34.6 “Eu adorava ensinar!”

ciclo 2º Ciclo
id Rosário-6
pof entrevista_Rosário
keys Professores veteranos // Sobreviver depois da aposentação

Quer dizer, eu levantava-me cedo todos os dias, arranjava-me como se fosse para as aulas, ela passava por aqui, levava-me, para eu não levar o carro, estava lá a manhã toda com ela, depois vinha para casa. Acho que não ia de tarde, só ia de manhã, só ia para as aulas. Também achava que era demais. Depois ela perguntou-me, depois desse sétimo, oitavo e nono, quando foi começar o novo ciclo, ela perguntou. Eu disse: “não, não, não quero mais, não é por nada, mas eu tenho de quebrar com isto, mais dia menos dia eu tenho que…não posso continuar assim”. Mas faz muita falta o contacto com as pessoas, o contacto com os alunos, o contacto com os colegas. Eu acho que é muito importante.

Entrevistador: O período de reforma, o corte com aquela que é a vida ativa, para pessoas que são ativas e que contactam com muita gente…

Rosário: Este que eu há bocado mostrei, o C.P., é de Biologia.

Entrevistador: Sim, sim.

Rosário: Quando saiu, esteve muitíssimo em baixo, muitíssimo em baixo. Creio que se dedicou à agricultura e acho que é o escape dele. Mas eu não tenho quintas para me dedicar, não me posso dedicar, só aos vasos que estão na varanda [risos]. Mas eu acho que aqueles que trabalham por gosto - e ele é um deles, era um deles - as pessoas que trabalham por gosto… aqueles que estão fartos daquilo e ansiosos por andar, acham que é um descanso. Aqueles que davam tudo como eu, dava tudo que podia dar e que me dedicava de corpo e alma - o caso dele também - esses aí acho que lhes custa, acho que custa muito.

Entrevistador: É um corte muito grande. Mas fico contente que a professora mantenha aí esse contacto com alunos antigos, que isso é sinal de que realmente a professora marcou aí muitas vidas, e também através das explicações que vai dando.

Rosário: Sim, um ou outro que me pede e eu dou. E estou sempre ansiosa, ansiosa que aquilo chegue. Há uma que a mãe é farmacêutica e eu até lhe disse: “Que é feito da sua I.?” Ela entrava-me ali em casa, como se fosse assim um vento sereno, uma coisa luminosa que me entrasse. Eu adorava. E depois eu lá tinha de conseguir que ela tivesse boas notas. Ainda melhor. Era um entusiasmo, para mim e para ela.