O entendimento entre Sporting de Braga e o Benfica para a transferência de Ricardo Rocha e a homologação do contrato pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) tornam regular a inscrição do jogador pelo clube da Luz, defendeu hoje a Liga de clubes. Numa conferência de imprensa realizada na sede da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), no Porto, o director-executivo Cunha Leal mostrou-se seguro e defendeu que o Benfica não "pode perder o segundo lugar na SuperLiga ou a Taça de Portugal" devido a este caso. "A inscrição foi correcta porque foi homologada pela FPF. Não foi entendido que tivesse havido irregularidades. O processo foi bem homologado, por isso não faz qualquer sentido a polémica levantada", afirmou, citado pela Lusa. De acordo com a estação de televisão SIC, o Benfica poderia perder os pontos relativos aos jogos ainda não homologados - vitória sobre o Sporting e empate com a União de Leiria, para a SuperLiga, e triunfo na final da Taça de Portugal sobre o FC Porto - devido a uma alegada irregularidade na inscrição do defesa central. Cunha Leal explicou todo o processo envolvido nas inscrições de quaisquer jogadores, salientado que a actual comissão executiva da LPFP ainda não tinha tomado posse à data da inscrição de Ricardo Rocha pelo Benfica. Mesmo tendo assinado contrato com o Benfica antes de 1 de Abril de 2002 - a data regulamentar -, o central pôde alinhar pelo clube da Luz em 2002/2003, porque, segundo o artigo 117º do Regulamento Disciplinar, um jogador só sofre sanção desportiva quando não haja consentimento para a transferência do clube ao qual está vinculado. "O jogador que, antes de 1 de Abril, se vincula para a época seguinte, com um clube diferente daquele que representa, sem consentimento deste ou sem que esteja rescindido o seu contrato, é punido com pena de suspensão (...)", refere o artigo 117º, que Cunha Leal utilizou para interpretar os regulamentos de "forma abrangente". O director-executivo da LPFP teceu duras críticas aos "instigadores" da polémica e realçou o grande esforço da actual comissão executiva para a "transparência" das competições profissionais de futebol. "O Benfica contratou Tiago, Armando e Ricardo Rocha, mas, no período de Janeiro, apenas o último ficou em Braga. Os dois clubes tinham chegado a um entendimento e, portanto, não há qualquer problema no contrato, mesmo que este tenha sido assinado antes da data regulamentar", disse. Cunha Leal reforçou que o presidente do conselho de disciplina da FPF, Manuel Marques Silva, lhe garantiu, "hoje mesmo", a regularidade no processo e frisou a necessidade de haver uma leitura integrada de todos os regulamentos que regem as competições. No entanto, e de acordo com o director-executivo da LPFP, a questão pode ainda não ter conhecido o desfecho final, já que os "juristas poderão ainda argumentar a favor ou contra", caso haja alguma queixa. A polémica levantada "não irá alterar as datas estipuladas para o início dos campeonatos profissionais", defendeu Cunha Leal, ao mesmo tempo que sublinhava que a comissão disciplinar da LPFP não deverá abrir qualquer processo sobre esta matéria.