O conflito iraquiano é um dos assuntos que mais têm preocupado Mário Soares ultimamente. Opositor feroz posição do governo português no conflito, o ex-presidente da República, defende agora que "já devíamos ter retirado a força da GNR do Iraque". Em seu entender, o primeiro-ministro, Durão Barroso, deveria ter feito uma avaliação mais consistente da situação no território e, em seguida mandar regressar as forças portuguesas. "O que está a fazer uma força de paz e de manutenção da ordem num país que está em guerra?", perguntou, respondendo que "nem sequer era preciso esperar por 30 de Junho". Para Mário Soares, a tensão iraquiana não vai baixar senão quando se der "a derrota de Bush" nas próximas eleições norte-americanas de Novembro. "A sua política externa falhou e desacreditou completamente o Ocidente", lamentou Soares. "Isto não pode ser visto de forma ligeira", disse também, a propósito das violações cometidas por soldados americanos a iraquianos, sob a responsabilidade política de Donald Rumsfeld. Indignado, Soares perguntou-se: "Como é que Bush não demitiu já Rumsfeld? Se não estivesse comprometido politicamente com ele, já o teria demitido". ONU no Iraque "Estes são processos condenáveis no direito internacional. Depois dos campos de concentração do nazismo e do comunismo aprendemos que não se pode entrar por esse caminho", sublinhou. A pergunta para a qual ainda não encontrou resposta é "como sair do Iraque?". "Ou os Estados Unidos saem já, e isso é também uma desgraça, ou passam todo, mas todo o poder económico, militar e político para as Nações Unidas". "Mas como é que ficará o Iraque? Poderemos aceitar o desmembramento daquele país?". "Não vejo condições para a transição", acrescentou, desejando que "Bush se vá rapidamente embora". Quanto às críticas feitas por Graça Moura e Pacheco Pereira aos que levantaram a voz contra as torturas no Iraque - que lembraram que essas vozes não se levantaram em 1976, em Portugal, aquando do relatório das Sevícias -, o eurodeputado responde que "é um artifício grosseiro, sem sentido". "Comparar isso é como comparar "os campos de concentração nazis com o Tarrafal, que era muito mau, mas que não se compara com os campos nazis".