolável, por dentro dos
actores, dos objectos, dos cenários. Assim acontece em «Forty Guns»
(1957), «western» barroco e crepuscular que abriu o ciclo agora a ele
dedicado pela RTP, ou, num outro registo, em «Mãos Perigosas» de 1952
(quase um arquétipo do filme negro como género), com um dos seus actores
fetiche, Richard Widmark, que deveria ser projectado esta semana, mas foi
adiado. Nos seus filmes «menos felizes» («Shock Corridor» de 1963, ou
«Shark» de 1969, por exemplo), é ainda uma forte carga emotiva,
descontrolada e excessiva que desequilibra a narrativa e, por vezes, a
destrói por completo.

<p n=7915>
Um filme intimista e inteligente que é, ao mesmo tempo, um grande
espectáculo. Saúde-se o acontecimento! M.J.T.

<p n=7916>
Olha-se-lhe para a cara -- de pequeno génio do 12º ano, bem comportado até
na PGA -- e não se acredita que ali esteja mais um dos talentosos
praticantes que fazem da geração mais nova de pianistas uma sempre
renovada fonte de revelações e prazeres. Todos eles partilham armas
comuns: uma técnica apurada (mas ainda há quem persista na convicção,
arcaica, de um jazz interdito aos currículos disciplinares das
Universidades, que assim empurram os seus filhos para as academias de
rua?) e a memória aprendida (ao contrário de vivida, como sucedia com os
seus progenitores) das tradições. Mas hoje em dia quem manda no mercado é
a herança do bebop ( mais ou menos «hard») e Geoff Keezer faz jus a essa
ditadura do gosto.

<p n=7917>
Já tocou em Portugal e já teve um disco (do seu grupo Pork Pie) editado
por cá (quando a importação era proibitiva) -- mas nem por isso, estou
pronto a apostar, será capaz de encher uma assoalhada com gente que lhe
saiba o nome, quanto mais a música! Holandês, 44 anos, Jasper Van't Hof
assinou notas em (quase) tudo o que foi de matriz europeia; anos a fio
palmilhou as interrogações ecuménicas de Charlie Mariano; tocou e gravou
com Shepp. A unidade da sua carreira é a sua dispersão e eclectismo.
Reforçado -- porque não? -- com este «solo Piano«, de 1987, feito de
líricas e viris reflexões. Nas suas mãos gosta de inscrever memórias de
Corea (quase sempre) e gestos de McCoy Tyner; mas no Outono de 1987 o
espírito -- que não a forma -- puxou-o também para o legado acústico de
Bill Evans.

<p n=7918>
Às suas mãos nasceu a bateria moderna. Emancipou-se como solista e
ensinou-lhe uma nova geometria de sons; guiou-se pela geografia
polirrítmica, apurou-lhe a independência dos sentidos. Tudo o que veio
depois (com Blakey, Roach, Elvin e «tutti quanti») guarda a sua memória.
É por isso que Kenny Clarke é uma referência obrigatória para a
autodeterminação dessa entidade colectiva que a fácil mas falsa
comodidade de linguagem chama de «secções rítmicas«.

<p n=7919>
Uma das características de alguma da actual ficção (aquela que certos
comentadores ousam definir como pós- moderna) relaciona--se com uma nova
análise da estrutura dos mitos. De facto, um sintoma comum a escritores
de origem e qualidade muito diversa (lembro, a título de exemplo, John
Barth, Michel Rio, Gesualdo Bufalino e Christoph Ransmayr) é a tentativa
de equacionar a funcionalidade do mito como figura paradigmática, de modo
a que as personagens (mesmo originais) se ajustem rigorosamente às
necessidades (narrativas, estéticas, epistemológicas) actuais.

<p n=7920>
Este sentimento de revolta contra a América e, de uma forma mais geral,
contra o Ocidente não se limita, de modo algum, ao mundo muçulmano: nem
os muçulmanos, à excepção dos «mullahs» iranianos e dos seus discípulos
noutros locais, experimentaram ou exibiram as formas mais virulentas
deste sentimento. A predisposição para o desencantamento e para a
hostilidade atingiu muitas outras partes do mundo e chegou mesmo a alguns
elementos dos Estados Unidos. É destes últimos, falando por si mesmos e
afirmando falar pelos povos oprimidos do Terceiro Mundo, que as
explicações -- e justificações -- mais largamente publicitadas desta
rejeição da civilização ocidental e dos seus valores que se tem
ultimamente ouvido falar.

<p n=7921>
A escravatura é hoje denunciada universalmente como uma ofensa contra a
humanidade, mas, ainda não há muito tempo, foi praticada e mesmo
defendida como uma instituição necessária, estabelecida e regulada pela
lei divina. A peculiaridade da peculiar instituição -- como os americanos
lhe chamaram em tempos -- não está na sua existência mas na sua abolição.
Os ocidentais foram os primeiros a quebrar o consenso de aceitação e a
proibir a escravatura, primeiro no seu próprio país, depois nos outros
territórios que controlavam e, por fim, em qualquer lugar do mundo onde
tivessem capacidade para exercer poder ou influência -- numa palavra,
através do imperialismo.

<p n=7922>
d, o centro USIS foi atacado por multidões em fúria, desta vez como
protesto contra a publicação dos «Versículos Satânicos» de Salman
Rushdie. Rushdie é um cidadão britânico de origem indiana, e o seu livro
fora publicado cinco meses antes em Inglaterra. Mas o que provocou a
fúria da multidão -- como a subsequente sentença de morte decretada para o
autor pelo «ayatollah» Khomeini -- foi a publicação do livro nos Estados
Unidos.

<p n=7923>
O movimento a que hoje se dá o nome de fundamentalismo não constitui a
única tradição islâmica. Existem outros, mais tolerantes, mais abertos,
que ajudaram a inspirar os grandes feitos da civilização islâmica no
passado, e podemos ter esperança de que estas outras tradições venham,
com o tempo, a prevalecer. Mas, antes de esta questão estar decidida,
haverá um grande confronto -- em que nós, os do Ocidente, pouco ou nada
podemos fazer. Qualquer tentativa poderá ser prejudicial, pois trata-se
de questões que os muçulmanos têm que decidir entre si. Entretanto, temos
que tomar cuidado para evitar o perigo de uma nova era de guerras
religiosas, originadas pela exacerbação das diferenças e pelo renascer de
velhos preconceitos.

<p n=7924>
Antes do jantar, a delegação dos Sete reuniu-se com os principais
parceiros da OCDE, declarando-se «optimista» quanto ao vigor económico
que pode abranger os diversos sectores de actividade mais afectados pela
crise, como a aviação civil, o turismo e a indústria automóvel. Hoje, os
delegados vão estudar as tendências e perspectivas de crescimento
económico dos países da OCDE.

<p n=7925>
Governo vende

<p n=7926>
A segunda fase do processo de reestruturação da Quimigal, iniciada a 14
de Fevereiro com a venda da Nutasa deverá prosseguir com a venda destas
novas cinco unidades antecedendo a privatização da «holding» do grupo
industrial do Estado. O processo de escolha de adquirentes está ainda
dependente da decisão do Conselho de Ministros.

<p n=7927>
O conselheiro de Estado Gomes Mota viajará para Macau logo após a posse
conferida por Mário Soares, para «desencadear o processo que levará à
escolha» do novo governador do território -- declarou ontem o presidente
do Parlamento macaense, citado pela agência Lusa. Carlos Assunção falava
em Belém, à saída de um encontro entre uma delegação da Assembleia
Legislativa de Macau e o Presidente da República.

<p n=7928>
A indefinição dos números

<p n=7929>
Os outros desvanecem-se na clandestinidade, sem números certos porque os
levantamentos totais ainda estão por fazer. Para Maria Delfina, uma das
assistentes sociais da Caritas Portuguesa, estes últimos ascendem a dois
terços do total de africanos em Portugal. Um total que varia entre os 175
mil e os 300 mil, conforme as versões.

<p n=7930>
A partir dos finais da década de 70, populações negras e mestiças
começaram a afluir  de novo a Lisboa espalhando-se por manchas crescentes
que lhe alteraram, revitalizaram a pele. A cidade, e várias zonas do
país, vivem hoje situações muito parecidas às  dos finais do século XVI

<p n=7931>
Do ponto vista do Governo, o facto da regulação da liberdade de
circulação ter sido objecto de  um acordo restrito entre cinco países, à
margem das instâncias comunitárias, não é negativo: a secretaria de
Estado da Integração Europeia, órgão que acompanha de perto o processo,
considera que o Acordo constituiu um «laboratório»,  e «não substitui
futuras decisões comunitárias sobre a matéria», que poderão mesmo
basear-se em «ilações positivas» a retirar da «experiência-piloto» de
Shengen.

<p n=7932>
O dirigente da comunidade guineense em Portugal vai defender que o
Governo crie condições para um diálogo construtivo e permanente com os
representantes associativos, «sob pena de estes não acreditarem na
política de coperação existente com os PALOP».

<p n=7933>
Controlo das fronteiras comunitárias causa protestos

<p n=7934>
Os documentos que constituem o Acordo foram adoptados inicialmente pelos
governos alemão, belga, francês, holandês e luxemburguês. Posteriormente,
aderiu também a Itália. Portugal e Espanha foram, entretanto, admitidos
como observadores.

<p n=7935>
O historiador francês Marc Ferro falará hoje à noite, na Cinemateca
Portuguesa, em Lisboa, sobre Cinema e História e História e Identidade
Nacional, a propósito do filme «Non ou a Vã Glória de Mandar», de Manoel
de Oliveira. Entrevistado pelo PÚBLICO, Marc Ferro fala das mudanças na
URSS e da presença da questão nacional no cinema português. Sobre a
questão, afirma: «Portugal comporta-se como um país ex-colonizado que
redescobre a sua identidade.»

<p n=8336>
À luz branca da manhã, a cidade branca de Jerusalém surge suspensa no
horizonte como uma aparição. Não se entende, ao primeiro olhar, se é
grande ou pequena, magnífica ou vulgar. A claridade desfaz-lhe os
contornos, as colinas do cimo das quais se dispersa quebram-lhes as
proporções. Jerusalém surge-nos em forma de estrela, a partir de um
centro compacto e escuro, derramada em ondas de luminosidade branca pelas
encostas e pelos vales. A pedra é sempre a mesma, pedra de Jerusalém
clara e rude, da cor das pedras do cemitério, apenas perturbada pelas
velhas oliveiras retorcidas e vergadas sobre a terra, que tem as
tonalidades do deserto, e pelos telhados vermelhos longínquos dos novos
colonatos que a cercam num anel cada vez mais compacto.

<p n=8337>
Jerusalém é hoje o encontro de dois mundos ainda e mais uma vez
inconciliáveis. Judeus e árabes cruzam-se nas suas ruas presos do mesmo
ódio e da mesma incompreensão que nasceram há mais de dois mil anos. Em
Jerusalém, o lugar onde se tocam e se fundem duas civilizações, não se
sabe onde fica o Ocidente nem onde fica o Oriente.

<p n=8338>
Depois do fantástico total de «A Mulher do Mágico», Boucq e Charyn voltam
a debruçar-se sobre as manifestações incontroláveis da alma humana em
«Boca do Diabo», cuja edição portuguesa foi posta à venda na semana
passada.

<p n=8339>
A leitura do argumento de Charyn, um escritor americano residente em Nova
York, entusiasmou Boucq. Personagem sem passado nem memória, «Boca do
Diabo» é um órfão acolhido pelo KGB, que o transforma num cidadão
americano incumbido de missões de espionagem. Multiplicam-se os contactos
entre o escritor e o desenhador, que levam a uma modificação decisiva do
argumento: «Para conferir credibilidade a esta criança rejeitada por
todos, eu queria dotá-la com uma enfermidade física. O lábio leporino
adequava-se perfeitamente ao nosso propósito», revelou Boucq à revista
«Cahiers de la BD».

<p n=8340>
Temos cinco circunferências, de raios 50, 40, 20, 20 e 10. Pretendo
dispor as circunferências de tal modo que:

<p n=8341>
Vemos que neste caso as áreas que queremos que sejam iguais estão bem
definidas: a área a vermelho é a área do círculo maior e a área a azul é
a soma das áreas dos quatro círculos mais pequenos. E aqui surge a ideia
está claro, de calcular as áreas dos círculos, ideia que se revelará,
como verão, decisiva na resolução deste problema.

<p n=8342>
Um amigo meu decidiu construir a nova Torre do Tombo; outro desenhou-a.
Ironicamente, não posso lá entrar: ou antes, tenho acesso às salas, mas
não posso ver os documentos. Um dia destes, atravessei o abominável
«campus» universitário, onde está situado o túmulo que guarda os papéis
do Estado, em estado de êxtase. Ia tão feliz que nem dei pelos camiões
TIR a 100 km/hora, pelos pedregulhos assassinos escondidos entre a relva,
pelo mamarracho fascistóide que encabeça o conjunto. Na minha frente,
apenas via a placidez dos dias passados a ler manuscritos.

<p n=8343>
Vale a pena recordar duas coisas simples. A primeira, que as cartas que
eu desejava ler datam de há mais de cem anos. A segunda, que a
documentação depositada na Torre do Tombo não pertence ao poder político,
nem à direcção que está à frente da instituição, nem aos funcionários que
por ela zelam, mas a todos nós, aos cidadãos portugueses, e em particular
aos investigadores a trabalhar sobre História de Portugal.

<p n=8344>
Ainda sob o peso da guerra do Golfo, o Estado de Israel retoma a sua vida
de sempre. Para trás, ficam memórias de dois mil anos de rivalidades,
acrescidas de um tempo em que as ruas se encheram de fantasmas e medos.
Mas o conflito permanece, latente, entre dois mundos mais uma vez
inconciliáveis.

<p n=8345>
É a zona mais devastada da cidade. Todas as lojas foram pilhadas e o fogo
consumiu o interior das torres de mármore e vidro. Os computadores e os
aparelhos de ar condicionado foram roubados, assim como parte do
mobiliário. Mas mesmo os mais terríveis sinais de devastação não escondem
a grandiosidade e a riqueza da cidade. E uma vez que os edifícios ficaram
quase todos de pé, poucos têm dúvidas de que a reconstrução possa ser
rápida, até porque o Kuwait continua a ser um país muito rico e com
recursos suficientes para enfrentar os longos meses, talvez mais de um
ano, a ter de viver sem poder contar com a normal produção dos seus poços
de petróleo.

<p n=8346>
Nem todas as revistas espanholas podiam servir de exemplo para haver
revistas portuguesas. Mas mesmo assim era bom que as tivéssemos com os
trinta meses, completos em Fevereiro último, de «Ajoblanco», onde nada
nem é suficientemente mau nem suficientemente bom, apenas suficiente.

<p n=8347>
James Petras, sociólogo nova-iorquino, declara o fim do neo-liberalismo
furioso da década passada. Perante a constatação de que «a estratégia do
sistema não é eliminar as condições dos marginalizados, mas antes tentar
conter a violência dentro dos bairros pobres», ele propõe a «resistência»
como arma possível às agressões em que, tanto capitalismo como
socialismo, se equivalem.

<p n=8348>
Já o dissemos, mas repeti-lo nunca é demais. A «Film Comment» é a melhor
revista de cinema que hoje se publica em qualquer parte do mundo. E ao
nível de textos, de análise e de capacidade polémica toma hoje o lugar
que nos anos 50 coube aos «Cahiers du Cinema» e nos anos 60 à americana
«Film Culture». O que apenas seria de esperar de uma revista que tem
Richard Corliss como editor e entre os colaboradores nomes como os de
Andrew Sarris, David Thompson e J. Hoberman, da «Village Voice». De
Sarris é, aliás, um dos mais importantes textos do número de
Janeiro/Fevereiro da «Film Comment», com um exaustivo estudo e
reavaliação de um admirável melodrama de 1949, hoje esquecido, «Meu Louco
Coração», um dos grandes papéis de Susan Hayward. «O Arrependido», da
autoria de Jacques Tourneur não precisa de reavaliação. É, de há muito,
um dos mais celebrados e amados filmes «negros». Mas a abordagem de Fred
Schwagger traz algumas novidades, em particular em questões de autoria do
argumento, em que participou também James Cain, como o autor descobre no
dossier sobre o filme na «Academy of Motion Picture Arts».

<p n=8349 assunto=desporto>
«A Bela Adormecida» ou, nas palavras de quem a conheceu tão bem como
Wolfgang Amadeus Mozart, «o melhor sítio para trabalhar». Cruzamento de
povos, lugar de encontro de civilizações, Viena surge em todo o seu
esplendor no último número Geo. Mais do que um guia turístico -- que
também é sob a forma de um plano em relevo do seu centro histórico, a que
se junta um detalhado itinerário à volta do estilo dos Habesburgos -- o
dossier que a edição francesa da revista publica é, para todos os
efeitos, um belíssimo documento. Uma valsa a mil tempos -- uma expressão
que assenta que nem uma luva a Viena. «Uma singular harmonia nasce
paradoxalmente do choque dos estilos -- barroco, neoclássico, kitsch,
Secessão -- como unidade do seu povo evidente no seu cosmopolitismo.» E o
chefe de Redacção, Yan Méot, no editorial, lembra ainda os nomes de
Klimt, Freud, Mahler Wittgenstein, Adolf Loos, Olbrich, Egon Schiele
entre muitos outros (veja páginas100-101) que nasceram em Viena ou foram
seus filhos adptivos. Agora que a cidade assinala o bicentenário da morte
de Mozart e prepara a Exposição Universal de 1995, é a melhor altura de
redescobrir Viena. Aliás, esta Geo é um número para redescobrir outras
coisas. Quais? Os impressionantes arquivos do Gulag (para que amanhã
ninguém possa dizer que não imaginava ou não sabia o que foram os
horrores perpretados pelo estalinismo), misturam-se com os grandes ursos
polares do norte do Canadá. Essas grandes máquinas voadoras que são os
helicópteros, com toda a avançada tecnologia que detêm, contrastam com as
imagens que vêm da Índia dos guerreiros do hinduísmo. Mas quem é a menina
dos olhos desta «terra» é Viena. Que espectáculo!

<p n=8350>
O olhar meigo de uma marta, surpreendida pelo fotógrafo em grande plano.
O esforço de um são bernardo através  das encostas nevadas dos Alpes. O
vôo elegante do grou que rasga os ares. As construções fantásticas
apontadas aos céus pelas térmitas e os esforços do papa-formigas para as
alcançar no interior do formigueiro. E ainda flagrantes do tatú e do
pangolim, e imagens da relação entre os póneis e os seus jovens
cavaleiros.

<p n=8351>
Os quatro anos de existência de Wapiti são a melhor prova do sucesso
desta fórmula, que consegue estabelecer um equilíbrio perene entre a
necessidade de informar de um modo simples e a preocupação de olhar o
mundo natural como um espaço de harmonia e beleza, que deve ser
respeitado.

<p n=8352>
O fim da guerra do Golfo e do «Império» do Iraque terá sido indiferente a
milhares de portugueses. Mas o «Império dos Sentidos», a sua transmissão
televisiva e as altíssimas reflexões que a propósito de um e de outra
mandou para baixo de Braga o cidadão número 8020560, eleitor número
000755 e contribuinte número 134279948, fizeram vibrar todos os
portugueses falantes (ou escreventes), incluindo os infantes que por
causa do filme quase impediram um professor de moral de dar a sua aula,
«porque estavam todos a gozar» (sic; o arcebispo dixit), ou os rebentos
de «um chefe de família, altamente conceituado» (id., id.) que na hora do
filme impediram que o pai desligasse o aparelho. Granda chefe!

<p n=8353>
Mas não menos estranho é que entre os defensores de «O Império dos
Sentidos» ainda haja quem recorra a distinções entre erotismo e
pornografia, esquecendo o que disse Robbe-Grillet (que a pornografia é o
erotismo dos pobres), ou o que disse Guido Almansi (que há uma estética
do obsceno). A confusão entre valores morais e valores estéticos não é
recente, mas esperar-se-ia que a crítica moderna a praticasse menos, ou
menos primariamente.

<p n=8354>
Esta máquina -- ACT ATM -- permite-lhe comprar bilhetes de avião em
minutos, durante 24 horas por dia. A informação é enviada por telefone
pelo seu agente de viagem para a máquina, que a imprime depois de se ter
identificado com um cartão de crédito. Cinco mil destas máquinas estarão
nos átrios dos hotéis em 1992.

<p n=8355>
As canetas Stylootic permitem aprender a desenhar seguindo um traço. Em
caso de derrapagem, a caneta dá o alerta. Para idades entre os cinco e os
oito anos. Stylopic da Sekoya. À venda no mercado francês por 6500
escudos.

<p n=8356>
Com 24 horas de antecedência ponha  todos os frutos (excepto a amêndoa) a
macerar no licor juntamente com o açúcar -- tudo previamente cortado em
pedaços pequenos.

<p n=8357>
Entretanto prepare o molho, bata as gemas com o açúcar e o licor. Ponha
em banho-maria continuando sempre a bater até engrossar. Retire do lume,
deixe esfriar e junte cuidadosamente as natas. Sirva frio ou morno

<p n=8358>
Boémio e bonacheirão, cândido e corajoso, alegre e atrevido, António
Rodrigues Sampaio foi um dos mais simpáticos representantes do
constitucionalismo monárquico. Em Setembro de 1882, a arder em febre,
aquele que fora a mais temida voz do jacobinismo urbano, dificilmente
recordaria a infância passada entre o gado do pai e as prédicas do tio;
talvez se não lembrasse sequer das aventuras como guerrilheiro ao serviço
da causa liberal; mas certamente rememoraria, com prazer, as polémicas
jornalísticas em que se vira envolvido, desde o dia, em 1844, em que
assumira a direcção de «A Revolução de Setembro».

<p n=8359>
Foi entre as paredes da prisão, nas conversas com outro padre, o redactor
do «Velho Liberal do Douro», e um advogado de Barcelos, o dr. Ferreira
Tinoco, que Sampaio ser reconverteu profissionalmente, graduando-se em
jornalismo e política. Liberto em 1831, com 25 anos, alistou-se no
Regimento dos Voluntários da Rainha, onde permaneceria até ao fim da
guerra civil.

<p n=8360>
A guerra uniu-os no destino. Foram ambos, nos últimos meses, vítimas
diferenciadas da agressão iraquiana e o mundo concentrou neles a sua
atenção. Hoje, porém, o pós-guerra deixa ver no Kuwait e em Israel outro
traço de união, que é simultaneamente um pólo de conflito. Trata-se, mais
uma vez, da Palestina. No Estado de Israel, ainda há pouco tempo sujeito
aos ataques surpresa dos mísseis iraquianos, reinstala-se a antiga guerra
de sempre. Uma guerra pela sobrevivência, sustentada na memória do
holocausto e das perseguições nazis, e que projecta nos territórios
árabes ocupados (com a instalação de novos colonatos) uma espécie de
vingança calculada. No Kuwait, até há pouco tempo ocupado pelas tropas
iraquianas, os 450 mil palestinianos residentes (a maior comunidade
palestiniana fora de Israel e da Jordânia) vêem-se agora na lista dos
suspeitos de colaboracionismo e sujeitos a perseguições por parte dos
kuwaitianos. Dois repórteres do PÚBLICO observaram recentemente estas
duas realidades: num Kuwait a transbordar de optimismo, crente numa
reconstrução rápida do país, e num Estado de Israel de novo a braços com
as suas sombras. Ambos a desejar a paz e, ao mesmo tempo, a sustentar
nela as suas guerras internas, aparentemente irresolúveis. Porque, sobre
ambos -- aliás, sobre todo o Médio Oriente -- paira ainda o fantasma da
Palestina. Até que um dia, árabes e judeus se enfrentem como iguais. Com
coragem e em paz.

<p n=8361>
PÚBLICO -- Em Julho de 1990 afirmaste à revista «El Toreo»: «No se me ha
valorado todo lo que merezco, aunque todavia no he dado toda la medida de
lo que puedo ser». Após esta afirmação, têm aparecido a teu respeito em
tudo o que é comunicação social as coisas mais bonitas que se podem dizer
de um toureiro. Podemos concluir que o que afirmaste já não corresponde à
verdade?

<p n=8362>
incípio do século, os toureiros a pé só saíam com os cavaleiros e
era-lhes permitido bandarilhar, razão por que sempre nos apurámos nesse
tércio. Em Espanha, não, mas é preciso não esquecer um Manolo Bienvenida,
um Pepe Dominguin...

<p n=8363>
P. -- És das pessoas mais afáveis que existem, mas tens fama de ter um
péssimo feitio do momento do sorteio até ao passeio.

<p n=8364>
Semana muito favorável, ainda que não sejam aconselháveis movimentos
excessivamente rápidos. Muita protecção e sorte, em especial no plano
afectivo. Conjuntura harmoniosa. Unidade e cooperação.

<p n=8365>
Semana de grande sensibilidade em que a mínima oscilação poderá
afectá-lo. Negativismo face a modificações bruscas. A luz da Lua poderá
impedi-lo de ver algumas realidades, donde mantenha-se atento.

<p n=8366>
Depois da morte de John Huston, David Lean ficou como o último dos
gigantes da sua geração ainda em actividade. Nele tal designação
aplica-se em todos os sentidos, mesmo no estilo e duração dos seus
filmes, os últimos épicos da história do cinema.

<p n=8367>
Infelizmente, tanto pela televisão como na edição videográfica, o que
chega aos interessados são as obras mais conhecidas de Lean, as suas
superproduções. Toda a sua obra anterior a «A Ponte do Rio Kwai»
permanece na sombra. Apenas «Uma Mulher do Outro Mundo» passou no pequeno
ecrã há cerca de 10 anos. Resta esperar que a anunciada (mais uma vez)
exibição de «Grandes Esperanças» para o próximo dia 28 se concretize, ou
não apareça o telefilme de 1974 também inspirado no romance de Dickens.

<p n=8368>
Os dinossauros (ou dinossáurios) reinaram sobre a terra firme durante 170
milhões de anos. Despareceram subitamente da face do planeta, sem darem
ao Homem a oportunidade de com eles conviver.

<p n=8369>
Lucy, a mulher pré-histórica que tem sido mostrada por todo o mundo, um
dos nossos antepassados mais recuados, viveu há 3 milhões de anos, numa
árvore ou numa gruta da Etiópia. O ser humano evoluiu, nesse espaço de
tempo, até chegarmos aos níveis de civilização de hoje. Os dinossauros
tiveram 56 vezes esse tempo para moldarem o seu mundo.

<p n=8370>
Os museus de História Natural mostram aos visitantes o que tem sido a
evolução conhecida do mundo até aos dias de hoje.

<p n=8371>
Portugal está há muitos milhões de anos à beira-mar -- o que não acontece
com imensos países, que já encontrando-se hoje no interior de grandes
continentes tiveram grandes mares por perto, e outros que têm costa há
relativamente poucos milhões de anos.

<p n=8372>
A Suécia optou pela neutralidade política,  que conseguiu manter mesmo
durante a II Guerra Mundial. Economicamente, segue um modelo de economia
de mercado, mas com total controlo estatal nas questões sociais: emprego,
ensino, saúde, habitação, segurança social.

<p n=8373>
A amizade, a sedução da aventura (com a fuga do jovem para a cidade), a
atracção por figuras duvidosas e uma personalidade que se torna cada vez
mais forte na luta contra a adversidade. Kanevski faz um dos mais fortes
retratos de todo o cinema sobre a infância difícil (a vida não é apenas,
e para todos, um longo rio tranquilo).

<p n=8374>
Alfred Nobel é uma figura curiosa, porque, sendo um homem pacífico e
bondoso, fez descobertas terrivelmente explosivas: a nitroglicerina e a
dinamite.

<p n=8375>
Como naquele tempo as leis suecas proibíam o trabalho com explosivos,
decidiu manter um laboratório privativo e secreto. Arranjou uma barcaça,
pô-la a flutuar num lago perto de casa e aí deu largas à imaginação e à
criatividade. Inventou a dinamite. Precisando de alguém que financiasse a
produção em grande escala, dirigiu-se a Paris e apresentou o projecto a
um grupo de banqueiros a quem anunciou: «A dinamite tem força para
arrasar o mundo». Eles ficaram estarrecidos. Arrasar o mundo? Que poder
diabólico! A ideia talvez fosse tentadora, mas assustava. Não querendo
assumir a responsabilidade de produzir semelhante coisa, recusaram.

<p n=8376>
O rio nasce num recanto fresco. Quando criança, é estreito e turbulento.
Atravessa altos e baixos com insuperável energia. Habitam-no seres ágeis
e musculados, que gostam de movimento e acção. Vamos hoje conhecer alguns
dos mais característicos.

<p n=8377>
Rãs, sapos, salamandras e tritões são o que resta do corajoso grupo de
«pioneiros fora de água» dotados de coluna vertebral. Eles são os
organismos de transição entre o meio aquático e o meio terrestre.
Chamamos-lhes anfíbios.

<p n=8378>
O rio nasce num recanto fresco. Quando criança, é estreito e turbulento.
Atravessa altos e baixos com insuperável energia. Habitam-no seres ágeis
e musculados, que gostam de movimento e acção. À água da nascente
acrescenta-se mais e mais, sempre correndo e engrossando o caudal.
Esmorece a fúria das zonas cimeiras e o rio torna-se calmo, vigoroso e
regular. Atingiu a idade adulta e abriga agora novas comunidades: os
barbos aparecem na dança aquática; nas margens, algumas árvores e
arbustos formam uma verdadeira mata ribeirinha. É aqui que o rio se torna
mais cobiçado.

<p n=8379>
Como regulador do caudal do rio, a barragem pode reter um aumento brusco
e evitar uma cheia. A água será lançada lentamente no troço a jusante,
através de descarregadores, regularizando o rio. As águas das albufeiras
são ainda utilizadas para rega.

<p n=8380>
O André Filipe foi à Lufthansa com a mãe preparar a viagem que ganhou a
Tóquio. Ficou a saber que o esperam muitas horas de avião, porque, como
bem viu no globo terrestre, o Japão fica do outro lado do mundo!

<p n=8381>
Outra actividade em Carcavelos: uma exposição de modelismo, da autoria de
Vítor Barum, estará patente na Junta de Freguesia local, com visitas para
escolas entre 13 e 20 de Março, das 14 às 17 horas.

<p n=9901>
Todos os anos a situação se repete, marcando os ciclos da natureza. Entre
meados de Fevereiro e meados de Março, o Nordeste transmontano sai do
anonimato e transforma-se no destino turístico de milhares de cidadãos
portugueses. O seu trunfo: as amendoeiras em flor.

<p n=9902>
Num dos montes que ladeia a estrada, um burro troca o pasto de relva por
um gano florido de amendoeira. De um campo situado abaixo do nível da
estrada vem um som de enxada a preparar a terra para novas sementeiras. E
há uma voz que grita: «Então, perdeu a carreira ou o marido?» Uma
interpelação que traduz bem a estranheza de ver alguém, que não se
conhece, vagueando sozinha pela estrada. Explicada a situação, que o
objectivo era apenas tirar fotos às amendoeiras em redor, o sinal de
aceitação vem através do retirar do chapéu, mostrando «uma linda
carequinha» -- como o próprio salienta -- e ostentando o orgulho nos seus
80 anos de vida.

<p n=9903>
O Miguel guarda as meias e as luvas numa gaveta do seu armário. Tem lá
seis pares de meias azuis, cinco pares de meias verdes, quatro pares de
luvas pretas e três pares de luvas cinzentas.

<p n=9904>
A antiga prisão de Blackhole tem a forma de dois pentágonos ligados entre
si, conforme se pode ver na figura.

<p n=9905>
Oitocentos faisões, quarenta caçadores, vinte portas e vinte
contraportas, um lameiro reduzido, um lançador experiente: uma largada de
faisões, cerimónia de véspera da grande montaria. Uma carnificina. Pela
módica quantia de quarenta mil escudos, o participante tem direito a
disparar quase ao desbarato, a levar para casa cinco faisões mortos e a
um almoço para duas pessoas.

<p n=9906>
Acompanhados do director-geral das Florestas (DGF), ministro e secretário
de Estado da Agricultura não se fazem rogados. Têm uma pontaria notável,
Arlindo Cunha começou a disparar aos doze anos, na Ganda, Angola, a
galinhas-do-mato, perdizes, cabras. O seu orgulho é uma Benelli toda
mecânica, a sua paixão os tordos. «Mas o Álvaro Amaro é que é o
atirador-mor lá do Ministério». O secretário de Estado é rápido a
ensinar: «Coloca assim no ombro, olha por aqui e aponta um metro à
frente.» Na confusão de tiros ainda há tempo para apurar quem atira a
quê: «Quem matou, sôtor? Foi a DGF?» P.R.M.

<p n=9907>
Rumaram a nordeste, com a bagagem cheia de armas e a  bênção do
Ministério. Caçadores verdadeiros, coelheiros aperaltados, esposas
zelosas, prole animada pela brincadeira mais proibida -- um grupo numeroso
que se juntou em torno do VI Encontro Venatório do Nordeste Trasmontano.
Mataram faisões, caçaram javalis, comeram de ambos. Uma grande montaria
com ministro de permeio.

<p n=9908>
Os caçadores estão prontos, envolvidos pelo cheiro acre das matilhas,
ansiosos no verde aprumado dos fatos e no negro lustroso das galochas,
orgulhosos pelos faisões dourados do chapéu e pelo brilho prometedor das
carabinas. Há até um purista, armado de besta e setas, que «atira apenas
a 30 metros, em vez dos 100 da carabina». Falta resolver apenas o
problema dos «outros», os caçadores da terra, uma amálgama de cinzentos
quotidianos, confiança trocista e caçadeiras tão usadas como as histórias
do contrabando. São locais, não vieram de fora, não tiveram que pagar
setenta mil escudos por três montarias e um encontro venatório, nem mesmo
«quarenta e cinco notas» por uma presença numa «porta». Não querem, não
podem avançar ao Deus-dará dentro da «mancha», lembram-se -- lembram-lhes
-- que «há três semanas» noutra montaria, noutra freguesia, Deus deu voz
de morte a um rapaz de vinte anos -- «estava a fazer ruídos como um javali
atrás das giestas»; um tiro em cheio no peito esquerdo. Acabam por
aceitar uma solução política: participam num lugar de honra (lateral à
acção, portanto).

<p n=9909>
Nunca na história da língua ou da cultura portuguesa -- e na de outras
línguas e culturas ocidentais -- se falou tanto como nas duas últimas
décadas em «margem» e seus cognatos: marginal, marginalizar,
marginalidade, marginalização, marginalismo, e até marginar, marginado.

<p n=9910>
Na diversidade das nuances semânticas que «marginal» assume numa ou
noutra área, não deixa de se afirmar a analogia com a realidade visual ou
espacial: na margem, na orla, no limite, na fronteira, à beira. Trata-se
de apontar um espaço, ou um modo, confinante com outro que é ou era dado
como de oposta ou diferente natureza (v.g., sólido/líquido, fixo/móvel),
e que é ou era visto como central ou privilegiado.

<p n=9911>
A região de Pinhel, de vinhos tintos aromáticos e cor rubi aberto e
brancos igualmente apreciáveis, situa-se entre duas das zonas
vitivinícolas mais prestigiosas de Portugal: a do Douro e a do Dão. A
cidade da Guarda fica-lhe a norte e a fronteira com a Espanha é perto,
daí que tenha sido terra a que foi concedido foral logo por D. Sancho I e
importante na afirmação de nacionalidade perante as investidas dos
senhores de Leão e Castela. Datam também dos finais do século XII os
primeiros documentos que comprovam a existência de vinha na região.

<p n=9912>
«Pinhel» ficará apenas para os vinhos que a Comissão Vitivinícola, que
já está a funcionar desde Janeiro deste ano, certificar como tendo
direito a denominação de origem. As marcas no mercado -- «D. Manuel I» e
«Varanda do Castelo» --, a que provavelmente outras se juntarão, ficarão
para os chamados vinhos correntes. As castas tintas recomendadas são:
Bastardo, Marufo, Rufete, Touriga Nacional. Para os brancos: Codo ou
Síria, Arinto do Dão e Fonte-Cal.

<p n=9913>
Comece por preparar a massa, colocando a farinha numa tigela com os ovos
no centro. Tempere com sal. Trabalhe a massa e forme com ela duas bolas.
Tape e deixe repousar um pouco.

<p n=9914>
O que esperava da vida este dandy que passeou por Coimbra a sua bizarra
indumentária, barrete desusado na cabeça altiva, a capa de batina forrada
a vermelho, os colarinhos alvos à mamã, e outras excentricidades que lhe
valeram o ódio dos lentes e, depois, um destino de exilado? «Concluir bem
o meu curso, triunfar com o meu livro, casar com a Margareth».

<p n=9915 assunto=desporto>
No Verão do ano passado (Magazine de 16.9.90), estivémos em Fall River.
Entrámos pela ponte Braga, a que os imigrantes chamam -- como descrevia
então Adelino Gomes -- «a maior ponte do mundo porque liga a América a
Portugal», e, na tabuleta de uma das lojas, lemos: «Sonho do
Lar/Portuguese Gold». Voltámos, meses depois. E o «Sonho do Lar» lá
estava, igual a si mesmo. Desta vez num desfile, patrocinador inequívoco
de um carro alegórico na Parada da Associação dos Empresários. Um «sonho
do lar» que, no pequeno Portugal da costa atlântica norte-americana,
projecta ainda, simultaneamente, a grandeza e a pequenez lusitanas. Mas
não só em Fall River. Newark, Boston, Nova Jérsei, o Estado da
Califórnia, as ilhas Havai, foram igualmente portos de abrigo para a
emigração portuguesa de há um século, e são hoje pontos de passagem
obrigatória para a identificação de uma comunidade que se quis respeitada
e respeitável nos Estados Unidos. Por todos eles andou agora Ferreira
Fernandes e de todos eles se contam pequenas histórias: de um homem, de
uma mulher, de uma família. De altos e baixos, de vitórias e derrotas, de
sonhos e golpes de sorte. Da aventura, afinal. Dessa aventura que o acto
de emigrar sempre protagonizou, nos seus contrastes naturais. No início
do século, esses contrastes mediam-se, por exemplo, entre as ilhas da
Madeira ou Açores e as ilhas do Havai (ou a Califórnia, ou Nova Iorque),
entre as águas do Atlântico e as águas do Pacífico. Antes do início do
século, outro português cumpriu idênticos caminhos, forçado por fatal
doença, e acabou errando entre o Funchal e Nova Iorque, entre a Suiça e a
Foz, até que a morte em definitivo o venceu. Falamos de António Nobre
(1867-1900), hoje recordado por António-Pedro Vasconcelos na habitual
secção «Retratos».

<p n=9916>
PLANO MATERIAL -- Grande lucidez para diferenciar o certo do errado.
Grande protecção em novos negócios ou empreendimentos. Muito favorecidas
as viagens. Realizações financeiras de envergadura. Evite sobrecargas
laborais.

<p n=9917>
A Finlândia tem uma enorme quantidade de lagos, que ocupam quase metade
do sul do país. A elevada latitude norte faz com que parte do seu
território seja formado por planícies geladas e sem árvores -- a tundra.
Mas, no conjunto da economia finlandesa, é muito considerável a sua
riqueza florestal.

<p n=9918>
Fora destas questões, «Danças Com Lobos» é um espectáculo bonito, cheio
de imagens espectaculares das regiões do Dakota, que procura dar uma
imagem do que era a vida entre esses americanos (vamos esquecer o termo
«primitivos») que os brancos vieram chacinar nesta região, não por uma
questão de sobrevivência mas de cobiça, devido à descoberta de ouro nas
«Colinas Negras». Estamos no final da guerra que opôs os vários Estados
da jovem nação (erradamente conhecida como «guerra civil»); e um jovem
oficial, depois de um acto de loucura e heroísmo, resolve partir para as
regiões mais afastadas da Fronteira, descobrindo uma vida diferente e
mais pura.

<p n=9919>
Ler é pensar sobre o que outros escreveram: talvez assim se afastem
alguns mal-entendidos sobre os livros e a leitura.

<p n=9920>
Um só livro não esgota o conhecimento, mesmo que seja uma enciclopédia
muito boa. Se um tema nos interessa, devemos provavelmente consultar
vários livros, que vão somando informações sobre o mesmo assunto ou
mostrando formas diferentes de usar as mesmas informações.

<p n=9921>
Aos catorze anos, era um rapaz sossegado, inteligente, bem sucedido nos
estudos. Só dava alegria aos pais e aos professores, mas nenhuma lição o
entusiasmava tanto como as lições de violino.

<p n=9922>
Optou pela primeira via e inscreveu-se no Conservatório. Ali podia
aperfeiçoar-se como violinista, mas sobretudo aprender a compor. Queria
transformar a História do seu país, as belas florestas, os lagos
infinitos, o renascer da Primavera e as tempestades de neve em sons
maravilhoso, em melodias eternas que espalhassem pelo mundo a alma da
Finlândia.

<p n=9923>
O livro de que hoje falamos não traz uma história de fantasia. É
coladinho à realidade -- a uma certa realidade.

<p n=9924>
A história do menino que assiste às brigas e separação dos pais e que
tenta adaptar-se às duas famílias que passa a ter é uma tentativa de
mostrar o caso visto pelos olhos do rapazinho. E neste aspecto, o livro
será provavelmente mais interessante para os adultos do que para os
leitores mais novos.

<p n=9925>
O rio nasce num recanto fresco. Quando criança, é estreito e turbulento.
Atravessa altos e baixos com insuperável energia. Habitam-no seres ágeis
e musculados, que gostam de movimento e acção.

<p n=9926>
Vamos aproveitar os dias mais quentes para tomar um banho no rio. As
águas são límpidas e frescas e muitas as brincadeiras que podemos
projectar para a margem do rio.

<p n=9927>
De 22 a 24 de Março, a juventude de Vila Franca de Xira vai estar em
festa! É a 4ª edição de Xira Jovem, no Pavilhão do Cevadeiro daquela
cidade.

<p n=9928>
O Cine Teatro de Oeiras apresenta a peça «Bojador por Amor», de Geraldo
Tuché e J. A. Gouveia, integrado num Ciclo de Teatro para a Juventude. As
sessões realizam-se às 11h e às 15h, nos dias 18 a 22 de Março.

<p n=10839>
Ao inaugurar ontem a Nortec, Feira de Tecnologia, Inovação e Design, um
certame que está a decorrer na Exponor, no Porto, Mira Amaral, ministro
da Indústria e Energia, teve como preocupações básicas mostrar os
progressos operados no domínio da inovação tecnológica das empresas e
tornar conhecidos os resultados do seu principal instrumento financeiro
de apoio, o PEDIP (Programa Específico para o Desenvolvimento da
Indústria Portuguesa).

<p n=10840>
Mas se o PEDIP é reconhecido como um dos principais vértices onde assenta
a inovação tecnológica das empresas portuguesas, outras condicionantes
são consideradas indispensáveis para que o processo dê um salto
qualitativo. Borges Gouveia, director do Instituto de Engenharia de
Sistemas de Computadores (Inesc), considera que o aprofundamento da sua
eficácia «está em parte dependente da própria internacionalização das
empresas», o que propiciará «uma maior procura de instrumentos de
competitividade que só a inovação tecnológica pode introduzir». Na longa
visita que realizou à Nortec, Mira Amaral teve oportunidade de ver na
prática os indícios do processo de inovação que algumas empresas e
institutos de investigação já iniciaram, principalmente nas áreas da
produção, da gestão e do controlo de qualidade. Manuel Carvalho

<p n=10841>
O Bairro Alto vai passar a beneficiar do estatuto de área crítica de
intervenção, o que dá à Câmara de Lisboa mais poderes para controlar
eventuais alterações urbanísticas na zona e intervir na  reabilitação. A
autarquia terá também direito de preferência na compra de imóveis.

<p n=10842>
Além das três áreas já referidas e da do Chiado, a Câmara já propôs ao
Governo, ou tem em preparação, a entrega de propostas para que surjam
duas outras: Carnide-Luz-Paço do Lumiar e Ameixoeira-Estrada do Lumiar.
Caso o procedimento do Governo se  mantenha, as zonas da cidade
abrangidas por este regime especial poderão ser em breve seis.

<p n=10843>
Os ladrões de antiguidades perderam uma oportunidade. Num castelo quase
esquecido era só deitar a mão e encher os bolsos. Agora quem paga as
favas é um velho guarda do IPPC. O espólio foi retirado à pressa, depois
do PÚBLICO fazer perguntas, e parece que se evaporaram algumas peças.

<p n=10844>
Entre os materiais expostos, encontravam-se moedas da primeira e segunda
dinastias, diversos artefactos ornamentais de bronze, numerosos
fragmentos de cerâmica e duas pedras com importantes inscrições romanas.
A recolha da maior parte das peças foi feita pelo arqueólogo Rogério
Carvalho, que, no princípio da década de 80, dirigiu uma intervenção
arqueológica no sítio da Ribeira da Nata, freguesia de Belver, ao abrigo
da legislação em vigor. Os restantes objectos, principalmente os
metálicos, foram oferecidos por particulares naturais da região,
nomeadamente Guilherme Cardoso, Jorge Saco e Adriano Agostinho.

<p n=10845>
A Câmara de Sintra vai investigar e deliberar sobre alegadas
incompatibilidades e situação de inelegibilidade do presidente João
Justino. A medida, proposta pelo vereador Ferreira dos Anjos (CDS) é mais
um capítulo da guerra que opõem os dois autarcas eleitos pela coligação
«Desenvolver Sintra», e o seu resultado deverá ser analisado no próxima
reunião do executivo.

<p n=10846>
O asfalto que há-de fazer as delícias dos turistas apressados vai mudar a
vida dos algarvios, destruir propriedades inteiras e vestígios
arqueológicos. É a morte anunciada daquele Algarve que ainda resistia à
«invasão».

<p n=10847>
As ruínas romanas de Milreu poderão ficar parcialmente destruídas se não
for aceite a sugestão da comissão de apreciação, no sentido de desviar o
traçado da Via do Infante para 500 metros a norte.

<p n=10848>
A comissão de apreciação vai mais longe e entende que na primeira fase
das obras da Via do Infante, em que se procede à movimentação de terras,
«deverão aqueles trabalhos ser acompanhados por arqueólogos, como medida
preventiva em relação a eventuais achados».

<p n=10849>
O Estudo de Impacte Ambiental foi elaborado depois do projecto do traçado
estar concluído, quando deveria ter sido o contrário: pelo menos é esta a
opinião da Comissão Europeia que instaurou um processo ao Estado
português, ao mesmo tempo que fechou os cofres dos fundos comunitários
para a Via Longitudinal do Algarve. 

<p n=10850>
A Comissão de Agricultores do Sotavento Algarvio levantou mesmo fumos de
corrupção: a lógica do traçado aprovado passaria por interesses de
especulação imobiliária, haveria até projectos de aldeamentos turísticos
apenas à espera de ver a via alcatroada. A Alta Autoridade contra a
Corrupção decidiu instaurar um processo de investigação, mas nunca
chegaria a haver conclusões.

<p n=10851>
É um aglomerado misto de casas de pedra e cal, com construções de madeira
e chapa, algumas de pé há mais de 30 anos. Fica ao lado da Estrada da
Circunvalação, junto a Algés e chama-se Bairro do Irmão Pobre. Tem um
jardim infantil que lhe dá alegria e vai desaparecer em breve, para dar
passagem à CRIL.

<p n=10852>
As negociações começaram há cerca de mês e meio -- segundo disse ao
PÚBLICO uma moradora, Maria das Neves Santos Silva, que para ali foi
morar mal casou, há quase 20 anos -- e a proposta da JAE é uma
indemnização de quatro mil contos pela casa, ou, em alternativa, serem
realojados noutro local.

<p n=10853>
António Aresta, vereador do PSD, na Câmara do Montijo pediu anteontem a
suspensão do seu mandato, alegando na carta que enviou ao executivo,
motivos de doença de sua mulher, necessitando  de assistência permanente.
A suspensão, requerida na última reunião de Câmara, foi concedida por 30
dias.

<p n=10854>
António Rita, vereador do PSD, que já tinha pedido suspensão de mandato
em Maio do ano passado, entregou por sua vez, na mesma reunião de Câmara,
um pedido de renúncia, continuando a alegar falta de disponibilidade por
motivos profissionais. S.F.

<p n=10855>
Se deseja ainda participar na segunda fase do concurso «PÚBLICO-1.º
Aniversário», não se esqueça de que termina hoje o prazo para que o
supercupão referente à segunda semana dê entrada nas nossas instalações,
em Lisboa (R. Amílcar Cabral, Lote 1, n.º25 -- Quinta do Lambert -- 1700
Lisboa).

<p n=10856>
Um sucesso que teve repercussões no nosso país, onde a marca francesa tem
ocupado o primeiro lugar nas vendas anuais de automóveis ligeiros, ano
após ano. Refira-se, aliás, que a história da Renault em Portugal
ultrapassa a de uma simples marca que vende automóveis.

<p n=10857>
O alargamento da lista de produtos específicos para erros congénitos do
metabolismo  comparticipados pelo Estado parou há quatro anos. Para
manter viva uma filha, há quem pague dezenas de contos por mês. Os pais
de Daniela, por exemplo, uma criança de cinco anos que vive em Moscavide.

<p n=10858>
Daniel Freitas, trabalhador na aérea dos despachantes alfandegários,
gasta mensalmente na farmácia várias dezenas de contos, parte substancial
do seu ordenado, e declara estar na contigência de pedir dinheiro
emprestado para poder manter estável a saúde da filha. Mas a resolução do
problema, pedida em várias cartas enviadas à Direcção-Geral dos Cuidados
de Saúde Primários (DGCSP) e à Direcção Geral dos Assuntos Farmacêuticos
(DGAF), arrasta-se há vários meses.

<p n=10859>
Jovem, criativa e já distribuida até agora nas principais capitais
europeias, Mondragon chega agora ao nosso país. Cores vivas e variadas
com um «design» francês, Mondragon é representada pela Soextil.

<p n=10860>
O Júri do Prémio Marketing e Publicidade, edição 1990, atribuíu o prémio
de Melhor Lançamento à campanha do Peugeot 605, cujo tema foi «A Arte de
Uma Raça», desenvolvida pela Abrinício para o seu cliente Mocar. Um
estímulo a mais para a «Ab» e o justo reconhecimento da actuação da
Mocar, que tem demonstrado um raro talento na arte de aprovar campanhas
publicitárias.

<p n=10861>
No prolongamento da sua política de expansão virada para servir sempre
melhor os consumidores de todo o País - justificando o título de maior
rede nacional de lojas de electrodomésticos, - as Lojas Singer abriram um
novo espaço, em Alverca do Ribatejo, onde os habitantes desta área
poderão agora escolher as melhores marcas de electrodomésticos, aos
melhores preços e com condições de venda excepcionais.

<p n=10862>
A Lista B, conotada com a anterior direcção, venceu as eleições da
Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade
Católica, no Porto. A eleição decorreu na passada terça-feira e aos 471
votos recolidos pelos vencedores correponderam 295  sufrágios da lista F,
da oposição. A percentagem de abstenção rondou apenas os 38 por cento,
tendo votado 795 estudantes. A Lista B integra Álvaro Pinto (presidente),
Paulo Mateus e Amadeu Fonseca (vice-presidentes), Diogo Vasconcelos
(presidente cessante e novo presidente da Assembleia geral) e Paulo Jorge
Teixeira (presidente do Conselho Fiscal).

<p n=10863>
A Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa
abriu inscrições para um programa de formação cujos cursos, a iniciar em
6 de Maio próximo ( com duração entre 70 e 220 horas e início a 6 de
Maio), se destinam à área da informática, desde a programação até à
microinformática. Os interessados deverão inscrever-se até ao próximo dia
22, sujeitando-se a um processo de selecção. Os custos variam entre 10
mil e 25 mil escudos, consoante o curso escolhido.

<p n=10864>
«Intervir na mudança» e «contribuir para a solução dos problemas
educativos» são dois dos objectivos do 2º congressso concelhio de
educação, uma iniciativa da Escola Preparatória de Teixeira Lopes, em
Vila Nova de Gaia. O congresso vai decorrer entre 2,3 e 4 de Maio nas
instalações do um hotel da cidade. Cerca de 200 pessoas vão participar
nos trabalhos e na sessão de abertura deverá estar presente o Secretário
de Estado da Reforma Educativa, Pedro D'Orey Cunha e o director regional
de Educação do Norte, Adalmiro Castro. Ao longo do congresso serão
apresentadas várias comunicações, cujos temas vão desde os novos
programas no contexto da Reforma Educativa, comunicação na sala de aula,
ensino tecnológico e o desenvolvimento dos jovens.

<p n=10865>
O número dois da revista «Critério», um jornal dos estudantes de Direito
da Universidade Católica do Porto, acaba de ser publicado. Contendo uma
reportagem sobre a RDA («O outro lado do muro») e um dossier sobre o
Leste, para além de um trabalho sobre «praxe» académica e a recepção aos
caloiros, o segundo número da «Critério» está à venda por 50 escudos.

<p n=10866>
A iniciativa é da responsabilidade do Instituto da Juventude de Coimbra
e dos núcleos de apoio pedagágico concelhios e insere-se no âmbito do
Programa de Intervenção para o Sucesso Educativo, componente Tempos
Livres. «A ideia desta acção foi estimular o desenvolvimento psico-motor
e o sentido estético de crianças com dificuldades na aprendizagem, pela
ocupação criativa de parte dos seus tempos livres», explica Leonor
Custódio, da organização. Os trabalhos apresentados na exposição foram
feitos, na sua maioria, com materiais de desperdício e agrupados por
concelhos, cada um dos quais representado num painel.

<p n=10867>
A Direcção Distrital de Aveiro-Norte reuniu a Assembleia de Delegados
Sindicais, para analisar o projecto de gestão dos estabelecimentos dos
ensinos básico e secundário, aprovado pelo Conselho de Ministros no dia
21/02/91.

<p n=10868>
A Assembleia considerou, ainda, que o projecto proposto pelo Ministério
coloca muitas dúvidas em relação ao cumprimento do disposto na Lei de
Bases do Sistema Educativo.

<p n=10869>
Só um novo recuo do Ministério da Educação poderá impedir a greve dos
professores nos próximos dias 25 e 26. As declarações de ontem do
secretário de Estado-Adjunto do ministro da Educação, Alarcão Troni,
exaltaram os ânimos em vez de os  invés de acalmarem os acalmarem.

<p n=10870>
O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof),
António Teodoro, escreveu ontem uma carta ao primeiro-ministro chamando a
atenção para a gravidade do assunto e apresentando uma proposta: o
pagamento por inteiro aos professores dos salários e respectivos
aumentos, com uma verificação a posteriori, professor a professor, dos
eventuais casos de pagamentos incorrectos.

<p n=10871>
Só um novo recuo do Ministério da Educação poderá impedir a greve dos
professores nos próximos dias 25 e 26. As declarações de ontem do
secretário de Estado-Adjunto do ministro da Educação, Alarcão Troni,
exaltaram os ânimos em vez de os acalmarem.

<p n=10872>
O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof),
António Teodoro, escreveu ontem uma carta ao primeiro-ministro chamando a
atenção para a gravidade do assunto e apresentando uma proposta: o
pagamento por inteiro dos salários e respectivos aumentos aos
professores, com uma verificação a posteriori, professor a professor, dos
eventuais casos de pagamentos incorrectos.

<p n=10873>
Decorre amanhã no Complexo Pedagógico do Castelo, em Braga, a sessão de
lançamento da revista «Informática e Educação», uma publicação criada
pelo pólo do projecto Minerva da Universidade do Minho. Destinada a
promover «a divulgação entre professores, desde o ensino básico ao
universitário», este primeiro número da revista vai ser distribuído pelos
assinantes e a várias escolas e instituições ligadas ao projecto ou à
problemática da utilização educativa das Novas Tecnologias da Informação
e Comunicação.

<p n=10874>
A Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes formou duas equipas de
basquetebol : uma feminina e outra masculina .

<p n=10875>
«A Dama do Mar» de Henrik Ibsen, «Menina e Moça» de Bernardim Ribeiro,  e
«O Tempo e a Ira», de John Osborne, são as três peças a estrear durante o
corrente ano pela Companhia de Teatro de Braga (CTB), que, no próximo
ano, tenciona apresentar uma co-produção com a Comuna, a Companhia de
Tearo de Évora e o London Theatre Ensemble, a peça «Mistérios», do século
XIII, sobre a vida de Cristo. As iniciativas da companhia foram
anunciadas durante uma conferência de imprensa em que se fez ainda o
balanço do trabalho realizado na temporada que passou. De acordo com os
números fornecidos, as três peças produzidas no ano anterior («O Anúncio
feito a Maria, de Paul Claudel, «A Menina do Mar», de Sophia de Melo
Breiner, e «A Dança do Sargento Musgrave», de John Arden), foram vistas
por doze mil e oitocentas pessoas durante cento e vinte sete
representações.

<p n=10876>
«Ao contrário do que por vezes tem sido afirmado, o Governo do PSD tem,
de facto, uma política cultural concreta e definida que, aliás, vem
aplicando sistemática e impiedosamente.» O tom estava dado nesta
conferência de imprensa que o Partido Comunista Português promoveu ontem
no Centro de Trabalho da Soeiro Pereira Gomes, em Lisboa. Choveram as
críticas à «muito específica `sensibilidade cultural'» da Secretaria de
Estado da Cultura (SEC), à «auto-satisfação com que os responsáveis
governamentais  contemplam  e exibem a sua `obra cultural'».

<p n=10877>
O 11º Salon du Livre de Paris vai receber, ao todo, 1.200 editores de
doze países e permitirá uma panorâmica sobre a edição, particularmente a
edição francesa e francófona; pela primeira vez, e por iniciativa de Jack
Lang, realizam-se os primeiros Encontros Europeus da Livraria, preparando
1993.

<p n=10878>
Exceptuando a parte da exposição do Petit Palais, o Salon du Livre vai
ser, como habitualmente, o local apropriado para se rever o que se passou
durante o ano, e verificar o estado das coisas. Aliás, é uma altura
bastante oportuna para se fazer um balanço, porque em França há uma
efeméride particular a assinalar -- comemoram-se dez anos da lei sobre o
preço único do livro. O tema genérico do Salon não é muito entusiasmante
-- «A Leitura nos Jovens dos 13 aos 18 anos» -- mas há toda uma série de
actividades paralelas que estão previstas.

<p n=10879>
Bolsas para jovens criadores -- O Centro Nacional de Cultura anunciou
ontem que o júri das Bolsas Jovens Criadores decidiu atribuir 10 bolsas
para 1991. Foram contemplados: Alexandre Delgado, Isabel Monteiro e
Susana Mendes (área da Música); Gisela Canamero e José Barbieri e Jorge
Mira (área de Artes do Espectáculo: Teatro e Música); Luís Rodrigues
(área da Literatura/Ciências Humanas e Sociais); José Abreu, Paula Lima,
Marta Wengorovius, Paulo Pires e Jorge Branco (área de Artes
Plásticas/Cinema/Vídeo). Estes nomes foram a escolha final de uma
comissão constituída por pessoas ligadas a orgãos de comunicação social,
que se basearam numa pré-selecção efectuada por comissões especializadas
que integram nomes como Alexandre Melo, Jorge Borges de Macedo, José
Ribeiro da Fonte e José Sasportes. As Bolsas Jovens Criadores, criadas
este ano, são uma iniciativa conjunta do Centro Nacional de Cultura e da
Secretaria de Estado da Juventude.

<p n=10880>
Durante as últimas décadas, o cinema de animação dos estúdios Disney
deixou muito a desejar. Foi precisa a concorrência de um Don Bluth, para
se encherem de brios com «A Pequena Sereia».

<p n=10881>
Galeria falida -- A Urban, uma das grandes galerias de arte japonesas e
comprador activo no mercado internacional, representada em Tóquio, Nova
Iorque e Paris, declarou quarta-feira falência no Japão, informou a
France-Press. Vítima de operações especulativas mal sucedidas e da queda
das cotações da arte contemporânea sector onde era muita activa, a Urban
arrastou na queda seis outras sociedades do seu proprietário, Masahiko
Sawada. O passivo total das sociedades falidas atinge mais de 860 milhões
de dólares (cerca de 120 milhões e 400 mil contos)

<p n=10882>
António de Oliveira e Silva, da Comissão de Orquestra, considera que esta
situação «é um sinal de que a Administração não tem vontade de pacificar
o Teatro» e Irene Lima, também da Comissão de Orquestra, adianta que os
músicos, como forma de resposta, «tomarão medidas, que não passarão
necessariamante pela greve».

<p n=10883>
Um tribunal de Los Angeles decidiu, na quarta-feira, que a Walt Disney
deveria pagar à cantora Peggy Lee 3,83 milhões de dólares, a parte
respeitante aos lucros obtidos com a venda da videocassete de desenho
animado «A Dama e o Vagabundo». A cantora, de 70 anos, co-autora de seis
das canções do filme, realizado em 1955, e a voz de quatro das
personagens, reclamou uma indemnização de 9 milhões de dólares, alegando
«quebra de contrato», «enriquecimento injustificado» e «utilização não
autorizada» da sua voz. Apesar de estar desapontada com o valor declarado
pelo tribunal, Peggy Lee, doente cardíaca e diabética, que assistiu à
audiência em cadeira de rodas, aceitou a decisão. A Walt Disney, por seu
lado, não quis adiantar se vai apelar. Peggy Lee é a intérprete de
«Fever» e «Is That All There Is».

<p n=10884>
O tom dessas críticas parece transformá-las em definitivas e tornar
remota qualquer hipótese de Roberto Gulbenkian aceder à presidência da
Fundação, como se prefigurou em 1977. Em Julho desse ano o Conselho de
Administração «deu o seu inteiro apoio» a Azeredo Perdigão quando
designou Roberto Gulbenkian para o substituir «em caso de impedimento
temporário ou cessação definitiva».

<p n=10885>
O futebolista inglês Chris Waddle, autor do golo que deu ao Marselha a
vitória sobre o AC Milão e a passagem às meias-finais da Taça dos
Campeões Europeus, deverá permanecer afastado da equipa nas próximas duas
semanas, depois de ter sofrido uma «pequena comoção cerebral, com perda
de memória» durante o jogo. Waddle foi hospitalizado na madrugada de
quarta para quinta-feira, no serviço de neurocirurgia do hospital de La
Timone, depois de ter sido retirado de ambulância do restaurante
«Maracanã», no estádio do Marselha, onde decorria um jantar de gala. A
lesão aconteceu num choque com o defesa italiano Paolo Maldini, mas o
futebolista inglês continuou em jogo, marcando o único golo da partida --
embora não se lembre disso. Segundo o professor Jean-Claude Péragut, esse
«período de amnésia, que não terá consequências», explica que Waddle
tivesse continuado o encontro «jogando com os seus automatismos». «Chris
estava completamente KO no vestiário», confirmou Bernard Tapie,
presidente do Marselha. O futebolista inglês continuava ontem a ser
submetido a novos exames.

<p n=10886>
O processo movido contra o presidente da Associação de Futebol de Braga,
Mesquita Machado, vai transitar do Conselho de Disciplina para o de
Justiça, disse ontem à agência Lusa Fernando Ferreira Lino, do CD,
acrescentando que «o Conselho de Disciplina entende ser competente para a
instrução, mas não para a sua decisão», que será de responsabilidade do
CJ. Durante a reunião do CD, que decorreu em Viana do Castelo, foram
ainda apreciados diversos processos disciplinares.

<p n=10887>
O irlandês Des Smyth, de 37 anos, 73º da Ordem de Mérito Volvo, é o
primeiro classificado do Open de Portugal em Golfe, com 68 pancadas,
menos duas que os segundos classificados, os britânicos Lee Vannet e
Brian Marchbank (Escócia) e Jeremy Bennett (Inglaterra).

<p n=10888>
1º Des Smyth (Irl), 68 pancadas; 2ºs Lee Vannet (Esc), Jeremy Bennet
(Ing) e Brian Marchbank (Esc), 70; 5º James Spence (Ing), Peter
Heravainen (USA), Per Johansson (Sue), Christian Hardin (Sue), Mike
Clayton (Austra), David Gilford (Ing), Dennis Durnian (Ing), Jose Rivero
(Esp), David Russell (Ing), Derrick Cooper (Ing) e Steven Richardson
(Ing), 71.

<p n=10889>
O amador de apenas 16 anos António Castelo tornou-se ontem, e
surpreendentemente, o melhor português do Open de Portugal em Golfe,
prova a contar para o Circuito Europeu da PGA onde estão presentes 19 dos
30 melhores da Ordem de Mérito da Volvo. O irlandês Des Smith foi o
melhor estrangeiro, ao conseguir fazer os 18 buracos do Campo da Estela,
na Póvoa do Varzim, em menos quatro pancadas do que se esperava.

<p n=10890>
António Castelo começou a jogar golfe há oito anos, aproveitando o facto
de o pai ser director de um hotel com campo. Hoje, estudante do 10º ano
de Escolaridade, a braços com o Português e a Filosofia, pensa em
mudar-se para Orlando, na Flórida, para acabar o liceu, tirar um curso de
Economia ou a especialidade de gestão de campos de Golfe, e receber aulas
do treinador do melhor jogador do mundo, David Ledbetter, de quem já
recebeu aulas, por um efémero dia.

<p n=10891>
Apesar da clara derrota sofrida em Phoenix, face ao novo McLaren pilotado
por Ayrton Senna, o francês Alain Prost mostra-se bastante confiante nas
capacidades dos Ferrari para o Grande Prémio do Brasil, segunda prova do
«Mundial» de Fórmula 1. Já em São Paulo, onde no domingo se disputará, no
circuito de Interlagos, a prova brasileira, Prost não se mostrou
preocupado com a exibição de Senna nos Estados Unidos, demonstrando mesmo
algum optimismo.

<p n=10892>
Hoje o dia começará com as pré-qualificações, onde o português Pedro
Chaves procurará, uma vez mais, a passagem aos treinos de qualificação.
Uma tarefa difícil numa pista que exige bastante mais dos motores, quando
se dispõe de um fraco Ford Cosworth V8. No entanto, Chaves já demonstrou
uma boa adaptação ao seu carro, sendo sempre de esperar um bom desempenho
do único português a correr na Fórmula 1. Resta ver se as condições
meteorológicas melhorarão, depois de uma semana marcada por algumas
chuvas torrenciais que, juntamente com o intenso calor do verão
brasileiro, tornarão a tarefa dos pilotos ainda mais difícil.

<p n=10893>
Os responsáveis do AC Milan decidiram recuar na sua intenção de
apresentar um protesto pela forma como terminou o jogo da segunda mão dos
quartos-de-final da Taça dos Campeões, em Marselha. A comissão das
competições inter-clubes da UEFA decidirá esta manhã, antes do sorteio
das meias-finais, sobre a homologação do resultado do encontro,
interrompido a um minuto do fim quando os holofotes de uma das quatro
torres de iluminação se apagaram. Na confusão que se seguiu, os
fotógrafos invadiram o relvado, os jogadores do Milan saíram do campo e
recusaram-se depois a reentrar, alegando falta de segurança.

<p n=10894 assunto=desporto>
Na cidade alemã de Dresden, onde o Dínamo local jogou com o Estrela
Vermelha de Belgrado, residiu mais um foco de problemas para a UEFA. O
árbitro da partida interrompeu o jogo aos 69 minutos, pouco depois de os
jugoslavos terem passado a ganhar por 2-1, quando foi atingido por um
projéctil lançado da bancada. Centenas de «hooligans» alemães tentaram
derrubar as vedações do campo, atiraram pedras aos jogadores e insultaram
os adeptos jugoslavos, chamando-lhes «porcos» e clamando por «vingança».

<p n=10895>
A Yamaha volta a ser a principal favorita, no «Mundial» de motociclismo
que começa no Japão. Mais um campeonato em que a categoria-raínha dos
500cc tentará recuperar a emoção perdida.

<p n=10896>
Este será, pois, um ano em que a categoria de 500cc tem de definir
definitivamente o que quererá ser no futuro. E há duas hipóteses: ou o
nível geral baixa, de forma a abrir a competição aos privados (o que
parece improvável); ou envereda por um esquema semelhante ao da Fórmula
1, apenas com equipas que movimentam elevados meios financeiros.

<p n=10897>
Poucos meses depois de lá terem passado, no Rali de Portugal, alguns dos
nossos pilotos de ralis regressam este fim-de-semana à zona de Arganil,
para a disputa do Rali Internacional Casino da Figueira. Trata-se da
quarta prova pontuável para o Campeonato Nacional de Ralis, organizada
pelo Clube Automóvel do Centro e que amanhã se disputará.

<p n=10898>
Há dias em que nem um grande clube como o Real Madrid devia competir. A
passada quarta-feira foi um deles. Derrotados no futebol e no basquete,
os madrilistas choraram lágrimas de raiva.

<p n=10899>
JORGE MARTINS (6) - Continua a ser um dos elementos mais importantes
deste Vitória e um dos membros do seu clã de veteranos. Não estará na sua
melhor forma, mas compensa algumas distracções com a sua enorme
experiência.

<p n=10900>
JORGE FERREIRA (6) - Chegou a internacional no tempo de Juca, num momento
em que atravessava um período de boa forma. Distribui-se tanto como
defesa central como «trinco», mas Quinito prefere-o mais recuado.

<p n=10901>
Ivkovic (8)- O guarda-redes jugoslavo prossegue a sua bonita carreira em
Alvalade. Seguro e frio, garante tranquilidade q. b. para que os colegas
da frente joguem sem receios de falhanços na defesa das suas balizas.

<p n=10902>
Luisinho (9)- Com ele em campo o Sporting ainda não perdeu esta
temporada. Acaso ou não, o facto é revelador do enorme peso específico do
central brasileiro nesta equipa. Indispensável.

<p n=10903>
A temporada competitiva de todo-o-terreno começa hoje, com a realização
do prólogo da Transalgarve, prova do tipo «baja» organizada pelo Clube
Automóvel de Loulé. Os 149 inscritos na prova algarvia garantem que a
época que agora se inicia repetirá o êxito de que se revestiram as
temporadas anteriores.

<p n=10904>
Não terá sido só como «felicitação pela unificação alemã» que a
multinacional Asea Brown Boveri (ABB) escolheu este ano a cidade de
Berlim para fazer uma conferência de imprensa e participar aos mais de
100 jornalistas convidados, vindos de 16 países, os «excelentes
resultados» obtidos pela «força competitiva da ABB» em 1990.

<p n=10905>
Com o objectivo de aprovar o relatório de gestão e as contas, relativos
ao exercício de 1990, a Slibail Portuguesa -- Companhia de Locação
Financeira, vai reunir em assembleia geral no dia 26 de Março. Da ordem
de trabalhos consta também a deliberação sobre a aplicação dos
resultados, assim como a apreciação geral da administração e da
fiscalização da sociedade. A alteração do conselho de administração e uma
possível emissão de obrigações serão outros dos temas em discussão na
assembleia.

<p n=10906>
A Savoi -- Sociedade Imobiliária de Empreendimentos Turísticos, procedeu
ao rateio das acções não subscritas quando do exercício do direito de
preferência no aumento de capital de 1 080 milhares de contos para 2,5
milhões de contos. As acções a ratear totalizaram 732, para um total de
mais de 1,7 milhões de acções pedidas.

<p n=10907>
A companhia britânica British Airways vai iniciar hoje uma campanha
promocional no valor 50 milhões de libras (perto de 13 milhões de
contos). O objectivo é a recuperação dos passageiros que, desde a crise
no Golfo Pérsico, abandonaram as rotas aéreas.

<p n=10908>
Conforme refere Gunther Eser, director-geral da IATA, para além dos
reflexos da guerra do Golfo no tráfego aéreo, as companhias de aviação em
todo o mundo têm estado a ser atingidas também por um grande aumento do
preço dos combustíveis, das prestações salariais e por diversos custos
que causaram a «pior crise nesta indústria desde há quatro décadas».

<p n=10909>
Nas novas regras do sector eléctrico, os produtores independentes surgem
como peça-chave. Apoiados pela legislação publicada em 1989, a produção
independente -- cujos reflexos se sentem particularmente no mini-hídrico e
na cogeração -- atinge actualmente, em potência licenciada, os 500
megawatts, o que significa cerca seis a oito por cento do total de
potência instalado no país. Os recursos totais para a produção
independente representam. no entanto, o dobro

<p n=10910>
Perante os receios verificados no final do ano passado de que o período
de vigência do Valoren -- vocacionado para as infra-estruturas públicas --
encerrasse, em Julho, sem que se utilizasse a totalidade de verbas
comunitárias disponíveis (10 milhões de contos), o membro do Governo
contrapõe uma «maior celeridade, na fase final, na apresentação e
afectação de verbas a projectos, de modo a garantir uma execução a 100
por cento do programa».

<p n=10911>
A moeda norte-americana encontra-se agora numa fase de consolidação que
os operadores acreditam, servirá de suporte para futuras subidas.

<p n=10912>
As intervenções concertadas por parte dos bancos centrais serviram apenas
para acelerar a queda do dólar sem alterar no entanto a tendência altista
que a moeda atravessa.

<p n=10913>
A pressão da oferta mantém o mercado de acções em baixa. Ontem em Lisboa,
as cotações voltarem a caír pela terceira sessão consecutiva, apesar de
um ligeiro abrandamento em relação ao comportamento da véspera.

<p n=10914>
Londres, impulsionada pela perspectiva de uma descida das taxas de juro a
breve prazo, teve a evolução mais acentuada, tendo o índice FTSE 100
subido cerca de 1,4 por cento. A subir mais de um por cento esteve também
o mercado de Paris, com os investidores a reagirem favoravelmente ao
facto de o valor do défice comercial para Fevereiro ter registado uma
diminuição relativamente ao mês anterior. Nas bolsas asiáticas, no
entanto, Hong-Kong mantinha o pendor negativo e quanto a Tóquio, só hoje
se saberá se retomará a subida, acompanhando as bolsas eupropeias, já que
ontem aquela esteve encerrada devido a uma feriado nacional no Japão.

<p n=10915>
Os limites impostos à concessão de crédito para aquisição de habitação,
terminou ontem com o comunicado do Conselho de Ministros. Apesar de estar
na «gaveta» do Governo para ser aprovado, o «timing» politico para a sua
saída obrigou a um compasso de espera que a proximidade das eleições
vieram a acelarar.

<p n=10916>
Outra das alterações ontem aprovadas reporta à flexiblidade na
periocidade do pagamento das prestações, que podem ser realizadas por
opção acordada, nos meses de subsídios de férias e de Natal. A
amortização que estava dependente de dois regimes, prestações
progressivas ou constantes, passa agora a ter uma terceira alternativa.
Dentro do sistema de prestações constantes é possivel agora a redução dos
valores  iniciais com o consequente aumento do valor máximo do
empréstimo.

<p n=10917>
Dois auditores financeiros, BPI e Rotschild, e um estratégico, Coopers &
Lybrand, vão avaliar e apresentar o plano de reestruturação da EDP. Dos
estudos a realizar depende a futura configuração da empresa, que
concorrerá com outros produtores.

<p n=10918>
A Coopers & Lybrand, que irá desenvolver o plano estratégico de
reestruturação, não tem um prazo fixo, mas deverá apresentar a sua
proposta de forma a que, nos 90 dias seguintes à aprovação da avaliação
do património da EDP, o conselho de administração desta submeta aos
ministros das Finanças e Indústria e Energia o plano geral das cisões a
efectuar.

<p n=10919>
A primeira assembleia-geral do Banco Português do Atlântico após a
primeira fase da privatização aprovou ontem, por unanimidade, o aumento
de capital de 20 para 35 milhões de contos, por incorporação de reservas.
Foi uma reunião participada, em que 14 presentes, representando 443
accionistas e 84,3 por cento das acções com direito a voto, aprovaram
todas as propostas em análise mas continuaram sem saber como será
concretizada a segunda fase da privatização, que não deverá realizar-se
senão depois do Verão.

<p n=10920>
A segunda fase realizar-se-á também por aumento de capital para montante
ainda a definir. Antes deste processo, o que estava previsto era o
aumento de 20 para 30 milhões de contos, isto é, mais 50 por cento. A
manter-se a taxa, o aumento de capital poderá ascender a 17,5 milhões,
valor que o presidente do BPA não confirmou.

<p n=10921>
Isabel Mota entregou ontem à Comissão Europeia a notificação das ajudas a
conceder ao projecto Ford/VW. A Comissão tem um prazo oficial de dois
meses para decidir, mas Bruce Millan prometeu luz-verde para mais cedo.

<p n=10922>
«De acordo com os contactos que temos mantido com as autoridades
portuguesas e com o que conhecemos do projecto, estou confiante de que
seremos capazes de corresponder ao pedido e dar o necessário apoio»,
disse Bruce Milan aos jornalistas.

<p n=10923>
O Governo foi posto ontem em causa no Primeiro Congresso das Indústrias
de Madeira. Pedro Ferraz da Costa, presidente da Confederação dos
Industriais Portugueses  lembrou, perante uma audiência de 200
empresários (com acesso limitadíssimo ao crédito), que o Governo
português ia dar140 milhões ao projecto Ford enquanto apenas obteve 70
milhões de contos para três anos de PEDIP.  Álvaro Pinho Leite, da
Vicaima/Jomar, recordou as taxas de juro proibitivas que a banca pratica
e, mais tarde, um industrial madeireiro pôs em causa os cinco mil
quilómetros de caminhos florestais que o Ministério do Planeamento e
Ordenamento do Território mandou abrir dizendo que eles favoreceram
sobretudo terrenos ardidos destinados a eucaliptais -- o que provocou
aplausos na sala.

<p n=10924>
Um estudo encomendado pelo Ministério da Indústria a um consultor
finlandês refere que, daqui a dez anos, as nossas exportações de
mobiliário cheguem a 50 milhões de contos, valor que, Alberto Mesquita,
presidente da Associação Nacional das Indústrias de Madeira, disse ao
PÚBLICO ser possível alcançar em cinco anos apenas. O modo de atingir
esse objectivo passa pela sub-contratação e especialização das empresas
num determinado produto e a realização de acordos com distribuidoras no
estrangeiro para comercialização.

<p n=10925>
Contrariamente ao que vinha sendo corrente, o Banco de Portugal não
anunciou ontem a colocação de títulos da sua carteira no mercado.

<p n=10926>
Quanto à Dívida Pública, realizou-se um leilão de Bilhetes do Tesouro
(BT) a 91 dias, sendo colocados 9 950 milhares de contos à taxa média de
17,7484 por cento.

<p n=10927>
O responsável da  área económica do Governo Regional da Andaluzia, Jaime
Montaner, divulgou ontem, em Sevilha, ter escrito uma carta aos
dirigentes da multinacional Ford, em Detroit, reiterando a
disponibilidade para instalar naquela região do sul de Espanha a fábrica
de montagem da Ford/Volkswagen.

<p n=10928>
O Tribunal Cível de Setúbal decretou, no passado dia 19, a falência da
Sado Internacional, soube o PÚBLICO junto de fontes ligadas ao processo.

<p n=10929>
A SGO -- Sociedade de Representações Santos, Guimarães & Oliveira, S.A.
requeriu um processo especial de recuperação da empresa com protecção dos
credores. Por este motivo, a Comissão Directiva da Bolsa de Valores do
Porto decidiu a transferência das 420 mil acções representativas do seu
capital social da cotação do mercado oficial para o não oficial.

<p n=10930>
As árvores , cedidas pela direcção Geral de Florestas , já estão
prontas para serem plantadas. No entanto, ainda falta a aprovação do
Concelho Directivo.

<p n=10931>
Carlos Amaral Dias voltou, na sua última obra«Ali Babá -- Droga: uma
neurose diabólica do século vinte», ao tema da toxicodepedência. O livro
é apresentado hoje, às 18h30, no Solar do Vinho do Porto, em Lisboa. Aí,
este psicanalista e psiquiatra de 44 anos afirma que a psicanálise surgiu
antes do psicanalista. Influenciado pelo místico São João da Cruz, diz
que o pensamento psicanálise procurou o pensador psicanalista. É uma
maneira de Carlos Amaral Dias, investigador da Universidade de Coimbra,
tolerar a incerteza do conhecimento.

<p n=10932>
Mas aquilo que a psicanálise investiga não se esgota no processo
terapêutico, pois todas as ciências sociais contemporâneas beneficiaram
de alguma maneira das investigações produzidas através deste método,
especialmente as ciências psicológicas e psiquiátricas. E o contrário
também é verdade.

<p n=10933>
Francisco Silva, engenheiro de telecomunicações da Telecom Portugal foi
eleito para o conselho de administração do recém-criado Instituto Europeu
de Investigação e Estudos Estratégicos de Telecomunicações (Eurescom) por
proposta conjunta dos CTT, TLP e Marconi.

<p n=10934>
Recorde-se que o desenvolvimento destes conceitos no nosso país tem sido
realizado nomeadamente pela Telecom Portugal e traduzem-se nos serviços
Diginet e Multibit proporcionados por aquela empresa. C.P.

<p n=10935>
Cientistas do Laboratório de Investigação da IBM em Zurique desenvolveram
pela primeira vez um processo que permite colocar até 20 mil lasers
minúsculos numa única «bolacha» semicondutora circular com um diâmetro de
duas polegadas. Este desenvolvimento abre as portas à produção económica
e em larga escala de «lasers semicondutores» que são utilizados
actualmente na leitura de música dos discos compactos, na impressão de
cópias laser, na escrita e leitura de informação nos discos de
armazenamento de computadores e na transmissão de informação através de
redes de fibra óptica. Este novo processo apoia-se na aplicação de uma
técnica estandardizada para o fabrico de «chips» semicondutores,
denominada «etching», à produção de lasers. Com este novo processo, são
gravadas na «bolacha» ranhuras muito estreitas, cada uma delas com a
profundidade de apenas 1/5.000 de polegada, para formar os espelhos de
laser, que depois são revestidas com material semirreflector destinado a
aumentar a segurança do laser. Os espelhos aumentam e direccionam a
trajectória da luz, que é emitida quando a corrente eléctrica viaja
através do semicondutor. Até agora, os espelhos eram formados
individualmente para cada laser através da clivagem ou da quebra do
cristal semicondutor, uma tarefa dispendiosa e lenta.

<p n=10936>
Para fazer recuar os cerca de três mil de rebeldes afegãos para o
interior do Paquistão, Cabul teria utilizado mísseis Scud, de fabrico
soviético. De acordo com o director da agência MIDIA, o principal orgão
da resistência islâmica (mujahedine), 34 foguetes daquele tipo teriam
sido lançados entre sexta e quarta-feira, mas, desde ontem de manhã, os
disparos seriam ininterruptos.

<p n=10937>
UM ALTO responsável pró-iraniano declarou ontem à Reuter, em Beirute, que
não existem quaisquer sinais de que os reféns ocidentais sejam libertados
brevemente, ao contrário de informações divulgadas quarta-feira, segundo
as quais os reféns começariam a ser libertados ainda hoje. A fonte, que
pediu o anonimato, afirmou que a libertação dos cidadãos ocidentais só se
concretizaria depois de Israel concordar em libertar milhares de
prisioneiros palestinianos e libaneses.

<p n=10938>
ELEMENTOS da Frente Democrática de Salvação da Somália (FDSS) e do
Movimento Patriótico Somaliano (MDS) dirigem-se para Mogadiscio, a
capital do país, indicou ontem em Nairóbi um representante da FDSS,
Mohamed Ismail. «Os nossos combatentes dirigem-se a Mogadiscio a partir
de Kismayo, no Sul, de Baidhabo, a Oeste e ainda de Galcayo, no Norte»,
afirmou Ismail, que referiu a existência de combates entre elementos do
seu movimento e do Congresso da Somália Unificada em El Bur, a nordeste
da capital.

<p n=10939>
Os EUA cometeram o erro de não se terem apercebido, antes da invasão do
Kuwait, que Saddam Hussein era «estúpido», «ignorante» e «impermeável à
lógica», declarou a última embaixadora americana em Bagdad, April
Glaspie, até agora suspeita de ter dado a entender ao Presidente
iraquiano que os EUA não interviriam em caso de conflito com o emirado.

<p n=10940>
A embaixadora deixou Bagdad a 30 de Julho e a 2 de Agosto o Exército
iraquiano entrou no emirado. A 11 de Setembro, o Iraque publicou o que
disse ser uma gravação do encontro, no qual April Glaspie teria afirmado:
«Nós não temos opinião sobre os conflitos inter-árabes, nem sobre o vosso
diferendo territorial com o Kuwait»...

<p n=10941>
A CAMINHO da Holanda, onde chegou ontem para uma visita oficial, o
Presidente checoslovaco Vaclav Havel disse, em Bruxelas, pretender ver o
seu país na CEE antes do ano 2000. Através do comissário Frans
Andriessen, a Comunidade Europeia respondeu que Praga não deve
precipitar-se a exigir demasiado aos Doze.

<p n=10942>
Entre os «perigos», destacou o facto de as «forças conservadoras» na URSS
se esforçarem por «restaurar o sistema centralizador e autoritário». Mas
não deixou de apelar a uma ajuda económica do Ocidente, pois que este
«não pode ficar indiferente diante da instabilidade, a miséria, a
tristeza e a confusão» que se registam nos países ex-comunistas da
Europa.

<p n=10943>
O rei Hussein da Jordânia disse ontem que cabe aos EUA tomar a iniciativa
de melhorar as relações entre os dois países, profundamente afectadas
pelo facto de Amã ter defendido a posição iraquiana durante a crise no
Golfo.

<p n=10944>
O apoio jordano ao regime de Saddam Hussein colocou o país numa situação
de isolamento, tanto em relação ao Médio Oriente como ao Ocidente. Mas
tudo indica que neste momento a principal preocupação do rei Hussein é a
reorganização interna do país.

<p n=10945>
Saddam parece ter recomeçado, na luta interna, a recorrer às técnicas de
propaganda que usou na guerra com o inimigo externo: surgiu na televisão
para receber, da boca do mais alto dignitário xiita, os parabéns por ter
esmagado a rebelião. A oposição garante que o Grande Ayatollah al-Khoi
foi raptado e levado à força para diante das câmaras.

<p n=10946>
O principal grupo da oposição xiita, a Assembleia Suprema da Revolução
Islâmica do Iraque (ASRII), afirmou que al-Khoi foi raptado da cidade
santa de Narjaf, centro da rebelião, juntamente com outros doze
dignatários religiosos, e levado para Bagdad, onde permanece sequestrado
num dos palácios de Saddam Hussein. Na operação de rapto, as forças do
regime utilizaram 135 helicópteros e bombardeamentos com mísseis e
«rockets», revelou um porta-voz do grupo xiita, Abu Maitham al-Saghir.

<p n=10947>
Só na Páscoa os italianos vão saber se o país terá um novo Governo ou
mais uma campanha eleitoral antecipada. O chefe do Gabinete actual,
Giulio Andreotti, encontrou-se, entre terça e quinta-feira, com os
representantes dos cinco partidos da coligação (DC, PSI, PSDI, PRI e PLI)
e do principal partido da oposição (os ex-comunistas do PDS), para
solucionar uma crise que ainda não foi aberta oficialmente.

<p n=10948>
Os socialistas não são o único problema de Giulio Andreotti. A segunda
linha da frente desta crise é o seu próprio partido, a Democracia Cristã.
A ala esquerda da DC, que abandonou os cinco ministérios que controlava
no Verão do ano passado, pretende que o chefe do Gabinete aceite um
projecto de reforma eleitoral de modelo alemão, contraposto ao modelo
francês preferido por Craxi.

<p n=10949>
As recentes discussões sobre se Israel deverá ou não trocar territórios
pela paz exemplificam a incerteza que se vive em Jerusalém sobre o lugar
de Israel na «nova ordem mundial» americana. Duas afirmações do ministro
da Saude e do chefe do Estado Maior do Exército provocaram já uma 
tempestade política.

<p n=10950>
Os sírios insistem que a devolução dos Montes Golã deverá fazer parte de
uma paz negociada entre os dois países, e os Estados Unidos esperam que
Israel se retire daquele território. No entanto, muitos israelitas, e de
diferentes facções políticas, insistem que os Montes Golã são parte
integrante de Israel.

<p n=10951>
A controversa «Poll tax», o imposto municipal «per capita» que provocou a
queda de Margaret Thatcher, vai ser abolida pelo novo Governo conservador
britânico, que recenheceu a sua iniquidade. Os trabalhistas não hesitaram
em classificar a medida como o «mais vergonhoso abandono de princípios da
história moderna».

<p n=10952>
Nos últimos quatro anos, a «poll tax» transformou-se no assunto mais
controverso da política interna britânica. A eleição dos conservadores
para um terceiro mandato, em 1987, deu a Margaret Thatcher autoridade
para levar por diante um antigo projecto que visava a substituição dos
impostos prediais por um sistema de imposto único, «per capita», cobrado
directamente à população. A ideia  fundamentava-se no princípio de que os
serviços públicos municipais a todos beneficiam e, portanto, todos
deveriam contribuir, de acordo com as necessidades das comunidades
locais.

<p n=10953>
O rei Hussein procura reequilibrar a Jordânia, após o seu isolamento na
crise do Golfo. Enquanto aguarda a difícil normalização das relações com
os Estados Unidos, está a recuperar o controlo do país. E os
fundamentalistas, que durante meses dominaram as ruas, parecem em
declínio.

<p n=10954>
As declarações de Hussein surgiram um dia depois do Senado
norte-americano ter votado a favor de um corte na ajuda militar e
económica dos EUA à Jordânia. Embora a Administração Bush se tenha oposto
a esta medida, ela foi aprovada por 57 votos a favor e 43 contra, tendo
alguns senadores lembrado que foram encontradas armas jordanas nas mãos
dos soldados iraquianos.

<p n=10955>
Os cinco principais partidos da oposição romena exigiram ontem a demissão
do Governo da Frente de Salvação Nacional (FSN), aumentando assim a
pressão sobre o primeiro-ministro Petr Roman nas vésperas de uma
anunciada liberalização de preços que motivou já protestos de rua e levou
à resignação de quatro ministros.

<p n=10956>
O documento foi subscrito pelos partidos Nacional Liberal, Nacional
Camponês, Social-Democrata, Ecologista e pela União Democrática Húngara
da Roménia e nele a oposição apresenta, pela primeira vez, um programa
alternativo ao do Governo. Entre as propostas apresentadas figuram a
abolição da economia planificada, o despedimento dos responsáveis pela
perpetuação do velho sistema, uma rápida privatização, a implementação de
incentivos fiscais, a supervisão parlamentar dos serviços de informações,
o fim das escutas telefónias e o saneamneto do aparelho judiciário.

<p n=10957>
Os presidentes das seis repúblicas (excepto o representante montenegrino,
oficialmente demitido) e das duas províncias autónomas Vojvodina e Kosovo
decidiram ontem que irão reunir-se todas as semanas para debater soluções
para a Jugoslávia. A crise da Federação só poderá ser resolvida «através
do diálogo e meios pacíficos e democráticos», sublinha o comunicado, que
anuncia a primeira reunião já para a próxima semana, na capital croata.

<p n=10958>
Borisav Jovic, o representante sérvio, retomará o seu lugar à frente da
Presidência federal. Mesmo Franjo Tudjman, o presidente croata, cuja
presença era considerada mais do que incerta às primeiras horas da manhã,
acabou por aparecer. Apenas faltava o montenegrino Nernad Bucin, cuja
demissão será amanhã apreciada (e, ao que tudo indica, rejeitada) pelo
parlamento de Titograd. Ao entrarem, hoje de manhã, no Palácio da
Federação, os representantes das repúblicas jugoslavas na Presidência
federal terão, de algum modo, marcado o termo (temporário, pelo menos) da
crise que abala a Jugoslávia há duas semanas.

<p n=10959>
O Soviete Supremo soviético aprovou ontem uma resolução onde se
estabelece que os resultados do referendo de domingo na URSS têm um
carácter «obrigatório» em todo o território da União, inclusive nas seis
repúblicas que recusaram o escrutíneo. A resolução foi aprovada depois de
terem sido anunciados os resultados finais do referendo, segundo os quais
participaram na votação 147 milhões de eleitores (80 por cento dos
incritos), dos quais 112 milhões votaram a favor da manutenção da União
ou seja, 76 por cento dos votantes.

<p n=10960>
O Soviete Supremo encarregou ainda o Procurador-Geral da URSS de
examinar, nos próximos dois meses, «todos os casos de violação dos
direitos constitucionais dos cidadãos durante o referendo». Na Moldova e
na Lituânia várias pessoas afirmaram que foram impedidas de votar por
manifestantes nacionalistas ou pelas autoridades locais. As outras quatro
repúblicas que boicotaram o referendo foram a Estónia, a Letónia, a
Geórgia e a Arménia.

<p n=10961>
Inaugurou recente, na Galeria Moira, uma exposição colectiva de artistas
contemporâneos do Zimbabwe e da África do Sul. Esta mostra integra quase
exclusivamente escultura e inclui ainda algumas peças, nomeadamente
máscaras, pertencentes a uma colecção particular de arte etnográfica.

<p n=10962>
Jovem, com apenas quatro anos, o Alfa soprou ontem as velas do seu
aniversário e distribuiu bolo pelos passageiros surpreendidos. Mas as
novidades não se ficaram por ali. Aos que andam sempre em correrias, a CP
vai oferecer um «presente» na forma de uma carruagem muito especial -- o
Alfa Club.

<p n=10963>
Uma nova orgânica dos serviços municipais foi aprovada na sessão pública
da Câmara de Palmela de quarta-feira passada para substituir a que está
em vigor, datada de 1985.

<p n=10964>
Para os vereadores socialistas, que votaram favoravelmente a nova
orgânica, este é "um documento que procura contemplar todos os serviços e
permite criar uma maior operacionalidade". Os socialistas aconselharam,
no entanto que "a escolha dos lugares de chefia seja feita através de
análise curricular, dando primazia aos técnicos que já se encontram ao
serviço da câmara".

<p n=10965>
Antes, em Lisboa, o bowling podia jogar-se na Avenida de Roma, onde hoje
está o cinema Londres. Agora, é no espaço do antigo Jardim-Cinema,
ocupado pelo Loucuras -- que reabre quarta-feira,  com seis pistas e onde
tudo começa a girar logo pela manhã.

<p n=10966>
Um jogo, entre as 11h00 e as 18h00 custa 300 escudos, preço que sobe à
noite (e até à 1h00 da manhã) para 500 escudos. Este foi o investimento
visualmente mais significativo para quem visite agora a discoteca,
representando 82 mil contos dos cerca de 220 mil gastos pela sociedade
que é proprietária do Loucuras, de que fazem parte a "Audium", uma
empresa de som e luz, e ainda Fernando Jorge Correia, Vasco Vale e José
Nuno Martins, entre outros.

<p n=10967>
Na Galeria Contacto Directo, à Rua das Flores, em Lisboa, inaugura-se,
pelas 22h00, a segunda de seis exposições de artistas-joalheiros alemães.
A mostra intitula-se «Marriage of Metals» e é da autoria de Hans Leicht.
A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 10h00 e
as 22h30 e aos sábados das 15h00 às 19h30, até ao dia 17 de Abril.

<p n=10968>
Pedro Barroso e a sua banda actuam às 21h45, no Teatro Sá da Bandeira, em
Santarém. O espectáculo insere-se nas comemorações das Festas da Cidade.

<p n=10969>
Quando na tarde de quarta-feira dona Maria, residente num prédio da Rua
do Borja, em Lisboa, ouviu alguém à porta chamar pelo seu nome, estava
longe de pensar que iria ser roubada, mas mais surpresa ficou quando os
três suspeitos, ao abandonarem o local, a interpelaram uma última vez
dando-lhe a escolher uma das jóias que encontraram num quarto.

<p n=10970>
Já de saída, olhando para o ar desconsolado de dona Maria, um dos jovens
compadeceu-se e mandou a senhora esticar a mão, apresentou-lhe os
objectos acabados de roubar e perguntou com qual deles gostaria de ficar.
O eleito foi um anel de ouro.

<p n=10971>
Um empréstimo de 500 contos concedido ontem pela Câmara Municipal da
Moita à Sociedade Filarmónica Capricho Moitense irá permitir àquela
colectividade ultrapassar a hipótese de ser levada a tribunal e de ver
vendido o seu património.

<p n=10972>
Fundada em 1 de Maio de 1982 e possuindo o estatuto de «utilidade
pública», desde Março de 1898, a Sociedade Filarmónica Capricho Moitense
tem 1.500 sócios, que pagam uma quota de 80 escudos. A colectividade
possui um património de grande valor, a sua sede, um edifício de grandes
dimensões situado no centro da vila e actualmente, movimenta uma Escola
de Música, com cerca de 20 alunos e uma Escola de Dança de Salão, com 40
alunos.

<p n=10973>
Uma explosão ocorrida ontem, pelas 2h20, no Campo de Jogos da União
Desportiva e Recreativa de Algés, na Calçada do Rio, em Algés de Cima,
reduziu a escombros três das cinco cabinas (balneários) ali existentes e
deixou duas outras bastante danificadas.

<p n=10974>
Minutos antes da explosão um carro-patrulha da PSP de Algés havia passado
no local, não tendo sido detectado no campo de jogos qualquer presença ou
movimentação suspeita.

<p n=10975>
Hoje à noite, os accionistas da Sociedade de Desenvolvimento Regional do
Alentejo (SODERA) vão conhecer os resultados da actividade no ano de
1990, daquela que é a primeira sociedade daquele tipo a criar no país e
teve cerca de 70 mil contos de lucro.

<p n=10976>
É com este novo enquadramento que vai começar as suas funções o conselho
de administração que sair da assembleia geral desta noite.Para já, apenas
há conhecimento de uma lista concorrente à direcção da SODERA. Trata-se
de um grupo de 15 accionistas, que detém 40 por cento do capital da
sociedade e é representado pelo advogado Carlos Almeida.

<p n=10977>
Hoje à noite, os accionistas da Sociedade de Desenvolvimento Regional do
Alentejo (SODERA) vão conhecer os resultados da actividade no ano de
1990, daquela que é a primeira sociedade daquele tipo a criar no país e
teve cerca de 70 mil contos de lucro.

<p n=10978>
Esta lista deverá integrar cerca de metade dos actuais elementos do
conselho de administração. A primeira função dos novos dirigentes será
proceder à adaptação dos estatutos daquela SDR, de forma a ficarem de
acordo com a legislação vigente, que acentua a faceta do capital de
risco, elimina a figura do conselho geral e fixa formas de financiamento
à base de obrigações.

<p n=10979>
Um pedreiro de 32 anos, de apelido Andrade, foi detido por um guarda da
PSP na tarde de quarta-feira, no cruzamento da Rua da Vitória com a Rua
da Prata, em Lisboa, depois de momentos antes ter presumivelmente
esfaqueado nas costas um outro homem, segundo informou a polícia.

<p n=10980>
Hermíno de Almeida encontra-se internado no Hospital de S. José, em
estado considerado grave, enquanto o pedreiro foi ontem presente ao juíz
de Instrução Criminal.

<p n=10981>
Cerca de 1200 crianças e 100 professores da área pré-escolar dos 1º e 2º
Ciclos de Ensino Básico e do Ensino Especial da região da Grande Lisboa,
concentraram-se ontem de manhã em frente à Torre de Belém para porem no
ar 400 papagaios. Tratou-se de uma iniciativa promovida pelo Centro
Artístico Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian intitulada «Trago a
Primavera no bolso e papagaios no olhar»  e, apesar de nem todos os
papagaios terem conseguido levantar voo, os objectivos propostos --
divulgar os acontecimentos e os produtos produzidos pelas crianças --
foram conseguidos. As 16 escolas representadas aproveitaram o evento para
trocarem símbolos e conhecimentos reveladores da estética, informação,
imaginação, criatividade e fantasia que caracterizam as crianças.

<p n=10982>
O PS de Grândola deu conhecimento deste seu pedido de investigação à Alta
Autoridade Contra a Corrupção.

<p n=10983>
As máquinas avançam a alta velocidade por montes e valas, desbravando
caminho para a tão polémica Via do Infante. Os travões que lhes tentaram
pôr não estão a ser obedecidos e a continuação do avanço pode -- segundo
as esquecidas previsões da comissão de apreciação do Estudo de Impacte
Ambiental -- destruir o que resta do Algarve.

<p n=10984>
Segundo a PJ, no final do ano passado, os casos do Fundo Social Europeu
que estavam a ser objecto de averiguações, ascendiam a 311, dos quais 55
por cento foram dados como concluídos. Do total de investigações, 124
foram remetidas a Tribunal.

<p n=10985>
1 -- De forma nenhuma. O imenso atraso económico, o isolamento político
internacional, a centralização absoluta do poder político nas mãos do
Partido Comunista, a repressão feroz de qualquer crítica ou actividade da
oposição ao regime, a proibição de actividades religiosas, tinham de
conduzir a Albânia a esta situação de total descalabro. É preciso
percebermos que estamos diante de um país onde o partido único levou às
últimas consequências as teorias estalinistas.

<p n=10986>
5 -- Penso que o conhecimento da realidade albanesa (e também da chinesa)
foram uma das principais razões que acelararam a desagregação da extrema
esquerda em Portugal. A imagem que guardo do contacto com dirigentes do
PTA é a da sobranceria com que repetiam as imutáveis verdades do
estalinismo e das acusações às grandes potências como causadoras de todos
os males da Albânia e, sobretudo, da tranquilidade, ou talvez do cinismo,
com que descreviam a imensa felicidade do povo albanês enfrentando todas
as privações em nome dos superiores ideais do comunismo.

<p n=10987>
1 -- Não! Mesmo tendo em conta a demarcação ideológica e política, em
variadíssimos aspectos, dos outros regimes europeus orientais e a adopção
de uma severa política nacional de auto-isolamento, as vertiginosas
mudanças ocorridas nos países do Pacto de Varsóvia e as suas implicações
nos planos económico, político e cultural não podiam deixar de ter efeito
na própria Albânia.

<p n=10988>
-- a energia e o entusiasmo altivo de um povo que, face às vicissitudes
derivadas de uma situação autenticamente feudal e de miséria (nas suas
múltiplas acepções) extrema no início dos anos 40, e de sucessivos cortes
de relações com os países apoiantes (URSS, primeiro, China, depois),
conseguiu operar transformações inegáveis, mormente nos planos agrícola e
industrial;

<p n=10989>
1 -- Poder-se-ia responder: mas o que é que hoje nos poderá surpreender?!
Mas a questão nem sequer está aí. A Albânia era o caso extremo de uma
tentativa para conseguir fazer evoluir um país e um povo a um ritmo
certo, mediante planos económicos e sociais minuciosos, com metas cujo
cumprimento era considerado a mais importante tarefa popular. Dadas as
condições económicas e sociais herdadas, esse ritmo era necessariamente
lento e o progresso uniforme, resultando numa sociedade muito pouco 
diferenciada. Mas resultando também num nível de vida muito modesto,
reduzido a pouco mais do que as necessidades essenciais. Para que os
albaneses aceitassem esta situação, dois métodos eram usados: a tentativa
de levar cada um a abdicar de lutar pelo «supérfluo», em troca de um
futuro colectivo melhor e, porque isto era insuficiente, um completo
isolamento internacional no sentido de «afastar as tentações», não
falando na repressão política. Um tal sistema nunca poderá funcionar por
muito tempo. E, tal como outros menos absolutos, acabou por chegar ao
ponto de rotura.

<p n=10990>
4 -- Não existe porventura outro modo de colocar esta questão, mas ela
pressupõe que as experiências políticas e sociais de um país possam
servir de modelos a adoptar ou a recusar por outros, e essa é uma
perspectiva muito vulgar, mas profundamente errada. O que havia
exactamente de mais interessante no «modelo albanês» era ser, em alguns
aspectos, uma experiência original, que tentava basear-se no rico passado
histórico e seguir uma via própria de desenvolvimento económico, social e
cultural. Infelizmente, estamos submetidos a um mundo de clichés, o que
leva muita gente a convencer-se de que a solução para os nossos problemas
nacionais se resume a adoptar um dos modelos oferecidos, e o problema é
que cada vez há menos...

<p n=10991>
«Virando-se para a comunicação social -- onde os jornalistas simpatizantes
do PS, ou pelo menos hostis ao PSD, são a maioria --, o PS deu-lhe mais de
100 conferências, duas por semana, o que, somando a outras tomadas de
posições avulsas, significa qualquer coisa como entre 100 e 200 tomadas
de posição do PS no último ano.»

<p n=10992>
1. Mais do que a surpresa, os últimos acontecimentos trouxeram-me
inquietação e preocupação. As imagens que nos chegam são perturbantes e
reveladoras de que a luta de classes assume na actualidade uma
impetuosidade invulgar e inesperada.

<p n=10993>
1. Minto se disser que estou surpresa e minto se disser que não estou
surpresa. Vivi na Albânia. Senti um povo feliz, orgulhoso do seu passado
e do seu presente. Um povo que não vivia angustiado e atormentado com as
incertezas do futuro: o medo de não ter emprego, casa para morar, ensino,
saúde, cultura e por aí fora.

<p n=10994>
2. Existem hoje, na Albânia, grandes dificuldades económicas que, a meu
ver, se prendem essencialmente com dois factores: a situação de seca que
se vive no país há dez anos (com níveis de pluviosidade muito abaixo do
normal) e uma maquinaria e tecnologia obsoletas, incapazes de resolver e
enfrentar os grandes desafios que o desenvolvimento do país impõe.

<p n=10995>
Na edição do passado dia 1 de Março, publicou o PÚBLICO um comentário em
que se afirma que a Comissão Política Concelhia do PSD de Oliveira de
Azeméis se incluía entre os contestatários à actuação de Oliveira e Costa
como presidente da Comissão Política Distrital do PSD de Aveiro.

<p n=10996>
1. Esclareço que Miguel Portas não é «vereador da CML» e muito menos
«responsável autárquico pela cultura».

<p n=10997>
No inquérito sobre a Albânia, publicado na pág. 13 de dia 19 de Março,
uma gralha de dactilografia dava a Albânia a sair do Pacto de Varsóvia em
1986, quando, obviamente, o facto ocorreu em 1968.

<p n=10998>
Como se explicará esta divergência? Aparentemente há uma correlação com
as respectivas situações sócio-económicas. A riqueza ocidental tem
efeitos atractivos e agrupadores, a crise das economias planificadas
amolece o cimento das ideologias e leva à fragmentação de anteriores
conjuntos. Aliás, um processo análogo é verificável no continente
africano, onde a agudização das carências coincide com o separatismo
étnico: quando se frustram as expectativas de o Estado moderno satisfazer
as necessidades sociais, acentua-se a tendência para populações
recorrerem às tradicionais solidariedades, familiares e tribais, em
detrimento da dinâmica de unidade nacional.

<p n=10999>
1. Tem razão Miguel Portas a quem por lapso e abusivamente «promovemos» a
vereador da CML e responsável autárquico pela cultura.

<p n=11000>
O acidente que na última quarta-feira vitimou o capitão-piloto-aviador
Armando da Conceição Loureiro e o tenente João Paulo Ferreira Fernandes
Capeto, quando um avião Epsilon da Base Aérea nº1, de Sintra, se
despenhou perto de Coruche, eleva para 34 o número de mortos em acidentes
aéreos em Portugal desde 1976.

<p n=11001>
As obras na Assembleia da República, que andam a causar grande polémica
nos corredores, foram ontem levadas à ribalta parlamentar por Raul Rego.
Em causa, em primeira instância, as obras que se estão a fazer na Sala do
Senado e que têm causado a indignação de muitos deputados. Ontem, Raul
Rego levantou-se e interpelou a mesa: «Não se mexe num monumento nacional
como em qualquer farrapo! Está-se a mexer neste palácio como se ele fosse
a casa de banho de cada um de nós»... E pouco depois, a questão acabaria
por transitar para as questões sanitárias...

<p n=11002>
Silva Marques, em tom inusualmente contido e sóbrio, pediu para que
parasse a conversa. Apelou a que se discutissem essas questões em
privados, «para não transformar o plenário numa discussão de
carpinteiro». O presidente teve o mote e deu-lhe as «voltas». O assunto
foi encerrado. Vítor Crespo aproveitou para se fazer substituir, já que
Natália Correia também queria voltar ao tema.

<p n=11003>
Ao que consta no livro de registo de presenças da Assembleia da
República, o PRD é o partido com mais baixo número de absentistas. Em
Janeiro e Fevereiro, apenas em duas sessões estiveram ausentes dois
deputados, e a maioria dos plenários nestes dois meses puderam contar com
a presença de todos os renovadores. A mais absentista do grupo é a
deputada Natália Correia, que por seis vezes faltou. Logo a seguir ao PRD
vem como o segundo grupo parlamentar mais assíduo o do CDS. Neste caso,
Nogueira de Brito e Basílio Horta são os que maior número de faltas
registam. Ao todo, oito em dezanove sessões. Todavia, as presenças de
Narana Coissoró e Adriano Moreira fazem com que no cômputo geral os
centristas registem, na maioria dos dias de sessão, pelo menos dois dos
quatro deputados presentes.

<p n=11004>
Não há razão para Cavaco Silva estar zangado com os seus deputados. Muito
menos há motivos para a direcção da bancada do PSD propôr e fazer aprovar
sanções contra os faltosos. Foram estas as conclusões a que chegou o
PÚBLICO após uma leitura minuciosa das folhas de presença da maioria dos
últimos dois meses. Afinal os sociais-democratas são de uma assiduidade
quase exemplar. Ou o líder do PSD está mal informado ou então os dados
não batem certo.

<p n=11005>
A fragata «Vasco da Gama» deixou ontem o porto britânico de Portland,
rumo ao Alfeite, onde chega no próximo domingo. Um dia antes da partida,
houve mais uma sessão de treino e familiarização com o sofisticado
equipamento da primeira das três fragatas Meko encomendadas pela Marinha
portuguesa aos estaleiros alemães de Kiel. Vinte e um oficiais da Marinha
britânica subiram a bordo e, durante cerca de duas horas e meia,
acompanharam a movimentação da «Vasco da Gama» ao largo de Portland e
conheceram de perto as potencialidades deste navio, concebido para
vigilância do mar, defesa contra navios e submarinos, defesa e ataque
contra aeronaves e mísseis e tiro de apoio contra terra .

<p n=11006>
Para amanhã está prevista uma reunião do Conselho de Jurisdição que se
irá debruçar sobre este caso. Na anterior reunião Júlio Sarmento tinha já
pronto o seu parecer e, quando se preparava para o entregar aos membros
do Conselho, foi solicitado que tendo em conta não estarem presentes
todos os que fazem parte daquele orgão - faltava o secretário de Estados
das Comunidades, Correia de Jesus, - o «caso Macedo» não deveria ser logo
ali apreciado. Leonardo Ribeiro de Almeida, presidente do Conselho, visto
ir adiar-se a discussão daquela matéria, achou por bem não disponibilizar
o parecer de Júlio Sarmento, tendo na altura afirmado que, caso tal
acontecesse, não demoraria a ser do conhecimento dos orgãos de
comunicação social.

<p n=11007>
Um milhão de exemplares é o número da tiragem de um panfleto que o PSD
tem pronto para distribuir pelo país inteiro. «Portugal mudou, e muito!»
é a frase-chave que os militantes sociais-democratas vão fazer chegar aos
eleitores num porta-a-porta gigantesco com especial incidência nas duas
principais cidades de cada distrito. Haverá ainda dois «mailing»
especiais: um para os eleitores-emigrantes, outro para líderes de opinião
e quadros a que o partido governamental quer ter a certeza de ver chegada
a sua mensagem.

<p n=11008>
Juventude, educação, obras públicas e o crescimento económico em geral
são os aspectos mais glosados no folheto em forma de harmónio, com
chamadas de atenção ainda para a política de Defesa - com a redução do
Serviço Militar Obrigatório - e para a Segurança Social.

<p n=11009>
A minoria socialista afecta a Álvaro Beleza vai sugerir a convocação de
uma Convenção Nacional , destinada a discutir uma proposta de realização
de «primárias», como método de escolha dos candidatos a deputados do PS.
A sugestão, que será rejeitada pela direcção do partido, será comunicada
a esta no termo de uma reunião de aderentes do abaixo-assinado que
defende a ideia das «primárias», a efectuar amanhã, na sede do Largo do
Rato.

<p n=11010>
Os sectores próximos de Sampaio fazem finca-pé no cumprimento integral
daquela metodologia. É o caso da Federação de Lisboa, que já aprovou uma
orientação que deixa de fora das listas os autarcas do distrito, com base
nas incompatibilidades estabelecidas no Regulamento adoptado pela
direcção do partido.

<p n=11011>
Numa consulta aos boletins da Assembleia da República referente a apenas
dois meses -- Janeiro e Fevereiro --, é com surpresa que se verifica que as
listas de presenças e de faltas dos deputados demonstram um baixo índice
de absentismo. A acreditar no que os boletins publicam, os parlamentares
portugueses dão mostras de uma clara e empenhada responsabilidade pelo
cargo que ocupam. Maior é ainda a admiração se recordarmos as palavras
proferidas pelo líder da bancada social-democrata, Montalvão Machado, nas
recentes jornadas parlamentares do seu partido, em que, para defender o
regime sancionatório a aplicar aos faltosos, não se escusou de criticar
duramente os seus pares, chegando ao ponto de os acusar de «deixar a
bancada sistematicamente quase vazia». 

<p n=11012>
O registo das presenças é feito através de um livro colocado dentro da
sala do plenário, o qual tem folhas destinadas a cada uma das bancadas.
Cada deputado assina ali o seu nome no início da sessão. Os que
porventura se atrasam podem igualmente assinar, mas fica registado que
não se encontravam presentes na abertura dos trabalhos. Os nomes que não
constam são registados como ausentes. No final da sessão, os serviços do
Parlamento recolhem os livros e vertem para o boletim correspondente
àquele dia os dados que foram registados. Todavia, ninguém verifica se as
assinaturas correspondem ou não a cada deputado, e é voz corrente no
Parlamento que -- tal e qual como era hábito há uns anos em algumas
faculdades em que o livro de ponto estava em vigor -- todos assinam por si
e alguns também por outros. No caso dos alunos, estava em causa a perda
do ano ao excederem um determinado número de faltas. No caso dos
deputados, existem as sanções pecuniárias previstas pelo seu próprio
estatuto -- artigo 20º --, que determina que, além de duas faltas mensais,
seja descontado por cada dia de ausência 1/30 no ordenado de 456.100$00,
ou seja, 15.203$00.

<p n=11013>
A «nova» lei do Serviço Militar está pronta. Finalizado o trabalho de
comissão, o texto deverá subir a plenário logo a seguir às férias da
Páscoa para votação final global. Quatro meses de serviço militar
obrigatório em 93, a abertura à profissionalização das Forças Armadas, a
consagração do voluntariado feminino, a redução do limite de idade máximo
para a mobilização de 38 para 35 anos, são as alterações substanciais
agora inscritas. Apesar das críticas avançadas, a aprovação da lei poderá
contar com o voto favorável do PS que, na discussão na generalidade,
tinha optado pela abstenção.

<p n=11014>
No projecto de relatório, afirma-se que, quanto aos elementos adiantados
pelo Governo, «não é intenção alargar logo em 1993 a todos os mancebos a
redução da passagem pelas fileiras», que seria uma das razões para
considerar «que o sistema é menos caro do que parece»; que os militares
do serviço efectivo normal se destinam fundamentalmente a especialidades
não afectadas por encargos operacionais, que são praças a maioria dos
militares que prestam exclusivamente serviço efectivo normal, que o
sistema não é passível de gerar militares de SEN que forneçam instrução.

<p n=11015>
Mário Soares homenageou ontem à noite, com um jantar na residência do
embaixador de Portugal na cidade da Praia, o novo chefe de Estado de Cabo
Verde, António Mascarenhas, que hoje toma posse. Estiveram presentes os
presidentes de Moçambique e da Guiné-Bissau, Joaquim Chissano e João
Bernardo Vieira, e o vice-presidente do Brasil, Itamar Franco. São Tomé e
Príncipe fez-se representar pelo vice-presidente da Assembleia Nacional e
Angola pelo ministro das Relações Exteriores, Van Dunen «Loy». Antes do
jantar, Mário Soares manteve encontros em separado com o antecessor de
António Mascarenhas, Aristides Pereira, e com o ex-primeiro-ministro
Pedro Pires.

<p n=11016>
Os representantes da coligação, com base no regimento da própria
assembleia, vão solicitar, logo no início dos trabalhos, que a reunião,
marcada para esta tarde, "seja dada por finda imediatamente a seguir à
votação deste requerimento, por manifesta inadequação aos interesses
municipais". Consideram que o veto de Soares - a que o PSD pretende
retirar o titulo de Cidadão Honorário do Funchal, também atribuido pela
Câmara a Cavaco Silva - foi analisado e deve sê-lo nos espaços e orgãos
próprios, nomeadamente nas Assembleia Legislativa Regional e da
República, "onde o confronto salutar de opiniões se faz com acrescida
razão e plena capacidade material".

<p n=11017>
Cem personalidades dos meios empresariais, universitários, desportivos e
sindicais vão aderir publicamente hoje à noite ao PSD, pela mão da
Distrital do Porto, liderada por Luís Filipe Meneses. O anúncio das
adesões será feito esta noite no decurso de um jantar a realizar na
Estalagem da Via Norte e onde estarão presentes os dirigentes nacionais
Fernando Nogueira, Duarte Lima e Falcão e Cunha.

<p n=11018>
considerar «que o sistema é menos caro do que parece»; que oA Juventude
Renovadora Democrática (JRD) deverá apresentar uma  moção de estratégia
global na próxima Convenção Nacional Extraordinária do Partido Renovador
Democrático (PRD). Defendendo a não subscrição de qualquer moção, o
documento a apresentar pelos jovens renovadores vai manifestar « apoio
inequívoco a Pedro Canavarro», disse, ontem, ao PÚBLICO, Vítor Neves, da
JRD de Coimbra. Recorde-se que, em comunicado divulgado an noite da
passada quarta-feira, a comissão coordenadora da distrital da JRD de
Coimbra classificava a falta de quorum do último Conselho Nacional do
partido como «consequência de um trabalho de desmobilização» e acusava o
«presidente do PRD [Hermínio Martinho] e os seus colegas de usarem meios
legítimos e ilegítimos para se perpetuarem no poder». No mesmo documento,
os jovens renovadores manifestavam a «sua solidariedade com Carlos
Santos», o presidente da JRD que é apresentado como vítima de uma
tentativa de agressão por parte de Rodrigues da Costa. AIC

<p n=11019>
Os jovens socialistas vão exigir, hoje, em conferência de imprensa, que o
Instituto de Juventude de Coimbra « torne público, antes do Verão, os
critérios de atribuição de verbas às associações juvenis". O secretário
coordenador da JS de Coimbra, Paulo Penedos disse ao PÚBLICO que a «JS
[Juventude Socialista] tem indícios que lhe permitem afirmar que as
associações juvenis ligadas à JSD [Juventude Social Democrata] estão a
ser beneficiadas na atribuição de verbas».

<p n=11020>
Recorde-se que esta movimentação política da JS, tendo por alvo a
Direcção da AAC, surge uma semana após os jovens socialistas terem sido
amplamente derrotados pela JSD nas eleições daquele organismo dos
estudantes da academia coimbrã.

<p n=11021>
O general Cerqueira Rocha, actual Quartel-Mestre General do Exército é a
escolha de Loureiro dos Santos para vice-chefe de Estado-Maior do ramo.
Por sua vez, o general Alípio Tomé Pinto vai ficar colocado no
Estado-Maior General das Forças Armadas como responsável pela cooperação
militar entre Portugal e os países africanos de língua oficial
portuguesa, área que o ministro da Defesa e o general Soares Carneiro
classificam hoje da maior importância nas relações luso-africanas.

<p n=11022>
O general Conceição e Silva desmente que o general Soares Carneiro, que
preside ao Conselho de Chefes de Estado-Maior,  tenha recusado a proposta
de promoção a general do brigadeiro Estevens, o seu actual chefe de
Gabinete. A chefia da Força Aérea garante que na reunião do Conselho em
que a proposta de promoção do brigadeiro Estevens foi apreciada não houve
qualquer recusa da parte de Soares Carneiro nem qualquer dos chefes dos
outros ramos (Exército e Armada) colocaram quaisquer objecções «à escolha
feita pelo Conselho Superior da Força Aérea».

<p n=11023>
O Partido Socialista manifestou ontem, pela voz do seu secretário-geral e
em conferência de imprensa, a sua concordância com o desenvolvimento da
Política Externa e de Segurança Comum (PESC) «como manifestação de
unidade, eficácia e coerência da acção da Comunidade na cena
internacional». Jorge Sampaio lembrou, a este propósito, que a delegação
portuguesa é a única participante nas recentes conferências
inter-governamentais que «nunca propôs absolutamente nada no domínio da
União Política».

<p n=11024>
Defendendo que a PESC deve resultar de um «processo evolutivo» a partir
da Cooperação Política Europeia, com os seus objectivos a serem
expressamente definidos nos Tratados que suportam a Comunidade, o PS
defende a existência, nesta matéria, de «unicidade de centros de
decisão». Esse «processo evolutivo» significa que, segundo os socialistas
portugueses, da próxima reforma dos Tratados não deve sair logo, «a não
ser como objectivo final, ideal», uma «política externa única». Jorge
Sampaio defendeu ontem as matéria de cooperação política com terceiros
como um dos domínios onde é mais rápidamente extensível a competência da
União Política. Uma posição que difere do modelo britânico, que preconiza
um simples aperfeiçoamento de alguns mecanismos da Cooperação Política
Europeia, defendendo a desnecessidade da PESC.

<p n=11025>
Os alunos de Jornalismo do curso complementar deste Colégio
vieram,também, visitar este jornal para esclarecer dúvidas e curiosidades
sobre o processo de elaboração de um jornal .

<p n=11026>
2. A liberdade de imprensa envolve o correspondente dever de
responsabilidade por parte da Imprensa, incluindo a adesão a elevados
padrões deontológicos quer por parte dos directores quer por parte dos
jornalistas.

<p n=11027>
b) zelar pela independência dos órgãos de Comunicação Social perante os
poderes político e económico;

<p n=11028>
1. Em caso de recusa do exercíco do direito de resposta por parte de
qualquer órgão de Comunicação Social, o titular daquele pode recorrer
para a Alta Autoridade no prazo de 30 dias a contar da verificação da
recusa.

<p n=11029>
5. Consideram-se empresas editoriais as empresas cujo principal objecto é
a edição de publicações unitárias.

<p n=11030>
«P -- Como se pode compatibilizar o mundo fechado da escola e o mundo mais
disperso e aberto dos meios de Comunicação Social?

<p n=11031>
«Noticiar é anunciar o que é novo -- e essa regra é válida para todas as
áreas do jornalismo. Mas, para captar a novidade, é preciso atacar
frontalmente os factos e organizar a narrativa de modo a que a sua
cadência seja formalmente apelativa e tecnicamente eficaz. Por outro
lado, dar uma informação completa significa também fornecer ao leitor o
contexto dos factos, situações, personagens ou objectos descritos.»

<p n=11032>
«Os títulos e antetítulos devem ser sempre inspirados no `lead' [abertura
da notícia], o que implica rigor deste. A liberdade `poética' de escolher
o título noutra zona do texto que não no `lead' não é admissível. Se o
`lead' não está devidamente construído e não justifica o título,
corrija-se o `lead'. Mas se o `lead' respeita as regras não há razão
nenhuma para que o antetítulo e o título fujam ao seu conteúdo.»

<p n=11033>
«Eis uma actividade de simulação que permite exercer o juízo crítico. Os
alunos, distribuídos em grupos de dois ou três, são os responsáveis pelo
fecho de um jornal. São 23 horas e a paginação do jornal está completa.
Está tudo pronto para a fotogravura. De repente, o telefone toca e alguém
lhes comunica uma notícia muito importante. É evidente que ela terá de
figurar na primeira página do dia seguinte. Os alunos têm apenas 20
minutos para decidir que notícia terão de retirar da primeira página para
dar lugar à que acaba de chegar. Esta notícia terá que ser reduzida para
metade, dado que o espaço no corpo do jornal é reduzido. Na secção
respectiva, terão pois de decidir o que não é essencial para os leitores
e, a partir daí, que peça terá de desaparecer. Com um marcador
fluorescente, sublinham no artigo o que não é essencial e reescrevem-no.
Quando o exercício tiver terminado, cada equipa dá conta da escolha
feita: será que tiraram todos o mesmo artigo. Lêem, depois, o artigo cuja
extensão reduziram; será que os leitores ficarão bem informados, apesar
dos cortes verificados?» («Le Bulletin Journal en Classe», vol.7, nº19,
Sept. 1989)

<p n=11034>
«Movida pela ideia que faz dos seus públicos, a imprensa oferece serviços
que têm uma função que é tanto de comunicação como de informação. Devolve
aos leitores uma imagem daquilo que eles procuram. Estamos perante o
`efeito de espelho' que leva a que a imprensa veicule e reforce os
estereótipos da vida social e seja portadora dos mitos da própria
sociedade.

<p n=11035>
«Não devemos confundir imprensa-escola com um uso irreflectido dos
jornais, que desconheça o que se esconde atrás da notícia. (...) Temos de
investigar, com uma certa atitude detectivesca aquilo que não é fácil
descobrir com uma simples olhadela pelo jornal. (...) Dito isto, passamos
a propor um exercíco elementar de análise crítica da imprensa:

<p n=11036>
-- identificar as componentes gráficas da primeira página: formato,
cabeçalho, cor, número de colunas, linhas, negativos, grafismos, fotos,
sumários, publicidade, títulos, notícias. Estabelecer comparações entre
vários jornais

<p n=11037>
«(...) É o caso de `Acredite, se ler no Expresso'. O que é grave não é
insinuar-se que as notícias nos outros jornais devem ser lidas com
espírito crítico. O problema está em afirmar que as do `Expresso' o não
devem ser, como se as notícias não fossem sempre uma escolha e uma
interpretação. Felizmente para o `Expresso', a simples leitura de
numerosas cartas de desmentidos e rectificações que recebe invalidam essa
pretensão».

<p n=11038>
«Não podemos esquecer que, durante mais de 40 anos de censura e acima de
tudo nos 15 anos de televisão, o povo se habituou, com razão, a tomar
como verdade oficial e como recomendado pelo Governo tudo quanto lia nos
jornais ou via na televisão. Demorará naturalmente algum tempo a
compreender que agora não é assim; tenderá a tomar ainda como
oficialmente recomendado aquilo que ouve na rádio e vê na televisão.

<p n=11039>
«Se analisarmos a evolução do jornalismo escrito em Portugal, na última
década, deparamos com as seguintes linhas de força: afirmação e sucesso
de novos títulos de orientação popular-sensacionalista; emergência e
consolidação dos semanários como principais jornais de referência;
declínio da imprensa vespertina, no seu conjunto, se  compararmos a
situação presente com o início dos anos 70; insuficiente prática do
jornalismo investigativo; novas publicações e suplementos especializados
(cultura, economia e novas tecnologias).»

<p n=11040>
1) Jornalismo popular (`popular papers') -- predomínio de temas de
informação geral (cidade, polícia, crime) com tratamento por vezes
sensacionalista (...);

<p n=11041>
«No discurso jornalístico, o acontecimento constitui o referente de que
se fala, o efeito de realidade da cadeia dos signos, uma espécie de ponto
zero da significação. Por isso, uma das regras da prática jornalística
consiste em afirmar que a opinião é livre mas os factos são soberanos.

<p n=11042>
Quando um militar dispara sobre um general no momento em que este passa
revista às tropas em parada, produz-se um acontecimento jornalístico. É o
modelo do «arroseur arrosé» filmado pelos irmãos Lumière nos primórdios
do cinema (...).

<p n=11043>
A possibilidade de promover uma visita ao nosso país do jornalista Peter
Arnett, da CNN, para uma conferência no Porto é um dos projecto imediatos
do Clube de Jornalistas do Porto (CJP), associação que ontem se
constituiu formalmente e foi apresentada, em conferência de imprensa,
nesta cidade.

<p n=11044>
O CJP está instalado, provisoriamente, na delegação do Sindicato dos
Jornalistas no Porto, mas o presidente da Câmara, Fernando Gomes,
disponibilizou já duas casas na Ribeira para a futura sede do Clube,
faltando agora, apenas, o acordo do executivo municipal.

<p n=11045>
A delegação do Porto da Comissão Pró-aministia Otelo e Companheiros,
considera «indigno» que se utilize as «dezenas de implicados - directos
ou indirectos - como argumento das eleições».

<p n=11046>
O presidente internacional dos Lions, Williams Biggs, esteve, ontem de
manhã, no Porto, onde visitou o infantário do bairro do Viso, obra
comparticipada pelo Lions Clube da Boavista, e a restauração que os Lions
Clube de Matosinhos estão a fazer da Casa do Inglês, para aí recuperarem
alcoólicos. Também ontem, Williams Biggs visitou as obras de um pavilhão
gimnodesportivo para deficientes, na Figueira da Foz.

<p n=11047>
O Secretariado Regional do Norte do Sindicato Independente dos Médicos
(SIM) considera que os responsáveis do Hospital de S. João estão a tentar
«escamotear um problema sério» ao entenderem que estão «satisfeitas as
exigências mínimas de segurança» nos blocos operatórios daquele hospital
central, no que toca à presença de protóxido de azoto no ar.

<p n=11048>
A recuperação de monumentos históricos e a protecção da qualidade do
ambiente no litoral português serão beneficiadas com verbas de dois
programas de apoio comunitário -- o «Prodiatec» e «Envireg» -- assinados
ontem pelo comissário europeu para as Políticas Regionais, Bruce Millan.
O «Prodiatec», com um orçamento de 80 milhões de contos de ecus (14,4
milhões de contos), vai ajudar na recuperação de monumentos como o
mosteiro de Alcobaça, o teatro nacional D.Maria II, a fortaleza de Sagres
e os palácios de Queluz e da Pena. O «Envireg» dirige-se às regiões mais
desfavorecidas da Comunidade e financiará projectos de tratamento de
águas residuais, eliminação de resíduos sólidos e hospitalares e de
combate à poluição marítima. Portugal foi o primeiro país da CEE a
apresentar projectos dentro do programa «Envireg».

<p n=11049>
Vinte e seis militares norte-americanos foram dados como desaparecidos
após a colisão de dois aviões de patrulha anti-submarinos P-3 Orion,
anunciou ontem um porta-voz da Armada dos Estados Unidos em San Diego,
Califórnia. Os tripulantes de um helicóptero militar viram os dois aviões
a colidir às 5h30 de ontem (10h30 em Lisboa), perto da ilha de San
Clemente, cerca de 100 quilómetros a Oeste de San Diego. Até ao fim da
tarde, nenhum corpo havia sido encontrado e as causas do acidente, que
ocorreu sob mau tempo, permaneciam desconhecidas. Os dois aparelhos -- um
com doze pessoas a bordo e outro com catorze -- realizavam voos de treino
ao largo da costa californiana.

<p n=11050>
Em cada dez crianças que vivem nas ruas do Rio de Janeiro, três são
homossexuais e portadoras do vírus da SIDA, revela um relatório elaborado
pela Divisão de Ordem Política e Social da Polícia Federal, ontem
divulgado. O relatório, que será entregue ao Governo brasileiro na
próxima semana, aborda a situação dos 32 milhões de crianças sem família
no Brasil, das quais sete milhões estão completamente abandonadas. Nos
últimos quatro anos, segundo o director da Divisão de SIDA do Ministério
da Saúde, Eduardo Cortes, o número de brasileiros seropositivos triplicou
e a contaminação faz-se cada vez mais através das relações heterossexuais
-- 17 por cento do total.

<p n=11051>
«Na altura deram-lhe pouco tempo de vida», lembra Daniel Freitas.
Descoberta a doença quando tinha dois anos, a criança tem hoje uma vida
quase normal. Seguindo-se a dieta rigorosa à base do leite especial, as
análises já não detectam em Daniela indícios dos maiores receios: o
agravamento da lesão desenvolvida no fígado, problemas de crescimento ou
aprendizagem. As hemorragias nasais, sinal de falhas no sistema de
coagulação sanguínea, pararam.

<p n=11052>
O pai, triste, revela as «pequenas compensações» que dá à filha: «O leite
é intragável. Pômos mais açúcar. Quando não acusa nada nas análises
dou-lhe um rebuçado, um bolo». Raramente, um pedacinho de carne, ou de
peixe. Nada mais, porque qualquer cedência pode ser muito grave. «Ela
está óptima neste momento, mas é uma bomba-relógio». R.C.M.

<p n=11053>
A Câmara Municipal de aveiro vai assinar um protocolo com a CP para a
construção de um terminal ferroviário de mercadoprias na Linha do Norte,
próximo da fábrica da Renault em Cacia, anunciou à LUSA a autarquia.

<p n=11054>
O referido protocolo prevê também a supressão da pasagem de nível das
Agras do Norte, a sul da ponte ferroviária da Esgueira, sendo contruída
um passagem desnivelada. Está igualmente prevista a abertura de uma
passagem subterrânea de ligação do terminal de passageiros da estação de
Aveiro ao centro coordenador de transportes e a implantação de um parque
de estacionamento junto à estação, com capacidade para um mínimo de 200
lugares.

<p n=11055>
O processo de privatização do «Diário de Notícias» voltou ao Tribunal de
Contas, quarta-feira, depois de ter sido reanalisado na Direcção-Geral do
Tesouro e de terem sido esclarecidos os pontos considerados «menos
claros» pelos juízes daquele órgão.

<p n=11056>
Se desta vez os juízes se satisfizerem com as explicações avançadas pelo
Governo, a OPV poderá ser marcada, definitivamente, para 15 dias depois
de garantido o visto do Tribunal de Contas. J.F.

<p n=11057>
O temido caldeirão de miséria do Rio de Janeiro entrou em ebulição no
passado dia 15, assustando a população e as autoridades. Cerca de 15 mil
pessoas, na sua maioria habitantes das favelas ou desempregados, ocuparam
à força nada menos que 23 locais, entre terrenos e prédios vagos na
periferia da cidade, na maior avalancha de invasões da história do Rio.

<p n=11058>
O fenómeno teve início antes da tomada de posse de Brizola, no dia 15 de
Março, quando vários moradores da zona rural do Rio começaram a invadir
áreas não exploradas pelos respectivos proprietários. Do campo, o
fenómeno alastrou rapidamente para o sector urbano, atingindo o auge no
dia 17, quando cinco mil habitantes das favelas ocuparam 980 apartamentos
vazios num complexo habitacional no bairro de Jacarepagua, na zona oeste.
São prédios destinados a famílias de classe média e que há nove anos se
encontram abandonados por causa de um processo judicial que envolve o
Governo e a empresa Delfim Imobiliária, que faliu em 1984 na sequência de
um grande escândalo financeiro.

<p n=11059>
FOI MOLHADO o primeiro dia da Primavera na capital polaca. Quando um
grupo de jovens se preparava para assinalar no centro de Varsóvia o
primeiro dia da estação do ano, a jornada, que era suposto ser de
alegria, deflagrou numa cena de confusão e confrontos violentos entre
grupos. E a polícia usou carros de água para dispersar.

<p n=11060>
Mas os «truques» do refugiado iraquiano não ficaram por aqui. Pedindo
licença para «tomar uma bica», alcançou uma cabine telefónica e ligou ao
governador civil de Faro, Cabrita Neto, para reforçar o pedido de asilo.

<p n=11061>
O presidente internacional dos Lions, Williams Biggs, esteve, ontem de
manhã, no Porto, onde visitou o infantário do bairro do Viso, obra
comparticipada pelo Lions Clube da Boavista, e a restauração que os Lions
Clube de Matosinhos estão a fazer da Casa do Inglês, para aí recuperarem
alcoólicos. Também ontem, Williams Biggs visitou as obras de um pavilhão
gimnodesportivo para deficientes, na Figueira da Foz.

<p n=11062>
A preparação de próximas iniciativas de solidariedade a Moçambique,
incritas na campanha contra a fome promovida pela UNICEF, foram o
objectivo de um encontro realizado no Palácio de Belém e promovido por
Maria de Jesus Barroso, presidente da comissão de honra da iniciativa.

<p n=11063>
Termina no próximo dia 30 de Março o prazo de entrega dos trabalhos
concorrentes ao I Prémio de Jornalismo da Fundação Luso-Americana para o
Desenvolvimento, constituído por um cheque no valor de mil contos, uma
obra de arte e uma viagem aos Estados Unidos. O prémio visa distinguir a
melhor reportagem -- na área da imprensa, televisão ou rádio -- sobre um
dos temas seguintes: libertação da sociedade civil portuguesa; capacidade
dos portugueses em empreender, assumir riscos e enfrentar a concorrência
dos empresários estrangeiros; presença portuguesa nos Estados Unidos e a
sua importância no domínio económico, social e cultural; e o apoio e
envolvimento da Fundação Luso-Americana em projectos de âmbito nacional e
internacional, com impacto no desenvolvimento português. Os trabalhos
concorrentes deverão ter sido editados entre 20 de Maio de 1990 e 30 de
Março de 1991. Os interessados deverão entregar as suas reportagens na
sede da Fundação Luso-Americana, na Rua do Sacramento à Lapa, em Lisboa.

<p n=11064>
Barbosa acrescentou que os responsáveis de «O Independente» se sentem
«traídos» com o facto de João Amaral não ter avisado antecipadamente a
administração do jornal da sua decisão de se transferir para o
«Semanário»: «Estamos todos muito feridos com a sua acção. Éramos muito
amigos e isto assim foi uma traição».

<p n=11065>
O Juiz Luís Reininho, presidente do tribunal colectivo que desde o início
da semana está a julgar o caso da «Quinta do Fragoso», em Setúbal,
recusou ontem um requerimento do procurador do Ministério Público, Jorge
Leal - a conduzir a acusação - que pedia a audição das testemunhas de
defesa e posterior depoimento do seu principal trunfo, Amílcar Santos,
chefe da brigada de estupefacientes da Polícia Judiciária de Setúbal,
ausente em serviço.

<p n=11066>
O juiz presidente, recordando o facto de a sala da «União Setubalense» -
onde se instalou o improvisado tribunal - estar indisponível hoje, ao que
acresce o período das férias judiciais, decidiu-se pela interrupção da
audiência e anunciou que a mesma será retomada a 5 de Abril com o
testemunho do agente da PJ que, caso não compareça, será condenado «a
quatro unidades de conta».

<p n=11067>
Os prejuízos causados a passageiros e transportadoras, em resultado de
atrasos em serviços de transporte aéreo na região da Europa, ascenderam,
em 1989, a cerca de cinco biliões de dólares (aproximadamente, 685
milhões de contos), revelou, durante uma conferência nas instalações da
Reitoria da Universidade do Porto, um especialista em questões
relacionadas com o congestionamento do tráfego aéreo.

<p n=11068>
Victor Verves entende que estas estimativas (que ponderam a previsível
quebra de 5% no número de passageiros em resultado da entrada ao serviço
dos novos comboios de alta velocidade e do túnel ferroviário sob o canal
da Mancha) aconselham o aumento da capacidade do sistema de navegação
aérea, sob risco de os congestionamentos virem a ser substancialmente
mais graves no futuro. A melhoria do sistema deverá ser feita em duas
fases: de 1990 até 1999, proceder-se-á à harmonização e integração, na
Europa, dos sistemas nacionais de controlo de tráfego aéreo; entre 2000 a
2010, será introduzido um novo sistema de navegação, que recorrerá a
tecnologias de comunicação mais sofisticadas, nomeadamente satélites e
novas gerações de radares. F.M.

<p n=11069>
Mais de 50 mil pipas de vinho do Porto continuam na Região Demarcada do
Douro à espera de comprador. São seis milhões de contos parados que
causam dores de cabeça aos agricultores. Para já, a Casa do Douro,
entidade que tutela a produção, promete resolver o problema escoando os
vinhos excedentes, mas o mal continua a subsistir. «E para o ano?»,
perguntam os agricultores.

<p n=11070>
Olhando para a evolução recente dos preços, encontram-se as razões deste
desabafo: nos últimos dois anos registou-se um decréscimo significativo,
em grande parte motivado pela distorção na relação entre a oferta e a
procura.

<p n=11071>
No ciclo Grandes Orquestras Mundiais, o há muito esperado acontecimento
musical de 1991: na direcção da Philarmonia Orchestra, chega Carlo Maria
Giulini, um dos maiores maestros de sempre -- a par de Toscanini, Karajan,
Wurtwängler, Karl Böhm, Bruno Walter só para citar alguns -- e, talvez, o
maior maestro vivo. Com duas sinfonias de Brahms -- a 1ª e 3ª: no Coliseu
dos Recreios às 21h30. A não perder por nada deste mundo! (Ver p. 28)

<p n=11072>
O Ballet Contemporâneo de Barcelona apresenta mais dois espectáculos, com
a sua produção, «Quomix», hoje e amanhã, às 21h30, no Auditório Carlos
Alberto. «Modo de Utilização», de e por Paulo Ribeiro, «Núcleo» de
Margarida Serrão por Catarina Palma, Elsa Spranger, Graça Reis e
Margarida Serrão e «Louca-Louca Sensação de Viver» de Clara Andermatt por
Samuel Esteves, Nuno Fernandes, Mónica Rodrigues, Clara Andermatt, José
Reches e Beatriz Martin fecham a Mostra de Dança Portuguesa Contemporânea
III: hoje e amanhã e às 21h30, na Sala Polivalente do CAM/Gulbenkian.

<p n=11073>
É um estudo curto, escolar, sem grandes pretensões históricas,
sociológicas, científicas. Isso não o impede de abrir portas fechadas e
de dar passos em frente relativamente à historiografia consagrada no
«milieu» teatral. Abordar um século de teatro sem tomar como centro a
literatura dramática, tomando como centro os actores, é uma ousadia que
em Portugal poucos tiveram e que ninguém levou às últimas consequências.

<p n=11074>
Rosa escreve as memórias já nos anos 20 deste século e é curioso vê-lo a
defender a «entente» actor-autor, definindo mesmo o actor, «aquele a quem
se pode chamar actor», como  «o colaborador na obra do autor dramático»,
aquele que «tem a obrigação de não estragar o que o dramaturgo criou».
Por outro lado, é Rosa quem dedica mais espaço nas memórias à figura do
encenador (a palavra, nesse tempo,  nem sequer existia em português) que
ele chama ora director artístico, ora ensaiador (misteres que ele exercia
a par do mister de actor). Fala com conhecimento de causa do trabalho de
«conjunto da representação», do prévio trabalho de leitura e
interpretação das personagens e da direcção de actores (segundo o modelo
aprendido com o francês Antoine). É também o único a falar dos efeitos de
luz e parece ser o único a acreditar nos benefícios da electricidade (p.
232); os outros falam da electricidade como de uma coisa mais ou menos
bizarra.

<p n=11075>
No seu último livro, Al Berto justapõe imagens e poemas cuja proximidade
reflecte mais do que uma atitude ilustrativa. É uma entrega fascinada aos
«trabalhos do olhar», um dos traços da obra do poeta, e através dele
perseguimos um olhar secreto e comunicável, tanto mais nosso quanto mais
mergulhado na sua teia de obsessões.

<p n=11076>
Como João de Melo em «Os Anos da Guerra», também Renato Monteiro e Luis
Farinha  procuraram  reproduzir a voz do outro, do guerrilheiro, e desta
intenção resulta um dos principais motivos de interesse da fotobiografia.
Porém, a despeito do evidente esforço de distanciação e de rigor,  a
persistente mitificação da História do lado africano e a escassês de
fontes de informação alternativas, prejudicaram um pouco o valor desta
perspectiva,  sobretudo quando comparada com a portuguesa; teria talvez
sido preferivel recorrer a Mário de Andrade ou a Mário Clington,  ambos
angolanos e com alguma boa bibliografia publicada sobre a guerra
colonial, do que por exemplo a Marga Holness, de resto subsidiária do
primeiro.

<p n=11077>
Uma criança com uma aptidão particular para comunicar com as baleias é o
ponto de partida para outra fábula ecológica produzida, com o saber que
lhe é peculiar, pelos estúdios canadianos. M.C.F.

<p n=11078>
«Em Busca da Luz» é um telefilme, de qualidade acima da média, inspirado
na autobiografia do escritor cego Harrold Krents, autor de «Só as
Borboletas São Livres», já adaptado ao cinema. Steve Guttenberg
interpreta a figura do escritor. Dizem que é interessante. A ver vamos.
M.C.F.

<p n=11079>
Nem sempre o nome cabeça-de-cartaz é a mola que empurra parte do público
para a plateia. Confesso que a minha maior expectativa face a este disco
não nasceu da presença de Abbey Lincoln, mas do anunciado reencontro com
um saxofonista sempre admirado mas pouco visitado -- o tenor Harold Vick.
Gravada ao vivo, esta dupla digressão (temática e espiritual) pela
herança da sua principal influência (Billie Holiday) é, certamente, um
marco muito positivo na carreira recente de Abbey Lincloln. Já aqui dei
conta do incómodo que me causa o excessivo sentido dramático que devora o
seu canto, ao ponto de o cansaço, provocado pela repetição dos mesmos
registos, lhe injustiçar a dimensão da voz, a sinceridade expressiva, a
competência do fraseado. Tais riscos esbatem-se, naturalmente, quando o
reportório privilegia alguns dos mais emblemáticos versos do lado mais
negro da obra (que aqui é sinónimo de vida) de Lady Day. Quanto a Harold
Vick (que morreria seis dias depois desta gravação) dispenso-me do peso
das palavras e permito-me não partilhar o segredo de uma saudade que foi
luz e hoje é dor.

<p n=11080>
O jazz holandês conhece, há muito, o piano de Rein de Graaff. Paragem
obrigatória do jazz americano em trânsito europeu e casa hospitaleira de
alguns dos mais ilustres dos seus exilados (Ben Webster, Don Byas, Dexter
Gordon), Amesterdão pertence à lista invejada das universidades práticas
do jazz: um lugar de «músico da casa» num dos seus principais clubes é
passaporte garantido para um crescimento acelerado rumo à maturidade
musical. Rein de Graaff fez o curso e em 1967 estagiou, à sua conta e
risco, na universidade-mãe -- Nova Iorque. Teve aulas práticas de luxo
(com gente dura -- Lee Morgan, Hank Mobley, Elvin Jones) e nas viagens
seguintes, o «acaso» dos novos encontros já não foi um sorriso do destino
mas um convite anunciado.

<p n=11582>
É um olhar implacável sobre as pessoas e as coisas aquele que o
desenhador galego Miguelanxo Prado confirma em «Y'a plus de justice», o
mais recente álbum do autor editado em França. É o triunfo da
sensibilidade e da inteligência, com quem os leitores portugueses
travarão conhecimento ainda este ano.

<p n=11583>
«O Miguel guarda as meias e as luvas numa gaveta do seu armário. Tem lá
seis pares de meias azuis, cinco pares de meias verdes, quatro pares de
luvas pretas e três pares de luvas cinzentas.

<p n=11584>
O grau de dificuldade deste problema não é grande. É necessário apenas um
certo cuidado na forma como se raciocina. Uma maneira de o abordar é
começar por subdividi-lo em casos mais simples.

<p n=11585>
Carlos Paredes é o poeta da cidade. Pintor do rio, de gentes apressadas,
de barco em barco. Com «Espelho de Sons», o seu último disco, quis
«espelhar melhor o quotidiano». A Torre de Belém, junto à «emoção do
Tejo», foi então o espaço escolhido para o apresentar. Aí tem preferido
tocar, mais do que em qualquer outro lugar. «Esta Torre tem muito a ver
com os portugueses e estamos todos muito marcados pelo século em que foi
construída.» Ela é, para ele, imaginário de caravelas.

<p n=11586>
Carlos Paredes sente-se incomodado com a confissão. «Eu sou um amador e
faço música para guitarra portuguesa porque gosto de tocar guitarra
portuguesa. E o que dá interesse e o que caracteriza esta minha maneira
de tocar é esse amadorismo.» É a alma que ama...? «É o indivíduo que faz
tudo, que é professor de si próprio.» Genial? «Geniais são os indivíduos
que respeitamos profundamente. Genial era Mozart. O melhor do homem está
na música de Mozart.»

<p n=11587>
Será impossível atender ao cinema de Hong Kong sem considerar certas
noções centrais da cultura chinesa, como a de «Mestre». E se alguém tem
nessa cinematografia um estatuto de Mestre é certamente King Hu.

<p n=11588>
King Hu é rigorosamente um «mestre», um intelectual continuador de uma
milenária tradição. É um «letrado», por isso se entendendo um saber e uma
posição social. Mas se o acesso a códigos de escrita pode ser também um
modo de poder, há que notar que, mais que a mensagem, a função
informativa, o que importa na obra de King Hu é a caligrafia. Daí o
aparente paradoxo dos seus filmes, excepcionalmente detalhados e
rigorosos do ponto de vista da reconstituição histórica, serem contudo
incrivelmente abstractos -- sendo certamente King Hu um autor muito
precisamente radicado numa História e, ao mesmo tempo, um dos mais
abstractos de toda a história do cinema. Ele o disse, a propósito de «A
Touch of Zen / O Espírito do Zen»: «Tentei reduzir a parte dos diálogos
na medida em que o zen não deve ser demonstrado por palavras e porque
penso que o cinema é antes do mais imagens».

<p n=11589>
Para os que apreciam o género como para os que o desprezam, o cinema de
Kong Kong identifica-se com o kung fu, com as artes marciais. Mas as
artes são várias, e a «capa e espada» da tradição mandarim pouco tem a
ver o boxe cantonês. O segundo género foi difundido internacionalmente
por Bruce Lee; o primeiro tem o seu autor máximo em King Hu, cujo filme
mais célebre, «A Touch of Zen», será finalmente dado a conhecer em
Portugal, no Canal 2 da RTP, na próxima terça-feira. É o momento para uma
viagem ao cinema de Hong Kong.

<p n=11590>
«Ah!, nós disso temos pouco», disse o empregado. Gentilmente, o cliente
foi convidado a procurar no mostruário, com a discreção sugerida a quem
via géneros pouco recomendáveis -- a diferença com os «pornos» sendo que
estes são muitos mais numerosos. Por acaso, «Big Boss, O Implacável» lá
estava -- mas os outros? Com a segurança do conhecimento directo, o
empregado logo propôs uma alternativa: «Os nossos são muito melhores». Os
«nossos»? Sim, Chuck Norris ou Jean-Claude Van Damme, os ocidentais que
colhem nas técnicas de Hong Kong. Na evidência de uma humilhação, o
cinéfilo retirou alguns galões do seu conhecimento. «O quê? Mas eu estou
a pedir-lhe filmes do Chang Cheh e do Liu Chia Liang!». A frase ficou a
meio, já que, num ápice, o cinéfilo se apercebeu que, pronunciando ele
tão enigmátivos nomes com uma convição semelhante àquela com que poderia
citar os de Hawks ou Cukor, ia ter uma evidente resposta: «Para mim, isso
é tudo chinês!». E sucede que até é! Mas será o adjectivo «chinês» alguma
razão adquirida de desconfiança metódica?

<p n=11591>
A loura Laura Dern, Lula no último filme de Lynch, é pretexto para uma
multiplicidade de iniciativas no número de Fevereiro da dinâmica revista
«El Europeo». Gary Indiana escreve, ao referir-se-lhe directamente, que o
seu êxito é uma «questão de matiz», e o célebre e demagógico Desmond
Morris fala das excelências das louras em geral: simbolicamente,
beneficiam da imagem de inocência e juventude associada ao louro infantil
(se bem que o abuso de descolorantes por parte de mulheres com intuitos
afinal menos honesto tenha gasto um pouco essa imagem e a tenha muitas
vezes arrastado para a lama); fisicamente, parece que têm o cabelo mais
numeroso e sedoso, a pele menos acidentada por pilosidades visíveis e um
odor corporal mais sensual -- especificamente, «uma delicada fragância a
âmbar cinzento», no que ficam muito beneficiadas frente ao aroma violeta
das ruivas ou ao almiscarado das morenas. Exaltante é pormo-nos a saber
que a maioria das louras do cinema afinal não o são, apenas
aproximações», o que só beneficia ambas as partes.

<p n=11592>
Do mercado diz-se o esperado, numa síntese  útil, cronológica e
caracterizadora, das feiras internacionais e pretendendo enquadrar a que
ao tempo em madrid se podia ver, o ARCO. Tem graça como quase se falava
da fantasmática feira portuguesa: na sequência de se criticar o excesso
de feiras, e de se ligar a sua falência à fraqueza dos respectivos
projectos. Depois, vem a agonia e extase dos leilões. Da dupla de
opositores Warhol-Beuys diz-se o necessário: ao primeiro manager da arte
contrapõe-se o seu último dramaturgo, ao maior cínico o último romântico.
De Torres diz-se demais para o que dele se mostra no Centro Rainha Sofia.

<p n=11593>
No fim de «A Mulher que Nasceu Ontem», junto à estátua de Abraham
Lincoln, Judy Holliday reconhece a estupidez em que vivera. Daí regressa
ao hotel para impor a sua razão antes de partir. E «parte a louça». O
preço a pagar seria o abandono, se George Cukor não a recompensasse no
reencontro com William Holden, na personificação do senso comum que o
«american way of life» também supõe. Antes, sob as arcadas do monumento
branco, Judy Holliday dissera: «Mr. Presidentƒ»

<p n=11594>
Da guerra, nada mais a esperar do que a vitória. À dor, sobrevive-se. Ou,
como numa encenação de Hollywood, perante a morte, apenas o heroísmo.
Hoje os soldados regressam e são os abraços. A «Life» antecipava a data.
Nas últimas páginas, traz os beijos do cinema: Greta Garbo e John
Gilbert, no final de «The Flesh and the Devil»; Cary Grant e Eve Marie
Saint quando se cruzam em «North by Northwest»; ou Clark Gable e Lana
Turner em «Honky Tonk»: «Tem alguma ideia do que uma rapariga como você
pode fazer a um homem como eu?», pergunta ele. É a vitória do senso
comum. E eis, como nos filmes, o final feliz.

<p n=11595>
Houve um tempo em que se escreveu, leu e pensou à Derrida. Em Portugal,
onde o filósofo já se deslocou no princípio dos anos 80, foi -- como
aconteceu com muitas outras «modas» e «autores em moda» -- Eduardo Prado
Coelho quem o terá lançado: primeiro com as suas crónicas no «JL» e no
«Expresso», depois com o seu livro/tese «Os Universos da Crítica». Ainda
que as suas teses continuassem a ser lidas e relidas em todas as
universidades, a última vez que, entre nós e com alguma intensidade, se
ouviu falar de Derrida, o assunto era Heidegger.

<p n=11596>
Depois de desfolharmos as 40 páginas de cada edição da revista
«Toboggan», é inevitável a conclusão de que as crianças francesas a
partir dos quatro anos de idade -- são esses os destinatários da
publicação -- têm muita sorte.

<p n=11597>
O francês Sennep não pôde publicar durante a Segunda Guerra Mundial, ou
durante a Resistência, os excelentes cartoons que só depois da Libertação
reuniu em dois álbuns.

<p n=11598>
Como é natural, alguns cartonistas aproveitaram os sinais da Guerra do
Golfo para falar de outras guerras, ou de outros tipos de guerra. O
brasileiro Liberati pôs um conterrâneo a dizer: «Meu Deus! E nós não
temos nenhum `Patriot'»; Maringoni, outro brasileiro, pôs um oficial a
perguntar: «Muito bem... Quais são as baixas, soldado?», ao que este
respondia: «Baixa dos salários, baixa dos investimentos, baixa da
actividade económica, baixa no astral»...

<p n=11599>
Qualquer ideia de futuro em Hong Kong tem inevitavelmente como referência
o ano de 1997, data fixada para a transferência da soberania do
território para a República Popular da China. Há dois anos, os
acontecimentos da Praça Tian An Men vieram dramaticamente tornar ainda
mais apreensivas as perspectivas do futuro; já antes, quando nem mesmo
tinha ainda sido celebrado o tratado anglo-chinês, o ano de 1997 se
apresentava como horizonte incontornável, limite do prazo de 100 anos de
«concessão» dos chamados «novos territórios».

<p n=11600>
Entre 1977 e 1980, nada menos que 60 realizadores fizeram o primeiro
filme, segundo estatísticas não oficiais. No ano de 1979, a conjugação de
10 primeiras obras, num esquema de produção independente, viria a ser
reconhecido como acto de nascimento desta «nova vaga». Em três anos,
cerca de 15 filmes de cinco ou seis realizadores, como «The Sword» de
Patrick Tam, «Butterfly Murders» e «Dangerous Encounters -- First Kind» de
Tsui Hark, «The Secret», «The Spooky Bunch» e «The Story of Woo Viet» de
Ann Hui ou «Father and Son» de Allen Fong foram a demonstração
internacional desse nascimento.

<p n=11601>
Ponha as lentilhas, -- previamente demolhadas --, a cozer com todos os seus
ingredientes. Entretanto limpe e lave as perdizes e corte-as ao meio.
Salteie-as no azeite juntamente com os alhos e o toucinho cortado em
batões. Tempere com sal e pimenta. Flamege com o cognac.

<p n=11602>
Por ter plantado a maior vinha do mundo numa altura em que o sector
atravessava uma grave crise, José Maria dos Santos foi o único português
que ficou na história graças ao vinho. Valença caricaturou-o como o Deus
Baco dos portugueses. Carlos Simões incluiu-o no «Álbum dos Varões
Ilustres», pelo muito que contribuira para o aumento do número de
«borrachos», «peruas» e «cegonhas». O povo lisboeta, agradecido pelas
vendas de vinho a bochecho que abriu na cidade, concedeu-lhe o título de
rei do vinho. A imprensa enalteceu-o perante a nação.

<p n=11603>
100 AC -- No Songshan (Montanha Sagrada do Centro, isto é, no Centro no
Império do Meio, a China), constroi-se um ermitério de monges guerreiros.

<p n=11604>
630 -- O Imperador Taizu, ao qual os monges de Shaolin tinham dado o seu
apoio, proclama o mosteiro «o primeiro do Império».

<p n=11605>
Para o espectador ocidental, o termo kung fu designa uma noção genérica
de artes marciais. O erro é duplo: o termo kung fu, ou antes gung fu, não
designa originalmente uma técnica particular mas um princípio de treino e
aprendizagem com vista à maturidade do ser. O princípio pode aplicar-se a
qualquer sector, um deles sendo a «wushu», a arte marcial. Ora, e aqui
reside o segundo erro do entendimento ocidental, a «wushu» não é uma mas
várias, nela havendo designadamente a marca da grande diferença cultural
entre a China mandarim e a China cantonesa. As técnicas mandarins
revelam-se por exemplo nos príncípios acrobáticos da ópera de Pequim; as
técnicas cantonesas concedem ao punho um papel fundamental.

<p n=11606>
A popularidade da série dedicada a Huang Fei Hong trouxe directamente
para os estúdios alguns dos discípulos de Shaolin. Em meados dos anos 70,
os directores de combate tornaram-se eles próprios realizadores. A lição
inaugural é «The Spiritual Boxer» (1975) de Liu Chia Liang, que logo
depois realiza uma trilogia sobre o saber de Shaolin, «Challenge of The
Masters», «The Executioners From Shaolin» e «The 36th Chamber of
Shaolin». Segundo um dos aspectos centrais do kung fu, a trilogia é um
relato de iniciação. E é ainda como mestre que Liu Chia Ling realiza o
mais pedagógico dos filmes de kung fu, «Heroes of The East» (1978).

<p n=11607>
«Para o espectador ocidental, o termo kung fu designa uma noção genérica
de artes marciais. O erro é duplo: o termo kung fu, ou antes gung fu, não
designa originalmente uma técnica particular mas um princípio de treino e
aprendizagem com vista à maturidade do ser. O princípio pode aplicar-se a
qualquer sector, um deles sendo a `wushu', a arte marcial. Ora, e aqui
reside o segundo erro do entendimento ocidental, a «wushu» não é uma mas
várias, nela havendo designadamente a marca da grande diferença cultural
entre a China mandarim e a China cantonesa. As técnicas mandarins
revelam-se por exemplo nos príncípios acrobáticos da ópera de Pequim; as
técnicas cantonesas concedem ao punho um papel fundamental.» Com estas
palavras, Augusto M. Seabra aborda neste número do PÚBLICO Magazine um
universo que, embora popular, está ainda longe de ser popularizado: o das
artes marciais, aqui visto em conjunto com outra arte que lhe está
associada: a do cinema. A viagem que propomos contém inúmeras revelações
e surpresas. Depois dela, não mais será possível entrar num clube de
vídeo e olhar para as prateleiras onde habitualmente se arrumam «karatés»
e «kung fus» com o mesmo ar de quem olha para as prateleiras dos filmes
«só para adultos». Por detrás de títulos como «Shaolin desafia Ninja»
escondem.-se algumas obras-primas que os críticos de cinema persistem em
ignorar. Descubra, por exemplo, como a «capa e espada» da tradição
mandarim pouco tem a ver o boxe cantonês difundido internacionalmente por
Bruce Lee. E saiba que, do primeiro género, há no cinema um representante
magistral: King Hu -- cujo filme mais célebre, «A Touch of Zen», será
finalmente dado a conhecer em Portugal, no Canal 2 da RTP, na noite da
próxima terça-feira.

<p n=11608>
PLANO MATERIAL -- Tente a via do diálogo e da compreensão para resolver os
assuntos embora nalguns casos este processo seja bastante difícil. Faça
acordos e se não o conseguir retire-se e aguarde melhor oportunidade.
Tenha atenção ao seu sistema nervoso.

<p n=11609>
Diz-se que o cinema conta sempre as mesmas histórias, o que não deixa de
ser verdade desde que houve o «Grande Assalto ao Comboio». Mas há
histórias já contadas, e bem, que regressam ciclicamente. Nesta coisa de
repetições, a fortuna é-lhes geralmente adversa, mas às vezes há
surpresas.

<p n=11610>
Vinte e um anos depois, Clark Gable retoma exactamente o mesmo papel da
primeira versão desta história, «Terra Abrasadora», que a RTP transmitiu
há pouco. Ava Gardner substitui Jean Harlow e Grace Kelly toma o lugar de
Mary Astor. Ford mostra, um ano depois de ter feito «O Homem Tranquilo»,
que nessas coisas de erotismo não tem explicações a pedir a ninguém, com
uma atmosfera carregada de sensualidade. A «cópia» supera o original.

<p n=11611>
Um jornal envolve muitas caras invisíveis: de um lado, são os milhares de
leitores, do outro, uma teia de colaboradores -- jornalistas,
ilustradores, técnicos, impressores e distribuidores.

<p n=11612>
O Henrique é a mão invisível da área de imagem. Sabem como é: observa e
diz «aqui está bem; isso não dá com aquilo; mais disto e menos além». Até
ao seu comentário predilecto: «Óptimo, cinco estrelas»... Como supervisor
gráfico, cumpre-lhe vigiar a unidade de todos os suplementos do jornal.

<p n=11613>
Lisboeta, nascido em 1966. Está a estudar Pintura na Escola Superior de
Belas-Artes de Lisboa (ESBAL). Publica ilustrações desde 1987, em
jornais, revistas e editoras. Desde 1986 que participa em exposições de
artes plásticas.

<p n=11614>
Dois jovens leitores de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
escreveram-lhes e falaram do Júnior. Em resposta ao Tiago, prometemos
pensar no assunto, mas temos outros projectos mais urgentes. E sobre a
carta da Carolina, lamentamos não poder reproduzir o lindo papel de carta
em que escreveu: cheio de gatos, coelhos e ratos, em cenas de grande
trapalhice!

<p n=11615>
Começou a ir ao cinema aos 6 anos e nunca mais o largou. O «Zé do
Telhado» foi o seu primeiro filme. John Ford é o seu realizador
preferido, «A Desaparecida» o seu filme; mas confessa uma paixão especial
por «O Ladrão de Bagdad».

<p n=11616>
Em Portugal não há muitos exemplos de revistas do género. E isso -- como
dizia o outro -- tem coisas más e coisas boas. Não podendo aproveitar a
experiência de modelos recentes (que os não há, desde a «morte» de «O
Janeirinho»), as modificações que temos vindo a introduzir atendem
sobretudo às solicitações dos nossos leitores mais críticos.

<p n=11617>
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, colaboradoras do Júnior desde o
primeiro número, têm muitas coisas em comum. Ambas são professoras do
Ensino Preparatório, têm filhos já crescidos, uma grande capacidade de
trabalho e uma verdadeira paixão por tudo o que fazem.

<p n=11618>
Isabel Alçada: Eu, sobretudo, ouvi muitas histórias quando era pequena. O
meu pai contava-as praticamente todos os dias e sobretudo aos
fins-de-semana. Excediam sempre todas as nossas expectativas de
maluqueira! E fazia uma coisa extraordinária: desenhava cenas das
histórias na toalha da mesa -- nas toalhas de pano!

<p n=11619>
Se o cinema é um meio de evasão, prazer e divertimento, é também uma
fonte de gozo estético e uma lição de arte. Ou deve ser. Alguns filmes
são-no. Aqueles que, para além da história que contam (emocionante e
dinâmica) e do encanto visual que proporcionam (na fotografia,
iluminação, jogos de cor, ressonância e ligação do som, em especial da
música com a imagem), são também verdadeiros manifestos da arte de
filmar. Vendo-os, aprende-se, ou compreende-se tudo o que significa o
termo «arte das imagens».

<p n=11620>
Com tal padrinho todos aprenderão a amar o cinema. Por detrás dele está
Francis Coppola, que já fizera as duas primeiras partes da história desta
família. É uma lição na arte de encenar -- reparem no sentido de realidade
que a festa transmite! --, na arte de representar (Al Pacino, Andy Garcia
e Talia Shire, mas também os secundários como Elli Wallach na figura do
velho e traiçoeiro mafioso), na habilidade em captar uma atmosfera (a
visita à Sicília, a noite de ópera), na arte de montar o filme,
alternando a acção interior na ópera com as operações de vingança que têm
lugar no exterior, e de que toda a última meia hora dá uma lição de
mestre. Finalmente na forma como mostra a violência, sabendo-a necessária
para a história, mas nunca fazendo dela o próprio centro da acção.

<p n=11621>
Nasceu em 1964, no Montijo. Frequentou o curso de Artes do Fogo da Escola
António Arroio (Lisboa). Agora, está a estudar Realização Plástica do
Espectáculo, no Conservatório Nacional. Muito tímido, só há dois anos
ganhou «balanço» para apresentar os seus trabalhos em revistas e jornais.
E não parou...

<p n=11622>
Hoje, os trabalhos de ilustração voltaram a ser muito disputados. A
divulgação do uso da fotografia tinha, de certo modo, retirado lugar a
este tipo de arte na Imprensa. Porque o processo de criação é geralmente
mais demorado e de uso limitado. E porque é menos imparcial: todos os
desenhos transmitem uma visão muito pessoal dos artistas sobre os
acontecimentos, uma história, etc. Curiosamente, são essas mesmas razões
que agora tornam estes trabalhos tão apetecidos. E os jornais e revistas
procuram novos nomes, novos estilos, gente criativa e com uma boa
capacidade de interpretação das situações mais variadas, para darem nova
vida às páginas das suas publicações.

<p n=11623>
É o mais novo do «quarteto» de ilustradores do Júnior. Nasceu em 1967, em
Lisboa, cidade onde vive e estuda. Frequenta o 3º ano de Pintura da
Escola Superior de Belas-Artes (ESBAL). Há cerca de três anos que publica
ilustrações em jornais, revistas e editoras.

<p n=11624>
Ao longo de seis semanas, apresentámos-lhes este principezinho da
Natureza e muito do que o rodeia.

<p n=11625>
Para quem já não se recorda dos famosos desenhos animados de Walt Disney,
Oliver é um pequeno gato perdido numa grande cidade, que só consegue
descansar quando encontra um amigo pronto para o defender e ajudar a
vencer os muitos perigos que se lhe deparam.

<p n=11626>
Na primeira fase do jogo, Oliver está nas ruas de Nova Iorque e deve
tentar não chocar com as pessoas que por ali circulam, ao mesmo tempo que
recolhe todas as salsichas que encontrar pelo caminho, pois elas valem
pontos; não pode entrar em luta com outros animais, pois invariavelmente
perde. Quando conseguir recolher salsichas suficientes para perfazer 1000
pontos, muda de fase.

<p n=11627>
O rio nasce num recanto fresco. Quando criança, é estreito e turbulento.
Atravessa altos e baixos com insuperável energia. Habitam-no seres ágeis
e musculados, que gostam de movimento e acção. Vamos hoje conhecer alguns
dos mais característicos.

<p n=11628>
Poderão agora ver como tudo se encaixava, pois é com o maior prazer que,
em comemoração do primeiro aniversário da publicação do Júnior, lhes
revelamos um jogo completamente inédito, divertido e educativo!

<p n=11629>
Há três anos, começou a escrever para jornais, sobre temas ligados a este
seu «hobby». Manteve colaboração regular durante 10 meses no jornal
«Europeu».

<p n=11630>
Mas aquela casa tinha «mel». Enorme, espaçosa, com uma sala cheia de
recantos e marquise, tão própria para grandes reuniões, seria uma pena
encontrarem-se noutro sítio.

<p n=12770>
Alvo de algumas polémicas e muitas pressões, a Lagoa de Óbidos tem já
pronto um estudo de recuperação, que luta por ser vinculativo.
Entrelaçado em negócios de areias, esporões e urbanizações turísticas, o
plano surgiu com o apoio das forças locais, chamadas a decidir e a
comprometer-se com as conclusões.

<p n=12771>
Com o objectivo de permitir uma correcta decisão sobre possíveis
intervenções no local, o plano abrange também a Concha de São Martinho do
Porto, a Norte de Óbidos.

<p n=12772>
Afonso Henriques Cardoso soube que tinha ganho o segundo Clio quase por
acaso: «Estava de férias em Bragança, mas mesmo quando vi que o prémio ía
para Braga não dei grande importância. Só depois é que confirmei...». Com
28 anos, escriturário da EDP em Braga, cidade onde acumula o trabalho com
o estudo na Universidade do Minho, o leitor do PÚBLICO confessou que o
carro veio mesmo a calhar, dado ser a altura ideal para trocar a sua
viatura, já com cinco anos.

<p n=12773>
Como sempre o supercupão deve ser metido dentro de um envelope e enviado,
até à próxima sexta-feira dia 5 de Abril, para as nossas instalações, em
Lisboa (R. Amílcar Cabral, Lote 1, n.º25 -- Quinta do Lambert -- 1700
Lisboa).

<p n=12774>
A Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa
abriu inscrições para um programa de formação cujos cursos, a iniciar em
6 de Maio próximo com duração entre 70 e 220 horas, se destinam à área da
informática, desde a programação até à microinformática. Os interessados
que se inscrevam ficarão sujeitos a um processo de pré-selecção.

<p n=12775>
A falta de preparação dos alunos, a formação insuficiente dos docentes e
a escassez de equipamentos comprometem a qualidade global do novo
programa de Física e Química do 10º ano, cuja eficácia é posta em dúvida
por muitos dos professores da disciplina.

<p n=12776>
O espólio da musicóloga Francine Benoit, falecida em 1990, formado por
milhares de cartas por ela recebidas ao longo de mais de quarenta anos,
por documentos biográficos e outros escritos, foram doados à Biblioteca
Nacional pela sua herdeira, Madalena Gomes. Francine Benoit, nascida em
França em 1906 e que, aos 11 anos, veio viver para Portugal, tendo-se
naturalizado portuguesa em 1929, colaborou como crítica musical na «Seara
Nova», «Ilustração», «Gazeta Musical», e nos jornais «Diário de Lisboa»,
«A Capital», «Diário de Notícias», «Expresso», «O Diário» e outras
publicações. Foi professora de música e opositora ao regime salazarista.

<p n=12777>
Mas, de facto, as questões levantadas por este concerto são outras:
deve-se fazer ou não a segunda de Mahler em Portugal -- ou, para o efeito,
tantas outras peças gigantescas do sinfonismo oito(nove)centista? E, em
caso afirmativo, com que orquestra, com que maestros?

<p n=12778>
Peças únicas e insubstituíveis do património português provavelmente
serão cedidas pela Secretaria de Estado da Cultura aos Estados Unidos
para uma exposição. As entidades consultadas disseram sim e os peritos
foram evasivos.

<p n=12779>
O Painel do Infante foi pedido pela National Gallery of Art de Washington
para a exposição «Circa 92: Arte na Época dos Descobrimentos», a realizar
entre 12 de Outubro próximo e 12 de Janeiro de 1992, que tem como tema
principal a figura de Cristóvão Colombo, descobridor da América. De
início, o pedido dizia respeito a todos os painéis, mas, a conselho de
Portugal, os organizadores da exposição acabaram por se decidir a levar
apenas um, aquele que se diz representar o Infante D. Henrique.

<p n=12780>
A Comissão Organizadora do Cinanima -- Festival Internacional de Cinema de
Animação de Espinho vai fazer deslocar uma delegação oficial, constituída
por oito jovens colaboradores, à próxima edição do Festival de Annecy, em
França, que se realiza de 1 a 6 de Junho próximo.

<p n=12781>
Ele aparece também na obra de Gil Vicente e, para já, nas duas peças
(«Farsa dos Almocreves» e «O Clérigo da Beira») que o Centro Dramático de
Évora transformou em espectáculo uno e (embora se trate de duas peças sem
unidade de acção, feitas de quadros independentes e quase estanques). A
estreia foi a 27 e 28 (e será retomado em datas a anunciar) no teatro
que tem o nome (nem que fosse de propósito) de Garcia de Resende.

<p n=12782>
Luis Francisco Rebello, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores
(SPA), profere, no próximo dia 4 de Abril, no Hotel Meridien, no Porto,
uma conferência sobre «Os Direitos de Autor e a Fotografia». No final, o
responsável pela SPA assina um protocolo entre esta instituição e o Clube
de Fotógrafos Profissionais de Portugal, responsável pela iniciativa, com
a qual este Clube pretende assessorar e defender os seus membros na
questão dos direitos de autor e propriedade intelectual.

<p n=12783>
A exposição «CONCRETA. EXPERIMENTAL. VISUAL -- Poesia Portuguesa
1959-1989» será inaugurada no dia 4 de Abril, na Universidade de Lyon II,
em França. Esta mostra segue-se às realizadas, em 1989, na Universidade
de Bolonha, em Itália, e, no ano passado, no Centro Cultural Português da
Gulbenkian, em Paris.

<p n=12784 assunto=desporto>
Francisco Silva, árbitro irradiado (respondendo a uma pergunta do
jornalista Miguel Barroso), RTP, 23-3-91

<p n=12785>
«Se eu tivesse intenção de agredir o fiscal de linha mandava-lhe um murro
ou um pontapé e nem ele ia ficar-se ali como um santo à espera de que eu
lhe ferrasse»

<p n=12786>
O brasileiro Mozer não poderá alinhar pelo seu clube, o Olympique de
Marselha, na primeira mão da meia-final da Taça dos Campeões Europeus
frente ao Spartak de Moscovo, em virtude do castigo de um jogo de
suspensão que lhe foi imposto pela comissão de disciplina da UEFA. Mozer
viu o segundo cartão amarelo no encontro frente ao Milan, a contar para
os quartos-de-final, o mesmo sucedendo ao milanês Carlo Ancelotti, que
também foi castigado com um jogo de suspensão. Como o Milan foi afastado
das competições europeias por uma época, Ancelotti deverá cumprir a sua
pena «na próxima participação do seu clube nas taças europeias».

<p n=12787 assunto=desporto>
Uma goleada é o que os responsáveis pela selecção francesa esperam
conseguir no seu jogo de hoje contra a Albânia, em Paris, a contar para a
fase de qualificação do «Europeu» de futebol. A selecção albanesa, cujo
pedido para adiamento do encontro devido à caótica situação política que
se vive no seu país foi recusado, apresentou-se à chegada a França
completamente desmoralizada. Depois da recusa do clube que lidera o
campeonato -- o Flamurtari -- em ceder os seus jogadores e da defecção de
alguns internacionais para a Grécia, o treinador albanês apenas pode
contar com 13 jogadores, dado que três outros se perderam durante um
transbordo em Genebra, não sendo ainda claro se pretenderiam seguir
viagem com o resto da equipa. Perante este estado de coisas, o
selecionador francês, Michel Platini, aposta numa goleada: «Não vamos
perder esta oportunidade. Vamos tentar marcar golos e correr riscos.»
Talvez por isso o técnico francês anuncie uma táctica pouco usual nos
dias que correm: a França jogará em 4-2-4, garante Platini.

<p n=12788 assunto=desporto>
Confirmando as previsões, FC Porto e Benfica venceram ontem os primeiros
jogos das meias-finais do «play-off» de basquetebol. Na Luz, o Benfica
bateu o Illiabum por 66-56, enquanto nas Antas o FC Porto superou o
Estrelas por 95-68. Hoje repete-se a dose.

<p n=12789>
Os portistas continuaram a defender bem, dominando a luta na sua tabela,
e, graças ao aparecimento, em grande nível, de Lee Stringfellow, lograram
adiantar-se no marcador para não mais ceder o comando da partida. Para
tal contribuiu uma inesperada queda da produtividade ofensiva dos
lisboetas (que nos 5' finais da primeira parte apenas fizeram cinco
pontos) e as muitas faltas que foram acumulando.

<p n=12790 assunto=desporto>
A primeira mão das meias-finais do «play-off» de basquetebol não forneceu
resultados surpreendentes: na Luz, o Benfica venceu o Illiabum por 66-56,
enquanto nas Antas o FC Porto bateu o Estrelas da Avenida por 95-68.

<p n=12791>
Neste fim-de-semana de Páscoa a jornada dos «nacionais» de futebol é
antecipada para hoje. Aproveitando a quadra festiva, multiplicam-se os
torneios das mais diversas modalidades e o basquetebol entra na fase
decisiva da época com as meias finais dos «play-offs».

<p n=12792>
Em quatro anos no futebol espanhol, Paulo Futre nunca perdeu com o
Barcelona, no seu estádio. A equipa de Cruyff lidera a Liga com 4 pontos
de avanço sobre o Atlético de Madrid. A onze jornadas do fim, uma vitória
da equipa de Gil y Gil daria outro sabor ao campeonato.

<p n=12793>
Desta vez, o Atlético vai encontrar um Barça mais forte (embora já
tivesse estado melhor) e com Cruyff já de regresso ao trabalho, depois de
os últimos exames médicos o terem dado como completamente recuperado da
intervenção cirúrgica ao coração. Cruyff não estará no banco -- lá, estará
o seu adjunto Carlos Rexach --, mas estará na tribuna presidencial. O
ex-nº 14 irá aos balneários falar aos jogadores e tranquilizar o
presidente Nuñez, que depois da derrota frente ao Gijon, domingo passado,
tem vivido sob o espectro do que aconteceu à equipa na época de 1981-82,
quando perderam o campeonato para a Real Sociedad, quando tinham cinco
pontos de vantagem a cinco jornadas do fim.

<p n=12794>
No próximo dia 5 de Abril, sócios anónimos do Benfica vão homenagear
Jorge de Brito. O promotor da iniciativa é o já célebre Jorge de Paço de
Arcos que, em Janeiro, organizou uma festa de solidariedade com Marcelo
de Almeida. Este sócio do Benfica - o tal que em Viena foi dar com a
picareta no túmulo de Bella Guttman (mas nem assim...) - é o arauto da
concórdia interna na Luz. Já conseguiu que Gaspar Ramos e Marcelo de
Almeida fizessem as pazes e pretende agora, em nome da «união sagrada da
causa», que Jorge Brito reacenda as suas relações com Marcelo de Almeida
e faça as pazes com João Rodrigues. Entretanto José Gomes Machado já fez
as pazes com Adriano Afonso. Se o professor Tadeu não tivesse sido tão
emotivo ainda acabava por entrar na lista «unitária» tendo em vista as
eleições de 1992.

<p n=12795>
A ÁGUIA TEVE UMA SÍNCOPE ? - Oficialmente a explicação é simples: por
motivo das obras na Luz (elevadores, restaurante panorâmico, nova bancada
de imprensa, camarotes de empresas, etc) a águia de Fernando Martins foi
momentâneamente removida regressando ao seu poiso dentro de semanas.
«Bastidores», no entanto, permite-se evocar outras razões que levaram a
águia altaneira a este estado de prostração. Será que a liderança no
campeonato com um ponto de avanço sobre o FC Porto, o próximo jogo do
Benfica nas Antas e o indesmentível facto da equipa de Eriksson estar a
jogar cada vez pior, levaram o pássaro de rapina a ter uma síncope de
maus presságios ? Ou será que perante a apresentação dos lucros de 150
mil contos no futebol da Luz em 1990, a águia - de tão apardalada que
ficou - se atirou para o chão para ter a certeza que não estava a sonhar
? Ou será que a águia, elemento dominante no emblema de Benfica desde
1904 - data do nascimento do clube - não quer ficar atrás do «dragão» e
exige que Jorge de Brito convoque imediatamente uma assembleia geral para
votar uma nova data da fundação do Benfica - aí por volta de 1891- para
que o clube de da Luz passe a ser o mais antigo de Portugal ?

<p n=12796>
No final do treino de ontem à tarde na Luz, a equipa do Benfica partiu
para Sintra, onde se manterá em estágio para o jogo com o Vitória de
Setúbal. Eriksson convocou para este encontro dezoito jogadores. A saber:
Neno, Silvino, José Carlos, William, Ricardo, Paulo Madeira, Rui Bento,
Veloso, Schwarz, Vítor Paneira, Paulo Sousa, Pacheco, Sanchez, Isaías,
César Brito, Magnusson, Rui Águas e Vata.

<p n=12797>
Sobre as quedas de forma por demais evidentes de alguns jogadores do
Benfica, Toni não quis adiantar muito: «Vamos entrar na fase crucial do
campeonato, é absolutamente natural o que está a acontecer, e agora não
há tempo para dar descanso a ninguém, temos é de ganhar os jogos todos e
todos os jogadores têm de saber fazer por isso.»

<p n=12798>
O direito de praticar desporto de uma forma diferente está cada vez mais
ao alcance de todos aqueles que a procuram. Existem várias perspectivas
de ver, entender e amar o desporto que envolve todos aqueles que fazem da
aventura desportiva a sua maneira de estar no desporto. Esta forma
libertou-se das formas estandardizadas que nos foram legadas pela
civilização que hoje estão institucionalizadas pelas modalidades
tradicionais, obedecendo a um padrão regulamentado e codificado ao longo
de todo o século XX.

<p n=12799>
"Eu gostava de voar" é uma fórmula que condensa o desejo inconsciente do
paraíso perdido, que a maior parte dos psicólogos afirma ser uma
elaboração onírica tendente a manifestar um desejo recalcado na mente,
através de subtis processos de simbolização e dramatização. "Eu Quero
Voar" é também o título de um livro escrito com a intenção de ajudar o
leitor a reagir aos medos psicológicos que persistem no subconsciente e a
operar a transformação do sonho em realidade.

<p n=12800>
Histórias do futebol nem todos as sabem ou podem contar. Mas o «Sempre
Fixe», o «Independente» dos anos 20, não deixava passar uma nas suas
páginas dedicadas ao Desporto, e, em especial, ao «foot-ball», com
gravuras e caricaturas de Stuart Carvalhais.

<p n=12801>
«Acabou a segunda volta do campeonato de Lisboa, em football. Acabou...
sem acabar... E foi um campeonato cujo resultado, até agora, só teve o
condão de agradar aos tesoureiros do Bemfica (com «m», na altura) e do
Sporting... Se a final se realiza em duas mãos, como parece lógico,
tratando-se de um campeonato em duas poules -- os dois finalistas devem,
desta vez, realizar de facto , as suas novas instalações. E escusam de ir
à Sociedade das Nações buscar agréments para empréstimos externos.
Basta-lhes anunciar de véspera que o Sporting comprou o Vítor Silva, ou
que o Benfica distribuíu libras em ouro a todos os árbitros nacionais.

<p n=12802>
Por que razão Sousa Cintra moveu montanhas para que o jogo
Boavista-Sporting, da Taça, fosse transmitido em directo pela TV ?

<p n=12803>
3) Porque Sousa Cintra, sabendo que o árbitro era Veiga Trigo, tratou de
arranjar quatro milhões de testemunhas que o secundassem nos seus
lamentos.

<p n=12804>
Modelo topo de gama da Fiat, o Croma acaba de receber, aos cinco anos de
idade, o seu «restyling» mais completo e também, diga-se desde já, o mais
conseguido. As razões do esforço da Fiat são óbvias. Sendo o Croma uma
viatura do segmento de mercado mais exigente e competitivo -- por isso
mesmo grande responsável pela imagem de qualquer grande  marca -- a Fiat
não podia permanecer de braços cruzados perante o constante evoluir dos
produtos apresentados pela concorrência. Até (ou sobretudo) por uma
questão de prestígio.

<p n=12805>
Mas, perante competidores com maiores tradições no segmento altto do
mercado -- a começar pelos construtores alemães -- o principal argumento a
favor do Croma é, sem dúvida, o preço de venda ao público, um pouco mais
acessível do que a maioria dos concorrentes. N.V.

<p n=12806>
O Rali Paris-Dakar de 1992 poderá terminar... na África do Sul! Esta
ideia começou a tomar forma pouco depois do «Dakar 91» ter terminado
porque, segundo afirmou ontem Gilbert Sabine, «constatámos um certo
`cansaço' da caravana do Dakar, devido a um traçado muito repetitivo».
«Mas a verdade é que não podemos evitar cidades como Agadez, Bamako ou
Gao», adiantou ainda o patrão da Thierry Sabine Organisations (TSO), a
organização do Paris-Dakar.

<p n=12807 assunto=desporto>
A selecção portuguesa de hóquei em patins derrotou ontem a Alemanha, por
9-1, na segunda jornada da 53ª Taça das Nações, a decorrer no pavilhão
Pierrier Clarens, em Montreaux (Suíça). Ao intervalo, a equipa nacional
vencia já por 3-1.

<p n=12808 assunto=desporto>
Ao vencer a Holanda por um concludente 5-0 e beneficiando da derrota da
Suécia frente à Espanha, por 1-0, Portugal é praticamente o vencedor do
IX Torneio Internacional de Juniores A (sub 17) a decorrer no Porto.
Amanhã, frente à Suécia, só uma derrota por três ou mais golos retiraria
a Portugal a vitória final.

<p n=12809>
Os holandeses raramente se abeiraram da baliza de Costinha e quando o
fizeram, como aos 33' a remate de Tetro, o guarda-redes português
correspondeu com intervenções seguras.

<p n=12810 assunto=desporto>
O futebolista argentino Diego Armando Maradona pode ser suspenso por dois
anos, depois de ter sido apanhado no controlo anti-   doping no jogo
Nápoles-Bari (1-0), disputado no último dia 17 de Março e válido para o
campeonato italiano de futebol, anunciou ontem em Roma a Federação
Italiana de Futebol. O comunicado refere que a contra-análise, efectuada
ontem no Instituto Nacional de Medicina Desportiva, na capital italiana,
revelou a presença de cocaína e seus derivados na urina do capitão do
Nápoles, um produto proibido pela lei anti-doping. Maradona, «estrela» do
Nápoles e «capitão» da selecção argentina, comentou apenas que já estava
nos seus planos abandonar o futebol italiano no final da época.

<p n=12811>
O desenvolvimento da marca em Portugal é notória. Primeiro foi a compra
das instalações fabris da Metalúrgica Duarte Ferreira, no Tramagal
(rebaptizadas Tramagauto), onde começou a montagem dos jipes Mitsubishi
Pajero 2.5 Turbodiesel. Depois, foi o alargamento das instalações
especialmente viradas para os automóveis ligeiros. Destaque para a ampla
zona de assistência aberta em Lisboa, na Avenida de Berlim, e para o
«stand» de exposição na esquina da Av. Miguel Bombarda com a Av. da
República.

<p n=12812 assunto=desporto>
A selecção portuguesa de hóquei em patins derrotou ontem a Alemanha, por
9-1, na segunda jornada da 53ª Taça das Nações, a decorrer no pavilhão
Pierrier Clarens, em Montreaux (Suíça). Ao intervalo, a equipa nacional
vencia já por 3-1.

<p n=12813 assunto=desporto>
No outro jogo do Grupo B, a Espanha goleou a França por 12-0, vencendo já
ao intervalo por 5-0. Os franceses, recorde-se, foram derrotados pela
selecção portuguesa, na jornada inaugural, por 9-2.  Portugal ocupa agora
a segunda posição no seu grupo, com quatro pontos. A Espanha é primeira,
com menos golos sofridos.

<p n=12814>
Portugal tem um Museu Nacional do Desporto. Ou melhor: tem uma curiosa
colecção de peças de museu que estão armazenadas num estaleiro à espera
de instalações condignas que as pessoas possam visitar. Uma história à
portuguesa...

<p n=12815>
Mas, enquanto não há novas instalações, as muitas histórias que contam os
livros, gravuras, quadros, estátuas, taças, camisolas, bolas...,
permanecem armazenadas no 2º esquerdo do nº 77 da também «histórica» rua
dos Anjos, «único local encontrado na altura para o museu», como explica
Orlando Azinhais, director do museu, que gostaria de o abrir ao público
em Junho, «boa altura por causa do `Mundial' de juniores no nosso país».

<p n=12816>
Ele tivera um sonho engraçado. O «Mundial» de juniores era só dali a seis
meses mas as acções de promoção do campeonato multiplicavam-se de Norte a
Sul de Portugal. E não só. Também no estrangeiro, principalmente nos
países que terão as suas selecções na competição, as belezas turísticas
deste recanto ocidental eram divulgadas com insistência, num convite a
uma visita durante a prova, através de um lindo filme publicitário que
custara uma bagatela.

<p n=12817>
Nos jornais, graças às informações constantemente disponibilizadas pelo
gabinete de imprensa da organização, nomeadamente através do banco de
dados sobre todas as selecções presentes, os leitores podiam encontrar
respostas para tudo o que nunca tinham ousado perguntar sobre a
competição. Isto para já não falar no «Guia do Mundial», uma publicação
oficial profusamente ilustrada e preparada com grande antecedência pelos
organizadores para ser distribuída aquando da cerimónia do sorteio. Uma
cerimónia que por certo iria ser um espectáculo de rigor e
profissionalismo -- tantas vezes fora ensaiada --, capaz de deixar os povos
dos países que o virem, via RTP, completamente embasbacados.

<p n=12818>
A Pirelli apresentou recentemente um novo pneu, destinado a berlinas de
altas prestações, o P4000. Este pneu destina-se, segundos os responsáveis
da marca, aos condutores de carros familiares bastante potentes e que
atingem elevadas velocidades, mas que não desejam perder o conforto
típido das grandes berlinas, o que aconteceria ao escolherem um pneu
marcadamente desportivo.

<p n=12819>
Artur Jorge convocou para o encontro desta noite dois juniores, Cao e
Bino, tendo o departamento de futebol portista solicitado à federação que
não fossem convocados para a selecção de juniores que está neste
fim-de-semana em França.

<p n=12820>
Se Eriksson sair do Benfica - dando um grande desgosto à massa
associativa da Luz - no final desta época, quem será o próximo treinador
do Benfica ?

<p n=12821>
Diga-se o que se disser acerca de duelos entre marcas, para um piloto a
vitória mais saborosa é a conseguida sobre o seu próprio colega de
equipa. Uma vitória obtida com «armas» iguais tem logo outro sabor...

<p n=12822>
Destaque para o encontro FC Porto-Sp. Braga, a contar para a 29ª jornada
do "Nacional" de futebol da I divisão, que será transmitido em directo,
hoje, no canal 2, a partir das 21h30. Se gosta de ténis terá uma semana
em cheio com as transmissões do "Estoril Open".

<p n=12823>
Troféu -- Este programa terá início com mais uma jornada do Campeonato da
NBA de basquetebol americano. Segue-se a transmissão do Torneio
Internacional da Amadora de hóquei em patins. Antevisão do que poderá ser
este ano o torneio Estoril Open em ténis, torneio esse que traz ao
Estoril, grandes nomes do ténis mundial. Em andebol teremos o encontro
Portugal-Suiça, jogo de qualificação para o "Mundial" Sub-21. A fechar
esta emissão teremos imagens do Torneio Internacional de Ginástica do
Boavista, que se realizou recentemente.

<p n=12824>
O departamento de Comércio norte-americano considerou ontem que a
economia dos Estados Unidos começa a apresentar sinais de recuperação, ao
apresentar um relatório com dados estatísticos do comportamento da
actividade nos primeiros dois meses de 1991.

<p n=12825>
Espera-se que a economia continue retraida ainda no primeiro trimestre do
ano em curso, mas a Administração Bush prevê que em meados do ano se
reinicie o crescimento económico, depois de um curto período de
arrefecimento.

<p n=12826>
A Kuwait Airways Corporation contratou a Andersen Consulting para
elaborar o estudo que permitirá restabelecer as suas viagens comerciais.
Estas operações foram suspensas em consequência da guerra no Golfo
Pérsico, que danificou os serviços e os sistemas do aeroporto da Cidade
do Kuwait apesar da pista de aterragem se encontrar em condições de ser
utilizada.

<p n=12827>
Mais de dois mil britânicos receberão a partir do próximo mês uma
compensação pelas propriedades e bens perdidos na Revolução Chinesa de
1949. Depois de 42 anos de espera, os primeiros pagamentos devidos pela
expropriação de bens iniciar-se-ão no próximo dia 2 de Abril. Com base
nas reclamações apresentadas pelos cidadãos britânicos, o gabinete dos
Negócios Estrangeiros calculou em 25 milhões de libras esterlinas o
montante devido pela República Popular da China, embora reconheça que
esta soma cobre apenas 60 por cento do valor dos bens perdidos. As
queixas apresentadas incluem hoteis, clubes desportivos, uma fábrica de
chocolate e até caixas de whisky e instrumenos musicais (como um banjo
forrado a pele de cobra). A maioria das reclamações apresentadas incide,
porém, sobre indemnizações relativas a vários tipos de investimento
financeiro efectuado antes da revolução e nacionalizado pelas autoridades
comunistas.

<p n=12828>
«Ninguém pode pedir ao Governo que se substitua aos empresários e passe a
ser o Estado, que não tem vocação nem obrigação de ser industrial, a ser
ele próprio o dono e gestor da Coelima». É a resposta do governador civil
de Braga, Fernando Ribeiro da Silva, à marcha promovida pelos sindicatos
da empresa de Pevidém, que responsabiliza o Governo pela falta de
soluções para a Coelima.

<p n=12829>
Os sindicatos da empresa, afectos à CGTP, prometem prolongar as
manifestações públicas a Braga e a Lisboa, caso o problema não se
resolva. Os trabalhadores da Coelima ainda só receberam parte dos
salários de Fevereiro. Enquanto isto, a empresa está a laborar a cerca de
30 por cento da capacidade. L.B.

<p n=12830>
Os trabalhadores dos CTT temem pelo futuro das suas pensões que pretendem
ver claramente assegurado no texto do decreto lei, previsto para breve,
onde se determina a passagem da empresa pública a sociedade anónima. O
sindicato dos economistas diz que há risco de colapso financeiro do
actual fundo de pensões caso não fique salvaguardado que os novos
trabalhadores da SA deverão ser integrados no fundo actual. A
administração esclarece entretanto que «a tutela já foi alertada para
essa questão» e esta adianta que «nada está ainda decidido».

<p n=12831>
O sindicato pretende antecipar a discussão de um problema que poderá vir
a colocar-se, caso vingue a tese de que os novos trabalhadores da
sociedade anónima deverão descontar directamente para a Previdência. Esta
tese resulta da mera transposição para os CTT do regime geral das
sociedades anónimas. Segundo os trabalhadores, esta tese tem prevalecido
junto da tutela. O porta-voz do Ministério das Obras Públicas garante, no
entanto, que «nada está ainda decidido a esse respeito», embora admita
que «o regime normal das SA implique o desconto para a Previdência».

<p n=12832>
O Estado investiu, no ano passado, a quase totalidade dos montantes que
estava autorizado a aplicar, no quadro do Plano de Investimentos da
Administração Central (PIDDAC), garantindo uma taxa de execução recorde
de 98,9 por cento. Os investimentos do Estado atingiram os 214 milhões de
contos num total possível de 216.

<p n=12833>
Em matéria de investimentos em educação regista-se a construção de 51
novas escolas do ensino básico ou secundário o que se traduz num aumento
da capacidade do actual sistema em 605 novas salas, abrangendo 18 mil
alunos. Foi ainda iniciada a edificação de outras 49 escolas e
apetrechadas 300 novas salas em escolas profissionais.

<p n=12834>
Como aceder aos mercados portugueses e quais  as características da
economia nacional, foram o objecto de um estudo do Departamento de
Comércio dos EUA, sob o título «Marketing em Portugal».

<p n=12835>
O Departamento de Comércio dos EUA recomenda aos exportadores americanos
que se concentrem nas exportações de computadores e material de
escritório, equipamentos de construção civil e exploração de minas  assim
como material de tecomunicações e equipamento de segurança, sem esquecer
aparelhagens médicas. Todos estes produtos coincidem com áreas que o
estudo reconhece estarem em crescimento em Portugal, oferecendo uma boa
possibilidade de penetração no mercado.

<p n=12836>
A ligação entre a nave de carga Progress-M-7 e a estação espacial Mir,
realizada na passada quarta-feira, poderia ter causado um enorme desastre
de que resultaria a morte dos dois astronautas a bordo da estação,
revelou a televisão soviética. Os controladores em terra aperceberam-se,
apenas alguns segundos antes do impacto, que os computadores que
conduziam a Progress na direcção da Mir estavam na realidade a colocá-la
em rota de colisão. Ao accionar de imediato os foguetes da nave de carga,
o problema foi resolvido, tendo o impacto sido evitado por escassos 12
metros. Como o PÚBLICO noticiou na sua edição de ontem, a nave de carga
Progress-M-7 encontra-se já acoplada à estação espacial Mir, depois de
ter falhado esta manobra nos passados dias 21 e 23 de Março.

<p n=12837>
Segundo a revista «New Scientist», os testes de detecção convencionais,
que medem a perda de visão periférica, apenas a detectam quando mais de
metade das células nervosas já foram mortas. Mas Frederick Fitzke e os
seus colegas do Instituto de Oftalmologia de Londres desenvolveram agora
um método assistido por computador cuja sensibilidade é muito maior. O
método consiste em detectar uma perda particular de visão periférica: a
do movimento.

<p n=12838>
Um tribunal de Osaka, no Japão, decidiu condenar ontem 10 empresas a
pagarem 2,5 milhões de dólares (mais de 350 mil contos) pelos danos
causados a 76 vítimas de um caso de poluição industrial ocorrido em 1978.
O valor das indemnizações, apesar de elevado, fica muito aquém dos 27
milhões de dólares solicitados pelos 117 lesados pelas diversas fábricas
instaladas no bairro Nishi Yodogawa, em Osaka. Entre as empresas
condenadas encontram-se a Kansai Electric Power Company, a Osaka Gas e a
Kobe Steel, acusadas de terem emitido demasiado enxofre para a atmosfera.

<p n=12839>
O tratamento com medicamentos antivirais ou imunoterapias que aumentem o
período de incubação da sida, sem reduzir a capacidade de infectar dos
indivíduos tratados, pode aumentar o ritmo de propagação da doença e o
número de mortes provocadas por ela dentro de uma comunidade. A conclusão
é de três investigadores ingleses, do Departamento de Biologia do
Imperial College da Universidade de Londres que publicaram anteontem o
resultado da sua investigação na revista científica «Nature».

<p n=12840>
O Presidente albanês Ramiz Alia afirmou ontem em Tirana que aceitará o
resultado das eleições multipartidárias que decorrem amanhã em todo o
país, apesar de se ter esquivado a revelar qual será o seu futuro
político em caso de derrota eleitoral.

<p n=12841>
O Chefe de Estado albanês fez questão de salientar, no seu primeiro
encontro com a comunicação social, que a «realização dos ideais
socialistas» continua a ser o principal objectivo da Albânia. Alia
produziu na ocasião um vibrante elogio a Enver Hoxha, o líder estalinista
que dirigiu o pequeno Estado balcânico desde o fim da II Guerra Mundial
até 1985, ano da sua morte. «A Albânia deve a sua liberdade e a sua
independência a Enver Hoxha e todas as grandes transformações do país
foram feitas sob a sua direcção», disse, apesar de reconhecer que o
antigo dirigente pode ter «cometido erros».

<p n=12842>
CONTINUAR a conversar no futuro parece ter sido o único ponto importante
a que os Presidentes das seis repúblicas da Jugoslávia chegaram a acordo,
após sete horas consecutivas de discussão sobre o futuro do país, que
terminou já noite dentro de quinta-feira.

<p n=12843>
É no entanto impossível afirmar quando terminarão as conversações e
quantas voltas vão dar ainda os Presidentes através das seis repúblicas,
até porque o comunicado conjunto saído de Split não fornece qualquer
indicação sobre o ritmo das conversações.

<p n=12844>
O PRESIDENTE angolano, José Eduardo dos Santos, admitiu a possibilidade
de, «em condições determinadas», vir a ter no próprio país contactos
directos com o líder da UNITA, Jonas Savimbi.

<p n=12845>
No seu entender, não se justifica a manutenção da acção armada e a UNITA,
«se tivesse sensatez e boa fé, deveria associar-se à grande corrente que
a nova situação vai gerar, no sentido de levar Angola à paz, estabilidade
e reconciliação nacional».

<p n=12846>
O GRUPO paramilitar pró-britânico Forças Voluntárias do Ulster (UVF)
reivindicou ontem o atentado que na véspera fez três mortos em Craiganon,
num sector católico do condado de Armagh, e avisou que haverá outros
ataques semelhantes. Os diferentes partidos políticos da Irlanda do Norte
tinham decidido, pela primeira vez desde 1974, sentar-se a uma mesma mesa
de negociações.

<p n=12847>
O MINISTRO moçambicano dos Negócios Estrangeiros, Pascoal Mocumbi,
considerou «imoral» a proposta da Renamo para um cessar-fogo das seis
horas de hoje às 18 de segunda-feira: «É o mesmo que dizer hoje não te
mato, nem amanhã, mas vou-te matar depois». E recordou a proposta de
dirigentes religiosos para o fim dos ataques aos alvos civis: «Isto é que
seria uma atitude positiva». Mocumbi afirmou ainda que o processo
negocial sairia favorecido se a Renamo permitisse, como propôs a Cruz
Vermelha, o regresso às suas aldeias dos refugiados que se encontram fora
do país.

<p n=12848>
A PROMOÇÃO de um sexagenário a um lugar importante do Governo chinês, a
anunciar no fim da actual sessão anual do parlamento, pode representar a
primeira vitória dos reformistas do Partido Comunista desde a repressão
do movimento pró-democracia em Tiananmen, em Junho de 1989.

<p n=12849>
A promoção de Zhu Rongji já fora contudo sugerida o ano passado, também
por ocasião da reunião anual do Congresso Nacional Popular, acabando por
não se concretizar. O chefe do município de Xangai notabilizou-se durante
o esmagamento do movimento pró-democrático por não utilizar a força, ao
contrário do que sucedeu em Pequim, onde os tanques do Exército esmagaram
estudantes em Tiananmen.

<p n=12850>
UM DIRIGENTE curdo afirmava a semana passada em Damasco com indisfarçável
entusiasmo: «Nunca estivemos tão próximos de atingir os nossos
objectivos». No Sul do Iraque, a revolta xiita ainda fazia tremer o
regime de Saddam; no Norte, no Curdistão, a guerrilha varria os
desorganizados contingentes do Exército e ocupava aldeias e cidades.

<p n=12851>
Sinal da sorte das armas é o verdadeiro pedido de socorro dirigido ontem
às Nações Unidas pelo segundo mais importante grupo curdo envolvido na
rebelião contra Saddam, o Partido Democrático do Curdistão (KDP). Um
porta-voz do KDP em Paris  lançou um apelo ao Conselho de Segurança e ao
secretário-geral da ONU para que ponham ponto final «à agressão das
forças criminosas do regime de Bagdad contra o povo curdo».

<p n=12852>
ARISTIDES MENEZES, no dia 10 exonerado de secretário de Estado guineense
do Plano, entrou em dissidência com o PAIGC -- noticiou ontem a agência
Lusa.

<p n=12853>
No que parece ser colocar-se em linha para a política do futuro, depois
da autorização de diversos partidos, Aristides Menezes disse que
«interpretar o sentir prevalecente dos guineenses constitui uma
necessidade gritante da assunção dos deveres de todo e qualquer cidadão
responsável».

<p n=12854>
OS REBELDES curdos anunciaram ontem que abandonaram Kirkuk, a mais
importante cidade no Norte do Iraque, forçados por uma violenta ofensiva,
por terra e ar, das tropas leais a Saddam Hussein.

<p n=12855>
A agência France Presse recordou que a deportação de populações curdas
para o Sul do Iraque foi uma das principais armas do regime iraquiano nas
suas anteriores lutas contra os rebeldes.

<p n=12856>
Caíu, enfim, o sexto Governo de Andreotti. O futuro é uma incógnita. Se a
hipótese mais provável é a de convocação de eleições antecipadas, nenhum
outro cenário pode ser excluído. Nem o de um outro primeiro-ministro da
DC. Nem o de «um acordo extremo» entre DC e ex-comunistas, sob a égide de
Andreotti VII.

<p n=12857>
A novidade da situação actual é a intervenção directa do Presidente da
República na vida (ou, neste caso, na morte) do executivo. Cossiga, na
sexta-feira passada, anunciou que era contrário a uma reorganização
interna, a uma simples redistribuição das pastas ministeriais, preferindo
a abertura da crise e a formação de novo gabinete. Anteontem,
quinta-feira, enviara a Andreotti uma carta repleta de sugestões,
observações e conselhos a respeito do programa do futuro Governo.

<p n=12858>
A DEMOCRACIA popular no Laos encerrou ontem um capítulo, quando o líder
histórico do partido comunista, o príncipe Souvanaphong, se afastou do
politburo e passou a integrar uma comissão de conselheiros.

<p n=12859>
As palavras de «despedida» de Souvanaphong, proferidas ontem no
encerramento do quinto congresso do Partido Revolucionário do Povo Lao,
dão a medida de como é limitada a actual abertura laociana.

<p n=12860>
Depois da vitória conseguida quinta-feira com a realização de uma
manifestação em seu apoio, ontem foi a vez de Ieltsin sofrer uma derrota:
o Congresso dos Deputados da Rússia recusou-se a discutir a proposta de
criação de um cargo de Presidente na maior república soviética. Apesar
disso, Ieltsin discursou e defendeu um Governo de coligação para a URSS.

<p n=12861>
Depois da grande manifestação realizada quinta-feira em Moscovo em apoio
de Ieltsin, a situação era bastante confusa no Congresso ao princípio da
manhã de ontem. Os deputados discutiram durante uma hora e meia, sem
quaisquer resultados, a ordem dos trabalhos, que, aliás, tinha já sido
discutida na véspera com representantes dos vários grupos parlamentares.

<p n=12862>
Noite de Tango argentino, com Osvaldo Pugliese e a sua orquestra e seis
pares de bailarinos da companhia de Aníbal Pannunzio. Às 21h30, no Salão
Preto e Prata do Casino do Estoril.

<p n=12863>
Pintura de Teresa Silva e escultura de Sílvia Westphalen em exposição na
galeria Ara. Avenida da Liberdade, 38 - Centro Comercial Libersil, Loja
48.

<p n=12864>
Até a meia-noite de ontem, todos os habitantes dos concelhos de Cascais e
Oeiras, mesmo os que vivem em pontos mais altos, voltarão a ter água nas
torneiras, depois de três dias de «seca».

<p n=12865>
A Câmara do Entroncamento decidiu, por unanimidade, criar uma comissão
para acompanhar e desbloquear o processo de criação do Museu Ferroviário
nesta vila. José Pereira da Cunha, presidente do município confessou que
esta iniciativa resulta de um encontro em Lisboa com Simões do Rosário,
responsável da CP, e traduz o «desencanto, insatisfação e dúvidas
sentidas no concelho em relação às motivações da Assembleia da
República».

<p n=12866>
Noche de tango argentino, con Osvaldo Pugliese y su orquestra, además de
seis parejas de baile de la compañia de Aníbal Pannunzio. A las 21.30, en
el Salón Negro y Plata del Casino Estoril. Reservas por el telefono 468
45 21.

<p n=12867>
Pintura de Teresa Silva y escultura de Sílvia Westphalen en exposición en
la galeria Ara. Avenida da Liberdade, 38 -- Centro Comercial Libersil,
Loja 48.

<p n=12868>
Fernando Pessoa, petrificado na sua mesa diante da pastelaria Brasileira,
em Lisboa, permaneceu impassível. Mas muitos dos turistas, que ontem, à
hora do almoço, tomavam cafés e cervejas na esplanada ao lado, certamente
ficaram sensibilizados, senão incomodados. Contrastando com o ar
descontraído que o feriado empresta às pessoas que por ali passam, uma
negra jovem está deitada sobre um colchão velho, à sombra da estátua do
poeta Chiado. Ao lado do colchão, um carrinho de bebé, e também deitada
sob um aglomerado de cobertas, uma pequena criança, que a mãe, vez por
outra, afaga carinhosamente. Com cerca de seis anos de idade, uma segunda
criança passa de mesa em mesa pedindo um auxílio. A cena passa-se num
ponto nevrálgico da capital do país, por onde, nesta Páscoa, passarão
milhares de estrangeiros que vieram ver a bela Lisboa. Mais uma cerveja,
por favor!

<p n=12869>
A afirmação posterior de que todas as participações de Ferreira dos Anjos
«correm, porém, seus termos, no Tribunal Administrativo do Círculo de
Lisboa» permite concluir que Moura Guedes considerou «irregulares» os
actos de João Justino participados pelo vereador do CDS.

<p n=12870>
Os quadros de Luís França, em exposição na Altamira até ao próximo dia 15
de Abril, referem-se a diversas faceta do próprio trabalho da pintura.
Podem dividir-se em duas séries, que nunca ultrapassam o formato médio.
Na primeira, o pintor fornece indícios de um ofício que se supõe  manual
ou artesanal. O espaço de cada tela, inteiramente recoberto de
pinceladas, numa derivação das correntes expressionistas da década
passada, ordena-se, pela via das escolhas cromáticas, em zonas de luz e
de sombra; e estas zonas, de maneira mais ou menos explícita, vão
sugerindo imagens de ferramentas, de mesas, de espaços de trabalho.

<p n=12871>
A galeria Altamira fica na Rua Filipe Folque e está aberta, nos dias
úteis, das 9h00 às 19h00 e, aos sábados, das 9h00 às 13h00.

<p n=12872>
De vez em quando a Lagoa de Óbidos fica separada do mar por um cordão de
areia. A sua fonte seca com cada vez maior frequência e, em
contrapartida, jorram projectos urbanísticos, sem cessar. Foi por causa
de problemas como estes que a Comissão Coordenadora da Região de Lisboa e
Vale do Tejo elaborou um estudo de ordenamento para a zona.

<p n=12873>
La carteleira completa de espectáculos e outros ócios, pero en portugués,
está a continuación, volviendo la página.

<p n=12874>
Dentro dos seus limites para sul, o concelho de Palmela tem já
características alentejanas visíveis, por exemplo na arquitectura das
casas de Zambujal (Marateca). Mas também a toponímia nos dá indicações
quanto a esta presença, como no Bairro Alentejano (Quinta do Anjo),
designação de finais dos anos 60 que se deve ao facto de a maior parte
dos residentes serem oriundos do Baixo Alentejo.

<p n=12875>
António Miranda, presidente do grupo, aljustrelense, meteu os pés a
caminho de Lisboa em 1955, com 13 anos. «Depois, voltei para o Alentejo,
com 19 anos, e fiquei no Torrão, onde arranjei trabalho e casei.». Em
1971, trouxe a família para Paio Pires e, pouco depois, para Palmela,
onde foi trabalhar na construção.

<p n=12876>
Murça, rosmaninho e giestas e muitas flores serão o ex-líbris de
Constância, vila ribatejana em festa há uma semana que irá mostrar, na
segunda-feira da Boa Viagem, feriado local, com os seus barcos
engalanados, que o Tejo ainda pode ser navegável.

<p n=12877>
Este ano, além das cerimónias religiosa da bênção dos barcos e das ruas
repletas de flores, as festas contam com mostras de artesanato e de
outras actividades económicas, desde as tasquinhas às exposições, um de
pintura e outra fotográfica e documental, numa evocação das festas do
passado, cuja origem e evolução histórica serão evocadas, no feriado
municipal, numa sessão no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

<p n=12878>
! No grite! Los españoles hablamos muy alto, y al Lisboeta, acostumbrado
a comunicarse casi que en un susurro, nuestro volumen normal de voz le
resulta un verdadero martirio.

<p n=12879>
Para empezar, tómese las cosas con muuucha calma. Aquí la paciencia es un
arte y las prisas no sólo son sinónimo de mala educaciôn sino que además
provocan desconfianza.

<p n=12880>
Sérgio Carrinho, presidente da Câmara da Chamusca (independente pela
CDU), foi quinta-feira eleito como novo presidente da mesa da Assembleia
Distrital de Santarém. O PS votou contra esta lista que incluia dois
sociais-democratas, já que pretendia eleger o socialista Landislau Botas,
edil de Santarém.

<p n=12881>
Antes da assembleia, os socialistas afirmam ter tentado uma solução
consensual com a CDU e o PSD, propondo-lhes que integrassem a mesa como
primeiro e segundo secretários, respectivamente. Ambos os partidos
recusaram e o PS diz «não pactuar com jogos de bastidores».

<p n=12882>
Realizada por Salvatore Nocita, produzida por Alessandro Calosci e Anna
Maria Denza, adaptada por Enrico Medioli e Roberta Mazzoni, com música de
de Ennio Morricone (o compositor que assegurou as bandas sonoras de «Era
uma Vez na América» e «1900») «Os Noivos» tem ainda no seu «cast» nomes
tão conhecidos como Burt Lencaster, Murray Abrahm e, entre outros,
Fernando Rey.

<p n=12883>
Quando logo à noite às 20h20, no Canal 1, o segundo episódio de Os Noivos
for para o ar, o mais certo é que diante do pequeno ecrã se instale uma
audiência considerável de telespectadores. Desde que o filão da «série de
reconstituição histórica» foi descoberto que é assim. Os Noivos -- uma
co-produção que juntou as cadeias de TV Rai Uno, Bayerischer Rundfunk e a
RTV Ljubljana, e as produtoras Hermes Film e Gevest Holding -- não foge à
regra.

<p n=12884>
Num só dia, Bette Davis, Laureen Bacall, Sabu, Joseph Calleia, Harold
Lloyd e Gregory Peck. De algum modo, um dicionário de actores, na
televisão. No Canal 1, às 15h40, «A Mulher Modelo», de Vincent Minnelli,
conta com Gregory Peck e Laureen Bacall. Ele é um jornalista desportivo,
ela pertence ao mundo da alta costura. Na verdade, podia ser o contrário:
Laureen Bacall prometia uma jornalista desportiva indomável, e Gregory
Peck (basta olhar para ele) não se sairia mal no mundo da moda. Mas as
coisas vão bem com eles. Casam. E não tardam os mal-entendidos, os
confrontos, as situações hilariantes. Em «O Filho da Selva», de Zoltan
Korda, Sabu é Mowgli, um menino selvagem criado por uma loba. Tudo
acontece como em «O Livro da Selva», de Rudyard Kipling, segundo a
direcção de Zoltan Korda. É no Canal 2, às 14h10. Mais tarde, às 19h45, a
última parte do documentário «Harold Lloyd, O Génio do Burlesco». E à
noite, a partir das 23h30, um telefilme de George Schaeffer, «O Piano de
Mrs. Cimino», com Bette Davis. Ela é uma velha senhora que luta pela
posse plena dos bens e da vida, contra os tribunais e a família. Basta
ter visto a actriz uma vez que seja, para se ter a certeza de que o papel
fica em boas mãos. M.A.G.

<p n=12885>
A história dos dois é conhecida (demais) para ter que ser resumida. Quem
vir esta «Gata-Borralheira», porém, terá alguma dificuldade em encontrar
a doce Cinderela pálida e loira, vítima das maldades da madrasta e das
horrorosas meia-irmãs. Maguy Marin é uma coreógrafa que quer chocar e as
suas obras recorrem a histórias de uma convencionalidade a toda a prova
para nelas exercer uma sitemática e (muitas vezes) insuportável
destruição do sentido -- à semelhança das crianças que esventram as
bonecas porque gostam demasiado delas.

<p n=12886>
«Nunca o fiz [roubar livros] sem uma justificação ideológicaƒ»

<p n=12887>
«Ao tomar a decisão de indicar o nome de Marcelo Rebelo de Sousa para
proceder a um inquérito sobre a publicidade da Câmara Municipal de
Lisboa, Jorge Sampaio, por uma vez, acertou em cheio no alvo.»

<p n=12888>
«Tenho dois canários e falta-me um cão. Além disso, devem viver naquele
ecossistema [a casa] alguns que não convidei.»

<p n=12889>
«Ao nomear um destacado militante do PSD e líder da oposição na Câmara
para superintender ao inquérito, Jorge Sampaio colocou-se `acima de
qualquer suspeita'.»

<p n=12890>
Lemos no jornal PÚBLICO de dia 16 de Março de 1991, na página 44, um
artigo com o título «Leitura de jornais na 2ª Circular», onde se fazem
alguns comentários sobre a Lisgráfica, a qual teria de pagar
indemnizações ao semanário «O Jornal» por perda de alguns exemplares.

<p n=12891>
Era uma vez um larguinho triangular, dos mais apetitosos de Lisboa, com
cinco frondosas árvores exóticas (jacarandá) e que Camões exaltaria como
uma possível Ilha dos Amores Urbanos. Era o largo aqui em frente da
igreja de Santos-o-Velho, colado à Embaixada de França e ao Convento dos
Marianos, e que servia de pórtico à Lapa, ao Museu das Janelas Verdes,
aos santenses todos, sobretudo aos mais idosos, e a mim também.

<p n=12892>
O dr. Mário Soares, durante a próxima visita do Papa ao nosso país, (...)
fez saber que tenciona participar nas quatro missas presididas por João
Paulo II. «Até vai a Fátima», o que acontecerá pela primeira vez. Isto
foi lido há poucos dias.

<p n=12893>
A desinformação, as asneiras e as manipulações acerca dos resultados do
referendo, reproduzidas nas notícias das agências e dos correspondentes
estrangeiros naquele país, são por de mais gritantes e coincidentes para
que possam ser fruto do acaso ou mera epidemia colectiva de ignorância e
ingenuidade.

<p n=12894>
Uma semana calma e pacata com a publicação de discretos diplomas legais
deixou-nos tempo para saborearmos o grande diploma da semana: a concessão
à ACOS do estatuto de entidade certificadora do maravilhoso queijo Serpa.
Dentro de seis meses só compre os Serpas que apresentarem o selo que
reproduzimos.

<p n=12895>
2. A hipótese é já um clássico: imagine que vai a passear com um bom
porco ou uma vitela à beira-mar. Subitamente, as competentes autoridades
mandam-no parar, fazem uma sumária análise ao produto cárneo que
transportava e declaram-no impróprio para consumo! Que fazer?

<p n=12896>
A fragata «Sacadura Cabral» deu ontem entrada na base do Alfeite,
regressando da sua participação nos exercícios da NATO -- «NAVOCFORMED» --
que decorreram no Mediterrâneo oriental. Entretanto, entre 2 e 6 de Abril
realiza-se a segunda fase dos exercícios militares «CONTEX 912» nos quais
as Forças Armadas portuguesas participam com duas fragatas, três
corvetas, dois submarinos e aviões de ataque FIAT  e CORSAIR A7P. As
manobras decorrem ao largo da costa europeia, no Atlântico Norte, desde
18 de Março até 12 de Abril. Envolvendo um total de mil e quinhentos
homens, as operações contam com a participação de tropas e material
militar espanhol e norte-americano.

<p n=12897>
João Soares, líder da minoria do PS e «número dois» dos socialistas na
Câmara de Lisboa, assume-se como um homem que, de momento, «tem todo o
seu interesse virado para as autarquias». Nesta medida, garante que não
será candidato a deputado e revela ter um acordo com Sampaio, mediante o
qual será o próximo cabeça de lista do partido nas eleições para o
município lisboeta.

<p n=12898>
R. -- Não creio. Mas a lógica de umas presidenciais não tem nada a ver com
a de umas legislativas. Isto acaba por ter de ser uma opção da direcção
do partido, e é particularmente dramática, porque ela tem de contentar
muita gente.

<p n=12899>
R. -- Nem houve propriamente uma estratégia. Tenho a impressão que isso
também foi muito empolado pela comunicação social. Provavelmente, houve
aí um dedinho da «task-force» do PSD...

<p n=12900>
Duas das quatro auxiliares de enfermagem do hospital de Lainz, em Viena,
conhecidas como «anjos da morte», foram consideradas culpadas da morte de
41 doentes idosos e condenadas ontem a prisão perpétua por um tribunal da
capital austríaca. Às outras duas foram aplicadas penas de 20 e 15 anos
de prisão. Waltraud Wagner, 32 anos, «o anjo da morte de Lainz», culpada
de 15 mortes e de 17 tentativas de homicídio, foi condenada a prisão
perpétua. Pena igual teve Irene Leidolf, 29 anos, considerada culpada de
cinco mortes e duas tentativas de homicídio. Responsáveis por sete e duas
tentativas de homicídio, respectivamente, Stefania Wagner, 52 anos, foi
condenada a 20 anos, e Maria Gruber, 29 anos, a 15 anos de prisão. As
quatro auxiliares recorreram a sobredoses de barbitúricos e a «banhos de
boca», que provocaram a asfixia dos doentes.

<p n=12901>
Os portugueses continuam a acreditar no Além. Sobretudo quando alguém se
assume como intermediário entre cá e lá. Caso do Irmão Caetano, que foi
«ver» Jesus Cristo a Jerusalém. Atrás dele, uma pequena multidão.

<p n=12902>
Pela  primeira vez em França, desde há um século, vai ser construída uma
catedral, sob o impulso de Guy Herbulot, bispo de Evry, na região
parisiense.

<p n=12903>
Na cidade de San Fernando, região de Pampanga, dez homens foram pregados
em cruzes, numa autêntica orgia de crucificações. Cerca de 2 mil pessoas,
incluindo dezenas de turistas, viram uns quantos homens, vestidos à moda
do antigo Império Romano, colocar pregos de 10 centímetros nas palmas das
mãos dos devotos. Um autêntico espectáculo, com os crucificados a gritar
enquanto eram erguidos até à cruz.

<p n=12904>
Continua envolto em mistério o assassínio de um casal bracarense. O crime
tem requintes pouco comuns. Os corpos dos dois sexagenários foram
encontrados dentro de malas, em Espanha, cortados aos bocados. Na casa de
Braga, foi encontrado sangue. Era um casal pacato, dizem os vizinhos.

<p n=12905>
O casal terá sido assassinado na sua residência, na Rua de Camões, em
Braga, e transportado depois para Espanha. Os corpos foram encontrados
anteontem, dentro de duas malas de viagem, em Goián, localidade próxima
de Vila Nova de Cerveira, na margem do rio Minho, cortados aos bocados e
embrulhados em sacos de plástico, num caminho de acesso a uma herdade
galega.

<p n=12906>
A Bíblia foi desde sempre o livro mais lido por judeus e cristãos. Esta
leitura, na medida em que uns e outros vêem na Bíblia a Sagrada
Escritura, comporta inevitavelmente uma dimensão religiosa. Durante
muitos séculos ela foi, de facto, imediata e exclusivamente teológica.
Deslumbrados pela palavra divina, os exegetas prestavam pouca atenção às
palavras humanas em que ela se expressa. Tomavam a Bíblia à letra e viam
nela a expressão de verdades intemporais e infalíveis sob todos os pontos
de vista.

<p n=12907>
Em poucos anos, a Escola formou uma equipa de investigadores, a maioria
dos quais foram pioneiros numa das disciplinas nela praticadas e gozam
ainda hoje de uma grande autoridade. Para que os resultados das suas
investigações não ficassem só entre os seus estudantes mas chegassem aos
estudiosos de todo o mundo, a Escola fundou em 1892 a «Revue Biblique»,
uma das primeiras e das mais conceituadas revistas especializadas nos
estudos bíblicos e orientais, à qual vieram juntar-se mais tarde os
«Cahiers de la Revue Biblique». Em 1903 começou a publicação da colecção
«Études Bibliques», que tem neste momento 115 espessos volumes
publicados. A Escola tornou-se assim em pouco tempo um dos centros de
investigação mais dinâmicos e mais famosos no seu domínio. Em 1920, foi
reconhecida pela República Francesa como Escola Arqueológica Francesa e
posta sob a tutela da Academia das Inscrições e Belas Letras, passando a
chamar-se Escola Bíblica e Arqueológica Francesa. Foi na Academia
Francesa que se encerraram a 23 de Novembro de 1990 as comemorações do
centenário da Escola, que constaram também de uma celebração em Jerusalém
e de um colóquio internacional em Lyon sobre o tema «Nascimento do método
crítico».

<p n=12908>
A Páscoa não mobilizou os cristãos para a peregrinação a Jerusalém. a
interpretação mais imediata é a de que subsiste o medo de alguma loucura
de Saddam, como seria o caso de lançar um míssil com armas químicas.

<p n=12909>
Os 18 ataques com mísseis iraquianos Scud dirigidos para Israel em
Janeiro e Fevereiro causaram prejuízos de pouca monta ao país, mas não há
dúvida de que deram cabo da sua indústria turística, bastante importante
já que origina receitas de 1,8 mil milhões de contos. Yosef Shoval,
porta-voz do Ministério do Turismo israelita, calcula que só entraram 55
mil visitantes no país em Março, quando no ano passado, e durante o mesmo
período, se registou a afluência de 143 mil. Pelo menos dois terços dos
visitantes deste ano eram judeus que vieram comemorar a Páscoa.

<p n=12910>
A violência estava ontem, à noite, a cercar de novo Sartrouville, uma
cidade da periferia de Paris. A polícia, tentando evitar que se repetisse
a violência de quinta à noite, tomou medidas de segurança. Mas o problema
de fundo mantém-se: o do modo de vida nos «ghettos» que albergam as
minorias e estrangeiros.

<p n=12911>
Umas testemunhas afirmam que Djamel tentou ainda separar os amigos,
outras dizem que foi de imediato abordado por dois "seguranças" do centro
que lhe disseram para "consumir qualquer coisa ou pôr-se a andar".

<p n=12912>
Ahmad Said Abou Ktesh, um árabe da aldeia de Abou Gosh, nos arredores de
Jerusalém tornou-se desde ontem, no homem mais rico e no maior
proprietário de Israel. Mas apenas durante uma semana, por um original
contrato que se repete há 30 anos.

<p n=12913>
Ahmad Said Abou Ktesh, de 61 anos, pai de 10 filhos, é guarda-nocturno no
hospital Bikour Holim de Jerusalém. «Há 30 anos um rabino convocou-me,
explicando-me estes pormenores da religião judaica. Perguntou-me então se
eu aceitava assinar um acordo fictício para comprar todos os bens. E eu
aceitei».

<p n=12914>
Regis 7  Tem sido uma agradável surpresa e tem sobretudo uma
característica que o distingue: é muito difícil de bater quando o
avançado lhe aparece isolado. O Braga melhorou muito desde a sua chegada.

<p n=12915>
Vítor Duarte 5 Um central de marcação que sabe os rudimentos da posição e
é muito difícil de bater nos lances por alto. Duro, agressivo, falta-lhe
a capacidade técnica que lhe permitiria outra dimensão de jogador.

<p n=12916>
Vítor Baía 7 Continua a ser um guarda-redes em crescimento, o que é
inevitável dada a sua idade. Nos últimos tempos pareceu readquirir uma
estabilidade que em certo momento pareceu ter perdido.

<p n=12917>
Aloísio 6 Não conseguiu desfazer as dúvidas que sempre existiram nas
Antas sobre o seu valor ou, talvez mais correctamente, sobre a sua forma
de actuar. Tem jogos em que dá ideia de «descolar» mas noutros...

<p n=12918>
Limpezas

<p n=12919>
Na economia, estas operações são mais demoradas. Nos últimos anos, os
bancos têm-se esforçado por limpar dos seus balanços os créditos de
cobrança duvidosa, o Estado tem tentado conter as despesas públicas (o
pano do pó não se revela completamente eficaz), a indústria aposta na
reestruturação, os grupos económicos querem crescer, e todos falam em
arrumar a casa. Os mais filosóficos referem mesmo que, se a nossa casa
não estiver arrumada, não será possível fazermos boa figura na casa dos
outros. Nem tão pouco teremos a credibilidade suficiente para exigir
ajudas para a limpeza, se não mostrarmos vontade e resultados.

<p n=12920>
O risco existe

<p n=12921>
A crise financeira nos Estados Unidos é o resultado desses anos de
abundância de crédito. Depois da América Latina, é o sector imobiliário a
criar as grandes dores de cabeça aos gestores das instituições
financeiras norte-americanas.

<p n=12922>
10 por cento da população activa dos países da Europa de Leste poderão
ficar no desemprego até final do corrente ano. A passagem da economia
planificada para a economia de mercado implica uma redução drástica do
número de assalariados. Na ex-RDA e na Jugoslávia, onde o número de
desempregados já é considerado alarmante, o valor de 10 por cento será
ultrapassado. As previsões mais pessimistas apontam para um desemprego de
50 por cento na ex-RDA e 20 por cento na Jugoslávia, onde a crise
económica e financeira se junta ao descalabro político e acelera a
recessão. Se o desemprego é um fenónemo comum a todos os países da Europa
de Leste, a reacção já varia de país para país e vai desde a falta de
esperança no futuro, na Hungria e Bulgária, às greves e movimentos de
protesto, na Polónia, passando pela escalada do nacionalismo, na Sérvia e
Eslováquia.

<p n=12923>
António Borges e as falências -- Quem esperava facilidades na política
monetária nos próximos tempos pode desenganar-se. O aviso veio de António
Borges, na semana passada. Num almoço promovido pela Associação
Portuguesa de Economistas, o vice-governador não deu grandes motivos para
que alguns empresários tenham boas digestões no futuro próximo. «O
processo de crescimento económico dos anos de 1985-87 está 
definitivamente ultrapassado, uma vez que já não se trata, agora, de
assegurar uma melhor afectação dos recursos da economia portuguesa,
promovendo o emprego e o aumento da taxa de utilização da capacidade
produtiva», afirmou António Borges. E prosseguiu: «A única forma de
continuar o processo de crescimento é apostar na mudança estrutural do
tecido económico, estimulando novos ganhos de produtividade e a
introdução de maior inovação tecnológica. Isto não se fará sem a selecção
de empresas, através de uma política monetária e cambial exigente, por
contraposição a uma política de facilidade que apenas permitiria, de
forma indesejável, a sobrevivência dos menos competitivos.» Ou seja, a
partir de agora é «à séria» e os mais fracos ficarão pelo caminho. Pelo
menos, da política monetária e cambial não poderão esperar ajudas.

<p n=12924>
MON AMI ARAFAT-Os amigos são sempre importantes. No caso de Mário Soares
esta afirmação também corresponde à verdade. Sem esquecer o apoio
prestado pelo presidente português nas alturas dificeís, Yasser Arafat,
lider da Organização de Libertação da Palestina (OLP) pretende investir
em Portugal cerca de 50 milhões de dólares (aproximadamente 7,5 milhões
de contos). A zona franca da Madeira é a área que reúne a maior
preferência dos investidores palestinianos. Ser um empresário com
ligações a Mário Soares parece ser condição indespensável para os
portugueses que pretendam associar-se aos investimentos da OLP. Apesar do
montante do investimento do Fundo Nacional Palestiniano (Ministério das
Finanças da OLP) poder ser considerado elevado não representa mais de um
por cento, do total dos recursos da OLP, apesar do valor exacto dos
recursos da OLP se encontrar no segredo de Arafat.

<p n=12925>
Em associação com a quebra do iene, os investidores de Tóquio parecem não
ter qualquer tipo de incentivos para investir em títulos de rendimento
variável. Acresce, a agravar a situação, o fim-de-semana comprido e o
novo ano fiscal japonês que hoje começa.

<p n=12926>
Reunião espelha os problemas dos países

<p n=12927>
Outro pormenor curioso: a bandeira da Roménia exposta no conjunto das
bandeiras dos países participantes, constituída por faixas verticais de
azul, amarelo e vermelho, apresenta na sua faixa central (amarela) um
buraco redondo de dimensões consideráveis: era o símbolo do regime de
Ceausescu, que foi rasgado pelos delegados.

<p n=12928>
Descrevendo cada um dos sistemas, Tomas diz-nos que, no Japão, quem está
a apertar um parafuso ou a colocar um azulejo considera que está a fazer
um carro ou a construir um edifício. Os gestores agem em consonância com
este espírito: a empresa é a sua vida; cada função é entendida como a
participação no todo.

<p n=12929>
Vieira da Silva, Cavaleiro da Legião de Honra -- A pintora Maria Helena
Vieira da Silva foi condecorada pelo Presidente François Miterrand com as
insígnias de Cavaleiro da Legião de Honra, uma das mais altas
condecorações francesas, informou ontem a Lusa. Numa cerimónia realizada,
quinta-feira, no Palácio do Eliseu, em Paris, perante o
primeiro-ministro, Michel Rocard, e outros membros do Governo, Miterrand
condecorou igualmente outras sete figuras femininas, tendo afirmado que,
através delas, todas as mulheres francesas eram homenageadas. Vieira da
Silva, de 83 anos, que nasceu em Portugal e vive em Paris, continua a
pintar nos seus «ateliers» de Paris e dos arredores da capital francesa.

<p n=12930>
Angola privatiza imóveis -- A lei sobre a venda do património imobiliário
do Estado angolano foi aprovada pela assembleia do povo, permitindo aos
cidadãos do país a compra de terrenos e edifícios ocupados desde a
independência, em 1975. Reconhecendo que o Governo não conseguiu garantir
«o bom estado do parque imobiliário», a assembleia, segundo informou a
Lusa, referiu que as propriedades confiscadas teriam sido «uma fonte de
vantagens materiais» para o país se não fossem «os efeitos nefastos da
guerra». Um levantamento efectuado pelo «Jornal de Angola» revela que,
nos dois primeiros meses deste ano, 247 herdeiros ou representantes de
antigos proprietários apresentaram às autoridades reclamações de
propriedade sobre bens imóveis. O Governo angolano decidiu também abrir o
ensino à iniciativa privada.

<p n=12931>
Angola privatiza imóveis -- A lei sobre a venda do património imobiliário
do Estado angolano foi aprovada pela assembleia do povo, permitindo aos
cidadãos do país a compra de terrenos e edifícios ocupados desde a
independência, em 1975. Reconhecendo que o Governo não conseguiu garantir
«o bom estado do parque imobiliário», a assembleia, segundo informou a
Lusa, referiu que as propriedades confiscadas teriam sido «uma fonte de
vantagens materiais» para o país se não fossem «os efeitos nefastos da
guerra». Um levantamento efectuado pelo «Jornal de Angola» revela que,
nos dois primeiros meses deste ano, 247 herdeiros ou representantes de
antigos proprietários apresentaram às autoridades reclamações de
propriedade sobre bens imóveis. O Governo angolano decidiu também abrir o
ensino à iniciativa privada.

<p n=12932>
Cavaco Silva visitou ontem uma exploração agrícola do Brejão, no concelho
de Odemira, que se dedica à produção horto-frutícola, para abastecer o
mercado europeu. A herdade foi criada há três anos por Thierry Roussel,
ex-marido de Cristina Onassis, que pretende ser o maior produtor
horto-frutícola da Europa e que detém outras propriedades em Portugal.
Cavaco Silva, visivelmente satisfeito, considerou útil que os
agricultores portugueses tomassem conhecimento dos métodos introduzidos
por Roussel. A paragem do primeiro-ministro no Brejão ocorreu durante a
sua viagem para Montechoro, no Algarve, onde está a passar a Páscoa.
Apesar ir descansar, o primeiro-ministro visitou o Brejão acompanhado
pelo ministro do Planeamento, Valente de Oliveira, pelo secretário de
Estado da Alimentação, Luís Capoulas, e pelo governador civil de Beja,
Branco Malveiro. De tarde, e já só com a família, Cavaco Silva esteve em
casa de Amália Rodrigues, também no concelho de Odemira.

<p n=12933>
A fragata Sacadura Cabral deu ontem entrada na base do Alfeite,
regressando da sua participação nos exercícios da NATO -- «Navocformed» --
no Mediterrâneo oriental. Entretanto, entre 2 e 6 de Abril, realiza-se a
segunda fase dos exercícios militares «Contex 912», nos quais as Forças
Armadas portuguesas participam com duas fragatas, três corvetas, dois
submarinos e aviões de ataque Fiat  e Corsair A7P. As manobras decorrem
ao largo da costa europeia, no Atlântico Norte, desde 18 de Março e
prolongam-se até 12 de Abril. Envolvendo um total de mil e quinhentos
homens, as operações contam com a participação de tropas e material
militar espanhol e norte-americano.

<p n=12934>
Cavaco Silva visitou ontem uma exploração agrícola do Brejão, no concelho
de Odemira, que se dedica à produção horto-frutícola para abastecer o
mercado europeu. A herdade foi criada há três anos por Thierry Roussel,
ex-marido de Cristina Onassis, que pretende ser o maior produtor
horto-frutícola da Europa. A paragem do primeiro-ministro no Brejão
deu-se durante a sua viagem para Montechoro, no Algarve, onde está a
passar a Pácoa.

<p n=12935>
Primeiro concurso de beleza em Cabo Verde - A Juventude Democrática de
Cabo Verde prepara-se para organizar o primeiro concurso de beleza no
país, para escolher a Miss Santiago 1991. A experiência poderá ser
alargada a todas as ilhas do país, para se escolher a Miss Cabo Verde,
explicou ao PÚBLICO o presidente da Juventude Democrática. As
concorrentes deverão preencher os seguintes requisitos: idade
compreendida entre 15 e 25 anos e altura mínima de 1,55 metros. A miss
escolhida receberá um prémio de 50 mil escudos, havendo ainda prémios de
participação. O júri será constituído por estilistas, jornalistas e
fotógrafos.

<p n=12936>
A persistência das chuvas deve-se, segundo os especialistas, à existência
de um bloqueio representado por uma massa de ar húmido e quente, situada
em grande altitude, que impede a passagem de uma frente fria para o
Nordeste brasileiro.

<p n=12937>
A  hora portuguesa avança 60 minutos na madrugada de domingo, entrando-se
na chamada «hora de Verão». Actualmente, para terminar com esta «dança
das horas», a Comunidade Económica Europeia estuda a adopção de uma hora
fixa para todo o ano. Esta medida poderá entrar em vigor em 1992, ou, o
mais tardar, em 1993.

<p n=12938>
Finalmente, quem manda no tempo é o segundo atómico, definido conforme
uma frequência atómica natural, que corresponde à transição quântica do
átomo de Cesio 133.

<p n=12939>
O movimento de greve que afecta, desde quinta-feira, os grandes hotéis de
Lisboa, estendeu-se ontem a outras unidades, nomeadamente ao Estoril-Sol,
no momento em que fluxos de turistas espanhóis acorrem à capital
portuguesa. Segundo fontes sindicais, a greve teve a adesão de 100 por
cento dos empregados do Estoril-Sol e de 90 por cento do hotel Lutécia
que decidiram prosseguir a grave para lá das 48 horas inicialmente
previstas. Na véspera deste surto grevista, os empregados do hotel Ritz,
filiados na CGTP,  tinham entrado em greve. O caderno reivindicativo visa
a melhoria salarial e o enquadramento profissional dos trabalhadores das
unidades hoteleiras. Hoje e amanhã a greve deverá afectar as unidades
hoteleiras da cadeia Tivoli e Sintra.

<p n=12940>
Segundo o PÚBLICO pôde apurar as divergências com a Sonae têm a ver com
algumas cláusulas do contrato, nomeadamente a desoneração do edifício. Na
reunião de ontem, que acabou por não solucionar o problema, a Sonae teria
proposto o pagamento parcial da dívida, no início da próxima semana,
fazendo-o depender da aceitação de certas condições.

<p n=12941>
É difícil saber se o turista, acostumado a desfrutar o sol de Maiorca, se
irá satisfazer com o equivalente britânico de Blackpool ou Bournemouth --
a realidade é que as agências de viagem ainda não sabem como será a
procura de férias no estrangeiro. Nesta altura, as melhores estimativas
prevêem um aumento até 65 por cento no número de reservas, para esta
época do ano, embora os operadores se conformem com o facto de que a
depressão geral, causada pela guerra no Golfo, irá provocar um ano mau
para o turismo externo.

<p n=12942>
As estradas e as estações de comboios britânicas encheram-se no início do
fim-de-semana da Páscoa, mas o tráfego aéreo para o exterior ainda está,
pelo menos, 50 por cento abaixo dos valores normais. Uma combinação de
factores, que inclui não só a guerra no Golfo, mas também a recessão
económica e o crescente desinteresse pelos pacotes de férias nas
estâncias balneares do continente, contribuiu para afastar os turistas
britânicos dos aviões.

<p n=12943>
A grande questão é saber até que ponto a conjuntura económica contribuiu
para este estado de coisas. Muitas empresas de turismo acham que a guerra
serviu apenas para agravar um problema que tem na recessão a sua causa
principal. Além disso, os operadores turísticos observam uma queda
gradual na procura de pacotes de férias no exterior, não só por razões
económicas, mas porque as estâncias balneares tradicionalmente preferidas
pelos britânicos na Espanha, na França e no Algarve já começam a sair de
moda. Apesar da falta de dados oficiais, as agências de viagem estimam
que em 1991 se verificará uma queda de 15 a 20 por cento no número de
reservas de férias para o estrangeiro.

<p n=12944>
Com as miniférias da Páscoa, o Algarve ficou cheio que nem um ovo. Os
principais hotéis da região têm a lotação esgotada e nos bares e
discotecas «é sempre a aviar». O pior foi que o Sol ontem esteve meio
envergonhado e só os mais audazes tiveram coragem de dar um mergulho da
praxe.

<p n=12945>
As grandes discotecas de Albufeira e Vilamoura também têm estado a
abarrotar, desde quarta-feira. Nos restaurantes, o movimento começou por
não ser muito significativo, mas tende a crescer, porque, depois das
primeiras ondas de jovens, principalmente espanhóis, foram chegando os
«papás». Na Quinta-Feira Santa, que esteve um tanto cinzenta, não faltou
quem decidisse ir até à praia, mas, quanto a molhar os pés e a meter-se à
água, poucos ousaram afoitar-se, mesmo tendo o termómetro subido aos 22
graus.

<p n=12946>
Por ironia, o Ano Europeu do Turismo, comemorado em 1990, coincidiu com
uma das piores épocas turísticas de Espanha. Ainda que Saddam Hussein
seja posto no banco dos réus pelos hoteleiros, não deixa de ser verdade
que a guerra do Golfo apenas mascara uma realidade de grandes
dificuldades.

<p n=12947>
Este relançamento dever-se-á, segundo as estimativas oficiais, ao aumento
de turistas franceses em relação a 1990, calculado em 15 por cento,
reforçando o principal mercado europeu do turismo espanhol, com 22
milhões de visitantes por ano. A Alemanha, o terceiro mercado, com 12,5
milhões de turistas, parece ter respondido bem ao fim da guerra, com uma
subida das reservas na Feira de Berlim. Espera-se igualmente um acréscimo
de 10 por cento de italianos, austríacos e suíços. Em contrapartida, o
Reino Unido, o segundo cliente das estâncias de férias de Espanha, com 13
milhões de visitantes, não fornecerá o habitual contingente de jovens à
procura de cerveja e de sol. De 15 de Janeiro a 1 de Março, os operadores
fizeram um milhão de reservas, valor inferior ao do ano passado. Para
compensar isto, os espanhóis contam captar parte das correntes turísticas
do Norte de África e da Jugoslávia, zona e país atingidos,
respectivamente, pela desconfiança do integrismo islâmico e pelo receio
das confrontações internas.

<p n=12948>
Lisboa, 11h20. Um silêncio repentino baixa sobre as dezenas de turistas
que circulam diante do Mosteiro dos Jerónimos. Todos estão atentos à
passagem da procissão em direcção à capela. «Mira los angelitos», diz uma
mãe espanhola ao filho pequeno. A procissão veio na hora certa:
desiludidos por terem dado com a entrada do mosteiro fechada, devido à
greve dos funcionários dos museus do Instituto Português do Património
Cultural, os turistas aproveitaram a solenidade católica para ver, pelo
menos, a igreja por dentro.

<p n=12949>
Em toda a zona de Belém, apenas o Museu da Marinha se encontrava aberto.
No seu interior, um número maior do que o habitual de visitantes
observava, com a atenção desinteressada dos turistas, as réplicas de
caravelas, os antigos uniformes da Armada e curiosidades afins.

<p n=12950>
O conflito do Golfo contribuiu para o mau ano do turismo. Segundo
estatísticas da Organização Mundial do Turismo (OMT), a que o PÚBLICO
teve acesso, pouco depois da invasão iraquiana do Kuwait, a 2 de Agosto
de 1990, e antes do início das hostilidades militares, em 17 de Janeiro
último, o movimento de cidadãos norte-americanos e europeus decresceu.

<p n=12951>
Os norte-americanos foram também os mais receosos nos primeiros dois
meses deste ano, quando começaram as operações militares no deserto. A
este facto não é alheio realizarem as suas viagens de avião, meio
considerado de risco durante a guerra, pela possibilidade de atentados.

<p n=12952>
Assim que foi anunciada a rendição das tropas iraquianas, uma outra
guerra teve início, desta vez nos Estados Unidos: dezenas de agências de
viagens e companhias aéreas entraram em acesa disputa pelo vasto mercado
turístico norte-americano.

<p n=12953>
Em conferência de imprensa na sede londrina da companhia, o seu
presidente, Lord King, disse que, com estas ofertas, «ninguém se vai
lembrar da expressão `terrorismo internacional'». Segundo um inquérito
realizado pela associação americana de agentes de viagem, o medo do
terrorismo internacional é a principal causa da queda vertiginosa nas
viagens para fora dos EUA, ficando a recessão económica em segundo,
embora muito distante.

<p n=12954>
O turismo português prepara-se para a época alta num clima de optimismo
reservado à luz das primeiras projecções. Um estudo da Organização
Mundial de Turismo, completado na sede da organização em Madrid, a partir
de elementos fornecidos pelas autoridades portuguesas, indica que, nos
próximos seis meses, a vinda de cidadãos da América do Norte e do Canadá,
em turismo ou negócios, deverá conhecer, respectivamente, diminuição e
estagnação. Em contrapartida, haverá um aumento de visitantes da Europa
comunitária -- espanhóis, britânicos, alemães, franceses e holandeses -- e
do Japão.

<p n=12955>
«Os espanhóis começaram a olhar para Portugal como destino de férias nos
últimos dois, três anos», afirma o director do Centro de Turismo de
Portugal em Madrid, Nuno Mendes de Almeida. Mas as previsões para a época
alta são prudentes. «Aumento muito grande não pode haver, pois os volumes
já são muito elevados», adianta Mendes de Almeida. «Prevejo um incremento
de turistas de cinco por cento, depois de no ano passado termos tido um
aumento de 16 por cento.»

<p n=12956>
A quota de viagens de avião para chegar ao destino das férias aumentou
quatro por cento, de 1985 a 89, a oscilação mais marcante naquele
período, quanto ao meio de transporte utilizado pelos turistas, segundo
revelam estudos da Organização Mundial de Turismo (OMT). No entanto, o
automóvel continua a ter a preferência, enquanto o comboio e o barco
estão no topo da escala.

<p n=12957>
Os corpos de António Amável de Sousa Carvalho, de 69 anos, subchefe da
PSP reformado, e da esposa, Glória Vieira Peixoto, doméstica, que
residiam em Braga, foram encontrados, na tarde de anteontem, mutilados,
dentro de malas de viagem, na margem do rio Minho. O caso envolveu as
autoridades espanholas, mas as investigações, agora já com a polícia
portuguesa, apenas dão os primeiros passos.

<p n=12958>
A Liberian Timber and Plywood Operation, uma empresa israelita que
explora mais de um milhão de acres de terras no Sul da Libéria,
reivindica o carregamento -- apreendido no porto de Leixões -- de toros de
madeira, no valor de cerca de 45 mil contos, transportado no navio Rea
Sea. Responsáveis da empresa e os advogados portugueses que a representam
garantem que as madeiras foram roubadas pelo líder do grupo armado de
Charles Taylor, uma das facções políticas  na guerra civil liberiana e
que procura rearmar-se para chegar ao poder. O importador português da
madeira ainda não foi identificado.

<p n=12959>
Contrariando sinais existentes que indicavam ser impossível, agora,
regressar ao Curdistão iraquiano, os curdos envolvidos na rebelião contra
Saddam Hussein reivindicaram ontem à noite a recuperação da cidade
petrolífera de Kirkuk. A Frente do Curdistão do Iraque, baseada em
Londres, afirmou que as forças do Presidente iraquiano foram forçadas a
retirar (ver páginas 14 e 32).

<p n=12960>
En fin de Semana Santa, PÚBLICO tiene hoy e mañana una página dedicada a
todos los españoles que visitan Lisboa. Además de la cartelera,
publicamos outras informaciones utiles, como restaurantes, bares,
discotecas y puestos de cambio. Los hemos seleccionado pensando en
algunos de vosotros que quiza estais en la capital portuguesa por primera
vez.

<p n=13145>
Foi ali que, possivelmente, as crianças do mundo viram pela primeira vez
o presépio. Nem noutro lugar poderia ter sido. Só Francisco, o
«poverello» de Assis e «irmão universal», poderia imaginar o nascimento
de Cristo como a imagem da nudez e da pobreza. Afinal, foi ele que
tentou, numa Igreja prisioneira de riquezas e de poderes, reencarnar a
radicalidade extrema do seu Deus e de o re-apresentar em toda a natureza.

<p n=13146>
Ar fresco respira-se, também, em S. Damião, a capela onde Francisco
decidiu mudar de vida, diante de um ícone da crucificação. Aí,
refugiam-se muitos visitantes de Assis com o único desejo de saborear o
silêncio que rareia na cidade.

<p n=13147>
«O senhor Matos, carteiro de profissão, todos os dias tem de fazer a
distribuição pelas 24 casas do bairro da sua zona, cujo mapa se pode ver
aqui ao lado. Sai do edifício dos Correios pela porta P, entrega as
cartas e regressa, entrando pela porta C. Cada quarteirão tem 200 metros
de comprimento e a largura das ruas é negligenciável.

<p n=13148>
Este problema tem, como iremos ver, vários pontos de contacto com os
Desafios «O guarda Jeremias» (PÚBLICO de 17 de Março de 1991) e «Uma
questão de portas» (14 de Junho de 1990).

<p n=13149>
Aeroporto da Praia, 21 de Março de 1991. Numa das paredes, o retrato de
Amílcar Cabral era o único sobrevivente de um grupo de molduras que até
há bem pouco tempo simbolizavam o poder em Cabo Verde. Ao seu lado, dois
pregos a descoberto davam conta das ausências: Aristides Pereira,
ex-presidente, e Pedro Pires, ex-primeiro-ministro. Mas não foi preciso
muito tempo para que um dos pregos desaparecesse sob uma moldura do novo
presidente, António Mascarenhas Monteiro, eleito a 17 de Fevereiro e
empossado a 22 de Março. O novo poder chegava assim às paredes do
aeroporto como antes chegara às ruas e às mesas de voto. Quando saímos de
Cabo Verde, a parede ainda mostrava um prego a descoberto. Mas não deve
ter sido por muito tempo: Carlos Veiga, o novo chefe do Executivo
caboverdiano, já lá deve ter o seu retrato, a completar a imagem pública
da sucessão.

<p n=13150>
A austeridade e o luto eram pontualmente interrompidos, a meio da
Quaresma, pelos ritos carnavalescos da Serração («Sarração») da velha.
Grupos de meninos e de meninas juntavam-se à porta das velhas mais
rabujentas e fingiam serrar, com uma faca ou um função, um cortiço ou um
pau que representariam a velha nomeada:

<p n=13151>
PÚBLICO -- Recentemente, os portugueses viram várias vezes surgir nos seus
televisores um «comentador» que não conheciam, alguém que parecia um
inglês a exprimir-se em português e a tecer comentários sobre a guerra do
Golfo...

