| ciclo | 3º Ciclo e Secundário |
| id | Amália-2 |
| pof | entrevista_Amália |
Mas não tenho assim mágoas nenhumas em relação a ninguém. Só tenho um caso, mas é de alunos. Esse foi um bocadinho chato, porque eu tive de marcar uma falta disciplinar, porque o rapaz estava destrambelhado de todo. Foi daquelas situações em que eu digo: “Vais sair.”. E ele respondia: “Não saio.”. “Vais sair.”. “Não saio.”. Eu tenho de agir ou então perco a turma. Insisti na minha posição, mas ele era assim… eu, na altura, era magrita, agora sou mais forte, mas isto é a idade. Ele era um rapaz para aí de um metro e 70, bem constituído, pertencia à claque dos super dragões… está a ver o estilo? “Não saio, não saio.”. Eu mandei-o sair porque ele foi muito insolente. Eu disse: “Então não sais… vamos chamar uma empregada”. Os colegas disseram: “Vai lá embora, vai embora, vai embora”. Ele lá foi. Mas esse é um momento… acho que é dos piores. Mas uma pessoa também esquece, faz parte… o engraçado é que, depois disso, muitos anos depois, eu vim a ser professora da filha dele… um doce de uma menina. Um doce de uma menina que depois me disse: “O meu pai foi seu aluno!”. “Ai foi? Então como é que ele se chama?”. Eu lembrava-me logo do nome, mas não lhe disse nada, claro, não ia dizer. Mas a menina não tinha nada a ver com o pai, um doce de uma menina… ele era um péssimo aluno, não estudava nada, nada, porque o que procurava era intimidar. Mas ela não, a filha não tinha nada a ver, um doce de uma menina. Pronto, ainda bem que a filha era melhor que o pai. Se calhar, a esta hora, já não é nada assim. São momentos. Não vamos pensar que a pessoa fica sempre assim. Na altura, ele era jovem, o ambiente que frequentava era esse, ele dizia mesmo: “O que eu gosto mais no futebol não é do futebol, é atirar paralelos às camionetas dos visitantes!”. Mas, com aquela filha, acho que já não é assim.