O Instituto Politécnico de Leiria (IPL) vai pedir ao Governo a sua transformação em Universidade Politécnica, para poder ministrar doutoramentos. A nova lei de bases do ensino superior, recentemente aprovada, mantém uma "discriminação negativa", impedindo os institutos de atribuir os graus de doutor apenas por "questão de designação", explicou o presidente do instituto, Luciano Almeida, justificando a proposta do IPL. "Continuam a não ser critérios de natureza científica e pedagógica que determinam as competências das instituições para a atribuição do grau de doutor mas a sua designação: universidade pode, politécnico não pode", lamentou Luciano Almeida. A proposta de transformação em universidade faz parte do plano estratégico do IPL até 2006, mas o processo foi acelerado devido à manutenção da distinção entre os dois modelos de ensino apenas por questões de designação, justificou o seu presidente. No caso do IPL, que possui um quadro de docentes com qualificações superiores a algumas universidades públicas, a atribuição de "bolsas de doutoramento em empresa" é uma forma de "potenciar a interacção entre as instituições de ensino superior e as empresas" com "projectos de investigação" essenciais para a região. "Neste quadro, a transformação do IPL em Universidade Politécnica de Leiria torna-se inevitável", considerou Luciano Almeida, anunciando que o pedido vai ser realizado após uma reunião do Conselho Geral da instituição, agendado para o próximo mês, que reúne docentes, autarcas e empresários da região. Para a concretização deste "importante objectivo estratégico", o IPL "espera da sociedade civil e de todas as forças políticas da região o empenhamento" no projecto, acrescentou o responsável, que é também presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP). No entanto, Luciano Almeida rejeita abandonar o CCISP caso a proposta seja aceite, salientando que o IPL não pretende perder a sua matriz de origem, à semelhança do que já sucede com a Universidade do Algarve, que tem assento naquele órgão. O presidente do IPL admitiu ainda suspender a sua militância no PS se isso for impeditivo de gerar um consenso entre as forças políticas locais em torno do projecto de uma universidade politécnica para Leiria. "Não tenho nenhum problema de identificação de prioridades" mas "não creio que Leiria seja tão pequena que seja necessário isso", salientou.