A nova composição dos órgãos do PSD saída do congresso gerou ontem comentários insatisfeitos entre os sociais-democratas do Porto, incluindo dirigentes, uns por defenderem um maior grau de representação do distrito, outros por estarem preocupados com o facto de adversários de Rui Rio terem sido eleitos para o Conselho Nacional. E houve uma demissão em Gondomar, por parte do líder do PSD local, que lamenta que o concelho tenha deixado de estar representado após a saída de Valentim Loureiro e José Oliveira, nomes envolvidos no caso do "Apito Dourado". Para ontem à noite, foi marcada uma reunião alargada da Distrital, dedicada à mobilização para a campanha eleitoral, para o que foram convidados os candidatos Pedro Duarte e Silva Peneda e todos os directores de campanha, além do governador civil, os dirigentes concelhios e os autarcas. Mas o resultado do congresso prometia marcar o encontro, enquanto Marco António suscita dúvidas sobre uma recandidatura à Distrital, tendo solicitado ao secretário-geral a marcação de eleições internas já para a primeira quinzena de Julho. O presidente da Concelhia do Porto, Francisco Ramos, admitiu a sua insatisfação e o próprio líder distrital, apurou o JN, esperava maior representação do distrito e que Rui Rio saísse mais reforçado. Francisco Ramos explica que "qualquer militante do distrito do Porto não terá, certamente, ficado satisfeito, olhando para a representação do Porto". "Também eu vejo com alguma tristeza esta quebra de representatividade", desabafou, referindo-se ao facto de o distrito deixar de ter alguém no Conselho de Jurisdição, onde estava Cândida Oliveira, que não conseguiu ser eleita, enquanto Valentim Loureiro saiu da mesa do congresso, de que era vice-presidente. Do mesmo modo, considerou "mau para o partido que o Porto, e outras distritais, não estejam mais representados". E concluiu que o partido se "fechou um pouco em torno do grupo mais chegado ao presidente". De "relevante", destaca a entrada de Miguel Veiga para segundo no Conselho Nacional. Isto apesar de lamentar que a lista de Durão tenha obtido menos de 50% (embora outras listas sejam apoiantes do líder). Francisco Ramos desvalorizou a entrada de adversários de Rio, mas alguns dirigentes admitiram ao JN "preocupação" por Antero Pinto (que disputou as últimas eleições concelhias no Porto), Pedro Braga, Manuel Nápoles e Guilherme Aguiar (próximo de Menezes) terem assento ao mais alto nível. Já Fernando Paulo, líder interino do PSD/Gondomar, demitiu-se porque o concelho ficou sem representação, quando "merecia solidariedade e uma demonstração de confiança" por parte da Nacional pela forma como "ultrapassou" a polémica surgida em torno de Valentim e de José Oliveira, o até então líder concelhio que era membro do Conselho Nacional. Mas destaca não ter "nada contra" a Distrital, "bem pelo contrário", e salienta que "o Porto deveria ter tido maior representatividade". O novo secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, deverá asssumir, ele próprio, as funções de porta-voz do partido, até ao momento desempenhadas por Pedro Duarte. A melhor solução será discutida na primeira reunião da Comissão Política Nacional do partido, mas tudo indica que não será mesmo José Eduardo Martins a assumir tal função. Aliás, são vários os sociais-democratas que referem que tal alternativa nunca esteve realmente em cima da mesa, apesar de ter circulado como hipótese durante o congresso realizado, no fim de semana, em Oliveira de Azeméis. Além disso, o facto de Pedro Duarte ter assumido até hoje o papel de porta-voz social-democrata prendeu-se com a necessidade de retirar tal função a José Luís Arnaut, o até agora secretário-geral do PSD. Isto devido a este social-democrata ter assumido a pasta de ministro-adjunto de Durão Barroso