Ucrânia. Relatório da ONU denuncia violação de direitos humanos O documento divulgado acusa os separatistas russos de cometerem crimes. A Rússia desvaloriza e diz que o relatório é tendencioso Um relatório das Nações Unidas (ONU) que foi tornado público ontem considera que há uma "preocupante deterioração" dos direitos humanos no Leste da Ucrânia devido à existência de casos de tortura, espancamentos, raptos e crimes sexuais e de perseguição aos órgãos de comunicação social. De acordo com o documento de 36 páginas publicado pelo gabinete de Navi Pillay, o aumento do número de manifestações organizadas por grupos que estão contra o governo de Kiev está na origem dos confrontos com as forças policiais em várias cidades do Leste ucraniano. Uma das maiores preocupações desta avaliação feita pela ONU está relacionada com a segurança daqueles que participam nas manifestações e com a apatia demonstrada pelas forças policiais, uma vez que em muitos casos as autoridades optaram por não usar a força contra os grupos rebeldes. A ONU acusa também as autoridades policiais de terem cooperado com alguns grupos armados, mas o relatório não especifica em que casos houve um conluio entre as várias polícias locais e os separatistas pró-russos. O diagnóstico da situação ucraniana foi realizado por elementos de 36 países que pertencem à ONU, entre 2 de Abril a 6 de Maio. A alta comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu "aos que exercem influência sobre os separatistas que façam o possível para controlar as acções destes homens para que o país não seja rasgado a meio". A exposição sobre a crise humanitária provocada pelo conflito ucraniano aborda ainda o de- saparecimento de 83 pessoas, referindo que, embora muitas tenham sido libertados, há registo de corpos encontrados em rios perto da região de Slaviansk e Donetsk. O relatório das Nações Unidas não se centra apenas no Leste da Ucrânia, sublinhando que também na Crimeia há um problema sério, especialmente com a população tártara, originária da região recentemente anexada pela Rússia. Os responsáveis por este estudo garantem que a minoria poderá enfrentar sérios riscos caso não obtenha a cidadania russa a curto prazo, revelando ainda as restrições à liberdade de movimentos dos líderes tártaros bem como situações de agressão física. Todos os passos da imprensa local e alguns cidadãos de origem muçulmana estão a ser vigiados pelas autoridades locais. O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo reagiu ao relatório da ONU através de um comunicado em que rejeitava as conclusões, tendo o gabinete liderado por Serguei Lavrov considerado que "o documento tem pouco a ver com a situação real que se vive na Ucrânia em matéria de direitos humano. A falta de objectividade total, as contradições revoltantes e a utilização de dois pesos e duas medidas não deixam dúvidas de que os autores cumpriram uma orientação política para branquear as autoridades autoproclamadas de Kiev", afirmou o porta-voz Alexandr Lukachevich. Francisco Castelo Branco