Saíram ontem em liberdade do Tribunal de Vila Franca de Xira, sob termo de identidade e residência, os três suspeitos de várias irregularidades na gestão da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos - Carlos Leonel (actual comandante da corporação), Joaquim Mário Antão e Gameiro dos Santos, antigos dirigentes da associação e o último ex-presidente da Câmara. Segundo fonte policial, os três são suspeitos dos crimes de favorecimento pessoal praticado por funcionário, peculato, apropriação ilegítima, administração danosa e participação económica em negócio - crimes alegadamente praticados na década de 90. À saída do tribunal, todos os arguidos se declararam tranquilos e confiantes na justiça. Joaquim Mário Antão acusou a actual presidente da Câmara de Salvaterra, Ana Cristina Ribeiro (BE), de ter organizado uma "cabala política" com a intenção de prejudicar o PS de Salvaterra. Joaquim Antão foi ainda mais longe e acusou Ana Cristina Ribeiro de ter dado emprego na autarquia ao filho de um dos responsáveis pela investigação, com o objectivo "claro" de o pressionar. Também Gameiro dos Santos se mostrou bastante incomodado com o "cenário hollywoodesco" montado e que considerou desnecessário. "Todos somos pessoas de bem, bastava terem-nos notificado para virmos prestar declarações, que nós estaríamos cá à hora marcada". O Bloco de Esquerda de Santarém reagiu, em comunicado, a idênticas considerações já na véspera tecidas pelo presidente da associação, Carlos Marques, rejeitando "a implícita acusação de manipulação das autoridades judiciais". Ontem, Carlos Marques (que é também vereador do PSD na Câmara de Salvaterra), insistiu na tese de que a situação criada tem "claramente contornos políticos" e está a servir outros interesses. E mesmo admitindo que as constantes polémicas na corporação provocaram já alguma divisão interna, afirma tratar-se "apenas de dois ou três bombeiros que estão a ser manipulados por pessoas que os estão a iludir com promessas".