| ciclo | 1º Ciclo |
| id | Graziela-7 |
| pof | entrevista_Graziela |
Não temos quem nos proteja, e isto é uma coisa boa para ficar aí registada. Uma semana…aparece-me lá…ai, como é que se chama? A Proteção de menores, com a psicóloga. Alguém da Proteção…alguma assistente social, porque a C….veio falar comigo porque a C. estava retida no Hospital de Gaia porque acho que a mãe lhe tinha atirado com a faca. E então…que a miúda tinha só um arranhãozinho. Eu realmente vi o arranhãozinho, mas uma coisa tão insignificante que não lhe liguei nenhuma. E de vez em quando até lhe levantava a roupa, assim na brincadeira, para ver se ela não estava pisada, e nunca a vi pisada. O que é que eu disse à assistente social e à psicóloga? Fui buscar o caderninho dela, mostrei-lhe o caderninho e disse: “Olhe, não tenho nada a apontar à mãe, a miúda traz os trabalhos feitos, a mãe não faz mais porque não sabe, porque não pode, porque não lhe ensinaram, a miúda vem para a escola, a mãe vem buscá-la, eu falo muito bem com a mãe, lido muito bem com a mãe, não tenho problemas nenhuns. Está a ver aqui o caderninho da miúda? Vem sempre muito limpinha, com as possibilidades da mãe, mas vem sempre muito limpinha para a escola. Não tenho problemas nenhuns com aquela mãe”. E depois…a mãe…pronto, soltaram a miúda, que é mesmo o termo. Mas acho que a mãe ainda deu porrada nos polícias nos hospitais, lá no Hospital. Depois, um dia mais tarde, as miúdas tinham que atravessar a rua, para ir para a cantina, que era em baixo. E houve uma mãe que me disse que a M. deu uma bofetada na filha. E vai fazer um escândalo à escola, mas não era contra mim, era contra a M.. E disse-me que ia à polícia, e eu disse-lhe: “A senhora vá. Pronto. A senhora vá”. E foi. E foi. E eu depois passei para ir com a minha filha para a explicação e vi-a, lá dentro, na polícia. E foi. Entretanto, a M., um dia, falou comigo, e disse-me: “Oh professora, veja lá o que é que vai dizer!”. E eu…está a ver? A proteção que nós temos. E eu disse-lhe assim: “Eu vou dizer a verdade. Eu vou dizer a verdade, eu não estava lá, eu não vi”. Falei com a empregada, que levava os miúdos, e disse: “Oh D. R., viu alguma coisa?”, “Eu não, eu não vi nada, não vi ninguém”. “Pronto, é isso que vai dizer à polícia”. Depois o caso até foi arquivado. Sabe porque é que estas mães vão fazer queixa à polícia? Porque têm tudo grátis nos Tribunais. Porque se tivessem que pagar, não iriam lá. Percebe o que eu lhe estou a dizer? E é assim, vou-lhe dizer uma coisa que, se quiser contar conta, se não quiser, não conta, mas vou-lhe dizer…isto foi a verdade. Mas imagine que eu até via. Que até acontecia e eu via, sabe o que é que eu iria dizer? Que não vi nada. Porque eu não tinha proteção nenhuma.