Jacques Chirac elogiou ontem na Assembleia da República o desenvolvimento de Portugal nos últimos anos, num discurso em que salientou também os esforços de reconciliação na Guiné-Bissau.
O presidente da França falou no hemiciclo de São Bento durante cerca de meia hora. No final a sala aplaudiu de pé, sendo, no entanto, visivel o esforço dos parlamentares comunistas.
«Juntos devemos acompanhar os esforços de reconciliação na Guiné-Bissau», afirmou Jacques Chirac, acrescentando depois, de improviso, o único no discurso escrito, que «os dois países devem dar as mãos para resolver o conflito no país».
Do lado de fora do Parlamento, algumas dezenas de guineenses brindaram o presidente francês com gritos de «Assassino! Assassino!». Uma bandeira tricolor francesa foi queimada.
No seu discurso perante os parlamentares, Chirac realçou o «desenvolvimento rápido e constante» de Portugal nas duas últimas décadas, com «sucessos admiraveis». Nomeou a «notavel actividade industrial e comercial, a inflação que foi jugulada, os défices controlados e a taxa de desemprego que é uma das mais baixas da União Europeia».
Portugal foi classificado por Jacques Chirac como «país irmão» e parceiro na caminhada comum europeia, salientando a entrada na moeda única europeia, o euro.
«Pela primeira vez desde a Roma antiga os Europeus têm uma moeda única», disse, sublinhando o «acontecimento considerável» que representou o aparecimento do euro.
Aproveitando o facto de no próximo ano caber aos dois países a presidência da União Europeia, Portugal no primeiro semestre e a França do segundo, Jacques Chirac apelou para que sob esse acontecimento os dois Estados façam «progredir a visão comum da Europa», dando à ideia europeia um «suplemento de alma».
Referindo-se às instituições da UE, sublinhou que estas se devem reformar antes do alargamento dos 15 a leste. A UE «deverá procurar alcançar a eficácia colegial, sem diluição da identidade», realçou o Chefe de Estado.