Os governos da Noruega, Suíça, Canadá e México instituiram bolsas de estudo nos respectivos países para cidadãos portugueses, a decorrerem durante o ano lectivo de 92/93 -- excepto no caso do México, cujas bolsas respeitam ao corrente ano lectivo. Os interessados podem obter informações detalhadas, tal como os impressos de candidatura e apresentação, junto da Direcção dos Serviço das Relações Culturais Bilaterais do Ministério dos Negócios Estrangeiros, no Largo do Relvas, 1354, Lisboa.
A greve dos trabalhadores não-docentes do Conservatório de Música do Porto, iniciada na passada quarta-feira, fez com que este estabelecimento permanecesse encerrado desde então. O motivo da paralisação prende-se com o facto de os trabalhadores não-docentes do Conservatório esperarem, desde 1983, a definição da sua carreira profissional. Após várias tentativas junto das entidades competentes no sentido de resolver o problema, o Sindicato de Trabalhadores da Função Pública do Norte e os trabalhadores em greve decidiram enviar uma carta ao Ministro da Educação «acusando de incúria todas as entidades com poderes e competência na matéria e que, até agora, pouco ou nenhum interesse demonstraram em possibilitar uma solução para o problema».
Após quatro anos de negociações, foi constituida a Associação Nacional de Estudantes de Direito (ANED). A criação formal da ANED teve lugar na sede da Associação Académica da Universidade Internacional, onde estiveram representantes das quatro associações académicas organizadoras: Universidade Internacional, Universidade Lusíada, Universidade Moderna e Universidade Autónoma. Na altura foram redigidos os estatutos da ANED, insitituição que passa a representar mais de metade dos estudantes de Direito.
«Novas Perspectivas no Ensino da Geometria» foi o tema escolhido para um seminário que vai ser organizado pela Universidade Portucalense, no Porto, nos próximos dias 14 e 15, nas suas instalações. Durante os dois dias vão ser debatidos assuntos como «Capacidades Geométricas», «Os computadores e a Geometria», «A experiência do ensino da Geometria no Ensino Básico», «Arte e Geometria» e « «Convivência com a Geometria ao longo de 50 anos». Para as palestras foram convidados Augusto Lopes, Maria Elfrida Ralha, Maciel Barbosa, Augusta Neves, Conceição Almeida, Abílio Fonseca, Fátima Gomes, Margarida Silva, Machado Moura, Josep Fortuny e Rogério Nunes.
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) subscreve a greve nacional da administração pública marcada para o dia 18 de Fevereiro proposta pela frente de sindicatos afecta à CGTP, UGT e por sindicatos independentes. A decisão foi tomada ontem pelo secretariado da Fenprof, reunido em Albufeira, no decorrer da Segunda Conferência Nacional do segundo e terceiro ciclos do ensino básico e do ensino secundário, que terminou naquela cidade.
Esta reunião em Albufeira, para além de uma «reflexão global» sobre os problemas do ensino,teve também como objectivo propor soluções para as carências com que os docentes se confrontam no dia-a-dia e que, para além de uma indefinição de carreiras, se traduzem numa má imagem que a classe tem junto da opinião pública.
É um pequeno caderno de 48 páginas e o seu objectivo é esclarecer os candidatos ao ensino superior sobre a Prova Geral de Acesso (PGA), cuja primeira chamada terá lugar na próxima segunda-feira, dia 3 de Fevereiro.
A primeira secção inclui um texto seguido de seis questões de resposta fechada (em que os examinandos apenas têm que escolher uma de entre as várias respostas formuladas, assinalando a sua escolha com uma bola) e duas de resposta aberta. Cada uma das seis perguntas fechadas tem cinco respostas alternativas. Nas questões de resposta aberta, será pedido aos alunos para fazerem uma síntese do texto ou de parte dele, condensando as ideias-chave num mínimo de palavras. Outro tipo de pergunta desta primeira secção será o alargamento de texto, em que o candidato fará uma introdução ou um final coerente com o ponto de vista do autor.
