A cerveja, o vinho tinto e o chá verde podem ajudar a combater o cancro da mama, concluiu uma investigação cujos resultados foram, ontem, divulgados no Porto. O estudo foi elaborado ao longo de ano e meio no âmbito da tese de mestrado da nutricionista Sandra Silva. A apresentação do estudo esteve a cargo de Maria Conceição Calhau, orientadora de Sandra Silva que referiu, no entanto, que "este estudo não preconiza um aumento do consumo de álcool pelas mulheres no sentido de prevenir o cancro da mama", até porque estamos ainda numa fase bastante preliminar no que diz respeito a investigações desta natureza. "Só com a continuidade da investigação com animais em laboratório, poderemos chegar a mais conclusões", acrescentou a investigadora do Centro de Farmacologia e Biopatologia Química da Universidade do Porto. "Efeitos de Compostos Fenólicos na Proliferação de uma Linha Celular de Carcinoma Mamário" é o título deste estudo português, cujos resultados apontam para que a cerveja, o vinho tinto e o chá verde conduzam a uma diminuição da proliferação das células tumorais mamárias. Tudo isto se deve ao facto de estarmos perante bebidas com elevadas quantidades de compostos fenólicos inibidores do crescimento do cancro da mama. A cerveja preta foi a que registou melhores resultados, com uma taxa de diminuição da doença na ordem dos 66%. O estudo foi apresentado em Washington, no mês passado, na reunião científica anual da Experimental Biology 2004 e foi ainda publicado um resumo na revista científica "American Psysiological Society" (APS). O Instituto de Bebidas e Saúde (IBESA) também premiou o trabalho. Apesar de não ser inédito, este estudo desenvolvido pelas investigadoras portuguesas tem uma particularidade: é o primeiro a introduzir a cerveja como uma das bebidas recomendadas no combate ao cancro da mama. Já se conheciam os efeitos benéficos do chã verde e do vinho tinto (apesar de terem sido estudados outros compostos polifenólicos diferentes dos do estudo português), como elementos inibidores do crescimento do cancro da mama, mas nunca se tinha falado na cerveja. "O estudo conclui que o xanto-humol, que se encontra em abundância na cerveja, foi o mais eficaz na frenação da proliferação das células tumorais, demonstrando um efeito mais precoce e para concentrações mais baixas", esclareceu Maria Conceição Calhau.