Helicópteros israelitas atacam desde a madrugada de hoje a cidade de Rafah, em Gaza, onde já terão morrido pelo menos 13 palestinianos. O Exército israelita está a destruir casas e muitas famílias ficaram desalojadas naquela que é a maior ofensiva militar israelita contra os vizinhos palestinianos desde o reinício da Intifada, em Setembro de 2000. De acordo com a rádio TSF, o representante das Nações Unidas Paul Mcann, que presta apoio aos refugiados palestinos, descreve que os soldados israelitas estão a fazer buscas casa a casa: "A cidade está totalmente cercada, isolada do resto da Faixa de Gaza. Há uma espécie de operação porta-a-porta no bairro de Tel Sutan, em Rafah, onde um pequeno número de casas foram demolidas, mas acredito que foram demolições pontuais e não uma campanha de larga escala, como está a acontecer ao longo da fronteira com o Egipto", explicou Paul Mcann. Doze palestinianos morreram - dez como resultado de dois ataques com mísseis ar-terra e dois numa trocas de tiros. Uma outra pessoa morreu quando preparava explosivos. Pelo menos oito destes homens estavam armados. Mas o número de mortos, do lado palestiniano, deverá subir nas próximas horas, enquanto Israel prossegue a sua "Operação Arco-Íris por Cima das Nuvens", numa alusão ao arco-íris que, segundo as Escrituras, terá aparecido no céu depois do Grande Dilúvio. Israel alega que o campo de refugiados de Rafah serve de campo aberto ao tráfico de armas a partir do Egipto, através de túneis. Na semana passada, Israel destruiu cerca de cem casas, desalojando mais de mil pessoas, o que provocou a condenação da comunidade internacional, mesmo dos Estados Unidos, um tradicional aliado israelita. Estima-se que mais de onze mil palestinianos de Rafah tenham perdido as suas casas e estejam desalojados desde o início do processo de demolições, iniciado depois do início da segunda Intifada palestiniana. Líderes árabes condenam acção militar israelita O ministro dos Negócios Estrangeiros palestiniano, Nabil Shaath, pediu ontem à conselheira para a Segurança norte-americana, Condoleezza Rice, que ponha fim à ofensiva israelita. Shaath disse a Rice que já recebeu várias chamadas de pânico de familiares seus que vivem em Rafah. Da parte de Rice, Shaath disse ter recebido a promessa de que falará com o Presidente norte-americano, George W. Bush. Por seu lado, Amr Moussa, o secretário-geral da Liga Árabe, condenou também a destruição levada a cabo em Rafah e acusou os líderes israelitas de estarem a destruir as hipóteses de paz.