Apenas trinta por cento dos alunos do Ensino Secundário terão a disciplina de História no seu currículo. Temas como a «cidade no mundo antigo», «senhorio e feudalidade», «fenómeno urbano na dinâmica conjuntural dos Séculos treze a quinze», «tensões políticas e equilíbrios geoestratégicos da Segunda Guerra Mundial aos nossos dias» farão parte dos três anos daquele nível de ensino.
«Se antes já era difícil cumprir os programas, agora, com as metodologias propostas, será ainda mais difícil», referiu um professor da província, com quinze anos de ensino, mas que preferiu o anonimato. «Perdeu-se uma boa oportunidade para renovar os programas de alto a baixo. Vão manter-se os bocejos na sala de aula, quando se falar da Grécia, do Egipto, da Idade Média. Seria mais atractivo para os alunos, fornecer-lhe a compreensão dos grandes problemas actuais.»
O Instituto Superior de Humanidades e Tecnologias celebrou um protocolo com o Sindicato de Professores do Primeiro Ciclo do Ensino Básico para a realização de cursos de formação contínua e estudos superiores especializados na área da educação. Através deste protocolo, o instituto desenvolverá um plano de cursos de formação contínua sobre a reforma do sistema educativo, exclusivamente dedicado aos sócios daquele sindicato.
A falta de professores qualificados de Matemática foi um dos aspectos preocupantes do panorama do ensino da disciplina em Portugal que ocupou as atenções dos docentes da área presentes num encontro em Torres Novas. Os professores fizeram sentir em diversas intervenções a falta de estabilidade dos grupos de professores de Matemática, que sofrem substituições quase constantes, devido ao abandono da profissão por parte de muitos dos docentes. No encontro foi divulgado um estudo ainda não publicado pelo Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação português, segundo o qual, entre 14 países, Portugal ficou em penúltimo lugar no nível de conhecimentos matemáticos e de ciências dos alunos da «4ª classe» e do 8º ano. Os professores presentes reivindicaram mais acções de formação, foram unânimes na aceitação do uso das calculadoras e consideraram «incompreensível a não tomada em consideração, pelo Ministério da educação, das posições da SPM e da Associação de Professores de Matemática».
Vítor de Sá, professor jubilado da Faculdade de Letras do Porto, doou à Universidade do Minho os direitos de autor relativos às obras que constituem a sua bibliografia e uma verba em dinheiro, que se destinam a permitir a criação de um Prémio de História Contemporânea. Este galardão, no valor de 300 mil escudos -- atribuídos periodicamente pela Universidade do Minho, através do seu Conselho Cultural --, pretende incentivar a investigação, no âmbito da História Contemporânea, de Portugal a partir de 1820. O professor doou ainda à Universidade um conjunto de documentos de natureza histórica, política e literária, resultantes da sua actividade de investigação e intervenção pública.
Largamente anunciado pelo Ministério da Educação foi também o facto de 1991 ter sido o primeiro ano em que o número de vagas ultrapassou o número de candidatos: quase 59 mil alunos para 61 mil e 500 vagas. O busílis é que quase metade destas vagas -- 29 mil -- estiveram no ensino superior privado, cujo número de escolas e de cursos aumentou astronomicamente nos últimos dois anos.
Com o patrocínio da Câmara Municipal de Penafiel, o Departamento de Ciências Históricas da Universidade Portucalense editou um estudo de Fernanda Maia sobre o tema «O Mosteiro do Bustelo: Propriedade e Produção no Antigo Regime (1638-1670 e 1710-1821)». Trata-se de uma investigação para tese de mestrado no âmbito de um programa da Faculdade de Letras do Porto, destinado à elaboração de monografias temáticas sobre casas e instituições religiosas de Entre-Douro e Minho.
