Arnelas, de remos em punho, hino na boca e foguetes no ar, recebeu, ontem, o presidente da Câmara de Gaia, com palmas. O autarca, grato, distribuiu beijinhos e cumprimentos, deu colo a um bebé desconhecido e, depois, não calou mágoas nem escondeu sentimentos. Fresquinho estava o tema do Metro do Porto e a lentidão das obras da primeira linha, na Avenida da República. "O Metro foi tomado de assalto", disse Menezes, repetindo o ultimato do dia anterior. "Se as obras do Metro não continuarem de modo a cumprirem-se prazos, arranco os taipais e mando concluir a VL9. Espero pela reunião com a liderança ilegítima de Rio para resolver o assunto". E ilegitíma porquê? "Os nove accionistas não foram chamados a pronunciar-se", considera. Rui Rio não comenta. O que terá feito irritar o presidente foi uma visita que fez, anteontem, ao fim do dia, ao Porto. Passou pela Rotunda da Boavista, "viu 100 operários a trabalhar freneticamente numa obra de reaqualificação urbana, a pôr mármore e granitos". "O que é mais importante para a Metro, que alega não ter dinheiro para continuar com as obras? Mármores e granitos ou pessoas que passam horas no trânsito porque as obras na Avenida da República têm, às segundas-feiras de manhã, meia dúzia de funcionários com tempo para ler o jornal enquanto fumam um cigarro? Qual é a obra pública que, neste país, tem 100 operários a trabalhar aos fins-de-semana? Só a da Boavista", declarou, "ao povo", depois de falar com jornalistas. Meneze s prometeu que esperará pela reunião da Administração da Metro, marcada para quarta-feira, para obter o compromisso de que as obras vão continuar e que "tentará, com atrasos aceitáveis, cumprir prazos". Caso contrário, manda embargar o avanço do Metro. A conclusão da primeira linha de Gaia deveria estar pronta em Janeiro de 2005. Fonte da Metro afirmou que os atrasos se devem ao facto do consórcio construtor, a Normetro, exigir a liquidação de 150 milhões de euros, dinheiro que a empresa não paga. "Mas para a obra da Boavista, pelos vistos, não há problemas financeiros", diz o presidente da Câmara de Gaia. No entanto, sublinhe-se que o empreiteiro das obras da Boavista ganhou a adjudicação através de um concurso público e nada tem a ver com a empresa responsável pelas obras do Metro em Gaia. Menezes não está só descontente com a Metro. Está com o Governo. "Sem verbas não há obras, sobretudo as que se fazem com verbas do Estado. Não sei de quem é responsabilidade, mas o certo é que, no âmbito do Polis, temos obras de dez milhões de contos para fazer e não vemos dinheiro". No meio de tantos desabafos, o autarca teve tempo para inaugurar o novo edifício do Centro de Recreio Popular de Arnelas/Olival e para, em tom de comício, agarrar a oportunidade de fazer um balanço. Carregado de recados e ressuscitando o tabu da sua recandidatura à Câmara de Gaia: "Dentro de 16 meses, quando se fizerem as contas a este mandato, não sei se comigo ou com outro, ver-se-á que Gaia deu saltos grandes".