"Terminou a primeira batalha pela minha inocência", começa por escrever Paulo Pedroso, no comunicado que enviou às redacções, pouco depois de não ser pronunciado. O ex-dirigente socialista pretende processar judicialmente os seus "caluniadores" e retomar a "normalidade" da sua vida. Vai enviar ao presidente da Comissão de Ética da Assembleia da República, Jorge Lacão, um requerimento pedindo para reassumir o seu mandato parlamentar e, depois das eleições para o Parlamento Europeu, quer regressar à actividade no PS, nos termos a acordados com Ferro Rodrigues. "Espero que não me seja negado ou obstruído o direito de demandar judicialmente os caluniadores. Pretendo-o com a tranquilidade de inocente e com a autoridade de vítima de uma perseguição ainda intrigantemente incompreensível", refere, acrescentando que às vítimas dos abusos e maus tratos se juntaram as "vítimas de uma investigação incompetente". O deputado refere, ainda, no comunicado, que instruiu os seus advogados para continuarem a apurar "a verdade". Para já, Paulo Pedroso quer regressar às causas que "sempre orientaram a sua vida pública e conduta privada". Apanhados em plena campanha eleitoral, os dirigentes socialistas evitaram reacções espontâneas à decisão da juíza Ana Teixeira e Silva. Horas depois, o porta-voz do partido, Vieira da Silva, exprimia a satisfação do partido e sublinhava que os socialistas estão "tranquilos" e "concentrados" nas eleições europeias. "Sempre acreditámos na sua inocência e na falta de fundamento das acusações de que foi alvo", declarou à Lusa. Vera Jardim, porta-voz do secretário-geral socialista para o caso Casa Pia garantiu que Ferro Rodrigues irá "até ao fim" com os processos contra quem o difamou. O ex-ministro da Justiça admitiu ainda que a decisão da juíza poderá representar "um virar de página" para o PS, mas que o PS não pode esquecer as calúnias de que foi alvo o secretário-geral. * com Lusa Não pronunciamento pode reforçar liderança de Ferro Quando Paulo Pedroso foi detido, Ferro Rodrigues afirmou que a desmontagem da cabala contra o PS seria "o combate da sua vida". O secretário-geral algemou, de imediato, o partido ao processo e as críticas internas não tardaram. João Soares fez as primeiras reivindicações de descolagem. Depois do Verão, na rentrée, o partido deixou de se referir ao caso. Uma estratégia estabilizadora até ao dia em que o deputado foi solto e recebido em apoteose no Parlamento. As críticas de que o líder colava não apenas o PS mas também a AR ao processo ecoaram. Ferro sempre disse que o "tempo lhe daria razão" e que, no dia em que se provasse a "inocência" de Pedroso, a sua liderança seria reforçada.