<p n=13152>
R. -- Não, eu tirei o curso de Direito em Lisboa. Mas estive em Inglaterra
porque, numa dada altura, trabalhei para a Cabinda Gulf Oil Company, onde
me encarregava das relações com o Governo português. Fundamentalmente,
renegociava os contratos de concessões petrolíferas que ocorriam
constantemente devido às grandes alterações que o senhor Kadhafi e também
nessa altura o xá do Irão impunham ao mercado petrolífero. Ora bem, com a
independência de Angola desaparece obviamente o Ministério do Ultramar em
Lisboa e o meu emprego... também! À boa maneira do sistema americano, fui
à vida... Aqui era-me difícil encontrar um outro «job», fui para
Inglaterra, onde arranjei um emprego como advogado no departamento
internacional de uma grande empresa de telecomunicações...

<p n=13153>
s é tradicional ou ainda com tudo que está relacionado com o seu ambiente
de vida. Devo dizer que sofro todos os dias com a destruição desta cidade
e com as pequenas hipocrisias e sobretudo com os inúmeros argumentos para
permitir a destruição e... a construção! Agora com o pretexto de que o
parque de Monsanto é mal frequentado, vão lá fazer uma universidade, numa
cidade sem jardins nem parques. Porque é que a universidade não vai para
Chelas ou Loures? Quem se lembraria de destruir o Bois de Bologne porque
tem prostitutas?

<p n=13154>
R. -- Sem dúvida que gostaria muito e se fosse outro o escolhido eu
ficaria muito triste. Não me parece que isso ocorra, porque o PSD com a
presidência portuguesa das Comunidades e não vai abrir mão dessa pasta!

<p n=13155>
. Metade do sangue que lhe corre nas veias é britânico de gema (a mãe é
inglesa) o que  pode explicar alguma coisa. Alguns dirão que é isso que
explica tudo... É um homem de múltiplos interesses e um conversador
arguto, culto, interessantíssimo. E apesar de possuir, como ele diz, um
«olhar dividido» (o pai é português), o que vem  de imediato ao de cima
quando se conversa com Paulo Marques,49 anos, advogado, e «um bocadinho
politico», é um agudo sentido de observação, o brilho de uma viva ironia,
uma maneira peculiar de estar na vida e nas coisas. E, como não podia
deixar de ser, ao longo do diálogo, correu sempre, por entre o passado e
o presente, a politica e a história, o país ou ele próprio, o fio subtil
-- e inconfundível --, de um humor muito nosso conhecido...

<p n=13156>
Junte então a fruta, deixe cozer durante 3 minutos e adicione por fim o
licor. Entretanto, num tabuleiro untado com azeite -- e com as mãos também
untadas com azeite --, estenda uma camada fina de massa.

<p n=13157>
Fotografia: Anónima, ca. 1860. Colecção particular A. P. Vicente
(Reprodução actual a partir de positivo / albumina)

<p n=13158>
Rico, culto, activo, inconformista e inteligente: tinha quase todas as
características para desagradar. E assim foi. Criou inimigos por onde
passou. Para os ingleses do Porto, era uma ovelha ranhosa.

<p n=13159>
O que leva, em Portugal, o comércio de artigos relacionados com o sexo a
refugiar-se no anonimato? O que faz com que não exista entre nós uma
única «sex-shop» embora a lei expressamente o permita (desde que
devidamente identificadas e a uma distância mínima de 300 metros «de
locais onde se pratique o culto de qualquer religião, de estabelecimentos
de ensino, parques ou jardins infantis»)? A procura de resposta para
estas perguntas levou-nos a um mundo de absurdos. Um mundo onde há homens
que compram o «Jornal de Sexologia» embrulhado com «A Bola», para não dar
nas vistas, e onde alguns clientes secretos de artigos pornográficos
(estimados em dez mil, só numa empresa do ramo com sede no Porto) chegam
a fazer encomendas de 30 e 40 contos por mês... Longe destes negócios,
duas das outras propostas de leitura que hoje lhe fazemos passam por
Inglaterra: a primeira fala de um homem nascido em Lisboa, de mãe
inglesa, que ainda hoje divide o olhar e o temperamento entre Portugal e
a Grã-Bretanha: é Paulo Marques (na foto), aqui entrevistado por Maria
João Avillez. A segunda fala de um outro homem que nasceu em 1809 em
Hull, Inglaterra, para vir morrer no rio Douro, deixando em Portugal
nome, obra e algumas lendas: é o barão Joseph James Forrester, recordado
por António Barreto na secção «Retratos». Por último, falamos-lhe da
italiana Assis, cidade onde outrora viveu São Francisco, e que da sua
obra dá hoje uma imagem que ele decerto não partilharia -- com
franciscanos divididos, alguns dos quais ganham para comer explicando a
pintura de Giotto aos turistas. Talvez seja a sina dos lugares que,
convertidos em símbolo, se ficam pelo acessório...

<p n=13160>
PLANO MATERIAL -- É o plano que requer maior cuidado pois é um momento
perigoso podendo levá-lo a atitudes inconvenientes. Evite expôr-se mas
mantenha-se recto e justo. Não oculte factos importantes do seu momento a
amigos ou familiares. No campo da saúde: enfrente os problemas.

<p n=13161>
Até fins da década de 50 em Portugal assistia-se ainda ao encerramento de
quase todas as salas de cinema na Quinta e Sexta Feira Santas. E mesmo
nos anos que se seguiram era costume dos cinemas preencherem a
programação com filmes de carácter religioso, bíblicos ou não.

<p n=13162>
A quintessência do kitsch bíblico de De Mille. Tudo é excessivo e
grandioso, até o mau gosto. E é isso mesmo que o torna sublime e
irresistível. Até dá gosto ver o pesadão Victor Mature seduzido por uma
Dalila (Hedy Lamarr) saída de uma das «Folies» de Ziegfeld. Um filme
culto dos cinéfilos.

<p n=13163>
Os filmes pornográficos «estão classificados ao fim dos primeiros
segundos, porque eles entram em cheio», diz Teresa Ferreira Gomes, de 40
anos, representante do Ministério da Administração Interna na Comissão de
Classificação de Espectáculos, onde são visionados todos os filmes e
vídeos antes de serem distribuídos comercialmente.

<p n=13164>
A primeira vez que lhe calhou ver um filme pornográfico na Comissão,
confessa que ficou um «pouco embaraçada», porque «não conhecia bem as
pessoas». Mas ajuda a sensação de que o embaraço toca «a todos, homens e
mulheres». Depois, «a pessoa vê um, vê dois, vê dez e pensa `quero lá
saber do que se está a passar'».

<p n=13165>
Falar de qualidade a propósito de cinema pornográfico parece ser um
contra-senso. Mas neste campo, por entre os «denodados» esforços dos seus
intérpretes e realizadores, encontramos alguns filmes que encenam as
acrobacias sexuais com um cuidado digno de nota. Só por isso merecem uma
referência porque, como dizia um consumidor, nestes filmes só as camas é
que mudam. O que revela uma certa desatenção, pois a pobreza do
investimento é tal que muitas vezes a mesma cama serve para vários
filmes. Basta, para o confirmarem, vaguearem um pouco os olhos pelos
cenários.

<p n=13166>
Quando os autores de «porno» se resolvem a «fazer cinema» dão alguns
resultados curiosos, principalmente em questão de paródias: «Sexo na Ilha
Fatal» (à volta do clássico de Agatha Christie «Convite para a Morte») ou
«Veneno Sexual» (uma paródia a «Cotton Club»). E quando se tomam a sério
há também, por vezes, algumas surpresas. É o caso de Damiano, que tem
filmes bem mais interessantes do que o afamado «Garganta Funda».
Curiosamente nenhum deles se encontra editado em vídeo: «A História de
Joana», com requintes de câmara e encenação que mostra que ele, pelo
menos, viu cinema, e do clássico, pois a atmosfera chega a lembrar
Visconti e «O Diabo em Miss Jones» (cuja exibição chegou a estar
anunciada no Quarteto, o que até não lhe ficava mal). Mas a sua
«obra-prima» (se o termo é permitido) é «As Memórias Íntimas de Miss
Aggie», a história de uma severa e recalcada mulher que morre e no
inferno é condenada à prática sexual ininterrupta sem jamais alcançar o
orgasmo.

<p n=13167>
Em 1974, finda a censura sobre os meios de comunicação, a pornografia
registou um «boom» em Portugal, então a braços com insaciáveis
curiosidades. Passaram, entretanto, dezassete anos. Não há censura nem
sequer curiosidade. Os filmes pornográficos já se vendem nos
supermercados, mas, fora isso, o mercado do sexo em Portugal continua a
submeter-se a uma voluntária clandestinidade: jornais lidos às
escondidas, adereços vendidos pelo correio, vídeos alugados a meia voz.
São assim os hábitos portugueses: em público, pouco ou nada se vê; mas no
domínio privado há clientes para quase tudo...

<p n=13168>
É um comércio que se faz anunciar nos semanários da especialidade, como
se pode ver em qualquer edição do «Sexus», «Jornal de Sexologia» ou «Sexy
Club». Por vezes são os próprios jornais que têm a sua reserva de
produtos -- que vendem por correio. É o caso do último dos três citados.
«Vendemos `lingerie' e um vinho afrodisíaco» -- diz o director da
publicação, Mário Martins de Almeida. «Os leitores mandam-nos o dinheiro
por cheque ou vale postal e nós enviamos as coisas. Não sei exactamente o
que se vende, mas no nosso caso penso que não é grande coisa.»

<p n=13169>
Freud considerava que podia ser problemático aquilo a que chamava
fantasma -- ou seja, algo que se projecta sobre a realidade em função do
nosso desejo, e por isso condiciona a nossa percepção da realidade, mas
isto nem é uma definição técnica -- e escreveu que as pessoas felizes não
tinham fantasmas. Não é que não tivessem nenhuns, mas conseguiam
transformá-los em realidade ou sublimá-los (quando não conseguem
sublimar, as pessoas acabam por se tornar neuróticas; quando conseguem,
trabalham imenso). Há publicações especializadas em toda a parte para as
pessoas explicarem como estão a transformar os fantasmas em realidade, ou
como gostariam, ou como não conseguem (neste último caso, normalmente
inquietam-se e perguntam se serão normais, e precisam de ser
tranquilizadas). A nós, em Portugal, também nos calharam publicações
assim -- que não têm o aparato das outras, mas é o que há.

<p n=13170>
E da mesma sensatez se podem gabar os consultórios sexuais dos dois
periódicos: em «Sexus», há uma Madame Yolanda que aparece em desenho, sem
roupa mas de chinelos daqueles de tiras, sentada numa cadeira giratória,
e que dá respostas que bem demonstram como tem um poderoso espírito de
síntese que pode ser de grande ajuda para os leitores resolverem as suas
próprias polémicas internas. Escreve por vezes grandes verdades, como «As
mulheres -- e os homens também -- têm por vezes comportamentos que excedem
a nossa compreensão». Em «Sexy Club», a pessoa que responde não é
identificada, e é mais temperamental -- chega a dizer à Rosário Mendes do
Entroncamento, que tem vinte anos e é muito atraente, mas a quem o
namorado não liga nenhuma, que se vingue; prefere não alimentar falsas
esperanças: explica logo ao César Ribeiro de S. João da Madeira que não
acha nada boa ideia casar o filho homossexual dele com a vizinha a ver se
o rapaz muda, porque se está mesmo a ver que não, e vão ser dois
infelizes. É uma excepção, este caso -- há sempre várias páginas sobre
«como me tornei lésbica», de uma inspiração que fica entre a literatura
experimental e o processo de conhecimento.

<p n=13171>
O mercado da pornografia, no Porto, é praticamente dominado pelos vídeos
pornográficos. A introdução doméstica da pornovideografia está a
dificultar a sobrevivência das tradicionais formas do negócio e apenas a
prostituição dá ainda sinais de vitalidade.

<p n=13172>
O cliente-tipo da videografia pornográfica tem mais de 35 anos, mas os
jovens na entrada da maioridade fazem também parte daqueles que alugam
regularmente filmes de sexo. Quanto ao comportamento dos sócios na altura
em que escolhem os filmes, existem sensiveis variações entre a clientela
urbana e periférica. Nos vídeoclubes citadinos a escolha dos filmes
faz-se com naturalidade, quase sempre através das figuras que ilustram as
capas das cassetes, havendo apenas alguma retração por parte das
mulheres, que, embora sejam já parte substancial daqueles procuram
pornovideografia, «esperam até estar pouca gente no estabelecimento para
depois fazer o aluguer». Já no Paraíso Vídeo Clube a esmagadora maioria
dos clientes destes filmes são homens («as mulheres são poucas»), alguns
ainda envergonhados e complexados que pedem «um filme daqueles». O
gerente diz que já sabe «quem são e, quando os vejo, já sei o que
querem».

<p n=13173>
Lenny Bruce, comediante e «papa» da obscenidade nos cabarés da América
puritana dos anos 50, preferia que o filho visse «um filme `porco' do que
um filme com mortes». Porque «nos filmes pornográficos, o único
instrumento de morte é a almofada».

<p n=13174>
Diariamente são alugadas neste clube de vídeo cerca de 30 cassetes e a
procura é superior à oferta. «As editoras não fornecem vídeos em número
suficiente. Saem cerca de 12 por mês e eu precisaria de 24». No público
que procura vídeos pornográficos, explica Telmo Monteiro, há «os que
gostam das garotas mais jovens e os que por necessidade ou aberração
gostam de coisas mais fora do comum». E exemplifica com os vídeos de
sadomasoquismo, procurados «pelos que o praticam ou gostariam de o
fazer», e que Telmo Monteiro diz serem «pessoas mais introvertidas e
caladas».

<p n=13175>
A Maria Miguel foi a primeira leitora a escrever-nos sobre nomes curiosos
de ruas da sua terra. Esperamos que outros leitores lhe sigam o exemplo.

<p n=13176>
Este texto foi retirado das palavras de um senhora idosa que passou a sua
infância e mocidade na Sé Velha de Coimbra.

<p n=13177>
O David respondeu ao Passatempo «Fichas da CEE». De entre lugares às
vezes bem estranhos, a sua carta vinha... de Bruxelas! Escrevemos-lhe a
propor que nos contasse o que um rapaz da sua idade poderia fazer de
interessante em Bruxelas. E aqui está a sua resposta.

<p n=13178>
Quando chegámos, há já 6 anos, calcula, fizemos uma promessa entre nós:
nunca deixaríamos de falar a nossa língua e assinaríamos um jornal do
nosso país onde pudéssemos saber o que lá se passava.

<p n=13179>
Mantêm-se as rubricas vossas conhecidas, incluindo as Cartas dos
leitores. É um espaço que gostaríamos de ver bem preenchido, com textos
variados e com desenhos dos nossos amigos. O tema é livre. Hoje
publicamos respostas a dois desafios que já tínhamos feito há umas
semanas: nomes de ruas e visita de um jovem amigo, vindo de uma terra
distante -- pretexto para falar do que há de mais bonito e interessante
para fazer em cada região.

<p n=13180>
No séc. V da nossa era, um povo chamado «magiar» iniciou a sua migração
para oeste. No final do séc. IX, o imperador Arnulf pediu-lhes ajuda na
luta contra o morávios. Os magiares provocaram uma enorme devastação na
Europa central e ocuparam a Grande Planície húngara.

<p n=13181>
Tempo de férias e de amêndoas. Os cinemas também sabem disso e abrem o
saco para vos oferecerem dois ovos de Páscoa, pintados com bonecos que
todos nós bem conhecemos.

<p n=13182>
E pode servir de ponto de partida para aprenderem a gostar do cinema
clássico, pois ao longo do filme encontramos uma série de alusões tanto
às histórias de «gangsters» (o pastor alemão no «papel» do «bandido de
bom coração») como aos musicais. Um espectáculo bonito, cheio de
fantasia, que vos agradará.

<p n=13183>
Certamente que nunca o autor das histórias de Dick Tracy imaginou que um
dia o seu herói seria protagonista de um jogo de vídeo. A verdade é que,
desde há alguns anos a esta parte, este herói da banda desenhada viu-se
envolvido com uma cantora famosa, reeditado em livros e jornais e também
reposto na televisão.

<p n=13184>
Além do seu potente murro, Dick Tracy pode usar pistolas e metralhadoras
que vai encontrando pelo caminho, e que devem ser carregadas recolhendo
umas caixas que vão aparecendo. Parecendo a princípio tarefa fácil vencer
todos os bandidos que lhe aparecem ao caminho, Dick Tracy vai encontrar
muita dificuldade em passar dos primeiros níveis.

<p n=13185>
Começamos hoje a apresentar, conforme anunciámos na passada semana, as
regras de um jogo coleccionável, inédito e diferente do habitual.

<p n=13186>
Cada jogador tem um baralho completo. Ao todo, dispõe de 28 cartas. Os
três baralhos são iguais, identificados por uma cor diferente. Em cada
carta, para além de um desenho, está indicada uma pontuação e as casas do
tabuleiro para onde pode ser jogada.

<p n=13187>
Os hunos eram uma tribo mongol que, no séc. III a.C., vivia na Ásia.
Sendo nómadas, deslocavam-se de terra em terra, a cavalo, e montavam que
era uma maravilha! À noite armavam tendas feitas de peles de animais,
cobriam o chão com várias camadas de tapetes para conseguirem algum
conforto, acendiam enormes fogueiras e assim mantinham as feras e os
inimigos afastados do acampamento.

<p n=13188>
Um cidadão do império romano chamado Amianus Marcelinus deixou uma
descrição elucidativa: «Os hunos são horríveis! Muito baixos, quase sem
barba, com olhos pequenos e arredondados, nariz esborrachado de encontro
às bochechas, mais se lhes devia chamar bestas de dois pés, do que seres
humanos. Vestem peles de rato selvagem e peles de cabra. Nunca cozinham
nem temperam a comida, comem tudo cru. Os homens passam a vida a cavalo,
até chegam a dormir com a cabeça sobre o pescoço da montada. As mulheres
e as crianças seguem-nos em carroças».

<p n=13189>
A Casa da Juventude e da Cultura de Alverca preparou o Curso de Iniciação
à Pintura em Azulejos, às 2ªs e 4ªs feiras à noite, com início em 1 de
Abril. As inscrições são limitadas.

<p n=13190>
Por um lado, são muitos e, sobretudo, foram separados das identificações,
para garantir o anonimato; por isso, não podemos metê-los de volta no
correio. Por outro lado, ocupam muito espaço.

<p n=13191>
Se os nomes dos meses do nosso calendário mantivessem os critérios dos
quatro últimos do ano, Março seria chamado «Primeirembro», revelando
assim a sua importância para a vida dos homens dependentes dos ciclos da
Natureza.

<p n=13192>
Por seu turno, os cristãos comemoram, por esta ocasião, a Ressurreição de
Jesus Cristo. Para eles a data não é fixa, como um aniversário. É uma
festa móvel e a sua marcação rege-se pela primeira lua cheia a seguir ao
equinócio. O primeiro domingo após a lua cheia pascal representa o ponto
mais alto das festividades da Páscoa.

<p n=16966>
Um autocarro da Visabeira que transportava 35 pessoas de Santa Comba Dão
para Viseu despistou-se na manhã de ontem, perto de Tondela, causando 24
feridos, dois dos quais em estado considerado grave. Excesso de
velocidade, más condições da viatura, rebentamento de um pneu e desvio
repentino provocado por um veículo que circulava fora de mão, são as
diferentes causas apontadas para o acidente.

<p n=16967>
A recomendação toma posição sobre a directiva comum do Conselho com vista
à adopção de uma directiva relativa à prevenção da utilização do sistema
financeiro para efeitos de branqueamento de capitais.

<p n=16968>
Os novos programas de Educação Física  vão estar na base de uma acção de
formação que vai abranger 50 professores da disciplina e 200 docentes do
1º ciclo. A acção, coordenada pela própria equipa de especialistas que
elaborou os programas, vai decorrer nas Escolas Secundárias Rocha
Peixoto, da Póvoa de Varzim, e José Régio, em Vila do Conde. Para o
primeiro estabelecimento de ensino as datas da acção são 17 e 18 de Abril
e, para o segundo, foram escolhidos os dias 9 e 10 de Maio. A iniciativa
deve-se aos professores de Educação Física daquelas duas escolas, que «ao
verificarem coincidência nos seus projectos, resolveram juntar esforços»
no sentido de atingir objectivos comuns como a «realização de acções de
formação no âmbito do plano de formação das respectivas escolas».

<p n=16969>
O que a maior parte dos reclusos recorda do passado vivido na escola são
as reprovações e as situações de abandono, sempre associadas a
sentimentos de incapacidade. À cadeia cabe «aproveitar» aqueles que a
escola, em tempos, rejeitou. Este foi o tema do debate que ontem marcou o
último dia do I Encontro Nacional de Professores dos Estabelecimentos
Prisionais, que decorreu em Coimbra.

<p n=16970>
Mário Raposo afirma não encontrar razões que impeçam os professores de
receber juros pelos aumentos salariais devidos desde Janeiro. Em despacho
enviado para o Ministério da Educação, esclarece ainda que a progressão
dos docentes na carreira não está dependente da publicação de listas em
Diário da República.

<p n=16971>
Para sustentar esta posição, socorre-se de dois acórdãos do Supremo
Tribunal Administrativo, um de 1987 e outro do ano passado. «Passa,
aliás, como doutrina corrente a de que qualquer componente da remuneração
de um funcionário deve ser pontualmente paga», diz o referido despacho.

<p n=16972>
O Sindicato de Professores da Região Centro (SPRC) considera que a
aplicação da circular 16/91 levará a que «milhares de docentes
contratados da educação pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico verão
os seus salários reduzidos em 12 contos mensais». Segundo a nota do SPRC,
a circular provocará ainda abaixamentos salariais da ordem dos 18 contos
mensais em «milhares de docentes dos ensinos preparatório e secundário em
pré-carreira mas não pertencentes ao quadro de nomeação provisória». O
SPRC deverá «promover em toda a região Centro plenários de docentes
contratados com vista a analisar esta situação e a definirem acções». «Se
o ministério pretende a confrontação, tê-la-à», termina a nota do
sindicato.

<p n=16973>
Assim, não são os maiores criminosos que estão na cadeia, porque têm os
meios mais poderosos que lhes permitem actuar sem comprometimento
directo, ao passo que indíviduos de passado limpo e honrado correm o
risco de ser presos por delitos insignificantes, aos quais frequentemente
são levados em situações de desespero, às vezes empurrados por exigências
legais pouco adequadas às realidades.

<p n=16974>
Obter receitas para as investigações contra a sida é o objectivo de um
disco que a Walt Disney Records vai lançar no dia 28 de Maio. Paul
McCartney, Elton John, Sting, Bruce Sprinsteen, Paula Abdul, os Beach
Boys e Brian Wilson são alguns dos intérpretes. As receitas serão
entregues à Pediatric Aids Fondation, fundada em 1988 por Elizabeth
Glaser, a mulher do actor americano Paul Michael Glaser.

<p n=16975>
Com Lee Konitz, um sexagenário branco que marcou, com indisfarçável
originalidade, o jazz pós-parkeriano, o bom jazz vai voltar a mexer no
Hot (com o apoio do Pelouro da Cultura da Câmara de lisboeta). É hoje o
primeiro concerto com os habituais dois «set's», às 22 horas e à
meia-noite, nos quais o saxofonista-alto, norte-americano, partilhará o
prazer do improviso com o guitarrista Pedro Madaleno, o contrabaixista
Carlos Barreto e o baterista Philippe Soirat -- um quarteto onde a
veterania inovadora de Konitz não dará tréguas às potencialidades já
anteriormente demonstradas pelas outras jovens presenças.

<p n=16976>
Abraham Serfaty, um escritor marroquino que cumpre uma pena de prisão
perpétua, e Francisco Valencia, o editor de um jornal independente de El
Salvador, que sofreu em Fevereiro um atentado à bomba, receberam, numa
cerimónia realizada na segunda-feira em Nova Iorque, o prémio «Liberdade
para Escrever», atribuído pelo Pen Clube norte-americano. Serfaty, de 64
anos, é, segundo o Pen Clube, o único escritor no mundo a cumprir uma
pena de prisão prepétua. O seu prémio, no valor de três mil dólares (420
contos), foi entregue à sua mulher, que tem nacionalidade francesa. O
escritor, que foi preso em 1974, era membro do partido de esquerda Frente
Progressista e director da revista literária marroquina «Souffles»,
crítica em relação ao rei Hassan. «Este prémio que hoje recebo é para as
forças democráticas de El Salvador», afirmou Francisco Valencia, de 31
anos, que prometeu, na cerimónia, continuar a lutar pela liberdade de
expressão no seu país. Os prémios «Liberdade para Escrever» são
atribuídos desde 1986 e foram pela primeira vez entregues a escritores da
América Latina e Norte de África.

<p n=16977>
O maestro Miguel Graça Moura vai dirigir, pela primeira vez, a Orquestra
do Porto da Régie Cooperativa Sinfonia em três concertos, que terão lugar
nos próximos dias 19, 20 e 21, em Lisboa (Mosteiro dos Jerónimos), Lamego
(Igreja de Santa Cruz) e Porto (Teatro Rivoli), respectivamente. O
programa -- Divertimento em Ré M,K. 136, de Mozart; Noite Transfigurada,
de Schoenberg; Adagietto da 5ª Sinfonia de Mahler; e Serenata de Joseph
Suk -- foi escolhido propositadamente «para aproveitar a excelente
qualidade e as potencialidades de cordas» da orquestra. O maestro Miguel
Graça Moura, recorda o texto de promoção dos concertos, chegou a ser
convidado pelo actual secretário de Estado da Cultura, Pedro Santana
Lopes, para administrador da Cooperativa Sinfonia, «tendo recusado por
não considerar garantidas as condições mínimas que assegurem uma gestão
correcta para aquela Orquestra».

<p n=16978>
Evocou T. E. Lawrence em «Lawrence d'Arábia», reencontrou a Rússia do
princípio do século em «Doutor Jivago» e reconstruiu os últimos anos do
Império Britânico em «Passagem para a Índia». Ganhou mais de duas dezenas
de Óscares. Era David Lean, realizador britânico. E morreu ontem.

<p n=16979>
David Lean iniciou a carreira no final da década de 20 como assistente
dos estúdios Lime Grove, no Reino Unido. Seguiu-se a participação como
assistente de montagem, em obras de Michael Powell, «49th Parallel» ou
«One of Our Aircraft is Missing», e «Pigmalião», de Anthony Asquith (com
Leslie Howard), dois realizadores para o cinema britânico dos anos de
1930. A estreia na realização aconteceu em 1942 com «In Wich we Serve»,
adaptação da peça de Noel Coward, autor que estaria na base dos filmes
seguintes: «Happy Breed», de 1943, e, no ano seguinte, «A Mulher do Outro
Mundo», um dos mais deslumbrantes de David Lean, com os desempenhos de
Rex Harrison e Constance Cummings. Um filme que a RTP prevê exibir no
final deste mês.

<p n=16980>
O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios é comemorado amanhã,
quinta-feira, com um espectáculo musical, a realizar ao princípio da
tarde no claustro do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. Promovido pelo
Serviço Educativo do Mosteiro dos Jerónimos/Torre de Belém, no
espectáculo participarão o Coro de Câmara do Instituto Gregoriano de
Lisboa e do Grupo de Cantares Portugueses da Escola Secundária da
Amadora. O objectivo da iniciativa, sob a tutela da Secretaria de Estado
da Cultura, através do Instituto Português do Património Cultural, é
«transformar a música, linguagem universal, numa ponte para o restante
saber». O IPPC decidiu ainda que as entradas nos museus, palácios e
monumentos que tutela serão gratuitas e haverá visitas guiadas e
iniciativas de animação em algumas das instituições.

<p n=16981>
O Prémio do Júri da AFJ (Associação das Mulheres Jornalistas) foi ganho
pelo filme «Verriegelte Zeit» [O Tempo Fechado], da alemã Sibylle
Schoennemann, enquanto o Prémio do Público para a melhor longa-metragem
foi para «The company of Strangers».

<p n=16982>
O debate que o Fórum Portucalense promoveu anteontem no Porto sobre «A
Europa, a cultura e o direito à diferença»  acabou com Natália Correia a
conceder a Eduardo Prado Coelho «o direito de estar atrasado» e este a
dizer que aquela estava com «um discurso delirante», perante uma
assistência numerosa e divertida. Tudo começou quando -- depois de Natália
ter feito uma intervenção contra «o universalismo que para aí escorre
como baba retórica» e em defesa da «matriz da afectivadade» árabe e
mediterrânica da nossa cultura, «uma cultura do coração e do sensível que
nos diferencia» e na qual defendeu que a hora de Portugal teria já soado
«se a camorra dos medíocres não tivesse a capacidade de convencer os
inteligentes de que têm uma existência imaginária» -- Prado Coelho se
manifestou contra o que considerou ser um trabalho de «essencialização
das origens». Natália reagiu, dizendo que Prado Coelho «estava atrasado»,
porque os poetas «já não andam na lua» e a poesia seria hoje um
instrumento de conhecimento não só tão legítimo como as outras formas de
pensamento e de cultura como estaria mesmo «na vanguarda de algumas
soluções». Prado Coelho manteve que não se pode reduzir o pensamento
contemporâneo a uma específica dimensão poética, acrescentando que não
via, em todo caso, necessidade de se obterem sobre isso «consensos
moles». Natália não perdeu a deixa, concordando mesmo que «do ponto de
vista lusitano é até melhor que eles sejam duros». Foi o delírio na
assistência, onde se ouviu alguém alertar para a existência de «poetas
com tecnologia de ponta».

<p n=16983>
O Forum Media realiza-se pela segunda vez em Cannes, em vésperas da
inauguração do MIP-TV, o principal mercado internacional de programas de
TV. A escolha não é acidental e ao propô-la, Holde Lhöest, directora do
Media, acentua uma das opções do programa comunitário.

<p n=16984>
As piores previsões dos treinadores do Estrela da Amadora e do Gil
Vicente confirmaram-se ontem na Reboleira. O empate a dois golos com que
terminou o encontro, a contar para os 16-avos-de-final da Taça de
Portugal, obriga as duas equipas a disputar um jogo de desempate, em
Barcelos, na 5ª feira. E é nessa sobrecarga de jogos -- numa altura em que
o Estrela e o Gil Vicente lutam pela permanência na I divisão -- que
residem as preocupações de Jesualdo Ferreira e Rodolfo Reis.

<p n=16985>
«Tentaremos dignificar o clube na Taça, até porque somos os actuais
detentores do troféu», prometia Jesualdo Ferreira, que vai levar para
Barcelos a mesma equipa de `reserva' convocada para ontem. Já Rodolfo
Reis era mais cáustico: «Nem o Estrela nem o Gil Vicente têm culpa das
irregularidades do Juventude de Belém; situações destas só acontecem no
futebol português». Quem vencer a eliminatória ainda terá de jogar com o
Beira Mar e o vencedor defrontará então a Ovarense nos quartos-de-final,
cujos restantes jogos se disputam hoje.

<p n=16986>
William e Rui Águas não treinaram ontem à tarde por precaução, «uma vez
que se têm ressentido de lesões antigas que se podiam agravar devido ao
relvado irregular do Estádio do Comendador Manuel Violas», segundo
Amilcar Miranda, médico do Benfica.

<p n=16987>
Curiosamente, no final foi Silvino, e não Neno, quem ficou a defender
remates de Vitor Paneira e Valdo, dando mais uma prova de que será o
primeiro a apresentar-se como o titular da baliza benfiquista para o
importante desafio que hoje, às 17h30, se disputa no Estádio das Antas.

<p n=16988 assunto=desporto>
Foi pela primeira vez às Antas e viu o seu clube «dar» 4-0 ao Manchester
United. Gostava de ocupar um cargo no departamento de futebol do FC
Porto. Tem muitos recados para dar a Artur Jorge. Acha que a guerra
Norte-Sul nasce da impotência de Lisboa perante o crescimento de um FC
Porto liderado por Pinto da Costa. Considera-se um doente do FC Porto e
em toda a Imprensa Desportiva só o suplemento desportivo do «Expresso»
lhe merece elogios.

<p n=16989>
R. - Já era doente do Porto há muitos anos, quando pela primeira vez
entrei nas Antas. Vi o melhor jogo de futebol que alguma vez vi num
Estádio: o FC Porto, 4 - Manchester United, 0. Ia acompanhado de um amigo
a quem agora, a custo e ingloriamente, convenci a ir ver o FC Porto -
Bayern...

<p n=16990>
Para o técnico portista, vai ser «um jogo de nervos» o de hoje e terá
vantagem a equipa que souber ser «mais tranquila». As fracas exibições
recentes do FC Porto não preocupam Artur Jorge, que não acredita que vá
haver «problemas com a arbitragem».

<p n=16991>
«Claro que quem ganhar fica com o caminho mais desbloqueado», adianta o
técnico do FC Porto, para acrescentar, quanto ao tipo de jogo a que se
irá assistir esta tarde: «Creio que vai ser um jogo de nervos. Espero que
a equipa mais tranquila e mais serena seja a vencedora e claro que faço
votos para que essa equipa seja a do FC Porto.»

<p n=16992>
Como são diferentes os estágios do Benfica em comparação com as
concentrações exigidas por Artur Jorge aos seus jogadores... Ontem, em
Espinho, os «encarnados» foram à praia, jogaram ténis, passearam na
cidade. É assim que Eriksson gosta e o técnico do Benfica diz que vai às
Antas para ganhar o jogo.

<p n=16993>
Eriksson prestou-se a fazer algumas declarações antes do almoço. Não
revelou ainda quem vai estar na baliza («tem-se falado muito, mas só eu e
Toni é que sabemos»), mas é provável que, mais uma vez, Silvino volte às
redes no jogo da Taça, naquilo que os italianos, no meio dos quais
Eriksson viveu tanto tempo, chamam «estafeta».

<p n=16994>
RESPONSÁVEIS da selecção do Egipto, que disputará em Portugal, de 14 a 30
de Junho, a fase final do campeonato do mundo de futebol de sub-20,
fizeram chegar à organização portuguesa da prova um pedido muito
especial: sendo estudantes a maioria dos juniores egípcios e tendo em
conta que a época de exames no seu país decorrer na primeira quinzena de
Junho - altura em que a selecção do Egipto já se encontrará em estágio em
Portugal - a Federação Egípcia solicitou à Federação Portuguesa e ao
Comité Organizador do «Mundial» de juniores uma autorização para que
examinadores das escolas secundárias egípcias, frequentadas pelos
jogadores, se desloquem ao nosso país para, de 10 a 13 de Junho,
«efectuarem os exames de fim de ano junto dos jogadores».

<p n=16995>
O clube flaviense alega que Mats Magnusson, quando estava a fazer
exercícios de aquecimento, preparando-se para substituir um colega,
esteve duas vezes dentro do campo, correndo bem dentro das quatro linhas
cerca de vinte metros para um lado e para outro, sem qualquer intervenção
do árbitro ou do fiscal-de-linha.

<p n=16996>
Boavista-Braga e Feirense-Tirsense, todos às 17h30, são os restantes
jogos dos quartos-de-final da Taça de Portugal que hoje se disputam.
«Folga» a Ovarense, que espera o vencedor do encontro Beira Mar-Estrela
da Amadora/Gil Vicente.

<p n=16997>
Para a deslocação a Santa Maria da Feira, o prof. Neca convocou a equipa
habitual, sinal de que, ao contrário do que sucedeu na eliminatória
anterior, vai pôr em campo o seu melhor «onze». Com a situação
praticamente resolvida no campeonato - o Sporting de Braga já há muito
que saíu da zona da aflição -, a Taça merece bem um esforço. Os 16 que se
vão equipar são: Balseiro, Matos, Paulo Pires, Costa, Vlamecir, Sérgio,
Jorge, Nascimento, Tueba, Caetano, Eusébio, Vieira, Silvinho, Alain, Lai
e Tó Manel.

<p n=16998>
A menos que haja uma procura inesperada de bilhetes nas horas que vão
anteceder o jogo desta tarde, marcado para as 17h30, o FC Porto prevê
apenas encher meio estádio, ou pouco mais, apesar da visita do seu grande
rival Benfica e, para mais, num jogo a eliminar.

<p n=16999>
Chatillon calcula que estarão logo nas Antas entre 35 e 40 mil pessoas,
muito longe do normal num FC Porto-Benfica. Mas, como há  mais um FC
Porto-Benfica, nas Antas, dentro de doze dias, é provável que alguns
adeptos estejam a poupar as economias para o jogo do campeonato. De
qualquer modo, os responsáveis do Benfica acreditam que vão ter os seus
adeptos nortenhos presentes em massa nas Antas, tal como aconteceu em
Famalicão, num jogo também realizado a meio da semana e à mesma hora.

<p n=17000 assunto=desporto>
BJORN BORG REGRESSOU E PERDEU -- O tenista sueco Bjorn Borg está de volta.
Ontem de manhã, Borg regressou ao «court» central do Country Club de
Monte Carlo, para iniciar a última fase da sua preparação para o regresso
à competição, depois de uma ausência de oito anos. Apesar de ter quase 35
anos, a «magia» do sueco pareceu voltar a pairar por momentos, frente a
uma quantidade impressionante de fotógrafos, jornalistas e câmaras de TV,
uns quantos espectadores (que tiveram de pagar cerca de 1500 escudos) e
campeões da actualidade, como Boris Becker. Com os mesmos cabelos
compridos seguros pela mesma fita, mas com os traços mais marcados do que
na época em que dominou o ténis mundial, foi o mesmo Borg que abandonou a
competição em Abril de 1983 que regressou a um dos «courts» mais famosos
do mundo. Apesar da elegância dos seus golpes, Bjorn Borg não resistiu ao
jogo do seu compatriota Lars Jonsson, perdendo por 6-4, 6-4 em cerca de
uma hora. Compreensivelmente, o sueco não quis falar com os jornalistas
depois da derrota. Solidários, Boris Becker e Lars Jonsson também não
fizeram comentários.

<p n=17001>
A «estrela» dos italianos do Milão, indispensável no ataque holandês, tem
vindo a jogar com bolhas nos pés, e na segunda-feira foi obrigado a
interromper a meio uma sessão de treinos, por não aguentar as dores. Mas
Rinus Michels, o seleccionador da Holanda, que não poderá contar para
este jogo com Ronald Koeman, Bryan Roy e Gerald Vanenburg, acredita que
os médicos da equipa podem colocar Van Basten em condições antes do
encontro.

<p n=17002>
O Comité Executivo da UEFA deverá decidir -- na reunião que realizará
amanhã e depois em Londres -- fechar definitivamente o parêntesis trágico
no futebol inglês, ao apoiar a readmissão sem condições dos seus clubes
nas competições europeias, incluindo o Liverpool, banido em 1985.

<p n=17003>
A União Europeia de Futebol (UEFA), presidida até 1990 pelo intransigente
francês Jacques Georges, recusou sistematicamente aceitar o regresso do
futebol inglês -- uma vez mais marcado pela fatalidade quando, em 15 de
Abril de 1989, 95 pessoas morreram, a maior parte esmagadas nas bancadas
do Estádio de Hillsborough, em Sheffield, antes de uma meia-final da Taça
de Inglaterra. Este acidente, sem ligação directa com o hooliganismo,
tornou improvável o regresso dos clubes ingleses às competições
europeias, posição reforçada com as cenas de violência entre adeptos
ingleses e alemães, em Dusseldorf (ex-RFA), no «Europeu-88». Na época,
Jacques Georges, profundamente chocado pelo drama de Hillsborough -- tal
como a opinião pública internacional --, declara: «Aquelas pessoas são
umas bestas!»

<p n=17004>
Viveu em S. Miguel nos Açores até aos 19 anos. Era adepto do Santa Clara,
filial do Benfica. «Et pour cause...» Quando em 1960 desembarcou em
Lisboa foi direito ao Estádio da Luz. Gostava de ser treinador do
Benfica, pede a Eriksson para deixar Isaías no banco e gostava de ver
Artur Jorge a treinar a sua equipa. Acredita que o Benfica, nas Antas,
empate para a Taça e ganhe para o campeonato. Lê «A Bola» e o «Record», é
sócio do Benfica com lugar cativo e no futebol só tem feito amizades.

<p n=17005>
R. - Foi no ano de 1960 logo depois de desembarcar no Cais da Rocha.
Acompanhava-me outro açoriano (sportinguista !) que era meu colega na
Faculdade de Letras.

<p n=17006>
BENFICA QUER VENCER «EUROPEU» DE ESTRADA - O Benfica (equipa masculina)
vai tentar conquistar, pela quarta vez consecutiva, a Taça dos Campeões
Europeus de Estrada, que se disputa na Mealhada, no próximo dia 27. O
Sporting vai fazer a sua estreia na prova, na sua qualidade de campeão
nacional da especialidade, apresentando-se como um dos principais
candidatos ao título. Esta prova foi disputada pela primeira vez em 1988,
em Verona (Itália), tendo o triunfo individual pertencido ao campeão
olímpico da maratona, Gelindo Bordin. Desde então o Benfica tem triunfado
também a nível individual, por intermédio de António Pinto, em1989, e
Joaquim Silva, em 1990. Até ao momento, estão inscritas 11 equipas de 9
países.

<p n=17007>
FLÈCHE WALLONE HOJE NA ESTRADA - Três dias depois do Paris-Roubaix, um
vasto pelotão disputa hoje mais uma clássica do ciclismo -- a 55ª edição
da Flèche Wallone, entre Spa e Huy, na distância de 203 quilómetros. Com
14 subidas, esta prova obriga os corredores a saber dosear energias.
Sobretudo àqueles que, ainda não recuperados inteiramente do esforço do
passado domingo, no Paris-Roubaix, o «Inferno do Norte», já pensam também
no Liège-Bastogne-Liège, outra clássica que se irá realizar no próximo
domingo. O italiano Moreno Argentin foi vencedor da Fléche Wallone em
1990, seguido do francês Jean-Claude Leclercq e do holandês Gert-Jan
Theunisse.

<p n=17008>
As equipas profissionais de futebol dos doze países da Comunidade
Económica Europeia (CEE) poderão recorrer a cinco futebolistas
estrangeiras a partir da época de 1992/93, nos termos de um compromisso
estabelecido, em Bruxelas, entre a UEFA e a CEE.

<p n=17009>
A Itália, a Espanha, a França e Portugal (países onde é autorizado o
recurso a três estrangeiros por equipa) e a Alemanha (dois estrangeiros)
terão, por conseguinte, de liberalizar o seu regulamento. Pelo contrário,
as federações mais abertas, como a escocesa e a belga, poderão manter o
seu actual regime, em conformidade com o compromisso agora estabelecido.

<p n=17010>
O Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD),
oficialmente inaugurado na segunda-feira, poderá emprestar durante a
próxima década aos países da Europa de Leste mais de 123 mil milhões de
dólares (quase 18 mil milhões de contos aos valores actuais), afirmou
Jacques Atali, presidente da instituição.

<p n=17011>
Para o vice-presidente da Comissão Europeia, Henning Christophersen, a
contribuição do BERD ao sector privado, em formação, nos países do Leste
e na própria União Soviética será «difícil e arrisacada» muito embora
constitua, conjuntamente com a reforma do sistema bancário, a principal
prioridade do banco.

<p n=17012>
À procura de turistas e investimento norte-americano, responsáveis do
comércio externo, banqueiros e empresários iniciam hoje a última de
quatro acções de promoção da imagem de Portugal nos EUA. Levam vinhos e a
guitarra de Carlos Paredes para encantarem os homens de negócios da terra
de Luther King, da Coca-Cola e da CNN.

<p n=17013>
De hoje até sexta-feira, o ministro Faria de Oliveira, o secretário de
estado do Comércio Externo, Neto da Silva, cumprem um apertado programa
de pequenos almoços de trabalho, encontros com representantes de
companhias multinacionais -- algumas ocupando o primeiro lugar mundial da
respectiva área de negócios -- galas e recepções para apresentação de
produtos portugueses de prestígio a figuras do mundo dos negócios e da
cultura locais.

<p n=17014>
A Guiné-Bissau vai avançar com as privatizações. Nove empresas já têm os
dossiers prontos e um segundo grupo de empresas está em fase de
avaliação. Tudo junto representa 80 por cento do capital do Estado no
sector empresarial guineense. O anúncio feito por Manuel dos Santos,
ministro da Economia, surpreendeu todos.

<p n=17015>
Mas esta não foi a única nota surpreendente de uma discussão em que um
director de serviços foi ao ponto de afirmar que «o senhor ministro só
parcialmente é que tem razão». Também entre Filinto Barros, mais
reservado quanto à política de privatizações e o seu colega da Economia e
Finanças, Manuel dos Santos, se manifestou uma significativa divergência:
«Há empresas que não estamos dispostos a privatizar», disse o ministro da
Indústria, referindo concretamente a da electricidade e águas. «Nenhuma
empresa está fora da ideia de privatização», contrapôs Manuel dos Santos.

<p n=17016>
A Guiné-Bissau vai avançar com as privatizações. Nove empresas já têm os
dossiers prontos e um segundo grupo de empresas está em fase de
avaliação. Tudo junto representa 80 por cento do capital do Estado no
sector empresarial guineense. O anúncio feito por Manuel dos Santos,
ministro da Economia, surpreendeu todos.

<p n=17017>
Mas esta não foi a única nota surpreendente de uma discussão em que um
director de serviços foi ao ponto de afirmar que «o senhor ministro só
parcialmente é que tem razão». Também entre Filinto Barros, mais
reservado quanto à política de privatizações e o seu colega da Economia e
Finanças, Manuel dos Santos, se manifestou uma significativa divergência:
«Há empresas que não estamos dispostos a privatizar», disse o ministro da
Indústria, referindo concretamente a da electricidade e águas. «Nenhuma
empresa está fora da ideia de privatização», contrapôs Manuel dos Santos.

<p n=17018>
A Jerónimo Martins & Filho vai elevar o seu capital social dos actuais
3,74 milhões de contos para quatro milhões, mediante a emissão de 260 mil
acções ao portador, com o valor nominal de mil escudos, a subscrever
pelos actuais accionistas. O período de subscrição decorrerá de 22 de
Abril até 6 de Maio aos balcões do Banco Português de Investimento, sendo
o valor de subscrição de cada acção de seis mil escudos, o que permitirá
à empresa um encaixe bruto de 1,56 milhões de contos. A atribuição das
novas acções será efectuada mediante a aplicação do coeficiente
0,06951872 ao número das já possuídas por cada accionista. A entrega dos
títulos definitivos efectuar-se-á num prazo máximo de 120 dias. As novas
acções, cuja admissão à cotação nas bolsas nacionais será requerida no
prazo previsto por lei, terão direito ao dividendo relativo ao exercício
de 1991.

<p n=17019>
Notícias referentes à economia inglesa (indicadores P.P.I.) foram
totalmente ignorados face ao bom momento que a libra está a atravessar na
sua paridade dentro do SME. A atenção dos operadores está agora virada
para as eleições locais, que se realizarão em Maio, acreditando-se na
vitória do Partido Conservador.

<p n=17020>
O CDS anunciou, ontem, em conferência de imprensa que votará contra o
pedido de autorização legislativa do Governo para revisão da lei das
indemnizações. Nogueira de Brito sustentou que o texto do Executivo «não
resolve o problema de fundo», com a agravante de se basear na eliminação
das comissões arbitrais. O documento fora minutos antes apresentado ao
CDS e ao PCP pelo secretário de Estado do Tesouro em duas curtas
audiências.

<p n=17021>
Narana Coissoró chamou ainda a atenção para a deselegância do Executivo
ao apresentar o pedido de autorização legislativa quando estava pendente
para votação no Parlamento o projecto centrista .

<p n=17022>
Duas empresas espanholas estão na corrida para a compra da Cimpor. Uma
delas, a Financiera y Minera, dominada pelos franceses da Ciment
Français, propõe-se apoiar a Terra Azul, empresa com sede em Lisboa e
também ligada ao grupo francês. A segunda concorrente, a Valenciana de
Cementos, lider no mercado espanhol já escolheu os seus parceiros.

<p n=17023>
Para ambas as empresas espanholas, a compra da Cimpor, com uma produção
superior à líder do mercado espanhol, é encarada como um bom negócio. No
caso da Financiera y Minera, na qual participa com 70 por cento a gigante
Ciment Français, representaria a consolidação de uma estratégia no Sul da
Europa, pois a multinacional francesa pretende também concorrer à
privatização da cimenteira italiana Cementir. Nesta última operação,
conta com a cooperação do primeiro grupo privado de Itália, a Fiat,
através da empresa cimenteira do grupo, a Unicem, e com a família Buzzi,
com a qual partilham a sociedade mexicana Lacosa.

<p n=17024>
O caso "Centralcer" que nos últimos dias tem agitado o mercado de
capitais em Portugal, é um dos factores que está a influenciar a
tendência negativa em que as duas bolsas de valores mergulharam nos
últimos 30 dias, segundo algumas opiniões recolhidas pelo PÚBLICO junto
de intervenientes das bolsas portuguesas.

<p n=17025>
Investidores estrangeiros, anteriormente «escaldados» com a Bolsa
portuguesa, e que pretendiam agora reentrar progressivamente nos
mercados nacionais, voltam a retrair-se.

<p n=17026>
O Partido Socialista entregou, ontem, ao Parlamento cinco propostas de
projectos lei que visam defender os direitos dos cidadãos que compram
habitação. A iniciativa foi apresentada no âmbito da interpelação feita
pelos socialistas ao Governo sobre política habitacional que constitíu
uma autêntica antecipação do próximo debate eleitoral.

<p n=17027>
Guterres criticou ainda o Executivo por tratar o sector «como padrasto»,
com a agravante de ser um «padrasto rico» (devido à conjuntura económica
favorável), ao «não promover a oferta pública nem subsidiar a procura
privada e ao excluir, deste modo, do direito à habitação, em condições
minimamente aceitáveis, cerca de um terço da população».

<p n=17028>
«Não somos candidatos à compra de qualquer das marcas de cosméticos que
actualmente se encontram à venda». Foi desta forma que o presidente do
grupo L'Óreal, Owen-Jones, comentou os rumores que ultimamente correm em
Paris sobre o hipotético interesse do grupo na Revlon. Owen-Jones falava
durante uma conferência de imprensa realizada ontem ao fim da tarde em
Paris, tendo anunciado que a L´Óreal obteve no final de 1990 um volume de
facturação consolidada da ordem dos 760 milhões de contos para um lucro
de 46 milhões de contos. Relativamente às contas do grupo, o seu
presidente revelou ainda que iria distribuir um dividendo por acção de
sete francos (175 escudos), o que representa mais 16,7 por cento que no
ano anterior, sendo o benefício líquido por acção de 29 francos.

<p n=17029>
Assim, no "overnight" a taxa de juro abriu nos 8,0 por cento, descendo a
mesma ao longo do dia, tendo chegado dos 2,0 por cento. Foram
transaccionados 33 658 milhares de contos à taxa média de 3,9826 por
cento, o que consubstancia a pressão da oferta.

<p n=17030>
A CP comprou à companhia de transporte ferroviário espanhol, Renfe, o
sistema informático de informação de tráfego, Sitra, que passará a
funcionar em Portugal a partir de Junho próximo. É a primeira vez que a
Renfe exporta esta tecnologia de ponta informática, em funcionamento na
rede ferroviária espanhola desde 1987.

<p n=17031>
O acordo firmado pela Redesa com a EDP segue-se a outros, de idêntico
conteúdo, da Rede Electrica Espanhola com a Electricidade de França e com
a companhia suiça "Aar et Tessin d'Electricit", para trocas de energia
durante a Primavera, e  assinatura com os franceses de um contrato de
ampliação do fornecimento de electricidade durante o período de dez anos.

<p n=17032>
A Proalimentar,  com 50 por cento do capital detido pelo
IPE-Investimentos e Participações Empresariais está a estudar com um
grupo marroquino o lançamento de uma nova fábrica para abastecimento dos
países do Magreb. Este passo surge após a constituição da Proalimentar
Espanha, prevendo-se ainda a futura integração da empresa mãe numa grande
holding agro-alimentar portuguesa que o IPE está a promover.

<p n=17033>
«O mercado ibérico é o primeiro passo no sentido da internacionalização
da empresa», disse por ocasião da visita do secretário de Estado,
Frederico Ferreira, administrador da sociedade. Aí actuará inicialmente
como uma 'trading', ou seja: começará por importar produtos fabricados em
Leiria (e ainda de outras zonas e sectores industriais), estando em
aberto a possibilidade, a médio prazo, de vir a montar no país vizinho
uma unidade produtiva.

<p n=17034>
A companhia aérea dinamarquesa Sterling Airways já detém a maioria
absoluta do capital da Air Columbus, após a aquisição de todas as acções
que o grupo Albaker tinha na transportadora madeirense. As negociações
com vista a esta transacção decorreram na semana passada. A Sterling, que
detinha 43,8 por cento do capital da Air Columbus, passou a controlar
agora 90,64 por cento do capital da empresa. A transportadora, que se tem
dedicado essencialmente ao transporte de turistas e de trabalhadores
emigrantes, tenciona alargar a sua actividade a mercados mais distantes
da emigração portuguesa, decorrendo negociações no Canadá, Venezuela e
África do Sul.

<p n=17035>
Portugal passou a ser o principal produtor da Comunidade Europeia de
cobre, estanho e tungsténio, para além de deter uma posição relevante na
produção de urânio, zinco, prata, ouro,  e rochas ornamentais, disse
ontem o Secretário de Estado da Energia, Nuno Ribeiro da Silva,
sublinhando também o peso crescente do sector extractivo na economia
portuguesa, no seminário sobre «Matérias-primas». Organizado pela
Comissão Europeia, na sessão de ontem participou um representante da DGII
da Comissão Europeia, Matteu Donato, que preconizou o lançamento de novas
estruturas, centros de pesquisa e novos programas de I&D, em áreas como
minérios industriais e pedras ornamentais.

<p n=17036>
O veneno benigno de um tipo comum de aranha pode ser utilizado para
tratar as vítimas de ataques cerebrais, segundo afirma uma equipa de
investigadores liderada por Hunter Jackson, que apresentou os seus
trabalhos no congresso anual da Sociedade de Química Americana, que está
a ter lugar em Atlanta, nos EUA. Jackson e outros investigadores da sua
empresa, a Natural Product Sciences, de Salt Lake City, efectuaram uma
série de testes em roedores e descobriram que o veneno de várias aranhas
comuns poderia ser eficaz contra os glutamatos, substâncias que podem
destruir as células cerebrais em caso de insuficiência de oxigénio. «As
lesões cerebrais de que sofremos na sequência de um ataque  não aparecem
imediatamente» diz Jackson. «As células levam muito tempo a morrer e
podemos salvá-las administrando este veneno horas depois da interrupção
do fornecimento de sangue ao cérebro.» Os venenos em questão -- que dão
pelo nome de arilaminas -- podem ser facilmente produzidos sinteticamente.

<p n=17037>
Vladimir Tchernousenko, o mais alto responsável científico encarregado de
vigiar a zona após o acidente, afirma que milhares de mineiros e de
soldados encarregados de limpar a zona morreram devido aos efeitos das
radiações e, numa entrevista a transmitir na próxima quinta-feira no
programa «This Week» da televisão britânica, revelará que os médicos não
lhe deram mais do que quatro anos de vida: «Agora que já vi que nada foi
feito nos últimos cinco anos, quero dizer ao mundo antes de morrer quais
os riscos do acidente.»

<p n=17038>
A NASA marcou para o próximo dia 23 do corrente mês o lançamento do
vaivém espacial Discovery, que levará a bordo sete astronautas incumbidos
de recolher dados para o Pentágono no âmbito do programa da «Guerra das
Estrelas», noticiaram a France Presse e Reuter. A contagem decrescente
terá início às 11h05 TMG de sábado, dia 20 de Março. A partida deste
vaivém estava inicialmente marcada para 28 de Fevereiro, mas foi anulada
depois da descoberta de rachas na estrutura da fuselagem, que levaram à
substituição das peças defeituosas. Este atraso  levou a NASA a lançar
entretanto o vaivém Atlantis, que realizou uma missão de seis dias para
colocar em órbita o maior satélite experimental de raios Gamma lançado
até hoje pela NASA. Se os prazos forem cumpridos, será a primeira vez em
cinco anos que a NASA conseguirá colocar em órbita dois vaivéns no mesmo
mês. Este vôo é considerado o mais complexo jamais realizado por estas
naves, uma vez que o Discovery vai realizar ao longo dos oito dias da sua
missão uma série de manobras destinadas a simular a trajectória balística
de mísseis em vôo.

<p n=17039>
Em vinte anos, a estrutura da família e os papéis dos seus diferentes
actores sofreram uma revolução radical, em particular devido à entrada
das mulheres no mercado de trabalho. Como será a família dentro de mais
vinte anos? A fazer fé em Louis Roussel, as tendências actuais
acentuar-se-ão e os países do Sul da Europa deverão conhecer as mesmas
mudanças que os países europeus do Norte conheceram há vinte anos.

<p n=17040>
Ter tido cinco maridos e uma longa ligação amorosa, ter sido a primeira
actriz ocidental a aparecer de seios nus num palco de teatro (na
Broadway) e ser considerada como a primeira bomba sexual dos tempos
modernos são três razões que os cartógrafos celestes consideraram
suficientemente fortes para que uma actriz britânica visse o seu nome
imortalizado nos mapas do planeta Vénus.

<p n=17041>
Lançada a 4 de Maio de 1989 pelo vaivém Atlantis e colocada na órbita de
Vénus no passado dia 10 de Agosto, a sonda Magalhães já tinha
cartografado, até dia 3 de Abril, 70 por cento da superfície do planeta
Vénus, o que representou mais de um mês de avanço sobre o calendário
previsto. Até 15 de Maio, data em que o aparelho terminará a primeira
parte da sua missão, 84 por cento da superfície deverá ter sido
cartograda.

<p n=17042>
O PROCURADOR da República argentina Moreno Campos pediu segunda-feira a
pena máxima -- prisão perpétua -- para os militares  acusados de tentativa
de golpe de Estado, após a insurreição de 3 de Dezembro último. De acordo
com a France Presse, os advogados de defesa vão optar pelo terreno
político durante o julgamento, que pode prolongar-se por dois ou três
meses. A «honra das Forças Armadas», que terão sido «mal conduzidas pelo
poder político», sobretudo durante o mandato do Presidente radical Luis
Alfonsin, é um dos argumentos que contam apresentar em tribunal. A
rebelião dos «carapintadas», a mais sangrenta dos últimos 30 anos na
Argentina, prolongou-se por 18 horas e provocou 14 mortos civis e
militares. O jornal «Âmbito Financeiro», ligado ao meio empresarial,
admitia ontem uma «solução política» para o caso, atendendo à proximidade
das importantes eleições parciais que se realizam em Setembro próximo.

<p n=17043>
WINNIE MANDELA negou ontem em tribunal ter sido responsável pela rapto e
maus tratos de quatro activistas negros, durante a sua primeira
declaração como ré. «Senti-me insultada ... fiquei furiosa», disse a
mulher do líder do Congresso Nacional Africano, referindo-se ao momento
em que ouviu pela primeira vez as acusações que lhe são dirigidas. Sobre
o rapto, Winnie, 56 anos, afirmou que na noite de 29 de Dezembro de 1988,
quando os quatro adolescentes terão sido raptados e espancados na sua
casa no Soweto, estava a fazer uma viagem enquadrada numa pesquisa sobre
projectos de assistência social em Brandfort, a 300 quilómetros de sua
casa. Winnie Mandela acusou também uma das alegadas vítimas de ter
prestado um falso testemunho durante o processo.

<p n=17044>
A REPÚBLICA jugoslava da Sérvia encontrava-se ontem parcialmente
paralisada, na sequência de uma greve de 700 mil operários dos sectores
têxtil e metalúrgico. O protesto, considerado o maior desde a Segunda
Guerra Mundial, surge dias antes da apresentação no parlamento, pelo
Governo federal, de um projecto de reformas económicas.

<p n=17045>
«Esperamos que a greve torne possível alcançar as pré-condições
elementares para a vida normal dos nossos trabalhadores», afirma o
comunicado da comissão de greve. O surto grevista seguiu-se ao fracasso
das conversações entre os sindicatos das empresas estatais e
representantes do Governo, que decorreram segunda-feira.

<p n=17046>
O PRESIDENTE francês, François Mitterrand, inicia amanhã uma viista
oficial de dois dias à Roménia, a primeira que um chefe de Estado realiza
ao país após a queda do ditador Nicolai Ceausescu.

<p n=17047>
Mitterrand vai visitar um dos países mais pobres da Europa e  que se
encontra a braços com uma crise económica sem precedentes. Ao manifestar
o desejo de que as relações com a França conheçam novas perspectivas,
«sobretudo a nível económico», o Presidente romeno não fez mais do que
sublinhar a necessidade de uma rápida entrada de capitais estrangeiros no
país. Os responsáveis económicos romenos definem a lei sobre os
investimentos estrangeiros como «atraente e flexível» e sublinham a
necessidade do investimento para que o esforço de modernização da
economia seja possível.

<p n=17048>
À entrada da mina de Mejdurecthinsk, a bandeira soviética foi arriada e
substituída pelo estandarte russo. À medida que alastram a novos sectores
e outras áreas, os movimentos grevistas na URSS assumem tons políticos
cada vez mais carregados.

<p n=17049>
Os mineiros depositam esperanças na solidariedade de outros sectores. No
dia 11, o comité de greve de Domeztk apelou a uma greve política geral de
apoio às suas reivindicações. Os mineiros do Kuzbass convocaram mesmo uma
greve geral para o dia de hoje, após terem apresentado mais uma
exigência: a passagem da administração das minas para a Federação Russa.
E, em Vorkuta, onde estão paradas 12 das treze minas da área, os mineiros
reúnem hoje em plenário para decidir do futuro das greves e lançar um
apelo à solidariedade operária em todo o país.

<p n=17050>
A ÁFRICA DO SUL acolheu sem grande surpresa o anúncio, feito
segunda-feira no Luxemburgo, de que a Comunidade Europeia decidira
levantar a maior parte das sanções económicas impostas àquele país.

<p n=17051>
A decisão do Luxemburgo foi considerada «positiva e encorajante» pelo
Presidente Frederik De Klerk, que em comunicado distribuído no Cabo
sublinha que a mesma representa «uma nova etapa importante para a África
do Sul e todo o seu povo, com vista a melhores condições económicas e a
relações internacionais normais».

<p n=17052>
O IRAQUE quer esquecer o passado e iniciar uma nova fase nas suas
relações com o resto do mundo, e sobretudo com o Ocidente. Foi esta a
ideia transmitida pelo primeiro-ministro, Saadoun Hammadi, que ocupa o
cargo desde finais de Fevereiro.

<p n=17053>
«Estamos a preparar-nos para uma nova era. Estamos a rever todas as leis
que tinhamos no passado, no sentido de uma maior liberalização», disse
ainda Hammadi, que ocupa actualmente um cargo que não existiu durante 20
anos.

<p n=17054>
A CASA BRANCA comentou ontem a construção do colonato em Revava afirmando
que se trata de um obstáculo ao processo de paz que James Baker procura
lançar no Médio Oriente.

<p n=17055>
VIOLENTOS incidentes verificaram-se no início desta semana em Kumba,
cidade situada no Ocidente dos Camarões, a uma centena de quilómetros de
Doualla, a capital económica do país, tendo havido três mortos e diversos
feridos -- foi ontem anunciado.

<p n=17056>
Soldados americanos vão chegar em breve ao Norte do Iraque mas apenas
para prestar auxílio aos refugiados. O regime de Saddam disse «sim» à
instalação de centros de acolhimento, enquanto a Turquia obrigou três mil
curdos a regressar ao território iraquiano.

<p n=17057>
Mas, enquanto a comunidade internacional mobiliza meios para socorrer os
refugiados, o Exército turco obrigou ontem cerca de três mil curdos a
atravessar a fronteira e a regressar ao território iraquiano. Segundo o
enviado da France Presse ao local, os soldados reuniram os refugiados e
transportaram-nos em camiões até junto da zona fronteiriça, obrigando-os
em seguida a atravessar um pequeno rio que separa os dois países.

<p n=17058>
A DUAS SEMANAS das eleições municipais britânicas e quando se fala ainda
na hipótese de as legislativas serem antecipadas para o Verão, o Partido
Trabalhista, na oposição, apresentou ontem o seu programa para os anos
90.

<p n=17059>
Um estudo efectuado há dois dias pela Mori mostrava que 42 por cento dos
eleitores britânicos tenciona votar nos conservadores, contra os 41 que
se afirma adepto dos trabalhistas.

<p n=17060>
Uma multidão de túnicas brancas enche o salão e espalha-se pelos jardins
do clube desportivo Al-Alih, no Dubai. Um membro local da oposição vai
identificando cada um dos assistentes: «Este é refugiado kuwaitiano,
aquele também, mas olhe,  nesta fila são quase todos daqui ou de Sharjah
[ o emirato vizinho, um dos mais pobres da federação de sete estados
criada em 1971]».

<p n=17061>
Não se admire», responde Mansour, quando damos de caras, num dos cantos
da sala, com um grupo de algumas dezenas de mulheres.  Corpos e rostos
escondidos sob a abaya negra, as refugiadas kuwaitianas davam o mais
surpreendente sinal do profundo abalo que a crise do Golfo prometia
trazer no bojo.

<p n=17062>
METADE DAS três horas de conversações mantidas ontem em Tóquio entre o
primeiro-ministro japonês, Toshiki Kaifu, e o Presidente soviético,
Mikhail Gorbatchov, foram consagradas à disputa territorial sobre as
Curilas do Sul, o maior obstáculo a relações plenas entre os dois países.

<p n=17063>
«Não devemos perder uma oportunidade para elevar a um novo nível os laços
bilaterais entre as segunda e terceira maiores potências económicas»,
afirmou o Presidente soviético, acrescentando: «A Guerra Fria tornou-se
um anacronismo no mundo, mas ainda está presente nas relações
soviético-japonesas».

<p n=17064>
METADE DAS três horas de conversações mantidas ontem em Tóquio entre o
primeiro-ministro japonês, Toshiki Kaifu, e o Presidente soviético,
Mikhail Gorbatchov, foram consagradas à disputa territorial sobre as
Curilas do Sul, o maior obstáculo a relações plenas entre os dois países.

<p n=17065>
«Não devemos perder uma oportunidade para elevar a um novo nível os laços
bilaterais entre as segunda e terceira maiores potências económicas»,
afirmou o Presidente soviético, acrescentando: «A Guerra Fria tornou-se
um anacronismo no mundo, mas ainda está presente nas relações
soviético-japonesas».

<p n=17066>
O PRIMEIRO-MINISTRO italiano, Giulio Andreotti, adiou ontem a
apresentação no Parlamento de uma moção de confiança, depois de um dos
partidos da coligação governamental ter anunciado que não continuará a
apoiar o Executivo. A Itália mergulhou assim numa nova crise política,
quando tudo apontava para a breve formação de um Governo.

<p n=17067>
Recusando as três pastas que lhes tinham sido distribuídas e culpando o
chefe do Governo de «deslealdade», os republicanos aparecem assim como os
principais responsáveis por este novo pauzinho na engrenagem do mal
oleado sistema italiano. Um sistema no seio do qual Giulio Andreotti
chefia agora o sétimo Executivo.

<p n=17068>
Um novo colonato foi erguido durante a noite na Margem Ocidental, ocupada
por Israel. Os colonos não escondem o seu objectivo primeiro: desafiar o
secretário norte-americano de Estado. Baker regressa amanhã ao Médio
Oriente.

<p n=17069>
«Preferimos os colonatos à paz», afirmou Daniella Weiss, membro da
organização por detrás da criação do novo colonato, o «Gush Emunim»,
referindo-se aos esforços de Baker para convocar uma conferência regional
para a paz.

<p n=17070>
O SECRETÁRIO-GERAL das Nações Unidas pediu ontem que a Europa contribua
para a nova ordem internacional dando «exemplos». Um deles poderia ser a
limitação voluntária das suas exportações de armas aos países do Terceiro
Mundo, em particular ao Médio Oriente, sugeriu Javier Pérez de Cuellar no
Palácio do Parlamento Europeu, ontem, em Estrasburgo.

<p n=17071>
«A restrição das vendas de armas ao Médio Oriente, principal comprador,
assim como aos países em desenvolvimento, que por vezes preferem canhões
ao pão de que as suas populações carecem, exige, do meu ponto de vista,
uma atenção prioritária», afirmou o secretário-geral.

<p n=17072>
Pela primeira vez, os chefes de Governo da URSS e de Israel
encontraram-se. O frente-a-frente durou menos de uma hora e não produziu
novidades. Mas foi uma etapa fulcral de uma reaproximação que se tem
revelado tão lenta como difícil.

<p n=17073>
A conferência regional (Shamir prefere chamar-lhe «reunião») será
colocada sob os auspícios não das Nações Unidas mas de Washington e de
Moscovo, sublinhou. «Não haverá qualquer laço com as Nações Unidas, nem
nenhuma resolução, nem nenhuma votação», insistiu.

<p n=17074>
A Casa Pia de Lisboa vai construir no bairro de Alvalade a primeira
escola de surdos-cegos para reabilitar alunos com um deficiência rara,
frequentemente causada pela rubéola: não vêem, não ouvem, nem falam.

<p n=17075>
Os cinco alunos que frequentam este serviço de recuperação, dos mais
avançados da Europa, serão os primeiros dos 50 alunos da nova escola. As
obras deverão começar na Primavera ou no Verão, logo que a Câmara
Municipal de Lisboa retire as pequenas construções clandestinas
existentes no terreno.

<p n=17076>
De dia é um bem típico bairro alfacinha, apesar de ser cada vez mais
procurado por novas actividades urbanas. Quando a luz se vai  torna-se um
dos poisos favoritos de quantos frequentam a noite. A coexistência não
tem sido fácil, mas é em nome dela que a Câmara de Lisboa fala em
disciplinar.

<p n=17077>
O alvará definitivo para a exploração de casas nocturnas é dado pelo
Governo Civil, mas o pedido inicial é sempre entregue nos serviços
camarários que, depois de uma primeira apreciação, lhe dão seguimento.

<p n=17078>
As pinturas a têmpera que Ema Berta expõe na Alliance Française, à Rua
Braancamp, 13, 1º andar, definem-se pela narratividade. Quer isto dizer
que o espectador é confrontado com um cenário, quase como uma ilustração:
há uma história que se conta, e que quase sempre se refere a lendas e
àquilo que se supõe a memória da infância da autora.

<p n=17079>
«Tabu», de Friedich Murnau, é o filme exibido, às 21h30, no Chapitô na
Costa do Castelo, 1, em Lisboa, integrado na mostra de filmes
(in)comunicação que se prolonga por amanhã e depois. A seguir há um
debate.

<p n=17080>
O trânsito automóvel vai ser desviado do núcleo antigo de Carnide, o que
obrigará à realização de obras provisórias, enquanto uma solução
definitiva não é alcançada com a construção da radial da Pontinha.

<p n=17081>
Neste órgão têm assento o Gabinete Técnico Local, a Junta e a Assembleia
de Freguesia, o Colégio Militar, o Seminário dos Franciscanos, a
Paróquia, o Instituto Adolfo Coelho, a Delegação Escolar, a Santa Casa da
Misericórdia, o Conde de Carnide, o Clube de Carnide, o Grupo Dramático
de Carnide, o lar «O Companheiro» e comerciantes da zona.

<p n=17082>
Uma viatura de intervenção rápida, preparada para assistir  sinistrados
ou indivíduos acometidos de doença súbita no local do acidente, assegura,
desde segunda-feira, um inédito serviço de emergência médica móvel a
funcionar 24 horas por dia na Marginal Lisboa-Cascais .

<p n=17083>
Entre as razões invocadas para a criação deste serviço, o município de
Cascais refere o grande número de acidentes que acontece naquela via e a
sua gravidade, bem como a necessidade de fazer de imediato a «triagem de
doentes» para as diversas unidades de saúde da região, em função da
gravidade dos casos.

<p n=17084>
A Casa Pia de Lisboa vai construir no bairro de Alvalade a primeira
escola de surdos-cegos para reabilitar alunos com um deficiência rara,
frequentemente causada pela rubéola: não vêem, não ouvem, nem falam.

<p n=17085>
Os cinco alunos que frequentam este serviço de recuperação, dos mais
avançados da Europa, serão os primeiros dos 50 alunos da nova escola.
«Trata-se de dar alguma independência e meios para que uma criança com
uma existência quase vegetativa possa, dentro do possível, bastar-se a si
própria», disse Ascensão. As obras deverão começar na Primavera ou no
Verão, logo que a Câmara Municipal de Lisboa retire as pequenas
construções clandestinas existentes no terreno. Lusa

<p n=17086>
«Não é lapso que a vereadora Nair Pereira tenha autorizado a sessão» que
o PS pretendia organizar, dia 4 de Abril no Palácio Anjos, em Algés,
mandado fechar a cadeado pelo presidente da autarquia, a duas horas do
início do debate, afirma Miguel Pinto, membro da Assembleia de Freguesia
de Carnaxide, eleito nas listas da CDU. Segundo o autarca da União
Democrática Popular (UDP), o próprio PSD já utilizou aquele espaço na
campanha eleitoral de 1989, numa sessão com a presença de Isaltino de
Morais, na qualidade de candidato a presidente da Câmara Municipal de
Oeiras.

<p n=17087>
A Electricidade de Portugal (EDP) e a Associação Nacional de Municípios
Portugueses (ANMP) assinaram ontem, no Ministério do Plano e
Administração do Território, em Lisboa, um protocolo que estabelece o
novo regime de contrapartidas a atribuir aos municípios na concessão da
distribuição de energia eléctrica em baixa tensão.

<p n=17088>
Dois espanhóis que se encontravam a cumprir pena na cadeia de Setúbal por
tráfico de droga evadiram-se ontem de manhã do estabelecimento prisional
da cidade, segundo apurou o PÚBLICO junto de uma fonte dos Serviços
Prisionais que pediu o anonimato.

<p n=17089>
«Olhares Atlânticos» é o título genérico de uma acção cultural da Região
Autónoma da Madeira que será levada a cabo nas instalações  da Biblioteca
Nacional de 18 de Abril a 11 de Maio, trazendo a Lisboa uma múltipla e
representativa série de protagonistas culturais do arquiupélago, desde a
literatura até ao domínio das artes plásticas.

<p n=17090>
Uma patrulha da GNR do posto de Valpaços, Chaves, foi recebida a tiros de
caçadeira quando, na tarde de segunda-feira, procurava identificar os
moradores de uma residência na localidade de Pinheiro Manso.

<p n=17091>
No Tribunal de Valpaços compareceram duas mulheres e dois homens com
idades entre os 25 e os 45 anos.

<p n=17092>
Tirando partido do rio Douro e do IP 4 como vias de penetração -- e não
meros escoadouros de homens de mercadorias para o litoral industrializado
--, a Comissão de Turismo da Serra do Marão pretende «vender»
Trás-os-Montes (a paisagem, a cultura própria) ao Grande Porto, com dois
milhões de potenciais turistas.

<p n=17093>
Um dos segmentos turísticos que melhor se coadunam com as potencialidades
da região, o turismo no espaço rural, tem registado um forte acréscimo
nos últimos anos. Actualmente, já estão a funcionar cerca de três dezenas
de estabelecimentos, mas Elísio Neves indicou que «as intenções de outros
investidores já atingem a centena». Espalhadas um pouco por toda a
região, as casas de turismo em espaço rural «dispõem de excelentes
serviços de atendimento», que resultam, essencialmente, dos esforços de
formação profissional levados a cabo nos últimos anos.

<p n=17094>
Os alunos da Escola Agrícola da Paiã, no Concelho de Loures, que poderá
ser desactivada para dar lugar ao Mercado Abastecedor de Lisboa, não
querem deixar aquele local e esperam ficar ao corrente de todo o processo
até ao final da semana. Ontem dirigiram-se ao Ministério da Educação, na
Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, mas o esforço foi inconclusivo: «o
arquitecto responsável pelo processo está em Paris», regressando só hoje
à capital portuguesa, foi-lhes dito por uma funcionária. Assim sendo,
deslocar-se-ão de novo amanhã ao Ministério, segundo Henrique Sebastião,
vice-presidente da Associação de Estudantes, representativa dos quase 800
alunos daquela escola.

<p n=17095>
A lista vencedora das referidas eleições distribuíra panfletos
considerados  pessoalmente ofensivos por elementos da lista derrotada e,
por isso, o acto eleitoral foi impugnado e a questão foi posta em
tribunal.

<p n=17096>
Panfletos considerados insultuosos levaram à impugnação das eleições para
a Associação de Estudantes da Secundária Nº 1 de Alverca. O caso ocorreu
no ano lectivo de 1898/90, mas só agora as testemunhas estão a ser
ouvidas no Tribunal de Vila Franca de Xira.

<p n=17097>
A PSP de Setúbal deteve ontem de manhã, naquela cidade, o presumível
autor do disparo que na madrugada de domingo, junto ao restaurante A
Tropicália, feriu com gravidade um jovem de 26 anos.

<p n=17098>
«Pode ruir tudo a qualquer momento!» - era este, ontem ao fim da tarde, o
veredicto dos bombeiros sobre o edifício da Av. da República, em Lisboa,
que vai dos números 95 a 99 e faz esquina com a Rua António Serpa. Quando
tal vier a acontecer - se é que não aconteceu já - o estrondo imenso será
apenas o testemunho mais recente de uma cidade que desaparece, numa
avenida que já floresceu de jacarandás e prédios como este, de gosto
afrancesado.

<p n=17099>
O prédio encontrava-se devoluto à mais de dois anos e os bombeiros foram
chamados na segunda-feira pela primeira vez, quando ruiu parte do
interior, situação visível pelo entulho acumulado por detrás do que já
foram as montras da pastelaria «Ideal das Avenidas».

<p n=17100>
Excesso de velocidade, más condições da viatura, rebentamento de um pneu
e desvio repentino provocado por um veículo que circulava fora de mão,
são as diferentes causas apontadas para o acidente com um autocarro de
passageiros que ontem ocorreu perto de Tondela, na povoação de Sabogosa.
O desastre, que ocorreu às 7h20 na Estrada Nacional nº2, causou 24
feridos,  estando nove sob observação médica, dos quais dois em estado
grave, nos hospitais de Tondela, Viseu e Coimbra.

<p n=17101>
António Ferreira Soares, proprietário do café situado nas proximidades do
local do sinistro e um dos primeiros a socorrer os feridos, apresenta
versão diferente. Reportando-se às declarações  que alguns dos
passageiros do autocarro fizeram ao serem auxiliados, adianta que o
veículo entrou na curva com excesso de velocidade, derrapou na areia da
berma da via, foi contra o muro onde rebentou o pneu, enfaixando-se
depois no cedro. Ferreira Soares recorda ainda que um dos trabalhadores
apontou a falta de segurança do carro e o facto de «já ser muito velho»
como causas complementares do acidente.

<p n=17102>
A VII Assembleia Geral da UCCL (União das Cidades Capitais de Língua
Portuguesa) aprovou anteontem o plano de actvidades da organização para
1991, bem como a adesão da Câmara Municipal das Ilhas de Macau e de um
conjunto de 13 empresas e instituições.

<p n=17103>
Entre os novos membros apoiantes da União contam-se a RTP, a Sorefame, a
Air Bissau, a Guiné-Telecom (participada pela Marconi), a Universidade
Lusíada e a empresa de obras públicas Alves Ribeiro.

<p n=17104>
Aparentemente sem quaisquer intenções de organizar um ciclo, a Primeira
Matinée vem apresentando, com relativa regularidade nas últimas semanas,
um núcleo de filmes que têm em comum o facto de terem sido produzidos por
David Selznick, um dos raros produtores que merecem ter, na história de
Hollywood, a atribuição de autoria: «Desde que Tu Partiste» (1944), «O
Caso Paradine» e «O Retrato de Jennie» (ambos de 1948).

<p n=17105>
Ainda hoje, o tema obsessivo da canção que, em inglês, dá título ao
filme, «I'll Be Seeing You», e a comovente interpretação de Ginger Rogers
conseguem plenamente atingir o objectivo de prender e cativar o
espectador. Uma boa tarde de cinema, portanto.

<p n=17106>
«Eu ainda não a encontrei bem [ filosofia de vida]. Estou a dar uma
entrevista sincera portanto lhe digo que não a encontrei.»

<p n=17107>
"Amigo Luis", não dê ouvidos às manifestações de menoridade mental, mesmo
que elas venham de Guimarães, onde nasceu Portugal, mas não nasceram
todos os portugueses. Além disso, nem todos os vimaranenses são Emilias
Ribeiro, embora elas abundem por esse país fora, prontas a atacar a
inteligência, a capacidade e a coragem.

<p n=17108>
Escrevo na qualidade de Director dos Serviços de Informação da Prelatura
do Opus Dei em Portugal, a propósito do artigo de Francisco Sousa Tavares
"Anedotas da Terra Portuguesa" do PÚBLICO de 13 de Abril. As afirmações
que ali se fazem a respeito desta instituição da Igreja Católica são
totalmente falsas, talvez por falta de conhecimento e informação do
articulista.

<p n=17109>
«O canhão troa, os membros voam... os gemidos das vítimas e os uivos dos
carrascos fazem-se ouvir... São os homens que procuram a felicidade.»

<p n=17110>
A Constituição de 1976 afirma que o exercício do direito de liberdade de
expressão e de informação não pode «ser impedido ou limitado por qualquer
tipo ou forma de censura».

<p n=17111>
Este debate da Constituinte ocorre-me a propósito da divulgação do
«Index» da música ligeira em vigor na Rádio Renascença (inquérito de Rui
Rocha, «Expresso», 13.4.91). A generosa listagem dos discos proibidos
pela Emissora católica vem subscrita pelo seu autor: um sacerdote
católico, membro da Companhia de Jesus, animador cultural inegavelmente
empreendedor, que se confessa responsável pela tarefa, com a
tranquilidade própria de quem censura invocando o nome de Deus...

<p n=17112>
Deve-se a Raphael Lamkin a formulação do conceito de genocídio, entendido
como a deliberada liquidação de um grupo étnico, que foi recolhido no
Estatuto do Tribunal de Nuremberga e na Convenção aprovada pela ONU em 9
de Dezembro de 1948.

<p n=17113>
O facto mais tenebroso foi a sistemática liquidação dos judeus, plano que
os nazis designavam eufemisticamente por solução final («Endlösung»), e a
que os historiadores judeus chamaram holocausto.

<p n=17114>
«Não é verdade -- disse Abílio Araújo. Contactei telefonicamente com um
dos estudantes de Bali, que mostrou estranheza pelo facto de a informação
ter sido veiculada por uma fonte americana, até porque um diplomata dos
Estados Unidos se encontrou, entretanto, com os timorenses que estudam
naquele estabelecimento universitário da Indonésia!».

<p n=17115>
A distrital de Leiria do CDS aposta em Abecasis para cabeça de lista por
aquele distrito. O ex-presidente da Câmara de Lisboa já aceitou, desde
que a direcção do Caldas não se oponha. Entretanto, CDS divulga hoje o
seu manifesto eleitoral.

<p n=17116>
No entanto, domingo passado, Manuel Machado e Celeste Cardona, dois dos
dirigentes centristas, encontraram-se com alguns membros do CDS de
Leiria. Durante o jantar foi-lhes comunicado que a distrital apoiava a
escolha de Abecasis o que não deixou de visivelmente surpreender os dois
dirigentes. Maior foi a surpresa pelo facto de Manuel Machado,
ex-director da campanha presidencial de Basílio Horta, ser um dos nomes
em estudo para  encabeçar a lista de candidatos a deputados por Leiria.

<p n=17117>
Carlos Borrego vai ser o novo titular da pasta do Ambiente. Substitui
Fernando Real, que há cerca de dois meses pedia para ser exonerado.
Alegou razões da saúde, mas a contestação de que era alvo e a baixa
cotação entre os seus pares do Governo não deixaram de pesar nesta
decisão de Cavaco Silva.

<p n=17118>
Embora a cotação de Fernando Real entre os seus pares não ser de forma
alguma elevada e de a sua contestação ter vindo a subir de tom nos
últimos tempos, não seria de esperar que a exoneração viesse a
registar-se agora. Isto pela razão simples, como nos foi apontado por
alguns dirigentes do PSD, de «não favorecer o partido alterar a equipa em
vésperas das eleições». Esta leitura vem dar mais força às alegadas
razões de saúde que terão estado na base desta demissão. As mesmas fontes
acrescentaram mesmo que o facto de Cavaco Silva endereçar agora um
convite a uma personalidade para assumir a chefia da pasta «restringe a
liberdade do primeiro-ministro, caso ganhe a próximas eleições, para
escolher num próximo Executivo um novo nome para o mesmo lugar».

<p n=17119>
O Governo português pretende que as negociações com os Estados Unidos
sobre a utilização da Base das Lajes reflictam o novo e «mais maduro»
relacionamento bilateral, e deixem de se concentrar no «aluguer» daquela
base, disse ao PÚBLICO uma fonte governamental portuguesa.

<p n=17120>
Segundo a fonte do PÚBLICO, um relacionamento baseado em tais termos não
se coaduna com as novas responsabilidades internacionais portuguesas,
nomeadamente no âmbito da Comunidade Europeia, a que Lisboa presidirá no
primeiro semestre de 92.

<p n=17121>
Ao conquistar, em Dezembro de 89, as presidências das Câmaras de Lisboa e
Porto, o PS ficou, de algum modo, equiparado ao PSD perante o eleitorado.
Os eleitores criaram, desde então, a expectativa de poder comparar a
gestão social-democrata do país com a dos socialistas nas duas
super-autarquias.

<p n=17122>
Ao recusar integrar a lista de candidatos a deputados pelo círculo do
Porto, Fernando Gomes coloca Jorge Sampaio numa posição muito difícil.
Vejamos: se ambos se candidatassem, o eleitorado poderia, objectivamente,
comparar a capacidade de gestão do PS e do PSD. À falta desta estratégia
de tenaz, Sampaio terá dificuldade em contabilizar como obra do PS (e não
de Gomes) o fervilhar de projectos da Câmara do Porto e, em Lisboa, a
imagem da sua gestão não poderá deixar de ser aliada aos comunistas, com
quem partilha o poder autárquico.

<p n=17123>
O imprevisto aconteceu. Quando já ninguém acreditava que Cavaco Silva
tocasse no seu Governo antes das eleições legislativas do Outono, o
primeiro-ministro surpreendeu procedendo à substituição do responsável
pelo Ambiente, Fernando Real.

<p n=17124>
Fernando Real não possuía esta sensibilidade. Não admira por isso que se
tenha incompatibilizado com a maioria dos directores-gerais e que nos
«dossiers» em que tocou tenha causado mais estragos do que um elefante
dentro de uma loja de cristais. Dirigia o ministério como se fosse um
advogado dos interesses dos outros ministérios e de um certo
desenvolvimento desregrado dos seus próprios serviços. Era o antiministro
do Ambiente.

<p n=17125>
Carlos Lage responsabiliza a direcção do PS pelo facto de Fernando Gomes
não entrar nas listas. O líder do PS-Porto acusa ainda o seu partido de
não querer que as listas reflictam o peso autárquico dos socialistas. E
mais, diz não aceitar que entrem na lista do Porto mais de dois elementos
estranhos ao distrito

<p n=17126>
Lage sempre defendeu que a lista seria valorizada «se reflectisse a
íntima ligação entre o poder municipal e o partido» no Porto, lamentando
por isso a ausência de autarcas como Gomes, Mário Almeida e Joaquim
Couto, «figuras públicas cuja projecção política o PS devia aproveitar
nas legislativas». Ao contrário do PSD, que «parte do centro para a
periferia, do Governo para o país, o PS deve partir da periferia para o
centro, potenciando as virtudes do poder autárquico de que dispõe». Para
Lage, as 120 câmaras que o PS detém são o seu «maior trunfo» e Sampaio
«como autarca, está na melhor posição para daí tirar proveito».

<p n=17127>
O PSD-Madeira fez aprovar ontem, na Assembleia Legislativa Regional, um
voto de pesar pelos quinze anos da Constituição da República. Uma atitude
classificada pelo PS como de «menoridade cívica» da maioria regional.

<p n=17128>
A bancada social-democrata rejeitou um outro voto apresentado pelo PS a
propósito da mesma efeméride. Lamentam os socialistas que, passados
quinze anos, »infelizmente as instituições autonómicas regionais,
emergentes do actual ordenamento constitucional, estão, quanto ao seu
funcionamento, longe de espelharem os valores de tolerância na
participação, solidariedade e civismo introduzidos no texto fundamental
pelos deputados constituintes».

<p n=17129>
Presidente: Prof. Doutor Manuel de Oliveira Marques l.o Secretário: Dr.
João Manuel da Silva Machado dos Santos 2.o  Secretário: António Fernando
Ferreíra Barbosa de Sottomayor

<p n=17130>
Assim a economia norte-americana, pese embora algumas nuvens de incerteza
e riscos de recessão, conseguiu ver crescer o seu produto interno bruto a
uma taxa de l%, com um nivel de inflação a rondar os 6%; particularmente
notável é a performance do Japão e R.F.A. que tiveram um crescimento do
seu produto interno bruto de 6,1% e 4,2% com taxas de inflacçao muito
controladas de 3.6% e 2.8%, respectivamente.

<p n=17131 problema=anulado>

<p n=17132>
As imobilizações de serviço próprio estão reflectidas no balanço ao custo
de aquisição, deduzido das amortizações acumuladas, calculadas pelo
método das quotas constantes, às taxas máximas permitidas para efeitos
fiscais.

<p n=17133>
Nos termos legais e estatutários o Conselho de Administração do
Laboratório Iberfar, S.A. submete à vossa aprovação o Balanço em 31 de
Dezembro, bem assim como a Conta de Ganhos e Perdas e o Relatório de
Gestão, relativos ao exercício de 1 990.

<p n=17134>
Em1990 já não haverá lugar ao benefício fiscal de redução da tributação
por efeito da OPV realizada em1988, pelo que o imposto estimado o foi à
taxa integral. Assim, não obstante a melhoria nos resultados brutos,
verificou-se uma descida dos resultados líquidos para 190 mil contos
contra 206 mil do ano anterior.

<p n=17135>
Ponto 43 - REMUNERAÇÕES ATRIBUIDAS AOS MEMBROS DOS ORGÃOS SOCIAIS
RELACIONADOS COM O EXERCÍCIO DAS RESPECTIVAS FUNÇÕES:

<p n=17136>
Terão o direito a tomar parte na Assembleia Geral, nos termos do disposto
no artigo vigésimo segundo do contrato de sociedade, todos os accionistas
com direito a voto que tenham acções averbadas ou acções ao portador,
depositadas em Banco ou na sede da sociedade, até dez dias antes da data
da Assembleia Geral.

<p n=17137>
No país mais rico do mundo, os Estados Unidos, uma em cada oito crianças
passa fome. No total, são 5,5 milhões. É o que mostra um estudo recente
que só pode pecar por defeito, pois foi feito antes da actual depressão e
não contou com os sem abrigo.

<p n=17138>
Billy e os colegas não constituem excepções. De acordo com um estudo
recente divulgado pelo Food Research and Action Center (FRAC),
instituição que se ocupa da fome nos EUA, neste «país das maravilhas» uma
em cada oito crianças passa fome, o que significa que 5,5 milhões de
crianças com menos de 12 anos estão nessa situação.

<p n=17139>
O PROVEDOR de Justiça, Mário Raposo, considerou ontem que os juízes
aplicam a prisão preventiva com «demasiada frequência» e que a aplicação
de penas alternativas -- multa ou trabalho a favor da comunidade -- «tem
sido demasiado lenta».  Mário Raposo falava num debate sobre prisão
preventiva e competência para a ordenar, no âmbito de um seminário na
Universidade Técnica Internacional, sob o lema geral «A Justiça das
Penas». O provedor, citado pela agência Lusa, opinou que o argumento de
perigo de fuga do arguido como justificação para a prisão preventiva «é
por vezes mal avaliado» dada a precaridade em que é feito o juízo
indiciário, salientando que o número de preso preventivos «é, por vezes,
idêntico aos presos em cumprimento de pena», o que representa «qualquer
anomalia do sistema».

<p n=17140>
A Polícia de Segurança Pública (PSP) lançou esta semana uma campanha de
divulgação de folhetos, visando alertar para a possibilidade de furtos de
automóveis e para condições de segurança dos automobilistas nacionais e
estrangeiros. Justificados pela «aproximação da época balnear», vão ser
distribuídos 1,5 milhões de folhetos em português e 500 mil em espanhol,
inglês e francês. Sobre protecção do automóvel os conselhos vão, por
exemplo, para a instalação de sistemas anti-roubo da viatura e do rádio.
Àcerca de segurança dos automobilistas, os folhetos alertam para a
não-condução sobre o efeitos do álcool e o respeito integral das normas
de segurança.

<p n=17141>
QUATRO navios franceses dirigiram-se ontem para as águas territoriais
italianas a fim de auxiliar no combate à maré negra provocada pelo
petroleiro cipriota «Haven», que se afundou domingo na costa da Ligúria.
Um total de cerca de 60 embarcações estão a tentar conter o derrame de
hidrocarbonetos, que se estende por uma área de 100 quilómetros quadrados
ao longo da Riviera italiana. Manchas de petróleo foram vistas ontem a 50
quilómetros da fronteira entre as águas francesas e italianas. Embora as
condições do tempo continuem favoráveis -- com o mar calmo e ventos fracos
--, diversos pontos da costa da Ligúria estão a ser atingidos por placas
densas de petróleo semi-solidificado. Os pescadores dos portos mais
próximos de Génova receberam instruções para permanecerem em terra,
enquanto as comunidades locais procuram unir esforços para tentar salvar
a imagem turística da região para a próxima temporada. «As reservas
caíram de 40 para cinco por dia», disse o presidente da associação
hoteleira da Alassio, Carlo Bottirolli. O «Haven» continua a resistir às
correntes, a 70 metros de profundidade, e as autoridades mantêm um
optimismo reservado, avaliando que a quantidade de petróleo ainda a bordo
do navio seja inferior à previsão inicial de 100 mil toneladas.

<p n=17142>
QUATRO PESSOAS ligadas à Camorra, a mafia napolitana, foram mortas nas
últimas 24 horas, revelou com a polícia italiana, na sequência do
assassínio de Mario Jovine, em Cascais, a 8 de Março passado. Giovanni
Gravante, Michele Monte, Vicenzo Sagliano e Luigi Coppola, todos com
cadastro na polícia e conhecidos pelas suas ligações com a Camorra, foram
abatidos a tiro na região de Nápoles. A morte de Mario Jovine, um dos
principais líderes da Camorra, desencadeou uma guerra entre as diversas
famílias da mafia napolitana para a sua sucessão.

<p n=17143>
O SECRETÁRIO-GERAL da Confederação Mundial do Trabalho (CMT), o argentino
Carlos Custer, apoia a entrada da CGTP na Confederação Europeia de
Sindicatos, cujo ingresso foi vetado pela outra central sindical
portuguesa.

<p n=17144>
Em 1974, a CMT teve parte activa na criação do CES, quando juntamente com
a maioritária Confederação Internacional dos Sindicatos Livres (CISL)
decidiram dissolver as suas estrututras europeias e criar o CES que conta
actualmente com 46 confederações nacionais.

<p n=17145>
Um novo sinal de agitação na vida sindical do sector dos transportes:
sectores profissionais do metro, maquinistas e factores, preparam um novo
sindicato. Mas admitem o seu alargamento a nível distrital e a várias
empresas.

<p n=17146>
«Há vários anos que os trabalhadores do subsolo têm servido de charneira
para que outras categorias profissionais tenham obtido resultados
positivos», afirma-se no documento divulgado aos trabalhadores do Metro.

<p n=17147>
Trabalham 18 horas por dia, sete dias na semana, nas ruas de Los Angeles.
Mas podem passar dias ou mesmo semanas sem fazer  dinheiro. Ninguém
parece apreciá-los. Apelidam-se de «perdigueiros» devido ao seu trabalho
de «farejar» e «caçar» carros envolvidos em acidentes, na cidade. Mas a
polícia tem vários outros nomes menos carinhosos para esses motoristas
ilegais de camiões-reboque: piratas, bandidos, aves de rapina.

<p n=17148>
«Quem chega primeiro faz dinheiro. É um trabalho de carniceiro. Para mim,
eles não passam  de um bando de urubus», afirma o detective da polícia de
Los Angeles, Bill Whittaker, à frente das investigações sobre o trânsito
da zona sul da cidade.

<p n=17149>
O PAPA João Paulo II preconizou ontem uma «cooperação solidária» entre
católicos e muçulmanos, «para ajudar as vítimas da guerra e construir uma
paz durável no Médio Oriente e no mundo inteiro», numa mensagem em árabe
que dirigiu pela primeira vez pessoalmente aos muçulmanos no fim do
Ramadão.

<p n=17150>
João Paulo II exprime a sua solidariedade a todos os que perderam os
seus: «Como vós, muçulmanos, nós também, os cristãos, afirmamos com
esperança que eles sejam confiados ao julgamento misericordioso de Deus.
Possa este tempo de dor ser compensado pela consciência de que o amor de
Deus não tem limites».

<p n=17151>
A edição portuguesa da revista «O Movimento Sindical Mundial», da
Federação Sindical Mundial (FSM), com sede em Praga, terminou a sua
edição em língua portuguesa com o número referente a Dezembro1990/Janeiro
1991, mas só divulgado durante o mês corrente.

<p n=17152>
Assim, desde o princípio do ano, o boletim «Flashes do mundo sindical» é
bimensal enquanto a revista passa a trimestral. «As duas publicações
serão editadas em francês, inglês, espanhol e russo. Quanto às outras
línguas em que publicávamos, vamo-nos esforçar por publicar, na medida do
possível, `digests' contendo os artigos mais interessantes das nossas
publicações», afirma-se numa nota aos leitores.

<p n=17153>
Faltam ainda 14 meses para o início da maior conferência mundial já
organizada pela ONU, mas os cariocas já estão a viver uma verdadeira
euforia verde. O Rio está a transformar-se numa espécie de Meca
ecológica, com a chegada de funcionários internacionais, emissários de
organizações ambientalistas, técnicos de hoteleria, segurança e
militantes verdes e a cidade parece um estaleiro, tantas são as obras
lançadas para melhorar o seu visual.

<p n=17154>
A questão do transporte é considerada um dos grandes quebra-cabeças dos
organizadores da conferência, pois o trânsito de veículos pelas
principais ruas e avenidas do Rio de Janeiro está saturado há anos,
provocando diariamente gigantescos congestionamentos. Para ir do Galeão à
Barra da Tijuca, numa distância de 50 quilómetros, gasta-se hoje cerca de
uma hora e meia nos períodos de maior tráfego. Para evitar que os
delegados estrangeiros fiquem mais tempo parados no trânsito do que nas
salas de reuniões da ECO-92, o governo do Rio espera gastar quase 500
milhões de dólares em obras de infra-estruturas.

<p n=17155>
O «caso da Quinta do Fragoso» chegou ao fim numa maré de absolvições.
Houve lágrimas na leitura do acórdão e apenas uma condenação pesada: José
Ribeiro da Silva apanhou 20 anos. E o juiz Reininho pediu-lhe para ter
mais juízo...

<p n=17156>
Durante a leitura do acórdão, que durou mais de duas horas, o juiz Luís
Reininho considerou que as absolvições não tinham que ver com o facto «de
os crimes não terem sido cometidos», mas como resultado «da sua não
provação em audiência». E, voltando-se para José Ribeiro da Silva, disse:
«Para si, tanto faz mais um crime ou menos um crime. Está na altura de se
deixar disto, homem.»

<p n=17157>
O IROMA -- Instituto Regulador e Orientador dos Mercados Agrícolas --
projecta lançar programas de formação e reconversão profissional para os
trabalhadores dos matadouros encerrados ou a encerrar, prevendo-se que o
primeiro programa arranque no final do Verão, disse ao PÚBLICO o
presidente daquele organismo. Em alguns casos, a formação «equivale a
dar-lhes a quarta classe», acrescentou.

<p n=17158>
O presidente do IROMA afirma que a lei prevê três situações para os
trabalhadores: integração na nova empresa, indemnização correspondente a
dois anos e passagem para o Quadro de Excedentes da Função Pública. «Mais
de 99%» escolhe a terceira alternativa, que lhes abre as portas da
reforma com 20% de bonificação sobre o tempo de serviço ou garante 75% do
ordenado durante os dois primeiros anos. Entretanto, o IROMA confirma que
não está a renovar os contratos a prazo dos mais de 200 trabalhadores que
tem ao seu serviço, parte deles em tarefas administrativas.

<p n=17159>
Para muitos, «Paraíso Infernal» é a obra maior de Howard Hawks. Há mesmo
quem o considere o filme mais perfeito de todo o cinema americano.
Exagero? Apenas manifestação de uma paixão que aumenta a cada nova visão.

<p n=17160>
«Paraíso Infernal» tem por campo uma das paixões de Hawks, a aviação.
Ele, que já dera algumas das melhores sequências de combates aéreos no
cinema («A Patrulha da Alvorada», «A Vida é o Dia de Hoje») e irá fazer o
filme maior da aviação de guerra («Águias Americanas»), retoma aqui o
tema da aviação civil depois de «Entre Nuvens» (1936). Num perdido porto
da América do Sul, uma companhia de aviação procura apanhar um contrato
com o Governo, para o que precisa de ter um certo número de voos. O grupo
perde um dos seus membros num desastre, e o substituto é um homem que
provocou a morte de um co-piloto por um acto irreflectido. A segunda
oportunidade irá permitir a sua redenção. Mais do que neste tema (que não
é exclusivo do realizador), é nas relações entre os membros do grupo
comandado por Cary Grant e na resistência deste diante de Jean Arthur que
se manifesta o génio de Hawks, que foi, com Jules Furthman, o autor do
argumento. Poucos serão os realizadores em cuja obra o diálogo tenha uma
função tão importante não tanto pelo que é dito como pela «forma» como é
dito. Falar de obra-prima poderá ser redutor, tal a frequência com que se
usa o termo. «Paraíso Infernal» é um daqueles momentos únicos em que o
espectador é literalmente levado para um outro mundo, o de anjos sem
asas.

<p n=17161>
Durante a segunda guerra mundial, um oficial tenta salvar os cavalos da
famosa escola equestre de Viena. A receita de Disney aplicada ao filme de
guerra que apenas o elenco justifica a visão.

<p n=17162>
O último grande filme de Vittorio de Sica, adaptado de um romance de
Giorgio Bassani: uma família aristocrática de origem judaica na Itália de
Mussolini, procura proteger-se das ameaças externas, num mundo privado
como as flores do seu jardim. Uma fotografia admirável para um filme
belíssimo e melancólico. O melhor trabalho de Helmut Berger sem Visconti.

<p n=17163>
Era inevitável que o último grande cineasta romântico francês abordasse o
universo da escrita romântica. Mas, em vez de adaptar um dos clássicos da
literatura, Techiné optou pela biografia das irmãs Brontë, figuras
maiores desse género. A ambição do projecto perdeu-se um pouco no meio de
referências intelectuais mais contemporâneas do que o período tratado, o
que se deve, talvez, ao argumento de Pascal Bonitzer. Destaque-se a
presença de Roland Barthes no papel de Thackeray.

<p n=17164>
Dois adolescentes perdidos numa ilha deserta. Adão e Eva no paraíso,
inclusive na castidade! Com a nova «virgem profissional», Brook Shields.
Brrr! A evitar.

<p n=17165>
Exportação para Nova Iorque dos disparates do «gendarme» de Saint-Tropez.
Um bicho na Big Apple, a pedir insecticida.

<p n=17166>
Eis mais um documento do inacreditável cómico que foi Buster Keaton, um
filme que data do mesmo ano em que apareceu o antológico «The General»,
para muitos o mais puro exemplo da arte do genial actor-autor. Desta vez,
é o desporto o alvo escolhido para a sátira de Keaton e dá enorme
satisfação ver como tudo bate certo do princípio ao fim: o que parece à
primeira vista uma estrutura em ziguezagues transforma-se, no final, numa
concatenação extraordinariamente coerente de todos os motivos cómicos do
filme. Keaton, como sempre, faz com que o espectador chore a rir sem
nunca torcer a boca num único sorriso. O humor é sempre inteligente e,
acima de tudo, psicologicamente verosimilhante: as pessoas, as situações,
os receios... a forma com que tudo isto é gozado por Keaton parte, em
primeiro lugar, de uma série de tomadas de consciência muitíssimo
profundas acerca da condição humana. Recomenda-se por todas as razões
enunciadas e pela cópia, que é boa, apesar de a música, «fiel à época»,
ser um pouco enervante, com tendência para banalizar o que não é de todo
banal. Mas o som desliga-se! F.L.

<p n=17167>
Mário Viegas é tanto uma vedeta da declamação que teve um programa de
poesia na televisão num horário nobre na tarde de sábado. É possível que
a poesia, para ser acessível às multidões, tenha que ser dita como Viegas
a diz -- desmesuradamente representada verso a verso, explicada por gestos
largos e outros mais pequenos, dita com os olhos bem abertos --, como se
convencionou contar histórias às crianças para elas «perceberem»: assim
se lêem poesias aos adultos para os cativar para o mundo das rimas. E,
provavelmente, o objectivo é nobre, mas muito se deve cansar Mário Viegas
a «declamar» poesia. E os poemas devem-se cansar de Mário Viegas, que não
os deixa ser aquilo que são. Viegas é uma «star» da televisão portuguesa.
Óptimo, mas fica aquela sensação de que os poemas que interpreta são
veículos para o seu vedetismo, para a exibição do seu reportório de
habilidades histriónicas.

<p n=17168>
Terá sido porque Alexandre O'Neill lhe disse, há mais de 20 anos, um
poema ao ouvido que Fialho Gouveia é o autor do melhor programa infantil
da televisão portuguesa? Discretamente programada no segundo canal, «A
Arca de Noé» é um bom momento de televisão porque é informativo, tem
graça, o apresentador não é idiota, respeita os concorrentes, é simpático
e diverte-se com o que está fazer.

<p n=17169>
No 90º Aniversário da Sociedade Nacional de belas-Artes, uma exposição do
espólio do pintor, ali depositado, faz o sentido de uma homenagem
merecida a quem surgiu como figura tutelar da instituição. Mas já não é
tão claro que os herdeiros mereçam a herança.

<p n=17170>
Desta situação de «suspensão» é alias testemunho a própria exposição que
comemora o aniversário. As soluções de apresentação e montagem das peças
provocam as maiores dúvidas relativamente à salvaguarda e tratamento do
espólio herdado. Os «passe-partout» não sugerem ter o grau de acidez
requerido para expor desenho, os vidros são encostados directamente aos
papéis, estes são colados aos vidros com fita-cola dupla (para mais
cortada sem qualquer cuidado). Os «passe-partout» são de um verde-seco
uniforme que por vezes se confunde com a cor dos próprios superfícies
desenhos, a luz é geral e deficiente, mas também a concepção de montagem
em vez de promover o intimismo de uma aproximação individual a cada peça
deixa aberto o vastíssimo espaço do Salão que é apenas dividido por um
«corredor» central e pontuado por uma cenografia de plantas sem porte e
por vitrinas onde segundo um critério correcto mas com inexplicáveis
lacunas se dispõem sem comentários catálogos históricos da casa. Outra
vitrina mostra um albúm de desenhos técnicos de Silva Porto datados de
França (traçado e aberto sem cuidados). Uma aguarela, montada numa
moldura original e colocada num cavalete novinho (o que não reproduz
nenhuma das condições originais da sua feitura e apresentação) é
enquadrada por um «passe-partout» de cartolina mal cortada e que esconde
os limites do papel.

<p n=17171>
No Porto, inicia-se a 10ª edição do «Fazer a Festa» - Festival de Teatro
para a Infância e Juventude: O Bando apresenta, na Junta de Freguesia do
Bonfim, às 15h30, a peça «Afonso Henriques», de João Brites; às 19h, no
Rivoli, um concerto pelo grupo de Música Instrumental «Os Gambozinos»,
gigantones e cabeçudos, e a inauguração de uma exposição de cartazes
sobre os 10 anos do festival.

<p n=17172>
Scorsese na Cinemateca: às 18h30, o inédito «American Boy: a Profile of
Steven Prince», um dos filmes daquilo a que se chama o «álbum de Martin
Scorsese»; às 21h30, um dos seus grandes filmes, «O Touro Enraivecido».

<p n=17173>
PÚBLICO -- Qual a importância das co-produções na gestão de um teatro de
ópera e na concretização das suas opções artísticas?

<p n=17174>
R. -- Em benefício do rigor, deve ficar claro que, na presente temporada
de São Carlos, apenas dois projectos são em co-produção: «Blimunda», de
Azio Corghi/José Saramago, em associação com o Teatro de Milão e o Teatro
Régio de Turim, e o «Rapto do Serralho», em co-produção com o Théâtre du
Châtelet. Tanto «Rinaldo» como «O Amor das três Laranjas» são produções
alugadas aos teatros donde provêm, objecto de remontagem em Lisboa pelos
criadores originais e suas equipas.

<p n=17175>
Nos policiais-tipo-mistério o que interessa é o enigma, nos
policiais-série-negra é a maldade: inunda tudo e depois  integra-se no
ambiente, é a própria atmosfera, o cenário. O primeiro nome, para sempre,
é Dashiell Hammett.   Chandler continuou. À maneira dele. Jim Thompson
foi o «looser» transformado em autor-culto. James Ellroy -- o
contemporâneo mais surpreendente, a ler já, foi agora traduzido -- tem a
crueldade, a lucidez e a violência dos desesperados.

<p n=17176>
Dez anos antes, quando Mencken e G.J. Nathan criaram o "pulp magazine"
«Black Mask», as histórias que lá se publicavam eram westerns, aventuras,
terror, mistério, detectives. Tudo géneros que acreditam em Deus. No
final dos anos vinte, Joseph T. Shaw transformou "Black Mask" numa
revista de histórias de detectives, e publicou as primeiras daquelas que
são da série negra. Do  lado do mal. Publicou, aliás, as primeiras de
Dashiell Hammett. E publicou C. J. Daly, Raoul Whitfield, depois Chandler
e Horace McCoy. Sam Spade e Philip Marlowe mais as célebres frases
incisivas deles atravessaram "Black Mask", feita num papel que nem sequer
era para durar, mas que passou à posteridade. Chandler, o mais teórico,
explicou as diferenças entre policial e «negro»: "A base da história
policial 'standard' era, e há-de ser sempre, que o assassínio seja
esclarecido, e que se faça justiça. As bases técnicas consistiam na
relativa insignificância de tudo, exceptuando o desenlace final. Aquilo
que conduz ao desenlace é mais ou menos um trabalho de ligação. O
desenlace justifica tudo. Em contrapartida, a base técnica das histórias
tipo "Black Mask" dava mais importância ao "décor" do que à intriga, no
sentido em que uma boa intriga é aquela que dá para boas cenas. O
mistério ideal passava a ser aquele que se podia ler, mesmo que lhe
faltasse o fim. " É o célebre texto "A Simple Art of Murder", de 1950. As
histórias tipo "Black Mask" são mais cinematográficas que as outras:
poupa-se na extenuante (e inglória, feitas as contas) tarefa de fazer
intriga para se chegar ao desenlace. A pergunta pode continuar a ser quem
matou?, mas a gravidade da resposta dilui-se pelo caminho. Os outros
detectives acreditam que há Bem e Mal, por causa da Razão. Isto é ter a
convicção de que existe uma ordem no universo, é acreditar em Deus. E
eles estão lá como se fossem Deus, enquanto meditam para resolverem o
mistério. Os detectives do policial «negro» não. Podem representar em
`part-time' o papel de Deus, mas não é a partir da Razão, nem do
princípio da ordem: acreditam fundamentalmente nas relações de força. A
justiça que repõem não é universal, é pessoal. Podem salvar ou castigar,
mas trata-se sempre de uma relação de forças. O castigo final é
importante, normalmente está lá no sítio dele, que é no fim, mas é uma
espécie de suporte de operações mais vastas. Muito mais empolgantes.
Muito mais assustadoras.

<p n=17177>
COM MIA FARROW, JOE MANTEGNA, WILLIAM HURT, KEYE LUKE, BLYTHE DANNER,
ALEC BALDWIN, CYBILL SHEPHERD E JUDY DAVIS

<p n=17178>
Agora, em «Alice», Allen repega na linha esboçada no pequeno conto que
encerrava «Histórias de Nova Iorque», arriscando o excesso irrealista e
desenvolvendo um grafismo devedor, tanto do fantástico, como da animação:
«O Homem Invisível», «Mary Poppins» ou «Fu Manchu», entre outros,
cruzam-se, transformados em indícios mínimos de uma evidente cinefilia,
sob o olhar tutelar e, por isso mesmo, mais subterraneamente elaborado da
heroína de Lewis Carroll, invocada no título.

<p n=17179>
«Wild at Heart» destrói e reinventa todos os códigos estéticos da
modernidade, possuindo o raro dom de só fazer sentido no esplendor da sua
excessiva sobrecarga visual. M. J. T.

<p n=17180>
«Danças com Lobos» é um filme bonito, de estrutura clássica, e será esta
a sua defesa contra o anacronismo que manifesta. M.C.F.

<p n=17181>
LOUIS ERLO -- Sou contra as co-produções, sobretudo quando têm como único
objectivo gerir os nossos infortúnios financeiros. É uma solução de
recurso que pode ser grave, porque se deslocam produtos com a única ideia
de juntar o dinheiro, sem qualquer ideia de arte, de artesanato, de
personalidade, de direcção. Para a co-produção de «Klinghoffer» partimos
de uma ideia artística que era de tal qualidade, implicava criadores tão
distintos que juntámos os nossos dinheiros para fazer melhor -- para cada
um dos teatros envolvidos esta co-produção custa quase o mesmo que uma
produção isolada de cada um deles. Neste caso, a co-produção torna-se
interessante, porque demos ao compositor, à libretista, ao encenador, ao
coreógrafo, um contrato para criarem uma obra; interessava-nos montar na
Europa um produto feito por grandes criadores americanos, para tentar ver
como se pode criar uma obra lírica no século XXI.

<p n=17182>
R. -- Foi o acaso. Tínhamos feito a escolha, por proposta de Peter Sellars
e John Adams, há dois anos, quando não havia guerra do Golfo. Tivemos
mesmo de pôr a hipótese de cancelamento, se a guerra não terminasse
entretanto. Não era por causa do espectáculo, em que todos têm razão, que
é pela paz, muito moral, evangélico, que até não me dá grande satisfação
pessoal, porque não toma partido. Mas o tema, não se conhecendo o
espectáculo, podia dar azo a manifestações extremistas.

<p n=17183>
Pelo quarteto de criadores, pelo inédito esforço co-produtivo, a estreia
de «The Death of Klinghoffer» era esperada como um dos acontecimentos
maiores do ano operático. Mas veio a Guerra do Golfo e ainda maior foi a
polémica por o tema ser o assassinato de um judeu por um comando
palestiniano.

<p n=17184>
Um trio de criadores americanos (quarteto, com o coreógrafo Mark Morris)
tinha o apoio repartido de três instituições europeias e três americanas,
não escondendo alguns ser este um desenho estratégico em que «a canção da
Europa lírica `de referência' para esta co-produção internacional vai
permitir a entrada da criação [contemporânea] nas grandes instituições
americanas, muito conservadoras» (brochura da temporada da Ópera de
Lyon).

<p n=17185>
O tema que este filme algo insulso aborda -- o da paixão de uma mulher
«madura» por um jovem de vinte e poucos anos -- já não é novidade nenhuma
no cinema:  Gloria Swanson e William Holden são o par que incarnaram o
tratamento mais interessante deste tipo de relação em «O Crepúsculo dos
Deuses» de Billy Wilder já no ano longínquo de 1950. E mais recentemente,
filmes com esta temática parecem ser o apanágio do tipo de personagem que
a grande Jacqueline Bisset inventou para si própria, dos quais «Célebres
e Ricas» de George Cukor é claramente o melhor. A diferença que surge em
«Loucos de Paixão» é a inversão das classes sociais dos protagonistas.
Desta vez, é a mulher que é «recuperada» dos «bas-fonds» pelo amor. Mas
Susan Sarandon não consegue dar grande consistência à personagem e o
problema de inverosimilhança de que o argumento sofre não é compensado
pela articulação demasiado lassa em termos cinemáticos que o realizador
não conseguiu evitar. No conjunto, portanto, uma confecção muito morna,
que não corresponde às expectativas suscitadas pelo título que os
distribuidores portugueses escolheram para o filme. Frederico Lourenço

<p n=17186>
LISBOA Alfa 3: 14h15, 16h45, 19h15, 21h45 e 00h15; Amoreiras 7: 13h45,
15h45, 17h45, 19h45, 21h45 e 00h15; Politeama: 14h, 16h30, 19h e 21h30.

<p n=17187>
Numa notável encenação de Richard Jones, está desde ontem em cena no São
Carlos «O Amor das Três Laranjas», uma fantasia em ópera de Prokofiev,
inspirada pela criação teatral de Meyerhold.

<p n=17188>
Na sua reacção ao naturalismo de Stanislavsky, preocupado pela
«biomecânica do actor», interessado pelo modelo das máscaras e das
marionetas, por um «teatro teatral» (se por isso se entender a
explicitação na cena dos mecanismos de representação), Meyerhold tomou
como referência emblemática «O Amor das Três Laranjas», a fábula do
veneziano Carlo Gozzi, em defesa da «commedia dell'arte» contra a
«reforma» de Goldoni (fábula de resto inspirada num conto tradicional que
em Portugal conhecemos como «O Amor das Três Romãs»). Meyerhold não só
fez uma nova versão da obra, como dela colheu o título para uma sua
revista, que entregou a Prokofiev no momento em que este partiu para a
América. «Tive um ideia», relataria Prokofiev -- foi precisamente durante
a viagem que começou a pensar em escrever uma obra com base na peça, e
foi essa a ideia que apresentou à Ópera de Chicago. O que poderia ter
sido a grande obra conjunta de Meyerhold e Prokofiev acabaria afinal por
ser feita, sem o primeiro, na América. E assim surgiria, deslocada do seu
imediato contexto histórico-cultural, aquela que poderia ter sido um dos
grandes manifestos do construtivismo russo.

<p n=17189>
Hoje é um homem mais parco em palavras. Ouço-o citar-me George Sand -- «la
parole n'est pas mon language» -- como para se escusar de ir mais além na
memória e no esforço dessa memória...

<p n=17190>
Marcello Mathias foi, com densidade e de forma exclusiva, um diplomata. E
um colaborador «leal e devotado» de Salazar, mais do que do regime:
«Tínhamos uma tarefa comum», como ele costumava dizer e gosta hoje de
recordar. Durante décadas, «serviu o país» como funcionário do Ministério
dos Negócios Estrangeiros, depois como embaixador, mais tarde como
titular do Palácio das Necessidades, novamente como embaixador.

<p n=17191>
A maneira mais comodista de ler é deixar-se levar pelas palavras que
alguém pôs à nossa disposição ao longo de um livro. Mas o prazer da
leitura revela-se plenamente quando põe a nossa imaginação a trabalhar,
fazendo-nos passar para o papel do escritor, dando sequência à história
que nos propõe. Tentamos, então, antecipar o que está para acontecer e a
forma como as coisas vão suceder-se. E o melhor vem quando o autor nos
surpreende e nos leva por outros caminhos que não aqueles que tínhamos
previsto, mais belos e promissores de novos sonhos do que aqueles que
cada um de nós vai mentalmente esperando.

<p n=17192>
Já aqui falámos do Algeratura -- Gerador de Contos, quando saíram as
primeiras disquetes de histórias em português. Recentemente, a Escola
Delfim Santos, de Lisboa, reuniu alguns professores, associados ao Centro
Escolar Minerva de divulgação da informática nas escolas, para uma
demonstração prática de como rescrever histórias ajuda a aprender a ler e
escrever.

<p n=17193>
É já no dia 27 de Abril que se inaugura o Pavilhão Municipal do Desporto
e da Juventude, no Forte da Casa. Está preparado para a prática de
andebol, basquetebol, hóquei em patins, ginástica, voleibol, badmington e
ténis de mesa. Exibições de algumas destas modalidades terão, aliás,
lugar nos dias 27 e 28 de Abril.

<p n=17194>
Por mais uma semana, já que não houve condições técnicas para proceder ao
encarte dentro desta edição do Júnior, conforme a Direcção do PÚBLICO
anunciou ontem no primeiro caderno deste jornal. Estará enguiçado?!

<p n=17195>
Chama-se «Thinkin' about Your Body» e quem tiver alguma cultura pop
básica imediatamente reconhece a marca de Bobby McFerrin. O maxi que esta
semana a Polygram distribuiu entre nós com o selo Big Life tem esse
título, mas, no lugar da foto ou do nome de McFerrin, a autoria do disco
é atribuída a uns misteriosos 2 Mad. Consultando-se os créditos na
contracapa depreende-se ser o nome de guerra de Chase, Paul Rabiger e um
alcunhado Funkie Junkie.

<p n=17196>
Isto significa uma mudança de atitude radical da parte da indústria, para
quem as «bootleg» foram até aqui o inimigo a abater. Perante a crescente
popularidade de tais apropriações dançantes dos fundos de catálogo, as
editoras vêm a tomar a atitude típica do «se não os vences, junta-te a
eles», «caçando» os autores destes produtos ilícitos, não para os mandar
para trás das grades, mas para apadrinhar a sua passagem à legalidade.
Não conhecem, de resto, resistência, visto que os remisturadores piratas,
uma vez desmascarados, não têm outra alternativa excepto ceder as
gravações em troca dos seus créditos na capa e daquilo que lhes decidem
pagar.

<p n=17197>
Amy Grant começou a gravar aos 15 anos de idade, já editou 12 álbuns em
seu nome e até alcançou um Grammy em 1987 por virtude de um dueto com
Peter Cetera. Depois de se estrear no campo «gospel», foi tomando cada
vez mais gosto pelas fórmulas do sucesso pop e, hoje, é uma estrela
norte-americana, constituindo também um daqueles casos de popularidade do
outro lado do Atlântico sem contrapartida nem compreensão possível em
termos europeus. O que ela faz em «Heart in Motion» é um exercício
acabado em AOR (rock orientado para adultos), na linha consagrada por
nomes como Bonnie Raitt e Stevie Nicks, o estilo de produto
despersonalizado e plástico que faz as delícias das rádios americanas.
Amy concede alguma atenção às palavras, dedicando canções à denúncia dos
abusos sobre menores e às reivindicações feministas, mas isso passa
bastante despercebido a quem não ler as notas na contracapa. Seja o que
for que ela queira dizer, tudo se dilui sobre uma cassete de baladas
grandiloquentes, servidas por teclados enervantes e uma rítmica unívoca,
submetidas a uma corte de produtores especializados no empilhamento de
efeitos bacocos. **

<p n=17198>
Antes consideradas símbolos da adulteração comercial das obras rock, as
colectâneas estão a ser reabilitadas nos anos 90 como um dos veículos
privilegiados da divulgação da música de dança, em particular quando,
como nos presentes casos, traduzem a política editorial dos respectivos
selos discográficos. De facto, a Creation de Alan Mcgee e a Talkin' Loud
de Gilles Peterson são ambas etiquetas independentes inglesas apostadas
na comercialização de música de discoteca escolhida a dedo, segundo uma
opção de alternativa e consistência. Daqui deriva não apenas a qualidade
média dos temas integrados nas compilações, mas também a sua prefiguração
de um som de marca, vincadamente demarcado, sem perda da individualidade
das formações envolvidas.

<p n=17199>
Num catálogo baseados em figuras de culto dos anos 60 e 70, as
discografias dos Kinks de Ray Davies e das formações lideradas por Marc
Bolan ocupam um lugar à parte, como símbolos de eleição que foram de duas
gerações que cresceram com a música

<p n=17200>
MARC BOLAN & T. REX My People Were fair and Had Sky in Their Hair;
Prophets, Seers and Sages/ Unicorn; Beard of Stars/ Electric Warrior/
Bolan Boogie/ The Slider / Tanx/ Zinc Alloy and the Hidden Riders of
Tomorrow/ Bolan's zip Gun/Futuristic Dragon/Dandy in the Underworld/ The
Collection

<p n=17201>
É guitarrista, mas Neil Young convidou-o para tocar piano em «After the
Goldrush» e, mais tarde, já o instrumento certo, em «Tonight's the Night»
e «Trans». Após uma passagem rápida pelos Grin, lançou-se numa carreira a
solo relativamente bem sucedida, assinalada pela gravação de álbuns de
rock «mainstream» («Grin», «Nils Lofgren», «Back it up», «Cry Tough»,
«Night Fades away» ou «Wonderland», entre outros), que lhe valeram o
estatuto de «guitar hero» capaz de proezas acrobáticas, como tocar de
costas em salto de trampolim ou, segundo reza a lenda, de prodigiosos
triplos saltos mortais com «flic flac» à retaguarda. Entrou para a E
Street Band, de Bruce Springsteen, e parece que ficou mais sossegado.
Agora, regressa a solo com «Silver Lining», mas não nada há de
particularmente interessante a registar -- o mesmo «rock'n'roll» honesto
de sempre, as mesmas baladas agradáveis e inócuas, o virtuosismo
guitarrístico que se lhe reconhece. Uma referência final para a lista de
convidados especiais: Bruce Springsteen, Levon Helm, Billy Preston e
Ringo Starr. A música, infelizmente, nada tem de especial. (**)

<p n=17202>
Esta semana, passa a ser distribuído entre nós o copioso catálogo de
reedições da Castle, é lançada a famosa caixa comemorativa do
cinquentenário de Bob Dylan e há importantes compilações dos selos
Creation e da Talkin' Loud. Constituindo outra opção de revisitar o que
já se ouviu, surgem também novos maxis com «bootlegs» dançantes de temas
familiares, como a edição da remistura de Bobby McFerrin pelos 2 Mad e do
tema de «Twin Peaks» dos 2 Peaks, que já passa na rádio. Nunca como agora
o presente da música pop e rock se alimentou tanto do passado, nunca o
nosso mercado esteve tão carregado de peças históricas.

<p n=17203>
É esta semana posta à venda no nosso país a colecção «The Bootleg Series
Volumes 1-3 (Rare and unreleased 1961-1991)», de Bob Dylan. A compilação,
que reúne 58 temas em três CD, três cassetes, ou cinco discos, mais um
libreto de 56 páginas, com informação sobre cada uma das canções, foi
compilada pelo arquivista de Dylan, Jeff Rosen, e contém material raro,
gravado nas circunstâncias mais díspares e aqui apresentado por ordem
cronológica. De versões «demo» até sobras das sessões de gravação de
alguns dos seus álbuns, a colectânea inclui 38 temas nunca editados
oficialmente, pertencendo mais de metade aos seus três primeiros anos de
carreira. O resto distribui-se por registos ao vivo, sendo a maior parte
do álbum essencialmente acústica. Esta compilação antecipa a passagem de
Dylan pela marca dos 50 anos, a ser comemorada em Maio próximo, dos quais
30 foram passados, de uma forma ou de outra, perto da guitarra, do
microfone e da característica harmónica.

<p n=17204>
Quem tem também uma compilação prestes a ser editada nos Estados Unidos é
James Brown, que saiu recentemente da prisão. A colectânea, de nome «Star
Time», reúne quatro CD com material antigo, algum dele inédito, e inclui
um libreto de 64 páginas. Enquanto essa compilação não vê a luz do dia, a
febre das reedições em CD continua, através de uma outra, ocorrida no
passado dia 8 em Inglaterra, com o álbum «Hot on the one», gravado ao
vivo em Tóquio em 1980. A gravação, editada pela Polydor, inclui versões
de velhos êxitos como «Papa's got a brand new bag», «It's a man's man's
world», «Try me» e «Sex machine». Brown, que após a libertação se mostra
bastante enérgico, prometeu já uma «tournée» mundial para breve -- que
deve passar pela Europa no Verão -- e um novo álbum de originais.

<p n=17205>
São os iluminados da história da música pop e rock, os que criaram uma
visão e um som tão originais quanto invendáveis e que, portanto, as
elites celebram como heróis do direito à diferença. Destacamos as edições
de Captain Beefheart & The Magic Band e de Jonathan Richman & The Modern
Lovers, como embaixadores de toda uma legião bizarra que na Castle vai de
Billy Fury até Nico.

<p n=17206>
Antes apenas disponível por importações parciais de retalhistas, o
inteiro catálogo da Castle passa agora a ter distribuição integral entre
nós através da VGM. São glórias passadas, relíquias de valor inestimável,
discos raros e até inéditos no nosso mercado, uma autentica história do
rock contada através de algumas das suas figuras mais eminentes.

<p n=17207>
Apesar de mais balanceada para as reedições de antiguidades, a Castle tem
já em catálogo testemunhos fundamentais do novo estado dançante que
avança na música desde os finais dos anos 70. Como o próprio género
comanda, tais incursões no capítulo de baile fazem-se sob a forma de
compilações, das quais escolhemos amostras especialmente eloquentes de
duas dessas principais correntes, o primeiro rap nova-iorquino e a nova
mistura rock/house de Manchester.

<p n=17208>
De par com Roy Harper, John Martyn e poucos mais, Kevin Coyne
protagonizou a corrente de cantores/compositores inglesa dos anos 70, na
sua vertente mais confessional e individualista. Tanto ou até talvez mais
que os outros fiel à sua galeria de fantasmas, Koyne passou de maldito a
ignorado na década de 80, estando agora o fundo de catálogo na Virgin a
ser convertido a CD, no contexto da recapitulação em curso da sua geração
musical. Editado em 1979, em completo divórcio que o paradigma punk então
ainda reinante, «Bable» é sem dúvida um dos seus discos mais injustamente
ignorados, obra de uma beleza amarga, tão penetrante quanto penalizadora.
Descrito como um ciclo de canções de amor para corações solitários, este
é um álbum temático que evolui em torno de paixões intensas,
sistematicamente comprometidas pela incapacidade de entrega e de
comunicação. Kevin Coyne associa-se então à virtuosa Dagmar Krause para a
encenação de uma conjugalidade dilacerada num tom de parada e resposta,
típico diálogo de surdos, onde um pergunta ao outro se ainda o ama,
quando este acabou de perguntar porque é que aquele já não gosta dele.
Uma sequência de baladas acústicas de arranjos desconcertantes, em que o
alcoolismo idiossincrático de Coyne tem o seu complemento perfeito na
gravidade dramática de Krause, um testemunho soberbo do desvario amoroso
às portas do internamento clínico. «Bable» é, ontem como hoje, peça de
colecção obrigatória para todos os amantes destroçados, que se obstinam
em viver das suas memórias traumáticas.

<p n=17209>
Os Fields of Nephilim estão apostados em trazer o apocalise dos infernos
góticos até à Terra. Com esse propósito, encarnaram sob a forma de um
quinteto rock pronto a minar a mente dos seguidores mais impressionáveis.
Com um percurso que vive tanto do culto fervoroso dos seus fãs, como da
ascendência em termos de depuração estilística dentro da própria banda,
Carl McCoy e comparsas atingiram boa reputação, sobretudo pelas
interpretações ao vivo e pelo imaginário que envolvem. Daí que não seja
de estranhar, após algum sucesso acumulado sob a forma de três álbuns e
alguns singles, que agora seja feita uma retrospectiva dessa mesma
carreira num álbum gravado ao vivo. Os Fields só têm a ganhar com a 
ideia, apresentando aqui todas as vertentes dos seus propósitos, desde o
«romantismo» de temas como «Love under Will» até às cavalgadas obcessivas
de «Submission» ou «Sumerland». É uma verdadeira recolha dos melhores
momentos do grupo, centrados na quase totalidade do último álbum
«Elizium», com passagem pelos singles «Psychonaut», «Moonchild»,
«Preacher Man» e «For Her Light».

<p n=17210>
Este é o disco póstumo dos Santa Maria Gasolina em teu Ventre, resultado
das últimas experiências dentro do colectivo, ainda antes da sua
explosão. Por contraste com o disco anterior (o mini-LP «Free
Terminator/Falcão Solitário sem ser Distorção»), demonstra uma
irreprimível tendência no sentido da audibilidade e uma outra ambição,
reflectida na panóplia instrumental utilizada, que vai das guitarras
tradicionais ao próprio computador. A estética, no entanto, não sofreu
grandes alterações, mantendo os princípios do caos de tendência literária
e as referências cibernético-psicadélicas tão caras ao líder do grupo,
Jorge Ferraz, e sublimadas no tema «Optical Sunday without William
Burroughs», o mais conseguido dos quatro aqui incluídos.***

<p n=17211>
Os Milltown Brothers pertencem já àquilo que se poderá chamar de geração
pós-manchesteriana. Isto é, este quinteto de Burnley (nos arredores
daquela cidade) faz parte de uma nova leva de grupos que constituem a
reacção contra o recente estrelato dos Stone Roses, Charlatans ou Happy
Mondays. Os Milltown Brothers partem assim do mesmo tipo de fontes, o pop
de cariz psicadélico e revivalista, cruzado com ritmos dançáveis, para
apresentar uma alternativa que pretendem menos passageira do que a
inflação musical provocada por essa onda. Fazem assim da diferença da sua
proposta o motivo básico para obter algum reconhecimento. O pior é que,
como alternativa, os Milltown Brothers não são suficientemente inovadores
para adiantar algo em relação àqueles que pretendem ultrapassar. Ficam-se
por um pop trivial de influências dylanescas, por vezes, byrdianas
noutras, mas sem grandes motivos para exaltações. Simpático, mas longe de
ser essencial.***

<p n=17212>
Podendo considerar-se um típico produto de «música de fusão», «Txai»
mostra-se todavia ambíguo nos métodos utilizados. Se, por um lado, não
são postas em causa a pureza de intenções subjacentes à sua feitura, por
outro, os resultados, em termos exclusivamente musicais, deixam a
desejar. Mas talvez algumas concessões à facilidade, nomeadamente os
arranjos «americanos» do primeiro lado, sejam o preço justo a pagar pela
difusão e acessibilidade da mensagem ecológica que se pretende alargada à
escala planetária.

<p n=17213>
Este agrupamento é quase uma selecção de veteranos da geração que há duas
décadas atrás mudou a face da folk irlandesa, promovendo a sua
electrização e tornando o étnico apelativo a auditórios jovens . À cabeça
desta formação estão Andy Irvine, multi-instrumentista que com Paul Brady
alcançou o maior sucesso comercial do folk moderno em 1976, e Kevin
Burke, violinista que procedeu à exploração electrónica da tradição,
também em meados de anos 70, altura em que, de resto, se cruzaram, no
grupo da absoluta autoridade na matéria irlandesa que é Christy Moore. Em
qualquer caso, depois de todas essas aventuras inovadoras, a sua reunião
nos Patrick Street fez-se sob o lema de um regresso à pureza original,
destino que se cumpriu ao longo dos dois primeiros álbuns do grupo. Este
terceiro, por seu turno, alterna baladas melancólicas onde se chora a
sina de irlandeses típicos com instrumentais em geral bastante mais
festivos, em ambos os casos notando-se uma maior tendência para o
sinfonismo pop, evolução a que por certo não é estranha a inclusão de
novos membros na formação. Música irlandesa mais para as massas que para
os autênticos apreciadores, um trabalho de vulgarização que, porém, não
lhe adultera as raízes. ***

<p n=17214>
O único disco de originais disponível na Castle é o álbum Strawberries,
que teve na altura da sua edição a peculiaridade de incluir uma folha de
letras a cheirar a morango. Os outros títulos disponíveis na Castle são
as colectâneas «Damned but not Forgotten» e «The Collection»: a primeira
reunindo 12 temas de menor importância na carreira do grupo; e a segunda
servindo quase como amostra das outras três edições, visto que os 22
temas nela recolhidos estão quase todos incluídos nesses três discos. As
primeiras edições do grupo, o álbum «Damned, Damned, Damned», e «Music
For Pleasure» produzido por Nick Mason dos Pink Floyd, bem como «The
Black Album», a mais importante das suas edições posteriores, não são
contempladas pela Castle.

<p n=17215>
Fantasmagóricos e amaneirados, os Japan, e em particular o seu vocalista
de rosto angelical David Sylvian, não chegaram a espantar o mundo mas
fascinaram muita gente, hipnotizada pela voz clara e sinuosa e pelas
cores de um orientalismo indolente assumido na sua vertente mais
decadentista. Os Japan eram como que o contraponto estético e
intelectualizado dos Roxy Music, dirigidos pela visão renascentista de
Sylvian, um apaixonado pelas artes em geral, nomeadamente o cinema, a
pintura e a fotografia. «Gentlemen Take Polaroids» -- como dizia, no
título do primeiro álbum gravado pela banda para a Virgin.

<p n=17216>
«Red Earth (as summertime ends)», «New moon at red deer wallow» (harmonia
perfeita entre as divagações free-jazzísticas do clarinete baixo de Karn
e as percussões aquáticas de Jansen), «A reassuring dull Sunday» e
«Scratching on the bible belt» (um banjo de lata que se diverte a brincar
com o discurso solene de um órgão de pedais) dispensam contudo a voz para
se alargarem por mundos cujas portas Brian Eno soube abrir.

<p n=17217>
Pelo menos três faixas do segundo lado de «Sex Cymbal» baseiam-se em
ritmos latinos, e há dois temas soul ortodoxos, cada um deles escalonados
para o fim dos lados do LP. O resto remete para a usual festa picante no
cruzamento do funk com o rock tipificado por Prince, com as nuances de a
voz ser feminina e a componente rítmica ser mais vincada. Assim se resume
o quarto álbum a solo da percussionista e eventual elemento mais 
constante das trupes que têm acompanhado o dono de Paisley Park. É, por
consequência, mais um álbum de compromisso, onde Sheila E nem se limita a
decalcar o mestre, nem descola dele radicalmente. Ninguém da classe de
«protegidas» de Prince o recria tão como ela, e as suas canções estão a
milhas das glosas medíocres de Sheena Easton, mas os seus desvios também
não têm o radicalismo de quem melhor dele se demarcou, como as Wendy &
Lisa. Chamam-se medianos aos talentos capazes de dominar uma fórmula
acrescentando-lhe variantes, e a sabedoria de Sheila E consiste em não
descer abaixo desse nível, nem ter a pretensão de avançar para além dele.
***

<p n=17218>
A moda dos rótulos brancos DNA, The Source, ou 2 Mad têm em comum
ninguém saber quem são e os seus nomes constarem nos primeiros postos de
vendas de singles europeus. Suzanne Vega, Jamie Principle e Bobby
McFerrin, por sua vez, comungam o serem os artistas credenciados que o
público identifica com esses êxitos, mas que nada fizeram para isso.

<p n=17219>
A actual crise do sistema educativo está fortemente relacionada com a
tendência para reduzir o papel dos professores à categoria de meros
executantes de reformas educativas concebidas por outrem, defendeu ontem
António Teodoro, secretário-geral da Federação Nacional de Professores e
investigador na área das Ciências da Educação, na Conferência Regional do
1º ciclo do Ensino Básico, em Lisboa. Citando um autor norte-americano,
Henry Giroux, António Tedoro defendeu que a única solução é considerar o
professor enquanto «intelectual transformador», uma personagem que
combina a acção com a reflexão. Na Conferência foi ainda apresentada uma
proposta de concentração junto do Ministério da Educação no próximo dia
30, como protesto contra as formas de cálculo do novo sistema retributivo
dos professores.

<p n=17220>
Esta proposta deveria ter sido apresentada na primeira semana de Abril,
um compromisso que a Administração do São Carlos assumira em nome e na
presença do secretário de Estado da Cultura, Santana Lopes, refere um
comunicado do Sindicato dos Músicos. O não cumprimento da data motivou o
pré-aviso da greve.

<p n=17221>
CHAVES CONFIRMA PROTESTO DO JOGO COM O BENFICA - O Desportivo de Chaves
confirmou ontem, atravás da Associação de Futebol de Vila Real, a
declaração de protesto relativa ao jogo do passado sábado com o Benfica.
O clube flaviense alega que Mats Magnusson, quando estava a fazer
exercícios de aquecimento preparando-se para substituir um colega, esteve
duas vezes dentro do campo, correndo bem dentro das quatro linhas uns
vinte metros, para um lado e para outro, sem qualquer intervenção do
árbitro ou do fiscal-de-linha. Responsáveis do Desportivo de Chaves
referiram ao PÚBLICO um caso idêntico, que também se terá passado com o
Benfica, há alguns anos, num jogo em S. João da Madeira que acabou por
ser repetido.

<p n=17222>
Comissário com candidatos ao gás - Os representantes do consórcio
liderado pela Petrogal/Enagas/Snam, concorrente ao abastecimento e
transporte de gás natural em Portugal defendeu, numa reunião em Bruxelas
com o comissário europeu Cardoso e Cunha, a possibilidade de ligação do
gasoduto nacional à rede europeia, em condições económicas que consideram
favoráveis. Outros aspectos abordados no encontro foram o do
dimensionamento do terminal e gasoduto, o abastecimento de gás ao Algarve
e a política de competitividade com outras forntes de energia
alternativas.

<p n=17223>
O Governo agendou para Maio a realização dos leilões de privatização da
Sociedade Financeira Portuguesa (SFP), do «Diário de Notícias» e da
Aliança Seguradora e ainda o lançamento do concurso público de alienação
da Portline, apurou ontem a agência Lusa.

<p n=17224>
Chernobyl: cientista soviético contesta número de mortos - Leonyd Ilyn,
director do Instituto Soviético de Biofísica, declarou ontem que o artigo
publicado no jornal britânico «The Independent on Sunday», referenciando
milhares de mortos em consequência do acidente na central nuclear de
Chernobyl em 1986 (ver página 25), não corresponde aos factos. Falando na
Conferência Internacional sobre Acidentes Nucleares e o Futuro da
Energia, que está a ter lugar em Paris, Ilyn disse que apenas 28 pessoas
morreram de radiações nos dois meses que se seguiram ao acidente. Por
outro lado, ontem, em Sofia (Bulgária), o ex-vice-primeiro-ministro
búlgaro Grigor Stoitchkov negou quaisquer responsabilidades na
não-informação da população sobre a gravidade do acidente de Chernobyl,
assacando essas responsabilidades para o embaixador soviético, o comité
central do PC búlgaro e o antigo primeiro-ministro Gueorgui Atanassov.

<p n=17225>
A IBM acaba de anunciar em Portugal o seu computador portátil, modelo
PS/2 L40 SX, que inaugura assim naquela empresa uma linha de computadores
de peso reduzido, com funcionamento a bateria. Não obstante pesar apenas
3,5 quilos, o  modelo L40 SX dispõe de um processador 386SX, 2 MB de
memória com possibilidade de expansão na placa a 18 MB, um disco de 60 MB
e uma unidade de disquete de 1.44 MB. A norma gráfica adoptada é VGA e o
ecrã, de 10 polegadas, é de cristais líquidos iluminados e possibilita a
visualização de até 32 níveis de cinzento.

<p n=17226>
O maior satélite de comunicações de um país, o Anik 2 canadiano, que foi
lançado para o espaço no passado dia 4 de Abril por um foguetão Ariane,
corre o risco de se tornar o pedaço de lixo espacial mais caro do mundo --
260 milhões de dólares (38 milhões de contos) -- caso os seus
controladores não consigam fazê-lo obedecer às ordens para o tornar
operacional.

<p n=17227>
NENHUM dos estudantes timorenses que participaram na gravação de António
Branco, parcialmente transmitida pela RTP, dia 9, no Último Jornal, foi
até ao momento incomodado pelas autoridades indonésias, garantiu ontem
Abílio Araújo, dirigente da Fretilin, em declarações ao PÚBLICO.

<p n=17228>
A informação retransmitida por aquela fonte parlamentar, publicada na
nossa edição de ontem, sob reserva, uma vez que não foi possível
confirmá-la atempadamente junto de outras fontes, não surpreendeu num
primeiro momento, considerando a animosidade indonésia contra os direitos
humanos e os atropelos, ciclicamente alvo dos relatórios de diversas
organizações internacionais, que Jacarta continua a perpetrar contra o
povo timorense.

<p n=17229>
Forças apeadas e motorizadas da Guarda Fiscal de Setúbal detectaram ontem
pelas 5h00, a sul daquela cidade, um veículo que transportava 52.500
maços de tabaco de contrabando, cujo valor total ascende a 11.500 contos.

<p n=17230>
Entretanto, apesar da elevada quantia apreendida, não foi efectuada
qualquer detenção, uma vez que o condutor do veículo suspeito se pôs em
fuga ao avistar os militares.

<p n=17231>
O CDS assegurou ontem, em conferência de imprensa, que votará contra a
proposta de autorização legislativa do Governo sobre indemnizações,
quando esta for apreciada na Assembleia da República. Nogueira de Brito,
autor do projecto dos centristas sobre a mesma matéria, sustentou que «o
grande objectivo» do diploma governamental «não é resolver o problema das
indemnizações aos ex-titulares de partes sociais das empresas
nacionalizadas no período revolucionário do pós 25 de Abril, mas sim
eliminar o incómodo que, para o Governo, resulta da existência das
comissões arbitrais».

<p n=17232>
«O certo é que nós tivemos seis por cento no último Congresso do PS,
correspondentes a 73 votos e a outros tantos delegados» -- declarou a
mesma fonte. Para esta, a faccção encabeçada por Beleza seria, aliás, a
«verdadeira oposição interna», uma vez que, ao invés da sensibilidade
agrupada em torno de Soares, «não passamos o tempo a negociar com
Sampaio».

<p n=17233>
Apesar da pretensa intenção do primeiro-ministro de aproveitar a sua
estada no Brasil, a partir de 5 de Maio, para assinar o Acordo
Ortográfico, a polémica proposta do Governo só hoje chega às mãos dos
deputados na Comissão Parlamentar de Cultura e os ânimos da oposição não
se adivinham conformes com «pressas». O PS prepara-se para exigir um mês
de trabalho em Comissão, o mesmo acontecendo com deputados do PCP e
independentes, com o argumento de que o debate com as entidades
competentes está longe de terminado.

<p n=17234>
A visita a Lisboa, de Deck Mota, dirigente do PCP nos Açores ficou
associada às reticências postas pelo conselheiro Álvaro Cunhal,
reticências que, segundo o PÚBLICO apurou, terão culminado com  o voto
negativo do dirigente comunista. A escolha de Mário Pinto para  ministro
substituir Rocha Vieira foi concertada entre o Presidente da República, o
primeiro-ministro e o próprio presidente do Governo Regional, Mota
Amaral, depois de, por invocadas razões de Estado, Rocha Vieira ter sido
a opção para Governador de Macau.

<p n=17235>
A Comissão Parlamentar de Acompanhamento da Situação em Timor Leste
manifestou ontem, por unanimidade, o «mais firme repúdio» pelas
declarações prestadas na véspera por Mário Carrascalão ao 2º canal da
RTP, em que o governador de Timor Leste, por parte da Indonésia,
apresentou como irredutível a posição de Jacarta relativamente ao
território. São declarações «que mostram a má fé e a posição intolerável
do dito governador» - disse aos jornalistas o presidente da Comissão,
Sousa Lara -, acrescentando que as palavras de Mário Carrascalão «tornam
muito difícil o diálogo com aquela administração» e anunciando a intenção
de denunciar o facto «junto de toda a comunidade internacional».

<p n=17236>
Até agora, a comissão militar deu por concluída uma parte substancial do
seu trabalho (o debate das modalidades e da fiscalização do cessar-fogo)
e vai prosseguir a análise das questões relacionadas com a constituição
do exército nacional único.

<p n=17237>
O governo escolheu para substituir Fernando Real no Ministério do
Ambiente e dos Recursos Naturais um profissional com um largo currículo
na área ambiental. Carlos Alberto Diogo Soares Borrego, nasceu  há 42
anos na cidade angolana de Malange, é casado e pai de uma filha de 14
anos. Licenciou-se em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior
Técnico, doutorando-se em Mecânica dos Fluidos no Von Karmen Institut, na
Bélgica. No princípio dos anos 70, trabalhou como assistente no Instituto
Superior Técnico, depois em igual cargo na Universidade de Luanda. Desde
1975 pertence ao corpo docente da Universidade de Aveiro -- uma das
primeiras a oferecer o curso de Engenharia do Ambiente no país --, onde
hoje é professor catedrático, junto do Departamento de Ambiente, cujo
conselho directivo já presidiu.

<p n=17238>
A nomeação de Carlos Borrego -- um especialista de renome -- em princípio
soou como uma boa notícia para os ambientalistas, que sempre criticaram a
actuação do ministro demissionário, Fernando Real. «Toda a gente sabia
que o ministro Fernando Real não estava por dentro de diversas questões»,
afirmou um dirigente da associação Quercus, João Nunes da Silva.
«Pensamos que o professor Carlos Borrego tem mais competência e
conhecimento das causas do ambiente».

<p n=17239>
Mais de metade dos agentes recenseadores do «Censos 91» da freguesia de
Santo Ildefonso, Porto, apresentaram, ontem, a sua demissão ao director
da delegação Norte do Instituto Nacional de Estatística (INE), Paulo
Gomes. Os agentes recenseadores suspenderam, na passada sexta-feira, a
sua actividade por alegadas deficiências no zoneamento da freguesia
apresentado pelo INE que, na generalidade, garantia remunerações
significativamente inferiores às esperadas. Os 39 agentes recenseadores,
remunerados de acordo com o número de alojamentos, famílias e pessoas
inquiridas, referem, como exemplo extremo, a existência de apenas 13
alojamentos na Avenida dos Aliados, onde o INE indicava haver 300.

<p n=17240>
O Conselho de Redacção do Canal 2 da RTP divulgou ontem, em comunicado,
que, nos últimos dias, «se degradaram não só as condições de trabalho na
Informação da RTP, como o clima tem sido envenenado por ameaças veladas
de `processos disciplinares' a quem ousa colocar questões de princípio».
Concretamente, diz o comunicado, foram ameaçadas duas jornalistas (uma do
canal 1 e outra do canal 2) «por se terem recusado a sair com equipas de
vídeo alugadas» e foram ameaçados com processos disciplinares os
jornalistas/operadodres de câmara do Porto «que se recusam a sair em
serviço sem o indispensável assistente». Num texto de quase três páginas,
a que o PÚBLICO teve acesso, o Conselho de Redacção da RTP 2  afirma «que
não é possível à RTP fazer informação sem jornalistas, a não ser que
pretenda substituir toda a gente por empresas externas». E acrescenta: «A
RTP não é uma `quinta privada' de uns tantos funcionários». JF

<p n=17241>
O ministro da Saúde já comunicou ao director do hospital de Portimão,
Conde e Silva que deveria apresentar a exoneração do cargo, uma decisão
que o clínico não parece disposto a aceitar pacificamente. O hospital
distrital de Portimão vive desde há meses uma situação de certa
instabilidade com os médicos a fazerem «braço de ferro» com a direcção
daquela unidade de saúde, em particular o seu director. Os delegados
sindicais, em assembleia geral, no dia 2 de Abril, responsabilizaram, em
parte, o orgão de gestão pela falta de meios técnicos e humanos que se
verificam naquele hospital. Conde e Silva confirmou ao PÚBLICO que o
«cenário da exoneração já lhe fora comunicado», mas voluntáriamente disse
não estar disposto a aceitar tal facto. Aquele responsável afirmou «não
ver razões para o seu afastamento, pelo que iria manter-se em funções até
que fosse exonerado».

<p n=17242>
Os Estados Unidos e os aliados intervieram no Golfo em nome do direito
internacional e da construção de uma «nova ordem mundial». Foi a dimensão
moral desse propósito que legitimou politicamente a guerra contra Saddam
Hussein. Ora, a indiferença criminosa face ao horror que atingiu o povo
curdo retira toda a credibilidade a qualquer projecto de «nova ordem»,
cujos pressupostos não podem conformar-se com a imoralidade cínica da
«realpolitik». É preciso dizê-lo e repeti-lo todas as vezes que forem
necessárias.

<p n=17243>
A reconstrução do Kuwait, ainda no começo, não significa apenas
recuperação do património. Há outros objectivos que são já parte do
conceito, como a autosuficiência, a democratização política e a
liberalização dos costumes. Mas, como o regresso dos expatriados, tudo se
processa a um ritmo lento e incerto.

<p n=17244>
Mesmo que entregues a estrangeiros, a quem o Kuwait tudo compra e que
constituíam dois terços dos habitantes antes da anexação de Agosto,
muitos dos ambiciosos projectos de reconstrução parecem comprometidos. O
trabalho pesado era confiado a palestinianos, egípcios, jordanos e
asiáticos (do Paquistão, Sri Lanka, Bangladesh e Filipinas) que, com a
guerra, abandonaram o emirado.

<p n=17245>
TRÊS MESES depois da guerra no Golfo, as reformas que o Ocidente gostaria
de ver no Médio Oriente estão a ser levadas a cabo, com uma celeridade
invulgar, numa das nações que até agora mais tinha resistido à mudança: o
Irão.

<p n=17246>
-- «O apartheid, que nos impedia de ter laços com o regime de Pretória,
foi virtualmente eliminado. E Washington tem demonstrado uma política um
pouco mais humana, como nós exigíamos. Quando os americanos dão um passo
na nossa direcção, nós retribuímos. Encontramo-nos agora a meio do
caminho. Não me surpreenderia, pois, que em menos de seis meses as
relações bilaterais fossem restabelecidas».

<p n=17247>
EM 1964, o ano em que foi criada a Organização de Libertação da Palestina
(OLP), a Síria prendeu durante mais de um mês um incómodo guerrilheiro
chamado Yasser Arafat. Damasco escolheu o seu próprio líder palestiniano,
Yussef Urabi, um capitão do Exército sírio. Mas ele acabou por ser
abatido por guarda-costas de Arafat.

<p n=17248>
Arafat garante que tem o apoio de 51 por cento dos palestinianos, mas tem
resistido aos apelos para reunir o Parlamento-no-exílio (Conselho
Nacional Palestiniano/CNP), o único órgão com poder para o reeleger.

<p n=17249>
Ao cumprirem-se três meses sobre a data em que a guerra começou no Golfo,
a prioridade dos EUA parece ser a reconciliação entre Israel e os países
árabes. Durante a crise, Washington prometera resolver o problema
palestiniano depois da libertação do Kuwait.  Mas os planos dos EUA e
Israel não incluem nenhum Estado palestiniano independente. Enquanto a
OLP faz uma verdadeira travessia do deserto, nos Estados do Golfo a
democratização marca passo. As mudanças acontecem afinal no Irão, que
esteve na margem do conflito.

<p n=17250>
Se for seguida a prática dos anos anteriores, os cerca de dois milhões de
palestinianos que vivem na Cisjordânia e Faixa de Gaza ocupadas não
poderão sequer espreitar o sol pela janela, porque o recolher obrigatório
será total.

<p n=17251>
O realizador britânico David Lean faleceu ontem, em Londres, depois de
doença prolongada. Realizou «Lawrence d'Arábia», «Doutor Jivago»,
«Passagem para a Índia». Mereceu 26 Óscares, a Ordem de Cavaleiro do
Império Britânico, o reconhecimento da carreira, na homenagem do American
Film Institute. Presentemente, David Lean trabalhava na adaptação do
romance «Nostromo», de Joseph Conrad.  Tinha 83 anos. Quase a idade do
cinema.

<p n=17252>
Carlos Borrego vai ser o novo titular da pasta do Ambiente, em
substituição de Fernando Real. Oficialmente, o ministro solicitou a sua
exoneração alegando razões de saúde, e informações recolhidas junto do
ministério dão como certo que o pedido foi formulado há já dois meses.
Carlos Borrego foi contactado na sexta-feira passada, tendo sido a única
personalidade convidada para assumir o cargo. Ontem esteve já no
ministério, onde se reuniu a sós com o seu antecessor. O futuro ministro
era até agora professor do departamento de Ambiente da Universidade de
Aveiro e coordenador do Gabinete da Ria de Aveiro. A sua carreira tem
estado ligada desde sempre ao estudo das questões ambientais.

<p n=17253>
A maioria dos 38 arguidos no chamado «caso da Quinta do Fragoso», o
processo de narcotráfico que esteve a ser julgado em Setúbal nas últimas
semanas, em insólita audiência que decorreu numa colectividade popular,
foram absolvidos. O Tribunal condenou somente sete dos acusados, num caso
a 20 anos de cadeia, por cúmulo jurídico, três a penas entre seis e oito
anos e outros tantos a penas suspensas. Os juízes não deram como provada
a acusação de associação criminosa.

<p n=17254>
O PRIMEIRO-MINISTRO francês Michel Rocard retirou no espaço de 24 horas
dois projectos de lei parlamentares, o que fez aumentar as especulações
sobre a decisão do Presidente Mitterrand em demiti-lo do cargo. O
primeiro-ministro justificou ontem a decisão pelo facto da legislação não
conseguir obter uma maioria no Parlamento. Comentadores políticos em
Paris consideram que Rocard pode ser afastado do cargo a qualquer momento
e substituido por alguém mais próximo das ideias do Presidente.

<p n=17255>
A FRACÇÃO política do grupo guerrilheiro chileno «Frente Patriótica
Manuel Rodriguez» (FPMR) anunciou ontem a sua decisão de abandonar a luta
armada e integrar-se no processo democrático vigente no país. Numa
declaração pública, o grupo guerrilheiro afirma «desejar contribuir para
um futuro democrático com a participação do povo» e apela à satisfação
das suas exigências e ao respeito pelos direitos humanos.

<p n=17256>
A crise financeira do PCP foi ao CC. É preciso tomar medidas e as
organizações regionais e os funcionários poderão ser sacrificados. As
legislativas estiveram em cima da mesa. A imagem do PSD assusta os
comunistas. O voto útil no PS também.

<p n=17257>
Ligada a esta questão está uma outra que é a, até hoje adiada, revisão do
Estatuto de Funcionário do PCP. O igualitarismo de salários já terminou e
hoje estão institucionalizadas as diferenças salárias, mas o trabalho em
exclusivo ainda permanece. Esta regra atinge inclusive os dirigentes
comunistas e os deputados, diferenciando o PCP dos restantes partidos
políticos portugueses, onde existem dirigentes e parlamentares que
acumulam o exercício da sua profissão com as tarefas partidárias.

<p n=17258>
Federação Independente convoca greve geral na URSS --A Federação dos
Sindicatos Independentes da URSS decretou ontem uma greve geral para o
próximo dia 22 de Abril. A estrutura sindical, que dependia dos
sindicatos oficiais, decidiu deixar ao critério dos trabalhadores as
formas de luta a adoptar, numa tentativa para conseguir uma forte adesão
ao movimento. Por outro lado, os dirigentes da Federação dos Sindiatos
Soviéticos (oficiais) também não conseguiram chegar a acordo com o
Governo sobre os aumentos salariais a conceder aos trabalhadores.
Admite-se que os seus responsáveis também se inclinem para a greve, já
que na reunião não foi analisado o programa anti-crise que o Governo
central vai apresentar ao Soviete Supremo (Parlamento) na próxima semana.

<p n=17259>
Debruçando-se sobre o Movimento Comunista Internacional, Albano Nunes
falou das tendências negativas nos partidos comunistas do mundo
ocidental. Mas em relação ao ex-Partido Comunista Italiano -- actual
Partido da Esquerda Democrática -- salientou que, apesar de tudo, surge a
manifestação de uma hipótese de «refundação» comunista, na actuação do
grupo liderado por Pietro Engrao, o qual não aceitou a mudança operada
por Achilles Ochetto. Indiciadores afirmativos, para este dirigente
comunista, são também as eleições albanesas e os movimentos de
«descontentamento» nos países ex-socialistas.

<p n=17260>
O programa eleitoral da CDU avança lentamente. Disso mesmo falou o
secretário-geral adjunto, Carlos Carvalhas, que apresentou à assembleia
comunista o ponto da situação sobre a respectiva elaboração.

<p n=17261>
Estão já previstas: uma iniciativa sobre Cibernética/inteligência
artificial, uma audição sobre Bioética (para a qual foram convidados,
entre outros, um padre, um biólogo e um filósofo); uma conferência sobre
«Os novos e velhos problemas do mundo do trabalho»; uma mesa-redonda
sobre as «Grandes reformas para os anos 90: uma estratégia de
desenvolvimento para Portugal». Marcado para Junho  está um colóquio
sobre  «Portugal na Europa e no mundo». S.J.A.

<p n=17262>
A crise financeira do PCP foi ao CC. É preciso tomar medidas e as
organizações regionais e os funcionários poderão ser sacrificados. As
legislativas estiveram em cima da mesa. A imagem do PSD assusta os
comunistas. O voto útil no PS também.

<p n=17263>
Ligada a esta questão está uma outra que é a, até hoje adiada, revisão do
Estatuto de Funcionário do PCP. O igualitarismo de salários já terminou e
hoje estão institucionalizadas as diferenças salárias, mas o trabalho em
exclusivo ainda permanece. Esta regra atinge inclusive os dirigentes
comunistas e os deputados, diferenciando o PCP dos restantes partidos
políticos portugueses, onde existem dirigentes e parlamentares que
acumulam o exercício da sua profissão com as tarefas partidárias.

<p n=17264>
ACTIVO      Activo
brutoAmortiz/provisões   Activo Liquido   Activo Liquido

<p n=17265>
A crise financeira do PCP foi ao CC. É preciso tomar medidas e as
organizações regionais e os funcionários poderão ser sacrificados. As
legislativas estiveram em cima da mesa. A imagem do PSD assusta os
comunistas. O voto útil no PS também.

<p n=17266>
O arcebispo de Braga tomou posição pública em defesa do presidente do
Cabido da Sé, o cónego Melo, acusado pelo Ministério Público de
participação no atentado que custou a vida ao padre Maximino de Sousa, em
1976. Diz-se disposto a vestir a toga para ir a Tribunal e louva a
actuação do cónego em defesa da «sobrevivência da Nação» no período pós-
25 de Abril.

<p n=17267>
O prelado bracarense tornou pública, ontem, uma «Nota pessoal sobre o seu
vigário geral», oferecendo ao cónego Melo o que julga de melhor ter para
lhe dar: as suas orações, a que espera que «todos se associem». D. Eurico
oferece também os seus «modestos préstimos como advogado», para o que, se
necessário, se dispõe a reinscrever-se na respectiva Ordem, de que já foi
membro. Não acaba aqui a disponibilidade do arcebispo, que está pronto,
«ao menos», para ser «testemunha de defesa, se [o cónego] assim entender,
e o processo, tantas vezes recomeçado, chegar a julgamento, o que espero
não aconteça, pois acredito na independência, aliás consabida, da
magistratura portuguesa».

<p n=17268>
O CÓNEGO de Braga, Eduardo Melo, é um dos sete arguidos já notificados --
depois da acusação provisória, de 28 de Março passado -- no processo da
morte do sacerdote católico Maximino de Sousa e da estudante Maria de
Lurdes, assassinados num ataque bombista ocorrido em 1976, no local da
Cumieira, distrito de Vila Real.

<p n=17269>
A reconstituição dos factos, feita pela acusação, refere a ligação dos
arguidos ao Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP),
fundado pelo então general António Spínola, hoje marechal, e pelo
comandante Alpoim Calvão. Trata-se duma organização que, segundo o
processo, tinha por objectivo derrubar as instituições políticas pós-25
de Abril, recorrendo para isso à luta política e armada.

<p n=17270>
Obter receitas para as investigações contra a sida é o objectivo de um
disco que a Walt Disney Records vai lançar no dia 28 de Maio. Paul
McCartney, Elton John, Sting, Bruce Sprinsteen, Paula Abdul, os Beach
Boys e Brian Wilson são alguns dos intérpretes. As receitas serão
entregues à Pediatric Aids Fondation, fundada em 1988 por Elizabeth
Glaser, a mulher do actor americano Paul Michael Glaser.

<p n=17271>
Já houve um antecedente, foi a Moda-Lisboa em Junho, o ano passado, no
Jardim do Tabaco. Um ensaio positivo, apesar de ter características
diferentes e proporções mais modestas. Este ano, o pelouro do Turismo da
Câmara Municipal contactou Mário Matos Ribeiro e Eduarda Abbondanza para
organizarem. São os directores do projecto que conceberam, e que parece,
à partida, reunir um número considerável de condições para funcionar,
além da credibilidade e coerência que Abbondanza/Matos Ribeiro (o nome
com que se tornaram conhecidos, enquanto criadores) lhe podem assegurar.
Com uma competência reconhecida na coordenação dos shows da Portex e de
actividades do gabinete Portex no estrangeiro, têm ideias precisas sobre
a forma como a moda, em Portugal, precisa de ser protegida, em geral, e
nos desfiles em particular -- trabalham como criadores há tempo suficiente
para isso: desde o meio da década passada.

<p n=17272>
As televisões estatais de Espanha e Portugal, RTP e TVE, preparam a
rodagem de um filme baseado no romance "Levantados do Chão", de José
Saramago. O acordo foi estabelecido no encontro de trabalho de dois dias,
em Madrid, entre as televisões dos dois países, estando agora a decorrer
os preparativos para as filmagens que deverão ter lugar no Alentejo.
Segundo o PÚBLICO apurou junto da televisão espanhola, o acordo entre a
RTP e a TVE permitiu acelerar o processo, cuja preparação já estava em
curso desde há algum tempo.

<p n=17273>
Esta versão da ópera de Prokofiev é uma produção da English National
Opera e Opera North, tendo estreado em Leeds em 1989. Em Portugal, será
interpretada por um elenco formado quase na totalidade por artistas
portugueses.

<p n=17274>
«Madame de Sade», a peça do famoso escritor japonês Yukio Mishima, pode
hoje ser vista e ouvida em Lisboa. A encenação é de Ingmar Bergman, a
produção do Real Teatro de Estocolmo e o espectador disporá de
auscultadores para ouvir a tradução em português de tudo o que as
actrizes dizem em sueco. Uma experiência a não perder.

<p n=17275>
Durante a conferência de imprensa ontem realizada no Teatro, uma das
intérpretes de «A Marquesa de Sade» defendeu a teoria que essa maneira de
ver teatro nada tem de estranho. Quem conhece Brecht e o seu efeito de
distanciação terá nesta tradução simultânea um factor de enriquecimento
do espectáculo. Ver uma peça do japonês Mishima, representada por
actrizes suecas, ouvindo-as falar português, língua que elas não falam, é
de facto o «nec plus ultra» da distanciação. A quem pretenda gozar ainda
de mais emoção, uma outra intérprete sugere que coloque um dos
auscultadores nos ouvidos e permita ao outro ouvido escutar livremente o
sueco falado por Stina Ekblad, Anita Bjork, Marie Richardson, Margaretha
Bystrom, Agneta Ekmanner e Helena Brodin, as seis belas intérpretes que o
Kumgliga Dramatiska Teatern (Real Teatro Dramático) de Estocolmo enviou a
Lisboa.

<p n=17276>
Keaton sonorizado -- Três curtas metragens de Buster Keaton, sujeitas a
novos processos de sonorização, foram estreados anteontem à noite, num
cinema Paris. «Playhouse», «The Love Nest» e «Sherlock Júnior», os três
filmes que compõem o programa, apresentam, pela primeira vez, som de
portas a baterem, estampidos, barulhos da rua. Seis meses de trabalho
foram necessários para programar os nove mil sons da banda sonora.
Segundo a agência France Press, o responsável pela sonorização, Jean-Guy
Fechner, disse que procurou «integrar a atmosfera sonora da época» em que
os filmes foram realizados, sendo necessário «reinventar ruídos» que hoje
em dia são difíceis de encontrar. Foi o caso de passos que, nos 90
minutos de filme, apresentam 28 sonoridades diferentes: passos sobre
madeira, tábua ou erva molhada. Todos os sons foram programados em
computador e, depois, reproduzidos em «dolby stereo». A nova banda sonora
de acompanhamento foi composta por Gilles Tinayre e Germinal Tenas. Se as
reacções a esta experiência forem positivas, é provável que estes três
filmes de Buster Keaton entrem no circuito comercial.

<p n=17277>
Depois de países como a Itália, Holanda, Inglaterra, França, Alemanha,
Bélgica, Grécia, Espanha, Áustria e Japão, a décima primeira edição da
Europália permitirá a Portugal levar a Bruxelas, entre 19 de Setembro e
29 de Dezembro, os momentos mais altos da sua História e Cultura.

<p n=17278>
O Grande Prémio do Júri do 13º Festival Internacional de Filmes de
Mulheres, que decorreu em Créteil, arredores de Paris, foi atribuído ao
filme holandês «Kracht» [Força], de Frouke Fokkema.

<p n=17279>
O Prémio «Graine de cinéphage», atribuído pela segunda vez por um júri de
jovens liceais que escolhem entre cinco filmes de adultos que tratam dos
problemas da juventude, foi ganho por «White Room» [Quarto Branco], da
canadiana Patricia Rozema.

<p n=17280>
Paul Simon em Portugal a 20 de Julho -- Paul Simon cantará em Portugal no
dia 20 de Julho, com uma primeira parte preenchida por Rui Veloso,
confirmou ontem a Tournée, responsável pela vinda do cantor. O concerto
de Paul Simon realizar-se-á no Estádio José Alvalade, em Lisboa,
coincidindo com a estada do músico norte-americano na Europa para
promoção do álbum «The Rhythm of the Saints», gravado com a colaboração
de músicos brasileiros. Inicialmente estava previsto que a primeira parte
fosse preenchida pelos Cowboy Junkies, mas o grupo manifestou-se
indisponível por na altura se encontrar no Canadá, seu país de origem.
Além das canções de «The Thythm of the Saints», Paul Simon interpretará
também temas dos seus álbuns anteriores, como «Graceland», bem como
velhos êxitos do tempo da parceria com Art Garfunkel. O próximo concerto
de rock em Portugal realiza-se no dia 13 de Junho, no Coliseu dos
Recreios, em Lisboa, e no dia seguinte no Coliseu do Porto, com os
norte-americanos Pixies, sendo a primeira parte preenchida pelos Killing
Joke.

<p n=17281>
Com excepção da economia norte-americana - que não conseguiu superar um
crescimento de lX ao nSvel do seu produto interno bruto e teve de
suportar uma taxa de inflacção de cerca de 6X - os países europeus (com
destaque para RFA e o Japao) tiveram acentuado crescimento a níveis
razoavelmente controlados da sua inflacção; a RFA com 4,2X de crescimento
do Produto Interno Bruto contra 2,8X de inflacçao e o Japao com 6,1% de
crescimento do Produto Interno Bruto e 3,6X da taxa de inflacção são
paradigmas do dinamismo económico geral.

<p n=17282>
Portugueses medalhados em Moscovo -- O par masculino Jorge Braga/Marco
Reis, do Sporting, garantiu para Portugal a conquista de uma medalha de
prata no torneio «Cosmonaut Cup», disputado em Moscovo. Na disciplina de
trampolim individual, Jorge Pereira, do Ginásio Vilacondense, foi sétimo,
enquanto em trampolim sincronizado conquistava a oitava posição. A prova
moscovita fez parte do programa de preparação da selecção nacional para
os «Europeus» de trampolins -- em Setembro, na Polónia -- e de acrobática --
marcados para Lisboa, em Outubro.

<p n=17283 assunto=desporto>
Surpresas em Nice -- Três cabeças-de-série foram afastados na segunda
ronda do torneio de ténis de Nice, dotado com 250 mil dólares em prémios.
O soviético Andrei Chesnokov (nº2) perdeu com o francês Henri Leconte por
6-3 e 7-5, o equatoriano Andres Gomez (nº3) foi derrotado pelo argentino
Alberto Mancini por 6-2, 3-6 e 6-1, e o soviético Alexander Volkov (nº7)
baqueou frente ao francês Cedric Pioline por 6-4 e 6-3. O checoslovaco
Karel Novacek (nº6) passou à terceira ronda, eliminando o alemão Carl-Uwe
Steeb por 3-6, 7-5 e 6-4.

<p n=17284>
Que o futebol do Braga é um dos mais bonitos que hoje se podem ver nos
estádios portugueses já muitos o disseram. Poucos esperariam, no entanto,
que a equipa de Carlos Garcia fosse capaz de ontem ir ao Bessa jogar para
conseguir algo mais que o empate. A verdade é que podia ter ganho o jogo
na primeira parte, mas um golo de Jorge Andrade no início do segundo
tempo acabou por deitar por terra o esquema dos bracarenses. Depois, com
o Braga a tentar chegar ao golo, o Boavista conseguiu criar várias
oportunidades em contra-ataque, justificando assim a vitória na
eliminatória. Raul Águas segue em frente na Taça de Portugal.

<p n=17285>
Ao intervalo, Raul Águas trocou Garrido por Casaca, uma opção que se
viria a revelar acertada, sobretudo quando foi preciso suster a tentativa
bracarense para chegar ao empate. Casaca ocupou o posto de lateral
esquerdo, Barny recuou para central e Marcos António foi substituir o
jovem boavisteiro no eixo do meio-campo.

<p n=17286 assunto=desporto>
«Agora venha o Porto», gritavam alguns adeptos dos azuis da Feira logo
que o juiz viseense deu o jogo por terminado. O Feirense, que já cometera
a proeza de afastar o Vitória de Guimarães, acabou ontem por alcançar as
meias-finais da Taça de Portugal, ao derrotar o Tirsense por 1-0, após
prolongamento.

<p n=17287>
No segundo tempo, o domínio pertenceu aos locais que pressionaram,
exibiram bom futebol e, mercê da velocidade dos seus jogadores, criaram
lances de sobra para nem precisar dos 30 minutos suplementares. Nos 10m
finais, quando os visitantes ficaram reduzidos a 10 unidades (por
expulsão de Caetano), a superioridade dos feirense foi ainda mais
notória, mas, defendendo sempre bem, os visitantes conseguiram que os 90m
se esgotassem sem golos.

<p n=17288>
À entrada dos quartos de final do Oporto Open, Portugal já não está
representado no quadro de singulares. Depois de anteontem Nuno Marques e
Emanuel Couto terem sido afastados, ontem foi a vez de Cunha e Silva ser
eliminado.

<p n=17289>
Cunha e Silva no final reconheceu a superioridade do adversário: «Eu não
rendi, em termos práticos, aquilo que poderia; Azar atravessa um bom
período de forma, esteve completo em todos os compartimentos do jogo. Foi
superior e merece seguir em frente», concluiu.

<p n=17290>
«Trabalho, dedicação e coragem» continua a ser a trilogia preferida para
os lados do Estádio das Antas. Octávio Machado, que ontem se encarregou
das declarações aos jornalistas, realçava uma vez mais estas
características do grupo de trabalho, baseando nelas o primeiro balanço
positivo no «ombro a ombro com o Benfica» em que se transformou toda esta
época. «Fomos subindo a pouco e pouco, acertámos nas marcações e só uma
boa equipa consegue o que aqui conseguimos hoje, contra um adversário
brilhante, que fez o que muitos não fazem: jogou e deixou jogar»

<p n=17291>
No final, Pinto da Costa quis fazer várias homenagens: Ao treinador
Eriksson e «à forma digna como soube perder», aos «brilhantes
profissionais do Benfica» que valorizaram o espectáculo e a «quase toda a
massa associativa do FC Porto» pelo facto de ter apoiado a equipa apesar
da hora a que o jogo se realizou. «Gaspar Ramos propôs as 20h00, mas como
concordámos de imediato com essa proposta, depois recuou».

<p n=17292>
Há muitos anos que o Benfica não se apresentava tão bem nas Antas.
Personalizado e com um fio de jogo definido -- mais bonito do que eficaz,
é verdade. O jogo de ontem, para lá das consequências próprias do
resultado, constituiu a certeza de que o próximo jogo entre as duas
equipas, no dia 28, será outro grande espectáculo de futebol. Os
lisboetas mostraram que são capazes de discutir o campeonato, mesmo nas
Antas.

<p n=17293>
Pacheco e Rui Águas tiveram saliências diferentes. O extremo-esquerdo do
Benfica fez uma das melhores exibições do Benfica, em excelente
entendimento com Veloso e Valdo -- e Sousa (até ser posto fora de combate,
primeiro por Kostadinov e depois por André) durante a primeira parte -- e
foi uma «dor de cabeça» frequente para João Pinto e André. Só o reforço
de Semedo nesta zona do terreno acabou por neutralizar, na segunda parte,
um flanco que ameaçava cada vez mais a defensiva portista. Rui Águas,
além do golo que marcou, foi praticamente anulado pela defesa azul e
branca no que se refere a funções atacantes; como primeira barreira
defensiva do Benfica, o avançado deu algum trabalho à zona central mais
recuada dos adversários, conseguindo algumas vezes impedir que se
desenvolvessem contra-ataques do FC Porto.

<p n=17294>
O Futebol Clube do Porto deve a sua vitória de ontem a dois factores: à
clara mudança de métodos durante a segunda parte, em que deixou de optar
pelo transporte da bola por todo o campo para a tentar colocar, em
lançamentos mais longos, na frente dos seus avançados(neutralizando assim
o facto de o Benfica ter mais tempo a bola em seu poder -- mérito para
Artur Jorge) e à extraordinária defesa de Vítor Baía a um remate de
Isaías, aos 56 minutos, o que poria os lisboetas a vencer, numa altura em
que o Benfica ainda dominava o jogo .

<p n=17295>
O meio-campo terá sido o sector de menor rendimento do FC Porto. André,
que está longe da boa forma física, compensou o facto com o bom
posicionamento e a sua experiência; Bandeirinha não foi capaz de lutar
contra Thern e Sousa; e Tavares deve ter acusado a importância do jogo e
não acertou nas marcações. Bem esteve Semedo, que subiu de rendimento ao
longo do jogo e acabou por ser um dos mais influentes na equipa, acabando
por ser o único que regularmente era capaz de quebrar o rendimento do
flanco esquerdo do Benfica.

<p n=17296>
Este foi um dos jogos mais difíceis de explicar que vimos até hoje. O
F.C.Porto venceu sem ter sido a melhor equipa; o F.C.Porto marcou dois
golos (e o segundo é um monumento) contra um do Benfica e, no entanto,
foi esta a equipa que criou espaços e fez «association»; o F.C.Porto
conseguiu, enfim, dar uma volta completa no marcador, o que nestes jogos
decisivos -- e este era-o no plano da qualificação e no da
(des)moralização -- é pouco menos que milagre. Há quinze anos, o F.C.Porto
jogava benzinho e perdia; ontem jogou muito tempo mal e ganhou. Houve
alguma coisa de milagre, mas sobretudo a força e o querer de um velho
campeão que, a certa altura, perdeu o medo e arriscou.

<p n=17297>
Apesar de ter em campo toda a sua força defensiva disponível, o F.C.Porto
abria espaços arrepiantes, que Valdo explorava com os seus passes
milimétricos e as suas entradas. Aos 7´,  fugiu pela esquerda e cruzou
para Paneira, sozinho no meio da área, atirar por alto, incomodado pela
boa saida de Baía. Foi a grande oportunidade do Benfica na primeira
parte, tirando o golo, porque os homens de Eriksson não produziram
ocasiões de remate na proporção do belo futebol que desenvolveram.

<p n=17298>
António Moita e Fernando Ferreira são os dois candidatos à presidência do
Belenenses. Moita, que faz a sua primeira aparição no dirigismo
desportivo, disse ontem como pensa resgatar a imagem de um «ex-grande».

<p n=17299>
«Devolver o Belenenses aos belenenses; recuperar o orgulho de ser
«azul»; reconstruir o sonho e os ideais de 1919, na perspectiva do ano
2000; efectuar uma gestão moderna e eficaz; tornar o clube mais jovem;
servir o Belenenses e não servir-se dele de modo a recuperar a mística `à
Belém'», são os propósitos que fazem mover um grupo constituído também
por alguns nomes da actual Junta Directiva e ainda por pessoas ligadas de
diferentes formas ao desporto nacional como o técnico de atletismo
Fonseca e Costa e Manuel Sérgio.

<p n=17300>
O Conselho de Arbitragem (CA) da FPF nomeou o árbitro Bento Marques, de
Évora, para o Sporting-FC Porto, da 33ª jornada do «Nacional» da I
divisão. «Este jogo deve ser dirigido por um árbitro internacional ou
pré-internacional. E não pode ser, obviamente, de Lisboa ou do Porto. Dos
pré-internacionais, restariam dois: Bento Marques e José Pratas.
Excluindo Fortunato Azevedo e José Pratas, porque apitaram, recentemente,
jogos em que participaram as equipas em causa, ficam Carlos Valente, Rosa
Santos, Bento Marques e Veiga Trigo. Retire-se ainda Veiga Trigo, porque
dirigiu, há pouco tempo, a equipa da Luz. Que margem de escolha?»,
declarou ontem a «O Jogo» o presidente do CA, Fernando Marques,
explicando a nomeação do juiz evorense.

<p n=17301>
O prazo para apresentação de listas concorrentes aos Corpos Gerentes do
Chaves terminou, sem que tivessem surgido candidatos ao acto eleitoral
que se deveria realizar hoje, em Assembleia Geral, depois da aprovação do
Relatório e Contas do exercício anterior. Devido à falta de candidatos, a
referida assembleia deverá encarregar uma comissão de elaborar uma lista
que poderá ser liderada pelo actual presidente do clube, António
Castanheira.

<p n=17302>
A empresa de produtos agroquímicos Sapec Agro acaba de constituir uma
filiada, denominada Sapec Agro - África, que se destina a gerir os seus
negócios com os países africanos de expressão portuguesa. A nova
sociedade (por quotas), detida unicamente pela empresa-mãe, terá sede em
Portugal e o início das suas actividades está previsto para o próximo mês
de Maio.

<p n=17303>
O Citibank Portugal, instituição marcadamente vocacionada para as grandes
empresas e mercados cambiais, monetários e de capitais, obteve, em 1990,
um activo total de 29,5 milhões de contos e um «cash-flow» de de 1,64
milhões de contos. O «ratio» de solvabilidade (activo sobre o passivo)
ultrapassou, no ano de 1990, os 38 por cento. Os resultados líquidos,
apresentados pelo banco no período em análise, foram de 1,15 milhões de
contos, dos quais 300 mil contos serão dirigidos para dividendos. A
instituição desenvolveu, no ano de 1990, novas áreas de negócio,
nomeadamente o serviço de custódia de títulos, e deu mais ênfase ao
sector obrigacionista. Em 1990, o banco transaccionou cerca de cem
milhões de contos em obrigações, o que representa um aumento de 72 por
cento comparativamente a 1989.

<p n=17304>
Uma das principais prioridades da acção do Banco Europeu para a
Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) será a protecção do ambiente e a
luta contra a poluição nos países da Europa de Leste.

<p n=17305>
Um primeiro passo no sentido do cumprimento dessa prioridade foi ontem
dado, quando Jacques Attali e Sigbjorn Johnsen, ministro das Finanças da
Noruega, assinaram um acordo de cooperação nesse domínio. Assim, a
Noruega canalizará para o BERD cinco mihões de coroas (pouco mais de 110
mil contos) para um fundo fiduciário que será administrado pelo BERD,
destinado a contribuir para o financiamento de assistência técnica na
protecção do ambiente nos países do Leste. Outros sete países, Austria,
Canadá, Finlândia, França, Japão, Suécia e a Formosa - que não é membro
do BERD- anunciaram já a sua intenção de contribuirem para o referido
fundo fiduciário.

<p n=17306>
A Fundação Rockefeller pretende criar um banco de desenvolvimento na
África do Sul, cujo capital será de cinco mil milhões de dólares (730
milhões de contos) e que deverá começar a operar dentro de cinco anos.
Nesse sentido, a Fundação encomendou a um comité constituido por
banqueiros sul-africanos e americanos os respectivos estudos.

<p n=17307>
A manutenção, embora ligeira, da tendência negativa na Bolsa de Valores
de Lisboa, cujo índice BTA perdeu mais 0,05 por cento, e a forte inversão
de sentido da Bolsa de Valores do Porto, com uma ascenção ligeiramente
inferior a um por cento, a avaliar pelo índice BPA, marcaram as sessões
de ontem das duas praças nacionais.

<p n=17308>
O Governo conta divulgar nas próximas semanas as condições específicas de
elegibilidade de projectos abrangidos pelo novo regulamento que vem
substituir o 355 (modernização das estruturas agro-industriais), que
contempla um montante de investimento global de 105 milhões de contos, a
realizar até 1993.

<p n=17309>
O regulamento, já apresentado em Bruxelas, vai flexibilizar as regras
anteriores (nomeadamente, a aprovação dos projectos deixará de ser feita
em Bruxelas, como até aqui) e favorecer a orientação para sectores
considerados prioritários. Dos 105 milhões de contos de investimento
previsto, mais de metade destina-se a quatro sectores: vinho (26 por
cento); transformação de carnes (17 por cento); lacticínios (14); e
horto-frutícolas (24). Segundo Luis Capoulas, outros sectores
prioritários serão a comercialização de cereais, o azeite, os produtos
pecuários e a transformação de cortiça e de madeira.

<p n=17310>
O Banco de Portugal, a Cosec, o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias
Empresas (IAPMEI) e o extinto Instituto de Investimento Estrangeiro (IIE)
deixam de ter assento obrigatório no conselho de administração do
Instituto do Comércio Externo Português (ICEP), de acordo com o projecto
de decreto-lei que deverá ser hoje analisado pelo Conselho de Ministros.

<p n=17311>
Com o novo quadro jurídico elaborado, em que se consagra a dependência do
ICEP da tutela do ministro do Comércio,, pretende-se que o mesmo «possa
permanecer para além de quaisquer alterações que porventura sejam
introduzidas nas entidades representadas», segundo se lê no diploma,
contemplando-se também a possibilidade de as substituir por outras.
Sublinha-se, no entanto, que a revisão de estatuto, que visa libertar o
ICEP de «contingências históricas» não veda o recurso à representação
institucional vigente.

<p n=17312>
A Confederação da Industria Portuguesa recebeu com surpresa o projecto de
Governo sobre indemnizações e  está a preparar uma Conferência de
Imprensa onde proferirá duras criticas ao documento, apurou o PÚBLICO
junto de um dos seus dirigentes. As soluções propostas deverão custar ao
Estado mais de 50 milhões de contos mas ficam significativamente aquém
das reivindicações dos ex-proprietários.

<p n=17313>
Neste ponto o projecto de Governo frustra por completo as expectativas
dos ex-proprietários que reclamam a revogação da lei 80/77 e a respectiva
eliminação das classes em vigor a par da actualização das taxas de juro
aplicadas. O projecto do CDS pendente na Assembleia da Républica assenta
exactamente nesses três principios: abolição das classes,adopção de uma
única taxa de juros, calculo actualizado dessa taxa .

<p n=17314>
As cotações das acções na principais praças europeias apresentaram um
comportamento estável depois de terem registado uma subida como
consequência dos ganhos recentes de Wall Street.

<p n=17315>
Por outro lado, fala-se de que o banco central Alemão, o Bundesbank, pode
vir a subir as taxas de juro e que o Japão pode abrandar as taxa a curto
prazo.

<p n=17316>
O calendário das privatizações tornou-se mote para críticas ao Ministério
das Finanças e para «guerras surdas» entre este e o Tribunal de Contas,
instituição que tem dado matéria à oposição. Dia certo, por enquanto, só
6 de Maio para a Sociedade Financeira Portuguesa. Quanto às outras datas,
as Bolsas ainda não marcaram nada.

<p n=17317>
A operação de privatização do «Diário de Notícias», segundo o que foi
veiculado, decorreria no próximo dia 14 de Maio, na Bolsa de Valores de
Lisboa, estando a da privatização da segunda fase da Aliança Seguradora
agendada para o dia 22 do mesmo mês, mas desta feita na Bolsa de Valores
do Porto. «É natural que as datas das operações de privatização estejam
muito próximas dos dias apontados, mas de facto não estão ainda
marcadas», referiu ao pÚblico fonte da Bolsa Valores de Lisboa.

<p n=17318>
Os pequenos accionistas da Centralcer exigem uma indemnização do Estado e
querem saber de quem é a responsabilidade criminal. Garantem utilizar
todos os meios jurídicos para não deixar o assunto em banho maria. A
Comissão de Privatizações prometeu responder.

<p n=17319>
Segundo o PÚBLICO apurou, desta reunião, dirigida pelo presidente da
Comissão, Pinto Furtado, saiu a promessa de que as reclamações ali
registadas iriam chegar «às autoridades competentes», depois de este
orgão fazer «uma reflexão e análise aos números da empresa». O PÚBLICO
tentou confirmar esta posição junto da Comissão, o que foi de todo
impossível.

<p n=17320>
A Vestingal, sociedade de estudos e investimentos, vai entrar numa nova
fase da sua existência. Após a entrada da «holding» de José de Mello no
capital da empresa (com uma participação de 25 por cento), em meados do
ano passado, aquando do aumento do capital social para 17,5 mil contos, a
Vestingal delineou uma estratégia mais agressiva para 1991, ano em que
prevê facturar 200 mil contos.

<p n=17321>
Para além do apoio à criação de «joint-ventures», à entrada de
estrangeiros nas privatizações, ao serviço de «management», a Vestingal
tenciona também prestar serviços aos exportadores portugueses, fornecendo
informação complementar à do Instituto do Comércio Externo de Portugal
(ICEP).

<p n=17322>
A crise financeira do PCP foi ao CC. É preciso tomar medidas e as
organizações regionais e os funcionários poderão ser sacrificados. As
legislativas estiveram em cima da mesa. A imagem do PSD assusta os
comunistas. O voto útil no PS também.

<p n=17323>
Ligada a esta questão está uma outra que é a, até hoje adiada, revisão do
Estatuto de Funcionário do PCP. O igualitarismo de salários já terminou e
hoje estão institucionalizadas as diferenças salárias, mas o trabalho em
exclusivo ainda permanece. Esta regra atinge inclusive os dirigentes
comunistas e os deputados, diferenciando o PCP dos restantes partidos
políticos portugueses, onde existem dirigentes e parlamentares que
acumulam o exercício da sua profissão com as tarefas partidárias.

<p n=17324>
A empresa italiana Alenia e a empresa francesa Matra, assinaram um acordo
de cooperação no domínio dos mísseis ar-ar, noticiou a agência France
Presse. A Alenia pertence ao grupo público IRI-Finmeccanica e desenvolve
a sua actividade nos sectores electrónico e aeroespacial. O acordo
estabelece que as duas empresas «vão pôr em comum a sua experiência
tecnológica, a fim de satisfazer os pedidos das forças armadas francesas
e italianas e fazer face às exigências europeias nesse domínio». O acordo
poderá vir a incluir os mísseis destinados ao novo avião europeu de
intercepção.

<p n=17325>
Curiosamente, existe uma doença que está directamente relacionada com um
baixo teor de dopamina no cérebro -- a doença de Parkinson -- ainda que as
áreas do cérebro afectadas sejam diferentes nos dois casos. Os
investigadores pensam, pois, que talvez seja possível utilizar L-dopa --
uma droga usada no tratamento do parkinsonismo -- para tratar os sintomas
de dependência da cocaína. A ironia de todo o processo é que, mesmo que
seja possível tratar esses sintomas, os investigadores poderão estar
apenas a substituir a dependência de uma droga, por outra que tenha
basicamente o mesmo efeito.

<p n=17326>
Um novo estudo sobre os efeitos secundários do dispositivo intra-uterino
(DIU) parece mostrar que o relatório negativo que, há dez anos atrás,
tinha desacreditado por completo esta forma de contracepção nos Estados
Unidos, não havia sido realizado, afinal, de forma cientificamente
correcta. Os DIU, largamente utilizados na Europa, foram então 
abandonados nos EUA, na sequência de numerosos processos judiciais
levantados pelas utentes ao seu principal fabricante, a empresa A. H.
Robins. Segundo Richard Kronmal -- co-autor do novo relatório, publicado
no Journal of Clinical Epidemiology -- afirmou à France Presse, o
relatório de 1981 concluia erradamente que o DIU era responsável por
inflamações susceptíveis de provocar esterilidade quando os seus dados
estavam longe de ser conclusivos. «A situação estava de tal forma
politizada, punha em jogo tantas emoções e estava de forma ligada aos
tribunais que não acredito que o estudo tenha sido examinado de uma forma
muito científica», diz Kronmal. Por seu lado, o responsável pelo estudo
agora posto em causa, Ronald Burkman, desmente os argumentos de Kronmal e
afirma que é o estudo deste último que está «recheado de erros de facto,
de erros de compreensão e de exageros».

<p n=17327>
A NATO considera que o programa «não está morto, mas apenas congelado»,
mas muitos militares continuam a considerar o sistema de identificação
como uma peça crucial da máquina de defesa. Os aviões de caça mais
modernos raramente se envolvem em combates a curta distância, possuindo
sistemas que lhes permitem destruir aparelhos inimigos ao longe, mas a
distinção entre aparelhos aliados e inimigos quando estes se encontram já
ao alcance do seu radar -- e dos seus mísseis -- e ainda fora do alcance
visual, é uma vantagem vital. A NATO receia assim, apesar de tudo, que um
conflito aéreo de grande proporções, com uma ocupação maciça do espaço
aéreo, possa vir a causar muitas baixas devido a erros de identificação
de aparelhos aliados -- quanto mais não seja porque os 16 países da
Aliança Atlântica possuem uma enorme diversidade de aviões.

<p n=17328>
Das três gerações de geógrafos presentes no I Congresso da Geografia
Portuguesa, a decorrer até sexta-feira na Torre do Tombo, em Lisboa,
retira-se uma geografia em mudança, que passou do estudo das
especificidades das regiões, passando pela visão economico-social e
generalista da procura de modelos, até à síntese actual em que as duas
visões convergem. Tudo isto, num momento em que a «aldeia global» em que
vivemos obriga, de novo, ao estudo do local e do particular.

<p n=17329>
A guerra do Golfo e o seu recebimento em directo através da televisão
mostrou como as distâncias diminuíram e, ao mesmo tempo, como cada vez
mais as estratégias globais se afirmam. Este «encurtamento da Terra» foi
provocado primeiro pela revolução dos transportes e depois pelas
telecomunicações, resultando numa generalização dos consumos, da moda e
uma aceleração do tempo. Esta «compressão espacio-temporal» anda
associada à «mundialização da economia» e levou a «uma modelação do
território à escala do globo» que comporta «importantes factores de
homogeneização do quadro de vida».

<p n=17330>
A Alemanha vai adoptar brevemente uma lei que torna obrigatória a
reciclagem de embalagens usadas. O objectivo das autoridades alemãs é
estabelecer, até 1 de Julho de1995, uma percentagem de recolha na ordem
dos 90 por cento.

<p n=17331>
A empresa Tetra-Pak, que vende cerca de 58 mil milhões de embalagens
cartonadas por ano em todo o mundo, já está a trabalhar na reciclagem dos
materiais de que são feitos os seus produtos. Neste momento decorrem
experiências de ensaio de uma técnica que consiste em desfazer em
bocadinhos as embalagens, antes de as meter numa prensa e aquecer a uma
temperatura de 170 graus centígrados, até obter uma espécie de
conglomerado de grande solidez e resistente ao fogo e à água.

<p n=17332>
Uma mulher de 57 anos de idade, que se tornou seropositiva na sequência
de uma transfusão de sangue contaminado com sida, vai receber uma
indemnização de 450.000 rands (cerca de 20 mil contos), segundo noticiou
a France Presse. A deliberação coube a um juiz do Supremo Tribunal de
Johannesburgo, na África do Sul, que considerou que a transfusão,
efectuada na sequência de um acidente de viação, equivalia a uma
«sentença de morte». O juiz  proibiu a divulgação da identidade da
mulher, que é mãe de três crianças.    

<p n=17333>
Planeada há cerca de dois meses, a transplantação acabou por se efectuar
de madrugada, pois «foi nessa altura que apareceu um dador compatível, um
indivíduo num estado de morte cerebral no hospital de Lisboa», como
explicou Luís Figueiredo, coordenador  cardíaco da equipa de Santa Marta.

<p n=17334>
O anúncio de um novo consórcio de fabricantes de produtos informáticos,
na semana passada, foi apenas um episódio na série de coligações
efectuadas no último mês.

<p n=17335>
Neste momento, as relações familiares entre as empresas que constituem o
consórcio são bastante complicadas. Senão vejamos: a MIPS era, já há
algum tempo, fornecedora dos processadores para as estações de trabalho
da DEC e da Silicon Graphics; esta última viu recentemente uma parte das
suas acções compradas pela Compaq, após ter resistido heroicamente a uma
aquisição hostil; a Microsoft detém parte (na prática, é como se
possuísse a maioria) das acções da Santa Cruz Operation, uma empresa
especializada em Unix, que também faz parte do ACE; a DEC e a Compaq têm
velhos acordos de cooperação tecnológica, o mesmo acontecendo entre a
Olivetti (outro dos fundadores) e a DEC (os seus PC na Europa são
fabricados pela Olivetti); um ex-engenheiro desta companhia está a criar
o próximo sistema operativo da Microsoft; finalmente, há quem afirme que
Bill Gates, da Microsoft, é um dos grandes accionistas da Compaq.

<p n=17336>
A Acer reforçou a sua presença no mercado da microinformática com o
lançamento de três novos modelos, previamente apresentados na Cebit 91
(feira informática de Hannover): Acer System 25/Model 35, Acer 1125 E e
Acer Station 5285. O primeiro foi especialmente desenvolvido a pensar nos
mercados das redes locais e do Unix, enquanto o segundo é um computador
de secretária de médio porte. A estação de trabalho é a sucessora da Acer
Station 5285 (II). Os produtos da Acer são representados em Portugal pela
Focor Informática.

<p n=17337>
A IBM e a empresa de telecomunicações norteamericana ATT (American
Telephone and Telegraph) anunciaram a conclusão de um acordo destinado a
tornar compatíveis as respectivas redes informáticas de gestão. Nos
termos deste acordo, que visa sobretudo responder às pressões dos
clientes que têm equipamentos fornecidos pelas duas empresas, a IBM e a
ATT põem à disposição dos seus clientes, a partir do final do corrente
ano, componentes electrónicos que permitirão a comunicação entre si dos
respectivos utilizadores, uma vez  instalados nas redes de gestão. As
duas empresas consideram, em comunicado conjunto divulgado à imprensa,
que «estas modificações nos `interfaces' [das duas redes] constituem o
fundamento de desenvolvimentos futuros baseados nas normas OSI (Open
System Interconnection)».

<p n=17338>
A Digital apresentou o seu modelo estratégico NAS (Network Application
Support) para a integração global de ambientes incompatíveis em que
assenta a sua estratégia orientada para sistemas abertos e redes. No
âmbito da Cebit, a mais importante feira informática europeia que se
realiza em Março em Hannover, a Digital fez ainda a demonstração de
funcionalidade do sistema departamental AA-IN-1, simulando um ambiente de
escritório onde diferentes sistemas puderam comunicar entre si. Na mesma
ocasião, aquele construtor mundial de equipamentos informáticos
apresentou publicamente os seus novos computadores baseados em
microprocessadores da Intel.

<p n=17339>
Tudo começou quando uma equipa de investigadores da Universidade de
Adelaide transferiu os movimentos faciais correspondentes a sorrisos e
caretas para uma grelha gráfica de computador que representava uma face
humana. Os investigadores constataram então que todas as pessoas reagiam
fisicamente de forma muito semelhante quando experimentavam emoções
semelhantes. Um programa de computador conseguiu em seguida definir
matematicamente a expressão facial que se considera regra geral reflectir
uma imagem de felicidade e conseguiu definir uma classe de expressões
«desprovidas de felicidade». O trabalho da equipa é descrito por um dos
investigadores, Mary Katsikitis, num artigo publicado no boletim
«Genesis», editado pelo governo da Austrália do Sul.

<p n=17340>
A IBM foi o principal fornecedor de bens e serviços informáticos à
Administração Pública durante o ano de 1990, segundo os dados divulgados
pelo Instituto de Informática do Ministério das Finanças. O montante
global dos processos públicos de aquisição foi de 10,5 milhões de contos.
Entretanto, as mesmas entidades assinaram pelo segundo ano consecutivo um
protocolo de termos e condições para a compra e venda em quantidade de
produtos IBM, válido até 31 de Dezembro do corrente ano.

<p n=17341>
A PTC-Projectos de Telecomunicações SA anunciou uma redução generalizada
dos preços finais de comercialização do telemóvel Porty, da Philips, que
aquela empresa distribui em exclusivo no nosso país. São abrangidos por
esta decisão todas as versões do telemóvel, os equipamentos opcionais e
alguns acessórios.

<p n=17342>
A TSI (Tecnologias e Soluções Informáticas, Lda) realizou na Figueira da
Foz o pré-lançamento dos computadores pessoais MSG, um novo produto
comercializado em Portugal por aquela empresa. Os equipamentos
disponíveis são os 286 a 16 Mhz em caixa «Desktop», 386/SX a 20 Mhz em
caixa «Minitower» e 386 a 33 Mhz em caixa «Supertower». Os produtos da
TSI passam, entretanto, a ser representados na cidade da Figueira da Foz
pela Agonoo, uma empresa que inaugurou recentemente a sua nova sede com
uma exposição de equipamentos dos dois principais fornecedores, a
Regislitom (registadoras e POS da Sweda) e a TSI (computadores MSG e
impressoras Seikosha  e AEG-Olympia).

<p n=17343>
OS MINEIROS soviéticos, em greve há sete semanas, apelaram ontem aos
parlamentos e aos governos das repúblicas para que assumam a
responsabilidade de negociarem as suas reivindicações, devido à
«paralisia do poder central».

<p n=17344>
Um dos fundadores do PAIGC, Abílio Duarte, toma uma atitude de desagravo
em relação ao antigo secretário-geral Aristides Pereira, sobre o qual
foram lançadas algumas suspeitas durante a campanha presidencial para as
eleições cabo-verdianas de Fevereiro último.

<p n=17345>
No fim de Março, o antigo Presidente guineense Luís Cabral, irmão de
Amílcar, declarou a este jornal não querer defender o seu antigo camarada
de armas das insinuações feitas durante a campanha eleitoral
cabo-verdiana de Janeiro/Fevereiro.

<p n=17346>
Qual o papel da Europa no processo de paz do Médio Oriente? Nenhum, se
tudo se passar como Israel quer. Importante se os Estados árabes e os
palestinianos conseguirem satisfazer as suas reivindicações
pré-negociais.

<p n=17347>
Existe ainda o sentimento de que a maioria das nações europeias continua
a ser parcial relativamente ao ponto de vista árabe e, em geral, hostil a
Israel. Uma opinião que foi reforçada pela guerra do Golfo e com o que
foi visto como um esforço europeu para levar a uma negociação de última
da hora favorável ao líder iraquiano, Saddam Hussein, e preservando a
maior parte do seu poder.

<p n=17348>
DE NOVO SUGERIDA, desta vez pelo ex-Presidente dos Estados Unidos Richard
Nixon, a eliminação física de Saddam Hussein pela CIA (serviços secretos
dos EUA) foi considerada «inaceitável» por George Bush.

<p n=17349>
Antes, já Dick Cheney, o secretário da Defesa, afirmara que os EUA não
tencionavam imiscuir-se na política interna iraquiana, dado que isso
produziria inevitavelmnente um novo Vietname. Mas, acrescentou: «Alguém
terá de ir a Bagdad prender o senhor [Saddam]. Se eles [os países da CEE]
quiserem fazê-lo, certamente serão bem sucedidos».

<p n=17350>
Os refugiados curdos começam a trocar os «campos» provisórios na Turquia
que, com razão, baptizaram como «sítios da morte», por outros que --
julgam -- terão melhores condições. A presença dos «marines» americanos e
de médicos ocidentais fá-los pressentir que a ajuda internacional começa
a chegar. Mas para eles, e para os que ficam para trás, o drama e a morte
persistem.

<p n=17351>
Com o levantar das primeiras tendas criou-se no «campo» um clima de
expectativa, que só o passar dos dias se encarregará uma vez mais de
defraudar. «Pensam todos que se vão embora, mas não é verdade», diz-nos
Bareno Leewengerg, o responsável da logística da organização Médicos Sem
Fronteiras (MSF) em Isikveren.

<p n=17352>
SOLDADOS norte-americanos em número não determinado começaram ontem a
montar campos de refugiados no Norte do Iraque, menos de 24 horas depois
de o Presidente George Bush ter anunciado o auxílio de forças militares
aos curdos que fogem à guerra civil. O início das operações, divulgado
pelo porta-voz do Pentágono, Pete Williams, foi condenado por Bagdad como
interferência nos seus assuntos internos.

<p n=17353>
Bush avisou Saddam Hussein de que não deve interferir na ajuda
humanitária e prometeu aos curdos protecção, inclusivamente aérea. Pete
Williams foi mais longe pedindo a Bagdad que facilite o auxílio e ajude
as pessoas a ganharem confiança para regressarem a casa.

<p n=17354>
DURANTE muitos anos, Abílio Duarte foi na prática o número três do regime
cabo-verdiano, depois de Aristides Pereira e de Pedro Pires, havendo sido
de 1975 a 1991presidente da Assembleia Nacional.

<p n=17355>
Nessa altura, mais precisamente em 1953, começou a dar os primeiros
passos na política, pela mão do engenheiro agrónomo Amílcar Cabral, que
considera seu «mestre». E em 1956 fez parte do grupo fundador do Partido
Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

<p n=17356>
Em Tóquio, Gorbatchov propôs uma conferência regional de segurança, uma
zona de cooperação económica e pediu ajuda financeira. Os anfitriões
escutaram e aplaudiram com delicadeza oriental. Mas as respostas foram
frias, porque o litígio territorial sobre as ilhas Curilas continua por
resolver. Um último e imprevisto encontro Gorbatchov-Kaifu vai tentar,
hoje, salvar a visita.

<p n=17357>
A verdade é que a difícil situação interna que o líder soviético enfrenta
fazia prever isso mesmo; mas o Presidente da URSS nem terá sequer feito
aos dirigentes nipónicos a «cedência mínima» que estes exigiam.

<p n=17358>
No dia 16 de Abril de 1986, o jornalista John McCarthy despediu-se da
namorada em Londres e foi ao Líbano fazer a sua primeira reportagem no
estrangeiro. «Tenho de ir. Tenho muito que fazer. Vemo-nos amanhã»,
disse-lhe pelo telefone. Mas no dia seguinte, John não voltou. Quando
chegou a Beirute e se apercebeu do perigo que corriam os estrangeiros,
decidiu regressar de imediato ao seu país. No dia 17 de Abril, foi
raptado por desconhecidos quando se dirigia para o aeroporto da capital
libanesa. Ao seu companheiro de cela, o irlandês Brian Keenan, entretanto
libertado, confessou que a sua ida ao Líbano, ao serviço da Worldwide
Television News, tinha sido o maior erro da sua vida. Cinco anos depois,
McCarthy é o refém britânico há mais tempo em cativeiro. Com ele
permanecem o piloto Jack Mann e o emissário do arcebispo de Cantuária
Terry Waite. John tem 34 anos. Até agora, nenhum grupo reivindicou o seu
sequestro. A sua mãe morreu de cancro, em Julho de 1989, mas os que o
raptaram recusaram os apelos para ele a ver pela última vez. Os amigos de
McCarthy assinalaram ontem o seu quinto ano de cativeiro com orações e
vigílias. Milhares de pessoas na Grã-Bretanha colocaram nas roupas fitas
amarelas em forma de laço, o símbolo da campanha pela sua libertação. Na
foto, Roger Cooper, britânico recém-libertado do Irão, que também
recordou ontem McCarthy.

<p n=17359>
O facto foi notado, mas rapidamente esquecido. E terá ficado esquecido
até há poucos dias, quando Gary Sick -- especialista em questões do Médio
Oriente e funcionário da Casa Branca durante a Administração Carter --
revelou o resultado de anos de investigações: os responsáveis pela
campanha eleitoral de Reagan envolveram-se em negociações secretas com
Teerão para evitar que os reféns fossem libertados antes das eleições. Se
isso acontecesse, os louros seriam atribuídos a Jimmy Carter que teria
assim mais hipóteses de manter a Presidência.

<p n=17360>
WOLF-HEINRICH, um alemão de 57 anos funcionário do Ministério da Defesa
de Bona, foi preso pela polícia alemã sob suspeita de ter sido, durante
duas décadas, «um dos agentes mais importantes» da Stasi, os serviços de
espionagem da ex-RDA, revelou ontem o gabinete do Acusador do Ministério
Público alemão.

<p n=17361>
Wolf-Heinrich foi preso na segunda-feira em Karlsruhe, Sudoeste da
Alemanha, e está agora a ser interrogado.

<p n=17362>
O CONGRESSO Nacional Africano (ANC) e o Congresso Pan Africanista (PAC)
concordaram ontem em princípio sobre a necessidade de uma frente unida
para enfrentar o Governo da África do Sul. O vice-presidente do ANC,
Nelson Mandela, e o presidente do PAC, Clarence Makwetu, chegaram a esta
conclusão durante uma reunião de dois dias realizada em Harare, a capital
do Zimbabwe.

<p n=17363>
Os dois movimentos rejeitaram ainda a proposta do Presidente Frederick De
Clerk para criar um forum multi-partidário para debater o futuro
constitucional do país, e criticaram a Comunidade Europeia por ter
levantado sanções importas à África do Sul. A decisão da comunidade
europeia é vista na África do Sul como uma grande vitória para o
Presidente De Klerk e, ao mesmo tempo, uma derrota para o ANC, já que
esta organização montou uma campanha para a manutenção das medidas
punitivas.

<p n=17364>
No Bairro Alto nocturno a palavra de ordem é parar para repensar.
Entalada entre queixas de moradores e receios de proprietários,
preocupados com o futuro da sua galinha dos ovos de ouro, a Câmara
lançou-se na busca de um «compromisso indispensável», que terá de passar
por questões tão complexas como a gestão do trânsito.

<p n=17365>
Da boca do vereador Rui Godinho, que teve o cuidado de dizer que ninguém
quer fazer mal ao Bairro Alto, «porque a cidade perdia», veio a novidade
que ontem o PÚBLICO adiantou em parte, mas também o reconhecimento de que
os problemas são muito complexos e exigem mais acções de terapia para a
primeira urbanização construída fora da muralha fernandina, há uns bons
400 anos.

<p n=17366>
Numa co-produção da English National Opera e da Opera North, sobe às
tábuas do São Carlos a ópera de Prokofiev, «O Amor das Três Laranjeiras».
«Tenham paciência, meus amigos, e finjam que têm outra vez seis anos, que
estão na cama a adormecer, e a vossa avó vos está a contar uma história.»
Com estas palavras Carlo Gozi, o seu autor, apresentava a ópera em 1761
que, nesta produção, é encenada por Richard Jones, os cenários são
assinados pelo Atelier The Brothers Quay e a direccção musical está a
cargo do jovem maestro Martin André: às 20h30.

<p n=17367>
Vídeos «gay» da Alemanha, Austrália e EUA passam esta noite no Padrão dos
Descobrimentos, em Belém, no âmbito da quinzena de precenção da Sida ali
a decorrer.

<p n=17368>
Quatro jovens jogadores da equipa do Grupo Desportivo da Banca de Angola
que se deslocou a Portugal para disputar um torneio internacional de
andebol desapareceram do pavilhão do Ideal Clube da Madalena e do Centro
de Férias da CP, em Valadares, Vila Nova de Gaia.

<p n=17369>
A GNR de Valadares e a PSP de Lisboa montaram um dispositivo de segurança
nas estações ferroviárias por onde se presume que os jogadores angolanos
possam ter transitado, nomeadamente Valadares e Miramar na zona Norte e
Santa Apolónia, em Lisboa. Até ao fim da tarde de ontem nenhum dos
desaparecidos havia sido detectado.

<p n=17370>
Um esgoto de  resíduos domésticos situado entre o Centro Comercial A e o
Mercado de Levante  está a gerar protestos nesta zona residencial do Vale
da Amoreira (Concelho da Moita), com uma população estimada em mais de
2.000 pessoas, na maioria oriundas das ex-colónias.

<p n=17371>
«Dá pena ver crianças que diariamente brincam, inconscientes ao perigo de
contraírem doenças, no meio de água suja, conspurcada de dejectos e cheia
de ratazanas que já não se amedrontam com a presença humana», acrescenta
o morador. «Tudo isto, e muito mais, já denunciei como morador em
Assembleias Municipais e sessões do executivo camarário, sem, e até ao
momento, a autarquia ter tomado uma posição satisfatória».

<p n=17372>
É um novo espaço polivalente, de grandes dimensões, e cujas
potencialidades a Câmara da Maia pretende alargar a toda a Região Norte.
Chama-se Forum da Maia, está equipado com três auditórios, salas de
exposições, bibliotecas e galeria de arte, e vai ser oficialmente
inaugurado no dia 1 de Junho.

<p n=17373>
De grande qualidade acústica, o auditório interior tem capacidade para
140 pessoas. As cadeiras com que está equipado, para além de serem
anti-inflamáveis, são anti-pânico: em caso de emergência, quem estiver
sentado e tentar fugir não fica preso, porque a palmatória acoplada para
utilização como prancha de escrita afasta-se automaticamente mal a pessoa
se levante. «É a primeira vez que este tipo de cadeiras é utilizado em
Portugal», explica Antero Torres, vereador do pelouro da cultura da
Câmara da Maia , que acrescenta, com um indisfarçável orgulho: «A
Fundação Calouste Gulbenkian está agora a pensar utilizar estas
cadeiras».

<p n=17374>
Um homem de 52 anos foi detido pela GNR em Pedrogão, Beja, depois de na
tarde de segunda-feira ter disparado dois tiros de pistola sobre o seu
filho, ferindo-o num braço.

<p n=17375>
O ferido recebeu tratamento no hospital de Beja, enquanto o seu pai foi
ontem presente ao Juíz de Instrução Criminal e a arma, que se encontra
legalizada, foi apreendida.

<p n=17376>
Corroída pelo mar, sujeita à força das marés, a Ilha de Faro aguenta cada
vez pior o ataque feroz da natureza, curvada sob o peso das construções.
A Direcção-Geral de Portos propõe-se fazer um espigão para ganhar areias.
E enquanto seis entidades são chamadas a decidir, nos moradores cresce o
receio de um empate, a adiar a tranquilidade que reclamam.

<p n=17377>
A DGP decidiu actuar, encomendando à Consulmar -- Consultores para
Estruturas e Instalações Portuárias um estudo para a consolidação e
protecção da ilha. Concluído em Fevereiro deste ano, o projecto foi
submetido a avaliação por parte do Centro de Estudos das Ciências da
Terra, que propôs, na semana passada, que fosse dado um parecer negativo
para o espigão.

<p n=17378>
O parecer da comissão técnica sobre o Solar de Dona Mécia é favorável à
recuperação deste imóvel de interesse público, reclamada pelos meios
culturais e oposição. Resta ao Governo Regional opor-se ao processo de
desclassificação, desejado pela Câmara do Funchal

<p n=17379>
A comissão -- nomeada para «averiguar se, em relação ao que resta, existe
fundamento sério para classificação patrimonial» -- aconselha a a
classificação de «imóvel de interesse público», atribuída por legislação
publicada a 24 de Setembro de 1940. Quanto à questão, posta pelo Governo
Regional,  se seria "minimamente viável qualquer recuperação séria, que
não se limite a uma imitação grosseira", o relatório argumenta com
documentação arquitectónica e fotográfica para defender uma "recuperação
séria", desde que se aceite operar criteriosamente segundo o padrão
arquitectónico histórico, sem recusar o cunho contemporâneo da
intervenção.

<p n=17380>
Na tentativa de salvar o que o mar roubou da Ilha de Faro, duas entidades
apresentam projectos diferentes e teorias opostas. E enquanto o Serviço
Nacional de Parques vê já os lucros da sua experiência de renaturalização
da dunas, tendo conseguido prender as areias e aumentar a crista das
areias em meio metro, a Direcção-Geral de Portos aguarda a decisão sobre
o projecto de um espigão, a implementar precisamente no sítio onde o
Parque da Ria Formosa plantou a vegetação natural. A secretaria de Estado
do Ambiente já deu parecer negativo mas outros entidades poderão empatar
a decisão. Enquanto isso, os moradores esperam, impacientes, pela solução
a dar a uma ilha que ameaça partir-se com qualquer maré mais viva.

<p n=17381>
O director da cadeia acrescentou não ter sido encontrado a serra que
possibilitou a abertura do gradeamento, nem haver indícios de como os
evadidos se teriam apoderado do instrumento. Referiu ainda que os
reclusos «eram sossegados e trabalhadores», mas que não gozavam de
qualquer tipo de liberdade interna.

<p n=17382>
O artigo de o PÚBLICO (de l/04/91), anunciando o «começo» da demolição da
Avenida da Liberdade, não era, infelizmente, uma mentira (de mau gosto,
convenhamos), alegórica do dia em causa. Como um «murro no estômago»,
deixou muita gente perplexa e revoltada. Preto no branco, a viagem
alucinante, conduzida pelo jornalista, sobre o «terramoto» em curso
naquela zona central de Lisboa, sendo ética e esteticamente
insustentável, era sobretudo, em termos de história urbana, totalmente
inadmissível!

<p n=17383>
No caso concreto da Av. da Liberdade -- como em tantos outros casos --, não
é relevante, pelo contrário, indagar sobre o valor arquitectónico do
conjunto, mas sim, exactamente, admitir o valor desse mesmo conjunto como
memória da cidade, como herança histórica de uma época que, boa ou má,
marcou de forma determinante a expansão da cidade a partir do anterior
Passeio Público, ele próprio componente fundamental da intervenção
pombalina na Baixa lisboeta.

<p n=17384>
Os Serviços Municipais de Habitação da Câmara do Seixal empreenderam uma
campanha de auxílio aos proprietários com maiores dificuldades na
recuperação dos edifícios, nomeadamente nos núcleos históricos urbanos.

<p n=17385>
Encontra-se, de igual modo, em fase adiantada a construção da segunda
fase do Bairro da Quinta do Cabral e do Bairro 25 de Abril, de forma a
responder às pretensões das cooperativas de habitação e resolver os
problemas habitacionais das populações com maiores carências económicas.
Para este efeito, o município está a proceder a um inquérito de
prioridades, de forma a atribuir os fogos, que entretanto vão ficando
vagos, nos actuais bairros sociais.

<p n=17386>
A decisão de notificar os proprietários de 27 prédios da Av. da Liberdade
e zona envolvente, anunciada há uma semana pela Câmara de Lisboa, mereceu
esta semana fortes críticas da Associação Lisbonense de Proprietários.

<p n=17387>
Forças apeadas e motorizadas da Guarda Fiscal de Setúbal detectaram
terça-feira pelas 5h00, a sul daquela cidade, um veículo que transportava
52.500 maços de tabaco de contrabando, cujo valor total ascende a 11.500
contos.

<p n=17388>
A Câmara Muncipal de Estremoz considerou «um autêntico atentado ao
património cultural da cidade» a recente instalação pelos militares de
uma torre com 40 metros nas traseiras da Igreja de S. Francisco.

<p n=17389>
Cerca de 40 técnicos florestais, bombeiros e pilotos participam até
sexta-feira numa acção de treino de combate a incêndios, na herdade de
Caniceira, no Tramagal.

<p n=17390>
A cerimónia, que anteontem, marcou a electrificação da Praça dos Heróis e
da Avenida Amílcar Cabral foi um dos pontos altos do programa da VII
Assembleia Geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa
(UCCLA), que decorreu em Bissau.

<p n=17391>
«Foi comovedor ver a alegria das crianças e foi estimulante sentir a
importância que, afinal, podem ter pequenas coisas que estão ao nosso
alcance», disse Jorge Sampaio ao PÚBLICO. «Se houvesse coordenação entre
as diferentes entidades, este tipo de cooperação pode ter um efeito
reprodutor de grande dimensão», acrescentou.

<p n=17392>
Num dos mais famosos episódios da série Twilight Zone, um leitor
apaixonado é o único sobrevivente do holocausto que dizimou toda a
população. Tendo à sua disposição todos os livros da bliblioteca pública
julga estar no paraíso. Infelizmente, os óculos que lhe são
indispensáveis para a leitura quebram-se. Se evocamos esta pequena
história é porque ela tem, indirectamente, a ver com este filme tocante e
singelo, produzido por Mel Brooks (ele mesmo, o das comédias
escatológicas, também produtor de «O Homem Elefante») para ser
interpretado por sua mulher, a actriz Anne Bancroft. É um filme sobre a
paixão pelos livros e como, através dela, se estabelecem laços profundos
entre duas pessoas, sem necessidade de qualquer contacto físico. É a
história real de uma escritora americana, Helene Hanff, que, no
pós-guerra, começa a travar correspondência com um livreiro, em
Inglaterra, capaz de desencantar qualquer livro em qualquer edição. Da
paixão mútua pelo mesmo objecto, nasce um respeito, primeiro, que se
transmuda em admiração e num sentimento em que amor e amizade se
misturam. Durante 20 anos se corresponderam, acompanhando as vicissitudes
dos tempos, sem jamais se encontrarem. Quando finalmente a escritora
encontra meios de se deslocar a Londres é para se confrontar com a
impossibilidade do conhecimento. A morte e o tempo tudo levou.

<p n=17393>
«E mais: hoje, há quem declare que os árbitros podem errar, quando, há
dois, três meses, eram positivamente metralhados. Enfim, é a tragédia de
se ser ridículo...»

<p n=17394>
No interessante debate (...), realizado no 2º canal da TV [1/4/1991],
sobre a Teologia da Libertação, lá surgiu, inevitavelmente, a célebre
frase, atribuída a Jesus Cristo, de que «pobres haverá sempre», sem que
nenhum dos outros teólogos, nem o moderador, nem o jornalista dos
comentários finais, houvessem feito a necessária correcção (nem, sequer,
o meu amigo e antigo companheiro da Comissão Nacional de Socorro aos
Presos Políticos, frei Bento Domingues).

<p n=17395>
Devo dizer, ainda, que foi António Sérgio que, um dia, em sua casa me fez
esta oportuna e mesma correcção, mostrando-me nada menos que três edições
do Novo Testamento, em português, francês e inglês. Após o que me
perguntou, em tom de grande simpatia, mas com alguma severidade: «Quando
é vocês, os católicos, aprendem a ler os Evangelhos?»

<p n=17396>
No PÚBLICO, foi publicada uma notícia no caderno Local-Lisboa, intitulada
«Despiste Fatal». Lá era descrita como causa do acidente de 6/4/1991, na
auto-estrada (perto de Castanheira do Ribatejo), o «excesso de
velocidade« do condutor do veículo sinistrado. Tal tinha por base uma
informação de GNR, alegadamente.

<p n=17397>
-- O título do artigo de opinião de António Vitorino, evocativo co
aniversário da Constituição e publicado na nossa edição de 10 de Abril
saiu com um título errado. O título correcto é «Mudança na continuidade».

<p n=17398>
Sei, como toda a gente, que a Igreja Católica é daquelas instiuições com
as quais é preferível não se meter. Já Cervantes punha na boca do seu
personagem principal esta advertência ao gordo escudeiro: «Alto, Sancho,
que topámos com a Igreja!» Dizem-me que o assunto é delicado. Sê-lo-á,
mas quero acreditar que ainda não é tabu. Peço licença, portanto, para
confessar que a influência crescente da hierarquia católica em Portugal
me inquieta.

<p n=17399>
A hierarquia católica é, de resto, a primeira a dar-se conta disso. É
sabido que a sua preocupação com o estudo científico das práticas
religiosas, como demonstra o inquérito que a Igreja acaba de lançar pela
segunda vez, corresponde à tomada de consciência do declínio dessas
práticas. Basta ler as conclusões do anterior inquérito, realizado em
1977, para perceber que se tratava de um estudo destinado a fornecer
explicações concretas e soluções práticas para os problemas enfrentados
pela Igreja enquanto organização. Nada há de mal nisso.

<p n=17400>
O Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, general Soares
Carneiro, recebeu ontem à tarde os dirigentes da União dos Antigos
Combatentes de Portugal, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. «Foi um
encontro de veteranos de guerra, com os olhos postos num futuro de paz,
harmonia e liberdade entre os povos», afirmou o presidente da Associação
de Deficientes das Forças Armadas Portuguesas (ADFA), José Arruda, no
final da audiência.

<p n=17401>
Em 1992, Angola assumirá a presidência da União e a sede será instalada
em Luanda. A União dos Antigos Combatentes de Portugal, Angola,
Guiné-Bissau e Moçambique foi criada em 1990 em Lisboa e os seus
dirigentes estiveram reunidos na segunda e terça-feira na capital
portuguesa para traçar o futuro quadro de actividades.

<p n=17402>
Fernando Real confirmou ter apresentado a demissão por razões de saúde.
Mas pelo seu ministério há muito se especulava em torno da sua eventual
susbstituição. Mas foi uma surpresas para todos.

<p n=17403>
O ministro refutou, no entanto, que a sua escolha para o cargo, em
Janeiro de 1990, tenha sido equivocada. «A minha experiência como reitor
universitário deu-me a possibilidade de efectuar inúmeros contactos na
área do ambiente», afirmou, negando ainda que a oposição das associações
ambientalistas ao seu nome para conduzir a política de ambiente tenha
pesado no seu pedido de exoneração. «Só não é criticado quem não
trabalha».

<p n=17404>
O encarregado do Governo de Macau, Murteira Nabo, chegou ontem a Lisboa e
tem hoje um primeiro encontro com o futuro governador do território,
general Rocha Vieira.

<p n=17405>
Assunto desses contactos tem sido certamente a constituição do novo
Executivo de Macau. sobre nomes Murteira Nabo não quis falar. Mas não
passou despercebido o facto de o coronel Manuel Monge, apontado como nome
possível para ocupar o cargo de Alto Comissário Contra a Corrupção, ter
sido a única personalidade, além dos representantes da Missão de Macau, a
ir ao aeroporto esperar Murteira nabo.

<p n=17406>
O CDS apresentou ontem o seu manifesto eleitoral no qual se assume como a
«terceira força» política e contesta a «instalação da ideia de que as
próximas eleições representarão simplesmente um jogo de vitória ou
exclusão entre os dois maiores partidos».

<p n=17407>
Esta necessidade de crescimento do partido foi ainda fundamentada durante
a conferência de imprensa por Manuel Queiró, membro do Conselho Nacional
e um dos elementos da equipa que prepara as eleições, para quem «o
discurso bipolarizador lançado pelo PSD e assumido pelo PS levará a uma
escalada que se verificará entre os dois partidos, e a uma dramatização»
a que nunca se assistiu em vésperas de eleições. Por isso, Queiró
defendeu o CDS como «ponto de equilíbrio» na disputa da vitória entre PS
e PSD.

<p n=17408>
O Estatuto dos Objectores está pronto e é hoje aprovado, por unanimidade,
na Assembleia da República. O caso específico dos Jeovás, cidadãos que se
recusam a prestar o serviço cívico, não foi contemplado - uma porta, foi,
entretanto, aberta: os items penais da lei foram modificados e, assim,
quem se recusar a cumprir serviço cívico vai preso, mas o tempo de prisão
substitui literalmente o tempo do serviço cívico. Ou seja, antes, a
recusa dava direito a prisão e obrigava depois à prestação do serviço
cívico. Agora, a prisão (cujo tempo nunca será inferior ao do serviço)
«arruma» a questão do serviço cívico.

<p n=17409>
O ex-primeiro ministro de Cabo Verde e secretário-geral do PAICV, Pedro
Pires, chegou ontem a Lisboa para a sua primeira visita ao estrangeiro
após a derrota do seu partido nas eleições legislativas de 13 de Janeiro
passado. Esta visita enquadra-se numa ronda europeia que inclui contactos
com os partidos socialistas de Portugal e Espanha, para onde partirá na
próxima segunda-feira, e provavelmente com os partidos sociais-democratas
da Suécia e Alemanha. O objectivo desta ronda europeia do actual líder da
oposição cabo-verdiana é o reforço dos contactos do PAICV com os seus
velhos aliados, assim como a angariação de apoios técnicos e financeiros.
Em Portugal, Pedro Pires avistar-se-á com delegações de todos os partidos
com assento na Assembleia da República, com membros do Governo e
estabelecerá contactos com empresários portugueses e elementos da
comunidade cabo-verdiana.

<p n=17410>
O Governo português está convencido de que a dimensão social será «um dos
grandes objectivos comunitários dos anos 90». Por isso quer alterar o
Tratado. A proposta foi  aprovada em Conselho de Ministros, há quinze
dias, e já chegou a Bruxelas. Hoje, Silva Peneda vai apresentá-la aos
deputados.

<p n=17411>
Outro exemplo do mesmo princípio é o novo elenco de domínios sobre os
quais deve incidir a política social da Comunidade: aos campos do
emprego, do direito ao trabalho e às condições de trabalho, da formação e
da segurança social, já consagradas, a proposta portuguesa acrescenta uma
série de novas áreas de actuação, que inclui, entre outras, a protecção à
família, a juventude, os grupos sociais mais vulneráveis (deficientes e
idosos, nomeadamente), a igualdade entre homens e mulheres, o direito
sindical, a educação e a habitação.

<p n=17412>
A oposição parlamentar prepara-se para comprometer a pretensa intenção de
Cavaco Silva de aproveitar a deslocação que efectua ao Brasil, a partir
do próximo dia 5 de Maio, para ali protagonizar a assinatura do Acordo
Ortográfico. De acordo com as posições ontem manifestadas na Comissão
Parlamentar de Educação e Cultura, deputados dos vários partidos da
oposição consideram «muito difícil» deixar pronto o relatório sobre o
Acordo até ao dia 2 de Maio, data que o PSD sugeriu para ratificação do
texto no plenário parlamentar, e que permitiria ao PM cumprir a desejada
cerimónia em terras brasileiras.

<p n=17413>
Acresce o facto de estar já agendado um colóquio Parlamentar sobre o
Acordo Ortográfico para o dia 8 de Maio, o que leva a oposição a
considerar «surrealista» que antes disso o Acordo seja aprovado e levado
pelo PM ao Brasil.

<p n=17414>
O facto de o Governo apenas agora ter apresentado um projecto de lei em
que se prevê a resolução administrativa da situação dos 16 mil jovens
objectores de consciência foi classificado por António José Seguro como
«uma escandalosa manobra eleitoral». «O Governo anda a brincar com a
dignidade das pessoas», declarou o secretário-geral da Juventude
Socialista, que na noite de terça-feira, terminou uma visita de dois dias
ao distrito de Coimbra.

<p n=17415>
«A superlotação, a ausência de um plano regional para a construção das
escolas, a existência de teias burocráticas que impedem a participação
dos alunos na gestão das escolas e a falta de instalações desportivas e
de lazer» foram algumas das carências encontradas pelo jovem socialista
durante a visita às escolas do distrito de Coimbra. «Sr Ministro da
Educação, é ridículo exigir sucesso escolar quando para tal não existem
condições», declarou António José Seguro, que frisou tencionar entregar,
a Roberto Carneiro, um relatório sobre esta matéria.

<p n=17416>
Os negociadores do Governo de Luanda e da UNITA estão de acordo quanto à
decisão de criar um exército nacional até às eleições. Esta era uma das
questões consideradas como determinantes no processo negocial em curso,
nomeadamente para o MPLA. Outras forças políticas emergentes na sociedade
angolana, apesar de não participarem nas conversações a decorrer no
Estoril, defendiam que a manutenção de dois exércitos com características
partidárias poderia ser um factor que que poderia afectar o debate
eleitoral.

<p n=17417>
De princípio, tanto quanto o PÚBLICO apurou, a forma de integração
militar far-se-á individualmente, afastando a fórmula que há 15 anos foi
aprovada no Alvor, ou seja, de que a fusão seria em batalhões ou
companhias. A assessoria militar internacional para a integração é outra
questão em debate. Uma das hipóteses com maior probabilidade será
Marrocos, um país que conhece os dois exércitos -- no início formou
quadros do MPLA e, posteriormente, da UNITA.

<p n=17418>
Uma clivagem entre os representantes do PSD e os da oposição na Comissão
de Timor Leste da Assembleia da República acentuou-se esta semana, a
propósito de uma proposta da Convergência Nacionalista Timorense que
defende a aceitação, por parte do Parlamento português, de uma passagem
por Jacarta durante a hipotética visita ao território.

<p n=17419>
Consensual foi uma proposta do CDS no sentido de se solicitar ao Conselho
de Segurança da ONU que analise a questão do genocídio em Timor como o
fez com a questão do povo curdo. A proposta aguarda votação em plenário
mas tem já assegurado o «sim» de todas as bancadas.

<p n=17420>
A maioria dos espanhóis está contra a posição da Igreja católica de
excomungar todos os que participem num aborto, segundo revela uma
sondagem nacional encomendada pelo diário «El Mundo» e pela cadeia de
televisão privada «Tele5», ontem divulgada em Madrid: 71,4 por cento dos
inquiridos manifestaram a sua oposição à postura da Igreja católica, um
dos pontos de um livro de 100 páginas sobre o tema. Em tempo de eleições,
a sugestão de que os católicos deveriam orientar o seu voto para os
partidos que se opõem à interrupção  da gravidez, contida no documento
divulgado na semana passada, também não colhe o apoio dos cidadãos de
Espanha: 71,2 por cento estão contra e apenas 21 em cada 100 concordam.

<p n=17421>
A sondagem do «El Mundo» e da «Tele 5» fornece também indicadores sobre a
situação do ginecologista Saenz de Santamaria, preso há dez dias por
críticas aos magistrados de Málaga que o acusaram de «delinquência
habitual» na prática abortos. As suas declarações foram consideradas
ofensivas pela Justiça. A sondagem revela que 53,9 por cento dos
inquiridos estão contra a detenção do médico.

<p n=17422>
O Sindicato Independente dos Médicos (SIM), juntamente com os
Trabalhadores Sociais-Democratas (TSD), defendeu a necessidade de ser
aperfeiçoada a articulação do Estado com as organizações não
governamentais na área da saúde. A proposta foi defendida num encontro
subordinado ao tema «Cooperação na Saúde, Passado e Futuro», efectuado em
Lisboa. A cooperação com os os países africanos de língua oficial
portuguesa (PALOP) esteve em foco, tendo sido sublinhada a necessidade de
se criar incentivos «verdadeiros» para que os profissionais da saúde
portugueses possam cooperar com esses países. Essa cooperação é um
«imperativo estratégico do país». Os participantes no encontro
preconizaram que o tecido empresarial português apoie o esforço que deve
ser feito nessa área, em particular «aqueles que já investem» em Angola,
Moçambique, Guiné-Bissau e S. Tomé e Príncipe.

<p n=17423>
Um missionário católico português identificado unicamente como padre
Estevão foi raptado pela UNITA na zona de Moxico-Velho, no Luena,
anunciou ontem a Rádio Nacional de Angola (RNA), que não deu pormenores
do rapto do missionário. A cidade está sob intensos bombardeamentos de
artilharia, nomeadamente canhões B-12 e morteiros de 120 e 81 milímetros,
que têm visado essencialmente zonas residenciais, disse o correspondente
local da RNA, acrescentando que ainda está ser feito o balanço das
vítimas. Os guerrilheiros «fogem do choque com as FAPLA», disse, e têm
bombardeado infraestruturas da cidade. Não há informações oficiais sobre
a situação militar no Luena, onde centenas de pessoas morreram ou ficaram
feridas nas últimas semanas do cerco pela UNITA.

<p n=17424>
No navio «Creoula», durante sete dias ao largo da costa portuguesa, um
grupo de jovens deficientes, auto-intitulado «Jovens Eficientes»,
partilhou as tarefas a bordo com a tripulação. Os resultados foram
animadores. «Quem consegue fazer o que eles fizeram aqui, fá-lo no
mercado de trabalho», comentava um dos monitores.

<p n=17425>
A viagem, que os levou de Lisboa até às Berlengas e Peniche, foi uma
iniciativa dos «Jovens Eficientes», um grupo de jovens deficientes em
formação profissional no Centro de Reabilitação Vocacional do Porto, em
colaboração com os jovens galegos da «Auxilia-Orense».

<p n=17426>
D. Eurico Dias Nogueira faz parte de uma galeria de figuras nacionais,
como o dr. Alberto João Jardim e o eng. Nuno Abecasis, conhecidas pela
sua franqueza de linguagem e pela originalidade pitoresca das suas
intervenções. Podemos não concordar com elas, podemos considerá-las
ostensivamente retrógradas e até disparatadas, mas o país seria decerto
menos divertido sem o anedotário que nos proporcionam. No entanto, há
limites para tudo, até para o bom humor.

<p n=17427>
Não há cidadãos acima de toda a suspeita, sejam eles civis, militares ou
membros da Igreja. Mas a declaração do bispo de Braga supõe um privilégio
de inocência sem julgamento para o seu vigário-geral. Se D. Eurico foi
já, como afirma, membro da Ordem dos Advogados, deveria saber que nenhum
cidadão pode ser considerado imune à justiça dos tribunais.

<p n=17428>
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) reúne-se hoje de manhã com
o secretário de Estado adjunto do ministro da Educação, Alarcão Troni, a
pedido deste último. Numa carta enviada ao secretário-geral da
organização sindical, Alarcão Troni justifica a tardia abertura de
negociações com a greve de professores que tem vindo a decorrer, motivada
pela demora no pagamento dos aumentos salariais.

<p n=17429>
Os educadores de infância farão greve em Maio caso não seja alterado o
despacho que os impede de gozarem os 30 dias anuais correspondentes aos
períodos de interrupção das actividades lectivas, anunciou ontem a
Federação Nacional de Professores.

<p n=17430>
A GREVE nacional de vinte e quatro horas dos trabalhadores da EDP
registou ontem uma «adesão muito significativa, superior aos 80 por
cento», disse ao PÚBLICO um dirigente da Federação dos Sindicatos dos
Trabalhadores das Indústrias Eléctricas de Portugal. Raul Guedes afirmou
que «a adesão atingiu em muitos locais os 100 por cento», com principal
repercussão no atendimento público. O mesmo responsável acrescentou que
«algumas avarias não foram reparadas», excepto em «estabelecimentos
hospitalares e outras instituições similares».

<p n=17431>
A CIDADE de Nova Iorque está provavelmente à beira de uma nova guerra de
«gangs» da Mafia. Esta é pelo menos a grande apreensão da polícia
nova-iorquina após o assassinato, no fim de semana, do motorista de John
Gotti, o «padrinho» daquela que é, presumivelmente, a mais poderosa
família da Mafia nos Estados Unidos.

<p n=17432>
Trabalham 18 horas por dia, sete dias na semana, nas ruas de Los Angeles.
Mas podem passar dias ou mesmo semanas sem fazer  dinheiro. Ninguém
parece apreciá-los. Apelidam-se de «perdigueiros» devido ao seu trabalho
de «farejar» e «caçar» carros envolvidos em acidentes, na cidade. Mas a
polícia tem vários outros nomes menos carinhosos para esses motoristas
ilegais de camiões-reboque: piratas, bandidos, aves de rapina.

<p n=17433>
«Quem chega primeiro faz dinheiro. É um trabalho de carniceiro. Para mim,
eles não passam  de um bando de urubus», afirma o detective da polícia de
Los Angeles, Bill Whittaker, à frente das investigações sobre o trânsito
da zona sul da cidade.

<p n=17434>
A situação na informação da RTP está a provocar uma «guerra» de
comunicados no Canal 2. Anteontem, o Conselho de Redacção reuniu-se e
afirmou que «o clima na empresa tem sido envenenado». Ontem, Adriano
Cerqueira respondeu, mas os jornalistas contra-atacaram.

<p n=17435>
Estas conclusões dos membros eleitos do Conselho de Redacção do segundo
canal tinham motivado um primeiro comunicado, distribuído na terça-feira,
como o PÚBLICO noticiava na sua edição de ontem.

<p n=17436>
O desenvolvimento da actividade da SIBS ao longo do exercício de 1990
caracterizouse pela consolidação do crescimento e da expansão, não só dos
serviços prestados nas redes MULTIBANCO de Caixas Automáticas (CAs), e de
Termunais de Pagamento Automático (TPAs), como também nas outras áreas de
interesse.

<p n=17437>
Estas inovações integradas no abjectivo de proporcionar aos accionistas o
mais lato leque diversificado de apções possível foram acompanhadas pela
expansão da transacção especial através da qual é possivel no CA,
nomeadamente, transferências entre contas dentro da mesma
instituição,subscrição de acções, enfim, aquilo qoe os objectivos
comorciais de cada banco determine neste âmbito da clientela particular.

<p n=17438>
Era um homem solitário, agarrado ao espírito eslavo. Tinha o nome de
Sergei Prokofiev e nasceu há cem anos, na Ucrânia. A Revolução Russa foi
a razão por que partiu para os EUA, em 1918, depois do escândalo da
estreia da «Suite Scita», em São Petersburgo. Compôs «O Amor das Três
Laranjas» para a Ópera de Chicago (em cena no Teatro de São Carlos),
ponto alto na expressão a que se convencionou chamar de fase americana.
Depois foi o regresso à Europa. O período parisiense traz a colaboração
com Diaghilev. E o aumentar da nostalgia pela Mãe-Rússia. No regresso,
corta os laços que o ligam ao Ocidente. Mas a recusa do passado não lhe
evitou a acusação de «formalismo burguês», com que as autoridades o
remeteram para a «lista negra» de autores. Sergei Prokofiev morreu quando
era anunciada a morte de Estaline, em Março de 1953. Da morte ninguém deu
conta. Do centenário do nascimento, ao lado dos 200 anos sobre a morte de
Mozart, pouco se nota. A data tem vindo a ser assinalada na rádio
portuguesa, por um programa semanal, na Antena 2: Efemérides, o nome.
Pedro Amaral, aquele que o coordena. No mesmo canal da RDP, António
Cartaxo, em Histórias da Música e Outras, permite a descoberta da obra do
compositor. Ficam as histórias da vida, e a obra dum compositor do Século
XX. Por um mês.

<p n=17439>
Docentes e investigadores do ensino superior reuniram-se, ontem, no
Porto, numa iniciativa do Sindicato de Professores do Norte (SPN),
procurando «preparar uma resposta» ao recente diploma do Governo sobre os
descongelamentos salariais. Como era esperado, essa resposta aponta para
o possibilidade de greve: «Em Maio ou Junho, se não chegarmos a acordo
com o Governo», precisou o dirigente sindical Mário Carvalho.

<p n=17440>
Inundações em Coimbra -- A chuva intensa que ao fim da tarde de ontem
fustigou Coimbra provocou numerosos casos de inundações, a sua maioria na
Baixa da cidade, onde uma habitação chegou a ameaçar ruir. Segundo dados
do Instituto Geofísico, o momento crítico da chuvada verificou-se cerca
das 18 horas, altura em que o nível de precipitação, em cinco minutos,
rondou os 10 litros por metro quadrado. Cerca de uma hora e meia mais
tarde, os Bombeiros Sapadores de Coimbra tinham recebido já 25 chamadas e
os Voluntários confessavam não ter capacidade de resposta para os pedidos
entretanto recebidos.

<p n=17441>
Sicasal brilha em Espanha -- O colombiano Edgar Corredor, da equipa
portuguesa Sicasal/Acral, venceu a segunda etapa da Volta a Aragão em
bicicleta e é o novo líder da prova, que serve de preparação para a Volta
à Espanha. A etapa, disputada entre Huesca e Cerler na distância de 168,5
Km, foi dominada pelos colombianos da Sicasal, com Pablo Rincon a chegar
em segundo lugar e a fazer a «dobradinha» para a equipa portuguesa.

<p n=17442>
O secretário de Estado norte-americano, James Baker, comprometeu-se ontem
no Luxemburgo a defender a plena participação da CEE na futura
conferência regional sobre o Médio Oriente. Segundo fontes diplomáticas
citadas pela AFP, Baker prometeu aos ministros dos Estrangeiros dos Doze
que tentaria persuadir Israel a aceitar a coparticipação europeia no
patrocínio da conferência, ao lado dos EUA e da URSS, em vez do simples
estatuto de observador que Telavive propõe. (Ver pag. 12)

<p n=17443>
SCHWARZKOPF REGRESSA DOMINGO -- O general Norman Schwarzkopf e a maior
parte do comando norte-americano na guerra do Golfo vão regressar no
domingo aos Estados Unidos, anunciou ontem o Departamento da Defesa.
Schwarzkopf continuará a dirigir as forças dos EUA no Golfo a partir do
quartel-general de Tampa, na Florida. Menos de 270 mil soldados dos EUA
continuam na região. No auge da guerra chegaram a estar ali estacionados
540 mil.

<p n=17444>
Um almoço comemorativo, uma exposição de fotografia e a tradicional
Corrida da Liberdade são os três pontos altos das comemorações do dia da
Liberdade levadas a cabo pela Associação 25 de Abril (A25). O almoço
decorrerá no próximo dia 21, na Estufa Fria, e as inscrições estão
abertas a todos os interessados, tal como as inscrições para a corrida de
dia 25 de manhã, organizada em conjunto com a Câmara de Lisboa e a
Federação das Casas de Cultura e Recreio. Na sede desta, na lisboeta Rua
da Palma, decorrerá, desde o dia 18, uma exposição de fotografias
alusivas ao 25 de Abril. A A25 participará também no desfile popular de
dia 25, em que será orador único o coronel Vasco Lourenço.

<p n=17445>
«Presidência Aberta» em Viana -- A primeira «Presidência Aberta» do
segundo mandato do Presidente Mário Soares ocorrerá entre os dias 26 de
Maio e 2 de Junho, no distrito de Viana do Castelo. Nos dias anteriores,
Soares visitará a Galiza, em viagem prevista que esteve prevista para a
Páscia, tendo então sido adiada, devido a problemas de saúde do
Presidente da República.

<p n=17446>
LUANDA ACEITA ELEIÇÕES EM 18 MESES -  O governo angolano aceitou ontem
formalmente a realização de eleições livres em Angola no período entre 1
de Setembro e 30 de Outubro de 1992, afirmou a agência Lusa, citando «uma
fonte ligada às conversações do Estoril». Este calendário, que deverá
merecer uma resposta por parte da Unita, nos próximos dias, foi proposto
pela mediação portuguesa e pelos observadores norte-americanos e
soviéticos. Segundo a mesma fonte, a resposta do governo de Angola foi
trazida terça-feira de Luanda por Lopo do Nascimento, chefe da equipa
negocial angolana, e corresponde plenamente às expectativas dos Estados
Unidos e da União Soviética.

<p n=17447>
A queixa dirige-se ao Estado português «por não tomar qualquer medida ou
política legislativa de forma a repor a legalidade» numa situação que é
qualificada de violação das directivas do Conselho das Comunidades sobre
igualdade de tratamento entre homens e mulheres no acesso ao emprego, à
formação e promoção profissionais e às condições de trabalho.

<p n=17448>
DIRECTOR DO HOSPITAL DE PORTIMÃO CONVIDADO A DEMITIR-SE -- O ministro da
Saúde, Arlindo de Carvalho, sugeriu ao director do hospital de Portimão,
Conde e Silva, que apresente o pedido de exoneração do cargo. No entanto
aquele clínico não parece disposto a aceitar pacificamente aquela
decisão. Conde e Silva confirmou ao PÚBLICO que o «cenário da exoneração
já lhe fora comunicado», mas acrescentou «não ver razões para o [seu]
afastamento», pelo que irá manter-se em funções até que seja exonerado.
Quanto às razões que no seu entender teriam levado o ministro Arlindo de
Carvalho a substituí-lo, Conde e Silva escusou-se a dar explicações,
remetendo-as para uma situação posterior, quando «as circunstâncias o 
permitirem». Contudo, não deixou de acrescentar que as relações do
Ministério da Saúde com aquele hospital desde há algum tempo têm sido
feitas de«curvas e contra-curvas».

<p n=17449>
O que é preciso para ter umas Forças Armadas credíveis e eficazes? Em
circulos militares chamam-lhe o «cabaz de Loureiro dos Santos», com o
qual Soares Carneiro - afirma-se nos mesmos meios - parece estar de
acordo, tanto como o novo chefe do Exército se declarou formalmente
concordante com a doutrina contida na nova lei de bases que regula as
chefias das Forças Armadas.

<p n=17450>
Os interesses de defesa nacional não têm preço. É a afirmação típica
quando se fala em custos de modernização, dotação de equipamentos. Sem
esse esforço, dizem políticos e militares, de pouco serviriam as Forças
Armadas, que precisam de «carros de combate, de viaturas blindadas de
transporte, e de vasta panóplia de material anti-carro, anti-aéreo,
anti-submarino.

<p n=17451>
No primeiro semestre de 1992 as mulheres já terão uma palavra a dizer nas
Forças Armadas. Tudo se conjuga para que a instituição militar possa,
nessa altura, abrir a «porta d'armas» ao sexo feminino, em regime de
voluntariado. As especialidades militares que no princípio vão ser
abertas às voluntárias incidem nas áreas de administração militar, saúde,
telecomunicações, informática e serviços de transportes, entre outras
ligadas à logística.

<p n=17452>
Nos termos da Lei e dos Estatutos da Sociedade, submetemos à apreciaçao
de V.Ex~. o Relatório de Gestao e as Contas do Exercício de 1990.

<p n=17453>
A economia portuguesa manteve o seu bom comportamento de forma
continuada,com um sétimo ano de crescimento do seu Produto Interno Bruto,
e à taxa de 4%, superior à média da comunidade económíca europeia, mas
também com níveis de erosão monetária ainda acima do razoável, pois que
se estima ser de 13% a 13.5X o valor final da taxa de inflacção.

<p n=17454>
As finanças do PCP foram levadas por Vidal Pinto ao Comité Central de
segunda-feira. A preocupação era grande, mas o dirigente não divulgou
números. Propôs, porém, cortes orçamentais que poderão levar à redução de
funcionários. O CC tomou conhecimento dos avanços do programa da CDU e
ouviu Albano Nunes analisar a situação internacional.

<p n=17455>
O Benfica teve o jogo na mão mas não foi suficientemente forte para
suportar a pressão final do FC Porto. Principalmente depois de o jovem
Paulo Sousa, o "pulmão" do conjunto benfiquista, ter sido posto fora de
acção na sequência de algumas entradas mais duras dos adversários. No dia
28, também nas Antas, haverá mais...

<p n=17456>
A Confederação da Industria Portuguesa está a preparar uma conferência de
imprensa para criticar duramente o projecto de decreto lei, que o Governo
se propõe aprovar, relativo ao processo de indemnizações. As soluções
propostas naquele documento deverão custar ao Estado mais de 50 milhões
de contos, mas ficam significativamente aquém das reivindicações dos
ex-proprietários das empresas nacionalizadas. P.40

<p n=17457>
Mais de dois mil refugiados curdos iraquianos abandonaram já o «campo» de
Isikveren. Deixaram para trás a montanha e a neve, o lugar a que chamaram
«sítio da morte». Para trás ficaram também dezenas de milhar de outros
refugiados. Começaram a partir na segunda-feira em direcção ao novo campo
de Silopi. Com o levantar das primeiras tendas criou-se no «campo» um
clima de expectativa, que só o passar dos dias se encarregará uma vez
mais de defraudar. «Pensam todos que se vão embora, mas não é verdade»,
diz o chefe da equipa dos Médicos Sem Fronteiras no local.

<p n=17458>
As Forças Armadas estão a entrar em fase de profundas alterações. O
primeiro grande choque, quanto a emprego de meios humanos, é consequência
da redução do serviço militar obrigatório. Em consequência, as FA vão
«apressar» o sistema de voluntariado feminino. Como preocupação adicional
para as chefias militares está a necessidade de manter unidades especiais
capazes de integrar forças multinacionais, como a Força de Intervenção
Rápida sob bandeira da UEO, assunto que vai ser tratado na cimeira de
ministros da Defesa e Negócios Estrangeiros da UEO, no dia 14 de Maio.

<p n=17459>
Nos termos da lei e dos estatutos submetemos à apreciação de V. Exas. o
Relatório e Contas do exercício findo em 31 de Dezembro de 1990.

<p n=17460>
A importante quebra verificada no movimento bolsista e nas cotações
reflectiu-se também, como era de esperar, nas nossas acções, cuja cotação
se fixou durante um período relativamente largo, entre 1600$00 e 1700$00,
tendo-se iniciado uma recuperação já no início de 1991, parecendo haver
tendência para uma estabilização, a curto prazo, acima de 2000$00. Apesar
da redução do movimento, foram transaccionadas durante o ano, na Bolsa de
Valores de Lisboa, 751 833 acções Mundicenter, por um valor total de 1642
milhares de contos, continuando os nossos títulos a figurar entre os
trinta com melhor índice de liquidez.

