Duarte Lima. Depoimento revela novas incoerências no caso da morte de Rosalina O ex-deputado foi ontem a tribunal responder à rogatória enviada pelo Brasil no âmbito do assassinato da sua cliente Duarte Lima garantiu ontem no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa que a transferência de mais de 5 milhões de euros das contas de Rosalina Ribeiro para a sua do UBS não passou de um pagamento de honorários adiantado. Recusou no entanto responder à juíza encarregada de cumprir a carta rogatória enviada pelo Tribunal de Saquarema se declarou tal valor às Finanças em 2001. Segundo as autoridades brasileiras, os 5 milhões de euros foram transferidos pela ex--companheira do milionário Lúcio Tomé Feteira para uma conta de Duarte Lima para escapar a um possível bloqueio das suas contas no âmbito da disputa que a vítima mantinha em tribunais portugueses e brasileiros com Olímpia Feteira Menezes - cabeça-de-casal da herança. A acusação do Ministério Público brasileiro considera que Rosalina reclamava nos últimos anos esse montante e que Duarte Lima se recusava a devolver. O móbil do crime foi, para a investigação, o facto de Rosalina se negar a assinar uma declaração que isentasse o ex-líder parlamentar do PSD da responsabilidade de tal transferência. A acusação foi considerada por Lima "falsa" e "abjecta". O advogado português disse em tribunal não ter ligado para qualquer loja de armas, como refere a acusação, e garante ter "horror a armas". Mais contradições As suas declarações trouxeram novas incoerências a este caso. Duarte Lima garantiu ontem que combinou o encontro de dia 7 de Dezembro com a sua cliente ainda em Portugal, durante o dia 1 desse mês. Disse que foi nesse telefonema que combinaram o local e a hora e que desde aí nunca mais se falaram, pois o combinado era que só o fariam se algo se alterasse. Porém, na primeira comunicação que fez à polícia garantia que esse encontro fora agendado dia 5 de Dezembro, adiantando que a sua cliente tomou conhecimento da sua presença no Brasil e lhe pediu que se reunisse com ela. Outras questões ficaram no ar: como poderia ser o local do encontro a esquina a seguir à casa de Rosalina se existe uma câmara de videovigilância que a viu passar três quarteirões depois do seu prédio naquela noite? E como poderia o encontro estar já marcado para as 20h desde o dia 1 se Rosalina passou o dia todo em casa dizendo às suas amigas que não podia sair por não saber a que horas chegava a sua visita? Segundo Duarte Lima o encontro agendado para o Rio de Janeiro durou meia hora. Tempo em que falou com a cliente sobre o andamento do processo de união estável que corria em Portugal e sobre um interessado na compra da sua parte da herança - Arlindo, que extrai areia da fazenda da Pedra Grande pertencente à herança, era o interessado. A juíza questionou o ex-deputado se não seria lógico que, pelo menos, jantassem uma vez que Lima atravessara o Atlântico para tratar de um assunto urgente e questionou ainda se não achou estranho que a sua cliente lhe tivesse comunicado naquele momento que tinha uma reunião com uma mulher - Gisele - em Maricá após o encontro de ambos. Contrariando os amigos de Rosalina, Lima surpreendeu e disse que a sua cliente não tinha medo de andar à noite no Rio de Janeiro. Contou pela primeira vez que chegou mesmo a ver Rosalina entrar no carro dessa mulher loira com cerca de 40 anos, um Honda Civic cinzento. Durante mais de duas horas, a juíza fez grande parte das perguntas enviadas pelas autoridades judiciais brasileiras mas não confrontou o arguido com todas as questões contidas na carta rogatória. Carlos Diogo Santos