O treinador do FC Porto está convicto que, se a sua equipa entrar em campo e tiver capacidade de olhar o adversário e manter a tranquilidade, será difícil perder. Quer sair abraçado aos seus pupilos, alegre ou triste, embora realce que quer ganhar muito esta taça. Revelou, ainda, que esta convocatória foi a mais dolorosa de fazer de toda a sua carreira. Uma equipa alegre que mostre todas as razões que lhe deram o direito de disputar a final da Liga dos Campeões são os desejos de José Mourinho para o encontro de amanhã. O técnico não esconde que quer muito ganhar a taça, mas acima de tudo pretende que a sua equipa seja igual a si própria e que mostre no Arena AufSchalke todos os atributos que a fizeram, nos últimos dois anos, uma das melhores da Europa. Na habitual conferência de Imprensa que antecede os jogos europeus, o treinador do FC Porto recusou qualquer incursão pelo tema da sua eventual ida para o Chelsea e fez questão de realçar a maneira como os dragões prepararam este jogo. Sublinhando estar convicto que vai ser uma partida de resultado curto - e curto não significa poucos golos, mas sim equilibrado -, manifestou o desejo de abandonar o relvado abraçado aos seus pupilos. PERGUNTA | Como perspectiva o embate do melhor ataque da Liga dos Campeões (Mónaco) contra uma das melhores defesas? JOSÉ MOURINHO | É uma pergunta boa, mas difícil de responder. Creio que são duas equipas muito parecidas, que chegaram à final pela mesma razão: jogaram sempre como uma equipa. Quando não se tem cinco, sete ou dez dos melhores jogadores do mundo, só se chega aqui precisamente por esse caminho. O que nós fizemos foi o que o Mónaco fez. Disse muitas vezes aos meus jogadores, e ainda hoje [ontem] o fiz, que depois de termos feito tudo o que fizemos, de termos feito o trabalho de casa, estudando o adversário, preparando a partida em todas as suas diferentes circunstâncias, não há muita coisa que lhes possa pedir, para além de que sejam iguais a si próprios e que joguem como sempre jogaram. O Mónaco não deve pensar muito diferente de nós. Por isso, acho que será uma partida muito equilibrada, em que as duas equipas se conhecem muito bem e com um resultado curto. E quando digo curto não quero dizer que será um jogo com poucos golos. Se me disserem que o FC Porto vai ganhar por 3-0 que o Mónaco vai vencer por 4-1, duvido muito. São pequenas coisas, detalhes, erros individuais que podem decidir. Um outro aspecto que me parece muito importante - e os jogadores estão fartos de me ouvir dizer isso - é que não se ganham os grandes jogos, as finais, se não controlarmos as nossas emoções. Se não tivermos a capacidade de entrar no estádio e de olhar de frente para o adversário, mantendo a tranquilidade será muito difícil ganhar. Temos de ter a capacidade de jogar a partida mais importante de clubes com tranquilidade. P | Disse, há uma semana atrás, que já tinha na cabeça a equipa que iria jogar. Vai partilhar essa ideia? R | A equipa que vai jogar, desde que tudo corra com normalidade no treino da tarde, é a mesma equipa que eu pensei há uma semana atrás. Não houve nada que me fizesse modificar a minha opinião. Queria aproveitar a pergunta para dizer que tive das piores sensações da minha carreira ao fazer esta convocatória. Foi doloroso deixar jogadores de fora, foi doloroso ter de fazer uma escolha para um jogo que toda a gente quer jogar, como foi doloroso dizer jogam estes onze e vocês ficam no banco e vocês os dois na bancada. Exteriorizar e compartilhar convosco esta minha sensação, é o melhor tributo que posso fazer ao meu grupo de trabalho. Toda a gente trabalhou muito para chegar até aqui. Não digo que quero pedir desculpas aos meus jogadores, mas quero dizer claramente que me custou muito. A equipa que vai jogar é a minha primeira opção. Não faço a mínima ideia da qual será a equipa do Mónaco e por isso não vou dizer a minha. O Mónaco tem várias formas de pensar o jogo, o posicionamento do Giuly é determinante para que a equipa jogue de uma forma ou de outra. Ele jogar aberto, na direita, ou jogar como o elemento mais atacante é uma forma radicalmente diferente de abordar o jogo. Estamos preparados para tudo isso. P | Deschamps disse que era necessário ter muita atenção ao Deco, pois ele é a maior individualidade do FC Porto. Que comentário lhe merece esta ideia do técnico do Mónaco? R | Ele sabe que o Deco é um grande jogador, e eu sei disso melhor que ele. Ele sabe de fora e eu sei de dentro. Dois anos e meio a trabalhar com ele permite-me saber exactamente o que ele é, o que ele vale e o que significa para nós e o que nos poderá dar neste jogo. Deschamps analisou, estudou, percebeu e vai tentar encontrar forma de o anular. Eu terei de encontrar a forma de lhe dar condições para jogar bem. P | Como foi a preparação táctica da sua equipa? R | Treinámos sobre o ponto de vista táctico desde quinta-feira passada. Nesse dia trabalhámos somente organização defensiva, sexta-feira treinámos organização ofensiva, no sábado treinámos a transição defesa-ataque e domingo a transição ataque-defesa. Na segunda-feira treinámos os penalties. Hoje [ontem] vamos fazer o treino de adaptação ao estádio e depois será esperar pelo jogo.