<p n=17461>
Esta candidatura assume um projecto de continuidade. Há dois anos,
combatemos a indiferença apelando à participação, numa batalha feita de
pequenas etapas que ainda não está ganha. Por isso nos propomos agora ir
mais longe na diferença. Solidificar os direitos adquiridos num sector em
mutação. Provar que um sindicato em renovação é um sindicato
indispensável, se atento às novas realidades, se disponível para
responder aos desafios, se empenhado em mobilizar a classe. A nossa acção
no próximo biénio inspira-se nestes princípios. Não colocamos a fasquia
demasiado alta, mas recusamos as meias-tintas. Adoptando como base as
conclusões do Encontro Nacional de Jornalistas realizado em 26 de Março
passado, apresentamos propostas realistas e transformadoras.

<p n=17462>
A revisão do Código Deontológico é, neste domínio, a primeira prioridade.
O debate foi lançado com o projecto apresentado em Março pelos corpos
gerentes cessantes. A Direcção apoiará todas as diligências a desenvolver
pelo Conselho Deontológico, pela primeira vez eleito em lista separada da
dos restantes ógãos sindicais, no sentido de aprofundar a discussão e de
mobilizar para ela o maior número de jornalistas.

<p n=17463>
Desalojados de um bairro clandestino de Almada, assistem impotentes às
discussões entre as entidades responsáveis. Muitos vivem em tendas,
depois de terem visto as suas casas irem abaixo. Mas, pelo menos, não
tiveram que pagar as demolições...

<p n=17464>
Decidiu ainda a edilidade «lamentar que uma decisão da Câmara Municipal
de Almada, órgão deliberativo do poder local, não tenha merecido da parte
do IGAPHE (Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do
Estado), e respectiva tutela, o seguimento devido e adequado ao
processo». Da mesma forma, a autarquia reafirmou «a sua disposição e o
seu empenhamento na concretização da proposta formulada» a este
organismo.

<p n=17465>
Docentes e investigadores do ensino superior reuniram-se no Porto numa
iniciativa do Sindicato de Professores do Norte (SPN), procurando
«preparar uma resposta» ao recente diploma do Governo sobre os
descongelamentos salariais. Como era esperado, essa resposta aponta para
o possibilidade de greve: «Em Maio ou Junho se não chegarmos a acordo com
o governo», precisou o dirigente sindical Mário Carvalho.

<p n=17466>
Recorde-se que a FENPROF fez já um abaixo-assinado com mais de mil
assinaturas e pediu, há cerca de duas semanas, a todos os grupos
parlamentares para agendarem o problema, pedido que ainda não obteve
resposta.

<p n=17467>
Alarcão Troni disse ontem ao PÚBLICO que não lhe repugna nada que «a
entidade patronal pague juros por uma prestação que deveria ser paga numa
data e que só o foi a 'posteriori'». O secretário de estado adjunto do
Ministro da Educação, referiu no entanto, que se essa posição for
admitida em relação aos professores, terá de ser «extensiva a toda a
administração pública e agentes económicos sejam eles privados ou não».
«É que o Estado só paga juros quando a lei o prevê, o que não acontece
aqui», esclarece o responsável que afasta a possiblidade de o Governo
poder ser responsabilizado extracontratualmente.

<p n=17468>
O Governo afirma que a superlotação e a degradação das escolas
portuguesas são problemas que ficarão resolvidos antes do fim da década.
Para além disso, porém, existe um debate a fazer sobre o papel da
arquitectura das escolas, que devem ser algo mais do que «armazéns de
crianças».

<p n=17469>
Está posta de lado a possibilidade de os professores virem a receber os
aumentos salariais em atraso antes das datas previstas pelo Ministério da
Educação. A principal prioridade, para a Fenprof, é agora que o problema
não venha a repetir-se no futuro.

<p n=17470>
Sobre o pagamento dos aumentos salariais em atraso, o secretário-geral da
Federação Nacional de Professores (Fenprof) afirmou não se conformar com
o adiamento da resolução do problema para Junho e Julho. Recorde-se que
os docentes que progrediram na carreira têm direito a estes aumentos
desde Janeiro.

<p n=17471>
Teve início ontem, em Madrid, o primeiro de dois dias de trabalho que a
Academia Portuguesa de História mantém com a Real Academia de História de
Espanha. «As duas Academias não tinham relações oficiais, e foi o último
embaixador de Espanha, em Lisboa, que patrocinou esta aproximação",
disse, ao PÚBLICO, Joaquim Veríssimo Serrão, presidente da Academia
Portuguesa de História.

<p n=17472>
Eloy Benito Ruano, secretário perpétuo da Real Academia, que
conjuntamente com o seu director, Hemilio Garcia Gomez  esta tarde é
condecorado pela delegação da Academia Portuguesa de História, fez o
ponto da situação: "Queremos planificar um convénio, que se pode traduzir
em publicações, na troca de investigadores e estudantes e em reuniões
periódicas". Benito Ruano recordou, também, outras iniciativas que
deverão ser acompanhadas pelas duas Academias.

<p n=17473>
Uma escultura de Lagoa Henriques dedicada a Antero de Quental será
colocada no Jardim do Príncipe Real, a 11 de Setembro, data do centenário
da morte do poeta/filósofo, anunciou ontem o vereador da cultura da
Câmara Municipal de Lisboa, João Soares,  numa sessão, na Livraria
Municipal, em que foi divulgado o programa das comemorações.

<p n=17474>
Na opinião de Joel Serrão, Antero de Quental não gostou de nenhuma dessas
cidades onde viveu, apenas se sentiu «fascinado por Halifax, nos Estados
Unidos, que só conheceu de longe». A importância da amizade que o uniu a
Oliveira Martins, os fracassos que conheceu, nomeadamente ao escrever o
seu «Programa para os Trabalhos da Geração Nova», a que dedicou cinco
anos, obra que «como acabou poor reconhecer não estava de acordo com a
sua própria filosofia», a difícil compreensão dos seus escritos como
resultado do «compromisso entre poesia e filosofia», foram alguns dos
aspectos focados pelo historiador.

<p n=17475>
O poeta espanhol Gabriel Celaya -- nascido em Hernani (Guipúzcoa), em 18
de Março de 1911 -- morreu ontem no hospital Gregório Marañon, de Madrid,
onde se encontrava internado desde o dia 3 de Abril. Faleceu ao princípio
da manhã, de complicações surgidas após uma intervenção cirúrgica à
vesícula, efectuada no início de Maio.

<p n=17476>
Juntos fundam a editorial Norte, onde editam os poetas de 27 e
estrangeiros como Blake, Rilke, Rimbaud, Éluard. Celaya vai-se
aproximando, entretanto, de uma poesia de combate. A viragem é marcada
com «Las Cosas como Son (Un Decir)», de 1949, em que o autor abandona a
intemporalidade, o classicismo e o lirismo e opta por uma poesia
narrativa que permita contar. Celaya entra no Partido Comunista Espanhol.
A preocupação com o social vinha de longe; dizia, desde muito novo, com
os surrealistas, que Lautréamont tinha razão: «A poesia deve ser feita
por todos, não por um.» Em «Cantos Iberos» (1955) louva «Sancho ibero»,
«Sancho-firme, Sancho operário / montador, carpinteiro, lavrador,
electricista.» Mas continua a admirar os poetas vanguardistas, «rebeldes
como un golpe de brisa entre las frondas», que ainda assim não deixa de
criticar: «Oh poesia pura, luciente en lo lejano».

<p n=17477>
A organização do próximo Festival de Cannes admite que enfrentou algumas
dificuldades na fixação do respectivo programa. Alguns filmes esperados,
estarão ausentes devido a atrasos. Não há portugueses seleccionados.
Entre os 18 filmes a concurso encontra-se «Guilty by Suspicion», o
primeiro filme do norte-americano Irwin Winkler.

<p n=17478>
Certos, há muito, estavam dois filmes fora de concurso, «Rapsódia em
Agosto», de Kurosawa (com Richard Gere), e «Jacquot de Nantes», o relato
autobiográfico do malogrado Jacques Demy, realizado por Agnès Varda.
Entre os ausentes, o mais saliente dos numerosos casos de atraso é «Till
The End of The World», de Wim Wenders, enquanto os filmes de Schloendorf
e Herzog foram recusados e, completando um colapso germânico, «Malina»,
de Werner Schroeter, dado como certo, desapareceu misteriosamente da
lista; enquanto a «Propero's Books», de Peter Greenway, é um dos que
ainda pode ser incluído. Em contrapartida não se esperava a presença já
em Cannes de «Van Gogh», de Maurice Pialat, «O Passo Suspenso da
Cegonha», de Theo Angelopoulos, «La Belle Noieuse», de Jacques Rivette, e
«La Carne», de Marco Ferreri. Surpresa é também «Anna Karamazova», do
russo Roustam Khamdamov (com Jeanne Moreau), um filme que era esperado
... no ano passado.

<p n=17479>
Quatro décadas após a grande «caça às bruxas» protagonizada pelo
maccartismo contra os comunistas, as feridas daquele período negro da
história americana ainda não fecharam. Há mesmo alguns políticos
demagógicos que, mais uma vez, questionam em voz alta a lealdade de seus
colegas, tentando censurar a arte e impor um maior controlo sobre os
«media».

<p n=17480>
A era do maccartismo já tinha sido tratada anteriormente em filmes como
«The Front» («O Testa de Ferro») ou «The Way We Were» («O Nosso Amor de
Ontem»). Mas nenhum filme colocou tanto ênfase na situação paranóica de
Hollywood no pós-guerra como «Guilty by Suspicion»: Merryl, o
protagonista, está prestes a dirigir um filme importante para a 20th
Century Fox quando o seu nome é citado no HUAC, em Washington -- agora é
ele que, por sua vez, terá de produzir uma lista de nomes.

<p n=17481>
A Bretanha invadiu a capital nortenha, ao som da harpa electrificada de
Alan Stivell. Não houve feridos -- em nítida baixa de forma, o bardo não
conseguiu fazer a festa e desiludiu os entendidos. Diferente opinião
tiveram os milhares de pessoas que encheram o Teatro Municipal Rivoli e
que no final aplaudiram de pé.

<p n=17482>
Por seu lado, Yves Riblis, coitado, lá ia acompanhando como podia a falta
de swing evidenciado pelo mestre (certas incursões na atonalidade
contemporânea não servem de justificação para o dedo que falha a
corda...). Por fim preferiu perguntar pelo resultado do Porto -- Benfica.

<p n=17483>
«Fazer a Festa», mais do que um nome, é todo um programa. Este é o
décimo ano em que, ininterruptamente, o Porto se anima com esta
iniciativa voltada para o teatro infanto-juvenil. Única no país, tem
proporcionado à capital do Norte uma rara oportunidade de ver não só
algum do teatro que se faz em Lisboa como também um pouco de teatro
espanhol. Este ano, há duas novidades: uma companhia brasileira e uma
companhia angolana.

<p n=17484>
O acidente anteontem sofrido por Mário Viegas comprometerá certamente a
apresentação do programa anunciado, nomeadamente o «one-man-show» daquele
actor previsto para a noite de segunda-feira, no Rivoli. É no Rivoli que
vai decorrer boa parte dos espectáculos, nomeadamente «Guerra contra a
Violência» (que vem de Angola), a imprescindível «Birra do Morto» da
Companhia do Chiado e a imprescindível «História do Tigre» contada por
Filipe Crawford. No mesmo Rivoli, há duas exposições que podem ser vistas
todos os dias das 10h às 12h e das 14 às 17h.

<p n=17485>
O MIP-TV é um mercado de compra e venda de programas televisivos que hoje
começa em Cannes. A Radiotelevisão Comercial está presente e, entre
outros programas que tantará colocar no mercado, encontra-se um um que as
vedetas são Carlos Paredes e a cidade de Lisboa.

<p n=17486>
Um lugar que custa caro -- como se disse -- e onde só as grandes produtoras
chegam de malas cheias de cassetes e partem com elas cheias de contratos.
Para as outras, nas quais se incluirão brevemente os dois canais
portugueses privados a licenciar, é quase uma obrigação social estar
presente. Pagar o bilhete do `galinheiro' para, durante o intervalo do
concerto, poder aceder ao relacionamento que faz a diferença entre
`colunável' e  `zé-ninguém', eis o que espera os representantes da SIC,
TVI ou TV1 nos próximos anos, se não desisterem das suas pretensões em
entrar para a roda dos «broadcastars».

<p n=17487>
O PÚBLICO foi distinguido pela associação «Velho Pelicano» do Porto com
os prémios «Simão», relativos ao ano de 1990, para a melhor divulgação e
para a melhor crítica de banda desenhada. «Calvin e Hobes», apresentada
diariamente pelo PÚBLICO, foi considerada por aquela associação a melhor
série estrangeira divulgada em Portugal no mesmo ano. A lista completa
dos galardões, atribuídos desde 1988, é a seguinte: «Grande Prémio Simão»
nacional, Fernando Relvas; «Grande Prémio Simão» internacional, Christian
Godard; melhor autor nacional, «ex-aequo» Luís Louro e Tózé Simões;
melhor autor internacional, Jean Giraud; Simão Promessa, Pedro Sousa
Dias; melhor série nacional, «Porto Bomvento»; melhor série
internacional, «Calvin e Hobbes»; melhor álbum nacional editado em
Portugal, «A Herança dos Templários»; melhor álbum estrangeiro editado em
Portugal, «Viagem a Itália»; melhor revista nacional, «Selecções BD»;
melhor revista estrangeira, «(À Suivre)»; melhor fanzine, «O Moscardo»;
prémio da crítica, Carlos Pessoa (PÚBLICO); prémio da divulgação,
PÚBLICO.

<p n=17488>
A combinação gráfica de uma bola de futebol em movimento e das listas da
bandeira americana dá forma ao símbolo do Campeonato do Mundo de futebol
de 1994, a realizar exactamente nos EUA. O logotipo, que em breve se
tornará conhecido em todo o Mundo, pela sua divulgação em todo o tipo de
objectos e «recuerdos» do «Mundial» norte-americano, foi criado pela
empresa nova-iorquina Pentagram Design e os direitos comerciais pertencem
à World Cup'94 Marketing, uma «joint venture» da World Cup USA 1994 e da
ISL Marketing, agente da FIFA.

<p n=17489>
O tenista português Nuno Marques (número 111 do mundo) é o primeiro
suplente do quadro principal do Torneio de Roland-Garros, no qual o seu
compatriota Cunha e Silva (108) tem lugar assegurado. O último jogador do
lote de 104 com entrada directa é o checoslovaco Pedro Rebolledo (110), o
que seignifica que apenas seis tenistas declinaram, até agora, o convite
para o Open de França. Assim, Nuno Marques tem largas possibilidades de
subir ao quadro principal, bastando apenas verifique mais uma
desistência. Os primeiros 36 tenistas do «ranking» mundial confirmaram a
sua presença nesta prova, a única do «Grand Chelem» que o alemão Boris
Becker, número dois do mundo, ainda não ganhou. Becker -- cujos melhores
resultados foram duas presenças nas meias-finais, em 1987 e 1990 --
afirmou ontem que vai «investir mais em Roland-Garros do que em
Wimbledon.»

<p n=17490>
A próxima reunião anual da Ferrari Internacional será em Portugal, no
próximo mês de Junho. No próximo fim-de-semana, o clube Ferrari Portugal
-- fundado em Outubro de 1990 -- vai deslocar 29 exemplares da marca
italiana à Guarda, onde será recebido pelo clube automóvel local,
oportunidade em que os dois clubes se geminarão. Sortelha, Sabugal e
Almeida são algumas das localidades que acolherão a caravana da Ferrari,
onde estarão três F40 -- ex-libris da marca -- oito Testarossa, um 328,
três Mondial, um Dino 246, quatro do recente 348, um 330 e nove 208
Turbo. Estes automóveis vão concentrar-se no final da tarde de
sexta-feira no Porto, realizando um curto percurso pela cidade, antes de
partirem para a Guarda.

<p n=17491>
A União Europeia de Futebol (UEFA) obteve ontem uma significativa
vitória. Contrariando um princípio básico da CEE -- a liberdade de
circulação de bens e pessoas -- a UEFA impôs às autoridades comunitárias o
limite de cinco futebolistas estrangeiros por equipa profissional de
futebol.

<p n=17492>
Segundo um dos vice-presidentes da Comissão Europeia, o alemão Martin
Bangemann, este novo regime significa «um primeiro passo em direcção a
uma liberalização mais ampla», a ser «examinada» em 1996. Reconhecendo
que a imposição de quotas à entrada de jogadores estrangeiros contraria o
princípio da livre circulação, a Comissão, no dizer de Bangemann,
«preferiu optar pela negociação de um acordo de cavalheiros do que ter de
submeter-se ao veredicto do Tribunal Europeu».

<p n=17493>
Este foi um dos jogos mais difíceis de explicar que vimos até hoje. O
F.C.Porto venceu sem ter sido a melhor equipa; o F.C.Porto marcou dois
golos (e o segundo é um monumento) contra um do Benfica e, no entanto,
foi esta a equipa que criou espaços e fez «association»; o F.C.Porto
conseguiu, enfim, dar uma volta completa no marcador, o que nestes jogos
decisivos -- e este era-o no plano da qualificação e no da
(des)moralização -- é pouco menos que milagre. Há quinze anos, o F.C.Porto
jogava benzinho e perdia; ontem jogou muito tempo mal e ganhou. Houve
alguma coisa de milagre, mas sobretudo a força e o querer de um velho
campeão que, a certa altura, perdeu o medo e arriscou.

<p n=17494>
Apesar de ter em campo toda a sua força defensiva disponível, o F.C.Porto
abria espaços arrepiantes, que Valdo explorava com os seus passes
milimétricos e as suas entradas. Aos 7´,  fugiu pela esquerda e cruzou
para Paneira, sozinho no meio da área, atirar por alto, incomodado pela
boa saida de Baía. Foi a grande oportunidade do Benfica na primeira
parte, tirando o golo, porque os homens de Eriksson não produziram
ocasiões de remate na proporção do belo futebol que desenvolveram.

<p n=17495 assunto=desporto>
Azar para o Gil Vicente, ontem, em Barcelos. Depois de 120 minutos de
domínio absoluto e de ter desperdiçado um bom punhado de oportunidades, a
equipa de Rudolfo Reis veio a claudicar frente ao Estrela no desempate
por penaltis, que acabou em 4-3, com Rosado e Capucho a falharem
clamorosamente.

<p n=17496>
Tudo indicava que o Gil iria marcar quando a oportunidade foi aproveitada
pelo Estrela. Sobral, aos 72', na segunda descida da sua equipa à baliza
de José Carlos, inaugurou o marcador num excelente remate de cabeça, ao
segundo poste, a concluir um livre de Costeado, do lado direito, quase
sobre a linha de fundo.

<p n=17497>
Na jornada de ontem do Oporto Open (quartos de final) o importante para
ganhar era não ser favorito. Aconteceu uma verdadeira hecatombe entre os
cabeças-de-série, com a prematura eliminação dos quatro que restavam
(Koevermans, Haarhuis, Clavet e Filippini).

<p n=17498>
Antes, já Haarhuis havia sucumbido a Pescosolido que, depois de perder a
primeira partida no «tie-break» (4/7), embalou para um duplo 6/2.

<p n=17499>
O veterano George Foreman (43 anos) tem hoje a oportunidade de
concretizar um sonho: quatro anos depois de regressar ao boxe, vai
defrontar Evander Holyfield para o título mundial.

<p n=17500>
Acima de tudo, este combate será quase um «conflito de gerações». De um
lado estará Evander Holyfield, campeão do mundo aos 28 anos, em plena
forma física, pronto a aguentar os doze assaltos do combate. Do outro
estará George Foreman que, aos 43 anos, se pode tornar no mais velho
campeão de sempre. Foreman regressou em 1987 ao boxe, dez anos depois de
se ter retirado e por uma questão de dinheiro. Tendo-se tornado pastor --
após ter perdido em 1977 com Jimmy Young, ficou inconsciente e diz que
sentiu Deus salvá-lo da morte -- Foreman teve de regressar de forma a
conseguir os fundos necessários para o centro de recolhimento de jovens
delinquentes que fundou com o seu irmão.

<p n=17501>
Apesar de contar para o «Europeu» de Ralis, a Volta a Portugal em
automóvel contará apenas com a animação porporcionada pelos pilotos
portugueses. Carlos Bica (Lancia) parte como nítido favorito.

<p n=17502>
A meia dúzia de desconhecidos pilotos estrangeiros que se inscreveram na
40.ª edição da «Volta» não impedirá, certamente, que a vitória seja
discutida entre os melhores pilotos nacionais. Em termos de triunfo
absoluto, Carlos Bica (Lancia) é, obviamente, o grande favorito, tendo
apenas de enfrentar a concorrência de Joaquim Santos (Toyota), já que
José Miguel (Ford) estará ausente.

<p n=17503>
A última de quatro acções de promoção da imagem de Portugal nos Estados
Unidos termina hoje em Atlanta. Em vez de «banhos de multidão», onde por
vezes apareciam telefonistas e secretárias em vez de administradores de
empresas, a equipa do Ministério do Comércio jogou agora nos contactos
directos e à porta fechada. Os resultados não seguem dentro de momentos.

<p n=17504>
A região dispõe hoje do segundo maior aeroporto do mundo (o primeiro em
cargas); aqui nasceram a Hawes, fabricante do mais conhecido «modem» para
computadores do mundo, e a Scientific Atlanta, uma das maiores empresas
do mundo no ramo do «software»; e aqui se instalaram, entre outras, a
AT&T (fibras ópticas) da qual, cada uma das duas divisões sediadas em
Atlanta, é maior do que mais de metade das quinhentas empresas da lista
da revista Fortune.

<p n=17505>
Podia ser espanhol, italiano, brasileiro, como aquele bigode farto, o
cabelo negro com algumas brancas e despontarem, a tez morena. Podia ser
um típico americano naturalizado, descendente de emigrantes mas quase
esquecido da terra natal, onde regressa de vez em quando, para ostentar
dólares ganhos com suor nas profissões mais humildes.

<p n=17506>
Bem visível numa prateleira, a última das iniciativas comerciais da mais
famosa das cadeias de televisão do mundo: um video sobre o Golfo de que a
CNN acaba de lançar cem mil exemplares para o mercado. Uma das cassetes
chama-se «Tempestade no Deserto», a outra «Vitória». Contêm um resumo das
reportagens apresentadas ao longo dos seis meses da crise.

<p n=17507>
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a negociar a compra do Banco da
Extremadura, filial do Banco Bilbao Vizcaya (BBV), para a qual já  tem a
autorização das autoridades financeiras portuguesas. A noticia foi já
divulgada em Espanha.

<p n=17508>
O Banco da Extremadura, que em 1989 ocupava  o 56 posto na tabela da
banca privada espanhola, tem sede em Cáceres, conta com 45 balcões e um
quadro de mais de 170 empregados. Este banco, que pertencia ao grupo
Rumasa, liderado por Ruiz  Mateos, foi comprado depois da nacionalização
do grupo pelo Banco Bilbao Vizcaya, e é a única das filiais do banco
basco que não sofreu qualquer transformação após a fusão com o Bilbao
Viscaya.

<p n=17509>
O IPE, a Siderurgia Nacional e o Grupo Previdente (que integra várias
empresas das indústrias metálicas e de ferragens) apresentaram no início
do passado mês de Março uma proposta de reorganização e de fornecimento
de equipamento e materiais para a Siderurgia de Angola.

<p n=17510>
Na área da metalomecânica, a Sorefame encontra-se neste momento em
negociações «tendo em vista uma eventual associação com a Estalnave». O
objectivo da parte portuguesa é assumir a gestão das unidades de
metalomecânica pesada e ligeira da empresa em Angola, nomeadamente no
Lobito, Namíbe e Luanda.

<p n=17511>
A Imoleasing vai elevar o capital social dos actuais três milhões de
contos para 3,6 milhões. O aumento, que será realizado por incorporação
de reservas, atribuirá aos accionistas uma nova acção por cada cinco
detidas. Na assembleia geral da empresa, além do aumento, foi ainda
acordada a atribuição de 75 mil contos à reserva legal, assim como 398,3
mil contos para reforços e outras reservas. O volume de negócios,
registado pela empresa no ano de 1990, foi de 10,3 milhões de contos, e o
resultado líquido de 723 mil contos. O activo líquido atingiu, no ano
transacto, 26,3 milhões de contos, o que representa um acréscimo de 46,3
por cento comparativamente ao ano de 1989. Com o objectivo de financiar a
sua actividade, a Imoleasing lançou, há duas semanas, a primeira
«tranche» de um empréstimo obrigacionista de 7 milhões de contos. A
emissão foi liderada pela Caixa Geral de Depósitos (accionista
maioritário da empresa) e foi tomada firme por um sindicato financeiro
composto pelo BCP, BCI, BESCL, BFE, BNU, BPSM, e Deutsche Bank de
Investimento.

<p n=17512>
A Tabaqueira poderá aumentar, brevemente, em média cerca de 15 por cento
o preço de cada maço de cigarros. Desta forma, os consumidores de tabaco
com filtro, SG Filtro, Gigante e Lights que custavam respectivamente 165,
175 e 195 escudos passarão a pagar mais 25 escudos por cada maço. No
entanto, o imposto de consumo sobre este produto mantem-se inalterado
podendo o Governo, segundo o orçamento para 1991, aumentra o elemento
especifico do imposto até um máximo de 20 por cento.

<p n=17513>
A Tabaqueira poderá aumentar, brevemente, em média, cerca de 15 por cento
o preço de cada maço de cigarros. Desta forma, os consumidores de tabaco
com filtro SG Filtro, Gigante e Lights, que custavam respectivamente 165,
175 e 195 escudos, passarão a pagar mais 25 escudos por cada maço. O
imposto de consumo sobre este produto, no que respeita ao seu elemento
específico, sofrerá um aumento, passando de 497 para 596 escudos. O
Decreto-Lei que define o aumento do imposto, autorizado no orçamento de
1991, deverá ser aprovado na próxima segunda-feira durante a reunião dos
secretários de Estado.

<p n=17514>
As Quintas de Lamacais e da Lageosa, situadas na região da Covilhã,
poderão ser utilizadas pelas Universidades da Beira Interior e da Escola
Superior Agrária de Castelo Branco na área do ensino e da investigação
agrícola, segundo directiva da Secretaria de Estado da Agricultura. Nesse
sentido, o secretário de Estado da Agricultura, Álvaro Amaro,
deslocar-se-á, no próximo dia 3 de Maio, àquela região, para assinar o
referido protocolo, que tem por objectivo a criação de pólos de
investigação agrária na região. Esta iniciativa contará com o apoio da
Câmara da Covilhã, Direcção Regional da Agricultura da Beira Interior e
do Instituto Nacional de Investigação Agrária.

<p n=17515>
O Iraque pediu às Nações Unidas autorização para exportar petróleo no
valor de mil milhões de dólares (cerca de 145 milhões de contos) para
comprar produtos considerados essenciais para o seu povo, nos próximos
quatro meses. A nota oficial iraquiana, entregue ao presidente do comité
de sanções da ONU, refere que o Governo de Bagdad quer importar, entre
outros produtos, 400 milhões de ovos e 13,5 milhões de sacos de farinha.

<p n=17516>
A tendência negativa, que há cerca de mês e meio assola ambas as Bolsas
de Valores nacionais, continuou ontem a dominar os mercados, embora se
tenha notado, nos meios financeiros, um certo optimismo para as próximas
sessões de Bolsa.

<p n=17517>
A Tabaqueira poderá aumentar, brevemente, em média cerca de 15 por cento
o preço de cada maço de cigarros. Desta forma, os consumidores de tabaco
com filtro, SG Filtro, Gigante e Lights que custavam respectivamente 165,
175 e 195 escudos passarão a pagar mais 25 escudos por cada maço. O
imposto de consumo sobre este produto, no que respeita ao seu elemento
especifico, sofrerá um aumento, passando de 497 para 596 escudos. O
Decreto-Lei que define o aumento do imposto, autorizado no orçamento de
1991, deverá ser aprovado na próxima segunda-feira durante a reunião dos
secretários de Estado.

<p n=17518>
As Quintas de Lamacais e da Lageosa, situadas na região da Covilhã,
poderão ser utilizadas pelas Universidades da Beira Interior e da Escola
Superior Agrária de Castelo Branco na área do ensino e da investigação
Agrícola segundo directiva da secretaria de Estado da Agricultura. Nesse
sentido o secretário de Estado da Agricultura, Alvaro Amaro,
deslocar-se-á, no próximo dia 3 de Maio, àquela região, para assinar o
referido protocolo, que tem por objectivo a criação de pólos de
investigação agrária na região. Esta iniciativa contará com o apoio da
Câmara da Covilhã, Direcção Regional da Agricultura da Beira Interior e
do Instituto Nacional de Investigação Agrária.

<p n=17519>
A quebra nas importações de petróleo e nos preços ao consumidor foi
fundamental na descida, em Fevereiro, do défice comercial
norte-americano. De acordo com dados do Departamento do Comércio, o
défice desceu cerca de 25 por cento, situando-se nos 5,33 mil milhões de
dólares (cerca de 772 milhões de contos), o seu nível mais baixo de há
sete anos a esta parte, quando este indicador marcava 5,2 mil milhões de
dólares.

<p n=17520>
A diminuição da factura energética, nomeadamente no que respeita à
importação de petróleo, foi um factor fundamental na obtenção dos números
agora divulgados. Para além do preço por barril de petróleo ter baixado,
os Estados Unidos reduziram também em 14,9 por cento o volume de
importação, que passou de 228,3 milhões de barris, em Janeiro, para 194,2
milhões, em Fevereiro. A importação de produtos industriais e de
automóveis também desceu naquele mês.

<p n=17521>
A Bolsa de Tóquio não deverá acompanhar o movimento de subida verificado,
nos últimos dias, nas Bolsas de Nova Iorque e de Londres, consideram
analistas de mercado. O índice Nikkei desceu ontem 181,47 pontos,
situando-se, no final da sessão, nos 26,798 pontos, um nível bem abaixo
dos 30,000 pontos verificados quando da invasão do Kuwait, a 2 de Agosto
passado, altura em que se assistiu a uma derrapagem mundial das Bolsas.
As restantes Bolsas asiáticas mantiveram ontem a tendência dos últimos
dias, fechando em alta.

<p n=17522>
Após o banco central alemão ter afirmado que não alteraria as taxas de
juro -- especulava-se até sobre uma eventual subida das mesmas --, o dólar
foi como que «empurrado» para cima, nas praças europeias e também no
Japão, onde se cotou, no final do dia, a 134,97 ienes, com os operadores
ainda sem saberem se as taxas de juro norte-americanas irão ou não
descer.

<p n=17523>
A Comunidade Europeia divulgou ontem o relatório anual intitulado
«Problemas nos negócios com os Estados Unidos», no qual a comissão
executiva da CEE critica a atitude dos EUA enquanto parceiro comercial,
sustentando que aquele país pretende impor as suas normas comerciais
além-fronteiras. Apesar destas considerações, o relatório admite que as
relações entre a CEE e os EUA não se deterioraram no ano transacto,
chegando mesmo a frisar que a Comunidade não pretende exagerar os
problemas.

<p n=17524>
O comissário europeu Leon Brittan afirmou ontem que os monopólios
nacionais de energia serão abertos, brevemente, à iniciativa privada, de
forma a permitir o comércio livre de gás e electricidade entre os doze
países que constituem a Comunidade. Brittan, que tem sob a sua tutela a
política de concorrência na CEE, acrescentou ainda que o Tribunal de
Justiça da Comunidade tinha reiterado o direito das instâncias
comunitárias usarem normas especiais do tratado de fundação por forma a
abrir os monopólios à concorrência sem a aprovação dos respectivos
Governos.

<p n=17525>
Temido pelos sindicatos da função pública, que admitem o recurso «todos
os mecanismos legais», defendido pela administração da instituição e nem
sempre consensual no seio do Governo, os novos estatutos da Santa Casa da
Misericórdia de Lisboa foram ontem aprovados em Conselho de Ministros. No
diploma afirma-se que é o regresso «à pureza original».

<p n=17526>
Ressalta, no entanto, o que diz ser a questão de fundo: «o secretismo com
que o ministro Silva Peneda conduziu o processo» e cujo projecto a
Federação afirma não ter tido acesso. Os dirigentes sindicais prometem
que vão agora estudar a versão aprovada e, caso tenha «matéria
tecnicamente impugnável», admitem o recurso a todos os mecanismos legais
para a sua impugnação.

<p n=17527>
1. Concluído o plano de investimentos iniciado em 1988, foi em 1990
estudada a reestrutação destinada a adpatar a empresa quer à sua nova
dimensão quer aos desafios do futuro em relação às diversas actividades
desenvolvidas pelo futuro GRUPO GAP. Este, dentro de alguns anos terá a
sua facturação diversificada, mas com predomínio na sáreas da indústria
alimentar e imobiliária, mantendo a produção pecuária uma participação
inferior a 25% do total.

<p n=17528>
‚ Destacar para uma nova sociedade, que tem o nome, já aprovado -
GAP-PRODUÇÃO PECUÁRIA PORTUGAL, SA -, todos os activos e passibvos
ligados à produção de reprodutores suínos e actividades conexas.

<p n=17529>
O veneno benigno de um tipo comum de aranha pode ser utilizado para
tratar as vítimas de ataques cerebrais, segundo afirma uma equipa de
investigadores liderada por Hunter Jackson, que apresentou os seus
trabalhos no congresso anual da Sociedade de Química Americana, que está
a ter lugar em Atlanta, nos EUA. Jackson e outros investigadores da sua
empresa, a Natural Product Sciences, de Salt Lake City, efectuaram uma
série de testes em roedores e descobriram que o veneno de várias aranhas
comuns poderia ser eficaz contra os glutamatos, substâncias que podem
destruir as células cerebrais em caso de insuficiência de oxigénio. «As
lesões cerebrais de que sofremos na sequência de um ataque  não aparecem
imediatamente» diz Jackson. «As células levam muito tempo a morrer e
podemos salvá-las administrando este veneno horas depois da interrupção
do fornecimento de sangue ao cérebro.» Os venenos em questão -- que dão
pelo nome de arilaminas -- podem ser facilmente produzidos sinteticamente.

<p n=17530>
Por isso, em áreas potencialmente sujeitas a catástrofes, «é necessário
estudar e dar a conhecer os fenómenos que originam a instabilidade e
tentar avaliar as suas consequências de modo a que futuras intervenções
humanas sejam concebidas atendendo a estes factores». Um comportamento
raramente posto em prática.

<p n=17531>
Ervas utilizadas pela medicina chinesa são eficazes no tratamento da sida
e podem, pelo menos temporariamente, apagar do sangue os vestígios dos
vírus, afirmou Wu Boping, um médico especializado em medicina tradicional
chinesa, numa conferência internacional realizada em Pequim. Na sua
comunicação, este especialista referiu o caso de doentes em África que
tinham inicialmente registado registado resultados seropositivos nos
testes de pesquisa de anticorpos do vírus da síndrome e que, depois de
submetidos a tratamento com ervas medicinais, acusaram um resultado
negativo. No entanto, sublinhou que as suas pesquisas, realizadas no
Quénia, tinham ainda um carácter preliminar, sendo cedo para tirar
conclusões. De acordo com os resultados obtidos, Wu Boping  constatou que
dez por cento dos doentes submetidos a um tratamento com ervas medicinais
durante três meses tinham passado de uma reacção positiva a negativa nos
testes de anticorpos, que se manteve nos seis meses subsequentes. Estes
pacientes tinham sido igualmente submetidos a testes da sida antes e
depois de tratamentos recorrendo às terapias ocidentais conhecidas.

<p n=17532>
A medalha de prata dourada foi atribuída a Vitorino Fernandes pelo seu
suporte para escada, que permite o uso de escada em terrenos
desnivelados. Carlos Cardoso, com o seu motor rotativo (motor de
combustão interna de movimentos alternados com períodos simultâneos e
movimentos diferenciais dos elementos motor e compressor); Dora Miranda,
com os brincos perfumados (reservatório difusor de aroma aplicável a
brincos de senhora); e Júlio Salgado, com o dedo magnético, que se
encaixa numa luva que atrai e segura parafusos, pregos e outras peças,
ganharam as medalhas de prata.

<p n=17533>
Método de investigação do inconsciente, método terapêutico das
perturbações psicológicas e teoria do psiquismo, a psicanálise impregnou
profundamente o pensamento deste século e, segundo Jaime Milheiro,
Portugal não é uma excepção nesse panorama. A interacção -- e as fricções
-- da psicanálise com as ciências vai estar em debate em Coimbra.

<p n=17534>
PÚBLICO -- A Sociedade Portuguesa de Psicanálise realiza regularmente
colóquios e simpósios que funcionam como uma ocasião de abertura e
divulgação da psicanálise. Que aceitação têm merecido essas iniciativas?

<p n=17535>
O jovem a quem foram implantados na madrugada de quarta-feira pulmões e
coração novo «está a reagir bem à operação», conforme disse ontem ao
PÚBLICO Rui Bento, chefe da equipa do Hospital de Santa Marta, em Lisboa,
que efectuou a transplantação. «O doente continua ligado ao respirador e
tem já respiração espontânea quando o desligamos. Efectuámos já a
broncofibroscopia para verificar as estruturas da traqueia e tudo parece
estar a correr bem», referiu Rui Bento. Segundo este clínico, não há
quaisquer sinais de rejeição por parte do organismo aos órgãos
tranplantados, «mas os primeiros sete dias são críticos». Talvez durante
o dia de hoje, a equipa médica proceda à «desentubação» do jovem, cujos
«valores vitais são perfeitamente normais». A.G.

<p n=17536>
Apesar de o Governo soviético não reconhecer a validade da medida, o
encontro de ontem poderá permitir futuras garantias legais à
transferência da jurisdição, que actualmente pertence ao ministério
soviético da Indústria Mineira.

<p n=17537>
O PRIMEIRO-MINISTRO israelita, Yitzhak Shamir, declarou ontem que Israel
poderia aceitar a presença da Comunidade Europeia numa conferência
regional sobre a paz no Médio Oriente.

<p n=17538>
James Baker chegou ontem à noite a Jerusalém para novas conversações --
trata-se da sua terceira visita àquele país desde o fim da guerra no
Golfo -- com os dirigentes israelitas e com representantes palestinianos.
Na véspera, ainda no Luxemburgo, o secretário de Estado discutira com os
países membros da Comunidade Europeia a hipótese de uma conferência
regional de paz no Médio Oriente -- uma proposta defendida pelos EUA e por
Israel, mas que foi recebida com reservas pelos países árabes.

<p n=17539>
A FEDERAÇÃO dos Jovens Democratas (FIDESZ), movimento radical-ecologista,
ganharia eleições gerais na Hungria se estas se realizassem agora, revela
uma sondagem publicada ontem em Budapeste. A FIDESZ, na oposição, obteria
35,2 por cento dos votos, quando nas primeiras eleições livres, há cerca
de um ano, não passou dos nove por cento. Os jovens democratas, que por
estatuto não podem ter mais de 35 anos, surgem largamente à frente da
Aliança dos Democratas Livres (liberais, na oposição), com 18,4 por
cento, do Fórum Democrático, partido democrata-cristão e líder da
coligação governamental, com 13,6, e dos ex-comunistas, com 6,9. Há um
ano, estes três partidos tinham obtido, respectivamente, 21,4, 24,7 e
10,9 por cento.

<p n=17540>
O GOVERNO são-tomense divulgou ontem que quatro das suas missões
diplomáticas, incluindo a de Lisboa, estão a ser alvo de um sincdicância.
A acção insere-se numa série de medidas anti-corrupção, que precedem
«medidas de fundo», eventualmente punitivas. O Presidente Miguel Trovoada
denunciou recentemente a prática de «bufarias da polícia política» e o
consumo de «mares de dinheiro» sem a preocupação pelo «estado de
degradação» em embaixadas do seu país.

<p n=17541>
MEHDI ZANA, antigo presidente da câmara de Diyarbakir, a maior cidade do
sudeste da Turquia, habitada por uma maioria curda, foi libertado no
passado domingo. Zana, um curdo acusado de «separatismo», tinha sido
condenado em 1980 a mais de vinte anos de prisão. Libertado depois de ter
cumprido mais de metade da pena, Zana declarou na quarta-feira à France
Presse, que tenciona «continuar a luta pela libertação do povo curdo».
Enquanto estava na prisão sofreu novas condenações por ter insistido em
falar curdo no tribunal. O ex-presidente da câmara beneficiou agora de
uma lei sobre a redução geral das penas, aprovada em 12 de Abril.

<p n=17542>
DE REGRESSO a Moscovo, após a intrincada digressão nipónica, Mikhail
Gorbatchov faz hoje uma escala de três horas na ilha sul-coreana de
Cheju, no extremo Sul da península, para uma mini-cimeira com o
Presidente Roh Tae-Woo.

<p n=17543>
Bagdad terá proposto a autonomia aos curdos e autorizou a ONU a instalar
centros de ajuda humanitária aos refugiados. Mas condenou a criação,
pelas tropas americanas, francesas e britânicas, de campos no Norte do
país. Os iraquianos, como os líderes curdos da Turquia, temem que os
«campos de Bush» se trasformem no «pequeno Curdistão do Ocidente».

<p n=17544>
No mesmo dia, o Iraque assinou com representantes da ONU um acordo para a
criação de centros humanitários para os refugiados em vários pontos do
território iraquiano.

<p n=17545>
O PRESIDENTE do Irão, Hachemi Rafsanjani, afirmou ontem que os refugiados
iraquianos podem ficar no país até poderem regressar a casa em segurança.
Isto apesar de Teerão reconhecer que enfrenta tremendas dificuldades para
cuidar de cerca de um milhão de iraquianos que se acolheram em solo
iraniano.

<p n=17546>
«Só para alimentar os refugiados estamos a gastar diariamente 10 dólares
(cerca de 1.450 escudos) por pessoa, o que significa, multiplicando por
um milhão de pessoas, mais de um milhão de contos.»

<p n=17547>
O EXÉRCITO Republicano Irlandês (IRA) encontra-se sob forte pressão para
decretar um cessar-fogo na Irlanda do Norte, após os dois principais
grupos paramilitares protestantes terem anunciado, na quarta-feira, uma
tréhua condicional a partir do dia 29.

<p n=17548>
Na Irlanda do Norte já foram mortas mais de três mil pessoas, desde 1969,
quando o IRA decidiu pegar em armas para combater a presença britânica.
Londres respondeu com o envio de unidades militares para a região e, em
1975, chamou a si a responsabilidade de governar directamente o Ulster.

<p n=17549>
O EXÉRCITO Republicano Irlandês (IRA) encontra-se sob forte pressão para
decretar um cessar-fogo na Irlanda do Norte, após os dois principais
grupos paramilitares protestantes terem anunciado, na quarta-feira, uma
tréhua condicional a partir do dia 29.

<p n=17550>
Na Irlanda do Norte já foram mortas mais de três mil pessoas, desde 1969,
quando o IRA decidiu pegar em armas para combater a presença britânica.
Londres respondeu com o envio de unidades militares para a região e, em
1975, chamou a si a responsabilidade de governar directamente o Ulster.

<p n=17551>
Uma declaração final da visita de Gorbatchov ao Japão chegou a estar em
risco. Mas o líder soviético e o seu anfitrião Toshiki Kaifu não
desistiram. Conversações-maratona de última hora produziram um documento.
Este reconhece pouco mais do que uma evidência: há um litígio territorial
entre os dois países. A solução não está à vista.

<p n=17552>
As pequenas ilhas ocupadas pela URSS ao Japão no fim da Segunda Guerra, e
que Tóquio reivindica, impedem a assinatura de um tratado de paz entre os
dois países que ponha fim formal à Segunda Guerra Mundial. Mais
importante: impedem que o Japão avance com avultados projectos de
investimento na União Soviética, como Moscovo pretende.

<p n=17553>
Um ano depois de ascender à Presidência da Nicarágua, Violeta Chamorro
passa o pior momento do seu mandato, sem dinheiro e sob a ameaça do
regresso ao passado. Washington, sustento da economia de Manágua, somou
agora novas promessas a dívidas antigas.

<p n=17554>
Durante 12 meses a guerra ausentou-se do quotidiano dos nicaraguenses,
mas 50 por cento da população activa está parada. A situação económica do
país não melhorou desde a subida ao poder, em 25 de Abril de 1990, da
moderada dirigente da UNO. O desemprego cresceu, os salários permanecem
nos 20 dólares. A produção agrícola marcou passo e a moeda conheceu
várias desvalorizações. A inflação chegou a dez mil por cento. As greves
constituiram um dos mais evidentes sinais da instabilidade
socio-económica que voltou a agitar o fantasma da violência.

<p n=17555>
O palco, com 12 metros de boca por 11 de profundidade, já começou a ser
montado em frente ao Teatro Nacional D. Maria, no Rossio, onde, na noite
de 24, haverá um espectáculo comemorativo do 25 de Abril, que este ano
contará com a actuação de um grupo de percussionistas de Angola, Guiné,
Brasil e Cabo Verde. Vão tocar com Fausto, o convidado principal das
comemorações, que durante duas horas, entre as 22h00 e as 24h00, evocará
a data, num espectáculo «especialmente criado para o efeito», segundo
informações do gabinete do vereador do pelouro do Turismo, Vítor Costa.
Além da música haverá também imagens documentais do 25 de Abril e do 1º
de Maio de 1974, a exibir em três ecrãs vídeo que ali serão instalados. A
cenografia, o cartaz e a concepção do palco é de Alberto Lopes, enquanto
o vídeo foi executado com material cedido pelo Instituto Português de
Cinema e pelo Sindicato de Actividades Cinematográficas.

<p n=17556>
As causas da queda da estrutura estão ainda por apurar embora se presuma
que o forte vento que se fazia sentir na ocasião possa ter tido uma
influência determinante. Para já existem três versões distintas uma -- a
da empresa proprietária da obra -- aponta para um possível toque da grua
no andaime que teria provocado o desabamento, uma segunda do operador da
grua que diz  não lhe  ter tocado e uma terceira do sindicato do sector
que aponta a «pressa» da empresa como causa do desastre.

<p n=17557>
O nevoeiro que ontem de manhã encobriu Lisboa obrigou a que três aviões
com destino ao aeroporto da Portela fossem divergidos para Faro e para o
Porto e provocou alguns atrasos nas partidas e nas aterragens de aviões.

<p n=17558>
A Câmara de Almada demitiu este mês a chefe da contabilidade, por alegado
desvio de verbas. Agora, é aquela funcionária que ameaça recorrer aos
tribunais, para que investiguem a gestão da presidente, Maria Emília Neto
de Sousa.

<p n=17559>
A apresentação conjunta, pelos vereadores socialistas e comunistas, de
uma proposta de Plano e Orçamento para a Câmara de Sintra, acabou por não
ser feita ontem na reunião pública do executivo, dado que, à ultima hora,
o consenso foi alargado aos autarcas sociais-democratas, que responderam
com o reforço do valor global dos gastos do município para este ano.

<p n=17560>
As restantes verbas contempladas na proposta final referem-se à
Administração Municipal (13,4 por cento) e aos departamentos Financeiro
(3,6), Administrativo (3,9), Ambiente e Transportes (15,9), Económico e
Social (16,4) e de Urbanismo (11,7).

<p n=17561>
«Coração na Boca» é o nome da peça do americano Sam Sheppard que vai à
cena, pelas 22h00, no Clube Estefânia. «A estrela de Rock é uma espécie
de Jesus, mas com o coração na boca», diz o autor da história escrita e
vivida por ele e pela cantora Patti Smith. Com música de Alexandre Soares
e Rui Reininho.

<p n=17562>
Pelas 22h30, há jazz na Casa da Memória. Na Calçada do Galvão, 121, junto
à igreja da Memória, em Lisboa.

<p n=17563>
Como um castelo de cartas caiu ontem, na obra do Hotel Ipanema Park, no
Porto um andaime com a altura de 15 metros, matando um homem e deixando
três feridos.

<p n=17564>
O acidente deu-se pelas 4h50 , quando o carro, que transportava seis
jovens entre os 18 e os 23 anos, embateu na traseira do reboque,
estacionado na faixa de rodagem. Excesso de velocidade terá sido a causa
da colisão.

<p n=17565>
A polémica voltou à ilha de Faro, desta vez pela mão da Direcção-Geral de
Portos. A razão é simples: pretende aquele organismo construir ali um
espigão para, segundo diz, «salvar a ilha». Esquece-se, porém, o mesmo
organismo que o país há muito que conhece os seus espigões e já não
acredita neles. Mais: teme-os, e com razão, recordado que está do que
aconteceu a outros litorais e a outras praias depois de tão «salvadoras»
obras.

<p n=17566>
No caso concreto da ilha de Faro a fragilidade da sua estrutura é
acentuada por múltiplos factores, uns naturais, outros artificiais.

<p n=17567>
O concurso público para «abastecimento de água a Aires», aberto pelo
município de Palmela, poderá ser anulado, se for dada razão a um dos
concorrentes excluídos que deixou expresso, na reunião de Câmara
realizada na última quarta-feira, o propósito de requerer a anulação.

<p n=17568>
Depois do anúncio das firmas excluídas, Maria Helena Bucha, representante
da TRAPSA, SA, sediada em Lisboa, manifestou o propósito de solicitar a
anulação do concurso público, alegando irregularidades cometidas pelo
executivo.

<p n=17569>
Natália Ribeiro, ex-chefe da contabilidade da Câmara de Almada -- demitida
por deliberação camarária de dia 2 de Abril, na sequência de um processo
disciplinar por desvio de 700 contos e falsificação de documentos -- vai
levar a autarquia a tribunal, «para averiguação da verdade integral dos
factos da gestão da actual presidente».

<p n=17570>
Entre as alegadas irregularidades afirma que «ainda estavam a decorrer os
prazos para eu me pronunciar quando a presidente da Câmara promoveu a
reunião da vereação para deliberar a demissão». Além disso, «a
instrução/acusação, já na fase da defesa permitiu-se ouvir as testemunhas
arroladas por esta, sem disso dar conhecimento quer a a mim própria, quer
ao meu mandatário constituído e sem que, consequentemente, pudéssemos
estar presentes».

<p n=17571>
Às 00h15 de ontem, um homem foi abatido com dois tiros de caçadeira,
junto a uma discoteca em Montalvo, concelho de Constância. A GNR local
ainda não sabe o nome do autor do crime, mas aponta para que se tenha
tratado de uma rixa entre irmãos. No entanto, a PJ de Tomar está a
investigar o homicídio, e suspeita de que terá ligação com uma rede de
roubo de artigos de fábricas de confecção.

<p n=17572>
Trata-se de um convite dirigido por Jacques Chirac ao presidente da
Câmara de Lisboa, cidade que faz parte do Fórum das Colcetividades
Territoriais Europeias para a Segurança Urbana e que acolheu em Março
passado os participantes num seminário internacional desta organização,
durante o qual a capital portuguesa foi eleita representante do grupo de
cidades europeias no domínio do combate e prevenção da droga.

<p n=17573>
Se o leitor souber que Félicité dos Santos foi em 1988 premiada pela
Academia Francesa e que Graça dos Santos prepara em França um
doutoramento sobre teatro português, tem algumas boas razões para ficar
com curiosidade de ver o trabalho destas duas jovens luso-francesas, uma
autora e a outra encenadora de «A Oliveira» que hoje e amanhã, às 21h30,
pode ser vista na Sala Polivalente do Acarte.
anulação do concurso 
«Cá e lá» é uma boa designação para a estética meio-franco-meio-lusa,
voluntariamente costumbrista (tamancas, cachenés, «tanta menina bonita e
o meu pai sem uma nora») e às vezes hiperealista (lixeiras aos pés das
oliveiras). O sotaque das intérpretes é estranhamente híbrido, o tom é
declamatório. O texto povoado de «flash-backs» inscreve-se muito na
actual dramaturgia francesa, literata, narrativista, fragmentarista. Mas
o português em que está escrito não é nada feio. Feio é o figurino que a
emigrante Madalena escolhe para regressar à terra: capa, gorro e colã que
lhe dão o ar de toureiro espanhol. Intrigante, como todo o espectáculo.

<p n=17574>
Lee Konitz, no Hot Clube, em Lisboa, foi bem a imagem do prazer de
improvisar com naturalidade sobre temática «standard», no seu jeito fino,
delicado e sempre ardente.

<p n=17575>
De entre os muitos temas que embelezaram a noite, «Just Friends» e «Body
& Soul» foram dos explorados a preceito. Temas de contorno melódico
marcadíssimo que se apontam como momentos mágicos quando, tão à Konitz,
conseguiram ganhar uma dimensão lírica mais ampla. Tudo desenvolvido com
segurança e lucidez, parecendo um quarteto de farta rodagem
concertística.

<p n=17576>
Uma ameaça de bomba, feita por telefone às 11h45, para o Lloyds Bank, na
Avenida da Liberdade, 222, trouxe ontem para a rua os cerca de 200
empregados do banco e interrompeu o normal funcionamento do
estabelecimento durante mais de uma hora.

<p n=17577>
Aliás, de acordo com a mesma fonte, esta é já a segunda ameaça de bomba
recebida naquele banco no espaço de três semanas.

<p n=17578>
Desalojados há dois meses, meia centena de pessoas que habitavam no
bairro clandestino da Quinta do Valdeão, no Pragal, concelho de Almada,
estão a viver em tendas e num prédio cedido pela Câmara Municipal,
enquanto a sua situação é discutida entre as entidades responsáveis.
Considerando-se desobrigado de realojar os moradores das casas demolidas,
o IGAPHE, proprietário dos terrenos onde se situava o bairro e que agora
servirá para a construção de uma ETAR, adiantou ontem que estes «até
deveriam suportar os custos das demolições».

<p n=17579>
Os terrenos da Paiã são propriedade da Assembleia Distrital de Lisboa
(ADL), pelo menos até à publicação em Janeiro último de uma declaração de
rectificação ao novo regime jurídico das assembleias distritais, que
transfere a titularidade dos bens para a administração central. Questão
que, só por si, motivou acesa polémica entre os autarcas representados na
ADL, que hoje reúne de novo, estando agendada a «análise da situação
patrimonial e adopção de eventuais medidas».

<p n=17580>
O ante-projecto da construção de um hotel na Quinta da Penha Longa, foi
ontem aprovado pela Câmara de Sintra, com a imposição de alguns
condicionalismos para a aprovação definitiva do empreendimento que a
empresa de capitais nipónicos e brasileiros Aoki pretende edificar nas
faldas da Serra.

<p n=17581>
Rádio Universidade de Coimbra e a reitoria chegaram a acordo. Amanhã, a
terceira frequência radiofónica do concelho, muda desde Fevereiro,
voltará a ser ouvida.

<p n=17582>
Um transporte rápido de passageiros com funções urbanas e suburbanas, a
abolição da portagem e a criação de um corredor «bus» para autocarros e
veículos pesados nos dois sentidos da ponte 25 de Abril são as três
vertentes consideradas «indispensáveis» pelo PCP para desbloquear o
problema das acessibilidades entre as margens do Tejo.

<p n=17583>
O documento, a que o PÚBLICO teve acesso, defende, relativamente ao
projectado anel urbano rápido de passageiros entre as margens do Tejo, a
utilização da Ponte 25 de Abril, com apoio num sistema rápido de
transportes de passageiros, ligando a zona urbana de Lisboa à da margem
sul: Almada, Seixal e Barreiro, numa primeira fase, e Moita, Alcochete e
Montijo, posteriormente.

<p n=17584>
O despejo indiscriminado de resíduos industriais urbanos em Casal de
Cambra, no concelho de Sintra e em À-da-Beja, na Amadora, foi terça-feira
à noite denunciado na Assembleia Municipal pela deputada socialista Laura
de Sousa.

<p n=17585>
«A população foi alertada para estar atenta à situação, mas as pessoas
não o querem fazer, porque têm medo de terem problemas depois»,
acrescentou Laura de Sousa, apontando a colocação de placas de proibição
de despejo e uma maior fiscalização camarária como medidas passíveis para
resolver a questão.

<p n=17586>
O navegador solitário Manuel Martins será o primeiro português a fazer,
sozinho, uma volta ao mundo, quando chegar à Cidade da Praia.
Quarta-feira, encontrava-se a cerca de 700 milhas de Cabo Verde e a
quatro dias de concluir a viagem de circumnavegação, quando um
radioamador madeirense o contactou.

<p n=17587>
Hoje, a Assembleia Municipal de Tomar deverá aprovar o maior dos
projectos do Programa Operacional do Vale do Tejo (POVT), apoiado pelo
FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional): o estabelecimento de
um protocolo, para o abastecimento de água, entre seis municípios da
região e a EPAL.

<p n=17588>
A loja da Valentim de Carvalho, no Rossio, abre hoje finalmente ao
público. Ontem recebeu a visita -- a título particular -- de Mário Soares,
que manifestou interesse em visitá-la e que recordou ali o tempo em que
fazia parte da tertúlia frequentadora do antigo Café Portugal -- um espaço
que agora passa a ser ocupado por uma discoteca e uma livraria, em moldes
europeus, à semelhança das lojas da FNAC em Paris, por certo também bem
conhecidas do Presidente da República, que ontem voltou a palmilhar os
mil metros quadrados da área ocupada pela Valentim no Rossio.

<p n=17589>
Quando canta «La vera musica» numa voz rouca de tenor, as luzes baixam e
o fumo de cigarros matiza de sonhos desfocados o veludo vermelho por trás
do palco vazio. Noites de álcool. Bailes de anos passados na varanda do
casino frente à praia. Amigos e amantes de quem já não se recorda o nome.
Uma taça de champanhe erguida, de madrugada, à saúde de todos e ninguém,
numa esplanada de Inverno à beira-mar. A doce vida.

<p n=17590>
Nos termos da lei e dos estatutos submetemos à apreciação de V. Exas. o
Relatório e Contas do exercício findo em 31 de Dezembro de 1990.

<p n=17591>
A importante quebra verificada no movimento bolsista e nas cotações
reflectiu-se também, como era de esperar, nas nossas acções, cuja cotação
se fixou durante um período relativamente largo, entre 1600$00 e 1700$00,
tendo-se iniciado uma recuperação já no início de 1991, parecendo haver
tendência para uma estabilização, a curto prazo, acima de 2000$00. Apesar
da redução do movimento, foram transaccionadas durante o ano, na Bolsa de
Valores de Lisboa, 751 833 acções Mundicenter, por um valor total de 1642
milhares de contos, continuando os nossos títulos a figurar entre os
trinta com melhor índice de liquidez.

<p n=17592>
1.Indicação e justificação das disposições do POC que, em casos
excepcionais, tenham sido derrogadas e dos respectivos efeitos nas
demonstrações financeiras, tendo em vista a necessidade de estas darem
uma imagem verdadeira e apropriada do Activo, do Passivo e dos Resultados
da empresa.

<p n=17593>
-As Contas tornadas públicas em 1989, foram ajustadas de forma a serem
comparáveis. Os ajustamentos significativos foram os seguintes:

<p n=17594>
Este relatório é elaborado em obediência ao n.o 1 do art.o 452 do Código
das Sociedades Comerciais e a alínea a) do n.o 1 do art.o 10.o do
Decreto-Lei n.o 519-L2/79 de 29 de Dezembro.

<p n=17595>
3.1-Acompanhamento da gestão da Sociedade, com esclarecimentos
solicitados e obtidos junto da Administração e dos Serviços.

<p n=17596>
A direcção do grupo parlamentar do PSD vai apresentar à Alta Autoridade
para a Comunicação Social queixa do PÚBLICO e da informação do 2º canal
da RTP. A notícia foi divulgada pela Rádio Renascença e as queixas
fundamentam-se na acusação de «manipulação de informação». Segundo a
Rádio Renascença, a direcção parlamentar do PSD ficou «indignada» com a
manchete do PÚBLICO da edição de 8 de Abril, em que era apresentado um
estudo prospectivo baseado na estrutura regional do voto de cada um dos
partidos e em que foram ainda considerados os cenários mais verosímeis
sugeridos pelas mais recentes sondagens. Segundo a notícia da rádio
católica, a direcção dos deputados sociais-democratas considerou, no
entanto, que as percentagens apresentadas na manchete - e que davam 43
por cento ao PS e 42,5 ao PSD como metas para alcançarem a maioria
absoluta - terão sido entendidas como resultado de uma sondagem.

<p n=17597>
N.D. - A intenção manifestada pela direcção do Grupo Parlamentar do PSD
de apresentar queixa à AACS contra o PÚBLICO é surpreendente e
reveladora. Surpreendente quando o objecto da queixa é um estudo
eleitoral que fora previamente enviado a um membro dessa direcção
parlamentar (Pacheco Pereira), que o comentou na mesma edição do jornal
em que foi publicado. Reveladora da concepção que a direcção dessa
bancada tem da liberdade de informar, quando os dois órgãos de informação
visados -- o PÚBLICO e a RTP2 -- não são suspeitos de estarem contra o PSD
ou de servirem os interesses de outras forças partidárias, possuindo,
antes, da informação uma noção não servil, não costumando confundir
notícias com propaganda e entendendo que os jornalistas não são meras
correias de transmissão das opiniões quer do poder quer da oposição.

<p n=17598>
A função pública continua a ser palco da incompetência dos responsáveis.
Na realidade, o que se está a passar com os oficiais administrativos
poderia, perfeitamente, servir de argumento para uma qualquer comédia a
levar à cena num teatro deste país.

<p n=17599>
-- Um 3º oficial com um mês de serviço na categoria e 17 anos de serviço
na função pública ganha mais de 18 contos do que outro 3º oficial com 8
anos na categoria e 20 anos de serviço na função pública.

<p n=17600>
«A percepção que se começa a generalizar nos meios jornalísticos de uma
contradição de interesses entre «jornalistas» e «políticos», os primeiros
querendo «revelar» e os segundos querendo «esconder», é típica de um
conflito corporativo por recursos escassos: neste caso o controlo da
informação.»

<p n=17601>
No dia 1 de Abril p.p., ouvi, na mesma televisão, um apresentador de um
concurso dizer que uma instituição bancária concedia crédito a
professores e outras vantagens e regalias. Dizia o apresentador: «Talvez
o senhor professor já não precise de dar tantas explicações para comprar
um computador...»

<p n=17602>
1 --  Acha que a visita do Papa João Paulo II a Portugal deve ser
assinalada com uma amnistia ou, simplesmente, com  indultos às infracções
fiscais e de trânsito?

<p n=17603>
2 -- Não pode haver amnistias individuais. Penso que qualquer amnistia que
seja concedida tem de ser de carácter genérico. Penso que uma amnistia
abrange os crimes independentemente da qualidade das pessoas que os
praticaram. Portanto, desde que se conceda uma amnistia, ela tem de
abranger todos os crimes nela previstos, independentemente da qualidade
das pessoas que os praticaram. Simplesmente, a determinação dos crimes a
serem amnistiados é que tem de ser feita com precisão.

<p n=17604>
As leis e o comportamento dos indivíduos nem sempre se conjugam na
harmonia de uma verdadeira justiça. Assim, não são os maiores criminosos
que estão na cadeia porque têm os meios mais poderosos que lhes permitem
actuar sem comprometimento directo, ao passo que indivíduos de passado
limpo e honrado correm o risco de ser presos por delitos insignificantes,
aos quais frequentemente são levados em situações de desespero, às vezes
empurrados por exigências legais pouco adequadas às realidades.

<p n=17605>
É por isso que se verifica com preocupação que não houve amnistia por
ocasião da reeleição do Presidente da República e se espera que o mesmo
não venha a acontecer com a visita do Papa -- dois acontecimentos que
tradicionalmente se assinalam, em Portugal, com a promulgação de
amnistias.

<p n=17606>
1. Fui ao correio da Venda Nova (Amadora) para saber do atraso de
documentos vindo de França. Não esperava uma resposta e muito menos uma
justificação.

<p n=17607>
Em Badajoz (e na Europa em geral), se é «self-service», a gasolina é
menos cara. Que bom ter por companheiros tantos expoliados e excluídos da
vida com um mínimo (só que fosse)... de qualidade.

<p n=17608>
Pois é. Os CTT (é assim que se «chamam» os Correios, ou já não é?), a
pretexto de melhorar os serviços, estão a «obrigar» os utentes a dobrar o
valor dos selos! (...) Eu explico:

<p n=17609>
No dia 2 do corrente mês escrevi 3 cartas (normais) -- uma para o Porto,
uma para Ovar, uma para Faro. A primeira chegou no dia 10. A segunda no
dia 12 e a terceira dois dias depois!!! Soube-o por telefone, claro. O
facto causou-me sérios prejuízos porque perdi a oportunidade de fazer um
trabalho importante, visto que a pessoa interessada arranjou quem o
fizesse, pensando que eu desistira.

<p n=17610>
Afinal que Igreja temos nós? A do cónego Melo ou a do padre Max? A do
padre João Seabra ou a do padre Mário de Oliveira? Haverá na memória de
Igreja um disco rígido, onde se conservam algumas verdades intemporais e
muitas disquetes flexíveis, prontas para todos os gostos?

<p n=17611>
Por estes mesmos dias, multiplicaram-se na imprensa reportagens e
comentário sobre temas de incidência religiosa. Foi denunciada a prática
antifeminista de um Banco onde dizem imperar a influência da Opus Dei.
Foram revelados critérios de censura interna na Rádio Renascença. Dá-se
por adquirida a atribuição de um canal televisivo à Igreja, na presunção
de que nenhum governo, em véspera de eleições, se arrisca a hostilizar os
meios católicos.

<p n=17612>
O PSD recusa a amnistia para os implicados no caso FP-25 de abril mas, em
contrapartida, apoia uma iniciativa de perdão de pequenos delitos
passíveis de penas até dois anos. A decisão foi tomada na reunião da
direcção do grupo parlamentar de ontem de manhã e será transmitida à
conferência de líderes da próxima semana. Com esta posição, os
sociais-democratas apoiam ainda a constituição de um grupo de trabalho no
âmbito da Assembleia da República que ficará encarregue de elaborar o
projecto de lei. «Se o grupo trabalhar em bom ritmo, o diploma poderá ser
discutido e aprovado na segunda semsana de Maio» depois da visista de
João Paulo II a Portugal, disse à Lusa uma fonte da direcção parlamentar
social-democrata. A mesma fonte acrescentou que a decisão de dar luz
verde a uma amnistia nos termos propostos não levantou qualquer
controvérsia.

<p n=17613>
Conforme a Lusa apurou, a recusa da bancada social-democrata poderá levar
a que o deputado Coelho dos Santos avance com uma reacção de forma a
pressionar o agendamento do seu projecto. Entre as possíveis atitudes a
tomar, Coelho dos Santos  poderá interpelar directamente o Presidente da
Assembleia durante o plenário da próxima semana. Isto porque cabe ao
Presidente do Parlamento decidir sobre os agendamentos dos diplomas que
devem ser levados à discussão.

<p n=17614>
Sem a presença de Jeremias Chitunda, o chefe da delagação da UNITA que se
deslocou à Jamba para conversar pessoalmente com Jonas Savimbi sobre o
evolução das negociações para a paz em Angola, as duas comissões
prosseguiram ontem, em Bicesse, os contactos bilaterais.

<p n=17615>
No final da primeira reunião do Conselho da República, na qual
participaram 51 dos 57 membros que o compõem, o advogado Diógenes
Boavida, o porta-voz do novo órgão, que foi ministro da Justiça no
primeiro governo após a independência, disse que Lopo do Nascimento «saiu
animado e convencido de que agora será possivel avançar para o
cessar-fogo».

<p n=17616>
« Grande parte da população dos países capitalistas vive melhor que os
habitantes das nações do Leste», reconhceu o líder do PCP, Álvaro Cunhal.
Esta afirmação foi proferida no decorrer de um debate organizado pela
célula da JCP do ensino superior, não tendo, no entanto, Álvaro Cunhal
posto em causa a viabilidade dos regimes socialistas. Pelo contrário,
defendeu terem sido «os erros» cometidos pelos dirigentes daqueles países
que inviabilizaram o tipo de sociedade que estava a ser implantada. Para
Cunhal criaram-se ali « classes dirigistas que se afastaram do ideal
comunista» levando « às derrotas a que assistimos nos últimos tempos no
Leste». O líder comunista afirmou, ainda, continuar ser
marxista-leninista, mas acrescentou não entender «essa teoria como
imóvel, como fizeram muitos dirigentes dos regimes socialistas que
caíram».

<p n=17617>
Um grupo dos cinco deputados negros do Partido Trabalhista inglês estarão
presentes em Lisboa num seminário sobre a «Participação dos cidadãos
portugueses de origem africana face ao desafio europeu, em 1992», marcado
para o próximo dias 27 e 28. Fernando Ká, presidente da Associação
Guineense de Solidariedade Social, o jornalista Leston Bandeira e  a
moçambicana Celeste Miranda integram a Comissão Organizadora,  que conta
já com o apoio da Fundação José Fontana. Os eurodeputados Maria Belo e
João Cravinho têm confirmada a sua participaão no debate, este último
enquanto descendente de africanos.

<p n=17618>
Murteira Nabo pode ser um dos trunfos de Sampaio para a refrega
eleitoral. Enquanto esta não chega, a polémica entre Carlos Lage (Porto)
e a comissão de listas está instalada. Ontem, mais uma acha -- sob a forma
de comunicado-- para a «fogueira».

<p n=17619>
A polémica resultante do processo de constituição das listas conheceu
ontem, ao final da tarde, um ponto alto com a emissão de um comunicado
subscrito por todos os elementos da comissão das listas, contestando as
declarações de Carlos Lage ao PÚBLICO, onde responsabilizava a direcção
nacional pela ausência de Fernando Gomes da lista de candidatos
portuense.

<p n=17620>
A direcção do grupo parlamentar do PSD vai apresentar à Alta Autoridade
para a Comunicação Social queixa do PÚBLICO e da informação do 2º canal
da RTP. A notícia foi divulgada pela Rádio Renascença e as queixas
fundamentam-se na acusação de «manipulação de informação». Segundo a
Rádio Renascença, a direcção parlamentar do PSD ficou «indignada» com a
manchete do PÚBLICO da edição de 8 de Abril, em que era apresentado um
estudo prospectivo baseado na estrutura regional do voto de cada um dos
partidos e em que foram ainda considerados os cenários mais verosímeis
sugeridos pelas mais recentes sondagens. Segundo a notícia da rádio
católica, a direcção dos deputados sociais-democratas considerou, no
entanto, que as percentagens apresentadas na manchete - e que davam 43
por cento ao PS e 42,5 ao PSD como mínimos para alcançarem a maioria
absoluta - terão sido entendidas como resultado de uma sondagem.

<p n=17621>
N.D. - A intenção manifestada pela direcção do Grupo Parlamentar do PSD
de apresentar queixa à AACS contra o PÚBLICO é surpreendente e
reveladora. Surpreendente quando o objecto da queixa é um estudo
eleitoral que fora previamente enviado a um membro dessa direcção
parlamentar (Pacheco Pereira), que o comentou na mesma edição do jornal
em que foi publicado. Reveladora da concepção que a direcção dessa
bancada tem da liberdade de informar, quando os dois órgãos de informação
visados -- o PÚBLICO e a RTP2 -- não são suspeitos de estarem contra o PSD
ou de servirem os interesses de outras forças partidárias, possuindo,
antes, da informação uma noção não servil, não costumando confundir
notícias com propaganda e entendendo que os jornalistas não são meras
correias de transmissão das opiniões quer do poder quer da oposição.

<p n=17622>
O Estatuto dos Objectores e o «desagravo» dos 16 mil casos pendentes não
chegaram a ser votados, mas a unanimidade partidária em torno da questão
foi expressa ontem na Assembleia da República. Face aos protestos da
oposição contestando o «tempo perdido» e a «mistificação da lei de 85», o
secretário de Estado da Juventude, Miguel Macedo, afirmou que «todos
tinham que assumir uma posição de humildade nessa matéria», já que a lei
de há seis anos tinha sido aprovada por unanimidade. «Foi uma solução que
falhou, dramaticamente falhou para 16 mil jovens». Lançando para o ar que
«é assim que se faz a democracia», afirmou que, nesta hora, estavam todos
«mais maduros para o debate desta matéria».

<p n=17623>
À excepção do CDS (que optou por uma declaração de voto, saudando a
aprovação da lei, ainda que colocando as reticências do «pendor
governamental» do Conselho Nacional de Objecção de Consciência), todos os
partidos disseram da «sua justiça». O PS optou, pela voz de José
Apolinário, por dar um tom juvenil e intimista à questão, dirigindo-se a
um amigo imaginário, «jovem objector», onde explicou que ficavam agora
resolvidos «casos como o do Carlos, o nosso amigo lá do bairro, que já se
arrastavam há dez anos». Entendendo fazer ligações com Outubro,
manifestou ao amigo que, apesar de tudo «com a malta não se brinca».

<p n=17624>
Delegações do PCP e da UDP voltam a encontrar-se na próxima terça-feira,
em princípio, para tentarem obter um acordo que viabilize a participação
dos democratas-populares nas listas da CDU para as legislativas.
Aparentemente, ambas as partes se mostram interessadas em chegar a
conclusões positivas, mas os conflitos do passado levam os dirigentes dos
dois partidos a revelar a maior prudência, quando se lhes pergunta se a
aliança está à vista.

<p n=17625>
A primeira reunião formal entre delegações dos dois partidos efectuou-se
em 19 de Março. Nela, o PCP fez-se representar pelo próprio Álvaro
Cunhal, que surgiu acompanhado por Domingos Abrantes; a UDP enviou Mário
Tomé, líder do partido, Carlos Santos e Luís Fazenda, ambos do
Secretariado do Conselho Nacional.

<p n=17626>
António Feu reafirmou ontem, mais uma vez, a sua «disponibilidade» para
se candidatar à presidência do PRD durante a próxima Convenção que vai
decorrer entre os dias 31 de Maio e 2 de Junho. De novo justificou a sua
decisão argumentando que Martinho já manifestou a intenção de abandonar a
liderança e Pedro Canavarro, outro potencial candidato, poderá não estar
habilitado a correr para a direcção dos renovadores, tudo dependendo da
decisão do processo disciplinar de que neste momento é alvo.

<p n=17627>
Na tomada de posse da COC, a qual é presidida por António Marques da
distrital de Leiria, Martinho em breves palavras considerou ir decorrer a
Convenção «num momento que não é o mais favorável» da história do PRD.
Isto porque a reunião terá como ponto único da agenda a discussão em
torno «da viabilidade do projecto renovador, enquanto estrutura
partidária». Mas, mesmo que por hipótese os militantes decidissem que o
projecto não deveria prosseguir, estatutariamente a dissolução apenas
poderia ser assumida numa outra Convenção expressamente convocada para
esse fim.

<p n=17628>
A JSD promove hoje e sábado um seminário intitulado «Os caminhos da
liberdade». As questões centrais que serão focadas respeitam ao
enquadramento do 25 de Abril no contexto mundial da época, ao possíveis
desenvolvimentos da política internacional e aos novos valores e desafios
que hoje se colocam às democracias. No texto de apresentação desta
iniciativa justifica-se o facto do ponto de partida para a discussão ser
precisamente o 25 de Abril ao afirmar-se que «o processo português de
transição democrática ganha nova relevância numa altura em que várias
sociedades nas mais díspares partes do globo, começam a desenvolver os
seus próprios caminhos de liberdade». A sessão de abertura conta com a
presença do ministro Couto dos Santos e do líder da JSD, Pedro Passos
Coelho. Entre os convidados constam, Nuno Rogeiro, Ledeny Atila,
presidente do FIDEZ da Hungria, Adriano Moreira, Durão Barroso, Carlos
Pimenta e Vasco Pulido valente, entre outros. Os moderadores dos quatro
paineis são Miguel Sousa Tavares, Vasco Rato, Rui Machete e Vicente Jorge
Silva. Na sessão de encerramento irá falar o ministro Laborinho Lúcio.

<p n=17629>
O actual encarregado do Governo de Macau, Luís Vasconcelos, defendeu um
apoio político mais claro do Executivo de Lisboa às autoridades do
território para fazer face às pressões da República Popular da China.

<p n=17630>
O CDS de Aveiro vai convidar Cruz Abecasis para nº 2 da lista de
candidatos a deputados por este círculo eleitoral, a qual  será
encabeçada pelo presidente da Câmara Municipal de Aveiro e dirigente
nacional do partido, Girão Pereira.

<p n=17631>
A comissão de Redacção da Lei Básica que vai vigorar em Macau a partir de
1999 está reunida em Pequim até ao próximo sábado. Dos temas já levados à
mesa de trabalho há destaque para a resolução de omitir no texto da lei a
consagração do Direito à Vida, particularidade que já tinha sido motivo
de debate na Assembleia da República, em Lisboa, quando foi ratificada a
revisão do Estatuto Orgânico de Macau. A referência ao Direito à Vida,
que ficou inscrita no Estatuto, pretendia constituir-se em precedente que
evitasse a extensão da pena de morte a Macau.

<p n=17632>
Os deputados portugueses estão prestes a dizer «sim» à deslocação a
Timor, aceitando passar por Jacarta. Deus Pinheiro concorda e as
reticências do PCP e do CDS não deverão bloquear um consenso. O PS ganhou
um inesperado protagonismo na questão ao levar ontem o assunto ao
plenário.

<p n=17633>
Este pressuposto acenta na convicção de que os deputados aceitarão passar
pela capital indonésia, condição que há meses tem vindo a bloquear um
acordo e que nos últimos dias foi alvo de uma inesperada abertura por
parte da AR. Se é certo que nem todos os partidos apoiam facilmente esta
flexibilização por parte de Portugal - caso do CDS e do PCP que temem as
consequências de uma visita dos deputados a Jacarta, por nela verem,
antes de mais, uma cedência portuguesa - a convicção crescente é de que
nem por isso o consenso relativamente à realização da visita deverá estar
comprometido.

<p n=17634>
O BCP não comenta a queixa apresentada a instâncias comunitárias pela UGT
e pelo Sindicato dos Bancários sobre discriminaçao sexista na admissão de
pessoal. Mas o Borges & Irmão, também alvo de acusação, já admite rever
os critérios de distribuição de lucros, para não prejudicar empregados do
sexo feminino.

<p n=17635>
O BCP é acusado de exercer, na admissão de trabalhadores, uma «severa
discriminação» entre homens e mulheres: «O Banco tem neste momento 2361
trabalhadores, dos quais só 16 são mulheres, o que significa uma
percentagem de 0,7 por cento, quando a média de mulheres no sector é de
28,7 por cento». Quanto ao BBI, continua o documento, está em vigor uma
norma regulamentadora sobre a distribuição de resultados pelos seus
empregados, «que, entre outras, penaliza as ausências motivadas pela
licença de parto, ignorando a protecção especial dada à maternidade pela
Constituição da República Portuguesa, pela lei 4/84, pelo Acordo
Colectivo de Trabalho para o sector bancário, e pelas disposições e
directivas comunitárias».

<p n=17636>
O PILOTO e o co-piloto do avião presidencial colombiano foram suspensos
por terem falhado duas vezes a aterragem no aeroporto internacional de
Miami, estado norte-americano da Florida, devido não saberem falar
inglês. O incidente, ocorrido terça-feira, provocou forte polémica sobre
as condições de segurança em que se efectuam as viagens do chefe de
Estado colombiano, César Gaviria. A aterragem do avião presidencial
colombiano provocou algumas perturbações no funcionamento normal do
aeroporto de Miami, apesar dos desesperados controladores aéreos tentarem
guiar o piloto. «Foi como passear na Sétima (uma das maiores avenidas de
Bogotá, capital da Colômbia) em contra-mão. Passavam aviões por todos os
lados», afirmou uma jornalista que acompanhava a comitiva presidencial.

<p n=17637>
UM HOMEM morreu ontem quando um«rocket» anti-tanque explodiu defronte da
sua residência em Manágua, capital dda Nicarágua, ferindo mais quatro
pessoas. Rosalio Centeno estava, aparentemente, a tentar desactivar o
«rocket» quando este explodiu, matando-o instantaneamente e destruindo
parte da sua pequena casa localizada na periferia de Manágua. A polícia
procura saber como é que o «rocket» caiu nas mãos de Centeno.

<p n=17638>
A responsabilidade episcopal deve ser pautada por um estilo sinodal, o
que supõe e exige uma adequada participação dos fiéis no governo da
diocese, disse em Braga D. Jorge Ortiga. O bispo auxiliar de Braga falava
no salão nobre da Universidade do Minho onde decorre o Congresso
Internacional Comemorativo do IV Centenário da Morte de D. Frei
Bartolomeu dos Mártires. Desenvolvendo o tema «O Ontem e Hoje da Reforma
Bartolomeana», D. Jorge Ortiga lembrou que Bartolomeu dos Mártires
«atribuiu à dimensão sinodal, em termos intelectuais e vitais, um
estatuto verdadeiramente fundamental».

<p n=17639>
O projecto de novo Código Penal, que está no Parlamento para a aprovação,
privilegia a multa em vez da prisão, consagra o trabalho comunitário como
pena alternativa e pela primeira vez na legislação portuguesa são
previstos os crimes de «tortura e tratamentos desumanos» e de «coacção
sexual». As revelações foram feitas por Manuel Lopes Rocha,
procurador-geral adjunto e um dos membros da Comissão de Revisão do
actual Código Penal, que interveio no seminário sobre «A Justiça das
Penas» promovido pela Universidade Internacional de Lisboa.

<p n=17640>
O carro vermelho, uma mulher como cúmplice e «intermediária», a morte
associada a situações de chantagem, a água como local de depósito dos
corpos. Sete anos depois, repetiram-se os elementos do crime de
assassinato atribuído a Pedro Infante Henriques de Oliveira, o autor
confesso do duplo homicídio de Braga, em que foram assassinados o
ex-chefe da polícia António Amável e a mulher, Glória Peixoto.

<p n=17641>
Pedro Infante, num «Spitfire» vermelho, vai buscá-la. Leva-lhe uma caixa
de «pastéis de Belém», de que ela gosta. E seguem para Monsanto. Ali, ele
dá-lhe um tiro. Amarra-lhe um peso no corpo e atira-a ao rio Tejo, no
cais de Alcântara.

<p n=17642>
Quando, hoje, George Carey for sagrado 103º arcebispo de Cantuária, o som
de espirituais negros tocados num sintetizador marcará o rompimento com a
tradição e anunciará uma era de evangelismo.

<p n=17643>
Durante a vigência do seu antecessor, Robert Runcie, a Igreja Anglicana
sofreu fortes divisões devido a questões ainda não resolvidas, como a
ordenação de mulheres e o estatuto dos padres divorciados e homossexuais.

<p n=17644>
O NÚNCIO apostólico em Lisboa, Luciano Angelloni, salientou que o Papa
desejava visitar as Ilhas dos Açores e da Madeira, durante um jantar que,
terça-feira, serviu para apresentar à Comunicação Social portuguesa
alguns aspectos da próxima visita de João Paulo II a Portugal.

<p n=17645>
A ligação existente entre a TSF-Lisboa e a Rádio Nova terminará no dia 15
de Junho, concluindo-se assim uma relação de mais de dois anos entre as
duas emissoras, durante os quais os noticiários da TSF eram «lançados»,
em directo, no Norte do país, através da antena da Nova.

<p n=17646>
O BCP não comenta a queixa apresentada a instâncias comunitárias pela UGT
e pelo Sindicato dos Bancários sobre discriminaçao sexista na admissão de
pessoal. Mas o Borges & Irmão, também alvo de acusação, já admite rever
os critérios de distribuição de lucros, para não prejudicar empregados do
sexo feminino.

<p n=17647>
O BCP é acusado de exercer, na admissão de trabalhadores, uma «severa
discriminação» entre homens e mulheres: «O Banco tem neste momento 2361
trabalhadores, dos quais só 16 são mulheres, o que significa uma
percentagem de 0,7 por cento, quando a média de mulheres no sector é de
28,7 por cento». Quanto ao BBI, continua o documento, está em vigor uma
norma regulamentadora sobre a distribuição de resultados pelos seus
empregados, «que, entre outras, penaliza as ausências motivadas pela
licença de parto, ignorando a protecção especial dada à maternidade pela
Constituição da República Portuguesa, pela lei 4/84, pelo Acordo
Colectivo de Trabalho para o sector bancário, e pelas disposições e
directivas comunitárias».

<p n=17648>
LOURDES PINTASILGO é uma das principais conferencistas da Semana Social,
iniciativa que decorre entre 25 e 28 de Abril, em Lisboa, promovida pela
Conferência Episcopal Portuguesa. A antiga primeira-ministra, que
abordará o tema «Desigualdades sociais: uma questão política», participa
deste modo, pela primeira vez desde que ocupou aquele cargo, numa
realização de vulto da Igreja Católica, o que poderá simbolizar a
re-aproximação da hierarquia católica a Pintasilgo.

<p n=17649>
O novo ministro do Ambiente, Carlos Borrego, participará igualmente na
Semana Social -- já depois de ter tomado posse do seu cargo -- mas como
animador de uma das sessões parciais. A dinâmica da iniciativa prevê,
depois da apresentação de cada conferência plenária, uma série de seis
debates parciais que aprofundarão o tema central a partir de enfoques
específicos.

<p n=17650>
O «SEMANÁRIO» aparecerá amanhã nas bancas com algumas alterações gráficas
de pormenor, assinalando a entrada de João Amaral para a direcção do
jornal, em substituição de Vítor Cunha Rego, que assumira o cargo em
1983. Alterações mais profundas serão introduzidas neste semanário já em
meados do próximo mês de Maio.

<p n=17651>
João Amaral, ex-administrador do «Independente», acumulará a função de
director com a de presidente do conselho de administração da Edipress, a
empresa proprietária do «Semanário».

<p n=17652>
A DERROTA da antiga direcção do Sinafe (Sindicato Nacional dos
Ferroviários de Estação, da UGT), encabeçada pelo social democrata Cruz
Luís, conduziu a mais uma tentativa de constituição de um sindicato na
área dos transportes, no caso concreto respeitando a sectores da CP. A
nova organização, o Sifa (Sindicato Independente dos Ferroviários e
Afins) já foi referendada junto dos ferroviários e os seus estatutos
deverão estar entregues no Ministério do Trabalho, para publicação.

<p n=17653>
Mas Henrique Graça apaziguou, nas suas declarações ao PÚBLICO, anteriores
dúvidas quanto à formação profissional: «Ainda não encontrámos pistas
sobre a formação profissional, porque temos uma empresa que nos apoia
nessa área. Só depois da formação concluída e das contas feitas será
possível chegar a conclusões».

<p n=17654>
Noventa por cento das divisas angolanas entram no país através do
petróleo. Este peso motiva um especial interesse pela Sonangol. E,
enquanto o caso da corrupção continua por esclarecer, surgem agora
acusações de que não é feito qualquer controlo sobre vendas e receitas.

<p n=17655>
Jorge Gouveia continua em Luanda, recebendo normalmente os seus
vencimentos e regalias correspondentes ao cargo que anteriormente
exercícia (de director de comercialização externa na Sonangol), sem,
contudo, estar a trabalhar. Lídia Quartim está ausente do país. Sobre os
dois pesa a proibição de abandonarem a capital angolana. Lídia teria
saído com algumas «conveniências influentes» sob alegação de estar a
necessitar de tratamento médico no exterior pelos maus tratos recebidos
na cadeia.

<p n=17656>
Foi em Alvalade que, na época passada, o FC Porto averbou a primeira das
duas derrotas (a outra foi em Belém), que, no entanto, não o impediram de
ser campeão. Esta época, porém, já com cinco empates e uma derrota,
perder com o Sporting significaria para os portistas uma quase renúncia à
revalidação do título, uma semana antes do jogo, talvez decisivo, com o
Benfica, nas Antas.

<p n=17657>
Hoje, em Alvalade, os portistas têm, ainda, uma outra grande vantagem: o
facto de o Sporting estar em vésperas de um fundamental compromisso
europeu, o que é sempre inibidor, podendo até levar Marinho Peres a optar
por uma formação de reservistas.

<p n=17658>
IVKOVIC (8) - Não é por acaso que o guarda-redes jugoslavo é  considerado
um dos melhores jogadores da Europa no seu posto. Ágil, elegante e,
sobretudo, muito seguro, ele é um dos esteios da equipa.

<p n=17659>
VENÂNCIO (6) - Com a experiência e o talento de Luisinho ao lado,
Venâncio tornou-se mais discreto e eficiente. E sobretudo, confiante.
Joga bem de cabeça, mas possui na marcação directa, a sua principal
capacidade.

<p n=17660>
Em Novembro de 1989, o Presidente francês, François Mitterrand, lançava a
ideia da criação de uma instituição bancária que tivesse como função
prestar apoio aos países da Europa de Leste que, entretanto, tinham
iniciado um ambicioso processo de reformas económicas com vista à
transição para a economia de mercado. Meio ano mais tarde, os 41
accionistas -- 39 países da Europa Ocidental e de Leste, mais os Estados
Unidos, Japão e Austrália e duas instituições europeias, a Comissão
Europeia e o Banco Europeu de Investimentos -- aprovavam os seus
estatutos. Depois, foi só acertar o calendário e suprimir pequenas
divergências; até que, no passado dia 15, o Banco Europeu para a
Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) era oficialmente inaugurado em
Londres, onde está instalada a sua sede.

<p n=17661>
Igualmente considerada como uma das principais prioridades do BERD é a
luta contra a poluição e pela protecção da natureza nos países do Leste
europeu. Logo na primeira semana de actividade avançou-se a ideia da
criação de um fundo especial de financiamento de programas para combate à
poluição e prestação de assistência técnica na protecção do ambiente. Uma
outra área prioritária traduz-se nos incentivos à iniciativa privada e
empresarial, na qual se incluem acções para o desmantelamento dos
monopólios, descentralização e privatizações das economias dos antigos
países socialistas.

<p n=17662>
1-- Envio da informação, por parte dos serviços, para as respectivas
delegações (junto de cada ministério): movimentos realizados no mês,
previsão dos compromissos para o mês seguinte, pedido de libertação de
créditos, projecto de orçamento, etc. Numa primeira fase, este envio
far-se-á por disquete.

<p n=17663>
4 -- Os serviços centrais têm acesso à base para consulta e actualização
da informação (através de terminais).

<p n=17664>
Unifer é o nome da empresa que vai resultar da fusão das duas maiores
fundições nacionais: Eurofer e Oliveira e Ferreirinhas. A liderar o
processo surge Jorge Ferreirinha, herdeiro de uma família com tradições
no sector. Com 59 anos, o empresário «começa de novo».

<p n=17665>
Sete anos mais tarde, os dois formam a EFI-Eduardo Ferreirinha e Irmão,
que ainda hoje existe em Santo Tirso. Em 1938, o Albano deixa a EFI para
apostar na Oliveira e Ferreirinhas (O+F) a convite do banqueiro Cupertino
de Miranda. Jorge Albano Ferreirinha havia feito, em 1936, um estágio na
Checoslováquia, onde adquiriu conhecimentos de ponta no sector. O antigo
dono do Banco Português do Atlântico convida-o a tomar conta de uma
fábrica siderúrgica abandonada por um grupo francês perto da praia de
Matosinhos e assim surge a O+F.

<p n=17666>
A Eurofer vai controlar 52 por cento e a Oliveira e Ferreirinhas (O+F)
irá deter 48 por cento do capital da Unifer -- a nova empresa de fundição
que será juridicamente formalizada dentro de dias, a partir da fusão das
duas maiores fundidoras nacionais. O capital social deverá ficar
estabelecido entre 2,8 e três milhões de contos e será admitido em bolsa
depois de autorizada pelo auditor-geral do mercado de títulos,
aproveitando o facto da O+F estar já cotada.

<p n=17667>
Jorge Ferreirinha, líder da Eurofer e futuro presidente da Unifer, disse
ao PÚBLICO que a nova empresa vai solicitar um apoio de mais de dois
milhões de contos ao programa de reestruturação da fundição, já que se
trata do «maior projecto» nacional neste domínio e que absorverá quase
metade dos cinco milhões de contos desta linha especial do PEDIP
(Programa Específico de Desenvolvimento da Indústria Portuguesa).

<p n=17668>
Faz estudos de projectos de telecomunicações, instala sistemas e 
comercializa equipamento. Surgiu há três anos e espera facturar em 1991
cerca de 2,2 milhões de contos. A empresa chama-se PTC e o seu
presidente, Filipe Sardinha, conta a história de como o negócio cresceu.

<p n=17669>
Formalmente constituída em 1988, ainda durante o mandato de Viana
Baptista, como presidente dos então CTT-TLP, a PTC estava apenas
vocacionada inicialmente para estudos de projectos de telecomunicações.
De fora, ficavam áreas como a instalação de sistemas e comercialização de
equipamentos. Apresentadas as vantagens que adviriam de uma possível
alteração de estatutos e afastadas algumas reticências surgidas então,
Viana Baptista deu luz verde ao projecto, hoje encarado como a chave do
sucesso da empresa.

<p n=17670>
A procura de bens de equipamento apresentou valores baixos no primeiro
trimestre. A explicação está no facto de as taxas de juro para operações
activas se manterem elevadas, contrariando a melhoria das expectativas
dos empresários. Enquanto isso, o nível ainda elevado da inflação reduz a
margem de manobra do Governo.

<p n=17671>
Em termos reais, esta evolução significa que elas continuaram,
entretanto, a subir. Deste modo, não é de estranhar que quer a procura de
bens de equipamento dirigida à indústria quer a dirigida ao comércio por
grosso tenham apresentado valores particularmente baixos durante o
primeiro trimestre. A apreciação dos empresários sobre este tema parece
ser consensual. Já os resultados das importações de máquinas em Janeiro
haviam fornecido idêntica leitura. Apenas o subsector da construção
ligado às Obras Públicas parece ter mantido um nível razoável de
actividade durante o primeiro trimestre. É o que sugerem as opiniões
recolhidas pela AECOPS no seu inquérito de conjuntura.

<p n=17672>
A cada vez mais notada presença de estrangeiros começa a perturbar um
grande número de espíritos. Não que não estivéssemos já habituados à sua
presença. Desde há muitos anos que enchem de colorido as nossas praias e
de divisas os cofres do país, sem que ninguém se tivesse sentido
particularmente incomodado com o facto. Incomodados só com uns tantos,
felizmente poucos, indesejáveis turistas «de pé descalço», que gostam de
ocupar espaço e teimam em gozar à borla o sol português, acabando por
afastar os «verdadeiros» turistas, os que deixam divisas.

<p n=17673>
Mas, com o inevitável comprometimento internacional de Portugal e da sua
economia, a salvaguarda de direitos e valores já não pode ser feita
fechando a porta aos invasores. Só fazendo com os nossos recursos melhor
do que os outros estaremos em condições de os manter em mãos nacionais.
Talvez seja preferível não perder mais tempo, encarar de frente o nosso
atraso e aproveitar os estrangeiros que já cá estão para aprender a fazer
mais e melhor.

<p n=17674>
De todos os produtos fabricados e comercializados pela Lever em Portugal,
os que são utilizados na lavagem da roupa (à máquina ou à mão) constituem
o primeiro mercado da multinacional, respondendo por 40 por cento do
volume total de produção (em toneladas). Os efeitos do regresso do Tide,
famoso nos anos 50 como patrocinador das radionovelas, ao mercado
nacional não são ainda quantificáveis para a Lever. «Não há ainda dados
frescos», justifica o director da multinacional holandesa para a área dos
detergentes, Guy Velu, «mas em Setembro já será possível dispor de
números.»

<p n=17675>
De acordo com os responsáveis da Lever, o lançamento do Radion, no ano
passado, tratou-se mais de uma operação estratégica para reforçar a
posição concorrencial do que de um meio para melhorar os lucros. «O nosso
lucro numa tonelada de Radion não é superior àquele que obtemos na mesma
quantidade de Skip», afirma o director da Lever. Em termos de mercado, o
Skip responde por 60 por cento das vendas, enquanto o Radion, por
enquanto, apenas contempla 20 por cento.

<p n=17676>
A actividade cresceu de forma menos intensa durante o primeiro trimestre.
Dizem-no os empresários e a evolução já conhecida para o comércio
externo. Mas como o seu nível era bastante elevado no final do ano
passado e o desemprego permanecia baixo, o alto nível da inflação, que
desencoraja as descidas das taxas de juro e a realização de investimento,
surge como o factor mais preocupante na conjuntura actual. Quem ganha com
as actuais taxas de juro é o escudo, que continua a valorizar-se.

<p n=17677>
Desemprego -- O nível de actividade até ao final do ano passado deverá ter
sido suficiente para manter o desemprego num nível baixo. Apesar de as
informações recolhidas junto dos centros do Ministério do Emprego
apontarem para um menor dinamismo do mercado durante os dois primeiros
meses de 1991, e de as expectativas dos empresários acerca da sua
evolução propiciarem uma leitura semelhante para o conjunto do primeiro
trimestre, o inquérito ao emprego do INE revela uma taxa de desemprego
abaixo dos seis por cento durante o quarto trimestre do ano passado.

<p n=17678>
Uns quantos zeólitos, bem misturados com os componentes activos, ou então
«tetra acetil etileno diamine», vulgo TAED, um pozinho aqui, um
catalisador ali, e já está! Todos os dias, no mundo inteiro, milhões de
donas de casa manobram sem dificuldades de maior todos estes palavrões da
química. Longe vai o tempo das lavadeiras de Caneças, esfregando com
afinco e saber o sabão na roupa suja, lavada na água fria, da ribeira.
Vivemos nos anos do detergente e caminhamos a passos largos para a era do
detergente inteligente.

<p n=17679>
Com os pós modernos, os ácidos gordos adquirem nomes mais sofisticados e
muitas inovações foram, dos anos 30 a esta parte, sendo introduzidas. Um
detergente tem entre dez e 20 diferentes ingredientes, desde químicos que
visam proteger a máquina de lavar a roupa até enzimas e agentes
anti-sujidade cuja primeira função é limpar. A título de exemplo, as
enzimas são responsáveis pela decomposição das manchas que contêm
proteínas (sangue e leite, por exemplo) e lípidos (manteiga, azeite),
enquanto os policarboxilatos ajudam a dispersar a sujidade, mantendo-a
afastada dos tecidos na água de lavagem.

<p n=17680>
No 90º Aniversário da Sociedade Nacional de belas-Artes, uma exposição do
espólio do pintor, ali depositado, faz o sentido de uma homenagem
merecida a quem surgiu como figura tutelar da instituição. Mas já não é
tão claro que os herdeiros mereçam a herança.

<p n=17681>
Desta situação de «suspensão» é alias testemunho a própria exposição que
comemora o aniversário. As soluções de apresentação e montagem das peças
provocam as maiores dúvidas relativamente à salvaguarda e tratamento do
espólio herdado. Os «passe-partout» não sugerem ter o grau de acidez
requerido para expor desenho, os vidros são encostados directamente aos
papéis, estes são colados aos vidros com fita-cola dupla (para mais
cortada sem qualquer cuidado). Os «passe-partout» são de um verde-seco
uniforme que por vezes se confunde com a cor dos próprios superfícies
desenhos, a luz é geral e deficiente, mas também a concepção de montagem
em vez de promover o intimismo de uma aproximação individual a cada peça
deixa aberto o vastíssimo espaço do Salão que é apenas dividido por um
«corredor» central e pontuado por uma cenografia de plantas sem porte e
por vitrinas onde segundo um critério correcto mas com inexplicáveis
lacunas se dispõem sem comentários catálogos históricos da casa. Outra
vitrina mostra um albúm de desenhos técnicos de Silva Porto datados de
França (traçado e aberto sem cuidados). Uma aguarela, montada numa
moldura original e colocada num cavalete novinho (o que não reproduz
nenhuma das condições originais da sua feitura e apresentação) é
enquadrada por um «passe-partout» de cartolina mal cortada e que esconde
os limites do papel.

<p n=17682>
No Porto, inicia-se a 10ª edição do «Fazer a Festa» - Festival de Teatro
para a Infância e Juventude: O Bando apresenta, na Junta de Freguesia do
Bonfim, às 15h30, a peça «Afonso Henriques», de João Brites; às 19h, no
Rivoli, um concerto pelo grupo de Música Instrumental «Os Gambozinos»,
gigantones e cabeçudos, e a inauguração de uma exposição de cartazes
sobre os 10 anos do festival.

<p n=17683>
Scorsese na Cinemateca: às 18h30, o inédito «American Boy: a Profile of
Steven Prince», um dos filmes daquilo a que se chama o «álbum de Martin
Scorsese»; às 21h30, um dos seus grandes filmes, «O Touro Enraivecido».

<p n=17684>
O número abre com uma iniciativa corajosa. Retomando uma das funções que
actualmente se atribuem à crítica, a saber, a de propôr novas orientações
para a arte, Rui Mário Gonçalves lamenta a imitação irreflectida que,
segundo ele, por cá se faz dos modelos estrangeiros, em vez da arte
enraizada na introspecção dos modelos históricos nacionais. Posto isto, e
além do projecto de artista, uma iniciativa importante que Artes &
Leilões tem prosseguido e que neste número cabe a António Viana,
assinale-se a reportagem de José Sousa Machado sobre o polémico projecto
de feira de arte em Portugal, em que diversos galeristas dão o seu ponto
de vista sobre o certame e as condições do mercado de arte em Portugal;
e, sobretudo, o dossier consagrado à obra de Julião Sarmento. Este
artista, sem dúvida uma das figuras de proa da geração revelada durante a
década passada, é entrevistado por Alexandre Melo, e a sua obra sobre
papel de 1981 a 1985 objecto de uma análise exaustiva e rigorosa feita
por João Pinharanda. Além das notícias sobre leilões nacionais e
internacionais, três artigos menos aprofundados: de Margarida Bon de
Sousa, «Como existem mãos que à terra em prendem», acerca da recente
exposição de papagaios de papel no CAM, de Carlos Barroco «A cor dos
trópicos», um apontamento sobre a actividade artística em Cabo Verde, e,
de Gail de Avillez, «L' Artiste Maudit (Egon Schiele)», onde se tenta
manter uma correlação, sempre arriscada, entre a obra de um artista e a
imagem romântica do homem maldito.

<p n=17685>
Quando surgiu, em 1968, «Myra Breckinridge» integrou a lista das obras
consideradas «escandalosas». As vozes indignadas subiram um tom para
dizer que só tinnha sexo, violência, corrupção e dinheiro. Tem isso tudo,
claro, mas como numa fábula: Myra é uma heroína arquetípica, e, ao mesmo
tempo, é o sonho do autor de subverter a divisão social
masculino/feminino.

<p n=17686>
Alberoni tenta responder a perguntas eternas: quem somos, para onde
vamos, de onde viemos. O resultado é um equívoco: embora o autor tente
situar-se na área da sociologia, instala-se numa espécie de discurso
mítico, e num universo fechado de explicações circulares.

<p n=17687>
P. -- No programa da temporada do São Carlos são comummente apresentadas
como co-produções situações muito diferentes: o que basicamente é a
importação do espectáculo, caso do «Rinaldo» de Haendel, na produção do
Teatro de Reggio Emilia; a sua recriação «in loco», caso de «O Amor das
três Laranjas», que, sendo uma produção exterior, é remontado no São
Carlos com um elenco constituído sobretudo por elementos do teatro; a
presença integrada num projecto de produção, caso de «O Rapto no
Serralho», dirigido por John Eliot Gardiner, num ciclo de óperas de
Mozart feito em co-produção com o Châtelet de Paris. Em função de que
necessidades e estratégias se estabelecem estes diferentes tipos de
produção?

<p n=17688>
Na história do jazz há dois instrumentos que falam francês -- o violino e
a guitarra. Com Django, toda a crónica das cordas ganhou sensualidade
estética; com Grappelli, o violino conheceu o triângulo da sofisticação,
jovialidade e limpidez. Desde então, não há guitarra em mãos gaulesas que
ignore a sedução «manouche» nem corpos capazes de indiferença às linhas
vocais do swing aveludado destilado por Stephane.

<p n=17689>
Em Bireli Lagrene (mais uma estreia portuguesa) qualquer memória mediana
identifica a matriz que o alimenta; mas só ouvido descuidado lhe reduzirá
a voz a um eco estático da imagem do avô Reinhardt. Menino-prodígio
(primeiro disco aos 14 anos -- «Routes To Django»), Bireli já foi vizinho
de palco de muitas das maiores guitarras (McLaughlin, DiMeola, Lucia,
Coryell-Metheny) e, como manda a tradição das tentações universais, não
resistiu a colher na seara da fusão (repetindo, na guitarra, o percurso
de Ponty e Lockwood no violino). Mas, verdade «oblige», não há gesto de
segador capaz de imitar a generosidade da alma do lavrador -- e é quando
colhe a semente lançada à terra por Django que saboreia os melhores
frutos. Razão que leva o coração a não esquecer a sonoridade «cigana» de
«All the Things You Are» e a lembrar «Impressions». A valsar «Made in
France» e a cantar «Acoustic Moments».

<p n=17690>
A «Interview» faz valer o nome que tem. Fala com Joni Mitchell, «a Garbo
da `folk music'», com William Burroughs, um dos expoentes da «beat
generation», e Jennifer Jason Leigh, a actriz de «A Última Saída para
Brooklyn». A capa também anuncia «o Bronx com Mickey Mantle», embora lá
dentro não exista o que quer que seja do bairro a norte de Manhattan.

<p n=17691>
Semelhante programa remete-o primeiro para o situacionismo françês e o
movimento dada, a partir daí sugerindo-lhe toda uma rede de remetências
que o conduzem ao longo de quase quinhentas páginas, não tanto a refazer,
mas a produzir uma história alternativa, marginal às histórias «oficiais»
do século XX. Obviamente, o seu plano deriva de uma redefinição da
própria noção de história, que reindivica a ampliação do seu domínio para
além das guerras e revoluções, dos acontecimentos mensuráveis e sobretudo
das suas noções correntes de tempo e evolução, afim de abarcar momentos
efémeros, que despontam e morrem sem deixar marcas, mas que na sua
descontinuidade têm uma relação não tanto genealógica, mas de ar de
família entre si. Admitindo esta reforma da noção, Marcus fica assim
autorizado a fazer entrar na história o punk e a conjecturar-lhe as
afinidades com precedentes correntes de vanguarda artística, para chegar
à conclusão que o poder dos Pistols e de «Anarchy In The UK» reside na
sua negação de todos os factos sociais, cujo reverso da medalha é a
afirmação de todas as possibilidades, traço recorrente com nuances
noutros episódios marginais à história, dos herejes medievais aos
situacionistas. É um desejo de absoluto a que a realidade não tem meios
de responder, de modo que só pode nascer e morrer por instantes, o que
faz com que Johnny Roten, ex-vocalista dos Pistols, seja hoje uma estrela
pop que não consegue que os fans esqueçam os seus precedentes, ou que o
cabecilha dos situacionistas Guy Debord esteja desde Maio de 68 a
escrever sobre o passado.

<p n=17692>
Quando os galos aparecem na capa da Lire, já se sabe: são os primeiros
passos do Campeonato de Ortografia que se estão a dar, uma iniciativa que
congrega ministérios, empresas e vários órgãos de comunicação social, que
reúne partipantes de 162 países e que só em Abril do próximo ano será
concluída com uma superfinal na sede das Nações Unidas nos EUA, o que
acontece pela primeira vez na história da francofonia. (Uma ideia que,
para uma língua em expansão como a portuguesa, poderia ter pernas para
andar se entretanto não se perdesse tanto tempo a discutir o sexo do
Acordo Ortográfico. Adiante.)

<p n=17693>
A Nice foi Pierre Assouline entrevistar Le Clezio, a propósito do seu
mais recente romance, o 25º!, «Onitsha», a história (autobiográfica) de
Fintan, uma criança de sete anos, que, a bordo de um velho cargueiro da
Holland Africa Line, vai ao encontro do seu pai. O destino é o continente
africano, um lugar que diz, o escritor, «antes de ser real, é uma lugar
carregado de sentimentalidade». Uma entrevista que, ou muito me engano,
será citada em futuras ocasiões...

<p n=17694>
O artigo «Tempos Reencontrados» publicado no último «Fim de Semana» saiu
substancialmente truncado, desvirtuando a intenção de cobertura integral
do álbum «Les Introuvables du Chant Mozartean». Publicam-se, a seguir, os
extractos omitidos. Aos nossos leitores e ao nosso colaborador Luis
M.Alves apresentamos as nossas desculpas.

<p n=17695>
(Das intérpretes de Constanze, registe-se a afinação errática de Lili
Lehmann em «Ach, ich liebte»), para quem é cruel a comparação directa, na
mesma ária, com a desenvolta emissão e sensibilidade expressiva de Maria
Németh, com a sobranceira agilidade de Maria Ivogün em «Marten aller
Arten» ou, ainda mais, com o empolgante espectro emocional de Margherite
Perras em «Welcher Kummer». Enfim, dois formidáveis intérpretes de Osmin:
Ludwig Weber, recusando (qualquer tentação de «buffoneria» no fraseio
...).

<p n=17696>
A escrita ensaística de Óscar Lopes, em evolução desde o princípio dos
anos 50, já vai carecendo de uma reavaliação crítica global, ainda que
seja sintoma de vitalidade o facto de continuar a fazer-se um uso,
digamos, instrumental, dos estratos sobrepostos que a compõem: uma
interpretação da história da cultura portuguesa (especialmente da sua
componente literária); um diálogo aberto e tenso com os universos
teóricos contemporâneos, a partir de uma posição de base marxista; e um
modo, ao mesmo tempo instável e consistente, de conceber o literário e a
relação crítica com os textos da literatura.

<p n=17697>
A escrita ensaística de Óscar Lopes, em evolução desde o princípio dos
anos 50, já vai carecendo de uma reavaliação crítica global, ainda que
seja sintoma de vitalidade o facto de continuar a fazer-se um uso,
digamos, instrumental, dos estratos sobrepostos que a compõem: uma
interpretação da história da cultura portuguesa (especialmente da sua
componente literária); um diálogo aberto e tenso com os universos
teóricos contemporâneos, a partir de uma posição de base marxista; e um
modo, ao mesmo tempo instável e consistente, de conceber o literário e a
relação crítica com os textos da literatura.

<p n=17698>
Rostnikov é um detective moscovita, a braços com o sub-mundo de Moscovo e
com o KGB. Tão russo como a Praça Vermelha, acaba por se tornar ele
próprio um bom alvo.

<p n=17699>
Um dos melhores escritores americanos contemporâneos. Divertido, irónico
e pessimista. A história de Joe Starling entre as duas mulheres que se
interessam por ele de maneiras diferentes.

<p n=17700>
Obras de Monteverdi, Schütz, Lully, Purcell, M.A.Charpentier, Couperin,
Vivaldi, J.S.Bach, Haendel, Rameau

<p n=17701>
O desafio que Francesco Alberoni lança a si próprio na sua última obra --
«Génese» -- é este: responder em 600 páginas às seguintes perguntas: «Quem
somos nós, gente do Ocidente, indivíduos e colectividade? De onde vimos e
para onde vamos?» O título remete claramente para referências
arquetípicas e acaba por ilustrar bem o resultado final: uma espécie de
mito de origem, uma saga da civilização ocidental, onde o desfiar do
verbo se afirma como um substituto do real, confirmando que qualquer
discurso explanativo, quando uno, abrangente, totalizante e
auto--suficiente, é sempre um discurso mítico. E que a adesão a esse
discurso é apenas uma questão de fé.

<p n=17702>
É a primeira edição europeia da New York Review of Books, em associação
com o Gruppo Editoriale Fabbri, e saiu este mês o nº1. Vai ser mensal, e
chama-se «La Rivista dei Libri». Com um grafismo diferente -- desenhos
maiores, títulos centrados em fundo cinzento -- recupera textos da
N.Y.R.B. e introduz outros, continuando a privilegiar o ensaio --
literário, político, social, artístico -- e apresentando-se como «uma
revista de ideias, de comentário, de reflexão». Para inaugurar, Umberto
Eco pensa a guerra: anuncia que é a Guerra, com maiúscula, Guerra quente,
por explícito consenso das nações. Oliver Sacks retoma, teoriza e
desenvolve uma parte das suas experiências neurológicas que o filme
«Despertares» divulgou. Naipaul escreve sobre «A Nossa Civilização
Universal» -- a partir do seu ponto de vista, que se afirma da periferia
para o centro. Franco Cardini, professor de História Medieval na
Universidade de Firenze, inaugura o número com um artigo sobre o ano mil.
Octavio Paz ocupa-se da Arte no México antigo. Não vale a pena reescrever
o sumário -- basta dizer que a edição italiana leva tanto tempo a ler como
a outra. Nisso não progrediram. A assinatura custa L. 100.000, a remeter
a F.S.M. Divisione Editoriale, Corso Novara, 99, 10154, Torino.

<p n=17703>
A quarta edição da tradução de José Rodrigues Miguéis, com um prefácio de
José Rodrigues Miguéis. nesse prefácio -- convenientemente intitulado
«Scott Fitzgerald ou a Autodestruição Criadora» -- J. R. Miguéis cruza a
biografia de Fitzgerald com os romances, particularmente com este, com
Fitzgerald desdobrado em Carraway, o narrador, e Gatsby: «os dois lados
da natureza de Scott: o `padre frustrado', que sempre disse ser, e o
Trimalquião». Notando que que nisto não vai nem «sátira cruel nem
maldade, mas apenas a ironia diante do vulgar e do romanesco». Com ou sem
interferência biográfica, «O Grande Gatsby» continua (ainda) a ser
considerado um dos grandes romances contemporâneos.

<p n=17704>
Desconcertante Stephen Frears! Depois do sucesso de «A Minha Bela
Lavandaria», «Prick Up Yours Ears» e «Sammy and Rose Get Laid»
confirmaram-no como chefe de fila do realismo britânica da era Thatcher,
mas, no último filme, eram já visíveis os sinais de esgotamento.
«Ligações Perigosas» correspondia a estereótipos da produção
internacional, com suporte e intérpretes americanos para uma obra
culturalmente europeia. Com o seu primeiro filme inteiramente americano,
«The Grifters», podia supor-se que ele voltava à ambiência de filmes
anteriores, como «Gumshoe» e «The Hit». Mas as classificações têm pouco
sentido. Fazedor em filmes das histórias de outrem, como reconhece, nem
por disso deixa de ter traços constantes, mas também de mostrar uma
persistente irregularidade, em que «The Grifters» é um dos pontos mais
altos.

<p n=17705>
R. -- Não, mas achei muitíssimo interessante, eles trataram-me muitíssimo
bem e senti-me eu próprio. Quando alguém faz um filme em Inglaterra,
sente-se normalmente como um «freak», um marginal, enquanto fazer filmes
em Los Angeles parece absolutamente natural, como se dissessem: «Aqui há
uma indústria, uma fábrica, e você fica aqui muito bem. Você é realizador
de cinema e isto é um lugar onde se fazem filmes.» Ao passo que, em
Inglaterra, se diz: «Você é um realizador de cinema mas nós aqui não
fazemos filmes. Portanto, vá-se embora.» É por isso que, em certo
sentido, a América é bastante mais acolhedora do que poderia esperar. Eu
não tive ainda nenhuma má experiência. Tenho a certeza de que, se as
coisas me tivessem corrido mal, viria embora a correr como qualquer outra
pessoa, mas tenho sido muito bem tratado, têm sido muito amáveis. Pareço
uma criança, acho essa liberdade muito revigorante. Mas também é um
processo muito complicado, uma vez que estamos a fazer um filme sobre
sociedades sobre as quais nada sabemos. Sei mais da América pelo cinema
que pelos sítios reais, o que é bastante complexo.

<p n=17706>
Nos policiais-tipo-mistério o que interessa é o enigma, nos
policiais-série-negra é a maldade: inunda tudo e depois  integra-se no
ambiente, é a própria atmosfera, o cenário. O primeiro nome, para sempre,
é Dashiell Hammett.   Chandler continuou. À maneira dele. Jim Thompson
foi o «looser» transformado em autor-culto. James Ellroy -- o
contemporâneo mais surpreendente, a ler já, foi agora traduzido -- tem a
crueldade, a lucidez e a violência dos desesperados.

<p n=17707>
Dez anos antes, quando Mencken e G.J. Nathan criaram o "pulp magazine"
«Black Mask», as histórias que lá se publicavam eram westerns, aventuras,
terror, mistério, detectives. Tudo géneros que acreditam em Deus. No
final dos anos vinte, Joseph T. Shaw transformou "Black Mask" numa
revista de histórias de detectives, e publicou as primeiras daquelas que
são da série negra. Do  lado do mal. Publicou, aliás, as primeiras de
Dashiell Hammett. E publicou C. J. Daly, Raoul Whitfield, depois Chandler
e Horace McCoy. Sam Spade e Philip Marlowe mais as célebres frases
incisivas deles atravessaram "Black Mask", feita num papel que nem sequer
era para durar, mas que passou à posteridade. Chandler, o mais teórico,
explicou as diferenças entre policial e «negro»: "A base da história
policial 'standard' era, e há-de ser sempre, que o assassínio seja
esclarecido, e que se faça justiça. As bases técnicas consistiam na
relativa insignificância de tudo, exceptuando o desenlace final. Aquilo
que conduz ao desenlace é mais ou menos um trabalho de ligação. O
desenlace justifica tudo. Em contrapartida, a base técnica das histórias
tipo "Black Mask" dava mais importância ao "décor" do que à intriga, no
sentido em que uma boa intriga é aquela que dá para boas cenas. O
mistério ideal passava a ser aquele que se podia ler, mesmo que lhe
faltasse o fim. " É o célebre texto "A Simple Art of Murder", de 1950. As
histórias tipo "Black Mask" são mais cinematográficas que as outras:
poupa-se na extenuante (e inglória, feitas as contas) tarefa de fazer
intriga para se chegar ao desenlace. A pergunta pode continuar a ser quem
matou?, mas a gravidade da resposta dilui-se pelo caminho. Os outros
detectives acreditam que há Bem e Mal, por causa da Razão. Isto é ter a
convicção de que existe uma ordem no universo, é acreditar em Deus. E
eles estão lá como se fossem Deus, enquanto meditam para resolverem o
mistério. Os detectives do policial «negro» não. Podem representar em
`part-time' o papel de Deus, mas não é a partir da Razão, nem do
princípio da ordem: acreditam fundamentalmente nas relações de força. A
justiça que repõem não é universal, é pessoal. Podem salvar ou castigar,
mas trata-se sempre de uma relação de forças. O castigo final é
importante, normalmente está lá no sítio dele, que é no fim, mas é uma
espécie de suporte de operações mais vastas. Muito mais empolgantes.
Muito mais assustadoras.

<p n=17708>
Brigid, Laura, Gilda, Elsa, Paula, Kathie, Phyllis, Martha. A estes nomes
arquétipos de mulheres «fatais» do cinema «negro» clássico junta-se agora
o de Lilly. E às suas intérpretes, Mary Astor, Gene Tierney, Rita
Hayworth, Janis Carter, Jane Greer e Barbara Stanwick, o de Anjelica
Huston. Mais, num invulgar poder de síntese, Anjelica concentrou numa só
figura toda a mitologia que o género criou na década prodigiosa de 40. Só
isso bastava para que lhe caíssem no regaço todos os Óscares do mundo.
Não o quis a Academia, que também não deu, 50 anos antes, o do melhor
argumento a seu pai, John Huston, em «Relíquia Macabra». Pai e filha
deixaram o nome ligado ao aparecimento de um género e à sua renovação,
não pelo mero acaso de um filme mas numa evolução que os leva a
encontrarem-se em «A Honra dos Padrinhos», onde a personagem de Anjelica
é já, em embrião, a de Lilly.

<p n=17709>
Será o «negro» hoje a outra face do sonho que a geração dos «movie brats»
trouxe para o cinema americano? Na verdade, esta faceta sombria não se
encontra apenas nos filmes deste género reencontrado. Ela percorre
subliminarmente, quando não se afirma de forma aberta, todo o cinema
contemporâneo, mesmo nos filmes dos «movie brats» que vieram, com as suas
constantes referências cinéfilas, desorientar os que procuram em todas as
novas manifestações do cinema uma explicação sociológica. É difícil,
porém, torneá-las. Pois não se poderia ver também, nesta recuperação da
«mulher fatal» como tema de um género, a mesma reacção inconsciente do
homem perante a afirmação do desejo feminino que vem pôr em causa toda
uma série de ideias em que se apoia a sociedade patriarcal? Nos anos 40,
estes filmes em que a mulher é a «viúva negra» devoradora e inibidora da
vontade masculina surgem no momento em que ela começa a ocupar os mais
diversos lugares na produção, substituindo os homens em combate, e têm a
sua fase mais importante aquando do regresso dos combatentes,
perturbados, diminuídos e... substituídos, acompanhando a recessão do
trabalho feminino e o regresso ao lar. O cinema «negro» poderia ser pois
uma espécie de exorcismo culpabilizando a mulher pela situação. Apesar
dos progressos e das transformações sociais em que as últimas décadas
foram pródigas, a situação não será hoje, talvez, muito diferente. Pelo
menos na parte que toca a uma reacção visceral e inconfessada do homem
diante da promoção da mulher. Mais uma vez, esta é transformada em «viúva
negra» e paga por todos os ressentimentos. Também para ela, no cinema, o
carteiro bateu de novo, gerando, também, o susto do outro lado da porta.

<p n=17710>
Se «História de Gangsters» nos trazia a atmosfera do cinema «negro» com
subsídios da mitologia do «gangster», «Anatomia do Golpe» retoma-o na sua
forma mais pura. Dois mestres da série «negra», Jim Thompson e Donald
Westlake, estão na sua origem e a «mulher fatal» encontra o seu arquétipo
absoluto e moderno na figura de Anjelica Huston.

<p n=17711>
Como «História de Gangsters», «Anatomia do Golpe» é menos uma
«recuperação» dos modelos do filme «negro» do que uma «reinvenção». Já
não se trata de exigir do espectador o conhecimento prévio das mitologias
de um género, fórmula pacífica e cómoda dos cineastas da «nostalgia» dos
anos 80. Trata-se agora de criar um novo «corpo de referências» que
assume a herança histórica mas que dela não é tributária. Será simplista
ver na figura de Angelica apenas uma projecção da Barbara Stanwick de
«Pagos a Dobrar». Aliás, é Clara Calamai na versão de Visconti de «O
Carteiro Bate sempre duas Vezes» que Frears insistiu que a actriz
estudasse (ver entrevista com o realizador). Tal como é redutor procurar
em Annette Benning apenas um sucedâneo da Gloria Grahame (principalmente
em «Corrupção» de Fritz Lang). O que ambas fazem, tal como John Cusack (e
não é de mais destacar a fabulosa direcção de actores de Stephen Frears),
é reinventar esses personagens e colocá-los nos novos rumos abertos pelo
cinema.

<p n=17712>
O cinema negro parece estar em fase de renascimento. Depois de um período
de indecisão, uma série de filmes retomam as regras e os arquétipos que
fizeram dele um dos géneros mais originais da história do cinema. Mas se
o «criminoso volta sempre ao local do crime», desta vez tem a habilidade
de não deixar as mesmas pistas. É um cinema novo e não a memória do
passado que ressurge. Quem disse que o «crime não compensa»?

<p n=17713>
Esta influência mútua de cinema e televisão já vem de longe. «Highway
Patrol» («Polícia de Estrada») e «Dragnet», por exemplo, são séries
marcadas pela «escola documental» dos anos 40 de Louis de Rochemont («A
Casa da Rua 92», «Crime sem Castigo» e «O 13 não Responde») e pelas
séries B da Eagle Lion («Destino em Segunda Mão», «Um Raio de
Liberdade»), enquanto a série «Os Intocáveis», em fins dos anos 50, vai
desencadear uma nova corrida ao filme de «gangsters» («Al Capone», «A
Capital do Crime», etc).

<p n=17714>
COM MIA FARROW, JOE MANTEGNA, WILLIAM HURT, KEYE LUKE, BLYTHE DANNER,
ALEC BALDWIN, CYBILL SHEPHERD E JUDY DAVIS

<p n=17715>
Agora, em «Alice», Allen repega na linha esboçada no pequeno conto que
encerrava «Histórias de Nova Iorque», arriscando o excesso irrealista e
desenvolvendo um grafismo devedor, tanto do fantástico, como da animação:
«O Homem Invisível», «Mary Poppins» ou «Fu Manchu», entre outros,
cruzam-se, transformados em indícios mínimos de uma evidente cinefilia,
sob o olhar tutelar e, por isso mesmo, mais subterraneamente elaborado da
heroína de Lewis Carroll, invocada no título.

<p n=17716>
Fernando Gomes traz para o teatro dito infantil ( que normalmente é
infantilóide) a imaginação, a verve, a destreza e a irreverência com que
costuma encenar o seu inconfundível café-teatro. O resultado não é só
divertido: é um caso sério de teatro paródico e uma lição sobre como se
desmontam e desmistificam as glórias nacionais. Neste caso, a acidentada
viagem aérea de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, de Lisboa ao Rio de
Janeiro, que vem precedida da lenda grega de Ícaro e da história do balão
de Mongolfier. Tudo com muita musica e efeitos especiais.

<p n=17717>
As mulheres argentinas a quem a ditadura roubou maridos e filhos vão
exigir a entrega dos mortos e desaparecidos. São apoiadas pela teologia
da libertação e por um coro que com elas chora, primeiro, e canta, por
fim, a reconquista da democracia. No centro do drama, o «show» do ditador
dividido entre duas angústias: a de se demitir e a de reprimir
violentamente. Tragédia grega, neo-realismo, religiosidade e
catastrofismo de raiz camusiana enformam o texto escasso de
potencialidades cénicas, servido por uma linha de representação contida.
A Companhia (que celebra agora o vigésimo aniversário) aposta numa
mudança de estilo, parece. Vale a pena ver e discutir se era ou não era
melhor o que passou.

<p n=17718>
Ao associarem a mitologia celta aos factos históricos e à epopeia
guerreira, Simon Bisley e Pat Mills fazem de Slaine, recém-editado pela
espanhola Norma, uma obra surpreendente, na melhor tradição do género da
«fantasia heróica».

<p n=17719>
A solução encontrada por Lee constituía uma resposta ao rígido código
censório a que os «comic books» estavam submetidos nos Estados Unidos e
foi o ponto de partida para o desenvolvimento de um filão que explorou,
com assinalável adesão dos leitores, um género caracterizado pelas
incursões em mundos primitivos e bárbaros, acção muito violenta e
personagens femininas em trajes sumários.

<p n=17720>
Dez anos de edição regular é, para uma revista de banda desenhada, uma
efeméride que não pode ser iludida. Eis o que «Cimoc», «la revista de las
grandes series de aventuras», da Norma Editorial, acaba de assinalar.

<p n=17721>
Mas há mais motivos de interesse em «Cimoc». De Miguelanxo Prado, é
publicada a curta narrativa «Bis Repetita», criada no âmbito das
comemorações do quinto centenário da Revolução Francesa. Alfonso Font
abre este número com uma BD da série «Taxi», seguindo-se narrativas a
preto e branco de Usero-Guiral («El Gorila Albino»), Sokal («La Muerte de
Hortensia», da série «Inspector Canardo»), Alfonzo Azpiri («Lorna») e
Solano Lopez-Sampayo («La Sangre de los Viajantes de Comercio», da série
«Evaristo»). O lançamento da edição em língua espanhola de «Boca do
Diabo» é assinalado com um trabalho de duas páginas em que se apresentam
os respectivos autores, Boucq e Charyn.

<p n=17722>
É o oitavo volume das aventuras de Tintin e a segunda parte de um ciclo
iniciado com «As Sete Bolas de Cristal», também já publicado. Saga solar
por excelência, esta incursão de Hergé pela cultura inca é um dos
momentos mais bem conseguidos da série, que desta vez leva Tintin e
Haddock ao continente sul-americano. A finalidade é salvar Tournesol,
acusado de profanar o túmulo sagrado de Rascar Capac.

<p n=17723>
«Wild at Heart» destrói e reinventa todos os códigos estéticos da
modernidade, possuindo o raro dom de só fazer sentido no esplendor da sua
excessiva sobrecarga visual. M. J. T.

<p n=17724>
LOUIS ERLO -- Sou contra as co-produções, sobretudo quando têm como único
objectivo gerir os nossos infortúnios financeiros. É uma solução de
recurso que pode ser grave, porque se deslocam produtos com a única ideia
de juntar o dinheiro, sem qualquer ideia de arte, de artesanato, de
personalidade, de direcção. Para a co-produção de «Klinghoffer» partimos
de uma ideia artística que era de tal qualidade, implicava criadores tão
distintos que juntámos os nossos dinheiros para fazer melhor -- para cada
um dos teatros envolvidos esta co-produção custa quase o mesmo que uma
produção isolada de cada um deles. Neste caso, a co-produção torna-se
interessante, porque demos ao compositor, à libretista, ao encenador, ao
coreógrafo, um contrato para criarem uma obra; interessava-nos montar na
Europa um produto feito por grandes criadores americanos, para tentar ver
como se pode criar uma obra lírica no século XXI.

<p n=17725>
R. -- Foi o acaso. Tínhamos feito a escolha, por proposta de Peter Sellars
e John Adams, há dois anos, quando não havia guerra do Golfo. Tivemos
mesmo de pôr a hipótese de cancelamento, se a guerra não terminasse
entretanto. Não era por causa do espectáculo, em que todos têm razão, que
é pela paz, muito moral, evangélico, que até não me dá grande satisfação
pessoal, porque não toma partido. Mas o tema, não se conhecendo o
espectáculo, podia dar azo a manifestações extremistas.

<p n=17726>
Pelo quarteto de criadores, pelo inédito esforço co-produtivo, a estreia
de «The Death of Klinghoffer» era esperada como um dos acontecimentos
maiores do ano operático. Mas veio a Guerra do Golfo e ainda maior foi a
polémica por o tema ser o assassinato de um judeu por um comando
palestiniano.

<p n=17727>
Um trio de criadores americanos (quarteto, com o coreógrafo Mark Morris)
tinha o apoio repartido de três instituições europeias e três americanas,
não escondendo alguns ser este um desenho estratégico em que «a canção da
Europa lírica `de referência' para esta co-produção internacional vai
permitir a entrada da criação [contemporânea] nas grandes instituições
americanas, muito conservadoras» (brochura da temporada da Ópera de
Lyon).

<p n=17728>
Gore Vidal tem conduzido a sua espantosa carreira de novelista, ensaísta,
crítico social, argumentista em Hollywood, escritor de peças teatrais,
jornalista, e mesmo candidato a senador pelo estado da Califórnia, com
uma perícia inegualável e vigor constante. Com quase setenta anos bem
vividos (nasceu em 1925, por sinal na Academia Militar de West Point,
onde seu pai ser instrutor de aeronáutica. Leia-se o artigo «West Point»,
publicado em «The New York Review of Books» em 18 de Outubro de 1973),
Vidal mantém uma já proverbial e implacável originalidade.

<p n=17729>
Mas a parte mais importante da obra de Gore Vidal diz respeito à História
dos Estados Unidos, história essa a que a sua vida está intimamente
ligada. Filho de um oficial da Administração Franklin D. Roosevelt e neto
de um senador, a sua educação e formação foram construídas em torno da
política. As suas obras «Washington, D.C.», «Burr», «Lincoln», «1876»,
«Empire» e «Hollywood» têm como tema principal a transformação dos
Estados Unidos numa potência mundial. A leitura destas obras é mais
esclarecedora do que qualquer compêndio de História. Aliás, o próprio
Gore Vidal afirma que nunca teria tido a necessidade de se lançar nesta
tarefa se, nos EUA, houvesse um sistema educacional. À falta deste, os
americanos têm Hollywood, «a única coisa que chamou a atenção do mundo, a
única coisa pela qual os EUA serão lembrados», diz Vidal. E acrescenta:
«O sonho de qualquer governo é manter as pessoas no seu lugar e a única
forma de o conseguir é criar sonhos para elas sonharem. O exemplo
perfeito foram os oito anos da Administração de R. Reagan, um actor que
fazia o papel de Presidente. Toda a gente sabia que ele não era um
presidente verdadeiro, mas ninguém se importava, porque ele era a
personificação de uma era dourada, a era hollywoodiana.»

<p n=17730>
Com Phil Woods aprendi a escutar com outros ouvidos o piano dos seus
quartetos e quintetos. Recordo, ao sabor da memória e à margem da
cronologia, Hal Galper, Gordon Beck, Mike Malillo e Jim McNeely. Um Jim
McNeely de quem fiz (mais) um (dos muitos) amigo(s) americano(s), desde
que lhe descobri a presença, rigorosa, nessa pequena arquitectura dos
grandes prazeres que foi a orquestra de Thad Jones/Mel Lewis e que,
depois, fui seguindo, com a atenção possível, aplaudindo-lhe a estreia
como líder (mais uma dívida de gratidão para com Nils Winther que, em
1976, pôs na conta da sua SteepleChase o estúdio para «Rain's Dance») ou
saudando-lhe a inteligência discreta dos apoios a gente como Art Farmer,
Getz ou Bobby Watson.

<p n=17731>
Da banda do jazz, as coisas não serão assim tão radicais. Talvez porque o
seu público é militantemente definitivo -- ou ama-o até à morte ou deixa-o
para toda a vida. Daí que as memórias afro-cubanas permaneçam vivas no
sangue e, por isso, receptivas ao contágio expressivo de um Michel
Camilo, que não se envergonha de soltar os ritmos com a mesma intensidade
com que se vivem nas ruas natais da sua República Dominicana. Mas
desengane-se quem espera encontrar em «On the other Hand» (segundo título
do seu currículo, depois de «Michel Camilo», a chegar ao porto
discográfico de Lisboa) uma sequência de balanços percussivos, feitos à
imagem (mal) espelhada dessa caricatura generalizada que reduz a paleta
sonora das Caraíbas a uma floresta, repetitiva, de ritmos e suores
quentes. Com Michel Camilo, o jazz latino é água de várias fontes e
muitas correntes; e basta navegar nos rápidos coltraneanos de
«Impressions», mergulhar na plenitude serena de «Birk's Works» ou seguir
os círculos tranquilos de «Silent Talk» para sentir a brisa dos remoinhos
de uma tradição feita de educações clássicas, paixões jazzísticas,
respirações populares e profissionalismo dos estúdios. «On the other
Hand»: música fresca para corpos quentes.

<p n=17732>
LISBOA Alfa Club: 14h, 16h30, 19h, 21h30 e 24h Amoreiras 5: 13h45, 15h45,
17h45, 19h45, 21h45 e 24h; Mundial 1: 14h, 16h30, 19h e 21h30; S. Jorge
2: 14h30, 16h45, 19h15 e 21h45.

<p n=17733 assunto=desporto>
«Alguns poemas: esquecidos entre a cinza dourada do quotidiano/e a
amargura das intenções./(...)/Ouve: os poemas são alusões/dolorosas,
infinitas. A outros poemas, a Deus,/a pequenas obsessões pessoais:/corpo
choro casa» (pp. 17-18). Comecei por citar estes versos do último livro
de Luís Filipe Castro Mendes (n.1950), porque neles se condensa uma ideia
possível para a sua leitura: essa que nos propõe olharmos a poesia como o
resultado mais ou menos residual de acontecimentos quotidianos que
sobrevivem através da palavra poética. A subtil arquitectura de um
universo individual depende da forma como tais circunstâncias se
repercutem ao nível da linguagem, e, a esse respeito, creio que neste
autor (nos seus melhores momentos, pelo menos) podemos já pressentir a
configuração de um mundo.

<p n=17734>
Assim se vai originando um panorama de «recados», um «colóquio
sentimental» (Verlaine) habitado por uma inescapável melancolia em que se
inscreve o fantasma da morte e uma sensação de quase--pavor diante das
palavras. Bem faz o poeta quando reconhece: «Quase sempre é o medo/que
nos conduz à poesia» (p. 24), porque desse medo se alimenta o seu desejo
de se entregar às leis da morte, mas ao mesmo tempo às da poesia,
encarada como «rápida fuga» ou «consolação» perante essa ameaça.

<p n=17735>
Gil Vicente, Cintra, Mishima, Bergman, Rovisco, Lorca, Henry Miller, Sam
Shepard e Patti Smith, de tudo isso se vai ver no teatro, a começar na
noite de hoje e a prolongar-se pelo fim-de-semana. Não há fome que não dê
em fartura.

<p n=17736>
Cabe também à «Rubena» a honra de ter sido censuradíssima e, por fim, em
1624, proibida na íntegra. Foi retirada da Compilação e só para lá voltou
na edição de 1834 (e a grande razão da proibição terá sido o papel que na
peça desempenha a magia: há invocação ao diabo e tudo...)

<p n=17737>
Montfermeil, na periferia leste de Paris. O governador civil, Léon
Saint-Prix, faz um pacto com os bandos juvenis das «cités-ghettos»: os
jovens prometem não atacar e deitar fogo aos carros de bombeiros e em
troca recebem alguns magros subsídios para uma equipa de futebol local.

<p n=17738>
No entanto, desde que em Novembro último bandos juvenis saíram dos
«ghettos» da periferia para virem lutar no centro de Paris com a polícia
de choque, desde que as lojas chiques a menos 500 metros do Eliseu foram
pilhadas pelos bandos de «zulus», os subúrbios tornaram-se um assunto de
Estado em França.

<p n=17739>
Imagine o leitor que vivia noutro mundo que não este, um mundo tão
parecido e tão próximo do nosso que a única diferença seria imperceptível
para a maior parte das pessoas... que não lessem livros de FC traduzidos
para o português. Porque, nesse mundo, os livros se podiam escrever
doutra maneira. Ali, colocavam-se todos os adjectivos antes dos
substantivos. O uso e abuso dos advérbios de modo seria considerado de
muito bom gosto. Em vez de «a ver vamos», dir-se-ia «vai ver-se». Em vez
de as coisas acontecerem «nas nossas barbas», passavam a acontecer,
graças às virtudes de uma tradução à letra, «sob os nossos narizes». Em
vez de se afirmar «nunca enquanto estiveres vivo», optava-se por uma
construção bem mais poética, no género de «pelo menos não enquanto tu não
estiveres morto» (p. 25). Tudo estaria muito bem neste universo paralelo,
onde a influência anglo--saxónica foi historicamente superior à francesa,
onde os leitores de FC, com os cérebros grelhados por género tão anómalo,
de certo permitiram ser assim tratados. Que se há-de fazer, não é
verdade? Não estamos a referir-nos a uma literatura menor? É natural que
os autores escrevam mal...

<p n=17740>
Veja-se por exemplo o caso da «Transformação», de Chuck Rothman, onde uma
dilecta esposa leva para casa o seu homem feito andróide, depois de o
corpo original ter sido desfeito num acidente. Como seria de espera, o
infeliz, ao ver o seu cérebro preso a um boneco articulado, com alguns
acessórios insufláveis e ainda por cima com a mulher a enganá-lo,
zanga-se. Quer fazê-la em pedacinhos. No último momento, perdoa-lhe. Como
se não houvesse muito antes deste, o brilhantíssimo conto de Damons
Knight, «Masks», onde, numa situação semelhante, aos poucos se vai
descrevendo o nascer de uma biofobia... O homem transformado em andróide
passa a detestar tudo o que esteja vivo. Desde a mulher às bactérias. O
problema das Vozes do Futuro é que já se fez bem melhor. Existe uma certa
aura de adolescência imatura à volta deles... Como estórias escritas por
fãs que queriam ser escritores quando fossem mais crescidos...

<p n=17741>
Numa notável encenação de Richard Jones, está desde ontem em cena no São
Carlos «O Amor das Três Laranjas», uma fantasia em ópera de Prokofiev,
inspirada pela criação teatral de Meyerhold.

<p n=17742>
Na sua reacção ao naturalismo de Stanislavsky, preocupado pela
«biomecânica do actor», interessado pelo modelo das máscaras e das
marionetas, por um «teatro teatral» (se por isso se entender a
explicitação na cena dos mecanismos de representação), Meyerhold tomou
como referência emblemática «O Amor das Três Laranjas», a fábula do
veneziano Carlo Gozzi, em defesa da «commedia dell'arte» contra a
«reforma» de Goldoni (fábula de resto inspirada num conto tradicional que
em Portugal conhecemos como «O Amor das Três Romãs»). Meyerhold não só
fez uma nova versão da obra, como dela colheu o título para uma sua
revista, que entregou a Prokofiev no momento em que este partiu para a
América. «Tive um ideia», relataria Prokofiev -- foi precisamente durante
a viagem que começou a pensar em escrever uma obra com base na peça, e
foi essa a ideia que apresentou à Ópera de Chicago. O que poderia ter
sido a grande obra conjunta de Meyerhold e Prokofiev acabaria afinal por
ser feita, sem o primeiro, na América. E assim surgiria, deslocada do seu
imediato contexto histórico-cultural, aquela que poderia ter sido um dos
grandes manifestos do construtivismo russo.

<p n=17743>
O Ford Escort é o carro do segmento «C» com maior sucesso em Portugal. Ao
volante da versão 1400 descobrimos um carro com dupla personalidade:
dócil para passear a família, mais «complicado» para quem tiver pressa.

<p n=17744>
Lançado em Outubro no nosso país, o Escort iniciou mais uma carreira de
sucesso, aumentando gradualmente a sua penetração no mercado nacional,
até alcançar uma invejável posição: líder do segmento «C», no primeiro
trimestre deste ano, com 1257 unidades vendidas, seguido pelo VW Golf
(1241) e Fiat Tipo (1065). Para além de uma imagem construída ao longo
dos anos, o que levará os portugueses a gostarem do Ford Escort?

<p n=17745>
Na cidade de Karlovy Vary havia um farmacêutico simpático e bonacheirão
que tinha uma bela casa com jardim à qual dera o nome de «Casa das Três
Cotovias». Quando aparecia um estrangeiro perguntando onde podia
alojar-se, encaminhavam-no para lá, pois o farmacêutico Josef a todos
recebia com jovialidade.

<p n=17746>
E, destapando o frasco, regalava-se inspirando o odor intenso do xarope
porque tinha um olfacto apuradíssimo.

<p n=17747>
A Checoslováquia é um país constituído por três grandes regiões: a
Eslovénia, a Boémia e a Moldova. Pertenceu ao Império Austro-Húngaro até
ao fim da I Grande Guerra. País do Centro da Europa, os seus habitantes
gostam muito do sol, procurando bronzear-se à beira dos rios. País que
por tradição tem uma vida cultural muito intensa.

<p n=17748>
A talidomida, um medicamento vendido como sedativo, foi produzido e
irresponsavelmente comercializado por uma pequena firma farmacêutica
alemã , a Grunethal, sem ter sido adequadamente pré-testado em cobaias.
Começou a ser distribuído em 1958, em vários países, sem controlo de
mercado de medicamentos. Teve como resultado «epidémico» o nascimento de
milhares de crianças malformadas, de mães que haviam tomado o sedativo
sob receita médica durante os primeiros meses de gravidez. A droga foi
finalmente retirada do mercado em 1961.

<p n=17749>
Uma significativa representação do Governo e do PSD, personalidades de
relevo do mundo desportivo e empresarial estarão hoje na Maia para
homenagear o presidente do município, Vieira do Carvalho. O CDS faz por
esquecer a perda do ex-militante e Lucas Pires comparecerá, assim como
algumas figuras do PS.

<p n=17750>
Todas as associações de futebol, incluindo as dos Açores e da Madeira,
enviarão representantes. Adriano Pinto, da Associação de Futebol do
Porto, e os dirigentes do FC Porto e do Boavista, Pinto da Costa e
Valentim Loureiro, são outras presenças confirmadas.

<p n=17751>
Docentes e investigadores do ensino superior reuniram-se no Porto numa
iniciativa do Sindicato de Professores do Norte (SPN), procurando
«preparar uma resposta» ao recente diploma do Governo sobre os
descongelamentos salariais. Como era esperado, essa resposta aponta para
o possibilidade de greve: «Em Maio ou Junho se não chegarmos a acordo com
o governo», precisou o dirigente sindical Mário Carvalho.

<p n=17752>
Recorde-se que a FENPROF fez já um abaixo-assinado com mais de mil
assinaturas e pediu, há cerca de duas semanas, a todos os grupos
parlamentares para agendarem o problema, pedido que ainda não obteve
resposta.

<p n=17753>
PROFESSORES EXCEDENTÁRIOS A LECCIONAR PORTUGUÊS -- O secretário de Estado
da Reforma Educativa, Pedro da Cunha, foi ontem vaiado na Faculdade de
Letras de Lisboa ao revelar que os professores excedentários de
disciplinas como História e Filosofia poderão vir a leccionar Português.
A medida integra-se num projecto de legislação sobre as novas
habilitações para a docência e pretende «solucionar a falta de
professores de língua portuguesa», segundo Pedro da Cunha, que falava na
sessão de abertura de um encontro sobre os novos programas de Português.

<p n=17754>
Taça dos Campeões reformulada -- O Comité Executivo da União Europeia de
Futebol (UEFA) decidiu ontem autorizar, já na próxima época, a título
experimental, um novo figurino competitivo para a Taça dos Campeões
Europeus. Segundo o novo esquema, as oito equipas que chegaram aos
quartos-de-final, apuradas como até aqui por eliminação directa no
somatório de dois, serão então divididas em dois grupos de quatro, que se
defontarão num sistema de campeonato, sendo a final disputada num único
jogo pelos vencedores de cada um dos grupos. A Taça das Taças e a Taça
UEFA não sofrerão alterações.

<p n=17755>
O  trabalhadores das empresas privatizadas poderão, a partir de agora,
constituir fundos de investimento mobiliários. Com esta decisão, tomada
ontem em Conselho de Ministros, o Governo pretende aproveitar as
condições especiais previstas na lei-quadro das privatizações,
nomeadamente, as que dizem respeito à aquisição ou subscrição de acções
pelos trabalhadores. Esta iniciativa tem por fim incentivar uma ampla
participação na titularidade das empresas a privatizar.

<p n=17756>
O comissário europeu Leon Brittan afirmou ontem que os monopólios
nacionais de energia serão abertos, brevemente, à iniciativa privada, de
forma a permitir o comércio livre de gás e electricidade entre os doze
países que constituem a Comunidade. Brittan, que tem sob a sua tutela a
política de concorrência na CEE, acrescentou ainda que o Tribunal de
Justiça da Comunidade tinha reiterado o direito das instâncias
comunitárias usarem normas especiais do tratado de fundação por forma a
abrir os monopólios à concorrência sem a aprovação dos respectivos
Governos.

<p n=17757>
Vacina da sida em perspectiva -- Cientistas da Harvard Medical School e da
empresa privada «Applied bioTechnology Inc, de Cambridge (Estados Unidos)
afirmaram ontem ter dado mais um passo para a obtenção de uma vacina
contra a sida, ao obterem um soro geneticamente manipulado que estimula
dois sistemas imunológicos cruciais do organismo. Até ao momento, a
vacina apenas foi experimentada em macacos, mas os investigadores esperam
poder dar início aos testes com uma versão humana desta vacina
experimental em meados de 1992.

<p n=17758>
«Isto não é nada, significa que passado um ano novos bares poderão ser
abertos, quando o que há a fazer é meter ordem no que lá está»,
acrescentou.

<p n=17759>
O presidente da Câmara de Setúbal, Mata Cáceres, ameaçou ontem o ministro
da Justiça com «forte contestação da população da cidade», caso as obras
do Tribunal, que Laborinho Lúcio prometeu para o primeiro trimestre deste
ano, não sejam iniciadas em breve.

<p n=17760>
«O ciclo dos concursos está esgotado e dentro de dias começará a
barafunda em toda a cidade», anunciou o presidente da Câmara, apelando «à
compreensão dos munícipes, uma vez que, «de poente a nascente», Setúbal
verá as suas artérias, «pequenas, médias e grandes», esburacadas. R.T.

<p n=17761>
O ante-projecto da construção de um hotel na Quinta da Penha Longa, foi
ontem aprovado pela Câmara de Sintra, com a imposição de alguns
condicionalismos para a aprovação definitiva do empreendimento que a
empresa de capitais nipónicos e brasileiros Aoki pretende edificar nas
faldas da Serra.

<p n=17762>
Comemorações do 25 de Abril -- Um almoço comemorativo, uma exposição de
fotografia e a tradicional «corrida da liberdade», são os três pontos
altos das comemorações da queda da ditadura, levadas a cabo pela
Associação 25 de Abril. O almoço decorrerá no próximo dia 21, na Estufa
Fria, realizando-se a corrida no dia 25 de manhã, em colaboração com a
Câmara de Lisboa e a Federação das Casas de Cultura e Recreio. Na sede
desta, na rua da Palma, em Lisboa, decorre, desde ontem, uma exposição de
fotografias alusivas ao 25 de Abril. A Associação apoia, ainda, o
tradicional desfile da tarde do dia 25, em que o seu presidente, Vasco
Lourenço, será, aliás, o único orador.

<p n=17763>
CABIDO SOLIDÁRIO COM CÓNEGO MELO -- O cónego Melo, um dos arguidos no
processo, agora reaberto, da morte do padre Max, recebeu nova expressão
pública de solidariedade, desta vez por parte do Cabido Metropolitano e
Primacial Bracarense de que é deão. Em nota ontem divulgada, o Cabido
manifesta a sua «adesão à nota pessoal do Arcebispo de Braga [D. Eurico
Dias Nogueiras] sobre o seu Vigário Geral» e repudia «uma campanha que
parece pretender substituir-se à normal administração da justiça a que
eventualmente houvesse lugar ou, pelo menos, criar factos de opinião
pública tendentes a pressioná-la»

<p n=17764>
A EUROPA estará condenada a ser um eterno sonho adiado, sucessivamente
ultrapassado pelos acontecimentos, ou poderá converter-se numa realidade
política? O tempo para responder a esta velha interrogação está a chegar
ao fim. A crise do Golfo foi a última etapa antes do momento da verdade.

<p n=17765>
A crise do Golfo digere-se lentamente. Em matéria de política europeia,
reaviva descrenças ou coloca novas exigências. O Governo emite sinais
contraditórios. A oposição divide-se. Mas o debate e as escolhas parecem
inadiáveis.

<p n=17766>
«A nossa política europeia tem sido defensiva, limitamo-nos a administrar
as contradições dos outros e a ir atrás deles. Mas, inevitavelmente,
vamos ter de encontrar solidariedades, quer entre os pequenos quer em
relação aos grandes.» Entre duas viagens para Bruxelas, Lucas Pires
adverte que Portugal não pode, depois da crise do Golfo e quando o
Mercado Único lhe bate à porta, manter a mesma atitude prudente e
resignada face à construção comunitária. E insiste, como sempre, que
temos tudo a ganhar com o avanço da união política porque só ela
constitui a «apólice de seguro» contra o que podemos perder com a união
monetária (UEM).

<p n=17767>
Quando o secretário de Estado norte-americano, James Baker, prometeu na
quarta-feira à noite, no Luxemburgo, aos ministros dos Doze que tudo iria
fazer para convencer Israel a aceitar a participação da CEE na futura
conferência regional sobre o Médio Oriente, com estatuto análogo ao dos
Estados Unidos e URSS, cumpria-se mais um passo na difícil afirmação
política da Europa.

<p n=17768>
Os cidadãos europeus, orgulhosos como nunca de pertencer a um espaço
económico dinâmico e em vias de atingir a maturidade política por via do
reencontro com as suas fronteiras naturais, sentiram-se repentinamente
defraudados.

<p n=17769>
As opiniões americanas em relação à Europa, pelo menos em Washington, não
parecem ter sofrido alteração substancial no que diz respeito à guerra do
Golfo. Argumenta-se que os EUA consideram restaurado o seu papel de
superpotência tradicional, mas também se argumenta na capital americana
que esse facto tem mais consequências no prestígio político do que em
questões práticas.

<p n=17770>
Onde antes existia a urgência de enviar apoio à economia soviética há
agora um compasso de espera ansioso -- aguarda-se o regresso de Gorbatchov
a políticas claramente reformistas, que justifiquem politicamente o
investimento do Ocidente na sua economia. A França e a Grã-Bretanha,
porque foram os países europeus militarmente mais empenhados no conflito
com o Iraque e porque apoiaram solidamente os objectivos políticos dos
EUA e da ONU, parecem estar agora na situação de interlocutores 
privilegiados de Washington.

<p n=17771>
Estará a Europa a ser vítima do seu próprio sucesso?  O alucinante
movimento gerado pelo lançamento do prgrama do mercado interno de 1992 e
a euforia pelo papel catalizador da CEE na eclosão das novas democracias
do Leste contribuiram para realçar a fragilidade da posição europeia na
crise do Golfo e sobretudo a sua falta de coesão. Mas, como já aconteceu
no passado, deste sentimento de fracasso, poderá surgir um impulso de
aceleração da União Política. E Portugal? O Governo emite sinais
contraditórios, a oposição divide-se, não é claro o nosso alinhamento no
interior da própria Comunidade.

<p n=17772>
A posição britânica, apoiada por Washington, teria outros inconvenientes
para Madrid. Espanha, tal como França, não está na estrutura militar da
NATO e recusa a sua acção fora dos actuais limites territoriais. A
possibilidade da UEO, cujo tratado de criação não restringe áreas de
intervenção, vir a ser usada como «pilar europeu» da Aliança Atlântica,
como sugeriu William Taft, ex-embaixador dos Estados Unidos na NATO,
teria efeitos preversos. Ainda que «pela porta do cavalo», via UEO, e de
forma indirecta, os espanhóis estariam mais próximos dos objectivos dos
que defendem o alargamento da acção da Aliança.

<p n=17773>
Murteira Nabo é uma hipótese forte para vir a ser proposto por Jorge
Sampaio como candidato a deputado pelo PS nas legislativas de Outubro,
sendo também apontado como «ministeriável» em caso de vitória socialista.
Entretanto, sobe de tom a polémica entre Carlos Lage e a comissão de
listas. Esta emitiu ontem um comunicado, criticando duramente as recentes
declarações ao PÚBLICO do líder do PS-Porto.

<p n=17774>
O maior mercado de compra e venda de programas televisivos -- MIP-TV --
abre hoje em Cannes. A Radiotelevisão Comercial, que comercializa os
produtos da RTP, estará presente e este ano com a sua capacidade de
oferta reforçada em relação a anos anteriores. Aposta sobretudo num
programa em que as vedetas são o guitarrista Carlos Paredes e a cidade de
Lisboa, mas também oferecerá, entre outros, os filmes «Os Cornos de
Cronos», de Fonseca e Costa, «Filha da Mãe», de João Canijo», e «Sangue»,
de Pedro Costa. Na bagagem da RTC vão ainda programas musicais e uma
produção da Televisão Popular de Moçambique.

<p n=17775>
A UEFA conseguiu contrariar o princípio da livre circulação de
trabalhadores no território comunitário, ao impôr um limite máximo de
cinco futebolistas estrangeiros por equipa. Uma vez mais, o futebol
logrou colocar-se à margem das leis que regem a sociedade civil.

<p n=17776>
Em Luanda, a polémica em torno da Sonangol sobe de tom. Dois dos quadros
superiores da empresa acusados no processo de corrupção recorreram para o
Tribunal Supremo. E surgem novos focos no incêndio, com acusações de que
não é feito qualquer controlo sobre as vendas do petróleo de Angola e
respectivas receitas, que representam 90 por cento das divisas que entram
no país.

<p n=17777>
A convivência, a tolerância e o diálogo entre as diversas etnias  no meio
escolar são o objectivo dos programas de educação multicultural, cujo
secretariado coordenador, presidido por Victor Feytor Pinto, foi ontem
empossado pelo ministro da Educação na Escola Primária 120, em Lisboa.

<p n=17778>
Do secretariado coordenador dos programas de educação multicultural fazem
ainda parte Teresa Patrício Gouveia, Teresa Ambrósio, Maria Emília Nadal,
Alfredo Bruto da Costa e Manuel Nazareth.

<p n=17779>
Os bolseiros universitários dos Países Africanos de Língua Oficial
Portuguesa estiveram desde o início do mês passado sem receber as bolsas
de estudo correspondentes ao mês de Abril. «Têm havido alguns atrasos,
mas os cheques foram assinados e as bolsas já estão a pagamento»,
garantiu ao PÚBLICO José Vieira Branco, subdirector geral da Cooperação.

<p n=17780>
«Prevemos um rendimento académico muito baixo no final do ano lectivo»,
diz Liberato Moniz, acrescentando ter estado nas residências de alguns
estudantes onde os problemas de alimentação e transportes se punha de
modo dramático.

<p n=17781>
Enquanto duas escolas do Instituto Politécnico de Coimbra não explicarem
o destino de uma verba de 23 mil contos, os estudantes daquele instituto
que recebem bolsas de estudo não poderão dormir descansados.

<p n=17782>
«Solicitado embora tal reforço durante o ano lectivo de 90", lê-se no
referido documento, «o certo é que até à presente data o mesmo ainda não
foi efectuado». Por essa razão, os serviços afirmam que a partir do
corrente mês não podem «continuar a pagar as bolsas calculadas» aos
alunos nessas condições, estando «o montante de verba cabimentado para o
presente ano lectivo totalmente absorvido pelos alunos da universidade».

<p n=17783>
O Quarteto Julliard proporcionou ao público que esteve, segunda-feira, no
Grande Auditório Gulbenkian, em Lisboa, uma impressionante interpretação
-- no melhor sentido -- do Quarteto em Sol Maior D. 810, de Schubert.

<p n=17784>
Ouvimos também as Bagatelas opus 9 de Anton Webern: uma meteórica
incursão no século XX, dado que estas peças duram em média trinta
segundos cada uma. É curioso como uma obra escrita à volta de 1912,
colocada aqui entre Mozart e Schubert, causa a sensação de estarmos a
ouvir música contemporânea. Compositor da condensação absoluta, capaz de
exprimir «um poema num olhar, um romance num suspiro», Webern foi um dos
mais rigorosos e isolados criadores do século XX. Estas peças são um bom
exemplo da revolução que ele operou na linguagem e na própria concepção
da música. O fascínio tímbrico e ambiencial que tão breves segundos
contêm recordam-nos por contraste como é pena terem surgido depois da II
Grande Guerra tantos «webernezinhos» capazes de confundir genialidade com
receitas culinárias.

<p n=17785>
Carter Brown, director da National Gallery de Washington, que está a
organizar a exposição «Circa 92» disse numa conferência de imprensa,
ontem, que Portugal «perderá uma grande oportunidade» se não emprestar as
obras de arte pedidas pelos Estados Unidos. O presidente do IPPC é a
favor do empréstimo.

<p n=17786>
«O quadro está mais seguro se nos for emprestado do que se ficar como
está», afirmou o director da National Gallery, a propósito de um dos
Painéis de São Vicente, o Painel do Infante, a obra cujo empréstimo mais
controvérsia tem suscitado, não só por ser única, como por ser uma
pintura sobre madeira, bastante frágil.

<p n=17787>
É palhaço. O seu sonho era dormir com o rugir dos leões. Trabalha agora
num circo inglês que faz «tournées» pela Ásia. Faz de Batatinha e sabe
como fazer as crianças chineses rir. Chama-se António Branco, tem 31 anos
e uma longa carreira no mundo dos narizes vermelhos.

<p n=17788>
No entanto, o caminho não foi fácil. Os seus pais, embora frequentadores
assíduos da «tenda dos milagres», não eram artistas de circo, o que foi
uma das suas «maiores frustações», pois «tudo teria sido mais fácil» --
diz-nos.

<p n=17789>
O editor Fernando Guedes foi eleito presidente da Comissão Executiva da
União Internacional de Editores (UEI) durante uma reunião que teve lugar
em Nova Iorque, mas só tomará posse em Janeiro de 1992, em Nova Deli. A
UEI, com sede na cidade suíça de Genebra, agrupa 44 associações nacionais
de editores espalhadas por todo o mundo. O editor português sucede no
cargo ao editor norte-americano, Andrew H. Neilly. Guedes, que é
presidente da assembleia-geral, da Associação Portuguesa de Editores e
Livreiros (APEL), já tinha presidido à Federação de Editores Europeus.
Desde 1988, quando foi nomeado vogal da Comissão Nacional da Língua
Portuguesa, que era vice-presidente da UEI. Fundador e actual
administrador-delegado da Editorial Verbo, Fernando Guedes nasceu no
Porto a 11 de Julho de 1929. Ao longo da sua carreira, foram-lhe
atribuídos os prémios Antero de Quental, em 1963, e Nacional de Poesia em
1968.

<p n=17790>
A comparação pode estender-se à política audiovisual, onde o combate pela
imposição da norma europeia de televisão de alta definição foi
considerado bem encaminhado pelo comissário europeu Jean Dondelinger,
embora a opinião corrente seja que nunca as coisas estiveram tão
complicadas. A luta entre europeus e japoneses, arbitrada pelos
norte-americanos, acabará com a aprovação da norma... que a indústria dos
está», afirmou o director da National Gallery, a EUA vier a criar.

<p n=17791>
São 3239 os franceses registados como residentes em Portugal, comunicou
o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Ocupam o 9º lugar numa população
estrangeira total de cerca de 108 mil indivíduos e o 4º na população de
residentes da Comunidade Europeia (28.798 pessoas), seguindo-se os
britânicos (8457), os espanhóis (7462) e os alemães-federais (4849).

<p n=17792>
A maior parte da comunidade francesa reside em Lisboa, 309 vivem em Faro
e 239 no Porto. Em França há dois milhões de  portugueses, dos quais 800
mil em Paris. Estes representam a maior comunidade estrangeira do país.

<p n=17793>
A série B não é apenas uma questão de orçamento. É também de estilo,
caracterizado pela rapidez, a ênfase na acção, pinceladas fortes para
caracterizar os personagens e uma psicologia elementar mas que nem por
isso deixa de os definir no que têm de essencial. O primado é, pois, a
eficácia. Se são também atributos de grandes realizadores, para os
chamados autores de «série B» era uma questão de sobrevivência. Foi neste
género que se formou Donald (Don) Siegel, falecido no sábado passado com
78 anos, conforme foi ontem anunciado. E se a última fase da sua
carreira, a partir do encontro com Clint Eastwood em «A Pele de um
Malandro», é caracterizada por produções ambiciosas e de orçamento de
produção de primeiro plano, o estilo é o mesmo. E é o estilo que faz o
mestre.

<p n=17794>
Se nos habituou a um profissionalismo sem falhas, Don Siegel soube também
surpreender por algumas abordagens inesperadas noutros campos. A ficção
científica deve-lhe uma das suas obras primas: «A Terra em Perigo» (o
lendário «The Invasion of the Body Snatchers») e com Eastwood dirigiu um
sombrio e inquietante «Ritual de Guerra». Último mestre clássico do filme
de acção, coube-lhe também dirigir o filme-requiem de John Wayne: «O
Atirador».

<p n=17795>
O Dia Mundial da Dança será assinalado no próximo dia 29 pelo Serviço
Acarte da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, que se associa às
comemorações da Unesco na data do nascimento do coreógrafo francês Jean
Georges Noverre, a 29 de Abril de 1727. O tema de reflexão este ano
escolhido pelo Acarte para a celebração foi a «Formação profissional do
bailarino», com referência ao momento de passagem da escola para o palco,
ou seja, da aprendizagem à prática criativa ou interpretativa. Do
programa, com entrada livre, constam uma mostra sobre a «Royal Ballet
School», com fotografias de Jorge Guerra, ontem inaugurada ao fim da
tarde, na Sala de Exposições Temporárias e com a colaboração do Centro de
Arte Moderna da instituição. No dia 28, a Sala Polivalente será palco de
três aulas públicas a cargo das professoras Anna Maria Prina, com alunos
da Companhia Nacional de Bailado, Juliet Fisher, com alunos da Escola
Superior de Dança, e ainda Didier Deschamps, com bailarinos da Companhia
de Dança de Lisboa. Também na Sala Polivalente, mas no dia 29, decorrerá
um seminário com a participação dos portugueses Armando Jorge, Elisa
Worm, Jorge Salavisa e Paulo Ribeiro, além de três professores
estrangeiros. A iniciativa conta com as colaborações do British Council,
Instituto Franco-Português e Instituto Italiano de Cultura.

<p n=17796>
Improvisar não é necessariamente um mal. Quando se fala de teatro,
improvisar pode ser uma arte. Improvisar pode ser uma necessidade quando
se fala de teatro para a infância e juventude. Quando se ousa uma
iniciativa com o lema «fazer a festa», e se parte para a festa com o
mínimo dos mínimos meios materiais, só admira que não se improvise mais
ainda.

<p n=17797>
A revisão ortográfica, actualmente a decorrer em França, «é uma questão
essencialmente política». A afirmação é do escritor bretão Michel Mohrt e
foi proferida, ontem, no Instituto Francês do Porto, num encontro com
alguns alunos deste Instituto, organizado no âmbito da Semana da
Bretanha, que ontem terminou. No âmbito da literatura, esta iniciativa de
divulgação da cultura bretã no Porto fez deslocar também a esta cidade
dois outros escritores, Maurice Polard e Catherine Axelrad, que
apresentaram conferências na Faculdade de Letras.

<p n=17798>
Respondendo a uma pergunta sobre a ausência de mulheres, durante três
séculos, na Academia, até ao momento da entrada de Marguerite Yourcenar --
«que nunca chegaria, no entanto, a deslocar-se às reuniões semanais da
instituição» --, Michel Mohrt explicou que o facto se deveu, no essencial,
à tradição introduzida pelo próprio Richelieu. E o autor de «La Prison
Maritime» (livro que lhe valeu, em 1962, o Grande Prémio do Romance da
Academia Francesa, instituição que viria a galardoá-lo, novamente em
1983, pelo conjunto da sua obra) afirmou que «agora, a Academia
democratizou-se... e já não há duques nem bispos», que foram entretanto
«substituídos pelos médicos e pelos cientistas».

<p n=17799>
«Auto da Pimenta» é o título de um duplo álbum, da autoria de Rui Veloso
e Carlos Tê, que será editado nos últimos meses do ano corrente integrado
no programa das Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Um protocolo
entre os autores e a Comissão Nacional para as Comemorações dos
Descobrimentos Portugueses (CNCDP) foi ontem assinado, ao meio-dia, na
Casa dos Bicos, em Lisboa. Os autores, que trabalham há cerca de um ano e
meio no projecto, já concluiram a composição da maior parte dos temas,
com músicas originais de Rui Veloso e letras de Carlos Tê. O duplo-álbum,
que incluirá 20 temas sobre a Expansão Portuguesa, será parcialmente
divulgado ao público através da edição, prevista para Maio, de um
`single' com duas músicas, informou a CNCDP.

<p n=17800>
O Benfica apenas requisitou 4500 bilhetes (1500 arquibancadas e 3000
superiores) para o jogo de domingo, frente ao FC Porto, confirmando a
pouca tradição de os benfiquistas do Sul se deslocarem ao Norte. Os
ingressos para o encontro das Antas começaram a ser postos à venda ontem
à tarde, e o funcionário do FC Porto José Chatillon garante que as 18 mil
arquibancadas e 8 mil superiores para público «vão, como habitualmente
nestes jogos, esgotar rapidamente», apesar de custarem, respectivamente,
7 mil e 5 mil escudos. Para assistirem ao encontro, os associados
portistas terão de pagar a quota suplementar de 500 (superior) e 750
escudos (bancada).

<p n=17801>
O regresso de Bjorn Borg, aos 34 anos, não foi muito feliz. Mas, apesar
de derrotado pelo espanhol Jordi Arrese na primeira ronda do torneio de
ténis de Monte Carlo, o sueco não perde a esperança de voltar a jogar ao
seu melhor nível.

<p n=17802>
Sempre calmo -- o que é de salientar, dado que para ele também se tratava
de um jogo excepcional --, Arrese soube aproveitar os erros do adversário
para construir a sua vitória. Numa partida cujo nível foi médio, o
tenista espanhol nunca sentiu grandes dificuldades, adiantando-se nos
momentos decisivos e mantendo os seus jogos de serviço sem problemas.
«Foi uma grande experiência para mim e não trocaria o meu lugar com
ninguém», disse depois Arrese, considerando que o seu adversário «jogou
muito bem, embora lhe faltem jogos».

<p n=17803 assunto=desporto>
O Beira Mar segue em frente na Taça, depois de ter derrotado ontem o
Estrela por 1-0. Agora, o que preocupa os responsáveis do Beira Mar é a
sequência de jogos, porque a FPF marcou para terça-feira o jogo com a
Ovarense (quartos-de-final) e para quinta com o Boavista (meias-finais).
E se há um empate com a Ovarense?

<p n=17804>
A segunda parte começou com excelente combinação Zé Ribeiro-Ghany-Tozé,
mas Jorge Silvério concluiu mal o cruzamento do extremo da casa. Sousa, a
dar o ritmo, e Tozé, em arrancadas fortes, eram os homens que
desequilibravam a balança, mas Duílio, num livre, ainda obrigou Helder à
defesa da tarde (62'). O golo surgiu então, num passe rasgado de Mito
para Tozé, na esquerda, este não conseguiu driblar o defesa mas tirou um
cruzamento a que correspondeu Jorge Silvério da melhor forma. Jesualdo
Ferreira ainda fez entrar Miranda, o Estrela pressionou nos últimos
minutos, mas sem conseguir oportunidades.

<p n=17805>
Pedro Silva, da Recer/Boavista, venceu ontem, ao «sprint», a segunda
etapa da Volta ao Algarve e mantém a camisola amarela. O ciclista
«axadrezado» correu os 175 Km da tirada no tempo de 4 horas, 48 minutos e
8 segundos, à média de 39,107 Km/hora.

<p n=17806>
Eram decorridos apenas 2 quilómetros, quando Viriato Duarte (Paços de
Ferreira/C. Quintanilha) encetou a primeira fuga, ao qual se juntaram,
aos oito Km, mais dois ciclistas, César Fernandes (Bom Petisco/Tavira) e
Amilcar Neves (Ruquita/Philips), que chegaram a dispor de um avanço de 2
minutos e meio em relação ao pelotão.

<p n=17807>
Cerca de metade dos 22 jogadores escoceses convocados para a selecção
que, a 1 de Maio, estará em San Marino, para disputar mais um encontro de
apuramento para o Europeu de 1992, na Suécia, encontra-se ao serviço de
clubes ingleses. Escócia e San Marino fazem parte do Grupo 2 de
qualificação para o campeonato da Europa, juntamente com a Roménia,
Bulgária e Suiça. A lista completa dos convocados escoceses é a seguinte:
Goram (Hibernian), Money (ST Mirren), Maxwell (Motherwell), Nicol
(Liverpool), Malpas (Dundee United), Gough (Rangers), Mckimmie
(Aberdeen), Mcleish (Aberdeen), Mcpherson (Heart of Midlothian),
Gillespie (Liverpool), Mcstay (Celtic), Mcinally (Dundee United), Mccall
(Everton), Mcallister (Leeds), Collins (Celtic), Macleod (Hibernian),
Strachan (Leeds), Mcclair (Manchester United), Gallacher (Coventry),
Robertson (Heart of Midlothian), Durie (Chelsea) e Nevin (Everton).

<p n=17808>
O quinto campeonato da Europa de futebol feminino, de que Portugal não
faz parte, terá a participação de 23 equipas, e a fase final vai decorrer
no primeiro semestre de 1993. O sorteio, realizado em Zurique, dividiu as
23 selecções em sete grupos de três equipas e um grupo de duas, que vão
defrontar-se até final de 1992. Os quartos-de-final realizar-se-ão entre
10 e 18 de Outubro (a 1ª mão) e entre 7 e 15 de Novembro (a 2ª mão). O
sorteio determinou os seguintes agrupamentos: grupo 1, Noruega, Bélgica e
Suiça; grupo 2, Dinamarca, Finlândia e França; grupo 3, Inglaterra,
Islândia e Escócia; grupo 4, Suécia, Espanha e Irlanda; grupo 5, Holanda,
Grécia e Roménia; grupo 6, Jugoslávia e Alemanha; grupo 7, Itália,
Checoslováquia e Polónia; grupo 8, Hungria, União Soviética e Bulgária.

<p n=17809>
A segunda eliminatória do torneio de ténis feminino de Barcelona, dotado
com 225 mil dólares em prémios, não forneceu grandes surpresas, com as
principais favoritas a garantirem a continuação em prova. A
norte-americana Martina Navratilova (nº1), as espanholas Arantxa Sanchez
(nº2) e Conchita Martinez (nº3) e a francesa Julie Halard (nº8) não
sentiram dificuldades para vencer os seus jogos.

<p n=17810>
O navegador francês Cristophe Auguin é o virtual vencedor da BOC
Challenge, a corrida à volta do Mundo de velejadores solitários, depois
de ter chegado em primeiro lugar a Newport, Rhode Island, no termo da 4ª
e última etapa. O anterior líder da prova, o também francês Alain
Gautier, com problemas na vela grande, não estava em condições de
concluir a prova a tempo de anular a vantagem que o seu compatriota já
conseguiu nesta etapa. Auguin sucede assim na lista de vencedores da
competição ao seu compatriota Philippe Jeantot, vencedor das duas edições
anteriores e que deverá terminar este ano na 3ª posição.

<p n=17811>
«O caso da semana -- continua um mistério sobre o treinador do Inter para
1991/2». Este o título da edição de ontem da «Gazzeta dello Sport»,
adiantando já que Pellegrini, o presidente do Inter, vai pedir a
Trapattoni para ficar. Se o técnico insistir em ser libertado para a
Juventus, Pellegrini colocará uma condição: um substituto à altura, entre
Bianchi e Mondonico. Os dois têm contrato, respectivamente com o Roma e o
Torino. Bianchi não deve ser autorizado a abandonar a equipa da capital
italiana, mas o técnico do Torino terá dito ontem que o acordo é
possível. Uma vez mais, sempre que um clube italiano procura um novo
técnico, o nome de Eriksson é falado, mas Pellegrini afirma que o técnico
do Benfica não será o mais indicado para a sua equipa, devido ao seu
carácter «fleumático e frio». As preferências do presidente do Inter
recaem sobre o temperamento mais quente dos treinadores italianos.

<p n=17812>
O estádio Giuseppe Meazza, conhecido como S. Siro, foi distinguido com o
prémio «Ingersol rand Itália-90», destinado a premiar as grandes
construções efectuadas por todo o Mundo. O prémio, referente a 1990, foi
atribuído ao estádio onde o Sporting joga hoje a passagem à final da Taça
UEFA. O prémio é também um reconhecimento à Câmara de Milão e aos
arquitectos Giancarlo Ragazzi e Enrico Hoffer Tell'Edilmond, os
responsáveis pelo projecto, realizado expressamente para o «Mundial» de
1991.

<p n=17813 assunto=desporto>
Esta é a grande oportunidade do futebol da Jugoslávia. Nunca uma equipa
do meu país chegou à final da Taça dos Campeões, mas já uma vez o Estrela
Vermelha esteve tão perto, ou mais, do que está agora. Lembro-me bem
porque eu já jogava, era o meu primeiro ano como senior. Na primeira mão
da meia-final, no Maracanã de Belgrado, ganhámos 4-1 ao Panatinaikos. Já
toda a gente fazia contas para a final e perdemos 3-0 em Atenas. Foi o
dia mais triste da minha vida, chorei como uma criança. Aliás, eu era uma
criança -- tinha só 17 anos.

<p n=17814>
Toda a gente sabe o talento que existe no futebol jugoslavo, que é o
Brasil da Europa porque todos os anos exporta dezenas de jogadores. Essa
produção de talentos explica-se pela escola, porque sempre houve
condições de trabalho. Os pelados, no meu país, acabaram há quinze anos.
Mas sempre houve grandes jogadores na Jugoslávia.

<p n=17815>
Marinho Peres não está impressionado com o ambiente que se espera em S.
Siro e diz que o Sporting jogará «para ganhar». Dúvidas do técnico do
Sporting, apenas na possível colocação em campo de Litos, para «reforçar
o lado direito do meio-campo». Nesse caso, saíria Gomes, e Cadete seria o
único avançado da equipa.

<p n=17816>
A equipa sportinguista efectuou na tarde de ontem o seu último treino
antes do jogo, numa sessão de aproximadamente uma hora, composta por
exercícios fisicos ligeiros, uma peladinha e marcação de grandes
penalidades, enquanto Ivkovic «sofria» nas mãos do adjunto Dominguez.
Marinho Peres confirmou no final do treino ter já definido a equipa
titular, mas só a anunciará na hora do jogo. Apesar da grande procura de
bilhetes, o Sporting encontrou o estádio Giuseppe Meazza completamente
vazio. Ao contrário do que aconteceu em Alvalade, que viveu em clima de
festa os dias que antecederam o jogo da primeira mão, com filas para
comprar bilhetes e muitos adeptos, S. Siro encontrava-se ontem quase
fechado -- e bastante frio. À hora do jogo a temperatura deve baixar até
aos 3 a 4 graus, mas nem tudo são más notícias: o relvado do estádio foi
melhorado e está em boas em condições.

<p n=17817 assunto=desporto>
As grandes dúvidas para a segunda mão das meias-finais das competições
europeias centram-se na Taça UEFA, apesar de a Juventus ter ainda uma
palavra a dizer na Taça das Taças, frente ao Barcelona. De resto, o
favoritismo vai, inteirinho, para as equipas que venceram na primeira
mão. Só que na Taça UEFA todos os encontros começam com o resultado em
0-0...

<p n=17818>
Na Taça UEFA tudo está em aberto nas meias-finais, pois um nulo sem golos
foi o resultado dos primeiros jogos das meias-finais. Como é óbvio, uma
certa vantagem teórica pende para os agora visitados Inter de Milão e
Roma, embora Sporting e Brondby possam causar uma surpresa.

<p n=17819>
O antigo banco da família Espírito Santo, agora público, quer retomar a
sucursal de Angola, ocupada a seguir à independência. Alexandre Vaz Pinto
nega que existam negociações concertadas com o grupo Espírito Santo. Esta
estratégia deverá, contudo, assentar como uma luva aos interesses do
grupo privado, principal candidato à privatização do BESCL.

<p n=17820>
«É provável que isso aconteça ainda este ano», admitiu Alexandre Vaz
Pinto, acrescentando que o BESCL tem mantido contactos regulares com as
autoridades, nomeadamente com o Banco Nacional de Angola, e com os
responsáveis das Finanças, «apesar de até agora não ter sido possível
retomar a actividade».

<p n=17821>
Vinte instituições bancárias assinaram ontem um acordo com a Junta de
Crédito Público, para o exercício deste ano, sobre a actividade de
operador especializado em valores do Tesouro. O Estado passa, deste modo,
a dispor de canais mais eficientes e agressivos para proceder à colocação
dos títulos da dívida pública.

<p n=17822>
Os operadores saem também beneficiados, uma vez que passam a contar com
importantes reduções no montante dos custos de transacção. Inicialmente,
os custos de transacção em bolsa passam de 0,25 por mil para 0,2 por mil,
beneficiando ainda de um desconto adicional de mais 50 por cento sempre
que se efectuem sobre as carteiras «próprias» das instituições. Este
regime funcionará apenas transitoriamente e até que possam ser plenamente
aplicadas as modalidades previstas na Lei de Enquadramento do Mercado de
Capitais (lei Sapateiro).

<p n=17823>
O Banco Português do Atlântico aumentou, no dia 19 de Abril e conforme
acordado em assembleia geral de 21 de Março, o seu capital social de 20
milhões de contos para 35 milhões. O aumento de capital, realizado por
incorporação de reservas, foi efectuado mediante a emissão de 15 milhões
de acções com o valor nominal de mil escudos, distribuídas na proporção
de 0,75 novas acções por cada acção detida (três novas acções por cada
quatro actualmente detidas). Dos 15 milhões de contos, cerca de 2,388
milhões provieram de reservas legais, cerca de 5,507 milhões de reservas
de reavaliação e o remanescente de outras reservas.

<p n=17824>
Da mesma forma, na Bolsa de Valores de Lisboa, as acções do BTA foram as
responsáveis pelo maior negócio da sessão, com mais de 42 mil títulos a
mudar de mãos por um valor próximo dos 192,5 mil contos.

<p n=17825>
Na Alemanha, a derrota eleitoral do chanceler Helmut Kohl no seu estado
Natal fez precipitar a queda do marco contra o dólar, num movimento que
foi apenas sustentado pela forte intervenção dos bancos centrais
europeus, bem como pelos indicadores económicos favoráveis divulgados
ontem.

<p n=17826>
A primeira fase do Europarque vai custar mais de seis milhões de contos e
a Associação Industrial Portuense (AIP) tem já um plano de financiamento
do projecto, que inclui o recurso a fundos do Feder e a um empréstimo de
um milhão de contos a contrair junto do BEI -- Banco Europeu de
Investimentos, soube o PÚBLICO junto da Direcção da associação.

<p n=17827>
As empresas Endiama, de Angola, e a SPE, portuguesa, assinaram um acordo
com o grupo zairense Saicam para a prospecção e exploração de diamantes
no curso internacional do Rio Cuango, foi ontem anunciado em Luanda.

<p n=17828>
A Associação Industrial do Minho vai enviar uma missão empresarial a Cabo
Verde, integrada na 3ª Feira de Produtos e Serviços Portugueses, que se
realizará na cidade de Mindelo. A visita, prevista para decorrer entre 19
e 26 de Junho próximo, tem por objectivo «promover e potenciar a economia
minhota» nos mercados africanos, que já «constituem uma vertente
estratégica de grande relevância». Quanto à feira de Mindelo, refira-se
que os associados da AIMinho têm condições preferenciais de participação.

<p n=17829>
A Alemanha vai emitir 1,17 milhões de dólares (175,5 mil contos) em
títulos de dívida pública destinados a financiar a reconstrução da
ex-RDA. A operação será realizada pelo Treuhandanstalt, o organismo
responsável pela condução dos processos de privatização de cerca de oito
mil empresas da antiga Alemanha do Leste, sendo colocada sob a forma de
papel comercial, com prazos que variam entre os sete dias e os dois anos.
O anúncio, ontem efectuado, da colocação desta dívida surge no mesmo dia
em que o ministro das Finanças da Alemanha, Theo Waigel, referiu que os
fundos públicos a disponibilizar na recuperação económica da ex-RDA
equivalem a cerca de 15 vezes o capital mobilizado pelo Plano Marshall
para a reconstrução da ex-RFA após a Segunda Guerra mundial. Segundo o
responsável alemão, serão investidos 994 dólares (cerca de 149 contos)
por habitante em 1991, enquanto os fundos do Plano Marshall não
ultrapassaram os 71 dólares por habitante da ex-RFA. Theo Waigel apelava
ao «optimismo» da população da Alemanha de Leste, confrontada com as
estatísticas mais recentes que referem que a ex-RDA representa apenas um
doze avos do PIB da Alemanha ocidental, enquanto a população oriental é
um quarto do total de habitantes da ex-RFA.

<p n=17830>
Face à insuficiência da oferta existente no mercado para responder
activamente às necessidas que o sistema apresentava, a taxa de juro nas
24 horas foi subindo ao longo da sessão até ao nível de 65 por cento, o
que teve como consequência o anúncio do banco central de que hoje, dia
24, iria ceder liquidez comprando Bilhetes do Tesouro e eventualmente
outros títulos da dívida pública pelo prazo de dois dias, para assim as
instituições de crédito puderem cumprir as suas reservas mínimas legais.

<p n=17831>
Pelo menos 11 bancos centrais europeus estiveram ontem a vender dólares
maciçamente, numa acção concertada, liderada pelo Bunsdesbank, alemão. A
acção deveu-se ao nível a que a moeda norte-americana chegou na
segunda-feira (o mais alto desde a queda do Muro de Berlim), depois de
uma forte subida sentida em praticamente todos os mercados mundiais. A
grande preferência do «bilhete verde» em relação ao marco alemão, na
segunda-feira, esteve intimamente ligada ao insucesso eleitoral de Helmut
Kohl na Renânia-Palatinado, provocando compras maciças de dólares por
parte dos operadores dos restantes países, em detrimento do marco.

<p n=17832>
A moeda norte-americana tinha posição compradora a meio da sessão em Nova
Iorque, a 1,7415 marcos, depois de na abertura a posição ser de 1,7555
marcos. Da mesma forma, em Londres, fechou ontem nos 1,741 marcos, contra
os 1,7655 registados na véspera.

<p n=17833>
Foi ontem inaugurada em Torres Vedras, pelo ministro da Indústria e
Energia, Mira Amaral, a primeira fábrica de sistemas de automatismos
bancários em Portugal.  Surgindo da cooperação entre a PDSL (Papelaco
Desenvolvimento de Sistemas, Lda) e o CCISEL (Centro de Cálculo do
Instituto Superior de Engenharia de Lisboa), e apoiado pelo
PITIE-Programa Integrado de Tecnologias de Informação e Electrónica, este
projecto vai entrar no mercado nacional «através de uma forte
competitividade do produto», conforme referiu o presidente do conselho de
administração da Papelaco, Duarte Silva.

<p n=17834>
A tecnologia que foi agora desenvolvida em Portugal vai originar no
futuro diversos sistemas de ATM. Serão disponibilizados modelos para o
interior (em empresas, bancos, supermercados, etc.), para o exterior e
terminais «self-service» para consultas, pagamentos de serviços e
reservas (como, por exemplo, de bilhetes de futebol, de cinema, de
comboio, etc).

<p n=17835>
A Somincor-Sociedade Mineira de Neves Corvo, S.A. fechou o exercício
económico de 1990 com resultados líquidos na ordem dos 17,3 milhões de
contos, o que representa  um acréscimo de 61 por cento relativamente aos
lucros conseguidos no ano anterior. O volume de vendas cifrou-se em 41,6
milhões de contos e o «cash-flow» em 21,6 milhões, números que reflectem
também um crescimento de 33 e 43 por cento, respectivamente.

<p n=17836>
O investimento realizado pela Somincor no ano passado orçou os 7,7
milhões de contos, elevando para mais de 73 milhões o montante global já
imobilizado pela empresa. O quadro de pessoal também aumentou em cerca de
20 por cento, contando agora com 1100 trabalhadores.

<p n=17837>
A privatização, até Julho, de quatro empresas da RN, tem tudo para ser um
sucesso. Compradores não faltam. Apenas a Transporta se encontra numa
situação mais complicada: ou o comprador entra em acordo com a CP ou
constroi dois terminais. Senão, a empresa pode parar.

<p n=17838>
Para além da Tertir, também uma empresa espanhola e a CP poderão
desempenhar um papel de relevo na privatização da Rodocargo e da
Transporta. As condições de privatização desta última empresa de
camionagem apresentam, no entanto, características especiais, uma vez que
sobre ela pende, desde há três anos, um diferendo com a CP que poderá
inviabilizar a sua normal laboração.

<p n=17839>
A TAP não quer perder a oportunidade de alargar a sua actuação no mercado
ibérico e Sul de França. A LAR tem os aviões ideais para fazer estes
voos. Depois de estudado o mercado, juntaram-se as duas. Tudo começará no
dia 1 de Maio.

<p n=17840>
Na área dos negócios, é de destacar desde logo os voos Lisboa-Bilbau, em
princípio aquele que maior risco apresenta em termos de procura. Estes
voos realizar-se-ão às segundas e sábados, com [preços de ida e volta]
entre 47.200 escudos e 93.800 e uma duração de duas horas. No mesmo pano
de fundo pode pôr-se o voo Lisboa-Vigo, às terças e quintas; demorará uma
hora e vinte cinco minutos e custará entre 30 mil e 48 mil escudos.
Lisboa-Santiago de Compostela é outro destino de negócio mas com uma
maior componente turística, principalmente de turismo religioso. Os voos
acontecerão às segundas e quintas, em uma hora e vinte minutos e por
36.500 até 57.800 escudos.

<p n=17841>
O IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao
Investimento) alargou a sua actuação -- tradicionalmente orientada apenas
para a indústria -- às empresas do comércio e serviços (com excepção das
comunicações, transportes e turismo).

<p n=17842>
-- Não ultrapassem 1.700.000 contos de vendas anuais (limite actualizado
todos os anos em função da taxa de inflação).

<p n=17843>
Na sequência do recente desenvolvimento do «franchising» em Portugal e
com o aparecimento de novos produtos, novos modos de consumo, novos
mercados, tornou-se indispensável a realização de salões dedicados às
novas formas de comércio. Com um esquema próprio de incentivos para o
desejado dinamismo do nosso comércio, as empresas e os vários actores
neste ramo em Portugal devem preparar-se para o impacte de 1993.

<p n=17844>
Prevê-se que esta 3ª edição do Salão conte com a presença de numeroso
público interessado e que, pela representatividade da sua oferta, se
torne um local privilegiado de informação.

<p n=17845>
Face às novas exigências da modernização e dinamismo que se impõem ao
comércio português, os empresários procuram soluções inovadoras para a
gestão e apetrechamento dos estabelecimentos. A informatização dos pontos
de venda é uma das soluções possíveis, que a curto prazo será inevitável.

<p n=17846>
Do ponto de vista da distribuição, existe a possibilidade de recorrer à
informatização para constituir um sistema central de «stocks» que faz a
gestão automática de artigos por armazém. Um sistema deste tipo permite
uma grande facilidade no controlo das existências e das saídas,
diminuindo significativamente o tempo na saída dos produtos do armazém.
Este sistema, quando ligado aos pontos de venda (de lojas próprias ou de
franchisadas) possibilita um maior e mais rápido apoio em termos de
encomendas e requisições e na efectuação de estatísticas de vendas.

<p n=17847>
Dedicada ao tema «A Franchise em Portugal», realizou-se na sede da APF
(Associação Portuguesa de Franchising) uma mesa-redonda que contou com a
participação da dra. Teresa Catarino (presidente da APF), da dra. Isabel
Farrajota, do dr. Miguéns Cardoso (Triunfo), do dr. Rogério Tavares
(advogado) e da dra. Pascale Lagneaux (directora-geral da APF).

<p n=17848>
P. -- Nessa época existiam já marcas estrangeiras no mercado que chegaram
através da «franchise», mas não havia ainda um grande movimento nesse
campo.

<p n=17849>
Duas das maiores companhias de alumínio do Japão e a Alcan Pacific -- uma
subsidiária da Alcan Aluminium, do Canadá -- decidiram desenvolver a
tecnologia de reciclagem de folha de alumínio, anunciou um porta-voz da
Nippon Light Metal Company. As três companhias iniciarão brevemente o
desenvolvimento da tecnologia de reciclagem, bem como o estudo de formas
de recolha de folha de alumínio usada. Apesar de o Japão ter reciclado em
1990 cerca de 42,5 por cento das suas latas de alumínio, a reciclagem de
folha de alumínio (um das mais comuns utilizações domésticas deste metal)
tem sido quase nula, admitiu o mesmo porta-voz à agência Reuter.

<p n=17850>
Ervas utilizadas pela medicina chinesa são eficazes no tratamento da sida
e podem, pelo menos temporariamente, apagar do sangue os vestígios dos
vírus, afirmou Wu Boping, um médico especializado em medicina tradicional
chinesa, numa conferência internacional realizada em Pequim. Este
especialista referiu o caso de doentes em África que tinham inicialmente
registado resultados seropositivos nos testes de pesquisa de anticorpos
do vírus da síndrome e que, depois de submetidos a tratamento com ervas
medicinais, acusaram um resultado negativo. No entanto, sublinhou que as
suas pesquisas, realizadas no Quénia, tinham ainda um carácter
preliminar, sendo cedo para tirar conclusões.

<p n=17851>
O futuro dos dois grandes programas espaciais europeus, o vaivém Hermes e
a plataforma Columbus, vai ser decidido no dia 10 de Julho, em Bona, por
ocasião da conferência de ministros responsáveis pelo espaço dos 13
países membros da Agência Espacial Europeia (ESA), sendo provável que um
programa de investigação dedicado ao ambiente venha a juntar-se aos
restantes.

<p n=17852>
O Hermes deverá ser um avião espacial com três tripulantes, que será
lançado no «nariz» de um foguetão Ariane-5 adaptado e poderá efectuar
missões de 8 a dez dias. Os industriais europeus agrupados no consórcio
EuroHermes, decidiram há cerca de um mês reduzir em dez por cento o
orçamento inicial da nave, mas agora terão de submeter novamente as suas
novas opções ao veredicto dos ministros.

<p n=17853>
A cooperação transnacional no desenvolvimento de tecnologias para a
construção de estradas está no centro dos debates e demonstrações de um
seminário sobre o tema que hoje termina em Lisboa.

<p n=17854>
Trata-se de uma iniciativa promovida por um consórcio   que reúne o LNEC
e mais outros nove laboratórios que recebeu cerca de 180 mil ECU (cerca
de 31 mil contos) do programa comunitário SPPRINT («Strategic Programme
for Innovation and Technology Transfert») para promover contactos
transnacionais entre empresas que se dedicam à construção e conservação
de estradas.

<p n=17855>
Os dadores de sangue na Dinamarca vão passar a ser sujeitos a um teste de
despistagem da hepatite C. A decisão coube ao Parlamento dinamarquês e
surge na sequência de informações segundo as quais naquele país poderão
existir entre 2.000 a 5.000 pessoas atingidas pela doença, que é
extremamente grave.

<p n=17856>
Segundo as últimas estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS),
poderá haver cerca de 40 milhões de seropositivos -- pessoas infectadas
pelo vírus da sida -- no ano 2000, dos quais dez milhões serão crianças.
Os peritos pensam que, além dos estragos que a sida continuará a fazer em
África, a progressão da doença se irá acelerar na Ásia e na América
Latina. Actualmente, o número total de casos de sida assinalados à OMS
por 162 países é de 345.533. Esse número é porém considerado apenas como
a parte visível do «iceberg» dos indivíduos contaminados.

<p n=17857>
O PRIMEIRO-MINISTRO da Eslováquia, Vladimir Meciar, foi ontem demitido
das suas funções pelo «presidium» do Conselho Nacional Eslovaco -- o
Parlamento regional de Bratislava --, numa tentativa para pôr termo à
crise política nesta região da Checoslováquia. Meciar, que assumiu a
chefia do Governo eslovaco após as eleições de Junho de 1990, foi
substituído pelo vice primeiro-ministro Jan Carnogursky, de 47 anos, um
dirigente do Movimento Democrata-Cristão.

<p n=17858>
Para além da demissão, o presidium abriu um inquérito às actividades do
dirigente nacionalista eslovaco, acusado de ter utilizado abusivamente os
arquivos da StB, a ex-polícia secreta do regime. Sob Mecar pende ainda a
suspeita de ter efectuado em Março, quando visitou a URSS, negociações
secretas com generais soviéticos sobre vendas de armas.

<p n=17859>
O VICE-primeiro-ministro da Eslovénia, Joze Mencinger, entregou na
segunda-feira o seu pedido de demissão ao primeiro-ministro da república,
Lojze Peterle, após manifestar o seu desacordo quanto à política
secessionista desta região da federação jugoslava.

<p n=17860>
«A renúncia a este mercado seria uma catástrofe», sublinhou o antigo
responsável esloveno, que nos últimos meses vinha aumentando as críticas
aos seus colegas de gabinete, que pretendem declarar a independência da
Eslovénia em Junho. Num plebiscito realizado em Dezembro, a maioria dos 2
milhões de eslovenos pronunciou-se claramente pela independência desta
região, que faz fronteira com a Hungria, a Áustria, e a Itália.

<p n=17861>
O GOVERNO CONSERVADOR de Londres livrou-se ontem, formalmente, do mais
pesado fardo político que desde Abril do ano passado causou uma enorme
onda de protestos: foi anunciado a fórmula que substituirá o odiado «poll
tax», o imposto municipal «per capita» que os britâncios -- e o
primeiro-ministro John Major -- consideraram injusto. Michael Heseltine,
agora ministro do Ambiente, anunciou, na Câmara dos Comuns, que a taxa
local seria totalmente abolida em 1993, data em que entrará em vigor a
nova modalidade. O novo imposto -- o «council tax» -- propõe o regresso ao
escalonamento dos contribuintes pelos bens de propriedade de cada um,
contrariando assim a fórmula anterior, através da qual todos os cidadãos
adultos teriam de pagar o imposto.

<p n=17862>
O TRIBUNAL Constitucional alemão confirmou ontem as expropriações de
grandes proprietários e industriais realizadas imediatamente após a
Segunda Guerra Mundial na zona ocupada pela União Soviética. A decisão
foi tomada na sequência de uma acção apresentada por catorze
expropriados, que contestavam o Tratado de União entre as duas Alemanhas
por este excluir a devolução de bens confiscados entre 1945 e 1949. Neste
período, a ex-RDA esteve sob administração directa da URSS.

<p n=17863>
Muitos meses se passaram desde o tímido tocar de mãos em Gbadolite. Marco
histórico: desde então ficaria bem patente a dificuldade do MPLA em se ir
libertando das peias de uma teoria e prática de poder único. Um ano de
sucessivas rondas de negociações e, entretanto, o que foi feito da nação?
Do saco cheio das grandes reivindicações nacionais os angolanos
preparam-se para ver sair apenas a primeira: o fim da guerra. Ao mesmo
tempo, amedrontam-se perante a expectativa de novos confrontos. A não ser
que desde já cada uma das partes se disponha a reconhecer que a outra, na
sua diferença, é parte integrante da realidade nacional, poder-se-á
mergulhar novamente numa onda de caos e violência.

<p n=17864>
-- Eleições: 15 a 18 meses [Luanda propôs primeiro 36 meses e depois 24; a
UNITA propôs primeiro 18 meses, depois 9 e a seguir 12]

<p n=17865>
James Baker interrompeu subitamente a sua «tournée» no Médio Oriente para
se encontrar no Cáucaso com o seu homólogo soviético, Alexander
Bessmertnykh. Poderá ser significativo o facto de, entre a Síria e
Israel, o secretário de Estado dos EUA passar hoje pela URSS.

<p n=17866>
Sabe-se que Bessmertnykh deverá deslocar-se em breve ao Médio Oriente,
embora as datas da viagem e o itinerário ainda não tenham sido fixados,
revelou ontem o porta-voz do Ministério soviético dos Negócios
Estrangeiros. É possível que o chefe da diplomacia soviética inclua
Israel na sua «tournée», mas esta informação não foi confirmada
oficialmente. Recorde-se que uma das condições colocadas pelo Governo
israelita para aceitar a participação soviética na conferência é o
reatamento das relações diplomáticas entre os dois países.

<p n=17867>
O EX-COMUNISTA búlgaro Christo Danov continua afinal à frente do
Ministério do Interior de Sófia. A sua demissão foi anunciada na
segunda-feira à noite pela TV búlgara, na sequência do escândalo
provocado pela publicação dos nomes de suspeitos colaboradores da antiga
polícia secreta. Mas ontem de manhã o mesmo órgão de comunicação
desmentiu a notícia.

<p n=17868>
Já há meses se especulava sobre os nomes que a comissão parlamentar teria
identificado, mas o escândalo estalou na segunda-feira com a publicação,
em três jornais, de uma lista de suspeitos.

<p n=17869>
DOIS PORTA-VOZES soviéticos, Vitali Ignatenko, da Presidência, e Vitali
Tchurkin, dos Negócios Estrangeiros, anunciaram, um após outro, que uma
nova cimeira, a quinta, entre Gorbatchov e Bush, adiada desde Fevereiro,
já tem data marcada: início de Junho. Cerca de uma hora depois, três
porta-vozes norte-americanos, entre os quais o da Casa Branca, Marlin
Fitzwater, esclareciam «desconhecer qualquer acordo, qualquer indicação
de qualquer informação» sobre o assunto.

<p n=17870>
O desentendimento surgido entre as duas capitais poderá ter tido origem,
conforme soube o PÚBLICO, em depoimentos do embaixador dos Estados Unidos
na URSS e em eventuais contactos deste com o Governo soviético. O chefe
da missão diplomática americana confirmou recentemente, e em público, que
o impasse sobre a data do novo encontro Bush-Gorbatchov estaria
ultrapassado.

<p n=17871>
A passagem de um ano do primeiro encontro formal de conversações para a
paz em Angola sob mediação portuguesa poderá motivar os dois beligerantes
a adoptarem um primeiro acordo. Mediação e observadores pressionam os
angolanos.

<p n=17872>
Ontem, ao fim da tarde, realizou-se uma reunião plenária do mais alto
nível que poderia ser determinante para a viabilização desse objectivo.

<p n=17873>
Tudo começou a 21 de Março de 1990. Presente nas comemorações da
independência da Namíbia, o secretário de Estado dos Negócios
Estrangeiros e da Cooperação, Durão Barroso, teve um primeiro encontro a
sós com o Presidente José Eduardo dos Santos. É nesta reunião que começa
a desenhar-se o papel de Portugal de mediador do conflito angolano.
Consolidava-se a confiança do Governo nesta possibilidade. Para o Governo
português existia a convicção de que a UNITA estava receptiva a tal
eventualidade.

<p n=17874>
24 e 25 de Abril  -- Delegações do MPLA e da UNITA encontram-se pela
primeira vez sob mediação portuguesa, em Évora. A delegação do Governo de
Luanda apresenta um plano de nove pontos. No final, uma acta do encontro,
que conta com a presença, por Portugal, de Durão Barroso e do seu chefe
de gabinete, António Monteiro, afirma a intenção de se efectuar um novo
encontro. Três dias depois, o mediador declara que o caminho para a Paz
em Angola «é longo, muito longo».

<p n=17875>
FONTES CURDAS disseram-se ontem optimistas em relação às conversações com
as autoridades iraquianas sobre a autonomia do Curdistão. «As negociações
encaminham-se numa boa direcção», disse um porta-voz da guerrilha à
agência Reuter. A ronda da capital iraquiana, até agora sem resultados
assinaláveis, entra hoje no quinto dia.

<p n=17876>
Paris disse que vai instalar um hospital de campanha e que1200 soldados
franceses participarão nas operações de socorro. A CEE já desembolsou 117
milhões de dólares e anunciou que está pronta a instalar campos de
refugiados no Iraque. Londres enviou um regimento dos Royal Marines, com
cerca de cinco mil soldados, para instalar os centros de refúgio. Tóquio,
Bona, Oslo e Copenhaga preparam também os seus auxílios.

<p n=17877>
ENQUANTO os «bulldozers» abriam, ontem, o caminho para a instalação, em
Talmon B, do segundo colonato judaico deste ano nos territórios ocupados,
as vias da paz na região tornavam-se um pouco mais acidentadas.

<p n=17878>
Ambos os colonatos foram erigidos pelo movimento religioso Gush Emunim,
grupo que recebe apoio financeiro governamental para construir casas e
infraestruturas em aproximadamente 150 colonatos judaicos na Cisjordânia
e na Faixa de Gaza. O Gush Emunim conta com um forte apoio no seio do
Governo de direita de Shamir. Segunda-feira, o primeiro-ministro
reiterou, aos membros do partido Tehiya, que ameaçaram abandonar a
coligação se o Governo deixasse de criar colonatos, a sua recusa em
trocar terras por paz.

<p n=17879>
O PRESIDENTE Frederik de Klerk da África do Sul rejeitou ontem em Londres
o pedido do Congresso Nacional Africano (ANC) para a formação de um
Governo de transição antes da abertura de negociações multipartidárias.
«Opomo-nos, por princípio, à ideia da suspensão da actual Constituição;
não estamos na Namíbia ou no Zimbabwe», afirmou aos jornalistas,
reconhecendo, no entanto, que é necessário encontrar «disposições
transitórias» durante o período de negociações.

<p n=17880>
Londres e Pretória vão estreitar ainda mais os laços quando Douglas Hurd,
ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, visitar a África do Sul, no
Verão. A deslocação foi confirmada pela Reuter junto de fonte oficial,
após um encontro entre De Klerk e o primeiro-ministro John Major,
acompanhado pelo próprio Hurd. A visita do titular do Foreign Office
abriria a possibilidade, segundo fontes britânicas, de uma visita oficial
de Major à África do Sul.

<p n=17881>
O Partido Comunista soviético testa hoje, uma vez mais, a sua paciência
face ao descalabro económico federal. Os cenários vão desde a pouco
provável demissão de Mikhail Gorbatchov à repetição de uma prática que já
caracteriza a perestroika: críticas e auto-críticas para tudo continuar
como dantes.

<p n=17882>
De acordo com a citada agência, «na Praça Velha [Staraia Plochad], sede
do CC do PCUS, fala-se abertamente da demissão de Gorbatchov do cargo de
secretário-geral». No «Pravda», um dos seus mais conhecidos jornalistas,
Anatoli Karpichev, defende o líder  contra aqueles que desejam
desforrar-se da perestroika. Depois de constatar que o PC não tem
alternativa ao seu actual chefe, aconselha os comunistas a não se
precipitarem para que não aconteça que, «primeiramente, cortem a cabeça
e, depois, chorem pelos cabelos e peçam novamente socorro».

<p n=17883>
VÁRIAS DEZENAS de romenos foram feridos pela polícia, entre os quais
quatro jornalistas, na sequência das manifestações de segunda-feira
organizadas para marcar o primeiro aniversário do movimento de protesto
anti-comunista frente à Universidade de Bucareste, violentamente esmagado
pelas forças governamentais (e depois pelos mineiros), denunciou ontem a
Liga de Defesa dos Direitos Humanos na Roménia, sediada em Paris.
Centenas de pessoas foram obrigadas a dispersar, na noite de anteontem,
quando a polícia, após alguns momentos de frente-a-frente, como o
documentado na foto, começou a disparar e a agredir indiscriminadamente.
A mesma organização salientou que a nova onda de violência surgiu três
dias depois de Petre Roman ter prometido a François Mitterrand,
formalmente, que o seu Governo respeitaria a liberdade de expressão. Mas
as palavras de ordem mais repetidas na segunda-feira -- «Comunistas!»,
«Securitate!» e «Assassinos!» -- são reflexo do que muitos romenos pensam
do actual Executivo. E são sobretudo espelho das suspeitas de parte da
população: tem ou não o Governo de Bucareste elementos da ex-polícia
secreta de Nicolae Ceausescu?

<p n=17884>
Uma canção -- «Havemos de voltar às nossas casas abandonadas» -- acompanhou
o desfile militar que precedeu a partida de um primeiro contingente
angolano para o aeroporto.

<p n=17885>
«MPLA-PT - esperança do povo angolano», é o «slogan»principal de uma
campanha que na verdade começa hoje, com um Congresso extraordinário, e
só deve terminar em Outubro de 92, com eleições. Entre muitas mudanças
aguardadas, Eduardo dos Santos pode deixar a chefia do partido. É o
momento da «revolução».

<p n=17886>
Eduardo dos Santos deverá abandonar o partido para se dedicar em
exclusivo aos assuntos do Estado, numa altura em que o Presidente da
República precisa ser um verdadeiro árbitro entre várias tendências
políticas, para harmonizar o período de transição e poder chegar-se às
primeiras eleições sem os receios da repetição dos fenómenos de 1975.

<p n=17887>
A reconstrução da Rua das Portas de Santo Antão e sua transformação em
via reservada a peões, no troço que vai da Rua dos Condes ao Rossio,
custará à Câmara de Lisboa cerca de 87.300 contos, mais cerca de sete mil
de IVA, e será feita pela firma Mota e Companhia.

<p n=17888>
Depois da fase abrangida na proposta que Machado Rodrigues tem pronta,
está prevista uma intervenção ao nível do mobiliário urbano, que será
coordenada pelo vereador Vítor Costa, dando-se assim forma a uma intenção
anunciada pelo município, desde o mandato anterior, de vedar aquela zona
ao trânsito. J.M.R.

<p n=17889>
A aprovação do relatório e contas da Câmara Municipal de Alcobaça
referente ao ano de 1990, suscitou polémica na Assembleia Municipal de 19
de Abril. Para a bancada comunista estão em causa 22 mil contos de gastos
«sem uma justificação convincente».

<p n=17890>
Posição contrária manifestou Arnaldo Rebelo, independente pelo PS, ao
afirmar que os membros da assembleia «têm o bom senso de não discutir
problemas que não conhecem». «Isto é para economistas e contabilistas!
Para isso estão os técnicos da Câmara! Não é de admirar que ninguém nesta
Assembleia venha discutir aqui números, porque é capaz de entender que
não tem capacidade para os discutir em termos técnicos».

<p n=17891>
Música quente para esta noite no Rossio. A Fausto e à sua banda vão
juntar-se no palco ao ar livre os percussionistas Dino (da Guiné),
Massias (de Angola) e Marcelo Salazar (do Brasil).  Serão o prato forte
do espectáculo comemorativo do 25 de Abril organizado pela Câmara de
Lisboa e que arrancará, pelas 22h00, com a projecção de um vídeo de 17
minutos alusivo à data, com banda sonora que recorre a músicas de José
Afonso, Carlos Paredes e Charlie Haden.

<p n=17892>
Nascido em 1937, em Lisboa, onde frequentou as faculdades de Direito e
Letras, Martins Pereira expõe desde 1961, quando se estreou no III Salão
dos Novíssimos.

<p n=17893>
Dois macacos descem de uma liana para o pescoço curvado de uma girafa. 
Dois meninos, um branco e outro negro, deslizam pelo «escorrega» amarelo
com manchas castanhas, brincando no meio das  duas árvores que enchem o
cartaz da Quinzena da Cultura Africana -- que ontem começou na Escola
Preparatória nº1 do Vale da Romeira, no Seixal.

<p n=17894>
Depois, cinco crianças plantaram uma goiabeira, um arassaz, uma
bananeira, uma palmeira e um dragueiro, cada árvore representando uma
nação. Esta iniciativa conta com o apoio da autarquia do Seixal e das
embaixadas dos cinco países africanos: Cabo Verde, Angola, Moçambique, S.
Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau.

<p n=17895>
A circulação ferroviária no ramal Figueira da Foz-Pampilhosa, na Linha da
Beira Alta, estava interrompida à hora do fecho destas páginas -- e desde
a noite de segunda-feira --, devido à acção de um grupo de populares, em
protesto contra a insegurança nas passagens de nível.

<p n=17896>
A CP enviou uma equipa para remover os obstáculos e fazer uma inspecção
técnica, mas pelo menos até ao princípio da noite de ontem não tinha sido
retomada a circulação de comboios. Em contacto com a GNR, o PÚBLICO
apurou que o problema que persistia ontem à tarde era o das ligações
telefónicas.

<p n=17897>
A circulação ferroviária na Linha da Beira-Alta, no ramal Figueira da
Foz-Pampilhosa, esteve interrompida na noite de segunda-feira por
manifestantes da localidade de Alhadas que reclamam maior segurança nas
passagens de nível.

<p n=17898>
Uma fonte da GNR citada pela Agência Lusa adiantou que foi a falta de
resposta da CP às pretensões dos residentes que provocou o bloqueio da
noite de segunda-feira.

<p n=17899>
Os trabalhadores da limpeza dos hospitais do Desterro e D. Estefânia, em
Lisboa, vão entrar em greve amanhã, reivindicando o pagamento e
negociação de subsídios de refeição, informou o sindicato do sector. No
primeiro estabelecimento de saúde a greve terminará domingo e no segundo
a 2 de Maio.

<p n=17900>
Com o novo projecto, e na fase experimental, o pescado oriundo, por
exemplo, da Docapesca de Olhão será transaccionado, em simultâneo, nas
restantes quatro lotas, com «mais valia» para os pescadores. O novo
sistema atenuará, progressivamente, «as muitas fases de intermediação»,
levadas a cabo, «por grupos de compradores que monopolizam localmente» o
pescado, e cuja operação especulativa, inflaciona o preço do peixe no
consumo. Encarada com «grande optimismo», a nova bolsa de mercadorias
deverá estender-se, em breve, a quase todos os grandes centros,
piscatórios do país, uma vez que existe já a garantia dos necessários
apoios financeiros por parte da Comunidade Europeia.

<p n=17901>
Com os Jogos Olímpicos no horizonte, cerca 25 atletas praticam duas vezes
por semana luta greco-romana nas instalações da Sociedade Filarmónica
Rodrigues Cordeiro. Começaram há ano e meio e já conquistaram a Taça de
Portugal em 1990, e três medalhas no V Torneio Internacional da
Primavera, realizado em Loures.

<p n=17902>
Vitor Dias, de 33 anos, interrompeu a carreira de atleta durante quatro
anos, por se considerar «demasiado velho». Entretanto, o búlgaro Ivanov,
técnico da selecção nacional de luta greco-romana, incentivou-o a retomar
os combates. «Velhos são trapos», terá dito o selecionador ao atleta.
«Agora faço parte da equipa da Rodrigues Cordeiro e retomei a carreira no
V Torneio da Primavera, onde curiosamente defrontei um dos meus alunos
aqui da casa».

<p n=17903>
Dois irmãos, de 17 e 19 anos, foram baleados por um desconhecido, na
noite de segunda-feira, na Travessa do Vintém das Escolas, em Benfica,
Lisboa, na sequência de uma zanga à saída do autocarro em que viajavam.

<p n=17904>
Dos três tiros, feitos com uma pistola 6.35, um atingiu a perna esquerda
de um  dos jovens, enquanto outro projéctil se foi alojar nos orgãos
genitais do outro. O autor dos tiros fugiu, mas foi visto por uma pessoa
que passava na zona. Com base na descrição feita à polícia, duas pessoas
foram hoje interpeladas e acareadas com o mais velho dos irmãos e a
testemunha.

<p n=17905>
A Câmara Municipal de Aveiro pode vir a abandonar a Região de Turismo da
Rota da Luz, caso o actual presidente daquele organismo, Roque da Cunha,
venha a ser reeleito para um novo mandato de três anos nas eleições que
irão realizar-se no próximo dia 2 de Maio.

<p n=17906>
Esta decisão despoletou uma verdadeira guerra no seio da actual Comissão
Executiva que culminou com o pedido de demissão de Diamantino Dias e de
Joaquim Brandão de Almeida -- elementos que integram a lista de Encarnação
Dias --, que alegaram para o efeito divergências pessoais com o presidente
Roque da Cunha. Encarnação Dias chegou também a ameaçar com a sua saída,
o que provocaria a queda da Comissão, mas decidiu manter-se em funções
para não inviabilizar a realização do próximo acto eleitoral.

<p n=17907>
O último filme de Vittorio de Sica consegue ser, ao mesmo tempo, um
grande filme e uma adaptação perfeita da obra literária em que se baseia,
o romance homónimo de Giorgio Bassani, cuja qualidade principal -- a de
evocar com delicadeza melancólica o perfume de um paraíso perdido -- é
admiravelmente traduzida em cinema pelo cineasta.

<p n=17908>
Para os admiradores de Fuller, «The Naked Kiss» é um dos filmes
favoritos. Por cá, ficou inédito e, salvo duas exibições na Gulbenkian e
na Cinemateca, só agora chega ao público com o título «O Beijo da Morte».

<p n=17909>
O grande momento continua a ser o consagrado à apresentação prévia das
canções concorrentes ao 36º Concurso Eurovisão da Canção 1991. Que sorte
têm os que se lembram da primeira transmissão deste concurso! Apenas em
1964 participou o nosso Portugal no certame. Sentado no chão, junto ao
sofá da televisão, não me lembro de nada -- mas deve ter sido importante
para todos nós a prestação confessional de António Calvário. Por sorte, e
para fazer o «raccord» desta prosa com o ano distante aqui evocado, temos
hoje a nossa querida representante a cantar!

<p n=17910>
«À partida, a regionalização inquieta e suscita a resistência dos
interesses e privilégios ligados aos aparelhos centrais do Estado e dos
partidos do Poder. Para os seus beneficiários, é o mesmo que
fraccionamento, pulverização e atentado à unidade nacional.»

<p n=17911>
Apesar de ser um leigo no assunto, as vendas das casas e os problemas de
habitação sempre me preocuparam bastante, devido a ser jovem. Embora não
tenha posto algum no Governo, vejo as coisas do seguinte modo.

<p n=17912>
Apesar de ser um leigo no assunto, as vendas das casas e os problemas de
habitação sempre me preocuparam bastante, devido a ser jovem. Apesar de
não ter algum posto no Governo vejo as coisas do seguinte modo:

<p n=17913>
1 -- Como a minha filha se vai candidatar a medicina e terá de fazer uma
prova específica, se não ficar bem preparada, por estes acidentes, de
quem será a culpa? Li no PÚBLICO que os professores exigem pelo pequeno
segmento do vencimento que lhes está em dívida juros de mora. Acho muito
bem. Mas não será de o Governo pensar também num IRS qualquer para
implementar àqueles que, neste momento, em vez de produzir sabedoria,
estão interessados na reprodução duma ignorância acrescentada?

<p n=17914>
Sou pai duma jovem que frequenta a Escola Belém-Algés, em Lisboa, no 12º
ano. E estou espantado com o que lá se tem passado ultimamente. Na
primeira semana de aulas houve um dia de aulas e nos outros subsequentes
está a haver cincoenta por cento de aulas por semana. Motivo: à volta de
35% de professores ainda não deram classificações e param para os dar,
mas como há uma dúzia deles, que não dão mesmo, então a Escola vive no
regime de «stop and go». É espantoso.

<p n=17915>
Quando o Kuwait foi invadido pelo Iraque, o Presidente dos EUA
apressou-se a libertar o Kuwait, não hesitando em dar as vidas dos filhos
da sua nação para pôr cobro ao massacre dos kuwaitianos, e prometeu uma
nova ordem mundial.

<p n=17916>
Quando o Kuwait foi invadido pelo Iraque, o Presidente dos EUA
apressou-se a libertar o Kuwait, não hesitando em dar as vidas dos filhos
da sua nação para pôr cobro ao massacre dos kuwaitianos, e prometeu uma
nova ordem mundial.

<p n=17917>
Todavia, sendo um elemento do sistema de relações internacionais
produzido depois da guerra, todo o funcionamento da organização, e dos
seus orgãos e dependências, começa por reflectir apenas a situação da
própria comunidade que o construiu, ou simplesmente aceitou.

<p n=17918>
Vasco Lourenço será o único orador da tradicional manifestação
comemorativa do 25 de Abril, em Lisboa, que amanhã descerá a Avenida da
Liberdade, em direcção ao Rossio. A decisão -- que rompe com a prática de
anos anteriores, de dar a palavra a porta-vozes de todos os sectores
apoiantes do desfile --, mereceu o desacordo de vários membros da comissão
promotora das comemorações, entre os quais independentes como Luísa Irene
Dias Amado e Alcina Bastos, e representantes do PSR, da UDP e do PC(R).

<p n=17919>
Outro tanto não aconteceu com os membros da comissão promotora indicados
pelo PSR, a UDP e o PC(R), nem com independentes como Luísa Irene Dias
Amado e Alcina Bastas. Estes sustentaram, segundo as nossas fontes, que
tratando-se da «única manifestação verdadeiramente unitária da esquerda,
não fazia sentido que não se desse a palavra a todos os seus componentes»
e refutaram o argumento básico de António Abreu alegando que «tão maçudas
eram diversas intervenções de um minuto cada, como um só discurso de
vários minutos».

<p n=17920>
Soares ainda não escolheu a data para fazer entrar na AR a sua mensagem
sobre comunicação social. Maio poderá ser o mês, entre uma carregada
agenda presidencial. Amanhã, é dia do já consensual discurso do 25 de
Abril.

<p n=17921>
Maio servirá também para o Presidente reforçar a sua equipa de
assessores. O especialista em macro-economia desejado em Belém deverá
entrar em funções por essa altura, aguardando-se a sua chegada do
estrangeiro para limar as arestas que farão de João Ferreira do Amaral
assessor presidencial para os assuntos económicos. Independente, tido
como próximo do PS, o «eleito» é irmão de Joaquim Ferreira do Amaral, um
dos ministros coqueluche do actual Governo, e de Augusto Ferreira do
Amaral, ex-líder do PPM. Em «low-profile» (há quem diga que o seu segundo
mandato só começará, de facto a 7 de Outubro, no dia seguinte às
legislativas), Soares vai arrumando a casa, continuando em «lista de
espera» para o reforço da assessoria de imprensa de Belém o nome do
radialista Mário Figueiredo.

<p n=17922>
A visita, em breve, de uma delegação de empresários portugueses a Argel e
a possível criação de uma comissão mista luso-argeliana e a próxima vinda
a Lisboa do seu homólogo argelino constituiram as principais novidades
fornecidas ontem por João de Deus Pinheiro, em Argel, na primeira escala
da sua ronda por alguns países do Magrebe. Deus Pinheiro apresentou-se na
capital argelina com o objectivo não só de discutir o relacionamento
futuro no âmbito da Presidência portuguesa da Comunidade Europeia, mas
também de desenvolver as relações bilaterais entre Portugal e a Argélia.
O ministro dos Negócios Estrangeiros português, que chegou ontem de manhã
a Argel, foi recebido pelo Presidente Chadli Benjedid e manteve duas
reuniões com o seu homólogo Sid Ahmed Ghozali, tendo no final deste
encontros afirmado que deles saiu a determinação dos dois países
reforçarem os seus laços em várias áreas. A balança comercial entre os
dois Estados assinala presentemente um défice acentuado para Portugal,
tendo Deus Pinheiro indicado serem necessários esforços para o corrigir,
tanto mais que Portugal estuda a possibilidade de adquirir gás natural
argelino. O MNE português seguiu ainda ontem para Tunes, onde hoje se
avista com o Presidente tunisino Vin Al-Abidine Ben Ali.

<p n=17923>
Oitenta por cento das pessoas auscultadas no âmbito de uma sondagem
efectuada no concelho de Coimbra «não sabem» quem é João Rui de Almeida,
a figura eleita pelos orgãos federativos locais para encabeçar a lista do
PS de candidatos a deputados pelo círculo eleitoral de Coimbra. A
sondagem, encomendada por um grupo de bancários socialistas do distrito e
realizada pela empresa «Mega-Visão», cujos resultados foram ontem
divulgados pela Lusa atribui uma percentagem de 75 por cento às pessoas
que acham que Manuel Alegre é «uma figura pública de prestígio distrital
e com projecção nacional». A sondagem corresponde a 250 entrevistas
efectuadas por telefone, mediante questionário estruturado e os trabalhos
de campo tiveram lugar no dia 17 de Abril. Recorde-se que Osório Gomes,
presidente do sindicato dos bancários do centro, foi um dos nomes também
excluídos da lista de candidatos a deputado por este círculo.

<p n=17924>
Narana Coissoró poderá suspender o mandato de deputado caso o seu nome
venha a figurar apenas em quarto lugar na lista do CDS por Lisboa.
Adriano Moreira e Nogueira de Brito podem seguir-lhe o exemplo. E a
distrital de Lisboa quer agora indicar dois dos quatro primeiros nomes
pela capital. Entretanto, a Comissão Directiva já indicou os nomes de
todos os cabeças de lista.

<p n=17925>
A decisão final sobre a lista de Lisboa deverá ficar encerrada na próxima
semana, mas a distrital do CDS da capital pretende vir a indicar dois dos
quatro primeiros nomes, o que segundo decisão do Conselho Nacional entram
na quota reservada à Comissão Directiva. Declarações à Lusa de uma fonte
da distrital invocam o caso do Porto segundo o qual aquela distrital,
apesar de competir à Directiva a indicação dos três primeiros nomes,
conseguiu impôr o de Basílio Horta para cabeça de lista e o do presidente
daquela estrutura, Rocha dos Santos que figura em terceiro lugar, tendo a
direcção centrista  acabado por escolher apenas o nome de António Lobo
Xavier. Freitas do Amaral no final da reunião de segunda-feira comentou
que «terá havido um mal-entendido» e que a distrital do Porto não tinha
que apreciar a escolha dos três primeiros nomes como Rocha dos Santos
declarou ir fazer.

<p n=17926>
O Parlamento chumbou ontem três projectos-lei relativos à gestão das
escolas, subscritos respectivamente pelo PCP, PS e deputados
independentes Jorge Lemos e José Magalhães. O debate ocorreu, por
coincidência, no dia em que o Presidente da República, Mário Soares,
promulgava o decreto-lei governamental sobre a mesma matéria. Duas
aprovações de «substância»: a «nova» Lei do Serviço Militar Obrigatório,
aprovada em votação final global com os votos favoráveis da maioria e do
PS, abstenção do CDS e os votos contra do PRD e do PCP e a Lei do
Referendo (ver última página), a primeira lei orgânica do pós-revisão
constitucional, votada na especialidade no plenário parlamentar.

<p n=17927>
Respondendo às críticas do «regresso dos reitores», Vaz Freixo, do PSD,
justificou a necessidade de uma «distinção conceptual entre direcção,
administração e gestão», defendendo que o novo diploma do Governo
«inaugurará uma nova era para a escola portuguesa inserida num sistema
educativo em construção». Nos projectos em discussão, criticou as
«soluções de continuidade». E afirmou que todas as questões que estes
deixavam em aberto, seria resolvidas daqui em diante, com o decreto-lei
publicado.

<p n=17928>
As negociações entre o PCP e a UDP com vista à inclusão de candidatos a
deputados democratas-populares nas listas da CDU parecem avançar. Nesse
sentido, os dirigentes comunistas Domingos Abrantes e José Casanova
apresentaram ontem uma «proposta concreta», no encontro de quase duas
horas que mantiveram com os dirigentes da UDP Luís Fazendas e Carlos
Santos e que decorreu na sede nacional do PCP.

<p n=17929>
Já quanto aos círculos em que os elegíveis da UDP poderão vir a ser
apresentados ao eleitorado, o dirigente comunista limitou-se a referir
que essa era uma «questão secundária», que não tinha sido discutida.

<p n=17930>
Rocha Vieira vai prosseguir as «linhas mestras» traçadas pela
administração de Melancia. Alterá-las «seria injusto e não teria
eficácia». Ontem, em Belém, o próprio Carlos Melancia ficou a saber desta
intenção do novo governador, que ouviu entre outros elogios que lhe foram
dirigidos quer por Rocha Vieira, quer por Mário Soares.

<p n=17931>
E é a pensar em 1999 que o novo governador estabelece como prioridade
«desenvolver na zona formas diversificadas de organização económica
abertas às rápidas mudanças na economia mundial». Segundo Rocha Vieira, a
aplicação desse princípio constituiria a garantia mais eficaz de
preservação de Macau «como símbolo histórico da coexistência entre o
Ocidente e o Oriente» e a forma mais realiata de defender o interesse da
população do território.

<p n=17932>
O cantor José Mário Branco, o advogado Pinto Ribeiro e Francisco Louçã,
são três dos cinco prováveis oradores do comício com que o PSR abre, no
próximo dia 15 de Maio, no Fórum Picoas, a sua pré-campanha eleitoral em
Lisboa. Os dois restantes serão escolhidos por uma equipa que já se
encontra a trabalhar na preparação da iniciativa e que, para além dos
intervenientes cujos nomes já estão decididos, inclui o activista dos
movimentos de solidariedade com a América Latina, António Marques.

<p n=17933>
O mesmo se passou com as listas de candidatos a deputados, objecto de um
primeiro debate que não foi além da definição dos critérios a empregar na
escolha. Ainda aqui, foi visível a preocupação com a abertura a
independentes e, entre estes, a personalidades com representatividade
regional.

<p n=17934>
O secretário de Estado da Comunicação Social, Albino Soares, disse ontem
em Lisboa que a empresa gestora do transporte e difusão do sinal
televisivo -- Teledifusora de Portugal, EP -- passará hoje a sociedade
anónima. Albino Soares falava na cerimónia de posse de dois dos três
membros do Conselho de Administração da Teledifusora de Portugal, Franco
Dias e Arménio Matias. Albino Soares referiu que os responsáveis da
Teledifusora terão «uma tarefa muito árdua» a desempenhar no exercício
das suas funções e assumem «uma grande responsabilidade» perante a RTP,
os investidores privados de televisão e os portugueses.

<p n=17935>
O médico Maurício Neves, especialista em Urologia, faleceu anteontem à
tarde, em Maputo, vítima de doença prolongada e com a idade de 82 anos.
Maurício Neves exercia clínica em Moçambique há mais de 50 anos e era
pessoa muito conhecida em todo o país, assim como de milhares de
portugueses que aqui residiam antes da independência. Foi dos primeiros a
reconhecer a importância da medicina tradicional moçambicana, tendo
pugnado pelo estudo das plantas de valor terapêutico comprovado.

<p n=17936>
O mosteiro «Mater Dei» das irmãs «Servas de Maria», situado a quatro
quilómetros da cidade de Nampula, foi vítima pela terceira vez em 20 dias
de um assalto à mão armada, segundo apurou a Lusa. O último assalto foi
assinalado na noite de sexta para sábado, quando um grupo de pelo menos
cinco homens armados de catanas e uma arma automática invadiu o mosteiro,
disparando para atemorizar as religiosas. Acabaram por abandonar o local
depois de saquearem diversos bens.

<p n=17937>
Um congressista afirmou que os três aeroportos nova-iorquinos têm mais
problemas de segurança do que a FAA (Federal Aviation Administration)
fixou há três anos mas a organização negou a existência de quaisquer
perigos. Os aeroportos da cidade têm poucos e mal treinados controladores
aéreos, insuficiente e desactualizado equipamento e ineficientes
procedimentos de controlo dos aviões, de acordo com o senador democrata.

<p n=17938>
O PRESIDENTE da Bulgária, Zhelyu Zhelev, afirmou ontem que o seu governo
vai «dar um empurrão» à investigação do atentado contra o Papa, em 1981,
porque acredita que os seus predecessores comunistas poderiam ter actuado
por cumplicidade na tentativa de assassínio. «Penso que esta nova
investigação é necessária, porque estou convencido de que o nosso regime
comunista era capaz de tal acto», disse Zhelev a um programa televisivo
italiano.

<p n=17939>
Os anteriores governos búlgaros têm negado qualquer conexão  com Agca e
com o atentado. A alegada «ligação búlgara» caiu por terra quando, em
1986, um tribunal de Roma considerou não haver provas suficientes para
condenar três turcos e três búlgaros acusados de conspirarem com Agca
para matar o Papa.

<p n=17940>
Timorenses preparam vigília para a primeira noite do Papa em Lisboa. Na
Madeira, os horários de dois jogos de futebol estão a ser um
quebra-cabeças para as autoridades regionais. Novos pormenores da segunda
visita do Papa a Portugal.

<p n=17941>
Uma delegação do Vaticano, liderada pelo mestre de cerimónias do Papa,
monsenhor Marini, encontra-se já no Funchal para preparar os pormenores
relacionados com a missa.

<p n=17942>
Um forte sismo abalou na segunda-feira a América Central, provocando a
morte de pelo menos 43 pessoas na Costa Rica e no Panamá. O tremor de
terra foi o pior na zona desde 1910. «Parecia o fim do mundo», descreveu
um sobrevivente.

<p n=17943>
Henri Haessler, cientista do Instituto de Física do Globo, de
Estrasburgo, explicou que o sismo resultou do choque de duas placas
tectónicas médias, situadas ao largo da costa atlântica: a Placa Cocos e
a Placa Caraíbas.

<p n=17944>
Um pouco de sexo, dois bonitos adolescentes e paisagens exóticas. O
resultado é lamentável num filme em que mesmo o mestre de fotografia que
é Nestor Almendros se limita ao estilo bilhete postal.

<p n=17945>
Billy Wilder regressa a «Sunset Boulevard», agora localizado numa ilha da
costa italiana onde se refugiou uma mítica actriz de cinema. Anos depois,
procura regressar à tela e surge tão radiosa como antes. O segredo da
juventude é cruel e sinistro. «O Segredo de Fedora» é um filme povoado
pelos fantasmas de uma época gloriosa, numa espécie de rito final
encenado de forma quase fúnebre. De novo William Holden é o estranho que
vai rasgar os véus que escondem a realidade, no fim de contas tão
fantástica como a própria ilusão alimentada ao longo dos anos.

<p n=17946>
De um lado Raquel Welch, do outro, Ronny Cox. De um lado a luta de uma
mulher pelos direitos das minorias étnicas; do outro, um professor
violentamente racista. No meio, os alunos da escola secundária de uma
pequena cidade.

<p n=17947>
Filme de produção canadiana, que traz a marca «de qualidade» no cinema
para «infância e juventude». O realizador é Michael Rubbo e o produtor
Rock Demmers, considerados especialistas no género. Em «A Solução da
Manteiga de Amendoim», a história gira em torno de um garoto muito
curioso que se atreve por uma casa que julga assombrada. Por incrível que
pareça, os fantasmas aparecem. O medo é tanto que Michael (assim se chama
o menino) perde todo o seu cabelo. Mas os fantasmas simpáticos
fornecem-lhe a fórmula mágica que lhe restitui os caracóis. Na manteiga
de amendoim está a solução.

<p n=17948>
Uma das mais perfeitas comédias sofisticadas dos anos 30, sobre a
história de um casal divorciado que se reconcilia após várias e
divertidas peripécias. Reconhece-se o tema de «Casamento Escandaloso»,
mas também o de uma das primeiras longas metragens de McCarey, «Part Time
Wife». O par mais elegante de Hollywood, Cary Grant e Irene Dunne, juntos
pela primeira vez, com Ralph Bellamy no rival de Grant (papel que
retomará em «O Grande Escândalo»). Seria esta obra a dar o primeiro Óscar
a McCarey, no mesmo ano em que fazia o filme que mais amava, «Make Way
for Tomorrow».

<p n=17949>
O melodrama familiar de que a televisão norte-americana tem o hábito de
se socorrer, nos momentos em que a imaginação falha. Quase sempre,
admita-se. De novo, o casamento, o divórcio e o tecido familiar que se
destrói. Conta com a interpretação de Linda Gray, a Sue Ellen de
«Dallas».

<p n=17950>
Com «Alice», Woody Allen faz para Mia Farrow o correspondente a «Annie
Hall» para Diane Keaton. Talvez seja isso que provoque uma certa sensação
de «dejá vu». Mas, em Allen, o próprio «dejá vu» surge com uma conotação
sempre nova. Se «Alice» retoma o itinerário de uma emancipação feminina,
não o faz pelos mesmos processos do anterior. Mais, Woody Allen
«apaga-se», não surgindo como mentor dessa transformação senão por via
indirecta (ele é o realizador e, logo, o deus «ex-machina» da mudança).
Por outro lado, a ironia é maior, na medida em que deixa de ter qualquer
contacto com o real e a cientificidade, que em «Annie Hall» se
manifestava pelo papel da psicanálise na mudança de personalidade da
personagem. Esta dá lugar à fantasia, o que aproxima «Alice» desse outro
filme «fantástico» de Woody Allen: «Comédia Sexual numa Noite de Verão».
Shakespeare e Bergman são aqui substituídos por Lewis Carroll e Fellini
(«Julieta dos Espíritos»). Mas a sua posição é sempre a de um intelectual
americano (a influência do seu cinema, de James Whale a George Cukor,
através de «Mulheres», como bem apontou Mário Jorge Torres no PÚBLICO de
19 de Abril). Mesmo que, apesar de tudo, não o consideremos como dos
melhores de Allen, «Alice» mantém a mesma coerência no percurso solitário
do seu autor. M.C.F.

<p n=17951>
Destaque-se desde já. «Casamento por Conveniência» é um bonito filme.
Talvez, até, o melhor desse director irregular que é Peter Weir
(«Piquenique em Hanging Rock», «O Ano de Todos os Perigos»). Mas dizer-se
que um filme é «bonito» poderá ser mal interpretado. Não é apenas um
filme bem feito, agradável ao olhar e aos sentidos. É também um filme em
que os persnagens têm uma componente mais humana do que a maioria do
cinema de hoje. Não são bonecos articulados ou bonecas insufláveis.
Pulsam neles os vícios e as virtudes de todos nós, as fraquezas e os
erros, mas também a capacidade de sacrifício e de amor. «Casamento de
Conveniência», se quisermos encontrar um paralelo no cinema, poderia
colocar-se junto das comédias dramáticas dos anos 40, de «Penny Serenade»
e «Gente a mais, Casas a menos» de George Stevens, por exemplo, que é,
medidas as distâncias, o seu equivalente (falta-lhe um Gunga Din e um
Shane, mas não se pode ter tudo).

<p n=17952>
Segundo volume do ciclo mexicano de Blueberry, «O Homem que Valia 500.000
dólares» surge em Portugal quase 20 anos depois de ter sido publicado
pela primeira vez. Não perdeu frescura e revela um Giraud de primeira
água.

<p n=17953>
A pedra de toque deste ciclo, iniciado com «Chihuahua Pearl» (edição da
Meribérica-Liber, como o presente álbum), é um acontecimento verídico, o
desaparecimento do chamado «tesouro dos confederados»: em 1865, no final
da Guerra da Secessão, o presidente confederado Jefferson Davis ordenou
que a reserva de ouro fosse retirada do banco de Richmond para não cair
nas mãos dos nortistas. Durante a viagem, o ouro desapareceu e quando
Davis foi feito prisioneiro não deu qualquer informação sobre o
respectivo paradeiro. Em 1867, depois de ter sido posto em liberdade,
emigra para o Canadá, onde acaba os seus dias sem qualquer tipo de luxos.
Apesar das muitas investigações, o tesouro nunca foi encontrado e
continua a proporcionar até aos nossos dias numerosas interrogações.

<p n=17954>
Há seis anos atrás, Osmarino Amâncio Rodrigues nunca tinha ouvido a
palavra ecologia: «Pensei que fosse alguma sobremesa que eu nunca tivesse
provado.» Mas desde então, os elos do sindicalista brasileiro com o
movimento ecológico proporcionaram-lhe um grande número de inimigos.
Actualmente, tem guarda-costas que seguem todos os seus movimentos -- e
dorme em muitas casas diferentes. Isto constitui uma mudança considerável
na vida deste tímido homem, a quem toda a gente no Brasil chama Osmarino.
Mas muita coisa mudou na floresta equatorial amazónica desde o
assassinato, em 1988, de Chico Mendes, cuja luta para pôr termo à
desflorestação acabou quando um criador de gado local o matou a tiro. A
tragédia galvanizou esforços a nível mundial para salvar a floresta -- e
criou a necessidade de um novo líder. Osmarino foi esse homem.

<p n=17955>
Mesmo alguns dos seus mais fervorosos apoiantes concordam que Osmarino
tem pouca diplomacia: «Ao contrário de Mendes, Osmarino tem um estilo
desafiador e tende a utilizar uma linguagem agressiva» -- diz Mary
Alegretti, do Instituto de Estudos Amazónicos. Osmarino não nega: «Eu
admirava a paciência do Chico e a sua moderação, mas não consigo
modificar-me.» Mas, na verdade, já se modificou. Após uma infância de
trabalho em que não lhe sobrou tempo para ir à escola, ele apendeu
sozinho, já adulto, a ler e a escrever. O seu novo papel obrigou-o a
ultrapassar o medo que tinha de andar de avião, para poder encontrar-se
com outros ambientalistas e políticos na Europa e nos Estados Unidos.
Contudo, o mais importante foi que, aos 33 anos, Osmarino teve que mudar
a sua atitude face à morte: «Sempre que estou em público, tento
esquecer-me do perigo à minha volta. Imagino que estou num baile e que a
única forma que tenho de o aproveitar bem é concentrar-me na música.»

<p n=17956>
Em 1895, quando os irmãos Lumière fazem as primeiras projecções públicas
do cinematógrafo, a música ocidental estava possuída pelo «acorde do
Tristão». O cromatismo da obra wagneriana levara a um limite que ameaçava
dissolver os fundamentos tonais em que se baseara a música europeia ao
longo de três séculos. Era o momento em que se forjava a grande síntese
final mahleriana, mas também em que o «Prelúdio À Sesta de Um Fauno» de
Debussy anunciava, para o novo século, a modernidade musical.

<p n=17957>
«Silent» dizem os anglo-americanos, «mudo» dizemos nós e outros, para
designar o período anterior à sincronização do som. «Silent» não foi,
antes «mudo», porque se o som estava presente através da música com que
as projecções eram acompanhadas, o que faltava era propriamente a
palavra.

<p n=17958>
Para um país que produz mais de 20 por cento dos gases que ampliam o
efeito de estufa no planeta, os Estados Unidos têm sido lentos a tomar
providências no que diz respeito ao aquecimento global do planeta. Mas,
num relatório saído em meados de Abril, uma comissão da Academia das
Ciâncias americana advertia que a utilização da atmosfera como esgoto
industrial podia, num futuro próximo, alterar as temperaturas entre 1 a 4
graus centígrados e exigia que se tomassem medidas para a limitação das
emissões de gases entre 10 a 40 por cento com um custo mínimo para a
economia. Segundo um economista e professor da Universidade de Yale,
William Nordhaus, «vale a pena fazer pequenos investimentos hoje para
abrandar a alteração do clima e nos prepararmos para ela».

<p n=17959>
Um dos exemplos maiores da importância da Fundação Gulbenkian na
actividade cultural em Portugal são os Encontros de Música Contemporânea,
cuja 15ª edição decorrerá de 30 de Abril a 11 de Maio. Segundo um
comunicado de imprensa, «estes Encontros têm a particularidade de
apresentar uma temática nova e particularmente aliciante: a da relação
entre a música e o cinema, ilustrada com uma série de sete espectáculos
com música ao vivo».

<p n=17960>
«Os tribunais são órgãos de soberania com competência para administrar a
justiça em nome do povo», nos termos nº 1 do artº. 205º da nossa
Constituição. E quando se age em nome de alguém, um dos mais elementares
deveres é o de prestar contas...

<p n=17961>
A instituição do júri, por exemplo, sobretudo da forma como nos é
apresentada pelo cinema/televisão, faz-nos acreditar numa justiça de
«homens bons», enraizada na comunidade social em que é praticada. Mas a
realidade é bem mais complexa: basta atentar no facto de na escolha dos
membros do júri se poder, na prática, ganhar ou perder uma causa, por
razões que nada têm a ver com a justiça.

<p n=17962>
Filme decisivo na carreira de Visconti, «Senso» foi em geral percebido
como uma ruptura, um afastamento em relação ao neo-realismo, a que
Visconti dera a sua obra inicial, «Ossessione», uma das mais radicais,
«La Terra Trema», e uma das mais empenhadamente «denunciadoras» da
manipulação pelo espectáculo, «Belissima».

<p n=17963>
Se ruptura houve, importa notar que ela se verificou nomeadamente a nível
produtivo. Em completo contraste com as condições dos anteriores filmes,
«Senso» foi uma grande produção, com a marca registada da então muito
prestigiada Lux. Esta inclusão numa produção dominante acarretou uma
aproximação a géneros correntes, e concretamente a um, então prolífero e
ilustrado sobretudo por Carmine Gallone, o filme-ópera, sobretudo na sua
vertente chamada de «ópera paralela», ou seja, recolhendo apenas alguns
trechos capitais de determinada obra lírica, integrando-os numa outra
acção, eco da da ópera.

<p n=17964>
Ávidos de desenvolvimento, frequentemente governados por regimes
ditatoriais e corruptos, com baixos níveis de vida e culturais, os países
em vias de desenvolvimento têm sido as principais vítimas da destruição
do ambiente provocada por um crescimento desregrado. Mas ultimamente, à
medida que o nível de consciência cívica vai aumentando, estes países têm
visto surgir movimentos ecologistas organizados, geralmente de âmbito
local, cujas acções começam a ser coroadas de sucesso. Uma equipa de onze
jornalistas da Newsweek fez o retrato da situação em torno do Globo.

<p n=17965>
Este ano, o grupo de Chan está a bater-se pelo fecho da fábrica. «Eu não
creio que nenhum de nós tenha alguma vez tido a intenção de se envolver
nestas coisas por razões políticas», diz Chan. «Mas o problema ecológico
despertou-nos para o facto de existir muito pouca democracia no México.»

<p n=17966>
As organizações não
governamentais estão a revelar uma crescente habilidade política,
aprendendo como conseguir votos, discutir e planear as suas batalhas.
Cada vez mais, estão a dirigir os seus recursos para a educação das
populações e, dado que na sua maior parte são lideradas por aldeões e
trabalhadores, têm grande credibilidade entre as gentes locais. «Nós não
queremos travar todas as pequenas batalhas», diz Maathai, do Quénia. «Mas
queremos despertar a consciência e criar um eleitorado para que, na
próxima vez que nos levantarmos, não estejamos sós.» Em quase todos os
casos, estão a ser bem sucedidos.

<p n=17967>
Consumos (l/100 Km)*: 7,0 (a 90 Km/h), 8,4 (a 120 Km/h) e 13,2 (em ciclo
urbano). Depósito de 65 litros.

<p n=17968>
Dez mil e quinhentos contos -- o preço do BMW 325i -- é, grosso modo, o
preço de algumas três assoalhadas em Lisboa ou de um espaçoso apartamento
fora da capital. Quem dará tanto dinheiro por um automóvel?, pensarão
alguns leitores.

<p n=17969>
«Ela vai morrer hoje, se não encontrar a mãe», disse o homem, segurando a
rapariguita, de cinco anos, pela mão. «De frio.» Ele vira-a, vagueando,
descalça, junto de um dos quatro cemitérios improvisados do campo de
Isikveren, na fronteira turco-iraquiana.

<p n=17970>
Como estão dispostos os cubos no tabuleiro? Existem várias soluções? Qual
é a solução com um número mínimo de cubos? E máximo?

<p n=17971>
O que há a fazer, portanto, é ir deslocando os cubos ao longo das filas
1, 2, 3 e 4 até obter a correcta vista de lado, sem estragar a vista de
frente. Vejamos se é possível.

<p n=17972>
Um restaurante de «cozinha caseira» que tem uma carta de vinhos de mesa
com mais de 200 possibilidades de escolha, entre brancos, tintos e rosés
portugueses, é um caso. E se a essa circunstância junta um serviço de
vinho personalizado, executado ou orientado por um profissional
competente, transforma-se numa raridade.

<p n=17973>
Franqueada a porta, pode fazer-se um pequeno alto no bar, funcional e bem
fornecido, ou descer-se, por escada suave de madeira, para a cave, onde
se localiza a sala refeiçoeira. Aposento que, apesar da respectiva
situação, é bem iluminado e amplo. Dá para uns 90 comensais, que podem
estar ou movimentar-se sem incomodar, seja os seus companheiros, seja os
seus vizinhos de mesa. Toalhas e guardanapos brancos e de pano mais uns
carrinhos para transporte do que se come e bebe completam o quadro. Que é
animado pelas centenas de garrafas de vinho, que constituem a cave do
dia, e se alinham, ora de pé, ora deitadas, ao longo de parte das paredes
da sala. Mas já se comia alguma coisa, não é?

<p n=17974>
De Curaçao pode dizer-se que é azul, que é uma encantadora ilha tropical
ou um local alegre e cosmopolita. Mas o que nem sempre se diz é que
Curaçao é o sítio onde o exotismo dos trópicos se mistura a um
inconfundível «sabor a Velho Mundo».

<p n=17975>
Mas, para melhor compreender a ilha e todo o seu ambiente, é necessário
fazer notar que Curaçao não é nenhum grande centro turístico com dezenas
de grandes hoteis e blocos de apartamentos, como tantas outras ilhas das
Caraíbas. Curaçao é, antes de tudo o mais, ponto de encontro das grandes
rotas comerciais, com elevado número de navios a cruzar as águas do seu
porto todos os os dias, e mistura de um sem fim de nacionalidades que se
encontram juntas, não a disfrutar do calor do sol em qualquer praia de
areias brancas, mas no alegre movimento das ruas de Willemstad.

<p n=17976>
ONDE FICAR -- Em Curaçao, como em muitas outras ilhas das Caraíbas, é
dificil encontrar alojamento em pensões ou casas privadas. Existem no
entanto bastantes hoteis com preços que variam entre os cerca de 40
dólares (5.720 escudos), nos mais baratos, até 120 dólares (17.160
escudos) nos mais caros.

<p n=17977>
CONSELHOS MÉDICOS -- Não é necessária qualquer vacina especial para
Curaçao. Em todo o caso (para o que der e vier) Willemstad tem um
hospital devidamente equipado para socorrer qualquer emergência.

<p n=17978>
A Sandra Paula contou-nos algumas histórias suas conhecidas, que também
ilustrou. Escolhemos esta, chamada «O pássaro triste».

<p n=17979>
O jardineiro do palácio gostava da princesa em silêncio e logo soube que
um pássaro que todos os dias pousava no ramo das roseiras preferidas da
princesa era sem dúvida a própria, que tinha desaparecido depois do
casamento do rei com a rainha má.

<p n=17980>
Imaginem uma grande feira com muitos pavilhões envidraçados, muitos
«stands» e editoras de 54 países. Nas paredes, livros e livros e mais
livros, em muitas línguas; mas sobretudo com ilustrações tão bonitas que
quase nos dá vontade de os comprar a todos. As editoras de cada país
escolhem, antes de partir, entre os melhores livros que produziram no
último ano e quando chegam a Bolonha mostram-nos aos editores de outros
países para que eles os traduzam e editem. Assim, um livro pode viajar
sem fim e crianças de países tão distantes como, por exemplo, o Japão e
Portugal, podem ter a mesma história e ver as mesmas ilustrações. Nesta
feira podem ver-se senhores de alguma idade a verem filmes de animação,
outros, sentados nas esplanadas, a folhearem com muita atenção livros
para os seus netos, que de outra forma nunca leriam. Novos computadores
com programas especialmente concebidos para a educação e para a decoberta
de novos sons e novas cores estão ao dispor dos visitantes que os queiram
experimentar. Novos jogos e brinquedos, construções em cartolina, entre
elas uma Torre Eiffel com um metro e meio de altura e vídeos em que o
espectador pode alterar o curso das histórias. Logo à entrada da Feira,
várias exposições de ilustração, em que os visitantes podem ver os
originais depois impressos.

<p n=17981>
Também as crianças deficientes foram lembradas, tendo havido este ano a
apresentação de livros e revistas de muitos países, especialmente feitos
para eles.

<p n=17982>
Todas as histórias populares têm aplicação prática, porque, no fim de
contas, todas elas resumem experiências culturais, servindo, por isso, de
meio de educação.

<p n=17983>
Não é muito comum ver-se um simulador de barcos. A maioria dos que se
encontram no mercado referem-se a aviões e automóveis, contando-se pelos
dedos de uma mão os que dizem respeito a comboios e barcos.

<p n=17984>
Há dez anos atrás, quando a Philips desenvolveu o CD como uma nova
tecnologia que haveria de permitir uma formidável recuperação de mercado,
a conjuntura na indústria da música não era mais grave do que a actual. À
beira de uma nova recessão, a Philips volta à carga com um novo produto --
a cassete compacta digital (DCC) --, enquanto alternativa à tentativa
fracassada da Sony para impor a cassete áudio digital (DAT).

<p n=17985>
O conceito de aldeia global tem na actual cena musical sueca um um dos
seus exemplos mais típicos. Num país onde a imigração é particularmente
limitada, os mais recentes nomes com projecção internacional, como Titiyo
e agora Dr. Alban, são de imigrantes de procedência africana . Como
Titiyo, Dr. Alban avança no terreno da música de dança, mas enquanto
aquela se esforça por acompanhar o último grito nas pistas ingleses, este
segue na linha neoafricanista, do que resulta, em termos musicais, um
álbum que é uma simbiose de dialectos da música de dança, onde a house, o
rap e reggae se fundem, numa contínua celebração do Terceiro Mundo. Este
cariz politizado de «Hello Afrika» segue a velha escola de slogans e
solenidade militantes, enquanto a salada de música negra procede a
associações não menos previsíveis dos códigos que integra. Intenções tão
boas quanto vagas, muita pedalada rítmica, mas fraca inspiração
combinatória, um disco que é por isso o retrato exacto dos equívocos que
origina a pancultura de dança. **

<p n=17986>
Martin Hannett, o anjo negro da urbano-depressividade de Manchester,
morreu de ataque coração durante o sono, o que talvez tenha sido o golpe
de misericórdia num longo processo de autodestruição. Steve Marriott,
figura proeminente do rock inglês dos anos 60, faleceu também na semana
passada, mas num incêndio aparentemente acidental.

<p n=17987>
Marriott nunca passou por experiências tão traumáticas como as que
Hannett observou e viveu com os Joy Division. Martin Hannett, antigo
estudante de Química, entrou tardiamente na cena rock de Manchester,
sendo sucessivamente baixista num grupo obscuro, organizador de
concertos, empresário de uma cooperativa de músicos e engenheiro de som.
A sua transição para a produção ocorreu com a chegada do «punk» à cidade
do Northside e a sua estreia na nova função ocorreu em Janeiro de 1977,
com o primeiro EP dos lendários Buzzcocks. Um ano depois era o produtor
oficial da não menos célebre Factory, assinando colaborações com nomes
como Durutti Column, Cabaret Voltaire e Joy Division. A sua ligação com
estes últimos cedo ultrapassou os aspectos puramente contratuais, e
Hannett tornou-se rapidamente uma espécie de quinto elemento da banda, a
quem se atribui a atmosfera sombria e inquietante, tão emblemática da
banda de Ian Curtis.