Nuno Manuel Vasconcelos Tavares Moreira foi nomeado pró-reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Nuno Moreira substitui, na área da Documentação e Extensão e também na direcção do Boletim «Campus», Artur Cristóvão que, a seu pedido, deixou aquelas funções. O novo pró-reitor da UTAD nasceu em 1954, na Póvoa de Varzim, e licenciou-se como Engenheiro Agónomo no ano de 76 pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa. Desde então tem-se dedicado à investigação na área da produção e utilização de forragens e pastagens, tendo-se doutorado em 1986.
Um grupo de alunos de uma escola secundária do Porto conseguiu que uma professora os ajudasse a prepararem-se para a PGA. Durante meses, informaram-se sobre a actualidade e aperfeiçoaram o domínio da língua. Mas agora, às portas do exame, duvidam de tudo o que aprenderam e acreditam, simplesmente, que a sorte será a chave do sucesso. Como eles, mais 122.000 estudantes vivem as últimas horas de angústia antes da grande prova.
Entre todos os professores da escola, foi Dália Dias, da disciplina de Português, quem deu a resposta afirmativa: disponibilizou as manhãs de quinta-feira para os ajudar a «desdramatizar a prova». E, uma vez acabadas as aulas, os jovens sentem que estas foram proveitosas: dominam melhor os temas da actualidade e compreendem melhor o tratamento dos textos, mas o certo é que continuam a mostrar-se perturbados com a chegada da PGA. Não se trata tanto de temer a avaliação, mas antes do receio de encarar directamente todo o ambiente que se criou à volta da prova. «Mandam-nos entrar, meia hora antes, para uma sala onde estão três professores. Mesmo que se queira, não conseguimos ficar descontraídos», diz uma aluna de Humanísticas.
«Il faut croire que les images font peur», tinha dito Hervé Guibert. As hesitações da TF1 comprovaram-no. Guibert podia escrever sobre o seu sida e tornar-se sujeito de um sucesso editorial, personagem eminentemente mediática, mas nem por isso o processo de exposição pública deixava de trazer uma parte maldita, o escândalo do impudor com que se colocava no espaço público o mais dolorosamente privado dos factos da «convivência» com um intruso, o vírus que no seu corpo lhe ia trazer a morte. Um «escândalo» que ganhava forma na passagem da escrita às imagens.
Se precedente houve, foi «Lightning Over Water», a morte de Nick Ray filmada pelo próprio e Wim Wenders, caso único na história do cinema e caso polémico precisamente por alegado «voyeurismo mórbido». Era um exemplo que podia ainda ser entendido, como caso terminal de uma certa mitologia cinematográfica. No caso de Guibert, a passagem do privado ao público, sendo extremamente pessoal, não deixa de ser «transmissível». O acto impúdico não é perceptível apenas como o concreto processo de uma pessoa, porque supõe desafiar o espectador para o que ele preferiria não ver, aquele mas também os muitos outros casos de sida que existem na sua proximidade. Os gestos quotidianos, do difícil levantar, de tão fracos que estão os músculos, aos encontros clínicos, são tanto mais o contrário da banalidade quanto sabemos, sem margens para dúvidas, que a eles correspondem os de muitos outros doentes. O escândalo toma então a sua mais dolorosa dimensão social no modo como se persiste em manter na invisibilidade do anonimato as evidências multiplicadas do tabu, da morte.
