Seguro não convidou Mário Soares para a campanha das Europeias Soares não comenta o facto, apenas afirma ao i que vai votar PS. Ontem foi anunciada a participação de Sócrates no último dia de campanha, ao lado de Assis A entrar na última semana de campanha para as europeias, a direcção do PS não convidou até agora o fundador do partido para nenhuma iniciativa. Seguro quis mostrar alguma abrangência - e até Sócrates vai participar na campanha - mas dessa intenção foi excluído o ex-presidente da república, fundador e secretário-geral do PS de 1973 a 1985. Contactado pelo i , Mário Soares recusou-se a comentar o facto de, pela primeira vez, não ser convidado a marcar presença na campanha socialista. Apenas declarou que irá "votar no PS". A exclusão de Soares da campanha é o culminar de um afastamento entre Soares e Seguro que se tem vindo a agravar ao longo do último ano. Seguro não viu com bons olhos as iniciativas de Mário Soares na Aula Magna e não participou. Aliás, na "Grande Convenção Nacional" que Seguro organizou para apresentar hoje as bases do seu programa de governo (ver página 6) estão previstas várias intervenções e depoimentos gravados, entre os quais se encontram figuras de topo do PS, como o ex-líder Ferro Rodrigues, Manuel Alegre, António Vitorino, Almeida Santos, António Arnaut, João Cravinho ou Augusto Santos Silva. O nome de Mário Soares não consta. Crescente afastamento Há uma semana, num debate em Loulé, o fundador do partido mostrou estar reservado quanto ao resultado eleitoral: "Procuro ser realista, gostaria que o PS ganhasse por muito, mas dadas as sondagens e tudo o que se sabe, vai ganhar, mas não por muito." Já depois da crise política do Verão passado e das negociações que se seguiram entre maioria e PS, Soares mostrou-se desiludido com a forma como o líder do PS gerira o processo, numa entrevista ao i : "Fiquei desiludido com o discurso brando com que anunciou o desacordo e deixou algumas portas abertas para uma nova discussão". Na resposta, Seguro apenas disse ter "uma imensa ternura e um imenso carinho pelo doutor Mário Soares". Soares tem participado nas últimas campanhas do partido, mas até agora não recebeu nenhum convite e a ausência está provocar algum incómodo interno. O i questionou a direcção socialista sobre a intenção de ter Soares em campanha, mas não teve resposta até ao fecho desta edição. Nos bastidores, as perguntas sobre a presença do fundador são sempre contornadas. Mário Soares fez campanha pelo PS nas últimas europeias, legislativas e autárquicas. Nas autárquicas de Setembro, já com Seguro na liderança do partido, esteve em Sintra com Basílio Horta e nas últimas europeias (2009) tinha estado ao lado do cabeça-de-lista do PS, Vital Moreira, na tradicional descida do Chiado, em que participaram também Maria Barroso, Almeida Santos, Ferro Rodrigues e António Costa. Nestas últimas semanas foi divulgada a participação de nomes como o do histórico Manuel Alegre, numa acção de campanha em Coimbra, ou do ex-líder do partido, José Sócrates, que vai marcar presença precisamente no dia da descida do Chiado, que costuma juntar ex-líderes. O ex-primeiro-ministro vai estar no tradicional almoço na Cervejaria Trindade, no último dia de campanha, e este anúncio acabou por centrar muitas das picardias entre candidaturas, no dia de ontem. O cabeça-de-lista socialista, Francisco Assis, apressou-se a sacudir eventuais embaraços com a presença de Sócrates em campanha, e disse apenas que isso é sinal de que "o PS está unido". Já Paulo Rangel disse, citado pela Lusa, que "caiu a máscara" ao PS. Embora seja "só no fim, que é para se ver pouco", a presença de Sócrates demonstra que a mudança prometida pela actual liderança dos socialistas "é o regresso ao passado". Um ataque recorrente na candidatura da maioria que ontem ouviu a candidata do BE, Marisa Matias, acusar a direita de ter "vários relógios avariados", já que "está a fazer esta campanha como se fosse em 2011. O adversário permanente que ele [Rangel] tem, em corpo presente ou espiritual, é sempre José Sócrates". Com Luís Claro e Rita Tavares Ana Sá Lopes