<p n=17988>
Foi o quinto prémio da Academia que John Barry recolheu com a sua banda
sonora para o campeão de estatuetas deste ano, «Danças Com Lobos».
Tornou-se a especialidade do antigo compositor pop e responsável pela
famosa secção de cordas em pizzicato nos discos de Adam Faith, que depois
subiu aos tops pelas inflexões «jazzy» do seu John Barry Seven, até
entrar no negócio das encomendas para anúncios e séries televisivas. As
bandas sonoras tornaram-se o seu forte em meados dos anos 60, numa linha
em que canções são sempre menos importantes que as peças atmosféricas.
Não se desviando num milímetro dessa política, a sua partitura de «Danças
Com Lobos» é do género de, com uma sipnopse da fita, conseguir
reconstituir a acção apenas com a música. Às partes de ataque ríspido dos
violinos faz-se corresponder as cenas de «suspense» na fronteira; se a
mesma secção toca num tom mais melodramático, são as crianças índias a
ser sacrificadas; quando se ouvem os sopros, já se sabe que vem aí a
cavalaria -- e por aí fora. Considerando que uma banda sonora deve valer
por si, John Barry é o maior a fazer o contrário. ***

<p n=17989>
Primeiro single a promover aos tops a nova mistura de jazz e rap, a
canção dos Warriors surge neste maxi em três versões que, no lugar das
suas virtualidades pop, desenvolvem as ideias que a disciplina a esse
formato comercial não deixou desabrochar. Com as misturas a cargo dos
«deejays» da equipa Young Disciples, a definição é assim menos bombástica
e mais jazzística, preferindo os solos de sopros, guitarra e congas às
caixas de ritmo e refrões que comandam o baile. Uma decepção para as
massas, um bálsamo para os clubes alternativos.***

<p n=17990>
Já em Janeiro passado, quando se fizeram os balanços do ano transacto, os
analistas do mercado musical anunciavam a entrada num novo período de
depressão. Foram então apontados entre os seus principais indicadores o
fim da fase de crescimento do CD e a crise de novos valores musicais,
factores que só se agravaram com a guerra do Golfo, que veio precipitar o
colapso.

<p n=17991>
Como uma última tábua de salvação, a Rough Trade procederá à reedição da
discografia completa dos Smiths, podendo eventualmente ceder os direitos
à multinacional EMI. Para que ninguém se fique a rir, a recessão também
ataca o publicismo musical, de tal forma que o jornal «Sounds» e a
revista «Record Mirror» também fecharam, lançando no desemprego 80
jornalistas.

<p n=17992>
Nunca gravou um disco e só sabe tocar meia dúzia de notas no baixo. Mas o
rock em Portugal, o que se rotula de «rock português», é indissociável do
seu nome. António Sérgio confessa que a sua vida privada é tranquila; do
ponto de vista profissional, no entanto, sempre foi um rebelde, e não
segue outro catecismo que o das suas intuições musicais. Na Renascença,
começou por passar o que não tocava em mais lado nenhum, tornou-se o
primeiro embaixador nacional do punk, apoiou e editou algumas das
principais bandas portuguesas, instruiu e galvanizou gerações sucessivas
de consumidores musicais. Tem agora 41 anos de idade, vai festejar ao
microfone o seu primeiro quarto de século de rádio e editar o primeiro
projecto de jornalismo musical pan-europeu. As memórias, paixões e
estratégias desta instituição marginal da comunicação em Portugal estão
nas páginas centrais deste suplemento.

<p n=17993>
PÚBLICO -- De programas de rádio à edição de discos, passando pelo
apadrinhamento de grupos, tudo o que tem feito se relaciona com música.
Talvez por isso seja mais fácil começar pela única coisa que não fez.
Nunca se sentiu tentado a tocar ou a fazer música pelos seus próprios
meios?

<p n=17994>
Se o CD beneficia do bónus de cinco temas adicionais, a edição em LP
recomenda-se na medida em que «Recurring» assenta numa disjunção expressa
no corte do vinil em duas faces. O quarto e derradeiro álbum dos Spacemen
3 é, na verdade, fruto da divergência tornada pública há dois anos atrás
entre Sonic Boom e Jason Pierce, de que resultou o primeiro seguir a solo
e o segundo prosseguir com o resto da banda sob a nova sigla
Spiritualized. Constituído por material na maior parte datado dessa
altura, «Recurring» é assim um disco póstumo, com a originalidade de não
se basear mais em temas rubricados em conjunto, mas reunir os primeiros
testemunhos da desavença, sendo a primeira face só Sonic Boom e a segunda
só Jason e companhia. Trata-se de um testemunho de como a partir do
vector comum, a actualização do psicadelismo e do rock sob caução
farmacológica, se começaram a delinear duas versões alternativas. Se a
vertigem dos estados de alucinação é o denominador comum, o lado Sonic
Boom é mais obsessivo e dramático, enquanto o lado Jason é sobretudo
planante e voluptuoso. Sem ter a consistência de «Spectrum», primeiro
Boom a solo, contando que os Spiritualized devem guardar o melhor para o
álbum de estreia, «Recurring» vale pelo desenho de odisseia alucinada de
pólo a pólo, do excesso revulsivo ao cavalar analgésico. ***

<p n=17995>
Agora, Simon Booth contenta-se com fazer a apologia do humanismo dançante
em «Positive», as letras do resto do disco parecendo mais colecções de
palavras ajustadas ao estilo de fraseado de Eyvon Waite. A chave do álbum
reside, por isso, na combinação da voz soul da voz dela com as texturas
funk e jazz que eles produzem, sempre sobre uma batida certa e vagarosa.
O segundo lado de «Body & Soul» é mais variado, incluindo elementos de
rap e scratch, incursões na bossa nova e longas improvisações
jazzísticas, enquanto o primeiro lado soa mais a estereótipos de baile
com pitadas de sax e guitarras de fusão, de modo que parecem derivações
de Neneh Cherry e Soul II Soul com decorações jazz.

<p n=17996>
No primeiro teledisco O'Neal está ao balcão de uma «lanchonete» cortejado
por duas fêmeas batidas, mas avista outra mais angelical, sentada com uma
amiga numa mesa, e acaba por sair com ela num carro cuja matrícula é
«Alex». No segundo, a rapariga deixou-o, e ele aproveita para mostrar o
que a dita está a perder, ou seja, aquele corpinho que exibe com não mais
que o roupão ou o lençol entre pernas. No terceiro, as coisas melhoram e
uma pequena toda em «lamé» deita-lhe a pestanada do bar, enquanto ele lhe
lhe sussurra um «I love you» do palco. Seguem-se mais dois clips em
dialéctica sensual entre o artista em cena e as «gatas» na assistência, o
primeiro dos quais se baseia em Alex fazer censuras a uma negra num
vestido cheio de ventilação e o segundo em ele protestar por elas -- um
enorme rancho de «top models» --  só saberem censurá-lo. Toda estas
desavenças sensuais são, contudo, ultrapassadas no último teledisco, um
dueto com Cherelle, onde passam o tempo cada qual para seu canto, até
acabarem nos braços um do outro, com uma comitiva de fotógrafos
cobrindo-os de «flashes».

<p n=17997>
Os Butthole Surfers têm um som peculiar, imediatamente identificável como
uma espécie de ruído artístico, misto de apuro técnico e ideologia
subversiva. Assim se impuseram como chefes de filas das hostes
independentes norte-americanas, nos anos 80, mas, no seu penúltimo álbum
-- «Hairway To Steven» -- descobriram que o chinfrim, além de ultrajante,
pode ser parodista, procedendo então à elaborada redução ao absurdo de
consagrados rock como os Led Zeppelin. Agora, com dez anos de carreira,
mudam de patrão da Blast First para a Rough Trade, mas prosseguem a mesma
intuição em «Piouhgd», porém, numa linha que passa a sacrificar as
pretensões estéticas a uma maior exploração do aparato. A demolidora
selva de «feedback» e de ruídos furiosos persiste, sobretudo em «P.S.Y»,
a faixa que ocupa a maior parte da face B, mas o humor é muito menos
subtil nas suas novas expressões, o sarcasmo vistoso ao hino hippy «The
Hurdy Gurdy Man» (de Donovan), a farsa country & western em quatro
andamentos que dá pelo título de «Lonesome bulldog» e a anedota blues
«Goldenshowers». Não há que ter escrúpulos, e se o disco peca é por ser
ainda um produto de compromisso com os princípios de agitação artística,
pois é tanto melhor quanto mais as piadas são fortes e feias.*** L.M.

<p n=17998>
Para António Sérgio, os discos a levar para a habitual «ilha deserta»
seriam muitos, muitos mais que aqueles que lhe pedimos para nomear. Mas
como o mais difícil da questão é isolar uma quantidade limitada
pedimos-lhe que nomeasse cinco das suas últimas preferências musicais. Os
cinco álbuns que mais tempo passaram no seu «pick-up» nos últimos tempos.
Inevitavelmente foi necessário saber também dos «clássicos de sempre»,
aqueles que mais o marcaram desde que começou a ouvir música. Se nalguns
casos a sua selecção não é de todo surpreendente, no global acaba por ser
muito mais que isso.

<p n=17999>
«É um gajo que me fatasmagoria completamente. Tem três álbuns
importantíssimos e daí tive de escolher um. Foi o tipo de pessoa em que a
capacidade de escrita foi de tal modo intensa que lhe queimou o fusível
rapidamente. Ardeu como um fósforo. Sem Nick Drake havia um certo tipo de
escrita musical que nunca teria existido.»

<p n=18000>
Apesar de até aqui pouco publicitada, uma nova tecnologia computorizada
está a provocar uma pequena revolução na qualidade sonora das edições
musicais, de que está sobretudo a beneficiar o panorama de reedições em
CD dos mais antigos fundos de catálogo.

<p n=18001>
Se nestes casos a aplicação das técnicas de limpeza se pode considerar um
preciosismo, uma vez que as fitas originais até eram boas e de primeira
geração, o seu uso em relação a gravações de menor qualidade revela-se de
primeira necessidade. É a distinção que se pode testemunhar comparando as
também recentes reedições das gravações integrais da lenda do blues
Robert Johnson (Sony Music), onde a não aplicação da técnica compromete
gravações velhas de baixa fidelidade dos anos 30, e a compilação dos
singles do não menos emblemático trovador country Hank Williams
(Polygram), que soam, cerca de quatro décadas depois, como se tivessem
acabado de ser gravadas hoje.

<p n=18002>
A madeixa de cabelo sobre a cabeça rapada do cantor, o nome provocador do
grupo, um álbum de estreia repleto de provocações verbais e rock a abrir
com montes de «samplers» pelo meio, o apoio do conservador Jonathan King
nas páginas do «The Sun» -- como o caso do roubo do logotipo das vacas aos
Inspirer Carpets -- chegaram para os Carter se estabelecerem como a grande
sensação do ano passado no enclave independente inglês. Agora, o duo
londrino Jim Bob (voz e guitarra) e Fruit Bat (guitarra) procura destilar
a reputação em música mais substancial, rubricando um álbum que não
descola dos princípios de agitação, mas avança no sentido de lhes
conferir maior consistência. «30 Something» assinala assim o deslizar dos
«samplers» do miolo para a periferia das composições, as quais ganham a
forma de pequenos contos morais, cantados sempre à beira dos colapso.
Musicados a partir de um arsenal de guitarras, teclas e sopros
enfurecidos, constituem uma espécie de versão apunkalhada da linha de
delírios que vai dos Band of Holy Joy a Tom Waits -- referências mais
evidentes para os finais de cada lado, quando a avalanche de
electricidade dá lugar a números de cabaré pop. A meio caminho entre os
tiques da miudagem e uma poética superior. L.M.

<p n=18003>
Por outro lado, se esta série podia servir para repositório de
experiências um pouco mais arrojadas do que o habitual dos músicos
envolvidos, o que acaba por acontecer é que resulta numa espécie de
compilação de bons «jingles» para publicidade, provando o apuramento dos
seus autores para este género de produção, mas também a falta de
imaginação provocada pela rotina. As excepções óbvias vão primeiro para
Nuno Rebelo, que decidiu arriscar com a ex-Doce Lena Coelho, naquilo que
se poderia considerar como o tema «soft-core» da série (a presença de
Lena Coelho, mais que a sua voz, é fundamental para o mesmo), e depois
para A Sonora de Lisboa, que se estreia assim em vinil e que soa muito
mais a bar sul-americano decadente do que qualquer das outras tentativas
aqui incluídas. De notar também a boa voz da desconhecida Virginia Sal, a
prometer outros voos no tema «Bolero (Te Quiero)». Do resto salienta-se
sobretudo a competência de quem não tem muito a ver com este assunto.**

<p n=18004>
Em «Geneva 4 a.m.» ouve-se as vozes dos autores a conversarem no fundo,
sugerindo dois amigos de longa data que, acidentalmente, se reencontram
às tantas da matina, numa cidade deserta, para trocar confissões íntimas
sob forma de canções. Deve ser a ideia geral, uma vez que os Jack Frost
são, afinal, o ex-Go-Betweens Grant McLennan e o Church Steve Kilbey,
dois músicos veteranos da cena australiana que, graças à projecção
além-fronteiras dessas bandas, hoje se devem encontrar com mais
facilidade em Genebra do que no seu país natal. A sugestão é
interessante, mas o diálogo em termos musicais não flui em mais do que as
duas primeiras faixas do disco, onde de facto a explosão de guitarras à
Church combina bem com o lado mais fantasmagórico do romantismo
Go-Betweens. O resto do disco, porém, é na maior parte um corolário da
linha McLennan, que se diria servir-se da experiência sobretudo como
ensaio para a sua estreia a solo, prevista para o próximo mês. Sendo ele
o principal responsável da queda dos Betweens no barroco melodramático,
cujo pior exemplo é «Tallulah», daqui nada de bom seria de esperar. Mas,
apesar de algum maneirismo e tendência para para os embrulhos lustrosos à
custa de arranjos de cordas e efeitos ambientais, sobretudo nos temas
mais longos, McLennan faz um genuíno esforço para se controlar, daí
resultando meia dúzia de canções de simplicidade compositiva e
transparência emotiva realmente admiráveis. *** L.M.

<p n=18005>
Surgido agora no mercado, via importações alternativas, este álbum dos
Jane's Addiction, gravado ao vivo em 1987, serve como primeiro registo do
grupo, anterior, portanto, ao fabuloso «Nothing's Shocking», que os
estreou a nível global. É por isso mesmo representativo da sua fase de
afirmação no circuito americano e, hoje em dia, o repositório de temas já
bandonados pelo próprio grupo, o que neste caso pode ser de algum
significado para os ávidos fãs angariados desde então. Por outro lado é
uma amostra do que o grupo pode soar ao vivo, o que não é menos
importante pelas constantes intervenções e «deambulações» do vocalista
Perry Farrell, as quais dão um colorido especial às actuações. Mas, como
registo ao vivo que é, não pode ser comparado de igual para igual com a
luxúria sonora dos discos posteriores, servindo por isso mesmo como
documento de uma outra época do grupo. De registar as peculiares versões
de «rock'n'roll» de Lou Reed e «Simpathy» (o velho «Simpathy for the
Devil» dos Stones), aqui interpretados no «lado acústico» do disco. ****

<p n=18006>
Reunindo ex-elementos do desaparecido grupo britânico Shriekback,
nomedamente «o cérebro» Dave Allen, os King Swamp resultam da sua procura
de nova carreira, desta vez dirigida directamente ao som americano. É
assim que Allen e Steve Halliwell recrutam o vocalista Walter Wray e se
mudam para Nova Iorque, dando início a este projecto que se pretende
deixar apadrinhar pelos míticos Hendrix, Morrison e Led Zeppelin -- tudo
influências de novo na berra -- e, de um modo geral, pelo grande som dos
«bluesmen» do Sul dos EUA. O resultado ao segundo álbum do grupo não é
tanto a dívida ao tipo de genialidade crua dessas influências, mas a
aproximação ao som tipificado do rock FM americano, aqui revisto numa
perspectiva europeia, mais classista e tecnológica. Não é nada que não se
esperasse de quem decide tomar o mercado americano por alvo, mas não
deixa de ser decepcionante para quem tinha tão boas referências como os
antigos elementos dos Shriekback.**

<p n=18007>
Outra versão para um antigo tema -- facto cada vez mais corrente na
produção actual --, desta feita para uma canção dos Rolling Stones, a que
é aqui acrescentada a batida de dança conveniente às pista actuais. Se a
ideia é bem mais convencional que no disco anterior, visto não revelar
qualquer conceito para lá do que preside à adaptação sonora do tema em
questão, os efeitos não são por isso menos bons, o que significa que a
versão até é bastante feliz. O resultado final revela uma sonoridade rica
e bem conseguida, coroada pela voz feminina que recria o Jagger original
de uma forma que não surpreende mas que, pelo menos, é bastante boa. Quem
apreciou a versão de «I'm free» dos Soup Dragons tem aqui outra
referência a não esquecer. Mick Talbot, que integrou os Style Council, é
um convidado que pode servir de ponto partida para os mais cépticos.****

<p n=18008>
Esta caixa compilatória circunscreve o psicadelismo à segunda metade da
década de 60 e atribui superioridade à facção americana (sobretudo West
Coast) face à inglesa, na proporção de dois discos para um, dividindo
depois o legado americano consoante tenha sido editado em single ou só em
álbum. São princípios muito genéricos de organização e, mesmo sem se
entrar em discussões detalhadas sobre o que é ou não essencial, é
evidente que há lacunas tão grandes como Jimi Hendrix e Janis Joplin na
parte americana, ou os Pink Floyd na inglesa, havendo ainda insistências
no mínimo discutíveis, caso dos Buffalo Springfield (duas faixas) e dos
Jefferson Airplane (três temas).

<p n=18009>
«Rock Power» é o nome da revista musical a surgir brevemente por toda a
Europa, desde os países de Leste até Portugal. Concebida como um projecto
«pan-europeu», a sua intenção é cobrir tudo o que diz respeito ao
universo em expansão do hard/heavy, de uma ponta à outra do velho
continente, aproveitando sobretudo a abertura do mercado dos países de
Leste, em particular a enorme União Soviética. Um projecto desta dimensão
exige, por certo, meios e métodos especiais, que contemplem não só a sua
envergadura, mas também as características específicas de cada local onde
a revista estará disponível. Por essa razão, e para contemplar cada uma
das culturas que irá atacar, cada edição será completamente traduzida
para a língua local, por tradutores das diversas nacionalidades
envolvidas, sendo o grosso dos textos elaborados no centro nervoso deste
complexo: o Reino Unido. Cada uma das diferentes edições ainda poderá ser
contemplada com uma secção especial dedicada ao panorama metálico do país
em questão, sendo assim garantida uma pequena cota de produção nacional
de cada uma das partes envolvidas. António Sérgio é o coordenador da
equipa, que terá por missão alinhar a edição portuguesa (fundamentalmente
pessoas ligadas ao programa Lança Chamas). Um trabalho que considera ser
«um bocado pesado», não só pelo material musical envolvido, mas sobretudo
pela componente de tradução que no panorama das publicações musicais é
bastante difícil.

<p n=18010>
Os Talk Talk acabaram o contrato com a EMI e mudaram-se para a Polydor
revendo a sua carreira para a antiga editora com a compilação «Natural
History». Agora, menos de um ano depois, e aproveitando o sucesso
comercial desse disco, surge uma outra compilação de êxitos do grupo
revisitando a anterior a pretexto de remisturas. É um exemplo pouco
frequente, este das duas colectâneas consecutivas, mas não desprovido de
razões, pelo menos se pensarmos no investimento que a EMI fez no grupo ao
longo do tempo, sendo apenas compensado com esse disco.

<p n=18011>
O Estado português encaixou cerca de 2,57 milhões de contos, ao vender em
OPV realizada ontem na Bolsa de Lisboa a participação que ainda detinha
na Lisnave. Alienando por 1600 escudos cada uma das 1.607.597 acções
detidas no capital social da empresa, correspondentes a 11,69 por cento,
o Estado deixou finalmente de ser accionista dos maiores estaleiros de
reparação naval do mundo. A operação de venda destinou-se aos actuais
accionistas, que efectuaram 1550 pedidos (26 dos quais de investidores
estrangeiros).

<p n=18012>
A Comissão Eventual para Acompanhamento do caso de Timor-Leste nada
decidiu, na sua reunião de ontem, sobre a visita de uma delegação
parlamentar ao território, mas, num documento secreto distribuído aos
líderes dos partidos, o Governo aceita a passagem dos deputados por
Jacarta, ao mesmo tempo que reclama garantias de «paz e segurança» antes
e durante a visita -- eufemismo diplomático encontrado para definir a
cessação das hostilidades e possibilitar encontros com a resistência
timorense.

<p n=18013>
O mês de Julho tem sido apontado como data possível para a deslocação a
Timor, mas tudo depende da viagem prévia que funcionários da ONU e
representantes de Portugal e da Indonésia efectuarão ao território para
prepararem os aspectos logísticos da missão.

<p n=18014>
Alertar para a «asfixia financeira» da Régie Sinfonia que poderá
conduzir à «degradação e extinção» da Orquestra do Porto foi o objectivo
de um almoço promovido ontem nesta cidade por Ruy Lacerda,
ex-administrador da Régie. Mas Luís Barbosa, actual presidente da
Administração da Régie Sinfonia, e que não foi convidado para aquele
encontro, disse ao PÚBLICO que, embora haja dificuldades financeiras que
não estão ultrapassadas, «a situação está controlada» e a Orquestra do
Porto poderá mesmo iniciar a próxima temporada musical já com uma
formação sinfónica de 71 elementos.

<p n=18015>
Entretanto, a administração da «holding» divulgou ontem as contas da
empresa referentes a 31 de Março de 1991, tendo a Ocidental encerrado o
primeiro trimestre com um volume de facturação superior a 1,3 milhões de
contos. Este valor traduz um crescimento de 76 por cento face ao mesmo
período do ano anterior, tendo o ramo vida apresentado um volume de
prémios de 661,8 mil contos e os ramos reais de 667,2 mil contos. A
margem técnica situou-se nos 360 mil contos, enquanto os resultados
líquidos se situaram nos 236,5 mil contos.

<p n=18016>
JAMES BAKER TEM ESPERANÇAS -- O Secretário de Estado norte-americano,
James Baker, terminou ontem à noite, em Damasco, nove horas consecutivas
de conversações com o Presidente sírio Hafez al-Assad sobre os planos de
paz para o Médio Oriente, concluindo ter esperança de que se verificaram
«alguns progressos» na posição síria. «Penso que tivemos uma noite de
discussão muito útil e talvez amanhã de manhã possamos dar mais
pormenores», disse Baker, não revelando se o crucial apoio da Síria ao
plano norte-americano foi ou não conseguido (ver página 13).

<p n=18017>
Para Manuel Lança, comandante dos bombeiros locais, também não existem
«condições para actuar convenientemente», porque que das oito ambulâncias
da corporação, quatro estão avariadas e não existem meios financeiros
para as reparar, nem para fazer a manutenção aos próprios carros de
incêndio.

<p n=18018>
Líderes partidários entrevistados pela RTP -- O presidente do CDS, Freitas
do Amaral, será o primeiro entrevistado da nova série de entrevistas com
os líderes partidários, a transmitir pelo programa televisivo «Primeira
Página», durante os meses de Maio e Junho. Freitas concede a sua
entrevista no próximo dia 7, seguindo-se-lhe Hermínio Martinho, a 14,
Carlos Carvalhas, a 21, Jorge Sampaio, a 28, e Cavaco Silva, a 28 de
Junho.

<p n=18019>
CTT VAI FAZER AUDITORIA À CORRESPONDÊNCIA-O sistema de tratamento e
distribuição de correspondência dos CTT vai ser sujeito a auditorias
operacionais para detectar eventuais estrangulamentos que se tenham
verificado nas últimas semanas. Esta medida, determinada pelo Conselho de
Administração dos CTT, tem por objectivo «detectar situações de
anormalidade» na distribuição de correspondência, por forma a
«corrigi-las no mais curto prazo». Ultimamente, vinham a registar-se
frequentes queixas relacionadas com atrasos na correspondência normal,
provocados pelo serviço rápido «Correio Azul».

<p n=18020>
ALOOC PEDE INTERVENÇÃO DO PR-A ALOOC (Associação Livre dos Objectores e
Objectoras de Consciência) pediu ontem ao Presidente da República que
solicite a verificação preventiva da constitucionalidade da Lei de
Revisão do Estatuto de Objector. O mesmo pedido foi dirigido ao Provedor
de Justiça, numa missiva enviada igualmente à Assembleia da República.
Segundo a ALOOC, algumas normas são inconstitucionais. O factor do
Estatuto do Objector ser considerado «circunstância agravante» num
julgamento em tribunal é considerado discriminatório pela Associação. A
ALOOC contesta também o tempo do serviço cívico aprovado, maior do que o
serviço militar, por não condizer com o artigo da Constituição que afirma
que o Serviço Cívico é «equivalente» em duração e penosidade ao SMO.

<p n=18021>
As teses do acidente e do atentado foram anteriores à própria
possibilidade física de saber o que, efectivamente, tinha provocado a
queda do Cessna. Uns, receando uma dramatização política incontrolável do
acontecimento -- e uma instabilidade perigosa para o país em vésperas de
eleições presidenciais --, anteciparam a tese do acidente. Outros, mais
ligados afectivamente à memória do líder desaparecido, não encontraram
outra explicação plausível para o facto senão a de ter ocorrido um acto
de sabotagem.

<p n=18022>
Num documento secreto distribuido apenas aos líderes parlamentares, o MNE
propõe que, no caminho para Timor-Leste, os deputados aceitem passar por
Jacarta a apresentar cumprimentos aos seus homólogos indonésios em
contrapartida de garantias de «paz e segurança» que permitam deslocações
por todo o território e contactos com  a resistência. A proposta vai ao
encontro de um apelo da Convergência Nacionalista, e contempla, embora em
termos indirectos, a mais recente posição do PS para quem uma cedência
naquela matéria deveria ser acompanhada por uma cessação das hostilidades
antes, durante e depois da visita.

<p n=18023>
Nessa carta são também explicadas as formas possíveis de combustão dos
explosivos em causa: combustão lenta, provocada por uma fonte calorífica
exterior, com efeitos de destruição nulos; e combustão muito rápida ou
detonação, provocada por acção de um detonador eléctrico ou pirotécnico,
com efeitos destruidores e estampido forte dependentes da quantidade de
massa explosiva detonada.

<p n=18024>
«Herdou» a liderança do Governo e do partido, que fundara seis anos antes
com Sá Carneiro. Procurou manter a estabilidade governativa e gerir as
contradições internas da AD, surgidas logo após Camarate. Consegue
fazê-lo durante quase dois anos, apesar dos sucessivos abandonos e da
contestação que lhe é feita dentro do próprio PSD. Teve ainda a tarefa de
acalmar o «país» e as hostes da AD, que se sentiram órfãs após a morte de
Sá Carneiro e Amaro da Costa. Mandou investigar o acidente e procurou que
a «tese do atentado» não vingasse sem antes serem apresentadas provas.

<p n=18025>
Montalvão Machado era amigo pessoal de Sá Carneiro desde o tempo da «ala
liberal», apesar de, ao contrário deste último, não ter aceitado o
convite para concorrer como independente nas listas da Acção Nacional
Popular, em 1972. Dirigente do PSD desde 1974, é actualmente o presidente
do grupo parlamentar dos sociais-democratas e chefiou as três anteriores
comissões parlamentares de inquérito ao «caso de Camarate». Ali sempre
defendeu que tinha havido atentado. A oposição não permitiu que se
tirasse essa conclusão. Num debate organizado por uma federação do
partido, assumiu publicamente aquela tese. Como líder da bancada,
mantém-se discreto, mas será, seguramente, um social-democrata satisfeito
com as conclusões deste inquérito.

<p n=18026>
«Herdou» a liderança do Governo e do partido, que fundara seis anos antes
com Sá Carneiro. Procurou manter a estabilidade governativa e gerir as
contradições internas da AD, surgidas logo após Camarate. Consegue
fazê-lo durante quase dois anos, apesar dos sucessivos abandonos e da
contestação que lhe é feita dentro do próprio PSD. Teve ainda a tarefa de
acalmar o «país» e as hostes da AD, que se sentiram órfãs após a morte de
Sá Carneiro e Amaro da Costa. Mandou investigar o acidente e procurou que
a «tese do atentado» não vingasse sem antes serem apresentadas provas.

<p n=18027>
Montalvão Machado era amigo pessoal de Sá Carneiro desde o tempo da «ala
liberal», apesar de, ao contrário deste último, não ter aceitado o
convite para concorrer como independente nas listas da Acção Nacional
Popular, em 1972. Dirigente do PSD desde 1974, é actualmente o presidente
do grupo parlamentar dos sociais-democratas e chefiou as três anteriores
comissões parlamentares de inquérito ao «caso de Camarate». Ali sempre
defendeu que tinha havido atentado. A oposição não permitiu que se
tirasse essa conclusão. Num debate organizado por uma federação do
partido, assumiu publicamente aquela tese. Como líder da bancada,
mantém-se discreto, mas será, seguramente, um social-democrata satisfeito
com as conclusões deste inquérito.

<p n=18028>
Após dez anos de inquéritos e comissões, muitas são as personagens
envolvidas pelo desenvolvimento do «caso Camarate». Eis as principais:

<p n=18029>
Ao longo de mais de 100 páginas -- em que se faz uma discrição
pormenorizada das peritagens realizadas e das múltiplas declarações
prestadas nas sucessivas (quatro) Comissões de Inquérito --,
fundamentam-se as conclusões onde pontua a denúncia de «negligência» e
«má colaboração» por parte das entidades responsáveis pelas investigações
oficiais -- Polícia Judiciária e Direcção-Geral da Aeronáutica Civil,
entre outras --, que nunca concluíram ter havido acto criminoso na queda
do avião que vitimou Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, indiciando
mesmo a tese do mero acidente.

<p n=18030>
Em 29 de Abril de 1987, José Luís Ramos afirmava no plenário da
Assembleia da República que «Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e seus
acompanhantes foram cobardemente assassinados em consequência de
sabotagem do avião Cessna que os transportava». A sua colega de bancada,
Dinah Alhandra, acrescentava: «Senhor presidente, senhores deputados, Sá
Carneiro e as demais vítimas foram assassinadas em 4 de Dezembro de 1980.
O autor ou autores deste crime continuam até hoje ocultos.» A oposição
reagiu violentamente, considerando não estar reunida matéria de prova
suficiente para tirar tal conclusão, e fez vencer a tese da inexistência
de dados. Quatro anos depois, numa conversa que aceitou ter com o
PÚBLICO, José Luís Ramos «dá a mão à palmatória», mas em reforço da sua
posição. Considera que, «neste espaço de tempo se fez muita coisa, se
esclareceu muita coisa e alguns dados novos aconteceram». E avança que,
agora, «estamos todos em condições de tirar uma conclusão». Peremptória?
«Peremptória!».

<p n=18031>
«Sá Carneiro foi, neste século, uma pessoa que demonstrou que tinha uma
ideia clara para o Portugal democrático, que significava uma completa
rotura com tudo o que acontecia. É óbvio que tudo seria diferente com Sá
Carneiro vivo. Nada teria sido como foi.» Até mesmo uma investigação do
tipo da que se seguiu à sua morte? Ele ter-se-ia empenhado de uma forma
diferente numa investigação deste tipo, que envolvesse um
primeiro-ministro do país? «Claramente. Para Francisco Sá Carneiro, o
primeiro pressuposto da política era a verdade, com todas, mas com todas
e totais consequências inerentes. Portanto, é óbvio que a resposta é
sim.»

<p n=18032>
José Luís Ramos, relator do PSD na Comissão de Inquérito ao acidente de
Camarate, entrega esta semana na Assembleia da República, o texto em que
se conclui que Sá Carneiro, Amaro da Costa e acompanhantes foram vítimas
de atentado. Com maioria absoluta na Assembleia, o PSD fará vingar uma
tese que, ao longo dos tempos, sempre foi defendida pelos
sociais-democratas na Comissão de Inquérito. A questão continua a não ser
Em 29 de Abril de 1987, José Lu«líquida» junto da oposiçlão de esquerda.
Até o CDS aposta na prudência. As hostes dirigentes do PSD distanciam-se
do desfecho de um inquérito que se arrasta há   onze anos. Mas as
conclusões da AR poderão ter consequências. O relatório sugere processos
disciplinares a investigadores da PJ por alegada «negligência».

<p n=18033>
A partir de Junho, Portugal terá cinco novas lanchas rápidas para vigiar
o mar, coordenadas por um sistema informático que torna desnecessária e
obsoleta a clássica abordagem física de navios supostamente em
transgressão. Na calha, um investimento de quatro milhões de contos: o
preço de uma «fiscalização apertada, eficiente e disciplinadora».

<p n=18034>
O maior mercado de compra e venda de programas televisivos -- MIP-TV --,
que hoje termina em Cannes, proporcionou a conclusão de bons negócios aos
participantes portugueses, segundo informações dos próprios ao PÚBLICO. O
«patrão» da Lusomundo, Luís Silva, terá conseguido estabelecer acordos
com duas das maiores «majors» americanas para a distribuição dos seus
programas. Os directores dos dois programas da RTP dizem ter comprado
«muito» e «bom» e a RTC garantiu a venda de «Os Cornos de Cronos» às
televisões públicas espanhola e checoslovaca. (do nosso enviado António
Melo, em Cannes)

<p n=18035>
A Tertir e a Barraqueiro estão interessadas na compra das quatro empresas
da Rodoviária Nacional (RN)  que o Governo pretende privatizar até Julho.
A Tertir surge como potencial compradora das unidades de passageiros das
zonas do Douro/Entre-Minho e Algarve, enquanto a Barraqueiro aponta para
as duas empresas de transporte de mercadorias, a Rodocargo e a
Transporta. Quanto a esta última, a CP poderá vir a influenciar
decisivamente o valor da empresa, dado que pretender reaver os terminais
de carga, neste momento alugados por um «valor simbólico».  P. 56

<p n=18036>
O plenário do Comité Central do Partido Comunista soviético reúne-se hoje
por entre os habituais rumores, de concretização pouco provável, de que
Mikhail Gorbatchov se demitirá. Enquanto as greves paralisam boa parte do
império, o líder soviético terá, sem dúvida, de enfrentar uma vaga de
críticas, em especial dirigidas pela ala conservadora. Um aspecto
positivo: o parlamento aprovou ontem o programa anti-crise de Gorbatchov
apresentado pelo primeiro-ministro Valentin Pavlov.

<p n=18037>
A velha sala de aula deve ter os dias contados. Em seu lugar, devem
surgir os grandes espaços onde a criança aprenda por si : é a escola do
terceiro milénio, onde a arquitectura tem uma voz no sucesso escolar.

<p n=18038>
A arquitectura escolar do nosso século, acrescenta, «não difere das
escolas monacais do princípio do milénio, organizadas em torno da função
magistral do professor» e em nome da «disciplina férrea onde o mestre era
o detentor único da verdade e do saber». Não é esse o entendimento
pedagógico actual, recorda o professor, defendendo a substituição do nome
«sala de aula» pelo de «gabinete de trabalho», designação que reflecte
«um pequeno espaço específico onde se fazem aprendizagens específicas e
onde o professor é apenas um elemento do grupo de trabalho que tem um
projecto comum». Assim o aluno irá ter «uma criação mais livre, activa, e
disciplinada porque faz parte de um projecto de que gosta» complementa
António Cerca, organizador do seminário.

<p n=18039>
OS PRESIDENTES das seis repúblicas jugoslavas propuseram aos respectivos
parlamentos a organização de um referendo antes do final de Maio,
relativo ao futuro da Jugoslávia. A decisão foi tomada após uma reunião
efectuada quinta-feira em Ohrid, na Madecónia, o quarto encontro regular
entre os dirigentes das seis repúblicas da federação.

<p n=18040>
O presidente sérvio, Slobodan Milosevic, continua a afirmar que o texto
ignora o facto da Jugoslávia ser reconhecida internacionalmente como um
Estado soberano, o que não acontece com as repúblicas que o constituem.
Na sua perspectiva, caso o país se queira transformar numa aliança de
Estados soberanos, será então necessário que cada uma das repúblicas se
constitua em primeiro lugar num Estado independente, e respeite as
comunidades nacionais que a constituem.

<p n=18041>
ENQUANTO o Presidente Mitterrand, de visita a Bucareste, estendia a mão
aos dirigentes romenos, um jornal da oposição, «Romania Libera», publicou
na sua edição de ontem documentos comprometedores para o
primeiro-ministro Petre Roman. O jornal acusa o dirigente romeno de ter
oferecido casas que pertenciam ao antigo Partido Comunista a amigos
políticos e pessoais, garantindo que está envolvido em diversos casos de
corrupção. Um porta-voz oficial de Roman desmentiu de imediato as
informações.

<p n=18042>
As revelações de «Romania Libera» parecem não ter ensombrado a visita do
chefe de Estado francês à Roménia que ontem terminou, a primeira
efectuada ao país por um estadista estrangeiro após a queda de Ceausescu.
Mitterrand chegou na quinta-feira e encontrou-se de imediato com o
Presidente Ion Iliescu e com o primeiro-ministro Petre Roman.

<p n=18043>
Apesar de viverem numa urbanização de luxo, nem por isso os moradores do
Alto da Barra deixam de ter reclamações a colocar à administração central
ou local. Para ultrapassar dificuldades constituíram uma cooperativa
--fórmula que aconselham vivamente a outros bairros.

<p n=18044>
Antes das obras em curso, o tráfego fazia-se nos dois sentidos. Agora, a
saída para Cascais foi cortada e para deixar a urbanização é necessário
utilizar a estrada de acesso à Rua de Aljubarrota, demasiado estreita, no
entender dos moradores. «Por outro lado», acrescenta Silva Pereira, «não
compreendemos o traçado da via paralela à estrada Marginal, o qual --
feito posteriormente à estrada já existente -- nunca deveria ter cortado a
estrada, mas sim adaptar-se à mesma.»

<p n=18045>
Fazia-se passar por personalidades da cena política e pedia dinheiro a
outras figuras não menos conhecidas. Muitos não se queixaram,
aparentemente para não reconhecerem que se deixaram enganar. Mas um
taxista também burlado levou o caso àvante. Rui Humberto vai continuar
preso.

<p n=18046>
Tendo-se evadido, em Novembro de 1982, de uma casa de saúde para onde
fora transferido, Rui Humberto telefonou, no dia 14 de Junho de 1984, ao
comendador Gonçalves Gomes, para o Supermercado Villares, fazendo-se
passar por Salgado Zenha e pedindo 450 mil pesetas para Rui Oliveira e
Silva, ex-governador de Viana do Castelo, que deles necessitaria para
saldar despesas imediatas resultantes de um acidente de viação em
Espanha. O industrial não hesitou em enviar para Espanha a soma que lhe
era pedida, arredondando-a para meio milhão de pesetas, sob promessa de
que o empréstimo seria rapidamente saldado, e recebeu, no dia seguinte,
um novo telefonema de Rui Humberto -- que desta feita assumiu a identidade
do ex-governador civil de Viana --, pedindo-lhe conselhos para a compra de
um carro novo e requerendo-lhe um empréstimo suplementar de 700 mil
pesetas, igualmente concedido.

<p n=18047>
Substituir os estrados que ainda existem nas escolas por armários é a
proposta das autoras dos novos programas de Português do 2º e 3º ciclo do
ensino básico. O gesto, simbólico, tem um objectivo preciso: dar aos
alunos a consciência de que ninguém detém todo o saber, como explicou
ontem na Aula Magna da Universidade de Lisboa uma das autoras dos
currículos, Margarida Leão, no Encontro Sobre os Novos Programas de
Português.

<p n=18048>
Outra novidade dos programas do 2º e 3º ciclos do ensino básico é a
escolha por professor e alunos de 3 a 5 narrativas para analisar durante
o ano escolar. Entre outras, para o 5º ano de escolaridade, as autoras
seleccionaram «As Aventuras de Pinóquio» e «As Mil e Uma Noites»,
enquanto para 9º ano indicaram «O Velho e o Mar», de Hemingway e
«Contos», de Vergílio Ferreira. O professor tem a liberdade de escolher
outra obra que não conste das indicadas, se assim o entender.

<p n=18049>
Chileno, exilado depois do golpe militar, Raul Ruiz é, à imagem e
semelhança de tantas personagns suas, um eterno viajante. Se, na Europa,
a França foi a sua base, ou o seu porto, e Portugal um destino frequente
(entre o continente e a Madeira, por aqui fez seis filmes), as suas
expedições cinematográficas levaram-no também à Alemanha, à Holanda ou
aos mares do Ártico. Ao ciclo «À Margem», do Núcleo de Cineastas
Independentes, aponta este fim-de-semana vindo de Nova Iorque, «The
Golden Boat», o seu mais recente filme -- afirmação feita à cautela, pois
há sempre a hipótese de, quando um espectador vai ser «o último filme de
Raul Ruiz», já ele ter feito mais outro, ou outros.

<p n=18050>
Enunciada a reserva, é divertido notar que em «The Golden Boat» Ruiz
retoma um outro modelo de repetição, a telenovela latino-americana. Por
essa fórmula explicitamente repetitiva, uma combinatória simples de um
número reduzido de cenas-protótipos, mas com possibilidades de operação
ao infinito, como se conhece das telenovelas, Ruiz faz reaparecer a
variação paródica sobre a matriz melodramática que era visível nalguns
dos seus filmes chilenos, sobretudo em «Palomita Blanca».

<p n=18051>
Obter receitas para as investigações contra a sida é o objectivo de um
disco que a Walt Disney Records vai lançar no dia 28 de Maio. Paul
McCartney, Elton John, Sting, Bruce Sprinsteen, Paula Abdul, os Beach
Boys e Brian Wilson são alguns dos intérpretes. As receitas serão
entregues à Pediatric Aids Fondation, fundada em 1988 por Elizabeth
Glaser, a mulher do actor americano Paul Michael Glaser.

<p n=18052>
Mas a seguir, em Strauss, as maravilhas vieram ao nosso encontro -- um
nunca mais acabar de deliciosas revelações. «Zueignung» foi a ponte para
a terra firme da segurança vocal, árduamente reconquistada -- «Habe Dank!»
soou como o mais justificado dos reconhecimentos ! Em «Der Stern», a boa
estrela de Felicity Lott já cintilava de novo  iluminando, aquecendo e
dando asas aos sonhos românticos de Arnim e, depois, de Dehmel. Que
intimidade, que recolhimento e que vertigem! O princípio e o fim de tudo,
o amor e a música-- em Richard Strauss, como em Platão -- nos seus três
estágios sucessivos: a adoração da Natureza, em «Waldseligkeit»;o amor
entre homem e mulher («O du liebes Einerlei») ; e o amor de mãe, em
«Wiegenlied», a fechar o ciclo da criação, regressando à comunhão
original com o universo, através do sonho («Sonha, minha doce vida, com o
céu que te cobre de flores»). Não se pode imaginar canto mais ligado,
mais dúctil, nem mais profundo do que aquele em cujas asas Felicity Lott
nos transportou, nos três tempos dos três «lieder», da terra ao sétimo
céu.

<p n=18053>
A pergunta foi desferida em tempo de intervalo ao indigitado relator do
recital de Lazar Berman, no Grande Auditório da Gulbenkian: «Você gosta
de Liszt?» É a interrogação que, agora, o cronista devolve a ignotos
leitores para, em caso afirmativo, felicitar os que estiveram presentes e
lamentar os faltosos ao convite da Fundação.

<p n=18054>
Mas, depois de uma «Sonata em si menor» -- tão boa como umas quantas das
melhores que assiduamente vão sendo oferecidas nas salas de concerto, nos
discos -- tão sinceramente aplaudida por bons amantes de música presentes
na sala, lá me interroguei sobre a incapacidade deste indomável corpo que
habito para me emocionar com esta música e/ou este intérprete. Quando,
afinal, da véspera, na mesma sala, ainda sobrava a ressaca de todas as
rebeldes e desvairadas maneiras -- o arrepio, a pele de galinha depenada,
o nó górdio da maçã de Adão, a lágrima malandreca a embaciar a visão -- de
acolhimento do canto de Felicity Lott.

<p n=18055>
Metropolis, reunindo 72 artistas de 20 países, acontece nove anos depois
de Zeitgeist e dez anos depois de «A new spirit in painting», exposições
que, organizadas também pelos críticos Christos Joachimidos e Norman
Rosenthal, ajudaram a definir parte da imagem dos anos 80.

<p n=18056>
Dos EUA ao Japão ou Brasil, do Leste europeu a Portugal (com Cabrita Reis
e Julião Sarmento), a exposição pretende definir os campos de força da
arte contemporânea: exemplificando as suas relações com a era dos novos
«media» e tecnologias; o modo como instalações, esculturas e
«environnements» podem ainda manter uma poética do mistério na imagem
artística; a introdução do quotidiano na arte ou o seu inverso; o modo
como tradição da pintura persiste ao lado do novo tipo de imagens
videográficas.

<p n=18057>
«Sinto-me um pouco magoado com a posição da CNALP (Comissão Nacional da
Lingua Portuguesa ) em relação ao Acordo Ortográfico», disse ao PÚBLICO
o economista e professor universitário Jacinto Nunes, que foi um dos
negociadores do Acordo pela parte portuguesa.

<p n=18058>
Como forma de ultrapassar os eventuais prejuízos económicos para os
editores portugueses, decorrentes da aplicação do Acordo, um dos membros
da CNALP, não identificado no documento, sugeriu a inserção de cláusulas
de protecção e apoio aos agentes económicos ligados à produção de livros.

<p n=18059>
Três curtas metragens de Buster Keaton, sujeitas a novos processos de
sonorização, estrearam em Paris. «Playhouse», «The Love Nest» e «Sherlock
Júnior», os três filmes que compõem o programa, apresentam, pela primeira
vez, som de portas a baterem, estampidos, barulhos da rua. Seis meses de
trabalho foram necessários para programar os nove mil sons da banda
sonora. Segundo a agência France Press, o responsável pela sonorização,
Jean-Guy Fechner, disse que procurou «integrar a atmosfera sonora da
época» em que os filmes foram realizados, sendo necessário «reinventar
ruídos» que hoje em dia são difíceis de encontrar. Foi o caso de passos
que, nos 90 minutos de filme, apresentam 28 sonoridades diferentes:
passos sobre madeira, tábua ou erva molhada. Todos os sons foram
programados em computador e, depois, reproduzidos em «dolby stereo». A
nova banda sonora de acompanhamento foi composta por Gilles Tinayre e
Germinal Tenas. Se as reacções a esta experiência forem positivas, é
provável que estes três filmes de Buster Keaton entrem no circuito
comercial.

<p n=18060>
«Madame de Sade» é um apólogo dialogal e, quanto a enredo e situações
dramáticas, está mais perto do auto vicentino do que de Racine. Um
apólogo é um discurso apologético em defesa de uma tese, normalmente de
índole moral, dividido em falas distribuídas por dois ou mais
dialogantes. Em «Madame de Sade» está em causa o sistema
erótico-filosófico-teológico a que se convencionou chamar sadismo.
Fala-se de uma personagem histórica, um filósofo, que acompanhamos ao
longo da vida, uma vida ausente da vida, passada na prisão, onde, ao
longo de vinte e sete anos, escreveu uma obra revolucionária sem igual:
«O mais livre espírito que alguma vez existiu» (Apollinaire) «quis
restituir ao homem civilizado a força dos primitivos instintos» (Éluard).

<p n=18061>
«O que Restou da Sereia», primeira obra em prosa do escritor portuense
Manuel Mengo -- que foi distinguida em 1988 com o Prémio de Revelação
Literária da Associação Portuguesa de Escritores e Instituto Português do
Livro e da Leitura (IPLL) --, está nas bancas desde ontem, numa edição da
Vega, patrocinada pelo IPLL.

<p n=18062>
«Porque se trata de um texto descontínuo -- lê-se na contracapa do livro
--, constituído por 138 fragmentos (uns mais extensos, outros de mais
curta extensão), à semelhança do tempo, ou melhor, dos dias, o que desde
logo lhe confere um sentido da realidade, no âmbito, sobretudo, das
Ciências Exactas», o título agora nas bancas impõe-se «no nosso panorama
literário pelas singularidades que o aproximam (e também o integram), no
bom sentido do termo, no espaço da chamada modernidade».

<p n=18063>
Vicente Sanches nasceu em 1936 e iniciou a sua actividade de escritor, em
1958, com «Uma Impossível Inocência ou a Possível Loucura». «O Passado e
o Presente», adaptada ao cinema por Manoel de Oliveira, e «A Birra do
Morto», recentemente encenada por Mário Viegas, são apenas dois exemplos
de uma vasta obra, à qual, em 1989, acrescentou «Grupo de Vanguarda»,
peça que serve de ponto de partida da próxima produção do TEUC.

<p n=18064>
No palco do Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC) e nas
tertúlias de cidade é com entusiasmo que, em torno de Ricardo País, se
vive a montagem de «Grupo de Vanguarda». A encenação deste texto de
Vicente Sanches ainda não tem financiamento garantido, embora a estreia
da peça esteja prevista para 31 de Maio próximo.

<p n=18065>
Boris Becker, actual número dois do mundo, chega hoje ao Porto, a bordo
do seu jacto particular, para participar na Gala de encerramento do
Oporto Open, patrocinada pelo banco Fonsecas e Burnay. Os jogadores
escolhidos para defrontarem o alemão foram os portugueses Emanuel Couto,
Nuno Marques e Cunha e Silva, que amanhã à noite a partir das 21h00,
irão, por esta ordem, disputar um «set» frente a Boris Becker, no
pavilhão Acácio Lello. O jogador que fizer melhor «performance» joga, no
domingo, um encontro à melhor de três «sets» com Boris Becker, actuando
anteriormente os outros dois portugueses. Entretanto, Stefano Pescosolido
e Roberto Azar apuraram-se ontem para a final do Oporto Open, a realizar
hoje, a partir das 14h00.Na primeira meia final do dia, Pescosolido
derrotou, em três «sets» (6/4, 0/6, 6/2), o francês Tarik Benhabiles. Na
segunda meia final, Roberto Azar, como no dia anterior, voltou a perder o
primeiro «set» (1/6), para depois impor um ritmo elevado e vencer com um
duplo 6/2.

<p n=18066>
Silva Vieira e o Beira Mar vão renovar por mais dois anos o protocolo que
os liga, que dá ao empresário aveirense total autonomia sobre o futebol
profissional do clube. O acto será formalizado logo após as eleições para
os corpos gerentes do clube, marcadas para o próximo dia 3 de Maio, na
sequência da crise directiva provocada pela demissão em bloco da direcção
presidida por Mota Figueiredo. O ex-presidente Cabral Monteiro, figura
conhecida pelas excelentes relações que mantém com Silva Vieira, foi o
nome escolhido pela Câmara Delegada (órgão responsável por assegurar a
sucessão directiva) para concorrer à liderança do clube, não se prevendo
que surja qualquer opositor. Entretanto, Silva Vieira começou já a
preparar a próxima época, tendo dirigido um convite de renovação de
contrato à dupla técnica, constituída por Vítor Urbano e Américo
Ferreira, que, ao que tudo indica, irão dar uma resposta positiva.
Durante esta semana, o empresário manteve reuniões com os 25 jogadores do
plantel que terminam os seus contratos no final da corrente época, tendo
já renovado com dez deles. Em princípio vai manter-se a actual estrutura,
embora esteja prevista a redução do plantel. Um jogador búlgaro do
Lokomotiv de Sófia é o mais provável reforço para o meio campo, sendo de
admitir o regresso de Bozinoski, que não se conseguiu impôr no Sporting e
que é muito desejado por Vitor Urbano, tal como Edmilson, ponta-de-lança
do Nacional. Quando a saídas, nada está definido, embora seja conhecido o
interesse do Sporting pelo centro-campista Tozé.

<p n=18067>
Perdidos os dois primeiros jogos, o FC Porto tentará este fim-de-semana,
nas Antas, empatar o play-off final do  basquetebol. Caso venha a
consegui-lo, haverá lugar a um jogo de desempate, na Luz. Apesar da
desvantagem, Jorge Araújo ainda acredita.

<p n=18068>
Tal como aconteceu ao longo da época, os jogos deste fim-de-semana
prevêm-se  muito equilibrados, com a decisão a acontecer nos momentos
finais. O FC Porto deverá tentar impôr a sua maior média de estaturas no
jogo interior e na luta das tabelas, enquanto o Benfica deverá apostar na
classe de Carlos Lisboa e nos seus lançamentos exteriores. Os portistas
continuam a debater-se com a lesão meniscal de José Carlos Guimarães, uma
das mais influentes peças do conjunto. O estado clínico do angolano
continua sem evolução possivel, tem treinado muito pouco e a sua inclusão
nos jogos só é possivel graças à incidência dos tratamentos nos
fins-de-semana. Guimarães tem jogado hiper-medicado, e hoje, segundo
Jorge Araújo, voltará, pelo menos, a equipar-se.

<p n=18069>
A selecção portuguesa de râguebi defronta hoje, em Tunes, às 15 horas, a
selecção tunisina naquele que é um dos jogos mais difíceis do Grupo B1 do
«Europeu».

<p n=18070>
Daí que a nossa selecção se apresente com alguns argumentos para discutir
o resultado em Tunes. Se Portugal vencer, ficará com o caminho mais
facilitado, se bem que faltem ainda os jogos frente a Marrocos. Mas
coloca-se a questão de saber se os portuguese estarão preparados para a
ascenção ao Grupo A, já que em termos de quadros competitivos nacionais
nada ainda se alterou, nomeadamente no que se refere à fórmula de disputa
do Campeonato que se caracteriza pela pouca competitividade, irto já para
não falar do fraco nível de alguns árbitros e das más condições
apresentadas por alguns campos «apelidados» de relvados.

<p n=18071>
Foi com renovado interesse que li e reli esta magnifica obra que deve
figurar na «mesa de cabeceira» de todos os professores de Educação Física
- Ginástica de Aparelhos nas Escolas. O autor escreveu-a há 25 anos e
desde então sucederam-se as edições, tal o interesse que continua a
suscitar no meio da prática da Educação Física.

<p n=18072>
É neste sentido que o presente livro pretende contribuir, no âmbito da
ginástica infantil nos aparelhos, para uma educação na escola primária
com objectivos mais precisos. Esta formação é tanto mais importante ao
termos conhecimento da nossa realidade escolar, que não aproveita
totalmente as possibilidades de formação oferecidas durante a infância.
Se, com a nossa escolha de situações motoras, quisermos alcançar «A
probabilidade máxima de aprendizagem» do aluno, então teremos também de
aproveitar correctamente os tempos de aprendizagem, existentes durante a
infância em determinadas fases do seu desenvolvimento, com as suas
correspondentes características específicas. Se não as aproveitarmos na
devida altura, limitaremos de modo irreversível as futuras possibilidades
de aprendizagem motoras de muitos jovens.

<p n=18073 assunto=desporto>
Acredita que o Sporting vá a Milão vencer o Inter por 1-0 e o único lugar
que ambicionaria numa Direcção do seu clube era o de vogal. Quanto ao
jogo com o FC Porto entende que Marinho Peres deve, por questão de
«ética», colocar em campo o onze titular. Sobre a hipótese do Sporting
poder vir a «oferecer» o título ao Benfica ou ao FC Porto, Carlos Brito
não hesita... que seja campeão o Farense!

<p n=18074>
P. -- Tem consciência que uma eventual vitória do Sporting sobre o Porto
pode «dar» o campeonato ao Benfica? Sendo sportinguista, como é que reage
perante esta eventualidade?

<p n=18075>
Esta tarde (16h00), em Alvalade, o FC Porto joga uma cartada que poderá
ser decisiva para a conquista do título. Com um ponto de atraso em
relação ao Benfica, o campeão nacional não pode perder hoje com o
Sporting - já afastado do título - se não quiser dar a possibilidade ao
Benfica de chegar às Antas, no próximo domingo, com três pontos de
avanço.

<p n=18076>
Mesmo um eventual empate esta tarde em Alvalade já se pode considerar um
excelente resultado para o FC Porto. Se o Benfica chegar às Antas com
dois pontos de avanço, os portistas continuarão a ser os donos do seu
destino, sem estar dependentes de terceiros. Ou seja, tendo empatado na
Luz na primeira volta, se o FC Porto ganhar ao Benfica nas Antas e os
dois clubes terminarem o campeonato com o mesmo número de pontos, será
campeão o FC Porto por ter vantagem (vitória e empate) no confronto
directo com os seus rivais da Luz.

<p n=18077>
Esta tarde (16h00), em Alvalade, o FC Porto joga uma cartada que poderá
ser decisiva para a conquista do título. Com um ponto de atraso em
relação ao Benfica, o campeão nacional não pode perder hoje com o
Sporting -- já afastado do título --, se não quiser dar ao Benfica a
vantagem de chegar às Antas, no próximo domingo, com três pontos de
avanço.

<p n=18078>
Mesmo um eventual empate esta tarde em Alvalade já se pode considerar um
excelente resultado para o FC Porto. Se o Benfica chegar às Antas com
dois pontos de avanço, os portistas continuarão a ser os donos do seu
destino, sem estar dependentes de terceiros. Ou seja, tendo empatado na
Luz na primeira volta, se os azuis e brancos ganharem aos encarnados nas
Antas e os dois clubes terminarem o campeonato com o mesmo número de
pontos, será campeão o FC Porto por ter vantagem (vitória e empate), no
confronto directo com o seu rival.

<p n=18079>
O Sporting jogará hoje com a sua melhor equipa frente ao FC Porto,
aceitando o risco de ver alguns dos seus jogadores lesionarem-se antes da
quarta-feira europeia. Na expectativa, os portistas prometem dura luta.

<p n=18080>
Luisinho, o suporte da defesa «leonina» e uma espécie de talismã da
equipa, já que esta nunca conheceu a derrota quando contou com a presença
do jogador brasileiro, estará assim ausente do encontro de hoje, em
Alvalade. O seu regresso a Lisboa está previsto para amanhã, véspera da
partida do Sporting para Milão, e em cuja comitiva o defesa brasileiro já
irá incluído.

<p n=18081>
A Fiat vai lançar um novo carro supercompacto, nascido para a cidade,
designado por «500», um nome de gratas recordações para a marca. Os
portugueses vão conhecê-lo em meados de 1992.

<p n=18082>
Este carro terá um comprimento de 3,22 metros, ou seja, apenas 12cm mais
que o 126 e menos 17cm que o Lancia Y10 e 19cm que o Fiat Panda. A
carroçaria tem uma linha bastante bonita, com a porta traseira vertical,
sendo de realçar a aerodinâmica bem cuidada. O coeficiente aerodinâmico
(Cx) do «500» será de 0,33, um excelente valor para um carro tão pequeno.

<p n=18083>
«Por um Belenenses revigorado e prestigiado» é o lema da lista A que vai
concorrer às eleições do próximo dia 27 . Encabeçada por Fernando
Ferreira, ex-presidente «azul» na década de 70, esta lista fez ontem a
sua apresentação pública, tendo considerado o futebol do clube, em
particular o escalão sénior, a sua aposta forte, já que será o próprio
Fernando Ferreira, em caso de vitória eleitoral, a assumir a «inteira
responsabilidade» do departamento de modo a evitar «a dispersão de
decisões».

<p n=18084>
«Acho que tenho «know-how» suficiente para ser um bom presidente,
sobretudo alguma experiência no futebol em termos nacionais», disse
Fernando Ferreira, que não promete mudanças radicais num curto espaço de
tempo: «Nós não somos o Marselha de Tapie para, num mês, darmos uma
reviravolta total».

<p n=18085>
Nos últimos dez anos de jogos, para o campeonato, entre o Sporting e o FC
Porto - em Alvalade - a equipa das Antas venceu por três vezes os «leões»
tendo empatado outras três vezes no recinto do seu adversário. Na
perspectiva de que uma vitória, e até um empate, seriam ouro sobre azul
para as pretensões do FC Porto (a quem bastaria vencer o Benfica, nas
Antas, na próxima jornada para reassumir a liderança da prova a quatro
jornadas do fim), o balanço das dez últimas presenças do FC Porto em
Alvalade é deveras prometedor.

<p n=18086>
Estádio -- Curta visita a Alvalade onde se darão as últimas do jogo mais
importante desta jornada, Sporting-FC Porto. Às 16h, ligação ao Pav. das
Antas, para a transmissão directa do 3º jogo do «play-off» que se irá
disputar entre o FC Porto e o Benfica. A partir das 17h30, debate em
estúdio entre os candidatos à presidência do Belenenses. A fechar, um
resumo alargado da final «Mateus Oporto Open», em ténis.

<p n=18087>
Aqueles (as) condutores (as) para quem arrumar o carro é um sacrifício
seriam clientes certos se a Volkswagen decidisse produzir em série o seu
Futura. Infelizmente para eles, este Futura não passa de um protótipo que
não verá tão depressa a luz... das fábricas, pelo que o melhor é tentarem
aperfeiçoar a «arte» de arrumar o carro em todo o lugar.

<p n=18088 assunto=desporto>
Os Boston Celtics perderam frente aos Philadelphia 76ers por 122-97 em
mais uma jornada da Liga profissional norte-americana de basquetebol,
NBA. Restantes resultados: New Jersey Nets, 108 -- Washington Bullets,
103; San Antonio Spurs, 102 -- Houston Rockets, 95; Utah Jazz, 130 --
Seattle Supersonics, 103; Sacramento Kings, 123 -- Denver Nuggets, 104.

<p n=18089>
A administração da Coelima requereu esta semana ao Tribunal Judicial de
Guimarães a aplicação da «gestão controlada», um dos meios de recuperação
de empresas regulado pelo decreto-lei 177/86. A Coelima pretende a
redução do valor dos créditos comuns bem como a modificação de prazos e
datas de vencimento de todos os seus créditos. Outros objectivos são a
suspensão dos contratos individuais de trabalho, o despedimento de
trabalhadores, a renegociação dos acordos de empresa e o aumento do
capital da sociedade, com o reforço de 7,5 milhões de contos.

<p n=18090>
As intenções de investimento combinadas entre os representantes de dez
empresas norte-americanas e vários parceiros portugueses, no decorrer da
visita de uma missão empresarial organizada pela FLAD, ICEP e OPIC
(Overseas Private Investment Co.) que hoje termina em Lisboa, são
superiores a dez milhões de contos, a médio prazo.

<p n=18091>
Podia ser espanhol, italiano, brasileiro, como aquele bigode farto, o
cabelo negro com algumas brancas e despontarem, a tez morena. Podia ser
um típico americano naturalizado, descendente de emigrantes mas quase
esquecido da terra natal, onde regressa de vez em quando, para ostentar
dólares ganhos com suor nas profissões mais humildes.

<p n=18092>
Bem visível numa prateleira, a última das iniciativas comerciais da mais
famosa das cadeias de televisão do mundo: um vídeo sobre o Golfo de que a
CNN acaba de lançar cem mil exemplares para o mercado. Uma das cassetes
chama-se «Tempestade no Deserto», a outra «Vitória». Contem um resumo das
reportagens apresentadas ao longo dos seis meses da crise.

<p n=18093>
O Governo angolano pediu à Espanha a abertura de uma linha de crédito de
cerca de 120 milhões de dólares (17,5 milhões de contos), anunciou em
Luanda o ministro angolano da Agricultura, Isaac Francisco Anjos. O
crédito pedido destina-se à aquisição e instalação de câmaras
frigoríficas e à compra de equipamentos de irrigação e de viaturas.
Recorde-se que a dívida de Angola a Espanha é de 350 milhões de dólares
(51,1 milhões de contos).

<p n=18094>
Faltavam ainda um pequeno-almoço de trabalho na área da indústria
agro-alimentar e duas reuniões com empresas das altas tecnologias.
Optimista, porém, o ministro não teve dúvidas em incluir um delas, pelo
menos, no balanço das cinco grandes companhias com projectos que podem
vir a concretizar-se a curto ou médio prazo: a Southern Electric, que
concorreu à Central do Pêgo; a Bells South - telemóveis e fibras ópticas;
Hayes - fábrica de micro-computadores e «modems»; Georgia Pacific -
papéis e madeira transformada, Southwire - metalurgia do cobre.

<p n=18095>
Os mais satisfeitos são os homens do turismo. Falam de investimentos
americanos na hotelaria, no turismo de incentivo e temático. Faria de
Oliveira comunga dessa quase euforia. Ouviram-se queixas, porém, sobre a
falta de capacidade de respota dos empresários.

<p n=18096>
Faria de Oliveira considera importantes para a imagem de Portugal
encontros informais que manteve com a classe política do local, em casa
do antigo embaixador dos EUA na ONU, Andrew Young. «Ficou aberta a
possibilidade de colaboração activa entre empresas portuguesas e
norte-americanas nos países africanos de língua oficial portuguesa».
Andrew Yonung, Martin Luther King III e o «mayor» de Atlanta foram dos
raros negros com quem a delegação portuguesa se encontrou nesta cidade de
maioria negra, mas onde a comunidade branca domina a totalidade da
economia.

<p n=18097>
A Sumolis convoca os seus accionistas para a reunião anual da Assembleia
Geral, a realizar hoje na sede da sociedade. A anterior assembleia,
convocada para 23 de Março, não se realizaou por falta de quórum. A
Sumolis, que comercializa em Portugal as marcas Sumol, Sucol, 7Up, Pepsi
Cola e Heineken, registou no exercício passado um aumento da ordem dos
26,4 por cento nas vendas, cujo volume ascendeu a cerca de 4,81 milhões
de contos. No que toca aos resultados líquidos, foi apurada uma quebra de
30,7 por cento, sensivelmente. Os resultados passaram de 281,7 mil de
contos, em 1989, para perto de 194,9 mil contos, no exercício de 1990. Na
Assembleia Geral deverá ser aprovada a distribuição de 118,6 mil contos
de dividendos, o que por acção dará um montante líquido de 49,5 escudos.

<p n=18098>
A taxa de desemprego em Fevereiro em Portugal era de 4,4 por cento, para
uma média anual, em 1990 de 4,6 por cento, anunciou ontem a Eurostat, o
organismo de estatística da Comunidade Europeia. Portugal continua assim
a ser o segundo país da CEE onde a taxa de desemprego é mais baixa, logo
a seguir ao Luxemburgo. Em relação ao conjunto dos Doze, a média foi de
8,5 por cento, mais 0,1 ponto percentual que no mês anterior. Para o
Eurostat esta foi a primeira vez, desde o Verão de 1985, que a taxa
aumentou em relação ao mesmo mês do ano anterior. Nos últimos 12 meses, o
país que registou maior desemprego foi a Grã-Bretanha, com uma subida
superiror a 18 por cento. A Irlanda, Bélgica, Dinamarca e França
registaram uma subida de quatro por cento, enquanto Portugal, Espanha e
Itália viram o desemprego diminuir em proporção contrária.

<p n=18099>
Desde o início de Abril, o índice BTA esteve sempre em queda, registando
apenas três subidas intercalares, entre as quais de encontra a de ontem.
Mais uma vez se observa a independência dos nossos mercados em relação às
principais bolsas internacionais, resultado da cada vez mais fraca
intervenção dos investidores estrangeiros nas praças portuguesas.

<p n=18100>
Por outro lado, as operações de privatização, que deverão decorrer em
Maio, estão já a condicionar a evolução do mercado, por duas ordens de
razões: a realização de liquidez no mercado secundário dos investidores
que pretendem adquirir posições nas operações (embora seja de pouco peso
a influência deste factor); e as privatizações, em caso de sucesso,
poderem vir a alterar a tendência geral do mercado, conferindo então um
novo impulso às bolsas. Assim, os investidores institucionais
portugueses, que tem vindo a preferir as aplicações de menor risco, irão
esperar pela realização das operações e os particulares, que, na sua
maioria, estão simplesmente fora do mercado, irão aguardar até que o
mercado dê mostras de querer realmente recuperar.

<p n=18101>
O PS pediu ao Tribunal de Contas, através de Vítor Crespo, uma cópia da
auditoria às contas do Centro Cultural de Belém. Quer conhecer as
alegadas irregularidades das contas do Centro. O pedido, feito há mais de
um mês, tem paradeiro desconhecido. O gabinete do presidente do
Parlamento fala em lapsos. O TC garante que ainda não recebeu qualquer
pedido.

<p n=18102>
Contactado para comentar esta informação, o deputado socialista António
Barreto afirmou que o grupo parlamentar do PS solicitou a Vítor Crespo,
mal tomou conhecimento da situação, que enviasse de imediato o
requerimento ao Tribunal.

<p n=18103>
A Comissão Europeia quer criar um novo estatuto de adesão à Comunidade. A
ideia visa apoiar as novas democracias do Leste. As primeiras críticas já
surgiram. A concretizar-se, seria a Europa das «vinte velocidades», com
riscos para Portugal.

<p n=18104>
"Devemos prever uma situação em que a Comunidade tenha que abrir as suas
portas para criar um clima de confiança e de segurança, num continente
sujeito a incertezas e choques externos", afirmou Andriessen.

<p n=18105>
No primeiro dia do novo período de constituição de disponibilidades
mínimas de caixa o mercado monetário abriu curto de fundos. A grande
concentração da oferta para uma forte pressão de procura tem como
consequência uma acentuada subida das taxas de juro. As operações
contratadas no "overnight" atingiram os 27 por cento. Esta subida
verificou-se também em operações efectuadas a prazos mais longos.

<p n=18106>
A Philips Portuguesa vai investir cerca de um milhão e cinquenta mil
contos, durante o corrente ano de 1991. Depois de ano passado ter
realizado vários investimentos, nos sectores industrial e comercial no
valor de 981.972 contos, esta multinacional holandesa prevê que uma
grande fatia do investimento previsto para este ano e para 1992, se situe
no sector industrial da Philips, em Ovar. Em conferência de imprensa, a
Philips Portuguesa anunciou que dos actuais 1.200  trabalhadores, se irá
aumentar para 1.300 trabalhadores, tendo em conta um futuro aumento da
capacidade exportadora da unidade industrial de Ovar.

<p n=18107>
A avaliação da capacidade dos empresários portugueses acorrerem com êxito
ao processo de privatizações foi uma das linhas de divisão entre o
secretário de Estado das Finanças, Elias da Costa, e os restantes
intervenientes no painel sobre privatizações, com destaque para Miguel
Cadilhe e Belmiro de Azevedo, conjunturalmente unidos no tom crítico às
posições do Governo nesta matéria. Foi mais um seminário promovido pela
Associação Portuguesa dos Analistas Financeiros e dos Antigos Alunos da
Faculdade de Economia do Porto, que decorreu anteontem à noite em
Espinho.

<p n=18108>
Depois dos métodos, as divergências acentuaram-se quanto a preços e
formas de pagamento. Elias da Costa vincou a necessidade de «vender bem».
Belmiro de Azevedo falou em «vender barato», Luís Sapateiro e Cadilhe no
«preço justo».

<p n=18109>
Uma simples análise de sangue pode contribuir para detectar manifestações
precoces de uma ampla variedade de cancros, afirma a edição de ontem da
revista médica britânica «The Lancet», citando investigadores da
Universidade de Boston (Estados Unidos). Segundo Samuel Bogoch e a sua
equipa, a medição do número de anticorpos de uma proteína do sangue
relacionada com o cancro permitiu identificar 59 potenciais vítimas desta
doença entre 677 pessoas submetidas ao teste. Dessas 59, 52 desenvolveram
tumores malignos mais tarde. Segundo os investigadores, o diagnóstico
precoce permite salvar a vida de mais 35 por cento dos pacientes, pois
quanto mais cedo começarem os tratamentos, melhor. As análises correntes
de sangue para despistar o cancro procuram substâncias emitidas pelos
tumores malignos, mas essas substâncias só atingem quantidades mesuráveis
quando o tumor já se encontra em adiantada fase de evolução.

<p n=18110>
São 102 expositores estrangeiros e 74 nacionais, a mostrar o que há à
venda para despoluir, limpar, tratar, recolher, reciclar, prevenir e
remediar os malefícios da humanidade sobre o meio ambiente. Na primeira
iniciativa do género no país, a Expoambiente -- I Salão Internacional de
Tecnologias para a Protecção do Ambiente, Reciclagem e Tratamento de
Resíduos e de Águas -- reúne na Feira Industrial de Lisboa (FIL), desde
quarta-feira, uma amostra do que existe de mais moderno na chamada
indústria ambiental. A iniciativa partiu da Associação Industrial
Portuguesa, em conjunto com a RAI Amsterdam e a Royal Netherlands
Industries Fair, e termina hoje.

<p n=18111>
A colocação em órbita de um satélite comercial japonês de televisão, na
quinta-feira à noite, saldou-se num fracasso quando o foguetão propulsor
Atlas foi destruído apenas seis minutos depois da partida. Após o
lançamento, e tal como estava previsto, o andar superior do Atlas
separou-se do foguetão, mas apenas um dos dois propulsores de hidrogénio
funcionou, provocando imediatamente uma saída de trajectória. Os
controladores de Cabo Canaveral, onde a partida foi efectuada, às 23h30
TMG, decidiram então destruir o engenho, cujos fragmentos caíram no
oceano Atlântico.

<p n=18112>
O próximo lançamento de um satélite da NHK está previsto para Agosto e,
de acordo com o programa da cadeia de televisão, deveria ser parcialmente
consagrado à difusão das primeiras horas regulares de HDTV. Este
fracasso, que lançou a consternação no seio da empresa, poderá
comprometer o objectivo de equipar10 milhões de famílias japonesas com
televisores de alta definição até ao ano 2000.

<p n=18113>
O número total de casos de sida na Europa aumentou em 1990 de 50,7 por
cento, passando de 31.497 em Dezembro de 1989 para 47.481 no mesmo mês do
ano passado, revelou ontem a Organização Mundial de Saúde (OMS). O número
de mortes foi de 21.599. A Suiça continua a registar a percentagem mais
elevada, com 242,9 casos por milhão de habitantes, seguida da França
(234,1), Espanha (192,6), Itália (143) e Dinamarca (139,9). Segundo o
relatório, «o crescimento de casos ligados à toxicomania continua a ser a
principal característica em 1990».

<p n=18114>
Ao anunciar o referido plano, o dirigente sul-africano estava a responder
uma das principais condições contidas no ultimato apresentado ao Governo
pelo Congresso Nacional Africano (ANC), em 4 de Abril. Esta atitude
flexível, demonstrada por De Klerk, deve produzir frutos na próxima
semana quando o Presidente se reunir com os dirigentes da Grã-Bretanha,
Dinamarca e Irlanda.

<p n=18115>
O Presidente Frederick De Klerl da África do Sul anunciou um plano para
conter o nível de violência que tem vindo a assolar os subúrbios negros
nas províncias do Transvaal e Natal. Um dia antes de partir para uma
digressão de uma semana pela Europa, De Klerk explicou na televisão
nacional, como o Governo pretende pôr fim às confrontações entre facções
negras e, assim, remover o maior obstáculo do caminho rumo a negociações
constitucionais .

<p n=18116>
Fredericl De Klerk partiu ontem para Londres para se encontrar com o seu
filho Willem. O programa oficial começa somente na segunda-feira, altura
em que o Presidente se encontrará com vários representantes do Governo
britânico e um grupo de chefes de bancos e outros entidades financeiras.
Na noite de segunda-feira, De Klerk jantará com o primeiro-ministro John
Major, em 10 Downing Street.

<p n=18117>
SETE PESSOAS morreram ontem de manhã e oito ficaram seriamente feridas na
sequência da explosão de uma bomba no centro de Patras, uma cidade
portuária a 300 quilómetros de Atenas. O porta-voz do Governo afirmou que
o atentado foi uma «acção terrorista», e, apesar de não ter sido ainda
reivindidcado, a polícia suspeita do grupo «17 de Novembro», uma guerilha
grega de extrema-esquerda.

<p n=18118>
Este foi o mais violento atentado na Grécia desde a operação de Julho de
1988, quando um grupo guerrilheiro árabe atacou um barco grego de
turismo, causando a morte de oito pessoas e quase uma centenas de
feridos.

<p n=18119>
Baker chegou a Israel com novas ideias. Ontem apresentou-as a Shamir.
Hoje vai conversar com uma delegação palestiniana, mas tudo indica que a
OLP está a tentar recuperar uma posição de força. A delegação será
«reduzida» e deverá reafirmar as exigências da organização de Arafat.

<p n=18120>
Antes do seu encontro com o primeiro-ministro, James Baker estivera
reunido com o ministro dos Negócios Estrangeiros, David Levy, tendo
declarado aos jornalistas que Levy «concordou generosamente em adiar a
sua partida [prevista para ontem], considerando que um novo encontro
entre nós seria produtivo».

<p n=18121>
UM MORTO e uma dezena de feridos foi o balanço dos incidentes desta
semana na Faculdade de Medicina da Universidade Hassan II, de Casablanca,
devido a um descontentamento geral com as condições de trabalho,
descontentamento que elementos islamitas tentam explorar. Os incidentes,
que motivaram a intervenção das forças policiais e a detenção de uma
dezena de estudantes, deram lugar a duas versões diferentes: para a
oposição de esquerda o problema reside na ausência de condições de
trabalho e para a reitoria o mal está num «grupúsculo de elementos
perturbadores», que alegadamente «semeia o terror» entre os estudantes.
As universidades têm sido um dos principais focos de agitação em
Marrocos, designadamente em Casablanca, Rabat, Marraquexe e Fez, onde
durante a guerra do Golfo se verificaram movimentos de solidariedade com
o Iraque.

<p n=18122>
O general norte-americano John Vessey e o sub-secretário de Estado
adjunto Kenneth Quinn chegaram ontem a Hanói para discutir os problemas
relacionados com a normalização das relações entre os Estados Unidos e o
Vietnam. O oficial norte-americano, emissário especial do presidente Bush
para a questão dos soldados americanos desaparecidos durante a guerra,
disse «contar discutir» o plano proposto recentemente por Washington ao
Vietnam, que tem por objectivo aproximar os dois antigos inimigos.
Calcula-se que tenham desaparecido na Indochina 2353 soldados
norte-americanos, 1719 dos quais no Vietnam.

<p n=18123>
Desde a queda do muro de Berlim não se fala de outra coisa em Cuba senão
do Congresso do PC. A reunião, vista como decisiva para o futuro político
da ilha governada há 32 anos por Fidel Castro, acabou por ser adiada pela
quarta vez consecutiva. Estava prevista para o final do ano passado,
depois foi transferida para Fevereiro, depois para Junho e agora só deve
acontecer em Setembro ou Outubro. Os sucessivos adiamentos foram
explicados oficialmente como resultantes da necessidade de preparar
melhor as discussões, mas nos meios diplomáticos de Havana circulam
rumores de que Fidel Castro estaria a jogar com o tempo para esfriar os
debates internos.

<p n=18124>
Ao confirmar o quarto adiamento do Congresso, o chefe do sector
ideológico do PC cubano, Carlos Aldana, não entrou em detalhes. Nenhum
outro funcionário importante do Governo ou do PC comentou publicamente a
transferência da data, salvo para explicar que a reunião não se poderia
realizar simultaneamente com os Jogos Panamericanos, marcados para Havana
entre 2 a 17 de Agosto. Mas não é difícil entender o porquê do silêncio e
das declarações lacónicas. Fidel Castro está realmente numa posição
difícil porque enfrenta opções nada agradáveis.

<p n=18125>
Iraque e aliados não chegaram a acordo sobre a criação, pelos americanos,
de «santuários» curdos, apesar de terem dado aval à proposta da ONU de
constituir centros de assistência aos refugiados. As duas iniciativas,
porém, parece fundirem-se numa operação única: os aliados forneceriam os
meios militares para a criação de campos geridos pela ONU.

<p n=18126>
Na entrevista, que durou 15 minutos e ocorreu na povoação iraquiana de
Zakho, próximo do posto fronteiriço turco de Abour, participaram, além do
general americano, os brigadeiros francês Maurice Lepage, e britânico,
Michael Wilcox, e ainda um oficial canadiano e outro italiano. A
constituição da delegação iraquiana não foi divulgada embora, segundo um
oficial americano, ela tivesse sido dirigida por um general de três
estrelas. O objectivo, afirmou um porta-voz americano, era obter um
compromisso do Iraque de que não interferiria nas operações de ajuda aos
refugiados curdos, para a qual estão a ser criados «santuários seguros»
no Norte do país.

<p n=18127>
O Presidente Frederick De Klerl da África do Sul anunciou um plano para
conter o nível de violência que tem vindo a assolar os subúrbios negros
nas províncias do Transvaal e Natal. Um dia antes de partir para uma
digressão de uma semana pela Europa, De Klerk explicou na televisão
nacional, como o Governo pretende pôr fim às confrontações entre facções
negras e, assim, remover o maior obstáculo às negociações constitucionais
.

<p n=18128>
Frederik De Klerk partiu ontem para Londres para se encontrar com o seu
filho Willelm. O programa oficial começa somente na segunda-feira, altura
em que o Presidente se encontrará com vários representantes do Governo
britânico e um grupo de dirigentes da banca e outras entidades
financeiras. Na noite de segunda-feira, De Klerk jantará com o
primeiro-ministro John Major, no número 10 de Downing Street.

<p n=18129>
O PRESIDENTE soviético, Mikhail Gorbatchov, esteve de ontem para hoje na
Coreia do Sul, onde tentou dar uma ajuda ao abrandamento das tensões
entre Seul e Pyongyang.

<p n=18130>
De acordo com observadores do que se passa no Extremo Oriente, a rápida
visita de Mikhail Gorbatchov à Coreia do Sul, iniciada ontem e terminada
ao fim da madrugada de hoje (segundo a hora de Lisboa), foi um passo
significativo para que se acabe de vez com as sequelas da guerra fria.

<p n=18131>
O PRESIDENTE indiano, Ramaswamy Venkataraman, convidou ontem oficialmente
mais de 500 milhões de eleitores a ir às urnas nos dias 20, 23 e 26 de
Maio, para escolher o novo Parlamento Federal.

<p n=18132>
A convocação de eleições foi motivada pela dissolução do Parlamento no
mês passado, depois da demissão do Governo de Chandra Shekhar, ao qual o
Partido do Congresso retirou o seu apoio.

<p n=18133>
O Iraque tomou ontem a iniciativa de enviar à ONU uma carta com a lista e
a descrição completa de todos os seus mísseis e armas químicas, de acordo
com a exigência do Conselho de Segurança da ONU, na sua resolução 687, de
3 de Abril.

<p n=18134>
Ao mesmo tempo, o Iraque enviou uma outra carta à sede, em Viena, da
Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), declarando não possuir
armas atómicas e descrevendo o tipo de instalações nucleares de que
dispõe.

<p n=18135>
O Presidente Gorbatchov deixou ontem o Japão, de mãos vazias, após uma
exaustiva negociação, em que ambas as partes concordaram em continuar a
conversar sobre o litígio territorial que as opõe, a propósito das
Curilas, e que impede o estabelecimento de relações mais cordiais entre
os dois países.

<p n=18136>
Ao contrário de muitas das outras viagens do Presidente soviético ao
estrangeiro, quando a palavra mágica «Gorby» tinha efeito sobre
anfitriões inicialmente cépticos, o Governo japonês não cedeu à sua
ofensiva de «charme».

<p n=18137>
NUM BAZAR de Kabul, um afegão licenciado contou em voz baixa a história
dos sete anos que passou na prisão de Pul-i-Charki. Tinha sido preso em
1980, contou, por ter participado numa manifestação contra a invasão
soviética do seu país. Certo dia, um corpulento oficial de Khad -- a
polícia secreta -- foi visitá-lo. «Era Najibullah. Não era tão gordo como
agora», diz, recordando o homem que Moscovo iria colocar no poder do
Afeganistão em 1986. «Mandou-nos reunir todos e disse-nos: `Seus burros,
seus cães. Porque é que vocês são anti-soviéticos?' E falou assim durante
cerca de dez minutos. E depois, simplesmente, foi-se embora».

<p n=18138>
«É manso como um cordeiro», observou um visitante ocidental depois de se
ter encontrado com ele recentemente. Mas muitos afegãos -- incluindo os
presos e torturados no tempo em que ele chefiava a polícia secreta -- não
confiam nele. «Este Governo tomou posse tal como Saddam Hussein»,
declarou um residente de Kabul. «Pela força».

<p n=18139>
A pedido do Conselho de Administração, convoco a Assembleia Geral anual
da sociedade para reunir, na sede social, sita na Estrada das Palmeiras,
em Queluz de Baixo, no próximo dia 18 de Março, pelas 17 horas, com a
seguinte ordem do dia:

<p n=18140>
Nos termos do disposto na circular 9/88 de 4 de Novembro, avisa-se o
público em geral que, na Assembleia Geral desta sociedade, realizada no
dia dezoito de Março de mil novecentos e noventa e um, pelas dezassete
horas, foram tomadas as seguintes deliberações:

<p n=18141>
A Assembleia Distrital de Lisboa decidiu ontem «solicitar ao Ministério
da Administração Interna a abertura de inquérito sobre situações
claramente irregulares» detectadas no organismo, para que sejam apuradas
as responsabilidades do ponto de vista orçamental e funcional». Em causa
está a transferência da titularidade do património imóvel da ADL para a
administração central, os salários em atraso, desde 8 de Março, dos nove
funcionários que ainda estão vinculados à assembleia e o desconhecimento
de qual seja o património móvel e financeiro deste órgão representativo
dos 17 municípios do distrito de Lisboa.

<p n=18142>
«Até ao termo do acto administrativo de transferência, a ADL não pode
assumir legalmente qualquer responsabilidade», nomeadamente pelos
salários em atraso dos trabalhadores dos serviços culturais. Rómulo
Ribeiro, presidente da Assembleia Distrital de Sintra disse que a questão
dos salários «é prioridade fundamental, pelos problemas humanos que
acarreta», mas a maioria dos presentes declinou no governo civil a
responsabilidade pela situação.

<p n=18143>
A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) deu ontem um mês
para para o Governo restituir os montantes indevidamente retidos do Fundo
de Equilíbrio Financeiro destinado às autarquias, findo o prazo, irá
recorrer ao Presidente da República para este pedir a
inconstitucionalidade do diploma que permite esse procedimento.

<p n=18144>
O autarca considerou ainda como «vital a elaboração da nova Lei das
Finanças Locais, de forma a que seja previsto o montante global anual do
FEF a transferir para as autarquias, para garantir uma acção mais
rigorosa e evitar que o Governo se engane na previsão do IVA e lese os
municípios». Sustentou ainda a participação das câmaras noutros impostos
cobrados nos concelhos como o IRC e sublinhou que a revisão da lei deve
estar pronta dentro de três meses de forma a influenciar o Orçamento
Geral de Estado.

<p n=18145>
«A Grande Aventura» é o melhor espectáculo que o TIL (Teatro Infantil de
Lisboa) apresentou nos últimos anos. Na zona do espectáculo dirigido às
crianças e aos jovens, teríamos que recuar uma boa década ou mais para
encontrarmos um trabalho que se lhe possa comparar. Recuar, por exemplo à
«Vida Íntima de Laura», quem se recorda?

<p n=18146>
Aquilo que podia ser uma apoteose transforma-se numa desmistificação. O
voo de Gago Coutinho e Sacadura Cabral emperra, a rádio dramatiza o
incidente, os dois aviadores ficam numa situação caricata. E com tudo
isso se faz uma rábula magistral, muito acidentada,  com muita
comunicação e carradas de humor, mas sempre pontuada por apontamentos de
grande teatralidade.

<p n=18147>
Grace Jones já está entre nós. Pode vê-la e ouvi-la na Danceteria Lido,
na Amadora, a partir da 1h30, apenas por dois mil escudos. Um espectáculo
a não perder.

<p n=18148>
Prossegue a I Mostra de Teatro de Grupos Amadores do Distrito de Lisboa.
No Sintra-Cinema o grupo Trupe de Teatro, de Vila Franca de Xira,
apresenta às 21h30 as peças «No fotógrafo» e «Um fogo e pêras».

<p n=18149>
Um dos maiores porta-contentores do mundo, o «Ming Peace», da frota da
«Yang Ming Line», da companhia de navegação de Taiwan, chegou ontem ao
cais da Liscont, em Alcântara, no porto de Lisboa.

<p n=18150>
Setúbal comemorou ontem o 131º aniversário da sua elevação a cidade e, na
ocasião, o historiador Fernando António Baptista lançou um alerta em
defesa do centro histórico. Segundo ele, o projecto de recuperação
daquela zona poderá não só «salvar a tempo» o traçado urbano original da
cidade, como também manter «intacta a maioria dos alçados», em fase de
elevada degradação.

<p n=18151>
A Câmara Municipal de Coimbra está a ponderar a possibilidade de recorrer
para o Supremo Tribunal Administrativo do despacho de Novembro de 1989 do
secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território
que ordenou retenção de verbas do fundo de Equilíbrio Financeiro para o
pagamento de dívidas da autarquia à EDP.

<p n=18152>
José Fernando Alves da Silva, de 13 anos, morador em Avintes, e que
anteontem, cerca das 14h00, havia desaparecido do centro Cercigaia do
Canidelo, foi ontem encontrado em Miraflores, Algés, após ter efectuado
uma viagem de comboio.

<p n=18153>
Uma lista de continuidade liderada pelo anterior presidente, Fernando
Pedro Moutinho, venceu as eleições para a Comissão Política Distrital de
Lisboa da Juventude Social Democrata.

<p n=18154>
Amanhã, pelas 14h00, cerca de quatro mil jovens escuteiros vão ensinar a
brincar com o ambiente, no Parque Florestal de Monsanto, numa iniciativa
do município lisboeta destinada à sensibilização ambiental da população.

<p n=18155>
O Outono/Inverno 91/92 segundo Lena Aires, durante a apresentação da
colecção, ontem à tarde no S. Luiz, no segundo dia da iniciativa
«Moda-Lisboa». Uma colecção «sexy» e muito divertida, a começar pelo
tratamento -- irónico e  provocante --  do tema escolhido: «Mulheres de
Rua». Os saltos altos, as mini-saias, as meias «résille», as botas, o
negro, o vermelho, o branco, os cetins e as pelicas, as boas de penas, os
fechos metálicos, compunham imagens de «mulheres de rua» entre amazonas e
Barbarella -- depois de uma  revisão «neo-pop». Uma assistência muito
divertida manifestou por diversas vezes o seu entusiasmo -- especialmente
durante a imitação dos gestos de «strip-tease» da manequim Ana Marta.

<p n=18156>
Para o o presidente da autarquia, João Justino, salvaguardando as
contrapartidas para o município -- no seguimento das preocupações
manifestadas pelos vereadores da CDU e do PS --, há que encontrar uma
solução de compromisso, pois o grupo Aoki «está preocupado com a demora
que das entidades» na resolução do caso.

<p n=18157>
Pelas 18h30 de ontem, a circulação de comboios entre Mercês e Sintra
processava-se apenas no sentido Lisboa/Sintra, devido a «actos de
vandalismo», segundo fonte das relações públicas da CP, praticadas contra
a catenária instalada entre o paeadeiro da Portela e o túnel.

<p n=18158>
O presidente do Município do Barreiro, Pedro Canário, disse ao PÚBLICO
que «os membros do júri foram alertados para o facto de dois dias antes
do concurso terem sido detectados pontos distribuídos por alguns dos
concorrentes».

<p n=18159>
O Algarve não é elástico e as praias têm «um numerus-clausus, as estradas
um número limitado de faixas de rodagem e os automóveis não podem
parquear em cima uns dos outros», disse ontem o eurodeputado
social-democrata Mendes Bota, no decorrer do 7º Congresso de Turismo do
Algarve.

<p n=18160>
Transmitindo a mensagem do Algarve «desamparado», aquele deputado
defendeu um Plano Regional de Turismo e uma política europeia para o
sector, de modo a reabilitar uma região onde «as praias e as falésias
estão a ser destruídas sem que ninguém levante um dedo a sério».

<p n=18161>
Oito pessoas que se encontravam na posse de dez quilos de haxixe, 600
gramas de heroína, pistolas e três mil contos em artigos roubados foram
detidas, na madrugada de ontem, pela Divisão da PSP da Amadora, como
resultado de uma operação iniciada às 6h00 de quinta-feira.

<p n=18162>
A PSP apreendeu ainda uma mota Kawasaki ao homem denunciado como
traficante e, numa visita posterior a sua casa, descobriu ainda cinco
balanças de precisão, mais seis quilos de haxixe e 600 gramas de heroína.
A sua detenção apenas será confirmada hoje, quando for presente a
tribunal.

<p n=18163>
Na Trafaria, os moradores convivem diariamente com camiões,
descarregadores e filtros que lhes roubam o sossego, cobrem-nos de pó e
os «põe malucos». A empresa responsável agiu para tornar a vida dos seus
vizinhos um pouco mais suportável. E os inspectores ambientais já lá
foram espreitar para saber do resultado.

<p n=18164>
Há precisamente um ano, a Silopor assegurou que tinha metido mãos à obra,
estabelecendo um «Plano Geral de Melhoria da Qualidade do Ambiente.» Já
nessa altura, o orçamento previsto para a execução do plano para a
redução, quer do pó quer do ruído, ascendia a 100 mil contos.

<p n=18165>
A reutilização de grandes zonas edificadas, tais como os espaços
industriais e portuários e os armazéns do Vale de Alcântara e Chelas,
para actividades terciárias ou «ateliers» foi a proposta lançada por um
dos participantes na Terceira Conferência Internacional sobre Alojamento
e Política de Solos, que se iniciou ontem no Fórum Picoas, em Lisboa,
numa organização da Urbe -- Núcleos Urbanos de Pesquisa e Intervenção.

<p n=18166>
A falta de planeamento e de regras, e uma gestão que, nos últimos anos,
se limitou «a licenciar pedidos para a construção de prédios para
escritórios porque a cidade não oferecia outra alternativa» fez com que,
neste momento, se esteja a assistir a uma avalanche de demolições que
transforma Lisboa «num cenário de pós-guerra», afirmou Garcia Lamas.

<p n=18167>
Momentos sagrados de televisão. Num mesmo canal, «A Flecha Sagrada», de
Samuel Fuller; a cantora do Texas Nanci Griffith, as vozes «a capella» do
grupo vocal Take Six, as percussões por quem as sabe -- Masters of
Percussion --, Célia Cruz e o cantar panamiano de Rubén Blades, em Outras
Músicas; à noite, Paolo Conté, quase ao mesmo tempo que, no outro canal,
se abrem «As Portas do Inferno». Samuel Fuller realizou «A Flecha
Sagrada» em meados dos anos 50 e deixou-lhe a rebeldia que é sua. Rod
Steiger compõe O'Meara, um soldado desencantado com o mundo branco.
Capturado pelos sioux, adopta esse tipo de vida, até que chega uma outra
guerra e a morte. Então O'Meara parte, na solidão de quem recusa a ordem
do mundo. Como um herói. Parece «Danças com Lobos», mas o filme de
Costner veio depois. «A Flecha Sagrada» um «western» como os «westerns»
devem ser, no Canal 2, às 14h25. Mais tarde, às 19h45, Outras Músicas, ou
a proposta de falar das músicas no sentido em que se estabelecem -- nas
histórias, nas vivências e nos lugares que os povos definem como seus e
que, normalmente, deixam como herança. Sem Outras Músicas, haveria
músicas que a RTP ignoraria. No Canal 1, às 23h50, a Última Sessão traz
«As Portas do Inferno», de Alan Parker. Nada de especial. Mas a banda
sonora, de Courtney Pyne também tem a ver com esses outros sons, outros
lugares. M.A.G.

<p n=18168>
A gente dos toiros é gente que se assume, que reflecte sobre os seus
erros e que bem viveria no culto da sua «afición» e no cimentar da sua
cultura, não fora uns quantos pseudocivilizados que muitas vezes não mais
vislumbram que o próprio umbigo, esquecidos dos seus telhados de vidro,
entretendo-se a atirar pedras aos telhados do parceiro.

<p n=18169>
O slogan «agora escolha» pode ser literalmente aplicado a dois dias da
semana. Um deles é, de facto, o domingo. Nesse dia, toda a gente é
contemplada pela televisão -- os mais novos, a família, os fãs das
brasileiradas, os «doidos» por concursos, os amantes do desporto, os
cinéfilos, os que se interessam pela cultura num sentido mais erudito,
enfim «tutti quanti»!

<p n=18170>
Que pena que o senhor [director do PÚBLICO] não tenha um pouco mais de
nível, para discordar de sua excelência reverendíssima senhor arcebispo
D. Eurico nas suas intervenções a bem de Portugal e da sua Igreja.

<p n=18171>
«Se fosse possível eleger directamente o primeiro ministro, votaria no
prof. Cavaco Silva, pois é um homem que muito admiro. Só que, pensando no
dr. Montalvão Machado, já não votaria no PSD. Eu não confundo Cavaco com
Montalvão...»

<p n=18172>
A assistência a deficientes, crianças e idosos, seja em hospitais,
infantários ou lares, ou mesmo nas suas casas, é uma tarefa que,
evidentemente e com grandes vantagens, pode ser cumprida pelos objectores
de consciência que se encontrem a prestar o serviço cívico.

<p n=18173>
O sr. Luís Rebelo Pereira, que não tenho a honra de conhecer pessoalmente
e que, segundo afirma, é director dos Serviços de Informação da Prelatura
da Opus Dei em Portugal, alcunha em carta-desforço, publicada no jornal
PÚBLICO de quarta-feira passada, as minhas afirmações sobre a Opus Dei de
totalmente falsas -- talvez por falta de informação... -- e de ser uma
calúnia que a instituição esteja baseada no poder do dinheiro e no
domínio das fontes económicas. Numa lógica um pouco distorcida, apresenta
como prova da Opus Dei não ser nada disto a plena liberdade pessoal com
que os membros da Opus actuam em tudo o que diz respeito à vida social,
profissional, política, etc.

<p n=18174>
Cristo, cujo ensinamento e doutrina a Opus diz servir, disse aos seus
discípulos que a árvore deveria ser julgada pelos seus frutos. Quem, como
eu, que sempre tive um sagrado horror a toda a espécie de sociedades
secretas ou fechadas, a todas as mafias e maçonarias e que penso em
inteira liberdade que o homem deve ser julgado pelo seu valor intrínseco,
e não pelo peso das suas ligações inconfessadas ou discretas, e que, como
tal, não conheço nem posso conhecer a Opus Dei por dentro, é obrigado a
formular o seu juízo pelos «produtos» da Opus e pela sua actividade
visível. Julgo isto perfeitamente legítimo e, a não ser que a Opus queira
para si o estatuto de intangibilidade pelos «media», tem que ser julgada
por aquilo que faz ou por aquilo que se sabe que é fruto da sua
actividade. Como tal surge à cabeça o Banco Comercial Português, que em
poucos anos conseguiu uma posição dominante no mercado do capital
retalhista e que deve actualmente ter uma situação primordial na captação
da poupança nacional e, correlativamente, o poder e a influência imensas
de tal facto derivadas.

<p n=18175>
A ZIRA e o PAF são dois novos heróis da nossa publicação preferida: o
«Diário da República». Leia, com avidez, as suas emocionantes aventuras,
tal como nós o fizemos.

<p n=18176>
O Decreto Regulamentar 19/91 (B) descobriu que a factura e a guia de
remessa permitem controlar o efectivo carácter, público ou particular, do
transporte, pelo que acabou com a guia de transporte. Menos papelada é
sempre bom, ainda que saiba a pouco.

<p n=18177>
Herman Cohen, o subsecretário de Estado norte-americano para os Assuntos
Africanos, volta hoje a Bicesse, onde continuam a decorrer as
conversações para a paz em Angola. Também hoje regressa a Portugal o
chefe da delegação da UNITA, Jeremias Chitunda.

<p n=18178>
Hoje, a chegada de Herman Cohen está prevista para o início da tarde. O
subsecretário de Estado terá encontros separados com cada uma das duas
delegações angolanas e com Durão Barroso, podendo ainda tomar parte numa
reunião plenária. Nesta reunião estará presente também Karasimov, o
observador soviético que ontem regressou de uma rápida deslocação a
Moscovo.

<p n=18179>
Vai funcionar junto da Assembleia Nacional Popular chinesa uma comissão
da Lei básica de Macau após a passagem do território em 1999 para a
alçada da administração de Pequim. Trata-se de um orgão consultivo que
será sempre ouvido acerca de quaisquer dúvidas relativamente à
interpretação da lei ou no caso de surgirem propostas de alteração. A
comissão será composta por dez elementos, cinco dos quais de Macau.
Entretanto, o ante-projecto da lei básica ficará concluido durante o
plenário da comissão de redacção que termina hoje em Pequim. Esta lei vai
orientar a vida no território após a sua integração na República Popular
da china.

<p n=18180>
Os caboverdianos residentes em Portugal pretendem votar nas eleições
autárquicas e desencadearam já uma campanha de sensibilização junto das
autoridades portuguesas. Segundo a Lusa, a reivindicação assenta no
princípio de que o voto autárquico é o voto dos residentes. Uma nota da
associação caboverdiana dá conta de que tanto o primeiro ministro de Cabo
Verde como o líder da oposição naquele país manifestaram a sua
concordância para que sejam criados mecanismos de reciprocidade. Assim,
tanto os portugueses residentes em Cabo Verde como os caboverdianos
residentes em Portugal poderaiam votar nas eleições municipais na
qualidade de emigrantes.

<p n=18181>
25 de Abril -- A lisboeta Avenida da Liberdade é o palco escolhido para as
cerimónias comemorativas do 25 de Abril, as quais serão presididas pelo
chefe de Estado Mário Soares. As Forças Armadas desfilarão, assim pela
primeira vez, na conhecida avenida, já um ex-libris da capital, durante
cerca de hora e meia.

<p n=18182>
PCP -- Carlos Brito, Domingos Abrantes, Edgar Correia, Francisco Lopes,
José Casanova, Luís Sá, Octávio Teixeira e Vítor Dias, pela Comissão
Política do PCP, e Jorge Gouveia Monteiro e Ruben de Carvalho, pela
Comissão Executiva Nacional, são os nomes que compõem a Comissão
Eleitoral dos comunistas para as próximas legilativas. Estes dez
dirigentes ficam assim encarregados de definir as «linhas de orientação»
eleitoral da CDU, bem como da «execução prática da campanha e da
pré-campanha» e aprovarão o material de propaganda eleitoral.

<p n=18183>
Na linha dos encontros de sociedade pré-eleitorais, e depois da Cultura,
da Ciência, do Ambiente, o Governo, nas pessoas de Cavaco, Couto dos
Santos e Miguel Macedo, recebeu a Juventude numa pousada da dita - o
Forte de Catalazete, em Oeiras. Os jovens desfiaram os problemas
sectoriais, Cavaco e Couto dos Santos tiraram apontamentos. No fim, a
promessa do Governo de «reflectir» para «integrar».

<p n=18184>
Couto dos Santos concluiu de maneira diferente, que as críticas
«irreverentes» que ouviu dentro da sala «provavam uma juventude que está
viva e actuante». Deliberadamente, decidiu-se que não participariam neste
encontro as organizações partidárias juvenis, que se movem já na «esfera
do poder». Àparte os representantes das associações sectoriais, das
federações estudantis e os desportistas, o Governo convidou um lote de
não-alinhados - os artistas. Pedro Teixeira da Silva, violinista, João
Loureiro, vocalista dos «Ban» e Alberto Oliveira Pinto, escritor. Não
intervieram no debate.

<p n=18185>
O Governo reservou salas em vários hotéis de Lisboa, tendo em vista a
Presidência portuguesa do Conselho de Ministros da Comunidade Europeia,
no segundo semestre de 1992. As salas serão utilizadas para reuniões das
diversas delegações estrangeiras que se vão instalar em Portugal durante
a Presidência, bem como para os encontros bilaterias «informais» que
costumam ocorrer na sede da Presidência comunitária.

<p n=18186>
Cerca de 65 por cento dos portugueses residentes em Lisboa defendem que
os Açores e a Madeira devem ter uma maior autonomia. No Porto, 55 por
cento defenderam idêntica posição. Este é o resultado de uma sondagem
Norma/»Já Agora», o programa da Rádio Renascença habitualmente
transmitido aos sábados. A sondagem, que teve por universo trezentas
pessoas escolhidas de forma aleatória através da lista telefónica, revela
ainda que, face a esta questão, em Lisboa apenas 11 por cento defenderam
uma redução da autonomia para a Madeira e os Açores enquanto no Porto
esta percentagem foi de 9,3 por cento. É curioso verificar ainda ser
elevado comparativamente o número daqueles que consideram certo o nível
de autonomia consagrado na lei: 23 por cento em Lisboa e 35 por cento no
Porto. A sondagem levantava ainda outra questão relativa à participação
do Governo nos custos de insularidade. Em Lisboa 66 por cento defenderam
que o Executivo tem de contribuir para esta despesa, e 31 por cento
optaram pela posição oposta. No Porto as percentagens são idênticas: 66
por cento mostraram-se favoráveis à contribuição do Governo e 27 por
cento opuseram-se. É ainda quanto a esta questão que alguns dos
entrevistados confessaram não ter opinião, o que não se verificou quanto
à anterior pergunta.

<p n=18187>
Cerca de 65 por cento dos portugueses residentes em Lisboa defendem que
os Açores e a Madeira devem ter uma maior autonomia. No Porto, 55 por
cento defenderam idêntica posição. Este é o resultado de uma sondagem
Norma/»Já Agora», o programa da responsabilidade conjunta da Lusa/Rádio
Renascença habitualmente transmitido aos sábados. A sondagem, que teve
por universo trezentas pessoas escolhidas de forma aleatória através da
lista telefónica, revela ainda que, face a esta questão, em Lisboa apenas
11 por cento defenderam uma redução da autonomia para a Madeira e os
Açores enquanto no Porto esta percentagem foi de 9,3 por cento. É curioso
verificar ainda ser elevado comparativamente o número daqueles que
consideram certo o nível de autonomia consagrado na lei: 23 por cento em
Lisboa e 35 por cento no Porto. A sondagem levantava ainda outra questão
relativa à participação do Governo nos custos de insularidade. Em Lisboa
66 por cento defenderam que o Executivo tem de contribuir para esta
despesa, e 31 por cento optaram pela posição oposta. No Porto as
percentagens são idênticas: 66 por cento mostraram-se favoráveis à
contribuição do Governo e 27 por cento opuseram-se. É ainda quanto a esta
questão que alguns dos entrevistados confessaram não ter opinião, o que
não se verificou quanto à anterior pergunta.

<p n=18188>
O actual chefe de gabinete de Soares, o embaixador João Diogo Nunes
Barata, é uma das hipóteses mais faladas para a chefia da Casa Civil,
deixando em aberto um lugar igualmente difícil de preencher. Bernardino
Gomes, actual administrador da Fundação Luso-Americana para o
Desenvolvimento e, também ele, chefe de gabinete de Soares em vários dos
seus governos, é outro dos nomes falados para substituir Alfredo Barroso.

<p n=18189>
As recentes alterações à Lei da Caça - justificadas pelo Governo com a
necessidade de melhor disciplinar a comercialização de exemplares
abatidos em actividades cinegéticas, -, foram ontem postas em causa pelo
PCP, que acusou o Executivo de «pretender recriar os velhos coutos
latifundiários». Ao solicitarem a ratificação do decreto governamental
pela Assembleia da República, os comunistas obrigaram à discussão do
diploma no plenário e criaram a oportunidade de denunciar que o mesmo
«cria o arbítrio na constituição e no acesso aos coutos privados». O rol
de críticas a que se associaram outros partidos não chegou, todavia, para
convencer os sociais-democratas a retirarem a confiança ao decreto do
Governo, da mesma forma que o esforço do PS para alterar um outro 
decreto, desta vez sobre a educação de adultos, saíu igualmente derrotado
pela maioria PSD.

<p n=18190>
E quando o habitual tom de desmobilização das manhãs de sexta-feira já se
prolongava pela tarde, chegou a vez do comunista Lino de Carvalho, que
recentemente protagonizou um aceso debate com o secretário de Estado da
Agricultura, Luís Capoulas, sobre o regime de entrega de terras
nacionalizadas ou expropriadas, voltar ao assunto. O pretexto foi o
pedido de ratificação do PCP do decreto governamental sobre direito de
reserva, previsto na Lei de Bases da Reforma Agrária. Quando subiu à
tribuna para contestar o diploma - que, como os anteriores, será
confirmado na sua versão actual pelos votos favoráveis do PSD -, Lino de
Carvalho entregou e distribuiu uma série de documentos com que pretendeu
«provar e exemplificar o espírito clientelar da política do Governo».

<p n=18191>
Mário Pinto tomou posse como ministro da República para os Açores. Do
Presidente da República ouviu um discurso centrado nas virtualidades da
democracia pluralista que permitiu «a autonomia regional (...) que
criámos sem ter ao nosso alcance modelos inspiradores que nos servissem
de guia». Mário Soares aludiu a passada ocorrência de «factores negativos
e problemas de incompreensão, de parte a parte (poder central e poderes
regionais) que foram feliz e gradualmente ultrapassados. Isto para Mário
Soares dizer que «no actual horizonte não há núvens que façam antever
dificuldades futuras» que impeçam «o sentido da autonomia tranquila que
hoje se impôs.» O Presidente não dispensou o rasgado elogio a Rocha
Vieira, prestando-lhe homenagem pelo contributo que o ex-ministro «soube
dar para a melhor definição das funções e perfil que se espera da acção
do Ministro da República». Depois falou Mário Pinto. Agradeceu a
confiança que expressa pelo Presidente da República e agradeceu a Cavaco
Silva por o ter proposto. A Mota Amaral agradeceu a «cordialidade» com
que este recebeu a sua indigitação. Prometeu promover «consensos
democráticos à luz de uma democracia moderna, pluralista e participada» e
disse levar para os Açores «um sonho de serviço. Com Antero: Sonhei - nem
sempre o sonho é coisa vã». Após a cerimónia foram os cumprimentos, para
dois lados: Mário Pinto e Rocha Vieira. O novo Governador de Macau foi
positivamente assediado, para receber «parabéns e conselhos».  Até Mota
Amaral, com largo e feliz sorriso, apertou vigorosamente a mão de Rocha
Vieira sugerindo-lhe que «em Macau não se podia portar tão mal como nos
Açores». Rocha Vieira respondeu com uma boa gargalhada. CC

<p n=18192>
Fernando Gomes reiterou ontem ao PÚBLICO o seu apoio a Lage, dizendo que
ele «tem desempenhado bem o seu papel enquanto líder de um distrito com
força reivindicativa», mas escusou-se a entrar em pormenores. Porém, um
membro do secretariado distrital classificou as palavras de Lage como
«imprudentes» e manifestou a sua «discordância» com o tom e conteúdo das
mesmas, enquanto um influente autarca distrital se revelou em consonância
com o comunicado da comissão de listas.

<p n=18193>
A próxima visita de Nelson Mandela a Portugal, prevista para os primeiros
dias do mês de Julho, está a gerar polémica no seio da Comissão de Boas
Vindas, recentemente criada com o objectivo de preparar essa visita;  a
decisão de criar tal comissão foi tomada  no decurso de uma reunião entre
o representante do ANC para a peninsula ibérica, Ben Mholate, e diversas
associações voltadas para a cooperação  e para a defesa dos interesses
das comunidades africanas. Inicialmente, integravam a Comissão de Boas
Vindas o Centro de Informação e Documentação Amilcar Cabral (CIDAC)
--organização não-governamental  que esteve na origem de todo o processo--,
a Associação Cultural e Recreativa Angolana (ACRA), a Associação
Cabo-Verdiana, a Associação Guineense de Solidariedade Social , o
SOS-Racismo, a Associação para a Cooperação entre os Povos , a OIKOS, a
Casa de Moçambique, e o Movimento Português contra o Apartheid (MPCA).
Porém, o aparecimento na segunda reunião de representantes da CGTP, do
Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) e da Associação de
Amizade Portugal--Angola criou um ambiente de alguma incomodidade, uma vez
que o CIDAC, com o apoio das associações de africanos, havia defendido
desde o inicio o não alargamento da Comissão a partidos ou correntes
politicas e centrais sindicais. Na passada quinta-feira, em reunião que
se prolongou  por mais de quatro horas, apenas se chegou a discutir esta
questão, não se obtendo, porém, qualquer acordo.

<p n=18194>
De 1984 a 1990, o Ministério da Indústria e Energia atribuiu 4,5 milhões
de contos de subsídios a projectos de Investigação, Desenvolvimento e
Demonstração (I, D & D). Através de contratos estabelecidos entre as
empresas e laboratórios ou universidades portuguesas, estes projectos
absorveram, no mesmo período, um investimento total de 12,3 milhões de
contos.

<p n=18195>
Instituído em 1988 pelo Conselho de Ministros da Indústria da CEE, o
Programa Específico de Desenvolvimento da Indústria Portuguesa -- PEDIP --
tem como grande objectivo a modernização da indústria portuguesa e o
reforço da competitividade face à criação do Mercado Único Europeu, o
mais temido salto para a economia nacional.

<p n=18196>
O segundo passo fundamental é dado em Fevereiro de 1988. Na Cimeira de
Bruxelas (que se realiza nos dias 11 e 12 daquele mês) vem a ser aprovada
a linha orçamental específica de 500 milhões de ecus, a inscrever no
Orçamento Comunitário para o PEDIP, ao qual serão associados recursos
financeiros provenientes dos fundos estruturais existentes, FEDER (Fundo
Europeu de Desenvolvimento Regional) e FSE (Fundo Social Europeu),
complementados por créditos do Banco Europeu de Investimentos (BEI).

<p n=18197>
O número de projectos aprovados no âmbito do PEDIP até 31 de Dezembro do
ano passado ascendia a 3634, correspondendo a um investimento próximo dos
455 milhões de contos. A estes projectos, que representaram cerca de 68
por cento dos que foram apreciados pelos responsáveis do PEDIP, foram
concedidos incentivos superiores a 136 milhões de contos.

<p n=18198>
O relatório de execução do PEDIP referente a 1990 e elaborado pelo
Ministério da Indústria e Energia dá conta de um «papel de especial
relevância» que a inovação e desenvolvimento tecnológico desempenha no
contexto da realização do programa. Em números absolutos, representa um
investimento acumulado de 221,2 milhões de contos, tendo como incentivos
totais (também acumulados) 62,9 milhões de contos.

<p n=18199>
À medida que se aproximam os canais privados, agitam-se outras áreas
ligadas à televisão. De há um mês para cá, está a funcionar um sistema de
audimetria a nível nacional. Agora será mais fácil saber, exactamente,
quais as audiências de cada programa da TV.

<p n=18200>
Na mesma semana, o estudo elaborado pela Ecotel, através da audimetria --
um sistema electrónico -- atribui à telenovela da noite percentagens
bastante inferiores, rondando os 45 por cento.

<p n=18201>
PORTUGAL, a África do Sul e a União Soviética são alguns dos países onde
a liberdade de opinião e de expressão aumentou nos últimos anos, segundo
a organização especializada, com sede em Londres, «Artigo 19». No seu
«Relatório Mundial 1991», sobre «Liberdade de Informação e Censura»,
publicado em Londres, esta organização denuncia a existência de censura
em 77 países de todo o Mundo.O relatório diz que em Portugal, desde a
revolução que derrubou o Estado Novo, em 1974, a liberdade nos meios de
comunicação social tem sido melhorada pela crescente confiança dos
jornalistas e pela adopção de regras para salientar a importância do seu
papel.A Constituição Portuguesa de 1976, duas vezes emendada, garante a
liberdade de expressão na imprensa, na rádio e na televisão, a censura
prévia é proibida e as infracções cometidas são tratadas em tribunais
normais, refere o relatório, de 470 páginas.

<p n=18202>
O JUIZ Afonso Passos marcou para o próximo dia 2 de Maio as alegações
finais do julgamento de seis antigos administradores e funcionários das
Caves Aliança que está a decorrer desde o passado dia 8 de Abril no
Tribunal de Círculo de Anadia. Os advogados de defesa, liderados por
Proença de Carvalho, pretendiam que as alegações decorressem durante a
sessão de ontem, mas perante a oposição do delegado do procurador da
República o Tribunal decidiu-se pelo adiamento. Fontes ligadas ao
processo disseram ao PÚBLICO que esta decisão «vai proporcionar ao juíz
mais alguns dias para reflectir sobre o teor da sentença de um processo
complicado que será inevitavelmente contestada no Tribunal da Relação de
Coimbra».

<p n=18203>
O director da Polícia Judiciária de Coimbra considerou, quinta-feira, que
as autoridades judiciárias estão a usar de «certa frouxidão» no
doseamento das penas a aplicar em casos da tráfico de droga. Para
Euclides Dâmaso, «certa insuficiência repressiva constatável em Portugal»
está relacionada com uma «postura de excessiva exigência probatória,
mormente em sede de julgamento».

<p n=18204>
Maria Jesus Serra Lopes, que foi recebida  pelos estudantes com assobios
na sessão de abertura do seminário «A advogacia, os desafios do mercado»,
foi acusada de «ostensiva má-fé» durante o «pseudo-processo negocial
relativo ao novo regulamento».

<p n=18205>
«É DESPROPORCIONADO que um jornalista não possa falar de operações
militares, conforme estipula a Lei de Imprensa, ao considerar como
infracção a referência a operações militares cuja divulgação não haja
sido autorizada pelo Estado-Maior General das Forças Armadas.» Nuno de
Sousa, docente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra,
discordava assim das imposições legais ao exercício da profissão de
jornalista no seminário sobre «Direito à informação» que, na quinta-feira
passada, decorreu em Coimbra.

<p n=18206>
Nuno de Sousa defendeu que, em certos casos, o próprio segredo de justiça
seja derrogado pela Polícia Judiciária, se tal for importante para a
investigação do caso: «Se um jornalista se limitar a receber de um agente
da autoridade ou funcionário público um segredo de Estado, limitando-se a
publicá-lo, não pode ser acusado de o violar.»

<p n=18207>
O conselho nacional da CGTP-In criticou ontem o conteúdo do acórdão do
Tribunal Constitucional (TC) sobre a proposta de autorização legislativa
pedida pelo Governo para o «pacote laboral». Afirmando que o Tribunal
confirmou a inconstitucionalidade de não haver discussão pública sobre a
matéria, a central condenou, no entanto, «a fragilidade, ligeireza e
impreparação técnico-jurídica» do conteúdo do acórdão.

<p n=18208>
Afirmando ser preocupação do TC o «uso de de um grau máximo de diligência
no sentido de facilitar a política legislativa do Governo», a CGTP
contesta ainda os termos do acórdão sobre a constitucionalidade de o
período experimental ser «mais longo nas pequenas empresas que nas
maiores» e sobre o acordo de cessação de contrato de comissão de serviço,
entre patrão e empregado.

<p n=18209>
PORTUGAL, a África do Sul e a União Soviética são alguns dos países onde
a liberdade de opinião e de expressão aumentou nos últimos anos, segundo
a organização especializada, com sede em Londres, «Artigo 19». No seu
«Relatório Mundial 1991», sobre «Liberdade de Informação e Censura»,
publicado em Londres, esta organização denuncia a existência de censura
em 77 países de todo o Mundo.

<p n=18210>
O relatório refere-se ainda à criação da Alta Autoridade para a
Comunicação Social, destinada a garantir o direito à informação,
liberdade de imprensa e independência dos meios de comunicação social dos
poderes políticos e económicos, e o direito de resposta.

<p n=18211>
O CONGRESSO do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários e Afins (Sitra),
que no fim de semana passado se realizou em Monte Real (Leiria),
proporcionou, simultaneamente, o «apaziguamento» interno da organização e
uma nova frente de contestação aos antigos e actuais dirigentes.

<p n=18212>
O sindicalista Matos Fernandes, eleito pelo PSD para a comissão de
trabalhadores do Metro, é um dos exemplos de descontentamento que o levou
mesmo a demitir-se do sindicato. «Estou firmemente convicto de que esta é
a decisão que devo tomar já que presentemente considero o Sitra um
projecto e uma organização que nos últimos tempos, e cada vez mais,
deixou de ter interesse para os trabalhadores dos transportes e em
especial para os do Metropolitano de Lisboa», escreveu o sindicalista --
que integrava a direcção de Lisboa do Sitra e não teve lugar no congresso
-- em comunicado divulgado na empresa.

<p n=18213>
Foi em Alvalade que, na época passada, o FC Porto averbou a primeira das
duas derrotas (a outra foi em Belém), que, no entanto, não o impediram de
ser campeão. Esta época, porém, já com cinco empates e uma derrota,
perder com o Sporting significaria para os portistas uma quase renúncia à
revalidação do título, uma semana antes do jogo, talvez decisivo, com o
Benfica, nas Antas.

<p n=18214>
Hoje, em Alvalade, os portistas têm, ainda, uma outra grande vantagem: o
facto de o Sporting estar em vésperas de um fundamental compromisso
europeu, o que é sempre inibidor, podendo até levar Marinho Peres a optar
por uma formação de reservistas.

<p n=18215>
IVKOVIC (8) - Não é por acaso que o guarda-redes jugoslavo é  considerado
um dos melhores jogadores da Europa no seu posto. Ágil, elegante e,
sobretudo, muito seguro, ele é um dos esteios da equipa.

<p n=18216>
VENÂNCIO (6) - Com a experiência e o talento de Luisinho ao lado,
Venâncio tornou-se mais discreto e eficiente. E sobretudo, confiante.
Joga bem de cabeça, mas possui na marcação directa, a sua principal
capacidade.

<p n=18217>
Com a continuação dos problemas interiores na Alemanha, acentuados com a
especulação existente sobre uma possível derrota nas eleições regionais
por parte de Helmut Khol, o franco suiço continuou a sua valorização em
relação ao marco , situando-se, neste momento, a paridade DEM/CHF a
86.70.

<p n=18218>
A libra, beneficiando da fraqueza do marco, encontra-se no rumo de um
novo teste ao nível dos 3,0 marcos, contudo não se espera que uma vez
quebrado este nível, a libra se valorize muito mais contra a moeda alemã
no curto prazo, uma vez que existe o sentimento no mercado de que os 3,00
marcos representam uma forte resistência.

<p n=18219>
Evidenciando a recuperacão da economia, assistimos a um enorme
fortalecimento do dólar norte americano com principal incidência na sua
cotação contra o marco, face à instabilidade politico-económica
actualmente vivida na Alemanha e provocada basicamente pelos efeitos da
unificacão, bem como pela instabilidade politica sentida actualmente no
Leste europeu

<p n=18220>
António Ricciardi, 72 anos, é o presidente do conselho superior do Grupo
Espirito Santo. Oficial da Marinha, pediu uma licença de dez anos, após o
que optou definitivamente pela vida empresarial, tendo feito todo o seu
percurso em empresas ligadas ao grupo Espirito Santo. O seu primo,
António Espírito Santo Silva, 56 anos, economista, detém a
vice-presidência. Iniciou cedo a sua carreira no Banco Espirito Santo.
António Ricciardi assume com  habilidade a condução de uma conversa,
enquanto António Espirito Santo prefere sintetizar as suas intervenções.
Ambos reagem com humor quando se lhes fala de «yuppies» e dizem que a
«escola» do grupo é o «degrau a degrau». Defendem uma «cultura própria» e
afirmam que uma das suas caracteristicas «é evitar a politica». Assim,
não têm criticas ao Governo, excepto no que interfere directamente com o
grupo.

<p n=18221>
O volume de facturação consolidado referente ao exercício de 1990,
registado pelas quatro fábricas do grupo Cablesa, ascendeu a cerca de 23
milhões de contos. As empresas do grupo, que fabricam basicamente
componentes eléctricos para a indústria automóvel, tiveram como
principais clientes a Renault, a General Motors, a Ford, a Volvo, a BMW e
a Mercedes. Para este ano, a Cablesa prevê realizar investimentos em
tecnologia, em equipamentos e em novas formas de fabrico, cujo montante
deverá ultrapassar os cinco milhões de contos. Os investimentos deverão
ser distribuídos pelas quatro fábricas instaladas em Portugal. A Cablesa,
do grupo Packard Electric Europe, está instalada em Portugal desde 1981.

<p n=18222>
O Sistema Informático que vai permitir a aplicação da Reforma de Bases da
Contabilidade Pública entrou, esta semana, em vigor. É mais um passo para
a aplicação da Reforma, que Barbosa da Silva contesta que esteja
atrasada: «Está a fazer-se todos os dias e começou mesmo antes da
aprovação da Lei de Bases.» O director-geral da Contabilidade Pública, em
entrevista ao PÚBLICO, sublinha ainda que «esta não é uma reforma que se
possa inaugurar».

<p n=18223>
O Ministério das Finanças, através do secretário de Estado Elias da
Costa, sempre mostrou alguma incompreensão pela «exagerada» preocupação
dos jornalistas quanto a datas precisas sobre a privatização desta ou
daquela empresa. Defendia, com alguma razão, que não era determinante,
nem para o Governo nem para os eventuais interessados, apontar com grande
antecipação o dia da venda. Aliás, a marcação deste «competia
exclusivamente» às comissões directivas das Bolsas de Lisboa e Porto. Ao
Governo apenas cabia «sugerir». A sugestão, por si mesma, era indicação
suficiente para os agentes económicos interessados na empresa a
privatizar. Estes ficavam a saber que em determinada semana, de um certo
mês, teriam de estar preparados. Posteriormente, a Bolsa anunciava o dia
escolhido.

<p n=18224>
A semana em análise fica caracterizada pelo excesso de liquidez existente
no mercado até quinta-feira, o último dia de um período de cumprimento de
disponibilidade mínima de caixa. As taxas médias do "overnight" foram
sempre descendo, passando  dos 11,3146, na segunda feira, até aos 1,0399
por cento. O Banco de Portugal, conforme tinha anunciado na semana
anterior, apenas absorveu liquidez na quarta-feira, vendendo 124.036
milhares de contos  de TRM's a sete dias, à taxa média 12,4893 por cento,
e 23.850 milhares de contos de títulos a13 semanas, à taxa média de
17,8775 por cento.

<p n=18225>
Após o anúncio do índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos da
America, que apresentou em Março o valor mais baixo dos últimos sete
anos, esperava-se por parte da Reserva Federal uma descida nas taxas de
juro do dólar.

<p n=18226>
A ligeira recuperação do marco em taxas de câmbio deve-se, em parte, a um
estudo apresentado por diversos economistas que apontam como muito viável
e salutar a recuperação rápida da economia da ex-RDA.

<p n=18227>
Com uma evolução hesitante, e que nem sempre segue de perto a dos
principais mercados internacionais, as bolsas portuguesas estão
condicionadas a surgir como eternas promessas em termos de crescimento.
Os analistas do mercado nacional identificam actualmente três factores
para encararem com algum optimismo o futuro próximo delas. Mas...

<p n=18228>
Por outro lado, refere-se que a tendência de descida da inflação poderá
incutir confiança no mercado de acções. Mais uma vez, se os últimos dados
são favoráveis, as incógnitas quanto à evolução do índice de preços no
consumidor acumulam-se. O comportamento moderado dos preços dos bens
alimentares nos meses mais recentes permitiu um melhor desempenho da
inflação. Mas nada garante que os restantes produtos que integram o
«cabaz» do índice de preços no consumidor venham a registar idêntica
tendência. Os inquéritos conduzidos pelo Instituto Nacional de
Estatística aos empresários revelam que as expectativas não são
propriamente entusiasmantes.

<p n=18229>
As empresas espanholas apostam decididamente no mercado português. Depois
dos bancos, dos seguros e do imobiliário, a indústria cimenteira parece
ser um próximos campos onde os grupos espanhois querem «atacar em força».
Duas empresas do país de «nuestros hermanos» estão interessadas na
privatização da maior cimenteira portuguesa: a Cimpor. As empresas
interessadas são a Financiera Y Minera, «holding» em Espanha da
multinacional Ciment Français, e a Valenciana de Cementos, lider em
Espanha no mercado de cimentos. Em relação à Financiera, os 140 milhões
de contos da operação seriam suportados pela multinacional francesa que,
após a compra integraria a cimenteira portuguesa na sua «holding» de
Espanha . A Terra Azul, empresa com sede em Lisboa e também ligada à
Ciments Français também estaria envolvida neste processo . Por seu lado,
a Valenciana de Cementos investiria com os seus sócios, a norueguesa Aker
e a sueca Euroc. A quota de mercado que a Cimpor detém em Portugal e o
volume de produção da empresa, não serão estranhos ao interesse por parte
das empresas espanholas. Para ambas as empresas a compra da Cimpor, que
atinge uma produção superior à lider do mercado espanhol, é encarada como
um negócio interessante. No caso da Financiera y Minera, a aquisição da
cimenteira portuguesa corresponde à consolidação da estratégia da Ciments
Français no sul da europa, uma vez que a multinacional francesa pretende
também adquirir a cimenteira italiana Cimentir. Para essa operação em
Itália, a empresa francesa conta com o apoio do maior grupo privado
italiano, a Fiat e com o apoio da família Buzzi. Por seu lado, a
Valenciana de Cementos, que recentemente perdeu o concurso para a compra
da cimenteira grega Halkis, pretende entrar no mercado português como
primeiro passo para a sua presença no sul da europa, onde está apenas
presente através do subsector do betão armado.

<p n=18230>
Banesto no imobiliário em Portugal-A Imobiliária Urbis, integrada no
grupo Banesto adquiríu dois edificios no centro de Lisboa, pretendendo
transformá-los em escritórios. A imobiliária comprou a Emiliano Revilla o
edificio da Avenida da Liberdade, fronteiro ao cinema Tivoli, comprado há
alguns anos por aquele empresário espanhol. Este prédio com uma área
entre os três mil e os quatro mil metros quadrados, será reconvertido
para escritórios, prevendo-se um investimento na ordem dos 840 mil
contos. Ainda em Lisboa, no Campo Pequeno, a Urbis adquiriu um edificio
com uma área superior a quatro mil metros quadrados que exige um
investimento superior a meio milhão de contos para ser transformado,
também em edificio para escritórios. Esta imonbiliária, participada em 25
por cento pelo banco de Mário Conde, também comprou um solar em Cascais,
mas ainda não divulgou planos quanto à utilização futura deste imóvel.

<p n=18231>
O Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) foi
formalmente constituido, em cerimónia que decorreu em Londres com pompa e
circunstância. Quase quatro dezenas de chefes de Estado e de governo
estiveram presentes. Para a presidência foi escolhido um francês, Jacques
Attali, 48 anos, ex-conselheiro de François Mitterrand. Portugal designou
Silva Lopes.

<p n=18232>
Bolsa de Lisboa, a Pior da CEE-A Bolsa de Valores de Lisboa foi a que
registou o pior comportamento no conjunto dos principais mercados de
capitais da CEE, revelou um estudo elaborado pela Lusa. A análise dos
índices bolsistas, concluí que a descida de 34,79 por cento no índice BTA
em Lisboa é a mais significativa no conjunto das praças que integram a
Federação das Bolsas de Valores da CEE. A Bolsa de Dublin foi a que mais
se aproximou da «perfomance» registada pela praça de  Lisboa. Por seu
lado Atenas foi o único mercado da CEE que contrariou a tendência
decrescente face a 1989, ao registar uma subida de 102,86 por cento.
Londres foi a segunda melhor bolsa em termos de comportamento ao registar
uma depreciação de 11,52 por cento. A Bolsa de Londres movimentou 41 por
cento do total de acções movimentados nas doze praças europeias
analisadas. As acções transacionadas na «city» ascenderam a 191,592 mil
milhões de contos.

<p n=18233>
«Decidimos em conselho.» António Ricciardi e António Espírito Santo
Silva, presidente e vice-presidente do Grupo Espírito Santo, fazem assim
a sua apresentação. Não aceitam que a existência de um órgão colegial
perturbe a «personalidade» do grupo, até aqui assente não só num nome de
família mas também num nome próprio: Manuel Ricardo.

<p n=18234>
«Diluição? Não...» António Ricciardi acentua que «o grupo também já não é
só a família». Recua a Londres e lembra que, em Setembro de 1975 (data da
reorganização), «a realidade já era essa». Também nessa altura se
comprovou que «o nome é um activo extraordinário». Agora, o grupo «é
personificado no seu topo por um conjunto de pessoas, onde até continua a
predominar a família Espírito Santo». Há cinco elementos no conselho
superior: «Desses cinco, três são pessoas da família Espírito Santo. Mas
desde o primeiro momento que funcionamos colegialmente.»

<p n=18235>
Na semana passada, o grande tema das páginas de economia dos principais
jornais europeus foi naturalmente a inauguração oficial do Banco Europeu
para a Reconstrução e Desenvolvimento. Mas, no dia-a-dia da imprensa
internacional, as notícias continuaram a não ser muito animadoras para o
mundo dos negócios, sendo frequentes as informações sobre enormes quebras
nos resultados de grandes grupos internacionais.

<p n=18236>
Também a American Airlines, uma das duas maiores companhias de aviação
dos Estados Unidos, anunciou que nos primeiros três meses do ano em curso
registou perdas de 195,6 milhões de dólares como consequência da guerra
do Golfo e da recessão interna.

<p n=18237>
A instabilidade caracterizou os negócios e a tendência geral dos mercados
de capitais londrinos. O nível a que se situa o índice FTSE 100 -- ainda
bastante acima dos 2500 pontos -- é considerado por muitos investidores
como sendo de alto risco, o que lhes provoca um nervosismo fora do
normal. Qualquer pequena notícia de sentido positivo leva o mercado todo
à compra, o contrário sucedendo com as notícias de sinal negativo. Além
dos números referentes à sua economia, os investidores ingleses estiveram
também muito ligados à evolução das mais importantes bolsas
internacionais, com especial incidência para o mais relevante mercado
norte-americano. Embora, na sessão de terça-feira, o mercado tenha estado
em baixa acentuada, devido aos valores, entretanto publicados, do índice
de preços por grosso (que não ajudavam aos novos cortes nas taxas de
juro), na sessão seguinte a forte alta registada em Wall Street quase
permitiu que o FTSE 100 registasse um novo máximo histórico (o último foi
alcançado em 5 de Abril deste ano). Duas descidas de reajustamento
tiveram como efeito uma quebra semanal na Bolsa de Londres de cerca de
0,24 por cento.

<p n=18238>
Porém, à semelhança das restantes praças, verificou-se em Madrid um recuo
das quotações que quase anulou os ganhos dos dias anteriores. O índice
geral, ao fechar a semana nos 282,43 pontos, apurou um ganho de
aproximadamente 0,5 por cento.

<p n=18239>
Abrindo a semana com o índice Dow Jones muito perto dos 2916 pontos, Nova
Iorque, em apenas três sessões de Bolsa, subiu quase 100 pontos,
ultrapassando finalmente a dura barreira psicológica dos 3000. No começo
da semana, os resultados trimestrais de algumas instituições financeiras,
como foi o caso do Chase Manhattan Corp, foram em parte responsáveis pelo
início da subida. Porém, receios de que a Reserva Federal não tomasse
ainda nesta semana uma atitude em relação ao tão falado corte nas taxas
de juro travaram um pouco o optimismo dos investidores. No dia seguinte,
o índice Dow Jones inicia a sessão com uma força pouco vulgar, passando
nas primeiras horas de negociação a flutuar acima dos 3000 pontos.

<p n=18240>
1000 milhões de contos são as previsões do governo para o montante de
investimento estrangeiro em Portugal no decorrer do ano em curso, disse
ao «Diário Económico», o secretário de Estado do Comércio e Turismo, Neto
da Silva. Segundo as contas do governo, só o projecto da Ford/VW envolve
um investimento de 400 milhões de contos. Se as previsões para 1991 são
ambiciosas, as previsões do Executivo quanto ao investimento estrangeiro
em 1990, embora mais modestas não foram alcançadas. O governo previa
valores na ordem dos 600 milhões de contos, quando o valor efectivamente
registado se situou na casa dos 500 milhões de contos. O governo aponta a
suspensão do investimento da Stora, no montante de 100 milhões de contos,
como a causa do fracasso das previsões.

<p n=18241>
Em Paris, a semana bolsista iniciou-se de forma negativa, influenciada
pela falta de incentivos na compra de títulos de rendimento variável. Por
outro lado, a expectativa de uma possibilidade de baixa nas taxas de juro
teve como consequência a retenção dos títulos por parte dos potenciais
vendedores. Ambas as situações contribuíram para que o mercado, na sua
primeira sessão, fosse caracterizado pela neutralidade. Uma descida de
proporções razoáveis assolou na segunda sessão da semana a praça
parisiense, devido ao rumor de que as taxas de juro não baixariam tão
cedo.

<p n=18242>
FERREIRA DO AMARAL RECONHECE SITUAÇÃO GRAVE NA HABITAÇÃO - O ministro das
Obras Públicas, Transportes e Comunicações reconhece que a situação que
se vive no sector «é de facto grave», «preocupa largos milhares de
portugueses» e «ainda vai levar muito tempo a resolver». O ministro
responsável pela Habitação fez estas declarações no parlamento, em
resposta à interpelação feita pelos socialistas ao governo sobre política
de habitação. No entanto, Ferreira do Amaral acrescentou que os partidos
de oposição não apresentam nenhuma alternativa credível. Esta foi a tese
central do discurso deste membro do Governo, em relação à esgrima dos
números que caracterizou o ataque socialista. Estes, pela voz de António
Guterres, acusaram o governo de nem sequer «ter cumprido o seu programa
de 1987» e acusou o Executivo de ter tratado o sector da habitação, com o
se tratasse de um «padrasto», com a agravante de se tratar de «um
padrasto rico».

<p n=18243>
Em Tóquio, a semana começou sob o signo do equilibrio, nem grandes
subidas, nem quebras acentuadas. Tendência que, aliás, se manteve ao
longo da semana. Assim, na segunda-feira, o índice Nikkei atingiu, ao
meio da manhã, o seu nível mais alto, situando-se nos 26 896,14 ienes. No
fecho da sessão, títulos em alta e em baixa quase se equivaliam, tendo o
sector financeiro protagonizado as melhores «performances» do dia. A
manutenção das expectativas em torno das taxas de juro aconselharam, na
terça-feira, prudência aos investidores. O Nikkei fechou nos 26 813,3
ienes, com uma pequena valorização de 0,44 por cento em relação à
véspera, patentes nos 380 milhões de títulos transaccionados, contra os
368,66 mil da véspera. Quarta-feira foi o dia «D» em Tóquio, não só por
assinalar a quinta sessão consecutiva em alta, mas principalmente porque
o Nikkei ultrapassou a barreira psicológica dos 27 mil ienes. O recuo do
iene face ao dólar levou a que, na quinta-feira, a Bolsa de Tóquio
interrompesse a sequência positiva dos cinco dias anteriores. O Nikkei
marcava 26 798,9 ienes, no final da sessão, acusando uma quebra de 0,67
por cento. A variação semanal traduziu-se numa percentagem negativa de
0,15 por cento.

<p n=18244>
Francisco Carvalho Guerra, vice-reitor da Universidade do Porto,
encontra-se, de há uns dias a esta parte, demissionário do cargo que
ocupa na Reitoria por razões que, segundo ele, «se prendem com uma
acumulação de trabalho excessiva».

<p n=18245>
A administração da Coelima requereu esta semana ao Tribunal Judicial de
Guimarães a aplicação da «gestão controlada», um dos meios de recuperação
de empresas regulado pelo decreto-lei 177/86. A Coelima pretende a
redução do valor dos créditos comuns bem como a modificação de prazos e
datas de vencimento de todos os seus créditos. Outros objectivos são a
suspensão dos contratos individuais de trabalho, o despedimento de
trabalhadores, a renegociação dos acordos de empresa e o aumento do
capital da sociedade, com o reforço de 7,5 milhões de contos.

<p n=18246>
Um dos mais reputados fabricantes de violinos do mundo, Sergio Peresson,
78 anos, morreu terça-feira em Haddonfield, nos Estados Unidos, na
sequência de um ataque cardíaco. Peresson, de origem italiana, emigrou
para a Venezuela após a II Guerra Mundial, e aí ganhava a vida reparando
os violinos da orquestra sinfónica nacional. Nos anos 60, foi viver para
os Estados Unidos onde começou a fabricar os seus próprios instrumentos.
Em 1982, mundialmente famoso, decidiu recusar novas encomendas por não
conseguir responder à procura. Quando morreu, «havia 180 músicos em lista
de espera», informou a mulher de Peresson, Margit. No meio musical, havia
quem o considerasse o maior fabricante de violinos do mundo, capaz de
fazer instrumentos tão bons como os de Stradivarius, do século XVII.

<p n=18247>
Bruxelas vai viver ao som de jazz a 24, 25 e 26 de Maio, quando 350
músicos, entre eles todos os belgas conhecidos internacionalmente, se
produzirem em cerca de 50 cafés, restaurantes e salas de espectáculos,
ligadas antre si por carreiras de autocarros antigos, e gratuitos. Um
bilhete que dá acesso a todos os concertos custa 250 francos belgas
(cerca de cinco mil escudos) e a cerveja é a 60 francos belgas (cerca de
250 escudos). Nesta festa do jazz participam alguns convidados
estrangeiros. Calcula-se que cerca de 30 mil pessoas, muitas delas de
Paris, acorrerão a Bruxelas para assistir ao acontecimento

<p n=18248 assunto=desporto>
Bordéus salvou-se -- O Bordéus, clube francês de futebol, está salvo, pois
o Tribunal aceitou o plano de recuperação apresentado por  Jean-Didier
Lange e Philippe Charron, evitando-se assim a liquidação judicial.
Entretanto, em jogos antecipados da 34ª jornada do campeonato francês, o
Marselha foi empatar a um golo ao campo do Rennes e o Mónaco visitou e
bateu o Sochaux, por 2-0, diminuindo para dois pontos a diferença que o
separa do comandante Marselha, que no entanto conta um jogo a menos.

<p n=18249>
EMPATE NO COMANDO DA «VOLTA -- Carlos Bica (Lancia Integrale) e Joaquim
Santos (Toyota Celica) terminaram empatados na liderança a primeira etapa
da Volta Galp a Portugal em automóvel que ontem se realizou nas
classificativas de asfalto da Serra de Sintra. Bica controlou bem o
andamento de Santos, ficando em boa posição para as duas etapas em pisos
de terra, hoje e amanhã. No Grupo N, Fernando Peres (Ford Sierra) foi o
mais rápido, estando à vontade no 3.º lugar da geral. Ainda para mais,
Bento Amaral (Renault) já não lhe fará frente, pois a prova do Troféu
Renault 5 GT Turbo terminou com o final da 1.ª etapa. Entre os Citroën
AX, Inverno Amaral tem dominado, conseguindo uma boa vantagem sobre Tomás
Mello Breyner e aproveitando o toque dado por José Carlos Macedo que se
atrasou.

<p n=18250>
O orador deixou ainda muito claro que a dureza da política monetária e
cambial vai manter-se. Isto porque o Banco Central terá de continuar a
assegurar que a valorização do escudo permanecerá a níveis razoáveis.
Tavares Moreira recordou que, apesar da enorme valorização do escudo nos
últimos dois anos (cerca de 15 por cento), «se se tivesse permitido a
total repercussão da procura de moeda nacional sobre a taxa de câmbio o
desequilíbrio externo acabaria por ser inevitável».

<p n=18251>
O secretário de Estado adjunto norte-americano para Assuntos Africanos,
Herman Cohen, declarou ontem à noite na Costa do Marfim, antes de partir
para Lisboa, que continua optimista quanto a uma solução de paz para
Angola, apesar do recente incremento dos combates. No seu entender, as
negociações em Portugal já conduziram a acordos sobre assuntos muito
importantes, como a composição de um exército nacional. Por outro lado,
Cohen admitiu uma solução negociada para a crise na Libéria e disse haver
progresso no sentido de se acabar com o «apartheid» na África do Sul,
embora tenha observado que os conflitos da Somália, do Sudão e da Etiópia
se encontram num impasse. O adjunto de James Baker referiu-se ainda ao
descalabro da economia zairense.

<p n=18252>
Na futura auto-estrada do Estoril, em fase de conclusão, os
automobilistas vão poder passar na portagem sem parar devido à instalação
de um novo sistema de pagamento, segundo anunciou ontem José Braga,
director dos serviços de exploração da Brisa.

<p n=18253>
Bispos de Angola apelam a cessar-fogo urgente -- A conferência episcopal
de Angola e S. Tomé e Princípe apelou ontem, em mensagem dirigida a todos
os fiéis, a um cessar-fogo urgente, que garanta a vida e a segurança do
povo angolano. O documento defende a necessidade do mais rigoroso
respeito, pelos signatários, dos compromissos inerentes ao armistício,
frisando que «seria um caos se qualquer uma das partes,
irresponsavelmente, violasse os acordos e assim frustrasse as esperanças
do povo».

<p n=18254>
O general Rocha Vieira toma posse do cargo de Governador de Macau na
próxima terça-feira, às 16h30. Durante o fim-de-semana vai ainda manter
contactos com Murteira Nabo para avaliar os principais processos que vai
herdar.

<p n=18255>
A TV1, de Proença de Carvalho e Carlos Barbosa, só realizará o capital
social da sua sociedade, no valor de dois milhões 750 mil contos, no caso
de vencer o concurso para atribuição dos canais privados de televisão, ao
contrário dos outros concorrentes que realizaram já 30 por cento do
capital mínimo de 2,5 milhões de contos, como prevê a lei geral das
sociedades comerciais.

<p n=18256>
O júri respondeu que não seria necessário, uma vez que a lei indica,
claramente, que «o capital social mínimo de 2,5 milhões de contos pode
ser integralmente realizado até oito dias após a publicação» dos
resultados do concurso.

<p n=18257>
Vítor Constâncio -- O «desejado». É talvez o militante socialista mais
desejado pelos dirigentes do partido para figurar num futuro Governo do
PS. Mas são tudo menos claras as suas relações com o partido, com não é
claro o papel que poderá desempenhar no futuro. Com uma rara imagem de
competência, é o economista socialista que mais facilmente faz «pontes»
com importantes sectores do empresariado e outras forças vivas da
sociedade, podendo, nessa medida, constituir não só um importante trunfo,
como uma imagem de marca (extraordinariamente procurada) de um Executivo
socialista.

<p n=18258>
António Guterres -- O actual líder parlamentar do PS e um dos nomes
próprios entre os principais dirigentes socialistas, não pode deixar de
ser tido em conta, na eventualidade da formação de um Governo. Caso
contrário, não poderia deixar de retirar daí as devidas ilações quanto à
confiança política que a actual liderança em si deposita. A verdade é
que, dado sempre como um potencial líder do PS, Guterres tem assumido
nessa matéria um «low-profile» assinalável, dirigindo, com agrado de
todas as sensibilidades socialistas, o grupo parlamentar.

<p n=18259>
Uma eventual vitória socialista nas legislativas de Outubro próximo, com
a consequente chamada ao Governo de muitos dos mais destacados dirigentes
e quadros do partido, levanta a questão de saber quais os nomes a que
Jorge Sampaio deixará «entregue» o exercício corrente da vida partidária,
nomeadamente a actividade parlamentar. A necessidade de contar com
pessoal da sua confiança política em áreas-chave -- não esquecer que em
caso de vitória eleitoral do PS, o PSD terá as suas principais figuras na
Assembleia da República, «obrigando» a uma resposta socialista -- é um
factor a não descurar.

<p n=18260>
Outro nome que deveria ficar pela Assembleia da República é António
Costa, que não parece muito inclinado -- se vier a ser caso disso -- para
um posto governamental, podendo preferir a experiência na Assembleia da
República (que ainda não consta do seu currículo) na próxima legislatura.
Seria, nesse caso, uma das principais pedras de Jorge Sampaio no
tabuleiro parlamentar, na «linha da frente» contra qualquer ofensiva aí
desencadeada pela oposição laranja.

<p n=18261>
Os aliados encaram a hipótese de tranferir para a ONU a responsabilidade
pelos campos de refugiados curdos. Após o fracasso de uma tentativa de
compromisso com o Iraque, esboça-se uma nova solução: a ONU assumiria a
direcção do processo e os países aliados os meios militares e de
transporte. Pag.9

<p n=18262>
O Partido Socialista quer saber das contas do Centro Cultural de Belém,
cuja gestão foi auditada estando o relatório no Tribunal de Contas. Vitor
Crespo, presidente da Assembleia da República, a quem coube fazer o
pedido, terá cometido um «lapso» e a pretensão socialista não deu entrada
no Tribunal. O PS insiste que quer saber tudo. P. 33

<p n=18263>
A transferência da titularidade do património imóvel para a administração
central, incluindo 160 hectares na Paiã, os salários em atraso dos
funcionários e o desconhecimento dos saldos bancários e do património
móvel da Assembleia Distrital de Lisboa, agitaram a reunião que ontem se
realizou na capital. Os autarcas presentes decidiram pedir um inquérito
administrativo sobre as «situações claramente irregulares» detectadas.

<p n=18264>
Dezenas de neo-nazis alemães manifestaram-se ontem na cidade de Dresden,
na ex-RDA, para comemorar o 102º aniversário do nascimento de Adolf
Hitler. Os participantes entoaram o «Sieg Heil» e fizeram a saudação nazi
enquanto percorriam várias artérias da cidade. A manifestação fez
aumentar os receios sobre o aumento do extremismo de direita e do racismo
entre as camadas mais jovens da antiga Alemanha de Leste, confrontadas
com um elevado nível de desemprego. A polícia montou um importante
esquema de segurança para evitar confrontos com contra-manifestantes de
extrema-esquerda e grupos anarquistas.

<p n=18265>
Um autocarro da Visabeira que transportava 35 pessoas de Santa Comba Dão
para Viseu despistou-se na manhã de ontem, perto de Tondela, causando 24
feridos, dois dos quais em estado considerado grave. Excesso de
velocidade, más condições da viatura, rebentamento de um pneu e desvio
repentino provocado por um veículo que circulava fora de mão, são as
diferentes causas apontadas para o acidente.

<p n=18266>
OS CAVALOS TAMBÉM BEBEM CERVEJA - Quando John Stubbs pediu duas canecas
de cerveja ao «barman» do bar do «The Casino» no Surfers Paradise, em
Brisbane, na Austrália, o empregado pensou que o cavaleiro tinha muita
sede. Afinal a segunda ceveja era para a montada... de seu nome Casper.

<p n=18267>
Organizado pelo Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
-- Geota, com o apoio do Instituto Nacional do Ambiente e do Centro
Nacional de Escutas, a iniciativa juntou os estudantes e professores das
escolas secundárias D. Maria I, Luís Verney (C+S), Amadora, D. Dinis,
Anjos e Olaias. O objectivo era percorrer um trajecto mistério por várias
zonas para melhor conhecer a cidade, juntando jovens dos 13 aos 15 anos,
e ao mesmo tempo sensibilizá-los para a protecção do Ambiente.

<p n=18268>
O Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, foi palco de uma série de
actividades de esclarecimento sobre a sida, numa iniciativa ousada e
inédita em Portugal: sessões de vídeo com sexo explícito e uma exposição
de cartazes internacionais com imagens claras e linguagem directa.

<p n=18269>
A par de uma produção australiana bem-humorada, que procurava transmitir
a necessidade do uso de preservativos através de «sketches» originais, o
ecrã do auditório do Padrão dos Descobrimentos exibiu cenas de dois
outros vídeos -- um alemão, outro norte-americano --, em que a intenção era
mostrar, sem constrangimentos, como manter o prazer das relações
homossexuais sem prejuízo da segurança. A produção alemã em nada diferia
de um filme pornográfico habitual, com a excepção de, em todas as cenas,
estarem explícitas as formas de se prevenir o contágio com o vírus HIV.
No vídeo norte-americano, cada «sketch» era seguido de uma mensagem
escrita, recomendando a modificação de alguns hábitos ou a utilização de
preservativos e de determinados produtos lubrificantes. Ao longo da
sessão, várias pessoas ainda entraram no auditório, ocupando cerca de
metade da sua capacidade -- pouco mais de uma centena de lugares.

<p n=18270 assunto=desporto>
Graças a um futebol prático, bem enleado e tácticamente disciplinado, o
Boavista venceu ontem, com relativa facilidade, o Estrela da Amadora por
3-0, em encontro antecipado da 33ª jronada do «nacional» de futebol da I
divisão, disputado no estádio do Bessa.

<p n=18271>
A equipa do Bessa venceu com toda a justiça, já que, tanto no primeiro
como no segundo tempo, monopolizou o domínio da partida, criando maior
número de oportunidades, resultantes de um futebol mais envolvente e
criativo.

<p n=18272>
O encenador Xosé Blanco Gil, natural da Galiza e que desde há anos
dirige, em Portugal, a Companhia de Teatro Ibérico de Lisboa, ganhou um
processo que instaurou contra o Governo Regional da Galiza presidido por
Fraga Iribarne, ex-ministro de Informação de Franco, anunciou o Teatro
Ibérico. Blanco Gil foi demitido em 20 de Dezembro de 1990 do cargo de
director do Centro Dramático Galego depois de o grupo ter apresentado o
espectáculo «Yerma», de Federico Garcia Lorca, no Teatro Tivoli, em
Lisboa, quando aquele espaço estava cedido ao Movimento de Apoio Soares à
Presidência, MASP. O encenador apresentou uma queixa por «despedimento
injusto e sem fundamento real», diz o comunicado do Teatro Ibérico. O
Governo de Fraga Iribarne, continua o comunicado, teve que «abonar os
meses que Blanco Gil esteve suspenso, assim como uma indemnização por
danos e prejuízos causados, ilibando Blanco Gil de qualquer
responsabilidade de suposto envolvimento político com a campanha do
MASP».

<p n=18273>
A animação do programa da Semana da Bretanha e do II Festival
Intercéltico, que decorreu até ontem, na sua parte musical, no Teatro
Rivoli, quase ofuscou o início do X Festival de Teatro para a Infância e
Juventude - «Fazer a Festa» que, inclusivamente, não pôde cumprir a
prevista sessão de abertura, ao fim da tarde de sexta-feira, neste
teatro, com a música do grupo Instrumental «Os Gambozinos». Mas o
festival já tivera o seu início de facto, ao princípio da tarde, com a
apresentação, pel' O Bando, na Junta de Freguesia do Bonfim, da sua velha
produção «Afonso Henriques». Um espectáculo que se propõe contar a
história do nascimento de Portugal aos pequeninos e que um grupo de
centena e meia crianças, vindas de escolas primárias e outras
instituições da Sé, acompanhou com grande e ruidoso entusiasmo.

<p n=18274>
A presença de quase todos os movimentos vanguardistas mais
representativos da arte deste século, dos expressionistas aos
surrealistas, dos cubistas aos dadaístas, dos futuristas aos
neoplásticos, marca a exposição "Obras Primas da Colecção Guggenheim: de
Picasso a Pollock", patente até 13 de Maio no Centro de Arte Raínha
Sofia, de Madrid.

<p n=18275>
A exposição de parte dos fundos da Fundação Guggenheim, é também,
oportunidade para falar de Solomon Guggenheim, um norte-americano oriundo
de uma abastada família suíça, que fez fortuna na exploração mineira nos
Estados Unidos durante o século XIX. Casado com um apelido sonante da
aristocracia europeia, Irene Rothschild, a mulher que mais contribuiu
para o mecenato dos Guggenhiem foi, no entanto, Hilla von Rebay, a
primeira directora do "Museu de Pintura não Objectiva", agora Museu
Guggenhiem.

<p n=18276>
Bruxelas vai viver ao som de jazz a 24, 25 e 26 de Maio, quando 350
músicos, entre eles todos os belgas conhecidos internacionalmente, se
produzirem em cerca de 50 cafés, restaurantes e salas de espectáculos,
ligadas antre si por carreiras de autocarros antigos, e gratuitos. Um
bilhete que dá acesso a todos os concertos custa 250 francos belgas
(cerca de cinco mil escudos) e a cerveja é a 60 francos belgas (cerca de
250 escudos). Nesta festa do jazz participam alguns convidados
estrangeiros. Calcula-se que cerca de 30 mil pessoas, muitas delas de
Paris, acorrerão a Bruxelas para assistir ao acontecimento

<p n=18277>
É dessa situação, aliás, que a exposição pretende dar conta ao assumir-se
como «universal» quando se assume como claramente «urbana». Os
comissários desejaram por isso apresentar um panorama duplamente
alargado: a todas as áreas da criação actual e a todas as amplitudes
geográficas -- da América Latina à do Norte, da Europa Central à do Leste
e do Sul, ao Japão. Naturalmente, o núcleo continuava a ser organizado em
torno dos EUA, Alemanha, Itália e Grã-Bretanha, que são, depois, rodeados
pelas periferias: Áustria, Bélgica, Canadá, França, Suíça, Holanda,
Portugal, Espanha, Grécia, Argentina ou Brasil -- e pelos novas periferias
de «Leste», como a URSS, Polónia, Checoslováquia ou Hungria. E, nesta
opção, reproduz-se, sem surpresa, o sentido de funcionamento dos sistemas
de produção e distribuição da arte actual.

<p n=18278>
Bretanha, Porto e Galiza, apresentaram-se no Teatro Rivoli com diferentes
resultados. Se os bretões Bagad Kemper penetraram nas profundezas das
«gavottes» e «an dro» bretãs, e os portuenses Jig foram a grande
revelação do Festival, já os galegos Na Lua desiludiram, perdidos entre
um som que não ajudou e uma indefinição estética que frequentemente
descambou num «folk'n'roll» de qualidade duvidosa.

<p n=18279>
«I'm the man you don't meet everyday», «Wild rover» ou «Dancing masters»,
todos tradicionais irlandeses, «The ten commandments», («tour de force»
vocal do Canadá brilhantemente interpretado por Isabel Leal, apoiada na
pulsação hipnótica do tambor percutido por Joaquim Teles) e os
portugueses «Agora baixou o sol» e «Mourinheira», foram alguns dos pontos
altos da actuação dos Jig que entusiasmaram a assistência.

<p n=18280>
A peça «Estudo - Figura», com que o compositor António Pinho Vargas
venceu, o ano passado, o Concurso de Música Contemporânea da Oficina
Musical do Porto, vai ser apresentada, em primeira audição absoluta, no
próximo dia 25, em Amesterdão, na Holanda, pelo grupo de Câmara do
Conservatório de Roterdão, dirigido pelo maestro Harrie Van Beck. A mesma
formação interpretará a obra, no dia 27, em Roterdão, cidade onde o
compositor frequentou, entre 1987 e 1990, um curso de composição, como
bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Pinho Vargas estará presente
nos dois concertos.

<p n=18281>
A falta de verbas foi um dos motivos apontados por Mário Feliciano para o
Teatro da Politécnica ter fechado as portas, em Fevereiro. Explicou que
já em 1989, quando o projecto se institucionalizou, ao conseguir
instalar-se num espaço cedido pelo Museu Nacional de História Natural, na
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, havia défices acumulados
de dois espectáculos anteriores que ele produzira em nome individual.

<p n=18282>
A I Trienal Europeia de Coros Universitários decorreu este fim-de-semana
na Universidade de Trás-os Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real.

<p n=18283>
Este coro de Santiago tem realizado ainda incursões no mundo da ópera,
interpretando «Carmen», de Bizet, «O Elixir do Amor», de Donizetti, «A
Sonâmbula», de Bellini, «Rigoletto», de Verdi e, muito recentemente no
Festival de Ópera de La Coruña, «O Barbeiro de Sevilha», de Rossini.

<p n=18284>
Foram ontem divulgados os filmes que vão passar extra-concurso nas
iniciativas «Un Certain Regard» e «Quinzena dos Realizadores», do
Festival de Cannes que decorrerá de 9 a 20 de Maio. Ao todo são 34 filmes
de 23 países, repartidos igualmente pelas duas secções. O anúncio
acontece cerca de 48 horas depois de divulgados os filmes que se
apresentam a concurso (ver PÚBLICO, de 19/4/1991).

<p n=18285>
«Un Certain Regard», secção do Festival de Cannes destinada à descoberta
de novas cinematografias, inclui «La Tradition», primeiro filme de Drissa
Toure, do Burkina-Fasso; «Dans les Allés de l'Amour», de Khosro Sinai, do
Irão; «Sango Malo», primeira obra de Bassek Ba Kobhino, dos Camarões; «Au
Feu», de Adama Drabo, do Mali; da Alemanha, «Au Revoir, Etrangère», de
Tevfik Baser; da Austrália, «Holidays on the River Yara», de Leo
Berkeley; dos EUA, «Hearts of Darkness: a Filmaker's Apocalypse», de Frax
Bahar e Geaorge Hickenlooper, «A Captive in the Land», de John Berry, o
mesmo de «Desafio à Morte», e o primeiro filme de John Singleton,
«Boyz'n' the Hood»; da URSS, «La Flute de Roseau», de Ermek Chinarbaev;
«Chemin de Mort et Anges», primeiro filme de Zoltan Kamondi, da Hungria;
da Polónia, «L'Enterrement d'une Patate», estreia na realização de Jan
Jakub Kolski, e «Evasion du Cinema Liberté», de Wojciech Marczewski; da
Finlândia, «Amis, Camarades», de Rauni Mollberg; da França,
«L'Entrainement du Champion avant la Course», de Barnard Favre, e «A Ilha
do Tesouro», do cineasta chileno Raul Ruiz; da Índia, «Ishanou», de
Ariban Syam Sharma; e, do Japão, «Yumeji», de Seijun Suzuki.

<p n=18286>
O último espectáculo do Teatro da Cornucópia é uma homenagem à Mulher. A
«Comédia de Rubena» de Gil Vicente serviu de pretexto a essa homenagem e
dificilmente se encontraria outro melhor em toda a dramaturgia
portuguesa: seja qual for a leitura que se faça desta peça maldita
(«emendada pelo Santo Ofício» em 1586 e incluída, em 1624, no Índice dos
autores proibidos), a «Rubena» é uma galeria impressionante de
personagens femininas.

<p n=18287>
A feitiçaria foi na Idade Média -- e continuava a ser no tempo de Gil
Vicente -- uma forma de antipoder feminino organizado e é fácil ver no
espectáculo o quanto ele podia ser eficaz. Sob o comando da feiticeira
(que, muito a propósito, é interpretada pelo
encenador-ensaiador-narrador-iluminador do espectáculo, o próprio Luís
Miguel Cintra), organiza-se na comédia um esquema que, desobedecendo às
leis divinas e humanas e menosprezando a contribuição masculina, recorre
aos espíritos infernais e coloca-os ao serviço da vida prestes a nascer,
fazendo deles escravos submissos (embora contrariados) da Mulher, dadora
e organizadora soberana da Vida. Presentes em cena, os homens limitam-se
a assistir, indiferentes. Os diabos são dotados de virilidades mais que
evidentes mas ridículas e inúteis, quiçá por serem tão descomunais...

<p n=18288>
O maestro George Solti abandona a direcção da Orquestra Sinfónica de
Chicago ao fim de 22 anos. Na passada terça feira, Solti despediu-se do
público nova-iorquino, como o havia feito na semana anterior do público
de Chicago, dirigindo «Otelo», ópera de Verdi, com Luciano Pavarotti e
Kiri Te Kanawa. No entanto os concertos de despedida têm decorrido entre
atribulações: à gripe do maestro, sucedeu a gripe da soprano; Jessye
Norman, que deveria ter interpretado «Byzantyum», obra de Michael
Tippett, teve de ceder o seu lugar a Faye Robinson; e Pavarotti tem
problemas na garganta. George Solti tem 78 anos e trabalhava com a
orquestra de Chicago desde 1969. As interpretações de obras de Richard
Wagner e das sinfonias de Mahler, muitas consideradas entre as melhores,
trouxeram ao maestro e à orquestra inúmeros Grammies, prémios da
indústria discográfica nos EUA. Nascido em Budapeste, George Solti foi
aluno de Bella Bartok e, posteriormente, assistente de Arturo Toscanini
no Festival de Salzburgo. Refugiado na Suiça durante a II Guerra Mundial,
Solti viria a dirigir as orquestras de Munique e Franquefort, antes de
dirigir a Royal Opera House, no Covent Garden, em Londres. Chicago viria
depois. George Solti será substituído por Daniel Barenboim, pianista e
maestro, e garante que o seu afastamento não será definitivo: de «tempo a
tempo» voltará a dirigir a Orquestra Sinfónica de Chicago, segundo a
France Presse.

<p n=18289>
O TEUC foi fundado, entre outros, por Paulo Quintela em 1938. Desde
então, para além de outras acções de índole cultural e formativa (como
cursos de iniciação e mais de 50 digressões e participações em festivais
internacionais), apresentou 60 produções, a última das quais «Platonov»,
de Tcheckov, dirigida por Rogério de Carvalho. J.F.

<p n=18290>
No palco do Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC) e nas
tertúlias de cidade é com entusiasmo que, em torno de Ricardo País, se
vive a montagem de «Grupo de Vanguarda». A encenação deste texto de
Vicente Sanches ainda não tem financiamento garantido, embora a estreia
da peça esteja prevista para 31 de Maio próximo.

<p n=18291>
Nesta produção, «que toma como ponto de partida o texto recente do
intrigante autor de Castelo Branco», bem como «a própria condição do
teatro universitário», o TEUC procura exercitar gradações diferentes da
"verdade da representação, da consciência lúdica do espaço, da regra e
desregra da luz, dos usos múltiplos da elocução». O dispositivo cénico
desta proposta é da responsabilidade de João Mendes Ribeiro -- «que
intervém de forma inesperada no Teatro Académico Gil Vicente»--  e o
desenho de luzes --«espécie de provocação luminotécnica»-- de Jorge
Ribeiro.

<p n=18292>
Os acontecimentos marcantes da edição 91 do mercado internacional de
programas de televisão que decorre em Cannes passam muito acima da
realidade portuguesa -- e da maioria dos outros países, acrescente-se. O
que se discute no clube dos gigantes das grandes cadeias televisivas
europeias e transnacionais, sob a arbitragem contestada das Comunidades
Europeias, é o futuro da televisão de alta definição: ou seja a futura
televisão. Ficção científica para um país ocupado em saber quantos canais
vai ter a partir de 92.

<p n=18293>
Carlos Cruz foi discreto até onde pode, mas o aparecimento em força da
direcção do Canal 2 no «hall» do hotel desfez a conversa sobre as
«intenções privadas» da «Carlos Cruz Audiovisuais». Para primeiro plano
vieram as intenções do Canal 2 do sector público. Após algumas passagens
em seco, Adriano Cerqueira, trocando um olhar com José Nuno Martins,
anuncia que Carlos Cruz é a mais recente aquisição do Canal 2, onde, a
partir de Setembro, vai animar uma das noites da semana, com um programa
baseado em entrevistas a figuras de notoriedade pública. O modelo da
entrevista (ainda) não pode ser divulgado, mas não será um «talk show»
clássico, como o é, por exemplo, o de Joaquim Letria.

<p n=18294>
O norte-americano Evander Holyfield conservou o título de campeão do
mundo de boxe de pesos pesados, ao bater aos pontos o seu compatriota
George Foreman, em doze assaltos. Assim, neste combate, já desigando de
«batalha de gerações», disputado no Palácio dos Congressos de Atlantic
City, não surgiu o tão esperado «milagre» do pastor texano.

<p n=18295 assunto=desporto>
No final, os três árbitros atribuiram, a vitória a Holyfield (28 anos),
por uma margem mínima (116-111, 115-112 e 117-100), mas foi Foreman que
surprendeu tudo e todos, ao apresentar uma condição física
extraordinária. «Sempre tive confiança de que iria ganhar mas,
honestamente, nunca pensei que tivesse de atingir o final dos 12
assaltos» afirmou Holyfield que, das 26 vitórias obteve 21 por KO. «Se
antes deste combate eu tinha respeito e admiração por Foreman, agora
sinto-me orgulhoso por o ter defrontado e ter-lhe dado a oportunidade de
ser o primeiro pugilista que defrontei na defesa do título», acrescentou
o campeão do mundo, que continua invicto após 26 combates.

<p n=18296>
Se vencer o Benfica era obrigatório, poucos esperariam que o FC Porto o
fizesse tão concludentemente. Mas 19 pontos de vantagem acabam por fazer
justiça ao que se passou em campo.

<p n=18297>
Com 12 pontos de vantagem ao intervalo, o Benfica conseguiu esboçar uma
recuperação nos momentos iniciais da primeira parte, reduzindo a
diferença para seis pontos, muito por culpa do desacerto dos portistas na
finalização ofensiva. Uma falta técnica, por volta dos 32', acabou por
permitir ao FC Porto recuperar os doze pontos de vantagem no minuto
seguinte, diferença que chegou aos 21 pontos aos 35'.

<p n=18298 assunto=desporto>
Boris Becker foi ontem derrotado pelo tenista português Nuno Marques por
6-1, em 22', num «set» de exibição no Pavilhão do Boavista. Becker
começou por derrotar Emanuel Couto por 6-1 em 28' e, à hora de fecho
desta edição, jogava com João Cunha e Silva. Hoje, Becker defrontará em
três «sets» o melhor dos três portugueses.

<p n=18299>
Os seis primeiros assaltos foram disputados de igual para igual, até
então a vitória poderia ser alcançada por ambos, mas, a partir daí,
Holyfield fez sentir a diferença de idades entre os dois pugilistas.
Movimentando-se com rapidez, o campeão do mundo, com 94,430 quilos de
peso, foi quebrando a defesa do veterano de 116,678 quilos e assumiu o
controlo do combate, que terminou como muitos não esperavam: Foreman
acabou os 12 assaltos sem cair ao tapete.

<p n=18300>
Com a satisfação do dever cumprido, os jogadores do FC Porto recolheram
aos balneários entre abraços e manifestações de regozijo. José Carlos
Guimarães, o último a sair do campo, foi saudado com aplausos muito
especiais -- merecidos, de resto. O angolano, que padece há várias semanas
de uma grave lesão meniscal, não teve tempo para sentir dores. Fez 19
pontos e, como sempre, foi o grande motivador dos muitos adeptos
portistas, dividido entre o visionamento do FC Porto-Benfica, a audição
do Sporting-FC Porto e os festejos dos golos de Alvalade. Ontem, nas
Antas, foi tudo azul.

<p n=18301>
Quanto ao resultado do jogo de ontem, Mário Palma atribui-o à má
prestação defensiva e ofensiva da sua equipa, considerando que foi
decidido por uma falta técnica, assinalada na segunda parte, que permitiu
aos portistas pôr termo à recuperação do Benfica, ampliando a sua
vantagem de 6 para 12 pontos: «Mas o FC Porto teve mérito e foi mais
forte.»

<p n=18302>
Técnicos, dirigentes e jogadores das duas equipas tinham ontem discursos
diferentes na sempre cheia e confusa «sala de imprensa» de Alvalade. Mais
calmos e contentes com a vitória, os portistas enalteceram a equipa do
Sporting, desejaram sorte aos lisboetas para quarta-feira (meia-final da
Taça UEFA, em Milão) e desculparam os erros do árbitro Bento Marques. «O
único lance que me pareceu polémico foi uma grande penalidade a favor do
FC Porto, logo nos primeiros minutos, mas estava longe e não posso
pronunciar-me com certeza. O árbitro não teve qualquer influência no
resultado», resumiu Pinto da Costa, presidente do FC Porto.

<p n=18303>
«O FC Porto foi mais tranquilo, mais calmo, mais organizado e mais
eficaz. O nosso aproveitamento ainda não foi o melhor, criámos mais
ocasiões de golo e podíamos ter feito mais um ou dois. Mas ninguém pode
negar que merecemos a vitória», afirmou Artur Jorge. O técnico do FC
Porto falou também do árbitro («num jogo agressivo de parte a parte, teve
pequenos problemas para resolver, mas salvo a grande penalidade inicial
não cometeu erros de maior») e do jogo da próxima semana, frente ao
Benfica: «Vamos tentar jogar bem, porque sabemos que, se ganharmos,
passamos para a frente. A vitória de hoje foi importante, porque depois
de duas vitórias os jogadores estão mais contentes, mais confiantes e
mais seguros de si.»

<p n=18304>
CICLISTAS DA SICASAL CONTINUAM A LIDERAR- A equipa portuguesa de ciclismo
da Sicasal/Acral manteve ontem o primeiro lugar, individual e por
equipas, na volta a Aragão, Espanha, em bicicleta, após a terceira etapa,
percorrida entre Benasque e Barbastro, num total de 186,2 quilómetros. O
triunfo na corrida de ontem foi alcançado ao holandês Van Poppel, apesar
do português Jorge Silva e dos colombianos Edgar Corredor (camisola
amarela) e Pablo Rincon, todos da Sicasal, terem cortado a meta com o
mesmo tempo.

<p n=18305>
É com o seu habitual espírito ganhador que António Coutinho prepara o seu
regresso aos ralis nacionais, já no próximo Rali do F.C. Porto, a
disputar entre 3 e 5 de Maio, não escondendo o seu desejo: «Quero ganhar
o agrupamento de produção!». Depois de ter sido notícia no início da
temporada, ao abandonar a equipa Toyota/Salvador Caetano, António
Coutinho volta a ser notícia ao anunciar o seu regresso aos ralis
nacionais ao volante de um Ford Sierra Cosworth 4x4 do agrupamento de
produção.

<p n=18306 assunto=desporto>
O tenista alemão Boris Becker exibiu-se ontem à noite no Pavilhão do
Boavista, enfrentando em três «sets» os portugueses Emanuel Couto, Cunha
e Silva e Nuno Marques. Entre a assistência, que ocupava dois terços da
lotação do recinto, encontravam-se gente famosa, como Marcelo Rebelo de
Sousa. À hora de fecho desta edição, Becker já tinha jogado com Emanuel
Couto, a quem ganhou por 6-1 em 28 minutos.

<p n=18307>
ELEIÇÕES NO BELENENSES -- Os candidatos da lista A, encabeçada por
Fernando Ferreira, estarão amanhã, às 21h30, na Casa dos Belenenses de
Queluz, para um encontro de convívio com a massa associativa local no
âmbito da sua campanha eleitoral. No dia seguinte, também à mesma hora, a
lista A terá uma reunião semelhante, mas com os belenenses de Almada.

<p n=18308 assunto=desporto>
Uma magnífica exibição de Guilherme Silva permitiu ao Óquei de Barcelos
apurar-se para as meias-finais da Taça dos Campeões Europeus de hóquei em
patins, após ter batido (5-4), nas Antas, o FC Porto. Os portistas,
actuais detentores do troféu, haviam empatado em Barcelos (4-4), no jogo
da primeira mão, mas ontem foram impotentes face à inspiração do
guarda-redes adversário, que, curiosamente, na época passada representava
a equipa júnior dos «azuis e brancos». As duas equipas voltam a
defrontar-se hoje, no mesmo local e à mesma hora (18h30), mas agora numa
eliminatória da Taça de Portugal.

<p n=18309>
«O empate talvez fosse o resultado mais justo, mas acabámos por merecer
passar a eliminatória, pois em Barcelos fomos superiores», confessou o
técnico Cristiano, enquanto, para José Fernandes, «a falta de sorte»
esteve na base da derrota portista. Na próxima eliminatória, o Óquei de
Barcelos vai defrontar uma equipa belga ou francesa, pelo que tudo indica
que disputará a final com os italianos do Roller Monza ou os espanhóis do
Liceu da Corunha.

<p n=18310>
As oito melhores selecções nacionais de hóquei sobre o gelo estão
reunidas desde ontem e nos próximos quinze dias na Finlândia para
disputar o «Mundial» da modalidade. Mas que desporto é este que faz
vibrar multidões de Toronto a Moscovo, de Praga a Los Angeles ?

<p n=18311>
A prática deste hóquei requer um campo de gelo com 60 metros de
comprimento por 30 de largura, 20 a 22 jogadores por equipa (2
guarda-redes, 8 defesas e 12 atacantes, dos quais, no entanto, só seis
podem estar em acção ao mesmo tempo), um «stick», um «puck» (que faz de
bola) e duas balizas.

<p n=18312>
Vítor Baía -- Esteve impecável nas poucas vezes em que o Sporting
conseguiu chegar com perigo à sua baliza. Aos 68m, negou o golo a Gomes,
«voando» de um lado para o outro da baliza. Uma boa exibição.

<p n=18313>
Aloísio -- Quase não se deu por ele ao longo do encontro. Último defesa,
afastou as bolas bombeadas para a área. Dividiu com Fernando Couto a
marcação a Gomes.

<p n=18314>
Ivkovic -- «Estragou tudo» no lance do primeiro golo, fazendo uma
reposição rasteira e precipitada com a defesa de costas para si. Um erro
inaceitável num guarda-redes com a sua experiência, sobretudo a poucos
minutos do intervalo.

<p n=18315>
Venâncio -- Seguro, contido e concentrado, fez uso do seu bom jogo aéreo
quando os portistas procuravam Domingos ou Kostadinov pelo alto. Errou
pouco, mas foi o que mais sentiu a ausência de Luisinho.

<p n=18316>
Adiantando-se à previsão de chuva, o americano Kevin Schwantz (Suzuki)
superou-se para conseguir o melhor tempo na primeira sessão de treinos
para o G.P. dos Estados Unidos que hoje se disputa, em Laguna Seca
(Califórnia). Schwantz bateu os seus compatriotas Rainey (Yamaha) por
0,2'' e Kocinski (Yamaha) por 0,27''. Destaque ainda para a melhoria de
forma das Cagiva que conseguiram os 4.º (com o brasileiro Alexandre
Barros) e 6.º tempos  (Lawson). Em 250cc, Luca Cadalora (Honda) voltou a
demonstrar a sua superioridade, batendo Zeelenberg (Honda) por 0,45'' e
Chili (Aprilia) por 0,46''.

<p n=18317>
Rosa Mota é a grande favorita na Maratona de Londres, a maior do mundo,
que se realiza hoje. Este ano, a prova coincide com a IV edição da Taça
do Mundo da especialidade. Portugal, como equipa, está representado
apenas no sector masculino e é de esperar a prestação de sempre dos
maratonistas lusos.

<p n=18318>
A Taça do Mundo da Maratona tem domingo a quarta edição. No sector
masculino, a vitória individual tem sido sempre africana e,
colectivamente, os atletas do continente negro somam dois triunfos. Já na
parte feminina o predomínio tem-se mostrado ser europeu, com evidência
para a força colectiva das soviéticas.

<p n=18319>
A ululante claque leonina não deixou, assim, de mandar «ao trabalho»,
sucessivamente, Pinto da Costa e o FC Porto. Do outro lado, ao norte, os
apaniguados draconianos (vem de dragão...) procuravam animar os seus,
mantendo, desde quase uma hora antes da partida, um curioso despique.

<p n=18320>
O FC Porto conquistou ontem, em Alvalade, dois preciosos pontos num jogo
profundamente marcado pelo trabalho do árbitro, que, de tão mau que foi,
o transformou em grande figura do encontro. Teve um começo simplesmente
desastrado, depressa desatinou e perdeu o comando de jogo, acabando,
inevitavelmente, por descontentar as duas equipas. E o Estádio José
Alvalade -- que se silenciara em memória de Abraão Sorim, antigo dirigente
do clube falecido esta semana -- rapidamente se transformou em «caldeirão»
ruidoso, tal o desagrado do público presente, na sua esmagadora maioria
afecta ao Sporting.

<p n=18321>
No lance imediatamente a seguir, foi a vez dos sportinguistas reclamarem
também grande penalidade sobre Cadete. Mas, uma vez mais, Bento Marques
não atenderia aos protestos. O marcador mantinha-se em branco. Até
parecia que Bento Marques teria jurado que, em Alvalade, não haveria
golos. E tão má arbitragem só podia fazer com que tivesse de ser
necessariamente fraco o nível do futebol praticado, com o FC Porto a
tentar jogar com a bola na relva e o Sporting a insistir no ataque pelo
flanco direito, de forma quase sempre desconexa, com Oceano em evidência,
mas mercê apenas do seu voluntarismo. De resto, o Sporting só acertava no
fora de jogo.

<p n=18322>
A 53ª Volta a Portugal em Bicicleta, integrada pela primeira vez no
calendário da União Ciclista Internacional (UCI), começa no dia 31 de
Julho, em Loulé, com um contra-relógio e termina em Lisboa, a 15 de
Agosto, depois de percorridas 17 etapas.

<p n=18323>
Outra novidade da Volta-91 é a instituição do Prémio Super Prestígio, com
que a organização pretende corresponder às exigências da
internacionalização da prova, já que passa a integrar também o circuito
de competições que contam para o «ranking» dos ciclistas profissionais.
Em consequência da sua internacionalização, a Volta a Portugal terá este
ano, como «fiscais», comissários da federação internacional da modalidade
-- um espanhol, um belga e um luxemburguês --, com o objectivo de apurar se
ela deve continuar, ou não, a integrar o calendário da UCI.

<p n=18324>
Com um andamento fortíssimo, Joaquim Santos/Carlos Magalhães (Toyota)
dominaram totalmente a segunda etapa da Volta Galp a Portugal, rali
organizado pelo «Clube 100 à Hora» e pontuável para os «Europeu»
(coeficiente 10) e «Nacional» da modalidade. Saindo de Lisboa empatado
com Carlos Bica/Fernando Prata (Lancia), o piloto do Toyota impos desde o
início um ritmo diabólico, afastando-se gradualmente de Bica, até chegar
a Tomar com uma vantagem de 1'29''.

<p n=18325>
Finalmente, no Troféu Citroën AX, Inverno Amaral (4.º da geral, a 11'55''
de Santos) tem dominado totalmente, aumentando a sua vantagem em relação
a Tomás Mello Breyner (5.º, a 12'48'') e Pedro Azeredo (6.º, a 15'07'')
que o seguem na classificação. Ainda entre os Citroën, António Fernandes
capotou na antepenúltima classificativa, ficando em estado de choque,
enquanto o seu navegador foi transportado ao hospital de Santarém, com
uma luxação num braço.

<p n=18326>
Cerca de três mil trabalhadores da Direcção Geral das Contribuições e
Impostos ganham hoje menos do que em 1989. Destes, apenas 100 poderão ter
o problema resolvido. Manuela Leite diz que não pode ser verdade;
Oliveira Costa reconhece a «injustiça».

<p n=18327>
Com esta classificação, a tutela deveria integrar automaticamente todo o
Serviço de Informática Tributária no NSR, no entender dos restantes 2900
trabalhadores, que no entanto permanecem na condição de «carreira
inespecífica», a que foram votados a partir da entrada em vigor do novo
sistema, em Outubro de 1989. Esta situação leva a que, segundo as
estruturas sindicais, estes funcionários recebam, actualmente, menos dez
a trinta contos do que então.

<p n=18328>
Os industriais dos moldes reunem-se este fim-de-semana, em Mangualde,  no
XI encontro do sector, para debater o tema da «informática no apoio à
gestão da indústria de moldes». O objectivo deste encontro consiste na
optimização dos recursos de produtividade, para uma melhor rentabilização
da produção. Um dos principais pontos em debate será gestão da produção,
«dado que a actual qualidade do produto final é conseguida através de
elevados custos», conforme revelou um dos particpantes. No encontro serão
debatidas comunicações da responabilidade do Centro de Competência do
ISCTE, do Centro Técnico das Indústrias Metalomecânicas de França e da
Sociedade de Consultadoria de Engenharia de Sistemas INOVA.

<p n=18329>
A colaboração estreita das monarquias árabes do Golfo com o Ocidente
durante a recente guerra do Golfo poderão favorecer a conclusão de um
acordo comercial entre a Comunidade Económica Europeia e o Conselho de
Cooperação do Golfo (CCG), revelaram diplomotas em serviço na zona do
Golfo. Os seis países do CCG - Arábia Saudita, Kuwait, Emiratos Árabes
Unidos, Qatar, Omã e Bahrein- negoceiam desde há cinco anos com a CEE o
levantamento das barreiras aduaneiras europeias, no que respeita às suas
exportações, nomeadamente de petroquímicos. As discussões sobre um
possível acordo comercial recomeçarão já em Maio, em Bruxelas.

<p n=18330>
A substituição das espingardas metralhadoras G-3 vai custar ao Exército
português, no âmbito da nova Lei de Programação Militar, uma verba de
quase 14 milhões de contos, tendo sido já decididas quais as cinco
empresas que entram na fase final de escolha. O negócio arrasta consigo a
viabilização da Indep, dado que pelo menos 50 por cento da arma vencedora
tem de ser aí produzida sob autorização.

<p n=18331>
O negócio envolve a Indústria Nacional de Defesa, EP (Indep), já que o
Governo pretende não deixar passar esta oportunidade para lhe encomendar
as armas. Os vencedores dos fornecimentos vão  deixar a Indep fabricar os
componentes e montar as armas sob sua autorização, tal como aconteceu na
G-3 e HK-21.

<p n=18332>
Garrafas plásticas de água mineral e a cobertura plasticizante de
produtos lácteos são dois exemplos, na área alimentar, de produtos que
constituem uma ameaça ao equilíbrio ambiental, devido ao seu índice
considerável de policloreto de vinilo (PVC), uma substância considerada
cancerígena. O alerta foi lançado por especialistas de cooperativas de
dez países, que se reuniram esta semana, em Braga, para debater a
segurança da qualidade dos produtos alimentares.

<p n=18333>
Os aparelhos dentários de utilização externa podem ser perigosos e
provocar lesões físicas graves, alerta a «Union Fédérale des
Consommateurs» (UFC, França). Segundo esta associação de consumidores,
foram já registados diversos acidentes em França e em outros países
europeus com estes aparelhos, utilizados para corrigir dentaduras
defeituosas. Este dispositivo é aplicado em volta da cabeça através de um
suporte metálico ou por elásticos, podendo actuar como uma funda no caso
de ser retirado sem precauções. A UFC refere-se nomeadamente, em artigo
publicado na revista «Que Choisir Santé», ao caso de uma criança que
perdeu um olho desta maneira. Depois de apelar aos leitores para
comunicarem novos casos eventualmente ocorridos com este tipo de
aparelhos, a associação apela aos pais para que exijam dos dentistas a
aplicação de um sistema de segurança que previna a ocorrência de
acidentes.

<p n=18334>
O veneno benigno de um tipo comum de aranha pode ser utilizado para
tratar as vítimas de ataques cerebrais, segundo afirma uma equipa de
investigadores liderada por Hunter Jackson, que apresentou os seus
trabalhos no congresso anual da Sociedade de Química Americana, realizado
em Atlanta (EUA). Jackson e outros investigadores da sua empresa, a
Natural Product Sciences, de Salt Lake City, efectuaram uma série de
testes em roedores e descobriram que o veneno de várias aranhas comuns
poderia ser eficaz contra os glutamatos, substâncias que podem destruir
as células cerebrais em caso de insuficiência de oxigénio. «As lesões
cerebrais de que sofremos na sequência de um ataque  não aparecem
imediatamente» diz Jackson. «As células levam muito tempo a morrer e
podemos salvá-las administrando este veneno horas depois da interrupção
do fornecimento de sangue ao cérebro.» Os venenos em questão -- que dão
pelo nome de arilaminas -- podem ser facilmente produzidos sinteticamente.

<p n=18335>
O vaivém Discovery partirá para o espaço na próxima terça-feira, num
lançamento que, a realizar-se com êxito, assinalará a primeira vez que a
NASA lança para o espaço dois vaivéns no mesmo mês, desde que ocorreu o
desastre com o Challenger em Janeiro de 1986. A próxima missão do
Discovery transportará sete astronautas, e está prevista para durar oito
dias, com um programa de trabalho da responsabilidade do Departamento de
Defesa norteamericano.

<p n=18336>
A NATO decidiu suspender um programa de investigação e desenvolvimento no
valor de seis mil milhões de dólares (880 milhões de contos), cujo
objectivo consistia em desenvolver sistemas que impedissem os aviões de
disparar sobre os próprios aparelhos aliados. Esta decisão, que se segue
a vários outros adiamentos e suspensões de programas decididos na
sequência do fim da guerra fria, sucede apesar dos perigos do chamado
«fogo amigo» terem sido claramente provados no conflito do golfo Pérsico.
Fontes da NATO disseram à Reuter que os problemas do programa tinham
começado no ano passado, quando os Estados Unidos decidiram suspender o
desenvolvimento de um sistema em que estavam a trabalhar com aliados
europeus. Em consequência do desinteresse manifestado por Washington, a
Grã-Bretanha, França e Alemanha decidiram posteriormente suspender também
o seu financiamento aos projectos da NATO existentes nesta área.

<p n=18337>
O novo sistema de identificação deveria basear-se numa técnica pela qual
os aviões de combate se interrogariam electronicamente entre si, para se
identificar. Os aviões aliados seriam os únicos capazes de interpretar as
«perguntas» e de «responder» da forma correcta. Um outro sistema
possível, mais avançado, poderia identificar directamente os aviões
inimigos, em vez de confiar na comunicação com os aparelhos aliados. A
guerra do Golfo, que teve a participação de forças aéreas de diferentes
países, demonstrou claramente a necessidade de uma cuidada coordenação.
Caso a força áerea iraquiana tivesse oferecido resistência, a confusão
nos ares teria sido muito maior, garantem os planeadores da NATO.

<p n=18338>
O Governo dos Estados Unidos propôs que o fumo inalado pelos fumadores
passivos seja incluído entre as causas reconhecidas de cancro. Uma
estimativa apresentada pela Agência governamental de Protecção do
Ambiente adianta que morrem anualmente de cancro nos Estados Unidos 3 700
fumadores passivos. Estes números são contestados pelos meios científicos
daquele país, que  sustentam que só depois da realização de estudos
epidemiológicos mais exaustivos será possível chegar a conclusões
definitivas quanto aos números adiantados pelo Governo norteamericano.
Uma segunda recomendação oficial propõe que passe a ser oficialmente
reconhecido como um risco para a saúde das crianças a exposição a
ambientes onde se fuma.

<p n=18339>
Segundo esses testemunhos, os agricultores recorrem a tratamentos que
implicam uma redução da quantidade de alimentos dada aos animais e, mesmo
assim, provocam um aumento do peso até à matança. As substâncias
ministradas podem ter efeitos bastante nocivos nos animais e nos
consumidores da carne tratada por este meio.

<p n=18340>
Aprender os rudimentos da ilustração científica é o primeiro passo de uma
carreira que procura tornar mais perceptível a informação contida na
anatomia de um peixe ou de uma alga.

<p n=18341>
Será assim, neste ambiente, que, durante as próximas seis semanas, três
turmas de vinte alunos aprenderão os rudimentos da ilustração científica,
uma disciplina há muito afastada dos currículos de Biologia da Faculdade
de Ciências, mas que continua a ganhar cada vez mais adeptos no mundo
inteiro.

<p n=18342>
Ter tido cinco maridos e uma longa ligação amorosa, ter sido a primeira
actriz ocidental a aparecer de seios nus num palco de teatro (na
Broadway) e ser considerada como a primeira bomba sexual dos tempos
modernos são três razões que os cartógrafos celestes consideraram
suficientemente fortes para que uma actriz britânica visse o seu nome
imortalizado nos mapas do planeta Vénus.

<p n=18343>
Lançada a 4 de Maio de 1989 pelo vaivém Atlantis e colocada na órbita de
Vénus no passado dia 10 de Agosto, a sonda Magalhães já tinha
cartografado, até dia 3 de Abril, 70 por cento da superfície do planeta
Vénus, o que representou mais de um mês de avanço sobre o calendário
previsto. Até 15 de Maio, data em que o aparelho terminará a primeira
parte da sua missão, 84 por cento da superfície deverá ter sido
cartograda.

<p n=18344>
Um regulamento comunitário que estabelece os termos da indemnização a que
os consumidores têm direito, quando dispõem de bilhete ou de uma reserva
confirmada e não podem viajar por falta de lugar («overbooking»), entrou
em vigor no princípio desta semana.

<p n=18345>
As compensações fixadas pela CEE constituem valores mínimos obrigatórios
para todas as empresas que operam no espaço comunitário.

<p n=18346>
A França, a Itália e a Grécia, três dos principais países turísticos da
Comunidade, foram condenados pelo Tribunal Europeu de Justiça (instalado
no Luxemburgo) por terem limitado o exercício da actividade dos guias
turísticos não profissionais que acompanham os grupos em férias desde o
paíse de origem. Os países condenados solicitavam destes profissionais a
titularidade de uma licença especial, exigência considerada
«desproporcionada relativamente ao objectivo em questão: a valorização
das riquezas históricas [e artísticas] do Estado membro onde a viagem é
efectuada».

<p n=18347>
O estudo constata, por outro lado, que as farmácias não desenvolvem
qualquer dinâmica de concorrência entre si. Aquase totalidade dos
produtos analisados  são vendidos aos preços aconselhados pelos
fabricantes, ao contrário das «grandes superfícies», onde as diferenças
de preço podem ir até aos 25 por cento.

<p n=18348>
Um trabalho de investigação sobre a relação entre o regime alimentar e as
doenças crónicas valeu a Walter Adrahi, um médico dos Açores, o prémio de
sáude, anualmente atribuído pelas Jornadas Médicas das Ilhas Atlânticas,
que este ano decorrerão de 29 de Abril a 4 de Maio, nas Canárias. Em
segundo ligar classificaram-se os médicos Rocha de Almeida e Paulina
Gonçalves, também dos Açores, com o trabalho «Uso de tabaco, álcool e
drogas em adolescentes».

<p n=18349>
Nos termos da lei proposta pelo ministro alemão do Ambiente, as
embalagens «devem ser limitadas em volume e em peso ao estritamente
necessário à protecção do respectivo conteúdo», uma medida que se aplica
praticamente a todo o tipo de produtos: embalagens de transporte de
mercadorias -- como caixas, sacos, barris -- e de produtos alimentares --
como garrafas, saquetas, potes, caixas metálicas e bidões. A lei não
estabelece propositadamente o sistema de depósito para todos estes
produtos, que são objecto daquilo que é designado por «sistema dual».
Quer dizer, as embalagens abrangidas por contratos que garantam a
respectiva reciclagem ou valorização serão assinaladas através de um
ponto verde para informação dos consumidores. Os produtos comercializados
através deste tipo de embalagens serão mais caros entre dois a cinco
«pfennig», mas as autoridades esperam que, a prazo, só estejam expostas
nas prateleiras embalagens etiquetadas com pontos verdes.

<p n=18350>
O Canadá vai levantar as restrições actualmente em vigor no país quanto à
entrada de turistas portadores do vírus da sida, noticiou a agência
Reuter. O anúncio foi feito pelo ministro canadiano da Saúde, Perrin
Beatty, durante a Conferência Canadiana sobre a sida 1991. A notícia foi
recebida com agrado pela associação Rede Internacional de Pessoas com
Sida, que diz existirem 30 países que ainda recusam a entrada a pessoas
com a síndrome. Entre esses encontram-se o Japão, a Índia, a Arábia
Saudita e alguns países africanos.

<p n=18351>
Na verdade, o conceito de Terceiro Mundo agonizava já há algum tempo e
entrou em coma profundo depois do fim da guerra fria, no ano passado. O
sonho de uma autonomia dos países da chamada «periferia» ganhou um nome
quando Sauvy popularizou a expressão «Terceiro Mundo», numa alusão ao
Terceiro Estado, termo da época da Revolução Francesa que definiu a massa
dos miseráveis em oposição aos poderosos dos dois outros Estados, a
Igreja e a nobreza. Nove anos depois, o terceiro-mundismo ganhou ares de
ideologia política, quando o egípcio Gamal Abdel Nasser, o indonésio
Ahmed Sukarno, o indiano Jawaharlal Nehru, o ganiano Nkwane Nkrumah e o
jugoslavo Jozip Broz Tito criaram, em 1961, o Movimento dos Países
Não-Alinhados, que rejeitava a corrida armamentista entre Estados Unidos
e União Soviética.

<p n=18352>
As eleições de hoje na Renânia-Palatinado, o Estado natal de Helmut Kohl,
são também um teste à política do Governo federal. Se, confirmando as
sondagens, a oposição social-democrata ganhar, o desaire
democrata-cristão poderá, em última instância, atingir o chanceler.

<p n=18353>
Há cerca de três anos, uma intriga palaciana apeou Vogel do poder. A
partir de então, o Estado tem sido administrado por Carl-Ludwig Wagner,
um ministro-presidente com mandato limitado, pois em 1993, se a CDU
ganhar, terá de ceder o lugar a Hans-Otto Wilhelm -- o líder dos
democratas-cristãos da Renânia-Palatinado que provocou a separação dos
cargos de chefe de governo e de chefe do partido, precipitando a
organização local do seu partido numa crise.

<p n=18354>
O ESTADO federado da Renânia-Palatinado, «dado à luz» em 1946 pelas
tropas de ocupação francesas, é um produto artificial. Não obstante todas
as tradições históricas, o Palatinado foi agregado à região de
Hesse-Nassau e à província a sul do Reno.

<p n=18355>
Só à volta de Ludwigshafen, a cidade-natal do chanceler Kohl, existe
indústria, com especial relevo para a BASF (química). Mas a
Renânia-Palatinado deve a sua fama a outras características: três em cada
quatro barris de vinho alemão exportado para o mundo inteiro provêm deste
estado. A cultura das cepas é milenária na região, praticamente tão
antiga como a história do estado.

<p n=18356>
Esteban González González e seis outros membros do Movimento
Integracionista Democrático (MID), não oficial, foram presos na Havana em
Setembro de 1989, tendo sido condenados em Junho de 1990 por «rebelião».

<p n=18357>
Foram transferidos para uma prisão em Dezembro de 1989, mas crê-se que só
em Maio de 1990 é que tiveram acesso a advogados, quando a acusação
apresentou ao tribunal os resultados da sua investigação. Foram acusados
de posse e difusão de «propaganda contra-revolucionária», de procurar
fundos e reconhecimento internacional, de planear uma campanha de
desobediência civil e de pretender alterar o sistema político e social
cubano e restaurar o capitalismo.

<p n=18358>
A delegação palestiniana que ontem se encontrou com James Baker
mostrou-se optimista quanto às possibilidades de resolver os conflitos na
região. Tudo indica que o secretário de Estado dos EUA conseguiu um
entendimento maior do que nas conversações com os responsáveis
israelitas.

<p n=18359>
Husseini considerou que as conversações de ontem com o secretário de
Estado se realizaram numa «atmosfera mais construtiva» do que a dos dois
encontros anteriores e afirmou que os EUA estão agora dispostos a exercer
«pressões diplomáticas e políticas» sobre Israel.

<p n=18360>
O ESTADO de emergência foi decretado ontem na região da Ossétia do Norte,
no sul da URSS, após confrontos armados entre ossetas e uma minoria
local, os Ingushi, anunciou a TASS. A agência mencionou vários feridos,
mas na vizinha Ossétia do Sul confrontos registados na sexta-feira à
noite foram mais sangrentos e deixaram quatro mortos. Na Ossétia do Sul,
onde os combates opõem ossetas e a maioria georgiana, já morreram no
conflito étnico mais de 50 pessoas. Entretanto, em Moscovo, no congresso
do movimento conservador Soyuz, que reuniu 600 pessoas, foi pedida
novamente a demissão do Presidente Gorbatchov. Os conservadores encaram a
convocação de um Congresso de Deputados extraordinário para este efeito,
pois, como afirmou um dos membros da Soyuz, o coronel Viktor Alknis,
«precisamos de um estado de emergência, mas Gorbatchov nunca fará isso».
Face a esta ofensiva conservadora, um conselheiro do Presidente
Gorbatchov, Vadim Bakatin, lançou ontem um apelo aos dirigentes
soviéticos para que cooperem com as forças democráticas, que têm em Boris
Ieltsin o seu expoente. «Como conselheiro, aconselho, e espero que
(Gorbatchov) siga a minha opinião», declarou Bakatin ao jornal
«Komsomolskaya Pravda».

<p n=18361>
AS ELEIÇÕES gerais de ontem na Islândia podem dar a maioria à oposição de
direita, após uma campanha eleitoral dominada pela fraca economia da ilha
e as relações com a CEE. As últimas sondagens indicavam que o Partido da
Independência, na oposição, poderia alcançar 45 por cento dos votos,
enquanto o Partido Progressista, do primeiro-ministro Steingrimur
Hermannsson, aparecia em segundo lugar.

<p n=18362>
Enquanto os aliados criam zonas de segurança para os refugiados no Norte
do Iraque, os líderes curdos conversam com o Governo de Bagdad sobre a
autonomia do Curdistão. O plano dos «santuários» não agrada a Saddam nem
a todos os curdos: «Para que trocar uma tenda por outra tenda?»

<p n=18363>
«As autoridades de Bagdad disseram que estão prontas para corrigir o que
agora chamam `o erro' que cometeram sobre o povo curdo», relatou o
porta-voz, acrescentando que os seus líderes estavam cépticos quanto à
oferta iraquiana. Mas foram obrigados a aceitar as conversações, por
causa do drama dos milhões dos refugiados curdos. «Tudo isto tem de ser
visto no contexto da tragédia humana a que assistimos. Estamos a tentar
reduzir o impacto dessa tragédia, ainda que para isso seja necessário
conversar com Saddam Hussein», afirmou.

<p n=18364>
Ao longo das últimas semanas, aglomeraram-se os indícios de que o
conflito israelo-árabe transcendeu as fronteiras do Médio Oriente para se
instalar por inteiro no coração da Etiópia, onde os dias de
tenente-coronel Mengistu começam a estar contados.

<p n=18365>
É verdade que declarou estar disposto a demitir-se se isso garantisse a
integridade do velho país, onde metade da população é constituída por
cristãos coptas; mas ninguém acreditou na seriedade da proposta, dado
saber-se que uma parte das forças opositoras não aceita de forma alguma a
continuação da actual unidade etíope.

<p n=18366>
O GENERAL Norman Schwarzkopf, comandante das forças aliadas na guerra do
Golfo, partiu ontem da Arábia Saudita em direcção à sua casa na Florida,
onde deverá ser recebido como um super-herói. Apesar do sentimento de
«missão cumprida», Norman confessou sentir-se desapontado pelo facto de
Saddam Hussein se manter no poder. «Os nossos corações choram pelo povo
curdo», declarou. Norman Schwarzkopf, 56 anos, 1m90, 120 quilos e um QI
de 170: o «Urso», como lhe chamam os subordinados, ou o «Trovão», ou o
«Conquistador». Comandou, durante oito meses, uma força de 540 mil
homens, de 30 países. O cérebro e o executor de uma das mais
espectaculares vitórias da História militar. Segundo a «Newsweek», poderá
pedir a qualquer editora 600 mil contos pelo livro da sua aventura no
Golfo.

<p n=18367>
Mikhail Gorbatchov concordou ontem com o princípio da admissão da Coreia
do Sul nas Nações Unidas, durante conversações com o seu homólogo
sul-coreano que constituíram o ponto final na digressão asiática que o
levara antes ao Japão.

<p n=18368>
O XEQUE Saad al-Abdulla al-Sabah, príncipe herdeiro e primeiro-ministro
do Kuwait, apresentou ontem o novo Governo do emirado, no qual a família
al-Sabah continua a deter os postos-chave.

<p n=18369>
Mas a apresentação do novo Governo kuwaitiano constituiu uma surpresa,
dado que tinham surgido rumores de que poderia ser adiada para depois da
visita de amanhã do secretário de Estado norte-americano, James Baker, ao
emirado. Fontes diplomáticas e activistas citados pela Reuter afirmaram
que o adiamento tinha como objectivo evitar os protestos da oposição
durante a visita.

<p n=18370>
UMA INTENTONA foi descoberta a semana passada no Sudão e vinte oficiais
executados na madrugada de 16 de Abril, ao celebrar-se a festa do fim do
Ramadão, mês mais sagrado dos muçulmanos -- noticiou ontem o jornal
egípcio «Al-Wafd», da oposição liberal ao Presidente Hosni Mubarak.

<p n=18371>
O jornal do Cairo disse que o antigo ministro do Interior foi colocado em
detenção domiciliária, enquanto a junta no poder, dirigida pelo general
Omar Hassan al-Bashir, procedia a uma vasta operação de saneamento nas
fileiras do Exército, em benefício de elementos recrutados nas Forças de
Defesa Popular constituídas após o golpe de Estado de 1989.

<p n=18372>
Uma coima de 720 contos aplicada, há cerca de meio ano, a seis pescadores
de Alvor que apanhavam marisco à bomba na Ria Formosa, levou ao Algarve,
na passada sexta-feira, o deputado comunista Carlos Brito, que terá
prometido aos multados levar a questão à Assembleia da República.

<p n=18373>
«A bomba que eles não querem que a gente use é o nosso computador. Há uns
sete anos atrás era feita a apanha da rosca com enxadas, mas agora
descobrimos a bomba e, em poucos minutos, apanhamos centenas e centenas
de ralos» -- sustentou Francisco de Jesus, pescador de 36 anos.

<p n=18374>
A Divisão da PSP da Amadora deteve na noite de sexta-feira, na Charneca
da Caparica, um homem de 30 anos, que tinha em sua posse várias armas
brancas, uma pistola calíbre 32 indocumentada, várias «panfletos»
(embalagens) de cocaína e 500 gramas de haxixe.

<p n=18375>
As promessas já chegaram, o sol brilha em Arcena e «falta só o Governo
garantir apoio» de que a montagem de tendas da Cruz Vermelha não será
para ficar, mas antes provisória e não ultrapassará o prazo de um mês --
segundo requer a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, que agora se
dispos a colaborar com os desalojados da urbanização inacabada.

<p n=18376>
«Tempos Modernos», de e com Charlot, passa às 15h00, no Centro Cultural
da Malaposta, em Olival de Basto, ao fundo da Calçada de Carriche.

<p n=18377>
Na Escola Primária nº 1, na Amadora há animação infantil com a passagem
de filmes de animação, às 15h00.

<p n=18378>
Diversas famílias vivem há 12 dias num improvisado acampamento, junto à
urbanização inacabada da Eurocapital, em Arcena, Concelho de Vila Franca
de Xira. As soluções tardam, embora não faltem promessas -- «Falta só o
Governo garantir» que as tendas da Cruz Vermelha não serão para ficar
mais do que um mês -- segundo requer a Câmara Municipal, que agora se
dispos a colaborar com os desalojados.

<p n=18379>
A «Contraluz 91», que decorre até ao próximo dia 24, conta com a
participação dos grupos de Artes Visuais, Filosofia, Informática,
Jornalismo e da Associação de Estudantes sendo apoiada pela Câmara
Municipal do Barreiro. F.F.

<p n=18380>
A EDP tem já concluído um projecto de iluminação dos quatro cruzamentos
da estrada nacional que se dirige ao Algarve existentes junto à vila de
alentejana de Grândola, o que poderá reduzir o número de acidentes.

<p n=18381>
Devido à gravidade da situação, a autarquia tem enviado à Assembleia da
República, no início de cada ano, propostas no sentido da inclusão no
Orçamento Geral do Estado da obra de colocação de passagens desniveladas
nestes dois locais. Mas nunca foram aceites.

<p n=18382>
A presidente da Comissão Executiva da Operação Integrada do Vale do Ave
já deu indicações ao Gabinete do Ensino Técnico e Profissional para a
abertura de um concurso público destinado à criação de cinco novas
escolas técnico-profissionais. Mas o director do GETAP considera que é
mais importante apostar nas escolas já existentes.

<p n=18383>
Segundo Joaquim Azevedo, os estabelecimentos de ensino
técnico-profissional, públicos e privados, actualmente existentes na
região do Vale do Ave (cujas carências em equipamentos a reunião de ontem
procurou identificar) foram responsáveis, no ano passado, pela formação
de 300 técnicos diplomados, esperando-se idêntico resultado este ano. «O
que interessa agora apurar é se estes técnicos estão a sair bem formados,
e nas áreas mais carenciadas, e se isto corresponde à estratégia definida
na OID», disse.

<p n=18384>
O vereador social-democrata de Loures Caldeira da Silva está à espera que
passem os efeitos da amnistia a decretar por ocasião da visita do Papa
João Paulo II a Portugal, em Maio, para processar judicialmente o líder
socialista do concelho, Roque Lino, garantindo assim que a acção vá para
diante.

<p n=18385>
«Penso que não foi bem isso o que eu disse, teria de fazer a audição da
gravação, mas não houve o intuito de ofender a honra e consideração»,
comentou Roque Lino, referindo-se ao episódio.

<p n=18386>
A Real Maestranza de Sevilha, sem dúvida a mais bela e sugestiva das
praças espanholas, erigida no Arenar em 1761 conforme os planos do
arquitecto Vicente de San Martin, foi na passada sexta-feira cenário de
um escândalo ganadeiro.

<p n=18387>
O que rompeu praça, evidenciava falta de rins, entrou a arrastar-se,
passou pelo capote de Campuzano, foi à vara, caiu-se e entre cabrestos
foi devolvido aos currais. Em sua substituição, «Farrugito», da ganadaria
do Conde de la Maza, bonito de tipo, cornilevantado e de "pitons" bem
afiados, foi ladeado de capote pelo de Egija à verónica, salientando-se
duas de razoável estilo. O Picosazo que consentiu, um bom quite por
chicuelinas no experimentar de saída que Victor Mendes lhe fez, um tércio
de bandarilhas executado sem vergonha pelos subalternos e uma faena à
base de passes desluzidos, na pala e de passo atrás, sobraram como
impressão. Pinchazo e estocada funda traseira, aplaudida.

<p n=18388>
O presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Carlos Cunha, foi
reconduzido na noite de sexta-feira, em Costância, no cargo de
presidente do conselho de administração da Associação de Municípios do
Médio Tejo.

<p n=18389>
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Jorge Sampaio encontra-se
desde ontem em Washington, onde vai intervir, amanhã, no V Encontro sobre
Crime e Drogas, promovido pela Conferência de Presidentes das Câmaras dos
Estados Unidos da América.

<p n=18390>
Dezenas de motos de água vão hoje evoluir num circuito com um perímetro
de 2.400 metros, na baía de Sesimbra, que ficará a marcar a estreia
oficial da primeira prova do troféu Reparomar em Jet-ski.

<p n=18391>
Situadas em pleno areal, as «boxes» fervilharam de azáfama, com as jovens
mecânicas a ultimar as máquinas e os pilotos equipados a preceito -- fato
de borracha, colete e capacete. Divididas nas classes «Stock», «Limited»,
«Modified» ou «Livre», os pilotos esgotaram-se em habilidades e
malabarismos, muitos dos quais -- devido à pouca prática -- resultaram em
piruetas e rodopios borda fora.

<p n=18392>
O processo que levou à decisão da comissão central da Festa dos
Tabuleiros, no passado dia 12, após uma votação de 11 dos 23 elementos,
de entregar a sonorização do certame à Rádio Hertz em detrimento da outra
rádio local, gerou ondas de descontentamento na cidade dos templários.

<p n=18393>
Em declarações ao PÚBLICO, Norberto Costa Pereira, membro da comissão,
considera que «não houve má-fé contra a Rádio Cidade de Tomar ao entregar
à Hertz a sonorização das ruas e espaços públicos discriminados no 
caderno de encargos para a festa que decorrerá de 4 a 8 de Julho. Houve
transparência na entrega, já que foi feita por votação secreta».

<p n=18394>
«É uma terra ondulante, com um aspecto desolado e miserável», dizia
Charles Darwin, a propósito das ilhas Falklands. Depois da guerra com a
Argentina, em 1982, o ecossistema do arquipélago foi alterado e nada
voltou a ser como dantes. A partir das 13h30, o segundo episódio de Vida
Selvagem fala da sobrevivência das espécies e da acção do homem para a
recuperação dos elementos perdidos, naquelas ilhas do Atlântico Sul. Mais
tarde, em Primeira Matinée, a RTP prossegue a incoerente selecção com a
transmissão de um telefilme quando, para amanhã à mesma hora, apresenta
(só!!) «Paraíso Infernal», de Howard Hawks. Por hoje, nem contentamento
fica. Só um passar das horas com essa «Louca Perseguição», realizada por
William Graham. Tudo se passa em torno de um polícia que testemunha um
assalto a um banco. Logo a seguir, às 17h20, Brinca Brincando traz as
aventuras das Raggy Dolls, do Little Koala e do Super Boy, mais as outras
que Max viveu, na viagem de circum-navegação, ao lado de Fernão de
Magalhães. E é tudo a fazer de conta, como convém. À noite, neste mesmo
canal, há Vagas Revoltas, uma série britânica a provar que, do lado de lá
do Canal da Mancha, também há enganos. A ser assim, talvez «o dois» traga
surpresas. Às 12h40 estreia African Pop, uma série enigmática, porque
ninguém da RTP sabe dizer do que se trata. Música de África, supõe-se.
Para o serão, às 22h30, a RTP programara «Encontros», obra do dramaturgo
Alain Knapp, autor suíço de expressão francesa, composta por duas peças,
«Victor» e «Clemence Elisa». Dois encontros, portanto. Sobre eles, a RTP
enviara uma fotografia, dissera o nome dos actores, arriscara mesmo o
resumo dos argumentos e até palavras da realizadora do teledramático.
Enfim, a RTP fora generosa. Mas eis que, em «cima da hora», envia um
telex em que avisa: «Por dificuldades contractuais verificadas com a
exibição das peças `Victor e Clemence Elisa', para segunda-feira 22 de
Abril, foram as mesmas substituídas pela peça `Teia de Amor e Intriga'
(`Double Dealer'), integrada na rubrica `Teatro Estrangeiro'» [sic]. E
nada mais. Procure-se «Double Dealer» em dicionários de obras, sonhe-se
autores, invente-se intérpretes. Só mais logo se saberá do que se trata.
Obrigada, RTP. M.A.G.

<p n=18395>
Exemplificando: ultimamente o PÚBLICO, ao ocupar-se da intervenção das
Associações Católicas, promotoras das realizações culturais e espirituais
preparatórias da vinda de Sua Santidade o Papa, apelidou-as de
«conservadoras», usando, na qualificação, uma visão ideológica descabida
por infundamentada, enquanto, por outro lado, fez aparecer, há não muito
tempo, uma perversa fotografia na qual, ao lado de uma actriz, que
representava a santa mulher que é Teresa de Calcutá, se inclinava uma
outra em atitude e traje despudorados.

<p n=18396>
As amnistias têm constituído desde há muito tempo em Portugal uma forma
de se assinalarem acontecimentos de destaque na nossa vida, como a
eleição ou posse do chefe de Estado e as visitas do Papa.

<p n=18397>
Segundo o que li nos jornais, o que o Governo entende pelas obrigações da
RTP, como serviço público, resume-se à transmissão das emissões para a
Madeira e os Açores e à acção de cooperação com os PALOP. Sendo assim, a
RTP, para além destas obrigações, pode transmitir o que quiser e quando
quiser, guiando-se apenas pela lógica das audiências e demitindo-se do
seu carácter formativo. Deixará pois de transmitir programas para
minorias (ópera, bailado, teatro, clássicos do cinema, documentários ou
Artes e Letras, etc.) porque certamente têm mais audiência os Rambos, as
telenovelas ou os concursos.

<p n=18398>
Tinha já ouvido, a uma criatura da rádio que agora se faz, esta obscura
revelação. O jornalismo actual não dá garantias de êxito à criatividade
do jornalista. Foi então a vez de uma jovem jornalista, licenciada em
Comunicação Social, assistente e tudo da respectiva Faculdade, fazer esta
denúncia. Os jovens universitários de Comunicação Social, na Universidade
dela -- como de resto, esclareceu, em todas as outras -- odeiam-se
cordialmente. Não há camaradagem. Não há solidariedade. Nem, claro,
amizades. Há guerra selvática, na perspectiva gananciosa de um lugar a
qualquer preço no mercado de trabalho. Que tristeza!

<p n=18399>
Se as declarações de António Guterres (PÚBLICO, 5/4/91) revelam o
equilíbrio necessário dos problemas de fundo que o PS atira para a
condução da causa pública, já o que declara José Lamego, e também António
Costa, exige que um socialista endurecido na luta pela democracia e pela
liberdade em Portugal, como me prezo de ser, diga o seguinte.

<p n=18400>
Desde que inventaram o Correio Azul, os CTT passaram a transportar em
«diligências« as cartas que antes levavam com diligência. Na zona de
Lisboa, por exemplo, levam sete dias nas diligências e um dia em correio
azul. Conclusão: os CTT, por arte de mágica, subiram 100% as tarifas, sem
modificar o serviço. Belo negócio!!!

<p n=18401>
Elias da Costa (dirigindo-se a Cadilhe) -- O senhor actua com duas
camisolas, consoante está no Governo ou não está. Quase parece
socialista...

<p n=18402>
2 - Não me agradam os privilégios. Não distingo entre os que tenham sido
julgados e justamente condenados, segundo as regras de um Estado de
direito. Se alguma preferência encontro, é pelos mais pequenos: aqueles
que não serão nunca lembrados pelos jornais. Estar privado de liberdade
física, sobretudo imposta por outros, é uma provação dura de suportar.
São hoje milhares, murados nas prisões do nosso país, os que aguardam uma
redução das suas penas. Bem gostaria que essa esperança não fosse
defraudada.

<p n=18403>
1 -- Quando Sua Santidade o Papa visita um país, seja uma República das
Bananas, uma usurpadora Indonésia ou um Portugal que encolheu, se
engradeceu em dignidade e começa a sair do jejum decretado pelo 28 de
Maio de 1926, traz sempre na Sua bagagem indulgência, perdão e
virtuosismo de paz entre os homens. Portanto, que seja assinalado esse
momento de irmandade com uma amnistia. Só indultos a infracções fiscais e
de trânsito seria ridículo aos olhos do mundo e motivo de desbocada
gargalhada.

<p n=18404>
A notícia hoje publicada na página 5 do PÚBLICO, segundo a qual «Alfredo
Barroso sai em Outubro», não tem qualquer fundamento e obriga-me a este
desmentido. Aliás, há algumas semanas atrás, já fora obrigado a desmentir
uma notícia semelhante publicada por um semanário.

<p n=18405>
Acabo de ler o artigo de Manuel Villaverde Cabral, intitulado «O Estado e
a Igreja», publicado no PÚBLICO de 18 de Abril. Permita-se-me alguns
comentários.

<p n=18406>
Quanto ao vosso artigo «A Escola às Costas», apetece-me perguntar ao seu
autor se já viu um cavador sem enxada...

<p n=18407>
Ou então: que livros são para usar na sala de aula e que livros são para,
em casa, o aluno consolidar e alargar os conhecimentos para os quais o
professor, na escola, abriu a porta?

<p n=18408>
Tentou o sr. ministro da Saúde, Arlindo de Carvalho, através de
entrevista ao PÚBLICO (6/04/91), e com outras iniciativas, mostrar uma
política de saúde da qual se vangloria, juntamente com o Governo,
referindo-a como absolutamente positiva e adequada à realidade social de
Portugal. Pois bem, o sr. ministro está equivocado. A sua política de
saúde tem-se mostrado, ao contrário do modo como tenta iludir os
portugueses, perfeitamente negativa, inadequada à grande maioria dos
utentes.

<p n=18409>
Infelizmente para o ministro da Saúde, muitos portugueses não se deixam
iludir e sabem aonde quer chegar o Governo que temos. Os profissionais de
saúde estão conscientes da realidade. Não se deixam iludir com o «engodo»
da inauguração de novos hospitais, serviços, centros de saúde, unidades,
enquanto a maioria das instituições luta com grandes dificuldades:
instalações precárias deterioradas, antiquadas; falta de pessoal; falta
de equipamentos; falta de meios; etc.

<p n=18410>
O José Manuel era casado, funcionário público com licenciatuta e alguns
anos de serviço. Como sua mulher ficava em casa a tratar desta e dos
filhos, o seu vencimento ilíquido de 132.100$00 sofria um desconto de
15.320$00 de IRS (por ter dois filhos).

<p n=18411>
«O canhão troa, os membros voam... os gemidos das vítimas e os uivos dos
carrascos fazem-se ouvir... São os homens que procuram a felicidade.»

<p n=18412>
8,3 milhões de contos em 1990, incluindo totobola e totoloto. Só em
impostos dos chamados jogos sociais, o Estado arrecadou 11,7 milhões da
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

<p n=18413>
1.610.443, dos quais 13.444.044 espanhóis e 75.069 ingleses. Um acréscimo
de 20,1% em relação ao ano passado. Saídas de estrangeiros em igual
período: 856.776. Movimento de nacionais nas fronteiras: 1.223.551
entradas e 817.297 saídas.

<p n=18414>
‚ Rui Bento chefia equipa médica do Hospital de Santa Marta no primeiro
transplante de coração e pulmões realizado em Portugal, a Celso Costa, 17
anos

<p n=18415>
‚ Câmara de Representantes dos EUA aprova orçamento de 146 milhões de
dólares para o ano fiscal de 1992

<p n=18416>
‚ Petroleiro cipriota Haven afunda-se ao largo do porto italiano de
Génova com 140 toneladas de «crude» a bordo

<p n=18417>
‚ Parlamento de Tiblisi elege independentista Zviad Gamsakhurdia, 52
anos, para a Presidência da Geórgia

<p n=18418>
‚ Associação dos Comerciantes de Setúbal promove conferência com Belmiro
de Azevedo: «O empresário português e os desafios económicos nacionais»

<p n=18419>
Mais em geral, no PS, prosseguem as quezílias com as listas. Muitos
conflitos parecem ser pessoais ou locais. Talvez sejam, marginalmente.
Mas o que está em causa é a natureza do partido e o seu carácter futuro,
assim como a determinação dos centros de poder partidário. Autarcas?
Gestores públicos? Sindicalistas? Funcionários do Estado? Laicos?
Crentes? Grupos de amigos? A fiel Nomenclatura? Mais do que nunca, nos
tempos recentes, é agora que a parte de cada um está a ser medida. Do
resultado da luta dependerá também a orientação geral do partido
relativamente às esquerdas e aos blocos centrais. Os dirigentes tentam
evitar esta dura realidade e dão a entender que se trata de problemas
menores e de precedências subjectivas. Mas não é isso, não. Por outro
lado, como o PS continua fiel ao sistema eleitoral partidocrático, nunca
15.320$00 de IRS (por ter deste contorcionismo terminará. E a
fraternidade democrática será sempre um instrumento de poder. Bem pouco
fraterno e ainda menos democrático.

<p n=18420>
Uma das consequências da Europa das Comunidades sem nenhuma espécie de
fronteiras é que não serão só os bons a aproveitar isso, mas também os
maus.

<p n=18421>
Neste caso, nem se trata de uma eventualidade distante, mas de uma
possibilidade imediata: os países onde se situam estas cidades de
fronteira assinaram os acordos de Schengen, que são o primeiro núcleo de
concretização do desmantelamento fronteiriço; uma espécie de proveta de
ensaio entre os países fundadores, que servirá para aperfeiçoar as
condições do seu alargamento a todos os restantes Doze.

<p n=18422>
Cavaco Silva retomou ontem, num discurso perante os dirigentes concelhios
do PSD, o tom agreste, e o estilo auto-suficiente que foram, outrora, o
seu emblema. E retomou também os ataques à comunicação social, um
empreendimento que se encontrava suspenso.

<p n=18423>
Relativamente à constituição das listas de deputados, cujo início está
marcado para o mês de Junho, Cavaco lançou um aviso à navegação
partidária, nomeadamente à classe dirigente: «Ninguém, no nosso partido
pode estar agarrado aos lugares» e «lamentarei sempre que alguém perca a
cabeça a propósito de cargos públicos» - «Não quero que o nosso partido
seja de politiqueiros, manobradores ou intriguistas». Esgrimiu a
necessidade de «coesão» neste momento pré-eleitoral  - «Não podemos
permitir que o acessório, que paixões menores nos dividam. Os nossos
adversários não vão conseguir dividir-nos».

<p n=18424>
Duas semanas depois de iniciados, no Estoril, os encontros para a paz em
Angola, EUA e URSS dão deixam dúvidas sobre o seu empenhamento: para uma
presença de 48 horas, os seus mais altos e directos responsáveis pelas
questões africanas estão no local das conversações.

<p n=18425>
A partir do princípio da tarde, os dois observadores ocuparam o dia de
ontem em encontros bilaterais sucessivos com as delegações dos
beligerantes angolanos e com a mediação portuguesa que, desde há duas
semanas, estão reunidos no Estoril. Hoje, a sua participação será feita
em sessões de trabalho conjuntas.

<p n=18426>
A defesa da barragem do Alqueva e do avanço do processo de regionalização
foram os momentos altos do discurso político com que o deputado comunista
Lino de Carvalho abriu, ontem, em Évora, as segundas Jornadas de
Desenvolvimento do distrito, organizadas pela estrutura distrital do seu
partido. «O Alqueva tem sido bloqueado porque está no Alentejo»,
sustentou Lino de Carvalho, citando o comissário europeu para o
Desenvolvimento Regional, Bruce Millan, para quem «a Comissão está
claramente consciente da importância do projecto da barragem do Alqueva
para o desenvolvimento da região do Alentejo. No entanto -- acrescentava
Millan --, as autoridades portuguesas não consideraram que este projecto
estivesse amadurecido na época em que o quadro comunitário de apoio a
Portugal, para o período de 1989/93, foi negociado».

<p n=18427>
O 25 de Abril foi o pretexto. A JSD fez os convites. Duas dezenas de
personalidades aceitaram discutir «o nosso passado colectivo» e debater
as perspectivas de futuro à luz das recentes alterações do cenário
global. Os jovens participaram pouco. E, certamente não por acaso,
falou-se sobretudo no futuro da Europa.

<p n=18428>
Álvaro Cunhal terá sentido, ontem, razões acrescidas para prosseguir na
sua luta política, ao ouvir da boca de inúmeros agricultores
transmontanos um extenso rol de queixas.

<p n=18429>
Também ontem, mas em Vila Real, o Secretário-Geral do PCP referiu-se, uma
vez mais, à história recente do Leste europeu, tendo afirmado que «o
fracasso de alguns países [do Leste] não foi do ideal comunista, mas sim
do afastamento verificado em relação a este ideal».

<p n=18430>
Freitas do Amaral garantiu, ontem, ao PÚBLICO que o CDS não apoiará
nenhum governo minoritário. Para o lider centrista-que participou, em
Braga, numa reunião com as Comissões Politicas do concelho e com a
Comissão Política Distrital, dando, formalmente, inicio à pré-campanha
eleitoral-, o seu partido só apoiará um governo em que participe.

<p n=18431>
Freitas do Amaral defendeu, por outro lado, a tese segundo a qual «a
estabilidade que o PSD diz ter dado ao país, em consequência da
possibilidade que teve de governar sozinho», só por si não chega». O
líder centrista sustentou que «na União Soviética e em Portugal, durante
o Estado Novo, ela também existiu», acrescentando que o que o PSD fez com
a estabilidade não  deixa o seu partido satisfeito». É que, na óptica de
Freitas, e «ao contrário do que diz a propaganda laranja, o Governo não
cumpriu as promessas que fez». Como exemplos, o presidente do CDS
enumerou os casos da inflação, «que não baixou», dos impostos, «que em
vez  de  serem reduzidos, aumentaram», e da regionalização, que «ficou a
meio caminho», opinando ainda que, «em vez de menos Estado e melhor
Estado, temos mais Estado e pior Estado».

<p n=18432>
O Governo agraciou Vieira de Carvalho, que já foi um destacado militante
do CDS e agora é do PSD. Talvez por isto, os centristas estiveram pouco
representados numa homenagem onde os sociais-democratas compareceram em
peso.

<p n=18433>
Promovido por um grupo de personalidades nortenhas, encabeçada pelo
ex-eurodeputado e presidente da Câmara de Mirandela pelo CDS, José Gama,
à homenagem associou-se uma forte representação do Governo e do PSD.
Fernando Nogueira, Silva Peneda, Valente de Oliveira, Marques Mendes,
Luís Filipe Meneses, entre muitos outros, quiseram comparecer nesta
homenagem a um autarca que, outrora do CDS e agora do PSD, lidera um
município integrado numa área metropolitana dominada pelos socialistas.

<p n=18434>
A EPIDEMIA de cólera na América Latina «poderá atingir seis milhões de
pessoas», afirmou o director da Organização Panamericana (OPS) que
atribuiu 12 milhões de dólares para a luta contra a propagação da doença.
Carlyle Guerra de Macedo acrescentou que «é praticamente impossível
controlar» a epidemia, que se declarou em Janeiro no Peru. Os fundos
canalizados para a luta contra a propagação da cólera provêem de diversas
organizações «multilaterais», enquanto que a ajuda internacional foi até
ao momento «muito pouco significativa», sublinhou o responsável da OPS.
Segundo as últimas estatísticas, cerca de 1 100 pessoas morreram de
cólera no Peru desde o início da epidemia e foram registados 158 mil
casos.

<p n=18435>
«É injustificável a exigência do Ministério da Educação ao manter  como
condição de acesso ao oitavo escalão da carreira docente uma prova
pública e apreciação de currículo». Esta foi a primeira das conclusões da
reunião da comissão executiva da Associação Nacional de Professores
Licenciados, que ontem decorreu na Escola Secundária José Falcão, em
Coimbra.

<p n=18436>
O director regional do Norte do Instituto Nacional de Estatística (INE),
Paulo Gomes, reuniu na noite de quinta-feira com responsáveis pela
coordenação do Censos 91 na freguesia de Campanhã, tendo proposto aos
sub-coordenadores presentes duas opções de trabalho que tentam compensar
os agentes dos problemas de ordem vária surgidos no decurso daquela
operação de recenseamento.

<p n=18437>
Um grupo de recenseadores de Campanhã, a maior freguesia do Porto, com
mais de 80 mil habitantes, tinha já reunido num café da Baixa para
discutir a situação da operação Censos 91.

<p n=18438>
As receitas fiscais do ano em curso poderão sofrer um drástico atraso na
recolha se os trabalhadores da Direcção Geral das Contribuições e
Impostos (DGCI) entrarem em greve no próximo mês de Maio. A eventual
realização de uma greve está a ser sujeita a um referendo aos
trabalhadores que começou na sexta-feira e cujos resultados deverão ser
conhecidos durante a próxima semana.

<p n=18439>
Os alvos das criticas dos sindicalistas são o Secretário de Estado dos
Assuntos Fiscais, Oliveira e Costa, e o director geral das Contribuições
e Impostos, Pombo Cruchinho. Acusam o Secretário de Estado de se «furtar
ao diálogo» e de «nada ter feito para dotar a DGCI  das estruturas
adequadas». Pombo Cruchinho, por seu turno, é acusado de «assistir
impávido e sereno ao desmembrar da DGCI».

<p n=18440>
Pela janela traseira do restaurante, junto ao muro que cerca o complexo
desportivo do clube de Olivais e Moscavide, Agostinho passou em silêncio
três sacas inchadas. Transportou-as às costas, alguns metros de terra
batida, passou à esquerda do campo de hóquei em patins e ficou à espera
dos que ali passam à noite. A estranha ideia de Agostinho, antes de ser
detido, era vender na rua 30 quilos de carvão.

<p n=18441>
Quanto ao furto da véspera, o auto de detenção elaborado pelos guardas é
sucinto. Às 20h30, no complexo desportivo do Olivais e Moscavide, «entrou
abusivamente» num anexo do restaurante local, levando consigo os quilos
de carvão, que «tentou vender a indivíduos a qualquer preço». Fugiu ao
aperceber-se da aproximação da polícia,  e «foi perseguido e preso junto
ao campo de futebol».

<p n=18442>
As drogas, apesar dos aspectos específicos de que se revestem na
actualidade, não são um fenómeno recente. A sociedade ocidental é que tem
aprendido muito pouco ao longo dos 500 anos de experiência que tem na
matéria. Esta é a ideia força da comunicação que o psiquiatra Júlio
Machado Vaz, director do Centro de Apoio aos Toxicodependentes (Porto),
apresentou ontem, na Figueira da Foz, durante o primeiro Encontro
Nacional dos Núcleos Distritais do Projecto Vida - programa
interministerial de combate e prevenção da toxicodependência.

<p n=18443>
E desde a utilização do láudano, derivado do ópio, por Paracelso, no
século XV, para fins medicinais («no combate a dores menstruais,
constipações, eventualmente cancros, enfim, tudo»), até à primeira guerra
do ópio, movida pela Inglaterra à China - por este país pretender recusar
as exportações de ópio produzido na Índia («não consideramos oportuno
interromper uma tal fonte de lucros para a coroa», respondera antes a
rainha a pretensões dos chineses); desde o ópio da industrialização, na
Inglaterra (pelas classes trabalhadoras e como forma de aguentar a
miséria), ao número de opiómanos (120 milhões) que existia na China em
1900 e aos efeitos miraculosos inicialmente atribuídos na Europa à
morfina, à heroína, à cocaína - os exemplos não faltaram para evidenciar
a longa experiência da humanidade no que se refere ao uso e abuso de
drogas.

<p n=18444>
O GOVERNO de Bona prepara-se para aplicar aos poluidores do Ambiente as
penas mais severas do mundo que podem ir até aos 10 anos de prisão. A
protecção da espécies animais em perigo de extinção é também contemplada
no diploma que prevê penas até cinco anos de prisão para quem as capturar
ou matar. Na Alemanha foram contabilizadas 23 mil infracções à lei do
Ambiente, só no ano passado.

<p n=18445>
O ano 44 E.C. (Era do Cinema), que no calendário gregoriano corresponde a
1939, foi o mais glorioso para a Sétima Arte. Na Europa é o ano de «A
Regra do Jogo», de Jean Renoir, mas em Hollywood, a Meca e a Jerusalém do
cinema, acumularam-se as obras-primas, como se se quisesse fazer ouvir o
canto do cisne de uma época de que o início da Segunda Guerra Mundial
marca o fim. É o ano de «Peço a Palavra», de Capra, «A Cavalgada Heróica»
e «A Grande Esperança», de Ford, «Beau Geste», de Wellman, «Gunga Din»,
de George Stevens e, naturalmente, desse filme que se tornou o símbolo e
a marca do poder dos estúdios, «E Tudo o Vento Levou», de
Selznick-Fleming.

<p n=18446>
Um melodrama construído sobre a tradição do musical norte-americano. A
história de um pianista que perde a mulher no nascimento do filho e que o
rejeita. Tyrone Power, um dos amigos irlandeses de John Ford, e Kim
Novak, a «mulher que viveu duas vezes», de Hitchcock, encabeçam o elenco.

<p n=18447>
Primeira longa-metragem de José Fonseca e Costa e o seu melhor filme,
juntamente com «Sem Sombra de Pecado». Sob uma nebulosa história policial
é da repressão política que nos fala «O Recado», o que, por si só, já era
obra de monta antes do 25 de Abril. Mas esta faceta críptica é o que mais
contribuiu para datar o filme. Excelente música de Rui Cardoso, a
confirmação (infelizmente sem continuidade) de uma actriz, Maria Cabral,
e o melhor trabalho de José Viana no cinema.

<p n=18448>
Era inevitável que o último grande cineasta romântico francês abordasse o
universo da escrita romântica. Mas, em vez de adaptar um dos clássicos da
literatura, Techiné optou pela biografia das irmãs Brontë, figuras
maiores desse género. A ambição do projecto perdeu-se um pouco no meio de
referências intelectuais mais contemporâneas do que o período tratado, o
que se deve, talvez, ao argumento de Pascal Bonitzer. Destaque-se a
presença de Roland Barthes no papel de Thackeray.

<p n=18449>
Dois adolescentes perdidos numa ilha deserta. Adão e Eva no paraíso,
inclusive na castidade! Com a nova «virgem profissional», Brook Shields.
Brrr! A evitar.

<p n=18450>
Exportação para Nova Iorque dos disparates do «gendarme» de Saint-Tropez.
Um bicho na Big Apple, a pedir insecticida.

<p n=18451>
Três vozes falam das esperanças e desilusões que o processo
revolucionário trouxe a Portugal, no período compreendido entre o 25 de
Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975 -- um Portugal liberto da
ditadura. «Gestos e Fragmentos» estabelece-se na voz activa de Otelo, na
reflexão de Eduardo Lourenço e no testemunho exterior de Robert Kramer.
Onde se perdeu a Revolução? O que falhou no processo? Onde morreram as
esperanças e as ilusões? São muitas as perguntas que o filme de Seixas
Santos deixa sem resposta. Talvez não fosse essa a intenção, o que não
justifica que o filme seja também uma espécie de incógnita, respondendo
ao impasse revolucionário com o impasse na escrita cinematográfica.

<p n=18452>
Mais um volume, o oitavo, da série dedicada aos «reis da comédia» com
duas farsas do melhor período da sua obra. «Be Big» e «Chickens Go Home»,
a que a edição deu os títulos de «Sê Forte» e «O Regresso», são de 1930 e
1931, quando a influência de Leo McCarey era decisiva. Preto e branco.

<p n=18453>
Os Grandelinhas são um grupo de teatro amador que encenam um «drama»
popular, «O Pai Tirano», que vai dar origem a uma série de enganos entre
um dos seus membros e a rapariga que namora. Um clássico da comédia
popular portuguesa, com uma soberba interpretação de Vasco Santana. Preto
e Branco.

<p n=18454>
Poucos actores se terão tornado um símbolo do «homem americano» como
James Stewart. Neste domínio, apenas Henry Fonda e Gary Cooper terão
direito ao mesmo reconhecimento. John Wayne, esse, é o pioneiro. Spencer
Tracy, o patriarca.

<p n=18455>
Nesse ano, Alfred Hitchcock, numa das suas perversidadezinhas, dá-lhe o
papel de um professor cujo ensino conduz indirectamente a um crime: «A
Corda». Dois anos depois, é a vez de Delmer Daves dar um contributo
definitivo para a nova imagem do actor em «A Flecha Quebrada», que faz
dele um dos grandes intérpretes do «western» dos anos 50. Mas é Anthony
Mann que, nesse mesmo ano, «cria» o novo «Jimmy», o homem desencantado e
desesperado, correndo atrás de um sonho perdido e da vingança pelas
planícies do Oeste. Do «primeiro» Jimmy nada há editado em vídeo. Já do
segundo, com a entrada de «Esporas de Aço», não há motivos de queixa.

<p n=18456>
A cópia vídeo é deslumbrante. O filme, um dos clássicos do «western».
Depois de «Todos Morreram Calçados», para quando «Santa Fe Trail», com
Ronald Reagan a interpretar o mítico general?

<p n=18457>
Visto a partir desta perspectiva «progressista», «Todos Morreram
Calçados», um dos mais paradigmáticos marcos na perpetuação da história
oficial, pelo cinema, só poderá aparecer como objecto de duvidoso valor,
mera fantasia hollywoodiana destinada a distorcer a verdade em nome do
espectáculo. Não faltou, aliás, ao longo da extensa filmografia suscitada
pela batalha de Little Big Horn, quem procurasse inverter o ponto de
vista e relativizar a figura do general Custer, herói e mártir (ou
vaidoso e obstinado general?) desta derrota, antes da vitória definitiva
-- desde o «disneyano» e inócuo «Tonka, o Herói da Batalha» (1958),
centrado na figura de um cavalo, até ao militante e sobrevalorizado
monumento à chatice que é «Pequeno Grande Homem», de Arthur Penn (1970).

<p n=18458>
Eis mais um documento do inacreditável cómico que foi Buster Keaton, um
filme que data do mesmo ano em que apareceu o antológico «The General»,
para muitos o mais puro exemplo da arte do genial actor-autor. Desta vez,
é o desporto o alvo escolhido para a sátira de Keaton e dá enorme
satisfação ver como tudo bate certo do princípio ao fim: o que parece à
primeira vista uma estrutura em ziguezagues transforma-se, no final, numa
concatenação extraordinariamente coerente de todos os motivos cómicos do
filme. Keaton, como sempre, faz com que o espectador chore a rir sem
nunca torcer a boca num único sorriso. O humor é sempre inteligente e,
acima de tudo, psicologicamente verosimilhante: as pessoas, as situações,
os receios... a forma com que tudo isto é gozado por Keaton parte, em
primeiro lugar, de uma série de tomadas de consciência muitíssimo
profundas acerca da condição humana. Recomenda-se por todas as razões
enunciadas e pela cópia, que é boa, apesar de a música, «fiel à época»,
ser um pouco enervante, com tendência para banalizar o que não é de todo
banal. Mas o som desliga-se! F.L.

<p n=18459>
«A Rosa Púrpura do Cairo» é uma peça fundamental na obra de Woody Allen,
marcando, ao mesmo tempo, um auge de maturidade expressiva e o
sistemático questionar dos modos representativos da arte cinematográfica.
Cinema dentro do cinema, a fita constrói a narrativa principal em torno
do imaginário escapista de uma cinéfila compulsiva, para quem a ténue
diferença entre o real circundante e a imagem virtual projectada num ecrã
deixa de fazer qualquer sentido. Para além de traçar um retrato profundo
e amargo da América da Depressão, Woody Allen joga com as múltiplas
possibilidades de combinar ficções e de discutir os critérios da
verosimilhança em arte. Assim, o filme desafia todos os limites e assume
os riscos de «desmascarar» os mecanismos secretos da ilusão. O reencontro
com a matéria dos (nossos) sonhos, ao domicílio, facilitando a viagem
quotidiana ao lado de lá do espelho, justifica plenamente a edição deste
vídeo, em venda directa, ainda para mais numa boa cópia. M.J.T.

<p n=18460>
Mário Viegas é tanto uma vedeta da declamação que teve um programa de
poesia na televisão num horário nobre na tarde de sábado. É possível que
a poesia, para ser acessível às multidões, tenha que ser dita como Viegas
a diz -- desmesuradamente representada verso a verso, explicada por gestos
largos e outros mais pequenos, dita com os olhos bem abertos --, como se
convencionou contar histórias às crianças para elas «perceberem»: assim
se lêem poesias aos adultos para os cativar para o mundo das rimas. E,
provavelmente, o objectivo é nobre, mas muito se deve cansar Mário Viegas
a «declamar» poesia. E os poemas devem-se cansar de Mário Viegas, que não
os deixa ser aquilo que são. Viegas é uma «star» da televisão portuguesa.
Óptimo, mas fica aquela sensação de que os poemas que interpreta são
veículos para o seu vedetismo, para a exibição do seu reportório de
habilidades histriónicas.

<p n=18461>
Terá sido porque Alexandre O'Neill lhe disse, há mais de 20 anos, um
poema ao ouvido que Fialho Gouveia é o autor do melhor programa infantil
da televisão portuguesa? Discretamente programada no segundo canal, «A
Arca de Noé» é um bom momento de televisão porque é informativo, tem
graça, o apresentador não é idiota, respeita os concorrentes, é simpático
e diverte-se com o que está fazer.

<p n=18462>
1991 é um ano estratégico para o Grupo Espirito Santo. A retomada do
BESCL, cuja operação poderá ocorrer em Julho, dar-lhe-à uma dimensão
europeia. Também este ano prepara a sua reentrada no sector energético em
Portugal, através de uma participação num grupo que tentará constituir-se
como «núcleo duro» na Petrogal, empresa que o Governo diz querer
privatizar até Outubro. No sector imobiliário prepara a constituição de
uma nova holding e tem em mãos quatro projectos, dois deles de grande
dimensão.

<p n=18463>
Quanto às Termas de Monfortinho, cujo controlo do projecto é  feito por
Mário do Amaral (um dos elementos do conselho superior do GES e
presidente da Espart Espirito Santo, Participações Financeiras), está
ainda em estudo a reconversão de Forte Santo e do Hotel Astória, bem como
o lançamento de coutos de caça em Monfortinho. Neste projecto, o grupo
conta com a participação da familia do Conde da Covilhã, que foi aliás um
dos grandes promotores da iniciativa, embora o controlo pertença ao GES.

<p n=18464>
O volume de facturação consolidado referente ao exercício de 1990,
registado pelas quatro fábricas do grupo Cablesa, ascendeu a cerca de 23
convencionou contar histórias às cmilhões de contos. As empresas do
grupo, que fabricam basicamente componentes eléctricos para a indústria
automóvel, tiveram como principais clientes a Renault, a General Motors,
a Ford, a Volvo, a BMW e a Mercedes. Para este ano, a Cablesa prevê
realizar investimentos em tecnologia, em equipamentos e em novas formas
de fabrico, cujo montante deverá ultrapassar os cinco milhões de contos.
Os investimentos deverão ser distribuídos pelas quatro fábricas
instaladas em Portugal. A Cablesa, do grupo Packard Electric Europe, está
instalada em Portugal desde 1981.

<p n=18465>
A trilogia trágica a que Swinburne chamou «a mais genial criação da mente
humana» -- e cuja primeira tragédia, o «Agamémnon», foi qualificada por
Goethe como sendo «a obra de arte de todas as obras de arte» -- foi
traduzida para português por Manuel de Oliveira Pulquério, numa versão
que, respeitando à letra o original grego, granjeou de direito próprio o
estatuto de um verdadeiro «clássico» da literatura portuguesa. Uma
publicação histórica.

<p n=18466>
Autor de múltiplos talentos e extensa bibliografia, o francês Jean
Sidobre só em 1978 descobre a imprensa erótica, onde faz carreira sob o
pseudónimo de G. Levis. A combinação em doses iguais de sexo e aventura
conferem a este trabalho a preto e branco, também conhecido pelo título
de «Memórias de uma Libertina», um lugar particular na bibliografia do
autor, pouco dado a grandes elaborações narrativas.

<p n=18467>
Às vezes, ficamos mesmo com a sensação de que a nossa ideia resultava
melhor do que a que está impressa. Mas não é muito prático rescrever
sobre as páginas do livro...

<p n=18468>
Pelo 10º ano consecutivo está o Teatro Art'Imagem, do Porto, a organizar
o Festival de Teatro para a Infância e Juventude.

<p n=18469>
Dia 22 de Abril -- o Teatro Rivoli não pára: às 10h30 e às 15h30, com a
companhia brasileira Beto Beto e Cia. e às 21h30 com a Companhia Teatral
do Chiado, de Mário Viegas.

<p n=18470>
É já no dia 27 de Abril que se inaugura o Pavilhão Municipal do Desporto
e da Juventude, no Forte da Casa. Está preparado para a prática de
andebol, basquetebol, hóquei em patins, ginástica, voleibol, badmington e
ténis de mesa. Exibições de algumas destas modalidades terão, aliás,
lugar nos dias 27 e 28 de Abril.

<p n=18471>
Por mais uma semana, já que não houve condições técnicas para proceder ao
encarte dentro desta edição do Júnior, conforme a Direcção do PÚBLICO
anunciou ontem no primeiro caderno deste jornal. Estará enguiçado?!

<p n=18472>
Abaixo assinado no Politécnico de Coimbra -- Uma centena de docentes das
escolas que integram o Instituto Politécnico de Coimbra  subscreveram uma
carta, enviada há dois dias ao respectivo presidente, manifestando
preocupação pelo facto de não terem sido feitas diligências para a
elaboração dos estatutos destes estabelecimentos de ensino. Referindo que
o prazo para a sua apresentação ao Governo termina no próximo dia 27, os
professores dizem-se apreensivos por não terem ainda sido anunciadas a
calendarização e as regras a seguir no processo. No mesmo documento, os
signatários da Escola Superior de Educação, do Instituto Superior de
Engenharia, do Instituto Superior de Contabilidade e Administração e da
Escola Superior Agrária solicitam as medidas necessárias para a
constituição das assembleias de aprovação dos estatutos e consequente
convocação.

<p n=18473>
MARATONA DE LONDRES: PORTUGUESES OPTIMISTAS -- «Está tudo bem com a Rosa»,
disse ontem ao PÚBLICO, em Londres, José Pedrosa, técnico da atleta
portuguesa que esta manhã corre a Taça do Mundo da Maratona, na capital
britânica. Só «a chuva, o frio e o vento», segundo Pedrosa, poderão
afectar o rendimento da campeã olímpica da maratona que hoje corre com
dorsal nº 680. Quanto à equipa masculina, o seu técnico Bernardo Manuel
mostrou-se confiante «numa boa classificação», que seria «um lugar entre
os 10 primeiros». Para tal será necessário que a «primeira linha
portuguesa» - Joaquim Pinheiro (nº 286) e Manuel Matias (nº 290) - «façam
tempos entre as 2h 10m e as 2h 12m», enquanto a «segunda linha»  -
António Godinho e Mário Sousa - «terá de correr a distância entre 2h 14m
e as 2h 16m». A maratona de Londres é transmitida em directo pela RTP/2 a
partir das 9h00.

<p n=18474>
Deputado do PCP integra órgão de consulta do governor civil de Coimbra --
O deputado comunista Vítor Costa vai integrar o Conselho Consultivo
Distrital de Coimbra, órgão de consulta do governador civil do distrito,
Jaime Ramos, por proposta deste. Barbosa de Melo, do PSD, António Arnaut,
do PS e Manuel Queiró, do CDS, são outras das personalidades que
integrarão aquele órgão, onde aliás já tinham assento.

<p n=18475>
Na assembleia de ontem, para além da eleição dos primeiros corpos
gerentes, foram aprovados os Estatutos da nova associação e uma
declaração de princípios, tendo sido esboçado, ainda, um plano de
intervenção para os próximos tempos. Os presentes na reunião, num total
de 22, concluiram, entretanto, pela sua participação no Fórum promovido
pela «Iniciativa de Cidadãos pelo Ambiente», ainda que a título
individual e «demarcando-se totalmente da ideia da criação de um partido
a partir da estrutura» do encontro, marcado para os dias 4 e 5 de Maio.

<p n=18476>
Madeira encabeça lista do PS por Faro -- Luís Filipe Madeira será o
cabeça de lista do PS por Faro, caso a comissão central, encarregue de
organizar as candidaturas socialistas às legislativas de Outubro, venha a
confirmar a proposta da Federação do distrito. Nos termos desta proposta
-- cuja aprovação não foi pacífica, sobretudo porque dela não consta
nenhum elemento da concelhia farense --, Fialho Anastácio (presidente da
Câmara de Tavira), António Esteves (um «histórico» do PS no Algarve) e
José Apolinário (ex-líder da JS), surgem imediatamente atrás de Madeira.

<p n=18477>
De acordo com a sondagem, da responsabilidade da empresa Norma, 63 por
cento dos lisboetas inquiridos sustentaram que as duas regiões deviam ter
mais autonomia, número que baixa para os 55,3 pontos percentuais no
Porto. Em ambas as cidades, 66 por cento das pessoas interpeladas
advogaram a necessidade de o Governo central suportar os chamados custos
da insularidade.

<p n=18478>
@2-INFORMACAO/PROG = Das mil e uma noites árabes, de que só Sherazade
sabia, aos Harlem Globetrotters. Pelo meio, Transformers e outros
Tarta-heróis.

<p n=18479>
@2-INFORMACAO/PROG = Octávio Paz, poeta e ensaísta mexicano, prémio Nobel
da Literatura em 1990. Os labirintos da saudade.

<p n=18480>
@2-INFORMACAO/PROG = Quarteto em lá menor para cravo, flauta, viola e
violoncelo, pela Orquestra Barroca de Amesterdão e Ton Koopman.

<p n=18481>
No segundo semestre do ano passado, a polícia do estado de Santa Catarina
descobriu uma rede de traficantes, chefiada pelo advogado Pedro Piedade,
que «vendia» recém-nascidos a estrangeiros, na cidade de Rio do Sul. O
grupo cobrava entre três e nove mil dólares (cerca de 430 e 1500 contos)
por cada criança e chegou a montar uma creche, onde os casais
interessados na adopção escolhiam os bebés. Quando a creche foi
localizada, havia nove crianças disponíveis.

<p n=18482>
Na falta de medidas governamentais que incentivem o processo de adopção,
os norte-americanos recorrem ao exterior. Um dos principais mercados
passou a ser a Roménia. Mas é frequente os candidatos a pais adoptivos
serem vítimas de contos do vigário.

<p n=18483>
No sentido de pressionar o Presidente George Bush para que sejam tomadas
medidas de protecção às famílias adoptivas, democratas e republicanos
apresentaram já propostas nesse sentido ao Congresso. É o caso de um
projecto-lei contemplando deduções fiscais até cinco mil dólares para os
casais que desejem adoptar, apresentado pelo senador republicano Orrin G.
Hatch, de Utah, e o do Omnibus Adoption Act, a defender por Cristopher H.
Smith, do Estado de New Jersey, também ele republicano.

<p n=18484>
Teté Pereira conduziu um outro processo de adopção internacional,
contestado pela família de duas crianças que o advogado colocou em
França, onde foram adoptadas por Nicole L., solteira e residente nos
arredores de Paris. Decorridos dez anos, Guilherme e Maria são a razão de
um conflito entre as famílias adoptiva e portuguesa.