Quem viu Hervé Guibert na televisão, meses antes do seu fim previsto, em directo, com a sua imagem evanescente e distanciado dela como um marciano, terá experimentado, como eu, uma sensação intolerável de fascínio mórbido e de desamparo cultural. Puro exibicionismo, no limite da gratuidade escandalosa, ou tentativa desesperada para diluir o pânico diante da sua morte inscrita no corpo, aprisionando o mais arcaico dos nossos fantasmas no espectáculo da sua própria manifestação? Se a pulsão de que a literatura nasce não é mais que encenação reiterada da diferença que separa a vida da morte, impedindo a vida de gozar a sua potencial eternidade, a «experiência» a que Hervé Guibert se submeteu como objecto e sujeito concerne e perturba, na sua essência, não só a nossa costumada relação com a morte mas também com a literatura. Hervé Guibert tentou não só dizer, de maneira minimal, o discurso de um corpo em estado de agonia branca, exangue como o seu rosto translúcido, mas apagar com ele a distância que separa a vida da morte, espaço-tempo sem enunciação no interior do qual a literatura nasce. Escrever, re-escrever a morte, em vez de escrever sobre ela, obrigá-la a integrar-se sem resíduo na imagem ou na palavra que não fala dela senão por alusão ao corpo onde já está escrita, é a primeira vitória sensível da «literatura» sobre a morte ou a apoteose da sua impossibilidade?
Em «La Pudeur et l'Impudeur», o escritor francês Hervé Guibert filma a sua própria morte. Guibert morreu de sida. O filme, que deveria ter passado na televisão francesa no passado dia 17 de Janeiro, foi adiado e passou enfim anteontem. «As regras `tranquilizantes' da emissão televisiva, sobretudo num canal de larga audiência como a TF1, conjugam-se dificilmente com a terrível verdade de um corpo que vai definhando, que vai tomando um aspecto «cadavérico'», escreve nestas páginas Augusto M. Seabra. E Eduardo Lourenço comenta, por seu turno: «Falando de si como mortal, de tal modo que a consciência disso e o `suspense' atroz da sua morte coincidissem, Hervé Guibert dissolve-se na sua própria imortalidade.» Parece -- diz Tereza Coelho - que Guibert gostava de negociar: trouxe da FNAC onze cassetes para este filme pelo preço de dez. «Mas com a morte não há negociação possível, a não ser esta, provavelmente: registar.» Foi o que ele fez neste filme, como já fizera nos livros.
A Europália Portugal teve 1.238.700 visitantes, menos 400 mil que a Europália Japão, em 1989, e que a Europália Áustria, em 1987, e menos 300 mil que a Europália Espanha, em 1985. O maior afluxo de visitantes acorreu, como nos festivais anteriores, às exposições, que Portugal organizou num número muito menor que os países que o antecederam na Bélgica. Do programa português constavam 19 exposições, ao passo que o Japão organizou 59, a Áustria 48 e a Espanha 43. Daí que tenham visitado as exposições da Europália Portugal 690.961 pessoas, um pouco mais de metade do que as que foram ver as exposições das duas Europálias anteriores. Quanto ao saldo financeiro da Europália Portugal, ainda é cedo para se saber, só em Maio. A proposta de Orçamento do Estado prevê que o saldo final da Europália seja integrado no Fundo de Fomento Cultural, da Secretaria de Estado da Cultura.
Assim, ao Novo Grupo e Teatro Experimental de Cascais foram atribuídos os subsídios máximos, no valor de 61.050 contos. Para os outros grupos principais -- Comuna, Cornucópia, Grupo de Teatro Hoje e Cendrev --, os subsídios são 44.400 contos. Todas estas companhias têm contratos bianuais, ou seja, receberam apoio mediante uma proposta de programação que inclui a estreia de, pelo menos, cinco obras durante dois anos.
O filme ao princípio durava doze horas. Depois foi montado, e reduzido a uma hora. Chama-se «La Pudeur ou l'Impudeur», e pode ser visto como uma versão de «Le Protocole Compassionnel» (Gallimard), o segundo dos livros-sida de Hervé Guibert (o primeiro, «A L'Ami qui ne m'a pas Sauvé la Vie», tinha sido publicado um ano e meio antes, em 1990, também na Gallimard).
