O Presidente norte-americano anunciou ontem num discurso televisivo que as tropas dos Estados Unidos vão permanecer no Iraque "durante o tempo que seja necessário" para garantir a paz e a estabilidade no país. O Presidente expressou mesmo a sua disponibilidade para enviar mais efectivos para o país, caso seja necessário, e afirmou que a prisão de Abu Ghraib será demolida, "como símbolo de um novo começo para o Iraque". O Presidente aludiu ao escândalo das torturas prometendo "demolir a prisão de Abu Ghraib" e garantindo a construção de uma prisão moderna de máxima segurança, para a qual se irão transferir os reclusos. Abu Ghraib, afirmou o Presidente, "converteu-se num símbolo da conduta vergonhosa por parte de uns poucos soldados norte-americanos que depreciaram o nosso país e os nossos valores". Estão actualmente no Iraque 138 mil soldados norte-americanos, mais 20 mil do que tinha previsto o Pentágono, que teve que aumentar a cifra diante da onda de atentados registada em Abril passado no "triângulo sunita" e diante do insurgimento das milícias xiitas no sul do país. Bush confirmou que estes efectivos permanecerão ali "tanto tempo quanto seja necessário". Bush traçou no seu discurso à nação - a partir da Escola de Guerra do Exército, em Carlisle (Pensilvânia) - as linhas do plano norte-americano para a transição de poderes no Iraque. O Presidente vaticinou "dias difíceis" para o país, agora que ele se prepara para retomar as rédeas do poder e considerou que "os terroristas se tornarão mais activos e brutais", mas, acrescentou, a coligação é "forte" e "nenhum inimigo impedirá que o Iraque possa progredir". O Presidente afirmou que "o objectivo dos Estados Unidos no Iraque não é apenas derrotar um inimigo, mas dar força a um amigo, um governo livre e representativo que sirva ao seu povo...Quanto antes se alcance esta meta, o quanto antes teremos finalizado a nossa tarefa", afirmou. Durante a sua intervenção, Bush esboçou cinco pilares básicos na estratégia para o Iraque: transferência da soberania a um Governo iraquiano soberano; ajuda na instauração da segurança; continuação da reconstrução das infraestruturas iraquianas; obtenção de mais apoio internacional e, por último, organização das eleições nacionais previstas para início de 2005. Para Bush, a criação de um "Iraque livre e auto-governado privará os terroristas de uma base de operações, desacreditará a sua ideologia e dará impulso aos reformadores na região", o que significará um "golpe decisivo no terrorismo e uma vitória para a segurança da América e do mundo civilizado". "Os Estados Unidos vão conseguir derrotar o inimigo", prometeu Bush, que aludiu aos esforços do enviado especial da ONU, o argelino Lajdar Brahimi, para formar um governo de transição iraquiano que tome o país a seu cargo a partir de 30 de Junho, quando está prevista a devolução da soberania. O novo governo terá um Presidente, dois vice-presidentes e um primeiro-ministro que encabeçará um Executivo de 26 pastas. Para além disso, o governo estará assistido por um Conselho Nacional que represente a diversidade do país. Segundo explicou Bush, Brahimi irá propor esta mesma semana os nomes das pessoas que o irão compôr.