O papa João Paulo II presidiu ontem, no Vaticano, às cerimónias de canonização de seis novos santos - entre os quais uma pediatra italiana, símbolo da luta da Igreja Católica contra o aborto - e cinco religiosos. Perante dezenas de milhares de fiéis, o Papa pronunciou a fórmula consagrada e proclamou santos Gianna Beretta Molla (1922-1962), o padre espanhol José Manyanet i Vives (1833-1901), o monge libanês Nimatullah Al Hardini (1808-1858), e três religiosos italianos, a irmã Paola Elisabetta Cerioli (1816-1865) e os padres Annibale Maria Francia (1851-1927) e Luigi Orione (1872-1940). Gianna Beretta Molla morreu em 1962, com 40 anos. Mãe de vários filhos, estava novamente grávida quando os médicos lhe diagnosticaram um tumor no útero. Ela recusou-se a abortar (a fim de poder ser submetida a intervenção cirúrgica), solução que lhe poderia ter salvado a vida. Morreu sete dias depois do nascimento do filho. Ontem, assistiram à sua canonização o viúvo, que conta 91 anos, assim como uma irmã e três filhos. Quando esta canonização foi anunciada, a polémica estalou na Itália, tendo-se levantado vozes discordantes a recordar que a decisão da pediatra acabou por vir a privar quatro filhos da sua mãe. O aborto está legalizado em Itália desde 1978, mas João Paulo II, que completará 84 anos amanhã, tem denunciado regularmente aquilo que classiifica como um "ataque contra a vida humana". Em 25 ano e meio de pontificado, João Paulo II canonizou 482 santos e proclamou 1.330 beatos. Segundo as estatísticas do Vaticano, ele ultrapassa assim em mais de 50% os 302 santos proclamados ao longo dos últimos quatro séculos por todos os seus antecessores, desde o Papa Clemente VIII (1592-1605).