Às quatro horas datarde, a máquina que esburacava, ontem, o passeio da Rua Cândido dos Reis, em Gaia, teve de fugir para não ser apanhada pela derrocada de uma casa. "Eu avisei-os", dizia António Correia, vigilante do tribunal velho: "A conduta de água rebentou e a casa começou logo a dar de si". Valeu aos trabalhadores os enormes pedregulhos terem ruído devagar: "Estamos a fazer o saneamento e já prevíamos que qualquer vibração mais forte iria dar nisto", contava o encarregado da obra. Valeu, também, que o único morador da casa, um trabalhador de uma carpintaria ali perto, estava, na altura, a trabalhar. Mas o problema é que, com o desabamento, a casa do lado ficou a abanar: "Estava a ver televisão", tremelicava, assustada, a sénior Maria Fernanda, moradora no segundo piso. "De repente, senti um estrondo e começou tudo a cair aos bocadinhos". Apreensivo estava o comandante Salvador Almeida, da Protecção Civil de Gaia: "Estes moradores têm de sair imediatamente daqui", indicava. Jorge Queirós, da "GaiaSocial", nem esperou mais tempo. Os sete habitantes dos dois pisos da residência, um dos quais deficiente, passaram a noite de ontem em casa de familiares. Esta manhã são transferidos, provisoriamente, para duas casas da Quinta de Monte Grande, propriedade da "GaiaSocial". Mais tarde, garantiu Jorge Queirós, "quando a casa estiver recuperada e segura, poderão lá regressar". Desabamento em obra fere dois operários em Valongo O desabamento do telhado e de parte de uma parede numa casa que estava a sofrer obras de recuperação, na Rua do Salgueiral, em Susão, Valongo, provocou ferimentos graves em dois trabalhadores. Américo Gonçalves, de 60 anos, residente em Valongo, e António José Soares, de 31 anos, morador em Campo, continuavam internados no Hospital S. João, à hora de fecho desta edição.