<p n=18485>
Maria da Conceição Mesquita disse ao PÚBLICO que só tinha ido a casa do
casal porque uma sua amiga -- Maria das Neves, residente em Lisboa -- lhe
tinha dito que a senhora Ascensão havia afirmado que não se importava de
entregar a criança ao cuidado de alguém. A mãe do Guilherme, contudo,
nega esta versão: «Nunca quis dar a criança a ninguém, a Sãozinha é que
me falou.»

<p n=18486>
Em Portugal, a maioria dos processos de adopção internacional ainda passa
à margem das autoridades com competência legal para a promover,
nomeadamente os centros regionais de segurança social e os tribunais. Na
falta de legislação específica sobre a matéria, o quadro geral é de
resistência ao tráfico de crianças para outros países da Europa e os EUA.

<p n=18487>
Blanche Gelber, especialista norte-americana em adopção internacional,
disse ao PÚBLICO que apenas 6040 das 70.949 crianças levadas para os EUA
em 1989 tiveram ali iniciados os seus processos legais, contra 1908 nos
países de origem.

<p n=18488>
Noticiou o PÚBLICO, nas edições de 29 e 31 de Dezembro de 1990 e de 3 de
Janeiro do ano em curso, o caso de um menor do sexo masculino, de raça
branca, sãozinho e escorreito, perfeitamente adoptável no país, registado
em Valpaços, que, por interveniência de figuras gradas da Santa Casa da
Misericórdia daquela vila, foi parar aos EUA, pretensamente com vista à
adopção.

<p n=18489>
Vamos admitir que sim, que a criança foi «vendida mediante um preço»
fixado em função do peso, comprimento, forma do nariz e cor da pele, dos
olhos e do cabelo -- acto repugnante que, todavia, não é passível de
penalização por não estar tipificado na lei penal como crime, impondo-se,
pois, que o legislador tipifique tal conduta, até por razões de prevenção
geral.

<p n=18490>
João Luís Machado Martins, filho de um casal de Valpaços, viajou para os
EUA com o alegado objectivo de vir a ser adoptado pelo casal Visnovski.
Dos centros regionais de segurança social aos tribunais, as autoridades e
instituições portuguesas com competência legal para tratar de processos
de adopção desconhecem o paradeiro desta criança. O procedimento do
advogado que colocou (ainda bebé) João Luís nos Estados Unidos é de
duvidosa legalidade e revelador das fragilidades do Estado português em
matéria de adopção internacional e mesmo de controlo de fronteiras.

<p n=18491>
Embora Glen A. Smith, o advogado norte-americano do casal Vinovski, se
tenha recusado a prestar esclarecimentos sobre o assunto, o PÚBLICO
apurou que João Luís deverá ter em breve uma certidão de nascimento
passada pelo Governo de New Jersey, que não poderá ocultar a sua data de
nascimento e origem mas lhe atribuirá um novo nome: Eric Cristopher.

<p n=18492>
A maioria das crianças portuguesas adoptadas por estrangeiros em 1989
foram-no sem qualquer intervenção das autoridades nacionais com
competência legal para promoverem a adopção internacional. As histórias e
os casos de «doação» de bebés investigados pelo PÚBLICO revelam a
existência de um verdadeiro tráfico de crianças a que os tribunais
nacionais procuram opor-se, embora reconheçam que poucas são as situações
em que conseguem intervir.   p. 2 a 6

<p n=18493>
A exposição internacional de arte Metropolis, a decorrer em Berlim, não
apresenta surpresas. Por um lado, detecta-se um número excessivo de peças
datadas de anos passados (às vezes já de 1986); por outro, os nomes
presentes são óbvios, tanto para o bem como para o mal. E se se verifica
ausência de produtividade na pintura, no campo das novas tecnologias
também não há novidades: o vídeo de Bruce Nauman, «Rats and Bats», 1988,
é uma excepção de qualidade, mas apenas uma confirmação. (Do nosso
enviado João Pinharanda, em Berlim. Pág. 32)

<p n=18494>
Em Cannes, no MIP-TV, enquanto os gigantes das cadeias televisivas
europeias e transnacionais discutem a televisão de alta definição, os
portugueses digladiam-se por um lugar numa futura paisagem audiovisual em
que concorrerão vários canais. Com «fair-play», ainda assim. E com
discrição. Se a RTP vai estabelecendo os seus acordos com espanhóis,
brasileiros, franceses e americanos, os privados procuram um bom lugar na
linha de partida: SIC, Ecovídeo, Costa do Castelo, Publivídeo, Impala e
«Carlos Cruz Audiovisuais» estabelecem também os seus contactos, que
serão demorados, porque é preciso tempo para tecer a complicada trama das
relações internacionais no sector do audiovisual. Em todo o caso, a
televisão privada aumentou as receitas que a organização do MIP-TV cobra
em Portugal. Em Cannes, na aldeia do espectáculo congelado, onde se
cruzam mais de 8 mil habitantes, os portugueses formam este ano uma
colónia de mais de cem membros. (Do nosso enviado António Melo, em
Cannes. Pág. 36)

<p n=18495>
As eleições de hoje no estado alemão da Renânia-Palatinado podem marcar o
fim de décadas de supremacia democrata-cristã. As sondagens dão
favoritismo aos sociais-democratas e, se isso se confirmar, as
consequências atingirão o chanceler federal Helmut Kohl. A votação nos
Verdes parece crucial para decidir o desfecho.

<p n=18496>
Cerca de um ano foi quanto demorou a reunir as condições para que o
projecto Escolas Desportivas Municipais se implantasse no concelho do
Porto. Nada foi descurado, das obras ao material, do empenhamento dos
professores e associações de pais à colaboração com as juntas de
freguesia e clubes. No próximo ano lectivo, a experiência promete
funcionar em pleno.

<p n=18497>
Como ensinar uma disciplina quando não se tem programa nem material
didáctico? Este é o dilema com que se debate o responsável pela cadeira
de Psicologia da Escola Profissional de Economia Social, no Porto, desde
o início do ano.

<p n=18498>
Quanto à elaboração dos programas, Luzia Orvalho esclarece que eles «são
encomendados a grupos de especialistas em cada área seguindo critérios de
competência». O que por vezes acontece é que «os prazos são dilatados».
Nesses casos, aquela responsável afirma que «nunca houve
indisponibilidade para prestar esclarecimentos às escolas».

<p n=18499>
Admitiu-se que a vinda ao Estoril dos dois mais altos responsáveis pelos
assuntos africanos dos EUA e da URSS permitisse a assinatura de uma
posição que contivesse alguns compromissos. Isso não sucedeu. Mas serviu
como pressão sobre os beligerantes quando as negociações atravessavam um
dos momentos mais difíceis.

<p n=18500>
O discurso oficial retomava, assim, um certo optimismo que, durante o dia
de sábado, desaparecera. No encontro com a comunicação social, a meio da
tarde de ontem, com a presença dos responsáveis norte-americano e
soviético dos assuntos africanos, estava, aparentemente, aberta uma
possibilidade para ultrapassar a irredutibilidade de posições suscitada
depois do retorno a Portugal de Jeremias Chitunda, vice-presidente da
UNITA.

<p n=18501>
No ano passado, o diário madrileno «El País» deu um lucro de quase oito
milhões de contos, sendo campeão de audiência entre todos os títulos
publicados em Espanha. Durante a semana, as suas vendas foram de 376.137
exemplares diários. Os seus suplementos de domingo, «El País Semanal» e
«Estilo», foram lidos por mais de 850 mil compradores.

<p n=18502>
O grupo ainda detém interesses no grupo francês Expansion -- editor de
mais de trinta títulos da imprensa económica europeia, incluindo os
portugueses «Semanário Económico» e «Diário Económico» --, no diário
britânico «The Independent», no «La Repubblica», de Itália, e na
sociedade Sogetel, dedicada à produção de cinema, que terminou a rodagem
de «Welcome to Veraz», com Kirk Douglas, e subsidiou filmes como «As
Idades de Lulu», «A Noite Mais Longa» ou «Como Ser uma Mulher e não
Morrer na Tentativa».

<p n=18503>
A participação na Rádio Minuto portuguesa é, para o grupo PRISA, um posto
de observação para outros voos, que poderão passar pela co-produção
cinematográfica. O mercado português interessa-lhes, apesar de ainda não
terem encontrado a forma adequada de participar.

<p n=18504>
Sobre a relação com a Rádio Minuto, o director do audiovisual da PRISA
adianta: «Não é muito intensa, cedemos o direito do uso da marca Rádio
Minuto, a fórmula da programação, proporcionamos material musical,
canalizamos alguma publicidade e eles pagam-nos uma quota mensal
simbólica e uma comissão pela publicidade.»

<p n=18505>
«Escola cultural, escola do futuro» é o tema do colóquio que vai decorrer
no dia 3 de Maio na Universidade de Aveiro. A iniciativa é da Associação
da Educação Pluridimensional e da Escola Cultural, destina-se a
educadores e professores de todos os graus de ensino e insere-se num
projecto que engloba outros colóquios dentro da mesma área. Para o
próximo estão previstos debates como «A dimensão histórico-cultural na
formação inicial e contínua dos professores» e «A escola cultural como
factor de promoção do sucesso educativo». Para participar nos trabalhos
foram convidados Filipe Rocha, Manuel Ferreira Patrício, Jorge Arroteia e
Manuel Silvestre dos Santos.

<p n=18506>
O desenvolvimento curricular, a formação inicial e contínua, condições de
trabalho e aplicação do Estatuto foram algumas das questões levantadas
durante os trabalhos. H.C.S.

<p n=18507>
Viseu vai ser palco nos próximos dias 2 e 3 de Maio das II Jornadas de
Formação de Professores. A iniciativa é do Curso de Humanidades da
Universidade Católica e vem na sequência de uma acção idêntica organizada
no ano passado. Entre as comunicações previstas salientam-se a de Seabra
Pereira sobre o tema «Definir e ensinar Literatura»  e a de Nicolau
Raposo que vai  focar os «Problemas de disciplina e controlo da turma».

<p n=18508>
Segundo Ana Bettencourt, secretária nacional, a realidade de algumas
escolas do Ensino Superior Politécnico «é preocupante, em virtude do
compadrio político aí existente, em prejuízo da qualidade e das regras de
gestão democrática»·

<p n=18509>
Um grupo de 500 estudantes universitários europeus vai efectuar o
primeiro raide de Pau (em França) a Moscovo entre 12 de Julho e 10 de
Agosto. Trata-se de uma iniciativa da Universidade de Pau que assim
pretende desenvolver relações inter-universitárias e promover o contacto
entre jovens europeus. Podem participar todos os estudantes
universitários ou pessoas com menos de 30 anos. O raide vai atravessar
dez países europeus (França, Bélgica, Alemanha, Checoslováquia, Áustria,
Hungria, Polónia, União Soviètica, Finlândia e Suécia) e foi preparado
para todos os tipos de veículos motorizados. Os interessados deverão
endereçar as suas incrições para: Université de Pau - B.P. nº 11 40 / 64
011 - Pau Cedex - France.

<p n=18510>
Escola Secundária Nº 3 de S. João da Madeira -  está aberto concurso até
ao próximo dia 26 de Abril, para um horário diurno de 12 horas da
disciplina de "Informática", até final do ano lectivo.

<p n=18511>
Duong Thu Huong, uma das principais figuras da nova geração de escritores
vietnamitas e um dos promotores da renovação literária naquele país, foi
preso na passada quarta-feira em Hanoi, divulgaram na sexta-feira fontes
diplomáticas. Figura célebre no Vietname, Huong, de 43 anos, é escritor e
jornalista. Entre as suas obras contam-se «Au-delà des Ilusions», de 1987
e «Le Paradis des Aveugles», de 1988. Nos últimos anos dedicou-se à
defesa da emancipação do romance da literatura oficial. De acordo com
fontes ocidentais, Duong Thu Huong não se encontra preso mas «detido»
numa casa de hóspedes do Ministério do Interior. A sua prisão ocorreu
numa altura em que grupos de intelectuais levantam uma onda de protestos
exigindo mudanças políticas, e antes do congresso do Partido Comunista,
em Junho.

<p n=18512>
António Tentúgal, ficou provado, é um perfeccionista. Sábado, no
espectáculo ao vivo dos Vai de Roda, nada foi deixado ao acaso, de
maneira a transformar a sala do Teatro Rivoli num palácio de sortilégios.
Ainda as pessoas se acomodavam nos respectivos lugares e já, na penumbra
do palco, se faziam ouvir os «espanta diabos», chocalhos e assobios, a
afugentar os maus espíritos e a criar a atmosfera propícia à vinda das
«bruxinhas boas».

<p n=18513>
O Núcleo de Cinema da Associação de Estudantes da Universidade de Aveiro
vai promover um ciclo de cinema dedicado a Marguerite Duras, que
decorrerá de 2 a 5 de Maio próximo, no Estúdio 2002. «Les Mains
Négatives», «Aurélia Steiner, dit Aurélia Melbourne», «Nathalie Granger»,
«Baxter, Vera Baxter», «Son Nom de Venise dans Calcuta Désert», «Le
Navire Night» e «India Song» são as obras a exibir ao longo dos quatro
dias. No fim da última sessão, em 5 de Maio, Sthéphane Tchalgadchieff,
produtor de alguns dos filmes de Duras, fará uma conferência sobre a obra
da cineasta e sobre a situação do cinema francês em geral. Nesse mesmo
dia, o GRETUA - Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro
fará a antestreia da sua última produção, adaptação de uma peça de Duras,
«Agatha».

<p n=18514>
Menhuin continua energicamente activo, o que, feitas as contas,
quantifica uma carreira de singular longevidade, hoje comemorada com um
concerto no Royal Festival Hall, com a presença da rainha-mãe, concluindo
com a ode à alegria da «Nona» de Beethoven.

<p n=18515>
É uma iniciativa inédita internacionalmente: transformar o cimento num
objecto museológico. É um museu de sítio, no interior de uma fábrica em
funcionamento. A casa do pó. Um arrabalde da utopia.

<p n=18516>
No coração da fábrica, encontram-se os seus núcleos primitivos. Num
enorme edifício há muito desactivado, de tijolo à vista, está a pedra
angular, a primeira, colocada em 1923, o ano da inauguração do complexo
fabril. O tijolo claro e a poeira que o reveste transformaram-no numa
massa prateada que ofusca o gigantismo das novas instalações. Os outros
edifícios têm uma arquitectura importada. São casas brancas alemãs -- a
nacionalidade dos construtores da fábrica -- tal como as primeiras
máquinas e forno. Uma escolha que se deve a José Osório da Rocha e Melo,
o primeiro engenheiro da fábrica, formado na Alemanha.

<p n=18517>
Sean O'Faolain, considerado o melhor novelista irlandês e, para os
especialistas, o único escritor da Irlanda contemporânea a merecer o
título de romancista, morreu no sábado, numa enfermaria de Dublin, a
cidade onde nasceu em 1900. Tinha 91 anos.

<p n=18518>
Escreveu mais de 20 obras: novelas, romances, biografias de heróis
irlandeses, livros de viagens sobre a Itália e ensaios críticos
literários. A sua autobiografia, «Vive Moi» -- o título original do livro
é em francês -- apareceu em 1963. Quando jovem, pertenceu ao IRA (Exército
Republicano Irlandês). Foi voluntário na guerra, lutou contra a censura
e, sobretudo, contribuiu para o renascimento da literatura na Irlanda.

<p n=18519>
O «Grande Prémio de Romance e Novela» da Associação Portuguesa de
Escritores (APE) será entregue no dia 18 de Maio, em Tróia, numa 
cerimónia a que assistirá o Presidente da República, Mário Soares. O
prémio, habitualmente de 500 contos, foi este ano aumentado, mas a APE
não divulgou ainda o novo montante. O júri -- constituído por cinco
escritores e críticos, cujas identidades não são reveladas -- já realizou
uma primeira reunião. Em apreciação esteve o romance português publicado
em 1990. «Festa em Casa das Flores», de Fernanda Botelho, «O Pesadelo de
Deus», de Fernando Campos, «Crimes Imperfeitos», de Álvaro Guerra,
«Crónica do Tempo», de Isabel Barreno, «O Conquistador», de Almeida Faria
e «Obsidiana», de Filomena Cabral, são alguns dos candidatos destacados
pela APE. Paulo Castilho, Vergilio Ferreira, David Mourão-Ferreira e João
de Melo foram os premiados nas últimas edições.

<p n=18520>
A figura do mordomo é o fio condutor do quarto filme que Camino dedica à
Guerra Civil espanhola, depois de "Viagem na Memória", "As Férias Grandes
de 36" e "Dragon Rapide". O primeiro, relata episódios da guerra, o
segundo a história de uma família liberal, que opta por prolongar as suas
férias de Verão após o início do conflito entre Republicanos e forças
Nacionais e, em "Dragon Rapide" é recriado o golpe de Estado contra a
República desencadeado por Francisco Franco e que levou à Guerra Civil.

<p n=18521>
Óperas, peças sinfónicas e instrumentais de Mozart ocupam mais de um mês
de um Festival, no qual um dos pontos altos é o concerto de abertura a
cargo de Maria João Pires.

<p n=18522>
A par da representação das óperas, as estrelas do programa são Maria João
Pires, o quarteto Melos -- considerado um dos mais "mozartianos" do mundo
-- e o duo Lonquich-Zimmermann, na interpretação de sonatas para piano e
violino.

<p n=18523>
José Gil, Isabel Caldeira Cabral e Rosa Alice Branco provaram, em
Serralves, que a filosofia pode ser emocionante. E Gérard Castello Lopes
falou da compaixão que o fotógrafo sente pelas suas «vítimas». Foi a
quinta sessão do colóquio «O olhar: do fotão à sedução».

<p n=18524>
Na que foi, provavelmente, a mais longa comunicação deste colóquio, José
Gil lançou as bases de uma fenomenologia do olhar. Partindo -- estimulado
por uma citação de Walter Benjamin -- do olhar estético, atravessou os
domínios da psicologia genética, da linguística e da antropologia e
regressou, no final, ao ponto de partida, integrando a problemática
particular do olhar estético numa mais ampla fenomenologia geral do
olhar.

<p n=18525>
A Tuna Académica de Coimbra foi geminada, na passada quarta-feira, com a
tuna da Universidade de Valladolid, em Espanha. O acto foi apadrinhado
pelo embaixador de Portugal em Madrid, Simões Coelho.

<p n=18526>
Ontem, valeu-lhe a falta de pontaria, dos avançados milhotos e a
inspiração do  seu guarda-redes Helder. Mas, nas jornadas que faltam para
o final do campeonato é aconselhável que os aveirenses conseguam arranjar
«pulmão» para jogar a um riítmo aceitável os noventa minutos de cada
partida, sob pena de ver o desejado lugar europeu transformar-se numa
simples miragem.

<p n=18527>
Resultados da jornada de ontem: Real Burgos, 4- Castellon, 0; Barcelona,
3- Sevilha, 0; Atlético de Madrid, 0- Real Mallorca, 1; Sporting Gigon,
1- Zaragoza, 0; Osasuna, 1- Cadiz, 1; Atlético de Bilbao, 2- Real
Sociedad, 1; Valladolid,1- Oviedo, 0; Bétis, 1- Real Madrid, 3; Valencia,
2- Espanol, 0. O Barcelona é lider com 51 pontos, seguido pelo Atlético
de Madrid (44) e pelo Osasuna (37). O Real Madrid está na 6ª posição com
33 pontos.

<p n=18528>
Como o foi a tarde de sol ou a brisa que soprou ou o agrado manifestado
pelo público, golo a golo e no final do encontro. O Barreirense fez o que
pôde com as armas que tinha; a Académica, apesar da aparência do
resultado, continuou a demonstrar (apesar das mexidas de Vasco Gervásio
na equipa, logo de início e durante o encontro) algumas dificuldades que
vêm persistindo de jogo para jogo: má ligação entre os diversos sectores,
ineficácia ofensiva, excessivos momentos de individualismo de alguns
jogadores e de desorientação da equipa.

<p n=18529>
Mário Aníbal Ramos bateu, há duas semanas, na sua primeira tentativa
daépoca, o recorde nacional do decatlo pela enorme margem de 186 pontos,
deixando-o em 7199. Ainda júnior, este jovem nascido em Angola e
residente na Chamusca confirma-se como o primeiro grande talento
português na prova-rainha do atletismo e é um dos decatlonistas a seguir
com mais atenção com vista aos próximos Campeonatos Europeus da sua
categoria.

<p n=18530>
Agora, aquela pista nortenha voltou a ser talismã para o novo recorde.
«Eu já esperava uma marca deste quilate», afirmou o jovem benfiquista ao
PÚBLICO. «Nas provas já realizadas neste Inverno, confirmei progressos
nos lançamentos e também em resistência, através de subidas em 4OO e 15OO
metros. Por isso, posso dizer que o recorde estava programado.»

<p n=18531 assunto=desporto>
O Benfica sagrou-se ontem campeão nacional de basquetebol, vencendo
(109-92) o quarto jogo do «play-off», num jogo com resultado a fazer
lembrar os jogos da NBA. Só o público não esteve à altura do espectáculo,
portando-se vergonhosamente no final do encontro, com os jogadores do
Benfica a terem que sair «escoltados» pelos elementos do FC Porto.

<p n=18532>
Por outro lado, Mário Palma introduziu algumas novidades nas
movimentações ofensivas dos encarnados, o que contribuiu para aumentar
substancialmente a produção da equipa. Mas, para que o Benfica quase
tivesse ontem dobrado a pontuação obtida anteontem, foi também
fundamental o ressurgimento de Carlos Lisboa, que só na primeira parte
conseguiu fazer três triplos (falhando apenas um), tantos quantos fizera
durante todo o jogo de anteontem. Henrique Vieira, com dois triplos, e
Eldridge Hudson, com um, contribuíram também para a boa percentagem dos
visitantes nos lançamentos de trás da linha dos 6,25 metros.

<p n=18533 assunto=desporto>
O Benfica voltou a revelar grandes dificuldades em chegar ao primeiro
golo, que teve a assinatura de um adversário num lance infeliz, Paulo
Pires. Depois, mais descontraído -- Valdo passou a estar mais solto e
Magnusson abriu a frente de ataque --, traduziu em golos a sua
superioridade em campo, alcançando a sua maior goleada (5-0) nesta edição
da prova. O Tirsense defendeu bem enquanto teve forças, mas nunca colocou
em perigo a baliza de Neno e foi sempre uma equipa simpática para os
homens da casa.

<p n=18534>
O tempo escoava-se com os médios «encarnados» a tentar entrar na área
através de «tabelinhas» curtas, facilmente anuladas pelos visitantes.
Thern era o jogador mais esforçado da equipa, César Brito e Pacheco
movimentavam-se em velocidade, embora raramente com perigo, mas
contribuiram para desgastar a defesa do Tirsense. E ao apontarem o
segundo e terceiro golos consolidaram a vitória da equipa, alcançando um
justo prémio para o seu trabalho.

<p n=18535 assunto=desporto>
Pela terceira vez consecutiva o Benfica é campeão nacional de
basquetebol. O título deste ano foi conquistado nas Antas com uma vitória
robusta (109-92) sobre o FC Porto, no quarto jogo do «play-off». O
Benfica foi ontem superior, em todos os capítulos, ao seu adversário
ganhando o jogo com inusitada facilidade. Lamentável foi o comportamento
dos adeptos portistas no final do jogo contrariando o «fair-play» com que
Jorge Araújo, treinador do FC Porto, aceitou a derrota.

<p n=18536>
«Foi um lance de muita infelicidade. Quis atrasar o esférico para o nosso
guarda-redes, o toque saiu-me mal e acabei por introduzir a bola na nossa
baliza. Enfim, paciência» -- explicou, desta forma, Paulo Pires o lance
que originou o primeiro golo do encontro e o suspiro de alívio dos
adeptos do clube da Luz.

<p n=18537>
Abel Braga, o brasileiro que dirige pela segunda época consecutiva a
equipa do Famalicão, não conseguia deixar de transparecer pelo brilho dos
olhos, a infelicidade que lhe ía na alma. Perder assim, custa muito, mais
a mais num momento em que tudo se decide.

<p n=18538>
Rodolfo Reis estava naturalmente mais feliz pelo resultado: «Foi bom para
nós e um novo alento nesta luta pela fuga à despromoção. Creio que o
resultado foi justo, nomeadamente pelo futebol que mostrámos na primeira
parte, que chegou a ser brilhante. Criámos muitas oportunidades nesse
primeiro tempo, não marcámos e depois tivemos que sofrer até ao fim.
Estes dois pontos são muito importantes mas o nosso Campeonato só
terminará no último jogo e teremos ainda que lutar muito para alcançarmos
o nosso objectivo. Mas esta equipa já deu mostras que é capaz de o
conseguir e confio muito nos meus rapazes».

<p n=18539>
Sentimentos diferentes nas cabinas do estádio dos Barreiros, no Funchal:
José Romão estava triste com o ponto perdido pelo Chaves «neste
campeonato muito complicado», enquanto José Alberto Torres, adjunto de
Paulo Autuori, se mostrou contente pelo resultado, num jogo em que o
Marítimo «acabou por ser feliz».

<p n=18540>
O adjunto dos madeirenses considerou que Vítor Correia esteve bem,
«independentemente dos lances das penalidades», não se esquecendo de «dar
mérito ao adversário, que joga muito bem no contra-ataque, a sua
principal arma nos últimos anos». N.T.

<p n=18541>
Com gritos de «Benfica! Benfica! Benfica!», acompanhados por palmas, os
basquetebolistas encarnados comemoraram ontem, no terreno do seu maior
rival, a conquista de mais um título nacional. Mário Palma falou aos
jornalistas já completamente encharcado e as suas primeiras palavras
serviram para relembrar que, se tudo tivesse corrido normalmente, ele
estaria naquela altura a lamentar a derrota: «Quando saí do FC Porto, no
final da época passada, tinha ainda mais um ano de contrato para
cumprir.» O técnico encarnado afirmou depois estar «contente com o
título, mas triste pelos jogadores do FC Porto, com quem iniciei o
projecto de uma grande equipa e que foram excepcionais comigo.»

<p n=18542>
Quanto à próxima temporada, Jorge Araújo disse não ter ainda nenhuma
informação sobre a constituição do plantel e eventuais saídas, nem em
relação à sua continuação como treinador do FC Porto. J.M.

<p n=18543 assunto=desporto>
O INTER DE MILÃO, que na próxima quarta-feira recebe em S. Siro o
Sporting para a 2ª mão da meia-final da Taça UEFA, empatou ontem (0-0) na
sua deslocação a Florença, onde defrontou a Fiorentina, mantendo o
segundo lugar no campeonato italiano mas vendo afastar-se a Sampdória,
líder da prova.

<p n=18544>
No entanto, o jogo do título poderá ser o Inter de Milão-Sampdória, no
próximo dia 5 de Maio, caso até lá o adversário do Sporting consiga
recuperar um ou mais pontos.

<p n=18545>
BENFICA VENCEU ESTAFETA CASCAIS-LISBOA -- A equipa de estafeta do Benfica
venceu ontem a 57ª edição da tradicional corrida Cascais-Lisboa, graças a
uma excelente recuperação final de José Carlos Pereira. Partindo para o
derradeiro percurso com cerca de 1OO metros de atraso, o atleta
ultrapassou o seu rival directo já muito próximo da meta, nas instalações
da FIL. O Benfica concluiu a prova com o tempo global de 1h12m49s, contra
1h13m15s da equipa sportinguista. José Moreira, João N'Tyamba, António
Salvador e Paulo Ferreira efectuaram os quatro primeiros percursos da
equipa «encarnada». O Belenenses terminou na terceira posição, com 1h16m.

<p n=18546>
O italiano Moreno Argentin venceu ontem, pela quarta vez na sua carreira,
a «clássica» de ciclismo Liège-Bastogne-Liège (Bélgica), pontuável para a
Taça do Mundo Perrier e percorrida num total de 267 km. A prova, que foi
disputada sob baixas temperaturas, conheceu o seu momento mais
emocionante aos 193 quilómetros, quando o belga Claude Criquielion se
demarcou de um grupo compacto de ciclistas, sendo perseguido por Argentin
e nove outros corredores. Formaram-se então três pelotões, com o
primeiro, liderado pelo belga, a conseguir um considerável avanço. Nos
três derradeiros quilómetros, o dinamarquês Rolf Sorensen e o italiano
Moreno Argentin lançaram um forte «sprint» a que apenas resistiram
Criquielion e o espanhol Miguel Indurian. Mas Argentin, 30 anos, da
equipa Ariostea, foi mais rápido do que os seus três companheiros de fuga
e cortou a meta em primeiro lugar. Recorde-se que o italiano venceu na
passada quarta-feira a «clássica» de Fléche Wallone.

<p n=18547 assunto=desporto>
O Olhanense (43 pontos) adiantou-se no comando da zona sul, ao vencer em
casa o Atlético por 1-0. A equipa da Tapadinha perdeu, com este
resultado, uma oportunidade de retomar a liderança desta prova. Também o
Campomaiorense perdeu por 1-0, na sua deslocação ao terreno do Juventude
de Évora. Assim, formou-se um quarteto de segundos (Sacavenense,
Campomaiorense, Lusitano e Atlético), com 40 pontos. Na zona centro, a
Ovarense -- que a semana passada assegurou um lugar na divisão de honra --
foi perder (1-0) ao terreno do Mangualde, curiosamente uma das equipas em
perigo de descida nesta zona. A Norte, a jornada foi de goleadas: 9-1 do
Moreirense ao Valpaços; 6-1 do Fafe ao União de Lamas. O Rio Ave ganhou
(2-0) em Vila Real e continua no comado da prova.

<p n=18548>
Mas é um FC Porto muito forte -- moralizado com as vitórias sobre o
Benfica, para a Taça, e sobre o Sporting, para o campeonato --que tem toda
a vantagem para a revalidação do título ao receber os «encarnados» nas
Antas, no próximo domingo. É difícil de imaginar que a equipa de Eriksson
volte a jogar tão bem no Porto como o fez na passada quarta-feira, tendo
perdido o encontro. O que Jorge de Brito por certo pedirá ao treinador e
aos jogadores do Benfica é que arrumem de vez com a heróica saga das
«vitórias morais» (Milão, Roma, Porto na Luz, Porto nas Antas... são as
mais recentes derrotas «injustas» que os benfiquistas choram) se querem
ganhar o campeonato e o prémio do jogo.

<p n=18549>
O empate a zero golos que ontem se registou entre o Farense e o
Belenenses reflectiu um certo equilíbrio, mas é mais lisonjeiro para os
algarvios do que propriamente para os «azuis». Logo na primeira jogada,
os homens do Restelo assediaram perigosamente a baliza de Lemajic, que
correspondeu com uma defesa segura.

<p n=18550>
Na segunda parte, o Farense surge com outra disposição, a aproveitar a
rapidez dos seus extremos Pitico e Mané. O Belenenses começa a sentir
alguma dificuldades de marcação na sua extrema defesa face à frente de
ataque dos algarvios, que, de posse da bola, se formava com quatro
homens. Seria essa disposição que levaria Moisés de Andrade a introduzir
alterações no seu xadrez, fazendo entrar Edmundo para o lugar de Juanico
e, ao trocar um defesa por um médio, passando a sua equipa a apresentar
três centrais.

<p n=18551 assunto=desporto>
Um golo de Jean-Pierre Papin não foi suficiente para impedir ontem o
empate (1-1) do Olympique de Marselha, no terreno do «lanterna vermelha»
Rennes, em jogo da 34ª jornada do Campeonato francês da I Divisão. Mais
feliz foi o Mónaco do português Rui Barros (autor do segundo golo) na sua
deslocação ao campo do Sochaux, onde venceu por 0-2. Com esta vitória o
Mónaco ficou mais perto do líder e campeão francês, Marselha, o qual
receberá quarta-feira os soviéticos do Spartak de Moscovo para o jogo da
segunda mão das meias-finais da Taça dos Campeões Europeus. Outros
resultados: Brest, 3-Cannes, 2; Nancy, 1-Saint-Etienne, 0; Toulon,
0-Bordéus, 2; Montpellier, 1-Nantes, 1; Auxerre, 3-Metz, 1; Nice,
4-Lille, 1; Lyon, 3-Caen, 2; Paris SG, 3-Toulouse, 0. Classificação dos
quatro primeiros: Marselha, 48 pontos; Mónaco, 46; Auxerre, 43; Cannes,
36.

<p n=18552 assunto=desporto>
O PSV Eindhoven, líder do Campeonato holandês da I Divisão, foi infeliz
na sua deslocação ao campo do Sparta de Roterdão (13º classificado), onde
perdeu por 1-0, em jogo da 26ª jornada. Outros resultados: Roda JC
Kerkrade, 0-Feyenoord Roterdão, 0; SVV Schiedam, 1-MVV Maastricht, 4; FC
Twente Enschede, 4-FC Groningen, 2; Willem II Tilburg, 0-FC Utrecht, 2;
Fortuna Sittard, 0-FC Volendam, 0; Vitesse Arnhem, 0-NEC Nijmegen, 0; FC
de Haia, 2-RKC Waalwijk, 2 e Ajax Amesterdão, 4-SC Heerenveen, 0.
Classificação dos quatro primeiros: PSV Eindhoven, 39 pontos; FC
Groningen, 37; Ajax Amesterdão, 36; FC Utrecht, 29.

<p n=18553>
O Campeonato aproxima-se do fim e isso fez deste encontro entre o Gil
Vicente e o Famalicão um jogo de evidente alto risco competitivo. No fim,
ganhou o Gil com a felicidade própria de quem marca um golo aos 86m,
depois de ter sido dominado em grande parte do segundo tempo. Mas, neste
momento, nem uma nem outra equipa têm o seu futuro definido na prova, se
bem que o Famalicão tenha agora a vida muito dificultada.

<p n=18554>
Dava nas vistas a boa movimentação de Nogueira, deambulando por toda a
frente de ataque, mas desta vez sem o apoio do zairense Mangonga, que
ontem foi muito bem marcado pelo brasileiro Tanta, que o anulou
praticamente. Com três defesas centrais, como tem sido norma, aliás, e um
meio-campo a exercer boa pressão, a equipa de Barcelos aparecia com
frequência na área de Figueiredo. Aos 28m, boa triangulação entre Zé
Carlos e Tuck, aparecendo o primeiro na frente do guarda-redes, mas
rematando por cima da barra e perdendo um excelente ensejo. Mais tarde
foi Chico Nelo a cabecear na pequena área, para fora, com Figueiredo já
fora do lance.

<p n=18555>
Entretanto, segundo o PÚBLICO apurou ontem, Paulo Sérgio, de 19 anos,
guarda-redes do Clube Recreativo Grandolense, vai vestir, a partir da
próxima época, a camisola do Benfica. Na próxima semana Gaspar Ramos
estará em Grândola para ultimar a transferência de Paulo Sérgio. O
jogador também tinha sido contactado pelo Sporting.

<p n=18556>
Alves referiu também que o Setúbal «foi um grande obstáculo», mas afirmou
que o triunfo da sua equipa «não tem contestação». Sobre o futuro
adiantou que «agora, com mais tranquilidade, é previsível que o Vitória
pratique outro tipo de futebol e venha a mostrar-se diferente».

<p n=18557>
Finalmente chegou a tranquilidade a Guimarães. O triunfo frente ao
Setúbal foi o lenitivo que faltava para dar paz  ao clube, uma paz viviva
com satisfação pelos adeptos que, sofrendo os desaires da equipa, não
perderam nunca o seu fervor clubista e, por isso, não regatearam a sua
quotaparte de apoio aos comandados de João Alves. Dentro do relvado e nos
próprios bastidores do Vitória de Guimarães, respira-se agora um ar mais
puro, o que vai proporcionar um fechar de temporada, se não em beleza,
pelo menos longe de aflições.

<p n=18558>
Com o Vitória local solto, dinâmico, agressivo, o Setúbal estremeceu e
deu mostras de fraquezas defensivas inultrapassáveis. Sempre que o
Guimarães aumentava de velocidade, toda a equipa setubalense tremia,
demonstrando falta de soluções que o próprio técnico reconheceu que não
existem. Foi por este sector que se esfumou não só o possível triunfo do
Vitória de Setúbal, como o empate, que a um quarto de hora do final da
partida parecia estar garantido.

<p n=18559 assunto=desporto>
O FC Porto desforrou-se do afastamento da Taça dos Campeões Europeus de
hóquei em patins de que foi anteontem vítima, face ao Óquei de Barcelos,
ao eliminar (5-2) ontem, nas Antas, os minhotos da Taça de Portugal, num
jogo extremamente agradável e em que os dois guarda-redes estiveram em
destaque.

<p n=18560 assunto=desporto>
A maior tendência atacante dos campeões europeus confirmou-se no segundo
tempo, e um passe-remate de Diego permitiu a Tó Neves desviar com êxito e
passar o resultado para 3-0. Foi a vez dos minhotos reagirem e reduzirem,
por Paulo Jorge, na conversão de um livre directo. O jogo atingia um
nível alucinante e extremamente agradável, e Tó Neves e Vítor Bruno viram
mais dois remates esbarrarem no poste. Vítor Bruno marcaria ainda mais
dois golos, o primeiro de penalti e o segundo após uma boa iniciativa do
argentino Diego, que tirou dois adversários da frente. A cinco minutos do
termo, Serginho reduziu a diferença.

<p n=18561 assunto=desporto>
BECKER ROEU A CORDA -- Boris Becker ressentiu-se de uma lesão nos
abdominais, e não jogou ontem com o campeão nacional Nuno Marques: à hora
do jogo, partia de táxi aéreo para Munique para ser observado pelo seu
médico. Becker ficou de voltar ao Porto ainda este ano. A organização
devolveu metade dos cerca de 5000 contos que apurou em ingressos e
minimiza o fiasco falando do «crédito» com que ficaram sobre o «número
dois» do mundo. Nuno Marques jogou com Cunha e Silva e ganhou, com os
parciais de 3-6, 6-3- e 6-4.

<p n=18562>
Ontem, o Leixões iniciou o jogo abertamente ao ataque e, logo aos quatro
minutos, passou para a frente do marcador, através de um golo de Edward --
que, ainda fora da área e ligeiramente descaído para o lado esquerdo,
rematou forte e junto ao poste, de nada valendo a estirada tardia de
Carlos Pereira. A vencer, desde os minutos iniciais, o Leixões continuou
a desenvolver bom futebol, em especial pelo flanco esquerdo, onde
Casimiro combinava bem com Zé Manuel, e a colocar constantes problemas à
defesa do Louletano, que parecia ter acusado em demasia o golo sofrido.

<p n=18563>
Rosa Mota conquistou ontem a vitória que faltava à sua já brilhante 
carreira, impondo-se na Maratona de Londres, no tempo de 2h26m14s -- a
segunda melhor marca mundial do ano. Mas não foi só ela que levou as
cores portuguesas ao galarim: Manuel Matias, segundo classificado, e
Joaquim Pinheiro, quinto, garantiram à selecção portuguesa o segundo
degrau do pódio de Londres nesta Taça do Mundo da especialidade.

<p n=18564>
Daí até final, a portuguesa controlou os acontecimentos e venceu
categoricamente, com 2h26m14s. A melhor marca do ano, da polaca Wanda
Panfil em Boston (2h24m18s), estabelecida seis dias antes, resistiu, mas
há que lembrar que a prova americana -- devido ao desnível entre a partida
e chegada e ao facto de ser mista -- favorece sobremaneira os tempos
finais.

<p n=18565>
Decididamente, não há triunfo do atletismo português que não dê polémica.
Até parece que é na controvérsia que reside a fonte de energia de alguns
dos nossos atletas... Que os portugueses não sabem saborear o prazer da
vitória, deixando que, nos melhores momentos, questões secundárias se
sobreponham ao principal e inquinem um ambiente que deveria ser de festa.

<p n=18566>
«Não tenho dúvidas em afirmar que o mais importante para mim foi ganhar a
Maratona de Londres», respondeu Rosa Mota a um jornalista que queria
saber que importância atribuía à prova e ao título. A atleta da Foz
dedicou o triunfo conquistado ontem aos portugueses, «especialmente aos
que se encontravam ao longo do percurso e nas estradas, a trabalhar em
obras de construção civil», segundo declarou ao PÚBLICO, no final da
corrida: «Os seus incitamentos levaram-me a sentir que tinha forças para
ganhar e arranquei.»

<p n=18567 assunto=desporto>
O Desportivo de Chaves perdeu ontem a hipótese de sair da Madeira com
dois pontos, depois de estar a vencer o Marítimo por 2-0 e ter, até,
desperdiçado uma grande penalidade. E acabaram por ser os donos da «casa»
a empatar, sobre os 90 minutos, numa grande penalidade convertida por
José Luis. O empate a dois golos acaba por premiar o trabalho das duas
equipas, num encontro emotivo e competitivo, disputado a grande
velocidade, mas preocupou mais os dirigentes flavienses, já que a sua
equipa precisa de pontos para escapar aos últimos lugares.

<p n=18568>
Assim, ninguém no estádio dos Barreiros terá ficado surpreendido quando o
Chaves marcou o primeiro golo, em lance de contra-ataque (27m): Lila
encontrou o lado esquerdo desprotegido, avançou até à linha de fundo e
cruzou para a cabeça de Coelho que, desmarcado na grande área, não teve
dificuldade em bater Éverton.

<p n=18569>
Ao marcar dois golos nas duas únicas vezes que desceu com perigo à baliza
do Penafiel, o Nacional conseguiu ontem um preciso triunfo, que lhe
permite manter a esperança da sobrevivência na I Divisão. Mas, para a
raríssima percentagem de aproveitamento dos madeirenses, muito contribuiu
a infelicidade do guarda-redes Quim, que certamente não voltará a ignorar
o efeito surpreendente dos raios solares e -- como os enfurecidos adeptos
penafidelenses logo fizeram questão de lhe lembrarƒ -- passará certamente
a socorrer-se do habitual chapéu.

<p n=18570>
Reinaldo podia ter conseguido novamente o empate, logo no recomeço do
jogo, mas atirou atabalhoadamente às redes laterais, e o técnico
penafidelense, Vítor Manuel, ainda fez entrar Rebelo e depois Ricardo,
mas era já o coração que mandava e o os dois pontos estavam perdidos.

<p n=18571>
Rosa Mota foi simplesmente igual a ela própria: ganhou a Maratona de
Londres evidenciando uma total superioridade sobre as suas adversárias e
conquistando o único título que faltava à sua fabulosa carreira - a Taça
do Mundo. Sensacionais foram também Manuel Matias (segundo lugar) e
Joaquim Pinheiro (em quinto) na prova masculina. Por equipas, Portugal
foi segundo atrás da Inglaterra. Pena que as tradicionais «picardias» do
atletismo português ensombrassem a festa.

<p n=18572>
Rosa é uma campeã dessas. O fenómeno desportivo que tão pequeno ser
humano (1,57m de altura e 43kg de peso) constitui não releva só as suas
qualidades físicas, que, em termos de resistência e capacidade de
suportar o sofrimento, são já por si invulgares. Releva também de uma
vontade férrea e de uma determinação implacável. Rosa, afável na vida
quotidiana, é uma «killer» em termos desportivos. A sua capacidade
agonística [i. e., a capacidade de travar duelos atléticos] só tem
paralelo, entre nós, na de Carlos Lopes, para nos reportarmos ainda a
anos mais próximos.

<p n=18573>
Se a diferença entre o Salgueiros e o União da Madeira é esta que se viu
ontem em Vidal Pinheiro, não há dúvida de que os madeirenses estão em
rota de descida rápida à II Divisão. A vitória do Salgueiros só se
definiu nos últimos sete minutos, com a obtenção do segundo e terceiro
golos, é verdade; o problema é que antes praticamente não tinha sido
posta em causa a vantagem e era razoavelmente evidente que, em qualquer
altura, a defesa madeirense «se esburacava» toda.

<p n=18574>
Filipovic não faz -- não precisa de fazer -- contas: «Não sei se garantimos
a permanência. Há quem diga que são precisos 33 ou 34 pontos, nós temos
32, talvez falte um ou dois.» O técnico jugoslavo não se esqueceu de
fazer um elogio ao médio Leão, que aos 76' viu anulado um belo golo, num
remate de fora da área a passe de Nikolic (a cobrar um livre), por
fora-de-jogo posicional de Djoincevic.

<p n=18575>
A 53ª Volta a Portugal em Bicicleta, integrada pela primeira vez no
calendário da União Ciclista Internacional (UCI), começa no dia 31 de
Julho, em Loulé, com um contra-relógio e termina em Lisboa, a 15 de
Agosto, depois de percorridas 17 etapas. A participação de quatro equipas
estrangeiras -- três de Espanha (Festina, Royal e Seur) e uma da Colômbia
(Poni Malta) -- reforçará o cunho internacional da mais importante prova
velocipédica nacional, que contará com um pelotão de cerca de centena e
meia de ciclistas.

<p n=18576>
O seu director, Serafim Ferreira, alertou entretanto para os altos custos
que uma organização como a Volta a Portugal sempre comporta, mas
garantiu, ao mesmo tempo, «estarem reunidas todas as condições para que o
ciclismo nacional dê o salto». O empenhamento da organização no êxito da
prova, a «internacionalização» da mesma e a subida de nível que, ano após
ano, vem denotando são, no seu entender, motivos que inspiram confiança
num «rotundo sucesso», tanto no plano organizativo como desportivo.

<p n=18577>
A empresa portuguesa de petróleos quer ficar com a maioria do capital da
Dicol, empresa guineense na qual já detém uma participação de 30 por
cento. Este é o teor de uma proposta que uma delegação da Petrogal
entregou aos membros do Governo da Guiné-Bissau, responsáveis do plano de
privatizações no país. Os contactos com os ministros da Economia e
Finanças, Recursos Naturais, Indústria, e com o governador do Banco
Central, foram feitos na semana passada, durante os trabalhos da
assembleia geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa
(UCCLA).

<p n=18578>
O Governo chinês anunciou em Pequim uma nova desvalorização da moeda do
país, pela segunda vez em duas semanas. O dólar passa a ser cotado a
5,3083 yuan, contra 5,2721 no dia nove de Abril e 5,2221, no princípio
deste mês. Economistas ocidentais afirmam que este ajuste gradual da
moeda chinesa tem como objectivo a sua convertibilidade. O yuan é trocado
no mercado negro a um valor dez vezes superior à sua cotação oficial.

<p n=18579>
As velhas G-3 vão ser substituidas por armas mais modernas,  para acertar
o armamento português pelos critérios da NATO. Mas há quem diga que o
objectivo do negócio é meramente político: ajudar a INDEP a sair da
situação económica difícil em que se encontra.

<p n=18580>
A necessidade de alteração mais acelerada do tipo de armas utilizadas
pelo Exército português relaciona-se, em parte, com a exigência de
uniformização do material de guerra devido à nossa presença na OTAN
(Organização do Tratado do Atlântico Norte). As espingardas da
organização usam munições com um calibre de 5.56 milímetros, enquanto o
da G-3 é de 7.65 milímetros.

<p n=18581>
As perdas sofridas pela Polónia devido à poluição atmosférica proveniente
da Alemanha «ultrapassam de longe» o montante da dívida polaca a este
país, afirmaram deputados polacos, citados pela agência PAP. De acordo
com as comissões parlamentares dos Negócios Estrangeiros e do Ambiente, a
Polónia recebe do país vizinho «nove vezes mais gases e poeiras» do que
produz. Por isso, foi solicitado ao Governo que analise esta questão nas
negociações germano-polacas sobre a redução da dívida.

<p n=18582>
O BPA emitiu sete milhões de Títulos de Participação em 1986: três
milhões em Junho e quatro em Dezembro. No ano passado, foram atribuídos
965 547 novos títulos, por força da incorporação no capital de 7,5
milhões de contos de reservas.

<p n=18583>
O produto interno bruto da União Soviética registou, no primeiro
trimestre de 1991, uma diminuição de oito por cento, em relação a período
idêntico do ano passado. O rendimento produzido baixou 10 por cento e a
produtividade, nove por cento, revelou o Comité Estatal de Estatística
(CEE) soviético.

<p n=18584>
As receitas do Orçamento de Estado foram de 21,3 mil milhões de rublos,
ou seja, 39 por cento do previsto, enquanto que as despesas foram de 48,9
mil milhões de rublos, o que equivaleu a 73 por cento do que estava
programado (menos 27 por cento). Quanto ao défice orçamental, este
cifrou-se em 26,9 mil milhões de rublos, ultrapassando já o valor
previsto para o ano inteiro, que era de 26,7 mil milhões.

<p n=18585>
Duas das maiores companhias de alumínio do Japão e a Alcan Pacific -- uma
subsidiária da Alcan Aluminium, do Canadá -- decidiram desenvolver a
tecnologia de reciclagem de folha de alumínio, anunciou um porta-voz da
Nippon Light Metal Company. As três companhias iniciarão brevemente o
desenvolvimento da tecnologia de reciclagem, bem como o estudo de formas
de recolha de folha de alumínio usada. Apesar de o Japão ter reciclado em
1990 cerca de 42,5 por cento das suas latas de alumínio, a reciclagem de
folha de alumínio (um das mais comuns utilizações domésticas do alumínio)
tem sido quase nula, admitiu o mesmo porta-voz à agência Reuter.

<p n=18586>
Entre Novembro de 1990 e Abril de 91, em cinco meses, Londres reviu a sua
posição e apoia agora a moratória conservacionista, proposta pela
Austrália, Nova Zelândia, França e Itália e subscrita por outros países.
Foi em 1989 que a Austrália recusou assinar a convenção de Wellington,
elaborada um ano antes e destinada a regulamentar as actividades mineiras
na Antárctida, o maior reservatório de água doce do planeta.

<p n=18587>
Cientistas da universidade da Carolina do Norte conseguiram fabricar
minúsculos diamantes utilizando um laser. Os resultados, que foram
publicados na revista «Science», são mais uma etapa a caminho de uma nova
geração de circuitos microelectrónicos. A nova técnica consiste em
colocar uma camada de átomos de carbono sobre uma placa de cobre e em
varrer esta superfície, numa fracção de segundo, com um potente raio
laser, o que eleva a temperatura dos átomos de carbono até 2000 graus
centígrados, produzindo a sua cristalização. Os cristais de diamante
obtidos formam uma finíssima película à superfície do cobre. As
qualidades físicas, mecânicas e químicas do diamante -- dureza,
conductividade térmica, resistência às radiações -- fazem esperar que eles
possam vir a ser utilizados para fabricar circuitos integrados de
qualidade superior à dos actuais circuitos de silício.

<p n=18588>
A China pode estar a ajudar a Argélia a construir um reactor nuclear que
poderá vir a produzir o combustível necessário para o fabrico de armas
atómicas, noticiou o «Washington Post» no passado sábado. A China e a
Argélia desmentiram qualquer tipo de colaboração neste campo mas, segundo
fontes oficiais americanas citadas por aquele jornal, o reactor em
construção é maior do que seria necessário para a investigação científica
e também não parece ser destinado a fornecer electricidade. As suspeitas
cresceram ainda mais quando foi descoberta, nas proximidades do reactor,
uma bateria anti-aérea de fabrico soviético. A China tinha-se
comprometido, em 1984, a submeter todas as suas exportações de tecnologia
nuclear a uma inspecção da Agência Internacional da Energia Atómica, mas
não tem havido qualquer inspecção da ajuda chinesa à Argélia.

<p n=18589>
Os setecentos anos da sua Universidade foram o pretexto para a escolha de
Coimbra como cenário do VII Colóquio da Sociedade Portuguesa de
Psicanálise. A essa escolha também não terá sido alheia a vitalidade dos
psicanalistas de Coimbra que têm em Amaral Dias o seu mais conhecido e
dinâmico representante. E inconscientemente, como lembrou Jaime Milheiro,
na abertura, deve ter actuado o desejo do regresso às origens da cultura
portuguesa, o encontro com a História que é também e, sobretudo, abertura
para o futuro.

<p n=18590>
Da necessidade de ligar a abordagem psicanalítica à prática médica fez-se
arauto o médico psiquiatra Rui Coelho que, na senda de M. Balint,
considerou a relação médico-doente como um dos encontros mais genuínos,
procurando detectar as representações fantasmáticas dos sujeitos
envolvidos.

<p n=18591>
O minístério francês da Saúde proibiu oficialmente a utilização da pílula
abortiva, a célebre «RU-486», por mulheres que fumem regularmente desde
há mais de dois anos. A RU-486 precisa de ser administrada conjuntamente
com um outro medicamento, que dá pelo nome de prostaglandina. Acontece
que, no passado dia 23 de Março, uma mulher de 31 anos, grande fumadora,
morreu na sequência de uma injecção de prostaglandina, devido a um
acidente cardiovascular, dando início a uma violenta polémcia quanto ao
uso do já de si polémico medicamento. As duas comissões de peritos
encarregadas pelo ministério francês, no passado dia 8 de Abril, de
reexaminar as condições de utilização do método abortivo, acabam de
decidir que o tratamento é também contra-indicado em mulheres com mais de
35 anos de idade e que as doses de prostaglandina injectáveis deverão ser
reduzidas à metade. Estas medidas vêm assim reduzir substancialmente o
mercado potencial daquela droga.

<p n=18592>
Saddam Hussein não é seguramente o responsável único pelo fim do sonho
terceiro-mundista, mas a história dificilmente o perdoará pelo facto de
ter provocado uma crise, que acabou por iniciar o funeral da ideia
baptizada em 1952 pelo demógrafo francês Alfred Sauvy e materializada em
1955 na Conferência de Bandung (Indonésia), onde pela primeira vez um
grupo de países se proclamou independente tanto em relação ao Primeiro
Mundo (as nações ricas do bloco capitalista) como face ao Segundo Mundo
(os países socialistas). Ao lançar-se na aventura kuwaitiana, Saddam
ofereceu aos seus adversários o pretexto para matar dois coelhos de uma
só cajadada.

<p n=18593>
TRÊS MÍSSEIS Scud, disparados pelas forças de Cabul, causaram mais de 300
mortos e 700 feridos num ataque efectuado sábado à cidade de Asadabad,
Leste do Afeganistão, uma zona controlada pela guerrilha islâmica,
anunciaram fontes rebeldes afegãs e testemunhas paquistanesas.

<p n=18594>
Os mísseis provocaram explosões em série e vários incêndios nos sectores
onde os guerrilheiros armazenavam munições. Vinte e quatro horas depois
ainda ocorriam explosões.

<p n=18595>
Baker recebeu do Egipto o primeiro «sim» incondicional ao plano de paz
regional para o Médio Oriente. Israel, que adiou a resposta, volta esta
semana a acolher o chefe da diplomacia dos EUA. Aos sinais positivos
junta-se a aceitação de Riad em não constituir parte nas negociações. A
maior incógnita volta a ser a Síria.

<p n=18596>
Ainda no Cairo, Baker reafirmara que a Arábia Saudita ficará à margem das
negociações de paz, apesar de ser «um actor de primeiro plano» no
processo. «Sentar outros Estados à mesa [das negociações]? Onde é que
isso nos leva? Só a Arábia Saudita, porquê?», perguntou.

<p n=18597>
O MINISTRO francês da Justiça, Henri Nallet, garantiu que não se
demitirá, em entrevista publicada ontem, apesar do escândalo que o
envolve a ele e ao secretário de Estado, Georges Kiejman, e do aumento
das pressões sobre o Presidente François Mitterrand para que os demita. O
escândalo tem que ver com os fundos para a campanha de 1988 em que o
próprio Mitterrand foi reeleito e com uma empresa de cobertura ao
financiamento do partido socialista, a «Urba». Nallet e Kiejman foram
responsáveis por essa campanha. Uma sondagem publicada ontem em França
mostra que a popularidade de Mitterrand desceu nove pontos no último mês,
e a esse facto não é alheio o «caso Urba».

<p n=18598>
Um dos elementos da ala liberal do PAIGC, afastado da direcção do partido
no fim de Janeiro, crê que a abertura guineense ao pluralismo político
não é de forma alguma uma batalha perdida; e, para o futuro, aposta
decididamente na bipolarização.

<p n=18599>
O LÍDER da Assembleia Suprema da Revolução Islâmica no Iraque (ASRII),
ayatollah Mohammad Bagher Hakim, afirmou ontem, em Teerão, que «a revolta
popular prossegue [no seu país], apesar dos progressos registados nas
negociações entre os partidos curdos e o regime» de Bagdad.

<p n=18600>
Ao mesmo tempo, a OAI acusa o regime iraquiano de «actos de vingança
contra as famílias de participantes na sublevação». Teriam sido
destruídas «17 habitações e três mesquitas», que serviam como locais de
reunião dos rebeldes em Kerbala, uma das cidades santas.

<p n=18601>
O IRÃO pediu ontem aos Estados Unidos e seus aliados para que cooperem
num novo esforço de libertar os 12 reféns ocidentais no Líbano e os
prisioneiros muçulmanos detidos em Israel.

<p n=18602>
O diplomata explicou ainda que as iniciativas até agora realizadas
encontram-se num beco sem saída porque os Estados Unidos não responderam
positivamente às libertações de reféns concretizadas no ano passado.

<p n=18603>
DESMENTINDO todas as sondagens, os eleitores islandeses reafirmaram a sua
confiança à coligação centro-esquerda do primeiro-ministro Steingrimur
Hermannsson, concedendo-lhe a maioria parlamentar nas eleições de sábado,
foi ontem anunciado oficialmente em Reiquejavique.

<p n=18604>
A oposição liderada pelo presidente da edilidade de Reiquejavique, David
Oddsson, não conseguiu no entanto superar a maioria da coligação da
anterior legislatura, ficando-se pelos 38 por cento. Mas recuperou o
eleitorado de 1983, e aumentou o número de assentos parlamentares para
26, mais oito que anteriormente.

<p n=18605>
A OPOSIÇÃO kuwaitiana rejeitou o novo elenco governativo que ontem tomou
posse, manifestou-se a favor de manifestações de protesto e fará chegar
hoje a James Baker uma carta com as reivindicações políticas que entende
necessárias para que a democratização se inicie no emirado.

<p n=18606>
Trata-se do irmão do emir, xeque Sabah Al Ahmed Al Sabah, anterior
vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros. O seu
afastamento, para as citadas fontes, ficou a dever-se  a disputas
intestinas entre os dois ramos dos Al Sabah: Os Salem e os Jaber.

<p n=18607>
Passaram cinco anos desde que Moscovo instalou no poder em Cabul Mohammed
Najibullah, então chefe da polícia secreta. Esperava-se que a retirada
militar soviética, em Fevereiro de 1989, levasse ao seu derrube, mas
Najibullah acabou afinal por consolidar o seu poder. Excertos de uma
entrevista concedida a Steve Le Vine, da «Newsweek»:

<p n=18608>
P -- Ainda é o homem que, no Afeganistão, tem o poder último de decisão.
Tenciona realmente partilhar ou transferir o poder?

<p n=18609>
As sanções limitaram o crescimento económico a 1,5 por cento nos anos 80
e a 0,5 por cento em 1990, com um crescimento ainda menor previsto para
1991

<p n=18610>
1985: Abolição da proibição dos casamentos e de relações sexuais entre
pessoas de diferentes grupos raciais

<p n=18611>
A União Soviética viveu um fim-de-semana de intensa  actividade política.
As várias forças preparam-se para uma sucessão de reuniões e
acontecimentos que poderão ser decisivos para o futuro do país.

<p n=18612>
Também na quarta-feira, Gorbatchov enfrenta outro teste difícil, num
plenário do Partido Comunista da União Soviética.

<p n=18613>
O NOVO Governo de São Tomé e Príncipe, chefiado por Daniel Daio, tal como
o de gestão que estava em vigor desde as legislativas de  Janeiro, deve
tomar hoje posse perante o Presidente Miguel Trovoada, eleito em Março; e
apresentar o seu programa ao Parlamento no dia 5 de Maio.

<p n=18614>
A compra foi porém dificultada pelo facto de o Fundo Monetário
Internacional e o Banco Mundial terem suspenso um empréstimo que haviam
prometido; e que só será concretizado quando o Estado despedir pelo menos
2.000 dos mais de 7.000 funcionários públicos com que conta, numa
população total não muito superior a 100.000.

<p n=18615>
Falando para microfones a cores -- vermelho para o PS e laranja para o PSD
-- os dois partidos confrontaram-se ontem à tarde num debate a que, em
termos regionais, faltou o «colorido»: ambos se proclamaram vencedores
antecipados das próximas eleições legislativas e não responderam à
pergunta que subordinava o frente-a-frente: «Algarve que futuro?».

<p n=18616>
O PSD apresentou como argumentos para a sua vantagem no próximo acto
eleitoral, os investimentos em infraestruturas feitos na região pela
administração central, cujo valor, nos últimos anos, «já ultrapassa os 50
milhões de contos». Um número «incomparável» com os dos tempos em que o
PS foi Governo. Os socialistas defenderam-se dizendo que não usufruiram
da época das «vacas gordas» de que beneficia o Governo de Cavaco Silva e
contratacaram acusando o PSD de usar de uma capacidade «camaleónica»,
«sendo oposição e Governo ao mesmo tempo».

<p n=18617>
A colisão entre uma ambulância da PSP e um ligeiro de passageiros
ocorrida ontem, às 15h45, na Praça José Fontana, em Lisboa, causou
ferimentos no único ocupante do primeiro veículo e congestionamento no
tráfego.

<p n=18618>
O Encontro Nacional de Freguesias, ontem realizado pela ANAFRE --
Associação Nacional de Freguesias, no Hotel Altis, em Lisboa, culminou
com a apresentação de uma petição que os autarcas pretendem fazer chegar
à Assembleia da República. A petição visa, sobretudo, alterar o estatuto
legal da autarquia, ou seja: dotar as juntas de freguesia com instalações
próprias e atribuir-lhes mais autonomia financeira e capacidade
decisória.

<p n=18619>
«Estado das Coisas» é o nome da exposição de sete autores alemães patente
até 11 de Maio na galeria/escola de joalharia Contacto Directo. Na Rua
Marcos Portugal, 65, à Praça das Flores, em Lisboa. De segunda a sexta
das 10h00 às 20h30, sábados das 15h00 às 19h00.

<p n=18620>
Na galeriam Quorum (Rua Marcos Portugal, 28/30, em Lisboa) está uma
exposição de pintura de Luís Lemos, um pintor natural de Belmonte, mas
residente em França.

<p n=18621>
Curiosamente, Cascais, uma das câmaras-piloto e a primeira a anunciar a
introdução de medidas de modernização e desburocratização, já há vários
anos, é actualmente, «das mais atrasadas» -- acrescentou Armando Pereira,
que atribuiu esse facto, por um lado, a «alguma demora no lançamento de
projectos» e, por outro, a «razões internas». Além destas autarquias, com
projectos-piloto, em curso contam-se ainda Mangualde e
Albergaria-a-Velha, Nisa, Castro Marim e Santa Cruz, na Madeira.

<p n=18622>
Hoje, cerca de 200 autarquias vão discutir e analisar no Hotel
Estoril-Sol os projectos já desenvolvidos ou em desenvolvimento, tentando
aprender com os erros de umas e com os sucessos de outras.

<p n=18623>
Desburocratizar? A idéia é louvável e será aplaudida por milhões de
munícipes e centenas de empresas. Mas até eles dizem já que «isso não se
faz de um dia para o outro». Alguns aguardam pacientemente nas salas de
espera das câmaras. Outros, perderam a calma há muito e desesperaram.
Disto se falará amanhã no Estoril, num seminário promovido pela Equipa do
Projecto para a Desburocratização.

<p n=18624>
«Andamos nisto há sete anos e o meu filho já ficou doente... psiquiatria»
-- explica. Também o marido, perdeu entretanto algum senso, segundo dá a
entender. «É um caso de carência, o meu» -- conclui, desatando a chorar.

<p n=18625>
A Junta de Freguesia do Bonfim e a Câmara do Porto têm fortes suspeitas
que a derrocada dos dois prédios da Av. de Fernão de Magalhães, na
sexta-feira, tenha sido deliberadamente provocada pela empresa
encarregada das fundações na parcela intermediária de terreno, o que é
refutado pelo donos do projecto e pelos gestores da empresa a quem estava
cometida a empreitada. Os trabalhos de escavação estavam a ser efectuados
numa parcela de terreno, localizada entre os dois prédios, provocando a
derrocada total de um deles e o desabamento de parte da parede lateral do
outro, e onde havia sido demolido o antigo edifício que ali existia, à
excepção da fachada que se encontrava classificada.

<p n=18626>
José Lachado assinala ser estranho que as obras estivessem a ser feitas
sem as necessárias condições de segurança( «não havia sequer qualquer
protecção interior da fachada do edifício) e que a empresa encarregada da
empreitada tivesse tido, logo após a derrocada, «uma disponibilidade de
meios humanos e maquinaria numa altura-ao fim da tarde do último dia
últil da semana- que permitiu uma rápida remoção de toda a cantaria
derrubada».

<p n=18627>
Quando o ministro Valente de Oliveira esteve na última sexta-feira em
Espinho para se inteirar do andamento da acção de desburocratização e
modernização administrativa em curso na autarquia, contou que tinha sido
ele próprio a fazer-se convidado «para vir observar o que parecia
impossível que estivesse a correr tão bem». De facto, como a própria
Comissão de Coordenação da Região Norte reconhece, a Câmara de Espinho é,
dos nove municípios piloto envolvidos no projecto promovido pela
Secretaria de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território,
uma das que está a obter melhores resultados.

<p n=18628>
Em todo o processo de constituição do gabinete de atendimento houve a
preocupação máxima de corresponder às necessidades dos «clientes» -- como
os funcionários da Câmara gostam de chamar aos munícipes. Fez-se um
inquérito para averiguar quais os horários em que o serviço seriam mais
necessários e concluíu-se que o melhor era fazê-lo funcionar entre as
9h00 e as 17h00; e preparam-se os funcionários para ajudar os munícipes a
preencher os formulários de que necessitam. «Grande parte da população de
Espinho é de origens humildes e analfabeta», esplica Odete Ferreira,
chefe de Departamento. «Por isso, por uma questão de dignidade, decidimos
que seriam os próprios serviços a preencher os documentos de que precisam
e não alguém que, numa mesa da entrada, cobrava 50$00 a cada pessoa».

<p n=18629>
No Norte, Centro e Sul estão a decorrer programas de desburocratização em
câmaras-piloto, que amanhã vão ser avaliados no Estoril para mais de 200
autarcas de todo o país. Ao todo estão envolvidos três dezenas de
municípios, mas é em nove deles que a «vanguarda» deste plano está a ser
desenvolvida. Na véspera do encontro, o PÚBLICO foi conhecer quatro
dessas experiências: Vila Franca de Xira, Oeiras,  Espinho e Matosinhos.
.

<p n=18630>
As câmaras que aderiram ao «programa 1» são as de Vila Real, Matosinhos,
Espinho, Mangualde, Albergaria-a-Velha, Vila Franca de Xira, Cascais,
Nisa e Castro Marim (posteriormente, na Região Autónoma da Madeira, a
Câmara de Santa Cruz passou a integrar o programa). Embora com níveis de
sucesso diferentes, os projectos escolhidos por cada autarquia para
modernizarem a sua estrutura orgânica traduzem de facto, como se
esperava, realidades diversas.

<p n=18631>
Se há projecto que defina a filosofia de aplicação do Programa de
Desburocratização e Modernização Administrativa na Câmara de Matosinhos,
é o da coordenação interdepartamental. Como é evidente, a implementação
de um sistema institucional e «rígido» de comunicação interna só se
justifica em autarquias cuja dimensão dos serviços e o número de
funcionários façam correr o perigo de tornar a execução das diversas
políticas redundantes ou, frequentemente, contraditórias. São por demais
conhecidas as situações em que, por exemplo, os serviços municipalizados
de águas planeiam implantar uma rede de distribuição de água em
arruamentos que outros serviços repavimentaram dias antes.

<p n=18632>
Ao que parece, e segundo Correia Pinto da Divisão de Relações Públicas,
tudo tem funcionado tão bem que «na penúltima reunião de Câmara gastou-se
apenas meia-hora a aprovar projectos e a despachar processos com dezenas
de folhas». O resto da reunião foi aproveitado para que Narciso Miranda,
presidente da Câmara, e seus pares discutissem «as grandes opções
estratégicas do concelho».

<p n=18633>
Dois pescadores de linha morreram afogados ontem às 10h00, no Cabo da
Roca. Segundo os Bombeiros Voluntários de Almoçageme, o acidente deu-se
quando um dos homens tombou por uma escarpa e um outro, ao tentar
salvá-lo, foi igualmente arrastado para as águas.

<p n=18634>
O arguido, de apelido Pereira, casado, de 40 anos de idade, sem
profissão, residente no Porto, é indiciado em cerca de 20 processos por
burlas em montante superior a mil contos. De acordo com a acusação, o
suspeito retirava das caixas do correio vales de pensões de reforma,
falsificando, posteriormente, a assinatura do titular, aos quais apunha
um carimbo comercial igualmente falso para levantar as respectivas
quantias. O suspeito, referenciado por uma deficiência física decorrente
da amputação de uma mão, era procurado pela Judiciária desde 1989.

<p n=18635>
Dois prédios calcinados pelo fogo, estão abandonados no Porto e ameaçam
ruir : os proprietários não querem fazer as obras e a Câmara alega não
ter poderes para os obrigar a esse dever. A derrocada está iminente e
nova tragédia poderá ocorrer, a qualquer momento, na Rua das Flores.

<p n=18636>
Os executivo municipal impôs aos proprietários a realização de obras, mas
«nenhum deles até agora deu qualquer resposta ou sequer se dignou a
entrar em contacto com a Câmara». Um dos proprietários está actualmente a
fazer obras num estabelecimento que adquiriu na mesma rua e o outro
transferiu-se para Lisboa, após o incêndio que lhe destruiu a loja.

<p n=18637>
Se não eram doidos, disfarçavam muito bem. Polícias davam beijos na boca,
a população protegia o larápio e as cenouras custavam dois contos o
quilo. Em Sacavém, no domingo à tarde, a sensação era a de um manicómio.
Mas, apesar de tudo, um estranho contentamento acompanhava este ataque
fulminante de loucura.

<p n=18638>
No espaço limitado pelas ruas fechadas ao trânsito e devolvidas, por um
dia, ao cidadão, as cenas mais caricatas sucediam-se perante a algazarra
dos miúdos e os aplausos dos graúdos. Mas quem não ganhou para o susto
foi o homem dos gelados, que após uma pacífica entrada no largo do
coreto, foi intempestivamente abordado pelos dois supostos agentes,
ansiosos por «tramar a vida» ao incauto vendedor.

<p n=18639>
O secretário de Estado da Habitação, Carlos Costa, prometeu, sábado em
Santarém, num seminário sobre «Cooperativismo jovem, que futuro?», uma
maior abertura da sua secretaria para ouvir mais vezes as cooperativas
jovens de habitação.

<p n=18640>
Os responsáveis pela Habijovem de Santarém adiantaram que têm já
aprovado, há alguns meses, um projecto de construção de 98 fogos em São
Domingos, na zona urbana de Santarém, mas que as dificuldades financeiras
apresentadas pelo INH têm atrasado o arranque das obras.

<p n=18641>
Uma associação para preservar os barcos típicos do Tejo e ensinar o que
ele foi e ainda é foi criada há três anos por cem habitantes da Sarilhos
Pequenos, no concelho da Moita. Tem um lema: «o Tejo é de todos»

<p n=18642>
«O rio continua a chamar-nos», diz António Fernandes, com 61 anos, 46 de
faina no Tejo, e um dos fundadores e actual director da Associação Naval
Sarilhense -- lançada em 28 de Janeiro de 1988 --, «um lugar para recordar
e não deixar morrer todas as tradições».

<p n=18643>
A moda, envergada por 16 modelos, recebeu, sábado, aplausos das cerca de
700 pessoas que acorreram ao Fórum Luísa Todi, em Setúbal, para ver o
desfile da colecção Primavera/verão Divine-Cristal.

<p n=18644>
Já antes do espectáculo, nos corredores da sala a que a cantora lírica
Luísa Todi empresta nome, o desfile fazia-se entre a assistência, dando
um toque de acontecimento social, há muito arredado da cidade do Sado.
Embora seleccionado, o público, correspondeu, defraudando os mais
pessimistas que receavam as «bocas» brejeiras do também já célebre
balcão.

<p n=18645>
Uma colisão frontal ocorrida pelas 23h30 de sábado na estrada nacional
122, próximo da localidade de Boavista, no Distrito de Beja, causou a
morte de uma pessoa e ferimentos ligeiros em cinco outras.

<p n=18646>
A vítima mortal é Henrique Pereira Garcia, de 49 anos. A Brigada de
Trânsito procura entretanto vir a detectar a viatura eventualmente
responsável pelo atropelamento.

<p n=18647>
O trajecto ferroviário entre o Porto e a Galiza será um dos eixos a
privilegiar na execução do plano de modernização da CP, de parceria com
as alterações em toda a Linha do Norte, segundo anunciou Fernando Gomes
durante a sua visita a Vigo. As primeiras garantias nesse sentido foram
dadas sexta-feira pelo secretário de Estado dos Transportes ao presidente
da Câmara do Porto, que não deixou de afirmar: «A ligação da nossa cidade
à Galiza é mais importante do que a ligação a Lisboa».

<p n=18648>
Iniciada pela Porto Blues Band na sexta-feira passada, a Semana do Porto
em Vigo apenas ganhou algum fôlego público depois de Fernando Gomes e
Manuela Melo terem inaugurado, na tarde de sábado, as três exposições que
integram o cartaz da iniciativa. Instaladas na Casa das Artes e da
História -- magnífico espaço doado ao «Ayiuntamiento» e onde esteve
instalado o Banco de Espanha -- as exposições «dão a imagem dos novos
caminhos do Porto», na definição da responsável pelo pelouro da Cultura.

<p n=18649>
Ainda sob os efeitos revigorantes da sua recente visita à Guiné-Bissau, e
da satisfação que lhe trouxe a estadia no país africano, o presidente da
Câmara de Lisboa mudou sábado  de continente e está hoje em Washington
para a V Conferência de Presidentes das Câmaras dos Estados Unidos sobre
Crime e Drogas. Mas, além dos problemas de segurança urbana e da
prevenção da toxicodependência nas cidades americanas e europeias, de que
se falará hoje no encontro, Washington, tal como Nova York -- por onde
Sampaio passou em escala de vôo e se encontrou com o embaixador Fernando
Reino, «um amigo de longa» --, são cidades que têm também, apesar de altos
níveis de criminalidade, encantos que o presidente da câmara aprecia,
como contou durante a viagem.

<p n=18650>
Depois -- mas antes da sua intervenção na conferência dos «mayors»
americanos -- há também os bens de consumo e serviços que Washington
oferece, dos quais Sampaio não terá muito tempo para dispôr, mas dos
quais elegeu já uma livraria aberta ao domingo, como sede dos seus
apetites, situada perto do hotel onde está hospedado, o Capitol Hilton,
onde decorre a conferência. O hotel fica numa zona que Sampaio também já
conhece, não longe da Casa Branca e da igreja onde George Bush vai à
missa ao domingo -- na esquina da Décima sexta Avenida e da Rua K.  Na
capital dos EUA as ruas têm nomes de letras e de números; só as avenidas
têm nomes de lugares, como alguns dos estados da União, enquanto
hospitais e centros de estudos mostram em geral os nomes dos seus
principais benfeitores, como acontece com o Ronald Reagan Institute of
Emergency Medicine, recentemente apelidado em homenagem ao anterior
presidente dos Estados Unidos que ali recebeu tratamento.

<p n=18651>
O interesse de um filme como «Gestos e Fragmentos», hoje em dia, reside
tão-só num ponto de partida para uma reflexão sobre o processo
revolucionário desencadeado a 25 de Abril em Portugal e as causas que
levaram à sua interrupção a 25 de Novembro do ano seguinte. É como uma
visita às ruínas de uma cidade e um tempo perdido onde, a partir dos seus
vestígios, se procura configurar a sua forma primitiva. Dessa imagem
resta apenas uma espécie de desenho tosco ou uma fotografia que em si
pouco revela e à volta da qual Robert Kramer faz um exercício narcisista,
talvez mais preocupado com as suas próprias interrogações do que com o
fenómeno que procura compreender. É mais o olhar de um diletante do que
de um participante activo nos acontecimentos, apesar de Robert Kramer,
como em parte Glauber Rocha, ter tentado ser uma espécie de John Reed da
Revolução dos Cravos. A este olhar «de fora», Seixas Santos justapõe o
testemunho do estratego do Movimento, Otelo Saraiva de Carvalho (o filho
que a Revolução devorou, como o fez, de forma mais radical, a República a
Machado de Santos), e a reflexão de Eduardo Lourenço. Em vésperas do 17º
aniversário do 25 de Abril, a exibição de «Gestos e Fragmentos» é um
pouco como um acto de exorcismo do «fantasma da revolução».

<p n=18652>
Aproveito para registar que o articulista considera que ser fiel à
doutrina de João Paulo II é ser mais papista que o Papa! Por definição,
um católico é um cristão que aceita em matérias de fé e moral o
Magistério da Igreja. E qual o melhor garante desse Magistério senão o
Papa? Rotular de conservadores esses católicos parece-me uma redundância.
Por definição, um católico «conserva» a doutrina de Cristo tal como foi
revelada, conservada e interpretada pelo Magistério da Igreja. Neste
sentido, um católico tem de ser conservador. E se não for, não é
católico.

<p n=18653>
Apesar de ser um leigo no assunto, as vendas das casas e os problemas de
habitação sempre me preocuparam bastante, devido a ser jovem. Embora não
tenha posto algum no Governo, vejo as coisas do seguinte modo.

<p n=18654>
Sou pai duma jovem que frequenta a Escola Belém-Algés, em Lisboa, no 12º
ano. E estou espantado com o que lá se tem passado ultimamente. Na
primeira semana, houve um dia de aulas e nos outros subsequentes está a
haver cinquenta por cento de aulas por semana. Motivo: à volta de 35% de
professores ainda não deram classificações e param para as dar, mas como
há uma dúzia deles que não dão mesmo, então a Escola vive no regime de
«stop and go». É espantoso.

<p n=18655>
Quando o Kuwait foi invadido pelo Iraque, o Presidente dos EUA
apressou-se a libertar o Kuwait, não hesitando em dar as vidas dos filhos
da sua nação para pôr cobro ao massacre dos kuwaitianos, e prometeu uma
nova ordem mundial.

<p n=18656>
(...) Ultimamente, ao ocupar-se da intervenção das associações católicas
promotoras das realizações culturais e espirituais preparatórias da vinda
de Sua Santidade o Papa, o PÚBLICO apelidou-as de «conservadoras»,
usando, na qualificação, uma visão ideológica descabida por infundada,
enquanto, por outro lado, fez aparecer, há muito tempo, uma perversa
fotografia na qual, ao lado de uma actriz, que representava a santa
mulher que é Teresa de Calcutá, se inclinava uma outra em atitude e traje
despurados.

<p n=18657 assunto=desporto>
«Para que o país não volte a ficar sem rumo torna-se necessário evitar
Governos de coligação, sempre permeáveis a esboroar-se nas contradições
internas». Cavaco Silva, «Diário de Notícias», 21-4-91

<p n=18658 assunto=desporto>
«Faço críticas e não quero voltar para Lisboa, mas se os sinos tocarem a
rebate serei o primeiro a ir socorrer Cavaco Silva». Eurico de Melo,
«Expresso», 20-4-91

<p n=18659 assunto=desporto>
«Para que o país não volte a ficar sem rumo torna-se necessário evitar
Governos de coligação, sempre permeáveis a esboroar-se nas contradições
internas». Cavaco Silva, «Diário de Notícias», 21-4-91

<p n=18660 assunto=desporto>
«Faço críticas e não quero voltar para Lisboa, mas se os sinos tocarem a
rebate serei o primeiro a ir socorrer Cavaco Silva». Eurico de Melo,
«Expresso», 20-4-91

<p n=18661>
1. Uma das mais importantes revistas da esquerda europeia é, sem dúvida,
«Micromega -- Le Ragioni della Sinistra», dirigida por Giorgio Ruffolo e
Paolo Flores d'Arcais (este último esteve recentemente entre nós, a
convite da revista «Finisterra», e foi entrevistado no «Expresso-Revista»
por António Costa Pinto). Daí o interesse do seu último número (2/91), o
primeiro depois da guerra do Golfo.

<p n=18662>
2. O secretário da revista, Lucio Caracciolo, num artigo intitulado
«L'alternativa può attendere», torna ainda mais claras estas posições: «A
guerra do Golfo demonstrou que, se fosse a esquerda que estivesse a
governar a Itália, as nossas alianças internacionais seriam postas em
perigo. No desafio entre liberalismo e fundamentalismo, não existem
`terceiras vias'. A democracia como valor universal é incompatível com o
`statu quo'.»

<p n=18663>
O Conselho Nacional do partido «Os Verdes», reunido ontem em Lisboa,
deliberou apresentar os nomes de Isabel Castro e André Martins como os
dois candidatos a deputados que surgirão em lugar elegível nas listas da
CDU, respectivamente por Lisboa e por Setúbal. Congratulando-se com o
acordo firmado com o PCP que lhes permitirá manter o seu Grupo
Parlamentar, os dirigentes dos «Verdes» garantiram, com a sua escolha, o
regresso à Assembleia da República do deputado André Martins, que há
alguns meses foi obrigado a deixar o Parlamento na sequência do diferendo
com Herculano Pombo, «crítico» relativamente ao PCP e que acabou por
deixar «Os Verdes», ainda que mantendo o seu lugar de deputado, à
semelhança de Valente Fernande, outro «crítico».

<p n=18664>
Ao novo ministro, os «Verdes» decidiram, entretanto, «lançar um repto
imediato: o que vai fazer relativamente ao Campo de Tiro de Alcochete,
quando pensa finalmente publicar o Plano Nacional de Política do Ambiente
e que prazos prevê para a sua discussão pública, e o que vai fazer para
assegurar que uma delegação portuguesa amplamente participada se prepare
para a Conferência Mundial sobre Ambiente, em 1992, no Brasil?». A.S.

<p n=18665>
O Conselho Nacional do partido «Os Verdes», reunido ontem em Lisboa,
deliberou apresentar os nomes de Isabel Castro e André Martins como os
dois candidatos a deputados que surgirão em lugar elegível nas listas da
CDU, respectivamente por Lisboa e por Setúbal. Congratulando-se com o
acordo firmado com o PCP que lhes permitirá manter o seu Grupo
Parlamentar, os dirigentes dos «Verdes» garantiram, com a sua escolha, o
regresso à Assembleia da República do deputado André Martins, que há
alguns meses foi obrigado a deixar o Parlamento na sequência do diferendo
com Herculano Pombo, «crítico» relativamente ao PCP e que acabou por
deixar «Os Verdes», ainda que mantendo o seu lugar de deputado, à
semelhança de Valente Fernande, outro «crítico».

<p n=18666>
Ao novo titular da pasta, os «Verdes» decidiram, entretanto, «lançar um
repto imediato», consubastanciado em três perguntas: «o que vai fazer
relativamente ao Campo de Tiro de Alcochete, que já está a ser alargado
entrando na zona do estuário do Tejo, quando pensa finalmente publicar o
Plano Nacional de Política do Ambiente e que prazos prevê para a sua
discussão pública, e o que vai fazer para assegurar que uma delegação
portuguesa amplamente participada se prepare, apesar dos atrazos que já
são grandes, para a Conferência Mundial sobre Ambiente, em 1992, no
Brasil?».

<p n=18667>
O ministro dos Negócios Estrangeiros inicia amanhã em Argel uma visita de
trabalho ao Magrebe, destinada a relançar as relações políticas e
económicas bilaterais e a preparar a Presidência Portuguesa da CEE.
Encontros com os ministros dos Negócios Estrangeiros, primeiros-ministros
e Chefes de Estado da Argélia, Tunísia, Líbia e Marrocos constam da
agenda desta viagem, que será a primeira etapa de um périplo que, em
Maio, levará Deus Pinheiro ao Médio Oriente e ao Golfo. Recorde-se que
Portugal é um dos principais países da Europa do Sul a surgir como
impulsionador de uma Conferência para a Segurança e Cooperação no
Mediterrâneo.

<p n=18668>
A tendência minoritária do Partido Socialista liderada por Álvaro Beleza,
decidiu ontem, numa reunião em Sines, baptizar-se de «Ala Socialista
Liberal do PS», precisamente um ano depois do Congresso do partido que
marcou o seu aparecimento. Assumindo-se como uma «sensibilidade»
partidária «diferente, porque o que une os seus militantes não são
amizades mas um posicionamento ideológico», esta nova «Ala» está a
preparar um jornal - «O socialista liberal». Durante esta semana,
entregarão a Jorge Sampaio um documento com propostas para um Programa de
Governo PS - entre elas o pagamento de indemnizações aos ex-titulares de
empresas nacionalizadas.

<p n=18669>
O ministro dos Negócios Estrangeiros inicia amanhã em Argel uma visita de
trabalho ao Magrebe, destinada a relançar as relações políticas e
económicas bilaterais e a preparar a Presidência Portuguesa da CEE.
Encontros com os ministros dos Negócios Estrangeiros, primeiros-ministros
e Chefes de Estado da Argélia, Tunísia, Líbia e Marrocos constam da
agenda desta viagem, que será a primeira etapa de um périplo que, em
Maio, levará Deus Pinheiro ao Médio Oriente e ao Golfo. Recorde-se que
Portugal é um dos principais países da Europa do Sul a surgir como
impulsionador de uma Conferência para a Segurança e Cooperação no
Mediterrâneo.

<p n=18670>
A tendência minoritária do Partido Socialista liderada por Álvaro Beleza,
decidiu ontem, numa reunião em Sines, baptizar-se de «Ala Socialista
Liberal do PS», precisamente um ano depois do Congresso do partido que
marcou o seu aparecimento. Assumindo-se como uma «sensibilidade»
partidária «diferente, porque o que une os seus militantes não são
amizades mas um posicionamento ideológico», esta nova «Ala» está a
preparar um jornal - «O socialista liberal». Durante esta semana,
entregarão a Jorge Sampaio um documento com propostas para um Programa de
Governo PS - entre elas o pagamento de indemnizações aos ex-titulares de
empresas nacionalizadas.

<p n=18671>
O presidente do CDS/Porto, Rocha dos Santos, afirma confiar na aprovação
pela direcção do partido dos três primeiros candidatos a deputados pelo
círculo. Embora a lista ainda não tenha sido aprovada pela Assembleia
Distrital, estes serão, com toda a probabilidade e por esta ordem,
Basílio Horta, Rui Oliveira e o próprio Rocha dos Santos. Um lugar
elegível pelo Porto para o presidente da JC não merecerá a aprovação no
distrito.

<p n=18672>
A Comissão Política Distrital do CDS/Porto vai hoje convidar formalmente
Basílio Horta a encabeçar a lista de candidatos por este círculo
eleitoral. J.Q.

<p n=18673>
Francisco Lucas Pires recebeu ontem, na Sala Grande dos Actos da
Universidade de Coimbra, as insígnias doutorais. Dez anos depois da
última cerimónia de doutoramentos solenes na Faculdade de Direito, os
juristas Lucas Pires, Costa Andrade, Aníbal de Almeida, Pinto Monteiro e
Santos  Justo receberam em cerimónia, dotada da habitual solenidade, as
borlas e os capelos.

<p n=18674>
CERCA DE 45 MIL bancários do Sul e Ilhas decidem amanhã o destino do seu
sindicato, um dos mais importantes da UGT, elegendo os seus órgãos
dirigentes para o próximo triénio. Para a direcção e para a mesa
coordenadora dos órgãos deliberativos centrais concorrem três listas: a
lista «A» que resulta de uma coligação entre o PS e o PCP; uma segunda, a
«B» que se afirma independente mas é conotada com o MRPP e uma terceira,
a «C», que resulta de uma coligação entre o PSD e um grupo de
sindicalistas socialistas. A lista «A» , liderada por Barbosa de Oliveira
e que conta com o apoio de Torres Couto, integra quase toda a actual
direcção e propõe-se defender o sector público bancário, e garantir a
estabilidade do emprego. A lista «B», que avançou com Agnelo Furtado ,
sindicalista desde 1972 e actual membro do Conselho Geral, destaca como
objectivos a recuperação de salários e a garantia de reformas condignas.
Miguel Pacheco lidera a lista «C», apadrinhada pelo presidente da UGT,
Pereira Lopes, e apresentou um programa com 40 medidas que incidem nas
áreas de acção sindical e contratação. O Sindicato dos Bancários do Sul e
Ilhas, que em 1979 apenas tinha um edifício-sede a cair de velho, tem
hoje um património avaliado em 200 milhões de contos e prevê-se que as
suas receitas de 1991 rondem um milhão de contos.

<p n=18675>
NANCY ROPER, investigadora e autora de um modelo teórico sobre a prática
da enfermagem actualmente a ser introduzido em Portugal, está em Lisboa a
convite de uma associação de estudantes. Deu uma conferência no auditório
da Universidade Católica. No corredor, um futuro enfermeiro definiu-a: «É
um mito para os estudantes de enfermagem».

<p n=18676>
A Enfermeira Soares Veiga, docente da Escola Superior de Enfermagem
Calouste Gulbenkian, de cuja associação de estudantes partiu o convite a
Roper, reforça esta ideia: «Ela fala muito da personalização do
indivíduo, aquilo que faz um doente diferir do outro. Se antes se tratava
de doenças do estômago, hoje lidamos com doentes que têm doenças no
estômago».

<p n=18677>
A visita de dois dias de Cavaco Silva ao Luxemburgo foi iniciada ontem à
noite com um jantar com a comunidade portuguesa, que representa um oitavo
da população total deste pequeno país. Na sua maioria nunca votaram em
Portugal, mas poderão obter brevemente o direito de voto nas eleições
locais e controlar assim algumas cidades luxemburguesas.

<p n=18678>
Atraídos pelos altos salários oferecidos pelas instituições europeias,
pelos 160 bancos internacionais que gozam de um clima fiscal paradisíaco,
ou por uma economia em franca expansão, os emigrantes representam 24 por
cento da população, um número largamente superior à média comunitária de
quatro por cento. Mas a estrutura da emigração é muito diferente da dos
outros países europeus. «Temos a sorte de não ter turcos ou magrebinos»
afirma Gaston Raus, comissário luxemburguês para a emigração explicando
que «o Luxemburgo não é muito conhecido».

<p n=18679>
«Tem havido uma melhoria dos indicadores de saúde mas continuam a existir
muitos problemas que afligem a pediatria portuguesa», afirmou Videira
Amaral, presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, na sessão de
encerramento das XII Jornadas Nacionais de Pediatria que terminaram no
Sábado em Tomar.

<p n=18680>
Desde quinta-feira, foram discutidos temas como a neonatologia,
sub-especialidade da pediatria que trata de recém-nascidos, vigilância em
saúde infantil, adolescência e crianças sobredotadas.

<p n=18681>
Com a continuação dos problemas interiores na Alemanha, acentuados com a
especulação existente sobre uma possível derrota nas eleições regionais
por parte de Helmut Khol, o franco suiço continuou a sua valorização em
relação ao marco , situando-se, neste momento, a paridade DEM/CHF a
86.70.

<p n=18682>
A libra, beneficiando da fraqueza do marco, encontra-se no rumo de um
novo teste ao nível dos 3,0 marcos, contudo não se espera que uma vez
quebrado este nível, a libra se valorize muito mais contra a moeda alemã
no curto prazo, uma vez que existe o sentimento no mercado de que os 3,00
marcos representam uma forte resistência.

<p n=18683>
Evidenciando a recuperacão da economia, assistimos a um enorme
fortalecimento do dólar norte americano com principal incidência na sua
cotação contra o marco, face à instabilidade politico-económica
actualmente vivida na Alemanha e provocada basicamente pelos efeitos da
unificacão, bem como pela instabilidade politica sentida actualmente no
Leste europeu

<p n=18684>
António Ricciardi, 72 anos, é o presidente do conselho superior do Grupo
Espirito Santo. Oficial da Marinha, pediu uma licença de dez anos, após o
que optou definitivamente pela vida empresarial, tendo feito todo o seu
percurso em empresas ligadas ao grupo Espirito Santo. O seu primo,
António Espírito Santo Silva, 56 anos, economista, detém a
vice-presidência. Iniciou cedo a sua carreira no Banco Espirito Santo.
António Ricciardi assume com  habilidade a condução de uma conversa,
enquanto António Espirito Santo prefere sintetizar as suas intervenções.
Ambos reagem com humor quando se lhes fala de «yuppies» e dizem que a
«escola» do grupo é o «degrau a degrau». Defendem uma «cultura própria» e
afirmam que uma das suas caracteristicas «é evitar a politica». Assim,
não têm criticas ao Governo, excepto no que interfere directamente com o
grupo.

<p n=18685>
1991 é um ano estratégico para o Grupo Espirito Santo. A retomada do
BESCL, cuja operação poderá ocorrer em Julho, dar-lhe-à uma dimensão
europeia. Também este ano prepara a sua reentrada no sector energético em
Portugal, através de uma participação num grupo que tentará constituir-se
como «núcleo duro» na Petrogal, empresa que o Governo diz querer
privatizar até Outubro. No sector imobiliário prepara a constituição de
uma nova holding e tem em mãos quatro projectos, dois deles de grande
dimensão.

<p n=18686>
Quanto às Termas de Monfortinho, cujo controlo do projecto é  feito por
Mário do Amaral (um dos elementos do conselho superior do GES e
presidente da Espart Espirito Santo, Participações Financeiras), está
ainda em estudo a reconversão de Forte Santo e do Hotel Astória, bem como
o lançamento de coutos de caça em Monfortinho. Neste projecto, o grupo
conta com a participação da familia do Conde da Covilhã, que foi aliás um
dos grandes promotores da iniciativa, embora o controlo pertença ao GES.

<p n=18687>
O volume de facturação consolidado referente ao exercício de 1990,
registado pelas quatro fábricas do grupo Cablesa, ascendeu a cerca de 23
milhões de contos. As empresas do grupo, que fabricam basicamente
componentes eléctricos para a indústria automóvel, tiveram como
principais clientes a Renault, a General Motors, a Ford, a Volvo, a BMW e
a Mercedes. Para este ano, a Cablesa prevê realizar investimentos em
tecnologia, em equipamentos e em novas formas de fabrico, cujo montante
deverá ultrapassar os cinco milhões de contos. Os investimentos deverão
ser distribuídos pelas quatro fábricas instaladas em Portugal. A Cablesa,
do grupo Packard Electric Europe, está instalada em Portugal desde 1981.

<p n=18688>
O Sistema Informático que vai permitir a aplicação da Reforma de Bases da
Contabilidade Pública entrou, esta semana, em vigor. É mais um passo para
a aplicação da Reforma, que Barbosa da Silva contesta que esteja
atrasada: «Está a fazer-se todos os dias e começou mesmo antes da
aprovação da Lei de Bases.» O director-geral da Contabilidade Pública, em
entrevista ao PÚBLICO, sublinha ainda que «esta não é uma reforma que se
possa inaugurar».

<p n=18689>
Em Novembro de 1989, o Presidente francês, François Mitterrand, lançava a
ideia da criação de uma instituição bancária que tivesse como função
prestar apoio aos países da Europa de Leste que, entretanto, tinham
iniciado um ambicioso processo de reformas económicas com vista à
transição para a economia de mercado. Meio ano mais tarde, os 41
accionistas -- 39 países da Europa Ocidental e de Leste, mais os Estados
Unidos, Japão e Austrália e duas instituições europeias, a Comissão
Europeia e o Banco Europeu de Investimentos -- aprovavam os seus
estatutos. Depois, foi só acertar o calendário e suprimir pequenas
divergências; até que, no passado dia 15, o Banco Europeu para a
Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) era oficialmente inaugurado em
Londres, onde está instalada a sua sede.

<p n=18690>
Igualmente considerada como uma das principais prioridades do BERD é a
luta contra a poluição e pela protecção da natureza nos países do Leste
europeu. Logo na primeira semana de actividade avançou-se a ideia da
criação de um fundo especial de financiamento de programas para combate à
poluição e prestação de assistência técnica na protecção do ambiente. Uma
outra área prioritária traduz-se nos incentivos à iniciativa privada e
empresarial, na qual se incluem acções para o desmantelamento dos
monopólios, descentralização e privatizações das economias dos antigos
países socialistas.

<p n=18691>
O Ministério das Finanças, através do secretário de Estado Elias da
Costa, sempre mostrou alguma incompreensão pela «exagerada» preocupação
dos jornalistas quanto a datas precisas sobre a privatização desta ou
daquela empresa. Defendia, com alguma razão, que não era determinante,
nem para o Governo nem para os eventuais interessados, apontar com grande
antecipação o dia da venda. Aliás, a marcação deste «competia
exclusivamente» às comissões directivas das Bolsas de Lisboa e Porto. Ao
Governo apenas cabia «sugerir». A sugestão, por si mesma, era indicação
suficiente para os agentes económicos interessados na empresa a
privatizar. Estes ficavam a saber que em determinada semana, de um certo
mês, teriam de estar preparados. Posteriormente, a Bolsa anunciava o dia
escolhido.

<p n=18692>
A semana em análise fica caracterizada pelo excesso de liquidez existente
no mercado até quinta-feira, o último dia de um período de cumprimento de
disponibilidade mínima de caixa. As taxas médias do "overnight" foram
sempre descendo, passando  dos 11,3146, na segunda feira, até aos 1,0399
por cento. O Banco de Portugal, conforme tinha anunciado na semana
anterior, apenas absorveu liquidez na quarta-feira, vendendo 124.036
milhares de contos  de TRM's a sete dias, à taxa média 12,4893 por cento,
e 23.850 milhares de contos de títulos a13 semanas, à taxa média de
17,8775 por cento.

<p n=18693>
Após o anúncio do índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos da
America, que apresentou em Março o valor mais baixo dos últimos sete
anos, esperava-se por parte da Reserva Federal uma descida nas taxas de
juro do dólar.

<p n=18694>
A ligeira recuperação do marco em taxas de câmbio deve-se, em parte, a um
estudo apresentado por diversos economistas que apontam como muito viável
e salutar a recuperação rápida da economia da ex-RDA.

<p n=18695>
Com uma evolução hesitante, e que nem sempre segue de perto a dos
principais mercados internacionais, as bolsas portuguesas estão
condicionadas a surgir como eternas promessas em termos de crescimento.
Os analistas do mercado nacional identificam actualmente três factores
para encararem com algum optimismo o futuro próximo delas. Mas...

<p n=18696>
Por outro lado, refere-se que a tendência de descida da inflação poderá
incutir confiança no mercado de acções. Mais uma vez, se os últimos dados
são favoráveis, as incógnitas quanto à evolução do índice de preços no
consumidor acumulam-se. O comportamento moderado dos preços dos bens
alimentares nos meses mais recentes permitiu um melhor desempenho da
inflação. Mas nada garante que os restantes produtos que integram o
«cabaz» do índice de preços no consumidor venham a registar idêntica
tendência. Os inquéritos conduzidos pelo Instituto Nacional de
Estatística aos empresários revelam que as expectativas não são
propriamente entusiasmantes.

<p n=18697>
As empresas espanholas apostam decididamente no mercado português. Depois
dos bancos, dos seguros e do imobiliário, a indústria cimenteira parece
ser um próximos campos onde os grupos espanhois querem «atacar em força».
Duas empresas do país de «nuestros hermanos» estão interessadas na
privatização da maior cimenteira portuguesa: a Cimpor. As empresas
interessadas são a Financiera Y Minera, «holding» em Espanha da
multinacional Ciment Français, e a Valenciana de Cementos, lider em
Espanha no mercado de cimentos. Em relação à Financiera, os 140 milhões
de contos da operação seriam suportados pela multinacional francesa que,
após a compra integraria a cimenteira portuguesa na sua «holding» de
Espanha . A Terra Azul, empresa com sede em Lisboa e também ligada à
Ciments Français também estaria envolvida neste processo . Por seu lado,
a Valenciana de Cementos investiria com os seus sócios, a norueguesa Aker
e a sueca Euroc. A quota de mercado que a Cimpor detém em Portugal e o
volume de produção da empresa, não serão estranhos ao interesse por parte
das empresas espanholas. Para ambas as empresas a compra da Cimpor, que
atinge uma produção superior à lider do mercado espanhol, é encarada como
um negócio interessante. No caso da Financiera y Minera, a aquisição da
cimenteira portuguesa corresponde à consolidação da estratégia da Ciments
Français no sul da europa, uma vez que a multinacional francesa pretende
também adquirir a cimenteira italiana Cimentir. Para essa operação em
Itália, a empresa francesa conta com o apoio do maior grupo privado
italiano, a Fiat e com o apoio da família Buzzi. Por seu lado, a
Valenciana de Cementos, que recentemente perdeu o concurso para a compra
da cimenteira grega Halkis, pretende entrar no mercado português como
primeiro passo para a sua presença no sul da europa, onde está apenas
presente através do subsector do betão armado.

<p n=18698>
Banesto no imobiliário em Portugal-A Imobiliária Urbis, integrada no
grupo Banesto adquiríu dois edificios no centro de Lisboa, pretendendo
transformá-los em escritórios. A imobiliária comprou a Emiliano Revilla o
edificio da Avenida da Liberdade, fronteiro ao cinema Tivoli, comprado há
alguns anos por aquele empresário espanhol. Este prédio com uma área
entre os três mil e os quatro mil metros quadrados, será reconvertido
para escritórios, prevendo-se um investimento na ordem dos 840 mil
contos. Ainda em Lisboa, no Campo Pequeno, a Urbis adquiriu um edificio
com uma área superior a quatro mil metros quadrados que exige um
investimento superior a meio milhão de contos para ser transformado,
também em edificio para escritórios. Esta imonbiliária, participada em 25
por cento pelo banco de Mário Conde, também comprou um solar em Cascais,
mas ainda não divulgou planos quanto à utilização futura deste imóvel.

<p n=18699>
O Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) foi
formalmente constituido, em cerimónia que decorreu em Londres com pompa e
circunstância. Quase quatro dezenas de chefes de Estado e de governo
estiveram presentes. Para a presidência foi escolhido um francês, Jacques
Attali, 48 anos, ex-conselheiro de François Mitterrand. Portugal designou
Silva Lopes.

<p n=18700>
3 -- As delegações enviarão, por linha telefónica, os elementos para a
base de dados central. As delegações terão acesso à base para consulta,
actualização, emissão de mapas, etc.

<p n=18701>
Accionistas da Centralcer querem compensação - Os pequenos accionistas da
Centralcer exigiram à Comissão de Acompanhamento das Privatizações  uma
indemnização dos prejuizos, motivados pela publicação de previsões dos
resultados para 1990 da cervejeira no decorrer da campanha de promoção da
privatização, que ficaram muito aquém dos efectivamente registados no
exercício em questão, uma vez que eram anunciados 1,4 milhões de
resultados liquidos em Outubro de 1990, quando na realidade a Centralcer
apenas obteve 228 mil contos no final do exercício. Um grupo de
accionistas minoritários da empresa manifestou directamente ao
governo-dado que a Comissão depende directamente do Primeiro-Ministro-o
seu descontentamento face ao gorar das expectativas criadas junto dos
investidores durante o processo de privatização e o direito que tinham a
uma indemnização daí decorrente. Um dos accionistas presentes na reunião
afirmou ao Público que as queixas apresentadas se centraram «nos desvios
das contas e não propriamente nos erros de previsão». O mesmo accionista
acrescentou «que podem ter errado a previsão para os últimos quatro
meses, mas não no apuramento dos nove meses de exercício». Os pequenos
accionistas também já pediram uma reunião junto do Auditor-Geral do
Mercado de Títulos, Costa Lima.

<p n=18702>
LEI SAPATEIRO A 10 DE JULHO-Após um longo processo para a aprovação, a
«Lei Sapateiro» vai entrar em vigor a 10 de Julho, depois de decorridos
os 90 dias da «vacatio legis» segundo informações divulgadas pelo «Diário
Económico». Os mercados de valores mobiliários entram assim, num novo
processo e com decursos de prazos importantes. A tomada de posse da
Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que será o orgão
fiscalizador do mercado de capitais realizar-se-á até 30 dias após a data
de publicação do diploma. Com o novo quadro legal inicia-se também o
processo de privatização das Bolsas de Valores de Lisboa e Porto, cujo
património passará para as Associações de Bolsas de Valores, que serão
constituidas num prazo máximo de 60 dias após a referida publicação.

<p n=18703>
«Decidimos em conselho.» António Ricciardi e António Espírito Santo
Silva, presidente e vice-presidente do Grupo Espírito Santo, fazem assim
a sua apresentação. Não aceitam que a existência de um órgão colegial
perturbe a «personalidade» do grupo, até aqui assente não só num nome de
família mas também num nome próprio: Manuel Ricardo.

<p n=18704>
«Diluição? Não...» António Ricciardi acentua que «o grupo também já não é
só a família». Recua a Londres e lembra que, em Setembro de 1975 (data da
reorganização), «a realidade já era essa». Também nessa altura se
comprovou que «o nome é um activo extraordinário». Agora, o grupo «é
personificado no seu topo por um conjunto de pessoas, onde até continua a
predominar a família Espírito Santo». Há cinco elementos no conselho
superior: «Desses cinco, três são pessoas da família Espírito Santo. Mas
desde o primeiro momento que funcionamos colegialmente.»

<p n=18705>
Na semana passada, o grande tema das páginas de economia dos principais
jornais europeus foi naturalmente a inauguração oficial do Banco Europeu
para a Reconstrução e Desenvolvimento. Mas, no dia-a-dia da imprensa
internacional, as notícias continuaram a não ser muito animadoras para o
mundo dos negócios, sendo frequentes as informações sobre enormes quebras
nos resultados de grandes grupos internacionais.

<p n=18706>
Também a American Airlines, uma das duas maiores companhias de aviação
dos Estados Unidos, anunciou que nos primeiros três meses do ano em curso
registou perdas de 195,6 milhões de dólares como consequência da guerra
do Golfo e da recessão interna.

<p n=18707>
A instabilidade caracterizou os negócios e a tendência geral dos mercados
de capitais londrinos. O nível a que se situa o índice FTSE 100 -- ainda
bastante acima dos 2500 pontos -- é considerado por muitos investidores
como sendo de alto risco, o que lhes provoca um nervosismo fora do
normal. Qualquer pequena notícia de sentido positivo leva o mercado todo
à compra, o contrário sucedendo com as notícias de sinal negativo. Além
dos números referentes à sua economia, os investidores ingleses estiveram
também muito ligados à evolução das mais importantes bolsas
internacionais, com especial incidência para o mais relevante mercado
norte-americano. Embora, na sessão de terça-feira, o mercado tenha estado
em baixa acentuada, devido aos valores, entretanto publicados, do índice
de preços por grosso (que não ajudavam aos novos cortes nas taxas de
juro), na sessão seguinte a forte alta registada em Wall Street quase
permitiu que o FTSE 100 registasse um novo máximo histórico (o último foi
alcançado em 5 de Abril deste ano). Duas descidas de reajustamento
tiveram como efeito uma quebra semanal na Bolsa de Londres de cerca de
0,24 por cento.

<p n=18708>
Porém, à semelhança das restantes praças, verificou-se em Madrid um recuo
das quotações que quase anulou os ganhos dos dias anteriores. O índice
geral, ao fechar a semana nos 282,43 pontos, apurou um ganho de
aproximadamente 0,5 por cento.

<p n=18709>
Abrindo a semana com o índice Dow Jones muito perto dos 2916 pontos, Nova
Iorque, em apenas três sessões de Bolsa, subiu quase 100 pontos,
ultrapassando finalmente a dura barreira psicológica dos 3000. No começo
da semana, os resultados trimestrais de algumas instituições financeiras,
como foi o caso do Chase Manhattan Corp, foram em parte responsáveis pelo
início da subida. Porém, receios de que a Reserva Federal não tomasse
ainda nesta semana uma atitude em relação ao tão falado corte nas taxas
de juro travaram um pouco o optimismo dos investidores. No dia seguinte,
o índice Dow Jones inicia a sessão com uma força pouco vulgar, passando
nas primeiras horas de negociação a flutuar acima dos 3000 pontos.

<p n=18710>
1000 milhões de contos são as previsões do governo para o montante de
investimento estrangeiro em Portugal no decorrer do ano em curso, disse
ao «Diário Económico», o secretário de Estado do Comércio e Turismo, Neto
da Silva. Segundo as contas do governo, só o projecto da Ford/VW envolve
um investimento de 400 milhões de contos. Se as previsões para 1991 são
ambiciosas, as previsões do Executivo quanto ao investimento estrangeiro
em 1990, embora mais modestas não foram alcançadas. O governo previa
valores na ordem dos 600 milhões de contos, quando o valor efectivamente
registado se situou na casa dos 500 milhões de contos. O governo aponta a
suspensão do investimento da Stora, no montante de 100 milhões de contos,
como a causa do fracasso das previsões.

<p n=18711>
Em Paris, a semana bolsista iniciou-se de forma negativa, influenciada
pela falta de incentivos na compra de títulos de rendimento variável. Por
outro lado, a expectativa de uma possibilidade de baixa nas taxas de juro
teve como consequência a retenção dos títulos por parte dos potenciais
vendedores. Ambas as situações contribuíram para que o mercado, na sua
primeira sessão, fosse caracterizado pela neutralidade. Uma descida de
proporções razoáveis assolou na segunda sessão da semana a praça
parisiense, devido ao rumor de que as taxas de juro não baixariam tão
cedo.

<p n=18712>
FERREIRA DO AMARAL RECONHECE SITUAÇÃO GRAVE NA HABITAÇÃO - O ministro das
Obras Públicas, Transportes e Comunicações reconhece que a situação que
se vive no sector «é de facto grave», «preocupa largos milhares de
portugueses» e «ainda vai levar muito tempo a resolver». O ministro
responsável pela Habitação fez estas declarações no parlamento, em
resposta à interpelação feita pelos socialistas ao governo sobre política
de habitação. No entanto, Ferreira do Amaral acrescentou que os partidos
de oposição não apresentam nenhuma alternativa credível. Esta foi a tese
central do discurso deste membro do Governo, em relação à esgrima dos
números que caracterizou o ataque socialista. Estes, pela voz de António
Guterres, acusaram o governo de nem sequer «ter cumprido o seu programa
de 1987» e acusou o Executivo de ter tratado o sector da habitação, com o
se tratasse de um «padrasto», com a agravante de se tratar de «um
padrasto rico».

<p n=18713>
Em Tóquio, a semana começou sob o signo do equilibrio, nem grandes
subidas, nem quebras acentuadas. Tendência que, aliás, se manteve ao
longo da semana. Assim, na segunda-feira, o índice Nikkei atingiu, ao
meio da manhã, o seu nível mais alto, situando-se nos 26 896,14 ienes. No
fecho da sessão, títulos em alta e em baixa quase se equivaliam, tendo o
sector financeiro protagonizado as melhores «performances» do dia. A
manutenção das expectativas em torno das taxas de juro aconselharam, na
terça-feira, prudência aos investidores. O Nikkei fechou nos 26 813,3
ienes, com uma pequena valorização de 0,44 por cento em relação à
véspera, patentes nos 380 milhões de títulos transaccionados, contra os
368,66 mil da véspera. Quarta-feira foi o dia «D» em Tóquio, não só por
assinalar a quinta sessão consecutiva em alta, mas principalmente porque
o Nikkei ultrapassou a barreira psicológica dos 27 mil ienes. O recuo do
iene face ao dólar levou a que, na quinta-feira, a Bolsa de Tóquio
interrompesse a sequência positiva dos cinco dias anteriores. O Nikkei
marcava 26 798,9 ienes, no final da sessão, acusando uma quebra de 0,67
por cento. A variação semanal traduziu-se numa percentagem negativa de
0,15 por cento.

<p n=18714>
A história da fundição portuguesa tem um apelido: Ferreirinha. Começou
por força da magia que o telégrafo despertou em Benedito Ferreirinha e o
trouxe de Braga ao Porto, isto nos fins do século passado. Mas foi o
primeiro automóvel a circular pelas ruas da capital nortenha que ligou
este homem ao ferro, não só porque foi o primeiro a conduzi-lo (ninguém
mais se atrevia) mas também porque, logo a seguir, montou uma oficina de
reparação de automóveis. Hoje, Jorge Ferreirinha, seu neto, é o herdeiro
desta tradição familiar. Com 59 anos, prepara-se para presidir aos
destinos das duas maiores fundições nacionais, a Eurofer e a Oliveira e
Ferreirinhas, agora agrupadas numa só -- a Unifer.

<p n=18715>
A Eurofer vai controlar 52 por cento e a Oliveira e Ferreirinhas (O+F)
irá deter 48 por cento do capital da Unifer -- a nova empresa de fundição
que será juridicamente formalizada dentro de dias, a partir da fusão das
duas maiores fundidoras nacionais. O capital social deverá ficar
estabelecido entre 2,8 e três milhões de contos e será admitido em bolsa
depois de autorizada pelo auditor-geral do mercado de títulos,
aproveitando o facto da O+F estar já cotada.

<p n=18716>
Jorge Ferreirinha, líder da Eurofer e futuro presidente da Unifer, disse
ao PÚBLICO que a nova empresa vai solicitar um apoio de mais de dois
milhões de contos ao programa de reestruturação da fundição, já que se
trata do «maior projecto» nacional neste domínio e que absorverá quase
metade dos cinco milhões de contos desta linha especial do PEDIP
(Programa Específico de Desenvolvimento da Indústria Portuguesa).

<p n=18717>
Faz estudos de projectos de telecomunicações, instala sistemas e
comercializa equipamento. Surgiu há três anos e espera facturar em 1991
cerca de 2,2 milhões de contos. A empresa chama-se PTC e o seu
presidente, Filipe Sardinha, conta a história de como o negócio cresceu.

<p n=18718>
Formalmente constituída em 1988, ainda durante o mandato de Viana
Baptista, como presidente dos então CTT-TLP, a PTC estava apenas
vocacionada inicialmente para estudos de projectos de telecomunicações.
De fora, ficavam áreas como a instalação de sistemas e comercialização de
equipamentos. Apresentadas as vantagens que adviriam de uma possível
alteração de estatutos e afastadas algumas reticências surgidas então,
Viana Baptista deu luz verde ao projecto, hoje encarado como a chave do
sucesso da empresa.

<p n=18719>
A procura de bens de equipamento apresentou valores baixos no primeiro
trimestre. A explicação está no facto de as taxas de juro para operações
activas se manterem elevadas, contrariando a melhoria das expectativas
dos empresários. Enquanto isso, o nível ainda elevado da inflação reduz a
margem de manobra do Governo.

<p n=18720>
Em termos reais, esta evolução significa que elas continuaram,
entretanto, a subir. Deste modo, não é de estranhar que quer a procura de
bens de equipamento dirigida à indústria quer a dirigida ao comércio por
grosso tenham apresentado valores particularmente baixos durante o
primeiro trimestre. A apreciação dos empresários sobre este tema parece
ser consensual. Já os resultados das importações de máquinas em Janeiro
haviam fornecido idêntica leitura. Apenas o subsector da construção
ligado às Obras Públicas parece ter mantido um nível razoável de
actividade durante o primeiro trimestre. É o que sugerem as opiniões
recolhidas pela AECOPS no seu inquérito de conjuntura.

<p n=18721>
A cada vez mais notada presença de estrangeiros começa a perturbar um
grande número de espíritos. Não que não estivéssemos já habituados à sua
presença. Desde há muitos anos que enchem de colorido as nossas praias e
de divisas os cofres do país, sem que ninguém se tivesse sentido
particularmente incomodado com o facto. Incomodados só com uns tantos,
felizmente poucos, indesejáveis turistas «de pé descalço», que gostam de
ocupar espaço e teimam em gozar à borla o sol português, acabando por
afastar os «verdadeiros» turistas, os que deixam divisas.

<p n=18722>
Mas, com o inevitável comprometimento internacional de Portugal e da sua
economia, a salvaguarda de direitos e valores já não pode ser feita
fechando a porta aos invasores. Só fazendo com os nossos recursos melhor
do que os outros estaremos em condições de os manter em mãos nacionais.
Talvez seja preferível não perder mais tempo, encarar de frente o nosso
atraso e aproveitar os estrangeiros que já cá estão para aprender a fazer
mais e melhor.

<p n=18723>
De todos os produtos fabricados e comercializados pela Lever em Portugal,
os que são utilizados na lavagem da roupa (à máquina ou à mão) constituem
o primeiro mercado da multinacional, respondendo por 40 por cento do
volume total de produção (em toneladas). Os efeitos do regresso do Tide,
famoso nos anos 50 como patrocinador das radionovelas, ao mercado
nacional não são ainda quantificáveis para a Lever. «Não há ainda dados
frescos», justifica o director da multinacional holandesa para a área dos
detergentes, Guy Velu, «mas em Setembro já será possível dispor de
números.»

<p n=18724>
De acordo com os responsáveis da Lever, o lançamento do Radion, no ano
passado, tratou-se mais de uma operação estratégica para reforçar a
posição concorrencial do que de um meio para melhorar os lucros. «O nosso
lucro numa tonelada de Radion não é superior àquele que obtemos na mesma
quantidade de Skip», afirma o director da Lever. Em termos de mercado, o
Skip responde por 60 por cento das vendas, enquanto o Radion, por
enquanto, apenas contempla 20 por cento.

<p n=18725>
A actividade cresceu de forma menos intensa durante o primeiro trimestre.
Dizem-no os empresários e a evolução já conhecida para o comércio
externo. Mas como o seu nível era bastante elevado no final do ano
passado e o desemprego permanecia baixo, o alto nível da inflação, que
desencoraja as descidas das taxas de juro e a realização de investimento,
surge como o factor mais preocupante na conjuntura actual. Quem ganha com
as actuais taxas de juro é o escudo, que continua a valorizar-se.

<p n=18726>
Desemprego -- O nível de actividade até ao final do ano passado deverá ter
sido suficiente para manter o desemprego num nível baixo. Apesar de as
informações recolhidas junto dos centros do Ministério do Emprego
apontarem para um menor dinamismo do mercado durante os dois primeiros
meses de 1991, e de as expectativas dos empresários acerca da sua
evolução propiciarem uma leitura semelhante para o conjunto do primeiro
trimestre, o inquérito ao emprego do INE revela uma taxa de desemprego
abaixo dos seis por cento durante o quarto trimestre do ano passado.

<p n=18727>
Uns quantos zeólitos, bem misturados com os componentes activos, ou então
«tetra acetil etileno diamine», vulgo TAED, um pozinho aqui, um
catalisador ali, e já está! Todos os dias, no mundo inteiro, milhões de
donas de casa manobram sem dificuldades de maior todos estes palavrões da
química. Longe vai o tempo das lavadeiras de Caneças, esfregando com
afinco e saber o sabão na roupa suja, lavada na água fria, da ribeira.
Vivemos nos anos do detergente e caminhamos a passos largos para a era do
detergente inteligente.

<p n=18728>
Com os pós modernos, os ácidos gordos adquirem nomes mais sofisticados e
muitas inovações foram, dos anos 30 a esta parte, sendo introduzidas. Um
detergente tem entre dez e 20 diferentes ingredientes, desde químicos que
visam proteger a máquina de lavar a roupa até enzimas e agentes
anti-sujidade cuja primeira função é limpar. A título de exemplo, as
enzimas são responsáveis pela decomposição das manchas que contêm
proteínas (sangue e leite, por exemplo) e lípidos (manteiga, azeite),
enquanto os policarboxilatos ajudam a dispersar a sujidade, mantendo-a
afastada dos tecidos na água de lavagem.

<p n=18729>
Relativamente ao primeiro número, o volume de matérias especificamente
teatrais cresceu em quantidade e qualidade neste nº  2 da revista de arte
cultura editada pelo Centro Dramático de Évora. Eugénia Vasques dá uma
panorâmica das «Tendências da Dramaturgia e do Teatro no Século XX», o
qual século (convencionou-se) começa em 1887, ano em que a luz eléctrica
substitui no teatro a iluminação a gás. O texto de E. V. é uma síntese
perfeita e dá pistas bibliográficas para o leitor curioso levar mais
longe o estudo do tema.

<p n=18730>
O menos saboroso da ementa deste «Adágio» não é certamente o artigo
introdutório de Mário Barradas, que investiga as raízes centenárias da
arte cénica na cidade de Évora, desde o tempo em que Gil Vicente foi lá
estrear peças como o «Auto de Mofina Mendes» e a «Floresta de Enganos»
até ao dia em que a cidade-museu foi alcunhada de «capital nacional do
teatro». Esperemos que o próximo número da revista não deixe de noticiar
como em Évora, num belo dia do corrente mês de Abril, Luís Miguel Cintra,
o maior actor português, levantou a voz para dizer que não alinhava em
manobras de autopromoção cavaquista.

<p n=18731>
Não é uma novidade reconhecer o risco que habitualmente envolve a maioria
das revistas culturais em Portugal. Causas, poderá haver muitas, mas não
irei agora discuti-las. O facto é que algumas experiências aliciantes
depressa têm acabado os seus dias, excepto quando se apoiam numa qualquer
instituição financeiramente capaz de compensar os prejuízos para
beneficiar das vantagens que a «cultura» costuma trazer ao prestígio de
quem a sustenta.

<p n=18732>
A maior percentagem de contribuições distribui-se, no entanto, pela
poesia e pelos ensaios que a tomam como tema predominante. Começando
pelos últimos, deve assinalar-se um honesto, lúcido e desenvolvido estudo
de Mathias Langendorff sobre o poema «Muriel», de Ruy Belo, assim como a
leitura/ análise da «Martian Poetry», de Craig Raine, que nos é proposta
por António M. Feijó; a fechar a lista, um texto em que Miguel Tamen --
com uma inteligência cuja desenvoltura, descontracção e humor se mantêm
raros entre nós -- desconstrói algumas ideias feitas a respeito da
«Mensagem», tornando muito clara a retoricidade inerente a aspectos
supostamente exemplares como a pergunta do conde D. Henrique «Que farei
eu com esta espada?», e mostrando-nos como -- mesmo na «Mensagem»! -- é
sempre a pátria de Bernardo Soares que sub-repticiamente condiciona a de
Pessoa.

<p n=18733>
«O Padrinho III», «The Doors» e os seus heróis. Era impossível a
«Gentlemen's» esquecer os filmes da temporada. Do primeiro, escolhe Andy
Garcia; do outro, Jim Morrison. Para os próximos números devem vir mais.
Depois, John Major, primeiro-ministro do Reino Unido: «O homem de
cinzento», «uma face para a nova ordem do mundo.» Ou seja, o fato, as
gravatas, o «chic». E tudo na Downing Street. O resto passa-se mais
longe. Susan Sontag inicia a publicação de «short stories» onde analisa a
reacção dos nova-iorquinos à sida. A primeira tem o título «The Way we
Live now». E não deixa as almas descansadas. Depois há Nigel Kennedy, ou
«homem das `Quatro Estações'», os livros de Sam North (que alguém compara
a Martin Amis) e o «design» do sonho americano de Raymond Loewy: tudo em
jeito de anos 50, um estilo que o escritor Alexander Stuart vai encontrar
na Cuba de Fidel Castro: «Sinto-me como se estivesse, num filme de
Fellini ou numa novela de Graham Greene», diz. Em Cuba, «a América dos
anos 50 está em muito melhor forma do que o comunismo de Castro.» São os
Plymouths, os Dodges e os Chevrolets pelas ruas de Havana, os edifícios
do tempo da ditadura, aquilo que o escritor encontra. «Cuba é um museu»,
afirma alguém, perante o espanto de Stuart. Mas, ao fundo, são os ZZ Top,
contra as imagens de Che Guevara, a ortodoxia, e a música das sessões de
«santeria», com que se acalmam espíritos. «Socialismo o muerte», dizem as
paredes. «Acho que vou gostar de Cuba», dasabafa o escritor. E termina:
«Havana é um romance de Graham Greene. Mas o fim ainda não está escrito.»
Só um cavalheiro o diria.

<p n=18734>
Mas isso não acontece com esta obra que pretendia ser um «léxico» e uma
«summa» do pensamento do Papa Wojtyla. Se pensarmos que um léxico deve
constituir uma obra de referência e um elemento de trabalho, formalmente
correcto e elaborado, o objectivo fica longe de ser atingido.

<p n=18735>
«Uma história de amor e consciência, vontade e desejo»: começa quando a
rapariga misteriosa chega ao Hotel du Lion d'Or, numa pequena cidade
francesa, nos anos trinta.

<p n=18736>
Num cenário «África dividida», terrorismo, calor, paixões, aventuras.
Nota: o autor viaja o ano inteiro e é casado com Danielle a quem dedicou
os últimos dezasseis livros.

<p n=18737>
Uma nova tradução, e primeira edição dessa nova tradução do livro que
todos citaram a propósito e a despropósito há sete anos. Uma antevisão
satírica, e uma espécie de aviso: segundo o biógrafo de Orwell, B. Crick,
o romance constitui «uma advertência racional e longamente premeditada
contra as as tendências totalitárias nas sociedades como as nossas, e não
a profecia duma eventual tomada do poder neonazi ou soviética, e ainda
menos um grito de desespero ou uma negação do socialismo democrático de
Orwell».

<p n=18738>
Reedição do livro que todos leram ou julgam que leram, ou releram, ou
deviam ter lido. Também não há quem não saiba que Madame Bovary é o
romance de Flaubert, no sentido de ser uma ficção que Flaubert faz de si
mesmo, nem quem nunca tenha reparado que ele uma vez disse «Madame Bovary
sou eu». Não há quem não se identifique, pelo menos de vez em quando, com
Emma, que faz as suas próprias ficções pessoais e que é «castigada» por
uma realidade que é muito pouco real, ao contrário da mediania e da
vulgaridade.

<p n=18739>
É com a reivindicação, para o Movimento Cineclubista, de «um papel
importante a desempenhar numa época sempre mais desmemoriada, mais
indiferente ao seu passado e ao seu futuro e mais ausente do seu próprio
presente», apesar da crise que afecta todas as formas de expressão
cultural, que a direcção da revista «Cinema» apresenta, em editorial, o
nº 18 desta publicação, que acaba de sair para as bancas.

<p n=18740>
Na secção de noticiário destaca-se a publicação do comunicado com que a
FPCC se manifestou, na altura, contra a reacção do Bispo de Braga à
exibição, pela RTP, do filme «O Império dos Sentidos», e outra informação
dispersa, principalmente endereçada aos cineclubes.

<p n=18741>
Para Marguerite Yourcenar, as memórias foram uma forma de preencher a
realidade, de transformar o desconexo da vida num tecido romanesco. É um
caso em que se torna impossível distinguir o que é ficção. Como neste
livro de uma memória transfigurada: um romance, uma vida.

<p n=18742>
E, tal como anunciara na entrevista, Jeanne tem um importante lugar no
romance da memória de Yourcenar: ela é a mãe de adopção de Marguerite, a
menina sem mãe, que sempre jurou não ter sentido nenhuma falta do carinho
materno, rodeada pela atenção das criadas e, mais tarde, pelos cuidados
intelectuais do pai. Não deixa, pois, de ser extraordinária esta adopção
tardia (lucidamente ficcionada): Yourcenar hesita na decifração da
fotografia cor-de-sépia em que se vê uma saia branca e uma mão a ajudar a
pequena Marguerite e, se imagina Jeanne, em vez da criada Barbe, é porque
ela tem uma voz mais doce e «acerta o passo pelas crianças, pára para as
deixar aqui e ali apanhar uma concha» (p.87).

<p n=18743>
Foi na segunda feira 22 de Abril. O «Film Society of the Lincoln Center»
prestou a sua homenagem anual a uma figura do cinema. Desta vez o objecto
da homenagem foi, com toda a justiça, a inesquecível Sabrina, Ariane, a
princesa Ana («Férias em Roma»), a mais bonita Natasha («Guerra e Paz»)
do cinema, o anjo de Spielberg («Sempre»), em resumo «my fair lady»
Audrey Hepburn. Antes do acontecimento a «Film Comment» de Março-Abril dá
a notícia e faz o balanço da carreira de uma das mais discretas,
admiradas, respeitadas e amadas actrizes de Hollywood, essa «funny face»
que iluminou os anos 50 e 60, e defendeu a elegância e a sofisticação num
período dominado pelos «sex-symbols». Molly Haskell, a autora do artigo,
define-a como «possuindo a habilidade de fazer a ponte entre dois
mundos», de viver um sonho e realizá-lo: o lado Cinderella que leva a
filha do motorista em «Sabrina» a casar com o patrão, e o lado Galateia
que transforma uma suja vendedora de flores numa princesa de sonho («My
Fair Lady»). É a peça mais apelativa e com chamada para a capa. Mas nem
por isso é a mais importante da melhor revista de cinema que hoje se
publica em qualquer parte do mundo. Logo a abrir este número (onde se
encontram também as homenagens a duas actrizes recentemente
desaparecidas, Irene Dunne e Joan Bennet, a cargo de Richard Schikell e
David Thompson, respectivamente) uma recensão sobre a rainha do «Poverty
Row», a «Republic Pictures», a propósito de um documentário de homenagem
a este estúdio feito para a televisão (que a RTP não se esqueça dele, por
favor!). No estúdio rei dos «serials» e dos westerns de série (Gene
Autry, Roy Rogers, etc) alguns grandes realizadores tiveram a
oportunidade de concretizarem projectos que lhe eram caros: John Ford e
«O Homem Tranquilo» e «Rio Grande», Nicholas Ray e «Johnny Guitar», Orson
Welles e «Macbeth». E uma das suas vedetas mais fiéis, antes e depois de
conquistar a fama, foi John Wayne, que na Republic produziu o seu
primeiro filme, «A Última Jornada», interpretou um dos seus favoritos, «A
Lenda do Bruxa Vermelha», e recebeu a primeira nomeação para Óscar em «O
Inferno de Iwojima».

<p n=18744>
Mas à margem da figura tutelar já a paisagem é menos tranquila. Se na
cultura o balanço é positivo, mau grado o falhanço de algumas apostas
(texto de Jean-Pierre Rioux), a «lei Deferre» para a descentralização, se
aumentou os centros de decisão, não foi, porém, acompanhada por uma
descentralização do poder do Estado. E o desemprego, afectando em
particular a segunda geração de emigrantes (com o fracasso da tentativa
de repatriamento com indemnização) geraram um mal estar  que se afirmou
no que alguns dos entrevistados finais declaram ser o fenómeno novo mais
importante da década, a aparição de um partido de extrema direita, o
«Front National», que num curto espaço de tempo passa do grau zero de
existência a um apoio que ronda os 20% no eleitorado, «sem equivalente em
qualquer outro país membro da comunidade europeia», segundo Annie
Kriegel, acompanhado pelo declínio do Partido Comunista. A historiadora é
particularmente severa afirmando que «François Mitterand se contenta
agora em reinar sobre o consternador e perigoso campo de ruínas da
sociedade política».

<p n=18745>
É perigoso encontrar um marinheiro de Gibraltar. Corre-se o risco de cair
num grande amor, um amor impossível de viver. Mas como viver privado
disso sem cair na estupidez? Procurando, precisamente. Com fé e
aplicação, mas sem pressa, e concedendo ao objecto da busca a margem
necessária para se escapar. Resta uma possibilidade entre mil de o
alcançar: haverá tarefa mais aliciante?

<p n=18746>
O marinheiro não é um mito, embora o desejo de Anna o transfigure e a
ausência ameace transformá-lo numa abstracção. É um jovem assassino com
uma cicatriz sob os cabelos. Quando a mulher começa a falar dele no
passado, tem frases gloriosas: «... o mundo, orgulhosamente, ainda o
transportava. E como ele honrava o mundo! Era um dos seus habitantes mais
capazes, um conhecedor, em suma, das suas profundezas.» Quantos homens
mereceram tão sublime declaração de amor?

<p n=18747>
«Está tudo muito bem encaminhado para que a Comunidade venha a encurtar
os prazos de derrogação à livre circulação de trabalhadores portugueses
previstos no Tratado de Adesão», afirmou Cavaco Silva ao PÚBLICO,
momentos antes do jantar que ontem lhe foi oferecido pela comunidade
portuguesa no Luxemburgo (ver p.19).

<p n=18748>
As negociações com o objectivo de reduzir as derrogações impostas a
Portugal no que toca à livre circulação de trabalhadores foram reabertas
por Lisboa aproveitando o facto da RFA ter solicitado a Bruxelas a
imediata extensão dos direitos dos cidadãos da Alemanha Ocidental nesta
matéria aos originários da ex-RDA. Aceitando que tal acontecesse, o
Governo português solicitou porém que o caso dos emigrantes nacionais
pudesse vir a beneficiar de um melhor tratamento por parte dos restantes
países membros da Comunidade. Solicitação que deve conhecer um desfecho
final favorável ainda antes de Junho.

<p n=18749>
A União Soviética entrou num processo «extremamente perigoso», cujas
«consequências podem ser incalculáveis», afirmou ontem um alto
responsável do Fundo Monetário Internacional (FMI), que pediu o
anonimato, referindo-se aos últimos dados relativos à economia da URSS
(ver página 37). Os efeitos do descalabro da economia poderão fazer-se
sentir também noutros países da Europa de Leste que «estarão ameaçados
enquanto a situação não estiver normalizada na União Soviética.

<p n=18750 assunto=desporto>
ANDEBOL: BENFICA PERDE COM ABC NA LUZ - Disputou-se ontem o jogo em
atraso do «nacional de andebol, que terminou com a vitória do ABC, por
24-21 sobre o Benfica, no Pavilhão Borges Coutinho na Loz. O Benfica
despediu-se assim praticamente do título, lançando o ABC na corrida. Com
efeito a equipa de Braga, mercês deste triunffo, igualou o FC Porto no
topo da tabela, com 39 pontos. O Benfica é 3º com 35 pontos. Na próxima
jornada, joga-se o encontro ABC-FC Porto.

<p n=18751>
A UNIÃO CRISTÃ-Democrata (CDU) do chanceler alemão Helmut Kohl perdeu a
maioria que detinha há 44 anos no estado na Renânia-Palatinado nas
eleições locais realizadas ontem.

<p n=18752>
De acordo com as projecções, os liberais, parceiros da CDU na coligação
federal, conquistaram 6,8 por cento dos votos, menos meio ponto que em
1987. Os Verdes, com 6,7 por cento, subiram um ponto.

<p n=18753>
SAUDITAS ACEITAM MANIFESTAÇÕES ANTI-OCIDENTAIS -- O Presidente do Irão,
Ali Hachemi Rafsanjani, anunciou ontem que a Arábia Saudita aceitara que
peregrinos iranianos realizassem manifestações anti-ocidentais durante a
peregrinação anual do Haj, em Junho. O Presidente -- citado pela agência
IRNA -- acrescentou que Teerão restabeleceu os laços com a Arábia Saudita,
o mês passado, depois de o Governo de Riade ter aceitado as condições
iranianas. Em 1987, em Meca, mais de 400 peregrinos, na maioria
iranianos, foram mortos em confrontos com a polícia saudita quanto
tentaram realizar manifestações políticas. O incidente levou o Irão a
cortar relações e a boicotar a pererinação até este ano.

<p n=18754>
O contingente militar que as FAPLA (forças regulares do Governo de
Luanda) têm estacionado em São Tomé e no Princípe vão começar a retirar
para Angola a partir de amanhã, segundo fonte citada pela agência Lusa.

<p n=18755>
O secretário-geral do Partido Socialista, Jorge Sampaio, encontrou-se
ontem à noite, em Washington (madrugada de hoje, em Portugal), com o
presidente do Partido Democrata norte-americano, Ron Brown, e com a
vice-presidente dos democratas, no âmbito da sua deslocação aos Estados
Unidos onde participa numa conferência de presidentes de câmaras sobre
crime e droga. Segundo declarações de Sampaio, anteriores ao encontro, o
PS pretende saber que tipo de cooperação é que pode haver entre o partido
norte-americano e o Partido Socialista, uma vez que essa cooperação
«esteve um pouco parada e pretendemos arranjar formas de a reactivar».

<p n=18756>
A figura do secretário-geral marca a Organização das Nações Unidas de
modo determinante. Os milhares de diplomatas e os ainda mais numerosos
funcionários por ela envolvidos, a diversidade de agências especializadas
e a multiplicidade de programas que mantém não lhe imprimem uma imagem
própria. O rosto visível da ONU é o seu secretário-geral. Da sua
capacidade para gerir conflitos, promover consensos e preservar um espaço
próprio de actuação depende a credibilidade internacional da Organização.

<p n=18757>
A 19 DE JANEIRO de 1992, Javier Pérez de Cuellar pode organizar a festa
do seu 72º aniversário com alguma pompa, mas não muita circunstância. Dez
anos vividos como secretário-geral das Nações Unidas trouxeram a este
velho diplomata peruano vários dissabores e, aparentemente, uma única
grande alegria: a ONU é, finalmente, olhada com alguma credibilidade.

<p n=18758>
Este advogado de ar pacato e tranquilo, ouvinte paciente, gosta de «tocar
de ouvido, sem partitura» durante as negociações, de se autodefinir como
um «optimista impenitente» e foi olhado, durante anos, como o diplomata
das missões impossíveis.

<p n=18759>
A 19 DE JANEIRO de 1992, Javier Pérez de Cuellar pode organizar a festa
do seu 72º aniversário com alguma pompa, mas não muita circunstância. Dez
anos vividos como secretário-geral das Nações Unidas trouxeram a este
velho diplomata peruano vários dissabores e, aparentemente, uma única
grande alegria: a ONU é, finalmente, olhada com alguma credibilidade.

<p n=18760>
Este advogado de ar pacato e tranquilo, ouvinte paciente, gosta de «tocar
de ouvido, sem partitura» durante as negociações, de se autodefinir como
um «optimista impenitente» e foi olhado, durante anos, como o diplomata
das missões impossíveis.

<p n=18761>
A guerra pela sucessão de Javier Pérez de Cuellar já começou. A oito
meses da data em que o secretário-geral das Nações Unidas cessará
funções, não há ministério, chancelaria ou embaixada onde, quase
diariamente, não surja mais um nome a acrescentar à extensa lista de
candidatos ao cargo. Pretendentes são já 22, mas posições definidas dos
governos sobre quem vão apoiar quase não existem.

<p n=18762>
O candidato pode ser mulher ou homem, de qualquer parte do mundo,
diplomata, ex-chefe de Governo ou de Estado ou alguém muitíssimo
prestigiado na esfera dos negócios. Em qualquer dos casos, terá de ser
alguém considerado capaz de se responsabilizar pela gestão da maior
empresa multinacional do mundo, a ONU, com delegações de 159 países e uma
conta bancária desastrosa, que regista um montante de dívidas a haver
superior a mil milhões de dólares (cerca de 143 milhões de contos).

<p n=18763>
«IT'S PÉREZ!» Foi assim que, pela voz de um simples funcionário da ONU e
num clima de quase absoluto descrédito internacional da organização, o
mundo soube o nome do homem que, a partir do primeiro dia de Janeiro de
1982, seria o novo secretário-geral das Nações Unidas.

<p n=18764>
Só na penúltima semana de Dezembro é que o Conselho de Segurança
conseguiu, à porta fechada, escolher o futuro inquilino do 38º andar do
Palácio de Vidro de Manhattan. Depois, o processo foi acelerado de modo a
que a ratificação pela Assembleia Geral se formalizasse antes do início
do ano.

<p n=18765>
‚ Maurice Strong: secretário-geral da Conferência Mundial sobre o Meio
Ambiente e o Desenvolvimento para o Brasil, a realizar em 1992

<p n=18766>
A verdade é que, desde 1946, ano em que foi eleito o primeiro
secretário-geral da ONU, este princípio, de facto, não se verificou.

<p n=18767>
Nos primeiros 45 anos da sua vida, a Organização das Nações Unidas foi
muita vezes acusada, e quantas delas com inteira razão, de total
incapacidade em resolver os grandes problemas internacionais.

<p n=18768>
Tudo a contribuir, a par do facto de as relações internacionais terem
podido continuar a ser lidas, durante esses 45 anos, com os óculos das
relações Leste-Oeste, para sobrevalorização do protagonismo das
organizações regionais como remédio dos males do mundo, em detrimento do
prestígio das Nações Unidas.

<p n=18769>
No Norte, Centro e Sul estão a decorrer programas de desburocratização em
câmaras-piloto, que amanhã vão ser avaliados no Estoril e apresentados a
mais de duas centenas de autarcas de todo o país. Lançados pela
Administração Central, estão englobados num plano que conta com vários
programas de tipo diferente, embora com objectivos comuns.

<p n=18770>
O Exército vai gastar 14 milhões de contos na substituição das suas armas
ligeiras, G-3 e HK-21. No entanto, alguns militares atribuem a esta
medida objectivos meramente políticos. A INDEP é a grande beneficiada.

<p n=18771>
Inaugura hoje o Museu da Fábrica de Cimento da Maceira Liz, perto de
Leiria. É a proposta, inédita internacionalmente, de um percurso
museológico no interior de uma fábrica em actividade. No coração do
complexo encontram-se os núcleos primitivos, do tempo da fundação, em
1923. Foram restaurados e por eles circulam os visitantes que ficam a
conhecer os passos necessários para a produção de cimento. Um pó
acinzentado que resulta da cozedura de malgas e calcários. Depois, é só
moer o clínquer. (pág. 30)

<p n=18772>
Com os conservadores ao ataque, os democratas divididos e Mikhail
Gorbatchov entre dois fogos, com greves gerais convocadas e reuniões
decisivas agendadas, a União Soviética entra numa semana decisiva.

<p n=18773>
O presidente norte-americano, George Bush, vai propôr esta semana
importantes reformas na área do ensino, desde o investimento de fundos
federais em certo tipo de estabelecimentos à liberdade de os pais poderem
escolher a escola dos filhos. O programa, criado pelo novo ministro da
Educação norte-americano, Lamar Alexander, custará algumas centenas de
milhões de dólares, na sua maior parte destinados a encorajar a aplicação
de novos métodos de ensino nos vários estados e comunidades locais. Um
vector particularmente importante do projecto de reforma relaciona-se com
«uma nova geração de escolas americanas», de acordo com um responsável
governamental citado pelo diário britânico «Times». Por exemplo, uma
escola dirigida por representantes da indústria privada que ofereça aos
estudantes horários escolares mais longos e mais anos de estudo.

<p n=18774>
A Escola Superior de Educação Paula Frassinetti, no Porto, vai promover
nos dias 10 e 11 de Maio um curso subordinado ao tema «A Expressão
Dramática: Qual o seu papel na Educação?». O curso, destinado a
educadores de infância e professores do ensino básico, é dirigido por
Luísa Abranches e abordará temas como «A atitude do professores na
criação de ambientes estimulantes», «A organização de espaços e
materiais» e «A Interligação da Expressão Dramática com as outras áreas
curriculares». As inscrições para o curso deverão ser feitos na sede da
Associação Luso-Espanhola de Pedagogia, no Porto, pelo telefone
600.36.46.

<p n=18775>
O abandono de que sofrem tantas escolas primárias sente-se nas grandes e
nas pequenas coisas. A falta de telefone é uma delas, uma vez que obriga
a recorrer à farmácia em frente ou ao café do lado, quando é preciso
contactar alguém.

<p n=18776>
Não há, por outro lado, listagens com os números de telefone das escolas,
tanto a nível nacional como regional, o que é justificado pelo facto de
as escolas primárias dependerem do Ministério da Educação mas estarem sob
tutela das câmaras municipais.

<p n=18777>
Vai decorrer de 9 a 12 de Maio, em Vigo (Galiza), o I Salão Técnico de
Educação, que conta com a participação de empresas portuguesas e
espanholas. Com o nome de «Galidatica», o salão tem um orçamento de 30
milhões de pesetas. Numa área de cinco mil metros quadrados, cerca de 100
expositores vão mostrar as novidades em sectores como a informática, a
inteligência artificial, o material pedagógico e o mobiliário escolar.
Paralelamente à exposição de material de apoio à actividade escolar, o
salão vai contar com a necessária animação (a cargo de grupos musicais e
corais) e ainda com visitas de estudo de alunos da Galiza que, assim, vão
tomar conhecimento daquilo que de mais moderno existe no âmbito de
materiais educativos. Quanto ao aspecto cultural, os 20 a 25 mil
visitantes previstos pela organização vão poder assistir a uma série de
conferências relacionadas com o ensino. Entre os vários temas, destaca-se
a universidade da Galiza, o ensino na Europa, as equivalências europeias
e a reciclagem de adultos no âmbito das novas tecnologias.

<p n=18778>
A formação de professores pela Universidade Aberta, estabelecimento de
ensino à distância, está uma vez mais a ser alvo de contestação por parte
dos docentes e das instituições que os representam. Enquanto o Sindicato
de Professores da Grande Lisboa convocou uma reunião de docentes para a
próxima terça-feira, dia 30, seguida de concentração em frente do
Ministério da Educação, a Federação Nacional de Professores (Fenprof)
afirma aguardar há cerca de um mês a marcação de uma audiência com o
secretário de Estado da Reforma Educativa, Pedro da Cunha, para falar do
assunto.

<p n=18779>
Escola Secundária de Vale de Cambra - Encontra-se aberto concurso, até ao
dia 28 do corrente, para preenchimento das seguintes vagas:

<p n=18780>
Com esta produção importada da English National Opera, a obra de
Prokofiev foi iluminada por um tipo de humor inteligente e sofisticado.
Este «conto para crianças» em que Carlo Gozzi escarneceu das convenções
teatrais do seu tempo e ao qual o libreto de Prokofiev dá toques
«modernistas», foi aqui restituído em toda a sua dimensão «nonsense», que
se multiplica (tal como a música) em mil pormenores alusivos a um mundo
de referências estéticas e culturais, que nos fazem rir por dentro,
quando não irromper às gargalhadas. Os requintes com que somos
continuamente apanhados desprevenidos criam uma riqueza cénica
irresistível.

<p n=18781>
O maestro Willi Boskovsky, que durante 25 anos dirigiu a Orquestra
Filarmónica de Viena no concerto do Ano Novo, morreu domingo numa clínica
da Suíça, vítima de uma hemorragia cerebral. Natural de Viena, Boskovsky,
que contava 82 anos, estudou na Academia de Música da sua cidade natal.
Em 1932, entrou para a Orquestra Filarmónica de Viena, onde foi primeiro
violino entre 1939 e 1971. A partir de 1954 e durante 25 anos, dirige a
Filarmónica de Viena no Concerto de Ano Novo, transmitido pelas
televisões de todo o mundo. Considerado um dos mais importantes
intérpretes de Strauss, foi também um conceituado intérprete de Mozart,
criador do Conjunto Mozart de Viena, com o qual gravou uma famosa
integral de Danças e Marchas de Mozart, recém-editada pela Philips como
um dos volumes da integral de Mozart em disco. Boskovsky dirigiu
concertos nos Estados Unidos, Japão e Austrália.

<p n=18782>
A vigésima edição do Festival Internacional de Cinema do Algarve,
vocacionado para a divulgação da curta-metragem, que decorrerá na Praia
da Rocha de 20 a 26 de Maio, regista um novo recorde de filmes inscritos:
135 filmes de 25 países. Portugal é um dos países com mais obras
inscritas, apresentando 25 filmes. A secção competitiva está dividida nas
categorias de animação, ficção, experimental e documentário, e, pela
primeira vez, uma secção dedicada ao vídeo. Vários países da Europa de
Leste, o Irão, o Paquistão, Moçambique, África do Sul, Guatemala, Brasil
e Austrália estão representados no festival.

<p n=18783>
O flautista Jean-Pierre Rampal, considerado um dos melhores intérpretes
de Bach e Mozart, abrirá o V Festival Internacional de Música de Macau, a
realizar em Outubro, e que este ano conferirá um destaque especial a
Mozart, na passagem do segundo centenário da sua morte. O pianista
Adriano Jordão, director artístico do Festival, informou que entre os
grandes cantores convidados estarão a meio soprano Liliana Bizineche e o
baixo Ferruccio Furlanetto. De Portugal, participam Anthony Russel, o
conjunto de instrumentos antigos de S. Mateus e o pianista António
Rosado, que interpretará o concerto «Rio Amarelo», uma das obras mais
conhecidas da música chinesa contemporânea.  Adriano Jordão disse à Lusa
que o Festival «é caro» mas «em termos de promoção de Macau, os
resultados compensam largamente».

<p n=18784>
A pequena cidade suiça de Meiringen vai homenagear um morto que nunca
esteve vivo, abrindo um museu Sherlock Holmes, por ocasião do centenário,
no próximo mês de Maio, do desaparecimento do célebre detective nas
quedas de águas das proximidades do Reichenbach. Utilizando como
referência as ilustrações da edição original dos romances de Conan Doyle,
os arquitectos John e Sylvia Reid reuniram numa sala pertencente à igreja
todos os objectos ligados a Sherlock Holmes. A venerável «Sherlock Holmes
Society of London» foi convidada para a inauguração. O facto de Sir Conan
Doyle ter sido obrigado, por pressão dos leitores, a «resuscitar» o seu
herói após o combate mortal que travou com o professor Moriarty não
preocupa ninguém. O que interessa é que Holmes caíu naquele local,
celebrizando na literatura mundial a pequena cidade suiça.

<p n=18785>
Em Cannes, no MIP-TV, toda a gente tenta fazer negócios. Se as «majors»
concedem à RTP a opção da primeira compra, este facto parece não tirar o
sono aos membros da SIC. Porque a opção é contornável pela participação
na co-produção e por acordos de «partepariat». Entretanto, «Aqui d'el
Rei», de A.-P. Vasconcelos, integra a grelha da FR 3 para a próxima
temporada.

<p n=18786>
Em matéria de projectos concretizados, a cadeia francesa FR3 tem para
venda uma co-produção luso-francesa, realizada por António-Pedro
Vasconcelos e ainda por estrear nos dois países no cinema ou no pequeno
écrã. «Aqui d' El Rei» -- «Lieutenant Lorena» na versão francesa -- faz
parte das seis/sete séries de grande qualidade que a FR3 anuncia para a
grelha da próxima temporada. Segundo os responsáveis da estação, ainda é
cedo para precisar em que dia da semana «Lieutenant Lorena» fará o serão
de alguns milhões de franceses, mas «provavelmente será a uma
terça-feira». No conjunto das séries anunciadas na cassete de
demonstração, «Lieutenant Lorena» impunha-se como uma das melhores.

<p n=18787>
Delegados de praticamente todas as televisões europeias e de
representantes das pincipais cadeias de televisão dos Estados Unidos,
Canadá, do Médio Oriente, do Japão e da Coreia estão reunidos desde ontem
em Vilamoura, Algarve, no 43º encontro da Comissão Técnica da União
Europeia de Radiodifusão. A televisão digital, por cabo e alta definição
são alguns dos temas abordados nesta reunião que tem como tema central as
novas tecnologias de difusão. Como observadores, participam no encontro
os representantes dos sisemas de televisão por satélite e dos correios e
telecomunicações dos países representados.

<p n=18788>
Saiu recentemente o segundo número da revista «Ritual», uma publicação
destinada a cobrir o panorama da música pop-rock produzida no nosso país.
O seu director, Vítor Belém, pretende, com os seus colaboradores, cobrir
uma área pouco divulgada por outras publicações nacionais. Eles preferem
dedicar-se àquilo a que chamam «sobras» e que, em geral, são constituídas
pela informação sobre as pequenas bandas e os projectos alternativos da
música portuguesa. Com redacção no Porto e edição de 2000 exemplares, a
revista tem uma periodicidade bimestral e custa 250 escudos, podendo
considerar-se a única publicação de porte considerável a dedicar-se até
agora a uma área apenas coberta pelos fanzines. O número de Abril
centra-se no regresso dos Pop Dell'Arte, com uma entrevista ao seu líder
João Peste, e tem ainda destaques para os Crise Total, V12, M'as Foice,
More República Masónica e Área Total. De salientar ainda um «retrato» de
Carlos Zíngaro, artigos de recolha sobre o rock bracarense e as bandas da
zona de Aveiro. Na revista encontra-se,  de um modo geral, todo o tipo de
informação acerca do panorama «underground» da música nacional, desde as
pequenas notícias e anúncios, à crítica de maquetas e discos
correspondentes a projectos de todo o país.

<p n=18789>
O maestro George Solti abandona a direcção da Orquestra Sinfónica de
Chicago ao fim de 22 anos. Na passada terça feira, Solti despediu-se do
público nova-iorquino, como o havia feito na semana anterior do público
de Chicago, dirigindo «Otelo», ópera de Verdi, com Luciano Pavarotti e
Kiri Te Kanawa. No entanto os concertos de despedida têm decorrido entre
atribulações: à gripe do maestro, sucedeu a gripe da soprano; Jessye
Norman, que deveria ter interpretado «Byzantyum», obra de Michael
Tippett, teve de ceder o seu lugar a Faye Robinson; e Pavarotti tem
problemas na garganta. George Solti tem 78 anos e trabalhava com a
orquestra de Chicago desde 1969. As interpretações de obras de Richard
Wagner e das sinfonias de Mahler, muitas consideradas entre as melhores,
trouxeram ao maestro e à orquestra inúmeros Grammies, prémios da
indústria discográfica nos EUA. Nascido em Budapeste, George Solti foi
aluno de Bella Bartok e, posteriormente, assistente de Arturo Toscanini
no Festival de Salzburgo. Refugiado na Suiça durante a II Guerra Mundial,
Solti viria a dirigir as orquestras de Munique e Franquefort, antes de
dirigir a Royal Opera House, no Covent Garden, em Londres. Chicago viria
depois. George Solti será substituído por Daniel Barenboim, pianista e
maestro, e garante que o seu afastamento não será definitivo: de «tempo a
tempo» voltará a dirigir a Orquestra Sinfónica de Chicago, segundo a
France Presse.

<p n=18790>
Poderia ser uma história de Bulgakov, esta morte coincidente, no mesmo
dia, apenas a alguns quilómetros de distância, tantas foram nos últimos
vinte anos da sua vida as atribulações de Prokofiev com o regime de
Estaline; dele que, saído da Rússia pouco depois da Revolução, acabaria
por voltar em 1933, no momento da consolidação do estalinismo e da
repressão de toda e qualquer «dissonância», política ou estética, para
ser primeiro louvado e depois forçado á autocrítica.

<p n=18791>
Na próxima terça-feira ocorre o centenário do nascimento de Serguei
Prokofiev, estando entretanto a decorrer no São Carlos representações da
sua ópera «O Amor das três Laranjas», numa notável encenação de Richard
Jones, evocadora dos princípios do grande homem do teatro que ao
compositor sugeriu a fábula, Meyerhold.

<p n=18792>
As peripécias dos últimos vinte anos tornaram a vida de Prokofiev, para
remotejar o título de uma biografia (de Viktor Serov), «uma tragédia
soviética». Há algo de patético em sucessivas declarações do autor, na
tentativa de se justificar perante o regime.

<p n=18793>
A Tuna Académica de Coimbra foi geminada, na passada quarta-feira, com a
tuna da Universidade de Valladolid, em Espanha. O acto foi apadrinhado
pelo embaixador de Portugal em Madrid, Simões Coelho.

<p n=18794>
E o reaparecimento de «Ice» Borg está a provocar uma tão grande
curiosidade junto dos adeptos que o tenista sueco se tornou a principal
atracção do Torneio de Monte Carlo, pontuável para o circuito ATP e
dotado de um milhão de dólares de prémios, isto apesar de a prova contar
com a presença de quase todos os melhores jogadores do mundo.

<p n=18795>
João Pinto e Tavares são os casos clínicos mais problemáticos no FC Porto
para o decisivo jogo do campeonato, frente ao Benfica. Os dois jogadores
foram ontem observados pelo médico Domingos Gomes, que afirma que ambos
«estão a recuperar bem» das entorses sofridas no encontro da Taça, com os
benfiquistas, embora a sua utilização, no próximo domingo, «só poderá ser
avaliada com segurança nos próximos dias».

<p n=18796>
O técnico aveirense, Vítor Urbano, convocou os atletas chamados para o
último encontro com o Sporting de Braga (Hélder, Zé Ribeiro, Redondo,
Oliveira, Petrov, Abdel-Ghany, Sousa, Mito, Tozé, Dino, Spassov, Jorge
Silvério, Jarbas, Paulino, Dinis e Penteado), mais João Paulo, Carlos
Miguel, Bio e Freire, num total de 20 jogadores.

<p n=18797>
A selecção nacional portuguesa de voleibol, seniores masculinos, já se
encontra na Dinamarca, com cuja selecção vai realizar um estágio conjunto
de preparação para a «Spring Cup», que se disputa de 25 a 27 de Abril (1ª
fase) na Checoslováquia e de 28 de Abril a 1 de Maio (fase final) na
Áustria. A comitiva portuguesa integra os seguintes atletas: Carlos Dias
e Nuno Calheiros (Leixões), Miguel Maia, Filipe Vito, José Pedrosa e José
Pereira (Sp. Espinho), Nelson Puga (S. Mamede), Paulo Brenha (Ass. Acad.
Espinho), Rui Leite (Grundig), Carlos Pereira (Sporting) e Luis Quelhas
(Benfica). Na primeira fase da prova, Portugal defronta a equipa «A» da
Checoslováquia (25 de Abril às 18h15), a Turquia (26 de Abril, às 16
horas) e Israel (27 de Abril, às 16 horas).

<p n=18798>
A jugoslava Monica Seles mantém o comando da classificação mundial da
Associação das Tenistas Profissionais (WTA), divulgada ontem na Florida,
EUA. Em segundo lugar encontra-se a alemã Steffi Graf (Alemanha), em
terceiro a argentina Gabriela Sabatini, em quarto e quinto,
respectivamente, as norte-americanas Martina Navratilova e Mary-Joe
Fernandez. Monica Seles é ainda a primeira da lista das tenistas que mais
dólares já ganharam esta época, com 486058 (cerca de 71 mil contos),
seguida de Sabatini (433391, cerca de 64 mil contos) e de Jana Novotna,
da Checoslováquia (258258, cerca de 38 mil contos).

<p n=18799>
Bertanha, 17,56); 4º Greg Norman (Austrália, 15,67); 5º Payne Stewart
(EUA, 11,45); 6º Paul Azinger (EUA, 11,44); 7º Bernhard Langer (Alemanha,
10,07); 8º Curtis Strange (EUA, 9,74); 9º Mark McNulty (Zimbabue, 9,65);
10º Lanny Waldkins (EUA, 9,37).

<p n=18800 assunto=desporto>
O treinador argentino César Luis Menotti abandonou no domingo o estádio
centenário de Montevideu escoltado por um forte dispositivo de polícia,
após a derrota do Penarol, por 3-1, frente ao Danúbio, em jogo da
terceira jornada do campeonato do Uruguai. A polícia de Montevideu
anunciou que duas pessoas ficaram feridas e cinco adeptos foram detidos
na sequência dos incidentes no estádio. Concluído o encontro Menotti
permaneceu durante largo tempo nos vestiários, acompanhado pelo
presidente do Penarol, Washington Cataldi, enquanto no exterior algumas
centenas de adeptos esperavam impacientes a saída do técnico pedindo a
sua demissão devido aos sucessivos fracassos da equipa nos últimos nove
meses.

<p n=18801 assunto=desporto>
O Sporting chegou sem problemas a Milão. Durante a viagem, o presidente
Sousa Cintra anunciou que já apresentou queixa do árbitro Bento Marques e
vaticinou uma vitória por 2-1 sobre o Inter.

<p n=18802>
Com a ausência forçada de Carlos Xavier (dois cartões amarelos) o técnico
Marinho Peres convocou para este jogo os seguintes 18 jogadores: Balacov,
Ivkovic, Cadete, Filipe, Careca, Mário Jorge, Douglas, Luisinho, Gomes,
Leal, Litos, Lima, Venâncio, Oceano, Sérgio, Miguel, Marinho e João Luis
I.

<p n=18803>
Um tanto marginal mas muito metódico, Moreno Argentin é um corredor de
sangue frio que construiu, ano após ano, um dos mais belos palmarés do
ciclismo contemporâneo, completado agora com a sua quarta vitória no
Liége-Bastogne-Liége do passado domingo.

<p n=18804>
O italiano, que escolheu o Mónaco para viver, está consciente das suas
qualidades e dos seus objectivos. Argentin domina exactamente o aspecto
estratégico dos percursos e comete poucos erros nos últimos quilómetros
das «clássicas», onde ele pode iniciar ou  esperar o `sprint'.

<p n=18805>
O cenário repetiu-se. A terceira etapa do «Mundial» de motociclismo de
velocidade, disputada domingo em Laguna Seca (Califórnia), não trouxe
novidades em relação às duas primeiras: o italiano Cadalora, em 250 cc,
alcançou a sua terceira vitória e o americano Rainey, em 550 cc, chegou
ao segundo triunfo.

<p n=18806>
Com efeito, atrás de Rainey, que tinha 4 segundos de avanço depois de
quatro voltas e mais de 10 ao fim 30ª, travou-se uma grande «batalha»
para a segunda posição. O texano Schwantz, ao volante da sua Suziki,
lutou muito com o seu compatriota Kocinski, até este cair sem gravidade à
passagem da sétima volta. Schwantz liderou o pelotão até à 21ª volta,
altura em que cedeu a posição a Doohan, que terminou em segundo lugar tal
como nas duas primeiras corridas da época.

<p n=18807>
Numa das suas últimas edições a «Gazzeta dello Sport» inseria uma
história deliciosa. No seu primeiro encontro com o treinador Bianchi, o
novo accionista maioritário do AS Roma, o sr. Ciarrapico, referia-se à
campanha de aquisições para a próxima época com uma alusão ao possível
reforço de Jean-Pierre Papin. Só que o industrial das águas minerais que
acaba de comprar o Roma não sabia muito bem identificar o craque do
Marselha. E dizia: «Mapen, Maten, sim, aquele francês!»

<p n=18808 assunto=desporto>
E, mesmo assim, as claques do Roma no jogo contra a Sampdória, perdido
por 0-1, não deixaram de saudar o ingresso do sr. Ciarrapico com um
enorme cartaz nas bancadas do Estádio Olímpico. Cartaz que o novo
proprietário/presidente não viu por estar numa «fútil» reunião com
Berlusconi e Benedetti sobre o futuro do maior grupo editorial italiano:
a Mondadori.

<p n=18809>
Os presidentes do FC Porto e do Feirense são amigos. Ontem  fizeram a
viagem até Lisboa juntos e, no sorteio, tiraram as esferas que colocam os
seus clubes frente-a-frente nas meias-finais da Taça. Uma questão entre
amigos...

<p n=18810>
Como curiosidade do sorteio, registe-se o facto de o presidente portista,
Pinto da Costa, ter tirado a bola respeitante ao seu clube, o mesmo
acontecendo com a bola do Feirense, «escolhida» pelo seu presidente, Luís
Nunes. Para completar, logo que a sorte ditou o encontro, ambos os
presidentes se envolveram num longo e efusivo abraço. Estavam ambos
visivelmente felizes, embora certamente por motivos dferentes.

<p n=18811 assunto=desporto>
O equatoriano Andres Gomez, vencedor do Open de França do ano passado,
foi o primeiro cabeça-de-série a ser ontem eliminado do Torneio de Monte
Carlo, batido pelo italiano Omar Camporese no dia de abertura da prova
monegasca. Gomez, que apenas venceu duas partidas nos 19 últimos
torneios, foi derrotado por 2-1, com os parciais de 6-3, 3-6 e 6-1.

<p n=18812 assunto=desporto>
Outros resultados: Javier Sanchez (Esp) venceu Marcelo Filippini (Uru)
por 6-1 e 6-1; Carl Uwe Steeb (RFA) bateu Thierry Champion (Fra) por 2-6,
6-4 e 6-3; Paul Haarhuis (Hol) venceu Christian Bergstrom (Sue) por 6-3 e
6-2; Andrei Cherkasoc (URSS) bateu Eric Jelen (RFA) por 6-0 e 6-2.

<p n=18813>
Pedro Silva é o primeiro camisola amarela da Volta ao Algarve. Ontem, na
hora do arranque, a festa foi de Venceslau, que fez 46 anos e lá estava
no meio do pelotão.

<p n=18814>
Depois de duas voltas a Monte Gordo a caravana fez-se à estrada
propriamente dita e, pouco depois de Vila Real de Santo António, mais
precisamente ao km 45 da etapa, saltou do pelotão Amílcar Neves
(Ruquita/Philips) levando consigo Manuel Peixoto (Paços de Ferreira/C.
Quintanilha) e encetando uma fuga que durou mais de 100 km e acabou por
ser a principal fonte de animação desta primeira etapa da Volta ao
Algarve.

<p n=18815>
A compra de um terreno com 200 mil metros quadrados à Siderurgia
Nacional, para efeitos de construção da sede social, vai permitir à A.
Silva & Silva construir, no local onde estão, actualmente situadas as
suas instalações, uma urbanização de qualidade, procurando tirar partida
das condições naturais oferecidas pelo estuário do Tejo.

<p n=18816>
No local, estão já construidas algumas estruturas (nomeadamente de
betão), que se destinavam à instalação de uma unidade transformadora de
carnes de suino e bovino, desde o abate até ao produto final. Era o
princípio de uma grande unidade industrial que apontava, já em 1987, para
um investimento de 2,1 milhões de contos.

<p n=18817>
O impasse gerado em torno do pacote de preços agrícolas para a campanha
de 1991-92 foi ontem confirmado pelos ministros da Agricultura da CEE que
recusaram, pela terceira vez, uma proposta que consideram lesiva dos
rendimentos dos seus agricultores.

<p n=18818>
Para Arlindo Cunha, a questão é simples, ou a Comissão Europeia refaz os
seus cálculos ou o pacote de preços só será aprovado depois da
redefinição do enquadramento orçamental da CEE para incluir os custos da
unificação alemã. A maioria dos seus parceiros pensa do mesmo modo, o que
impediu qualquer avanço na análise sectorial do pacote de preços.

<p n=18819>
O Ministério das Finanças aprovou recentemente a constituição de uma nova
sociedade gestora de fundos de investimento, requerida pelo Banco
Internacional do Funchal (Banif). A nova sociedade, denominada
Banifundos-Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Mobiliário, irá
gerir os fundos de investimento mobiliário Banif-Obrigações e
Banif-Tesouraria e o Fundo de Investimento Mobiliário Misto
Banif-Investimento Seguro. Os referidos fundos de investimento foram
igualmente aprovados pelo Ministério das Finanças.

<p n=18820>
O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a União Soviética se
encontra, actualmente, perante uma situação de «catástrofe económica que
poderá ter consequências incalculáveis no país e na Europa de Leste».

<p n=18821>
Dois grandes negócios tiveram ontem lugar nas bolsas de valores
nacionais. O maior, na Bolsa de Valores do Porto através da Corretora
Atlântico, deu-se com os títulos da Fnacinvest. Foram negociados cerca de
sete por cento do capital social da empresa, correspondentes a mais de
326,5 mil títulos e envolvendo verbas superiores a 346 mil contos.

<p n=18822>
O dólar registou ontem em diversos mercados fortes apreciações
relativamente às sessões mais recentes. Em Tóquio a apreciação da divisa
norte-americana foi de 0,80 ienes, fechando o dia a 138,70 ienes, depois
de, na sexta-feira, ter encerrado a sessão nos 137,90 ienes. Em
Frankfurt, o dólar registou o nível mais elevado contra o marco desde a
queda do muro de Berlim, ao fazer cotação a 1,7485 marcos.

<p n=18823>
O Conselho Empresarial do Norte -- CEN tomou posição face aos recentes
desenvolvimentos no movimento associativo empresarial, iniciativas que o
conselho «interpreta como não convergentes com os superiores interesses
nacionais dos empresários portugueses». O organismo presidido por Eurico
de Melo vem, assim, posicionar-se claramente contra os acordos assinados
entre a Associação Industrial Portuguesa e a Confederação das Indústrias
Portuguesas, que anunciaram, no mês passado, a assinatura de um protocolo
que chega a pôr a hipótese da fusão entre os dois organismos.

<p n=18824>
«Após uma análise exaustiva da actual conjuntura económica», o Conselho
Empresarial do Norte tomou ainda posição contra «o endurecimento das
condições de acesso ao crédito interno, a quase inexistência de acessos
ao crédito externo, a continuação de uma política altista de juros,
incompatível com a actual realidade empresarial, e a contínua valorização
do escudo». Para o CEN, «todas estas condicionantes estão a causar
problemas financeiros que tendem a levar muitas empresas a uma situação
de ruptura iminiente», além de « constituir um entrave às nossas
exportações», ao mesmo tempo que «abrandam, ou paralisam mesmo, os
investimentos produtivos».

<p n=18825>
Vergílio Folhadela Moreira, administrador-delegado da RAR-»holding», é o
presidente da única lista candidata à Direcção da Associação Comercial do
Porto. Uma equipa simultaneamente de renovação e continuidade, que
assinalará a saída de Rui de Lacerda da presidência, uma desistência por
vontade própria.

<p n=18826>
Do programa de trabalho da nova Direcção, ressaltam duas preocupações:
alargar a representatividade, nomeadamente dos sectores representados, e
renovar. «Esta instituição, com mais de 150 anos, tem feito muito pela
defesa da vida económica do Norte e deve ter continuidade em termos
etários, começar a cativar as camadas mais jovens», disse ao PÚBLICO
Vergílio Folhadela.

<p n=18827>
A Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas do
Norte (AICCOPN) enviou uma carta ao Primeiro Ministro em que pede a
suspensão, «até clarificação do assunto», do decreto-lei 19/90, que dá às
câmaras municipais  a possibilidade de uma única prorrogação de licenças
de obras e condicionada a um ano.

<p n=18828>
Guilherme Vilaverde, vereador da câmara de Matosinhos, revelou-se de
acordo com o pedido da associação dos construtores, argumentando que «se
torna necessário encontrar um sistema de transição flexível, que
diferencie determinado tipo de obras, pela sua volumetria ou pela sua
especificidade». Revelando o seu acordo com o «espírito consagrado pelo
decreto-lei», o vereador considera que se «passou do oito para o
oitenta». «O sector de construção tem problemas próprios, como sejam a
dificuldade de financiamento, o facto de algumas famílias deixarem de
pagar as casas, o próprio dinamismo empresarial, que acabam por revelar
situações diferenciadas, que devem ter soluções adequadas a cada caso»,
argumenta.

<p n=18829>
O Brasil vai pagar, este ano, à Banca portuguesa perto de cinco milhões
de contos de juros da dívida atrasados desde 1989. O pagamento surge em
consequência do acordo firmado, no passado dia 8, com o comite de
credores. Este montante poderá ainda ser reforçado caso se confirmem as
expectativas criadas pelas declarações do governador do Banco Central
brasileiro, ontem feitas ao jornal Estado de S. Paulo.

<p n=18830>
René Souto frisou, no entanto, «não dispôr ainda de informação oficial
sobre as declarações do governador do Banco Central». Caso se venha a
confirmar esta interpretação, as palavras do governador  poderiam
significar um reforço das expectativas de cobrança dos bancos
portugueses. Estes, ao abrigo do acordo de princípio firmado há duas
semanas deveriam receber  «30 a 40 milhões de dólares» (entre 4,4 e 5,6
milhões de contos). Verba que poderá ser reforçada com o recebimento dos
juros devidos em 1991.

<p n=18831>
Vai realizar-se no Porto, nos próximos dias 17 e 18 de Junho, a terceira
edição da Europartenariat 91, um encontro de pequenos e médios
empresários da Comunidade Económica Europeia e que vai contar, pela
primeira vez, com a presença de dois comissários da CEE, Cardoso e Cunha
e Bruce Millan.

<p n=18832>
Seleccionados para Junho estão os sectores das rochas ornamentais;
alimentação e bebidas; têxteis, vestuário e adornos; calçado, curtumes e
marroquinaria; cortiça, madeira e mobiliário; papel e artes gráficas;
químicas, borrachas e plásticos; cerâmica e vidro; fundição e produtos
metálicos; máquinas, equipamentos e materiais de transporte; material
eléctrico e electrónico; e serviços.

<p n=18833>
A Oferta Pública de Venda (OPV) dos 1.607.597 títulos da Lisnave -
Estaleiros Navais de Lisboa, referentes a 11,69 por cento do capital
social da empresa, actualmente na posse do Estado português, decorrerá
hoje na Bolsa de Valores de Lisboa depois da sessão normal de Bolsa. A
OPV está reservada aos actuais accionistas da Lisnave, que ao preço de
1.600 escudos por acção poderão adquirir a acções que lhes estão
reservadas na proporção das detidas (aplicação do factor 0,132395, com
arredondamento por defeito).

<p n=18834>
Contudo, em 1989 o produto interno bruto (PIB) cresceu mais sete por
cento que no ano anterior (em Portugal, a taxa de crescimento registada
nesse ano foi de 5, 4 por cento e a prevista para o final do corrente
exercício é de 3,5 por cento), enquanto a taxa bianual apresentada entre
1987 e 1989 se situou nos 30 por cento.

<p n=18835>
Vindo ao encontro das expectativas existentes, o mercado abriu
acentuadamente curto de fundos com a taxa do "overnight" a abrir nos 25
por cento, para ao longo do dia subir até aos 40,0 por cento. Foram
transaccionados 52.817 milhares de contos à taxa média de 27,9171 por
cento, o que reflecte a subida de 3,98 por cento desta última taxa em
relação a sexta-feira. Nas 48 horas a taxa chegou aos 43,0 por cento, com
a taxa média a situar nos 32,0185 por cento.

<p n=18836>
A oferta pública de aquisição (OPA), lançada pela EPM-SGPS à Caima -
Cerâmica e Serviços, terá lugar na Bolsa de Valores de Lisboa no próximo
dia 3 de Junho. A operação resulta do processo de cisão simples do grupo
Caima e tem como finalidade a obtenção do domínio total da Caima -
Cerâmica e Serviços por parte da Ibstock Johnsen, PLC (A EPM é detida a
100 por cento pela Eucalytus Pulp Mills, PLC que por sua vez é totalmente
controlada pela Ibstock Johnsen).

<p n=18837>
A oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela EPM-SGPS à Caima --
Cerâmica e Serviços, realizar-se-á na Bolsa de Valores de Lisboa no
próximo dia 3 de Junho. A operação resulta do processo de cisão simples
do grupo Caima e tem como finalidade a obtenção do domínio total da Caima
-- Cerâmica e Serviços por parte da Ibstock Johnsen, PLC (A EPM tem como
único proprietário a Eucalyptus Pulp Mills, PLC, que, por sua vez, é
totalmente controlada pela Ibstock Johnsen).

<p n=18838>
A oferta pública de aquisição, ficará porém sem efeito, caso não se
verifique a compra de um mínimo de 14,75 por cento do capital da Caima --
Cerâmica e Serviços. A operação foi liderada e preparada pelo Banco
Português de Investimentos.  S.C.

<p n=18839>
A reunião dos Sete países mais industrializados, agendada para o próximo
domingo, está já a movimentar os diferentes grupos de pressão, tudo
indicando que os parceiros dos Estados Unidos não estão dispostos a
ceder-lhe a liderança das discussões. Tanto o Japão como a Alemanha
procuram minimizar a vitória americana no Golfo, recordando que quem paga
as despesas é Tóquio e Bona.

<p n=18840>
Depois da euforia da vitória norte-americana, e naturalmente do Ocidente,
tanto alemães como japoneses pretendem agora jogar um papel mais
importante na condução da economia mundial. Para estes dois países, é
preciso redefinir o verdadeiro «peso» das suas economias. Os Estados
Unidos não podem ditar qual é a melhor política económica aos seus
aliados, apesar da sua vitória militar na guerra do Golfo, referem
diversos especialistas, numa altura em que se aproxima a cimeira na
capital norte-americana. Tanto a Alemanha como o Japão estão bastante
relutantes em diminuir a sua pressão no combate à inflação e na
diminuição das taxas de juro, duas das questões que os EUA querem
alterar.

<p n=18841>
Depois de uma fé desmesurada nas capacidades da ciência e da tecnologia
no desenvolvimento, nos anos 50 e 60, e de um período posterior de
desencanto, nos anos 70 e 80, as grandes agências de financiamento
internacional, como o Banco Mundial, a OCDE e a ONU, voltam a apostar na
ciência como mola do progresso.

<p n=18842>
Como é óbvio porém, os problemas estão longe de estar todos resolvidos e
os cientistas e responsáveis presentes numa conferência recente em
Londres dedicada ao tema «Química e países em vias de desenvolvimento»
chamaram a atenção para o facto de os obstáculos serem ainda enormes:
governos instáveis, grandes problemas sociais e de saúde, a dívida do
Terceiro Mundo, desastres ecológicos, fuga de cérebros para o ocidente. A
grande pergunta a que todos estes países têm de responder, como dizia um
químico argentino presente na reunião é «como desenvolver a ciência num
constante clima de crise».

<p n=18843>
Duas das maiores companhias de alumínio do Japão e a Alcan Pacific -- uma
subsidiária da Alcan Aluminium, do Canadá -- decidiram desenvolver a
tecnologia de reciclagem de folha de alumínio, anunciou um porta-voz da
Nippon Light Metal Company. As três companhias iniciarão brevemente o
desenvolvimento da tecnologia de reciclagem, bem como o estudo de formas
de recolha de folha de alumínio usada. Apesar de o Japão ter reciclado em
1990 cerca de 42,5 por cento das suas latas de alumínio, a reciclagem de
folha de alumínio (um das mais comuns utilizações domésticas do alumínio)
tem sido quase nula, admitiu o mesmo porta-voz à agência Reuter.

<p n=18844>
Durante nove dias, sete astronautas especialmente treinados vão preencher
um programa de estudos e de testes sobre o desenvolvimento de motores
espaciais para aperfeiçoar um sistema de detecção e intercepção de
mísseis balísticos indispensáveis ao programa militar -- comummente
chamado Guerra das Estrelas -- lançado em 1983 pelo presidente Ronald
Reagan.

<p n=18845>
Um grupo de holandeses especialistas em invadir sistemas informáticos têm
desafiado abertamente as autoridades americanas, conseguindo penetrar em
redes de computadores pertencentes a departamentos militares, dos
serviços de informações e de centros espaciais. A notícia foi dada pelo
diário americano «New York Times» que afirma que entre as instituições
«invadidas» se conta o Comando da Esquadra do Pacífico, o Centro Espacial
Kennedy, a Universidade de Stanford e o Laboratório Nacional Lawrence
Livermore. O diário relata uma cena filmada para um programa da televisão
holandês onde se podia ver um grupo de «piratas informáticos» aceder a um
computador militar americano e cita especialistas que afirmam que uma
acção judicial contra este tipo de actividades na Holanda será difícil,
pois aquele país não possui leis contra o crime informático.

<p n=18846>
Segundo as últimas estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS),
poderá haver cerca de 40 milhões de seropositivos -- pessoas infectadas
pelo vírus da sida -- no ano 2000, dos quais dez milhões serão crianças.
Os peritos pensam que, além dos estragos que a sida continuará a fazer em
África, a progressão da doença se irá acelerar na Ásia e na América
Latina. Actualmente, o número total de casos de sida assinalados à OMS
por 162 países é de 345.533. Esse número é porém considerado apenas como
a parte visível do «iceberg» dos indivíduos contaminados.

<p n=18847>
GRUPOS DA guerrilha afegã prometeram ontem vingança sobre as tropas
governamentais, enquanto subia para 500 a estimativa do número de mortos
provocado pela explosão, sábado passado, de mísseis Scud num bazar da
cidade de Asadabad.

<p n=18848>
O ministro da Informação do Governo da resistência com sede no Paquistão,
Najibullah Lafraie, responsabilizou directamente a União Soviética pela
«carnificina insensata» em Asadabad.

<p n=18849>
Após as eleições de domingo na Renânia-Palatinado, a oposição
social-democrata ganhou poder de veto na câmara alta do parlamento
federal. Mas o chanceler Helmut Kohl promete que vai continuar a aplicar
o seu programa, sem mudanças.

<p n=18850>
No segundo canal da televisão alemã, ZDF, coube a Volker Rühe a ingrata e
espinhosa tarefa de substituir Helmut Kohl. Abatido, o secretário-geral
do CDU teve de admitir a grande derrota do seu partido, dizendo que os
cristãos-democratas não se aperceberam a tempo e horas que era urgente
uma mudança de geração.

<p n=18851>
Dezenas de jovens aborígenes queixam-se de maus tratos infligidos pela
polícia australiana. Alguns morrem na prisão, vítimas de tortura ou
«suicídio». As raparigas são alvo dos tratamentos mais degradantes.

<p n=18852>
Mas o ponto mais importante mencionado no documento refere-se, segundo
afirmou o seu relator, Chris Cunneen, à agência Reuter, «aos níveis
extremamente elevados de violência e às queixas dos jovens que foram
interrogados pelas autoridades para confessarem os crimes». O paraíso
australiano desmerece rapidamente dos seus pergaminhos de terra da
liberdade à medida que o relatório avança com pormenores.

<p n=18853>
Animado com a flexibilidade demonstrada pelos líderes árabes que
contactou, James Baker volta hoje a Israel, para regressar,
provavelmente, de mãos vazias aos EUA. No Kuwait, o emissário americano
manifestou desagrado pela lentidão das reformas. E a oposição foi
impedida de se manifestar contra o novo Governo dos al-Sabah.

<p n=18854>
«O primeiro-ministro ouviu-nos e ficámos com a sensação de que ele vai
cumprir as suas promessas de que não haverá absolutamente nenhuma
política de troca de território pela paz, nenhuma retirada de um só
centímetro da Terra de Israel», disse Geula Cohen, líder do Tehiya e
vice-ministro da Ciência.

<p n=18855>
DEZEMBRO DESTE ano ou Janeiro de 1992 são as datas para o referendo sobre
a autodeterminação do Saara Ocidental mencionadas num relatório do
secretário-geral da ONU ao Conselho de segurança, ontem divulgado. Sob a
supervisão das Nações Unidas, os habitantes do território devem
pronunciar-se sobre a independência ou a pertença ao reino de Marrocos.
Mas para que o plano vá por diante falta estebelecer um cessar-fogo entre
as forças marroquinas e a Frente Polisário, que luta pela independência.

<p n=18856>
MILHARES de romenos ocuparam ontem o centro de Bucareste e bloquearam o
trânsito para recordar o aniversário da invasão da capital por mineiros,
alegadamente chamados pelas autoridades para esmagar protestos
anti-governamentais. Velas acesas e milhares de túlipas vermelhas na
Praça da Universidade recordaram o levantamento de Dezembro de 1989 que
pôs fim à ditadura de Nicolae Ceausescu. Os manifestantes repetiram as
palavras de ordem de há um ano: «Abaixo o comunismo!» e «Abaixo [o
Presidente Ion] Iliescu!».

<p n=18857>
Milhares de tendas azuis começam a salpicar o sombrio panorama do norte
iraquiano. Os iraquianos cooperam. As conversações entre rebeldes curdos
e Bagdad entram hoje no quarto dia sem resultados assinaláveis sobre o
pomo da discórdia -- a autonomia do Curdistão.

<p n=18858>
Um porta-voz do Exército americano, citado pela Reuter, disse que Garner
se encontrou com um general iraquiano que concordou em retirar para sul
deixando às tropas dos Estados Unidos a responsabilidade da segurança da
zona. Dois batalhões iraquianos que se encontravam na região moviam-se
ontem na direcção acordada deixando aos americanos os movimentos livres
numa área de cerca de 36 milhas quadradas.

<p n=18859>
O PRESIDENTE sul-africano, Frederik De Klerk, de visita a Londres, foi
ontem acusado pelo Movimento Anti-Apartheid de ter «falhado, de maneira
trágica, nas suas tentativas de acabar com a violência e a repressão na
África do Sul».

<p n=18860>
O Presidente sul-africano, chegado no sábado a Londres, conferenciou
ontem com a secretária de estado do Fomento Ultramarino, Lynda Charker, e
com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Douglas Hurd, depois do que
deveria jantar com o Primeiro-Ministro britânico, John Major. Amanhã vai
à Dinamarca, na quinta à Irlanda e na sexta volta a Londres.

<p n=18861>
Quando a revolução de Mao Tsé-Tung triunfou na China, os nacionalistas de
Chang Kai-Chek fugiram para a Formosa e decretaram «medidas temporárias»
contra a rebelião comunista. O Parlamento da Formosa revogou-as ontem. 43
anos depois.

<p n=18862>
Com a vitória comunista, em 1949, o «Kuomintang» nacionalista fundou na
ilha o seu regime. Os seus pilares foram um conjunto de leis aprovado um
ano antes e conhecido como «medidas temporárias em vigor durante o
período da revolta comunista».

<p n=18863>
O antigo primeiro-ministro cabo-verdiano Pedro Pires procurou repor a
verdade histórica quanto ao assassínio de Amílcar Cabral, fundador do
PAIGC, depois de a mesma ter sido contestada no início deste ano por
alguns adversários do regime que até há pouco vigorou na Cudade da Praia.
Mas evitou falar muito no assunto.

<p n=18864>
Interrogado sobre as razões das pessoas que procuraram denegrir o antigo
secretário-geral do PAIGC e do PAICV, o seu sucessor neste último cargo
respondeu que compete às mesmas (colaboradores do actual Presidente da
República, António Mascarenhas Monteiro) explicarem porque tomaram tal
atitude: «Acho que se trata de algo falso, injusto e perigoso o tentar
transferir a responsabilidade dos autores morais e materiais desse crime
político... Não estou a defender o antigo Presidente. Estou apenas a
repor a verdade. É perigoso estar a falsear os factos históricos...
Compete-nos a nós, que participámos na guerra, não permitir que os factos
sejam falseados».

<p n=18865>
NUM SÓ mês, até domingo passado, a violência étnica no Sri Lanka, antiga
Ceilão, causou mais de mil mortes, o que transforma este período no mais
sangrento da guerra civil que se trava há oito anos na ilha do Índico.

<p n=18866>
O último ataque aconteceu no sábado à noite, quando 22 civis cingaleses
foram mortos a tiro e com catanas por rebeldes, disse o informador.

<p n=18867>
O Parlamento soviético prepara-se para adoptar o plano anticrise de
Mikhail Gorbatchov. As repúblicas -- pelo menos parte delas -- não dão
mostras de ceder tão facilmente, já que isso implica a perda de poderes
conquistados pelos movimentos nacionalistas. E, à margem das discussões
oficiais, o outro nó dos problemas económicos, as greves, aperta-se.

<p n=18868>
Para forçar à adopção do plano pelas repúblicas, o Kremlin promete tratar
as que o aprovarem com isenções fiscais e facilidades aduaneiras. As
restantes, classificadas de rebeldes, terão de comercializar a preços
mundiais e em divisa, o que parece dirigir-se especialmente às repúblicas
do Báltico, que são pobres em matérias-primas e têm de comprar quase tudo
para abastecer os seus mercados internos.

<p n=18869>
BRIAN MULRONEY, Primeiro-Ministro federal do Canadá, procedeu no domingo
a uma importante remodelação ministerial, a fim de tentar salvar a frágil
unidade do grande país.

<p n=18870>
De acordo com a agência France Presse, o sentido da diplomacia de que
Clark deu provas ser-lhe-á certamente muito útil para tentar resolver a
grave crise constitucional que o país atravessa. O malogro do acordo do
lago Meech, de Junho de 1990, laboriosa tentativa para permitir a adesão
do Quebec à Constituição canadiana, relançou uma forte corrente favorável
à soberania na única província francófona do país.

<p n=18871>
O PRESIDENTE sul-africano, Frederik De Klerk, de visita a Londres, foi
ontem acusado pelo Movimento Anti-Apartheid de ter «falhado, de maneira
trágica, nas suas tentativas de acabar com a violência e a repressão na
África do Sul».

<p n=18872>
O Presidente sul-africano, chegado no sábado a Londres, conferenciou
ontem com a secretária de estado do Fomento Ultramarino, Lynda Charker, e
com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Douglas Hurd, depois do que
deveria jantar com o Primeiro-Ministro britânico, John Major. Amanhã vai
à Dinamarca, na quinta à Irlanda e na sexta volta a Londres.

<p n=18873>
Estão finalmente em fase de arranque as obras de remodelação da rede
viária e da rede de esgotos da Avenida 24 de Julho-Cais do Sodré, em
Lisboa, depois de terem estado marcadas para o Verão passado. O impacto
no trânsito não será muito visível este ano, mas para 1992 esperam-se
algumas complicações.

<p n=18874>
Com o novo interceptor as águas residuais domésticas e industriais passam
a ser tratadas na ETAR de Alcântara, deixando de ser canalizadas para o
rio, como até aqui, o que contribuirá para uma maior despoluição do Tejo.
Por seu turno, os colectores pluviais canalizarão as águas das chuvas
para o rio através de cinco ligações ao estuário, o que permitirá uma
maior capacidade de escoamento e evitará eventuais inundações.

<p n=18875>
A empresa de trituração de alfarroba « Neves Pires», notificada pelo
tribunal para que construa, em dois anos, uma estação de tratamento de
águas residuais(ETAR), considerou ontem «inadequada e injusta» a forma
como a Secretaria de Estado do Ambiente tem vindo a apresentar este
assunto.

<p n=18876>
A decisão judicial surgiu no seguimento do recurso apresentado pela
empresa depois de lhe ter sido aplicada uma multa de mil contos pela
Direcção Geral da Qualidade do Ambiente, cujos inspectores constataram
que a unidade, estava a despejar efluentes para a Ria Formosa, sem
licenciamento.

<p n=18877>
A sensibilização para a protecção do meio ambiente, em especial no
concelho do Barreiro, é o principal objectivo do quinto concurso de
fotografia - Meio Ambiente, promovido pela Câmara Municipal do Barreiro.

<p n=18878>
Espectáculo pelo grupo musical Capitão Fantasma no Johnny Guitar, na
Calçada Marquês de Abrantes, a partir das 22h00.

<p n=18879>
Mais de uma vintena de queixas esperam a apreciação do Provedor do
Ambiente e Qualidade Vida Urbana de Lisboa, Manuel Costa Lobo, que hoje
começa a exercer plenamente as funções para que foi eleito em Outubro do
ano passado e empossado no final de Janeiro deste ano.

<p n=18880>
Além de procurar esclarecer os casos que lhe forem apresentados, o
Provedor do Ambiente tem ainda competência para, por exemplo, emitir
pareceres, pronunciar-se junto dos órgãos da Câmara ou dirigir os
processos por si organizados para o Provedor de Justica ou aos tribunais.
J.M.R.

<p n=18881>
«A prevenção da sinistralidade começa pelos mais novos». Seguindo esse
lema, 220 crianças da primária e pré-primária, protagonizaram ontem na
Avenida de Berlim, em Lisboa, um simulacro de atropelamento e alertaram
para a falta de sinalização apropriada junto às escolas da cidade.

<p n=18882>
Segundo Cristina Barros Queiróz, técnica da Divisão de Formação do
Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INDC) -- entidade que, com o
Escola Superior de Educação de Setúbal, coordena o projecto, «o facto de
as crianças virem para a rua com cartazes simulando um acidente, pode ser
mais eficaz que as diversas cartas enviadas aos serviços competentes para
que seja colocada a sinalização necessária: semáforos, passadeira para
peões e bandas sonoras».

<p n=18883>
Em Setúbal existe uma Escola Superior de Tecnologia vocacionada para a
formação profissional das indústrias do distrito, mas nem todas as
unidades instaladas ou a desenvolver naquela região estão sensibilizadas
para usufruírem da preparação e do «know how» que a Escola pode oferecer.

<p n=18884>
No entanto, como recorda João Duarte Silva, engenheiro e presidente da
comissão instaladora, a sua equipa só tomou posse em Outubro de 1983,
«herdando do Ministério da Educação apenas um programa preliminar,
orientador dos seus cursos instalados, e algum equipamento laboratorial --
adquirido com o apoio do Banco Mundial e armazenado durante bastante
tempo em diversos locais da cidade de Lisboa».

<p n=18885>
Os pedidos de licenciamento de loteamentos urbanos e obras particulares
são matéria sobre a qual a Comissão Municipal de Estética Urbana de
Lisboa -- que deverá ser criada já amanhã pela Câmara -- pode emitir
pareceres.

<p n=18886>
A Comissão surge de alguma forma como herdeira das comissões municipais
de arte e arqueologia, extintas em 1977, e será dirigida pelo presidente
da Câmara, que pode delegar a presidência num dos outros membros.

<p n=18887>
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa considerou ontem, em
Washington, que se no plano internacional «não há grandes divergências
quanto à forma de combater o abuso de drogas e o aumento da
criminalidade», esta é uma tarefa cujos «recursos e programas têm de ser
executados a nível municipal e que não deve ser esquecida».

<p n=18888>
Sampaio -- introduzido na conferência como «`mayor' de Lisboa e candidato
a primeiro-ministro  nas próximas eleições em Portugal» -- aplaudiu, no
seu discurso, as intervenções «estimulantes» dos seus pares e falou da
forma como na capital portuguesa se tem combatido o problema, salientando
a participação dos jovens nos projectos de prevenção locais. Considerou
ainda que «a prisão não é  a única alternativa à desinserção de que o
consumo  de drogas é um sintoma».

<p n=18889>
O Clube Ferrari de Portugal celebrou, no passado fim de semana, um acordo
de geminação com o Clube Automóvel da Guarda, no final do primeiro
encontro Ferrari que decorreu no Distrito da Guarda.

<p n=18890>
Logo pelos títulos, o espectador confronta-se com uma espécie de
ilustração. E, de facto, as cenas pintadas possuem uma inegável qualidade
narrativa que provoca um jogo de identificação com cada figura
representada: a mãe e o filho, S. Sebastião, as cabeças decepadas. Mas
estas imagens organizam-se segundo regras próprias que têm mais a ver com
a coincidência entre formas e a afinidade de cores. As figuras encaixam
umas nas outras à maneira de um «puzzle» ou de uma colagem; esta última
técnica, aliás, aparece com frequência nas pinturas sobre tela. E não
será com certeza por acaso que a pintora chega a reproduzir figuras de
Picasso, um artista que trabalhou com particular ênfase a construção e a
desconstrução da imagem.

<p n=18891>
Quase metade das verbas gastas em 1990 pelo GICOL, Gabinete de Incentivos
e Congressos de Lisboa, organismo da Câmara Municipal, foi utilizado em
actividades de natureza cultural, noticiou a agência Lusa.

<p n=18892>
A discriminação dos gastos daquele gabinete, dependente do vereador do
Turismo, Vítor Costa, deverá ser divulgada na reunião de Câmara de
amanhã.

<p n=18893>
Três autocarros e o restante recheio de um dos edifícios da estação de
recolha da empresa de camionagem Américo António Martins Soares, em
Seixo, Fânzeres, Gondomar, ficaram completamente destruídos em
consequência de um incêndio ocorrido ontem de madrugada, e
presumivelmente provocado por um curto-circuito. Os prejuízos foram
avaliados em cerca de 60 mil contos.

<p n=18894>
A Primeira Prova do Campeonato Nacional de Jet Ski realizou-se ontem, em
Sesimbra, com um total de 52 participantes de todo o país, divididos nas
classes Senhoras, Stock, Limited, Modified e Open, numa organização do
Jet Ski Club de Portugal.

<p n=18895>
A baía de São Martinho do Porto vai ser objecto de um projecto integrado
de despoluição e recuperação, decidiu a Assembleia Municipal de Alcobaça
numa proposta aprovado por unanimidade dia 19 .

<p n=18896>
Após fazer um levantamento completo e rigoroso dos agentes poluidores,
devem estas entidades e outras que porventura se mostrem interessadas,
pressionar o poder central até que seja elaborado um projecto de
intervenção e desencadeadas as acções necessárias para um programa
integrado de despoluição e recuperação da baía de São Martinho, segundo a
proposta.

<p n=18897>
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa considerou ontem, em
Washington, que se no plano internacional «não há grandes divergências
quanto à forma de combater o abuso de drogas e o aumento da
criminalidade», esta é uma tarefa cujos «recursos e programas têm de ser
executados a nível municipal e que não deve ser esquecida».

<p n=18898>
Um homem de 27 anos atingiu a sogra com um tiro de pistola, na madrugada
de segunda-feira. O incidente deu-se pelas 3h30 na casa onde ambos
viviam, na Avenida de Lourenço Marques, Amadora.

<p n=18899>
Quase metade das verbas gastas em 1990 pelo GICOL, Gabinete de Incentivos
e Congressos de Lisboa, organismo da Câmara Municipal, foram utilizadas
em actividades de natureza cultural, noticiou a agência Lusa.

<p n=18900>
Maior pulo foi então apontado para as despesas do Gicol: de 92 mil e 800
contos para 250 mil e 500, mais 137 mil contos que no ano anterior,
depois de calculada a inflação.

<p n=18901>
«Contrariamente a certos intelectuais, temerosos do desfiguramento da
raça, da desnaturação de usos e tradições, da uniformização de mercados e
condutas -- antecipada e solenemente declaro a minha confiança nos embates
do vinho verde com os Bordeaux e dos «polícias da Régua» com os bobbies
da city.»

<p n=18902>
(...) Ultimamente, ao ocupar-se da intervenção das associações católicas
promotoras das realizações culturais e espirituais preparatórias da vinda
de Sua Santidade o Papa, o PÚBLICO apelidou-as de «conservadoras»,
usando, na qualificação, uma visão ideológica descabida por infundada,
enquanto, por outro lado, fez aparecer, há muito tempo, uma perversa
fotografia na qual, ao lado de uma actriz, que representava a santa
mulher que é Teresa de Calcutá, se inclinava uma outra em atitude e traje
despurados.

<p n=18903>
1. Há uma mudança em curso no clima das ideias políticas nas democracias
liberais? Aumenta o número dos que dizem que sim e também parece aumentar
o número daqueles que, dizendo que não, temem que a resposta seja sim.

<p n=18904>
2. Talvez o foco das preocupações conservadoras resida apesar de tudo na
América. Foi lá que surgiram os primeiros ventos do que seria mais tarde
o Keynesianismo, experimentado tentativamente pelo «New Deal» de
Roosevelt. Foi também de lá que partiu a reacção ao intervencionismo
keysiano, popularizada a alegada viragem para a esquerda do pensamento
económico. Por a alegada viragem para a esquerda do pensamento económico.
Por mais que os europeus detestem a ideia, a América tem antecipado quase
todas as modas ocidentais.

<p n=18905>
Ao contrário do que o PÚBLICO noticiou na página A Semana/O que vai ser,
de domingo passado, comemora-se no dia 26 de Abril, na próxima
sexta-feira, o 76º aniversário da morte do poeta Mário de Sá Carneiro e
não o 75º aniversário.

<p n=18906>
A integração de Portugal nas Comunidades Europeias tem funcionado como um
forte estímulo à promoção de novos negócios e do fomento da propensão
para o consumo. Esta importante fonte de receitas e crescente gerador de
empregos tem desenvolvido apetências junto dos cidadãos europeus por
férias fora dos seus paises de origem, beneficiando Portugal.

<p n=18907>
2. As alterações suscitadas pela aplicação do Decreto-Lei n.o 410/89 de
21/11 são, genericamente, referidas nos pontos 45 e 46 deste documento.
Dada amaterialidade sobre as contas evidenciamos, ainda, o seguinte:

<p n=18908>
Nestes custos estão contabilizadas as despesas de instalação e
trespasses, sendo o critério aplicado na sua valorimetria o custo de
aquisição.

<p n=18909>
O primeiro-ministro, Cavaco Silva, foi ontem acusado por João Amaral,
deputado do PCP e presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, de
«menosprezar» as assembleias distritais e de as «pretender esbulhar» no
seu património ao promulgar a legislação que transfere para os
presidentes eleitos destas assembleias os poderes que até aqui eram
exercidos inerentemente pelos governadores civis. João Amaral considerou
mesmo este comportamento do Executivo como indiciador do «posicionamento
do Governo quanto à regionalização».

<p n=18910>
E o presidente da Câmara Municipal de Évora, Abílio Fernandes,
classificou as assembleias distritais como «órgãos de maior
representatividade democrática».

<p n=18911>
Otelo Saraiva de Carvalho afirmou domingo, num programa da televisão
espanhola, que é um «perseguido político», considerando «falso» tudo o
que disseram contra ele no âmbito do processo FP-25. «Fui acusado de ser
o fundador de uma organização armada em 1980, mas isso não tem nada a ver
com a realidade», disse Otelo durante o programa «Mira 2» do segundo
canal da TVE, adiantando não haver «nenhum motivo para eu pretender
conseguir alguma coisa pelas armas». O comandante operacional do 25 de
Abril, arguido no caso das FP-25, disse ainda não ter nunca tido
pessoalmente contactos com a ETA militar, ainda que tenha chegado a
participar numa iniciativa organizada pelo «Harri Batasuna», partido que
é considerado o braço político da organização terrorista basca. Otelo
manifestou-se contra o tipo de violência da ETA, «pois entra na dinâmica
do terrorismo», embora defenda no, «plano teórico, o recurso à luta
armada de organizações que lutam pela independência», justificando a luta
do IRA e dos movimentos de libertação africanos. Embora reconhecendo o
direito do povo basco a lutar pela independência, Otelo afirmou que o
tipo de violência da ETA «parece injustificado» e que «podemos reprovar
os métodos» pela existência da instituições democráticas no país em que
se inserem.

<p n=18912>
O grupo minoritário saído do último Congresso da Federação de Faro do PS
vai solicitar a intervenção de Jorge Sampaio no processo de constituição
da lista de deputados pelo Algarve às legislativas. A minoria contesta,
em particular, a ausência do seu líder, Carvalho Afonso, da lista de
candidatos, considerando-a contrária «aos princípios da democracia
interna e à prática de consenso que sempre esteve presente quando da
elaboração das listas de candidatos». Esta reacção surge após o malogro
das negociações entre as duas sensibilidades do PS/Algarve, com o
abandono da reunião realizada no sábado passado da totalidade dos
elementos afectos à minoria.

<p n=18913>
O secretário de Estado da Alimentação, Luís Capoulas, vai processar
judicialmente o deputado do PCP Lino de Carvalho. O motivo  é a acusação
de «estar a agir em causa própria» dirigida por Lino de Carvalho aquele
membro do Governo, durante a discussão, na Assembleia da República, da
autorização governativa para a venda das terras aos rendeiros do Estado
no Alentejo, no passado dia 2 de Abril. Isto porque o pai de Luís
Capoulas, António Capoula, segundo Lino de Carvalho, seria beneficiado
pela legislação uma vez que é rendeiro.

<p n=18914>
Daí que, segundo o secretário de Estado, o seu caso não seja abrangido
pela actual autorização legislativa. E Luís Capoulas entregou mesmo a
todas as bancadas documentação comprovativa de que o seu pai não é
rendeiro do Estado mas de privados. Além disso, para o secretário de
Estado a autorização legislativa para venda de terras aos rendeiros do
Estado destina-se às pequenas propriedades e às cooperativas, enquanto o
seu pai «era e é um grande agricultor».

<p n=18915>
Leonor Beleza será hoje eleita presidente do IPSD. Longe vão os tempos em
que este instituto era disputado entre as famílias sociais-democratas.
Agora, acima de tudo, organiza colóquios e conferências, e marca o
regresso da ex-ministra às lides políticas.

<p n=18916>
Todavia, em tempos o IPSD foi palco das lutas internas no PSD. Tal
verificou-se no tempo em que Pinto Balsemão conseguiu, depois de feroz
disputa, alcançar a presidência do instituto. Na altura, estava-se em
1983, e o então ex-ministro da AD encabeçava a oposição ao líder do PSD,
Mota Pinto. Balsemão derrotou a lista patrocinada pela direcção
social-democrata e que era encabeçada por um dos vice-presidentes da
Comissão Política, Nascimento Rodrigues. Muito activo nesses anos, o IPSD
foi o ponto de encontro da chamada linha «balsemista» e um foco de
resistência ao poder instalado no PSD. O orçamento era bem mais «folgado»
que o actual, tanto que na altura a fundaçãos, no caso a Naumann,
financiava directamente o instituto e não apenas as suas iniciativas,
como, aliás, acontecia com todas as fundações estrangeiras ligadas aos
diversos partidos políticos portugueses. Esse período terminou e o IPSD
deixou de ter aquele peso na arrumação das famílias sociais-democratas.

<p n=18917>
Conclui-se hoje em Washington a primeira ronda das negociações para a
revisão do acordo de utilização da base das Lajes, nos Açores, pelos
Estados Unidos. Antecedida pela realização de um encontro preparatório,
em Lisboa, esta ronda teve ontem, debaixo de rigoroso sigilo,  início no
edifício do Pentágono, com as delegações chefiadas pelos embaixadores
Pedro Catarino, por Portugal, e John Hawes, pelos Estados Unidos.

<p n=18918>
Está já convencionado que o encontro negocial a decorrer em Portugal,
desde o início do mês, entre  Governo de Luanda e a UNITA, se chama
«Conferência de Paz do Estoril». O papel dos observadores no apoio às
diligências mediadoras portuguesas sobe, entretanto, de tom.

<p n=18919>
Cavaco Silva terminou ontem à noite uma visita "amigável" ao Luxemburgo
para receber o prémio "Joseph Bech" pelo seu contributo para a causa
europeia. Mas o primeiro-ministro aproveitou a sua estadia no Grão-Ducado
para discutir com as autoridades nacionais temas como a livre circulação
de trabalhadores, a situação da comunidade portuguesa no Luxemburgo e a
presidência da CEE.

<p n=18920>
Tudo indica que o "sim" do Luxemburgo, tanto pelo seu estatuto de
presidente em exercicio da CEE como pelo facto de ser o país que maiores
problemas tem levantado nesta área devido a uma elevada taxa de
imigração, abra a via para um acordo por parte dos outros 10 estados
membros. O optimismo dos dois primeiros-ministros leva-os mesmo a afirmar
que a decisão formal relativa à alteração do Tratado de Adesão de
Portugal à CEE, no capítulo das derrogações à liberdade de circulação,
possa ser tomada durante o mês de Junho. A ser assim, os cidadãos
portugueses passarão a ter o direito de residir e de se estabelecer em
toda a Comunidade a partir de 1 de Janeiro de 1992 e, um ano mais tarde,
no Luxemburgo.

<p n=18921>
O secretário-geral do PS e o líder do Partido Democrático norte-americano
Ron Brown - que em Maio estará em Lisboa - encontraram-se domingo à
noite, em Washington, num jantar que marcou o início de uma nova
aproximação entre os democratas dos EUA e os socialistas portugueses,
pretendida pelos líderes de ambos os partidos.

<p n=18922>
Ron Brown que é líder dos democratas há pouco mais de 1 ano salientou
ainda que o seu partido pretende sobretudo perspectivar uma nova forma de
relacionamento com os partidos democratas europeus, trocando ideias e
informação e discutir como poderão trabalhar em conjunto. Brown
referiu-se ainda ao reforço do protagonismo internacional da Europa, dada
a aproximação de 1992 e das mudanças que a vão tornar «numa força
económica mais significativa».

<p n=18923>
Em cumprimento da lei e dos nossos estatutos, apresentamos a V. Exas. o
Relatório, Balanço e Contas do Exercício 1990.

<p n=18924>
A posição do nosso Pais, se analisada em termos de saldos das balanças
turisticas, é francamente animadora já que se integra num grupo de apenas
cinco paises que têm conseguido saldos positivos e que se apresentam como
paises tradicionalmente receptores-- França, Grécia, Itália, Espanha e
Portugal. Por outro lado, Portugal é o último pais da Europa fornecedor
de turistas, não chegando a 1% das dormidas totais da CEE.

<p n=18925>
O Activo Imobilizado Corpóreo figura pelo valor do custo histórico,
deduzidas as amortizações acumuladas, ambos actualizados nos bens objecto
de reavaliação em conformidade com os Decretos-Lei n.os 430/78 de 30/12,
219/82 de 02/06, 399-G/84 de 28/12,118-B/86 de 27/05,111/88 de 12/04 e D.
L. 49/91 de 25 de Janeiro de 1991.

<p n=18926>
Os investimentos financeiros, tanto em empresas interligadas como noutras
empresas estão contabilizados pelo custo de aquisição.

<p n=18927>
O Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas -- mesmo isolado dos dois
restantes sindicatos do sector e exceptuado o dos quadros técnicos -- tem
uma posição charneira nas receitas da UGT. Vejamos o exemplo do orçamento
para o ano passado, com uma previsão de quotizações rondando os 146 mil
contos: os bancários do sul e ilhas deveriam contribuir com mais de 46
mil contos, contra os 15 mil da estrutura nortenha e e os quase cinco mil
da zona centro. No total, os bancários portugueses,a  avaliar por esta
previsão contribuiriam com cerca de 45 por cento das quotizações da
central.

<p n=18928>
Tranquilizados os espíritos com a vitória certa dos imperativos,
considere-se que se trata de um dos sindicatos (tido por «milionário»)
mais solventes e mais cumpridores dos filiados na UGT. RV

<p n=18929>
A União Geral dos Trabalhadores será a grande triunfadora das eleições
para o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas que hoje se realizam. Boas
notícias do ponto de vista financeiro. Dúvidas do ponto de vista
político-sindical.

<p n=18930>
Assegurada a tranquilidade em matéria de dinheiros, restam as dúvidas
sobre a linha político-sindical que triunfará: os socialistas, do ponto
de vista oficial, aparecem coligados com os comunistas, numa linha de
continuidade da actual direcção; os socialistas, do ponto de vista não
oficial e minoritário, apresentam-se juntos com os sociais-democratas.

<p n=18931>
PORTUGAL é um dos países com menor índice de criminalidade, afirmou ontem
em Tondela o ministro da Administração Interna, Manuel Pereira, na
cerimónia de inauguração da esquadra da PSP local. «Podemos orgulhar-nos
da quase inexistência de criminalidade organizada ou violenta,
nomeadamente banditismo e terrorismo», disse Manuel Pereira. O ministro,
que atribuiu às «qualidades do povo» é à «acção eficiente das forças de
segurança» esta situação de baixo índice de criminalidade, admitiu que o
«desenvolvimento das sociedades urbanas possa vir a alterar a
tranquilidade relativa de que temos disfrutado». Também no que respeita à
livre circulação de pessoas no interior das fronteiras da Comunidade
Europeia, Manuel Pereira disse que «o papel das polícias deverá ser um
esforço  continuado».

<p n=18932>
O quinzenário «Notícias»,de Cabo Verde, classificou de «histórias da
carochinha» as razões apontadas oficialmente para a demissão do antigo
titular da pasta da Indústria, Comércio e Turismo, Gustavo Araújo.
Segundo o jornal, posto a circular quinta-feira na cidade do Mindelo,
aquele membro do governo de gestão de Carlos Veiga está envolvido em
desvios de verbas do Fundo Social Europeu em Portugal.

<p n=18933>
Vinte por cento da população portuguesa pode vir a sofrer de hipertensão,
subindo essa percentagem, a partir dos 70 anos, para os cinquenta por
cento. Estes dados foram revelados por Eduardo Mota, professor da
faculdade de Medicina de Lisboa, no decorrer do  XII Congresso Português
de Cardiologia que ontem teve início na Figueira da Foz.

<p n=18934>
De acordo com Eduardo Mota, factores genéticos e um consumo de sal muito
elevado explicam o grande número de hipertensos em Portugal. A maior
incidência de casos regista-se nas zonas do interior do país, porque «há
uma tendência para salgar mais a comida». No litoral, a `dureza da água'
poderá explicar um número  inferior de casos de hipertensão». Mas, para
Eduardo Mota, os factores genéticos continuam  a funcionar como a maior
causa de hipertensão. « Filhos de pessoas com pressão alta tendem a ser
fortes e a terem também tensão alta», salienta. Se há condições ideais
para a hipertensão -- obesidade, pouco exercício físico, tendência para
reter o sal no organismo -- também há aspectos «em que a pessoa pode
influenciar uma predisposição nata».

<p n=18935>
A protecção dos dados pessoais num espaço sem fronteiras como será o
mercado interno foi o grande tema que a primeira sessão da Comissão dos
Assuntos Jurídicos e dos Direitos do Cidadão do Parlamento Europeu
debateu, ontem, em Coimbra.

<p n=18936>
Mas legislar nesta matéria «torna-se complexo», reconheceu o relator
Geoffrey Hoon. É que o acesso aos dados pessoais é exigido para um bom
planeamento a nível governamental. «São um instrumento que permite
circunscrever mais eficazmente os direitos e deveres do corpo político».
Também no sector privado, «o tratamento destes dados possibilita às
empresas uma melhor avaliação dos recursos humanos à sua disposição, bem
como da procura por parte do consumidor».

<p n=18937>
As últimas informações situam-nas em Madrid. Chamam-se Angela Cristina
Kallen Brunnen de Sequeira, Maria Sofia Viana de Menezes Corte Real e
Sandra Maria Pereira da Rocha e são amigas. Há mais de um mês que
desapareceram dos seus lares, em Braga. Uma delas deixou uma mensagem:
«Esta cidade estava a dar cabo de mim...». Os pais não compreendem.

<p n=18938>
O itinerário da viagem de fuga das jovens é dificil de estabelecer. De
concreto, apenas se sabe que, inicialmente, foram para o Gerês. No dia 27
de Março, um colega de uma delas reconheceu-a no Mac Donald's, em Madrid.
Dois dias depois, uma professora viu-as no mesmo sítio. Quando
regressaram a Portugal, o colega e a professora souberam da fuga e
comunicaram  à família. Na altura, estavam bem, agora também devem estar.
É que, nas cartas, disseram que se houvesse algum problema comunicariam
com as familias. Seja como for, e à medida que o tempo passa, os
familiares vão ficando cada vez mais preocupados.

<p n=18939>
NOS  primeiros três meses deste ano foram participados à Polícia
Judiciária de Lisboa 114 desaparecimentos de pessoas. Não há estatísticas
que indiquem com rigor o sexo, a idade ou a origem social dos
desaparecidos. Mas as estimativas referem que são, na maior parte dos
casos, rapazes menores pertencentes sobretudo às classes sociais mais
desfavorecidas.

<p n=18940>
A miséria social, os maus tratos familiares, o desentendimento entre os
pais ou a sua ausência e o insucesso escolar são algumas das principais
causas que levam os jovens a fugir -- considera Rolo Ramos, responsável da
divisão de Investigação e Prevenção Criminal da PJ que trata dos mandados
de captura e dos desaparecidos. O furto, consumo de drogas, prostituição
e «um certo desejo de aventura» são outros dos factores que contribuem
para o desaparecimento dos menores. É, na perspectiva de Rolo Ramos, um
problema social. Para dissuadir os jovens de fugir seria necessário
proporcionar-lhes, em primeiro lugar, «melhores condições de vida.» Às
carências materiais junta-se o mau funcionamento de «institutições
fundamentais como a família, a escola e a assistência social» --
consideram os investigadores da PJ.

<p n=18941>
O INSTITUTO Nacional de Estatística (INE) desencadeou um «inquérito de
qualidade» ao Censos/91, em 250 freguesias, que visa, através de uma
amostragem, testar a coerência das respostas e a acção dos agentes
recenseadores.

<p n=18942>
Não se requisita, ao cidadão, que comprove a veracidade do respondido.
«Não se pede às pessoas que provem a sinceridade das suas respostas. E
isso não está ser feito deliberadamente. O recenseamento da população e
do alojamento aposta na confidencialidade e na sensibilidade dos
cidadãos», explica Fernando Casimiro, director do departamento de
estatísticas demográficas e sociais do INE e reponsável máximo desta
operação.

<p n=18943>
Uma funcionária judicial foi condenada ontem pelo Tribunal de Vila Nova
de Gaia a dois anos e seis meses de prisão, acrescidos de uma multa
diária, durante vinte dias, de 350 escudos, e à demissão das suas funções
por crime de peculato continuado . O tribunal considerou tratar-se de um
«grave abuso da função» que «atingiu a própria imagem da justiça».  No
entanto, a defesa apresentou recurso da condenação, com efeito suspensivo
do cumprimento da sentença até decisão do Supremo Tribunal de Justiça.

<p n=18944>
A confissão parcial,  a ausência de antecedentes criminais e a situação
civil de Emília Costa (divorciada e com dois filhos menores) foram
factores que pesaram na sentença. Recorde-se que esta funcionária
judicial apresentou como justificação para os crimes de que era acusada o
mau relacionamento com o ex-marido, louvado (espécie de perito) judicial,
que alegadamente lhe extorquia dinheiro. Esta versão é corroborada por
uma vizinha e pela própria mãe, mas desmentida pelas colegas de trabalho.

<p n=18945>
Trabalham 18 horas por dia, sete dias na semana, nas ruas de Los Angeles.
Mas podem passar dias ou mesmo semanas sem fazer  dinheiro. Ninguém
parece apreciá-los. Apelidam-se de «perdigueiros» devido ao seu trabalho
de «farejar» e «caçar» carros envolvidos em acidentes, na cidade. Mas a
polícia tem vários outros nomes menos carinhosos para esses motoristas
ilegais de camiões-reboque: piratas, bandidos, aves de rapina.

<p n=18946>
«Quem chega primeiro faz dinheiro. É um trabalho de carniceiro. Para mim,
eles não passam de um bando de abutres», afirma o detective da polícia de
Los Angeles, Bill Whittaker, à frente das investigações sobre o trânsito
da zona sul da cidade.

<p n=18947>
O Conselho de Europa adoptou uma recomendação que define regras para o
exercício de direitos exclusivos por parte de cadeias de televisão, no
que respeita à transmissão de grandes acontecimentos para diversos
países. O Conselho pretendeu assegurar que o facto de uma cadeia de
televisão deter os direitos exclusivos de um acontecimento não possa
privar o público em geral de pequenas reportagens do mesmo. A
recomendação defende que a exclusividade deve ser limitada e recomenda
que as outras estações tenham acesso a essa informação, sendo autorizadas
a fazer pequenas reportagens.

<p n=18948>
Duas bombas colocadas aparentemente por vinicultores em acções de
protesto explodiram ontem perto de Narbonne, no sul da França, cortando
cabos telefónicos e interrompendo durante uma hora as comunicações com a
Espanha e Portugal, confirmou a companhia France-Telecom. Uma terceira
bomba explodiu numa estação de Correios. Nos locais, podiam ver-se
«slogans» de apoio a um Comité de Acção dos Vinicultores.

<p n=18949>
O Conselho de Europa adoptou uma recomendação que define regras para o
exercício de direitos exclusivos por parte de cadeias de televisão, no
que respeita à transmissão de grandes acontecimentos para diversos
países. O Conselho pretendeu assegurar que o facto de uma cadeia de
televisão deter os direitos exclusivos de um acontecimento não possa
privar o público em geral de pequenas reportagens do mesmo. A
recomendação defende que a exclusividade deve ser limitada e recomenda
que as outras estações tenham acesso a essa informação, sendo autorizadas
a fazer pequenas reportagens.

<p n=18950>
Duas bombas colocadas aparentemente por vinicultores em acções de
protesto explodiram ontem perto de Narbonne, no sul da França, cortando
cabos telefónicos e interrompendo durante uma hora as comunicações com a
Espanha e Portugal, confirmou a companhia France-Telecom. Uma terceira
bomba explodiu numa estação de Correios. Nos locais, podiam ver-se
«slogans» de apoio a um Comité de Acção dos Vinicultores.

<p n=18951>
Depois da ternura comovente de «A Cor Púrpura», Spielberg olhou
enternecidamente para a infância de um miúdo chamado Jim. O mesmo
realizador de «Tubarão»? Claro que sim.

<p n=18952>
Em termos de virtuosismo cinemático e movimentação de massas, «Império do
Sol» está ao nível dos outros filmes mais populares de Spielberg, embora
o impacto não seja tão forte como o de «Salteadores da Arca Perdida»,
«Indiana Jones e o Templo Perdido» ou «Sempre» (que saiu recentemente no
mercado de aluguer). Uma das razões será, talvez, o facto de os actores
não estarem ao nível dos que figuram nos outros títulos referidos. O
actor que faz de Jim deixa um pouco a desejar e John Malkovich... enfim:
digamos que há os que o idolatram e os que o abominam. Mas, quando o
senhor atrás da câmara se chama Spielberg, não há actor que consiga
estragar o filme. Pois logo, com o já clássico «Duel» (que realizou para
a televisão no início dos anos 70), Spielberg demonstrou que era um
mestre exímio da linguagem do cinema. E os seus inúmeros apaixonados
(sim, o amor por Spielberg é uma paixão) têm agora, com «Império do Sol»
em vídeo, mais uma oportunidade para um «rendez-vous» amoroso com o
Steven do seu coração.

<p n=18953>
A abrir o ciclo Roberto Rossellini, teremos ocasião de (re)ver «Roma,
Cidade Aberta» (1945), um dos mais míticos filmes da história do cinema
que, com «Paisá» (1946) e «Alemanha, Ano Zero» (1947), constitui a sua
«trilogia da guerra».

<p n=18954>
Desde a panorâmica inicial sobre Roma, até aos últimos planos com a morte
crística do padre resistente (expressa no «Pai, perdoa-lhes», mas
extensível ao «flagelado» comunista, em ecuménica inter-relação) e o
afastamento das crianças, por trás de grades, existe com o real
circundante uma relação de compromisso. A visita ao quotidiano operário
(espantosos os planos de interiores que não escondem situações de
pobreza, nem a tristeza de um mundo sem perspectivas de esperança), a
opção por muitos actores não-profissionais e a «verdade» de filmar em
cenários reais remetem para um gosto documental que se assume como corte
com um cinema de «glamour» e fingimento. É sobretudo uma reacção contra a
produção italiana dos chamados «telefones brancos» e não tanto contra o
cinema saído directamente da máquina de sonhos hollywoodiana, como certa
propaganda ideológica «antiamericana» (seria talvez melhor dizer, para
evitar mal-entendidos, «anti-cinema americano») do pós-guerra quis
sublinhar. Aliás, o escapismo de Hollywood nos anos 30 tem muito que se
lhe diga.

<p n=18955>
Se a noção de «autor» no cinema começa com a reavaliação de Hawks e
Hitchcock pelos «Cahiers du Cinema», ela aplica-se de pleno direito à
geração que começou a filmar durante a II Guerra Mundial. Welles, Huston,
Mankiewicz e Billy Wilder são simultaneamente realizadores, argumentistas
e produtores. De Billy Wilder, a RTP transmite «O Segredo de Fedora».
Entre argumento e realização, outra «valsa do imperador».

<p n=18956>
A caminho dos EUA, faz escala em Paris, onde dirige o primeiro filme,
«Mauvaise Graine», mas antes de conseguir voltar à realização nos EUA,
será o amadurecimento como argumentista na Columbia e na Fox, primeiro, e
na Paramount, depois, a partir de 1937. Neste estúdio tem um encontro
decisivo: Charles Brackett, seu colaborador nos 13 anos seguintes. Juntos
escrevem algumas das melhores comédias dos anos 30: «A Oitava Mulher do
Barba Azul» e «Ninotchka», de Lubitsch, e «Meia-Noite», de Mitchel
Leisen. Brackett será o co-argumentista de Wilder nos filmes que este
dirige no período 1942-50, de «A Incrível Susana» a «Crepúsculo dos
Deuses», excepto «Pagos a Dobrar», em que Wilder teve Raymond Chandler
como colaborador.

<p n=18957>
Adaptado da peça «O Doce Pássaro da Juventude», de Tennessee Williams,
«Corações na Penumbra» é um mergulho na sociedade conservadora do Sul dos
EUA -- realizado por Brooks em 1962, quando já adaptara «Gata em Telhado
de Zinco Quente», do mesmo autor.

<p n=18958>
Segunda versão cinematográfica do romance de Alberto Moravia «Os
Indiferentes», dirigida em 1988. História de uma família da alta
burguesia italiana durante os anos 30 e da sua lenta derrocada.

<p n=18959>
Com o advento da «glasnost», tornava-se necessário adaptar a um novo
figurino ideológico o esquema essencial do «thriller» político: deriva do
filme de espionagem que se alimentou inicialmente da propaganda antinazi
e, depois, à exaustão, do clima de guerra fria instaurado no pós-guerra.
Deste modo, «Brigada Assassina», partindo embora de uma situação
reconhecível em termos de argumento-base (trocas de identidade, acesso a
«dossiers» secretos, progressiva descoberta do móbil da intriga),
introduz-lhe novas complexidades. Trata-se agora de uma ameaça à
cooperação entre as antigas superpotências rivais, por elementos
relativamente isolados (a sequência final lança dúvidas sobre a extensão
de tal isolamento), ainda que influentes nas altas esferas do poder, que
não acreditam na abertura proposta. As presumíveis vítimas são o
Presidente dos EUA e o secretário-geral da URSS. E, entre os «maus»,
avultam figuras gradas dos exércitos de ambos os países, interessadas em
perpetuar antigos equilíbrios e salvaguardar os jogos de guerra. Mas,
independentemente de todas as variações sobre um esquema clássico, o que
faz deste filme um excelente divertimento é o rigor da efabulação e a
presença do extraordinário actor que é Gene Hackman. Boa cópia vídeo.
M.J.T.

<p n=18960>
Com Charles Chaplin, Buster Keaton, Harry Langdon, Stan Laurel e Oliver
Hardy, Charles Chase, Ben Turpin e outros.

<p n=18961>
Por vezes, o tempo parece que sofre uma ferida profunda e que deixa de
crescer. Para que ela cicatrize, é necessário exorcizar o tempo que ficou
para trás dessa ferida. Mas para muitos já é tarde de mais. Já
envelheceram e não têm ânimo para recuperar: ficam irremediavelmente
presos a esse tempo, espectros em vida, memórias palpáveis de algo que já
não existe.

<p n=18962>
Salienta-se habitualmente a originalidade do humor de Bohumil Hrabal -- e
hoje já não há a menor dúvida em afirmar, categoricamente, que este autor
é um dos maiores humoristas deste século. Mas poucas vezes vi referido
como esse humor está relacionado com o trabalho que exerce sobre a sua
memória e o seu passado. É esse trabalho de reactualização e recriação do
passado que provoca em Bohumil Hrabal uma aguda consciência da forma como
a morte redimensiona as existências. O humor é resultante desta
compreensão de que o logro é o elemento essencial do humano e que,
consequentemente, tudo e nada tem uma infinita importância. Por isso, o
humor de Bohumil Hrabal nunca reduz ou caricaturiza, antes
permanentemente afirma a absoluta dignidade de se ser imperfeito.

<p n=18963>
«Poderá a psicanálise mudar realmente a sua vida?». É assim que a Globe
introduz o seu primeiro tema deste mês. Há depoimentos de alguns que
sobreviveram a uma psicanálise, incluindo Françoise Giroud, que
sobreviveu a uma psicanálise com Jacques Lacan: ainda por cima faz parte
dos analisados felizes. Sentia-se culpabilizada por não ser um rapaz,
agora parece que já não. É uma ilustração para a frase de Gérard Miller,
um dos psicanalistas franceses mais conhecidos, que acaba de publicar
(com a mulher, Dominique) um livro sobre o destino, que se chama
«Psychanalyse 6 heures 1/4»: a frase em que ele diz que em análise temos
que chegar, pelos nossos próprios meios, ao encontro que o nosso sintoma
nos marcou. A seguir vêm as páginas práticas: um repertório dos últimos
ditadores. Abre com Fidel, segue-se o presidente do Zaire, o da Etiópia,
Kim Il Sung, al-Assad Hafez, e Kadhafi, que vem sempre. Também falam das
cartas tórridas que Kadhafi escrevia a Imelda Marcos; os outros não têm
hobbies com graça, tirando Fidel, que faz Boxe.

<p n=18964>
A Revolução de 1848, de cariz «universalista», acompanhada por uma forte
ideologia de tendência democrática e republicana, que denuncia os 
absolutismos e sonha com a «revolução social» e mental, e com a «Santa
Aliança dos Povos», encontra em Portugal um ambiente peculiar. A ressaca
da guerra civil de 1946-47, as dissensões políticas a nível partidário, a
tentativa da instauração da «ordem» e do centralismo pelo cabralismo, as
dificuldades económicas do país, são o conjunto de factores apresentados
como móbeis para o entusiasmo manifestado por vários sectores da vida
portuguesa em relação ao eco dos acontecimentos da Revolução Francesa de
1848 em particular, e aos movimentos revolucionários e nacionalistas, em
geral.

<p n=18965>
Foi na segunda feira 22 de Abril. O «Film Society of the Lincoln Center»
prestou a sua homenagem anual a uma figura do cinema. Desta vez o objecto
da homenagem foi, com toda a justiça, a inesquecível Sabrina, Ariane, a
princesa Ana («Férias em Roma»), a mais bonita Natasha («Guerra e Paz»)
do cinema, o anjo de Spielberg («Sempre»), em resumo «my fair lady»
Audrey Hepburn. Antes do acontecimento a «Film Comment» de Março-Abril dá
a notícia e faz o balanço da carreira de uma das mais discretas,
admiradas, respeitadas e amadas actrizes de Hollywood, essa «funny face»
que iluminou os anos 50 e 60, e defendeu a elegância e a sofisticação num
período dominado pelos «sex-symbols». Molly Haskell, a autora do artigo,
define-a como «possuindo a habilidade de fazer a ponte entre dois
mundos», de viver um sonho e realizá-lo: o lado Cinderella que leva a
filha do motorista em «Sabrina» a casar com o patrão, e o lado Galateia
que transforma uma suja vendedora de flores numa princesa de sonho («My
Fair Lady»). É a peça mais apelativa e com chamada para a capa. Mas nem
por isso é a mais importante da melhor revista de cinema que hoje se
publica em qualquer parte do mundo. Logo a abrir este número (onde se
encontram também as homenagens a duas actrizes recentemente
desaparecidas, Irene Dunne e Joan Bennet, a cargo de Richard Schikell e
David Thompson, respectivamente) uma recensão sobre a rainha do «Poverty
Row», a «Republic Pictures», a propósito de um documentário de homenagem
a este estúdio feito para a televisão (que a RTP não se esqueça dele, por
favor!). No estúdio rei dos «serials» e dos westerns de série (Gene
Autry, Roy Rogers, etc) alguns grandes realizadores tiveram a
oportunidade de concretizarem projectos que lhe eram caros: John Ford e
«O Homem Tranquilo» e «Rio Grande», Nicholas Ray e «Johnny Guitar», Orson
Welles e «Macbeth». E uma das suas vedetas mais fiéis, antes e depois de
conquistar a fama, foi John Wayne, que na Republic produziu o seu
primeiro filme, «A Última Jornada», interpretou um dos seus favoritos, «A
Lenda do Bruxa Vermelha», e recebeu a primeira nomeação para Óscar em «O
Inferno de Iwojima».

<p n=18966>
Ao começo, o cinema transmitia um conceito idealista de «justiça»: o
tribunal era a última instância, o espaço dramático do desenlace de um
drama que, finalmente, premiava o «bem» e lançava o «mal» para a geena.
Lugar de reconhecimento do sacrifício e do triunfo da virtude e da
verdade (as várias versões de «Madame X» e suas variações).

<p n=18967>
Barry Levinson é sobretudo conhecido pela sua vertente mais comercial e
despersonalizada, presente em filmes tão díspares como: «O Enigma da
Pirâmide» (1985), «Bom Dia, Vietname» (1987), ou «Encontro de Irmãos»
(1988). É, no entanto, em pequenos filmes de câmara, retratos comovidos
de uma comunidade retida na memória da infância e da juventude que o
realizador dá a verdadeira medida do seu talento.

<p n=18968>
É a edição portuguesa de «Bouche du Diable», obra já analisada em
pormenor pelo PÚBLICO (edição de 10/3/91). Romance político-policial com
uma poderosa carga fantástica, esta banda desenhada de Boucq e Charyn
constitui um dos grandes acontecimentos editoriais do ano e confirma o
talento superior desta dupla de autores, de quem já foi editado em
Portugal «A Mulher do Mágico».

<p n=18969>
O herói musculado, criado por Robert E. Howard e adaptado pela primeira
vez à banda desenhada por Roy Thomas e Barry W. Smith, continua a
alimentar um filão quase inesgotável de novas histórias, umas mais
conseguidas, outras menos. Este é o sexto volume antológico da versão
espanhola, já em segunda edição, que a Editorial Planeta-De Agostini tem
vindo a propor aos leitores do país vizinho.

<p n=18970>
Autor polémico e, para muitos, maldito, Vuillemin tem estado no centro de
alguns escândalos editoriais,  nomeadamente uma obra publicada no ano
passado («Hitler = SS») que lhe valeu acusações de anti-semitismo e
hitlerianismo. O seu desenho «sujo» e a violência das abordagens
temáticas chegaram ao livro de bolso através desta recolha de várias
situações da rubrica que o autor mantém mensalmente na revista «L' Écho
des Savanes».

<p n=18971>
Bem podem pensar os nossos realizadores que, quando se trata de um filme
português, o crítico não precisa de fazer mais que tocar de novo o disco
do costume: bela fotografia, lindo acabamento, mas deficiências gritantes
no argumento e na direcção de actores. Pois bem, desta vez é possível
mudar de disco. A fotografia de «Os Cornos de Cronos» não é nada de
especial (apesar de Daniel del Negro ser um excelente fotógrafo), a
sincronização dos diálogos é uma anedota e, de um modo geral, o filme
avulta como um caos eriçado de problemas técnicos. Mas, quanto a
argumento e direcção de actores, temos sem sombra de dúvida um filme
altamente profissional, digno do cineasta que é José Fonseca e Costa. Não
digo que certos diálogos, no plano ideal, não precisassem de uma
reformulação, mas no conjunto a coisa é refrescante. E parabéns a Fonseca
e Costa pelas personagens que conseguiu criar para Inês de Medeiros (que
bem que lhe fica o motivo do Pássaro Azul da «Bela Adormecida»!) e Paula
Guedes.

<p n=18972>
Será de esperar que do contrato da Chandos com Neeme Järvi -- que para a
etiqueta desbravou sistematicamente o reportório orquestral de Dvorák e
Prokofiev e prossegue uma não menos exaustiva exploração das sinfonias de
Chostakovitch e dos poemas sinfónicos de Richard Strauss -- venha a
resultar uma integral das sinfonias, bloco já abundantemente servido pelo
disco mas em que o maestro tem certamente muito a dizer. Mas foi com
«Saul e David» que Järvi primeiro se afirmou como grande intérprete de
Nielsen.

<p n=18973>
A presença da máquina na pintura e na arte em geral tem sido uma das
constantes da época moderna -- depois dos futuristas, de Duchamp e de
Picabia. Com valor metafórico ambíguo, que tanto se presta a exaltar o
optimismo como o pessimismo, é sem dúvida uma das grandes linhas de força
da produção artística do século. António Viana toma esta tradição -- os
seus quadros definem-se num emaranhado de estruturas geométricas
perspectivadas e representações de elementos mecânicos isolados, sem
grandes intenções que não sejam uma submissão a normas compositivas
ordenadoras do espaço e um sentido do jogo, patente na conjugação,
aparentemente aleatória, dos diversos motivos. Trata-se de uma pintura
que joga também com conotações inerentes ao labirinto, à oposição
cheio/vazio, e com os conceitos de escala, valor, harmonia.

<p n=18974>
O que ressalta do conjunto das telas agora expostas por José Loureiro é a
intenção irónica, que se revela sobretudo na insignificância dos temas
escolhidos: «bocas», «orelhas» e «batatas». Cada um destes motivos surge
isolado sobre um fundo anónimo, acompanhado da sua sombra, como se se
tratasse de um objecto. O facto de o pintor os sujeitar a uma deformação,
obviamente dirigida a partir da norma e que é sobretudo óbvia no caso das
«bocas» -- convertendo-se assim em deformidade --, transforma-os em
curiosidades, o que se acentua ainda pela dimensão reduzida das telas.
Cada quadro parece representar e ser ele próprio um objecto de arte,
comercializável e coleccionável. De tal maneira que a pintura de José
Loureiro, que parece actualmente inserir-se numa intenção de comentário,
neste caso irónico, da situação social e económica da arte, se pode
transformar antes num gabinete de curiosidades -- a possuir e exibir.
L.S.O.

<p n=18975>
Mais uma estreia portuguesa integrada no Festival. É no Monte Estoril.
Lisboa preferirá teatro francês. Évora receberá a visita de Beckett, em
inglês.
disco mas
Évora verá a famosa «Krapp's Last Tape» de Beckett, agora em inglês. Quem
viu em Lisboa Mário Viegas na «Última Bandana» e Pierre Chabert em «La
Dernière Bande», terá interesse em comparar como soa o mesmo texto em
inglês. Como se sabe, Beckett acompanhou pessoalmente a encenação de
Chabert, que desiludiu muito boa gente quando foi apresentada em Lisboa,
no Trindade, em 7 deste mês. Como perder a oportunidade de comparar três
versões da mesma peça em menos de 15 dias?

<p n=18976>
A revelação foi, para muitos, «Minha Bela Lavandaria», seguida da
confirmação com «Ligações Perigosas», mais brilhante mas mais desigual. E
agora, com «Anatomia do Golpe», temos nada menos do que a consagração de
Stephen Frears como um dos realizadores mais interessantes e
surpreendentes da actualidade. Tudo no filme concorre para um efeito
global devastador, desde o argumento em si (exemplar: só a primeira cena
entre Anjelica Huston e John Cusack merecia um Óscar pela forma como duas
vidas inteiras são decantadas em poucas palavras -- contrastar a primeira
cena entre Carlos Vereza e Paula Guedes em «Os Cornos de Cronos», onde se
tenta o mesmo processo, para se ver a diferença), a «mise en scène», a
admirável fotografia e aquilo em que Frears se revelou logo um mestre em
«Minha Bela Lavandaria», obviamente a superlativa direcção de actores.
Neste capítulo, os três actores são perfeitamente magistrais, dando com
rara subtileza (só a reacção gesticulada de Annette Bening às bofetadas
de John Cusack!) o equilíbrio precário entre dureza e fragilidade que é o
apanágio destas três personagens inesquecíveis. A isto devemos juntar a
adequação total da música de Elmer Bernstein às intenções de Frears
(simbiose especialmente arrepiante no «dueto» final entre Lilly-Jocasta e
Roy-Édipo, onde os arabescos sensuais da banda sonora remetem para a
«Salomé» de Richard Strauss) e a sóbria inevitabilidade da sucessão de
imagens e situações, que caracteriza o filme no seu conjunto, e que o
predestina ao estatuto de clássico. O segundo visionamento do filme criou disco mas tentações de lhe atribuir cinco estrelas. O que fará o
terceiro? F.L.

<p n=18977>
EM 1976, numa comarca de província, o juiz ditou a sorte de um casal cujo
julgamento se prolongava havia três dias. Ler a sentença foi, para o
magistrado, apenas mais um acto de rotina. Muitas horas depois, o oficial
de diligências encontrou o mesmo casal sentado no banco dos réus.

<p n=18978>
A questão coloca-se, por exemplo, em relação aos juízes. Entre nós,
acredita-se ainda muito no juiz como uma pessoa completamente
independente só pelo facto de ser juiz. Mas «é importante que haja a
coragem cultural para dizer que as coisas não são assim» -- diz Laborinho
Lúcio. O juiz «não é uma pessoa invulgar, é um homem vulgar a exercer uma
função invulgar». É uma pessoa «tendencialmente independente e que, em
cada momento, tem que fazer um esforço intelectual grande para garantir a
independência em cada caso.» Para o ministro, a independência, «sendo um
valor do sistema, é também um valor psicológico, alguma coisa que tem que
ser construída permanentemente». E o juiz «tem que duvidar sempre da sua
independência para poder ser cada vez mais independente».

<p n=18979>
Luxo seria a última palavra que me ocorreria para qualificar este «crime»
de lesa-cinema, sob forma de «comédia» óbvia e grosseira. As sequências
no interior do apartamento das Amoreiras, entre Henrique Viana e Natália
de Sousa, são absolutamente indescritíveis e ficarão na memória, como o
cúmulo do piroso, elevado ao superlativo. Continuar a «bater no
ceguinho»? Para quê? M.J.T.

<p n=18980>
A história do jazz deve estudar-se com a geografia ao lado. Para que não
se julgue que só nos grandes berços (New Orleans, Chicago, Nova Iorque)
havia vida. Não fossem as «territory bands» -- nadas, criadas e «mortas de
morte morrida», dentro de fronteiras regionais que só a expansão da rádio
viria parcialmente a derrubar -- e a regra que manda nascer da quantidade
a qualidade teria grandes motivos de queixa do jazz. Centenas de pequenos
grupos e grandes orquestras reproduziam nos bairros (quando não nesta ou
naquela rua) perdidos em cada cidade de cada Estado (principalmente do
Sul, Midwest e Leste) sons aparentados das memórias que forasteiros
traziam de New Orleans, Chicago ou Nova Iorque.

<p n=18981>
É verdade que, quando se trata de considerar um «filme de aviação», o
nome de Howard Hawks constitui uma referência irrecusável, e «A Patrulha
da Alvorada», «Ceiling Zero», «Paraíso Infernal» ou «Águias Americanas»
são objectos de constante citação. No entanto, as exigências que o
paralelismo comporta podem ser injustamente limitadoras para um filme
como «Memphis Belle», mais interessado em contar (muito bem) um simples
episódio de guerra e em explorar a vertente documental da acção do que em
analisar profundamente o mundo masculino arvorado em microcosmos e
tecendo toda uma rede de complexas relações. Os momentos máximos da fita
são os das sequências aéreas, graficamente belíssimas, colocando a tónica
sobre a eficácia e a transparência do discurso fílmico. Se se trata de um
«pastiche», ele reside sobretudo no modo como se aceita o lado
propagandístico da ficção de guerra. É que, ao contrário de «Sempre»,
procurando reinventar a partir de uma matriz anterior, «Memphis Belle»
respeita os dados fundamentais do referente de que parte, o documentário
de William Wyler. Mas fá-lo com uma honestidade e um bom-gosto que vão
rareando. Não se trata de uma obra-prima, mas é mesmo assim de visão
obrigatória. M.J.T.

<p n=18982>
É evidente para qualquer espectador de «Miami Blues» que o filme não
passa de um policial despretensioso, com uma finalidade única que é
proporcionar o tipo de entretenimento estereotipado que todos esperam do
género, mas que aqui surge de uma maneira algo invulgar, pois tanto o
«bom» como o «mau» da fita aparecem dotados de uma truculência que chega
a ser caricata. Dentro destes parâmetros, o filme vale a pena ser visto,
tanto mais que o ambiente sufocante da capital do crime «por conta
própria» é bastante bem dado. F.L.

<p n=18983>
As relações do jazz com o cinema são numerosas, mas pouco felizes. Mais
do que texto, a música raramente passou de pretexto -- e as imagens, mais
do que solidárias com as notas, preferem manipulá-las. Mas, à sua
maneira, o jazz vai-se vingando da ingratidão -- roubando, ele próprio, a
identidade da tela.

<p n=18984>
O que falta a este filme mediano é precisamente a paixão sublinhada pelo
redutor (a falta de imaginação é confrangedora) título português. A
curiosa inversão do mito de Pigmalião, com o triunfo dos valores da
«Galateia proletária», tem óbvios limites e funciona sobretudo porque
Susan Sarandon, uma actriz de extraordinários recursos, constrói uma
personagem de uma tocante força e envolvente sensualidade.
Particularmente memoráveis são o encontro no escuro, em casa de Sarandon,
e a festa em casa dos amigos de Spader. O reencontro final, em Nova
Iorque, falha lamentavelmente, porque o realizador, ao recusar a
simplicidade da «receita» melodramática, opta por um excesso que destrói
o esperado impacte emocional. M.J.T.

<p n=18985>
Tenho falado com várias pessoas que assistiram às suas encenações de
ópera; todas elas ficaram marcadas pelo esplendor da «mise en scène»
viscontiana. Maurizio Pollini, o grande pianista, confiou-me que Visconti
foi um dos dois deuses da sua juventude -- o outro era Maria Callas;
Visconti, encenador de ópera, não o realizador de cinema que,
curiosamente, desconhecia. Para ele, o ideal no domínio das artes de
representação não era utópico: existira, de facto, e ele tinha-o visto,
em 1955, no Scala de Milão: «La Traviata» de Giuseppe Verdi, com
encenação de Luchino Visconti e Maria Callas no papel principal.

<p n=18986>
Diz que não é rico -- «Ganho muito bem, mas também gasto muito bem»--  e
não tem a obsessão de poupar para a velhice porque sempre teve «um
`feeling'» que vai «morrer relativamente novo, com 50 e tal anos, e de
desastre de automóvel». Na cave, submerso em 10 mil volumes de
literatura, arte e religião, está um Nash Metropolitan, produzido na
Austin, em Inglaterra. «É um modelo diferente do americano e que só foi
distribuído na Europa». Adquiriu-o em 1986, numa loja de carros antigos.

<p n=18987>
Os produtores de Ramisco entregam as uvas na Adega, que as vinifica por
processos tradicionais (curtimenta), estagiando o vinho em tonéis dois
anos ou mais antes do engarrafamento.

<p n=18988>
«Ela vai morrer hoje, se não encontrar a mãe», disse o homem, segurando a
rapariguita, de cinco anos, pela mão. «De frio». Ele vira-a vagueando,
descalça, junto de um dos quatro cemitérios improvisados do campo de
Isikveren (leia-se Ixqvéren), na fronteira turco-iraquiana.

<p n=18989>
No campo de Çukurca (leia-se Xucurja), mais perto da fronteira com o
Irão, a situação era tão desesperada como em Isikveren.

<p n=18990>
Um escreve, o outro não. Um é mais reservado, o outro expansivo. Um
interioriza a vida e o peso das coisas, o outro exprime-os. Um procura os
amigos prioritariamente para um convívio intelectual, o outro prefere
plateias mais diversificadas. Um é europeu, intelectual e comedido, o
outro gosta dos lugares do Mediterrâneo, do Verão e da festa. Um joga
xadrez, o outro golfe. Um olha o mundo de um posto de observação, o outro
pratica-o. Um não prefere a política, o outro amou-a. Um é mais
melancólico, o outro, temperamental. Um chama-se Marcello, o outro
Leonardo. São ambos inteligentes, comunicativos. E diplomatas. Como o
pai.

<p n=18991>
«O meu pai», diz Marcello, «é uma espécie de D. Quixote incrédulo.
Possuía uma grande capacidade de sonho, aliada a um grande cepticismo. O
que o singularizou foi a sua personalidade, onde conviviam, como dizia
Gramsci, o pessimismo da inteligência e o optimismo da vontade. Era um
homem enérgico, um diplomata que se empenhava, nunca ficou a meio
caminho.»

<p n=18992>
Hoje é um homem mais parco em palavras. Ouço-o citar-me George Sand -- «la
parole n'est pas mon langage» -- como para se escusar de ir mais além na
memória e no esforço dessa memória...

<p n=18993>
Amante dos prazeres da vida, o diplomata sabia também cultivar as coisas
do espírito, o gosto pelas letras, as boas bibliotecas, os meios
culturais. Se bem que sempre tenha sabido fazer coexistir tudo isto na
sua personalidade, na vida e nas funções profissionais, a carreira foi,
porém, o factor determinante.

<p n=18994>
Um escreve, o outro não. Um é mais reservado, o outro expansivo... Um
interioriza a vida e o peso das coisas, o outro exprime-os. Um procura os
amigos prioritariamente para um convívio intelectual, o outro prefere
plateias mais diversificadas. Um é europeu, intelectual e comedido, o
outro gosta dos lugares do Mediterrâneo, do Verão e da festa. Um joga
xadrez, o outro golfe. Um olha o mundo de um posto de observação, o outro
pratica-o. Um não prefere a política, o outro amou-a. Um é mais
melancólico, o outro, temperamental. Um chama-se Marcello, o outro
Leonardo. São ambos inteligentes, comunicativos. E diplomatas. Como o
pai.

<p n=18995>
«O meu pai», diz Marcello, »é uma espécie de D. Quixote incrédulo...
Possuía uma grande capacidade de sonho, aliada a um grande cepticismo...
O que o singularizou foi a sua personalidade, onde conviviam, como dizia
Gramsci, o pessimismo da inteligência e o optimismo da vontade. Era um
homem enérgico, um diplomata que se empenhava, nunca ficou a meio
caminho.»

<p n=18996>
Há dez anos atrás, quando a Philips desenvolveu o CD como uma nova
tecnologia que haveria de permitir uma formidável recuperação de mercado,
a conjuntura na indústria da música não era mais grave do que a actual. À
beira de uma nova recessão, a Philips volta à carga com um novo produto --
a cassete compacta digital (DCC) --, enquanto alternativa à tentativa
fracassada da Sony para impor a cassete áudio digital (DAT).

<p n=18997>
O conceito de aldeia global tem na actual cena musical sueca um um dos
seus exemplos mais típicos. Num país onde a imigração é particularmente
limitada, os mais recentes nomes com projecção internacional, como Titiyo
e agora Dr. Alban, são de imigrantes de procedência africana . Como
Titiyo, Dr. Alban avança no terreno da música de dança, mas enquanto
aquela se esforça por acompanhar o último grito nas pistas ingleses, este
segue na linha neoafricanista, do que resulta, em termos musicais, um
álbum que é uma simbiose de dialectos da música de dança, onde a house, o
rap e reggae se fundem, numa contínua celebração do Terceiro Mundo. Este
cariz politizado de «Hello Afrika» segue a velha escola de slogans e
solenidade militantes, enquanto a salada de música negra procede a
associações não menos previsíveis dos códigos que integra. Intenções tão
boas quanto vagas, muita pedalada rítmica, mas fraca inspiração
combinatória, um disco que é por isso o retrato exacto dos equívocos que
origina a pancultura de dança. **

<p n=18998>
Martin Hannett, o anjo negro da urbano-depressividade de Manchester,
morreu de ataque coração durante o sono, o que talvez tenha sido o golpe
de misericórdia num longo processo de autodestruição. Steve Marriott,
figura proeminente do rock inglês dos anos 60, faleceu também na semana
passada, mas num incêndio aparentemente acidental.

<p n=18999>
Marriott nunca passou por experiências tão traumáticas como as que
Hannett observou e viveu com os Joy Division. Martin Hannett, antigo
estudante de Química, entrou tardiamente na cena rock de Manchester,
sendo sucessivamente baixista num grupo obscuro, organizador de
concertos, empresário de uma cooperativa de músicos e engenheiro de som.
A sua transição para a produção ocorreu com a chegada do «punk» à cidade
do Northside e a sua estreia na nova função ocorreu em Janeiro de 1977,
com o primeiro EP dos lendários Buzzcocks. Um ano depois era o produtor
oficial da não menos célebre Factory, assinando colaborações com nomes
como Durutti Column, Cabaret Voltaire e Joy Division. A sua ligação com
estes últimos cedo ultrapassou os aspectos puramente contratuais, e
Hannett tornou-se rapidamente uma espécie de quinto elemento da banda, a
quem se atribui a atmosfera sombria e inquietante, tão emblemática da
banda de Ian Curtis.

<p n=19000>
Foi o quinto prémio da Academia que John Barry recolheu com a sua banda
sonora para o campeão de estatuetas deste ano, «Danças Com Lobos».
Tornou-se a especialidade do antigo compositor pop e responsável pela
famosa secção de cordas em pizzicato nos discos de Adam Faith, que depois
subiu aos tops pelas inflexões «jazzy» do seu John Barry Seven, até
entrar no negócio das encomendas para anúncios e séries televisivas. As
bandas sonoras tornaram-se o seu forte em meados dos anos 60, numa linha
em que canções são sempre menos importantes que as peças atmosféricas.
Não se desviando num milímetro dessa política, a sua partitura de «Danças
Com Lobos» é do género de, com uma sipnopse da fita, conseguir
reconstituir a acção apenas com a música. Às partes de ataque ríspido dos
violinos faz-se corresponder as cenas de «suspense» na fronteira; se a
mesma secção toca num tom mais melodramático, são as crianças índias a
ser sacrificadas; quando se ouvem os sopros, já se sabe que vem aí a
cavalaria -- e por aí fora. Considerando que uma banda sonora deve valer
por si, John Barry é o maior a fazer o contrário. ***

<p n=19001>
Primeiro single a promover aos tops a nova mistura de jazz e rap, a
canção dos Warriors surge neste maxi em três versões que, no lugar das
suas virtualidades pop, desenvolvem as ideias que a disciplina a esse
formato comercial não deixou desabrochar. Com as misturas a cargo dos
«deejays» da equipa Young Disciples, a definição é assim menos bombástica
e mais jazzística, preferindo os solos de sopros, guitarra e congas às
caixas de ritmo e refrões que comandam o baile. Uma decepção para as
massas, um bálsamo para os clubes alternativos.***

<p n=19002>
Já em Janeiro passado, quando se fizeram os balanços do ano transacto, os
analistas do mercado musical anunciavam a entrada num novo período de
depressão. Foram então apontados entre os seus principais indicadores o
fim da fase de crescimento do CD e a crise de novos valores musicais,
factores que só se agravaram com a guerra do Golfo, que veio precipitar o
colapso.

