Artur Oliveira, director da Polícia Judiciária do Porto, apresentou, ontem, ao princípio da tarde, a sua demissão de funções, horas depois do seu pai e de um seu irmão terem sido detidos. Os subdirectores seguiram-no poucas horas depois e colocaram também os lugares à disposição. A detenção dos familiares do foi efectivada pela Polícia Judiciária de Coimbra, durante a manhã de ontem, e levou à detenção de outros elementos da família do magistrado. Segundo o JN apurou, está em causa um elaborado esquema de fraude relacionada com falências e possíveis fugas ao fisco. O pai do juiz, que exercia as funções de solicitador em Mortágua, era ao mesmo tempo gerente da Caixa de Crédito Agrícola daquela localidade. As autoridades suspeitam também que o seu irmão, empresário, estivesse envolvido. E por isso foi detido. Segundo o JN apurou, a fraude passaria por vender as massas falidas a preços muito baixos e negociar com o banco e com o filho. Há também suspeitas de que seriam criadas empresas fictícias para tornar os negócios mais "transparentes". O JN tentou saber exactamente o número de pessoas detidas, mas até ao fecho desta edição não foi possível obter qualquer confirmação. Por sua vez, os detidos só hoje deverão ser ouvidos, em primeiro interrogatório, por um juiz de instrução criminal. Lugar à disposição Após ter conhecimento da prisão dos seus familiares, Artur Oliveira apresentou a demissão. O JN sabe que o magistrado foi completamente apanhado de surpresa, mas confidenciou com as pessoas que lhe estavam próximas que a sua continuidade na PJ estava fora de questão, tornando-se impossível gerir qualquer suspeita que decorresse do facto dos seus familiares serem arguidos. Também os subdirectores puseram o lugar à disposição, o que foi aceite. Hoje já deverão ser tornados públicos os novos nomes na directoria do Porto. O JN sabe que para subdirector nacional adjunto da PJ do Porto será nomeado Ataíde das Neves, o magistrado que exercia as funções de director da PJ de Coimbra, enquanto os subdirectores serão Reis Martins, que estava na parte financeira da PJ, e Dias Silva, que chefiava os Açores. O lugar deixado vago em Coimbra deverá ser preenchido por Moraes Lopes, um magistrado que exercia funções do Centro de Estudos Judiciários. Deverá regressar a Viana Artur Oliveira, 43 anos, é licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e juiz desde 1984. Prestou serviço nas comarcas de Águeda, Vimioso, Albergaria, Vila Real e Viana do Castelo, onde foi juiz de círculo. Há pouco mais de dois anos foi nomeado director nacional adjunto da Polícia Judiciária, na Directoria do Porto. Foi nomeado para o cargo por escolha de Adelino Salvado, substituindo Augusto Gomes de Sousa, magistrado do Ministério Público. Tido como um homem afável, era muito estimado na directoria, onde ganhou vários amigos. No entanto, muitos acusavam-no de ter pouca intervenção e de ter entregue a direcção efectiva aos subdirectores. Artur Oliveira deverá, agora, regressar ao seu lugar de juiz, em Viana do Castelo, de onde saiu em comissão de serviço.