O futebol dá voltas, pisca o olho a um ou outro jogador, tem momentos melhores ou piores, mas no FC Porto acaba sempre por regressar o mesmo nome: Deco. Outros podem ser melhores nalgum aspecto em particular - Derlei na energia, McCarthy no pontapé -; Deco é o que mais futebol mostra. Teve uma época discreta só para quem esperava dele também os golos, como sucedera na anterior. Na verdade, a influência manteve-se tão inegável como sempre: não converteu livres-directos, o que é estranho, mas fabricou resultados atrás de resultados, mesmo sem assinar por baixo o último pontapé. Deco tem muito a ver com o bom rendimento que o FC Porto tira dos lances de bola parada, com destaque para os cantos, embora essa faceta esconda os empurrões que vai dando no dinamismo da equipa, quer porque desequilibra quer porque arrasta os seus marcadores, deixando caminho aberto a outros. Deco é, muitas vezes, um problema insolúvel. Em Portugal, por razões que só têm ver com birras clubistas, está abaixo da cotação que tem no mercado a sério, mesmo quando se supera, como aconteceu na recente final da Taça. É um dos melhores números "dez" do momento, dificilmente continuará no FC Porto e hoje tem a possibilidade de reconfirmar o quanto estava enganado, no Verão passado, quando lamentou o prestígio que outros internacionais portugueses, como Rui Costa e Figo, conseguiam ter no estrangeiro. Onde já vão Figo e Rui Costa!