«Le Protocole Compassionnel» não foi o último livro publicado -- depois disso, surgiu «Mon Valet et Moi», e «Vice», um texto recuperado. Há livros de Hervé Guibert -- «Des Aveugles», «Vous m'Avez Fait Former des Fantômes», «Mes Parents» (todos publicados na Minuit) que o deveriam imediatamente ter feito entrar na categoria dos «grandes escritores», se fosse uma categoria apropriada para colocar alguém que nunca poderia ser popular -- sempre foi demasiado perverso e demasiado sofisticado para isso. Uma espécie de Thomas Bernhard revisto por um Sade contemporâneo. Os dois livros-sida não são diferentes dos outros -- se exceptuarmos a morte, porque são os livros de um moribundo. Mostrando a morte, surgiu algo como um humanismo particular, inflexível, o mesmo das fotografias de Eugene Smith. Hervé Guibert refere uma fotografia da série das vítimas da poluição de Minamata, em que uma enfermeira se curva para um homem a morrer. Os limites dos homens: os direitos que têm e os preços a pagar.
A DIRECÇÃO da Associação Portuguesa de Escritores (APE) manifesta, num comunicado à imprensa ontem distribuído, a sua preocupação com a aplicação da taxa positiva do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) ao livro, até agora sujeito a taxa zero. Esta aplicação «constitui uma prova do pouco ou nenhum respeito que os poderes públicos nutrem pelos escritores e pelos seus leitores -- o mesmo é dizer pela Cultura», lê-se no comunicado. Caso a aplicação da taxa positiva do IVA ao livro seja aprovada pela Assembleia da República --o que os escritores recusam admitir -- «os livros serão mais caros, os escritores mais pobres e menor o número de leitores». A APE apela ao «bom-senso dos poderes públicos, e de todos aqueles que podem influenciar a acção governativa, no sentido de evitar mais este atentado ao progresso cultural do povo português».
Diz-se «Contradições» e é um programa onde «se tenta tratar assuntos da História» «com tradições». Um programa que prefere «os protagonistas e as testemunhas», a especialistas. «Há a preocupação de fazer um vaivém. Falar de coisas mais próximas e coisas mais longínquas», diz o seu editor.
O controverso filme de Hervé Guibert «La Pudeur ou l'Impudeur» foi finalmente difundido anteontem à noite, no primeiro canal da TF1. A obra, realizada e interpretada pelo escritor nos meses que antecederam a sua morte, estava inicialmente programada para 17 de Janeiro, mas, objecto de viva polémica, a sua exibição acabaria por ser cancelada à última hora.
Tudo isto se apresentaria demasiado forte para certas franjas da sociedade francesa, que alertaram o Conselho Nacional da Sida (CNS) -- entidade que intervém no campo da prevenção contra propagação da doença.
As cerca de três mil pessoas que na noite de anteontem encheram o Coliseu do Porto para ouvir Maria João Pires, num concerto comemorativo do primeiro centenário da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas do Norte, tiveram de esperar por um breve «encore» da pianista para escutar a ansiada interpretação de Mozart.
Neste cenário, será que a pianista, perante um público tão vasto quanto heterogéneo, não ousou tocar o «seu Mozart» -- sobretudo por se tratar de uma sonata?
O Prémio de Arquitectura da secção portuguesa da Associação Internacional de Críticos de Arte, AICA 91, vai ser atribuído a Henrique Chicó pelo projecto de recuperação de um edifício antigo situado no cruzamento da rua Braancamp com a rua Castilho, ao Marquês de Pombal, em Lisboa. O projecto de Chicó manteve a fachada antiga do edifício, agora restaurada. Acima da fachada, pintada de azul, vê-se uma construção moderna em que o vidro é predominante. Um edifício como que «nasce» dentro de outro. O júri, presidido por José Augusto-França, director do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, reconhece que o projecto de Henrique Chicó «é passível de polémica «mas que, no entanto, aborda o problema da integração do pré-existente no actual». A pintora Ana Viera vai receber o Prémio AICA para as Artes Plásticas, pela exposição «Diário de Cinco Dias». A decisão de atribuir este Prémio a Ana Viera relaciona-se com o seu trabalho de «pesquisa sobre a construção e desconstrução do espaço organizando um discurso pictórico e criador de temporalidades». Os prémios AICA nasceram de um protocolo entre a Secretaria de Estado da Cultura e a Associação Internacional de Críticos de Arte.
