O ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, admitiu hoje que está a estudar "todas as hipóteses" para substituir os funcionários do Serviço Estrangeiros e Fronteiras (SEF) caso estes façam greve durante o Europeu de Futebol, reagindo assim à notícia do PÚBLICO de que a GNR poderá ser destacada para o controlo de fronteiras naquele período. O SEF classifica a possibilidade como descabida, mas adianta que ainda pode cancelar a greve. "Todas as hipóteses têm de ser estudadas" admitiu o ministro quando questionado sobre a hipótese de a Brigada Fiscal da GNR substituir os funcionários do SEF no controlo das fronteiras aéreas em caso de greve. Figueiredo Lopes acrescentou que "em matéria de segurança não se pode improvisar". O ministro garantiu também que o Governo está a "trabalhar muito" para que o "grande evento" que é o Euro2004 "corra o melhor possível". À margem da assinatura de um protocolo sobre crianças desaparecidas, em Lisboa, Figueiredo Lopes assegurou ainda que na altura própria serão tomadas as medidas que o quadro legal permita, escusando-se a precisar quando e quais as medidas. Os trabalhadores do SEF ameaçam fazer greve para exigir o pagamento de cerca de 2,7 milhões de euros relativos a horas extraordinárias e referentes aos dois últimos anos. Se o pedido não for acolhido pela tutela, os funcionários do SEF avançam para a greve já esta quinta e sexta-feira e nos dias 11, 12, 16 e 17 de Junho. O campeonato europeu de futebol arranca a 12 de Junho. Por seu turno, o Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do SEF considerou hoje "descabida" a possibilidade de a GNR vir a controlar as fronteiras aéreas durante a greve. O presidente do sindicato, Gonçalo Rodrigues, disse que se está a "brincar com assuntos demasiado sérios". "A notícia não tem qualquer fundamento" e é "descabida" porque "ninguém com o mínimo de bom senso coloca essa possibilidade" de substituição. "Uma pessoas que precise de uma cirurgia não aceita ser operada por um alfaiate", exemplificou o sindicalista, que admite desmarcar a greve marcada para os próximos meses se as negociações com a direcção "chegarem a bom porto". Gonçalo Rodrigues disse que desde a última semana se têm intensificado as negociações entre a direcção do SEF e o sindicato e que a direcção tem "mostrado muito boa vontade" em desbloquear a situação. O sindicato está disposto a desmarcar a greve desde que haja um acordo sobre o pagamento das horas extraordinárias, mas válido para os próximos anos e que não diga apenas respeito ao pagamento em atraso.