Um objetivo comum entre parte das empresas que operam sem faturar é desenvolver e testar diferentes produtos com o mínimo de custos possível. Com isso, elas podem observar o comportamento de seus clientes até encontrar algo pelo qual eles estejam dispostos a pagar. Para colocar no ar e aprimorar esses produtos ainda em desenvolvimento, também chamados de MVPs (Produtos Mínimos Viáveis, da sigla em inglês), empresas que fazem tudo de graça têm a vantagem de serem menos cobradas por escolhas erradas, diz Frederico Lacerda, da 21212. No caso da GuiaBolso, que mantém há um ano e meio um site no qual usuários cadastrados recebem gratuitamente dicas de finanças pessoais personalizadas, ainda não há uma definição sobre qual será a principal fonte de receita da empresa. Segundo o norte-americano Benjamin Gleason, sócio da companhia, não faria sentido começar o negócio cobrando, pois não havia ferramentas suficientes para convencer o cliente de que valeria a pena pagar. "O primeiro momento é muito importante para conhecer e aumentar a base de clientes, receber comentários e melhorar os produtos." Segundo ele, o site do GuiaBolso está recebendo cerca de 300 mil visitantes por mês, o que permite começar a testar agora produtos que podem tornar o negócio lucrativo. Entre as opções em análise estão ferramentas para um acompanhamento diário ou semanal das contas pessoais ou oferecer consultorias financeiras por telefone. A 99jobs, rede social em que funcionários e ex-funcionários podem avaliar anonimamente as empresas em que trabalharam, definiu de onde virá o dinheiro: das companhias que usam recursos da plataforma para conduzir recrutamentos. A empresa já fez duas seleções de jovens profissionais, de acordo com Bárbara Teles, 29, gerente de relacionamento da 99jobs. Porém a companhia espera desenvolver melhor esse serviço, conhecendo particularidades de empresas e profissionais com diferentes perfis, antes de buscar aumentar a receita "Até bater o martelo sobre como funciona o produto que a gente entrega, temos que entender qual é a demanda dos usuários. Não adianta precificar por precificar enquanto não tiver isso claro."