A revista "New Yorker", que contribuiu para denunciar os casos de tortura praticados por soldados americanos no Iraque, assegura que foi Donald Rumsfeld, secretário da Defesa dos Estados Unidos, quem aprovou um plano altamente secreto que autorizava o uso de métodos coercivos nos interrogatórios a presos iraquianos, tendo o presidente George W. Bush sido informado do programa. O Pentágono, todavia, já desmentiu a veracidade da notícia. Numa altura em que Rumsfeld luta pela sobrevivência política, a "New Yorker" assestou mais um rude golpe no secretário da Defesa, pressionado pelo Partido Democrata para se demitir, não obstante Bush ter vindo a terreiro manifestar-lhe o seu apoio. A coberto de fontes anónimas, a revista indica que a tortura foi pensada para ser usada apenas no Afeganistão, no âmbito da captura de terroristas da al-Qaeda, mas Rumsfeld autorizou depois o alargamento desses métodos à prisão iraquiana de Abu Ghraib. Num artigo assinado pelo jornalista Seymor Hersh, o secretário da Defesa autorizou o programa secreto para conseguir resultados "palpáveis" na luta antiterrorista. Em resposta ao artigo da revista, o Pentágono - através de Lawrence Di Rita, porta-voz de Rumsfeld - garante que não há nem nunca houve qualquer programa secreto sobre interrogatórios e que as acusações ao secretário da Defesa não passam de "uma conspiração". Ao longo de um artigo de 17 páginas, a "New Yorker" - que cita sob anonimato um alto responsável da CIA - sustenta que Rumsfeld tencionava, a prazo, passar para a Secretaria da Defesa o controlo das operações clandestinas e paramilitares dos Estados Unidos, o que irritou os Serviços Secretos. Nesse sentido, Rumsfeld mandou instalar no Pentágono, numa zona de alta segurança, o denominado Programa de Acesso Especial (SPA), considerado o segredo melhor guardado dos militares americanos. O plano de Rumsfeld, elaborado em consonância com o general Richard Myers (chefe de Estado-Maior Interarmas) e a conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, foi aprovado pelo presidente Bush depois dos atentados em Agosto passado contra a sede da ONU em Bagdade. Os soldados da GNR no Iraque estiveram ontem sob fogo, durante o reforço a posições defensivas em Libeccio, perto de Nassíria, onde os militares italianos foram atacados e sofreram cinco feridos (um em estado grave). Os GNR regressaram à base ilesos. O ataque de milícias xiitas a Libeccio obrigou os militares italianos a abandonar um dos postos controlando uma ponte sobre o Eufrates. Em Nassíria, foi também atacada uma coluna onde viajava o oficial italiano responsável pela cidade, Barbara Contini. A Secção de Operações Especiais do Subagrupamento Alfa da GNR foi então chamada para reforçar as posições defensivas em Libeccio, juntamente com os italianos. Também a Secção Sanitária da GNR foi chamada a socorrer italianos feridos na coluna atacada.