As três associações representativas dos agentes de navegação existentes em Portugal chegaram a acordo para a constituição da Federação Portuguesa dos Agentes de Navegação (Fepan). Uma equipa de técnicos das três associações, que representam cada uma a sua área geográfica -- Norte, Centro e Sul --, está a preparar os estatutos da futura organização, que poderá ser constituída durante o primeiro trimestre do corrente ano.
Cerca de 100 empresas transitárias reunidas no Luso, no dia 25 de Janeiro, consideraram que a terminologia de facturação elaborada pelas associações de transitários portugueses (APAT), espanhóis e italianos, que mereceu a aprovação de princípio do comité de ligação europeia dos transitários, deverá ser posta em prática com a brevidade possível pelas empresas do sector.
O movimento do porto de Leixões baixou em 1991 quase 600 mil toneladas em relação ao ano anterior, segundo dados da própria Administração dos Portos do Douro e Leixões. Enquanto, em 1990, o movimento total foi de cerca de 12 milhões de toneladas, no ano passado só 11,5 milhões utilizaram esta estrutura portuária.
Um conjunto de diversas associações empresariais ligadas à actividade portuária constituiu um grupo de trabalho para preparar um pacote de propostas para a reestruturação do sector, que será apresentado ao ministro do Mar durante este mês. Entre as entidades que o integram incluem-se o Conselho Português de Carregadores, a Associação Nacional de Utentes de Cais Concessionados, a Câmara de Armadores e a Associação de Agentes de Navegação do Centro.
No porto de Lisboa, os operadores portuários, quando necessitam de contratar pessoal junto da Comissão Coordenadora de Trabalho Portuário, têm de fazer a sua requisição até às nove horas da manhã do dia anterior, o que, na opinião de Mário Rosa Lopes, representa muitas vezes despesas acrescidas. «Porque», conforme explica, «não podem prever a hora exacta de chegada dos navios e, quando estes se atrasam, têm de pagar aos trabalhadores requisitados, e actualmente os custos ultrapassam os 30 mil escudos por dia.»
Dois mil automóveis de dez marcas diferentes foram descarregados na semana passada no cais «roll-on/roll-off» do porto de Setúbal, vindos da Alemanha, Holanda e França. O seu transporte foi efectuado pelo navio liberiano Barcelona, com 6823 toneladas de arqueação bruta, pertencente à firma alemã VAG Transport.
O terminal vai ocupar 15 hectares e as suas obras contemplam a edificação de um cais com 420 metros de extensão, além de três pontos de atracação. Será por aqui que os navios do tipo «roll-on/roll-off» (que permitem a movimentação dos automóveis pelos seus próprios meios, graças a uma rampa) procederão à exportação dos 180 mil veículos anuais a produzir em Palmela.
A Corrida dos Sinos, amanhã, em Mafra, que contará com a presença de alguns dos nossos melhores fundistas, entre os mais de dois mil inscritos é o acontecimento dominante deste fim-de-semana. Entretanto, já está à venda o «Anuário da Corrida», indispensável a todos os corredores (para mais detalhes, ver «Saídas» no suplemento Fim de Semana do próximo dia 7)
Andebol -- «Nacional» da I Divisão: Sporting-A. Funchal, às 16h; S. Mamede-Benfica, às 18h; Belenenses-E. Avenida, às 18h; ABC-TAP, às 18h; FC Porto-V. Setúbal, às 19h; F. Holanda-Académica, às 21h, no Pav. Sta. Maria Maior, em Viana do Castelo.
Quando, em Outubro do ano passado, as eleições no Benfica ganharam mais espaço na comunicação social portuguesa, Alexandre Alves adiantou a sua disponibilidade para concorrer ao acto eleitoral. Colocava apenas uma condição: que Jorge de Brito não se candidatasse.
