O consumo de heroína em Portugal é superior ao da maioria dos países europeus, revelando a segunda taxa mais alta a seguir à Inglaterra e País de Gales. Contudo, a cannabis é, de longe, a substância ilícita preferida. Já o consumo de cocaína, ecstasy, LSD e anfetaminas está abaixo das médias europeias. O Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoactivas na População Portuguesa, realizado em 2001 e divulgado ontem, mostra, ainda, que o consumo de drogas é mais elevado entre os jovens e no sexo masculino e, regra geral, começa na adolescência, entre os amigos. O inquérito foi elaborado pelo Centro de Investigações Sociológicas da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa para o Instituto da Droga e Toxicodependência. Para tanto, foram realizadas 14184 entrevistas a uma amostra da população nacional residente no Continente e ilhas. Da análise dos resultados, verificou-se que as taxas de prevalência de declarações de consumo de substâncias psicoactivas são geralmente mais baixas do que as de outros países europeus. As declarações de consumo de heroína revelaram-se superiores à da maioria dos países da Europa usados para a comparação: 0,7% ao longo da vida, a segunda taxa mais alta a seguir à da Inglaterra e do País de Gales (1%). A cannabis é, de longe, a substância mais consumida a nível nacional, tendo registado uma taxa de prevalência de 7,6% ao longo da vida e de 3,3% ao longo do último ano. Abaixo das médias europeias parece estar o consumo (ao longo da vida e no último ano) de cocaína, ecstasy, LSD e anfetaminas, quer ao nível do conjunto da população, quer ao nível das populações de jovens adultos (15-34 anos). O estudo revela, ainda, que os consumos variam sempre em função do sexo e da idade. Os homens consomem mais: 11,7% dos homens e 4% das mulheres consumiram uma qualquer substância ao longo da vida. Esta relação é de 11,5% e 3,9%, respectivamente, no caso da cannabis. Os jovens são os maiores consumidores. Algarve, Madeira e Lisboa e Vale do Tejo são as regiões onde os consumos estão acima da média nacional, segundo os dados apurados pelo inquérito. A percentagem de pessoas com experiência de consumo de qualquer substâcia é mais elevada no Algarve, que regista uma prevalência de 9,1% (a média nacional é de 7,8%). Na Madeira e na região de Lisboa e Vale do Tejo as médias são, respectivamente, de 8,6% e 8,1%. De todas as substâncias, a heroína e a cannabis apresentam um padrão de consumo no último ano mais frequente e regular (de várias vezes ao dia até duas a três vezes por semana). Em 81% dos casos, os consumos limitam-se a uma só substância. Ficou-se também a saber que, na maior parte dos casos (70,7%), foi a cannabis que deu início aos consumos. A primeira utilização é maioritária entre os 15 e os 19 anos, sendo influencida pelos amigos.