O apartamento de Hercule Poirot estava mobilado em estilo essencialmente moderno. Brilhava com os cromados. As poltronas, embora confortavelmente estofadas, eram de irrepreensíveis contornos. Hercule Poirot sentava-se com elegância numa dessas cadeiras. Noutra, em frente, sentava-se o Dr. Burton, beberrícando deleitadamente um copo de Chateau Mouton fíothsild. Não havia elegância nem esmero no Dr. Burton. Era gordo, enxovalhado e um capacete de cabelos brancos cobria a sua gorducha e bonacheira fisionomia. Respirava ruidosamente, tendo o hábito de cobrir-se a si próprio e a tudo o que o rodeava com a cinza do tabaco. Em vão Poirot o rodeava de cinzeiros. O Dr. Burton fez uma pergunta: Diga-me: porque se chama Hercule? Refere-se ao meu nome de baptismo? Um nome ousadamente cristão. Definitivamente pagão replicou o outro. Porquê? Era o que eu desejava saber. Fantasia do pai? Capricho da mãe? Razões de família? Lembro-me muito bem, se bem que a minha memória já não seja o que foi, que tinha um irmão chamado Aquiles, não se lembra? O pensamento de Poirot recuou, percorrendo todos os detalhes da carreira de Aquilles Poirot. Tinha tudo aquilo acontecido? Somente após um curto espaço de tempo, ele quebrou o silêncio, O Dr. Burton, ajuizadamente, deixou o assunto Aquilles Poirot. As pessoas deviam ser mais cuidadosas ao escolher o nome das crianças, penso eu. Eu sei, tenho afilhadas. Uma delas chama-se Branca, é escura como uma cigana. Outra Dreide dos Aborrecimentos, é alegre como um bobo. Assim como a jovem Paciência, que devia ter-se chamado Impaciência. E Diana, a clássica Diana. Falam na sua gordura de cachorrinho, mas não me parece que seja assim. Quiseram chamar-lhe Helena, mas pus os pés à parede. Sabendo do que os pais e a avó gostavam. Lutei para que fosse Marta, ou Dorcas, mas sem resultado. O cura, os amigos, os parentes...