De certa forma, Fernando Morientes é o nome que fica - por agora, pelo menos - para a história desta edição da Liga dos Campeões. Para começar, porque foi objecto de furto, no início da época, ao plantel do Real Madrid, pormenor a partir do qual se desenrolaria uma tragédia em vários episódios que, como se sabe, acabou no despedimento da pessoa a quem, efectivamente, Morientes fora roubado: Carlos Queiroz. Emprestado ao Mónaco, ao cabo de um processo longe de ser pacífico - porque o Real ficou sem substituto razoável para Ronaldo -, começou a fazer golos e a destacar-se. Inicialmente, o problema foi relativizado sem dificuldade. Os madrilenos iam ganhando e o Mónaco mantinha a formazinha de "fait-divers". Marcou ao PSV Eindhoven, depois ao AEK de Atenas, ao Lokomotiv de Moscovo e por aí adiante. Quando chegou aos quartos-de-final levava seis, liderava os melhores marcadores e começara a provocar alguma insatisfação entre os adeptos do Real. Como era possível que Florentino Pérez tivesse cedido um galáctico? O golo - sétimo - que marcou no Santiago Bernabéu fez rebentar as discussões, mas, ainda assim, o Mónaco perdera (4-2) e o resultado soava robusto o bastante para durar até às meias-finais. Não era. Morientes repetiu o feito no Estádio Luís II (3-1), o Real Madrid entrou em choque e nunca mais saiu dele. O nome do ponta-de-lança, nunca estrela segura dos madrilenos, fica ligado à tragédia. Nota final: mais conhecido pelo bom jogo aéreo, experimentou jogar fora da área, esta época, e deu-se bem.