<p n=19003>
Como uma última tábua de salvação, a Rough Trade procederá à reedição da
discografia completa dos Smiths, podendo eventualmente ceder os direitos
à multinacional EMI. Para que ninguém se fique a rir, a recessão também
ataca o publicismo musical, de tal forma que o jornal «Sounds» e a
revista «Record Mirror» também fecharam, lançando no desemprego 80
jornalistas.

<p n=19004>
Nunca gravou um disco e só sabe tocar meia dúzia de notas no baixo. Mas o
rock em Portugal, o que se rotula de «rock português», é indissociável do
seu nome. António Sérgio confessa que a sua vida privada é tranquila; do
ponto de vista profissional, no entanto, sempre foi um rebelde, e não
segue outro catecismo que o das suas intuições musicais. Na Renascença,
começou por passar o que não tocava em mais lado nenhum, tornou-se o
primeiro embaixador nacional do punk, apoiou e editou algumas das
principais bandas portuguesas, instruiu e galvanizou gerações sucessivas
de consumidores musicais. Tem agora 41 anos de idade, vai festejar ao
microfone o seu primeiro quarto de século de rádio e editar o primeiro
projecto de jornalismo musical pan-europeu. As memórias, paixões e
estratégias desta instituição marginal da comunicação em Portugal estão
nas páginas centrais deste suplemento.

<p n=19005>
PÚBLICO -- De programas de rádio à edição de discos, passando pelo
apadrinhamento de grupos, tudo o que tem feito se relaciona com música.
Talvez por isso seja mais fácil começar pela única coisa que não fez.
Nunca se sentiu tentado a tocar ou a fazer música pelos seus próprios
meios?

<p n=19006>
Se o CD beneficia do bónus de cinco temas adicionais, a edição em LP
recomenda-se na medida em que «Recurring» assenta numa disjunção expressa
no corte do vinil em duas faces. O quarto e derradeiro álbum dos Spacemen
3 é, na verdade, fruto da divergência tornada pública há dois anos atrás
entre Sonic Boom e Jason Pierce, de que resultou o primeiro seguir a solo
e o segundo prosseguir com o resto da banda sob a nova sigla
Spiritualized. Constituído por material na maior parte datado dessa
altura, «Recurring» é assim um disco póstumo, com a originalidade de não
se basear mais em temas rubricados em conjunto, mas reunir os primeiros
testemunhos da desavença, sendo a primeira face só Sonic Boom e a segunda
só Jason e companhia. Trata-se de um testemunho de como a partir do
vector comum, a actualização do psicadelismo e do rock sob caução
farmacológica, se começaram a delinear duas versões alternativas. Se a
vertigem dos estados de alucinação é o denominador comum, o lado Sonic
Boom é mais obsessivo e dramático, enquanto o lado Jason é sobretudo
planante e voluptuoso. Sem ter a consistência de «Spectrum», primeiro
Boom a solo, contando que os Spiritualized devem guardar o melhor para o
álbum de estreia, «Recurring» vale pelo desenho de odisseia alucinada de
pólo a pólo, do excesso revulsivo ao cavalar analgésico. ***

<p n=19007>
Agora, Simon Booth contenta-se com fazer a apologia do humanismo dançante
em «Positive», as letras do resto do disco parecendo mais colecções de
palavras ajustadas ao estilo de fraseado de Eyvon Waite. A chave do álbum
reside, por isso, na combinação da voz soul da voz dela com as texturas
funk e jazz que eles produzem, sempre sobre uma batida certa e vagarosa.
O segundo lado de «Body & Soul» é mais variado, incluindo elementos de
rap e scratch, incursões na bossa nova e longas improvisações
jazzísticas, enquanto o primeiro lado soa mais a estereótipos de baile
com pitadas de sax e guitarras de fusão, de modo que parecem derivações
de Neneh Cherry e Soul II Soul com decorações jazz.

<p n=19008>
No primeiro teledisco O'Neal está ao balcão de uma «lanchonete» cortejado
por duas fêmeas batidas, mas avista outra mais angelical, sentada com uma
amiga numa mesa, e acaba por sair com ela num carro cuja matrícula é
«Alex». No segundo, a rapariga deixou-o, e ele aproveita para mostrar o
que a dita está a perder, ou seja, aquele corpinho que exibe com não mais
que o roupão ou o lençol entre pernas. No terceiro, as coisas melhoram e
uma pequena toda em «lamé» deita-lhe a pestanada do bar, enquanto ele lhe
lhe sussurra um «I love you» do palco. Seguem-se mais dois clips em
dialéctica sensual entre o artista em cena e as «gatas» na assistência, o
primeiro dos quais se baseia em Alex fazer censuras a uma negra num
vestido cheio de ventilação e o segundo em ele protestar por elas -- um
enorme rancho de «top models» --  só saberem censurá-lo. Toda estas
desavenças sensuais são, contudo, ultrapassadas no último teledisco, um
dueto com Cherelle, onde passam o tempo cada qual para seu canto, até
acabarem nos braços um do outro, com uma comitiva de fotógrafos
cobrindo-os de «flashes».

<p n=19009>
Os Butthole Surfers têm um som peculiar, imediatamente identificável como
uma espécie de ruído artístico, misto de apuro técnico e ideologia
subversiva. Assim se impuseram como chefes de filas das hostes
independentes norte-americanas, nos anos 80, mas, no seu penúltimo álbum
-- «Hairway To Steven» -- descobriram que o chinfrim, além de ultrajante,
pode ser parodista, procedendo então à elaborada redução ao absurdo de
consagrados rock como os Led Zeppelin. Agora, com dez anos de carreira,
mudam de patrão da Blast First para a Rough Trade, mas prosseguem a mesma
intuição em «Piouhgd», porém, numa linha que passa a sacrificar as
pretensões estéticas a uma maior exploração do aparato. A demolidora
selva de «feedback» e de ruídos furiosos persiste, sobretudo em «P.S.Y»,
a faixa que ocupa a maior parte da face B, mas o humor é muito menos
subtil nas suas novas expressões, o sarcasmo vistoso ao hino hippy «The
Hurdy Gurdy Man» (de Donovan), a farsa country & western em quatro
andamentos que dá pelo título de «Lonesome bulldog» e a anedota blues
«Goldenshowers». Não há que ter escrúpulos, e se o disco peca é por ser
ainda um produto de compromisso com os princípios de agitação artística,
pois é tanto melhor quanto mais as piadas são fortes e feias.*** L.M.

<p n=19010>
Para António Sérgio, os discos a levar para a habitual «ilha deserta»
seriam muitos, muitos mais que aqueles que lhe pedimos para nomear. Mas
como o mais difícil da questão é isolar uma quantidade limitada
pedimos-lhe que nomeasse cinco das suas últimas preferências musicais. Os
cinco álbuns que mais tempo passaram no seu «pick-up» nos últimos tempos.
Inevitavelmente foi necessário saber também dos «clássicos de sempre»,
aqueles que mais o marcaram desde que começou a ouvir música. Se nalguns
casos a sua selecção não é de todo surpreendente, no global acaba por ser
muito mais que isso.

<p n=19011>
«É um gajo que me fatasmagoria completamente. Tem três álbuns
importantíssimos e daí tive de escolher um. Foi o tipo de pessoa em que a
capacidade de escrita foi de tal modo intensa que lhe queimou o fusível
rapidamente. Ardeu como um fósforo. Sem Nick Drake havia um certo tipo de
escrita musical que nunca teria existido.»

<p n=19012>
Apesar de até aqui pouco publicitada, uma nova tecnologia computorizada
está a provocar uma pequena revolução na qualidade sonora das edições
musicais, de que está sobretudo a beneficiar o panorama de reedições em
CD dos mais antigos fundos de catálogo.

<p n=19013>
Se nestes casos a aplicação das técnicas de limpeza se pode considerar um
preciosismo, uma vez que as fitas originais até eram boas e de primeira
geração, o seu uso em relação a gravações de menor qualidade revela-se de
primeira necessidade. É a distinção que se pode testemunhar comparando as
também recentes reedições das gravações integrais da lenda do blues
Robert Johnson (Sony Music), onde a não aplicação da técnica compromete
gravações velhas de baixa fidelidade dos anos 30, e a compilação dos
singles do não menos emblemático trovador country Hank Williams
(Polygram), que soam, cerca de quatro décadas depois, como se tivessem
acabado de ser gravadas hoje.

<p n=19014>
A madeixa de cabelo sobre a cabeça rapada do cantor, o nome provocador do
grupo, um álbum de estreia repleto de provocações verbais e rock a abrir
com montes de «samplers» pelo meio, o apoio do conservador Jonathan King
nas páginas do «The Sun» -- como o caso do roubo do logotipo das vacas aos
Inspirer Carpets -- chegaram para os Carter se estabelecerem como a grande
sensação do ano passado no enclave independente inglês. Agora, o duo
londrino Jim Bob (voz e guitarra) e Fruit Bat (guitarra) procura destilar
a reputação em música mais substancial, rubricando um álbum que não
descola dos princípios de agitação, mas avança no sentido de lhes
conferir maior consistência. «30 Something» assinala assim o deslizar dos
«samplers» do miolo para a periferia das composições, as quais ganham a
forma de pequenos contos morais, cantados sempre à beira dos colapso.
Musicados a partir de um arsenal de guitarras, teclas e sopros
enfurecidos, constituem uma espécie de versão apunkalhada da linha de
delírios que vai dos Band of Holy Joy a Tom Waits -- referências mais
evidentes para os finais de cada lado, quando a avalanche de
electricidade dá lugar a números de cabaré pop. A meio caminho entre os
tiques da miudagem e uma poética superior. L.M.

<p n=19015>
Por outro lado, se esta série podia servir para repositório de
experiências um pouco mais arrojadas do que o habitual dos músicos
envolvidos, o que acaba por acontecer é que resulta numa espécie de
compilação de bons «jingles» para publicidade, provando o apuramento dos
seus autores para este género de produção, mas também a falta de
imaginação provocada pela rotina. As excepções óbvias vão primeiro para
Nuno Rebelo, que decidiu arriscar com a ex-Doce Lena Coelho, naquilo que
se poderia considerar como o tema «soft-core» da série (a presença de
Lena Coelho, mais que a sua voz, é fundamental para o mesmo), e depois
para A Sonora de Lisboa, que se estreia assim em vinil e que soa muito
mais a bar sul-americano decadente do que qualquer das outras tentativas
aqui incluídas. De notar também a boa voz da desconhecida Virginia Sal, a
prometer outros voos no tema «Bolero (Te Quiero)». Do resto salienta-se
sobretudo a competência de quem não tem muito a ver com este assunto.**

<p n=19016>
Em «Geneva 4 a.m.» ouve-se as vozes dos autores a conversarem no fundo,
sugerindo dois amigos de longa data que, acidentalmente, se reencontram
às tantas da matina, numa cidade deserta, para trocar confissões íntimas
sob forma de canções. Deve ser a ideia geral, uma vez que os Jack Frost
são, afinal, o ex-Go-Betweens Grant McLennan e o Church Steve Kilbey,
dois músicos veteranos da cena australiana que, graças à projecção
além-fronteiras dessas bandas, hoje se devem encontrar com mais
facilidade em Genebra do que no seu país natal. A sugestão é
interessante, mas o diálogo em termos musicais não flui em mais do que as
duas primeiras faixas do disco, onde de facto a explosão de guitarras à
Church combina bem com o lado mais fantasmagórico do romantismo
Go-Betweens. O resto do disco, porém, é na maior parte um corolário da
linha McLennan, que se diria servir-se da experiência sobretudo como
ensaio para a sua estreia a solo, prevista para o próximo mês. Sendo ele
o principal responsável da queda dos Betweens no barroco melodramático,
cujo pior exemplo é «Tallulah», daqui nada de bom seria de esperar. Mas,
apesar de algum maneirismo e tendência para para os embrulhos lustrosos à
custa de arranjos de cordas e efeitos ambientais, sobretudo nos temas
mais longos, McLennan faz um genuíno esforço para se controlar, daí
resultando meia dúzia de canções de simplicidade compositiva e
transparência emotiva realmente admiráveis. *** L.M.

<p n=19017>
Surgido agora no mercado, via importações alternativas, este álbum dos
Jane's Addiction, gravado ao vivo em 1987, serve como primeiro registo do
grupo, anterior, portanto, ao fabuloso «Nothing's Shocking», que os
estreou a nível global. É por isso mesmo representativo da sua fase de
afirmação no circuito americano e, hoje em dia, o repositório de temas já
bandonados pelo próprio grupo, o que neste caso pode ser de algum
significado para os ávidos fãs angariados desde então. Por outro lado é
uma amostra do que o grupo pode soar ao vivo, o que não é menos
importante pelas constantes intervenções e «deambulações» do vocalista
Perry Farrell, as quais dão um colorido especial às actuações. Mas, como
registo ao vivo que é, não pode ser comparado de igual para igual com a
luxúria sonora dos discos posteriores, servindo por isso mesmo como
documento de uma outra época do grupo. De registar as peculiares versões
de «rock'n'roll» de Lou Reed e «Simpathy» (o velho «Simpathy for the
Devil» dos Stones), aqui interpretados no «lado acústico» do disco. ****

<p n=19018>
Após a explosão Gypsy Kings, o flamenco passou a tornar-se habitual nos
tops e rádios de todo o mundo. A partir dessa prova de popularização,
surgiu de tudo um pouco, de obscuras formações até aí arredadas do grande
mercado a meros aproveitamentos comerciais do género e a cruzamento com
outros linguagens com os actuais ritmos de dança. Ketama é por seu lado
um grupo de ciganos espanhóis que faz do flamenco a linguagem base para
experiências várias, sob o signo das possibilidades dos virtuosos músicos
nele integrados. Daí que se possam ouvir neste disco cruzamentos de
flamenco e samba, rumba, tango ou «blues». O próprio título do álbum
(significando «os tempos mudaram-me») sugere essa extrapolação do
universo puro da cultura cigana para a «visão aldeia global» da mesma.
Tudo fica resumido no tema «Puchero Light», que começa por um ritmo
cubano para passar ao samba e seguir pelas «noites de Harlem, plenas de
`blues' e jazz», acabando na estrofe: «Mesmo que façamos música
universal, Ketama somos ciganos. Que nunca se perca a nossa cadência
flamenca.» Este disco dignifica a percepção da universalidade bradada aos
céus pelos cultores da «world music», no seio da própria música étnica
que lhes serve de matéria-prima.****

<p n=19019>
Quem pode esperar levar os Pet Shop Boys a sério, depois do grupo fazer
mais uma destas: revisitar o velho tema dos U2 «Where the Streets Have no
Name», por si só já bastante afastado da estética de Neil Tennant e Chris
Lowe, e ainda por cima misturá-lo com «I Can't Take My Eyes off You» de
Andy Williams, outra velharia, esta de cariz bem mais «kitsch». Pois é,
os PSB baralham em definitivo as concepções, acabando sempre por
surpreender pela ironia ou pela seriedade camuflada, numa forma que
oscila entre a irreverência e o mais assustador snobismo. A versão do
tema dos U2, que assenta que nem uma luva no som do grupo, é a prova mais
recente dessa dualidade que, por vezes, produz bons efeitos. O lado B
contém uma remistura para «How Can You Expect To Be Taken seriously?»
retirado do último álbum, e um bom tema, «Bet She's not Your Girlfriend»,
apenas disponível na versão japonesa de «Behaviour».****

<p n=19020>
Esta caixa compilatória circunscreve o psicadelismo à segunda metade da
década de 60 e atribui superioridade à facção americana (sobretudo West
Coast) face à inglesa, na proporção de dois discos para um, dividindo
depois o legado americano consoante tenha sido editado em single ou só em
álbum. São princípios muito genéricos de organização e, mesmo sem se
entrar em discussões detalhadas sobre o que é ou não essencial, é
evidente que há lacunas tão grandes como Jimi Hendrix e Janis Joplin na
parte americana, ou os Pink Floyd na inglesa, havendo ainda insistências
no mínimo discutíveis, caso dos Buffalo Springfield (duas faixas) e dos
Jefferson Airplane (três temas).

<p n=19021>
«Rock Power» é o nome da revista musical a surgir brevemente por toda a
Europa, desde os países de Leste até Portugal. Concebida como um projecto
«pan-europeu», a sua intenção é cobrir tudo o que diz respeito ao
universo em expansão do hard/heavy, de uma ponta à outra do velho
continente, aproveitando sobretudo a abertura do mercado dos países de
Leste, em particular a enorme União Soviética. Um projecto desta dimensão
exige, por certo, meios e métodos especiais, que contemplem não só a sua
envergadura, mas também as características específicas de cada local onde
a revista estará disponível. Por essa razão, e para contemplar cada uma
das culturas que irá atacar, cada edição será completamente traduzida
para a língua local, por tradutores das diversas nacionalidades
envolvidas, sendo o grosso dos textos elaborados no centro nervoso deste
complexo: o Reino Unido. Cada uma das diferentes edições ainda poderá ser
contemplada com uma secção especial dedicada ao panorama metálico do país
em questão, sendo assim garantida uma pequena cota de produção nacional
de cada uma das partes envolvidas. António Sérgio é o coordenador da
equipa, que terá por missão alinhar a edição portuguesa (fundamentalmente
pessoas ligadas ao programa Lança Chamas). Um trabalho que considera ser
«um bocado pesado», não só pelo material musical envolvido, mas sobretudo
pela componente de tradução que no panorama das publicações musicais é
bastante difícil.

<p n=19022>
Os Talk Talk acabaram o contrato com a EMI e mudaram-se para a Polydor
revendo a sua carreira para a antiga editora com a compilação «Natural
History». Agora, menos de um ano depois, e aproveitando o sucesso
comercial desse disco, surge uma outra compilação de êxitos do grupo
revisitando a anterior a pretexto de remisturas. É um exemplo pouco
frequente, este das duas colectâneas consecutivas, mas não desprovido de
razões, pelo menos se pensarmos no investimento que a EMI fez no grupo ao
longo do tempo, sendo apenas compensado com esse disco.

<p n=19023>
José Saramago acaba de entrar no panteão das obras impressas em papel
bíblia da editora Lello & Irmão, onde figura agora ao lado de Camões,
Pessoa, Eça de Queiroz, Gil Vicente, Padre António Vieira, Garrett, Padre
Manuel Bernardes e outros clássicos. O escritor esteve ontem no Porto, na
livraria Lello, para o lançamento desta nova edição das suas obras.
Trata-se de uma edição em três volumes, impressa em papel bíblia e
encadernada, que reúne, em cerca de 4 mil páginas, a totalidade da obra
de Saramago até agora publicada: crónicas, poemas, contos, textos para
teatro e romances. Os três volumes custam 24.000$00 e só serão vendidos
em conjunto, sendo a tiragem de 4 mil exemplares. «Os meus inimigos têm
agora um pretexto para dizerem que já estou morto, uma vez que este tipo
de edições costuma ter um certo ar de monumento fúnebre», ironizou
Saramago, a propósito do facto de ser o único escritor vivo editado nesta
colecção da Lello. Só que neste caso, «o morto ainda mexe», avisou.
Confessando que manifestou, inicialmente, alguma reserva em relação a
este projecto que a Lello propôs à Editorial Caminho (a sua editora
habitual), Saramago mostrou-se ontem satisfeito e chegou mesmo a brincar,
dizendo: «O autor está contente. Esperemos agora que a edição venda, para
que também o editor fique contente». M. S.

<p n=19024>
NISSAN PRIMERA GALARDOADO -- Os responsáveis pelo Entreposto Comercial
receberam ontem à noite, numa discoteca lisboeta, o «Troféu Carro do Ano
Volante de Cristal», referente à eleição do Nissan Primera como «Carro do
Ano em Portugal». Organizada anualmente pelo jornal «Volante», esta
eleição é efectuada por um júri de dezasseis jornalistas. A classificação
do troféu deste ano foi a seguinte: 1.º Nissan Primera (1324,1 pontos);
2.º Opel Calibra (1241,3); 3.º Citroën XM (1208); 4.º Renault Clio
(1157,9); 5.º Rover 400 (1152,3). O Nissan Primera conseguiu assim em
Portugal repetir o galardão conquistado noutros países da Europa como por
exemplo na Alemanha.

<p n=19025>
MINISTRO BÚLGARO DEMITIU-SE -- Christo Danov, o ministro búlgaro do
Interior, demitiu-se ontem, na sequência de uma fuga de informações sobre
o processo de investigação de deputados que colaboraram com a polícia
política no regime comunista. O jornal «Fax», órgão da União da Juventude
Democrática, ligada ao Partido Socialista (ex-comunista), publicou ontem
uma lista de 33 deputados que terão alegadamente colaborado com a
polícia. Cinco são socialistas, 18 da União das Forças Democráticas,
principal grupo da oposição, cinco do partido da minoria turca, dois do
Partido Agrário, dois do Liberal e um é independente.

<p n=19026>
PÉREZ DE CUELLAR QUER SATÉLITE-ESPIÃO DA ONU -- O secretário-geral das
Nações Unidas, Javier Pérez de Cuellar, declarou ontem em Bordéus que a
organização devia possuir o seu próprio satélite-espião, para detectar
«pontos quentes» em todo o mundo antes que os conflitos começassem. O
diplomata peruano assinalou que um satélite destes teria mostrado, o
Verão passado, o comportamento ameaçador do Iraque em relação ao Kuwait,
antes da invasão de 2 de Agosto.

<p n=19027>
Numa conferência de imprensa para dar a conhecer as conclusões das
quartas jornadas algarvias promovidas pelo PCP, o líder regional dos
comunistas, Carlos Luís Figueira, disse que o PS não está em condições
nem tem força para sozinho ser alternativa à direita e defendeu a
necessidade de entendimento e «conjugação de esforços» entre o PS e o
PCP, sustendando que o PS não tem projecto nem credibilidade para se opor
sozinho ao PSD.

<p n=19028>
A Comissão Nacional de Eleições propôs ontem no Parlamento alterações à
Lei do Referendo cuja votação está agendada para hoje no plenário da
Assembleia da República. A CNE pretende assegurar a possibilidade de
fiscalizar a igualdade de circunstâncias em que decorrerá a campanha
eleitoral e propõe que, além dos partidos, também as coligações
participem na campanha dos actos de referendo.

<p n=19029>
O «pacote» de documentação, ainda secreta, que traduz os termos da
negociação entre Portugal e a Indonésia, sobre uma visita de deputados
portugueses a Timor Leste, já se encontra nas mãos dos líderes
parlamentares da Assembleia da República e do presidente da Comissão
Eventual de Acompanhamento da Situação em Timor, um sinal de que o
processo de decisão está à beira do fim. A reunião com o ministro Deus
Pinheiro que se chegou a admitir ocorresse ontem em S. Bento acabou por
não se realizar, tendo o MNE enviado a documentação que agora apenas
aguarda o «sim» das várias bancadas, praticamente assegurado desde a
passada semana.

<p n=19030>
Uma equipa da Assistência Médica Internacional (AMI), constituída por um
coordenador, três médicos e seis enfermeiras, desloca-se no domingo para
a fronteira entre o Iraque e o Irão com o objectivo de prestar auxílio a
um campo de refugiados curdo. Do peditório nacional que realizou e cujo
produto será levado agora para o Curdistão, a AMI conta já com cinco
toneladas de roupa quente e, da parte do Ministério da Defesa, além do
avião Hércules C-130 que permitirá a deslocação, tem a promessa de
elevado número de tendas, capotes e cobertores. Laboratórios
farmacêuticos têm contribuído com medicamentos. A organização particular
de solidariedade presidida por Fernando Nobre, que já se deslocou aos
campos de refugiados em missão exploratória, espera agora que empresas do
ramo alimentar forneçam leite e farinhas. A AMI tem, desde Março, uma
missão junto de um asilo de crianças na Roménia e diversas equipas em
África.

<p n=19031>
O nosso país e os países da Europa do Sul têm a maior taxa de hipertensos
da Comunidade Económica Europeia e, ao contrário dos países da Europa
central, um menor número de casos de doenças cardíacas.

<p n=19032>
A RTC, empresa concessionária da publicidade na TV, vai aumentar para 90
por cento os descontos nas tabelas de publicidade relativas a
espectáculos de teatro, ópera, circo e bailado realizados em Portugal.
Até agora, estas produções tinham um desconto de 70 por cento na sua
publicidade televisiva.

<p n=19033>
Livros de autores e discos e videogramas de autores e intérpretes
portugueses, editados em Portugal, bem como de musicais «ao vivo», terão
desconto de 70 por cento.

<p n=19034>
Durante os próximos oito anos Portugal continuará a assegurar a
administração do território de Macau. É a recta final de um percurso
longo de quatro séculos. E o balanço último dessa longa presença em
terras chinesas é desastroso.

<p n=19035>
O novo governador, Rocha Vieira -- uma escolha incontestada de Mário
Soares --, não deixará de prolongar e aprofundar a «modernização» de
Macau. A obra, esquecida e adiada durante séculos, torna-se realidade em
menos de três décadas. É necessária, é vistosa e envolve milhões. Fica
como legado português, a par das obras mais antigas que atraem o turista
e dão a Macau um cunho diferente de Hong-Kong. Prevêem-se oito anos
gloriosos de inaugurações múltiplas.

<p n=19036>
A seis meses de distância das eleições legislativas os partidos políticos
fervilham já com a preparação das listas de candidatos a São Bento.
Enquanto no PSD a estratégia passa por deixar tudo para o último momento
e para a última palavra do líder, no PS há já notáveis indispostos com os
critérios avançados pelo Secretariado Nacional. Na CDU é cada vez mais
certo que Cunhal deixará de ser o «número um» por Lisboa, enquanto no CDS
Lucas Pires mantém a recusa em se candidatar. O PÚBLICO traça a
radiografia das corridas pessoais a um lugar de deputado.

<p n=19037>
Enquanto esteve à frente do Governo, Carlos Melancia pôs de pé cinco
grandes empreendimentos: o Aeroporto Internacional de Macau, o Porto de
Ká Hó, a Central de Incineração de Resíduos Sólidos, a Nova Ponte
Macau-Taipa e, finalmente, o Parque Industrial da Cidade da Taipa.

<p n=19038>
Em S. Caetano, Rio Tinto, moradores e comerciantes estão impacientes: as
obras de implantação de infraestruturas num troço da EN 15 entre a ponte
de Rio Tinto e a Venda Nova -- que obrigaram à  supressão provisória de
duas linhas de trólei-carros e à alteração de trajecto de duas carreiras
de autocarros - deviam ter durado os 40 dias previstos no caderno de
encargos, mas a verdade é que já passou mais de meio ano, e ninguém é
capaz de garantir quando é que estarão terminadas.

<p n=19039>
Um dos maiores compositores e pianistas deste século, Serguei Prokofiev,
nasceu há cem anos. Tendo abandonado a URSS logo depois da Revolução de
Outubro, o compositor audacioso de «Suite Cítia» acabaria por fazer nos
EUA a grande obra musical do construtivismo soviético: «O Amor das Três
Laranjas». Regressou à URSS em 1933. As suas relações com o poder
soviético, e particularmente com Estaline, foram marcadas pela
ambiguidade: autor da Cantata «Outubro», utilizando textos de Lenine, e
co-autor com Eisenstein de uma obra tão emblematicamente oficial como
«Alexandre Nevsky», isso não o livrou de cair nas garras de Jdanov.
Autocriticou-se e acabou por ser reintegrado. Prokofiev, o subjugado? Sem
dúvida. Mas criador também de uma obra surpreendente, eclética, desigual
e magistral. (págs. 33 e 34)

<p n=19040>
O tenista sueco Bjorn Borg regressa hoje à competição, oito anos depois
do ter abandonado os «courts» quando se encontrava no auge de uma
fabulosa carreira. Falido, «Ice» Borg nega que agora o seu principal
objectivo seja o dinheiro. Hoje, no Torneio de Monte Carlo, o sueco faz o
primeiro exame.

<p n=19041>
Carlos Carvalhas está confirmado como o cabeça-de-lista da CDU em Lisboa
nas próximas legislativas, divulgou ontem o semanário «Avante!», órgão
oficial do PCP. Álvaro Cunhal retira-se assim das listas eleitorais e
remete-se «apenas» para a liderança partidária, como o PÚBLICO havia já
noticiado no início de Fevereiro.

<p n=19042>
O lugar tradicional de Domingos Abrantes, a liderança de Setúbal, vai ser
ocupado pelo membro da Comissão Política, Octávio Teixeira, décimo
segundo e último deputado eleito pela CDU em Lisboa, há quatro anos. Por
sua vez, o deputado José Manuel Maia mantém-se em Setúbal, mas passa do
quinto para o segundo lugar na lista.

<p n=19043>
O presidente norte-americano, George Bush, vai propôr esta semana
importantes reformas na área do ensino, desde o investimento de fundos
federais em certo tipo de estabelecimentos à liberdade de os pais poderem
escolher a escola dos filhos. O programa, criado pelo novo ministro da
Educação norte-americano, Lamar Alexander, custará algumas centenas de
milhões de dólares, na sua maior parte destinados a encorajar a aplicação
de novos métodos de ensino nos vários estados e comunidades locais. Um
vector particularmente importante do projecto de reforma relaciona-se com
«uma nova geração de escolas americanas», de acordo com um responsável
governamental citado pelo diário britânico «Times». Por exemplo, uma
escola dirigida por representantes da indústria privada que ofereça aos
estudantes horários escolares mais longos e mais anos de estudo.

<p n=19044>
Quatro escolas, três em Lisboa e uma no distrito da Guarda, decidiram já
associar-se às comemorações do Dia Nacional da Imprensa na Escola
propostas pelo PÚBLICO para o próximo dia 30 de Abril. Faltam apenas
cinco dias.

<p n=19045>
Um acordo entre o Governo e a APEL veio finalmente resolver o diferendo
que se prolongava há vários meses. No ensino primário, os manuais mais
caros são os da antiga 1ª classe, por via da reforma curricular.

<p n=19046>
A convenção agora assinada prevê a sua revisão em Outubro e nada refere
em relação ao ensino secundário. As alterações acordadas dizem apenas
respeito à escolaridadade obrigatória, ou seja, até ao antigo ciclo
preparatório, actuais 5º e 6º anos.

<p n=19047>
Está marcada para o final de Maio a saída das classificações da Prova
Geral de Acesso ao ensino superior, disse ao PÚBLICO o subdirector geral
do Ensino Superior, Afonso Costa. A leitura óptica da parte fechada das
provas, em que os estudantes tinham de assinalar com um círculo qual das
cinco hipóteses apresentadas estava correcta, foi já feita, assim como a
introdução em computador das classificações obtidas pelos candidatos ao
ensino superior na parte aberta da primeira chamada. Nos serviços do
Ministério da Educação procede-se agora à leitura óptica dos resultados
da componente aberta da segunda chamada, após o que o júri da PGA
apreciará os resultados finais e avaliará se as correcções feitas pelos
professores foram as mais correctas. De acordo com Afonso Costa, «está
tudo a correr na normalidade». Este ano, os estudantes tiveram a
possibilidade de realizar as duas chamadas, contando para efeitos de
entrada no ensino superior a melhor das duas classificações.

<p n=19048>
Michael Jackson foi processado pelo inventor norte-americano Hugo
Zuccarelli, que pede uma indemnização de 22 milhões de dólares (três
milhões e 256 mil contos), pelo uso, na gravação de «Bad», de um sistema
de som «em três dimensões» inventado por Zuccarelli, sem que o cantor
tivesse pago direitos de autor. O inventor afirma que Jackson empregou o
sistema sonoro «holofónico» na gravação dos dois primeiros milhões de
exemplares do disco de que já se venderam 20 milhões. O sistema
«holofónico» foi depois abandonado, mas as capas do álbum continuam a
mencioná-lo. «Este facto originou protestos por parte dos compradores que
adquiriram o disco gravado com o sistema antigo, induzidos em erro pela
indicação da capa», afirmou o advogado do inventor. A patente do sistema
foi registada em 1987, o ano de lançamento de «Bad».

<p n=19049>
Com um mês de intervalo, a Fundação Gulbenkian trouxe ao Coliseu dos
Recreios, integradas no Ciclo das Grandes Orquestras Mundiais, duas
excelentes orquestras sinfónicas londrinas, a Philarmonia em Março e,
agora, a Academy of  Saint Martin-in-the Fields.

<p n=19050>
Peço que me perdoem o didactismo deste desabafo, mas é irritante ver as
pessoas desperdiçarem oportunidades de enriquecer  paulatinamente, só
porque já lhes saiu a taluda. Pois não foi de se lhe torcer o nariz, o
enriquecimento proporcionado por este concerto da Academy.

<p n=19051>
A relação entre a música e o cinema, ilustrada com sete filmes
acompanhados de música ao vivo, é a temática deste ano dos Encontros
Gulbenkian de Música Contemporânea, que decorrem entre os próximos dias
30 de Abril e 11 de Maio.

<p n=19052>
«Música contemporânea para clássicos do cinema mudo» é o tema entre os
dias 6 e 8 de Maio. Filmes de Chaplin («Charlot na Rua da Paz», «O
Emigrante» e «O Evadido», de 1917), Murnau («Tabu», de 1931) e Fritz Lang
(«Dr. Mabuse», de 1922). Filmes acompanhados por música de Benedict
Mason, Violeta Dinescu e Michael Obst, interpretadas pelo Ensemble Modern
de Frankfurt. No Grande Auditório.

<p n=19053>
A primeira grande exposição dedicada ao surrealista André Breton é hoje
inaugurada, no Centro George Pompidou, em Paris. «La beauté convulsive
sera ou ne sera pas», a frase/programa de «Nadja», é o tema da exposição,
que encerrará no final de Agosto. São 150 pinturas e 130 esculturas e
objectos surrealistas, 110 desenhos e 70 objectos primitivos que revelam
a estética surrealista de Breton (1896/1966), que também foi um grande
coleccionador. O movimento surrealista formou-se nos anos 20, em Paris, e
constituiu uma das mais importantes «revoluções» artísticas do século.
Podem ver-se na exposição obras de Moreau, Matisse, Douanier Rousseau,
Picasso, Braque e Georgio De Chirico que inspiraram Breton. O melhor da
exposição deve-se aos seus companheiros Picabia, Ernst, Masson, Miró,
Duchamp, Dali, Tanguy e Man Ray. A história deste pequeno grupo é uma
sucessão de rupturas e exclusões, dissoluções e reagrupamentos, de que
Breton foi o grande mestre.

<p n=19054>
Os espectadores portuenses de cinema, principalmente os mais cinéfilos,
podem finalmente ver, numa sala da cidade, o último filme de David Lynch,
«Um Coração Selvagem», quase um mês depois de ter estreado em Lisboa, e
apesar da sua antestreia nacional ter acontecido precisamente no Porto,
na sessão de encerramento do último Fantasporto.

<p n=19055>
«O Bando das Quatro», de Jacques Rivette; «O Meu Pé Esquerdo», de Jim
Sheridan, «O Filósofo», de Rudolph Thome, «Bela de Mais Para Ti», de
Bertrand Blier; «Cookie», de Susan Seidelman, «Os Fantasmas de uma
Estrela», de Peter del Monte; «Rosalie Vai às Compras», de Percy Adlon;
«Encruzilhada de Ilusões», de Alan J. Pakula; «Sweetie», de Jane Campion;
«Inquérito Escaldante», de Sidney Lumet; e «A Rapariga Indiscreta», de
Michael Verhoeven, são alguns dos filmes que os portuenses não puderam
ainda ver, no cartaz de exibição comerical da sua cidade, apesar de já
terem sido estreados, ao longo de 1990, nos cinemas de Lisboa.

<p n=19056>
Dos filmes estreados ao longo do ano, «O Clube dos Poetas Mortos» foi o
que se manteve durante mais tempo em exibição, com um total de 16
semanas, no Cinema Pedro Cem. Seguiram-se-lhe «Olha Quem Fala» e «Um
Sonho de Mulher», respectivamente, com 13 e 11 semanas, com a
particularidade de terem sido exibidos na mesma sala.  S. C. A.

<p n=19057>
Os diálogos mantidos entre Gustav Janouch e o escritor checoslavaco Franz
Kafka -- que escreveu em alemão e pediu que lhe queimassem as obras -- vão
ser publicados brevemente em Itália, informou «Mercúrio», o suplemento
cultural do diário «La Repubblica». O livro, editado por Guanda,
intitular-se-á «A tu per tu con Kafka», e o autor, que foi grande amigo
do autor de «A metamorfose», diz que o escritor tinha «uma voz de
barítono, débil e velada, que soava extraordinariamente melodiosa». O
livro revela, por exemplo, que Kafka sofreu muito por os seus problemas
de saúde o terem impedido de trabalhar como carpinteiro, coisa de que
gostava muito: «Encantava-me», confessou ao amigo, «o perfume da madeira
sob a casca, o canto da serra, os golpes do martelo. A tarde passava como
um raio. E a chegada da noite maravilhava-me sempre».

<p n=19058>
Pela primeira vez na história da modalidade, duas equipas do Norte vão
discutir o título nacional de andebol. Após o quase certo afastamento do
Benfica da corrida, fruto das duas derrotas em casa com os seus
adversários directos, Académico de Braga e FC Porto -- que seguem isolados
no primeiro lugar, com mais quatro pontos que os «encarnados» --
defrontam-se hoje, às 18 horas, no pavilhão Flávio Sá Leite, em Braga, no
jogo mais importante da quarta jornada da fase final.

<p n=19059 assunto=desporto>
Portugal perde e ganha no «Mundial» -- A selecção nacional masculina de
ténis de mesa perdeu frente à Roménia por 3-0 e bateu o País de Gales por
3-2 em jogos a contar para o Grupo «K» do «Mundial» da modalidade. Na
competição feminina, Portugal foi derrotado pela Malásia por 3-0, no
Grupo «D». A prova está a decorrer em Chiba, no Japão, com a participação
de cerca de 1200 atletas e técnicos de 107 países e regiões, incluindo
uma representação unificada das duas Coreias.

<p n=19060 assunto=desporto>
Académica vence Trinidad e Tobago -- A Académica goleou a selecção de
sub-20 de Trinidad e Tobago por 5-1, em jogo particular disputado em
Coimbra e integrado no plano de preparação da selecção visitante para o
«Mundial» da categoria que se vai disputar em Portugal, no próximo mês de
Junho. Depois do golo inaugural marcado por Nigel Davidson, aos 5m, a
equipa portuguesa deu a volta ao resultado, com golos de Casquilha (7, de
g.p., e 50m), Febras (27m), Barreto (56, de g.p.) e Kiko (87).

<p n=19061>
Treze equipas estão inscritas na Taça dos Campeões Europeus de Estrada
(femininos), mas ainda há hipóteses de, pela primeira vez, concorrer uma
equipa soviética.

<p n=19062>
Esta Taça dos Campeões será corrida no complexo da Rodovia, em Braga, num
circuito de 2135 metros que será percorrido sete vezes (14.945m no
total). O piso é quase todo em asfalto e plano. As equipas inscritas são:
Sporting de Braga, Benfica (como campeão nacional), Kelme (Espanha),
Cardiff (País de Gales) por ser clube honorário, Newport Harriers
(campeão do País de Gales), Road Runners Echternach (Luxemburgo), IF
Hagen (Suíça), Atletica Fiat Sud Formia (Itália) também clube honorário,
Cises Frascati (campeão de Itália), City of Bath Athletic Club
(Inglaterra), Budapesti Vasutas Sport Club (Hungria), Lillehammer IF
(Noruega) e ASPTT de Lyon (França).

<p n=19063>
Os sportinguistas, no final do jogo, mostravam-se mais conformados do que
tristes. A «capacidade superior» do Inter de Milão, que todos foram
unanimes em reconhecer como «uma grande equipa» ou, se preferirem, como
«um conjunto muito caro, recheado de vedetas pagas a peso de ouro», e a
«falta de sorte» do Sporting, «principalmente no jogo da primeira mão, em
Alvalade», eram as razões adiantas com mais frequência como justificação
para o afastamento da equipa portuguesa da final.

<p n=19064>
E o presidente sportinguista queixou-se também da falta de sorte: «Toda a
gente viu que não fomos felizes, pois até revelámos um bom futebol. Então
se tivermos em conta os dois jogos da eliminatória poderemos dizer que
tivemos mesmo pouca sorte, principalmente no momento de marcar».

<p n=19065>
Apreciação individual dos doze jogadores do Sporting que ontem alinharam
em S. Siro contra o Inter de Milão:

<p n=19066>
Leal -- Na primeira parte esteve francamente mal no seu duelo particular
com Bianchi, perdeu muitas bolas e complicou situações fáceis. Na segunda
estabilizou a sua actuação, que, de qualquer forma, esteve muito longe de
ser brilhante.

<p n=19067>
Estrela Vermelha - Stojanovic; Radinovic, Dabanadzovic, Belodedic e
Marovic; Jugovic, Mihajlovic, Prosinecki e Savicevic; Pancev (Stosic,
90m) e Binic.

<p n=19068 assunto=desporto>
Estrela Vermelha apurado para a final da Taça dos campeões Europeus, com
4-3 no total dos dois jogos (o Estrela Vermelha tinha vencido em Munique,
por 2-1).

<p n=19069>
A Federação Internacional de Futebol (FIFA) parece, finalmente, receptiva
à ideia de pôr termo a um conservadorismo secular. Em causa está a lei do
fora-de-jogo, que poderá passar a ser aplicada numa zona muito restrita
do campo, ao contrário do que sucede hoje. O objectivo é criar um maior
espaço de liberdade e, simultaneamente, condições mais favoráveis à 
marcação de golos.

<p n=19070>
O objectivo desta alteração, para já a título experimental, é verificar
se a abolição do fora-de-jogo na zona do meio-campo poderá dar uma maior
liberdade de actuação aos jogadores e oferecer, sobretudo aos atacantes,
mais espaço para acções individuais, com as quais deveria aumentar o
número de situações de golo. Na verdade, algumas equipas, procurando
tirar o máximo proveito da lei em vigor, elaboraram entretanto um
refinado sistema de exploração do fora-de-jogo -- na maior parte das vezes
bem próximo da linha divisória do meio-campo -- que não só trava a fluidez
do jogo como reduz, na prática, o espaço de manobra.

<p n=19071>
Como num estádio de futebol, o ambiente era de festa no Fla-Flu, um
restaurante lisboeta onde ontem se reuniram muitos adeptos sportinguistas
e não só. Era essencialmente gente da política, do desporto, dos jornais,
da rádio, que se juntou numa iniciativa da TSF, uma rádio da capital. O
entusiasmo com que se aplaudiam os lances dos portugueses acabou quando
faltavam dez minutos para as oito: o árbitro francês Biguet assinalou uma
grande penalidade a favor do Inter. Os comentários não lhe seriam menos
favoráveis, nesse e noutros momentos, se o jogo fosse no estádio de
Alvalade. Lothar Mathaeus não falhou e as esperanças desvaneceram-se.

<p n=19072>
Mas ontem, a sala do Fla-Flu foi diferente de um estádio apenas numa
coisa: os convidados não debandaram antes do apito final do árbitro. Pelo
contrário, ficaram ainda por mais uns longos momentos, entre os
comentários conformados de quase todos e a esperança de que para o ano
haja mais.

<p n=19073>
Juventus - Tacconi; Napoli, Fortunato, Galia, Julio César e De Agostini;
Haessler, Marocchi, Corini (Di Canio, 46m); Baggio e Casirahgi
(Schilacci, 38m).

<p n=19074 assunto=desporto>
O Barcelona qualificou-se para a final com 3-2 no total dos dois jogos
(tinha vencido a Juventus por 3-1, em Nou Camp).

<p n=19075 assunto=desporto>
MANCHESTER UNITED: NO ANO DO REGRESSO UM CLUBE INGLÊS CHEGA A UMA FINAL -
O Manchester United qualificou-se ontem para a final da Taça das Taças ao
empatar em casa, 1-1, com o Légia de Varsóvia, depois de ter ganho no
jogo da 1ª mão, na Polónia, por 3-1. Em Old Trafford, o Manchester marcou
primeiro, por Sharpe, aos 29m, e o Légia empatou por Kowalczyk, aos 57m.
Na foto, o Manchester ao ataque com o seu avançado Gary Pallister a
ganhar vantagem sobre o guarada-redes polaco, Robakiewiz. O Manchester
jogará a final da Taça das Taças com o Barcelona, no dia 15 de Maio, em
Roterdão.

<p n=19076>
Spartak de Moscovo -- Cherchesov; Pozdniakov; Koulkov, Bazoulev e Popov;
Perepadenko, Chalimov, Mostovoi e Ivanov (Karpine, 52m); Chmarov e
Radchenko.

<p n=19077>
Pedro Silva, da Recer/Boavista venceu mais uma vez , e pela terceira
consecutiva, uma etapa nesta 17ª edição da Volta ao Algarve em bicicleta,
não tendo até ao momento deixado os seus adversários provar o sabor de
uma vitória numa tirada. Pedro Silva percorreu os 210 quilómetros entre
São Brás de Alportel e Vila do Bispo no tempo de 5h51m55s, à média de
36,656 Km/h.

<p n=19078>
A vantagem de Jacinto Paulinho continua a aumentar até um máximo de
7m20s, a equipa do Recer/Boavista não parece muito preocupada com a
vantagem do fugitivo e é a Calbrita/Lousa/Akai que decide vir para a
cabeça do pelotão espevitar o andamento e «dar caça» ao homem da Orima.

<p n=19079>
Aproveitando o feriado, disputam-se hoje os dois jogos referentes às
meias-finais da Taça de Portugal: Académica-Benfica e CDUL-Cascais.

<p n=19080>
No outro jogo, o CDUL recebe o Cascais naquela que é para os
«universitários» a oportunidade de estar presente na final e salvar uma
época francamente má e nada de acordo com os pergaminhos do clube. Mas
não vai ter tarefa fácil porque a equipa da linha é, neste momento,
melhor que o seu adversário e espera passar à final com o Benfica, para
então mostrar que também podia ter vencido o campeonato. Prevê-se um jogo
emotivo com bons momentos de râguebi, visto que ambas as equipas possuem
jogadores experientes e criativos. Ambos podem vencer, mas o favoritismo
pende para os homens da linha do Estoril.

<p n=19081>
AS Roma -- Cervone; Berthold, Pellegrini, Nela, Aldair e Comi (Muzzi,
74m); Desideri, Di Mauro, Giannini e Rizziteli; Rudi Voeller (Gerolin,
89m)

<p n=19082 assunto=desporto>
O Roma -- que afastou o Benfica na primeira eliminatória da corrente
edição da Taça UEFA (com duas vitórias por 1-0, em Roma e na Luz) --
qualificou-se ontem para a final da terceira competição de clubes da UEFA
com inesperadas dificuldades e uma elevada dose de sorte. Com efeito, a
dois minutos do fim, o Roma estava «eliminado» pelos semiamadores
dinamarqueses do Brondby, registando-se então uma igualdade a uma bola
(no jogo da 1ª mão, o resultado tinha sido um empate sem golos).

<p n=19083>
O sonho do Sporting acabou em Milão. Perdeu o jogo e perdeu o ensejo de
chegar à final da Taça UEFA, mas só se pode queixar de si próprio. Mas os
sportinguistas já não viverão só da saudade, recordando 1964 e o triunfo
na Taça das Taças. A partir de agora, lembrar-se-ão também das
meias-finais da Taça UEFA. E lamentá-la-ão.

<p n=19084>
Com tal vantagem, o Inter não se importou até de oferecer terreno ao
adversário, permitindo-lhe um domínio aparente, mas que não foi
devidamente aproveitado. Na verdadeira oportunidade que o Sporting criou
nesse período, mercê de uma acção ofensiva curiosamente lançada por um
central, Luisinho -- e que bela acção! -- Cadete (27º minuto) não têve a
serenidade e a classe suficientes para sair vitorioso no confronto com
Zenga, o único homem que tinha na sua frente.

<p n=19085>
OS SPORTINGUISTAS são os únicos adeptos do futebol português a quem é
permitida a metamorfose: ou a pose orgulhosa do rei da selva; ou, caso as
circunstâncias o imponham, a pele do lagarto. Ontem, em Lisboa, os
sportinguistas optaram pelo réptil, que habilmente se esconde. Porque, na
rua, nos cafés, nas tascas, junto às montras com televisores, ninguém os
viu.

<p n=19086>
O aparecimento, nos televisores, do logotipo da Eurovisão arrumou as
posturas dos que estavam desalinhados nas cadeiras, pediram-se novas
rodadas de imperiais e, durante quinze minutos, até ao primeiro golo do
Milão, cumpriu-se o «cliché»: a esperança foi verde.

<p n=19087>
O IPE, Investimentos e Participações Empresariais vai realizar, em 
conjunto com as câmaras de Barcelos, Esposende, Póvoa do Varzim e Viana
do Castelo, um estudo de viabilidade para a instalação de uma unidade de
tratamento de resíduos sólidos urbanos, na zona abrangida por aqueles
concelhos.

<p n=19088>
O acordo foi assinado no âmbito da visita a Portugal de missão
empresarial da Tunísia, prevendo-se que na sequência destes contactos o
ministro do Comércio e Turismo, Faria de Oliveira, e o Presidente do
ICEP, Pedro de Almeida, visitem oficialmente aquele país.

<p n=19089>
A principal tarefa que se coloca aos empresários portugueses é a
«constituição de grupos fortes», sublinhou, ontem, Ernâni Lopes, no
decorrer do seminário «Modernização e Internacionalização da economia
portuguesa», que decorreu nas instalações da Associação Industrial de
Portuguesa.

<p n=19090>
Por outro lado, todos os intevenientes no seminário sublinharam que é
necessário «apostar na qualidade a todos os níveis» porque só assim se
poderá responder às exigências que se colocam à indústria portuguesa. A
encerrar o encontro, o ministro do Comércio e Turismo, Faria de Oliveira,
adiantou que nos próximos dois a cinco anos, as empresas «têm de alcançar
velocidade de cruzeiro» na modernização do sector empresarial português,
o que «implica reestruturações horizontais» e preparar a sua
internacionalização.

<p n=19091>
A Bolsa de Valores do Porto está a estudar o agendamento da privatização
da Aliança Seguradora para 29 de Maio. Os principais interessados na
operação são os franceses da UAP e da AGF, o IPE e a Mague. Apesar de a
operação estar garantida à partida, uma dúvida se coloca ao pequeno
investidor. É que o preço-base de venda das acções na OPV será superior
ao da cotação actual. Por que não comprar em bolsa?

<p n=19092>
Com os olhos postos na Aliança encontram-se o grupo francês Union des
Assurances de Paris (UAP) -- que desde a primeira fase de privatização
controla cerca de 33 cento do seu capital --, o IPE e a Mague. Quer o IPE
quer a Mague fazem já parte da estrutura accionista das duas empresas da
UAP a operar em Portugal: a UAP Portugal Vida e da UAP Portugal. Estas
seguradoras atravessam um processo de fusão com a Garantia, que se
encontra cotada nas bolsas portuguesas e é participada pelo IPE e Mague.

<p n=19093>
O Banco de Portugal interveio ontem excepcionalmente no Mercado Monetário
Interbancário, onde lançou 138 milhões de contos a uma taxa de 21,75 por
cento, conseguindo desta forma estabilizar o mercado, que na véspera dera
sinais de grande nervosismo, com taxas de cedência de fundos interbancos
a atingirem os 65,5 por cento.

<p n=19094>
A intervenção excepcional que levou à injecção de 138 milhões de contos
de liquidez no mercado deu-se logo no início da sessão de ontem, para
evitar qualquer nova escalada no «preço do dinheiro». Em consequência, e
segundo um técnico do banco central, «as taxas acabaram por ficar muito
próximas dos 21,75 por cento praticados pelo Banco de Portugal».

<p n=19095>
As despesas mundiais com o turismo, deverão atingir os três mil milhões
de dólares durante o ano de 1992, da mesma maneira que o tráfico de
touristas deverá duplicar durante os próximos dez anos.

<p n=19096>
A força aérea norte-americana anunciou na passada terça-feira a selecção
do grupo Lockheed-Boing-General Dynamics, em detrimento do grupo
Northrop-Mcdonnel Douglas, para a concepção e construção do futuro caça
táctico de nova geração (ATF). Este aparelho deverá permitir aos Estados
Unidos da América o dominio aéreo nos potênciais conflitos do século XXI.

<p n=19097>
Os resultados líquidos na Companhia de Fiação e Tecidos Torres Novas
referentes ao exercício de 1990, apresentaram um saldo negativo superior
a 378 mil contos, valor substâncialmente superior aos 100 mil contos
negativos que faziam parte das previsões da empresa divulgadas no
primeiro semestre de 1990. Nos exercícios de 1988 e 98, os resultados da
empresa foram, de respectivamente 4,4 mil e 6,8 mil contos. A má
conjuntura internacional que se vive no sector (nomeadamente no que
respeita ao grande aumento nos preços de matérias primas), e a elevada
dependência de capitais externos com as elevadas taxas de juro praticadas
no mercado, foram os factores mais relevantes apresentados pela empresa
para justificar os resultados. Ainda no que respeita à actividade do ano
transacto, a empresa gerou um "cash-flow" negativo da ordem dos 256 mil
contos, tendo por outro lado aumentado o activo (4,8 milhões de contos)
em cerca de 21 por cento. As vendas cairam pouco mais de três por cento,
ficando-se pelo 2,27 milhões de contos.

<p n=19098>
No caso da Sonae, a situação é diferente. No centro das compras estão
alguns investidores mais atentos, que aproveitam agora o período
ascendente deste título para tomar posições. Segundo foi apurado, um
grande lote de acções posto à venda por um fundo de investimento que
opera através de Londres, foi o responsável pela abrupta descida
registada nas cotações da empresa até meados da semana passada. Os
títulos perderam perto de 25 por cento, ao descerem de um patamar próximo
dos 1600 escudos, para cerca de 1210 escudos. Ontem, a cotação da Sonae
manteve-se nos 1420 escudos face à sessão anterior, mas no período de uma
semana valorizou-se mais de 17,3 por cento.

<p n=19099>
O dólar norte-americano tornou a cair durante a sessão europeia, depois
das intervenções concertadas dos bancos centrais no sentido de travar a
valorização rápida da moeda.

<p n=19100>
O escudo continuou a sua depreciação contra o marco após a intervenção
por parte do Banco de Portugal tendo fixado a 86.266 contra os 85.75
registados no dia anterior.

<p n=19101>
Durante os primeiros dois meses do ano, o valor das exportações em
escudos aumentou apenas 6,5 por cento face a idêntico período do ano
passado. Há um ano, o ritmo de crescimento das vendas ao estrangeiro era
ainda de cerca de 25 por cento. As exportações aumentaram 10,5 por cento
em Janeiro, quedando-se por uma subida de 2,8 por cento em Fevereiro.
Estes valores prolongam a tendência de desaceleração do crescimento das
vendas de mercadorias nacionais ao exterior iniciada no final do segundo
trimestre de 1989, altura em que o seu ritmo de crescimento se situava
nos 33 por cento em escudos.

<p n=19102>
A Espanha e a Alemanha são os países que estão a «aguentar» as vendas de
mercadorias nacionais no exterior, registando subidas superiores a 20 por
cento. Nos outros países, a situação foi bastante desoladora durante os
primeiros meses do ano, com destaque para as acentuadas evoluções
negativas nos mercados britânico e americano. Embora de efeitos globais
pouco significativos, dado o seu fraco peso no total, as exportações para
os países da OPEP decaíram 66,7 por cento neste período.

<p n=19103>
Perante uma venda concertada de dólares dos Estados Unidos, por parte de
vários bancos europeus, vários analistas questionam-se sobre a verdadeira
situação da economia norte-americana e se o espectro da recessão já
desapareceu. A liderar esta acção conjunta de alienação da nota verde,
está o banco central da RFA, o Bundesbank, que assiste a um
fortalecimento da divisa alemã.

<p n=19104>
Em Frankfurt o dólar começou por ser vendido a 1.7450 marcos, fechando a
1.7340, assim como em Londres onde fechou terça-feira à noite, a 1.7410.
Também em Tóquio o dólar norte-americano registou ontem no mercado
inter-bancário, uma baixa acentuada face ao iene, tendo encerrado a
137,55 ienes o que corresponde a uma quebra de 0,90 ienes.

<p n=19105>
A aplicação das ajudas à produção previstas no quadro da segunda fase de
adesão da agricultura portuguesa às regras comunitárias está a causar
dores de cabeça às autoridades do sector. Como se trata de uma novidade
institucional, as Direcções Regionais de Agricultura e o Instituto
Nacional de Intervenção e Garantia Agrícola, INGA, temem que o défice de
informação reconhecido entre a maioria dos agricultores possa implicar o
«desperdício» de verbas oriundas do FEOGA garantia.

<p n=19106>
Perante estas críticas, que se alargam igualmente a outros procedimentos
relativos ao processo de apresentação das candidaturas, António Capão
referiu que «é possível alargar os prazos previstos», mas que a situação
actual é a que melhor traduz as necessidades dos serviços competentes e
dos próprios agricultores. Para esta possibilidade concorrem igualmente
as dificuldades em fazer chegar aos agricultores a informação
conveniente, um argumento que o INGA reconhece como pertinente.

<p n=19107>
A fábrica de colchões Jotocar vai produzir durante 15 dias cinco mil
colchões exclusivamente para compradores de Barcelona. Esta primeira
encomenda em grande escala é provocada pela aproximação da realização dos
Jogos Olímpicos de 1992 naquela cidade espanhola e o consequente
crescimento número de camas. A Catalunha comprará um total de 40 mil
colchões até ao final do ano representando vendas de 250 mil contos.

<p n=19108>
No último dia do período de constituição de disponibidades mínimas de
caixa a intervenção do Banco de Portugal (BP) possibilitou às várias
instituições o cumprimento daquelas limitações. Após uma semana marcada
por forte pressão da procura face à escassez da oferta, o banco central
injectou 138.789 milhares de contos no sistema, por dois dias, à taxa de
21,75 por cento, comprando Bilhestes do Tesouro e outros títulos da
dívida pública.

<p n=19109>
Os países industrializados deverão moderar a sua politica monetária, mas
não sem que antes combatam os actuais níveis de inflação, que estão a
dificultar o relançamento da economia mundial, afirmou ontem o secretário
geral da OCDE, Jean-Claude Paye.

<p n=19110>
Esta competitividade reside no facto de a concepção do projecto ser
totalmente nacional, o que diminui os custos de comercialização dos
produtos. O baixo preço, relativamente aos concorrentes internacionais
que dominam o mercado mundial das caixas ATM, e a qualidade são dois dos
factores principais que tornam extremamente concorrenciais as novas
caixas automáticas fabricadas em Portugal.

<p n=19111>
A Têxtil do Arquinho, uma empresa de felpos pertencente à Coelima (com
cerca de 60 por cento), deixou de laborar na passada segunda-feira. Nesse
mesmo dia, uma delegação da Administração da Coelima comunicou que a
empresa encerraria no final do mês e seria iniciado o processo de
falência.

<p n=19112>
Informações difundidas pelos trabalhadores apontam para que ao
encerramento se siga o pedido de falência. Os administradores da Coelima
teriam dito, o que o PÚBLICO não conseguiu confirmar junto dos próprios,
que a viabilização da Têxtil do Arquinho fazia parte do pacote global de
viabilização da Coelima. Um pacote falhado, pelo menos até ao momento. A
fabrica Têxtil do Arquinho produzia felpos e estava a laborar
normalmente, até à ordem de encerramento do início da semana.

<p n=19113>
A Triunfo quer equilibrar a exploração do seu sector de massas e subir um
lugar no «ranking» nacional. Para isso investiu em qualidade, imagem e
num produto inovador: letrinhas coloridas (amarelas, verdes e vermelhas)
para a sopa, acompanhadas de uma campanha publicitária dirigida às
crianças.

<p n=19114>
Para contrariar essa tendência, a Triunfo centrou as atenções na melhoria
da qualidade das sêmolas, na reformulação das embalagens, tornadas mais
atractivas e com materiais mais adequados e, agora, no lançamento das
massinhas coloridas. Tudo isto acompanhado de uma campanha de publicidade
bem direccionada. Em 1990, as despesas em publicidade e renovação da
embalagem atingiram os 60 mil contos. Este ano, a mesma rubrica deverá
saltar para os 120 mil.

<p n=19115>
Com um peso de cerca de 19,5 por cento no produto interno bruto, o sector
comercial representa uma contribuição significativa no contexto da
economia portuguesa. A recente adesão às Comunidades Europeias, com a
inerente abertura dos mercados, reforçada pela realização em curso do
Mercado Único, tem vindo a assumir-se como um forte desafio para a
actividade comercial portuguesa.

<p n=19116>
O novo programa -- Sistema de Incentivos à Modernização do Comércio (SIMC)
-- constitui uma decisão sem precedentes entre nós, sendo também uma
inovação no próprio plano comunitário, já que nunca antes fundos
comunitários tinham visado esta actividade.

<p n=19117>
O «franchising» é um sistema de comercialização de produtos, serviços,
tecnologias, baseado na colaboração entre duas empresas independentes que
assumem respectivamente o papel de franchisador e franchisado.

<p n=19118>
O método de «franchising» que regula a colaboração entre o franchisador e
o(s) seu(s) franchisado(s) pode variar segundo diferentes estratégias:

<p n=19119>
Duas das maiores companhias de alumínio do Japão e a Alcan Pacific -- uma
subsidiária da Alcan Aluminium, do Canadá -- decidiram desenvolver a
tecnologia de reciclagem de folha de alumínio, anunciou um porta-voz da
Nippon Light Metal Company. As três companhias iniciarão brevemente o
desenvolvimento da tecnologia de reciclagem, bem como o estudo de formas
de recolha de folha de alumínio usada. Apesar de o Japão ter reciclado em
1990 cerca de 42,5 por cento das suas latas de alumínio, a reciclagem de
folha de alumínio (um das mais comuns utilizações domésticas deste metal)
tem sido quase nula, admitiu o mesmo porta-voz à agência Reuter.

<p n=19120 assunto=desporto>
A Lotus criou a sua fortuna com um único programa, a folha de cálculo
1-2-3, e apesar das múltiplas tentativas que tem feito para diversificar
as suas actividades, continua a ser reconhecida como empresa de apenas um
produto. Mas, para além do 1-2-3 (que está disponível num largo conjunto
de computadores), a Lotus vende os programas integrados Symphony e Lotus
Works, o gestor de ficheiros Magellan, o programa de gráficos Freelance,
o processador de texto Manuscript e o programa de organização Agenda, só
para falar dos mais conhecidos. Como aconteceu com algumas outras
empresas de «software», a Lotus empenhou-se nos últimos anos em
transferir os seus programas para o OS/2 e descurou o flanco Windows. O
aparecimento do Windows 3 em meados do ano passado deixou-a sem qualquer
aplicação para este ambiente gráfico. Só agora se prepara para oferecer
uma resposta ao efervescente mercado do Windows. Enquanto se fala no
aparecimento até ao Outono de uma versão do 1-2-3 para o Win3, a Lotus
decidiu adquirir a Samna, uma empresa especializada em programas de
processamento de texto. O principal produto da Samna, o Ami Pro, será
apresentado ao mercado português na semana que vem, já sob etiqueta
Lotus.

<p n=19121>
O Japão surpreendeu os conferencistas dos 39 países presentes na reunião
extraordinária do Tratado da Antárctida, que decorre até 30 de Abril em
Madrid, pedindo a proibição ilimitado da actividade mineira no continente
branco. Os nipónicos abandonam assim o grupo dos países como Alemanha, a
África do Sul e os Estados Unidos que reclama a criação de uma moratória
de longa duração, possibilitando no futuro a exploração dos recursos da
Antárctida, sobretudo o petróleo e o alumínio, que se supõe existirem em
grandes quantidades no subsolo.

<p n=19122>
Ao mesmo tempo, porém, os EUA endureceram a sua posição. Depois de
Washington ter proposto uma moratória que interditasse temporariamente a
exploração mineira e das actividades económicas e comerciais, os
americanos querem agora ver mais flexibilidade no grupo dos proibidores.

<p n=19123>
Preparados para substituir os «velhos» F-15, os novos caças tácticos da
Força Aérea norte-americana (USAF) já têm construtor escolhido. O último
grande contrato do século atribuído pela USAF, já que cada ATF custará a
módica quantia de 15 milhões de contos...

<p n=19124>
Anunciado depois do fecho dos mercados bolseiros, o contrato agora ganho
pela Lockheed e pelos seus parceiros (Boeing e General Dynamics) é o
último grande contrato do século atribuído pela USAF e deverá criar sete
mil novos postos de trabalho nas três companhias.

<p n=19125>
O quarto aparelho da frota de vaivéns da NASA sai hoje da fábrica.
Chama-se Endeavour. Mas este aparelho -- cujo nome significa «esforço» --
deverá ser mesmo o último empenho da agência norte-americana na
construção de naves tripuladas. O orçamento de Bush para 1992 disse não à
fabricação de mais aparelhos que permitam ao homem passear no espaço
extraterrestre.

<p n=19126>
Os peritos do Pentágono terão que esperar entre quatro a cinco dias para
que os técnicos da NASA procedam às reparações necessárias no Discovery.
Em Cabo Canaveral, ironicamente, quando as condições metereológicas
melhoravam nitidamente, os responsáveis da NASA mandaram parar a contagem
decrescente. «Não compreendemos porque é que isto aconteceu», disse à
agência France Presse, Boyce Mix, responsável dos motores da nave na
NASA. Uma frase que se vai tornando comum próxima das rampas de
lançamento dos vaivéns da NASA.

<p n=19127>
Cientistas da universidade da Carolina do Norte conseguiram fabricar
minúsculos diamantes utilizando um laser. Os resultados, que foram
publicados na revista «Science», são mais uma etapa a caminho de uma nova
geração de circuitos microelectrónicos. A nova técnica consiste em
colocar uma camada de átomos de carbono sobre uma placa de cobre e em
varrer esta superfície, numa fracção de segundo, com um potente raio
laser, o que eleva a temperatura dos átomos de carbono até 2000 graus
centígrados, produzindo a sua cristalização. Os cristais de diamante
obtidos formam uma finíssima película à superfície do cobre. As
qualidades físicas, mecânicas e químicas do diamante -- dureza,
condutividade térmica, resistência às radiações -- fazem esperar que eles
possam vir a ser utilizados para fabricar circuitos integrados de
qualidade superior à dos actuais circuitos de silício.

<p n=19128>
A direcção da ESA deverá remeter em meados de Maio às delegações dos
países membros uma série de propostas correspondentes à execução do seu
programa espacial, que terá em conta as limitações técnicas e financeiras
surgidas desde a última conferência ministerial de 1987. Nessa reunião,
que teve lugar em Haia, a Europa tinha aprovado sem hesitações a
construção do foguetão Ariane 5 e o mesmo -- ou quase -- tinha acontecido
em relação ao programa Columbus, que integra uma panóplia de módulos e de
plataformas destinadas a ser acopladas à estação espacial Freedom, um
projecto de iniciativa americana mas que conta com a participação da
Europa, do Canadá e do Japão. A plataforma não colocava quaisquer
problemas particulares aos membros da ESA mas os adiamentos sucessivos do
programa americano -- o lançamento passou de 1994 a 1997 -- acabaram por
enervar um pouco os europeus e o futuro da Columbus chegou quase a ser
posto em causa.

<p n=19129>
Os dadores de sangue na Dinamarca vão passar a ser sujeitos a um teste de
despistagem da hepatite C. A decisão coube ao Parlamento dinamarquês e
surge na sequência de informações segundo as quais naquele país poderão
existir entre 2.000 a 5.000 pessoas atingidas pela doença, que é
extremamente grave.

<p n=19130>
O Japão decidiu enviar uma missão para o Kuwait a fim de estudar os meios
de reduzir a poluição atmosférica produzida pelo incêndio dos poços de
petróleo, anunciou terça-feira em Tóquio o Ministério dos Negócios
Estrangeiros. Constituída por peritos governamentais e privados, esta
missão deixará hoje o Japão em direcção ao Kuwait, onde permanecerá
durante duas semanas.

<p n=19131>
O ministro da Indústria e Energia, Mira Amaral, defendeu ontem, em Torres
Vedras, a continuação dos programas comunitários de apoio às indústrias
de tecnologia da informação e electrónica e de bens de equipamento, mesmo
para além de 1992, noticiou a agência Lusa. Mira Amaral falava na
inauguração da Papelaco, fábrica de sistemas nacionais de automatismos
bancários, a primeira a conceber totalmente em Portugal caixas
automáticas, graças a um protocolo com o Centro de Cálculo do Instituto
Superior de Engenharia de Lisboa.

<p n=19132>
O Anik-2 é o décimo satélite canadiano e o primeiro a ser posto em órbita
por um Ariane. A sua função consiste em retransmitir cerca de 90 por
cento dos sinais de televisão no Canadá.

<p n=19133>
Cedendo às pressões dos grupos ecologistas e do governo norte-americano,
o Japão deixará de importar no final deste mês duas espécies de
tartarugas-marinhas consideradas ameaçadas, anunciou um porta-voz do
Governo nipónico. O prazo de 60 dias dado pelo Congresso americano ao
presidente George Bush para que decidisse sobre as sanções a aplicar ao
Japão como resposta à importação de tartarugas-marinhas terminaria no
próximo dia 19 de Maio, altura em que o ministro japonês do Comércio
Externo e Indústria visitará os EUA. Era esperado que, nessa altura, o
assunto das tartarugas aparecesse nas conversações. Os japoneses comem a
carne e os ovos de tratarugas-marinhas e utilizam as suas carapaças para
produzir armações de óculos, pulseiras e pentes, para além de utilizarem
o seu óleo na fabricação de perfumes.

<p n=19134 assunto=desporto>
A Hewlett-Packard Company e a Lotus Development Corporation apresentaram
anteontem o primeiro computador pessoal de mão compatível IBM. Apesar de
numerosos fabricantes venderem aparelhos de mão de aspecto semelhante, o
HP95LX é o primeiro na sua gama de preços que inclui o sistema operativo
MS-DOS utilizado por muitos computadores pessoais. O aparelho inclui o
popular programa de folha de cálculo Lotus 1-2-3, um programa de edição
de texto e uma lista telefónica. O HP95LX é vendido a um preço,
recomendado pela Hewlett-Packard, de 699 dólares (um pouco mais de 100
mil escudos), mas os analistas prevêm que o preço possa fixar-se em 500
dólares (cerca de 75 mil escudos).

<p n=19135>
A Digital apresentou anteontem em Lisboa a sua linha de sistemas
informáticos UNIX e um «kit» avançado do novo sistema operativo da «Open
Software Foundation», o OSF/1. Estiveram expostos os sistemas RICS/UNIX
DECsystem 5100 e DECsystem 5500, respectivamente o sistema «desktop»
multi-utilizador de mais baixo custo e um sistema departamental de alta
prestação. Outro sistema apresentado foi o application DEC 433MP, baseado
em processadores Intel 486, com SCO/UNIX como sistema operativo. Com o
lançamento do OSF/1, a Digital é o primeiro fornecedor a colocar esta
tecnologia no mercado.

<p n=19136>
A cidade de Braga foi escolhida para a realização do II «Meeting»
Universitário Apple no próximo ano. Esta decisão foi anunciada por Carmo
dos Reis, director da Interlog para a área da educação, na sessão de
encerramento do primeiro encontro, que decorreu nos dias 15 e 16 deste
mês na Madeira. A iniciativa da Interlog, representante da Apple Computer
em Portugal e nos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP),
foi organizada a pensar nas necessidades da educação nos domínios da
informática e da informação, dirigindo-se sobretudo aos professores
universitários. Foram anunciados no decorrer do «meeting» diversos
projectos, nomeadamente a criação de um fundo para o desenvolvimento de
aplicações educativas e de um boletim de educação e a fundação de uma
biblioteca de aplicações educativas. Ficou também decidido realizar em
Outubro deste ano uma conferência desta natureza para o ensino
secundário.

<p n=19137>
A Compta realizou esta semana uma conferência para apresentar os produtos
da Sony Micro Systems que representa em Portugal. Para participar nessa
reunião, deslocou-se ao nosso país Rene Swinnen, coordenador de vendas e
marketing da Sony Micro Systems Europe. A mostra de equipamentos
«multimedia» da Sony incluiu a linha de estações de trabalho gráficas de
rede e sistemas de arquivo em disco óptico.

<p n=19138>
A IMPRENSA oficial de Pequim, numa atitude pouco habitual nos últimos
anos, acusou ontem os Estados Unidos de serem a principal das «forças
estrangeiras hostis» ao comunismo na China. «Não podemos abandonar a luta
contra a liberalização burguesa, pois isso implicaria a perda do poder
pelo Partido Comunista», acrescenta o «Diário do Povo» antes de repetir a
tese de que «o caos» da Primavera de Pequim, em 1989, foi inspirado por
ideias «burguesas». O jornal apela à vigilância contra «aqueles que
continuam a preconizar a liberalização burguesa a pretexto de reformas e
abertura». Apesar de vencidos em Junho de 1989, «os dirigentes no exílio
esforçam-se por introduzir na China as ideias liberal-burguesas [...] Se
eles se manifestarem de novo nós atacaremos com novos meios», conclui.

<p n=19139>
A SITUAÇÃO política e económica na URSS é tema de uma recente análise
norte-americana. Do ponto de vista político, as conclusões não são
animadoras: as tentativas de Mikhail Gorbatchov e dos seus aliados
militares conservadores para retomarem o controlo dos acontecimentos
podem fazer mergulhar o país na guerra civil.

<p n=19140>
Holoboff sugere ainda que Gorbatchov já protagonizou uma espécie de golpe
de Estado, quando congregou à sua volta os chefes militares, o KGB, o
complexo militar-industrial e o Partido Comunista, «numa tentativa para
impôr a ordem inexistente». Neste âmbito, a pressão dos radicais para o
avanço das reformas teria permitido à liderança militar conservadora
restabelecer o seu domínio na esfera política.

<p n=19141>
«Mesa-redonda»... «estado de sítio». Dois conceitos em que acabaram por
se cristalizar as opções em confronto no palco político da URSS. Dois
modelos de acomodação do irreconciliável por que passaram em boa parte a
derrocada dos regimes comunistas na Europa de Centro-Leste. A cadência em
termos específicos, consoante os países. Assinalando em todos eles,
porém, o momento decisivo em que a questão do poder de colocou de forma
directa e inadiável.

<p n=19142>
À direita, grita-se «às armas». Sentindo-se directamente ameaçado, o
núcleo mais irredento dos comunistas debate-se ainda para travar a
História, volta definitivamente as costas a quaisquer pruridos ou
referências ideológicas e sonha com uma solução autoritária e
ideologicamente «neutra».

<p n=19143>
Muitos meses se passaram desde o tímido tocar de mãos em Gbadolite. Marco
histórico: desde então ficaria bem patente a dificuldade do MPLA em se ir
libertando das peias de uma teoria e prática de poder único. Um ano de
sucessivas rondas de negociações e, entretanto, o que foi feito da nação?
Do saco cheio das grandes reivindicações nacionais os angolanos
preparam-se para ver sair apenas a primeira: o fim da guerra. Ao mesmo
tempo, amedrontam-se perante a expectativa de novos confrontos. A não ser
que desde já cada uma das partes se disponha a reconhecer que a outra, na
sua diferença, é parte integrante da realidade nacional, poder-se-á
mergulhar novamente numa onda de caos e violência.

<p n=19144>
O Governo de Angola é flexível e procura acelerar a paz; a UNITA hesita e
recua. Eduardo dos Santos disse-o a abrir o Congresso do MPLA, lançando a
pergunta: «Que faremos se a UNITA não quiser cessar a guerra?».

<p n=19145>
O secretário de Estado norte-americano, James Baker, e o seu homólogo
sírio, Farouk al-Shara, reconheceram ontem, numa conferência de Imprensa
conjunta, o fracasso das suas conversações sobre a realização de uma
conferência de paz para o Médio Oriente.

<p n=19146>
«A uma conferência em que participariam os EUA, URSS, CEE e ONU, não
podemos chamar uma conferência regional», disse al-Shara. «É evidente que
uma conferência dessa natureza teria um carácter internacional».

<p n=19147>
FARZAD BAZOFT, o britânico de origem iraniana executado pelo Iraque em
Fevereiro de 1990, não era apenas repórter do jornal londrino «The
Guardian», mas também, alegadamente, agente dos serviços secretos do
Reino Unido, tendo cumprido a missão especial que lhe tinha sido
confiada: desvendar o programa nuclear de Bagdad. Esta notícia foi
divulgada ontem pela imprensa internacional, citando um livro que será
publicado no próximo mês, «Instant Empires», cujo autor é Simon Anderson,
jornalista do «Financial Times». Quando Bagdad acusou Bazoft de
espionagem, as autoridades britânicas desmentiram. No seu livro,
Henderson revela que Bazoft conseguiu descobrir, como lhe tinha sido
pedido, os projectos nucleares de Saddam Hussein e o tipo de bomba
atómica que o Iraque pretendia fabricar. Bazoft, que visitava
frequentemente o Iraque, foi preso depois de uma deslocação ao Sul de
Bagdad, às instalações militares de Qaqa, onde tinham ocorrido
misteriosas explosões.

<p n=19148>
As questões eleitorais continuam a polarizar as atenções dos
negociadores. Ao calendário eleitoral junta-se agora a questão de
associar ou distinguir as legislativas das presidenciais.

<p n=19149>
O papel do estado e da iniciativa privada numa Angola pacificada esteve
no centro de um debate que reuniu ontem em Lisboa, pela primeira vez  à
mesma mesa, representantes das principais forças politicas angolanas, não
armadas, com actividade no interior do país. Estiveram presentes Justino
Pinto de Andrade, da Associação Civica Angolana (ACA), Assis Malaquias,
do Forum Democrático Angolano (FDA) e Gaspar Neto, presidente do Partido
Social Democrata Angolano (PSDA). O MPLA, a UNITA e a FNLA não enviaram
representantes, embora as duas últimas organizações se tivessem
comprometido a isso.

<p n=19150>
Assis Malaquias, um jovem dissidente da UNITA radicado no  Canadá, onde é
professor universitário, manifestou a opinião contrária: «Nós, no FDA;
temos confiança total no individuo como actor económico; o Estado é
normalmente mau gestor do património nacional». Recusou porém o epipeto
de neo-liberal: «Michael Dukakis perdeu as eleições devido a esse
rótulo». Na sua intervenção o lider do PSDA preferiu, pelo seu lado,
realçar a necessidade de Angola recuperar os quadros nacionais no
exterior; Gaspar Neto pronunciou-se também a favor de um sistema de
economia de mercado, embora contra uma politica neocapitalista liberal.
J.E.A

<p n=19151>
Escândalos financeiros, a oposição de direita a exigir a dissolução da
Assembleia Nacional, juízes e polícias transformados em justiceiros do
regime, rumores insistentes da queda próxima do Governo Rocard: a França
atravessa a pior crise política desde que a esquerda chegou ao poder, há
dez anos.

<p n=19152>
Os deputados magiares chegaram a Paris poucos dias depois de um juiz de
instrução de Le Mans ter relançado o inquérito sobre a sociedade
Urba-Gracco, suspeita, desde há dois anos, de ter organizado um tráfico
de facturas falsas para financiar a campanha eleitoral de Mitterrand e o
próprio PSF. Uma lei de Dezembro de 1989 (baptizada lei da auto-amnistia)
parecia ter enterrado este escândalo. Mas vários magistrados, na maioria
de esquerda, consideram esta lei como um ultraje à independência do
terceiro poder e, secundados por alguns inspectores da polícia
judiciária, desenterram o caso Urba sempre que surge uma oportunidade.

<p n=19153>
Na Geórgia, uma das quinze repúblicas soviéticas, vivem-se os momentos
mais agudos de um conflito étnico. Os georgianos e os habitantes da
região autónoma da Ossétia do Sul defrontam-se numa verdadeira guerra
civil.

<p n=19154>
Sem casa e sem possibilidades de lavrar a terra, o futuro dos refugiados
da Geórgia promete ser pior. Nao podem garantir a colheita para o próximo
ano, nem esperar ajuda de Moscovo. O Governo soviético ainda não
conseguiu encontrar um tecto para milhares de soldados, estacionados nos
paises do Leste Europeu, durante quatro décadas e meia de guerra fria,
que terão agora que voltar para a URSS.

<p n=19155>
Na Geórgia, uma das quinze repúblicas soviéticas, vivem-se os momentos
mais agudos de um conflito étnico. Georgianos e os habitantes da região
autónoma da Ossétia do Sul defrontam-se numa verdadeira guerra civil.

<p n=19156>
«Essa era minha vizinha», diz Shalwa Akhalkatsi, apontando o retrato de
uma das vítimas, publicado num livro que conta a história do massacre de
Abril de 1989.

<p n=19157>
Os «polícias» iraquianos que, armados de «Kalashnikov» resolveram
«patrulhar» as ruas de Zakho, no Norte do Iraque, receberam, dos aliados,
ordem para retirar. As suas intenções podem ser boas mas os curdos não
regressam ao Iraque «enquanto os rapazes de Saddam estiverem por perto».

<p n=19158>
«Presumimos que são soldados», disse  Bill Fanshaw, um porta-voz militar
britânico em Silopi, na Turquia, referindo-se ao contingente de
«polícias» que chegou domingo, mal os dois batalhões das tropas
iraquianas abandonaram a cidade, por exigência dos aliados. Terça-feira,
os responsáveis americanos solicitaram a um general iraquiano
esclarecimentos sobre a presença dos indivíduou fardados e armados em
Zakho. A resposta obtida foi que se tratava de «polícias».

<p n=19159>
UMA PROPOSTA do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) para a
construção, nos próximos quatro anos, de 400 mil casas, a ser inscrito
nos programas das eleições municipais e autonómicas de 26 de Maio próximo
veio evidenciar problemas de coabitação entre o Governo e o partido.

<p n=19160>
A intervenção do Conselho de Ministros na reunião da passada sexta-feira,
não tranquilizou os ânimos. A ministra porta-voz, Rosa Conde, reconheceu
existirem "dificuldades de coordenação" entre a acção governativa e o
PSOE, mas sublinhou que o Governo fazia suas as inquietações partidárias
quanto ao problema da habitação em Espanha e se comprometia a analisar as
sugestões da sede nacional dos socialistas.

<p n=19161>
SUSANNE ALBRECHT, 40 anos, há doze «reformada» do grupo de guerrilha
Fracção do Exército Vermelho (RAF), vai enfrentar hoje, pela primeira
vez, a Justiça alemã. Acusada de cumplicidade em «grandes atentados»
durante os anos 70, Susanne tem agora um único desejo: dedicar-se,
tranquilamente, aos dois «homens» da sua vida -- Claus, o físico com quem
casou depois de abandonar a actividade anti-imperialista, e Felix, o
filho de sete anos.

<p n=19162>
As rosas não chegaram a ser entregues; cairam para o átrio e Ponto foi
raptado. O objectivo era obter uma moeda de troca para a libertação de
Andreas Baader -- fundador do grupo juntamente com Ulricht Meinhof, uma
antiga jornalista da televisão alemã.

<p n=19163>
A CARISMÁTICA secretária-geral da Liga Nacional para a Democracia (LND),
que desde Setembro de 1988 é o maior movimento de oposição na Birmânia,
deverá em breve ser afastada do partido por pressão do regime militar,
noticiou ontem o diário oficial «Trabalho do Povo».

<p n=19164>
Aung San Suu Kyi -- nomeada para o prémio Nobel da Paz devido à sua
campanha pacífica a favor da democracia -- deverá ser apagada dos
ficheiros do seu partido juntamente com U Tin, Presidente da liga, também
vigiado pelas tropas do regime e impedido de sair à rua.

<p n=19165>
Retomando a flexibilidade perdida em Dezembro, Gorbatchov mostrou uma vez
mais habilidade política e confirmou que não há alternativa à sua
Presidência. Cedeu às repúblicas e aos grevistas, conquistou o apoio de
Boris Ieltsin e ganhou o silêncio da oposição conservadora. Na prática,
falta apenas instalar-se o clima de diálogo -- a mesa redonda -- que os
radicais democratas reclamam.

<p n=19166>
Os dirigentes das nove repúblicas menos contestatárias à manutenção de
uma «União  renovada de Estados soberanos» reconheceram às outras seis --
as independentistas Letónia, Estónia, Lituânia, Geórgia, Arménia e
Moldova -- o «direito» de não assinarem o novo acordo federal, em
substituição do actual estatuto da URSS, dando-lhes a possibilidade de
«resolver de forma independente a questão da sua ligação ao Tratado da
União».

<p n=19167>
DEPOIS DE DEZASSEIS anos de investigações, o FBI prendeu ontem, perto de
West Palm Beach, Florida, o último dos suspeitos autores do assassinato
de Orlando Letelier, ministro e embaixador do Governo chileno de Salvador
Allende. Virgilio Pablo Paz, um cubano-americano de 39 anos, é acusado de
ter accionado o botão que fez explodir, em Setembro de 1976, o carro onde
Letelier percorria as ruas de Washington, a dois quilómetros da Casa
Branca, acompanhado da sua secretária. (José Dionisio Suarez, seu
parceiro na acção, foi preso o ano passado, também na Florida). Em 1979
os EUA exigiram a extradição de Manuel Contreras, chefe da DINA -- a
polícia secreta chilena -- acusando-o de ter sido o mentor do atentado.
Pinochet recusou e Contreras continuou a dirigir a polícia política
chilena. Rejeitando desde sempre qualquer implicação, Contreras, hoje na
reserva, quebrou o silêncio apenas há algumas semanas e disse que a morte
de Letelier fora obra da CIA ou dos serviços secretos da Venezuela. Para
Virgilio Paz, «preso com muita calma», segundo o chefe do FBI em Miami, a
prisão trouxe-lhe alguma tranquilidade: «Estou feliz. Deixo, enfim, de
ser fugitivo». E jardineiro.

<p n=19168>
Lisboa foi «uma cidade que se desenvolveu em forma de luva, ficando os
bairros degradados no espaço entre um dedo e outro», diz Silva Dias: «Foi
aí que as populações vindas da província se fixaram, porque mesmo vivendo
em condições precárias, podiam usufruir dos equipamentos da cidade de
cimento. Eles trabalhavam na indústria, elas como mulheres-a-dias».

<p n=19169>
A Companhia Teatral do Chiado acolhe hoje em Lisboa um espectáculo
espanhol que vai atrair, pelo menos, as atenções dos pessoanos
portugueses. «El Banquero Anarquista» é uma adaptação teatral do famoso
«Banqueiro Anarquista» de Fernando Pessoa, um dos mais polémicos textos
em prosa que o autor da «Mensagem» produziu.

<p n=19170>
O espectáculo tem música de Santiago de La Vega e Eva Gancedo. A
cenografia é de Gerardo Vera. Abel Vuiton dará mais cinco espectáculos,
na mesma sala e nos dias 26, 27 e 28: amanhã e depois de amanhã, às 19h e
às 21h30; no dia 28, às 17 horas.

<p n=19171>
Fernando Gomes e Armando Pimentel, em representação da Câmara do Porto, e
o alcaide de Barcelona, Pascual Maragall, começam amanhã a discutir, por
proposta do presidente do município portuense, a hipótese de geminar o
Porto e Barcelona e aproximar as instituições culturais, desportivas,
comerciais e industriais de ambas as cidades. Antes disso, Gomes vai
informar o seu correlegionário político das possibilidades de o Porto
funcionar como rectaguarda de apoio aos Jogos Olímpicos, disponibilizando
infra-estruturas desportivas da cidade, como o pavilhão do Palácio de
Cristal, os estádios do FC Porto e do Boavista, o campo de tiro do Clube
dos Caçadores, a pista de «tartan» do Estádio Universitário ou mesmo as
águas do rio Douro.

<p n=19172>
Até agora, no entanto, as trocas entre as duas segundas cidades de
Portugal e Espanha têm sido efectuadas pontualmente e através das mais
diversas instituições. São conhecidas as boas relações entre o FC Porto e
o FC Barcelona, clubes com afinidades evidentes, grupos de bailado e de
jazz de Barcelona têm visitado os palcos do Porto, e os empresários e
comerciantes das duas cidades estão habituados a trocar informações e
oportunidades de negócio.

<p n=19173>
A atribuição a sete clubes de Lisboa de terrenos para instalação de
bombas de gasolina foi ontem adiada pela Câmara, pela segunda vez, devido
a reservas colocadas por vereadores do CDS a uma proposta em que são
sugeridos critérios para a cedência em função da dimensão das
colectividades.

<p n=19174>
As regras divulgadas ontem, e que servirão de base à discussão, prevêm
que clubes com um mínimo de 50 mil sócios, situação em que apenas o
Sporting se encontra, possam ter uma estação de serviço com área para 18
bombas. Para casos como o do Belenenses, na primeira divisão mas com
menos de 50 mil sócios, estão previstas 12 .

<p n=19175>
Especialmente dedicado ao dia de hoje, a Câmara Municipal da Amadora
escolheu o filme «Grita Liberdade», de Richard Attenborough, a ser
projectado, às 22h00, no Auditório Municipal.

<p n=19176>
Para assinalar esta data, a delagação de Faro da Associação 25 de Abril
promove uma exposição de fotografias sobre a revolução, patente até 9 de
Maio no Museu Infante D. Henrique.

<p n=19177>
A gestão do tráfego da Transtejo na zona estreita do rio vai «saltar»
para a Outra Banda. As demolições para o edifício que albergará a nova
torre de comando já acabaram, mas só agora em Almada se soube do que se
tratava.

<p n=19178>
Fonte da empresa pública disse ao PÚBLICO que a mudanca para Cacilhas --
que deverá concretizar-se até ao fim do ano --  se justifica por ser ali
que há maior volume de passageiros a transportar, enquanto em Lisboa
estes se dividem por dois cais de desembarque, no cais do Sodre e no da
Alfandega.

<p n=19179>
A secretaria de Estado da Cultura atribuiu um subsídio de 20 mil contos
ao Chapitô, Colectividade Cultural e Recreativa de Santa Catarina. A
verba destina-se a apoiar as estruturas existentes e ao cumprimento do
plano de actividades do corrente ano, que passa pela compra de
equipamento destinado a melhorar a oferta cultural.

<p n=19180>
Teve carácter comercial a reunião que durante três dias juntou em Évora
os responsáveis pela direcção de Filatelia dos Correios de Portugal com
12 dos agentes comerciais da Europa e de Macau. O encontro, que terminou
ontem com uma deslocação à vila medieval de Monseraz, serviu para
analisar as vendas nos territórios dos agentes, discutir perspectivas
para as colecções dos próximos anos e  preparar as participações nas
exposições filatélicas de 1992.

<p n=19181>
«Pôr Lisboa no mapa das grandes cidades é um objectivo a que as festas
não são alheias», salientou Jorge Sampaio, presidente da Câmara de
Lisboa, no discurso ontem proferido, na Tapada da Ajuda, na apresentação
das Festa da Cidade.

<p n=19182>
A participação das «forças vivas» da capital -- colectividades,
associações culturais, juntas de freguesia, associações profissionais,
casas regionais, empresas, artistas plásticos e muitos outros -- é a
aposta da organização deste ano, no sentido de as festas serem cada vez
mais as festas de toda a cidade, referiu Sampaio, acrescentando que não
devem ser dirigidas apenas «aos segmentos mais tradicionais ou só aos
consumidores regulares de espectáculos».

<p n=19183>
Teve carácter comercial a reunião que durante três dias juntou em Évora
os responsáveis pela direcção de Filatelia dos Correios de Portugal com
12 dos agentes comerciais da Europa e de Macau. O encontro, que terminou
ontem com uma deslocação à vila medieval de Monseraz, serviu para
analisar as vendas nos territórios dos agentes, discutir perspectivas
para as colecções dos próximos anos e  preparar as participações nas
exposições filatélicas de 1992.

<p n=19184>
Esta reunião, realizada anualmente em Portugal, teve lugar pela primeira
vez no interior do país. «Portugal não é só um país de marinheiros»,
comentou Raul Moreira. Além disso, «Évora, que é património mundial, está
muito ligada à filatelia através do prémio de Inovação Artística para
Off-set obtido com um selo desenhado por Maluda da Janela da Casa de
Garcia Resende.

<p n=19185>
A Polícia Judiciária deteve na madrugada de terça-feira, em Lisboa, um
jovem de 27 anos, por suspeita de ter sido o autor de mais de uma centena
de assaltos a residências na zona da capital.

<p n=19186>
Electrodomésticos, aparelhagens de som e vídeo, roupas e peças de ouro e
prata, bem como dinheiro nacional e estrangeiro constituíam o «grosso»
dos objectos furtados, posteriormente trocados por heroína em bairros
degradados como o Casal Ventoso, Curraleira e Pedreira dos Húngaros.

<p n=19187>
O grande confronto entre Jorge Sampaio e Fernando Gomes está iminente.
Será no próximo domingo de manhã num ... jogo de futebol. O cenário vai
ser o recinto desportivo dos trabalhadores da Câmara do Porto.

<p n=19188>
O confronto está a ser aguardado com tamanha expectativa e sentido
profissional que ambas as partes se recusaram a revelar ao PÚBLICO os
lugares em que alinharão os respectivos «craques». Contudo, fontes bem
informadas revelaram que Gomes e Sampaio se vão marcar mutuamente,
tentando o presidente portuense um pendor mais atacante dado que joga em
casa. O mesmo deverá suceder entre Marcelo Rebelo de Sousa e Carlos
Brito, mas alguns socialistas portuenses temem que os desejos de Brito de
uma cooperação política com Marcelo se sobreponham ao seu empenhamento no
terreno, prejudicando assim o conhecido rigor táctico tripeiro.

<p n=19189>
Dois dias por semana, aos grupos de turistas que visitam o que é talvez o
monumento mais visitado do país, o Palácio Nacional da Pena, umas tantas
crianças juntam-se neste local para se mascarar e fazer de conta que são
nobres, gente da côrte ou peregrinos de outros séculos. Vêm de escolas
para no cenário manuelino do Palácio-museu aprenderem de modo alegre a
história do seu país, ajudados por alguns actores com mais traquejo . E
levam tão a sério a brincadeira que chegam a enganar os turistas menos
atentos. Segundo o director do Palácio, autor desta iniciativa, que só
será interrompida para a época alta do turismo de verão, o programa «À
Descoberta romântica dos Descobrimentos» tem tido sucesso junto dos
jovens.

<p n=19190>
Pereira Leal, director artístico do Festival disse que esta decisão da
Igreja provocou «reacções» nos meios musicais, não só em Portugal como no
estrangeiro, nomeadamente em França onde, no Verão, se realizam cerca de
200 festivais em igrejas e catedrais.

<p n=19191>
Todas as terças e quintas feiras, o Palácio Nacional da Pena abre as
portas a visitantes especiais: alunos dos 2º e 3º ciclos do ensino básico
que, numa iniciativa idealizada pelo director do monumento, vão «À
Descoberta Romântica dos Descobrimentos».

<p n=19192>
Esta iniciativa, que tem «extravasado as expectativas», vai continuar até
ao fim do ano escolar pois seria impossível fazê-lo nos meses de verão:
«Há dias que chegamos a ter mais de dois mil visitantes. Pensamos
recomeçar em Outubro, com a reabertura das aulas», diz José Carneiro.

<p n=19193>
A natureza juntou naquele local o mar e a serra. Em dias limpos avista-se
a sul a outra serra irmã -- a austera Arrábida. Falamos de Sintra, onde,
num dos seus cumes, está construído, como num sonho romântico, o Palácio
da Pena -- jóia arquitectónica onde se harmonizam os traços fortes dos
castelos da Baviera com a elegância os palácios árabes e o requinte
decorativo do manuelino. Duas vezes por semana, habitado por nobres de
palmo e meio.

<p n=19194>
A princesa, no centro, sorria beatificamente, mas também ela mal
disfarçava a curiosidade. Dois passos afastados, o Conde da Sobreda e
António Mendonça discutiam com ar greve a baixa política da côrte.
Interessavam-se pelas questões do Estado e do Reino, ao contrário de D.
Francisco que era um verdadeiro mundano. A questão agrária não lhe dizia
nada e, tal como seu pai, era indiferente às lutas que dividiam o Reino e
faziam vacilar o trono.

<p n=19195>
O PCP vai promover uma petição popular, a apresentar na Assembleia da
República, «para que se concretize a passagem de Queijas/Linda-a-Pastora
a freguesia durante esta legislatura», refere a estrutura local daquele
partido, em comunicado à população.

<p n=19196>
Desconhecidos furtaram recentemente, numa fábrica de confecções de Ponte
de Eiras, próximo de Coimbra, um carregamento de calças avaliado em cerca
de 3.500 contos, segundo informou a Polícia Judiciária.

<p n=19197>
Hoje é o dia em que a RTP quase perdeu a Revolução. A de 25 de Abril de
1974. No boletim de programação que a RTP envia para a imprensa, nem
discursos oficiais nem paradas militares. O fax a mudar tudo chegou, como
habitualmente, em cima da hora (a hora de fecho da página de televisão):
desfiles militares às 10h00, transmissão directa da Av. da Liberdade;
discursos na Assembleia da República, às 11h30, no Canal 1. Vão-se
queimar, sem dúvida, algumas imagens de tanques e ajuntamento no Largo do
Carmo. Mais nenhuma utilidade para as imagens. E a RTP registou tudo, no
momento e nos que se lhe seguiram. Imagine-se, por exemplo, o que a BBC
já teria feito. Bem vistas as coisas há muito que a RTP perdeu a
Revolução.

<p n=19198>
Hoje é o dia em que a RTP quase perdeu a Revolução. A de 25 de Abril de
1974. No boletim de programação que a RTP envia para a imprensa, nem
discursos oficiais nem paradas militares. O fax a mudar tudo chegou, como
habitualmente, em cima da hora (a hora de fecho da página de televisão):
desfiles militares às 10h00, transmissão directa da Av. da Liberdade;
discursos na Assembleia da República, às 11h30. Vão-se queimar, sem
dúvida, algumas imagens de tanques e ajuntamento no Largo do Carmo. Mais
nenhuma utilidade para as imagens. E a RTP registou tudo, no momento e
nos que se lhe seguiram. Imagine-se, por exemplo, o que a BBC já teria
feito. Bem vistas as coisas, há muito que a RTP perdeu a revolução.

<p n=19199>
Maria Eduarda, ou melhor, Duda, vivia feliz e inocentemente com a mãe,
costureira, menos feliz e menos inocente. Chegadas à cidade grande, Duda
iniciou uma promissora carreira de Top Model na empresa Covery, de Alex
Kundera. A mãe ficou muito mais feliz e Duda muito menos inocente.

<p n=19200>
«Top Model» é uma novela híbrida. Sem ser declaradamente cómica, como «A
Guerra dos Sexos», tem momentos surrealistas, como aquele em que John
Lennon, o filho mais novo de Gaspar, arranja na escola uma namorada
japonesa chamada Yoko Ono. Gaspar tentou desesperadamente cumprir os
rituais de um noivado japonês, mas bebeu um pouco de «saké» a mais e
Lennon e Yoko tiveram de esperar mais uns anos.

<p n=19201>
«Comercializa-se a arte, a literatura como se comercializam o ouro e os
diamantes, o arroz e a carne. Somente os altos e baixos são feitos pelos
intermediários, pelos traficantes, não pelos que os extrairam da terra e
os criaram nos campos largos, ou os criaram na sua mente antes de os
lançarem ao papel e os entregarem ao editor.»

<p n=19202>
Tinha já ouvido, a uma criatura da rádio que agora se faz, esta obscura
revelação. O jornalismo actual não dá garantias de êxito à criatividade
do jornalista. Foi então a vez de uma jovem jornalista, licenciada em
Comunicação Social, assistente e tudo da respectiva Faculdade, fazer esta
denúncia. Os jovens universitários de Comunicação Social, na Universidade
dela -- como de resto, esclareceu, em todas as outras -- odeiam-se
cordialmente. Não há camaradagem. Não há solidariedade. Nem, claro,
amizades. Há guerra selvática, na perspectiva gananciosa de um lugar a
qualquer preço no mercado de trabalho. Que tristeza!

<p n=19203>
Nestes últimos dias, tive oportunidade de participar em várias sessões
públicas a propósito do 17º aniversário do 25 de Abril. Algumas
conclusões ressaltaram dessas comemorações. A primeira é a seguinte. Há
um ano, nesta mesma coluna, assinalei que Portugal tinha batido um
recorde de longevidade: o regime do 25 de Abril havia não só durado mais
do que a Primeira República, como havia também instituído o regime mais
democrático que o país conheceu. Por outras palavras, a democracia havia
adquirido um estatuto de legitimidade e normalidade, senão mesmo de
irreversibilidade, que o ano que passou só veio confirmar.

<p n=19204>
Com efeito, mal a descolonização terminou, o revolucionarismo fez as
malas para sempre. Simultaneamente, a nossa democratização veio mostrar,
com o tempo, que a conjuntura internacional se tinha vindo a tornar cada
vez mais favorável, tanto no plano político como no económico, à
institucionalização das democracias, como se tornou óbvio na Grécia e em
Espanha. Se os anos seguintes, praticamente até 1985, foram tão
instáveis, entre nós, isso deveu-se menos à falta de recursos económicos,
sociais e até culturais, do que aos efeitos perversos da matriz -- militar
e populista -- do sistema político.

<p n=19205>
2 - Não me agradam os privilégios. Não distingo entre os que tenham sido
julgados e justamente condenados, segundo as regras de um Estado de
direito. Se alguma preferência encontro, é pelos mais pequenos: aqueles
que não serão nunca lembrados pelos jornais. Estar privado de liberdade
física, sobretudo imposta por outros, é uma provação dura de suportar.
São hoje milhares, murados nas prisões do nosso país, os que aguardam uma
redução das suas penas. Bem gostaria que essa esperança não fosse
defraudada.

<p n=19206>
1 -- Julgo que é uma ocasião tão festiva e que se reveste de tão grande
significado para a grande maioria dos portugueses que se justificaria uma
amnistia.

<p n=19207>
1 --  Acha que a visita do Papa João Paulo II a Portugal deve ser
assinalada com uma ampla amnistia ou, simplesmente, com uma simples
amnistia às infracções fiscais e de trânsito?

<p n=19208>
2 -- Nada de selectismo. Ou há moralidade e comem todos, ou a visita de
Sua Santidade terá um ar turístico, deixando o país das Descobertas e dos
incêndios verónicos coberto de estearina das velas derretidas. Tudo no
mesmo saco da amnistia: FP-25, Otelo e rede bombista de 75. Porquê?
Porque sim, irmãos!

<p n=19209>
1 -- Penso que é um problema político. Mas em minha opinião, sou favorável
à concessão de uma amnistia, embora se possa prever simultaneamente um
perdão de penas consoante a natureza dos crimes.

<p n=19210>
No trabalho/reportagem do PÚBLICO sobre o drama das crianças romenas
[21/3], em determinada altura, escrevia-se: «A hipótese mais audível(?) é
a permanência de grande quantidade de estudantes africanos na Roménia nos
áureos tempos de Ceaucescu».

<p n=19211>
Quanto ao vosso artigo «A Escola às Costas», apetece-me perguntar ao seu
autor se já viu um cavador sem enxada...

<p n=19212>
Ou então: que livros são para usar na sala de aula e que livros são para,
em casa, o aluno consolidar e alargar os conhecimentos para os quais o
professor, na escola, abriu a porta?

<p n=19213>
Muito embora seja verdade intangível que na história dos homens «nunca é
demasiado tarde para realizar certos desígnios, que a própria história
indica (...)», como a liberdade, e embora seja indiscutível, também, que
nesses desígnios se inscreve em relevo «a grande evolução para a
igualdade do homem, desde sempre manifestada no universo cristão», no
dizer feliz de Tocqueville, não se pode deixar de reconhecer que a
revolução democrática ocorreu num momento de especial dificuldade.

<p n=19214>
As dúvidas, que a evolução do processo revolucionário, a certa altura,
aparentemente legitimou, não resistem à evidência política das grandes
afirmações contidas naquele programa.

<p n=19215>
A presença portuguesa em Macau deveria manter-se para além de 1999,
nomeadamente através do Turismo e duma política de recuperação do
património cultural e monumental português para efeitos turísticos. Tal
como acontece hoje na China com as concessões europeias de Cantão e
Xangai, transformadas em potencialidades que continuam a ser,
infelizmente, totalmente negligenciadas.

<p n=19216>
Tal facto não se deve apenas à propalada falta de ligações aéreas
directas, mas, e essencialmente, a uma promoção externa extremamente
débil, que se tem revelado incapaz de impor Macau como destino exclusiva
(«USP - Unique Selling Proposition»), ou mesmo tão-só como área-destino
de programas integrados de multidestinação.

<p n=19217>
‚ Na edição de 17 de Abril do Local/Lisboa, no texto «Vai cair!», em que
se noticia a ruína iminente de um prédio na Avenida da República, onde já
foi a pastelaria Ideal das Avenidas, indicam-se incorrectamente alguns
dados que -- embora não sejam «inventados», como afirma o leitor Luiz S.
Sousa, de Miratejo, cuja carta se agradece -- são referentes à Avenida 5
de Outubro. Foi esta última avenida que inicialmente se chamou António
Maria d'Avellar e onde foram sorteados «chalets» pelo jornal «O Século».
A.P.

<p n=19218>
O Presidente da República participará, antes de se dirigir a São Bento,
na parada militar que, pela primeira vez nesta data, desfila na Avenida
da Liberdade. No palanque de honra ao lado de Mário Soares estarão, entre
outros, o primeiro-ministro e o presidente da Assembleia da República.

<p n=19219>
Macário Correia, que segue em frente como secretário de Estado do
Ambiente e Defesa do Consumidor, recebe os cumprimentos de Fernando Real,
o ministro que saiu para dar lugar a Carlos Borrego (à direita, na foto).
Na cerimónia de posse da nova equipa governamental para o Ambiente,
realizada ontem em Belém, não houve discursos. Macário e Borrego
limitaram-se a fazer as respectivas «declarações de compromisso de
honra». Depois foram os cumprimentos. Carlos Borrego teve uma palavra
diferente para quem foi a Belém desejar-lhe felicidades. A Arlindo Cunha,
por exemplo, disse que era importante «termos um ambiente ao serviço da
agricultura», e logo a seguir, quando chegou a vez de Roberto Carneiro,
acertou já conversas futuras: «Temos de colaborar, temos de colaborar.»

<p n=19220>
Do lado da oposição, o Estatuto foi saudado com críticas à «teimosia de
Jardim» pela demora do processo, imputando ao Presidente do Governo
Regional da Madeira a responsabilidade pelo tempo perdido no vaivém das
constitucionalidades e inconstitucionalidades. Mota Torres, do PS, também
eleito pela Madeira, afirmou que a substituição da norma considerada
inconstitucional por a constante do Estatuto Provisório «sendo
tecnicamente inconstitucional, é politicamente defensável, dado que se
situa na margem em que são irrevelantes as distorções ao princípio».

<p n=19221>
O primeiro-ministro, vai visitar a Beira interior durante o próximo
sábado, acompanhado pelos ministros da Saúde, das Obras Públicas, do
Ambiente, da Agricultura e dos Assuntos Parlamentares e dos secretários
de Estado da Administração Interna, da Indústria, do Ensino Superior, da
Administração do Território e da Segurança Social. O roteiro da visita
incluí os concelhos do Sabugal , Belmonte, Convilhã e Fundão. Os
representantes do PCP na assembleia municipal da Covilhã anunciaram já as
«reivindicações» a apresentar a Cavaco Silva, as quais receberam o apoio
do PS.

<p n=19222>
O Instituto Luso-Árabe de Cooperação (ILAC) vai homenagear, amanhã em
Rabat, o embaixador em Marrocos, Jorge Ritto, que irá representar
Portugal na Correia do Sul. Jorge Ritto será substituído à frente da
representação diplomática portuguesa em Morrocos por Moreira da Silva, de
62 anos, que foi embaixador na ex-RDA. O presidente do ILAC, Luís
Morales, estará presente na cerimónia oferecida a Jorge Ritto.

<p n=19223>
Enquanto prossegue a «maratona» das listas, com final marcado para 11 de
Maio, acentua-se o «namoro» a Vitor Constâncio, estrela do próximo tempo
de antena na TV. Entretanto, em carta aos deputados do PS,Sottomayor
Cardia defende uma coligação com o PCP.

<p n=19224>
Entretanto prossegue a «maratona» de formação das listas de deputados,
que encerrará definitivamente com as reuniões, desde já previsivelmente
agitadas, da Comissão Política, dia 7 de Maio, e da Comissão Nacional,
dia 11 de Maio. Na passada terça-feira, Jorge Sampaio «encerrou-se» com
Alberto Martins na sede do Largo do Rato para avançar no tema. Sem que da
reunião tenha saido qualquer espécie de «fumo branco», cresce a sensação
entre os socialistas de que o secretário-geral irá, agora, impor a sua
autoridade, provocando grandes alterações nas propostas federativas dque
foram chegando ao Largo do Rato. Ao contrário do «basismo» que presidiu à
elaboração das listas para anteriores legislativas, na liderança de
Constâncio, o secretário-geral volta agora a ter uma importante e
decisiva palavra final.

<p n=19225>
Portugal e a Tunísia manifestaram ontem, aproveitando a estadia de João
de Deus Pinheiro em Tunes, disponibilidade mútua para um estreitamento
das relações bilaterais em várias áreas, sublinhando o interesse de uma
aproximação entre a CEE e este país do Magrebe.

<p n=19226>
No âmbito da sua digressão pelos vários países do Magrebe, iniciada na
véspera em Argel, o ministro Deus Pinheiro sublinhou, em declarações aos
jornalistas, que Portugal e a Tunísia podem desenvolver novos laços nos
planos político, económico, social e cultural, tendo interesses comuns
que se enquadram no relacionamento histórico entre as regiões onde se
situam. Os desenvolvimentos políticos no Médio Oriente e outros temas
internacionais foram igualmente abordados.

<p n=19227>
A NATO deve limitar a sua acção aos limites estabelecidos no tratado de
Washington. Assim pensa Fernando Nogueira, que já tinha concordado com a
criação de uma força da UEO capaz de intervir fora do âmbito da NATO. Uma
questão de «bandeira», na complicada discussão da segurança europeia.

<p n=19228>
A importância da ligação aos Estados Unidos e ao Canadá como factores de
estabilidade na Europa foi também, naturalmente, abordada nos discursos
da cerimónia de transmissão de comando. O primeiro a falar foi o
Almirante Consolado, que deixa o CINCIBERLANT para assumir as funções de
vogal no Supremo Tribunal Militar. Tal como o seu antecessor, o
Vice-Almirante Carmo Duro dirigiu-se aos convidados em inglês. O que para
o novo comandante não será novidade, uma vez que Carmo Cruz já exerceu
funções na NATO: no próprio CINCIBERLANT, no fim dos anos 70 e, depois,
no SACLANT, o comando situado em Norfolk, Virgínia (EUA), do qual depende
a área íbero-atlântica da Aliança. Seguiu-se a alocução do Almirante
norte-americano Leon Edney, Supremo Comandante Aliado para o Atlântico.

<p n=19229>
O PSD confirmou ontem, em conferência de líderes parlamentares, a sua
recusa ao pedido da oposição de adiamento da votação do Acordo
Ortográfico, marcada para o próximo dia 2 de Maio. Uma confirmação
polémica e contestada e a que um projecto ontem apresentado pelos
deputados independentes Jorge Lemos e José Magalhães -em que se propõe a
renegociação do Acordo - veio mais uma vez pôr em causa .

<p n=19230>
Os deputados da oposição incluindo aqueles que sempre defenderam a
necessidade de um Acordo Ortográfico têm vindo a criticar duramente a
forma como todo o processo está a ser conduzido pelo Governo, denunciando
uma pretensa «pressa» de Cavaco Silva, que estaria empenhado em poder
aproveitar a sua ida ao Brasil, a partir do dia 5 de Maio, para ali
protagonizar a assinatura do Acordo.

<p n=19231>
O grupo de trabalho parlamentar que na próxima semana começará a elaborar
um projecto de amnistia geral - a aprovar por ocasião da visita do Papa e
na sequência da reeleição do Presidente da República -, deverá auscultar
o ministro da Justiça sobre o âmbito dos crimes a abranger, segundo disse
ao PÚBLICO um dirigente do Grupo Parlamentar do PSD. Esta auscultação
será, na opinião da maioria, «um dos primeiros passos a empreender», com
vista à definição dos crimes a amnistiar. Um comunicado entretanto
divulgado pela direcção da bancada social-democrata rejeitou qualquer
abertura do PSD para vir a aprovar uma redução de penas para os
implicados no caso «FUP-FP/25».

<p n=19232>
A possibilidade de alguns dos acusados das FP´s-25 virem a usufruir de
uma redução de penas está, entretanto, longe de que ficar excluída, uma
vez que juristas das várias bancadas parlamentares, incluindo do PSD,
reconhecem que tal redução é normal numa amnistia de carácter geral.

<p n=19233>
Pedro Canavarro considerou, anteontem à noite, em Coimbra, que a
candidatura de António Feu à presidência do PRD « mostra que não existe
nehuma  disputa intestina entre Canavarro e Martinho», na medida em que
«o problema  é mais fundo, é o da revitalização do partido». Afirmando
que o partido tem «potencialidades e alternativas várias», Canavarro
classificou Feu como uma figura com «condições mais abrangentes na vida
do partido».

<p n=19234>
Pedro Canavarro, que recebeu, terça--feira passada, uma nota de culpa do
Conselho de Jurisdição do partido, afirmou que a sua adesão ao grupo
Arco-Iris « foi uma forma de alertar e chamar a atenção de que há outras
formas de fazer política partidária». AIC

<p n=19235>
A classe política de Macau acompanhou com expectativa a alocução de
investidura de Rocha Vieira, que a TDM transmitiu em directo para o
território. Discreto, sóbrio, prudente - foram alguns dos adjectivos
utilzados para classificar o discurso do novo governador.

<p n=19236>
Importante sobretudo, para Ana Perez, é a intenção revelada por Rocha
Vieira, de deixar em Macau uma estrutura administrativa com capacidade
para perdurar até 1999.

<p n=19237>
A tentação golpista despertou em 23 de Fevereiro de 1981. Antes, em
Novembro de 1978, a tentativa de um golpe de mão, coincidindo com uma
viagem do Rei ao estrangeiro, que tinha como objectivo sequestrar o
Governo, falhara na altura do recrutamento por inconfidências de caserna.

<p n=19238>
Para este investigador, a questão fundamental era política,
desenvolvendo-se diversas estratégias apenas coincidentes no objectivo de
tirar Suarez da presidência do Governo. O ex-dirigente do Movimiento
tinha desagregado «gregos e troianos»: a UCD estava dividida; os
socialistas queriam o poder; a Igreja não digeria a lei do divórcio; a
direita militar via o crescimento do terrorismo e o fervor autonómico com
preocupação.

<p n=19239>
Quatro meses após o 25 de Abril, dois capitães espanhóis vieram até
Lisboa para se lançarem num projecto de mudança. São dois turistas
diferentes que, em Agosto, preferem a cidade à praia, as reuniões às
férias.

<p n=19240>
Os capitães Busquete e Luís Otero tinham chegado a Lisboa na véspera,
separados, para despistar a «secreta» espanhola: «Eu, de avião, ia para
Toronto, a um congresso de sociologia, e apanhei um voo com escala em
Lisboa, onde fiquei três dias; Luís, de comboio.»

<p n=19241>
Jacarta tem os estudantes de Bali na linha de fogo enquanto o «Times»
denuncia as contradições da comunidade internacional e pede sanções
contra a Indonésia.

<p n=19242>
As instruções nomeiam 12 outros estudantes de Bali, um em Jacarta, este
com alegadas ligações a grupos holandeses, japoneses, australianos e
suiços, três em Surabaya, dois em Yogyakarta, e um em Salatiga. O
documento, que pormenoriza moradas e locais de reunião, aconselha três
medidas de segurança: continuar a detectar as actividades da RENETIL,
investigar os contactos com estrangeiros, jornalistas e turistas, e
industriar os elementos da Impettu, organização de jovens timorenses
criada e controlada por Jacarta, para que não se deixem influenciar pelos
nacionalistas.

<p n=19243>
O armazém da Assistência Médica Internacional em Lisboa voltou a ser
assaltado na noite de terça-feira, presumindo-se que os autores do furto
sejam os mesmos que há dois dias se introduziram nas instalações da AMI,
disse um responsável da organização.

<p n=19244>
A AMI conta levar para Teerão 10 toneladas em géneros de primeira
necessidade, bem como uma equipa formada por três médicos, seis
enfermeiros e um coordenador.

<p n=19245>
Os bancários do Sul e Ilhas «repetem» o seu director Barbosa de Oliveira
-- um socialista contestado mas que não teve dificuldades em conseguir a
reeleição em coligação com os comunistas do sector. Tal como lhe fora
fácil cumprir três mandatos como «vice» dos sociais democratas.

<p n=19246>
Questão velha para Barbosa de Oliveira é a das companhias -- as várias,
políticas e sindicais, que tem mantido: a presente aliança com os
comunistas no sindicato é isso e apenas isso, garante. Apontado como
possível candidato a deputado pelo PS nas próximas eleições, preconiza
que não é possível o mesmo tipo de aproximação em eleições legislativas.
«Os interesses do país não passam por aí, enquanto o Partido Comunista
não tiver uma postura mais aberta quanto às transformações do mundo», diz
ao PÚBLICO.

<p n=19247>
Os processos das três candidaturas à televisão privada foram entregues
sexta-feira pelo Governo à Alta Autoridade para a Comunicação Social
(AACS). Os processos ainda regressarão ao Executivo, que tomará a decisão
final. No entanto, o Governo não poderá licenciar uma candidatura que não
obtenha parecer favorável da AACS, encontrando-se este órgão a preparar a
metodologia de análise dos projectos. As candidaturas poderão ser,
nomeadamente, analisadas por cada um dos membros da AACS ou então
constituir-se-ão comissões de análise sectorial (programação, aspectos
financeiros e outros). É previsível que haja uma decisão antes de meados
de Julho, devido às férias do Verão, sendo já certo que existe uma
preocupação de estudo aprofundado dos processos recebidos. Está garantido
que a AACS não «dará notas» aos projectos, limitando-se a dizer «sim» ou
«não». O processo mais volumoso é o da TV1 (Igreja Cat´loca) mas nenhuma
das três candidaturas apresenta uma volume de documentação superior aos
dos candidatos a frequências locais de rádio, cujo concurso decorreu em
meados de 1989.

<p n=19248>
Trabalhadores e administração dos CTT acusam-se mutuamente de fuga ao
diálogo. Os sindicatos recorreram à greve e a empresa suspendeu os
contactos. Carreiras e assistência social são os principais pontos de
discórdia. Mas o «correio azul» também entrou no conflito.

<p n=19249>
«A Cruz Vermelha não podia ficar insensível à dor humana no Curdistão»,
explicou ontem em conferência de imprensa o Coronel França Dória,
vice-presidente da instituição, ao anunciar uma campanha a nível nacional
de auxílio aos refugiados curdos, num programa organizado pela sua
Direcção Nacional da Juventude, em colaboração com a Fundação da
Juventude e o Conselho Nacional da Juventude.

<p n=19250>
A organização apela à angariação de fundos através de depósitos na conta
«Cruz Vermelha Portuguesa-Ajuda aos Curdos» 02767796/830 da Caixa Geral
de Depósitos a à angariação de bens em géneros.

<p n=19251>
Emigrantes portugueses radicados na Suiça vão entregar amanhã, em Sion,
ao secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Correia de Jesus, um
documento exigindo a criação de agências consulares nas principais
cidades suiças e de mecanismos que lhes permitam ter acesso a assistência
jurídica e social.

<p n=19252>
Num dos últimos números, o jornal insurgia-se contra declarações de
Correia de Jesus que apontavam para a existência de 30 mil emigrantes, 15
mil dos quais seriam legais. «Em 31 de Agosto de 1990, segundo números
fornecidos pelo serviço de estrangeiros de Berna, havia na Suiça 120 mil
emigrantes portugueses, isto sem contar os ilegais», adiantou o padre
Múrias. Esta é, aliás, uma das razões que os emigrantes esgrimem para a
necessidade de criar mais consulados ou agências consulares. Actualmente,
além da embaixada em Berna, existem apenas dois consulados, um em Zurique
e outro em Genebra.

<p n=19253>
SEIS SINDICATOS de trabalhadores da CP, filiados na UGT, oficializaram
ontem a criação de uma frente sindical que representará estas estruturas
nas negociações colectivas com o Conselho de Gerência da empresa. A
central tenta, deste modo, resolver vários problemas com que deparava: a
«pulverização» sindical no sector, retirando, simultaneamente, campo de
acção a um novo sindicato embrionário nesta área.

<p n=19254>
Por outro lado, referem que para a linha do Norte estavam previstos
avultados investimentos, para «conseguir as tais duas horas e quinze»,
que «ainda ninguém viu». Diversos projectos que deveriam estar concluídos
em 1988 e 1990 não tiveram ainda início.

<p n=19255>
Cerca de 40% dos médicos portugueses são fumadores, ultrapassando a taxa
de consumidores de tabaco no conjunto da população que atinge os 24%.
Segundo o livro «O prazer de não fumar/Como dizer sim à vida», lançado
recentemente pela Porto Editora, os homens são quem mais aprecia os
«prazeres» do fumo (37%), enquanto as mulheres se ficam pelos 11%.

<p n=19256>
Trabalhadores dos museus e palácios, dependentes do Instituto Português
do Património Cultural, continuam hoje em greve, em defesa da aplicação
do novo sistema retributivo da Função Pública às respectivas carreiras.

<p n=19257>
A escrita venenosa de Kitty Kelley enxovalha Nancy Reagan, num livro que
desencadeia uma guerra não civil

<p n=19258>
Quando a escandalosa biografia não autorizada de Nancy Reagan, da autoria
de Kitty Kelley, explodiu na passada semana como se fosse um enorme balão
cheio de água, os esclarecidos apressaram-se a fornecer as explicações
habituais para a sua surpreendente popularidade: o ódio reprimido de uma
mulher que parecia personificar o pior dos agora desprezados anos 80; o
insaciável gosto americano por pormenores excitantes -- por mais
exagerados que sejam -- sobre celebridades. Mas, a um nível menos
consciente, existia também uma simetria peculiar entre tema e autor: um
faiscar inevitável. Superficial e maldoso: este é o veredicto a que se
chegou sobre ambas, Nancy Reagan, a pessoa e «Nancy Reagan: Biografia Não
Autorizada». Por muito injusto que possa ser, o público parece ter
sentido que se está a fazer alguma justiça e acha que estas duas mulheres
estão bem uma para a outra.

<p n=19259>
As revelações escandalosas não são um fenómeno recente. Se recuarmos até
ao século II, ficamos a saber que Suetónio fez saber que Tibério gostava
de nadar nu, com rapazinhos e meninas (chamava-lhes peixes). Mas a maior
parte dos historiadores permitiu aos seus imperadores conservarem a roupa
vestida -- até há pouco tempo. Agora, até mesmo os vencedores de prémios
Pulitzer se dedicam a expor publicamente e a especular sobre a vida das
celebridades. Apresentamos aqui um apanhado de afirmações escolhidas pelo
modo como mexeram com os nossos preconceitos.

<p n=19260>
Era difícil imaginar Joan Crawford como uma mãe carinhosa, mas poucos
estariam preparados para a realidade: um monstro. «Os cabides de arame,
não! Os cabides de arame, não!» Joan Crawford fechava a filha adoptiva em
guarda-fatos, batia-lhe tanto com as escovas de cabelo que as partia.
Nenhum leitor duvidou da sinceridade de Christina quando ela escreveu:
«Interrogo-me se não seria melhor ter ficado no orfanato.»

<p n=19261>
A Comissão das Comunidades Europeias vai propor um recurso de anulação no
Tribunal de Justiça europeu da directiva quadro sobre resíduos perigosos.
A medida foi anunciada pelo representante da Comissão, no decorrer da
sessão da comissão jurídica do Parlamento Europeu que ontem terminou em
Coimbra. Em causa está o entendimento diferente entre o órgão executivo
da CEE, o Parlamento e o Conselho sobre o fundamento jurídico da lei em
questão.

<p n=19262>
Embora nos termos da proposta caiba à «autoridade competente de
expedição» apreciar os aspectos económicos envolvidos pela transferência
em causa, a fim de evitar distorções da concorrência, «tal não é ainda
suficiente para eliminar o eventual risco de um interveniente obter uma
posição dominante»·

<p n=19263>
O Procurador-Geral da República  pediu um inquérito às actividades da
Polícia Judiciária. Concluído, enviou um relatório ao ministro. O
director-geral da PJ, Marques Vidal respondeu duramente. O deputado José
Magalhães quer saber tudo.

<p n=19264>
Entretanto, de ambos os lados as águas começaram a agitar-se. Em Março
passado, cerca de meio milhar de delegados do Ministério Público prestou
homenagem, em almoço, a Cunha Rodrigues. Já então o principal
patrocinador deste encontro foi a direcção do Sindicato dos Magistrados
do Ministério Público. Os inspectores responderam com várias reuniões e a
formalização na semana passada de uma associação, que não tem a objecção
da hierarquia superior da PJ. O documento dos inspectores contesta
algumas das disposições do novo Código do Processo Penal, sobretudo o que
eles consideram uma excessiva subalternidade, em termos de investigação,
em relação ao Ministério Público.

<p n=19265>
Com o Governo a garantir que a administração pública vai funcionar 
normalmente e os deputados a dispensarem-se da sessão plenária de amanhã,
o 25 de Abril dá a muitos a possibilidade de gozarem mais uma «ponte» e
de estenderem o fim-de-semana.

<p n=19266>
Pretendendo dar o bom exemplo, o primeiro-ministro Cavaco Silva
transferiu a reunião do Conselho de Ministros, que normalmente se realiza
às quintas-feiras, para às 9h30 da manhã de sexta-feira. Mas a sua agenda
para a tarde do mesmo dia estava em branco até ontem.

<p n=19267>
A nova direcção da Associação Portuguesa de Relações Públicas (APRP)  foi
eleita para o biénio 1991/93, na tarde de terça-feira, na Associação
Industrial Portuguesa, em Lisboa. A atribuição de carteira profissional
para o sector é o principal objectivo a atingir.

<p n=19268>
A atribuição de carteiras profissionais aos actuais responsáveis por
departamentos de relações públicas foi ainda justificada por João Sena
como uma medida que a partir de 1993 poderá ajudar os profissionais do
sector «a concorrerem em circunstâncias iguais com os estrangeiros que
irão afluir logo que esteja implementada a livre circulação».

<p n=19269>
O Secretário de Estado da Justiça louvou ontem o papel atribuído ao
princípio da subjectividade na revisão do Código Penal Português. «É
errado pensar que tal poderá levar à beneficiação dos delinquentes»,
declarou Borges Soeiro, que presidiu ao encerramento do curso sobre o
sistema Penal Português que reuniu, em Coimbra, cerca de 500 magistrados.

<p n=19270>
Salientando que a preocupação do Governo não se limita à reinserção do
delinquente, Borges Soeiro frisou estar em projecto um seguro social de
apoio à vítima de danos graves, e que será atribuído caso o prevaricador
não tenha recursos para a indeminizar.

<p n=19271>
À noite, no segundo canal, passou o filme «The Naked Kiss» de Samuel
Fuller; no primeiro canal, houve «Twin Peaks» e «Histórias do
Sobrenatural». Ou seja, a programação da RTP -- nos seus dois canais -- no
dia 25 de Abril não se preocupou minimamente com a efeméride. A RTP fez
dela as palavras de uma sua vedeta, o jornalista de «O Diabo» Nuno
Rogeiro, que, recentemente, na TSF, explicou ao povo que falar do 25 de
Abril é tão importante como falar da tosse convulsa ou da escarlatina por
que todos nós, em crianças, teremos passado.

<p n=19272>
Se a RTP conseguisse encarar o 25 de Abril e, passados os tais 17 anos,
as suas consequências sobre a vida dos portugueses nesta perspectiva --
antes e depois de haver Amoreiras (ou de haver poder de compra que
permitisse a existência da coisa) --, já se sentiria liberta de fantasmas
do PREC e poderia produzir, na data, um programa de informação, um bom
documentário, com um bom «script» (da autoria do Nuno Rogeiro, por que
não?) sobre o 25 de Abril. Para o ano? Vá lá, já foi há tanto tempo...

<p n=19273>
Ao mesmo tempo que estes milhões de pinguins cobrem as neves da
Antárctida, trezentos delegados oriundos dos 39 países signatários do
Tratado Antárctico discutem em Madrid, até depois de amanhã, o futuro do
Continente Branco. Na conferência, debatem-se de um lado os que pretendem
manter a Antárctida como uma reserva mundial (Austrália, Nova Zelândia,
França, Itália) e, do outro, os países industrializados (Estados Unidos,
Japão, Grã-Bretanha) que querem tornar possível a exploração industrial
das riquezas da região.

<p n=19274>
Guttemberg foi o criador desse invento revolucionário, que funcionava
como um carimbo de chumbo de grande tamanho. Depois, foi «só» aperfeiçoar
o processo: papel cada vez menos espesso, tintas de secagem rápida,
impressão de desenhos e serigrafias; e a automatização, a fotografia, os
meios de comunicação de informação.

<p n=19275>
Eis aqui, resumidas e actualizadas, as regras do tão esperado Jogo do
Rio. Hoje, é distribuído o tabuleiro que lhe serve de base e, nas
próximas semanas, irão saindo os baralhos de cartas.

<p n=19276>
Cada jogador tem um baralho completo. Ao todo, dispõe de 30 cartas. Os
baralhos são todos iguais, identificados por uma cor diferente. Em cada
carta, para além de um desenho, está indicada a pontuação respectiva e as
casas do tabuleiro para onde pode ser jogada.

<p n=19277>
Foi durante a década de 1920 que o dr. Walter Cannon começou a estudar as
correlações entre os períodos difíceis na vida das pessoas e o surgimento
de um mal-estar físico. Uma década mais tarde, o dr. Adolf Meyer compilou
um «atlas de vida», correlacionando os problemas de saúde com as
circunstâncias da vida particular de uma pessoa, durante um período
determinado da sua vida. Este processo foi sendo aperfeiçoado durante as
décadas de 50 e de 60, tendo tido como resultado a elaboração de uma
tabela, que, nos EUA, foi denominada Escala de Avaliação de Reajustamento
Social, classificando 43 tipos de crises de vida, com valores
determinados em Unidades de Mudança de Vida (UMV). Essa tabela foi
estabelecida com base num estudo a partir de inquéritos em profundidade,
efectuados numa amostra de 5000 pessoas de diversos estratos sociais,
naturais da Europa, América Central, Estados Unidos, Austrália e Japão.
Pelo facto do casamento ter sido, constante e consistentemente,
considerado como uma das mais significativas mudanças no tipo de vida
foi-lhe atribuído o valor médio de 50 na escala; aos outros 42 casos de
crise de vida foram atribuídos valores proporcionais, em ordem crescente
e decrescente. Embora algumas diferenças culturais tenham sido
detectadas,(os japoneses consideraram as penas de prisão em segundo lugar
na escala das crises de vida, enquanto que, no consenso unificado, elas
figuram em quarto lugar), verificou-se, de um modo geral, uma
uniformidade notável de resultados, tendo em conta o enorme leque da
amostra. Todos aqueles que trabalham com a escala mantêm que há realmente
uma correlação directa, verificável em cada ano de vida, entre as
Unidades de Mudança de Vida e as doenças (psicossomáticas) sofridas pelas
pessoas durante o ano em questão. No decurso de um dos estudos efectuados
ficou estabelecido que durante um ano com crises de intensidade média
(entre 150 a 199 UMV) os problemas de saúde aumentavam na proporção de 37
por cento, acima da média (entre 200 a 299 UMV) o aumento era de 51 por
cento; e, que, em crises mais graves, atingindo níveis de 300 UMV,
ocorriam mais 79 por cento de problemas de saúde. Além disso os
investigadores notaram que o que contava mais era o factor acumulado no
total, relativamente às UMV verificadas, e não a natureza das mudanças de
vida em si mesmas, quer estas fossem de ordem positiva ou negativa.

<p n=19278>
Distracção mata na estrada -- Uma distracção do condutor terá estado na
origem do acidente que ontem ocorreu na EN 1, junto à localidade de
Aveia, Leiria, e na sequência do qual morreu Carlos Alberto Videira
Gonçalves, de 44 anos, e ficou ferido José Manuel Pinto Oliveira, ambos
ocupantes de um veículo ligeiro de mercadorias de Vila Nova de Gaia
conduzido pelo segundo. O desastre ocorreu cerca das 12h50, quando esta
viatura colidiu com um carro pesado de mercadorias que se encontrava
estacionado na berma da estrada.

<p n=19279>
Valente confirmado nas Antas -- O árbitro «internacional» Carlos Valente
foi confirmado pelo Conselho de Arbitragem para dirigir o jogo FC Porto --
Benfica da 34ª jornada do «Nacional» de futebol da I divisão, a disputar
no estádio das Antas no próximo domingo. Os outros encontros da ronda
serão arbitrados por Pinto Correia, de Lisboa (E. Amadora-Belenenses);
José Silvano, de Vila Real (União-Boavista); Adão Mendes, de Braga
(Nacional-Salgueiros); Veiga Trigo, de Beja (Setúbal-Penafiel); Mário
Leal, de Leiria (Famalicão-Guimarães); Ezequiel Feijão, de Setúbal
(Braga-Gil Vicente); Miranda de Sousa, do Porto (Chaves-Beira Mar);
Fortunato Azevedo, de Braga (Tirsense-Marítimo), e Soares Dias, do Porto
(Sporting-Farense).

<p n=19280>
A Iberbroker-Sociedade Corretora e a BCI Valores-Sociedade Financeira de
Corretagem vão começar a operar na Bolsa de Valores do Porto na primeira
sessão de Maio (dia 2). As duas novas instituições ficarão, assim, a
funcionar em conformidade com a lei, que diz que a partir de 1 de Maio
próximo não é permitida a corretagem em nome individual.

<p n=19281>
Jalal Talabani, secretário-geral da União Patriótica do Curdistão,
anunciou ontem à noite em Bagdad que a oposição curda e o Governo
iraquiano chegaram a um «acordo de princípio». Talabani, que esteve
reunido à tarde com o Presidente Saddam Hussein, revelou que o
entendimento foi concluído com base nos acordos de 11 de Março de
1970, que concedem autonomia aos curdos. O actual acordo relaciona-se com
«a democracia no Iraque, a normalização da situação no Curdistão
iraquiano e o respeito pelos direitos humanos do povo curdo», acrescentou
o líder da União Patriótica do Curdistão. Talabani adiantou que na
próxima semana, «depois da celebração do aniversário do Presidente», se
realizarão novas conversações para discutir os detalhes do «acordo de
princípio».

<p n=19282>
O deputado comunista Rogério de Brito, membro da Assembleia Parlamentar
do Conselho da Europa, foi ontem eleito Presidente do Grupo da Esquerda
Unitária Europeia. Além do PCP, integram este grupo, o Partido
Democrático de Esquerda (ex-PCI), a Esquerda Unida de Espanha, a
coligação de esquerda da Grécia, entre outros.

<p n=19283>
A primeira cimeira anual entre os chefes de Governo de Portugal e Brasil
realiza-se em 7 de Maio durante a visita oficial de cinco dias de Cavaco
Silva ao Brasil. O programa da visita, que chegou a estar prevista para
Janeiro mas foi adiada devido à guerra no Golfo, prevê deslocações ao Rio
de Janeiro, Brasília e S. Paulo. A cimeira marcada para dia 7 deverá
desenrolar-se em três fases: uma reunião Cavaco/Collor de Melo, uma
outra, plenária, com os membros das duas delegações, e reuniões
sectoriais dos quatro ministros portugueses que acompanham o PM com os
seus homólogos brasileiros.

<p n=19284>
Uma conferência de líderes parlamentares extraordinária, que contará com
a presença de um representante de cada partido na Comissão Eventual de
Timor Leste, realiza-se hoje na Assembleia da República, imediatamente
após a sessão solene comemorativa do 17º aniversário do 25  de Abril.
Justificada por fonte parlamentar com o argumento de que «não se pode
perder tempo», esta reunião foi marcada com a convicção de que dela sairá
uma decisão final por parte da Assembleia relativamente à visita a Timor
Leste, e que o Presidente da Assembleia da República quererá comunicar ao
Presidente da República e ao primeiro-ministro já na próxima semana.

<p n=19285>
O jornalista cabo-verdiano Eduino Santos e o quizenário que dirige, o
«Notícias»), prometeram ontem processar o secretário de estado adjunto do
primeiro-ministro, Arnaldo Silva, por calúnia.

<p n=19286>
Deste modo, aquele membro do governo acusa Eduino Santos de proteger
alguém do PAIVC «que o paga para inventar `estórias' e monstruosidades do
género» e que por isso não passa de um «jornalista mercenário, para além
de leviano, e desprovido de escrúpulos.

<p n=19287>
Cinquenta inspectores e inspectores-coordenadores assinaram um documento
enviado ao seu director-geral, preparatório da associação entretanto
criada na semana passada, em que discordam do seu actual estatuto
orgânico. Os inspectores desafiam os poderes do Ministério Público, muito
embora reafirmem que cumprirão o seu actual estatuto orgânico.

<p n=19288>
Esta contestação ao novo Estatuto e uma alegada subalternidade em relação
aos delegados do MP, sobretudo no capítulo da investigação, tinha sido já
divulgada, em Março passado, pela directoria de Coimbra e as inspecções
de Aveiro e Tomar, pioneiras na contestação aos «novos» poderes do
Ministério Público. R.R.

<p n=19289>
O julgamento do caso de contrabando de tabaco conhecido por «Setúbal
Connection», despoletado em 1984, poderá não se realizar caso se
confirmem as prescrições das matérias incriminatórias. Vicissitudes de
carácter legal que «arrastaram o processo» e o facto de ainda não ter
«descido» até ao tribunal de 1ª instância um último recurso apresentado
pelo principal implicado, José Ribeiro, estão na origem deste impasse,
admitiu em declarações ao PÚBLICO Jorge Leal, delegado em Setúbal do
Ministério Público.

<p n=19290>
A audiência chegou mesmo a estar marcada para Outubro do ano passado,
após o procurador ter defendido, em despacho, que não estavam esgotados
os prazos previstos na lei. No entanto, não se realizou devido a estar em
trânsito um último recurso.

<p n=19291>
A partir das 12h00 de hoje será possível ir até Carcavelos por
auto-estrada, ao longo do primeiro troço da nova A5, que ligará o Estádio
Nacional, e portanto a velha auto-estrada, a Cascais. Destinado,
sobretudo, a servir as localidades a norte da nova via, este troço tem o
objectivo de libertar a Marginal, a partir de Carcavelos, do fluxo de
trânsito vindo do interior.

<p n=19292>
Assim, enquanto se aguarda pela conclusão daquela que pretende vir a ser
a alternativa à Marginal, a A5 vai servir preferencialmente povoações
como S. Domingos de Rana, Abóboda, Tires e Porto Salvo, porque intercepta
as estradas que fazem a ligação entre estas localidades do interior e a
Estrada Nacional 6 (Marginal).

<p n=19293>
Aceitaram um desafio: fazer a rede de estradas do país do ano 2000. Mas
estão «profundamente descontentes» com o Governo. São os técnicos da
Junta Autónoma de Estradas, que está «debaixo de fogo», com um volume de
obras nunca visto, mas onde os sinais de «ruptura» começam a surgir. É
que de autónoma ela só tem o nome, ao contrário do Gattel, que é
financiado com o orçamento da JAE...

<p n=19294>
Já antes, a equipa ministerial responsável pela JAE, então liderada por
Oliveira Martins e Falcão e Cunha, manifestara publicamente a intenção de
efectuar uma revisão profunda do estatuto da JAE, promessa que foi
confirmada por escrito, no despacho de 1985 que estabelecia o Novo Plano
Rodoviário.

<p n=19295>
Pressionado por conservadores e radicais, o Presidente da URSS jogou a
única cartada possível para permanecer no poder e à frente do Partido
Comunista: conquistou o apoio do seu principal rival, o líder russo Boris
Ieltsin.

<p n=19296>
Os cinéfilos do Porto não estão satisfeitos com os filmes que passam nas
salas de cinema da cidade e acham que têm que esperar demasiado tempo
para ver algumas obras da sua preferência. Por exemplo, «Um Coração
Selvagem», de David Lynch, só agora chegou ao Porto, quase um mês depois
de ter estreado em Lisboa. Na cidade há 15 salas em funcionamento, oito
delas geridas, em termos de programação, pela Lusomundo. Tal significa a
predominância dos filmes de produção americana e a quase ausência, no
Porto, do cinema europeu e do resto do mundo. E os distribuidores
independentes não conseguiram ainda as salas necessárias à apresentação
dos seus filmes.

<p n=19297>
Após sucessivos adiamentos, a privatização da Aliança Seguradora deverá
ser definitivamente agendada para dia 29 de Maio, já que parece ser essa
a data a escolher pela Bolsa de Valores do Porto. UAP e AGF, o IPE e a
Mague reacertam as suas posições na corrida à privatização. Mas a
operação, apesar de estar garantida à partida, mostra-se pouco aliciante
para o pequeno investidor: o preço-base de venda das acções na OPV é
superior ao da cotação actual.

<p n=19298>
A polícia política indonésia deu instruções a sete unidades militares
para que persigam os estudantes timorenses da Resistência Nacional dos
Estudantes de Timor-Leste, RENETIL, entre os quais os de Bali. Em
Londres, o «Times» pede sanções militares e económicas contra a
Indonésia.

<p n=19299>
A Cruz Vermelha Portuguesa lançou ontem uma campanha a nível nacional de
auxílio aos refugiados curdos. O primeiro objectivo da campanha, que
decorrerá até ao dia 15 de Maio, será o de enviar para o Curdistão um
avião Hércules C-130 da Força Aérea com um médico e duas enfermeiras,
além de medicamentos, agasalhos e bens alimentares. A organização apela à
angariação de fundos através duma conta bancária já aberta para o efeito.

<p n=19300>
Agricultores, cooperativas e autarquia acusam o matadouro da Uniagri, em
Vale de Cambra, de despejar para um ribeiro que desagua no rio Vigues o
sangue e as vísceras dos animais abatidos. A estação de tratamento de
águas residuais (Etar) que não funciona é o motivo apontado. A Uniagri
rejeita as críticas,  garante que «não passa de uma cabala» e adianta que
uma inspecção da Secretaria de Estado do Ambiente «confirma que está tudo
bem».

<p n=19301>
Tal como o PUBLICO noticiou (24.4.91), a Secretaria de Estado do Ensino
Superior só considerará a possibilidade de afectar novas verbas para
resolver o problema depois de ter informações sobre a utilização ou o
paradeiro de 23 mil contos atribuídos ao Politécnico para a Acção Social
Escolar. Até à hora do fecho desta edição, o PÚBLICO não conseguiu
contactar Requicha Ferreira, presidente da comissão instaladora do
Instituto Politécnico, por este se encontrar ausente de Coimbra.

<p n=19302>
O projecto de despacho do Ministério da Educação sobre as candidaturas ao
oitavo escalão já é do conhecimento das duas federações de professores,
que manifestaram reservas à proposta de Roberto Carneiro no sentido de só
deixar transitar de escalão quem tiver nota igual ou superior a 16
valores.

<p n=19303>
De acordo com o teor do projecto de despacho, o juri avaliará os
trabalhos classificando-os «de acordo com a escala de 0 a 20»,
considerando-se uma apreciação «favorável», a classificação «igual ou
superior a 16 valores».

<p n=19304>
Para o actor Abel Viton, o teatro, apesar de não se confundir com
panfleto político, é mais interessante quando fala das coisas que
acontecem hoje em dia. E o banqueiro anarquista de Fernando Pessoa
parece-se muito com certas figuras da vida espanhola actual.

<p n=19305>
R. -- Não. Quando estava no teatro independente, aí sim, havia sempre uma
equipa, mas a partir dos anos 80 cada espectáculo corresponde a uma
companhia diferente, privada ou institucional. A última peça que fiz foi
«Edmond», de David Mamet, no Centro Dramático Nacional.

<p n=19306>
«Artistas de todo o mundo, uni-vos contra os negociantes de refugo!» Este
grito do ministro francês da Cultura, Jack Lang, não era ouvido desde
1981, quando os socialistas chegaram ao poder e ele tomou posse do cargo.

<p n=19307>
O gabinete de Lang tem vista sobre os jardins do Palais Royal, onde se
juntam dois símbolos distintos da Cultura francesa, o velho Teatro da
Comédie Française e uma intervenção escultórica feita de pedaços de
colunas às riscas, encomendada por Lang para promover a arte
contemporânea, mas que horrorizou os espíritos tradicionalistas e deu
origem a grande controvérsia.

<p n=19308>
A atribuição pela União dos Escritores Angolanos (UEA) do Prémio
Nacional de Literatura a «Hábito da Terra», o mais recente volume de
poesia de Ruy Duarte de Carvalho, está na origem de uma polémica nos
meios intelectuais angolanos, depois de o «Jornal de Angola» -- dirigido
pelo poeta David Mestre -- ter atacado a decisão da UEA. O Prémio Nacional
de Literatura, o mais prestigiado dos prémios literários angolanos, foi
atribuído a Ruy Duarte na passada segunda-feira e no próprio dia o
«Jornal de Angola», em artigo não assinado, noticiou o facto em tom
sarcástico. Em declarações ao PÚBLICO, Ruy Duarte manifestou-se
surpreendido e magoado com a atitude que considerou «totalmente absurda»
do único diário angolano; Entretanto, duas dezenas de trabalhadores do
jornal entregaram a Ruy Duarte um documento repudiando o ocorrido e
solidarizando-se com o escritor; a UEA já manifestou também o seu repúdio
pelo ocorrido em carta publicada no próprio «Jornal de Angola».

<p n=19309 assunto=desporto>
Uma das realizações mais prestigiosas do arquitecto catalão Antoni Gaudi
(1852-1926), a Casa Batllo de Barcelona, construída entre 1904 e 1906,
foi posta ontem à venda pela Sotheby's.

<p n=19310>
A arte nos metropolitanos (Metro-Art) é o tema de uma exposição
patrocinada pelo Metropolitano de Lisboa, que decorrerá de 29 de Abril a
2 de Junho no Forum Picoas, na capital. Na mostra estarão representados
metropolitanos de todo o mundo, podendo ser também apreciados cerca de 40
painéis do Metropolitano de Lisboa e 12 peças arqueológicas encontradas
durante a construção do Metropolitano na «baixa», pertencentes ao antigo
Hospital de Todos os Santos. A exposição, concebida pela sueca Marianne
Strömp, surge na sequência das que foram organizadas em Paris e Bruxelas
no ano passado, e é composta por 64 painéis com cerca de 400 fotografias
e ainda folhetos e cartazes, para além dos painéis nacionais.

<p n=19311>
Entre 6 de Julho e 15 de Setembro, decorre a 4ª Bienal de Escultura e
Desenho das Caldas da Rainha na qual se prevê a participação de 150
artistas nacionais e internacionais. Está de novo previsto um prémio de
presença em ambas as disciplinas com um valor global previsto superior a
mil contos, o que não é excessivo em termos actuais. Esta Bienal e os
regulares Simpósios de Escultura aqui realizados representam um meritóio
esforço de integração da cidade num circuito artístico nacional -- famosa
pela sua cerâmica decorativa, Caldas da Rainha tenta alargar a sua imagem
a centro dinamizador da produção e divulgação da escultura a partir do
núcleo do Museu Municipal António Duarte.

<p n=19312>
Entre 6 de Julho e 15 de Setembro, decorre a 4ª Bienal de Escultura e
Desenho das Caldas da Rainha na qual se prevê a participação de 150
artistas nacionais e internacionais. Está de novo previsto um prémio de
presença em ambas as disciplinas com um valor global superior a mil
contos, o que não é excessivo em termos actuais. Esta Bienal e os
regulares Simpósios de Escultura aqui realizados representam um meritório
esforço de integração da cidade num circuito artístico nacional -- famosa
pela sua cerâmica decorativa, Caldas da Rainha tenta alargar a sua imagem
a centro dinamizador da produção e divulgação da escultura a partir do
núcleo do Museu Municipal António Duarte.

<p n=19313>
A partida da Transportugal não será o único pólo de atracção para os
entusiastas ou curiosos do «Todo-o Terreno» se deslocarem à Figueira da
Foz. Desde ontem, e até domingo, a Grande Festa do Todo-o Terreno
propõe-se cativar as atenções dos residentes e visitantes com um variado
programa que dá corpo «ao maior encontro» do género realizado no nosso
país.

<p n=19314>
Benfica e  Sporting vão discutir amanhã, na Mealhada, o título europeu
de estrada em atletismo. As restantes equipas  pouco mais poderão fazer
do que assumir um mero papel de comparsas.

<p n=19315>
As equipas portuguesas vão apresentar os melhores valores disponíveis,
sendo apenas de salientar a ausência, no Sporting, de Domingos Castro,
que continua a padecer de uma lesão em tudo semelhante àquela que lhe
destruiu a época passada. Assim, Moniz Pereira apresentará Dionísio
Castro, Fernando Couto, João Junqueira, Alberto Maravilha, Eduardo
Henriques e Carlos Patrício, enquanto pelo Benfica correrão Joaquim
Silva, António Pinto, Henrique Crisóstomo, Luís Jesus, Paulo Catarino e
Juvenal Ribeiro. Contam para a classificação colectiva os quatro
primeiros classificados.

<p n=19316>
A Liga dos Clubes enviou já aos seus filiados uma proposta de alteração
ao Regulamento de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, que
prevê o regresso ao antigo sistema de cartões amarelos, mas não podendo
as penas ser cumpridas nos jogos de reservas.

<p n=19317>
A proposta de alteração prevê que os jogadores estarão «automaticamente
suspensos preventivamente até resolução do CD sempre que sejam expulsos
do terreno de jogo, com exibição do cartão vermelho ou em resultado de
factos ocorridos dentro dos recintos desportivos», factos que serão
mencionados no boletim do jogo e dados a conhecer ao delegado so seu
clube ao jogo. «A pena de suspensão por número de jogos oficiais será
cumprida nos jogos oficiais que se desenvolvam sob a alçada da entidade
que aplicou a sanção», ou seja, os jogos de reservas não valem. Mesmo
assim, «o jogador fica impedido de participar em quaisquer provas
oficiais até ao cumprimento integral da sanção», diz também o texto da
Liga.

<p n=19318>
Joaquim Gomes, da Cabrita/Lousa/Akai, conquistou ontem a camisola amarela
da 17ª Volta ao Algarve, ao vencer destacado a 4ª etapa da prova, entre
Sagres e Monchique (Foia), na distância de 200 quilómetros.

<p n=19319>
A etapa teve na subida para a Foia o seu momento decisivo, bem marcado
pelas constantes «escaramuças» entre a Calbrita, a Sicasal e o Boavista.
O «axadrezado» Pedro Silva, anterior guia da corrida, não resistiu na
subida e acabou por não se classificar entre os dez primeiros.

<p n=19320 assunto=desporto>
O FC Porto perdeu ontem, em Braga, com o ABC por 18-17, deixando os
bracarenses isolados no «Nacional» de andebol, num jogo marcado por um
ambiente de tensão que terminou com os jogadores portistas envolvidos
numa cena de violência com a polícia.

<p n=19321>
Num jogo entre dois candidatos ao título, seja em que modalidade for, a
tensão acumulada é enorme. No fim houve cenas lamentáveis, dentro e fora
do campo. E, sobretudo, na zona dos balneários, onde jogadores portistas
se envolveram com a polícia. «Pedi protecção especial ao Governo Civil e
afinal fomos atacados pela própria Polícia» dizia Osvaldo Aguiar,
responsável do andebol portista.

<p n=19322>
«Manter uma atitude de transparência para com os sócios de um clube que
precisa de uma gestão honesta e competente» é, para o candidato António
Moita, de 55 anos, aquilo que levará os sócios do Belenenses a votarem na
sua lista.

<p n=19323>
E foi a falta de experiência no desporto que levou António Moita a
rodear-se de pessoas como os quatro dirigentes da actual Junta Directiva,
o técnico de atletismo Fonseca e Costa e o filósofo Manuel Sérgio, entre
outros.

<p n=19324>
Duas listas disputam amanhã as eleições para os corpos gerentes do
Belenenses. Curiosamente, o duelo eleitoral entre os empresários Fernando
Ferreira e António Moita realiza-se na véspera de um jogo decisivo para a
permanência do futebol dos «azuis» de Belém na I  divisão. Mas nenhum dos
candidatos pensa na despromoção, preferindo desfiar promessas de
fabulosas contratações, conscientes de que esse é o caminho mais fácil
para conquistar o coração e os votos dos associados. Dos seus projectos
e do que cada um pensa do adversário aqui fica um registo, na certeza de
que a tensão e as acusações mútuas subirão de tom nas horas que antecedem
a contagem dos votos.

<p n=19325>
Ricardo (8) - Notável sentido de posição, classe internacional, não se
impressiona com ambientes, sabe atacar e dar ordens aos companheiros. Mas
é um jogador lento. E com Domigos e Kostadinov pela frente...

<p n=19326 assunto=desporto>
O Rio Ave, comandante da zona Norte do campeonato nacional da II divisão
«B», uma forma elegante de dizer terceira divisão, venceu em casa o Marco
(2-) e alargou para três pontos a sua vantagem sobre o Fafe, segundo
classificado, que empatou (0-0) no terreno do Valpaços. Nas outras zonas,
tudo ficou como antes. A já promovida Ovarense venceu (1-0) em casa a
equipa de Santa Comba Dão e manteve os dez pontos de vantagem sobre o
Lousanense -- que ganhou em casa (2-1) ao União de Tomar. A Sul, o
Olhanense manteve os três pontos de vantagem sobre o Atlético, o
Sacavenense e o Campomaiorense, enquanto o Lusitano de Évora se atrasou.

<p n=19327>
João Pinto 6 Uma época com muitas lesões nunca pode ser boa. Mas o
estoicismo que mostrou com o Benfica -- acabou com um pé que parecia uma
batata -- fazem dele `capitão' e titular.

<p n=19328>
«Todos sabem que sou um homem do futebol», afirma Fernando Ferreira, de
56 anos, candidato à presidência do Belenenses, acreditando ser este o
facto que vai levar os sócios do clube do Restelo a votarem na sua lista
nas eleições de amanhã.

<p n=19329>
Ex-dirigente dos «azuis» na década de 70, altura em que ocupou cargos
desde seccionista a presidente da direcção do clube, Fernando Ferreira
poderá também ter contra si a lembrança dos sócios que lamentaram o seu
afastamento quando o Belenenses desceu de divisão, dois anos depois de
terminado o seu mandato.

<p n=19330>
A Federação Internacional de Futebol (FIFA) parece, finalmente, receptiva
à ideia de pôr termo a um conservadorismo secular. Em causa está a lei do
fora-de-jogo, que poderá passar a ser aplicada numa zona muito restrita
do campo, ao contrário do que sucede hoje. O objectivo é criar um maior
espaço de liberdade e, simultaneamente, condições mais favoráveis à
marcação de golos.

<p n=19331>
O objectivo desta alteração, para já a título experimental, é verificar
se a abolição do fora-de-jogo na zona do meio-campo poderá dar uma maior
liberdade de actuação aos jogadores e oferecer, sobretudo aos atacantes,
mais espaço para acções individuais, com as quais deveria aumentar o
número de situações de golo. Na verdade, algumas equipas, procurando
tirar o máximo proveito da lei em vigor, elaboraram entretanto um
refinado sistema de exploração do fora-de-jogo -- na maior parte das vezes
bem próximo da linha divisória do meio-campo -- que não só trava a fluidez
do jogo como reduz, na prática, o espaço de manobra.

<p n=19332 assunto=desporto>
«Queirozinhos» em grande -- A selecção portuguesa de futebol de  «Sub-18»
terá quase garantido ontem o apuramento para a fase  final do «Europeu»,
a disputar em Chipre, ao bater a Dinamarca, no Jamor, por 3-0. Andrade e
Bambo (2) marcaram os golos portugueses, obtidos nos três últimos minutos
do jogo, estando agora a selecção de Carlos Queirós no comando do grupo
com 7 pontos em 4 jogos, seguindo-se a França com 3 pontos também em 4
jogos.

<p n=19333>
A informação foi dada na semana passada pela Comissão Nacional de
Coordenação e Fiscalização (CNCF), do Ministério da Educação, em reunião
que teve com a Federação Portuguesa de Futebol e a Liga dos Clubes de
Futebol Profissional.

<p n=19334>
O Governo está a preparar um projecto de diploma legal que praticamente
vai acabar com os cartões de livre-trânsito para acesso aos espectáculos
desportivos. A informação foi dada na semana passada pela Comissão
Nacional de Coordenação e Fiscalização (CNCF), do Ministério da Educação,
em reunião que teve com a Federação Portuguesa de Futebol e a Liga dos
Clubes de Futebol Profissional.

<p n=19335>
A regra será, assim, a posse de um bilhete, até porque «os cartões de
livre ingresso emitidos por entidades federativas, se estas entenderem
continuar a mantê-los, confeririam aos titulares o direito a levantar
bilhetes para a aquele efeito».

<p n=19336>
28/4: Vila Real-Bragança; Marco-Amarante; Vizela-Rio Ave;
Esposende-Trofense; Moreirense-Lousada; Fafe-Delães; Leça-Valpaços;
Infesta-U. Lamas; Felgueiras-Mirandela; Paredes-Joane.

<p n=19337>
O Sporting regressou de Milão na madrugada de 25 de Abril. Sem motivos
para festejar, o ambiente era cinzento e até o champanhe chegou a Lisboa
por beber.

<p n=19338 assunto=desporto>
PARA A «Gazzetta dello Sport», o Sporting é uma «equipa medíocre» que
teve «uma reacção entre o1-0 e o 2-0 para depois se afundar». É esta a
tónica dos comentários na Imprensa desportiva italiana para quem a tarefa
do Inter de Milão, ao qualificar-se para a final da Taça UEFA, terá sido
facilitada por «pochezza» da equipa de Lisboa. Klinsmann, o autor do
segundo golo do Inter, explicou assim a eliminatória: «na prática os
portugueses jogaram e nós marcámos os golos, dou-lhes os parabéns por
isso mesmo». Para Sergio Brigehnti, adjunto de Vicini na selecção
italiana, «o Inter fez um jogo muito simples no sentido de obter o melhor
resultado com o menor esforço».

<p n=19339>
A festa nas ruas da cidade de Marselha pela qualificação do Olympique
para a final da Taça dos Campeões descambou para incidentes, que
provocaram 31 feridos, 22 dos quais eram polícias, e três dezenas de
detenções. Os adeptos do clube da casa saíram do estádio após a vitória
sobre os soviéticos do Spartak Moscovo, não encontrando melhor maneira de
demonstrar a sua alegria (?) do que pilhando as montras de várias lojas e
cometendo outros actos de vandalismo.

<p n=19340>
Cerca de 1900 quilómetros, dos quais 1150 percorridos em trilhos,
esperam, a partir de amanhã, as mais de cem equipas participantes na
sexta edição do Shell Transportugal, o mais antigo raide todo-o-terreno
(T.T.) que se disputa em Portugal. A organização da prova, comandada por
Pedro Vilas Boas, elaborou este ano um percurso em que a preocupação
fundamental será a divulgação do património, tantas vezes esquecido em
regiões de difícil acesso.

<p n=19341>
Durante os primeiros três dias, o percurso inflecte para Nordeste,
internando-se pela Serra do Caramulo, vales do Vouga e Paiva, serras da
Gralheira, Arada, Montemuro, Marão e Alvão, até chegar a Vila Real. A
partir daí, as zonas próximas da fronteira com Espanha vão assistir à
passagem dos «gloriosos loucos das máquinas T.T.». Depois de um percurso
-- classificado como «deslumbrante» -- pelo vale do Douro, a caravana
começa a descer para Sul, passando pelas vilas fortificadas de Castelo
Rodrigo e Almeida, até à Guarda.

<p n=19342>
A Comunidade Económica Europeia aprovou, finalmente, a terceira directiva
sobre seguros de vida, que completa a legislação sobre a criação do
Mercado Único Europeu no sector dos seguros e vem definir as regras
comunitárias necessárias à colocação dos activos das companhias-vida,
garantindo-lhes a liberdade de colocar os seus recursos em qualquer
país-membro da CEE. O diploma aponta ainda para a criação de uma nova
legislação comum a todos os Estados-membros no que respeita à protecção
dos segurados.

<p n=19343>
O presidente da companhia de seguros Bonança vai reunir-se com os
investidores institucionais da empresa, no âmbito da sua próxima
privatização. Em vésperas da alienação, a Bonança aumentou o seu capital
social, para diminuir o preço das acções.

<p n=19344>
A discussão e aprovação do programa comunitário Poseima, de apoio aos
Açores e à Madeira, que deveria ter ocorrido ontem, foi adiada para o
próximo dia 13 de Maio, pelo facto de a Comissão de Política Regional do
Parlamento Europeu considerar que a importância do assunto justifica uma
reunião extraordinária. Em causa está a aprovação de um programa com uma
base jurídica que permita a definição de programas específicos para estas
regiões e os financiamentos comunitários necessários.

<p n=19345>
Para Mesquita Montes, as acusações do seu opositor «não são mais que pura
demagogia de quem sabe que vai perder». «O dr. Aníbal é o Álvaro Cunhal
destas eleições», diz o actual presidente da instituição. «Para ele é
tudo antidemocrático, menos o que ele faz.»

<p n=19346>
Os governos de Portugal e de Angola celebraram uma convenção relativa à
cobertura de riscos de crédito à exportação de bens e serviços de origem
portuguesa para Angola. O acordo contou com a assinatura do presidente da
Cosec-Companhia de Seguros de Crédito (empresa especializada nos seguros
de crédito à exportação), Alberto Regueira, em representação do Estado
português, e do Governador do Banco de Angola, em representação deste
país. A iniciativa, que visa dar cobertura aos riscos de crédito à
exportação e permitir uma maior flexibilidade no acesso ao crédito pelos
exportadores portugueses, surge no seguimento da convenção anteriormente
celebrada entre o Banco de Portugal e o Banco de Angola. Pela parte
portuguesa, o acordo prevê a cobertura de bens de equipamento, de
serviços e ainda de bens de consumo até ao limite de 360 milhões de
dólares (quase 54 milhões de contos), mais 33 por cento que o montante
anteriormente definido.

<p n=19347>
A queda deste ano explica-se pelo abrandamento do crescimento nos países
mais industrializados, que deverá ser de apenas 1,3 por cento, em vez dos
2,5 por cento do ano passado. Ao mesmo tempo, nos países em vias de
desenvolvimento a actividade manter-se-á estagnada (mais 0,8 por cento,
contra mais 0,6 por cento em 1990).

<p n=19348>
O Kuwait começará a extrair entre 30 mil a 50 mil barris de petróleo por
dia a partir do final de Maio, esperando-se que dentro de dois anos a
produção atinja cerca de dois terços do nível registado antes do início
da guerra no Golfo. Prevê-se que os incêndios em 500 poços de petróleo do
país, onde existem mais de 600 poços, estejam extintos dentro de oito a
dez meses.

<p n=19349>
De notar que em 1989 a Merloni investiu aproximadamente um milhão de
contos na construção de uma fábrica em Setúbal, facto que terá
contribuído para o crescimento registado ao nível das exportações, que em
1990 representaram mais de 43 por cento do total das vendas (24 por cento
em 1988). Os principais destinos são a Espanha, a França e a Holanda.
Este ano, a administração vai apostar nos mercados belga e irlandês.

<p n=19350>
O Palácio da Bolsa do Porto vai albergar, de 15 a 23 de Maio, a «Forma
Finlândia 2: plásticos para o futuro», uma exposição internacional de
«design» para plástico, organizada pela Neste Corporation.

<p n=19351>
É uma iniciativa patrocinada pela Neste Corporation, a maior empresa da
Finlândia, cuja divisão de químicos tem negócios em Portugal, depois da
aquisição da Epsi (Empresa dos Polímeros de Sines), agora chamada Neste
Polímeros, e da concessão para explorar a Companhia Nacional de
Petroquímica. Em Portugal, a empresa produz 280 mil toneladas anuais de
poliolefinas (polietileno e polipropileno) -- matérias-primas para a
indústria de plásticos -- e 300 mil de etileno, que abastece a Neste
Polímeros.

<p n=19352>
A inovação e a transferência de tecnologias nas pequenas e médias
empresas (PME) vão estar em discussão nos próximos dias 6 e 7 de Junho,
na Exponor, por iniciativa da Fundação Gomes Teixeira e com a colaboração
do Ministério da Indústria, Associação Industrial Portuense, Universidade
do Porto e Câmara Municipal do Porto.

<p n=19353>
No primeiro dia, estarão em foco a utilização da energia, o lançamento de
novas empresas, a cooperação tecnológica e a difusão da tecnologia. O
primeiro orador será Cardoso e Cunha, seguindo-se um painel moderado por
Mário Abreu (LNETI) e Rogelio Pumpido (Universidade de Santiago de
Compostela) e em que participam representantes do Massachusets Institute
of Tecnology (MIT), da Renault, Gist Brocades, Zeltia, Arist-Midi
Pyrinées e da DG XII da CEE. A segunda conferência do dia está a cargo de
António de Sousa, ex-secretário de Estado da Indústria, ao que se seguirá
um novo painel, com António Fernandez Areal, da Confederação de
Empresários da Galiza, e Eurico de Melo a moderarem as intervenções do
BCP, Taylor's, Cin, Barbosa e Almeida, Banco Pastor e Cinca.

<p n=19354>
O transporte de valores está a tornar-se um mercado interessante em
Portugal. Securitas e ETV partilham entre si os lucros do negócio, mas a
espanhola Prosegur ameaça entrar em força na actividade. Um diploma
conjunto do Ministério da Administração Interna e da Direcção-Geral de
Viação, a aprovar a médio prazo, poderá ou não dar um «empurrão» à
empresa espanhola.

<p n=19355>
A Prosegur já está em Portugal há cerca de três anos, mas só recentemente
começou a ter um crescimento significativo. A empresa comprou uma
congénere nortenha, a Visegur, com sede no Porto, e tem nos seus planos
iniciar em breve a actividade do transporte de valores, para além da
prestação de serviços de segurança. O PÚBLICO tentou obter declarações
junto da sua administração, o que se revelou impossível.

<p n=19356>
Novo Governo na Finlândia -- O primeiro-ministro designado da Finlândia,
Esko Aho, anunciou ontem o seu novo gabinete, no seguimento das eleições
do passado mês que afastaram, pela primeira vez desde há 25 anos, os
socialistas do poder. Aho, de 36 anos e líder do Partido do Centro, é
hoje empossado pelo Presidente Mauno Kovisto, tornando-se no mais jovem
primeiro-ministro da história do país. Os quatro parceiros da coligação
já nomearam os seus ministros para o Executivo de centro-direita,
dominado pelo Partido do Centro e pelo Partido Conservador que
asseguraram respectivamente 8 e 6 lugares entre os 17 elementos que
compõe o novo Governo.

<p n=19357>
O cancro dos ovários, que afecta milhares de mulheres em todo o mundo,
provoca, apenas na Grã-Bretanha, quatro mil mortes por ano (em Portugal
vitimou 250 mulheres em 1989) e só é normalmente detectado em fases
bastante avançadas de desenvolvimento. «As mulheres não vêem os ovários,
não os sentem e os sintomas só aparecem muitas vezes tarde demais»,
refere Ann Prys-Davies.

<p n=19358>
O futuro dos dois grandes programas espaciais europeus, o vaivém Hermes e
a plataforma Columbus, vai ser decidido no dia 10 de Julho, em Bona, por
ocasião da conferência de ministros responsáveis pelo espaço dos 13
países membros da Agência Espacial Europeia (ESA), sendo provável que um
programa de investigação dedicado ao ambiente venha a juntar-se aos
restantes.

<p n=19359>
O Hermes deverá ser um avião espacial com três tripulantes, que será
lançado no «nariz» de um foguetão Ariane-5 adaptado e poderá efectuar
missões de 8 a dez dias. Os industriais europeus agrupados no consórcio
EuroHermes, decidiram há cerca de um mês reduzir em dez por cento o
orçamento inicial da nave, mas agora terão de submeter novamente as suas
novas opções ao veredicto dos ministros.

<p n=19360>
A habitação e a desertificação são dois dos principais temas em foco nas
III Jornadas de Engenharia dos Países de Língua Oficial Portuguesa que
está a decorrer até dia 28 na cidade da Praia, em Cabo Verde. Estas
jornadas surgem na sequência das Jornadas Luso-Brasileiras de Engenharia
Civil, realizadas em 1960, 67 e 71, que se alargaram a toda a comunidade
lusófona a partir de 1984. A próxima edição das Jornadas terá lugar em
1993, em Bissau.

<p n=19361>
James Baker percorre o Médio Oriente praticamente desde o fim da guerra
do Golfo. Partiu quase do zero para tentar lançar as bases de um plano de
paz entre Israel e os árabes. Algumas semanas e muitas dezenas de horas
de voo depois, o secretário de Estado tem pouco mais do que uma certeza:
está distante de um consenso entre as várias partes. Este é um rol
possível das propostas, exigências, desejos e interrogações que têm
marcado o vaivém do chefe da diplomacia americana.

<p n=19362>
EM RESPOSTA à recente ofensiva dos partidos franceses de centro e
direita, os socialistas, no poder, propuseram ontem a criação de
comissões de inquérito públicas destinadas a investigar o financiamento
de todos os partidos nacionais e respectivas campanhas eleitorais.
Acusado de envolvimento numa fraude de recibos falsos que terá largamente
financiado a campanha presidencial de François Mitterrand em 1988, o PSF
propôs que as investigações se refiram ao período anterior à nova
legislação de Janeiro de 1990, lei controversa destinada a moralizar a
prática das contribuições económicas aos partidos e a «amnistiar» os
políticos implicados em financiamentos ilegais. Pierre Mauroy, primeiro
secretário do PSF, afirmou que a direita e os comunistas darão «uma prova
de hipocrisia monstruosa» se recusarem a constituição das comissões de
inquérito.

<p n=19363>
LECH WALESA, chefe de Estado da Polónia, afirmou ontem que a União
Soviética deve ser dissolvida e que a população deve ser autorizada a
formar uma nova união baseada na democracia. Falando numa conferência de
Jovens Políticos Europeus, em Londres, Walesa disse também que o Ocidente
se deve preparar para uma previsível imigração em massa dos países da
Europa Central e de Leste, caso não ajude os antigos países comunistas a
reactivar as suas economias.

<p n=19364>
As observações respeitam, por um lado, ao reconhecimento que elas tiveram
a sua causa na constatação de que não era possível uma solução militar,
ou seja, não era possível a vitória militar de um dos beligerantes sobre
o outro, que a nação angolana tem um profundo anseio de paz e que em
simultâneo com isso se criaram condições, na comunidade internacional,
para que os esforços das partes interessadas no processo angolano se
conjugassem, para esse objectivo. Foi assim inevitável o encetamento do
processo negociável para o cessar-fogo a decorrer em Portugal, como será
inevitável que ele obtenha por isso, no final, um acordo.

<p n=19365>
A implementação de uma sociedade multipartidária, de tolerância, que
salvaguarde os direitos fundamentais em Angola, embora desejados por
todos não é logicamente obra exclusiva das únicas forças angolanas com
legitimidade histórica para outorgarem o cessar-fogo, ou seja o MPLA e a
UNITA, nem é tarefa menos fácil. Considerando-me, como me considero,
cidadão desta vasta comunidade de língua portuguesa, sem partido em
Angola que não seja o do bem- estar dos angolanos, não me coloco na
perspectiva natural, numa democracia, da eventual intervenção de outras
forças partidárias no processo de paz. O que me parece relevante é que
para essa caminhada se criem condições para que o conjunto da Nação, no
seu todo, possa exprimir e exprima as enormes e ímpares potencialidades
que tem, nos mais variados domínios, num quadro de intervenção
harmoniosa. A circunstância de Angola ter políticos de grande dimensão,
como se reconhece que são o Presidente José Eduardo dos Santos e o líder
da UNITA Jonas Savimbi permite que se acalentem fundadas esperanças que a
construção do futuro de Angola, pelos angolanos terá na Nação a
componente essencial.

<p n=19366>
Os EUA confirmaram o ultimato aos «polícias» iraquianos, que se
envolveram num tiroteio com marines britânicos, em Zakho. Em Bagdad,
Saddam e Talabani assinaram um acordo ressuscitando velhas promessas de
autonomia para os curdos, nunca cumpridas.

<p n=19367>
Os EUA tinham desmentido ontem a notícia de que os aliados lançaram um
ultimato ao Iraque para retirar, nas próximas 48 horas, os seus
«polícias» da cidade de Zakho, no Norte do Iraque, onde se pretende criar
uma zona de segurança para instalar os refugiados curdos. O anúncio do
ultimato fora feito por um porta-voz britânico, o que leva alguns
observadores a pensar que a ordem dos aliados terá sido dada após a
aprovação de uma proposta britânica. O Presidente americano, George Bush,
afirmara quarta-feira que a presença de forças iraquianas em Zakho
colocava «um problema sério», acrescentando que os EUA estavam a estudar
uma forma de resolver a questão.

<p n=19368>
O comboio da paz de James Baker entrou ontem em Jerusalém pela quarta vez
em cinco semanas. Tem um novo maquinista, soviético, mas continua sem
haver passageiros do Médio Oriente.

<p n=19369>
A proposta da visita de Bessmertnykh sugere a proximidade do reatar das
relações diplomáticas entre Jerusalem e Moscovo.

<p n=19370>
Os brasileiros que fizeram a imagem de Collor de Mello cuidam do «new
look» do MPLA. Uma nova imagem feita de caras velhas e novas, muitos
boatos pelo meio e, sobretudo, discussão aberta dos problemas. O número
de militantes, dizem as estatísticas oficiais, está a aumentar.

<p n=19371>
Despercebidas não tem passado também algumas «caras novas» geralmente
acompanham o pessoal da televisão angolana. São os brasileiros
encarregues da assessoria da TV de Angola na cobertura do Congresso, no
quadro da campanha de promoção da nova imagem do partido no poder. São
eles, aliás, os responsáveis pelos cartazes que estão espalhados por toda
a cidade e pelas faixas que engalanam a sala do Congresso. É o «new look»
que o MPLA encomendou aos homens que trabalharam na campanha de Collor de
Mello, o actual Presidente brasileiro.

<p n=19372>
NA PRIMEIRA linha da contestação a Mikhail Gorbatchov têm estado os
conservadores do grupo parlamentar Soiuz (União). Criado em 1990, o grupo
tem actualmente, segundo os seus dirigentes, 570 parlamentares no
Congresso de Deputados do Povo da URSS, 179 no Soviete Supremo e 769 nos
sovietes de vários níveis.

<p n=19373>
Os postulados políticos e ideológicos, uma mistura de «comunismo
científico» com chauvinismo soviético e russo, arrastaram também para
este grupo deputados operários e ex-dirigentes comunistas afastados dos
cargos, entre os quais as «vedetas» são Iegor Ligatchov e Nikolai Rijkov.

<p n=19374>
A quarta ronda de conversações entre o Governo e os rebeldes moçambicanos
voltou a ser adiada. Agora para o dia 2 de Maio. A mediação católica
imputa o atraso a questões de agenda, mas não é isso que resulta das
declarações de Joaquim Chissano.

<p n=19375>
O arcebispo da Beira, D. Jaime Gonçalves, um dos principais mediadores,
que chegou a partir para a capital italiana, com uma breve escala em
Lisboa onde chegou a encontrar-se com o Presidente da República
portuguesa, Mário Soares, durante 45 minutos, desdramatizou o adiamento.
Em declarações à Rádio Renascença, o prelado afirmou que ele não se
prende com crispações políticas mas com questões de agenda.

<p n=19376>
A EMISSÃO, ontem, pela cadeia de rádio «SER», do grupo do «El País», de
uma conversa entre o secretário da organização do PSOE, José Maria
Benegas e German Alvaréz Blanco, empresário e jornalista, trouxe de novo
à ribalta o mau momento das relações entre o Governo e o partido,
provocando, também, algumas apreensões quanto à forma como foi obtida.

<p n=19377>
O papel do vice-presidente, Narcis Serra, apelidado de «catalão» (natural
de Barcelona) é também apreciado pelo «número três» do PSOE: «O catalão
anda no meio das duas águas e sabe que o problema que tem no Governo é o
anão».

<p n=19378>
JALAL TALABANI tem a esperança de que «esta seja a última negociação»,
após um ciclo de 28 anos de lutas, conversações, compromissos e traições
entre os curdos e o Governo iraquiano.

<p n=19379>
O principal líder do movimento curdo, o pró-ocidental Jalal Talabani, 58
anos, óculos e bigode grisalho, anunciou o seu «acordo de princípio» com
o Presidente, afirmando que a atmosfera do encontro foi a «mais positiva
de sempre». Os pormenores serão discutidos na próxima semana, «depois das
celebrações, domingo, do 54º aniversário do Presidente Saddam Hussein»,
anunciou Talabani.

<p n=19380>
Gorbatchov repetiu uma jogada em que já mostrou ser mestre. Propôs
demitir-se no plenário do Comité Central, sabendo que os presentes iam
rejeitar a ideia. Assim aconteceu. O líder soviético deixou uma mensagem
clara: controla a direcção do partido.

<p n=19381>
Uma reunião de emergência do Politburo do partido decidiu, quase
imediatamente, nem sequer agendar a questão, revelou a agência
independente Interfax. Uma enorme maioria dos delegados concordou.
Vladmir Ivashko, o «número dois» do PCUS, resumiu a ideia por detrás da
rejeição da proposta de demissão: «Não seria no interesse do partido».

<p n=19382>
QUANDO O CONGRESSO dos verdes alemães terminar, no próximo domingo, a
Alemanha terá provavelmente mais um partido estabelecido, ainda ecológico
mas mais amadurecido e menos utópico.

<p n=19383>
Depois de várias conferências a nível regional, os verdes decidiram
renovar-se, depois de concessões fundamentais.

<p n=19384>
Alegando falta de condições de trabalho, o vereador socialista da Câmara
de Palmela, Carlos Taleço, ameaçou renunciar aos pelouros que lhe estão
confiados e disso deu conta aos partidos com assento na Assembleia
Municipal.

<p n=19385>
O serviço de Toponímia de Palmela «está um caos», afirmou ao PÚBLICO
aquele vereador, exemplificando que, «há números de polícia requeridos e
não distribuídos desde 1988». As carências verificam-se também na
Sinalização, em que, é necessária a colocação de 200 sinais de paragem
obrigatória, assim como a marcação de passadeiras para peões nos centros
urbanos. Carlos Taleço considera «inadmissível, que não haja passadeiras
junto à Escola Preparatória de Pinhal Novo, ou junto ao Centro de Idosos
da mesma vila, só para citar dois exemplos».

<p n=19386>
Um acidente de viação ocorrido na noite de quarta-feira, na estradada
nacional número 1, em Azóia, Leiria, causou a morte de uma pessoa e
ferimentos graves noutra.

<p n=19387>
O acidente ocorreu no mesmo local onde no início do mês haviam morrido
duas outras pessoas, tendo na altura a população local cortado a
circulação rodoviária.

<p n=19388>
A Assembleia Municipal de Estremoz decidiu suspender a sua representação
protocolar em todos os actos que envolvam as autoridades militares.

<p n=19389>
Segundo disse ao PÚBLICO o presidente da Câmara António Vestia Silva, só
no dia 7 de Maio, altura em que se deverá realizar a reunião de Câmara,
este orgão deliberará sobre a proposta da Assembleia Municipal.

<p n=19390>
Um acidente e um engarrafamento de cerca de cinco quilómetros
«inauguraram» ontem o primeiro troço da autoestrada do Estoril, entre o
Estádio Nacional/ S. Domingos de Rana.

<p n=19391>
Os técnicos do posto da Brisa em Carcavelos admitiram que, enquanto a
autoestrada não seguir até ao Estoril, se registarão congestionamentos
semelhantes, dado a actual rede viária não ter capacidade de escoamento
para o volume de trânsito esperado naquela via.

<p n=19392>
No meio de uma assistência de largas dezenas de jovens e de um sol a
espreitar, timidamente, entre algumas nuvens escuras, foi ontem
inaugurada a pista de skate de Belém, uma iniciativa de um grupo de
jovens da freguesia, financiada pela Câmara de Lisboa.

<p n=19393>
No largo onde foi criada a nova pista existia um parque infantil
completamente degradado. «Devido à inexistência de estruturas ao ar livre
para ocupar os jovens e à desnecessidade de parques infantis, pois na
freguesia existem mais três, optou-se por construir a pista em vez de
recuperar o antigo parque», explicou Carlos Cosmelli.

<p n=19394>
O sector infantil da Biblioteca Municipal de Beja «virou« floresta. As
árvores dão livros e escorrem sons de flauta. Entrar aí é cruzar as
fronteiras do imaginário com uma varinha de condão.

<p n=19395>
Os livros saltaram das estantes e pendem agora das árvores, como meninos
a andar de baloiço. E os meninos verdadeiros, depois de caminharem por
veredas que os conduzem ao castelo habitado por «horrível bruxa«,
descobrem por si próprios qual o tesouro guardado naquela sombria
vegetação: a biblioteca. Uma biblioteca nova, onde os livros não estão
educadamente nas prateleiras, mas frutificam irreverentemente nas
árvores, a brincar às escondidas com os leitores.

<p n=19396>
Sem ninguém para dar qualquer explicação, a Bracalândia , parque de
diversões situado no sopé da colina do Bom Jesus, em Braga, permaneceu,
ontem, ao contrário do anunciado, de portas fechadas. Na ausência dos
responsáveis do parque, que ocupa uma área de 53 mil metros quadrados
(superior à da Feira Popular de Lisboa), os empregados justificaram o
adiamento da abertura pelo «mau tempo verificado». As pessoas que se
deslocaram até ao local é que não gostaram da brincadeira e nas crianças
era visivel a desilusão. Não aceitavam que os seus sonhos no
«Castelo-Fantasma» e as aventuras  «na aldeia dos Cow Boys» ou «Rio
Bravo» (atractivos da Bracalândia) fossem eliminados de um momento para o
outro. Acreditando que podiam destruir «aquele pesadelo», reuniram-se em
força  junto aos portões. Queriam entrar. Em vão.«Hoje fizeram pouco de
nós. Não gostamos», queixou-se o Rui Pedro, de oito anos.

<p n=19397>
Prossegue a IV série nacional de concertos de 1991 da Nova Filarmonia
Portuguesa com uma actuação, às 21h30, no Centro Cultural João das
Regras, em S. Domingos de Benfica.

<p n=19398>
O Instituto Português do Património Cultural (IPPC) anunciou na
quarta-feira a intenção de acelarar as obras a realizar no Largo e
Convento de Jesus, em Setúbal, tendo a sua vice-presidente, Eduarda
Coelho, entregue ao município o respectivo anteprojecto.

<p n=19399>
A demora em atribuir a realização das obras, que chegou a originar um
desentendimento entre a edilidade e o IPPC, foi explicada pela vereadora
sadina da cultura, Paula Costa: «No caso do Largo de Jesus, pensávamos
que o IPPC nos fornecia todo o projecto, pelo que houve uma má
interpretação da Câmara que motivou alguma demora».

<p n=19400>
Teve carácter comercial a reunião que durante três dias juntou em Évora
os responsáveis pela direcção de Filatelia dos Correios de Portugal com
12 dos agentes comerciais da Europa e de Macau. O encontro, que terminou
quarta-feira com uma deslocação à vila medieval de Monseraz, serviu para
analisar as vendas nos territórios dos agentes, discutir perspectivas
para as colecções dos próximos anos e  preparar as participações nas
exposições filatélicas de 1992.

<p n=19401>
Esta reunião, realizada anualmente em Portugal, teve lugar pela primeira
vez no interior do país. «Portugal não é só um país de marinheiros»,
comentou Raul Moreira. Além disso, «Évora, que é património mundial, está
muito ligada à filatelia através do prémio de Inovação Artística para
Off-set obtido com um selo desenhado por Maluda da Janela da Casa de
Garcia Resende.

<p n=19402>
O Hospital Professor Dr. Fernando da Fonseca, em construção na zona de
Queluz, deverá entrar em funcionamento em Setembro de 1994, com um ano de
atraso sobre a data inicilamente prevista.

<p n=19403>
No entanto, e segundo o responsável pelo projecto de construção da
infraestrutura, citado pelo «Jornal de Sintra», na sua última edição, a
entrada em funcionamento foi adiada devido a «algumas carências
financeiras».

<p n=19404>
O PCP vai promover uma petição popular, a apresentar na Assembleia da
República, «para que se concretize a passagem de Queijas/Linda-a-Pastora
a freguesia durante esta legislatura», refere a estrutura local daquele
partido, em comunicado à população.

<p n=19405>
A falta de sinalização adequada numa passagem de nível junto a Alhadas,
próximo da Figueira da Foz, levou ontem de manhã cerca de 100 pessoas
residentes na área a manifestarem-se publicamente junto à via férrea,
segundo informou a GNR.

<p n=19406>
O comandante do posto da GNR de Valpaços, que no dia 15 de Abril se viu
envolvido em confrontos com os moradores de uma residência localizada
próximo do Bairro do Crasto, em Valpaços, está a ser alvo de contestação
por parte de um movimento de cidadãos que reclamam a sua destituição
imediata.

<p n=19407>
Tudo começou quando, na tarde daquele dia, uma patrulha da GNR se
desclocou a casa da família Barbadães, para proceder à identificação de
Laurindo e seu irmão Fernando Barbadães, de 25 anos, igualmente
serralheiro, acusados de terem participado num incidente ocorrido no dia
anterior, em Vilarandelo, no final do jogo de futebol entre o Valpaços e
o Esposende, envolvendo a equipa de arbitragem. Como se considerassem
inocentes, os dois irmãos, que na altura se encontravam a trabalhar na
serralharia da família, na cave da habitação, mostraram alguma renitência
em identificar-se, o que levou os agentes, um cabo e um soldado, a
«elevar um pouco mais a voz e a proferir algumas ameaças verbais». Depois
duma discussão bastante acalorada, Laurindo Barbadães decidiu-se a ir
buscar o bilhete de identidade, tendo-se deslocado ao escritório, situado
no lado oposto ao local onde estavam os agentes. Quanto ao que se passou
a seguir, as versões dos principais intervenientes são completamente
contraditórias.

<p n=19408>
Para os que chegaram ao amor pelo cinema, por via do «Swashbuckler»
(filmes de espadachins, como lhes chamávamos, sem grandes previsões de
género), e, por isso, corriam os cinemas de bairro, na primeira metade
dos anos 60, em busca de velhos filmes de aventuras, «Gigantes em Fúria»
(1953) é um velho conhecido, como aliás o são «Epopeia dos Mares» (1951)
ou «Barbanegra, o Pirata» (1952), do mesmo Raoul Walsh.

<p n=19409>
O argumento, vagamente inspirado em Victor Hugo, parte de uma intriga
histórica, tendo como pano de fundo a época napoleónica, para a
exploração das peripécias típicas do género: embarques ocultos, duelos,
escaldantes cenas de amor. Quem gostar da aventura pela aventura não pode
perder esta, sob nenhum pretexto.

<p n=19410>
É um melodrama imenso essa história de Eddy Duchin, na «Melodia
Fascinante» que George Sidney realizou. Dum lado, Tyrone Power, para
sempre o irlandês das histórias de John Ford; do outro, Kim Novak, «a
mulher que viveu duas vezes». Pelo meio, a tragédia. Um homem perde a
mulher, com o nascimento do filho. E recusa-o. Tudo se sustenta da
tristeza, mesmo a reconciliação final: lágrimas, muitas lágrimas, com
piano em fundo. É no Canal 1, a partir das 15h25. Às 19h45, no Canal 2,
Outras Músicas do mundo. São as melodias a que a RTP continua estranha,
nessa mania de grandes produções, entre concursos e «Joaquins Letrias».
«Espectador `oblige'», pensa-se. Mas talvez não. Às 23h30, no mesmo
canal, outra história de Jean Giono. E, à tarde, «Gigantes em Fúria», de
Raoul Walsh, na melodia fascinante das espadas. A aventura em destaque.
M.A.G.

<p n=19411>
« Imagino a figura de Torres Couto a brilhar no Parlamento Europeu,
vociferando no seu excelente francês contra o BCP e o Banco Borges &
Irmão, gozando o banho de solidariedade e simpatia que lhe proporcionam
as duas senhoras deputadas verdes no plenário.»

<p n=19412>
Quem não recorda os três propósitos, em palavras começadas por D, do 25
de Abril português? Democratizar, descolonizar e desenvolver condensavam
todo um programa. Quando os «dossiers» parecem encerrados, é possível
reabri-los e considerar folhas soltas que ainda justificam reflexões de
actualidade, 17 anos depois. Vejamos:

<p n=19413>
Mas suponhamos que, por milagroso golpe de rins, José Eduardo Moniz era
atacado de imparcialidade e ordenava cronometragem de tempos e
equiparação noticiosa. A classe política aplaudiria e o desejado
pluralismo da informação estaria garantido.

<p n=19414>
1 -- Considero que a visita do Papa a Portugal é motivo de regozijo
bastante para um acto de clemência consistente numa amnistia que abranja
os pequenos delitos.

<p n=19415>
Uma amnistia é, por definição, genérica... Mas, pergunto-me, os crimes
perpetrados pela direita em todo este período não foram, de facto, na sua
quase totalidade, amnistiados na prática?

<p n=19416>
1 -- O CDS defende que, por ocasião da visita do Papa, a Assembleia da
República aprove uma amnistia para pequenos delitos que poderá incluir
também reduções de penas para crimes de penas mais longas.

<p n=19417>
Se o cónego Eduardo Melo está inocente, em julgamento o provará; não há
que ter ansiedade, e não se pode pisar a justiça e os outros («chegar a
julgamento, o que espero não aconteça, pois acredito na independência,
aliás consabida, da magistratura portuguesa» -- D. Eurico).

<p n=19418>
O risco da banalização rotineira das comemorações do 25 de Abril foi uma
das mensagens que Soares levou ontem à Assembleia, no discurso da sessão
solene. Apelou, entretanto, à «ambição» dos portugueses no contexto
internacional. Os cinco partidos interpretaram cada um à sua maneira o
significado da data.

<p n=19419>
O recado, ligeiro, não invalidou o reconhecimento dos sucessos. E quando
Soares afirmou, em sequência, que «nos encontramos, como Nação,
desembaraçados dos conflitos que nos tolhiam os passos, com o percurso de
progresso que, apesar de tudo conseguimos realizar, num clima de
convivência cívica e de convergência interpartidária, quanto aos grandes
desígnios nacionais, absolutamente invejáveis, tendo em conta o que vai
pelo mundo», saudou o regime e os protagonistas do regime - neste caso, a
bancada do PSD - aplaudiram-no com veemência. Estava neutralizado o
«efeito».

<p n=19420>
Os cravos vermelhos voltaram ontem, à hora marcada, a descer a Av. da
Liberdade em direcção ao Rossio, num desfile onde a grande «estrela»,
muito saudada pelos milhares de presentes, foi Otelo Saraiva de Carvalho.
Na principal avenida lisboeta voltaram a ecoar «slogans» de gratas
recordações para muitos dos que compareceram à chamada. «O povo unido
jamais será vencido» era gritado por nomes ligados a toda a esquerda
parlamentar e extra-parlamentar e por muitos dos «capitães de Abril».
Carlos Fabião, Vitor Alves, Sanches Osório, Pezarat Correia, Marques
Júnior, Carlos Carvalhas, Carvalho da Silva, Lopes Cardoso, João Proença,
Rui Oliveira e Costa, Ramon La Féria, Fernando Lopes Graça, Carlos
Marques, Mário Tomé e Domingos Abrantes, eram apenas alguns dos nomes da
primeira linha do desfile. Já no Rossio juntou-se o ex-primeiro ministro
Vasco Gonçalves, momentos antes da única intervenção da tarde, a cargo de
Vasco Lourenço. O dirigente da Associação 25 de Abril, fazendo o discurso
do «valeu a pena», falou do «desencanto que nos assalta a todos, ao
constatar que esse adiar de esperanças é sempre em desfavor dos mais
fracos e humildes». A propósito de temas como o Segredo de Estado ou a
comunicação social, Vasco Lourenço criticou a «crescente
governamentalização das instituições» e a «sobranceria e o doutoral
despotismo com que o poder encara a atitude das minorias, das oposições,
da própria opinião pública». Outra crítica foi para o adiamento, «sem
razões mínimamente plausíveis», da aprovação da amnistia política. Antes
e depois ouviu-se a «Grândola».

<p n=19421>
A juventude centrista  vai convocar um conselho nacional extraordinário
para debater a decisão da direcção do CDS em colocar o seu presidente,
Martim Borges de Freitas, como cabeça de lista por Viana do Castelo. Em
declarações à Lusa o dirigente da JC afirmou não ter dado ainda uma
resposta a Freitas do Amaral quanto a aceitar ou não ser cabeça de lista
por aquele distrito, acrescentando que tal decisão da direcção do CDS
contraria num ponto o acordo de relações firmado entre a JC e o partido.
Neste acordo terá ficado estabelecido que o CDS deverá garantir a
presença de dois elementos da juventude nas listas de candidatos a
deputados, o que não aconteceu.  Martim Borges de Freitas é o único
membro a JC indigitado para as listas. Recorde-se que nas últimas
eleições o CDS não elegeu qualquer deputado pelo círculo de Viana do
Castelo onde, aliás, obteve uma votação de oito por cento.

<p n=19422>
Soares Carneiro quer «alterações significativas» nas Forças Armadas. A
mensagem do CEMFGA e a parada na Av. da Liberdade constituíram o
contributo militar para as comemorações da revolução de Abril.

<p n=19423>
Mas foi a parada militar na lisboeta Avenida da Liberdade que constituiu
o ponto alto das cerimónias militares comemorativas do 25 de Abril.
Durante uma hora, em frente aos comummente designados «mais altos
dignatários da Nação», abrigados num palanque a meio da Avenida, as
Forças Armadas exibiram algum do seu equipamento. Uma cerimónia onde nada
fazia alusão à data que se comemorava. Mesmo Soares Carneiro, Chefe de
Estado Maior General das Forças Armadas, optou, como no ano passado, pela
discrição da mensagem às unidades militares, em vez de proferir, ele
mesmo, uma alocução.

<p n=19424>
O ministro dos negócios Estrangeiros, João de Deus Pinheiro participou
ontem em Estrasburgo numa sessão ministerial do Conselho da Europa em que
estiveram em foco as questões inter-europeias e a segurança e cooperação
no mediterrâneo. Deus Pinheiro chegou a esta reunião vindo de Tripoli
onde se avistou com com o seu homólogo líbio, Ibrahim al-Béchari. Neste
encontro os dois ministros sublinharam a necessidade de proximamente se
realizar uma reunião da comissão dos nove países do oeste do
mediterrâneo. Deus Pinheiro insistiu na vontade de Portugal em reforçar
as liagações da CEE com os países do Magreb. Por seu lado, o ministro
líbio expressou o desejo para que sejam aplicadas todas as resoluções da
ONU referentes ao conflito israelo-árabe, acrescentando que a crise do
Golfo não pode servir de pretexto para afectar a integridade territorial
do Iraque. Esta curta estadia de Deus Pinheiro na Líbia constituiu a
terceira etapa de uma viagem pelos países do Magreb.

<p n=19425>
O Presidente da Assembleia da República reune no início da semana com
Mário Soares e Cavaco Silva, onde será transmitido o «entendimento»
conseguido em conferência de líderes. Pretende-se que a posição final
sobre a visita seja assumida «pelos três órgãos de soberania
portugueses».

<p n=19426>
O Presidente da República desafiou os deputados, no seu discurso de
ontem, a «encontrar a fórmula mágica» que leve as «jovens gerações»,
formadas já «na democracia e que nunca conheceram a opressão», a
interiorizar o sentimento libertador inspirado pelo 25 de Abril. «Temo
que esta celebração ritual, cada ano repetida» -- afirmou Mário Soares --
«contribua, por assim dizer, para banalizar a Revolução, tornando-a
desinteressante e incompreensível aos olhos dos mais jovens.» E, na linha
desta preocupação marcante e generosa do seu discurso, o Chefe do Estado
sublinhou a necessidade de defender as novas gerações contra «as
tendências egoístas do tecnocratismo individualista», despertando-as para
«o idealismo social das grandes causas».

<p n=19427>
Viver a normalidade democrática, sem complexos da memória heróica de uma
data que não se teve a oportunidade de conhecer, é a forma mais saudável
de as novas gerações assumirem o futuro -- e não recordarem apenas o
passado -- do 25 de Abril. No seu discurso de ontem, o Presidente da
República apontou a meta de um projecto mobilizador que ele próprio tem a
responsabilidade de protagonizar activamente, não se limitando a lançar
«indirectas» à falta de ambição do Governo. O «tecnocratismo
individualista» e o vazio de valores não espreitam apenas as novas
gerações. O combate contra os «velhos do Restelo» e a recusa da
menoridade portuguesa pressupõem uma valorização intensa daquilo que em
nós é singular, diferente -- e que, nessa medida, constitui um factor de
enriquecimento do nosso destino europeu e da comunidade internacional,
onde deveremos ter uma voz própria e credível. É essa a fórmula mágica
para assegurar a herança futura do 25 de Abril.

<p n=19428>
Na nossa edição do passado dia 21, na pág. 64 (Local Porto), publicámos
uma fotografia retirada da revista "Ténis Europeu" sem termos pedido
prévia autorização para o fazer e sem mencionarmos a sua origem. Da falta
- que vai contra os nossos princípios e a nossa prática - pedimos
desculpa aos proprietários e ao director da revista.

<p n=19429>
A aprovação pelo Conselho de Ministros dos Doze da livre circulação de
trabalhadores portugueses em dez países comunitários deverá verificar-se
em Junho, de acordo com informações veiculadas pela Lusa. A antecipação
em um ano da data inicialmente prevista(1993) anunciada por Cavaco Silva
no Luxemburgo poderá assim ser confirmada no prazo aproximado de dois
meses, ainda durante a presidência luxemburguesa. A livre circulação dos
trababalhadores constitui um dos princípios fundamentais da Comunidade,
pelo que os cidadãos comunitários deveráo poder passar a circular
livremente de um país para outro, estabelecer-se e trabalhar onde
desejarem.

<p n=19430>
O jornalista caboverdiano Eduino Santos e o quinzenário que dirige, (o
«Notícias»), prometeram processar o secretário de Estado adjunto do
primeiro-ministro, Arnaldo Silva, por calúnia.

<p n=19431>
Deste modo, aquele membro do governo acusa Eduino Santos de proteger
alguém do PAIVC «que o paga para inventar `estórias' e monstruosidades do
género» e que por isso não passa de um «jornalista mercenário, para além
de leviano, e desprovido de escrúpulos».

<p n=19432>
A SALA ogival do Castelo de S. Jorge, em Lisboa, foi o cenário escolhido
para apresentar publicamente, com uma conferência de imprensa a que se
seguiu um jantar, o programa de um conjunto de iniciativas que antecedem
a visita do Papa, e estão a ser preparadas por um grupo de seis
movimentos católicos, liderados pela «Comunhão e Libertação», e que
integra ainda a Opus Dei (v. PÚBLICO, 11. Abril).

<p n=19433>
Estavam ainda presentes, na noite de terça-feira, o bispo auxiliar do
patriarcado, D. Albino Cleto, simultaneamente responsável da Igreja pela
organização da visita do Papa, bem como Henrique Mota, responsável da
mesma comissão para a Comunicação Social, o deputado centrista Narana
Coissoró, para além de responsáveis dos seis movimentos organizadores --
além dos já citados, o Caminho Neo-Catecumenal, o Movimento Apostólico de
Schöenstatt, o Movimento dos Focolares e o Renovamento Carismático
Católico.

<p n=19434>
O violento sismo de 7,4 graus na escala de Richter que devastou na
segunda-feira o litoral atlântico centro-americano e que provocou mais de
70 mortos no Panamá e na Costa Rica, alargou o território nacional da
Costa Rica, segundo constatações confirmadas na quarta-feira por
sismólogos costa-riquenhos.

<p n=19435>
No dia a seguir ao sismo, os habitantes de Limon, o principal porto da
Costa Rica e cidade mais atingida pelo tremor de terra, passeavam ao
longo dos «reefs» expostos. Nalguns locais, podiam ver-se dezenas de
peixes mortos. A elevação da crosta terrestre junto ao porto mais
movimentado do país, poderá colocar problemas aos navios de maior calado.

<p n=19436>
A epidemia de cólera alastra. Hoje são 177 mil casos que rapidamente se
podem transformar em 120 milhões. O Peru está sitiado. Um «sinal do
subdesenvolvimento» que se espalha pelo Amazonas pondo em risco de
extermínio comunidades locais. A organização Mundial de Saúde reage, por
fim.

<p n=19437>
No início deste ano um forte surto desta doença deflagrou no Peru e
espalha-se rapidamente pela América Latina, que durante este século,
erradicara quase na totalidade a cólera das doenças que afectam a região.
A SALA ogival do Castelo

<p n=19438>
Aproveitando a «ponte», 60 «Donas Elviras» meteram-se calmamente à
estrada para «disputar» o 10º Rali de Automóveis Antigos a Pedras d'el
Rei/ 1º Prémio RTP/Rotações. As únicas preocupações são chegar ao fim, e
sempre a tempo das importantes etapas gastronómicas, como a abertura do
bar. Um raid de «bons vivant», que começou ontem de manhã, na lisboeta
Avenida 5 de Outubro.

<p n=19439>
O lema adoptado é, claro, «devagar se vai ao longe». Bastante devagar, já
que a ajudar a «vertiginosa» velocidade destas Donas Elviras, «a primeira
paragem», como nos explicou um dos concorrentes, «é sempre na próxima
esquina, para beber um copo».

<p n=19440>
DOIS JORNALISTAS do jornal «El Espectador», há muito alvo de violência
devido às sua campanhas contra a droga, foram quarta-feira mortos a tiro,
revelou o jornal, sediado em Bogotá.

<p n=19441>
O director da Agência de Combate à Droga norte-americana, a DEA,
mostrou-se ontem preocupado com o facto da Assembleia Constituinte
colombiana estar a estudar a possibilidade de eliminar a extradição da
Constituição.

<p n=19442>
NOS ESTADOS UNIDOS não há escândalo que não tenha que incluir uma bela
jovem: depois de Donna Rice, que arruinou as ambições presidenciais de
Gary Hart, ou Fawn Hall, a vistosa secretária de Oliver North durante o
«Irangate», os jornais e televisões dos EUA elegeram agora Michele
Cassone como efémera vedeta do escândalo Kennedy.

<p n=19443>
Esta obscura empregada de um bar de Palm Beach, catapultada subitamente
para o estatuto de estrela, não tem tido tempo para responder a todos os
convites de entrevistas e participações em «talk shows».

<p n=19444>
Na sede da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em Lisboa, rezou-se ontem
em memória do arcebispo Marcel Lefèbvre. A ocasião foi aproveitada pelo
padre Philippe Pazat para reiterar a fidelidade aos princípios do homem
que se excomungou da Igreja em 1988. «Não é a primeira vez que é
anunciada a morte dos princípios que defendemos», afirmou.

<p n=19445>
Ainda a missa não começou e a sala já está cheia, as vozes dos fiéis
elevando-se em surdina. A porta das vidraças coloridas é aberta de par em
par para que os últimos a chegar possam assistir à missa do corredor. Vão
chegando mais idosas, com a cabeça invariavelmente tapada por um véu ou
um lenço. Haverá uns oito homens para cerca de 30 mulheres.

<p n=19446>
A Cerâmica Campos, de Aveiro, deverá constituir uma das prncipais
questões a investigar por uma comissão parlamentar de inquérito aos
perdões fiscais concedidos pelo secretário de Estado dos Assuntos
Fiscais. Uma decisão tomada na semana passada.

<p n=19447>
A partir da triagem deverão ser afastados dos trabalhos da comissão os
processos abrangidos pelo período de vigência do diploma das tréguas
fiscais, desanuviando significativamente o funcionamento da comissão
presidida pelo deputado social democrata Rui Machete.

<p n=19448>
Primeira grande iniciativa da Igreja no campo social, a Semana Social 91
pretende ser um incentivo a uma maior intervenção política e económica
dos cristãos. Até domingo, o debate está aberto e os participantes
aproveitam a ocasião da palavra que lhes é dada.

<p n=19449>
O mesmo, por outras palavras, dissera já a comissão organizadora, ao
propor a clarificação do papel dos cristãos na acção sócio-política como
um dos objectivos fundamentais da Semana Social. Com um património
vastíssimo em termos doutrinários, cuja validade e importância é
reconhecida por largos sectores de pensamento, a Igreja tem tido
dificuldade em levar à prática a sua doutrina social, tornando-a
operativa e eficaz. Que a Semana Social «não seja apenas repetitiva de um
pensamento já feito», mas antes «criadora do novo pensamento cristão
sobre as realidades novas da vida sócio-económica portuguesa e motivadora
de compromissos sérios para uma acção solidária», foi o voto formulado
pelo bispo de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. A
par do desejo de que esta iniciativa tenha «maior continuidade» do que as
quatro Semanas Sociais que decorreram entre 1940 e 1952.

<p n=19450>
O ministro da Indústria e Energia, Luís Mira Amaral e o vice-presidente
da Comissão das Comunidades Europeias, Martin Bangeman assinaram no
Porto, a 27 de Março de 1991 a seguinte declaração conjunto sobre o
estado de execução do PEDIP e a importância dos trabalhos em curso para a
avaliação do seu impacto no tecido industrial português. Essa declaração
conjunta firma que:

<p n=19451>
. Reiteram que a plena realização do PEDIP deve revestir-se de um
carácter exemplar do ponto de vista industrial, no momento em que a
República Portuguesa e a Comunidade Europeia se empenham por atingir o
objectivo de alcançar, em 1992, o Mercado Interno.

<p n=19452>
Mira Amaral, ministro da Indústria e Energia faz um balanço altamente
positivo de três anos de aplicação do PEDIP, sublinha o seu caracter
pioneiro e os elogios ao Programa feitos por responsáveis da Comissão das
Comunidades Europeias, recorda as dificuldades sentidas em aspectos
particulares e traça as grandes orientações e objectivos da política
industrial portuguesa.

<p n=19453>
R.- O PEDIP suscitou um grande entusiasmo e interesse na indústria
portuguesa, tendo-se constituído no principal instrumento de política
industrial portuguesa. Através dos apoios do PEDIP as empresas
portuguesas começam já a introduzir os chamados factores dinâmicos de
competitividade tecnologia, inovação, qualidade e «design» nas seus
estratégias empresariais.

<p n=19454>
Em pequenos desmontavam os brinquedos. Em adolescentes consertavam
electrodomésticos avariados. Quando chegaram à Faculdade quiseram saber
como funcionava «por dentro» o computador, e conseguiram. Hoje, seis anos
passados sobre a aventura, são pacatos investigadores do INESC, embora
continuem a ser os únicos piratas informáticos portugueses conhecidos.

<p n=19455>
O móbil do crime que os celebrizou como piratas informáticos foi, segundo
José Luís, apenas a «curiosidade». Conta que queriam saber como o
computador funcionava «por dentro», mas para isso precisavam de tempo.
Nessa altura, os alunos do Técnico dispunham de um número limitado de
«créditos», equivalentes a «x» horas de trabalho com o computador, e o
próprio sistema informático controlava a contagem do tempo. O primeiro
desafio foi exactamente a alteração do processo de controlo dos créditos
de forma a «ganharem tempo» para permanecerem o tempo que quisessem no
centro de cálculo sem que «o computador o detectasse».

<p n=19456>
Na semana passada foi notícia a entrada de piratas informáticos
holandeses em redes de computadores norte-americanas. Por cá, a Polícia
Judiciária garante que nunca recebeu nenhuma queixa por pirataria
informática «nem de empresas nem de bancos», mas alguns técnicos garantem
que Portugal não está ao abrigo da pirataria. Embora haja sempre um
grande interesse em abafar esses casos.

<p n=19457>
Segundo os mesmos técnicos, «quando os computadores estão ligados a uma
rede mais vasta, e sobretudo quando é permitido o acesso telefónico, os
sistemas tornam-se automaticamente vulneráveis». O acesso ao sistema
passa a estar dependente de uma entrada de código que, uma vez conhecida,
permite ao pirata fazer-se passar pelo utilizador autorizado. Isso
explica, por exemplo, as entradas de piratas nas redes da NASA e do
Pentágono, embora a um nível superficial, uma vez que «os computadores
que contêm os verdadeiros «jogos de guerra» estão fisicamente isolados e
são virtualmente inexpugnáveis».

<p n=19458>
O fantasma de 1755 pesa sobre Lisboa como a fenda de Santo André ameaça a
cidade norte-americana de São Francisco. Ali, vive-se à «espera do
desastre» e são raras as empresas que não têm planos para a recuperação
dos negócios, em caso de catástrofe. Por cá, confia-se em que ele não
acontecerá, a avaliar pelo desconhecimento quase total dos «business
recovery plans».

<p n=19459>
Embora reconhecendo que não dispõem de «um plano de recuperação de
negócios definido à americana», Carvalho Amado, responsável pela
segurança do Banco de Fomento, admite que, havendo uma catástrofe em
Lisboa, os negócios seriam retomados no Porto, logo após a recuperação de
todo o «software» afectado, através das cópias respectivas». As medidas
de segurança, à semelhança do que sucede noutros bancos, implicam que a
instituição guarde parte do segredo e só revele o que é mais óbvio.

<p n=19460>
Chama-se «business protector» e consiste num plano de reactivação da
actividade em caso de acidente que destrua total ou parcialmente as
instalações centrais do Manufacturers Hanover em Lisboa. Diz a cada
responsável do banco o que fazer e para onde ir. Os quadros do banco
estão contentes por nunca terem precisado de o utilizar, mas
actualizam-no trimestralmente e fazem simulações anuais. «Just in
case...»

<p n=19461>
As primeiras páginas do «business recovery plan» dizem que, em caso de
desastre na sede do banco, é necessário contactar de imediato o «recovery
team», constituído por cinco responsáveis do banco em Portugal: o próprio
Bill Imeson, Carlos Rodrigues, Nicholas Racich, Mário Oliveira e José
António Varela. Este é o primeiro passo para pôr em prática a primeira
fase do plano, designada «initial recovery». Não precisa procurar os
números de telefone de cada um deles, porque vêm indicados no plano.

<p n=19462>
Com o escudo mais forte, as importações têm vindo a crescer, enquanto o
sector exportador definha. São os bens de consumo vindos do exterior que
mais desiquilibram a balança comercial, porque o elevado nível das taxas
de juro impede o crescimento do investimento e, em consequência, a
aquisição de bens de equipamento. E o cenário não deverá mudar nos
próximos meses.

<p n=19463>
Não admira, por isso, que o valor das exportações em escudos tenha
aumentado apenas 6,6 por cento durante os dois primeiros meses do ano. No
mês de Fevereiro este aumento quedou-se pelos 3,2 por cento. O conflito
do Golfo deverá ter contribuido para o agravar das dificuldades. Neste
período, o valor das exportações para os países da OPEP decaíu em mais de
66 por cento. Mas a procura na generalidade dos países europeus, onde
Portugal coloca mais de 80 por cento das exportações, tem vindo a decaír
de forma continuada desde o início de 1989, atingindo o seu ponto mais
baixo durante o primeiro trimestre deste ano. Apenas a locomotiva alemã
vem remando contra a corrente.

<p n=19464>
Dizia um senhor, internacionalmente muito famoso e durante algumas
décadas muito seguido, que de cada vez que se deliciava a ouvir Bethoven
havia sempre algum oportunista que se aproveitava do seu estado de alma
par lhe pregar um golpe. Muita gente em Portugal se tem empenhado
ultimamente em «dar-nos música» e da boa, surpreendendo-nos umas vezes
com uma apurada sensibilidade para os problemas sociais, e outras com a
sua transformação em porta-estandarte dos valores pátrios. A época é dada
a estas músicas. Estamos em ano eleitoral, período ideal quer para agitar
estes temas e captar as simpatias de eleitores, como para «entalar» os
governantes e lhes arrancar cedências.

<p n=19465>
Dado que o ponto de partida para estas exigências são quase sempre ideais
de justiça e de patriotismo que muito nos sensibilizam, não é fácil
resistir-lhes. Os próprios governantes, pressionados por fugas eleitorais
para a direita e para a esquerda, vão cedendo mais uns dinheiros para as
indemnizações e não fecham a porta ao patriotismo dos empresários.

<p n=19466>
Identificar as necessidades das empresas e procurar o empregado com o
perfil adequado, é a tarefa do grupo Ádia, que actua na àrea do trabalho
temporário. No ano passado, a empresa instalou-se em Portugal. Peter
Muller, presidente do grupo, justifica a aposta com «as perspectivas de
crescimento do país nos próximos anos».

<p n=19467>
Em meados do ano passado a empresa instalou-se em Portugal, montando sede
em Lisboa, e no princípio deste ano, abriu uma delegação no Porto, com a
designação de Ádia-Recursos Humanos. O director da empresa portuguesa,
Mário Cortes, disse ter conseguido os objectivos do grupo no ano passado,
ao colocar uma média de «30 a 40 pessoas, por mês» a trabalhar. Agora, as
intenções sobem para metas que atingem as cem pessoas por mês, contando
para tal com a delegação do Porto.

<p n=19468>
Empresários portugueses estiveram em Dublin. Objectivo: aumentar a
cooperação com os seus congéneres irlandeses. Actuação conjunta nos
mercados dos PALOP e do Brasil foi uma das sugestões avançadas. Das
associações empresariais da Irlanda surgiu outra: constituir «lobbies» de
pressão em Bruxelas, que possam beneficiar os países periféricos da
Comunidade.

<p n=19469>
Da mesma opinião é John Kenna, da Confederação da Indústria Irlandesa, e
justifica a sua posição referindo-se à «experiência» da Irlanda no seu
relacionamento com a Comunidade Económica Europeia, à qual realizou a
adesão plena em 1970. Kenna sublinha que «o sucesso na captação de fundos
comunitários contribuiu decisivamente para a modernização da economia
irlandesa».

<p n=19470>
O mercado português de pastas dentífricas está avaliado em cerca de 3,5
milhões de contos/ano. Duas empresas detêm a parte de leão do mercado: a
Colgate-Palmolive e a Lever, integrada no grupo Jerónimo Martins. O
dentífrico de marca Colgate ocupa quase 50 por cento do mercado, enquanto
que outra marca da mesma empresa, a Dentagard, detém 8,3 por cento do
mercado. A Sensodyne, outra marca comercializada pela Colgate-Palmolive,
detém 2,9 por cento do mercado. Por seu lado, a empresa ligada ao grupo
Jerónimo Martins ocupa uma quota de 30 por cento, comercializando duas
marcas: a Pepsodent e Mentadent. As empresas deste mercado, além de
produzirem e comercializarem as pastas de dentes, aproveitam a marca e os
canais de distribuição para comercializar também as respectivas escovas.

<p n=19471>
Demonstrativo da importância do «marketing» para esta indústria é o caso
que se conta de uma empresa norte-americana que estava a perder mercado
para as suas concorrentes pelo facto de os seus tubos terem menos
quantidade de pasta. Um quadro da empresa teve a ideia de alargar a boca
do tubo e o próprio envólucro, desta forma os consumidores passavam a
gastar mais pasta com o mesmo número de utilizações que anteriormente.
Afirma-se ainda que os consumidores gostaram do facto de os tubos terem
passado a integrar «maior quantidade» de pasta e, rapidamente, a empresa
melhorou a sua quota de mercado.

<p n=19472>
Relativamente ao primeiro número, o volume de matérias especificamente
teatrais cresceu em quantidade e qualidade neste nº  2 da revista de arte
cultura editada pelo Centro Dramático de Évora. Eugénia Vasques dá uma
panorâmica das «Tendências da Dramaturgia e do Teatro no Século XX», o
qual século (convencionou-se) começa em 1887, ano em que a luz eléctrica
substitui no teatro a iluminação a gás. O texto de E. V. é uma síntese
perfeita e dá pistas bibliográficas para o leitor curioso levar mais
longe o estudo do tema.

<p n=19473>
O menos saboroso da ementa deste «Adágio» não é certamente o artigo
introdutório de Mário Barradas, que investiga as raízes centenárias da
arte cénica na cidade de Évora, desde o tempo em que Gil Vicente foi lá
estrear peças como o «Auto de Mofina Mendes» e a «Floresta de Enganos»
até ao dia em que a cidade-museu foi alcunhada de «capital nacional do
teatro». Esperemos que o próximo número da revista não deixe de noticiar
como em Évora, num belo dia do corrente mês de Abril, Luís Miguel Cintra,
o maior actor português, levantou a voz para dizer que não alinhava em
manobras de autopromoção cavaquista.

<p n=19474>
Por vezes, o tempo parece que sofre uma ferida profunda e que deixa de
crescer. Para que ela cicatrize, é necessário exorcizar o tempo que ficou
para trás dessa ferida. Mas para muitos já é tarde de mais. Já
envelheceram e não têm ânimo para recuperar: ficam irremediavelmente
presos a esse tempo, espectros em vida, memórias palpáveis de algo que já
não existe.

<p n=19475>
Salienta-se habitualmente a originalidade do humor de Bohumil Hrabal -- e
hoje já não há a menor dúvida em afirmar, categoricamente, que este autor
é um dos maiores humoristas deste século. Mas poucas vezes vi referido
como esse humor está relacionado com o trabalho que exerce sobre a sua
memória e o seu passado. É esse trabalho de reactualização e recriação do
passado que provoca em Bohumil Hrabal uma aguda consciência da forma como
a morte redimensiona as existências. O humor é resultante desta
compreensão de que o logro é o elemento essencial do humano e que,
consequentemente, tudo e nada tem uma infinita importância. Por isso, o
humor de Bohumil Hrabal nunca reduz ou caricaturiza, antes 
permanentemente afirma a absoluta dignidade de se ser imperfeito.

<p n=19476>
Não é uma novidade reconhecer o risco que habitualmente envolve a maioria
das revistas culturais em Portugal. Causas, poderá haver muitas, mas não
irei agora discuti-las. O facto é que algumas experiências aliciantes
depressa têm acabado os seus dias, excepto quando se apoiam numa qualquer
instituição financeiramente capaz de compensar os prejuízos para
beneficiar das vantagens que a «cultura» costuma trazer ao prestígio de
quem a sustenta.

<p n=19477>
A maior percentagem de contribuições distribui-se, no entanto, pela
poesia e pelos ensaios que a tomam como tema predominante. Começando
pelos últimos, deve assinalar-se um honesto, lúcido e desenvolvido estudo
de Mathias Langendorff sobre o poema «Muriel», de Ruy Belo, assim como a
leitura/ análise da «Martian Poetry», de Craig Raine, que nos é proposta
por António M. Feijó; a fechar a lista, um texto em que Miguel Tamen --
com uma inteligência cuja desenvoltura, descontracção e humor se mantêm
raros entre nós -- desconstrói algumas ideias feitas a respeito da
«Mensagem», tornando muito clara a retoricidade inerente a aspectos
supostamente exemplares como a pergunta do conde D. Henrique «Que farei
eu com esta espada?», e mostrando-nos como -- mesmo na «Mensagem»! -- é
sempre a pátria de Bernardo Soares que sub-repticiamente condiciona a de
Pessoa.

<p n=19478>
«Poderá a psicanálise mudar realmente a sua vida?». É assim que a Globe
introduz o seu primeiro tema deste mês. Há depoimentos de alguns que
sobreviveram a uma psicanálise, incluindo Françoise Giroud, que
sobreviveu a uma psicanálise com Jacques Lacan: ainda por cima faz parte
dos analisados felizes. Sentia-se culpabilizada por não ser um rapaz,
agora parece que já não. É uma ilustração para a frase de Gérard Miller,
um dos psicanalistas franceses mais conhecidos, que acaba de publicar
(com a mulher, Dominique) um livro sobre o destino, que se chama
«Psychanalyse 6 heures 1/4»: a frase em que ele diz que em análise temos
que chegar, pelos nossos próprios meios, ao encontro que o nosso sintoma
nos marcou. A seguir vêm as páginas práticas: um repertório dos últimos
ditadores. Abre com Fidel, segue-se o presidente do Zaire, o da Etiópia,
Kim Il Sung, al-Assad Hafez, e Kadhafi, que vem sempre. Também falam das
cartas tórridas que Kadhafi escrevia a Imelda Marcos; os outros não têm
hobbies com graça, tirando Fidel, que faz Boxe.

<p n=19479>
A «Life» inicia no número de Abril uma série de reportagens sobre a
família norte-americana. Decidiu fazê-lo a seu modo: caso a caso. Fala
com as pessoas, segue-lhes os passos, vê como passam os dias, junta-se a
elas. A «Life» decidiu viver em família. É que «a família viveu maus
tempos», diz a revista, «é um mundo que se tornou impessoal e cruel». Mas
que não deixa de ser tudo o que se quiser: um lugar de ternura, uma
prisão para os sentimentos, um aconchego da alma, continua a «Life». E
arrisca: «Muitas das famílias que visitámos pouco ou nada têm a ver com
as velhas formas. Muitas nem seriam consideradas famílias, anos atrás.»
«As pessoas que vão conhecer», avisa a revista, «têm pouco em comum,
excepto a luta que travam, com maior ou menor sucesso, para que a família
resulte.» Nos próximos meses, a «Life» traz outros rostos, outras vidas:
uma mulher que raptou o filho, um casal de homossexuais, meninos que têm
dois quartos de dormir, em duas casas. Para este número, um jovem casal e
o nascimento do seu primeiro filho. Eles são Sara e Jim. Estão na capa e
em mais onze páginas. Ela nasceu em Itália, ele em Cincinnati.
Conheceram-se por acaso nas escadas do Centro Georges Pompidou, em Paris.
Apaixonaram-se. Vivem nos EUA e lutaram durante seis anos pelo dinheiro
para uma casa maior, pelos brinquedos para o filho, pelo desafogo, pela
sobrevivência. Na última página da reportagem, há um recém-nascido. Eles
dizem que têm medo. Mas não se importam. É só o começo.

<p n=19480>
A trilogia trágica a que Swinburne chamou «a mais genial criação da mente
humana» -- e cuja primeira tragédia, o «Agamémnon», foi qualificada por
Goethe como sendo «a obra de arte de todas as obras de arte» -- foi
traduzida para português por Manuel de Oliveira Pulquério, numa versão
que, respeitando à letra o original grego, granjeou de direito próprio o
estatuto de um verdadeiro «clássico» da literatura portuguesa. Uma
publicação histórica.

<p n=19481>
A justiça, a que ninguém escapa, é, portanto, o tema primacial da
«Oresteia»: como diz o coro das «Coéforas» na reflexão central da
trilogia, «a uns, a justiça vigilante, em seu movimento de balança,
atinge rapidamente ainda em pleno dia; a outros, é no crepúsculo da tarde
que chegam as penas adiadas; outros ainda são feridos pela noite
interminável».

<p n=19482>
Já se previa que a próxima visita do Papa a Portugal fosse pretexto para
iniciativas, também no campo editorial, que aproveitassem a maior
disponibilidade do mercado. A novidade, desta vez, é que a primeira
realização surgida a «reboque» de João Paulo II vem de uma editora sem
tradições no campo da edição de livros religiosos. Este «Diálogo com os
homens» poderia ser, assim, um acontecimento, que retiraria a edição
católica do «ghetto» em que normalmente tem vivido.

<p n=19483>
Depois (ou antes de tudo), não se entende a ausência de qualquer
referência às fontes. Se o livro se destina a ser um instrumento de
trabalho não só para os crentes, como diz a apresentação, que elementos
são dados aos potenciais leitores para que possam aprofundar o assunto e
procurar -- no discurso ou no documento de onde cada excerto foi retirado
-- outras referências sobre cada entrada.

<p n=19484>
«Uma história de amor e consciência, vontade e desejo»: começa quando a
rapariga misteriosa chega ao Hotel du Lion d'Or, numa pequena cidade
francesa, nos anos trinta.

<p n=19485>
Num cenário «África dividida», terrorismo, calor, paixões, aventuras.
Nota: o autor viaja o ano inteiro e é casado com Danielle a quem dedicou
os últimos dezasseis livros.

<p n=19486>
O século XIX em Portugal tem sido, nos últimos anos, alvo de uma merecida
atenção por parte dos historiadores que, mediante os seus trabalhos, têm
vindo a colmatar uma grave lacuna da nossa historiografia. Um bom exemplo
desse labor é o trabalho de Manuela Tavares Ribeiro, «Portugal e a
Revolução de 1848». Nesta obra, mais do que uma mera visão do impacto
tido em Portugal pela Revolução Francesa de 1848, é traçado um complexo
quadro das influências externas e da dinâmica interna, ao nível político,
económico, social e cultural, que nos permite situar o Portugal de 1848
nessa Europa em efervescência revolucionária.

<p n=19487>
Em Portugal houve, na realidade, tentativas insurreccionais de
«contestação» falhadas, na medida em que a reacção governamental não se
fez esperar, no sentido da reposição da «ordem». Vários indícios de uma
sensível agitação e organização de núcleos de agitação se fizeram sentir:
o Triunvirato Republicano; a Carbonária Lusitana em Coimbra, que ao lado
da Maçonaria apoia o movimento revolucionário; a Academia de Coimbra e a
imprensa periódica, cujo papel é fundamental enquanto meio de informação
e de formação de opinião, de várias tendências, cada vez mais acompanhada
por uma série de panfletos e opúsculos de feição republicana e
socializante.

<p n=19488>
Uma nova tradução, e primeira edição dessa nova tradução do livro que
todos citaram a propósito e a despropósito há sete anos. Uma antevisão
satírica, e uma espécie de aviso: segundo o biógrafo de Orwell, B. Crick,
o romance constitui «uma advertência racional e longamente premeditada
contra as as tendências totalitárias nas sociedades como as nossas, e não
a profecia duma eventual tomada do poder neonazi ou soviética, e ainda
menos um grito de desespero ou uma negação do socialismo democrático de
Orwell».

<p n=19489>
Reedição do livro que todos leram ou julgam que leram, ou releram, ou
deviam ter lido. Também não há quem não saiba que Madame Bovary é o
romance de Flaubert, no sentido de ser uma ficção que Flaubert faz de si
mesmo, nem quem nunca tenha reparado que ele uma vez disse «Madame Bovary
sou eu». Não há quem não se identifique, pelo menos de vez em quando, com
Emma, que faz as suas próprias ficções pessoais e que é «castigada» por
uma realidade que é muito pouco real, ao contrário da mediania e da
vulgaridade.

<p n=19490>
É com a reivindicação, para o Movimento Cineclubista, de «um papel
importante a desempenhar numa época sempre mais desmemoriada, mais
indiferente ao seu passado e ao seu futuro e mais ausente do seu próprio
presente», apesar da crise que afecta todas as formas de expressão
cultural, que a direcção da revista «Cinema» apresenta, em editorial, o
nº 18 desta publicação, que acaba de sair para as bancas.

<p n=19491>
Na secção de noticiário destaca-se a publicação do comunicado com que a
FPCC se manifestou, na altura, contra a reacção do Bispo de Braga à
exibição, pela RTP, do filme «O Império dos Sentidos», e outra informação
dispersa, principalmente endereçada aos cineclubes.

<p n=19492>
Para Marguerite Yourcenar, as memórias foram uma forma de preencher a
realidade, de transformar o desconexo da vida num tecido romanesco. É um
caso em que se torna impossível distinguir o que é ficção. Como neste
livro de uma memória transfigurada: um romance, uma vida.

<p n=19493>
E, tal como anunciara na entrevista, Jeanne tem um importante lugar no
romance da memória de Yourcenar: ela é a mãe de adopção de Marguerite, a
menina sem mãe, que sempre jurou não ter sentido nenhuma falta do carinho
materno, rodeada pela atenção das criadas e, mais tarde, pelos cuidados
intelectuais do pai. Não deixa, pois, de ser extraordinária esta adopção
tardia (lucidamente ficcionada): Yourcenar hesita na decifração da
fotografia cor-de-sépia em que se vê uma saia branca e uma mão a ajudar a
pequena Marguerite e, se imagina Jeanne, em vez da criada Barbe, é porque
ela tem uma voz mais doce e «acerta o passo pelas crianças, pára para as
deixar aqui e ali apanhar uma concha» (p.87).

<p n=19494>
Com «Alice», Woody Allen faz para Mia Farrow o correspondente a «Annie
Hall» para Diane Keaton. Talvez seja isso que provoque uma certa sensação
de «dejá vu». Mas, em Allen, o próprio «dejá vu» surge com uma conotação
sempre nova. Se «Alice» retoma o itinerário de uma emancipação feminina,
não o faz pelos mesmos processos do anterior. Mais, Woody Allen
«apaga-se», não surgindo como mentor dessa transformação senão por via
indirecta (ele é o realizador e, logo, o deus «ex-machina» da mudança).
Por outro lado, a ironia é maior, na medida em que deixa de ter qualquer
contacto com o real e a cientificidade, que em «Annie Hall» se
manifestava pelo papel da psicanálise na mudança de personalidade da
personagem. Esta dá lugar à fantasia, o que aproxima «Alice» desse outro
filme «fantástico» de Woody Allen: «Comédia Sexual numa Noite de Verão».
Shakespeare e Bergman são aqui substituídos por Lewis Carroll e Fellini
(«Julieta dos Espíritos»). Mas a sua posição é sempre a de um intelectual
americano (a influência do seu cinema, de James Whale a George Cukor,
através de «Mulheres», como bem apontou Mário Jorge Torres no PÚBLICO de
19 de Abril). Mesmo que, apesar de tudo, não o consideremos como dos
melhores de Allen, «Alice» mantém a mesma coerência no percurso solitário
do seu autor. M.C.F.

<p n=19495>
Destaque-se desde já. «Casamento por Conveniência» é um bonito filme.
Talvez, até, o melhor desse director irregular que é Peter Weir
(«Piquenique em Hanging Rock», «O Ano de Todos os Perigos»). Mas dizer-se
que um filme é «bonito» poderá ser mal interpretado. Não é apenas um
filme bem feito, agradável ao olhar e aos sentidos. É também um filme em
que os persnagens têm uma componente mais humana do que a maioria do
cinema de hoje. Não são bonecos articulados ou bonecas insufláveis.
Pulsam neles os vícios e as virtudes de todos nós, as fraquezas e os
erros, mas também a capacidade de sacrifício e de amor. «Casamento de
Conveniência», se quisermos encontrar um paralelo no cinema, poderia
colocar-se junto das comédias dramáticas dos anos 40, de «Penny Serenade»
e «Gente a mais, Casas a menos» de George Stevens, por exemplo, que é,
medidas as distâncias, o seu equivalente (falta-lhe um Gunga Din e um
Shane, mas não se pode ter tudo).

<p n=19496>
Foi na segunda feira 22 de Abril. O «Film Society of the Lincoln Center»
prestou a sua homenagem anual a uma figura do cinema. Desta vez o objecto
da homenagem foi, com toda a justiça, a inesquecível Sabrina, Ariane, a
princesa Ana («Férias em Roma»), a mais bonita Natasha («Guerra e Paz»)
do cinema, o anjo de Spielberg («Sempre»), em resumo «my fair lady»
Audrey Hepburn. Antes do acontecimento a «Film Comment» de Março-Abril dá
a notícia e faz o balanço da carreira de uma das mais discretas,
admiradas, respeitadas e amadas actrizes de Hollywood, essa «funny face»
que iluminou os anos 50 e 60, e defendeu a elegância e a sofisticação num
período dominado pelos «sex-symbols». Molly Haskell, a autora do artigo,
define-a como «possuindo a habilidade de fazer a ponte entre dois
mundos», de viver um sonho e realizá-lo: o lado Cinderella que leva a
filha do motorista em «Sabrina» a casar com o patrão, e o lado Galateia
que transforma uma suja vendedora de flores numa princesa de sonho («My
Fair Lady»). É a peça mais apelativa e com chamada para a capa. Mas nem
por isso é a mais importante da melhor revista de cinema que hoje se
publica em qualquer parte do mundo. Logo a abrir este número (onde se
encontram também as homenagens a duas actrizes recentemente
desaparecidas, Irene Dunne e Joan Bennet, a cargo de Richard Schikell e
David Thompson, respectivamente) uma recensão sobre a rainha do «Poverty
Row», a «Republic Pictures», a propósito de um documentário de homenagem
a este estúdio feito para a televisão (que a RTP não se esqueça dele, por
favor!). No estúdio rei dos «serials» e dos westerns de série (Gene
Autry, Roy Rogers, etc) alguns grandes realizadores tiveram a
oportunidade de concretizarem projectos que lhe eram caros: John Ford e
«O Homem Tranquilo» e «Rio Grande», Nicholas Ray e «Johnny Guitar», Orson
Welles e «Macbeth». E uma das suas vedetas mais fiéis, antes e depois de
conquistar a fama, foi John Wayne, que na Republic produziu o seu
primeiro filme, «A Última Jornada», interpretou um dos seus favoritos, «A
Lenda do Bruxa Vermelha», e recebeu a primeira nomeação para Óscar em «O
Inferno de Iwojima».

<p n=19497>
Mas à margem da figura tutelar já a paisagem é menos tranquila. Se na
cultura o balanço é positivo, mau grado o falhanço de algumas apostas
(texto de Jean-Pierre Rioux), a «lei Deferre» para a descentralização, se
aumentou os centros de decisão, não foi, porém, acompanhada por uma
descentralização do poder do Estado. E o desemprego, afectando em
particular a segunda geração de emigrantes (com o fracasso da tentativa
de repatriamento com indemnização) geraram um mal estar  que se afirmou
no que alguns dos entrevistados finais declaram ser o fenómeno novo mais
importante da década, a aparição de um partido de extrema direita, o
«Front National», que num curto espaço de tempo passa do grau zero de
existência a um apoio que ronda os 20% no eleitorado, «sem equivalente em
qualquer outro país membro da comunidade europeia», segundo Annie
Kriegel, acompanhado pelo declínio do Partido Comunista. A historiadora é
particularmente severa afirmando que «François Mitterand se contenta
agora em reinar sobre o consternador e perigoso campo de ruínas da
sociedade política».

<p n=19498>
Que ideia tem o cinema das «causas da justiça» e do seu espaço
privilegiado, o tribunal? Para ele é, essencialmente, um «espectáculo»,
sucedâneo da arena onde se enfrentam dois «gladiadores»: o promotor de
justiça e o advogado de defesa.

<p n=19499>
No cinema americano clássico, porém, o tribunal é o símbolo da força e
segurança de uma comunidade. Grande parte dos «westerns» dos anos 20 e 30
têm algures uma cena passada num tribunal, símbolo da lei e ordem nas
novas cidades edificadas nos territórios conquistados. Os filmes de John
Ford, de «Judge Priest» a «O Sol Nasce para Todos» («O Sargento Negro»
decorre quase todo num tribunal, mas de foro castrense), dão ideia desse
juiz popular e benevolente que regula os diferendos entre os membros da
comunidade. E num tribunal se vai revelar a personalidade de Lincoln («A
Grande Esperança»).

<p n=19500>
Barry Levinson é sobretudo conhecido pela sua vertente mais comercial e
despersonalizada, presente em filmes tão díspares como: «O Enigma da
Pirâmide» (1985), «Bom Dia, Vietname» (1987), ou «Encontro de Irmãos»
(1988). É, no entanto, em pequenos filmes de câmara, retratos comovidos
de uma comunidade retida na memória da infância e da juventude que o
realizador dá a verdadeira medida do seu talento.

<p n=19501>
É a edição portuguesa de «Bouche du Diable», obra já analisada em
pormenor pelo PÚBLICO (edição de 10/3/91). Romance político-policial com
uma poderosa carga fantástica, esta banda desenhada de Boucq e Charyn
constitui um dos grandes acontecimentos editoriais do ano e confirma o
talento superior desta dupla de autores, de quem já foi editado em
Portugal «A Mulher do Mágico».

<p n=19502>
O herói musculado, criado por Robert E. Howard e adaptado pela primeira
vez à banda desenhada por Roy Thomas e Barry W. Smith, continua a
alimentar um filão quase inesgotável de novas histórias, umas mais
conseguidas, outras menos. Este é o sexto volume antológico da versão
espanhola, já em segunda edição, que a Editorial Planeta-De Agostini tem
vindo a propor aos leitores do país vizinho.

<p n=19503>
A edição portuguesa em álbum surge quase 20 anos depois, mas o tempo não
é aqui inimigo da qualidade. Quem teve oportunidade de acompanhar a
história através da edição semanal da revista citada confirmará hoje que
permaneceram incólumes todos os ingredientes que fizeram de «Forte
Navajo» uma grande série, e dos seus autores dois dos expoentes máximos
da banda desenhada europeia contemporânea.

<p n=19504>
Autor de múltiplos talentos e extensa bibliografia, o francês Jean
Sidobre só em 1978 descobre a imprensa erótica, onde faz carreira sob o
pseudónimo de G. Levis. A combinação em doses iguais de sexo e aventura
conferem a este trabalho a preto e branco, também conhecido pelo título
de «Memórias de uma Libertina», um lugar particular na bibliografia do
autor, pouco dado a grandes elaborações narrativas.

<p n=19505>
Há seis anos atrás, Osmarino Amâncio Rodrigues nunca tinha ouvido a
palavra ecologia: «Pensei que fosse alguma sobremesa que eu nunca tivesse
provado.» Mas desde então, os elos do sindicalista brasileiro com o
movimento ecológico proporcionaram-lhe um grande número de inimigos.
Actualmente, tem guarda-costas que seguem todos os seus movimentos -- e
dorme em muitas casas diferentes. Isto constitui uma mudança considerável
na vida deste tímido homem, a quem toda a gente no Brasil chama Osmarino.
Mas muita coisa mudou na floresta equatorial amazónica desde o
assassinato, em 1988, de Chico Mendes, cuja luta para pôr termo à
desflorestação acabou quando um criador de gado local o matou a tiro. A
tragédia galvanizou esforços a nível mundial para salvar a floresta -- e
criou a necessidade de um novo líder. Osmarino foi esse homem.

<p n=19506>
Em 1895, quando os irmãos Lumière fazem as primeiras projecções públicas
do cinematógrafo, a música ocidental estava possuída pelo «acorde do
Tristão». O cromatismo da obra wagneriana levara a um limite que ameaçava
dissolver os fundamentos tonais em que se baseara a música europeia ao
longo de três séculos. Era o momento em que se forjava a grande síntese
final mahleriana, mas também em que o «Prelúdio À Sesta de Um Fauno» de
Debussy anunciava, para o novo século, a modernidade musical.

<p n=19507>
«Silent» dizem os anglo-americanos, «mudo» dizemos nós e outros, para
designar o período anterior à sincronização do som. «Silent» não foi,
antes «mudo», porque se o som estava presente através da música com que
as projecções eram acompanhadas, o que faltava era propriamente a
palavra.

<p n=19508>
Bem podem pensar os nossos realizadores que, quando se trata de um filme
português, o crítico não precisa de fazer mais que tocar de novo o disco
do costume: bela fotografia, lindo acabamento, mas deficiências gritantes
no argumento e na direcção de actores. Pois bem, desta vez é possível
mudar de disco. A fotografia de «Os Cornos de Cronos» não é nada de
especial (apesar de Daniel del Negro ser um excelente fotógrafo), a
sincronização dos diálogos é uma anedota e, de um modo geral, o filme
avulta como um caos eriçado de problemas técnicos. Mas, quanto a
argumento e direcção de actores, temos sem sombra de dúvida um filme
altamente profissional, digno do cineasta que é José Fonseca e Costa. Não
digo que certos diálogos, no plano ideal, não precisassem de uma
reformulação, mas no conjunto a coisa é refrescante. E parabéns a Fonseca
e Costa pelas personagens que conseguiu criar para Inês de Medeiros (que
bem que lhe fica o motivo do Pássaro Azul da «Bela Adormecida»!) e Paula
Guedes.

<p n=19509>
Será de esperar que do contrato da Chandos com Neeme Järvi -- que para a
etiqueta desbravou sistematicamente o reportório orquestral de Dvorák e
Prokofiev e prossegue uma não menos exaustiva exploração das sinfonias de
Chostakovitch e dos poemas sinfónicos de Richard Strauss -- venha a
resultar uma integral das sinfonias, bloco já abundantemente servido pelo
disco mas em que o maestro tem certamente muito a dizer. Mas foi com
«Saul e David» que Järvi primeiro se afirmou como grande intérprete de
Nielsen.

<p n=19510>
É perigoso encontrar um marinheiro de Gibraltar. Corre-se o risco de cair
num grande amor, um amor impossível de viver. Mas como viver privado
disso sem cair na estupidez? Procurando, precisamente. Com fé e
aplicação, mas sem pressa, e concedendo ao objecto da busca a margem
necessária para se escapar. Resta uma possibilidade entre mil de o
alcançar: haverá tarefa mais aliciante?

<p n=19511>
O marinheiro não é um mito, embora o desejo de Anna o transfigure e a
ausência ameace transformá-lo numa abstracção. É um jovem assassino com
uma cicatriz sob os cabelos. Quando a mulher começa a falar dele no
passado, tem frases gloriosas: «... o mundo, orgulhosamente, ainda o
transportava. E como ele honrava o mundo! Era um dos seus habitantes mais
capazes, um conhecedor, em suma, das suas profundezas.» Quantos homens
mereceram tão sublime declaração de amor?

<p n=19512>
Para um país que produz mais de 20 por cento dos gases que ampliam o
efeito de estufa no planeta, os Estados Unidos têm sido lentos a tomar
providências no que diz respeito ao aquecimento global do planeta. Mas,
num relatório saído em meados de Abril, uma comissão da Academia das
Ciâncias americana advertia que a utilização da atmosfera como esgoto
industrial podia, num futuro próximo, alterar as temperaturas entre 1 a 4
graus centígrados e exigia que se tomassem medidas para a limitação das
emissões de gases entre 10 a 40 por cento com um custo mínimo para a
economia. Segundo um economista e professor da Universidade de Yale,
William Nordhaus, «vale a pena fazer pequenos investimentos hoje para
abrandar a alteração do clima e nos prepararmos para ela».

<p n=19513>
Um dos exemplos maiores da importância da Fundação Gulbenkian na
actividade cultural em Portugal são os Encontros de Música Contemporânea,
cuja 15ª edição decorrerá de 30 de Abril a 11 de Maio. Segundo um
comunicado de imprensa, «estes Encontros têm a particularidade de
apresentar uma temática nova e particularmente aliciante: a da relação
entre a música e o cinema, ilustrada com uma série de sete espectáculos
com música ao vivo».

<p n=19514>
Como se ajustam as causas da justiça às teias da lei? Uma visão em grupo
de duas séries televisivas americanas serviu de ponto de partida a um
debate que reuniu, nas instalações do PÚBLICO, o ministro da Justiça, o
Procurador-Geral da República, um advogado, uma cidadã e um preso de
delito comum.

<p n=19515>
A obra deste germânico, um dos mais persistentes e coerentes percursos
das últimas três décadas, trata de duas problemáticas modernas básicas: a
descodificação da própria linguagem da arte e a definição do espaço.
De/Com que elementos se constrói o discurso artístico? O que/como se
representa o espaço na obra de arte? Ou de que modo a experiência do
espaço constitui/constrói a obra de arte? As pequenas peças escultóricas
presentes são pouco representativas e não dão a entender o modo como na
obra mais recente as problemáticas referidas se fundem. Resta-nos a
ilustratividade das aguarelas onde tal cruzamento se torna, pelo
contrário, demasiado óbvio: o lugar do homem e dos seus adereços
civilizacionais (instrumentos/roupas) no espaço das «esculturas», estas
como definidoras dos percursos, poses e atitudes daquele. Frases
aforísticas e denotativas completam o pensamento visual do autor.
Testemunho do trabalho reflexivo do autor, os projectos (reais e
forjados) não alcançam a autonomia necessária.

<p n=19516>
Mais uma estreia portuguesa integrada no Festival. É no Monte Estoril.
Lisboa preferirá teatro francês. Évora receberá a visita de Beckett, em
inglês.

<p n=19517>
Évora verá a famosa «Krapp's Last Tape» de Beckett, agora em inglês. Quem
viu em Lisboa Mário Viegas na «Última Bandana» e Pierre Chabert em «La
Dernière Bande», terá interesse em comparar como soa o mesmo texto em
inglês. Como se sabe, Beckett acompanhou pessoalmente a encenação de
Chabert, que desiludiu muito boa gente quando foi apresentada em Lisboa,
no Trindade, em 7 deste mês. Como perder a oportunidade de comparar três
versões da mesma peça em menos de 15 dias?

<p n=19518>
A revelação foi, para muitos, «Minha Bela Lavandaria», seguida da
confirmação com «Ligações Perigosas», mais brilhante mas mais desigual. E
agora, com «Anatomia do Golpe», temos nada menos do que a consagração de
Stephen Frears como um dos realizadores mais interessantes e
surpreendentes da actualidade. Tudo no filme concorre para um efeito
global devastador, desde o argumento em si (exemplar: só a primeira cena
entre Anjelica Huston e John Cusack merecia um Óscar pela forma como duas
vidas inteiras são decantadas em poucas palavras -- contrastar a primeira
cena entre Carlos Vereza e Paula Guedes em «Os Cornos de Cronos», onde se
tenta o mesmo processo, para se ver a diferença), a «mise en scène», a
admirável fotografia e aquilo em que Frears se revelou logo um mestre em
«Minha Bela Lavandaria», obviamente a superlativa direcção de actores.
Neste capítulo, os três actores são perfeitamente magistrais, dando com
rara subtileza (só a reacção gesticulada de Annette Bening às bofetadas
de John Cusack!) o equilíbrio precário entre dureza e fragilidade que é o
apanágio destas três personagens inesquecíveis. A isto devemos juntar a
adequação total da música de Elmer Bernstein às intenções de Frears
(simbiose especialmente arrepiante no «dueto» final entre Lilly-Jocasta e
Roy-Édipo, onde os arabescos sensuais da banda sonora remetem para a
«Salomé» de Richard Strauss) e a sóbria inevitabilidade da sucessão de
imagens e situações, que caracteriza o filme no seu conjunto, e que o
predestina ao estatuto de clássico. O segundo visionamento do filme criou
tentações de lhe atribuir cinco estrelas. O que fará o terceiro? F.L.

<p n=19519>
EM 1976, numa comarca de província, o juiz ditou a sorte de um casal cujo
julgamento se prolongava havia três dias. Ler a sentença foi, para o
magistrado, apenas mais um acto de rotina. Muitas horas depois, o oficial
de diligências encontrou o mesmo casal sentado no banco dos réus.

<p n=19520>
A questão coloca-se, por exemplo, em relação aos juízes. Entre nós,
acredita-se ainda muito no juiz como uma pessoa completamente
independente só pelo facto de ser juiz. Mas «é importante que haja a
coragem cultural para dizer que as coisas não são assim» -- diz Laborinho
Lúcio. O juiz «não é uma pessoa invulgar, é um homem vulgar a exercer uma
função invulgar». É uma pessoa «tendencialmente independente e que, em
cada momento, tem que fazer um esforço intelectual grande para garantir a
independência em cada caso.» Para o ministro, a independência, «sendo um
valor do sistema, é também um valor psicológico, alguma coisa que tem que
ser construída permanentemente». E o juiz «tem que duvidar sempre da sua
independência para poder ser cada vez mais independente».

<p n=19521>
«Os tribunais são órgãos de soberania com competência para administrar a
justiça em nome do povo», nos termos nº 1 do artº. 205º da nossa
Constituição. E quando se age em nome de alguém, um dos mais elementares
deveres é o de prestar contas...

<p n=19522>
Luxo seria a última palavra que me ocorreria para qualificar este «crime»
de lesa-cinema, sob forma de «comédia» óbvia e grosseira. As sequências
no interior do apartamento das Amoreiras, entre Henrique Viana e Natália
de Sousa, são absolutamente indescritíveis e ficarão na memória, como o
cúmulo do piroso, elevado ao superlativo. Continuar a «bater no
ceguinho»? Para quê? M.J.T.

<p n=19523>
«Hot Town» é, no seu despretensioso testemunho, uma preciosidade a que é
difícil ficar indiferente. Como resistir --para lá das fraquezas de uma
ingenuidade criativa que mais cativa do que afasta -- a amizades musicais
reunidas em torno de nomes tão deliciosos como Fess Williams & His Royal
Flush Orchestra, Ross Deluxe Syncopators, Eddie Johnson's Crackerjacks,
Williamson's Beale Street Frolics Orchestra, Jimmie Lunceford & His
Chicksaw Syncopators, Louis Dumaines's Jazzola Eight, Troy Floyd & His
Shadowland Orchestra, Paul Howard's Quality Serenaders, Andy Kirk & His
Twelve Clouds of Joy, Chas. Creath's Jazz-o-Maniacs ?

<p n=19524>
É verdade que, quando se trata de considerar um «filme de aviação», o
nome de Howard Hawks constitui uma referência irrecusável, e «A Patrulha
da Alvorada», «Ceiling Zero», «Paraíso Infernal» ou «Águias Americanas»
são objectos de constante citação. No entanto, as exigências que o
paralelismo comporta podem ser injustamente limitadoras para um filme
como «Memphis Belle», mais interessado em contar (muito bem) um simples
episódio de guerra e em explorar a vertente documental da acção do que em
analisar profundamente o mundo masculino arvorado em microcosmos e
tecendo toda uma rede de complexas relações. Os momentos máximos da fita
são os das sequências aéreas, graficamente belíssimas, colocando a tónica
sobre a eficácia e a transparência do discurso fílmico. Se se trata de um
«pastiche», ele reside sobretudo no modo como se aceita o lado
propagandístico da ficção de guerra. É que, ao contrário de «Sempre»,
procurando reinventar a partir de uma matriz anterior, «Memphis Belle»
respeita os dados fundamentais do referente de que parte, o documentário
de William Wyler. Mas fá-lo com uma honestidade e um bom-gosto que vão
rareando. Não se trata de uma obra-prima, mas é mesmo assim de visão obri no interior do apartamento das Amoreiras, entre Henrigatória. M.J.T.

<p n=19525>
Ainda recentemente revimos na televisão uma comédia de Ted Kotcheff,
versão modernizada de uma famosa peça de grandes tradições
cinematográficas, «The Front Page». Deixei claro, nessa altura, que o que
fazia de «Linhas Trocadas» (ainda) um filme de inegável interesse era a
indestrutibilidade do argumento. Este «Fim-de-Semana com o Morto» vem
provar à sociedade que, sem um suporte sólido para obviar à sua evidente
falta de imaginação e de disciplina visual, Kotcheff se mostra incapaz de
criar soluções satisfatórias e de ultrapassar a mais rasteira cretinice.
O filme resume-se, assim, a uma atabalhoada comédia de enganos, em torno
de um morto fisicamente sempre em cena, sem ritmo, nem a mínima noção de
«mise-en-scène». O cenário da casa de praia, por exemplo, é malbaratado,
servindo apenas para propiciar «gags» previsíveis e repetitivos. A
direcção de actores é inexistente, limitando-se cada um a debitar os seus
diálogos e a fazer as suas caretas. E a prova mais flagrante da inanidade
deste cansativo exercício de cabotinismo histórico e a inacreditável
sequência da fuga no barco a motor com o «eterno» morto aos trambolhões,
aproximando-se bem mais do riso alvar da série «Com Jeito Vai» ou da
penosa estupidez das «gendarmices» do tristonho Louis de Funès do que da
comédia «screwball», longínquo modelo que se pretendia recriar. M.J.T.

