12.1 Uma escola inacabada

ciclo 1º Ciclo
id Irene-1
pof entrevista_Irene
keys 25 de Abril // Condições da escola // Colocação // Comunidade
nvivo fatores de mudança // Obstáculos

portanto, logo que se deu o 25 de Abril, a comissão de moradores, as pessoas, não sei se aquilo era uma comissão, era o grupo de pais começou a construir uma escola para que os seus filhos pudessem estar ali. Portanto, eu fui para essa escola que estava inacabada. A escola não estava pronta, não tinha pátio, não estava ainda rebocada da parte de fora. Tinha ainda algumas paredes em tijolo, não tinha mobília nenhuma, não tinha nada. E eu quando cheguei para ver a escola, tive uma recepção de aldeia muito boa. Contactaram-me, pediram por tudo que eu aceitasse o lugar, porque eles comprometiam-se de facto a terminar a escola e a trazer as mobílias mínimas. Porque o que eu ia fazer é recusar, dizer que a escola não estava pronta, portanto não tinha condições. Eles pediram para eu não divulgar isso e pediram-me muito. E eu fiquei muito hesitante. Pensei, porque a escola de facto não tinha nada. -“Eu compreendo, eu não me importo de ficar aqui, embora esteja muito longe da minha terra, mas eu concorri a nível nacional e tenho todo o prazer em ficar na escola. Eu não tenho condições para trabalhar”, então a população comprometeu-se, fizeram-me uma grande receção quando eu disse que sim, como se aquilo fosse um acontecimento muito importante. E foi para eles o facto de terem pela primeira vez uma professora para os filhos, porque havia crianças que morreram atropeladas inclusivamente, era muito perigoso aquele caminho e portanto eu acabei por aceitar. Eles comprometeram-se, não conseguiram fazer aquilo que se tinham comprometido. Trouxeram algumas coisas da casa deles e lembro-me que os primeiros dias os meninos sentavam se numas cadeirinhas pequeninas que os pais traziam. Depois arranjaram-me um quadro tripé, daqueles quadros antigos. Depois arranjaram umas carteiras do tempo de alguns pais e avós. Foi o que conseguiram arranjar. Na altura os recursos eram poucos, não havia assim muitas mobílias nas escolas e pronto. Mas fomos de alguma forma apetrechando a escola, mas posso dizer que chegámos ao final do ano ainda sem um pátio feito e sem uma mobília que tivesse de facto condições boas para trabalharmos. Tínhamos condições mínimas. Fomo-nos ajeitando e eram quatro turmas, quatro classes, 27 alunos. Eram muitos, muitos deles pequeninos, de primeiro ano. E isso também me levou a aceitar lugar, porque eram crianças que os pais iam trabalhar e eles tinham que se deslocar dois quilómetros para lá e dois para cá, com aquela idade, tão pequeninos. Pronto. E aceitei. F