Pedro Nunes, membro da actual direcção da Ordem dos Médicos e candidato a bastonário desta entidade, defendeu ontem a necessidade de uma "maior iniciativa pessoal" dos clínicos nos serviços de saúde e na sua gestão. O actual presidente da secção regional sul da Ordem dos Médicos (OM), que apresenta hoje formalmente a sua candidatura a bastonário, de Bragança, criticou igualmente a presença de não-médicos na gestão de unidades de saúde, a quem considerou faltar "a experiência vivida da medicina para tomar decisões". Defendendo uma OM apartidária e equidistante do poder político - "a OM não é uma estrutura de oposição, mas que critica quando tem de criticar e aplaude quando acha que deve aplaudir" -, Pedro Nunes asseverou que, caso seja eleito bastonário, a suapostura será "a mesma de sempre". "Não é pelo facto de ser bastonário que vou modificar a atitude que tenho tido enquanto presidente da secção regional sul", frisou Pedro Nunes, que é também primeiro vice-presidente do Comité Permanente dos Médicos Europeus, com sede em Bruxelas. A necessidade de um serviço de saúde "baseado na iniciativa dos médicos, o que não tem acontecido nos últimos anos", é uma das ideias fortes do candidato a bastonário da OM para o triénio 2005/2007, que se pode concretizar, nomeadamente, "através de pequenas empresas ou cooperativas médicas". Para o também especialista em oftalmologia, os médicos devem assumir "mais responsabilidade pela prestação de cuidados de saúde, nomeadamente a nível do ambulatório" , para o que é igualmente "imprescindível mais formação em gestão". Instado pela Lusa a comentar o trabalho desenvolvido pela actual direcção da OM, que integra desde 1998, Pedro Nunes frisou que a entidade "tem funcionado bem, com algumas diferenças de opiniões e claras diferenças de estilo [entre as direcções dos trêsconselhos regionais e o actual bastonário], mas que são úteis".