<p n=19526>
São assim as leis do mercado: gravado por um efémero Henri Renaud All
Stars, este novo capítulo das interessantes sessões nova-iorquinas
produzidas pelo pianista francês, nos idos de 50, regressa à estampa em
nome dos dois nomes com nome feito --Bags, o feiticeiro da reinvenção do
vibrafone (depois do reinado de Lionel Hampton) e JJJ, o inventor do
trombone bopper. Adianto já que Jay Jay é uma daquelas vozes que sigo,
sem apelo nem agravo, até ao gira-discos mais próximo. Porque me habituei
a confirmar, com ele, que há homens que não prometem -- porque já fizeram.
Isto é, com JJJ não «espero» ouvir boa música: «sei» que oiço boa música.
E como Milt Jackson é outra das certezas que equilibra as minhas dúvidas,
ouvir este disco tornou-se um hábito a caminho do vício. (Para mais
quando o sax tenor -- Al Cohn -- traz consigo um daqueles sons «não
essenciais», sem os quais seria impossível descobrir os
«indispensáveis»). Só assim -- com a convivência dos «homens comuns», cada
vez mais incomuns -- a aproximação aos deuses não provoca cegueira.

<p n=19527>
Tenho fraquezas de que me orgulho. Porque sinto que me fazem mais forte.
Uma delas chama-se Hank Jones.

<p n=19528>
O que falta a este filme mediano é precisamente a paixão sublinhada pelo
redutor (a falta de imaginação é confrangedora) título português. A
curiosa inversão do mito de Pigmalião, com o triunfo dos valores da
«Galateia proletária», tem óbvios limites e funciona sobretudo porque
Susan Sarandon, uma actriz de extraordinários recursos, constrói uma
personagem de uma tocante força e envolvente sensualidade.
Particularmente memoráveis são o encontro no escuro, em casa de Sarandon,
e a festa em casa dos amigos de Spader. O reencontro final, em Nova
Iorque, falha lamentavelmente, porque o realizador, ao recusar a
simplicidade da «receita» melodramática, opta por um excesso que destrói
o esperado impacte emocional. M.J.T.

<p n=19529>
Ora, era precisamente no sentido do espectáculo que o realizador, e
grande encenador de teatro e ópera, se encaminhava com «Senso».
Independentemente da valoração (e sabe-se como à época ela foi
determinada ideologicamente, quase como uma traição), a ruptura é
incontestável, mas não deixava de haver elementos anteriores que a
indiciavam. Era Visconti ainda assistente de Renoir, e trabalhou ele no
projecto de uma «Tosca» cinematográfica que, devido à guerra, viria a ser
realizada por Carl Koch.

<p n=19530>
Ávidos de desenvolvimento, frequentemente governados por regimes
ditatoriais e corruptos, com baixos níveis de vida e culturais, os países
em vias de desenvolvimento têm sido as principais vítimas da destruição
do ambiente provocada por um crescimento desregrado. Mas ultimamente, à
medida que o nível de consciência cívica vai aumentando, estes países têm
visto surgir movimentos ecologistas organizados, geralmente de âmbito
local, cujas acções começam a ser coroadas de sucesso. Uma equipa de onze
jornalistas da Newsweek fez o retrato da situação em torno do Globo.

<p n=19531>
Este ano, o grupo de Chan está a bater-se pelo fecho da fábrica. «Eu não
creio que nenhum de nós tenha alguma vez tido a intenção de se envolver
nestas coisas por razões políticas», diz Chan. «Mas o problema ecológico
despertou-nos para o facto de existir muito pouca democracia no México.»

<p n=19532>
de desenvolvimento continuarão a aumentar. As organizações não
governamentais estão a revelar uma crescente habilidade política,
aprendendo como conseguir votos, discutir e planear as suas batalhas.
Cada vez mais, estão a dirigir os seus recursos para a educação das
populações e, dado que na sua maior parte são lideradas por aldeões e
trabalhadores, têm grande credibilidade entre as gentes locais. «Nós não
queremos travar todas as pequenas batalhas», diz Maathai, do Quénia. «Mas
queremos despertar a consciência e criar um eleitorado para que, na
próxima vez que nos levantarmos, não estejamos sós.» Em quase todos os
casos, estão a ser bem sucedidos.

<p n=19533>
Tenho falado com várias pessoas que assistiram às suas encenações de
ópera; todas elas ficaram marcadas pelo esplendor da «mise en scène»
viscontiana. Maurizio Pollini, o grande pianista, confiou-me que Visconti
foi um dos dois deuses da sua juventude -- o outro era Maria Callas;
Visconti, encenador de ópera, não o realizador de cinema que,
curiosamente, desconhecia. Para ele, o ideal no domínio das artes de
representação não era utópico: existira, de facto, e ele tinha-o visto,
em 1955, no Scala de Milão: «La Traviata» de Giuseppe Verdi, com
encenação de Luchino Visconti e Maria Callas no papel principal.

<p n=19534>
A Sandra Paula contou-nos algumas histórias suas conhecidas, que também
ilustrou. Escolhemos esta, chamada «O pássaro triste».

<p n=19535>
O jardineiro do palácio gostava da princesa em silêncio e logo soube que
um pássaro que todos os dias pousava no ramo das roseiras preferidas da
princesa era sem dúvida a própria, que tinha desaparecido depois do
casamento do rei com a rainha má.

<p n=19536>
Desafio-vos a fazerem uma pausa no «Superboy» e nas «Tartarugas Ninjas»,
a deixarem a tranquila sala da televisão e a irem até ao cinema King para
assistirem a um verdadeiro deslumbramento cinematográfico.

<p n=19537>
Este original jogo da Accolade simula um pequeno navio de guerra que
patrulha as margens dos rios do Vietname.

<p n=19538>
O rio nasce num recanto fresco. Quando criança, é estreito e turbulento.
Atravessa altos e baixos com insuperável energia. Habitam-no seres ágeis
e musculados, que gostam de movimento e acção. Vamos hoje conhecer alguns
dos mais característicos.

<p n=19539>
Conforme vos prometemos durante este passeio, a que chamámos «Venham daí
conhecer o rio», guardávamos uma surpresa para vos anunciar neste número
de aniversário. É que, independentemente do interesse do tema em si,
todas as informações apresentadas vão aparecer reunidas num jogo,
completamente inédito, divertido e educativo!

<p n=19540>
Em comum, têm o pequeno tamanho dos seus territórios e uma longa história
de independência. Hoje, não se contam lendas, mas apenas um pouco das
histórias de três dos mais pequenos Estados da Europa.

<p n=19541>
Actualmente, os habitantes de S. Marino dedicam-se à agricultura, à
indústria tradicional -- que é o trabalho em pedra -- e sobretudo às
actividades ligadas ao turismo. São governados por dois
capitães-regentes, eleitos de seis em seis meses pelos membros do Grande
Conselho, do qual fazem parte os sessenta homens mais importantes da
terra. É um lugar pacífico e aprazível.

<p n=19542>
Está a decorrer, no Salão dos Bombeiros Voluntários de Porto de Mós, até
10 de Maio, uma Feira do Livro de iniciativa da Associação de Estudantes
da Escola Secundária local.

<p n=19543>
No próximo dia 7 de Maio, serão apresentadas à Comunicação Social as
canções finalistas do IV Festival da Canção Infantil de Setúbal/Costa
Azul, a realizar em Junho.

<p n=19544>
Comuna apoia doentes com sida -- A companhia de Teatro «A Comuna» ofereceu
à Associação de Apoio aos Doentes com Sida a receita integral de uma
sessão do espectáculo «A Terra«. A representação especial terá lugar no
próximo Domingo, dia 28, à 17H00, nas instalações da companhia, junto à
Praça de Espanha em Lisboa.

<p n=19545>
NACIONAL DE HÓQUEI EM PATINS - Resultados da 22ª jornada do campeonato
nacional de hóquei em patins: Sporting, 9-Física de Torres, 2; Académica,
3-Sanjoanense, 3; Porto, 6-Turquel, 4; Oliveirense, 10-Bom Sucesso, 3;
Benfica, 27-Quimigal, 5; Barcelos, 11-Valongo, 3; Paço de Arcos,
6-Juventude de Viana, 9.

<p n=19546>
PNB americano desce -- As previsões dos economistas relativamente ao
Produto Nacional Bruto dos Estados Unidos, nos primeiros três meses de
1991, apontam para uma quebra de 2,6 por cento, reflectindo a debilidade
económica do país, característica de um período de recessão. O
departamento do Comércio deverá revelar hoje os números oficiais.

<p n=19547>
Exército do Iraque retira de Zakho -- O embaixador iraquiano na ONU, Abdul
al-Anbari, afirmou ontem que o seu país retirou todas as forças militares
da cidade de Zakho, para «satisfazer todas as partes». O responsável
iraquiano respondeu desta forma ao «ultimato» aliado, que exigia a saída
imediata das forças de Saddam desta cidade do Norte do Iraque durante o
fim-de-semana, para tornar a área segura para os refugiados curdos.
Anbari afirmou que o grosso das tropas do seu país já abandonou a região
e que apenas 50 polícias permanecem na cidade, «para satisfação de ambos
os lados» (ver página 14).

<p n=19548>
Turquia vende farinha ao Iraque-- O Iraque está a negociar com a Turquia
a compra de um milhão de toneladas de farinha de trigo, avaliadas em 200
milhões de dólares. O responsável pelo Tesouro turco, Namik Kemal Kilic,
afirmou ontem que o negócio será provavelmente concluído já na próxima
semana e surge na sequência do levantamento das restrições ao Iraque
sobre importação de comida, decidida pela ONU o mês passado. « A decisão
da ONU é muito clara. Alimentos e medicamentos, incluindo a farinha de
trigo, estão excluidas das sanções económicas ao Iraque», afirmou Kilic à
agência Reuter, após admitir a venda de mais um milhão de toneladas de
farinha «nos próximos meses».

<p n=19549>
Durão Barroso, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e mediador
da Conferência de Paz do Estoril entre os dois beligerantes angolanos,
afirmou ontem que «continuamos a trabalhar com o fim do mês como data
indicativa» para o termo das conversações.

<p n=19550>
PCUS aprova «medidas excepcionais» -- O «plenum» do Comité Central do
Partido Comunista da URSS adoptou ontem uma resolução que propõe a
instauração, durante um ou dois meses, de medidas de «carácter
excepcional» para fazer face à crise. As medidas prevêem o
restabelecimento e o reforço da unidade dos sistemas do Estado,
financeiro, bancário e orçamental, bem como um contolo severo sobre as
actividades económicas exteriores. A resolução, divulgada com a
designação «Sobre a situação no país e a forma de ultrapassar a crise
económica», apela por outro lado à rejeição e oposição, «de forma
resoluta e por métodos políticos», às tentativas das forças
anti-socialistas de «substituir o regime social, restaurar o capitalismo
e liquidar o sistema de representação socialista» (ver página 16).

<p n=19551>
Cinco anos depois do acidente na central nuclear de Chernobyl, a União
Soviética ainda discute se o desastre provocou os 31 mortos oficiais ou,
como pretendem outras fontes, entre sete e dez mil vítimas. Há mortos de
Chernobyl que continuam por enterrar. Por isso, o nascimento de vitelos
com oito patas, ou mesmo sem cabeça, não parece preocupar a comissão do
parlamento soviético encarregada de investigar os efeitos do acidente,
que levou ao cancelamento de mais de 200 projectos de centrais em todo o
mundo.

<p n=19552>
Quando ocorreu a explosão no reactor nuclear de Chernobyl -- há já cinco
anos --, a Perestroika estava apenas no seu início. Para muitos, o choque
provocado pelo terrível acidente constituiu mesmo um dos detonadores da
«glasnot», a política de abertura e de transparência que tem ajudado a
transformar a União Soviética. Porém, cinco anos depois, ainda
continuamos sem saber exactamente o que se passou e quais as reais
consequências do desastre. Apesar da «glasnot», oficialmente só morreram
31 pessoas. Oficiosamente fala-se em vários milhares. Os textos que hoje
publicamos -- assim como alguns dos impressionantes documentos
fotográficos -- reflectem ainda esta polémica, assim como a dificuldade em
avaliar com rigor o que aconteceu. Se o acidente de Chernobyl de alguma
forma contribuiu para a Perestroika, esta, por seu lado, não foi capaz de
lidar com todas as suas consequências. Sintoma da falência da tecnologia
civil de uma União Soviética que então ainda se arrogava o estatuto de
superpotência, Chernobyl representou também, por isso, o final de uma
era.

<p n=19553>
Depois de Chernobyl, todos os programas de desenvolvimento da energia
nuclear sofreram atrasos, adiamentos ou foram mesmo suspensos. Uma
opinião pública já alerta ganhou novos e poderosos motivos para se
preocupar. E as novas exigências de segurança das centrais nucleares
contribuíram para que estas se tornassem cada vez mais caras, num período
de energia relativamente barata. O nuclear parecia ferido de morte.

<p n=19554>
Anatoly Stipanich aponta para a poça de água, na praça de cidadezinha de
Termolina, a 200 quilómetros de Moscovo: «Está verde e amarela. Antes era
transparente.» Foi olhando para a cor da chuva e das batatas, vendidas no
mercado local, que Stipanich soube que algo mudara depois do acidente na
central atómica de Chernobyl, há exactamente cinco anos. «As verduras já
não são as mesmas«, diz ele. «Nada cresce bem por aqui.»

<p n=19555>
Hoje, ao comemorarem o quinto aniversário da explosão na central atómica,
os soviéticos acrescentaram à sua longa lista de queixas contra o
Presidente Mikhail Gorbatchov mais uma: a de ter ocultado a verdade sobre
as dimensões do desastre, que matou na altura 32 pessoas. Na época, só se
falava em 135 mil vítimas da radiação -- todas a viver nas proximidades da
central, na república da Ucrânia. Hoje, sabe-se que as vítimas são pelo
menos 4820 mil. Destas, apenas 1002 mil são da Ucrânia, morando a maior
parte nas repúblicas vizinhas: 1854 mil na Bielorrússia e 1965 mil na
Rússia.

<p n=19556>
A catástofe de Chernobyl revelou de uma forma espantosa a fragilidade das
técnicas e da tecnologia de ponta soviéticas. Foi um espelho tanto mais
fiel dessa realidade, quanto coincidiu com esse período de «glassnost»,
que implicou uma certa transparência da informação, incluindo no que diz
respeito aos acontecimentos do passado.

<p n=19557>
Apenas nos anos de 1989 e 1990, várias catástrofes sérias  na indústria
química provocaram numerosos mortos. Recentemente,o recém-nomeado
Ministro encarregado do controlo e da segurança nos sectores da indústria
e da energia atómica, Vladimir Malychev, reconheceu terem-se verificado
mais de 150 nos últimos 18 anos. As fugas nos gasodutos e nos oleodutos
são cada vez mais frequentes. Foram construídos à pressa, muitas vezes
nem sequer estão equipados com sistemas automáticos de detecção de fugas
e os serviços de vigilância não dispõem de aviões nem de helicópteros
para garantirem uma controlo digno desse nome.

<p n=19558>
Há mortos do acidente nuclear de Chernobyl que ainda estão por enterrar.
Às 31 vítimas oficiais, alguns soviéticos com responsabilidades no
programa de descontaminação da área contrapõem sete a dez mil mortos. Mas
uma coisa é certa: cinco anos depois, o acidente já custou à União
Soviética 5240 milhões de contos, cerca de metade do dinheiro que o país
tem para gastar este ano na investigação científica e tecnológica.

<p n=19559>
«Estamos a fazer um livro negro coligindo todos os nomes. Os números
serão milhares de vezes mais altos do que os divulgados oficialmente»,
afirmou Vladimir Chernousenko, director científico da área selada de mil
quilómetros quadrados em redor do reactor, no passado dia 18 de Abril,
numa conferência de imprensa em Londres,

<p n=19560>
À 01h23 de 26 de Abril de 1986, hora local (21h23 TMG do dia 25 de Abril
de 1986), dá-se uma explosão no reactor número quatro do complexo nuclear
de Chernobyl, na Ucrânia, URSS. O incêndio que imediatamente se declara
provoca uma destruição parcial do coração do reactor que, no momento,
funcionava a apenas sete por cento da sua potência normal, pois
encontrava-se em fase de descarga-recarga de combustível.

<p n=19561>
No dia seguinte, 27 de Abril, o incêndio está extinto, mas o coração do
reactor continua a funcionar. Por volta das 14h00, a evacuação começa.
Quarenta mil pessoas sentam-se nos 1100 autocarros que formam uma coluna
de 27 quilómetros de extensão. São-lhes feitas medições de
radioactividade e os casos mais graves são enviados directamente para o
centro de radiologia e de cancerologia de Kiev.

<p n=19562>
Morrem crianças, a água está envenenada -- mas o desastre de Chernobyl
ainda continua envolto em secretismo

<p n=19563>
A 26 de Abril de 1986, uma explosão no complexo energético de Chernobyl
libertou uma enorme nuvem radioactiva. Passados cinco anos, o domínio de
Chernousenko é uma zona proibida com um raio de 30 quilómetros em volta
do reactor fatal, enterrado debaixo de uma camada de cimento que já
apresenta falhas. Trata-se de um perímetro exclusivo, guardado por forças
de segurança próprias, um enclave retirado ao território de duas
repúblicas soviéticas, sob o controlo supremo do KGB.

<p n=19564>
Cinco anos depois do acidente na central nuclear de Chernobyl, a União
Soviética ainda discute se o desastre provocou os 31 mortos oficiais ou,
como pretendem outras fontes, entre sete e dez mil vítimas. Há mortos de
Chernobyl que continuam por enterrar. Por isso, o nascimento de vitelos
com oito patas, ou mesmo sem cabeça, não parece preocupar a comissão do
parlamento soviético encarregada de investigar os efeitos do acidente,
que levou ao cancelamento de mais de 200 projectos de centrais em todo o
mundo.

<p n=19565>
O dia de sábado foi dado pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França como
prazo limite para Bagdad retirar as suas forças da cidade de Zakho, no
Norte do Iraque, sob controlo dos aliados. A presença dos soldados
iraquianos, dizem os aliados, assusta os refugiados curdos e já ontem
ocasionou um pequeno incidente com soldados britânicos. Em Bagdad, o
líder curdo Jalal Talabani selou com dois beijos em Saddam um
entendimento com o líder iraquiano.

<p n=19566>
Mikhail Gorbatchov colheu tudo e todos de surpresa e ensaiou uma jogada
que já aplicara antes com êxito: propôs demitir-se e viu o partido
rejeitar esmagadoramente essa «sugestão». Sem ninguém para o substituir,
o partido faria um verdadeiro «hara-kiri» político se aceitasse a
demissão do número um soviético. Depois do acordo conseguido na véspera
com o rival Boris Ieltsin, o Presidente da URSS vê a sua posição mais
reforçada.

<p n=19567>
A Comissão Parlamentar de inquérito aos perdões fiscais concedidos pelo
secretário de Estado Oliveira e Costa deverá centrar esforços
particularmente no controverso processo da Cerâmica Campos, de Aveiro.
Além disso, está a ser feita uma triagem para averiguação de quais os
processos verdadeiramente inno esclarecimento do caso.

<p n=19568>
Pela primeira vez depois do 25 de Abril, no dia aniversário da revolução,
os católicos começaram a debater ontem, em Lisboa, as implicações
políticas e económicas da doutrina social da Igreja. Até domingo, 700
participantes aproveitam a oportunidade da palavra que lhes é dada, para
se pronunciarem sobre acção política dos cristãos na sociedade
portuguesa.

<p n=19569>
Muitas universidades norte-americanas precisam de transformar
radicalmente a forma como ensinam a Matemática aos estudantes, concluiu
um relatório da comissão para as Ciências Matemáticas no Ano 2000 do
«National Research Council», um organismo independente norte-americano. O
documento, intitulado «Por detrás dos mitos: revitalizar o ensino da
Matemática no ensino médio» sublinha que o sucesso na disciplina é
possível, dependendo dos fundos, do empenhamento e dos programas
empregues.

<p n=19570>
O documento aponta também uma série de deficiências nos actuais programas
de Matemática e métodos de ensino, entre as quais a falta de preparação
dos estudantes e as pedagogias ultrapassadas. A utilização de
computadores nas aulas de Matemática não é frequente, ao contrário do que
sucede em muitas outras disciplinas.

<p n=19571>
O Ministério da Educação prevê que o problema da falta de escolas esteja
definitivamente resolvido a meio da década de 90, com a criação de 300
mil novos lugares no ensino preparatório e secundário. Para o secretário
de Estado-Adjunto do ministro da Educação, Alarcão Troni, a prioridade
estratégica dos anos 90 em matéria de contruções escolares será agora o
investimento na rede pública das universidades e institutos politécnicos.

<p n=19572>
São muitas as vantagens da utilização do jornal na sala de aula. Mas será
aceitável admitir qualquer género de imprensa na escola? A resposta do
PÚBLICO foi dada através de um manual que tenta construir uma ponte entre
os acontecimentos do dia-a-dia e a sala de aula.

<p n=19573>
Com o objectivo de dotar a Escola Profissional de Gestão e Tecnologias
Marítimas de meios técnicos e humanos que permitam o seu normal
funcionamento, foi assinado na passada quarta-feira um protocolo de
cooperação entre a Universidade do Algarve e este estabelecimento de
ensino, noticiou a agência Lusa. Criada em Agosto de 1990, na sequência
da realização de um contrato-programa entre o Gabinete de Educação
Tecnológica, Artística e Profissional e o Sindicato Democrático das
Pescas, a Escola de Gestão e Tecnologias Marítimas funciona em
instalações provisórias em Quarteira e é frequentada por 56 alunos.
Quando as instalações definitivas estiverem prontas, o que deverá
acontecer até ao Verão, os estudantes terão acesso a laboratórios de
informática, química, oceanografia, biotecnia e navegação, entre outras
áreas.

<p n=19574>
Pouco se sabe da vida do autor da peça «La Duchesse de Malfi», John
Webster, dramaturgo do período isabelino. A peça -- que estreou em Paris,
no Théâtre da la Ville, numa encenação do sempre controverso Matthias
Langhoff -- é um amontoado de horrores, mas a sua construção denota um
rigor intelectual sem defeito. A construção filosófica da intriga é
trabalhada com grande crueza de linguagem, a qual se refere directamente
a todos os temas da sexualidade. O desejo, o erotismo, a cupidez e a
morte transparecem nas palavras, na sua musicalidade.

<p n=19575>
A pianista Carla Bley e o baixista Steve Swallow estarão juntos e ao vivo
em dois espectáculos: o primeiro, hoje às 21h30, no Teatro Rivoli , no
Porto; amanhã, às 21h30, no Teatro S. Luiz, em Lisboa. Um dueto talentoso
que, quer nos seus personalizados percursos individuais, quer nos
caracterizados pela colaboração mútua, tem obtido grandes sucessos.

<p n=19576>
O apelido «Bley» foi herdado do casamento com o pianista Paul Bley, para
e por quem foi incentivada a escrever. Após a separação, manteve o Bley,
mas musicalmente operou mudanças, enveredando abertamente pela exploração
do piano e mais tarde do órgão.

<p n=19577>
No antigo solar do Lalém, que a Associação Cultural e Recreativa «A
Balada» transformou em espaço de música e de letras, o III Encontro de
Escritores Açorianos começou quinta-feira, com uma homenagem a Gaspar
Frutuoso.

<p n=19578>
Os organizadores do Encontro consideram que o aspecto mais importante
desta iniciativa é o convívio entre os escritores dos Açores (ou com
ligações aos Açores) que andam quase sempre dispersos. E essa dispersão
vai dos Estados Unidos à Europa, com passagem por qualquer ilha do
arquipélago. Mas, para além desse «convívio salutar», o encontro tem
vindo a ser um dos locais privilegiados de discussão da realidade e
problemas da literatura insular, seja ela produzida dentro ou fora das
ilhas.

<p n=19579>
Uma das mais importantes aquisições de obras de arte portuguesa
contemporânea -- 27 ao todo, entre pintura, desenho e escultura, de 15
artistas plásticos - feita este ano teve como objectivo decorar as
instalações do Parlamento Europeu em Bruxelas, Estrasburgo, Luxemburgo e
Lisboa, informou um porta-voz do Parlamento Europeu em Lisboa, Nuno Antas
de Campos.

<p n=19580>
Instituições como a Caixa Geral dos Depósitos, Ministério das Finanças e
Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento cederam temporariamente
obras suas (de Álvaro Lapa, António Dacosta, Joaquim Rodrigo, Manuel
Rosa, Paula Rego, Pedro Casqueiro e Pedro Portugal) ao Parlamento
Europeu, com o mesmo objectivo das obras adquiridas, ou seja, decorar as
instalações daquela instância comunitária.

<p n=19581>
Na agenda do suplemento Fim-de-semana de ontem anunciava-se a realização
de dois concertos de Van Morrison, nos dias 26 e 27 de Abril, no Teatro
Municipal de S. Luíz, em Lisboa. A notícia não corresponde à verdade. Os
concertos estavam incluídos na agenda cultural da Câmara Municipal de
Lisboa para o mês de Abril e embora tenham sido cancelados, até à hora do
fecho do referido suplemento não chegara aviso disso.

<p n=19582>
Mas há a meio do espectáculo uma sequência que escapa a esta
«teatralidade» e opta pelo registo burlesco. Em cena estão três militares
(capitão, cabo e raso) que travam entre si um diálogo revelador do
mal-estar que a instituição militar angolana sente; diálogo que nos dá da
tropa uma visão irónica e por vezes caricatural; cresce nas bocas dos
militares um discurso céptico, desencantado, e uma crítica sardónica aos
chavões da propaganda. Recorrendo à obscenidade e a um humor que vai do
poético ao grosseiro, esta sequência aponta para uma estética muito
africana que pode ter futuro no teatro angolano. É de crer que Nôa Wete
venha a produzir nessa linha uma obra não só interessante mas até
inovadora, ousada, original.

<p n=19583>
Os Durutti Column actuam hoje pela segunda noite consecutiva no Teatro S.
Luiz, em Lisboa. No Porto, o concerto está marcado para o Coliseu,
terça-feira próxima. Anteontem, em Coimbra, o duo Vini Reilly-Bruce
Mitchell, acompanhado por Paul Miller, no «sampler», esgotou o Teatro Gil
Vicente.

<p n=19584>
Da extensa discografia da banda de Vini Reilly, o fabuloso e bucólico
«Another Setting» foi outra das referências constantes, e «Amigos em
Portugal» (gravado em Paço de Arcos e publicado pela Fundação Atlântica
em 1983 ) um dos álbuns excluídos deste concerto integrado no programa
geral da Queima das Fitas de Coimbra.

<p n=19585>
Foi menos abundante do que estava programada a participação espanhola no
«Fazer a Festa», mas chegou para dar uma ideia de como é diversificada a
oferta (e, portanto, a procura) do lado de lá da fronteira.

<p n=19586>
E «Una del Oeste», o espectáculo do Cocktail Teatro Pirata de Madrid
implica uma certa cultura, não geral, mas especial. Mostra a rodagem de
um «western spaghetti», com o inevitável «cow-boy», a cantora de cabaré,
um índio chicano, uma «script-girl» e um realizador. O realizador dirige,
a cantora canta; o «cow-boy» é italiano, pusilânime, não percebe a língua
em que está a representar, confunde tudo e obriga a muitas repetições; o
chicano é inimigo figadal dos ianques e a «script-girl» consegue realizar
o seu grande sonho: dobrar, na cena final do beijo, a cantora que cai
inconsciente, depois de ter ingerido suporíferos em vez de excitantes.
Foram precisos figurantes e alguns espectadores subiram ao palco,
vestidos de poncho e sombrero.

<p n=19587 assunto=desporto>
O Instituto da História de Arte, da Faculdade de Letras de Lisboa,
promove a realização, nos próximos dias 8 e 9 de Maio, de um colóquio
sobre História da Arte, durante o qual serão apresentadas as dissertações
dos primeiros mestrados realizados na instituição. No primeiro dia, após
a introdução do coordenador do curso de mestrado, Mendes Atanázio,
haverá, de manhã, a apresentação dos trabalhos de Lina Oliveira Marques
(«O Claustro do Mosteiro de Santa Maria de Belém») e de João C. Marques
(«O Convento de Nossa Senhora da Assunção de Faro»); de tarde, será a vez
de Fernando Jorge Grilo («Andrea Sansovino em Portugal no tempo de D.
Manuel I»), Maria do Rosário Gordalina («O Claustro da Abadia Florentina
e os Frescos do Pintor João Gonçalves») e Manuel C. Branco («A Construção
da Graça de Évora -- Contexto Cultural e Artístico»). No dia 9, de manhã,
apresentarão comunicações: Ernesto A. Jana («O Convento de Cristo em
Tomar e as obras durante o período Filipino») e Maria de Lurdes R. da
Silva («A Reedificação da Igreja de Santo António em Lisboa: Espaço,
Arquitectura, Programa (1755-1812)»). De tarde, intervirão Pedro A.
Xavier («A Iconografia Funerária no Barroco e o Túmulo do Bispo de
Miranda na Capela da Vista Alegre») e Maria João Baptista Neto («O
Restauro do Mosteiro de Santa Maria da Vitória 1840-1900»).

<p n=19588>
O chefe do departamento de futebol do Sporting, Álvaro Braga Júnior,
manifestou ao PÚBLICO a sua «total solidariedade com o treinador», pelo
que, «se os dois não se entenderem antes do treino de amanhã (hoje), a
sequência lógica para a situação criada será a instauração de um processo
disciplinar a Douglas». «De qualquer forma» -- prossegue o dirigente
«leonino» -- «estas são questões do foro interno da equipa e é no seu seio
que devem ser resolvidas».

<p n=19589>
A Taça dos Campeões «nasceu» em 1955 na redacção do jornal «L'Équipe». A
ideia era só uma: o Stade de Reims precisava de uma prova de prestígio
internacional para a sua glória. O Real Madrid, vencedor das primeiras
cinco edições, estragou a festa aos franceses que nunca conseguiram
ganhar a Taça que inventaram. Este ano, só o Estrela Vermelha de Belgrado
poderá impedir que se cumpra a ideia original da mais importante
competição europeia de clubes.

<p n=19590>
Aquela que é hoje a mais importante competição europeia de clubes
disputou-se pela primeira vez em 1955/56, numa organização do jornal
francês «L'Équipe» que pretendia ver consagrada internacionalmente a
famosa equipa gaulesa do Stade de Reims (vencedora da Taça Latina em
1953), onde pontificavam jogadores como Koppa e Hidalgo. É, pois, a Taça
dos Campeões, na sua origem, uma ideia francesa de criar uma competição
que seria ganha, tudo o indicava, por uma equipa francesa.

<p n=19591>
A pretexto da tranquilidade dos seus homens, Eriksson, treinador do
Benfica, optou pelos treinos à porta fechada durante a semana que
antecedeu o jogo do título, nas Antas, frente ao FC Porto. Apenas o
treinador sueco tem falado aos jornalistas, utilizando um discurso
evasivo e evitando comentar o clima que se criou à volta deste jogo e que
poderá marcar o seu futuro no Benfica.

<p n=19592>
Sobre o clima que envolve o jogo e atendendo aos acontecimentos que
envolveram a sua equipa no último jogo das Antas, o técnico sueco disse
que já falou com os seus jogadores: «O importante é que vamos lá fazer um
jogo de futebol. E vamo-nos concentrar para fazermos um bom jogo.» De
resto, sobre a eventualidade de um ambiente intimidatório para a sua
equipa, afirma: «Não tenho ideia disso. Absolutamente.»

<p n=19593>
A perspectiva da utilização dos jogos como uma série de actividades
destinadas ao preenchimento de lacunas em lições ou totalmente
desprovidas de sentido há já algum tempo que vem sendo ultrapassada. Para
quantos fazem do recurso aos jogos uma prática corrente, a compreensão de
que podem ser utilizados de uma forma construtiva há muito que é uma
realidade.

<p n=19594>
São 140 os jogos descritos, portanto um número apreciável de sugestões, o
que facilita a tarefa de escolher ou de encontrar sempre um diferente.
Alarga-se, assim, a amplitude da selecção, o que permitirá -- nas palavras
dos próprios autores -- «variar a lista dos jogos, evitando que se sirva
sempre o mesmo prato com acompanhamento diferente».

<p n=19595>
O Manchester United poderá ser multado em 32 mil dólares (4800 contos),
se apresentar jogadores suplentes nos jogos da Liga inglesa ainda por
disputar. O Manchester United está apurado para a final da Taça das
Taças, em Roterdão, no dia 15 de Maio, tendo por adversário o Barcelona.
«As regras são claras e os clubes sabem quais são as consequências»,
declarou o porta-voz da Liga, Andy Williamson. Entretanto, três empresas
de «ferries» -- Sealink Stena, North Sea Ferries e Olau Line -- anunciaram
já que se recusarão a transportar adeptos deste clube para a Holanda.

<p n=19596>
O ex-campeão olímpico norte-americano Mark Spitz, de 41 anos, defronta
hoje, na Califórnia, o seu compatriota Matts Biondi. Esta será a segunda
prova de Spitz após um período de 19 anos sem competir. Depois de ter
sido derrotado, no passado dia 13, nos 50 metros mariposa por Tom Jager,
recordista mundial nos 50 metros livres, Spitz não terá por certo tarefa
fácil no confronto com Matts Biondi, pentacampeão olímpico e vice-campeão
olímpico e mundial nos 100 metros mariposa, precisamente a prova em que
Spitz pretende ser apurado para as Olimpíadas de 92, em Barcelona.

<p n=19597>
Carlos Valente, 44 anos, é já uma figura deste FC Porto-Benfica. O
árbitro da AF Setúbal, antigo jogador da antiga CUF, iniciou-se na
arbitragem no ano de 1973. Um Alcochetense-Vasco da Gama foi o primeiro
jogo que dirigiu. Hoje é árbitro internacional e conta com dois
«Mundiais» no seu extenso palmarés. É o sócio nº 1405 do «glorioso»
Barreirense.

<p n=19598>
O árbitro do jogo, que provavelmente vai decidir quem será o próximo
campeão, não esconde nenhum pormenor do seu programa neste fim-de-semana.
«Vou de combóio para o Porto, vou no combóio das cinco». E fornece
pormenores: «Quando chegar a Campanhã tenho à minha espera um carro que
já aluguei, vou para o Hotel, janto e regresso ao quarto».

<p n=19599>
Os novos Citroën ZX surpreendem positivamente pela qualidade dos
materiais utilizados e pelo bom comportamento em curva. Com uma gama
finalmente completa, aquela marca pretende agora aumentar a sua
implantação.

<p n=19600>
Em relação aos Citroën ZX, o que mais impressiona é a qualidade geral
conseguida, muito à frente dos últimos lançamentos da marca do «double
chevron». Os materiais utilizados tanto nos interiores como na carroçaria
-- a espessura da chapa é superior -- são de bom nível. Exemplifique-se com
o tablier, feito num material à altura até do XM, só sendo pena o rebordo
do painel de instrumentos, num plástico de pior qualidade. As linhas do
ZX são originais, o que até é normal na Citroën, sem no entanto levarem
longe demais a audácia. Também aqui se nota a tentativa de ir ao encontro
de clientes que não estão habituados à «diferença Citroën».

<p n=19601>
Jaime Magalhães, João Pinto e o júnior Bino regressaram ao lote dos
convocados de Artur Jorge, em vésperas do jogo decisivo de amanhã, frente
ao Benfica. Bandeirinha, lesionado, não consta da lista.

<p n=19602>
Jaime Magalhães terá assim convencido o técnico a chamá-lo ao jogo,
criando-lhe uma «dor de cabeça», já que poderá pôr em dúvida a inclusão
como titular do checo Vlk. Deste modo, Artur Jorge poderá optar por
colocar Jaime Magalhães na direita do meio-campo, desviando para a
esquerda Jorge Couto -- que, depois do golo e da exibição na segunda parte
em Alvalade, deve ser indiscutível. Vlk, apesar de também ter estado a
bom nível em Alvalade, ainda não está a cem por cento e o ritmo de jogo
dos centro-campistas do Benfica tem pouco a ver com os do Sporting. Daí a
dúvida, que só será desfeita amanhã, à hora do jogo.

<p n=19603>
O Campeão do Mundo de Ralis, Carlos Sainz, começará, amanhã, a Volta à
Córsega -- prova do Campeonato do Mundo -- sob o signo do azar. De facto, o
piloto espanhol viu os seus treinos da prova francesa prejudicados por
ter partido por três vezes o motor do Toyota Celica GT-Four. «Nem
acredito em tanto azar. Não consegui experimentar nada», lamentava-se
Sainz que vê no francês Didier Auriol (Lancia) o seu grande rival.

<p n=19604>
Já ninguém duvida, quando faltam três jornadas para acabar o «Nacional»
da II Divisão (Zona Centro), que um dos «cinco» do concelho de Tomar
subirá à I Divisão na próxima época. Quer o Santa Cita quer o Sporting de
Tomar acreditam na subida. Se não for já hoje, poderá ser na liguilha.
Mas a subida directa à I Divisão decidir-se-á no jogo a disputar hoje, no
pavilhão Municipal de Tomar, no jogo que vai pôr frente a frente as
equipas do Sporting de Tomar e o Santa Cita.

<p n=19605>
A Federação Internacional de Futebol (FIFA) parece, finalmente, receptiva
à ideia de pôr termo a um conservadorismo secular. Em causa está a lei do
fora-de-jogo, que poderá passar a ser aplicada numa zona muito restrita
do campo, ao contrário do que sucede hoje.

<p n=19606>
O objectivo desta alteração, para já a título experimental, é verificar
se a abolição do fora-de-jogo na zona do meio-campo poderá dar uma maior
liberdade de actuação aos jogadores e oferecer, sobretudo aos atacantes,
mais espaço para acções individuais, com as quais deveria aumentar o
número de situações de golo. Na verdade, algumas equipas, procurando
tirar o máximo proveito da lei em vigor, elaboraram entretanto um
refinado sistema de exploração do fora-de-jogo -- na maior parte das vezes
bem próximo da linha divisória do meio-campo -- que não só trava a fluidez
do jogo como reduz, na prática, o espaço de manobra.

<p n=19607>
Pedro Chaves não conseguiu, em Imola, pré-qualificar-se para os treinos
oficiais para o G.P. de San Marino, terceira prova do «Mundial» de
Fórmula 1. Desta feita, não foi só a falta de um motor mais potente que
deitou tudo a perder, já que o piloto português apenas realizou seis
voltas, antes de ficar parado em plena pista, com a caixa de velocidades
partida.

<p n=19608>
Agora, resta ao piloto português esperar novos apoios que poderão
aparecer das negociações que têm vindo a ser efectuadas com a TAP, a
Efacec e a Marconi. Pretende-se, em primeira análise, arranjar uma verba
que permita à Coloni dispor dos motores Cosworth preparados por Brian
Hart, mais potentes que os Langford & Peck utilizados actualmente. Para
isso é necessário reunir cerca de dez mil contos por motor. Quanto à
próxima prova, nas ruas de Mónaco, Chaves parece confiante: «Já lá dei
uma volta de carro e estou curioso como será num F.1. Acho que aí há mais
possibilidades, mas não me posso esquecer de que vou defrontar pilotos
como o De Cesaris que já tem mais de dez anos de F.1 e de G.P. do
Mónaco».

<p n=19609>
Famalicão aflito recebe Guimarães - O Guimarães defronta hoje, às 16h00,
o Famalicão, em encontro antecipado da 34ª jornada do Campeonato Nacional
de Futebol da I Divisão e tem toda a necessidade de conseguir, neste
jogo, os dois pontos, para se manter na luta pela permanência na divisão
maior. O Famalicão, que ocupa o último posto da tabela com apenas 25
pontos, precisa de conquistar sete pontos nas cinco jornadas que faltam a
este «Nacional», se não quiser ser despromovido e, para além deste, tem
pela frente encontros com o Penafiel, o Salgueiros, o Boavista e o
Belenenses. Para este «derby» minhoto, João Alves, treinador do Vitória --
que tem ainda de receber o Braga e de se deslocar a Chaves, para depois
defrontar o Tirsense e terminar a época frente ao FC Porto --, convocou
Jesus, Madureira, Nando, Cerqueira, Bené, Jorge, Basílio, Carvalho, René,
N'Dinga, Basaúla, Soeiro, Fonseca, João Batista, Caio Júnior, Chiquinho e
Peixoto. Abel Braga chamou para estágio Figueiredo, Chiquinho, Lula, Ben
Hur, Tanta, Leomir, Carlos Miguel, Fernando Gomes, Cacioli, Menad,
Hassan, Domingos Gomes, Soares, Porfírio, Baía, Cristovão, Paulo Ferreira
e Luís Carlos.

<p n=19610>
Segundo o documento da CNCF, o projecto de diploma que está a ser
preparado visa assegurar que «o acesso de agentes públicos mediante a
exibição de cartões de livre ingresso será excepcional e limitado,
nomeadamente através das seguintes medidas: adopção de um modelo único a
emitir por uma só entidade; atribuição exclusiva a agentes com funções de
fiscalização; fixação de um número máximo de cartões a emitir
anualmente».

<p n=19611>
1. Uma das características dos clubes desportivos no nosso país -- pelo
menos daqueles de maior dimensão e maior número de associados -- é o
eclectismo, entendendo tal como a prática de diversas modalidades por
equipas representativas de cada colectividade. Este eclectismo teve, até,
embora de limitada expansão, tentativas de massificação da prática
desportiva, sobretudo nas grandes cidades.

<p n=19612>
a) Uma faixa dedicada à alta competição, onde o nosso país ombreia com os
melhores resultados a nível mundial;

<p n=19613>
A proclamação, pelo senhor ministro da Educação, de 1991 como ano da
ética do desporto veicula um convite à reflexão sobre certos
desenvolvimentos na organização, condução, promoção, apresentação e
prática do desporto, pouco consentâneos com a afirmação de princípios
essenciais deste fenómeno. A reflexão ética é urgente, mas não é fácil.

<p n=19614>
Assim, desportistas proeminentes surgem ao lado de políticos sorridentes,
mas sérios, de homens de negócios em atitude de exaltante generosidade,
de personalidades ligadas ao movimento olímpico com um ar idílico e
embebecido, presas a conceitos de desporto há muito tempo ultrapassados.
Todos eles se apresentam como «apóstolos da moral do desporto» e, por
extensão, apóstolos da moral das nações. Ficam no esquecimento, ou
confinados a um papel secundário, os factores e condições marcantes e
decisivos da estrutura e do funcionamento do desporto.

<p n=19615>
O português Pedro Lamy ficou na terceira posição, na primeira sessão de
treinos para a corrida de Fórmula Opel-Lotus que amanhã se disputará,
integrada no programa do G.P. de San Marino. Esta será a segunda corrida
do troféu europeu de F. Opel-Lotus.

<p n=19616>
Numa altura em que os descapotáveis já reconquistaram toda a popularidade
de que gozaram há alguns anos, também a Renault não resistiu à tentação
de apresentar a versão «cabriolet» de um dos seus modelos mais vendidos,
o R19.

<p n=19617>
A transmissão do Grande Prémio de Fórmula 1 de San Marino, em Imola, e as
incursões ao Estádio das Antas, para os lances mais importantes do FC
Porto-Benfica, estarão em destaque no Canal 2 da RTP. Transmissão do
Campeonato Europeu de Estrada, que se realiza na Mealhada. No Campeonato
Nacional de Andebol, teremos o encontro Benfica-Francisco de Holanda.

<p n=19618>
Fórmula 1 -- Transmissão directa dos treinos oficiais do Grande Prémio de
Fórmula 1 de San Marino (Imola).

<p n=19619>
O «Nacional» de Velocidade desloca-se este fim-de-semana para o norte do
país, para a realização do Circuito de Vila Real/Casas do Douro, prova
pontuável não só para os agrupamentos de turismo e produção, mas também
para os Troféus Renault Clio Galp e BMW/Mobil. Este será o primeiro
encontro da época com os circuitos citadinos do Norte que, devido às suas
particularidades, costumam proporcionar corridas bem interessantes.

<p n=19620>
Quanto ao agrupamento de turismo, o panorama não é muito animador, pois
serão poucos os carros verdadeiramente competitivos. Carlos Rodrigues e
Ni Amorim (ambos em Ford RS500) são os principais candidatos à vitória,
com este último a ter já o seu carro em perfeitas condições, segundo
disse ao PÚBLICO: «Já chegou de Inglaterra material para proceder à
substituição do diferencial e tramsissão que partiram no Estoril, pelo
que estou esperançado em fazer uma boa corrida». Também com hipóteses na
luta pela vitória estarão Jorge Petiz e Jorge Félix, ambos em BMW M3 e
António Barros (Ford RS500).

<p n=19621>
O «Nacional» de Velocidade desloca-se este fim-de-semana para o norte do
país, para a realização do Circuito de Vila Real/Casas do Douro, prova
pontuável não só para os agrupamentos de turismo e produção, mas também
para os Troféus Renault Clio Galp e BMW/Mobil. Este será o primeiro
encontro da época com os circuitos citadinos do Norte que, devido às suas
particularidades, costumam proporcionar corridas bem interessantes.

<p n=19622>
Quanto ao agrupamento de turismo, o panorama não é muito animador, pois
serão poucos os carros verdadeiramente competitivos. Carlos Rodrigues e
Ni Amorim (ambos em Ford RS500) são os principais candidatos à vitória,
com este último a ter já o seu carro em perfeitas condições, segundo
disse ao PÚBLICO: «Já chegou de Inglaterra material para proceder à
substituição do diferencial e tramsissão que partiram no Estoril, pelo
que estou esperançado em fazer uma boa corrida». Também com hipóteses na
luta pela vitória estarão Jorge Petiz e Jorge Félix, ambos em BMW M3 e
António Barros (Ford RS500).

<p n=19623>
A Euroleasing -- sociedade portuguesa de locação financeira, aprovou em
assembleia geral, realizada no dia 22 de Março, o relatório de gestão e
as contas, relativos ao exercício de 1990. Na reunião foi ainda aprovada
a aplicação de resultados. Cerca de 42 mil contos foram destinados para
reserva legal, e 164 mil contos para reservas livres. Os accionistas
serão contemplados com 200 mil contos, a distribuir na forma de
dividendos, estando um montante de 15 mil e quinhentos contos reservado
para os colaboradores da empresa. Na assembleia deliberou-se ainda a
emissão de um, ou mais empréstimos obrigacionistas, até ao montante
máximo de oito milhões de contos, durante o exercício de 1991.

<p n=19624>
As dezenas de milhões de dólares despendidos pelas diversas cadeias de
televisão na cobertura da crise do Golfo Pérsico esvaziaram as finanças
das três maiores companhias norte-americanas, a ABC, a NBC e a CBS.

<p n=19625>
Devido à assembleia anual de cambistas, que se está a realizar no
Funchal, o mercado doméstico esteve hoje sem movimento de realce,
efectuando-se apenas operações de clientela.

<p n=19626>
A Comissão Europeia vai propôr brevemente aos Doze um programa de ajuda à
diversificação e reconversão da indústria têxtil da Comunidade que poderá
rondar os 400 milhões de ECUS (cerca de 72 milhões de contos) e que
deverá reverter, na sua maior parte, a favor de Portugal.

<p n=19627>
Volume de transacções estável no mercado de acções, e ligeira recuperação
das cotações marcaram ontem o comportamento da Bolsa de Lisboa. A última
sessão da semana foi ainda caracterizada pela ausência de grandes
transacções, que noutras sessões mais recentes deram alguma animação às
praças lisboeta e nortenha. A este desempenho não terá sido alheio o
facto de ter sido feriado na quinta-feira, com os investidores a adiarem
as operações para o início da semana que vem.

<p n=19628>
O comportamento misto detectado nas duas praças portuguesas acabou por
ter alguma correspondência nas «performances» diferenciadas ocorridas nos
principais mercados internacionais. Londres, Paris e Madrid desceram,
enquanto Tóquio, Frankfurt e Hong-Kong subiram. Nova Iorque estava em
queda a meio da sessão.

<p n=19629>
O consórcio liderado pela Petrogal/Enagas/Snam concorrente ao gasoduto e
terminal de gás natural defende que a política de preços por ele proposta
«proporcionará aos consumidores uma redução de cerca de 30 por cento na
sua factura energética».

<p n=19630>
A defesa de uma política de preços que vise uma rápida penetração de
mercado implica, contudo, para a companhia que comercializar o gás
natural, «uma reduzida rendibilidade», face a algumas situações de preços
internacionais de energia, tal como adianta o consórcio.

<p n=19631>
No Japão, a economia prossegue no seu quinquagésimo terceiro mês
consecutivo de expansão, conforme refere o departamento governamental
para o Planeamento Económico (EPA).

<p n=19632>
Quanto ao desemprego, embora seja um dos mais baixos dos países 
industrializados, veio igualmente a registar, pela primeira vez desde há
cinco meses, um aumento significativo, passando dos dois por cento em
Fevereiro último para 2,2 por cento em Março.

<p n=19633>
Após o período de cumprimento das disponibilidades mínimas de caixa, em
que as taxas de juro se mantiveram acentuadamente elevadas, ontem,
primeiro dia de um novo período, a taxa do "overnight" abriu nos 15 por
cento, mantendo-se neste nível durante toda a manhã. Como a maioria dos
operadores esperavam, durante a tarde assistiu-se à descida da taxa, para
níveis de 12,5 por cento.

<p n=19634>
O Banco de Portugal anunciou a emissão de 40 milhões de contos de
Bilhetes de Tesouro a 364 dias , com entrega de propostas em 29 de Abril
e leilão no dia seguinte, procedendo ao débito nas contas dos
subscritores no dia três de Maio.

<p n=19635>
O PCP quer que a Assembleia da República aprove com urgência uma
resolução que «leve o Governo a tomar medidas» para os dois sectores
agrícolas em maiores dificuldades: os sectores do vinho e do gado bovino.
Esta intenção dos comunistas foi ontem anunciada, em conferência de
imprensa, por Agostinho Lopes, da direcção daquele partido e o respectivo
pedido deverá dar entrada na mesa da Assembleia já na próxima semana.

<p n=19636>
Quanto ao gado bovino, os valores oferecidos aos produtores atigem
quebras de 20 a 25 por cento relativamente ao ano passado. A esta quebra
é associada à grande redução de procura o que leva os produtores «a
aguentar os custos da alimentação com ultrapassagem da idade óptima de
venda dos animais».

<p n=19637>
A Recauchutagem Império, cabeça de um grupo de nove empresas que se
dedicam ao sector do pneus e dos combustíveis, tem vindo a desenvolver
uma estratégia de implantação no mercado angolano que neste momento lhe
confere «uma posição favorável» no processo de abertura às regras de
mercado em curso naquele país. Neste momento, a empresa de Braga já
dispõe de um escritório de representação permanente em Luanda e está a
dar os últimos passos para concorrer à privatização de uma unidade
industrial do sector dos pneus em parceria com uma outra empresa
portuguesa.

<p n=19638>
A Recauchutagem Império é uma empresa com 25 anos que dispõe de uma rede
comercial que cobre a quase totalidade do território nacional, com
excepção do Algarve, e registou no ano passado uma facturação superior a
três milhões de contos. Para este ano está prevista a transformação da
estrutura empresarial da empresa, que deixará o seu cariz familiar para
passar a SA com a entrada de novos accionistas.

<p n=19639>
A economia dos Estados Unidos da América continua a sofrer os efeitos da
recessão, tendo registado um decréscimo da sua produtividade da ordem dos
2,8 por cento, nos primeiros três meses de 1991.

<p n=19640>
A Petrogal registou o ano passado um lucro de apenas 3,5 milhões de
contos o que a própria administração reconhece ser um valor «diminuto
relativamente ao volume de vendas e ao activo afecto ao negócio». Apesar
disso a receita entregue ao Estado pela empresa atingiu os 180 milhões de
contos (mais trinta milhões do que no ano anterior).

<p n=19641>
Os Telefones de Lisboa e Porto (TLP) vão proceder à emissão de um
empréstimo obrigacionista no valor de 12 milhões de contos. Esta operação
destina-se a financiar a estratégia de investimentos em infraestruturas
na área das telecomunicações.

<p n=19642>
O prazo máximo do empréstimo é de sete anos sendo este reembolsado em
quatro prestações semestrais e iguais, por dedução de 25 por cento ao
valor nominal, no final dos quatro últimos semestres. A empresa poderá
proceder ao seu reembolso antecipado no 4º e no 8º semestre. Se esta
situação se registar o  subscritor beneficiará de um prémio de 3,75 por
cento e de 2,5 por cento do montante dos últimos juros semestrais
devidos. Estes serão calculados à taxa de juro nominal em vigor na
altura.

<p n=19643>
A empresa láctea italiana Parmalat adquiriu 25 por cento dos Lacticínios
Vigor, num investimento de 625 mil contos, inscrito num programa de
instalação na Península Ibérica, segundo revela um diário económico
madrileno. A Vigor prepara um investimento de 1,4 milhões de contos numa
nova unidade de produção e a entrada, no sector de sumos, estando
prevista a sua exportação para Espanha.

<p n=19644>
É inegável a importância que a actividade comercial assume para o
crescimento da economia portuguesa. Mas em termos de apoios oficiais
tem-se registado um certo alheamento para os investimentos nesta área. À
excepção do recente Sistema de Incentivos à Modernização do Comércio
(SIMC), não existe qualquer outro programa específico neste sector.

<p n=19645>
O presidente soviético Mikhail Gorbatchev lançou ontem um apelo universal
à «participação financeira e intelectual» de todo o mundo para resolver
os problemas provocados pelo acidente nuclear que ocorreu em 26 de Abril
de 1986. Este apelo foi divulgado em Moscovo no mesmo dia em que V.
Yavorivsky, presidente de uma comissão parlamentar ucraniana que se
deslocou a Chernobyl, afirmou haver o risco de desabamento do telhado do
sarcófago construído para sepultar a central nuclear. A mesma fonte
admitiu a possibilidade de esse fenómeno provocar uma explosão que
cobriria toda a zona de poeira radioactiva.

<p n=19646>
Segundo noticiou a revista britânica «New Scientist», Bill Panaretto e os
seus colegas, do Commonwealth Scientific and Industrial Research
Organisation (CSIRO), em Sidney, utilizam uma variante sintética de uma
proteína natural (que dá pelo nome de «epidermal growth factor», ou EGF)
para interromper o crescimento piloso durante 24 horas.

<p n=19647>
O consórcio europeu Arianespace decidiu adiar o lançamento do satélite
europeu ERS-1 pelo 44º foguetão Ariane, previsto para a noite de 3 de
Maio próximo. A decisão foi tomada para permitir realizar um «exame
complementar» do motor de lançamento do terceiro andar do foguetão, na
sequência de «problemas de funcionamento na fase de arranque» devidos a
baixas de pressão do hidrogénio.

<p n=19648>
Porquê será que os ratos e os ursos têm o pêlo liso, enquanto os
leopardos e as girafas têm manchas enormes, os tigres manchas pequenas e
as zebras têm riscas? Em 1952, Alan Turing, um matemático inglês
considerado hoje como um dos pais da informática, formulou uma teoria
original segundo a qual a formação dos vários padrões visíveis na pelagem
dos mamíferos se devia a um mecanismo químico muito simples.

<p n=19649>
MILHÕES de trabalhadores russos participaram ontem numa greve simbólica
de uma hora, como forma de protesto contra as precárias condições de vida
e o aumento dos preços dos produtos alimentares.

<p n=19650>
O bloco «Rússia Democrática», que apoia Boris Ieltsin, voltou a apoiar as
reivindicações dos mineiros, que manifestam uma componente política mais
acentuada. O fim da proibição de manifestações e comícios, a eliminação
dos comités do Partido Comunista nas empresas, a aprovação da lei sobre a
eleição do Presidente da Rússia e a despartidarização do Exército e da
Milícia são os principais pontos avançados pelos trabalhadores. Os
mineiros continuam ainda a insistir na demissão de Gorbatchov e na
dissolução do Soviete Supremo.

<p n=19651>
HÁ UMA LUZ de paz, democracia e liberdade no fundo do túnel que juntos
estamos a atravessar. Aproxima-se o fim do militarismo do MPLA e da
UNITA, que há 16 anos semeiam a morte e destruição no nosso país. Para
que não mais a UNITA e o MPLA traduzam independência por guerra civil, o
Partido Angolano Independente (PAI) exige que os algozes do povo angolano
dêem garantias de que aceitarão sem ressentimentos a derrota nas eleições
e, uma vez logradas as suas tentativas de enganar os angolanos na longa
caminhada que teremos que fazer até às eleições, não voltarão para a
mata.

<p n=19652>
Fiel aos seus princípios, o PAI continua a repudiar as insistentes
propostas, da UNITA, do MPLA e da FNLA, no sentido de nos seduzirem a
alianças que não faremos. (...) O PAI está, porém, aberto ao diálogo com
todas as forças democráticas angolanas que pugnam pela independência de
Angola num quadro de democracia multipartidária em que a iniciativa
privada não seja sinónimo de uma sociedade à mercê da arbitrariedade do
capital, princípios afinal comungados por todos os que nos acolhem como a
Terceira Força, a alternativa nacional e democrática ao neocolonialismo e
à tirania.

<p n=19653>
Ao contrário do que se especulava, Eduardo dos Santos não deve abandonar
já a liderança do MPLA. O Congresso Extraordinário vai hoje, no último
dia, escolher um secretário-geral, um comité central e confirmar que «a
luta continua» e «a vitória é certa» são divisas passadas. Paz, trabalho
e liberdade é o novo lema.

<p n=19654>
Apesar de ser consensual a ideia da criação do cargo, as suas
competências foram propostas por iniciativa dos congressistas e
ultrapassaram as expectativas da própria direcção. Segundo a proposta
levada ao plenário, o secretário-geral desempenharia praticamente todas
as funções do presidente do partido, desde o controlo do secretariado do
Bureau Político à convocação e presidência das suas reuniões e
representaria o partido em todos os actos jurídicos. O presidente seria
apenas uma figura decorativa dentro do partido, intervindo apenas em
casos extremos.

<p n=19655>
A quarta visita de James Baker a Israel era considerada quase um tudo ou
nada para o avanço do processo de paz no Médio Oriente. A morte da mãe do
diplomata interrompeu a missão. Bush diz que há motivos para optimismo.
Mas os progressos palpáveis são mínimos.

<p n=19656>
O porta-voz do primeiro-ministro, Avi Pazner. declarou qure «nada ficou
concluído» na reunião Shamir-Baker, que era considerada fundamental para
a definição do êxito ou malogro do processo de paz no Médio Oriente.

<p n=19657>
O PRESIDENTE americano, George Bush, reconheceu ontem que as conversações
americano-soviéticas sobre desarmamento apenas têm registado «progressos
modestos», o que estará a inviabilizar a realização da sua cimeira com o
líder soviético, Mikhail Gorbatchov. Em declarações aos jornalistas em
Washington, Bush afirmou que a data da cimeira, inicialmente marcada para
Fevereiro, em Moscovo, ainda não fora fixada. Os EUA pretendem
formalizar, nesta cimeira, o acordo sobre a redução dos arsenais
estratégicos (START), mas as conversações encontram-se praticamente
paralisadas, já que Washington pretende ver primeiro resolvido o
diferendo que o opõe a Moscovo em torno da interpretação do tratado sobre
redução de forças convencionais na Europa (CFE).

<p n=19658>
O PRESIDENTE etíope, Mengistu Hailé Mariam, anunciou ontem a constituição
de um novo Governo, de cuja formação ficou responsável o chefe da
diplomacia, Tesfaye Dinka, agora promovido ao cargo de
primeiro-ministro., revelou a rádio de Addis Abeba. A emissora anunciou
igualmente que Mengistu demitira dois dos seus mais antigos ministros, o
vice-Presidente Fiseha Desta e o secretário do Comité Central, Legesse
Asfaw. Tesfaye, um economista formado nos Estados Unidos, tem a missão de
renovar o Governo e de alargar a sua base tribal, nos termos de uma
decisão adoptada pelo parlamento no início da semana.

<p n=19659>
As conversações sobre a autonomia que decorrem entre os líderes rebeldes
curdos e o Governo iraquiano baseiam-se num acordo de 1970, que foi
aplicado apenas parcialmente. Eis um resumo desse documento, em 15
pontos:

<p n=19660>
- O Governo tomará a seu cargo a eliminação da discriminação contra os
curdos nos gabinetes ministeriais, nas repartições públicas, nas Forças
Armadas e noutras instituições.

<p n=19661>
O PARLAMENTO de Bratislava rejeitou quinta-feira à noite por 71 votos a
favor, 67 contra e 9 abstenções uma moção de desconfiança contra o
«presidium» da Assembleia, responsável pela demissão, no dia anterior, do
primeiro-ministro eslovaco Vladimir Meciar.

<p n=19662>
Na quinta-feira, uma manifestação de apoio a Meciar conseguiu reunir
cinco mil pessoas no grande centro industrial de Kosice (Leste do país).
Outras manifestações tiveram lugar em Nitra e Zilinana, na Eslováquia
central, onde uma petição que já recolheu 20 mil assinaturas exige a
marcação de eleições antecipadas e apela a uma greve geral de uma hora
para o próximo dia 6 de Maio.

<p n=19663>
Agora que, com a retirada dos «polícias», Zakho está pronta a receber os
primeiros refugiados, a ONU anunciou que vai tomar conta dos campos do
Norte do Iraque e Talabani diz que todos podem regressar a casa em paz.
Mas por enquanto, perante esta babel, os curdos parecem apesar de tudo
sentir-se mais seguros nas montanhas.

<p n=19664>
«Não são rumores. Eles partiram. Foram-se na noite passada», garantiu em
Silopi, na fronteira turco-iraquiana, o major Ron Gahagan, porta-voz
militar britânico. «Ficaram apenas 50 polícias indígenas. Têm pistolas, é
certo, mas já não é o festival de `Kalashnikov' de há alguns dias.
Cinquenta é um número razoável para uma cidade deste tamanho».

<p n=19665>
O GOVERNO espanhol recusa comentar as conversas telefónicas do secretário
da Organização do PSOE, José Maria Benegas, nas quais se dizia que o
problema do relacionamento do Executivo com o partido não era a oposição
do ministro da Economia ao plano de construção de 400 mil fogos, mas sim
o "number one", referência a Felipe González.

<p n=19666>
A história imediata regista o desmentido de Múgica, a reconfirmação pela
rádio que uma das vozes era sua, a queixa apresentada em Tribunal por
Benegas pela escuta a que foi sujeito, rumores e desmentidos sobre a sua
demissão e uma polémica relacionada com a liberdade de informação e o
direito à privacidade.

<p n=19667>
Os beligerantes angolanos consideram que é dispensável a presença de
«bóinas azuis» das Nações Unidas na fiscalização do cessar-fogo e do
processo de paz. O esquema a definir está dependente da posição do
secretário-geral da ONU, mas dá-se como certo que a presença da força
internacional será garantida com algumas centenas de peritos.

<p n=19668>
Apesar de não haver uma data para o termo desta reunião, sabe-se que os
debates evoluem e, na generalidade dos aspectos, se aproximam do fim.
Tratou-se, e trata-se, de uma discussão «interdisciplinar», em que tudo
tem sido posto em cima da mesa, incluindo segredos militares.

<p n=19669>
São Tomé e Príncipe poderá ser o terceiro país africano a estabelecer
relações diplomáticas com a África do Sul. Um diplomata sul-africano
disse ao PÚBLICO que está em preparação um encontro entre os Presidentes
Frederik De Klerk e Miguel Trovoada. Pretória quer cooperar com os seus
vizinhos e está optimista quanto aos processos de paz em Angola e
Moçambique.

<p n=19670>
Fontes oficiais disseram-nos que São Tomé poderá ser o terceiro a país
africano, a par das Comores e do Malawi, a estabelecer laços diplomáticos
com Pretória. O próprio ministro sul-africano dos Negócios Estrangeiros,
Roelof «Pik» Botha», afirmou recentemente que o seu país mantém «relações
cordiais» com dez nações africanas, estando em vias de assinar acordos
com mais alguns Estados.

<p n=19671>
Alegando falta de condições de trabalho, o vereador socialista da Câmara
de Palmela, Carlos Taleço, ameaçou renunciar aos pelouros que lhe estão
confiados e disso deu conta aos partidos com assento na Assembleia
Municipal.

<p n=19672>
O serviço de Toponímia de Palmela «está um caos», afirmou ao PÚBLICO
aquele vereador, exemplificando que, «há números de polícia requeridos e
não distribuídos desde 1988». As carências verificam-se também na
Sinalização, em que, é necessária a colocação de 200 sinais de paragem
obrigatória, assim como a marcação de passadeiras para peões nos centros
urbanos. Carlos Taleço considera «inadmissível, que não haja passadeiras
junto à Escola Preparatória de Pinhal Novo, ou junto ao Centro de Idosos
da mesma vila, só para citar dois exemplos».

<p n=19673>
Os estrangeiros vêm em busca de clima ameno e de turismo barato e o seu
número tem vindo a crescer. Em 1991, prevê-se que a aceleração do
crescimento do mercado turístico se manterá, apesar da guerra no Golfo.

<p n=19674>
Escandalizam-se com a pobreza de parcelas da população portuguesa e com o
número crescente de «meninos de rua». Reclamam do trânsito caótico e da
morosidade no atendimento dos bares e restaurantes; mas apreciam muito a
comida e os vinhos portugueses, principalmente pelo preço... Em Lisboa,
fascina-os andar de eléctrico, especialmente pelas ruas estreitas que
levam da Baixa à Graça. A maioria não dispensa uma visita aos pontos
turísticos da cidade, dos quais o Castelo de São Jorge consiste na maior
atracção. Quem vem a Lisboa, normalmente quer conhecer o Porto. E
vice--versa. Mas, quando se trata de ingleses, o sonho maior é sempre o
Algarve.

<p n=19675>
Texas, Lindoso, Estádio, Elefante Branco, Gingão, Fontória, Maxim's,
Finalmente, Trump's, Memorial, Ritz Club, A Carruagem, a roulote do
Relógio, Frágil, Cerca Moura, Alcântara-Café, Mahjong, Sudoeste, Nova,
Kremlin, Caves Adão, Viela, Bana, Bora-Bora, Bipi-bipi, Bar 25, Johny
Guitar, Hot Clube, Noites de Luar e Snob são os bares escolhidos para
figurar nas «Noite de Vidro».

<p n=19676>
O acidente, que ocorreu às 8h40, vitimou Nuno Rafael Lopes Pereira, de 16
anos. De acordo com a BT, o jovem motociclista terá colidido com um
ligeiro de passageiros e um ligeiro misto após ter tentado fazer uma
ultrapassagem.

<p n=19677>
SINTRA vai debater os direitos humanos em Timor-Leste. A Amnistia
Internacional, Núcleo de Sintra, realiza amanhã, dia 27, às 21 horas, no
Palácio Valenças, um debate sobre a situação dos direitos humanos naquele
território. Participam no encontro Teresa Santa Clara Gomes, deputada da
Assembleia da República e membro da Comissão Eventual para o
Acompanhamento da Situação em Timor-Leste, Ana Nunes, do movimento «A Paz
é Possível em Timor-Leste», e o artista circense António Branco que
relatará as circunstâncias em que realizou o «vídeo» sobre os estudantes
timorenses em Bali, Indonésia, parcialmente transmitido pela RTP no dia
9, e que será passado na íntegra. José Manuel Cabral, porta-voz da Secção
Portuguesa da Amnistia Internacional, resumirá a posição oficial desta
organização defensora dos direitos humanos sobre a situação naquele
território. Uma oportunidade para os sintrenses se familiarizarem com o
oportuno problema dos direitos humanos, no caso vertente a situação
desses direitos num território que sobressai lentamente do esquecimento a
que durante anos pareceu votado.

<p n=19678>
O mesmo clínico disse ao PÚBLICO que apesar de permanecerem pessoas
internadas, nenhum dos casos é considerado grave.

<p n=19679>
O motivo é a Lisboa de fora de horas. A aposta passa por um punhado de
jovens desenhadores portugueses. E o resultado estará disponível quando o
calor reinar nas noites da cidade branca. 

<p n=19680>
Mais que fazer um levantamento exaustivo das alternativas em matéria de
diversão nocturna da cidade, que só na zona do Bairro Alto ultrapassam as
duas centenas e na Av. 24 de Julho são às dezenas, os autores da ideia
querem apresentar «uma amostra» das possibilidades que a Lisboa nocturna
oferece.

<p n=19681>
Se quiser ver o teatro e as termas romanas de Lisboa esteja pelas 10h00
de hoje  na Rua de S. Mamede ao Caldas que é donde parte o primeiro dos
passeios «Descobrir Lisboa», organizados pelo Centro Nacional de Cultura.
É uma série aberta ao público em geral que decorre aos sábados de 15 em
15 dias, sempre às dez da manhã. Previstasa visitas ao Bairro Alto, pelo
Tejo, à Baixa pombalina.

<p n=19682>
No Centro Cultural Malaposta, em Olival Basto, prossegue a retrospectiva
dedicada a Johan van der Keuken com a exibição, pelas 21h30, do filme «De
Beeldenstorm» («Tempête d'images»), de 1982. O programa repete-se amanhã
pelas 15h00. No mesmo local pode ver, até dia 30, uma exposição de
brinquedos de Cabo Verde e outra de esculturas de João Limpinho.

<p n=19683>
Um jovem de 16 anos foi detido ontem de manhã numa rua da Amadora, após
ter ferido com uma faca de cozinha uma empregada de balcão que momentos
antes tentara assaltar num centro comercial.

<p n=19684>
Para além da faca, foi-lhe ainda apreendido um pau afiado com 31
centímetros de comprimento e uma nota de cinco contos, que mais tarde se
apurou ter sido tirada à mãe.

<p n=19685>
No meio das águas do Tejo, tal como os índios da América do Norte, dois
secretários de Estado tentaram conjugar esforços para fazer avançar um
débil canoa. Acabaram secos e um pouco cansados, mas com humor suficiente
para ainda se apelidarem de «peso morto».

<p n=19686>
De salva-vidas cor-de-laranja, Miguel Macedo e Macário Correia pegaram
nas pagaias -- os remos deste tipo de embarcações -- e lançaram-se ao rio
na peugada dos maratonistas que já haviam partido do Rossio, cerca de 15
quilómetros acima.

<p n=19687>
O castelo medieval de Celorico da beira, no Distrito da Guarda, vai ser
aproveitado e adaptado para actividades culturais, disse o presidente da
câmara, Faria de Almeida, citado pela Agência Lusa.

<p n=19688>
Faria de Almeida disse que a instalação de equipamentos nos espaços
históricos é uma das prioridades do executivo municipal, como elemento
dinamizador do turismo e da criação de novas actividades
socio-económicas.

<p n=19689>
Macário Correia recebeu, quinta-feira, do presidente da Junta de
Freguesia de Pernes um cravo vermelho, como símbolo da memória de Joaquim
Jorge Duarte, conhecido por «Diabo», fundador da Comissão de Luta
Anti-Poluição do Alviela (CLAPA).

<p n=19690>
Por seu turno, Macário Correia afirmou, depois de referir que a sua
presença era um sinal de empenhamento institucional, que a «grande
homenagem ao `Diabo' fica reservada para quando o Alviela estiver
completamente despoluido, como era o seu sonho».

<p n=19691>
Um forte temporal de ventos, neve e baixas temperaturas, ocorrido na
madrugada de ontem, provocou o corte das estradas do maciço central da
Serra da Estrela, deixando retidos alguns automobilistas que visitavam a
região.

<p n=19692>
Ainda segundo o centro não se verificou nenhuma situação grave entre os
visitantes retidos pelo temporal, durante o qual a neve, que caiu numa
extensão de dois quilómetros, atingiu um metro de altura.

<p n=19693>
A noite corria animada no bar do Mercado da Buraca, Amadora. Vários
reformados aproveitando o feriado de 25 de Abril, discutiam, entre dois
copos, as evoluções e retrocessos pós-revolução. Mas, como diz o ditado,
«cada cabeça sua sentença»: as cores dos partidos chocaram-se nas
opiniões dos convivas. Insultos e empurrões primeiro, a lâmina de uma
ponta-e-mola emboscada no escuro, à saída do estabelelicimento, a cortar
o ar e um dedo de quem nada tinha a ver com o assunto, depois.

<p n=19694>
Às 23h00, o arrastar de cadeiras pronunciou a despedida dos fregueses. O
primeiro que transpôs a porta saboreou o gosto frio do aço. Mas, a
«vendetta» não teve o sabor desejado. Antecipando-se ao destinatário da
lâmina, Mendes, de 75 anos, saíu primeiro. O golpe, desferido às cegas,
decepou-lhe um polegar.

<p n=19695>
Um incêndio declarado às 21h52 de quinta-feira numa loja de
electrodomésticos, no gaveto das Ruas dos Sapateiros e da Assunção, em
Lisboa, destruiu parte do estabelecimento, causando danos elevados,
informou o Batalhão de Sapadores Bombeiros.

<p n=19696>
Um antigo castro com interesse arqueológico foi localizado no sítio
conhecido por Fraga da Pena, no Concelho de Fornos de Algodres (Guarda),
informou o município, citado pela Agência Lusa.

<p n=19697>
O início da greve, às 00h de ontem, dos trabalhadores do Hotel Sheraton,
em Lisboa, ficou marcada por confrontos físicos entre elementos da
empresa de segurança contratados pela direcção do estabelecimento e
membros do piquete de greve, segundo informou um elemento da comissão
executiva da Federação dos Sindicatos de Indústria de Hotelaria e
Turismo.

<p n=19698>
João Vicente disse também que os cerca de 500 empregados em greve
reivindicam aumentos salariais da ordem dos 20 por cento, ao contrário
dos 13,5 por cento propostos pela direcção do Sheraton. A passagem a
efectivos dos trabalhadores contratados a prazo é outra das
reivindicações dos grevistas.

<p n=19699>
O Centro de Informação da Juventude, no número 194 da Avenida da
Liberdade, em Lisboa, é inaugurado na tarde de segunda-feira, numa
cerimónia em que estarão presentes o secretário de Estado da Juventude,
Miguel Macedo e Luís Represas, dos Trovante, que funcionará como
animador.

<p n=19700>
No dia seguinte, continuando as comemorações da inauguração, Anabela
Duarte (ex-Mler-if-Dada) e Rui Veloso são os artistas convidados.

<p n=19701>
De fato de treino, sem gravata ou casaco, Macário Correia e Miguel
Macedo, secretários de Estado do Ambiente e da Juventude, despiram-se do
dia a dia da vida de gabinete e lançaram-se ontem à conquista do Tejo a
bordo de uma canoa. De Constância a Almourol, percorreram cinco
quilómetros, atentamente assistidos por um experiente membro da
organização da maratona do Tejo 91. Apesar das atrapalhações e da
dessicronização, a viagem terminou gloriosamente, com os membros do
Governo sãos e salvos ... e secos.

<p n=19702>
No Mucifal, quando alguém toma um duche, fá-lo com água fria. E isto se
houver água. Descontentes com a situação, um grupo de moradores ameaça
não pagar as contas da água e prepara uma exposição escrita para
apresentar ao Procurador Geral da República, ao secretário de Estado do
Ambiente, presidente da Junta de Freguesia de Colares e João Justino,
presidente da Câmara e dos Serviços Municipalizados de Sintra.

<p n=19703>
Por proposta da Região de Turismo dos Templários, o secretário de Estado
do Turismo, Alfredo César Torres, atribuiu a medalha de ouro de mérito
turístico à Festa dos Tabuleiros, em Tomar, que este ano se realiza de 4
a 8 de Julho.

<p n=19704>
Por fim, João Strech Ribeiro afirmou «que se impõe reconhecer a
polivalência da manifestação que serve a cultura portuguesa, a arte e o
turismo».

<p n=19705>
Os desportos náuticos têm tradições em Vila Franca, mas a degradação que
atinge a zona ribeirinha tem afastado a população local. Uma regata em
Maio puderá ser a gota de água para um regresso feliz ao convívio com o
rio.

<p n=19706>
Situação que puderá vir a modificar-se, quer com a realização da regata,
quer com a abertura da escola de vela do Vilafranquense, o desenvolver de
importantes trabalhos de dragagem -- que nestes moldes não se realizavam
há 27 anos -- e ainda a realização de trabalhos pontuais de reparação
naval.

<p n=19707>
A mais representativa colectividade desportiva de Vila Franca de Xira
atravessa um momento difícil em termos directivos. Gerida desde Dezembro
por uma comissão administrativa, a União Desportiva Vilafranquense
procura um presidente uma vez que só para os restantes cargos há
elementos disponíveis.

<p n=19708>
Factor determinante na vida do clube  é a instalação de uma sala de bingo
em Vila Franca -- depois do processo polémico que levou à transferência da
sala inicialmente prevista para Alverca . José Mário Cerejo diz que «está
em preparação o projecto que prevê a instalação de uma sala de 270
lugares num hotel em construção em Póvos».

<p n=19709>
Em Leiria, pelos menos três pessoas apresentaram queixa contra «um tal
pedreiro camarário» que, a pretexto de umas obras inadiáveis, nunca
iniciadas, cobrou 148 contos para aquisição de materiais.

<p n=19710>
Se no caso da Cova da Moura o diligente «fiscal» da Câmara foi
surpreendido e posteriormente detido, após movimentada perseguição -- com
tiros e notas espalhadas pelo ar, à boa maneira dos policiais
norte-americanos --, em Leiria desconhece-se ainda a identidade do
prestável «pedreiro», que, de acordo com as participações feitas à PSP da
cidade do Liz, não enjeitava mesmo a oportunidade de lançar mão aos
haveres dos inquilinos que distraía propositadamente (pedindo um copo de
água, uma caneta, etc.) quando os visitava para receber o dinheiro
necessário para terem início as «reparações».

<p n=19711>
O compositor William Walton e o realizador David Lean. Este percorreu o
deserto e fez com que T. E. Lawrence tivesse, para sempre, o rosto de
Peter O'Toole, anos depois de ter realizado «um filme do outro mundo», em
destaque. O primeiro não estranhou as palavras de Tchekhov nem as de
Shakespeare, quando se tratou de compor a banda sonora de «Henry V», de
Lawrence Olivier. Juntos encerram a programação do Canal 2. E justificam
o dia de televisão. Artes e Letras é dedicado ao compositor de «Façade» e
«O Urso», que a RTP transmite amanhã. A sequência não será um acaso.
«Façade», composta sobre poemas de Edith Sitwell (a tirar partido do
ritmo das palavras, como se o «rap» fosse coisa de então), data da década
de 20, «O Urso», sobre texto de Tchekhov, dos anos 60, altura em que o
compositor reviu a primeira. O documentário a transmitir foi realizado
por Tony Palmer. E eis como a RTP o apresenta: «A tristeza do
envelhecimento, a desilusão e a pergunta sobre se `as coisas valerão a
pena' caracteriza esmagadoramente o perfil miserável que Tony Palmer fez
de Sir William Walton.» (sic) No mínimo, esmagador. M.A.G.

<p n=19712>
«Angola e Moçambique possuem condições ímpares para -- pelo menos --
voltarem ao que chegaram a ser antes do 25 de Abril.»

<p n=19713>
Um salto de uma linha no artigo de opinião «Perspectivas para o turismo
em Macau», de Luís Nunes da Ponte [PÚBLICO de 5ª feira, p.22, 2º
período], deturpou o sentido da frase seguinte: «Tal como acontece hoje
na China com as concessões europeias de Cantão e Xangai, transformadas em
verdadeiras atracções turísticas, Macau tem, nesse aspecto, bastantes
mais potencialidades que...»

<p n=19714>
Considero que o Presidente desempenha as sua funções com suficiente
apartidarismo para que a sua posse não seja minimizada por preconceitos
partidários da parte do Governo, a quem julgo compete a decisão de
promover as amnistias. Nem o argumento de que se trata de um segundo
mandato, de uma reeleição, o justificaria: também não é a primeira vez
que o Papa vem a Portugal.

<p n=19715>
Segundo o que li nos jornais, o que o Governo entende pelas obrigações da
RTP, como serviço público, resume-se à transmissão das emissões para a
Madeira e os Açores e à acção de cooperação com os PALOP. Sendo assim, a
RTP, para além destas obrigações, pode transmitir o que quiser e quando
quiser, guiando-se apenas pela lógica das audiências e demitindo-se do
seu carácter formativo. Deixará pois de transmitir programas para
minorias (ópera, bailado, teatro, clássicos do cinema, documentários ou
Artes e Letras, etc.) porque certamente têm mais audiência os Rambos, as
telenovelas ou os concursos.

<p n=19716>
Desde que inventaram o Correio Azul, os CTT passaram a transportar em
«diligências« as cartas que antes levavam com diligência. Na zona de
Lisboa, por exemplo, levam sete dias nas diligências e um dia em correio
azul. Conclusão: os CTT, por arte de mágica, subiram 100% as tarifas, sem
modificar o serviço. Belo negócio!!!

<p n=19717>
Passo a passo com os anos que me aproximam da morte e com o duro trilho
da vida percorrido, a memória quente do 25 de Abril fixou-se num punhado
de recordações de que passou a viver minha saudade ardente. Foi para mim
um dia longo e emotivo: às quatro da madrugada, o telefonema dum sobrinho
-- Bernardo Castelo-Melhor -- avisou-me que, de meia em meia hora, o Rádio
Clube Português emitia um comunicado do Movimento das Forças Armadas, no
qual se falava em liberdade e se apelava à calma e à adesão do povo.
Entre cada emissão, ouviam-se canções de José Afonso, de Adriano, de
Fanhais, baladas proibidas, todas elas portadoras da esperança da
liberdade, do fim da sujeição e do estado ignominioso duma nação privada
de direitos. A minha ansiedade não tinha limites: lembrava o poema de
Jorge de Sena -- «Não hei-se morrer sem conhecer a liberdade» -- e
custava-me a crer que tivesse chegado a hora em que poderíamos passar de
um povo castrado a uma comunidade de homens inteiros. Era evidente e
conhecido o estado de dissolução podre a que chegara o famigerado Estado
Novo; intelectualmente inerte, mergulhado numa guerra anti-humana,
absurda e sem finalidade historicamente possível, e agora portador no seu
seio da contestação maciça dos quadros intermédios das Forças Armadas (em
que sempre se apoiara), fartos de missões repetidas e impossíveis, e
sustentados por chefes situados na primeira fila do prestígio e da
competência, como Costa Gomes e António Spínola. Desde a publicação do
livro de Spínola -- «Portugal e o Futuro» --, o regime estava apunhalado de
morte. Em meados de Março, uma primeira tentativa falhara por organização
deficiente, mas já ninguém podia duvidar que cada dia nos aproximava do
vulcão da liberdade, que há perto de cinquenta anos parecia extinto na
paixão colectiva e crepitava no sacrifício de poucos, na revolta sufocada
do trabalho e na audácia luminosa dos poetas.

<p n=19718>
Só isso explica o silêncio e a inércia dos carros blindados de Cavalaria
7 e o insolente sentimento de vitória que todos os sublevados ostentavam
e que, mais do que força militar ou superioridade de meios de combate,
reflectia a força da razão e o sentido inelutável dum destino em marcha,
cuja hora definitivamente chegara.

<p n=19719>
No trabalho/reportagem do PÚBLICO sobre o drama das crianças romenas
[21/3], em determinada altura, escrevia-se: «A hipótese mais audível(?) é
a permanência de grande quantidade de estudantes africanos na Roménia nos
áureos tempos de Ceaucescu».

<p n=19720>
E afirma que isto está provado. Muito pelo contrário: um pequeno estudo
ter-lhe-ia permitido apurar que a sida não tem grupos de cor da sua
especial preferência, nem nasceu em determinada parte do globo terrestre
(...)

<p n=19721>
Tentou o sr. ministro da Saúde, Arlindo de Carvalho, através de
entrevista ao PÚBLICO (6/04/91), e com outras iniciativas, mostrar uma
política de saúde da qual se vangloria, juntamente com o Governo,
referindo-a como absolutamente positiva e adequada à realidade social de
Portugal. Pois bem, o sr. ministro está equivocado. A sua política de
saúde tem-se mostrado, ao contrário do modo como tenta iludir os
portugueses, perfeitamente negativa, inadequada à grande maioria dos
utentes.

<p n=19722>
Infelizmente para o ministro da Saúde, muitos portugueses não se deixam
iludir e sabem aonde quer chegar o Governo que temos. Os profissionais de
saúde estão conscientes da realidade. Não se deixam iludir com o «engodo»
da inauguração de novos hospitais, serviços, centros de saúde, unidades,
enquanto a maioria das instituições luta com grandes dificuldades:
instalações precárias deterioradas, antiquadas; falta de pessoal; falta
de equipamentos; falta de meios; etc.

<p n=19723>
Uma publicação como o «Diário da República» procura tratar de temas que
interessem a toda a gente sem descurar os interesses do leitor
especializado. Este axioma programático do «DR» foi, uma vez mais,
integralmente respeitado esta semana: desde a publicação do novo Código
do Processo Tributário até às taxas das licenças de caça, foi uma
verdadeira girândola legislativa!

<p n=19724>
2. As garantias do contribuinte são um dos aspectos mais em realce no
novo Código de Processo Tributário que entrará em vigor em 1 de Julho do
corrente ano e que foi aprovado pelo Decreto-Lei 154/91 (A).

<p n=19725>
Otelo Saraiva de Carvalho considera que o regime parlamentar «tem os dias
contados» e aponta como alternativa a «democracia popular e directa».
Otelo defendeu esta tese nas «conversas à quinta-feira», uma inicativa de
um restaurante da baixa lisboeta. «A essência dos partidos divide a
sociedade», disse o ex-conselheiro da Revolução, cuja noção de
«democracia popular» se baseia no papel das organizações populares de
base, como as comissões de trabalhadores e de moradores. Embora a actual
sociedade portuguesa esteja longe de corresponder ao seu «sonho», Otelo
frisou, durante o debate, que «o 25 de Abril valeu a pena».

<p n=19726>
Uma portaria que designa Murteira Nabo como encarregado do Governo  até à
sua chegada ao território é o primeiro documento assinado por Rocha
Vieira como governador de Macau. A portaria, que tem data de 23 de Abril
mas integra o suplemento do Diário Oficial só ontem distribuído,
determina ainda que o secretário-adjunto Luís Vasconcelos assegura a
chefia do Executivo até à chegada de Murteira Nabo, que esteve em Lisboa
para a posse de Rocha Vieira e era esperado ontem à noite em Macau. Outra
determinação diz respeito aos membros dos gabinetes do governador e dos
secretários-adjuntos, que deverão manter-se em funções por um prazo de 30
dias.

<p n=19727>
O novo partido da área ecológica, cuja constituição há muito vinha sendo
anunciada, verá amanhã a luz do dia, durante uma assembleia a realizar a
partir do meio da tarde, na Casa da Imprensa, em Lisboa. Chamar-se-á
«Movimento Autónomo Ecologista» e os seus promotores desejam que ele
concorra já às eleições legislativas.

<p n=19728>
Mais distante tem sido a postura de Maria Santos, com quem os promotores
do partido dizem não manter contactos desde a altura em que a
eurodeputada abandonou a «corrida» para Belém. Um dos principais
entusiastas da constituição da nova organização, Porfírio Pires, procurou
desvalorizar o facto, quando declarou ao PÚBLICO, ontem à tarde, que os
promotores do processo não estão, «nesta fase, muito preocupados com a
adesão de personalidades».

<p n=19729>
Há quase dois meses, ficaram a saber que íam mudar de capital. Hoje
continuam à espera. Só «lá mais para o Verão» -- período crítico do ponto
de vista das responsabilidades comunitárias -- os embaixadores vão ocupar
os novos postos para que foram escolhidos.

<p n=19730>
Depois da publicação dos respectivos decretos de nomeação no Diário da
República, esperada para os próximos quinze dias, os diplomatas têm 45
dias para se apresentarem nos novos postos, se não houver mudança de
continente, ou 60 dias, se o novo posto estiver localizado noutro
continente. O longo período de tempo entre o anúncio do «movimento» e a
publicação dos decretos, que arrasta as transferências «lá mais para o
Verão», é atribuído às dificuldades orçamentais, uma constante no Palácio
das Necessidades. Além de custear as viagens dos novos embaixadores e de
suas famílias, o ministério paga a mudança da mobília e arca com as
«despesas de instalação» dos diplomatas, que, muitas vezes, se hospedam
em hotéis antes de ocuparem a residência definitiva. Estas despesas,
multiplicadas pelo número de embaixadores envolvidos no «movimento»,
representam uma sobrecarga orçamental que o ministério não pode digerir
facilmente.

<p n=19731>
O ministro da Defesa vai à Guiné a a Cabo Verde avalizar vários projectos
de cooperação nas áreas militar e de defesa. Trata-se de distinguir com
presença política a alto nível o que pode ser o «mostruário» de um
trabalho que deve estender-se em breve a Moçambique e Angola.

<p n=19732>
Praticamente concluído está o programa de reorganização da Marinha de
Guerra da Guiné, em ligação com o qual se cumpre também um projecto de
construção de dois patrulhas (lanchas rápidas) que estão a ser
construídos nos estaleiros do Alfeite. O regime de cooperação tem sido
extensivo à formação de oficiais nos estabelecimentos próprios de ensino
militar, nomeadamente na Academia Militar, tendo o Exército formado já
132 oficiais da Guiné e 16 de Cabo Verde.

<p n=19733>
Marques Júnior, ex-capitão de Abril e deputado do PRD, recusou-se a ser o
orador da bancada nas comemorações do 25 de Abril que decorreram na
Assembleia da República, na sequência de críticas que lhe foram dirigidas
pelos seus colegas, pelo facto de ter aceitado comparecer numas Jornadas
Parlamentares Socialistas sobre Ambiente.

<p n=19734>
O PRD agendou, entretanto, uma interpelação ao Governo sobre Política
Geral, centrada na Política de Cooperação Externa, que inicialmente
esteve marcada para dia 2, mas que a última conferência de líderes
decidiu adiar para 9 de Maio, uma vez que o segundo dia do mês - uma
segunda-feira pós-feriado - ganhará contornos de «ponte».

<p n=19735>
Têm entre 65 e 86 anos. São reformados do Caminho de Ferro de Benguela e
ocuparam, há mais de 16 dias, as instalações da Caixa de Previdência.
Discriminados e esquecidos exigem que lhes paguem pensões atrasadas.
Torres Couto foi ouvi-los e prometer.

<p n=19736>
Torres Couto ouviu as críticas aos órgãos de soberania, nomeadamente ao
Presidente da República e ao primeiro-ministro, por ainda não terem
actuado, «permitindo que um grupo de velhos entre os 65 e os 86 anos,
estejam a viver nestas condições» disse Martins Lopes, um dos reformados.
A visita era esperada. Os homens que trabalharam na ferrovia de Benguela
vestiam fato e gravata demonstrativos de um certo estatuto social que já
detiveram.

<p n=19737>
«NOS HOSPITAIS do grande Porto, só 800 dos 16800 trabalhadores recebem os
salários a que têm direito», afirmou ontem Deolinda Alves, dirigente do
Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Norte, em conferência de
Imprensa destinada a apresentar um relatório de balanço da aplicação do
Novo Sistema Retributivo (NSR). Só no Hospital de S. João, são
necessários184 mil contos para pagar o respeitante ao descongelamento dos
escalões de Julho do ano transacto.  «As virtualidades do NSR estão
esgotadas», conclui o sindicato que está a preparar uma frente de batalha
para combate aos «desajustes» e ao «grande logro» em que se transformou o
sistema. Para já estão marcadas greves dos trabalhadores da Segurança
Social (8 de Maio), dos Museus (16 de Maio), encontros nacionais do
pessoal não docente (10 de Maio) e trabalhadores de saúde (29 Maio), além
de uma concentração junto da Assembleia da Républica dos trabalhdores
administrativos da saúde, para a entrega de uma petição (24 de Maio). O
relatório elaborado pelo sindicato dá conta da existência de problemas em
quase todos os ministérios, «registando-se, no campo da saúde, situações
graves ao nível do pessoal dos hospitais do grande Porto, quase todos em
regime de sub-financiamento».

<p n=19738>
A ADESÃO à greve nacional das indústrias metalúrgicas e metalomecânicas
deverá situar-se na ordem dos 80 por cento, segundo os primeiros dados
sindicais. João Paulo, coordenador da Federação deste sector, afecta à
CGTP, revelou que há locais em que se registam adesões próximas dos 100
por cento. A greve visa exigir a assinatura do acordo salarial que prevê
aumentos de 14,2 por cento na tabela das empresas de maior dimensão e 16
por cento nas restantes, um subsídio de refeição de 200 escudos diários e
a redução do horário de trabalho para um máximo de 43 horas, sem redução
de direitos. «Depois de chegarem a um acordo com os sindicatos, as
associações patronais condicionaram a sua assinatura à retirada, do
contrato vertical da metalurgia e metalomecânica, de todas as cláusulas
referentes a despedimentos, processo disciplinar, horário de trabalho,
polivalência, período experimental e contratos a prazo, entre outras»,
afirmou João Paulo.

<p n=19739>
A cidade brasileira de S. Paulo foi assolada anteontem por um forte
temporal, com chuvas torrenciais, que provocou inundações em todos os
bairros e paralisou praticamente todas as actividades da capital
paulista. A intempérie, que durante dez horas se abateu sobre a cidade,
foi já qualificda como «a mais violenta» dos últimos 35 anos em S. Paulo.
O departamento municipal de águas e electricidade informou que foi
registada uma precipitação de 80 litros por metro quadrado entre as zero
horas e as 12 de quinta-feira, quando o índice médio de todo o mês de
Abril em S. Paulo é de cem litros por metro quadrado. Os rios Tiete e
Pinheiros inundaram várias vias de comunicação, como a importante estrada
municipal do Tiete, que circunda grande parte da cidade. O caos na
circulação automóvel prolongou-se até á noite de quinta-feira,
paralisando praticamente a actividade laboral e comercial. Outras cidade
do Estado de S. Paulo foram também assoladas pelo temporal. Em Campinas,
que fica situada a cerca de 100 quilómetros da capital, uma pessoa morreu
afogada ao ser arrastada pela enchente quando saía de um automóvel. A
cidade de S. Paulo, com cerca de 12 milhões de habitantes, já sofreu este
ano várias inundações provocadas por chuvas intensas.

<p n=19740>
A criminalidade e a delinquência aumentaram em França 6,93%, em 1990, com
um total de 3.492.712 crimes e delitos constatados, anunciaram fontes
policiais. Uma desaceleração foi, contudo, observada durante o primeiro
trimestre deste ano, em comparação com igual período do ano passado. Os
roubos, nomeadamente os de automóveis, são responsáveis por 80% da alta
global, com um crescimento de 8,40%. Ao contrário, as estatísticas
revelam uma estabilização da delinquência económica, dos crimes e delitos
contra pessoas. Em matéria de terrorismo, os números apurados são dos
mais baixos pelo segundo ano consecutivo. Por outro lado, verifica-se que
a criminalidade aumentou perto de 22% em Itália, durante 1990. Inglaterra
e País de Gales registaram uma taxa de crescimento de 14% nos primeiros
nove meses de 1990. A progressão da criminalidade foi particularmente
forte nos países do Leste europeu, tendo atingido 68% na Polónia nos
primeiros 11 anos do ano passado. Na Roménia, os crimes violentos
duplicaram desde a queda de Nicolae Ceaucescu, enquanto que na cidade de
Praga, Checoslováquia, a criminalidade aumentou 122% em 1990. Na URSS, a
criminalidade progrediu 12,3% nos primeiros nove meses do ano transacto,
e nos Estados Unidos o número de assassínios cometidos no primeiro
semestre do mesmo ano cresceu 20%em relação a igual período de 1989.

<p n=19741>
DE VEZ em quando, em iniciativas católicas, surgem as queixas: a Rádio
Renascença não está presente para cobrir acontecimentos promovidos pela
Igreja. As queixas vêm normalmente dos leigos responsáveis por movimentos
eclesiais, mas sabe-se que há também bispos a apontar falhas semelhantes
à emissora católica.

<p n=19742>
Os comentários que alguns bispos -- e muitos participantes -- foram fazendo
ao facto, nos corredores do Fórum, chegaram também à sede da Renascença.
E ontem à tarde, as peças lá começaram a sair. A.M.

<p n=19743>
A PRÓXIMA encíclica do Papa João Paulo II sobre a questão social será
publicada na próxima quinta-feira, com o título «Centesimus Annus»
(Centésimo ano), segundo foi ontem anunciado pelo Vaticano, numa notícia
divulgada pela agência France Presse. Este novo documento de João Paulo
II pretende assinalar o centenário da «Rerum Novarum», a carta do Papa
Leão XIII que assinala o início do moderno pensamento social da Igreja,
publicada em 15 de Maio de 1891.

<p n=19744>
Depois de Leão XIII, outros quatro papas -- Pio XI, Pio XII, João XXIII e
Paulo VI -- escreveram encíclicas, mensagens e outros textos sobre temas
relacionados com o trabalho, a distribuição dos bens e o desenvolvimento
dos povos.

<p n=19745>
Quando hoje terminarem a visita ao Brasil, o príncipe Carlos e a princesa
Diana de Gales completam cinco dias de um intenso programa de encontros
oficiais, espectáculos e visitas a várias instituições de carácter social
do país. Diana regressou ontem à noite ao Rio de Janeiro para um
espectáculo de ballet, após visitar, durante o dia, as cataratas de
Iguaçu, na fronteira com a Argentina. O herdeiro do trono britânico
partira de manhã para Belém do Pará onde, a bordo do iate real Britannia,
participaria num encontro sobre ambiente. Já quinta-feira de manhã o
casal real se havia separado por algumas horas. A princesa conversou, de
joelhos e através de intérprete, com alguns doentes de sida internados em
estado terminal no hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro,
oferecendo 15 mil dólares em equipamento médico ao maior centro de
pesquisa da doença naquele Estado. Mais tarde, depois de ser saudada por
centenas de crianças num centro de dia -- e assistindo a uma demonstração
de capoeira -- Diana visitou a enorme estátua do Cristo-Rei. Por essa
altura estava Carlos no vizinho Estado de Espírito Santo, a ver uma
«enfermaria de árvores» da empresa de papel Rosacruz. Há noite, de novo
juntos, Carlos e Diana abanaram a cabeça ao ritmo do samba, assistindo à
passagem especial de 17 escolas no palácio do Rio que serviu de embaixada
britânica até à passagem da capital para Brasília. Ladeados pelo
governador Leonel Brizola, não acederam aos pedidos de várias dançarinas,
frustrando as expectativas dos que esperavam a repetição dos
acontecimentos de 1978 quando Carlos, ainda solteiro, se bamboleou com
uma mulata.

<p n=19746>
Referindo-se ao caso do Porto, Cunha Rodrigues acusa a existência de
«sérios problemas de organização e funcionamento», salientando que
existem «casos iniciados há muitos anos», tendo sido encontrados «dezenas
de processos com soluções de continuidade  na movimentação». Aponta «o
próprio núcleo encarregado de investigar as fraudes praticadas
relativamente ao Fundo Social Europeu, onde foram encontrados 11
processos sem quaisquer diligências.»

<p n=19747>
O CONSELHO de Ministros aprovou ontem um projecto de lei a enviar à
Assembleia da República, que visa transformar a RTP em sociedade anónima
de capitais públicos e igualmente os respectivos estatutos.

<p n=19748>
Prevê-se também a celebração de um contrato programa com o Estado, nos
termos do qual ficará a nova sociedade encarregue da prestação de
diversas actividades de serviço público. Ceder tempo de antena, ao abrigo
da Lei da televisão, assegurar a emissão para as regiões autónomas e
manter e actualizar os arquivos são algumas dessas actividades. No mesmo
âmbito dever-se-á continuar a «produzir e emitir programas para as
comunidades portuguesas e para os países de expressão portuguesa».

<p n=19749>
Mais ou menos por acaso, um técnico do Hospital de Santa Cruz, em Lisboa,
detectou radiações acima dos valores definidos por lei no respectivo
serviço de radiologia. A aguardar os resultados do relatório do LNETI
sobre a situação, já pronto, o director do estabelecimento refere,
entretanto, que «não há motivo para alarme».

<p n=19750>
De acordo com a lei que regulamenta a protecção radiológica, as doses
máximas de radiação para pessoas profissionalmente expostas devem
situar-se (em termos de valor para o corpo inteiro) nos 0,05 SV por ano.
Para o público, o valor deve ser um décimo deste. No entanto, os dados
apurados pelo técnico do serviço de radiologia que, por sua iniciativa,
resolveu fazer a contagem das doses de radiações foram surpreendentes,
subindo até ao fim da escala. Alarmado, comunicou o facto à médica
directora do serviço, Margarida Botelho de Sousa, que, por sua vez,
recomendou o fecho da radiologia, junto da administração do hospital.

<p n=19751>
Mais ou menos por acaso, um técnico do Hospital de Santa Cruz, em Lisboa,
detectou radiações acima dos valores definidos por lei no respectivo
serviço de radiologia. A aguardar os resultados do relatório do LNETI
sobre a situação, já pronto, o director do estabelecimento refere,
entretanto, que «não há motivo para alarme».

<p n=19752>
De acordo com a lei que regulamenta a protecção radiológica, as doses
máximas de radiação para pessoas profissionalmente expostas devem
situar-se (em termos de valor para o corpo inteiro) nos 0,05 SV por ano.
Para o público, o valor deve ser um décimo deste. No entanto, os dados
apurados pelo técnico do serviço de radiologia que, por sua iniciativa,
resolveu fazer a contagem das doses de radiações foram surpreendentes,
subindo até ao fim da escala. Alarmado, comunicou o facto à médica
directora do serviço, Margarida Botelho de Sousa, que, por sua vez,
recomendou o fecho da radiologia, junto da administração do hospital.

<p n=19753>
«E depois?», começam a perguntar os participantes da Semana Social
católica, que desde quinta-feira decorre em Lisboa. A pergunta significa
que se querem encontrar caminhos de acção. Com metade do caminho andado,
a intervenção de Lourdes Pintasilgo ficou já como ponto alto daquela
realização.

<p n=19754>
Mas a interrogação acerca das consequências da Semana Social está já no
centro da reflexão dos participantes. E tem razão de ser: em Junho de
1987, depois da realização do Congresso Nacional de Leigos, que reuniu em
Fátima cerca de dois mil representantes de todas as dioceses e
instituições católicas, as conclusões apontavam para uma maior
participação dos cristãos na estrutura eclesial e, ao mesmo tempo, para
uma maior intervenção do conjunto da Igreja na realidade socio-política.
Mas, até agora, se é verdade que algum caminho se fez, ele está longe do
que há quatro anos muitos julgavam possível.

<p n=19755>
a) -- Relativamente ao FSE, consideram-se apenas os projectos relativos ao
ano de 1990: não inclui os Dossiers -- Quadro de 1989.

<p n=19756>
Projectos com Contrato -- Todos os projectos em que foi estabelecido um
contrato formal ou figura equivalente, como por exemplo Termo de
Aceitação por parte do Beneficiário.

<p n=19757>
Acabou num tribunal de Toulouse, com a mais dura pena possível, o caso de
quatro pára-quedistas que cometeram crimes inqualificáveis. Os condenados
têm entre 20 e 22 anos.

<p n=19758>
Philippe Siauve, o «maestro» da banda, e Thierry El Borgi não deixaram
escapar qualquer emoção ao saberem que se tinham tornado os delinquentes
mais severamente condenados de França. Mantiveram-se igualmente
indiferentes perante a leitura das suas atrocidades e o sofrimento dos
familiares das vítimas.

<p n=19759>
Tentar calcular antecipadamente a data de privatização de uma empresa
pública é uma verdadeira lotaria. Quem estiver interessado em controlar
uma dessas empresas a partir da compra de acções numa operação de
privatização e tiver, para isso, que recorrer a alguns financiamentos --
pedindo a sua disponibilização a partir de determinada data --, corre o
risco de ter que cancelar os acordos ou começar a pagar juros sem daí
tirar qualquer proveito. As datas anunciadas para uma privatização
sucedem-se, como tiros lançados para o ar.

<p n=19760>
O motivo alegado para o novo atraso está agora na guerra institucional
que opõe o Tribunal de Contas, liderado por Sousa Franco, ao Ministério
das Finanças, de Miguel Beleza. Aliança e «Diário de Notícias» já tiveram
quase tantas datas previsíveis de privatização como a quantidade de
acções que vão estar em leilão (passe o exagero). E, no entanto, não
serão muitos os investidores que acreditam que agora é que vai ser.

<p n=19761>
O mercado durante a semana assistiu a nova valorização do dólar contra a
generalidade das moedas. Mesmo com as intervenções que os bancos centrais
fizeram na tentativa de segurar a moeda americana, esta atingiu um dos
níveis mais altos do ano (1.7650). A partir de quarta-feira, o mercado
estabilizou em parte devido à reunião do Grupo dos Sete, onde em
princípio seria discutidao uma eventual descida das taxas de juro nas
moedas dos países mais industrializados do mundo.

<p n=19762>
Triunfo inova -- A Triunfo quer equilibrar a exploração do seu sector de
massas e ganhar terreno em relação às suas concorrentes. Para isso,
investiu na qualidade,  na imagem e num produto inovador: letrinhas
coloridas (verdes e vermelhas) para a sopa, acompanhadas de uma campanha
publicitária dirigida às crianças. José Manuel Buccellato, director-geral
da Triunfo-Massas e Bolachas, apostou em rentabilizar o sector das
massas. «Nas massas a situação é dramática», disse este responsável ao
PÚBLICO: «A concorrência é superintensa e os preços desceram de tal forma
que o negócio deixou de ser rentável.»

<p n=19763>
BTA em alta -- No primeiro trimestre de 1991, o Banco Totta & Açores (BTA)
triplicou os resultados líquidos provisórios em relação a igual período
do ano anterior, ao registar cerca de cinco milhões de contos. O
«cash-flow» líquido, por seu lado, cresceu 20 por cento relativamente aos
primeiros três meses de 1990. Quanto aos meios líquidos libertos,
ultrapassaram os 9,1 milhões de contos, o que representa um crescimento
da ordem dos 20 por cento. O activo líquido do BTA, reportado à
actividade da instituição apenas em Portugal, aumentou 31 por cento,
atingindo os 880 milhões de contos. O crescimento dos depósitos deverá
ter chegado aos 34 por cento. Os bons resultados do BTA não resultam
apenas do bom desempenho da instituição, mas também do facto de não ter
sido necessário levar a amortizações um montante tão significativo como
no ano passado.

<p n=19764>
...e encomendas de bens duradouros também -- As encomendas de bens
duradouros pelas empresas norte-americanas caíram 6,2 por cento durante o
mês de Março, fixando-se ao nível mais baixo dos últimos três anos,
revelam dados do Departamento de Comércio. Esta baixa acentuada
surpreendeu os analistas, pois surge numa altura em que alguns
indicadores dão sinais de que a economia norte-americana poderá estar em
vias de sair da recessão. Os dados sobre as encomendas de bens duradouros
são considerados bons barómetros sobre a evolução da actividade na
indústria do país. As estatísticas do Departamento de Comércio adiantam
que a baixa de Março se deveu, sobretudo, à descida do nível de
encomendas efectuadas pelos sectores aeronáutico e de defesa, surgindo
assim como uma consequência do final da guerra no Golfo.

<p n=19765>
Com a confirmação da derrota de Helmut Kohl nas eleições regionais
realizadas na Alemanha, o franco suiço registou novos ganhos, atingindo
um dos níveis mais elevados do ano na paridade contra o marco (1.1976),
continuando a existir a possibilidade de se manter esta tendência de
valorização da moeda suiça.

<p n=19766>
O abrandamento da economia mundial é, em síntese, o principal ponto das
novas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o ano em
curso. O ano de 1992 já será diferente -- os baixos preços do petróleo e o
aumento da confiança nos mercados farão, de acordo com a instituição, com
que a economia mundial torne a subir.

<p n=19767>
Com a valorização da moeda norte-americana, a libra perdeu algum do seu
valor no mercado internacional no início da semana. Com as posteriores
intervenções dos bancos centrais, a moeda do Reino Unido estabilizou não
sofrendo grande oscilação nos últimos dias do período. Isto deveu-se,
também , à aproximação da reunião do Grupo dos Sete agendada para o
fim-de-semana passado.

<p n=19768>
Com as intervenções por parte dos bancos centrais para susterem a descida
do marco, a moeda alemã conseguiu estabilizar, mas prevêm os operadores
de mercado que a tendência continue durante a próxima semana.

<p n=19769>
Até dia 24, no MMI transaccionaram-se 238 124 milhares de contos, o que
traduz uma média diária de 79 374 mil contos. Salientem-se os níveis de
taxas de juro que se praticaram no mercado, (atingiu-se os 65 por cento),
reflexo da grande procura existente no sistema, que teve como
consequência o Banco de Portugal a injectar liquidez, comprando Bilhetes
do Tesouro e outros títulos da dívida pública - 138 789 mil e 37 514 mil
contos respectivamente - para assim as instituições de crédito cumprirem
a reserva mínima legal.

<p n=19770>
Sem grandes alterações no que respeita ao mercado secundário, foram
colocados dez milhões de contos à taxa média de 18,4375 por cento da
emissão de 15 de Março, pelo prazo de 143 dias, constituindo novidade o
facto de se ter alterado o montante mínimo das propostas a apresentar, de
20 milhares de contos para os 10 atrás retidos.

<p n=19771>
8,5 por cento foi a taxa de desemprego registada na Comunidade Económica
Europeia no mês de Fevereiro de 1991, o que significa um crescimento de
0,1 pontos, em relação ao mês anterior. Os dados da Eurostat, organismo
oficial de estatísticas da Comunidade, revelam que é a primeira vez,
desde o Verão de 1985, que a taxa de desemprego conjunta aumentou (0,5
por cento), em relação ao mês homólogo do ano anterior. O Reino Unido foi
o país que registou o maior agravamento (6,3 por cento para 7,5 por
cento). Os restantes Estados-membros tiveram variações pouco
significativas. As estimativas, corrigidas de variações sazonais e dos
diferentes métodos nacionais de recenseamento, mostram que o Luxemburgo
(1,6 por cento), Portugal (4,4 por cento) e Alemanha sem os territórios
da ex-RDA (4,6 por cento) foram os Estados-membros que registaram valores
mais baixos. Os países com uma taxa de desemprego mais elevada foram a
Irlanda (16,3 por cento) e a Espanha (15,9 por cento).

<p n=19772>
6 milhões de contos é quanto vai custar a primeira fase do Europarque. A
Associação Industrial Portuense (AIP) tem já um plano de financiamento do
projecto, que inclui o recurso a fundos do Feder (Fundo Europeu para o
Desenvolvimento Regional) e a um empréstimo do BEI (Banco Europeu de
Investimentos). A associação empresarial nortenha está disposta a
investir 600 mil contos de capitais próprios na primeira fase da obra e
espera que o Feder venha a comparticipar em cerca de 75 por cento do
custo total desta primeira fase, ao mesmo tempo que já tem preparado todo
o processo para pedido de empréstimo junto de BEI.

<p n=19773>
Constâncio quer inflação a 11 por cento -- Vítor Constâncio afirmou nas IV
Jornadas Monetárias promovidas pela Siemca, uma mediadora do mercado
monetário, que há «condições para que a taxa de inflação em 1991 fique
próxima dos 11 por cento». Constâncio acrescentou que o actual ritmo de
decréscimo dos preços criará condições para que Portugal adira ao
mecanismo de câmbios em finais de 1992 e referiu-se à fase de transição
que se vive na política monetária portuguesa ao considerar que apenas
permite «uma navegação à vista». O ex-governador do banco central
salientou que Portugal está a atravessar uma fase em que as autoridades
monetárias têm dificuldade em saber quais os indicadores a que haverá de
prestar atenção. Alguns agregados que se encontravam fora do âmbito da
política monetária, referentes a fundos de tesouraria, empresas de
«leasing», etc., vão reentrar na análise do Banco de Portugal. Por isso,
Vítor Constâncio não estranha que haja um disparo dos indicadores que
medem o comportamento da liquidez da economia.

<p n=19774>
Elias, o privatizador -- O secretário de Estado das Finanças, Elias da
Costa, em entrevista ao «Diário Económico», admitiu a dificuldade de
cumprir na totalidade o calendário de privatizações até ao final de 1993,
mas garantiu que pelo menos as empresas estratégicas serão alienadas até
essa data. O secretário de Estado disse, ainda, que o Estado está a
negociar com António Champalimaud a resolução do litígio que o opõe ao
antigo proprietário do Banco Pinto & Sotto Mayor. Elias da Costa
acrescentou que o processo está a ser conduzido pelo próprio banco, que
tenta avaliar as indemnizações a pagar a Champalimaud. Em relação às
privatizações, o secretário de Estado prometeu ainda que até final do
corrente ano «vão estar privatizados os três maiores bancos comerciais
portugueses: o Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa, o Banco
Português do Atlântico e o Banco Totta & Açores.

<p n=19775>
O FMI desaconselha o investimento na União Soviética. Os dados
estatísticos mais recentes deixam à vista uma situação económica
considerada catastrófica. É neste cenário que acaba de ser aprovado um
plano anticrise. Mais uma vez, para encontrar o caminho para o mercado.

<p n=19776>
Ninguém, pelo menos aparentemente, se opunha a essa transformação. No
entanto, quando o «projecto Abalkin» chegou aos deputados, surgiram
dúvidas e levantaram-se objecções. Referiam os críticos que ele era
«pouco explícito» ou «pouco profundo», e exigia-se tempo para o estudar.

<p n=19777>
Cuidar da própria aparência proporciona às empresas de produtos
cosméticos vendas de 50 milhões de contos por ano. Neste mercado, quem
manda são as multinacionais. Mas há empresas portuguesas à conquista de
uma posição.

<p n=19778>
A Lever assume-se como a empresa que mais vende neste mercado. Apresenta
uma facturação ligeiramente superior a oito milhões de contos, o que,
segundo Ricardo Monteiro, director da empresa, significa uma quota de
mercado na ordem dos 15 por cento. Aquele quadro da Lever acrescenta que
a produção e comercialização de produtos cosméticos tem uma «elevada
rentabilidade». No caso da Lever, a venda desses produtos é responsável
por um terço das vendas totais da empresa, mas contribui para metade dos
resultados líquidos.

<p n=19779>
Se a vida sindical fosse um romance, a CGTP teria, sem dúvida, o papel do
herói romântico, à maneira antiga, e cheio de ideais, pelo menos a julgar
pelas palavras. Mas a realidade nua e crua dos números é outra, e a UGT
parece assumir claramente o papel da central «yuppie», deixando na
história as memórias de há dez anos e partindo à conquista dos milhões.
Nenhuma recusa, no entanto, o papel de patrão... das massas e dos
cifrões.

<p n=19780>
«Algumas dezenas de milhares de contos», afirma Américo Nunes,
escusando-se, contudo, a precisar a quantia, até porque, «o 1º de Maio
pode, numa determinada altura, não ser a realização mais importante,
ultrapassada, por exemplo, por uma greve geral». A CGTP não gosta de
falar de dinheiros. Apesar de afirmar «não ter preconceitos», Américo
Nunes desdenha das actividades empresariais da central, referindo-se-lhe
como «pequenas coisas sem grande significado patrimonial». Participação
numa agência de viagens, a Agiturismo, um parque de campismo, em Vila
Nova de Milfontes, o Campo e Turismo, uma módica fatia da Rádio Energia,
em Lisboa, e da Rádio Activa, no Porto, correspondem às «pequenas coisas»
de que fala este dirigente.

<p n=19781>
Transacções imobiliárias, construção de um clínica e um parque de
campismo são alguns dos negócios que fazem crescer o património do
Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas. Para este ano, o orçamento é de
oito milhões de contos. Se houver dinheiro, é possível desencadear acções
consistentes, refere Barbosa de Oliveira, presidente do SBSI.

<p n=19782>
«É um perigo tremendo para os sindicatos manterem-se na dependência de
uma única fonte de receitas, as quotas», defende Barbosa de Oliveira,
para quem é inevitável que, em Portugal, suceda o fenómeno da
dessindicalização, bem conhecido noutros países europeus.

<p n=19783>
Relativamente ao primeiro número, o volume de matérias especificamente
teatrais cresceu em quantidade e qualidade neste nº  2 da revista de arte
cultura editada pelo Centro Dramático de Évora. Eugénia Vasques dá uma
panorâmica das «Tendências da Dramaturgia e do Teatro no Século XX», o
qual século (convencionou-se) começa em 1887, ano em que a luz eléctrica
substitui no teatro a iluminação a gás. O texto de E. V. é uma síntese
perfeita e dá pistas bibliográficas para o leitor curioso levar mais
longe o estudo do tema.

<p n=19784>
O menos saboroso da ementa deste «Adágio» não é certamente o artigo
introdutório de Mário Barradas, que investiga as raízes centenárias da
arte cénica na cidade de Évora, desde o tempo em que Gil Vicente foi lá
estrear peças como o «Auto de Mofina Mendes» e a «Floresta de Enganos»
até ao dia em que a cidade-museu foi alcunhada de «capital nacional do
teatro». Esperemos que o próximo número da revista não deixe de noticiar
como em Évora, num belo dia do corrente mês de Abril, Luís Miguel Cintra,
o maior actor português, levantou a voz para dizer que não alinhava em
manobras de autopromoção cavaquista.

<p n=19785 assunto=desporto>
Manuela Bacelar tem vindo a trabalhar em dois projectos de criação de
"albuns" portugueses. Este tipo de livro para crianças, umas vezes
constituído só por imagens, outras com texto, destina-se particularmente
aos primeiros contactos da criança com o livro. Este objectivo
vocaciona-o para uma faixa etária extremamente lata (entre poucos meses e
os 6-7 anos), uma vez que, dadas as diferenças sócio-económicas, muitas
crianças só bastante tarde podem manusear livros. Nas últimas décadas, o
"album" tem vindo a ser objecto de uma pesquisa formal de que Portugal só
tem conhecido um pálido eco.

<p n=19786>
Inspirando ternura sem ser piegas, os Tobias candidatam-se, ao lado do
ursinho de peluche, ao lugar do "objecto transacional" de que falava
Winnicott, ao "objecto afectivo" mencionado pelo criador dos Albuns du
Père Castor. Com esse objectivo foram construídos sólidos: cosidos, de
capas robustas, as folhas resistem ao manusear ainda rude das mãozitas.

<p n=19787>
Um novo pianista mais a sua leitura, segura, de uma dezena de
«standards», maioritariamente associados à história discográfica de
Miles.

<p n=19788>
Anunciada como «a única etiqueta exclusivamente dedicada a actuações ao
vivo», a Night Records acaba de entrar em Portugal. Coxa, por força do
tratamento costumeiro com que algumas das nossas editoras brindam as suas
representadas. A saber: dos quatro títulos lançados a abrir a colecção,
só um já cá toca -- «Radio Nights» de Cannonball Adderley. Na fronteira, à
espera de melhores dias, ficaram Eddie Harris («A Tale of Two Cities»),
Les McCann («Les Is More») e Roland Kirk («The Man Who Cried Fire»).

<p n=19789>
Por mais que oiça à minha volta, não vejo quem possa
disputar a Carmen McRae o título de «A» cantora de jazz. Com Ella
silenciada e Sarah desaparecida, a concorrência esbateu-se. Resta Betty
Carter -- mas essa joga um jogo à parte.

<p n=19790>
Depois dos anos passados no quarteto de John Coltrane (1960-66), em que
revolucionou a aritmética da bateria, Elvin Jones dedicou-se à direcção
dos seus combos. Mas nem sempre a energia com que incendiava a
espiritualidade de Trane conseguiu cimentar um corpo colectivo que,
embora servido por boas vozes solistas (Joe Farrell, Frank Foster, Dave
Liebman, Steve Grossman), raramente logrou libertar-se dessa memória do
passado. A tal ponto que, para muitos, os melhores discos de Elvin são os
que gravou com Coltrane.

<p n=19791>
Ninguém discute a evidência: sem Gil Evans, o jazz das grandes orquestras
depositou as maiores expectativas de inovação, experimentalismo e
interrogação no veterano George Russell. Mais do que originalidade de
opiniões, o que conta é a (in)felicidade da sua expressão: «George
Russell, um jovem herdeiro de Gil Evans (a desordem harmonizada) e de
Duke Ellington (o amor do solista)»; «como Gil Evans e Miles Davis, um
excepcional alquimista de novos talentos»; «um dos últimos dinossauros
das grandes orquestras desde o desaparecimento de Gil Evans». Mas o que
mais importa é que o George Russell dos anos 80 é o mesmo incansável
pesquisador de sonoridades que o jazz se habituou a acolher desde a
década de 50. À frente de sucessivas bandas intercontinentais (com os
músicos europeus em grande destaque), Russell concretiza as suas
combinações de sonoridades, curiosas e audazes, sempre prontas para a
antropofagia dos géneros, desde o rap, incolor, de «Electronic Sonata for
Souls Loved by Nature» aos reflexos, fugidios, do novo Miles em «Struggle
of the Magicians».

<p n=19792>
Mas à margem da figura tutelar já a paisagem é menos tranquila. Se na
cultura o balanço é positivo, mau grado o falhanço de algumas apostas
(texto de Jean-Pierre Rioux), a «lei Deferre» para a descentralização, se
aumentou os centros de decisão, não foi, porém, acompanhada por uma
descentralização do poder do Estado. E o desemprego, afectando em
particular a segunda geração de emigrantes (com o fracasso da tentativa
de repatriamento com indemnização) geraram um mal estar  que se afirmou
no que alguns dos entrevistados finais declaram ser o fenómeno novo mais
importante da década, a aparição de um partido de extrema direita, o
«Front National», que num curto espaço de tempo passa do grau zero de
existência a um apoio que ronda os 20% no eleitorado, «sem equivalente em
qualquer outro país membro da comunidade europeia», segundo Annie
Kriegel, acompanhado pelo declínio do Partido Comunista. A historiadora é
particularmente severa afirmando que «François Mitterand se contenta
agora em reinar sobre o consternador e perigoso campo de ruínas da
sociedade política».

<p n=19793>
A «Life» inicia no número de Abril uma série de reportagens sobre a
família norte-americana. Decidiu fazê-lo a seu modo: caso a caso. Fala
com as pessoas, segue-lhes os passos, vê como passam os dias, junta-se a
elas. A «Life» decidiu viver em família. É que «a família viveu maus
tempos», diz a revista, «é um mundo que se tornou impessoal e cruel». Mas
que não deixa de ser tudo o que se quiser: um lugar de ternura, uma
prisão para os sentimentos, um aconchego da alma, continua a «Life». E
arrisca: «Muitas das famílias que visitámos pouco ou nada têm a ver com
as velhas formas. Muitas nem seriam consideradas famílias, anos atrás.»
«As pessoas que vão conhecer», avisa a revista, «têm pouco em comum,
excepto a luta que travam, com maior ou menor sucesso, para que a família
resulte.» Nos próximos meses, a «Life» traz outros rostos, outras vidas:
uma mulher que raptou o filho, um casal de homossexuais, meninos que têm
dois quartos de dormir, em duas casas. Para este número, um jovem casal e
o nascimento do seu primeiro filho. Eles são Sara e Jim. Estão na capa e
em mais onze páginas. Ela nasceu em Itália, ele em Cincinnati. 
Conheceram-se por acaso nas escadas do Centro Georges Pompidou, em Paris.
Apaixonaram-se. Vivem nos EUA e lutaram durante seis anos pelo dinheiro
para uma casa maior, pelos brinquedos para o filho, pelo desafogo, pela
sobrevivência. Na última página da reportagem, há um recém-nascido. Eles
dizem que têm medo. Mas não se importam. É só o começo.

<p n=19794>
Chegar ao fim de tantos anos e ainda poder descobrir nomes e sons que
seduzem como Lou Colombo atesta a riqueza do jazz. E confirma que há
nomes cujo destino a história repete. Como Colombo.

<p n=19795>
O vasto movimento de indignação internacional contra o apartheid teve o
inesperado mérito de chamar a atenção para a literatura sul-africana,
lançando no Ocidente alguns nomes que, caso contrário,  talvez ainda hoje
se mantivessem numa imerecida obscuridade. Ao mesmo tempo, ao valorizar
as obras politica e socialmente mais comprometidas, o movimento
anti-apartheid contribuiu para tornar a questão racial numa verdadeira
obcessão desta literatura. Os escritores brancos, liberais, de lingua
inglesa, como Alan Paton e Nadine Gordimer, foram os primeiros a
debruçar-se de forma critica sobre o apartheid e também -não por acaso-
os primeiros a impor-se fora das fronteiras do seu país. A literatura em
lingua africanse começou a ser divulgada no exterior apenas nos últimos
anos da década de sessenta, principalmente através da poesia de Breyten
Breytenbach e dos romances de Andre Brink e de J. M. Coetzee. A África do
Sul, vista pelo olhar dos boéres, ganha novas cores, intensas e
perturbadoras, que quase tornam fastidiosas as narrativas dos escritores
de lingua inglesa. Porquê? É uma questão dificil de responder, mas
arrisco-me a afirmar que pela sua relação com África. Contráriamente aos
seus compatriotas de lingua inglesa, os boéres chegaram até aos nossos
dias depois de uma alucinada  e violenta travessia, que durou quase
quatro séculos, pelo interior de África --e da alma africana.

<p n=19796>
Os brasileiros já tem disponivel nas livrarias a tradução deste livro
(«Coração Traidor», Editora Best Seller, São Paulo), que embora
incompreensivelmente truncada não oculta  a emoção e o  talento de Rian
Malam, a sua assombrosa capacidade de olhar África para além da
superficie tranquilizadora dos lugares comuns. Esperemos que em Portugal
possamos em breve ter também acesso ao coração dos boéres.

<p n=19797>
«Isto é o que eles nos fazem; como dominam o nosso discurso». É a
primeira frase do editorial de «MS., The World of Women». É uma revista
feminista e americana, e é isso que a torna tão divertida. Por exemplo,
quando explica que Bush e Hussein têm outras coisas em comum, além da
preocupação com o petróleo: o facto de serem homens e impedirem que as
mulheres tenham o direito de decidir sobre a questão do aborto. Claro que
é tudo verdade, mas escrito assim é engraçado. A primeira reportagem -- as
mulheres e o Ku-Klux-Klan -- não é mesmo nada engraçada, e é sobre as
mulheres que não encontraram nada de mais empolgante para fazer do que
aderir ao KKK. Conta-se a história de uma que ficou muito satisfeita
quando viu que a primeira palavra que a neta conseguiu dizer foi
«Nigger». Aceitam princípios neo-Nazis e querem lugares de liderança nas
organizações: porque «as mulheres são tão capazes de ser bons leaders
como os homens». Uma, com 21 anos, diz a frase que resume o resto: «A
minha religião é a raça branca». Outra diz que tanto lhe faz que David
Duke seja nazi, «desde que diga aos pretos qual é o sítio deles». São
assustadoras.

<p n=19798>
Editor: Lisboa, Banco de Portugal, 1990 (Colecção de Obras Clássicas do
Pensamento Económico Português, no.1)

<p n=19799>
Carlos Amaral Dias -- «Ali Babá -- Droga: Uma Neurose Diabólica do Século
Vinte», Escher, Lisboa, 1991, 100 págs., Preço ?????

<p n=19800>
Recordemos a figura de Ali Babá, personagem de um conto de «As Mil e Uma
Noites»: comerciante astuto, detentor da fórmula mágica («Abre-te
Sésamo») que dá acesso à caverna onde uma quadrilha de quarenta ladrões
esconde os seus tesouros, entra lá, enriquece em segredo e consegue sair
vencedor dos vários confrontos mortais que tem com os membros da
quadrilha. Em contrapartida, o irmão, que conseguiu extorquir-lhe a
fórmula para entrar na caverna, sucumbe no seu interior, esquecido da
frase mágica que abriria a porta.

<p n=19801>
Figura de primeiro plano da BD mundial, Corben é um dos autores mais
assíduos em «USA Magazine», uma revista das edições Glénat (França) que
publica sobretudo produção norte-americana da actualidade. «Temps
Déchiré», agora editada em álbum, é uma dessas obras, que glosa de modo
inteligente o mote das viagens no tempo. Infelizmente, trata-se de uma
edição a preto e branco que não permite avaliar o excelente trabalho de
cor do artista.

<p n=19802>
O número de Inverno de «Lx Comics» é tudo menos frio. Excelente capa,
cinquenta e duas páginas, quinze bandas desenhadas, dezasseis autores e
mais alguns textos permitem uma primeira aproximação aos conteúdos da
terceira edição desta revista dirigida por Renato Abreu e João Paulo
Cotrim. No mesmo sentido se pronuncia o editorial, ao lembrar as «150
páginas de nova BD em português» já dadas à estampa até ao momento. No
entanto, para lá da frieza dos números, encontra-se o apreciável esforço
de publicação de originais inéditos de autores portugueses, cobrindo
todas as tendências estéticas e temáticas. Mais clássicas umas, mais
experimentalistas outras, todas estas bandas demonstram que -- ao
contrário do que o nosso movimento editorial poderia indiciar -- a banda
desenhada feita e pensada em português está viva e aspira a encontrar os
espaços naturais de expressão.

<p n=19803>
No desejo alucinante de investir novos objectos na sua história, o corpo
é, sem dúvida, uma proposta aliciante. Tanto aliciante, porém, quanto
escorregadia. Porque a história é, por natureza, um ritual de
sociabilidade, que só assume significado no quadro das partilhas dos
objectos, a história do corpo tem de ser uma invenção, um novo rito de
apropriação colectiva de um objecto até aqui excluído.

<p n=19804>
Jorge Crespo encontra os seus vestígios deste seu pretendido objectivo no
discurso da retórica institucional -- no discurso médico, científico,
policial ou ritual --, sem ordenar qualquer reflexão radical sobre a
fractura entre as representações, múltiplas, do corpo partilhado, do
corpo socializado e institucional e aquele corpo privado que é o objecto
escondido e o discurso excluído. Confere, para mais, uma bizarra
fiabilidade às retóricas, as médicas por exemplo, como imediatos
expoentes do objecto que presume.

<p n=19805 assunto=desporto>
«Alguns poemas: esquecidos entre a cinza dourada do quotidiano/e a
amargura das intenções./(...)/Ouve: os poemas são alusões/dolorosas,
infinitas. A outros poemas, a Deus,/a pequenas obsessões pessoais:/corpo
choro casa» (pp. 17-18). Comecei por citar estes versos do último livro
de Luís Filipe Castro Mendes (n.1950), porque neles se condensa uma ideia
possível para a sua leitura: essa que nos propõe olharmos a poesia como o
resultado mais ou menos residual de acontecimentos quotidianos que
sobrevivem através da palavra poética. A subtil arquitectura de um
universo individual depende da forma como tais circunstâncias se
repercutem ao nível da linguagem, e, a esse respeito, creio que neste
autor (nos seus melhores momentos, pelo menos) podemos já pressentir a
configuração de um mundo.

<p n=19806>
Assim se vai originando um panorama de «recados», um «colóquio
sentimental» (Verlaine) habitado por uma inescapável melancolia em que se
inscreve o fantasma da morte e uma sensação de quase--pavor diante das
palavras. Bem faz o poeta quando reconhece: «Quase sempre é o medo/que
nos conduz à poesia» (p. 24), porque desse medo se alimenta o seu desejo
de se entregar às leis da morte, mas ao mesmo tempo às da poesia,
encarada como «rápida fuga» ou «consolação» perante essa ameaça.

<p n=19807>
Nomes como os de Verga, Pirandello, Borgese, Lampedusa, Brancati,
Vittorini, Sciascia e Bufalino deram à Sicília (e a estes podia juntar-se
uma lista de idêntica importância de autores que, não sendo sicilianos,
escreveram sobre esta região) um estatuto literário não só incomparável
dentro da Itália, como difícil de encontrar em qualquer outra zona
europeia. A invulgar encruzilhada histórico--cultural que distingue o
destino desta ilha mediterrânica, sofrendo invasões sobre invasões,
ocupação sobre ocupação, e as peculiaridades do seu meio social motivaram
os escritores sicilianos a uma melancólica, mas original, reflexão sobre
os meandros históricos e o modo como a estrutura mítica enforma a
mentalidade popular. Lampedusa, nesse inesquecível romance que é «O
Leopardo», caracterizou lapidarmente, pela boca do príncipe de Salina, o
percurso deste povo que, profundamente marcado pela resignação e pela
miséria, nunca obteve outra condição que não fosse a de ser o «sal da
terra»: «Muda-se sempre tudo para que nada mude.»

<p n=19808>
Esta viagem realiza-se por motivações opostas, mas que, no essencial, se
revelam como as duas faces da mesma moeda: enquanto o nobre milanês a
efectua para apaziguar a sua paixão frustrada, o ex--frade viaja com o fim
de obter meios materiais que lhe permitam perpetuar o seu amor. De
qualquer modo, a viagem é, para as duas personagens, uma via iniciática
(sublimatória para um, prenunciatória para outro) de abordar o fugidio
objecto amado.

<p n=19809>
Em Portugal continuamos a prestar pouca ou nenhuma atenção a muitos que,
fora do pequeno quadrilátero, e não se demorando nas visitas à sua
capital, têm trabalhado, por vezes em condições bem adversas, pela
vitalidade e pela dignificação da língua e da literatura portuguesa.

<p n=19810>
Mas ninguém esperaria que os poderes lisboetas reconhecessem alegremente
esta verdade enunciada por um escritor da diáspora: «no espaço cultural
da República Portuguesa há unidades que gravitam com mais ou menos
autonomia, em volta do centro». Vem esta frase no livro «Açores,
Açorianos, Açorianidade» e é seu autor Onésimo Teotónio Almeida, que sem
exagero pode ser dado como uma das mais fascinantes personalidades da
cultura portuguesa viva.

<p n=19811>
A perfeição não existe, mas desta vez um construtor automóvel
aproximou-se bastante dela. Bem deenhado, rápido, seguro e confortável, o
mais novo e mais pequeno dos BMW é um carro surpreendente. E,
naturalmente, caro.

<p n=19812>
Baixa, ancas latinas a trair a sua ascendência italiana, Bobbie Battista
sorri, e é como se não estivesse acostumada ainda aos ritos de quem faz
parte do pequeno grupo das primeiras vedetas mundiais da televisão.

<p n=19813>
«Não temos nada a aprender; só técnicas a melhorar», diz o
vice-presidente da CNN, Robert Ross, enquanto come uma sandes tripla de
queijo, fiambre e salada, a fazer de almoço.

<p n=19814>
O visitante entra nos estúdios da sede da CNN, em Atlanta, por umas
escadas rolantes. As maiores do mundo, como convém que exiba quem faz
negócio na América.

<p n=19815>
Cristóvão Colombo chamou-lhe «a terra mais formosa que olhos humanbos já
viram.» Para lá chegar, podem aproveitar-se os voos charters que a Cubana
de Aviacion oferece, com partida de algumas capitais europeias, como
Madrid. Se chegará lá em menos tempo que o aventureiro Colombo, é uma
outra questão.

<p n=19816>
O Habana Libre, antigo Hilton, foi onde no pós-revolução Fidel Castro
montou o seu «quartel general». É um colosso de 23 andares, com bonita
vista panorâmica, caro e sem charme. (ca. 85 dólares).

<p n=19817>
O limpa-párabrisas do Turitáxi, um Lada de produção soviética, quedara-se
em desesperante silêncio. Lá fora, a chuva, indiferente às preces e
pragas do taxista e aos dólares dos quatro turistas, não dava sinais de
tréguas. Muito menos de acabar antes das folhas do jornal Granma, o orgão
oficial do comité central do partido comunista de Cuba com que ele
tentava, face à chuva (como se respondesse aos apelos de Fidel), «fazer
dos reveses vitórias, por grandes que sejam».

<p n=19818>
Sinais dos tempos. Para fazer face à crise económica, o Comandante en
Jefe teve o prazer de nos participar oficialmente a chegada de 200 mil
bicicletas da China. Outras 500 mil estão a caminho. Mas há 10 milhões de
cubanos e, para os remendados Cadilacs dos anos 40 que por ali circulam,
só há 50 litros de gasolina por mês. O suficente para fazer o percurso da
bomba até casa, e daí até à bicha da próxima bomba de gasolina... Talvez
por isso Fidel Castro esteja verdadeiramente entusiasmado com a ideia dos
bícepedes: «Isto é um enorme desafio tecnológico, compañeros! Uma destas
bicicletas é composta por 347 peças diferentes. Eu observei
detalhadamente a produção de bicicletas e reparei que as bicicletas
russas são construídas com dínamo, e as chinesas só com um reflector. Nós
também passaremos sem dínamo! Um trabalhador contou-me que anda todos os
dias 21 km até ao trabalho. E vocês sabem o que ele me disse? Ele disse
que com a bicicleta precisa de menos tempo do que um autocarro!».

<p n=19819>
Na continuação dos festejos dos quatro anos seguidos de reinado do rei da
Sildávia, este resolveu mandar fazer uns brincos em arame de ouro para a
sua filha mais velha. Mas, como sabemos (v. o problema resolvido no
PÚBLICO em 7.4.91), o rei tinha umas manias quanto às plantas e às vistas
de frente dos edifícios e objectos que mandava construir. Desta vez,
mandou fazer dois tipos de brincos, A e B, exigiu que eles fossem em
arame de ouro dobrado, mas de tal forma que as plantas (vistas de cima) e
as vistas de frente fossem idênticas

<p n=19820>
Vejamos então uma solução para os brincos do tipo A. Para tornar o
desenho mais compreensível, vamos desenhar um cubo em perspectiva que
sirva como esquema para indicar as várias dobragens do arame. Uma solução
possível é a seguinte:

<p n=19821>
De véspera, lave, escalde e pele a lingua. Ponha-a a marinar no vinho,
juntamente com as bagas de zimbro e os alhos esmagados, a pimenta em
grão, e as ervas aromáticas.

<p n=19822>
Ontem, Vitor Duarte, vice-presidente do Instituto Português do Património
Cultural, declarou à agência Lusa que a Secretaria de Estado da Cultura
não é responsável pelo facto de não terem entrado em vigor os
compromissos relativos à reestruturação de carreiras e redução do horário
de trabalho, assumidos pelo IPPC perante os sindicatos representantes dos
trabalhadores dos museus e dos palácios, porque a homologação depende das
Secretarias de Estado do Orçamento e da Modernização Administrativa.
Admitindo que os guardas ganham mal e não têm boas condições de trabalho,
acrescentou que não havia justificação para continuarem a fazer greve. O
novo sistema retributivo também depende da Secretaria de Estado do
Orçamento, mas, segundo Vitor Duarte, quase todas as situações de
salários em atraso e pagamento de horas extraordinárias foram resolvidas;
Nelson Raleiras, da Federação dos Sindicatos da Função Pública, confirmou
à Lusa que muitos dos pagamentos atrasados já tinham sido actualizados,
mas que o conflito não se resolverá enquanto o Governo não cumprir os
acordos.

<p n=19823>
Sting deu ontem à noite em Londres um concerto em que teve  como
convidados jornalistas da Europa, entre os quais alguns portugueses, para
promover o álbum «The Soul Cages». Este é o quinto concerto de uma série
de sete do ex-Police, que têm esgotado na Grã-Bretanha, depois de
idêntico sucesso nos Estados Unidos, país onde «The Soul Cages» bateu
todos os recordes de venda deste ano. A acompanhar Sting, estava uma
banda constituída por Dominic Miller (guitarra), David Sancious (teclas)
e Vinnie Colauita (bateria). Os concertos de Londres realizam-se no
Hammersmith Odeon, uma pequena sala especialmente escolhida por Sting em
detrimento de um estádio, por ser seu desejo «ver a assistência» e
«tornar a música mais intimista».

<p n=19824>
Johnny Thunders, o antigo guitarrista dos New York Dolls, foi encontrado
morto, na terça-feira, num quarto de hotel de Nova Orleães, vítima de uma
overdose de metadona, informaram ontem fontes próximas do médico legista
da cidade. Os New York Dolls gravaram apenas dois discos, antes da
dissolução, e estiveram na origem do chamado «glitter rock», com os seus
fatos espalhafatosos e maquilhagem excessiva. Durante uma digressão à
Europa, em 1972, o baterista da banda, Billy Murcia, viria a morrer
devido a uma mistura de álcool e medicamentos. Johnny Thunders abandonou
o grupo em 1974, integrou de seguida formações como os Heartbreakers Gang
War, e instalou-se em Nova Orleães para se dedicar ao «blues». Tinha 38
anos.

<p n=19825>
Hoje há eleições no Belenenses -- As eleições do Belenenses realizam-se
hoje, opondo as listas A e B, lideradas, respectivamente, por Fernando
Ferreira e António Moita. O último dia da campanha ficou marcado por
alguns incidentes, com a Lista A a queixar-se de um assalto à sua sede de
candidatura, onde terão sido arrancados os placards identificadores e de
propaganda, partidas várias lâmpadas e rasgada a bandeira do Belenenses.

<p n=19826 assunto=desporto>
Semi-finalistas apurados em Monte Carlo -- As meias-finais do torneio de
ténis de Monte Carlo vão opôr o alemão Boris Becker (cabeça-de-série nº
2) ao jugoslavo Goran Prpic e o austríaco Horst Skoff ao espanhol Sergi
Bruguera, recente vencedor do «Estoril Open». Nos quartos-de-final,
Becker afastou o soviético Andrei Chesnokov (nº8 e actual detentor do
título) por 6-1 e 6-3, Prpic eliminou o alemão Carl Uwe Steeb por 6-4 e
6-2, Skoff bateu o sueco Jonas Svensson (nº 6), e Bruguera venceu o sueco
Magnus Gustafsson por 7-5 e 7-5.

<p n=19827>
POLÉMICA NA SELECÇÃO BRITÂNICA -- O treinador da selecção britânica de
futebol, Graham Taylor, voltou a defender a sua decisão de afastar Chris
Waddle, brian Robson e Peter Beardsley da equipa que, na próxima 4.ª
feira, defrontará a Turquia, em jogo de qualificação para o «Europeu» de
futebol.  Taylor avisou ainda que o atacante do Liverpool John Barnes
poderá ser o próximo a ficar de fora. «Acham que pedimos demais aos
nossos atacantes? Eu só quero que eles marquem golos», disse Taylor,
referindo-se ao facto de Waddle ter marcado seis golos em 61 jogos
internacionais e Barnes ter apontado dez em 62.

<p n=19828>
Uma fonte do estado-maior general das FAPLA anunciou entretanto que cerca
de 300 elementos da ex-Koevoet (força usada pela África do Sul para
combater a Swapo na Namíbia) estão a operar a sul de Luena, na província
angolana do Moxico, ao lado dos guerrilheiros da UNITA. A mesma fonte
disse que estes elementos utilizam artilharia de longo alcance e que
aviões de origem sul-africana continuam a violar o espaço aéreo angolano,
vindos de Pretória e Upington.

<p n=19829>
O presidente da Câmara de Viana do Alentejo, Manuel Francisco Aleixo, foi
ontem alvejado a tiro de caçadeira, encontrando-se já fora de perigo. O
autarca foi atingido no tórax, pelas 9 h,  ao intervir para apaziguar os
ânimos de João Duarte, de 33 anos, «que parecia ir para matar a mulher«,
segundo o comandante dos bombeiros locais, António Janeiro.

<p n=19830>
Os dois feridos  foram conduzidos ao Hospital de Évora, onde o presidente
da autarquia se encontrava ao principio da noite de ontem a ser submetido
a uma pequena intervenção cirúrgica, sem gravidade, segundo fonte
hospitalar. João Duarte, devido à gravidade do seu estado clinico foi
transferido para o hospital de S. José, em Lisboa, onde deu entrada pelas
12 h.

<p n=19831>
Comissão do 25 de Abril contra a RTP -- A Comissão Promotora da
manifestação comemorativa do 25 de Abril, em Lisboa, protestou ontem, em
comunicado, contra o que considera ter sido «a escandalosa distorção e
manipulação que a RTP/Canal Um fez na reportagem sobre o desfile popular»
entre o Marquês de Pombal e o Rossio, realizado na quinta-feira. «O
triste espectáculo da reportagem» desse desfile «ficará para a história
da manipulação informativa em Portugal» -- sustentam os autores do
comunicado, entre os quais se contam Vasco Lourenco, Gualter Basílio,
Carlos Grilo, Luísa Irene Dias Amado, Isabel Castro, Blasco Hugo
Ferndandes, Mário Tomé e Fransciso Louçã.

<p n=19832>
Freitas do Amaral admitiu ontem, na Covilhã, a hipótese de existência de
sabotagem no «caso Camarate». O presidente do CDS disse que, de início,
não colocara esta possibilidade, mas, depois de ler o relatório da
Judiciária, «que estava tão mal feito», foi obrigado a admiti-la. Freitas
do Amaral afirmou ainda que, a confirmar-se a existência de suspeitas
fundamentadas, «trata-se de uma grande responsabilidade que cai sobre o
Governo». «Se houve sabotagem», acrescentou o líder centrista, «o Governo
tem de dar prioridade no que respeita à descoberta dos seus
responsáveis.»

<p n=19833>
O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, vai
visitar oficialmente Moçambique, entre 16 e 19 de Maio, deslocando-se de
seguida à África de Sul, onde permanecerá até ao dia 2 de Junho. Em
Moçambique, Alberto João Jardim avistar-se-á com o Presidente Joaquim
Chissano e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Pascoal Mocumbi. Já
em Pretória, Alberto João Jardim será recebido pelo Presidente De Klerc e
encontrar-se-á com Nelson Mandela, vice-presidente do Congresso Nacional
Africano (ANC), e com o líder zulu Mangosuthu Buthelezi.

<p n=19834>
Pouco faltava para a meia noite de quinta para sexta-feira quando
elementos da organização ecologista «Quercus» e um membro do Núcleo de
Actividades Subaquáticas da Faculdade de Ciências do Porto conseguiram
trazer para a praia de Matosinhos, a bordo de um barco do tipo «zebro», a
foca que desde o princípio do ano vivia na bacia portuária de Leixões.
Para capturar a foca, que pescadores e funcionários portuários batizaram
de «Nina», os ecologistas utilizaram uma rede aberta na pedra junto à
qual o animal costumava repousar e que lhe susteve os violentos torções
dorsais no transporte para o aquário do Instituto de Zoologia Augusto
Nobre, na Foz do Douro, onde passou o resto da noite. Ao fim da tarde
ainda estava por decidir em que avião a «Nina» -- ou a «Russa», como
também já lhe chamaram -- viajará para as águas frias da Cornualha, dentro
de uma caixa alcochoada de madeira e com bilhete comprado por uma
organização ambientalista britânica que, depois de a examinar, a
devolverá ao seu «habitat» natural.

<p n=19835>
Pouco faltava para a meia-noite de quinta-feira quando elementos da
organização ecologista Quercus e um membro do Núcleo de Actividades
Subaquáticas da Faculdade de Ciências do Porto conseguiram trazer para a
praia de Matosinhos, a bordo de um barco do tipo «zebro», a foca que,
desde o princípio do ano, vivia na bacia portuária de Leixões. Para
capturar este mamífero aquático, que pescadores e funcionários portuários
baptizaram de «Nina», os ecologistas utilizaram uma rede aberta na pedra
junto à qual o animal costumava repousar e que lhe susteve os violentos
torções dorsais durante o transporte para o aquário do Instituto de
Zoologia Augusto Nobre, na Foz do Douro, onde passou o resto da noite. Ao
fim da tarde ainda estava por decidir em que avião a «Nina» -- ou a
«Russa», como também já lhe chamaram -- viajará para as águas frias da
Cornualha, dentro de uma caixa acolchoada de madeira e com bilhete
comprado por uma organização ambientalista britânica que, depois de a
examinar, a devolverá ao seu «habitat» natural.

<p n=19836>
Em Portugal, a Direcção-Geral da Pecuária alerta os suinicultores para o
perigo das importações de porcos e a Associação Portuguesa de
Suinicultores avisou os seus associados da necessidade de evitar essa
prática, com medo da propagação da doença, que vai ser debatida, na
próxima segunda-feira, numa reunião do comité científico da CEE. B.S.

<p n=19837>
Com décadas de indefinições, a política nacional para o sector das carnes
continua a ser objecto de uma interminável controvérsia. Quem paga é o
consumidor e grande parte dos agentes económicos envolvidos num negócio
que pouca gente entende. Na «guerra» que há anos se trava neste sector
circulam milhões de contos comunitários e do erário público. Há acusações
graves a organismos governamentais e até quem garanta que já temos
matadouros suficientes para matar dez vezes o gado existente no país. No
entanto, a rede de abate vai ser alargada.

<p n=19838>
A verdade é que no meio deste jogo de espelhos quase todos se queixam,
muitos enriquecem e poucos se entendem. A maioria dos que, em privado,
consideram desastrosa a política governamental recusam-se a tomar posição
abertamente. E ainda menos quando representam associações empresariais do
sector.

<p n=19839>
«O IROMA existe para proteger os interesses de quem o dirige e dos
grandes `lobbies' privados ligados à carne.» A afirmação, frontal, é
assumida por um veterinário de Vila Franca de Xira que não se esconde no
anonimato. Pires da Rocha é um adversário irredutível da política que
presidiu à criação da RNA e ao encerramento de um milhar de matadouros pr
junto à qual o animal costumava repousar e que lhe susteve os ivados nos
últimos seis ou sete anos.

<p n=19840>
Quanto ao argumento de que o fecho dos matadouros se deve à ausência de
condições técnico-sanitárias, Pires da Rocha rejeita essa justificação,
relativamente à grande maioria dos casos.

<p n=19841>
A primeira formulação daquilo que ainda hoje é a miragem da Rede Nacional
de Abates (RNA) surgiu em 1978, no quadro de uma das atribuições
cometidas, em 1974, à ex-JNPP [actual IROMA]: reorganizar o serviço
público de abates e encerrar gradualmente os matadouros que não reunissem
as condições sanitárias exigíveis. O plano previa 45 matadouros em todo o
país, os quais deveriam, numa óptica de verticalização do sector, abater
as reses trazidas pelos talhantes e providenciar pelo máximo
aproveitamento dos seus subprodutos.

<p n=19842>
Ao todo, o país seria dotado de 28 matadouros, obrigados à prestação do
serviço público de abates, sendo 16 privados e mistos -- a construir de
novo --, um cooperativo e 11 da ainda JNPP -- a modernizar.
Simultaneamente, esse documento constituía a ossatura, em termos de
matadouros a contemplar com financiamentos estatais e comunitários,
daquilo que foi chamado o Plano Específico para o Sector das Carnes e
Abates.

<p n=19843>
É um caso exemplar da corrida aos dinheiros comunitários que Portugal
viveu durante anos. Valeu tudo. Até passar por cima de pareceres
negativos dos actuais ministros da Agricultura e do Planeamento. Mas o
que está feito está feito. E quando valores mais altos se levantam, até
os matadouros que eram de mais passam a ser de menos. De um mês para o
outro.

<p n=19844>
A história refere-se ao matadouro industrial da empresa privada
Mapinorte, em Santa Maria da Feira, cujas obras estavam paradas há dois
anos por cessação de pagamentos aos fornecedores. Mas por trás de tudo
está o verdadeiro imbróglio do seu lançamento, com vultosos apoios
comunitários e nacionais, a dezoito quilómetros do matadouro cooperativo
da Uniagri, um outro «elefante branco», há muito instalado em Vale de
Cambra.

<p n=19845>
O Tribunal Cível do Porto destituiu, na passada semana, o Conselho de
Administração da empresa Mapinorte, entregando a sua gestão, por um
período de dois anos, a uma equipa designada pela Assembleia de Credores.
A Mapinorte é uma sociedade anónima, constituída essencialmente por
comerciantes de carnes da região do Porto, cujo principal objectivo
reside na criação do maior matadouro industrial do país.

<p n=19846>
No documento elaborado por esse perito judicial, o veterinário Silva
Pereira, que é simultaneamente delegado do IROMA no Porto, conclui-se que
o colapso financeiro da empresa se deveu sobretudo ao facto de os cerca
de 450 accionistas terem realizado apenas 230 dos 350 mil contos do
capital subscrito. Essa situação acabou por inviabilizar a libertação,
pela Caixa Geral de Depósitos, dos 650 mil contos de empréstimos
bonificados inicialmente previstos na convenção de financiamento, em
favor da Mapinorte, assinada entre o Governo português e a CEE, a 21 de
Novembro de 1986, no âmbito das acções de pré-adesão.

<p n=19847>
«O IROMA existe para proteger os interesses de quem o dirige e dos
grandes `lobbies' privados ligados à carne.» A afirmação, frontal, é
assumida por um veterinário de Vila Franca de Xira que não se esconde no
anonimato. Pires da Rocha é um adversário irredutível da política que
presidiu à criação da RNA e ao encerramento de um milhar de matadouros
privados nos últimos seis ou sete anos.

<p n=19848>
Quanto ao argumento de que o fecho dos matadouros se deve à ausência de
condições técnico-sanitárias, Pires da Rocha rejeita essa justificação,
relativamente à grande maioria dos casos.

<p n=19849>
No início de Março, foi anunciada a transferência de oito embaixadores.
Quase dois meses depois, todos continuam à espera. Os decretos ainda não
foram publicados. As crónicas dificuldades orçamentais do MNE estão na
base do atraso. Resultado: os diplomatas só se poderão instalar nos novos
cargos «lá para o fim do Verão», quando Portugal terá já
responsabilidades acrescidas no quadro comunitário. (pág. 6)

<p n=19850>
A Comissão Europeia vai propor aos Doze um programa de ajuda à 
diversificação e reconversão da indústria têxtil da Comunidade, que
poderá rondar os 400 milhões de ecus (cerca de 72 milhões de contos) --
esperando-se que Portugal seja o grande beneficiado, embora Espanha e
Grécia também estejam na corrida. As modalidades do programa, a forma de
financiamento, os critérios de acesso aos fundos e a repartição pelos
destinatários estão ainda por definir, mas fontes comunitárias disseram
ao PÚBLICO que as primeiras conclusões poderão ser apresentadas em breve
ao Conselho de Ministros da CEE, de modo a que o novo programa esteja
operacional antes de 1993 -- data em que os Doze deverão decidir um novo
reforço dos fundos estruturais. P. 35

<p n=19851>
As especulações sobre a saída de José Eduardo dos Santos da presidência
do MPLA, para se dedicar exclusivamente à chefia do Estado, não devem
confirmar-se. O Congresso Extraordinário do partido no poder em Luanda
termina hoje e vai escolher um secretário-geral para desempenhar grande
parte das funções do presidente. Enquanto MPLA e UNITA continuam a tentar
aproximar posições, no Estoril, Jonas Savimbi declara que um cessar-fogo
poderá ser assinado em Maio. No terreno, prosseguem os combates.

<p n=19852>
Excesso de radiações fizeram encerrar os serviços de radiologia do
Hospital de Santa Cruz. Uma situação sobre a qual se aguarda um relatório
mas que apresenta desde logo uma curiosidade: a descoberta da anomalia
fica a dever-se a um técnico que tomou a iniciativa de fazer medições. Os
especialistas do LNETI foram chamados e constataram os dados iniciais.
Uma situação que oficialmente não tem motivo para alarme».

<p n=19853>
Reparos de «corredor» à falta de cobertura da Rádio Renascença à Semana
Social católica assinalaram ontem o segundo dia de trabalhos daquela
iniciativa, que decorre em Lisboa. Só depois dos comentários de diversos
bispos presentes, a RR começou a divulgar mais notícias sobre o que se
passava no Fórum Picoas. Foi um dos factos importantes do dia, a par da
intervenção de Lourdes Pintasilgo sobre as desigualdades sociais, que
ficou já a constituir um dos pontos altos desta Semana Social 91.

<p n=19854>
António Cruz, depois do êxito de «What Happened» e de um esgotamento,
considera-se pronto para recomeçar

<p n=19855>
António Cruz -- Já fiz trabalhos melhores mas, em 15 anos de carreira,
este foi o primeiro espectáculo em que entrei e que atingiu o grande
público. Tornou-se quase uma moda. Foi uma surpresa, na medida em que o
espectáculo ultrapassou a franja de público que vai habitualmente ao
teatro. Mas já fiz trabalhos melhores, como «A Marquesa de Sade» ou «Faz
Tudo, Faz Tudo, Faz Tudo», na Casa da Comédia, «El Dia que me Quieres»,
no Teatro Ibérico, ou «À Espera de Godot», no Tear, no Porto. O êxito
poderia ter vindo há mais tempo, mesmo que dizê-lo pareça falta de
modéstia.

<p n=19856>
Ainda há  três anos, aquando da sua actuação na Aula Magna, parecia que o
som Durutti Column -- aquele mergulho na interioridade contemplativa da
guitarra de Vini Reilly, pontuado pela extemporaneidade da bateria de
Bruce Mitchell -- nunca evoluiria. Só para mostrar quanto as mistificações
de integridade são absurdas, o seu regresso a Lisboa, sexta-feira
passada, na primeira de duas datas no S. Luiz, constituiu uma descolagem
tão franca quanto airosa da sua proverbial austeridade, cujos factores
mais imediatos foram a introdução de um sistema pró-psicadédico de
projecção de slides e a inclusão de um terceiro elemento na formação,
Paul Miller -- encarregado de «samplers» --, injectando gravações de vozes,
ritmos e efeitos atmosféricos. Servido por estes expedientes, a dupla
Reilly-Mitchell enveredou por uma linha mais rock e enérgica, não
adulterando, mas reconfigurando o seu estilo tradicional à luz das
actuais vagas da sua nativa Manchester. Afinal, Vini Reilly já usava o
cabelo à pagem ainda os Stone Roses e os Inspiral Carpets andavam no
jardim escola... L.M.

<p n=19857>
Veríssimo Serrão, que ontem apresentou em Ponta Delgada uma conferência
sobre o historiador micaelense Gaspar Fructuoso, defende a realização de
um grande congresso sobre esta figura da cultura açoriana, cujo quarto
centenário da morte está a ser assinalado no arquipélago.

<p n=19858>
O actor norte-americano Jeff Conaway foi condenado, na passada
sexta-feira, a 60 dias de prisão, a uma multa de mil e cem dólares (cerca
de 157 contos) e a 300 horas de serviço cívico, por conduzir em estado de
embriaguês, por um tribunal de Los Angeles. O actor, conhecido pelos seus
papéis no filme «Grease» e na série televisiva Táxi, fora apanhado pela
polícia depois de um acidente com um ciclista, no passado mês de
Fevereiro.

<p n=19859>
Cada qual a seu modo, os vocalistas dos Lucretia, Mão Morta e Pop
Dell'Arte, respectivamente, Alagoa, Adolfo Luxúria Canibal e João Peste,
responderam ao implícito desafio mútuo e radicalizaram-se à volta de cada
um dos seus estilos, fazendo o possível por superar a «performance» da
concorrência. É um caso a provar que a reunião de diversos projectos de
atitude marcada serve bem de incentivo para cada uma delas.

<p n=19860>
Os pianistas Maria João Pires e Pedro Burmester, a soprano holandesa Elly
Ameling, Rudolf Jansen, o violinista de origem russa Alexander Markov e
Marie Leonhardt são alguns dos nomes que marcam o programa do XIII
Festival Internacional de Música da Costa Verde, a realizar entre 5 de
Julho e 7 de Agosto, na Póvoa do Varzim, Vila Nova de Famalicão e Braga.
Do programa constam também os conjuntos vocais britânicos The Hilliard
Ensemble e The Tallis Scholars, o Coro Gulbenkian, a Companhia Nacional
de Bailado, o pianista sueco Daniel Propper, a cravista Ana Castro e o
Ensemble Baroque de Mateus, com Marie Leonhardt, em instrumentos
originais. O Ensemble Tetra, composto pelos pianistas Madalena Soveral e
Jean-Louis Haguenauer, e dois membros de Les Percussionistes de
Starsbourg, Christian Hamouy e George van Gucht, trazem ao Festival
primeiras audições de música contemporânea. A produção sinfónica estará a
cargo das orquestras do Porto e Nova Filarmonia.

<p n=19861>
Os espectadores fiéis do TEC sentirão um certo mal-estar perante a
aparente ameaça de duas horas naturalistas e folclóricas. Quanto aos
militantes da causa «gay», atraídos pela fama da peça e pelo cartaz mais
que eloquente, poderão começar por se sentir desapontados com a ideologia
dominante no espectáculo: o jovem João Agonia estava predestinado para
ser homossexual -- a bruxa da avó tinha-o fadado para ser «diferente»
quando ele ainda estava na barriga da mãe; o pederasta do padrinho
contaminou-o com o vício nefando quando ele era ainda infante; a tropa
fez o resto e castigou-lhe a impureza com a prisão. Para João Agonia (e
para Bernardo Santareno?), a homossexualidade é tudo o que João Gaspar
Simões lhe chama, na crítica feita quando a peça foi publicada, em 1961 --
«aberração» e «anomalia sexual» -- e até mais do que isso: uma dependência
pecaminosa de que ele se quer livrar sem o conseguir (muito embora nunca
tenha pecado por palavras ou actos, somente por pensamentos...).

<p n=19862>
O Museu do Prado, em Marid, foi ontem evacuado devido à ameaça telefónica
de uma bomba nas suas instalações, informou a polícia da capital
espanhola. A ameaça aconteceu ao princípio da tarde, 48 horas depois de
uma outra, que dizia estar uma bomba na Pinacoteca do Museu. Na passada
sexta-feira, também o Auditório Nacional de Música de Madrid recebera uma
ameaça de bomba que levou à evacuação das instalações.

<p n=19863>
A inconfundível figura do moço de hotel foi imortalizada na banda
desenhada por um jovem com fato vermelho de botões dourados e um boné que
não esconde uma madeixa loura rebelde. Dá pelo nome de Spirou e foi
criado por Rob-Vel, que faleceu anteontem com 82 anos.

<p n=19864>
Um violoncelo que pertenceu ao músico catalão Pablo Casals, foi vendido
em Londres, num leilão realizado na passada sexta-feira, pela quantia de
143 mil libras (cerca de 36 mil e 300 contos). Segundo os organizadores
do leilão (a casa Christie's), o comprador é um jovem violoncelista
europeu que pretende manter o anonimato. Fabricado no século XVIII pelo
veneziano Carlo Tonini, o violoncelo tinha sido avaliado entre 90 e 110
mil libras (cerca de 23 e 28 mil contos).

<p n=19865>
Os muitos amores de Laura Antonelli -- nomeadamente com o actor francês
Jean-Paul Belmondo -- tornaram-na uma das actrizes mais populares do
cinema italiano.

<p n=19866>
Flautista, compositor e maestro, Carmine Coppola morreu, na sexta-feira,
em Los Angeles, vítima de congestão cerebral. Frustrada ficou a sua
ambição de reconhecimento público como criador musical. Era o pai de
Francis Coppola.

<p n=19867>
Estudou flauta e composição, graduou-se na Juilliard School of Music, de
Nova Iorque, dirigiu vários espectáculos musicais na Broadway -- «Kismet»
e «Once Upon a Matress» -- e ascendeu a primeiro flautista da Sinfónica de
Detroit, cidade onde viria a nascer Francis Coppola. Foi contratado como
flautista da Orquestra da NBC, dirigida por Arturo Toscanini, e fez
arranjos para o Radio City Music Hall.

<p n=19868>
O I Encontro dos Dramaturgos Portugueses realiza-se no dia 1 de Junho, no
Teatro Rivoli, no Porto, no âmbito do FITEI -- Festival Internacional de
Teatro de Expressão Ibérica. A escrita teatral e o seu resultado técnico
é o tema em debate nesta primeira reunião de autores dramáticos e
escritores que, como explicam os organizadores, «pelo menos uma vez
tentaram o teatro». Ainda no âmbito do FITEI, e no dia 8 de Junho,
decorrerá o encontro «A Cenografia Teatral Hoje», dedicado a artistas
plásticos que já trabalharam em teatro.

<p n=19869 assunto=desporto>
Nas meias-finais, Becker (cabeça-de-série nº 2) afastou o jugoslavo Goran
Prpic por 2-0 com um duplo 6-3, enquanto Bruguera (15º ATP e nº 9 no
torneio) eliminava o austríaco Horst Skoff também por 2-0, com os
parciais de 6-1 e 6-4. Mesmo sem repetirem as boas exibições que já
conseguiram neste torneio, dotado com um milhão de dólares em prémios,
tanto Becker como Bruguera demonstraram novamente uma grande consistência
de jogo, atingindo o encontro decisivo com toda a justiça.

<p n=19870>
Luis Santos (Recer/Boavista) foi ontem à tarde o vencedor da 7ª etapa da
Volta ao Algarve em bicicleta, um contra-relógio no sistema de séries em
que os ciclistas eram agrupados por ordem inversa da classificação, dando
vinte voltas à pista, numa distância de nove quilómetros. O camisola
amarela, Joaquim Andrade (Sicasal/Acral), correndo na mesma série do
vencedor da etapa, ficou em quinto lugar tendo-lhe sido averbado o mesmo
tempo do ciclista do Boavista (10' 10,83''). Assim, Joaquim Andrade
cimentou a sua posição de líder da prova aumentando em cerca de dez
segundos a sua vantagem para o 2º classificado, Joaquim Gomes, que fez
uma má prova, ficou no trigésimo lugar neste contra-relógio, cujos cinco
primeiros classificados foram: 1º Luis Santos (Recer/Boavista); 2º Paulo
Silva (Bom Petisco/Tavira); 3º José Dias (Orima/Cantanhede); 4º José
Xavier (Tensai/Mundial Confiança); 5º Joaquim Andrade (Sicasal/Acral),
todos com 10m 10s83cs. A etapa da manhã, corrida entre Tavira e o Alto da
Picota, na distância de 90 km, foi ganha pelo soviético do Bom
Petisco/Tavira, Nentcho Dimitrov, que fez o tempo de 2h06m10s. Joaquim de
Andrade cortou a meta na oitava posição, a 34 segundos do vencedor.

<p n=19871>
O holandês Frans Maassen (Buckler) conquistou ontem a 26ª edição  da
«corrida de ouro de Amstel» em ciclismo, disputada entre Mingersberg-
Vijlenerbos- Eperheide (Holanda), pontuável para a Taça Perrier. Frans
Maassen, que percorreu os 244 km da prova em 6h04m46s, bateu ao «sprint»
o campeão do mundo, o italiano Maurizio Fondriest e o seu compatriota
Dirk De Wolf, vice-campeão do mundo em título. O francês Thierry Laurent
terminou no quarto lugar, com poucos metros de avanço sobre o pelotão
liderado pelo belga Eric Vanderaerden. Cumpridas cinco provas da Taça do
Mundo, o dinamarquês Rolf Sorensen, que ontem cortou a meta no décimo
quinto lugar, lidera a classificação geral, com um total de 62 pontos,
seguido do belga van Hooydonck, 49 pontos, e do vencedor da «corrida de
ouro de Amstel», Frans Maassen, que totaliza agora 45 pontos.

<p n=19872 assunto=desporto>
O Famalicão, ao bater ontem o Vitória de Guimarães por 2-1, conquistou
dois pontos que, nesta fase do campeonato, podem valer a manutenção. A
vitória chegou na segunda parte, na recarga a uma grande penalidade
apontada por Cacioli, e foi alvo de algumas críticas por parte dos
vimaranenses: o técnico João Alves disse terem ficado algumas dúvidas
quanto ao acerto da decisão do árbitro e o guarda-redes Jesus negou ter
tocado em Menad.

<p n=19873 assunto=desporto>
A ganhar por 1-0, o Famalicão passou a praticar um futebol de contenção,
com passes para Figueiredo e demora na reposição da bola em jogo, o que
lhe podia ter custado muito caro. O empate do Vitória aconteceu aos 23',
numa jogada de grande simplicidade, com Basílio a cruzar largo da
esquerda; Ben Hur ficou batido e Soeiro apareceu rápido, dominando a bola
com um toque e fazendo depois passá-la sobre Figueiredo.

<p n=19874>
Avizinham-se os jogos mais quentes da época futebolística, em que as
promoções e descidas vão ser decididas. O CNA não quer interferir na luta
e reuniu ontem os árbitros para dar conselhos e para «uma conversa muito
íntima».

<p n=19875>
No Porto, onde esteve o presidente do CNA, Fernando Marques, foi pedida a
colaboração dos árbitros, «pois dela depende o sucesso do Conselho». Aos
árbitros foi ainda pedido que estejam tranquilos nos jogos quentes,
podendo contar com o apoio do CNA. «Mas só se o souberem merecer, porque
os que não merecerem não serão apoiados e defendidos», afirmou Fernando
Marques na breve introdução que fez à ordem de trabalhos, acrescentando
que «isto não vai ser nada fácil».

<p n=19876>
Apesar de manter a «pole position» -- a 5.ª da sua carreira -- com o tempo
obtido no primeiro treino, Ayrton Senna estava ontem, no final de uma
sessão cronometrada marcada pela chuva, verdadeiramente furioso com a sua
equipa. «É inconcebível», criticava o brasileiro, depois de um incidente
ocorrido no treino livre.

<p n=19877>
Entretanto, a chuva caída na sessão de ontem fez com que os tempos de 6.ª
feira fossem decisivos para a grelha de partida. À chuva, o mais rápido
foi Berger. Para a corrida de hoje, a possibilidade de chuva é grande, o
que deixa os pilotos algo preocupados: «Imola tem um asfalto muito
escorregadio e, com chuva, poderá ser mais uma questão de sorte que de
técnica», avisou Senna. Tudo indica que será uma corrida bastante
disputada, com McLaren, Williams e Ferrari em boa posição para discutirem
a vitória. Restará ver como alguns pilotos estarão a nível psicológico,
nomeadamente Ayrton Senna e Alain Prost que, nos últimos tempos,
multiplicaram os ataques às suas próprias equipas.

<p n=19878>
A Federação Portuguesa de Futebol enviou já às associações distritais a
sua proposta com a data do início do campeonato: o penúltimo domingo de
Agosto, dia 18. A escolha desta data tem em linha de conta a necessidade
de a selecção nacional poder contar com jogadores já em ritmo de
competição aquando da realização do Portugal-Finlândia, no dia 11 de
Setembro. Está também previsto que o campeonato 91/92 seja interrompido à
3ª jornada, para que a equipa nacional possa efectuar alguns jogos
particulares de preparação para esse encontro.

<p n=19879>
Afinal a fé que todos os argentinos ainda depositavam em Maradona não
tinha qualquer razão de ser. O grande futebolista é mesmo um consumidor
de cocaína e a própria polícia argentina apanhou-o «com a boca na
botija».

<p n=19880>
O Benfica conquistou ontem, na Mealhada, o quarto título europeu de
estrada (masculinos), numa prova que ameaça não grangear prestígio. O
triunfo individual pertenceu, no entanto, ao atleta do Sporting, Dionísio
Castro.

<p n=19881>
"Tudo correu como planeáramos", declarou no final, o treinador do
Benfica, Alfredo Barbosa. "O Pinto, o Joaquim Silva e o Crisóstomo",
explicou depois, "tinham recebido orientações para partir o Sporting". Os
outros deveriam "atrasar, quanto pudessem", os restantes atletas da
equipa leonina.

<p n=19882>
De nada valeu ao Nacional ter o domínio do jogo e mais do que isso, ter
jogado em escassos 60 metros, porque pressionou o seu antagonista
obrigando-o a defesa porfiada, mas tranquila e serena. A turma
salgueirista soube preencher muito bem os espaços à frente da sua baliza
e colocar as pedras estrategicamente de molde a não permitir zonas de
tiro aos donos do campo.

<p n=19883>
Veio o intervalo e nem por isso as coisas se alteraram substancialmente
para a segunda parte. Coube, com efeito, ao Nacional novamente o domínio
(consentido) da partida, mas voltaram a evidenciar-se as mesmas falhas do
primeiro tempo, agravadas pelo facto de estar em desvantagem no marcador.
Depois, foi o Salgueiros que tomando o pulso à situação procurou
alimentar mais e melhor o seu contra-ataque, mas fê-lo de uma forma
displicente, dando ideia que o pássaro estava na mão. Só que Ladeira, aos
80', num remate de fora da área, conseguiu o empate, que castiga o mau
trabalho dos dois conjuntos, num jogo com arbitragem correcta de Adão
Mendes.

<p n=19884>
O circuito de Imola recebeu ontem, no segundo dia de treinos para o G.P.
de San Marino, uma agradável visita: a de Alessandro Nannini, o piloto
italiano que ficou afastado da Fórmula 1 quando, em Outubro do ano
passado, sofreu um grave acidente de helicóptero. Foi a primeira vez que
o italiano ex-piloto da Benetton retomou o contaco directo com a F.1 e
estava visivelmente satisfeito: «Estou feliz por ouvir de novo o barulho
dos motores!», declarou.

<p n=19885>
A chuva que afectou o segundo treino da Fórmula 1, impediu também os
pilotos portugueses de melhorarem as suas posições na grelha de partida
para a corrida da Fórmula Opel-Lotus que hoje se disputa, antes do G.P.
de San Marino. Desta forma, Pedro Lamy partirá da segunda linha da
grelha, já que manteve a 3.ª posição.

<p n=19886 assunto=desporto>
Apurados na passada quinta-feira para a final da Taça de Portugal de
râguebi, o Benfica, vencedor em Coimbra frente à Académica, por 20-9, e o
Cascais, que bateu o CDUL por 17-12, discutem já hoje, no Estádio
Nacional, às 15h30, a posse do troféu.

<p n=19887>
O Benfica, depois da vitória em Coimbra, só precisa de um triunfo para
fazer o pleno Campeonato-Taça. Encontra-se moralizado e animado por esse
espírito de conquista, tem jogadores que já provaram serem capazes de
grandes coisas, mas vai ter pela frente uma equipa chamada Cascais que
está ferida no seu orgulho depois de perder o campeonato duas vezes
consecutivas com o mesmo número de pontos do campeão e ter perdido a Taça
no ano passado por um escasso ponto frente à Académica, tudo vai fazer
para vencer a partida. E tem também excelentes jogadores, além de que é
orientada por João Paulo Bessa, profundo conhecedor do fenómeno
raguebista.

<p n=19888>
O Sporting regressou de Milão na madrugada de 25 de Abril. Sem motivos
para festejar, o ambiente era cinzento e até o champanhe chegou a Lisboa
por beber.

<p n=19889>
Mas havia já adeptos mais conformados e que analisavam melhor a
realidade: a presença nas meias-finais de uma competição europeia, numa
temporada que foi definida pelos seus dirigentes como «de transição», é
um prémio para o Sporting, que alcançou uma meta ao alcance de poucos
clubes. Ainda que derrotados, os «leões» foram notícia na imprensa
internacional, tiveram oportunidade (nem sempre bem aproveitada) para
valorizar alguns dos seus jogadores, obtiveram boas receitas e mantiveram
o interesse dos adeptos na evolução da equipa até o fim de Abril, mesmo
depois de terem sido afastados da discussão do título nacional. Tudo
coisas que já não aconteciam ao Sporting há muitos anos.

<p n=19890>
José Carlos Macedo foi a grande figura do dia de treinos para o Circuito
de Vila Real/Casa do Douro, ao conseguir a «pole position» para duas das
quatro corridas que hoje se disputarão, os troféus BMW/Mobil e Renault
Clio Galp.

<p n=19891>
Neste treino, Rui Lages (Citroën BX19) sofreu um aparatoso despiste,
segundo a sua equipa por o acelerador ter ficado bloqueado. O Citroën
ficou «empoleirado» num «rail» de protecção, algo danificado mas, em
princípio, recuperável para a corrida de hoje. Tempos dos treinos: 1.º
Manuel Fernandes (BMW 325i), 3'07,120''; 2.º Pedro Azeredo (Opel Kadett
GSi), 2'13,066''; 3.º Ferreira da Silva (Peugeot 309 GTi), 3'13,334'';
4.º Ni Amorim (BMW 325i), 3'16,123''; 5.º David Rodrigues (Citroën BX19),
1'17,030''. O acidente de Lages levou a uma interrupção de 1h50' para que
se reparassem os «rails» danificados

<p n=19892>
Uma pubalgia vai afastar Cadete dos relvados pelo menos durante duas
semanas, tempo que será aproveitado para o departamento médico de
Alvalade ministrar ao jogador tratamento específico. Se a lesão
subsistir, Cadete será então operado, por forma a estar totalmente
operacional no início da próxima época. Ausente frente ao Farense estará
também Douglas, que espera agora a decisão da Direcção do clube sobre a
possível instauração de um processo disciplinar. «O Douglas não está
suspenso» -- garantiu Álvaro Braga Júnior, chefe do departamento de
futebol do Sporting, após um encontro com o jogador, que apenas adianta
«estar pronto a regressar ao trabalho quando a equipa o fizer, na 2ª ou
3ª feira». Quanto a Marinho Peres, foi nítida a sua intenção de
desdramatizar a situação: «Douglas é um jogador muito importante desta
equipa que foi infeliz num determinado momento, mas eu só o suspendi do
treino desse dia» -- explicou, salientando que estranhou a atitude do
futebolista, «que sempre foi uma pessoa correcta», e considerando natural
a existência de um certo nervosismo, já que «a eliminação afectou toda a
gente».

<p n=19893>
O Spartak de Moscovo foi multado em 200 mil rublos por ter faltado a dois
jogos do campeonato soviético no fim de Março, altura em que se
encontrava a disputar um torneio particular no Japão. O Spartak, que é
sétimo no campeonato e foi recentemente eliminado nas meias-finais da
Taça dos Campeões frente ao Marselha, não deverá ter dificuldades em
suportar esta multa, bastante pesada, segundo os padrões soviéticos.
Depois de ter atraído multidões de 100 mil pessoas para assistirem aos
encontros com o Real Madrid, o Nápoles e o Marselha, e de garantir boas
receitas no Japão, o Spartak disfruta de uma saudável situação
financeira.

<p n=19894 assunto=desporto>
O ministro da Agricultura, Pescas e Alimentação, Arlindo Cunha, anunciou
ontem a criação da Administração Florestal de Braga, que funcionará
sobretudo  como um serviço de atendimento e apoio técnico.  O membro do
Governo fez a declaração no acto de inauguração da Agro 91-10ª Feira
Internacional de Agricultura, Pecuária e Alimentação e 24ª
Exposição-Feira Agrícola do Norte, em Braga.

<p n=19895>
Durante os noves dias do certame, que encerra no dia 5 de Maio, há também
um vasto programa de  conferências sobre os mais diversificados aspectos
da actividade agrícola. Hoje, pelas 10 horas, no Parque de Exposições de
Braga, decorre um concurso pecuário regional das raças galega, maronesa e
arouquesa. E.J.M

<p n=19896>
Casa escolhida, chave na mão, segue-se um passo cada vez mais caro: o
equipamento doméstico. Na Grande Lisboa, custa entre 827 e 1750 contos, o
que a preços médios significa nove por cento mais do que em 1990 e perto
de três anos de poupança absoluta para quem ganha pouco mais do que o
salário mínimo nacional.

<p n=19897>
Quem quiser equipar uma casa com produtos adquiridos na zona da Grande
Lisboa -- que exclui o recurso ao uso, até à exaustão, de tudo o que os
pais possam dispensar, a ajuda dos familiares e amigos e a compra de
produtos em segunda mão, como os electrodomésticos -- gasta também nove
por cento mais do que há um ano, de acordo com a recolha de preços,
realizada em Março passado, relativa a 30 produtos diferentes junto de 37
estabelecimentos comerciais.

<p n=19898>
Quatro novos hipermercados Feira Nova, mais cinco supermercados Inô, um
«cash and carry» no Lavradio e um projecto imobiliário em Lisboa são os
novos negócios do grupo Inovação. A abertura do capital da «holding» a
estrangeiros poderá acontecer em breve.

<p n=19899>
Relativamente aos novos «hipers», Alfena, nos arredores do Porto, assume
grande importância, já que se trata de uma zona ainda sem nenhum
estabelecimento deste tipo, apesar da grande densidade populacional.
Sesimbra e Guimarães são as outras duas localidades que despertam o
interesse do grupo numa óptica de alargamento de actividade. As
construções iniciar-se-ão logo que haja autorização oficial. Mais
avançado está o projecto de Aveiro, com inauguração prevista para o
princípio de Novembro.

<p n=19900>
A 14ª Expomóvel, ontem inaugurada na Exponor, em Matosinhos, tem a
presença de 155 expositores de mobiliário de madeira e metálico e
iluminação para o lar, e integra ainda sofás, tapeçarias, quadros e
gravuras. A qualidade dos materiais apresentados e o «design» dos 
expositores tornam visível a mudança de atitude empresarial que tem vindo
a ser exigida ao sector e que será apoiada em breve com um uma linha de
financiamento específica à indústria de mobiliário de 15 milhões de
contos, no âmbito do Programa Específico de Desenvolvimento da Indústria
Portuguesa (PEDIP).

<p n=19901>
De acordo com números do Instituto Nacional de Estatística, o Índice de
Produção Industrial referente ao mês de Novembro de 1990 cresceu 8,41 por
cento relativamente ao mesmo mês de 1989. A média dos meses de Janeiro a
Novembro de 1990 foi também superior à de idêntico período do ano
anterior, tendo crescido 9,04 por cento, com acréscimos em torno dos seis
por cento em todos os tipos de bens -- de consumo, intermédios e de
investimento. De entre os sectores industriais que mais contribuiram para
esta evolução, destacam-se a «Extracção de minérios metálicos», as
«Indústrias dos produtos minerais não metálicos com excepção dos
derivados de petróleo bruto e do carvão» e a «Construção de máquinas,
aparelhos, utensílios e outro material eléctrico».

<p n=19902>
Belmiro de Azevedo defendeu ontem, em Setúbal, a necessidade de «tornar a
política de apoios ao empresariado altamente selectiva», propiciando-se,
assim, o que afirma ser a «colocação dos ovos nas cestas certas». Para o
empresário nortenho, a selectividade de apoios é factor essencial para a
modernização das pequenas e médias empresas, contrapondo os «bastantes
erros que têm sido cometidos, porque se pretende satisfazer toda a
gente».

<p n=19903>
Sobre o investimento estrangeiro, Belmiro de Azevedo defendeu a sua
continuidade, «sem falsos militantismos», alegando que dessa forma
«haverá alargamento de mercado, vitalidade concorrencial e transmissão de
novos conhecimentos de gestão». Raul Tavares, correspondente em Setúbal

<p n=19904>
O Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) está envolvido num projecto que irá
permitir o levantamento e a realização de um ficheiro sobre a disposição
dos terrenos vinícolas do país e das castas neles criadas. Trata-se de um
investimento em modernização e informatização que envolve fundos
comunitários e dá pelo nome de Casier. Este programa não se limita ao
território português, uma vez que o seu objectivo consiste na elaboração
do ficheiro vitícola comunitário, com base na informação prestada pelos
doze Estados-membros.

<p n=19905>
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) não exclui a hipótese de realizar
nova greve, diante da «ausência de vontade política do Ministério da
Saúde para resolver os problemas do sector», declarou Merlinde Madureira,
dirigente da FNAM. Em causa, estão as reivindicações às quais «continua a
não haver resposta» e que dizem essencialmente respeito ao
descongelamento de escalões e à progressão na carreira. O Conselho
Nacional da FNAM, que ontem reuniu em Coimbra, decidiu mandatar a
Comissão Executiva da organização para decidir, na próxima quinta-feira,
quais as medidas a tomar no sentido de pressionar o Governo. «É
perfeitamente claro que o Governo está resolvido a deixar arrastar a
situação» declarou Merlinde Madureira, que salientou que «as reuniões com
o Ministério se têm revelado totalmente infrutíferas».«O ministro da
Saúde parece não querer assumir qualquer compromisso que possa trazer
encargos económicos ou provocar discussão política», afirmou. G.R.

<p n=19906>
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) não exclui a hipótese de realizar
nova greve, diante da «ausência de vontade política do Ministério da
Saúde para resolver os problemas do sector», declarou Merlinde Madureira,
dirigente da FNAM. Em causa, estão as reivindicações às quais «continua a
não haver resposta» e que dizem essencialmente respeito ao
descongelamento de escalões e à progressão na carreira. O Conselho
Nacional da FNAM, que ontem reuniu em Coimbra, decidiu mandatar a
Comissão Executiva da organização para decidir, na próxima quinta-feira,
quais as medidas a tomar no sentido de pressionar o Governo. «É
perfeitamente claro que o Governo está resolvido a deixar arrastar a
situação» declarou Merlinde Madureira, que salientou que «as reuniões com
o Ministério se têm revelado totalmente infrutíferas».«O ministro da
Saúde parece não querer assumir qualquer compromisso que possa trazer
encargos económicos ou provocar discussão política», afirmou. G.R.

<p n=19907>
O ideal seria portanto desenvolver uma vacina que imunizasse as pessoas --
isto é, que estimulasse duravelmente as suas defesas imunitárias. Há já
vários anos que diversas equipas de cientistas procuram uma maneira de o
fazer. A tarefa tem-se revelado, porém, muito difícil.

<p n=19908>
Enquanto o mercado francês de gasolina sem chumbo parece estagnar, as
vendas em Portugal, onde surgiu mais tarde do que nos restantes países
comunitários, continuam a crescer e a ganhar novos consumidores.

<p n=19909>
Apesar de traduzir um aumento fulgurante relativamente ao ano passado --
entre Janeiro e Outubro de 1990, as vendas de gasolina sem chumbo não
representaram mais de 1,34 por cento do total do combustível vendido --,
este valor está muito longe dos resultados obtidos em outros países com
características de desenvolvimento análogas às de Portugal. Está nesse
caso a Irlanda, que apresenta uma taxa de 21 por cento, enquanto países
mais desenvolvidos, como a Alemanha e os Estados Unidos, atingem valores
de, respectivamente, 68,3 e 75 por cento. O Japão, por seu lado, já só
consome gasolina sem chumbo.

<p n=19910>
Os «hamburguers» vendidos em Espanha registam um desequilíbrio nutritivo,
má qualidade e contaminação bacteriana frequente, refere a última edição
da revista «Consumerismo», publicada pela Confederacion Estatal de
Consumidores y Usuarios (CECU), citando os resultados de um estudo
realizado no primeiro trimestre deste ano pela Organización de
Consumidores y Usuarios  (OCU). As amostras analisadas foram recolhidas
em estabelecimentos das três cadeias multinacionais estabelecidas no país
vizinho: Burguer King, Mc Donald's e Wendy. Os resultados das análises,
que obrigaram o Ministério da Saúde e do Consumo a promover um exame às
condições higiénicas e sanitárias de produção daqueles produtos
alimentares, levantam de novo, segundo a CECU, o problema da falta de
regulamentação técnico-sanitária neste sector.

<p n=19911>
Um medicamento produzido pela empresa farmacêutica Roche para tratar
casos graves de psoríase e acne foi reintroduzido no mercado
internacional, depois de a respectiva comercialização ter sido suspensa
pelo laboratório em pelo menos um país europeu.

<p n=19912>
O PARLAMENTO da Geórgia aprovou ontem uma resolução que prevê a
incorporação da disputada região da Ossétia do Sul no seu território. A
votação é encarada como mais um desafio à autoridade do Presidente
soviético Mikhail Gorbatchov, que tenta a todo o custo preservar a União.

<p n=19913>
O líder nacionalista Zviad Gamsakhurdia, que tem vindo a reforçar
substancialmente o seu poder, aboliu no ano passado o estatuto de região
autónoma para a Ossétia do Sul, após o território ter afirmado que
desejava permanecer na União Soviética. Nos confrontos que se seguiram
este ano entre ossetianos e georgianos, já foram mortas mais de 50
pessoas.

<p n=19914>
O grupo dirigido por Oliver Tambo e Nelson Mandela continua a não
contemporizar com as autoridades sul-africanas, apesar de todas as
medidas reformistas que Pretória tomou nos últimos 15 meses e que lhe
valeram a simpatia da Comunidade Europeia.

<p n=19915>
O secretário-geral daquele grupo de inspiração marxista, Alfred Nzo,
declarou em conferência de imprensa, dada na mítica cidade negra de
Soweto, que o ANC vai boicotar as conversações multipartidárias de 24 e
25 de Maio: «Não cremos que o congresso de paz deva ser convocado pelo
senhor De Klerk».

<p n=19916>
Innocent Ndayambaje de 29 anos, estudante de Economia da Universidade
Nacional do Ruanda, foi preso em Outubro de 1986 e mantido incomunicável
e sem acusação durante três anos.

<p n=19917>
A AI crê que Innocent Ndayambaje não teve um julgamento justo: não teve
acesso a advogado nem antes nem durante o julgamento, nem qualquer
direito geral de apelo contra a condenação ou a sentença. Os cinco juízes
do tribunal são nomeados por decreto presidencial e incluem dois soldados
e um membro do Gabinete do Presidente. Que se saiba nenhum deles tem
qualquer preparação legal.

<p n=19918>
Innocent Ndayambaje, de 29 anos, estudante de Economia da Universidade
Nacional do Ruanda, foi preso em Outubro de 1986 e mantido incomunicável
e sem acusação formulada durante três anos.

<p n=19919>
A Amnistia Internacional crê que Innocent Ndayambaje não teve um
julgamento justo: foi-lhe negado o acesso a um advogado, antes e durante
o julgamento, não pôde exercer o direito geral de recorrer da condenação
ou da sentença. Os cinco juízes do tribunal, nomeados por decreto
presidencial, incluem dois soldados e um membro do Gabinete do Presidente
e, que se saiba, nenhum deles tem qualquer preparação legal.

<p n=19920>
O segundo congresso que o MPLA efectuou no espaço de cinco meses está
prestes a terminar, mas ao longo do próximo ano aquele partido terá de
trabalhar muito, se acaso desejar resistir ao embate da UNITA e de uma
série de outras forças políticas que actualmente tentam afirmar-se.

<p n=19921>
Atrasado um dia, o congresso apenas hoje termina, depois de ontem ter
aprovado os documentos finais e abordado em exclusivo a questão das
candidaturas e do processo eleitoral do Comité Central que, pela primeira
vez, teve duas listas concorrentes.

<p n=19922>
O Presidente sul-coreano, Roh Tae-Woo, afastou ontem o seu ministro do
Interior, depois de as autoridades terem confirmado que um estudante,
Kang Kyung-Dae, 20 anos, fora espancado até à morte pela polícia, na
sexta-feira. A oposição exigiu já a demissão do Governo.

<p n=19923>
A polícia disparou granadas de gás lacrimogéneo e usou canhões de água
para dispersar os estudantes concentrados em Yonsei. Um porta-voz da
polícia deu conta de outros incidentes em Taejon e Kwangju.

<p n=19924>
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da CEE consideraram ontem no
Luxemburgo que o processo de criação de um pilar europeu de Defesa no
quadro da União Política é inseparável do processo de readaptação em
curso no seio da NATO devido ao desaparecimento da ameaça soviética.

<p n=19925>
A discussão de ontem centrou-se sobre um documento apresentado pela
presidência luxemburguesa que pretende estabelecer os laços orgânicos
entre a CEE, a União da Europa Ocidental (UEO) e a NATO na manutenção da
segurança da Europa, mas «tendo presente as pretensões americanas»,
nomeadamente no que se refere à preservação de um comando militar
integrado único, continuou.

<p n=19926>
Perez de Cuellar mostra-se desiludido com as contribuições à ONU para a
ajuda aos refugiados curdos: EUA e Europa preferem agir por conta
própria. Face à grande confusão em que entrou a acção de ajuda
internacional, a França pede uma reunião do Conselho de Segurança.

<p n=19927>
Um diplomata britânico disse ontem à France Presse no Luxemburgo, onde
decorreu uma reunião dos ministros dos Estrangeiros dos Doze sobre a
situação no Iraque, que Londres partilha a preocupação de Paris sobre o
acordo curdo-iraquiano e a situação dos refugiados. Este acordo «poderá
não fornecer garantias suficientes aos curdos, para os incitar a
abandonarem as montanhas», afirmou o diplomata.

<p n=19928>
Não tenhamos ilusões: há um ajuste de contas por fazer em Angola. Aqueles
que Luanda expulsou em 1975/76 para além das fronteiras do Cuando Cubango
e do Moxico estão de volta. E gritam com convicção: «A nossa marcha é
para Luanda, o nosso objectivo é Luanda!».

<p n=19929>
Quanto ao MPLA, o poder desgastou-o. Fazendo apelo ao autoritarismo, à
repressão, à defesa dos superprivilégios da classe política e ao desprezo
absoluto -- à maneira moscovita -- das classes trabalhadoras, não tem hoje
quase nenhum defensor. Actua sempre por pressão e vai na cauda dos
acontecimentos, bloqueando sempre iniciativas internas de renovação e de
reformas.

<p n=19930>
O Exército chileno anunciou que o general Augusto Pinochet, seu actual
comandante em chefe, viajará para Londres na primeira quinzena de Maio.

<p n=19931>
Para Londres a probabilidade de uma visita de Pinochet representa sérios
problemas protocolares e de segurança. O Governo chileno não fez nenhum
pedido oficial e se Pinochet viajar como cidadão particular não receberá
protecção policial em Londres.

<p n=19932>
O Irão lançou uma ofensiva diplomática para mostrar que não quer ser
«esquecido» no novo equilíbrio regional do pós-guerra. Ontem, em Damasco,
Rafsanjani e Assad reafirmaram a aliança entre os dois países. Da agenda
faz também parte a questão dos reféns ocidentais em Beirute.

<p n=19933>
Apesar da evolução positiva que conheceram nos últimos meses, as relações
do Irão com o Ocidente continuam em grande parte dependentes da resolução
da questão dos reféns. Detidos em Beirute, por grupos ideológicamente
próximos de Teerão, os reféns estão em áreas sob controlo dos soldados
sírios estacionados no Líbano.

<p n=19934>
O MINISTRO israelita da Defesa, Moshe Arens, frisou ontem que «nada ficou
concluído» durante a visita de James Baker a Jerusalém, negando
informações de que o Estado hebraico aceitara algumas das propostas
apresentadas pelo secretário de Estado americano para a realização de uma
conferência de paz israelo-árabe.

<p n=19935>
As únicas questões que ficaram em aberto, segundo os mesmos responsáveis,
foram a participação da ONU na conferência e a composição da delegação
palestiniana.

<p n=19936>
O príncipe Carlos e a sua mulher, a princesa Diana, estiveram no Brasil
para apoiarem a defesa do meio ambiente, mas a sua presença, apesar de
contestada por cerca de 1500 manifestantes em Belém, acabou por promover,
involuntariamente, a causa monárquica ao levar milhares de brasileiros a
sonharem com o retorno da família real ao poder. Um sonho que está a
ganhar cada vez mais adeptos à medida que se aproxima o plebiscito,
marcado para Setembro de 1993, em que os brasileiros serão chamados, pela
primeira vez na sua história, a escolher nas urnas entre a monarquia e a
república.

<p n=19937>
Na passada quinta-feira, um elemento da escola de samba Beija Flor
admitiu, depois de ter dançado para Carlos e Diana num banquete no Rio de
Janeiro, que «um rei poderia fazer muito bem ao Brasil, pois os
brasileiros estão precisando de um pai, tal o abandono em que se
encontram».

<p n=19938>
Quarenta e sete pessoas ficaram feridas nos confrontos registados ontem
de manhã em Bamako, no Mali, entre os estudantes do liceu Askia Mohammed
e forças da polícia, segundo indicaram fontes médicas citadas pela AFP.
Tudo terá começado quando os estudantes decidiram substituir os polícias,
em greve, na orientação do tráfego em Bamako. Os polícias, acusando os
estudantes de estarem a sabotar o seu movimento, dirigiram-se ao liceu
Adkia Mohamed, onde incendiaram as motos dos liceais antes de avançarem
sobre os estudantes. Em represália, estes deitaram fogo às esquadras da
polícia de Bamako.

<p n=19939>
As primeiras conversações de paz em 30 anos de guerra na Guatemala
terminaram sexta-feira, na Cidade do México, com um «sucesso
surpreendente», segundo anunciou o mediador desta ronda, monsenhor
Rodolfo Quezada. «O encontro foi um sucesso completo e ultrapassou todas
as nossas expectativas», afirmou. Segundo Quezada, os representantes da
guerrilha e do Governo guatemalteco, reunidos desde quarta-feira,
chegaram a acordo sobre uma agenda de 12 pontos para futuras negociações
com vista a pôr fim a uma guerra que já fez mais de 100 mil mortos.

<p n=19940>
Os 14 trabalhadores da empresa Odefrutras, que em Março tiveram de
receber tratamento hospitalar, por intoxicação atribuída aos produtos
químicos usados naquela exploração hortofrutícola do concelho de Odemira,
«foram vítimas de si próprios» -- disse ao PÚBLICO o empresário francês
Thierry Roussel. Considerando «inteiramente falsa» a acusação corrente na
zona, segundo a qual os trabalhadores teriam sido atingidos por «gas
mostarda» utilizado para desinfectar os seus terrenos, Roussel,
argumentou que «os desinfectantes utilizados são perfeitamente legais e
de uso vulgar».

<p n=19941>
Apoiado pelo Governo português, o investimento, que ascende a cerca de 15
milhões de contos,  tem garantida uma participação comunitária de 20 por
cento do total previsto e tem sido rodeado de algum mistério. Para os
seus adversários, as suspeitas radicam desde o início no facto de a
propriedade estar situada numa zona de interesse paisagístico, junto ao
mar, e num solo sem grandes aptidões agrícolas.

<p n=19942>
Os suinicultores do Montijo que -- tal como os seus colegas de Alcochete,
Palmela e Moita -- se debatem com o problema dos resíduos das suas
explorações pecuárias, podem ter encontrado ontem a solução ideal para
eliminar os cheiros desagradáveis e a poluição nas zonas onde estão
instalados: uma ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) que,
ocupando apenas 30 metros quadrados de área, consegue «resultados
surpreendentes».

<p n=19943>
«Como habitante desta região há 28 anos senti o problema dos moradores e,
se tudo tem solução, como não havia de encontrar uma para este» --
sublinha José Gamito, um homem que «sem nunca ter ido à escola» gosta de
resolver os problemas difíceis «na arte», como reparar depósitos de água
e restaurá-los.

<p n=19944>
Mais de meia centena de jovens envolveram-se -- ontem de madrugada -- à
pancada após um concerto de rock dos «Censurados», em Loulé. Após o
espectáculo, cerca da 1h30, já na rua, consumaram-se as ameaças de
agressão trocadas no bar do salão de festas municipal entre dois grupos
de Faro e Loulé, que desde há algum tempo se vêm confrontando.

<p n=19945>
Para esta cena de pancadaria em Loulé, os estudantes de ambos os lados
muniram-se de correntes, paus e tacos de golfe, mas não tiveram tempo
para por à prova as suas armas já que a GNR interveio de imediato, com
sete homens e dois cães -- que funcionaram como arma dissuasora. Dos
confrontos, resultou um ferido, que foi abocanhado por um cão, «quando o
estudante agrediu um elemento da corporação, tratador do animal», disse
um elemento da GNR. Contudo,  na confusão que se gerou, outros estudantes
atropelaram-se e foram vítimas de pequenos ferimentos. O estudante em
estado mais grave, mordido pelo cão, natural de Loulé, está detido e
deverá amanhã ser presente ao juiz de instrução criminal.

<p n=19946>
Texas, Lindoso, Estádio, Elefante Branco, Gingão, Fontória, Maxim's,
Finalmente, Trump's, Memorial, Ritz Club, A Carruagem, a roulote do
Relógio, Frágil, Cerca Moura, Alcântara-Café, Mahjong, Sudoeste, Nova,
Kremlin, Caves Adão, Viela, Bana, Bora-Bora, Bipi-bipi, Bar 25, Johny
Guitar, Hot Clube, Noites de Luar e Snob são os bares escolhidos para
figurar nas «Noite de Vidro».

<p n=19947>
O ambiente de um punhado de bares de Lisboa tidos como representativos
das alternativas da boémia alfacinha está a merecer a atenção de vários
desenhadores portugueses e vai ser publicado em forma de album, no
próximo mês de Junho. Nas montras vai estar «Noites de Vidro» -- assim se
chamará a publicação.

<p n=19948>
Hoje é a vez de Lisboa se encontrar com aqueles dois talentos. No Teatro
S. Luiz, ao Chiado, o piano e o baixo -- dois instrumentos que no jazz se
combinam e completam maravilhosamente -- são tratados pelo dueto
norte-americano com a serenidade e beleza análogas à ternura com que os
poetas trabalham a pena e o papel. Isto porque Carla e Steve são, com
efeito, dois poetas inspirados, que transformam palavras em notas
musicais, com origens claras, mas sem fronteiras definidas. Boa música,
só!

<p n=19949>
Um concerto a não perder pelos amantes da originalidade do jazz, com hora
marcada (21h30) para a noite de hoje. No S. Luiz.

<p n=19950>
«Outubro», de Sergei Eisenstein é hoje exibido às 17h30 e às 22h00, no
Auditório Municipal da Amadora, no edifício junto à estação de
caminhos-de-ferro.

<p n=19951>
São mais de 400 obras que se desdobram pela pintura, escultura,
artesanato e artes decorativas, todas elas de artistas do distrito de
Setúbal. Estão reunidas numa exposição organizada por artistas locais,
patente até 19 de Maio no auditório da Anunciada, na cidade sadina.

<p n=19952>
A remoção de viaturas abandonadas vai ser objecto de uma campanha a
desenvolver durante o próximo mês pela Câmara de Oeiras. Numa primeira
fase haverá «uma campanha de sensibilização pública visando a remoção
voluntária dos veículos em situação de estacionamento abusivo».

<p n=19953>
Imagine um espaço amplo quanto baste, recheado com mesas de café à moda
antiga, piano para ser tocado, jornais e revistas para quem quiser e
suaves decibeis de música que agradariam até a Macário Correia. Não tem
visita de Secretário de Estado, mas tem Ambiente - calmo. Fica mesmo no
meio das noites agitadas do Bairro Alto, no número 60 da Rua do Diário de
Notícias, onde guerreia a inflação nocturna com cerveja a 200, whisky a
400 e um aconselhável sumo de kiwi a 300, das quatro da tarde, às duas da
manhã, sempre.

<p n=19954>
É o resultado de uma ideia de gente ligada ao desenho e à ilustração e
que teve acolhimento favorável do pelouro da Cultura da Câmara Municipal
de Lisboa.

<p n=19955>
Os serviços de higiene pública da Câmara de Sintra vão lançar, durante o
mês de Maio, a recolha selectiva de pilhas. Ao todo serão instaladas no
município cem «pilheiras» -- distribuídas em duas fases de 50 unidades --
que, a par da actual recolha de vidro e papel, pretendem contribuir para
uma nova maneira de encarar os resíduos urbanos e a sua eventual
reciclagem.

<p n=19956>
A Assembleia Regional da Madeira está a analisar uma denúncia
apresentada pelo deputado Sérgio Abreu que acusa agentes da Polícia de
Segurança Pública  de o terem agredido e algemado.

<p n=19957>
O mar estava «liso», mas os praticantes de «body-bord» não desistiram.
Durante o dia de ontem, cerca de 70 jovens juntaram-se na praia de
Carcavelos para disputar a primeira prova do «ranking» nacional da
modalidade. Uma iniciativa integrada no programa «Maio Jovem», da Câmara
Municipal de Cascais.

<p n=19958>
Viagens pelo continente negro. Pelos seus costumes e tradições. Pela sua
música. África do deserto e da savana, berço do «jazz» e do samba
brasileiro. África dos sons e tons tórridos que hoje aquecem as caves e
estúdios de Paris. Ocidente rendido à matriz negra. Peter Gabriel, Paul
Simon, Stewart Copeland abriram portas e fizeram a junção dos
continentes. Os músicos e a força africanos fizeram o resto.

<p n=19959>
O terceiro programa da série African Pop será dedicado à Nigéria, da
música «juju» e Fela Kuti, e o seguinte às mútuas influências entre as
músicas africana e europeia. Finalmente, no quinto e último, veremos como
Paris se transformou na principal embaixada africana na Europa. Bastaria
a música de Manu Dibango, Johnny Clegg (inglês de coração zulu), Kassav e
Touré Kunda, para não os perdermos.

<p n=19960>
«No ciudad, Eres Orbe...« Disse  de Sevilha o poeta Herrera, no sec.
XVI. E, com efeito, é um microcosmos o que se nos oferece, nas margens de
Guadalquivir, num jogo de verticalidade -- sempre em tensão, até ao azul
do céu em que se recorta a Giralda; da Sevilha monumental far-se-ia
relação interminável, mas ainda nos faltaria a vida que se manifesta no
quotidiano e nas eclosões festivas, no dizer dos seus paisanos, que a
nossa experiência tem comprovado, únicas no mundo.

<p n=19961>
Soou o clarim e saiu ao ruedo um negro com pata, que nos pareceu
reparado. Em frente à porta do Príncipe, Caballero, de rosa velho e oiro,
executou com o capote três verónicas mandonas. Levou a varas e uma única
dianteira e carregada deixou que se visse a casta do novilho. Três pares
de bandarilhas razoáveis foram cumpridas pela quadrilha. O novilheiro viu
bem as dificuldades do oponente e, após ter começado a lidar de muleta
pela direita com o novilho a meter-se, passou à esquerda e executou uma
tanda de naturais, que justificou a sua posição no escalafon novilheiril,
bem redondeados, na altura e distância certas; a partir daqui, o novilho
apagou-se, chegando até, cheio de sentido num passe de peito, a procurar
ostensivamente o toureiro. Sobrou ainda um toureiríssimo ajudado por
baixo. Com a espada, esteve pesadíssimo: dois pinchados, mete e saca,
estocada curta e descabelho. Silêncio.

<p n=19962>
A maioria dos fumadores encontra-se no conjunto dos cidadãos com
instrução média (56%), seguindo-se os de formação universitária (44%) e
os indivíduos com formação considerada baixa (26%).

<p n=19963>
A União Soviética já gastou 5240 milhões de contos, cerca de metade do
orçamento deste ano para a investigação científica e tecnológica. O
balanço oficial do acidente de há cinco anos é de 31 mortos, mas
ultimamente os números não param de crescer: dos 110 mil militares (600
mil segundo outras fontes) que participaram nos trabalhos de
descontaminação, só 40 mil têm um «dossier» médico; 7 mil a dez mil
mortos.

<p n=19964>
«E admitindo que deste último texto que mando para o EXPRESSO se não
conclua que, de facto, já estou gagá, até porque admito a hipótese de
estar, quero, no campo político, identificar-me com António José Saraiva
quando (...) declarou que o melhor dos primeiros-ministros que tivemos
desde Salazar, Salazar incluído, foi precisamente Salazar.»

<p n=19965>
A notícia, conforme está redigida, mas sem intenção do jornalista,
permite inferir que eu próprio, na qualidade de presidente da Fundação
Engenheiro António de Almeida, critiquei o secretário de Estado Santana
Lopes e, porventura, anuí a integrar o «lobby» de defesa da Orquestra.

<p n=19966>
(...) Um dia destes, quando tranquilamente jogava xadrez com um parceiro
habitual, dei-me conta de que o tão falado crime de Braga havia tido como
protagonista a Maria José, de quem fui colega durante dois anos na Escola
C+S de Arcozelo, Ponte de Lima.

<p n=19967>
Mais do que isso, não posso deixar de me preocupar com o modo
sensacionalista e, este sim, impressionantemente frio, como se inculca
desde logo na opinião pública a condenação emotiva e mórbida, sem se
cuidar, como a boa pedagogia social aconselharia, de fomentar o humanismo
(autocrítico) na compreensão dos comportamentos humanos em situações de
crise psicológica e de pressão social.

<p n=19968>
Este é o 165º apontamento que, como comandante de bombeiros, escrevo,
desde que em 31 de Julho de 1965 iniciei, com toda a genica (tinha então
34 anos e hoje estou com 60), a minha luta sem tréguas pela defesa
(protecção) do (ainda) riquíssimo património florestal público, privado e
celulósico, o qual, como toda a gente sabe, infelizmente todos os anos
vai sendo impiedosamente lambido pelos incêndios. Em 1989, arderam
126.237 hectares, e no ano transacto a coisa passou para 130.584. Houve,
pois, agravamento.

<p n=19969>
Esperemos, no entanto, que do Seminário Florestal, a realizar (louvável
iniciativa) neste fim-de-semana, em Nelas, resulte qualquer coisa útil,
concreta e eficaz. Há muito a fazer e o tempo urge. O património
florestal merece tudo.

<p n=19970>
Divulgou o PÚBLICO do passado dia 9, sob o título «Faltam dois hospitais
no distrito de Viseu», que o Hospital [de Lamego] «deixou de oferecer
serviços em algumas valências, como a de gastrenterologia, uma patologia
frequente na região do Douro». Ora, tal afirmação é inteiramente falsa. A
valência continua, como é óbvio, a existir, somente houve uma modificação
no seu funcionamento para melhor atendimento dos seus utentes.
Permitam-me esclarecer, para um melhor entendimento dos leitores do
PÚBLICO, entre os quais me conto desde o primeiro número, que o Conselho
de Administração deste Hospital, ao introduzir tal modificação, apenas
teve em vista os legítimos interesses da população da região e não
quaisquer outros que tendenciosamente lhe queiram imputar.

<p n=19971>
Há várias décadas que tal se faz com clássicas máquinas de filmar, e não
oferece qualquer dificuldade. Eu próprio já há quase 30 anos usei esse
processo no meu trabalho de investigação e realizei dois filmes, ao
microscópio, em contraste de fases, com película de 16 mm, preto e
branco.

<p n=19972>
Os vigilantes estão aí. Será que eles buscam gralhas (um mal de todos os
jornais) nas páginas do PÚBLICO? Nada disso. Eles estão, apenas, atentos
às fotografias de mulheres mais ou menos despidas que apareçam no jornal
que dirige. Eles nasceram de fato e gravata.

<p n=19973>
(...) A ignorância [de Francisco Sousa Tavares] evidenciada ao falar de
assuntos tão diferentes -- Universidade Católica, Opus Dei, Banco
Comercial Português -- contrasta gritantemente com a arrogância com que
termina o texto, apodando de mentiroso quem o contradisser.

<p n=19974>
Li o artigo da AFP/PÚBLICO sobre o baptismo dos acidentes orográficos de
Vénus revelados pela sonda Magalhães, publicado no passado dia 21. Na
lista das quatro mil mulheres escolhidas para «madrinhas» desses
acidentes, espero que haja alguma portuguesa, tanto mais que é o
português Fernão de Magalhães o «padrinho» da sonda planetária americana
que está a enviar para a Terra as fotografias da superfície de Vénus.

<p n=19975>
Diariamente, gozamos os benefícios de termos a Constituição que temos,
sem nos apercebermos da sua importância. Não damos por ela, mas, se nos
faltasse, não deixaríamos de nos lamentar e chamar por ela. O facto de
ter completado, nesta semana que passou, 15 anos de idade é um bom alibi
para pensarmos nela.

<p n=19976>
Um lapso de montagem impediu a publicação das Regras do Jogo do Rio que
se anunciam no Júnior de hoje. Sairão, pois, na contracapa da próxima
edição daquele semanário, acompanhando o encarte do primeiro baralho
daquele interessante jogo.

<p n=19977>
Ao sábado a clientela, desta parte velha com aura artística da cidade,
agrega os executivos de Wall Street, vindos de blusão e jeans e sapatos
de «jogging» e cesta de compras, sentindo-se rejuvenescidos e anónimos.
As crianças brincam no jardim, os esquilos correm pelos canteiros e
descem pelas árvores, figuras excêntricas passam entre «hippie» e
«yuppie», com cães à trela e badanas ao vento.

<p n=19978>
‚ Eleições locais na Renânia-Palatinado dão vitória à oposição
social-democrata e Helmut Kohl admite «derrota amarga»

<p n=19979>
‚ Paquistão lança dois mísseis Scud sobre a povoação afegã de Asadabad
causando 300 mortos e 700 feridos

<p n=19980>
A substituição de ministros em vésperas de eleições é uma aberração. A
não ser que se encare a questão de outra perspectiva: implica o
reconhecimento do fracasso e do descrédito de uma política e corresponde
à tentativa de lançar a ideia de que se vai criar uma nova dinâmica e de
que os problemas vão finalmente ser solucionados.

<p n=19981>
No caso do Ambiente, este facto é particularmente nítido, talvez mais
ainda do que em qualquer outro. A conservação da natureza não é um
objectivo que possa ser remetido para um departamento isolado. A
preocupação com o ambiente tem que estar presente em decisões essenciais
de cada ministério, da Indústria às Obras Públicas, da Agricultura à
Administração do Território, para só dar alguns exemplos. Dito de outra
forma: o ambiente e o «direito ao equilíbrio ecológico» terão que ser um
critério importante nos actos essenciais: a necessidade de generalizar as
preocupações com o ambiente, de o transformar num objectivo de todos os
departamentos ministeriais e, cada vez mais, da Administração Pública e
da sociedade tomada no seu conjunto.

<p n=19982>
O Tribunal de Contas acaba de dar um excepcional contributo para a
afirmação do Estado de Direito: aprovou um acórdão sobre o Centro
Cultural de Belém, após longa auditoria às condições em que foi decidido
e está a ser realizado o empreendimento. O acórdão será publicado, dentro
de algumas semanas, no Diário da República. Esse número do jornal oficial
vai certamente transformar-se num «best-seller» da edição portuguesa.

<p n=19983>
Tudo isto, em qualquer país decente, termina em sindicâncias, processos,
demissões e prisão. A ver vamos.

<p n=19984>
1º -- A deliberação da minha demissão pela Câmara Municipal de Almada foi
o culminar de um processo, todo ele, do princípio ao fim, eivado de toda
a sorte de vícios e irregularidades, denotadores de pré-juízo contra mim
formulado desde o início.

<p n=19985>
(...) O trabalho «Crianças em fuga» (PÚBLICO, 10/3) ocupando três páginas
arrisca-se a perder a sua credibilidade por inserir dados, mais do que
incorrectos, completamente tolos. É o caso dos honorários... supostamente
auferidos pelos «putos». Então se essas crianças sujas e mal alimentadas,
socialmente desinseridas, com o estigma da delinquência estampado no
rosto e nos kispos puídos, conseguem que lhes paguem entre «15 a 20 mil
escudos para dormir com elas», o escândalo nacional de que fala o texto
de Nuno Ferreira é outro... Será de admitir que tais honorários, ao nível
dos índices californianos, permitam uma alimentação cuidada e de grande
qualidade, habitação fixa, vestuário adequado à «função» e, por parte dos
menos rebeldes, eventual ajuda material a pais e irmãos.

<p n=19986>
Já lá vai mais de uma semana que o PÚBLICO publicou anedotas portuguesas
de Sousa Tavares [Que será a Opus Dei, 20/4]. Ocupado a trabalhar,
esperei pela quietude do fim-de-semana para desabafar um pouco. Para isso
queria contar algumas anedotas e o mais prático é numerá-las:

<p n=19987>
3ª -- Sabe que na próxima revisão constitucional se vai retirar o direito
dos pais escolherem a educação que querem para os filhos? É que há pais
reaccionários que querem ter os filhos no Planalto e as filhas no
Mira-Rio e isso é uma descriminação inconcebível (...)

<p n=19988>
É com perplexidade, indignação e uma dose razoável de raiva que venho
assistindo, há uns tempos a esta parte, a uma estranha manifestação de
ignorância altaneira, generalizada entre os empregados de cafés,
pastelarias e restaurantes. Fenómeno tanto mais intrigante quanto é certo
ter sido vítima dele em todos os distritos das Beiras para sul e em
estabelecimentos sem estrelas e com poucas, algumas e muitas estrelas.

<p n=19989>
Quando chega a hora de pagar, se eu puxo de uma nota de maior valor e
peço que a troquem, logo o falso purista da língua diz que sim, senhor
vai «destrocar» o dinheiro...

<p n=19990>
Lendo, no PÚBLICO Magazine do passado dia 21, o artigo de Ricardo França
Jardim -- vosso colaborador que habitualmente leio com muito agrado -- com
o título «No reino dos doutores», deparei, a dado passo, com esta frase:
...«O elitismo universitário colocava no grupo dos futricas todos os
estudantes dos cursos médios, como os regentes agrícolas -- mais tarde
reciclados em engenheiros técnicos agrários --, razão latente de
monumentais pancadas na Baixa coimbrã.»

<p n=19991>
3 -- Por esta ordem de ideias, também os professores das antigas escolas
primárias que possuem o 5º ano dos liceus mais três anos das escolas do
Magistério deveriam ser denominados doutores!...

<p n=19992>
A Assembleia Regional da Madeira está a analisar uma denúncia
apresentada pelo deputado Sérgio Abreu, que acusa agentes da PSP de o
terem agredido e algemado. O incidente foi relatado pelo próprio à mesa
da Assembleia, que decidiu contactar o comandante regional da corporação
e solicitar ao Ministério Público diligências para apurar o sucedido. De
acordo com a versão de Sérgio Abreu, este teria sido interpelado na
semana passada por agentes policiais, numa freguesia limítrofe do
Funchal, por razões não reveladas, tendo sido posteriormente agredido e
conduzido, algemado, ao posto policial para identificação.

<p n=19993>
A Assembleia Distrital de Setúbal do PSD conferiu, ontem, um mandato à
respectiva Comissão Política para preparar a lista de candidatos a
deputados pelo círculo. Carlos Pimenta, que participou no encontro,
revelou à agência Lusa que, pela sua parte, agradeceu a confiança
expressa no facto de ter sido novamente indicado como cabeça de lista,
mas precisou não ser a si que compete tomar a decisão final.

<p n=19994>
Uma grande comitiva e um programa intenso levaram Cavaco Silva à Beira
Interior para uma «visita de estudo», como não se cansou de repetir. Não
se inibiu de, veladamente, «pedir mais cinco ou seis anos» para o seu
Governo. Ouviu as reivindicações dos autarcas, quase todos da oposição.
Solidarizou-se com eles e fez-lhes promessas que se comprometeu a
cumprir. Teve o gosto dos apoios das populações nas ruas, quase sempre
engalanadas, como se de dia de festa se tratasse.

<p n=19995>
Foram os anúncios das novas estradas o que mais entusiasmou as
populações, habituadas a pagar o elevado custo da interioridade. Todas
estas obras eram «sinais do progresso» que o primeiro-ministro sublinhava
nos seus discursos, onde recordava com enfâse que nada do que estava
feito ou a fazer-se «alguém se atreveria a prever há cinco anos atrás».
Para tudo há uma explicação. Para o desenvolvimento, Cavaco Silva também
a deu: «o clima de confiança». Foi invariavelmente neste ponto das suas
intervenções que lançou a frase-chave: «bastam cinco a seis anos de
estabilidade para sermos capazes de construir Portugal europeu e agarrar
o pelotão da frente da Comunidade». O apelo velado à continuação do seu
Governo depois das legislativas, a que sempre juntava um certo
dramatismo, ao afirmar que por agora, «apesar de tudo o que está feito»,
ainda não podia garantir «termos atingido o ponto de não retorno», mesmo
que no seu entender estivessemos bem próximos dele.

<p n=19996>
O PS está convencido que vai ganhar as legislativas e com maioria
absoluta. Para dar conta disso, Marques da Costa convocou os jornalistas
para o «Rato». Acusou o PSD de criar «instabilidade». Elogiou Mário
Soares por a evitar. E afirmou o PS como a «alternativa». Mas não quis
comentar a ida de Constâncio para o BERD.

<p n=19997>
Executivo que o porta-voz da direcção socialista acusou de não ter
fomentado «nem a estabilidade política, nem a pacificação da sociedade»,
de ter procurado «mexicanizar o poder» e de agora se ter transformado
«numa descoordenada comissão técnica eleitoral».

<p n=19998>
José Manuel Mendes será o cabeça de lista de candidatos às leições
legislativas do Outono da CDU pelo distrito de Braga, susbstituindo
António Lopes, que liderou a última campanha eleitoral da coligação neste
círculo. O actual deputado, escritor e jurista  foi ontem confirmado para
este lugar numa reunião da Direcção da Organização Regional de Braga do
PCP e vem confirmar a tendência de renovação que se verifica nos
candidatos a deputados indicados pelos comunistas.

<p n=19999>
Após a «surpresa» de Luis Sá como líder da lista pelo Porto e ainda de
Octávio Teixeira por Setúbal, a substituição do membro do Comité Central
e da Comissão Executiva, António Lopes, por um deputado considerado
«renovador», é mais um sinal da tentativa do PCP de apresentar aos
eleitores uma nova imagem. Aliás, Carlos Brito é, de entre todos os nomes
já conhecidos,  o único cabeça de lista que conserva o posto ocupado em
eleições anteriores. Em Aveiro, o «número um» será José Amaro; em Leiria,
João Gabriel; em Viseu, Cílio Correia. Todos eles são «estreantes».

<p n=20000>
Com base numa sondagem cuja fonte não indicou, o secretário de Estado dos
Assuntos Fiscais, Oliveira e Costa, revelou ontem que 84 por cento dos
portugueses consideram que a Reforma Fiscal trouxe mais modernidade ao
sistema, enquanto que 39 por cento afirmam que ela veio contribuir para o
desagravamento fiscal. Oliveira e Costa falava durante as II Jornadas
Autárquicas do Partido Social- Democrata, que decorreram em Coimbra.

<p n=20001>
Classificando-a como a «mãe de todas as reformas» Oliveira e Costa disse
ainda «ser impensável, sem a reforma, fazer o que se fez noutras áreas
governativas».

<p n=20002>
Com o apoio da Fundação José Fontana está a decorrer em Lisboa um
seminário sobre a participação dos negros na vida politica. Ontem,
questões como o racismo e o colonialismo animaram o debate.

<p n=20003>
O escritor e jornalista Fernando Dacosta deu início ao seminário, fazendo
uma defesa apaixonada da capacidade de relacionamento dos portugueses com
os outros povos: «a miscigenação tornou-se a nossa grande forma de
conviver», disse Fernando Dacosta, assinalando o facto de a «História de
Portugal ser toda ela mestiça». Dacosta defendeu depois a ideia de que a
Europa se deveria abrir aos emigrantes africanos.

<p n=20004>
AS JORNALISTAS desportivas americanas resolveram defender o seu  direito
de acesso aos vestiários das equipas masculinas, à semelhança do que
acontece com os jornalistas do sexo oposto. Mas esta luta não tem sido
pacífica.

<p n=20005>
Vários membros da equipa aproximaram-se bastante de Lisa, dizendo
obscenidades. A jornalista apresentou queixa perante o comissário da Liga
Nacional de Futebol Americano, Paul Tagliabue que admoestou três
jogadores, o clube e o seu presidente, Victor Kiam.

<p n=20006>
O ex-ministro do Comércio, Indústria e Turismo de Cabo Verde, Gustavo
Araújo, revelou na passada quinta-feira que vai processar o quinzenário
«Noticias» de S.Vicente. Aquele membro do governo de gestão de Carlos
Viegas defendeu-se, em conferência de imprensa, transmitida em simultâneo
pela rádio nacional, das acusações que lhe foram feitas, por aquele
jornal de estar envolvido em desvios de verbas do Fundo Social Europeu,
em Portugal.

<p n=20007>
Desmentiu igualmente que a sua demissão tivesse a ver com a imposição de
uma secretaria de Estado do Comércio e Turismo e classificou o referido
artigo, publicado no «Noticias» de 15 de Abril., como fazendo parte de
uma campanha deliberada de pôr em causa a sua boa imagem e de
destabilizar o actual governo cabo-verdiano.

<p n=20008>
O número de portugueses a trabalhar clandestinamente na Galiza não pára
de aumentar. As autoridades espanholas começam a preocupar-se com a sua
situação precária, que em muitos casos propicia desvios para a
delinquência. Querem a sua legalização, e apostam no combate às redes de
contratação de clandestinos e às pressões do patronato ávido de mão de
obra barata.

<p n=20009>
Regra geral, os clandestinos portugueses são contratados para a
construção civil, a extracção mineira, a hotelaria, a agricultura e a
pesca, embora haja casos identificados no sector dos serviços e na
indústria transformadora. Quando o fluxo migratório começou, as
autoridades galegas demonstraram uma certa complacência, só que agora, a
presença de clandestinos portugueses é de tal forma intensa «que começa a
mexer na estrutura de emprego e na política salarial», e ameaça causar
«problemas laborais na região», revela Xesus Mosquera, dirigente da UGT
da Galiza.

<p n=20010>
A Gata «volta à carga», na Universidade do Minho, entre os dias 12 e 19
de Maio, com uma novidade: vai divulgar o seu testamento. Promete
«verdades como fel das coisas que tanto amargam». A Faculdade de
Filosofia e a Faculdade de Teologia ajudam a ressuscitá-la. «As Fitas»,
declara a Comissão de Festas do Enterro da Gata, «estão definitivamente
sepultadas na Academia minhota».

<p n=20011>
Cumprida a obrigação de dar «rock» a caloiros e veteranos, embora por
intermédio de outrem, e poupados alguns milhares de contos (o orçamento
de toda a Semana Académica, suportado pela associação, é de cerca de 12
mil contos), a Associação Académica da UTAD aproveitou a oportunidade
para aumentar o número de arraiais populares, reformular algumas
actividades tradicionais e introduzir outras tantas novidades para aguçar
o apetite estudantil. Como já é habitual, a Queima das Fitas
transmontana, designada desde sempre por Semana Académica, começa com a
realização duma monumental serenata, pelas 24h00 do dia 9, na igreja da
Nossa Senhora da Conceição.

<p n=20012>
Tantos nervos mostrava Nuno a meio da audiência que o juiz lhe disse:
«Acho que já se deve ter apercebido que aqui não se passa nada de
assustador». Palavras de pouco efeito para quem, por abrir a porta do seu
próprio carro, se vê no meio de azeda discussão entre dois magistrados do
Tribunal de Polícia.

<p n=20013>
O motivo para tão funesto procedimento é também esclarecido. Em primeiro
lugar, Nuno ia visitar a mãe internada no hospital para uma operação
cirúrgica. Confessa, em consequência, que se encontrava num estado
nervoso e que se precipitou. Por último, que embora se tivesse apercebido
que o carro estava bloqueado, desconhecia por completo que se pode ser
preso por lhe tocar. «Nunca me tinha acontecido», diz, em pé, ajeitando
os óculos grossos no nariz.

<p n=20014>
A presença de portugueses clandestinos na Galiza não é um fenómeno novo.
Famílias inteiras vivem, há dezenas de anos, nessas circunstâncias, em
diversos pontos desta região autónoma espanhola, sucedendo-se as gerações
que foram atraídas por uma vida melhor e deixaram Portugal, à procura
duma esperança que afinal parece pouco mais do que vã.

<p n=20015>
Em Vigo, no Bairro da Forraria, a noite cai e o trabalho começa bem cedo.
Nos bares ouve-se falar português com muita frequência. É ali que a vida
das portuguesas corre. Às vezes arrependem-se e entregam-se à polícia
espanhola. As autoridades colocam-nas no Consulado português, em Vigo, e
este recambia-as para Valença do Minho. Em 1978, o Consulado teve que
alugar um autocarro para transportar para Valença cerca de 30 mulheres
que trabalhavam na prostituição.

<p n=20016>
É gritante a progressiva degradação com que se debate o Parque Nacional
da Peneda-Gerês na sua globalidade e cujas causas são múltiplas, como
múltiplas têm sido as ocasiões em que as tenho denunciado.

<p n=20017>
Naturalmente que não tive acesso ao documento, mas o que pude ler há dias
no PÚBLICO deixou-me estupefacto e faz-me temer seriamente o parecer que
a UICN possa dar, após análise da proposta da Liga.

<p n=20018>
Retomar as raízes da Queima das Fitas de Coimbra, voltando aos festejos
tradicionais, é a grande aposta do programa da Comissão Central. Sem
bandas estrangeiras nas Noites do Parque, a organização propôs-se fazer
um programa «de estudantes, para estudantes, sem esquecer a cidade». A
ideia é, segundo José Grilo, presidente da Comissão, «oferecer
espectáculos de artistas populares à cidade e de artistas nacionais que
estão nos `tops' aos estudantes».

<p n=20019>
O local de realização dos espectáculos também foi alterado. No parque da
cidade só ficará um palco, para a actuação de grupos folclóricos e
etnográficos. Quanto aos outros, actuarão mesmo ao lado, num palco
montado no parque de estacionamento. Os Trovante, Sérgio Godinho e Rui
Veloso (que fará a apresentação nacional do seu álbum sobre os
Descobrimentos), GNR e Ban são os convidados que encerrarão as Noites do
Parque.

<p n=20020>
A Academia do Porto sacrificou, desta vez, Quim Barreiros para
abrilhantar a sua Queima das Fitas. Prefere o contacto musical galego.
Vai gastar 30 mil contos durante uma semana, vertendo vinho novo em casco
velho. E aposta na fantasia.

<p n=20021>
Também o Festival de Tunas Académicas, que desta vez preencherá o serão
do dia 9 de Maio no Coliseu do Porto, é referido pelos organizadores da
Queima como exemplo de uma iniciativa que foi progressivamente suscitando
o interesse dos meios estudantis da cidade e é responsável pelo aumento
do número de grupos do género. Ainda há dois anos, existiam apenas as
duas tunas do Orfeão Universitário do Porto; hoje, há a de Engenharia, a
da Católica, a de Letras, a de Ciências do Desporto e a do Instituto de
Engenharia, estando em formação a da Faculdade de Medicina.

<p n=20022>
AO TERMINAR, no fim da manhã de hoje, a Semana Social católica, os seus
participantes deverão aprovar as propostas já apresentadas pela comissão
organizadora. Será a altura de procurar consensos, que as sete páginas do
documento tentam traduzir e que, de algum modo, já traduzem.

<p n=20023>
No final da sua intervenção, o assessor presidencial veio de encontro a
intervenções já feitas durante esta Semana Social 91 e, de um modo
especial, aos apelos de Lourdes Pintasilgo (ver PÚBLICO de ontem).
Oliveira Martins destacou que o pensamento social católico «tem
implicações políticas evidentes», mas abandonando «todas as tentações» de
o converter «em nova ideologia».

<p n=20024>
Em Lisboa, a VII Semana Académica dá mostras de crescimento: maior
orçamento de sempre, mais artistas e mais animação. Mas a comissão
executiva continua a fugir à comparação com a Queima das Fitas coimbrã.
«Não tem nada a ver», afirmam.

<p n=20025>
«Comparados com o orçamento da Queima das Fitas, estes 22 mil contos não
são nada, mas é muito mais do que nos anos anteriores. Este ano vai-se
pagar bastante aos artistas e aposta-se muito em espectáculos com
qualidade», explica Vítor Mendes.

<p n=20026>
@2-INFORMACAO/PROG = Fred e Barney, Wilma e Telma, ou as duas famílias da
Idade da Pedra, para o começo de sábado. Só mais tarde Lecas e o
desporto.

<p n=20027>
@2-INFORMACAO/PROG = Chuck Norris regressa ao Vietname, em busca de
prisioneiros de guerra. Um filme de Jospeh Zito, ao lado, em destaque. E,
a propósito, verifiquem-se as propostas do outro canal.

<p n=20028>
A imaginação dos traficantes de droga não conhece limites: no Aeroporto
de Madrid, a polícia deteve um colombiano que transportava três quilos e
meio de cocaína dentro de 1700 (!) botões de calções interiores. Diego
Jesus Gil Toro, de 22 anos, que vinha de Bogotá, não passa de um «correio
de uma rede internacional de droga». Os botões, que pesavam ao todo sete
quilos, encontravam-se numa mala e cada um deles escondia pouco mais de
duas gramas de cocaína.

<p n=20029>
O Cartel de Medellin liderado por Pablo Escobar comandou o assassínio do
antigo líder do movimento guerrilheiro M-19, Carlos Pizarro, disse o
chefe da polícia secreta da Colômbia. Pizarro foi assassinado em 26 de
Abril de 1990, com 39 anos, no interior de um avião em pleno voo, quando
viajava entre Bogotá e Barranquilla, na costa colombiana das Caraíbas.

<p n=20030>
Jesus Cristo não morreu na cruz e a sua ressurreição não passou de uma
reanimação, afirmam dois investigadors britânicos numa carta publicada na
revista do Colégio Real de Medicina de Londres. Os autores do estudo,
Trevor Lloyd Davis, 82 anos, e a sua mulher, Margaret, teóloga, defendem
que Cristo atingiu, na cruz, o estado de hipotensão (baixa da pressão
sanguínea ou quebra de tensão) e que perdeu a consciência. «No momento do
desmaio, as pessoas deram-no como morto, mas uma vez deitado no chão a
circulação sanguínea restabeleceu-se e ele deu sinais de vida, o que
explica não ter sido enterrado, mas simplesmente colocado num sepulcro»,
afirmam os pesquisadores. Segundo os especialistas, esta teoria está
confirmada pelos próprios Evangelhos ao referirem que Cristo teria
morrido seis horas após a crucificação, apear dos crucificados sucumbirem
apenas após uma lenta agonia que chegava a durar três ou quatro dias. Os
investigadores afirmam também que os testemunhos dos apóstolos sobre a
ressurreição foram provocados por um fenómeno de auto-sugestão. Lloy
Davis pediu às autoridades regiliosas que não «levem a mal» a teoria
sobre sobre a «reanimação» de Cristo, afirmando que a «Igreja sairá
fortalecida se aceitar a verdade científica». A teoria não abala a Igreja
de Inglaterra , segundo a qual tanto a ressurreição como os outros
milagres foram sempre alvo das tentativas de explicação racional dos
cientistas.

<p n=20031>
Wolmer do Nascimento, 29 anos, desaparecera às 11 horas da manhã de
quinta-feira quando deixou a sede do Movimento Nacional dos Meninos e
Meninas de Rua, no centro do Rio, para ir levantar dinheiro numa agência
bancária localizada a cinco quarteirões de distância. Todas as forças
policiais do Rio tentavam, desde a manhã de sexta-feira, localizar
Wolmer, que recebeu uma ameaça de morte de elementos dos Esquadrões da
Morte depois de se ter tornado mundialmente conhecido pelas denúncias que
fez sobre o extermínio de crianças no Brasil.

<p n=20032>
Todas as forças policiais do Rio de Janeiro iniciaram, anteontem de
manhã, uma busca em diversos pontos da cidade para tentar localizar
Wolmer do Nascimento, 29 anos,  que fora ameaçado de elementos dos
Esquadrões da Morte depois de se ter tornado mundialmente conhecido pelas
denúncias que fez sobre o extermínio de crianças no Brasil.

<p n=20033>
As autoridades evitam fazer qualquer previsão sobre o que aconteceu a
Wolmer do Nascimento, que desapareceu uma hora antes de dar uma
entrevista a uma equipa de televisão inglesa. Mas a imprensa carioca acha
que o líder dos meninos e meninas de rua tanto pode ter sido capturado
pelos grupos responsáveis pelas ameaças de morte, como pode ter sido
sequestrado por marginais interessados no pagamento de um resgate. Wolmer
entrou para a lista dos homens a abater depois de ter acusado juízes,
agentes policiais e empresários da periferia pobre do Rio de Janeiro como
responsáveis pela eliminação violenta de mais de 100 crianças.

<p n=20034>
Depois da ternura comovente de «A Cor Púrpura», Spielberg olhou
enternecidamente para a infância de um miúdo chamado Jim. O mesmo
realizador de «Tubarão»? Claro que sim.

<p n=20035>
Em termos de virtuosismo cinemático e movimentação de massas, «Império do
Sol» está ao nível dos outros filmes mais populares de Spielberg, embora
o impacto não seja tão forte como o de «Salteadores da Arca Perdida»,
«Indiana Jones e o Templo Perdido» ou «Sempre» (que saiu recentemente no
mercado de aluguer). Uma das razões será, talvez, o facto de os actores
não estarem ao nível dos que figuram nos outros títulos referidos. O
actor que faz de Jim deixa um pouco a desejar e John Malkovich... enfim:
digamos que há os que o idolatram e os que o abominam. Mas, quando o
senhor atrás da câmara se chama Spielberg, não há actor que consiga
estragar o filme. Pois logo, com o já clássico «Duel» (que realizou para
a televisão no início dos anos 70), Spielberg demonstrou que era um
mestre exímio da linguagem do cinema. E os seus inúmeros apaixonados
(sim, o amor por Spielberg é uma paixão) têm agora, com «Império do Sol»
em vídeo, mais uma oportunidade para um «rendez-vous» amoroso com o
Steven do seu coração.

<p n=20036>
Um pouco de sexo, dois bonitos adolescentes e paisagens exóticas. O
resultado é lamentável num filme em que mesmo o mestre de fotografia que
é Nestor Almendros se limita ao estilo bilhete postal.

<p n=20037>
Billy Wilder regressa a «Sunset Boulevard», agora localizado numa ilha da
costa italiana onde se refugiou uma mítica actriz de cinema. Anos depois,
procura regressar à tela e surge tão radiosa como antes. O segredo da
juventude é cruel e sinistro. «O Segredo de Fedora» é um filme povoado
pelos fantasmas de uma época gloriosa, numa espécie de rito final
encenado de forma quase fúnebre. De novo William Holden é o estranho que
vai rasgar os véus que escondem a realidade, no fim de contas tão
fantástica como a própria ilusão alimentada ao longo dos anos.

<p n=20038>
De um lado Raquel Welch, do outro, Ronny Cox. De um lado a luta de uma
mulher pelos direitos das minorias étnicas; do outro, um professor
violentamente racista. No meio, os alunos da escola secundária de uma
pequena cidade.

<p n=20039>
Filme de produção canadiana, que traz a marca «de qualidade» no cinema
para «infância e juventude». O realizador é Michael Rubbo e o produtor
Rock Demmers, considerados especialistas no género. Em «A Solução da
Manteiga de Amendoim», a história gira em torno de um garoto muito
curioso que se atreve por uma casa que julga assombrada. Por incrível que
pareça, os fantasmas aparecem. O medo é tanto que Michael (assim se chama
o menino) perde todo o seu cabelo. Mas os fantasmas simpáticos
fornecem-lhe a fórmula mágica que lhe restitui os caracóis. Na manteiga
de amendoim está a solução.

<p n=20040>
Uma das mais perfeitas comédias sofisticadas dos anos 30, sobre a
história de um casal divorciado que se reconcilia após várias e
divertidas peripécias. Reconhece-se o tema de «Casamento Escandaloso»,
mas também o de uma das primeiras longas metragens de McCarey, «Part Time
Wife». O par mais elegante de Hollywood, Cary Grant e Irene Dunne, juntos
pela primeira vez, com Ralph Bellamy no rival de Grant (papel que
retomará em «O Grande Escândalo»). Seria esta obra a dar o primeiro Óscar
a McCarey, no mesmo ano em que fazia o filme que mais amava, «Make Way
for Tomorrow».

<p n=20041>
Em sessão memorável, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, e com a presença
do realizador, «Roma, Cidade Aberta» suscitou a maior ovação que jamais
ouvi numa sala de cinema. Retrospectivamente, disseram alguns que era o
25 de Abril de 1974 que se prefigurava no entusiasmo com que o filme foi
acolhido. O próprio Rossellini teria dito, posteriormente, que
pressentira, naquele momento, uma vontade de mudança.

<p n=20042>
@2-INFORMACAO/PROG = Na altura, havia os Mills Brothers, os Ink Spots ou
os Delta Rhythm Boys. Cantavam. Os irmãos Crosby também davam um jeito.
Entre uns, outros e muitos mais, as vozes masculinas que a Menina dança.
Realização de José Duarte.

<p n=20043>
@2-INFORMACAO/PROG = Obras de Frederic Chopin, pelo pianista Vladimir
Horowitz. Sonata em si bemol maior, op. 35; Polaca fantasia em lá bemol
maior, op. 61 e Polaca em fá sustenido menor, op. 44.

<p n=20044>
De todas as estações de rádio, fazer uma para uso privado. Pessoal e
intransmissível. As estações de rádio merecem a «traição» nessa
fidelidade à rádio. Merecem que se procure, em cada uma, os momentos de
brilho que a individualizam, lhe conferem identidade, as diferenciam
entre si. Seja um noticiário, um programa que dure horas, ou cinco
minutos. Seja o que for, desde que seja rádio. É rádio, o trabalho sobre
o som: a entrada da voz, de registos, de um disco. Como na música, um
acorde depois do outro, uma pausa; a construção de uma estrutura
harmónica, ou não, que faça sentido. Tanto como as palavras a dizer. A
Antena 2  não será um exemplo. Mas permite um descanso nem sempre
possível noutros lugares. Neste canal da RDP, porque é Maio, Histórias da
Música e Outras traz a música de Mozart e de José Afonso, as canções de
Lopes-Graça. Uma selecção com mais sentido do que parece. É quarta-feira,
às 21h00. Na Antena 1, à sextas-feiras, Janela Indiscreta tem permitido a
descoberta das correntes que justificam a moderna música popular. É um
programa de Ricardo Saló e apresenta-se como «uma janela aberta para
todos os tipos de música». Na TSF-Rádio Jornal, Os Dias Andados, com
edição de Fernando Alves, às 10h de domingo, faz o balanço dos
acontecimentos da semana, antes de um Flash-Back, às 12h00. Na Correio da
Manhã Rádio, hoje, depois das 23h00, Até Jazz apresenta o baterista Ralph
Peterson (que acompanhou Carlos Martins, no último concerto do São Luiz,
no Lisboa em Jazz) e o jeito de Toots Thielmans. À mesma hora, na Rádio
Comercial FM, a Menina Dança ao som de grupos vocais masculinos. No mesmo
canal, logo depois da meia-noite, aquele que poderá ser um dos
acontecimentos da semana: a passagem das gravações do período de 1939-42,
da orquestra do pianista Earl Hines, em Cinco Minutos de Jazz, de José
Duarte. A música fica para o provar, até à próxima sexta-feira.

<p n=20045>
Billy Wilder nasceu na Áustria em 1906. Dedicou-se ao jornalismo,
especializando-se em casos criminais, depois de ter abandonado o curso de
Direito da Universidade de Viena. Tanto o curso como a profissão vão
marcar os seus argumentos e filmes: tribunais, em «Testemunha de
Acusação»; jornalismo de sensação em «O Grande Carnaval» e «Primeira
Página»; fraudes em «Pagos a Dobrar» e «Como Ganhar Um Milhão».

<p n=20046>
Adaptado da peça «O Doce Pássaro da Juventude», de Tennessee Williams,
«Corações na Penumbra» é um mergulho na sociedade conservadora do Sul dos
EUA -- realizado por Brooks em 1962, quando já adaptara «Gata em Telhado
de Zinco Quente», do mesmo autor.

<p n=20047>
Segunda versão cinematográfica do romance de Alberto Moravia «Os
Indiferentes», dirigida em 1988. História de uma família da alta
burguesia italiana durante os anos 30 e da sua lenta derrocada.

<p n=20048>
Com o advento da «glasnost», tornava-se necessário adaptar a um novo
figurino ideológico o esquema essencial do «thriller» político: deriva do
filme de espionagem que se alimentou inicialmente da propaganda antinazi
e, depois, à exaustão, do clima de guerra fria instaurado no pós-guerra.
Deste modo, «Brigada Assassina», partindo embora de uma situação
reconhecível em termos de argumento-base (trocas de identidade, acesso a
«dossiers» secretos, progressiva descoberta do móbil da intriga),
introduz-lhe novas complexidades. Trata-se agora de uma ameaça à
cooperação entre as antigas superpotências rivais, por elementos
relativamente isolados (a sequência final lança dúvidas sobre a extensão
de tal isolamento), ainda que influentes nas altas esferas do poder, que
não acreditam na abertura proposta. As presumíveis vítimas são o
Presidente dos EUA e o secretário-geral da URSS. E, entre os «maus»,
avultam figuras gradas dos exércitos de ambos os países, interessadas em
perpetuar antigos equilíbrios e salvaguardar os jogos de guerra. Mas,
independentemente de todas as variações sobre um esquema clássico, o que
faz deste filme um excelente divertimento é o rigor da efabulação e a
presença do extraordinário actor que é Gene Hackman. Boa cópia vídeo.
M.J.T.

<p n=20049>
Com Charles Chaplin, Buster Keaton, Harry Langdon, Stan Laurel e Oliver
Hardy, Charles Chase, Ben Turpin e outros.

<p n=20050>
O melodrama familiar de que a televisão norte-americana tem o hábito de
se socorrer, nos momentos em que a imaginação falha. Quase sempre,
admita-se. De novo, o casamento, o divórcio e o tecido familiar que se
destrói. Conta com a interpretação de Linda Gray, a Sue Ellen de
«Dallas».

<p n=20051>
Três «westerns» que estão entre as obras mais insólitas do género. «Os
Abutres Têm Fome» é uma espécie de «O Espírito e a Carne» no Oeste (neste
caso o México) com um estranho par formado por Eastwood (o pistoleiro) e
Shirley MacLaine (a freira). «Ritual de Guerra» está mais próximo do
«gótico» do que do «western» com a sua sombria e sinistra atmosfera de um
colégio feminino, onde um grupo de professoras e alunas faz de Eastwood o
brinquedo das suas frustrações. «O Atirador» é um filme «requiem», em
que, a partir do romance de Glendon Swarthout, John Wayne reconstrói a
sua carreira nos filmes do Oeste e encena a morte da sua imagem que
antecede pouco a morte real.

<p n=20052>
O «cinema americano por excelência», o «western», volta a estar em foco,
agora com a edição de um dos grandes filmes dos anos 50, a década da
renovação do género: «Esporas de Aço».

<p n=20053>
«Winchester 73» marca o início de um ciclo de cinco filmes de Anthony
Mann com Stewart, que se assemelham a uma obra única, sempre com um
personagem obcecado por um objectivo, geralmente a vingança, e cujas
diferenças são marcadas pelo espaço exterior. O herói vem de longe e traz
a marca de uma ferida antiga. Pouco é dito sobre as suas causas, mas a
acção encarrega-se de nos esclarecer. A aspereza de «Winchester 73» e
«Jornada de Heróis» contrasta com a desolação gelada de «Terra Distante»,
o esplendor selvagem de «Esporas de Aço» opõe-se à aridez do deserto em
«O Homem que Veio de Longe». Dessa forma, o herói, embora sendo sempre o
mesmo, sofre influências diferentes que moldam o carácter e conduzem a
desenlaces peculiares, onde o seu triunfo é geralmente acompanhado por
uma desistência. Toda a vitória produz uma amputação ou deixa uma ferida.
No caso do magistral de «Esporas de Aço», filme-charneira da série (e que
se encontra exactamente no seu centro), é o corte radical com o passado
que obcecava o personagem de James Stewart: a terra perdida durante a
guerra que espera recuperar com o prémio do fora da lei que persegue.
Todo o filme se centra à volta desta transformação, que terá lugar
durante a longa viagem de regresso com o prisioneiro e a sua companheira,
com o apoio indesejado de dois homens guiados pela cobiça.

<p n=20054>
A vida de Dian Fossey, morta misteriosamente no Quénia, já foi objecto de
adaptação cinematográfica, interpretada por Sigourney Weaver: «Gorilas na
Bruma». Este documentário da National Geographic Magazine, dirigido pelo
autor de «Alambrista», mostra-nos agora a verdadeira antropóloga na sua
pesquisa e luta em defesa dos grandes gorilas em vias de extinção. Para
além da sua função pedagógica, a emoção de um retrato reencontrado.

<p n=20055>
O filme que trouxe Jerry Lewis a Portugal para filmar algumas sequências
de uma falhada comédia de «suspense» e perseguição sobre um homem que
julga ter pouco tempo de vida e se resolve a aproveitá-la o melhor
possível. «O Rapaz Atómico», com uma ideia semelhante e também com Jerry,
era bem mais curioso.

<p n=20056>
À noite, no segundo canal, passou o filme «The Naked Kiss» de Samuel
Fuller; no primeiro canal, houve «Twin Peaks» e «Histórias do
Sobrenatural». Ou seja, a programação da RTP -- nos seus dois canais -- no
dia 25 de Abril não se preocupou minimamente com a efeméride. A RTP fez
dela as palavras de uma sua vedeta, o jornalista de «O Diabo» Nuno
Rogeiro, que, recentemente, na TSF, explicou ao povo que falar do 25 de
Abril é tão importante como falar da tosse convulsa ou da escarlatina por
que todos nós, em crianças, teremos passado.

<p n=20057>
Se a RTP conseguisse encarar o 25 de Abril e, passados os tais 17 anos,
as suas consequências sobre a vida dos portugueses nesta perspectiva --
antes e depois de haver Amoreiras (ou de haver poder de compra que
permitisse a existência da coisa) --, já se sentiria liberta de fantasmas
do PREC e poderia produzir, na data, um programa de informação, um bom
documentário, com um bom «script» (da autoria do Nuno Rogeiro, por que
não?) sobre o 25 de Abril. Para o ano? Vá lá, já foi há tanto tempo...

<p n=20058>
A Grão-Pará vai realizar no próximo dia três de Maio uma assembleia geral
e accionistas destinada a aprovar o relatório da administração e as
contas referentes a 1990. Na mesma assembleia será levada a votação a
proposta dos gestores da empresa acerca da aplicação dos resultados do
ano passado.

<p n=20059>
Também a partir de dois de Maio próximo começará a operar a sociedade
financeira de corretagem BCI-Valores, promovida pela corretora nortenha
Maria Cândida Rocha, pelo BCI e pelo banco Santander. A corretora deterá
32 por cento das acções da nova empresa enquanto aquele banco, o
Santander Negócios, a Sociedade de Valores Santander e o Banco de
Comércio e Indústria terão 17 por cento cada.

<p n=20060>
O mercado de acções de Londres terminou a semana passada num tom
pessimista e os analistas acreditam que o período que hoje se inicia
possa acentuar a tendência de descida da Bolsa de Londres. Na
sexta-feira, o índice FTSE 100 registou o valor mais baixo de todo o mês
de Abril, esperando-se que novos recordes mensais, em baixa, possam vir
ainda a ser registados entre as sessões de hoje e amanhã.

<p n=20061>
Sem fugir totalmente às tendências detectadas nos principais mercados
internacionais, a Bolsa de Madrid fechou o período com o indice geral a
registar um recuo significativo. O dia mais «negro» da semana acabaria
por ser a sexta-feira: realização de mais valias, por parte de
investidores locais e estrangeiros, depois de, durante duas sessões
consecutivas o mercado ter contrariado o tom negativo das restantes
praças mundiais, levaram a principal praça espanhola a uma queda
vertiginosa no último dia da semana.

<p n=20062>
Depois de uma semana em que o mercado de acções de Nova Iorque tinha
batido recordes históricos, os operadores inciavam esta semana algo
apreensivos. Sobretudo porque, novas descidas nas taxas de juro, uma
medida tida como essencial para sustentar o mercado em alta, não eram
confirmadas pelas autoridades monetárias norte-americanas.

<p n=20063>
Paris iniciou a semana com uma queda apreciável: o índice CAC 40 acusava,
no final da primeira sessão da semana, uma descida de 1,34 por cento.
Para esta «performance» foi decisivo o contributo dos investidores
estrangeiros, que ou estiveram simplesmente afastados das operações, ou
estiveram vendedores. O reduzido volume de negócios, que aliás marcou
todas as sessões da semana, foi logo notado na primeira sessão do período
considerado.

<p n=20064>
A descida do iene contra o dólar foi um dos motivos para que a Bolsa de
Tóquio tivesse iniciado a semana passada em queda, dando o mote para
aquilo que se iria passar nesse dia em muitos dos principais mercados
internacionais. Os analistas deste mercado, referindo-se ao tom
pessimista da Bolsa, adiantam também a incerteza quanto a uma
possibilidade de descida nas taxas de juro no Japão e nos Estados Unidos,
como explicação para o ambiente vivido.

<p n=20065>
A meio caminho entre o fantástico, a aventura e a ficção científica, a
história de Thorgal é um exemplo acabado da «heroic fantasy» europeia.
Mal conhecida no nosso país, a série de Rosinski e Van Hamme é um
fabuloso percurso iniciático que urge conhecer.

<p n=20066>
Chamo-me André Ruivo, tenho 13 anos e sou estudante do 8º ano na escola
secundária Rainha Dona Leonor.

<p n=20067>
Os espanhóis então, não estiveram com meias medidas: enviaram duas
exposições de grande qualidade, que nem a melhor descrição seria capaz de
mostrar a beleza e qualidade dos trabalhos. Aqui ao lado vai um exemplo.
Que tal?

<p n=20068>
Todas as histórias populares têm aplicação prática, porque, no fim de
contas, todas elas resumem experiências culturais, servindo, por isso, de
meio de educação.

<p n=20069>
Disponível para as placas gráficas CGA, EGA e Tandy, «Turbo Champion» é
aquilo a que se pode chamar um projecto inacabado de um jogo de corridas.

