Eu não queria fazer mais humor do que aquele que tenho feito ao longo da minha vida com o respeitoso Manuel Monteiro, fundador do PP, fundador do Partido Nova Democracia, fundador do que ele quiser, e ajudado a fundar pelo Independente e pelo Paulo Portas. Mas, o Manuel Monteiro, cuja existência política é ténue e tão discreta que nem se nota a maioria das vezes, resolveu fazer um site com o seu nome, uma coisa assim para o modernaço, que dê voz e nome à Nova Democracia e institua o diálogo cibernético e interactivo com o leitor. E o votante. Mas, como tudo o que o Manel faz, e note-se a tentativa de transformar o soturno Manuel no popular e coloquial Manel, o site www.DigaoManel.com apresenta um inegável e inconfundível cheiro a mofo. Ele tem site, ele tem blog, ele tem chat, ele tem meeting up, ele tem tudo, o que não tem é graça nenhuma. Cores mortas e frias, líderes pálidos, propostas ínfimas, grafismo estrénuo, fotografias de além-túmulo. Não perca a local sobre a visita do líder à feira de Famalicão, em que o povo lhe demonstrou a maior «simpatia». Este tipo de discurso até nos faz sentir saudades do Almirante Américo Tomás na feira da Golegã. No site, uma foto do dia remete-nos para senhores que não conhecemos e quase certamente não queremos conhecer. O resto das fotos parecem retiradas de documentos de identidade passados de prazo, BI´s e passaportes caducos. A Nova Democracia já nasceu velha. Por outro lado, não se pode dizer que um site que aparece postado em diversos lugares da cidade, anunciado em grandes outdoors estratégicos que acentuam a depressão urbana, tenha tido um êxito por aí além. 18% dos inquiridos votantes dizem que gostam do site. 46/% dizem que não gostam. E mais 35% acham o site muito bom. Ok, pode dizer-se que a maioria gosta de dizer ao Manel ponto come, mas, a maioria é meia dúzia de gatos pingados. No princípio desta semana, 592 se pronunciaram, eu incluída. Não chega para formar uma base partidária que queira mudar a democracia em Portugal. Não chega sequer para uma base de tarte. Resta-me desejar ao Manuel Monteiro que se mantenha à tona, o que apesar de tudo tem conseguido fazer soletrando de quando em vez meia dúzia de frases piedosas na televisão. Do género: «a democracia portuguesa está comatosa». Pois está, pois está, e diga-se ao Manel com toda a franqueza, ele é o mais comatoso de todos.