Ajuda externa: oportunidade perdida para lutar contra corrupção É por isso que, hoje, a direção da associação, “lamenta que as suas mais relevantes recomendações”, feitas junto da troika, “tenham sido ignoradas” A associação cívica Transparência e Integridade considera que Portugal desperdiçou a oportunidade, durante o programa de assistência financeira, de ficar mais transparente e menos corrupto, pelo que “o programa da troika não trouxe saída limpa para a corrupção”. No dia em que se assinala o fim da operação de resgate financeiro a Portugal a associação, em comunicado, diz que há três anos, quando da assinatura do memorando de entendimento de Portugal com a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu), apresentou sugestões e medidas de combate à corrupção que não foram postas em prática. É por isso que, hoje, a direção da associação, “lamenta que as suas mais relevantes recomendações”, feitas junto da troika, “tenham sido ignoradas”. E dá exemplos: faltou a implementação de uma estratégia global de combate à corrupção, não se criaram mecanismos de rigor, transparência e acesso efetivo à informação nos processos orçamentais, aumentou a opacidade e os cidadãos desconhecem a forma com o Estado gasta os seus recursos. Mas também, refere ainda a associação cívica, os conflitos de interesse na política “continuam a ser norma, nomeadamente no Parlamento”, e as privatizações “têm sido processos nebulosos”. “No que toca a prevenir e combater a corrupção na política e na Administração do Estado, o período de assistência económica e financeira que agora se fecha constitui, depois de anos de austeridade, empobrecimento e desesperança para os portugueses, uma oportunidade desperdiçada para Portugal”, conclui a associação. Criada em setembro de 2010, a Transparência e Integridade junta profissionais de vários setores e tem como finalidade (como ela mesma define) “promover a legalidade democrática e a boa governação, combatendo a corrupção” e fomentando os valores da transparência, integridade e responsabilidade. É representante em Portugal da Transparency International, uma organização internacional de luta contra a corrupção, criada em 1993 e que está hoje presente em mais de 100 países. *Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico Agência Lusa