Um relatório encomendado pela Comissão Europeia revela que 28,5 por cento da costa portuguesa está a ser destruída pelo mar. O estudo "Viver com a erosão do litoral na Europa", que será discutido hoje em Bruxelas numa conferência internacional da União Europeia, conclui que existe uma "crescente ameaça de erosão" no litoral europeu. "Um quinto da costa da União Europeia está já seriamente afectado, com a costa a recuar entre 0,5 e dois metros por ano e, em alguns casos dramáticos, 15 metros", refere a Comissão Europeia em comunicado. A Polónia ocupa o primeiro lugar dos países com maior erosão do litoral, com 55 por cento da sua costa em perigo. Segue-se Chipre (37,8 por cento), Letónia (32,8 por cento) e Portugal (28,5 por cento). A Espanha regista uma erosão de 11,5 por cento, ocupando o 14º lugar da lista. A Finlândia é o país da União Europeia com menor erosão (0,04 por cento). "Precisamos de salvaguardar melhor a nossa costa. A Comissão vai aumentar os seus esforços para assegurar uma gestão sustentável das costas, mas apela desde já às autoridades nacionais, regionais e locais para pararem o processo de erosão", afirmou a comissária para o Ambiente, Margot Wallstronm. O relatório alerta para as consequências da erosão no ambiente e na actividade humana, nomeadamente a destruição de casas e estradas, habitats naturais, segurança das pessoas que habitam no litoral e actividades económicas como o turismo. O valor ecológico do litoral é destacado no documento, salientando-se que, dos 132.300 quilómetros de costa sob influência directa da erosão, 47.500 quilómetros são locais de elevado valor ecológico, ricos em biodiversidade e com importantes ecossistemas. O relatório lembra que nos últimos 50 anos a população que vive na costa da União Europeia duplicou para 70 milhões de pessoas, aumentando a exposição ao risco de erosão. As causas da erosão das costas são naturais, mas têm aumentado devido à intervenção humana: a areia retirada naturalmente pelas ondas do mar é reposta por materiais que os rios transportam, mas o homem tem alterado este processo natural. Segundo o documento, todos os anos cerca de 100 milhões de toneladas de areia são encaminhadas para a construção, retiradas dos rios ou bloqueadas por técnicas de engenharia.