O presidente da Câmara de Lisboa e vice-presidente do PSD, Pedro Santana Lopes, comunicou ao presidente do partido, Durão Barroso, que, se não for candidato às eleições presidenciais de 2006, a pessoa mais bem colocada para representar o centro-direita é Marcelo Rebelo de Sousa, antigo presidente do PSD, soube o PÚBLICO. Santana Lopes - que sustenta que ainda é cedo para dizer se vai recandidatar-se à Câmara de Lisboa ou se tenciona tentar a sorte nas presidenciais - tem dito, acerca de Cavaco, que se este manifestar vontade de avançar para uma corrida a Belém não se candidatará contra o ex-primeiro-ministro. No entanto, nunca se pronunciou sobre as suas preferências, caso fique na Câmara de Lisboa. A opinião do autarca foi transmitida em conversa mantida com Durão Barroso há já alguns meses atrás. Santana deixou claro que Marcelo é o candidato que melhor se adequa "aos novos tempos de fazer política", confirmou um colaborador próximo do autarca lisboeta. A questão não é de idade, mas de atitude, acrescentou. Desta forma, Santana diz mais uma vez que considera que o tempo do ex-primeiro-ministro, Cavaco Silva, já passou. Durão Barroso, por seu lado, prefere, nesta altura, que Cavaco se candidate às presidenciais e Santana fique em Lisboa. O que o preocupa é que o ex-primeiro-ministro adie para muito tarde a sua decisão quanto a um candidatura a Belém e que torne mais uma vez o partido refém da sua estratégia pessoal, como sucedeu em 1995, quando deixou o Governo para entrar na corrida das presidenciais, que perdeu para Jorge Sampaio. Os santanistas, contudo, não gostaram de ver nos jornais essa preferência de Durão dada como certa. Na moção ao congresso do PSD, que decorre este fim-de-semana em Oliveira de Azeméis, Durão fixa um limite para que quem quer que queira ser candidato presidencial com o apoio do PSD o diga logo após as eleições regionais, marcadas para Outubro. Se Cavaco não avançar nesse "timing", Santana mantém-se como uma possibilidade. As relações entre Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes não são especialmente boas. Nenhum admira o estilo do outro. O professor de Direito e ex-líder do PSD já disse, num dos seus habituais comentários de domingo na TVI, que se Cavaco não for candidato e Santana avançar para a corrida das presidenciais poderá contar com o seu apoio. Marcelo garantiu mesmo que, se for preciso, ele próprio se candidata para tentar travar as pretensões de Santana. O ex-presidente do PSD declara-se apoiante, em primeiro lugar, de Cavaco Silva e ainda anteontem voltou a afirmar que acredita que o ex-primeiro-ministro não irá decepcionar os seus apoiantes e que na altura certa vai anunciar a candidatura. Em vésperas do congresso e numa altura em que os próprios apoiantes de Santana consideram que este se deixou condicionar por Durão Barroso, o autarca e vice-presidente do partido mantém em aberto a sua continuidade na direcção do PSD. Num jantar do PSD-Lisboa na sexta-feira, o presidente da Câmara de Lisboa negou quaisquer divergências com o primeiro-ministro a propósito das presidenciais.