«O meu objectivo era alertá-lo para para o tipo de gestão que ele fazia, que não é gestão nenhuma. O Benfica não está a ser gerido e não merece o tratamento que tem. Eu tinha a noção exacta de que ele não tinha condições para ser presidente do Benfica.
A reflexão epistemológica surge sempre a propósito das crises de tal ou tal ciência e estas crises resultam sempre de uma incapacidade dos métodos anteriores, para serem ultrapassadas graças à intervenção de novos métodos. A educação física, como é sabido, atravessa uma crise que não se resume unicamente à sua dimensão de escola pública, mas a toda a vida escolar onde não se deve isolar indisciplinarmente, mas sim conseguir um estudo horizontal que pode ir da multidisciplinaridade à interdisciplinaridade metodológica. Se a memória não me atraiçoa, nunca verifiquei qualquer tentativa conseguida de um trabalho aprofundado por quem tem o poder e muito menos numa informação ou consulta aos intervenientes principais, professores e alunos.
Manuel Sérgio na sua tese de doutoramento «Para uma Epistemologia da Motricidade Humana» apresenta-nos um trabalho de grande coerência global, que vai desde a sua fundamentação, em que manifesta um notável à-vontade no domínio dos autores de referência do pensamento filosófico, passando pela metodologia que vai do corte epistemológico, até à descrição e análise dos resultados alicerçado num grande saber reflexivo sobre a realidade empírica, individual e social, fazendo realçar a problemática do real e a definição de problemas.
A 2.ª Expedição Lisboa-Bissau arrancará no próximo dia 6 de Fevereiro, às 11 horas, da Torre de Belém, como estava previsto. Depois dos impedimentos levantados pela Líbia quanto à passagem da caravana, as Organizações Aventura foram agradavelmente surpreendidas com a repentina abertura da Argélia que, concedendo os vistos necessários, viabilizou a passagem da expedição, a caminho de Bissau.
Hoje, entre as 9 e as 13horas, os sócios do Vitória de Guimarães são chamados a mais um acto eleitoral, desta vez apenas de confirmação da reeleição dos presidentes dos três órgãos directivos do clube, dado que só apareceu uma lista. Pimenta Machado será assim reeleito, tal como António Fernandes (Conselho Fiscal) e António Xavier (Assembleia Geral). Os vice-presidentes, directores e vogais são escolhidos apenas depois das eleições. A grande meta para este novo mandato é a 3ª fase do complexo desportivo do clube, nomeadamente o pavilhão gimnodesportivo do clube, que dispõe de uma verba de 100 mil contos inscrita no PIDDAC. Mas a remodelação da bancada velha e a construção de uma pista de atletismo parecem estar também nos planos de Pimenta Machado. Em Guimarães, porém, empresta-se a Pimenta Machado a grande ambição de ser presidente da Câmara e não há muito houve mais uma polémica na cidade quando Ribeiro da Silva, governador civil e um dos patriarcas do PSD local, declarou a uma rádio que «Pimenta Machado não tem perfil para presidente da Câmara» e que não vai «ao futebol enquanto o presidente do clube for ele». São as guerras políticas locais, de equilíbrios sempre difíceis mas que Pimenta Machado vai mantendo com o candidato à presidência do Conselho Fiscal a ser um homem identificado com o PS e o da AG um antigo presidente da Câmara pelo PSD.
O Rali das Camélias, uma das provas de maiores tradições no «Nacional» de Ralis, não se realizará este ano. Depois do clube organizador, o Arte e Sport, ter pedido um adiamento da prova que se deveria realizar no próximo fim-de-semana, na zona de Sintra, a Comissão Desportiva Nacional acabou por decidir pela sua anulação. No entender da entidade federativa, franceses: o sr Dias d'Almeida o sr Josquin des Prais o sr Cirille du Val o sr Marie de la Caaaaa