O líder tribal Ghazi al-Yawar vai ser o primeiro Presidente do Iraque no período pós-Saddam Hussein, depois de o seu rival Adnan Pachachi, inicialmente nomeado, ter decidido não aceitar o cargo. Depois de vários golpes de teatro que mostraram bem as diferenças de posição que reinavam entre os vários membros do Executivo iraquiano e a coligação, o Conselho do Governo iraquiano conseguiu finalmente chegar a acordo e impor o seu candidato, Ghazi al-Yawar, de 46 anos, que assegurará a Presidência do país após a transferência da soberania, agendada para o dia 30 de Junho. Ghazi al-Yawar é actualmente o Presidente em exercício do Conselho de Governo iraquiano, e competia com outro sunita, Adnan Pachachi, de 81 anos, apoiado pela coligação e pela ONU. Hoje de manhã, um responsável da coligação anunciou a nomeação de Pachachi. Meia hora depois, surgiu a recusa através de um seu colaborador próximo. Segundo um outro assessor, "Pachachi recusou o cargo porque vários membros do Conselho de Governo diziam nos corredores que ele era o candidato que os americanos queriam queimar, para que o nome de Ghazi al-Yawar pudesse ser lançado". Logo depois deste episódio, o Conselho de Governo iraquiano fez saber que apoiava a candidatura de Ghazi al-Yawar, neutralizando a estratégia da coligação que pretendia anunciar que ambos (a coligação e o Conselho de Governo) tinham escolhido por unanimidade Al-Yawar para Presidente. "O xeque Al-Yawar foi oficialmente nomeado Presidente da República e começou a receber felicitações dos membros do Conselho", disse à agência AFP Hind al-Chnein, um dos seus principais colaboradores. Al-Yawar é originário de Mossul, no Norte do Iraque. Tornou-se no xeque Mohsen al-Yawar, líder da tribo Chammar, dos confins do Norte da Síria ao Sul da Arábia Saudita, passando, naturalmente, pelo Iraque, e ainda pelo Kuwait. Depois de ter cursado engenharia na Universidade George Washington, na capital federal norte-americana, Al-Yawar instalou-se na Arábia Saudita, onde abriu uma empresa de telecomunicações. Desejoso de retirar de cada cultura "o que tem de melhor", o xeque é um feroz defensor da integridade do Iraque, ainda que seja favorável a uma autonomia alargada para os curdos. Al-Yawar esteve 15 anos no exílio e regressou ao Iraque na Primavera do ano passado.