O presidente em exercício do Governo Provisório iraquiano, Abdel Zahra Osmane Mohammad, conhecido por Ezzedine Salim, foi morto ontem quando o comboio em que seguiafoi atingido pela explosão de um carro armadilhado próximo da denominada "zona verde", o perímetro de segurança que presumivelmente protege a sede das forças da coligação anglo-americana e do Executivo iraquiano em Bagdade. Sete outras pessoas morreram no ataque reivindicado por um grupo até agora desconhecido e auto-denominado "Movimento da Resistência Árabe (MRA)", que atribuiu o homicídio a "dois heróis do 'MRA/Brigadas Al-Rachid', cuja operação audiciosa levou à morte do traidor e mercenário Ezzedine Salim", lia-se num site islamita. Fontes da coligação, após análise ao 'modus operandi' atribuiram a autoria a Abou Moussab al-Zarqaoui, o jordano ligado à al-Qaeda, e acusado pelos EUA de estar na origem do vários incidentes semelhantes no Iraque após a queda de Saddam Hussein. Segundo o porta-voz da Coligação, Dan Senor, Ezzedine Salim sempre havia recusado a protecção da coligação, confiando antes a sua integridade a familiares. As autoridades norte-americanas, embora reconhecendo que o atentado visava impedir o cumprimento do prazo para a transição do poder, agendada para 30 de Junho, mostraram-se inflexíveis perante as ameaças, enquanto procediam à investidura de Ghazi Ajil Al-Yaouar, chefe tribal sunita, que assegurou a Presidência rotativa do Executivo, comprometendo-se a "construir um Iraque federal unificado". Não obstante a retórica da ocasião, o atentado, que colheu grande comoção pelo mundo inteiro e fez subir, por momentos, o crude nos mercados internacionais, abalou a comunidade maioritária xiita, mal refeita do assassinato, em Setembro do ano passado, de outro membro do Governo transitório, Akila Hachemi, e da notícia de que a casa da maior autoridade religiosa do país, o ayatollah Ali Sistani, tinha sido alvejada. O gabinete do radical Moqtada al-Sadr - cujos milicianos provocaram ontem mais de 50 mortos no confronto com tropas da coligação, no centro e no sul do país - recusou qualquer implicação naquele ataque.