<p n=20070>
Uma fuga de óleo provocada por uma avaria na prensa vertical de uma das
linhas de produção da fábrica de aglomerados de madeira Jomar, no
Freixieiro, arredores do Porto, esteve na origem de um incêndio que
danificou gravemente parte da maquinaria existente naquele sector da
empresa. O fogo, que eclodiu perto das 20 horas, propagou-se também a uma
extensa zona de escritórios, no andar superior, mas foi rapidamente
combatido pelas cinco corporações de bombeiros chamadas a intervir --
Matosinhos/Leça, Leixões, S. Mamede, Moreira da Maia, Leça do Balio. Ao
todo, 11 viaturas (entre auto-tanques e carros de espuma) e cerca de 40
homens combateram o sinistro, que foi dado como extinto pouco depois das
21 horas.

<p n=20071>
O Museu do Prado, em Marid, foi ontem evacuado devido à ameaça telefónica
de uma bomba nas suas instalações, informou a polícia da capital
espanhola. A ameaça aconteceu ao princípio da tarde, 48 horas depois de
uma outra, que dizia estar uma bomba na Pinacoteca do Museu. Na passada
sexta-feira, também o Auditório Nacional de Música de Madrid recebera uma
ameaça de bomba que levou à evacuação das instalações.

<p n=20072>
Desportistas fogem ao fisco -- Apenas 20 atletas declararam ao fisco mais
do que o ordenado mínimo nacional no ano de 1987, mas esse número
aumentou 20 vezes (o que significa um número à volta das quatro centenas)
em 1989. A revelação foi feita nas jornadas autárquicas do PSD de Coimbra
pelo secretário de estado dos Assuntos Fiscais, Oliveira e Costa, que
atribuiu esta evolução às negociações realizadas com a Liga dos Clubes.

<p n=20073>
Bruxelas reduz dívida do FSE -- A dívida da Comunidade a Portugal em
verbas do Fundo Social Europeu (FSE), que já ascende a 20 milhões de
contos, poderá ser reduzida, esperando-se o pagamento de sete milhões de
contos até ao fim do mês, revelou o secretário de Estado do Emprego,
Bagão Félix, em entrevista à Rádio Renascença. A CEE deve a Portugal um
total de 60 milhões de contos, respeitantes a três fundos estruturais --
FSE, FEDER e FEOGA-Garantia --, situação que afecta todos os
Estados-membros. Bruxelas alega dificuldades de compatibilização dos
cálculos devidas à mudança do sistema informático da Comunidade.

<p n=20074>
América Latina na mira do BEI -- A CEE convidou, ontem, no Luxemburgo, o
Banco Europeu de Investimentos (BEI) a examinar, caso por caso, as suas
possibilidades de intervenção e apoio aos projectos apresentados pelos
países latino-americanos. Esta decisão vem expressa na declaração final
relativa ao encontro entre onze ministros dos Negócios Estrangeiros do
«Grupo do Rio» e os doze países comunitários, tornada pública ontem, no
fim de dois dias de reuniões de análise das hipóteses de cooperação.

<p n=20075>
No entanto, as divergências no «bloco» voltaram a surgir, na sequência do
acordo entre Gorbatchov e os presidentes de nove repúblicas soviéticas, e
onde Ieltsin participou. Apesar do «bloco» continuar a apoiar a greve dos
mineiros, foi este acordo que permitiu terminar com o movimento, que
paralisava há dois meses grande parte da produção carbonífera do país.

<p n=20076>
A cisão do Público contra a Violência (VPN), o congénere eslovaco do
Fórum Cívico de Vaclav Havel, foi ontem formalizada pela maioria dos 322
delegados presentes no congresso da organização, reunido em Kosic. A
cisão, que vem pôr fim a cerca de dois meses de guerra aberta no seio do
VPN, tornou-se inevitável após o afastamento, na terça-feira, do
nacionalista Vladimir Meciar da chefia do Executivo de Bratislava. Meciar
e sete dos seus ministros foram afastados por decisão da presidência do
parlamento, onde o VPN é o partido maioritário.

<p n=20077>
Os militantes das duas correntes decidiram, contudo, dividir  em partes
iguais os bens e os fundos do VPN, cuja sigla será partilhada por ambas:
o partido de Meciar designar-se-á VPN-ZDS até à realização das próximas
eleições.

<p n=20078>
Guerrilheiros curdos impediram ontem grupos de refugiados de abandonarem
as montanhas geladas do Norte do Iraque, onde têm estado abrigados, para
descerem até aos «paraísos seguros» criados pelas forças aliadas. Os
«peshmergas» -- nome pelo qual são conhecidos os guerrilheiros curdos --
pretendem assim evitar que os refugiados partam em grande número, por
considerarem que isso poderá ser prejudicial no caso de ser necessário
fugirem de novo. Um porta-voz das forças aliadas explicou que os
guerrilheiros querem que a transição das montanhas para os «paraísos»
seja feita gradualmente. Para isso, criaram durante a noite postos de
controle na principal estrada que liga as montanhas ao vale de Zakho,
onde estão a ser instalados os campos. Os refugiados viram-se assim
impossibilitados de ultrapassar Kasrok, situado a meio caminho entre a
montanha e Zakho.

<p n=20079>
Entretanto, em declarações ao PÚBLICO, Manuel Delgado, presidente da
Assembleia-Geral da Associação Cabo-Verdeana, manifestou-se
«profundamente chocado» com a atitude dos representantes do MPCA, do CPPC
e da CGTP, que teriam defendido a não inclusão das associações africanas
na Comissão de Boas- Vindas a Mandela. Delgado disse que a sua associação
irá reflectir acerca desta atitude, «para que se não repita em Portugal o
que sucedeu em França, em que as autarquias comunistas tomaram atitudes
racistas contra os emigrantes africanos». Afirmou ainda que a Associação
Cabo-Verdeana encetou negociações com o PSD para a eventual inclusão de
cidadãos de origem cabo-verdeana nas suas listas.

<p n=20080>
UM guineense e uma portuguesa que se dedicavam a angariar trabalhadores
para o Kuwait, cobrando uma taxa de dez contos, foram detidos pela
Polícia Judiciária.

<p n=20081>
Os presumíveis autores da burla já foram detidos e presentes ao juíz de
instrução criminal, aguardando actualmente em liberdade após o pagamento
de uma caução.

<p n=20082>
CORPO DE CRIANÇA ESPANHOLA ENCONTRADO EM HUELVA -- A criança espanhola Ana
Maria Jerez Cano, desparecida desde 16 de Fevereiro, foi encontrado
sexta-feira a flutuar no Rio Tinto, próximo de Huelva, informa a agência
Lusa. As primeiras análises demonstraram que a criança foi assassinada no
período de 48 horas a seguir ao seu desaparecimento. O cadáver,
encontrado em adiantado estado de decomposição, conservava todos os
órgãos internos, contrariando a hipótese de que a criança teria sido
raptada por uma rede organizada dedicada ao tráfica de órgãos infantis.

<p n=20083>
Perfeitamente adaptada ao tanque do aquário do Instituto Zoológico
Augusto Nobre, na Foz do Douro onde permanecerá até á hora de embarque, a
«Nina» tem revelado sinais evidentes de boa disposição e apetite, não
parecendo demasiado afectada pelos traumas da captura. « Só acho que ela
agora não gosta muito de mim» refere com mágoa Walter Gomes, dirigente da
«Quercus», convicto do ressentimento da foca pelos seus captores.
Multiplicando contactos para obter «a papelada» necessária ao embarque,
os ecologistas pensam poder despachar a foca de avião para Inglaterra no
princípio da próxima semana. Mas, enquanto não tiverem os certificados
veterinários e as autorizações de porte para embarque, os ecologistas vão
ter de continuar a sustentar a «Nina» que, indiferente às complicações
burocráticas dos seus protectores, continua insaciável, a devorar mais de
25 sardinhas por hora.

<p n=20084>
TORNADOS MATAM 26 PESSOAS NOS ESTADOS UNIDOS -- Uma série de cerca de 50
tornados atingiu diversos estados do Centro-Oeste dos Estados Unidos na
noite de sexta-feira, provocando a morte de pelo menos 26 pessoas. A
pequena localidade de Andover, no Estado do Kansas, sofreu as mais graves
consequências. Pelo menos 16 pessoas morreram, 150 ficaram feridas e 2
000 desabrigadas num parque de «motor homes» totalmente devastado pelas
tempestades. Além das vítimas de Andover, sete pessoas morreram em outras
localidades do Kansas e três em Oklahoma, onde os ventos atiraram carros
para fora das auto-estradas. «Os automóveis rolavam como bolas», disse o
chefe dos bombeiros de Bartlesville, Oklahoma, Larry Topping.  Outros
tornados foram registados nos estados de Nebraska, Iowa, Texas, Missouri
e Arkansas causando danos materiais mas sem provocar vítimas. Conhecidos
como «twisters», estes furacões são comuns na região central dos Estados
Unidos. Desta vez, no entanto, muitas pessoas não terão ouvido os sinais
de alarme lançados minutos antes pelas autoridades norte-americanas, de
acordo com a cadeia de televisão CNN.

<p n=20085>
Com os lugares de «Superior ao preço de 5.000$00 (na época passada
custavam 2.500$00) e as arquibancadas a sete contos, muitos adeptos e
simpatizantes do FC Porto não conseguiam evitar um franzir de sobrolho no
momento de pagar a tirinha de papel que lhes garante o acesso ao grande
jogo de hoje, tanto mais que, durante este mês, as cores do clube
passaram por grandes e importantes provas: foi o jogo com o Benfica para
a Taça, foram os jogos de basquetebol com o Estrelas da Avenida e o
Benfica, foram as eliminatórias para a taça dos Campeões Europeus e Taça
de Portugal em hóquei em patins, foi a deslocação a Alvalade, na semana
passada.

<p n=20086>
A equipa do Benfica chegou ontem à tarde a Gaia, faltavam poucos minutos
para as 18 horas. Aguardava a comitiva «encarnada», para além de duas ou
três dezenas de adeptos -- benfiquistas e portistas --, uma chuva miudinha
que apressou a entrada dos jogadores no autocarro. A maior parte deles
ainda teve tempo para agradar a alguns jovens adeptos que cumpriam o
habitual pedido de autógrafos. Para trás tinham ficado três horas de
viajem de comboio, iniciada logo após o almoço.

<p n=20087>
Já no restaurante, os atletas contaram com a companhia de Jorge de Brito,
cujos cifrões poderão contribuir de forma decisiva para aquilo a que se
poderá chamar a dinâmica de vitória dos jogares, apesar de alguns destes
terem comentado que o vice-presidente ultimamente só tem muitos...
abraços. Sobre o montante dos prémios de jogo ninguém falou -- os próprios
jogadores ainda não sabiam até que ponto o Benfica (Jorge de Brito)
abrirá os cordões à bolsa em caso de vitória.

<p n=20088>
Quem vai ganhar o grande jogo de hoje nas Antas? Quem vai ser campeão?
Artur Jorge vai para o Benfica? Eriksson fica na Luz? À procura de
respostas, lançaram-se as cartas e os sinais parecem favoráveis ao
Benfica. O que, diga-se, encheu de alegria a «lançadora», adepta dos
«encarnados» desde tenra idade.

<p n=20089>
A partida promete ser bastante disputada e o resultado ficará por definir
durante largo tempo permitindo a tensão e a emoção de uma verdadeira
final. (XIIII na casa III conjuga com o ás de copas). O árbitro Carlos
Valente fará uma boa arbitragem com decisões rápidas e eficazes. Algumas
decisões poderão ser contestadas mas a razão estará sempre do seu lado. A
ajudar o Benfica vai estar a sorte, simbolizada pela carta XVII, a
Estrela na casa IX. O factor sorte será determinante no resultado do jogo
e levará a equipa fundada sob o signo de Peixes à vitória. Aliás, a carta
dominante XXI, o Mundo, favorece claramente a vitória da equipa
dominante.

<p n=20090 assunto=desporto>
Jogador sem currículo internacional ao nível das camadas jovens, Domingos
é seguramente a grande confirmação da época 90-91.

<p n=20091>
Domingos José Paciência Oliveira nasceu a 2 de Janeiro de 1969 em Leça da
Palmeira, junto à cidade do Porto. Está no FC Porto desde 1983 e
estreou-se pela equipa principal no Torneio de Foggia, quando a equipa
começava o ano de Ivic, em Agosto de 1987. De então até ao princípio
desta época, marcou apenas sete ou oito golos pela equipa principal, nas
partes de jogos em que foi chamado nestes anos.

<p n=20092>
Nas Antas, hoje, não vai caber nem mais uma agulha. E a razão é óbvia: o
título nacional de futebol está em jogo e logo em casa do campeão. O
favoritismo, à partida, vai inteiro para os portistas, moralizados com a
vitória sobre o mesmo Benfica e no mesmo palco ainda não há quinze dias.
Mas, da Luz vem a promessa de que algo irá ser agora diferente, a começar
pela táctica preparada por Eriksson, que passou a semana a treinar os
seus jogadores à porta fechada, certamente na esperança de conseguir
surpreender Artur Jorge. Concentração é a palavra chave para os
futebolistas de ambos os conjuntos, conscientes de que se o campeonato
não termina hoje pelo menos quase tudo ficará já decidido. Para quem
acredita nestas coisas, o PÚBLICO pediu à sua especialista que lançasse
as cartas com o objectivo de vaticinar o vencedor. E Maya diz que as
cartas estão com o Benfica...

<p n=20093>
Na última década, contada a partir da época futebolística de 1979/1980,
as equipas principais do FC Porto e do Benfica defrontaram-se por 42
vezes nas várias competições oficiais e uma outra num jogo de carácter
particular, quando os «encarnados» inauguraram nas Antas as obras de
alargamento das bancadas do estádio portista.

<p n=20094>
PAULO SOUSA, 20 anos, não foi um titular indiscutível do «onze» de Carlos
Queirós que se sagrou campeão do mundo de juniores em Riad, na Arábia
Saudita, em 1989. Em Riad, ele fez apenas dois jogos incompletos - 83
minutos em campo contra a Checoslováquia e 54 minutos contra a Arábia
Saudita.

<p n=20095>
Quando, no final da época passada, Eriksson anunciou - à sua maneira -
que ía «limpar a cabina do Benfica», pretendendo ver o plantel reduzido
para vinte jogadores mais três juniores, poucos apostavam que Paulo Sousa
- um habilidoso tímido e com problemas de adaptação (era assim que o
definiam nos bastidores do departamento de futebol da Luz) - seria um dos
escolhidos.

<p n=20096>
PAULO SOUSA, 20 anos, não foi um titular indiscutível do «onze» de Carlos
Queirós que se sagrou campeão do mundo de juniores em Riad, na Arábia
Saudita, em 1989. Em Riad, ele fez apenas dois jogos incompletos -- 83
minutos em campo contra a Checoslováquia e 54 minutos contra a Arábia
Saudita.

<p n=20097>
Quando, no final da época passada, Eriksson anunciou -- à sua maneira --
que ia «limpar a cabina do Benfica», pretendendo ver o plantel reduzido
para vinte jogadores mais três juniores, poucos apostavam que Paulo Sousa
-- um habilidoso tímido e com problemas de adaptação (era assim que o
definiam nos bastidores do departamento de futebol da Luz) -- seria um dos
escolhidos.

<p n=20098>
Eriksson não costuma optar muito, à partida, por esquemas defensivos.
Mas, segundo as últimas informações, é bem capaz de ter estado a
preparar, ao longo desta semana de treinos à porta fechada, um esquema de
três centrais para opor ao F.C.Porto.

<p n=20099>
A possibilidade de formar uma defesa com Samuel à direita, William a
líbero, Paulo Madeira (ou Veloso?) e Ricardo na marcação e Paulo Madeira
ou Veloso à esquerda é uma hipótese a colocar, porque o Benfica pretende,
antes de mais, não perder. Se a este se juntar Thern, Sousa e Paneira no
meio-campo, mais Rui Águas, concluir-se-á facilmente que será uma equipa
de luta, formando uma fortaleza difícil de ultrapassar.

<p n=20100>
@2-INFORMACAO/PROG = Da balada de Paul Bun Yan às descobertas do urso
Misha. Bem no fim, os jovens Tarta-Heróis.

<p n=20101>
@2-INFORMACAO/PROG = O compositor britânico William Walton, esse «enfant
terrible» que soube viver a «jazz age» a seu modo e trabalhar sobre as
formas tradicionais de composição. Autor de «Façade» e «O Urso», óperas
que a RTP transmitirá amanhã, as suas obras tiveram também em conta o
cinema. Exemplo: «Henry V», de Lawrence Olivier. Da apresentação deste
documentário, realizado por Tony Palmer, eis a «tradução miserável» que a
RTP distribuiu: «A tristeza do envelhecimento a desilusão, e a pergunta
sobre se 'As coisas valerão a pena' caracteriza esmagadoramente o perfil
miserável que Tony Palmer fez de Sir William Walton.» (sic.) No mínimo,
esmagador...

<p n=20102>
O número de assaltos no Porto está a crescer a um ritmo inquietante,
tendo atingido, no ano passado, a média de um por hora. E, segundo os
últimos dados disponíveis, três pessoas são diariamente assaltadas por
métodos violentos na via pública, por vezes em pleno dia. O maior número
de casos registados diz respeito ao roubo por «esticão», principalmente
concentrado nas áreas residenciais da zona ocidental da cidade, mas, nos
últimos meses, intensificaram-se novas modalidades de assalto nocturno
com recurso a ameaça ou violência, nomeadamente a condutores parados em
semáforos e a clientes das caixas multibanco. Polícias e assaltantes
concordam em que a única explicação para o fenómeno é o grande aumento
verificado nos últimos anos no consumo de drogas «duras».

<p n=20103>
Rob-Vel, o autor do personagem de banda desenhada Spirou, faleceu
anteontem em Saint-Malo (França) com 82 anos. Inspirado na sua
experiência pessoal, criou em 1938 a figura de um moço de hotel de fato
vermelho e boné que mal cobre uma madeixa loura rebelde. Marcou
sucessivas gerações de leitores e constitui um dos símbolos maiores da BD
europeia. Mas o êxito do personagem passou ao lado de Rob-Vel que muito
cedo abandonou a série e, nos últimos anos, já não conseguia reconhecer o
seu herói.

<p n=20104>
Morreu Carmine Coppola, pai de Francis, flautista, compositor e maestro.
Na sexta-feira, aos 80 anos, sucumbiu a uma congestão cerebral, no Centro
Médico de Northridge, em Los Angeles. Uma «partida suja do destino», como
dizia o filho, afastou-o do ambicionado reconhecimento como autor
musical. Mas a sua figura domina a obra e os temas de Francis Coppola: a
busca do reconhecimento e de um lugar de pertença, a noção de clã e a
família. (Pag. 30)

<p n=20105>
As várias academias de estudantes espalhadas pelo País aderem à queima
das fitas, uma tradição que, até à década de 7O, era, fundamentalmente,
coimbrã. Durante os próximos 15 dias, os estudantes fazem o seu Carnaval,
com rock e sátira, Quim Barreiros e alguns trinados. No Porto  querem
cultivar o espírito novo em casco velho; em Coimbra, pretendem o regresso
à tradição, mas com abertura ao futrica; em Vila Real, Aveiro  e Braga
insiste-se na irreverência crítica à actualidade local. Em Lisboa, são
mais de 20 mil contos investidos numa semana de capa com blue-jeans à
mostra. Pags. 22 e 23.

<p n=20106>
Adolescentes minhotos são comprados por engajadores espanhóis para
exercerem a mendicidade nas cidades da Galiza. Jovens do Norte do País,
seduzidas por um mirífico emprego, no outro lado da fronteira, acabam na
prostituição nas estradas ou em obscuros bares. Neste momento a Galiza
preocupa-se com o surto emigratório português: são mais de 30 mil os
clandestinos. Pag. 24.

<p n=20107>
Quase oitocentos deficientes debateram no Porto os seus problemas. Estão
insatisfeitos, elegeram o Governo como alvo e adquiriram um discurso duro
e reivindicativo. Falam de «falta de vontade política» e de um futuro que
há-de ser seu.

<p n=20108>
A inclusão das duas questões «foi já uma reivindicação feita ao Instituto
Nacional de Estatística para os Censos 81, que renovámos para o que agora
está a decorrer, mas que não foi satisfeita», adiantou José Gouveia --
apesar de «os dados da Comunidade Europeia apontarem Portugal como o país
que, no seu seio, mais deficientes tem e mais deficientes produz».

<p n=20109>
Uma companhia discográfica japonesa, a Nippon Columbia, está a investir
grandes somas no lançamento mundial de um dos mais famosos cantores
populares da China, Guo Feng, de 28 anos, autor de mais de 300 canções,
que vendeu mais de 300 milhões de discos no seu país. A firma japonesa
pretende tornar este cantor chinês tão famoso como o jamaicano Bob Marley
ou o senegalês Youssou N'Dour, fazendo com que a música de Guo associe
uma tecnologia avançada a temas populares tradicionais. É a primeira vez
que a companhia investe num artista asiático não japonês.

<p n=20110>
Na continuidade de uma presença nacional em França que este ano logo se
anunciou numerosa, Pedro Cabrita Reis inaugurou sábado uma nova galeria
parisiense, a Jennifer Flay. Mas nem todos os percursos e lugares de
exposição têm a mesma visibilidade e pode mesmo reafirmar-se que ainda
não é chegado o momento de repetir nas artes os êxitos alcançados no
campo da literatura.

<p n=20111>
O fime francês «Les Chasseurs de Ténèbres» ganhou sábado o grande prémio
«Gentiane d'Or», do 39º Festival Internacional do Filme sobre a Montanha,
a Exploração e a Aventura, de Trente, Norte de Itália. A curta metragem
de Alain Majani e Eric Valli -- que já recebera numerosos prémios noutros
certames -- conta a vida de caçadores do arquipélago de Andamane
(Tailândia) que fazem perigosas escaladas para atingir grutas na orla
marítima onde nidificam andorinhas, ninhos que vendem depois para a
China.

<p n=20112>
No entanto, o clima de euforia foi rapidamente apagado com o discurso do
cónego Pio de Sousa sobre a «música na liturgia». Acusando os grupo
corais de se preocuparem em «dar nas vistas», aquele eclesiástico foi
mais longe, afirmando que «é tempo de os coros deixarem de andar de terra
em terra a cumprir contratos como profissionais». Na assistência
ouviram-se murmúrios de reprovação mas o cónego prosseguiu com os seus
alertas: «É tempo de os cantores viverem de modo a poderem comungar na
liturgia onde cantam».

<p n=20113>
Passou pela Sala Estúdio do S. Luis, entre 25 e 28 de Abril, «El Banquero
Anarquista», uma adaptação cénica de «O Banqueiro Anarquista» de Fernando
Pessoa. A julgar pela recepção fria do público português, Pessoa não
desperta tantas paixões como se diz. O leitor já não poderá ver o
espectáculo e verificar se esta adaptação respeita ou não o espírito e a
letra do texto pessoano. A verdade é que, tratando-se de um texto
anarquista, que defende o máximo de liberdade, justificam-se todas as
adaptações e todas as leituras.

<p n=20114>
A encenação e a interpretação são suficientemente ambíguas para que a
argumentação a favor da liberdade absoluta e a negação da solidariedade
social, claramente defendida pelo conferencista, sejam lidas de forma
humorística. Talvez Pessoa não quisesse ser levado a sério. E as
afirmações de Viton, em entrevista ao público, levam a crer que está
subjacente ao seu trabalho uma denúncia dos vira-casacas, mais
concretamente dos empresários espanhóis que se dizem de esquerda. Pessoa,
como se sabe, sempre foi de direita. Terá ele razões para agradecer aos
espanhóis esta oportunidade de ser lido, encenado, discutido, lido às
avessas? Mas se, afinal, abriu, com geral aplauso, o tiro aos clássicos,
porque não há-de aplaudir-se também a facada em Pessoa? Ou a anarquia é
para todos ou não é para ninguém.

<p n=20115>
A pianista e compositora Carla Bley e e o baixista Steve Swallow
protagonizaram um concerto com nota alta em qualidade e quantidade, na
noite do passado sábado, no  Teatro Rivoli, no Porto.

<p n=20116>
Na segunda parte, foi um tempo de tributos que testemunham o apreço da
pianista por certos músicos e autores, e a sua importância na construção
do seu singular perfil. Em composições que tiveram o seu berço em
orquestra, ficou ainda mais clara a genialidade de Carla nos arranjos
concebidos para o duo, em «Copyright Royalties» (do fabuloso «Social
Studies»), dedicado ao clarinetista Barney Bigard e a Ellington, ou em
«Fleur Carnivore», dedicado ao malogrado mestre arranjador Billy
Strayhorn, ainda com Ellington pelo meio, claro. Um tratamento só
possível  com intérpretes de craveira, como o baixista Steve Swallow que,
com uma poderosíssima técnica instrumental, consegue desdobrar-se em
múltiplas texturas -- aquelas que Carla busca nos sopros da sua «Very Big
Band».

<p n=20117>
Quantos quilolitros de sumo de tomate terá consumido o cinema americano
da última décadas? Nos Três «Padrinhos» de Coppola, por exemplo, quantas
são as personagens mortas por meios violentos? Façam as contas e mandem
dizer. Comparativamente falando, esse número talvez fique aquém do número
de mortes violentas que encontramos no chamado teatro isabelino e no
chamado teatro jacobita. Shakespeare, por exemplo: as peças do Cisne de
Stratford eram autênticos matadouros de famílias. No «Rei Lear» não fica
ninguém vivo. Na «Duquesa de Malfi» de Webster (escrita em 1613), também
não. E há de tudo: torturas, enforcamentos, degolações, mutilações. E
tudo se passava à vista do público. Que não passava sem aquilo. Foi,
evidentemente, o gosto do público que criou a moda do teatro-matadouro a
abarrotar de sexo, crueldade, matança, obscenidade.

<p n=20118>
Há depois a opção anacronista: desde um conjunto rock intrometido em
todas as cenas do espectáculo (a culminar na peregrinação a Nossa Senhora
do Loreto, em que os guitarristas entram na procissão de joelhos, com as
guitarras eléctricas às costas, como Cristos a caminho do Calvário) até
aos «maffiosi» de chapéu e aos enfermeiros de bata e máscara
anti-séptica, há de tudo nesta encenação. Onde se falam várias línguas,
nomeadamente o inglês e o italiano (até porque é suposto a cena passar-se
na Itália).

<p n=20119>
«Modernas Tendências da Historiografia Açoriana« foi o título da
conferência com que encerrou ontem, em S. Miguel, o III Encontro de
Escritores Açorianos.

<p n=20120>
O gosto pela historiografia regional renasceu por via de dois organismos:
o Departamento de História da Universidade dos Açores e o Instituto
Histórico da Ilha de Terceira. Neste ponto, Reis Leite elogiou o trabalho
de Álvaro Monjardino (também ele presidente do Parlamento Açoriano, no
passado, e «inimigo« político de Mota Amaral).

<p n=20121>
Cerca de seis mil pessoas, metade das quais crianças, vindas de 20
escolas do Porto, Grande Porto e Amarante, assistiram ao X «Fazer a
Festa» - Festival de Teatro para a Infância e Juventude, que ontem
terminou, com a apresentação das peças «A Caixa Mistério», pelo Ribalta -
Teatro de Animação do Porto, e «D. Quixote», pelo Teatro Veredas, de
Sintra, no Teatro Rivoli, no Porto.

<p n=20122>
O reforço desta presença espanhola, através de um protocolo a assinar com
o Instituto Espanhol de Cultura, será, também, um dos objectivos
prioritários da edição de 1992, ano em que o «Fazer a Festa» vai tentar
profissionalizar, ainda mais, a sua organização e, também -- acrescenta
José Leitão --, «tentar autonomizar-se da estrutura do Art' Imagem»
(companhia que tem vindo a suportar, desde o início, a realização do
Festival). Tendo sido posta de parte a hipótese de passagem a festival
bienal, em alternância com o Festival de Marionetas -- por tal «não ter
sido acordado pela responsável por este último», afirma José Leitão --, o
«Fazer a Festa» vai também consolidar o investimento na ligação às
crianças das escolas, «de modo a criar, nos mais jovens, o hábito e o
gosto de ver teatro». Para isso, a organização do Festival de Teatro para
a Infância e Juventude espera, também, o apoio logístico dos responsáveis
pelo Pelouro da Educação da Câmara Municipal do Porto -- «que este ano foi
nulo», adianta José Leitão -- e a sensibilização da Secretaria de Estado
da Cultura que continua sem sequer responder ao pedido de subsídio que
lhe foi feito para a edição deste ano.  S.C.A.

<p n=20123 assunto=desporto>
O Instituto da História de Arte, da Faculdade de Letras de Lisboa,
promove a realização, nos próximos dias 8 e 9 de Maio, de um colóquio
sobre História da Arte, durante o qual serão apresentadas as dissertações
dos primeiros mestrados realizados na instituição. No primeiro dia, após
a introdução do coordenador do curso de mestrado, Mendes Atanázio,
haverá, de manhã, a apresentação dos trabalhos de Lina Oliveira Marques
(«O Claustro do Mosteiro de Santa Maria de Belém») e de João C. Marques
(«O Convento de Nossa Senhora da Assunção de Faro»); de tarde, será a vez
de Fernando Jorge Grilo («Andrea Sansovino em Portugal no tempo de D.
Manuel I»), Maria do Rosário Gordalina («O Claustro da Abadia Florentina
e os Frescos do Pintor João Gonçalves») e Manuel C. Branco («A Construção
da Graça de Évora -- Contexto Cultural e Artístico»). No dia 9, de manhã,
apresentarão comunicações: Ernesto A. Jana («O Convento de Cristo em
Tomar e as obras durante o período Filipino») e Maria de Lurdes R. da
Silva («A Reedificação da Igreja de Santo António em Lisboa: Espaço,
Arquitectura, Programa (1755-1812)»). De tarde, intervirão Pedro A.
Xavier («A Iconografia Funerária no Barroco e o Túmulo do Bispo de
Miranda na Capela da Vista Alegre») e Maria João Baptista Neto («O
Restauro do Mosteiro de Santa Maria da Vitória 1840-1900»).

<p n=20124>
No Forum Picoas o metropolitano de Lisboa está representado em 40
painéis. A exposição inclui ainda 12 peças arqueológicas, oriundas do
Hospital de Todos os Santos, encontradas durante as obras na baixa
lisboeta. No exterior do Forum, foi construída uma peça com 5 metros de
altura, suportando um troço de carruagem, numa alusão ao projecto de
Eduardo Nery para a estação do Campo Grande. A exposição surge em Lisboa
na sequência das que foram organizadas em Paris e Bruxelas, no ano
passado.

<p n=20125>
O público voltou a encher, anteontem, o auditório e a capela da Fundação
de Serralves, no Porto, para assistir -- ao vivo (no auditório) ou em
vídeo (na capela) -- à penúltima sessão do colóquio «O olhar -- do fotão à
sedução», dedicada, desta vez, aos «Olhares da ciência».

<p n=20126>
Numa intervenção fácil de seguir mas difícil de assimilar, como sucede,
para o leigo, com todo o discurso de divulgação científica, Cunha Vaz
realçou a importância do «ambiente» que envolve os foto-receptores,
células que não morrem nem se reproduzem, mas que têm a particularidade
de constantemente se renovarem. «Como são únicas e insubstituíveis, é
necessário que vivam em condições luxuosas», explicou o orador. Compostos
por uma sucessão de discos sobrepostos, a camada superficial dos
fotoreceptores vai sendo gasta pelo efeito da luz, mas o globo ocular
possui outros componentes -- a que Cunha Vaz chamou, metaforicamente,
«criadas de servir» -- que se encarregam de limpar os discos superiores,
permitindo a ascensão à superfície dos que estão ainda intactos. E não
existe o risco de esgotar o «stock» por que a célula vai produzindo
incessantemente novos discos.

<p n=20127>
Na noite da passada sexta-feira, o Teatro Bulevar de Torrelodones, em
Madrid, foi palco da estreia pública do guitarrista de flamenco Paco de
Lucia nos terrenos da música clássica, interpretando, na presença de
Joaquín Rodrigo, e com a participação da Orquestra de Cadaqus, o
"Concerto de Aranjuez".

<p n=20128>
Um violoncelo que pertenceu ao músico catalão Pablo Casals, foi vendido
em Londres, num leilão realizado na passada sexta-feira, pela quantia de
143 mil libras (cerca de 36 mil e 300 contos). Segundo os organizadores
do leilão (a casa Christie's), o comprador é um jovem violoncelista
europeu que pretende manter o anonimato. Fabricado no século XVIII pelo
veneziano Carlo Tonini, o violoncelo tinha sido avaliado entre 90 e 110
mil libras (cerca de 23 e 28 mil contos).

<p n=20129 assunto=desporto>
A 34ª jornada da Divisão de Honra só teve um vencedor entre as equipas da
frente: o Académico de Viseu, que foi ao Barreiro ganhar por 1-0 e se
isolou no segundo lugar, reduzindo ainda a distância que o separa do
líder, o Paços de Ferreira, derrotado em Loulé por 3-1. Com seis pontos
de avanço, os pacenses podem (ainda) sentir-se tranquilos, mas daí para
baixo, a confusão continua a imperar.

<p n=20130>
Mal mal, estão os últimos dois classificados, Lusitano de VRSA e
Barreirense. Ambos têm 18 pontos, os dois perderam nesta jornada, e estão
cada vez mais longe dos restantes adversários. O Águeda (25 e o Maia (26)
também já não têm grandes esperanças, mas há ainda um dueto, constituido
pelo Varzim (29) e o Freamunde (30), que ainda se pode permitir sonhar.

<p n=20131>
A 36ª jornada não trouxe alterações no topo da classificação das três
zonas da II Divisão B. Com maior (Ovarense na Zona Centro) ou menor (Rio
Ave na Zona Norte e Olhanense na Zona Sul) tranquilidade, os líderes
mantiveram as suas posições.

<p n=20132 assunto=desporto>
A Sul, o Sacavenense e o Campomaiorense venceram fora, mas não
conseguiram aproximar-se do Olhanense, que bateu em casa o Oriental por
2-1 e manteve os três pontos de avanço sobre os seus adversários
directos.

<p n=20133>
Ainda não haviam decorrido 2' desde o apito inicial do árbitro e já o Gil
Vicente dava o primeiro passo para a surpreendente vitória alcançada em
Braga, que o levou ao 11º lugar da classificação. Um triunfo conseguido
sobretudo graças ao modo «italiano» como Rodolfo Reis dispôs em campo os
seus jogadores (o que conseguiu complicar o habitualmente bonito futebol
bracarense) e aos dois golos de Nogueira, alcançados no primeiro e último
minutos da primeira parte.

<p n=20134>
Valido, único jogador solto do Gil Vicente, atrás da linha defensiva, foi
o principal responsável por esta inépcia ofensiva dos bracarenses. À sua
frente, decorria uma série de lutas individuais, com Tuck a marcar Forbs,
José Carlos com Vinicius, Rosado com João Mário, Folha com Quim Machado,
José Nuno com Pingo e até Nogueira descia quando Vítor Duarte acompanhava
o ataque do Braga. Um «catenaccio» que funcionava também em termos
ofensivos, com rápidas saídas em contra-ataque, e cuja estabilidade
defensiva dependeu do rigôr das marcações, ainda que isso significasse um
constante recurso a faltas.

<p n=20135>
Adeptos portistas exaltados, funcionários do clube de cabeça perdida com
a actuação «escandalosa» do juiz-de-linha de Carlos Valente, demonstravam
à evidência aquilo que Artur Jorge afirmava aos jornalistas: «O FC Porto
já não pensa mais no Campeonato».

<p n=20136>
Na sala de Imprensa, Artur Jorge, já mais calmo do que durante o
encontro, afirmava que, em teoria, tudo estava em aberto, mas reconhecia
que «o Benfica deu um passo em frente, enquanto o Porto deu um atrás». A
culpa, dizia o técnico portista, não podia ser assacada a nenhum dos seus
jogadores nem, apesar de tudo, ao fiscal de linha do lado dos cativos.
«Não esteve bem. Mas, evidentemente, não foi por isso que perdemos.
Perdemos porque o Benfica foi melhor, e mostrou ser uma equipa mais
experiente e madura que o FC Porto».

<p n=20137>
Não adianta ser somente rezingão, como foi o caso do União, que passou o
tempo todo a atacar, para tentar alcançar uma vitória que lhe fugiu
devido ao melhor esquema táctico do antagonista que, acima de tudo, teve
o mérito de concretizar, quase a 100%, numa partida razoavelmente
disputada em todo o campo. Quem não precisava de pontos teve a cabeça
mais fria, raciocinou bem, procurou objectivamente os espaços de manobra
no terreno, não deixando que os adversários assumissem ofensivamente o
sinal mais. E esses foram os «axadrezados».

<p n=20138>
Mas a reacção do União não se fez esperar e, no minuto seguinte, Jairo --
na única jogada digna de registo para a sua real valia -- tabelou com dois
colegas, progrediu até à área e rematou sesgado, valendo a estirada de
Alfredo, que desviou o esférico para canto. Continuou a pressionar o
União e, aos 40 minutos, Rui Neves é derrubado na área. Markovic, chamado
a converter o penalti, atirou denunciado, permitindo a defesa de Alfredo
para canto.

<p n=20139>
Quando há dez dias se apresentou nas Antas praticando um futebol vistoso,
com recortes de boa técnica, e acabou derrotado, o Benfica terá percebido
que era necessário adoptar uma outra postura para levar de vencida o seu
rival. Eriksson deixou-o entender nas declarações que desde então prestou
ao referir que «mais importante que jogar bem é necessário não cometer
erros». Se bem o disse, melhor o fez. Montou uma estratégia defensiva em
que o principal objectivo era a protecção dos caminhos para a sua baliza.
Depois era só aguardar e esperar o momento oportuno para, com as opções
que o seu banco lhe permitia, dar a estocada final. Assim aconteceu.
Eriksson fez entrar Samuel, libertando Paneira para iniciativas de
ataque, o que até aí não lhe tinha sido permitido. Qual plano longamente
concebido, a primeira iniciativa de ataque de Paneira é concluída com um
precioso cruzamento que vai apanhar o veloz César Brito, que, acabado de
entrar, consegue o golo no primeiro contacto com a bola. Que mais podia
querer Eriksson?

<p n=20140>
Ricardo -- Foi claramente o capitão de toda a estratégia. Insuperável na
defesa foi também o autor dos únicos remates à baliza adversária na
primeira parte. Evidenciou todos os atributos que o cotam como atleta de
eleição.

<p n=20141>
O jogo de ontem com o Benfica foi o espelho fiel da atitude competitiva
do FC Porto ao longo desta temporada. Sempre que foi obrigada a adoptar
uma postura atacante, mesmo contra adversários mais frágeis, a aquipa das
Antas teve sérias dificuldades em criar situações de golo. Ontem, mais
uma vez isso foi evidente. Apesar de batidos, os portistas não deixaram,
no entanto, de evidenciar as virtudes do seu futebol nesta temporada:
grande rigor competitivo e elevada rentabilização dos seus elementos.

<p n=20142>
João Pinto -- Durante os 45´ em que actuou, ganhou claramente a luta com
Pacheco. Nas acções atacantes, evidenciou as deficiências que lhe são
conhecidas, não conseguindo pôr a bola nas costas dos defesas
adversários.

<p n=20143 assunto=desporto>
O Estrela da Amadora conseguiu, com a vitória de ontem por 1-0, frente ao
Belenenses, afastar-se mais do pesadelo da descida de divisão, num
encontro onde a expulsão de um jogador «azul» e o golo invalidado ao
Belenenses exaltou os ânimos dos adeptos do clube do Restelo, obrigando à
intervenção da polícia.

<p n=20144>
Um golo invalidado que o adjunto do Belenenses, José António, não quis
comentar. Curiosamente, o técnico do Estrela, Jesualdo Ferreira, não teve
problemas em fazê-lo: «Fora-de-jogo ou mão na bola, não sei... Mas Pinto
Correia deveria ter olhado para o seu fiscal-de-linha antes de validar o
golo.»

<p n=20145 assunto=desporto>
O professor Neca, depois da vitória sobre o Marítimo, por 1-0, pensa já
na possibilidade da sua equipa chegar ao fim do campeonato no quinto
posto e na consequente qualificação para uma prova europeia na próxima
época. «Hoje asseguramos os pontos necessários à permanência na I
Divisão, agora até ao fim vamos tentar subir mais dois lugares na
classificação», disse o treinador do Tirsense no final do jogo,
consciente de que o Tirsense tem um calendário teoricamente mais
favorável que os seus mais directos concorrentes à Europa (Beira Mar e
Salgueiros).

<p n=20146>
O «pressing» ofensivo do Tirsense veio a dar frutos à passagem dos 68':
livre frontal a poucos metros da área, Tueba rematou com muita força,
Everton não conseguiu segurar e Vlamecir, com um toque acrobático, deu
para a entrada fulgurante de cabeça de Caetano, com a bola a entrar junto
ao poste esquerdo.

<p n=20147>
O português Carlos César sagrou-se campeão europeu de culturismo, na
classe de 80 Kg, em prova organizada pela Federação Internacional da
modalidade, disputada na cidade austríaca de Graz. Depois de passar
sexta-feira à pré-selecção, que apurou os 15 primeiros, Carlos César, 36
anos, conseguiu o apuramento para a final, juntamente com cinco atletas.
E nesta fase decisiva, disputada sábado à noite, o culturista português
somou 12 pontos, garantindo o título. No segundo lugar ficou o francês
Bob Lachat, que totalizou 22 pontos, seguido do italiano Antelo Badovani,
com 29 pontos.

<p n=20148>
O nadador norte-americano Mark Spitz averbou, nos Estados Unidos na
piscina olímpica de Mission Viejo, a segunda derrota, em duas provas,
após o seu regresso à competição. Mark Spitz, 41 anos, vencedor de sete
medalhas nas «Olimpíadas» de 1972, em Munique, percorreu os 50 metros
mariposa em 26,51segundos, mais dois segundos do que o seu compatriota
Matt Biondi. O detentor do recorde do mundo de 100 metros livres e
vice-campeão olímpico dos 100 metros mariposa em Seul, ganhou avanço a
Spitz logo à partida e aumentou, progressivamente, a sua vantagem até
final da prova.

<p n=20149>
Um passo merecido na luta pela manutenção. Foi com naturalidade e justiça
que o Vitória de Setúbal somou os dois pontos que lhe permitiram igualar,
na tabela classificativa, o seu adversário de ontem.

<p n=20150 assunto=desporto>
A excelente prestação dos dois médios-alas veio aliás a revelar-se
fundamental no ultrapassar da defensiva penafidelense. O Vitória de
Setúbal da primeira parte foi uma equipa que praticamente só atacou e o
2-0 ao intervalo justificava-se por inteiro. Quando, à passagem da
meia-hora, Iekini abriu o activo, os donos da casa «mandavam» no jogo
enquanto o Penafiel se «via e desejava» para evitar o avolumar do
resultado.

<p n=20151>
A equipa do União de Leiria, comandada por Amândio Barreiras,  entrou em
campo determinada e a jogar em velocidade e só o grande valor demonstrado
pelos jogadores do Sporting de Espinho conseguiu suster o ímpeto dos
visitados.

<p n=20152>
Mas, por aquilo que os jogadores de Leiria fizeram nos minutos iniciais e
pelo inconformismo visitante, o empate acabou por ser justo no final dos
primeiros 45 minutos.

<p n=20153>
«Que alegria dá uma vitória eleitoral logo seguida da derrota do
Belenenses num momento tão crucial como este?», perguntavam, no final de
jogo, alguns dos futuros dirigentes do clube do Restelo, da lista
liderada por António Moita, que sábado vencera as eleições com cerca de
64,8 por cento dos votos expressos.

<p n=20154>
A prioridade da direcção de António Moita será a equipa principal de
futebol. Para o efeito, segundo adiantou, «Moisés de Andrade merece-nos a
maior confiança e, por isso, é nossa intenção mantê-lo à frente da
equipa».

<p n=20155>
O Desportivo de Chaves alcançou ontem, perante o Beira Mar, um resultado
que já se não usa, se bem que o mesmo espelhe, mais golo, menos golo,
aquilo que se passou durante os 90 minutos de jogo.

<p n=20156>
Mas, se é certo que este Beira Mar não foi o melhor Beira Mar do
campeonato, também o não é menos que o Desportivo de Chaves confirmou o
seu bom momento, marcando muitos e bons golos a uma equipa que até nem
tem sofrido resultados desnivelados, acabando por isso por justificar o
resultado final, não estranhando a alegria dos seus adeptos que vão vendo
a luzinha da permanência acesa e cada vez mais perto.

<p n=20157>
Catorze anos depois, o Benfica voltou a vencer o FC Porto, no Estádio das
Antas, em jogo de campeonato. Foi ontem, na partida que deve ter decidido
o título.

<p n=20158>
O Benfica ganhou o jogo e usufrui agora de três pontos reais, uma
confortável e animadora vantagem, a quatro jornadas do fim do campeonato,
que serão encaradas, seguramente, com maior tranquilidade.

<p n=20159>
O alemão Armin Schwarz (Toyota) não ligou nenhuma às críticas tecidas
pelos seus colegas ao traçado da Volta à Córsega e, com um andamento
muito rápido, terminou a primeira etapa deste rali pontuável para o
«Mundial» no comando.

<p n=20160>
Classificação no final da 1.ª etapa: 1.º Schwarz/Hertz (Toyota Celica
GT-Four), 45'58''; 2.º Delecour/Pawels (Ford Sierra 4x4), a 12''; 3.º
Sainz/Moya (Toyota Celica GT-Four), a 15''; 4.º Auriol/Occelli (Lancia
Delta 16V), a 38''; 5.º Cunico/Evangelisti (Ford Sierra 4x4), a 45''; 6.º
Duez/Wicha (Toyota Celica GT-Four), a 50''; 7.º Saby/Grataloup (Lancia
Delta 16V), a 56''; 8.º Chatriot/Périn (Subaru Legacy), a 57''; 9.º
Béguin/Andrié (Ford Sierra 4x4), a 58''; 10.º Wilson/Grist (Ford Sierra
4x4), a 1'23''.

<p n=20161>
A insolente superioridade portuguesa manifestada anteontem na «Taça dos
Campeões Europeus» de estrada, corrida na Mealhada, poderá ser sintoma do
«início do fim» do certame. O número de equipas participantes tem descido
e cifrou-se, agora, na dezena. E quanto a países representados, estes
foram só oito...

<p n=20162>
Outra tentativa de solução seria a não atribuição da organização
forçosamente à equipa vencedora. Mas também esta possibilidade esbarra
com o pouco interesse que pode haver em organizá-la em outras paragens
fora da mais ocidental Europa.

<p n=20163>
O Benfica venceu nas Antas e assim, com outro sabor festeja o título.
Para ganhar o jogo, teve ontem a sorte que não tinha tido há dez dias,
mas no fundo, poucas vezes esteve em situação de o perder. E só a derrota
tiraria ao Benfica um título que, neste momento, todos os números lhe
outorgam. Claro que tirar César Brito do banco e na primeira jogada ele
fazer golo, no meio de dois defesas e do guarda-redes, é sorte, mas
correspondeu também a um rigor táctico que tantas vezes se disse que esta
equipa não tinha.

<p n=20164>
Assim, só em lances isolados e normalmente de bola parada, havia
realmente perigo. Baía falhou a saida num canto (6´), Neno imitou-o a
seguir num centro de Jorge Couto e Paulo Madeira salvou na linha o toque
de cabeça de Vlk, naquela que acabou por ser a melhor oportunidade
portista em todo o jogo. Até ao fim da primeira parte só mais duas notas
importantes: duas cargas mal assinaladas sobre Neno (que só saltara com
defesas e uma delas bem longe da pequena área...) e uma perdida de Rui
Águas, que aproveitou o mau domínio da bola de Aloísio, correu e já na
área disparou forte, mas Baía defendeu com os punhos. No resto, um jogo
muito empatado, com muitas faltas e mais interrupções mas com o Benfica a
«ganhar» porque a forma como o jogo decorria era positiva para si.

<p n=20165>
A terceira vitória consecutiva da época de Fórmula 1 teve, para Ayrton
Senna, um sabor especial: foi a terceira em quatro anos obtida em Imola,
a «casa» dos «tiffosi» da Ferrari!

<p n=20166>
Do lado da Ferrari, houve quem se queixasse de que se o director de prova
tivesse atrasado a partida por 15', tudo teria sido diferente, pois as
condições meteorológicas melhoraram logo após a largada. São, no entanto,
falsas desculpas de uma equipa que, frente ao seu público, teve uma
actuação desastrosa pois, afinal, as condições à partida eram iguais para
todos...

<p n=20167>
«Quero morrer». Estas foram as primeiras palavras de  Maradona no seu
primeiro, e até gora último, dia de prisão. «Tirem-me daqui», implorava
aos polícias que o olhavam estupefactos.

<p n=20168>
Nem sequer no dia da sua libertação «Dieguito» perdeu a arrogância e os
maus modos dos seus últimos tempos. Na fuga -- com ajuda policial -- quase
chocou com os automóveis da imprensa que seguiam os seus passos. Sorria
e, quase a investir sobre os jornalistas, fez o clássico gesto da
«vendetta» italiana.

<p n=20169 assunto=desporto>
A excelente vitória conseguida pelo Louletano frente ao Paços de
Ferreira, líder destacado da divisão de honra, por 3-1, é um prémio justo
para a superior qualidade do futebol ontem produzido pela equipa da casa
no Municipal de Loulé.

<p n=20170>
Os momentos que se seguiram pareceram de desnorte para o Louletano, que
não dava mostras de conseguir reagir ao infortúnio. O Paços de Ferreira,
por seu lado,  era a equipa mais realista, apostando no contra-ataque e
não entrando em preciosismos.

<p n=20171>
Os pilotos portugueses a competirem na Fórmula Opel-Lotus perderam ontem,
em Imola, na segunda prova do troféu europeu, uma fantástica oportunidade
de conseguirem mais uma vitória e uma dupla. De facto, Diogo Castro
Santos e Pedro Lamy tinham ocupado as duas posições da corrida quando,
nas duas derradeiras voltas, deitaram tudo a perder.

<p n=20172>
Com uma segunda venda em hasta pública do pavilhão da Académica/Organismo
Autónomo de Futebol já marcada para 4 de Junho, por irregularidade no
anúncio da primeira - foi agora assinada a escritura pública da cedência,
pela autarquia, dos terrenos que virão a ser parcialmente utilizados pelo
clube, evitando assim a nova 'praça', para o pagamento da dívida de perto
de 50 mil contos ao Montepio Geral. Obrigação por cujo incumprimento a
Académica esteve em riscos de perder um equipamento cujo valor ronda os
400 mil contos.

<p n=20173>
5/5: Vila Real-Joane; Bragança-Marco; Amarante-Vizela; Rio Ave-Esposende;
Trofense-Moreirense; Lousada-Fafe; Delães-Leça; Valpaços-Infesta; U.
Lamas-Felgueiras; Mirandela-Paredes.

<p n=20174>
O Sporting sofreu ontem a terceira derrota consecutiva e, no final,
Marinho Peres tinha razões de sobra para considerar o jogo «aborrecido e
frustrante». A sua equipa foi tudo menos isso. Foi, antes, a sombra de um
«onze» que esta época não só alcançou as meias-finais da Taça UEFA, como
chegou mesmo a deliciar o público com futebol de alto nível.

<p n=20175>
Bom tempo e corridas bem movimentadas foram os ingredientes para mais um
dia de festa no Circuito de Vila Real. O «Nacional» de Velocidade
proporcionou mais um bom espectáculo.

<p n=20176>
Classificação: 1.º Manuel Fernandes (BMW 325i), 30'46,061''; 2.º Pedro
Azeredo (Opel Kadett GSi), a 1,665''; 3.º Ni Amorim (BMW 325i), a
7,586''; 4.º Ferreira da Silva (Peugeot 309 GTi), a 9,961''; 5.º Mário
Silva (Peugeot 309 GTi), a 24,127''.

<p n=20177>
Joaquim Andrade (Sicasal/Acral) foi o brilhante vencedor da Volta ao
Algarve em bicicleta ao conseguir ontem, na última etapa, manter o avanço
que o separava de Joaquim Gomes (Calbrita/Lousa), segundo classificado.

<p n=20178>
Entre o km 130 e o 140 Joaquim Gomes ainda tentou várias vezes isolar-se
e, numa última tentativa, conseguir a vantagem que lhe permitisse vir a
vencer a Volta ao Algarve. Mas Joaquim Andrade respondeu sempre com vigor
e, à passagem de Clareanes, com a contagem de 3ª categoria do prémio da
montanha, as escaramuças pararam, seguindo só na frente dois ciclistas,
Joaquim Salgado (Tensai) e José Rosa (Calbrita/Lousa) que ali passaram
por essa ordem .

<p n=20179 assunto=desporto>
Assistiu-se, sem dúvida, a um jogo emotivo em que os homens da Linha do
Estoril fizeram jus à vitória, mercê de uma excelente segunda parte em
que o Benfica nunca conseguiu fazer o seu jogo. Mas, na primeira parte, o
jogo foi bastante equilibrado com o Benfica a marcar logo aos 5'  através
de uma penalidade de João Queimado que ao longo da primeira parte falhou
mais três penalidades. Os «encarnados« tiveram mesmo o domínio do jogo
durante o primeiro período, mas sem resultados práticos. Enquanto isso, o
Cascais ia crescendo e com duas penalidades de Villar Gomes chegou ao
intervalo a vencer por 6-3. Na segunda parte, o Cascais entrou
determinado e, logo aos 3', Villar Gomes, que esteve melhor do que o
chutador encarnado João Queimado, elevou para 9-3, para 5' depois fazer o
12-3.

<p n=20180>
Sob a arbitragem de João Puga, que teve uma actuação razoável (se bem que
o ensaio do Cascais tivesse deixado algumas dúvidas), as equipas
alinharam e marcaram:

<p n=20181>
O Banco Comercial Português (BCP) registou, no primeiro trimestre de
1991, um crescimento de 49 por cento nos resultados do exercício,
realizando 6,1 milhões de contos, contra os 4,1 milhões verificados em
igual período de 1990. O «cash-flow» do banco totalizou, nos primeiros
três meses do ano, 8,3 milhões de contos, o que traduz uma progressão de
60 por cento relativamente ao ano anterior. Segundo o presidente do BCP,
Jardim Gonçalves, a NovaRede contribuiu, de forma significativa, para os
resultados alcançados, anunciando, simultaneamente, a abertura, esta
semana, de novas sucursais. Ainda de acordo com Jardim Gonçalves, «o
volume de crédito a clientes aumentou nove por cento entre o final de
1990 e Março de 1991».

<p n=20182>
A França propôs aos seus parceiros comunitários um projecto de um fundo
para a cooperação económica com o Médio Oriente e o Magreb, anunciou o
ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Roland Dumas. O projecto foi
bem acolhido pelos outros Estados membros da Comunidade, afirmou Dumas, à
saída de uma reunião, no Luxemburgo, dos chefes da diplomacia dos Doze. A
CEE já tinha manifestado a sua vontade em participar na reconstrução e
desenvolvimento dos países de ambas as regiões. A proposta francesa prevê
a criação de «um fundo multilateral com base em donativos destinados a
financiar estudos e uma assistência técnica aos projectos de interesse
regional».

<p n=20183>
A mais importante missão comercial portuguesa à República Islâmica do
Irão chega hoje a Teerão. Os iranianos planeiam investir na reconstrução
do seu país cerca de 18 mil milhões de contos. Por isso, são muitas e
promissoras as perspectivas de negócios com Portugal.

<p n=20184>
Há informações de que o ICEP (Instituto do Comércio Externo de Portugal)
aproveitará a visita para abrir uma delegação em Teerão, provavelmente em
Julho, já que os escritórios no Cairo são a sua única presença no Médio
Oriente. Para alguns dos empresários que integram a comitiva de Faria de
Oliveira, esta deslocação não representará apenas a revelação de um novo
mercado, pois poderão mesmo fechar negócios durante a sua estada.

<p n=20185>
A reunião dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais
dos sete países mais industrializados do mundo, o Grupo dos Sete (G 7),
realizada ontem, em Washington, foi marcada pela pressão dos Estados
Unidos no sentido de a Alemanha e o Japão acompanharem uma eventual
descida das taxas de juro, e pela oposição da Alemanha que pretende a
manutenção das actuais taxas ou até a subida das mesmas.

<p n=20186>
Ao apresentarem hoje em Vila Real a segunda fase do PDRITM (Programa de
Desenvolvimento Rural Integrado de Trás-os-Montes), os ministros do
Planeamento, Valente de Oliveira, e Agricultura, Arlindo Cunha, e o
secretário de Estado da Alimentação, Luís Capoulas, vão ouvir um coro de
críticas relativas à primeira fase de execução de um programa que foi
anunciado como o grande motor da agricultura e da economia da região. É
que grande parte do esforço financeiro do PDRITM 1 dedicou-se ao plantio
de novas vinhas na Região Demarcada do Douro mediante a apresentação de
uma série de expectativas que agora os aderentes dizem estar a ser
defraudadas.

<p n=20187>
O princípio geral de uma interdição de exploração mineral na Antárctida
durante um longo período foi este fim-de-semana admitida na reunião de
Madrid sobre o continente branco pela grande maioria das delegações
presentes. Segundo o chefe da delegação francesa, Jean-Pierre Puissochet,
todo o mundo aceita agora a ideia que nós possamos «incluir no
instrumento jurídico do tratado [da Antárctida], uma claúsula estipulando
que toda a actividade humana exercida sobre os minerais seja a
investigação científica». O princípio geral de interdição, que não
existia após a última reunião dedicada ao assunto no Chile em Novembro
passado, constitui um grande progresso. A duração da moratória não foi,
no entanto, ainda objecto de qualquer negociação.

<p n=20188>
Uma associação internacional anuncia a colocação em órbita de um
potentíssimo radiotelescópio em 1994. Ao mesmo tempo, os americanos
anunciam a construção de um novo supertelescópio terrestre. E sucedem-se
as declarações de quem verá mais fundo no Universo no início do novo
milénio.

<p n=20189>
O primeiro-ministro soviético, Valentin Pavlov, vai reunir-se hoje em
Bruxelas, com o presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, para
analisar os programas de ajuda da CEE a Moscovo, segundo disse à Reuter
um conselheiro da embaixada da URSS na Bélgica. A mesma fonte indicou que
Pavlov pretende nomeadamente analisar o último pacote aprovado na cimeira
de Roma de Dezembro e que prevê a concessão de 1,3 mil milhões de dólares
em ajuda alimentar e técnica.

<p n=20190>
A PRESIDENTE da Nicarágua considerou ontem «absurda» a hipótese segunda a
qual teria sido o alvo dos tiros disparados, sexta-feira à noite, contra
um restaurante de Manágua, onde jantava. A dirigente nicaraguense vem
desenvolvendo esforços para sanear a situação económica do país, pendente
de promessas de empréstimos nomeadamente dos Estados Unidos,
ex-patrocinadores da guerrilha, e que vem provocando o regresso de muitos
antigos «contras» às montanhas e motivando a linha dura sandinista
pontuada pelo ministro da Defesa, Humberto Ortega. Chamorro tem sido
particularmente acusada pelos conservadores da União Nacionald de
Oposição (no poder), do vice-Presidente Virgílio Godoy.

<p n=20191>
A TAILÂNDIA manifestou ontem o seu apoio ao cessar-fogo temporário que
entrará em vigor no Camboja a partir de quarta-feira. O regime tai joga
um papel «pivot» na guerra civil khmer assegurando o trânsito e a
distribuição no território cambojano de armamento fornecido pela China
aos Khmers Vermelhos.

<p n=20192>
Hun Sen deslocou-se a Bangkok onde debateu com altos dirigentes da Junta
Militar tailandesa as perspectivas de obtenção de um cessar-fogo com a
guerrilha khmer. O dirigente, que acabara de visitar Tóquio, reuniu-se
nomeadamente com o comandante supremo da Junta, Sunthorn Kongsompong, e o
ministro dos Negócios Estrangeiros, Arsa Sarasin.

<p n=20193>
OS PAÍSES ocidentais que estão a enviar forças militares para o Norte do
Iraque admitiram ontem vir a estender, para Leste, a zona de segurança,
actualmente limitada aos subúrbios da cidade de Zakho, de maneira a
facilitar o regresso a casa dos refugiados curdos que se concentram junto
à fronteira com a Turquia, disse o general Andrew Keeling, responsável
pelo destacamento britânico-holandês.

<p n=20194>
Keeling afastou, aliás, a eventualidade de os contingentes iraquianos
virem a causar problemas aos ocidentais. «Os contactos que estabelecemos
com eles indicam que o seu moral é mau e que não têm qualquer intenção de
se oporem às nossas operações», disse.

<p n=20195>
A deslocação de Roland Dumas a Pequim vem confirmar, uma vez mais, que a
comunidade internacional está disposta a esquecer os acontecimentos de
Tiananmen. Para os chineses, a conclusão é óbvia: o tempo das sanções já
passou.

<p n=20196>
Depois do britânico Douglas Hurd, já estiveram este mês em Pequim os
ministros dos Negócios Estrangeiros do Japão e da Austrália, e logo à
tarde é a vez do chefe da diplomacia francesa, Roland Dumas, iniciar uma
visita oficial à China. O próprio primeiro-ministro Michel Rocard deverá
vir ainda em 1991, e Jiang Zemin anunciou que o imperador do Japão será
igualmente benvindo.

<p n=20197>
A URSS e os Estados Unidos estão a procurar conseguir a paz na Etiópia,
tal como em Angola e em outras regiões da África, trabalhando lado a lado
para acabar com velhos conflitos regionais.

<p n=20198>
O Governo norte-americano manifestou o seu apoio à integridade 
territorial etíope, o que significa um forte desaire para a Frente de
Libertação Popular da Eritreia (FLPE), que deseja a independência desse
território do Norte da Etiópia.

<p n=20199>
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da CEE decidiram ontem propôr às
Nações Unidas a instalação de uma força de polícia no Norte do Iraque em
substituição das tropas ocidentais para ali deslocadas e a realização de
uma reunião especial do Conselho de Segurança para analisar os termos do
acordo entre o governo de Bagdad e os líderes curdos.

<p n=20200>
O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Douglas Hurd, mostrou-se
confiante em que a proposta apresentada por Londres, e aprovada pelos
Doze, venha a ser bem recebida em Bagdad. «Do ponto de vista iraquiano
será melhor ter uma força de polícia do que tropas (no seu solo)»,
afirmou. Hurd disse, contudo, que a força da ONU poderia vir a
necessitar, no princípio, de uma «cobertura aérea para garantir a sua
segurança e liberdade de movimentos». Hurd salientou  que o calendário e
os pormenores do plano deverão ser definidos pelo secretário-geral da
ONU, Javier Perez de Cuellar, tendo avaliado em «alguns meses» o tempo
necessário para o início da sua aplicação.

<p n=20201>
O ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, David Levy, deve ter-se
sentido o homem mais solitário de Israel neste fim de semana, observando
um político atrás do outro a retrocederem quanto ao acordo a que chegou
com o secretário de Estado norte-americano, James Baker, para convocar
uma conferência regional.

<p n=20202>
O primeiro-ministro chamou Levy ao seu gabinete, antes da habitual
reunião de domingo do Governo,  para o repreender.

<p n=20203>
A SÍRIA chamou ontem o Irão a desempenhar um maior papel na futura
segurança do Golfo no segundo dia de conversações entre os presidentes
Hafez al-Assad e Akbar Hashemi Rafsanjani , que hoje termina uma visita
oficial de três dias ao país. Uma visita onde a paz na região foi o tema
central dos encontros.

<p n=20204>
Recorde-se que a Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait, Oman, Qatar e Emirados
Árabes Unidos, agrupados no Conselho de Cooperação do Golfo, prometeram a
Teerão um papel específico na segurança da região, num acordo esboçado
após a guerra mas cuja assinatura, em Março, omitia o Irão. Teerão
criticou então o plano devido à sua exclusão.

<p n=20205>
GOVERNO e rebeldes de El Salvador concluíram com êxito as negociações de
paz iniciadas no dia 4 na Cidade do México. É a primeira vez que os
beligerantes salvadorenhos conseguem alcançar alguma identidade de pontos
de vista para acabar com uma guerra civil de onze anos durante os quais
mais de 70 mil pessoas perderam a vida.

<p n=20206>
Shafick Handal, chefe da delegação da FMLN, declarou-se  satisfeito com
os acordos da capital mexicana, sublinhando no entanto que eles são
«parciais» e que «falta ainda muito para fazer» nomeadamente no que
respeita às Forças Armadas, «a sua depuração, os grupos militares e
sobretudo a desmilitarização». Um dos pontos que sempre bloquearam as
negociações.

<p n=20207>
O ministro albanês do Interior, Gramoz Rucaj, apelou ontem à população
para se manter calma depois dos violentos incidentes que, na sexta-feira,
resultaram na morte de duas pessoas. Num relatório ao parlamento, ontem
citado pela agência albanesa ATA, Rucaj indicou que as duas vítimas
morreram queimadas quando o comboio em que seguiam foi atacado e
incendiado, em Shkoder, por uma multidão de albaneses que tentara em vão
seguir viagem para Itália a partir do porto de Shengjin.

<p n=20208>
O Governo de Tirana colocou, em Março, os principais portos do país sob
controlo militar, depois da fuga de milhares de albaneses para Itália.

<p n=20209>
O chanceler alemão Helmut Kohl foi ontem criticado por dois dos seus mais
próximos colaboradores, que defenderam a necessidade de uma revisão da
política e da direcção da União Cristã-Democrata (CDU).

<p n=20210>
Pelo seu lado, Toepfer afirmou que a CDU precisa de uma nova geração de
dirigentes para substituir os que têm vindo a ser derrotados nas eleições
estaduais. «A situação na CDU é extremamente precária. Sem renovação
continuaremos a afundar-nos», declarou ao jornal «Bild».

<p n=20211>
Enquanto alguns angolanos afirmam que seria bom a assinatura do
cessar-fogo verificar-se no próprio país, e não em Portugal, o partido no
poder admite mesmo a hipótese de tal cessar-fogo não ter lugar, pelo
menos no futuro imediato. A saga de Angola prossegue, com todos os seus
altos e baixos.

<p n=20212>
No entanto, o partido no poder em Angola afirma que nunca deixou de lutar
pela paz, sem a qual não se podem resolver os problemas fundamentais do
país. Segundo disse o Presidente José Eduardo dos Santos no fim do
Congresso, há entre os militantes do MPLA os que advogam que a paz é
possível pela via militar, «porque os adversários são desonestos»,
enquanto outros preferem a solução política: «Nós estamos à procura da
solução possível, que na presente conjuntura interna e internacional
melhor salvaguarde os interesses do povo».

<p n=20213>
Enquanto alguns angolanos afirmam que seria bom a assinatura do
cessar-fogo verificar-se no próprio país, e não em Portugal, o partido no
poder admite mesmo a hipótese de tal cessar-fogo não ter lugar, pelo
menos no futuro imediato. A saga de Angola prossegue, com todos os seus
altos e baixos.

<p n=20214>
José Eduardo dos Santos considerou serem cinco os assuntos de maior
interesse para o país, nomeadamente o processo de paz, as eleições
multipartidárias, a acção do Governo, a corrupção e a reconstrução
económica e social.

<p n=20215>
O Presidente Frederik de Klerk e a sua comitiva regressaram sábado à
África do Sul, depois de uma semana em três países europeus -- Inglaterra,
Dinamarca e Irlanda. A digressão foi bem sucedida, de acordo com os
objectivos: informar os chefes de Estado dos três países sobre o programa
do Governo para completar o processo de reformas políticas, explicar as
suas intenções quanto a negociações constitucionais, e convencer
empresários europeus da viabilidade económica da África do Sul.

<p n=20216>
Entretanto, a reunião com o líder da oposição,  Neill Kinnock, foi mais
difícil e o Partido Trabalhista fez questão de dizer que o encontro fora
realizado a pedido do Governo sul-africano. Kinnock reafirmou o seu apoio
ao Congresso Nacional Africano (ANC)  e, especialmente, a Nelson Mandela.

<p n=20217>
Uma desordem entre elementos de etnia cigana, registada ontem de manhã na
feira do bairro do Relógio, em Lisboa, terminou em tiroteio, do qual
resultou um ferido grave e vários ligeiros, entre os quais um agente da
PSP, que «por casualidade apanhou um chumbo disperso», informou o oficial
de dia do Comando Geral da PSP.

<p n=20218>
O volume de construção de habitação em Braga conhece um ritmo quase sem
igual no resto do país. Os números adiantados pelo município
impressionam: mais de 20 mil fogos construídos nos últimos 15 anos e um
aumento de eleitores no concelho de 74 mil, em 1977, para 104 mil, em
1989 -- o único indicador seguro, enquanto se espera pelo resultado da
operação Censos 91.

<p n=20219>
Vera Lúcia Morais (flauta) e Gabriela Canavilhas (piano) interpretam
obras de Beethoven e de Fauré. No Teatro S. Luiz, a partir das 18h30.
Pouco depois, no mesmo local, o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa
executa peças da autoria de Jorge Peixinho.

<p n=20220>
Jack Rigg, cantor compositor norte-americano, da área dos «blues», vai
estar no Johnny Guitar, Calçada Marquês de Abrantes, a Santos. A partir
das 22h30.

<p n=20221>
Estradas do interior, o aqueduto de Pegões, um marco geodésico de onde se
avista Fátima e um moinho abandonado em Casal da Estrada foram alguns
pontos de passagem dos 250 participantes no III Encontro Nacional de
Caminheiros ontem realizado, num percurso de dez quilómetros a pé, em que
além de praticar desporto puderam ficar a conhecer exemplos do património
da região de Tomar.

<p n=20222>
O tempo, embora soalheiro, esteve por vezes encoberto, facto que impediu
os participantes de observarem, como aconteceria se o céu estivesse
limpo, a cúpula da Basílica de Fátima, ao chegarem a Casal da Estrada,
onde, não longe de um moinho abandonado, há um marco geodésico.

<p n=20223>
A canção «Lisboa sempre nova», com letra de João Dias Nobre e música de
José Queimado, venceu o concurso para a Grande Marcha Popular de Lisboa
1991, realizado pela Câmara Municipal.

<p n=20224>
O primeiro levantamento foi entregue há dias aos vereadores e é hoje
discutido pelos responsáveis dos serviços municipais. Nele se avançam
linhas possíveis de desenvolvimento que serão aprofundadas num segundo
momento, até Julho próximo.

<p n=20225>
«A culpa é do Abecasis», «a culpa é do Sampaio». Dos buracos no pavimento
ao persistente divórcio entre a cidade e o rio, o homem político responde
pelos percalços que armadilham o dia-a-dia do lisboeta. E, se por vezes
será assim, se calhar, nem sempre assim será. Di-lo quem está pensar a
cidade e a identificar as suas fraquezas e trunfos.

<p n=20226>
Preocupados com o que lhes tolhe os movimentos, os responsáveis políticos
da autarquia encomendaram mesmo um estudo a uma empresa de consultadoria
exterior à Câmara. A ela se pede que faça sugestões sobre a estrutura e
modelo de funcionamento mais adequados para o município.

<p n=20227>
Críticas ao poder central e a entrega de medalhas aos clubes
participantes na edição do ano passado foram os pontos fortes da
apresentação das III Olimpíadas Populares do Distrito de Évora, realizada
sábado no castelo de Vila Viçosa.

<p n=20228>
A interligação entre o desporto escolar e as olimpíadas populares, a
formação de técnicos e dirigentes desportivos e a necessidade de
infra-estruturas são as questões mais difíceis com que a organização se
debate.

<p n=20229>
Um empate «político» a uma bola foi o resultado do desafio de futebol
entre as equipas das câmaras do Porto e de Lisboa, capitaneadas pelos
respectivos presidentes, Fernando Gomes e Jorge Sampaio, que ontem de
manhã decorreu no clube dos trabalhadores da autarquia portuense.

<p n=20230>
Foi Lisboa a marcar primeiro, de grande penalidade que, segundo os
portuenses, não existiu. Ao intervalo, Gomes revelava que o árbitro iria
compensar na segunda parte o erro cometido. E assim foi. Aproveitando uma
defesa do guarda-redes lisboeta, o avançado portista atirou-se para o
pelado e o juíz José Guedes apontou a marca. Sampaio gritou então para
José Lello que o árbitro estava comprado. Ao que este respondeu que não
tinha sido ele a comprá-lo, mas sim Carlos Lage. Risada geral.

<p n=20231>
A Orquestra do HOT (Hot Clube de Portugal) é hoje uma sorridente
realidade. Uma realidade a demonstrar que o jazz, neste paìs, vai
alargando os seus horizontes no campo do número de intérpretes com
qualidade e conhecimento, que permitem abordar uma das mais desafiantes e
complexas facetas da música negra: a componente orquestral.

<p n=20232>
A ideia já vem de longe, mas só foi consubstanciada em Março de 1990,
tendo como seu principal promotor Bernardo Moreira (pai), também
«responsável» pela nossa maior família musical «Os Moreiras». Zé Eduardo,
contrabaixista e professor do «Tallers de  Musics» de Barcelona, é o
responsável pela direcção da orquestra, mas na sua ausência o saxofonista
Pedro Moreira não desmerece da responsabilidade, até porque é, sem
dúvida, uma das mais jovens certezas do jazz luso.

<p n=20233>
Este ano, a Administração Central vai participar com o maior montante de
sempre em obras de construção e reparação de equipamentos religiosos:
para 91 intervenções, orçadas em mais de 1200 contos pelo Conferência
Episcopal, o Estado vai dar 758 contos.

<p n=20234>
Em 1987, o Governo comparticipou em 162 obras religiosas com 228 contos,
mais de metade do seu custo total: 548 contos. Até 1989, os montantes
mantiveram-se semelhentes. No ano passado, o orçamento do total das obras
em igrejas e paróquias ultrpasssou os mil contos e o Ministério
contribuiu com perto de 650 contos.

<p n=20235>
Depois de um prolongado divórcio com os seus habitantes, Macário Correia
voltou à ilha de Faro. Mostrou-se entusiasmado com os trabalhos em curso
e responsabilizou a Câmara de Faro pelo atraso de outros.

<p n=20236>
A sua deslocação foi promovida pela Associação para a Defesa e
Desenvolvimento da Ilha de Faro e teve como objectivo dar a conhecer aos
moradores a política do Governo para a defesa da ilha. Após uma visita de
estudo, a pé, pelas dunas, Macário foi convidado a sentar-se à mesa com
pescadores e outros residentes, para comer um prato de arroz de
lingueirão e para mostrar que águas passadas não movem moinhos. 

<p n=20237>
As instalações de um armazém de tapetes, no lugar do Coutinho, Cortegaça,
Ovar, ficaram ontem completamente destruídas, na sequência de um incêndio
que deflagrou cerca das 4h00 da madrugada.

<p n=20238>
A primeira dessas linhas aponta para a renovação da estrutura económica
de Lisboa, que deverá passar quer pelo ordenamento da cidade quer pelo
incentivo ao desenvolvimento de novas actividades.

<p n=20239>
Dois mortos e dois feridos graves foi o resultado do despite de um
veículo ligeiro ocorrido ontem, cerca das 7h30, na Estrada Nacional 10,
entre o Infantado e Porto Alto.

<p n=20240>
Cerca de três horas antes, um outro despiste, desta vez numa estrada
municipal da localidade de Famalicão, no concelho de Leiria, fazia uma
vítima mortal, Mariano Pereira dos Santos, um ferido grave e três feridos
ligeiros.

<p n=20241>
O elenco da Junta de Freguesia de Palmela encontra-se novamente completo
com a eleição do vogal, que faltava neste orgão autárquico, na última
assembleia de freguesia realizada sexta-feira.

<p n=20242>
Desde o início de Abril, tinham sido já convocadas duas assembleias de
freguesia para a votação do substituto de Helder Camolas, sem que a
eleição tenha resolvido a nomeação. Na primeira assembleia, os eleitos
sociais-democratas e socialistas, que constituem a maioria, não
compareceram à reunião. Na segunda, a votação, repetida quatro vezes,
resultou sempre num empate, devido à ausência de uma eleita do PSD.
J.R.R.

<p n=20243 assunto=desporto>
Ao vencer no sábado, no Pavilhão Municipal, o Sporting de Tomar por 4-2,
a Associação Cultural e Recreativa de Santa Cita subiu à I Divisão do
Campeonato de Hóquei em Patins.

<p n=20244>
No final do encontro, pode dar-se razão a João Perfeito, seccionista do
Sp. Tomar, que antes da sua realização declarara: «As duas equipas estão
bem preparadas e qualquer delas tem `chance' de subir.» Subiu o Santa
Cita, que soube gerir o avanço de um ponto que detinha. J.M.S.

<p n=20245>
Poucos mas «Unidos» há mais de 50 anos, os 300 associados do clube de
futebol do Bairro do Padre Cruz, puderam ontem celebrar mais uma vitória.
Foi num jogo duro, contra o Operário, que só não acabou em pancadaria
graças a um golo, marcado não ali, mas nas Antas, pelo «glorioso».

<p n=20246>
Mas, apesar da vitória, o clube, cujo slogan actual é «Unidos cada vez
mais», e que está em sétimo lugar no campeonato das equipas distritais da
primeira divisão, deseja ir mais longe -- à semelhança do que aconteceu em
1978/79, época em que esteve na III Divisão Nacional e jogou contra o
Guimarães -- como recordou ao PÚBLICO o vice-presidente, José Raimundo. E
ir mais longe, para os adeptos dos Unidos, não significa apenas subir no
campeonato, mas, sobretudo, poder proporcionar às pessoas do bairro mais
actividades desportivas e momentos de lazer.

<p n=20247>
Após a gravação pela RTP do «double-bill» de William Walton -- «Façade» e
«The Bear» --, o Teatro da Cornucópia abriu por três vezes as suas portas,
no passado mês de Julho, para antecipar, ao vivo, o que hoje se vai gozar
na RTP 2. Naturalmente, o que se verá é um trabalho cujas especificidades
(planificação, montagem...) se não revelaram no espectáculo. Mas, mesmo
sem conhecer o produto final, não é arriscado apostar em mais uma
afirmação do especial saber de Oliveira Costa no exercício de
transposição para matéria filmada dos acontecimentos vistos no palco.

<p n=20248>
Viagens pelo continente negro. Pelos seus costumes e tradições. Pela sua
música. África do deserto e da savana, berço do «jazz» e do samba
brasileiro. África dos sons e tons tórridos que hoje aquecem as caves e
estúdios de Paris. Ocidente rendido à matriz negra. Peter Gabriel, Paul
Simon, Stewart Copeland abriram portas e fizeram a junção dos
continentes. Os músicos e a força africanos fizeram o resto.

<p n=20249>
Tudo se passa num Verão do final dos anos 50, em Hiroshima. Vêem-se
corpos mutilados, uma bomba que explode e a morte. Mas isso é passado.
Agora há gente reunida numa praça (a Praça da Paz), há flores brancas e o
peso da memória em cada um. Depois é noite e um homem e uma mulher
encontram-se. Ela é francesa e está na cidade para a rodagem de um filme.
É actriz. Ele é arquitecto ou engenheiro (nunca se chega a perceber muito
bem), é japonês, mas traz em si as marcas do modo de vida ocidental. A
noite em que tudo acontece é a última noite em que a mulher está no
Japão. A sua história começa muitos anos antes, longe de Hiroshima.
Começa numa tarde à beira de um rio, em França. Ela quisera fugir à
guerra, e vira a morte. E é essa a história que revive em Hiroshima: a
sua história, a história de cada um. Ele diz-lhe: «Tu não viste nada de
Hiroshima.» Ela responde: «Vi tudo em Hiroshima.» Ele é casado e ela não.
Ele sabe do descanso e do sossego que o amor pode trazer. Do resto,
desconfia. E esquece. Ela sabe da sobrevivência ao amor que morre. Mas
que resiste, na memória. Como Hiroshima. E é esse saber que ela lhe
entrega, no momento de acaso que ambos vivem. Um saber infinito.
Marguerite Duras escreveu o argumento. E, sobre ele, Alain Resnais, o
realizador de «Noite e Nevoeiro» e «Providence», fez o filme. Um filme a
preto e branco, como as imagens da memória. Um filme lúcido. Daí o
fascínio. Por isso, depois da obra de Leo McCarey (em destaque), a que
mais se resumiria este dia de televisão? M.A.G.

<p n=20250>
Em «Com a Verdade Me Enganas», é de uma sequência de «gags» (quem alguma
vez esquecerá a cena da custódia do cão, após o divórcio, ou a hilariante
troca de chapéus, em múltiplo jogo de escondidas?) que se parte para mais
uma complexa análise dos códigos sociais, mostrando como o conceito de
verdade é eminentemente subjectivo: o casamento, a (in)fidelidade, o
divórcio, os mecanismos da reconciliação. Aliás, o final baseia-se
integralmente no aproveitamento exaustivo de um «gag» visual, a porta que
se abre e fecha, conforme as oscilações do desejo dos protagonistas,
culminando com a genial elipse metaforizada pelo relógio de cuco.

<p n=20251>
Lendo a revista da edição de o «PÚBLICO« de domingo 21 de Abril, ficamos
a saber que entre os 11 portugueses mais conhecidos no mundo figura um
arquitecto. Tal como para os restantes, tal reconhecimento internacional
implica o nosso orgulho. Mas, no caso da arquitectura, um «handicap»
permanece: toda a gente viu a Rosa Mota com a medalha de Seul ao peito,
Amália Rodrigues é cantarolada há décadas, Manuel de Oliveira passou na
televisão, Maria João Pires está editada em CD e LP, Futre é esperado em
todos os Domingos Desportivos, Mário Soares é fixe.

<p n=20252>
Alguns começam agora a estar de pé, mas a sua divulgação é ainda
restrita. Mesmo entre pessoas cultas, a obra de Siza Vieira é
desconhecida: a arquitectura, para ser coisa pública, tem hoje, como o
resto da cultura, de pagar o «imposto mediático«.

<p n=20253>
«Acho até incómodo que as pessoas digam que dantes não se tinha isto ou
aquilo. Pois não. Há duzentos anos não havia comboios, não havia
automóvel, telefone, aviões. E, contudo, Dom Afonso Henriques galgou lá
de cima desde Guimarães até quase ao Algarve. Como, não sabemos, mas
chegou.»

<p n=20254>
«Tive uma enorme fé no Freitas do Amaral, mas perdi-a por completo quando
ele na televisão, em plena campanha presidencial, disse `eu até sou um
homem de esquerda'. Se calhar foi daquelas coisas que se dizem, mas que
ficou cá, ficou.»

<p n=20255>
Pertencemos ao colégio Planalto, no qual estudamos no 6º ano de
escolaridade. Escrevemos esta carta porque desejamos rectificar alguns
lapsos existentes no artigo publicado no sábado dia 20 pelo dr. Francisco
Sousa Tavares.

<p n=20256>
O sr. Francisco Sousa Tavares disse que era impossível saber mais
informações sobre o Opus Dei. Se estivesse realmente interessado teria
ligado para as informações da Opus Dei que vêm na lista telefónica. Não
queremos discutir, mas sim dizer-lhe o que se passa no dia-a-dia do
colégio.

<p n=20257>
Li o artigo da AFP/PÚBLICO sobre o baptismo dos acidentes orográficos de
Vénus revelados pela sonda Magalhães, publicado no passado dia 21. Na
lista das quatro mil mulheres escolhidas para «madrinhas» desses
acidentes, espero que haja alguma portuguesa, tanto mais que é o
português Fernão de Magalhães o «padrinho» da sonda planetária americana
que está a enviar para a Terra as fotografias da superfície de Vénus.

<p n=20258>
1. Dez anos de poder de François Mitterrand (a que se acrescenta uma já
previsível descida nas sondagens após a inflação suscitada pela guerra do
Golfo) levam as revistas e jornais a colocarem a questão: a esquerda no
poder, que diferença? Sublinhe-se que o «reinado» de Mitterrand está
longe de ter sido absoluto, porque houve, pelo menos, o «interregno»
provocado pelo Governo Chirac. Por outro lado, Mitterrand foi responsável
por governos com orientações acentuadamente opostas: é o caso dos anos
iniciais com Pierre Mauroy e da viragem provocada pela nomeação de
Fabius.

<p n=20259>
Segundo Jean Daniel, no «Nouvel Observateur», e definindo bastante bem as
hesitações pendulares em que se move a esquerda francesa, «é de temer que
se verifique uma vez mais a ideia de que a esquerda, depois de ter
abandonado a utopia para afinal cair no cinismo, venha agora pretender
deixar o cinismo para voltar à utopia. Aqui, a conjunção de um
nacionalismo antiamericano, de um terceiro-mundismo alimentado pela
oposição à guerra do Golfo, uma nostalgia das nacionalizações e uma
tentativa de mudar a imagem do marxismo não chegam para fazer pensar numa
renovação».

<p n=20260>
É possível que tenham alguma razão os que consideram desajustado ter
transferido para os países do Terceiro Mundo em geral, e da África em
particular, a experiência do Plano Marshall, a ideologia ocidental de
progresso, a filosofia do desenvolvimento, porque tais valores não
pertenciam ao património cultural dos países do Sul pobre e colonial.

<p n=20261>
Esta revisão, imposta pela ineficácia comprovada no passado e exigida
pelo imperativo moral de não abandonar o Sul pobre, tem certamente que
debruçar-se sobre variáveis culturais, sociológicas, económicas,
históricas, mesmo étnicas e demográficas.

<p n=20262>
1º -- A deliberação da minha demissão pela Câmara Municipal de Almada foi
o culminar de um processo, todo ele, do princípio ao fim, eivado de toda
a sorte de vícios e irregularidades, denotadores de pré-juízo contra mim
formulado desde o início.

<p n=20263>
O ministro da Defesa, Fernando Nogueira, que ontem chegou à Guiné-Bissau,
homenageia amanhã os militares portugueses mortos em combate durante a
guerra colonial naquele país.

<p n=20264>
A cooperação militar portuguesa com os PALOP foi classificada por uma
fonte do Ministério da Defesa, em declarações à Lusa, como a «segunda
prioridade» de Fernando Nogueira, sendo a primeira a restruturação das
Forças Armadas portuguesas. No caso específico da ajudar militar à Guiné,
durante o corrente ano, os projectos envolvem verbas de 60 mil contos,
enquanto que para Cabo Verde se ficam pelos 20 mil.

<p n=20265>
O secretário-geral da JS, António José Seguro, quer ver invertida uma
situação que incomoda os jovens socialistas: terem um peso inferior no PS
ao da JSD no PSD. Promete bater-se, desde já, na escolha dos candidatos a
deputados.

<p n=20266>
António José Seguro admite, mesmo sem reconhecer produtividade aos jovens
deputados social-democratas, que a JS teve sempre um «peso inferior» ao
da JSD no interior do partido, situação que pretende ver invertida. «Não
fixamos quotas de deputados», ressalva Seguro, garantindo, no entanto,
que defenderá os interesses da organização que lidera nas negociações com
a direcção do PS.

<p n=20267>
«Alguma vez falhou?» É uma pergunta de Oliveira e Costa, chamando
militantes do PSD de Oliveira de Azeméis a pronunciarem-se sobre a
infalibilidade de Cavaco Silva. Fernando Nogueira enalteceu os êxitos do
Governo, mas admitiu que foram cometidos erros e foi mais aplaudido.

<p n=20268>
«Como se diz no futebol, o bom treinador não se muda. Que melhor
treinador podíamos nós encontrar que aquele que temos e governa os
destinos de Portugal», interrogou Oliveira e Costa para, de seguida,
interpelar os presentes: «Alguma vez falhou?».

<p n=20269>
Pela primeira vez, desde o 25 de Abril, as comunidades africanas exigem
participação politica activa, e os partidos começam a perceber o
interesse deste potencial eleitorado

<p n=20270>
No seminário que ontem terminou, subordinado ao tema «Participação
politica de cidadãos portugueses de origem africana face ao desafio
europeu de 1992», foram discutidas questões como a organização das
comunidades africanas e as diferentes estratégias de intervenção
politica. O deputado britânico Bernie Grant, que participou no encontro
juntamente com dois outros elementos da secção negra do Partido
Trabalhista Inglês, fez o historial da intervenção politica dos negros na
Grã-Bretanha, explicando que de grupos de auto-defesa contra atitudes
racistas, os negros evoluiram depois para a constituição de associações
de promoção de interesses específicos e finalmente optaram pela
integração activa nos partidos politicos. Grant sugeriu ainda diversas
estratégias de participação cívica, lembrando, no final da sua
intervenção, que os negros portugueses não estão sózinhos e podem contar
com o apoio de uma série de poderosas instituições negras, europeias e
americanas.

<p n=20271>
Quatro pessoas morreram e onze ficaram feridas num despiste de uma
carrinha, ocorrido anteontem à noite pelas 22h30 no lugar de Bustelo, na
estrada Alvarenga-Castro de Aire, distrito de Aveiro. Piso escorregadio e
denso nevoeiro que cobria a estrada terão sido algumas das causas do
despiste da carrinha, em que os passageiros viajavam a caminho de uma
festa regional, na quinta da Picota, próximo de Arouca e que se despenhou
por uma ribanceira com uma inclinação de 60 por cento, ao longo de 180
metros. Alguns dos onze ocupantes da carrinha, que tinha uma locação
apenas para nove lugares, foram projectados ao longo da ribanceira,
ficando os restantes entalados no interior da viatura que acabou por se
imobilizar no fundo da ravina. Três dos quatro ocupantes mortos no
acidente pereceram ao serem cuspidos para fora da carrinha pela porta de
carga da rectaguarda que se abriu quando esta capotou na sequência do
despiste, ficando o corpo sem vida de uma passageira com 70 anos de idade
preso do os destroços do veículo.

<p n=20272>
O motorista da carrinha, Manuel Correia Martins, de 34 anos, pai da
criança de quatro anos que pereceu no acidente, Alfredo Conceição
Ferreira Alves, de 48 anos e duas passageiras, Ana Paula Noronha Martins,
de 24 anos e Anabela Pinto Alves, de 14 anos, foram transportados para o
Hospital de Arouca, onde tiveram alta depois de assistidos.

<p n=20273>
A possibilidade da unificação policial foi sábado abordada em Coimbra
pelos dirigentes da Associação Sócio-Profissional da PSP (ASPP) e da
Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC), da
Polícia Judiciária, que tencionam promover debates sobre o assunto. O
objectivo da unificação «seria fazer face, de uma forma eficaz, ao
aumento da criminalidade que se verificará com a abolição das
fronteiras», respondendo assim à questão: «que polícia para 1992?», o
tema do colóquio ontem promovido pela ASPP.

<p n=20274>
Essencial para garantir a resposta adequada da PSP face ao aumento de
criminalidade previsto a partir de 1992 é, segundo José Carreira, «a
modernização da polícia, o que passa pelo seu reequipamento e pelo elevar
do estatuto social e remuneratório dos seus elementos». Este dirigente
espera ainda que «à ASPP seja finalmente dada voz como associação
sindical, esgotados que estão os argumentos contra a sindicalização na
PSP». G.R.

<p n=20275>
TRINTA E SEIS trabalhadores do Banco Borges e Irmão vão accionar
judicialmente a empresa para lhes serem pagas as remunerações em atraso
relativas a parte do subsídio do horário nocturno, em débito desde 1981.
Os trabalhadores alegam que desde 1981 o banco decidiu contabilizar
apenas quatro horas nocturnas do trabalho prestado (entre as 20 e 24
horas), quando em 1974 havia sido acordada a atribuição de um subsídio de
25 por cento sobre o ordenado para um período nocturno de seis horas,
entre as 18 e as 24 horas.

<p n=20276>
Face à «ausência de vontade política por parte do Ministério da Saúde
para resolver os problemas do sector», o Conselho Nacional da Federação
Nacional dos Médicos, que sábado reuniu em Coimbra, decidiu mandatar a
Comissão Executiva da FNAM para decidir quais as medidas a tomar no
sentido de pressionar o Governo. A reunião realiza-se já no próxima
quinta-feira e, segundo a dirigente Merlinde Madureira, «a hipótese de
realizar nova greve não está posta de parte».

<p n=20277>
«Quando tivermos que rever os salários dos trabalhadores, chamarei os
seus representantes». Quem assim falava era o reitor do Santuário de
Fátima, padre Luciano Guerra, no decurso do debate da manhã de ontem,
sobre a primeira proposta de compromisso da Semana Social. «Diálogo
social no interior da Igreja» era o tema do texto, que apontava para a
necessidade de, dentro da estrutura eclesial, se fomentar o diálogo e a
prática da doutrina social da Igreja. Os 900 participantes da Semana eram
convidados a comentar as propostas, acrescentando compromissos
individuais ou de grupo, em relação ao texto em debate.

<p n=20278>
Com a degradação das condições de vida e do sistema de saúde, a cólera
alastra por vários países da América Latina debilitados pela crise
económica, escolhendo as suas vítimas entre a população pobre.

<p n=20279>
O Forum Picoas perfumou-se de incenso e encheu-se de cânticos para a
missa conclusiva da Semana Social 91, que ali decorreu desde
quinta-feira. As mensagens finais sublinharam a dignidade da pessoa
humana e apelaram para o aprofundamento da democracia política, económica
e social. Para os cristãos, foi o «exorcismo» dos medos que lhes têm
tolhido a iniciativa.

<p n=20280>
Com a valorização do primado da pessoa humana, diria depois D. João
Alves, bispo de Coimbra, durante a homilia da missa, «não estamos, de
modo algum, a cair na defesa de qualquer individualismo desenfreado, que
os há por aí na nossa praça pública».

<p n=20281>
Duzentas e quarenta e seis vítimas dos sangrentos motins religiosos
ocorridos no início da semana passada na Nigéria foram enterradas em
Bauchi, no Nordeste do país, divulgou ontem a agência France Press,
citando fontes locais.

<p n=20282>
A explosão de violência religiosa em Bauchi e Tafawa Balewa tem por base
um conflito latente e uma coabitação delicada entre os cristãos e
muçulmanos no Norte da Nigéria, e que já em anteriores situações terminou
de forma sangrenta.

<p n=20283>
Para alguns, a compra do «El Independiente» por uma poderosa organização
de carácter público, dedicada a ajudar a cegos e deficientes, coloca em
risco a isenção do periódico. Para os beneficiados pelo investimento, é a
inveja que desperta rancores.

<p n=20284>
Num extenso editorial,o director do "El Mundo", Pedro Ramirez, acusava o
executivo de Felipe Gonzalez de "estimular aqueles que considera seus
paladinos, proporcionando-lhes interesses que convertem a luta do mercado
da imprensa, rádio e televisão num jogo de póquer". Em causa está, para
Ramirez, o papel da ONCE, corporação de direito público de base
associativa, constituída em 1938, para a criação de emprego para cegos e
deficientes, na formação de um grupo multimédia: "Só na Espanha de Felipe
se concebe que uma instituição com fins de beneficência (...) e eximida
de toda obrigação tributária, possa reinvestir os seus lucros em sectores
estratégicos".

<p n=20285>
Os deputados italianos, que já se encontram entre os mais bem pagos da
Europa, deverão receber brevemente aumentos de cerca de 165 contos por
mês, facto que, numa altura em que o Governo anunciou restrições
orçamentais severas, provocou um certo mal-estar entre a classe política.
O aumento terá efeitos retroactivos a 1 de Janeiro. O salário-base de um
parlamentar italiano passaria assim a ser de 1.442 contos mensais, 30 por
cento do qual livre de impostos. Este aumento automático, devido à
equiparação dos salários dos deputados com o dos magistrados, começou por
suscitar apenas críticas isoladas, mas logo a seguir os protestos subiram
de tom e contagiaram todos os sectores políticos: Bettino Craxi, líder do
Partido Socialista, Arnaldo Forlani, secretário-geral da
Democracia-Cristã, e Achille Occhetto, líder do antigo Partido Comunista,
consideraram que este aumento não era «oportuno». Face à contestação, o
presidente da Câmara dos Deputados e o presidente do Senado decidiram
discutir a questão com os presidentes dos diferentes grupos
parlamentares, a 3 de Maio.

<p n=20286>
Pedro Caldeira-Sociedade Corretora é a designação de uma nova «broker»
que começará a operar na próxima quinta-feira, dois de Maio, no mercado
lisboeta. A empresa é liderada pelo corretor Pedro Caldeira, que terá 40
por cento das acções, e dispõe de um capital social de 50 mil contos, o
valor mínimo admitido por lei para o arranque de uma sociedade com aquele
estatuto. A constituição da Pedro Caldeira-Sociedade Corretora antecede o
lançamento do projecto da Eurodealer, uma sociedade financeira de
corretagem que o intermediário da bolsa lisboeta projecta lançar. Na
administração da nova «broker» o corretor será o presidente do conselho
de administração. Linhares de Andrade, com 25 por cento, Francisco Capelo
(24 por cento), Nandim de Carvalho (dez por cento) e José Manuel Serrão,
com um por cento das acções, são os restantes sócios da «broker».

<p n=20287>
Tentar calcular antecipadamente a data de privatização de uma empresa
pública é uma verdadeira lotaria. Quem estiver interessado em controlar
uma dessas empresas a partir da compra de acções numa operação de
privatização e tiver, para isso, que recorrer a alguns financiamentos --
pedindo a sua disponibilização a partir de determinada data --, corre o
risco de ter que cancelar os acordos ou começar a pagar juros sem daí
tirar qualquer proveito. As datas anunciadas para uma privatização
sucedem-se, como tiros lançados para o ar.

<p n=20288>
O motivo alegado para o novo atraso está agora na guerra institucional
que opõe o Tribunal de Contas, liderado por Sousa Franco, ao Ministério
das Finanças, de Miguel Beleza. Aliança e «Diário de Notícias» já tiveram
quase tantas datas previsíveis de privatização como a quantidade de
acções que vão estar em leilão (passe o exagero). E, no entanto, não
serão muitos os investidores que acreditam que agora é que vai ser.

<p n=20289>
O mercado durante a semana assistiu a nova valorização do dólar contra a
generalidade das moedas. Mesmo com as intervenções que os bancos centrais
fizeram na tentativa de segurar a moeda americana, esta atingiu um dos
níveis mais altos do ano (1.7650). A partir de quarta-feira, o mercado
estabilizou em parte devido à reunião do Grupo dos Sete, onde em
princípio seria discutidao uma eventual descida das taxas de juro nas
moedas dos países mais industrializados do mundo.

<p n=20290>
Triunfo inova -- A Triunfo quer equilibrar a exploração do seu sector de
massas e ganhar terreno em relação às suas concorrentes. Para isso,
investiu na qualidade,  na imagem e num produto inovador: letrinhas
coloridas (verdes e vermelhas) para a sopa, acompanhadas de uma campanha
publicitária dirigida às crianças. José Manuel Buccellato, director-geral
da Triunfo-Massas e Bolachas, apostou em rentabilizar o sector das
massas. «Nas massas a situação é dramática», disse este responsável ao
PÚBLICO: «A concorrência é superintensa e os preços desceram de tal forma
que o negócio deixou de ser rentável.»

<p n=20291>
BTA em alta -- No primeiro trimestre de 1991, o Banco Totta & Açores (BTA)
triplicou os resultados líquidos provisórios em relação a igual período
do ano anterior, ao registar cerca de cinco milhões de contos. O
«cash-flow» líquido, por seu lado, cresceu 20 por cento relativamente aos
primeiros três meses de 1990. Quanto aos meios líquidos libertos,
ultrapassaram os 9,1 milhões de contos, o que representa um crescimento
da ordem dos 20 por cento. O activo líquido do BTA, reportado à
actividade da instituição apenas em Portugal, aumentou 31 por cento,
atingindo os 880 milhões de contos. O crescimento dos depósitos deverá
ter chegado aos 34 por cento. Os bons resultados do BTA não resultam
apenas do bom desempenho da instituição, mas também do facto de não ter
sido necessário levar a amortizações um montante tão significativo como
no ano passado.

<p n=20292>
...e encomendas de bens duradouros também -- As encomendas de bens
duradouros pelas empresas norte-americanas caíram 6,2 por cento durante o
mês de Março, fixando-se ao nível mais baixo dos últimos três anos,
revelam dados do Departamento de Comércio. Esta baixa acentuada
surpreendeu os analistas, pois surge numa altura em que alguns
indicadores dão sinais de que a economia norte-americana poderá estar em
vias de sair da recessão. Os dados sobre as encomendas de bens duradouros
são considerados bons barómetros sobre a evolução da actividade na
indústria do país. As estatísticas do Departamento de Comércio adiantam
que a baixa de Março se deveu, sobretudo, à descida do nível de
encomendas efectuadas pelos sectores aeronáutico e de defesa, surgindo
assim como uma consequência do final da guerra no Golfo.

<p n=20293>
Com a confirmação da derrota de Helmut Kohl nas eleições regionais
realizadas na Alemanha, o franco suiço registou novos ganhos, atingindo
um dos níveis mais elevados do ano na paridade contra o marco (1.1976),
continuando a existir a possibilidade de se manter esta tendência de
valorização da moeda suiça.

<p n=20294>
O abrandamento da economia mundial é, em síntese, o principal ponto das
novas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o ano em
curso. O ano de 1992 já será diferente -- os baixos preços do petróleo e o
aumento da confiança nos mercados farão, de acordo com a instituição, com
que a economia mundial torne a subir.

<p n=20295>
Com a valorização da moeda norte-americana, a libra perdeu algum do seu
valor no mercado internacional no início da semana. Com as posteriores
intervenções dos bancos centrais, a moeda do Reino Unido estabilizou não
sofrendo grande oscilação nos últimos dias do período. Isto deveu-se,
também , à aproximação da reunião do Grupo dos Sete agendada para o
fim-de-semana passado.

<p n=20296>
Uma das justificações adiantadas pelos operadores para as quebras de
cotações sucessivas ao longo a semana, está no facto de o mercado
primário londrino estar prestes a ser «inundado» por uma avalanche de
emissões de acções de empresas cotadas. Os analistas referem que muitos
investidores estariam a realizar liquidez para acorrer à colocação dos
novos títulos.

<p n=20297>
Sem fugir totalmente às tendências detectadas nos principais mercados
internacionais, a Bolsa de Madrid fechou o período com o indice geral a
registar um recuo significativo. O dia mais «negro» da semana acabaria
por ser a sexta-feira: realização de mais valias, por parte de
investidores locais e estrangeiros, depois de, durante duas sessões
consecutivas o mercado ter contrariado o tom negativo das restantes
praças mundiais, levaram a principal praça espanhola a uma queda
vertiginosa no último dia da semana.

<p n=20298>
Com a derrota sofrida pelo chanceler da Alemanha Helmut-Khol nas eleições
regionais na Renânia-Palatinado, e também com o agravar das tensões
políticas e económicas nos países de Leste, sobretudo na União Soviética,
a moeda alemã continua com a tendência de desvalorização registada nos
últimos dias, chegando durante a semana na paridade contra o dólar ao
valor de 0.5665.

<p n=20299>
Até dia 24, no MMI transaccionaram-se 238 124 milhares de contos, o que
traduz uma média diária de 79 374 mil contos. Salientem-se os níveis de
taxas de juro que se praticaram no mercado, (atingiu-se os 65 por cento),
reflexo da grande procura existente no sistema, que teve como
consequência o Banco de Portugal a injectar liquidez, comprando Bilhetes
do Tesouro e outros títulos da dívida pública - 138 789 mil e 37 514 mil
contos respectivamente - para assim as instituições de crédito cumprirem
a reserva mínima legal.

<p n=20300>
Sem grandes alterações no que respeita ao mercado secundário, foram
colocados dez milhões de contos à taxa média de 18,4375 por cento da
emissão de 15 de Março, pelo prazo de 143 dias, constituindo novidade o
facto de se ter alterado o montante mínimo das propostas a apresentar, de
20 milhares de contos para os 10 atrás retidos.

<p n=20301>
Depois de uma semana em que o mercado de acções de Nova Iorque tinha
batido recordes históricos, os operadores inciavam esta semana algo
apreensivos. Sobretudo porque, novas descidas nas taxas de juro, uma
medida tida como essencial para sustentar o mercado em alta, não eram
confirmadas pelas autoridades monetárias norte-americanas.

<p n=20302>
8,5 por cento foi a taxa de desemprego registada na Comunidade Económica
Europeia no mês de Fevereiro de 1991, o que significa um crescimento de
0,1 pontos, em relação ao mês anterior. Os dados da Eurostat, organismo
oficial de estatísticas da Comunidade, revelam que é a primeira vez,
desde o Verão de 1985, que a taxa de desemprego conjunta aumentou (0,5
por cento), em relação ao mês homólogo do ano anterior. O Reino Unido foi
o país que registou o maior agravamento (6,3 por cento para 7,5 por
cento). Os restantes Estados-membros tiveram variações pouco
significativas. As estimativas, corrigidas de variações sazonais e dos
diferentes métodos nacionais de recenseamento, mostram que o Luxemburgo
(1,6 por cento), Portugal (4,4 por cento) e Alemanha sem os territórios
da ex-RDA (4,6 por cento) foram os Estados-membros que registaram valores
mais baixos. Os países com uma taxa de desemprego mais elevada foram a
Irlanda (16,3 por cento) e a Espanha (15,9 por cento).

<p n=20303>
Paris iniciou a semana com uma queda apreciável: o índice CAC 40 acusava,
no final da primeira sessão da semana, uma descida de 1,34 por cento.
Para esta «performance» foi decisivo o contributo dos investidores
estrangeiros, que ou estiveram simplesmente afastados das operações, ou
estiveram vendedores. O reduzido volume de negócios, que aliás marcou
todas as sessões da semana, foi logo notado na primeira sessão do período
considerado.

<p n=20304>
Constâncio quer inflação a 11 por cento -- Vítor Constâncio afirmou nas IV
Jornadas Monetárias promovidas pela Siemca, uma mediadora do mercado
monetário, que há «condições para que a taxa de inflação em 1991 fique
próxima dos 11 por cento». Constâncio acrescentou que o actual ritmo de
decréscimo dos preços criará condições para que Portugal adira ao
mecanismo de câmbios em finais de 1992 e referiu-se à fase de transição
que se vive na política monetária portuguesa ao considerar que apenas
permite «uma navegação à vista». O ex-governador do banco central
salientou que Portugal está a atravessar uma fase em que as autoridades
monetárias têm dificuldade em saber quais os indicadores a que haverá de
prestar atenção. Alguns agregados que se encontravam fora do âmbito da
política monetária, referentes a fundos de tesouraria, empresas de
«leasing», etc., vão reentrar na análise do Banco de Portugal. Por isso,
Vítor Constâncio não estranha que haja um disparo dos indicadores que
medem o comportamento da liquidez da economia.

<p n=20305>
A descida do iene contra o dólar foi um dos motivos para que a Bolsa de
Tóquio tivesse iniciado a semana passada em queda, dando o mote para
aquilo que se iria passar nesse dia em muitos dos principais mercados
internacionais. Os analistas deste mercado, referindo-se ao tom
pessimista da Bolsa, adiantam também a incerteza quanto a uma
possibilidade de descida nas taxas de juro no Japão e nos Estados Unidos,
como explicação para o ambiente vivido.

<p n=20306>
Em pequenos desmontavam os brinquedos. Em adolescentes consertavam
electrodomésticos avariados. Quando chegaram à Faculdade quiseram saber
como funcionava «por dentro» o computador, e conseguiram. Hoje, seis anos
passados sobre a aventura, são pacatos investigadores do INESC, embora
continuem a ser os únicos piratas informáticos portugueses conhecidos.

<p n=20307>
Na semana passada foi notícia a entrada de piratas informáticos
holandeses em redes de computadores norte-americanas. Por cá, a Polícia
Judiciária garante que nunca recebeu nenhuma queixa por pirataria
informática «nem de empresas nem de bancos», mas alguns técnicos garantem
que Portugal não está ao abrigo da pirataria. Embora haja sempre um
grande interesse em abafar esses casos.

<p n=20308>
Segundo os mesmos técnicos, «quando os computadores estão ligados a uma
rede mais vasta, e sobretudo quando é permitido o acesso telefónico, os
sistemas tornam-se automaticamente vulneráveis». O acesso ao sistema
passa a estar dependente de uma entrada de código que, uma vez conhecida,
permite ao pirata fazer-se passar pelo utilizador autorizado. Isso
explica, por exemplo, as entradas de piratas nas redes da NASA e do
Pentágono, embora a um nível superficial, uma vez que «os computadores
que contêm os verdadeiros «jogos de guerra» estão fisicamente isolados e
são virtualmente inexpugnáveis».

<p n=20309>
O fantasma de 1755 pesa sobre Lisboa como a fenda de Santo André ameaça a
cidade norte-americana de São Francisco. Ali, vive-se à «espera do
desastre» e são raras as empresas que não têm planos para a recuperação
dos negócios, em caso de catástrofe. Por cá, confia-se em que ele não
acontecerá, a avaliar pelo desconhecimento quase total dos «business
recovery plans».

<p n=20310>
Embora reconhecendo que não dispõem de «um plano de recuperação de
negócios definido à americana», Carvalho Amado, responsável pela
segurança do Banco de Fomento, admite que, havendo uma catástrofe em
Lisboa, os negócios seriam retomados no Porto, logo após a recuperação de
todo o «software» afectado, através das cópias respectivas». As medidas
de segurança, à semelhança do que sucede noutros bancos, implicam que a
instituição guarde parte do segredo e só revele o que é mais óbvio.

<p n=20311>
Chama-se «business protector» e consiste num plano de reactivação da
actividade em caso de acidente que destrua total ou parcialmente as
instalações centrais do Manufacturers Hanover em Lisboa. Diz a cada
responsável do banco o que fazer e para onde ir. Os quadros do banco
estão contentes por nunca terem precisado de o utilizar, mas
actualizam-no trimestralmente e fazem simulações anuais. «Just in
case...»

<p n=20312>
As primeiras páginas do «business recovery plan» dizem que, em caso de
desastre na sede do banco, é necessário contactar de imediato o «recovery
team», constituído por cinco responsáveis do banco em Portugal: o próprio
Bill Imeson, Carlos Rodrigues, Nicholas Racich, Mário Oliveira e José
António Varela. Este é o primeiro passo para pôr em prática a primeira
fase do plano, designada «initial recovery». Não precisa procurar os
números de telefone de cada um deles, porque vêm indicados no plano.

<p n=20313>
Com o escudo mais forte, as importações têm vindo a crescer, enquanto o
sector exportador definha. São os bens de consumo vindos do exterior que
mais desiquilibram a balança comercial, porque o elevado nível das taxas
de juro impede o crescimento do investimento e, em consequência, a
aquisição de bens de equipamento. E o cenário não deverá mudar nos
próximos meses.

<p n=20314>
Não admira, por isso, que o valor das exportações em escudos tenha
aumentado apenas 6,6 por cento durante os dois primeiros meses do ano. No
mês de Fevereiro este aumento quedou-se pelos 3,2 por cento. O conflito
do Golfo deverá ter contribuido para o agravar das dificuldades. Neste
período, o valor das exportações para os países da OPEP decaíu em mais de
66 por cento. Mas a procura na generalidade dos países europeus, onde
Portugal coloca mais de 80 por cento das exportações, tem vindo a decaír
de forma continuada desde o início de 1989, atingindo o seu ponto mais
baixo durante o primeiro trimestre deste ano. Apenas a locomotiva alemã
vem remando contra a corrente.

<p n=20315>
Dizia um senhor, internacionalmente muito famoso e durante algumas
décadas muito seguido, que de cada vez que se deliciava a ouvir Bethoven
havia sempre algum oportunista que se aproveitava do seu estado de alma
par lhe pregar um golpe. Muita gente em Portugal se tem empenhado
ultimamente em «dar-nos música» e da boa, surpreendendo-nos umas vezes
com uma apurada sensibilidade para os problemas sociais, e outras com a
sua transformação em porta-estandarte dos valores pátrios. A época é dada
a estas músicas. Estamos em ano eleitoral, período ideal quer para agitar
estes temas e captar as simpatias de eleitores, como para «entalar» os
governantes e lhes arrancar cedências. 

<p n=20316>
Dado que o ponto de partida para estas exigências são quase sempre ideais
de justiça e de patriotismo que muito nos sensibilizam, não é fácil
resistir-lhes. Os próprios governantes, pressionados por fugas eleitorais
para a direita e para a esquerda, vão cedendo mais uns dinheiros para as
indemnizações e não fecham a porta ao patriotismo dos empresários.

<p n=20317>
Identificar as necessidades das empresas e procurar o empregado com o
perfil adequado, é a tarefa do grupo Ádia, que actua na àrea do trabalho
temporário. No ano passado, a empresa instalou-se em Portugal. Peter
Muller, presidente do grupo, justifica a aposta com «as perspectivas de
crescimento do país nos próximos anos».

<p n=20318>
Em meados do ano passado a empresa instalou-se em Portugal, montando sede
em Lisboa, e no princípio deste ano, abriu uma delegação no Porto, com a
designação de Ádia-Recursos Humanos. O director da empresa portuguesa,
Mário Cortes, disse ter conseguido os objectivos do grupo no ano passado,
ao colocar uma média de «30 a 40 pessoas, por mês» a trabalhar. Agora, as
intenções sobem para metas que atingem as cem pessoas por mês, contando
para tal com a delegação do Porto.

<p n=20319>
Empresários portugueses estiveram em Dublin. Objectivo: aumentar a
cooperação com os seus congéneres irlandeses. Actuação conjunta nos
mercados dos PALOP e do Brasil foi uma das sugestões avançadas. Das
associações empresariais da Irlanda surgiu outra: constituir «lobbies» de
pressão em Bruxelas, que possam beneficiar os países periféricos da
Comunidade.

<p n=20320>
Da mesma opinião é John Kenna, da Confederação da Indústria Irlandesa, e
justifica a sua posição referindo-se à «experiência» da Irlanda no seu
relacionamento com a Comunidade Económica Europeia, à qual realizou a
adesão plena em 1970. Kenna sublinha que «o sucesso na captação de fundos
comunitários contribuiu decisivamente para a modernização da economia
irlandesa».

<p n=20321>
O FMI desaconselha o investimento na União Soviética. Os dados
estatísticos mais recentes deixam à vista uma situação económica
considerada catastrófica. É neste cenário que acaba de ser aprovado um
plano anticrise. Mais uma vez, para encontrar o caminho para o mercado.

<p n=20322>
Ninguém, pelo menos aparentemente, se opunha a essa transformação. No
entanto, quando o «projecto Abalkin» chegou aos deputados, surgiram
dúvidas e levantaram-se objecções. Referiam os críticos que ele era
«pouco explícito» ou «pouco profundo», e exigia-se tempo para o estudar.

<p n=20323>
Apesar de se poder considerar a pasta dentífrica como um produto
característico da era industrial, quase todos os povos se preocuparam com
a saúde oral. Relatos de dores de dentes e outras doenças da boca,
juntamente com formas sugeridas para o seu tratamento, foram encontrados
em alguns dos mais antigos textos das civilizações com escrita,
nomeadamente do Crescente Fértil e do Extremo Oriente, como o Egipto, a
Suméria, a China e a Índia. Antigas tábuas de escrita sumérias do período
compreendido entre 5000 a.C. e 3000 a.C. gravam uma crença, que persistiu
por alguns milénios, segundo a qual a dor de dentes e a sua queda eram
provocadas pela corrosão causada pelo calor. Na Índia, uma classe de
médicos referia que o mau estado da dentição estava na origem de inúmeras
doenças infantis. O facto de os doces poderem ser prejudiciais à saúde
dos dentes apenas teve confirmação experimental no século XX, mas já os
gregos o diziam muitos séculos atrás.

<p n=20324>
O mercado português de pastas dentífricas está avaliado em cerca de 3,5
milhões de contos/ano. Duas empresas detêm a parte de leão do mercado: a
Colgate-Palmolive e a Lever, integrada no grupo Jerónimo Martins. O
dentífrico de marca Colgate ocupa quase 50 por cento do mercado, enquanto
que outra marca da mesma empresa, a Dentagard, detém 8,3 por cento do
mercado. A Sensodyne, outra marca comercializada pela Colgate-Palmolive,
detém 2,9 por cento do mercado. Por seu lado, a empresa ligada ao grupo
Jerónimo Martins ocupa uma quota de 30 por cento, comercializando duas
marcas: a Pepsodent e Mentadent. As empresas deste mercado, além de
produzirem e comercializarem as pastas de dentes, aproveitam a marca e os
canais de distribuição para comercializar também as respectivas escovas.

<p n=20325>
Cuidar da própria aparência proporciona às empresas de produtos
cosméticos vendas de 50 milhões de contos por ano. Neste mercado, quem
manda são as multinacionais. Mas há empresas portuguesas à conquista de
uma posição.

<p n=20326>
A Lever assume-se como a empresa que mais vende neste mercado. Apresenta
uma facturação ligeiramente superior a oito milhões de contos, o que,
segundo Ricardo Monteiro, director da empresa, significa uma quota de
mercado na ordem dos 15 por cento. Aquele quadro da Lever acrescenta que
a produção e comercialização de produtos cosméticos tem uma «elevada
rentabilidade». No caso da Lever, a venda desses produtos é responsável
por um terço das vendas totais da empresa, mas contribui para metade dos
resultados líquidos.

<p n=20327>
Se a vida sindical fosse um romance, a CGTP teria, sem dúvida, o papel do
herói romântico, à maneira antiga, e cheio de ideais, pelo menos a julgar
pelas palavras. Mas a realidade nua e crua dos números é outra, e a UGT
parece assumir claramente o papel da central «yuppie», deixando na
história as memórias de há dez anos e partindo à conquista dos milhões.
Nenhuma recusa, no entanto, o papel de patrão... das massas e dos
cifrões.

<p n=20328>
«Algumas dezenas de milhares de contos», afirma Américo Nunes,
escusando-se, contudo, a precisar a quantia, até porque, «o 1º de Maio
pode, numa determinada altura, não ser a realização mais importante,
ultrapassada, por exemplo, por uma greve geral». A CGTP não gosta de
falar de dinheiros. Apesar de afirmar «não ter preconceitos», Américo
Nunes desdenha das actividades empresariais da central, referindo-se-lhe
como «pequenas coisas sem grande significado patrimonial». Participação
numa agência de viagens, a Agiturismo, um parque de campismo, em Vila
Nova de Milfontes, o Campo e Turismo, uma módica fatia da Rádio Energia,
em Lisboa, e da Rádio Activa, no Porto, correspondem às «pequenas coisas»
de que fala este dirigente.

<p n=20329>
Transacções imobiliárias, construção de um clínica e um parque de
campismo são alguns dos negócios que fazem crescer o património do
Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas. Para este ano, o orçamento é de
oito milhões de contos. Se houver dinheiro, é possível desencadear acções
consistentes, refere Barbosa de Oliveira, presidente do SBSI.

<p n=20330>
«É um perigo tremendo para os sindicatos manterem-se na dependência de
uma única fonte de receitas, as quotas», defende Barbosa de Oliveira,
para quem é inevitável que, em Portugal, suceda o fenómeno da
dessindicalização, bem conhecido noutros países europeus.

<p n=20331>
Para citar apenas um exemplo, poderíamos colhê-lo nos romances de Charles
Dickens. À falta do conhecimento directo, e sem passarmos por uma
investigação minuciosa, o imaginário romanesco ficou como perene
testemunho histórico de um tempo, o da industrialização generalizada e da
formação das grandes metrópoles urbanas, espaço de confluência de classes
sociais antagonistas. É um modo de lembrar que a experiência do
imaginário, a vivência concreta das classes, a análise
histórico-sociológica e mesmo os programas da acção política foram
informados pela novidade da expansão urbana.

<p n=20332>
A mobilidade territorial e social, se criou novas esperanças de ascensão
(pois que o filho do povo já não está condenado a ser secundário face aos
privilégios de nascimento, não só porque é um cidadão com direitos iguais
a qualquer outro, como pode ele próprio ter a esperança de se tornar
política ou socialmente num «notável»), definiu também novos territórios,
que nos subúrbios das grandes metrópoles têm expressões particularmente
delimitadas no terreno.

<p n=20333>
De um ponto de vista comercial, os C&C Factory aparecem como a resposta
da Sony Music ao sucesso dos Snap na BMG, e o single «Gonna Make You
Sweet» é uma evidente variação sob o dialecto «hip house» imposto por
«The Power». Também aqui a fórmula do êxito assenta no binómio de
vozeirão feminino-feitiçaria electrónica masculina, mas essa dualidade é
aqui requintada por um esquema mais fluído e versátil. Os cérebros são
Robert Clivilles e David Cole, equipa de produtores-remisturadores
nova-iorquinos, com amplos créditos na fabricação de êxitos dançantes,
que para esta operação recrutaram o «rapper» Freedom Williams, mais três
vozes femininas com queda para divas soul-disco, Zelma Davis, Deborah
Cooper e Martha Wash. Estruturado a partir da combinação em alta voltagem
da house e do rap, o disco dos C&C Factory supera, graças a este
«line-up», a uniformidade mecânica dos Snap, em contraste com estes,
funcionando no formato de longa duração como imparável sequência de
possibilidades combinatórias para fazer dançar.***

<p n=20334>
Quando, nos anos 40, chegou à fase «be-bop» (esclarece o texto anexo), o
jazz ganhou em dignidade artística o que perdeu em apelo popular, um
desequilíbrio que também pode ser expresso no seu estabelecimento da
dicotomia corpo/espírito. Privou-se, portanto, daquilo que fez a sua
própria razão de ser primordial, que seria também depois a do «hip-bop».
Com efeito, em finais dos anos 70, com formações como o Sugar Hill Gang e
Grandmaster Flash, tratou-se da restituição às ruas da música negra, em
reacção ao aburguesamento das falanges «disco». Ao longo da década
seguinte, o novo som dilecto dos jovens negros norte-americanos vingou
nos tops, massificou-se e alastrou além fronteiras, mas cuidou de não
perder a sua ligação às raízes, raciais e urbanas. Conservou-se como
linguagem do corpo, progrediu como discurso político e ultrajante com
nomes como KRS-1 e Public Enemy, envolvendo isso o sacrifício do eventual
desenvolvimento da sua veia artística, ou seja, a auto-imposição de não
progredir para além do nível pragmático.

<p n=20335>
A revista «Guitar World» chamou-lhe «o melhor guitarrista desconhecido do
mundo». Danny Gatton é tímido, não dança nem  canta. «Os meus dedos
chegam para me manter ocupado«, diz. E isso chega para revelar um grande
guitarrista. Quando era pequeno surpreendeu tudo e todos, tocando banjo
«a mil à hora», como diziam os pais, num programa televisivo de música
country. Os outros músicos não o conseguiram acompanhar. Mas então,
trata-se de um artista de circo a mostrar as suas habilidades? Nada
disso. Com os anos, Danny Gatton aprendeu a conter-se e a utilizar todas
as guitarras postas à sua disposição (desde as Gibson e Fender Telecaster
até modelos especialmente concebidos para si) da melhor maneira. «88
Elmira St.» não é um grande disco, valendo essencialmente pelo
virtuosismo do guitarrista, à vontade em géneros tão diferentes como o
rockabilly («Elmira St. Boogie»), os blues («Blues Newburg»), a rumba
(«Quiet Village»), a música sul-americana («Red Label») ou na versão do
clássico dos Beach Boys «In My Room». Em «Mutha Ship» o órgão Hammond
limpa o terreno para a guitarra se soltar com a elegância do galope de um
cavalo de raça. Arquive-se em «especial instrumental». (***)

<p n=20336>
Com a diferença desta ser música cabo-verdiana que pulula nas ruas de
Lisboa, sem que a indústria local lhe atribua grande importância, até que
os franceses exportem para cá o produto, para consumirmos como a última
invenção deles. A edição traz as letras traduzidas (coisas que por cá
nunca acontece, dificultando ainda mais a viabilidade das parcas
edições), incluindo uma nota que esclarece a música dos Finaçon na linha
das tradicionais Coladeras e Funanas, mas também criadores de um estilo
misto chamado Funacolas.

<p n=20337>
O aclamado álbum de estreia dos Dream Warriors -- incluindo «My Definition
Of A Bombastic Jazz Thing», primeiro hino «hip-bop», que já meio mundo
dança e cantarola -- sai esta semana entre nós . É o lado definitivamente
popular de toda uma nova corrente de fusão que, como o nome indica,
assenta na fusão do «hip-bop» com o «be-bop». Também lhe chamam «nova
coisa jazz» e os seus entusiastas asseguram que esse é que é o som dos
anos 90. Nós aqui especulamos sobre o assunto, enquanto aproveitamos para
revelar as bandas e as editoras, os álbuns de estreia e as compilações,
remontando também aos pioneiros e às referências desta forma de celebrar
o idílio do passado e do presente da música negra num som para o futuro.

<p n=20338>
A TRIBE CALLED QUEST. Parte integrante do colectivo afro-centrista Native
Tongues, os A Tribe Called Quest apareceram como reforço na frente de
renovação do rap avançada pelos De La Soul e os Jungle Brothers. A
história da harmonia pan-africana é a mesma, mas o quarteto liderado por
Q-Tip começou logo por demarcar-se das conotações hippies, declarando-se
o ocaso da Idade das Margaridas. Assim, o seu primeiro single na Jive
intitulado «Description Of A Fool», no lugar de abrir o rap ao
psicadelismo, estabeleceu-lhe a ligação com a fusão de jazz e funk,
«sampleando» «Running Away» de Roy Ayers, campeão do estilo nos tops dos
anos 70. Seguindo na via de apropriação dos mais diversos estilos
musicais, o álbum de estreia «People's Instintive Travels And The Paths
Of Rhythm'» inclui como factores dominantes a diluição do fraseado rap
para um ritmo de suave conversação e percussão polirrítmica tipicamente
jazzy.

<p n=20339>
«Desde que viajámos para Oeste, até Galway, que nos ligámos à música
tradicional. Em 1989 tocávamos country/folk. Um ano depois era de novo o
rock'n'roll» -- palavras de Mike Scott, líder, guitarrista e vocalista dos
escoceses Waterboys, que exprimem bem a indefinição estética desde sempre
evidenciada pela banda. Este «Best of» recolhe material dos seus cinco
álbuns de originais, «The Waterboys», «A Pagan Place», «This is the Sea»
(com a parte de leão, o que não admira já que foi aquele que mais
vendeu...), «Fisherman's Blues» e «Room to Roam».

<p n=20340>
É isso, a que se poderá acrescentar um certo «ennui» do som rock, que não
da sua atitude contestatária, o que se diria justificar a cíclica
repescagem do seu reportório, dos jovens Doors à Marianne Faithfull às
portas da reforma, passando pelo David Bowie em meados de carreira, para
já não falar na apoteose colectiva por estrelas adultas na compilação
«Lost In The Stars».

<p n=20341>
Estarão brevemente disponíveis no nosso mercado -- pelo método da venda 
postal -- diversas referências de três catálogos internacionais de música
electrónica. A entidade que irá disponibilizar estas referências é a
Kaossete, empenhada em divulgar as mais variadas formas da música
electrónica praticadas hoje em dia (sobretudo na Europa continental e na
América do Norte). As editoras que irão passar a ter representação
nacional são a sueca Energy -- que reúne outros três pequenos selos da
mesma nacionalidade, a Front Music Productions, a Electronic Beat
Association, e a Hot Stuff -- bem como a norte-americana Nailed to Sound e
a Parade Amoureuse de origem germânica.

<p n=20342>
Anos mais tarde, quando Armstrong inventou o solista individual,
libertando-o da moldura da improvisação colectiva, a maior dificuldade
rítmica das suas arquitecturas sonoras não foi bastante para cortar o
cordão umbilical que ligava a música à rua -- e o solista assumiu-se,
muitas vezes, como a voz que dirigia a banda e que, simultaneamente,
incitava os actores do baile colectivo. A explosão do swing -- essa
respiração rítmica indefinível, mas imediatamente identificável -- e a sua
sublimação no brilho das grandes orquestras reforçou, num tempo e num
modo diferentes, a união dos feiticeiros e da tribo. Época dourada dos
dançarinos, os «anos loucos» cimentaram a natureza festiva do jazz. A rua
vivia em casa. Mas a crise económica e a guerra subverteram o ar que o
jazz respirava. À revolução do bebop -- indissociável das cicatrizes
sociais que marcavam os negros, que as sentiam já como um símbolo da
opressão e não como uma inevitabilidade do destino -- ficaria o jazz a
dever a conquista da «dignidade artística». Pela primeira vez, o mundo
olhava-o como arte e não como um divertimento feliz sem lágrimas. A essa
consciência artística do exterior somou-se a autoconsciência do jazzman
que, a partir de então, se afirma como artista e não já como simples
«entertainer», aprofundando um pouco mais o efeito de distanciação em
relação ao público. Onde antes houvera identidade havia, agora, comunhão.
A vertigem dos tempos de Parker e a luxúria das harmonias dos seus solos
pregaram os «jazz lovers» às cadeiras das salas de concerto e dos clubes
nova-iorquinos; mas a magia da dança desertou do xadrez de prazeres que
se jogava entre Bird e os seus seguidores. As imagens de pares
acrobáticos, tentando responder nas pistas de dança à selva de ritmos e à
complexidade harmónica cantadas no sax alto de Parker, remete-nos
directamente para a geografia das iniciações e dos ritos. Tal como a
música, também os novos bailarinos passavam do anonimato popular para a
individualidade criativa.

<p n=20343>
Distantes vão os tempos de obras mestras como «Movies», «On the way to
the peak of normal», «Der Orsten ist rot» ou «Rome remains Rome». Mais
ainda, a época áurea dos Can, de «Monster movie», «Tago Mago», «Future
days», «Ege Bamyasi» e «Soon over babaluma». Holger Czukay, veterano com
ar de avôzinho louco, é danado para a brincadeira. Entre outras proezas,
pôs o Papa a cantar blues. Gosta de ligar a telefonia e aproveitar
excertos da programação (ou mesmo ruídos de interferência) para lhes
acrescentar os sons, não menos estranhos, saídos da sua própria cabeça.
David Sylvian iniciou-o nos prazeres contemplativos de «Flight &
Premonition» e «Flux and mutability». Curado da crise de ascetismo,
Holger preferiu desta vez as asperezas e incertezas de uma gravação ao
vivo, no estúdio, ou a sério, frente às multidões.

<p n=20344>
Anunciado como o regresso de Joe Jackson à energia pop por ele demarcada
na temporada New Wave, o novo álbum «Laughter & Lust» não é tanto a mera
reafirmação comercial deste personagem peculiar, mas um conjunto em que
as marcas das diversas experiências por ele passadas se ligam para
constituir um todo pessoal. Este é um disco que passa por um lado
acessível e por outro mais intimista, cada qual servido por uma miríade
de referências sonoras que vão da música latino-americana ao jazz,
passando pelo puro pop. Daí que existam momentos de fácil acompanhamento
para quem lhe conheceu os primeiros passos -- e alguns bem menos
reconhecíveis para quem lhe apreciou a fase menos comercial das aventuras
de «Body and Soul» ou o fantástico álbum «americano» que é «Night and
Day». Uma constante trespassa, no entanto, todo o disco: a fina ironia
amarga que impregna a totalidade das canções. Jackson deixou de lado as
experiências estilísticas, para escrever um álbum de canções
convencionais sobre personagens e situações convencionais. Como se fosse
necessário queimar as «peles» vistosas que usou em diversas ocasiões para
fazer sobressair, por debaixo delas, um interior marcado por cicatrizes
de uma melancolia não menos bela.

<p n=20345>
A BMG repõe entre nós em CD cinco títulos da discografia a solo de Lou
Reed, um dos quais é de meados da década passada, e os quatro restantes
dos anos 70. As reedições em causa aparecem a preço reduzido, de forma
que isso compensa as lacunas, sobretudo gritantes em «Berlin», onde o
livro original com letras e fotos foi simplesmente omitido. Isto dito
fica a questão do valor relativo de cada um dos trabalhos, e um ponto de
vista defensável, de resto sugerido pelo próprio Lou, é que o melhor da
extensa obra encontra-se nos seus discos de juventude com os Velvet
Underground, nos anos 60, e depois nos álbuns da maturidade, nos anos 80.

<p n=20346>
É um monumento, mas ninguém aguenta viver ou criar em semelhante inferno,
ele pelo menos não suportou. De modo que, em 1984, se mascara de rocker
pesado e lançou «Rock'n'Roll Animal». Grande desbunda de guitarras,
faixas de dez minutos, Lou Reed em versão «heavy metal». Não é
intolerável, é clássico como álbum ao vivo e é certamente inesquecível
para quem entre nós viveu a época dos «convívios». Segue-se a época mais
adocicada do ex-Velvet, que corresponde aos seus anos de felicidade na
companhia do «travesti» Rachel. Do ponto de vista musical foi quase um
desastre, a começar por «Sally Can't Dance», experiência fracassada do
artista se voltar para a música «soul», cujo eventual ponto de interesse
são as letras, a ganharem carácter de memórias da juventude, em especial
«Kill Your Sons», único acesso de raiva testemunhado no álbum.

<p n=20347>
Chapéus há muito. Bons músicos portugueses já há menos. Bons músicos
portugueses a trabalhar na área da música popular contam-se pelos dedos.
Faz pois muita pena ver Vítor Reino, um dos principais nomes da MPP,
fundador da seminal Ronda dos Quatro Caminhos, perder-se pelo caminho,
preso nas armadilhas da facilidade e do sucesso.

<p n=20348>
Musicalmente são dados vários passos atrás, mais parecendo ter-se voltado
aos tempos de Pedro Homem de Mello e aos ranchinhos de acordeão e vozes
esganiçadas para turista ouvir e comprar. Poder-se-ia falar de um
«regresso à pureza das origens», mas nem isso. Essa pureza e riqueza
originais encontram-se bem mais fundo, nas sonoridades medievais que
António Tentúgal, com os seus Vai de Roda, tão bem soube recuperar e
recriar no «Terreiro das Bruxas». Arranjos desinspirados, fracas
vocalizações e composições vulgares são o preço a pagar pelos discos de
ouro e platina? Vítor Reino vendeu a alma ao diabo. História triste. (*)

<p n=20349>
Misia é uma voz com origens luso-castelhanas, e que, antes de se dedicar
ao fado, percorreu as escolas do music hall, do bailado e da canção
francesa, por diversos locais da vizinha Espanha. Agora, com um primeiro
disco editado em Portugal dedicado inteiramente a essa expressão tão
marcadamente lusa, Misia pretende renovar-lhe a imagem através de visões
a que os fadistas tradicionais não podem ter acesso. Esse
«cosmopolitismo» poderá valer-lhe duas reacções: a segregação atribuída
aos «estrangeiros» que se imiscuem no género -- e que também já vitimou a
Anabela de «Lisbunah» -- ou a aceitação dos menos puristas, que vejam nela
a lufada de ar fresco para um género imutável por princípio. O pior é que
o exercício que este álbum constitui em nada vem ajudar a esclarecer esse
dilema. Se a abordagem dos primeiros temas tende para uma aproximação pop
do fado, à medida que a agulha avança nas espiras, Misia vai encenando de
forma cada vez mais perfeita o lugar de fadista tradicional. Daí que o
resultado dessa indecisão possa implicar alguma confusão no auditor,
embora a promessa de diferença continue a existir.***1/2

<p n=20350>
Dois filhos e a esposa de um emigrante português radicado em França
morreram ontem à tarde, num despiste ocorrido pelas 18 horas, no
quilómetro 256 da autoestrada do Norte, próximo de Estarreja. Os três
corpos foram transportados para a Casa Mortuária do Hospital de Estarreja
e o emigrante José Gil Carreira, de 47 anos, casado, natural de Seixo do
Côa, Sabugal, o único ocupante do automóvel que saiu com vida do
acidente, foi transportado para o Hospital de Aveiro, onde se encontra
internado. As causas do despiste que provocaram o embate do automóvel
contra a barreira central de protecção da autoestrada ainda não estão
determinadas. Na altura do acidente, o veículo era conduzido pela esposa
do emigrante, de nacionalidade francesa, que ontem festejava o seu
aniversário, seguindo no banco detrás dois flihos menores do casal, Gil e
Cristophe, de 13 e 15 anos, respectivamente. A familia regressava ao
Sabugal, após ter efectuado uma visita a familiares do emigrante,
residentes em Braga. A.L.

<p n=20351>
O X Festival da Canção Darca  -- clube criado em 1970 por um grupo de pais
que pretendia proporcionar ocupações para os tempos livres de suas filhas
-- realizou-se ontem, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa,
perante uma assistência de cerca de mil pessoas. O concurso envolveu
perto de três centenas de jovens, entre autoras de letras e compositoras
das músicas, intérpretes das canções, coreógrafas, músicos da orquestra e
membros da organização. As canções concorrentes foram interpretadas por
liceais e universitárias provenientes de vários clubes juvenis de Lisboa,
Porto, Montemor-o-Novo, Braga, Viseu, Badajoz e Sevilha. No final foram
atribuídos -- entre outros -- três prémios a canções da categoria juvenil:
«Palhaço», «Preto e Branco» e «Gota de Água»; e mais três na categoria
infantil: «Trocadilhos», «Tic-Tac» e Boneco Azul». A esposa do Presidente
da República, Maria Barroso -- presidente da comissão de honra do festival
-- entregou os prémios das categorias infantil e juvenil.

<p n=20352 assunto=desporto>
BARCELONA VIRTUAL CAMPEÃO- A seis jogos do fim do campeonato espanhol de
futebol da I divisão, o Barcelona é o virtual campeão, dada a nova
derrota do seu principal adversário, o Atlético de Madrid, no campo do
Saragosse, por 1-0. Apesar do empate, a um golo, frente ao Maiorca, o
Barcelona soma agora 52 pontos, mais oito do que a formação madrilena de
Futre. Resultados da 32ª jornada: Sevilha, 3- Castellon, 0; Cadix, 1-
Gijon, 1; Real Sociedad, 1 Osasuna, 1; Logrones, 1- Atlético Bilbao, 1;
Oviedo, 3- Tenerife, 1; Real Madrid, 1- Valladolid, 0; Espanhol, 2-
Bétis, 2; Valence, 0- Burgos, 1.

<p n=20353>
G7 sem acordo nas taxas -- A reunião do Grupo dos Sete (G7) realizada
ontem, em Washington, terminou sem que os ministros das Finanças e os
governadores dos bancos centrais dos sete países mais industrializados do
mundo chegassem a um pleno consenso sobre a forma de controlar a recessão
mundial sem pôr em risco a política de combate à inflação.

<p n=20354>
À hora do fecho da nossa edição, não era ainda conhecida a posição dos
Estados Unidos, o mais forte defensor desta medida, relativamente aos
resultados do encontro.

<p n=20355>
OS DOZE pretendem propôr antes do Outono às Nações Unidas a criação de um
registo para controlar a venda de armas, declarou ontem o ministro
luxemburgo dos Negócios Estrangeiros, Jacques Poos, após uma reunião dos
ministros dos Estrangeiros da Comunidade Europeia. O Luxemburgo
presidente neste momento à CEE. A iniciativa ocorreria, segundo Poos,
«antes da próxima Assembleia Geral das Nações Unidas».

<p n=20356>
CERCA de 14 mil prisioneiros de guerra iraquianos recusam-se a regressar
ao seu país, tendo alguns pedido armas e outros apoios à Arábia Saudita
para derrubarem o Presidente Saddam Hussein, disse ontem o comandante das
forças árabes, general Khalid bin Sultan, citado pela AFP. «Seguiremos
fielmente a lei internacional sobre prisioneiros de guerra que diz
simplesmente que eles devem ficar nos campos até regressarem ao seu país
ou irem para outros países», acrescentou. A Convenção de Genebra de 1949
exclui o aproveitamento de prisioneiros para fins políticos.

<p n=20357>
O PRESIDENTE da República italiano, Francesco Cossiga, criticou ontem
duramente os sociais-democratas e antigos ministros por estarem contra
ele e anunciou rejeitar a reeleição para a chefia do Estado. Um dia
depois de ter afirmado que não falaria mais, o Presidente italiano
lamentou em comunicado «não existir vontade de proceder a reformas».
Cossiga denunciou ainda a existência de uma grande conspiração
político-financeira contra ele. «Não apresentarei a candidatura à
reeleição nem quero futuros apoios», sublinhou o dirigente
democrata-cristão. Só os partidos socialista, social-democrata e liberal
apoiam o actual chefe de Estado cujo mandato termina em 4 de Julho de
1992.

<p n=20358>
UM HOMEM armado matou ontem a tiro dois oficiais do Exército e feriu
gravemente outros quatro num clube de Solhan, cidade da província de
Bingol, Turquia, disse um porta-voz da polícia, citado pela Reuter. A
agência noticiosa Anatólia admite que o atirador seja um membro do
Partido Marxista dos Trabalhadores Curdos (PMT), movimento ilegal que
luta pela instauração de um Estado curdo independente no sudeste do país.
Separatistas curdos forçaram ainda a população de Baskoy, província de
Kars, a abandonarem as casas antes de as incendiarem. Mais de três mil
pessoas foram mortas desde 1984 pelo PMT no âmbito da acção deste
movimento por aqueles objectivos.

<p n=20359>
GARRY KASPAROV, o campeão do mundo de xadrez, abandonou o Partido
Democrático da Rússia (PDR), de que era fundador, provocando uma cisão no
seio daquele grupo político durante o Congresso que ontem terminou em
Moscovo. Uma centena dos 400 delegados ao Congresso seguiram a decisão do
xadrezista, desconhecendo-se o impacte que a cisão terá entre os 33 mil
militantes de base do partido. Kasparov e Arkadi Murashov, deputado do
Soviete Supremo da URSS, que também abandonou o PDR, anunciaram a
formação de uma nova força política, a União Liberal Conservadora.

<p n=20360>
Vasco Lourenço, coronel na reserva do Exército português, , mantém-se um
observador regular da situação em Angola. « O reencontro dos dois
exércitos -- começa por notar --  é potencialmente explosivo». Mas há  essa
outra realidade  igualmente iniludível: «toda a gente em Angola  está já
farta da guerra». E existe a determinação política de acabar com ela.
«Penso que estes dois factores podem, com tacto e apesar das
dificuldades, prevalecer sobre o passado», diz. «Por paradoxal que pareça
as coisas a princípio talvez sejam mais fáceis», admite, para
acrescentar: «A meu ver,  o grande problema no processo de constituição
do exército único é o risco de derrapagem com o passar do tempo. De
repente, o rastilho pode pegar sem que se perceba muito bem como e
porquê. Por isso,  os dois lados devem ter a preocupação de criar as
condições para que os velhos conflitos não venham ao de cima e
comprometam a fusão. E têm que encontrar os meios de o fazer».

<p n=20361>
A junção dos dois exércitos angolanos -- o do MPLA e o da UNITA -- é um dos
pontos-chave das conversações de paz. Para tentar encontrar resposta a
muitas das interrogações que se colocam, ouvimos militares portugueses
com experiência profissional em Angola no período posterior à
descolonização.

<p n=20362>
O coronel Eduardo Abreu, outro observador que tem seguido a situação
angolana, corrobora este ponto de vista e lembra que, quando dos acordos
de Alvor, há 15 anos, uma primeira tentativa para a constituição do
exército único degenerou na guerra civil. «A minha previsão é que vai ser
muito difícil. No entanto, as pressões políticas para a pacificação e o
cansaço da guerra são, tanto num caso como no outro, muito grandes e este
facto pode mudar se não tudo pelo menos alguma coisa.»

<p n=20363>
Pedro Cabrita Reis inaugurou, no sábado, uma nova galeria parisiense, a
Jennifer Flay, com uma única peça, «Os Lugares Cegos». É a segunda
presença internacional do artista neste mês de Abril, depois da «Peça de
Berlim» com que se fez representar na recém-malograda colectiva
berlinense «Metropolis». Por outro lado, inaugurou, a 18 de Abril, no
Parque Floral de Paris, uma exposição de Pedro Calapez, reunindo cerca de
30 pinturas. Mas nem todos os percursos e lugares de exposição dos
artistas portugueses no estrangeiro têm a mesma visibilidade. Haverá
entre nós capacidade para promovê-los? (P. 22)

<p n=20364>
Fernando Nogueira e o secretário de Estado Oliveira e Costa não acertaram
no tom dos discursos. Num jantar do PSD, o primeiro alertou contra o
«auto-elogio» e contra a noção de que não foram cometidos erros, enquanto
o segundo apregoava a infalibilidade do líder social-democrata e da sua
governação.

<p n=20365>
Há um «clima ideológico não propício» à solidariedade e ao aprofundamento
da democracia política e económica. A conclusão é da Semana Social
católica, que ontem terminou em Lisboa. O bispo de Coimbra, que presidiu
à missa final, acrescentou não defender «qualquer individualismo
desenfreado». Foi um passo importante no sentido de uma maior abertura
dos católicos à realidade social.

<p n=20366>
Dezenas de escolas de todo o país comemoram hoje o Dia Nacional da
Imprensa na Escola. Na Escola Preparatória Luís de Camões, em Lisboa, tem
lugar uma sessão solene na qual estarão presentes o ministro da Educação,
Roberto Carneiro, e o director-adjunto do PÚBLICO, Jorge Wemans, e uma
mensagem do ministro sobre este Dia vai ser lida em todas as escolas do
país. Exposições, teatros de fantoches, passagem de filmes sobre a
comunicação social, peças de teatro, colóquios e espectáculos diversos
preenchem os programas deste Dia, cuja realização o PÚBLICO propôs este
ano.

<p n=20367>
Tudo começou em meados do ano passado, quando uma professora efectiva da
escola, Maria Cristina Brandão, sugeriu ao Conselho Escolar (CE) a
participação da escola no programa 3 do Prodep -- «Dinamização de
actividades de escolas do ensino básico e secundário utilizando meios
informáticos» -- no âmbito do Projecto Minerva. «Na altura, informei o CE
quer do regulamento do concurso quer do convite para o meu destacamento
próximo para o Centro de Apoio Local de Guimarães do projecto», conta
Maria Cristina Brandão, para quem a candidatura da escola se inseria num
processo, a decorrer, de integração dos meios informáticos na escola. «Já
anteriormente, o CE tinha aprovado a participação da escola num concurso
promovido pela Câmara para a introdução de meios informáticos no ensino.»

<p n=20368>
A realização de uma audição parlamentar «centrada nos acontecimentos que
no último ano vem protagonizando o Instituto Politécnico de Coimbra
(IPC), que permita fazer uma avaliação nacional do estado actual do
Ensino Superior Politécnico», foi proposta pelo Grupo Parlamentar do PCP
à Assembleia da República. A justificar o projecto de deliberação, os
deputados comunistas apontam «o autêntico estado de sítio que vem sendo
imposto nos estabelecimentos do IPC desde que, há um ano, foi nomeado
presidente Requicha Ferreira».

<p n=20369>
Sob o tema das visitas pedagógicas às redacções dos jornais, sairá
brevemente mais um «dossier» do projecto «PÚBLICO na Escola». Da autoria
de António Santos, o manual servirá de orientação aos professores das
várias disciplinas e níveis de ensino para melhor aproveitar a ida aos
jornais. A este «dossier» seguir-se-ão mais dois, desta vez temáticos, o
primeiro àcerca de questões ambientais e o segundo sobre a participação
política e social dos jovens.

<p n=20370>
O cantor e compositor brasileiro Gonzaguinha, 46 anos morreu ontem num
acidente de viação após um «show» na cidade  paranaense de Pato Branco.
Luís Gonzaga do Nascimento Júnior, Gonzaguinha, era considerado um dos
principais nomes da música popular brasileira. Filho adoptivo do cantor
Luís Gonzaga, o «Rei do Baião», falecido em 1989, Gonzaguinha teve morte
instantânea após bater de frente contra um camião. No veículo conduzido
pelo próprio Gonzaguinha viajavam ainda dois empresários do cantor que
ficaram gravemente feridos. Gonzaguinha ia a caminho de Foz de Iguaçu,
onde faria um espectáculo. Entre os vários sucessos do cantor, «Explode
Coração» e «O Que É» marcaram a sua carreira artística. O corpo de
Gonzaguinha foi transladado para o Rio de Janeiro. Edison de Castro, em
S. Paulo

<p n=20371>
Foi o ano passado que começou a guerra de família pela sucessão na
editora, quando Françoise, uma das netas de Gaston, resolveu vender as
suas acções. Nenhum dos irmãos, igualmente accionistas, podia comprá-las,
e Antoine, que detinha 33,5% do capital, resolveu associar-se com três
dos outros accionistas para assegurar a maioria. Tudo foi largamente
mediatizado -- a Gallimard é uma instituição -- e ainda mais quando
Françoise Gallimard e o irmão Christian transferiram para o tribunal a
decisão de saber se os 33,5% de Antoine eram legais: contestavam que
Claude tivesse cedido uma parte do capital ao filho Antoine. Antes,
pensava-se que Christian seria o filho escolhido para sucessor.

<p n=20372>
Com a exibição de «Rouge» de Stanley Kwan, a Cinemateca abre-se a partir
de hoje ao cinema de Hong Kong. Conhecida a importância daquela
cinematografia, o facto só pode surpreender pelo atraso. Sucede que as
razões da surpresa acabam por ser também outras: uma selecção minúscula,
com uma linha condutora em que se não negará o interesse de vários dos
dez filmes apresentados (apenas dez!) mas que se revela de uma
parcialidade redutora; o surpreendente acoplamento com «Macau no Cinema»,
quando os objectos são de todo diferentes.

<p n=20373>
Imagine-se só, sem multiplicar os exemplos: nem um filme de King Hu, nem
um filme de Tsui Hark! E não vale a pena dar a habitual resposta de que
«não foi possível obter»; para que a indisponibilidade  seja uma
atenuante, necessário é que se tenham atempadamente feito os esforços
necessários, em vez de se preparar um ciclo em apenas duas ou três
semanas, metodologia que, perante a importância do objecto, é
suficientemente esclarecedora dos preconceitos vigentes na Cinemateca
Portuguesa -- preconceitos restritivos da sua função primordial como local
de conhecimento do passado e mesmo do presente cinematográfico, sem
limitações de latitudes, longitudes e outras coisas.

<p n=20374>
Com a participação de 800 editores de 38 países, entre eles Portugal, e
um total de 100 mil livros expostos, foi inaugurada no domingo a 15ª
Feira do Livro de Jerusalém, em Israel. Poetas portugueses, espanhóis e
da América Latina participaram ontem num serão literário organizado pelo
Instituto Cultural Israelo-Iberoamerica, Portugal e Espanha. Foram lidos
poemas do espanhol Villatoro Lanolla e da portuguesa Teolinda Gersão. O
certame, organizado de dois em dois anos, encerra no dia 4 de Maio. O
presidente de Israel, Haïm Herzog, deu as boas vindas aos numerosos
participantes e referiu que devido à guerra do Golfo Pérsico se receou
que este edição da Feira fosse um fracasso. Amanhã o Presidente entregará
o «Prémio Jerusalém» ao poeta polaco Zbigniew Herbert. Simone de
Beauvoir, Milan Kundera e Jorge Luis Borges foram contemplados em anos
anteriores.

<p n=20375>
Não é por acaso que os autores das duas Missas de Requiem mais geniais,
de entre as dezenas que se conhecem, sejam  dois dos maiores criadores de
óperas de todos os tempos : Mozart e Verdi. Quando Hans von Büllow, o
grande maestro contemporâneo de Verdi, classificou o Requiem deste
compositor como «a última de Verdi, paramentada com vestes
eclesiásticas», não estava a dar voz ao tradicional snobismo musical
germânico, desconsiderador da ópera italiana. Estava só a emitir -- com
alguma ligeireza, conceda-se -- um juízo sintético de grande acuidade,
cujo alcance só no século actual se começou a apreciar. A saber, que o
mundo lírico-dramático da ópera não é de todo antagónico ao substrato
humano da liturgia cristã. Às missas de defuntos, em especial. Que é, no
fundo, o Requiem, se não uma representação genérica do último drama do
homem, o seu confronto com a morte ? Drama íntimo, cujo palco, como na
ópera, é o espírito humano, balançando entre o terror da aniquilação e a
esperança da eternidade.

<p n=20376>
Sting adiou para o final do Verão o concerto que tinha planeado para
Lisboa no próximo mês de Julho. Segundo a agência Lusa o adiamento
deve-se ao facto de já estar confirmado para 20 de Julho, no Estádio José
Alvalade, o concerto de Paul Simon. O empresário da digressão de Sting
afirmou em Londres que o concerto de Lisboa, a concretizar-se, será na
segunda parte da digressão europeia do músico. A primeira parte da
digressão começa dia 1 de Maio em Berlim e termina a 17 de Julho em Ulm,
também na Alemanha. Sting terminou no domingo à noite uma série de cinco
espectáculos que esgotaram o Hammersmith Odeon, em Londres. No
espectáculo, que durou duas horas, a assistência reagiu moderadamente às
novas canções do músico e só se entusiasmou com os velhos temas dos
«Police».

<p n=20377>
Não. Trata-se de duas peças curtas que são afinal exercícios de estilo
sobre motivos característicos da escrita cénica milleriana. São
inconfundíveis as sequências narrativas com que Miller ornamenta as suas
peças, monologadas ou dialogadas: há neste dramaturgo uma certa
impotência para transformar narrativas em acções vividas no palco; ou
então, o seu grande objectivo era exercitar a arte de narrar dos actores
ou a arte de imaginar do público. Como se o teatro fosse mais para ser
ouvido do que para ser visto, ele contava, nós ouvíamos e encenávamos na
nossa imaginação. Esse processo, essa exigência, são levados às últimas
consequências nas duas peças deste espectáculo que, irresistivelmente,
imaginamos filmadas.

<p n=20378>
A pouco mais de 24 horas de serem leiloadas, as obras foram retiradas do
catálogo. Os herdeiros de um coleccionador que as tinha comprado em 1977
e 78 contestaram, em tribunal, a propriedade do cidadão norte-americano
que garante que as tinha adquirido.

<p n=20379>
O percurso das telas de Miró e Picasso era claro, para os representantes
da Sothebys. Comprados em 1977 e 78 pela família Coca, após a morte de
Ignacio, foram vendidos ao seu actual proprietário, ao que parece um
cidadão norte-americano, apesar de Edmund Peel não ter querido revelar a
sua identidade: "Não conseguimos entrar em contacto com ele para o
informar do que sucedeu pois ainda não o encontrámos".

<p n=20380>
«Texasville», o último filme de Peter Bogdanovich, adaptado da obra de
Larry McMurtry, é um dos filmes incluídos no ciclo Cinema e Literatura,
da VII edição do Festival Internacional de Cinema de Tróia, a decorrer
entre 28 de Maio e 6 de Junho. O ciclo inclui ainda «Lady Windrmere's
Fan», de Ernst Lubitsh, baseado na obra de Oscar Wilde; «Carta a uma
Desconhecida», de Max Ophuls, na obra de Stephan Zweig; «Adeus às Armas»,
de Frank Borzage, a partir do romance de Hemingway; «O Fugitivo», de John
Ford, sobre «O Poder e a Glória», de Grahm Greene; «Street of no Return»,
uma adaptação da obra de David Goodis, que Samuel Fuller veio rodar a
Lisboa; «The Red Badge of Courage», de John Huston, do livro de Stephan
Crane; «The Killers», de Hemingway, realizado por Don Siegel,
recentemente falecido; «Slaughterhouse Five», de George Roy Hill, a
partir da obra de Kurt Vonnegut; e «A Queda de um Corpo», o último filme
de Humphrey Bogart, realizado por Mark Robson, com argumento original de
Budd Schulberg. O ciclo Cinema e Literatura é uma iniciativa da
organização Festival com a revista «Ler».

<p n=20381>
O roteiro das efemérides tem mais uma folha na agenda. É o Dia Mundial da
Dança, que por iniciativa do Acarte começou este ano a comemorar-se.

<p n=20382>
A decisão sobre o processo de integração na Federação Portuguesa de
Futebol (FPF) e o Regulamento de Transferências no âmbito desta são dois
dos pontos principais da Assembleia Geral da Liga dos Clubes, que terá
lugar esta noite na sua sede, no Porto.

<p n=20383>
De qualquer forma, vários problemas se levantam dentro da Liga. Alguns
clubes -- nomeadamente o FC Porto -- defendem que o Regulamento está
aprovado na Liga, o que, por si só, obriga os clubes a respeitá-lo entre
si, podendo os eventuais casos que surgirem ser levados aos tribunais
comuns. Por seu lado, Pimenta Machado, do Vitória de Guimarães, é de
opinião que, havendo já jogadores contratados -- é o caso do seu clube --,
a vigência do Regulamento só faz sentido depois deste ser aprovado pela
Federação. 

<p n=20384>
A Federação Portuguesa de Andebol divulgou há pouco novas indicações
sobre as aplicações de algumas regras do jogo. Parece que ninguém lhe
terá dado grande importância, mas é à luz dessas novas  indicações que o
FC Porto protesta.

<p n=20385>
O «caso» do jogo aconteceu quando restava apenas jogar um segundo e os
árbitros assinalaram um lançamento de nove metros a favor dos portistas.
Na marcação, Luís Graça fez um passe para Carlos Resende, que rematou,
fazendo a bola bater no bloco defensivo, posteriormente no guarda-redes
do Académico de Braga, acabando o esférico por entrar na baliza, sem que
o barulho ensurdecedor permitisse saber quando soara o apito final do
cronometrista. O árbitro de baliza, que pareceu assinalar o golo (embora
ontem o tivesse negado veementemente ao PÚBLICO), reuniu-se com o seu
colega e, posteriormente, dirigiram-se à mesa do cronometrista, após o
que não consideraram válido o golo. Acontece que na documentação
distribuída pela federação, a que o PÚBLICO teve acesso, é sublinhado:
«Por ocasião da marcação de um lançamento livre ou lançamento de
sete-metros, o cronometrista deve esperar o resultado imediato da
execução de um tal lançamento antes de dar o sinal de fim do tempo de
jogo. Resultado imediato: quer dizer que, após a execução do lançamento,
a bola ainda está em movimento. Por exemplo, a bola pode tocar a defesa
contrária, a barra, as costas do guarda-redes para entrar de seguida na
baliza».

<p n=20386>
Catorze equipas estão inscritas na Taça dos Campeões Europeus de Estrada
(femininos), das quais, pela primeira vez, uma soviética, que chega a
Portugal, na quarta-feira. A prova é disputada em Braga, no próximo dia 4
de Maio.

<p n=20387>
Esta Taça dos Campeões será disputada no complexo da Rodovia, em Braga,
num percurso de 2135 m que será percorrido sete vezes (14.945m no total).
O piso é quase todo em asfalto e plano. As equipas inscritas são: Sp.
Braga (campeão europeu), Benfica (campeão nacional), Kelme (Espanha),
Cardiff (País de Gales), por ser clube honorário, Newport Harriers
(campeão do País de Gales), Road Runners Echternach (Luxemburgo), IF
Hagen (Suíça), Atletica Fiat Sud Formia (Itália), também clube honorário,
Cises Frascati (campeão de Itália), City of Bath Athletic Club
(Inglaterra), Budapesti Vasutas Sport Club (Hungria), Lillehammer IF
(Noruega) e ASPTT de Lyon (França).

<p n=20388>
Os pilotos franceses François Delecour, em Ford Sierra Cosworth 4x4, e
Didier Auriol, em Lancia Delta 16V, terminaram ontem a segunda etapa da
Volta à Córsega, prova pontuável para o «Mundial» de ralis, exactamente
com o mesmo tempo: 3h08:42. O empate registado em Bastia, onde se
concluiu a tirada, diz bem da forma cerrada como tem decorrido a luta
pelo comando da prova, que aliás pertenceu ao alemão da Toyota, Armin
Schwarz, até ao momento em que este abandonou por despiste contra um muro
na décima classificativa. Delecour, que então herdara o comando, acabou
por fazer um «pião» na última classificativa do dia, quando à saída de
uma curva ficou frente a uma manada de vacas, mas ainda assim manteve o
comando. Significativo é, ainda, o facto e o campeão mundial Carlos
Sainz, também em Toyota, se encontrar a apenas 19 segundos do duo da
frente -- o que faz prever para a fase final da prova, que termina amanhã,
uma luta emocionante a três. Quanto ao 4ºclassificado, o francês Franco
Cunico, em Ford Sierra Cosworth 4x4, está já a 2m55s, seguido do belga
Marc Duez, em Toyota Celica GT4, a 4m11s.

<p n=20389>
O golfista português Daniel Silva terminou, no passado fim-de-semana, no
grupo dos 19ºs classificados, com 283 pancadas, a sua participação no
Open de Madrid, disputado no campo de Puerto de Hierro e pontuável para o
PGA Tour. Após esta prova, ganha pelo inglês Andrew Sherborne, que
totalizou 272 pancadas, Daniel Silva passou da 62ª para a 53ª posição na
classificação geral. A melhor pontuação do golfista português esta
temporada continua a ser a alcançada no Mediterranean Open, onde terminou
em 6º. Entretanto, o ranking mundial continua a ser comandado pelo galês
Ian Woosman, seguido do espanhol José Maria Olazabal, do inglês Nick
Faldo e ao australiano Greg Norman.

<p n=20390>
Apesar de ter exaltado a esperança de que a verdade desportiva ainda pode
sobreviver às tentativas da sua subversão, o jogo de domingo entre o FC
Porto e o Benfica voltou a evidenciar as deploráveis condições em que os
profissionais da informação são forçados a trabalhar nos estádios de
futebol, frequentemente submetidos a um clima de repressão e intimidação.

<p n=20391>
Sobretudo neste domínio, torna-se cada vez mais urgente zelar pela
aplicação da Lei, criando nos estádios as condições para que os
jornalistas possam relatar os factos em condições de segurança sem estar
sujeitos aos humores de dirigentes com poucos escrúpulos.

<p n=20392>
Foi já em Lisboa, em pleno aeroporto, que os adeptos e jogadores
benfiquistas puderam dar largas à sua alegria pela vitória nas Antas. Os
entusiastas que esperavam equipa «encarnada» eram naturalmente mais
ruidosos do que aqueles se despediram da equipa em Pedras Rubras e César
Brito, autor dos dois golos das Antas, foi passeado em ombros. No avião
que transportou a equipa do Benfica, o ambiente era sereno, com sorrisos
em todos os rostos, mesmo no dos passageiros que foram apanhados pela
festa benfiquista. Duplamente feliz, Rui Águas festejava também os seus
31 anos feitos ontem.

<p n=20393>
«Só por provacação é que se podem ter assinalado os «off-sides» apontados
já depois do Benfica estar em vantagem»

<p n=20394>
A FIFA tornou ontem extensiva a todo o mundo a suspensão de 15 meses que
foi aplicada, em 6 de Abril, ao futebolista argentino Diego Maradona, que
se encontra agora proíbido de jogar em qualquer clube do mundo até 30 de
Junho de 1992, anunciou ontem em Zurique o organismo máximo do futebol
mundial. O ex-jogador do Nápoles foi «suspenso de todas as actividades
ligadas ao futebol no mundo», na sequência da análise anti-doping
positiva após o jogo Nápoles-Bari (em meados de Março) e da detenção em
Buenos Aires por posse e consumo de cocaína.

<p n=20395>
«Obrigado, `Cabezon', e perdoa-me» foram as primeiras palavras dirigidas
por Maradona ao seu empresário quando saiu em liberdade, antes de o 
abraçar e de chorarem juntos. A seu lado estava Carlos Salvador Bilardo,
o ex-treinador da selecção argentina, que se encarregou de conseguir os
vinte mil dólares (cerca de três mil contos) de fiança para que Maradona
saísse em liberdade, já que o futebolista não tinha essa quantia.

<p n=20396>
O «Record» está a estudar a possibilidade de passar a quadrissemanário
desportivo, com uma edição à segunda-feira a juntar-se aos tradicionais
jornais de terça-feira, sexta-feira e domingo. «O projecto existe, e
estamos a avaliar as possibilidades de sucesso. Mas ainda não está
decidido se isso vai andar para a frente», disse ontem ao PÚBLICO Rui
Cartaxana, director do «Record».

<p n=20397>
Recorde-se que «A Bola» passou a quadrissemanário (segunda-feira,
quinta-feira, sábado e domingo), depois de ter lançado, há menos de dois
anos, a sua edição de domingo -- um dia de tradicional domínio do
«Record». No entanto, os responsáveis das duas publicações afastam a
hipótese de uma «guerra» entre ambas: «Mantemos com o `Record' uma
relação de cordialidade, entendimento e respeito mútuo. Estamos no mesmo
barco, nem sequer somos concorrentes», declarou Mário Lima, para quem a
saída do seu jornal ao domingo foi ditada «pelo maior volume de jogos
disputados ao sábado: `A Bola' tinha de estar presente».

<p n=20398>
O jogo do ano ficou assinalado, entre outras coisas, por incidentes com
jornalistas. De resto, o clima do que deveria ter sido uma festa do
futebol foi alimentado por especulações e acusações. Mas, mais uma vez,
tudo parece ter acabado bem... até uma próxima oportunidade.

<p n=20399>
Este jornalista conta, designadamente, que quase teve que «pedir desculpa
por o Benfica ter marcado o segundo golo», que quase relatou em silêncio.
Nessa altura, já os jornalistas de outras rádios se tinham aproximado, o
que não impediu que «dois ou três indivíduos, bem vestidos, que várias
pessoas dizem ser frequentadores das Antas, tivessem iniciado uma série
de ameaças: `Já na quarta-feira não levaste nos cornos porque eu não
deixei, mas já estou arrependido. Nunca mais vens às Antas'», relata José
Carlos Soares, ressalvando, contudo, que nenhum dos elementos da equipa
de reportagem fora agredido.

<p n=20400>
Melchor Mauri, da Once, é o primeiro guia da 46ª Volta a Espanha em
bicicleta, a primeira das três grandes provas velocipédicas europeias, ao
vencer a primeira etapa, disputada ontem, em Mérida, no sistema de
contra-relógio por grupos de três cilclistas, num circuito urbano de 9,3
Km.

<p n=20401>
Os roladores da Once parecem querer provar que fizeram do contra-relógio
uma verdadeira especialização. O ano passado, venceram também a primeira
etapa da «Vuelta», disputada nos mesmos moldes e, curiosamente, o trio
vencedor era constituído por Mauri, Fuerte e Ruiz Cabestany.

<p n=20402>
A Comissão Europeia reafirmou, ontem no Luxemburgo, durante o Conselho de
Ministros da Indústria, o programa de 72 milhões de contos para o têxtil.
O ministro Mira Amaral classificou aquela proposta como um «apoio
intercalar», já que as necessidades do indústria têxtil portuguesa
ascendem a 750 milhões de contos. Quanto à posição da Comissão sobre o
sector, Mira Amaral considera-a muito positiva.

<p n=20403>
O ministro da Indústria e Energia, Mira Amaral, afirmou por seu lado que
o programa de modernização da indústria têxtil portuguesa, que envolve um
volume de investimentos da ordem dos 750 milhões de contos em 15 anos,
não poderá ser posto em prática sem um financiamento comunitário. E
acrescentou que «esse foi o objectivo da apresentação à Comunidade, em
Novembro passado, do estudo» elaborado pelos seus serviços.

<p n=20404>
O Ministério das Finanças acaba de autorizar o Banco Manufacturers
Hanover - Portugal a constituir, na Zona Franca da Região Autónoma da
Madeira, uma sucursal financeira exterior. Esta destina-se a «praticar,
nos termos requeridos, as operações permitidas pela lei aplicável»,
refere uma portaria assinada por Miguel Beleza. O documento acrescenta
que se verificam os pressupostos legais exigidos relativamente ao pedido,
e que o Governo Regional da Madeira é de parecer que a criação desta
sucursal corresponde aos interesses de desenvolvimento económico da
Região.

<p n=20405>
Quanto à ex-RFA, as previsões apontam para uma desaceleração do
crescimento da economia, que dos 4,5 por cento de 1990 passará para 2,5
por cento durante este ano. A inflação também irá subir na antiga
Alemanha Ocidental, atingindo os 3,5 por cento, o que se traduzirá num
aumento dos preços da ordem dos quatro por cento até ao fim de 1991.

<p n=20406>
Na sequência da tomada do controlo da Hotelagos pela ESSI, através da
aquisição da maioria do capital social da Solmur, accionista maioritário
da Hotelagos, foi convocada para o dia 3 de Junho uma assembleia geral
extraordinária da empresa hoteleira. Na ordem do dia estará a aprovação
de uma proposta de aumento de três para cinco do número dos membros do
conselho de administração e a eleição dos dois administradores que irão
complementar os órgãos sociais em nome da ESSI. Os novos administradores
ficarão em funções até ao final do quadriénio em curso.

<p n=20407>
Más notícias em matéria de inflação: ao contrário do que parecia poder
concluír-se dos dados divulgados pelo INE , o Banco de Portugal vem agora
dizer que a inflação não diminui em Março agravando-se o indicador da
inflação subjacente.

<p n=20408>
Depois de ter inaugurado uma agência em Braga, o Banco Internacional de
Crédito (BIC) abriu ontem uma agência em Cascais, a segunda de um
conjunto de sete a lançar ainda este ano, cinco das quais no primeiro
semestre.

<p n=20409>
Um promenor a destacar é o facto de cada agência do BIC previligiar o
trabalho de um artista português na decoração do espaço. Os quadros de
Maluda foram os escolhidos para dar cor à agência de Cascais. SC

<p n=20410>
A Bonança recebeu já autorização, por portaria conjunta assinada pelo
primeiro ministro, Cavaco Silva, e pelo ministro das Finanças, Miguel
Beleza, para constituir uma empresa especializada no ramo vida. A nova
seguradora, que terá um capital social de 1,5 milhões de contos
totalmente detido pela Bonança, denominar-se-á Bonança-Vida-Companhia de
e que o Governo Regional da MaSeguros e receberá, na data da sua
constituição, a carteira de seguros de vida da Bonança deixando a empresa
mãe de explorar este ramo. Todas as operações financeiras passarão a ser
realizadas pela Bonança Vida. Está, entretanto, a decorrer o processo de
privatização da Bonança, que será terceira empresa do sector a passar
para o sector privado, que se prevê que esteja concluido nos próximos
meses.

<p n=20411>
Com um horário laboral e duração até Setembro (pausa em Agosto), o curso
está dividido em três módulos: «Comercialidade», «Direito Laboral e
Segurança Social» e «Fiscalidade e União Aduaneira», num total de 555
horas.

<p n=20412>
A distribuição de dividendos que a maioria das empresas cotadas está a
efectuar, ou que efectuou já no mês de Abril, é uma das causas das
ligeiras descidas registadas nos últimos dias no índice calculado pelo
Banco Totta & Açores (BTA). É que no cálculo deste indicador não está
prevista a correcção que se verifica nas cotações das empresas quando há
distribuição de dividendos -- que torna distorcida a expectativa do
mercado quanto ao valor de uma acção.

<p n=20413>
Na sessão de hoje, prevê-se apenas a distribuição dos lucros das duas
empresas da Vista Alegre e da sociedade de construções ERG, pelo que, a
manter-se a tendência do índice BVL, dever-se-á assistir a uma variação
positiva do índice BTA.

<p n=20414>
Na base dos ganhos recentes verificados no "bilhete verde", esteve o
resultado da  reunião do Grupo dos Sete paises mais industrializados no
passado fim de semana, que, como já alguns analistas haviam antecipado,
não acrescentou nada de concreto à situação actual, nomeadamente a
crescente procura do dólar norte americano.

<p n=20415>
Contra o escudo, o dólar e o marco fixaram respectivamente a 152.6 e
86.03 depois dos 150.562 e 86.05 verificados na passada sexta-feira.

<p n=20416>
O curso de Direito dos Negócios organizado pela divisão de Formação
Profissional da Associação Industrial Portuense terá início hoje, com a
participação de 20 recém-licenciados de Direito não colocados no mundo do
trabalho. Para o leccionar, a Portuense foi buscar alguns dos mais
reputados especialistas dos diversos ramos jurídicos, tentando criar uma
especialização nesta área.

<p n=20417>
15 de Maio foi a data definitiva fixada pela Bolsa de Valores de Lisboa
para a operação de privatização de 100 por cento do capital social do
"Diário de Noticias". Serão alienadas dois milhões de acções do matutino,
actualmente na posse do Estado, decorrendo o período de entrega de ordens
de 3 a 7 do próximo mês de Maio.

<p n=20418>
Os responsáveis pela da Energia da Argélia, Marrocos e Espanha reunem-se
hoje em Madrid para assinar o acordo tripartido para a realização da
primeira fase do gasoduto Magreb-Europa.

<p n=20419>
A Enagás é um consórcio liderado pela Petrogal que inclue a empresa
espanhola do mesmo nome e a italiana Snam, entre outras. Segundo um
comunicado ontem distribuido à imprensa, a Enagás «apresentou uma
proposta no concurso aberto para adjudicar o sistema português de alta
pressão». Este consórcio «oferece grandes facilidades para a realização
das conexões internacionais da rede de Portugal, já que assegura a
realização por parte da Enagás dos trâmites necessários em território
espanhol, assim como a aplicação de tarifas de transporte vantajosas para
a sua rede».

<p n=20420>
Mais de 600 formandos dos cursos de formação profissional promovidos pelo
Instituto do Emprego e Formação Profissional na região Norte receberam
ontem os diplomas de habilitação. Silva Peneda, ministro do Emprego,
esteve presente na cerimónia, marcada por uma desordem criativa e
humorística que acabou com o ministro a falar de improviso e a dizer que
«a formação é o que está a dar». O auditório da Exponor, de quase mil
lugares, estava praticamente cheio.

<p n=20421>
Silva Peneda disse também que o Governo tem consciência de que a melhor
coisa que pode dar aos jovens é um «acesso à profissão», salientando
saber que nem sempre os cursos correm bem mas «entre ficar a afinar a
máquina ou ir corrigindo o que está mal, é preferível a segunda via».
Este ano estão a receber formação profissional 15 mil jovens, envolvendo
três mil empresas. D.D.

<p n=20422>
A produção de fios magnetizados, com uma espessura que pode atingir o
centésimo de milímetro, deverá ter início em Janeiro próximo numa unidade
fabril localizada na zona industrial de Viana do Castelo. O edifício
principal ocupa uma área de 7500 metros quadrados e albergará a zona
fabril e armazéns, estando prevista a sua conclusão em Setembro próximo.
Segundo David Lumby, director geral da Optec DD (Portugal) Componentes
Eléctricos, Lda, serão «necessários três meses mais para a instalação de
maquinaria e equipamentos» até se dar o início do processo de laboração.

<p n=20423>
Para a produção de fios magnetizados, a empresa tem um capital fixo
corpóreo ligeiramente superior a dois milhões e cem mil contos e o volume
de vendas previsto ascende a um milhão e meio de contos, 80 por cento dos
quais provenientes da exportação. A produção de cablagens, outra das
intenções manifestadas de investimento, não deverá ser executada no mesmo
local, conforme fora inicialmente previsto.

<p n=20424>
O optimismo do Fundo Monetário Internacional (FMI) quanto à retomada, em
1992, do crescimento económico nos países do chamado «Terceiro Mundo»
poderá não se concretizar dada a crise de poupança que se regista a nível
planetário, advertiram no domingo, em Washington, os ministros das
Finanças de 24 daqueles países.

<p n=20425>
Para lutar contra a crise mundial de poupança, os ministros das Finanças
dos 24 países pediram aos Estados ricos uma redução dos seus défices
orçamentais e das suas balanças de contas correntes. Reclamaram também a
aceleração do processo de diminuição da carga da dívida, pediram uma
atenção particular à África subsariana (onde se concentram os países mais
pobres) e, especialmente, «significativas anulações de dívidas».
Reclamaram ainda aos países ricos e às organizações internacionais mais
recursos e em «condições mais favoráveis».

<p n=20426>
Depois de uma semana em que as declarações dos diversos membros do Grupo
do Sete países mais industrializados (Estados Unidos, Japão, Alemanha,
França, Grã-Bretanha, Itália e Canadá), principalmente da RFA e do Japão,
prenunciavam um desentendimento quanto às políticas económicas a seguir,
o fantasma da recessão veio obrigar a um consenso.

<p n=20427>
Enquanto o secretário do Tesouro norte-americano, Nicholas Brady, refere
no final do encontro que «a estabilidade dos preços significa o desejo de
crescimento sem ignorar a inflação»; o ministro alemão Theo Weigal vem a
declarar-se «muito satisfeito» com os resultados da reunião, já que os
outros países do Grupo demonstraram uma grande compreensão relativamente
às questões alemãs.

<p n=20428>
A RAR adquiriu a totalidade das acções que a Sodera-Sociedade de
Desenvolvimento Regional do Alentejo detinha no capital social da Global
e da Global Vida passando a deter 10 por cento de cada uma das empresas.
Este grupo nortenho transformou-se, desta forma, no segundo maior
accionista das seguradoras. Com esta operação a Sodera realizou uma mais
valia superior a 30 mil contos.

<p n=20429>
No final de 1990 as duas seguradoras obtiveram, no seu conjunto, um
resultado liquido de 198.942 contos (em 1989 registaram um prejuízo de 39
mil contos) para uma produção de 3,3479 milhões de contos. Na última
Assembleia Geral, realizada no início deste mês, os accionistas votaram
favoravelmente a proposta da administração de não distribuição de
dividendos.

<p n=20430>
A Comissão Europeia reafirmou, ontem no Luxemburgo, durante o Conselho de
Ministros da Indústria, o programa de 72 milhões de contos para o têxtil.
O ministro Mira Amaral classificou aquela proposta como um «apoio
intercalar», já que as necessidades do indústria têxtil portuguesa
ascendem a 750 milhões de contos. Quanto à posição da Comissão sobre o
sector, Mira Amaral considera-a muito positiva.

<p n=20431>
O ministro da Indústria e Energia, Mira Amaral, afirmou por seu lado que
o programa de modernização da indústria têxtil portuguesa, que envolve um
volume de investimentos da ordem dos 750 milhões de contos em 15 anos,
não poderá ser posto em prática sem um financiamento comunitário. E
acrescentou que «esse foi o objectivo da apresentação à Comunidade, em
Novembro passado, do estudo» elaborado pelos seus serviços.

<p n=20432>
Mira Amaral: o programa de modernização da indústria têxtil portuguesa,
que envolve investimentos da ordem dos 750 milhões de contos em 15 anos,
não poderá ser aplicado sem um financiamento comunitário.

<p n=20433>
No mercado secundário de Bilhetes do Tesouro foram colocados 25186
milhares de contos a 136 dias e 11 500 milhares de contos a 176 dias, com
as taxas médias a situarem-se nos 18.4375 e 18.375 por cento
respectivamente.

<p n=20434>
Na notícia publicada a 24 de Abril sobre a assinatura de um acordo entre
a Junta de Crédito Público e 20 instituições de crédito candidatas ao
estatuto de «market makers» (operadores especializados no mercado de
títulos da dívida pública) não foi referido, por lapso, o nome do Banco
Pinto & Sotto Mayor entre as entidades subscritoras.

<p n=20435>
Três firmas inglesas, a GEC Avionics, Dowty Aerospace e Kidde-Graviner,
vão participar no programa de construção do futuro caça táctico americano
(ATF ou Advanced Tactical Fighter) que foi desenvolvido pelos
construtores Lockheed, Boeing e General Dynamics para a Força Aérea dos
EUA. O contrato atribuído à GEC Avionics deverá ter um valor superior a
300 milhões de libras (77 milhões de contos) e consistirá no fabrico de
sistemas de controlo informático. Dowty Aerospace deverá assinar um
contrato de 20 milhões de dólares (3 milhões de contos) e Kidde-Graviner
vai fabricar os elementos de protecção dos motores contra incêndios por
um montante não divulgado.

<p n=20436>
A Agência Internacional de Energia Atómica promove de 21 a 24 do próximo
mês de Maio em Viena (Áustria) uma conferência internacional sobre as
consequências radiológicas da catástrofe nuclear de Chernobyl. O
objectivo principal desta reunião é examinar os resultados de um projecto
internacional executado em 1990 a pedido do Governo soviético para
determinar os efeitos sanitários e ecológicos nas zonas afectadas das
repúblicas da Bielorrúsia, Ucrânia e Rússia. Este projecto envolveu 200
especialistas independentes de 22 países e de sete organismos
internacionais.

<p n=20437>
Coincidindo com a apresentação da filial portuguesa da Hewlett-Packard,
esta empresa vai dar hoje a conhecer uma nova série de produtos, desde
impressoras até estações de trabalho e computadores de mão.

<p n=20438>
Os projectos actuais para a redução das chuvas ácidas na Europa são
totalmente insuficientes, declarou Joseph Alcamo, do Instituto
Internacional de Sistemas Aplicados (IIASA), durante uma conferência de
imprensa que teve lugar em Viena (Áustria). Para Alcamo seria necessário
investir entre 22 e 36 mil milhões de dólares por ano (entre 3,2 mil
milhões de contos e 5,3 mil milhões de contos) para se atingir a
estabilização da situação actual, devendo as emissões de dióxido de
enxofre ser reduzidas em 70 por cento. A IIASA é uma instituição sem fins
lucrativos, fundada em 1972 por dezasseis países da Europa ocidental e de
leste, com o objectivo de levar a cabo investigações científicas nos
domínios ecológico, económico, demográfico e tecnológico.

<p n=20439>
Tocar, mexer, experimentar, adquirir e aprender. Estas são as palavras de
ordem dos centros de iniciação científica (CIC) que Braga, Lisboa e
Coimbra vão possuir dentro de três anos.

<p n=20440>
O protocolo para a elaboração do ante-projecto e lançamento do Parque de
Ciência e Tecnologia do Porto foi ontem assinado naquela cidade pelas
universidades da região norte, algumas empresas, associações
empresariais, laboratórios de investigação científica e instituições
financeiras. O pólo será, na prática, dividido em três espaços: um
correspondente à área metropolitana do Porto, outro ao vale do Ave e um
terceiro ao eixo Ovar/Feira.

<p n=20441>
A iniciativa da criação de parques de ciência e tecnologia tem como
objectivo encorajar, num espaço com infraestruturas adequadas, a
instalação de novas empresas de alta tecnologia, apoiar os esforços de
modernização e reconversão das empresas tradicionais, aumentar o nível e
fazer crescer o número de investigadores e dos quadros inovadores, atrair
investimento estrangeiro, constituir um instrumento de promoção de
sinergias entre sectores e integrar e enquadrar em perspectivas modernas
o tecido industrial existente.

<p n=20442>
A empresa japonesa Matsushita Electric Industrial anunciou em Tóquio a
comercialização, a partir de 10 de Maio, da mais leve câmara de vídeo com
tecnologia digital com uma lente de «zoom» capaz de ampliar 12 vezes.
Colocada no mercado a um preço de retalho de 165 contos, a nova NV-55
possui um mecanismo de arrasto com 170 gramas, o que representa uma
diminuição de 100 gramas no mecanismo de arrasto de modelos anteriores.

<p n=20443>
Em Londres, onde se encontra numa visita que o leva a sete países
europeus, o presidente da UNITA sugeriu também essa eventualidade. «Se
tudo correr bem, dia 30 de Abril são rubricados os documentos que
conduzirão ao cessar-fogo e à paz definitiva em Angola», disse Jonas
Savimbi numa entrevista ontem concedida ao jornalista João Van-Dunem, dos
serviços em língua portuguesa da BBC.

<p n=20444>
O PRESIDENTE checoslovaco, Vaclav Havel, considerou ontem inaceitável uma
claúsula soviética, contida num previsto tratado bilateral de amizade,
que impediria o seu país de aderir a uma aliança ocidental de segurança.
Havel disse que a cláusula proposta pelos soviéticos limitaria a
soberania da Checoslováquia, bem como a sua liberdade de decisão. O
tratado tem estado a ser negociado ao nível de peritos, sendo comparável
ao que a URSS já assinou este mês com a Roménia e aos que a Hungria e a
Polónia não desejaram concluir.

<p n=20445>
OS ATENTADOS em que três altos responsáveis regionais foram mortos nos
últimos dias no Sueste da Anatólia, de maioria curda, e atribuídos pelo
Governo turco aos «terroristas separatistas», verificam-se depois de uma
trégua de facto de uns nove meses. O Governo turco tomara recentemente
medidas de liberalização em relação a mais de 12 milhões de curdos, pouco
antes do êxodo de 700.000 iraquianos do Norte, sobretudo curdos, para as
montanhas fronteiriças iraco-turcas.

<p n=20446>
PETER BROOKE alcançou o que políticos hoje conceituados como Douglas
Hurd, agora chefe da diplomacia de Londres, e Tom King, actual ministro
da Defesa, não conseguiram: ganhar a confiança de rivais seculares que há
mais de 70 anos não trocavam uma só palavra e -- sucesso histórico --
sentá-los na mesma sala a conversar.

<p n=20447>
Em primeiro lugar explorou o melhor que pôde a sua própria personalidade
-- é um conversador nato, possuidor de uma fraseologia simples e directa
--, convencendo, passo a passo, os mais resistentes.

<p n=20448>
AO CONTRÁRIO do que sucede em Portugal, não são as direcções partidárias
que escolhem os candidatos. Nas eleições primárias, a primeira das quais
se realiza em Fevereiro no estado de Iowa, candidatos republicanos e
democratas apresentam-se ao eleitorado dos respectivos partidos.

<p n=20449>
A campanha propriamente dita começa após as convenções. E na terça-feira
seguinte à primeira segunda-feira de Novembro é eleito o Presidente. B.M.

<p n=20450>
HELICÓPTEROS AMERICANOS estavam ontem a patrulhar os arredores de
Amadiya, uma cidade situada a 75 quilómetros a ocidente da zona de
segurança montada no Norte do Iraque pelos aliados ocidentais, indicou um
porta-voz militar americano citado pela Reuter.

<p n=20451>
Os Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Holanda enviaram nove mil
soldados para o Norte do Iraque para assegurar a protecção dos curdos e
motivar assim o seu regresso a casa. Mas os cerca de um milhão de
refugiados que procuraram abrigo nas montanhas da fronteira
turco-iraquiana continuam a recear represálias por parte das forças de
Saddam. Segundo responsáveis militares americanos e britânicos, o seu
regresso depende das garantias dadas no terreno e estas passam pela
extensão da zona de segurança, afirmam.

<p n=20452>
George Bush é ultrafavorito para a reeleição como Presidente dos EUA, em
1992. Isso parece explicar o arranque fraco e tardio para as
presidenciais, hoje formalizado com a candidatura do democrata Paul
Tsongas. É o começo do maior espectáculo político do Mundo.

<p n=20453>
O leque potencial de candidatos para 1992 seria naturalmente diminuído
pelo facto de George Bush voltar a apresentar-se. É tradição no Partido
Republicano não desafiar a recandidatura de um Presidente e o único a
fazê-lo no passado recente foi o governador da Califórnia, Ronald Reagan,
que em 1976 tentou sem êxito ser nomeado candidato republicano em
oposição a Gerald Ford.

<p n=20454>
O FUTURO político da Guiné-Bissau está a ser discutido na Assembleia
Nacional Popular, reunida desde ontem ao fim da tarde exclusivamente para
debater e provavelmente aprovar a instauração de um regime democrático e
pluralista.

<p n=20455>
O artigo quarto da constituição, que confere ao PAIGC o papel de força
política dirigente da sociedade e do Estado, deverá ser abolido no quadro
da revisão constitucional, surgindo em seu lugar uma nova redacção, «na
Guiné-Bissau é livre a constituição de partidos políticos», o que estará
em consonância com uma Lei-Quadro de Partidos, que poderá ser aprovada
ainda esta semana, conferindo espaço e legitimidade a todas as forças que
façam a sua inscrição no Supremo Tribunal de Justiça.

<p n=20456>
O PRESIDENTE iraniano, Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, chegou ontem à tarde
à Turquia para uma visita oficial de três dias, a primeira de um chefe de
Estado do Irão aquele país em 15 anos e que se espera vir a ser dominada
pela questão dos refugiados curdos.

<p n=20457>
Poucas horas antes da chegada de Rafsanjani a Ancara, Ozal afirmara à
agência iraniana IRNA que se o «mundo não encontrar uma solução, a
Turquia e o Irão terão de resolver por si esta questão». «É por isso que
Ancara e Teerão devem adoptar uma política comum [para com os
refugiados]», disse.

<p n=20458>
O PRIMEIRO-MINISTRO da França, Michel Rocard, conferencia hoje pela
primeira vez com o movimento ecologista Greenpeace, depois de ontem ter
iniciado a sua visita à Nova Zelândia com a apresentação de desculpas
pelo incidente de 1985.

<p n=20459>
Quando hoje forem recebidos pelo primeiro-ministro de Mitterrand, os
ecologistas tencionam aceitar as desculpas e saudar a sua promessa de
apoio a uma reserva mundial na Antártida, mas que nada justifica a
intenção de continuar com as experiências de material atómico.

<p n=20460>
pelo facto de George Bush voltar a apresentar-se. É tradição no 
PartidEntre católicos e protestantes na Irlanda do Norte, as palavras
substituem hoje as balas e os disparos de morteiro. Os inimigos
centenários vão conversar sob a mediação de Peter Brooke, o ministro de
Londres transformado em herói. Têm dez semanas para encontrar uma solução
que acabe com uma guerra civil de décadas.

<p n=20461>
Ministro britânico para a Irlanda do Norte desde 1989 (ver caixa), Brooke
vai tentar, com quatro partidos da província, chegar a acordo quanto a
uma nova forma de administração da Irlanda do Norte que exclua o Governo
de Londres.

<p n=20462>
BORIS IELTSIN, candidato à Presidência da República Russa em eleições
marcadas para 12 de Junho, chegou ontem à Sibéria ocidental para tentar
convencer os mineiros do Kuzbass a suspenderem a greve que dura há dois
meses. Ao mesmo tempo, em Moscovo, 50 mil pessoas manifestaram, à chuva,
apoio à sua candidatura.

<p n=20463>
Apesar das críticas de algumas intervenções, a recolha de assinaturas
para legalização da candidatura de Ieltsin (cem mil) já terminou,
informaram participantes no comício. Estão ainda a ser criadas comissões
de apoio eleitoral, nomeadamente no soviete de Moscovo. O coronel
Vladimir Smirnov anunciou igualmente a formação de um comité para as
presidenciais que dá pelo nome de «Militares pela Democracia».

<p n=20464>
O RECÉM-eleito co-presidente dos Verdes alemães Ludger Volmer procurou
ontem diminuir a imagem de fiasco que ressaltou do congresso realizado no
fim-de-semana, declarando que esperava «manter o partido unido para ter
uma hipótese realista de regressar ao parlamento dentro de quatro anos».

<p n=20465>
O afastamento dos «fundis» (actualmente cerca de uma centena), que se tem
vindo a processar ao longo dos últimos três anos, com uma crescente perda
de influência na presidência do partido, é considerado por muitos como
uma benção.

<p n=20466>
Tem proporcionado música a muita gente, em Vila Franca de Xira, onde
começou por ser uma fanfarra, há quase 100 anos e hoje encontra na rádio
um novo polo dinamizador: é o Ateneu Artístico Vilafranquense, uma colect pelo facto de George Bush voltar a apresentar-se. É tradição no
Partidividade que completa um século no próximo 1 de Maio, dia em que a
Banda vai desfilar pelas ruas da cidade.

<p n=20467>
Mas a peripécia que mais tempo tem demorado a resolver é a da
construção da nova sede do Ateneu, iniciada há 11 anos e «ainda sem data
prevista para inauguração» -- como disse ao PÚBLICO  Júlio Serra,
presidente daquela colectividade que conta com «pouco mais de mil sócios
e 250 praticantes».

<p n=20468>
As próximas eleições legislativas são um dos pontos agendados para o
primeiro Encontro de Secções do Partido Social-Democrata do Distrito de
Beja, a realizar no dia 4 de Maio, pelas 15h00, nesta cidade.

<p n=20469>
Os Madredeus continuam em digressão. Desta vez, estão no Coliseu dos
Recreios de Lisboa, para mais um espectáculo. É às 21h30.

<p n=20470>
As origens da fabricação artesanal de cerâmica segundo a técnica Raku
perderam-se no tempo e na história japonesa, os indícios mais recentes
respeitam à cerimónia do chá e ao pensamento budista do Zen, no século
XVI. Com o apoio da Associação de Ceramistas de Sintra, a galeria «O
outro lado do espelho» apresenta até quarta-feira uma mostra de Cerâmica
Raku.

<p n=20471>
«Por fim, as peças são mergulhadas em água, o que permite interromper o
processo de `redução', produzir `craquelé' no vidrado e manusear a peça
ao fim de algum tempo», como, de resto, o podem fazer aqueles que
visitarem o número 46 da Rua Alfredo Costa, em Sintra. L.F.S.

<p n=20472>
O prazo para o pagamento da contribuição autárquica, que hoje terminava,
foi prerrogado até ao dia 31 de Maio pelo secretário de Estado dos
Assuntos Fiscais, Oliveira Costa.

<p n=20473>
O sinistro, que teve início às 2h45, destruiu por completo a barraca,
supostamente desabitada. Cerca de uma hora e meia depois do seu início, o
incêndio foi dado como extinto, altura em que os bombeiros encontraram o
corpo de um indivíduo aparentando ter perto de 22 anos. O homem faleceu a
caminho do hospital em consequência das queimaduras sofridas.

<p n=20474>
Uma lancha da Polícia Marítima encalhou ontem de manhã em Porto Brandão,
na margem Sul do Tejo, tendo ficado danificada nas hélices e em parte do
casco -- que sofreu um rombo -- pelo que teve de ser içada, com uma grua da
Administração do Porto de Lisboa, e rebocada para o Arsenal do Alfeite,
onde será reparada.

<p n=20475>
Dias Costa, capitão do Porto de Lisboa, considerou o acidente normal:
«São ossos do ofício, para quem anda em missões de fiscalização. Por
vezes, ao tentar capturar os infractores, arrisca-se um pouco» --
sublinhou. F.R.

<p n=20476>
A cidade de Lisboa vai, no próximo ano, acolher um grupo de jovens
fotojornalistas que, na «cidade branca», desenvolverão as suas
capacidades artísticas e profissionais.

<p n=20477>
O atelier que funcionará em Lisboa será preparado pela Câmara Municipal.
A ele não podem concorrer portugueses, uma vez que o regulamento
determina que os naturais de qualquer dos países participantes só possam
concorrer a acções que decorram fora das suas fronteiras para assim se
promover «a troca de experiências».

<p n=20478>
Todo o sangue proveniente da morte de animais em todos os matadouros da
rede do IROMA será transformado em pó de plástico na unidade de
tratamento que vai ser construída ainda este ano na zona industrial de
Tomar, disse ao PÚBLICO o presidente da Câmara local, Pedro Marques.

<p n=20479>
O autarca considera que a instalação da Unidade de Tratamento de Sangue
em Tomar, «para além de constituir mais uma fonte de riqueza para o
concelho, é também um investimento camarário, na medida em que a
autarquia será sócia da firma a constituir».

<p n=20480>
O perigo espreita no talho -- Visto pelas traseiras, o prédio -- cuja
fachada dá para a Avenida 5 de Outubro, em Lisboa -- é um monte de andares
em escombros, que permanecem ainda num equilíbrio próximo da vertical, à
espera de caírem de vez. Já ninguém o habita -- desde que há cerca de oito
meses ele entrou em derrocada, desalojando os moradores dos cinco pisos --
e poucos se apercebem da sua existência. O espanto surge só quando, dando
a volta ao quarteirão, se constata que ali, no número 80, continua a
funcionar um talho. Com clientela certa, tal como tinha também o
estabelecimento contíguo -- a «Paulinha Capelista», que acabou por
abandonar o edifício em ruína -- o «Talho 49» é um resistente a desafiar o
perigo, do qual não suspeitam muitos dos seus clientes. É que visto da 5
de Outubro, o prédio nem sequer apresenta as «barrigas» características
da queda iminente e a fachada esconde a degradação interior. E
dissimula-a melhor ainda desde que a pintura do talho foi retocada, nas
suas portas vermelhas, tal como dentro do estabelecimento, moderno e
asséptico, onde recentemente se fizeram obras. Quem lá entre, -- para
comprar a «carne da região saloia», propagandeada nas paredes em cores
garridas -- nem dá por nada. Mas um dia destes arrisca-se a já não sair
dali vivo.

<p n=20481>
Segundo um comunicado do Zoo, a delegação considerou «muito variado» o
leque de espécies animais residentes no Jardim das Larajeiras.

<p n=20482>
O cinema que tem por tema o cinema é duplamente fascinante. É por isso
que «Serenata à Chuva» continua a ser o melhor musical de sempre. E é por
isso, também, que dois dos mais míticos filmes dos anos 50 -- «Crepúsculo
dos Deuses», de Billy Wilder, e «Condessa Descalça», de Joseph L.
Mankiewicz -- exercem ainda um fascínio que vai muito para além das suas
qualidades intrínsecas como cinema.

<p n=20483>
«Deus Nosso Senhor inspire o Cavaco. Eu não sou uma fanática, pelo
contrário, acredito em Deus. Mas o Cavaco sabe que eu gosto dele.»

<p n=20484>
Na página nº 64 do PÚBLICO da última quarta-feira, 24, vem a notícia
subscrita por M. S., sob o título «Orquestra do Porto pode crescer em
Outubro».

<p n=20485>
Este é o 165º apontamento que, como comandante de bombeiros, escrevo,
desde que em 31 de Julho de 1965 iniciei, com toda a genica (tinha então
34 anos e hoje estou com 60), a minha luta sem tréguas pela defesa
(protecção) do (ainda) riquíssimo património florestal público, privado e
celulósico, o qual, como toda a gente sabe, infelizmente todos os anos
vai sendo impiedosamente lambido pelos incêndios. Em 1989, arderam
126.237 hectares, e no ano transacto a coisa passou para 130.584. Houve,
pois, agravamento.

<p n=20486>
Esperemos, no entanto, que do Seminário Florestal, a realizar (louvável
iniciativa) neste fim-de-semana, em Nelas, resulte qualquer coisa útil,
concreta e eficaz. Há muito a fazer e o tempo urge. O património
florestal merece tudo.

<p n=20487>
Divulgou o PÚBLICO do passado dia 9, sob o título «Faltam dois hospitais
no distrito de Viseu», que o Hospital [de Lamego] «deixou de oferecer
serviços em algumas valências, como a de gastrenterologia, uma patologia
frequente na região do Douro». Ora, tal afirmação é inteiramente falsa. A
valência continua, como é óbvio, a existir, somente houve uma modificação
no seu funcionamento para melhor atendimento dos seus utentes.
Permitam-me esclarecer, para um melhor entendimento dos leitores do
PÚBLICO, entre os quais me conto desde o primeiro número, que o Conselho
de Administração deste Hospital, ao introduzir tal modificação, apenas
teve em vista os legítimos interesses da população da região e não
quaisquer outros que tendenciosamente lhe queiram imputar.

<p n=20488>
A propósito da notícia do passado dia 15 de Abril [«Produtores de leite
deitam milhares de litros de leite ao Mondego»], pergunto: a opinião
pública não seria muito mais sensibilizada se esse leite já derramado, e
aquele com que se quer lavar os pés do senhor Ministro fosse distribuído
pelas famílias que o não podem comprar para os filhos? (...)

<p n=20489>
A Comissão de Especialidade de Engenharia Agronómica da Região Sul, da
Ordem dos Engenheiros, de que sou coordenador, está a considerar a
hipótese de realizar uma retrospectiva do filme agrícola português em que
esses dois filmes serão incluídos.

<p n=20490>
E são milhões. Ao lado do senhor Francisco da Silveira de Vasconcellos e
Souza. Que nome tão digno de uma causa justa!

<p n=20491>
(...) A ignorância [de Francisco Sousa Tavares] evidenciada ao falar de
assuntos tão diferentes -- Universidade Católica, Opus Dei, Banco
Comercial Português -- contrasta gritantemente com a arrogância com que
termina o texto, apodando de mentiroso quem o contradisser.

<p n=20492>
Pertencemos ao colégio Planalto no qual estudamos no 6º ano de
escolaridade. Escrevemos-lhe porque desejamos rectificar alguns lapsos
existentes no artigo publicado no sádado dia 20 pelo dr. Francisco Sousa
Tavares.

<p n=20493>
Se ele estivesse realmente interessado teria ligado para as informações
da Opus Dei que vêm na lista telefónica.

<p n=20494>
Li o artigo da AFP/PÚBLICO sobre o baptismo dos acidentes orográficos de
Vénus revelados pela sonda Magalhães, publicado no passado dia 21. Na
lista das quatro mil mulheres escolhidas para «madrinhas« desses
acidentes, espero que haja alguma portuguesa, tanto mais que é o portugês
Fernão de Magalhães o «padrinho« da sonda planetária americana que está a
enviar para a Terra as fotografias da superfície de Vénus.

<p n=20495>
1. Há 20 dias atrás, o adido militar da Embaixada britânica na Argélia,
capitão William Cross, foi expulso daquele país por motivos de segurança.
Soube-se anteontem porquê.

<p n=20496>
Ao que parece, no entanto, os preparativos nucleares começaram há dois
anos atrás com o auxílio da China -- que também não subscreveu o tratado.
A CIA terá detectado a existência das instalações nucleares em Janeiro
deste ano. E prevê-se que a primeira bomba nuclear argelina poderá estar
pronta em 1998. A partir daí, o país seria capaz de produzir pelo menos
uma bomba por ano.

<p n=20497>
3º.--Rejeito como sempre rejeitei as acusações que logo desde o início se
pretenderam apresentar como «facto consumado», protesto como sempre
protestei a minha inocência e, por isso, lutarei legalmente até às
últimas consequências, não aceitando ver-me transformada em «bode
expiatório« e «manobra de diversão», para agora desviarem as atenções de
outros aspectos, por ventura bem pouci claros, da gestão camarária em
Almada.

<p n=20498>
É com perplexidade, indignação e uma dose razoável de raiva que venho
assistindo, há uns tempos a esta parte, a uma estranha manifestação de
ignorância altaneira, generalizada entre os empregados de cafés,
pastelarias e restaurantes. Fenómeno tanto mais intrigante quanto é certo
ter sido vítima dele em todos os distritos das Beiras para Sul e em
estabelecimentos sem estrelas e com poucas, algumas e muitas estrelas.

<p n=20499>
Quando chega a hora de pagar, se eu puxo de uma nota de maior valor e
poço que a troquem, logo o falso purista da língua diz que sim, senhor
vai «destrocar« o dinheiro...

<p n=20500>
Lendo, no PÚBLICO Magazine do passado dia 21, o artigo de Ricardo Vera
Jardim -- vosso colaborador que habitualmente leio com muito agrado -- com
o título «No reino dos doutores», deparei, a dado passo, com esta frase:
...«O elitismo universitário colocava no grupo dos futricas todos os
estudantes dos cursos médios, como os Regentes Agrícolas -- mais tarde
reciclados (!!???) em engenheiros técnicos agrários -- razão latente de
monumentais pancadas na Baixa coimbrã.»

<p n=20501>
3 -- Por esta ordem de ideias, também os professores das antigas escolas
primárias que possuem o 5º ano dos liceus, mais três anos das escolas do
Magistério, deveriam ser denominados doutores!...

<p n=20502>
A aproximação entre a CEE e o Magreb durante a Presidência portuguesa da
Comunidade domina a rápida deslocação do ministro dos Negócios
Estrangeiros a Marrocos. Deus Pinheiro embarca hoje para Rabat, onde se
encontra com o seu homólogo marroquino, Abdellatif Filali, e com o
primeiro ministro Azzedine Laraki, regressando a Lisboa ao fim da tarde.

<p n=20503>
Outro nome que João de Deus Pinheiro gostaria de ver na «task force»
seria o de Manuel Gervásio Leite, colocado em Islamabad, Paquistão. Com a
designação de Jorge Ritto, ex-embaixador em Rabat, para o lugar de
Cutileiro em Pretória, no entanto, coube a Gervásio Leite a embaixada em
Seul - destino inicialmente previsto para Ritto - inviabilizando assim a
sua participação na equipa que vai trabalhar directamente com o ministro
na preparação da Presidência comunitária.

<p n=20504>
Maio é mês de recenseamento eleitoral, e a CNE já tem «slogan» para a
habitual e massiva campanha de sensibilização: «Viva a vida no seu país».
Mais difícil parece a vida da Comissão, a julgar pelas queixas dos seus
membros.

<p n=20505>
Quanto à sede, há uma promessa do presidente da Assembleia da República
para ceder algumas instalações na «casa amarela», logo que dali mude a
Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS); os móveis em utilização
são um empréstimo da A.R.. «A Alta Autoridade para a Comunicação Social
com um orçamento gigante, para a CNE uns tostõezinhos», continuou
Labescat.

<p n=20506>
O Governo quer alterar as condições dos trabalhadores portugueses que se
encontram na Suíça com o estatuto de «temporários». O secretário de
Estado das Comunidades, Correia de Jesus, manifestou no domingo, em
Genebra, o empenho em negociar uma contribuição, custeada pelas
autoridade suíças, que minimize os problemas decorrentes dos três meses
de falta de remuneração dos «temporários» que têm os seus contratos
renovados.

<p n=20507>
Outra iniciativa divulgada por Correia de Jesus diz respeito à criação de
um Instituto de Portugal, instituição capaz de assegurar a coordenação
das acções desenvolvidas pelos «pólos irradiadores» da nossa cultura e da
nossa língua.

<p n=20508>
O Presidente da Assembleia da República, Vítor Crespo, reune-se esta
tarde com o primeiro-ministro, Cavaco Silva, para dar conta da posição da
Assembleia da República com vista à deslocação de uma delegação
parlamentar a Timor-Leste. Na quinta-feira, Vítor Crespo será recebido
por Mário Soares, com idênticos objectivos. Estes dois encontros do
Presidente da Assembleia visam o «comprometimento» formal de todos os
órgãos de soberania numa decisão «delicada» que o Parlamento entende não
dever assumir, publicamente, sozinho. Embora esteja pressuposto que tanto
Cavaco Silva como Mário Soares não vão manifestar oposição à realização
da visita, só depois das diligências com os outros dois órgãos de
soberania, é que será formalmente divulgada a decisão face à visita
parlamentar a Timor-Leste. Esta terá lugar logo após uma reunião da
Comissão Eventual para o Acompanhamento da situação em Timor-Leste com a
conferência de líderes parlamentares, ainda não agendada.

<p n=20509>
Hoje, a Comissão Parlamentar Eventual para Timor-Leste vai proceder à
selecção dos filmes mais significativos existentes no arquivo da RTP com
vista à realização de um documentário sobre o genocídio em Timor-Leste.
Em vésperas da realização da visita, o Presidente da Comissão, Sousa
Lara, desloca-se a Florença, Pisa e São Marino, onde realizará
conferências sobre a questão de Timor.

<p n=20510>
Melancia: sete secretários-adjuntos em vez de seis. A pasta da Transição
é a que tem mais hipóteses de extinguir-se. E nenhum dos actuais
secretários-adjuntos deverá manter-se em funções.

<p n=20511>
Segundo as fontes que contactámos, o Executivo de Rocha Vieira incluirá
ainda o brigadeiro Rodolfo Begonha como secretário-adjunto para as Obras
Públicas. Quanto ao pelouro da Justiça, poderá ser ocupado por um jurista
que actualmente presta funções na Procuradoria-Geral da República.

<p n=20512>
O CDS do Porto prepara-se para recusar a entrada de António Lobo Xavier
na lista de deputados pelo círculo, estando disposto a assumir um
confronto com a direcção nacional do partido em torno do caso.

<p n=20513>
«Nós nem nos lembrámos dele quando fizemos a lista, porque o seu nome
sempre foi dado como certo para número um em Coimbra», revelou ao PÚBLICO
Rui Cernadas, vice-presidente da Distrital. «Se a direcção do partido
queria ter um elemento seu em segundo lugar no Porto, então podia optar
por algum dos que são do distrito, como Alberto Baldaque, Sousa Pinto ou
Ana Maria Ricou», acrescentou. A Distrital há muito que havia decidido
que todos os candidatos seriam do Porto, excepto Basílio Horta.

<p n=20514>
O secretário de Estado da Cooperação, Durão Barroso, encontrou-se ontem,
em Genebra, na Suíça, com o líder da Renamo, Afonso Dlakhama. O encontro,
mantido no maior sigilo pelo Gabinete daquele membro do Governo, que se
recusou a tecer quaisquer considerações sobre o assunto, realizou-se a
pedido de Dlakhama. Segundo o PÚBLICO apurou, na semana passada o líder
rebelde moçambicano propôs ao Governo de Lisboa uma reunião «fora de
Portugal», tendo Genebra sido o local acordado.

<p n=20515>
Não tem sido fácil o relacionamento de Lisboa com o principal movimento
opositor ao regime de Maputo. Embora nunca tenham sido cortadas as pontes
entre o Executivo social-democrata e a Renamo, sabe-se quanto Cavaco
Silva preserva as relações Estado a Estado e, desde logo, evita qualquer
situação que ponha em causa esse posicionamento. Há algumas semanas,
precisamente na sua edição de 6 de Março, o PÚBLICO dava conta de uma
certa irritação do primeiro-ministro quanto àquilo que fontes
governamentais designavam de «jogadas paralelas» de um «lobby» pró-Renamo
no nosso país. Em causa estavam as diligências que esse «lobby» tinha
promovido no sentido da vinda de Dlakhama a Portugal.

<p n=20516>
A prisão não é responsável pelo surgimento de doenças mentais e, em
certos casos, até pode ser benéfica, dizem os psiquiatras. Esta posição,
que se vai consolidando em alguns meios científicos, é defendida no II
Encontro Nacional sobre Saúde Mental em Meio Prisional, que termina hoje
em Lisboa

<p n=20517>
Os resultados permitem chegar já a algumas conclusões, das quais
sobressaem duas ideias fundamentais: a prisão contribui para o estado
depressivo, mas não para a depressão como doença nem para outras doenças
psiquiátricas, contrariamente ao que é sustentado pelo senso comum. Por
outro lado, o novo modelo de relações que se gera na cadeia pode ser
benéfico, nos casos de pessoas com uma personalidade desorganizada.

<p n=20518>
«O Impacto da Unificação Europeia nas Relações com o Terceiro Mundo» é o
tema genérico de um seminário que se inicia depois de amanhã, em Lisboa,
por iniciativa do Centro de Informação e Documentação Amilcar Cabral
(CIDAC), organização não governamental com vasto trabalho realizado nos
últimos anos no domínio da cooperação com os PALOP. O programa, que se
prolonga por dois dias, prevê a discussão de temas ligados ao incremnento
das comunidades de imigrantes não europeus no velho continente. O
africanista Alfredo Margarido, o dirigente do PSR Francisco Louçã e o
sociólogo guineense Carlos Lopes são algumas das personalidades
convidadas a intervir nos debates, que terão lugar na sala Lisboa do
Hotel Altis.

<p n=20519>
O ministro do Planeamento e Administração do Terirtório admitiu ontem a
hipótese de negociar com as autarquias locais a criação dum programa
operacional para a prevenção de fogos florestais. Valente de Oliveira,
que falava na sessão de apresentação dum projecto-protótipo para a
diminuição do número de fogos florestais e áreas ardidas no concelho de
Vila Nova de Poiares, disse que o Governo tem gasto cerca de um milhão de
contos por ano na prevenção de fogos e que um programa operacional exige
verbas «muito elevadas», pelo que se deverá optar pelo faseamento de
iniciativas, de acordo com a sua prioridade. O projecto elaborado pela
Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares, por solicitação do Ministério,
prevê várias acções de prevenção dos fogos florestais, com custos
aproximados de 240 mil contos em seis anos. Valente de Oliveira disse que
uma das condições para a negociação do programa operacional é a
generalização de projectos como este nos 150 concelhos com grandes
recursos florestais.

<p n=20520>
A vinda do Papa a Portugal é motivo para tolerância de ponto no dia 10 de
Maio, em Lisboa, e para feriado nacional dia 13. Os católicos,
entretanto, estarão menos mobilizados com esta visita papal do que com a
anterior.

<p n=20521>
O mesmo bispo admitiu, entretanto, que esta segunda visita de João Paulo
II a Portugal estará a mobilizar menos gente que a primeira. «É natural»,
referiu Albino Cleto, apresentando como justificação o facto de o Papa
não ir «a tantas dioceses» como em 1982, em que visitou Lisboa, Fátima,
Évora, Coimbra, Porto e Braga.

<p n=20522>
A criminalidade aumentou nos Estados Unidos pelo sexto ano consecutivo em
1990, principalmente devido à violência gerada pelo tráfico de drogas,
revelou no domingo o Departamento Federal de Investigações (FBI). O
número de mortos atingiu os 23.600, num total de 1,8 milhões de crimes
violentos.

<p n=20523>
O presidente do Comité Judicial do Senado, Joseph Biden, disse domingo
que «o crime atingiu proporções epidémicas» no país e sublinhou que as
estatísticas parecem refletir que «as nossas ruas estão sem controlo».

<p n=20524>
Pela segunda vez em Abril, os trabalhadores dos postos de gasolina de
Espanha iniciaram ontem, segunda-feira, uma greve de quatro dias
reivindicando melhores salários e condições de trabalho.

<p n=20525>
O MINISTRO da Justiça, Laborinho Lúcio, solicitou, ontem de manhã, uma
reunião com a Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos,
Liberdades e Garantias para debater com os deputados os resultados da
inspecção feita pela Procuradoria-Geral da República à Polícia
Judiciária.

<p n=20526>
O deputado independente José Magalhães requereu ontem ao presidente da
Comissão de Liberdades, Direitos e Garantias da Assembleia da República
que o Procurador-Geral da República, Cunha Rodrigiues, e o director-geral
da Polícia Judiciária, Marques Vidal, sejam convocados por aquela
Comissão para darem as explicações necessárias sobre o inquérito
promovido pela Procuradoria-Geral da República às actividades da Polícia
Judiciária.

<p n=20527>
O ministro da Justiça recebeu o relatório da Procuradoria-Geral da
República e a resposta ao relatório, posteriormente corrigida e
amenizada, do director-geral da Polícia Judiciária. E tentou, mau grado o
pedido feito pela comissão de Liberdades, Direitos e Garantias da
Assembleia da República que queria conhecer o conteúdo das acusações,
desdramatizar este braço de ferro entre o Ministério Público e a Polícia
Judiciária, provocado, fundamentalmente, pela entrada em vigor do
Processo de Código Penal.

<p n=20528>
Domingo, ao entardecer, a batucada do samba cede terreno a cânticos
desafinados nas favelas do Rio de Janeiro. Promessas de curas milagrosas
e previsões apocalípticas invadem os barracos de quase 2,5 milhões de
cariocas. É uma guerra religiosa, envolvendo centenas de seitas
evangélicas, e já deixou de preocupar apenas católicos.

<p n=20529>
Num documento saído do encontro, os bispos constatam, alarmados, que a
«Igreja já não tem mais a mesma importância do passado como mediadora de
questões políticas» e assinalam uma crescente reacção da opinião pública
contra posições adoptadas em matérias como a limitação da natalidade, o
divórcio, o sexo e o papel da mulher na sociedade.

<p n=20530>
Apenas uma lista, composta essencialmente por elementos da anterior
direcção, concorre hoje às eleições para os corpos gerentes do Sindicato
dos Jornalistas. Com o lema «Mais longe na diferença», a lista presidida
por João Mesquita, jornalista do PÚBLICO, propõe-se continuar o trabalho
já iniciado, solidificando «os direitos adquiridos num sector em
mutação». Na votação poderão participar os 1906 associados do sindicato.

<p n=20531>
De acordo com este inquérito, 50,7 por cento dos jornalistas trabalham em
Lisboa, 13,9 por cento no Porto e 10,7 por cento no resto do país,
faltando informação sobre os restantes 24,7 por cento. Dos profissionais
que possuem título profissional, 58,8 por cento são homens e 41,2 por
cento mulheres.

<p n=20532>
UM FORTE tremor de terra de 7 graus na escala de Richter abalou ontem às
12h12 locais (9h12 em Lisboa) a região sul da República Soviética da
Geórgia, provocando a morte de pelo menos 23 pessoas e 40 feridos. «Os
prédios tremeram como baralhos de cartas», descreveu um residente de
Tbilissi, a capital.

<p n=20533>
O geofísico norte-americano Russ Needham afirmou que havia fortes
possibilidades de se registarem novos sismos. «Sendo um tremor de terra
desta magnitude, eu esperaria algumas réplicas do primeiro», afirmou.

<p n=20534>
Quando, no auge do mccarthismo, o ultraconservador Cecil B. De Mille
acusou Joe Mankiewicz de «vermelho», uma voz se ergueu  contra a
injustiça da histeria anticomunista -- a do «homem que fazia westerns»,
John Ford. Não era a primeira vez.

<p n=20535>
O reencontro do protagonista com o núcleo familiar, essência de todo o
cinema fordiano, é precedido de uma longa viagem à noite, na casa vazia
povoada de grandes planos de rostos iluminados, por uma luz que deforma e
transmite a febril alucinação dos deserdados. As nuvens, o pó, o vento,
as figuras de sombra marcadas no chão inscrevem a possibilidade da
ausência na terra que se esboroa e obriga à partida. O espaço da casa,
inicialmente enquadrado de dentro, mas logo abandonado pela câmara,
funciona apenas como transição para a longa itinerância. A mãe (o
paradigma perfeito da mãe fordiana, forte e moldável como todas as
mulheres, é ela quem o afirma), durante a última noite, queima papéis e
contabiliza memórias no comovente silêncio dos que se preparam para
afrontar o desconhecido, forma prematura de morte em vida. Em fundo, como
tema de emigração, ouve-se uma canção irlandesa, eterna presença do «old
country», a mesma que Fonda trauteará mais tarde. Deste compulsivo
abandono da terra excluem-se os velhos: o avô, que não quer partir, e a
avó, que ainda lhe sobrevive, mas não chega a atravessar com vida a
fronteira mítica da Califórnia, ficam pelo caminho, anonimamente
assimilados ao pó da terra.

<p n=20536>
Premiado no Festival de Veneza de 1942, «Ala Arriba» marca o regresso de
Leitão de Barros aos primeiros amores: um cinema de estilo documental,
percorrido por um ténue fio de intriga como era o caso de «Lisboa,
Crónica Anedótica de Uma Capital» e «Maria do Mar», ou o documentário
puro, «Nazaré, Praia de Pescadores». Em «Ala Arriba» regressa aos lugares
destes dois últimos filmes, os mais citados do género, com «Douro, Faina
Fluvial», de Manoel de Oliveira. Mas face aos trabalhos anteriores, «Ala
Arriba» apresenta algumas fragilidades e uma intriga romanesca pouco
hábil, retomando situações de «Maria do Mar». Como nos outros filmes, a
força de «Ala Arriba» está no lado documental, no sentido dramático da
imagem e na montagem, inspirada no documentarismo alemão e soviético dos
anos 20. Perdeu-se uma certa beleza plástica, como a da exposição dos
corpos que faz de «Maria do Mar» um dos melhores filmes portugueses. Eram
já as marcas de um pesado academismo transmitido pelas encenações
«históricas» («Bocage») e regionalistas («As Pupilas do Sr. Reitor»).
M.C.F.

<p n=20537>
Baseado no romance autobiográfico de Patrick Dennis, onde ele contou as
experiências loucas da sua infância dominada por uma tia excêntrica, o
filme de Morton de Costa tem um defeito intransponível: a sua
teatralidade. Não só a narrativa está organizada em «cenas» e «actos» com
«cortina» no final de cada, mas até os actores gritam os diálogos como se
precisassem de se fazer ouvir na última fila do «galinheiro». Claro que
isto, num filme, é a morte do mesmo em termos de cinema, e subtrai
bastante à comicidade inerente ao argumento. E o problema adicional nesta
cópia vídeo é que o formato original não foi respeitado, a não ser no
genérico e nos primeiros planos do filme. Mas basta de lamentações: é um
filme com Rosalind Russell, não é? Não é preciso mais para irmos todos a
correr comprá-lo, pois a grande, grande actriz está simplesmente
fabulosa, justificando, portanto, em cheio, a saída de «Auntie Mame» na
venda directa. Para além da questão do formato, a cópia é excelente. F.L.

<p n=20538>
Paralelas à tradição interpretativa da chamada música clássica, em que
cada intervenção criativa se confronta com o universo de alternativas de
outros leitores das mesmas partituras, persistem as iniciativas de
transgresão -- não menos criativas, potencialmente -- à literalidade da
música escrita e/ou aos espaços consagrados para a sua restituição
sonora.

<p n=20539>
A transferência dos espirituais negros -- expressão eminentemente popular
da identidade da população afro-americana -- para as salas de concerto tem
tradições que remontam ao princípio do século, por ela pugnaram uma
Marian Anderson, um Paul Robeson, constituindo um corpo de reportório
corrente nos recitais e discos dos mais célebres cantores negros de
nomeada nos campos da ópera, do «lied», ... (Leontyne Price, Barbara
Hendricks, Jessye Norman, Kathleen Battle, ...).

<p n=20540>
Peter Weir foi o cabeça-de-série da vaga de realizadores australianos e
neozelandeses que nos anos 80 foram trabalhar nos Estados Unidos, este
sendo o quinto filme consecutivo que aí faz. A migração radicou-se numa
anterior submissão estético-narrativa a padrões americanos, mas há que
reconhecer que, de todos, Weir é o único que mantém uma reconhecível
problemática, fundada na experiência australiana de confronto com uma
terra e uma cultura desconhecidas (bem patente em «A Última Vaga») e numa
decepção perante a possibilidade de a natureza ser retomada como utopia
primordial de vivência («Piquenique em Hanging Rock»).

<p n=20541>
Temos um francês que quer um «green card», ou seja, uma carta de
residência e trabalho, e uma americana que quer uma casa com uma
exuberante «green house», uma estufa, interesses que os fazem negociar um
casamento. Primeira facilidade demagógica de argumento: vá lá perceber-se
por que é que uma estufa precisa da gestão de um casal! Segunda
facilidade: ah!, como é bom apelar a sentimentos «green» (traço de união
cromática, como se vê).

<p n=20542>
Um nome: Paul Bowles. Como se reconhece o nome numa obra? Para o
melómano, é necessário um particular conhecimento para saber que se trata
de um compositor americano. Para o leitor, a tarefa está facilitada, pois
que o dito compositor passou a uma outra escrita, mais difundida, sendo
nomeadamente o autor de «O Céu que Nos Protege».

<p n=20543>
Há uns meses, em balanço de ano transcorrido, José Manuel Castello Lopes,
presidente da Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas (APEC),
fez à RTP/2 declarações que configuravam um estado de catástrofe. O
diagnóstico geral, quem o negará? Ao contrário de outras economias, o
sector das indústrias culturais não está florescente em Portugal. Mas não
será também por falta de dinamismo empresarial?

<p n=20544>
O autor da «Morte de um Caixeiro Viajante», já no fim da vida, achou que,
ao seu teatro «normal», devia acrescentar alguns exercícios de estilo
pelos quais mostrasse a si próprio e ao mundo o que poderia ser o seu
teatro «ideal». Resultado: duas peças curtas, duas curiosidades que nos
colocam algumas interrogações saudáveis e que, periodicamente, nos pedem
respostas. Por exemplo: onde acaba a literatura e começa a literatura
dramática? serão estas peças exercícios-pesquisas sobre as estruturas do
teatro ou sobre as estruturas da pura e simples narração? trata-se de
dramas ou para-dramas ou fragmentos de dramas? têm personagens ou
fragmentos de personagens que compete ao espectador construir?  E por
fim: há ou não nestas personagens femininas e fragmentárias, distantes e
inacabadas, um pouco da mulher de Miller, a famosa Marilyn Monroe?

<p n=20545>
Andy Engel é uma figura muito conhecida nos meios cinematográficos
europeus. Alemão radicado em Londres, ex-crítico, tem sobretudo exercido
a actividade de distribuidor, mais recentemente intervindo também na
produção, como em «Zoo», de Peter Greenaway, e «Tempos Difíceis», de João
Botelho. Foi com alguma surpresa que se olhou há dois anos a sua estreia
como realizador. Contudo, e para além da sua continuada convivência
directa com o cinema, a própria trajectória pessoal de Engel, ou antes, a
trajectória histórica da sua geração, constituem a base do filme.

<p n=20546>
O diário de Laura Palmer não é, como já todos sabem, o guião de «Twin
Peaks». Para os fanáticos, serve de "livro que acaba onde começa a
série", é por isso que é importante. E não se consegue ter paciência para
«Twin Peaks» sem fanatismo. Nem para o diário da morta, de resto.

<p n=20547>
A boa vontade é indispensável, no jogo de usar os códigos do
embrutecimento com uma série de televisão: uma lealdade de  quando se
quer ser bom público, é como ter um impulso para comprar um "Alf" de
peluche. Além disso porque, se foi Jennifer Lynch quem escreveu este
diário (na edição original aparece "The Secret Diary of Laura Palmer -- a
Twin Peaks Book -- as seen by Jennifer Lynch"), é assinalável a herança da
perversidade do pai. Aliás, quer também realizar um filme do qual
escreveu o argumento: é a história de uma rapariga a quem o namorado
corta os braços e as pernas, e mete-a dentro de uma caixa (chama-se
"Boxing Helena"). E há uma recompensa para a boa vontade: é sempre um
alívio num livro ver morrer uma personagem que não tem outra saída. "Ema
ergueu-se como um cadáver galvanizado, os cabelos soltos, as pupilas
fixas, desvairadas" ("Madame Bovary"). A imagem de Laura Palmer metida no
seu casaco de plástico transparente, quando a descobrimos perto do rio.

<p n=20548>
Humor à francesa, religiosidade à italiana, música à napolitana e retorno
às origens lusitanas: de tudo isso é feita a última semana de Festival,
que expira na próxima sexta-feira.

<p n=20549>
A 9 de Maio, em Lisboa, o Bando inaugura um novo espaço -- o Teatro O
Bando -- na Estrela, com o seu primeiro espectáculo de 1991: Chama-se
«Viviriato», é uma colagem de textos sobre o Caudilho dos Montes
Hermínios e, com ele, o Bando retomará as encenações da história de
Portugal (aqui é mais Pré-História), naquele ritmo desmistificador e
grotesco com que leu já a história de Afonso Henriques e de Pedro
Justiceiro (no espectáculo «Carcaças»). E com a segunda representação
deste espectáculo, na próxima sexta-feira acaba-se o Fit-91. Exit.
Rideau. Plaudite, cives. Pró ano há mais. Haverá?

<p n=20550>
De novo o tema da emigração italiana. Desta vez, porém, o porto de abrigo
é a Inglaterra. Se «O Trunfo é Copas» se limita na maior parte das vezes
a repetir os clichés das histórias de emigrantes que mantêm a sua
identidade cultural em zonas delimitadas e reproduzem os seus costumes na
terra de adopção, se encena, de forma menos conseguida que os seus
modelos americanos (veja-se «Avalon», por exemplo), o conflito entre
modernidade e tradição, possui ao mesmo tempo um certo fascínio que lhe
vem da forma como mistura a realidade e a fantasia. O ponto de partida é,
também, já por de mais batido: o olhar da criança sobre a transformação
que a família vai sofrendo ao longo dos anos. Mas desta vez depara-se-nos
um fenómeno curioso: existe como que uma disparidade entre o tempo que se
presume passar para abarcar tantos episódios e aquele que nos é mostrado,
como se a memória da criança concentrasse num único ponto todas as
recordações. O plano final, da casa perdida entre as ruas e em local já
ignorado, lança para um tempo remoto o que a narrativa apresenta de forma
contemporânea (as referências ao papa polaco). É esta amálgama de
fantasia que dá ao filme um encanto peculiar, porque, no fim de contas,
está mais próxima da forma como a memória funciona na criança do que
outros filmes semelhantes. Essa fantasia transparece também na
transformação que faz das recordações dos outros, como é o caso da
sequência inicial (a fuga dos pais da aldeia natal), que adquire um
insólito carácter de melodrama tal como a literatura popular transmitiu.
Alguns momentos espúrios (a visão da morte do avô) não retiram o
interesse ao filme. M.C.F.

<p n=20551>
Apesar de um conjunto indiscutivelmente interessante (bom argumento, bela
fotografia, excelentes actores), há qualquer coisa que falta a «Avalon».
E esse «qualquer coisa» relaciona-se directamente com o conceito que o
título do filme exprime e a incapacidade evidente da parte de Levinson de
lhe dar alguma consistência cinemática no contexto do filme. Avalon
simboliza, supostamente, um tempo mítico idealizado, em que a família era
a família e não havia televisão (isto para além de ser o local concreto
em que a família retratada no filme morou quando veio pela primeira vez
para a América). Mas o modo como Levinson decidiu filmar esta história
singularmente corriqueira retira qualquer espécie de força ao filme:
filtros, câmara lenta, paisagens festivas oníricas, substituição dos
gritos da multidão por música açucarada... Nada disto ajuda o espectador
a aderir aos problemas da família Krechinsky, muito menos compadecer-se
com a sua derrocada. Fica a intensa fotogenia de Aidan Quinn e pouco mais
para, no futuro, nos lembrarmos do filme. F.L.

<p n=20552>
Integrada nas comemorações do Dia Mundial da Dança, a presente mostra
reporta-se a fotografias realizadas paralelamente à feitura de um
documentário (1966), também da autoria de J.G., enquanto estudante de
cinema em Londres, para a Fundação Calouste de Gulbenkian sobre aquela
instituição de ensino inglesa. Documentário, este, também em reposição na
mesma sala do CAM. Director da revista «Ovo», de Montréal, entre 1975 e
87, exposição na F. C. G. em 89 («Encontros com Narciso»), para além de
uma actividade cinematográfica, J. G. apresenta um conjunto de imagens em
grande formato sobre um terreno fértil em poses, gestos estilizados,
jogos de simetria, oposições (movimento/quietude, aluno/professor,
branco/preto...) -- o Ballet. São corpos apreendidos num preto e branco
que os torna ainda mais abstractos; através de uma cuidada exploração da
gama de cinzentos, da profundidade de campo, da iluminação, dos
enquadramentos. No que isto tem de mais estimulante, mas, também, de
datado.

<p n=20553>
«Falta-nos definir a nossa própria identidade externa, e abandonar a
política europeia estritamente defensiva que tem sido a nossa.» Se
queremos ter outras ambições, como a de «liderar os países de língua
portuguesa»...

<p n=20554>
Depois do decepcionante academismo de «Ligações Perigosas», Stephen
Frears opera um regresso de grande risco, recriando o filme negro no
quadro da produção americana, longe, portanto, do pequeno imaginário da
Inglaterra thatcheriana, em que decorrera o melhor da sua obra. Se falo
em «recriação», é porque me parece que «Anatomia do Golpe» rejeita
liminarmente o «pastiche» (de forma ainda mais clara do que «História de
Gangsters»), para assumir um discurso próprio e original sobre um género
e uma tradição, não apenas cinematográficos, mas também com
«contaminações» televisivas. Assim, embora «Corrupção» de Fritz Lang e
«Pagos a Dobrar» de Billy Wilder (sobretudo na definição da personagem da
Anjelica Huston, que tem aqui a melhor interpretação da sua carreira)
constituam matrizes referenciais de primeira importância, são muitos os
diálogos com outros representantes menores do «film noir». M.J.T.

<p n=20555>
Se existe uma coincidência de pontos de vista na vontade de abrir
mercados, de abolir os entraves à actividade comercial e de aproveitar a
CEE como instrumento para o seu desenvolvimento, os dois países têm
posturas diferentes: «Enquanto a Holanda conhece em profundidade todos os
mecanismos comunitários e a forma de os colocar ao seu serviço, Portugal
ainda está no processo de aprendizagem», considera um diplomata europeu.

<p n=20556>
A história da imigração em França conheceu diversas fases bem definidas.
Em geral, o modelo francês de integração dos imigrados é original na
Europa, pois a França é, há mais de um século, um país de imigração, e
não de emigração. A Inglaterra, a Espanha ou a Itália, para citar países
com um peso populacional aproximado, de cerca de 50 milhões de
habitantes, tiveram vagas de emigração para a Austrália, as Américas,
etc. Os franceses, pelo contrário, emigraram muito pouco, enquanto o país
foi objecto de vagas sucessivas de imigração vindas da Europa Central, da
Europa do Sul e do Norte de África.

<p n=20557>
O mesmo fenómeno está a ocorrer, em grande parte, com os portugueses em
França, verificando-se uma acentuada redução da identidade do grupo,
sobretudo nas crianças. Por exemplo, em Paris, nos bairros ricos, as
porteiras são quase todas portuguesas. Os filhos frequentam as escolas
desses bairros e, às vezes, os melhores liceus de Paris; aqui, por
exemplo [14º «arrondissement», Montparnasse], frequentam o Liceu Henrique
IV, o Louis, le Grand. São aspirados numa espiral de excelência, se
tiverem bons resultados escolares.

<p n=20558>
Portugal, a um ano da integração no Mercado Único Europeu e a oito da
perda da última colónia, Macau, atravessa hoje um dos momentos mais
perturbadores da sua história -- fascinante para os que lhe vaticinam
novas grandezas, como Agostinho da Silva, inquietante para os que lhe
temem graves dissoluções, como Franco Nogueira.

<p n=20559>
Entre Velhos do Restelo e Vascos da Gama, entre partidas e retornos,
imobilismos e golpes de asa, descrenças e utopias, habituámo-nos cedo a
conciliar contrários, a não ser de exclusões, mas de acrescentamentos; no
grandioso e no iníquo, nos Descobrimentos e na escravatura, na abolição
da pena de morte e na chachina dos Távoras, na Ilha dos Amores e na ilha
do Tarrafal, no culto dos mortos e no desprezo dos vivos; assassinámos
Inês, queimámos o Judeu, abandonámos D. Fernando, maceramos Otelo.

<p n=20560>
Este artista integra o seu trabalho na vasta produção da arte
construtivista brasileira (e até latino-americana). Podiamos pensar que
esta vocação abstracta contraria de modo evidente o clima cultural da
sociedade em que se insere (excessiva e tropical). Se a vocação de
depuração pode ser certa (e decisiva) na raíz europeia destas correntes o
que acontece nas suas versões sul-americanas é  a subtil integração de
valores conotáveis com o que lhes poderia ser oposto. As recentes
estruturas escultóricas mostradas (que têm a sua origem em trabalhos dos
anos 60 e numa forte componente de arte pública) tendem afinal para uma
complexificação dos seus elementos, jogos de cromatismos e de perspectiva
que nos remetem, no mesmo âmbito, para o jogo abstracto do barroco
(também brasileiro) e em termos globais para o jogo orgânico da natureza
tropical. Não muito mais do que tudo isto.

<p n=20561>
Quando podiamos esperar ver a sequência decorativa dos seus
cavaleiros/guerreiros uccellianos somos confrontados com o retomar da
escala monumental, com a eficácia de uma montagem forte e depurada (que
ironiza sobre a disposição do tabuleiro de xadrez) e com momentos de
humor visual que, se por vezes caem no jogo da ilustração, recuperam
também um modo de implantação puramente plástico. De onde vêm estas
figuras? Da prática de mais de 30 anos de trabalho, naturalmente. Mas a
crítica, ao falar destas obras, tem hesitado sempre em referir
explicitamente o nome do seu mais famoso discípulo, Croft. E ele é, de
facto, a mais evidente referência nesta renovação do mestre. Não que
Cutileiro olhe a actual obra em bronze de Croft; ele retoma sim o início
desse trabalho, notoriamente as suas figurações desarticuladas (como os
manequins expostos na Loja Branca, por exemplo) ou as construções a
partir de desperdícios afeiçoados (de máquinas de guerra da exposição na
Metrópole, 1984) de onde Croft partiu para as suas construções
«arquitectónicas» e fragmentárias. É precisamente a partir dessas
referências (algumas literalmente ciatdas) que Cutileiro constrói esta
sua surpreendente corte de monarcas e guerreiros. Aprender, aprender
sempre. J.P.

<p n=20562>
Escrevem-lhe do Médio Oriente, em Varsóvia os motoristas de táxi
reconhecem o seu rosto, a CNN tornou-a uma das primeiras vedetas da
televisão global. Ex-mulher de um luso-americano, Bobbie Battista chega a
Portugal dentro de uma semana e meia, para entregar o maior prémio de
jornalismo do país e proferir conferências nos clubes de jornalistas de
Lisboa e Porto. Apesar de ganhar vinte vezes menos que os principais
«anchormen» da ABC, CBS, e NBC, não pensa abandonar para já a estação que
120 milhões de pessoas vêem em todos os continentes. «Tenho a história
ali a fazer-se diante dos meus olhos», diz, em entrevista exclusiva ao
PÚBLICO, a propósito das cinco horas que todos os dias passa diante das
câmaras da CNN.

<p n=20563>
R. -- É uma peça passada nos dias de hoje, com quatro personagens, dois
casais da mesma geração, representados pelos mesmos actores que em dois
quartos de cama, instalados num palco giratório, repetem as mesmas cenas
com resultados muito diferentes. Em função da inocência ou da não
inocência -- e cá está o problema da inocência outra vez... -- dos
personagens. Tenho muita vontade de a escrever, é pelo menos aquilo que
eu penso fazer com mais estímulo e mais interesse...

<p n=20564>
que, depois de ter saído do PS e embora sem me ter filiado em nada nem
ter aceite nenhum dos inúmeros convites do dr. Sá Carneiro para entrar no
PSD, eu estive mais perto de Sá Carneiro do que do dr. Mário Soares.

<p n=20565>
R. -- Na minha vida particular, não. Na outra, sim, porque fiz tudo de boa
fé. E de cada vez como se fosse a primeira e com a inocência da primeira
vez... Por isso, digo que me seria difícil a mim, que acredito tanto
nisso -- e tantas compensações tive por isso --, mudar seja o que for.

<p n=20566>
A cooperação de Portugal com os PALOP está cada vez mais indefinida. Não
se sabe se os projectos existentes prosseguirão e, em caso afirmativo,
quem os vai tutelar. Portugal em bicos de pés? Em África, no campo
cultural, Portugal arrisca-se a perder o pé.

<p n=20567>
Nem sempre, porém, as coisas se têm passado como os idealistas dos dois
lados do Atlântico desejariam. É verdade que Portugal não é a França, uma
antiga potência colonial cuja riqueza lhe permite disponibilizar verbas
para o ensino e a cultura em África com alguma facilidade. Mas também é
verdade que se adensam no horizonte nuvens que a meteorologia política
não previa. Este ano, encontram-se em perigo a realização das feiras do
livro em Cabo Verde, Guiné e Angola. Na Secretaria de Estado da Cultura
(SEC) não são fornecidas datas para a sua realização. O máximo que se diz
é que a política do Governo português para o sector está a ser repensada.
Entretanto, à feira do livro de Maputo -- realizada entre 8 e 11 de Março
passado -- não se deslocou o presidente do Instituto Português do Livro e
da Leitura (IPLL). Porquê? Ninguém explica.

<p n=20568>
Miguel Ângelo foi um artista de génio. Pintor, escultor, arquitecto e
poeta, deixou uma obra espantosa, tanto em qualidade como em quantidade.
O seu nome ficou profundamente ligado ao Vaticano.

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Apercebendo-se de que o filho demonstrava grande habilidade para o
desenho, mandou-o estudar pintura no «atelier» de Ghirlandaio, que era um
pintor conhecido. Miguel tinha então 13 anos e um feitio difícil,
rebelde. Detestava trabalhar no meio de outras pessoas, recusava-se a
receber ordens, dizia ser uma perda de tempo aprender pintura!

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Mudando apenas uma letra de cada vez, sempre formando palavras com
sentido, passa-se de Saúde a Caixa em seis tempos.

<p n=20571>
LAST POETS. O conceito de explosão poética acompanhada de improvisação
jazzística, caro às recentes correntes de acid jazz e hip bop, remete
para os Last Poets como seus pioneiros-modelo. Reza a lenda que se
estrearam como um trio nas ruas e nos telhados de Harlem, em 1968, num
retorno às origens da arte vocal que se encontram no swing e no drive,
acompanhados de percussão e saxofones. O seu primeiro álbum, homónimo,
saiu em 1970, definindo um estilo assente em mensagens belicistas,
emitidas em crescendos de inflamação e raiva sob metralhas de congas
selvagens. Procedendo à aproximação entre as teses dos Black Panthers e o
fundamentalismo islâmico, os Last Poets podem, no mínimo, ser censurados
de ingenuidade e, no máximo, de dogmatismo, machismo e racismo. Mas o
reaccionarismo dos sentimentos é negligenciável perante as aquisições
revolucionárias em voz, rima e ritmo.

<p n=20572>
A participação portuguesa na evacuação de cidadãos egípcios durante o
conflito no Golfo foi ontem elogiada pelo ministro do Turismo do Egipto,
Fuad Sultan, que foi recebido em audiência por Cavaco Silva. Além de
agradecer a acção humanitária desenvolvida por Portugal, Sultan, que
esteve em S. Bento acompanhado pelo embaixador do Egipto em Lisboa, Samir
Seif El Yval, discutiu com o primeiro-ministro o incremento do fluxo
turístico entre Portugal e o Egipto.

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Portugal pagou antecipadamente, nos primeiros quatro meses do ano em
curso, 134 milhões de contos para amortização da dívida da sua dívida
externa, referiu à Lusa uma fonte oficial. A dívida externa portuguesa
ascendia a 18,528 mil milhões de dólares (2.604,9 milhões de contos) em
Julho passado, referiu a mesma fonte. Relativamente ao produto interno
bruto, o peso da dívida externa nacional tem vindo a descrescer desde
1985, ano em que representava 74,6 por cento, passando para 42,3 por
cento em 1988 e 37,5 por cento em 1989.

<p n=20574>
A Presidência do Conselho de Ministros deverá ter pronta ainda esta
semana a resposta à carta que o Provedor de Justiça enviou ao ministro da
Educação, Roberto Carneiro, pedindo esclarecimentos sobre o atraso no
pagamento dos aumentos salariais dos professores. Embora essa resposta
não seja ainda conhecida, o secretário de Estado-Adjunto do ministro da
Educação, Alarcão Troni, adiantou ontem no final de um encontro com a
Federação Nacional de Professores (Fenprof) que os pareceres jurídicos do
Ministério da Educação ilibam o Estado do pagamento de juros de mora aos
professores. Recorde-se que o Provedor de Justiça tinha afirmado na carta
a Roberto Carneiro não encontrar qualquer razão de ordem jurídica que
pudesse justificar o não pagamento de juros reportado a Janeiro, mês em
que os professores deveriam ter recebido todos os aumentos. Alarcão Troni
disse também que iam ser feitos todos os esforços para que os montantes
em atraso fossem pagos antes de Julho, data-limite prevista. No final do
encontro, o secretário-geral da Fenprof mostrou-se satisfeito com os
resultados alcançados, que incluem a revogação de duas circulares
consideradas lesivas para o cálculo do tempo de serviço dos docentes.

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Com a participação de 800 editores de 38 países, entre eles Portugal, e
um total de 100 mil livros expostos, foi inaugurada no domingo a 15ª
Feira do Livro de Jerusalém, em Israel. Poetas portugueses, espanhóis e
da América Latina participaram ontem num serão literário organizado pelo
Instituto Cultural Israelo-Iberoamerica, Portugal e Espanha. Foram lidos
poemas do espanhol Villatoro Lanolla e da portuguesa Teolinda Gersão. O
certame, organizado de dois em dois anos, encerra no dia 4 de Maio. O
presidente de Israel, Haïm Herzog, deu as boas vindas aos numerosos
participantes e referiu que devido à guerra do Golfo Pérsico se receou
que este edição da Feira fosse um fracasso. Amanhã o Presidente entregará
o «Prémio Jerusalém» ao poeta polaco Zbigniew Herbert. Simone de
Beauvoir, Milan Kundera e Jorge Luis Borges foram contemplados em anos
anteriores.

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«Texasville», o último filme de Peter Bogdanovich, adaptado da obra de
Larry McMurtry, é um dos filmes incluídos no ciclo Cinema e Literatura,
da VII edição do Festival Internacional de Cinema de Tróia, a decorrer
entre 28 de Maio e 6 de Junho. O ciclo inclui ainda «Lady Windrmere's
Fan», de Ernst Lubitsh, baseado na obra de Oscar Wilde; «Carta a uma
Desconhecida», de Max Ophuls, na obra de Stephan Zweig; «Adeus às Armas»,
de Frank Borzage, a partir do romance de Hemingway; «O Fugitivo», de John
Ford, sobre «O Poder e a Glória», de Grahm Greene; «Street of no Return»,
uma adaptação da obra de David Goodis, que Samuel Fuller veio rodar a
Lisboa; «The Red Badge of Courage», de John Huston, do livro de Stephan
Crane; «The Killers», de Hemingway, realizado por Don Siegel,
recentemente falecido; «Slaughterhouse Five», de George Roy Hill, a
partir da obra de Kurt Vonnegut; e «A Queda de um Corpo», o último filme
de Humphrey Bogart, realizado por Mark Robson, com argumento original de
Budd Schulberg. O ciclo Cinema e Literatura é uma iniciativa da
organização Festival com a revista «Ler».

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MARÍTIMO-FC PORTO NO DOMINGO NA TV (21h00) - O encontro Marítimo-FC
Porto, da 35ª jornada do Campeonato Nacional de Futebol, vai realizar-se
no domingo, e será transmitido pela RTP, no canal 2, às 21 horas. Os
portistas, que amanhã (às 16h00) defrontam o Feirense, numa das
meias-finais da Taça de Portugal, partem para a Madeira na sexta-feira à
tarde e têm o regresso marcado para segunda-feira.

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ROCARD USA PODERES ESPECIAIS -- O primeiro-ministro francês, Michel
Rocard, utilizou ontem à noite poderes especiais para fazer passar no
parlamento um projecto de reforma hospitalar. Rocard recorreu, pela
vigésima terceira vez, a um artigo da Constituição que permite a passagem
de legislação sem recurso a voto, acusando a oposição de obstrução por
motivos políticos não relacionados com as medidas em questão. Uma
resposta possível da oposição é apresentar mais uma moção de desconfiança
ao Executivo, o que será decidido ainda hoje.

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O debate sobre o acordo ortográfico, previsto para a próxima
quinta-feira, na Assembleia da República, foi ontem formalmente adiado
pelo Presidente da AR, devendo hoje a conferência de líderes aventar uma
nova data para a discussão. Esta decisão tem como antecedente o facto de,
na sessão solene do 25 de Abril, a deputada socialista Edite Estrela ter
pedido pessoalmente a Cavaco Silva o adiamento da discussão, já recusado
por duas vezes em conferência de líderes parlamentares, a que o
primeiro-ministro respondeu positivamente.

<p n=20580>
"Ridícula, arrogante e perfeitamente injustificada" foi a classificação
que Luis Marques Mendes- falando na condição de vice-presidente da
Comissão Politica Distrital de Braga do PSD- atribuiu à iniciativa do PS,
que pediu na última Assembleia Municipal de Braga a demissão do
governador civil do distrito, Fernando Alberto Ribeiro da Silva, na
sequência de afirmações suas a uma rádio local em que afirmou ser "uma
pessoa muito céptica em relação à regionalização". Para o PS as
declarações do governador civil "desqualificam-no como homem de Estado",
pela sua falta de consonância com a lei fundamental do país. Para a CPD
do PSD, Fernado Alberto Ribeiro da Silva, durante a sua entrevista, "teve
mesmo a coragem e a clarividência de tocar em três aspectos essenciais: a
regionalização não pode nem deve ser um processo desinserido da vontade
das populações; o processo da regionalização deve ser conduzido de forma
muito ponderada e prudente e ele nunca pode ter por objectivo criar mais
lugares políticos e novas classes politicas". A contestação que a isto
fez o PS "é ridícula, artificial e injustificada".

<p n=20581>
Desde 1817 que a história da cólera é marcada por devastações epidémicas
periódicas sobre enormes regiões, particularmente na Índia e no
Bangladesh. A cólera é causada pela bactéria «Vibrio cholerae» -- mais
conhecida pelo nome de «vibrião colérico» ou «virgulão», devido à sua
forma -- e pela toxina que esta produz, sendo a doença acompanhada por uma
severa diarreia. Nos casos mais extremos, é possível um doente perder um
volume de líquidos equivalente ao total do peso do corpo em apenas um dia
ou dois.

<p n=20582>
Tendo já afectado 170 mil pessoas e causado cerca de 1300 mortes, a
epidemia de cólera está a causar uma verdadeira síndrome de pânico na
população e nas autoridades latino-americanas. O Brasil, onde já se
registaram cinco casos, será o grande teste das previsões mais
apocalípticas, que antevêem mortes em massa entre os habitantes da
Amazónia, especialmente os índios.

<p n=20583>
Mas o que mais está a assustar os governos é a rapidez com que a cólera
atingiu regiões consideradas seguras como a Argentina (um caso) e os
Estados Unidos (dois casos). Como a doença se propaga pela água
contaminada com fezes de doentes, a região amazónica está sendo
considerada como o teste definitivo para saber se a epidemia terá ou não
as características apocalípticas, previstas pela OMS. O rio Solimões, que
nasce no Peru e depois se transforma no rio Amazonas, no Brasil, está
hoje sob severa vigilância sanitária, pois, caso as suas águas venham a
ser contaminadas, a doença chegará facilmente a Manaus, capital do Estado
do Amazonas.

<p n=20584>
A chamada «doença dos pobres» não poderia ter escolhido solo mais fértil
para se propagar. Surgida na década de 60 na Indonésia, a bactéria
responsável pela actual epidemia de cólera encontrou condições sanitárias
miseráveis na América do Sul, onde nada menos do que 63 milhões de
pessoas vivem sem saneamento básico.

<p n=20585>
A actual epidemia surgiu a Norte de Lima, apenas um ano depois do
encerramento da Década da Água Potável, promovida pelas Nações Unidas e
destinada a universalizar o abastecimento por canalização até 1990.
Esperava-se extirpar a cólera e outras bactérias mortíferas dos bairros
de lata do Terceiro Mundo. Todavia, pelo menos 63 milhões de
sul-americanos ainda não têm actualmente outra alternativa senão defecar
nas ruas ou em ribeiros, em que também se abastecem de água para beber.

<p n=20586>
O elenco do novo Executivo de Macau, que Rocha Vieira vai apresentar a
Mário Soares, revela mudanças substanciais em relação à equipa de Carlos
Melancia. Ao contrário do seu antecessor, Rocha Vieira aposta nos quadros
do território, convidou especialistas e não quer muitos «assessores de
Lisboa» nem «políticos profissionais». Outra mudança diz respeito ao
tamanho da equipa governativa: o número de secretários-adjuntos passa de
sete para seis.

<p n=20587>
A Comissão Europeia reafirmou, ontem, no Luxemburgo, a apresentação do
programa de 72 milhões de contos para o têxtil. O ministro Mira Amaral
classificou aquela proposta como um «apoio intercalar», que será bem
vindo, mas relembrou que as necessidades do indústria têxtil portuguesa
ascendem a 750 milhões de contos. Ainda segundo Mira Amaral, a Comissão
tem assumido uma posição e que se enquadra nas pretensões portuguesas.
P. 36

<p n=20588>
A inflação subjacente, a medida mais correcta para avaliar a tendência
interna dos preços, passou de 12,2 por cento em Fevereiro para 13,1 por
cento em Março. Este dado foi ontem revelado pelo Banco de Portugal, na
sua síntese de conjuntura de Abril, e vem contrariar o optimismo
resultante da leitura dos dados anteriormente divulgados pelo Instituto
Nacional de Estatística referentes à diminuição da taxa de inflação
homóloga.  P. 37

<p n=20589>
A cidade de Genebra, na Suíça, foi ontem palco de um discreto encontro
entre o secretário de Estado da Cooperação, Durão Barroso, e o líder da
Renamo, Afonso Dlakhama. Tão sigilosa foi esta reunião que o Gabinete
daquele membro do Governo se recusou sequer a confirmar que ele se tinha
ausentado do país. A proposta para um encontro «fora de Portugal» foi
endereçada na semana passada ao Governo português pelo próprio Dlakhama.
O objectivo principal é a sensibilização das autoridades de Lisboa para a
concessão de um visto que permita ao líder rebelde visitar o nosso país.
Se possível já em Maio.

<p n=20590>
A poluente «fábrica da tripa» (ou dos «ossos»), denominação por que é
conhecida a empresa Manuel dos Santos Moura, Ldª, instalada em Campanhã,
deverá ser transferida para um concelho da periferia do Porto. Esta saída
foi encontrada, ontem, numa reunião na Câmara do Porto que juntou
Fernando Gomes e a administração da firma.

