O Presidente venezuelano Hugo Chavez afirmou ontem que não é comunista, contrariamente ao seu amigo cubano Fidel Castro. Esta clarificação é uma resposta às acusações feitas regularmente pela oposição venezuelana de que o Presidente quer instaurar um regime comunista no país. "Fidel é comunista, eu não", disse Chavez aos jornalistas depois de um encontro com o antigo Presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter. Carter está em Caracas na qualidade de observador do processo de confirmação de mais de um milhão de assinaturas de venezuelanos - que decorreu ontem de manhã -, última etapa antes de um eventual referendo susceptível de afastar Chavez do poder. "Falei com Fidel Castro durante cerca de oito horas, porque já não falava com ele há muito tempo e, posso-vos garantir, Fidel é comunista, mas eu não sou comunista", fez questão de sublinhar o presidente venezuelano, acusado pela oposição de querer instalar no país um regime comunista inspirado no modelo cubano. Chavez, reeleito em 2000 para um mandato de seis anos, reafirmou ainda estar pronto a enfrentar um referendo. Chavez diz que se sentirá "feliz" se houver assinaturas para para que o escrutínio se realize. "Não tenho medo do referendo, tenho a minha força política e popular". A oposição reuniu mais de três milhões de assinaturas, o que, segundo a Constituição votada sob proposta de Chavez em Dezembro 1999, seria suficiente para organizar um referendo popular sobre a continuidade do Presidente. Mas em Março, o Conselho Nacional de Eleições (CNE) disse que mais de um milhão de assinaturas tinham de ser confirmadas. Se o número de assinaturas ultrapassar o mínimo legal, a decisão final de organizar um referendo será conhecida no dia 4 ou 5 de Junho, avançou ontem o CNE.