Jaime Pacheco deu um colóquio no Sport Clube Português, em Newark, para os treinadores das camadas jovens da comunidade portuguesa, mas facilmente transformou o encontro numa conversa sem qualquer tipo de preconceitos. Foi à... Pacheco. Em hora e meia ficou a saber-se que o treinador do Boavista em miúdo era do Benfica, por culpa de duas grandes figuras: Eusébio e José Henrique, este presente devido à participação do clube da Luz num torneio de veteranos. Pacheco começou a dar uns pontapés no Rebordosa. Como tinha jeito esteve um mês e meio à experiência no FC Porto e assinou contrato, que durou até aos seus 29 anos, deixando as Antas com o rótulo de velho, "talvez devido à falta de cabelo...", disse. Ainda representou Sporting, Setúbal - "cheguei lá solteiro e vim de lá casado", gracejou -, para além de Paços de Ferreira e Rio Ave, como jogador-treinador. Actualmente, Pacheco tem "a coluna do FC Porto", mas "o Boavista ultrapassou essa paixão". Segundo Pacheco, a melhor escola de futebol está em França e por isso "a melhor equipa do Mundo tem que ter um jogador francês". A relação entre o treinador e o futebolista "tem de ser muito humana", mas é necessário saber falar com os atletas. "Se eu dissesse ao Petit que era o melhor do Mundo, não tirava o melhor rendimento dele, mas em relação ao Martelinho ele só funciona se for agressivo". E contou uma história durante um jogo em Faro, no ano em que o Boavista foi campeão: "Chegamos ao intervalo empatados e sem qualquer situação de golo. No balneário mandei vir com o Martelinho e ele ficou furioso por só estar a falar com ele. Mas o certo é que na segunda parte fez uma jogada que deu golo e ganhámos. Se não fosse aquele lance, não tínhamos sido campeões nacionais. Mais tarde, expliquei-lhe as razões de tudo o que lhe disse". Depois, Pacheco foi interrogado sobre Vítor Baía e Queiroz. Quanto à ausência de Baía da fase final do Europeu, disse que "deve ter havido alguma coisa por trás que ninguém sabe". Mas, em relação às pressões que o Scolari sofreu para convocar o guarda-redes do FC Porto, lembrou que "se me pressionassem para o convocar, eu também não o levava". Para reconhecer, no entanto, que "Baía pelos menos deveria estar entre os três guarda-redes". No que toca ao trabalho de Carlos Queiroz, no Real Madrid, acha que "não fracassou". "Toda a agente sabe que o Real Madrid precisava de um defesa-central e de um trinco. Ele pediu-os e não lhos deram. O descalabro deve-se a isso. É uma equipa com muitos galácticos, mas falta quem toque bombo. O que aconteceu ao Queiroz acontecia ao mais pintado", disse. Em Espanha, Jaime Pacheco também não foi feliz ao serviço do Maiorca: "Fui na ilusão da aventura, não tive tempo para nada. Perdemos cinco jogadores importantes e pedi o Martelinho, o Pepe, o Luís Loureiro e o Maciel e não me deram nenhum". Jaime Pacheco não abandonou a sala sem dizer que "a minha bandeira são os meus jogadores". E rematou em beleza: "Gosto muito de ganhar ao FC Porto, porque é o melhor".