Uma manifestação contra a guerra e medidas excepcionais de segurança que transformaram Roma numa cidade blindada são duas consequências da visita de hoje do Presidente americano, George W. Bush, à capital italiana. Os italianos são ainda herdeiros gratos da libertação pelos americanos do fascismo, mas já foi há 60 anos que os soldados norte-americanos marcharam sobre Roma para marcar o fim da II Guerra Mundial em Itália. Hoje, os italianos estão descontentes com a visita do Presidente Bush, que se vai reunir com o Papa, uma das principais vozes contra a guerra. Apesar da proximidade entre o primeiro-ministro Silvio Berlusconi e Washington, a maioria dos italianos opôs-se à invasão do Iraque e à presença de tropas italianas naquele país dilacerado pela violência. No programa de Bush está a visita ao Vaticano, à qual se segue uma visita ao Presidente Carlo Azeglio Ciampi, passando à tarde por uma cerimónia de homenagem às vítimas dos crimes de guerra nazis, e por fim um jantar com Berlusconi. Bush já está em Itália, onde chegou esta madrugada, onde vai pedir apoio para a missão no Iraque e para comemorar a libertação de Roma em 1944, bem como a invasão do Dia D, na praia da Normandia, pelo que se deslocará em seguida a Paris e à costa francesa (no domingo). Mas a principal preocupação do Governo italiano durante esta visita é a segurança. Berlusconi admitiu estar preocupado com a violência durante a presença do líder americano e apelou aos manifestantes que mostrem "maturidade e compreensão da História". São esperados milhares de pessoas em Roma. Os activistas e pacifistas estão a reunir-se na capital desde o início da semana e já se manifestaram, aludindo simbolicamente ao escândalo da violência sobre os prisioneiros iraquianos. A manifestação de hoje deve contar com a adesão de outros tantos milhares de italianos que são esperados na capital, onde afluem de comboio e camioneta. Para controlar os manifestantes, foram destacados dez mil polícias. Há também atiradores especiais, que serão colocados em locais estratégicos. O aparato em torno da visita de George W. Bush faz-se notar em toda a capital italiana. Grupos de "carabinieri" e polícias foram colocados a cada 20 metros do centro histórico e em torno de todos os monumentos, bem como nas saídas do metropolitano, gares ferroviárias e aeroportos. O espaço aéreo está fortemente condicionado e o número de voos foi reduzido. O município de Roma apelou aos moradores que limitem hoje as suas viagens no centro da cidade para evitar maiores congestionamentos durante a passagem das comitivas e da manifestação.