14.3 Histórias que ficam para a vida (Tragédia)

ciclo 1º Ciclo
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É assim, tenho histórias boas, mas tenho uma que vou falar já dela. Vou começar por ela porque é uma história que me ficou para a vida e é uma história que me emociona muitas vezes. Eu estive aqui no concelho de Trancoso, estive aqui numa escola bem perto. Em Golfar, mais propriamente. E essa escola tinha uma turma não de muitos alunos, eram 11 ou 12, mas também tinha os quatro anos. E tive uma criança que eu até aqui tenho uma fotografia, que é o miúdo que me acompanha a vida toda (mostra a fotografia) não sei se está a ver. É este menino. Este menino era de Golfar e era uma criança… Eu digo era porque ele já cá não está. Era uma criança muito afável, uma criança que se esforçava imenso e não foi logo no início que eu comecei a perceber que o esforço dele era mais para me agradar a mim do que propriamente ele querer ser o melhor aluno. E esta criança só fez o quarto ano comigo porque eu nessa escola só estive um ano. No final do ano trouxe-me esta fotografia e uma pulseira de prata. E eu disse “Então, oh filho, a pulseira, olha, dá às tuas manas, ou a uma ou a outra. Sabes que eu às vezes nem uso pulseiras e…dá-lha a elas que elas ficam contentes, mas a fotografia vou guardar com muito carinho”. Porque ele até tinha escrito na fotografia “Para a professora Lisboa, eu gosto muito de si e quero que nunca mais me esqueça” é a mensagem do miúdo. Bem, ele fez o quarto ano, depois foi para o ciclo e no final do quinto ano esta criança que ia de bicicleta ter com a mãe a um terreno, foi atropelada e faleceu. Portanto, foi assim uma tragédia que me marcou (silêncio, comoção). E tenho outras, histórias muito agradáveis. Às vezes passo por elas e volto a relembrar. Cartas que me escreviam, fotografias que tirávamos… São histórias que ficam para a vida.