Reunir a Assembleia para se apurar a ridícula questão de saber se os deputados serão ou não castigados se forem à bola, e perceber-se que pode haver um Sr. chamado Pinto da Costa e que parece estar até indiciado por crimes graves, que é presidente de um clube, que se dá ao luxo de usar o poder que lhe dão colocando os deputados do País em suspenso retendo a divulgação dos nomes que lhe convém convidar; prisão daquele que mais brada pela sua própria honorabilidade mas que, segundo o Expresso e o próprio Ministério Público, já deveria estar a cumprir longa pena há muitos anos, de seu nome Valentim Loureiro; soltar mais um arguido por forte suspeita de ter atentado contra menores na sua forma mais abjecta e a quem sempre se referem como o Sr. apresentador Caros Cruz; soltar ainda outro, pelas mesmas razões, de nome Abrantes, e que era, ainda por cima, pago para zelar pelas vítimas; a vitória de um clube de futebol, e derrota de outro, apresentadas de forma a parecer ter a ver com a sobrevivência de todos nós, mas que é, afinal, com a das SADs e dos seus respectivos responsáveis, rodeados de escândalos permanentes e que vivem de forma escandalosa com o dinheiro que já se provou que não geram; acabar por se saber que a Assembleia, toda a Assembleia, acha que o que tem relevância para a nossa terra não são as coisas mais que óbvias de que todos nos queixamos a toda a hora, mas sim a necessidade de ter de ceder de tal forma às pressões dos homossexuais que, para além da alteração que acaba de vez com a nossa soberania, só fizeram mais uma, que foi proteger este tipo de gente; saber que continuamos assim com uma Constituição cuja democraticidade nos impede de ter o regime que quisermos, e que se mantém, trinta anos depois da revolução, com a obrigatoriedade de termos como meta a via para o socialismo e de acharmos que um homossexual é normal; saber-se que afinal foram meia dúzia de barquinhos, que saem quando lhes apetece para pescar robalos à linha e que depois os vendem a bom preço aos restaurantes sem pagar um tostão de impostos, a pedra de toque que impediu que o American Cup decorresse em Portugal; chegar-se à conclusão que a verdadeira razão de não haver metropolitano até ao aeroporto, para o que bastaria uma obra não muito cara a partir do Areeiro, é o «lobie» dos táxis, que passam horas à espera de clientes para depois lhes levar o coiro e o cabelo pelas corridas ameaçando invadir Lisboa sempre que os contrariam; ouvir uma menina com um esgar misto de deslumbramento e de alucinado, a quem convenceram de que é jornalista, a querer saber, não como está a mulher do guarda-republicano que não foi para o Iraque, mas como esta se sentira se o governo tivesse feito a desdita de o mandar para lá; ver o Presidente da república com aquele seu ar de falta de paciência dizer que nada tem a ver com um pedido que lhe fizeram e que atribui àquilo que insiste em chamar sociedade civil, sem esclarecer através de que interlocutor, sabendo-se de antemão que isso não passa de uma pequena e baixa política para intervir, à Soares, atacando aqueles em quem se votou para governarem, que são os governantes; ver ainda este mesmo Presidente, farisaico, fingindo-se compungido e preocupado tentando convencer-nos de que a sua paixão de sempre nunca deixou de ser a educação, insultando-nos a inteligência por admitir que todos seremos mentecaptos por não termos resolvido o problema, que ele se convence, que nós nos convencemos, que ele os resolveu com frases demagógicas e populistas; vir-se a conhecer parte da alteração à lei do arrendamento, que exclui os comerciantes do regime de um hipotético aumento, mantendo-se assim um complexo fundamentalista contra os senhorios, que continuam, sessenta anos depois da lei do congelamento de rendas, obrigados, por lei, a financiar os inquilinos que, entretanto, enriquecem com o que vendem, com trespasses milionários, com sub arrendamento e com a ridícula possibilidade da segunda geração poder herdar um imóvel que não lhes pertence; ver condecorar uma criatura acusada de gravíssimos crimes e de tudo ter tentado para que se instalasse em Portugal uma ferocíssima ditadura, de seu nome Isabel do Carmo, e castigar, de forma violenta, os arrependidos em cujos depoimentos se basearam as provas contar aquela mulher terrorista; saber-se que o Estado não tem dinheiro para mudar os programas escolares que estão mal feitos, preferindo sacrificar toda uma geração de jovens que vai aprender o que não devia, prevalecendo assim a inacreditável pressão dos autores e dos editores; saber que há uma presidente de Câmara que se mantém a governa-la, depois de fugir à polícia para o Brasil e acusada de crimes de corrupção, aceitando ainda por cima, que um advogado estrangeiro viesse a Portugal insultar tudo e todos em sua defesa, sem que ninguém o incomodasse nem o colocasse de imediato na fronteira; verificar que Portugal passou a ser moeda de troca, havendo já socialistas a dispor do seu património, e até da sua soberania, para trocar, sabe-se lá a troco de quê, como foi o caso da tentativa da passagem da propriedade das ilhas Selvagens para os espanhóis, e do Comando da NATO para a Andaluzia, agachando de forma vil à ameaça dos castelhanos aquando das passagens em voo rasante de aviões de caça sobre o arquipélago; ver a tragédia que é o desplante dos empreiteiros perante as Autarquias, sabendo, como sabem, da inevitabilidade de ganharem muitos milhões com a corrupção e com o horror da orgia de betão, que fazem proliferar por este País fora, desfigurando paisagens e rebentando com o ambiente, sendo o elemento da cadeia em que menos se toca exactamente esses empreiteiros; para terminar, assistir-se ao ignóbil atropelo que deliberadamente se tem feito à Igreja, dificultando-lhe a vida nas mil e uma actividades que desenvolve, sobretudo naquelas em que deveria ser o Estado a responsabilizar-se como o ensino, assistência e outras, tudo se tratam de imbecilidades com que os portugueses acordam todos os dias, mas estas não são as principais preocupações dos portugueses nem aquelas que um País sério e antigo deve ter, e tem. Tudo isto o que são, são atribuições das pessoas com poder, e no poder, mas que não são as que Portugal deveria ter para ser o País que merece. Mas há, neste nosso País, quem saiba que não é assim que se deve regular a vida dos portugueses, e como se deve administrar este rectângulo quase milenar. Há mesmo quem saiba como é, só que não aparece, dado preferirem preservar a dignidade e o decoro que lhes vem do bom senso e da higiene mental, e não quererem misture-se com o que parece ser o Portugal das televisões. Mas como Portugal não é o que a mediocridade não consegue ultrapassar, e que é mostrado nas televisões, nem ainda, talvez, a clic dos MBA e dos «yoopies» que acham que o «País tem viabilidade»... aqueles valores sérios e patriotas de que faz parte a nossa reserva, poderiam muito bem surgir à luz da vida para se tentar ir a tempo de se poder, ainda, deixar à nossa descendência, pelo menos, o valioso e quase milenar legado que nos deixaram.