A campanha de angariação de fundos, realizada em Novembro, em to-do o país, para pagar as dívidas relacionadas com o restauro do Cristo-Rei rendeu, até agora, 120 mil euros, mas as contas ainda não estão fechadas. Numa altura em que passam 45 anos desde a inauguração do monumento, Sesinando Alberto, reitor do santuário, revela que ainda há nove dioceses que não entregaram os donativos recolhidos, no final de 2003, para ajudar a saldar uma dívida total de um milhão e 425 mil euros. "As dioceses normalmente fazem contas em Junho e ainda há muito para entregar. As dioceses de Viana do Castelo, Braga, Bragança, Vila Real, Leiria/Fátima, Setúbal, Lamego, Évora e Beja já entregaram os donativos", revela. O restauro do monumento ficou concluído em Fevereiro de 2002 e Sesinando Alberto espera conseguir pagar as obras, assim como outras intervenções realizadas, em 2005. "Estamos em negociações com outras entidades e pode ser que o próximo ano seja de luz para o santuário pagar o que deve", afirma. Nas primeiras obras de restauro do Cristo Rei realizadas desde a sua inauguração, foi preciso refazer parte da abóbada que fica entre os quatro pilares que suportam a estátua. O monumento, que tem 110 metros de altura, foi lavado com substâncias alcalinas e revestido com um produto que protege a armadura no interior do betão. Ontem, os 45 anos do santuário foram assinalados com cerimónias religiosas, que contaram com a participação de representantes das várias paró- quias da diocese de Setúbal. "O meu objectivo é que este aniversário e os próximos até aos 50 anos não caiam no esquecimento das pessoas. Há 45 anos, o país tinha os olhos postos no Pragal", recorda Sesinando Alberto, lembrando as mais de 300 mil pessoas que assistiram à inauguração. Refeitório Confessando haver "muito para fazer" no que diz respeito à melhoria das instalações e infra-estruturas, o reitor revela que este ano o santuário já tem um refeitório e uma cozinha, para apoiar os grupos católicos que o procuram. O espaço envolvente, por seu turno, será alvo de um plano de pormenor, ainda em fase de estudo na Câmara de Almada, num processo gerido pela agência de desenvolvimento local NovaAlmadaVelha. "Tenho uma equipa de técnicos a trabalhar na elaboração de um programa de princípios para colaborar com a Câmara de Almada, mas sou uma pessoa ocupada e há uma falha da minha parte. Já devia ter feito um relatório sobre o significado do santuário e ainda não o fiz", confessa Sesinando Alberto, admitindo entregar, em Setembro, a proposta de requalificação do espaço. Construído entre os anos de 1952 a 1958, o monumento está 113 metros acima do nível do Tejo. Foi responsável pela criação da estátua o escultor Francisco Franco, enquanto o pedestal e arranjo artístico do recinto ficaram a cargo do arquitecto António Lírio.